fibranova N.18 | JULHO 2015 10 julho 19 junho 50 anos por bons caminhos comemorações dos 50 anos da celbi sumário Testemunhos na primeira pessoa p. 5 Quatro testemunhos de pessoas que fazem parte da história da Celbi. O saber, o empenho e a paixão que colocaram no que fizeram, ao longo da sua passagem pela empresa, ajudou a criar a ambição da Celbi: procurar sempre fazer melhor. Juntos por Bons Caminhos p. 10 Sob o lema «Juntos por Bons Caminhos », cerca de 200 fornecedores de madeira da Celbi, oriundos de diversas regiões do país, visitaram a empresa a 30 de maio. Limpeza da Praia p. 16 Foi em parceria com o Centro de Recreio Popular de Marinha das Ondas – Praia da Leirosa (CRPMO), o Agrupamento de Escuteiros da Marinha das Ondas e com o apoio da Junta de Freguesia da Marinha das Ondas que a Celbi promoveu, na manhã de 13 de junho, uma ação de limpeza da Praia da Leirosa. Primeira Pedra p. 22 A Celbi assinalou a 19 de junho, os 50 anos volvidos sobre o momento fundador por excelência – a colocação da primeira pedra e o início da construção da fábrica. Reviver Bons Caminhos p. 26 Em 10 de julho, os antigos colaboradores da Celbi puderam assim recordar uma Importante parte das suas vidas, reencontrar amigos e colegas e (re)visitar as instalações da empresa, num dia que teve como ponto alto um animado almoçoconvívio ficha técnica Edição e coordenação António Jorge Pedrosa ([email protected]) Concepção e produção gráfica cação biscaia - cb unidesign Tiragem 1200 exs | Distribuição gratuita | Depósito Legal nº 107205/97 Periodicidade trimestral página 2 membro da fibra nova 18 Editorial A o longo dos seus 50 anos de existência, a Celbi só por quatro vezes apresentou resultados negativos. De facto a empresa tem, ao longo da sua existência, apresentado um nível de sustentabilidade económica e financeira absolutamente impressionante. A este notável desempenho não é alheiro o facto de a empresa cultivar uma política de rigor e orientação para resultados que vem sendo transmitida de geração em geração assegurando, por isso, equipas eficientes, motivadas e altamente competentes. Paralelamente, e não menos importante, tem sido a confiança dos diversos acionistas que sempre facultaram recursos para que a empresa pudesse levar a cabo os seus programas de investimento. Na conjugação dos dois fatores referidos, competência técnica e capital, foram sendo delineados ao longo dos anos muitos projetos de investimento, os quais permitiram que a unidade auferisse das melhores técnicas disponíveis e estivesse sempre em níveis de competitividade assinaláveis. O planeamento rigoroso dos projetos, a seleção criteriosa dos parceiros, fornecedores e prestadores de serviços, conduziu sempre ao sucesso dos trabalhos, à obtenção do retorno e superação dos objetivos esperados. Após mais de 40 anos, detida maioritariamente por capitais estrangeiros, nomeadamente suecos, a Celbi foi alienada pela StoraEnso ao grupo português Altri em 2006, que assim ficou a deter 100% do capital e dos direitos de voto. A Altri, que já detinha a Caima e a Celtejo, rapidamente decidiu iniciar um arrojado programa de investimentos na Celbi, o que conduziria à duplicação da capacidade de produção de pasta. Em 2010 a unidade fabril estava dotada de infraestruturas que lhe permitiam produzir as 540 mil toneladas anuais programadas mas, como de costume, esse objetivo foi rapidamente suplantado. Hoje a Celbi produz cerca 700 mil toneladas de pasta por ano, bem longe das cento e poucas mil para as quais foi projetada em 1965. Só nos últimos 10 anos foram investidos na empresa mais de 450 milhões de euros. É por esta razão que a Celbi se apresenta hoje, apesar dos seus 50 anos de existência, como uma das unidades mais moderna, tecnologicamente atualizada e mais eficiente no mundo da produção de pasta braqueada de eucalipto. Nogueira dos Santos Administrador da Celbi página 3 comemorações dos 50 anos da celbi Testemunhos na primeira pessoa Quatro testemunhos de pessoas que fazem parte da história da Celbi. O saber, o empenho e a paixão que colocaram no que fizeram, ao longo da sua passagem pela empresa, ajudou a criar a ambição da Celbi: procurar sempre fazer melhor. página 4 fibra nova 18 FUNDAÇÃO DA CELBI E m 1962 a Embaixada da Suécia em Lisboa, com quem eu tivera já vários contactos profissionais, perguntou-me se podia indicar o meu nome, na qualidade de advogado, à empresa industrial sueca Billerud, que pretendia construir uma fábrica de celulose em Portugal. Concordei, e as negociações desenvolveram-se até 1965, quando foi constituída a Sociedade, já com o nome de Celbi. Nesse tempo vigorava o Condicionamento Industrial, pelo que a maior parte das indústrias não podiam instalar-se, portuguesas ou estrangeiras, sem o acordo do Governo. Houve, naturalmente, oposição das empresas já instaladas no sector. Por seu lado a Billerud aliou-se à Companhia União Fabril (CUF). Finalmente a autorização governamental foi concedida em meados de 1964, com múltiplas condições, entre as quais a de reservar uma parte do capital para subscrição por empresas ou indivíduos do distrito de Coimbra. Um Administrador seria eleito por entre estes accionistas locais. Assim se fez, e na subscrição pública local surgiram cerca de 50 pequenos accionistas, dos quais vários nomes pres- tigiados. Assim foram eleitos na primeira Assembleia-Geral dois nomes com grande relevância local e nacional: os professores da Universidade de Coimbra Bissaya Barreto e Afonso Rodrigues Queiró, que ocuparam respectivamente as funções de Administrador e Presidente da Assembleia-Geral. Iniciou-se então a construção da fábrica, que demorou cerca de 18 meses e entrou em laboração em 1967. Confirmou-se a análise prévia feita pelo acionista sueco da excelente qualidade do eucalipto português para a produção de pasta e de papel, já que cresce muito mais rapidamente do que a bétula escandinava. Em 1975 o capital português da Celbi foi nacionalizado incluindo, inexplicavelmente, o dos pequenos accionistas locais, e iniciou-se um período em que a Billerud, entretanto adquirida pela Stora, do Grupo Wallenberg, coexistiu com o Estado português como acionista. Só em 1989, com a revisão constitucional desse ano, foi posto termo à irreversibilidade das nacionalizações, iniciando-se novo período de negociações através das quais a Stora veio a adquirir a posição minoritária do Estado, entrando a empresa em nova fase que continua, embora