TERESINA - PI, MARÇO DE 2007
O ‘anjo torto’ da
Tropicália tem sido tema
de tese de vários
pesquisadores
Págs. 8 e 9
Poeta é motivo de
estudos que revelam a
sua importância como
guardião da memória
Págs. 11 e 12
2
OPINIÃO
TERESINA - PI, MARÇO DE 2007
100 anos de literatura piauiense
O processo civilizatório está
intimamente
ligado
ao
desenvolvimento de práticas de
leitura e de escrita. A invenção de
Gutemberg trouxe ao Ocidente uma
revolução extraordinária no campo
científico
e
intelectu al,
possibilitando a laicização do
conhecimento,
antes
um
monopólio da Igreja e da
aristocracia.
Se o advento da imprensa
promoveu as atividades de ler e escrever
à condição de prática social, uma outra
transformação ocorreu em decorrência
do incremento da escrita: a leitura deixou
de ser apenas uma forma de propagação
do conhecimento científico ou filosófico,
se tornando também uma opção de
entretenimento ou lazer. A partir daí,
começam a desaparecer antigas práticas,
calcadas na oralidade e próprias do meio
rural, como a prática de ouvir e contar
histórias.
À medida que a leitura se
consolida como prática social, passando
a penetrar no espaço doméstico, como
entretenimento para toda a família, a
literatura – um tipo especial de escrita,
valorizada por seus recursos estéticos
– até então acessível apenas ao deleite
das elites, passa a fazer parte do
cotidiano das populações urbanas.
Esse grande surto civilizatório
provocado pela imprensa, no continente
europeu, durante o século XVIII,
repetiu-se no Brasil a partir da segunda
metade do século XIX. No Piauí, porém,
somente veio a ocorrer, na entrada do
século XX, quando se formou uma classe
média urbana e letrada o suficiente para
o consumo de produtos culturais.
Não obstante algumas obras
espa rsas publica das por autores
piauienses ainda no século XIX, a nossa
literatura veio a ganhar um público local
e a ter repercussão na crítica literária
somente nos primeiros anos do século
passado. Podemos, porta nto, neste
início de século XXI, festejar o
centenário da nossa literatura.
Esta edição do Sapiê ncia
pretende homenagear os cem anos da
literatura piau iense, foca lizando a
pesquisa acadêmica voltada ao estudo
da obra de H.Dobal, Assis Brasil e
Torquato Neto, que são, sem dúvida,
autores que muito bem representam o
elevado nível estético alcançado por
nossa literatura.
Socorro Magalhães
Um outro lugar para se nascer no Japão - As casas de parto
Ivanilda Sepúlveda Gomes*
N
o
período de 9 de
fevereiro a 25 de
abril de 2004, dez
enfermeiras
o b st e t r a s
brasileiras - entre
elas
duas
pia uienses
estivemos
no
Japã o, fazendo o treinamento
ASSISTÊNCIA
AO
PARTO
HUMANIZADO EM CASAS DE
PARTO DO JAPÃO, através de um
projeto da JICA (Agencia de Cooperação
Internacional do Japão), que tem como
finalidade treinar enfermeiras obstetras
para a assistência ao parto humanizado
no Brasil. Segundo a Organização
Mundial de Saúde (OMS), são esses
profissionais que se enquadram no
melhor perfil da humanização do parto e
nascimento com o objetivo de reduzir as
taxas de mortalidade materna e neonatal
no Brasil.
Tivemos a oportunidade de
conhecer a realidade de um país
desenvolvido que acredita na
humanização do parto e para que isso
ocorra não se faz necessário o uso
indiscriminado da tecnologia. Em dados
comparativos, a mortalidade materna no
Japão é de 6,5/100 mil nascidos vivos; no
Brasil, 74,5 óbitos maternos para 100 mil
nascidos vivos. A mortalidade infantil até
1 ano de vida corresponde a 3 por mil
nascidos vivos no Japão, enquanto que,
no Brasil, este índice é de 31 óbitos infantis
para mil nascidos vivos. A taxa de partos
cesarianos no Japão é de aproximadamente
13% do total de partos; no Brasil, esse
procedimento representa 45% nas
instituições publicas, chegando a índices
alarmantes
de 90% nas instituições privadas.
No Japão, existem 300 casas de
parto. A casa de parto é uma instituição de
saúde de nível primário cujas atividades
consistem em assistência à mãe, durante a
gestação, parto e puerpério; ao recémnascido, apoio ao aleitamento materno até
o desmame e apoio ao planejamento
familiar e educação sexual.
As casas de parto do Japão são
lugares onde a mulher é assistida somente
por enfermeiras obstetras (Midwife). É um
espaço em que a mulher se sente protegida
e segura, compartilha a experiência com
outras mulheres e tem a participação direta
da família. A mulher aprende a viver o seu
cotidiano, adequando-se às mudanças
de seu próprio organismo, onde o
autoconhecimento supera a expectativa
da dor, na hora de parir. Um outro fator
importante para o alívio da dor é o
preparo da mulher para o parto, momento
em que mulher mesma faz os seus planos
de parto. O pra zer de ser mãe,
acompanhado do a poio familia r, é
fundamental para a diminuição da
ansiedade do parto com conseqüente
alívio da dor. Na casa de parto, ocorre o
aumento do vínculo mãe-filho e família,
pois a mulher e seu filho são valorizados
como atores principais de um espetáculo
da natureza.
Com este curso realizado no
Japão, ficou claro que é possível a
realização do parto por enfermeiras,
visto que o mesmo é fenômeno natural e
fisiológico e carece do mínimo possível
de intervenções.
Está faltando à mulher brasileira
o estímulo ao parto normal e ela precisa
encontrar o seu próprio instinto de parir,
rega tando a ssim u ma tradição
exclusivamente feminina.
Nº 11 * Ano IV * Março de 2007
ISSN - 1809-0915
Informativo produzido pela
Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado do Piauí
Fone: (86) 3216-6090
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W elington Lage
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6 mil exemplares
* Enfermeira obstetra
[email protected]
Recebemos
Agradeço as mensagens que têm enviado com freqüência, sempre informando sobre notícias e eventos científicos. Sobre
o último informativo científico Sapiência, consultei o material disponível, na página da Fapepi e achei um ótimo material de
divulgação científica. A Fapepi e todos os professores-pesquisadores estão de parabéns pela qualidade das pesquisas
que vêm sendo desenvolvidas, em alguns casos há décadas.
Prof. Guilherme Medeiros
Coordenador do Colegiado de Arqueologia e Preservação Patrimonial
Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf / Campus Serra da Capivara-PI
Em nome da Diretora da Biblioteca Central da UFPA, Bibliotecária Sílvia Maria Bitar de Lima Moreira, acusamos o
recebimento do Jornal SAPIÊNCIA nº 10. Nesta oportunidade, apresentamos nossos agradecimentos pela doação que
enriquecerá, sobremaneira, nosso acervo e proporcionará aos nossos usuários uma fonte de informação histórica valiosa
para suas pesquisas.
Maria Hilda de Medeiros Gondim
Diretora da Divisão de Desenvolvimento de Coleções - Biblioteca Central/UFPA
Críticas, sugestões e contatos:
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Fones: (86) 3216.6090 / 3216.6091
Fax: (86) 3216.6092 •
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3
ARTIGO
TERESINA - PI, MARÇO DE 2007
Homero e Pompéia: literatura e memória
Diógenes Buenos Aires de Carvalho*
Wa l t e r
Benjamin (1985),
no ensaio O
Narrador, declara
que a arte de
narrar está em
vias de extinção,
uma vez qu e o
homem parece
estar privado da
faculdade de intercambiar experiências,
as quais passam de pessoa a pessoa e
constituem a fonte dos narradores.
Logo, se não existe experiência não há
o que contar, pois a narrativa provém
da experiência. Esse experienciar tem
como suporte a oralidade, o que dá à
história oral ca ráter de modelo
exemplar da narrativa. A predileção por
tal modalidade é reforçada, quando se
reporta à narrativa escrita e afirma que
esta deve se distinguir o mínimo
possível das histórias orais contadas
pelos inúmeros narradores anônimos.
Para o autor, a arte de narrar está
pautada na cultu ra ora l em que o
narrador é anônimo, a experiência e a
memória são coletivas.
Partindo dessa perspectiva, a
Odisséia, de Homero, apresenta-se
como exemplo defendido pelo autor. Tal
exemplaridade se manifesta , a
princípio, por ser uma epopéia, que é
para Benjamim a representação do
mundo oral. Além disso, esse gênero
conta sempre a história de um povo ou
de uma nação, assumindo um caráter
coletivo, visto que não há a noção de
indivíduo, ou seja, o retorno do herói
Ulisses não tematiza a história de um
indivíduo e sim a do povo grego. Vale
ressaltar que ocorre a representação da
guerra, através das personagens, o que
representa a ma terialização da
coletividade e não da individualidade,
muito embora, na superfície do texto, a
ação esteja a cargo de uma personagem
como, por exemplo, Ulisses.
É uma narrativa marcada pela
oralidade, tendo em vista a forte
presença do ato de narrar para um
ouvinte, como se observa nos momentos
em que Ulisses relata as suas aventuras
para poder retornar até Ítaca, contando
sempre com um interlocutor. Essa
estratégia comprova a concepção de
narrativa, enquanto lembranças de uma
experiência vivida que pressupõe a
presença de um público. Tais relatos
também se configu ram como um
esforço de recuperação da memória, o
que justifica a quebra da seqüência
linear do enredo em que o narrador
trabalha com a técnica denominada in
media res e uma perspectiva temporal
não cronológica.
Outro aspecto que aproxima a
Odisséia da narrativa oral postulada por
Benjamim é o que diz respeito ao
anonimato do narrador, porquanto não
se sabe, com certeza, quem foi o sujeito
que escreveu essa epopéia, havendo
uma convenção em torno do autor,
Homero. Isso reforça igualmente a idéia
de ausência de individualidade, isto é,
não há um sujeito-narrador, mas uma
coletividade-narradora e se é a voz de
um grupo/povo/cultura que vem à tona,
por conseguinte, a memória também é
coletiva.
Para Benjamim, o surgimento
do romance sinaliza o primeiro indício
da morte da narrativa porque esse
representa o mundo da escrita. Tem-se
uma ruptura entre o mundo da oralidade
e o da escrita que se manifesta num
processo de produção e recepção da
escrita, pautado no isolamento do
escritor e do leitor, isto é, na segregação
do romancista e na leitura individual e
silenciosa. O autor afirma ainda que “a
origem do romance é o indivíduo
isolado, que não pode mais falar
exemplarmente
sobre
suas
preocupações mais importantes e não
recebe conselhos nem sabe dá-los”
(p.201).
Em vista disso, o romance não
representa uma coletividade, haja vista
a entrada em cena da noção de
individualidade, que privilegia a análise
psicológica detalhada em detrimento da
concisão característica da narrativa
oral, pois “quanto maior a naturalidade
com que o narra dor renuncia às
sutilezas psicológicas, mais facilmente
a história se gravará na memória do
ouvinte, mais completamente ela se
assimilará à sua própria experiência e
mais irresistivelmente ele cederá à
inclinação de recontá-la um dia”
(p.204). Essa posição do autor revela a
concepção da memória como tradição,
já que só se preserva aquilo que é
possível de ser lembrado. Por isso, as
narrativas para serem perenes precisam
conter apenas a essência que é de
interesse do coletivo e não o detalhe,
tendo em vista que a memória não é
capa z de guardá-lo e porque ele
individualiza.
O Ateneu, de Raul Pompéia,
enquadra-se como texto exemplar da
categoria romance caracterizada por
Benjamim. Têm-se não mais uma obra
coletiva e sim individual, visto que o
narrador é em 1ª pessoa e possui um
caráter autobiográfico porque está
calcada na vida do autor, ou seja, a
narrativa remete para um sujeito com
biografia, a qual interfere na obra. Tal
indivíduo que constitui o narrador
(Sérgio), na verdade, desdobra-se em
três: Sérgio/cria nça – personagem,
Sérgio/adulto – narrador, e Sérgio/Dr.
