r
a
in
n
e
M
a
d
e
u
q
Almana
Dezembro de 2012
Boletim Informativo da Me ninar Creche Escola
Arte e Educação
Na Me ninar vemos arte nas paredes, nas ações
das crianças e nas intervenções dos adultos. Juntos construímos o desejo permanente de fazer da
arte um meio de aproximação do mundo. Percorremos caminhos interessantes e instigantes acerca
do passado e do presente, crescemos aprendendo
com o percurso de artistas que nos inspiram com
suas vidas e obras.
Em suas produções, alunos expressam sensibilidade e imaginação. Os trabalhos têm identidade e
elementos observados nas telas dos artistas que
estudaram e que cada um personificou com o próprio traço.
Arte é isso! E é assim que aqui na Me ninar a vemos.
Christiane Maia Azeredo
Arte para crianças
“Arte não é só desenho, não é só alegre, agradável e bonita.
Arte não é só realista, pode ser abstrata, simbólica, imaginária, distorcida ou a impressão fugaz de um instante.
Arte não está só nas galerias, na verdade há arte em todo lugar.
Arte não é apenas imagem, pode ser uma ideia significativa ou uma fonte histórica que nos informa sobre o modo de vida de
um povo do passado ou do presente.
Arte não é só para quem gosta, mas para causar uma reação em todas as pessoas, de todas as idades.”
“A pintura é a poesia que se vê em vez de se ouvir.”
Fragmento extraído de Arte para crianças – Publifolhinha
Leonardo da Vinci
Quer voar?
Em sintonia
com a temática do período, o trabalho desenvolvido nos Grupos
de Reflexão não poderia ser diferente:
surgiu o projeto Quer voar?, que teve
como objetivo proporcionar aos alunos
do 2º ao 5º ano novos olhares sobre
pensamentos, desejos e sentimentos
que às vezes não conseguimos expressar com palavras. O trabalho teve como base um projeto desenvolvido por
um grupo de artistas de São Paulo, As
Rutes, coletivoasrutes.blogspot.com.br,
que desenvolve pesquisas nas cidades
utilizando em suas intervenções as
artes visuais e performáticas (palhaço
e contador de histórias), além da construção de narrativas no espaço urbano
(histórias cotidianas). E como a escola
pode ser considerada um desses espaços, onde histórias são vividas e construídas, propusemos aos nossos alunos
que imaginassem para onde gostariam
de voar e qual o melhor tipo de asa
para isso.
Juntas, as crianças pensaram em várias
possibilidades: voar para perto de alguém que ama, para aquele lugar que
ainda não conhece, para onde a sauda-
de quer levar, para aquele lugar tão
legal que já visitou e quer voltar ou
para o coração de alguém.
Resolvemos dar asas à imaginação.
Descobrir e escolher o modelo preferido de asa refletindo sobre para onde e
como quer ir foi tarefa elaborada que
fez parte de uma das etapas de construção das próprias asas, e depois a
proposta incluiu colorir, recortar, brincar, correr... E por que não voar? Com
criatividade e imaginação, tudo é possível!
E você, também quer voar?
Psicologia - Claudilene
Página 2
Almanaque da Me ninar
Através da arte
Ao conhecer e observar as obras do
artista Henri Matisse, a turma do Berçário aproveitou para experimentar e
criar a partir das atividades sugeridas.
O grupo fez colagens com material
diversificado, manipulou tintas e mer-
Experimentação dos meios
gulhou no universo das cores realizando
pinturas.
Com olhinhos encantados e mãozinhas
inquietas, as crianças fizeram a nossa
Mostra Arte e Expressão acontecer.
Berçário - Geórgia
Artes - Meios de aprender e explorar diferentes objetos
As Artes expressam, comunicam e atribuem sentido às sensações e sentimentos. O
espaço da Educação Infantil é rico em experiências que promovem o fazer artístico, não apenas como criação de trabalhos ou técnicas de desenhos, mas, também,
pelo prazer de novas realizações. A linguagem verbal é um sistema simbólico fundamental, mas não é o único. A linguagem plástica também se constrói e se faz presente. Desenhar, pintar e modelar com massinha são atividades muito apreciadas
por esses pequenos.
Experimentar materiais diferentes e se expressar por outros meios também fazem
parte do aprendizado de uma criança. Quanto mais a escola mostra para o aluno a
possibilidade de acesso às diferentes linguagens que estão postas no mundo, mais o
seu universo cultural se ampliará. Com isso em mente, apresentamos atividades bem
diversificadas.
Combinamos fazer uma grande pintura e fomos para o parquinho. Levamos papel,
farinha de trigo, fubá e tinta guache de cores variadas. Nos sentamos à mesa e
colocamos as mãos na massa. O prazer e a satisfação na realização da atividade
foram tão grandes que algumas crianças chegaram até mesmo a experimentar um
pouquinho da tinta. Uns ficaram totalmente pintadinhos e outros sujaram somente
as mãos.
Com o passar do tempo experimentamos diferentes materiais: rolinho, Bombril,
esponja e pincel. Através desse contato, começamos a estimular a motricidade fina
nas propostas, além de criar condições para o aluno desenvolver seu potencial criativo.
Ao iniciarmos os trabalhos para a Mostra Arte e Expressão, desenvolvemos algumas
atividades tendo como fio condutor as obras do artista plástico Henri Matisse. Com
um tecido, tinta apropriada e pincel, realizamos nossa grande obra de arte. Os alunos exploraram bem o espaço oferecido e manusearam com desenvoltura o pincel.
Essa atividade foi muito apreciada e bem recebida por todos.
Maternal I - Kiki
Sabemos que as crianças pequenas
usam as mãos para descobrir. Elas
trazem tudo para perto de si: para a
barriga, para a boca, para o rosto.
Querem sentir, conhecer e ver além
do que os olhos mostram.
Para que toda esta experimentação
aconteça, oferecemos diversos materiais para serem explorados com
os pequenos, com o corpo e pelo corpo. Alguns gostam da tinta fria se
espalhando por todas as partes do
corpo chegando até a experimentar
o seu gosto. Já outros preferem a
sensação de passar a mão no papel
liso e depois no áspero, de brincar
com papel celofane descobrindo que,
ao se olhar por entre este material,
tudo se torna colorido. Para outros
alunos, chama atenção a textura dos
materiais. Apertá-la entre as mãos e
deliciar-se com o poder escorregadio da farinha de trigo sobre a mesa é
uma festa. A variação dos materiais
é ótima para trabalhar sensações e
gera encantamento, por parte dos
alunos, pelo contato.