a Stora tenha também já cedido a sua posição a accionistas portugueses. Estive mais de 40 anos como Administrador da Celbi, e nada do que a ela diz respeito me é indiferente, pelo que lhe desejo as maiores felicidades. • André Gonçalves Pereira ex-administrador página 5 comemorações dos 50 anos da celbi A Celbi era a joia da Coroa da Billerud* A primeira vez que ouvi falar da Celbi, foi nos anos setenta num artigo de uma revista de negócios sueca onde dizia que “A Celbi era a joia da Coroa de Billerud”. Durante 8 anos - de 1992 a 2000 - estive diretamente envolvido na gestão da Celbi, 5 anos como administrador delegado e 3 como presidente do Conselho de Administração. O dono maioritário era, naquela altura, o Grupo Stora, com 71% de participação, enquanto o Estado Português através do IPE (Investimento e Participações do Estado) era um dono minoritário. A Celbi era uma parte importante da Stora Cell - a divisão da produção da pasta de papel da Stora. O meu passado como diretor financeiro na Stora Cell significava que já tinha tido experiência e relações, antes de 1992, com a Celbi. Por exemplo, participei ativamente no projeto C92 de preparação para a expansão da Celbi. Os objetivos deste projeto eram duplicar a capacidade, construindo outra linha de produção de pasta de papel e aumentar o número de propriedades florestais. O projeto, aprovado pela direção da Stora no final dos anos 80, foi sendo adiado e, mais tarde, cancelado. Financeiramente, os tempos eram difíceis para a indústria silvícola, e sobretudo para a indústria da pasta de papel. Por outro lado as prioridades no Grupo Stora também se alteraram. * texto traduzido e adaptado do original, em inglês página 6 Quando assumi o cargo de administrador delegado da Celbi, a situação da empresa era crítica. Devido ao projeto de expansão, a estrutura organizacional da fábrica, a silvicultura e a administração tinham sido expandidas. Muitas propriedades tinham sido adquiridas, algumas das quais não eram adequadas para plantar eucalipto. A procura e o preço de pasta de papel cairam drasticamente. Em Portugal ocorreu uma queda da inflação, com taxas de câmbio estáveis, o que levou a uma necessidade de os exportadores adotarem o aumento de custos internos. A minha tarefa era, considerando a situação bastante caótica, colocar a Celbi de volta ao rumo certo e começar a olhar para o futuro. Para além disso tudo, havia ainda uma escassez de madeira em Portugal. fibra nova 18 O primeiro passo era fazer grandes mudanças na gestão dos quadros superiores da Celbi. Era fundamental mudar o modo de pensar. Racionalizações importantes eram necessárias, tanto em relação à organização como ao balanço da empresa. O número de empregados foi reduzido em cerca de um terço⅓, os terrenos com más condições de cultivo para o eucalipto foram vendidos e a sede em Carnaxide, perto de Lisboa, foi fechada e mudou para a Leirosa. Uma decisão importante foi também permitir que as nossas plantações de eucalipto fossem cortadas mais tarde, para otimizar o crescimento. Esta nova situação foi o desafio mais interessante durante o meu tempo na Celbi. Considerando todas as mudanças dramáticas levadas a cabo, como poderíamos continuar e melhorar o nosso desempenho? Não era o momento certo para despesas de capital e empréstimos. Tivemos de encontrar a solução dentro da organização e na forma como estávamos a trabalhar. Despendeu-se muito tempo e esforço a melhorar o trabalho em equipa e a criar oportunidades para que todos pudessem participar mais e assumir maiores responsabilidades. Este processo demorou algum tempo, mas trouxe uma maior motivação no seio da organização. Foi importante termos delineado um número de objetivos claros e mensuráveis em diversas áreas, uma vez que estes objetivos lideraram o nosso comportamento durante vários anos. A cooperação além-fronteiras era um aspeto importante na divisão da produção da pasta de papel da Stora. Acima de tudo, nas áreas técnicas, as relações entre Portugal e a Suécia eram muito próximas. A pasta de papel produzida pela Celbi era de excelente qualidade. Vários anos depois de ter saído da Celbi, um comprador de pasta de uma grande empresa produtora de papel contou-me que, de todas as pastas diferentes que eles compravam, o preço mais alto era o da Celbi: a qualidade do nosso produto foi muito importante para superar a crise. Este foi o resultado das competências técnicas na empresa, uma boa cooperação com outros técnicos na divisão da pasta e uma enorme motivação. A Celbi colocou muitos recursos na área ambiental. A pressão sobre a indústria era forte. Sendo uma empresa pertencente a um importante grupo industrial estrangeiro, sentimos sempre uma enorme pressão sobre a Celbi para estar na vanguarda do desenvolvimento ambiental. Novamente, as competências técnicas, a motivação e a responsabilidade foram fatores decisivos para um resultado bem-sucedido. Depois dos anos de dificuldades financeiras, durante a primeira metade dos anos 90, e depois da reestruturação da empresa, os resultados financeiros começaram a melhorar novamente. A Celbi recebeu prémios e distinções como a melhor empresa industrial e melhor empresa de indústria silvícola em Portugal várias vezes. No final dos anos 90, um grande projeto foi realizado. O projeto incluiu a reconstrução de diferentes partes da fábrica, mas o mais importante foi a instalação de um novo digestor. Tudo isto resultou numa maior capacidade, melhorou a qualidade da pasta e tmabém o desempenho ambiental. Todo o trabalho duro com a reestruturação tinha sido compensado. Billerud AB era a principal proprietária quando a Celbi foi formada em 1965. Billerud foi adquirida pelo Grupo Stora em meados dos anos 80. Como curiosidade, quando saí da Stora em 2001, fui nomeado presidente executivo da Billerud AB, uma empresa recém-criada para ser colocada na Bolsa de Estocolmo. Olhando para trás, estes anos com a Celbi foram, provavelmente, os mais gratificantes da minha carreira, pensando nas competências, nos níveis de ambição e nos amigos. É muito bom saber que a Celbi tem sido capaz de se desenvolver ainda mais com os novos proprietários. • Bert Östlund ex-presidente do conselho de administração página 7 comemorações dos 50 anos da celbi A CELBI a que dei a minha colaboração A o serviço da CELBI, fui para a Suécia, na primeira quinzena de abril de 1966. Regressei, em meados de setembro do mesmo ano. Nesse período, fiz a