Clá udio – alter ego de Sérgio,
reforçando
a
concepção
de
individualidade, porque advém dos
conflitos da personagem Sérgio, que
não procura “a moral da história”, mas
“o sentido da vida”. Afinal, para
Benjamim, é o que o romance pretende
ser, haja vista não ter uma dimensão
utilitária, isto é, o texto apresenta uma
consciência da frustração de que não
ensina nada. Com essas características,
a obra de Pompéia é uma recuperação
de u ma memória psicológica
diferentemente da obra de Homero que
é uma memória de ações.
Fica evidenciado também que
essa memória psicológica revela um
indivíduo que quer falar para si e,
portanto, não precisa de um público.
Traz à tona a solidão do narrador no
período vivido num internato, que
assume características de prisão e de
dor. Ao apresentar uma crítica à cultura
burguesa, o narrador apresenta um
indivíduo que se expressa em oposição
à sociedade. Para tanto, utiliza o
microcosmo escolar para representar a
sociedade, apresentando uma espécie de
totalidade.
A o dissé ia e O Ateneu
configuram, por conseguinte, exemplos
modelares da concepção de Walter
Benjamim acerca da narrativa oral e do
romance, respectivamente. Sendo que
essa
distinção
passa
pelo
desdobramento da memória em coletiva
ou individual.
* Doutor em Letras - PUC-RS
Professor Adjunto do Departamento de
Letras – CESC/UEMA
[email protected]
A Bruxa má de Teresina
Arnaldo Eugênio*
E s t e
artigo é u ma
síntese
da
disserta çã o de
m est r a d o ,
defendida
no
Mestra do
em
Políticas Públicas
– UFPI, em 30 de
novembro de 2005, sobre o estudo do
estigma de “lugar violento”, logo, de
“gente perigosa”, sobre a comunidade
da Vila Irmã Dulce, construído pelo
discurso oficia l midiatiza do. Esse
trabalho teve como privilégio à
orientação da Profª. Dra . D’Alva
Macedo e co-orientação do Profº. Dr.
Fabiano Gontijo.
No contexto contemporâneo
da reconfiguração urbana de Teresina,
entre a verticalização e a favelização,
a Vila Irmã Dulce surgiu como parte
de u ma forma de orga niza çã o
territorial dos pobres – as ocupações
coletivas de terras.
Sociologicamente, o estigma é
uma ca tegoriza çã o de a tributos
considerados comuns e na tu ra is
construído pela sociedade para rotular/
caracterizar um indivíduo, ou grupos
de indivíduos, como um ser inabilitado
para a aceitação social plena – uma
espécie de “ identida de socia l” ou
marca identitária. Na realidade, um
estigma trata-se de um tipo especial de
relação entre atributo e estereótipo,
que, no caso da Vila Irmã Dulce, a
polícia construiu o atribu to –
“violento”, os programas policiais
deram o estereótipo – “lugar”, e ambos,
cada qual com o seu modo discursivo,
disseminaram a relação entre o
atributo e o estereótipo na sociedade
teresinense – “lugar violento”.
Contudo, o estigma de “lugar
violento” para a Vila Irmã Dulce não
fa z ju s à comu nida de. Já que a
convivência social na localidade não
se expressa em função de práticas de
violência, como indu z o discurso
oficial midiatizado que impregnou o
imaginário teresinense.
O estigma de “lugar violento”
sobre a Vila Irmã Dulce tem relação
com a condi çã o soc ia l de seu s
moradores, pois a ideologia policial
a inda associa crime à pobreza . A
discriminaçã o e a desqua lificação
social de seus moradores é o maior
castigo imposto pelo estigma sobre a
comunidade.
Os moradores da Vila Irmã
Du lce, p ela própria din â mica da
cond içã o h u ma na , desej a m e
a lm eja m p or reco nhecime nto,
va lo riza çã o,
a co lhimen to,
visibilidade, significado, distinção e
poder, que revigorem sua auto-estima
e
p ermita m-lhes
a lca n ça r
acessibilidade como um grupo social
de identidade e apreço próprios.
Eles têm na resistência um
fator primordial para desencadear o
pro cesso de mu d a nça e na
consciência políti ca da força
coletivida de, o elemento essencial
pa ra a rticu la r a orga niz a çã o
comu nitária e supera r os desa fios
post os pel a s discrimin a ções, os
preconceitos de classe, as exclusões,
a s i ntoler â ncia s, a vio lência e a
condição de pobreza.
Com o estudo foi possível
perceber que a história dos pobres em
Teresina, no caso da Vila Irmã Dulce,
é constituída de trajetórias incertas,
onde a intensa mobilidade espacial
só cessa, quando encontram refúgio
nu ma á rea desocu pa da , no a fã de
su pera rem a longa experiência de
negação do direito à mora dia e à
cidadania por parte do Estado.
As interpreta ções sobre as
rela ções sociais estabelecidas pela
comu nida de e a con sta ta çã o da
existência de redes de solidariedade
e de reciprocidade demonstraram que
a lo ca lida d e nã o é u m “ l u ga r
violento”, ou de “incivilizados” em
qu e a viol ência é u ma m a rca
identitá ria, já qu e o seu convívio
soci a l nã o é, esse ncia lme nte,
esta belecid o em fu nçã o de u ma
su po sta pr á tica de soc ia bili da de
violenta construída pelo discu rso
oficial.
* Professor de Sociologia da UFPI
Mestre em Políticas Públicas
[email protected]
4
REPORTAGEM
TERESINA - PI, MARÇO DE 2007
O incremento da pesquisa científica,
graças ao fortalecimento dos programas
de pós-graduação em todo o país e também
em nosso estado, produziu um
considerável volume de trabalhos que vêm
colaborando na recuperação da memória
cultural do Piauí. Atualmente, não mais se
põe em dúvida a existência de uma
literatura piauiense, reconhecendo-se um
conjunto notável de autores e obras, bem
como a existência de um público de leitores
e de uma crítica literária, instâncias
indispensáveis ao enraizamento social de
uma literatura.
Autora de uma tese de
doutorado, defendida na PUC-RS,
intitulada Horizontes de Leitura e Crítica
Literária: a recepção da literatura piauiense
(1900-1930), a Profª Maria do Socorro Rios
Magalhães afirma que o período de 1900 a
1930 constitui o momento decisivo na
formação do sistema literário piauiense e
que “somente a partir de circunstâncias
favoráveis, como a melhoria da escola, o
desenvolvimento da imprensa e a
instalação das primeiras tipografias em
Teresina, tornou-se possível o
funcionamento de um sistema literário, nos
moldes preconizados por Antonio
Candido, autor do clássico A formação da
literatura brasileira: momentos decisivos,
onde aponta a tríade autor-obra-leitor
como indispensável à formação de uma
literatura propriamente dita, ou seja, um
sistema literário”.
Ainda segundo a Profª Socorro
Magalhães, as primeiras produções
literárias consideradas como literatura
piauiense datam dos primórdios do século
XIX, com o aparecimento de obras
esparsas, produzidas e publicadas fora do
Piauí e até mesmo fora do Brasil. Os
historiadores da literatura piauiense
divergem ao apontar autores e obras que
marcariam a origem dessa literatura, uns
apontam Ovídio Saraiva, com Poemas,
livro publicado em Coimbra, em 1808;
outros defendem que a literatura
piauiense começa com a publicação de A
criação universal, de Leonardo Castelo
Branco, impresso no Rio de Janeiro, no
ano 1856, período em que o poeta viveu
naquela cidade; para outros, Flores da
noite, de Licurgo de Paiva, publicado na
cidade do Recife, em 1866 seria a obra
inicial da literatura piauiense; há ainda os
que afirmam a primazia de Impressões e
gemidos, obra póstuma de José Coriolano,
publicada em 1870, por intervenção de
amigos, que reuniram trabalhos do poeta,
escritos na década anterior, quando
acadêmico de Direito na cidade do Recife.
Na sua tese de doutorado, Socorro
Magalhães lembra que os sujeitos dessa
produção literária, embora nascidos no
Piauí, radicaram-se, de forma permanente
ou temporária, em outros centros, onde
encontraram condições favoráveis à
edição de suas obras, o que não era,
naquele momento, possível em sua terra
natal.
“As obras desses autores
permanecem, em grande parte,
Foto: Arquivo pessoal
Estudo aponta que literatura piauiense se manifesta
a partir do início do século XX
Socorro Magalhães* pesquisou o surgimento histórico da literatura piauiense
desconhecidas do leitor contemporâneo.
condição indispensável para a criação de
Dessas, apenas Poemas, de Ovídio
uma tradição literária, no sentido que
Saraiva, teve uma segunda edição, graças
Antonio Candido confere a esse termo.
a um projeto financiado pelo CNPq e
“Só a partir das primeiras décadas
executado por um grupo de professores
dos novecentos, é que o Piauí começou a
do Departamento de Letras da
contar com um razoável número de autores
Universidade Federal do Piauí”, diz a
reunidos, de forma consciente, em torno
professora.
do projeto de construção de uma literatura
Na realidade, a maior parte da
piauiense”, diz a Profª Socorro Magalhães.
produção literária de autores piauienses
Por sua vocação agro-pastoril, o
do século XIX encontra-se dispersa em
Piauí manteve, até a entrada do século XX,
periódicos. Ainda conforme a
uma população rural, formada, na sua
pesquisadora , “dentre aqueles que
maioria, por vaqueiros e lavradores. A
chegaram a publicar em livros, raros foram
emergência de uma classe média, urbana e
reeditados, com exceção de dois autores
letrada, apta a consumir bens culturais
muito populares, cultores da chamada
mais sofisticados só veio a ocorrer após a
poesia sertaneja,
implantação
da
cujos versos foram
República, a partir
Socorro Magalhães
transmitidos
das
mudanças
oralmente por várias
promovidas ao longo
prefere chamar as
gerações
de
dos
primeiros
obras de autores
piauienses. Trata-se
g o v e r n o s ,
das obras Lira
sobretudo no que se
piauienses datadas do
sertaneja,
de
refere à educação.
século XIX de
Hermínio Castelo
Só a partir da
manifestações
Branco e A harpa do
consolidação de
caçador, de Teodoro
instituições
literárias.
Castelo Branco, que
basilares para o
tiveram reedições
desenvolvimento
patrocinadas por órgãos culturais do
sociocultural, como escola, imprensa,
Governo do Estado do Piauí e do
produção literária e aparelho tipográfico
Município de Teresina, em tempos
tornou-se possível a existência de um
recentes, mais precisamente, nos anos de
sistema literário. No Piauí, a convergência
1988, o primeiro e 1996, o segundo. Sobre
dessas instâncias permitiu não apenas a
A harpa do caçador, até a recente segunda
habilitação dos indivíduos para o exercício
edição, além dos versos preservados pela
da leitura e da escrita, mas também
memória popular, só havia o registro de
concedeu viabilidade material à literatura,
Clodoaldo Freitas em Vultos Piauienses:
criou mecanismos de incentivo à prática
apontamentos biográficos, de 1903.”
de leitura e à divulgação de obras literárias,
Seguindo a classificação de
possibilitando a constituição de um
Antonio Candido, Socorro Magalhães
público de leitores para a recepção da
prefere chamar as obras de autores
literatura piauiense, que começava a ser
piauienses datadas do século XIX de
projetada.
manifestações literárias. Essas obras são
Segundo a Profa. Socorro
fruto do gênio, do talento individual dos
Magalhães, o sistema literário piauiense
escritores, mas não mantém entre si
passou a funcionar, a partir do momento
qualquer relação de continuidade,
em que intelectuais integrados à vida
cultural do Estado, se reuniram com a
intenção de criar uma literatura de
expressão piauiense. São estes os mesmos
que passaram a fazer a crítica literária
através da imprensa, o que possibilitou a
divulgação das obras para um público
maior. Surgiram, nesse período, acirradas
polêmicas entre autores e críticos,
empolgando os leitores de jornal. As
tipografias começaram a imprimir além de
livros, revistas literárias, ampliando os
suportes de leitura literária. O movimento
cultural do Estado cresceu, e os literatos
locais passaram a alimentar o desejo de
construção de uma identidade literária para
o Piauí, um sonho que encontrou na
fundação da Academia Piauiense de
Letras, em 1917, a sua maior realização.
