Ano LXXII – no 96 – janeiro-abril 2011 Verdade, anúncio e autenticidade da vida na era digital CF 2011: “Fraternidade e a vida no planeta” Padre Alberione e a santificação da mente CP01a.indd 1 9 771413 159005 ISSN1413-1595 Casais cristãos e o caminho da santidade 00096 Na entrevista: Igreja e profetismo 06.12.10 17:10:21 AN2capa.indd AN4capa.indd 31 07.12.10 13:22:12 08.09.09 16:16:48 cp Oração A oração que segue foi composta pelo bem-aventurado Tiago Alberione em 1952. Ela faz parte da “Coroazinha ao coração de Jesus Mestre”, por meio da qual agradece a Jesus Mestre pelos dons do Evangelho, da Eucaristia, da Igreja, do Sacerdócio, da Vida Religiosa, de Maria como Mãe, a sua mesma Vida. Ó Jesus, Divino Mestre, agradeço e bendigo ao vosso mansíssimo coração, que vos levou a dar a vida por mim. O vosso sangue, as vossas chagas, os flagelos e os espinhos, a cruz e a vossa cabeça inclinada dizem ao meu coração: “Ninguém ama mais que quem dá a vida pelo amado”. O Pastor morreu para dar a vida às ovelhas. Também eu quero dar a minha vida por vós. Fazei que sempre, em tudo, em cada lugar, vós possais dispor de mim segundo a vossa maior glória e que eu possa repetir sempre: “Seja feita a vossa vontade”. Inflamai o meu coração de santo amor por vós e pelas almas. WWW.SXC.HU Doce coração de meu Jesus, fazei que eu vos ame cada vez mais. cooperador paulino setembro/dezembro de 2010 3 CP03imp.indd 3 07.12.10 13:30:35 cp Sumário 12 Palavra e Comunicação: Verdade, anúncio e autenticidade da vida na era digital Oração..................... 03 Família Paulina ....... 06 Entrevista................ 08 Catequese Paulina.. 10 Testemunho ............ 16 Espiritualidade ....... 17 Institutos................. 18 Recado de Paulo ..... 20 Interatividade ......... 22 Santidade Paulina .. 24 Notícias ................... 26 Atualidades ............ 30 Tiago Alberione...... 32 Cartas ...................... 33 Passatempo ............ 34 21 Caminhar com a Igreja: Ser 14 humano: fruto da criação Formação: O Cooperador Paulino no pensamento do padre Alberione O Cooperador Paulino Publicação quadrimestral da Família Paulina Ano LXXII – Nº 96 Janeiro – Abril de 2011 ISSN 1413-1595 O Cooperador Paulino é uma revista fundada pelo bem-aventurado Tiago Alberione em 1918. Sua missão é servir o Evangelho, a cultura humana e a catequese do povo de Deus na cultura da comunicação, bem como informar sobre a vida, espiritualidade e atividade missionária da Família Paulina, que procura manter viva, no mundo moderno, a obra evangelizadora do apóstolo Paulo. Jornalista responsável e editor: Augusto Ferreira, ssp MTb 11099/MG Editora: Pia Sociedade de São Paulo (Paulus) Diagramação: Revista Família Cristã/Paulinas Capa – sxc Revisores: Tiago José Risi Leme Thiago Augusto Dias de Oliveira Projeto gráfico: Pia Sociedade Filhas de São Paulo 4 cooperador paulino janeiro/abril 2011 CP04.indd 4 06.12.10 17:14:40 cp Editorial Amigo(a) Cooperador(a), Graça e paz! Iniciamos mais um ano. Momento oportuno para olharmos para trás e lançarmo-nos para a frente. A equipe de O Cooperador Paulino sente-se honrada em ter você conosco por mais um ano. Novos governantes na presidência, no senado e na câmara federal. Com isso, renovamos as nossas esperanças de um Brasil cada vez mais humano e solidário. Nessa relação entre Igreja e política, a “Entrevista” vai nos ajudar a compreender melhor como era possível esses dois pilares da sociedade andarem juntos, em um dos períodos mais difíceis pelos quais o país passou nas décadas de 60-80, com a ditadura militar. Em qualquer época, as cruzes estarão presentes, mas, para nós, cristãos, a cruz ganha ressignificação. É o símbolo do apóstolo. O “Recado de Paulo”, nesta edição, é uma reflexão sobre esse símbolo, muitas vezes incompreendido por algumas pessoas. É tradição apresentarmos a reflexão do Papa para o Dia Mundial das Comunicações. Des- Equipe de redação: Ir. Lucivânia Conceição Oliveira, ap Ir. Inês Creusa do Prado, sjbp Ir. Ivonete Kurten, fsp Ir. Maria Rogéria, fsp Ir. Terezinha Lubiana, pddm Colaboraram: Pe. Antonio Lúcio, ssp Pe. Antonio F. da Silva, ssp Ir. Pina Riccieri, fsp Ir. Joana Puntel, fsp Ir. Sandra M. Pascoalato, sjbp Ir. Rosa Ramalho, fsp ta vez, propomos a reflexão a partir do tema: “Verdade, anúncio e autenticidade da vida na era digital”, onde damos destaque à pessoa humana como fator principal de comunicação, fugindo, portanto, da ideia tradicional de que os meios são as tecnologias. Nesse sentido, caro(a) cooperador(a), convidamos você a completar e aprofundar a leitura na seção “Formação”, onde apresentamos a comunicação a partir da experiência bíblica, fundamentada sobretudo nas cartas paulinas. Desejamos a todos os que nos acompanham nessa jornada uma excelente leitura, lembrando que sua participação nas seções interativas da revista é muito importante. Portanto, não deixe de participar da “Interatividade”, que propomos em cada edição, assim como esperamos sua carta ou e-mail com críticas e sugestões. Boa leitura! Karla Ferreira Rosa Maria Elisa Moreira Malú e Eduardo, isf Impressão: Paulus Gráfica Via Raposo Tavares, Km 18,5 São Paulo (SP) Tiragem: 12.000 exemplares Augusto Ferreira, ssp Editor Redação: O Cooperador Paulino Caixa Postal 2.534 01060-970 São Paulo – SP Página na internet: http://www.paulinos.org.br/ Endereço eletrônico: [email protected] cooperador paulino janeiro/abril 2011 5 CP04.indd 5 06.12.10 17:15:30 cp Família Paulina padre Antônio Lúcio, ssp Apostolinas Discípulas Paulinas Paulinos Pastorinhas Família Paulina: seguindo os passos de São Paulo! O padre Tiago Alberione “rezou muito antes de colocar as nossas Congregações – e toda a Família Paulina fundada por ele: Paulinos, Paulinas, Discípulas do Divino Mestre, Pastorinhas, Apostolinas, Anunciatinas, Gabrielinos, Jesus Sacerdote, Santa Família e Cooperadores Paulinos – sob a proteção de São Paulo. Ele queria um santo que se destacasse em santidade e ao mesmo tempo fosse exemplo de apostolado”. São Paulo afirma na sua Carta aos Gálatas (cf. Gl 1,11-20) que o Evangelho que ele anuncia não é resultado de conhecimento humano. Ele não o recebeu, nem o aprendeu de nenhum homem: é revelação de Jesus Cristo. Isso vem confirmado nos Atos dos Apóstolos: “Este homem, afirma Jesus, é para mim instrumento de eleição para levar meu nome diante das nações pagãs, dos reis e dos filhos de Israel” (At 9,15). São Paulo está convencido de que foi Jesus quem o chamou pela sua graça para anunciar a mensagem do Evangelho a todos os povos: “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho! Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim, mas uma necessidade que se me impõe” (1Cor 9,16). São Paulo acreditou plenamente no chamado de Jesus naquele meio-dia na estrada de Damasco: de perseguidor dos cristãos transformase em Apóstolo de Jesus Cristo. Ele não fez cálculos matemáticos sobre o chamado. Não pôs limites à ação de Deus nele. Não buscou certezas absolutas, porque elas não existem. Não buscou respostas que garantissem seu futuro, porque elas também não existem. Ele acreditou na ação de Deus nele e sabia que doravante seria “apóstolo por vocação” (Rm 1,1) e “escolhido para anunciar o Evangelho de Deus” (1Cor 1,1) “pela vontade de Deus” (2Cor 1,1). Sua fidelidade ao Evangelho foi plena e não conheceu limites de sorte alguma (cf. 2Tm 2,8-10). Ao longo de seu ministério apostólico, Paulo enfrentou inúmeras dificuldades. Escrevendo aos coríntios, ele afirma o que suportou por causa do Evangelho de Jesus Cristo: “fadigas, prisões, açoites, perigo de morte, flagelos, apedrejamennaufrágio, alto-mar, “Queremos to, viagens, perigos (rios, ser fiéis a ladrões, irmãos de raça, Jesus, como pagãos, cidade, deserto, mar, falsos irmãos), o foi o cansaço, sono, fome, apóstolo sede, jejuns, frio” (2Cor Paulo” 11,23-28). Como membros da Família Paulina, a “Família de São Paulo”, queremos ser fiéis a Jesus, como o foi o Apóstolo Paulo. Para isso, precisamos, como ele, estar apaixonados por Cristo Jesus (cf. Rm 8,35-38); ter a consciência de que já não nos pertencemos mais e de que já não é possível pensar nem agir sem partir de Cristo: “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28); convencer-nos profundamente de que é sempre Cristo quem nos ama primeiro. São Paulo se converteu porque se sentiu amado (cf. Rm 5,6-11). 