X PRÊMIO SEAE– 2015 Tema 2. Regulação da Atividade Econômica Inscrição: 15 CLASSIFICAÇÃO: Menção Honrosa Título da Monografia: Monitoramento de Redes Sociais na Regulação do Mercado de Seguros e Previdência Eduardo Fraga Lima de Melo (representante) (36 anos) Rio de Janeiro - RJ Doutor em Administração (Finanças) – UFRJ (2008) Analista Técnico - Superintência de Seguros Privados – SUSEP. Coautores: 1 - Sergio Luis Franklin Junior Doutor em Engenharia de Produção pela PUC-RJ. Analista Técnico - Superintendência de Seguros Privados – SUSEP. 2 - Paulo Roberto Miller Fernandes Vianna Junior Mestre em Finanças e Economia Empresarial - FGV. Coordenador do Grupo de Trabalho da Supervisão Eletrônica – Comissão de Informações, Estudos e Pesquisas – CIES. X Prêmio SEAE 2015 TEMA: Regulação da Atividade Econômica Monitoramento de Redes Sociais na Regulação do Mercado de Seguros e Previdência Resumo Em uma iniciativa inédita na regulação de seguros e previdência no mundo, apresentamos o desenvolvimento, implantação e resultados de rotinas que, em software totalmente gratuito (programa R), capturam, filtram e tratam mensagens relacionadas ao mercado regulado pela Superintendência de Seguros Privados – SUSEP nas principais redes sociais da atualidade: Twitter e Facebook. No Twitter, as mensagens postadas (tweets) caracterizadas como “reclamações” ou “insatisfações” contra entes regulados são totalizadas por data e por companhia gerando séries temporais e informações úteis no processo regulatório. Além das seguradoras, corretores são alvos também destas rotinas. Já no Facebook, analisamos as mensagens postadas na página da SUSEP e em relevante número de sites de defesa do consumidor, e identificamos todas as reclamações e insatisfações manifestadas. Tais informações definitivamente auxiliam o processo de regulação e supervisão, afinal ao implantar a solução proposta neste trabalho, o Estado busca a manifestação de consumidores a respeito dos serviços prestados por entes regulados, exercendo um papel ativo, em contraponto à prática comum, e mais passiva, de agir somente após reclamações chegarem a seu conhecimento. Outros resultados deste monitoramento são a produção de nuvens de palavras mais citadas nas mensagens e que servem de termômetro ou para análise de sentimento referente aos mercados regulados. Palavras-chave: reclamações, redes sociais, mercado de seguros e previdência. X Prêmio SEAE 2015 TEMA: Regulação da Atividade Econômica Monitoramento de Redes Sociais na Regulação do Mercado de Seguros e Previdência Agosto/2015 Resumo Em uma iniciativa inédita na regulação de seguros e previdência no mundo, apresentamos o desenvolvimento, implantação e resultados de rotinas que, em software totalmente gratuito (programa R), capturam, filtram e tratam mensagens relacionadas ao mercado regulado pela Superintendência de Seguros Privados – SUSEP nas principais redes sociais da atualidade: Twitter e Facebook. No Twitter, as mensagens postadas (tweets) caracterizadas como “reclamações” ou “insatisfações” contra entes regulados são totalizadas por data e por companhia gerando séries temporais e informações úteis no processo regulatório. Além das seguradoras, corretores são alvos também destas rotinas. Já no Facebook, analisamos as mensagens postadas na página da SUSEP e em relevante número de sites de defesa do consumidor, e identificamos todas as reclamações e insatisfações manifestadas. Tais informações definitivamente auxiliam o processo de regulação e supervisão, afinal ao implantar a solução proposta neste trabalho, o Estado busca a manifestação de consumidores a respeito dos serviços prestados por entes regulados, exercendo um papel ativo, em contraponto à prática comum, e mais passiva, de agir somente após reclamações chegarem a seu conhecimento. Outros resultados deste monitoramento são a produção de nuvens de palavras mais citadas nas mensagens e que servem de termômetro ou para análise de sentimento referente aos mercados regulados. Palavras-chave: reclamações, redes sociais, mercado de seguros e previdência. 1 1. Introdução Por meio do uso de software totalmente gratuito (programa R), apresentamos neste trabalho o desenvolvimento de rotinas que capturam, filtram e tratam mensagens relacionadas ao mercado regulado pela SUSEP nas principais redes sociais da atualidade: Twitter e Facebook. Tal iniciativa é pioneira na regulação e supervisão de mercados de seguros e previdência no mundo e vai ao encontro da necessidade de tornar a administração pública mais eficiente e eficaz na execução de sua missão, levando em conta soluções menos onerosas e mais adaptadas a hábitos e costumes contemporâneos de consumidores de serviços de entes regulados. Com o uso cada vez mais difundido e a presença cada vez maior da população nas chamadas mídias sociais, é latente, até mesmo mandatório, a necessidade de que supervisores e reguladores, de qualquer atividade econômica, estejam “conectados” e atentos aos movimentos e dados gerados nestes fóruns. Um estudo realizado pelo SurveyMonkey em 2014 (ver Figura 1), em parceria com a Social@Ogilvy, mostrou que os brasileiros são os que passam mais tempo online nas redes (mídias) sociais. De acordo com os dados, os brasileiros totalizam 13,8 horas mensais. Os russos ficam em segundo lugar com 10,8 horas mensais, e os argentinos ficam em terceiro, com 10,2 horas. Os brasileiros também estão entre os que mais compartilham conteúdo nas redes sociais (71% dos internautas nas redes), ficando atrás apenas da China (80%) e de Hong Kong (73%). 2 Adicione-se a isto o advento do Big Data, turbinado pelo declínio nos custos de estocagem e processamento de dados assim como o aumento na conectividade, mudanças fundamentalmente encontradas, por exemplo, no ambiente onde seguradores e entidades de previdência operam. A cada ano são gerados mais dados do que a quantidade gerada em todos os anos anteriores pela humanidade. O grande crescimento da disponibilidade destes dados provavelmente aumentará a contribuição econômica e social de reguladores à sociedade em geral, assim como de regulados, ao aumentar o entendimento destes entes a respeito das deficiências no mercado de interesse e as reais necessidades dos consumidores destes serviços. No que se refere ao mercado de seguros e previdência, análise de dados sempre esteve na raiz do modelo de negócio, logo nada mais do que natural que a SUSEP, como órgão supervisor e auxiliador na regulação deste mercado, faça uso de diferentes fontes de dados em sua missão. Neste sentido, a Autarquia não poderia deixar de acompanhar, monitorar e fazer uso das informações geradas nas redes sociais. Cabe destacar que a solução aqui apresentada foi completamente desenvolvida internamente e em software gratuito. Neste sentido, tem-se uma promissora nova ferramenta de busca proativa de reclamações contra entes regulados fornecendo dados valiosos para auxiliar a sua atividade de regulação, fiscalização e indução do crescimento do mercado. 