minha iniciação no conhecimento das tecnologias de produção de pasta papeleira. Tive, também, algum contacto com a tecnologia de produção de pasta solúvel, no aspeto teórico, visto que a instalação piloto que, para esse efeito, tinha sido montada pela Billerud, já não estava em funcionamento. Tinha sido utilizada, fundamentalmente, para recolha de dados que foram utilizados no projeto do digestor contínuo, à escala comercial, que veio para a Leirosa e foi o primeiro, no mundo, que podia, alternadamente, produzir pasta papeleira ou solúvel. Este objetivo foi cumprido, na CELBI. A produção de pasta solúvel foi abandonada porque esse produto, entretanto, não garantia uma rentabilidade tão favorável como a produção de pasta papeleira. A equipa técnica da CELBI, algumas vezes com a colaboração do Centro de Investigação e Desenvolvimento da Billerud, em Säffle, conseguiu, graças a uma ação permanente de inovação, melhorar, quantitativa e qualitativamente, a produção de pastas papeleiras. Assim, a CELBI, como todos sabem, tornou-se uma das mais prestigiadas empresas da Europa, e até do Mundo, neste setor. A própria Billerud se mostrava impressionada com o nosso êxito o que, para meu página 8 contentamento, me foi transmitido numa visita à fábrica de um administrador da Billerud acompanhado por mim. Tratava-se de uma pessoa altamente qualificada, academica e profissionalmente, que muito naturalmente me disse que esta fábrica, na Suécia, não teria atingido o grau de eficiência que todos os resultados apurados demonstravam. Como é óbvio, não comentei tão elogiosa observação, mas pensei que ele teria razão. De facto, os suecos, nas fábricas por onde passei, transmitiam uma imagem de organização e eficiência, mas sem o “amor à camisola” da equipa da CELBI que, algumas vezes, se aproximava do milagre! O nosso sucesso deve-se, fundamentalmente, a uma cultura fabril que resultou do seguinte: a) Recrutamento de pessoal fabril com razoável formação académica. Na nossa época, os cursos das Escolas Industriais eram um dos objetivos fundamentais. b) Formação específica, respeitante às atividades da fábrica, na qual os quadros superiores e intermédios desempenhavam um papel importante. c) Lideranças, a todos níveis, que desempenhavam um papel importante, no plano social, com a sua marca dialogante de que nos orgulhamos. Para terminar, só me resta manifestar a esperança de que as gerações que se seguiram à nossa e as que se seguirão continuem a ser bem sucedidas. • Emanuel Vieira Alberto ex-diretor técnico fibra nova 18 Nos 50 anos da Celbi P ercebi assim que cheguei à Celbi em finais de 1969 que me tinha sido dado o privilégio de me juntar a um projeto de excelência. A minha experiência anterior após passar fugazmente pela administração pública e por um pequeno grupo têxtil no norte do país permitiram-me, por comparação, fazer deste projeto uma avaliação extremamente positiva Cedo percebi, o que viria a confirmar durante a minha permanência na empresa, que a simbiose de duas culturas, a nórdica com o seu rigor na gestão, racionalidade e espirito analítico e a latina com a sua capacidade de improviso, a sua criatividade, generosidade e espirito de sacrifício, associada à presença de uma equipa jovem, competente, dedicada e altamente motivada haveria de conduzir a resultados de exceção. A capacidade provada por esta equipa levaria a que, muito cedo, o acionista maioritário, naquela altura a Billerud AB, tenha confiado grande parte dos lugares de liderança na empresa a jovens quadros portugueses. Revejo o meu percurso profissional de cerca de 40 anos nesta empresa, primeiro na área financeira e posteriormente na área dos recursos humanos e todos os sentimentos que me ocorrem, após alguns anos de deixar a empresa, são extremamente gratificantes. Recordo a capacidade da empresa responder, com grande determinação, quando, fruto de uma combinação de fatores, uns locais outros externos, reconheceu ter perdido a sua posição no grupo STORA como a empresa com o custo de produção mais competitivo. Aconteceu que, na década de 90, a Suécia enfrentou um período de grande recessão com aumento de desemprego e altas taxas de inflação. Nessa altura aquele país abriu as portas à retoma com uma forte desvalorização da coroa sueca. Por essa mesma altura em Portugal estava a terminar o “crawling peg” utilizado nas duas décadas após o 25 de Abril de 1974 no sentido de conseguir manter a competitividade das empresas portuguesas nos mercados internacionais. Como reação a esta situação, altamente penalizadora para a empresa, foi decidido iniciar um processo de racionalização que, entre outras medidas, incluiu uma redução de efetivos, processo que se repetiria em outras ocasiões durante a segunda metade da década de 90 e durante a primeira década do ano 2000. Estes processos de racionalização foram sempre conduzidos com extrema prudência, compensando generosamente os trabalhadores envolvidos e acautelando situações em que fosse possível antecipar que, dessa decisão, pudesse resultar, para um determinado caso concreto, uma clara situação de fragilidade social. O processo de diálogo com os representantes dos trabalhadores foi, a meu ver, sempre exemplar. Quer com a comissão de trabalhadores, enquanto a mesma existiu, quer com os representantes sindicais foi sempre possível encontrar soluções de consenso geradoras do clima da paz social que a empresa sempre viveu. O melhor exemplo de que, a esta distância, me recordo foi a participação de representantes sindicais em processos de autoavaliação conduzidos na empresa segundo o método preconizado pelo EFQM. Nessas ocasiões estes representantes tiveram oportunidade de, juntamente com os quadros da empresa, avaliar a forma como a liderança se exercia na empresa, a clareza da sua estratégia, a organização dos seus processos, a dimensão dos meios disponíveis e o valor dos seus resultados. Esta foi uma das ferramentas usadas, com regularidade, para apoio ao processo de melhoria continua que a empresa adotou com enorme convicção e com assinalável êxito. Como marcos na vida da empresa retenho a presença na Celbi de uma equipa de consultores da Mackinsey que a apoiaram nos processos mais complexos de reorganização e lembro especialmente o programa de capacitação dos quadros contratado com a Universidade Católica em Lisboa. Destes eventos resultou um reforço significativo do espirito de orientação para resultados, preocupação que passou a estar presente, de uma forma muito mais evidente, no dia-a-dia de cada colaborador. Muitos dos quadros que ainda hoje integram a empresa foram elementos ativos nestes processos e serão hoje, estou certo, mensageiros do espirito positivo que sempre se viveu na Celbi e garantes da continuação das boas práticas de que a Celbi sempre se orgulhou. • Manuel Cardoso dos Reis ex-diretor financeiro e de recursos humanos página 9 comemorações dos 50 anos da celbi Celbi promoveu “O com fornecedores de Madeira página 10 fibra nova 18 Open Day” s texto Andreia Gouveia fotografia the brand Sob o lema «Juntos por Bons Caminhos», cerca de 200 fornecedores de madeira Celbi oriundos de diversas regiões do país, estiveram, a 30 de maio, na Figueira da Foz, para um open day. E ste sábado especial começou com a receção dos parceiros convidados, que, após um welcome breakfast, puderam visualizar o filme, produzido para assinalar o 50.