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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
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PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
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DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS
DE
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
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I
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ARTETERAPIA
DO
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EN
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HISTÓRIAS E MAIS HISTÓRIAS”
MARIA ABADIA COSTA
Orientadora:
Profª Fabiane Muniz da Silva
FORMOSA - GO
2008
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ARTETERAPIA
“ERA UMA VEZ...
HISTÓRIAS E MAIS HISTÓRIAS”
MARIA ABADIA COSTA
Trabalho de Conclusão de Curso submetido
à Faculdade Candido Mendes como exigência
parcial
para
a
conclusão
Especialização em Arteterapia.
FORMOSA - GO
2008
do
curso
de
Agradeço a Deus primeiramente, minha família,
meus filhos, esposo, genros e minha linda netinha Jhully
Lorena, aos amigos e todas as pessoas que acreditaram em
mim
para
alcançarmos
juntos
uma
riqueza
de
conhecimento nunca antes visto por mim, mas que
somente foi possível quando soube aproveitar as belezas
da vida.
“Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e
cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz.”
Gonzaguinha
ERA UMA VEZ...
HISTÓRIAS E MAIS HISTÓRIAS
Tema: Colaboração da literatura infanto-juvenil contadas por meio do corpo, teatro,
fantoches contadores de histórias e outros recursos usados nas salas de aula entre alunos
de 9 a 13 anos.
Problema: De que forma que a literatura infanto-juvenil contribui no processo
acadêmico entre alunos que pouco ou nada gostam de ler ou conhecer outra realidade
fora de seu cotidiano empregando neste processo de aquisição, vários recursos como
fantoches, bonecos, teatro e outros?
Hipóteses: Construção de hipóteses e conceitos próprios por meio do uso de histórias
que serão complementados com a aplicação de teatro, fantoches, ventríloquos, do
próprio corpo para aperfeiçoar as situações vividas em seu dia-a-dia e ainda incentivo
do emprego do corpo a favor do aprendizado, o aperfeiçoamento da compreensão dos
próprios sentimentos e o gosto pelas histórias quando se é participante ativo da mesma.
Justificativa
Conhecer outras realidades e outros mundos do qual não se faz parte é cada vez
mais atraente até porque a própria realidade já se conhece e deixa de ser nova e criativa,
porém o mundo onde tudo é possível e tudo pode acontecer à medida das próprias
vontades e necessidades parecem se uma boa razão para entrar no mundo dos livros e
das “contações de histórias” em que tudo é possível e autorizado.
Neste projeto estará recuperando as raízes de uma longa jornada em que se
perdem as principais referências para depara-se com outras realidades contidas em
mundos diferentes da realidade dos alunos em que recorrem sempre às tecnologias e a
textos prontos sem ao menos ter acesso à produção por prazer, a leitura dinâmica e
significativa e mais ainda se distanciando de ler, ouvir e apreciar boas leituras e bons
momentos de grandes descobertas para se entregar integralmente as novidades
coloridas, animadas e prontas sem esquecer que o mundo da leitura não se resume aos
livros, mas também é possível recorrer a tantos outros recursos como o teatro, fantoche,
ventriloquismo, entre tantos outros meio.
Em meio a tantos recursos tecnológicos os livros perderam espaço para a nova
era moderna, mas por meio do resgate de alguns pontos importantes é possível resgatar
o gosto pelo mundo das histórias contadas de diversas formas, lembrando que muitos
alunos do interior pouco ou nada conhecem sobre o mundo do teatro, informática, não
desenvolveram o gosto pelo mundo da leitura e menos ainda dos fantoches tão pouco
dos ventríloquos que são quase imperceptíveis aos olhos acostumados com a imagem e
o movimento nas telas de televisões e computadores (os que possuem acesso ainda que
sem o uso da Internet) desconsiderando assim totalmente o mundo dos contadores de
histórias que apesar de tantos percalços ainda sobrevive as dificuldades relacionadas a
falta de tempo e a correria do dia-a-dia que não permite uma parada para ver, ouvir ou
mesmo sentir uma história, preferindo por vezes prostrar frente a uma televisão ou
mesmo um computador.
O mundo das histórias contadas de diversas formas abre-se ao conhecimento
desenvolvido por muitos educadores, mas restam algumas dúvidas que estarão
acompanhando o docente como o porquê ensinarem de uma forma e não de outra, as
reais utilidades para o aluno no mundo exterior a sala de aula em que a realidade quase
sempre não é a mesma e passa a exigir mais, a possibilidade e criar um mundo paralelo
ao mundo em que o aluno vive para não despertar assim somente a imaginação levandoo para longe de sua realidade para viver apenas no mundo irreal das histórias e ainda
como transportar o aluno com sucesso para este mundo desenvolvendo gosto e apreço
pelo mundo dos livros e das diversas histórias existentes neste sendo que o leitor pode
ou não se transportar a ele.
O corpo sempre falou e mostrou respostas a todos mesmo quando o homem
passa a não entender o que vem a ser os sintomas e indicações destas respostas, mas
sempre se teve dificuldade de aceitar ou mesmo ouvir o corpo falar em forma de
mensagens que poderão ser transmitidas por meio de corpo em vários momentos em que
este conta um história, usa-se o teatro para empregar resultados, fantoches, bonecos,
ventríloquos e tantos outros para enfim atender um público que não possui tanto contato
com o mundo das histórias que por muitos momentos ocorre dentro do corpo e por meio
do corpo expressa em arte e encanto.
Objetivo geral
Compreender como ocorre a aprendizagem significativa por meio da leitura
corporal e das interpretações feitas com alunos de 9 a 13 anos sendo empregadas para
tanto o teatro, a dança, o ventríloquo, o fantoche e os contadores de histórias que estarão
interagindo para a construção de novos conhecimentos.
Objetivos específicos
Descobrir o funcionamento da arte ocorrida por meio de história contadas de
diversas formas para assim compreender a aprendizagem significativa adquirida por
meio da leitura em harmonia com o corpo, a fantasia e a descoberta para isto é preciso
desenvolver atividades e estabelecer objetivos como:
•
Realizar pesquisa bibliográfica sobre o uso da literatura em sala bem como o
emprego do teatro, do fantoche e todos os recursos utilizados e confeccionados
para a contação de histórias;
•
Realizar pesquisa bibliográfica sobre como ser um contador de histórias;
•
Compreender o papel do professor mediante a leitura e o conto de histórias bem
como a sua postura frente o emprego de diversas formas de contar histórias que
são necessários o uso do corpo (fantoches, ventríloquos, danças, contadores de
histórias, etc.);
•
Conhecer alguns projetos de leitura executados por outros professores e até
mesmo por outros estados que envolvam os elementos já citados no item
anterior;
•
Analisar as contribuições da Leitura e interpretação para a melhoria da
aprendizagem acadêmica;
•
Compreender a importância do teatro para a formação acadêmica e pessoal de
cada aluno;
•
Confrontar as diversas formas como são contadas as histórias;
•
Compreender as dificuldades dos alunos e seus caminhos para as possíveis
soluções das dificuldades detectadas;
•
Verificar e analisar o comportamento dos alunos mediante as formas utilizadas
para contar histórias bem como a motivação destes frente as histórias.
Metodologia
Planejamento, palavra esta que resulta em muitos resultados que possibilitam
diversas compreensões, no entanto para realizar este projeto o planejamento passou a
fazer parte efetiva deste, pois para conquistar bons resultados tornam-se obrigatório
aprender algumas lições que vão beneficiar claramente a aprendizagem real e
significativa.
Para a aquisição de bons resultados será necessário promover ações que favorecerão
este, para isto ocorrerá várias pesquisas bibliográficas sobre o tema e ainda estar sempre
observando algumas histórias contadas bem como o comportamento dos alunos
mediante histórias transmitidas por meio do teatro e suas variações.
Outra medida a ser tomada é observar a postura do professor mediante o emprego de
recursos didáticos e não-didático para alcançar os objetivos iniciais do professor em sala
para assim conquistar a próxima etapa que é a realização de pesquisas sobre alguns
projetos já realizados e ainda a serem executados por professores e até mesmo por
outros estados para ser possível então formular questões relacionadas ao tema
despertando o gosto e o prazer em assistir documentários sobre o tema que estarão
complementando e/ou trazendo várias informações necessárias à aprendizagem do
aluno.
Observar a postura de alguns professores mediante as dificuldades encontradas com
a leitura e interpretação de uma leitura quando se emprega o corpo para contar será
visível, mas no entanto indispensável quando se trata de uma aprendizagem com
qualidade, pois o professor passa a aprender com o aluno e também ao contrário, mas
como não se conta com o acaso e sim com as oportunidades, o aluno e o professor
estarão se completando e ainda se beneficiando com as grandes conquistas ocorridas
com o trabalho conjunto.
ERA UMA VEZ...
HISTÓRIAS E MAIS HISTÓRIAS
Orientadora: Fabiane Muniz da Silva
Resumo
As histórias como fonte de agrupamento de pessoas ao redor do contador e ainda
como emprego de recursos como o teatro de bonecos e o teatro convencional sendo que
estes recursos poderão ser empregados em sala de aula como fonte de conhecimento e
aproximação do aluno que distante, possa estar em contato com um meio que é afastado
para muitos que é a cultura e seu emprego no dia-a-dia.
Palavras-chaves: corpo, teatro, bonecos, aplicabilidade em sala, fantasia e realidade.
SUMÁRIO
Introdução .................................................................................................................
CAPÍTULO I - UM MUNDO FANTÁSTICO: HISTÓRIAS CONTADAS E A ARTE
DA FANTASIA
1.1-
As histórias e sua importância .....................................................................
1.2-
O mundo das histórias infantis.....................................................................
1.3-
As histórias e o contador ............................................................................
1.4- As histórias e a oralidade .................................................................................
CAPÍTULO II - O FANTÁSTICO MUNDO DOS BONECOS
2.1- As histórias e os bonecos ................................................................................
2.2- Mamulengo ......................................................................................................
2.3- Marionetes ......................................................................................................
2.4- Ventríloquo ...................................................................................................
2.5- Fantoche ........................................................................................................
CAPÍTULO III - O TEATRO: A ARTE DAS HISTÓRIAS DE ENCANTAMENTO E
DA FANTASIA
3.1- A capacidade de ser outro ................................................................................
3.2- Nascimento do teatro ........................................................................................
3.3- Teatro de Sombras............................................................................................
3.4- Teatro de máscaras
3.5- Teatro na escola
CAPÍTULO IV - AS HISTÓRIAS EM SALA DE AULA
4.1- Colaboração das histórias em sala de aula Aplicabilidade.................................
4.2- Professores e alunos: Histórias e encantamentos...............................................
CONSIDERAÇÕES FINAIS .....................................................................................
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICA ..........................................................................
ANEXOS
Introdução
Viajar neste mundo onde a vida é capaz de renovar-se, de ter posições sociais
invertidas, vivenciar a inversão de valores, a inversão de papéis, já que nem sempre o
sábio é quem possui dinheiro, portanto o mundo da fantasia vem para mostrar que tudo
é possível quando se deixa à imaginação correr livre alimentada por um vasto império
de fantasias, viajando por realidades que fogem a realidade por simples mortais
vivenciada, o que não deixa de dar oportunidade a todos de encontrar outras realidades
que não ao vividas, mas possíveis quando a imaginação tem liberdade para ser
remontada e reconstruída apesar das várias dificuldades.
A contação de histórias sempre despertou o interesse de muitos que buscaram as
histórias para reunir pessoas, para encantar e para provocar a magia e o encantamento,
para tanto muitos recursos são empregados para que estas histórias não sejam apenas
mais uma história a ser contada, para isto, todos os recursos que estiverem a disposição,
mesmo que estes estejam ou pareçam estar em desuso.
Nas páginas que seguem estarão contidas algumas reflexões sobre o uso,
aplicabilidade e mesmo as incentivas à introdução e a permanência dos filhos/alunos no
mundo em que todos podem ter acesso, interesse e permanência, pois este não possui
efeitos colaterais se aplicados em superdosagens, portanto, em meio à atrapalhada e
corrida rotina do homem moderno, o teatro de bonecos vem sendo esquecido,
recuperado e ao mesmo tempo revitalizado causando assim vários sentimentos e que
facilitarão e ainda possibilitarão o emprego deste em vários momentos para
complementar a fantasia e a magia das histórias que estarão sempre em contraste com o
lado do abandono e descaso de quem deveria estar sempre recriando e incentivando a
sua construção perante a atual realidade.
As histórias contadas com sonoridade, com recursos, com a estimulação da
atenção e ainda se empregando do corpo para estar próximo de quem ouve parecem
apenas mais um recursos, no entanto estes meio poderão fazer a diferença entre quem
conta com empolgação para quem estará ouvindo com dedicação e quem conta apenas
por contar fazendo com que quem ouve perca o interesse e a empolgação para continuar
ouvindo.
O emprego de bonecos que estará contando histórias estará aproximando quem
conta e quem ouve e ainda promove uma maior aproximação, para tanto as escolas que
sempre possuem um papel ainda mais intenso na aproximação do leitor e do escritor,
além de estar ainda aproximando-o do encantado mundo das histórias, tornam-se
responsáveis por estar completando e mesmo auxiliando a adesão e o gosto pela cultura
e pela Arte, já que ambas vem sofrendo um profundo descaso e desvalorização.
Como muitos já conhecem a magia das histórias não nascem com quem estará
ouvindo estas histórias, estas passam a serem desenvolvidas por quem cerca a criança e
ainda incentivadas pelos mesmos que tem papel fundamental nesta formação que é os
pais e ainda a escola com todos os seus membros, para tanto todos se tornam
responsáveis para estar buscando e mesmo resgatando o interesse pela fantasia e pela
magia das histórias que muito contribuem para a formação intelectual e acadêmica
destes pequenos cidadãos ainda em formação.
Já que sempre se ouviu falar que a sala de aula é um espaço democrático em que
todos os sentimentos, desejos, crenças, pensamentos, tristezas e tantos outros
sentimentos e situações diversas estão tão evidentes, cabe ressaltar a condição da
contação de história com o emprego do corpo, de bonecos e mesmo o contador como
fator que será empregado como novidade em sala, mas que não deixa de estar muito
intensa fora dela por diversos meios.
No mundo da magia muitos são os personagens e pelo fato de ter neste mundo o
real e o imaginário é possível ver muitas histórias um tanto contraditório se apoiarem
umas as outras em se tratando de um mundo muito amado, porém pouco praticado
devido às várias realidades do homem moderno que vive cheio de compromissos e
outras responsabilidades.
No mundo atual o pensamento crítico, a consciência política formada e a
satisfação aliada ao prazer, tornam as histórias um mundo ainda mais atrativo, pois
muitas são as possibilidades de alcançar todos os tópicos citados acima e ainda
promover um alto grau de instrução podendo não parecer nada e nem tão pouco ser o
melhor para outros, mas é o que muitos são capazes de fazer com todas as suas
dificuldades e limitações frente a um mundo “letrado” do qual muitos se querem fazem
parte.
CAPÍTULO I
UM MUNDO FANTÁSTICO:
HISTÓRIAS CONTADAS E A ARTE DA FANTASIA
1.4- As histórias e sua importância
Todas as crianças em sua idade inicial gostam de ouvir histórias sobre aventuras,
lendas, momentos, fantasias e outras histórias que com o tempo perde-se por que os
adultos que convivem com estas crianças não possuem tempo para ler tais histórias ou
mesmo ajudá-las a ler quando estas já são capazes de fazer. Após algum tempo as
crianças perdem o gosto pelo mundo fantástico onde tudo pode acontecer, para realizar
outras histórias, outras brincadeiras e outras atividades que não deixa como espaço a
leitura.
Viajar neste mundo onde a vida é capaz de renovar-se, de ter posições sociais
invertidas, vivenciar a inversão de valores, a inversão de papéis, já que nem sempre o
sábio é quem possui dinheiro, o fantástico mundo das histórias e das aventuras,
interpretadas, lidas, ouvidas ou mesmo sentidas, vem para mostrar que tudo é possível
quando se deixa à imaginação correr livre alimentada por um vasto império de fantasias,
viajando por realidades que fogem a realidade por simples mortais vivenciada, o que
não deixa de dar oportunidade a todos de encontrar outras realidades que não ao vividas,
mas possíveis quando a imaginação tem liberdade para ser remontada e reconstruída
apesar das várias dificuldades.
Hoje pensando na disponibilidade do homem moderno para o ritual da contação
de história é possível prever que houve uma grande perda de oportunidade de
encantamento com a palavra decidindo assim a não tocar na renuncia da solidão.
Certamente deixou-se de enredar nas próprias histórias perdendo, portanto a
maravilhosa condição de ir e vir, de voltar e tornar a voltar às histórias, e mais se perdeu
a possibilidade de mudar de lugar e olhar, já que tudo fica concentrado as limitações
tecnológicas e automatismo dispensando as velhas conversas ao redor do fogão à lenha,
fogueira ou mesmo na mesa do jantar onde todos se reuniam para conversar e mesmo
para ouvir e contar histórias.
Ainda pensando na magia do encantamento e das grandes emoções do mundo
das histórias é possível um arremesso as grandes fábulas e histórias encantadas onde há
aventuras, grandes paixões, dores, sofrimentos, mocinhos e vilões, o que obriga a
refletir sobre os momentos de uso destas histórias e sua importância para a vida de
quem conta e de quem a ouvi, pois durante a contação mais importante são as emoções
e sentimentos despertados por este, porém é compreensível que:
“a magia de contar história consiste na capacidade que as
histórias têm de expandir a percepção, aumentar o esclarecimento
e os estados sobrenaturais da consciência. Qualquer um que tenha
experimentado meditação orientada conhece a forma mágica do
ouvir histórias. (...) Esta imagens oferecidas pelas passagens do
conto nos tocam em lugares especiais, nos tocam no mundo
interno. O ritual de contação de histórias desperta aquela parte
interior que ainda lembra e reconhece as energias sutis desses
jogos da vida. O encanto leva-nos a tornarmos-nos crianças
novamente. Para a criança todas as coisas estão vivas. (...)
Infelizmente, esses entendimentos vão morrendo com o tempo e
dando lugar muitas vezes a uma razão objetiva e cruel do mundo
adultocêntrico. (HAMZE, 2007)
A arte da Palavra tem o poder de reavivar as emoções do mundo interior,
despertar sentimentos adormecidos, estimular a compaixão e a solidariedade, traz
sabedoria e perspicácia, aviva a imaginação, daí o processo de audição de uma história
pode ajudar, a encontrar soluções para problemas, inquietações, confusões, temores do
ouvinte que ê seus conflitos se tornarem mais compreensivos com o desenrolar de uma
história reside à possibilidade de resolução de conflitos.
“as interpretações simbólicas, dos contos, podem nos
preparar para enxergar verdades ocultas e a existência de muitos
padrões dirigindo-os para uma percepção mais qualitativa.
Embora existam muitas interpretações sobre os contos, devemos
lembrar que cada conto, que os mitos e as lendas, têm um
potencial de ressonância único em cada indivíduo, pois que cada
pessoa está em um instante de desenvolvimento: mental,
emocional, intelectual, cultural. Momento único e muito
particular. E é aí que ela, a história, revela sua verdadeira força,
uma vez que tem potencialidade de falar à alma humana, de tocar
a essência das coisas, independentemente de lugar, faixa etária,
credo, raça. Os Contos de Tradição oral são uma obra de arte
como todas as outras. Tocam cada um particularmente”.
(HAMZE, 2007)
Toda e qualquer criança desde o seu nascimento é uma grande admiradora do
fantástico mundo das histórias, com seus personagens diferentes, suas aventuras
incríveis, vilões superinteressantes, heróis sagazes e audaciosos, mocinhas belíssimas e
incríveis finais, mas com tudo isto é comum que nem sempre todas as crianças e os
adultos tenham acesso a este mundo em que as histórias passam a mascarar o que de
fato é uma necessidade.
Os adultos ainda na sua fase criança admira e gosta de ler ou ouvir histórias o
que não é diferente nas crianças, pois as mesmas possuem características próprias e
gostos individuais, mas para chegarem a esta decisão necessitou-se de alguns estudos,
pois até então se acreditou que a criança era uma adulto em miniatura, mas:
“no século XVII, a compreensão de que as crianças tinham
uma psicologia distinta da dos adultos e o desejo de moralizá-las
abrem espaço para o surgimento de uma literatura infantil. Contar
histórias através de desenhos é algo bastante antigo, mas tais
como as conhecem hoje as histórias em quadrinhos surgiram no
século XIX, acompanhando os avanços tecnológicos da imprensa
e o desenvolvimento do jornal. Combinando imagem e texto,
personagens com traços juvenis, que são heróis e ao mesmo
tempo garotos propaganda, as histórias em quadrinhos exercem
um fascínio especial sobre as crianças. Refletindo contextos e
valores culturais, elas afetam, informalmente, a educação de seus
leitores,
transmitindo
estereótipos
e
ampliando
seus
conhecimentos sobre o mundo social. Como qualquer outro
gênero literário as histórias em quadrinhos podem ser boas ou
ruins do ponto de vista de seus conteúdos. Considerando as
características de sua linguagem, seu uso pedagógico em
contextos de educação formal tem sido recomendado por
especialistas”. (COELHO, 1987).
Com o passar do tempo às concepções de literatura e suas utilidades vieram
sofrendo profundas transformações e com isso surgiram alguns escritores com literatura
própria para a idade de cada fase da criança para assim investir no mundo da literatura
infanto-juvenil como é o caso dos irmãos Grimm, Perrault e tantos outros que
escreveram pensando em contar histórias para as crianças e adolescentes, ou seja, para
um público alvo distinto dos adultos.
1.2- O mundo das histórias infantis
O mundo da literatura infantil apresenta-se como um aliado para a contação de
histórias, mas sempre se contam estas sem ao menos conhecer sua origem e sua história,
por isto é bom conhecer e saber que:
“a literatura infantil ocidental surgiu na França, em 1697,
com a publicação por Perrault dos oito “Contos da Mãe Gansa”:
A Bela Adormecida no Bosque, Chapeuzinho Vermelho, O Barba
Azul, O Gato de Botas, As Fadas, A Gata Borralheira, Henrique
do Topete e O Pequeno Polegar. (COELHO, 1987)
Estas e outras histórias tornaram-se conhecidas no mundo das crianças e
adolescentes, mas não deixou de ser parte do mundo dos adultos em que cresceram
ouvindo e recontando estas e outras histórias que em muitas situações foram recontadas
sem o auxilio dos livros ou de outros recursos escritos valorizando assim a literatura por
meio da oralidade, o que é muito comum entre as pessoas dos locais mais pobres que
pouco ou nada conhecem do mundo dos livros. Em cada momento de recontagem de
histórias de forma oral é comum acrescentar ainda gestos, sons, personagens, cenários,
animais, bruxas, príncipes, vilões e tantos outros elementos próprios da oralidade, mas
como se sabe cada contador de histórias possuem suas próprias características.
Para cada pessoa em que ouve uma história esta passa a agir de forma variada,
pois cada um interpreta de forma diversificada, mas é comum as histórias terem
impactos diferentes em determinadas regiões levando-se em conta a cultura local, o grau
de instrução e tantos outros reflexos escondidos por trás das diversas histórias, devido
as adversidades que o homem moderno vem se adequando, mas em locais mais
distantes das grandes capitais é comum em poucos locais encontrar grupos inteiros que
se acomodam em torno de uma figura para ouvir e viver as grandes histórias que em
certos momentos são as próprias histórias e as próprias vidas que passam a ser parte do
grande ritual do fantástico mundo da fantasia e da imaginação, sabendo disso é possível
compreender que:
“lá nos sertões da África, entre aldeias distantes
Caminham mulheres e homens aprendendo e ensinando a
sabedoria daquele povo são os griôs e quando os griôs chegam
nas aldeias as crianças, os pais, os tios, e os avós sentam em uma
roda e está aberto o ritual do contador de histórias. Os Griôs são
os contadores de histórias. A cada geração, carregam na memória
essa ilha de edição: a tradição da história oral”. (MINISTÉRIO
DA CULTURA, 2005)
Conhecer, ouvir, sonhar e fantasiar as mais fantásticas histórias é possibilitar
entrar em contato com um mundo pouco presenciado na atualidade devido às várias
ocupações do homem moderno, mas nem por isto é retirado das crianças e dos adultos
que adentraram o fantástico mundo das histórias o prazer de estar em contato com as
mais improváveis aventuras no mundo imaginário, porém possível e real dependendo da
criatividade e interesse.
