r a in n e M a d e u q Almana Dezembro de 2012 Boletim Informativo da Me ninar Creche Escola Arte e Educação Na Me ninar vemos arte nas paredes, nas ações das crianças e nas intervenções dos adultos. Juntos construímos o desejo permanente de fazer da arte um meio de aproximação do mundo. Percorremos caminhos interessantes e instigantes acerca do passado e do presente, crescemos aprendendo com o percurso de artistas que nos inspiram com suas vidas e obras. Em suas produções, alunos expressam sensibilidade e imaginação. Os trabalhos têm identidade e elementos observados nas telas dos artistas que estudaram e que cada um personificou com o próprio traço. Arte é isso! E é assim que aqui na Me ninar a vemos. Christiane Maia Azeredo Arte para crianças “Arte não é só desenho, não é só alegre, agradável e bonita. Arte não é só realista, pode ser abstrata, simbólica, imaginária, distorcida ou a impressão fugaz de um instante. Arte não está só nas galerias, na verdade há arte em todo lugar. Arte não é apenas imagem, pode ser uma ideia significativa ou uma fonte histórica que nos informa sobre o modo de vida de um povo do passado ou do presente. Arte não é só para quem gosta, mas para causar uma reação em todas as pessoas, de todas as idades.” “A pintura é a poesia que se vê em vez de se ouvir.” Fragmento extraído de Arte para crianças – Publifolhinha Leonardo da Vinci Quer voar? Em sintonia com a temática do período, o trabalho desenvolvido nos Grupos de Reflexão não poderia ser diferente: surgiu o projeto Quer voar?, que teve como objetivo proporcionar aos alunos do 2º ao 5º ano novos olhares sobre pensamentos, desejos e sentimentos que às vezes não conseguimos expressar com palavras. O trabalho teve como base um projeto desenvolvido por um grupo de artistas de São Paulo, As Rutes, coletivoasrutes.blogspot.com.br, que desenvolve pesquisas nas cidades utilizando em suas intervenções as artes visuais e performáticas (palhaço e contador de histórias), além da construção de narrativas no espaço urbano (histórias cotidianas). E como a escola pode ser considerada um desses espaços, onde histórias são vividas e construídas, propusemos aos nossos alunos que imaginassem para onde gostariam de voar e qual o melhor tipo de asa para isso. Juntas, as crianças pensaram em várias possibilidades: voar para perto de alguém que ama, para aquele lugar que ainda não conhece, para onde a sauda- de quer levar, para aquele lugar tão legal que já visitou e quer voltar ou para o coração de alguém. Resolvemos dar asas à imaginação. Descobrir e escolher o modelo preferido de asa refletindo sobre para onde e como quer ir foi tarefa elaborada que fez parte de uma das etapas de construção das próprias asas, e depois a proposta incluiu colorir, recortar, brincar, correr... E por que não voar? Com criatividade e imaginação, tudo é possível! E você, também quer voar? Psicologia - Claudilene Página 2 Almanaque da Me ninar Através da arte Ao conhecer e observar as obras do artista Henri Matisse, a turma do Berçário aproveitou para experimentar e criar a partir das atividades sugeridas. O grupo fez colagens com material diversificado, manipulou tintas e mer- Experimentação dos meios gulhou no universo das cores realizando pinturas. Com olhinhos encantados e mãozinhas inquietas, as crianças fizeram a nossa Mostra Arte e Expressão acontecer. Berçário - Geórgia Artes - Meios de aprender e explorar diferentes objetos As Artes expressam, comunicam e atribuem sentido às sensações e sentimentos. O espaço da Educação Infantil é rico em experiências que promovem o fazer artístico, não apenas como criação de trabalhos ou técnicas de desenhos, mas, também, pelo prazer de novas realizações. A linguagem verbal é um sistema simbólico fundamental, mas não é o único. A linguagem plástica também se constrói e se faz presente. Desenhar, pintar e modelar com massinha são atividades muito apreciadas por esses pequenos. Experimentar materiais diferentes e se expressar por outros meios também fazem parte do aprendizado de uma criança. Quanto mais a escola mostra para o aluno a possibilidade de acesso às diferentes linguagens que estão postas no mundo, mais o seu universo cultural se ampliará. Com isso em mente, apresentamos atividades bem diversificadas. Combinamos fazer uma grande pintura e fomos para o parquinho. Levamos papel, farinha de trigo, fubá e tinta guache de cores variadas. Nos sentamos à mesa e colocamos as mãos na massa. O prazer e a satisfação na realização da atividade foram tão grandes que algumas crianças chegaram até mesmo a experimentar um pouquinho da tinta. Uns ficaram totalmente pintadinhos e outros sujaram somente as mãos. Com o passar do tempo experimentamos diferentes materiais: rolinho, Bombril, esponja e pincel. Através desse contato, começamos a estimular a motricidade fina nas propostas, além de criar condições para o aluno desenvolver seu potencial criativo. Ao iniciarmos os trabalhos para a Mostra Arte e Expressão, desenvolvemos algumas atividades tendo como fio condutor as obras do artista plástico Henri Matisse. Com um tecido, tinta apropriada e pincel, realizamos nossa grande obra de arte. Os alunos exploraram bem o espaço oferecido e manusearam com desenvoltura o pincel. Essa atividade foi muito apreciada e bem recebida por todos. Maternal I - Kiki Sabemos que as crianças pequenas usam as mãos para descobrir. Elas trazem tudo para perto de si: para a barriga, para a boca, para o rosto. Querem sentir, conhecer e ver além do que os olhos mostram. Para que toda esta experimentação aconteça, oferecemos diversos materiais para serem explorados com os pequenos, com o corpo e pelo corpo. Alguns gostam da tinta fria se espalhando por todas as partes do corpo chegando até a experimentar o seu gosto. Já outros preferem a sensação de passar a mão no papel liso e depois no áspero, de brincar com papel celofane descobrindo que, ao