A admiração do trabalho realizado
pelas crianças e a atenção dada a
elas durante o processo favorecem a
segurança para continuarem em busca de novas descobertas.
Maternal I - Ana Paula
Dezembro de 2012
Página 3
Conhecendo Piet Mondrian
Psicomotricidade e Arte
Parece mentira, mas 2012 voou e já
está quase acabando. Nossos pequenos estão crescendo e cada
assunto apresentado a eles foi sugado até a última gota. Pinturas,
desenhos, modelagens, leituras,
brincadeiras e cinema estiveram a
todo instante presentes em nossas
vivências. Para fechar com chave
de ouro essa etapa, escolhemos um
artista que caiu como uma luva para
a turma: Piet Mondrian. Com ele, os
pequenos descobriram que são capazes de desenhar quadrados, retângulos e que pintar num espaço,
mesmo que ele seja pequeno, não é
um bicho de sete cabeças. E foi
com determinação, desejo e alegria
que o grupo criou e se esbaldou ao
trabalhar com as cores primárias, o
preto e o branco, associando obje-
A prática psicomotora com nossas crianças é
um ato de comunhão e inspiração.
A maior obra de arte são as crianças, obra
prima de valor inestimável.
Brincamos com arte e vivenciamos novidades e
surpresas a cada encontro. Praticamos a arte
do encontro, que será sempre o maior estímulo para continuarmos a ser espontâneos e criativos.
Passamos por momentos de afeto, descoberta
e afirmação da forma de ser de cada criança,
que deseja ser livre, que aprende a se expressar e se comunicar com o mundo que a rodeia
de forma saudável e harmônica.
Com nossos pequenos artistas, entramos no
mundo da percepção e dos sentidos, nos relacionando com o espaço como se fosse uma
grande tela em que podemos expressar toda a
nossa arte.
Com nossos materiais coloridos, criamos formas, esculturas e instalações interativas,
sempre com envolvimento, entrega, e dentro
de um contexto lúdico.
Psicomotricidade – Professor Alair
tos – até mesmo as pulseiras que eu
usava – às obras do pintor
E como criatividade não falta nessa
turma, ao observarem os velhos
disquetes de computador os alunos
perceberam que através dos buraquinhos que existiam nele, podíamos ver tudo ao redor. Olhamos
nossas pinturas, vimos pontos de
nossa sala e vimos os nossos amigos
de uma perspectiva diferente e
engraçada. Não faltaram comentários do tipo: “Só estou vendo um
pedacinho dele”.
Essas percepções e conclusões foram responsáveis por tornar este
momento tão rico. Compartilhar
novas experiências é uma das formas de aprender. Parabéns, turminha, vocês são demais!
Maternal II - Matilde
Arte na Creche
Desde pequenas, toda criança possui enorme potencial artístico. Segundo a artista plástica
Anna Marie Holm, autora do livro Baby-Art: os Primeiros Passos com Arte, os pequenos precisam de estímulos para explorar diferentes tipos de materiais que os levarão a uma produção livre.
Neste processo, o que menos importa é o resultado final da obra. São as oportunidades que
as crianças têm de conhecerem as cores, texturas, nuances e interagirem ativamente com as
diferentes ferramentas artísticas de trabalho que devem reger as descobertas.
O trabalho com arte na Creche é permeada por esta ideia. As educadoras possibilitam que os
alunos vivenciem as mais inusitadas situações artísticas. O que lhe parece a mistura gelo +
fubá + tinta? Esta verdadeira “meleca” propicia aos pequenos diferentes sensações. A temperatura do gelo, a textura do fubá e o colorido da tinta são responsáveis por reações das
mais diversas nos alunos. Alguns se incomodam e querem logo se lavar. Outros, no entanto, precisam usar mais de um sentido
para dar conta de explorar todo o material. Estes chegam a colocar a massa na boca ou a passam pelo corpo.
O importante em atividades como esta é permitir que a criança fique à vontade para ir até o ponto que desejar. Não adianta querer que todos tenham a mesma relação com as propostas de arte. Caso o aluno se identifique com o trabalho ele busca isto de forma natural. Assim, pequenos artistas vão crescendo e se tornando
adultos mais criativos.
) Para saber mais: Baby-Art: os Primeiros Passos com Arte
Maternal II - Patricia
Página 4
Almanaque da Me ninar
A Arte presente na construção do projeto Filhotes
O fazer artístico está presente em todas as atividades
primo da tartaruga é o jabuti, ele só come verdinho e
da Me ninar, servindo como carro chefe na apresentação
cenoura também.”
e mecânica das atividades do cotidiano.
A partir dessas informações, utilizamos as artes plásti-
Iniciamos o segundo semestre com o Projeto Filhotes.
Levantamos os conhecimentos das crianças a respeito do
cas para a construção de bichos, livros, painéis e do pinguim de tamanho natural, que foi exposto na Mostra jun-
tema mediante registros e pesquisas. A partir daí lançamos alguns questionamentos que nortearam nosso traba-
to com os confeccionados com rolinhos de papel higiênico
que juntamos durante todo o ano.
lho: Como vivem? Como será que as mães cuidam dos fi-
Fizemos uso de vários meios e ferramentas, tais como:
lhotes? O que elas trazem para eles comerem?
tintas, pincel batedor, pincel fino, tesoura, cola palito de
À medida que as pesquisas foram chegando, surpresas
surgiram: “Cida, você sabia que tem bicho na natureza
picolé, papel de bala, papel de docinho, lã, nanquim, anilina, canetinhas e giz de cera.
que não é cuidado pela mãe, é o pai que cuida!”, disse
Théo. Em outra ocasião fomos informados pela Betina,
Dessa forma, as crianças transformaram a sala de aula
em um atelier. Quem passou por aqui percebeu a movi-
também aluna do Jardim I, que vários pinguins apareceram em algumas praias de Niterói, inclusive na de Itaco-
mentação presente nessas construções e ouviu o Jardim
I relatando a descoberta resultante da mistura de cores.
atiara. Várias crianças vivenciaram esse acontecimento e
contribuíram com relatos interessantes. “O pinguim tem
A criatividade das produções foi observada na Mostra
Arte e Expressão.
pena, mas ele não consegue voar, eu acho que é porque
ele fica molhado”, disse Davi.