As novas realidades modernas roubaram das crianças o contato direto com as
histórias contadas pelos pais, mas não foi possível retirar destas o gosto pelo fantástico e
aventureiro e por isto mesmo ainda que pouco exista alguns contadores de histórias que
acompanham o desenvolvimento das crianças preservando a memória criativa, gosto
pelas descobertas e a vontade de permanecer a vivenciar histórias que não são suas, mas
que este passou a estar em constante contato despertando assim o gosto pelo
desconhecido e adquirindo o espírito aventureiro que não sai do mundo em que de fato
habita.
1.3-
As histórias e o contador
O poder de contar histórias não se dá apenas aos artistas e aos grandes
contadores de histórias, como também as pessoas comuns em que possua boa vontade e
interesse, mas como se sabe as histórias mudou a forma de serem contado, o contexto
pelo qual estava inserido, se popularizaram e ainda passou a ser do conhecimento de
todos, pois muitos possuem acesso a livros, DVD’s, teatro, cinema e tantas outras
formas que passaram a ser facilitada, mas ainda possuem algumas restrições devido às
condições econômicas da população.
Apesar de ser muito conhecida pela população, a história vieram modificando
ao longo do tempo devido muitos motivos, mas nem por isto deixou de ser conhecidas
entre a população, pois estas passaram a serem contadas a partir das necessidades da
mesma, seja ela para adormecer crianças em seu leito, ensinarem por meio de parábolas
ou mesmo utilizá-las como recurso para uma maior aprendizagem.
Sabendo das várias formas encontradas pela população para aproveitar-se das
diversas histórias, é necessário empregar as diversas histórias a favor da aprendizagem e
do conhecimento, pois como todos sabem é necessário que se crie o interesse pelas
fábulas e mesmo pelos diversos métodos a serem aplicados para contar histórias de
forma a incentivar o contato direto com o mundo da fantasia e das aventuras, por isto
qualquer momento é o momento de histórias não devendo haver restrições ou mesmo
impedimentos, daí é compreensível que:
“não existe hora certa para contar uma história. A
oportunidade e o interesse da criança é que mandam. E vale quase
tudo, levando-se em conta a curiosidade inesgotável dos
pequenos. Temos os mais diversos portadores de texto para fazer
isso”. (CARNEIRO, 2001)
Não havendo momentos para que as histórias sejam contadas é necessário que
todos que possuírem ao menos o menor dos vínculos com uma criança ou mesmo quem
tiver o interesse de contar histórias possam ser incentivados a fazê-la. Ser um contador
de histórias não depende do grau de escolaridade nem tão pouco sua posição social ou
econômica, mas sim depende apenas do interesse e habilidade em empolgar e garantir a
permanência do ouvinte preso à história, para isto é importante lembrar que:
“qualquer um pode contar histórias. É do humano a
prerrogativa da palavra. Entretanto os contadores de histórias
mais antigos, os bardos, impregnavam a o conto com imagens
ricamente detalhadas, com o intuito de produzir efeitos especiais
na mente de quem os ouvissem. Depois de muito meditarem,
sobre a história que seria narrada, discursavam de maneira
condizente à audiência, ou seja, procuravam falar a língua dos
ouvintes a partir dos olhos da imaginação, para posteriormente
conduzir o espírito dos mesmos para muito bem onde ele, o
contador de história queria. Um eficiente contador de história
freqüentemente descreve, através de imagens e ações as
personagens, o estado interno de consciência, o caráter dos
mesmos. A história passa a ser, então um espelho que reflete
aspectos específicos do mundo inteiro”. (HAMZE, 2007)
Muitos são os critérios empregados para garantir a permanência e a atenção do
ouvinte à história, mas um importante critério é a história e seu contexto, pois cada
história possui um público alvo para esta, daí cada história depende da forma como é
contada e ao mesmo tempo alguns aspectos a serem analisados pelo contador de
histórias, pois como se sabe este não poderá em nenhum momento esperar a atenção dos
espectadores mediante a inadequação desta para sua idade ou mesmo a falta de
criatividade e vida nas histórias, excesso de gestos que chamam atenção apenas para as
mãos ou mesmo a insegurança do contador e outros.
Ainda prevalecendo o quesito adequação das histórias à idade de cada
espectador é necessário analisar alguns fatores que se tornam importantes para quem vai
contar histórias, pois qualquer falha no planejamento poderá causar grandes frustrações
a ambos, para isto é necessário avaliar bem e cercar-se de cuidados para não causar
assim a apatia do ouvinte às histórias, para tanto:
“deve-se atentar para a idade da criança e sua capacidade
de concentração na escolha da história certa. Para os menores, o
ideal é propor histórias curtas, com muitas imagens. A imitação
de sons e vozes diferentes, gestos e movimentos também são
muito importantes, porque vão permitir uma interação maior. O
ganho de vocabulário acontece sempre, assim como o estímulo
que a descoberta e a aventura das histórias representa na formação
de futuros leitores. O conta outra vez – demanda quase
automática ao fim da história, é uma forma da criança buscar
segurança. E o estímulo deve começar cedo, quanto antes,
melhor”. (CARNEIRO, 2001)
Em meio às novidades da tecnologia muitas histórias passaram a serem contadas
por outros meios fazendo assim o papel do contador de histórias que em sua maioria
deveria ser os pais que supostamente deveria ser a pessoa mais próxima de uma criança,
estas perderam um pouco do encanto, porém criou-se outros vínculos e outros recursos
para a contação destas, mas nem por isto extinguiu-se o encanto e a magia que
transporta e recria outros cenários e outras realidades onde tudo é possível e onde as
mais incríveis fantasias e crimes poderão ser facilmente solucionados.
1.4- As histórias e a oralidade
Contar histórias não se resume a apenas repetir tudo o que está escrito ou mesmo
o que foi ouvido por meio de terceiros, mas sim expressar em palavras, gestos ou ações
o que a imaginação permitir, transmitindo as emoções, sentimentos e as angustias
vividas pelo personagem, daí é possível compreender que contar histórias é importante
para quem conta e mais ainda para quem ouve, pois nestas narrações estão impregnadas
as emoções do narrador e a transmissão das mesmas aos ouvintes destas.
Saber contar e ouvir histórias é uma arte, estas histórias mostram o que está além
das páginas de um livro ou outro registro, mas quando estas histórias valorizam a
oralidade esta toma outra importância a quem ouve ou relata, mas para conhecer sua
verdadeira importância somente quem está concretizando estas emoções poderá relatar
com mais veracidade.
A oralidade sempre foi uma fonte de transmissão de muitas histórias, pois é por
meio da oralidade que muitas informações foram passada de pais a filhos e entre as
diversas gerações, mas conhecendo a importância da oralidade e das histórias em que
valorizam mais que a leitura destas é importante também compreender que a oralidade
fez e ainda faz pare da atual sociedade em que está sempre em constantes atividades
necessitando aprender a se organizar e a registrar suas ações diárias, mas antes disto é
necessário aprender a concentrar e envolver as emoções presentes nas histórias. Como
em cada história há uma concentração em êxtase de emoções e sentimentos é necessário
compreender que além da leitura o mundo das descobertas das histórias vai além do
momento da contação indo agir diretamente nas emoções, daí depois de muitas
frustrações por não compreende o que está além das linhas registradas nas páginas de
papel de um livro é preciso analisar para conseguir ver que:
“com o tempo, compreendi o quanto é importante escutar
e contar e escutar o que se escuta, em sua motivação, se traduz no
ato de contar acontecimentos. Contamos histórias para encantar,
convencer e para ser desculpado, para comunicar fatos,
sentimentos, magoas e alegrias. E quando contamos histórias,
passamos a fazer parte do acontecimento que estamos narrando.
Somos partícipes de todas as histórias que contamos. Percebi,
também, que o ato de contar histórias implica em compreender a
dinâmica da vida que vivemos”. (MACHADO, 2007)
No passado muitas informações eram passadas por meio da oralidade, muitos
acordos eram selados apenas por meio da palavra, muito conhecimento da própria
história de vida era adquirido nos poucos momentos em que as famílias se juntavam
para discutir os problemas e ainda o conhecimento do mundo além dos imites dos olhos
no horizonte eram feitos por meio da oralidade que passou a ser desvalorizada na
atualidade, mas ainda assim esta passa a te uma profunda importância no mundo em que
tudo é possível e no mundo da fantasia em que o homem mais simples poderá ser o mais
rico e lindo príncipe encantado devido o poder da imaginação e do bom gosto de ouvir e
recriar suas próprias histórias.
Contar histórias sempre foi a razão pela qual muitas pessoas conheceram outras
histórias pelas quais não viveram e por isto mesmo passa a aprender a valorizar, ainda
que pouco, o passado de muitos povos que viram na oralidade uma forma de perpetuar a
própria história, por isto em muitas salas de aula os professores vem incentivando o
aprendizado e valorização da memória e da criatividade em recompor e recontar
histórias que marcam e aprimoram o crescimento e o conhecimento e muitos, mas nem
por isso deixou-se de valorizar os registros escritos, pois estes também são importantes
para o desenvolvimento da criatividade, percepção e ainda preserva a identidade do
autor que não quer se revelar, além de outros itens aqui não mencionados.
Apesar de tantas novidades a oralidade não perdeu o espaço, apenas teve que ser
reeditada para assim ser elaborada com outros objetivos, pois estes já não acompanham
os velhos valores, mas nem por isto estes devem ser esquecidos, pois assim como os
ancestrais do povo atual, seus conhecimentos foram sendo repassados após gerações
que se inebriaram com as mais diversas aventuras e ainda aprenderam a conhecer novas
histórias, reelaborar velhos valores e rever antigos conceitos, sendo assim necessário
analisar a importância para a opção da oralidade em toda a sua importância, mas para
que esta valorização ocorra é necessário compreender que:
“após a invenção da imprensa, a narrativa oral perdeu o
status de principal maneira de transmitir saberes. No entanto, há
sociedades - como as indígenas - que durante séculos utilizaram
apenas a palavra falada para manter sua cultura, geração após
geração. Sabe-se hoje que cada forma de passar o conhecimento
tem funções diferentes. O livro é valorizado como objeto e
veículo de aprendizagem, e o texto escrito se apresenta como uma
forma de arte própria, que estimula o domínio de uma técnica
diferente daquela utilizada ao falar. Já no ato de contar histórias,
ressaltam-se o improviso, a cultura constituída na língua do dia-adia e a interação com o público. Um não é melhor que o outro.
Ler e contar podem igualmente ser seqüências monótonas de
palavras que não produzem um efeito significativo se quem narra
não imprime vivacidade e veracidade acedência da história”
(TOVIANSKY, 2006)
As histórias contadas por meio da prática constante da oralidade transformam as
mentes em poderosas máquinas que possuem grandes espaços para a memorização,
compreensão e ainda auxilia a criatividade, pois uma pessoa conta à história que
conhece melhorando-a, criando novas histórias e reeditando fatos que julga
desnecessário, por isto dentro ou fora da escola a prática da oralidade deve ser
preservada, o que facilita a comunicação e o diálogo, pois para se expor é necessário
antes conhecer outra realidade que não seja apenas a do contador, sendo necessário
então possuir audácia, coragem e veracidade nas palavras que poderão ser apenas
citadas ou mesmo acompanhadas de muitas emoções talvez não desenvolvidas fora das
histórias.
CAPÍTULO II
O FANTÁSTICO MUNDO DOS BONECOS
2.1- As histórias e os bonecos
Contar histórias ou mesmo ouvi-las sempre se tornou um prazer quando esta
passa a ser transmitida de forma agradável e prazerosa, mas para isto é necessário o
contador saber atrair e requisitar a atenção dos ouvintes e em algumas vezes é
necessário empregar alguns recursos para tornar esta mais atraente e estes recursos
poderão ser uma simples peruca ou mesmo o emprego de bonecos ou o uso do teatro
que estará fazendo o papel de contador de histórias.
O uso de bonecos para contar histórias passou a ser um recurso muito utilizado
para estar encantando e divertindo o público sendo independente do nome que este
possui o seu fundamental papel ainda é o de encantar o público e divertir que entra no
mundo dos bonecos, mas para conhecer um pouco mais é necessário conhecer o nome
destes em sua diversidade:
“por todo o mundo o teatro de bonecos apresenta-se com
uma determinada nomenclatura. Na Itália o Maceis que antecedeu
o Polichinelo; na Turquia, Karagoz; na Grécia, as Atazanas; na
Alemanha, o Kasper; na Rússia, o Petrosa; em Java, o Wayang;
na Espanha, o Cristóvão; na Inglaterra, o Poncho; na França, o
Guinchou; nos Estados Unidos, o Maltês e no Brasil o
Molengo”. (MACHADO, 2007)
Para cada local uma nomenclatura diferente, mas apesar de ser tão diferente em
muitas características permanecem vivas apesar do tempo e ainda remete os
pensamentos e reflexões ao passado, porém apesar de tantos anos de história o teatro de
bonecos permanece vivo na memória do homem moderno que quase sempre busca
respostas de suas dúvidas e suas ações no passado que trouxe o teatro, a música e tantos
outros. Como se sabe somente conhece algo no presente pela história que este carrega
consigo, daí para compreender a história e a importância do boneco na contação de
histórias é necessário compreender que:
“sua história está ligada aos atores do teatro popular grego
e romano. Na Grécia, os bonecos eram audaciosos, chegando a
ridicularizar as lendas cristãs. Roma assimila a cultura grega
fazendo com que o teatro de bonecos desenvolva-se por toda
Europa, porém na Idade Média, como todas as outras artes, o
teatro de bonecos também sofre perseguições, já que de início era
utilizado nas doutrinações religiosas da época. Passa então a ser
apresentado nas feiras livres das cidades”. (MACHADO, 2007)
No mundo grego onde o teatro serviu para incentivar a oratória e ainda como um
importante aliado na formação da democracia o teatro desenvolveu várias modalidades
de se expor formando assim mentes criticas, criativas e sem medo de se expor frente a
multidões e a obstáculos, mas se retornar ainda mais no passado o mundo artístico e
remonta a Pré-história onde o homem já apreciava expor suas aventuras e suas
conquistas.
Mesmo no passado quando o teatro ainda que não conhecido desta forma, já era
apreciado por muitos se empregando deste recurso para recontar, criar e incentivar a
participação de no fantástico mundo imaginário em que os feitos heróicos eram
recontados, o uso deste como emprego de estratégias de conquistas ou mesmo para
encantar alguém com a fantasia e a imaginação, por isto:
“acredita-se que o Teatro de Bonecos seja tão antigo
quanto o teatro convencional. Segundo pesquisadores a essência
do teatro de bonecos está na pré-história, quando os homens
primitivos encantados com suas sombras nas paredes das
cavernas, teriam desenvolvido o teatro de sombras na intenção de
divertir seus filhos. A partir daí a criatividade humana acompanha
a evolução passando por várias etapas, começando pelo boneco de
barro sem articulação e mais tarde os primeiros bonecos com
articulação de cabeça e membros”. (OLIVEIRA, 2006, p. 154)
O trabalho dos bonecos sempre foi prestigiado e ainda sempre serviu para estar
comprovando e facilitando o trabalho do educador e do contador de histórias
independente da época em que este está sendo empregado, mas a certeza é de que estes
bonecos tornam-se especialistas em prender a atenção e a curiosidade do telespectador,
pois é por meio da contação de histórias com os bonecos é que o mundo da fantasia e da
criatividade passa a ser mais que uma hipótese no mundo imaginário passando a ser
uma constante e até mesmo uma realidade ainda que temporária.
“foi por meio de seus colonizadores europeus que o teatro
de bonecos chegou ao Brasil. Eles eram utilizados nos trabalhos
de catequese. Mas foi no nordeste onde esta arte mais se
desenvolveu principalmente em Pernambuco. Nas cidades do
interior da Paraíba o teatro de bonecos recebeu o nome de Babau
e durante muito tempo foi um dos meios de comunicação mais
eficiente, pois era através desta arte que os problemas sociais
eram expostos para sociedade”. (OLIVEIRA, 2006, p. 154)
O trabalho com bonecos sempre favoreceu o aprendizado de muitos sabendo que
este foi possível o emprego como recurso para a alfabetização, cristianização dos
gentios, “domesticação das feras” e tantos outros empregos, mas como se sabe o boneco
nem sempre foi o mesmo durante tantos anos de história, pois assim como o homem
passou por transformações passando a se erguer, empregar novas tecnologias a favor da
melhoria do dia-a-dia e ainda descobrir seu potencial, mas devido tantas mudanças
empregadas e sofridas pelo próprio homem o teatro de boneco e mesmo os bonecos
sofreram mudanças que se tornaram variáveis de acordo com a necessidade.
Os bonecos perderam características, ganharam traços diferentes, ganharam
novas formas de serem gesticulados e manipulados mas:
“com o passar do tempo os bonecos foram adquirindo
caráter diferente, graças à maneira de serem manejados pelos
artistas, assim é que hoje podemos classificá-los em três grupos
distintos”;
a) – os de varinha;
b) – os que são movimentados por cordinhas (marionetes);
c) - os “guinou”, isto é, aqueles que são movimentados pela
mão do artista, que é introduzida dentro do fantoche: o
polegar vai a um dos braços, o indicador no orifício da
cabeça e o médio fazem o movimento do outro braço. A
voz é “de quem o maneja”. (MEGALE, 1999)
Não importando a forma como é o boneco, este ganhou espaço na formação
intelectual e acadêmica das crianças no passado, passou a ser um importante aliado no
processo ensino-aprendizagem, ganhou status de celebridade em shows, adquiriu
importância e ainda assim poucos o conhecem e menos ainda são empregados dentro
das salas de aula em que são rejeitados, pois exigem muito mais do que simplesmente ir
à frente e falar, necessitando agilidade, rapidez, criatividade e muito mais.
Apesar de serem fortes aliados, este pouco é empregado, pois muitos
desconhecem ou poucos desejam empregá-los em sala devido em muitas situações,
simplesmente desconhecê-los, mas na atualidade, esta realidade passará a uma reflexão
para quem sabe em algum momento poder ser empregado como um importante recurso
que é no processo ensino-aprendizagem que requer o emprego de muitos outros
recursos, inclusive os que vêm de fora da sala, ou seja de sua realidade, para estar assim
em consonância com as demais necessidades do aluno encontrando-se assim como um
facilitador da aprendizagem.
2.2- Mamulengo
É muito comum aos pais, ao nascer uma menina apresentar-lhe uma boneca
como sendo seu primeiro brinquedo, daí com o passar dos tempos as meninas passam a
cuidar da boneca já em preparativos para sua vida como mãe e dona de casa, ainda que
de forma inconsciente, mas o fato é que para algumas meninas a boneca é o primeiro
contato com a fantasia e as emoções vividas e cultivadas a partir da imaginação e da
criatividade. Quanto aos meninos o primeiro brinquedo quase sempre será uma bola ou
um carrinho e atividades realizadas sempre estarão ligadas ao desenvolvimento
intelectual e cerebral.
Brincar, descobrir, aventurar-se e tantas outras atividades despertam, no adulto,
a criança que é cheia de imaginação e criatividade em muitas vezes despertadas por
meio das brincadeiras e em outros por meio da vivência ocorridas por meio da contação
de histórias. Os bonecos têm papel fundamental no desenvolvimento das inteligências
múltiplas – talentos – por meio da improvisação, da capacidade de se relacionar com as
pessoas e mesmo com si própria e tantos outros benefícios.
Contar histórias nem sempre é muito fácil para pessoas com pouca experiência,
mas também aos mais experientes os altos níveis de estresse favorecem a dificuldade de
contar histórias, por isto alguns recorrem ao uso de bonecos, pois além de concentrar a
atenção do público no boneco e ainda leva o boneco a ser o maior destaque seja ele
sendo apenas o narrador ou o personagem principal de uma história envolvente.
Para contar histórias um dos recursos mais empregado é o uso do boneco
conhecido como mamulengo:
“é um tipo de fantoche típico do nordeste brasileiro. A
origem do nome é controversa, mas acredita-se que ela se
originou de mão mulenga - mão mole, ideal para dar movimentos
vivos ao fantoche. O Mamulengo faz parte da cultura popular
nordestina, sendo praticada desde a época colonial. Retrada
situações cotidianas do povo que a pratica, geralmente situações
cômicas e sátiras”. (MEGALE, 1999)
Enquanto a marionete é manipulada por meio do uso das cordas que são
variáveis em quantidade, este passa a ser um grande representante da cultura popular,
pois as pessoas mais simples que gostam de contar histórias passam a utilizar este como
sendo personagens satíricos para contar as diversas histórias que envolvem temas
diversos, por isto é compreensível que o:
“Mamulengo é uma espécie de divertimento popular que
consiste em representações dramáticas, por meio de bonecos, em
um pequeno palco ligeiramente elevado. Por detrás do pano
escondem-se uma ou duas pessoas adestradas, fazendo com que
os bonecos se exibam com movimento e fala”. (MEGALE, 1999)
Em muitos momentos da vida social de muitas pessoas é comum a convivência
desta com meios em que favorecem a ampliação de seus conhecimentos populares, daí
quando estas se deparam com o manuseio de bonecos e brinquedos típicos da cultura
popular que contam e recontam as mais diversas histórias causando os mais diversos
sentimentos, porém em se tratando de mamulengo muitas novidades poderão fazer parte
da vida e do crescimento deste recurso e do teatro que emprega este boneco como um
grande contador de histórias ganhando ainda mais espaço entre as camadas mais
populares da sociedade que não tem recursos financeiros para ir a um grande teatro
passando a estar sempre investindo no conhecimento do qual possui.
Para muitos o teatro de mamulengo é apenas uma expressão da cultura popular,
mas para outros este recurso torna-se um importante aliado no processo ensinoaprendizagem seja ele constituído dentro da escola ou mesmo fora dela, já que:
“o teatro de mamulengos é uma forma de expressão muito
popular, criativa e alegre. Ele é apresentado nas praças, nas feiras,
nos festejos da comunidade, nos quintais...Dois ou três
mamulengueiros ficam escondidos atrás de uma cortina e
manipulam os bonecos. Um sanfoneiro e um tocador de pandeiro
costumam acompanhar o espetáculo para realizar, ao vivo, toda a
parte musical”. (OLIVEIRA, 2006, p. 154)
Por parecer um recurso sem muita importância o “Mão Boba” ganhou um
grande papel na história dos contadores, pois este passou a interferir e reproduzir as
grandes histórias, ainda que improvisadas, pois entre estas histórias estão ainda
resquícios de fantasias e harmonia sem esquecer a popularização do boneco, das
histórias e a informação da cultura local onde este está inserido, pois como se sabe este
não é muito comum nesta região, mas em certos estados brasileiros estes possui ainda o
papel de divulgar a cultura popular bem como a importância de reunir um grupo de
pessoas para ouvir as mais incríveis histórias que contam uma infinidade de fatos
surgidos a partir da mente humana.
