anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas Dança, Ritual e Comunicação Corporal na Prática Contemporânea do Judaísmo e do Cristianismo Dance, Rituals and Body Commnication in the Contemporary Practise of Judaism and Cristianity Eliana Branco Malanga1 Faculdade Paulista de Artes Resumo Este é um estudo sobre a dança como parte do ritual sagrado nas religiões bíblicas, ou seja, no Judaísmo e no Cristianismo. Enquanto no judaísmo houve uma continuidade na inclusão da dança e do movimento corporal, no cristianismo houve um longo período de repressão à expressão corporal. Na maioria das culturas, uma das inserções sociais e simbólicas da dança é o ritual religioso. Na cultura ocidental cristã isto não ocorreu. Em razão da base filosófica do cristianismo, de forte influência platônica, tudo o que é “matéria” (e o corpo humano em particular) passou a ser visto como imperfeito e impuro. Disso resultou uma dicotomia, uma dissociação entre a dança ritual e a religião. Somente no final do século XX, alguns movimentos católicos e algumas poucas denominações protestantes passaram a buscar uma forma de oração através da dança. Eles tentam reatar uma tradição que foi cortada, e, para tal buscam retomar as raízes judaicas. Palavras-chave: Dança Ritual, Funções Sociais da Dança, a Interface Religiosa da Dança no Ocidente. Abstract This is a study about the dance as part of sacred rituals in biblical religions, which are Judaism and Christianity. When in Judaism the dance has been continuously included as well as the corporal movements, Christians had a long period of repression to corporal expression. In the majority of cultures, religious rituals are one of the social and symbolic insertions of the dance. In the Occidental Christian culture it did not occurred this way. The philosophical basis of Christianity, which had a strong platonic influence, every material thing (and especially the human body) was seen as imperfect and impure. The result has been a dichotomy, dissociation between dance and religion. Only in the last years of the XXth century, some catholic movements and some reformed denominations began to search a way of praying by using the dance. They try to return to a tradition which has been cut, and for that they try to take back some Jewish old practices, mentioned in the Bible. Kaywords: Ritual Dance, Social Functions of the dance, the Religion use of Dance in Occident. 1 Doutora em Comunicação Social e em Letras pela USP, pós-doutora pela UFMG, coordenadora do curso de Dança e dos cursos de Pós-Graduação da Faculdade Paulista de Artes. www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas Introdução Este é um estudo comparativo sobre a dança como parte do ritual sagrado nas religiões bíblicas, ou seja, no Judaísmo e no Cristianismo (em suas várias vertentes). Isto por que, enquanto no judaísmo houve uma continuidade na inclusão da dança e do movimento corporal, no cristianismo houve um longo período de repressão à expressão corporal. Somente no final do século XX, alguns movimentos católicos e algumas poucas denominações protestantes passaram a buscar uma forma de oração através da dança. Eles tentam reatar uma tradição que foi cortada, e, para tal buscam retomar as raízes judaicas. Na maioria das culturas, uma das inserções sociais e simbólicas da dança é o ritual religioso. No judaísmo, existem circunstâncias em a dança é elemento componente do próprio ritual. Na cultura ocidental cristã isto não ocorreu. Em razão da base filosófica do cristianismo, de forte influência platônica, tudo o que é matéria (e o corpo humano em particular) passou a ser visto como imperfeito e impuro. A teologia cristã não entende o ser humano como uma unidade física e espiritual, mas como a temporária reunião de dois princípios contrários: a matéria imperfeita (a carne e o espírito perfeito). Na visão cristã, os anjos, mensageiros de Deus e Seus servidores, são seres sem corpo, puro espírito. E ao ser humano caberia buscar essa mesma espiritualidade, desprendendo-se das coisas terrenas. Nessas circunstâncias, a dança, vista como manifestação de sensualidade perdeu espaço na oração, a qual deveria privilegiar a introspecção e o recolhimento. O cantochão ou canto gregoriano é a expressão máxima dessa postura estética. Disso resultou uma dicotomia, uma dissociação entre a dança ritual e a religião. Poder-se-ia dizer que, de certo modo, o ocidente cristão foi obrigado a criar um ritual leigo para as suas artes cênicas (a dança, o teatro e, posteriormente, a ópera), pois as igrejas foram, pouco a pouco, expulsando-as de seu recinto. Na segunda metade do século XX começaram a surgir, entre alguns grupos cristãos, as primeiras tentativas de utilizar a dança como linguagem artística apropriada à oração. No Brasil, elas se concretizaram, por exemplo, em movimentos da Igreja Católica (Oração pela Arte, Renovação Carismática Católica) e igrejas neo-pentecostais 2. 