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MONITORAMENTO DOS RESULTADOS DA UNIDADE DE FLOTAÇÃO IMPLANTADA NA ETA
DE CARMO DO RIO CLARO PARA REMOÇÃO DE FITOPLÂNCTON.
Francisco de Macedo Fraietta
Especialista em Engenharia de Saneamento Ambiental pelo Centro Universitário do Sul de Minas - UNIS;
Biomédico formado pela Universidade Barão de Mauá – Ribeirão Preto – SP, com habilitação em Análises
clínicas e análises físico-químicas e microbiológicas do Meio Ambiente; responsável pelo Setor de
Hidrobiologia da Superintendência Sul da COPASA.
ENDEREÇO: Laboratório Distrital de Alfenas – Setor de Biologia
Companhia de Saneamento de Minas Gerais – COPASA – Rua Tatuí, 200 – Vila Teixeira
Alfenas – MG – Brasil – CEP: 37130-000
Fone: +55 (35) 3299-4067 – FAX: +55 (35) 3299-4081 - e-mail [email protected]
RESUMO
Em Carmo do Rio Claro, cidade de aproximadamente 15.000 habitantes situada na região sul do Estado de
Minas Gerais, a COPASA, Companhia responsável pelo abastecimento de água da cidade foi obrigada a buscar
alternativas de tratamento quando o manancial que serve de fonte de água para o abastecimento da população
(lago da Represa de FURNAS) começou a apresentar florações de cianobactérias. Logo o sistema de tratamento
existente entrou em colapso e não conseguia mais obter resultados de potabilidade apropriados para a água
distribuída. O tratamento da água era realizado por clarificadores de contato (três filtros) para uma vazão de 60
L/s. Diante dessa situação resolveu-se instalar à montante dos clarificadores de contato um sistema de flotação
por ar dissolvido (FAD), com recirculação pressurizada de água, composto das seguintes etapas: câmara de
entrada e mistura rápida, câmara de floculação, reator de flotação e estação pressurizadora. Com a implantação
deste processo, resolveu-se o problema da localidade e obteve-se resultados surpreendentes. Este trabalho
objetiva apresentar os resultados hidrobiológicos, físico-químicos e operacionais da unidade de flotação.
PALAVRAS-CHAVE
Sistema de flotação , Fitoplâncton , hidrobiologia.
2
INTRODUÇÃO
A degradação dos corpos d'água utilizados como fonte de abastecimento público, tem levado os órgãos
responsáveis por estes serviços a buscarem alternativas e tecnologias de tratamento para manutenção da
qualidade da água distribuída e atendimento à legislação, Portaria nº 1469. Um dos problemas dessa degradação
é a eutrofização, que segundo Esteves (1998), é o aumento da concentração de nutrientes, especialmente fósforo
e nitrogênio, nos ecossistemas aquáticos, que tem como conseqüência o aumento de sua produtividade.
Este aumento de nutrientes propicia o aumento do fitoplâncton e pode provocar florações de algas,
inclusive das algas azuis, também chamadas de cianobactérias, que além de prejudicarem a operação das
estações de tratamento de água, como outros grupos de algas, podem produzir substâncias tóxicas, capazes de
causar até a morte de animais e do homem.
Na cidade de Carmo do Rio Claro, a COPASA, companhia responsável pelo abastecimento de água da
cidade, foi obrigada a buscar alternativas de tratamento para manter a qualidade da água distribuída à população
dentro dos padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação brasileira, quando o manancial utilizado como
fonte do abastecimento começou a apresentar florações de algas. Ao tratamento que até então era realizado por
clarificadores de contato (três filtros), foi adicionada à montante dos filtros, uma unidade de flotação (figura 2),
composta das seguintes etapas: câmara de entrada e mistura rápida (figura 3), câmara de floculação (figuras 5/6),
reator de flotação (figuras 7/8) e estação pressurizadora (figura 4).
A cidade de Carmo do Rio Claro localiza-se na região sul do Estado de Minas Gerais, a 20º58'38'' de
latitude sul e 46º06'29'' de longitude oeste, com uma população de aproximadamente 15.000 habitantes. O
município possui 688 km2 em região predominantemente montanhosa. A fonte de captação de água é o lago da
represa de FURNAS, inaugurado em 12 de maio de 1965. O lago margeia 34 municípios, possui área de 1473
km2 , extensão de 3,7 mil Km, valor que corresponde a quase a metade da extensão da costa brasileira e um
volume de água sete vezes maior que o da Bahia da Guanabara, equivalente a 2,6 Bilhões de metros cúbicos.
