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vol.56 no.1
SHOOT AND ROOT EVALUATIONS ON SEEDLINGS FROM C
Bragantia
ISSN 0006-8705 versão impressa
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Bragantia v. 56 n. 1 Campinas 1997
ASPECTOS BIOLÓGICOS DO REDUZIDO NÚMERO DE SEMENTES
DA TANGERINA 'SUNKI' (1)
MARLI REZENDE TESSARINI DE CARVALHO(2), RITA BORDIGNON(2,4), ROSA
MARIA LIZANA BALLVÉ(2), CECÍLIA ALZIRA FERREIRA PINTO-MAGLIO(3) e
HERCULANO PENNA MEDINA FILHO(2,5)
RESUMO
Estudaram-se as causas biológicas do reduzido número de sementes da tangerina
'Sunki' (Citrus sunki Hort. ex. Tan.), promissor porta-enxerto para a citricultura
brasileira. As seguintes hipóteses foram investigadas: (1) existência de uma
limitação na anatomia do fruto, decorrente do pequeno número de óvulos por
ovário; (2) ocorrência de esterilidade gamética em função do desenvolvimento
anormal do saco embrionário e/ou dos grãos de pólen; (3) presença de autoincompatibilidade. Realizaram-se cortes histológicos de ovários e de sacos
embrionários, observações detalhadas de frutos e suas sementes, bem como
polinizações com outras espécies e cultivares. Concluiu-se que apesar de a
tangerina 'Sunki' produzir normalmente apenas duas a três sementes viáveis,
possui potencial biológico para originar até dezessete sementes por fruto. A
formação de gametas tanto masculinos como femininos é normal. Quanto ao
reduzido número de sementes por fruto, pode-se explicá-lo em razão do
acentuado grau de auto-incompatibilidade. Quando polinizada com espécies
compatíveis, há um aumento significativo no número de sementes por fruto, cuja
magnitude depende do polinizador específico utilizado. Em termos biológicos, é
possível e praticamente exeqüível aumentar o número de sementes da tangerina
`Sunki' por meio de polinizadores adequados, no entanto, esse aumento é
acompanhado pelo maior número de plantas zigóticas e não de nucelares como
seria de interesse comercial.
Termos de indexação: Citrus sunki, auto-incompatibilidade, biologia da
reprodução, número de sementes.
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ABSTRACT
BIOLOGICAL ASPECTS OF THE REDUCED SEED NUMBER IN
`SUNKI' MANDARIN
The biological causes for the reduced number of seeds per fruit in the 'Sunki'
mandarin (Citrus sunki Hort. ex Tan.), a promising citrus rootstock in Brazil,
were studied. Three hypotheses were investigated: (1) existence of an anatomical
limitation related to a reduced number of ovules in the ovary; (2) occurrence of
sterility due to abnormal formation of the embryo sac and/or pollen grains; (3)
self-incompatibility. Histological studies of the ovary, observations of fruits,
seeds, and pollen grains as well as pollinations with other citrus species led to
the conclusion that although 'Sunki' fruits usually bear only two or three viable
seeds, they have however, a biological potential to produce up to 17 seeds. The
formation and viability of male and female gametes are normal. The main reason
for the reduced number of seeds is the self-incompatibility of this clone. When
pollinated with other species, there is a significant increase in the number of
seeds/fruit of a magnitude dependent on the pollen source. Therefore, it is
possible to increase the number of seeds/fruit with adequate pollinators although
this will result in substantial increase only in the number of zygotic plants and
not in the nucellar ones as would be commercially desirable.
Index terms: Citrus sunki, self-incompatibility, seed number, biology of
reproduction.
1. INTRODUÇÃO
Cerca de noventa por cento dos pomares de citros do Brasil são formados por mudas
enxertadas sobre o limão-cravo 'Limeira' [Citrus limonia (L.) Osb.], condição que os torna,
do ponto de vista genético, extremamente vulneráveis. De fato, a incidência do declínio
nesses pomares é responsável pela perda de quase dez milhões de árvores por ano (Pompeu
Júnior, 1990).
