Comissão Desportiva Militar do Brasil – CDMB
ROBERTO CORREIA
Brazilian Military Sports Commission – CDMB
The Armed Forces of Brazil (three Services: Navy, Army and Air
Force and two Auxiliary Forces: Police Force and Firefighters of the
states) had developed military sports separately until the late 1940s.
A central institution subordinated to the Estado Maior das Forças
Armadas (Joint Staff) was created in 1951 to coordinate
competitions among the Army, Navy and the Air Force in order to
promote good relationship among the participants and to select
athletes for military and civilian international competitions. Today
this institution is called Comissão Desportiva Militar do Brasil
(Military Sports Commission of Brazil–CDMB) and is administrated
as part of the Ministério da Defesa (Ministry of Defense). CDMB
directs the Escritório de Ligação do Conselho Internacional do
Esporte Militar (Office of Liaison of the International Council of
Military Sport – CISM) for South America and presides the União
Desportiva Militar Sul-Americana (South American Military Sports
Union). CDMB also develops a sports schedule made up of 10 Olympic
sports (track and field, basketball, fencing, soccer, judo, swimming,
modern pentathlon, tennis, volleyball, and triathlon) and 7 military
sports (parachuting, cross-country racing, orienteering, military
pentathlon, naval pentathlon, air force pentathlon, and shooting).
Although CDMB is a military organization with specialized objectives,
it has also been using sports to promote the social inclusion of children
and adolescents who live in low-income communities (Table 3).
Brazilian military athletes are known by their participation in
international events especially in track and field, judo and military
pentathlon. Although women entered the Brazilian Armed Forces
in 1981, it was only in 1987 that military women athletes started to
participate in Brazilian championships. The very first competition
was shooting, followed later by cross-country racing, swimming,
sailing and triathlon. Today military women athletes have also
reached national and international levels of performance in
shooting, judo and orienteering. Brazil has reached sports
excellence in the military pentathlon: the Brazilian team became
South American champion 8 times and world champion 7 times.
From 1951 until 2003 the CDMB organized and participated in 647
sports events in Brazil and abroad (Table 4).
Origem e Definições O esporte militar no Brasil até o final da
década de 1940 desenvolveu-se de forma isolada em cada Força
Singular (Marinha, Exército e Aeronáutica) e Auxiliar (Polícias Militares
e Bombeiros dos Estados). No entanto, por iniciativa do Departamento
de Desportos do Exército-DDE, em 1951, reuniram-se 4 Oficiais do
Exército, um da Marinha, 1 da Aeronáutica e 1 da Polícia Militar do
Distrito Federal (então no Rio de Janeiro) e formularam um projeto
de competições entre estas Forças de todo o país, visando ao
congraçamento dos participantes e a seleção de atletas para
representações em competições internacionais. O projeto inicial
previa uma “Olimpíada Militar Nacional” de 4 em 4 anos,
Campeonato Nacional de Pentatlo Militar de 2 em 2 anos,
Campeonato Nacional Militar de Atletismo de 4 em 4 anos e a
participação de Policiais Militares e Bombeiros de todo o Brasil,
como também de funcionários civis com mais de um ano de trabalho.
No seu ponto de partida, o projeto gerou a necessidade de criar um
órgão central capaz de coordenar as atividades e eventos previstos.
Nasceu, então, o Conselho Desportivo Militar das Forças Armadas,
no mesmo ano de 1951, que contava em sua estrutura com um
Oficial de cada Ministério, presidido pelo mais antigo entre eles,
sem prejuízo de suas funções e com sede nas instalações do DDE.
O então existente Conselho Nacional do Desporto-CND, órgão do
Ministério da Educação e Cultura, imediatamente reconheceu o
Conselho Militar como parceiro importante na formação de seleções
de representação nacional, sobretudo olímpicas, o que acontece
até os dias atuais em termos de órgãos dirigentes do esporte
nacional. Após cinco anos de experiências acumuladas e como
resultado de uma Exposição de Motivos encaminhada ao Ministro
do Estado-Maior das Forças Armadas–EMFA, criou-se pelo Decreto
nº 38.778/56, a Comissão Desportiva das Forças Armadas–CDFA,
ainda dependente do DDE. Em 1958, a CDFA torna-se uma
Organização própria, subordinada ao EMFA com sede no prédio
desta entidade maior e, finalmente, a partir do Decreto nº 78.392/
76, transforma-se na atual Comissão Desportiva Militar do Brasil–
CDMB, regulamentada pelo Decreto nº 88.072/83, que dispõe
sobre a constituição e competência desta nova organização.
