Lição 12 12 de Dezembro a 18 de Dezembro De Volta ao Egito Sábado à tarde LEITURA PARA O ESTUDO DA SEMANA: Jeremias 40:7-16; 41-43; Êxodo 16:3; Números 16:13; Jeremias 44. VERSO ÁUREO: “Seja o Senhor entre nós testemunha da verdade e fidelidade, se não fizermos conforme toda a palavra com que te enviar a nós o Senhor, teu Deus.” Jeremias 42:5. A LIÇÃO DESTA SEMANA LEVA-NOS AO FINAL DA SAGA do profeta Jeremias. No entanto, esse final não é nenhum “e viveram felizes para todo o sempre”. Em certo sentido, poder-se-ia resumir o estudo desta semana, e mesmo o de uma boa parte do livro de Jeremias, dizendo que o que vemos aqui é um exemplo dos limites da graça. Isto é, a graça não salvará aqueles que se recusam totalmente a aceitá-la. Por muito que o Senhor lhes falasse, oferecendo-lhes Salvação, proteção, Redenção, paz e prosperidade, todos, a não ser um pequeníssimo e fiel remanescente, desdenharam da oferta de Deus e recusaram aceitá-la. E o que aconteceu a Jeremias? A sua vida e a sua obra, segundo todas as aparências humanas, pareceram uma futilidade! O “profeta das lamentações” teve muito de que se lamentar. Mesmo depois de tudo acerca de que ele advertiu se ter realizado, as pessoas continuaram apegadas aos seus pecados, ao paganismo e à rebelião, desafiando abertamente o profeta à sua frente e desdenhando da Palavra do Senhor a elas dirigidas. Como precisamos de ser cuidadosos! A graça é graça porque é oferecida a quem não a merece, é certo; mas não é imposta a ninguém. Devemos estar dispostos a aceitá-la. Ano Bíblico: Hebreus 1-3. SOP: Evangelismo (Livro), A Obra nas Grandes Cidades Americanas (Capítulo), (384) Comentário De especial valor, hoje, para a Igreja de Deus sobre a Terra – os guardas da Sua vinha – são as mensagens de consolo e admoestação dadas através dos profetas que tornaram claro o Seu eterno desígnio em favor da Humanidade. Nos ensinos dos profetas, o Seu amor pela raça caída e o Seu plano para a sua salvação são claramente revelados. A história do convite feito a Israel, dos seus sucessos e fracassos, da restauração do favor divino sobre eles, a rejeição do Senhor da vinha e a execução do plano dos séculos por um bom remanescente em quem seriam cumpridas todas as promessas do concerto – foi o tema dos mensageiros de Deus à Sua Igreja, através dos séculos passados. E hoje a mensagem de Deus à Sua igreja – aos que estão a ocupar a Sua vinha como fiéis lavradores – não é outra senão a que foi expressa pelo profeta do passado: “Naquele dia, haverá uma vinha de vinho tinto; cantai-lhe. Eu, o Senhor, a guardo, e a cada momento a regarei; para que ninguém lhe faça dano, de dia e de noite a guardarei.” Isa. 27:2 e 3. Espere Israel em Deus. O Senhor da vinha está neste momento a reunir dentre todas as nações e povos os preciosos frutos pelos quais tem esperado há tanto tempo. Em breve virá para o que é Seu; e nesse alegre dia, o Seu eterno desejo para a casa de Israel será finalmente cumprido. “Jacob lançará raízes e florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto a face do mundo.” Isa. 27:6. – Profetas e Reis, p. 12 (Ed. P. SerVir). Deus deseja que confessemos os nossos pecados e humilhemos o coração perante Ele; ao mesmo tempo, porém, devemos ter confiança n'Ele como num terno Pai, que não abandona os que n'Ele confiam. Não reconhecemos quantos de nós andam pela vista e não pela fé. Cremos nas coisas que se veem, mas não apreciamos as preciosas promessas que nos são dadas na Sua Palavra. No entanto, não podemos desonrar Deus mais decididamente do que mostrando que desconfiamos do que Ele diz. Nem por um momento considerem as tentações de Satanás como estando em harmonia com o vosso próprio espírito. Fujam delas como o fariam do próprio adversário. A obra de Satanás é desencorajar a alma. A de Cristo é inspirar fé e esperança ao coração. Satanás procura transtornar a nossa confiança. Diz-nos que as nossas esperanças assentam em falsas promessas, e não na segura, imutável palavra d'Aquele que não pode mentir. Quando ele, [Satanás] sugere dúvidas quanto ao facto de sermos realmente o povo a quem Deus está a conduzir, a