2 Pentecostais são as igrejas cristãs que têm como parte de sua prática a manifestação dos dons do Espírito Santo, tal como descrito nas Epístolas do apóstolo Paulo. Elas sugiram no Brasil em duas etapas. Na primeira vieram (dos Estados Unidos e Europa) as Igrejas pentecostais (Assembléia de Deus e Congregação Cristã do Brasil). As neo-pentecostais surgem a partir dos anos 1980, a maioria com origem no próprio território brasileiro. www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas O uso da dança, como manifestação religiosa espontânea dentro das igrejas cristãs é um fenômeno recente, que merece ser estudado. Ao se basear em textos bíblicos3 para justificar a re-inclusão da dança nos rituais religiosos, alguns cristãos têm buscado retomar a tradição judaica que foi interrompida pela Igreja. Esse tema ainda pouco pesquisado é que pretendemos enfocar em nossa pesquisa. Os estudos sobre a dança de cunho religioso no Brasil têm sido mais numerosos quanto aos rituais dos povos indígenas brasileiros, com as religiões afro-brasileiras (sincretismo resultante do contato entre as tradições africanas trazidas pelos escravos e o catolicismo), cuja dança já tem sido estudada, especialmente pela Antropologia. As festividades católicas que deram origem a festas folclóricas, como os reisados, o bumbameu-boi e outras, também já foram analisadas pela comunidade científica. A dança como ritual das religiões monoteísta e sua manifestação no Brasil atual têm, ao contrário, recebido pouca atenção dos pesquisadores. O objeto de estudo desta pesquisa é o uso contemporâneo da dança e da comunicação corporal como forma de oração e como parte dos rituais e manifestações religiosas das religiões que têm como base a Bíblia, seu texto mais sagrado. A pesquisa se limitará ao que ocorre hoje no Brasil, tanto por questões práticas, de viabilidade, como por necessidade de estabelecer delimitações ao tema, e ainda, especialmente, porque, a cultura brasileira privilegia a música e a dança populares. O método de procedimento utilizado é o comparativo, associado ao método histórico. A perspectiva histórica comparativa entre o judaísmo e as diversas vertentes do cristianismo permite perceber as raízes e processos que levaram a dois caminhos diferentes trilhados pelas duas grandes religiões monoteístas que têm a Bíblia como texto sagrado. As técnicas de coleta de dados foram: a pesquisa bibliográfica e a observação direta sistemática não participante, tendo como instrumento de pesquisa um questionário semiestruturado que foi respondido por alunos do curso de Licenciatura em Dança de uma faculdade particular de São Paulo que são evangélicos ou católicos praticantes. Nem todos aqueles a quem foi enviado o questionário responderam a tempo de que ser incluídos nos resultados ora apresentados. As respostas que chegaram depois do prazo foram guardada para análise em uma próxima fase desta pesquisa. Para a análise das entrevistas utilizou-se a análise de discurso (técnica qualitativa). 3 Embora as Bíblias cristãs tenham livros que não constam da Bíblia Hebraica, a maior parte de todas as Bíblias (judaica, cristã católica, cristã evangélica) se compõem dos mesmos livros. Os textos bíblicos que se referem à dança como parte da oração encontram-se nos textos comuns a todas, que consistem na Bíblia Hebraica, conhecida pelos cristãos como Antigo Testamento. www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas Antecedentes históricos Na cultura ocidental cristã, a dança foi dissociada da religião, pois estaria ligada ao corpo que era matéria, portanto inferior e contrária ao espírito. A dança perdeu espaço na oração. Musicalmente, durante séculos predominou o cantochão ou canto gregoriano, que utiliza os modos oriundos da cultura grega. Embora musicalmente o cantochão pareça derivar da cantilação da leitura bíblica na prática judaica, houve um deslocamento da sua função, que deixou de ser ressaltar o texto, passando a ter como objetivo criar uma atmosfera propícia à oração introvertida e contrita. Nesse cenário, a dança ritual, com seu sentido integrador e grupal, não encontrava mais um espaço simbólico na Igreja. A partir do século XVII, na corte francesa, a dança vai criando um novo espaço cênico para si: o palco italiano. A dança de salão deixa o salão, sobe alguns metros e passa, pouco a pouco a ser uma prática exclusiva de profissionais que