3 Figura 1. Chamada de reportagem a respeito de estudo executado pela SurveyMonkey, publicada em 23/07/2014 (http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2014/07/brasileiros-lideram-rankingde-horas-gastas-em-redes-sociais-diz-estudo.html). Conforme afirmado, o trabalho aqui apresentado representa uma iniciativa inédita na regulação de seguros e previdência no mundo. Por meio do desenvolvimento de rotinas em software totalmente gratuito (programa estatístico R), são capturadas, filtradas e tratadas mensagens relacionadas ao mercado regulado pela SUSEP nas principais redes sociais da atualidade: Twitter e Facebook. No Twitter, as mensagens postadas (tweets) caracterizadas como “reclamações” são totalizadas por data e por ente regulado gerando informações que são muito úteis no processo regulatório. Além das seguradoras, corretores são alvos também destas rotinas. No Facebook, as mensagens postadas na página da SUSEP e em um número de sites de defesa do consumidor são analisadas, e todas as reclamações e insatisfações manifestadas por consumidores são identificadas. Tais informações certamente auxiliam o processo de regulação e supervisão, afinal ao implementar a solução proposta neste trabalho, o Estado passa a buscar a manifestação de consumidores a respeito dos serviços prestados 4 por entes regulados, exercendo um papel ativo, em contraponto à prática comum, e mais passiva, de agir somente após reclamações de consumidores de serviços e produtos de entes regulados chegarem a seu conhecimento. Assim como outros órgãos supervisores, a SUSEP ainda enfrenta desafios para se consolidar institucionalmente e para se articular com outros organismos que atuam de forma complementar à sua missão, como é o caso de organizações de defesa do consumidor. Sua atuação impacta diretamente no dia a dia dos consumidores, pois à SUSEP cabe, por atos normativos e administrativos, fiscalizar, guiar, corrigir e suplementar as falhas do sistema de mercado, como o desequilíbrio entre consumidores – parte mais vulnerável na relação de consumo – e fornecedores (seguradores, entidades de previdência, corretores e sociedades de capitalização), sempre preservando o interesse público. Para contextualizar o papel da SUSEP na atividade regulatória do mercado de seguros e previdência, e motivar ainda mais as aplicações das ferramentas desenvolvidas e apresentadas nesse trabalho, cabe destacar que Salomão Filho (2001) afirma que regulação, em seu sentido amplo, abrange toda forma de organização da atividade econômica através do Estado, seja a intervenção através da concessão de serviço público ou no exercício de poder de polícia administrativo. Conforme pontua Aragão (2002), a edição de regras, a garantia de sua aplicação e a punição de infrações seriam as três funções inerentes à regulação. Do ponto de vista político e econômico, regulação governamental significa a 5 imposição de regras à ação de atores privados (eventualmente estatais) que atuam em determinados mercados. Essas regras podem ser determinadas por meio de atos normativos, sanções, supervisão ou, eventualmente, pela própria inação. A regulação mais do que somente corrigir imperfeições mercadológicas, incide sobre uma série de produtos e serviços que são caros aos cidadãos. A regulação, portanto, incide sobre áreas de interesse público, a fim de preservar e promover direitos fundamentais – como o acesso a serviços essenciais e a proteção da saúde e da vida. Segundo Justen Filho (2005), a regulação econômico-social consiste na atividade estatal de intervenção indireta sobre a conduta dos sujeitos públicos e privados, de modo permanente e sistemático, para implementar as políticas de governo e realizar direitos fundamentais. Entendemos, portanto, que a realização dos direitos fundamentais é o cerne da atividade regulatória (Sodré et al., 2010). Assim, fica muito bem caracterizado o dever de se levar em consideração as manifestações de consumidores. Tendo em vista o alto grau de uso de redes sociais por brasileiros de forma geral, é natural que estas manifestações sejam lá colocadas e por isso a solução apresentada nesta monografia torna-se muito interessante. Ao discorrerem sobre regulação social muitos autores de viés economicista passam pela necessidade de preservação do interesse público, mas não o colocam como fim último da regulação. É a intervenção do Estado na economia para o bem da economia (mercado). De acordo com IDEC (2011), esse é o pensamento que parece prevalecer no movimento de criação e implantação do atual modelo de regulação estatal. Trata-se de um problema estrutural, que pode ser considerado o centro emanador de muitos dos problemas regulatórios que 6 afetam a sociedade. Tem-se, por exemplo, regulamentos e processos fiscalizatórios de agências focados na figura do ente regulado, relegando-se o consumidor e seus direitos – como o direito de acesso de serviços com qualidade – a um segundo plano. É exatamente para rebater tal posicionamento e pensamento que o trabalho que apresentamos propõe uma solução, diga-se gratuita, de monitoramento ativo de reclamações de consumidores, onde atualmente eles têm mais atuado ou interagido, que são as redes sociais. Neste sentido, entendemos que uma regulação social condizente com os preceitos constitucionais tem como finalidade precípua a promoção do interesse público e a garantia de direitos fundamentais. Sob esse prisma, a intervenção do Estado na economia passa a ser meio para a promoção de direitos. Nessa esteira, se, em determinado setor sensível à sociedade, o mercado fosse perfeito, mesmo assim permaneceria a necessidade de regulação, entendida como a intervenção do Estado na economia para a promoção do bem-estar social e certamente uma das ferramentas para se atingir tal objetivo é por meio do monitoramento de reclamações de consumidores. Um dos papéis da regulação é diminuir alguns dos hiatos existentes na relação empresa-consumidor. Assim, percebe-se, claramente, um alto grau de assimetria entre os atores impactados e interessados na regulação (Proença e Prado, 2011): • Assimetria de informação – as empresas que atuam nos setores regulados detêm todo o conhecimento relativo ao seu negócio – informações técnicas, econômicas, 7 concorrência, tendências mundiais, novas tecnologias – e esse fato é inerente à atividade econômica. • Assimetria de recursos técnicos e financeiros – os quadros especializados, além dos recursos disponíveis às empresas (consultores, escritórios de advocacia e ainda mobilização do seu próprio quadro técnico), em uma situação de consulta pública, por exemplo, são infinitos perto daqueles disponíveis aos consumidores. • Assimetria de oportunidades – o acesso ao regulador é muito mais facilitado para o setor regulado, já que seus executivos e técnicos podem, a todo momento, levar demandas e apresentar seus pleitos, seja no próprio ambiente, em reuniões acordadas, em fóruns técnicos, onde há clara interlocução entre reguladores e regulados, como simpósios, congressos etc.; ou até mesmo no ambiente da empresa, quando técnicos do regulador demandam informações, dados, estudos e esclarecimentos para subsidiar processos de fiscalização e acompanhamento do setor. • Assimetria de linguagem – a tecnicidade dos termos adotados no ambiente dos reguladores torna difícil a compreensão por parte do consumidor, que desconhece até mesmo os seus direitos relativos aos serviços regulados. A complexidade está presente na linguagem das normas administrativas, na divulgação de minutas de novos regulamentos, nas informações disponíveis sobre o setor regulado e até mesmo na comunicação sobre os mecanismos de participação disponíveis. 