6 cooperador paulino janeiro/abril de 2011 CP06.indd 6 06.12.10 17:18:26 AN07.indd 3 06.12.10 17:21:07 cp Entrevista por Augusto Ferreira O COOPERADOR PAULINO A Igreja e seu profetismo A convite de Dom Ivo Lorscheiter, secretáriogeral da CNBB, o padre José Dias Goulart assumiu a assessoria de imprensa em inícios de 1971, no Rio de Janeiro. Com a transferência da sede para Brasília, em 79, prosseguiu na função até junho de 83, sempre a serviço direto da secretaria geral. No episcopado, destacaram-se à frente da diretoria Dom Aloysio Lorscheider e Dom Luciano Mendes, além do próprio Dom Ivo, cada um deles na presidência por dois períodos seguidos. Sobressaiu também a posição firme e corajosa de vários bispos, como Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Helder Câmara, Dom Cândido Padin e Dom Pedro Casaldáliga. No Congresso Nacional, havia dois partidos: Arena, da situação, e MDB, na oposição, ambos concordando sempre servilmente com o governo militar. Tanto que se dizia haver, na situação, a Arena e, na oposição, a CNBB. Só esta se atrevia a dizer o que era preciso, e, na sua sede, era frequente a presença de estudantes e outros que pelo governo eram tachados de subversivos. Sacerdotes, pastores e numerosos líderes, religiosos ou não, pertencentes às mais variadas entidades, recorriam ou de alguma forma se refugiavam junto à CNBB. O padre José Dias nos conta um pouco de como era a profecia da Igreja naquela época tão difícil. Como você avalia a presença da Igreja no regime de exceção em nosso país? José Dias: Sob o governo militar, era preciso driblar a censura rigorosa. Duas forças então se uniam: a função crítica da imprensa e a missão profética da Igreja. O que mais me impressionou, durante a ditadura, foi a coragem e destemor da 8 cooperador paulino janeiro/abril 2011 CP08.indd 8 06.12.10 17:23:06 direção da CNBB e de numerosos bispos na crítica ao regime e, ao mesmo tempo, a prudência na defesa em favor dos opositores, caçados como subversivos. Vozes proféticas se erguiam contra os desmandos e violências perpetradas pela ditadura nos porões de quartéis e DOPS (Departamentos de Ordem Política e Social). Eram denúncias que dificilmente a mídia podia publicar no Brasil, mas que fugiam à censura na imprensa internacional, repercutindo, naturalmente, aqui. Denúncias que a Igreja no Brasil assumia e procurava comunicar, ajudando assim a imprensa a burlar a censura tão severa. O profetismo não se fecha em nenhuma religião ou classe social, mas defende as fontes denunciantes. Como era missão da Igreja proteger lideranças de todo tipo, especialmente de estudantes e operários, diante da sanha carrasca dos agentes da ditadura, que farejavam como espiões por toda parte, muitos até se faziam passar por jornalistas. E a assessoria de imprensa precisava estar atenta. Era preciso falar, evitando ao máximo que alguém sofresse consequências nos citados porões. Pessoalmente, o assessor de imprensa nada tinha a temer, pois falava em nome da presidência da CNBB, que o governo militar não se arriscava a atingir, com medo da repercussão internacional. Na difícil situação durante o governo militar, encontrou campo propício a Teologia da Libertação, diante de tanta escravidão e opressão, de tanto pecado social e estrutural. Teologia que deveria ser sempre mais sentida e vivida, porque escravidões sempre há e haverá. Após a ditadura, a Igreja avançou ou retrocedeu no campo social? José Dias: São outros tempos. Porque sabemos que, na tempestade, a Igreja torna-se corajosa. Na bonança, os problemas são diferentes, e o grande perigo está no acomodar-se, achando que tudo está bem. No entanto, sabemos que a voz da profecia não pode calar-se nunca. Muitas vezes, como diz o provérbio, “a serpente rasteja sobre a grama macia”. Na falsa quietude, o medo impõe o silêncio antiprofético. “É preciso estar sempre atento”, como alerta o Evangelho, e “gritar sem cessar”, como repetem Isaías e o apóstolo Paulo. Na ditadura, a Igreja bradava contra as torturas a que eram submetidos os presos políticos. E O centro de sua na democracia, que vovida era Cristo zes se ouvem contra os Mestre, Caminho, horrores em prisões coVerdade e Vida. muns ou psiquiátricas? Todos sabem o que por aí acontece, e quem é que ousa protestar? Onde estão os profetas e a imprensa? Como fica a nossa indispensável opção preferencial pelos mais fracos e sofridos? E quem mais indefeso que os esquecidos da justiça? Onde está a voz profética para clamar contra a fome, a miséria, a exclusão, a opressão, a escravidão disfarçada no campo e na cidade? Realmente, a nossa profecia parece estar fraquejando sob muitos aspectos. Que dizer do Documento de Aparecida? José Dias: Insiste sobre o discípulo missionário. Documento bem atual e oportuno, que precisa ser entendido nas entrelinhas e assumido até as últimas consequências. Ser discípulo de Jesus, assumindo a missão dele, que exige profetismo a toda hora, em qualquer situação. Profetismo principalmente no interior da Igreja. E profetismo firme, corajoso e contínuo frente às dores do mundo, aconteçam onde estejam acontecendo. E essas dores se sucedem por toda parte e sem cessar. O Documento de Aparecida não pode ficar no papel ou na prateleira. Há de descer, principalmente na missão entre os mais fracos e desprotegidos, enfrentando corajosamente, quando preciso, os opressores. cooperador paulino janeiro/abril 2011 9 CP08.indd 9 06.12.10 17:23:31 cp Catequese Paulina Irmã Pina Riccieri, fsp Santificação da mente no pensamento de padre Alberione A mente e o pensamento fundamentam a formação das motivações profundas do viver e da adesão autêntica a Cristo. E ntre os principais documentos deixados em herança à Família Paulina pelo bem-aventurado Alberione, encontra-se, certamente, o opúsculo, sempre atual, Santificação da mente, oferecido a todos os membros na festa de São José, como gratidão pelos augúrios recebidos em 1956. O texto trazia alguns precedentes: era, de fato, a reunião de cinco artigos publicados, de setembro de 1954 a maio de 1955, no boletim interno São Paulo, com o título eminentemente bíblico: “Amarás o Senhor com toda a mente”. Concretamente, em que se pensa quando se diz “mente”? Filósofos, biólogos, antropólogos procuraram dar uma resposta. Por mente, entende-se aquela capacidade humana pela qual se representa a realidade, em base às próprias experiências, aos princípios gerais adquiridos, às expectativas, aos valores, aos significados, às emoções. A mente reflete uma particular e pessoal visão do mundo, caracterizada por uma unidade que lhe é própria e por uma forma de inteligência particular, isto é, aquela capacidade pela qual a pessoa reflete, estuda, conhece. Em síntese, unifica o material sintetizado pelas intuições sensíveis. É como os olhos para o corpo: este oferece a possibilidade de ver a realidade externa à pessoa. A mente colhe e distingue sua identidade. Na atual sociedade da mente e do conhecimento, somos chamadas a santificar essa capacidade concreta, a procurar realizar o “sejais perfeitos como o vosso Pai que está nos céus”, pedido a todos por Cristo Mestre. Em Santificação da mente, Alberione retoma a dimensão da conformação a Jesus Verdade, expressa no Donec formetur Christus in vobis, segundo a qual “agradaremos ao Pai pelo caminho da mente”, orientada à transformação contínua até a substituição do 10 cooperador paulino setembro/dezembro janeiro/abril 2011 2010 CP10.indd 10 06.12.10 17:29:30 WWW.SXC.HU próprio pensar com o pensar de Jesus. A mente e o pensamento fundamentam a formação das motivações profundas do viver, da adesão autêntica a Cristo. É da mente que brotam as perguntas e as decisões da existência: Por que faço isto? Por que aquela decisão? Se a vida é uma coisa séria, porque dela depende a eternidade, é imprescindível dar-lhe importância e colocar a primeira e irredutível atenção sobre a potencialidade humana que a orienta. O uso sadio da mente assume um papel fundamental na realização de uma vida toda centrada em Cristo e doada à humanidade, sobretudo na nossa sociedade da imagem, onde parece que só tem valor aquilo que aparece. É, portanto, necessário atingir um controle da