se olhar por entre este material, tudo se torna colorido. Para outros alunos, chama atenção a textura dos materiais. Apertá-la entre as mãos e deliciar-se com o poder escorregadio da farinha de trigo sobre a mesa é uma festa. A variação dos materiais é ótima para trabalhar sensações e gera encantamento, por parte dos alunos, pelo contato. A admiração do trabalho realizado pelas crianças e a atenção dada a elas durante o processo favorecem a segurança para continuarem em busca de novas descobertas. Maternal I - Ana Paula Dezembro de 2012 Página 3 Conhecendo Piet Mondrian Psicomotricidade e Arte Parece mentira, mas 2012 voou e já está quase acabando. Nossos pequenos estão crescendo e cada assunto apresentado a eles foi sugado até a última gota. Pinturas, desenhos, modelagens, leituras, brincadeiras e cinema estiveram a todo instante presentes em nossas vivências. Para fechar com chave de ouro essa etapa, escolhemos um artista que caiu como uma luva para a turma: Piet Mondrian. Com ele, os pequenos descobriram que são capazes de desenhar quadrados, retângulos e que pintar num espaço, mesmo que ele seja pequeno, não é um bicho de sete cabeças. E foi com determinação, desejo e alegria que o grupo criou e se esbaldou ao trabalhar com as cores primárias, o preto e o branco, associando obje- A prática psicomotora com nossas crianças é um ato de comunhão e inspiração. A maior obra de arte são as crianças, obra prima de valor inestimável. Brincamos com arte e vivenciamos novidades e surpresas a cada encontro. Praticamos a arte do encontro, que será sempre o maior estímulo para continuarmos a ser espontâneos e criativos. Passamos por momentos de afeto, descoberta e afirmação da forma de ser de cada criança, que deseja ser livre, que aprende a se expressar e se comunicar com o mundo que a rodeia de forma saudável e harmônica. Com nossos pequenos artistas, entramos no mundo da percepção e dos sentidos, nos relacionando com o espaço como se fosse uma grande tela em que podemos expressar toda a nossa arte. Com nossos materiais coloridos, criamos formas, esculturas e instalações interativas, sempre com envolvimento, entrega, e dentro de um contexto lúdico. Psicomotricidade – Professor Alair tos – até mesmo as pulseiras que eu usava – às obras do pintor E como criatividade não falta nessa turma, ao observarem os velhos disquetes de computador os alunos perceberam que através dos buraquinhos que existiam nele, podíamos ver tudo ao redor. Olhamos nossas pinturas, vimos pontos de nossa sala e vimos os nossos amigos de uma perspectiva diferente e engraçada. Não faltaram comentários do tipo: “Só estou vendo um pedacinho dele”. Essas percepções e conclusões foram responsáveis por tornar este momento tão rico. Compartilhar novas experiências é uma das formas de aprender. Parabéns, turminha, vocês são demais! Maternal II - Matilde Arte na Creche Desde pequenas, toda criança possui enorme potencial artístico. Segundo a artista plástica Anna Marie Holm, autora do livro Baby-Art: os Primeiros Passos com Arte, os pequenos precisam de estímulos para explorar diferentes tipos de materiais que os levarão a uma produção livre. Neste processo, o que menos importa é o resultado final da obra. São as oportunidades que as crianças têm de conhecerem as cores, texturas, nuances e interagirem ativamente com as diferentes ferramentas artísticas de trabalho que devem reger as descobertas. O trabalho com arte na Creche é permeada por esta ideia. As educadoras possibilitam que os alunos vivenciem as mais inusitadas situações artísticas. O que lhe parece a mistura gelo + fubá + tinta? Esta verdadeira “meleca” propicia aos pequenos diferentes sensações. A temperatura do gelo, a textura do fubá e o colorido da tinta são responsáveis por reações das mais diversas nos alunos. Alguns se incomodam e querem logo se lavar. Outros, no entanto, precisam usar mais de um sentido para dar conta de explorar todo o material. Estes chegam a colocar a massa na boca ou a passam pelo corpo. O importante em atividades como esta é permitir que a criança fique à vontade para ir até o ponto que desejar. Não adianta querer que todos tenham a mesma relação com as propostas de arte. Caso o aluno se identifique com o trabalho ele busca isto de forma natural. Assim, pequenos artistas vão crescendo e se tornando adultos mais criativos. ) Para saber mais: Baby-Art: os Primeiros Passos com Arte Maternal II - Patricia Página 4 Almanaque da Me ninar A Arte presente na construção do projeto Filhotes O fazer artístico está presente em todas as atividades primo da tartaruga é o jabuti, ele só come verdinho e da Me ninar, servindo como carro chefe na apresentação cenoura também.” e mecânica das atividades do cotidiano. A partir dessas informações, utilizamos as artes plásti- Iniciamos o segundo semestre com o Projeto Filhotes. Levantamos os conhecimentos das crianças a respeito do cas para a construção de bichos, livros, painéis e do pinguim de tamanho natural, que foi exposto na Mostra jun- tema mediante registros e pesquisas. A partir daí lançamos alguns questionamentos que nortearam nosso traba- to com os confeccionados com rolinhos de papel higiênico que juntamos durante todo o ano. lho: Como vivem? Como será que as mães cuidam dos fi- Fizemos uso de vários meios e ferramentas, tais como: lhotes? O que elas trazem para eles comerem? tintas, pincel batedor, pincel fino, tesoura, cola palito de À medida que as pesquisas foram chegando, surpresas surgiram: “Cida, você sabia que tem bicho na natureza picolé, papel de bala, papel de docinho, lã, nanquim, anilina, canetinhas e giz de cera. que não é cuidado pela mãe, é o pai que cuida!”, disse Théo. Em outra ocasião fomos informados pela Betina, Dessa forma, as crianças transformaram a sala de aula em um atelier. Quem passou por aqui percebeu a movi- também aluna do Jardim I, que vários pinguins apareceram em algumas