Jardim I - Cida
Durante esse período, recebemos a visita do cachorrinho
da Sophia e aprendemos os cuidados básicos que precisamos ter com esse animal. Todos ficaram encantados de
ver na mochila do bichinho brinquedos, ração e até coletor de fezes o que abriu um leque de oportunidades de
trabalho.
Recebemos também a visita de uma tartaruga trazida
por um aluno do Jardim I da Carla e observamos seus
movimentos e hábitos. Nessa ocasião, Cauã falou: “Cida, o
Viagem pelo tempo - Homem das Cavernas
Educar pela pesquisa promove a reconstrução do conhecimento e aprendizados que superam a reprodução de informações.
Em cada dia do nosso projeto os alunos aprenderam uma
novidade. Entre elas, que o Homem das Cavernas sobrevivia
da caça, da pesca e da coleta de frutos. Ele também foi responsável por inventar ferramentas simples, além de como
produzir e controlar o fogo.
Para responder às inquietações dos alunos viajamos através
da história. Utilizamos livros e enciclopédias, pesquisamos e
analisamos registros da evolução do homem e de seu modo
de vida. Mesclamos textos científicos e literários a fim de
um melhor resultado.
Entramos no universo lúdico por meio de histórias e brincadeiras. Foram feitos jogos simbólicos em que os alunos puderam compartilhar as descobertas. Eles colheram gravetos
na quadra e os friccionaram tentando produzir fogo e tenta-
ram se comunicar apenas através de gestos e de sons, como
“huga, huga!”.
A arte rupestre encantou os alunos. Gostaram de saber que
o homem primitivo deixou marcas nas paredes das cavernas
que habitavam.
A partir destas atividades, os alunos tiveram a oportunidade
de manusear argila e criar desenhos rupestres recriando a
primeira forma de expressão e comunicação do ser humano.
Jardim II - Patrícia
Dezembro de 2012
Página 5
“O Caso dos Bolinhos”, Tatiana Belinky
“O mundo é repleto de símbolos e significados que possibilitam grandes descobertas nesta fase da infância. A arte
possibilita o desenvolvimento de atitudes essenciais para o
indivíduo como o senso crítico, a sensibilidade e a criatividade.”, Edith Derdyk.
A partir da leitura de um livro que conhecemos durante nosso horário na biblioteca, desenhamos, cantamos, dançamos,
recontamos a história, dramatizamos e imaginamos.
Com esse trabalho, envolvemos todos no processo de construção do conhecimento. Descobrimos que escrever a receita do bolinho era a melhor forma de não esquecê-la. Na contagem dos ingredientes, utilizamos a matemática. Recebemos bilhetes, seguimos pegadas e descobrimos ritmos com a
Silvania que nos possibilitaram produzir a música do bolinho.
Para finalizar, fizemos uma bela dramatização da história.
Na biblioteca, Antonio encontrou um livro e despertou o
interesse de todos os amigos. Um dos alunos comentou:
”Veja tem bichos e docinhos! O que deve ser essa história?”
E fomos nós a explorar o livro.
Após ouvirmos a história, convidamos Fernanda para fazermos bolinhos iguais ao que a vovó do livro fazia. Escrevemos
a receita e fomos para o refeitório pôr as mãos na massa.
Colocamos os ingredientes e preparamos um delicioso bolinho. Quando estava pronto, deixamos na janela para esfriar
e fomos lanchar. Ao voltarmos, a surpresa: os bolinhos tinham sumido! Procuramos pela escola e perguntamos para as
salas que estavam perto e nada! Ninguém tinha visto.
De repente vimos uma raposa perto da janela e ela deixou o
seguinte recado para nossa turma: “Estava com fome e levei
os bolinhos de vocês.”
Apareceu a Rosane e mandou a raposa embora e salvou os
bolinhos da nossa turma.
Fizemos um piquenique e comemos os bolinhos! Foi um momento de muita felicidade!
Depois resolvemos fazer um teatro com a história dos bolinhos. Conversamos com a Silvania e ela preparou uma música
para a apresentação que ficou assim:
“Eu sou um bolinho redondo e fofinho
De creme recheado
Na manteiga sou assado
Deixaram-me esfriando
E eu sai rolando
A avó não me pegou
O avô não pegou
A lebre não me pegou,
O lobo não me pegou...
Raposa esperta comeu o bolinho
Pediu para ele pular no seu focinho.”
E fizemos uma apresentação com a história do bolinho em
que todos se divertiram, cantaram e dançaram.
Jardim I - Carla
Salvador Dalí - o mestre da arte surrealista
Salvador Dalí nasceu na Espanha. Com oito anos
ele já se interessava pelas artes além de demonstrar rara habilidade com desenhos e pinturas.
As obras mais conhecidas pintadas pelo espanhol
fazem parte do movimento artístico conhecido
como surrealismo. Este gênero artístico é caracterizado pela forte influência do inconsciente na
atividade criativa. Em geral, são obras que podem
ser consideradas meio “malucas” e cheias de mistérios.
Dalí sempre teve muitos sonhos e diferentes medos. Além disso, sempre gostou de pintar quadros
que o remetessem à infância e que retratassem
seus temores.
O pintor fez muitas coisas consideradas estranhas e usava um longo e fino bigode que lhe conferiam aparência, no mínimo, inusitada. Segundo
Dalí, este bigode servia como uma espécie de antena para que pudesse se comunicar com outros
planetas. Dá pra imaginar o quão fantástica foi a
imaginação deste artista!
Em uma de suas exposições, ele conheceu a mulher com quem se casou posteriormente: Gala
Eduard. Gala foi musa e fonte inspiradora de diversas obras do espanhol. A devoção pela esposa
foi tão grande que, quando ela morreu, Dalí se
isolou em um castelo esperando sua vida acabar.
Ele morreu aos 85 anos de idade e deixou uma
enorme contribuição ao mundo das artes.
Da biografia e apreciação das obras de Salvador
Dalí, o Jardim II aprendeu que pode ousar nas
criações artísticas. Desenho, pintura, escultura,
colagem foram modalidades desenvolvidas pelos
alunos em suas produções que puderam ser apreciadas na Mostra Arte e Expressão.
