A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta ESTE INFORME TEVE O APOIO FINANCEIRO DE: União Europeia Altstoff Recycling Austria SUPPORTED BY Ministério Federal de Agricultura, Silvicultura, Ambiente e Gestão de Água da Áustria Agência Austríaca de Desenvolvimento Prefeitura de Viena CRÉDITOS: EDITORA: GLOBAL 2000 Verlagsges.m.b.H, Neustiftgasse 36, 1070 Wien, Áustria. – PROPRIEDADE E CONTEÚDO: Umweltschutzorganisation GLOBAL 2000, ZVR (Número do Cadastro Central de Associações na Áustria): 593514598, Neustiftgasse 36, 1070 Wien, Áustria, e Sustainable Europe Research Institute (SERI), ZVR: 215027957, Garnisongasse7/17, 1090 Wien, Áustria – TEXTO: Stephan Lutter, Christine Polzin, Stephan Giljium, Tamás Pálfy, Thomas Patz, Monika Dittrich, Lisa Kernegger, Ariadna Rodrigo – ESTUDOS DE CASO: Bruna Engel (Brasil), Didrot Nguepjouo (Camarões), Patricia Soto, Ana Maria Lemus (Chile) e Mensah Todzro (Togo) – GRÁFICOS: Gerda Palmetshofer, Tamás Pálfy – AGRADECIMENTOS: Agradecemos a Becky Slater de Amigos da Terra (Inglaterra, Gales e Irlanda do Norte), pelo apoio ao conteúdo deste relatório; aos parceiros dos projetos locais de Amigos da Terra nos seguintes países: Brasil, Camarões, Chile e Togo, pelos estudos de caso; também, aos tradutores deste relatório. – EDIÇÃO: Carin Unterkircher e Stella Haller – LAYOUT: Hannes Hofbauer – EDIÇÃO FOTOGRÁFICA: Steve Wyckoff – FOTOS: Paul Lauer (p19), Leonardo Melgarejo/Xingu Vivo Para Sempre (p26), iStockphoto (p3, p11, p13/14, p25), shutterstock (p22, p28), GLOBAL 2000 (p10, p13/14, p20, p31, p32), Tapa: Haroldo Horta, Capa: Haroldo Horta – IMPRESSÃO: Janetschek, 3860 Heidenreichstein, Áustria, www.janetschek.at – IMPRESSO COM TINTA VEGETAL EM PAPEL RECICLADO, 100% RECICLÁVEL. © GLOBAL 2000, SERI, Friends of the Earth Europe, novembro de 2011 O conteúdo desta publicação é de inteira responsabilidade da GLOBAL 2000 e do SERI, não expressando a posição da União Europeia. 2 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta RESUMO Este relatório trata do consumo dos recursos naturais e, precisamente, da água e explora as interligações existentes entre estes recursos. Cada vez mais pesquisas analisam os níveis de extração, comércio e consumo de matérias-primas e produtos. As ligações existentes entre os diferentes recursos, incluindo a água, tendem, portanto, a ser ainda menos conhecidas. Este segundo relatório da série relativa ao consumo dos recursos naturais (após o relatório de 2009, “Overconsumption? Our use of the world’s natural resources”) tem por objetivo contribuir para uma melhor compreensão destas interligações e para promover o debate sobre o consumo de nossos recursos por meio de vários exemplos ilustrativos do uso da água. A água é indispensável em praticamente todas as fases do fluxo de materiais. Em torno da metade de toda a água renovável e acessível no planeta é utilizada para o cultivo de alimentos, o abastecimento de água potável, a geração de energia e a produção de outros bens e serviços. Na Europa, quase a metade da água se destina a processos de refrigeração no setor de energia. O restante é consumido pela agricultura, pelo abastecimento público e pela indústria. Há grandes disparidades regionais no consumo de recursos e água. Por exemplo, um habitante da América do Norte consome, em média, a maior quantidade de água e matérias no mundo (7.700 litros e 100 quilogramas, respectivamente). Já um habitante da África consome, em média, a menor quantidade no mundo: 3.400 litros de água e 11 quilogramas de matérias por dia. A pegada hídrica dos nossos hábitos de consumo é consideravelmente maior que a do nosso consumo direto de água. Grande parte das mercadorias consumidas na Europa, incluindo alimentos e outros produtos agrícolas, são cultivadas e produzidas fora da Europa. Paradoxalmente, muitos países que dispõem de recursos limitados em água doce usam boa parte da sua água para a produção de bens de exportação para países com água em abundância. O aumento na extração de matéria-prima e na captação de água está relacionado ao desenvolvimento do co-mércio internacional nas últimas décadas. Devido ao crescimento contínuo do comércio mundial, a quantidade de água embutida, ou virtual, consumida também está em alta, haja visto que muitos bens e serviços exigem água para sua produção. Tanto os países industrializados quanto, mais recentemente, os países emergentes elevaram sua importação líquida de recursos, geralmente provenientes de países em vias de desenvolvimento. Os países mais eficientes no uso dos recursos são, na sua maioria, também os maiores consumidores. As melhoras em direção a um uso mais eficiente dos recursos realizadas até hoje se mostraram, por si só, insuficientes para obter reduções absolutas em nosso consumo de recursos. A escassez de água vem se acentuando em muitas regiões do mundo, portanto é imprescindível usarmos os recursos hídricos de forma mais eficiente e econômica a todos os níveis – na indústria e agricultura, no uso doméstico e no abastecimento público. Vivendo em um mundo onde os recursos estão limitados, temos que abordar os elos entre o uso dos nossos recursos, o crescimento econômico e a prosperidade das populações. Nosso modelo de crescimento se baseia em níveis elevados de consumo contínuo. Mas este sistema é marcado pelas desigualdades cada vez mais salientes entre as regiões do mundo e pelos níveis alarmantes de utilização de recursos por parte de uma pequena minoria da população mundial. Precisamos adaptar urgente e fundamentalmente a gestão econômica dos nossos recursos naturais e dos serviços que eles fornecem. Faz-se, portanto, necessário que seja criado um quadro político que penalize práticas não sustentáveis e incentive comportamentos que favorecem o uso eficiente dos recursos para que seja interessante para as empresas, tanto politica quanto economicamente, diminuírem o seu uso de recursos naturais. Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 3 ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................................... 5 2. EXTRAÇÃO ........................................................................................................................................................... 6 2.1 MATÉRIAS-PRIMAS ........................................................................................................................................... 6 2.2 ÁGUA ............................................................................................................................................................... 8 3. COMÉRCIO .......................................................................................................................................................... 14 3.1 COMÉRCIO DE MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS ............................................................................................ 14 3.2 COMÉRCIO DE ÁGUA ....................................................................................................................................... 17 4. CONSUMO ........................................................................................................................................................... 21 4.1 CONSUMO DE MATÉRIAS-PRIMAS ................................................................................................................... 21 4.2 CONSUMO DE ÁGUA ........................................................................................................................................ 23 5. EFICIÊNCIA ......................................................................................................................................................... 27 5.1 EFICIÊNCIA DE MATÉRIAS-PRIMAS .................................................................................................................. 27 5.2 EFICIÊNCIA HÍDRICA ...................................................................................................................................... 28 6. VENCER O DESAFIO .......................................................................................................................................... 31 ESTUDOS DE CASO A EXTRAÇÃO DE LÍTIO NO NORTE DO CHILE ................................................................................................... 12 A IMPORTÂNCIA DO COMÉRCIO DE ALGODÃO EM CAMARÕES E NO TOGO .......................................... 20 USINA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE NO BRASIL ..................................................................................... 26 4 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta 1. INTRODUÇÃO O uso de recursos renováveis e não renováveis é, desde sempre, uma pedra angular da humanidade. Este relatório analisa as tendências recentes no consumo de recursos – incluindo a extração, o comércio e a eficiência.1 Durante boa parte da nossa história, nosso uso dos recursos naturais do planeta não houve nenhum impacto significativo sobre o meio ambiente. Nas últimas décadas, no entanto, o uso de muitas matérias-primas, incluindo os metais, minerais, combustíveis fósseis e a biomassa, atingiu níveis alarmantes. Assim sendo, o funcionamento sustentável dos nossos ecossistemas e dos serviços que estes fornecem está em perigo. É de suma urgência estabelecermos estratégias para tornar o uso dos recursos mais sustentável. A dimensão e os hábitos do nosso consumo de recursos naturais afetam substancialmente os recursos hídricos do nosso planeta. No mundo inteiro, os problemas relacionados à água, como a escassez de água e a poluição, se multiplicam. Este relatório traz, pela primeira vez, um novo olhar sobre as ligações existentes entre os diversos usos de matérias-primas e seus efeitos sobre os recursos hídricos do planeta. Diante dos desafios precisamos compreender e enfrentar essas relações mútuas. A água é indispensável em praticamente todas as fases do fluxo de materiais, da extração de matérias-primas até seu tratamento, sua reciclagem ou eliminação. Este relatório destaca o papel fundamental que a água desempenha durante cada fase, utilizando, aliás, vários estudos de caso e exemplos a título de ilustração. O relatório também revela como a disponibilidade da água determina o que e quanto podemos produzir e de que forma a produção e o consumo influenciam a qualidade e a quantidade dos nossos recursos hídricos. No contexto da globalização e da complexidade cada vez mais acentuada das cadeias de suprimentos, a água é de suma importância também no comércio. A água é geralmente necessária para a produção de mercadorias de exportação; por conseguinte, os problemas locais de degradação e poluição de água estão intimamente ligados à economia local que, ela, está ligada ao mercado mundial. Este relatório analisa os fluxos de água virtual que permitem avaliar melhor a situação real nos diferentes países em relação à água. O RELATÓRIO SE DIVIDE EM CAPÍTULOS TEMÁTICOS: O capítulo 2 dá uma breve visão sobre a extração de matérias-primas em termos quantitativos a nível mundial (19802007) e sobre a extração de água. Um estudo de caso do Chile explica a extração de lítio e seus impactos sobre os recursos hídricos locais. O capítulo 3 estuda a dimensão e os padrões do comércio mundial de matérias-primas. Apresenta, em números, a exportação total de matérias-primas das diferentes regiões do mundo e esclarece quais são os países exportadores líquidos e quais, os importadores líquidos de recursos no mundo. A segunda parte do capítulo foca nos fluxos de água entre os países, sobretudo de água virtual. São identificados os principais exportadores de água virtual no mundo. O estudo de caso nos permite acompanhar uma camiseta na sua viagem pelo processo produtivo para assim melhor compreender a estruturação do comércio de algodão e a pegada hídrica causada durante o processo. O capítulo 4 se propõe a comparar os diferentes níveis e modos de consumo de recursos e seus impactos nas regiões do mundo e expõe o consumo de água na Europa por setores. Mostra, aliás, a diferença considerável que pode haver entre a extração de recursos em um país ou uma região e o seu consumo efetivo de recursos. O capítulo 5 mostra tendências na eficiência de recursos e no desacoplamento relativo entre o crescimento econômico e o consumo de recursos nas diferentes regiões do mundo. Identifica alguns dos principais fatores que estimulam a eficiência de recursos e compara a eficiência na extração e no consumo de recursos pelo mundo. A eficiência de recursos é também um aspecto importante em relação ao uso da água; assim sendo, o capítulo 5 dá conta das tendências atuais no uso de água na agricultura e na indústria, bem como no setor doméstico, entre outros, e identifica áreas em que seria possível melhorar a eficiência e, assim, economizar quantidades significativas de água. O capítulo 6 aborda a questão de como vencer o desafio. Sugere estabelecer um quadro político adequado para garantir a formulação de respostas viáveis e efetivas aos principais desafios aqui mencionados. Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 5 2. EXTRAÇÃO 2.1 MATÉRIAS-PRIMAS Viemos extraindo, pescando e colhendo cada vez mais recursos naturais para produzir bens e serviços. Aumenta, portanto, também o número dos desafios ambientais e sociais que daí resultam, como a destruição de terras férteis, a exploração excessiva dos recursos hídricos e o desrespeito aos direitos trabalhistas e à legislação social. A maior parte da extração de recursos se concentra na Ásia (44%). As taxas de extração per capita divergem consideravelmente entre os continentes. Aumento na extração mundial de recursos. Em função do crescimento contínuo da população e da economia no mundo, exploramos nossos ecossistemas e recursos subterrâneos como nunca antes, a um ritmo cada vez mais rápido. Em 2007, o peso total de todos os recursos extraídos e colhidos no mundo montou a aproximadamente 60 bilhões de toneladas2; o correspondente a cerca de 25 quilogramas por pessoa que vive no nosso planeta, por dia. O termo extração abrange as atividades mineiras, a pesca, a colheita e o desmatamento. A totalidade dos recursos extraídos inclui, assim, tanto os recursos renováveis (por exemplo, os produtos agrícolas, o peixe e a madeira) como também os não renováveis (os combustíveis fósseis, minérios, minerais industriais e de construção, entre outros). Para ter acesso a qualquer matéria-prima específica, através da extração ou da colheita, geralmente se faz necessário extrair ou remover também outras matérias do solo que não são utilizadas diretamente no processo produtivo, como na exploração mineira, por exemplo. Mais de 40 bilhões de toneladas dessas matérias acessórias são extraídas a cada ano, levando o total de matérias extraídas anualmente a 100 bilhões de toneladas; aproximadamente 40 quilogramas por pessoa, por dia. Bilhões de toneladas Gráfico 1: Extração mundial de recursos naturais, entre 1980 e 2007 (i) 60 50 Metais 40 20 Minerais industriais & de construção Combustíveis fósseis 10 Biomassa 30 0 1980 1985 1990 1995 2000 6 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta 2005 2007 Gráfico 2: Extração de matérias-primas por pessoa, por dia, em 2004 (ii) Extraçãodematérias-primas 34 92 15 EUROPA ÁSIA AMÉRICA DONORTE 15 41 ÁFRICA AMÉRICA LATINA 153 OCEANIA 1mochilacheia=20kgdematérias-primasextraídasporpessoa,pordia O aumento contínuo na produção de bens e serviços causa uma procura cada vez mais forte por recursos naturais. Nas últimas três décadas, a extração mundial aumentou em aproximadamente 60%, subindo de menos de 40 bilhões de toneladas, em 1980, para mais de 60 bilhões de toneladas, em 2007 (Gráfico 1). Este aumento atingiu todos os tipos de extração: a biomassa, os combustíveis fósseis, os minérios e os minerais industriais e de construção. Enquanto a extração de gás, areia e cascalho dobrou, já a de minério de níquel triplicou. Há também uma demanda cada vez maior por recursos bióticos, com o resultado de ver a biodiversidade reduzida pela pesca excessiva, o desflorestamento e outros impactos ambientais. A dupla exploração das matérias-primas: os custos sociais e ambientais. A extração e o tratamento de recursos naturais exigem muitas vezes o uso de outros recursos, tais como energia, água e solo. Estes podem ser diretamente integrados dentro do próprio processo de produção ou então ser indiretamente afetados, através da destruição de terra fértil, da falta de água ou da poluição tóxica, por exemplo. A extração a baixo custo, em algumas regiões, se torna possível apenas ao custo do desrespeito a normas sociais e direitos humanos, por meio de condições de trabalho e remuneração precárias. A distribuição desigual dos recursos extraídos no mundo. A quantidade de matérias-primas extraídas em cada continente depende principalmente da superfície, da disponibilidade de recursos, da população e do nível de desenvolvimento econômico. Em 2007, a maior parte da extração de recursos no mundo se concentrou na Ásia (44%), seguido pela América do Norte (18%), a América Latina (15%), a Europa (12%), a África (8%) e a Oceania (3%). A taxa da extração de recursos por pessoa também varia de um continente para outro. A Oceania tem a extração mais baixa do mundo, mas sua taxa de extração por pessoa é a mais alta. Em 2004, a Oceania extraiu 59 toneladas por pessoa, por ano, seguido pela América do Norte (33 t), a América Latina (15 t), a Europa (13 t), a África (6 t) e a Ásia (6 t). O gráfico 2 ilustra os mesmos dados por pessoa, por dia. Estas proporções de extração por pessoa não sofreram nenhuma mudança significativa desde 1980. Já então, a Oceania tinha a maior extração por pessoa no mundo, com crescimento contínuo até hoje, devido à expansão acentuada da exploração mineira na Austrália, como do carvão, do ferro e da bauxita. A extração por pessoa da América Latina era inferior à da Europa; mas cresceu devido à forte ambição do continente de exportar, assim como à demanda mundial cada vez mais importante por minérios, madeira e produtos agrícolas, inclusive a soja. Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 7 2. EXTRAÇÃO 2.2 ÁGUA Cerca da metade da água doce renovável e acessível no planeta é utilizada para o consumo de água potável, o cultivo de alimentos, a geração de energia e a produção de outros bens e serviços. Na Europa, quase a metade de toda a água captada destinase à refrigeração no setor da energia. O resto é captado para o uso de agricultura, abastecimento público de água e indústria. A nível mundial, é a irrigação no setor agrícola que mais consome água. O ser humano se apropriou, hoje, de mais da metade da água doce renovável e acessível no planeta. Alguns poucos exploram a água em excesso, enquanto os demais bilhões de pessoas ainda carecem os serviços de água mais básicos.3 O crescimento demográfico, como também econômico contribuem para aumentar a pressão exercida sobre nossos recursos hídricos. Se a tendência atual continuar, muitas regiões no mundo deverão enfrentar uma escassez de água progressiva durante as próximas décadas. Na União Europeia (UE), 13% de todos os recursos em água doce renováveis e acessíveis são explorados anualmente. Enquanto este número parece sugerir que na Europa seria mais fácil administrar as secas e a falta de Gráfico 3: Extração de água, em litros por pessoa, por dia, em diferentes regiões do mundo, em 2000 (iii) Extração de água AMÉRICA DO NORTE 4.350 1.500 EUROPA ÁSIA 1.600 650 ÁFRICA 1.300 AMÉRICA LATINA 2.350 OCEANIA 1 gota completa de água = 1.000 litros de água extraída por pessoa, por dia 8 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta Gráfico 4: WEI em países europeus, para 1990 (iv) e depois de 2005 (v) 70% 60% 50% 40% WEI->2005 WEI-1990 30% 20% 10% 0% Finlândia Áustria Rep. Tcheca França água, a distribuição desigual dos recursos hídricos e da população pelo continente europeu provoca extrema seca em algumas regiões, principalmente no Sul. Muitos países mediterrâneos enfrentam grande estresse hídrico. Até dentro do mesmo país, a situação pode se apresentar extremamente heterogênea: Na Espanha, por exemplo, é frequente faltar água no sul do país (Andaluzia), enquanto algumas regiões no norte dispõem de água em abundância (p.ex. Galiza). Para monitorar e avaliar a pressão tendencial sobre os recursos em água doce na Europa, a Agência Europeia do Ambiente aplica o Índice de Exploração de Água (WEI, do inglês Water Exploitation Index). Este é o quociente entre a quantidade total de água doce usada por ano e a disponibilidade de recursos em água renováveis para uma região. Um WEI superior a 10% denota iminente escassez de água na reserva hídrica; já um WEI superior a 20% é sinal de grave escassez de água e indica que o uso dos recursos hídricos em questão é claramente insustentável. Em 2005, o Chipre, a Bélgica e a Espanha tiveram o WEI mais alto da Europa (64%, 32% e 30%, respectivamente). Durante as duas últimas décadas, o WEI diminuiu em 24 países da UE, pois a captação total de água caiu 15% (principalmente devido ao declínio econômico nos Estados-membros do Leste da UE). São apenas cinco países, em que o total de água captada aumentou durante o período de 1990 a 2007.4 O gráfico 4 mostra seis países europeus com seus índices correspondentes. Espanha Chipre A escassez de água em países e ilhas mediterrâneos é muitas vezes causada pela baixa frequência das chuvas, com grandes irregularidades ao longo de um ano ou de um ano para o outro. No caso das ilhas, o isolamento geográfico e a impossibilidade de usar recursos de água mais distantes para completar sua demanda podem acentuar mais ainda o estresse hídrico.5 Como a água é distribuída? No continente europeu, as maiores quantidades de água são captadas para fins de refrigeração no setor da energia (45%), seguido pela agricultura (22%), o abastecimento público de água (21%) e a indústria (12%). Os dados regionais e nacionais podem, porém, apresentar divergências consideráveis em relação a essas médias. No Sul da Europa, a agricultura é responsável por mais de 50% da captação de água (em alguns países mais de 80%), enquanto na Europa Ocidental mais de 50% da água captada se destina à refrigeração no setor da energia. Da mesma forma, a captação de água para o setor industrial explica 20% da captação total na Europa Ocidental, contra apenas cerca de 5% no Sul da Europa (Gráfico 5).6 Os dados relativos ao uso da água para a agricultura são particularmente interessantes quando formos considerar a quantidade da produção que é destinada ao consumo doméstico contra a quantidade destinada à exportação. Pois é frequente, em muitos países que dispõem de pouca água, o cultivo a regadio intenso de produtos agrícolas destinados à exportação. Na Espanha, por exemplo, estas exportações Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 9 milhões m3/ano Gráfico 5: Captação de água para diversos setores em três regiões europeias (milhões m³/ano) entre 1997 e 2007 (vi) 90 80 70 Abastecimento público de água Irrigação 60 50 40 Indústria 30 Energia 20 10 0 Europa Oriental Europa Ocidental representam apenas 3% do PIB e 5% do emprego nacional.7 Cerca de dois terços da água utilizada no setor agrícola na Espanha (60%) são usados para a irrigação de culturas que trazem uma contribuição apenas marginal para o valor acrescentado bruto total da agricultura. Assim, a Espanha produz principalmente culturas de baixo valor, mas de alto consumo de água. A extração de matéria-prima tem um forte impacto sobre os recursos hídricos. Além do impacto causado pela captação de água em processos industriais (por exemplo fluxos residuais abaixo do caudal ecológico mínimo), a extração de outras matérias-primas também afeta violentamente nossos recursos hídricos. Assim sendo, os processos de Sul da Europa extração (como a eletrólise) de vários minérios, inclusive o cobre e o alumínio, exigem grandes volumes de água e geram grandes quantidades de águas altamente contaminadas que deveriam ser armazenadas e cuidadosamente tratadas com muito esforço. Com a aplicação de fertilizantes no setor agrícola, os poluentes nitrogênio e fósforo são liberados para águas receptoras, ou seja, para os rios, as águas subterrâneas e os oceanos. Eles não apenas poluem as reservas de água potável, como também são responsáveis pela eutrofização (o acúmulo excessivo de nutrientes provocando blooming, ou “florescimento”) em trechos do rio a jusante ou em zonas costeiras. 