MOBILIDADE E MOBILIZAÇÃO: OS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS
DO SETOR AGROINDUSTRIAL SUCROALCOOLEIRO DA MESORREGIÃO
NOROESTE PARANAENSE
Vitor Hugo Ribeiro
Mestrando em Geografia pela Universidade Estadual de Maringá- Bolsista CAPES. Integrante do Núcleo
de Estudos de Mobilidade e Mobilização (NEMO). Email: [email protected]
Márcio Mendes Rocha
Professor do departamento de geografia, e do Programa de Pós-Graduação em Geografia – PGE/UEM,
coordenador do Núcleo de Estudos de Mobilidade e Mobilização (NEMO) da Universidade Estadual de
Maringá. Email: [email protected]
1- INTRODUÇÃO
Este trabalho visa estabelecer algumas considerações sobre a agroindústria
canavieira da Mesorregião Noroeste Paranaense, focando, principalmente, a mobilidade
dos trabalhadores do corte da cana-de-açúcar em função da territorialidade da área
ocupada com cana-de-açúcar pelas empresas sucroalcooleiras. Para o desenvolvimento
desta pesquisa, ressaltamos brevemente o processo de ocupação efetiva do Noroeste
Paranaense e, posteriormente, a ascensão da atividade canavieira decorrente da
modernização da agricultura e do programa nacional do álcool, ambos nas décadas de
1970/80, que intensificou essa atividade na região.
Utilizamos como metodologia, além do referencial teórico de pesquisadores que
também estudam a problemática do cortador da cana-de-açúcar, mapas e dados
informativos que contribuí para a problematização assinalada: a mobilidade forçada do
trabalho assalariado. Esta é uma característica de relações de trabalho típica do modo
capitalista de produção, refletida por Gaudemar (1977), que vem contribuindo para
estudos das relações de trabalho, particularmente da mobilidade dos cortadores da canade-açúcar da região noroeste paranaense.
Essa mobilidade forçada desorganiza a classe trabalhadora dos movimentos
sindicais, além da exploração da mais-valia pelos agentes do agronegócio da cana-deaçúcar. Este trabalho apresenta apenas uma síntese do que estamos trabalhando no curso
de pós-graduação em Geografia da Universidade Estadual de Maringá.
2- NOROESTE PARANAENSE: DA MODERNIZAÇÃO AGRÍCOLA À
INTENSIFICAÇÃO DA AGROINDÚSTRIA CANAVIEIRA NA REGIÃO
A Mesorregião Noroeste Paranaense é composta por 61 municípios,
compreendendo, ao todo, uma população de 652.605 habitantes (IBGE, 2007). Sua
densidade demográfica se aproxima dos 26 hab/ km2. A Mesorregião é subdivida por
três Microrregiões Geográficas: Microrregião Geográfica de Paranavaí, Microrregião
Geográfica de Umuarama, e Microrregião Geográfica de Cianorte (Figura 1).
Figura 1- Paraná, localização geográfica da mesorregião Noroeste Paranaense
Fonte: IPARDES, 2004.
Adaptado: RIBEIRO, V.H, 2010.
Historicamente, esta área que compreende o Noroeste Paranaense teve a sua
ocupação efetiva principalmente ao longo do século XX, no auge da economia cafeeira
do Estado do Paraná, atividade que veio a predominar por quase todo o setentrião
Paranaense, fruto da expansão cafeeira paulista que, ao se expandir no oeste deste
Estado, passa a ocupar espaços nas “terras virgens” do norte paranaense nas últimas
décadas do século XIX, e meados do século XX.
No entanto, ao estudar a ocupação capitalista no território Paranaense, Padis
(1981) afirma que, na região hoje que compreende o Noroeste paranaense foi ocupada
por espanhóis logo nos primeiros séculos de colonização do Brasil, instalando as
primeiras localidades urbanas. Contudo, esse contexto histórico do Norte paranaense foi
apagado com as constantes ações dos bandeirantes paulistas e domínio português.
Entretanto, foi nas primeiras décadas do século XX que o Noroeste paranaense
teve a sua ocupação efetiva e construção da maioria dos núcleos urbanos, resultados das
frentes pioneiras de ocupação do Território paranaense, que teve origem em diversos
ciclos econômicos. Em especial, no Noroeste paranaense, assim como em quase todo o
Norte do Paraná, o café foi a principal atividade que inseriu a região no contexto
econômico nacional (ENDLICH, 2009). Dentre os motivos de escala econômica
nacional que ajuda a explicar a origem da economia cafeeira no Noroeste paranaense,
um deles é o papel desempenhado pelo Brasil na Divisão Internacional do Trabalho, no
contexto econômico global. O Brasil sempre foi conhecido como grande exportador de
matérias-primas, e na primeira metade do século XX o País era o maior produtor
mundial de café.