Jardim II - Soraya
Página 6
Almanaque da Me ninar
Tarsila de Amaral inspira o Jardim II
Criança e arte são elementos intimamente ligados. Antes mesmo de aprender a escrever
eles já são pequenos artistas.
Um dos nossos objetivos na Me ninar é conhecer com profundidade um artista plástico. Esse ano as turmas do Jardim III produziram um trabalho integrado baseado nas obras de
Tarsila do Amaral. Desta forma, conhecemos um pouco da vida desta importante artista brasileira; a infância, a vida adulta e toda a produção artística desta paulistana que marcou a
cultura nacional.
Estudar a vida e obra de uma pessoa tão inteligente e estudiosa é fascinante e divertido. Depois de muitas pesquisas e observações que nos sensibilizaram com a beleza da obra de Tarsila, desenhamos, pintamos telas e camisetas e fizemos releituras de algumas das obras. Uma
de nossas inspirações foi a tela O Ovo.
Iniciamos o trabalho colando pedaços de jornal sobre uma grande bola de encher. Foram feitas várias camadas com papel e cola. Nos sujamos, colamos e colaboramos uns com os outros até que a bola fosse toda coberta. Ao final, para fazer o acabamento, colamos folhas de papel branco e fizemos flores coloridas usando nanquim e lápis
de cera. Que alunos criativos! Uma flor mais linda que a outra e nosso ovo estava pronto!
Faltavam agora os outros detalhes da cena criada por Tarsila. Que desafio! Como representar a cobra que compõe O Ovo?
Foi então que a professora Jurema surgiu com a ideia de juntarmos meias velhas e as recheássemos com pedaços de jornal
para recriar a obra. Assim, nos momentos comuns de integração das turmas de Jardim III, a cobra foi montada, recheada e
pintada. Com ela pronta, organizamos O Ovo de uma nova maneira e imaginamos que nossa artista inspiradora ficaria encantada com o resultado final!
Jardim III – Silvia
Troca-troca das palavras
Desenvolver o hábito da leitura é um
processo contínuo. Nada melhor então
do que aproveitar histórias com textos
e rimas que mexem com a imaginação,
despertando a vontade de inventar e
descobrir novas narrativas que fazem
refletir. Foi assim que o trabalho no
Jardim III começou. Através de textos e ilustrações divertidas, a vida da
autora Eva Furnari foi sendo narrada e
os alunos foram conhecendo a sua biografia, além de observarem características marcantes na produção literária
da artista.
Histórias e mais histórias foram contadas. Histórias essas com textos que
favoreciam o contato com diversas
formas de leitura. Os livros mais explorados foram Felpo Filva, que mostra
gêneros literários variados, Não Con-
funda... e Você Troca?, por terem rimas divertidas e assim favorecerem a
discriminação auditiva e visual.
Partindo do interesse dos alunos, várias atividades foram feitas: criar textos em grupo a partir da leitura das
gravuras, substituir palavras respeitando a rima e memorizar as rimas
escritas pela autora. Também outras
possibilidades de rimas escritas por
outro autor foram lidas. Esse autor,
Marcos Suendel, gostou tanto do livro
Você Troca? que escreveu outro como
resposta. Assim as crianças foram apropriando-se do código escrito com
significado.
É interessante observar como os pequenos reagem diante dos desafios
referentes à descoberta de novas palavras, percebendo que as palavras são
formadas com sílabas de outras palavras e que às vezes uma palavra está
dentro da outra. Até mesmo mudando
apenas uma letra, muda-se todo o vocábulo! Como sempre, falaram com entusiasmo de cada descoberta: “Vou
precisar de um pedaço do João!” “Vou
precisar pegar o eu para escrever Eunice!” “Mar está no nome da Marcelly!”
Jardim III - Jurema
Dezembro de 2012
Página 7
A arte na poesia
Quando iniciamos o projeto de perseguir um autor para trabalharmos junto com as crianças, não imaginávamos que a escolha
fosse tão bem aceita como foi.
Ao elegermos Lalau e Laurabeatriz e lermos as suas poesias, as crianças ficaram super entusiasmadas. A cada leitura que
fazíamos o interesse crescia. Fizemos uma votação para escolhermos a poesia que mais agradou aos alunos. Baseados nela,
nos inspiramos e criamos os nossos próprios versos.
Cada aluno foi responsável pela elaboração de uma poesia e todas ficaram lindas! Os estudantes quiseram lê-las e dividi-las
com os colegas da turma.
Outro ponto de excelente aceitação foi quando propusemos conhecer mais a fundo as biografias dos autores. Após esta
pesquisa eles desenharam caricaturas dos artistas, cada qual lançando mão de seu estilo.
O trabalho ficou lindo e foi admirado por todos!
1º ano – Professoras Celia e Tânia
Natureza
Deus inventou a natureza
Que é bonita
Que é cheia de animais.
Lara
Pantera do amor
Deus só tem gosto
Para coisa boa.
Fez coisa bonita
Como sempre dita.
Tadeu
Amarelinha
Deus tem uma flor amarelinha
Fez beija-flor
Que tem bico.
Julia Martins
A flor
Deus só gosta de flores.
Bonitas e coloridas
E bem rosadas.
Julia Moraes
Leão
Deus só faz coisa legal
Fez leão que ruge
igual a um cão.
Luiz Henrique
O cravo
Deus sempre inventa coisas lindas
Fez mil cravos
Que é a flor mais linda
Que já foi solta
Para a sua amiga
Que virou uma rima.
Miguel
Mu mu mu
O boi não sabe falar
Mas sabe arrepiar
Giovana Capelli – Lucas Bronze
Poim poim poim
O barulho
Da pulga
Atrai a ruga
Lucas Mira – Carolina
Bzzz – Bzzz - Bzzz
O zumbido do mosquito
Faz machucado no cabrito
Ana Luiza – João Felipe
O gato lindo
Deus fez um gato lindo
Maravilhoso e gostoso.
Maria Eduarda
Leão
Deus criou o leão
Igual ao cão.
Rolinha
Deus só faz coisa bonita
Deus fez rolinha bonitinha.
Tiago
Rosa
Deus só fez beleza
Rosa é linda
Com certeza
Rosa linda
E cheirosa
Arthur
A rosa
Deus fez uma rosa
Linda
Cheirosa e bonita.
