30 ANOS • 30 HISTÓRIAS 30 ANOS, 30 HISTÓRIAS. 1 “O empreendedorismo do Sicoob SC/RS é facilmente observado em seus números: nos últimos cinco anos, apresentou um crescimento superior a 70% no quadro de associados. Nesse mesmo período, vale destacar o crescimento expressivo em ativos, superior a 300%. O comprometimento da Central com o Bancoob contribui de forma significativa para o fortalecimento do Sistema. Hoje o Sicoob SC/RS figura entre as três Centrais que mais utilizam os produtos e serviços que o Banco disponibiliza aos associados. O Sicoob SC/RS foi fundamental na constituição e consolidação do Bancoob, destacando-se como um importante articulador do projeto de criação do Banco. Desde a nossa fundação, a Central participa ativamente das principais decisões estratégicas do Bancoob e foi essencial para o progresso que tivemos até aqui.” Marco Aurélio Almada, diretor-presidente do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob) 30 ANOS, 30 HISTÓRIAS. 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Apresentação Ao completar 30 anos, a trajetória do Sicoob Central SC/RS evidencia a O SICOOB CENTRAL SC/RS AGRADECE, DE FORMA ESPECIAL, ÀS COOPERATIVAS PIONEIRAS, QUE FUNDARAM A INSTITUIÇÃO E, ASSIM, DERAM INÍCIO A ESTA HISTÓRIA DE SUCESSO: maturidade e a solidez conquistadas pelo cooperativismo de crédito em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Criadas a partir da necessidade de oferecer uma alternativa financeira a agricultores, nossas cooperativas enfrentaram com COOPERCENTRAL AURORA, valentia uma série de desafios, ampliaram seu alcance, chegaram às cidades e DE CHAPECÓ (SC) hoje geram diversos benefícios às comunidades onde estão inseridas. Entre todos os fatores que contribuíram para o sucesso desse sistema, hoje referência no Brasil, um tem valor fundamental: as pessoas. Ao longo de COOPERLEITE, DE ITAJAÍ (SC) três décadas, milhares de personagens – entre dirigentes, colaboradores, SICOOB CREDIAL, parceiros e associados – protagonizaram a evolução do Sicoob SC/RS, dia DE CUNHA PORÃ (SC) após dia. Sem o trabalho, a persistência e a confiança dessas pessoas, nossa história não seria completa. Na certeza de que cada experiência conta, esta obra presta uma homenagem a todos que construíram a história de nosso sistema, cada vez mais viva, envolvente e apaixonante. Nas páginas a seguir, apresentamos depoimentos de 30 pessoas, as quais representam uma amostra valiosa das inúmeras experiências vivenciadas na relação com o Sicoob. Hoje, o Sicoob SC/RS soma 560 mil associados. Mais de meio milhão de pessoas que têm suas vidas atreladas ao cooperativismo por meio de nosso sistema. Uma marca que nos enche de orgulho e nos motiva a, mais uma vez, reafirmar nosso SICOOB CREDIAUC, DE CONCÓRDIA (SC) SICOOB CREDICAMPOS, DE CAMPOS NOVOS (SC) SICOOB CREDICANOINHAS, DE CANOINHAS (SC) SICOOB CREDIRIO, DE JOAÇABA (SC) compromisso de contribuir, sempre, para melhorar a vida de nossa gente. É para SICOOB OESTRECREDI, isso que trabalhamos. É para isso que nossa Central e nosso sistema existem. DE PALMITOS (SC) Rui Schneider da Silva, presidente do Sicoob Central SC/RS SICOOB MAXICRÉDITO, DE CHAPECÓ (SC) 4 5 1985 Em 8 de novembro, sete cooperativas singulares de crédito e duas de produção rural fundam a Cooperativa Central de Crédito Rural de Santa Catarina (Cocecrer-SC), atual Sicoob Central SC/RS. 1990 O Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC) é extinto, impossibilitando a compensação de cheques nas cooperativas. 1988 No dia 1o de junho, Henrique Backmeier reuniu-se com outros agricultores para fundar o Sicoob Alto Vale – o início de uma trajetória dedicada ao cooperativismo de crédito. 1993 Em novembro, a Central fi lia sua primeira cooperativa de crédito urbana, a Crediger – atual Sicoob Credipérola, de Timbó (SC). 1996 Cooperativas centrais e singulares de diversos estados brasileiros fundam o Banco Cooperativo do Brasil S/A (Bancoob), instituição fi nanceira dedicada às cooperativas de crédito. 1999 Depois de breve passagem pela Ocesc e de fi xar-se nas dependências da Fecoagro, a Cocecrer passa a ocupar uma sede própria, no centro de Florianópolis (SC). 1997 As centrais, incluindo a Cocecrer, adotam a denominação Sistema das Cooperativas de Crédito Integrantes do Bancoob (Sicoob). 2001 Nasce a Confederação Nacional das Cooperativas de Crédito do Sicoob (Sicoob Brasil), atualmente chamada Sicoob Confederação. 2002 O Sicoob SC/RS implanta o sistema de informação SISBR, desenvolvido pelo Bancoob. O sistema possibilita a integração das cooperativas e melhorias ao cliente, com o autoatendimento e o serviço de home banking. 2003 A resolução 3.106 autoriza a livre admissão nas cooperativas de crédito, viabilizando o avanço do cooperativismo na área urbana. 2000 Agricultores como Idenor Dandolini, associado ao Sicoob Credisulca, passam a ter a garantia do seguro granizo para cobrir eventuais sinistros. Na virada para o ano 2000, o Sicoob viveu a insegurança gerada pelo temido bug do milênio. Colaboradores como David Machado, da Central, fi zeram plantão no réveillon, atentos a eventuais problemas, mas tudo acabou bem. A necessidade de profi ssionalizar a gestão das cooperativas estimula a criação da Escola de Dirigentes e Executivos do Sicoob Central SC/RS (EDEX). 2015 A informatização gera insegurança em colaboradores e associados, mas o trabalho de pessoas como Carlos Alberto Tussi, do Sicoob Maxicrédito, ajuda a superar esse desafio. 2010 Com a expansão do Sicoob SC/RS, surge a necessidade de mudança para uma nova sede, que ocupa atualmente três andares de um edifício no centro de Florianópolis (SC). 2011 O Sicoob Creditaipu ganha o reforço da estagiária Juliana Kappaun. Há 16 anos na cooperativa, Juliana coordena hoje a carteira de seguros da instituição. O Sicoob SC/RS elege seu atual presidente, Rui Schneider da Silva, tendo Francisco Greselle como vice. Angelo Basso, associado ao Sicoob São Miguel, integra o quadro social do Sistema, que atinge a marca de 69,5 mil cooperados em Santa Catarina. O Sicoob SC/RS atinge a marca de 566.994 associados, com atendimento em 76,27% dos municípios de Santa Catarina e 40 singulares em operação. O município gaúcho de Três Coroas constitui a Ecocredi, uma cooperativa de empresários e a primeira fora do território catarinense a integrar o Sicoob SC/RS. 2013 O Sicoob SC/RS é a primeira Central brasileira a lançar uma Política de Sustentabilidade própria, tornando público o compromisso com seus principais públicos de interesse. Nos 11 anos em que é cooperado do Sicoob Crediserra, Sidnei Nezi quintuplicou a sua área de cultivo de maçãs e viu a produção saltar de 80 para 600 toneladas ao ano. 