Governador Carlos Eduardo de Souza Braga Secretário de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico Ozias Monteiro Rodrigues Prefeito Serafim Fernandes Corrêa Secretária Municipal de Planejamento e Administração Rita Suely Bacuri de Queiroz Representante Residente do PNUD e Coordenadora do Sistema das Nações Unidas no Brasil Kim Bolduc Representante Residente Adjunto Lucien Muñoz Responsável pelo Escritório Regional de Manaus Oswaldo Cordeiro Paschoal Castilho Presidente Amilcar Vianna Martins Filho Diretora do Centro De Estudos Econômicos e Sociais Maria Luiza de Aguiar Marques SUMÁRIO Esta publicação apresenta um conjunto de 121 indicadores, além do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) e seus subíndices para a cidade de Manaus, segundo unidades espaciais, chamadas de Unidades de Desenvolvimento Humano Municipal (UDHs), que são aproximação de bairros, para os anos de 1991 e 2000. Esse conjunto de informações permite traçar um detalhado retrato do estágio de desenvolvimento atingido pela população da cidade, segundo essas unidades espaciais, para os dois anos considerados. Além disso, por meio da comparação da situação observada nos dois anos, é possível traçar um retrato da evolução, em termos de desenvolvimento humano, ocorrida durante a década de noventa. Os 121 indicadores estão agregados em áreas temáticas: Educação - Os indicadores deste bloco são tratados separadamente segundo a faixa etária da população e abordam: o nível de escolaridade (sem instrução, menos de quatro anos de estudo, menos de oito anos de estudo e mais de 11 anos de estudo); o acesso ao sistema educacional (percentual da população freqüentando escola seundo nível de ensino) e o grau de atraso escolar (daqueles que freqüentam o ensino fundamental, o percentual com mais de um ano de atraso escolar). Renda - Com foco na renda familiar per capta, os indicadores desse bloco abordam o nível de renda (valor da renda); a composição da renda (percentual advindo do rendimento do trabalho, das transferências do governo e do capital) e também o grau de desigualdade da distribuição de renda (índice de gini, renda média da população distribuída por quintis, razão 10/40 e 20/40) e a pobreza (percentual de pessoas que vivem abaixo de uma linha de pobreza estabelecida). Demografia - Os indicadores demográficos podem ser tomados como uma “proxy” do estado de saúde da população, tais como expectativa de vida ao nascer, aos 40 e aos 60 anos e mortalidade até um ano e até cinco anos de vida. Outros indicadores que compõem esse bloco tratam da fecundidade e da maternidade precoce. Habitação - Os indicadores desse bloco abordam: o acesso da população a serviços básicos urbanos, tais como água encanada e coleta de lixo, e o acesso a bens tais como geladeira, televisão, carro e computador. Vulnerabilidade - Os indicadores desse bloco, a partir de um novo olhar sobre os indicadores já apresentados nos demais blocos, ressaltam situações de risco social tais como analfabetismo, crianças e adolescentes fora da escola, maternidade precoce e crianças em famílias que vivem abaixo da linha de pobreza. Pertencem ainda a esse bloco indicadores sobre a disponibilidade de médicos, de professores e de enfermeiros. População - São os indicadores de população total e por faixas etárias específicas. Finalmente, são também apresentados o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) e seus subíndices: educação, renda e longevidade. A base de dados é disponibilizada em software especialmente construído para essa finalidade e que possui vários recursos de análise, tais como ordenação, construção de gráficos, mapas e perfis. APRESENTAÇÃO SEPLAN/AM O Governo do Estado do Amazonas, através da Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplan), vem trabalhando de forma intensa na concretização e implementação do Projeto de Modernização do Planejamento e da Capacidade de Gestão do Estado, e de forma específica, na estruturação, composição e uniformização para disponibilizar indicadores e informações que passem a orientar a formulação e proposições de políticas públicas a serem aplicadas de forma direta na construção de bases voltadas à melhoria da qualidade de vida do cidadão amazonense. Para tanto, a elaboração e disponibilização do Atlas de Desenvolvimento Humano em Manaus para toda a sociedade, indistintamente, é a concretização de mais uma ação do Governo do Amazonas compreendida no âmago desse projeto. Assim sendo, o principal objetivo é disponibilizar, aos mais diversos usuários, um valioso instrumento de referência para análise, consulta e direcionamento. Isso permitirá conhecer os indicadores da realidade socioeconômica de Manaus em seus diversos aspectos e também avaliar de forma sistemática o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH–M) de cada Unidade de Desenvolvimento Humano (UDH), conhecendo os resultados das variáveis de forma — tanto espacial como temporal — e fazendo análises comparativas com as ações e metas programadas frente aos resultados necessários a serem alcançados na aplicação das políticas públicas, sejam elas municipais, estaduais ou federais. Esse é o objetivo precípuo desse grande instrumento ora entregue. Deve ser adicionado, ainda, que é também a realização de um grande sonho. O restabelecimento do planejamento estratégico como