Isabella
Peixes
Deus criou todos os peixes
De todas as cores
Vermelhinhos
E douradinhos
Lindinhos.
Júlia Hughes
Rosa
Deus só faz coisa bonita
Fez a rosa
Que é toda perfumada.
Sophia
Borboleta
Deus só gosta e faz coisa linda.
Fez flores
Fez vários pássaros
com amor.
Luana
Có có có
O cacarejo
Da galinha
Faz bicar milho
Na lojinha
Mariana – Giovana Lobo
Vinícius
Rosa
Deus só cria coisa bonita
Fez rosa
Que é a flor
Do amor.
Clarice
Golfinho
Deus criou um golfinho
Lindo
Que pula
E é gostoso.
Giovanna
Coelhinho
Deus gosta de coelhinhos
Que são cinza e pretos.
Julia Lobo
O macaco
Deus só faz coisa legal
Fez o macaco
E foi igual ao saco.
Caio Cesar
Miau miau miau
O miado
Do gato
Arranha o prato
Júlia – João Gabriel Precioso
Cocoricó
O cocoricó
Do galo
Acorda as pessoas
Rafaela – Pedro Henrique
Rrrrrrrr
O rugido
Do leão
Dá medo no tigrão
Bruna – João Gabriel Ribeiro
Roinc roinc roinc
O ronco do porco
Faz barulho
Rouco
Lucas Galvão – Miguel Ângelo
Au – au - au
O latido
Do cão
Faz medo
No João
Chicralla – Gabriel – Luiza
Página 8
Almanaque da Me ninar
Autores mirins
Ler e escrever vão além de
decodificar ou representar
símbolos. É perceber, sentir
e interagir com o mundo por
meio de inúmeras ações e
sensações: alegria, surpresa,
suspense, derrotas, tristezas
e vitórias.
Montar uma obra literária
com o 2º ano foi gratificante
e surpreendente. Cada personagem criada, os diálogos, as
ilustrações e cada leitura,
legitimavam a essência e a
participação de verdadeiros
desenhistas, pintores e escritores. Todos se sentiram
orgulhosos e felizes, pois
experimentaram diferentes
reações do público ouvinte.
Telefone sem fio
Assim como acontece com os
grandes clássicos, muitas
produções foram reapresentadas por causa das inúmeras
solicitações dos próprios colegas.
A construção e a leitura de
uma narrativa também exerce um desígnio maior que o
letramento. Neste momento,
a produção individual pôde
proporcionar a cada aluno
uma reorganização das próprias inferências e percepções de mundo, tendo como
referência inicial as próprias
experiências existenciais.
Durante o 3º período, realizamos atividades que contribuíram significativamente para o desenvolvimento cognitivo e sócio-afetivo de cada aluno. De maneira prazerosa, fizemos descobertas e construímos juntos conhecimentos que, sem dúvida, serão levados para toda vida.
Um dos nossos trabalhos de maior destaque foi o que
preparamos para a Mostra Arte e Expressão, em que
fizemos uma releitura da obra Telefone sem fio, de Ilan
Brenman. Conhecemos também a biografia e diversos
livros deste autor. Foi gratificante ver o empenho e a
empolgação de toda a turma durante a preparação deste
trabalho e a satisfação de cada aluno ao vê-lo concluído.
2º ano – Professora Aline
2º ano
Professora Francine Pessoa
Borboleteando com Limeriques
A fase em que se encontram os alunos
do 3º ano é marcada por importantes
avanços. Destacam-se o comportamento afetivo e social, além do desenvolvimento intelectual e a aquisição de conhecimentos.
A habilidade para falar e se expressar
se desenvolve com rapidez. A linguagem torna-se um instrumento para a
maturidade cognitiva, afetiva e social.
Isso possibilita que eles compartilhem
seus pensamentos e reações com os
demais, sistematizem a ação e tracem
planos.
A progressão no domínio da linguagem
escrita e na leitura ajudou o desenvolvimento de novas formas de expressão.
Através do trabalho de perseguição à
autora Tatiana Belinky, conhecemos o
livro “Limeriques para pinturas” e ficamos encantados não só pela produção
escrita, mas também pelas ilustrações
do artista plástico, fotógrafo e cenógrafo David Dalmau, que passamos a
conhecer e apreciar.
Os limeriques são uma maneira divertida de escrever poemas com cinco versos, da seguinte forma: as rimas do 1º,
do 2º e do 5º versos são iguais, en-
quanto que o 3º e o 4º versos têm rimas diferentes e são mais curtos.
Após a leitura do livro, fizemos limeriques coletivos antes de partirmos para
as produções individuais.
Para a confecção do nosso livrinho de
bolso, pensando na Mostra Arte e Expressão, escolhemos o tema
“Borboletas”, vinculando-as ao trabalho
desenvolvido pelo artista plástico brasileiro Romero Britto.
Nossas produções estão disponíveis
para acesso no site da escola.
3° ano – Professora Francine Ribeiro
Dezembro de 2012
Página 9
A arte na ilustração
Viajando e se encantando pelas belezas naturais da África, o 4° ano teve
a oportunidade de conhecer um pouco
mais das riquezas que se escondem
naquele lugar.
Ouviu , viu, leu e descobriu...
Ao som de uma batucada eletrizante
nasceram belíssimas ilustrações. Que
prazer! E assim, cada criança foi se
descobrindo um artista. Aquele que
mora dentro de cada um e, subitamente, surge e se apropria de novas
ideias até que essas se tornem verdadeiras obras de arte.
Cada etapa dessa criação foi cercada
de muita motivação. Além das descobertas realizadas, os alunos vibraram
com as construções dos colegas.
Para contextualizar a história da
África, a turma utilizou o livro BATUQUE DE CORES, de Caroline Desnoettes e Isabelle Hartmann. E, a
partir de então, realizaram a interferência da fotografia na ilustração.
4° ano
Professora Jaqueline Saviolli
Conhecendo o Brasil nos versos do 5º ano
Muitas são as crianças e jovens que procuram razões para o estudo da História. Diante de um mundo que se modifica em um
ritmo tão frenético e no qual as dimensões temporais da existência humana são esquecidas em função de interesses imediatos, torna-se difícil seduzir a atenção dos alunos para a reflexão sobre as relações entre o passado e o presente.