º aniversário da Celbi e que dá a conhecer a realidade da empresa que, a nível mundial, é um exemplo de eficácia e eficiência, colocando já perto de 700 mil toneladas/ano no mercado europeu das empresas papeleiras que produzem desde papéis finos a tissue. «Só a fábrica da Celbi adquire anualmente mais de cem milhões de euros de eucalipto», sublinhou Borges de Oliveira, administrador do Grupo Altri. «É para nós fundamental ter uma relação estável e de compromisso com os nossos fornecedores e, através deles, também com os produtores florestais», aduziu. «Hoje têm a possibilidade de visitar a melhor fábrica de pasta para papel do mundo. Não a maior, mas a melhor, porque tem o menor consumo de água e de energia por tonelada de pasta produzida, e está no patamar de excelência em todos os indicadores utilizados para análise de fábricas do setor», explicou, lançando um novo desafio aos fornecedores de madeira. «Se há um indicador em que ainda podemos melhorar, é no do consumo de madeira por página 11 comemorações dos 50 anos da celbi "É para nós fundamental ter uma relação estável e de compromisso com os nossos fornecedores" página 12 tonelada de pasta produzida», revelou. Para tal, a Celbi exortou os parceiros fornecedores a apostarem ainda mais no tipo de madeira mais rentável para a produção de pasta de celulose de fibra curta, o eucalipto globulus, e a evitarem cortar precocemente as plantas. Criado Número Verde para apoio aos parceiros N a esteira deste desafio, Miguel Silveira, administrador da Altri Florestal, anunciou a criação de um número verde, totalmente gratuito, colocado à disposição dos produtores e fornecedores de madeira, com o objetivo, não apenas de agilizar a relação comercial, mas também de contribuir para a melhoria de todo o processo, seja através do acesso às plantas melhoradas criadas em estufas da Celbi ou, por exemplo, no apoio a candidaturas para modernização de equipamentos ou certificação de procedimentos, no âmbito do quadro de apoios comunitários Portugal 20/20. O dia prosseguiu com a visita às instalações fabris – melhoradas nos últimos anos, desde a aquisição da Celbi pelo Grupo Altri, com investimentos sequenciais de mais de quatrocentos milhões de euros – guiada por fibra nova 18 Dia 30 de Maio Fornecedores de Madeira https://youtu.be/ MoyuLRiaoOE colaboradores que explicaram todo o processo de transformação da matéria-prima fornecida pelos parceiros visitantes no produto final. A concluir este open day, a Celbi proporcionou um almoço-convívio aos visitantes, muitos dos quais pertencentes, já, a uma segunda geração de fornecedores de madeira à empresa sediada na Figueira da Foz. «E alguns vêm acompanhados dos filhos, o que muito nos apraz, pelo que significa em termos de estabilidade e de uma relação de confiança e duradoura», sublinhou Carlos Van Zeller, que reiterou a convicção de que «Juntos por Bons Caminhos» é, mais do que um slogan, uma realidade com futuro. Para memória futura deste dia, os visitantes foram brindados com diversas lembranças, incluindo o livro do antigo quadro superior da empresa, Manuel Saraiva Santos, intitulado “A Indústria da pasta de celulose na história da Figueira da Foz – A Celbi 1960 a 1967”. A obra, que assinala os 50 anos da empresa, presta homenagem a todos os que contribuíram, ao longo destas cinco décadas, para a construção e afirmação de uma unidade que é já das maiores exportadoras nacionais.• página 13 comemorações dos 50 anos da celbi Testemunhos recolhidos na iniciativa do Open Day com os fornecedores de madeira Miguel Silveira carlos van zeller no que respeita aos equipamentos princi- administrador administrador da celbi pais, em que muitos dos conceitos ainda se da Altri Florestal mantêm, mas nas áreas da automação e da eletrónica. Aí sim, o salto foi absolutamente Esta iniciativa, no âmbito dos 50 anos da Cel- extraordinário e aumentou muitíssimo a O objetivo desta ação é aproximarmo-nos bi, é a primeira de um conjunto que vamos produtividade, naturalmente com recurso a dos fornecedores de madeira das três fábri- levar a cabo para honrar o nosso passado e muitos investimentos. cas da Altri. Nós temos muita dependência projetar o futuro. Começámos por esta ação do mercado de madeira, e a madeira que que envolve uns dos nossos principais parcei- Os próprios funcionários também evoluíram. recebemos do mercado vem, principalmen- ros, muitos deles que estão connosco desde Temos hoje funcionários que são filhos de te, destes fornecedores, que têm um papel a primeira hora, os fornecedores de madeira, antigos funcionários. Mas hoje a Celbi não fundamental na transmissão dos conheci- que têm tido um papel fundamental no admite ninguém que tenha menos do que o mentos, do nosso know how, para a floresta crescimento desta indústria. Infelizmente a 12.