quem por provas Ele está a preparar para subsistir no grande dia, estejamos prontos a enfrentar as suas insinuações com a apresentação da firme Palavra de Deus, de que este é o povo remanescente que guarda os mandamentos de Deus e a fé de Jesus. – Nossa Alta Vocação (Meditações Matinais, 2015), p. 81 (Ed. P. SerVir). Anarquia Política Domingo, 13 de Dezembro. Poder-se-ia pensar que, com a destruição da cidade e a derrota total sofrida frente aos Babilónios, toda a gente teria aprendido a sua lição. Infelizmente nem todos a aprenderam, e o drama ainda não estava terminado. Leia Jeremias 40:7-16. Que mensagem foi dada (uma vez mais) ao povo? Qual é o significado da palavra remanescente usada no versículo 11? Apesar da mensagem de paz, e até da prosperidade daí resultante (ver Jer. 40:12), nem toda a gente estava contente com o status quo. Leia Jeremias 41. Que novos problemas iria o “remanescente” enfrentar agora? Embora não sejam apresentadas as razões para o assassinato, o facto de ter sido praticado por alguém de “sangue real, e pelos capitães do rei” (Jer. 41:1) sugere que esses elitistas ainda não tinham aceitado a ideia de que a nação escolhida necessitava de se submeter ao domínio babilónico. Como Gedalias tinha sido posto no governo pelo rei de Babilónia (ver Jer. 40:5), aquelas pessoas poderão ter olhado para ele como um fantoche traidor, que era desleal para com a nação e que, por conseguinte, tinha de ser eliminado, juntamente com a corte. À medida que o capítulo prossegue, podemos ver que aquele remanescente enfrentava agora uma nova ameaça: o medo dos Babilónios, que – talvez não conhecendo os pormenores do que tinha sucedido – procurariam uma vingança pela morte de Gedalias e dos soldados babilónios (ver Jer. 41:3). Os pecados de Ismael e dos seus homens provocaram o medo entre aqueles que não tinham nada a ver com esses atos condenáveis. O que é que isto nos deve dizer acerca de como, pela nossa desobediência, podemos provocar dor e sofrimento a outros, mesmo àqueles que não têm nada a ver com os nossos pecados? Ano Bíblico: Hebreus 4-6. Comentário A Bíblia condena com os termos mais fortes toda a falsidade, fraude e desonestidade. O justo e o errado são declarados abertamente. Mas foi-me mostrado que o povo de Deus se colocou em terreno do inimigo; cedeu às suas tentações e seguiu os seus artifícios, até as suas sensibilidades se tornarem perigosamente embotadas. Um leve desvio da verdade, uma pequenina variação das reivindicações de Deus, não é, afinal, considerado muito pecaminoso, quando estão envolvidos ganho ou perda de dinheiro. Mas pecado é pecado, quer seja cometido pelo milionário ou pelo que pede esmolas nas ruas. Os que adquirem bens através do engano, trazem sobre si a condenação. Tudo quanto for adquirido por meio de engano e fraude só trará maldição a quem o receber. Adão e Eva sofreram as terríveis consequências de desobedecerem ao expresso mandamento de Deus. Podem ter argumentado: Este é um pecado muito pequenino, e nunca será levado em conta. Mas Deus tratou o caso como um mal terrível; e a desgraça trazida pela sua transgressão será sentida através de todos os tempos. Nos dias em que vivemos, pecados de muito maior magnitude são muitas vezes cometidos pelos que professam ser filhos de Deus. Nas transações comerciais, o professo povo de Deus pronuncia e pratica falsidades que trazem sobre eles a desaprovação de Deus, e a vergonha sobre a Sua causa. O mais pequeno desvio da veracidade e da retidão é uma transgressão da lei de Deus. A contínua condescendência com o pecado habitua a pessoa ao hábito de proceder mal, mas não diminui o grave caráter do pecado. – Testemunhos Para a Igreja, vol. 4, p. 311. Em breve virá esse tempo, e teremos de nos segurar firmemente aos fortes braços de Jeová, pois todos estes grandes sinais e poderosas maravilhas do diabo destinam-se a enganar o povo de Deus e derrotálo. A nossa mente precisa de se fixar em Deus, e não devemos temer o temor dos ímpios, isto é, temer o que temem, e reverenciar o que reverenciam; mas, devemos ser esforçados e animosos em prol da verdade. Se os