norteador do desenvolvimento socioeconômico dos seus cidadãos possui como pré-requisito o conhecimento e manuseio de informações e indicadores para o consubstanciamento das ações a serem priorizadas e realizadas pelo poder público e pela sociedade, nos horizontes de médio e longo prazo. Faz bastante tempo que o Poder Executivo do Estado do Amazonas sofre da carência de dados estatísticos e de informações processadas para orientar suas decisões administrativas, principalmente aquelas com exigências de programação a médio e longo prazos. Por esse motivo, quando da publicação do Atlas de Desenvolvimento Humano dos Municípios Brasileiros e da avaliação dos resultados do IDH-M e outros indicadores de desenvolvimento humano no Estado e na cidade de Manaus, salientouse a premente necessidade de melhor conhecer os aspectos decisivos das condições que envolvem o cotidiano da vida pública manauense e amazonense, tendo em vista que a divulgação levava em consideração o conjunto médio total de dados dos municípios. Firmado, portanto, no conceito de atividades instruídas e respaldadas pela realidade e informes objetivos que atestam a veracidade das informações e da análise para o competente uso em projeções no alcance de alvos desejados, o Governo do Amazonas, por intermédio da Seplan e, com o devido apoio da Prefeitura Municipal de Manaus, aceitou o desafio de elaborar o projeto e disponibilizar o referido conjunto de indicadores por Unidade de Desenvolvimento Humano (UDH), resultante das análises espaciais dos Setores Censitários, Bairros e Zonas do Município de Manaus. Essa ferramenta foi construída através de convênio firmado com o Pnud, sob a coordenação direta da Fundação João Pinheiro, e recebeu parte do suporte de recursos financeiro e institucional do município, por meio da cessão de recursos humanos para a composição da equipe. Ao construir-se esse valioso instrumento e ao divulgarem-se os respectivos resultados, veio espontaneamente o sentido da alusão a um referencial que possui boa memória e indelével conceito na comunidade acadêmica, no trato de problemas afins: a Codeama que, nos idos de 1971 a 1974, por seus meios, estilo e instrumental diferente, também buscou melhor compreender a sociedade residente de Manaus e do Estado. Manteve pesquisa sobre Orçamentos Familiares, que possibilitou efetuar Indicadores de Preços ao Consumidor, e realizou pesquisas socioeconômicas, abrangendo todos os bairros de Manaus. Por esse processo, obteve diversos coeficientes que espelhavam, com fidelidade, a conjuntura e a posição dos relacionamentos da sociedade manauara. As pesquisas realizadas marcaram a inteligência amazonense, ganhando credibilidade e elogios de técnicos competentes do Sul e Sudeste do País. Reacende-se, neste momento, o propósito das decisões racionalizadas. Este atlas exercita tal afirmativa, sem o preconceito ou a vaidade do tecnicismo por ostentação. Todavia e principalmente, sem o achismo danoso da diversificada impressão pessoal, traz informações consistentes sobre as condições específicas de cada localidade urbana e rural, (UDHs) nunca antes apreciadas ou estudadas à luz do discernimento formal. Uma verdadeira contribuição para todos aqueles interessados em interpretar o contexto de convivência de uma sociedade cada vez mais complexa. Seu todo somente fará sentido se apreciado separadamente em suas diferentes partes constituintes. Se se quiser chegar a um ponto social perseguido, este é o referencial. E, como para todo grande marco há um conjunto de fatores, faz-se mister deixar registrado aqui os agradecimentos a todos que, de alguma forma, acreditaram e contribuíram para a realização dessa grande meta. Espera-se que o documento em lide proporcione àqueles que fizerem uso uma visão realista dos esforços envidados em luta diária para que todos, sem distinção, se agreguem a esta missão, a de construir as bases de um Amazonas para o futuro, integrado a uma política de gestão municipal mais justa, implementada para a melhoria de qualidade de vida dos seus cidadãos. Essa é a oferta conjunta do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal de Manaus. Ozias Monteiro Rodrigues Secretário de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico APRESENTAÇÃO PREFEITURA DE MANAUS O Atlas de Desenvolvimento Humano em Manaus é uma inédita e inovadora ferramenta de planejamento, que vem possibilitar a efetiva participação da sociedade na solução dos problemas da cidade e na aplicação dos recursos públicos, de maneira a garantir que nada seja mais importante do que o cidadão. Isto porque nesta Prefeitura você é e sempre será o centro das atenções. Tanto que, desde o início de 2005, todos os esforços da nossa gestão seguiram os princípios do desenvolvimento sustentável e priorizaram a inclusão social, consolidando o soberano compromisso com a humanização municipal. Resultado de uma solidária parceria com o Governo do Estado que, através da SEPLAN, nos estendeu as mãos e desafiou a conhecer o Município de maneira até então nunca ousada, o Atlas de Desenvolvimento Humano em Manaus vem para nos dar o domínio informacional que precisamos para delimitar e priorizar territorialmente os investimentos e as ações da Prefeitura em prol de melhor qualidade de vida para a população. Por outro lado, à medida que consolidamos esse valioso conjunto