praias de Niterói, inclusive na de Itaco- mentação presente nessas construções e ouviu o Jardim I relatando a descoberta resultante da mistura de cores. atiara. Várias crianças vivenciaram esse acontecimento e contribuíram com relatos interessantes. “O pinguim tem A criatividade das produções foi observada na Mostra Arte e Expressão. pena, mas ele não consegue voar, eu acho que é porque ele fica molhado”, disse Davi. Jardim I - Cida Durante esse período, recebemos a visita do cachorrinho da Sophia e aprendemos os cuidados básicos que precisamos ter com esse animal. Todos ficaram encantados de ver na mochila do bichinho brinquedos, ração e até coletor de fezes o que abriu um leque de oportunidades de trabalho. Recebemos também a visita de uma tartaruga trazida por um aluno do Jardim I da Carla e observamos seus movimentos e hábitos. Nessa ocasião, Cauã falou: “Cida, o Viagem pelo tempo - Homem das Cavernas Educar pela pesquisa promove a reconstrução do conhecimento e aprendizados que superam a reprodução de informações. Em cada dia do nosso projeto os alunos aprenderam uma novidade. Entre elas, que o Homem das Cavernas sobrevivia da caça, da pesca e da coleta de frutos. Ele também foi responsável por inventar ferramentas simples, além de como produzir e controlar o fogo. Para responder às inquietações dos alunos viajamos através da história. Utilizamos livros e enciclopédias, pesquisamos e analisamos registros da evolução do homem e de seu modo de vida. Mesclamos textos científicos e literários a fim de um melhor resultado. Entramos no universo lúdico por meio de histórias e brincadeiras. Foram feitos jogos simbólicos em que os alunos puderam compartilhar as descobertas. Eles colheram gravetos na quadra e os friccionaram tentando produzir fogo e tenta- ram se comunicar apenas através de gestos e de sons, como “huga, huga!”. A arte rupestre encantou os alunos. Gostaram de saber que o homem primitivo deixou marcas nas paredes das cavernas que habitavam. A partir destas atividades, os alunos tiveram a oportunidade de manusear argila e criar desenhos rupestres recriando a primeira forma de expressão e comunicação do ser humano. Jardim II - Patrícia Dezembro de 2012 Página 5 “O Caso dos Bolinhos”, Tatiana Belinky “O mundo é repleto de símbolos e significados que possibilitam grandes descobertas nesta fase da infância. A arte possibilita o desenvolvimento de atitudes essenciais para o indivíduo como o senso crítico, a sensibilidade e a criatividade.”, Edith Derdyk. A partir da leitura de um livro que conhecemos durante nosso horário na biblioteca, desenhamos, cantamos, dançamos, recontamos a história, dramatizamos e imaginamos. Com esse trabalho, envolvemos todos no processo de construção do conhecimento. Descobrimos que escrever a receita do bolinho era a melhor forma de não esquecê-la. Na contagem dos ingredientes, utilizamos a matemática. Recebemos bilhetes, seguimos pegadas e descobrimos ritmos com a Silvania que nos possibilitaram produzir a música do bolinho. Para finalizar, fizemos uma bela dramatização da história. Na biblioteca, Antonio encontrou um livro e despertou o interesse de todos os amigos. Um dos alunos comentou: ”Veja tem bichos e docinhos! O que deve ser essa história?” E fomos nós a explorar o livro. Após ouvirmos a história, convidamos Fernanda para fazermos bolinhos iguais ao que a vovó do livro fazia. Escrevemos a receita e fomos para o refeitório pôr as mãos na massa. Colocamos os ingredientes e preparamos um delicioso bolinho. Quando estava pronto, deixamos na janela para esfriar e fomos lanchar. Ao voltarmos, a surpresa: os bolinhos tinham sumido! Procuramos pela escola e perguntamos para as salas que estavam perto e nada! Ninguém tinha visto. De repente vimos uma raposa perto da janela e ela deixou o seguinte recado para nossa turma: “Estava com fome e levei os bolinhos de vocês.” Apareceu a Rosane e mandou a raposa embora e salvou os bolinhos da nossa turma. Fizemos um piquenique e comemos os bolinhos! Foi um momento de muita felicidade! Depois resolvemos fazer um teatro com a história dos bolinhos. Conversamos com a Silvania e ela preparou uma música para a apresentação que ficou assim: “Eu sou um bolinho redondo e fofinho De creme recheado Na manteiga sou assado Deixaram-me esfriando E eu sai rolando A avó não me pegou O avô não pegou A lebre não me pegou, O lobo não me pegou... Raposa esperta comeu o bolinho Pediu para ele pular no seu focinho.” E fizemos uma apresentação com a história do bolinho em que todos se divertiram, cantaram e dançaram. Jardim I - Carla Salvador Dalí - o mestre da arte surrealista Salvador Dalí nasceu na Espanha. Com oito anos ele já se interessava pelas artes além de demonstrar rara habilidade com desenhos e pinturas. As obras mais conhecidas pintadas pelo espanhol fazem parte do movimento artístico conhecido como surrealismo. Este gênero artístico é caracterizado pela forte influência do inconsciente na atividade criativa. Em geral, são obras que podem ser consideradas meio “malucas” e cheias de mistérios. Dalí sempre teve muitos sonhos e diferentes medos. Além disso, sempre gostou de pintar quadros que o remetessem à infância e que retratassem seus temores. O pintor fez muitas coisas consideradas estranhas e usava um longo e fino bigode que lhe conferiam aparência, no mínimo, inusitada. Segundo Dalí, este bigode servia como uma espécie de antena para que pudesse se comunicar com outros planetas. Dá pra imaginar o quão fantástica foi a imaginação deste artista! Em uma de suas exposições, ele conheceu a mulher com quem se casou posteriormente: Gala Eduard. Gala foi musa e fonte inspiradora de diversas obras do espanhol. A devoção pela esposa foi tão grande que, quando ela morreu, Dalí se isolou em um castelo esperando sua vida acabar. Ele morreu aos 85 anos de idade e deixou uma enorme contribuição ao mundo das artes. Da biografia e