INTERVENÇÃO PROFISSIONAL JUNTO À FAMÍLIA NO CONTEXTO DO
CENTRO DE REFERÊNCIA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL-CRAS UNIDADE 26 DE
OUTUBRO-PONTA GROSSA/PR
Área: Serviço Social
Categoria: PESQUISA
Juliana Aparecida Souza dos Santos
Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa/PR, [email protected]
Jussara Ayres Bourguignon
Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa/PR, [email protected]
Resumo
A presente pesquisa tem por objetivo compreender o desenvolvimento da prática profissional
da equipe do Centro de Referência da Assistência Social Unidade 26 de Outubro do
Município de Ponta Grossa/Paraná, em relação às famílias em situação de vulnerabilidade
social, bem como sistematizar o desenvolvimento da prática profissional da equipe do CRAS
26 de outubro; especificar o trabalho realizado com famílias em situações de vulnerabilidade
social e descrever o trabalho da equipe em relação à matricialidade sociofamiliar na
operacionalização do trabalho no CRAS. Para tanto realizamos a contextualização da Política
de Assistência Social, momentos em que foram estudados os principais aspectos relacionados
às transformações societárias da realidade brasileira na contemporaneidade, marcados pela
Constituição Federal de 1988 ate o início do século XXI. Caracterizamos a família na
sociedade contemporânea, visto as transformações que ocorreram nas configurações e
arranjos familiares, priorizando a realidade das famílias que se encontram em situação de
vulnerabilidade social e procuram o atendimento no CRAS. Assim configuramos a Política de
Assistência Social no município de Ponta Grossa através do CRAS e das ações de sua equipe
de profissionais.
Palavras-chaves: Política Pública de Assistência Social – Intervenção Profissional com
Famílias – Centro de Referência de Assistência Social
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL JUNTO À FAMÍLIA NO CONTEXTO DO
CENTRO DE REFERÊNCIA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL-CRAS UNIDADE 26 DE
OUTUBRO-PONTA GROSSA/PR
Área: Serviço Social
Categoria: PESQUISA
Juliana Aparecida Souza dos Santos
Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa/PR, [email protected]
Jussara Ayres Bourguignon
Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa/PR, [email protected]
Resumo
A presente pesquisa tem por objetivo compreender o desenvolvimento da prática profissional
da equipe do Centro de Referência da Assistência Social Unidade 26 de Outubro do
Município de Ponta Grossa/Paraná, em relação às famílias em situação de vulnerabilidade
social, bem como sistematizar o desenvolvimento da prática profissional da equipe do CRAS
26 de outubro; especificar o trabalho realizado com famílias em situações de vulnerabilidade
social e descrever o trabalho da equipe em relação à matricialidade sociofamiliar na
operacionalização do trabalho no CRAS. Para tanto realizamos a contextualização da Política
de Assistência Social, momentos em que foram estudados os principais aspectos relacionados
às transformações societárias da realidade brasileira na contemporaneidade, marcados pela
Constituição Federal de 1988 ate o início do século XXI. Caracterizamos a família na
sociedade contemporânea, visto as transformações que ocorreram nas configurações e
arranjos familiares, priorizando a realidade das famílias que se encontram em situação de
vulnerabilidade social e procuram o atendimento no CRAS. Assim configuramos a Política de
Assistência Social no município de Ponta Grossa através do CRAS e das ações de sua equipe
de profissionais.
Palavras-chaves: Política Pública de Assistência Social – Intervenção Profissional com
Famílias – Centro de Referência de Assistência Social
1 - PERCURSO METODOLÓGICO DA PESQUISA
A motivação para esta pesquisa tem sua base no desenvolvimento da prática de
estágio curricular I e II realizado no período de 2007 a 2008 no Centro de Referência da
Assistência Social – CRAS Unidade 26 de Outubro do Município de Ponta Grossa, onde
participamos das atividades da equipe de profissionais junto às famílias referenciadas.
Observamos durante o estágio a dificuldade de entendimento sobre as funções de cada
profissional no contexto da equipe multiprofissional.
Através desta pesquisa buscamos conhecer a intervenção profissional da equipe do
CRAS 26 de Outubro em relação às famílias em situação de vulnerabilidade social, posto que
o trabalho do CRAS é proposta nova de ação no contexto do SUAS.
Assim sendo, o trabalho apresenta como objetivo geral compreender o
desenvolvimento da prática profissional da equipe do CRAS 26 de outubro em relação às
famílias em situações de vulnerabilidade social. Como objetivos específicos definimos: sistematizar o desenvolvimento da prática profissional da equipe do CRAS 26 de outubro; especificar o trabalho realizado com famílias em situações de vulnerabilidade social; descrever o trabalho da equipe em relação à matricialidade sociofamiliar na operacionalização
do trabalho no CRAS.
O universo da pesquisa foi o CRAS 26 de Outubro, sendo que os sujeitos
participantes da mesma foram os profissionais que compõem a equipe de trabalho. Portanto
para desenvolvimento da pesquisa empírica, foram selecionados todos os profissionais da
equipe, sendo que os sujeitos constituem-se em: Coordenador, Assistente Social, Psicólogo e
Pedagogo.
Os procedimentos metodológicos desenvolvidos foram: pesquisa bibliográfica, para
a compreensão dos processos históricos de transformação da família brasileira, bem como da
Política Pública de Assistência Social, destacando o eixo da matricialidade sociofamiliar; o
estudo documental objetivando caracterizar o CRAS – campo empírico da investigação; a
observação participante para acompanhamento da dinâmica dos trabalhos.
Realizamos a aplicação de questionário a três dos sujeitos e uma entrevista conforme
a solicitação do profissional que não se adaptou ao questionário, os mesmos foram realizados
mediante termo de consentimento livre e esclarecido, o qual garante a preservação da
identidade dos sujeitos e respeitando os princípios éticos orientadores da pesquisa acadêmica.
O material empírico coletado foi sistematizado através da Análise de Conteúdo que
conforme Rizzini et al, (1999, p. 91), “é uma técnica de investigação que têm por objetivo ir
além da compreensão imediata e espontânea, ou seja, ela tem como função básica a
observação mais atenta dos significados de um texto”.
Os resultados qualitativos e quantitativos fizeram parte da interpretação do texto, os
procedimentos utilizados na Análise de Conteúdo “são diversificados, o qual depende do
objeto e do objetivo do pesquisador”. (RIZZINI et al, 1999, p. 94). Assim sendo identificamos
as categorias empíricas a serem estudas e a partir delas buscamos articular o referencial
teórico construído com o material organizado.
2 - REFLEXÕES SOBRE A POLÍTICA PÚBLICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
Em um primeiro momento, buscamos para esta pesquisa contextualizar a Política
Nacional de Assistência Social – PNAS na realidade brasileira, considerando as
transformações marcadas pelo sistema capitalista, ocorridas no âmbito econômico, social e
político. Podemos perceber que essas transformações abalaram a vida e as condições materiais
da classe trabalhadora, esses processos são demonstrados nas expressões da questão social,
manifestada na sociedade atual nas relações entre Estado/sociedade civil/mercado.