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Primeiros passos “Nós tínhamos uma comissão, formada por lideranças do sistema cooperativo de produção, que ficou encarregada de buscar informações e viajar para conhecer experiências de cooperativas de crédito de outras localidades. Depois desse trabalho de preparação, realizamos uma reunião que foi muito marcante, em um hotel de Itapema, ocasião em que foi fundado o sistema de crédito de Santa Catarina. Ali foi constituída a primeira diretoria e eu tive a oportunidade de ser o primeiro presidente da Cooperativa Central de Crédito Rural de Santa Catarina [Cocecrer-SC, atual Sicoob SC/RS]. Foi um dia de festa e euforia, mas depois veio o trabalho. Começamos do zero, passamos pela Ocesc [Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina] e depois ganhamos um espaço na Fecoagro [Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado de Santa Catarina] para iniciar. O sistema começou bem devagar e até quando eu saí da presidência, 12 anos depois, ainda não estava consolidado. Desenvolvemos bastante a parte legal, a formalização, criamos mais cooperativas, mas ainda havia muitos pontos fracos. Em 1999, fizemos novas eleições e foi escolhido o atual presidente, Rui Schneider da Silva. Ele chegou no momento certo. Com a eleição do Rui o negócio se consolidou, porque ele tinha mais vivência na área bancária. Hoje o nosso sistema é sólido, tem um conceito muito bom no cenário nacional e também junto ao Banco Central, órgão que normatiza e fiscaliza o sistema de crédito. Aquilo que sonhávamos está se concretizando: o sistema já tem mecanismos capazes de atender toda a demanda que o associado necessita, em um banco onde ele é sócio. Eu continuo associado à cooperativa, onde todo mundo me conhece e sou tratado como um colega, não apenas como um cliente. Fico muito honrado e tenho a sensação de dever cumprido. Tive a felicidade de merecer a confiança dos fundadores desse sistema de crédito que hoje é reconhecido no estado de Santa Catarina e, com a somatória de outros, é uma força nacional.” José Zeferino Pedrozo, ex-presidente do Sicoob Central SC/RS e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) 8 9 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS A CENTRAL COMEÇOU A OPERAR EM 9 DE DEZEMBRO DE 1987, EM FLORIANÓPOLIS (SC) Dedicação total “Fui o terceiro funcionário da Central. Quando começamos, só havia um Estatuto. Mais nada. A gente trabalhava em uma salinha cedida pela Ocesc. A primeira coisa que eu fiz foi ir aos Correios e providenciar um malote para estabelecermos a comunicação entre José Carlito Kayser, sócio-fundador do Sicoob Crediaraucária, de Urubici (SC) as cooperativas. Não havia e-mail nem fax. Usávamos um telex doado pela Fecoagro. Então, operacionalmente falando, o malote foi o primeiro passo no relacionamento com as fi liadas. A partir do momento em que começamos a fazer operações de crédito A melhor solução financeira – a primeira foi em 18 de maio de 1988 – a Central começou a gerar sua receita própria. Até então, eram as cooperativas fundadoras que “Eu casualmente estive no Rio Grande do Sul a bancavam. Não podíamos gerar despesa. Quando mudamos para a e meus primos me perguntaram: ‘Vocês já têm Mais tarde, quando eu parei com a produção de maçãs, sala da Fecoagro, nós mesmos pintamos e lixamos nossos armários e uma cooperativa de crédito?’. Eu disse que não e tinha muitas dívidas e fui socorrido pela cooperativa. arquivos. É uma bela história. Daqui a 30 anos a gente vai olhar para eles explicaram que isso era muito importante, Deu para ‘sair do barro’, como se diz na gíria, e hoje trás e lembrar de quando começamos esse sistema. E eu acredito que, que a cooperativa era melhor do que banco. estou muito contente, porque encontrei outros tipos de até lá, o cooperativismo de crédito terá conquistado todo o Brasil.” Então a gente procurou tomar conhecimento negócio e tenho muita confiança na cooperativa. O povo e começou a orientar o povo. Não foi fácil, mas deve se convencer de que a solução não é banco. Temos arrumamos 25 pessoas corajosas, necessárias que encher esse Brasil de cooperativas!” Pedrinho Vianei Vignatti, gerente financeiro do Sicoob Central SC/RS para a fundação da cooperativa, e chegamos lá! 10 11 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS A conquista da credibilidade “Quando nossa cooperativa se formou, em 1985, era um desafio juntar as pessoas e mostrar a elas que nós seríamos donos de uma instituição financeira – e que assim o associado não seria mais um simples tomador de crédito do banco, mas também um banqueiro. A cooperativa era estritamente de agricultores e, num primeiro instante, eles desse alinhamento é que hoje temos não entendiam direito o que estava se passando. uma ótima representação em Brasília, Mesmo assim, por confiança nas pessoas que os com assentos, cada um de nós, no convidavam para fazer parte, aceitavam. Bancoob e no Sicoob Confederação. As primeiras atividades funcionaram sem Na nossa cooperativa temos muito compensação, sem talão de cheques. Depois orgulho de nunca termos registrado conseguimos essa conquista, com um trabalho muito intenso da Cocecrer, da Ocesc e do Banco “A Credicanoinhas foi uma das pioneiras em Santa um resultado negativo depois da do Estado de Santa Catarina [BESC], que abriu as Catarina e sempre mantivemos muito contato com as era Collor. A Credicanoinhas é hoje portas para fazermos as primeiras compensações. demais cooperativas criadas à mesma época, o que ponto referencial na região e tivemos Quando pudemos entregar o primeiro talão de naturalmente culminou na fundação da Central. O a felicidade de ter participado cheques para nossos associados, eles diziam: ‘Mas senhor Alfredo Scultetus, nosso primeiro presidente, ativamente da propulsão de atividades eu posso assinar um cheque desses e vão pagar em sempre batalhou pela união das cooperativas e foi muito econômicas, como a produção de qualquer lugar?’