nossos olhos se abrissem, veríamos os anjos maus à nossa volta a tentarem inventar alguma nova maneira de nos molestar e destruir. E também veríamos anjos de Deus guardando-nos do poder deles; pois os olhos vigilantes de Deus estão sempre sobre Israel, para o seu bem; e Ele protegerá e salvará o Seu povo, se este n’Ele puser a sua confiança. Quando o inimigo vier como uma inundação, o Espírito do Senhor levantará uma bandeira contra ele. – Primeiros Escritos, p. 60. Em Busca de Orientação Divina Segunda, 14 de Dezembro. Leia Jeremias 42. Que poderosa mensagem se encontra aí, não apenas para aquelas pessoas, mas para qualquer uma que, em oração, busque a orientação do Senhor? Receosas dos Babilónios, as pessoas procuraram Jeremias e pediram-lhe que orasse por elas em busca de orientação divina. Naquela altura, aquelas pessoas já deviam saber que Jeremias era, na verdade, um profeta de Deus e que aquilo que ele dissesse, quando falava em nome do Senhor, seria verdadeiro. Também fizeram o voto de obedecerem a tudo o que Deus pedisse ou ordenasse. Assim, quando lemos, vemos um povo que parecia ter aprendido as suas lições, que queria não só saber qual era a vontade de Deus, mas, mais importante do que isso, pretendia segui-la. As palavras – “Seja ela boa, ou seja má, à voz do Senhor, nosso Deus, a quem te enviamos, obedeceremos, para que nos suceda bem, obedecendo à voz do Senhor, nosso Deus” (Jeremias 42:6) – foram uma extraordinária confissão de fé. Depois de tudo o que tinha acontecido, já era tempo que assim fosse. Repare-se no paralelismo que há aqui com as primeiras mensagens de Jeremias: Não ponham a confiança em potências estrangeiras. Confiem no Senhor, e Ele vos dará prosperidade e Ele vos livrará quando for o momento oportuno. A Salvação não vem de nenhuma outra parte ou de nenhum outro. As potências estrangeiras não vos ajudaram antes, e não vos ajudarão agora. Deus teve de advertir o povo, pois Ele sabia qual era a tendência do seu coração. Ele sabia que continuavam a pensar em regressar ao Egito (pensemos no simbolismo disto), a fim de procurarem a proteção que desejavam. Daí que o Senhor lhes tenha dado ordens muito claras e específicas para que não o fizessem, pois esse caminho traria ruína sobre eles. Uma vez mais, era uma escolha dura, a escolha que todos temos de enfrentar: vida e paz, mediante a fé em e a obediência a Jesus, ou a miséria e a morte, mediante a falta de fé e de obediência. Não importam as diferenças nas circunstâncias, no final a questão é a mesma para todos nós. Ao contrário daqueles indivíduos, as advertências nem sempre nos são feitas de modo tão específico e claro, no entanto, os avisos foram-nos feitos também. Vida ou morte, bênção ou maldição. Que tipo de escolhas estamos a fazer, todos os dias, quer para a vida quer para a morte? Ano Bíblico: Hebreus 7-9. Comentário Cada ato de obediência a Cristo, cada ato de abnegação por amor a Ele, cada prova devidamente suportada, cada vitória ganha sobre a tentação, é um passo dado na marcha para a glória da vitória final. Se temos Cristo como nosso guia, Ele conduzir-nos-á a salvo. O maior dos pecadores não precisa de errar o seu caminho. Nenhum trêmulo pesquisador precisa de deixar de andar na pura e santa luz. Embora seja o caminho tão estreito, tão santo que nele não se tolera pecado, foi todavia garantido acesso a todos, e nenhuma duvidosa e tremente alma precisa de dizer: “Deus não cuida de mim.” ... E por todo o íngreme trilho que ascende em direção à vida eterna, encontram-se nascentes de alegria para refrigerar o cansado. Os que andam pelo caminho da sabedoria são, mesmo quando atribulados, eminentemente jubilosos; pois Aquele a quem a sua alma ama caminha, invisível, ao seu lado. A cada passo ascendente, percebem, mais distintamente, o contacto da Sua mão; a cada passo, raios de glória mais brilhantes, vindos do Invisível, incidem na sua estrada; e os seus hinos de louvor, alcançando sempre a mais elevada nota, elevam-se para se unirem aos cânticos dos anjos perante o trono. “A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Provérbios 4:18). – A