Pentatlo Militar Sul-Americano e Congressos Ordinários da UDMSA–
Rio de Janeiro/1954 e 1958 e I Campeonato Sul-Americano de Box
– Rio de Janeiro/59, no qual o Brasil sagrou-se campeão nas
categorias Pena, Meio Pesado e Pesado. No exterior, a CDFA
promoveu a representação brasileira ao I Campeonato Sul-Americano
de Atletismo para Cadetes – Buenos Aires/59.
61, no qual o Brasil alcançou a terceira colocação entre nove países.
No final da década, um patrocinador solicitou a CDFA que
organizasse em Brasília, a “Brasilíada”, competição envolvendo
todos os militares da região, ocorrendo então duas edições, em
1968 e 1969. No cenário interno, novos eventos têm início neste
período, como a I NAE – Campinas/1965, competição entre as
Escolas Militares de nível secundário (Colégio Naval, Escola
Preparatória de Cadetes do Exército e Escola Preparatória de
Cadetes do Ar); o Campeonato de Natação das Forças Armadas –
Rio de Janeiro/66, na piscina do Fluminense Football Club (Marinha
campeã); e o Campeonato de Atletismo das Forças Armadas – Rio
de Janeiro/66, no qual a Escola de Educação Física do Exército
teve a seu cargo a arbitragem. Em 1968, em Brasília, a CDFA
organizou o V Campeonato de Futebol das Forças Armadas entre
Cabos e Soldados, no qual participaram jogadores renomados do
futebol brasileiro, como Rodrigues Neto, Alfinete, Silvinho, Edu,
Clodoaldo e Adirson, todos militares na época.
Década de 1950 Este período constituiu a fase pioneira da atual
CDMB, caracterizando-se pela forma empreendedora com que seus
dirigentes alavancaram o esporte militar, formando uma base sólida,
de intercâmbio das Forças Armadas com as Forças Auxiliares, com
entidades civis de administração desportiva e com outros países, por
intermédio do esporte. Iniciavam-se então as Competições das Forças
Armadas que, em sua segunda edição (1953), no Distrito Federal (RJ
à época), reuniram 1.337 atletas, no Estádio do Clube de Regatas
Vasco da Gama, para a cerimônia de abertura, com a presença do
Presidente Getúlio Vargas. A então CDFA deu início e coordenou as
competições entre as Escolas Militares (1954): Escola Naval,
Academia Militar das Agulhas Negras e Escola de Aeronáutica (hoje
denominada Academia da Força Aérea). Concomitantemente, foram
estabelecidas normas gerais do esporte militar e das modalidades
definidas para competição, que resultaram nas Normas Desportivas
das Forças Armadas atuais. Também se intensificou o apoio às
entidades civis esportivas quanto às representações nacionais e
iniciaram-se os preparativos para representar o país
internacionalmente em âmbito militar. Assim sendo, a CDFA sediou,
no Brasil, eventos Sul-Americanos sob os auspícios da União
Desportiva Militar Sul-Americana-UDMSA: Campeonatos de
4.18
DACOSTA, LAMARTINE (ORG .). A T L A S
DO ESPORTE NO BRASIL.
RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006
Ainda nesta década, a CDFA ampliou suas ações em âmbito mundial,
filiando-se em 1956 ao Conselho Internacional do Desporto Militar–
CISM, e debutou internacionalmente em uma eliminatória de Futebol
envolvendo 4 países (França, Itália, Argentina e Brasil – Buenos
Aires/57), na qual a seleção brasileira militar obteve o quarto
lugar e o troféu Fair-Play. Na Bélgica/57, o Brasil alcançou a sétima
colocação durante a sua primeira participação em Campeonatos
Mundiais de Pentatlo Militar e a CDFA representou-se no mesmo
ano em três Congressos daquele Conselho. Salienta-se que a CDFA
gozava de alto prestígio técnico entre treinadores, sobretudo
europeus. Por ocasião de sua XIII Assembléia Geral–Atenas/59,
por ter participado dos últimos eventos organizados por aquele
Conselho, constituiu-se em um aliado importante, geopoliticamente, na difusão da atividade física militar na América Latina.