. E a gente respondia que sim, em atuante. Anos mais tarde, quando o José Zeferino Pedrozo leite e a suinocultura. Também qualquer lugar. Aí estávamos em casa. Essa situação optou por deixar a presidência da Central, eu montei viabilizamos algo pioneiro na época, foi gratificante, porque até então o associado tinha uma chapa para concorrer e acabei perdendo – por uma que era a silagem de grão úmido. A que se dirigir ao caixa da cooperativa e fazer a diferença de dois votos – para o Rui Schneider da Silva, tecnologia foi trazida da Alemanha sua operação lá. Foi uma fase bonita que vivemos, atual presidente. Isso não atrapalhou em nada a nossa pelo seu Alfredo Scultetus, o Sicoob quando a gente se orgulhava do talão de cheques.” relação, pois trabalhamos juntos e temos muita liberdade apoiou o financiamento e o método se e confiança no fortalecimento do cooperativismo. Prova espalhou pelo estado e pelo Brasil.” Leonir Dacroce, sócio-fundador do Sicoob Oestecredi, de Palmitos (SC) 12 Francisco Greselle, presidente do Sicoob Credicanoinhas e secretário do Sicoob Central SC/RS 13 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS “Em qualquer atividade, quando as pessoas não têm muita força, elas precisam se unir. A cooperativa é a melhor solução, porque ela faz primeiro a parte econômica, para poder fazer a social, e não concentra riqueza. A cooperativa vai na comunidade onde está o produtor, conversa olho no olho. Isso gera credibilidade, fidelidade e parceria, estimulando a confiança mútua. O relacionamento com o associado é diferente em relação a outras instituições financeiras, porque ele é o dono disso. A cooperativa está cuidando daquilo que é dele.” Mário Lanznaster, presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos e sócio-fundador do Sicoob Maxicrédito Esforço coletivo “Eu fui a primeira funcionária da cooperativa e comecei a trabalhar em 1995, junto com o gerente e o presidente. Foi um início bem desafiador, porque nós não conhecíamos o sistema. Tudo era novidade. Mas conhecíamos a realidade do nosso município, que era a de falta de recursos. Nossa primeira sala ficava em uma garagem, tínhamos alguns móveis alugados e outros doados pela prefeitura. Era tudo muito precário, mas o povo acreditou e nós fomos crescendo. No início, a nossa compensação de cheques era feita via BESC, e quando tinha uma reunião ou um treinamento na Central eu ficava sozinha na cooperativa. Então chegava um associado e eu dizia: ‘Fica aqui de olho um pouquinho pra mim que eu vou ali no Besc e já volto!’. Então eu ia lá fazer a transação e deixava o associado tomando conta da cooperativa. Mesmo não sabendo da importância disso, os associados na época também contribuíram, até mesmo com o atendimento!” Cirlei Rodrigues Muniz, colaboradora do Sicoob Credicaru, de São José do Cerrito (SC) 14 15 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS “Com a entrada da Credicor no sistema Sicoob, nossos horizontes se abriram em termos de operação, de produtos, de segurança e de garantias. Quando éramos independentes, não tínhamos uma retaguarda para oferecer para o associado. Com a filiação ao Sicoob, isso mudou da noite para o dia.” EM 1990 UM DECRETO EXTINGUIU O BNCC, QUE PRESTAVA ASSISTÊNCIA ÀS COOPERATIVAS DE CRÉDITO Claudio Simão, sócio-fundador do Sicoob Credicor, de Blumenau (SC) Dificuldades superadas “Começamos com 28 fundadores e encaminhamos o pedido de abertura da hora as pessoas acreditaram e deixaram o dinheiro na cooperativa. cooperativa para o Banco Central em novembro Fizemos uma parceria com o comércio e com os outros bancos e de 1984. A aprovação veio em maio de 1985 e trocávamos os cheques para poder ter a compensação local. Isso me deu nossas operações começaram em agosto. Quando uma força ainda maior, passei a acreditar ainda mais no cooperativismo. terminamos o ano, já tínhamos 758 associados. Em 2006 tivemos outro processo muito importante, que foi a Nós tivemos uma confiança muito grande da instituição da livre admissão. As cooperativas até então podiam ser só comunidade, dos associados, principalmente nos de crédito rural. Com a livre admissão, todos poderiam se associar, momentos de dificuldade que existiram, como independentemente de sua atividade profissional. A partir daí a quando ocorreu a extinção do BNCC [Banco expansão foi muito grande. Dos 60 mil habitantes dos nove municípios Nacional de Crédito Cooperativo]. Mesmo naquela de nossa área de atuação, 29 mil são nossos associados!” Hermes Barbieri, presidente do Sicoob Credial, de Cunha Porã (SC), e do Sicoob Corretora SC 16 17 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Gestão responsável “Na Central, a área de supervisão é ligada ao Banco Central, que fiscaliza a aplicação de procedimentos e normas nas cooperativas. Nosso papel é verificar o cumprimento desses normativos, por meio de auditorias periódicas nas singulares, reportando esse trabalho ao Banco Central. O início foi difícil, pois a auditoria era vista como algo pesado, que apontava erros e trazia más notícias. Com o tempo, essa relação com as cooperativas foi melhorando, a partir do momento em que as singulares perceberam que nosso papel é ajudá-las a se desenvolver de forma segura. Nossa abordagem não tem caráter punitivo, e sim instrutivo. Identificamos falhas e mostramos caminhos para melhorar. Somos muito técnicos, mas temos que compreender também o outro lado, conhecer o processo das singulares e as pessoas que estão executando o trabalho. É preciso se colocar no lugar do outro. A supervisão contribui muito para o crescimento mais sólido das cooperativas, pois gera transparência. O associado tem essa segurança. Sabe que o cuidado não é só da singular, que também há pessoas externas, da Central, atentas ao que está acontecendo. Todo mundo ganha com isso.” Elisete Cavalieri, gerente de supervisão do Sicoob Central SC/RS A GERÊNCIA DE SUPERVISÃO FOI IMPLANTADA NA CENTRAL EM 2010 18 19 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Confiança acima de tudo “Nosso início foi na garagem da cooperativa de produção. Era uma salinha, onde nós colocamos uma porta e pegamos uma máquina de datilografia que tinha na casa da minha esposa, mais uma mesa e umas cadeiras. Fomos chamando as pessoas, fazendo reuniões, com o apoio dos associados da cooperativa de produção, a gente abrindo mão de honorários. Acho que aquele sacrifício foi fundamental para o nosso crescimento. Não se constrói nada na vida sem credibilidade e confiança. Lembro perfeitamente que, no início, quando nossos produtores pegavam algum empréstimo, na hora do vencimento eles chegavam na minha casa ou na rua e davam um cheque assinado em branco, A FECOAGRO É PARCEIRA DO COOPERATIVISMO DE CRÉDITO DESDE A FUNDAÇÃO DA CENTRAL 20 “Nossa cooperativa de crédito, o Sicoob Videira, foi criada a partir dizendo: ‘Quita a minha operação, porque eu sei que de uma necessidade de recursos para o desenvolvimento financeiro está vencendo!’ Na época o sistema não dava nem o dos agricultores, criando um elo com a cooperativa de produção. recibo de quitação. Nós é que fazíamos o recibo manual, Nosso foco, no início, eram o pequeno e o médio produtor. Com a livre atestando que a parcela tinha sido paga. admissão, ganhamos a oportunidade de atender também a pequena e a média empresa. Nosso objetivo sempre foi esse: olhar nos olhos, falar a verdade e agir com o coração. No cooperativismo, É importante destacar também a forte relação de intercooperação principalmente de crédito, a gente tem que gostar, que estabelecemos entre o Sicoob SC/RS e a Fecoagro. Essa parceria tem que amar aquilo que faz. Viver o cooperativismo tem como objetivo levar informação para nossos associados, por meio 24 horas por dia, para transmitir a vontade de fazer de programas de rádio e televisão, com grande sucesso.” acontecer aos funcionários, dirigentes e associados.” Luiz Vicente Suzin, presidente do Sicoob Videira e da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado de Santa Catarina Romanim Dagostin, presidente e sócio-fundador do Sicoob Credisulca, de Turvo (SC) 21 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Período de transição “Eu trabalhava na cooperativa de produção como caixa geral e começamos a desenvolver a ideia de implantar a cooperativa de crédito. Nos instalamos em uma salinha anexa à cooperativa de produção, composta por um balcão com o caixa, o gerente, o presidente e alguns colegas que faziam o atendimento aos associados iniciais. “Quando começamos a informatizar as cooperativas, um grande desafio foi vencer o medo da tecnologia. A gente chegava com os computadores e o primeiro pensamento que vinha à cabeça de dirigentes e funcionários era de que aquilo iria gerar desemprego. Havia também o receio de perder o controle da informação, do papel. Em uma determinada cooperativa, por exemplo, dois ou três funcionários faziam o controle de 2 mil fichas de associados, com informações da conta corrente, tudo à mão. Fiquei uma semana lá implantando o sistema e dormindo em um Tudo era manual, desde a fichinha de controle de saldo do associado, as fichas de alojamento improvisado, no andar de cima da cooperativa. Uma lançamento de crédito e débito, até a compensação de cheques. A transição para a noite, formigas atacaram o alojamento e eu me acordei e resolvi informatização foi bem difícil, porque foi bastante radical e a gente tinha que aprender pegar aquelas 2 mil fichas e lançar os dados no computador, durante uma forma nova de trabalhar. Para os associados também foi um susto. Tivemos que a madrugada. Pela manhã, deixei o relatório na mesa do presidente fazer um trabalho de conscientização, explicando que essa era a evolução dos tempos. O da cooperativa, sempre muito temeroso com essa questão do associado confiou novamente e até hoje acredita na ideia que foi lançada há 30 anos. desemprego. Já estava esperando a reclamação, mas ele chegou e foi lá na fila dos associados, com o relatório, fazer propaganda, dizendo Eu sempre digo para o pessoal da cooperativa que eu acho que só cheguei até aqui porque que estávamos na era do computador, com tudo informatizado! Aos gosto de fazer o que eu faço. A cooperativa está no meu sangue, é a minha segunda casa.” poucos, a tecnologia foi conquistando seu espaço.” Valéria Keitel, colaboradora do Sicoob Credicampos, de Campos Novos (SC) Izidoro Gomes, gerente de tecnologia do Sicoob Central SC/RS 22 23 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS “Fomos buscar muitas informações no exterior e chegamos à conclusão de que as cooperativas de crédito poderiam ser as grandes propulsoras dos demais segmentos do cooperativismo no estado e no Brasil. Conseguimos, então, formar a Central, que ficou com a incumbência de expandir o sistema cooperativo de crédito no estado. A meu ver, isso está acontecendo a passos largos.” Harry Dorow, presidente da Cravil e sócio-fundador do Sicoob Alto Vale, ambos de Rio do Sul. Presidia a Cooperleite, uma das fundadoras do Sicoob Central SC/RS, à época da constituição do Sistema Novos tempos “Antes de trabalhar na Central, fui funcionário de uma cooperativa. Naquela época, toda a compensação de cheques era feita pelo BNCC. Então todo dia, no início da manhã, o nosso gerente ia lá no BNCC, pegava os cheques compensados e trazia para a cooperativa. Eu colocava os cheques em ordem de conta, pegava as fichas dos associados, a máquina de datilografia e uma calculadora. Com a ficha do associado na máquina, conferia se tinha cheques emitidos. Escrevia na ficha o número do cheque e o valor – e já descontava do saldo dele. Tirava essa ficha, colocava outra, e assim por diante, atualizando os dados. Uma trabalheira, que a informatização capitaneada pela Central ajudou a melhorar. Alguns anos depois, já na Central, enfrentamos o desafio de desenvolver produtos e serviços e, principalmente, dotar as cooperativas de infraestrutura para melhorar o atendimento ao associado. Uma grande evolução nesse sentido foi quando a compensação, até então em papel, passou a ser feita por imagem. Tivemos que fazer um trabalho muito próximo com as cooperativas, orientar os colaboradores para a quebra de paradigma, do papel na mão. Hoje é uma realidade. Olhar nossa história de 30 anos e ver todo esse avanço é uma realização muito grande.” Olavo Lazzarotto, gerente administrativo do Sicoob Central SC/RS 24 25 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Parceiros no crescimento “Meu avô era sócio-fundador de uma cooperativa de produção e sempre dizia que uma família sem cooperativismo praticamente não sobrevive. A gente começou com nada, como agregados. Dois anos depois de nos associarmos à cooperativa de produção em Modelo, conseguimos dinheiro emprestado para integralizar a cota da cooperativa de crédito. Depois viemos morar em Volta Grande e começamos a produzir grãos. Aí entrou a cooperativa, que a gente chama de ‘crédi’, com os custeios para fi nanciar as lavouras. Em 1996 começamos na propriedade onde estamos hoje, que era do meu pai. Compramos quatro hectares de terra e construímos 50 metros de aviário. Em 2002, ampliamos o aviário para 100 metros, com financiamento da cooperativa. Aí o pensamento lá do começo, de se associar, começou a gerar resultado. Em 2007 ampliamos os 100 metros para 125. Mais uma vez, já tínhamos pagado a dívida e financiamos de novo. Em 2009 construímos mais um aviário, de 125 por 14 metros. Esse foi 100% financiado no Sicoob. Hoje temos dois aviários com produção de 210 mil frangos por ano. No mesmo ano que iniciamos o aviário, em 1996, tínhamos duas vacas de leite. Fomos ampliando, financiamos a sala de ordenha com a cooperativa em 2011 e hoje produzimos 200 mil litros de leite por ano.” Roque Both, associado ao Sicoob Creditaipu, de Pinhalzinho (SC) 26 “Se nós temos hoje a Cristiane, nossa filha, formada em Medicina Veterinária, é graças à cooperativa, porque quando a gente precisou, tinha um crédito lá. Da mesma forma, agora nós temos a Vanderléia fazendo Odontologia e a Fabiana cursando Zootecnia. O cooperativismo está no sangue.” 