DICAS PARA O VESTIBULAR
IBULAR – LITERATURA – 3.º ANO
Quando se trata de LITERATURA, os vestibulares das Universidades Federais e da UPE mantêm o
enfoque trabalhado em todo o país: ênfase no Modernismo e, na medida do possível, trabalho com os
autores oriundos da região ou estado em que o concurso é realizado. Nesse sentido, nunca é demais revisar autores como Mário e Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Graciliano Ramos, João Cabral de
Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, e
Guimarães Rosa. Além deles, no caso de Pernambuco, nomes como Ascenso Ferreira, Joaquim Cardozo, Osman Lins, Raimundo Carrero, Gilvan
Lemos, Mauro Mota, entre outros, não devem ser
esquecidos pelo “fera”.
No contexto do Modernismo, atentar para: momento
histórico; vanguardas européias; premissas estéticas da
escola (nesse sentido, idéias presentes no “Prefácio
Interessantíssimo”, de Mário de Andrade); Semana de
Arte Moderna de 1922; revistas e manifestos do Modernismo brasileiro; autores e obras da 1.ª fase modernista; da 2.ª fase (e, aqui, ênfase no romance regionalista de 1930) e Pós-Modernismo (Geração de 45).
Que tais estas questões?
(UM-SP) O poema “Os Sapos”, de Manuel Bandeira,
contém uma crítica a: a) escola modernista; b) escola
simbolista; c) escola parnasiana; d) escola realista; e)
escola literária.
(UCP-PR) Movimento literário brasileiro que recebeu
influências de vanguardas européias tais como o Futurismo e o Surrealismo: a) Modernismo b) Parnasianismo c) Romantismo d) Realismo e) Simbolismo
Devemos, no entanto, estar atentos para as particularidades
de cada vestibular quanto às abordagens mais constantes e à bibliografia indicada.
O vestibular da Covest tem se encaminhado,
nos últimos anos, para dar maior destaque aos
autores da chamada Geração de 45 (PósModernismo brasileiro). Convém revisar João
Cabral de Melo Neto e sua preocupação com a
precisão da linguagem, bem como as abordagens
sociais de sua obra, como em Morte e Vida
Severina e O Cão sem Plumas. João Guimarães
Rosa (centenário de nascimento) e Clarice
Lispector ocupam lugar de destaque por
comporem a bibliografia, respectivamente, com
os livros Primeiras Estórias e A
João Guimarães Rosa (MG-1908, RJ-1967).
Hora da Estrela.
Sobre esse autor, recordar:
• Sua obra vai além do regionalismo tradicional.
• Riqueza de linguagem e presença de questões
morais e metafísicas de caráter universal
(sentido da vida e da morte; existência ou não
de Deus e do diabo; significado do amor, do
ódio, da ganância etc.
• Utilização do linguajar sertanejo estilizado.
• Recriação de palavras (neologismos) a partir
de arcaísmos, vocábulos eruditos e populares,
prefixos e sufixos.
• Construção de uma sintaxe própria.
• Exploração genial das possibilidades sonoras
da linguagem, mediante aliterações, onomatopéias, ecos, homofonias etc.
“Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram
de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do
córrego. Por meu acerto. Todo dia isso
faço, gosto; desde mal em minha mocidade.
Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: Um bezerro branco, erroso, os olhos de
nem ser — se viu —; e com máscara de
cachorro. Me disseram; eu nem quis avistar. Mesmo que por defeito como nasceu,
arrebitado de beiços, esse figurava rindo
como pessoa. Cara de gente, cara de cão:
determinaram — era o demo. Povo prascóvio. Mataram, dono dele nem sei quem for.
Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não
tenho abusões. O senhor ri certas risadas…
Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a
cachorrada pega a latir, instantaneamente
— depois, então, se vai ver se deu mortos.
O senhor tolere, isto é o sertão.” (Grande
Sertão: Veredas)
“Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.”
O auto-retrato verbal refere-se a
que artista da nossa literatura? a)
Joaquim Cardozo; b) Manuel Bandeira; c) Ascenso Ferreira; d) João
Cabral de Melo Neto; e) Mauro
Mota.
A presença, no programa, dos autores portugueses é outro aspecto importante. Eça de
Queirós, Fernando Pessoa e José Saramago devem ser trabalhados, tendo em vista a importância dos dois primeiros e a grande exposição do último com o filme Ensaio sobre a
Cegueira.