mente, sempre na prospectiva de uma visão unificada e integral da pessoa. De fato, “nenhum pecado do coração, palavras e obras é possível sem a mente”. Da mente saem os maus pensamentos que podem conduzir para o mal. É justo valorizá-la, santificá-la na reunião das ideias, que devemos assimilar para fazer com que se tornem convicções e sabê-las comunicar. Para Alberione, “governar a mente é necessidade fundamental; é condição sine qua non, para o êxito no tempo e na eternidade”. Não é empenho fácil; não é exibição de atitudes ou de gestos. É, sim, a superação do modo puramente humano de pensar, de raciocinar, um despir-se do homem velho para assumir, dia após dia, um pensar evangélico. É adquirir, para depois tornála conhecida, a supereminente ciência de Cristo. Essa é a estrada, esse é o caminho para seguir Cristo Verdade e poder assim afirmar: não sou mais eu que penso, é Cristo que pensa em mim: os seus pensamentos são os meus pensamentos. cooperador paulino janeiro/abril 2010 2011 11 CP10.indd 11 06.12.10 17:29:51 cp Palavra e Comunicação irmã Joana Puntel, fsp Verdade, anúncio e autenticidade da No dia 5 de junho de 2011, será celebrado o 45º Dia Mundial das Comunicações. O tema de reflexão convida à autenticidade de vida que se tornará testemunho no espaço digital. O tema do 45º Dia Mundial das Comunicações, anunciado por Bento XVI, no fim de setembro, segue uma prática já estabelecida. Entretanto, a mensagem, objeto de reflexão, é publicada somente em 24 de janeiro, dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas. Este artigo, portanto, segue enfoques que, ao acompanhar o pensamento do Magistério da Igreja sobre a comunicação, podemos deduzir e que, oxalá, estejam presentes na mensagem pontifícia. Olhando em profundidade para o tema sugerido para 2011, “Verdade, anúncio e autenticidade da vida na era digital”, fica clara e relevante a articulação existente com os dois últimos temas oferecidos por Bento XVI: “Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade” (2009); e “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos mídia ao serviço da Palavra” (2010). Articulação que parte da constatação em que se move a sociedade hoje: o “continente digital”. Nesse “continente”, habitam pessoas que são convidadas a “estar” nesse mundo, especialmente os jovens, vivendo e circulando nas redes sociais os valores humanos do diálogo e da amizade, conforme o convite da mensagem de 2010. É nesse “mundo digital” que se ancora o palco planetário onde se movem as pessoas. Temos, então, a importância central da “carga simbólica” da mídia, que proporciona às pessoas se relacionarem dentro de novos contextos e esferas midiáticas. A evangelização, portanto, que deve acontecer no diálogo entre fé e cultura (cf. Evangelii Nuntiandi 20 e Redemptoris Missio 37ª), apresenta-se hoje com inéditos desafios, que provocam e se impõem, também aos sacerdotes, cuja tarefa principal é a de “anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada”. Tarefa esta de que jamais se poderá abdicar. O convite, porém, está nas formas de fazê-lo; sim, estas devem avançar, atualizar-se, porque vivemos em uma nova ambiência (cf. Mensagem – 2010). 12 cooperador paulino janeiro/abril 2011 CP12.indd 12 06.12.10 17:33:33 de da vida na era digital Jornalistas católicos – Para viver o anúncio, é preciso não somente proclamar a verdade, lidar com as operações técnicas das novas tecnologias, mas o convite é para viver a verdade consigo mesmo, com os outros. É essa autenticidade de vida que se tornará testemunho, juntamente com o anúncio, na era digital, e fará aflorar em tantos corações a fé, a razão de viver e a esperança. À categoria dos jornalistas católicos, o convite é dirigido para que os critérios baseados na verdade estejam presentes no que pretendem compartilhar. Porém, exige autenticidade de vida daqueles que trabalham na mídia, lembrando sempre que a “tecnologia, por si só, não pode estabelecer a credibilidade do comunicador, nem servir como uma fonte de valores que guia a comunicação”. I. KURTEN/PAULINAS Viver a verdade – Há, sem dúvida, um “novo sujeito” nesse palco planetário que é o mundo digital. E aqui entra a Mensagem do Papa para 2011: “Verdade, anúncio e autenticidade da vida na era digital”. À primeira vista, poderia parecer um tema difícil e desconexo. Pelo contrário. Articulando com os temas precedentes, o Papa chega ao “nó” da questão – a pessoa, o ser humano. Todos vivem num “mundo” cada vez mais mesclado entre real e virtual. O que somos, afinal? Nas palavras de Bento XVI, depreende-se a insistência para o fato de que a comunicação deve ser entendida e centrada na pessoa, que está no coração de todos os processos comunicativos. Em suas palavras, “mesmo em uma era que é amplamente dominada e, por vezes, condicionada pelas novas tecnologias, o valor do testemunho pessoal continua a ser essencial”. cooperador paulino janeiro/abril 2011 13 CP12.indd 13 06.12.10 17:34:10 cp Formação padre Antônio da Silva, ssp Cooperação na Comunicação “Nós fizemos todo o possível para que a publicação seja bonita e acertada, mas se Deus não der sua bênção, de nada valerá a nossa criatividade; com a bênção de Deus, ao contrário, se espalharão e se produzirão frutos.” É mais comum e constitui uma tendência geral notar e comentar negativamente coisas e acontecimentos. A notícia negativa chama a atenção mais do que a positiva. E todos somos chamados a refletir nisso. Acontece um terremoto, por exemplo, e os comentários ficam só ao redor da calamidade da natureza. Quando, porém, nos detemos a contemplar a harmonia da natureza, na variedade dos seus elementos e seres? Também na consideração da sociedade, a crítica do que é negativo ocupa logo a atenção. Claro que é chato quando há um atraso num meio de transporte. Mas já paramos alguma vez para considerar a infinita cooperação necessária para que aconteça um voo de avião? Graças a incontáveis pequenos progressos técnicos, de séculos e séculos, chegouse à invenção desse veículo. Mas hoje, para se chegar ao momento do embarque, é necessário que aconteça uma infinidade de participações que formam uma verdadeira rede viva de cooperação. Por outro lado, como poderia existir cooperação sem a comunicação? E qual comunicação poderia existir sem a busca de uma comunhão de pontos de vista e colaboração? É graças à cooperação e à comunicação que podem nascer as comunidades, verdadeiras células vivas da humanidade. Havia um padre que, a partir da consideração de uma xícara de café servida no bar, ia mostrando de quanto trabalho ela era fruto e quanta beleza está por trás das pequenas coisas do nosso cotidiano. Aliás, o Apóstolo Paulo gostava de pensar a comunidade eclesial como organismo vivo em que os vários dons e carismas são interligados como as funções dos órgãos do corpo humano. Na Carta aos Efésios, lemos: “Cada um de nós recebeu a graça na medida do dom de Cristo... A uns ele nomeou apóstolos, a outros, profetas, evangelistas, pastores e mestres, para a formação dos consagrados na obra confiada, para construir o corpo de Cristo” (Ef 4,7.11-12). É claro que assim como no corpo humano algum órgão pode adoecer e causar dificuldade nas funções dos demais, também na comunidade podem surgir verdadeiras doenças na comunicação entre as pessoas, cooperador paulino janeiro/abril 2011 cooperador paulino janeiro/abril 2011 1414 CP14ok.indd 14 06.12.10 17:42:42 IVONETE KURTEN/PAULINAS que devem ser superadas com os meios que vêm de Deus: “Existem carismas diferentes, mas um único Espírito; existem ministérios diferentes, mas um único Senhor; existem atividades diferentes, mas um único Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada uma manifestação do Espírito para o bem comum” (1Cor 12,4-7). Essa passagem da primeira Carta aos Coríntios constitui-se como a Carta Magna da identidade da cooperação e da comunicação. Podemos notar como São Paulo exalta a dignidade das atividades humanas, afirmando que as pessoas são verdadeiramente cooperadoras de Deus, habilitadas àquela comunicação que existe na mais bela das sociedades e das famílias: “Já não sois mais estrangeiros nem migrantes, mas concidadãos dos santos. Sois da família de Deus” (Ef 2,19). É nessa luz que o bem-aventurado Tiago Alberione