apreciação das obras de Salvador Dalí, o Jardim II aprendeu que pode ousar nas criações artísticas. Desenho, pintura, escultura, colagem foram modalidades desenvolvidas pelos alunos em suas produções que puderam ser apreciadas na Mostra Arte e Expressão. Jardim II - Soraya Página 6 Almanaque da Me ninar Tarsila de Amaral inspira o Jardim II Criança e arte são elementos intimamente ligados. Antes mesmo de aprender a escrever eles já são pequenos artistas. Um dos nossos objetivos na Me ninar é conhecer com profundidade um artista plástico. Esse ano as turmas do Jardim III produziram um trabalho integrado baseado nas obras de Tarsila do Amaral. Desta forma, conhecemos um pouco da vida desta importante artista brasileira; a infância, a vida adulta e toda a produção artística desta paulistana que marcou a cultura nacional. Estudar a vida e obra de uma pessoa tão inteligente e estudiosa é fascinante e divertido. Depois de muitas pesquisas e observações que nos sensibilizaram com a beleza da obra de Tarsila, desenhamos, pintamos telas e camisetas e fizemos releituras de algumas das obras. Uma de nossas inspirações foi a tela O Ovo. Iniciamos o trabalho colando pedaços de jornal sobre uma grande bola de encher. Foram feitas várias camadas com papel e cola. Nos sujamos, colamos e colaboramos uns com os outros até que a bola fosse toda coberta. Ao final, para fazer o acabamento, colamos folhas de papel branco e fizemos flores coloridas usando nanquim e lápis de cera. Que alunos criativos! Uma flor mais linda que a outra e nosso ovo estava pronto! Faltavam agora os outros detalhes da cena criada por Tarsila. Que desafio! Como representar a cobra que compõe O Ovo? Foi então que a professora Jurema surgiu com a ideia de juntarmos meias velhas e as recheássemos com pedaços de jornal para recriar a obra. Assim, nos momentos comuns de integração das turmas de Jardim III, a cobra foi montada, recheada e pintada. Com ela pronta, organizamos O Ovo de uma nova maneira e imaginamos que nossa artista inspiradora ficaria encantada com o resultado final! Jardim III – Silvia Troca-troca das palavras Desenvolver o hábito da leitura é um processo contínuo. Nada melhor então do que aproveitar histórias com textos e rimas que mexem com a imaginação, despertando a vontade de inventar e descobrir novas narrativas que fazem refletir. Foi assim que o trabalho no Jardim III começou. Através de textos e ilustrações divertidas, a vida da autora Eva Furnari foi sendo narrada e os alunos foram conhecendo a sua biografia, além de observarem características marcantes na produção literária da artista. Histórias e mais histórias foram contadas. Histórias essas com textos que favoreciam o contato com diversas formas de leitura. Os livros mais explorados foram Felpo Filva, que mostra gêneros literários variados, Não Con- funda... e Você Troca?, por terem rimas divertidas e assim favorecerem a discriminação auditiva e visual. Partindo do interesse dos alunos, várias atividades foram feitas: criar textos em grupo a partir da leitura das gravuras, substituir palavras respeitando a rima e memorizar as rimas escritas pela autora. Também outras possibilidades de rimas escritas por outro autor foram lidas. Esse autor, Marcos Suendel, gostou tanto do livro Você Troca? que escreveu outro como resposta. Assim as crianças foram apropriando-se do código escrito com significado. É interessante observar como os pequenos reagem diante dos desafios referentes à descoberta de novas palavras, percebendo que as palavras são formadas com sílabas de outras palavras e que às vezes uma palavra está dentro da outra. Até mesmo mudando apenas uma letra, muda-se todo o vocábulo! Como sempre, falaram com entusiasmo de cada descoberta: “Vou precisar de um pedaço do João!” “Vou precisar pegar o eu para escrever Eunice!” “Mar está no nome da Marcelly!” Jardim III - Jurema Dezembro de 2012 Página 7 A arte na poesia Quando iniciamos o projeto de perseguir um autor para trabalharmos junto com as crianças, não imaginávamos que a escolha fosse tão bem aceita como foi. Ao elegermos Lalau e Laurabeatriz e lermos as suas poesias, as crianças ficaram super entusiasmadas. A cada leitura que fazíamos o interesse crescia. Fizemos uma votação para escolhermos a poesia que mais agradou aos alunos. Baseados nela, nos inspiramos e criamos os nossos próprios versos. Cada aluno foi responsável pela elaboração de uma poesia e todas ficaram lindas! Os estudantes quiseram lê-las e dividi-las com os colegas da turma. Outro ponto de excelente aceitação foi quando propusemos conhecer mais a fundo as biografias dos autores. Após esta pesquisa eles desenharam caricaturas dos artistas, cada qual lançando mão de seu estilo. O trabalho ficou lindo e foi admirado por todos! 1º ano – Professoras Celia e Tânia Natureza Deus inventou a natureza Que é bonita Que é cheia de animais. Lara Pantera do amor Deus só tem gosto Para coisa boa. Fez coisa bonita Como sempre dita. Tadeu Amarelinha Deus tem uma flor amarelinha Fez beija-flor Que tem bico. Julia Martins A flor Deus só gosta de flores. Bonitas e coloridas E bem rosadas. Julia Moraes Leão Deus só faz coisa legal Fez leão que ruge igual a um cão. Luiz Henrique O cravo Deus sempre inventa coisas lindas Fez mil cravos Que é a flor mais linda Que já foi solta Para a sua amiga Que virou uma rima. Miguel Mu mu mu O boi não sabe falar Mas sabe arrepiar Giovana Capelli – Lucas Bronze Poim poim poim O barulho Da pulga Atrai a ruga Lucas Mira – Carolina Bzzz – Bzzz - Bzzz O zumbido do mosquito Faz machucado no cabrito Ana Luiza – João Felipe O gato lindo Deus fez um gato lindo Maravilhoso e gostoso. Maria Eduarda Leão Deus criou o leão Igual ao cão. Rolinha Deus só faz coisa bonita Deus fez rolinha bonitinha. Tiago Rosa Deus só fez beleza Rosa é linda Com certeza Rosa linda E cheirosa Arthur A rosa Deus fez uma rosa Linda Cheirosa e bonita. Isabella