Possui como principais afluentes os rios Grande e Sapucaí (FURNAS, s.d.).
OBJETIVO
Este trabalho tem o objetivo de apresentar os resultados do sistema de flotação implantado na ETA de
Carmo do Rio Claro para remoção de fitoplâncton, através do monitoramento de parâmetros físico-químicos,
hidrobiológicos e operacionais.
MÉTODOS
Definiu-se quatro pontos de coletas para realização do monitoramento hidrobiológico: torneira de água
bruta da sala de análises laboratoriais da ETA; saída do flotador; caixa de reunião após os filtros e tanque de
contato. As coletas foram realizadas mensalmente de abril de 2003 a março de 2004, em frascos de polietileno
com capacidade de um litro, preservadas em gelo a aproximadamente 4ºC para as análises de fitoplâncton
qualitativas (FIQL) e em frascos de vidro de cor âmbar com capacidade de um litro, contendo cinco mililitros de
solução de lugol acético (APHA, 1998) para as análises quantitativas (FIQT).
3
●
Análises Hidrobiológicas
As análises qualitativas e quantitativas foram realizadas segundo os métodos CETESB (1978),
COPASA (1992b) e A.P.H.A. (1998), com utilização de um microscópio binocular comum da marca Leica, nos
aumentos de 40, 100, 200, 400 e 1000x. O sistema de classificação usado foi o de Komárek (1999, 1988) para as
cianobactérias e o de Bourrely (1968, 1972, 1985) para os demais grupos de algas. Para a identificação do
fitoplâncton utilizou-se principalmente, Bourrely (1968, 1972, 1985), Komárek (1999, 1988), Branco (1986),
Geitler (1932), Bicudo e Bicudo (1970).
Para as análises de FIQL pequenas alíquotas de amostras foram depositadas em lâmina de vidro e
coberta com uma lamínula, observadas nos diferentes aumentos já mencionados acima, sendo o material
analisado in vivo. Para as análises de FIQT, utilizou-se o método padronizado em APHA (1998). Após
sedimentação das amostras por 24 horas em provetas de 1000 mL, os sobrenadantes foram aspirados com auxílio
de uma bomba de vácuo, restando concentrados de aproximadamente 100 mL. Estes concentrados foram
homogeneizados e com uma pipeta transferiu-se 1mL de cada amostra para uma Câmara de Sedgewick Rafter,
levada ao microscópio e analisada no aumento de 200x. As contagens foram realizadas por faixas (100
organismos do taxon predominante) ou por campo (10 organismos do taxon predominante) segundo a
distribuição de Poisson (APHA, 1998), obtendo-se um intervalo de confiança aproximado de 95 + 20%.
●
Expressão dos Resultados
Os resultados das análises foram expressos em organismos por mililitro para todos os grupos de algas,
exceto para as cianobactérias, que tiveram seus resultados expressos em número de células por mililitro de
acordo com Jardim et al. (2002). Para a contagem do número de organismos, utilizou-se o critério da contagem
por conjuntos ou clump counting, de acordo com Jardim (1999).
Para o cálculo do percentual de remoção das algas, as espécies foram agrupadas em: Cyanophyceae,
Chlorophyceae, Bacillariophyceae, Fitoflagelados e Snowella cf. atomus (por apresentar resultados
diferenciados).
Foram também abordados e apresentados resultados físico-químicos, e operacionais, tais como, cor
aparente, turbidez, consumo de produtos químicos, consumo de energia e de água na ETA, comparando-se os
resultados obtidos antes e depois da implantação da unidade de flotação.
RESULTADOS
●
Resultados Hidrobiológicos
Durante o estudo foram identificados os seguintes grupos de algas:
Grupos
Cyanophyceae
Chlorophyceae
Bacillariophyceae
Fitoflagelados
Algas
Microcystis spp , Oscillatoria sp , Radiocystis fernandoi , Aphanocapsa spp , Aphanothece sp ,
Pseudanabaena catenata , Pseudanabaena sp , Merismopedia sp , Cylindrospermopsis
Raciborskii , Aphanizomenon sp , Snowella cf. atomus .