pensava a Família Paulina como Igreja viva, chamada a “mostrar nos tempos vindouros a extraordinária riqueza da graça” de “Deus, que é rico em misericórdia” (cf Ef 2,4.7). Por isso é que, em tempos nos quais havia um pessimismo quase geral na Igreja sobre os frutos da modernidade, ele recebeu o dom de descobrir as grandes potencialidades oferecidas por uma sã modernidade à causa do Evangelho, especialmente com os meios de comunicação. E na oração sentiu que outros haveriam de sentir o que ele estava sentindo e haveriam de cooperar com ele para pôr as novas invenções a serviço da evangelização. Alberione não minimizava os estragos causados pelos meios de comunicação, mas preferia dizer que: “A crítica negativa do mal é o choro dos ociosos e daqueles que não conhecem o mistério do amor do Pai, que, na sua benevolência, quis ‘que o universo, o celeste e o terrestre, alcançassem a unidade em Cristo’ (Ef 1,10)”. E acrescentava aquela que é como a opção de fundo da cooperação na comunicação evangelizadora: “Haja, sim, a deploração do mal; mas, sobretudo, ampla ilustração do bem, dos meios. Frequentemente acontece que a descrição do mal acrescenta mal a mal, pois leva a um sentido de desespero ou estéril ociosidade. Parte positiva: propaganda do bem, então, enquanto se deplora o mal”. cooperador paulino janeiro/abril 2011 cooperador paulino janeiro/abril 2011 1515 CP14ok.indd 15 06.12.10 17:41:31 cp Testemunho Maria Elisa Moreira Fé e coerência de atitudes Onde quer que estejamos, somos convidados a ser uma presença iluminada e radiante, que transpareça a nossa espiritualidade, nossos valores, nosso jeito de ser. I. KURTEN/PAULINAS S ou Maria Elisa Moreira, psicóloga organizacional, professora universitária, palestrante e autora do livro Liderar não é preciso: um guia para o dia a dia dos líderes, editado pela Paulinas. Faço parte dos Cooperadores Paulinos para o Evangelho, orientados, aqui no Brasil, pelas Irmãs Paulinas. Já estou nessa caminhada há vários anos. A frase “Fiz-me tudo para todos” (cf. 1Cor 9,19-22), do apóstolo Paulo, mexeu comigo. Ela é uma possibilidade de reflexão sobre a humildade e a capacidade de nos adaptarmos às realidades que encontramos ao longo da vida. E, certamente, um dos temas mais desafiantes na vida de um Cooperador Paulino para o Evangelho é a sua atuação no mundo do trabalho. Como Cooperadora Paulina, confesso que pensar sobre essa nossa ação é, no mínimo, provocador! Ter uma espiritualidade que seja a base de sustentação para a jornada da vida e para a vida no ambiente de trabalho é paradoxal, pois, ao mesmo tempo que a espiritualidade nos “alimenta”, também nos “incomoda”. A espiritualidade nos alimenta e nos fortifica diariamente por meio das orações e práticas espirituais já consolidadas e vividas. A partir dessa prática, iluminamos nossa missão utilizando todos e quaisquer meios de comunicação para fazermos o bem e levamos boas mensagens às pessoas. Mas, cá para nós, que desafio gigante temos em nossas mãos! Porque, escrevendo assim, parece simples, mas, na verdade, é aí que mora o “incômodo”. No ambiente de trabalho, somos pressionados a gerar resultados. E tanto as pessoas quanto o sistema nos colocam à prova a cada minuto. Não sobre a nossa fé, mas sobre as nossas atitudes e comportamentos! Ter uma espiritualidade e dar conta de ser coerente com ela, em meio ao caos da vida moderna, é uma situação que nos mobiliza e nos inquieta. A nossa presença como Cooperadores Paulinos no mundo do trabalho se dá de modo muito diversificado, em empresas nos mais diferentes segmentos ou em nossos próprios negócios. Alguns Cooperadores atuam em instituições de ensino. Ou seja, não existem limites para a nossa missão. Você deseja fazer parte dos Cooperadores Paulinos para o Evangelho? Manifeste esse desejo pelo e-mail: [email protected], e entraremos em contato. 16 cooperador paulino janeiro/abril 2011 CP16.indd 16 06.12.10 17:44:51 cp Espiritualidade padre Antonio F. da Silva, ssp A potencialidade da Palavra “O futuro apóstolo da comunicação social já se detinha admirado diante da força da palavra, da potência da palavra humana e da potência misteriosa da Palavra e Deus.” Ainda jovem seminarista, servindo-se das obras de alguns historiadores, o bem-aventurado Tiago Alberione escreveu todo um caderno situando a Bíblia na história universal. Como estudante de Filosofia, anotava já alguns pensamentos que revelam seu interesse pela Revelação divina numa chave de comunicação. Escrevia: “A verdadeira força regedora dos afetos do coração, motriz no reino invisível do pensamento, na união intelectual e moral, individual e social, que atravessa todos os séculos, que se dilata em todas as nações, é a potência da palavra. Fala o homem e fala Deus” (SC 155). O futuro apóstolo da comunicação social já se detinha admirado diante da força da palavra, da potência da palavra humana e da potência misteriosa da Palavra e Deus. Por isso, nos primeiros anos de seu ministério sacerdotal, enquanto se preparava para dar início à sua missão de fundador, o padre Alberione escreveu um dos seus livros mais importantes: Anotações de Teologia Pastoral. Nele, recomendava que os sacerdotes nunca abandonassem os estudos, especialmente sobre as questões da atualidade. Mas o que encarecia mesmo era o estudo da Sagrada Escritura e dava esta motivação: porque a Bíblia “está para os outros livros como o sol para o vagalume, como a Eucaristia para uma imagem de Jesus!”. Por isso, colocava na Palavra de Deus a eficácia da pregação – também através dos meios modernos – e a força de uma espiritualidade que busca a luz de Deus para iluminar o tempo presente. Mais de uma vez, o bem-aventurado Tiago Alberione teve a consolação de constatar a sintonia entre o que propunha para a vida e o apostolado e os ensinamentos da Igreja. Isso aconteceu, por exemplo, em 1936, quando Pio XI comentou, num congresso de escritores, a expressão “a onipotência da imprensa”: “Essa expressão não basta para exprimir a realidade. A palavra já por si mesma é uma onipotência... E então, o que dizer dessa palavra, se já sozinha é onipotente, quanto mais quando ela dispõe de tal organismo, de um meio tal de difusão como é a imprensa? Em virtude dessa organização e desse meio de difusão, é, na verdade, a onipotência da palavra que se multiplica para além de toda medida”. Quando, mais tarde, o Concílio Vaticano II ressaltou a importância da comunicação social para a evangelização, a Família Paulina se alegrou diante desse reconhecimento do seu carisma. Mas, sem nada tirar da força da comunicação humana, paulinos e paulinas sabem que o carisma do apóstolo na cultura da comunicação comporta “a necessidade de aprender a linguagem divina para transfundi-la nas suas obras, que serão tanto mais eficazes quanto, em vez de falar ele, fará que seja Deus a falar”. Padre Alberione insistia que o fundamental era que o apóstolo devia estar imbuído da Palavra de Deus, e dava esta bela sugestão: “Numa sala de redação, o melhor enfeite é o quadro dos evangelistas; o melhor sinal e objeto de culto é um Evangelho aberto onde se diz: ‘A Semente é a Palavra de Deus’; o mais precioso livro de consulta é uma Bíblia com amplos comentários dos Padres e dos Doutores da Igreja”. cooperador paulino janeiro/abril 2011 17 CP17 Set.indd 17 07.12.10 13:57:04 cp Institutos Malú e Eduardo, isf PAULINAS Proposta para casais Onde quer que estejamos, somos convidados a ser uma presença iluminada e radiante, que transpareça a nossa espiritualidade, nossos valores, nosso jeito de ser. O riundo do coração do padre Alberione, o Instituto Santa Família, inspirado no modelo da Família de Nazaré, nasce como uma proposta de vida a casais que aspiram alcançar a perfeição cristã no mundo dentro do matrimônio. Vivendo as realidades humanas próprias da vida de família, o casal percorre uma senda segura e canonicamente reconhecida de vida virtuosa e cristã. A ideia de inserir cônjuges cristãos num caminho de santificação não é nova. Entre os anos de 1920 e 1950, surgiram vários movimentos com esse objetivo: – Em 1938, Fernand Tonnet, formado na JOC (Juventude Operária Cristã), funda as Feuilles Familiales, na Bélgica; – Durante a Segunda Guerra Mundial (1943), na Itália, por iniciativa de Chiara