Entre os artífices do nosso sistema
literário, a professora aponta vários nomes,
abrangendo, pelo menos, duas gerações
de piauienses que, no começo do século
XX, assumiram a tarefa de criar, organizar
e divulgar, tanto as obras, como a crítica
referente a essa literatura. A título de
exemplo, podem ser citados: Clodoaldo
Freitas, Higino Cunha, Arimatéa Tito, João
Pinheiro, Cristino Castelo Branco, Antônio
Chaves, Fenelon Castelo Branco, Corinto
Andrade, Antônio Bona, Matias Olímpio,
Alfredo Castro, Jônatas Batista,
Esmaragdo de Freitas, Celso Pinheiro, Zito
Batista, Alcides Freitas e Lucídio Freitas e
ainda muitos outros.
Quanto às obras produzidas no
período de iniciação da literatura piauiense
como sistema, em sua tese de doutorado,
a Profa. Socorro Magalhães analisou a
recepção pela crítica, de dez livros,
abrangendo poesia, romance e conto. São
os seguintes: Solar dos sonhos, de João
Pinheiro; Almas irmãs, de Antônio Chaves,
Celso Pinheiro e Zito Batista, Sincelos, de
Jônatas Batista; Ode a Satã, de Adalberto
Peregrino; Nebulosas, de Antônio Chaves;
Um manicaca, de Abdias Neves; À-toa:
aspectos piauienses e Fogo de palha, de
João Pinheiro.
Socorro Magalhães faz, contudo,
uma ressalva importante: autores
piauienses continuaram publicando suas
obras fora do Estado, durante todo o
século XX, mesmo aqueles que mantinham
relações próximas com o movimento
literário local, como Félix Pacheco, Amélia
Beviláqua e Da Costa e Silva, este último
o poeta mais conhecido e mais admirado
do público piauiense até os dias de hoje e
cuja obra abrange as três primeiras
décadas do século XX, começando em
1908, com Sangue, prossegue com
Zodíaco e Verharen em 1917, com
Pandora em 1919, culminando com
Verônica, em 1927.
*Maria do Socorro Rios Magalhães
Drª. em Letras pela PUC-RS
Profª. do Mestrado em Letras da UFPI
Profª. Adjunta de Letras da UESPI
[email protected]
5
REPORTAGEM
TERESINA - PI, MARÇO DE 2007
Foto: Arquivo pessoal
As marcas de uma sociedade na Tetralogia de Assis Brasil
Entre 1965 e 1969, o escritor
Assis Brasil inspirou-se na sua cidade
natal Parnaíba para produzir quatro
importantes pérolas da litera tura
brasileira, conhecida como a Tetralogia.
Embora Os que Bebem como Cães (1975)
tenha sido bastante propagado pelos
literários e, assim, conhecido país afora,
a Tetralogia, composta por: Beira Rio
Beira Vida (1965), A Filha do Meio
Quilo (196 6), O S alto d o Cav alo
Cobridor (1968) e Pacamão (1969), teve
seu impacto entre alguns escritores e
recentemente vem despertando o
interesse de pesquisadores no meio
acadêmico piauiense e de outros
estados.
Entre esses estudos, a
professora piauiense das redes municipal
e estadual de educação do Maranhão,
Francigelda Ribeiro, fez uma análise do
ciclo ficcional sobre Parnaíba, na visão
de Assis Brasil. Em sua dissertação de
mestrado intitulada ‘Tetralogia
piauiense: a interface entre o literário e
o social’, defendida na UFPI, a
professora teve como objetivo central
analisar a s relações sociais e os
impa sses gerados pela divisã o de
cla sses e por outras formas de
estratificação no contexto das obras que
compõem a Tetralogia. Além do estudo,
ela produ ziu um docu mentário,
transformado em DVD, com o próprio
escritor, com o objetivo de registrar
memórias e focalizar a tetralogia
piauiense na visão do autor.
“Na minha dissertação, pesquisei
como Assis Brasil refletiu artisticamente
o contexto da época. Observei nas obras
um colapso do momento áureo de
Parnaíba, quando começa a declinar a
efervescência comercial da cidade, da
metade do séc. XIX até metade do séc.
XX”, informou a pesquisadora.
Francigelda Ribeiro explora a
organização interna dos romances,
demonstrando que os aspectos
estilísticos concorrem para realçar a
temática social e reconhece os diversos
discursos em conflito nos textos, cuja
relevância demarca o embate entre as
forças conservadoras e reformadores em
um panorama social cerceado por
valores patriarcais. Para a pesquisadora,
a Tetralogia situa os problemas sócio-
no barracão de madeira, no cais onde
morava juntamente com a avó e com a
mãe, Luíza – ambas prostitutas.
Inclusive, Beira Rio Beira Vida centra
os fatos nos moradores do cais e na parte
marginalizada da cidade. A filha do Meio
Quilo retrata a periferia, os trabalhadores
do mercado e uma elite que não aceita
que esse grupo marginalizado ultrapasse
a barreira. Cota será foco de perseguição
porque ela não aceita estar circundada
por essas imposições. Ela deseja
transcendência e começa a ser cerceada
por uma elite dominadora. Assis Brasil
mostra que as barreiras são relativas”,
esclarece.
No terceiro livro da Tetralogia, O
de dominação, chegando a ter até morte,
em razão da sede de domínio. O poder
está acima de todos os valores, acima
do bem e do mal”, considera.
“Assis Bra sil trouxe pa ra a
Tetralogia nomes de pessoas reais, como
Darcy Marvinier. Nos livros, Pacamão
e Beira Rio Beira Vida, Darcy era
assíduo freqüentador do prostíbulo da
Cremilda. Para Assis Brasil, ele era um
ser inquieto, com sede de dominação,
egoísta e orgulhoso. O autor demonstra,
na sua obra, ações socialmente
inaceitáveis pela sociedade da época.
Segundo informações de professores e
moradores da cidade, Darcy se juntou a
outros membros da sociedade, que
Foto: Arquivo pessoal
Francigelda Ribeiro*
político-culturais, que constituem o
legado do nosso passa do. Fa tos
transportados à ficção que vertem o
ama rgo de força s repressiva s e
polarizadoras.
A pesquisadora buscou se
aproximar da realidade onde os fatos
ocorreram e até buscar mais explicações
junto ao próprio autor, que mora no Rio
de janeiro. “Estive com remanescentes
de algumas famílias tradicionais da
cidade, citadas nos romances, que muito
revelaram personagens reais mesclados
com nomes reais e também com histórias
fictícias. Por mostrar a realidade em parte
de uma sociedade conservadora, Assis
Brasil tornou-se, para muitos, na cidade,
Assis Brasil em uma de suas últimas visitas à sua terra natal; no detalhe, ele faz pose no cais de Parnaíba, onde se passa o romance Beira Rio Beira Vida
um ser indesejável”, relatou Francigelda
Salto do Cavalo Cobrid or, a
Ribeiro.
pesquisadora observa que os fatos se
Ela ressalta que Mundoca e Cota,
deslocam do centro urbano para um
respectivamente, personagens centrais
povoado, uma fa zenda , chamada
de Beira Rio Beira Vida e A Filha do
Frecheira da Lama (Norte do Estado),
Meio Quilo, tiveram seus princípios
existente até hoje. Nessa obra, o autor
combatidos pelo corpo conservador da
retrata não o grande burguês, mas o
cida de. “Ambas empunha m um
pequeno burguês e seus agregados, o
processo de ruptura de valores
espaço rural, mas fica clara também a
arraigados e, pela
questão classista.
rigidez
dos
“Os empregados só
“São quatro romances e
obstáculos,
comem bem quando
contorcem-se na
os patrões estão na
uma única intenção: a
luta por um espaço
casa. Há uma
denúncia. E a denúncia
representativo. Cota
relação de confiança
é contemporânea de
e subserviência com
não pode ser cristalizada
Cremilda, avó de
o patrão e este de
através de uma forma
M u n d o c a .
dominação. Não há
que compactue com a
Malgrado
o
conflito, nã o há
intervalo de duas
reflexão,
há
estagnação
social”
gerações,
as
r e n ú n c i a ,
personagens foram
su bor dina ção ”,
escolhidas pelo que
descreve.
Assis Brasil
têm em comum
E
m
quanto à luta por
Paca mão,
é
formas de inserção social. Cota, filha de
fechado o ciclo e o leitor pode ter uma
Nhôzinho, apelidado de meio-quilo, pelo
visão mais clara do conjunto. “Pacamão
franzino talhe do corpo, seguia,
fecha o trabalho com muita coerência. O
diariamente, com o pai e a madrasta para
tipo de personagem que ele chama a essa
o mercado. Para Mundoca, os rumores
obra consegue e muito sintetizar os
de vozes masculinas enchiam as noites
outros livros. Ocorre o ápice do desejo
chegaram a proibir até a pronúncia do
nome Assis Brasil, após a publicação do
romance. Hoje, o escritor já é muito bem
aceito e querido. Se antes ele foi motivo
de raiva, hoje é motivo de orgulho em
vários setores da sociedade local”.
Em 1979, quando do lançamento
de Pacamão, em comentário feito sobre
a Tetralogia, o escritor afirmou: “nasceu
de uma necessidade urgente de voltar
às minhas raízes telúricas, e a
experiência de vida, principalmente a
infância, foi a matéria-prima para o
levantamento de um mundo ficcional.
Deixei de lado os contos e novelas
cerebrais, ideológicos, de teses, e me
voltei para o homem, para a sua
condição, onde tudo está implícito:
ideologias,
teses
e
supostas
mensagens”. E assim concluiu: “São
quatro romances e uma única intenção:
a denúncia. E a denúncia não pode ser
cristalizada através de uma forma que
compactue com a estagnação social”.
*Profª. Fracigelda Ribeiro
Profª. das redes municipal e estadual de
educação do Maranhão
Mestranda em Letra na UFPI
[email protected]
ENTREVISTA
6
TERESINA - PI, MARÇO DE 2007
TERESINA - PI, M
Assis Brasil: um piauiense que tr
“...escrever para jovens, me faz mais jovem e descanso
das engrenagens mais envolventes do meu cérebro.”
.........................................
Francisco de Assis Almeida
Brasil ou simplesmente Assis Brasil é
um piauiense notável. Romancista,
contista, ensaísta, crítico literário,
jornalista, professor, com mais de cem
livros publicados (113 publicados) é
um dos maiores poetas piauienses e
brasileiros, com diversos prêmios
literários. Aos 75 anos e ainda em
plena atividade, possui um legado
importantíssimo para a literatura
brasileira.
Aos 11 anos, foi morar em
Fortaleza, Ceará, onde começou a
escrever. Seu primeiro texto, aos 15
anos, inspirado num apólogo de
Machado de Assis, foi publicado na
Gazeta de Notícias, em 1948. Em 1949,
aos 17, mudou-se para o Rio de
Janeiro e atuou, entre outras funções
como redator de propaganda das
Casas Per nambucanas , quando
começou também a cursar jornalismo
na Pontifícia Universidade Católica.
Em 1956, iniciou seu trabalho como
cr íti co lit erário prof iss ional do
suplemento dominical do Jornal do
Brasil, cargo que abandonou em 1961.