Buscamos durante o ano letivo levar os alunos a compreender as relações existentes entre o passado e o presente. E para
isso utilizamos diferentes formas de trabalho, como entrevistas, vídeos, seminários, visitas a museu, pesquisas e debates
em sala.
Nossa jornada histórica teve início no Brasil Colonial, passando pelo Império, pela produção de café, o fim da escravidão, o
fim da Monarquia, a chegada da República, a Era Vargas, a Ditadura Militar e o retorno da Democracia.
Para concluírem trabalhos, os alunos do 5º ano, realizaram a produção de poemas que contam um pouquinho dessa história.
Uma importante parceria com a autora Fátima Miguez, auxiliou os alunos nas produções. Eles puderam conhecer diversos
livros da autora e, baseados no livro “Brasil Folião”, cada aluno produziu a própria poesia.
Na primeira etapa do trabalho cada aluno escolheu uma imagem do livro didático de História que, de alguma forma, tenha
lhe chamado atenção. Em seguida, baseando-se nos conhecimentos sobre aquela imagem, produziu um poema que contasse
algo sobre esse momento histórico.
Os alunos se envolveram no projeto e realizaram o trabalho com muita habilidade
no assunto e de forma criativa.
Ao término das produções textuais, cada estudante observou novamente a imagem
e construiu uma ilustração baseando-se no que mais lhe chamou a atenção.
Como eles puderam escolher de forma variada cada imagem, é possível conhecer
um pouco da História do Brasil contada nos versos do 5º ano.
5º ano
Professora Carla Quintanilha
Página 10
Almanaque da Me ninar
Pequenos artistas que criam brincando
A Arte tem papel fundamental
na formação do conhecimento
e requer a valorização da bagagem cultural trazida de casa
por nossos alunos.
Esse ano foi ainda mais enriquecedor, pois com o Ateliê de
Arte tivemos a oportunidade
de inserir em nossa rotina um
momento de conversa e troca
de experiências em um ambiente mais descontraído e amplo.
O 1º ano trilhou um percurso
em que o desenho foi o fio
condutor. Ao desenhar, a criança desenvolve a autoexpressão e atua de forma
afetiva com o mundo, opinando,
criticando e sugerindo, através
da utilização das cores, formas, tamanhos e símbolos.
Faz parte de nosso trabalho
oferecer aos alunos a maior
diversificação possível de ma-
teriais, fornecer suportes,
novas técnicas, bem como desafios que venham favorecer o
crescimento deles.
No decorrer do percurso, tivemos atividades individuais e
coletivas em que alguns artistas como Tarsila do Amaral,
Portinari e Rosa Maria da Paz
foram apresentados.
Para a Mostra de Arte Expressão, focamos no tema
Brincadeiras e nas obras da
artista Da Paz.
Nossos alunos ficaram completamente à vontade e empolgados ao se depararem com o
desafio e consagração do EU
artístico iniciando uma pintura
sobre tela.
Foi emocionante e mágico acompanhar o crescimento físico e intelectual de nossos
grandes artistas.
Nas cores de Romero Britto
A arte está presente no dia a dia e por isso foi escolhido trabalhar com a biografia e as obras de Romero Britto. Através das telas desse grande artista
brasileiro, nossos alunos tiveram a oportunidade de
ampliar seus conhecimentos e sua bagagem cultural.
Ao apresentar vídeos e imagens pude levar nossas
crianças a pensar o fazer artístico.
Durante o ano buscamos valorizar o percurso próprio, as individualidade e as diversidades, pois somos
sujeitos únicos.
Com a atividade CRIANDO SUA BORBOLETA COM
ROMERO BRITTO, os alunos colocaram em prática
tudo o que conversamos sobre diferenças e individualidades, visto que todos criaram borboletas, mas
nenhuma ficou igual a outra.
Explorando a biografia do artista, descobrimos que
ainda quando criança, em sua cidade natal, Pernambuco ele pintava em caixas, madeiras e pedaços de
papelão, isso nos estimulou a buscar experimentar
suportes diferentes para pintar.
Envolvidos pelo colorido e desenhos alegres, nossos
alunos percorreram o caminho do aprender num ambiente muito gostoso de troca e crescimento.
3º ano - Professora Alessandra Guerra
1º ano - Professora Alessandra
Um mergulho no traço lúdico de Gustavo Rosa
A arte da criança nos faz mergulhar em um universo mágico. Não foi diferente quando iniciamos nossos estudos sobre a vida
e obra do artista Gustavo Rosa.
Os alunos logo se identificaram com as obras coloridas, alegres e com os temas abordados, como situações do cotidiano,
paisagens, natureza-morta, figuras humanas e animais.
O traço lúdico do artista é motivador e permite que as crianças fiquem muito à vontade para reinventar suas obras.
A arte está diretamente ligada à sensibilidade e através desse trabalho pude incitar os alunos na livre criação, na troca de
opiniões respeitando o outro, na experimentação de materiais diversificados e no trabalho coletivo.
É extremamente importante que o aluno tenha prazer ao criar, mas que sua criação tenha um significado, um objetivo, por
isso temos alguns momentos de rodinha para podermos conversar sobre as produções.
Esse percurso de aprendizado e criação realizado pelas turmas do 2º ano foi esplêndido e culminou com os trabalhos apresentados na Mostra de Arte Expressão.
2º ano
Professora Alessandra Guerra
Dezembro de 2012
Página 11
Arte que contagia
Viajamos pelo mundo das cores e formas de Beatriz Milhazes ao estudarmos sua biografia e conhecermos suas
obras. Uma característica marcante da
artista que nos motivou, foi a busca
(pesquisa) de novas técnicas e materiais, e assim iniciamos nossas produções.
As obras observadas e analisadas nos
incitaram ao encontro com o prazer e
com a emoção provocadas pelas for-
mas, movimentos e cores.
O 4º ano curtiu e esteve envolvido durante todo o desenrolar do processo
criativo, foi um tal de recortar, colar,
desenhar, pintar, com rodas de batepapo, produções individuais e coletivas.
Diante da sede de aprender e criar,
tivemos avanços nas produções e no
pensar a arte.
Sair do desenho concreto e iniciar a
abstração muitas vezes é difícil, mas
essa galera encontrou na relação com
as obras da artista um caminho prazeroso.
A mistura de formas, pontos, linhas,
cores e materiais nos revelou grandes
artistas, como vimos na Mostra de
Arte Expressão.