As políticas sociais mesmo em seu caráter universal e igualitário de direitos não foi
capaz de acabar com as desigualdades sociais. Nesse sentido, o Estado em relação às políticas
sociais assume o caráter de regulador, onde apóia e organiza a reprodução das relações
sociais.
No Brasil, as ações assistenciais foram praticadas por meio de ações filantrópicas e
benemerentes, em busca da solidariedade ao outro. Observamos historicamente que a
assistência desenvolveu-se por meio de ações caritativas, desde o princípio a assistência no
Brasil recebeu características de ajuda, que visavam ações assistenciais emergenciais e
pontuais.
A Assistência Social, de acordo com Yasbek (1996, p. 50), “historicamente tem sido
uma das estratégias acionadas pelo Estado para enfrentar a questão social, e não se dissocia,
portanto, das relações que caracterizam a sociedade de classes”. É abordada como ajuda
pontual a grupos mais vulnerabilizados, constituindo em um grupo de ações do Estado, junto
às classes subalternizadas. Yasbek (1996, p. 53) coloca que “o assistencial é neste sentido
campo concreto de acesso a bens e serviços, enquanto oferece uma face menos perversa ao
capitalismo [...]”.
A Constituição de 1988 reconhece a Assistência Social como direito. Em seu artigo
194 do capítulo II da Seguridade Social, dispõe que a Assistência Social faz parte do “[...]
conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade [...]” junto com
a Saúde e a Previdência Social. A seguridade social, conforme Simões (2008, p. 101)
constitui-se em uma “instituição político-estatal, [...] com o objetivo da ação social que, na
Saúde, na Previdência e na Assistência Social, assegure à população os denominados mínimos
sociais”.
Portanto, a Constituição Federal de 1988 consolidou as conquistas dos direitos
sociais, ampliando os mesmos. Representou um avanço em direção a moderna e democrática
concepção de seguridade social, com o tripé da saúde, assistência social e previdência social.
Logo, a Assistência Social reconhecida como direito do cidadão pela Constituição
Federal de 1988 é regulamentada pela Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS lei 8.742,
de 7 de setembro de 1993 em que fica instituída como política pública sobre o princípio da
universalidade e legitimidade dos benefícios
Com a LOAS inicia-se um processo de tornar a Assistência Social visível como
política pública. Superando o assistencialismo e ações de filantropia com a profissionalização
de suas atividades no atendimento a demanda social. A LOAS configura-se como direito e
possibilidade de reconhecimento público para os usuários que dela necessitam.
Outro marco histórico e recente para consolidação da Assistência Social como
política pública, é a IV Conferência Nacional de Assistência Social, realizada em dezembro
de 2003, em Brasília, que define a implementação do Sistema Único de Assistência Social –
SUAS e aprova a Política Nacional de Assistência Social.
Em decisão do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS, da
Secretaria Nacional de Assistência Social e Conselho Nacional de Assistência Social a
Política Nacional de Assistência Social – PNAS é elaborada, aprovada e torna-se pública em
2004.
A PNAS promove a defesa dos interesses e necessidades sociais das famílias, e seus
membros especialmente aqueles mais empobrecidos e excluídos da sociedade, legitimando as
possibilidades de reconhecimento das demandas de seus usuários. Organiza suas ações em
níveis de proteção social a famílias, membros e indivíduos que se encontram vitimizadas,
fragilizadas, em situações de risco e vulnerabilidade, decorrentes de imposições sociais,
econômicas ou políticas. Diante disto, configura-se em proteção social básica e proteção
social especial.
A proteção social básica objetiva a prevenção de situações de riscos, destina-se a
população que vive em situação de vulnerabilidade social ou por fragilização de vínculos, que
visa o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários.
Podemos perceber que com a consolidação da Assistência Social como Política
Pública, com a implementação do SUAS e a aprovação da PNAS, a Assistência Social
contribui para o reconhecimento dos direitos universais básicos e especiais destinados a quem
necessitar, expondo a importância de um sistema de universalidade e seletividade, definindo e
organizando elementos para a execução da assistência social.
A base da Política Nacional da Assistência Social é a Matricialidade Sociofamiliar,
que coloca a família como foco de atenção, independente dos formatos e modelos. O
reconhecimento da importância da família no contexto da vida social, referido na Constituição
Federal do Brasil em seu artigo 226, coloca que a “família, base da sociedade, tem especial
proteção do Estado”. (BRASIL, 2005, p. 41).
A questão da Matricialidade Sociofamiliar tem destaque na Política de Assistência
Social, sendo que “[...] repousam no pressuposto de que para a família prevenir, proteger,
promover e incluir seus membros é necessário, [...] garantir condições de sustentabilidade
para tal”. Sendo assim a política de Assistência Social ajusta-se nas necessidades das famílias
e seus integrantes. (BRASIL, 2005, p. 41).
Segundo o SUAS (BRASIL, 2005): A família independente dos formatos que
assume é mediadora das relações entre sujeitos e a coletividade, delimitando continuamente
os deslocamentos entre o público e o privado, sendo geradora de modalidades comunitárias
de vida. Na sociedade capitalista a família é fundamental no âmbito da proteção social. As
novas feições da família estão intrínseca e dialeticamente condicionadas às transformações
societárias contemporâneas, as transformações econômicas e sociais, de hábitos e costumes e
ao avanço da ciência e da tecnologia.
3 – ASPECTOS ESSENCIAIS
VULNERABILIDADE SOCIAL
DA
FAMÍLIA
CONTEMPORÂNEA
E
Para fins desta pesquisa caracterizamos a família na sociedade contemporânea, visto
as transformações que ocorreram nas configurações e nos arranjos familiares, priorizando a
realidade das famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade social e procuram o
atendimento do Centro de Referência da Assistência Social – CRAS, através das ações de sua
equipe de profissionais.
Notamos que no cenário em que estamos inseridos novas formas de organizações e
arranjos familiares vêm configurando-se, sendo resultado de processos de transformações
econômicas, sociais, culturais e políticas que interferem nos valores e relações que pautam a
família.
Ao longo do tempo a família foi caracterizando-se como um espaço de inserção
social, onde reproduz a sociabilidade da família: os primeiros vínculos entre os indivíduos,
espaço de construção dos sentimentos, afetos, mas também um espaço de reprodução das
desigualdades, sofrimentos, carências.
Procuramos enfatizar a família atual, analisando os dados estatísticos presentes
atualmente. Os dados da PNAD (apud IBGE, 2008) revelam que, a consangüinidade é o eixo
principal de união das pessoas que vivem juntas: 88,6% dos arranjos familiares são de pessoas
com parentesco. Destes, 48,9% é do tipo casal com filhos, a qual se observa uma queda
principalmente em relação à fecundidade. Em 1997, este tipo atingia 56,6%, enquanto a
proporção do tipo constituído por casal sem filhos cresceu, passando de 12,9%, para 16,0%
em 2007.