Peixes Deus criou todos os peixes De todas as cores Vermelhinhos E douradinhos Lindinhos. Júlia Hughes Rosa Deus só faz coisa bonita Fez a rosa Que é toda perfumada. Sophia Borboleta Deus só gosta e faz coisa linda. Fez flores Fez vários pássaros com amor. Luana Có có có O cacarejo Da galinha Faz bicar milho Na lojinha Mariana – Giovana Lobo Vinícius Rosa Deus só cria coisa bonita Fez rosa Que é a flor Do amor. Clarice Golfinho Deus criou um golfinho Lindo Que pula E é gostoso. Giovanna Coelhinho Deus gosta de coelhinhos Que são cinza e pretos. Julia Lobo O macaco Deus só faz coisa legal Fez o macaco E foi igual ao saco. Caio Cesar Miau miau miau O miado Do gato Arranha o prato Júlia – João Gabriel Precioso Cocoricó O cocoricó Do galo Acorda as pessoas Rafaela – Pedro Henrique Rrrrrrrr O rugido Do leão Dá medo no tigrão Bruna – João Gabriel Ribeiro Roinc roinc roinc O ronco do porco Faz barulho Rouco Lucas Galvão – Miguel Ângelo Au – au - au O latido Do cão Faz medo No João Chicralla – Gabriel – Luiza Página 8 Almanaque da Me ninar Autores mirins Ler e escrever vão além de decodificar ou representar símbolos. É perceber, sentir e interagir com o mundo por meio de inúmeras ações e sensações: alegria, surpresa, suspense, derrotas, tristezas e vitórias. Montar uma obra literária com o 2º ano foi gratificante e surpreendente. Cada personagem criada, os diálogos, as ilustrações e cada leitura, legitimavam a essência e a participação de verdadeiros desenhistas, pintores e escritores. Todos se sentiram orgulhosos e felizes, pois experimentaram diferentes reações do público ouvinte. Telefone sem fio Assim como acontece com os grandes clássicos, muitas produções foram reapresentadas por causa das inúmeras solicitações dos próprios colegas. A construção e a leitura de uma narrativa também exerce um desígnio maior que o letramento. Neste momento, a produção individual pôde proporcionar a cada aluno uma reorganização das próprias inferências e percepções de mundo, tendo como referência inicial as próprias experiências existenciais. Durante o 3º período, realizamos atividades que contribuíram significativamente para o desenvolvimento cognitivo e sócio-afetivo de cada aluno. De maneira prazerosa, fizemos descobertas e construímos juntos conhecimentos que, sem dúvida, serão levados para toda vida. Um dos nossos trabalhos de maior destaque foi o que preparamos para a Mostra Arte e Expressão, em que fizemos uma releitura da obra Telefone sem fio, de Ilan Brenman. Conhecemos também a biografia e diversos livros deste autor. Foi gratificante ver o empenho e a empolgação de toda a turma durante a preparação deste trabalho e a satisfação de cada aluno ao vê-lo concluído. 2º ano – Professora Aline 2º ano Professora Francine Pessoa Borboleteando com Limeriques A fase em que se encontram os alunos do 3º ano é marcada por importantes avanços. Destacam-se o comportamento afetivo e social, além do desenvolvimento intelectual e a aquisição de conhecimentos. A habilidade para falar e se expressar se desenvolve com rapidez. A linguagem torna-se um instrumento para a maturidade cognitiva, afetiva e social. Isso possibilita que eles compartilhem seus pensamentos e reações com os demais, sistematizem a ação e tracem planos. A progressão no domínio da linguagem escrita e na leitura ajudou o desenvolvimento de novas formas de expressão. Através do trabalho de perseguição à autora Tatiana Belinky, conhecemos o livro “Limeriques para pinturas” e ficamos encantados não só pela produção escrita, mas também pelas ilustrações do artista plástico, fotógrafo e cenógrafo David Dalmau, que passamos a conhecer e apreciar. Os limeriques são uma maneira divertida de escrever poemas com cinco versos, da seguinte forma: as rimas do 1º, do 2º e do 5º versos são iguais, en- quanto que o 3º e o 4º versos têm rimas diferentes e são mais curtos. Após a leitura do livro, fizemos limeriques coletivos antes de partirmos para as produções individuais. Para a confecção do nosso livrinho de bolso, pensando na Mostra Arte e Expressão, escolhemos o tema “Borboletas”, vinculando-as ao trabalho desenvolvido pelo artista plástico brasileiro Romero Britto. Nossas produções estão disponíveis para acesso no site da escola. 3° ano – Professora Francine Ribeiro Dezembro de 2012 Página 9 A arte na ilustração Viajando e se encantando pelas belezas naturais da África, o 4° ano teve a oportunidade de conhecer um pouco mais das riquezas que se escondem naquele lugar. Ouviu , viu, leu e descobriu... Ao som de uma batucada eletrizante nasceram belíssimas ilustrações. Que prazer! E assim, cada criança foi se descobrindo um artista. Aquele que mora dentro de cada um e, subitamente, surge e se apropria de novas ideias até que essas se tornem verdadeiras obras de arte. Cada etapa dessa criação foi cercada de muita motivação. Além das descobertas realizadas, os alunos vibraram com as construções dos colegas. Para contextualizar a história da África, a turma utilizou o livro BATUQUE DE CORES, de Caroline Desnoettes e Isabelle Hartmann. E, a partir de então, realizaram a interferência da fotografia na ilustração. 