Lubich, surge o Movimento dos Focolares, nome que significa “fogo no lar”, o fogo do amor de Cristo e da caridade na unidade; – Em 1949, em Milão, o teólogo Carlos Colombo funda os Grupos de Espiritualidade Familiar, baseados no sacramento do matrimônio. O que faz do Instituto Santa Família uma novidade em relação aos demais é a aprovação, pela Santa Sé, da profissão dos conselhos evangélicos para cônjuges, privilégio até então concedido somente a sacerdotes e religiosos, porque celibatários. Padre Alberione, de olhos sempre voltados para o futuro, perscruta a possibilidade de homens e mulheres viverem segundo a profissão dos conselhos evangélicos, de forma que sejam praticados em casa, na família. O Instituto Santa Família nasceu em 26 de novembro de 1971, dia da morte do Fundador, trazendo em si a primavera sobrenatural de uma nova categoria de consagrados na Igreja. O próprio Fundador tinha a convicção de que o núcleo doméstico é seara onde florescem os carismas humanos e eclesiais e, portanto, precisa ser cultivado sob a luz virtuosa da Santa Família de Nazaré. Hoje, diante da realidade muitas vezes desoladora em que se encontram as famílias, a consagração da família num modelo de vida inspirado no lar de Jesus, Maria e José são um contraponto inspirador e cheio de promessas de fecundidade. Experimentar a entrega da vida conjugal a Deus, pela profissão dos votos de castidade, pobreza e obediência, é, sem dúvida, algo desafiador, mas traz em si a aventura daqueles que, respondendo aos apelos do papa João Paulo II, querem seguir por águas mais profundas. A própria busca das coisas que não se situam num mundo onde os valores são pautados pelo hedonismo e pelo imediatismo relativista é sinal de que o ser humano é um ser inquieto, que anseia pelo descanso só existente em Deus. O Instituto Santa Família é uma resposta e uma opção segura para aqueles que buscam ser santos e santas hoje no seu próprio lar. Para informações, dirigir-se a: Institutos Paulinos – Via Raposo Tavares, km 18,5 – 05576-200 – São Paulo – SP, ou e-mail: institutospaulinos@paulinos. org.br – Visite o nosso site: http://www. paulinos.org.br/novo/institutos.html. 18 cooperador paulino janeiro/abril 2011 CP18ok.indd 18 07.12.10 13:49:38 AN19.indd 3 07.12.10 14:21:20 cp Recado de Paulo irmã Sandra M. Pascoalato Paulo, Místico e Apóstolo “Eu não quis saber outra coisa a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado” (1Cor 2,2). O tema da cruz, de Jesus crucificado (cf. 1Cor 4,9 e 2Cor 4,8-10). e ressuscitado, é palavra central na Segundo Paulo, a cruz define também vida e na pregação de Paulo. Seu a vocação da comunidade cristã. Claro é caminho de identificação com aquele que o o ensinamento e a exortação do apóstolo capturou na estrada para Damasco lhe per- à comunidade de Corinto. Os cristãos de mitiu afirmar com tremenda audácia: “Fui Corinto não questionavam teoricamente a morto na cruz com Cristo” (Gl 2,19), e a re- mensagem da cruz. O problema é que a haconhecer na cruz de Cristo um sublime ato viam posto de lado. A existência de tantas de amor: “Assim, ele me amou e se entregou divisões é o sintoma que permite a Paulo depor mim” (cf. Gl 2,20). tectar o mal que está despedaçando a comuPara Paulo, a cruz define a vocação do nidade. E para pôr em evidência o caráter apóstolo e o apóstolo como “servidor” (1Cor absurdo de uma comunidade cristã dividida, 3,5), como “colaborador de Deus” (1Cor Paulo interpela os coríntios, colocando-os 3,9), como “auxiliar de Cristo diante do acontecimento fune administrador dos mistérios “A comunidade damental: “não um outro, mas de Deus” (1Cor 4,1), isto é, cristã nasce da Cristo foi crucificado por vocomo um instrumento da ação cruz e, portanto, cês!” (cf. 1Cor 1,13). salvífica do Deus da Vida a somente ‘a cruz de A comunidade cristã nasce favor da comunidade. Por exda cruz e, portanto, somente Cristo’ (1Cor 1,18) periência, Paulo testemunha “a cruz de Cristo” (1Cor 1,18) que, no apóstolo crucificado, pode ajudá-la a pode reconduzi-la à unidade. viver a unidade.” se manifesta o poder de Deus, O seguimento de Jesus crucifido mesmo modo que se manicado é, para Paulo, a exigênfestou na cruz de Cristo. Ele escreve: “Deus cia fundamental na vida da comunidade e reservou o último lugar para nós que somos do apóstolo. Vale também para nós hoje. apóstolos, como se estivéssemos condenados Não se trata de pronunciar discursos vazios, à morte… Somos atribulados por todos os nem de buscar cruzes artificiais que permilados, mas não desanimamos; somos pos- tam iludir, com uma consciência tranquila, tos em extrema dificuldade, mas não somos o compromisso de seguir Jesus crucificado na vencidos por nenhum obstáculo; somos per- história presente. Trata-se de carregar, cada seguidos, mas não abandonados; prostrados dia, aquelas cruzes que se impõem como por terra, mas não aniquilados. Sem cessar consequência do seguimento de Cristo em e por toda parte, levamos em nosso corpo a solidariedade com os nossos irmãos, hoje morte de Jesus, a fim de que também a vida crucificados, “pelos príncipes deste mundo” de Jesus se manifeste em nossa carne mortal” (cf. 1Cor 2,8). 20 cooperador paulino janeiro/abril 2011 CP20.indd 20 07.12.10 09:41:12 cp Caminhar com a Igreja E Karla Ferreira Rosa Ser humano fruto da criação m nossa sociedade, um dos assuntos mais abordados e preocupantes envolve as questões ecológicas, e, como parte integrante dessa sociedade, a Igreja não poderia deixar de abordar tal assunto. Por isso, escolheu Fraternidade e a vida no planeta como tema da Campanha da Fraternidade 2011. Durante a Quaresma, em nossa caminhada pelo deserto, serão as palavras de Paulo que nos auxiliarão na reflexão interior, pois é em Rm 8,22 que se encontra o lema da campanha: “A criação geme em dores de parto”. Em uma primeira leitura, tais palavras causam certa preocupação, pois nos deparamos com dois termos, “geme” e “dores”, que aos ouvidos soam negativamente e inquietam. Tais termos remetem a sensações ruins. Contudo, esquecemo-nos de que o parto vem acompanhado da dor e que, só passando por ela, gera-se uma nova vida. Voltemos agora a atenção para o sujeito da oração: “A criação”. A palavra “criação” é um substantivo feminino, e, ao analisarmos o enunciado da oração, veremos que Paulo vai além do gênero masculino/ feminino e personifica nela a figura de uma mulher. Na Sagrada Escritura, encontramos várias figuras do sexo feminino, mas, no Segundo Testamento, particularmente no livro do Apocalipse, nos deparamos com a imagem de uma mulher prestes a dar à luz. Atentemo-nos para o fato de que, no livro de João, esta é perseguida pelo Dragão que busca devorar seu filho ao nascer (Ap 12,4). A criação, mais que personificação da mulher, refere-se à própria humanidade, e, sendo assim, nós também somos perseguidos: há um dragão que busca devorar nosso filho prestes a nascer: o futuro. Em seu livro Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra, Leonardo Boff nos fala que o cuidado faz parte da “constituição do ser humano” e que este, se não o recebe, “desestrutura-se, definha, perde sentido e morre”. A nós, que somos essa criação, cabe o cuidar, o zelar pela vida que está por vir. Cada vez mais, vemos nosso planeta se definhando, e, por mais que existam diversos projetos que buscam auxiliar o meio ambiente, a primeira mudança deve ocorrer na consciência ética de cada um de nós. Preservação, ecologia e luta ambiental parecem termos que, de tempos em tempos, estão em alta, e, com isso, ao passarmos pelas ruas, vemos milhares de pessoas com sacolas biodegradáveis, empresas que colocam lixeiras seletivas, indústrias automobilísticas que dão preferência ao biodiesel. Mas resumir a preservação do planeta a uma questão de moda é o pior descaso do ser humano. Responsabilizar-se pelo nosso planeta ou, como nos fala Boff, “resgatar o modo-de-ser-cuidado” são atitudes necessárias para a consciência humana, para que esta não se acostume com atos que somente “poupem a vida”, ao invés de atos que venham a gerá-la. Ao escolher as palavras de Paulo como lema da próxima Campanha da Fraternidade, nossa Igreja vem nos fazer meditar e compreender que zelar pelo nosso planeta significa zelar pelo que há de mais sagrado em toda a criação, o