Entre os porta-enxertos alternativos, tem-se destacado a tangerina 'Sunki' (C. sunki Hort. ex
Tan.) em virtude de sua maior tolerância ou resistência ao declínio. Porém, sua maior
utilização em escala comercial é limitada pela alta suscetibilidade à gomose de Phytophthora
e pelo reduzido número de sementes por fruto: em geral, apenas três são produzidas. Sendo
assim, o rendimento em termos de extração de sementes torna-se menor.
Assim como outros porta-enxertos de citros, a tangerina 'Sunki' se reproduz por apomixia
facultativa do tipo nucelar, possuindo sementes mono e poliembriônicas. Sua descendência
constitui-se de uma mistura de plantas de origem zigótica e plantas nucelares, de origem
apomítica. As nucelares são uniformes, sendo comercialmente utilizadas como portaenxertos, enquanto as zigóticas são, quando detectadas, descartadas.
O presente trabalho objetivou avaliar as razões do baixo número de sementes por fruto da
tangerina 'Sunki'; para tanto, investigaram-se as seguintes hipóteses: (a) existência de uma
limitação na anatomia do fruto, decorrente do reduzido número de óvulos por ovário; (b)
ocorrência de esterilidade gamética em função de anormalidades na formação dos gametas
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masculinos e/ou femininos; (c) presença de auto-incompatibilidade.
2. MATERIAL E MÉTODOS
Determinou-se o número de segmentos por fruto e o de óvulos por segmento, dissecando-se
os frutos, contando-se os segmentos, as sementes normais, abortadas e óvulos não
desenvolvidos da tangerina 'Sunki'. Como controle, avaliaram-se os mesmos parâmetros em
outros porta-enxertos de citros mantidos no Centro de Citricultura Sylvio Moreira do
Instituto Agronômico, a saber: tangerina 'Sunki' (Citrus sunki Hort. ex Tan.) acessos # 200 e
Tietê; limão-cravo 'Limeira' [C. limonia (L.) Osb.]; tangerina 'Cleópatra' (C. reshni Hort. ex
Tan.); tangerina 'Sheekawasha' (C. depressa Hay.); citrange 'Troyer' [Poncirus trifoliata (L.)
Raf. x C. sinensis (L.) Osb.]; trifoliata 'Limeira' [P. trifoliata (L.) Raf.] e 'Rich 16-6'(P.
trifoliata); laranja 'Caipira Comum' [C. sinensis (L.) Osb.]; tangelo 'Orlando' (C. reticulata
var. austera Swing. x C. paradisi Macf.); limão 'Volkamerino'(C. Limon).
Analisaram-se cinqüenta frutos de polinização aberta de cada variedade, além de igual
número da 'Sunki Tietê' obtido por polinização controlada com 'Seekhawasha'.
A viabilidade do pólen de flores recém-abertas da tangerina 'Sunki'foi primeiramente
avaliada por meio de coloração em carmim acético. Examinaram-se cinco lâminas,
observando-se três a cinco campos de cada uma, totalizando 3.000 grãos de pólen. Em um
segundo momento, estimou-se tal viabilidade mediante germinação em solução aquosa de
sacarose 5%, pH 7,0, em lâminas de vidro.
A formação e o desenvolvimento do saco embrionário foram estudados por meio de cortes
histológicos de ovários desidratados, previamente incluídos em parafina e seccionados
transversal e longitudinalmente na espessura de 8 a 12 mm de acordo com Medina &
Conagin (1964).
Para investigar a hipótese de auto-incompatibilidade, a tangerina `Sunki # 200' foi autopolinizada e também polinizada com diferentes variedades (Quadro 1). Buscando-se
conhecer a influência da polinização por abelhas no número de sementes, protegeram-se
ramos com telas de náilon de malha retangular de 1 x 2 mm. Como controle, marcaram-se
ramos de polinização aberta. Nas plântulas resultantes desses diversos tratamentos,
determinou-se a porcentagem de plantas de origem nucelar e zigótica pelo uso de isoenzimas
(Ballvé et al., 1991) e do marcador morfológico "asa do pecíolo da folha" (Ballvé et al.,
1996).
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3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O número de sementes viáveis adicionado ao de abortadas (inviáveis) e de óvulos não
desenvolvidos observados nos frutos maduros (Figura 1) representa o número total de óvulos
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originalmente presentes no ovário e inseridos nos carpelos das flores. Esses carpelos estão
representados nos frutos maduros pelos segmentos, lóculos ou gomos (Figura 2).