Esse contexto insere o Noroeste paranaense no bojo da economia nacional, e a
atividade
cafeeira, diferentemente das
monoculturas assentadas
nas grandes
propriedades que predominam no meio rural brasileiro atualmente, consistia não apenas
um cultivo, mas também nas culturas destinadas a alimentação, assentada em uma
estrutura fundiária aonde predominava os pequenos e médios estabelecimentos, com o
uso intensivo do trabalho.
Essa estrutura foi modificada com o processo de modernização agrícola iniciado
na segunda metade do século XX, que originou novas culturas no campo com o uso
intensivo de máquinas agrícolas, etc., e os antigos trabalhadores rurais inseridos no seu
meio de trabalho, separaram-se dos seus meios de produção (que no caso do meio rural
é a sua propriedade agrícola), e transferiram-se para o meio urbano em busca de
trabalhos, e de novas oportunidades nesse processo de mudança que ocorria no País. Os
núcleos urbanos do Noroeste paranaense não ofertaram infra-estrutura necessária para
receber essa demanda de mão-de-obra que se mobilizava da área rural para o urbano,
salvo em alguns núcleos regionais do Noroeste paranaense, ou pólos de
desenvolvimento, como em Paranavaí, Cianorte e Umuarama, onde o Estado incentivou
o desenvolvimento e industrialização nesta região do Paraná, via essas localidades
(LIMA, 1998).
Em compensação, houve um grande mobilidade populacional de muitos
municípios do Noroeste paranaense, para esses centros. Muitos trabalhadores que ainda
resistiram e permaneceram nas suas localidades de origem, tiveram que se assalariar ou
no meio urbano, ou no rural. Em se tratando da atividade canavieira, é dentro deste
contexto que ela aparece e se intensifica na região: A modernização agrícola e a crise
cafeeira, juntamente com o Programa Nacional do Álcool, condicionaram a formação e
a expansão desse setor agroindustrial no Noroeste Paranaense.
A Mesorregião Noroeste Paranaense difere das demais Mesorregiões que
compreende o Norte do Paraná, em decorrência das suas características físicasgeográficas. Nas Mesorregiões Norte Central e Norte Pioneiro, a monocultura de grãos,
principalmente a soja predominou no espaço rural dessas localidades, em virtude das
terras roxas dessas áreas. No Noroeste, o solo arenoso predomina na formação
pedológica da região, e com o processo da modernização agrícola, as pastagens
passaram a predominar no meio rural. Contudo, nas últimas décadas a cana-de-açúcar
vem encontrando o seu meio físico ideal, propiciando a atividade nesta localidade do
Estado do Paraná.
Atualmente, a cana-de-açúcar se apresenta como o principal cultivo agrícola de
muitos municípios do noroeste paranaense, com a diminuição de outras atividades como
as pastagens, a agricultura familiar, e dentre outras. A Tabela 1 apresenta os maiores
produtores de cana-de-açúcar da região Noroeste.
Tabela 1- Maiores produtores de cana-de-açúcar da Mesorregião Noroeste Paranaense
Área plantada
Área colhida
Quantidade produzida
(hectares)
(hectares)
(toneladas)
Cruzeiro do Oeste
15. 247
15.247
1.210.185
Ivaté
13.821
13.821
1.004.289
Paraíso do Norte
9.035
9.035
807.693
Paranacity
11.568
11.568
844.786
Rondon
19.988
19.988
1.548.710
São Carlos do Ivaí
11.372
11.372
934.403
São Tomé
10.200
10.200
867.000
Tapejara
20. 420
20.420
1.659.004
Municípios
Fonte: IBGE, 2008.
Organização: RIBEIRO, V.H, 2010.
Levando-se em consideração a quantidade produzida e a área plantada com
cana-de-açúcar, Tapejara vem liderando esses números na Mesorregião Noroeste, com
1.659.004 toneladas de cana-de-açúcar numa área de 20.420 hectares. Depois aparecem
outros municípios como Rondon e Cruzeiro do Oeste, com uma produção acima de 1
milhão de toneladas. No entanto, se formos considerar a concentração da gramínea em
relação ao perímetro municipal (área que engloba as zonas rural e urbana), o resultado
apresenta-se um pouco diferente, como se observa na Tabela 2.