Chlorococcales , Crucigenia sp , Elakatothrix sp , Oocystis sp , Coelastrum sp, Staurastrum sp ,
Monoraphidium sp , Dictyosphaerium sp , Scenedesmus spp , Cosmarium spp , Ankistrodesmus
spp , Tetraedron spp , Pidiastrum sp .
Navicula spp , Cyclotella sp , Aulacoseira spp , Fragilaria spp.
Euglena spp , Trachelomonas spp , Dinobryon sp , Peridinium spp , Cryptomonas sp ,
Chlamydomonas sp , Phacus sp.
4
A Tabela 1 mostra as datas das coletas com as respectivas concentrações de fitoplâncton e percentuais
de remoção do flotador.
Tabela 1 - Datas das coletas com concentração de fitoplâncton e percentuais de remoção do flotador.
Datas
14/04/2003
19/05/2003
16/06/2003
14/07/2003
18/08/2003
15/09/2003
13/10/2003
17/11/2003
15/12/2003
12/01/2004
16/02/2004
02/03/2004
Snowella cf. atomus
Conc.
% rem.
905,6
1193,8
1443,9
775,7
1900,0
2575,2
6541,5
4342,3
10054,4
19067,0
83,83
76,87
84,87
90,50
94,37
68,80
96,79
90,17
70,77
71,76
Cyanophyceae
Conc.
% rem.
10392,3
8204,9
1630,0
2324,0
463,9
5299,1
5208,0
3365,8
9395,3
6596,9
3154,7
3540,6
99,03
99,47
99,34
100,00
98,56
99,88
99,86
85,43
99,88
99,61
97,35
93,94
Chlorophyceae
Conc. % rem.
169,9
70,9
124,6
27,9
98,3
73,4
216,0
81,1
68,5
53,4
337,2
347,9
89,29
85,75
96,55
78,85
100,00
96,87
95,65
58,32
89,93
91,95
99,50
98,19
Bacillariophyceae
Conc.
% rem.
481,5
656,9
290,6
67,7
43,0
428,7
124,0
144,6
237,8
858,4
246,9
197,6
96,49
100,00
99,38
100,00
89,07
99,86
96,69
88,31
99,54
99,85
99,31
100,00
Fitoflagelados
Conc. % rem.
253,3
365,7
328,3
206,9
402,5
224,5
624,0
292,6
143,3
113,6
451,5
306,2
97,67
92,59
89,31
91,59
90,31
91,18
98,25
75,15
95,53
93,31
97,03
87,62
A Tabela 2 mostra os percentuais de remoção do fitoplâncton nos filtros e tanque de contato.
Tabela 2 - Percentuais de remoção do fitoplâncton nos filtros e tanque de contato (TC).
Datas
14/04/2003
19/05/2003
16/06/2003
14/07/2003
18/08/2003
15/09/2003
13/10/2003
17/11/2003
15/12/2003
12/01/2004
16/02/2004
02/03/2004
Snowella cf. atomus
Filtros
T.C.
92,52
79,66
86,54
92,28
96,66
97,84
97,00
97,14
77,52
77,92
96,42
94,73
97,17
95,30
96,53
98,10
99,39
99,85
99,51
97,22
Cyanophyceae
Filtros
T.C.
Chlorophyceae
Filtros
T.C.
100,00
100,00
100,00
100,00
98,90
100,00
99,84
99,80
99,98
99,95
99,43
97,58
86,17 89,88
95,77 93,65
100,00 100,00
100,00 83,51
96,95 97,56
96,46 97,55
96,90 97,82
93,71 90,88
97,37 100,00
85,21 86,70
98,40 97,95
100,00 100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
99,99
99,89
99,96
99,98
99,87
97,10
Bacillariophyceae
Filtros
T.C.
96,86
98,23
88,16
33,09
67,67
95,22
62,26
88,17
98,78
99,72
93,48
86,13
97,53
97,52
91,91
25,11
26,51
94,61
70,56
93,08
92,39
99,86
92,06
97,42
Fitoflagelados
Filtros
T.C.