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Figura 1. A: Número máximo de sementes normais por fruto da tangerina 'Sunki'; B (tangerina
'Sunki'), C (tangerina 'Cleópatra'), D (limão-cravo 'Limeira'), E (limão 'Volkameriano') e F
(triofoliata 'Rich 16-6'): Sementes normais, abortadas e óvulos não desenvolvidos comumente
originados em frutos de polinização aberta.
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Figura 2. Tangerina 'Sunki'. A: Saco embrionário mostrando quatro dos oito núcleos, com desenvolvimento normal; B: corte transversal de ovário com oito carpelos, podendo-se observar, em
vários deles, os dois óvulos de aspecto e desenvolvi-mento normais; C: grãos de pólen coloridos
com carmim acético, mostrando alta viabilidade; D: grãos de pólen mostrando elevada taxa de
germinação in vitro.
Verificou-se que entre os porta-enxertos estudados, existe pouca diferença no número de segmentos por frutos (Quadro 2), o qual variou de 7, nos trifoliatas, a 12, na tangerina
'Cleópatra'. A tangerina 'Sunki' situou-se entre esses extremos, com 9 segmentos por fruto.
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Com relação ao número médio de óvulos por segmento, verifica-se que variou de 1,9
(`Cleópatra' e 'Sheekawasha') a 7,9 (limão 'Volkameriano'). Em conseqüência, variou também
o potencial biológico para produção de sementes calculado pela multiplicação do número
médio de óvulos por segmento pelo número médio de segmentos por fruto. De acordo com
esse parâmetro, a tangerina 'Sunki' apresenta potencial para produzir dezessete sementes por
fruto. Esse potencial, comparado ao dos diversos porta-enxertos estudados, é baixo, no
entanto não se pode considerá-lo como a causa principal do reduzido número de sementes
normais. A tangerina 'Cleópatra', por exemplo, apresenta cerca de dezenove sementes
normais por fruto, e seu potencial é de 23, não muito superior ao da 'Sunki'. Entretanto, na
'Cleópatra', 83% dos óvulos transformam-se em sementes viáveis nos frutos maduros, ao
passo que na 'Sunki' apenas 16%. Da mesma forma, a tangerina `Sheekawasha' tem
praticamente o mesmo número de segmentos por fruto e de óvulos por segmento e, por
conseqüência, o mesmo potencial que a 'Sunki'. Produz, porém, doze sementes normais por
fruto porque, à semelhança da 'Cleópatra', apresenta maior porcentagem de sementes normais
por óvulo (Figura 1). Portanto, o reduzido número de sementes por fruto da tangerina `Sunki'
não poderia ser explicado pelo seu potencial biológico.
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O limão 'Volkameriano' e os trifoliatas 'Rich 16-6' e 'Limeira', que produzem entre 24 a 28
sementes normais por fruto, possuem apenas sete a nove segmentos por fruto. Entretanto, em
cada um desses segmentos existem seis a oito óvulos, dos quais 37 a 64% se desenvolvem em
sementes normais no fruto maduro.
O limão-cravo 'Limeira', porta-enxerto mais utilizado no Brasil, apresenta número
intermediário tanto de segmentos, como de óvulos por segmento, e é também intermediário
quanto ao potencial para produção de sementes e quanto à porcentagem de óvulos que se
transformam em sementes normais (Figura 1, Quadro 2).
Considerando-se as discussões acerca do potencial biológico e de sua realização em sementes
normais, verifica-se que o reduzido número de sementes na tangerina 'Sunki' resulta,
sobretudo, do pequeno número de óvulos que se transformam em sementes normais, por
razões discutidas a seguir.
A 'Sunki', polinizada pela tangerina 'Sheekawasha', produziu em média oito sementes
normais por fruto, aumentando, de forma significativa, a porcentagem de sementes normais
por óvulo. Tal fato pode ser explicado pela alta compatibilidade do pólen da 'Sheekawasha',
quando nos estigmas da 'Sunki'. Por outro lado, a causa do reduzido número de sementes nos
frutos oriundos ou de polinização aberta, ou de autopolinização encontra-se nos mecanismos
de auto-incompatibilidade.