Ademais, o Brasil se beneficiou da associação com países de ponta
em tecnologia do Treinamento Físico Esportivo por meio da
Academia do CISM-ACISM. Os Boxes 1 e 2, respectivamente,
apresentam descrições básicas operacionais da UDMSA e do CISM.
Década de 1960 Na perspectiva histórica atual, os anos de 1960
representaram os tempos áureos da CDMB, quando os esforços
concentraram-se na reformulação administrativa da Comissão, na
aproximação com a Confederação Brasileira de Desportos–CBD e
outras entidades civis, na criação de novos campeonatos em diversas
modalidades e na busca de conhecimento técnico e experiência de
gestão, por intermédio do intercâmbio internacional. Na sua
dimensão administrativa, a Comissão torna-se mais forte com a
criação da função de Presidente da CDFA ocupada por um Oficial
do EMFA, no posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra ou Coronel, da
função de Adjunto chefiada por um Capitão-de-Fragata ou Tenente
Coronel, todos com o curso de Educação Física e da função de
Relações Públicas, motivado pelo relacionamento com o meio civil
e militar nacional e internacional. No cenário internacional, o
esporte militar brasileiro se fortalece e recebe do CISM a
incumbência de sediar a Subsecretaria do CISM para a América
Latina/62, com o objetivo de promover o esporte militar na região.
No Brasil, a então CDFA já se posicionava como um meio de
divulgação das Forças Armadas junto à opinião pública.
As parcerias se intensificaram neste período visando a cooperação
com o esporte nacional. A Prefeitura do Distrito Federal patrocinou
a realização do XIII Campeonato Internacional de Pentatlo Militar
do CISM/60, do qual participava, como membro do Comitê
Organizador, o Dr. João Havelange. Realizou-se o I Campeonato
de Tiro das Forças Armadas/60, no estande de tiro do Fluminense
Football Club-RJ, como preparação da Equipe brasileira para os
Jogos Olímpicos de Roma e o Campeonato de Pentatlo Moderno
do CISM – Roma/63, em que a Delegação brasileira foi custeada
pela CBD, como preparação para o mundial da União Internacional
de Pentatlo Moderno (a mesma equipe obtém o segundo lugar nos
IV Jogos Pan-Americanos/63, em São Paulo-SP). Com o patrocínio
do CND, Brasília sediou o V Campeonato Mundial Militar de Tiro/
No plano internacional, o período é de expansão do prestígio
nacional junto aos países Sul-Americanos e a outros continentes.
A Delegação militar brasileira se faz representar no I Campeonato
Militar Sul-Americano de Tiro – Montevidéu/65 e no II Campeonato
Sul-Americano de Atletismo para Cadetes – Rio de Janeiro/60, no
qual o Brasil vence 9 das 13 provas. A representação nacional
também se sagrou vencedora do I Campeonato de Pentatlo Militar
Sul-Americano – Rio de Janeiro/68, cujo campeão individual foi o
Aspirante Sparta (Exército), Presidente da Confederação Brasileira
de Pentatlo Moderno, durante o ano de 2002. Junto ao CISM o
momento é de glória: o Brasil participou do I Campeonato de Paraquedismo do CISM – França/64, saltando de helicópteros
“Sikorski”, obtendo a oitava colocação. O Brasil sagrou-se campeão
mundial de Pentatlo Militar na Holanda/65, com uma equipe treinada
pelo então Tenente da Marinha Lamartine Pereira Da Costa. Em
1963, o então Capitão-Tenente Heitor Alves Barreira Junior
(Marinha) seguiu para Suécia como observador da IX Semana
Internacional do Mar, e quatro anos depois, o Brasil alcançou o
primeiro lugar no pódio por equipe e os dois primeiros lugares
individuais no XII Campeonato Mundial de Pentatlo Naval – Grécia/
67. Dois Oficiais da Força Aérea Brasileira viajaram para
Copenhague como observadores do XV Campeonato Internacional
do Pentatlo Militar Aeronáutico/68.