verdadeiro fruto de seu ventre: o ser humano. cooperador paulino janeiro/abril 2011 21 CP21.indd 21 07.12.10 09:45:22 cp Interatividade Ensino Religioso nas escolas Há controvérsias... Considerando as controvérsias relativas ao Ensino Religioso, podemos definir a sua identidade como área de conhecimento e não proselitismo religioso. Por isso a necessidade de um trabalho conjunto entre pesquisadores, professores e alunos, e uma abordagem multidisciplinar. A revista O Cooperador Paulino perguntou aos jovens se eles acham importante o Ensino Religioso nas escolas.Vale conferir as respostas. O Ensino Religioso é importante, pois, na atualidade, é visível a falta de valores morais e éticos, e essa dimensão do ensino apresenta uma consciência humanizada da realidade sob o olhar das religiões. Dayana Pereira Rebouças Manaus – AM Ele semeia entre os estudantes formas de pensar sobre suas realidades, para serem a diferença no mundo e se colocarem no lugar dos sem vez e sem voz da sociedade, que são os que mais precisam de justiça e amor. Daiana Souza da Silva Manaus – AM Sobretudo, o Ensino Religioso Humano é importante porque, a partir da pessoa, são despertados os dons, habilidades e desejos, valorizando-se cada um como é. Silvania Freire da Silva Belém – PA O Ensino Religioso hoje está muito voltado para a diversidade religiosa e fundamentado nos valores humanos, na ética e na moral, o que pode trazer muitos frutos para a convivência entre as pessoas. Layse Soeiro Belém – PA Veja os próximos temas e participe com sua opinião 1. Deus age no sofrimento humano? 2. A vida tem sentido para você? Por quê? 22 cooperador paulino janeiro/abril 2011 CP22.indd 22 07.12.10 09:55:35 Sim. Porque muitos não têm ensino em casa, os pais não ligam para isso, então, o lugar em que encontram a Palavra de Deus é a escola. Diany Gomes Manaus – AM Na correria do mundo atual, onde pai e mãe possuem trabalho fora de casa, é comum deixar e confiar a educação de seus filhos às escolas. Para os muitos afastados da religião, a catequese não é tão essencial na vida da criança; por isso, o Ensino Religioso é fundamental nas escolas para uma boa instrução que vá além de valores, que vise firmar a religiosidade da criança, sem preconceitos de doutrinas ou crenças. Daniela Geovana Freitas Bom Sucesso – PR Sim, acho muito importante, mas eu não tive na minha escola. O Ensino Religioso que tive foi na catequese, e digo: é necessário melhorar muito. Porém, acho legal o Ensino Religioso nas escolas sim. Quando se conhece, se ama muito mais. Jovem de Rolândia – PR Acho importante sempre: “Ensine à criança o caminho em que deve andar, e, quando for velha, ela jamais se desviará dele”. Amanda Perbeline dos Santos Maringá – PR As respostas serão publicadas nos próximos números da revista, de forma resumida. O Cooperador Paulino Caixa postal 2.534 01060-970 – São Paulo – SP Ou [email protected] cooperador paulino janeiro/abril 2011 23 CP22.indd 23 07.12.10 09:52:41 cp Santidade Paulina Ir. Terezinha Lubiana, pddm Padre Félix Bonicco: amou a vida, a família paulina e as vocações! N o dia 4 de dezembro de 1921, a pequena comuna italiana de Frabosa Soprana se torna o cenário de alegria dos seus não mais que 800 habitantes, ao testemunharem a chegada do novo rebento: Félix Bonicco. Embora pequeno em idade, desde cedo Félix já mostrava firmeza e coragem. Aos 11 anos, toma a decisão de ingressar no seminário paulino, onde, através de constante espírito de oração, dedicou total amor aos planos de Deus, sendo ordenado sacerdote em 14 de julho de 1946. Dotado de uma inteligência aguda, força de vontade e trabalho incessante, padre Félix Bonicco foi enviado ao Brasil e iniciou aqui seu apostolado em 11 de abril de 1954. Aplicou-se com todas as suas energias na formação de novos paulinos e na propagação da Palavra de Deus através dos meios de comunicação. Para ele, a oração e a celebração eucarística eram os valores maiores de sua missão. Viveu intensamente o mistério pascal na oração diária, no amor e dedicação ao apostolado paulino. Aos primeiros sinais da doença, mesmo com as mãos trêmulas, dedicava boa parte do seu tempo à correção de livros para a impressão. A exemplo do Bom Pastor, que ama suas ovelhas e por elas dá a vida, padre Bonicco também demonstrou grande interesse, amor e dedicação às vocações. Quando um jovem não perseverava na vocação, ele se tornava muito reflexivo e dizia que isso poderia acontecer por falta de oração e de testemunho de vida paulina. Um dia, quando questionado sobre o quantitativo de desistências na vida religio- sa, ele olhou bastante pensativo os números que havia em sua frente e respondeu: “Faltam vida de oração e espírito de sacrifício”. Padre Bonicco, sempre disponível a servir os filhos e filhas de Deus, encantava a todos, especialmente os jovens, pela singular atenção e zelo que reservava aos fiéis que o procuravam para direção espiritual ou confissão. No entanto, seu maior apostolado deu-se nos 20 anos em que lhe foi concedido viver a experiência da doença, unido a Jesus no Calvário, pois passou a conviver com o mal de Parkinson, que, gradativamente, debilitoulhe o organismo e reduziu-lhe a capacidade de movimento. Ainda assim, tornou a sua dor fecunda e dedicou todo o sofrimento, causado pela doença, em favor das vocações da Família Paulina. No dia 21 de setembro de 1985, celebrou sua última missa na Comunidade dos Paulinos da Cidade Paulina (SP), para continuar sendo, ele mesmo, Eucaristia vivente, através do sacrifício da própria vida. E, então, no alvorecer do dia 20 de novembro de 1985, padre Bonicco encerrou sua existência e sua missão terrena, e partiu definitivamente rumo à glória de Deus, deixando aos membros da Família Paulina enorme pesar pela morte de tão admirável e estimado irmão. Padre Bonicco nos deixou o testemunho de alguém que se deixou modelar por Deus. Ele nos falou com a própria vida, sem necessidade de muitas palavras! Valeu a pena partilhar da vida e dos sentimentos desse membro fiel da Família Paulina. 24 cooperador paulino janeiro/abril 2011 C24.indd 24 07.12.10 10:05:21 Escolhidas e chamadas para viver e oferecer a vida pelas vocações! Jovem, nossa missão é vocacional. Junte-se a nós, SEJA UMA IRMÃ APOSTOLINA! Av. Pedro Bueno, 298 – Parque Jabaquara 04342-000 São Paulo/SP ( (11) 2578-0272 : [email protected] AN4capa.indd 3 R. Bom Jesus, 25 – Centro 65800-000 Balsas/MA ( (99) 3541-7658 : [email protected] 07.12.10 10:06:22 cp Notícias Apostolinas Discípulas Paulinas Paulinos Pastorinhas Paulus lança novo site em 2011 Há mais de um ano, a PAULUS prepara uma surpresa para seus fiéis internautas. Parecia que o dia de apresentar essa surpresa não chegava. A ansiedade era muita entre os profissionais que trabalhavam para colocar no ar o novo site da PAULUS. Chegou 2011! Chegou o momento de tornar pública a novidade. “Nós queríamos um site que ao mesmo tempo atendesse às necessidades dos nossos clientes e que não deixasse de prestar serviços”, afirma o coordenador de Internet da PAULUS, Augusto Ferreira. Esse projeto tem realmente estes dois aspectos: foco no cliente e prestação de serviços. Em relação às compras, o cliente vai encontrar um Retiro Vocacional para Jovens FOTOS: APOSTOLINAS Apostolinas Discípulas Paulinas Paulinos Pastorinhas ambiente mais agradável, dinâmico e interativo. Tudo foi pensado com muito cuidado, para que o cliente não se perca dentro do site. As cores de cada seção e a hierarquização das informações foram pensadas nesse sentido. Já na prestação de serviços, é possível encontrar excelente conteúdo, como o santo salmo e as leituras bíblicas do dia. Há também as partituras dos CDs da PAULUS e muito mais. Para os professores, oferecese a revista Páginas Abertas, projeto pedagógico dos livros da PAULUS, e, para os profissionais da comunicação, estão disponíveis textos, imagens e áudios. “Nosso objetivo com esse novo site é facilitar a vida dos nossos clientes, como também oferecer conteúdo de qualidade”, destaca Augusto Ferreira. “A PAULUS é referência em seu segmento no campo virtual, por isso, caprichamos nesse projeto”, completa. Inspiradas no fundador, o bem-aventurado padre Tiago Alberione, que sempre quis os paulinos utilizando as tecnologias mais modernas para atender o povo de Deus, a PAULUS (países de língua portuguesa) e a SAN PABLO (para os países de língua espanhola) terão as mesmas características visuais a partir deste ano. Não deixe de fazer uma visita ao novo site e deixar suas impressões, como também as críticas e sugestões. Acesse: www.paulus.com.br. No dia 26 de setembro de 2010 em Santo André, ocorreu o retiro para jovens, com tema: “Aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede (Jo 4,14). Participaram deste momento de intensa oração cerca de 30 pessoas. A orientação do retiro ficou por conta das irmãs Luciana e Lucivânia. Foi sem dúvidas um momento de graça. 