10 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta O gás de xisto e seus impactos sobre a água A exploração do shale gas, ou gás de xisto, está nas capas dos jornais do mundo inteiro. Trata-se de um novo combustível fóssil que provoca grande polêmica. Considerado a maior fonte de energia para o futuro por alguns, o gás de xisto é igualmente associado a uma longa lista de problemas ambientais, sobretudo a poluição das águas, o uso excessivo de água e a alta emissão de metano durante o processo da extração. O gás de xisto é um gás não convencional, encontrado em reservas de xisto. O xisto é uma rocha sedimentar formada à base de lamitos, argilitos e outras rochas de granulação fina; é menos permeável do que outras formações rochosas que contêm gás. O gás de xisto pode ser usado como combustível para usinas elétricas, microusinas elétricas (para o uso doméstico), carros e caminhões. Novas técnicas de perfuração contribuíram para diminuir os custos e aumentar o volume de extração de gás de xisto. Nos anos 1990, as companhias produtoras de gás desenvolveram uma técnica conhecida como fraturamento hidráulico (ou fracking); neste processo, a água é injetada em alta pressão nas formações rochosas de xisto (uma rocha sedimentar não porosa, encontrada principalmente em reservas subterrâneas profundas, abaixo do nível do lençol freático) permitindo assim que o gás natural contido dentro das formações rochosas seja liberado e levado à superfície.8 A extração do gás é também possível pela perfuração horizontal. O uso do gás de xisto envolve grandes riscos, especialmente em relação ao processo do fraturamento hidráulico. Existem preocupações quanto à contaminação da água potável por substâncias químicas envolvidas no fracking (por exemplo o benzeno ou o tolueno9), seja durante o processo da perfuração, seja quando as águas residuais são despejadas ulteriormente. Um quarto da água injetada retorna à superfície depois do processo do fracking, sendo que a água contém não apenas substâncias químicas, mas provavelmente também concentrações altas de sal, metano e materiais radioativos naturais lixiviados. Estas substâncias químicas, assim como o próprio gás podem contaminar os recursos hídricos destinados ao abastecimento local, se não forem tratados de forma adequada em uma estação de tratamento de água residuária. Outros problemas relativos à alta concentração química na água podem ocorrer ainda, caso aconteça um acidente na superfície ou se o furo não for devidamente isolado ou tampado depois de fechar o poço de gás. A mais, os grandes volumes de água que são necessários para a extração do gás de xisto podem acarretar uma forte pressão sobre as reservas hídricas nos arredores do poço. A experiência do depósito de xisto de Barnett, nos EUA, indica que os poços horizontais podem exigir até cinco vezes a quantidade de água usada em poços verticais.10 As emissões associadas aos processos adicionais necessários para a extração do gás de xisto são enormes. A Cornell University compara, em suas pesquisas, a pegada de carbono do gás de xisto às do gás convencional, do carvão e do óleo diesel. Constatou-se que as emissões de metano relativas ao gás de xisto são 1,3 a 2,1 vezes mais altas do que as provocadas pelo gás convencional. As pesquisas mostram também que a pegada do gás de xisto sempre foi maior do que as pegadas do gás ou do petróleo convencionais, e sobretudo nos últimos vinte anos.11 Nos EUA, a extração do gás de xisto já é responsável por um quarto do metano.12 Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 11 A EXTRAÇÃO DE LÍTIO NO NORTE DO CHILE13 Ocorrência e aplicações O lítio é o metal mais leve no mundo. Sua relevância aumentou drasticamente com o desenvolvimento das baterias de lítio, que são mais leves e têm uma vida útil maior do que as baterias convencionais de níquel. São usadas em carros elétricos, máquinas fotográficas, computadores portáteis, celulares e vários outros aparelhos. Os principais depósitos de lítio para baterias são encontrados em lagos salinos e salmouras. As reservas de lítio mais importantes estão localizadas no chamado “Triângulo de Lítio”, composto por Bolívia, Argentina e Chile. A extração de lítio no Chile se concentra no extremo norte do país, no Salar de Atacama. O deserto do Atacama está entre os lugares mais áridos no mundo, com apenas 1 milímetro de chuva a cada 5 a 20 anos em certas áreas onde a drenagem é, portanto, praticamente inexistente. O maior produtor de lítio no Chile é a SQM, uma empresa controlada por um empresário chileno e pela canadense Potash Corporation of Saskatchewan, que produz aproximadamente 21.000 toneladas de carbonato de lítio por ano. A segunda companhia de lítio é a norte-americana Sociedad Chilena del Litio (SCL). Juntos, são responsáveis por 58% da produção mundial de lítio. Para a produção de lítio, as salmouras (uma solução de água do solo saturada com altas concentrações de sais) são captadas e bombeadas para as lagoas de evaporação. Por meio de várias etapas de evaporação é possível atingir a concentração de lítio necessária para se obter o carbonato de lítio; este, a seguir, ainda percorre vários outros passos de tratamento. Além do lítio, o método aqui descrito serve, também, para a extração de cloreto de potássio. Dependendo do local de extração, o produto principal será o lítio, e o potássio, o derivado; ou vice-versa. Os impactos da mineração de lítio no norte do Chile A mineração de lítio no Salar de Atacama afeta direta e substancialmente as reservas hídricas. A extração das salmouras causa uma queda no nível do lençol freático e uma redução dos evaporitos. Primeiramente, faltam medidas para recuperar e reinserir a água no lençol freático, depois da sua evaporação nas lagoas, que tem por objetivo 12 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta aumentar a concentração lítica. Em decorrência, as campinas e zonas úmidas correm o risco de secar, assim afetando diretamente os frágeis habitats de nidificação de aves e terras tradicionalmente destinadas ao pasto. Daí resulta uma mudança drástica na morfologia das lagunas que caracterizam esses ecossistemas. Os caminhões que transportam o material para as usinas de tratamento causam uma poluição do ar. Um outro fator poluente são as nuvens de poeira que se formam durante o processo da extração. Esta poeira que contém altos teores em minerais, particularmente carbonato de lítio, é levada para as povoações arredores (por exemplo os municípios de Socaire e Peine), para as terras de pastagem e regiões protegidas, prejudicando, deste modo, a saúde da população e contaminando o solo e a água. Todas as usinas de lítio estão localizadas em zonas de natureza previamente intacta. Hoje, o aumento na atividade humana nas usinas e nos seus arredores (poluição sonora, construção rodoviária, circulação de veículos, máquinas e trabalhadores, entre outros) vem afetando cada vez mais os ecossistemas e corredores biológicos, causando a extinção da flora e da fauna nativas, como também a erosão do solo. Além do mais, as antigas rotas frequentadas, desde sempre, pelos pastores de gado são bloqueadas e se tornam inacessíveis. De ponto de vista social, as usinas de lítio geraram emprego, assim favorecendo uma melhora na situação econômica da população local. No entanto, são principalmente trabalhos de baixa qualificação que são propostos aos nativos da região. Já o trabalho mais especializado está aberto, primeiramente, para migrantes vindo de outras regiões do Chile ou de outros países. Dentro do contexto social ainda se insere a questão complexa do uso e da propriedade das terras. Tradicionalmente, o território pertencia ao povo do Atacama. Este povo indígena se considera, ao seu entender, como parte integrante do ecossistema, portanto responsável pela gestão e preservação dos seus recursos naturais, e não aceita, consequentemente, nenhum parcelamento do território. Em contraposição, a indústria mineira estendeu suas atividades para dentro de regiões como o Salar de Atacama, que abriga uma biodiversidade frágil e culturas vulneráveis, com características ecológicas insubstituíveis e de valor inestimável para a população local. Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 13 3. COMÉRCIO 3.1 COMÉRCIO DE MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS Houve um crescimento marcante no volume de comércio mundial nas últimas décadas. A contribuição das economias emergentes para o comércio mundial aumentou em detrimento aos países europeus industrializados, que viram sua participação diminuir. Desde os anos 1960, traça-se, a nível mundial, um quadro relativamente estável no que diz respeito à questão de um país ser importador líquido ou exportador líquido. Os países industrializados e, mais recentemente, as economias emergentes aumentaram suas importações líquidas de recursos, sendo que os países em vias de desenvolvimento fornecem quantidades cada vez mais importantes. A diferença entre o crescimento do comércio mundial, em termos físicos e monetários, em 1980 e em 2008, revela um desacoplamento relativo, mas não absoluto (veja o box abaixo). O volume de fluxos comerciais se multiplicou por 2,7, enquanto o valor monetário (em preços atualizados) se multiplicou por quase dez (cf. gráfico 7). O aumento no comércio mundial se apresentou muito mais estável em termos físicos do que monetários, o que reflete a influência e a importância da evolução dos preços dos recursos. Gráfico 6: O comércio mundial de recursos naturais, entre 1980 e 2008, em milhões de toneladas (vii) milhões de toneladas O comércio mundial em crescimento contínuo. Em 1980, o comércio internacional de produtos e matérias-primas começou a crescer notavelmente, tanto a nível de volume físico quanto em termos de valor monetário. O gráfico 6 mostra o aumento nos fluxos de comércio direto de matérias-primas a nível mundial de aproximadamente 3,8 bilhões de toneladas, em 1980, para 10,3 bilhões de toneladas, em 2008. 10.500 9.000 7.500 6.000 4.500 3.000 1.500 0 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2008 Combustíveis fósseis Metais Minerais Biomassa DESACOPLAMENTO RELATIVO, ABSOLUTO E DE IMPACTOS Desacoplamento relativo: A taxa de crescimento do resultado econômico (produto interno bruto – PIB) é mais alta do que a taxa de crescimento do consumo de recursos. Desacoplamento absoluto: A taxa de crescimento do PIB é positiva e a taxa de crescimento do consumo de recursos é negativa. Desacoplamento de impactos: A taxa de crescimento do PIB é positiva, enquanto os impactos ambientais negativos diminuem. 14 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta Outros Gráfico 7: Índice dos volumes comerciais mundiais físicos (à esquerda) e monetários (à direita), de 1980 a 2008, 1980 = 100 (viii) 1.000 1.000 Produtos agrícolas Metais e minerais Combustíveis Produtos industriais 800 600 Produtos agrícolas Metais e minerais Combustíveis Produtos industriais 800 600 400 400 200 200 0 0 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2008 As taxas do crescimento comercial de matérias-primas dos países emergentes marcados por um crescimento rápido, como o Brasil, a China e a Índia, são as mais altas no mundo, há duas décadas. Sua participação no comércio mundial aumentou, enquanto a participação dos países europeus industrializados diminuiu.14 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2008 O Gráfico 8 mostra as matérias-primas inseridas no mercado mundial, por continente, ou seja, a participação porcentual de cada região à oferta mundial de determinados tipos de matéria-prima ou produtos, em unidades físicas, em 2008. Vale ressaltar que, hoje, a Ásia (especialmente a Rússia e o Cazaquistão) fornece mais petróleo, gás natural e carvão ao mercado mundial do que o Oriente Médio. Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 15 Gráfico 8: O comércio de recursos e suas origens, em 2008, com a participação das diferentes regiões à oferta mundial (em %) (ix) Produtos agrícolas Produtos Produtos agrícolas agrícolas Produtos Produtosagrícolas agrícolas Minerais Minerais Minerais Minerais Minerais 3%3% 3% 3%3% 3% 1%1% 1% 3% 3%3% 3%1% 1% 17% 17%17% 17% 17% 19% 19% 19% 19% 19% África África África 22% África África 22% 22% Oriente Médio 22% 22% Oriente Oriente Médio Médio Oriente OrienteMédio Médio América Latina América América Latina Latina América AméricaLatina Latina América América América dodo Norte doNorte Norte América AméricadodoNorte Norte 12% 12% 12% Europa Europa Europa 12% 12% Europa Europa 24% 24% 24% Ásia Ásia Ásia 24% 24% Ásia Ásia Oceania Oceania Oceania 23% 23% 23% Oceania Oceania 23% 23% 33% 33% 33% 33% 33% Combustíveis fósseis Combustíveis Combustíveis fósseis fósseis Combustíveis Combustíveisfósseis fósseis 6%6% 6% 7%7% 7% 6% 6% 7% 7% 20% 20% 20% 20% 20% 30% 30% 30% 30% 30% 8%8% 8% 8% 8% 17% 17% 17% 17% 17% 12% 12% 12% 12% 12% África África África África África Oriente Médio Oriente Oriente Médio Médio Oriente OrienteMédio Médio América Latina América América Latina Latina 26% 26% 26% América AméricaLatina Latina 26% 26% América América dodo Norte América doNorte Norte América AméricadodoNorte Norte Europa Europa Europa Europa Europa Ásia Ásia Ásia Ásia Ásia 9%9% 9% Oceania Oceania Oceania 9% 9% Oceania Oceania Produtos industriais Produtos Produtos industriais industriais Produtos Produtosindustriais industriais África África África África África Oriente Médio Oriente Oriente Médio Médio Oriente OrienteMédio Médio América Latina América América Latina Latina América AméricaLatina Latina 45% 45% 45% América América América dodo Norte doNorte Norte 45% 45% América AméricadodoNorte Norte Europa Europa Europa Europa Europa Ásia Ásia Ásia Ásia Ásia Oceania Oceania Oceania Oceania Oceania O comércio e a distribuição mundial das matérias-primas. O comércio pode ajudar a redistribuir os recursos natu-rais entre os países. Hoje, os países industrializados são, na sua maioria, importadores líquidos de recursos, enquanto os países com economias em desenvolvimento e emergentes são essencialmente exportadores líquidos. Entre todas as regiões, a UE realiza atualmente as importações de recursos naturais per capita mais altas (2,5 toneladas por pessoa); os países em desenvolvimento (excluindo os países menos avançados e economias emergentes15) efetuam as exportações líquidas mais importantes em termos físicos (-0,4 toneladas por pessoa) (cf. gráfico 9). Os países menos avançados (ou LDCs, do inglês Least Developed Countries) têm apenas mínimas importações líquidas de recursos naturais. A nível mundial, o quadro geral dos fluxos comerciais (se um país é importador líquido ou exportador líquido de recursos naturais) se mantém relativamente estável, desde o início dos anos 1960 (quando a ONU começou a compilar estatísticas relativas ao comércio). Enquanto isso, os valores absolutos de exportações e importações líquidas aumentaram. 5%5% 5% 3%3% 3% 5% 5% 3% 3% 1%4%4% 0%0% 0% 1%1% 4% 1% 6% 0% 0% 1% 6% 4% 4% 6% 6% 6% 8% 8% 8% 8% 8% 36% 36% 36% 36% 36% África África África África África Oriente Médio Oriente Oriente Médio Médio Oriente OrienteMédio Médio América Latina América América Latina Latina América AméricaLatina Latina América América América dodo Norte doNorte Norte América AméricadodoNorte Norte Europa Europa Europa Europa Europa Ásia Ásia Ásia Ásia Ásia Oceania Oceania Oceania Oceania Oceania Gráfico 9: Balanços comerciais físicos de diferentes regiões, por pessoa, 2008 (x) -1.0 0.0 1.0 2.0 3.0 toneladas per capita Países menos avançados (LDC) Outros países em desenvolvimento (não LDC ou emergentes) Países emergentes OCDE (não-UE-27) UE-27 16 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta 3. COMÉRCIO 3.2 COMÉRCIO DE ÁGUA Com o crescimento do comércio internacional, o uso de água embutida, ou virtual, também cresce constantemente, já que muitas mercadorias exigem água para a sua produção. Se um país importa produtos que exigem muita água em sua produção, provavelmente seu consumo nacional de água subirá de modo significante. Essas importações podem servir de fonte complementar de água, portanto diminuindo a pressão exercida sobre os recursos hídricos do país. Por outro lado, a importação desse tipo de mercadorias a partir de países que já sofrem escassez de água pode, ao mesmo tempo, intensificar a pressão já existente sobre os recursos hídricos locais. Água embutida em produtos: a pegada hídrica. O uso nacional de água se baseia, de modo geral, em estatísticas sobre a captação de água por setor. Esta informação é relevante, especialmente em relação aos recursos hídricos disponíveis no país, mas não reflete a quantidade de água doce necessária para satisfazer os hábitos de consumo da população. A pegada hídrica de um país (ou de uma pessoa)16 se define como volume total de água doce usada para produzir os bens e serviços consumidos pelos habitantes do país em questão (ou pelo indivíduo).17 A água embutida em produtos, ou água virtual, é de elevada relevância, quando formos analisar os impactos do nosso consumo sobre o meio ambiente. No caso de países que importam uma grande quantidade de produtos que exigem muita água em sua produção, a pegada hídrica pode ser muito mais alta do que a captação nacional de água. Em contrapartida, um país que realiza fortes exportações de água virtual pode ter, de fato, uma demanda de consumo doméstico inferior àquela sugerida pelas estatísticas.18 Os fluxos de água entre os países. Acompanhando o aumento nos fluxos comerciais, houve também um acréscimo marcante no volume de água virtual. O uso de água para a fabricação de produtos de exportação contribuiu fortemente para modificações nos sistemas regionais de abastecimento de água.19 Nosso consumo pode, portanto, exercer uma pressão indireta sobre os recursos hídricos em outros países. A importação de água virtual (por exemplo, embutida em alimentos importados) pode ser interessante para países que dispõem de recursos hídricos limitados, pois fornece fontes alternativas de água e ameniza a pressão sobre os recursos hídricos domésticos.20 É possível quantificar os fluxos de água virtual entre bacias, regiões ou países, usando a metodologia da pegada hídrica.21 Uma pesquisa internacional (incluindo todos os países), referente ao período de 1997 a 200122, mostrou que 16% da água utilizada mundialmente é destinada à produção de bens de exportação, e não ao consumo doméstico. Entre estes 16%, 61% podem ser atribuídos ao comércio de produtos agrícolas e seus derivados; os produtos pecuários respondem por 17%; e os produtos industriais, por 22% (Gráfico 10). Gráfico 10: Distribuição mundial – Comparação entre a pegada hídrica externa e interna (WF, do inglês “Water Footprint”), 1997-2001 (xi) Cultivo e produtos agrícolas 61% Pegada hídrica interna 84% Pegada hídrica externa 16% Produtos pecuários 17% Produtos industriais 22% Os principais exportadores de água virtual no mundo são os EUA, o Canadá, a França, a Austrália, a China e a Alemanha. Os principais importadores de água virtual são os EUA, a Alemanha, o Japão, a Itália e a França (Gráfico 11).23 Devido essencialmente às diferenças nas estruturas econômicas, alguns países são ao mesmo tempo grandes exportadores e importadores de água virtual. A Alemanha, por exemplo, importa grandes quantidades de produtos agrícolas e exporta Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 17 grandes volumes de produtos industriais que exigem muita água em sua produção. Em alguns países, as importações são até superiores aos recursos hídricos renováveis. A Jordânia importa 287 milhões de m3 – um volume de água cinco vezes maior do que o disponível no país. Semelhante ao balanço comercial monetário de um país, é igualmente possível calcular o balanço comercial hídrico subtraindo do volume de importações o volume de exportações. O gráfico 11 mostra os fluxos de água virtual entre as diferentes regiões do mundo. A maior parte das Américas, da Austrália, da Ásia e da África Central realizam exportações líquidas de água virtual, enquanto os principais importadores líquidos de água virtual são a Europa, o Japão, a África do Norte, a África Austral, o Oriente Médio, o México e a Indonésia. A Austrália apresenta a maior exportação líquida de água virtual, devido à forte exportação de produtos agrícolas e pecuários (73 bilhões de m3).24 Gráfico 11: As regiões do mundo como importadores e exportadores líquidos de água virtual (xii) Países com recursos hídricos limitados deveriam, de modo ideal, priorizar a produção de bens que não exigem muita água e, por outro lado, a importação de bens com alto consumo de água no processo da sua produção; um país abundante em recursos hídricos, no entanto, deve se especializar na exportação de bens que exigem muita água em sua produção. Paradoxalmente, nosso sistema econômico mundial e nosso zelo por produtos cada vez mais baratos fizeram com que vários países originalmente ricos em água dependam hoje de importações de água virtual provenientes de países com recursos hídricos limitados. Os casos de escassez de água local já existentes podem se agravar, por conseguinte, e a competição pela água se intensifica. Para assegurar uma distribuição justa dos recursos hídricos, tanto os países produtores quanto os consumidores terão de assumir um maior grau de responsabilidade pelo desenvolvimento de uma melhor gestão da água mundial. 18 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A VIAGEM DE UMA CAMISETA DE ALGODÃO NO MERCADO MUNDIAL Uma camiseta de algodão percorre longas distâncias pelo mundo antes de chegar às nossas lojas: a partir da lavoura, o algodão passa por vários processos, inclusive a colheita, o descaroçamento, a carda, a fiação, a tecelagem, o branqueamento e o tingimento, antes de se transformar, afinal, em uma peça confeccionada em tecido estampado nas prateleiras. Ao olhar as principais indústrias de produção têxtil e de algodão, revela-se uma rede complexa de fluxos de materiais e água, e podemos ver uma ilustração clássica do comércio mundial. Uma camiseta de algodão comum tem uma pegada hídrica de 2.700 litros.25 Para obter 1 quilograma de tecido de algodão acabado, é preciso um total de, em média (mundial), 11.000 litros de água. A viagem do algodão começa no momento da produção. O algodoeiro é um arbusto nativo de regiões tropicais e subtropicais no mundo inteiro. Em 2009, a China e a Índia foram os maiores produtores de algodão. Em 2008, os Estados Unidos ocuparam o primeiro lugar como exportador (3,9 milhões de toneladas), enquanto a Ásia foi, de longe, o maior importador de algodão (5,6 milhões de toneladas), seguido pela América Latina com apenas 0,6 milhões de toneladas. Em torno de 45% da água embutida em têxteis de algodão é água de irrigação consumida (evaporada) pela usina, 41% é água de chuva evaporada na lavoura durante o cultivo e 14% é a água necessária para diluir os fluxos de águas residuais resultantes do uso de fertilizantes na lavoura e de produtos químicos na indústria têxtil. A indústria têxtil praticamente deixou de existir nos países desenvolvidos e se deslocou com suas fábricas para países emergentes e em desenvolvimento na Ásia, que é, de longe, o maior importador de algodão. A cidade de Daca, capital de Bangladesh, abriga em torno de 3.000 usinas têxteis, nas quais os trabalhadores (sobretudo mulheres) produzem cerca de 250 camisetas por hora e ganham, em média, 42 Euro ao mês.26 A indústria se caracteriza por níveis elevados de poluição ambiental e consumo de energia e, ao mesmo tempo, um padrão socioambiental precário. Portanto, não é surpreendente que o preço que o consumidor final paga pela camiseta está geralmente muito abaixo dos custos sociais, ambientais e econômicos resultantes de sua viagem. nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 19 WATER Como EXPLOITATION How our material consumption threatens the Aplanet‘s water resources A IMPORTÂNCIA DO COMÉRCIO DE ALGODÃO EM CAMARÕES E NO TOGO exemplo) e permitindo aos agricultores o acesso a serviços sociais (educação e postos de saúde, entre outros). O algodão é um importante produto de exportação