No campo do conhecimento técnico, dois eventos importantes
ocorreram neste período: o I Congresso Internacional de Psicologia
do Esporte – Roma/65, onde foram discutidos aspectos psicológicos
do esporte militar e, o mais importante deles, o Simpósio de
Treinamento Físico Militar, em Fontainebleau – França/68, dirigido
pelo Coronel Raul Mollet, Secretário-Geral do CISM, que objetivava
comparar os métodos de Treinamento Físico Militar nas Forças
Armadas dos diversos países filiados aquele Conselho; participaram
do evento os brasileiros: Capitão Aviador Neri Nascimento, Capitão
Cláudio Coutinho (Exército) e o 1º Tenente Manoel Gomes Tubino
(Marinha), que em seus relatórios sugeriram a criação de um
Departamento de Pesquisa em Treinamento Físico e Medicina
Desportiva, o que ocorreu posteriormente. Em maior relevância,
registre-se que neste evento a Delegação brasileira fez um vínculo
com o então Capitão Médico Kenneth Cooper da Força Aérea dos
EUA, o que resultou em importantes avanços no desenvolvimento do
Treinamento Esportivo no Brasil. Em 1967, realiza-se o I Campeonato
Militar Sul-Americano de Tiro “Por Correspondência”, quando
atiradores brasileiros realizaram a prova no Rio de Janeiro com a
presença dos Adidos Militares dos outros seis países participantes e
os resultados foram enviados a UDMSA para apuração geral (Brasil:
4º lugar, fuzil de guerra e 3º lugar, revólver – fogo central).
Década de 1970 Este período representou a consolidação da
então CDFA e atual CDMB com base nas sementes do esporte
militar que vingaram na década anterior. Assim sendo, foi significativo
que a Seleção Tri-Campeã Mundial de Futebol tenha se preparado
fisicamente nas instalações da Escola de Educação Física do ExércitoEsEFEx, a partir do planejamento técnico de oficiais graduados em
Educação Física, pertencentes ao efetivo daquele estabelecimento
de Ensino Militar, além de revelar outros atletas como o Taifeiro
Nelson Prudêncio (Aeronáutica) e o Cabo João Carlos de Oliveira
(“João do Pulo”-Exército), que foram recordistas e campeões
mundiais. Em plano geral, após absorver o conhecimento técnico no
exterior, o momento era de difundi-lo e assim vários eventos
relevantes marcaram o período. A Academia da Força Aérea e a
Comissão de Desportos da Aeronáutica organizaram o I Simpósio
Nacional de Atletismo – Rio de Janeiro/1970, cujo objetivo era
equacionar novos caminhos para dinamizar a prática da modalidade
no país. Ainda em 1970, três Oficiais brasileiros, um de cada Força
Singular, partem para Dinamarca como observadores do IV
Campeonato de Orientação do CISM. Em seus relatórios
demonstraram a simplicidade que seria implantar aqui esta disciplina,
tão difundida na Europa, pois as Forças Armadas do Brasil já
praticavam tal atividade em suas instruções básicas. Daí em diante,
uma sucessão de fatos garantiram o sucesso da modalidade em
nosso país, até os dias atuais. Uma delegação brasileira disputou o
V Campeonato de Orientação do CISM – Noruega/71, no qual obteve
a nona colocação; no ano seguinte realizou-se o I Campeonato de
Orientação das Forcas Armadas – Rio de Janeiro/72; e para completar
o ciclo, a CDFA organizou o I Estágio de Orientação – Resende/75,
no qual atuaram como instrutores os três Oficiais que realizaram a
primeira viagem como observadores.
Entretanto, um evento que se poderia classificar como um “divisor
de águas” do conhecimento e aplicação da metodologia do
Treinamento Esportivo no Brasil ocorreu em 1972, na cidade do Rio
de Janeiro-RJ: o Estágio de Atualização Técnica da ACISM, tendo
como Secretário-Geral o Coronel Raul Mollet e organizado pela
CDFA, juntamente com o Departamento de Educação Física e
Desportos do Ministério da Educação e Cultura. O objetivo do Estágio
era a assimilação de conhecimento avançado em Treinamento
Esportivo e áreas conexas como fisiologia do esforço, cinesiologia,
medicina do esporte, etc. Nestas condições, inscreveram-se 356
participantes, professores universitários e militares, de todas as
regiões brasileiras, incluindo nomes dos mais destacados em
Educação Física, Esporte e Medicina do Esporte do país, naquele
estágio. Quatro temas centrais foram escolhidos: Atletismo,
Introdução à Metodologia da Pesquisa, Circuit Training e Medicina
Esportiva, os quais foram debatidos com alguns dos maiores
especialistas do assunto no mundo à época, como o Dr. Kenneth
Cooper, o Dr P. Rasch, J. Higgins e Coronel Frak Kobs, todos dos
EUA; o Coronel Raul Mollet – Bélgica; o Coronel Lélio Ribeiro –
Portugal; e o Professor Lamartine Pereira da Costa e o Dr. Maurício
Rocha, ambos do Brasil. Dentre os estagiários encontravam-se o
Professor Nuno Cobra, Capitão Arthur Telles Cramer Ribeiro,
Professor Fernando Tovar, Dr. Eduardo Henrique De Rose, Dra. Maria
Augusta Kiss e tantos outros que se tornaram, posteriormente, nomes
famosos no esporte brasileiro. No decorrer do evento, o Dr. Cooper,
ao fazer o lançamento de seu livro “Capacidade Aeróbica”, declarou:
“Em nenhuma outra época a Educação Física gozou de tanto
destaque, sendo considerada já como ciência. Não podemos descuidar
do aprimoramento dos técnicos que trabalham neste campo”. Uma
confirmação destas palavras veio do Chefe de Relações Públicas do
Estágio, em nota para a imprensa, ao resumir o significado do evento
para o esporte brasileiro: “...É um primeiro passo no rumo certo dos
bons resultados esportivos”.