99,13
88,35
82,79
86,71
86,56
90,47
97,60
93,57
93,79
93,75
93,25
88,28
99,65
93,90
99,76
92,07
95,95
95,68
99,70
93,92
96,23
95,51
98,74
97,06
Analisando os resultados apresentados pelas tabelas 1 e 2, destaca-se: o predomínio da classe
Cyanophyceae durante toda a amostragem; o aparecimento, a partir de junho/03, da Cyanophyceae Snowella cf.
atomus e a necessidade de apresentar seus resultados separadamente devido à grande diferença de seu percentual
de remoção em relação às outras cianobactérias, talvez devido ao seu pequeno tamanho; o menor percentual de
remoção de fitoplâncton na água filtrada (em todas as amostras) e na água tratada final (exceto nas amostras
coletadas em abril e novembro de 2003) em relação à água flotada, o que pode ser explicado pelo crescimento de
algas dos grupos Chlorophyceae, Bacillariophyceae e fitoflagelados nos filtros, devido às longas carreiras de
filtração conseguidas após o início de operação do sistema de flotação; os elevados índices de remoção do
fitoplâncton em todas as amostras na água tratada final (tanque de contato) garantindo a qualidade da água
distribuída à população.
5
Através da Figura 1 tem-se uma melhor visualização do percentual médio de algas na água bruta,
flotada, filtrada e tratada.
% de algas na água
Figura 1 - Percentual médio de algas na água bruta, flotada, filtrada e tratada.
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Snowella cf. atomus
Cyanophyceae
Chlorophyceae
Bacillariophyceae
Fitoflagelados
Bruta
Flotada
Filtrada
Tratada
Água
●
Resultados Físico-químicos
Os parâmetros, turbidez, cor aparente e pH que serão apresentados a seguir, eram medidos na água
filtrada até 2002, quando, com o início de operação do sistema de flotação (01/2003), passaram a ser
monitorados na água flotada.
A variação da turbidez na água bruta (2002/2003) e percentuais médios de remoção na água filtrada
(2002) e na água flotada (2003) são apresentados a seguir:
Ano
2002
2003
Variação turbidez AB*
3,9 a 13,6
3,0 a 8,6
% médio de remoção filtros
95,80
-
% médio de remoção flotador
93,58
Observou-se durante o estudo, que dentro das variações de turbidez apresentadas, a eficiência do
flotador melhora com os valores mais altos, produzindo água com turbidez média de 0,33 uT durante o ano de
2003, com valores variando entre 0,28 e 0,37 uT.
A variação da cor aparente na água bruta (2002/2003) e os resultados atingidos pelos filtros (2002) e
pelo flotador (2003) seguem abaixo:
Ano
2002
2003
Variação cor AB*
15 a 37
11 a 22
Cor água filtrada
< 2,5
-
Cor água flotada
< 2,5
Cor água tratada final
< 2,5
< 2,5
Através dos resultados apresentados acima, verifica-se a eficiência do flotador na remoção da cor
aparente, alcançando os mesmos resultados obtidos pelos filtros, que são os mesmos da água tratada final.
As variações de pH na água bruta e tratada (2002 e 2003), na água filtrada (2002) e flotada (2003)
foram:
Ano
2002
2003
* AB – água bruta
Variação pH AB*
6,9 a 7,2
6,9 a 7,1
pH água filtrada
6,5 a 6,7
-
pH água flotada
6,6 a 6,9
pH água tratada final
6,9 a 7,0
6,7 a 7,7
6
Os resultados apresentados acima mostram a pequena variação de pH ocorrida nas águas bruta, filtrada,
flotada e tratada.
As dosagens e os produtos químicos utilizados antes e depois da implantação do flotador continuaram
os mesmos e são apresentados a seguir:
Produto químico
Sulfato de alumínio ferroso
Cal hidratada
Cloro gasoso
Fluossilicato de sódio
Função
Coagulante
Correção de pH
Desinfecção
Fluoretação
Dosagem média
13,7 mg/L
6,4 mg/L
1,8 mg/L
1,0 mg/L
Os produtos químicos são dosados nos seguintes pontos: Fluossilicato de sódio e cal hidratada na rede
que leva a água do flotador aos filtros; sulfato de alumínio ferroso na chegada da água bruta a ETA, ainda na
rede antes da câmara de entrada e mistura rápida; cloro gasoso na rede que liga os filtros ao tanque de contato.
●
Resultados Operacionais
Os resultados operacionais conseguidos com a implantação do flotador estão relacionados e comparados
com os resultados anteriores, na Tabela 3.