O Mamulengo inspirou muitas histórias como já foi relatado, mas também abriu
espaço para a descrição e relatos deste nas músicas populares como é o caso da música
“Flor do Mamulengo” gravada pelo grupo de forró Mastruz com Leite (música em
anexo) e tantos outros, mas sua importância não está somente nas letras das músicas que
relatam a paixão do povo pela sua obra de arte, mas também a forma que este possui
para aproximar grupos de pessoas em torno das histórias e das fantasias criadas pela
imaginação humana, por isto é comum encontrar uma variação de nomes em diferentes
regiões, mas:
“no nordeste do Brasil, especialmente em Pernambuco, o
teatro de bonecos é conhecido pelo nome de mamulengos. Em
outros estados, ele é conhecido também pelos nomes de João
Redondo, João Minhoca, Babau, Mane Gostoso e Birguelo”
(OLIVEIRA, 2006, p. 154)
Conhecer um pouco da arte dos mamulengueiros torna-se importante quando o
assunto é o seu teatro que reúne impressões indevidas, porém em meio a tantos
equívocos vale lembrar que a sua arte como tantas outras requer atenção e cuidados por
parte dos espectadores e mais ainda do artista que como tantos outros artistas em grande
maioria necessita de cuidados do público, pois sua arte em tantas situações requer
cuidado quanto:
“o espetáculo, como acontece como o de todos os
mamulengueiros, é, na sua maior parte, improvisado. É claro que
ele tem um roteiro para a história, jamais escrita, mas os diálogos
são inventados na hora, ao sabor das circunstâncias e de acordo
com a reação do público”. (FILHO, 1966, p. 155)
O trabalho com marionetes e os demais bonecos tem com missão contar histórias
para um público que nem sempre conhece bem ou mesmo o funcionamento e a
importância deste para o crescimento individual, portanto este e tantos outros bonecos
surgem como uma alternativa para atrair a atenção de adultos e crianças, apesar de saber
que estes bonecos têm pouco do conhecimento dos alunos que desconhecem em grande
parte o mundo das histórias que levam muitos a descobrir novos horizontes, mas devido
seu tamanho ou mesmo o cenário para a colocação deste, poucos são empregados em
sala de aula apesar de estes serem fáceis de serem manipulados e do grande benefício ao
aluno que certamente terá ainda mais interesse em ouvir histórias e os ensinamentos
necessários ao cumprimento do conteúdo programático a ser cumprido durante o ano
letivo fazendo com que este se transforma em uma fonte às novas descobertas.
2.3- Marionetes
Certamente muitos já ouviram falar em alguém que se tornou uma marionete nas
mãos de alguém, isto porque este passou a ser controlado a medida da vontade de um
comando, mas em se tratando do teatro de bonecos é natural falar e mesmo comentar a
importância de cada um para o mundo das artes.
Como é mais fácil definir por parte de alguns, todos os bonecos que são
manipulados por um barbante, vestido como uma roupa, comandado diretamente com as
mãos simulando uma conversa e uma voz sendo dada a um ser inanimado causando
euforia de muitos quando este passa a interagir com o público, passa a ser classificado
como sendo apenas fantoche ou marioneta como é definido por alguns, mas o fato
importante nestas linhas é definir o que vem a ser marionete apesar da simplificação do
teatro de bonecos.
Antes de conhecer o que vem a ser uma marionete faz-se importante relatar sua
história que se remonta a antiguidade e a história de deuses que nem sempre são tão
condescendentes com os mortais como contam as histórias encantadas de deuses,
monstros, seres grandiosos por sua imponência, inteligência e criatividade, por isto é
importante lembrar que:
“em sua origem, tornou-se no passar dos séculos um estilo
de opera chinesa em miniatura com suas particularidades:
espetáculo completo com danças e acrobacias onde se misturam
dramas e comédias. Se as marionetes atingiram um alto nível de
refinamento, é em razão do seu destino sagrado. Elas eram
utilizadas geralmente na ocasião das festas religiosas para a
distração dos deuses. O espetáculo de marionetes custando mais
barato que um espetáculo de opera, chamavam-se então os
marionetistas por razões econômicas. Mas as marionetes
elaboraram um estilo tão refinado como o teatro de atores. Eles
fizeram os deuses esquecerem que eles estavam apresentando
marionetes adotando nomes que definiam muito bem suas
afiliações com o teatro”. (KIDS, 2007)
Enquanto houver uma fonte para diferenciar a forma de aprender e de ensinar o
homem passará a empregá-lo em função da aprendizagem significativa, passando assim
em diversos momentos da história a ser empregada por diversas fontes de aprendizado,
por isto enquanto educador é necessário empregar recursos para estar assim ensinado e
levando muitos a aprenderem apropriando-se de recursos diversos para estar ao mesmo
tempo satisfazendo as necessidades do educador que tem a necessidade de repassar os
conteúdos necessários ao desenvolvimento do educando que deverão ser cumpridos
durante os anos letivos, quanto ainda para o educando que estará se desenvolvendo com
eficácia.
O tema nestas linhas não serão a importância de se utilizar ou não recursos para
aprender, mas a visão bem anterior a atualidade que já pensava no teatro de bonecos
como sendo um importante recurso a ser utilizado quando o tema vem a ser educação,
pois este além do professor em sala, bem anterior a obrigatoriedade da educação para
todos:
“durante a Idade Média, a Igreja Católica usou o teatro de
marionetes para difundir o espírito religioso, criando uma forma
de espetáculo que foi também denominado de Presépio. As
‘estórias’ são geralmente improvisadas, com diálogos inventados
na hora, de acordo com as circunstâncias e a reação do público,
misturando bichos - cobras, bois, cachorros, onças - gente vaqueiros, latifundiários, bandidos e entidades sobrenaturais
como, o Diabo, a Alma, a Morte.”. (REIS, p.7, 1983.)
Após conhecer um pouco da história do teatro de marionetes, faz-se então
necessário conhecer ainda o funcionamento deste que representa o encantamento de
crianças e adultos no mundo fantástico das histórias. Este boneco comandado por um
emaranhado de fios que controlam os movimentos e até mesmo as reações do
personagem que interage com o espectador mesmo estando todos os fios amarrados em
uma vareta ou mais de forma a possuir muitos movimentos e ações muito humanizadas.
Uma marionete mesmo sendo manipuladas por meio de fios e amarrada em uma
vareta, o manipulador propicia a este vida própria ao personagem que recorre ao uso de
expressões, sentimentos e falas próprias em que concentram em si todas as atenções,
dispensando inclusive a atenção dada ao manipulador que perde a identidade e a própria
personalidade, pois este simplesmente passa a exigir muito mais de seu manipulador
que deve ainda colaborar de forma significativa e intelectual nas construções do
telespectador que em sua maioria ainda está pronto a aprender o que se passa ao seu
redor.
O manipulador torna-se a alma do boneco que irá se emprestada para uma nova
história, daí o que passa a ser indispensável ao crescimento deste que espera ansioso até
que as cortinas se abram para a nova realidade que é a contação de histórias que
determina o tamanho das novidades, por isto é necessário analisar e avaliar a
importância do teatro de bonecos para a formação de novas concepções em que o
boneco é um importante personagem, daí:
“O que determina o número de fios que fixaremos na
marionete é a quantidade e qualidade dos movimentos que
esperamos do boneco... A habilidade em manipular marionetes
está diretamente vinculada ao grau e intensidade do treinamento.
Quanto maior a quantidade de fios, maior dedicação e esforço
serão solicitados do manipulador” (SANTOS, 2007)
Manipular os fios de forma a dar vida ao personagem que nasce nas mãos do
manipulador é uma das atribuições do samantes do teatro que se emprega do recurso
boneco, para contar a história com sua magia e encantamento, já que pequenos e adultos
conseguem ver o mundo das histórias por percepções diversas, mas para uma criança
que ainda vê e consegue sentir a magia das fantásticas histórias o boneco passa a ser um
importante aliado, mas como se pode imaginar, este ainda não é de todo conhecido, pois
sua origem ainda é desconhecida e um tanto equivocada, pois segundo David Currell
em seu livro Making and Manipulating Marionettes:
“é bem provável que os primeiros marionetes incluíssem
figuras usadas em rituais de fertilidade; outros em templos para
inspirar a comunhão com o sagrado. Em algumas culturas
marionettes estiveram em uso antes mesmo dos atores, devido a
tabus religiosos relacionados à personificação. É sabido que
marionetes estiveram em uso na China por volta de 800 A.C., mas
os gregos provavelmente as usaram ainda antes. Referências à
marionetes aparecem na literatura romana por volta de 400 A.C.”.
(SANTOS, 2007)
Independentemente da origem e da funçãodo boneco o mais importante é o papel
que este possui na atualidade com sua função de contador de histórias, além de levar
crianças e adultos a compreender a realidade e ainda promover momentos de reflexão
por meio de parabolas e histórias ainda não conhecidas que levam muitos a descontrair,
refletir, apropriar-se de vocações e habilidades ainda não descobertas ou mesmo que
não estavam floridas no coração de quem ouve este e outros bonecos.
Este e tantos outros bonecos cresceram juntos com o público que o assiste, pois
este evoluiu juntamente com a tecnologia, mas não perdeu seu espaço nas fantasias e
encantamentos, ensinou a perceber o mundo por meio de oputros olhos, promoveu
momentos de descontração, elaborou modso próprios de vida, já que cada um possui
caracteristicas próprias que aproxima do ser humano e ainda conquistou diversos
públicos que possuem interesses divergentes, além de promover uma maior integração
entre pais e filhos que juntos descobriram a importancia de conviver e aprender novos
conceitos e redescobrir conhecimentos natos que estavam adormecidos a partir de
momentos de reflexão.
2.4- Ventríloquo
Nos tempos modernos as crianças perderam o interesse pelas histórias para se
dedicarem a filmes e desenhos animados com cores e movimentos que poucos
conhecem o mundo mágico das histórias que remontam histórias fantásticas regadas a
aventuras, histórias incríveis, romances que contrariam a convenções e ainda a
apresentação de seres fantásticos cheios de magia e encantamento, daí entre a população
mais jovem poucos conhecem a importância e o prazer que está em ouvir e participar
deste mundo pouco visitado apesar de acessível a quase todos.
Em tempos passados as famílias se reuniam para conversas ao redor da mesa ou
mesmo em tempos mais remotos, ao redor do fogão à lenha ou uma fogueira no quintal
para dialogarem e neste contexto muitas histórias eram recriadas, contadas a seu bel
prazer, mas como se sabe em tempos atuais esta se tornou um recurso pouco utilizado,
daí muitas crianças ou mesmo as novas gerações, não conheceram as histórias contadas
por bonecos manipulados por uma pessoa que o sentava em suas pernas simulando um
diálogo com o boneco e isto somente era possível, devido a criatividade do manipulador
que simulava de forma bem disfarçada, o som da voz deste boneco que atraia olhares e
sonhos.
A Idade Média no contexto histórico provocou profundas feridas na mente
humana podando e mesmo interferindo nas produções humanas, sendo que em muitas
vezes qualquer pessoa que desafiasse a autoridade religiosa ou mesmo tentasse provar
algum equivoco por parte do poderio religioso foi considerado bruxo e herege e por isto
deveria ser caçados como bruxas e morrer nas fogueiras da Inquisição causando ainda
mais limitações a criatividade humana, mas nem por isto o homem deixou que isto fosse
o suficiente para se submeter a morte intelectual criando e recriando grandes obras
deixando assim para a posteridade um legado de criação que ainda nos tempos atuais
provocam grandes questionamentos e corridas aos teatros e feiras culturais onde são
apresentados os teatros de bonecos.
Em meio à decadência do uso e da manutenção deste boneco é possível verificar
que ainda assim este passou a atingir grandes públicos com suas imitações e por sua
característica humorística além de educativa, mas este e tantos outros bonecos têm sua
origem ligados a religião, já que eram empregados para ensinar e até mesmo catequizar
os gentios que nada conheciam sobre os conceitos e preceitos cristãos, com o tempo o
ventríloquo passa a ser empregado em diversas fontes, pois este passa de uma geração a
outra causando sempre o encantamento e bons momentos de risos.
Conhecer um pouco a história deste boneco faz com que sua finalidade inicial
ainda persista, pois promovendo momentos de descontração e aprendizado, por mais
que seja despretensioso, em que personagem, ator e telespectador juntos, possam recriar
velhas histórias e novos recomeços somente possível quando o homem não esquece o
passado deste que possui longa história, por isto faz-se necessário saber que este boneco
é:
“uma herança cultural que nos foi legada pelo teatro
medieval, que tinham por finalidade apenas o fazer rir. Eram
desprovidas de qualquer intenção moralística e contavam sempre
casos do cotidiano, envolvendo a participação de um suposto
esperto e de um pretenso tolo”. (PINTO, 2004)
Em cada personagem, ainda que improvisado, possui um vasto conhecimento do
que é possível descobrir somente por meio do conhecimento que se possui deles, porém,
em cada fase deste conhecimento há a descoberta de novas criações e funções deste que
nem sempre foi construído para ensinar, mas apenas para divertir e nem por isto deixa
de ser empregado na sala de aula hoje em que o jovem aprendiz, sedento por novidade,
já que seu mundo é uma constante modificação, o boneco, principalmente o ventríloquo
que passa a ser um importante aliado neste processo ensino-aprendizagem em que o
aluno precisa aprender, mas perdeu o interesse, pois a escola já não consegue atraí-lo.
Sabe-se que a função da escola é preparar o aluno para o mundo além das portas
e das fronteiras da escola, já conhecendo que esta missão é árdua, pois muitos são os
conflitos que por momentos o obrigam a sair da sala, mas nem por isto o aluno poderá
ser prejudicado, mas este papel cabe ao professor que estará diretamente com o aluno
procurando solucionar as limitações que este possa possuir.
O Ventríloquo por mais decadente que esteja, pois poucos são os que conhecem
de fato o boneco em sua real necessidade e utilização, quando este ou outro boneco
adentra os portões da escola muito mudanças passam a ocorrer, pois aumenta a
receptividade do aluno que nem sempre possui disponibilidade e / ou interesse para
estar aprendendo, promove a integração do aluno a cultura propiciada pelo boneco,
aproximação do real e do ideal por meio da imaginação e a concretização de sonhos e
encantamentos e tantos outros benefícios em que somente são possíveis quando ao olhar
o mundo recorre-se as novidades presentes na imaginação e na aprendizagem do aluno.
2.5- Fantoche
È muito comum alguém falar a outro que ele é um fantoche nas mãos de outros,
isto por este fazer dele o que bem entender, mas um fantoche sendo um boneco
controlado por trás poderá ser mais que um simples boneco imóvel e sem vida em que o
manipulador apenas controla seus movimentos, este passa a ser um recurso em que o
contador de histórias emprega dando vida para constrói sua história baseada na própria
imaginação.
Um fantoche como recurso para contar histórias sempre atraiu a atenção de
todos os espectadores que adentram nas histórias e nas narrações, por isto é importante
que este boneco que é composto por diversos materiais seja visto como um recurso que
estará melhorando e ampliando ou mesmo regatando o gosto pelas histórias em que o
personagem representado pelo fantoche ganha vida e desta ganha novas aventuras.
Um boneco desta modalidade sempre terá muitos efeitos, podendo ser um
simples contador de histórias causando a atração da atenção a um boneco que conquista
a platéia e chama a atenção para suas histórias arrancando sorrisos e olhares admirados,
independentes da idade, mas estes bonecos que manipulados contado com movimentos
sincronizados juntamente a fala podendo este ser construído de diversos materiais
podendo ser:
“os fantoches são feitos de madeira, metal, papel, palha,
barro, etc. São vestidos a caráter. Geralmente cada boneco tem o
seu nome e a sua personalidade. Em todas as representações,
nunca saem de uma determinada “linha de conduta”. Assim o
chorão, o briguento, o valente, o bondoso, sempre se apresenta
com seus predicados, pelos quais se tornam conhecidos. Além
desses personagens humanos, há também os bichos, destacandose entre nós o brasileiríssimo jacaré. (MEGALE, 1999)
Muitos personagens são construídos a partir de uma grande idéia podendo
ganhar o mundo, mas também há outros que em muitos anos de existência pouco ou
nada são conhecidos. Alguns personagens feitos a partir do fantoche passaram a serem
conhecidos como é o caso dos bonecos da série de TV “Vila Sésamo”, os cachorros
falantes do programa “TV Colosso” da Rede Globo, vários animais presentes no
programa infantil “Castelo Rá Tim Bum” na TV Cultura e na mesma emissora todos os
personagens do programa “Cocoricó”, “OS Bichos” que são personagens de um
comercial de uma concessionária e tantos outros.
A partir de tantos personagens que foram citados acima muitos ainda não foram
citados, por isto é interessante e mesmo de fundamental importância comentar que em
cada momento que estes e tantos outros personagens que não foram citados apresentamse como sendo de grande importância para a formação de muitas crianças, pois ao
apresentar um fantoche quase sempre este tenta uma aproximação com afagos e
atenções depositadas ao boneco, coisa que em muitas situações não ocorre com o
mundo real da criança, mas se este recurso sempre se apresenta como sendo um
importante aliado na formação intelectual, moral e ética de uma criança, pois esta passa
a aprender a lidar com a diversidade e mesmo com as próprias emoções e frustrações no
mundo do Faz de Conta em que tudo é permitido.
Na atualidade muitos programas passaram a investir no fantoche como sendo um
o recurso é muito utilizado em shows e programas infantis atraindo assim a atençao de
adultos e crianças, entretanto:
“na televisão brasileira, o mais famoso fantoche da
atualidade está no programa de Ana Maria Braga, atendendo com
o nome de Louro José - um papagaio feito de espuma, que
contracena com a apresentadora em todos os seus programas
matutinos da Rede Globo.”. (FANTOCHE, 2008)
Dentro das salas de aula o fantoche passa a ser empregado como recurso didático
no incentivo a aprendizagem que ainda está em construção como em todo o decorrer da
vida, porém apesar dos professores conhecerem o uso deste, pouco é utilizado devido
vários motivos, mas seu principal emprego ainda é o de desenvolver o potencial
criativo, explorar os sentimentos e emoções, utilizar este como recurso para a
aprendizagem e muito mais.
Seja feito de madeira, tecido, cordas, barbantes, papel, balão ou outro qualquer o
importante é que:
“o teatro de fantoche é de grande valor educativo, pois é
distração sadia, que dá grande alegria às crianças, por isso é um
dos meios mais elevados para educar a infância. “É muito usado
em várias escolas, onde representam temas brasileiros e
instrutivos.”. (MEGALE, 1999)
As novas gerações convivem com a tecnologia de ponta, com bonecos
realizando ações de seres humanos, animações e desenhos realizados com auxilio de
computadores e tantas outras novidades que os bonecos passam a perder um pouco da
importância que este possui para o aluno que em sua sala não convive com novidades
didáticas, causando sempre inquietações e desconfortos quando estes passam a adentrar
a escola, sendo este o mais empregado em sala devido sua facilidade de manuseio.
Confeccionar ou mesmo manipular este boneco, bem como os demais bonecos,
exige habilidade em controlar, vontade em aprender e competência para estar sempre
empregando o que se aprendeu em favor das novas descobertas, porém devido o maior
uso deste em sala, alunos e professores conseguem empregá-lo em maior qualidade e
ate mesmo em grande quantidade para fins diversos principalmente em se tratando do
processo ensino-aprendizagem .
O boneco tem a função de estar cumprindo um papel importante neste processo
em que o aluno aprende se divertindo e construindo novidades para o seu mundo ainda
cheio de fantasias e encantos levando inclusive estas características para a idade adulta
para assim poder compreender que:
“As mãos moles, molengas, como diz o matuto, (...)
comumente são apresentado em forma de luvas. Os bonecos de
vara, os de fios (marionetes) e os de manipulação direta, são
outras técnicas utilizadas para essa expressão de um povo em
forma de bonecos. Um povo bravo, irreverente e safadoso. Nas
décadas de 50 e 60, praticamente todo o Nordeste brasileiro se
divertia diante dos bonecos que surgiam por trás do pano
esticado, nas feiras, nos pátios de colégios, nas tradicionais festas
de rua, nos terreiros das casas grandes de engenho, assim como
nas residências de pessoas humildes, que juntavam os vizinhos
em suas salas para assistirem aos bonecos”. (SANTOS, 2007)
Seja um boneco ou mesmo um símbolo para a nova geração, o importante entre
o fantástico mundo dos bonecos é o quanto o aluno e a pessoa comum poderá aprender
em suas descobertas sendo que aprender significa mais que estar apenas em uma sala de
aula verificando e discutindo temas e conteúdos que para muitos não possuem valor,
mas é estar em estado de prazer e satisfação sendo que neste ponto muitos concordam
que esta deverá ser significativa para o aprendiz que busca respostas que estão sempre
em conflito com o que aprende sem ao menos compreender a diversas funções de seu
papel na sociedade, pois cada instituição tem algo a lhe ensinar e que em muitas vezes
entram em contradição umas com as outras, porém o destaque fica pela parceria entre
todas e ainda o complemento de ambas no processo ensino-aprendizagem.
O teatro de bonecos foi introduzido nas instituições como um importante aliado
dentro da escola e da sala de aula, porém em muitas situações este foi esquecido para
dar espaço a conteúdos programáticos infindáveis que pouco oferece espaço a
criatividade e as descobertas em diversas áreas, pois devido o pouco tempo para serem
cumpridos este passa a estar sempre se impondo sem a preocupação de verificar o grau
de importância para o aluno que precisa conhecê-los. Os bonecos, ainda tão ligados à
infância e até mesmo a diversão e lazer, pouco espaço possui, pois muitos ainda os
consideram desnecessários dentro de sala, já que a sala de aula é um espaço reservado
apenas para aprender e nunca para estar descobrindo e inovando, já que sua criatividade
deve ser de alguma forma “limitada”, devido o cumprimento de uma carga horária cheia
de regras e programações.
Infância para muitos significa tempo para criar, imaginar e descobrir novidades
que ao longo de sua vida poderá ser destituído de tais conceitos, porém os bonecos
dentro das salas de aula passam a reviver e mesmo trazer velhos valores esquecidos para
juntos caminharem em harmonia em prol da construção individual e em parceria com a
construção de novos conhecimentos.
CAPÍTULO III
O TEATRO:
A ARTE DAS HISTÓRIAS DE ENCANTAMENTO E DA
FANTASIA
3.1- A capacidade de ser outro
O teatro sempre foi um local de encanto e magia para os amantes deste estilo,
pois é por meio dele que se contam várias histórias, realizam-se sonhos, concretiza e
vivem-se amores, enamora-se pelas aventuras considerada impossível na realidade, mas
em meio a esta magia e encantamento é possível ver o quão importante o teatro para a
formação pessoal e cultural do cidadão, pois leva muitos a discutir, debater, refletir,
sonhar e mesmo idealizar e praticar alguns sonhos vividos apenas na imaginação e no
deslumbramento dos olhos.
Por meio do teatro as várias histórias contadas tornam-se reais nos sonhos e na
imaginação do telespectador carregado de magia e encantamento por isto alguns autores
e mesmo artistas costumam se referir ao palco de um teatro como sendo “um espaço
mágico, onde a fantasia e a emoção ficam ao alcance da mão”. (KIDS, 2007).
O teatro sendo um espaço de magia e encantamento é possível viver vários
personagens e várias histórias das mais diversas pessoas existentes ou não em tempos e
épocas separadas que assegura conforto e mesmo momentos de reflexão, pois como se
sabe o teatro não é somente uma arte para proporcionar lazer, mas também tem a função
de informar, promover debates, conscientizar quanto as mais diversas situações vividas
pelo país que se envolve em grandes fatos e histórias, por isto o teatro se transforma em
várias funções para o homem.