8 Sabe-se que os entes regulados dedicam-se a prestar serviços visando à maximização dos interesses de seus investidores, que não necessariamente coincidem com o interesse da coletividade. Esse cenário leva o consumidor a uma vulnerabilidade multidimensional. O limitado poder de negociação frente às grandes corporações faz com que o cidadão-consumidor esteja mais sujeito a sofrer lesões econômicas e a suportar os diversos riscos da atividade empresarial desenvolvida pelos entes regulados. Uma forma natural para exacerbar este limitado poder de negociação é por meio de reclamações e insatisfações. A adequada regulação depende do equilíbrio entre os diferentes interesses nela envolvidos. Nesse sentido, é importante entender como funcionam os processos e mecanismos de relacionamento entre os diferentes stakeholders e os entes reguladores, e como esses relacionamentos podem influenciar a pauta de atuação do regulador. Entendemos como stakeholders na área de regulação todos os atores que, individual ou coletivamente, tenham algum interesse sobre as atividades regulatórias. Podem ser os consumidores individuais, associações de consumidores, Procons, empresas e associações de classe do setor regulado, trabalhadores e suas associações, além do próprio governo, entre outros. De modo geral, há um amplo consenso de que os entes regulados têm uma posição privilegiada no relacionamento com os reguladores, mas os esforços por parte de reguladores para minimizar esse desequilíbrio parecem ser ainda insuficientes. Como forma de enfrentar esta situação, entendemos que as rotinas aqui desenvolvidas podem ser facilmente implantadas para que reguladores façam o melhor uso, em seus processos decisórios e regulatórios, de informações prestadas por consumidores em redes sociais. 9 Obviamente que as ferramentas desenvolvidas neste trabalho não substituem e nem pretendem sugerir a substituição de canais tradicionais de recepção de reclamações, incluindo as ouvidorias. Apenas, entendemos que esta ferramenta complementa a ação supervisória, onde o órgão age de forma proativa, sem custos e aproveitando-se de informações disponíveis em redes sociais. Dentre diferentes formas de participação popular previstas em reguladores, as ouvidorias são unidades que recebem e analisam as reclamações e sugestões formuladas por agentes regulados, usuários ou consumidores, além de propor medidas para atendê-las. É de acordo com essa linha de pensamento que autores (ver por exemplo Salgado e Motta (2007) e Cuéllar (2001)) defendem a criação de ouvidorias em todas as entidades e o aperfeiçoamento das existentes, com o intuito de reforçar o controle social e melhorar a governança. Em primeira análise, a Ouvidoria pode ser compreendida como o elo entre a instituição e a sociedade, uma vez que interage com os mais variados agentes: cidadãos-usuários, empresas reguladas, comunidades, órgãos de todas as esferas de governo, etc. Trata-se, assim, de uma área facilitadora, que disponibiliza e administra os canais necessários para que os interessados registrem suas demandas. Em contraponto, as ferramentas que desenvolvemos buscam as manifestações, reclamações e insatisfações nas redes sociais. Tal procedimento representa uma postura mais ativa no relacionamento com a sociedade em geral. Esta monografia está organizada da seguinte forma: na seção 2 são apresentadas as características das redes sociais objetos do monitoramento. Na seção 3, dedicamos algumas linhas à apresentação do programa R assim como 10 sobre as funções que utilizamos para capturar as mensagens das duas redes sociais Twitter e Facebook. Os resultados das rotinas desenvolvidas estão na seção 4 e, por fim, na seção 5 são elaboradas algumas considerações finais a respeito deste trabalho. 2. Redes Sociais Nesta seção descrevemos as características das redes sociais que utilizamos para realizar o monitoramento das mensagens relacionadas ao mercado de seguros e previdência para fins de regulação. Como dito anteriormente, foram usados o Twitter e o Facebook, que são as redes sociais mais utilizadas atualmente. Sobre o Twitter O Twitter é uma rede social e um servidor para microblogging, que permite aos usuários enviar e receber atualizações pessoais de outros contatos (em textos de até 140 caracteres, conhecidos como tweets), por meio do site na Internet do serviço, por SMS e por softwares específicos de gerenciamento. As atualizações são exibidas no perfil do usuário, em tempo real, e também enviadas a outros usuários seguidores que tenham assinado para recebê-las. As atualizações de um perfil ocorrem por meio do site do Twitter, por RSS, por SMS ou programa especializado para gerenciamento. O serviço é gratuito pela Internet. 11 O Twitter foi criado em Março de 2006 por Jack Dorsey, Evan Williams, Biz Stone e Noah Glass e foi lançado em Julho de 2006 nos EUA. A ideia inicial dos fundadores era que o Twitter fosse uma espécie de "SMS da internet" com a limitação de caracteres de uma mensagem de celular. Inicialmente chamada Twttr (sem vogais), o nome da rede social, em inglês, significa gorjear. A ideia é que o usuário da rede social está "piando" pela internet. Desde sua criação, o Twitter ganhou extensa notabilidade e popularidade por todo o mundo. No dia 12 de setembro de 2013, por meio do perfil da empresa no próprio Twitter, foi informado que ela havia enviado à SEC (CVM dos EUA) documentos confidenciais para sua abertura de capital na Bolsa de Valores, operação também conhecida como IPO (Oferta Pública Inicial, em inglês). No dia 7 de novembro de 2013, o Twitter fez sua estreia na Bolsa de Nova York. Todas as 70 milhões de ações colocadas no mercado foram vendidas. Seu valor chegou a subir até 90% em relação ao valor estipulado inicialmente na abertura do pregão. Na ocasião, a empresa captou US$1,82 bilhão no mercado e foi avaliada em US$24,57 bilhões1. A estimativa do número de usuários é baseada em pesquisas independentes já que, por anos, a empresa não informava oficialmente o número de contas ativas. Em novembro de 2008, estimou-se que o Twitter possuía entre 4 a 5 milhões de usuários. Já em maio de 2009, outro estudo analisou mais de 11 milhões 1. e meio de contas de usuários. Posteriormente, em 14 de http://www.valor.com.br/empresas/3332060/em-sua-estreia-na-bolsa-twitter-termina-o-dia-comvalorizacao-de-73 12 Setembro de 2010, o Twitter divulgou em seu próprio site o número total de usuários registrados: 175 milhões. Atualmente, a rede social conta com 284 milhões de usuários registrados, porém, pouco mais de 24 milhões dos 284 milhões de usuários do Twitter nunca tuitaram, retuitaram ou curtiram uma mensagem publicada no microblog. As informações são da própria empresa e estão em um documento enviado à SEC (equivalente nos Estados Unidos à brasileira CVM) em 11 de janeiro de 2015. O Twitter é uma das principais ferramentas de divulgação de manifestações sociais. Se destacou na mídia o uso do Twitter durante as manifestações políticas ocorridas na Moldávia em reação ao resultado das eleições legislativas no início de 2009. A ferramenta também esteve presente no debate político e na movimentação da oposição durante a Eleição presidencial do Irã em 