O IBGE coloca que houve também um crescimento na proporção de pessoas que
vivem sozinhas (8,3% para 11,1%), sendo fruto da redução das taxas de mortalidade e do
aumento da esperança de vida, especialmente para as mulheres.
Em relação às mulheres vêm acontecendo várias mudanças principalmente em seu
comportamento social, com a maior participação no mercado de trabalho, a elevação na
escolaridade e a redução da fecundidade, sendo que a taxa de fecundidade da região Sul conta
com uma porcentagem de 1,78%; no Paraná esse índice é de 1,82%, esses são elementos
fundamentais para essas mudanças,
Entre 1997 e 2007, a proporção de mulheres em idade reprodutiva com filhos
nascidos vivos (15 a 49 anos de idade) manteve-se em torno dos 63%. Chama-se,
porém, atenção para a redução do número de filhos por mulher: em 1997, 25,8%
das mulheres tinham um filho só, passando essa proporção para 30,7%, em 2007.
(IBGE, 2008. p. 233).
Essas mudanças nas relações familiares levam inclusive às transformações de
vínculo, acarretando fragilização e maior vulnerabilidade da família no contexto social. Visto
os inúmeros tipos de configurações e organizações familiares, devemos ter clareza de cada um,
para apreender suas particularidades, sendo que com essas mudanças podem ocasionar
conflitos e tensões em seus vínculos familiares.
A família é uma construção, cada pessoa tem sua representação, faz parte das
experiências que é realizada no decorrer da vida, um local de estabelecimento de vínculos,
trocas, sentimentos. Observamos várias transformações, entre elas; fragilizações de vínculo,
sociais e familiares e vulnerabilidades da família no contexto social, assim percebemos a
necessidade de políticas voltadas ao atendimento das famílias, colocando-as como alvo das
políticas públicas, necessitando ser reconhecida e entendida como espaço de segurança e
convívio familiar.
As situações de vulnerabilidade social são agravadas pelo desemprego, pela falta de
oportunidade ocasionada pelo sistema capitalista e assim acarretando a falta de renda, pela
baixa escolaridade, o aumento das desigualdades sociais, as dificuldades de satisfazer as
necessidades da família criam situações de vulnerabilidade tanto econômica quanto social.
As vulnerabilidades sociais são expressas na pobreza, na baixa escolaridade, no
desemprego, mas também podem ser observadas nas questões de gênero, cor/raça, nas
questões pertinentes a moradia e outras necessidades especiais, que são fatores que aumentam
a tendência às situações de exclusão social. (SILVA, 2005).
Alguns autores colocam o termo vulnerabilidade relacionados a processos de
exclusão, discriminação ou enfraquecimento dos grupos sociais e sua capacidade de reação.
Segundo Wanderley (1997, p. 74);
[...] exclusão social tornou-se familiar no cotidiano das mais diferentes sociedades.
Não é apenas um fenômeno que atinge os países pobres. Ao contrário, ela sinaliza o
destino excludente de parcelas majoritárias da população mundial, seja pelas
transformações do mundo do trabalho, seja por situações decorrentes de modelos e
estruturas econômicas que geram desigualdades absurdas de qualidade de vida.
Existem situações, valores, costumes, que acabam por excluir as pessoas. Devemos
pensar a exclusão como um fenômeno tanto de ordem individual/pessoal como social.
Conforme Demo (2003, p. 36): “[...] Exclusão social mais drástica não é só não conseguir
alçar-se à condição de sujeito capaz de comandar seu destino. Nega-se não só acesso material,
mas principalmente a autonomia emancipatória”.
As desigualdades sociais, a pobreza, o desemprego, problemas desse porte, cada vez
mais aumenta e assim os números de excluídos também crescem, por diversas transformações
em relação ao trabalho e sua precarização, dentre outros fatores.
Ainda de acordo com Wanderley (1997, p. 79);
Um pouco mais de rigor se impõe, portanto, ao uso da noção de exclusão, uma vez que
parte das situações classificadas como tal resultam das vulnerabilidades decorrentes
das transformações que se operam no mundo do trabalho, degradando as relações de
trabalho e os sistemas de proteção correlatos, ou seja, da situação de crise da sociedade
salarial. Pode-se, assim, falar com mais propriedade de noções como vulnerabilização,
precarização, marginalização, procedendo-se a uma distinção cuidadosa dos processos
de exclusão daqueles outros componentes constituintes da questão social
contemporânea, na sua globalidade.
As famílias pobres1 estão cada vez mais ameaçadas, seja pelo desemprego, que
inviabiliza a sua produção econômico-financeira e o provimento da família, gerando as
carências. Essas famílias muitas vezes são reprimidas à baixa escolaridade ou analfabetismo e
assim a baixa qualificação profissional, submetendo-se a grande precarização do trabalho.
Em relação à pobreza2, os números vêm diminuindo, porém continua afetando com
mais intensidade às crianças e adolescentes. Em 2007, a PNAD (apud IBGE, 2008) revelou que
30,0% dos brasileiros viviam com um rendimento mensal familiar de até ½ salário mínimo per
capita3. Entre as crianças e adolescentes, o índice de considerados pobres é ainda maior, na
idade entre 0 a 17 anos de idade a proporção é de 46%.
“A contundência da pobreza afeta as famílias de forma desagregadora, gerando
demandas sociais cada vez mais complexas”. (IPARDES, 2003, p. 03).
O quadro abaixo indica a estimativa realizada pelo IPARDES (2003), em que havia
no Paraná no ano de 2000, um total de 2.824.383 famílias no Estado, sendo que 589.420
famílias em situação de pobreza4, que representa uma taxa de pobreza5 de 20,87%. Do total de
famílias pobres 67,07% residem na área urbana e 32,93% na área rural, as famílias pobres
envolvem um total de 2.322.578 pessoas.
1
Uma família ou pessoa é considerada pobre quando vive numa situação de privação de renda e também de
privação de outros recursos necessários para obter uma situação de vida que permita que ela desempenhe seus
papeis, cumpra seus deveres, participe das relações sociais e compartilhe costumes da sociedade em que vive.
(Conselho Municipal de Assistência Social do Município de Ponta Grossa, 200-).
2
Para o IBGE, consideram-se pobres, as pessoas que vivem com rendimento mensal familiar de até ½ salário
mínimo per capita. (IBGE, 2008).
3
A renda familiar mensal per capita representa a soma de todos os rendimentos da família (salário, poupança,
benefícios da seguridade social, entre outros), dividida pelo número de seus membros. (IBGE, 2008).
