Comissão Desportiva Militar do Brasil – CDMB ROBERTO CORREIA Brazilian Military Sports Commission – CDMB The Armed Forces of Brazil (three Services: Navy, Army and Air Force and two Auxiliary Forces: Police Force and Firefighters of the states) had developed military sports separately until the late 1940s. A central institution subordinated to the Estado Maior das Forças Armadas (Joint Staff) was created in 1951 to coordinate competitions among the Army, Navy and the Air Force in order to promote good relationship among the participants and to select athletes for military and civilian international competitions. Today this institution is called Comissão Desportiva Militar do Brasil (Military Sports Commission of Brazil–CDMB) and is administrated as part of the Ministério da Defesa (Ministry of Defense). CDMB directs the Escritório de Ligação do Conselho Internacional do Esporte Militar (Office of Liaison of the International Council of Military Sport – CISM) for South America and presides the União Desportiva Militar Sul-Americana (South American Military Sports Union). CDMB also develops a sports schedule made up of 10 Olympic sports (track and field, basketball, fencing, soccer, judo, swimming, modern pentathlon, tennis, volleyball, and triathlon) and 7 military sports (parachuting, cross-country racing, orienteering, military pentathlon, naval pentathlon, air force pentathlon, and shooting). Although CDMB is a military organization with specialized objectives, it has also been using sports to promote the social inclusion of children and adolescents who live in low-income communities (Table 3). Brazilian military athletes are known by their participation in international events especially in track and field, judo and military pentathlon. Although women entered the Brazilian Armed Forces in 1981, it was only in 1987 that military women athletes started to participate in Brazilian championships. The very first competition was shooting, followed later by cross-country racing, swimming, sailing and triathlon. Today military women athletes have also reached national and international levels of performance in shooting, judo and orienteering. Brazil has reached sports excellence in the military pentathlon: the Brazilian team became South American champion 8 times and world champion 7 times. From 1951 until 2003 the CDMB organized and participated in 647 sports events in Brazil and abroad (Table 4). Origem e Definições O esporte militar no Brasil até o final da década de 1940 desenvolveu-se de forma isolada em cada Força Singular (Marinha, Exército e Aeronáutica) e Auxiliar (Polícias Militares e Bombeiros dos Estados). No entanto, por iniciativa do Departamento de Desportos do Exército-DDE, em 1951, reuniram-se 4 Oficiais do Exército, um da Marinha, 1 da Aeronáutica e 1 da Polícia Militar do Distrito Federal (então no Rio de Janeiro) e formularam um projeto de competições entre estas Forças de todo o país, visando ao congraçamento dos participantes e a seleção de atletas para representações em competições internacionais. O projeto inicial previa uma “Olimpíada Militar Nacional” de 4 em 4 anos, Campeonato Nacional de Pentatlo Militar de 2 em 2 anos, Campeonato Nacional Militar de Atletismo de 4 em 4 anos e a participação de Policiais Militares e Bombeiros de todo o Brasil, como também de funcionários civis com mais de um ano de trabalho. No seu ponto de partida, o projeto gerou a necessidade de criar um órgão central capaz de coordenar as atividades e eventos previstos. Nasceu, então, o Conselho Desportivo Militar das Forças Armadas, no mesmo ano de 1951, que contava em sua estrutura com um Oficial de cada Ministério, presidido pelo mais antigo entre eles, sem prejuízo de suas funções e com sede nas instalações do DDE. O então existente Conselho Nacional do Desporto-CND, órgão do Ministério da Educação e Cultura, imediatamente reconheceu o Conselho Militar como parceiro importante na formação de seleções de representação nacional, sobretudo olímpicas, o que acontece até os dias atuais em termos de órgãos dirigentes do esporte nacional. Após cinco anos de experiências