2009. Durante o “apagão” elétrico de 2009, as primeiras informações das regiões atingidas pelo blecaute foram fornecidas através dos usuários do Twitter, através de postagens via celular, e lida por emissoras de rádio que faziam plantão naquele momento. Em janeiro de 2010 foi realizada a primeira conexão e acesso pessoal à Internet de origem espacial, utilizando o Twitter. O astronauta Timothy Creamer, escreveu "Hello Twitterverse" no serviço de microblogging. As grandes manifestações ocorridas no Brasil em 2013 também foram bastante alavancadas em função desta rede social. O Twitter também tem sido constantemente utilizado por grandes empresas para a divulgação de suas marcas, através de constantes 13 atualizações, sempre ligando o "consumidor" a uma página onde possa encontrar mais informações sobre o serviço ou produto oferecido. Além disso, o Twitter tem se mostrado um ótimo instrumento para o fortalecimento das marcas no ambiente virtual, pois agrega seguidores que recebem as atualizações enviadas pelas empresas, porém ainda é uma ferramenta que deve ser melhor explorada para esse fim. No artigo publicado em 14 de abril de 2009, no The New York Times, a jornalista Claire Cain Miller afirmou que a utilidade mais produtiva do Twitter tem sido para aquelas empresas que desejam ouvir os clientes e oferecer reações imediatas às opiniões deles. Nesta esteira, a Google e a Microsoft entraram em um acordo com o Twitter para que os tweets postados diariamente pelos milhões de usuários da rede social apareçam nos resultados dos buscadores, tanto da Google, quanto da Microsoft, no caso o Bing. A Google está pagando US$ 15 milhões e a Microsoft US$ 10 milhões e serão os primeiros a fazer experiências com os dados coletados. A Yahoo também pode vir a fazer parte desse acordo. Sobre o Facebook O Facebook é um site e serviço de rede social lançado em 2004, operado e de propriedade privada da Facebook Inc. Foi fundado por Mark Zuckerberg e por seus colegas de quarto da faculdade Eduardo Saverin, Dustin Moskovitz e Chris Hughes. A composição do site foi inicialmente limitada pelos fundadores aos estudantes da Universidade de Harvard, mas foi expandida para outras faculdades 14 na área de Boston, da Ivy League e da Universidade de Stanford. O site gradualmente adicionou suporte para alunos em várias outras universidades antes de abrir para estudantes do ensino médio e, eventualmente, para qualquer pessoa com 13 anos ou mais. Atualmente, o Facebook possui mais de 1,44 bilhão de usuários em todo o mundo, está disponível em mais de 70 línguas, e é considerada a rede social mais popular do mundo. A Facebook Inc. fez a sua oferta pública inicial em maio de 2012. Possui 10.800 empregados no mundo e escritórios em 15 países. A sede da empresa fica em Menlo Park, California , EUA. Ela é dona do Instagram (300 milhões de usuários) e WhatsApp (700 milhões de usuários). Os usuários do Facebook precisam se registrar antes de utilizar o site. Depois de registrado, o usuário pode criar um perfil pessoal, também chamado de Linha de Tempo (Timeline), adicionar outros usuários como “amigos” e publicar textos, fotos e vídeos (i.e., postagens) controlando quem pode vê-la (público, amigos, personalizado). Além disso, os usuários podem participar de grupos de interesse comum organizados por escola, trabalho ou faculdade, ou outras características, categorizar seus amigos em listas como "as pessoas do trabalho" ou "amigos íntimos", e trocar mensagens, incluindo notificações automáticas quando atualizarem o seu perfil. Um crescente número de empresas está criando suas próprias Páginas no Facebook. As Páginas servem para empresas, marcas e organizações compartilharem suas histórias e se conectarem com as pessoas. Podem ser criadas e gerenciadas somente por representantes oficiais dessas empresas/organizações. As Páginas se parecem com os perfis pessoais, mas oferecem ferramentas exclusivas que ajudam a empresa/organização a gerenciar 15 e controlar a interação com os seus usuários. Mais do que o número de seguidores de uma Página ou o número de curtidas em uma postagem, o engajamento é realmente o que interessa. Engajamento representa a interação e o relacionamento com marca. O Feed de Notícias da página do usuário (News Feed) é uma lista atualizada constantemente com histórias de pessoas e Páginas que o usuário segue no Facebook. As histórias do Feed de Notícias são influenciadas pelas conexões e atividades do usuário no Facebook, e incluem atualizações de status, fotos, vídeos, links, atividades de aplicativos e curtidas. Isso ajuda o usuário a ver mais histórias que sejam do seu interesse, compartilhadas pelos amigos com quem ele mais interage. O número de comentários e curtidas que a publicação recebeu, bem como o tipo da história (por exemplo: foto, vídeo, atualização de status), também podem torná-la mais propensa a aparecer no Feed de Notícias do usuário. O controle sobre o que o que é mostrado no Feed de Notícias é feito por meio de um algoritmo sofisticado que é proprietário do Facebook. Este algoritmo usa técnicas de aprendizagem de máquina (machine learning) para selecionar quais “notícias” são mais importantes para cada usuário. Estima-se que mais de 100.000 fatores sejam utilizados para a escolha destas notícias. O Facebook permite uma interação mais direta dos usuários com as postagens utilizando três métricas principais: • Curtida: Para mostrar acordo/concordância com a postagem. • Comentário: Para deixar um comentário dentro de uma postagem. 16 • Compartilhamento: Para enviar a postagem para amigos ou publicar a postagem na linha do tempo do usuário. Entendemos que as características destas redes sociais motivam sobremaneira o uso das informações lá geradas em um processo de regulação/supervisão. Aliás, observar as “reclamações” ou “insatisfações” com serviços prestados pelos entes supervisionados pode servir para identificar práticas comerciais inadequadas ou, até mesmo, eventuais problemas de solvência ou financeiros, além de poder indicar necessidades específicas de consumidores não atendidas por meio dos produtos ofertados. E tal captura não necessariamente fica restrita aos limites de nosso país. A rotina que preparamos pode ser facilmente adaptada para captura de reclamações contra holdings ou seguradoras internacionais de grupos econômicos que operam no Brasil. Neste sentido, estaríamos antecipando problemas e monitorando práticas de companhias de um mesmo grupo ainda que operem na Europa, nos EUA ou outro lugar do mundo em que consigamos efetuar a leitura das mensagens em sua língua original. É baseado nestes fatos que desenvolvemos na SUSEP rotinas de monitoramento de comentários, postados no Twitter e no Facebook, a respeito do mercado supervisionado pela autarquia. Para isto, utilizamos um software totalmente gratuito – o pacote R. A princípio, estão sendo colhidos indicadores (mensagens, comentários, curtidas, etc.) relacionados a seguradores e corretores. Destes indicadores, são filtrados aqueles que caracterizem algum tipo de “reclamação” ou “insatisfação” com o contrato de seguro. Depois de filtrados, 17 totalizamos estas “reclamações” por seguradora e por dia, sendo gerados gráficos e tabelas. Há alguns pontos que devemos chamar a atenção no projeto que a SUSEP tem executado neste campo. Primeiramente, em nosso conhecimento, tal iniciativa é inédita na supervisão de seguros no mundo. Em segundo lugar, também é inédita a ação de monitoramento à distância de corretores de seguros. Por isso, acreditamos que há muitos passos a serem percorridos aproveitando-se informações de redes/mídias sociais para a missão institucional da SUSEP. 