Ainda na década de 1970, a CDFA permanece abrindo novas frentes
no cenário nacional. Realizou-se o I Campeonato de Futebol de Salão
das Forças Armadas – Belo Horizonte/70, como também o I
Campeonato de Tênis das Forcas Armadas – Brasília/70, em paralelo
com um calendário de outros eventos iniciados anteriormente. Para
o CISM, o Brasil continuou sendo um grande aliado na difusão do
esporte militar no continente. Portanto, por Decreto nº 72.659/73,
transforma-se a Subsecretaria do Conselho Internacional do Esporte
Militar para a América Latina em Escritório de Ligação do Conselho
Internacional do Esporte Militar para a América do Sul – ELAS/
CISM. No ano seguinte, o Brasil sediou a I Reunião do ELAS– Brasília/
74, com a participação de dez países Sul-Americanos, para lhes dar
esclarecimentos sobre a estrutura do CISM e a importância do
intercâmbio entre os países desse continente, a fim de incrementar
a prática esportiva na região. Também em destaque foi a tentativa
da CDFA, então sob a presidência do Coronel Dickson Melges Grael
(Exército), pai dos irmãos Grael, atletas olímpicos de vela, em realizar
o I Campeonato Brasileiro de Pára-quedismo das Forças Armadas –
Rio de Janeiro/76. Porém, o evento não ocorreu devido às condições
meteorológicas desfavoráveis, que se concretizou no ano seguinte,
em Casa Branca – SP, com uma grande homenagem a Charles Astor,
precursor do Pára-quedismo no Brasil.
meio civil no Brasil em seus avanços no esporte e na Educação
Física. Em que pese a redução de disponibilidades financeiras nas
Organizações Militares em geral – também ocorrida em anos recentes
– houve soluções para cumprir o Calendário Desportivo Militar
nacional e internacional, bem como para preservar o nome e tradição
dessa tão relevante instituição militar para o esporte nacional, por
parte de seus membros. Para esta tarefa, fundamental foi o apoio
das entidades que, de alguma forma, relacionaram-se com a CDMB,
como os Comandos da Marinha, Exército e Aeronáutica que sempre
contribuíram na mobilização dos atletas e custeio das missões de
representação do país no exterior, e como o Ministério do Esporte e
o Comitê Olímpico Brasileiro que têm reconhecido a importância do
esporte militar para o desenvolvimento da atividade no Brasil e as
possibilidades futuras de contribuição em todas as formas de
manifestação da atividade física.
Em resumo, identifica-se a segunda metade da década de 1970
como o primeiro “ponto de inflexão” nos rumos do esporte militar
ao redor do mundo, pois a comunidade civil inicia o investimento
maciço em pesquisas no campo da performance, como também na
prática da atividade física pelo cidadão comum, em suas horas de
lazer e até mesmo durante o trabalho. A medicina reconhece,
outrossim, a atividade física como uma aliada no tratamento das
doenças cárdio-respiratórias. No Brasil, repetiu-se tal tendência
desde que entidades universitárias passaram a desenvolver cursos
de pós-graduação em Educação Física, implementando pesquisas
e criando laboratórios e centros de excelência esportiva.