de informações sócio-econômicas georeferenciadas sobre todas as áreas da cidade e as disponibilizamos em forma de banco de dados eletrônico, estabelecemos também um pacto de co-responsabilidade com toda a sociedade, pois institucionalizamos um poderoso instrumento de informação e conscientização das mais diferenciadas camadas sociais. Ao apresentar este moderno e sonhado instrumento de modernização da Gestão Municipal, nosso sentimento é de grande confiança no futuro e reconhecimento à valiosa contribuição dos membros da equipe que o tornou aplicável à nossa realidade concreta. O nosso muito obrigado a todos que nos possibilitam agora governar Manaus com muito mais conhecimento e proximidade da nossa gente! Serafim Fernandes Corrêa Prefeito APRESENTAÇÃO PNUD O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) orgulha-se de figurar entre os parceiros responsáveis pela iniciativa que resultou nesta publicação. O Atlas de Desenvolvimento Humano de Manaus reúne em um esforço comum o Governo do Estado do Amazonas e a Prefeitura de Manaus, expandindo a já tradicional parceria mantida pelo PNUD com a Fundação João Pinheiro e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em prol do Desenvolvimento Humano Sustentável. O objetivo maior deste produto é gerar e democratizar informações que auxiliem a sociedade de Manaus a consolidar sua identidade, permitindo o aprofundamento de seu auto-conhecimento sobre seu passado recente, seu presente e seu potencial futuro. O Atlas de Desenvolvimento Humano de Manaus insere-se em um projeto mais amplo acordado entre a Fundação João Pinheiro e o PNUD, que propõe o levantamento de indicadores e índices de desenvolvimento humano para grandes capitais e/ou regiões metropolitanas do Brasil, permitindo, ao seu final, a realização de um estudo comparativo entre elas. Além de subsidiar estudos analíticos, a intenção é que o Atlas sirva de apoio e instrumento para a atuação do setor público, viabilizando a focalização de programas voltados para a redução da desigualdade social. O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, fruto de parceria entre o PNUD, a FJP e o IPEA, teve grande repercussão, ao retratar as diversidades e as desigualdades intermunicipais presentes no país, em suas regiões e seus estados. Esse retrato, no entanto, permanece pouco nítido, na medida em que os indicadores para as grandes aglomerações urbanas brasileiras, que concentram grande parcela da população nacional, regional e estadual, deixam de revelar especificidades internas decorrentes do elevado grau de heterogeneidade nelas existente. Dessa forma, as grandes agregações que seus indicadores representam excluem de políticas sociais focalizadas muitos de seus bairros e favelas, que podem estar até mesmo em pior situação que os municípios com os piores resultados, com o agravante de que as desigualdades e a segregação são aí muito mais visíveis. Neste trabalho para a cidade de Manaus, à semelhança de outros já realizados ou em andamento para outras capitais do país, busca-se desagregar seu espaço em subáreas que se aproximem de bairros e que possuam o maior grau de homogeneidade possível, respeitando-se o limite mínimo de população que assegure representatividade e confiabilidade aos dados. Aqui, ao contrário do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, em que as desagregações por municípios e estados correspondem a divisões administrativas já estabelecidas, a divisão espacial é uma etapa importante e torna imprescindível a participação de representantes e especialistas locais. Espera-se que este trabalho venha não só permitir uma melhor compreensão da situação de Manaus em termos de desenvolvimento humano, como também contribuir efetivamente para sua melhora, constituindo-se em referência e ferramenta para intervenções do poder público. Kim Bolduc Representante Residente do PNUD e Coordenadora do Sistema das Nações Unidas no Brasil O Índice de Desenvolvimento Humano A abordagem do desenvolvimento humano coloca o desenvolvimento como um processo cujo principal resultado deve ser o de ampliar as possibilidades de escolha dos indivíduos e as suas capacidades, ou seja, tudo aquilo que se pode fazer e ser na vida. Em termos práticos, defende que são igualmente importantes outros resultados, outras necessidades, outras dimensões da existência além da renda imediata, como o acesso ao conhecimento (a capacidade de receber e de processar informações), o acesso aos serviços de saúde, à nutrição adequada, à liberdade de expressão e de participação política, à segurança contra violência física, o acesso ao lazer, à cultura etc. Enfim, são inúmeras as escolhas das pessoas e elas podem se alterar ao longo do tempo e entre pessoas e nações. Como orientação prática e política, trata-se de tornar o ser humano o foco principal a orientar o processo de tomada de decisões, o ser humano como fim e não como meio ou “fator de produção”. A contrapartida dessa proposição foi buscar uma nova referência para medir o estágio de desenvolvimento dos países, até então muito centrada no PIB per capita. Essa medida é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O IDH sintetiza o nível de sucesso atingido pela sociedade no atendimento a três necessidades básicas e universais do ser humano: acesso ao conhecimento (dimensão educação), direito