A cada personagem, ator e público convivem com o diferente, o que os tornam
próximos e ao mesmo tempo tão distantes, pois ambos convivem como seres humanos
comuns no dia-a-dia, mas por meio do teatro a distância inexistente no mundo real,
passa a ser enorme no mundo da fantasia, pois em certas situações ambos se
reconhecem como vilões, personagens cômicos, seres inanimados ou mesmo as fadas,
príncipes e princesas que transformam a realidade em grandes fantasias.
Para um aluno com pouca idade que é o alvo desta, a aproximação do teatro
fantástico com sua própria realidade nem sempre lhe parece ser a mais provável, pois o
hábito de estar participando de tal atividade não é muito comum devido várias restrições
(orçamentárias, sociais, cultural, religiosa ou outra), por isto este ao se deparar com o
fator em questão este passa a admirar ou mesmo encontrar profunda transformação para
a própria realidade esquecendo-se de ser este apenas uma ilusão temporária que para
muitos poderia ser real. Encontrar nas escolas públicas de qualquer periferia, crianças
que nunca foram ao teatro não é novidade e por isto mesmo torna-se obrigação do
educador apresentar esta novidade ao seu mundo doente em estado grave, mas passível
de uma grande recuperação, surgindo assim à necessidade de conhecer e ampliar os seus
conhecimentos por meio de um recurso onde todos deveriam ter acesso e plena
participação que é o teatro, sendo facilitado pelo professor que apenas inicia a prática
em sala, mas deve ser ampliado para novos horizontes.
3.2- Nascimento do teatro
Em meio à fantasia das diversas histórias contadas com o uso de atores e
cenários as histórias são contadas e vividas como sendo realidades trazendo a tona os
diversos sentimentos e emoções que juntos transformam e colaboram com a aquisição
de novas experiências, mas para descobrir tal fato é possível antes conhecer a origem do
teatro que tanto modificou a rotina de seus telespectadores e mais ainda de quem a vive.
Como se sabe o teatro não surgiu da noite para o dia, mas precisou de muitas
transformações para ser o que se conhece hoje, mas para compreender a origem do
teatro é provável que muitos a remetessem à Grécia Antiga que tanto colaborou com a
formação da história e da arte de muitas nações atuais, porém para afirmar tal fato que
não é ao todo verídico, porém como se sabe a arte de representar não necessariamente
necessita de um palco e um público a espera do ator para dar inicio ao espetáculo que
necessita apenas de uma história incrível e muita vontade de representar outra vida.
Bem como na atualidade o homem sempre muito curioso, aprendeu a conhecer e
a imitar outras histórias que não a sua, mas desde a Pré-história o homem aprendeu a
observar e a se encantar com as novidades que apareciam para depois contar aos outros,
por mais que fosse apenas à história de uma caçada, porém quanto ao nascimento do
teatro:
“ninguém sabe ao certo como e quando surgiu o teatro.
Provavelmente nasceu junto com a curiosidade do homem, que
desde o tempo das cavernas já devia imaginar como seria ser um
pássaro, ou outro bicho qualquer. De tanto observar, ele acabou
conseguindo imitar esses bichos, para se aproximar deles sem ser
visto numa caçada, por exemplo. Depois, o homem primitivo
deve ter encenado toda essa caçada para seus companheiros das
cavernas só para contar a eles como foi, já que não existia ainda
linguagem como a gente conhece hoje. Isso tudo era teatro, mas
ainda não era um espetáculo”. (KIDS, 2007)
Contar aos outros a história vivida, ouvida, encenada ou mesmo imaginada
sempre fez parte da história da humanidade, ainda que seja por meio de um desenho na
parede, uma escultura, em rodas de conversas, em histórias recontadas apropriando-se
da oralidade ou em tantas outras formas que o homem se apropria para encantar quem o
ouve, o teatro torna-se uma forma de manter viva a história e a memória do povo que a
muito vem criando e inovando sua realidade independente do tempo em questão.
O teatro sempre encantou o homem que buscou momentos de lazer e magia nas
histórias contadas com o auxilio de personagens e atores que os viveram, mas para
muitos povos o teatro não foi apenas momentos de lazer, descontração e aprendizado,
mas em muitas nações, ainda que antigas, o teatro tornou-se uma forma de expressar-se
aos deuses ou mesmo representar o que estes desejavam da humanidade, daí:
“as peças de teatro na Grécia antiga contavam histórias
dos mitos gregos, onde os deuses eram muito importantes. Elas
passaram a ser representadas em espaços especiais, que são
parecidos com os teatros de hoje. Eram construções em forma de
meia-lua, cavadas no chão, com bancos parecidos com
arquibancadas, chamados teatros de arena. Um dos mais famosos
está em pé até hoje, em Atenas, na Grécia, e se chama Epidaurus.
Uma coisa curiosa nas encenações é que só os homens podiam
atuar, já que as mulheres não eram consideradas cidadãs. Por isso,
as peças gregas eram encenadas com grandes máscaras”. (KIDS,
2007)
A Grécia que tanto colaborou com o teatro mundial aprendeu a se apropriar de
diversas formas arquitetônicas para a construção de seus espaços reservados a
interpretação e ao dialogo e ainda este espaço ser amplo, diversificado e com uma
excelente acústica, pois os teatros serviram desde a arena de grandes batalhas de
gladiadores, passando a palco de discursos políticos e instrução intelectual e cultural a
locais para encenação das mais diversas histórias de amores, aventuras, sabedoria do
homem simples e encantamento das demais pessoas que nem sempre se dispunham a
representar ainda que fosse a vontade e os sentimentos dos deuses que era grande fonte
de inspiração para as mais diversas histórias.
Com o tempo as histórias passaram a ganhar novos focos de inspiração passando
a ganhar status de formação e instrução religiosa, pois como se sabe os jesuítas
passaram a ver o teatro como sendo um recurso para catequizar, instruir e criar novas
ideologias. Enquanto o teatro vinha caindo no gosto popular como é na atualidade, este
gosto passou a ser empregado também para a formação intelectual e ainda como fonte
de inspiração religiosa e ideológica, pois também através do teatro muitos passaram a
conhecer as idéias e convicções religiosas por meio do que o povo gostava de ver, ouvir
e para aqueles que sabiam ler, que eram poucos, compreender e recitar aos outros
conteúdos diversos.
O teatro nasce com a função de interagir e integrar povos na antiguidade, mas o
tempo passou e este passou a ser moldado a partir das necessidades do momento para
estes que com o tempo aprendeu ainda que teatro não se fizesse apenas com os
conhecimentos acadêmicos, mas que poderia ser parte de cada um, passando inclusive a
ver o teatro como sendo uma importante fonte de conhecimentos a ser divulgado entre
os demais, pois este passou a envolver outros personagens, públicos e ideologias, sendo
inclusive grandes conhecedores de outras regiões, pois estes eram nômades, daí:
“na Idade Média, lá por volta do século 12, apareceram na
Europa companhias de teatro que ia de cidade em cidade. Este
teatro já não tinha nada de religioso, e seus atores e atrizes,
chamados de saltimbancos, literalmente carregavam a casa nas
costas. E não só a casa: os cenários das peças, seus figurinos (as
roupas usadas), maquiagem, etc. Eles andavam em carroças,
sempre em bandos, chamados trupes, e não tinham morada certa.
Eles também representavam peças engraçadas ou dramáticas,
como os gregos. Hoje, esse teatro itinerante também é conhecido
como teatro mambembe. Mas não pense que ficar ‘de galho em
galho’ era o sonho da vida dos saltimbancos! É que na época em
que eles viviam, a Igreja era muito poderosa e implicante, e
escolhia o que as pessoas podiam representar, de preferência
textos cristãos. E os saltimbancos não queriam saber dessa prisão,
pois o negócio deles era usar a criatividade e representar o que
bem quisessem. Perseguidos pela Igreja e sendo tratados como
fora-da-lei, os saltimbancos começaram a usar máscaras, para não
serem reconhecidos. Uma tradição que descende diretamente dos
saltimbancos é o circo, que até hoje anda de cidade em cidade
apresentando seus números”. (KIDS, 2007)
Interpretar significa mais que apenas contar uma história com recursos
audiovisuais e sim aprender a gostar do que faz, repassando ao público a possibilidade
de refletir, recriar e transformar o meio em que vive, pois bem como o teatro
mambembe que não se aceitou como “adestradores” de povos rebeldes e
domesticadores de gentios intolerantes à presença de povos diferentes ao seu meio. O
teatro mambembe apresentou uma importante solução para aqueles que não se
conseguem verem unidos a um laço que não o prende, sendo este um importante mestre
da vida que ensinam muitos a ver e a realizar as próprias ações humanas com muito
prazer e satisfação.
Enquanto o teatro vem sendo transformado com o tempo, o público se renovou e
os interesses foram sendo alterados, bem como o pensamento e as épocas, daí estas
mudanças provocaram também uma renovação do estilo do teatro que passou por
censura, proibições, resgate de velhos valores, reformulações de textos e adaptações de
antigos textos para a atualidade que se fizeram e deram oportunidades a vários autores
que surgiram a partir das salas de aulas se mostraram criativos e eficientes em suas
produções, mas apesar de tamanho beneficio que irá ser comentado no capítulo
seguinte, o texto produzido ainda no período dos anos de chumbo da ditadura militar no
Brasil, estes passaram a ganhar mais espaços e trouxeram a tona velhas dores quando
estes foram liberados, daí como afirma Sabatino Magaldi “a partir da abertura, os
textos proibidos puderam chegar ao palco, o público não se interessava em remoer as
dores antigas. Talvez por esse motivo, enquanto se aguardavam novas vivências, o
palco foi preenchido pelo ‘besteirol’”. (MAGALDI, 2007)
Histórias foram muitas e até mesmo os mais diversos estilos, mas apesar do
tempo que separa a época contemporânea da antiguidade o teatro antigo ainda angaria
muitas atenções em teatros que invocam e cultuam a memória de deuses e ações de
heróis independentes da nacionalidade criando uma massa heterogênea de música,
dança, teatro e crenças religiosas, pois:
“as pessoas acreditavam que por meio de rituais
(encenações) era possível invocar deuses e forças da natureza para
fazer chover, tornar a terra mais fértil e as caças mais fáceis, ou
deixar os desastres naturais bem longe de sua comunidade. Estes
rituais envolviam cantos, danças e encenações de histórias dos
deuses, que assim deveriam ficar felizes com a homenagem e ser
bonzinhos com os homens. Ainda hoje, muitas espécies de teatro,
especialmente no Oriente, ainda são ligados ao sagrado, e
encenam histórias de deuses há milênios... (KIDS, 2007)
Para a atualidade o teatro resgata valores passados, recria novos conceitos e
aproveita o que a época tem a oferecer que é a aceitabilidade do diferente e do incomum
com o tradicional e os diversos estilos que se misturam provam que são capazes de
conviver pacificamente mesmo que se criem alguns conflitos.
Trazer o teatro antigo que se juntam com o atual, promover confrontos artísticos
e ainda conceber momentos de reflexão e intensas discussões certamente um passará a
estar influenciando e recriando uma nova imagem para o teatro brasileiro que tantos
problemas este enfrentou para conquistar pequenos espaços dentro dos interesses de um
público que até a atualidade, até mesmo devido problemas sócio-culturais e
econômicos, não possuem o hábito de ir ao teatro, mas que gosta e aplaude as grandes
histórias.
Para tentar amenizar os grandes problemas enfrentados pela cultura, mais
precisamente, o teatro, este passou a se diversificar de forma a tentar trazer o público
para ele ou mesmo buscar e ir atrás do expectador, este também precisou se adaptar para
enfrentar os graves problemas enfrentados por este. O teatro se diversificou e se
mostrou capaz de inovar para não morrer na memória de quem o ama, por isto mesmo é
possível observar que:
“Dá para perceber que, com tantas influências, o teatro de
hoje é uma arte muito rica, muito misturada. Existe a ópera, o
teatro de bonecos, o teatro-dança, os musicais, o teatro de rua, o
teatro feito em espaços alternativos (como hospitais, presídios),
enfim, uma mistura daquelas! Quando apareceu o cinema, há
mais de cem anos, muita gente previu o fim do teatro. Falavam
que o cinema iria substituí-lo, porque podia criar histórias com
muito mais semelhança com a realidade. Mas isso não aconteceu.
Quem pensava assim não percebeu que o grande barato do teatro
é o fato de ele ser uma obra de arte viva, ou seja, depende da
presença de quem atua e de quem assiste. O teatro é fascinante,
pois é um jogo da imaginação. Todo mundo está cansado de saber
que aquele cenário lá no fundo não é uma floresta... e daí?
Naquele momento e naquele lugar, ele vai ser uma floresta para
aquelas pessoas que estão participando. Quando a gente vai ao
teatro, não quer ver a cena ‘certinha’ e que nunca muda. A gente
quer ver o improviso, o novo, o diferente que vive nos atores e
nos olhos de cada platéia”. (KIDS, 2007)
Apesar de tantas novidades o teatro sempre estará passando por profundas
dificuldades, mas apesar de tudo, este sempre continuará a existir e renovar, pois
sempre haverá alguém que estará disposto a contar histórias, seja dentro de uma sala de
aula onde se dão os primeiros passos para um futuro promissor, ou seja, ainda por
profissionais que estão sempre envolvidos com a fantasia e a magia das histórias onde
se é possível viver muitos personagens em um único corpo, muitas histórias e aventuras
sempre em consonância com a realidade.
3.3- Teatro de Sombras
Como foi citado anteriormente, o teatro se modificou para que este pudesse
continuar existindo apesar do tempo criando e se empregando de diversos recursos que
podem estar próximos ou mesmo distantes para serem aperfeiçoados com o tempo. Um
destes recursos passou a ser o próprio corpo para a contação de diversas histórias,
podendo empregar as mãos, o corpo de forma geral como a mímica, os sons, imagens e
tantos outros, mas tudo isto somente importa quando as histórias contadas despertam
interesses e emoções como canal aberto às emoções adquiridas por meio da contação de
histórias.
O corpo sempre soube contar diversas histórias que incentivaram o público a
permanecer ouvindo e sentindo-se encantado pela mágica e fantástica criatividade
humana que sempre se emprega a favor de diversas construções, sejam elas físicas,
intelectuais ou quaisquer outras que possa estar unido a favor da inovação e mudanças,
por isto o homem tão criativo em suas ações inovou mais uma vez a narração de
diversas histórias que se apropriou de mais um recurso que estes possuíam a disposição
que eram as sombras criadas por meio das queimadas de diversos elementos como a
fogueira e ainda por meio dos fenômenos naturais como o sol e a lua.
As sombras sempre despertaram interesse de pessoas que buscam nestas um
excelente recurso para apropriar-se das emoções sofridas e sentidas pelo público que
sempre sentiu satisfação em sentar-se e ouvir histórias sem ao menos se incomodar ou
escolher um local apropriado para tal fato. Enquanto ouve falta de energia elétrica que
trouxe várias novidades para o homem que hoje se preocupa em apenas consumir e
pouco em ouvir histórias, esta trouxe também o afastamento do homem do teatro de
sombras, já que este era muito intenso e comum em locais que não possuíam energia
elétrica, daí o encantamento do teatro de sombras diminuiu em quantidade, mas se
renovou em qualidade, pois o homem que antes a empregava como apenas momentos
de lazer, passou a usá-lo como uma importante aliada para a formação intelectual e
cultural de diversas pessoas.
Passando de uma simples manipulação de elementos de forma rústica e artesanal
o teatro de sombras passou a se recriar e inovar para atender o público em diversas
épocas, mas para que este pudesse se desenvolver o teatro passou a buscar respostas e
para isto empregou diversos elementos em sua continuação, no entanto:
“para realizar o teatro de sombras é necessário ter como
material: uma fonte luminosa, uma tela (ou um lençol bem
esticado) e silhuetas para serem projetadas. As lâmpadas
indicadas são as de 40 ou 60 watts, transparentes, dentro de latas
de óleo para possibilitar a concentração da luz. A tela deve ser de
um tecido totalmente branco e não transparente. Como silhueta,
pode-se usar fantoches de varas recortados em papel cartão,
cartolina ou papel grosso. Pode-se também utilizar outros objetos.
Os fantoches movimentam-se atrás do papel, projetando a
sombra. As crianças ficam atrás do palco interpretando a história,
participando na movimentação dos bonecos, além de poderem
confeccionar o material do teatro. Outra atividade relacionada ao
teatro de sombras, são as sombras feitas através das mãos onde se
projetam com elas, as sombras numa parede, formando figuras de
animais em movimento como abrindo e fechando as asas, a boca ,
mexendo as orelhas. Cada aluno cria as mais diversas figuras,
compara-as com as dos colegas, fala sobre as sombras projetadas.
O teatro de sombras proporciona o desenvolvimento da
criatividade e da motricidade das mãos na criança, importante no
período da pré-escola e da alfabetização. Para que aconteça o
teatro de sombras com as mãos, é necessário que o ambiente
esteja escuro, iluminado somente com uma lâmpada ou uma vela
acesa”. (LADEIRA e CALDAS, 1993)
Diversas histórias e movimentos são empregados neste que continua existindo
mesmo utilizando poucos recursos para a realização de seus espatáculos, este passa a
utilizar pequenos bonecos presos a gravetos ou mesmo pequenas varetas de madeira que
lhe dão sustentabilidade e movimento. As sombras e a luz são necessárias para a
realização deste, mas em salas de aulas este ainda é menor sua utilização devido as salas
serem projetadas para serem claras e arejadas sendo esta a realidade de muitas escolas
brasileiras, mas nem por isto este deixou de existir apesar da dificuldade em que este
vem sofrendo, por isto mesmo, apesar de tamanho impecilio o teatro das sombras ainda
se renova para ganhar destaque ou mesmo luta para não morrer.
Os brinquedos sempre foram objetos cobiçados pelas crianças e por isto mesmo
os fabricantes de brinquedos sempre se preocuparam em criar algo que estas crianças
gostam de brincar, sendo que na atualidade este recurso vem sendo subistituido
gradativamente por outros objetos que já fazem parte do cotidiano das crianças e
adolescentes de diversas idades, como é o caso dos aparelhos eletronicos que retiram da
tecnologia diversas formas de uso, mas apesar de tantas novidades o teatro de sombras
ainda resistente, se firma em suas origens opara continuar existindo, por isto é
importante saber que “os bonecos de sombra na China, datam de aproximadamente
960-1279 D.C., mas podem ter sido utilizados muito antes. Foram trazidos de lá por um
missionário francês no século XVII”. (LADEIRA e CALDAS, 1993)
Conhecer a importância do teatro das sombras e também os demais se torna
importante para a manutenção da qualidade e da continuidade de histórias que poderiam
ser contadas apenas por meio da fala, mas a preocupação está em manter a magia de
histórias que terão muito para contar, porém como em todas as histórias de surgimento
de histórias nascidas ainda em um passado longe, esta se resume à lendas, pois não
conseguiram explicar de forma racional a solução desta. O teatro de sombras não é
diferente de muitos fatos ocorridos no passado, pois este e os demais fatos ocorridos em
diferentes épocas, mas dando ênfase à antiguidade, também possui uma lenda sendo
para tanto importante saber que:
“existe uma lenda chinesa a respeito do teatro de sombras.
Diz a lenda que no ano 121, o imperador Wu Ti , da dinastia dos
Han , desesperado com a morte de sua bailarina favorita, ordenou
ao mago da corte que a trouxesse de volta do "Reino das
Sombras", caso contrário, seria decapitado. O mago usou a sua
imaginação e através de uma pele de peixe macia e transparente,
confeccionou a silhueta de uma bailarina. Quando tudo estava
pronto, o mago ordenou que no jardim do palácio, fosse armada
uma cortina branca contra a luz do sol e que esta deixasse
transparecer essa luz. Houve uma apresentação para o imperador
e sua corte. Esta apresentação foi acompanhada de um som de
uma flauta que ‘fez surgir à sombra de uma bailarina
movimentando-se com leveza e graciosidade’. Neste momento,
teria surgido o teatro de sombras. (LADEIRA e CALDAS, 1993)
Várias noticias e lendas surgem a respeito do teatro, mas poucos são os que de
fato executam ações que lembram a importancia do teatro de sombras e ainda que
tentam manter viva a presença e uma imagem excelente para este. Nas ecolas, como já
foi falado, não possuem espaço ou mesmo interesse para a manutenção desta arte que
permanece viva, mas que se não for reconquistada ou mesmo preservada poderá se
exinguir, pois esta que deveria preservar e mesmo formar pessoas que gostam e sentem
prazer em dar continuidade a esta, no entanto um dos passos importantes para a
reativação desta desntro das escolas ainda que pequeno, estão acontecendo, pois a arte
das sombras ganha cada vez mais adeptos e destaques em livros como é o caso do livro
de título “Teatro de sombras de Ofélia” que se tornou um dos importantes títulos
empregados nos diversos acervos bibliograficos das diversas escolas do país.
As sombras sempre foram importante para liberar a criatividade às vezes
reprimida por diversos motivos, no entanto a cada descoberta feita com o uso das
sombras o homem passa a aprender a inovar, redesenhar velhos conceitos e ainda
aprender a organizar e juntar várias pessoas ao seu redor para contar mais uma história
em meio a tantas que este for capaz de criar ou mesmo ousar quanto as histórias já
existentes, para isto o papel da escola passa a ser de fundamental importância, pois esta
estará incentivando e até mesmo revitalizando antigos valores esquecidos pelo tempo e
pela nova realidade do homem moderno que além de receber tudo pronto, ainda é capaz
de rejeitar aquilo que lhe parece inconcebível, mas mesmo com tudas as novidades,
principalmente as crianças, ainda estão recepticvas as velhas tradições relembrando
assim qual é o seu papel na sociedade moderna que mudou, mas ainda continua sendo
despertada pelos velhos costumes que ainda estão muito presentes em quem gosta de
ver e descoobrir novidades realizadas pelo teatro brasileiro que é criativo e ao mesmo
tempo realiza um intenso contraste ente o antigo e moderno.
3.4- Teatro de máscaras
É comum alguém citar que outros e esconde atrás de máscaras e que, portanto
poderá fazer o que bem desejar, já que os outros não o reconhecerão, daí este passa a
executar tarefas que julga não ser capaz de realizá-la quando estiver sem, por isto é
natural o uso de máscaras para fantasiar uma história, criar um mundo inexistente na
realidade, porém existentes e livre na imaginação de quem a vive.
As máscaras sempre levaram o homem a ver outros meios de contar suas
histórias, mesmo que alguns destes sejam completamente tímidos para tanto as
máscaras promovem o mesmo desejo de contar histórias sem suas limitações em
evidência. A máscara estará guardando ou mesmo contando os mais diferentes segredos
e histórias, pois a diversidade sempre esteve entre o teatro de máscaras que vem sendo
empregada ainda na antiguidade, de diversos modelos e materiais, independente da
nacionalidade, pois em cada local sempre haverá sua própria personalidade.
Para compreender a importância da máscara em tempos modernos é necessário
relembrar que:
“o homem usa máscaras desde a Pré-História nos rituais
religiosos. Na África, elas são esculpidas em madeira e pintadas.
Já os índios americanos fazem-nas de couro pintado e adornos de
penas. Na Oceania, são feitas de conchas e madeira e com
madrepérolas incrustadas. Existe um tipo muito antigo de máscara
que é aquela desenhada no próprio rosto com tintas especiais,
maquiagens e pinturas. Este tipo é muito utilizado pelos índios e
pelos africanos nos seus rituais religiosos, de guerra, festas , etc.
O teatro de máscaras promove a recreação, o jogo, a socialização,
melhoria na fala da criança, desinibição dos alunos mais tímidos.