Comparando-se os dois acessos de 'Sunki', Tietê e # 200 (Quadro 2), nota-se que ambos
possuem essencialmente o mesmo número de segmentos por fruto, o mesmo número de
óvulos por segmento e, por conseqüência, o mesmo potencial anatômico para produção de
sementes, embora o acesso Tietê produza mais sementes.
Quanto à porcentagem de sementes normais, abortadas e de óvulos não desenvolvidos por
fruto dos diversos porta-enxertos estudados, verifica-se ampla variação (Quadro 2). A
porcentagem de óvulos não desenvolvidos é aproximadamente igual ou maior que a de
sementes abortadas, cujo índice, em geral, é relativamente alto. É interessante notar que as
variedades com valores extremos quanto à porcentagem de sementes normais, ou seja, a
'Cleópatra' com 83% e o tangelo 'Orlando' com 8%, continuam a apresentar índices extremos,
porém na ordem inversa, quanto à porcentagem de óvulos não desenvolvidos.
Os dois acessos de 'Sunki' possuem porcentagens similares de sementes abortadas e óvulos
não desenvolvidos. Polinizada pela 'Sheekawasha', observa-se que permanece praticamente
inalterada a porcentagem de óvulos abortados. Entretanto, reduz-se sensivelmente a
porcentagem de sementes abortadas, o que resulta no aumento da porcentagem de sementes
normais.
Aparentemente, esse aumento de sementes normais se dá a expensas de uma redução no
número de sementes abortadas. Como essas sementes abortadas se transformam em sementes
normais, híbridas, após a polinização com material compatível, é bastante plausível
considerar que nas sementes oriundas de autopolinização a interrupção no desenvolvimento
da semente após certo tempo se deva a uma incompatibilidade pós-zigótica com o colapso
desses embriões.
Os estudos de coloração de pólen revelaram que a tangerina 'Sunki' e os demais portaenxertos apresentam acima de 90% de grãos que se colorem com carmim acético. Além
disso, observou-se que a germinação in vitro dos grãos de pólen da 'Sunki' é superior a 95%
(Figura 2), indicando que os gametas masculinos dessa tangerina são normais e viáveis. A
produção de híbridos nas polinizações controladas com os demais porta-enxertos sugere que
seus grãos de pólen, à semelhança da 'Sunki', sejam também viáveis.
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O exame dos cortes histológicos, desde a formação da célula-mãe do megásporo até o
desenvol- vimento completo (Figura 2), mostrou que a tangerina 'Sunki' apresenta um saco
embrionário normal, com oito núcleos conforme descrito por Bacchi (1943).
Ao compararem-se as lâminas do presente trabalho com as de Bacchi (1943) as quais são
mantidas na Seção de Citologia do IAC, constatou-se equivalência perfeita. Tais cortes
mostraram também a existência de oito lóculos por ovário e dois óvulos por lóculo (Figura
2), corroborando as observações em frutos maduros e o potencial de dezessete sementes por
fruto.
A auto-incompatibilidade foi estudada por meio de autopolinizações e polinizações da
'Sunki' por dez variedades. Os controles constituíram-se nos ramos de livre polinização. A
influência das abelhas nas polinizações foi avaliada nos ramos protegidos com telas de náilon
(Quadro 1). As variâncias do número médio de sementes por ramo de cada tratamento,
mostrando-se homogêneas pelo teste de Bartllet (x2corrig = 13,4 N.S. para 10 GL),
permitiram, após transformação dos dados em Ö x+0,5, a análise da variância e o teste
bilateral de Dunnet para comparação entre os diversos tratamentos e o controle, caracterizado
pela livre polinização.
A tangerina 'Sunki' produziu, em média, 2,5 sementes normais por fruto em flores de livre
polinização, autopolinizadas artificialmente ou mesmo protegidas das abelhas. Por outro
lado, verificou-se aumento do número de sementes quando a 'Sunki' foi polinizada pela
tangerina `Sheekawasha', passando de 2,5 para 8,4 sementes normais por fruto, em média.
Entre os 190 frutos oriundos dessas polinizações, vários chegaram a exibir o potencial
máximo de dezesseis a dezessete sementes por fruto.
As polinizações menos efetivas para aumentar o número de sementes foram aquelas
realizadas com as laranjas, sendo intermediários os tangores 'Murcote' e 'Cravo', apesar de
este último ser normal- mente referido como uma tangerina. O grau de compatibilidade da
tangerina 'Sunki' (maior com tangerina, menor com laranjas e intermediário com tangores)
talvez esteja relacionado à proximidade filogenética.