acumuladas e como resultado de uma Exposição de Motivos encaminhada ao Ministro do Estado-Maior das Forças Armadas–EMFA, criou-se pelo Decreto nº 38.778/56, a Comissão Desportiva das Forças Armadas–CDFA, ainda dependente do DDE. Em 1958, a CDFA torna-se uma Organização própria, subordinada ao EMFA com sede no prédio desta entidade maior e, finalmente, a partir do Decreto nº 78.392/ 76, transforma-se na atual Comissão Desportiva Militar do Brasil– CDMB, regulamentada pelo Decreto nº 88.072/83, que dispõe sobre a constituição e competência desta nova organização. Pentatlo Militar Sul-Americano e Congressos Ordinários da UDMSA– Rio de Janeiro/1954 e 1958 e I Campeonato Sul-Americano de Box – Rio de Janeiro/59, no qual o Brasil sagrou-se campeão nas categorias Pena, Meio Pesado e Pesado. No exterior, a CDFA promoveu a representação brasileira ao I Campeonato Sul-Americano de Atletismo para Cadetes – Buenos Aires/59. 61, no qual o Brasil alcançou a terceira colocação entre nove países. No final da década, um patrocinador solicitou a CDFA que organizasse em Brasília, a “Brasilíada”, competição envolvendo todos os militares da região, ocorrendo então duas edições, em 1968 e 1969. No cenário interno, novos eventos têm início neste período, como a I NAE – Campinas/1965, competição entre as Escolas Militares de nível secundário (Colégio Naval, Escola Preparatória de Cadetes do Exército e Escola Preparatória de Cadetes do Ar); o Campeonato de Natação das Forças Armadas – Rio de Janeiro/66, na piscina do Fluminense Football Club (Marinha campeã); e o Campeonato de Atletismo das Forças Armadas – Rio de Janeiro/66, no qual a Escola de Educação Física do Exército teve a seu cargo a arbitragem. Em 1968, em Brasília, a CDFA organizou o V Campeonato de Futebol das Forças Armadas entre Cabos e Soldados, no qual participaram jogadores renomados do futebol brasileiro, como Rodrigues Neto, Alfinete, Silvinho, Edu, Clodoaldo e Adirson, todos militares na época. Década de 1950 Este período constituiu a fase pioneira da atual CDMB, caracterizando-se pela forma empreendedora com que seus dirigentes alavancaram o esporte militar, formando uma base sólida, de intercâmbio das Forças Armadas com as Forças Auxiliares, com entidades civis de administração desportiva e com outros países, por intermédio do esporte. Iniciavam-se então as Competições das Forças Armadas que, em sua segunda edição (1953), no Distrito Federal (RJ à época), reuniram 1.337 atletas, no Estádio do Clube de Regatas Vasco da Gama, para a cerimônia de abertura, com a presença do Presidente Getúlio Vargas. A então CDFA deu início e coordenou as competições entre as Escolas Militares (1954): Escola Naval, Academia Militar das Agulhas Negras e Escola de Aeronáutica (hoje denominada Academia da Força Aérea). Concomitantemente, foram estabelecidas normas gerais do esporte militar e das modalidades definidas para competição, que resultaram nas Normas Desportivas das Forças Armadas atuais. Também se intensificou o apoio às entidades civis esportivas quanto às representações nacionais e iniciaram-se os preparativos para representar o país internacionalmente em âmbito militar. Assim sendo, a CDFA sediou, no Brasil, eventos Sul-Americanos sob os auspícios da União Desportiva Militar Sul-Americana-UDMSA: Campeonatos de 4.18 DACOSTA, LAMARTINE (ORG .). A T L A S DO ESPORTE NO BRASIL. RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006 Ainda nesta década, a CDFA ampliou suas ações em âmbito mundial, filiando-se em 1956 ao Conselho Internacional do Desporto Militar– CISM, e debutou internacionalmente em uma eliminatória de Futebol envolvendo 4 países (França, Itália, Argentina e Brasil – Buenos Aires/57), na qual a seleção brasileira militar obteve o quarto lugar e o troféu Fair-Play. Na Bélgica/57, o Brasil alcançou a sétima colocação durante a sua primeira participação em Campeonatos Mundiais de Pentatlo Militar e a CDFA representou-se no mesmo ano em três Congressos daquele Conselho. Salienta-se que a CDFA gozava de alto prestígio técnico entre treinadores, sobretudo europeus. Por ocasião de sua XIII Assembléia Geral–Atenas/59, por