26 cooperador paulino janeiro/abril 2011 CP26.indd 26 07.12.10 10:44:02 Apostolinas Discípulas Paulinas Paulinos Pastorinhas Semana Vocacional em Santa Rosa do Sul-SC Por ocasião dos 25 anos de vida consagrada de irmã Izabel, cerca de 28 missionários de diversas congregações somaram força numa intensa e linda semana vocacional em Santa Rosa do Sul e cidades vizinhas. Esta missão tinha como principal objetivo levar aos jovens um apelo vocacional e desta forma não podia faltar as Apostolinas, representadas pela irmã Lucivânia. Apostolinas Discípulas Paulinas Paulinos Pastorinhas No último dia 16 de outubro, na paróquia São Miguel Arcanjo, em Almas – Tocantins, aconteceu a Profissão Religiosa definitiva de Ir. Uezineire Ribeiro da Silva, da província Jesus Bom Pastor, com sede em Caxias do Sul – RS. Tal evento foi precedido por uma semana missionária, com a presença de diversas Irmãs Pastorinhas e leigos missionários locais. Foram feitas visitas e bênçãos nas casas e celebração da Palavra em pequenos grupos. Além disso, foram organizados momentos próprios para as lideranças, bem como para as crianças e jovens nas escolas da cidade sobre o cuidado da vida e vocação. A semana foi coroada com a celebração eucarística presidida pelo bispo da diocese local de Porto Nacional, Dom Romualdo Matias Kujawski, durante a qual a Ir. Uezineire fez a sua profissão definitiva diante dos familiares e do povo de sua cidade natal, seguindo-se um momento de confraternização. DISCÍPULAS Profissão perpétua Pastorinha missionária! As Pastorinhas da Província Padre Alberione – SP acolheram e foram enriquecidas pela presença alegre e generosa de Ir. Mery Veloza Caballero. Ela é colombiana e topou o desafio de ir para as águas mais profundas da missionariedade pastoral. Veio para o Brasil para conhecer a realidade da sua nova província e, nesse tempo, além de visitar as várias comunidades das Pastorinhas, também conheceu um pouco das belezas da cidade de São Paulo. No dia 11 de agosto, partiu para a comunidade das Pastorinhas no Gabão, África Central. Durante todo o tempo em que esteve conosco no Brasil, Ir. Mary expressou profunda alegria por poder prestar esse serviço ao povo africano, através do ministério pastoral que lhe foi confiado por Jesus Bom Pastor. cooperador paulino janeiro/abril 2011 27 CP26.indd 27 07.12.10 10:44:31 cp Notícias Jubileu Apostolinas Discípulas Paulinas Paulinos Pastorinhas FOTOS: ARQUIVO DISCÍPULAS Dia 30 de outubro de 2010, na solenidade de Jesus Mestre Pastor, Caminho, Verdade e Vida, a Família Paulina, os familiares e amigos se reuniram no Jardim Divino Mestre – Cabreúva, para celebrar o jubileu de prata das irmãs Carmelice Zottis, Aparecida Batista (Cidinha) e Marilez Furlanetto, da Congregação das Pias Discípulas do Divino Mestre. A celebração foi presidida pelo Pe. Valdecir Conte, provincial dos Padres e Irmãos Paulinos no Brasil. DISCÍPULAS Pias Discípulas do Divino Mestre 2° Capítulo Provincial Nos dias 1º a 7 de setembro de 2010, as Discípulas da Província do Brasil realizaram o 2º Capítulo Provincial, com o tema: “Pão partido e partilhado para a vida do mundo”. O capítulo teve seu início com a celebração eucarística. Como sinal de comunhão maior da Congregação, esteve presente Ir. Agar Coreno, conselheira e ecônoma geral, natural do México. Ela trouxe a saudação da superiora geral, Ir. Regina Cesarato, e manifestou sua satisfação por estar presente nesse momento histórico. Os objetivos dessa reunião capitular foram: conhecer e analisar a caminhada da província; eleger as representantes e formular propostas a serem apresentadas ao 8º Capítulo Geral, que se realizará em Roma, nos primeiros meses de 2011. 28 cooperador paulino janeiro/abril 2011 CP26.indd 28 07.12.10 10:44:57 Nova provincial e Conselho das Irmãs Paulinas no Brasil Apostolinas Discípulas Paulinas Paulinos Pastorinhas No mês de novembro, Irmã Ninfa Becker foi nomeada superiora provincial das Irmãs Paulinas para o período de 2011 a 2013. Irmã Ninfa é natural de São Ludgero – SC. Entrou na Congregação em maio de 1955, fazendo sua primeira profissão em 1962. Estudou Psicologia na Universidade Gregoriana, em Roma, e, ao voltar ao Brasil, dedicou-se à formação das jovens. Na década de 90, foi provincial do Brasil, durante 3 anos. Em 1996, foi eleita provincial da Colômbia, onde permaneceu 5 anos. Em 2001, durante o Capítulo Geral, foi eleita conselheira geral, cargo que exerceu até o final de 2007. Em 2008, aprofundou seus estudos sobre a Espiritualidade, na Universidade Gregoriana. Retornou ao Brasil em janeiro de 2009, dedicando-se à formação na província. Foram nomeadas como Conselheiras as irmãs Ivonete Kurten, Clarice Josefa Wisniewski, Eloine T. Corazza e Eliane Ap. de Prá. Paulinas-Comep abre Agência de Shows Dentro das comemorações do Ano Jubilar da Paulinas-Comep foi lançada no dia 26 de novembro, festa do fundador, o Bem-aventurado Padre Tiago Alberione, a Agência de Shows da Paulinas-Comep. Com 50 anos de experiência em produções fonográficas e promovendo shows com seus artistas, Paulinas-Comep percebeu que já era hora de dar mais um passo. Um passo que exigirá muito empenho, fé e dedicação. “Temos consciência de que teremos muito trabalho pela frente e inúmeros desafios a serem enfrentados, mas caminharemos confiantes de que esta nova atividade vem de Deus. Cada vez mais percebemos que é necessário somar forças na promoção dos artistas, principalmente os novos talentos, bem como, diante da situação do mercado fonográfico, buscar outras formas de adquirir recursos financeiros para dar continuidade à missão” – afirma Irmã Eliane De Prá, diretora da gravadora. Paulinas-Comep confiou essa iniciativa à Irmã Tecla Merlo, pelo seu ideal apostólico, visão e coragem, Irmã Tecla valorizou a música no momento certo como meio inteligente e possível de comunicação aqui no Brasil. “Temos certeza de que a boa notícia está sendo acolhida por todas e todos que levam avante o projeto alberioniano com entusiasmo e gratidão. Gratidão a Deus criador e a quem continua a sonhar em transformar o mundo com a Palavra e melodias, dando vida a mais uma forma de evangelização tão querida pelo povo brasileiro”, partilha a equipe de missão da gravadora. Contatos: [email protected] Tel.: (11) 5088-7966 cooperador paulino janeiro/abril cooperador paulino janeiro/abril 2011 2011 29 29 CP26.indd 29 07.12.10 10:45:22 cp Atualidades Livros A cruz: a imagem do ser humano redimido Anselm Grün Preço: R$ 15,00 Onde achar: Paulus Livraria ou www.paulus.com.br Cada vez mais, a cruz coloca diante de nossos olhos a imagem do verdadeiro ser humano, que une em si todos os opostos. Ela é sinal do amor de Deus e, ao mesmo tempo, um constante protesto contra a repressão do sofrimento. Dia a dia nos passos de Jesus – Ano A O discípulo cristão no evangelho diário Jaldemir Vitório, sj Preço: R$ 19,80 Onde achar: Paulinas Livraria ou www.paulinas.org.br Os textos evangélicos da liturgia diária são uma excelente catequese para o discipulado cristão. A leitura e a meditação possibilitam o contato com Jesus, na riqueza de seus ensinamentos, no testemunho de fidelidade ao Pai, no serviço à humanidade sofredora e no enfrentamento das forças contrárias ao projeto de Deus. Essa obra pretende ser um instrumento para ajudar a quem lê e medita o evangelho diário a colher os melhores frutos. Traz as leituras do Ano A, um breve comentário e uma pequena oração ou pedido de graça do dia. Pode ser utilizado individual ou comunitariamente. CDs Minhas Orações – Para rezar e cantar Reginaldo Veloso Preço: R$ 14,00 Onde achar: Paulinas Livraria ou www.paulinas.org.br O CD apresenta as principais orações católicas e seus significados, canções que reforçam a mensagem das orações rezadas e, ainda, encarte e faixa interativa, com atividades que ensinam e divertem. 