A partir daí, escreveu para outros
jornais do país, traduziu ensaios, fez
crítica de cinema e lecionou na Escola
de Comunicação da Universidade do
Rio de Janeiro. Seu reconhecimento
como escritor, veio em 1956, com o
Prêmio Nacional Walmap, por Beira
Rio Beira Vida, considerada uma de
suas mais importantes obras. Dez anos
mais tarde, recebeu o mesmo prêmio
por Os que bebem como os Cães,
tornando-se o único escritor brasileiro
a ser consagrado duas vezes com essa
expressiva premiação. A partir de
1956, passou a colecionar outros
prêmios por suas obras e passou a
dedicar-se exclusivamente à literatura.
Seu primeiro romance, Verdes Mares
Bravios, publicado em 1953, no Rio
de Janeiro, é comercializado até hoje.
O poeta atingiu a marca de 100
publicações em 1998, com o volume
de novelas O Sol Crucificado.
Em 1999, recebeu, no Rio, o
Diploma de Personalidade Cultural da
União Brasileira de Escritores, pelos
s er vi ços pr es tados à cul t ur a
brasileira. Em vários estados, Assis
Brasil recebeu prêmios e homenagens,
em grande parte às antologias que
publicou. Em 1996, foi empossado na
Academia Piauiense de Letras e foi
condecorado com a Ordem Estadual
do Mérito Renascença do Piauí, no
Grau de Cavaleiro. Recebeu ainda
várias condecorações do seu estado
de origem e em Parnaíba existe uma
fundação cultural que leva seu nome,
onde também é membro da Academia
Par naibana de Let ras . É ainda
membro do Pen Clube do Brasil e do
Sindicato dos Escritores Profissionais
do Rio de Janeiro. Em 2004, recebeu
da Academia Brasileira de Letras a
maior distinção literária nacional, o
pr êmio Machado de As si s, pel o
conjunto de sua obra.
Apes ar
da
i mpor t ant e
contribuição à literatura brasileira,
poucos críticos se dispuseram a
estudar mais fundo sua produção, que
possui romances regionalistas,
romances históricos, contos e
novelas. As obras mais estudadas e
comentadas foram do chamado
Ciclo do Terror, que reúne Os que
Bebem como os Cães (1975), O
Aprendizado da Morte (1976),
Deus, O Sol, Shakespeare (1978) e
Os Crocodilos (1980). Menos
ainda existem estudos sobre sua
fascinante Tetralogia Piauiense, que
reúne os romances que retratam o
povo e o contexto social de uma
Parnaíba dos anos 60: Beira
Rio Beira Vida (1965), A
Fi lha do Meio Qui l o
( 1966), O Sal t o do
Caval o
Cobr idor
(1968) e Pacamão
( 1969).
O
premiado
Bei r a Ri o
Beira Vida
é
at é
hoje um
d o s
seus
(Assis Brasil)
trabalhos mais aclamados e um dos
livros mais exigidos nos vestibulares
das universidades piauienses. Fora
isso, é também bastante solicitado
como gênio da literatura infantojuvenil, com seus inúmeros títulos
voltados para esse tema, os quais são
bastante solicitados em escolas do
país como lei tur a par adi dática.
Yakima, o menino-onça (1995), um
dos títulos da série, foi selecionado
para o Programa Nacional de Salas
de Leitura do FNDE – Fundo Nacional
de Desenvolvimento da Educação – e
r ecomendando pel a Fundação
Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Talvez a mais ousada produção
de Assis Brasil seja a coleção “Poesia
do Sécul o XX”, uma sér i e de
antologias nas quais faz um panorama
da poes i a
brasileira
nos últimos cem anos em vários estados
da federação, entre elas a do Piauí.
I ncl us i ve, em 1995, quando do
lançamento de sua antologia A poesia
piauiense no século XX, foi agraciado
com a Medalha do Méri t o
Conselheiro José Antônio Saraiva, no
grau de Ofi cial , da Pr efei t ur a
Municipal de Teresina. Apesar da falta
de interesse da mídia e de outros
escritores em aplaudir essa importante
contribuição, o piauiense pretende
ainda completar as 20 antologias, com
ou sem apoio.
Diante de tamanha contribuição
para a l i t er at ur a bras i lei r a, o
Sapiência resolveu entrevistar um dos
maiores poetas brasileiros nesta
edi ção t otal ment e dedicada à
literatura piauiense.
.................
Sapiência - Foi difícil para o senhor,
nascido numa província distante como
o Piauí, tornar-se um escritor de renome
nacional? O que levou a deixar o Piauí
e radicar-se no Rio de Janeiro?
Assis Brasil - Foi relativamente
difícil, mas eu, como jornalista,
tive a sorte de ter acesso à área,
passando
a
colaborar
literalmente nas chamadas
folhas. Eu estava morando e
estudando em Fortaleza,
Ceará, terra de minha mãe.
Como eu já escrevia, achei
que um centro maior seria
o ideal para mim, não
só para continuar
os estudos, como
para me tornar (eu
já
tinha
consciência disso)
escritor.
Sapiência - O Piauí ainda
é u ma “provínc ia”
distante para quem tem
talento na literatura?
Assis Brasil Toda s
as
“províncias”
brasileiras.
Jornalista,
: Assis Brasil
ARÇO DE 2007
7
TERESINA - PI, MARÇO DE 2007
ansformou a literatura brasileira
críticos literários, historiadores, só
prestam atenção no que acontece no Rio
e S. Paulo. Mesmo saindo a capital daqui
do Rio, esta cidade continua a ser o foco
nacional. Nas Faculdades a coisa é ruim
porque
os
professores,
seus
conhecimentos são limitados às cidades
citadas. Quer dizer, o “provincianismo”
é dessa gente responsável pela cultura
do país.
Sapiência - Os romances que compõem
a Tetralogia Piauiense constituem, de
alguma forma, reminiscências da sua
infância e juventude passadas em
Parnaíba?
Assis Brasil - Sem dúvida. Conheci
Luíza pessoalmente, qu e estilizei,
através da criação para o romance. Ela,
já velha, tinha se “aposentado” da
prostituição e vivia lavando roupa para
fora. Ela lavava lá para casa. Quando ela
desaparecia, minha mãe me pedia para ir
procurá-la no cais. Eu tinha uma bicicleta
e isso facilitou a minha ida aos subúrbios
pobres de Parnaíba. Assim foi que
conheci a vida como ela é...e me deu mais
estofo para escrever. Além da Tetralogia,
publiquei Histórias do Rio Encantado,
que se pa ssa no mesmo cená rio
socialmente marginal.
Sapiência - Muitos de seus romances
podem ser apontados como obras de
denúncia social, como por exemplo Os
que bebem como os cães, além dos que
integram a Tetralogia Piauiense. O
senh or se consid era um escritor
“eng ajado” na lu ta pelas cau sas
políticas e sociais?
Assis Brasil - Claro que sim. Toda a
minha obra, incluindo os livros infantojuvenis, giram sob a essa ótica. Sempre
defendi a tese de que todo escritor, todo
artista, têm essa preocupação em sua
obra, quer implícita ou explicitamente. O
conhecimento em nosso país é muito
limitativo. Fizeram a diferenciação entre
“engajado” e ‘alienado” e pronto. E
ainda hoje, quando as ideologias
desapareceram, muitos continuam a
“pastar” nesse simplismo. Uma vez
defendi Clarisse Lispector e Samuel
Rawet da acusação de serem escritores
‘alienados”. A acusação foi feita pelo
Paulo Francis, que pertencia a uma
corrente supostamente engajada, que
era conhecida como ‘esquerda festiva”.
Ele era leitor da editora “Civilização
Autorais” de seus editados.
Sapiência - O senhor foi no passado um
grande vencedor de prêmios literários.
Atualmente ainda tem participado
desses concursos?
Assis Brasil - Ganhei, não faz muito
(2004), o Prêmio Machado de Assis
(parte conjunto de obra), da Academia
Brasileira de Letras. Em 1975, quando
ganhei novamente o Prêmio Nacional
Walmap, com o romance Os que Bebem
como os cães o escritor “baiano” Osmar
Lins, deu uma entrevista para aquela
revista “norte-americana ”, a Veja,
dizendo que os escritores “tarimbados”
não deviam participar de concursos;
seria bom que eu desse o lugar para os
mais novos. Depois descobri que ele,
que era mais velho e mais “tarimbado”
que eu, tinha concorrido ao mesmo
concurso. A história dos “bastidores”
do WALMAP/75 é uma história de
horror: gente pressionando a comissão
julgadora para dar prêmio aos seus
“afilhados”, inclusive, o “famoso” José
Olympio, que estava para lançar um
romance que concorria àquele prêmio e
queria aproveitar a publicidade do
Walmap. As pressões foram grandes que
“ma taram” o Walmap. Ele aca bou
naqu ele ano. Concorri com o
pseu dônimo, “Jeremias” , nome do
personagem central, e meu livro foi
premiado por unanimidade (seis
membros na Comissão Julgadora), cerca
de 300 concorrentes.
Sapiê ncia - Ultimamen te,co m o
inc remento dos curso s de p ósgraduação na área de Letras, sua obra
tem sido objeto de vários estudos
aca dêmico s.
O
senhor
tem
acompanhado esses trabalhos?
Assis Brasil - Tenho acompanhado, e
isso em vários Estados. O primeiro
trabalho saiu em Niterói (RJ) quase que
em cima da publicação do Beira Rio Beira
Vida. As teses são boas em modo geral.
É bom que os estudantes de Letras
saibam da importância da literatura, pois
sem arte uma sociedade não sobrevive.
Tomamos conhecimento de vários
países através de sua arte, e não da sua
política ou economia...
Sapiência - Em 1912, o poeta Lucídio
Freitas, realizou, através do jornal
Diário d o Piau í, u ma e nq uete a
respeito da literatura piauiense. Uma
das questões propostas era : “Que
papel representa o Piauí no momento
literário do País?” Se a pergunta fosse
dirigida ao senhor, hoje, qual seria sua
resposta?
Assis Brasil - No momento literário do
País, o nosso Piauí representa muito, e
também de um ponto de vista mais
abrangente culturalmente. E sei que
tenho pa rticipação a tiva nesse
processo. Tenho destacado, não só nos
meus livros como em conversa com
intelectuais, a ação preponderante do
Estado no complexo cultural do País. O
Piauí edita revista, publica livros, a
Academia Piauiense de Letras tem
pa rticipação forte, como outra s
entidades culturais. Só precisamos
cobrar do Governo uma ação mais
dinâ mica. O que é isso? Melhores
verbas para essas entidades, que vivem
de pires na mão. E a despeito disso,
funcionam. Sei que a nossa Academia
Piauiense sobrevive com dificuldade.
Um país se faz com homens e livros,
disse Monteiro Lobato, e Castro Alves
exaltou a sua importância. Sei que o
Piauí se esforça para fazer o melhor,
como esse Salão do Livro do Piauí, uma
verdadeira bienal do livro, ao nível das
do Rio e São Paulo. É comovedor ver
as crianças folheando e comprando
livros, como vi no ano passado em
Teresina . Os governa ntes também
precisam se comover e abrir os cofres.
Tomei conhecimento de que a Secretaria
de Cultura da minha terra, Parnaíba, não
tem dinheiro nem pra comprar água
mineral...
Sapiência - A partir dos anos 70, a
prod uç ão literária d estina da a o
público infanto-juvenil cresceu de
forma extraordinária, no Brasil, não
só pe lo apa rec ime nto de au tores
novos, mas também porque muitos
autores já consagrados começaram a
publicar literatura infanto-juvenil. No
seu caso, por que passou a escrever
para crianças?