Tabela 2- Percentual da área municipal ocupada pela lavoura canavieira no ano de 2008
Municípios
Perímetro municipal
Área colhida com
(hectares)
cana-de-açúcar
(hectares)
Área plantada com
cana-de-açúcar (%)
Cruzeiro do Oeste
77.922,20
15.247
19,5
Ivaté
41.090,70
13.821
33,6
Paraíso do Norte
20.456,50
9.035
44
Paranacity
34.895,10
11.568
33
Rondon
55.608,60
19.988
36
São Carlos do Ivaí
22.507,70
11.372
50,5
São Tomé
21.862,40
10.200
46,6
Tapejara
59.140
20.420
34,5
Fonte: IBGE, 2008; RIBEIRO, V.H, 2008.
Organização: RIBEIRO, V.H, 2010.
Percebe-se que dentre os maiores produtores, a cana-de-açúcar aparece mais
concentrada nos municípios de São Carlos do Ivaí, São Tomé e Paraíso do Norte, com o
percentual da área plantada com a cultura em relação ao perímetro municipal de 50,5;
46,6 e 44 % respectivamente. Esses números, juntando com outros de nossas pesquisas,
além de trabalhos dos demais pesquisadores que também passam a estudar a
problemática dessa expansão e concentração da cana-de-açúcar nos municípios em
questão, trazem em pauta não apenas a precarização da policultura tão importante para o
desenvolvimento local desses municípios, mas também a precarização do trabalhador
temporário bóia-fria.
Se reproduz em muitas regiões brasileiras o trabalho exaustivo, aonde as usinas,
através das propaladas políticas entorno do Etanol combustível, estão dispostas a
produzir cada vez mais, para o abastecimento do produto no mercado interno e externo.
Com isso os trabalhadores são obrigados a cortar, cada vez mais, cana-de-açúcar para
corroborar com o aumento da produção. Os salários baixos, pagos em decorrência da
produtividade da cana-de-açúcar cortada pelo trabalhador, já vem com o estimulo de
que se o bóia-fria cortar o máximo possível de cana-de-açúcar receberá mais dinheiro
pelo seu trabalho. Sendo assim vem a reproduzir no País a precarização do trabalho em
pleno século XXI, em uma atividade que predominou por mais de três séculos de
trabalho escravo no Brasil.
Através de outras pesquisas já realizadas acerca desta temática, constatamos que
há uma tendência de crescimento da gramínea no Noroeste Paranaense. Vem a
corroborar com isso as próprias condições físicas da região, e com o Estado
incentivando o cultivo da cana-de-açúcar nesta porção do Estado.
Na Região dos Campos Gerais e na região Oeste, jamais haverá cana.
A expansão da atividade deverá ocorrer na região Noroeste. Não
entraremos na área de produção de grãos, mas vamos avançar para a
área da pecuária, o que também, não vai acabar com a pecuária, pois
quem permanecer na atividade vai aproveitar melhor as terras. Hoje
ocupamos 3,2% da área agricultável do Paraná e, ainda que
venhamos a duplicar, o que não é tarefa fácil, vamos chegar a apenas
5% ou 6% da área total (TORMENA, 2007, p.A8).
Esse fato, nos últimos anos vem a se confirmar através do número de Unidades
de Produção de açúcar e álcool presentes no Noroeste Paranaense. É nesta localidade o
maior número de unidades produtoras do Paraná.
Figura 2- Paraná, Unidades produtivas da região Noroeste Paranaense- 2008
Fonte: IPARDES, 2004 ; ALCOPAR, 2008.
Organização: RIBEIRO, V.H, 2009.
A Figura 2 apresenta a localização geográfica das Unidades de produção do
setor sucroalcooleiro da Mesorregião Noroeste Paranaense. As unidades em construção
nos últimos anos expressam o mais recente processo de crescimento do setor na região,
apoiado na exportação do açúcar e no comércio interno e externo do álcool (RIBEIRO,
V.H, 2008).
Esse avanço da cana-de-açúcar vem gerando, além da mobilidade da força de
trabalho, mobilização por parte dos demais ruralistas da mesorregião Noroeste, em
especial aqueles voltados à mandiocultura da microrregião de Paranavaí, pois como se
vê na Figura 2, é nesta localidade que estão as unidades em construção, e é
principalmente nesta área que se concentra as indústrias de amido da mesorregião
(RIBEIRO, V.H, 2008). Há uma forte tendência aos arrendamentos de terras, aos
privilégios agrícolas, etc., entre os agentes do agronegócio na região.