Maravilhosa Graça de Deus (Meditações Matinais, 1974), p. 262. Cada pessoa tem um Céu a ganhar, e um inferno a evitar. E os agentes angélicos estão todos prontos a vir em auxílio da alma tentada e provada. Ele, o Filho do infinito Deus, resistiu à prova em nosso favor. A cruz do Calvário ergue-se vividamente diante de cada pessoa. Quando o caso de todos for julgado, e eles [os perdidos] forem entregues a sofrer por causa do seu desprezo a Deus e do desrespeito da Sua honra na sua desobediência, ninguém terá desculpa, ninguém teria necessidade de ter perecido. Foi deixado à sua própria escolha quem seria o seu príncipe – Cristo ou Satanás. Todo o auxílio que Cristo recebeu, cada homem pode receber na grande provação. A cruz ergue-se como o penhor de que ninguém precisa de se perder, de que é provida abundante ajuda para cada alma. Podemos vencer os agentes satânicos, ou podemos unir-nos aos poderes que procuram neutralizar a obra de Deus no nosso mundo! – Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 96. Deus deu-nos o poder de escolher; está ao nosso dispor para que o exerçamos. Não podemos mudar o coração, nem controlar os nossos pensamentos, impulsos e afeições. Não nos podemos tornar puros, aptos para o serviço de Deus. Mas podemos escolher servi-l’O, podemos entregar-Lhe a nossa vontade e, então, Ele produzirá em nós o querer e o efetuar, segundo o Seu beneplácito. Assim, toda a nossa natureza será posta sob o controlo de Cristo. Mediante o devido exercício da vontade, pode ser realizada uma mudança completa na vida. Quando submetemos a vontade a Cristo, aliamo-nos com o poder divino. Recebemos força do alto para nos mantermos firmes. Uma vida nobre e pura, uma vida vitoriosa sobre o apetite e a concupiscência, é possível a todo aquele que quiser unir a sua vontade humana, fraca e vacilante, à omnipotente e inabalável vontade de Deus. – A Ciência do Bom Viver, p. 121. Regresso ao Egito Terça, 15 de Dezembro. Se ainda não leu os capítulos que se seguem nesta história, Jeremias 42 pode ser uma leitura muito empolgante. O que é que o povo iria fazer? Avançaria pela fé, uma fé que se revela na obediência, e permaneceria em Judá? Ou seguiria os mesmos erros que tinham sido cometidos no passado, e, em vez de seguir um claro “assim diz o Senhor”, procederia como preferia, apesar do claro aviso do Senhor, nos últimos versículos do capítulo 42, acerca daquilo que o esperava, se regressasse ao Egito? Leia Jeremias 43:1-7. O que decidiram fazer aquelas pessoas? Quando a Palavra de Deus não está de acordo com as nossas intenções ou os nossos desejos, tendemos a ter dúvidas quanto às suas origens divinas. Do mesmo modo, o povo e os dirigentes tinham dúvidas acerca de Jeremias. Aparentemente, em Israel, só as circunstâncias se tinham alterado, mas o povo continuava o mesmo na maneira de pensar e no sentir do coração. As pessoas desligaram-se do voto que tinham feito, voltando-se contra o profeta Jeremias. Contudo, não queriam atacar diretamente o idoso Jeremias. Por isso, jogaram as culpas em Baruc, amigo do profeta, e, por vezes, seu escriba, e viraram contra este a sua raiva, afirmando que era ele quem incitava o profeta contra eles. Leia Êxodo 16:3; Números 16:13. Que paralelismo existe entre o que o povo disse a Jeremias e o que os seus antepassados disseram a Moisés? A natureza humana é a natureza humana, sempre à procura de alguém para culpar pelos seus problemas, constantemente em busca de uma desculpa para fazer o que quer. Assim, por qualquer razão, Baruc foi acusado de querer que todos os seus compatriotas morressem às mãos dos Babilónios ou que fossem levados para o Exílio. Jeremias 43:1-7 não indica o motivo que levou o povo a pensar que Baruc queria que aquilo acontecesse, como também não é dito na Escritura a razão por que Israel pensou que Moisés queria que todos morressem no deserto depois de terem saído do Egito. As pessoas, sob o domínio das emoções e das paixões, podem não ter motivos válidos para o seu modo de pensar. É fundamental, então, que mantenhamos as nossas paixões e as nossas emoções submissas ao Senhor! Com que frequência