em grande escala para muitos países na África Ocidental. A região produz cerca de 5% do algodão mundial e responde por 15% do comércio mundial da fibra de algodão. Camarões e o Togo são dois países para os quais a exportação em grande escala do algodão é de grande importância. Os dois exportam o algodão principalmente para outros países do Sul, entre os quais a China, o Paquistão, a Malásia e o Marrocos. A produção de algodão envolve riscos sérios para o ambiente e a saúde. O algodão é tipicamente cultivado em monocultura e exige uma terra fértil e o uso de muitos produtos complementares, como fertilizantes minerais, herbicidas, inseticidas e fungicidas, afetando gravemente a saúde dos trabalhadores. Em muitas partes da África Ocidental, a expansão do cultivo de algodão se deu à custa do desmatamento de árvores e várias espécies de ervas, resultando em uma perda de biodiversidade e fertilidade do solo, sua erosão e desertificação. Não obstante, os agricultores de algodão na África Ocidental continuam entre os mais pobres no mundo. Muitos deles dependem, para seu sustento, totalmente do algodão. Em Camarões e no Togo o algodão é amplamente cultivado em pequenas agriculturas (familiares) onde o trabalho infantil é frequente. Seria impossível tirar lucro do cultivo de algodão sem a participação (não remunerada) da família. Os fertilizantes utilizados para a produção são muito caros e os preços do mercado para o algodão continuam baixos devido à grande oferta de algodão subvencionado proveniente de países industrializados. Portanto, é difícil para os agricultores africanos serem competitivos. Em Camarões e no Togo, o crescimento da produção de algodão trouxe também benefícios para a economia rural, contribuindo para o desenvolvimento da infraestrutura rural (rodovias, escolas, hospitais, furos e poços, por Ao longo dos últimos 5 a 10 anos, Camarões e o Togo viram sua produção de algodão diminuir. Muitos anos de uso de pesticidas e fertilizantes químicos são responsáveis por esse fenômeno. O uso de estrume em lugar de fertilizante químico poderia ajudar na regeneração do solo, mas ainda não é muito frequente. A produção de algodão e seus impactos sobre os recursos hídricos. Mais de 80% da pegada hídrica de algodão consumido na União Europeia está localizada fora da Europa,27 com grandes impactos para os países produtores. Recursos hídricos podem sofrer esgotamento e/ou poluição. Na África Ocidental, a irrigação de campos de algodão é feito como no caso de Camarões e Togo com água da chuva. O principal problema é a poluição das águas pelo uso de fertilizantes químicos e pesticidas. 20 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta 4. CONSUMO 4.1 CONSUMO DE MATÉRIAS-PRIMAS Não apenas a extração e o comércio, mas também o consumo de recursos naturais aumentou substancialmente durante as últimas décadas, causando danos ambientais e sociais. O consumo de recursos por pessoa quase se multiplica por dez, de um continente para outro. Embora se discuta um nível de consumo sustentável, ainda não há acordo sobre objetivos para um consumo individual máximo. Desigualdades marcam o consumo por pessoa de matérias-primas no mundo. Uma comparação de dados relativos à extração e ao consumo per capita no mundo torna evidente que são os europeus, norte-americanos e habitantes da Oceania que mais dependem da importação de recursos de outras regiões do mundo para poder manter seu nível e seu modo de consumo (veja a comparação nos gráficos 2 e 12). Em 2004, extraíram-se em torno de 34 kg e consumi- ramse 55 kg de recursos por pessoa, diariamente, na Europa. Os norte-americanos e habitantes da Oceania consumiram ainda mais recursos por pessoa, por dia (por volta de 102 kg e 79 kg, respectivamente). Há um contraste acentuado em relação a outros continentes: Na Ásia, aproximadamente 15 quilogramas se extraíram e foram consumidos por pessoa, por dia. Na África, a extração de recursos por pessoa, por dia, formou um total de 15 kg; o consumo, de 11 kg. Gráfico 12: O consumo de matérias-primas por pessoa, por dia, em 2004 (xiii) Consumo de matérias-primas 55 102 15 EUROPA ÁSIA AMÉRICA DO NORTE 24 AMÉRICA LATINA 11 ÁFRICA 79 OCEANIA 1 mochila cheia = 20 kg de consumo de matérias-primas por pessoa, por dia Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 21 Durante a última década, houve o mais forte crescimento do consumo de recursos por pessoa nos países industrializados. Em 1997, a América do Norte consumiu aproximadamente 95 kg de recursos por habitante, seguido pela Oceania (74 kg) e Europa (48 kg). Em contraste, no mesmo ano, a América Latina consumiu 30 kg, a Ásia 14 kg e a África 12 kg por habitante. não renováveis).30 Ekins et al. (2009) sugerem fixar o consumo máximo de recursos não renováveis em seis toneladas por pessoa, por ano, como meta a ser atingida até 2050, o que implicaria uma redução absoluta significativa em relação aos níveis de consumo atuais nos países europeus. No entanto, ainda não há dados científicos que sustentem a proposta. Modos de consumo dos recursos. Essas disparidades referentes ao uso de recursos por pessoa refletem clara-mente os diferentes estilos de vida e modos de consumo próprios aos habitantes de cada continente, por exemplo as diferentes formas de habitação, o tamanho dos carros e os hábitos alimentares. Mais de 60% do consumo total de recursos na Europa é destinado a habitação e infraestrutura (31%), alimentação e bebidas (25%) e transporte (7%).28 São estes três setores que causam, também, a maior pressão sobre o meio ambiente.29 Impactos dos níveis e modos de consumo sobre o meio ambiente. Há tempo, os países industrializados chegaram a níveis e modos de consumo que provocam uma pressão ambiental considerável. Esses modos se caracterizam, sobretudo, pelo amplo uso de matérias-primas e fontes de energia dificilmente renováveis pela natureza, com algumas poucas exceções. A mudança climática é a consequência mais conhecida disso. Entre os outros problemas consta ainda o consumo excessivo de fertilizantes químicos na agricultura, responsável por alterações nos ciclos do nitrogênio e do fósforo que causam a poluição dos nossos rios, lagos, oceanos e atmosfera. Quanto à mudança climática, à perda de biodiversidade e aos níveis de nitrogênio, já passamos do ponto crítico de irreversibilidade; agora estamos prestes a enfrentar novos pontos críticos iminentes, quanto ao consumo da água doce, à acidificação oceânica, ao uso da terra e aos níveis de fósforo.31 Os níveis do uso sustentável de recursos. As imensas desigualdades no uso de recursos por pessoa observadas entre os diferentes países e regiões do mundo desencadearam debates entre os cientistas a respeito de uma meta mundial por pessoa para limitar o consumo de recursos não renováveis a um nível sustentável (Observe que o gráfico 12 representa os níveis dos recursos tanto renováveis quanto 22 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta 4. CONSUMO 4.2 CONSUMO DE ÁGUA O consumo de água é desigual entre os diferentes setores assim como entre as regiões do mundo. A nível mundial, o setor que mais consome água é a agricultura. A quantidade de água que consumimos direta ou indiretamente depende, sobretudo, das dimensões e dos hábitos do nosso consumo, mas também das condições climáticas e práticas agrícolas no país produtor. Enquanto um norte-americano consome, em média, a maior quantidade de água (7.650 litros/dia), já um africano consome menos da metade (3.350 litros/dia). De ponto de vista hidrológico, o consumo de água representa a quantidade de água de fato perdida em um ecossistema durante um processo de produção (ou seja, equivale à diferença entre a água captada e a água redirecionada ao mesmo ecossistema após o uso). Na Europa, 67,4% do consumo total de água é consumido pela indústria, seguido pelo setor doméstico (18,9%) e pela agricultura (13,7%). A nível mundial, porém, traça-se um cenário completamente diferente: a agricultura responde por 92,2% do consumo de água, o setor doméstico, por 4,1%, e apenas 3,7% do consumo de água é usado pela indústria (Gráfico 13). Gráfico 13: O consumo de água, por setores, na EuropaDoméstico (em cima) e no mundo (em baixo) (xiv) (19%) Doméstico (19%) Agricultura (14%) Agricultura (14%) Agricultura (92%) Agricultura (92%) Indústria (67%) Indústria (67%) Gráfico 14: A distribuição do uso doméstico de água em um lar médio austríaco, em 2010 (xv) Limpeza 5% Lavadora de louça 5% Alimentação 3% Jardinagem 6% Higiene pessoal 6% Lavadora de roupa 16% Banho de chuveiro e banheira 35% Descarga sanitária 20% Ao usar produtos e serviços que exigem muita água para sua produção, consumimos a água também indiretamente (o cultivo de algodão, a geração de energia, o uso de dispositivos eletrônicos, etc. – cf. capítulo 3). Nossa pegada hídrica e a do nosso país dependem de quatro fatores principais:32 Doméstico (4%) Doméstico Indústria (4%) (4%) Indústria (4%) Consumimos, em nosso dia a dia, a água direta e indiretamente. Usamos a água diretamente para cozinhar, beber, tomar banho, fazer faxina e outras atividades quotidianas. Nos países industrializados, o consumo diário de água por pessoa está muito acima da média mundial. A título de exemplo, o gráfico 14 mostra o consumo doméstico de água para os diversos usos quotidianos em um lar médio austríaco. •Aquantidadedoconsumo: Quanto maior a riqueza de um país, maior também seu consumo de bens e serviços e, por conseguinte, sua pegada hídrica. •Nossos modos de consumo: Quanto maior o nosso consumo de carne e produtos industriais, mais água será necessária. •Ascondiçõesclimáticasnopaís: Condições climáticas adversas à agricultura, devido a alta evaporação, aumentam a pegada hídrica da produção agrícola. •Aeficiênciadousodeáguanaproduçãoagrícola: Quanto mais eficientes os sistemas de irrigação utilizados, maior também o volume de água economizada. Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 23 Os exemplos apresentados no gráfico 15 mostram os recursos hídricos necessários para a produção de diferentes produtos. Gráfico 15: A pegada hídrica de diferentes produtos (xvi) 1 par de sapatos 1 camiseta 1 maçã 1 xícara de café 70 l 140 l 2.700 l 8.000 l 1 gota cheia de água = 100 litros de água extraída/consumida A pegada hídrica resultante dos nossos hábitos de consumo é bem mais importante do que a do nosso uso direto de água. Sua importância é determinada, em grande parte, pelo consumo de alimentos e outros produtos agrícolas cuja produção exige não apenas irrigação, mas também água de chuva. A nível mundial, a pegada hídrica média por pessoa é de aproximadamente 1.400 m3 ao ano, sendo que as pegadas hídricas médias variam consideravelmente entre os países: 2.840 m3 nos Estados Unidos da América, 1.380 m3 no Japão e 1.070 m3 na China.33 Por dia, um habitante norteamericano tem, em média, a maior pegada hídrica (7.650 litros/pessoa), um habitante da Ásia, a menor (3.300 litros/ pessoa) (Gráfico 16). Gráfico 16: O consumo de água por pessoa, por dia, em 2004 (xvii) Consumo de água AMÉRICA DO NORTE 7.650 EUROPA 4.750 ÁSIA ÁFRICA AMÉRICA LATINA 3.300 3.550 4.850 OCEANIA 5.950 1 gota de água cheia = 1.000 litros de água consumida por pessoa, por dia 24 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta Consumo de água engarrafada A água engarrafada se tornou uma grande indústria mundial envolvendo bilhões de dólares. A nova commodity – isto é, a água engarrafada – não se diferencia muito da água da torneira tratada, e não mudou dos anos da sua infância, há 40 anos, para cá. Hoje, envolve enormes mercados nos países mais ricos, assim como nos mais pobres. A água engarrafada se tornou um símbolo de escolha, do capitalismo e do nosso estilo de vida corrido e acelerado, cheio de compromissos.34 Ressalta-se que, em alguns países, a água é engarrafada e transportada para os habitantes de áreas que dispõem de recursos hídricos suficientes, causando um impacto ambiental considerável devido ao processo de engarrafamento e ao transporte. O processo de engarrafamento consome grandes quantidades de água, energia e materiais, ao mesmo tempo que produz emissões. Para gerar um litro de água engarrafada, por exemplo, são necessários nove litros de água durante o processo.35 A menos que elas sejam recicladas, o descarte das garrafas PET também causa um impacto imenso sobre o meio ambiente. Quando incineradas, liberam dióxido de carbono derivado de combustíveis fósseis para a atmosfera, causando a mudança climática. Quando são jogadas no chão ou no mar, como lixo, o plástico se degrada, pela exposição ao sol, em muitos fragmentos minúsculos que podem, portanto, ser encontrados disseminados no mundo inteiro. Uma única garrafa de um litro pode se degradar em partículas tão ínfimas que seria possível colocar uma delas a cada quilômetro de praia que existe no mundo inteiro.36 Hoje, no meio do Oceano Pacífico, há seis vezes mais plástico do que plâncton de superfície.37 Esta área que ficou conhecida como “A grande Mancha de Lixo no Pacífico” abrange um volume estimado de 3,5 milhões de toneladas de lixo, sendo que 90% é de plástico (sapatos, embalagens diversas de Take Away e tampas de garrafa, para citar apenas alguns exemplos). Estima-se que 100.000 mamíferos marinhos e mais de um milhão de aves marinhas morrem a cada ano depois de ter engolido plástico por confundi-lo com comida. Além disso, as substâncias químicas contidas no plástico fazem com que o uso de garrafas plásticas tenha efeitos ainda desconhecidos sobre a saúde humana. Mais bebedouros públicos, água gratuita da torneira em bares e restaurantes e o uso mais amplo de garrafas reutilizáveis representam possíveis alternativas à água engarrafada. Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 25 A USINA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE NO BRASIL O consumo mundial de energia cresce, e dobrou entre 1974 e 2009. Recentemente, a energia hidrelétrica vem sendo considerada cada vez mais como uma das formas mais limpas para satisfazer essa demanda. Porém, a energia hidrelétrica pode também ter fortes impactos negativos sobre o meio ambiente. O projeto da barragem de Belo Monte no estado brasileiro do Pará prevê a construção de uma usina hidrelétrica no Rio Xingu, no meio da região amazônica. Com a capacidade máxima prevista de aproximadamente 11 gigawatts (GW) (ou seja, o equivalente a cerca de 11 usinas nucleares), a usina hidrelétrica de Belo Monte seria a terceira maior no mundo, atrás apenas da Barragem das Três Gargantas na China e da Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional, localizada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Mas, devido às longas estações de seca na região (provocando, inclusive, a estiagem dos rios), é apenas garantida a geração de 4,5 GW, ou seja, 39% da capacidade máxima. A energia produzida na usina seria destinada ao consumo público (até 70%) e ao uso nas indústrias mineiras e de transformação de minerais, que já adquiriram as concessões necessárias para a instalação de suas usinas nas proximidades imediatas ao local da construção da barragem. Desde o início, o projeto de Belo Monte vem sendo alvo de veementes críticas nacionais e internacionais. O Rio Xingu se localiza em meio a uma zona de floresta virgem que abriga uma biodiversidade abundante de valor inestimável e que coincide, aliás, com o território de numerosas tribos indígenas. Em decorrência da construção da barragem, o rio teria a vazão consideravelmente reduzida e recuaria das margens ao longo de um trecho de aproximadamente 100 km a jusante, impedindo a pesca e a navegação e afetando, deste modo, gravemente a vida de milhares de pessoas. Um estudo sobre os impactos ambientais do projeto chegou à conclusão de que será necessário escavar 130 mi3 lhões de m de terra e 45 milhões de rocha para viabilizar a construção da barragem – um volume comparável ao que foi retirado na construção do Canal do Panamá. Ainda se desconhece o destino desse material. Até agora não foi apresentada proposta alguma em relação à gestão dos resíduos nem à questão dos serviços básicos (educação, saúde, alimentação, segurança, entre outros) que serão indispensáveis na área da construção quando os trabalhadores migrantes – estimado em 100.000 pessoas – começarem a se instalar. Além das objeções acima referidas, os críticos ainda alegam a falta de avaliação suficiente para provar a viabilidade econômica do projeto, assim como a extrema ineficiência da geração de energia. Além disso, supõe-se que a construção da Usina de Belo Monte será apenas o primeiro passo em uma série de outras barragens futuramente construídas rio acima, causando impactos ambientais e sociais ainda mais graves. Os conflitos entre as comunidades locais e o consórcio Norte Energia, responsável pela construção da barragem, estão apenas começando. Belo Monte será construída para atender às demandas das indústrias eletrointensivas, entre elas a produção de alumínio. O projeto da hidrelétrica já provocou a concessão de terras para a especulação mineira, projetos de expansão de indústrias já existentes e a instalação de siderúrgicas. Ao permitir a construção da usina, sugere-se uma gestão altamente contestável dos territórios amazônicos – justificando a exploração de pessoas e da natureza através de uma concepção restrita do que seria desenvolvimento. Apesar dos danos sociais e ambientais causados pela usina, seria permitida a venda de créditos de carbono pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), criado pelo Protocolo de Quioto. 26 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta 5. EFICIÊNCIA 5.1 EFICIÊNCIA DE MATÉRIAS-PRIMAS Os avanços a nível da eficiência de recursos realizados até hoje não foram suficientes para atingir reduções absolutas no uso dos recursos. Os países com a maior eficiência de recursos no mundo são também, na maioria dos casos, aqueles que consomem mais. Uma melhora em termos relativos, mas não em termos absolutos. Conforme ilustrado no gráfico 17, a intensidade dos recursos (matérias-primas usadas para render um Euro ou Dólar) vem melhorando ao longo das últimas décadas. O desacoplamento entre a extração dos recursos e o crescimento econômico constitui uma tendência positiva e mostra, em termos relativos, que melhoramos nossa eficiência dos recursos. Na UE, o desacoplamento relativo foi dinamizado, primeiramente, pelo crescimento nos setores de serviços (os quais necessitam menos recursos que os setores primários como agricultura e mineração) e, além do mais, pelas mudanças nos modos de geração de energia em vários países (que passam a utilizar fontes de energia menos intensivas que o gás ou energias renováveis para substituir o carvão).39 A nível mundial, porém, as quantidades absolutas de extração e consumo dos recursos continuam em alta. Gráfico 17: Desacoplamento relativo entre crescimento econômico e consumo de recursos, 1980 – 2007 (xviii) Índice : 1980 = 100 Eficiência de recursos, desenvolvimento econômico e sustentabilidade. A eficiência de recursos se obtém usando menos recursos para o alcance de um rendimento igual ou superior.38 A eficiência dos recursos de um país está fortemente ligada à sua estrutura econômica e ao nível do rendimento, mas não reflete exatamente o desempenho ou a sustentabilidade ambiental total do país. Os países com a maior eficiência de recursos no mundo são geralmente aqueles que extraem e consomem mais. Uma baixa eficiência de recursos é comum nos continentes com pequenos setores de indústria e serviços (África) ou nos continentes que se especializam na extração e exportação de recursos (América Latina, Oceania). Acontece que um país ou uma região abundante em recursos naturais registra níveis menores de produtividade e desenvolvimento humano do que outros países ou regiões que dispõem de menos recursos; este fenômeno é conhecido como “maldição dos recursos” ou “paradoxo da abundância”. 225 200 175 150 125 100 75 50 1980 1985 1990 1995 2000 2005 PIB Extração de recursos População Intensidade material A eficiência de recursos não é, no entanto, o objetivo final. Há, de fato, um potencial para subir os níveis de eficiência de recursos no mundo, mas isto levaria apenas à redução dos recursos necessários para a produção da mesma quantidade de mercadorias e produtos para o nosso consumo. Embora seja uma tendência positiva que, aliás, já está se realizando, o resultado seria uma melhora dos níveis de eficiência de recursos em termos relativos, mas não em termos absolutos. Ou seja, até mesmo utilizando menos recursos de uma forma mais eficiente, o crescimento contínuo das nossas economias levaria a um aumento líquido no uso dos recursos. Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 27 5. EFICIÊNCIA 5.2 EFICIÊNCIA HÍDRICA Nossos recursos em água são limitados; portanto não será possível suprir infinitamente nossa demanda crescente por água doce. É primordial que comecemos a usar nossos recursos hídricos de forma mais eficiente em todos os níveis – na indústria, na agricultura, em residências e sistemas de abastecimento de água. Gestão de abastecimento e demanda. Atualmente, a resposta à crescente demanda por água doce tem-se concentrado em ampliar o abastecimento por meio de poços adicionais, represas e reservatórios, dessalinização e infraestruturas de grande dimensão para a transferência de água.40 As mudanças climáticas e a escassez de água reduzem, porém, as possibilidades de continuar aumentando, no futuro, o abastecimento de água em muitas regiões do mundo, inclusive dentro da própria UE. Por conseguinte, a gestão do abastecimento deve ir de mão dada com um melhor gerenciamento da demanda e uma redução no uso da água.41 Certas estimativas indicam que, na UE, até 40% da quantidade total de água poderia ser economizada simplesmente por melhoras tecnológicas. Mudanças no comportamento humano e nos modos de produção poderiam contribuir para economizar mais ainda.42 Produzir o mesmo, com menos água. São muitas as possibilidades para economizar água no setor da manufatura, por exemplo por práticas de reciclagem e reutilização, por ajustes nos processos de produção, pelo uso de tecnologias mais eficientes, assim como pela introdução de medidas para reduzir vazamentos.43 O preço da água sendo, porém, relativamente baixo em geral, estas medidas ainda não despertaram o devido interesse. Um estudo sobre a diferença entre algodão orgânico e algodão convencional, no que se refere ao uso de recursos, mostra que um quilograma de algodão orgânico contém metade da água virtual contida na mesma quantidade de algodão convencional. Esta diferença se explica, primeiramente, em função dos diferentes métodos aplicados no cultivo do algodão e pelo consumo indireto de água pela eletricidade utilizada para a produção de linha.44 A contribuição da agricultura para uma maior eficiência hídrica. A nível mundial, a agricultura é, de longe, o maior consumidor de água (especialmente, se considerarmos não apenas a captação de água, mas também a absorção de água de chuva).45 O gráfico 18 dá uma ideia geral sobre a eficiência média da irrigação no mundo. Um aumento da eficiência no setor agrícola modificaria consideravelmente o quadro geral relativo ao uso de água. Uma opção seria voltar-se para técnicas eficientes de irrigação (como aspersores e sistemas subterrâneos ou de irrigação por gotejamento) e programar a irrigação conforme as necessidades reais nas lavouras. Uma outra opção seria alterar o tipo de plantação, permitindo uma adaptação à disponibilidade de água e às condições climáticas. Espécies de plantas específicas poderiam ser cultivadas em regiões onde menos água é necessária para a colheita. 