ter participado dos últimos eventos organizados por aquele Conselho, constituiu-se em um aliado importante, geopoliticamente, na difusão da atividade física militar na América Latina. Ademais, o Brasil se beneficiou da associação com países de ponta em tecnologia do Treinamento Físico Esportivo por meio da Academia do CISM-ACISM. Os Boxes 1 e 2, respectivamente, apresentam descrições básicas operacionais da UDMSA e do CISM. Década de 1960 Na perspectiva histórica atual, os anos de 1960 representaram os tempos áureos da CDMB, quando os esforços concentraram-se na reformulação administrativa da Comissão, na aproximação com a Confederação Brasileira de Desportos–CBD e outras entidades civis, na criação de novos campeonatos em diversas modalidades e na busca de conhecimento técnico e experiência de gestão, por intermédio do intercâmbio internacional. Na sua dimensão administrativa, a Comissão torna-se mais forte com a criação da função de Presidente da CDFA ocupada por um Oficial do EMFA, no posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra ou Coronel, da função de Adjunto chefiada por um Capitão-de-Fragata ou Tenente Coronel, todos com o curso de Educação Física e da função de Relações Públicas, motivado pelo relacionamento com o meio civil e militar nacional e internacional. No cenário internacional, o esporte militar brasileiro se fortalece e recebe do CISM a incumbência de sediar a Subsecretaria do CISM para a América Latina/62, com o objetivo de promover o esporte militar na região. No Brasil, a então CDFA já se posicionava como um meio de divulgação das Forças Armadas junto à opinião pública. As parcerias se intensificaram neste período visando a cooperação com o esporte nacional. A Prefeitura do Distrito Federal patrocinou a realização do XIII Campeonato Internacional de Pentatlo Militar do CISM/60, do qual participava, como membro do Comitê Organizador, o Dr. João Havelange. Realizou-se o I Campeonato de Tiro das Forças Armadas/60, no estande de tiro do Fluminense Football Club-RJ, como preparação da Equipe brasileira para os Jogos Olímpicos de Roma e o Campeonato de Pentatlo Moderno do CISM – Roma/63, em que a Delegação brasileira foi custeada pela CBD, como preparação para o mundial da União Internacional de Pentatlo Moderno (a mesma equipe obtém o segundo lugar nos IV Jogos Pan-Americanos/63, em São Paulo-SP). Com o patrocínio do CND, Brasília sediou o V Campeonato Mundial Militar de Tiro/ No plano internacional, o período é de expansão do prestígio nacional junto aos países Sul-Americanos e a outros continentes. A Delegação militar brasileira se faz representar no I Campeonato Militar Sul-Americano de Tiro – Montevidéu/65 e no II Campeonato Sul-Americano de Atletismo para Cadetes – Rio de Janeiro/60, no qual o Brasil vence 9 das 13 provas. A representação nacional também se sagrou vencedora do I Campeonato de Pentatlo Militar Sul-Americano – Rio de Janeiro/68, cujo campeão individual foi o Aspirante Sparta (Exército), Presidente da Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno, durante o ano de 2002. Junto ao CISM o momento é de glória: o Brasil participou do I Campeonato de Paraquedismo do CISM – França/64, saltando de helicópteros “Sikorski”, obtendo a oitava colocação. O Brasil sagrou-se campeão mundial de Pentatlo Militar na Holanda/65, com uma equipe treinada pelo então Tenente da Marinha Lamartine Pereira Da Costa. Em 1963, o então Capitão-Tenente Heitor Alves Barreira Junior (Marinha) seguiu para Suécia como observador da IX Semana Internacional do Mar, e quatro anos depois, o Brasil alcançou o primeiro lugar no pódio por equipe e os dois primeiros lugares individuais no XII Campeonato Mundial de Pentatlo Naval – Grécia/ 67. Dois Oficiais da Força Aérea Brasileira viajaram para Copenhague como observadores do XV Campeonato Internacional do Pentatlo Militar Aeronáutico/68. No campo do conhecimento técnico, dois eventos importantes ocorreram neste período: o I Congresso Internacional de Psicologia do Esporte – Roma/65, onde foram discutidos aspectos psicológicos do esporte militar e, o mais importante deles, o Simpósio