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Alternativa para o pequeno Proximidade com o associado “Sou sócio-fundador de uma cooperativa de crédito, o Sicoob “Na década de 1990 iniciamos um Creditaipu, e lembro bem das dificuldades enfrentadas pelo trabalho de construção de parcerias produtor rural quando se dependia dos bancos. Havia uma com todas as organizações existentes na carência por instituições financeiras que entendessem as nossa área de atuação. Fomos buscar o nossas necessidades e prestassem um atendimento mais apoio da municipalidade e começamos humanizado. As cooperativas de crédito transformaram um roteiro de reuniões nos municípios de essa realidade e impulsionaram outros segmentos do Itapiranga, Tunápolis e São João do Oeste. cooperativismo em Santa Catarina, especialmente o Isso deu frutos: em cada reunião, a gente agropecuário. Promoveram, assim, o desenvolvimento local, explicava a situação da cooperativa, que ao garantir que os recursos investidos nas cooperativas na época passava por momentos difíceis. circulassem nas comunidades onde estão inseridas. Com a livre admissão, esses benefícios hoje chegam a um número Hoje, 25 anos depois, podemos cada vez maior de pessoas. A atuação do Sicoob Central, dizer que valeu a pena esse esforço. antiga Cocecrer, contribui não apenas para profissionalizar Atualmente temos um grande trabalho as cooperativas de crédito e ampliar os produtos e serviços com lideranças, contando com dois oferecidos, mas também para garantir a segurança representantes em cada uma das nossas dos associados. Tudo isso sem esquecer os princípios 57 comunidades, que são o elo entre a cooperativistas. Por isso, tenho muito orgulho de ser o administração e os associados. Pelo menos associado número 02 de minha cooperativa e acredito em um duas vezes por ano nos reunimos com futuro muito promissor para esse segmento em nosso estado.” essas lideranças e pedimos sugestões para José Adalberto Michels, presidente do Sicoob Creditapiranga, de Itapiranga (SC) melhorar ainda mais o nosso trabalho. Marcos Zordan, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc) É preciso gastar sola de sapato, pneu e combustível diariamente em busca das soluções para o nosso associado. A OCESC FOI UMA DAS INSTITUIÇÕES RESPONSÁVEIS PELA MOBILIZAÇÃO PARA A CRIAÇÃO DA CENTRAL 28 Nossa cooperativa vai festejar 83 anos em 21 de outubro de 2015, com uma história muito bonita. O povo de toda a grande Itapiranga zela muito pela cooperativa de crédito e nosso sucesso se deve a isso.” O SICOOB CREDITAPIRANGA FOI A PRIMEIRA COOPERATIVA DE CRÉDITO DE SANTA CATARINA E A SEGUNDA A SER FUNDADA NO BRASIL, EM 1932 29 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Desenvolvimento e consolidação “Começamos pedindo ajuda e devendo favores à cooperativa de produção, mas com o tempo passamos a ter uma certa renda – uma ‘sobrinha’, como a gente dizia. Mais tarde, surgiu a ideia de organizar e criar uma Central, porque naquele primeiro momento as cooperativas não tinham onde buscar informações. Depois da criação da Central, a coisa começou a dar mais resultado. O SICOOB SC/RS REÚNE HOJE 3.166 COLABORADORES O Sicoob SC/RS tem hoje um papel fundamental quanto à normatização, à organização, ao suporte às cooperativas, aos treinamentos e às orientações jurídicas. Se a Central não existisse, cada cooperativa seguiria um caminho e nós correríamos um grande risco. As regiões são diferentes, mas todas devem seguir o manual do cooperativismo, trazer essa essência para dentro da cooperativa e levar para a comunidade.” Dgimi Parno, presidente do Sicoob Credirio, de Joaçaba (SC) “Entrei na Central em 2000 e depois de No início de todo ano nós sentamos com dois representantes alguns meses de trabalho me chamaram de cada grupo de cooperativas e pedimos que eles façam um para participar de um projeto que estava levantamento das necessidades de aperfeiçoamento que cada começando – era o princípio da EDEX uma tem. Então montamos um calendário de capacitações “A minha vida na Central foi dedicada à contabilidade, nunca [Escola de Dirigentes e Executivos do baseado nas deficiências apontadas. Os treinamentos vão passei por outro setor. E nessa área a Central sempre teve Sicoob Central SC/RS]. Para mim foi tudo desde aspectos motivacionais até a área gerencial. um papel muito importante, de dar condições para que a muito novo, porque eu estava com 18 evolução acontecesse. No início, eu ficava uns 15 dias com anos e, na época, tinha recém-entrado na Eu fico muito grata por ver o crescimento da EDEX. Quando o contador das fi liadas, para ensinar o ofício. Então ele faculdade de Administração de Recursos paro para olhar esses gráficos que eu apresento é que dá voltava para a cooperativa e começava a aplicar os novos Humanos. Já nesse início ajudei a para ver a evolução: antigamente a gente tinha cinco cursos conhecimentos. Partia do zero. Hoje, com o aperfeiçoamento estruturar os primeiros cursos, o formato e 500 pessoas em treinamento, e hoje temos uma média de dos sistemas de informação, isso é feito, em parte, por meios – se seria presencial ou online, regional ou 50 cursos e mais de 5 mil pessoas capacitadas. Isso para eletrônicos. Mas, mesmo assim, se chegar um novo contador, centralizado em Florianópolis. mim é muito gratificante.” ele vai ter que vir aqui na Central aprender conosco.” Samuel de Souza, colaborador do Sicoob Central SC/RS 30 Andrea Soares, analista de capacitação da Escola de Dirigentes e Executivos do Sicoob Central SC/RS (EDEX) 31 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS DO TOTAL DE ASSOCIADOS DO SICOOB SC/RS, 12% SÃO PESSOAS JURÍDICAS Apoio ao empreendedorismo “Atuo na área de metalmecânica desde 2005 e no início o trabalho era mais voltado a torno, solda e metalúrgica. Depois de um tempo, alguns