28 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta Gráfico 18: Eficiência média de irrigação no mundo (xix) , , , , , , , , , Perdendo a nossa água preciosa – vazamento de água. Devido a vazamentos nos sistemas de abastecimento de água, a perda de água é elevada no mundo, mas varia consideravelmente. Alguns países europeus atingiram limites técnicos e econômicos, por exemplo a Alemanha e Dinamarca, onde as taxas de vazamento são menores que 10%. Todavia, as perdas em sistemas públicos de abastecimento de água na Espanha, França e Irlanda situam-se em torno ou acima de 20%,46 enquanto na Bulgária perde-se 50% da água devido a vazamentos. O gráfico 19 dá uma ideia geral sobre as perdas de água devido a vazamentos, em países europeus escolhidos. Gráfico 19: Perdas de água em redes urbanas de abastecimento (xx) Alemanha (1999) Dinamarca (1997) Finlândia (1999) Suécia (2000) Espanha (1999) Reino Unido (2000) Eslováquia (1999) França (1997) Itália (2001) Romênia (1999) Rep. Tcheca (2000) Irlanda (2000) Hungria (1995) Eslovênia (1999) Bulgária (1996) 0 10 20 30 40 50 Taxas de perda em % do abastecimento de água O aumento da eficiência hídrica como oportunidade. É possível melhorar a eficiência hídrica aumentando a produtividade por volume e reduzindo o desperdício de água. Isto exige tanto o desenvolvimento de tecnologias quanto o aprimoramento da gestão de água, com base em metodo- logias efetivas de monitoramento de processos e dados. O aumento da eficiência de água não é apenas uma adaptação essencial às mudanças climáticas, mas também representa uma oportunidade para obter benefícios econômicos e promover a proteção do meio ambiente. Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 29 Como melhorar a eficiência dos nossos recursos e da água Há muitas medidas que podemos tomar para melhorar o nosso consumo de recursos e água: Uso de recursos: Combate ao desperdício e melhor gestão do lixo: a adoção de uma política de “desperdício zero” pode dar resultados rápidos, por exemplo ao minimizar o desperdício e maximizar a reutilização e reciclagem. Reformas fiscais ecológicas: uma redistribuição de impostos sobre o trabalho para recursos naturais, visando um aumento na eficiência dos recursos e a redução no seu consumo total. Eco-inovação para material: desenvolvimento de produtos, técnicas, serviços e processos de produção que favorecem o uso eficiente de material. Há um grande potencial para empresas usarem melhor os recursos nos processos de produção e, ao mesmo tempo, ainda cortar despesas. Aumento das Compras Públicas Ecológicas: sendo grandes consumidores de bens e serviços, as autoridades públicas podem servir de catalisador à mudança. Implementando critérios normativos para o mercado, as autoridades podem estimular a demanda por produtos e serviços de baixo consumo de recursos e levar empresas a reduzir o seu impacto ambiental. Mudança dos hábitos de consumo: em países com um nível elevado de consumo por habitante, os consumidores podem contribuir para redistribuir o uso dos recursos globais de maneira mais justa. Podem, por exemplo, reutilizar e reciclar ao máximo possível e optar por mercadorias duráveis ou com um baixo consumo de recursos. Rótulos facilmente legíveis indicando os recursos utilizados ao longo do ciclo de vida do produto em questão (matérias-primas, água, solo e emissões carbônicas) podem orientar o consumidor na sua escolha. Pesquisa e desenvolvimento: o apoio à pesquisa e ao desenvolvimento, especialmente nas áreas de pesquisa e estratégias ligadas aos recursos e à água, contribuirá a encontrar soluções para reduzir nosso consumo de recursos. Uso de água: Melhorar a gestão da água: a Gestão Integrada de Recursos Hídricos (IWRM, do inglês Integrated Water Resources Management) abrange tanto a demanda por água quanto o seu abastecimento. Esta abordagem exige que as necessidades dos diferentes consumidores e as demandas em ecossistemas sejam consideradas de uma maneira participativa e que os sistemas de abastecimento sejam aprimorados. Eco-inovação para a água: em várias áreas, a inovação em processos industriais poderia diminuir a pressão exercida sobre os recursos hídricos; seria possível priorizar modos de produção que exigem menos água, explorar fontes alternativas de água (como a dessalinização) ou aperfeiçoar as práticas de tratamento de água. Diminuir a pegada hídrica pessoal: há várias estratégias para reduzirmos consideravelmente nosso consumo direto e indireto de água, por exemplo tomar banho de chuveiro e não de banheira, instalar reguladores de fluxo nas torneiras e usar lavadoras de roupa econômicas. Podemos também diminuir o nosso consumo indireto de água ao evitar ou reduzir nosso consumo de produtos com pegada hídrica grande, como a carne. 30 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta 6. VENCER O DESAFIO Vivemos uma época caracterizada por hábitos de alto consumo que ultrapassam as capacidades dos ecossistemas mundiais de acompanharem este processo e se regenerar. O crescimento demográfico é certamente um fator contributivo para a crescente demanda por recursos naturais e regeneração, mas não é a principal causa dos problemas ambientais mundiais que temos de enfrentar nos dias de hoje. De fato, uma proporção relativamente pequena da população mundial consome a maioria dos recursos mundiais e é responsável pelos problemas relacionados à poluição, às mudanças climáticas e à degradação dos ecossistemas e os serviços que fornecem. É necessário agir com urgência, pois a pressão aumenta sobre a disponibilidade dos recursos que são necessários para o crescimento das nossas economias. Aqueles que consomem mais do que seria sua parte justa, devem reduzir consideravelmente seu consumo por pessoa a fim de permite às presentes e futuras gerações atingirem um padrão de vida decente. Uma solução proposta pelas Nações Unidas seria a de impor um teto de consumo de recursos aos países desenvolvidos para permitir aos países no hemisfério sul a continuar seu processo de desenvolvimento. O modelo atual de crescimento econômico na Europa está intrinsecamente relacionado aos altos níveis de consumo contínuo e, por conseguinte, aos altos níveis de uso de recursos. Este modelo é não apenas insustentável em um mundo de recursos limitados, mas também destaca a necessidade de interligar o uso dos recursos, o crescimento econômico e a prosperidade das nossas sociedades. Vários estudos e iniciativas já exploraram esta relação e enfatizaram as diferenças entre o forte crescimento econômico e o bem-estar das populações. Para responder ao desafio atual é necessária uma redução geral nos níveis de consumo na Europa. Para que isto possa acontecer, será fundamental mudar substancialmente os modos de produção e de consumo das sociedades. Alguns exemplos poderiam ser: a redução do consumo de carne e de laticínios, a promoção de modelos de arrenda- Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 31 mento mercantil, ou leasing, onde as empresas fornecem antes serviços que mercadorias, a proibição de planejar a obsolescência de bens e a redução de viagens aéreas e de carro particulares. Além do mais, será imprescindível revogar a ideia de que a riqueza material seria sinônimo de felicidade e bem-estar pessoal. A diminuição dos nossos níveis de uso dos recursos não é apenas uma obrigação ambiental, mas também uma oportunidade econômica. O aumento rápido e a oscilação dos preços dos recursos mostram que não estamos mais em uma época em que os recursos são baratos. A dependência da Europa de recursos ultramar faz com que sua economia se torne extremamente vulnerável. Assim sendo, as empresas tem que se adaptar reduzindo seu uso de recursos, o que lhes ajudará, em contrapartida, a economizar em custos e as colocará em uma posição melhor, em termos de competitividade mundial. Para aproveitar esta oportunidade ao máximo é decisivo que a UE e os seus Estados-membros criem um quadro atraente em termos econômicos e políticos para incentivar à diminuição do uso de recursos. Assim poderíamos caminhar em direção a um futuro sustentável, em que o consumo europeu não seria um peso para as outras nações. Este quadro deve se basear em dois pilares: 1. Uma visão global para garantir a credibilidade das soluções políticas. Embora os recursos sejam consumidos principalmente nas nações desenvolvidas, outros lugares sofrem os impactos, devido à globalização das cadeias de suprimento. Políticas confiáveis devem seguir uma abordagem holística; devem garantir que soluções localizadas em uma fase específica no processo da produção de uma mercadoria não aumentem o consumo de recursos em outra fase do ciclo de vida. Além disso, estas políticas devem evitar pôr em risco a disponibilidade de recursos para as futuras gerações. Temos que maximizar as sinergias e evitar escolhas em que somos obrigados a abrir mão de uma coisa em função de outra. Deste modo encontraremos as oportunidades presentes nas várias fases do processo que afetarão positivamente a economia, o meio ambiente e a nossa sociedade de forma mais abrangente. biocombustíveis causará um aumento desmesurado no uso de solo e água. Precisamos medir o uso dos recursos na Europa, levando em consideração os recursos embutidos em bens e serviços, para melhor compreender sua natureza interdependente e inseparável. Deste modo, será possível evitar trade-offs, isto é, situações de conflito de escolha em que se resolve um problema acarretando outro, e será possível, afinal, definir metas coerentes para a redução do nosso consumo de recursos. A importância política e econômica do uso dos recursos é amplamente reconhecida e debatida nas diferentes instân-cias políticas; as consequências ambientais e sociais nega-tivas causadas pelo uso dos recursos, entretanto, ainda não recebem, em geral, a atenção devida em iniciativas e debates políticos. Infelizmente, ainda não foi dada, até aqui, nenhuma resposta abrangente por parte da política para atender a esse grande desafio de forma adequada. As raras políticas fragmentárias e desconexas que foram formuladas, até agora, se mostraram insuficientes diante da urgência dos desafios que enfrentamos hoje. A Europa tem a oportunidade única de ser pioneira na questão de políticas relativas ao uso dos recursos e de indicar o melhor caminho para criar um futuro mais sustentável para todos e todas nós. Se aproveitarmos esta oportunidade, poderemos gerar grandes benefícios para a população, a economia, os governos e as empresas, diminuindo, ao mesmo tempo, a pressão sobre os recursos naturais do mundo. 2. Um quadro político que integre as interligações entre os recursos. Como já vimos anteriormente neste relatório, a extração de recursos, a produção e o consumo são intrinsecamente ligados ao uso da água, provocando diferentes consequências de cunho ecológico e social. Nossos sistemas de produção registram inumeráveis casos que bem o ilustram: por exemplo, o aumento no consumo de 32 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta REFERÊNCIAS (GRÁFICOS) (i) SERI Global Material Flow Database. Versão 2008. Fonte: www.materialflows.net (ii) SERI Global Material Flow Database. Versão 2008. Fonte: www.materialflows.net (iii) Fonte: www.worldwater.org (iv) Dados indisponíveis para Chipre em 1990 (v) EEA. The European Environment. State and Outlook 2010. Copenhague: Agência Europeia do Ambiente, 2010a (vi) EEA. The European Environment – State and Outlook 2010. Water Resources: Quantity and Flows. Copenhagen: Agência Europeia do Ambiente, 2010b; ETC/WTR baseado em dados do Eurostat (vii) Cálculo baseado em: DITTRICH. Physical Trade Database. Version 2011; baseado em: UN Comtrade (viii) Fonte referente ao índice dos volumes do comércio físico: Cálculo baseado em: DITTRICH. Physical Trade Database. Version 2011; baseado em: UN Comtrade. Fonte referente ao índice dos volumes do comércio monetário: UN Comtrade (ix) Cálculo baseado em: DITTRICH. Physical Trade Database. Version 2011; baseado em: UN Comtrade (x) DITTRICH, M.; BRINGEZU, S. The Physical Dimension of International Trade. Part 1: Direct Global Flows between 1962 and 2005. In: Ecological Economics 69, pg. 1838-1847, 2010 (xi) CHAPAGAIN, A.K.; HOEKSTRA, A.Y. The global component of freshwater demand and supply: an assessment of virtual water flows between nations as a result of trade in agricultural and industrial products. Water International 33, pg. 19-32, 2008 (xii) CHAPAGAIN, A.K.; HOEKSTRA, A.Y. Water Footprint of Nations. Volume 1: Main report. UNESCO-IHE: Delft, Países Baixos, 2004 (xiii) SERI Global Material Flow Database. Versão 2008. Fonte: www.materialflows.net (xiv) MEKONNEN, M. M.; HOEKSTRA A. Y. National water footprint accounts: the green, blue and grey water footprint of production and consumption. UNESCO-IHE: Delft, Países