Turma 4º ano
Professora Alessandra Guerra
Bagagem cultural
Eis que disse o mestre: “Há escolas que são gaiolas e outra que são asas, não amam pássaros engaiolados. O que elas amam
são pássaros em voo, essas existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. Sendo assim o voo não pode ser ensinado, somente pode ser encorajado.” Rubem
Alves
Hoje fica impossível escrever sobre o trabalho feito com essa turma, sem recordar os dias em que eram pequenos filhotes,
chegando ainda que um pouco amedrontados lá no 1º ano. As aulas de Arte era coisa nova. Fomos nos conhecendo e desenvolvendo muitos projetos, alguns dias corridos outros nem tanto.
Crescemos juntos! Nos encorajamos! Chegamos aqui, no 5º ano, e como seria nosso último ano?
O voo foi sendo encorajado e preparado com muitas cores, formas, linhas, pontos, pesquisas, recortes, pinturas, mosaicos,
colagens, esculturas... Durante tudo o percurso conhecemos e nos alimentamos das obras e biografia de muitos artistas. Em
especial, esse ano, pesquisamos Joan Miró e Anthony Gormley, que nos enriqueceram e inspiraram na construção dos belos
trabalhos apresentados na Mostra Arte e Expressão.
Nossos pequenos filhotes hoje cresceram e estão prontos para alçar voos, pois essa é a essência do pássaro.
Turma 5º ano
Professora Alessandra Guerra
“Quando uso verde, isso não quer dizer
grama; quando uso azul, não quer dizer céu.”
Henri Matisse
Página 12
Almanaque da Me ninar
Sentir, pensar, agir
O sentido da ação cooperativa é a partilha dos esforços em prol de um objetivo, de uma causa comum. Essa ideia é
nutrida pela vivência prática de cooperação. Isso se dá, acima de tudo, pelo
exemplo e sua força de arrastamento,
muito mais do que pelos discursos. A
teoria não precede a prática nesse
caso. Sentir, pensar, agir, representar
em gestos, palavras ou outras formas
de expressão simbólica são atributos
de nossa humanidade. É na infância que
podemos forjar, desenvolver e semear
valores humanos que caracterizam nossa moralidade. O sentido ético é construído nas relações que são estabelecidas entre os pares. Brincar e jogar são
modos de se apropriar do mundo e seus
códigos; maneira propícia para desenvolver atributos de cognição, quanto de
afetos e motricidade.
Quando empreendemos nesse semestre final do ano de 2012 propostas que
promoveram a ação cooperativa entre
as crianças, sabemos que surgirão tensões próprias de seres em formação
inicial, porém, aprendizes sedentos de
orientação, parâmetro e escuta, na
mesma proporção que limites. As regras desenvolvidas nos jogos e para os
jogos devem refletir, mais que uma
disputa, a possibilidade do encontro e
da formação de parcerias. Vemos as
transições pelas quais as crianças vão
passando ao longo dos anos e nos enternecemos com a beleza da vida que
se renova em cada uma delas, que se
reinventam a cada dia na alegria de
viver, de ser, de existir e cooperar!
Educação Física
Ângelo Meirelles
Arte e Tecnologia
Com sensibilidade e imaginação, os alunos do 5º ano mergulharam no mundo
artístico e tecnológico.
Nas aulas de Informática, as tintas e
os pincéis deslizaram nas telas digitais
abrindo espaço para criações inspiradas nas obras de Andy Warhol, grande
precursor do movimento da Pop Art
nos Estados Unidos.
A princípio foram feitas pesquisas na
internet que serviram de inspiração
para a execução desse trabalho.
Aos alunos foram disponibilizados retratos digitais pessoais para que pudessem aplicar a técnica apreciada nas
O texto narrativo nas aulas de Inglês
As turmas do 2º ano leram o primeiro livro em Inglês. Os alunos
conheceram “Collin”, uma centopeia que perdeu as cores do corpo
em um dia de muita chuva. A história, porém, reservou um bom final
para Collin, que não tinha ficado nada satisfeita com a perda das
cores. No final do livro, tudo acaba bem, pois, com a presença do
sol, a centopeia recupera todas as cores de antes.
Todos os alunos adoraram a história e as atividades propostas pelo
livro. Contudo, o que todos curtiram mesmo foi a criação individual da própria
centopeia de massinha para a Mostra Arte & Expressão. Os trabalhos ficaram
lindos! Congratulations to all of you!
Inglês - Tatiana
obras do artista escolhido. Com o suporte de um software de editoração
gráfica profissional, puderam confeccionar suas próprias obras de arte.
Assim, o potencial de interação entre
os alunos, os recursos tecnológicos e a
arte em especial possibilitou descobrir
e explorar uma nova técnica que transforma os modos similares préexistentes, possibilitando-os novas
formas de olhar, perceber, agir, e pensar.
Informática - Jacqueline Duarte
Dezembro de 2012
Página 13
Musicalização no Fundamental
A noção do conhecimento em música
definidos, quanto ruídos, buzinas, cam-
cal, as atividades com a flauta doce
surge da ação da criança, cuja caracte-
painhas, canto de aves e demais com-
possibilitaram perceber e expressar
rística fundamental é o movimento
ponentes de nossa paisagem sonora.
sensações e sentimentos por meio de
simultâneo e sucessivo do som e do
O que define o objeto sonoro é a orga-
imitações sonoras, canto livre, improvi-
silêncio, do dinâmico e do estático e
nização integrada dos elementos cons-
sações e interpretações musicais do
dos elementos sonoros - duração, altu-
tituídos pelo homem como música. A
cancioneiro popular e outras recriadas
ra, intensidade e timbre.
tônica do trabalho pedagógico na Me
pelos próprios alunos.
Dentro de um processo ativo e lúdico, a
Ninar foi, portanto, possibilitar um
Música
criança pode construir conhecimento
ambiente de descoberta e enriqueci-
Professor Leonardo
musical ao interagir com os objetos
mento do imaginário, buscando a orga-
existentes em seu contexto social.
nização da forma e a conquista de ex-
Entende-se por objeto sonoro todo o
pressões possíveis, a partir do fazer
elemento produzido ou percebido como
musical, estruturadas na sala de aula.
som, desde que organizado dentro de
A ESCUTA, o ENVOLVIMENTO e a
uma perspectiva estética intencionada,
COMPREENSÃO da linguagem musical
como música ou como ato de audição.
estiveram presentes como ferramen-
Nesse caso, estão envolvidos tanto o
tas fundamentais para o fazer em mú-
som da voz e de instrumentos musicais
sica. Junto deste entendimento musi-
Comer, comer
Durante o mês de setembro, a Creche ficou envolvida com o projeto “Comer, comer”. Nele tivemos a oportunidade de desenvolver um diálogo saudável com as crianças a respeito dos alimentos.