30 cooperador paulino janeiro/abril 2011 CP30.indd 30 07.12.10 10:51:12 DVD Irmão Sol, Irmã Lua Franco Zeffirelli Preço: R$ 35,00 Onde achar: Paulus Livraria ou www.paulus.com.br A superprodução Irmão Sol, Irmã Lua (Fratello Sole, Sorella Luna) é apresentada, pela primeira vez no Brasil, na versão completa falada em italiano. Este inesquecível filme mostra a vida e os feitos de São Francisco (1182-1226) e Santa Clara de Assis (1194-1253). A direção é do consagrado cineasta italiano Franco Zeffirelli (Romeu & Julieta), e o ótimo elenco traz grandes nomes do cinema mundial, como Alec Guinness (A ponte do Rio Kwai). Indicado ao Oscar de Melhor Direção de Arte, Irmão Sol, Irmã Lua é um filme essencial na casa de todas as famílias cristãs. DVD O relacionamento na família Renate Jost de Moraes Preço: R$ 23,90 Onde achar: Paulinas Livraria ou www.paulinas.org.br/loja O DVD traz informações e dados novos, que resultaram da pesquisa do inconsciente e da experiência clínica, e que são aplicáveis no dia a dia. Seu conteúdo pode auxiliar pessoas com interesse voltado às relações humanas e à orientação para a saúde e o bem-estar. Os temas encontram-se na seguinte sequência: 1) a abordagem direta do inconsciente (1ª e 2ª partes); 2) o inconsciente e a criança em gestação; 3) efeitos inconscientes da vida conjugal na infância; 4) efeitos inconscientes do aborto na adolescência; 5) o inconsciente na família e no relacionamento; 6) o inconsciente e o reajustamento conjugal; 7) dimensão humanística e a transcendência. Cinema A Corrente do Bem conta a história de um jovem que crê ser possível mudar o mundo a partir da ação voluntária de cada um. O professor de Estudos Sociais Eugene Simonet não espera que a turma da 7ª série desse ano seja diferente das anteriores. Por isso, ele sugere o mesmo trabalho de sempre no primeiro dia de aula, sem maiores expectativas quanto aos resultados: os alunos têm de pensar num jeito de mudar nosso mundo e colocar isso em prática. Mas o garoto Trevor Mckinney resolve levar o trabalho a sério. Aos 11 anos, ele mora num bairro de classe operária de Las Vegas com a mãe, Arlene, que trabalha à noite como garçonete numa danceteria. A paixão do professor Eugene inspira Trevor, que cria a corrente do bem. A ideia é baseada em três premissas: fazer por alguém algo que este não pode fazer por si mesmo; fazer isso para três pessoas; e cada pessoa ajudada fazer isso por outras três. Assim, a corrente cresceria em progressão geométrica: de três para nove, daí para 27 e assim sucessivamente. Esse filme é um excelente material para trabalhar com adolescentes e jovens, motivando-os a construir um mundo melhor. cooperador paulino janeiro/abril 2011 31 CP30.indd 31 07.12.10 10:51:52 cp Tiago Alberione Jesus Mestre Pastor, Caminho, Verdade e Vida Para padre Alberione, Jesus é o Mestre que ensina e dá o exemplo. É o Pastor que cuida com amor de suas ovelhas. Para que a Família Paulina tenha sempre força para realizar sua missão, ela deve estar em constante escuta e comunhão com Jesus, o Divino Mestre, na Palavra e na Eucaristia. Ouro e prata não tenho, mas o que tenho lhes dou: Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida. Ele é o Caminho que devemos seguir. A Verdade em que devemos acreditar. E a Vida plena nós só encontramos nele. Convido você a rezar com padre Alberione: Jesus, Mestre vivo na Igreja, atraí todos à vossa escola. Jesus Verdade, que eu seja luz para o mundo. Jesus, Caminho da santidade, tornai-me vosso fiel seguidor. Jesus Vida, fazei-me viver eternamente na alegria do vosso amor. TEXTO: IRMÃ ROSA RAMALHO. DESENHO: RICARDO CORRÊA/PAULINAS O bem-aventurado Tiago Alberione deixou uma grande herança para a sua Família Paulina. E não pense que foi uma herança em bens não, foi uma herança espiritual. E essa herança tem muito mais valor. 32 cooperador paulino janeiro/abril 2010 CP32.indd 32 07.12.10 10:53:30 cp Cartas bro 2009 bro-dezem Ano LXXI – setem – n 92 – maio-agosto Ano LXXI – n 94 Ano LXXI Roatta Padre lo de exemp e santidad a Paulin lino Dia Pau do um mo a de viver lidade ua espirit a Paulin Missão meça tudo co lém em Be K`X^f e\ 8cY\i`f fala do espírito o Paulin – n 93 – janeiro- abril 2010 Método Pau de evange lino lização A mul no pensam her ento de Paulo e Alberione Jejum e pen ainda vale itência m hoje? 8\og\i`eZ `X I\jjlii\` [X f 2010 a Pastoral no mundo onal, 3o Congresso Vocaci venham para a vinha fé e Maria, mulher de serviço Recebo esta revista há mais de 4 anos. Confesso que evoluiu muito, mas eu sinto falta de conteúdo que trate mais da Igreja, não só no âmbito da Família Paulina. Mas isso é sugestão, porque eu gosto muito de O Cooperador Paulino. Margarida Magot Santa Maria – RS mbro 2010 Paulinos e Paulinas: comunicação é missão EXkXc\8efefmf1 Xm`[Xj\i\efmX Novos tipos de relações no mundo digital a vidas Sempre que leio esta revista, fico pensando no trabalho que está por trás dela, pois sei que deve ter muita gente envolvida na preparação deste material de tão boa qualidade. O conteúdo é muito bom. É uma bênção para mim receber esta revista. Geraldo Luiz Casagrande Arcoverde – PE 95 – setembro-deze digital Eleições, que Brasil queremos? luz Paulo apóstolo, a de Damasco transform Agradeço à equipe de O Cooperador Paulino pelo envio desta excelente revista. Sempre que leio, passo para meus vizinhos lerem também. Isso significa que um exemplar é lido por no mínimo 5 pessoas. Obrigado e parabéns. Claudia Maria de Souza Feira de Santana – BA Ano LXXII – n ;`XDle[`Xc[Xj :fdle`ZX\j# Os dez mandamentos do cooperador paulino Os jovens querem participar da Igreja O Cooperador Paulino Caixa Postal 2.534 01060-970 – São Paulo – SP www.paulinos.org.br [email protected] Respostas da página 34 Animais na Arca: Decifrar palavras: Verdade, Caminho, Vida Encontre no fundo do mar: Como é bom receber esta revista. A cada exemplar que chega, sinto necessidade de ler do início ao fim. Gosto de todo o conteúdo, mas quero destacar a seção “Palavra e Comunicação”, que apresenta excelentes reflexões. Obrigado a toda a equipe que prepara esta revista. Marcelo Ferreira de Jesus João Pessoa – PB Agradeço pelas boas palavras que encontro na revista. Ela me serve muitas vezes de companhia. Leio todas as matérias. São muito boas. Parabéns. Jair Batista do Amaral Arapiraca – AL cooperador paulino janeiro/abril 2011 33 CP33.indd 33 07.12.10 13:10:53 cp Passatempo Sorria Pinte com as cores indicadas e descubra algo que é motivo de orgulho para nós! Escola de gagos O gago aborda um transeunte na rua: – O se-senhor sa-sa-sabe on-on-de fi-fi-ca a esco-cola de ga-ga-gagos? – Mas para quê? O senhor gagueja tão bem! Semana Santa O sujeito, no maior porre na porta de um boteco, vê a procissão passando... Alguns religiosos estavam carregando uma santa num andor todo verde e rosa, quando ele grita: – Olha a mangueira aí, gente! Indignado, o padre vira-se para o bêbado e esbraveja: – Isso é falta de respeito, seu excomungado! Vai embora! Nem bem acabou de falar, a Santa bate num galho de uma mangueira, cai e se espatifa no chão. E o bêbado: – Bem que eu avisei! Encontre no fundo do mar os seguintes peixes Tente decifrar essas palavras. Mostram como Jesus se apresentou aos discípulos Animais na Arca Vamos descobrir que animais Pedrinho colocou em sua Arca? Um deles não é animal! Descubra qual não faz parte do grupo. Resposta: elefante, girafa, macaco, rinoceronte, cavalo, tucano, jacaré, tamanduá, leão. 34 cooperador paulino janeiro/abril 2010 CP34.indd 34 07.12.10 13:12:15 AN3capa.indd 3 07.12.10 13:17:18 Jovem, existe algo além do prazer, além das explicações, além dos seus sonhos… Algo maior que você. r o m Um A maior que eu Nós, Irmãs Paulinas conquistadas pelo amor de Jesus Cristo, doamos nossa vida para comunicar o Evangelho. Deixe-se envolver por este Amor! Irmãs Paulinas – Centro Vocacional Comunique-se conosco Rua Cândido Nascimento, 91 Jardim Paulista – CEP 04503-090 – São Paulo – SP Tel. (11) 3043-8100 – www.paulinas.org.br/vocacional www.blogpaulinas.blogspot.com AN2capa.indd 3 07.12.10 13:14:57