Baixos, 2011 (xv) http://images.umweltberatung.at/htm/trinkwasser-info-wasser.pdf (xvi) HOEKSTRA, A.Y.; CHAPAGAIN, A.K. Water footprints of nations: Water use by people as a function of their consumption pattern. Water and Resource Management 21, pg. 35-48, 2007 (xvii) MEKONNEN, M. M.; HOEKSTRA A. Y. National water footprint accounts: the green, blue and grey water footprint of production and consumption. UNESCO-IHE: Delft, Países Baixos, 2011 (xviii) SERI Global Material Flow Database. Versão 2008. Fonte: www.materialflows.net (xix) Adaptado segundo ROHWER et al. Development of functional irrigation types for improved global crop modelling. PIK Report No. 104. Alemanha, Potsdam, 2007 (xx) EEA. Estimated losses from water networks. Copenhague: Agência Europeia do Ambiente, 2003 Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 33 REFERÊNCIAS (TEXTO) 1 Para uma análise detalhada do uso de recursos e da sua evolução histórica, veja SERI – Sustainable Europe Resource Institute; GLOBAL 2000; Friends of the Earth Europe. Overconsumption? Our use of the world‘s natural resources. Viena/Bruxelas, 2009. Disponível em: www.seri.at/resource-report (disponível em inglês e alemão) 2 Fonte: www.materialflows.net 3 EEA. Water resources across Europe — confronting water scarcity and drought. Copenhague: Agência Europeia do Ambiente, 2009 4 EEA. The European Environment. State and Outlook 2010. Copenhague: Agência Europeia do Ambiente, 2010a 5 EEA. The European Environment. State and Outlook 2010. Copenhague: Agência Europeia do Ambiente, 2010a 6 EEA. The European Environment. State and Outlook 2010. Copenhague: Agência Europeia do Ambiente, 2010a 7 ALDAYA, M. M.; GARRIDO A. et al. The water footprint of Spain. Journal on Sustainable Water Management 3, 2008 8 FLAVIN, C.; KITASEI, S. The Role of Natural Gas in a Low-Carbon Energy Economy. Briefing Paper. Worldwatch Institute, 2010 9 www.freedrinkingwater.com 10 www.earthworksaction.org 11 HOWARTH R.W. Assessment of the Greenhouse Gas Footprint of Natural Gas from Shale Formations Obtained by High-Volume, Slick-Water Hydraulic Fracturing. Cornell University, Department of Ecology and Evolutionary Biology, 2011. Disponível em: http:// www.technologyreview.com/blog/energy/files/39646/GHG. emissions.from.Marcellus.Shale.April12010%20draft.pdf Acesso em: 11/jun/2011 12 FLAVIN, C.; KITASEI, S. The Role of Natural Gas in a Low-Carbon Energy Economy. Briefing Paper. Worldwatch Institute, 2010 13 Baseado em uma pesquisa realizada pela Amigos de la Tierra Chile, maio 2011 14 DITTRICH. Physische Handelsbilanzen. Verlagert der Norden Umweltbelastungen in den Süden? Kölner Geographische Arbeiten: Colonha, 2010 15 O grupo dos países emergentes abrange a África do Sul, a Arábia Saudita, a Argélia, a Argentina, o Brasil, a China (incl. Hong Kong e Macau), Cingapura, a Costa Rica, o Egito, os Emirados Árabes Unidos, a Índia, a Malásia, a Rússia, Seicheles, a Tailândia, a Tunísia e o Uruguai. 16 HOEKSTRA, A.Y.; HUNG, P.Q. Virtual water trade. A quantification of virtual water flows between nations in relation to international crop trade. Delft, Países Baixos: UNESCO-IHE, 2002 17 www.waterfootprint.org 18 HOEKSTRA, A.Y.; CHAPAGAIN, A.K. Water footprints of nations: Water use by people as a function of their consumption pattern. Water and Resource Management 21, pg. 35-48, 2007 19 CHAPAGAIN, A.K.; HOEKSTRA, A.Y. The global component of freshwater demand and supply: an assessment of virtual water flows between nations as a result of trade in agricultural and industrial products. Water International 33, pg. 19-32, 2008 20 ALLAN, J.A. Fortunately there are substitutes for water; otherwise our hydro-political futures would be impossible. Priorities for water resources allocation and management. ODA: London, 1993; ALLAN, J.A. Overall perspectives on countries and regions. In: ROGERS, P.; LYDON, P. (Org.), Water in the Arab World: perspectives and prognoses. Harvard University Press: Cambridge, pg. 65–100, 1994 21 HOEKSTRA, A.Y.; CHAPAGAIN, A.K.; ALDAYA, M.M.; MEKONNEN, M.M. Water Footprint Manual - State of the Art 2009. Water Footprint Network: Enschede, Países Baixos, 2009 22 CHAPAGAIN, A.K.; HOEKSTRA, A.Y. The global component of freshwater demand and supply: an assessment of virtual water flows between nations as a result of trade in agricultural and industrial products. Water International 33, pg. 19-32, 2008 23 CHAPAGAIN, A.K.; HOEKSTRA, A.Y. The global component of freshwater demand and supply: an assessment of virtual water flows between nations as a result of trade in agricultural and industrial products. Water International 33, pg. 19-32, 2008 24 CHAPAGAIN, A.K.; HOEKSTRA, A.Y. The global component of freshwater demand and supply: an assessment of virtual water flows between nations as a result of trade in agricultural and industrial products. Water International 33, pg. 19-32, 2008 25 Veja a descrição detalhada da pegada hídrica de uma camiseta em: http://www.waterfootprint.org/?page=files/ productgallery&product=cotton 26 UCHATIUS, W. Das Welthemd. In: Die Zeit, 2011. Disponível em: http://www.zeit.de/2010/51/Billige-T-Shirts 27 CHAPAGAIN, A.K.; HOEKSTRA, A.Y., SAVENIJE, H.H.G.; GAUTAM, R. The water footprint of cotton consumption: An assessment of the impact of worldwide consumption of cotton products on the water resources in the cotton producing countries. In: Ecological Economics. 60(1), pg. 186-203, 2006 34 | A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta 28 Cálculo baseado em: MOLL, S.; WATSON, D. Environmental Pressures from European Consumption and Production. A study in integrated environmental and economic analysis. European Topic Centre of Sustainable Consumption and Production: Copenhague, 2009 29 EEA. The European Environment. State and Outlook 2010. Copenhague: Agência Europeia do Ambiente, 2010a 30 Veja por exemplo: Behrens, A.; Giljum, S.; Kovanda, J.; Niza, S. The material basis of the global economy: Worldwide patterns of natural resource extraction and their implications for sustainable resource use policies. In: Ecological Economics 64(2), pg. 444-453, 2007; Krausmann, F.; Fischer-Kowalski, M.; Schandl, H.; Eisenmenger, N. The global socio-metabolic transition: past and present metabolic profiles and their future trajectories. In: Journal of Industrial Ecology 12, pg. 637-656, 2008 31 32 33 Rockström, J.; Steffen, W.; Noone, K.; Persson, A.; Chapin, F.S.; Lambin, E.F.; Lenton, T.M.; Scheffer, M.; Folke, C.; Schellnhuber, H.J.; Nykvist, B.; de Wit, C.A.; Hughes, T.; van der Leeuw, S.; Rodhe, H.; Sorlin, S.; Snyder, P.K.; Costanza, R.; Svedin, U.; Falkenmark, M.; Karlberg, L.; Corell, R.W.; Fabry, V.J.; Hansen, J.; Walker, B.; Liverman, D.; Richardson, K; Crutzen, P.; Foley, J.A. A safe operating space for humanity. In: Nature 461, pg. 472, 2009 CHAPAGAIN, A.K.; HOEKSTRA, A.Y. The global component of freshwater demand and supply: an assessment of virtual water flows between nations as a result of trade in agricultural and industrial products. Water International 33, pg. 19-32, 2008 MEKONNEN, M. M.; HOEKSTRA A. Y. National water footprint accounts: the green, blue and grey water footprint of production and consumption. UNESCO-IHE: Delft, Países Baixos, 2011 34 http://www.allaboutwater.org/environment.html 35 SERI – Sustainable Europe Resource Institute. Pesquisa exploratória sobre a ECR. Relatório do projeto não publicado, 2008 36 http://killedbyplastic.blogspot.com/2008/01/greenpeace-article.html 37 Kostigen, Thomas M. The World’s Largest Dump: The Great Pacific Garbage Patch. In: Discover Magazine, 10/jul/2008. Disponível em: http://discovermagazine.com/2008/jul/10-the-worldslargest-dump 38 Os termos de eficiência de recursos e produtividade de recursos são frequentemente empregados como sinônimos. De um ponto de vista técnico, a eficiência de recursos se refere ao uso reduzido dos recursos para atingir o mesmo ou um melhor rendimento (normalmente por meio de inovação tecnológica). A produtividade de recursos, no entanto, se refere a lucros econômicos realizados graças à eficiência de recursos (por exemplo Euros / tonelada), indicando a efetividade econômica do uso dos recursos naturais. Neste relatório entendemos os dois termos como permutáveis. Todos os dados são relativos à produtividade dos recursos, também nomeada de produtividade das matérias-primas). 39 Bleischwitz, R. International economics of resource productivity– Relevance, measurement, empirical trends, innovation, resource policies. In: International Economics and Economic Policy, pg. 1-18, 2010. EIO. The Eco-Innovation Challenge: Pathways to a resource-efficient Europe. Eco-Innovation Observatory, fundado pela Comissão Europeia, DG Ambiente. EIO: Bruxelas, 2011 (obra acima citada). 40 EEA. The European Environment – State and Outlook 2010. Water Resources: Quantity and Flows. Copenhagen: Agência Europeia do Ambiente, 2010b; ETC/WTR baseado em dados do Eurostat 41 Comissão Europeia. Addressing the challenge of water scarcity and droughts in the European Union. Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu e ao Conselho. Comissão Europeia: Bruxelas, 2007 42 Dworak, T.; Berglund M. et al. (2007). EU Water Saving Potential. Comissão Europeia: Bruxelas, 2007, ENV.D.2/ ETU/2007/0001r 43 Comissão Europeia. Addressing the challenge of water scarcity and droughts in the European Union. Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu e ao Conselho. Comissão Europeia: Bruxelas, 2007 44 BURGER, E.; Reisinger, H. Resultado final do projeto BRIX, 2010 45 CHAPAGAIN, A.K.; HOEKSTRA, A.Y. Water Footprint of Nations. Volume 1: Main report. UNESCO-IHE: Delft, Países Baixos, 2004 46 EEA. The European Environment – State and Outlook 2010. Water Resources: Quantity and Flows. Copenhagen: Agência Europeia do Ambiente, 2010b; ETC/WTR baseado em dados do Eurostat. Como nosso consumo ameaça os recursos hídricos do planeta A EXPLORAÇÃO DA ÁGUA | 35 SOBRE NÓS REdUSE é um projeto que conta com a participação de GLOBAL 2000, Sustainable Europe Research Institute, Amigos da Terra Europa e dos grupos-membros nacionais de Amigos da Terra dos seguintes países: Inglaterra, Gales e Irlanda do Norte; República Tcheca; França; Itália; Hungria; Brasil; Camarões; Chile e Togo. O projeto visa sensibilizar para a quantidade de recursos naturais consumidos na Europa e para as consequências negativas que o consumo excessivo provoca no meio ambiente e nas sociedades no Sul global. Para maiores informações veja: www.reduse.org A organização GLOBAL 2000 foi fundada em Viena, em 1982, e é membro da rede internacional de Amigos da Terra, desde 1998. Com 60.000 membros, a GLOBAL 2000 é a maior e mais conhecida organização ambientalista na Áustria. Por meio do seu trabalho, a GLOBAL 2000 não apenas revela escândalos ambientais e defende a responsabilidade da Áustria de contribuir para a solução dos problemas ambientais no mundo, mas também oferece soluções sustentáveis. Para maiores informações veja: www.global2000.at O Sustainable Europe Research Institute (SERI; “Instituto de Pesquisa sobre a Sustentabilidade na Europa“ – tradução não oficial) é uma instituição privada de pesquisa e assessoria com o objetivo de estudar as opções de um desenvolvimento sustentável para as sociedades europeias. O SERI contra entre os principais institutos europeus nas áreas de gestão do uso de recursos, elaboração de cenários sustentáveis, indicadores para o desenvolvimento sustentável e políticas para o uso sustentável de recursos. Para maiores informações veja: www.seri.at A Friends of the Earth Europe é a seção europeia da Amigos da Terra Internacional. É a maior rede de entidades ambientalistas na Europa, unindo grupos nacionais e grupos ativistas em mais de 30 países europeus. Representando a voz dos cidadãos e cidadãs da Europa, defendemos soluções sustentáveis para beneficiar o nosso planeta, a humanidade e o futuro. A Friends of the Earth Europe participa ativamente na reestruturação das políticas da União Europeia e europeias; atua em prol de uma sensibilização por assuntos relacionados ao meio ambiente. Para maiores informações veja: www.foeeurope.org