Assis Brasil - No meu caso comecei
com a publicação de um livro infantoju venil, Verdes Mares Bra vios /
Aventura no Mar. E não poderia ter
sido o contrário, pois eu o escrevi com
apenas 15 anos de idade. Muitos anos
depois fiz uma adaptação e a Editora
Melhoramentos o publicou. A “volta
foi curiosa” - além de receber, dos
editores muitos pedidos de livros para
a área, uma noite tive um sonho, que
era u ma história completa pa ra
crianças e jovens. Quando amanheceu,
me sentei na má qu ina e escrevi o
primeiro episódio de u ma série
na rra ndo a s peripécia s de u m
aventureiro e ecologista, amigo dos
índios. Cha ma -se, o personagem
central, das narrativas infanto-juvenis,
Ga viã o Va qu eiro, nascido em
Piracuruca, no Piauí. Escrevi perto de
30 histórias com o mesmo personagem,
em episódios autônomos. A editora
Melhoramentos publicou 9 narrativas,
sempre com ampla aceitação entre
professores (1º e 2º graus) e alunos.
Depois publiquei mais histórias por
inúmeras outras editoras, creio que no
total mais de 20. O Herculano Moraes
está com uma dessas histórias inéditas
para publicar em Teresina. Depois os
ou tros livros para a área viera m
automaticamente – creio que, no total,
publiquei mais de 40. Gosto de escrever
para crianças e jovens, me sinto bem.
Quando estou trabalhando em livros
mais complexos (ensaios/romances),
costumo dizer que volto de vez em
quando a escrever para jovens me faz
ma is jovem e desca nso da s
engrena gens ma is envolventes do
meu cérebro.
Sapiê ncia - Alg uma s d e su a s
importantes obras tem virado tese de
me stra d o . Qu a l d e sua s ta nta s
publicações mais gosta e por que?
Assis Brasil - Minha mente trabalha
em dois setores, um mais racional e
outro mais sensível. A minha Tetralogia
Piauiense cobre as duas áreas. Mas
escrevi dois romances, passados no
Ceará , qu e me a tingem muito
emocionalmente: A Volta do Herói e Zé
Carrapeta, o Guia de Cego. Do ponto
de vista da técnica narrativa, destaco
o roma nce histórico, Villegagnon,
Paixão e Guerra na Guanabara e o
romance O Prestígio do Diabo.
8
REPORTAGEM
TERESINA - PI, MARÇO DE 2007
Foto: Arquivo pessoal
Torquato Neto desafinou o coro dos contentes
artístico do piauiense e se detém na
linguagem. Assinalando a importância
do piauiense em uma nova redefinição
da cultura brasileira que resultou no
movimento tropica lista . Feliciano
Bezerra Filho, a profundou esses
estu dos em sua tese de dou tora do
intitulada “Ressonâncias da Tropicália.
Mídia e Cultura na Canção Brasileira”,
defendida em 2005, também pela PUC.
Torqu a to Neto pode ser
confundido com o próprio movimento.
Ele qu eria o dista ncia mento da s
concepções imposta s “por força s
político-cu ltu ra is a tu a ntes do
momento”. “Os tropicalistas preferiam
uma atuação mais artística, menos
ideologizada, articulando os temas da
pa rticipaçã o, do consu mo e do
nacionalismo com uma desfiguração
* Feliciano Bezerra Filho
dos
gra ndes
discu rsos
de
Pa ra entender um pou co o
engaja mento político e estético,
lega do do poeta , compositor,
comumente empregados”, analisa o
jorna lista, cinea sta , a tor, diretor,
professor, qu e ta mbém ressa lta o
produtor cultural e escritor piauiense
dinamismo de Torquato, apropriandoTorquato Pereira da Araújo Neto (1944se dos vários espaços de atuação, seja
1972) só mesmo por meio de análise
no jornalismo cultural, na poesia, na
a profu nda da da
música, no cinema
linguagem poética
ou na editoração.
por ele deixada ,
Qu a nto
à
Badalada era a sua
entre os anos 60 e
c o n c e p ç ã o
coluna
Geléia
Geral,
7 0 . O professor
poética,
o
no Jornal Última Hora,
doutor Felicia no
pesquisador revela
Bezerra
Filho
qu e a lingua gem
no Rio de Janeiro. O
explorou
os
de Torqu a to era
título
foi
dado
à
letra
c ó d i g o s
na rrativa, versos
lingü ísticos
da
da canção musicada por
coloquiais, líricas
o
b
r
a
,
su bjetiva s com
Gilberto Gil, outro
esta belecendo
p r o f u n d a s
símbolo da Tropicália,
correla çã o com a
dema nda s
do
conju ntu ra e os
íntimo. Poema s
ao lado de Caetano
espaços de atuação
visuais, curtos, em
Veloso e muitos outros.
do poeta nesse
que se utilizava de
contexto.
A
recursos gráficos e
pesquisa, resultado
tipográficos, como
da sua dissertação de mestrado na PUC
remontagem de palavras, entre outros.
de São Paulo, em 1998, foi publicada
O único livro publicado do poeta, que
posteriormente no livro A escritura de
próprio não chegou a ver, Os Últimos
Torquato Neto (2004). O autor faz uma
Dias de Paupéria, foi organizado pela
análise de grande pa rte do lega do
viúva Ana Maria Duarte e o poeta
Waly Salomão, em duas edições, a
primeira de 1 97 3 e a segu nda ,
ampliada, de 1982.
O forte traço que marca o poeta
é a exposiçã o de su a s própria s
vivência s e conflitos, o que o
professor chama de atitude estéticovivencia l. Torqua to se desnu da e
mostra angústia em seus versos. A
poesia se confunde com sua vida. Ele
é crítico, grotesco, tem humor, alegoria,
pessimismo. Badalada era a sua coluna
Geléia Geral, no Jornal Última Hora, no
Rio de Janeiro. O título foi dado à letra
da canção musicada por Gilberto Gil,
outro símbolo da Tropicália, ao lado
de Caetano Veloso e muitos outros.
O cinema foi uma das paixões de
Torquato. Atuou em a lguns filmes
como Helô e Dirce (1972), protagonista
Torquato Neto, Caetano Veloso e José Carlos Capinã: parceiros do movimento tropicalista
Fotos: Divulgação
Torquato Neto em momento cinematografico
Torquato Neto mostrou-se um grande
poeta e nã o apena s enqu anto
validador do movimento tropicalista.
“O nível de elaboração das letras das
canções, a inventividade com que toma
posse e se a proveita do mu ra l da
poesia brasileira e as apropriações
cria tiva s devida mente coloca da s
confirmam sua competência no manejo
poético”.
O pesquisador Feliciano Bezerra
ressalta que Torquato não tocava e
nem cantava afinado, mas o seu talento
nesse ca mpo era tã o incrível qu e
elabora va
poema s
tota lmente
imbu ídos de musica lida de, com
melodia e harmonia, com tratamento
equ ilibra do de sons. Entre ela s,
Nenhuma Dor, Minha Senhora, Zabelê,
Deus vos salve a casa santa, parcerias
em Adão e Eva no paraíso de consumo
(dirigido em Teresina e sem paradeiro)
e protagonista de Nosferato no Brasil,
dirigido por Ivan Cardoso, em 1971.
Pode-se afirmar que este ú ltimo o
tornou mais conhecido nacionalmente.
Dirigiu apenas um filme: O Terror da
Vermelha, rodado em Teresina, sua
terra natal. Também no cinema, o poeta
apresenta-se contra as convenções,
da ndo
proposta s
inova dora s.
Segu ndo Felicia no Bezerra, a
tecnologia em câmara de super-8 foi
defendida por Torquato, que disse:
“Cinema é um projetor funcionando,
projetando imagens em movimento
sobre uma superfície qualquer. É muito
chato. O quente é filmar”.
A mú sica foi uma marca
expressiva e inesquecível do poeta.
Segundo Feliciano Bezerra, ele exerceu
influências e despertou interesse das
gerações posteriores, seja de músicos,
seja do público consciente ou não. Até
hoje, compositores buscam na obra
musical de Torquato inspirações para
suas produções. O pesquisador explica
que mesmo com o golpe militar de 64 e
a perseguição a todas as formas de
expressão da arte e cultura no país,
com Ca etano Veloso; Louvação, A
Rua, em parceria com Gilberto Gil;
Todo Dia é Dia D, com Carlos Pinto,
compositor carioca; Let´s play that,
musicada por Jards Macalé; Pra dizer
adeus e Veleiro, com Edu lobo. O
pesqu isa dor relata em seu livro,
inclusive, a famosa Go Back, musicada
na década de 80 pela banda Titãs,
sucesso até hoje. Em 1973, Três da
madrugada, parceria com Carlos Pinto,
foi gravada por Gal Costa. Em 1997,
Luiz Melodia lança a canção Começar
pelo recomeço, música com poema de
Torquato.
“ Torqu a to continu a sendo
requisita do
por
ca ntores
e
compositores. Seus vibrantes poemas
mu sica dos celebra m um tipo de
cria çã o qu e se firma , de forma
irrevogá vel, na cu ltura mu sica l
brasileira , com forte pa drão de
invenção e qualidade”, considera o
pesquisador.
*Prof. Dr. Feliciano Bezerra Filho
Depto. de Letras/Português UESPI
(86) 3213-7441 (ramal 341)
[email protected]
9
REPORTAGEM
TERESINA - PI, MARÇO DE 2007
Foto: Arquivo pessoal
Muito mais que o Anjo Torto da Tropicália
Pesquisador Edwar de Alencar Castelo Branco
O professor da UFPI, doutor em
História, Edwar de Alencar Castelo
Branco, pesquisou a obra de Torquato
Neto, muito mais na sua vivência fora
do momento tropicalista. O título de sua
tese “Todos os Dias de Paupéria –
Torquato Neto e uma contra-história da
Tropicália” retrata o outro lado do poeta.
O professor ressalta que, apesar da farta
produção discursiva sobre Torquato
Neto (1944–1972), boa parte de sua
múltipla atividade intelectual permanece
na sombra.
“Em boa parte, isso ocorre em
razão da ênfase dada aos textos reunidos
em Os últimos dias de paupéria, os quais
chegam ao exagero de serem vistos como
uma espécie de síntese da obra
torquateana. Em razão disso, textos
largamente importantes, como o ensaio
“Arte e cultura popular”, permanecem
inéditos e ofuscados pela intensidade
Dois momentos do poeta piauiense
do foco que se projeta sobre o “Torquato
tropicalista”, considera o professor, que
faz parte do Programa de Pós-Graduação
em História da UFPI. Dentro da sua linha
de estudos relacionados ao poeta
piauiense, publicou, em 2005, o livro
Todos os dias de paupéria”: Torquato
Neto e a invenção da tropicália, com
auxílio financeiro do CNPq.
Em seu estudo, o professor da
UFPI explica que em “Arte e Cultura
Popular”, monografia teórica publicada
em fascículos no jornal O Dia, Teresina,
em 1964, o poeta é, ao contrário da
quebra de barreiras da cultura
tropicalista, um defensor da cultura
regionalista, de forma a protegê-la das
influências internacionais. Ele reflete
sobre a literatura brasileira, por um lado,
procurando estabelecer conexões entre
a sociologia de Gilberto Freyre e a
literatura regionalista de José Américo
de Almeida, Jorge de Lima, Rachel de
Queiroz, José Lins do Rego e Graciliano
Ramos e, por outro, posicionando-se
sobre movimentos literários já maduros
– como o modernismo – mas também
sobre aqueles ainda então inscritos no
âmbito da novida de, como o
concretismo. “O material é interessante
para se pensar a trajetória intelectual de
Torquato Neto, na medida em que permite
indagar como foi se constituindo uma
identidade que o marcaria como um dos
idea lizadores do Tropicalismo. Os
fascículos revelam um Torqu ato
armorialista, crente na existência de uma
distinta cultura brasileira a qual
precisava, de seu ponto de vista, ser
protegida e salvaguardada do contágio
exterior”, descreve.