clientes me pediram para fazer carretinhas para moto e para barco. A partir daí começamos a nos destacar e agregar valor aos produtos, com mais qualidade e diversidade para o cliente. Hoje estamos com mais de 80 modelos de reboque. São mais de 3 mil unidades produzidas aqui e comercializadas em todo o território nacional – incluindo a linha de camping, barco e cavalo. No início trabalhei muito com o Sicoob com custódia de cheques. Hoje tenho seguro de carro, de caminhão, dos funcionários, seguro empresarial e também trabalho com a linha de credenciamento do BNDES. Essa modalidade que abrimos com os clientes proporcionou um aumento de 30% nas vendas. Estou construindo uma nova fábrica. Na atual está complicado, por causa da falta de espaço. Lá não consigo montar uma linha de produção, como é a ideia de fazer na nova. Hoje estamos com nove funcionários, mas o objetivo, com a nova fábrica, é dobrar o número de pessoas, porque o espaço é quase cinco vezes maior que o atual. Recentemente fiz um 32 Fazendo a diferença “No início, em 1986, o pessoal não entendia o dinheiro, porque a casa onde ele morava estava em péssimas que era a cooperativa de crédito. Houve um condições. Como nós não tínhamos ainda o financiamento momento de muita doutrinação, de levar a imobiliário, eu disse para ele: ‘Podemos estudar o seu caso. mensagem certa para as pessoas. Hoje um dos Faça uma proposta e nós vamos encaixar o senhor numa consórcio, que o pessoal do Sicoob indicou, e tive o privilégio de ser contatos fortes que nossa cooperativa tem com verba possível de ser conduzida para fazer a sua casa’. A sorteado na primeira parcela. Com isso, vou poder ampliar ainda mais o associado são as pré-assembleias. Em uma cooperativa arrumou um valor para ele, que reformou a o objetivo, que em princípio era só a construção da fábrica. Agora eu vou dessas pré-assembleias, em Caxambu do Sul, casa. Atualmente esse associado é um médio produtor conseguir montar um showroom e um depósito para os reboques. Eu só logo depois da reunião chegou um associado em Caxambu do Sul e até hoje agradece, porque a gente tenho a agradecer pela parceria do Sicoob, que vem crescendo a cada dia.” bastante humilde e falou que precisava de um contribuiu para que ele melhorasse sua qualidade de vida.” Sidnei Vincenzi, associado ao Sicoob São Miguel, de São Miguel do Oeste (SC) Elói Frazzon, vice-presidente do Sicoob Central SC/RS e presidente do Sicoob Maxicrédito, antiga Credialfa 33 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS A realização de um sonho “Quando me associei eu estava começando com a atividade leiteira. O gerente do Sicoob me ofereceu um dinheiro com juros bons, eu fiz o empréstimo e comprei três vacas melhoradas. Hoje temos 70 cabeças de gado, sendo que 31 vacas produzem uma média de 500 litros por dia. No laticínio onde nós entregamos o leite são poucos os produtores que atingem essa produtividade. Um tempo depois, novamente recorremos à cooperativa. Minha mulher tinha o sonho de ter uma casa nova e, unindo o útil ao agradável, nós resolvemos construir um restaurante junto. Contratamos um arquiteto, montamos um projeto e apresentamos lá na cooperativa. Noventa por cento do empreendimento foi financiado pelo Sicoob e hoje o restaurante está completando três anos e dois meses. A cooperativa é o nosso braço direito e nós estamos crescendo junto com ela.” José Adaine de Carvalho e a esposa, Adriana das Graças Carvalho, associados ao Sicoob Crediserra, de Bom Jardim da Serra (SC) 34 35 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Suporte em todos os momentos “Sou um dos sócios-fundadores da cooperativa e hoje utilizo cartões de crédito, cheques, faço empréstimos. Quando me aposentei, eu pensei: ‘Vou ter que fazer alguma coisa para manter a minha propriedade’. Então nós tivemos a ideia de construir um chalé para alugar para turistas e viabilizamos isso por meio de um empréstimo junto à cooperativa. Mais tarde, tomamos um novo empréstimo para fazer a reforma da nossa residência. Com os juros mais em conta, conseguimos fazer uma economia e, com a renda de aluguel do chalé, reformamos a nossa própria casa. Não sei se teríamos chegado aonde estamos “A preocupação inicial era viabilizar a cooperativa econômica e socialmente. O segundo passo foi tornar a instituição perene, o que exige profissionalizar a gestão. Prova disso é que a nossa cooperativa acaba de ser classificada, pelo segundo ano consecutivo, como uma das 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil. Isso é muito interessante, pois competimos com grupos que têm milhares de funcionários – são companhias mundiais. Isso significa que não precisa ter tamanho ou volume para fazer uma gestão equilibrada entre a atividade econômica da cooperativa e a satisfação do funcionário e do associado.” Edemar Fronchetti, presidente do Sicoob São Miguel, de São Miguel do Oeste (SC) agora sem a cooperativa. Ela foi um estímulo para que a gente enfrentasse uma nova situação. Hoje, quando eu vou na agência, fico bastante orgulhoso, porque vejo que a cooperativa dá emprego para tanta gente – tudo isso graças àquelas pessoas que acreditaram que seria viável fundála. Além dos cooperados, que têm os seus benefícios, cada uma daquelas pessoas que trabalham na cooperativa tem uma família, estuda, interage com a economia. O Sicoob é um fermento para o crescimento dessas pessoas – não só dos cooperados e de suas famílias, mas de todos os prestadores de serviço da própria cooperativa, que são beneficiados por ela. Isso é uma corrente que vai puxando muitas pessoas para dentro do sistema cooperativo. A nossa cooperativa hoje já é uma potência e eu sinto bastante orgulho de, como pequeno servidor do Estado, ter contribuído para um crescimento tão grande, de uma ideia que floresceu tão bem.” Alfredo Clebsch, sócio-fundador do Sicoob Credisc, de Florianópolis (SC) 36 37 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Solução sob medida “Um exemplo muito significativo da importância da cooperativa para os associados é o de uma estudante de Odontologia da Fundação Universidade Regional de Blumenau [FURB], que era também funcionária da prefeitura. Ela não tinha condições de terminar o curso se não parasse de trabalhar no último ano, porque o horário das aulas coincidia com o período de trabalho. Ela então procurou a cooperativa para ver se podíamos ajudar de alguma forma. Nós não tínhamos até então nenhum serviço “Assim como a cooperativa, nossos associados cresceram muito. Trabalho