3. O software R e os pacotes TwitteR e Rfacebook O R é uma linguagem e um ambiente de desenvolvimento integrado para cálculos estatísticos e gráficos. por Robert Gentleman no Foi criado Departamento originalmente de Estatística por Ross da Ihaka e Universidade de Auckland, Nova Zelândia, e foi desenvolvido por um esforço colaborativo de pessoas em vários locais do mundo. O nome R provém, em parte, das iniciais dos criadores e também de um jogo figurado com a linguagem S (da Bell Laboratories, antiga AT&T). Para mais detalhes a respeito da hisória deste programa ver “A Brief History of R: Past and Future History”, de Ross Ihaka, Auckland, Nova Zelândia. R é uma linguagem em ambiente similar ao S, podendo ser considerado uma implementação distinta do S. Embora com importantes diferenças, muitos códigos escritos para o S rodam de forma inalterada no R. A implementação 18 comercial de S é o S-PLUS (S+). O código fonte do R está disponível sob a licença GNU GPL e as versões binárias pré-compiladas são fornecidas para Windows, Macintosh, e muitos sistemas operacionais Unix/Linux. O R é também altamente expansível com o uso de pacotes complementares, que são bibliotecas para funções específicas ou áreas de estudo específicas. Um conjunto de pacotes padrão é incluído com a instalação de R, com muito outros disponíveis na rede de distribuição do R (em inglês CRAN). A linguagem R é largamente usada entre estatísticos e data miners para desenvolver programas de estatística e análise de dados. Pesquisas e levantamentos de data miners mostram que a popularidade do R aumentou substancialmente nos últimos anos. O R disponibiliza uma ampla variedade de técnicas estatísticas e gráficas, incluindo modelagem linear e não linear, testes estatísticos clássicos, análise de séries temporais, classificação, agrupamento e outras. Além disso, a comunidade R é reconhecida por suas ativas contribuições. Muitas das funções padrões do R são escritas no próprio R, o que torna fácil para os usuários seguirem as escolhas algorítmicas feitas. Para tarefas computacionais intensivas, os códigos C, C++, e Fortran podem ser ligados e chamados durante a execução. Usuários experientes podem escrever código C ou Java para manipular diretamente objetos R. Devido à sua herança do S, o R possui fortes recursos de programação orientada por objetos, mais que a maioria das linguagens de computação 19 estatística. Ampliar o R também é facilitado pelas suas regras de contexto lexical. Outra força do R são os gráficos estáticos, que podem produzir imagens com qualidade para publicação, incluindo símbolos matemáticos. Além disso, gráficos dinâmicos e interativos estão disponíveis através de pacotes adicionais. Para acesso às bases de dados do Twitter e do Facebook por meio do programa estatístico R, de distribuição gratuita, foram usadas as Interfaces para Programação de Aplicações (Application Programming Interfaces, APIs) dessas redes sociais. As APIs são formadas por um conjunto de rotinas, protocolos e ferramentas que permitem o desenvolvimento de novas aplicações que se comunicam com estas redes sociais principais por meio dessas interfaces. No passado, APIs eram mais restritas a sistemas operacionais. Hoje diversos sites têm APIs que permitem a criação de programas para operações específicas por desenvolvedores independentes ou não. Uma boa API permite o desenvolvimento de programas, aplicativos e pacotes de maneira simples e compositiva. Exemplos de sites/redes socais com API: Youtube, Amazon, Facebook, Twitter, Instagram, Spotify, etc. Para acessarmos as mensagens do Twitter, utilizamos o pacote TwitteR (Gentry, 2014). Este pacote fornece uma interface à API do Twitter, é bem estruturado (inclusive classes de objetos novas) e possui uma série de funções para acessar e extrair informações do Twitter. Para acessar a API do Twitter é fundamental fazer uma autenticação. Esta autenticação é feita utilizando um mecanismo de autenticação chamado Oauth (mais informações 20 http://oauth.net/about/). O pacote TwitteR faz a autenticação considerando e utilizando esse mecanismo. Em relação ao Facebook, basicamente a API do Facebook fornece informação sobre as páginas. Praticamente nenhuma informação sobre os usuários é fornecida utilizando a API. Tal prática é justificada pela empresa como proteção à privacidade. Mas, para nossas aplicações, não é necessário o acesso a informações de usuários. O pacote no R para acessar a API do Facebook é o Rfacebook, desenvolvido por Barberá (2015). Este pacote reúne um conjunto de funções específicas para conectar o R com a API do Facebook e permite captar informações sobre postagens e páginas. 4. Resultados Nesta seção, apresentamos os resultados das rotinas preparadas para captura e filtro das mensagens no Twitter e no Facebook. Além disso, é mostrado também exemplo de como é utilizado o monitoramento de reclamações como alerta para execução de atividades regulatórias mais específicas como, por exemplo, ações supervisórias. 21 4.1 Rotinas preparadas para o Twitter Por ter caráter público e padronizar o tipo de postagem (até 140 caracteres), o Twitter é uma ótima rede para quem quer capturar e analisar dados. A primeira rotina que desenvolvemos para acessar os dados do Twitter possibilita gerar uma nuvem de palavras relacionadas aos mercados supervisionados pela SUSEP. Tal nuvem é dinâmica e representa o que tem sido mais comentado pelos titulares de conta no Twitter, seja no último minuto, seja na última semana, enfim, no período à escolha de quem está fazendo a análise, limitado a 9 dias passados. A nuvem de palavras pode ser utilizada para termos conhecimento e mapearmos o que tem sido comentado na Internet a respeito de assuntos de interesse do regulador. Para obtê-la, são capturados, diariamente, os tweets que apresentam palavras relacionadas ao mercado supervisionado pela SUSEP (por exemplo: previdência, microsseguro, garantia estendida, etc.), efetua-se a contagem de todas as palavras nestas mensagens e a nuvem é preparada com base nas frequências relativas. Os critérios para captura das mensagens para construção da nuvem estão no Anexo I desta monografia. A Figura 2 apresenta um exemplo de nuvem preparada com mensagens enviadas entre os dias 09/06 e 18/06/2015. O algoritmo que construímos para montagem das nuvens de palavras está no Anexo III. 22 Figura 2. Nuvem de palavras gerada para termos associados aos mercados supervisionados pela SUSEP, com base em tweets capturados entre os dias 09/06/2015 e 18/06/2015. No dia 17/06/2015, a Presidência da República vetou a reforma da previdência elaborada no Congresso e enviou uma Medida Provisória revisando os critérios para concessão de aposentadorias pelo Regime Geral de Previdência Social. Tais notícias fizeram com que os termos “aposentadoria” e “previdência”, “nova”, “regras” se destacassem entre os tweets que possuam termos com alguma relação com