Hoje, em termos administrativos, a Comissão Desportiva Militar do
Brasil constitui-se um órgão do Ministério da Defesa, preservando
todos os seus objetivos iniciais. Cumulativamente, chefia o Escritório
de Ligação do CISM para a América do Sul e preside, também, a
União Desportiva Militar Sul-Americana. Mantém igualmente os
vínculos com as Forças Singulares, de forma sistêmica, por intermédio
das Comissões de Desportos da Marinha, do Exército e da
Aeronáutica, regulados pelas Normas Desportivas das Forças
Armadas, elaboradas durante as Reuniões de Coordenação e da
Alta Direção do Desporto Militar e aprovadas por Portaria Ministerial,
o qual prevê a execução de um calendário esportivo anual composto
de 17 modalidades, distribuídas em olímpicas (atletismo, basquetebol,
corrida através campo, esgrima, futebol, judô, natação, pentatlo
moderno, tênis, voleibol e triatlo) e propriamente militares (páraquedismo, orientação e pentatlo militar, pentatlo naval, pentatlo
aeronáutico e tiro). Neste contexto, os últimos Presidentes da CDMB
vêm envidando esforços no sentido de adequar o processo
administrativo à nova realidade do esporte nacional. Em
conseqüência, algumas medidas de curto, médio e longo prazo estão
sendo desenvolvidas, tal como no exemplo do Termo de Cooperação
Técnica com o Ministério do Esporte na elaboração, planejamento e
execução do Programa “Forças no Esporte”, que tem como objetivo
promover a integração social, a prevenção à doença e à marginalidade
e valorização da cidadania, como um processo social de
desenvolvimento. De acordo com a Tabela 1 adiante, as Forças
Armadas possuem instalações esportivas que, se ocupadas, em
oportunidades diversas, podem atender a mais de 30.000 crianças,
por período, abrangendo todas as regiões do Brasil.
Décadas de 1980 e 1990 Este período caracteriza-se pela
manutenção da vida vegetativa da CDMB e de tentativas de manter
o esporte militar como aliado das entidades gestoras civis na busca
de melhores resultados esportivos. Assim sendo, vários atletas de
nível nacional e internacional seriam revelados pelo esporte militar,
em diversas modalidades, como atletismo, judô, esgrima e outras.
Contudo, a mudança no cenário político nacional acarretou uma
diminuição de investimentos no setor militar. Conseqüentemente, o
esporte, como atividade meio, se ressentiu da falta de recursos para
continuar empreendendo da mesma forma que nas décadas
precedentes e entre novas soluções encontradas, começaram a surgir
convênios com empresas públicas e privadas na busca de patrocínio.
Paralelamente, as entidades gestoras do esporte nacional se
fortaleceram e buscaram no Congresso Nacional um caminho para
regulamentar a atividade física no País. Este momento se apresenta
como o segundo “ponto de inflexão” no caminho do esporte militar.
Sem representatividade no Congresso e com o surgimento da nova
legislação, os militares do esporte deixaram de pertencer ao Conselho
Nacional do Desporto, conseqüentemente, perdendo influência
política. Na sucessão dos acontecimentos, em 1996 ocorre a
regulamentação da profissão de Educação Física, um fato histórico
para a classe. No entanto, os Oficiais graduados pela Escola de
Educação Física do Exército perdem a permissão do Conselho Federal
para atuarem como profissionais no meio civil, o que demonstra,
mais uma vez, o desprestígio vivido pelo esporte militar.
Em conseqüência do esforço empreendido pelos dirigentes nacionais
do esporte de alta competição, aprova-se a lei que destina parte da
verba oriunda das loterias para o esporte olímpico e pára-olímpico,
alavancando a atividade no País. Surge o terceiro “ponto de inflexão”
do esporte militar, causado pela necessidade das entidades gestoras
do esporte brasileiro se adequarem administrativamente à nova
realidade financeira e de possibilidades que possam advir desse
fato. Esta fase – que naturalmente depende do ambiente externo a
CDMB – ainda continua em pauta nos dias presentes. Paralelamente,
o CISM passa por situação similar, pois o movimento de mudança é
mundial. No entanto, realizaram-se os I Jogos Mundiais – Roma/95,
para comemorar os cinqüenta anos de aniversário do término da
Segunda Grande Guerra. O evento foi um sucesso de tal monta que
a Assembléia Geral do CISM decidiu repeti-lo, de 4 em 4 anos,
sempre no ano anterior aos Jogos Olímpicos. O ápice dos Jogos
Mundiais do CISM ocorreu em Zagreb/99, pois contou com a
participação de 82 países, totalizando 6.734 atletas.