José Maria de Eça de Queirós (1845-1900) é por muitos considerado o
melhor escritor realista português do século XIX. Foi autor, entre outros
romances de importância reconhecida, de O Crime do Padre Amaro, O
Primo Basílio e Os Maias.
A respeito desse autor, observar:
• Prosador da escola realista portuguesa.
• Conferências do Cassino Lisbonense.
• Romances de tese e crítica à vida social portuguesa de fins do séc. XIX.
Fernando Antônio Nogueira de Seabra Pessoa (Lisboa, 1888-1935),
poeta e escritor português, principal escritor do Modernismo lusitano, é
considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, sendo
comparado a Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, ao
lado de Pablo Neruda, o mais representativo poeta do séc. XX. Deixou obra
essencialmente dispersa, mas chegou a publicar 35 Sonnets (em inglês,
1918), English Poems I-II e English Poems III (também em inglês, 1922),
Mensagem (1934), e o folheto O Interregno (1928). Além dessas obras,
legou-nos: Cancioneiro, Poemas de Alberto Caeiro, Odes de Ricardo Reis,
Poesias de Álvaro de Campos e o Livro do Desassossego.
Estudando esse autor, considere:
• A revista Orpheu e a primeira geração do Modernismo português.
• Fernando Pessoa ele mesmo e os heterônimos: Alberto Caeiro (pastoral),
Ricardo Reis (neoclássico) e Álvaro de Campos (futurista), além do
semi-heterônimo Bernardo Soares (autor do Livro do Desassossego).
• O problema do fingimento artístico.
José de Sousa Saramago (Azinhaga, Portugal, 1922), escritor, jornalista e
poeta português, Nobel de Literatura de 1998 e ganhador do Prêmio
Camões, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa. Obras
marcantes: Levantado do Chão (1980); Memorial do Convento (1982); O
Ano da Morte de Ricardo Reis (1984); A Jangada de Pedra (1986); O
Evangelho segundo Jesus Cristo (1991); Ensaio sobre a Cegueira (1995);
Todos os Nomes (1997).
Principais características:
• Prosador das tendências contemporâneas da literatura portuguesa.
• O problema do ateísmo.
• Socialismo e crítica social.
• Romances polifônicos.
• Barroquismo.
O vestibular da Universidade de Pernambuco
é conhecido pelo seu caráter mais detalhista e
aprofundado. Os destaques são os autores locais,
sempre muito trabalhados, como Raimundo
Carrero e seu Sombra Severa.
A bibliografia indicada deve merecer especial
atenção, pois a UPE costuma detalhá-la em sua
prova.
Não devemos esquecer, ainda, que os dois vestibulares, Covest e UPE, tradicionalmente, fazem
referência a datas marcantes no campo literário.
Dentro desse aspecto, não podemos deixar de lembrar os 80 anos da publicação de Macunaíma, de
José Saramago, único Nobel em língua portuguesa.
“Esta ‘rapsódia’ (como era qualificada na primeira edição)
conta as aventuras de Macunaíma, herói de uma tribo amazônica, que o autor misturou a outros, também indígenas, e que
reinventou como personagem picaresca, sem cortar as suas
ligações com o mundo lendário. Depois da morte da mulher
(Ci, a Mãe do Mato), que se transforma na estrela Beta de
Centauro), Macunaíma perde um amuleto que ela lhe dera, a
‘muiraquitã’. Sabendo que está nas mãos de um mascate peruano, Venceslau Pietro Pietra, morador em São Paulo, vem para
esta cidade com os dois irmãos, Maanape e Jiguê. A maior
parte do livro se passa durante as tentativas de reaver a pedra
do comerciante, que era afinal de contas o gigante Piaimã,
comedor de gente. Conseguido o propósito, Macunaíma volta
para o Amazonas, onde, após uma série de aventuras finais, se
transforma na constelação Ursa Maior.”
(CANDIDO, Antonio & CASTELLO, J. Aderaldo. Presença da
Literatura Brasileira — Modernismo. 5.ª ed. São Paulo, Difel,
1975, v. 3, p. 92.)
Mário de Andrade, e do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade, os dois em 1928.
A discussão em torno da nacionalidade e da identidade cultural brasileira são a tônica dos
dois textos.