as atribuições da SUSEP. Outro produto da análise das mensagens enviadas no Twitter é o monitoramento de postagens classificadas como “reclamação” contra entes supervisionados pela SUSEP ou “insatisfação” com serviços por eles prestados. Primeiro, são capturadas as mensagens nas contas de Twitter de um número de seguradoras (aquelas que possuem conta nesta rede social) e também as postagens, de usuários em geral, que citam termos relacionados ao mercado 23 segurador, de previdência, resseguro e capitalização. Como exemplo de critério para captura destas mensagens, utilizamos, para busca, os termos “susep”, “caixa seguros”, “sulamerica”, etc. Tanto os critérios para captura das mensagens quanto aqueles que as filtram estão no Anexo II deste artigo. Esta lista é constantemente atualizada com base na leitura de mensagens de reclamações a fim de se obter outras palavras comuns a estes tipos de postagens. Posteriormente, executamos um filtro que separa os tweets que sejam caracterizados como “reclamação” ou “insatisfação”. Como exemplo de critério que classifica uma mensagem como “reclamação”, usamos trechos como “sinistro não pago”, “indenização atrasada”, “não resolveu”, etc. Separadas as reclamações, totalizamos as mensagens por ente supervisionado e por dia, formando, assim, uma serie temporal para cada sociedade regulada. O algoritmo de nossa programação está no Anexo IV. Na tabela abaixo (Tabela 1), apresentamos o sumário das “reclamações” feitas entre os dias 08/06/2015 e 18/06/2015 em mensagens enviadas no Twitter contra as sociedades seguradoras. Cabe destacar que, em função das estatísticas serem baseadas nas mensagens escritas por usuários do Twitter, os nomes atribuídos às seguradoras não necessariamente batem com os nomes oficiais dos entes supervisionados. De fato, na grande maioria das vezes, os nomes lá citados não equivalem aos oficiais, por isso agrupamos algumas seguradoras em grupos econômicos. Como exemplo, podemos citar o “BB – grupo”. Neste grupo, estão incluídas “reclamações” ou “insatisfações” citadas, por exemplo, contra “BB seguros”, “BB auto”, “Brasilprev”, “BB previdência”, etc. 24 Seguradora Número Participação Assurant 2 6% BB - grupo 3 9% Bradesco 3 9% Caixa Seguradora 1 3% Cardif 2 6% Itau 4 12% Liberty 1 3% Mapfre Seguros 2 6% Mitsui 1 3% Porto Seguro 2 6% Sul America 10 30% Tokio 1 3% Zurich 1 3% Tabela 1. Distribuição do número de “reclamações” contra sociedades seguradoras feitas por meio de mensagens no Twitter, entre os dias 08/06/2015 e 18/06/2015. Na tabela 2, apresentamos o sumário das reclamações feitas entre os dias 08/06/2015 e 18/06/2015. Tendo em vista a impossibilidade de se extrair mensagens com mais de 9 dias de defasagem, foi montada rotina automatizada em que diariamente são recolhidas as mensagens a fim de se construir a referida série temporal. O programa que monta esta série temporal iniciou sua operação no dia 17/06/2015. 25 Data 8-Jun-15 9-Jun-15 10-Jun-15 11-Jun-15 12-Jun-15 13-Jun-15 15-Jun-15 16-Jun-15 17-Jun-15 18-Jun-15 Número 2 6 5 4 3 1 1 6 2 3 Tabela 2. Série Temporal do número agrupado de “reclamações” contra sociedades seguradoras feitas por meio de mensagens no Twitter, entre os dias 08/06/2015 e 18/06/2015. Conforme consulta realizada à base de dados da SUSEP em 24/06/2014, foram obtidos 93.323 registros de corretores (pessoas físicas e jurídicas) ativos. Tendo em vista a incapacidade de processamento deste volume de nomes de corretores a serem buscados no Twitter, optou-se, inicialmente, por efetuar a busca de 500 corretores por dia. Assim, em aproximadamente 6 meses, todos os corretores seriam “monitorados” nesta mídia social. Esta rotina foi implementada a partir do dia 01/08/2015 e, para os primeiros corretores monitorados, não houve registro de reclamações contra estes entes regulados. 4.2 Rotinas preparadas para o Facebook A Página Facebook da SUSEP oferece conteúdos de natureza educacional sobre seguros, previdência complementar aberta e capitalização, e tem sido usada 26 como mais um canal informativo/educacional com o objetivo de: (i) expandir a comunicação da autarquia com o mercado supervisionado e com a sociedade, e (ii) contribuir para o aprimoramento do programa de educação financeira, desenvolvido no âmbito da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), em benefício dos potenciais clientes e, naturalmente, do mercado supervisionado, como um todo. A Página foi criada no ano de 2014. O Facebook é uma rede social que permite uma interação mais direta dos usuários com as postagens das Páginas por meio de curtidas, comentários e compartilhamentos. Para se ter uma visão geral das principais comunicações da SUSEP com a sociedade, geramos uma nuvem de palavras dessas postagens, com base na frequência relativa com que cada palavra aparece nas postagens da Página da SUSEP. A Figura 3 apresenta a nuvem de palavras preparada no dia 03/07/2015. Figura 3. Nuvem de palavras das postagens na Página Facebook da SUSEP gerada no dia 03/07/2015. 27 Neste dia, a Página Facebook da SUSEP exibia um total de 45 postagens, com uma média de 16 curtidas em cada postagem. Percebe-se claramente que o foco da comunicação da autarquia era “educação financeira para jovens”. O histograma e as estatísticas que resumem o número de curtidas nas postagens da Página Facebook da SUSEP podem ser encontrados, respectivamente, na Figura 4 e Tabela 3. Figura 4. Distribuição do número de curtidas nas postagens da Página Facebook da SUSEP. Tabela 3. Estatísticas resumo do número de curtidas nas postagens da Página Facebook da SUSEP Mínimo 1° Quartil Mediana Média 3,00 7,00 12,00 15,89 3° Quartil 18,00 Máximo 78,00 28 Percebe-se claramente que uma postagem teve muito mais curtidas do que as demais: quase 80 curtidas, para uma média de cerca de 16 curtidas por postagem. O acompanhamento das postagens de maior sucesso permite que a SUSEP identifique as postagens que melhor atingiram os objetivos informativo e educacional. Pode-se verificar que a postagem mais popular foi uma mensagem do tipo “Foto” trazendo o seguinte texto: “Antes de fazer seu seguro, faça uma consulta no site da SUSEP e certifiquese de que a seguradora está autorizada a operar. Clique e saiba mais. http://www.susep.gov.br/”. A mensagem advém de uma campanha promovida pela SUSEP contra o seguro comercializado por empresas sem autorização para operar, o chamado mercado marginal ou seguro “pirata”. Esta mensagem recebeu 78 curtidas, 3 comentários e 70 compartilhamentos. É possível identificar os usuários que curtiram, comentaram, compartilharam esta postagem e quais comentários foram feitos. Além disso, analisando o conteúdo dos comentários é possível identificar potenciais melhorias na forma de comunicação da SUSEP com o mercado supervisionado, com os consumidores desse mercado e com toda a sociedade em geral, representando um ganho para a política de regulação. Os comentários feitos pelos usuários têm sido usados para orientar a produção de novos conteúdo e ações educacionais. Nuvens de palavras, 29 histogramas e estatísticas de resumo também podem ser geradas para os comentários feitos sobre as postagens da Página. Por exemplo, a Figura 5 mostra a nuvem de palavras dos comentários feitos sobre as postagens da Página da SUSEP gerada no dia 03/07/2015. Figura 5. Nuvem de palavras dos comentários feitos sobre as postagens da Página da SUSEP gerada no dia 03/07/2015 Uma ferramenta útil para avaliar o uso desta rede social, o Facebook, como canal informativo/educacional da SUSEP, é a análise da evolução média das curtidas por postagens da Página Facebook da autarquia. A Figura 6 mostra que a média das curtidas por postagem ao longo dos últimos 5 meses oscilou entre cerca de 10 a 30 curtidas por postagem. 