a uma vida longa e saudável (dimensão longevidade) e direito a um padrão de vida digno (dimensão renda). Para a dimensão educação, os indicadores selecionados são a taxa de alfabetização da população acima de 15 anos e a proporção de pessoas com acesso aos níveis de ensino primário, médio e superior (medida pela freqüência bruta nesses três níveis de ensino). Para a dimensão longevidade, o indicador é a expectativa de vida ao nascer. Para a dimensão renda, a renda familiar per capita (RFPC) é o indicador escolhido como síntese da capacidade da população de adquirir os bens e serviços que estimulem e garantam seu desenvolvimento como ser humano. Dito de outra forma, em certa medida, a RFPC deve representar a possibilidade de acesso às demais dimensões não abordadas pelo IDH. Tanto o IDH quanto seus três subíndices (educação, renda e longevidade) variam entre 0 e 1, assim classificados: de 0 a 0,5, baixo desenvolvimento humano; de 0,5 a 0,8, médio desenvolvimento humano; de 0,8 a 1, alto desenvolvimento humano. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) é uma adaptação do IDH para o nível municipal, seguindo os mesmos princípios e formulações. Divisão Espacial da Cidade em Unidades de Desenvolvimento Humano – UDHs A proposta da divisão do espaço intramunicipal busca delimitar áreas nas quais seus habitantes apresentem o máximo de homogeneidade possível em termos sociais, econômicos e ambientais uma vez que um dos principais objetivos desse trabalho é mostrar as contradições que esse espaço apresenta. Ao mesmo tempo, para compreensão e utilização dos resultados do trabalho, é necessário que tais áreas sejam amplamente reconhecidas e façam parte do referencial cotidiano da administração pública e das pessoas que vivem e trabalham na cidade. Finalmente, devem ainda ser respeitados alguns critérios técnicos para que se garanta a confiabilidade estatística dos dados. Mais precisamente, é necessário garantir um tamanho mínimo para a área definida em termos de população de pelo menos 16 mil habitantes*. Desta forma, combinando os critérios de homogeneidade interna, referencial no cotidiano da cidade e tamanho mínimo, o processo de divisão gera unidades espaciais que são aproximações de bairros, divisões ou agregações destes. Tais áreas são chamadas de Unidades de Desenvolvimento Humano – UDH. No caso de Manaus, foram criadas 81 UDHs que são agregadas nas 6 zonas administrativas tradicionalmente conhecidas na cidade. Podem também ser agregadas formando os igarapés, encostas e áreas especiais, conformações típicas da cidade de Manaus que não obedecem ao critério de homogeneidade sócio-econômica buscada nas UDHs individualmente. * De fato, colocando em termos mais precisos, seria um mínimo de 400 domicílios pesquisados pelo questionário-amostra do Censo Demográfico. ANÁLISE PRELIMINAR DOS RESULTADOS DO ATLAS Em 2000, a UDH de Manaus com Índice de Desenvolvimento Humano mais alto tem o mesmo valor da Noruega, país com o mais alto índice no Relatório da ONU. Por outro lado, as UDHs do município com os índices mais baixos aproximam-se do valor encontrado para Bolívia. Tal disparidade é exatamente a mesma verificada entre os municípios do Amazonas. As mesmas disparidades e desigualdades verificadas entre os municípios brasileiros ou do Amazonas são reproduzidas em maior ou menor intensidade no nível espacial inframunicipal de Manaus. Em 2000, o IDHM de Manaus era de 0.774, apresentando UDHs com valores entre 0,658, na UDH SÃO JOSÉ – Grande Vitória, e 0,943, na UDH NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Vieiralves / ADRIANÓPOLIS. Essa variação no valor do IDHM – 0,285 – é praticamente igual a observada entre os municípios do Amazonas com mais baixo e mais alto IDHM, respectivamente, Ipixuna, com 0,487, e Manaus, com 0,774. A grande diferença entre um caso e outro está no nível do indicador. As UDHs de Manaus estão em um patamar mais alto: enquanto os municípios vão das categorias1 Baixo ao Médio-Alto, as UDHs vão do Médio-Médio ao Alto Desenvolvimento Humano. A distância entre as UDHs com o maior e o menor valor de IDHM é a mesma distância em Desenvolvimento Humano que separa países como a Noruega e a Bolívia. A UDH com mais alto IDHM tem praticamente o mesmo IDH da Noruega (0,942), o país com o índice mais alto em 2000. Outras três UDHs tem IDHM entre o da Noruega e o de São Caetano do Sul (0,919), município com o índice mais alto do país. Comparando-se apenas com os municípios do Amazonas observa-se que, em 43% das UDHs, os IDHMs são mais altos que o de Manaus, município com mais alto IDHM, e, em 66% dos municípios do estado, os 1 O IDH varia entre 0 e 1, com a seguinte classificação: Baixo Desenvolvimento Humano (0 a 0,49); Médio Desenvolvimento Humano (0,5 a 0,79) e Alto Desenvolvimento Humano (0,8 a 1). Para efeito de análise, dividiu-se o Médio Desenvolvimento Humano em: Médio-Alto (IDH entre 0,7 e 0,79), regiões com tendência acentuada para o alto desenvolvimento; Médio-Médio (IDH entre 0,6 e 0,69), e Médio-Baixo (IDH entre 0,5 e 0,59), regiões com resquícios de baixo desenvolvimento. IDHMs são mais baixos que o de SÃO JOSÉ – Grande Vitória, UDH com o índice mais baixo. Em Manaus , assim como no Amazonas e no Brasil, a dimensão com o subíndice mais alto é educação. Esse é o indicador que mais contribui para o valor do IDHM