º ano, a escolaridade obrigatória, e temos e para os produtores. Por isso é necessário nossa indústria é deficitária, esperemos que uma percentagem considerável de pessoas estabelecer uma parceria efetiva com estes conjunturalmente, na parte do abastecimen- com frequência universitária, de bacharela- fornecedores, para conseguirmos melhorar. to da matéria-prima principal, e portanto os tos a licenciaturas e mestrados. Esse nível de Se a fábrica cresce, se a fábrica tem produ- fornecedores de madeira são absolutamente habilitações facilita um melhor entendimen- ções maiores, temos de ajudar também os fundamentais para o crescimento desta to do processo. E essa tem sido uma preocu- nossos fornecedores a crescer, e este open indústria. Esta indústria tem condições para pação da gestão de recursos humanos, que day serve para fortalecer esta relação e crescer, é dos poucos setores do país em que não haja descontinuidade nem sobreposi- permitir que nos ajudemos mutuamente nós podemos ser competitivos, infelizmente ções. Neste momento, a Celbi terá cerca de a crescer. Mais do que meros fornecedores, não temos tido, por parte das autoridades, 1/3 do seu corpo de pessoal preenchido com vemos estas pessoas como parceiros. esse entendimento, e existe muitas vezes pessoas com muitos anos de casa, a uns 10 São 70 a 80 fornecedores, mas muitos repre- uma campanha de contrainformação em anos da reforma, outro 1/3 com uns seis ou sentam vários sub-fornecedores, o que eleva relação a esta indústria, particularmente em sete anos de Celbi, e o restante 1/3 está no o número para uns 200. São, na sua maioria, relação ao eucalipto, o que não faz sentido meio dessa experiência e da juventude. Isto pequenos e médios fornecedores de zonas nenhum, é uma conversa quase estéril, que permite uma renovação natural de quadros. não muito distantes da fábrica, que muitas tem de ser alterada, e os fornecedores de ma- E damos preferência a pessoas da região, e a vezes compram a madeira a pequenos pro- deira são realmente quem nos pode ajudar jovens das escolas do concelho, dando muita prietários, cortam, transformam e vendem à nesse caminho. formação. compram madeira a proprietários que estão A Celbi arrancou, como empresa, em 1965, Estamos agora a sair de um período de seis mais longe e conseguem trazer e vender à e dois anos depois arrancou a fábrica. No ou sete anos de muito trabalho, de grande fábrica. • início a fábrica produzia aproximadamente atividade, com a equipa extremamente sa- 100 mil toneladas, e o equipamento era tisfeita mas cansada, depois de 400 milhões muito básico. A tecnologia evoluiu, não tanto de euros investidos só entre 2008 e 2009 e, já Celbi. Há também fornecedores coletivos, que página 14 fibra nova 18 fotografia arquivo celbi este ano, concluímos outro projeto de investimento na otimização do anterior, no valor de quase 40 milhões de euros. Não há muitos investimentos deste nível no país, mas são estes projetos que nos permitem entrar agora numa fase de otimização e de produção com prazo. um nível de eficiência extremamente elevado, fazendo da Celbi, não uma das maiores, Sofia Reis, gestora do No que respeita ao tema segurança, a Celbi é mas uma das mais competitivas fábricas do departamento de controlo uma empresa que se encontra ao nível das seu setor no mundo. E isto permite-nos olhar técnico e sistemas de gestão melhores em termos de regras e práticas para o futuro com muito otimismo. • existentes. Agora as regras não chegam, por Uma das grandes preocupações da Celbi ao isso o nosso grande objetivo é induzir com- longo dos anos tem sido a gestão do seu portamentos responsáveis nas pessoas que desempenho ambiental e o seu impacte na trabalham connosco e é nisso que estamos a comunidade em que se insere. concentrar os nossos esforços. Nesta vertente, a sua relação com os fornece- Cada um de nós tem o dever de ser respon- dores de madeira é fundamental, porque se a sável pela sua proteção individual e pela dos madeira não for proveniente de florestas ge- que connosco trabalham. • ridas de forma sustentável o negócio da Celbi certamente também não será a médio/longo página 15 comemorações dos 50 anos da celbi Praia da Leiro mais limpa e vizinhança mais forte página 16 fibra nova 18 Cerca de 200 pessoas, entre crianças e adultos, aceitaram o convite da Celbi e, a 13 de junho, meteram mãos à obra para deixar o areal da Praia da Leirosa mais limpo. A iniciativa, completada com almoço-convívio e animação, foi “um sucesso a repetir”. osa texto Andreia Gouveia fotografia the brand F oi em parceria com o Centro de Recreio Popular de Marinha das Ondas – Praia da Leirosa (CRPMO), o Agrupamento de Escuteiros da Marinha das Ondas e com o apoio da Junta de Freguesia da Marinha das Ondas que a Celbi promoveu, na manhã de 13 de junho, uma ação de limpeza da Praia da Leirosa. O dia começou com as palavras de incentivo e de gratidão de Carlos Van Zeller, administrador da Celbi. “Obrigado por se juntarem à Celbi neste dia dedicado a cuidar do ambiente e do futuro de todos”, disse, realçando ainda a importância de iniciativas que reforçam as boas relações de vizinhança entre a unidade industrial que há 50 anos labora na Leirosa e a sua comunidade humana. Bem mais jovens do que a Celbi eram as crianças que competiram alegremente na recolha de lixo do areal da praia, conseguindo lotar dois contentores industriais. “Foi divertido, nunca tinha participado numa limpeza da praia, mas gostava de voltar a fazer isto”, disse, no final da manhã, Bernardo Pedrosa, de 10 anos. “Estou cansada, mas valeu a pena para ver a praia assim tão limpa”, garantiu, por seu turno, Beatriz Pata, de 14. “Apanhei sobretudo covos, mas também algum lixo que as pessoas deixam” lamentou João Mateus, de 12 anos, que participou por saber “que ia ser divertido”. Os muitos jovens participantes estiveram lado a lado com pais e outros adultos, incluindo vários pescadores da Arte Xávega, que assim puderam ajudar a recolher alguns detritos resultantes da sua atividade, perdidos no mar e pelo mar devolvidos. página 17 comemorações dos 50 anos da celbi página 18 fibra nova 18 “Basta olhar para estas crianças, tão felizes por estar aqui, a limpar a praia, para perceber que elas nunca vão colocar lixo no chão, que nunca vão deixar lixo na areia”, afirmou, satisfeito, Rodrigues Nada, presidente da Junta de Freguesia da Marinha das Ondas. A convicção é partilhada por Célia Marques, chefe do Agrupamento de Escuteiros 1224 da mesma freguesia, frequentado por dezenas de crianças e jovens da Leirosa. “Fazemos a limpeza da praia há quase duas décadas, para chamar a atenção dos nossos elementos para a importância de preservar as praias, e este ano surgiu o convite para nos associarmos à Celbi, que nos tem apoiado sempre que solicitada, fazendo desta ação uma festa ainda maior”, explicou. Com a praia limpa, a festa fez-se então no CRPMO, na Praia da Leirosa. Para a presidente da direção, Paula Ramos, esta foi mais uma oportunidade para estreitar as boas relações entre a Celbi e a comunidade local. “O bom relacionamento é antigo, e tem vindo a ser aprofundado, com a Celbi