O Dr. Edwar Castelo Branco disse
que é possível perceber que o que fez
de Torquato uma espécie de ícone de
sua geração foi a sua capacidade de ser
ao mesmo tempo único e plural. Em 1962,
aos dezesseis anos, escreveria seus
poemas iniciais, entre os quais se
destaca “A explicação do fato”, espécie
de inventário poético onde o poeta
apresenta-se incrivelmente voltado para
dentro de si. “É surpreendente constatar
que um adolescente seja capaz de emitir
imagens poéticas tão pessimistas e
negativas, como em Sinto medo, e este é
o meu pavor. Por isso a minha vida,
como o meu poema, não é canto, é pranto
e sobre ela me debruço, observando a
corcunda precoce e os olhos banzos”.
O pessimismo era uma marca do
poeta piauiense, bem como a idealização
da infância. Para Edwar Castelo Branco,
Torquato tentava, com seus poemas,
capturar um instante mágico, onde o
tempo não passasse. São constantes as
referências a uma infância ensolarada,
distante e desejável. “Um bom menino
perdeu-se um dia, entre a cozinha e o
corredor”, escreveria em Deus vos salve
esta casa santa. Que metáfora poderia
expressar melhor a ânsia reativa do
poeta em relação ao tempo? Como se
sabe, a cozinha – ainda mais do que o
quarto – é, na cultura ocidental, o ponto
mais íntimo e nuclear da casa, o centro
de onde emergem os cheiros, gostos e
diálogos que parecem não se alterar no
tempo. O corredor, ao contrário, é um
espaço de trânsito, “um ponto neutro e
assignificado da casa”. Entre uma
cozinha/infância desejável e um
corredor/juventude assombroso, o poeta
parece ver o tempo como uma entidade
pavorosa, contra a qual acena com sua
poesia, idealizando “meninos correndo
atrás de bandas” (A rua) ou ouvindo uma
“canção antiga ao pé do berço” (A
explicação do fato III)”, explica em seu
estudo.
Na fase mais intensa e regular da
obra de Torquato, situada entre 1968 e
1972, ele toma para si a tarefa de baterse contra as linguagens predominantes
Torquato Neto em Teresina
e idealizar novas formas de comunicação.
O pesquisador afirma que é nessa fase
que conclui que a linguagem vacila, pois
as palavras são “poliedros de faces
infinitas”. “Isso torna mais fácil a
compreensã o do combate que
curiosamente Torquato, tendo sido o
autor do manifesto tropicalista – Geléia
gera l – pa ssou a fazer à própria
Tropicália. Com as críticas dirigidas a exparceiros
do
gru po
baiano,
intensificadas a partir do momento em
que ele se aproxima de intelectuais como
Rogério Sganzerla e Júlio Bressane,
Torquato procuraria catalisar em torno
de si a permanência de um projeto
experimental para a cultura brasileira, o
que o aproximaria especialmente do
“cinema marginal” que se fazia na
época”, contemporiza o pesquisador.
Para o Dr. Edwar Castelo Branco,
a obra de Torquato ganha significado
especial no contexto do Brasil dos “anos
de chumbo”, quando a rebeldia juvenil
se contrapunha às formas dominantes e
mais reacionárias de pensamento. Em
Let´s play that, um de seus últimos
poemas, inspirado em Carlos Drummond
de Andrade, havia uma síntese do
discurso jovem de então: “Quando eu
nasci/ um anjo louco muito louco/ veio
ler a minha mão/ não era um anjo
barroco/ era um anjo muito louco, torto/
com asas de avião/ eis que esse anjo me
disse/ apertando a minha mão/ com um
sorriso entre dentes/ – va i, bicho,
desa finar/ o coro dos contentes.”
Torquato Neto poderia desafiar até hoje
o coro dos contentes, se não tivesse nos
deixado, após cometer suicídio, no dia 9
de novembro de 1972. Contudo, até o
seu último ato extremo, no dia que
completara 28 anos, foi um manifesto ao
conformismo e ao estado de violência
instalado pela ditadura militar. Torquato
Neto não calou porque como ele mesmo
escreveu: ‘mudo é quem só se comunica
com palavras’.
*Prof. Dr. Edwar Castelo Branco
Depto. de História e Geografia da UFPI
Prof. do Mestrado na UFPI
[email protected]
RESUMO DE TESES
10
TERESINA - PI, MARÇO DE 2007
Envelhecimento do trabalhador no tempo do capital:
problemática social e as tendências das formas de
proteção social na sociedade brasileira contemporânea.
Educadores e Jovens de rua: itinerários poiéticos
que se cruzam pelas ruas de Teresina.
(1-3, 1-4)-b-glucanases na cevada (Hordeum
vulgare ssp. vulgare L.): atividade enzimática,
obtenção de populações duplo-haplóides e regiões
cromossômicas associadas.
Solange Maria Teixeira - Professora da
Universidade Federal do Piauí
Defesa: Universidade Federal do Maranhão, 2006.
[email protected]
Shara Jane Holanda Costa Adad - Professora Adjunta
da Universidade Estadual do Piauí - UESPI
Defesa: Universidade Federal do Ceará, 2004.
[email protected]
Janaína Endres Georg Kraemer
Pesquisador DCR/CNPq/FAPEPI
Defesa: Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
2004. - [email protected]
Com o objetivo de analisar tanto os determinantes da
problemática social do envelhecimento do trabalhador, na
ordem do capital, sob práticas temporais regidas por essa
lógica, quanto às formas de respostas do Estado e da
sociedade, mediante as propostas e iniciativas pioneiras de
trabalho social com idosos; de segmentos da burguesia
brasileira e do Estado, por meio de programas sociais para
a “terceira idade” e da legislação social contemporânea
que inclui Política Nacional do Idoso e Estatuto do Idoso,
buscou-se configurar o desenho e as tendências da política
social contemporânea de resposta a esse problema social.
Mediante procedimentos metodológicos essenciais à
pesquisa documental, como a análise de conteúdo de
documentos, sistematizações e análises de dados estatísticos
oficiais, efetivaram-se os referidos objetivos. Os resultados
do processo investigativo reforçam a centralidade do
envelhecimento do trabal hador na constituição da
“problemática social”, da relação capital/trabalho como
fundamento comum ou da exacerbação e agravamento da
questão social, materializadas nas determinações e na
configuração das condições de vida de frações da classe
trabalhadora que envelhece, em especial, os de baixa renda.
Demonstram, ainda, o reforço da cultura privacionista nas
formas de trato dessas mazelas sociais, corolário dos
mecanismos de enfrentamento da questão social na
atualidade e das novas simbioses entre “público” e
“privado”, que o capital promove, de modo a ocultar essa
dimensão privacionista. Essa cultura se exterioriza tanto
nas formas de assunção ou divisão de responsabilidades
sociais com a proteção social para a sociedade civil, quanto
no reforço do individualismo nos modos de intervenção
social, que transmutam problemas sociais em problemas
individuais, expressos nas terapias de ajustamento, de
valorização, de inserção social, dentre outras, cujo foco é
o indivíduo; mantendo intactas as estruturas geradoras de
desigualdades sociais. Conclui-se que as formas de respostas
à problemática social do envelhecimento mascaram a
centralidade do envelhec imento do trabalhador na
constituição do problema social e reforçam o modelo liberal
de trato dessas mazelas sociais.
Este trabalho é o resultado de duas pesquisas. A primeira,
realizada em 1999, tem como “objeto de estudo” a
observação das manifestações subjetivas dos jovens de rua
em Teresina; a segunda, realizada em 2001, co-extensiva à
primeira, teve como estudo os educadores sociais de rua –
profissionais que atuam junto a esses jovens. Nas duas
pesquisas, ressalto a minha postura em estudá-los como
“atores” capazes de produzir saberes e de atuar com
proposição, criatividade e potência. Enfatizo a importância
dos métodos utilizados: na pesquisa com os jovens, fiz dois
movimentos: desterritorializei-me do que me era familiar
quando adentrei e percorri Teresina, e reterritorializei-me
entre estranhos quando fui aceita pelos jovens de rua, deixei
de ser uma estrangeira. A partir disso, tracei imagens e
cartografei corpos juvenis de rua: o território-movimento,
o dissolvente, o excessivo e o garantido. Esta cartografia
mostra que, ao contrário do que se pensa, um bando de
jovens de rua expressa em seu corpo a multiplicidade,
enquanto experiência, momentos de potência e de exercício
criativo de acontecimentos. Na pesquisa com os educadores
de rua, utilizei o método sociopoético, onde se produz
conhecimento com o corpo todo e em grupo. O grupopesquisador era constituído por mim (facilitadora) e por
14 educadores de rua (co-pesquisadores). O tema escolhido
foi O desejo na convivência do grupo. A produção de
dados deu-se em oficinas e com técnicas que utilizam
dimensões do saber humano, especialmente da arte, para
potencializar a produção de conceitos sobre o tema. A
análise destes conceitos permitiu-me analisar as dimensões
que permeiam o pensamento do grupo acerca dos desejos
na sua convivência: na primeira dimensão os desejos se dão
na convivência entre os educadores e os jovens; na segunda,
entre eles mesmos, e na terceira, entre eles e as entidades
que trabalham com as crianças e os jovens. Todas essas
dimensões são perpassadas pela problemática da prática
pedagógica, são criações dos co-pesquisadores e constituem
o pensamento do grupo, em sua multiplicidade, são campos
possíveis e co-existem.
O objetivo principal do presente estudo foi mapear regiões
cromossômicas (QTLs) e detectar marcadores moleculares
associados à atividade das (1,3-1,4)-â-glucanases para
posterior uso em seleção assistida por marcadores em
programas de melhoramento da cevada. Para isso foram
caracterizadas 18 variedades de cevada usadas no programa
brasileiro de melhoramento da cevada cervejeira em relação
às (1-3, 1-4)-b-glucanases no malte verde (antes do
processo de secagem) e no malte seco (após o processo de
secagem). Após esta triagem, foram escolhidas variedades
que apresentaram atividade divergente em relação à enzima
estudada: no malte verde (MN-698 e CEV-97047) e no
malte seco (Embrapa-127 e CEV-96025). Estas variedades
foram utilizadas como parentais na construção de duas
populações de cevada duplo-haplóides (DH) segregantes
em relação à atividade das (1-3, 1-4)-â-glucanases, através
de cultura de anteras, obtendo-se assim as populações de
estudo. A população referida como “malte verde” teve 97
indivíduos utilizados na análise e a população referida como
“malte seco” 56 indivíduos. As duas populações DHs foram
semeadas e colhidas em três locais distintos, com repetições
em dois destes locais. As sementes de cada linha DH foram
micromalteadas e a atividade enzimática medida no malte
verde e no malte seco. Pares de “primers” de microssatélites
que mostraram polimorfismos entre as variedades parentais
de cada cruzamento (16 e 17 pares de “primers” para a
população do malte ve rde e do malte seco,
respectivamente) foram a nalisados nas populações
segregantes. As regiões cromossômicas associadas à
atividade destas enzimas foram detectadas por análises de
regressão linear simples. Foram detectados cinco
marcadores associados a regiões cromossômicas envolvidas
com a atividade das (1-3, 1-4)-â-glucanases no malte seco,
sendo que o marcador de maior significância (HVM 36)
está localizado no cromossomo 2. O alelo desta região foi
doado pelo pai com alta atividade enzimática (Embrapa127), mas a associação com a região cromossômica foi
significante apenas em um dos locais estudados. Esta falta
de consistência faz com que este marcador não apresente
uso potencial para a seleção assistida em programas de
melhoramento genético.
História e ficção: a representação da seca na
literatura piauiense nos séculos XIX e XX.