em 2000. Em termos das UDHs, o subíndice educação é também o mais alto em todas elas sem exceção. No Brasil, no estado do Amazonas e em Manaus, a ordem de importância dos subíndices para a composição do IDHM é: educação, longevidade e renda. Em todas as UDHs, em 2000, educação é também o subíndice mais alto. A continuação dessa seqüência – longevidade, renda – só não é verdadeira para 21 UDHs onde o subíndice renda supera o de longevidade. Praticamente todas essas UDHs estão classificadas entre as UDHs com os IDHM mais altos. Destaca-se, portanto, para maioria das UDHs, a contribuição dos indicadores sociais para composição do IDHM em relação à renda. Entre 1991 e 2000, Manaus apresentou uma evolução em termos de Desenvolvimento Humano não muito significativa. Seu IDHM passou de 0,745 para 0,774, determinando que o município recuasse, durante esse período, da 362ª posição para a 1194ª dentre todos os municípios brasileiros. Em 2000, as UDHs de Manaus distribuíam-se, quanto às categorias do IDHM, em: a) Alto Desenvolvimento Humano, com 24 UDHs, correspondendo a 23% da população; b) MédioAlto Desenvolvimento Humano, com 44 UDHs, cerca de 60% da população; e c)MédioMédio Desenvolvimento Humano, com 13 UDHs, 17% da população. Indicadores que compõem o IDHM e outros de suporte: Além do IDHM e subíndices, o Atlas disponibiliza os indicadores que os compõem, além de vários outros que dão grande suporte à interpretação da realidade do município. Alguns exemplos desses indicadores: Em educação, a taxa de analfabetismo, a taxa de analfabetismo funcional (menos de quatro anos de estudo) e a taxa de analfabetismo fundamental (menos de oito anos de estudo). Em longevidade, a taxa de mortalidade Infantil. Em renda, a renda familiar per capita, a proporção de pobres e vários indicadores de desigualdade na distribuição de renda. Educação Um dos indicadores levados em conta no IDHM-educação é a taxa de analfabetismo das pessoas acima de 15 anos, entendendo-se por analfabeto a pessoa que se declara incapaz de ler e escrever um bilhete simples, conforme a definição para a pesquisa do censo. Se fossem observados indicadores de definição mais precisa e mais exigentes, os números mudariam substancialmente. Observando inicialmente o percentual das pessoas de 15 anos e mais com menos de quatro anos completos, chamados analfabetos funcionais, nota-se que, enquanto o total de analfabetos do município de Manaus é de 6%, a taxa de analfabetismo funcional é quase três vezes maior, 17%. Isso representa um contingente de 161 mil pessoas. Para se ter uma idéia da gravidade desses números, observa-se que a população total de Parintins, segundo maior município do estado, com 90 mil habitantes, é quase duas vezes menor que o montante de analfabetos funcionais de Manaus. Manaus - Anos de Estudo, 2000 100,00 90,00 80,00 70,00 % 60,00 50,00 40,00 30,00 302.967 20,00 126.654 160.833 10,00 46.767 57.094 0,00 % de 15 anos ou mais analfabetas % de 15 anos ou mais com menos de quatro anos de estudo % de 25 anos ou mais analfabetas % de 25 anos ou mais com % de 25 anos ou mais com menos de quatro anos de menos de oito anos de estudo estudo Para as UDHs, a taxa de analfabetismo da população acima de 15 anos varia entre 1,3%% (UDHs PLANALTO e DA PAZ – Santos Dumont / REDENÇÃO - Hiléia ) e 16,6% (UDH COLÔNIA ANTÔNIO ALEIXO / PURAQUEQUARA). O analfabetismo funcional nessa faixa etária varia entre 6,6% também na UDH - PLANALTO e 40% na UDH formada por TARUMÃ e ZONA RURAL. Vale destacar que, além dessa UDH com melhor resultado, mais outras quatro, mesmo tendo taxas de analfabetismo funcional muito parecidas com o município brasileiro com melhor taxa (Bom Princípio/RS, com 6%), ainda são mais altas. Em 63% das UDHs, as taxas são melhores ou iguais à taxa de Manaus (17%) que, por sua vez, é o município do Amazonas com a taxa mais baixa. Contudo, em 14 UDHs, a taxa de analfabetismo funcional está acima de ¼ da população de 15 anos e mais. Se o IDHM fosse calculado com as taxas de alfabetização funcional, o IDHM de Manaus, como o de todas as suas UDHs, cairia de modo expressivo, principalmente naquelas em que o IDHM já era mais baixo. O número de UDHs na categoria Médio-Médio Desenvolvimento Humano aumentaria (de 14 para 23 UDHs), diminuindo a participação das categorias Médio-Alto (de 44 para 41 UDHs) e Alto Desenvolvimento Humano (de 24 para 17 UDHs). Quanto à taxa de analfabetismo fundamental da população adulta (pessoas de 25 anos e mais que tem menos de oito anos de estudo), Manaus, o município com a melhor taxa entre todos do Amazonas, chega quase à metade de sua população adulta (49%). Em 53% das UDHs, é ainda mais alta. Portanto, na maioria das UDHs, a taxa de analfabetismo fundamental corresponde a mais de 50% das respectivas populações adultas. Constituem um contingente de 303 mil pessoas, ou seja, mais de três vezes maior que a população total do município de Parintins. Os melhores resultados, observados na UDH NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Vieiralves / ADRIANÓPOLIS e FLORES - Parque das Laranjeiras (19%) superam até mesmo o município brasileiro com melhor resultado, Niterói/RJ (31%). Realizando-se o mesmo exercício anterior para o cálculo do IDHM com a taxa de analfabetismo fundamental, obtém-se para todas UDHs uma sensível queda nos valores do IDHM. Acrescentaria