a apoiar diversas atividades e melhoramentos na coletividade”, reconhece a dirigente. “Esta é a comunidade mais próxima da fábrica, e é natural que seja também a mais beneficiada, mas temos muito prazer que iniciativas destas permitam à administração de Celbi conhecer e perceber onde são aplicados os apoios que nos concedem”, concluiu. A coletividade, que “Basta olhar para estas crianças, tão felizes por estar aqui, a limpar a praia, para perceber que elas nunca vão colocar lixo no chão, que nunca vão deixar lixo na areia” página 19 comemorações dos 50 anos da celbi preparou e acolheu o almoço-convívio e a tarde de festa – com insufláveis e o atelier «Fábrica de Papel» para os mais novos, e ainda as atuações do Rancho Infantil da Praia da Leirosa e da banda Sombras – recebeu, neste dia especial, um donativo de 500 euros, verba igual à entregue ao Agrupamento de Escuteiros. Quanto à Junta de Freguesia, estão em curso projetos que contarão com o habitual apoio da Celbi, mas Rodrigues Nada não resistiu a lançar um novo desafio. “Ainda este verão, seria muito bom voltar a fazer uma iniciativa destas, mas para limpeza das fontes e fontanários da freguesia”, sugeriu. No rescaldo da atividade, Nogueira dos Santos, administrador da Celbi, não escondia a satisfação pelo sucesso da iniciativa de caráter pedagógico. “Houve uma adesão fantástica da população, numa ação que está em perfeita sintonia com a filosofia da Celbi, de preservação do ambiente e de cultivo de boas relações de vizinhança”, afirmou. “A Celbi é uma unidade industrial e, como tal, gera sempre impacto nas comunidades mais próximas, seja a nível de ruído, de cheiros ou de efluentes”, reconheceu, considerando “natural que sejam essas comunidades, também, as mais apoiadas, não a título de compensação, mas no âmbito de uma relação de boa vizinhança, com respeito pela identidade, pela História e pelo património desta aldeia piscatória que tão bem nos acolhe há já meio século”, explicou. “Somos orgulhosos uns dos outros, e este dia de festa celebrou isso mesmo”, concluiu. • página 20 fibra nova 18 Testemunhos recolhidos na iniciativa da limpeza da Praia Carlos Paula Ramos, Monteiro, presidente vereador do Centro de Recreio Excelente iniciativa, e com crianças, que são o futuro, sensibilizando-os para a proteção Popular de Marinha das Ondas – Praia da Leirosa (CRPMO) ambiental do planeta onde queremos viver mais uns milhares de anos. Quanto à Celbi, A relação de proximidade com a Celbi tem envolve-se nas atividades desta freguesia e vindo a fortalecer-se cada vez mais, com não só, e investe na relação de proximidade apoio para infraestruturas, como os balneá- com a comunidade. Isto é o exemplo de que rios do campo de futebol, e para diversas é possível a uma indústria interagir de forma iniciativas. Não é uma mera relação formal, muito positiva com a população. A Celbi é há uma descentralização da administração um exemplo a seguir, mas devo dizer que, de para chegar às pessoas, há uma interação forma geral, a Figueira da Foz pode contar real que é muito bem-vinda. Nesta iniciativa com boas empresas, com noção da sua há um altruísmo que, vindo de uma empresa, responsabilidade social. é muito saudável, e tem muito a ver com a generosidade que está na génese do próprio associativismo. Acredito que este dia é um marco, que assinala uma relação ainda mais positiva entre a Celbi e a comunidade em geral e esta coletividade em particular, porque neste dia muitos dos quadros da empresa puderam ver, in loco, onde é que aplicamos o apoio que nos concedem. Dia 13 de Junho Praia da Leirosa https://youtu.be/sr3306d4Lp0 Fábrica do Papel da Celpa página 21 comemorações dos 50 anos da celbi 50 anos depois Celbi lançou a Primeira Pedra página 22 texto Andreia Gouveia fotografia the brand e andreia gouveia fibra nova 18 A celebrar cinco décadas, a Celbi assinalou em festa, a 19 de junho, com os seus atuais colaboradores, os 50 anos volvidos sobre o momento fundador por excelência – a colocação da primeira pedra da então denominada Celulose Billerud S.A.R.L. N um dos muitos espaços ajardinados da fábrica, um enorme bolo, sumos e champagne acompanharam o coro de parabéns, seguido de animado convívio e partilha de experiências, aprendizagens e memórias. Como as de Elísio Parracho que, aos 60 anos, já conta com 50 de Celbi. “Entrei na Celbi como aguadeiro, aos 11 anos, tinha a fábrica meses”, recordou aos colegas. “No primeiro dia vim descalço, no segundo com uns sapatos emprestados e, no terceiro, já a minha mãe me tinha comprado uns sapatos”, confidenciou. O mais antigo funcionário da Celbi ainda em atividade passou em revista os estudos que fez, as portas que se lhe abriram e a vida que escolheu, e escolhe ainda, fazer na fábrica, agora nos serviços administrativos. No outro extremo do tempo está José Oliveira, engenheiro mecânico admitido na empresa no início de junho, como desenhador projetista. “O meu pai trabalhou na Celbi e era um sonho antigo vir para cá trabalhar”, explicou. Conseguiu e, agora, é um dos muitos exemplos que inspiram os estagiários que encontram na Celbi uma primeira ligação entre o universo académico e o mundo real do trabalho. É o caso de Carla Duque, de 25 anos, natural de Soure, que há seis meses monitoriza a certificação energética da Celbi. “Faltam três meses para o estágio acabar e já sei que, se não ficar, vou ter saudades”, confidencia, destacando “o bom ambiente e a generosidade dos colegas mais velhos” como parte importante da experiência. página 23 comemorações dos 50 anos da celbi Ao longo de todo o dia, um ardina, como os que há meio século vendiam diários e semanários, distribuiu exemplares da “Primeira Pedra”, um jornal em edição única, comemorativo do 50.