4° ano Professora Jaqueline Saviolli Conhecendo o Brasil nos versos do 5º ano Muitas são as crianças e jovens que procuram razões para o estudo da História. Diante de um mundo que se modifica em um ritmo tão frenético e no qual as dimensões temporais da existência humana são esquecidas em função de interesses imediatos, torna-se difícil seduzir a atenção dos alunos para a reflexão sobre as relações entre o passado e o presente. Buscamos durante o ano letivo levar os alunos a compreender as relações existentes entre o passado e o presente. E para isso utilizamos diferentes formas de trabalho, como entrevistas, vídeos, seminários, visitas a museu, pesquisas e debates em sala. Nossa jornada histórica teve início no Brasil Colonial, passando pelo Império, pela produção de café, o fim da escravidão, o fim da Monarquia, a chegada da República, a Era Vargas, a Ditadura Militar e o retorno da Democracia. Para concluírem trabalhos, os alunos do 5º ano, realizaram a produção de poemas que contam um pouquinho dessa história. Uma importante parceria com a autora Fátima Miguez, auxiliou os alunos nas produções. Eles puderam conhecer diversos livros da autora e, baseados no livro “Brasil Folião”, cada aluno produziu a própria poesia. Na primeira etapa do trabalho cada aluno escolheu uma imagem do livro didático de História que, de alguma forma, tenha lhe chamado atenção. Em seguida, baseando-se nos conhecimentos sobre aquela imagem, produziu um poema que contasse algo sobre esse momento histórico. Os alunos se envolveram no projeto e realizaram o trabalho com muita habilidade no assunto e de forma criativa. Ao término das produções textuais, cada estudante observou novamente a imagem e construiu uma ilustração baseando-se no que mais lhe chamou a atenção. Como eles puderam escolher de forma variada cada imagem, é possível conhecer um pouco da História do Brasil contada nos versos do 5º ano. 5º ano Professora Carla Quintanilha Página 10 Almanaque da Me ninar Pequenos artistas que criam brincando A Arte tem papel fundamental na formação do conhecimento e requer a valorização da bagagem cultural trazida de casa por nossos alunos. Esse ano foi ainda mais enriquecedor, pois com o Ateliê de Arte tivemos a oportunidade de inserir em nossa rotina um momento de conversa e troca de experiências em um ambiente mais descontraído e amplo. O 1º ano trilhou um percurso em que o desenho foi o fio condutor. Ao desenhar, a criança desenvolve a autoexpressão e atua de forma afetiva com o mundo, opinando, criticando e sugerindo, através da utilização das cores, formas, tamanhos e símbolos. Faz parte de nosso trabalho oferecer aos alunos a maior diversificação possível de ma- teriais, fornecer suportes, novas técnicas, bem como desafios que venham favorecer o crescimento deles. No decorrer do percurso, tivemos atividades individuais e coletivas em que alguns artistas como Tarsila do Amaral, Portinari e Rosa Maria da Paz foram apresentados. Para a Mostra de Arte Expressão, focamos no tema Brincadeiras e nas obras da artista Da Paz. Nossos alunos ficaram completamente à vontade e empolgados ao se depararem com o desafio e consagração do EU artístico iniciando uma pintura sobre tela. Foi emocionante e mágico acompanhar o crescimento físico e intelectual de nossos grandes artistas. Nas cores de Romero Britto A arte está presente no dia a dia e por isso foi escolhido trabalhar com a biografia e as obras de Romero Britto. Através das telas desse grande artista brasileiro, nossos alunos tiveram a oportunidade de ampliar seus conhecimentos e sua bagagem cultural. Ao apresentar vídeos e imagens pude levar nossas crianças a pensar o fazer artístico. Durante o ano buscamos valorizar o percurso próprio, as individualidade e as diversidades, pois somos sujeitos únicos. Com a atividade CRIANDO SUA BORBOLETA COM ROMERO BRITTO, os alunos colocaram em prática tudo o que conversamos sobre diferenças e individualidades, visto que todos criaram borboletas, mas nenhuma ficou igual a outra. Explorando a biografia do artista, descobrimos que ainda quando criança, em sua cidade natal, Pernambuco ele pintava em caixas, madeiras e pedaços de papelão, isso nos estimulou a buscar experimentar suportes diferentes para pintar. Envolvidos pelo colorido e desenhos alegres, nossos alunos percorreram o caminho do aprender num ambiente muito gostoso de troca e crescimento. 3º ano - Professora Alessandra Guerra 1º ano - Professora Alessandra Um mergulho no traço lúdico de Gustavo Rosa A arte da criança nos faz mergulhar em um universo mágico. Não foi diferente quando iniciamos nossos estudos sobre a vida e obra do artista Gustavo Rosa. Os alunos logo se identificaram com as obras coloridas, alegres e com os temas abordados, como situações do cotidiano, paisagens, natureza-morta, figuras humanas e animais. O traço lúdico do artista é motivador e permite que as crianças fiquem muito à vontade para reinventar suas obras. A arte está diretamente ligada à sensibilidade e através desse trabalho pude incitar os alunos na livre criação, na troca de opiniões respeitando o outro, na experimentação de materiais diversificados e no trabalho coletivo. É extremamente importante que o aluno tenha prazer ao criar, mas que sua criação tenha um significado, um objetivo, por isso temos alguns momentos de rodinha para podermos conversar sobre as produções. Esse percurso de aprendizado e criação realizado pelas turmas do 2º ano foi esplêndido e culminou com os trabalhos apresentados na Mostra de Arte Expressão. 2º ano Professora Alessandra Guerra Dezembro de 2012 Página 11 Arte que contagia Viajamos pelo mundo das cores e formas de Beatriz Milhazes ao estudarmos sua biografia e conhecermos suas obras. Uma característica marcante da artista que nos motivou, foi a busca (pesquisa) de novas técnicas e materiais, e assim iniciamos nossas produções. As obras observadas e analisadas nos incitaram ao encontro com o prazer e com a emoção provocadas pelas for- mas, movimentos e cores. O 4º ano curtiu e esteve envolvido durante todo o desenrolar do processo criativo, foi um tal de recortar, colar, desenhar, pintar, com rodas de batepapo, produções individuais e coletivas. Diante da sede de aprender e criar, tivemos avanços nas produções e no pensar a arte. Sair do desenho concreto e iniciar a abstração muitas vezes é difícil, mas essa galera encontrou na relação com as obras da artista um caminho prazeroso. A mistura de formas, pontos, linhas, cores e materiais nos revelou grandes artistas, como vimos na Mostra de Arte Expressão. Turma 4º ano Professora Alessandra Guerra Bagagem cultural Eis que disse o mestre: “Há escolas que são gaiolas e outra