de Treinamento Físico Militar, em Fontainebleau – França/68, dirigido pelo Coronel Raul Mollet, Secretário-Geral do CISM, que objetivava comparar os métodos de Treinamento Físico Militar nas Forças Armadas dos diversos países filiados aquele Conselho; participaram do evento os brasileiros: Capitão Aviador Neri Nascimento, Capitão Cláudio Coutinho (Exército) e o 1º Tenente Manoel Gomes Tubino (Marinha), que em seus relatórios sugeriram a criação de um Departamento de Pesquisa em Treinamento Físico e Medicina Desportiva, o que ocorreu posteriormente. Em maior relevância, registre-se que neste evento a Delegação brasileira fez um vínculo com o então Capitão Médico Kenneth Cooper da Força Aérea dos EUA, o que resultou em importantes avanços no desenvolvimento do Treinamento Esportivo no Brasil. Em 1967, realiza-se o I Campeonato Militar Sul-Americano de Tiro “Por Correspondência”, quando atiradores brasileiros realizaram a prova no Rio de Janeiro com a presença dos Adidos Militares dos outros seis países participantes e os resultados foram enviados a UDMSA para apuração geral (Brasil: 4º lugar, fuzil de guerra e 3º lugar, revólver – fogo central). Década de 1970 Este período representou a consolidação da então CDFA e atual CDMB com base nas sementes do esporte militar que vingaram na década anterior. Assim sendo, foi significativo que a Seleção Tri-Campeã Mundial de Futebol tenha se preparado fisicamente nas instalações da Escola de Educação Física do ExércitoEsEFEx, a partir do planejamento técnico de oficiais graduados em Educação Física, pertencentes ao efetivo daquele estabelecimento de Ensino Militar, além de revelar outros atletas como o Taifeiro Nelson Prudêncio (Aeronáutica) e o Cabo João Carlos de Oliveira (“João do Pulo”-Exército), que foram recordistas e campeões mundiais. Em plano geral, após absorver o conhecimento técnico no exterior, o momento era de difundi-lo e assim vários eventos relevantes marcaram o período. A Academia da Força Aérea e a Comissão de Desportos da Aeronáutica organizaram o I Simpósio Nacional de Atletismo – Rio de Janeiro/1970, cujo objetivo era equacionar novos caminhos para dinamizar a prática da modalidade no país. Ainda em 1970, três Oficiais brasileiros, um de cada Força Singular, partem para Dinamarca como observadores do IV Campeonato de Orientação do CISM. Em seus relatórios demonstraram a simplicidade que seria implantar aqui esta disciplina, tão difundida na Europa, pois as Forças Armadas do Brasil já praticavam tal atividade em suas instruções básicas. Daí em diante, uma sucessão de fatos garantiram o sucesso da modalidade em nosso país, até os dias atuais. Uma delegação brasileira disputou o V Campeonato de Orientação do CISM – Noruega/71, no qual obteve a nona colocação; no ano seguinte realizou-se o I Campeonato de Orientação das Forcas Armadas – Rio de Janeiro/72; e para completar o ciclo, a CDFA organizou o I Estágio de Orientação – Resende/75, no qual atuaram como instrutores os três Oficiais que realizaram a primeira viagem como observadores. Entretanto, um evento que se poderia classificar como um “divisor de águas” do conhecimento e aplicação da metodologia do Treinamento Esportivo no Brasil ocorreu em 1972, na cidade do Rio de Janeiro-RJ: o Estágio de Atualização Técnica da ACISM, tendo como Secretário-Geral o Coronel Raul Mollet e organizado pela CDFA, juntamente com o Departamento de Educação Física e Desportos do Ministério da Educação e Cultura. O objetivo do Estágio era a assimilação de conhecimento avançado em Treinamento Esportivo e áreas conexas como fisiologia do esforço, cinesiologia, medicina do esporte, etc. Nestas condições, inscreveram-se 356 participantes, professores universitários e militares, de todas as regiões brasileiras, incluindo nomes dos mais destacados em Educação Física, Esporte e Medicina do Esporte do país, naquele estágio. Quatro temas centrais foram escolhidos: Atletismo, Introdução à Metodologia da Pesquisa, Circuit Training e Medicina Esportiva, os quais foram debatidos com alguns dos maiores especialistas do assunto no mundo à época, como o Dr. Kenneth Cooper, o Dr