4
Conforme o IPARDES, pessoas em situação de pobreza é a população calculada em função da renda familiar
per capita de até 1/2 salário mínimo. Os dados referentes à situação de Pobreza são provenientes dos micro dados
do Censo Demográfico (IBGE) e das Tabulações especiais feitas pelo IPARDES.
5
Taxa de pobreza indica o percentual de famílias pobres no total de famílias do Estado.
QUADRO 01 – NÚMERO E DISTRIBUIÇÃO DE FAMÍLIAS E PESSOAS POBRES,
SEGUNDO A SITUAÇÃO DE DOMICILIO NO ESTADO DO PARANÁ-2000
UNIDADE DE ANÁLÍSE
Famílias
FAMÍLIAS POBRES
TOTAL DE FAMÍLIAS
589.420
2.824.383
Urbano (%)
67,07
85,97
Rural (%)
32,93
17,03
Pessoas
2.322.578
9.530.071
Urbano (%)
64,52
81,36
Rural (% )
35,48
18,64
FONTES: IBGE - Censo Demográfico (micro dados); IPARDES - Tabulações Especiais
No que diz respeito às famílias pobres, segundo o IPARDES (2003) a maioria dos
chefes de famílias pobres possui entre 24 e 44 anos, em que representa 54,10% do total de
responsáveis. O Censo Demográfico constatou que 226 mil jovens eram responsáveis por
algum tipo de família no Paraná, em 2000, representando um total de 8,00 % das famílias.
Considerando apenas as famílias pobres a participação de jovens aumenta atingindo 12,32%.
As mulheres chefes de famílias com idade até 24 anos representam 4,8 %, constata-se que
24,51% das mulheres chefes de famílias contam com a renda familiar per capita de até ½
salários mínimos.
Segundo os dados do IPARDES (2003), conforme a contagem da população do IBGE
de 2007, Ponta Grossa6 conta com 306.351 habitantes, dentre estes constatou que possui
15.075 famílias em situação de pobreza, entre elas 59.349 pessoas nessa situação, em que
registra 18,55% de taxa de pobreza.
De acordo com o Plano Municipal de Assistência Social (SETP, 2008), o município
conta com aproximadamente 19.000 famílias cadastradas em Programas de Transferência de
Renda do Governo Federal – CadÚnico, a Divisão de Ação Comunitária – DAC registrou
aproximadamente 8.200 famílias residentes em ocupações irregulares e calcula-se, segundo
dados do IPARDES que aproximadamente 10.000 famílias estão abaixo da linha de pobreza.
Um dos indicadores que é utilizado para verificar e comparar a situação de
desenvolvimento social dos municípios é o IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano
Municipal), conforme o IPARDES o IDH – M7 igual ou superior a 0, 800, é considerado de
alto desenvolvimento, em sua maioria de médio e grande porte populacional8, vale destacar que
dos 399 municípios do Paraná, 24 possuem IDH – M igual ou superior a 0, 800 sendo que
6
Ponta Grossa está localizada na região dos Campos Gerais, no segundo Planalto paranaense, a cidade tem suas
raízes no tropeirismo, e nos caminhos da estrada de ferro, símbolos históricos e marcos referencial.
(PREFEITURA MUNICIPAL DE PONTA GROSSA, 2009).
7
“O IDH-M foi criado para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em 1990, e incorpora três
dimensões básicas do desenvolvimento: longevidade, educação e renda. Para cada dimensão há um índice
específico IDH-E (educação), IDH-L (longevidade) e IDH-R (renda), cuja média aritmética simples resulta no
IDH-M. Esses índices variam de 0 a1, sendo 1 a posição correspondente à melhor condição de
desenvolvimento”. (IPARDES, 2003, p. 06).
8
Conforme a Política Nacional de Assistência Social entende-se município de médio porte aquele cuja
população é de 50.001 a 100.000 habitantes e o município de grande porte é aquele cuja população é de 101.000
habitantes até 900.000 habitantes. São os mais complexos na sua estruturação econômica, pólos de regiões e
sedes de serviços mais especializados. Apresentam grande demanda por serviços das varias áreas de políticas
públicas. A rede socioassistencial deve ser, mas complexa e diversificada, envolvendo serviços de proteção
social básica, bem como uma ampla rede de proteção especial.
agrupam 126.679 famílias pobres, as quais representam 21,49% do total de famílias com renda
familiar per capita até 1/2 salário mínimo no Paraná. (IPARDES, 2003).
O IDH-M do município de Ponta Grossa é de 0, 804, sendo que é um dos 24
municípios em que é superior a 0,800, considerado de alto desenvolvimento humano, essa
confirmação ocorre por sua condição mais urbanizada e de pólo regional em que assegura a
oferta de serviços e renda, mesmo que ainda não seja o suficiente. Os componentes do IDH-M
são a esperança de vida ao nascer, taxa de alfabetização de adultos, taxa de freqüência escolar e
renda per capita, no Estado do Paraná observamos que o melhor desempenho está associado
especialmente à realização de políticas públicas na área da educação. (IPARDES, 2004).
Garantir condições educacionais é uma das formas para proporcionar a queda nas
taxas de desigualdade social, sendo assim, inserindo os indivíduos no contexto social. “[...] A
sociedade atual produz ativamente realidades que são desqualificadas [...] e essa educação, por
mais progressista que seja, seus profissionais acabam por ser agente de conformismo, quando
influenciados pelos interesses dominantes. [...]”. (MENIN; SOUZA, 2002, p. 134).
Condições melhores no sistema educacional bem como sua expansão garantem
melhor produtividade no trabalho garantindo assim melhores condições de salários,
promovendo melhor igualdade e interferindo nas situações de pobreza. (DEMO, 2003).
Com relação ao que foi abordado podemos concluir que “a família tem uma posição
importante no processo de reprodução da vida social e é um sujeito coletivo a ser cuidado”.
Observamos nas últimas décadas mudanças em seu comportamento social no qual exige
diversas respostas das famílias, que nem sempre são possíveis, por dificuldades e carências.
(TOLEDO, 2007, p. 41).
A família é alvo das políticas públicas, visto as grandes transformações ocorridas,
houve a “complexização das demandas das famílias”, aumentou as responsabilidades, os
riscos sociais, a fragilização dos vínculos afetivos, o medo do desemprego, a falta de
oportunidade pela baixa escolarização, bem como pela falta de qualificação profissional, onde
cada vez mais o empregador exige habilidades e aperfeiçoamento do trabalhador. (TOLEDO,
2007, p. 35).
Segundo Toledo (2007, p. 32) “a família foi recuperada como coadjuvante do Estado
no sistema de proteção social na esteira da crise do Estado de Bem-Estar-Social”. Sendo
assim a parceria entre família e Estado implica em cuidar da família para que a mesma cuide
de seus membros.