as categorias anteriores, a de Médio-Baixo Desenvolvimento Humano com 21 UDHs, chegando a UDH SÃO JOSÉ – Grande Vitória quase ao limite do Baixo Desenvolvimento Humano com 0,521. Os IDHMs mais altos ficariam em torno de 0,901 deixando portanto de ser maior que o da Noruega. Manaus/UDH - Nível educacional da população de 18 a 24 anos, 2000 % 100 Analfabetismo 90 menos de 4 anos de estudo 80 menos de 8 anos de estudo 70 60 50 40 30 20 10 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 % acumulado UDH's Manaus/UDH - Nível educacional da população de 25 anos e mais, 2000 100 % 90 Analfabetismo 80 menos de 4 anos de estudo 70 menos de 8 anos de estudo 60 50 40 30 20 10 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 % acumulado UDH's 100 A situação educacional em termos de perspectivas Considerando os crescentes requerimentos mínimos para o completo acesso das pessoas às disponibilidades e exigências do mundo moderno e para o pleno desenvolvimento de suas potencialidades, um cidadão com menos de oito anos de estudo (ensino fundamental incompleto) pode ser considerado praticamente um analfabeto. Sob esse ângulo, a situação da região requer muito esforço, principalmente quando se projeta esta taxa para outras gerações, como a de jovens adultos (18 a 24 anos), que, com certeza, teve melhores oportunidades de acesso ao ensino do que as anteriores que hoje formam o contingente adulto. Mesmo apresentando melhores indicadores educacionais que a população acima de 25 anos, são expressivos os contingentes deste grupo etário que deverão entrar na fase adulta despreparados do ponto de vista educacional. Pior do que isso, deverão perpetuar as diferenças já verificadas entre as UDHs para a população adulta. Assim, as melhores e piores taxas continuam se dando nas mesmas UDHs, com o agravante de que as UDHs com os piores resultados praticamente mantêm os patamares para as duas gerações. Por exemplo, em quatro UDHs, ZONA RURAL; TARUMÃ; JORGE TEIXEIRA - Val Paraíso Chico Mendes e SÃO JOSÉ - Grande Vitória, a taxa de analfabetos fundamentais para os jovens (18 a 24 anos), em um nível entre 72% e 79%, chega a ser maior que os níveis para população adulta. Mesmo para o município como um todo, o esforço intergeracional representa apenas uma diferença de 49% para 43%. Mortalidade Infantil Com relação à mortalidade infantil, apenas oito UDHs já conseguiram atingir o patamar proposto pela ONU para o Brasil nas “Metas do Milênio”, segundo o qual esse indicador deveria atingir, até 2015, no máximo, 17 mortes para cada 1000 crianças nascidas vivas. A meta corresponde a 2/3 do valor observado para o país em 1990. Vale distinguir a situação entre UDHs: De todas as UDHs que ainda não haviam atingido a meta do milênio em 2000, 19 estariam entre o patamar da meta e a média do município (29 p/mil) - valor que ainda está bem acima da meta. Mais da metade das UDHs ainda necessitariam de esforços muito grandes, sendo que, para os piores resultados (39 p/mil) representa reduzi-la em mais de duas vezes. Mesmo aquelas com melhores resultados ainda têm o que melhorar. Haja vista que, a despeito de ser muito bom o indicador mais baixo (NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS Vieiralves / ADRIANÓPOLIS / FLORES - Parque das Laranjeiras, 10 p/mil), esse ainda é quase duas vezes maior que os melhores resultados encontrados para o país (em São Caetano do Sul/SP, essa taxa chega a 5,4 mortes/mil). Manaus/UDH - Taxa de Mortalidade Infantil, 1991 e 2000 % 100 1991 90 2000 80 70 60 AM 2000 50 40 30 Meta do Milênio 20 10 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 % acumulado UDH's Renda Em 2000, a renda familiar per capita de Manaus era de R$ 262,40 o que o classificava na 864a posição entre todos municípios brasileiros. Esse valor estava bem acima do verificado para o estado do Amazonas (R$ 173,92) e do município do estado com a segunda maior renda, Presidente Figueiredo (R$ 188,23) ainda abaixo, entretanto, da média do país (R$ 297,23). O que mais chama atenção em relação à renda familiar per capita são as quedas em relação a 1991, tanto no nível (seu valor era de R$ 276,90) como, principalmente, na classificação geral em relação aos outros municípios brasileiros. Em 1991, ocupava a 214a posição. Com relação as UDHs em 2000, NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Vieiralves / ADRIANÓPOLIS e FLORES - Parque das Laranjeiras, são as UDHs com as maiores rendas per capita do município, R$ 1356,87. Esse valor representa quase uma vez e meia a maior renda per capita verificada entre os municípios brasileiros (Água de São Pedro – SP, R$ 954,65) e 16 vezes mais que a menor renda per capita entre as UDHs JORGE TEIXEIRA Val Paraíso, Chico Mendes (R$ 86,00). Nesse ano, verifica-se também que 40% das UDHs têm renda per capita menor que a média do estado do Amazonas, 62% menor que a média de Manaus e 70% menor que a média do Brasil. Tal situação está diretamente refletida em outros indicadores, mas principalmente na desigualdade de renda. Para o município de Manaus, a desigualdade aumentou, como mostra a observação de qualquer um dos indicadores de desigualdade de renda considerados (Gini, Theil e relação 20/40). Considerando que o Brasil tem uma das piores desigualdades de renda do mundo, os indicadores de Manaus são praticamente iguais aos do