A adaptação literária para crianças e jovens:
Robinson Crusoe no Brasil
Toxicidade genética associada à Região Hidrográfica
do Guaíba, através de bioensaios de curta duração
Raimunda Celestina Mendes da Silva
Pesquisadora CNPq/UESPI
Defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul, 2005. - [email protected]
Diógenes Buenos Aires de Carvalho - sjdkjdsjdoisndss
(PRINCIPAL VÍNCULO EMPREGATÍCIO) - Defesa:
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
– PUC-RS, 2006. - [email protected]
Viviane Souza do Amaral - Pesquisador DCR/
CNPq/FAPEPI - Defesa: Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, 2005. - [email protected]
O trabalho investiga, na literatura piauiense, as obras
centradas na temática da seca, nos séculos XIX e XX,
considerando as possíveis relações entre História e Ficção
(literatura e seca), a partir do enfoque das estratégias
narrativas e sua dimensão ideológica. A pesquisa, baseada
em investiga ção d e cun ho b iblio gráfico, tem c omo
suporte teórico as propostas de Bakhtin, Gérard Genette
e Uspensky, que norteiam a perspectiva do narrador
como voz manifesta, a serviço de uma ideologia inerente
a o disc u rso. Assim, a o se fa z er o e stu do d o
entrecruzamento da História e da Ficção, mostra-se no
discurso narrativo a marca do flagelo, elemento que
possibilita a concretização de uma história literária
seguindo o percurso da seca. A tese contém três capítulos
seguidos pela conclusão. O primeiro, “História e ficção:
c amin ho s q ue se cr u za m” , est á dividid o em t rê s
subcapítulos. O segundo, “A representação da seca na
literatura do Piauí”, registra os modos como a seca se
configura na ficção, mediante a análise das obras que
compõem a pesquisa e situando o respectivo ano a que
elas se referem. São quatro subcapítulos que procuram
dar conta da leitura analítica que se faz das obras
selecionadas, bem como da contextualização dos autores
e de sua produção. O terceiro, “Para uma História da
literatura do Piauí: a literatura da seca”, faz-se a revisão
da produção literária piauiense cuja matéria é a seca,
agrup ando-a sistematicamente. A c onclusão r etoma
c on ce it os e el emen t os d esta c ad os n os ca pítu lo s
a nt ec ed e nt es, pr o cu ra nd o r ea fir ma r os o b je tivo s
propostos. Registra-se, portanto, o resultado de uma
pesquisa que pretende contribuir com a literatura do
Piauí, na recuperação da memória cultural do Estado,
buscando despertar o interesse de outros pesquisadores,
pelos poetas, contistas e romancistas estudados, com o
intuito de fazer surgir uma nova consciência literária.
E s t e t r a b a l h o t e m c o mo o b j e t o d e e s t u d o a
a d a p t a ç ã o l i t e r á r i a p a r a c r i a n ç a s e j o ve n s n o
B r a sil e c o mo su p o r t e t e ó r i c o a E s t é t ic a d e
R e c e p ç ã o e a S o c io l o gi a d a L e i t u r a . A t e s e é
c o mp o s t a d e d u a s p a r t e s , a o m e s mo t e m p o
i n d e p e n d e n t e s e c o m p l e m e n t a r e s . N a p r im e ir a
p a r t e , d i vi d i d a e m d o i s c a p ít u l o s, a n a l is a - se a
re ce pç ão hist ór ic a e c rítica da a da pt aç ão
lit erár ia, a part ir d as histór ias d a lit erat ura
in fa n t il b r a s il e i r a e d e t e x t o s a n a l í t i c o s; e
a pr e sen t a- se u m p a no r ama da ad a pt a ç ão lit er á r ia ,
e n f o c a n d o a s o b r a s, o s a u t o r e s , a t ip o l o gia , a s
c ol e ç õe s, o s a d ap t ad o re s e a s e dit o ra s, c om b ase
n u m l e va n t a me n t o b ib l io gr á fi c o q u e a b r a n ge o
p e r í o d o d e 1 8 8 2 a 2 0 0 4 . N a s e gu n d a p a r t e ,
igu a l me n te , se gme n ta d a e m d o is ca p ítu l os, o foc o
c en t ra l é a e stu d o d a s a da p ta ç õ es da ob r a in gl e sa ,
A vi da e a s avent ura s d e Rob i n son Cr us oe
( 1 7 1 9 ) , d e Da n ie l De fo e , r e a l iz a d a s p o r C a r l o s
Ja n s e n ( 1 8 8 5 ) , M o n t e ir o Lo b a t o ( 1 9 3 1 ) e A n a
M ar ia M a ch a do (1 9 9 5) , a pa r tir de est ud o ext ra te xt ua l, em q ue se ana lisa a circ ul aç ão e
e d it o r a ç ã o d a o b r a n o B r a s il , o s c o n t e xt o s d e
p r o d u ç ã o d o t e x t o o r i gi n a l / a d a p t a ç õ e s e o s
p ar a t ext o s d as a da p t aç õ es, e d e e stu d o in t ra t e x t u a l , n o q u a l s e i n ve s t i g a o p r o c e s s o d e
a da p ta ç ã o, a p ar t ir d as no r ma s lit er á ria s e ext ra lite rá ria s pr esent es n as tr ês a dap ta çõ es
se l e c io n a d a s, p a r a , e m s e gu id a , r e a l iz a r a n a l ise
c o m p a r a t i va e n t r e a s t r ê s a d a p t a ç õ e s e a o b r a
f o n t e , o b j e t i va n d o i d e n t i f i c a r e a n a l i s a r o s
p r o c e d i me n t o s n a r r a t ivo s n a a d a p t a ç ã o , p a r a a
for mu la ç ão de u m c on c eit o d e a d ap t a çã o l ite r á ria
i n f a n t o - j u ve n il .
O estudo foi centrado na avaliação de amostras de água
superficial coletadas na Região Hidrográfica do Guaíba
(Rio Grande do Sul, Brasil) que sofrem influência de
atividade antropogênica. Foram realizadas 4 coletas:
setembro de 2000, agosto de 2001, fevereiro de 2002 e
maio de 2003. Tais amostras foram avaliadas, através
do Teste para Detecção de Mutação e Recombinação
Mitótica (SMART) em Drosophila melanogaster e do
Teste de Micronúcleos com Bloqueio de Citocinese
(CBMN) em cultura de linfócitos humanos. Os dados
obtidos caracterizaram os rios Caí, Jacuí, Taquari, Sinos,
Gravataí, Lago Guaíba e Arroio Dilúvio, como indutores
de toxicidade genética. Estes achados sugerem que os
poluentes ambientais induzem uma pluralidade de lesões
no material genético. O conjunto destes dados demonstra
q ue c er ca de 5 0% d a s amost ra s te st a da s fo ra m
genotóxicas em um ou em ambos os testes. Além disso,
o maior número de respostas positivas foi observado
nas águas provenientes do Lago Guaíba e do Caí, seguido
pelos rios Jacuí e Taquari, rio dos Sinos e Arroio Dilúvio
e rio Gravataí. Na verdade, a análise comparativa dos
resultados demonstrou que o ensaio CBMN foi mais
sensível para a detecção de genotoxinas de origem
ambiental, já que das 11 amostras classificadas como
indutoras de mutação cromossômica neste teste somente
3 - Jacuí e Caí (Setembro de 2000), assim como Guaíba
( Fe ve re iro d e 2 00 2) for a m diagn ostica d as c omo
positivas no SMART. Desta forma, os dados obtidos,
através destes ensaios, podem servir como um alerta
r el at ivo a o risc o imp ost o pe la s á gu as d a R egiã o
Hid ro gr á fica d o Gua íb a – o q u e co mp r omet e o
abastecimento de água potável para mais de um milhão
de pessoas. De fato, os principais impactos ambientais
no Lago Gu aíba são (i ) o esco a me nt o de esgo to s
domésticos de Porto Alegre; (ii) as águas contaminadas,
p rinc ip a lmen te , d os r io s Gra va t aí e S ino s qu e
desembocam no lago; (iii) efluentes provenientes das
indústrias de produtos alimentares, metalurgia e celulose,
localizadas nas suas margens; e (iv) grandes lançamentos
de dejetos urbanos não tratados provenientes das águas
do Arroio Dilúvio.
11
REPORTAGEM
H. Dobal - poeta telúrico
e universal
Prof. Halan Kardec Silva*
Atualmente, a literatura do Píauí tem
merecido a atenção de muitos
pesquisadores. Halan Kardec Silva, autor
do livro ‘As formas incompletas:
apontamentos para uma biografia’, assina
a biografia literária, acompanhada de longa
entrevista com o poeta Hindemburgo
Dobal Teixeira e ainda o documentário H.
Dobal - Um Homem Particular, dirigido
pelo cineasta Douglas Machado, que
muito tem divulgado o autor e sua obra.
Tanto o livro quanto o documentário
foram iniciativas do Instituto Dom Barreto,
de Teresina, através da figura do seu diretor,
o professor Marcílio Flávio Rangel de Farias,
grande incentivador da cultura piauiense,
falecido em maio 2006. O documentário, de
70 minutos de duração, revela o amor do
poeta por sua terra e recupera, pelas
confissões despojadas do escritor, muito da
sua vida.
O objetivo de Halan Kardec com o
livro é preencher lacunas, num trabalho
consistente sobre a obra e vida do poeta,
já que não há muitos trabalhos acerca do
escritor piauiense. O estudioso aborda
aspectos sociais, políticos, filosóficos,
econômicos e literários da geração de 45,
inseridos no contexto e no levantamento
minucioso da trajetória de Dobal, além de
trazer os seus primeiros escritos como
poeta-aprendiz, entre 1944 a 1949.
H. Dobal nasceu em Teresina em
27 de outubro de 1927, ou seja, este ano
completará 80 anos. Filho de agrimensor
e de professora é considerado, por alguns
estudiosos, o maior poeta vivo do Piauí e
um dos grandes contemporâneos da
Literatura de Língua Portuguesa,
comparado, segundo o escritor Ivan
Junqueira, a Carlos Drummond de
Andrade e a João Cabral de Melo Neto.
Apresenta um extenso currículo: poeta,
cronista, Doutor Honoris Causa pela
Universidade Federal do Piauí, advogado
e funcionário do Ministério da Fazenda.
Residiu em Brasília, Estados Unidos,
Londres e Berlim. Pertence à Academia
Brasiliense de Letras e à Academia
Piauiense de Letras – APL.
H. Dobal é um poeta totalmente
comprometido com a realidade social. O
tempo conseqüente, publicado em 1966,
revela a grandeza, a força da poesia e
aprofunda a relação do poeta com a terra
natal. No mesmo ano, esta obra ganhou
menção honrosa, no concurso “Porta de
Livraria”, da Rede Globo. Sobre esse livro,
Manuel Bandeira escreveu: “Só mesmo
um poeta ecumênico como Dobal podia
fixar sua província com expressão tão
exata, ao mesmo tempo tão fresca e tão
seca, despojada de qualquer
sentimentalidade, mas rica do sentimento
profundo e visceral da terra”.
Já com O dia sem presságios
ganhou, em 1969, o prêmio Jorge de Lima,
do Instituto Nacional do Livro. A revista
Poesia sempre, da Biblioteca Nacional,
dedicou seis páginas de sua publicação
do mês de fevereiro deste ano, para
homenagear o poeta.
O valor da poesia brasileira
contemporânea se deve não só aos
grandes poetas conhecidos e aplaudidos,
mas, também, aos outros que, tão bons
quanto aqueles, são desconhecidos do
grande público. Junto a esses, encontrase o piauiense H. Dobal, que, de acordo
Foto: Luciano Klaus
TERESINA - PI, MARÇO DE 2007
Dobal, em recente registro, para ensaio da revista Poesia Sempre
com o escritor Halan Kardec, fora do âmbito
do Piauí, é mais conhecido por poetas e
escritores.