a ela se dedicam com exclusividade. Surge o ballet. Entre palco e platéia manifesta-se um momento mágico e mítico. Mas a mitologia é do paganismo europeu, sobretudo celta. Surgem elfos, e sílfides e outros seres etéreos, que estavam em adequada sintonia com a proposta estética do ballet d’élévation. Estas criações do mundo da fantasia, não tinham a pretensão de retratar ou integrar-se ao ser humano concreto e real. Somente a partir do início do século XX buscam-se novos temas, novos discursos e até novas linguagens para a dança espetáculo. Mas então ela se torna definitivamente leiga. Dança no judaísmo Na maioria das culturas, uma das inserções sociais e simbólicas da dança é o ritual religioso. No judaísmo existem circunstâncias em a dança é elemento componente do próprio ritual. O melhor exemplo é a festa de Simchá Tora (Alegria da Tora). Em outras ocasiões, a dança mesmo não sendo exigência litúrgica tem um sentido ritual, como em casamentos, bar mitsvás e outras comemorações alegres. É provável que, desde a Antiguidade até a atualidade a dança nunca tenha sido abandonada pela tradição judaica. www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas O Talmud ensina que, na festa de Sucót (Tabernáculos), em Jerusalém (...) “os devotos e os homens de ação dançavam diante da assembléia, segurando tochas e cantando hinos de louvor “ (KAPLAN, 2005: 26). No judaísmo, embora não tenha ocorrido uma descontinuidade da dança ritual e do movimento corporal durante a oração, houve momentos e correntes religiosas mais ligadas à dança do que outros. Os movimentos místicos tenderam a dar-lhe maior importância. Kaplan menciona que no Talmud de Jerusalém (Sucá, 51, 22b) quanto à importância das danças nas festas e na mística judaicas. A dança estava tão intimamente associada à iluminação, que o Mundo Vindouro – o lugar último da iluminação – é descrito como ‘uma dança conduzida pelo Santíssimo – abençoado seja!’ (...) (KAPLAN, 2005: 26). A dança da festa de Sucót acontecia num momento chamado de Festa da Extração das Águas (Simchá Beit Hashoevá), e, esse nome seria devido ao fato de que nele as pessoas participantes da dança de louvor, poderiam receber o Ruach Hacodesh (Espírito Santo). Dança nas festas católicas Embora a Igreja Católica, tradicionalmente, não acolhesse a dança como parte da sua liturgia e do seu ritual, há festas populares de cunho religioso que incluem a dança. Elas acontecem nas ruas ou em locais de reunião que não o templo. Araújo (2007) menciona a congada e o jongo. O estudo dos fatos do passado, das canções, dos gestos aponta-nos que a congada não é de origem africana, mas é uma reminiscência da “Chanson de Roland” sabiamente aproveitada pelo catequista. [...] a congada é o teatro popular de ura, é a ribalta onde se pode presenciar a multissecular porfia entre cristãos e mouros infiéis, tornado-se nesta região o atrativo maior das festas do Divino Espírito Santo. É na congada que se pode sentir como foi grande a contribuição hispânica ao nosso folclore. [...] O termo Congada é uma verdadeira confraria religiosa, seguindo a orientação de um rei cuja função transcende a de dirigir as danças, evoluções e embaixada; ele é um líder, um conselheiro. O padroeiro da congada é São Benedito. (ARAÚJO, 2007:.78-79) www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas Ele também menciona o Moçambique, que apesar do nome de um país africano, refere-se à devoção a São Benedito. A dança atual de moçambique, além de se prestar para que devotos prestem culto coletivo e ao mesmo tempo individual em louvor a São Benedito, assume também caráter de dança medicinal, curativa. (ARAÚJO, 2007: 53) Ainda segundo Araújo (2007), somente no Estado de São Paulo podem ser encontradas mais de duzentas companhias de moçambique, sem falar das que existem me Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso. A dança de moçambique é uma dança de cunho religioso que evidencia o sincretismo, na medida em que é praticada por grupos de negros, mas tem uma origem claramente européia, o que pode ser visto pelo ritmo, pelos passos e pelos trajes. A Igreja Católica no Brasil atual acolhe e incentiva grupos dedicados à dança. A partir da década de 1970, movimentos católicos direcionados a jovens incluíam, algumas vezes, a dança espontânea ou coreografada. A Renovação Carismática Católica defende a inclusão do movimento corporal como forma de oração. A pesquisa de campo Esta primeira etapa da pesquisa se limita aos alunos do curso Licenciatura em Dança da Faculdade Paulista de Artes, situada na cidade de São Paulo. Esses alunos já haviam sido previamente identificados em aulas e atividades complementares