Concluindo, os resultados dessas polinizações mostram claramente que existe acentuada
auto-incompatibilidade na tangerina 'Sunki', que passou de 2% de plantas zigóticas, quando
autopolinizadas, para índices até de 77%, quando polinizadas com variedades compatíveis
(Quadro 1).
O número de sementes poderia ser bastante maior, caso a tangerina 'Sunki' fosse intercalada a
variedades compatíveis e de florescimento coincidente. Entretanto, o número de plantas
nucelares obtidas de tais sementes provavelmente não se modificaria, a julgar pelos
resultados mostrados no quadro 1. Por exemplo, quando polinizada pela 'Sheekawasha',
produz 8,4 sementes por fruto das quais, em média, apenas 2,6 plantas são nucelares, valor
equivalente ao produzido pela polinização aberta. O mesmo ocorre em relação às demais
variedades testadas. Investigações mais extensivas poderiam identificar clones específicos
capazes de induzir um aumento no número de sementes e também no de plantas nucelares, as
quais despertam interesse no que se refere à formação de mudas para os pomares comerciais.
4. CONCLUSÕES
1. O potencial máximo para a produção de sementes por fruto em citros corresponde ao
número de óvulos por ovário da flor. Comparada a outros porta-enxertos comerciais, a
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tangerina `Sunki' apresenta baixo potencial. Se fosse, no entanto, inteiramente realizado, esse
potencial poderia resultar em dezessete sementes por fruto. Dessas dezessete possíveis, em
geral, apenas duas a três sementes são normais, uma vez que as restantes não se desenvolvem
ou abortam. O reduzido número de sementes não é, portanto, devido a uma limitação
anatômica do ovário dessa variedade.
2. A formação dos gametas masculinos é normal e a produção de pólen, abundante e de alta
viabilidade. É também normal a formação do saco embrionário. Por conseguinte, tais fatores
não são responsáveis pelo baixo número de sementes.
3. A principal causa do reduzido número de sementes por fruto na tangerina 'Sunki' deve-se a
um acentuado grau de auto-incompatibilidade. Polinização com variedades compatíveis
aumentam signi- ficativamente esse número, aproximando-o de seu potencial anatômico.
Permanece, entretanto, inalterado o número de plantas nucelares por fruto.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem ao Sr. Onivaldo Camargo, da Seção de Citologia do IAC, o apoio nas
preparações histológicas e o fornecimento das lâminas originais de O. Bacchi, bem como ao
Centro de Citricultura Sylvio Moreira o cultivo das plantas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BACCHI, O. Phytological observations in citrus. 3. Megasporogenesis, fertilization and,
polyembriony. Botanical Gazette, Chicago, 105:221-225. 1943.
BALLVÉ, R.M.L.; BORDIGNON, R.; MEDINA FILHO, H.P.; SIQUEIRA, W.J.; TEÓFILO
SOBRINHO, J. & POMPEU Júnior, J. Isoenzimas na identificação precoce de híbridos e
clones nucelares no melhoramento de citros. Bragantia, Campinas, 50(1):57-76, 1991.
BALLVÉ, R.M.L.; MEDINA FILHO, H.P. & BORDIGNON, R. Identification of reciprocal
hybrids in citrus by the broadness of leaf petiole wing. Brasilian Journal Genetic, Ribeirão
Preto, 19(3):212, 1996. (Resumos)
MEDINA, D.M. & CONAGIN, C.H.T.M. Técnicas citológicas. Campinas, Instituto
Agronômico, 1964. 107p. (Publicação, 2610).
POMPEU JÚNIOR. J. Situação do uso de porta-enxertos no Brasil. In: SEMINÁRIO
INTERNACIONAL DE CITROS, 1., Bebedouro, 1990. Anais. Bebedouro, Estação
Experimental de Citricultura. p.1-10.
(1) Recebido para publicação em 17 de julho de 1996 e aceito em 14 de março de 1997.
(2) Seção de Genética, Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13001-970 Campinas (SP).
(3) Seção de Citologia, IAC.
(4) Com bolsa de pós-graduação da CAPES.
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(5) Com bolsa de produtividade científica do CNPq.
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