Tabela 3 – Comparação dos parâmetros operacionais da ETA antes e depois da implantação do flotador.
Parâmetro
Carreira de filtração
Consumo mensal de água para lavagem dos filtros
Consumo mensal de água para lavagem do flotador
Água consumida pelo flotador – transbordamento (mensal)
Consumo total de água na ETA por mês
Tempo gasto com cada lavagem de filtro
Tempo gasto com a lavagem dos filtros por mês
Consumo mensal de energia na ETA
Antes do flotador (2002)
12 horas
9270 m3
9270 m3
50 min
19 horas
2918 Kw/h
Depois do flotador (2003)
90 horas
1440 m3
200 m3
5554 m3
7194 m3
30 min
2 horas
7163 Kw/h
O aumento no consumo de energia, está relacionado à utilização de um conjunto moto-bomba e de um
compressor, usados respectivamente para bombear água e injetar ar comprimido em uma câmara de saturação, de
onde a água pressurizada, é inserida no reator de flotação impulsionando os flocos formados na câmara de
floculação para a superfície do reator, formando uma camada de lodo (escuma) que é removida por
transbordamento através de canaletas laterais.
CONCLUSÕES E SUGESTÕES
O sistema de flotação mostrou grande eficiência em relação aos parâmetros físicos, produzindo água
com resultados de cor aparente e turbidez já dentro dos padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação
brasileira para o abastecimento público;
A implantação do sistema de flotação não causou impacto sobre os produtos químicos utilizados no
tratamento da água, que continuaram os mesmos com as mesmas dosagens;
7
O sistema de flotação mostrou grande eficiência também em relação à remoção de Fitoplâncton,
conseguindo em algumas amostras a remoção total de grupos de algas, e índices próximos dos 100 % em outros.
No caso das Cyanophyceae o percentual de remoção médio de toda a amostragem foi de 97,70 % o que
propiciou uma remoção praticamente total dessas algas na água distribuída para a população (99,73 %);
O flotador apresentou uma eficiência menor na remoção da espécie Snowella cf. atomus (Cyanophyceae)
em torno de 82,87 %, mas este percentual foi suficiente para levar a uma remoção também próxima de 100 % na
água tratada final (97,42 %);
O percentual médio de remoção do fitoplâncton total durante o estudo, na água tratada final, foi de 93,97
%. Considerando-se que os grupos Chlorophyceae, Bacillariophyceae e fitoflagelados apresentaram crescimento
nos filtros e por isso tiveram suas concentrações aumentadas nas águas filtrada e tratada final em relação à água
flotada, e que seus percentuais de remoção no flotador foram sempre maiores que os da espécie Snowella cf.
atomus, conclui-se que este percentual médio de remoção do fitoplâncton total, na verdade, deveria estar acima
de 97,42 % (% de remoção da Snowella cf. atomus), próximo dos 100 %;
A utilização do flotador permitiu a obtenção de carreiras de filtração de até 150 horas, mas as lavagens
dos filtros foram realizadas em média após 90 horas de uso devido ao crescimento de algas em seu interior. Este
aumento da carreira de filtração de 12 para 90 horas permitiu uma grande economia de água na ETA, mesmo
após a soma da água perdida pelo Flotador por transbordamento;
Como a pré cloração não é usada no sistema de tratamento de Carmo do Rio Claro e a desinfecção é feita
no final do tratamento, na rede que leva a água filtrada ao tanque de contato, sugere-se que sejam realizados
estudos no sentido de se alterar o ponto de aplicação do cloro para antes dos clarificadores de contato, o que
combateria o crescimento algal nos filtros e propiciaria o aproveitamento de carreiras de filtração maiores,
aumentando ainda mais a economia de água na ETA;
Sugere-se os seguintes pontos para realização do estudo acima citado: aplicação do cloro na chegada da
água bruta à ETA, antes da unidade de flotação, que melhoraria o desempenho do flotador e agiria sobre o
crescimento de algas nos filtros, mas aumentaria o risco de liberação de cianotoxinas na água a ser tratada devido
a destruição das células de cianobactérias; aplicação do cloro na água flotada, depois do flotador e antes dos
filtros. Desta forma, evitaria-se o crescimento de algas nos filtros sem riscos de destruição de números elevados
de células de cianobactérias e conseqüente liberação de cianotoxinas para a água, já que o flotador apresentou
índices elevados de remoção destas algas;
Talvez o único fator negativo encontrado com a implantação do sistema de flotação seja o aumento do
consumo de energia elétrica, que é compensado pelos resultados apresentados, além de outros que não puderam
ser medidos, como por exemplo, os volumes de águas tratadas desprezados devido a liberação de flocos pelos
filtros, fato que acontecia antes da operação do sistema de flotação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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wastewater. 20. ed. Washington, APHA/WEF/AWWA. 1998.