e sabiam que se trata de uma pesquisa acadêmica. A cada um foi enviado um questionário, solicitando-se que o respondessem. Três não responderam. Foram obtidas três respostas de alunos que são evangélicos praticantes e uma resposta de alunas que é católica. Dos respondentes três são mulheres e apenas um é do sexo masculino. Todos têm entre 19 e 21 anos de idade. Eles serão designados como R1 (sexo feminino, religião católica), R2 (sexo feminino, evangélica), R3 (sexo feminino, evangélica) e R4 (sexo masculino, evangélico). Resultados da pesquisa www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas Com relação à pergunta sobre a dança fazer parte da liturgia ou culto, todos disseram que sim, inclusive a entrevistada católica. Faz parte da Liturgia algumas vezes: em datas especiais para um momento de ação de graças durante a Missa e em entradas da Bíblia durante a Missa também! Mas ela destacou outras ocasiões, mais comuns em que a dança integrada às práticas religiosas: Além disso, a dança é muito frequente nos Grupos de Orações da RCC (Renovação Carismática Católica), onde dançamos todas as semanas os louvores (durante as animações), e quando nos pedem, normalmente em datas especiais, também fazemos apresentações (dentro das igrejas, em praças públicas e também em teatros, seja para apresentações de dança ou para apresentações de Musicais que envolve a dança). Por fim, nós também marcamos algumas vezes por ano para irmos em asilos, orfanatos e até hospitais para levar a palavra de Deus através de nosso corpo, nossa dança, às pessoas. Quando foi pedido que o entrevistado descrevesse “em detalhes a atividade de dança em sua Igreja e sua participação nela”, foram obtidas as seguintes respostas: Nós temos um grupo, denominado Ministério de Dança, onde nos encontramos pelo menos uma vez por semana para rezar e ensaiar, bem como decidir figurinos e montar coreografias. Conforme temos muitos convites para apresentações, nós marcamos os ensaios mais frequentes. Acima eu escrevi melhor sobre onde e como atuamos. Minha participação na Igreja é bastante ativa: Eu coordeno não só o Ministério de Dança da minha Paróquia, mas atualmente coordeno aqueles que estão à frente de algum Ministério (o nome apropriado é que sou coordenadora diocesana do Ministério de Dança e Teatro de toda a Diocese de Santo André). Existem congressos anuais de Dança, Música e Teatro (a nível estadual e nacional), no qual também participo e algumas vezes, ajudo a organizar. (R1) A dança na minha igreja é usada com intuito de mostrar o nosso corpo como instrumento de adoração a Deus. Sou líder do ministério de dança (como chamamos) na minha igreja e além de usarmos nosso corpo como instrumento de adoração. Queremos levar a arte para as pessoas que assistem e divulgamos nosso trabalho. (R2) As atividades de dança são feitas juntamente com o grupo de louvor da igreja , e separadamente como festivais e cultos de dança . Eu participo de todas as atividades de dança que há na igreja . (R3) www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas Faço parte de um grupo de dança, no qual sou líder. Usamos a dança como uma ferramenta de adoração ao Senhor. A dança, nada mais é do que uma forme de expressarmos a Deus o quanto O amamos, e o quanto desejamos estar em sua presença. Assim como alguns cantam, outros tocam, outros pregam, dançar é adorar e declarar com o nosso corpo que o próprio Criador nos deu. (R4) Com relação à existência de cursos de dança na própria Igreja de que fazem parte, os pesquisados informaram que: Nós temos ensinos sobre dança e religião. Ele não é frequente, como pro exemplo todo final de semana. Costumamos ter workshops, aulas práticas e teóricas com um intervalo de aproximadamente 3 meses. Sendo essas formações somente para nosso grupo, algumas vezes juntando todos os grupos da região de Diadema da qual faço parte, outras vezes junto com todos os grupos da diocese de Santo André, na qual a região de Diadema e mais 9 regiões fazem parte, e outras vezes, a nível estadual, juntando todas as dioceses (aproximadamente 48 dioceses). Mas cursos de alguns tipos de dança específicos ainda não temos. Porém, em nossos ensaios, cada pessoa tem formação em alguns determinado tipo de dança e juntos multiplicamos essas informações dentro do Ministério. Por fim, anualmente, a diocese de Santo André da qual participo, envia aproximadamente 2 pessoas (por conta dos custos que são altos) para uma Escola de Formação, chamada EFAC (Escola de Formação para Artistas Católicos), no ano passado eu fui, fiquei 5 dias em formação sobre dança e religião. Esse curso acontece sempre no meio do ano e é realizado em Tatuí – SP, onde nos encontramos com artistas do Brasil inteiro. (R1) Dos demais entrevistados, dois responderam que sim, que há cursos de dança em sua Igreja e uma respondeu que não. Um deles acrescentou que ele próprio está dando aulas de dança em sua Igreja. Sim, e a pouco tempo comecei a dar aula lá também. (R4) Quanto a haver incentivo para que cursem a Licenciatura em Dança, verificou-se que todos os quatro são incentivados a cursar Dança. Esse incentivo, porém não é material. As pessoas pedem para que nós, Ministros da Dança, façamos cursos [...] Mas incentivo financeiro não existe. (R1) www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas O estímulo religioso foi decisivo em para dois dos entrevistados, que não tinham interesse por dança antes de praticá-la em sua Igreja. As outras duas já dançavam antes de ter essa oportunidade no seu grupo religioso. Quando pequeno, nunca me interessei por dança. Foi na igreja que descobri minha paixão pelo que faço hoje. (R4) Com relação ao período em que já se pratica dança na sua Igreja, dois não souberam responder, outro respondeu que há 10 anos e uma disse que foi desde a fundação da denominação que ela segue. Dentro da Igreja Católica Apostólica Romana não sei dizer. Porém, dentro da Igreja que eu participo, existe a prática de dança há 5 anos. (R1) Desde quando ela foi fundada. Há 12 anos. (R2) 10 anos (R4). Quando foi perguntado “como é a dança na sua prática religiosa?”, somente uma das pessoas disse que ela faz parte do ritual, mesmo assim com restrições. Parte do ritual (algumas vezes, como disse, em entradas da Bíblia e Ação de Graças) (R1) Três dos quatro entrevistados marcaram a opção louvor e os mesmo assinalaram oração espontânea e integração dos fieis. Três responderam que há outras situações em que se usa a dança. São as seguintes as ocasiões mencionadas: Adorações e Apresentações. (R1) Liberdade para adorar a Deus com os movimentos que Ele nos deu, com o corpo que Ele formou para louvor e adoração do nome dEle.(R2) Adoração a Deus atraves da dança ( corpo ) (R3). Como informações importantes a serem acrescentadas, foram mencionadas as seguintes: A dança dentro da Igreja Católica está crescendo a cada dia mais. Para acompanhar esse crescimento, toda a direção Nacional, Estadual, Diocesana www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas e Regional está tentando fazer sempre mais formações e integrações com aqueles que já estão praticando há algum tempo com aqueles que estão começando agora. Como eu participo do Núcleo Diocesano, já estou sabendo que até vão fazer um Fórum sobre Dança e Teatro, para definir diretrizes a nível nacional para todos os Ministros de Dança e Teatro, uma vez que em música isso já existe. (R1) Com o nosso corpo nós ensinamos que podemos adorar a Deus com aquilo que Ele nos deu dando o nosso melhor. Pregamos um Deus de coração não de placa. Um Deus que se importa com pessoas, não com coisas. E a dança leva esse entendimento à pessoas que entendem o propósito da nossa dança. São mais que movimentos do corpo, fazemos com o coração, com sentimento.(R2) A arte é de Deus. Todos os tipos de dança, músicas e artes vieram de Deus. Porque não usa para a glória D’ele? Que a dança se espalhe por todas as nações. (R4) Foram mencionadas pelos entrevistados as seguintes denominações: Comunidade Evagélica Plena Adoração; Igreja Batista Ministério Conquista; Igreja Evangélica da Visão Celular, sendo que a respondente número 2 mencionou duas denominações e o número 4 nenhuma. A entrevista R1 é católica. Considerações Finais Esta pesquisa, realizada entre alunos de um curso de Licenciatura em Dança indica que está havendo uma mudança do cristianismo em relação à dança como manifestação religiosa. Os dados coletados ainda são insuficientes para demonstrar a aceitação da dança como manifestação religiosa no cristianismo. Entretanto, a simples existência de alunos de um curso de licenciatura em dança que sejam católicos engajados ou evangélicos praticantes, já indica uma mudança da postura dessas Igrejas em relação à dança. Esta pesquisa está apenas se iniciando. Pretende-se fazer um estudo mais aprofundado diretamente com as Igrejas, entrevistando padres e pastores e também sistematizar informações sobre a dança nas comemorações judaicas. Para o momento, pode-se comemorar que a animosidade das Igrejas cristãs em relação à dança parece estar em um processo de superação. www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas Bibliografia ARAÚJO, A. M. 2007. Cultura popular brasileira. 2. ed. São Paulo, Martins Fontes. KAPLAN, A. 2005. Meditação e cabalá. São Paulo, Sefer. www.portalanda.org.br/index.php/anais