Situação atual Prevalece nos primeiros anos da presente década
a concepção da atividade física como um meio de preparação para o
exercício da profissão militar, como um instrumento de demonstração
de soberania, como uma ferramenta na busca e preparação de novos
talentos para comporem as representações e como um veículo de
inclusão social para boa parte da sociedade. Esta noção de inclusão
social foi adotada nos últimos anos pela CDMB acompanhando o
Visando a resultados a médio prazo, a CDMB tem buscado recursos
financeiros na parceria com empresas públicas e privadas capazes
de custear o Calendário Desportivo Nacional e Internacional, pois
a Comissão dispõe de um produto altamente vendável e de retorno
imediato para esses patrocinadores, isto é, de aliarem-se a uma
instituição de confiança no país, as Forças Armadas. Outra medida
importante, e que objetiva resultados mediatos, é a manutenção
do relacionamento de permuta com o Comitê Olímpico Brasileiro e
com as Confederações das diversas modalidades, para as quais,
desde a sua criação, a CDMB vem contribuindo na preparação de
equipes nacionais, na seleção de atletas militares para comporem
delegações brasileiras e na disponibilidade de pessoal especializado
para compor o efetivo das entidades em gestão esportiva. Por
exemplo, cabe ressaltar a criação da Confederação Brasileira de
Pentatlo Moderno, em 2002, iniciativa de militares, que consolidou
uma tradição esportiva brasileira iniciada nos Jogos Olímpicos de
Berlim-1936. Finalmente, após a criação de um Grupo de Estudos
no Ministério da Defesa, foi elaborada uma lista de emendas ao
Projeto de Lei que institui o Estatuto do Desporto a ser aprovado
pelo Congresso Nacional, que intenciona resgatar o prestígio do
esporte militar brasileiro, incluindo um representante deste
segmento no Conselho Nacional do Esporte, tendo sido nomeado
pelo Ministério do Esporte o Capitão-de-Mar-e-Guerra José Paulo
Chaves Lino da Comissão Desportiva Militar do Brasil.
Internacionalmente, o esporte militar, apesar das mudanças
ocorridas, mantém-se relevante em sua importância. Nos Jogos
Olímpicos de Sidney-2000, 21% do total das medalhas distribuídas
destinaram-se a atletas militares considerando-se todos as nações
em disputa. No Brasil, os atletas militares são reconhecidos pela
organização e participação em eventos nacionais esportivos e
internacionais de representação do país (Tabela 2), destacando-se
nas modalidades de atletismo, judô, pentatlo aeronáutico militar e
pentatlo militar. Nesta última modalidade alcançou-se a excelência
DACOSTA, LAMARTINE (ORG.). A T L A S
DO ESPORTE NO BRASIL.
RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006
4.19
esportiva: a seleção nacional sagrou-se 8 vezes campeã sulamericana e 7 vezes campeã mundial, com destaque para os atletas
Capitão Nilo e Sargento Bandeira (Exército) e Sargento Carlos
Silva (Marinha).
Participação da mulher no esporte militar Entre os marcos
históricos da CDMB, destaca-se a inclusão da mulher no esporte
militar, que se projeta nos dias presentes. O ingresso da mulher
nas Forças Armadas Brasileiras se deu a partir de 1981, e em seus
efetivos, surgiram algumas profissionais de Educação Física, que
assumiram funções técnicas e administrativas na gestão do esporte
Box 1
União Desportiva Militar Sul-Americana –
UDMSA Em 1940, a Federação Desportiva Militar
Argentina criou o Pentatlo Militar Sul-Americano, com as
mesmas provas do Pentatlo Moderno Mundial, cujas
competições seriam levadas a efeito pela Confederação
Sul-Americana de Atletismo. Em sua terceira Edição, a
delegação da Argentina apresenta um anteprojeto de
criação da Confederação, o qual seria aprovado em 9 de
maio de 1952, durante a sessão do Congresso Ordinário
do VI Campeonato de Pentatlo Militar – Buenos Aires.
Em 1958, cria-se o Estatuto que regula as ações dessa
União Desportiva e que vem sofrendo modificações ao
longo dos anos. Prevê este Estatuto que a sede da
Presidência da UDMSA, em forma de rodízio e por ordem
alfabética, percorrerá os países membros a cada dois anos.