P. Rasch, J. Higgins e Coronel Frak Kobs, todos dos EUA; o Coronel Raul Mollet – Bélgica; o Coronel Lélio Ribeiro – Portugal; e o Professor Lamartine Pereira da Costa e o Dr. Maurício Rocha, ambos do Brasil. Dentre os estagiários encontravam-se o Professor Nuno Cobra, Capitão Arthur Telles Cramer Ribeiro, Professor Fernando Tovar, Dr. Eduardo Henrique De Rose, Dra. Maria Augusta Kiss e tantos outros que se tornaram, posteriormente, nomes famosos no esporte brasileiro. No decorrer do evento, o Dr. Cooper, ao fazer o lançamento de seu livro “Capacidade Aeróbica”, declarou: “Em nenhuma outra época a Educação Física gozou de tanto destaque, sendo considerada já como ciência. Não podemos descuidar do aprimoramento dos técnicos que trabalham neste campo”. Uma confirmação destas palavras veio do Chefe de Relações Públicas do Estágio, em nota para a imprensa, ao resumir o significado do evento para o esporte brasileiro: “...É um primeiro passo no rumo certo dos bons resultados esportivos”. Ainda na década de 1970, a CDFA permanece abrindo novas frentes no cenário nacional. Realizou-se o I Campeonato de Futebol de Salão das Forças Armadas – Belo Horizonte/70, como também o I Campeonato de Tênis das Forcas Armadas – Brasília/70, em paralelo com um calendário de outros eventos iniciados anteriormente. Para o CISM, o Brasil continuou sendo um grande aliado na difusão do esporte militar no continente. Portanto, por Decreto nº 72.659/73, transforma-se a Subsecretaria do Conselho Internacional do Esporte Militar para a América Latina em Escritório de Ligação do Conselho Internacional do Esporte Militar para a América do Sul – ELAS/ CISM. No ano seguinte, o Brasil sediou a I Reunião do ELAS– Brasília/ 74, com a participação de dez países Sul-Americanos, para lhes dar esclarecimentos sobre a estrutura do CISM e a importância do intercâmbio entre os países desse continente, a fim de incrementar a prática esportiva na região. Também em destaque foi a tentativa da CDFA, então sob a presidência do Coronel Dickson Melges Grael (Exército), pai dos irmãos Grael, atletas olímpicos de vela, em realizar o I Campeonato Brasileiro de Pára-quedismo das Forças Armadas – Rio de Janeiro/76. Porém, o evento não ocorreu devido às condições meteorológicas desfavoráveis, que se concretizou no ano seguinte, em Casa Branca – SP, com uma grande homenagem a Charles Astor, precursor do Pára-quedismo no Brasil. meio civil no Brasil em seus avanços no esporte e na Educação Física. Em que pese a redução de disponibilidades financeiras nas Organizações Militares em geral – também ocorrida em anos recentes – houve soluções para cumprir o Calendário Desportivo Militar nacional e internacional, bem como para preservar o nome e tradição dessa tão relevante instituição militar para o esporte nacional, por parte de seus membros. Para esta tarefa, fundamental foi o apoio das entidades que, de alguma forma, relacionaram-se com a CDMB, como os Comandos da Marinha, Exército e Aeronáutica que sempre contribuíram na mobilização dos atletas e custeio das missões de representação do país no exterior, e como o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro que têm reconhecido a importância do esporte militar para o desenvolvimento da atividade no Brasil e as possibilidades futuras de contribuição em todas as formas de manifestação da atividade física. Em resumo, identifica-se a segunda metade da década de 1970 como o primeiro “ponto de inflexão” nos rumos do esporte militar ao redor do mundo, pois a comunidade civil inicia o investimento maciço em pesquisas no campo da performance, como também na prática da atividade física pelo cidadão comum, em suas horas de lazer e até mesmo durante o trabalho. A medicina reconhece, outrossim, a atividade física como uma aliada no tratamento das doenças cárdio-respiratórias. No Brasil, repetiu-se tal tendência desde que entidades universitárias passaram a desenvolver cursos de pós-graduação em Educação Física, implementando pesquisas e criando laboratórios e centros de excelência esportiva. Hoje, em termos administrativos, a Comissão Desportiva Militar do Brasil constitui-se um órgão