Além desse conflito entre os capitalistas do agronegócio da mesorregião
Noroeste, o aumento da cana-de-açúcar é em detrimento da diversificação da produção.
Quanto mais aumenta a área de cana-de-açúcar, menos diversificada é a produção
dessas regiões, e isso entra em choque com o projeto de agricultura familiar e com a
policultura, muito necessário para o desenvolvimento local.
3- MUNICÍPIOS PERIFÉRICOS E A MOBILIDADE DOS TRABALHADORES
DA CANA
A construção das unidades vem movimentando esses municípios de mão-deobra. Muitos trabalhadores se mobilizam de várias localidades à procura de empregos
nas unidades de produção. Pelo fato do setor sucroalcooleiro se localizar em municípios
periféricos e demograficamente pequenos, estas localidades muitas vezes não ofertam a
mão-de-obra necessária ao corte da cana-de-açúcar. Com isso as usinas e destilarias
mobilizam trabalhadores de outros municípios da Mesorregião, para suprir essa
demanda de trabalhadores no corte.
O trabalho é um fator importante no processo de acumulação do capital em uma
atividade econômica e, conseqüentemente, no processo de reprodução ampliada do
capital (LUXEMBURG, 1970). Sendo assim, para a reprodução do capital na atividade
canavieira da Mesorregião Noroeste Paranaense, os capitalistas desse setor buscam
mão-de-obra assalariada em municípios entorno das localidades onde estão instaladas as
unidades de produção, como nos mostra a Figura 3. Gaudemar (1977) afirma que a
mobilidade da força do trabalho no modo capitalista de produção é forçada, para
satisfazer as exigências do capitalista. Constata-se então, que na região em questão,
existe a mobilidade forçada do trabalho no setor agroindustrial sucroalcooleiro, em
virtude dessas localidades apresentarem certas problemáticas em seu meio urbano,
como por exemplo, nas relações de trabalho que esses municípios ofertam para a classe
trabalhadora. Além disso, a mobilidade forçada como se vê a diante corrobora com a
desorganização da classe dos trabalhadores rurais frente aos sindicatos.
Estes municípios apresentam, além dessas relações contraditórias no mercado de
trabalho, diversas carências em infra-estrutura básica que poderiam gerar novas
perspectivas no futuro para seus moradores.
Figura 3: Abrangência territorial das agroindústrias canavieiras sobre a mão-deobra do corte da cana-de-açúcar na mesorregião Noroeste Paranaense.
Fonte: CARVALHO, 2008.
Em se tratando da atividade canavieira, a maior parte dos serviços ofertados para
os trabalhadores desses municípios estão ligados a esse setor. Como se observa na
Figura 3, no município de Perobal, a usina Sabarálcool mobiliza trabalhadores de outros
núcleos urbanos, como em Brasilândia do Sul, Alto Piquiri, Cafezal do Sul, Pérola,
Esperança Nova, Xambré, Mariluz e Umuarama. Em alguns municípios ainda, duas
unidades de produção ou mais mobilizam trabalhadores, como no caso de Mariluz que
está ligada às usinas Sabarálcool de Perobal, e da Usaçúcar de Tapejara.
Existem ainda, alguns municípios da Mesorregião Noroeste que não produzem
cana-de-açúcar, ou a sua produção é muito baixa, como por exemplo, no município de
Brasilândia do Sul, onde a produção canavieira se aproxima dos 4.286 toneladas, numa
área de 59 hectares (IBGE, 2008). A atividade em Brasilândia é pouco expressiva, no
entanto o município oferece mão-de-obra para a unidade de Perobal, e muitas vezes os
cortadores da cana-de-açúcar trabalham um dia num município próximo a Brasilândia,
no outro eles vão para outros municípios1. Essa mobilidade se torna forçada, pois
muitos cortadores de cana-de-açúcar não teriam outras oportunidades de empregos no
meio urbano. Sendo assim, o setor sucroalcooleiro encontrou nestes municípios as
condições ideais para a geração de sua mais-valia, através do trabalho exaustivo e
precarizado do corte da cana-de-açúcar.
Nos municípios onde a cana-de-açúcar mais se concentra, tomando como base a
Tabela 2, em São Tomé a usina Usaçúcar mobiliza trabalhadores assalariados no corte
da cana-de-açúcar de Cianorte, Jussara, Japurá, São Manoel do Paraná, São Carlos do
Ivaí, além também de São Tomé. No entanto, essas localidades não são áreas exclusivas
da unidade de produção de São Tomé. Como se observa na Figura 3, outras unidades de
produção de outros municípios também abrangem áreas e mobilizam trabalhadores dos
municípios citados como, por exemplo, a destilaria Melhoramentos de Jussara, e entre
outras.