Quando o trabalho em aula exigir o uso da palavra, a máscara a
ser utilizada é aquela que cobre os olhos e o nariz deixando a
boca livre, permitindo que a voz saia clara, exibindo a sua
expressão verbal. As crianças, representando com o rosto oculto,
se permitem viver o enredo dos próprios personagens e o
cotidiano social a que pertence. Esta atividade não é difícil de ser
executada e será prazerosa para as crianças, pois elas poderão
representar uma história com um material que elas mesmo
elaboraram, pois estarão criando e recriando à sua própria
dialética.” (OLIVEIRA, 2006, p. 127)
Em se tratando deste tipo de teatro, o autor deixa claro a importancia deste para
o desenvolvimento da criança que executa e constrói suas histórias, este alerta para o
fato de que “as crianças, representando com o rosto oculto, se permitem viver o enredo
dos próprios personagens e o cotidiano social a que pertence” de forma que ao viver
cada história que conta, principalmente se este possui o gosto pelo mundo das letras e
do encantamento vivido dentro das fantásticas histórias. A criança ou mesmo o adulto
que estará representando com a prática das máscaras poderá criar um mundo próprio em
que este passa a controlar e recria-lo a medida de sua vontade, mas como se sabe as
máscaras sempre se fizeram presentes na vida humana a tempos e por isto mesmo o
homem apropriou-se desta emprega-la em diferentes tempos e usos.
Apesar de estar se transformando por meio de diferentes materiais e usos, as
máscaras ainda possuem muita aceitabilidade entre o homem moderno que ainda a usa
para as festas à fantasia, alguns eventos, bailes, por diversos povos que se empregam
desta para aplicar os seus cultos e rituais ou mesmo em programas de auditório de
diversos estilos, sendo ainda possível compreender que:
“o homem usa máscaras desde a Pré-História nos rituais
religiosos. Na África, elas são esculpidas em madeira e pintadas.
Já os índios americanos fazem-nas de couro pintado e adornos de
penas. Na Oceania, são feitas de conchas e madeira e com
madrepérolas incrustadas. Existe um tipo muito antigo de máscara
que é aquela desenhada no próprio rosto com tintas especiais,
maquiagens e pinturas. Este tipo é muito utilizado pelos índios e
pelos africanos nos seus rituais religiosos, de guerra, festas , etc.
Na China, as cores das máscaras representam sentimentos e no
Japão, os homens usavam máscaras representando personagens
femininos. Em Veneza, no século XVIII, o uso de máscaras
tornou-se um hábito fazendo parte do vestuário da época. No
Brasil, as máscaras são usadas nas festas folclóricas e no carnaval.
As crianças gostam muito de vestir máscaras, principalmente de
super-heróis que elas vêem na TV. O importante é deixar que elas
confeccionem as máscaras em sala de aula ou no pátio da escola”.
(LADEIRA e CALDAS, 1993)
Em tantas situações em que o homem acostumou-se com as diversas
apresentações teatrais, a máscara sempre esteve presente entre os povos de diversas
nacionalidades e de diversas tribos e entre os diversos povos a máscara sempre teve
papel de destaque em seus rituais e encantamentos, mas entre o povo brasileiro o uso
desta não se tornou diferente de outros, pois seu uso inicia-se ainda dentro da escola
sendo então aplicadas as crianças para posteriormente se espalhar para outras idades. Na
escola a máscara passa a ser empregada em diversas situações sendo que a mais
importante está relacionada ao lazer e a diversão para assim encontrar outros objetivos.
Entre tantas funções sociais que o uso da máscara possui, sem dúvida uma delas
é possibilidade de a pessoa que a usa se desinibir sem estar se preocupando o
comportamento das pessoas que a cercam e ainda estas poderem ser fabricadas dentro
das próprias escolas que juntas colaboram para o desenvolvimento pessoal e criativo de
cada individuo que está sempre se renovando, caso isto seja permitido.
O maior benefício do teatro de sombras somente é possível analisar quando o
homem passa a ver o que é possível realizar em sistema de parceria para que assim
possam estar de mãos dadas para concretizar uma educação de qualidade e para que esta
análise seja possível, todos devem estar em comum acordo para a compreensão de todos
os pontos em questão para evitar assim julgamentos desnecessários como é o caso de
muitos pais que nada conhecem e julgam que o professor de Arte está “enrolando” em
sala, pois nada podem ver como resultados imediatos.
Para compreender o propósito da educação aliada ao teatro de máscaras é
primeiro necessário que se refaça ou mesmo que se reconstruam velhos paradigmas ou
mesmo velhos valores, para assim compreende que:
“o teatro de máscaras promove a recreação, o jogo, a
socialização, melhoria na fala da criança, desinibição dos alunos
mais tímidos. Quando o trabalho em aula exigir o uso da palavra,
a máscara a ser utilizada é aquela que cobre os olhos e o nariz
deixando a boca livre, permitindo que a voz saia clara, exibindo a
sua expressão verbal. As crianças representando com o rosto
oculto, se permitem viver o enredo dos próprios personagens e o
cotidiano social a que pertence. (LADEIRA e CALDAS, 1993)
A escola é a primeira porta para a contrução e reconstrução de muitas idéias e
ainda passa a ser uma importante fábrica de idéias que desperta emoções, interesses,
resgata valores, recria fantasias por meio da realidade de muitos envolvidos e ainda tras
a tona muitos efeitos esperados por muitos, pois esta cumpre o seu papel social, cultural
e educacional, já que vários alunos juntam ente aos seus professores e demais pessoas
envolvidas com a educação, tornam esta mais fácil e ainda promove uma aprendizagem
significativa, pois aprendem ppor necessidade ou mesmo por descobrir significado para
as diversas perguntas ainda sem respostas, mas que somente serão possíveis quando o
aprendiz encontra a razão para estar em uma escola que busca além de ensinar aos
alunos, busca ainda sua parceria.
3.5- Teatro na escola
A escola passou a ser um local onde todos possuem devido o acesso,
oportunidade de estar se recriando como pessoa, aprendendo coisas novas a partir do
conhecimento que este já possua, estando aberto as novas experiências e outros, no
entanto as escolas pouco oferecem espaços, até mesmo por esta nem sempre possuir um
espaço apropriado. O espaço que tanto se deseja para continuar para alguns ou mesmo
iniciar para tantas escolas, requer que estas iniciem as construções da própria formação
e mesmo dos seus sobjetivos, necessitando assim que estes sejam revistos para que
possam estar unidos aos aprendizados necessários ao cumprimento do currículo mínimo
e ainda das inovações necessárias ao bom desenvolvimento do aluno que busca resposta
e ainda está em formação acadêmica.
Ao empregar o teatro na escola este tráz beneficios variáveispara quem o
presencia ou mesmo participa de forma direta, para tanto:
“ele
permite
ao
aluno
uma
enorme
‘gama’
de
aprendizados, podem ser citados como exemplos a socialização, a
criatividade, a coordenação, a memorização, o vocabulário e
muitos outros.Através do teatro, o professor pode perceber traços
da personalidade do aluno , seu comportamento individual e em
grupo, traços do seu desenvolvimento e essa situação permite ao
educador, um melhor direcionamento para a aplicação do seu
trabalho pedagógico”. (LADEIRA e CALDAS, 1993)
O teatro na escola tras consigo a realização de muitos sonhos e expecatativas,
pois a criança que chega à escola pela primeira vez deseja encontrar nela muitas
novidades, sonhos a serem realizados e muitas outras pespectivas que para muitas
tornam-se frustradas, mas sendo o papel da escola, esta passa a buscar meios e recursos
para estar respondendo e ainda criando inovando sua posição que para muitos é
confortável, ameaçando inclusive a própria condição de ser soberano para trazer o aluno
para a novidade do teatro que sempre está se renovando.
Realizar o teatro na escola, poucos são os professores que se submetem a mais
um trabalho que para muitos o consideram sem necessidade, pois “não são pagos para
isto”, entanto com o tempo descobrem que seutrabalho poderia ser facilitado se este
tivesse investido no passado para o desenvolvimento dos alunos com os quais trabalham
e mais ainda se tivessem parado por momentos para estudar e refletir, certamente
verificaria que o trabalho teatral com as crianças seria facilitado, pois:
“a criança, ao começar a frequentar a escola, possui a
capacidade de teatralidade como um potencial e como uma prática
espontanea vivenciada nos jogos de faz-de-conta. Cabe à escola
estar atentaao desenvolvimento no jogo dramatizando e
oferecendo condições para o exercício c, onsciente e eficaz, para a
aquisição e ordenação progressiva da linguagem dramática”.
(PCN, p.84, 1997)
Com o tempo todos passam a compreender que a capacidade de reinventar e
viver outras fantasias dentro da escola não é coisa somente para crianças, podendo
assim ser trabalhado com adultos e demais pessoas que se interessem por estar
trabalhando para reinventar o treatro escolar que se viu censurado por profissionais que
pouco ou nada compreendiam sobre a importância deste e acreditava ser mais fácil este
não existir ou “não atrapalhar” o bom andamento da escola, mas com várias mudanças
educacionais sofridas, inclusive com a reformulação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação (LDB) realizada em 1996 e ainda a implantação de vários recursos que
facilitariam a formação continuada e mesmo a aplicabilidade destas mudanças em sala,
como é o caso dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) a aceitabilidade do teatro
em sala passou a ser maior e ainda passou a ser incentivada para que as mudanças ditas
em tantos instrumentos consigam de fato ser concretizada.
Depois de tantos debates acalorados sobre a importância para o desenvolvimento
humano, do teatro na escola conseguiu auxiliar vários professores que desesperados
pouco ou nanda conseguiam retirar de seus alunos, se surpreenderam, pois houve
mudanças rápidas de comportamentos e ainda e personalidade, pois por meio do teatro
conseguiam extravasar as angústias, energias, anciedades e tantas outras frustrações que
se apossavam de suas mentes. O tempo, a experiência, reflexões e os estudos serviram
para juntos mudarem o comportamento de professores, pais e mesmo os alunos que
passrama se interessar pelas novidades surgidas, pelas artes e ainda pelo
desenvolvimento do teatro dentro da escola para que em seu futuro este possa estar
aproveitando os ensinamentos do teatro para o seus dia-a-dia e até mesmo para fora da
escola se tornando em muitas situações profissionais da Arte de Representar que foi
iniciada dentro da escola.
Depois de várias reflexões é necessário verificar que para a realização do teatro
na escola é necessário compreender que:
“compete à escola oferecer um espaço para a realização
dessa atividade, um espaço mais livre e mais flexívelpara que a
criança possa ordenar-se de acordo com a sua criação. Deve ainda
oferecer material básico, embora os alunos geralmente se
empenhem em pesquisar e coletar materiais adequados para suas
encenações (...) No ensino fundamental o aluno deve desenvolver
um domínio do corpo, tornando-o expressivo, um melhor
desempenho na verbalização, uma melhor capacidade para
responder às situações emergentes e uma maior capacidade de
organização e dominio do tempo” (PCN, p.85, 1997)
As vantagens do teatro usando o corpo para expressão da Arte são muitas entre
elas estão a expressividade, a comunicação, desenvolvimetno do prazer pelo que faz, o
respeito ao próximo, independência e autonomia, valorização das diferenças,
valorização do trabalho, afetividade, contruções de boas relações pessoais, apreciação,
observação, ampliação de estudos em diversas áreas do conhecimento e do
comportamento humano, além de tantas outras vantagens, porém entre todas estas
nenhuma se destaca mais que outra devido todas se desenvolverem e andarem lado a
lado para a formação do cidadão que aprecia a Arte e respeita as pessoas em todas as
suas diferenças e individualidades.
Apesar de ser tão conhecida na atualidade, mas praticadas por uma pequena
parcela da população em suas infindáveis limitações para estar participando ativamente
das diversas atividades culturais e ainda sem muita oportunidade de participar dentro da
escola devido tantas restrições, poucas escola possuem espaços que possam ser
utilizados para as aulas de teatro dentro das escolas e ainda poucos são os professores
formados e qualificados para ministrar aulas diferentes, mas que estão se
comprometendo com esta carga horária estão buscando se aperfeiçoar ainda que em
pequenas quantidades, mas sempre buscando qualidade no que estão se propondo
realizar.
Além do teatro realizado com o emprego direto do corpo como forma de se
expressar, outro tipo de teatro que vem ganhando espaço é o teatro de bonecos que está
trazendo para a escola várias vantagens que se empregadas de forma responsável e
proposital poderão trazer muitos benefícios para todos os envolvidos, daí será possivel
verificar que:
“os bonecos utilizados pelos alunos na escola seguindo a
orientação de um professor, tem um papel importantíssimo na
educação, pois eles podem ajudar a desenvolver vários aspectos
educacionais principalmente aos que estão relacionados à
comunicação e a expressão sensório-motora. O professor deve
deixar a criança manipular os bonecos à vontade. Aos poucos, a
criança irá sentir uma vontade de criar uma fala, um diálogo para
aquele boneco, aliando o movimento dele com a palavra. A
criança sendo estimulada nesta situação, ela irá começar a
inventar personagens, desenvolvendo e aprimorando o diálogo
com eles. Essa criação livre e natural pode levar à diálogos
proporcionados por histórias lidas e ouvidas, textos prontos para
este tipo de teatro. Geralmente, as crianças pequenas começam a
brincar sozinhas com seus bonecos e pouco a pouco, vão unindose com outras crianças criando os seus próprios fantoches e
iniciando a socialização, pois percebem a necessidade de esperar
sua vez para falarem, para ouvir os outros, respeitar a opinião dos
colegas e exprimirem um manifesto de suas opiniões usando de
argumentos plausíveis”. (LADEIRA e CALDAS, 1993)
O teatro dentro e fora da escola vem crescendo de forma espetacular e
expansiva, pois a população em busca de seu próprio aperfeiçoamento, mesmo que
ainda não possua muitos recursos financeiros ou mesmo o sentimento de valorização
deste que vem crescendo. O teatro passou a ser para muitos o alvo de uma formação
cultural e como fonte de lazer e entreterimento daí este passa a ganhar dimensões ainda
não conquistadas até porque o teatro brasileiro passou por tantos momentos de
turbulências como no período da Ditadura Militar no Brasil que proibiu muitos
espetáculos, cassou muitos atores e ainda censurou muitas obras. Após tantas
conturbações o teatro se recuperou do susto que passou e se reergueu para chegar ao
modelo que hoje se conhece e ainda chegar às escolas como um dos importantes
recursos utilizados no processo ensino-aprendizagem na prática de Arte nas escolas.
Este ainda não alcançou seu objetivo de reunir arte e educação com acesso a
todos, mas o primeiro passo já foi dado com a introdução deste no cotidiano de muitas
escolas, mas mesmo com todos os sucessos, o teatro não se conteve em continuar
esperando as novidades acontecerem nas escolas para entrar e se impor, este passou a
buscar caminhos novos para sua concretização e ainda para sua permanência por tempo
indefinido num espaço que até pouco tempo era apenas reservado aos cálculos, as
leituras, alfabetização, aprendizagem do funcionamento do corpo e do universo bem
como o estudo da história que ensinou muitos a buscar mudanças independente de todos
acreditarem ser suficientes para a humanidade.
Da mesma forma que o mundo veio evoluindo em suas concepções e
modificando seu comportamento para se adaptar ou mesmo para que a humanidade a
concebesse, a Arte que sempre acompanhou o homem em seus diversos momentos
também sofreu muitas modificações sabendo que o homem, antes da industrialização,
vivia do que este produzia por meio de seu artesanato sustentando assim muitos por
muito tempo e nem por isto após a revolução da indústria este desapareceu, provando
assim que por mais que a arte do teatro em sua diversidade e ainda o teatro de bonecos,
nunca desaparecerão permanentemente, pois sempre haverá alguém para manter viva a
idéia de interpretar e viver a fantasia presente nas histórias, apesar de tantos obstáculos
que servirão apenas como mais um reforço para sua permanência.
CAPÍTULO IV
AS HISTÓRIAS EM SALA DE AULA
4.1- Colaboração das histórias em sala de aula
Viver em um mundo de fantasia e encantamento torna-se um objetivo para
muitos em que as histórias são alvos constantes de criações e ainda a possibilidade de
viver, ver, ouvir e ainda fugir da realidade que por muitas vezes torna-se incomoda. As
histórias possuem o poder de despertar vários sentimentos que juntos formam a magia e
a vontade de estar sempre em um mundo em que todas as possibilidades e prazeres
serão possíveis e estimulados por muitos pais e professores.
Na atualidade todos conhecem a importância de se contar histórias ou mesmo
conversar com a criança ainda dentro da barriga da mãe fortalecendo assim o grande
laço sanguíneo entre mãe e filho e ainda aproximando ambos para a posteridade, mas
como se sabe nem sempre foi assim, pois acreditou que o feto era apenas um “bolo de
carne” que apenas seria considerado “Pessoa” a partir de seu nascimento e quando isto
ocorria acreditavam ainda que esta fosse uma tábua rasa em que poderia ser preenchida
com o tempo.
O tempo passou e muitas concepções foram passando ao longo da história, pois
as grandes observações e pesquisas mostraram-se eficientes quanto à formação
intelectual e mesmo a personalidade da criança para assim compreender o
funcionamento da mente humana ainda na infância.
Com muitos estudos foi possível perceber que a criança precisava ser estimulada
desde muito cedo para que esta pudesse fazer suas escolhas e ainda pudesse
compreender suas necessidades individuais no futuro com base na sua formação
intelectual no passado, por isto nos tempos atuais passou-se a olhar a criança com outros
olhos e perceber quais as suas necessidades e com base nisto investir diretamente na sua
formação intelectual desde cedo, investindo em leituras de livros ou mesmo as imagens,
contando as mais fantásticas histórias e ainda deixando sempre ao alcance desta todas as
possibilidades de crescimento individual.
Muitos especialistas e pesquisadores conhecendo as necessidades da criança
através de suas pesquisas compreenderam que são necessárias mudanças de costumes e
metodologias, pois no passado os livros e até mesmo as histórias ditas como sendo
infantis, estavam muito “adultas” necessitando assim de repensar o público-alvo e as
metas até então praticadas, daí:
“O surgimento dos livros para crianças relaciona-se às
preocupações
pedagógico-moralizantes
provenientes
da
necessidade da classe burguesa sedimentar seus valores
utilitaristas a partir da infância. Os contos de fadas nem sempre
foram escritos para crianças e neles as crianças são personagens
esporádicos. Só na segunda metade do século XIX a infância é
diretamente te matizada e as narrativas são mais identificáveis
historicamente. “Saímos do ‘Era uma vez”... ’ das narrativas
primordiais, para a representação de crianças existentes numa
determinada sociedade, num tempo x e num espaço y” (KHÉDE‚
1990; p. 40).
Com as mudanças sofridas na literatura infantil, mudaram-se as formas de se
contar histórias como já foi mencionado anteriormente, mas nem por isto são
dispensáveis alguns comentários, pois a arte de contar histórias sempre reuniu pessoas e
grupos ao redor de um contador para ouvir as histórias.
As histórias contadas sejam elas lidas, escritas, recitadas ou mesmo contadas
com o emprego de alguns recursos, sempre causou admiração, fantasia e sonhos, mas
independente da forma a ser contada é importante lembrar que esta nem sempre foi
realizada da mesma forma e por isto mesmo é necessário conhecer a importância da arte
de contar histórias, pois esta sempre despertou curiosidade e necessidades de novas
descobertas, daí:
“independentemente de sua origem, a arte de contar
histórias encontrar-se arraigada no interior do humano. Essa arte,
enquanto tarefa, envolve o despertar da imaginação criadora, pois
o coração de todas as tradições repousa na imaginação de seu
povo. Hoje não há mais borralhos, tampouco, aquela velha avó
que ao pé do borralho gostava de contar lindas histórias. O
contador de histórias moderno, precisa desenvolver um profundo
entendimento dos símbolos e das pessoas, além de um agudo
senso de seletividade e discernimento no compartilhar de cada
história.”. (LADEIRA e CALDAS, 1993)
As histórias contadas, ouvidas, vistas ou mesmo sentidas com ou sem o auxílio
de recursos sempre reuniram muitos em torno do contador da história, mas por este e
por muitos outros motivos as histórias além de serem excelentes formas de interpretação
e encantamento, possuem ainda o poder de acalmar, acalentar e embalar o sono de
muitas crianças em que os pais possuem o hábito de contar histórias ao colocar estes nos
seus leitos para um profundo e calmo sono, mas como nem todas as crianças possuem
este prazer ao ir dormir passa então a desfrutar de muitas perdas quanto os benefícios
desta para o seu desenvolvimento e ainda passa a perder muitos vínculos e laços com os
pais que permanecem afastados durante o dia.
Adentrar-se ao fantástico mundo em que o encantamento e a magia é permitido e
que desperta muitos interesses por parte dos envolvidos, torna-se, fonte de novas
descobertas e incentiva a produção literária, a leitura nas entrelinhas e ainda incentiva a
leitura de várias histórias que podem ou não estar na faixa etária do leitor que
certamente irá buscar novas fontes de descobertas e magias para permanecer no
fantástico mundo das histórias, além de estar sempre estimulando o corpo a buscar
outras respostas, a conhecer, a movimentar-se, a não acomodar-se frente a obstáculos,
pois estes passam a basear-se nos heróis, príncipes, princesas e demais seres encantados
que apesar de tantas dificuldades sempre sabem erguer-se e continuar a lutar. Portanto:
“o ato de contar uma história, além de atividade lúdica,
amplia a imaginação e ajuda a criança a organizar sua fala,
através da coerência e da realidade. O ver, sentir e ouvir são as
primeiras disposições na memória das pessoas. Contar histórias é
uma experiência de interação. Constitui um relacionamento
cordial entre a pessoa que conta e os que ouvem. A interação que
se estabelece aproxima os sujeitos envolvidos. Os contos
enriquecem nosso espírito, iluminam nosso interior, e, ao mesmo
tempo, nos tornam mais protagonistas na resolução dos problemas
e mais flexíveis para aceitar diferenças”. (HAMZE, 2007)
Depois de tantos benefícios da contação de histórias é fácil compreender quais
as vantagens desta para o corpo que estará recriado novos espaços e novas estratégias
para permanecer em movimento e em constante criação, pois a mente e o corpo em
parcerias passam a estar em conflito com a realidade e passará a buscar outras respostas
para velhos problemas que sempre estarão acompanhando o homem real em sua longa
trajetória de vida.
4.2- Professores e alunos: Histórias e encantamentos
O professor como muitos acreditam é fonte de conhecimento e ainda consegue
reunir em um único meio o conhecimento a ser cumprido por meio de um currículo
mínimo que exige o cumprimento do mínimo possível deste e ainda consegue contribuir
com o crescimento pessoal de seus alunos que poderão estar sempre se renovando e
melhorando as suas descobertas por meio do seu contato com outros meios que juntos
auxiliarão o aluno a percorrer novos caminhos e se envolver em novos desafios que
foram facilitados por meio da audácia de profissionais que se lança e leva consigo
várias outras pessoas que possam sentir ou querer estar descobrindo novos
conhecimentos.
O professor de Arte quase sempre está cercado pelo descaso por parte dos alunos
que preferem estar distante ou mesmo prefere ignorar este novo conhecimento em razão
de imaginar que este não possua valor para estar investindo o seu tempo e a sua
dedicação, para tanto o profissional em Arte se vê sofrendo de um mal comum a quase
todos os profissionais desta área que passa por profunda desvalorização, mas nem por
isto estes passam a esquecer que sua missão é estar envolvendo os alunos e quem os
cercam em um mundo em que muitos não estão preparados para estar convivendo
constantemente.