º aniversário da Celbi. Com uma tiragem de 1000 exemplares, que chegou também como oferta a cerca de 250 entidades regionais, o “Primeira Pedra” recupera as notícias dadas à estampa, no mês de junho de 1965, pela imprensa local, com destaque para o dia 19, quando a primeira pedra foi colocada sob um marco de betão exteriormente datado, juntamente com um pequeno cofre. Lá dentro, estavam algumas moedas correntes à época, para atrair sucesso e fortuna, e ainda um pergaminho – que meio século depois esteve também em exposição – com uma mensagem para o futuro. Nela, pode ler-se o desejo expresso de que a fábrica “seja mais uma contribuição da geração presente para o engrandecimento do país e para o bem-estar de todos, especialmente dos habitantes do distrito de Coimbra, que a ela emprestarão o esforço dos seus braços e a luz da sua inteligência”. Cinquenta anos depois, o pergaminho continua válido, a Primeira Pedra sólida e a Celbi a crescer. Dia 19 de Junho Primeira Pedra https://youtu.be/5ajPX9J8mQA página 24 fibra nova 18 Testemunhos recolhidos na celebração da Primeira Pedra José Oliveira, Elísio Parracho, o mais antigo um dos mais funcionário recentes em atividade colaboradores da Celbi Vim para a Celbi a 1 de setembro de Entrei a 8 de junho, 1966, ainda para uma empresa de construção civil. Tinha 11 anos. como engenheiro mecânico, acabei o curso No primeiro dia vim descalço, porque a vida em março de 2013, estive na Bosch, em Bra- era muito difícil. No dia seguinte já vim com ga, e agora estou na Celbi como desenhador uns sapatos emprestados e ao terceiro dia e projetista. O meu pai trabalhou cá muitos a minha mãe comprou-me uns sapatos. anos, era um objetivo vir trabalhar para cá, e Estive cá dois anos, na construção, fazia de agarrei a oportunidade quando surgiu. aguadeiro, com dois colegas mais velhos, Carla Duque, e depois fui convidado a ficar… e ainda cá estagiária estou. Estudei à noite, fui paquete até aos 18 anos e hoje trabalho no departamento de recursos humanos. Por mim trabalhava Tenho 25 anos, cá mais 50 anos. Sempre tive bons colegas sou de Soure e e boas chefias. Lembro-me da grande festa estou a fazer um que foi o dia da primeira pedra. Os militares estágio em sistema da Figueira serviram o almoço para a popu- e lação, e lembro-me de que nunca tinha visto Celbi desde novembro. Estou a gostar muito, gestão de energia na tanta comida na minha vida. Eram mesas é a minha primeira experiência de trabalho enormes com caldeirões de comida e muita e está a ser muito interessante, aprende-se fruta, numa altura em que se passava fome. muito. Vim para cá trabalhar três meses depois. Foi uma vida… página 25 comemorações dos 50 anos da celbi Celbi convidou antigos colaboradores a «Reviver Bons Caminhos» texto Andreia Gouveia fotografia the brand Dia 10 de Julho - Ex-colaboradores https://youtu.be/oV8o8aREWJE página 26 fibra nova 18 No ano em que se encontra a celebrar cinco décadas, a Celbi organizou um dia dedicado àqueles que contribuíram para o seu sucesso. A 10 de julho, os antigos colaboradores puderam assim recordar uma importante parte das suas vidas, reencontrar amigos e colegas e (re)visitar as instalações, ficando a par dos novos investimentos, num dia que teve como ponto alto um animado almoço-convívio. «Reviver Bons Caminho» foi o mote lançado e aceite por 200 pessoas que dedicaram parte das suas vidas à Celbi. Gratidão e orgulho As boas-vindas foram dadas porNogueira dos Santos, que agradeceu a presença de tantos antigos colaboradores, reservando ainda uma palavra amiga e de reconhecimento a todos os que, pela lei da vida ou por motivos de saúde, não puderam comparecer. Os “50 anos de sucessos” da Celbi foram recordados pelo administrador da empresa, que lembrou que a revista Exame a considerou a melhor empresa do setor dos últimos 25 anos. “É sempre bom saber que não somos só nós que consideramos a nossa empresa capaz de grandes feitos, os outros também”, afirmou. “Temos uma cultura de rigor e uma orientação para resultados que justifica sermos a empresa mais eficiente do mundo na produção de pasta branqueada de eucalipto”, considerou. “Cada um de vós teve, no seu tempo, a responsabilidade de manter a cultura e os valores da empresa, e transmiti-los à geração seguinte. E a nós competenos a grande responsabilidade de, tendo recolhido esse testemunho, engrandecê-lo e transmiti-lo aos que virão depois de nós”, acrescentou. Os tempos mudam, os acionistas mudaram, mas a empresa mantém a sua identidade. “Nós já fomos uma pequena empresa num grande grupo, quando o acionista era um gigante sueco, e agora somos uma grande empresa num pequeno grupo português, mas a Celbi continua a desenvolver-se, a crescer e a merecer a confiança dos acionistas, que assim continuam a investir e a manter a grandeza da empresa, de que todos os que aqui estão já fizeram parte, seguramente fizeram a sua parte, e devem estar orgulhosos por isso. A todos o reconhecimento da Celbi”, concluiu. página 27 comemorações dos 50 anos da celbi Recordações na primeira pessoa Carlos Guerra tem 80 anos. Entrou para a Celbi “muito novo”, e aí trabalhou “quase 30 anos”, durante os quais acumulou “muito boas recordações, de chefes e de colegas”, alguns dos quais, confessou, teve “dificuldade em reconhecer, passado tanto tempo”. Visivelmente emocionado, afirmou-se “muito satisfeito” por ver a empresa “tão modernizada e evoluída”. Francisco Moura também guarda boas memórias dos 34 anos em que trabalhou na Celbi, e foi com prazer que reencontrou antigos companheiros e visitou as instalações. “Algumas coisas estão muito diferentes, mas outras ainda conheço bem”, garantiu. Licínia Gonçalves trabalhou 24 anos na Celbi. Começou nas quintas a plantar eucaliptos, e foi com alegria que viu uma fotografia sua desse tempo em destaque na exposição comemorativa dos 50 anos da empresa. “Tão novinha que eu era…”, recordou. Ainda não era casada quando passou para a empresa, na área das limpezas. “Estou mesmo comovida de encontrar tantas pessoas com quem trabalhei”, disse. “A fábrica está enorme, acho que já não conheço quase nada”, confessou. “Há 21 anos que não entrava aqui”, explicou. Beatriz Cintrão foi uma das suas amigas mais próximas. Entrou para a Celbi com 19 anos, “ainda com o primeiro filho na barriga”, e foi ali que trabalhou “toda a vida”. Criou os filhos, fez amigos, construiu memórias. “É muito bom reencontrar estas pessoas, os colegas, os chefes, tudo gente boa”, disse. “Não vou página 28 visitar tudo porque as pernas já não deixam, mas onde eu conseguir chegar, vou”, concluiu, entusiasmada. Martins da Silva sabe de cor a data em que entrou na Celbi: “10 de fevereiro de 1975, tinha 29 anos”. Trabalharia na mesma empresa mais do que isso: 37 anos, até maio de 2012. Começou no setor da produção, passou pela manutenção e terminou a sua carreira no departamento de informática. “Julgo que a força da Celbi é a sua filosofia. Esta é uma empresa que começou por ser sueca, depois pertenceu a um grupo suecofinlandês e agora é portuguesa, mas manteve sempre a sua filosofia: uma visão de futuro, baseada em boas equipas, tanto na gestão como