deixamos que as emoções ou as paixões toldem o nosso discernimento ou passem por cima de um claro “assim diz o Senhor”? Como é que podemos proteger-nos contra permitirmos que as emoções e as paixões tenham domínio sobre nós? (Ver II Cor. 10:5.) Ano Bíblico: Hebreus 10 e 11. Comentário Liberto da prisão pelos oficiais babilónicos, o profeta escolheu permanecer com o debilitado remanescente, “os pobres da terra”, deixados pelos caldeus para serem “vinhateiros e lavradores”. Sobre esses os babilónicos elegeram Gedalias como governador. Tinham passado poucos meses quando o novo governador foi morto à traição. As pessoas pobres, depois de terem passado por tantas provas, foram finalmente convencidas pelos seus líderes a procurar refúgio na terra do Egito. Jeremias levantou a sua voz e protestou contra esta medida. “Não entrem no Egito”, apelou ele. Mas o conselho inspirado não foi ouvido, e “todo o resto de Judá… homens… mulheres… e meninos” fugiu para o Egito. “Não obedeceram à voz do Senhor, e vieram até Tafnes.” Jer. 43:5-7. – Profetas e Reis, p. 305 (Ed. P. SerVir). Na ausência de Moisés, a congregação pediu a Arão que lhes fizesse deuses que fossem adiante deles e os levassem de volta ao Egito. Isto era um insulto para o seu líder, o Filho do Deus infinito. Ainda há poucas semanas, tinham tremido de espanto e terror diante da montanha, ouvindo as palavras do Senhor: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3). A glória que santificou a montanha quando a voz foi ouvida, e que sacudiu a montanha até à sua base, ainda pairava sobre ela à vista da congregação; mas os Hebreus desviaram os olhos e pediram outros deuses. Moisés, o seu líder visível, estava a conversar com Deus no monte. Eles esqueceram-se da promessa e da advertência de Deus: “Eis que eu envio um Anjo diante de ti, para que te guarde neste caminho e te leve ao lugar que te tenho aparelhado. Guarda-te diante dele, e ouve a sua voz, e não o provoques à ira; porque não perdoará a vossa rebelião; porque o meu nome está nele” (Êxodo 23:20 e 21). Os Hebreus foram cruelmente descrentes e vilmente ingratos na sua petição ímpia: “Faze-nos deuses que vão adiante de nós” (Êxodo 32:1). Se Moisés estava ausente, a presença do Senhor permanecia; não estavam abandonados. O maná continuava a cair, e eram alimentados pela mão divina de manhã e à tarde. A coluna de nuvem de dia e de fogo à noite indicava a presença de Deus, que era um memorial vivo diante deles. A presença divina não era dependente da presença de Moisés. Mas, no próprio momento em que ele estava a pleitear com o Senhor a seu favor na montanha, eles estavam a precipitarse em erros vergonhosos, em transgressão da lei que tão recentemente lhes fora dada em majestade. – Testemunhos Para a Igreja, vol. 3, pp. 339 e 340. Paulo insistia com os seus irmãos para que perguntassem a si mesmos que influência as suas palavras e os seus atos estavam a exercer sobre outros, e para que não fizessem coisa alguma, embora inocente em si mesma, que pudesse parecer aprovação da idolatria, ou ofender os escrúpulos dos que fossem fracos na fé. “Portanto, quer comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, devem fazer tudo para dar louvor a Deus. Não ofendam a consciência nem dos Judeus, nem dos pagãos, nem dos crentes em Cristo.” I Cor. 10:31 e 32. As palavras de advertência que o apóstolo dirigiu à igreja de Corinto, são aplicáveis a todos os tempos e especialmente adaptadas aos nossos dias. Por idolatria, ele entendia não apenas a adoração de ídolos, mas o egocentrismo, o amor às comodidades e a condescendência com o apetite e a paixão. Uma mera profissão de fé em Cristo, um presunçoso conhecimento da verdade, não fazem de ninguém um cristão. Uma religião que procura apenas o prazer para os olhos, os ouvidos, o paladar, ou que sanciona a condescendência própria, não é a religião de Cristo. – Atos dos Apóstolos, pp. 223 e 224 (Ed. P. SerVir). Levados para o Exílio Quarta, 16 de Dezembro. Leia Jeremias 43:8-13. Qual foi a mensagem que o Senhor proferiu através de Jeremias? Táfnis era uma cidade situada na fronteira nordeste do