Mesmo reconhecendo a dificuldade
de aprisioná-lo em rótulos, há quem
identifique a obra dobalina, conforme a
crítica institucional, com a geração de 1945
(enquadramento nacional) e com o Grupo
Meridiano (enquadramento próprio à
história literária do Piauí). Contudo, a sua
poesia é reconhecida por seu caráter
universalista, como se o poeta fugisse um
pouco dos motivos regionais, para propor
temas de âmbito universal.
Para Halan Kardec, Dobal “é uma
das vozes mais fecundas da moderna
poesia brasileira” e acrescenta que “a obra
em prosa, no âmbito universal e
esteticamente falando, é mais intensa e
elaborada como em Um homem particular.
Foto: Arquivo pessoal
Modernidade na lírica dobalina
Profª. Lilásia Arêa Leão*
Mais uma dissertação sobre a
obra de H. Dobal está sendo elaborada,
com defesa prevista para breve, no
cu rso de mestrado em Letra s da
Universidade Federal do Piauí. Tratase do trabalho da mestranda Lilásia
Chaves de Arêa Leã o Reina ldo,
intitulada A poesia de H. Dobal e a
líric a mo d ern a , que tem como
escopo sondar na lírica dobalina os
víncu los
expressos
com
a
modernidade, identifica ndo a
incidência de tensões formais, tais
como: a simplicidade em desafio à
complexidade e a precisão que dá
forma à absurdidade, tensões essas
que permeiam toda a obra do poeta.
Segundo Lilásia Arêa Leão, a poesia
de H. Doba l preenche todos os
requisitos da lírica moderna, ou seja,
auto-suficiência, significação plural e
entrelaçamento de tensões.
O que mais chama atenção na
obra de Doba l, conforme a
pesqu isa dora é “ a ocorrência de
transformações pictórico-imagéticas,
um certo modo irreal de ver o mundo.
Seus poemas cria m cená rios pa ra
metamorfoses que remetem às artes
surrealistas, através de imagens que
provocam choques no leitor, que se
depara com quadros absolutamente fora
dos costumeiros referenciais poéticos
descritivos”.
A desrealização do real, exercício
proposto pela poesia moderna, aparece
de forma significativa na lírica de Dobal,
na visão da estudiosa, que afirma: “a
poesia de H. Dobal se inscreve na lírica
moderna na medida em que constrói
poemas imagéticos desvinculados de
referencia is exa tos, densa mente
povoados por sonhos e memória e que,
por natureza, não se revelam facilmente,
a não ser após sistemáticas leituras”.
*Lilásia Arêa Leão
Mestranda em Letras da UFPI
Profª. do município de Teresina
[email protected]
Todavia, Roteiro sentimental e pitoresco
de Teresina, é, para a cidade, pelo tema
abordado, bastante significativo”.
Apesar da boa recepção de
escritores e críticos à poesia dobalina,
Halan Kardec adverte sobre a necessidade
da incorporação de sua leitura pelo público
piauiense, pois a história literária do Piauí
passa pela poesia de H. Dobal.
OB R AS
• O Tempo Conseqüente (1966)
• O Dia Sem Presságios (1970)
• A Viagem Imperfeita (1973)
• A Província Deserta (1974)
• A Serra das Confusões (1978)
• A Cidade Substituída (1978)
• Os Signos e as Siglas (1986)
• Uma Antologia Provisória (1988)
• Cantiga de Folhas (1989)
• Roteiro Sentimental e Pitoresco
de Teresina (1992)
• Ephemera (1995)
• Grandeza e Glória nos Letreiros
de Teresina (1997)
• Lírica (2000)
• Um Homem Particular (1987)
• Gleba de Ausentes (2002 )
*Halan Kardec Silva
Prof. de Filosofia do CEFET
Mestrando em Estudos Culturais ULBRA-RS
[email protected]
MATÉRIA
12
Dobal: o guardião da memória
As obras do poeta H. Dobal
também despertaram o interesse do
pesquisador Wanderson Lima*. Em 2006,
ele concluiu sua pesquisa, resultando na
dissertação de mestrado defendida na
Universidade Federal do Piauí. No mesmo
ano, ganhou o 1º lugar no concurso Mário
Faustino e a pesquisa será publicada em
livro, em versão alterada.
O tema do estudo do professor
Wanderson Lima foi O fazedor de cidades:
mímesis e poíesis na obra de H. Dobal. Ele
informou que o objetivo do estudo foi
analisar os desdobramentos, na obra de
Dobal, de um jogo de forças entre o
ficcional e o histórico, através de três
livros: A Serra das Confusões (1978), A
cidade substituída (1978) e Os Signos e
as siglas (1987). Para o pesquisador, a
escolha do tema deve-se pelo valor literário
do escritor e, apesar disso, a obra em si é
colocada em segundo plano pelo fato de
Dobal ser um poeta circunspeto e os
estudos produzidos em relação ao poeta
concentram-se no primeiro livro, O Tempo
Conseqüente, ficando as outras obras
negligenciadas.
As três obras analisadas formam
uma trilogia, das quais o poeta tenta fazer
uma radiografia poética: de uma cidade,
em A Serra das Confusões; sobre a
memória coletiva do patrimônio histórico
do Maranhão, em A cidade substituída e
uma leitura poética sobre a cidade de
Brasília, em Os signos e as siglas.
A pesquisa delineou dois conceitos,
o de mímeses, ou seja, uma representação
da criação artística, uma concepção de
memória e experiência que vem do filósofo
Walter Benjamim e, secundariamente,
focalizou a modernidade e o racionalismo
instrumental das obras.
Para Wanderson Lima, a trilogia
tripartida no sentido dantesco apresenta
ascensão espiritual, enquanto Dobal
analisa o senso coletivo, sendo
considerado um poeta singular no quadro
da literatura brasileira. Essa singularidade
é explicada em parte pelas influências que
recebeu. Dobal tem influências dos
ingleses e ainda dos cantadores
nordestinos, tendo o poder de manter a
força comunicativa da poesia sem que
decaia a qualidade estética ou a densidade
cognitiva. “Não partilhava das mesmas
concepções poéticas de Dobal e acreditava
que esse distanciamento me ajudaria no
estudo, entretanto, o poeta transformou
minhas concepções de linguagem,
identidade e poesia para além do benefício
social, acrescentando na minha vida
pessoal”, ressaltou o pesquisador.
Comparada com a trilogia de Dante
Alighieri, A serra das confusões seria o
paraíso através do senso comunitário. Em
A cidade substituída estaria o purgatório,
porque a memória social está se
esfacelando, ainda que seja possível
resgatá-la. Por último, em Os signos e
siglas, Wanderson Lima diz que o poeta
retrata Brasília como o inferno, erguida
artificialmente, sem o aval de uma memória
coletiva, mas contando apenas com uma
memória burocrática.
“No estudo, Dobal é visto como um
guardião da memória, só enxerga frieza,
artificialidade e acaba perdendo sua
função de poeta, vendo, na modernidade
Foto: Luciano Klaus
TERESINA - PI, MARÇO DE 2007
Dobal, em recente registro, para ensaio da revista Poesia Sempre
e tecnologia, formas de esvaziar a
humanidade”, declara Wanderson Lima.
Outro aspecto ressaltado na
dissertação é o mérito das obras
analisadas, o modo como conseguem o
equilíbrio entre o documental e o ficcional,
entre invenção e descoberta. Para
Wanderson Lima, essas junções
possibilitaram concluir que a poesia de
Dobal não recorre nem ao egocentrismo,
que mata toda a poesia romântica, e nem
ao formalismo exagerado da poesia de
vanguarda. “A poesia do escritor é
marcada pelo desejo de recuperar o senso
comunitário que o capitalismo
desenvolveu, por isso é considerada
conservadora, não no sentido reacionário,
mas por guardar o valor da sociedade”.
Wanderson Lima informou que
pretende ainda traçar uma análise mais
exaustiva de uma obra do poeta, estudar a
influência do cinema na obra de H. Dobal
e ainda publicar junto a outros artigos um
confronto entre Dobal e Da Costa e Silva,
como uma complementação dialética, o
que irá permitir um novo olhar sobre a obra
do escritor piauiense. Para ele, esta é uma
fase em que as pessoas conhecem a
literatura piauiense por obrigação.
“Dificilmente alguém busca ler um autor
piauiense para se compreender melhor. O
piauiense lamenta sua identidade, mas não
busca conhecê-la”, acredita.
*Wanderson Lima
Prof. Subst. do Departamento de Letras
Mestre em Estudos Literários - UFPI
[email protected]
LIVROS
A Escritura de Torquato Neto
Arte, Ciência & Poesia
Autor: Feliciano Bezerra
72 páginas
R$ 18,00
[email protected]
Autor: José Machado Moita Neto
R$ 20,00
146 páginas
[email protected]
No livro, resultado de pesquisa do autor, ele aproveita a presença ímpar do poeta Torquato
Neto, fazendo dele o centro de sua obra. Descreve o seu legado literário seja na música,
poesia, cinema, crônica, publicidade, revelando a natureza renovadora de criação de Torquato
em um movimento cultural brasileiro: a Tropicália. O autor desnuda poemas do ‘anjo
torto’, de forma coerente, embasada em estudos e de forma simples, o que nos ajuda a
compreender melhor esse poeta magnífico.
“Arte, Ciência & Poesia” é um livro de crônicas, baseado em fatos do dia-a-dia, que traz uma
reflexão crítica sobre a sociedade atual. O autor tem uma formação eclética e fundamenta seu
pensamento no patrimônio cultural do cristianismo. O livro traz 55 crônicas e tem 146
páginas no formato 14,7 x 20,4 cm.
As formas incompletas:
apontamento para uma biografia
Autor: Alan Kardec F. Silva
R$ 20,00
220 páginas
[email protected]
Trata-se de uma biografia espiritual de H. Dobal. Levantamento minucioso da vida e obra
do escritor. Uma contribuição para os apreciadores do poeta e para a cultura piauiense,
constituindo-se em uma série de apontamentos sob aspecto social, político, literário,
filosófico e econômico da geração de 45, destacando Dobal. A obra apresenta os primeiros
manuscritos, quando ainda poeta-aprendiz no período de 1944 a 1949, e um álbum
fotográfico.
Djalma Veloso: o político e sua época
Do singular ao plural
Autora: Teresinha Queiroz
R$ 20,00
296 Páginas
[email protected]
O livro trata de múltiplas dimensões da sociedade e da cultura brasileira contemporâneas,
evidenciando especialmente as transformações ocorridas nas últimas décadas do século
XX. A história, a literatura, o teatro, a cidade, a produção recente dos jovens historiadores
piauienses e a cultura juvenil são alguns dos temas estudados.
Territórios da leitura: da literatura aos leitores
Autor: Kenard Kruel
R$ 50,00
746 páginas
[email protected]
Organizadoras: Vera Teixeira de Aguiar e Alice Áurea Penteado Martha
R$ 35,00
267 páginas
[email protected]
A obra analisa os principais fatos e acontecimentos políticos piauienses que ocorreram de
1921 até o ano de 2005, ilustrada com fotos. O autor faz um relato da cena política piauiense
reunindo entrevistas com o político Djalma Veloso que foi governador, vice-governador,
secretário estadual, deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Piauí. O
livro busca conhecer a história política do Estado, através do conhecimento coletivo de
Djalma Veloso, não apenas nos aspectos de sua vida pública, mas apresentando registros
da vida pessoal do mesmo.
O livro é um painel com o resultado do trabalho de pesquisadores de diferentes instituições
universitárias sobre questões relativas à leitura, à literatura e aos leitores. Os textos
sublinham a importância da discussão e da reflexão sobre os caminhos percorridos pela
criação literária, considerando aspectos tanto de sua produção como de sua circulação e
recepção. Entre os autores figuram Vera Teixeira de Aguiar (PUCRS), Alice Martha (UEM),
João Luis Ceccantini (UNESP), Maria Teresa Pereira Gonçalves (UERJ) e Diógenes Buenos
Aires de Carvalho (UEMA).
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