TRIBUNA DO NAE Conselho editorial: Juliana Miranda Raissa Soares A MÚSICA E O DIREITO Eros Roberto Grau - professor aposentado da USP Para os juízes não há — não deveria haver — plateia alguma. Ainda que, em determinados tribunais, certos juízes se excedam em figuras literárias, demoradamente, ao votar. A música é arte; o Direito, uma prudência. Aristóteles ensinou-nos que o princípio de existência da arte está no artista, não na coisa produzida. A arte não se ocupa com as coisas que são ou se geram por necessidade. Nem com os seres naturais, que encontram em si mesmos seu princípio. O Direito, ao contrário, é uma prudência. Não é ciência nem arte. É capacidade, acompanhada de razão, de agir na esfera do que é bom ou mau para o ser humano. Razão intuitiva que não discerne o exato, porém, o correto. Por isso, há sempre, no texto da Constituição e das leis, mais de uma solução correta a ser aplicada a cada caso, nenhuma exata. Entre a música e o Direito há, contudo, certa semelhança. Ambos são alográficos, isto é, reclamam um intérprete: o intérprete da partitura musical, de um lado; o intérprete do texto constitucional ou da lei, de outro. Das artes há dois tipos: as alográficas e as autográficas. Nas primeiras (música e teatro), a obra apenas se completa com o concurso do autor e de um intérprete; nas artes autográficas (pintura Divulgação oabpb.org.br/nae-pb ANO I • SETEMBRO DE 2015 • NÚMERO 2 e romance), o autor contribui sozinho à realização da obra. Em ambas há interpretação, mas são distintas uma e outra. A interpretação da pintura e do romance envolve unicamente compreensão de quem olha ou lê. A obra é completada, no seu todo, pelo autor. Sua fruição estética independe de qualquer mediação. O Direito é alográfico. O texto normativo não se completa no quanto tenha escrito o legislador. Sua “completude” somente é alcançada quando o sentido por ele expressado for produzido, como nova forma de expressão, pelo intérprete. O sentido expressado pelo texto é disAristóteles ensinou tinto do texto. É a norma que resulta da interpretação. O intérprete “proque o princípio de duz a norma’’ a ser existência da arte está aplicada a certos fatos sem exceder no artista, não na coisa o texto. A interpretação do Direito é meproduzida diação entre o caráter geral do texto normativo e sua aplicação particular, em cada caso. Permito-me ainda referir outra distinção, entre o poiético e a estesia. A pôiesis (de onde poiético) é criação, produção, conversão do que não existia em existente. Alguém já disse que a pôiesis é como o despertar de uma mariposa ao romper seu casulo. A estesia, por outro lado, é aptidão humana a fruirmos do belo. Pois é exatamente aí que música e Direito se apartam. Os músicos interpretam partituras visando à fruição estética. Os juízes interpretam textos norma- RANKING DICA DE LEITURA Bruna Carvalho Cruz de Oliveira O anuário Análise Advocacia 500 faz um levantamento com diretores jurídicos das maiores empresas brasileiras com o intuito de descobrir quais são os escritórios mais admirados do Brasil. No ano de 2014 este processo foi feito levando-se em conta diversas especialidades e o full service de cada um. Davi Padilha de Aguiar O estágio é o tempo reservado para que o estudante absorva o máximo de experiência e conhecimento prático, se preparando para uma futura carreira profissional. Porém, o estágio não consiste apenas em absorver, mas também em produzir um bom trabalho, de modo a demonstrar que o aprendizado está surtindo efeito. Nesta coluna, demonstraremos algumas formas de trilhar o caminho do estagiário bem sucedido, mas nesse primeiro contato, nos ateremos apenas a uma característica essencial de um bom estagiário: iniciativa. Muito importante, para ser um bom estagiário que se tenha iniciativa no trabalho. Espera do seu chefe que mande você fazer o seu trabalho pode aborrecê-lo e lhe prender a um campo restrito de atuação, como se o estagiário estivesse adestrado a comandos de um treinador. Necessária a iniciativa para que demonstre vontade de atuar, zelo com o trabalho e atitude para vencer. Esses são pontos essenciais que destacam o estagiário, não como um mero iniciante, mas como um futuro grande profissional. Divulgação tivos vinculados pelo dever de aplicá-los, de sorte a proverem a realização de ordem, de segurança e de paz. O intérprete musical interpõe-se entre o compositor e a plateia. Para os juízes, no entanto, não deve existir plateia. O Direito não é para produzir efeito estésico. A sensibilidade ao belo é estranha à atuação do juiz no desempenho do ofício de interpretar e aplicar textos da Constituição e das leis. A aptidão humana de fruição do belo nada tem a ver com os juízes. Nem mesmo conosco, meros cidadãos, quando suportamos normas de decisão por eles produzidas. Para os juízes não há — não deveria haver — plateia alguma. Ainda que, em determinados tribunais, certos juízes se excedam em figuras literárias, demoradamente, ao votar. Dirigindose à plateia, em êxtase de si mesmos. Não estou a dizer que todos os juízes afastam-se da prudência para a qual foram talhados. Aqui e ali, no entanto, é uma prudência alvoroçada que exercem, fazendo bonito para a plateia. Isso não dará certo, mesmo porque a plateia está farta de espetáculos de qualidade bem ruim, legislativos e executivos. Ariano Mário Fernandes Fonsêca Filho COMO SER UM BOM ESTAGIÁRIO Desde 2015 No ranking geral, do full service, os dez escritórios mais admirados do Brasil são: 1. Pinheiro Neto Advogados; 2. Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados; 3. Siqueira Castro Advogados; 4. Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. E Quiroga Advogados; 5. Demarest Advogados; 6. Trench, Rossi e Watanabe Advogados; 7. TozziniFreire Advogados; 8. Veirano Advogados; 9. Leite, Tosto e Barros Advogados; 10. Souza Cescon, Barrieu & Flesch Advogados. Divulgação Uma excelente dica, para fomentar o interesse dos acadêmicos de direito no próprio curso, além de garantir um bom desempenho durante e após a faculdade, se da por meio de livros que envolvam o estudante no universo jurídico. O livro “Arte de Fazer Acontecer”, do autor americano David Allen, é um dos mais indicados para atingir uma maior produtividade no trabalho. No desenrolar da obra, o escritor dá instruções e estratégias para o sucesso, ensinando práticas de gestão de tempo modernas, auxiliando a redução do estresse, focando em melhor desenvolvimento estratégico.