país pelo Gini e pela relação 20/40. Em 2000, enquanto para o Brasil o Gini é de 0,65, e a relação 20/40 (quanto, em média, os 20% mais ricos ganham em relação aos 40% mais pobres) é de 21 vezes, em Manaus esses indicadores são de respectivamente 0,64 e de 20 vezes. Evidentemente que os indicadores de desigualdade a partir da perspectiva das UDHs se mostram de forma completamente distinta. Dado o criterioso trabalho de divisão espacial do município em UDHs com o maior grau de homogeneidade possível, a desigualdade, dentro delas, é muito menor que a do município. Pelo Gini, nenhuma UDH tem desigualdade maior que a do município. Pelo Theil, em apenas três. Pela relação 20/40, em quatro UDHs. Outra forma de abordar a questão da desigualdade na distribuição de renda do município como um todo é por meio da apropriação da renda por estratos da população. Conforme mostra o gráfico a seguir, enquanto os 20% mais pobres da população apropriam-se de apenas 1,6% da renda gerada no município, os 20% mais ricos ficam com 68%. Subdividindo esse grupo, vê-se que apenas os 10% mais ricos ficam com mais da metade, ou 52%. Manaus: Renda apropriada por estratos da população, 2000 1,56% 5,20% 9,10% 54,19% 10% mais ricos 16,53% 13,41% 68,06% 20% mais ricos Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 1º quinto (20% mais pobres) 2º quinto 3º quinto 4º quinto 5º quinto (20% mais ricos) 10% mais ricos Essa forma completamente distorcida de apropriação da renda pode ser evidenciada nas UDHs por meio de outros indicadores, como a proporção de pessoas vivendo abaixo de uma linha de pobreza e de indigência. Tomando-se então a proporção de pobres, consideradas assim as pessoas que vivem com menos de meio salário mínimo de 2000 (R$ 75,50), observa-se que eles representam uma proporção de mais de 1/3 da população de Manaus, um contingente de 445 mil pessoas, sendo que, desse total, 209 mil podem ser consideradas indigentes (vivem com menos de ¼ do salário, R$ 37,75) - contingentes bem superiores à população total de qualquer um dos outros municípios do Amazonas. Estão distribuídos pelas UDHs, de forma que em 40% delas esse percentual é maior que o percentual do município e, em 15 delas, representam mais de 50% de suas respectivas populações. O maior percentual de pobres é verificado na UDH JORGE TEIXEIRA - Val Paraíso, Chico Mendes com 64%. Na verdade, nessa UDH, 39% de sua população podem ser considerados indigentes Acrescentam-se a esse quadro da pobreza dois fatos: primeiro, ela aumentou substancialmente durante a década de 90, tendo passado de 24% em 1991 para 35% em 2000. Segundo, o percentual de indigentes dobrou durante esse mesmo período (8% para 17%). Manaus/UDH -Renda per capita média dos quintos e do décimo mais rico da população 2000 (5 UDHs com menor RFPC e 5 UDHs com maior RFPC) 6000 5000 Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 D10 4000 3000 2000 1000 0 JORGE TEIXEIRA - Santa Inês, Brasileirinho TANCREDO NEVES - Parte Baixa ZONA RURAL ALEIXO - Efigênio Sales / PARQUE 10 - Pq. Mindu, Shangrilá NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS Vieiralves / ADRIANÓPOLIS Conclusão: O espaço urbano de Manaus, como a maioria dos municípios brasileiros, é extremamente desigual, e a perversidade dessa desigualdade é que ela é completamente explícita. Praticamente não existe barreira alguma (nem mesmo ruas) que dividem esses espaços. Assim, realidades em desenvolvimento humano só encontradas em países de terceiro mundo convivem, lado a lado, com outras que, muitas vezes, ultrapassam os parâmetros dos países mais desenvolvidos. Se são regiões desiguais em renda, são mais ainda em indicadores sociais e principalmente educação. Por exemplo, nas UDHs com maiores rendas per capita, a taxa da população adulta com mais de 12 anos de estudo supera a 20% e chega a 27% na UDH NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Vieiralves / ADRIANÓPOLIS. Em mais da metade delas, essa taxa não chega a 3%, sendo que naquelas com rendas menores, não chega a 1%. A média de anos de estudo da população adulta da UDH com maior nível, UDH NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Vieiralves / ADRIANÓPOLIS (11 anos) – maior nível de renda per capita – é quase três vezes a com menor média, COLÔNIA ANTÔNIO ALEIXO / PURAQUEQUARA (quatro anos) que, por sua vez, é onde se verifica o terceiro mais baixo nível de renda per capita. Pior do que essas constatações é não vislumbrar, para as próximas gerações, perspectiva alguma de mudança dessa realidade de 2000. Isso pode ser fundamentado no fato de que o indicador de jovens-adultos (18 a 24 anos) freqüentando curso superior tem praticamente a mesma distribuição entre as UDHs que a verificada para o percentual dos adultos com nível superior. Nas UDHs com faixas de renda mais altas, a participação do percentual de jovens-adultos freqüentando universidades chega a 33%, enquanto em várias delas esse percentual ainda é zero. Ainda mais preocupante com relação aos resultados de 2000 e que podem estar comprometendo seriamente as gerações futuras é o fato de que é muito significativo o percentual de adolescentes fora da escola nas UDHs com níveis de renda per capita mais baixos. Em oito UDHs, esses percentuais são maiores que 30%, chegando a 42% em TARUMÃ e ZONA RURAL. Chama atenção para UDH SÃO JOSÉ – Grande