A política de enfrentamento das questões sociais implica em novas formas de
relação entre Estado/sociedade/família. As políticas públicas estão permeadas em um campo
de tensão da prática entre a qualidade de vida e as necessidades da população. Conforme
Toledo (2007, p. 40);
[...] As políticas públicas deixam um rastro de insuficiência quando direcionam os
programas de atenção e proteção pela perspectiva da parceria solidária e o
privilegiamento de condições extremas de vulnerabilidade e risco social, apesar
dessa situação atingir parcelas significativas da população.
As diferentes conjunturas que a família vem passando, acarreta a fragilização dos
laços familiares e leva as famílias a situações ou momentos de vulnerabilidade social, sendo
assim o SUAS coloca como um dos níveis de proteção as família a proteção social básica em
que se referem ao enfrentamento das vulnerabilidades, riscos, vitimizações, fragilidades
ocasionadas a indivíduos e família na sua trajetória de vida, por decorrência de questões
sociais, econômicas, políticas e de ataques a dignidade humana.
A Política Nacional de Assistência Social - PNAS sinaliza o reconhecimento da
família de seus membros, e de seus direitos. A família é entendida como espaço de segurança
e convívio familiar. As situações de vulnerabilidades foram objetivadas por um conjunto de
indicadores relativos às adversidades que atingem as famílias. De acordo com Toledo (2007,
p. 42) “[...] Esta objetivação depende do seu reconhecimento e fortalecimento como um
sujeito de direitos e sua inclusão como prioridade nas políticas públicas”.
4 - RESGATE HISTÓRICO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL NO MUNÍCIPIO DE
PONTA GROSSA
Ponta Grossa é marcada por entidades filantrópicas, apontando a tradição de
filantropia/caridade/benemerência, desde sua origem, definindo relações entre o público e o
privado, onde destina suas ações à população excluída e marginalizada do desenvolvimento
do município. A rede de Assistência Social do município de Ponta Grossa foi constituída
prioritamente por entidades privadas, com motivações religiosas e filantrópicas.
É no período de 30 que a política social começa a aparecer entrelaçando-se com as
intervenções estatais, “a partir dessa década o interesse do Estado é incentivar o processo de
industrialização, submetendo a Política Social à Política Econômica”. Esse período retrata o
processo de desenvolvimento das condições sociais e econômicas. (BOURGUIGNON, 1997,
p. 83).
Neste contexto da década de 30 e início de 40, que surge o Conselho Nacional de
Serviço Social – CNSS em 1938, a Legião Brasileira de Assistência – LBA em 1942, o
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI em 1942, o Serviço Social de
Indústria – SESI em 1946.
A partir da década de 40, Ponta Grossa passou por mudanças na política paranaense
que refletiu no desenvolvimento da realidade local. O período que vai da década de 50 até 70
é expressivo em relação ao surgimento de entidades assistenciais, dentre elas o SOS9, espaço
privilegiado das primeiras damas. (BOURGUIGNON, 1997).
No final da década de 60 e início de 70, ocorreu sob a lei municipal 2.157 em
13/09/69, a elaboração, aprovação e implantação do PLADEI – Plano de Desenvolvimento
Industrial de Ponta Grossa, “como incremento desta estrutura, cria-se o FUNDEI (Fundo de
Desenvolvimento Industrial), o qual deveria investir recursos do próprio Município em
programas administrativos e técnicos para o sucesso do Plano, [...]”. (BOUGUIGNON, 1997,
p. 91).
A administração pública até a década de 70 preocupou-se com o “desenvolvimento
de uma infra-estrutura que viabilizasse o crescimento industrial e comercial. O social
caminhou à mercê deste processo e foi objeto de atenção pública [...]”. (BOURGUIGNON,
1997, p. 98).
Na década de 70, “Ponta Grossa foi considerada Capital do Mendigo, devido ao fato
de muitas pessoas carentes passarem por aqui em busca de melhores condições de vida e
emprego”, não encontrando recorriam às obras de caridade e filantropia. (BOURGUIGNON,
1997, p. 96).
O período de 80 teve como foco de atenção o desenvolvimento industrial,
agropecuário e comercial, “caminhando de forma residual a questão da Assistência Social ou
surgindo como “interesse” devido a situações emergenciais”. (BOURGUIGNON, 1997, p.
103).
Em 1990 o desenvolvimento da Assistência Social em Ponta Grossa ocorre por meio
da Secretaria Municipal da Saúde e de Bem Estar Social, através do Departamento de Serviço
9
O Serviço de Obras Sociais foi fundado em Ponta Grossa em 13 de junho de 1973, o primeiro espaço oficial de
intervenção da primeira dama de Ponta Grossa, possuía a idéia de criar um órgão junto a Secretaria de Bem Estar
Social um órgão que visasse a promoção e a recuperação dos homens junto à sociedade. (BOURGUIGNON,
1997).
Social que comportava a Divisão de triagem da demanda social e Atendimento Social e
Divisão de Ação Comunitária. Em 19 de dezembro de 1990 por meio da lei n° 4.516, criou-se
o Centro de Ação Social, vinculado ao Departamento de Serviço Social, suas atribuições eram
concentrar e centralizar as redes administrativas e setores operacionais dos serviços de
Assistência Social, as fundações e instituições públicas e privadas do município.
Até 1992, a estrutura administrativa na área de Assistência Social foi vinculada a
Secretaria Municipal de Saúde e Bem Estar Social. Em 1996, esta secretaria passou a ser
reconhecida como Secretaria de Assistência Social, acompanhando o contexto trazido pela
LOAS, neste mesmo ano ocorreu a criação do Conselho Municipal de Assistência Social. A
LOAS (Lei n° 8.742/93) representa um avanço, supera a compreensão da Assistência fundada
no paternalismo, no clientelismo e na subalternidade, vêm como forma de garantir o sistema
descentralizado e participativo da Assistência Social. (BOURGUIGNON, 1997).
De acordo com Mira, Ponta Grossa em relação ao processo de implantação da
LOAS, ”no que diz respeito a criação dos Conselhos Municipais de Assistência Social –
CMAS, teve um grande avanço no ano de 1996, decorrente do reordenamento do fórum micro
regional de assistência social” e com o engajamento de outros órgãos no processo de
implantação da LOAS. (MIRA, 1998, p. 64).
Conforme relatório fornecido pelo Colegiado de Gestores Municipais de Assistência
Social do Estado do Paraná – COGEMAS, em 01 de setembro de 2004, gestores municipais
de Assistência Social reuniram-se em Curitiba, em reunião ordinária para tratar assuntos
relacionados à operacionalização da Política de Assistência Social do Paraná, em que
deliberou a elaboração de documentos de apreciação e avaliação da proposta da “Política
Nacional de Assistência Social – Sistema Único de Assistência Social, encaminhada pelo
Governo Federal através do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome –
MDS, em que visa o reordenamento das ações na área social”. (COGEMAS, 2004).