na área de crédito e acompanho no dia a dia o desenvolvimento e o aumento da produção e do faturamento dos cooperados.” Camila Cristofolini, colaboradora do Sicoob Credipérola, de Timbó (SC) 38 que pudesse atendê-la, mas criamos uma modalidade de empréstimo com carência de um ano, para que ela pudesse ficar sem trabalhar por esse período. Nesse ínterim, ela terminou a faculdade, voltou a trabalhar e pagou a cooperativa. Hoje essa modalidade é oferecida para todos os nossos associados.” Antônio Luiz Belli, sócio-fundador e presidente do Sicoob Multicredi, de Blumenau (SC) ATUALMENTE O SICOOB SC/RS OFERECE 15 LINHAS DE CRÉDITO AOS SEUS ASSOCIADOS 39 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Ideal cooperativista “Antes de chegar à Central, eu já tinha uma vivência de vários Hoje temos recursos sobrando no crédito anos de cooperativismo. Era associado desde 1978 à cooperativa cooperativo para emprestar ao nosso de produção de Concórdia, a Copérdia, onde também integrei associado, que é a nossa razão de ser. o Conselho Diretor. Foi a partir de então que a ideia de criar Para nós, o associado não é apenas um uma cooperativa de crédito na região começou a ganhar força. número. Ele chega na cooperativa e Eu tinha trabalhado em uma instituição bancária, na área é conhecido pelo nome, porque o lado voltada a produtores rurais, e tinha experiência como contador humano é o mais importante de nossa e economista. Com base nesse histórico e na experiência com o história. O número que queremos é o cooperativismo, fui indicado para a presidência da cooperativa de associados, porque quanto mais a de crédito. Aceitei o desafio e começamos a trabalhar na mensagem do cooperativismo chegar construção do atual Sicoob Crediauc. às pessoas, mais elas descobrirão as A nossa cooperativa foi uma das sete singulares pioneiras que, em 1985, constituíram a Central. Eu me orgulho de ter vantagens desse sistema e passarão a operar conosco. sido nomeado secretário da reunião e de ter redigido a ata de Atingimos o objetivo que estipulamos lá no fundação da instituição. Depois de alguns anos, quando o José início, mas agora temos que aperfeiçoar Zeferino Pedrozo, então presidente da Central, manifestou processos, capacitar nosso pessoal, a intenção de deixar o cargo, eu vi uma oportunidade cumprir as normas e leis e sempre de trabalhar mais pelo cooperativismo e me candidatei estimular a participação do associado. Se à presidência. Fui eleito e tomei posse em 29 de abril de continuarmos com a vontade e a garra 1999. Então me mudei de Concórdia e passei a me dedicar que temos, nossa história daqui a 30 anos exclusivamente à gestão da Central, em Florianópolis. será de ainda mais sucesso.” Nesses anos todos, conquistamos muitos avanços, sem Rui Schneider da Silva, presidente do Sicoob Central SC/RS nunca perder de vista o sonho que tínhamos lá no início. Víamos que os agricultores não estavam sendo bem atendidos pelos bancos em suas necessidades fi nanceiras e começamos a perseguir a meta de criar um banco cooperativo. Assim ajudamos a fundar o Bancoob, que fortaleceu o sistema em todo o país. Ganhamos força, também, com a abertura de nossas cooperativas à livre admissão, estendendo de vez os benefícios do cooperativismo a outros segmentos da sociedade. 40 41 Além das 30 Este livro é resultado de um extenso trabalho desenvolvido ao longo dos últimos seis meses por uma equipe multidisciplinar. As histórias que compõem o livro, além das que integram o portal em comemoração aos 30 anos da Central, foram resultado de uma ampla consulta realizada junto a todas as 40 cooperativas singulares do Sicoob SC/RS. O empenho das singulares no levantamento dessas histórias foi fundamental para a realização do trabalho de reportagem. Foram mais de 2 mil quilômetros percorridos e cerca de 50 horas de entrevistas, que resultaram nos depoimentos distribuídos entre o livro e o portal. As 30 histórias aqui retratadas são uma pequena amostra do poder transformador do cooperativismo de crédito. No portal 30anos.sicoobsc.com.br apresentamos outros muitos relatos que ajudam a compreender a importância do Sicoob SC/RS na vida de todos os associados e das comunidades onde as cooperativas estão inseridas. Acesse o portal e confira mais histórias: 42 43 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Índice remissivo a Adriana das Graças Carvalho – págs. 34 e 35 Alfredo Clebsch – pág. 36 Andrea Soares – pág. 31 Escola de Dirigentes e Executivos do Sicoob Angelo Basso – pág. 7 Central SC/RS (EDEX) – págs. 6 e 31 f Banco Cooperativo do Brasil S/A (Bancoob) Camila Cristofolini – pág. 38 Carlos Alberto Tussi – pág. 7 Compensação de cheques – págs. 6, 12, 14, 16 e 25 Consórcio – pág. 32 Copérdia – pág. 40 s Sicoob Crediaraucária – pág. 11 Luiz Vicente Suzin – pág. 20 Sicoob Crediauc – págs. 5 e 40 m Sicoob Credicanoinhas – págs. 5 e 13 Mário Lanznaster – pág. 15 Sicoob Credicaru – pág. 14 Marcos Zordan – pág. 28 Sicoob Credicor – pág. 17 o Sicoob Credipérola – págs. 6 e 38 Olavo Lazzarotto – pág. 25 Sicoob Credirio – págs. 5 e 30 Organização das Cooperativas do Estado de Sicoob Credisc – pág. 36 Santa Catarina (Ocesc) – págs. 6, 8, 10, 12 e 28 Sicoob Crediserra – págs. 7 e 35 SC/RS – págs. 4, 5, 6, 8, 40 e 41 h Harry Dorow – pág. 24 Sicoob Credisulca – págs. 7 e 21 p Henrique Backmeier – pág. 6 Pedrinho Vianei Vignatti – pág. 10 Sicoob Creditaipu – págs. 6, 26 e 28 Política de Sustentabilidade – pág. 7 Sicoob Creditapiranga – pág. 29 Sicoob Ecocredi – pág. 7 Hermes Barbieri – pág. 16 i Idenor Dandolini – pág. 7 r Informatização – págs. 7, 22, 23 e 25 Sicoob Maxicrédito – págs. 5, 7, 15 e 33 Romanim Dagostin – pág. 21 Sicoob Multicredi – pág. 39 Roque Both – págs. 26 e 27 Sicoob Oestecredi – págs. 5 e 12 Rui Schneider da Silva – págs. 4, 6, 8, 13, 40 e 41 Sicoob São Miguel – págs. 7, 32 e 37 Izidoro Gomes – pág. 22 j José Adaine de Carvalho – págs. 34 e 35 Sicoob Credial – págs. 5 e 16 Livre admissão – págs. 7, 16, 20, 28 e 40 s Sidnei Nezi – pág. 7 Samuel de Souza – pág. 30 José Adalberto Michels – pág. 29 Seguro – pág. 32 José Carlito Kayser – pág. 11 Sicoob Alto Vale – págs. 6 e 24 David Machado – pág. 6 José Zeferino Pedrozo – págs. 8, 13 e 40 Sicoob Confederação – págs. 7 e 13 Dgimi Parno – pág. 30 Juliana Kappaun – pág. 6 Sicoob Corretora SC – pág. 15 Cravil – pág. 24 44 Leonir Dacroce – pág. 12 Sicoob Credicampos – págs. 5 e 23 Santa Catarina, (Cocecrer-SC), atual Sicoob Central Coopercentral Aurora – págs. 5 e 15 Cooperleite – págs. 5 e 24 de Santa Catarina (Fecoagro) – págs. 6, 8, 10 e 20 Fundação da Cooperativa Central de Crédito Rural de Cirlei Rodrigues Muniz – pág. 14 Claudio Simão – pág. 17 l Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado Francisco Greselle – págs. 6 e 13 – págs. 6, 7, 13 e 40 – págs. 6, 16 e 25 d Elisete Cavalieri – págs. 18 e 19 Elói Frazzon – pág. 33 Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC) c Edemar Fronchetti – pág. 37 Alfredo Scultetus – pág. 13 Antônio Luiz Belli – pág. 39 b e Sidnei Vincenzi – pág. 32 v Valéria Keitel – pág. 23 45 30 ANOS • 30 HISTÓRIAS Glossário a b Associado/cooperado: pessoa física ou jurídica que é, ao mesmo tempo, dona da cooperativa e usuária dos serviços e produtos que a instituição oferece. c Cota capital: é o capital que deve ser integralizado pelo associado no momento da sua adesão ao quadro social da cooperativa. Cada cooperativa define o valor de cota capital necessário à associação, assim como as condições para o seu resgate. Credi: maneira informal utilizada pelos associados para se referir à cooperativa de crédito. Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC): instituição que prestava assistência às cooperativas de crédito e foi extinta em 1990, pelo então presidente Fernando Collor. Entre outras dificuldades, as cooperativas ficaram impossibilitadas de realizar a compensação de cheques. Cooperativas de livre admissão: instituições que não segmentam seu público de associados, sendo abertas a qualquer interessado em participar. Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob): instituição de âmbito nacional voltada às cooperativas, formada em 1996 por centrais e singulares de todo o Brasil. c o Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc): entidade que congrega todas as cooperativas do estado, dos mais distintos ramos, entre eles o cooperativismo de crédito. Central: conhecidas como cooperativas de segundo grau, as centrais são responsáveis por representar os interesses das filiadas, promover a educação cooperativista e oferecer uma série de serviços que visam à melhoria da gestão das cooperativas singulares. Confederação: é uma cooperativa de terceiro grau de âmbito nacional, como o Sicoob Confederação, constituída pelas cooperativas centrais do Sistema. A Confederação tem como finalidade defender os interesses das Centrais, promovendo a padronização, supervisão e integração operacional, financeira, normativa e tecnológica. Define, ainda, políticas e estratégias de comunicação e marketing, principalmente em relação à marca. Cooperativa Central de Crédito Rural de Santa Catarina (Cocecrer): atual Sicoob Central SC/RS. Cooperativa de produção: modalidade de cooperativa em que os associados contribuem com o seu trabalho para a produção em comum de bens e produtos, como é o caso das cooperativas que reúnem produtores rurais. 46 47 Sicoob Central SC/RS Conselho de Administração Rui Schneider da Silva – Presidente (Sicoob Crediauc) Elói Frazzon – Vice-Presidente (Sicoob Maxicrédito) Francisco Greselle – Secretário (Sicoob Credicanoinhas) Conselheiros: Otávio Henrique Almeida Tessaro (Sicoob Credicampos) Artêmio José Flach (Sicoob Noroeste) Antonio Carlos Muniz (Sicoob Crediserra) Agradecimentos Wolni José Walter (Sicoob Credija) Marco Antonio Mendes Sbissa (Sicoob Advocacia) Gentil Luiz Marció (Sicoob Cejascred) Conselho Fiscal O empenho de muitas pessoas tornou possível a realização deste trabalho. Agradecemos aos associados, colaboradores, dirigentes e parceiros que dedicaram seu tempo e compartilharam suas histórias. Também aos colaboradores das cooperativas singulares, que mobilizaram esforços para a indicação dos entrevistados e Conselheiros Efetivos: José Amarildo Costa (Sicoob Crediunião) Eloi Guilherme Presotto (Sicoob Pinhalzinho) Valcir José Pscheidt (Sicoob Credinorte) tão bem receberam nossa equipe. Aos colaboradores e dirigentes do Sicoob Central SC/RS, pelo envolvimento direto no processo de Conselheiros Suplentes: produção do livro e do portal. Às pessoas que, ao longo desses 30 Ana Rauber Balsan (Sicoob Transcredi) anos, dedicaram suas vidas à causa do cooperativismo de crédito. Edson Fernandes Santos (Sicoob Credisc) Sem elas, esta história não existiria. Ivonir Buss (Sicoob Credinorte) Expediente “A cultura cooperativista da região Sul tem contribuído para o fortalecimento do setor no país e agrega importantes números ao Sistema. O Sicoob SC/RS Supervisão possui um papel fundamental no Sistema Financeiro Cooperativo, com números pujantes e forte presença Sicoob Central SC/RS Departamento de Comunicação e Marketing Camile Paula da Silva Cintia Siqueira Müller Diego Aguiar Teixeira Produção Relata - Comunicação + Sustentabilidade Coordenação e edição Bruna de Paula e Débora Horn nos municípios. O resultado de todo esse trabalho é um sistema construído com credibilidade e com a confiança dos cooperados. Essa solidez colabora de forma decisiva para que a instituição ocupe cada vez mais espaço no mercado e se consolide como principal instituição fi nanceira dos seus associados. Parabenizo o Sicoob Central SC/RS nesta data tão especial e faço votos para que a instituição continue desenvolvendo um trabalho de excelência, sempre com foco no desenvolvimento das economias locais e das comunidades onde atua.” Reportagem e textos Andréia Seganfredo, Bruna de Paula, Débora Horn e Francisca Nery Apoio Bianca Bertoli Gisele Flôres Fotos Guaraci Cabrera Yuri Brah (página 13) Divulgação/Ocesc (página 28) Divulgação/Coopervil (página 20) Tratamento de imagens Guaraci Cabrera Revisão Sérgio Ribeiro Projeto gráfico Cohoo - Gestão e direção criativa em comunicação Direção criativa: Bruno Boesche Gestão operacional: Márcio Cabral Edição de arte Bruna de Paula Henrique Castilhano Vilares, presidente do Conselho de Administração do Sicoob Confederação CADA EXPERIÊNCIA CONTA. A confiança em um ideal foi determinante para que, há 30 anos, um pequeno grupo de pessoas se mobilizasse para a constituição do Sicoob Central SC/RS. Esse sistema, construído no alicerce da credibilidade, reúne hoje cerca de 570 mil associados, por meio de 40 cooperativas de crédito singulares. As 30 histórias inspiradoras relatadas neste livro são uma pequena amostra do poder transformador da coletividade e uma homenagem a todos os que contribuem para o fortalecimento do cooperativismo de crédito no Brasil e no mundo. Rua Tenente Silveira, 94, 3o andar • Centro, Florianópolis (SC) CEP: 88010-300 • Fone: 48 3261-9000 www.sicoobsc.com.br