2. JARDIM, F. A. Implantação e realização de análises de cianotoxinas com avaliação do potencial tóxico em
estações de tratamento da COPASA MG. Belo Horizonte. Dissertação de Mestrado - Departamento de
Engenharia Sanitária e Ambiental - Escola de Engenharia - Universidade Federal de Minas Gerais, 1999.
8
3. JARDIM, F. A., CAVALIERI. S. O., GALLINARI, P. C., VIANNA, L. N. L. Metodologia para a contagem
de cianobactérias em células/mL - um novo desafio para o analista de laboratório. Revista Engenharia
Sanitária e Ambiental, ABES, v. 7, no. 3 e no. 4, 2002.
4. CETESB - Normalização Técnica - Saneamento Ambiental, NT 06: L5.303 - Determinação de
fitoplâncton de água doce - Métodos qualitativos e quantitativos, 1978.
5. COPASA MG. Norma Técnica T. 173 - Determinação de fitoplâncton de água doce - Métodos
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Éditions N. Boubée. v. 1, 1972.
7. BOURRELLY, P. Les algues d'eau douce: initiation à la systématique, 3: les algues blues et rouges, les
Eugléniens, Peridiniens et Cryptomonadines. Paris, Éditions Boubée. v. 3, 1985.
8. BOURRELLY, P. Les algues d'eau douce: initiation à la systématique, 2: les algues jaunes et brunes, les
Crysophycées, Phéophycées, Xanthophycées et Diatomées. Paris, Éditions N. Boubée. v. 2, 1968.
9. BRANCO, S. M. Hidrobiologia aplicada à engenharia sanitária. 2. Ed. CETESB, São Paulo, Brasil, 1986.
10. KOMÁREK, J. & ANAGNOSTIDIS. Cyanoprokaryota, 1. Teil: Chroococcales. - In: ETTL, H., G.
GARTNER, H. HEYNIG & D. MOLLENHAUER (eds): Susswasserflora von Mitteleuropa 19: 1-545.
Stuttgart. 1999.
11. KOMÁREK, J. & ANAGNOSTIDIS. Modern approach to the classification system of cyanophytes, 3:
Oscillatoriales. Stuttgart. 1988.
12. BRASIL. Ministério da Saúde - Portaria no. 1.469 - 12/2000 - Diário Oficial, no. 35-E, 19/02/2001.
13. GEITLER, L. Cyanophyceae von Europe unter Berücksichtigung der anderen Kontinente. Koeltz
Scientific Books, Germany, 1985.
14. BICUDO, C. E. M. & BICUDO R. M. T. Algas de Águas Continentais Brasileiras. Fundação Brasileira
para o Desenvolvimento do Ensino de Ciências - FUMBERC . São Paulo. 1970.
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Figura 2 - visualização da unidade de flotação.
Através da figura 2, da esquerda para a direita visualiza-se a câmara de entrada e mistura rápida, a
câmara de floculação, o reator de flotação e a câmara de saturação que faz parte da estação pressurizadora.
Figura 3 - Visualização da câmara de entrada e mistura rápida.
Figura 5 - Visualização lateral da câmara de
floculação
Figura 4 - Visualização da c. de saturação
Figura 6 - Visualização superior da câmara de floculação
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Figura 7 – Visualização do reator de flotação Vazio
Através da figura 7 é possível visualizar-se as canaletas laterais por onde ocorre o transbordamento da
água.
Figura 8 – Visualização do reator de flotação em operação
A água bruta que chega a ETA pela câmara de entrada e mistura rápida, passa para a câmara de floculação e daí
para o reator de flotação. Do reator (acima), a água deixa a unidade de flotação indo para os clarificadores de
contato e finalmente tanque de contato.
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monitoramento dos resultados da unidade de flotação