30 Figura 6. Evolução da média de curtidas por postagem na Página Facebook da SUSEP entre os meses de Fevereiro a Junho de 2015. Outras ferramentas úteis, não mostradas neste relatório, incluem a análise do número de pessoas novas que curtiram ou “descurtiram” uma Página por dia, o número de visualizações da Página por dia, o número de pessoas compartilhando histórias sobre a Página, o número total de pessoas que viram alguma postagem e/ou conteúdo associado à Página, etc. A exemplo do que fizemos para o Twitter, também procuramos analisar as postagens realizadas no Facebook classificadas como “reclamação” contra os entes supervisionados pela SUSEP ou “insatisfação” com serviços por eles prestados. Em geral, os usuários Facebook podem fazer postagens nas Páginas dos entes supervisionados, no entanto as Páginas dessas empresas têm total controle sobre as postagens que são nelas exibidas. Ou seja, o Facebook não tem uma característica tão pública quanto o Twitter. 31 Para encontrar as reclamações e/ou insatisfações manifestadas contra seguradoras, entidades abertas de previdência complementar e sociedades de capitalização, recorremos às Páginas Facebook de alguns sites de reclamações e de defesa do consumidor, como por exemplo, a própria Página Facebook da SUSEP, e as Páginas Facebook dos sites Reclame Aqui (http://www.reclameaqui.com/), Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec (http://www.idec.org.br/), Canal Defesa do Consumidor (http://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/), e Em O Globo Defesa do Consumidor (http://emdefesadoconsumidor.com.br/). A Figura 7 mostra uma série temporal do número de reclamações/insatisfações mensais apontadas nos sites listados acima nos meses de janeiro a julho de 2015 contra algum ente supervisionado pela SUSEP (seguradoras, resseguradoras, entidades abertas de previdência complementar e sociedades de capitalização). 32 Figura 7. Série temporal do número agrupado de reclamações/insatisfações mensais apontadas no Facebook contra algum ente supervisionado pela SUSEP no período de janeiro a julho de 2015. Tendo em vista a série ser muito curta, apenas metade de um ano, não é possível ainda tirar conclusões defensáveis a respeito da queda apresentada no número de reclamações capturadas no Facebook. Há iniciativas da SUSEP sendo executadas dentro do projeto de educação financeira, mas entendemos ser muito precoce relacionar tais ações com o comportamento de uma série de número de reclamações tão pequena. Por fim, para ilustrar a aplicação prática dos recursos desenvolvidos, simulamos o caso de uma seguradora que possui um certo padrão de número médio de reclamações por dia ao longo de um período e subitamente as reclamações passam a se tornar mais frequentes e mais numerosas. Com ferramentas simples, ou visuais ou com disparadores automáticos, é gerado um 33 alerta para que seja executado um monitoramento mais minucioso desta seguradora ou, até mesmo, uma fiscalização in loco. O disparador automático pode ser montado de inúmeras formas, mas o que apresentamos aqui é de simples entendimento e implantação. É calculada média e desvio padrão móveis do número de reclamações diárias dos últimos 30 dias. Caso a nova observação (número observado de reclamações mais recente) seja maior que a média dos últimos 30 dias com a adição de 2 desvios padrões (dos últimos 30 dias), um alerta é gerado. Para o exemplo simulado, a seguradora possui uma média de uma reclamação por dia. Alguns dias não há registros de reclamações, alguns dias são 2 ou 3, etc. Entretanto, ao fim do mês de junho/início de julho, verifica-se um aumento do número de reclamações por dia para esta seguradora. É possível observar na Figura 8 o momento em que a série de observações ultrapassa a média móvel com a adição de 2 desvios padrões (destacado com a seta vermelha). Tal fato ocorre no início do mês de julho e pode indicar problemas daquele determinado ente regulado em cumprir obrigações com os consumidores em decorrência dos contratos assumidos. De posse deste alerta, uma ação de fiscalização pode ser desencadeada na seguradora, ou adicionada a outros indicadores, por exemplo, de saúde financeira. 34 30 25 20 15 Seguradora Exemplo Média Móvel Média + 2Desvios 10 5 0 Figura 8. Série temporal simulada de número de reclamações de uma seguradora no Twitter e no Facebook (azul). A linha verde representa a série temporal das médias móveis com a adição de 2 desvios padrões. A linha vermelha representa apenas a série temporal de médias móveis (30 dias passados). O momento em que as reclamações observadas (linha azul) ultrapassam a série verde é destacado com uma seta (alerta). 5. Considerações Finais Com o uso cada vez mais difundido e a presença cada vez maior da população nas chamadas redes sociais, entendemos ser natural a necessidade de 35 que supervisores e reguladores, de qualquer atividade econômica, estejam “conectados” e atentos aos movimentos e dados gerados nestes fóruns. Estudos recentes indicam que os brasileiros são os que passam mais tempo online nas redes (mídias) sociais. Além disso, os brasileiros também estão entre os que mais compartilham conteúdo nestes veículos. Nesta monografia, apresentamos os resultados do desenvolvimento e implantação de rotinas para o aproveitamento das informações lá geradas em um processo de supervisão. Afinal, identificar “reclamações” ou “insatisfações” com serviços prestados pelos entes supervisionados pode se configurar em um ótimo driver de práticas comerciais inadequadas ou, até mesmo, de eventuais problemas financeiros ou de solvência, além de poder indicar necessidades específicas de consumidores não atendidas por meio dos produtos ofertados. É baseado nestes fatos que desenvolvemos e implantamos na SUSEP rotinas de monitoramento de comentários, mensagens, conteúdo e postagens no Twitter e no Facebook, a respeito do mercado de seguros e previdência. Para isto, utilizamos um software totalmente gratuito – o programa R. A princípio, estão sendo colhidos mensagens relacionadas a seguradores e corretores. Destas mensagens, são filtradas aqueles que caracterizem algum tipo de “reclamação” ou “insatisfação” com os entes regulados ou com os produtos e serviços por eles prestados. Depois de filtrados, totalizamos estas “reclamações” por seguradora e por dia, sendo gerados gráficos e tabelas. 