De acordo com a SETP 10 2006 e 2007, a organização e gestão da rede de proteção
social e especial ocorrem através de cadastramento da população usuária da Assistência
Social, do cadastramento da rede de serviços, e do cadastro único, da supervisão,
monitoramento sistemático e avaliação, articulação com outras políticas públicas com vistas à
inclusão dos usuários da Assistência Social, elaboração dos instrumentos de gestão.
Segundo a SETP 2006 as dificuldades encontradas pelo município na coordenação e
operacionalização da Política de Assistência Social são em relação ao co-financiamento das
ações, na contratação de recursos humanos, na comunicação com o governo estadual. Já no
ano de 2007 as dificuldades encontradas são: no co-financiamento das ações programáticas;
no foco das ações com centralidade na família; na contratação de recursos humanos na
interlocução (comunicação), com o governo estadual.
A Secretaria Municipal de Assistência Social de Ponta Grossa - SMAS tem como
finalidade planejar, coordenar e executar atividades referentes à assistência social no
Município de Ponta Grossa, bem como promover a assistência social à população do
município, através de suas unidades. A SMAS tem como Secretario o Sr. Edílson Luís
Carneiro Baggio, que esta nesta função desde a gestão de 2005.
Uma das propostas da efetivação do SUAS e da descentralização da PNAS é a
implantação nos municípios dos Centros de Referência de Assistência Social – CRAS e dos
Centros de Referencia Especializado da Assistência Social - CREAS, a implantação dos
CRAS é exigência para os municípios que estão na gestão básica e/ou plena da assistência
social.
A Secretaria Municipal de Assistência Social de Ponta Grossa – SMAS, buscando
atender as alterações que ocorreram na reformulação da política de assistência social, iniciou
10
SETP – Informações do Relatório Geral do Município de Ponta Grossa, fornecida pela Secretaria de Estado do
Trabalho, Emprego e Promoção Social.
o processo de implantação dos Centros de Referência da Assistência Social – CRAS no
município no ano de 2005, após receber um ofício da Secretaria de Emprego e Promoção
Social do Paraná – SETP.
Sendo assim, a SMAS através do Departamento de Assuntos Comunitários –
11
DEPAC realizou um estudo situacional sobre o município, para então chegar às regiões mais
carentes e vulneráveis e aos dados referentes às vulnerabilidades presentes no município de
Ponta Grossa, para a implantação das unidades do CRAS no município. Inicialmente foram
escolhidos as regiões dos bairros de Nova Rússia, Santa Luzia, Cará-Cará, 26 de Outubro,
Núcleo Pitangui e Dom Bosco, pois foram as regiões mapeadas com maior índice de
concentração de pobreza.
O processo de implantação dos CRAS teve início efetivamente no ano de 2006, a
SMAS iniciou um processo de triagem para composição do quadro de funcionários, sendo que
não foi aprovada a contratação dos funcionários pela Secretaria de Administração e Negócios
Jurídicos. A Secretaria Municipal de Assistência Social havia solicitado a realização de um
teste seletivo para contratação de profissionais para atuar nos CRAS, em dezembro de 2006
foi aprovada pela Câmara Municipal de Ponta Grossa a realização do teste seletivo, em que as
provas foram realizadas em 2007. No período desta pesquisa existem quatro unidades do
CRAS em Ponta Grossa, nas regiões do Cará-Cará, 26 de Outubro, Nova Rússia e Santa
Luzia12. Porém, para fins desta pesquisa foi priorizado o CRAS Unidade 26 de Outubro.
O Centro de Referência da Assistência Social Unidade 26 de Outubro13, foi instalado
no mês de março de 2007, quando começou sua implantação. A equipe que iniciou seus
trabalhos no referido mês, era formada por uma assistente social, a qual era cedida por outro
departamento e que no ano de 2009 ocupa a função de coordenação, por um estagiário de
geografia e seis estagiárias de serviço social.
Iniciou-se o trabalho com a realização da territorialização, mapeamento e
referenciamento de algumas famílias da região. Porém, suas atividades começaram
efetivamente no mês de julho do referido ano, quando sua equipe foi contratada. Até o dia 11
de abril14 de 2009 ocupava a sede da Secretaria Municipal de Assistência Social na Vila 26 de
Outubro – Centro. Está região foi escolhida por ser próxima de alguns bairros onde há um
grande número de famílias em situações de pobreza, vulnerabilidade social e risco.
Possui 92 vilas em sua área de abrangência, sendo elas: 26 de outubro; 31 de março;
Ana Rita; Berta; Borsato; Cachoeira; Castanheira; Clóris I; Clóris II; Coronel Cláudio; Daisy;
Dal Col; Felicidade; Francelina; Hofmann; Jardim Brasil; Jardim Centenário; Jardim
Conceição; Jardim Gianna; Jardim Lagoa Dourada; Jardim Paraíso; Jardim Pontagrossense;
Jardim Primavera; Jardim Primor; Jardim Progresso; Jardim São Diego; Jardim São Marcos;
Jardim Tropeiros I; Jardim Tropeiros II; Jóquei Club; Leomar; Mariana; Marina; Nadal; Néri;
Nery; Neves; Núcleo Pitangui; Núcleo Rio Verde; Núcleo San Martin; Odete; Parque dos
Pinheiros; Parque Santa Lucia; Pimentel; Princesa dos Campos; Quero-Quero; Rio Branco;
Rubini; Sâmara; Santa Marilda; São Francisco; Tarobá; Vicentina; XV de Setembro; Cinto
Verde; San Martin; Padre Roque; Jardim Florença; Núcleo David Federman; Juvêncio
Correia; Isabela; Santa Cecília; Marumbi; Eduardo de Azevedo; Vila Velha; Mocelim;
Municipal, Estrela; Jardim Barreto; Jardim Central; Jardim Esperança; Jardim Estrela do
Lago; Olarias; Santana; São Gabriel, Esmeralda; Jardim Baronesa; Jardim Carvalho; Jardim
11
A partir desta gestão do ano de 2009 os Departamentos da SMAS, modificaram seus nomes, sendo que o
antigo Departamento de Assuntos Comunitários – DEPAC passou para: Coordenação de Proteção Social Básica.
12
Em apêndice consta a área de abrangência dos CRAS Cará-Cará, Nova Rússia e Santa Luzia.
13
Informações retiradas do Relatório Final de Estágio do campo CRAS 26 de Outubro. (SANTOS, 2008).
14
A partir de 14 de abril de 2009, o CRAS 26 de outubro está localizado na Rua do Rosário, 108 – Centro.
Tânia Mara; Mezomo; Monteiro Lobato; Santa Mônica; Vilela, Centro; Nova; Chácara
Dantas; Jardim América; Chácara Thiellen; Quinhão; Ronda; Peixoto.