Como não citar, é claro, o centenário da morte do “Bruxo do Cosme Velho”, Machado
de Assis? Uma das obras primas do autor, Dom Casmurro, é cobrada tanto na Covest quanto na UPE. A dúvida da traição de Capitu, o abalo psicológico de Bentinho e as eternas
ironias do mestre Machado são ingredientes de uma grande “bruxaria” literária que compõe
a obra do grande romancista brasileiro.
Joaquim Maria Machado de Assis (RJ, 1839-1908) foi romancista,
contista, poeta, cronista e teatrólogo brasileiro. O crítico norte-americano
Harold Bloom considera Machado de Assis um dos cem maiores gênios da
literatura de todos os tempos (chegando ao ponto de considerá-lo o melhor
escritor negro da literatura ocidental). Principais obras: Histórias da MeiaNoite (contos, 1873); Helena (romance, 1876); Memórias Póstumas de Brás
Cubas (romance, 1881); Quincas Borba (romance, 1892); Dom Casmurro
(romance, 1900); Esaú e Jacó (romance, 1904); Relíquias da Casa Velha
(contos, 1906); e Memorial de Aires (romance, 1908).
Ao estudar Machado, atente para o seguinte:
• Introdutor da Escola Realista no Brasil.
• Para muitos críticos literários, o maior escritor brasileiro de todos os tempos.
• Com relação às posições e características de Machado, considerar: obra
até certo ponto inclassificável em relação a escolas literárias; postura crítica em face do Romantismo; negativismo (pessimismo); descrença no amor
desinteressado (incredulidade); permanente análise psicológica das personagens; a ironia social e política (a famosa ironia machadiana); técnica dos
capítulos curtos e diálogo com o leitor.
Um diálogo sem palavras?? Estranho?
Não! Apenas Machado.
Como orientação final, seguem alguns
lembretes.
a) Muita atenção com o enunciado: ele
orienta a resposta.
b) Com a presença de texto motivador,
sua leitura é imprescindível para fazer
a questão.
c) Atente para os diálogos que obras e autores estabelecem entre si, o que comumente chamamos de intertextualidade. Um texto modernista pode retomar aspectos de outras escolas, e um
Machado de Assis, por exemplo, antecipa várias tendências posteriores.
d) Cuidado com as referências que não
aparecem no programa, mas estão im-
plícitas. O Auto da Compadecida e O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna, não
são apenas comédias para fazer rir; trazem inúmeras referências a textos bíblicos,
populares e às nossas heranças medievais, como o teatro de Gil Vicente, do Humanismo português.
DICAS PARA O VESTIBULAR – LITERATURA – VESTIBULAR SERIADO
Teremos, este ano, a primeira experiência com o vestibular seriado em Pernambuco, realizado pela UPE. Desse modo, não dispomos de maiores referências para imaginar como
será o perfil das provas. Podemos deduzir, porém, que o caráter da prova deve seguir o padrão do vestibular regular.
Tradicionalmente, a UPE utiliza muitos textos e imagens, procurando relacioná-los.
Arcadismo e Barroco, principalmente o Barroco, são muito intensos nas artes plásticas,
pintura e escultura. O candidato deve estar preparado para enxergar, nos textos e em quadros, as características do movimento.
A bibliografia deve ser, também, muito trabalhada. É uma das marcas fortes da UPE.
Texto 1: soneto barroco
Texto 2: soneto arcádico
O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo.
Sou pastor; não te nego; os meus montados
São esses, que aí vês; vivo contente
Ao trazer entre a relva florescente
A doce companhia dos meus gados;
Em todo o Sacramento está Deus todo
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica todo.
Ali me ouvem os troncos namorados,
Em que se transformou a antiga gente;
Qualquer deles o seu estrago sente;
Como eu sinto também os meus cuidados.
O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.
Vós, ó troncos, (lhes digo) que algum dia
Firmes vos contemplastes, e seguros
Nos braços de uma bela companhia;
Não se sabendo parte deste todo,
Um braço, que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.
Consolai-vos comigo, ó troncos duros;
Que eu alegre algum tempo assim me via;
E hoje os tratos de Amor choro perjuros.
Gregório de Matos
Cláudio Manuel da Costa
Questão proposta
Compare os dois sonetos e estabeleça as principais diferenças entre o Barroco e o Arcadismo em
termos de conteúdo e forma.
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