36 Tais informações definitivamente auxiliam o processo de regulação e supervisão, afinal ao implantar a solução proposta neste trabalho, o Estado passa a buscar a manifestação de consumidores a respeito dos serviços prestados por entes regulados, exercendo um papel ativo, em contraponto à prática comum, e mais passiva, de agir somente após reclamações chegarem a seu conhecimento. Um exemplo de utilização das informações capturadas e transformadas em relatório foi fornecido. Tratou-se da simulação de um caso de aumento repentino no número de “reclamações” ou “insatisfações” publicadas contra uma determinada companhia, que podem gerar alertas para uma ação mais específica de monitoramento ou fiscalização in loco neste específico ente regulado. Além disso, podemos citar como exemplo o uso de mensagens capturadas que citam companhias sem autorização para operar e que, em decorrência disto, geram uma ação regulatória ou sancionadora. Há alguns pontos que devemos chamar a atenção no projeto que a SUSEP tem executado neste campo. Primeiramente, em nosso conhecimento, tal iniciativa é inédita na supervisão de seguros no mundo. Em segundo lugar, também é inédita a ação de monitoramento à distância de corretores de seguros. Por isso, acreditamos que há muitos passos a serem percorridos aproveitando-se informações de mídias/redes sociais para a missão legal de reguladores. 37 6. Bibliografia Aragão, Alexandre Santos de. 2002. Agências Reguladoras e a Evolução do Direito Administrativo Econômico, Rio de Janeiro: Forense. Barberá, Paulo. 2015. Package Rfacebook, disponível em https://cran.r- project.org/web/packages/Rfacebook/Rfacebook.pdf. Cox, M. e Ellsworth, D. 1997. Application-controlled demand paging for out-of-core visualization. In Proceedings of the 8th conference on Visualization (pp. 235-ff). IEEE Computer Society Press. Cuéllar, L. 2001. As Agências Reguladoras e seu Poder Normativo. São Paulo: Dialética. Gentry, Jeff. 2014. Twitter client for R. December 30, 2014. Hoeltgebaum, H. e Neves, C. 2015. Big Data: revolução no mercado de seguros. Caderno de Seguros, no prelo. IDEC. 2011. Defesa do consumidor, participação social e ferramentas para a cidadania: Um banco de dados para o monitoramento da regulação. Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. São Paulo. Justen Filho, Marçal. 2005. Curso de direito administrativo. São Paulo: Saraiva. 38 Proença, Jadir Dias; Prado, Carlos Eduardo Resende (Orgs.). 2011. Melhoria da regulação no Brasil: o papel da participação e do controle social. Brasília: Presidência da República. Salgado, L. H.; Motta R. S. da (Ed.). 2007. Regulação e Concorrência no Brasil: governança, incentivos e eficiência. Rio de Janeiro: IPEA. Salomão Filho, Calixto. 2001. Regulação da atividade econômica. 1ª. ed. São Paulo: Malheiros. Sodré, Marcelo Gomes et al. 2010. Agências Reguladoras e Tutela do Consumidor. Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)/Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça (SAL/MJ). 39 7. Anexo I (critérios para nuvem) Exemplos de termos de busca para captura de mensagens relacionadas ao mercado supervisionado pela SUSEP: ‘corretores de seguros’, ‘susep’, ‘apólice de seguro’, ‘contrato de seguro’, ‘seguro de vida’, ‘previdência’, ‘título de capitalização’, ‘resseguro’, ‘brokers de resseguro’, ‘garantia estendida’, ‘aposentadoria’, ‘renda por invalidez’, ‘pensão por morte’, ‘pensão aos menores’, ‘renda com prazo mínimo’, ‘pensão ao cônjuge’, ‘seguro de crédito’, ‘seguro prestamista’, ‘plano PGBL’, ‘plano VGBL’, ‘previdência PGBL’, ‘previdência VGBL’, ‘seguro VGBL’, ‘VAGP’, ‘VRGP’, ‘PAGP’, ‘PRGP’, ‘planos de previdência tradicionais’, ‘pecúlio por morte’, ‘pecúlio por invalidez’, ‘seguro de acidentes pessoais’, ‘seguro viagem’, ‘seguro automóvel’, ‘seguro residencial lar’, ‘seguro residencial assistência’, ‘seguro compreensivo’, ‘seguro empresarial negócio’, ‘seguro condominial’, ‘seguro de grandes riscos’, ‘riscos nomeados’, ‘seguro incêndio’, ‘seguro de responsabilidade civil’, ‘seguro fiança locatícia’, ‘seguro crédito’, ‘seguro garantia’, ‘seguro de responsabilidade’, ‘seguro transporte’, ‘seguro lucros cessantes’, ‘seguro de risco engenharia’, ‘seguro dotal’, ‘dotal misto’, ‘DPVAT’, ‘seguro educacional’, ‘seguro habitacional’, ‘seguro agrícola’, ‘seguro rural’, ‘seguro marítimo’, ‘seguro aeronáutico’. 40 8. Anexo II (critérios para captura de mensagens e filtro de reclamação) a. Exemplos de termos de busca para captura de mensagens relacionadas à entes supervisionados pela SUSEP: ‘susep', 'libertyseguros', 'liberty seguros', 'PortoSeguro', 'Sulamerica', 'Bradescoseguros', 'Caixaseguradora', 'Caixa seguros', 'azul_seguros', 'azul seguradora', 'MAPFREbr', 'mapfre seguradora', 'Caixaseguros', 'segurosunimed', 'unimed seguros', 'HDISegurosbr','BBSeguros','BB seguros', 'alobradescoseg', 'icatuseguros', 'Chubb_Seguros', 'YasudaSeguros', 'BBseguroauto', 'SINAFSeguros', 'QBEBrasil','mapfreseg', 'CESCEBRASILSeg', 'MaritimaSegs', 'sacgcs','BradescoBVP', 'previmil', 'luterprev', 'pottencialseg', 'itau', 'itau seguros', 'FairfaxBrasil', 'Brasilprev_', 'tokiomarine_cor', 'brasilprev', 'IndianaSeguros', 'tokio marine', 'alfaseguradora_', 'hsbc seguros', 'alfaseguros_', 'AlfaPrevidencia', 'GeneraliBrasil', 'allianzseguros', 'mongeral', 'capemisa', 'ApLub', 'nobreseguradora', 'sul america auto', 'gboex', 'hsbcseguros', 'Ace seguradora', 'american life seguros', 'assurant seguradora', 'bmg seguradora', 'cardif seguros', 'centauro vida', 'mutual seguros', 'gente seguradora', 'icatu', 'mbm seguradora', 'metlife', 'mitsui sumitomo', 'prudential seguros', 'royal sunalliance', 'sabemi', 'suhai seguros', 'virginia surety seguros', 'yasuda seguros', 'marítima seguros', 'zurich seguros', 'Porto Seguro', 'pottencial seguros', 'comprev', 'indiana seguros' 41 b. Exemplos de termos que caracterizam reclamação: “reclamação”, “atraso”, “não pagamento”, “sinistro não pago”, “não resolver”, “não resolveu”, “indenização não paga”, “atraso no pagamento”, “atraso na indenização”, “falta de pagamento”, “pilantragem”, “prêmio não pago”, “prêmio atrasado”, “prêmio em atraso”, “atrasando o pagamento”, “atrasando o sinistro”, “atrasando o benefício”, “exigências desnecessárias”, “quebra contratual”, “indenização ridícula”, “não prevista em contrato”, “não prevista na apólice”, “safados”, “canalhas”, “picaretas”, “companhia ineficiente”, “seguradora ineficiente”, “benefício não pago”, “benefício em atraso”, “benefício atrasado”, “atraso no benefício”, “demora nas demandas”, “demora no pagamento”, “não autorizei débito”, “débito não autorizado”, “não autorizou débito”, “recusa a pagar”, “não quer pagar”, “insiste em não pagar”. 42 9. Anexo III (algoritmo de busca e montagem de nuvens de palavras) Toda segunda-feira às 9:00hs, executa: 1. Pesquisa e obtenção de mensagens da semana anterior com pelo menos um dos um dos termos relacionados no Anexo I. 2. Salva as mensagens em banco de dados. 3. Cálculo da frequência de cada palavra nas mensagens da última semana. 4. Construção da nuvem com base nas frequências relativas de cada palavra. 5. Geração automática de figura em PDF em pasta específica. 43 10. Anexo IV (algoritmo de busca de mensagens e classificação de reclamações) Todo dia às 8:00hs, executa: 1. Pesquisa e obtenção de mensagens do dia anterior com pelo menos um dos termos relacionados na lista “a” do Anexo II. 2. Salva as mensagens em banco de dados. 3. Verifica, para cada mensagem obtida em 1 (do dia anterior), se há algum termo relacionado na lista “b” do Anexo II. 4. Totaliza por seguradora e por data e salva em banco de dados. 5. Caso o número de reclamações supere à média móvel com adição de 2 desvios padrões, gerar gráfico em PDF em pasta específica de Alerta. 44