A contratação da equipe foi aprovada por teste seletivo e é composta por 01
profissional de Serviço Social, 01 de Pedagogia, 01 de Psicologia, 01 Auxiliar
Administrativo, 01 Motorista, 01 Auxiliar de Serviços Gerais. A coordenação do CRAS é
composta por 01 Assistente Social, que foi transferida de outro departamento da SMAS, os
profissionais de pedagogia e psicologia dividem sua carga horária entre dois CRAS.
Sendo assim, desenvolvemos esta pesquisa com o intuito de compreendermos a
intervenção profissional dos profissionais que trabalham junto a Política Nacional de
Assistência Social com o eixo matricialidade sociofamiliar no CRAS. Portanto realizamos a
pesquisa empírica com os profissionais que trabalham no CRAS 26 de Outubro do Município
de Ponta Grossa/Paraná.
5 - SÍNTESE DOS RESULTADOS ALCANÇADOS
Assim, iniciamos a parte da análise das respostas dos sujeitos de pesquisa através das
categorias identificadas.
O CRAS envolve um conjunto de ações, que conforme Braga (2006, p. 08) “[...] não é
só um equipamento, bem organizado, com equipe técnica capacitada e organizada para o
atendimento desse serviço, mas é um conjunto de ações sócio-assistenciais que
complementam ação preventiva configurando a proteção social básica [...]”.
A Assistência Social possui uma conexão com as Políticas Públicas, sendo que estas
estão envolvidas em muitos dos seus processos de trabalho. Muitas entidades sejam públicas e
privadas, instituições estatais, contam com assistentes sociais em seus quadros operativos, e
cada vez mais está crescendo o número de profissionais de outras áreas atuando junto ao
social.
Na perspectiva de garantia da cidadania a Política de Assistência Social coloca, que
para atuar conforme esta política o assistente social deve-se afastar de abordagens
tradicionais, clientelistas, que mantêm o conservadorismo no enfrentamento das expressões
das questões sociais.
Assim, essa luta por direitos e pela política social vem ganhando força com a
inserção de outras áreas junto a Assistência Social. Por exemple, a inserção da Psicologia está
crescendo nas políticas sociais. Conforme o CFESS (2007, p. 20), a atuação dos psicólogos é
acompanhada pelo compromisso social e sendo assim, “[...] é valorizada a construção de
práticas comprometidas com a transformação social, em direção a uma ética voltada para a
emancipação humana. [...]”.
Segundo o CFESS (2007, p. 31) o Psicólogo atua como “[...] um corpo de práticas
que busca atender demandas sociais, norteado por elevados padrões técnicos e pela existência
de normas éticas que garantam a adequada relação de cada profissional com seus pares e com
a sociedade como um todo”.
A inserção de assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais que compõem o
SUAS, é um grande desafio, em seu caráter de efetivação da política de Assistência Social.
“[...] Essa inserção profissional deve estar calcada numa visão crítica da Assistência Social e
em um compromisso com as urgências da sociedade brasileira [...]”. (CFESS, 2007, p. 21).
Com relação aos CRAS do município de Ponta Grossa, o outro profissional que
compõem o SUAS é da área da pedagogia. Assim vale destacar alguns pontos relativos a esta
profissão, nos quais embasam o trabalho no CRAS, voltando-se a Pedagogia Social.
Morgenztern (1998) coloca que Pedagogia Social “significa agir sobre si mesmo,
com os outros e com as perguntas da sociedade, de tal forma que nossa ação torne possível o
desenvolvimento sadio de outras pessoas e das condições sociais”.
A Pedagogia Social está voltada ao trabalho com grupos ou indivíduos, empresa,
instituições, não é vinculada a uma única área de conhecimento ou campo de trabalho.
Privilegia em seu trabalho o desenvolvimento das pessoas, construindo um compromisso
entre elas, um de seus desafios é responder a dinâmica da sociedade e das transformações
sociais.
A respeito do início das atividades no CRAS 26 de Outubro registramos que os
profissionais encontraram com uma realidade de trabalho complexa e desafiadora.
Depararam-se com a falta da equipe de profissionais, sendo que iniciaram as atividades com
uma Assistente Social e estagiários, os quais estavam tendo um primeiro contato com o
referido campo.
Enfrentaram dificuldades quanto à capacitação em torno da proposta do trabalho
no CRAS no contexto da PNAS e quanto à ausência de um planejamento das atividades a
serem desenvolvidas.
Em Ponta Grossa, alguns profissionais participaram da capacitação realizada em
2006 sobre CRAS e trabalho com famílias no âmbito da Secretaria do Trabalho, Emprego e
Promoção Social – SETP. Os profissionais que participaram da mesma faziam parte dos
departamentos da Secretaria Municipal de Assistência Social, porém os profissionais que
foram contratados através do teste seletivo não realizaram a capacitação. Sendo assim,
tiveram dificuldade em compreender o trabalho desenvolvido pelo CRAS. Os profissionais de
Serviço Social, Pedagogia e Psicologia, foram contratados através de teste seletivo, a
coordenadora foi cedida de outro departamento da Secretaria Municipal de Assistência Social,
sendo a única que na época da capacitação já atuava na SMAS.
No que diz respeito à inserção da Psicologia no CRAS percebemos dificuldades no
início do trabalho, sendo que a proposta da Psicologia é uma atividade voltada ao
desenvolvimento de comunidade, assim o trabalho não deve voltar-se ao atendimento
individual e sim comunitário.
No decorrer do trabalho a Psicóloga após uma conversa com a direção reestruturou
suas atividades e começou a desenvolver projetos voltados a comunidade, com o enfoque
social, não focalizando a atendimento clínico e individualizado. Os projetos foram
direcionadas de acordo com as questões postas pela demanda presente em seu trabalho.
Quanto aos procedimentos metodológicos percebemos que as atividades no decorrer
do trabalho do CRAS 26 de outubro não são decorrentes de uma metodologia pronta,
elaborada previamente, ela precisava ser construída em conjunto com toda a equipe de
profissionais. Portanto notamos que foram várias as dificuldades encontradas, primeiro
porque o CRAS é proposta nova de trabalho no contexto do SUAS e em segundo lugar porque
esta proposta destaca o caráter interdisciplinar.
Identificamos que a metodologia precisava ser construída conjuntamente,
respeitando a especificidade de cada área no enfrentamento das demandas sociais e familiares
e que isto é um desafio a ser alcançado em longo prazo. A metodologia é o espaço em que se
cria possibilidades de construção de propostas de intervenção que haja na capacitação e
qualificação tanto dos profissionais quanto das famílias envolvidas, que participam da difusão
de procedimentos metodológicos de trabalho. A metodologia deve buscar elevar a família à
condição de parceria dos programas sociais.
De acordo com Guimarães; Almeida (2005, p. 134),
[...] no Brasil, as propostas de trabalho com famílias devem priorizar metodologias
que lhes permitam sair do lugar solitário que hoje ocupam para um espaço que gere
solidariedade e seja facilitador de formas de enfrentamento das condições
econômicas, sociais e políticas: um espaço político no qual a ética seja o valor
fundante.