ao nível operacional, e uma aposta no desenvolvimento, que lhe permitiu entrar e continuar na primeira linha das empresas do seu setor, sem descurar as questões ambientais e a sustentabilidade em geral”, sintetizou o antigo colaborador. Alice Mano tinha 18 anos quando entrou na Celbi. Estava-se em 1966 e a jovem poderia ainda assistir à fase final da construção da empresa. "É muito bom reencontrar estas pessoas, os colegas, os chefes, tudo gente boa" fibra nova 18 Testemunhos recolhidos junto de antigos Colaboradores Carlos Guerra Vim para a Celbi como eletricista há muitos anos, tantos que já não sei ao certo. Tenho 80 anos, estive na Celbi mais de 20 anos, até aos 58. Tive um chefe com muita classe e bons colegas. Reencontrar os antigos colegas está a ser emocionante. Alguns já nem conhecia. Outros não mudaram nada. Agora, a empresa… mudou muito. Está tudo muito moderno. Beatriz Cintrão Alice Mano Entrei para a Celbi aos 18 anos, ainda andei aqui com o meu filho mais velho na barriga. Trabalhei na fábrica 26 anos, fui muito feliz aqui. Já não tenho pernas para visitar a fábrica toda, mas até onde puder ir, vou. Vim para a fábrica ainda em construção, em 1966, quando tinha 18 anos. Trabalhava nuns escritórios pré-fabricados dentro do que mais tarde veio a ser o armazém da pasta. Trabalhei aqui, ininterruptamente, até 2000, e depois fui fazer cinco anos ao escritório internacional da StoraEnso, que era a empresa-mãe, em Londres. Foram quase 40 anos. Foi uma escola de aprendizagem da vida, conheci muito boa gente, tanto na produção como na manutenção e em todas as áreas. Guardo da empresa uma panóplia de boas recordações, e é muito bom voltar aqui e reencontrar tantos amigos. Desta nova fase da vida da fábrica não tenho vivência, mas a empresa sempre teve uma gestão muito criteriosa, muito de acordo com a lei. Devemos ter sido das poucas empresas em Portugal que atravessaram o período da revolução de 1974 sem grandes problemas, precisamente porque já o administrador da altura era um diplomata. Martins da Silva Francisco Moura Trabalhei na Celbi 34 anos. Só tenho excelentes recordações, de grande camaradagem. Às vezes ainda nos encontramos, alguns. Fico muito feliz de ver a fábrica tão bem e a crescer. E é muito agradável voltar a visitar as instalações. Licínia Gonçalves Trabalhei 24 anos na Celbi. Comecei muito novinha, a plantar nas quintas de eucaliptos. Depois, ainda antes de casar, vim para a fábrica, trabalhar nas limpezas. Tenho muitas e boas recordações, sempre a trabalhar com homens e mulheres, quase todos mais velhos do que eu, mas sempre com bom ambiente. Passei aqui a minha vida de trabalho toda. Já saí há uns 20 anos… estou comovida de cá voltar e de reencontrar tantas pessoas. Entrei para a Celbi a 10 de fevereiro de 1975, tinha então 29 anos. Trabalhei aqui 37, até maio de 2012. Comecei por trabalhar na produção, depois fui para a manutenção e acabei a minha carreira como gestor do departamento industrial, mas no último ano e meio estive num projeto de desenvolvimento na área da informática. A força da Celbi? Uma visão de futuro, com preocupação de sustentabilidade geral e ambiental, com muito boas equipas, quer de gestão quer de pessoal, e com apetência por novos projetos, que fizeram com que a empresa se desenvolvesse sempre, procurando estar sempre na primeira linha das empresas de produção de pasta a nível da Europa e até do mundo. página 29 comemorações dos 50 anos da celbi “Tive sempre muitas boas relações na Celbi, com pessoas de todos os departamentos, fiz grandes amigos e é com muito agrado que estou a reencontrá-los agora” página 30 “Trabalhávamos nuns pré-fabricados, dentro do que viria a ser o armazém da pasta”, recordou. Um novo milénio chegaria ainda com Alice Mano na Celbi. Depois, também ao serviço da empresa, rumaria aos escritórios da empresa-mãe, à época a StoraEnso, em Londres, durante cinco anos. “Foram 39 anos muito bons, para mim foi uma escola de vida”, garantiu. “Tive sempre muitas boas relações na Celbi, com pessoas de todos os departamentos, fiz grandes amigos e é com muito agrado que estou a reencontrá-los agora”, acrescentou. Das razões que levam uma empresa a crescer ao longo de 50 anos, não tem dúvidas. “Uma gestão sempre muito fibra nova 18 "Vamos continuar a crescer, mas sobretudo a melhorar. Queremos ser a melhor fábrica da Europa e uma das melhores do mundo." criteriosa e planeada. Até na época conturbada do 25 de Abril, devemos ter sido das poucas empresas em Portugal que conseguiram atravessar aqueles tempos revolucionários com alguma estabilidade”, recordou. “Éramos considerados a ‘joia da coroa’”, concluiu, reconhecendo “o orgulho” em fazer parte da história da Celbi. A encerrar o convívio, Carlos Van Zeller, administrador da Celbi, garantiu aos antigos colaboradores que a empresa quer honrar a sua História, continuando a construí-la, diariamente. Reportando-se às “transformações impressionantes dos últimos seis anos”, com investimentos de mais de 400 milhões de euros na fábrica a exigirem muito “de toda a organização”, Carlos Van Zeller elogiou a equipa que tornou possível o objetivo de todo o projeto: duplicar a produção da Celbi. “Tivemos a preocupação de renovar a equipa, de obter mais competências, tudo para que a empresa continue a apostar na eficiência, na sustentabilidade e no crescimento que faz da Celbi não a maior, mas uma das melhores fábricas de produção de pasta da Europa”, frisou. “No início dos anos 90, a Celbi produzia na ordem das 250 mil toneladas, este ano vai produzir 700 mil e, para o ano, ainda mais”, exemplificou. “Nós gastávamos 70 m3 de água por cada tonelada de pasta produzida, hoje estamos em 18 e o nosso objetivo é chegar brevemente aos 15”, acrescentou. “É esta a filosofia da Celbi: utilizar sempre mais e melhor os recursos”, aduziu. No que respeita à energia, para além de ser autossustentável, a Celbi ainda coloca na rede nacional “energia suficiente para alimentar uma cidade com a dimensão de Coimbra”. “Vamos continuar a crescer, mas sobretudo a melhorar. Queremos ser a melhor fábrica da Europa e uma das melhores do mundo, porque acreditamos que é possível, com a equipa que temos e que vamos continuar a construir, investindo na inovação e, claro, nas pessoas, sobretudo da zona da Figueira da Foz, e numa cada vez mais forte relação com a comunidade”, concluiu.• página 31 comemorações dos 50 anos da celbi 30 maio 13 junho página 32