Vitória, onde até mesmo o percentual de crianças fora da escola ainda era muito alto, 24%. Vale lembrar que nesse período houve, praticamente, a universalização do ensino básico. Esse resultado classificaria essa UDH no mesmo nível dos 50 municípios brasileiros com maiores percentuais de crianças fora da escola. FONTE DE DADOS Todos os indicadores apresentados, com exceção dos que compõem o bloco de demografia são gerados de forma direta, através das informações coletadas dos questionários da amostra dos Censos Demográficos de 1991 e 2000. A construção dos indicadores do bloco de demografia se dá de forma indireta, utilizando-se o método de Brass, a partir de dadosbase coletados dos mesmos Censos. A divulgação dos microdados da amostra do Censo 2000 para uso público, pelo IBGE, contempla a identificação de áreas de ponderação consideradas durante a expansão da amostra, definidas por critérios estabelecidos para agrupamento de setores censitários. No caso específico deste trabalho, dado que a formulação dos indicadores é bastante direta, o ponto mais crítico foi a definição da divisão espacial a ser considerada, que definiu agrupamentos de setores, como partições geográficas para obtenção de estimativas que divergem das áreas definidas como Áreas de Ponderação pelo IBGE. Essas partições, no entanto, foram determinadas seguindo estritamente a recomendação do IBGE quanto ao tamanho mínimo da divisão para assegurar a confiabilidade estatística do dado, que é ter pelo menos 400 domicílios particulares ocupados na amostra, em cada partição. O processamento dos microdados dos Censos deu-se através da utilização de um serviço especial disponível aos usuários nas dependências do IBGE, criado para “atender a demanda dos usuários, em projetos de interesse público e/ou acadêmico que necessitam de acesso à base de dados não desidentificados, assegurando o sigilo das informações individuais”. Para ter acesso a tal serviço, prestado em sala especial localizada na Gerência de Atendimento e Recuperação de Informações – GEATE do Centro de Documentação e Disseminação de Informações – CDDI, foi apresentado o projeto específico contendo as informações sobre os indicadores a serem gerados (programas) e as bases a serem utilizadas. Um comitê responsável por avaliar o projeto, com base em informações e subsídios dos técnicos responsáveis pela produção dos microdados, autorizou o acesso aos arquivos de dados restritos sob condições específicas. Após a avaliação da respectiva área temática do IBGE, por não haver risco da quebra de sigilo das informações individuais e estar de acordo com as restrições técnicas estabelecidas, os arquivos e documentação gerados na sala especial foram liberados para uso. EQUIPE TÉCNICA SUPERVISÃO Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico – SEPLAN Carmelita Siqueira dos Reis Prefeitura Municipal de Manaus Rita Suely Bacuri de Queiroz Fundação João Pinheiro/ Centro de Estudos Econômicos e Sociais Maria Luiza de Aguiar Marques ELABORAÇÃO Fundação João Pinheiro /Centro de Estudos Econômicos e Sociais Olinto José Oliveira Nogueira – Coordenação Cláudia Júlia Guimarães Horta Fernando Martins Prates Mônica Galupo Fonseca Costa Vera Scarpelli Castilho José Alberto Magno de Carvalho – consultor em demografia Daniele Reis de Oliveira – assistente de pesquisa/programação Jefry Roger Rivas Arancibia – assistente de pesquisa/programação Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Amazonas e Prefeitura de Manaus Adson Andrade Brelaz Alba Tatiana de Souza Gonçalves Alcemir Ramos de Oliveira Filho Anete Cunha Cruz Schettini Antonio Iran Gadelha Carlos Augusto Ferreira de Souza Cleidson Escobar Almeida Emádina Gomes Rodrigues George Washington Sena Leitão José Carlos Ramos Monteiro Lucélia Cunha da Rocha Santos Lúcia Butel Tavares Lucianne de Alencar Castro Marco Antonio Franco de Souza Rafaela Amaral Nemer Robério Rebouças da Silva Tahisa Neitzel Kuck APOIO PARA A DEFINIÇÃO DA DIVISÃO ESPACIAL DE MANAUS Adjalma Nogueira Jaques (IBGE/ Manaus) Fernando Souza Lima (IBGE/ Manaus) José Aldemir de Oliveira (GPECAB/ UFAM) Paulo Roberto Souza Silva Equipe do Departamento de Logística (SEPLAN) DESENVOLVIMENTO DO SOFTWARE Eduardo Martins – ESM Consultoria PROJETO GRÁFICO Otoni Mesquita Wagner Bottaro Carlos Augusto Ferreira de Souza Governo do Estado do Amazonas Av. Brasil, S/N° - Bairro Compensa II – CEP 69036 – 110 – Manaus – AM Telefones: 55 (92) 3672 – 3014/ 3013/ 3008 - Fax: 55 (92) 3239 – 0357 http://www.amazonas.am.gov.br Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico – SEPLAN Rua Major Gabriel, N° 1870 - Bairro Praça 14 de Janeiro Cep 69020 -060- Manaus – AM Telefone: 55 (92) 2126 – 1227 - Fax: (92) 2126 – 1219 http://www.seplan.am.gov.br Prefeitura Municipal de Manaus Av. Brasil, Nº 2971 – Bairro Compensa – CEP - 69036-110 – Manaus - AM Telefones: (92) 3672-1523/1705/1710 - Fax: 55 (92) 3671-7337 http://www.manaus.am.gov.br Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD SNC Quadra 2 Bloco A – 7º andar, Edifícil Corporate Financial Center – CEP 70712 – 900 – Brasília - DF Telefone: (61) 3038 – 9300 - Fax: 55 (61) 3038 – 9009 http://www.pnud.org.br/ Fundação João Pinheiro Al. das Acácias, 70, Pampulha – CEP 31275 – 150 Belo Horizonte – MG Telefones: (31) 3448 – 9400/9721 - Fax 55 (31) 3448 – 9699 http://www.fjp.mg.gov.br