Os procedimentos metodológicos foram sendo utilizados e adaptados conforme a
demanda apresentada pelas famílias. Percebemos que Assistente Social e Psicólogo realizam
trabalhos em parceria, sendo este o intuito da equipe trabalhar conjuntamente para alcançar
resultados mais efetivos. Assim sendo o trabalho em equipe permite que o profissional
realize trocas de conhecimentos e deste modo consiga avançar com mais profundidade na
totalidade das expressões das questões sociais que envolvem a família.
Em relação à matricialidade sociofamiliar, entendemos que em função das
dificuldades enfrentadas no cotidiano de suas práticas a equipe considera que o trabalho não
avançou em relação à mesma, e observamos que o grande problema refere-se ao entendimento
do que é e como se trabalha com esse eixo junto a Política Nacional de Assistência Social.
Ainda percebemos que as próprias famílias apresentam resistência em relação ao trabalho
centrado na totalidade de suas demandas, considerando com um dos determinantes deste fato
a trajetória histórica da focalização do atendimento nos segmentos que compõe a família.
Ainda é bem presente no desenvolvimento das atividades a fragmentação dos
segmentos da família, porém com as fortes pressões que as famílias brasileiras vêm passando,
“[...] faz-se primordial sua centralidade no âmbito das ações da Política de Assistência Social,
como espaço privilegiado e insubstituível de proteção e socialização primárias, [...]”.
(BRASIL, 2005, p. 41).
Reconhecer que a família além de provedora de cuidados aos seus membros, ela
também necessita ser cuidada e protegida, se faz necessário a realização deste trabalho, em
que precisa conhecer a família em suas diferentes configurações, saber que essas
transformações desencadeiam processos de fragilizações dos vínculos familiares e
comunitários vulnerabilizando os laços familiares. (BRASIL, 2005).
A questão da matricialidade sociofamiliar, assim como a Política Nacional de
Assistência Social/Sistema Único de Assistência Social é proposta nova, visto que a
assistência era conhecida como mero assistencialismo e clientelismo, e as ações assistenciais
tinham a caráter de fragmentação dos segmentos da família.
Trabalhar com a matricialidade sociofamiliar, a princípio é centrar as ações na
família, reconhecendo os modelos, as mudanças ocorridas na sociedade as quais afetaram a
instituição família.
A matricialidade sociofamiliar é a base da Política Nacional da Assistência Social, que
reconhece a família como foco de atenção, isso se faz necessário visto os processos de
exclusão, vulnerabilidades e fragilizações nas relações sociais e familiares.
Apesar das dificuldades apresentadas ao se trabalhar com o eixo matricialidade
sociofamiliar, percebemos que avanços são conquistados, tanto por parte dos profissionais
quanto das famílias. Aos poucos esses modelos de segmentação vão sendo quebrados e
superados.
A reflexão sobre o trabalho com famílias nos possibilita a indicação de algumas
sugestões para o mesmo no CRAS, tendo clareza que as mesmas são decorrentes do conjunto
das observações realizadas na pesquisa. Portanto destacamos:
• Capacitação profissional antes do início das atividades, para que o desenvolvimento da
mesma seja de forma consistente, tendo um conhecimento prévio sobre a
temática/proposta de trabalho, reconhecendo o ambiente a ser trabalhado;
• Capacitação continuada de forma a propiciar trocas de experiências, aprofundamento
dos conhecimentos e socialização dos mesmos;
• Planejamento das atividades a serem desenvolvidas, para o reconhecimento das ações
interventivas, e assim estabelecer reflexões, métodos e caminhos a serem percorridos
para a intervenção;
• Reconhecimento dos conhecimentos específicos de cada profissional, em se tratando
de uma equipe de trabalho representando diferentes áreas. Considerar as atribuições e
competências relativas a cada profissional, para assim desenvolver suas atividades de
acordo com suas especificidades bem como trocas das mesmas, e assim voltar seus
trabalhos para a construção da lógica interdisciplinar;
• Conhecimento da realidade a ser trabalhada previamente antes do início das
atividades, utilizando alguns instrumentais de trabalho como: diagnóstico préestabelecido, referenciamento das famílias da área de abrangência, estabelecimento de
vínculos com os recursos disponíveis na comunidade para maior aproximação dos
profissionais com sua demanda social;
• Conhecimento do ambiente a ser trabalhado adaptar e/ou reconstruir metodologias de
trabalho para o enfrentamento das demandas sociais e familiares, visto que a
construção da metodologia permite que o profissional ajuste as formas de intervenção
de acordo com a natureza da própria demanda trabalhada.
• Acolhimento das propostas familiares que constituem a área de abrangência das
famílias, para que as mesmas exercitem a participação nas atividades desenvolvidas,
assim sendo, apresentando um ambiente de recepção e escuta em que os usuários
tenham participação ativa na construção da metodologia das atividades.
• Potencialização dos instrumentais de trabalho dos profissionais (visitas domiciliares e
institucionais - escolas, unidades de saúde, igrejas, entrevistas - individuais e
coletivas, acompanhamento sócio-familiar, encaminhamento para a rede de
atendimento, entre outros), para alcance dos objetivos propostos.
Convém destacar e valorizar dois caminhos que foram utilizados e adaptados no
CRAS 26 de Outubro em Ponta Grossa no decorrer do trabalho:
• Desenvolvimento de palestras informativas para divulgação do CRAS;
• Parceria com instituições escolares, comunitárias, religiosas, de saúde e assistência
social.
Observamos que esses dois caminhos utilizados surtiram um bom resultado com as
comunidades trabalhadas. Utilizando de recursos da própria comunidade, os usuários dos
serviços sentem-se acolhidos e reconhecidos em seu contexto cotidiano e assim apresentam
maior participação nas atividades realizadas.
Assim sendo, percebemos que para um trabalho consistente, é necessário que todos
os membros da equipe profissional estejam entrosados entre si, bem como saibam de suas
atribuições e competências dentro da equipe, exigindo comprometimento com o trabalho e
com os usuários envolvidos neste processo.
Reconhecemos que os CRAS assumem papel estratégico nos impactos produzidos
nas relações familiares pelas vulnerabilidades sociais e risco pessoal/social. Necessitando
assim de profissionais comprometidos com seu código de ética, capazes profissionalmente de
efetivar a prática profissional baseada na garantia de direitos e dos mínimos sociais à
população.
Através desta pesquisa buscamos contribuir com reflexões para a intervenção dos
profissionais que trabalham com famílias, principalmente no âmbito do CRAS, e em relação
ao trabalho em equipe com áreas de trabalhos diversas. Tal contribuição é relevante na
medida em que cresce o número de entidades e instituições públicas e privadas que estão
trabalhando com equipe tanto multiprofissional quanto interdisciplinar e a preocupação em
compreender as demandas das famílias usuárias de seus serviços.
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