que são asas, não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo, essas existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. Sendo assim o voo não pode ser ensinado, somente pode ser encorajado.” Rubem Alves Hoje fica impossível escrever sobre o trabalho feito com essa turma, sem recordar os dias em que eram pequenos filhotes, chegando ainda que um pouco amedrontados lá no 1º ano. As aulas de Arte era coisa nova. Fomos nos conhecendo e desenvolvendo muitos projetos, alguns dias corridos outros nem tanto. Crescemos juntos! Nos encorajamos! Chegamos aqui, no 5º ano, e como seria nosso último ano? O voo foi sendo encorajado e preparado com muitas cores, formas, linhas, pontos, pesquisas, recortes, pinturas, mosaicos, colagens, esculturas... Durante tudo o percurso conhecemos e nos alimentamos das obras e biografia de muitos artistas. Em especial, esse ano, pesquisamos Joan Miró e Anthony Gormley, que nos enriqueceram e inspiraram na construção dos belos trabalhos apresentados na Mostra Arte e Expressão. Nossos pequenos filhotes hoje cresceram e estão prontos para alçar voos, pois essa é a essência do pássaro. Turma 5º ano Professora Alessandra Guerra “Quando uso verde, isso não quer dizer grama; quando uso azul, não quer dizer céu.” Henri Matisse Página 12 Almanaque da Me ninar Sentir, pensar, agir O sentido da ação cooperativa é a partilha dos esforços em prol de um objetivo, de uma causa comum. Essa ideia é nutrida pela vivência prática de cooperação. Isso se dá, acima de tudo, pelo exemplo e sua força de arrastamento, muito mais do que pelos discursos. A teoria não precede a prática nesse caso. Sentir, pensar, agir, representar em gestos, palavras ou outras formas de expressão simbólica são atributos de nossa humanidade. É na infância que podemos forjar, desenvolver e semear valores humanos que caracterizam nossa moralidade. O sentido ético é construído nas relações que são estabelecidas entre os pares. Brincar e jogar são modos de se apropriar do mundo e seus códigos; maneira propícia para desenvolver atributos de cognição, quanto de afetos e motricidade. Quando empreendemos nesse semestre final do ano de 2012 propostas que promoveram a ação cooperativa entre as crianças, sabemos que surgirão tensões próprias de seres em formação inicial, porém, aprendizes sedentos de orientação, parâmetro e escuta, na mesma proporção que limites. As regras desenvolvidas nos jogos e para os jogos devem refletir, mais que uma disputa, a possibilidade do encontro e da formação de parcerias. Vemos as transições pelas quais as crianças vão passando ao longo dos anos e nos enternecemos com a beleza da vida que se renova em cada uma delas, que se reinventam a cada dia na alegria de viver, de ser, de existir e cooperar! Educação Física Ângelo Meirelles Arte e Tecnologia Com sensibilidade e imaginação, os alunos do 5º ano mergulharam no mundo artístico e tecnológico. Nas aulas de Informática, as tintas e os pincéis deslizaram nas telas digitais abrindo espaço para criações inspiradas nas obras de Andy Warhol, grande precursor do movimento da Pop Art nos Estados Unidos. A princípio foram feitas pesquisas na internet que serviram de inspiração para a execução desse trabalho. Aos alunos foram disponibilizados retratos digitais pessoais para que pudessem aplicar a técnica apreciada nas O texto narrativo nas aulas de Inglês As turmas do 2º ano leram o primeiro livro em Inglês. Os alunos conheceram “Collin”, uma centopeia que perdeu as cores do corpo em um dia de muita chuva. A história, porém, reservou um bom final para Collin, que não tinha ficado nada satisfeita com a perda das cores. No final do livro, tudo acaba bem, pois, com a presença do sol, a centopeia recupera todas as cores de antes. Todos os alunos adoraram a história e as atividades propostas pelo livro. Contudo, o que todos curtiram mesmo foi a criação individual da própria centopeia de massinha para a Mostra Arte & Expressão. Os trabalhos ficaram lindos! Congratulations to all of you! Inglês - Tatiana obras do artista escolhido. Com o suporte de um software de editoração gráfica profissional, puderam confeccionar suas próprias obras de arte. Assim, o potencial de interação entre os alunos, os recursos tecnológicos e a arte em especial possibilitou descobrir e explorar uma nova técnica que transforma os modos similares préexistentes, possibilitando-os novas formas de olhar, perceber, agir, e pensar. Informática - Jacqueline Duarte Dezembro de 2012 Página 13 Musicalização no Fundamental A noção do conhecimento em música definidos, quanto ruídos, buzinas, cam- cal, as atividades com a flauta doce surge da ação da criança, cuja caracte- painhas, canto de aves e demais com- possibilitaram perceber e expressar rística fundamental é o movimento ponentes de nossa paisagem sonora. sensações e sentimentos por meio de simultâneo e sucessivo do som e do O que define o objeto sonoro é a orga- imitações sonoras, canto livre, improvi- silêncio, do dinâmico e do estático e nização integrada dos elementos cons- sações e interpretações musicais do dos elementos sonoros - duração, altu- tituídos pelo homem como música. A cancioneiro popular e outras recriadas ra, intensidade e timbre. tônica do trabalho pedagógico na Me pelos próprios alunos. Dentro de um processo ativo e lúdico, a Ninar foi, portanto, possibilitar um Música criança pode construir conhecimento ambiente de descoberta e enriqueci- Professor Leonardo musical ao interagir com os objetos mento do imaginário, buscando a orga- existentes em seu contexto social. nização da forma e a conquista de ex- Entende-se por objeto sonoro todo o pressões possíveis, a partir do fazer elemento produzido ou percebido como musical, estruturadas na sala de aula. som, desde que organizado dentro de A ESCUTA, o ENVOLVIMENTO e a uma perspectiva estética intencionada, COMPREENSÃO da linguagem musical como música ou