do Ministério da Defesa, preservando todos os seus objetivos iniciais. Cumulativamente, chefia o Escritório de Ligação do CISM para a América do Sul e preside, também, a União Desportiva Militar Sul-Americana. Mantém igualmente os vínculos com as Forças Singulares, de forma sistêmica, por intermédio das Comissões de Desportos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, regulados pelas Normas Desportivas das Forças Armadas, elaboradas durante as Reuniões de Coordenação e da Alta Direção do Desporto Militar e aprovadas por Portaria Ministerial, o qual prevê a execução de um calendário esportivo anual composto de 17 modalidades, distribuídas em olímpicas (atletismo, basquetebol, corrida através campo, esgrima, futebol, judô, natação, pentatlo moderno, tênis, voleibol e triatlo) e propriamente militares (páraquedismo, orientação e pentatlo militar, pentatlo naval, pentatlo aeronáutico e tiro). Neste contexto, os últimos Presidentes da CDMB vêm envidando esforços no sentido de adequar o processo administrativo à nova realidade do esporte nacional. Em conseqüência, algumas medidas de curto, médio e longo prazo estão sendo desenvolvidas, tal como no exemplo do Termo de Cooperação Técnica com o Ministério do Esporte na elaboração, planejamento e execução do Programa “Forças no Esporte”, que tem como objetivo promover a integração social, a prevenção à doença e à marginalidade e valorização da cidadania, como um processo social de desenvolvimento. De acordo com a Tabela 1 adiante, as Forças Armadas possuem instalações esportivas que, se ocupadas, em oportunidades diversas, podem atender a mais de 30.000 crianças, por período, abrangendo todas as regiões do Brasil. Décadas de 1980 e 1990 Este período caracteriza-se pela manutenção da vida vegetativa da CDMB e de tentativas de manter o esporte militar como aliado das entidades gestoras civis na busca de melhores resultados esportivos. Assim sendo, vários atletas de nível nacional e internacional seriam revelados pelo esporte militar, em diversas modalidades, como atletismo, judô, esgrima e outras. Contudo, a mudança no cenário político nacional acarretou uma diminuição de investimentos no setor militar. Conseqüentemente, o esporte, como atividade meio, se ressentiu da falta de recursos para continuar empreendendo da mesma forma que nas décadas precedentes e entre novas soluções encontradas, começaram a surgir convênios com empresas públicas e privadas na busca de patrocínio. Paralelamente, as entidades gestoras do esporte nacional se fortaleceram e buscaram no Congresso Nacional um caminho para regulamentar a atividade física no País. Este momento se apresenta como o segundo “ponto de inflexão” no caminho do esporte militar. Sem representatividade no Congresso e com o surgimento da nova legislação, os militares do esporte deixaram de pertencer ao Conselho Nacional do Desporto, conseqüentemente, perdendo influência política. Na sucessão dos acontecimentos, em 1996 ocorre a regulamentação da profissão de Educação Física, um fato histórico para a classe. No entanto, os Oficiais graduados pela Escola de Educação Física do Exército perdem a permissão do Conselho Federal para atuarem como profissionais no meio civil, o que demonstra, mais uma vez, o desprestígio vivido pelo esporte militar. Em conseqüência do esforço empreendido pelos dirigentes nacionais do esporte de alta competição, aprova-se a lei que destina parte da verba oriunda das loterias para o esporte olímpico e pára-olímpico, alavancando a atividade no País. Surge o terceiro “ponto de inflexão” do esporte militar, causado pela necessidade das entidades gestoras do esporte brasileiro se adequarem administrativamente à nova realidade financeira e de possibilidades que possam advir desse fato. Esta fase – que naturalmente depende do ambiente externo a CDMB – ainda continua em pauta nos dias presentes. Paralelamente, o CISM passa por situação similar, pois o movimento de mudança é mundial. No entanto, realizaram-se os I Jogos Mundiais – Roma/95, para comemorar os cinqüenta anos de aniversário do término da Segunda Grande Guerra. O evento foi um sucesso de