O novo desafio para os pais e principalmente aos profissionais de Arte estar em
incentivar e proporcionar momentos em que a magia das histórias contadas ou não com
o emprego de diversos recursos em que estes estejam presentes e ainda compreender
que:
“ensinar arte em consonância com os modos de
aprendizagem do aluno, significa, então, não isolar a escola da
informação sobre a produção histórica e social da arte e, ao
mesmo tempo, garantir ao aluno a liberdade de imaginar e
edificar propostas artísticas pessoais ou grupais com base nas
intenções próprias. E tudo isso integrado aos aspectos lúdicos e
prazerosos que se apresentam durante a atividade artística”.
(PCN, p. 47, 1997)
Brincar, cantar, divertir com as histórias, movimentar o corpo e ainda ter a
possibilidade de estar aprendendo ao mesmo tempo em que tudo isto parece uma grande
brincadeira trás uma série de vantagens para quem conta e para quem ouve, mas esta
não pode se apenas uma tarefa para professores e para a escola, como também e tarefa
para pais e família, porém quando se trata de aprendizado na escola a aprendizagem
somente tem valor quando esta passa a ser aplicada em busca do significado.
A contação de histórias não se resume a recitar ou mesmo ler em voz alta aos
demais os registros do que está escrito, porém este passa a ter o valor de grande
simbologia e sentido quando bem explorado, seja ele com o emprego de recursos ou
simplesmente colocar em prática o que muitos professores aprenderam em longos
períodos dentro de uma sala de uma universidade, para tanto é necessário compreender
que a aprendizagem seja ela quanto a área do conhecimento voltada a Arte ou outras
qualquer compreende-se que:
“aprender com sentido e prazer está associado à
compreensão mais clara daquilo que é ensinado. Para tanto, os
conteúdos da arte não podem ser banalizados, mas devem ser
ensinados por meio das situações e / ou propostas que alcancem
os modos de aprender do aluno e garantam a participação de cada
um dento da sala de aula”. (PCN, p. 47, 1997)
Quando se fala em Arte dentro da escola é comum este perder o significado para
professores que hiper-valorizam as disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática e
mais três disciplinas que juntas possuem grande valor na grade curricular de muitos
estados e de muitas escolas, porém a cada momento que algumas são mais valorizadas
em contraposição à outras muito se perde, pois enquanto Arte e outras disciplinas das
mais diversas áreas do conhecimento estiverem sendo banalizadas haverá sempre quem
sairá em grande prejuízo e desvantagem deixando inclusive de conhecer e expandir seus
conhecimentos.
Dentro das salas de aula professores e alunos como parceiros contribuem e
colaboram para o aperfeiçoamento de ambos, pois um acrescenta o conhecimento de
outro e por isto mesmo um sempre estará em ampliação de seus conhecimentos devido
o aprendizado do outro, portanto professores e alunos estarão criando e recriando sua
história e a do próximo que sempre estará produzindo benesses para a sociedade, pois
apesar da pequena competição, o professor estará necessitando aprender sempre mais
para estar colaborando com seu aluno da mesma forma que o aluno estará aprendendo
com seus erros e acertos.
A arte da representação, do dança, da música, da formação cultural por meio da
literatura e tantos outros recursos que incentivam o desenvolvimento humano sempre
será bem quisto entre os admiradores da Arte que busca sempre se beneficiar dos
diversos comportamentos que poderão estar ampliando e facilitando a busca por muitas
respostas ainda não encontradas, portanto:
“no que se refere a arte, o aluno pode tornar-se consciente
da existência de uma produção social concreta e observar que essa
produção tem história. O aluno pode observar ainda que os
trabalhos artísticos envolvem a aquisição de códigos e habilidades
que passa a querer dominar para incorporar em seus trabalhos. Tal
desejo de domínio está correlacionado à nova percepção de que
pode assimilar para si formas artísticas elaboradas por pessoas ou
grupos sociais, ao trilhar um caminho de trabalho artístico
pessoal. Esse procedimento diminui a defasagem entre o que o
aluno projeta e o que quer alcançar”. (PCN, p. 48, 1997)
Conhecer a Arte é apenas um passo para inserir com sucesso o gosto pelas novas
descobertas realizadas quando professores e alunos trabalham em parceria, no entanto a
cada momento em que todos trabalham em favor de uma sociedade melhor sempre
haverá bons resultados que facilitarão a conquista de um público que mesmo com suas
limitações e muitos preconceitos, estarão se moldando a procura de novos resultados,
pois estarão antes de qualquer coisa sendo conscientes quanto ao seu papel na
sociedade, buscarão resultados com respostas eficazes e ainda se transformando em
pessoas críticas e conscientes quanto ao seu real papel, direitos e deveres que somente
serão conquistados com sabedoria.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Saber que o mundo muda e as necessidades também, é tarefa para quem está
disposto a ver e a observar que as mudanças poderão ser bem aceitas e devem ser
empregadas de forma a colaborar em todos os sentidos, principalmente no quesito
educação, pois o mundo poderá estar dentro da sala de aula, mas para isto basta que o
professor e os alunos estejam dispostos a empregar o aprendizado de mundo dentro da
escola.
A Arte da representação com o corpo ou com o emprego de recursos como os
bonecos que contam as mais diversas histórias de magia e encantamento passaram a
serem vistas por muitos professores como forma de auxiliar a aprendizagem de seus
alunos, já que a todo o momento há o contato com a diversidade cultural, literária,
política e social, ou seja, um mundo não utilizado em sala por receio do professor e dos
alunos ou simplesmente pelo fato de temer sair do conteúdo programático até mesmo
preservando sua segurança com relação aos objetivos previstos nos planejamentos.
Por meio do uso da Arte para contar histórias, muitas vantagens poderão ser
retiradas por se tratar do aprendizado dos alunos, pois por meio destes os alunos
poderão ter contato com a realidade presente nas histórias que por vezes estes não
fazem parte de seu cotidiano, daí quando o professor utiliza-se de outros recursos
artísticos, consegue desenvolver o gosto pela Arte, consegue produzir brilhantes
composições por ter uma imaginação fértil e dotada de arranjos capazes de segurar o
espectador para a sua obra por longos períodos com muita atenção.
Apesar de ser uma difícil tarefa levar alunos que não tem prazer pela leitura ou
mesmo não possuem a mesma freqüência para ouvir as histórias sejam elas em seu leito
ou em qualquer outro local a um mundo em que o mais importante é o que se descobre
por meio desta, o professor poderá em sua função, desenvolver o gosto, desde que este
saia do seu conforto e comodidade, para seguir em uma estrada não definida e cheia de
obstáculos, mas que se possuir sérios e claros objetivos, poderá encontrar outros
caminhos e seguir rumo as grandes descobertas.
Nestas poucas páginas que se seguiram, foi possível destacar alguns pontos
como a contribuição da magia da Contação de Histórias com ou sem o emprego de
bonecos ou outro recurso, o emprego destas técnicas para atrair o público e ainda
algumas formas e estratégias para serem empregadas em sala de aula e o papel do
professor frente a história sendo contada e ainda as principais colaborações desta para a
realidade dos alunos e para os professores, daí muito ainda precisa ser discutido,
observado e praticado para conseguir formular outras hipóteses, pois muitas foram às
dúvidas ainda não solucionadas, até porque a Arte da contação de histórias tem amplas
direções a ser seguidas, basta conseguir ver o caminho a ser percorrido.
Cada vez que se abrir um livro ou ouvir um CD que contenha histórias, o leitor
poderá verificar algumas características saltam aos olhos como o som produzido pela
leitura compassada mostrando como o autor escreveu e como o próprio contador passa a
expor sua arte, daí ficam implícitas os sonhos, desejos e anseios do autor e/ou o
contador que buscaram em palavras simples a compreensão do leitor e a descoberta pelo
gosto pela leitura deixando um gosto de “quero mais” a cada nova leitura ou
representação desenvolvendo em quem está lendo o fascínio pelo mundo em que nem
sempre o leitor conhece, em quem está ouvindo o desperta da magia dos contos e das
histórias que estes pouco possuem acesso. fisicamente,
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MEGALE, Nilza B. Folclore Brasileiro. Petrópolis: Editoras Vozes, 1999.
MOYSÉS, José Alves Histórias em quadrinhos e educação infantil. 2007.
OLIVEIRA, Maria da Conceição Carneiro. História para todos: 4ª Série, Coleção para
todos. São Paulo: Scipione, 2006.
PINTO, Carlos. O Boneco do Ventríloquo Janeiro de 2004
REIS, João Santiago dos. Folclore. Recife: Prefeitura da Cidade do Recife, 1983.
S ANTOS , An t ô n i o C arl o s . O teatro de marionetes e o teatro de bonecos Mané
Beiçudo. Dezembro de 2007
TOVIANSKY, Daniela. Oralidade: A Arte dos Contadores de Histórias. Nova Escola.
edição 197, novembro, 2006.
Anexos
Ed. 485 - 03/09/2007
GENEROSIDADE
O contador de histórias
Muitas crianças só deixam a cama do hospital carregadas pela voz doce de Valdir
Comino. Aprisionadas por doenças graves, são levadas pelo ex-executivo a um mundo
de fantasia onde tudo é possível.
Ana Aranha (Texto) E Frederico Jean (Fotos)
DOCE ESCAPADA
Por um momento, Valdir Cirino (na foto, com
avental de bichinhos) faz Pámela de Freitas, de 3
O tempo parou quando Valdir Cirino cruzou a ala
anos, esquecer a dor provocada pela meningite
infantil do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, em
1997. Ele foi conhecer a casa à qual doava parte do salário como diretor de marketing
da Rede Globo. Saiu de um espaçoso apartamento na Rua Oscar Freire e entraram no
hospital especializado em doenças contagiosas, como meningite e AIDS. Andando pelo
corredor de paredes escurecidas, ficou incomodado com uma seqüência de relógios
quebrados, pendurados a cada 5 metros. Nos quartos, encontrou meninos e meninas com
o corpo fraco e a alma vencida. Os olhinhos estavam lá, mas não tinham brilho. Foi
assuntar com os pais.
- Vai à escola?
- Ah, não. A gente não cobra mais. Sabe como é, não vai viver muito.
"Matou a criança ali", diz, nove anos depois, sussurrando como se ela ainda pudesse
ouvi-lo. De volta ao corredor, compreendeu a lógica dos relógios quebrados. Os
ponteiros, como os pais, haviam desistido do avançar das horas. Não contavam mais
com o futuro daquelas crianças. "O mundo parou", diz ele. "Era como se o tempo não
passasse para quem estava ali."
O estalo mudaria para sempre o eixo de rotação de seu próprio mundo. Ele, que desde
os 13 anos subia aos pulos os degraus da carreira e nunca aceitou empregos sem
perspectiva, parou. A vida acelerada perdeu o sentido perto das crianças presas no
tempo. Dar corda naqueles relógios. Devolver o futuro. As idéias badalaram em sua
cabeça e lá se repetem, como um manta, há nove anos.
"Nós vivemos num
Quem circula hoje pelo 4o andar do Emílio Ribas vê os segundos
todo e o que me fascina
correr em paredes cor de salmão, cruza com professoras e,
é ver que eu posso
seguindo a música, chega à brinquedoteca: uma sala cheia de
mudar esse todo.
crianças desenhando e jogando videogame. Às sextas-feiras de
Ver o resultado, uma
criança que pede para
manhã, o inventor dessas mudanças pode ser visto pulando de
ficar com o livro. Isso
quarto em quarto. É o ex-diretor de marketing Valdir, vestindo
é o que me faz bem"
um avental branco cheio de penduricalhos e com uma pilha de
livros na mochila. Ele é presidente da Viva e Deixe Viver, associação que reúne 760
voluntários contadores de história em 60 hospitais e casas de apoio do país. Eles lêem
livros para crianças hospitalizadas. Usam a fantasia para tirá-las da doença, nem que
seja por um minuto. As histórias impedem que desaprendam a sonhar.
"Puxamos o fio da saúde. E é maravilhoso quando ele sai em forma de sorriso", diz
Valdir. O nome da associação é uma referência a um provérbio hindu, segundo o qual
cada pessoa tem sua cama e vive sua dor, mas pode ter sua vida cruzada com outras.
"Tem gente que fala: 'Que bonitinho tá comprando um pedaço no céu'. Isso me dá um
bode", afirma. "Vivemos em um todo e o que me fascina é ver que posso mudar esse
todo. Ver o resultado, uma criança que pede para ficar com o livro, é o que me faz bem.
Faz com que me sinta produtivo."
Em cada história que conta, ele presta uma pequena homenagem à avó, Josefa Campos
Rodriguez, a vu Cepa, e ao irmão caçula, Pedro Rafael Cirino. Espanhola de Granada,
ela passava tardes contando histórias aos netos. Valdir abria bem os olhos para as de
aventura - e fechava para as de terror. Vibrava quando Pedrinho Malazartes mistura que
a avó fazia do personagem com o neto, pulava para dentro da trama. Pedrinho vivia
Ninguém esquece um mamulengo
Marcos Paulo · Porto Velho (RO) · 21/9/2007 10:18
aprontando, na fantasia e na vida real. As pernas de Valdir tremiam quando o irmão
provocava o cachorro do vizinho. Conta que desmaiavam ao ver os machucados de
criança arteira que sempre cobriam o corpo do irmão.
Os bonecos que trouxeram alegria de Olinda
Imagens
o desfile dos bonecos de Olinda...
ninguém queria perder o desfile
Aqui, destaque a Amazônia
...cada um com uma história diferente
em cada cidade, uma decoração diferente
Mamulento Teatro Riso Mundo Encantado dos Bonecos
A capital de Rondônia, Porto Velho, jamais viu algo parecido. Também pudera. Foi a
primeira vez que a caravana do “Sesi Bonecos Brasil”, em seu quarto ano de existência,
chegou por essas bandas. Por dois dias – sábado (15) e domingo (16) – o espaço
conhecido como Flor do Maracujá virou uma cidade repleta de cultura, ou melhor, um
céu de mamulengos, marionetes, teatro de sombras, shows e exibições de mestres
mamulengueiros vindo de vários Estados do país, como Pernambuco, Rio Grande do Sul,
Santa
Catarina,
São
Paulo,
Minas
Gerais
e
Rio
de
Janeiro.
Não tinha como não gostar e se encantar, por exemplo, com os bonecos gigantes de
Olinda. Foram eles e uma cobra enorme que sempre davam início, embalados pelas
marchinhas de carnaval, ao evento que reuniu, durante os dois dias de apresentação,
mais de 20 mil pessoas que queriam estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
Havia dois palcos principais onde eram realizadas as atrações maiores. No domingo, por
exemplo, a programação ficou por conta das companhias Caixa do Elefante (com o
espetáculo Histórias da Carrocinha), Pia Fraus (apresentando Gigantes de Ar), do RS; e
Giramundo (encerrando com Cobra Norato), de Minas Gerais. Quem não conseguiu ficar
perto dos palcos, tinha a chance de não perder nada através dos quatro telões
espalhados
no
local.
O “Pavilhão Exposição” era destinado a mamulengos e fantoches. Lá, a fila sempre
estava quilométrica, mas as visitas eram em forma de rodízio. Uns cinco minutos para
cada grupo de pessoas conhecerem os personagens que compõem dimensões históricas
de uma cultura popular. Teve gente que acabava de sair e retornava à fila para entrar
novamente.
Só
vendo.
No “Atelier dos Mamulengueiros”, um grupo de nome peculiar – Mamulento Teatro Riso
Mundo Encantado dos Bonecos - fez com que a gargalhada e os aplausos fossem os
componentes
principais
de
histórias
simplesmente
nordestinas.
A designer Claudia Gazola, 37, parabenizou a organização do evento e disse que
participou de uma experiência maravilhosa. “É muito bom sair de casa e ter a opção de
ver várias coisas acontecendo ao mesmo tempo, tudo relacionado à cultura”, revela.
A estudante Paula Stolerman, 26, ficou satisfeita ao ver tanta gente interessada nesse
nicho cultural. “A valorização da cultura vem através de incentivos, dando meios
gratuitos de a população conhecer uma história importante como a dos mamulengos”,
explicou.
A grande idealizadora deste projeto, que já percorreu 21 Estados brasileiros, chama-se
Lina Rosa Vieira. Ela conta, com um sorriso enorme, que em todas as cidades onde os
bonecos se apresentam a euforia toma conta do público. “Em cada lugar, a
receptividade das pessoas me surpreende e aqui (em Porto Velho) não poderia ser
diferente”,
confessa.
Rosa acredita que o sucesso do projeto deriva da carência de incentivo de cultura à
população, “que geralmente não tem acesso a histórias que não fazem parte do seu
cotidiano” e completa: “temos a responsabilidade de resgatar e transmitir uma história
muito
forte
que
é
a
dos
mamulengos”.
Os bonecos deixaram Porto Velho na manhã desta segunda-feira (17). Seguem agora
rumo a Rio Branco, próxima cidade a ser contemplada com o projeto, previsto para
encerrar em novembro, em Macapá, após passar por Manaus e Boa Vista. Será difícil
esquecer deles que fizeram, apenas num final de semana, tanta gente feliz.
FANTOCHES, MARIONETES, MAMULENGOS.
O teatro de bonecos talvez seja mais velho do que o próprio teatro com atores de
verdade. É assim: em vez de pessoas interpretando personagens, quem conta a
história são bonecos controlados com a mão.
Cada parte do mundo tem um tipo de boneco diferente: no Brasil, os Mamulengo
do estado de Pernambuco; pelo mundo, há desde os bonecos dos índios
americanos aos fantoches e marionetes da Europa, até chegar à Índia e em Java,
com suas milenares tradições nessa arte!
Japão: os bunraku chegam a ter o tamanho de uma criança e cada um é
controlado por vários operadores, a partir de mecanismos nas costas dos
bonecos.
Índia: bonecos de vara, que existem também na ilha de Java (país vizinho).
Europa: ali aparecem principalmente as marionetes, que são bonecos
controlados por cordinhas presas nos seus braços, pernas e cabeça. Também há
fantoches, que são construídos em cima de luvas e controlados pela mão.
Estados Unidos: índios americanos usam teatrinho de bonecos em rituais
mágicos.
Brasil: o mamulengo é um dos principais tipos de bonecos de teatro,
aparecendo principalmente no estado de Pernambuco. As pessoas que os fazem
são chamadas de mestres. Há até um museu na cidade pernambucana de
Olinda, onde se vê muitos tipos de bonecos. As companhias de mamulengo
viajam por toda a região do Nordeste do país, apresentando-se em grandes e
pequenas cidades.
Existem escritores que inventam histórias especialmente para serem
representadas nos palcos. Só que, principalmente na área infantil, há muitas
histórias que não foram escritas diretamente para o teatro, mas que são
adaptadas da literatura.
As peças mais famosas estão sempre ganhando novas montagens. Quem sabe
um dia desses alguma seja representado na sua cidade? Aqui você vai conhecer
alguns personagens que foram parar atrás das cortinas e outras histórias que se
tornaram sucesso nos palcos. Escolha sua peça favorita: Alice no País das
Maravilhas, Castelo Rá-Tim-Bum, Cinderela ou Os Saltimbancos.
É outra antiga história, escrita pelos irmãos Grimm e adaptada para teatro por
Chico Buarque – sim, além de cantor e compositor, ele também escreveu várias
peças.
Chico aproveitou seus dois talentos, o teatro e a música, para fazer uma peça
musical. Um jumento, uma galinha, uma gata e um cachorro são as personagens
que se unem contra seus donos. Uma história sobre amizade, recheada de
músicas legais, adaptadas por Chico:
“Jumento não é, jumento não é, o grande malandro da praça”.
Trabalha de graça
Não agrada ninguém
Nem nome não tem
É manso e não faz pirraça.
Mas quando a carcaça ameaça rachar
Que coices, que coices, que coices que dá!"
Essa peça foi adaptada para o cinema em 1981, com Renato Aragão aprontando
todas em Os Saltimbancos Trapalhões.
Você sabia que o nome "Saltimbancos" vem de uma tradição medieval?
OS SALTIMBANCOS
Muitos anos depois, na Idade Média, lá por volta do século 12, apareceram na
Europa companhias de teatro que ia de cidade em cidade. Este teatro já não tinha
nada de religioso, e seus atores e atrizes, chamados de saltimbancos,
literalmente carregavam a casa nas costas. E não só a casa: os cenários das
peças, seus figurinos (as roupas usadas), maquiagem, etc. Eles andavam em
carroças, sempre em bandos, chamados trupes, e não tinham moradas certas.
Eles também representavam peças engraçadas ou dramáticas, como os gregos.
Hoje, esse teatro itinerante também é conhecido como teatro mambembe.
Mas não pense que ficar "de galho em galho" era o sonho da vida dos
saltimbancos! É que na época em que eles viviam a Igreja era muito poderoso e
implicante, e escolhia o que as pessoas podiam representar de preferência textos
cristãos. E os saltimbancos não queriam saber dessa prisão, pois o negócio deles
era usar a criatividade e representar o que bem quisessem.
Perseguidos pela Igreja e sendo tratados como fora-da-lei, os saltimbancos
começaram a usar máscaras, para não serem reconhecidos. Uma tradição que
descende diretamente dos saltimbancos é o circo, que até hoje anda de cidade
em cidade apresentando seus números.
Muito tempo mais tarde, na Itália, surgiu a Comede Del'Arte!
Teatro
por Sábato Magaldi
A implantação do teatro, no Brasil, foi obra dos jesuítas, empenhados em
catequizar os índios para o catolicismo e coibir os hábitos condenáveis dos
colonizadores portugueses. O padre José de Anchieta (1534-1597), em quase uma
dezena de autos inspirados na dramaturgia religiosa medieval e sobretudo em Gil
Vicente, notabilizou-se nessa tarefa, de preocupação mais
religiosa do que artística.
Produção sem continuidade, ela não foi substituída por outra
que deixasse memória, nos séculos XVII e XVIII, salvo alguns
documentos esparsos. Sabe-se, de qualquer forma, que se
ergueram "casas da ópera" nesse último século, no Rio, em
Vila Rica, Diamantina, Recife, São Paulo, Porto Alegre e
Salvador, atestando a existência de uma atividade cênica
regular. A sala de espetáculos de Vila Rica (atual Ouro Preto)
é considerada a mais antiga da América do Sul. Menciona-se o
Padre Ventura como o primeiro brasileiro a dedicar-se ao
palco, no Rio, e seu elenco era de mulatos.
A transferência da corte portuguesa para o Rio, em 1808,
trouxe inegável progresso para o teatro, consolidado pela
Independência, em 1822, a que se ligou logo depois o
romantismo, de cunho nacionalista. O ator João Caetano
(1808-1863) formou, em 1833, uma companhia brasileira, com o propósito de
"acabar assim com a dependência de atores estrangeiros para o nosso teatro". Seu
nome vinculou-se a dois acontecimentos fundamentais da história dramatúrgica
nacional: a estréia, a 13 de março de 1838, de Antônio José ou O Poeta e a
Inquisição, "a primeira tragédia escrita por um brasileiro, e única de assunto
nacional", de autoria de Gonçalves de Magalhães (1811-1882); e, a 4 de outubro
daquele ano, de O Juiz de Paz na Roça, em que Martins Pena (1815-1848) abriu o
rico filão da comédia de costumes, o gênero mais característico da nossa tradição
cênica.
Leonor de Mendonça, de Gonçalves Dias (1823-1864), distingue-se como o melhor
drama romântico brasileiro. A trama, que poderia evocar Otelo, se constitui, na
verdade, um antecipador manifesto feminista. E a comédia de costumes marcou as
escolas sucessivas, do romantismo e até do simbolismo, passando pelo realismo e
pelo naturalismo. Filiaram-se a ela as peças mais expressivas de Joaquim Manoel
de Macedo (1820-1882), José de Alencar (1829-1877), Machado de Assis (19391908), França Júnior (1838-1890) e Artur Azevedo (1855-1908), notabilizado pelas
burletas A Capital Federal e O Mambembe. Fugiu aos esquemas anteriores QorpoSanto (1829-1889), julgado precursor do teatro do absurdo ou do surrealismo.