Juntos, produzimos salada de frutas, sopa de legumes, sucos nutritivos, bolos e gelatina. Também tivemos a Festa das Frutas, além da visita ao Hortifruti. Lá, fomos recebidos pela Nutricionista Cláudia, que nos apresentou frutas e verduras diferentes.
É encantador envolver as crianças no mundo dos alimentos, em que a arte de
apreciar seus sabores, cores e perfumes se torna sinônimo de uma boa alimentação, saúde e bem estar.
Nutricionista
Fernanda A. Mendes
A Música na Educação Infantil
Numa tarde de quarta feira fui surpreendida com uma pergunta:
Que tal gravarmos um CD com músicas
que o grupo goste de cantar e dançar?
Podemos deixá-lo tocando na Exposição...
No mesmo instante topei e comecei a
selecionar com as crianças e professoras as canções que iríamos gravar. Em
seguida, combinamos com a professora
de Informática Jacqueline que nos
orientasse e ajudasse a concretizar o
trabalho.
Ficamos tão entusiasmados e envolvidos com a atividade que escolhemos a
música Dona Aranha pra fazer o mural
da sala de música.
A finalização desse trabalho foi, na
verdade, o resultado de diversos outros desenvolvidos ao longo de todo o
semestre.
Parabéns, criançada!
Desejo que essa experiência seja o
início de muitas outras que virão pela
frente...
Música
Professora Silvania
Página 14
Almanaque da Me ninar
Fazendo Arte na Recreação
Texto visual
A Arte é um fenômeno eminentemente humano. Por meio dela é possível
dar um colorido especial ao mundo
que nos rodeia, transformando-o através do processo de criação natural da criança.
Considerando que o fazer artístico é
parte natural de nosso dia a dia aqui
na Me ninar, possibilitamos aos nossos pequeninos o contato diário com
todo tipo de Arte. Quando pensamos
Arte, o fazemos de modo abrangente
englobando o controle corporal, a
coordenação, o equilíbrio, a motricidade, aliados aos simples atos de
sentir, ver, ouvir, pensar e falar.
Além disso, a relevância da arte não
se limita ao simples papel recreativo.
Deve ser compreendido como instrumento pedagógico que viabiliza e contribui para o desenvolvimento das
crianças e que ampliam seus olhares
em relação ao mundo, bem como seu
potencial cognitivo e emocional. Acreditamos que as crianças são capazes, são criadoras, são sujeitos. Portanto, criar, atribuir sentidos, construir relações, contextualizar, analisar e comparar aquilo que faz parte
do seu cotidiano, por meio da linguagem da Arte, é característica de
nossos alunos.
Pensando nisso, durante os meses de
setembro e outubro nos preparamos
A sala de leitura participou da Mostra
de Arte e Expressão expondo painéis
realizados pelos alunos do 1º ao 5º ano,
produzidos a partir da apreciação das
ilustrações do escritor e ilustrador André Neves.
Durante a elaboração dos nossos trabalhos, fomos conhecendo as obras do artista e observando detalhes que se faziam presentes em cada página de seus
livros, as características dos traços, o
mistério da pintura e a variedade de
material que ela utiliza, o que nos deu
inspiração para muitas ideias.
para a Mostra Arte e Expressão.
Nosso trabalho foi baseado na obra
do artista plástico Henri Matisse
que, sabiamente, disse: “É preciso
ver a vida inteira como no tempo em
que se era criança, pois a perda desta condição nos priva da possibilidade
de uma maneira de expressão original, isto é, pessoal.”
Desta forma, é importante que não
haja limitações. Utilizamos todos os
espaços disponíveis da Creche e da
Escola bem como a rua que liga os
dois espaços. E como Arte é sentir,
com nossos pés, traçamos na rua o
caminho que fazemos rumo à “escola
grande”, fazendo assim a ponte para
os que lá estarão no próximo ano.
Pintamos sentados, deitados e até em
pé em diversas superfícies para compor nossa obra de Arte, o móbile de
papelão que foi exposto na rua. Houve momentos em que traçamos o contorno de nosso corpo captando gestos e movimentos que ficaram eternizados e que serviram de análise para
o grupo.
Recreação Manhã – Cida e Jaqueline
Sala de leitura - Eliane
Um olhar especial para as obras de Paul Klee
A ideia de apresentar às crianças o artista plástico Paul Klee surgiu durante um bate
papo informal. Apresentamos, durante as semanas que antecederam à Mostra de Arte e
Expressão, algumas de suas principais obras, além de estudarmos a biografia do artista
através do livro Mestre das Artes. Para melhor ilustrar a produção dele, também foram
apresentados slides com diversas obras e pinturas. Ao assistirem os slides, as crianças observaram atentamente as características mais marcantes do artista, que utiliza formas de pessoas, de animais e de casas, além de atribuir a algumas pinturas uma sensação musical. Outro ponto que despertou interesse nos alunos foi a diversidade de cores brilhantes presentes
nos trabalhos. Essas cores, além de diferentes texturas, estiveram presentes em parte dos trabalhos realizados. Na maioria das obras, trabalhamos com tinta guache, anilina e nanquim sobre papel Canson. Na releitura da obra Senecio, com o Jardim I e Jardim II, utilizamos tinta guache sobre o rolinho de papel e papelão. Na releitura da obra Em Torno Do Peixe com
o Jardim III e o Fundamental, utilizamos uma caixa de papelão com desenhos feitos pelas crianças. A ideia da nossa intervenção era fazer com que os objetos da imagem parecessem estar em alto relevo. Foi muito proveitoso conhecer a vida e a
obra de Paul Klee, suas obras são fascinantes e nos possibilitaram um outro olhar artístico.
Texto coletivo Recreação Manhã – Professoras Francine Nara e Luma
Download

Almanaque da Me ninar