como ato de audição. estiveram presentes como ferramen- Nesse caso, estão envolvidos tanto o tas fundamentais para o fazer em mú- som da voz e de instrumentos musicais sica. Junto deste entendimento musi- Comer, comer Durante o mês de setembro, a Creche ficou envolvida com o projeto “Comer, comer”. Nele tivemos a oportunidade de desenvolver um diálogo saudável com as crianças a respeito dos alimentos. Juntos, produzimos salada de frutas, sopa de legumes, sucos nutritivos, bolos e gelatina. Também tivemos a Festa das Frutas, além da visita ao Hortifruti. Lá, fomos recebidos pela Nutricionista Cláudia, que nos apresentou frutas e verduras diferentes. É encantador envolver as crianças no mundo dos alimentos, em que a arte de apreciar seus sabores, cores e perfumes se torna sinônimo de uma boa alimentação, saúde e bem estar. Nutricionista Fernanda A. Mendes A Música na Educação Infantil Numa tarde de quarta feira fui surpreendida com uma pergunta: Que tal gravarmos um CD com músicas que o grupo goste de cantar e dançar? Podemos deixá-lo tocando na Exposição... No mesmo instante topei e comecei a selecionar com as crianças e professoras as canções que iríamos gravar. Em seguida, combinamos com a professora de Informática Jacqueline que nos orientasse e ajudasse a concretizar o trabalho. Ficamos tão entusiasmados e envolvidos com a atividade que escolhemos a música Dona Aranha pra fazer o mural da sala de música. A finalização desse trabalho foi, na verdade, o resultado de diversos outros desenvolvidos ao longo de todo o semestre. Parabéns, criançada! Desejo que essa experiência seja o início de muitas outras que virão pela frente... Música Professora Silvania Página 14 Almanaque da Me ninar Fazendo Arte na Recreação Texto visual A Arte é um fenômeno eminentemente humano. Por meio dela é possível dar um colorido especial ao mundo que nos rodeia, transformando-o através do processo de criação natural da criança. Considerando que o fazer artístico é parte natural de nosso dia a dia aqui na Me ninar, possibilitamos aos nossos pequeninos o contato diário com todo tipo de Arte. Quando pensamos Arte, o fazemos de modo abrangente englobando o controle corporal, a coordenação, o equilíbrio, a motricidade, aliados aos simples atos de sentir, ver, ouvir, pensar e falar. Além disso, a relevância da arte não se limita ao simples papel recreativo. Deve ser compreendido como instrumento pedagógico que viabiliza e contribui para o desenvolvimento das crianças e que ampliam seus olhares em relação ao mundo, bem como seu potencial cognitivo e emocional. Acreditamos que as crianças são capazes, são criadoras, são sujeitos. Portanto, criar, atribuir sentidos, construir relações, contextualizar, analisar e comparar aquilo que faz parte do seu cotidiano, por meio da linguagem da Arte, é característica de nossos alunos. Pensando nisso, durante os meses de setembro e outubro nos preparamos A sala de leitura participou da Mostra de Arte e Expressão expondo painéis realizados pelos alunos do 1º ao 5º ano, produzidos a partir da apreciação das ilustrações do escritor e ilustrador André Neves. Durante a elaboração dos nossos trabalhos, fomos conhecendo as obras do artista e observando detalhes que se faziam presentes em cada página de seus livros, as características dos traços, o mistério da pintura e a variedade de material que ela utiliza, o que nos deu inspiração para muitas ideias. para a Mostra Arte e Expressão. Nosso trabalho foi baseado na obra do artista plástico Henri Matisse que, sabiamente, disse: “É preciso ver a vida inteira como no tempo em que se era criança, pois a perda desta condição nos priva da possibilidade de uma maneira de expressão original, isto é, pessoal.” Desta forma, é importante que não haja limitações. Utilizamos todos os espaços disponíveis da Creche e da Escola bem como a rua que liga os dois espaços. E como Arte é sentir, com nossos pés, traçamos na rua o caminho que fazemos rumo à “escola grande”, fazendo assim a ponte para os que lá estarão no próximo ano. Pintamos sentados, deitados e até em pé em diversas superfícies para compor nossa obra de Arte, o móbile de papelão que foi exposto na rua. Houve momentos em que traçamos o contorno de nosso corpo captando gestos e movimentos que ficaram eternizados e que serviram de análise para o grupo. Recreação Manhã – Cida e Jaqueline Sala de leitura - Eliane Um olhar especial para as obras de Paul Klee A ideia de apresentar às crianças o artista plástico Paul Klee surgiu durante um bate papo informal. Apresentamos, durante as semanas que antecederam à Mostra de Arte e Expressão, algumas de suas principais obras, além de estudarmos a biografia do artista através do livro Mestre das Artes. Para melhor ilustrar a produção dele, também foram apresentados slides com diversas obras e pinturas. Ao assistirem os slides, as crianças observaram atentamente as características mais marcantes do artista, que utiliza formas de pessoas, de animais e de casas, além de atribuir a algumas pinturas uma sensação musical. Outro ponto que despertou interesse nos alunos foi a diversidade de cores brilhantes presentes nos trabalhos. Essas cores, além de diferentes texturas, estiveram presentes em parte dos trabalhos realizados. Na maioria das obras, trabalhamos com tinta guache, anilina e nanquim sobre papel Canson. Na releitura da obra Senecio, com o Jardim I e Jardim II, utilizamos tinta guache sobre o rolinho de papel e papelão. Na releitura da obra Em Torno Do Peixe com o Jardim III e o Fundamental, utilizamos uma caixa de papelão com desenhos feitos pelas crianças. A ideia da nossa intervenção era fazer com que os objetos da imagem parecessem estar em alto relevo. Foi muito proveitoso conhecer a vida e a obra de Paul Klee, suas obras são fascinantes e nos possibilitaram um outro olhar artístico. Texto coletivo Recreação Manhã – Professoras Francine Nara e Luma