A Semana de Arte Moderna de 1922, emblema da modernidade artística, não teve
a presença do teatro. Só na década seguinte Oswald de Andrade (1890-1954), um
de seus líderes, publicou três peças, entre as quais O Rei da Vela, que se tornou em
1967 o manifesto do tropicalismo. Naqueles anos, registrava-se a hegemonia do
astro, representado por Leopoldo Fróes e depois por um Procópio Ferreira. Só em
1943, com a estréia de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues (1912-1980), sob a
direção de Ziembinski, modernizou-se o palco brasileiro. Mas a excelência do texto
não iniciou ainda a hegemonia do autor, que se transferiu para as mãos do
encenador.
Começava na montagem do grupo amador carioca de Os
Comediantes a preocupação com a unidade estilística do
espetáculo, continuada a partir de 1948 pelo paulista Teatro
Brasileiro de Comédia, que contratou diversos diretores
estrangeiros, e pelos elencos dele saídos - Cia. Nydia Lícia-Sérgio
Cardoso, Cia. Tônia-Celi-Autran, Teatro Cacilda Becker e Teatro
dos Sete. Maria Della Costa passou por ele enquanto esperava a
construção de sua casa de espetáculos e adotou no Teatro
Popular de Arte os seus mesmos princípios. O ecletismo de
repertório desses conjuntos provocou, a partir do êxito de Eles
Não Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958, uma
guinada na política do Teatro de Arena de São Paulo,
inaugurando a fase da hegemonia do autor brasileiro, ainda que
tivessem estreado antes A Moratória, de Jorge Andrade (19221984), em 1955, e o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna
(n.1927), em 1956, além de outras obras.
Veio, em 1964, o golpe militar, e cabe dizer que ocorreu uma hegemonia da
censura. Afirmou-se um teatro de resistência à ditadura, desde os grupos mais
engajados, como o Arena e o Oficina de São Paulo e o Opinião, do Rio, aos
dramaturgos como Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Dias Gomes, Oduvaldo
Vianna Filho e Plínio Marcos. Autores afeitos ao veículo da comédia, a exemplo de
João Bethencourt, Millôr Fernandes, Lauro César Muniz e Mário Prata, seguiram a
mesma trilha. Número enorme de peças, até hoje não computado, conheceu a
interdição.
Quando, a partir da abertura, os textos proibidos puderam chegar ao palco, o
público não se interessava em remoer as dores antigas. Talvez por esse motivo,
enquanto se aguardavam novas vivências, o palco foi preenchido pelo "besteirol",
ainda que Mauro Rasi, um dos seus principais autores, se encaminhasse depois
para um mergulho autobiográfico. A partir dos anos 70, Maria Adelaide Amaral se
tem mostrado a autora de produção mais constante e de melhores resultados
artísticos.
Com a estréia de Macunaíma, transposição da "rapsódia" de Mário de Andrade, em
1978, Antunes Filho assumiu a criação radical do espetáculo, inaugurando a
hegemonia dos encenadores-criadores. A tendência teve acertos, sublinhando a
autonomia artística do espetáculo, e descaminhos, como a redução da palavra a um
jogo de imagens. Aparados os excessos, essa linha, da qual participam nomes
como Gerald Thomas, Ulysses Cruz, Aderbal Freire-Filho, Eduardo Tolentino de
Araújo, Cacá Rosset, Gabriel Villela, Márcio Vianna, Moacyr Góes, Antônio Araújo e
vários outros, está atingindo, nas temporadas recentes, um equilíbrio que ressalta
todos os componentes do teatro.
O Teatro de Arena de São Paulo
por Sábato Magaldi
A principal característica do Teatro de Arena, fundado em São Paulo em 1953,
tendo à frente José Renato - egresso, como outros, da Escola de Arte Dramática -,
foi a de nacionalizar o palco brasileiro, a partir da estréia de Eles Não Usam Blacktie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958.
No início, o grupo, que foi o primeiro na América do Sul a utilizar a cena circular
envolvida pelo público, visava sobretudo à economia do espetáculo, adotando as
mesmas premissas estéticas do Teatro Brasileiro de Comédia, com o ecletismo de
repertório. Sem a necessidade de cenários, atuando em locais improvisados, o
grupo podia abolir muitas despesas.
Mesmo assim, tendo inaugurado em 1955 a sala da rua Theodoro Bayma, o Arena,
em difícil situação financeira, preferiu fechar as portas com uma peça de um de
seus atores, originário do Teatro Paulista do Estudante, ao qual se uniu para
formar-se o Elenco Estável: Gianfrancesco Guarnieri. Black-tie não só se constituiu
um grande sucesso de mais de um ano em cartaz, como iniciou a linha de prestígio
da dramaturgia brasileira, continuada por Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo
Vianna Filho, Revolução na América do Sul, de Augusto Boal, e outros textos,
aprovados no Seminário de Dramaturgia que ali
se criou.
O Arena, com a colaboração de Augusto Boal,
conhecedor das experiências do Actors'Studio,
nos Estados Unidos, empenhou-se também na
procura de um estilo brasileiro de encenação e
de desempenho. A seguir, promoveu a
nacionalização dos clássicos. Veio depois a fase
dos musicais, expressa por Arena Conta Zumbi e
Arena Conta Tiradentes, de Guarnieri e Boal.
Com o Sistema Curinga, aí adotado, abrasileirouse o teatro épico de Brecht.
A repressão violenta da ditadura, principalmente
com o Ato Institucional nº 5, de 1968, ainda
permitiu a Augusto Boal fazer a experiência do
Teatro Jornal, primeiro passo de seu Teatro do Oprimido, que se desenvolveu no
exterior nas formas do Teatro Invisível e do Teatro-Foro. Mas seu exílio, em 1971,
já afastados outros valores do grupo, interrompeu a grande trajetória do Teatro de
Arena.
Contar Histórias: Uma Arte Imortal
Por Ana Lúcia Merege
Nos últimos anos, a arte de contar histórias vem sendo retomada não apenas por
terapeutas e educadores, mas por pessoas de todas as formações, de várias camadas da
sociedade, que se reúnem para partilhar sabedoria, afeto e energia através das narrativas.
Para fazê-lo, não há regras: o melhor é usar o coração e a intuição, além da experiência que só
se adquire através do tempo. No entanto, uma discussão acerca do que significa contar
histórias e do que é necessário para isso pode nos levar a alguns pontos interessantes.
Em primeiro lugar, é preciso saber que contar histórias é uma arte popular. Uma aproximação
excessivamente acadêmica e/ou sofisticada pode esvaziar o conteúdo emocional da narrativa,
deixando o público pouco à vontade. Da mesma forma, deve-se ter em mente que, embora o
ato de contar histórias possa se inserir numa proposta terapêutica ou num projeto pedagógico,
não se pode agir de forma mecânica, apenas para cumprir um dever ou para ensinar o que
quer que seja, de regras gramaticais a valores doutrinários. As histórias devem ser contadas
por e com prazer. Se não, nem vale a pena começar.
O background cultural do narrador e a sua familiaridade com as histórias também são
importantes. Ao narrar um conto maravilhoso, por exemplo, é muito mais importante conhecer
e ser capaz de visualizar o cenário em que ele se desenvolve do que saber as palavras exatas.
Saber de onde vem a versão que se está narrando é bom, mas melhor ainda é saber trabalhar,
criativamente, com os elementos fornecidos pela narrativa, e ser capaz de levar o público a se
identificar e se interessar por ela.
A escolha do repertório é fundamental para um contador de histórias. Segundo SAWYER,
mesmo os contadores mais experientes encontram dificuldades com alguns textos e mais
facilidade com outros, sugerindo que se trabalhe com três tipos básicos de material: literatura
popular (onde se incluem os contos de fadas), contos literários e trechos de livros (SAWYER,
1990, p. 153). Para ela, a literatura popular é a mais fácil de trabalhar, pois tem uma linguagem
universal e uma estrutura narrativa simples. A opinião é partilhada por RIBEIRO, segundo o
qual “por mais que os requintes e lançamentos literários sofram um constante aperfeiçoamento
(...) a literatura infanto-juvenil continuará tendo a sua faceta mais atraente na literatura de
tradição oral e mais propriamente nos contos de fadas (RIBEIRO, 2002, p. 14-15). Mesmo para
um público de adultos (ou misto) essas histórias jamais perdem o seu encanto, sendo no
entanto aconselhável que o narrador a estude previamente, conhecendo-a bem, a fim de ser
capaz de transmitir todas as nuances contidas em cada trecho e em cada elemento da
narrativa.
A propósito desse assunto, é preciso esclarecer que existem diferenças entre contar, ler e
representar histórias, embora todas elas envolvam uma preparação e uma performance mais
ou menos elaborada. A forma como se vai trabalhar depende de nossos gostos, de nosso
estilo, de nosso objetivo... e, antes de tudo, de nossa sensibilidade. De qualquer forma, o
narrador se beneficiará do domínio de algumas técnicas de voz e expressão corporal, bem
como – mais uma vez – do conhecimento profundo da história e dos personagens. A sutileza é
sempre preferível ao exagero. Como diz BUSATTO, “o Lobo Mau não precisa falar grosso para
demonstrar sua ferocidade (...). O que podemos carregar do teatro é justamente a intenção que
carrega um ritmo preciso” (BUSATTO, 2003, p. 76).
A partir daí tudo se torna uma questão de tempo, de paciência, de experimentação e, por que
não dizer, de ousadia por parte do narrador, que irá acertar e errar muitas vezes ao longo de
sua trajetória. No entanto, se for essa a sua vocação, ele irá persistir... uma vez que, para o
verdadeiro contador de histórias, o ato de narrar é parte inseparável da vida.
Contar histórias não é um ato apenas intelectual, mas espiritual e afetivo. Por isso, as melhores
histórias são as que contamos espontaneamente, a partir do que carregamos em nossa
bagagem de cultura e de experiência de vida. Independente de qualquer sentido, contar
histórias pressupõe antes de tudo a vontade de falar do que se sabe, de doar sabedoria e
conhecimento, de passar adiante aquilo que se aprendeu. Mais simplesmente ainda: contar
histórias é aumentar o círculo. E, mesmo na falta de uma fogueira ou das lareiras de nossas
avós, podemos fazê-lo aqui e agora, partilhando nossas histórias, lançando fios invisíveis que
nos unem numa só rede.
LEITURAS SUGERIDAS
BUSATTO, Cléo. Contar e encantar. Petrópolis: Vozes, 2003.
FITZPATRICK, Jean Grasso. Era uma vez uma família. Rio de Janeiro : Objetiva, 1998.
MACHADO, Ana Maria. Como e por que ler os clássicos universais desde cedo. Rio de Janeiro
: Objetiva, 2002.
RIBEIRO, Jonas. Ouvidos dourados. São Paulo : Ave-Maria, 2002.
SAWYER, Ruth. The Way of the storyteller. New York : Penguin Books, 1990.
SIMPKINSON, Charles e Anna (org.). Histórias sagradas. Rio de Janeiro : Rocco, 2002
Ana Lúcia Merege
E-mail: [email protected]
Site: http://estantemagica.blogspot.com
[email protected].
Dicas para contar histórias
1 - Preparação do Evangelizador
ü É importante escolher o enredo de acordo com o objetivo visado, sem
misturar os assuntos, tendo um tema específico (se o objetivo é falar
sobre
prece,
não
inclua
também
algo
sobre
reencarnação,
mediunidade, para que a criança entenda bem a idéia proposta);
ü Quem conta uma história deve conhecer muito bem a narrativa (não
decorar, mas saber bem a história); uma boa idéia é contar a história
previamente para alguém, solicitando que a pessoa comente a
narrativa, auxiliando a suprir erros e lacunas na história;
ü Com a prática (e o prévio ensaio), é possível diminuir os gestos
bruscos, os cacoetes com as mãos e os tiques (Né? Sabe? Então...),
adquirindo movimentos tranqüilos e harmoniosos;
ü O narrador deve passar segurança, por isso não deve iniciar se
desculpando por não saber contar direito a história ou por não ter
preparado a narrativa. Lembre-se que é possível adquirir a confiança
em si mesmo através da prévia preparação e do ensaio da história
(as primeiras histórias serão mais difíceis, exigirão um preparo
maior, mas com o tempo e a prática as dificuldades tendem a
diminuir);
ü
Seja autêntico ao contar a história: não tente fingir alegria ou
tristeza, seja natural e sincero, vivenciando aquilo que está sendo
narrado;
ü Quanto mais praticar, melhores ficarão as narrativas. Importante
aliar
criatividade
à
humildade
e
à
oração,
pedindo
auxílio
(previamente) ao Espírito Protetor, a fim de que se possa sentir a
ajuda do Mundo Espiritual no momento de executar a tarefa;
ü A linguagem utilizada deve ser simples, correta e estar à altura do
entendimento das crianças. Se precisar usar alguma palavra que as
crianças possam não compreender o significado, substitua-a por um
sinônimo mais fácil ou explique o que quer dizer;
ü Ao escolher uma maneira para contar a história, é importante
analisar o enredo e qual o seu objetivo. Um método bastante usado
para integrar os ouvintes é a interrupção combinada, ou seja, o
evangelizador deixa previamente acertado que quando falar uma
frase específica, as crianças devem responder com uma palavra ou
gesto especial (ou então, sempre que indicado pelo narrador, emitem
um efeito sonoro de acordo com a história, como por exemplo, o som
que faz o animal da história);
ü Quando for utilizado material ilustrativo ou outro acessório, é
essencial treinar a seqüência dos acontecimentos, ligando-os à
apresentação das gravuras ou cartazes;
ü Ao contar uma história, lembre-se que as expressões faciais e gestos
são tão importantes como o tom e o som da voz. Aprender a exagerar
emoções, desenvolver diferentes vozes e personalidades, contar
histórias em "bumerangue", isto é, dialogar consigo mesmo, são
recursos valiosos.
2 - Sobre a história
ü As histórias podem ser reais ou imaginárias. Quando a história for
verdadeira (os fatos aconteceram realmente) pode-se salientar o fato,
a fim de despertar maior interesse das crianças;
ü Certifique-se de que a história a ser narrada não é de conhecimento
das crianças, evitando o desinteresse e as interrupções de quem já
conhece a narrativa. Lembre-se, porém, que crianças com pouca
idade gostam de ouvir/ver várias vezes a mesma história ou filme; já
as crianças maiores que conhecem antecipadamente a história, se
bem orientadas, podem contribuir com comentários, interrompendo
apenas nos momentos convencionados.
ü Uma história é feita de:
§
Introdução: chama a atenção para a narrativa, apresenta os
personagens e o ambiente; deve ser curta, mas despertar o interesse
dos ouvintes, transportando-os para dentro da história;
§
Enredo: são os acontecimentos crescentes durante a história,
até chegar ao clímax;
§
Clímax: é o ápice, o ponto máximo da história; é o momento de
suspense em que a criança espera com mais interesse o que vai
acontecer a seguir; deve emocionar, sem assustar;
§
Conclusão: é o final da narrativa; deve ser curta e sem
explicações acerca da moral da história, pois o ideal é que a criança
entenda por si mesma o que se quis transmitir;
ü A narrativa deve possuir algum drama ou suspense, uma situação
que dirija ao clímax e ao final da história;
ü Os interesses variam conforme a idade das crianças. Assim, no
Jardim e Maternal devem ser usadas narrações simples e repetitivas,
com ritmos e sons; também é interessante a utilização de crianças e
animais como personagens; no 1º Ciclo, são importantes as histórias
que incentivem a imaginação e o faz-de-conta, além de aventuras em
ambientes conhecidos, como a escola, o bairro, a família; e no 2º e 3º
Ciclos as crianças interessam-se por narrativas de aventura,
explorações, viagens, invenções, crônicas e contos. Porém, deve-se
evitar sempre ironias, sentimentalismos, tragédias e situações que
amedrontem;
ü Uma história bem contada torna fácil a compreensão da mensagem
transmitida, ao mesmo tempo que diverte, se estiver de acordo com
o desenvolvimento emocional e intelectual dos ouvintes.
3 – No momento de contar a história
ü Não inicie a história entrando direto na narrativa. É importante
aguçar o interesse e a curiosidade dos ouvintes sobre a história. Isso
pode ser feito através de conversações, gravuras, perguntas e outros
recursos;
ü É muito importante que as crianças estejam adequadamente
acomodadas e fisicamente bem próximas ao evangelizador. A
disposição em semicírculo ou em forma de cineminha são muito
utilizadas e eficientes;
ü
Se der branco, continue. Não faça caretas, nem se desculpe.
Continue descrevendo detalhes de cores e locais. Isso estimula a
imaginação e ajuda a memória. Ou então faça uma pausa, olhando
todos nos olhos, como para levantar suspense (não olhe para o
chão). Use a criatividade e improvise!
ü Se a história for lida, sua narrativa deve ser tão animada como se
fosse contada espontaneamente.
É importante ler a história
diretamente para as crianças, devagar, fazendo pausas e olhando os
ouvintes nos olhos. Ao se preparar, o narrador deve ler a história
diversas
vezes,
dramatizando
a
história,
para
não
deixá-la
monótona.
4 - Lembre-se:
ü A primeira característica de um bom narrador é gostar de contar e
ouvir histórias; ele deve sentir a história, emocionando-se com a
própria narrativa;
ü Contar histórias interessantes e educativas que as crianças possam
lembrar mais tarde é uma arte que se aprende estudando e
praticando;
ü Uma boa história pode estimular os bons sentimentos, ajudar a
desenvolver o intelecto, trazer reflexão e conhecimento, sugerir
soluções para os problemas cotidianos e desenvolver virtudes;
ü O Mestre Jesus ensinava através de histórias, as conhecidas
Parábolas, que atravessaram os séculos, e continuam a educar,
transmitindo seus ensinamentos de amor.
Museu Regional de Olinda,
Pernambuco, Brasil.
Histórico
Olinda tem características muito especiais. Núcleo de artistas e intelectuais, cidade
Patrimônio Cultural da Humanidade, título conferido pela UNESCO, concreta no seu
pequeno
território
um
rico
exemplo
da
arquitetura
colonial
brasileira.
Em suas ruas e ladeiras estão plantados monumentos que registram a História e a vida
de Olinda desde o século XVI até nossos dias, coroada pelo azul do céu e pelo verde da
paisagem
bucólica
dos
quintais
e
do
mar
de
Olinda.
Como diz o poeta Carlos Pena: "Olinda é só para os olhos. Não se apalpa, é só desejos.
Ninguém
diz
é
lá
que
eu
moro.
Diz
somente,
é
lá
que
eu
vejo".
Neste cenário, está situado o MUSEU REGIONAL, numa das mais antigas ruas da
cidade, a rua do Amparo. Instalado num velho sobrado do século XVIII, traz as
referências barrocas desse período, em que a arquitetura da casa deixava à mostra os
beirais de tríplices telhas, frontispício na porta principal e janelas abertas para a rua. Foi
construído na primeira metade do século XVIII, entre 1745 e 1749 para abrigar a
residência episcopal, como pode se ver no frontispício do portão principal, encimado
pelo
escuro
de
pedra
com
as
armas
episcopais.
O Acervo
Classificado como museu-casa, o Museu Regional de Olinda propicia ao observador
uma visão de uma casa pernambucana do século passado. Sua exposição foi montada
respeitando-se as características espaciais da primitiva casa, dividida em três espaçosos
salões guarnecidos com móveis raros de influência francesa e portuguesa D. Maria I,
século XVIII e pernambucano, estilo Beranger, século XIX. A casa tem curiosamente
apenas um quarto, no pavimento térreo e uma pequena saleta num espécie de água
furtada, no piso superior. Numa das salas, foi montado um altar em estilo rococó,
atribuído ao final do século XVIII e início do XIX.
Além do magnífico mobiliário colonial brasileiro, o Museu de
Olinda preserva um grande móvel português, decorado com
quimeras (leões mitológicos), que pertenceu à Câmara do Senado de
Olinda, provavelmente executado na 2º metade do século XVII. Este
móvel é considerado um dos mais antigos do Brasil, tendo sido
catalogado
nos
manuais
para
o
estudo
do
mobiliário
brasileiro.
É possível também apreciar um conjunto raro de peças de arte sacra do século XVII e
XVIII em terra-cota e madeira, como Jesus no Sermão e São Felipe Nery, bem como
um presépio mineiro do século XVIII. Neste contexto, o Museu Regional de Olinda,
ainda expõe louças da Companhia das Índias, também conhecida como louça azul
borrão, porcelanas francesas de Limoges, prato em porcelana chinesa gold Imari
decorado com "rouge de fer", século XVIII. Destaca-se nesse conjunto de belas peças,
os painéis de azulejos portugueses do século XVII, provavelmente da Igreja da Sé, em
estilo pombalino.
A Casa dos Bonecos Gigantes
do grande Artista Plástico Silvio Botelho,
na Rua do Amparo 45,
em Olinda, Pernambuco, Brasil.
O Carnaval de Pernambuco é um dos mais ricos do
Brasil. A cultura diversificada do estado é expressa em manifestações belas e coloridas.
Em Olinda, ao som do tradicional frevo, o povo sobe e desce as suas ladeiras estreitas,
seguindo os famosos "bonecos gigantes". Marca registrada da folia na cidade, eles têm,
em média, 3,6 metros de altura e pesam até 50 quilos.
A seleta lista de pessoas transformadas em bonecos
inclui gente importante para o Carnaval de Olinda e
personalidades artísticas conhecidas em todo o
Estado, como a cirandeira mais famosa de
Pernambuco, Lia de Itamaracá. O Homem da Meia
Noite, criado em
1932 é o mais
antigo a circular
nas ladeiras da Cidade Alta e foi carregado durante
57 anos pela mesma pessoa, o bonequeiro Cidinho,
um senhor de idade que nunca se intimidou com o
peso ou com o calor no interior da 'roupa' de gigante,
onde a temperatura chega além dos 40º quando o
boneco sai desfilando pelas ladeiras de Olinda. Os mais tradicionais são o Homem da
Meia-Noite (criado em 1932), a Mulher do Meio-Dia (1967), o Filho do Homem da
Meia-Noite (1980), o Menino e a Menina da Tarde (1974 e 1977).
Um dos maiores espetáculos do carnaval de Olinda é o
Encontro dos Bonecos Gigantes, que acontece sempre no último dia de folia. Orquestras
de Frevo se encarregam de animar o desfile dos bonecos gigantes que cumprem todo o
percurso, subindo e descendo as ladeiras com suas
caras alegres, risos largos e enormes braços
balançando ao som do frevo, passando por ruas quase
sempre superlotadas. Esta reunião tem por objetivo
mostrar toda a beleza dos bonecos, pois eles saem de
vários pontos e
percorrem roteiros
diferentes, e só
neste dia as pessoas
têm chance de vêlos e admirá-los.
O artista plástico
Silvio Botelho é o
grande responsável
pela grande família
de bonecos gigantes que embeleza Olinda a cada
carnaval. O trabalho não é nada fácil e consome
muito isopor, papel, madeira e fibra de vidro, para
confecção da cabeça, mãos e corpo do boneco, que
deve ter um suporte para se acoplar ao carregador. Além, é claro, de metros e metros de
tecido para costurar as roupas dos personagens em tamanhos pouco ortodoxos. O artista
tem o seu ateliê situado estrategicamente na ladeira do Amparo, um dos endereços mais
tradicionais da Cidade Alta. O artista plástico faz os bonecos por encomenda,
normalmente a pedido de agremiações ou empresas particulares. Cada um deles custa
atualmente em torno de R$ 2,8 mil, e leva pelo menos uma semana para ficar pronto.