Essa territorialização dos trabalhadores segue a lógica capitalista das unidades
de produção, que se baseia nas áreas arrendadas e ocupadas com cana-de-açúcar para as
empresas sucroalcooleiras. Esse princípio de organização territorial da mão-de-obra
assalariada, gera um conflito na organização desses trabalhadores na medida em que a
territorialidade da mão-de-obra extrapola aquela que é representada pelos sindicados de
base territorial municipal. Sendo assim, o trabalhador assalariado se identifica com este
ou aquele sindicato dependendo da localização da empresa pela qual trabalha, e não no
sindicato dos trabalhadores rurais do município no qual reside (THOMAZ JÚNIOR,
2002).
Esse modo de organização sindical impossibilita o diálogo acerca dos conflitos
impostos pelas empresas, e com isso diminui a organização da classe trabalhadora que
não se vê representada nem em seu município de moradia, nem no município onde
trabalha (CARVALHO, 2008).
1
Informação coletada através de estudos de campo de orientação científica, de alunos do Núcleo de
Estudos de Mobilidade e Mobilização- NEMO-UEM, coordenado pelo professor Dr. Márcio Mendes
Rocha.
4- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa procurou ressaltar breve consideração sobre a expansão da
atividade canavieira no Noroeste Paranaense, e conforme exposto ao longo deste texto,
a mobilidade forçada da força produtiva que exerce seu trabalho no corte da cana-deaçúcar se apresenta como uma exigência dos agentes do agronegócio da cana-de-açúcar,
com a desculpa de que o setor sucroalcooleiro gera emprego e renda para esses
municípios, que já se deparam com diversas precariedades e carências em seu meio
urbano em decorrência do avanço capitalista nestas áreas. Contudo é preciso atenção e
acompanhar os moldes de organização desses trabalhadores no corte da cana-de-açúcar,
para que o setor canavieiro não vem a reproduzir em pleno século XXI novamente
relações desumanas de trabalho como na época em que predominava o trabalho escravo
nas lavouras de cana-de-açúcar, nos quatro primeiros séculos de história dessa atividade
no País.
5- REFERÊNCIAS
ALCOPAR, Disponível em: < http://www.alcopar.org.br/associados/mapa.php >
acesso em: 22/06/2008.
CARVALHO, Josiane Fernandes. Os assalariados rurais da agroindústria
canavieira na mesorregião noroeste paranaense. 2008, 199 p. Dissertação (Mestrado
em Geografia). Programa de pós- graduação em geografia, Universidade Estadual de
Maringá. Maringá.
ENDLICH, Ângela Maria. Pensando os papéis e significados das pequenas cidades
do Noroeste do Paraná. UNESP, Presidente Prudente, 2009, 357p.
GAUDEMAR, Jean Paul de. Mobilidade do trabalho e acumulação do capital.
Lisboa, Estampa, 1977, 405p.
IBGE, Disponível em: < www.ibge.com.br > acesso em: 17/06/2010.
IPARDES, Disponível em:
<http://www.ipardes.gov.br/biblioteca/docs/leituras_reg_meso_noroeste.pdf> acesso
em: 18/03/2009.
LIMA, Rosalina Ferreira de. A experiência paranaense de planejamento. 1998, 160p.
Dissertação (Mestrado em economia). Programa de pós-graduação em economia,
Universidade Estadual de Maringá. Maringá.
LUXEMBURG, Rosa. A Acumulação do capital: Estudos sobre a interpretação
Econômica do Imperialismo. Rio de Janeiro, ZAHAR, 1970. 516 p.
PADIS, Pedro Calil. Formação de uma Economia Periférica: o caso do Paraná. São
Paulo, HUCITEC, 1981, 235p.
RIBEIRO, Vitor Hugo. O avanço do setor sucroalcooleiro do Paraná: dos engenhos
às usinas. 2008. 60 f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Geografia).
Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2008.
TORMENA, Anísio. A Cana vai avançar sobre a pecuária. O Diário do Norte do
Paraná, Maringá,10 mai. 2007. Cidades, p. A8.
THOMAZ JÚNIOR, Antonio. Por trás dos canaviais, os “nós” da cana: a relação
capital x trabalho e o movimento sindical dos trabalhadores na agroindústria canavieira
paulista. São Paulo. Annablume. 2002. 388p.
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mobilidade e mobilização: os trabalhadores temporários do setor