tal monta que a Assembléia Geral do CISM decidiu repeti-lo, de 4 em 4 anos, sempre no ano anterior aos Jogos Olímpicos. O ápice dos Jogos Mundiais do CISM ocorreu em Zagreb/99, pois contou com a participação de 82 países, totalizando 6.734 atletas. Situação atual Prevalece nos primeiros anos da presente década a concepção da atividade física como um meio de preparação para o exercício da profissão militar, como um instrumento de demonstração de soberania, como uma ferramenta na busca e preparação de novos talentos para comporem as representações e como um veículo de inclusão social para boa parte da sociedade. Esta noção de inclusão social foi adotada nos últimos anos pela CDMB acompanhando o Visando a resultados a médio prazo, a CDMB tem buscado recursos financeiros na parceria com empresas públicas e privadas capazes de custear o Calendário Desportivo Nacional e Internacional, pois a Comissão dispõe de um produto altamente vendável e de retorno imediato para esses patrocinadores, isto é, de aliarem-se a uma instituição de confiança no país, as Forças Armadas. Outra medida importante, e que objetiva resultados mediatos, é a manutenção do relacionamento de permuta com o Comitê Olímpico Brasileiro e com as Confederações das diversas modalidades, para as quais, desde a sua criação, a CDMB vem contribuindo na preparação de equipes nacionais, na seleção de atletas militares para comporem delegações brasileiras e na disponibilidade de pessoal especializado para compor o efetivo das entidades em gestão esportiva. Por exemplo, cabe ressaltar a criação da Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno, em 2002, iniciativa de militares, que consolidou uma tradição esportiva brasileira iniciada nos Jogos Olímpicos de Berlim-1936. Finalmente, após a criação de um Grupo de Estudos no Ministério da Defesa, foi elaborada uma lista de emendas ao Projeto de Lei que institui o Estatuto do Desporto a ser aprovado pelo Congresso Nacional, que intenciona resgatar o prestígio do esporte militar brasileiro, incluindo um representante deste segmento no Conselho Nacional do Esporte, tendo sido nomeado pelo Ministério do Esporte o Capitão-de-Mar-e-Guerra José Paulo Chaves Lino da Comissão Desportiva Militar do Brasil. Internacionalmente, o esporte militar, apesar das mudanças ocorridas, mantém-se relevante em sua importância. Nos Jogos Olímpicos de Sidney-2000, 21% do total das medalhas distribuídas destinaram-se a atletas militares considerando-se todos as nações em disputa. No Brasil, os atletas militares são reconhecidos pela organização e participação em eventos nacionais esportivos e internacionais de representação do país (Tabela 2), destacando-se nas modalidades de atletismo, judô, pentatlo aeronáutico militar e pentatlo militar. Nesta última modalidade alcançou-se a excelência DACOSTA, LAMARTINE (ORG.). A T L A S DO ESPORTE NO BRASIL. RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006 4.19 esportiva: a seleção nacional sagrou-se 8 vezes campeã sulamericana e 7 vezes campeã mundial, com destaque para os atletas Capitão Nilo e Sargento Bandeira (Exército) e Sargento Carlos Silva (Marinha). Participação da mulher no esporte militar Entre os marcos históricos da CDMB, destaca-se a inclusão da mulher no esporte militar, que se projeta nos dias presentes. O ingresso da mulher nas Forças Armadas Brasileiras se deu a partir de 1981, e em seus efetivos, surgiram algumas profissionais de Educação Física, que assumiram funções técnicas e administrativas na gestão do esporte Box 1 União Desportiva Militar Sul-Americana – UDMSA Em 1940, a Federação Desportiva Militar Argentina criou o Pentatlo Militar Sul-Americano, com as mesmas provas do Pentatlo Moderno Mundial, cujas competições seriam levadas a efeito pela Confederação Sul-Americana de Atletismo. Em sua terceira Edição, a delegação da Argentina apresenta um anteprojeto de criação da Confederação, o qual seria aprovado em 9 de maio de 1952, durante a sessão do Congresso Ordinário do VI Campeonato de Pentatlo Militar – Buenos Aires. Em 1958, cria-se o Estatuto que regula as ações dessa União Desportiva e que vem sofrendo