Natural de Olinda, Sílvio Botelho começou a
trabalhar no Carnaval aos nove anos, confeccionando máscaras. Mas, sua maior vontade
era produzir grandes bonecos. A oportunidade surgiu em 1974, quando o carnavalesco
Ernandes Lopes sugeriu que Botelho confeccionasse o terceiro boneco da cidade que
deveria se chamar Menino da Tarde e medir 2,90 metros. O novo integrante
representaria o filho do Homem da Meia Noite com A
Mulher do Dia. Ao ver o resultado, o renomado artesão
Roque Fogueteiro ficou impressionado com a beleza da obra
e aconselhou Botelho a prosseguir no caminho da arte. A
partir daí, o “pai dos bonecos” não parou de produzir seus
gigantes. É o criador de quase 90% dos bonecos gigantes
que animam o Carnaval de Olinda. Botelho abre ao público,
de segunda a sexta, as portas do seu ateliê localizado na rua
do Amparo. Anualmente, o local chega a receber mais de
cinco mil visitantes.
Fotos do Museu do Mamulengo
- Espaço Tiridá,
localizado na Rua do Amparo 59,
em Olinda, Pernambuco, Brasil
Espaço Tiridá - Museu do Mamulengo
em Olinda, Pernambuco, Brasil.
Foto: Elisabeth den Otter
Bonecos do Espaço Tiridá - Museu do Mamulengo
em Olinda, Pernambuco, Brasil.
Bonecos do Espaço Tiridá - Museu do Mamulengo
em Olinda, Pernambuco, Brasil.
Teatro dos Mamulengo
no Museu do Mamulengo - Espaço Tiridá
em Olinda, Pernambuco, Brasil.
Foto: Elisabeth den Otter
Boneco Simão do Espaço Tiridá
- Museu do Mamulengo
em Olinda, Pernambuco, Brasil.
Foto: Elisabeth den Otter
Boneco Quitéria do Espaço Tiridá
- Museu do Mamulengo
em Olinda, Pernambuco, Brasil.
Foto: Elisabeth den Otter
Boneco Vampiro do Espaço Tiridá
- Museu do Mamulengo
em Olinda, Pernambuco, Brasil.
Foto: Elisabeth den Otter
Boneco Papa Figo do Espaço Tiridá
- Museu do Mamulengo
em Olinda, Pernambuco, Brasil.
Foto: Elisabeth den Otter
Mamulengos
em Olinda, Pernambuco, Brasil.
Foto: Passarinho
Marionete
Blog| 4th Maio, 2006
Quando ando ainda vejo a sombra, os fios que me controlam, como uma
marionete o destino teima em nos levar por caminhos que ele acha
certo…
Destino… Palavra usada para imprevistos, decisões além de nossas
escolhas, das quais não fazemos a menor diferença, é o que é e pronto,
quase o mesmo caso o tempo, o homem inventou o tempo e agora é
prisioneiro dele, sempre correndo atrás, sempre com presa, sempre
atrasado.
Culpar o destino ou o tempo é o mais pratico, culpa do destino que
quis assim, meus caminhos já estavam traçados, não posso fazer nada,
culpa do tempo, ele fez as coisas mudarem, não temos mais o tempo que
passou…
Simples, como quase sempre delegar culpa a qualquer coisa menos a nós
mesmo, é simples e fácil, nos livra um pouco da responsabilidade de
sermos responsáveis por nossa própria liberdade, nossa própria
felicidade…
Ações de nosso dia a dia, decisões que tomamos a cada segundo, somos
sim responsável por tudo, somos assim produto de nós mesmos…
Nem sempre é fácil assumir que uma coisa não deu certo por nossa
culpa, mais é sempre bom reconhecer que somos responsáveis…
Que seja assim então, se cada um é responsável por sua própria
felicidade, que sejam todos felizes e os infelizes? Bem são felizes do
jeito
deles…
Olhe bem na sua sombra, veja os fios, corte-os, tome as rédeas da sua
vida, sinta o que tem que sentir, faça o que tem que fazer, erre,
acerte mais faça porque é você que esta fazendo, não por achar que
pode ser o melhor pra todos, faça o que tiver vontade… Seja livre…
Sejamos felizes, afinal isso é mais simples do que parece…
Na Ponta dos Dedos
Noções de Titeragem Tradicional
Tipos de Titeragem Básica ou Titeragem Tradicional
Abaixo você poderá comprovar os tipos mais comuns de titeragem. É claro que os tipos abaixo não são os
únicos, pois existem também os tipos que combinam dois ou mais tipos básicos de titeragem. Os tipos que
considero básicos são: Fantoche, Marionete, Boneco de Vara (ou Haste) e Performance.
Fantoche - também conhecido como Boneco de Mão. Neste tipo, a mão do titereiro está dentro do boneco e
é a única ou a principal coisa que faz o boneco se mover. Normalmente a mão sustenta o corpo e braços ou
serve para fazer a boca se mexer. Para evitar com que o titereiro apareça, o titereiro tem que ficar atrás de
algum tipo de mini-palco ou cortinas, ou ainda se estiver sendo filmado, a câmera deverá focalizar apenas o
corpo do boneco.
Este tipo é o mais comum e conhecido de titeragem. Com certeza você está bem familiarizado com fantoches.
O personagem Cacm dos Muppets e o Louro José do programa Mais Você da apresentadora Ana Maria
Braga são exemplos típicos. Observe, nestes exemplos, que a mão do titereiro movimenta a boca do
personagem, sendo geralmente, o dedo polegar movimentando a mandíbula inferior e os demais dedos, a
mandíbula superior.
O monstro Graboid do filme Tremors foi também concebido como um fantoche. Na foto abaixo, você pode
ver Tom Woodruff Jr. da A.D.I. (Amalgamated Dynamics Incorporated) operando o fantoche para o filme.
Marionete - também conhecido por Boneco de Corda, é qualquer um dos vários tipos de bonecos
manipulados através de cordas, no qual o titereiro está posicionado acima do boneco. Num marionete simples,
as cordas são conectadas em nove locais: em cada perna, nas mãos, nos ombros, nas orelhas e na base da
coluna. Adicionando mais cordas, maior sensibilidade no controle do movimento é obtida. Entre os bonecos, as
marionetes são consideradas os mais difíceis de se manipular; alguns permitem até imitar movimentos
humanos e de animais.
Na figura abaixo, você pode ver um esquema do posicionamento das cordas numa marionete criada por Frank
Ballard. O boneco chama-se Papageno e suas partes foram feitas de borracha. As linhas vermelhas indicam
como e onde as finas cordas pretas são conectadas para permitir os movimentos.
Na foto abaixo você pode observar um exemplo de marionete.
Tipos de Titeragem Básica ou Titeragem Tradicional
Boneco de Vara - neste tipo, o boneco é sustentado e controlado por varas ou hastes, que podem ser de
madeira, plástico ou metal leve (por exemplo alumínio). Pode ser tanto um simples objeto preso numa vara
como também ser constituído por mecanismos com várias varas para movimentar boca, braços e pernas.
Alguns bonecos podem até precisar de mais de um titereiro.
Nas fotos abaixo, você pode ver um exemplo de boneco de vara criado pela equipe de brasileiros do Grupo
Giramundo. Na foto à direita, observe uma vara presa ao cotovelo do boneco. Apesar de não ser mostrado
nas fotos, existe uma vara presa em cada pé pela parte traseira. O boneco possui as articulações flexíveis do
ombro e cotovelo, assim, quando a vara é movimentada pelo titereiro, permite-se obter movimentos tanto do
braço como do antebraço.
Na foto abaixo, você pode ver o artista Patrick Tatopoulos manipulando um boneco de vara para uma cena do
filme Independence Day.
Performance - neste tipo, o titereiro "veste" o corpo do boneco, ou seja, a maior parte do corpo do
titereiro (ou o corpo todo) participa dos movimentos do títere. Neste caso, o titereiro também pode ser
chamado de performista. E apesar de ser controverso, as máscaras são também consideradas uma forma de
titeragem. Na foto abaixo à esquerda, você pode comprovar um exemplo de performance com roupa e
máscara usado numa titeragem de teatro. Na foto abaixo à direita, você pode ver um exemplo da magia do
cinema: A roupa e máscara do Alien em Alien: A Ressurreição usadas pelo perfomista Tom Woodruf Jr. da
A.D.I. (Amalgamated Dynamics Incorporated).
Algumas vezes, o titereiro continua a representar a maior parte do corpo do boneco, mas não entrando dentro
dele e sim, por fora. Este tipo de técnica é a observada na titeragem de origem japonesa conhecida como
Bunraku.
O Bunraku é uma forma de titeragem tradicional japonesa, natural de Osaka, na qual um boneco grande e
elaborado (120 a 150 cm de altura) é manipulado de corpo inteiro na frente do público. Cada boneco é
manipulado por três titereiros em sincronia, enquanto um acompanhamento musical e de narrativa é feito por
outros artistas de outro lado. O titereiro chefe controla o movimento da cabeça (olhos, sobrancelhas e algumas
vezes a boca) usando uma vareta e cordas. Um assistente controla o braço esquerdo e outro os pés. Os
assistentes estão vestidos de preto e usam uma máscara de tela preta (tipo "mosquiteiro" ou tule, também
conhecido como o tecido do véu de noiva) para esconder os olhos. As raízes do Bunraku começaram cerca do
ano de 1600, combinando manipulação de bonecos, narrativa oral e música. No Japão, os bonecos têm sido
usados por séculos em rituais religiosos. Até o fim do século 17, os bonecos eram geralmente manipulados por
um único titereiro, mas em 1703, o público ficou surpreso ao ver os titereiros de corpo inteiro para eles, pois
geralmente os titereiros ficavam escondidos atrás de cortinas ou de um pequeno palco. Em 1734, surgia o
sistema de manipulação por 3 titereiros, sendo que um titereiro principal controla a cabeça e a mão direita e
um segundo a mão esquerda e um terceiro os pés, tornando-se o padrão. Até o século 19, o teatro de bonecos
no Japão sofreu uma queda de interesse, até que um titereiro chamado Uemura Bunrakuken reviveu esta
arte, fato que transformou o seu nome no sinônimo deste tipo de arte. Nascia então o Bunraku, que indica o
estilo de manipulação com três pessoas.
Nas duas fotos abaixo você pode comprovar um exemplo do Bunraku tradicional. Observe que os titereiros
estão todos vestidos de roupa preta, justamente para que a platéia não os perceba, prestando atenção
somente nos bonecos. O estilo Bunraku também é muito usado por artistas brasileiros durante peças teatrais.
Nas fotos abaixo, você pode comprovar um exemplo da técnica do Bunraku utilizado e adaptado para dar vida
ao desnudo C3PO do filme Star Wars Episódio 1 - A Ameaça Fantasma.
A Titeragem Tradicional no Brasil
Os bonecos ou títeres fazem parte da culltura brasileira. Praticamente você entra
em contato com os títeres diariamente. Com certeza você conhece O Louro José
do programa Mais Você da apresentadora Ana Maria Braga, o Xaropinho do
Programa do Ratinho e diversos outros personagens de vários programas.
Todos estes personagens são títeres, que ganham a vida através da titeragem de
titereiros brasileiros.
Além da titeragem tradicional vista em programas de tevê e filmes brasileiros, o
Brasil também é reconhecido pela arte da titeragem teatral. Entre os vários grupos
brasileiros, o Grupo Giramundo é um dos mais conhecidos. Criado em 1970
pelos artistas plásticos Álvaro Apocalypse, Terezinha Veloso e Maria do Carmo Vivacqua Martins (Madu), o
Giramundo tem se notabilizado como um dos grupos de teatro de bonecos mais atuantes e premiados em
todo o mundo. Sua atividade não se limita às produções teatrais, estendendo-se ainda ao cinema, vídeo e
televisão, exposições e cursos. Sua contribuição na formação de profissionais da área mudou radicalmente o
panorama dessa modalidade teatral no Brasil.
O Grupo Giramundo, que tem como um de seus objetivos investigar a linguagem do teatro de bonecos,
procura sempre novas formas de manipulação para cada montagem, não reutilizando o boneco de um
espetáculo em outro. Isso é, não "aproveita", cria sempre novos bonecos. Desta forma, reuniu nestas três
décadas de existência mais de mil bonecos em seu acervo constituindo-se numa das mais extensas coleções
registradas do gênero. Este acervo corresponde a mais de 30 anos de pesquisa sobre o gênero teatro de
bonecos, o que significa que o grupo percorreu as principais técnicas de manipulação/construção tradicionais
(fantoches, Bunraku, vareta, sombra, máscara, teatro negro, marionete) assim como enveredou por novas
técnicas (próteses, bonecos de balcão, teatro branco, bonecos gigantes, bonecos de diedro, bonecos
bricolados, tringle com fios, bonecos gigantes com vara, bonecos de mochila, bonecos deslizantes e bonecos
com controle remoto). Além dos bonecos, o acervo do Grupo conta com cenários e adereços, a coleção de
fotos, vídeos, trilhas e registros sonoros, a coleção de projetos técnicos, esboços e desenhos do Prof. Álvaro
Apocalypse e a biblioteca sobre Teatro de Bonecos. A coleção de projetos técnicos de cenografia e "engenharia
bonecal" é mais um patrimônio valioso de informações e história. São mais de 1000 desenhos do Prof. Álvaro
Apocalypse que saíram de sua prancheta, entraram oficina adentro e se transformaram em bonecos, matéria
de espetáculos admirados por milhares de espectadores.
Na foto abaixo, você pode ver alguns integrantes do grupo mineiro Giramundo com bonecos inspirados na
obra do escritor Monteiro Lobato.
Bonecos de sombra normalmente são figuras planas recortadas que são
iluminadas por trás de uma tela, o público, do outro lado da tela assiste às
sombras nela projetadas.
Bonecos de sombra podem ser recortados em couro de peixe ou cabra ou em
qualquer outro material, translúcido ou opaco, como os utilizados no teatro de
sombras de Java, Bali, da Tailândia, da China, Índia, Turquia e Grécia, além do
tradicional “sombras chinesas” da Europa do século XVIII.
Normalmente são operados por varas fixadas ao boneco plano, por baixo da
figura. O teatro de sombras não se limita ao uso de figuras planas, ele pode
lançar mão de figuras tridimensionais.
Os bonecos de sombra na China, datam de aproximadamente 960-1279 D.C.,
mas podem ter sido utilizados muito antes. Foram trazidos de lá por um
missionário francês no século XVIII.
Na França os Ombres Chinoises - “sombras chinesas” - eram um
entretenimento popular durante o século XIX, especialmente no distrito de
Montmatre em Paris.
As origens do teatro de sombras de Taiwan pode ser traçada até a escola de
teatro de sombras Chaochow, um largo repertório de aproximadamente 300
roteiros usados em montagens com teatro de sombras que data dos séculos XIV e
XV é preservado até hoje como patrimônio cultural.
Wayang Kulit
NÃO M ATE O M ENSAG E I RO
MENSAGENS EM GARRAFAS COM DESTINO PRECISO
7.8.07
TEATRO DE SOMBRAS
O teatro de sombras é manifestação artística muito popular em diversas
regiões do continente asiático. Para historiadores como Meher Contractor
(1982), tudo iniciou na Índia, já para Max von Boehn (1972), o berço dessa
tradição é a China. Cada um dos historiadores apresenta dados, silhuetas
antigas, que datam de 2.500 anos e 3.000 anos atrás, que pertencem ao
acervo de museus tentando comprovar que naquele período o teatro de
sombras já era praticado nos dois países. Tamara V. Fielding (2002) afirma
que na ilha de Java o teatro de sombras era popular há mil anos atrás.
Estudos também confirmam a existência desta arte na Tailândia e Taiwan.
Na Grécia e no norte africano, especialmente na África mediterrânea, existem
amplos registros da existência do teatro de sombras, chegando finalmente a
Europa ocidental a partir do século XVIII. A discussão sobre a geografia onde o
teatro de sombras começou a ser praticado e ainda hoje se mantêm como
expressão viva é importante na medida em que possibilita compreender as
relações, conexões e diferenças existentes nas distintas formas como é
realizado em cada região. No entanto, o objetivo deste estudo é compreender
como se dá o trabalho do ator no teatro de sombras no oriente.
O teatro de sombras e o teatro de marionetes da China estão intimamente
ligados ao teatro cantado de atores. Representam só um repertório e
obedecem ao mesmo calendário. São realizados mais freqüentemente por
apenas um manipulador, mas também são encontradas companhias formadas
por muitos atores-animadores. Os marionetistas solistas são chamados de
Mestres, porque guardam um pouco do prestígio que envolve os mágicos e
outros artistas populares. Antigamente eram atores itinerantes que iam de
cidade em cidade para a festa no templo local. Hoje, na maioria das cidades
residem artistas que circulam pelas vilas próximas. Vale destacar dois
aspectos interessantes do teatro de sombras na China: o princípio de
recreação que estimula o contato com um mundo mágico e o aspecto
educativo do mesmo.
O Teatro de Sombras na China
A lenda que conta o nascimento do teatro de sombras na China pode revelar
aspectos interessantes para compreender a estética desta arte.
O Imperador Wu Ti, da dinastia dos Han, teve o desgosto de perder sua
dançarina predileta. Havia vinte anos que ele governava com sabedoria e
juízo o Império Celeste e seu reinado era dos mais gloriosos de todos os
tempos. Mas Wu Ti era muito supersticioso e acreditava nas artes mágicas.
Quando a dançarina morreu, ele, no seu desespero, voltou-se para o mágico
da corte, exigindo que fizesse voltar a linda defunta, do país das sombras.
Ameaçado de pena de morte, o mágico não perdeu a cabeça... Numa pele de
peixe, cuidadosamente preparada para torná-la macia e transparente,
recortou a silhueta da dançarina, tão linda e graciosa como ela fora. Numa
varanda do palácio imperial, mandou esticar uma cortina branca em frente a
um campo aberto. Com o Imperador e a corte reunida na varanda, e à luz do
sol que se filtrava através da cortina, ele fez evoluir à sombra da dançarina,
ao som de uma flauta e todos ficaram alucinados com a semelhança. (Obry,
SD:20)
Alguns elementos contidos na lenda remetem a reflexões e permitem
considerações como: quando diz "recortou a silhueta da dançarina tão linda e
graciosa como ela fora" dá a referência da imagem real, da imagem cotidiana
para a produção das silhuetas deste teatro. O "mágico marionetista"
reproduziu a imagem da dançarina da forma mais fiel possível. A impressão é
de que não ousou incluir qualquer detalhe que não reproduzisse a imagem da
amada do Imperador. Isso se confirma quando fala da manipulação: "fez
evoluir à sombra da dançarina... e todos ficaram alucinados com a
semelhança." Ou seja, no teatro de sombras chinês, os movimentos da
animação da personagem são selecionados para reproduzir os movimentos
humanos no seu cotidiano. A expressão "semelhança" remete tanto a esta
referência sobre o real como pode ter a conotação de "verdade", de
convencimento, de movimento verossímil capaz de tornar crível que a imagem
projetada era mesmo à da dançarina predileta do Imperador.
É interessante perceber que certas referências do cotidiano são mais
perceptíveis e presentes no teatro de sombras chinês do que noutras
expressões do teatro de sombras do sudeste asiático, principalmente quando
comparadas à Índia e Jaza. Isso se evidencia quando se tem como referência o
teatro de sombras contemporâneo chinês. Segundo o marionetista e professor
Qi Yongheng, da província de Habei - China, em curso ministrado na França
em 1982 no Instituto Internacional da Marionete, o teatro do seu país se
caracteriza por:
* dramaturgia cujos temas são a vida cotidiana, acontecimentos do dia a dia
capazes de reforçar valores como amizade, solidariedade, respeito à
autoridade, à natureza.
* o marionetista é valorizado por sua capacidade e destreza na manipulação
das silhuetas, tornando-se virtuoso na medida em que reproduzir movimentos
capazes de se assemelharem ao dos animais e seres humanos representados.
*As silhuetas, tanto em seus movimentos quanto nos seus traços de confecção
são criadas partindo da observação do real, ou seja, obedecem
proporcionalidades entre tamanho do corpo e membros.
* A partir de 1966, com a Revolução Cultural, passam a abandonar muitos dos
recursos comumente utilizados no espetáculo adaptando-os a esta situação.
Novos tipos de varas de manipulação e lâmpadas foram providenciadas,
alterando a estética dos espetáculos. Os marionetistas solicitaram ao governo
a produção de varas de acrílico para substituir as varas de bambu,
freqüentemente utilizadas na manipulação das silhuetas. Estas novas varas
garantiram a impossibilidade do público desvendar os mecanismos de
articulação das silhuetas.
* Também passaram a usar lâmpada fluorescente, às vezes denominadas
lâmpadas frias, abandonando as outras formas de iluminação. Estas lâmpadas
exigem que a silhueta permaneça colada à tela para que aconteça a sua
adequada projeção. Refletem exatamente o desenho, a forma da silhueta
recortada. Os efeitos de deformação poética da imagem (ampliação e
diminuição da imagem produzindo imagens fantásticas e irreais, deformadas,
não acontecem quando esses recursos são utilizados). Com este tipo de
lâmpadas as imagens mostradas ao público através da tela são exatamente as
antecipadamente desenhadas e recortadas pelos marionetistas.
No entanto, seria equivocado dizer que se trata de um teatro naturalista ou
realista. É um teatro altamente estilizado, com movimentos e gestos
cuidadosamente controlados, com figurinos e cores portando significados
específicos. O teatro de sombras chinês é estilização, simbologia e
inventividade. Não é realismo, mas economia de meios. O trabalho vocal do
narrador, as distintas modulações da voz afastam o espetáculo da estética
naturalista. Usam o seguinte princípio: para dizer algo de forma figurada não
recorrem à forma abstrata. Mesclam, dosam, uma ação cotidiana com um som
estilizado. Essa mistura torna essa arte distinta.
O ator no Teatro de Sombras Chinês
Tradicionalmente iniciava seu aprendizado aos 4 anos de idade, aprendendo
com o pai ou membro da família. Era a formação por tradição, e o
aprendizado se dava observando o trabalho do pai e obedecendo a execução
de rigorosos exercícios para dominar a manipulação. O pai, ou parente, o
Mestre ia desvendando os segredos da profissão ao aprendiz, até atingir
maturidade para iniciar seu trabalho independente. Os princípios mais
importantes a perseguir nesta etapa da formação eram: dominar a
dramaturgia; aprender a confeccionar as marionetes; ser exímio manipulador.
Para isso necessitava de longo período de aprendizagem, exigindo a realização
de exercícios físicos diários, sobretudo dos dedos, pulsos e braços, mesmo não
trabalhando diretamente no espetáculo. Um dos grandes desafios é manipular
as silhuetas
nas cenas de
combate onde os guerreiros aparecem montados em cavalos totalmente
articulados. É preciso habilidade para manipular 15 varetas e fios,
simultaneamente, de forma sincronizada produzindo gestos e ações que
impressionam pela beleza e veracidade. Em meados dos anos de 1970, com a
criação das academias, o ensino não está restrito ao aprendizado na relação
pai e filho. Hoje, crianças com tenra idade vão para a escola de marionetes e
lá
aprendem
esta
arte
com
reconhecidos
professores.
(1)
Mastruz Com Leite - Flor Do Mamulengo
"Eu sou a flor do Mamulengo,
ai, ai.
Me apaixonei por um boneco.
E ele neco de se apaixonar,
neco de se apaixonar,
neco de se apaixonar,
e ele neco.
Já estou com os nervos
À flor do pano, ai, ai
De desenganos, vou ter um treco.
E ele neco de se apaixonar,
Neco de se apaixonar,
Neco de se apaixonar,
E ele neco.
Se no teatro eu não te atar,
Boneco, juro vou me esfarrapar!
Eu não consigo viver sem teu dengo
Meu mamulengo
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maria abadia costa - AVM Faculdade Integrada