Filiam-se hoje à UDMSA: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile,
Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela,
que se reúnem a cada dois para as competições de Pentatlo
Militar e para o Festival Sul-Americano de Cadetes,
composto de cinco modalidades: Tiro, Judô, Esgrima,
Natação e Atletismo. O Brasil é hegemônico na conquista
desses Campeonatos.
militar. Com um número muito reduzido em seu contingente inicial,
somente em 1987 inicia-se a participação feminina nos
Campeonatos Nacionais Militares. Inicialmente na modalidade de
Tiro, pois, sua prática compõe o currículo básico da profissão e em
um segundo momento, nos Campeonatos de Cross Country, pela
facilidade técnica e prática do esporte. Logo em seguida se
sucederam a Natação, a Vela e o Triatlo. Com o ingresso das
mulheres na Academia da Força Aérea intensificou-se a prática da
corrida de orientação entre o Corpo Feminino das Forcas Armadas
brasileiras. Atualmente, a mulher ocupa funções relevantes na
gestão esportiva militar, como a Capitão-de-Fragata Angela de
Carvalho Lage, atual Assessora da CDMB para assuntos
relacionados ao esporte militar internacional, que surge como a
primeira mulher militar a ocupar um cargo nesta Comissão. Com o
passar dos anos, as mulheres atletas militares alcançaram níveis
de performance nacionais e internacionais, hoje compondo seleções
brasileiras, como no tiro, judô e orientação.
Fontes: Arquivos da CDMB; Major Carlos Eduardo Ilha dos
Santos e Capitão-de-corveta José Ferreira de Barros para os
dados da Tabela 1.
Tabela 1 / Table 1
Disponibilidades de instalações esportivas militares para Projetos de Inclusão Social, 2003*
Availability of military sport facilities for social inclusion projects per Armed Force and type of facility, 2003*
* Capacidade: atendimento de 32.058 crianças / hora em todas as regiões do Brasil / Capacity of hosting: 32,058 children / hour in all regions of Brazil
Tabela 2 / Table 2
Eventos esportivos da CDMB – organização e participação, 1951 – 2003
CDMB sports events – organization and participation, 1951 – 2003
Box 2
Conselho Internacional do Desporto Militar – CISM
Após a Segunda Grande Guerra os EUA criaram o Conselho
Desportivo das Forças Aliadas, reunindo 12 países em torno de
um ideal de congraçamento por intermédio da prática desportiva.
Desfavorecido pelo momento político, o Conselho perde forças e
se desfaz. Em 1948, representantes da Bélgica, Dinamarca, França,
Luxemburgo e Holanda impulsionados pelo moto: “Amizade
através do Desporto”, criam uma nova organização com as mesmas
características e objetivos, denominada Conselho Internacional
do Desporto Militar – CISM, que atualmente congrega 127 países,
4.20
DACOSTA, LAMARTINE (ORG .). A T L A S
DO ESPORTE NO BRASIL.
RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006
surgindo como a terceira maior entidade desportiva do mundo e
com sede em Bruxelas – Bélgica. Administrativamente, o CISM
estrutura-se da seguinte forma: 1 Presidente, 4 Vice-Presidentes
(África, Europa, América e Ásia), 10 membros do Quadro de
Diretores, 1 Secretário-Geral, 1 Tesoureiro, 8 Presidentes de
Comissões (Regulamento, Planejamento, Esportes, Solidariedade,
Medicina Esportiva, Finanças, Disciplina e Feminina), 24 Comitês
Técnicos divididos em esportes propriamente militares, esportes
individuais e coletivos, 12 Escritórios de Ligação distribuídos nos
continentes africano, asiático, europeu e americano e 127 Chefes
das Delegações dos países membros. Até a década de 1970, o
CISM teve grande participação no desenvolvimento e difusão
dos métodos utilizados no treinamento desportivo, por
intermédio da Academia do CISM – ACISM, responsável pela
realização de simpósios, congressos, e estágios, ao redor do
mundo. Atualmente, isso acontece com um impacto menor no
meio desportivo devido ao progresso da pesquisa no meio civil.
Hoje, o CISM é reconhecido pela UNESCO como órgão consultor
para assuntos relacionados ao esporte e pela ONU como parceiro
na difusão da paz pelo mundo.
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