modificações ao longo dos anos. Prevê este Estatuto que a sede da Presidência da UDMSA, em forma de rodízio e por ordem alfabética, percorrerá os países membros a cada dois anos. Filiam-se hoje à UDMSA: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, que se reúnem a cada dois para as competições de Pentatlo Militar e para o Festival Sul-Americano de Cadetes, composto de cinco modalidades: Tiro, Judô, Esgrima, Natação e Atletismo. O Brasil é hegemônico na conquista desses Campeonatos. militar. Com um número muito reduzido em seu contingente inicial, somente em 1987 inicia-se a participação feminina nos Campeonatos Nacionais Militares. Inicialmente na modalidade de Tiro, pois, sua prática compõe o currículo básico da profissão e em um segundo momento, nos Campeonatos de Cross Country, pela facilidade técnica e prática do esporte. Logo em seguida se sucederam a Natação, a Vela e o Triatlo. Com o ingresso das mulheres na Academia da Força Aérea intensificou-se a prática da corrida de orientação entre o Corpo Feminino das Forcas Armadas brasileiras. Atualmente, a mulher ocupa funções relevantes na gestão esportiva militar, como a Capitão-de-Fragata Angela de Carvalho Lage, atual Assessora da CDMB para assuntos relacionados ao esporte militar internacional, que surge como a primeira mulher militar a ocupar um cargo nesta Comissão. Com o passar dos anos, as mulheres atletas militares alcançaram níveis de performance nacionais e internacionais, hoje compondo seleções brasileiras, como no tiro, judô e orientação. Fontes: Arquivos da CDMB; Major Carlos Eduardo Ilha dos Santos e Capitão-de-corveta José Ferreira de Barros para os dados da Tabela 1. Tabela 1 / Table 1 Disponibilidades de instalações esportivas militares para Projetos de Inclusão Social, 2003* Availability of military sport facilities for social inclusion projects per Armed Force and type of facility, 2003* * Capacidade: atendimento de 32.058 crianças / hora em todas as regiões do Brasil / Capacity of hosting: 32,058 children / hour in all regions of Brazil Tabela 2 / Table 2 Eventos esportivos da CDMB – organização e participação, 1951 – 2003 CDMB sports events – organization and participation, 1951 – 2003 Box 2 Conselho Internacional do Desporto Militar – CISM Após a Segunda Grande Guerra os EUA criaram o Conselho Desportivo das Forças Aliadas, reunindo 12 países em torno de um ideal de congraçamento por intermédio da prática desportiva. Desfavorecido pelo momento político, o Conselho perde forças e se desfaz. Em 1948, representantes da Bélgica, Dinamarca, França, Luxemburgo e Holanda impulsionados pelo moto: “Amizade através do Desporto”, criam uma nova organização com as mesmas características e objetivos, denominada Conselho Internacional do Desporto Militar – CISM, que atualmente congrega 127 países, 4.20 DACOSTA, LAMARTINE (ORG .). A T L A S DO ESPORTE NO BRASIL. RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006 surgindo como a terceira maior entidade desportiva do mundo e com sede em Bruxelas – Bélgica. Administrativamente, o CISM estrutura-se da seguinte forma: 1 Presidente, 4 Vice-Presidentes (África, Europa, América e Ásia), 10 membros do Quadro de Diretores, 1 Secretário-Geral, 1 Tesoureiro, 8 Presidentes de Comissões (Regulamento, Planejamento, Esportes, Solidariedade, Medicina Esportiva, Finanças, Disciplina e Feminina), 24 Comitês Técnicos divididos em esportes propriamente militares, esportes individuais e coletivos, 12 Escritórios de Ligação distribuídos nos continentes africano, asiático, europeu e americano e 127 Chefes das Delegações dos países membros. Até a década de 1970, o CISM teve grande participação no desenvolvimento e difusão dos métodos utilizados no treinamento desportivo, por intermédio da Academia do CISM – ACISM, responsável pela realização de simpósios, congressos, e estágios, ao redor do mundo. Atualmente, isso acontece com um impacto menor no meio desportivo devido ao progresso da pesquisa no meio civil. Hoje, o CISM é reconhecido pela UNESCO como órgão consultor para assuntos relacionados ao esporte e pela ONU como parceiro na difusão da paz pelo mundo.