Egito, a qual tinha fortificações significativas e onde vivia um grande número de colonos judeus. Uma vez mais, o Senhor quis que Jeremias representasse uma profecia de forma simbólica. Embora as palavras sejam poderosas, por vezes, quando as coisas se materializam na vida real, quando são representadas diante de nós, a mensagem tem ainda mais força. Não nos é dito exatamente de que modo é que Jeremias devia enterrar pedras à entrada da casa do Faraó. O ponto em questão, porém, foi claro: nem mesmo os poderosos Faraós eram adversários à altura do Senhor, e Ele iria cumprir a Sua palavra precisamente como tinha dito. Os refugiados, que pensavam que iriam encontrar proteção e segurança ao mudarem-se para o Egito, estavam tão enganados como aqueles que, com vimos anteriormente, pensavam que podiam ter proteção e segurança com a chegada dos Egípcios, que vinham para os ajudar (Jer. 37:7 e 8). Os deuses egípcios eram inúteis, invenções de imaginações distorcidas; esses deuses eram abominações pagãs que mantinham as pessoas numa ignorância abjeta da verdade. Os Israelitas tinham a obrigação de saber, como temos nós também nesta altura, que a nossa única verdadeira proteção e segurança está na obediência ao Senhor. “Quando a abnegação se tornar parte da nossa religião, compreenderemos e faremos a vontade de Deus, porque os nossos olhos serão ungidos com colírio, de modo que contemplaremos as coisas maravilhosas da Sua Lei. Veremos o caminho da obediência como o único caminho seguro. Deus considera o Seu povo responsável em proporção à luz da verdade que é trazida ao seu entendimento. As pretensões da Sua Lei são justas e razoáveis, e, mediante a graça de Cristo, Ele espera que cumpramos os Seus requisitos.” – Ellen G. White, The Review and Herald (A Revista e o Arauto), 25 de fevereiro de 1890. Pense ainda no simbolismo que envolve o regresso dos Israelitas ao Egito, no seu desejo de encontrarem segurança. Que ironia! Num sentido espiritual, quais são as coisas que poderão tentar-nos a “irmos de volta para o Egito”, a fim de encontrarmos o que pensamos não nos ser possível encontrar com o Senhor? Ano Bíblico: Hebreus 12 e 13. Comentário Muitos que deveriam estar a armar a sua tenda mais perto da terra de Canaã, estão a estabelecer o seu acampamento mais próximo do Egito. Não vivem à luz do Sol da Justiça. Muitos frequentam lugares de diversão, para satisfazer o seu gosto, mas ao fazê-lo não ganham nenhuma força espiritual, e estarão no lado da derrota. Incentivar o amor pelas diversões é desencorajar o amor pelas reuniões religiosas; pois o coração torna-se tão apinhado de frivolidades e de tudo que agrada ao seu estado natural, que não fica espaço para Jesus. ... Para satisfazer o alvo proposto por Deus, temos de ter a fé que opera por amor e purifica a alma. Há os que creem em Cristo; não acham que seja um impostor; creem que a Bíblia é a revelação do Seu caráter divino. Admiram as suas santas doutrinas, e reverenciam aquele nome que é o único dado debaixo do Céu, pelo qual os homens podem ser salvos, e todavia, com todo esse conhecimento, podem ser tão ignorantes da graça de Deus como o mais declarado pecador. Não abriram o coração para deixar Jesus entrar. – Para Conhecê-l’O (Meditações Matinais, p. 1965), p. 304. Glorioso é o triunfo que aguarda os fiéis. O apóstolo, reconhecendo as possibilidades que os crentes coríntios tinham, procurou colocar diante deles o que eleva do egoísmo e do sensual, e glorifica a vida com a esperança da imortalidade. Convictamente exortou-os a serem fiéis à sua alta vocação em Cristo. “Meus queridos irmãos”, instou ele, “Sejam firmes e constantes. Façam sempre com entusiasmo aquilo que o Senhor quer, porque para ele, o vosso esforço nunca será inútil.” I Cor. 15:58. Assim, o apóstolo, da forma mais decidida e tocante, procurou corrigir as falsas e perigosas ideias e práticas que estavam a prevalecer na igreja de Corinto. Falou de forma clara e demonstrando muito amor por eles. Nas suas advertências e reprovações, a luz do trono de Deus brilhou sobre eles, revelando os pecados ocultos que estavam a enfraquecer a sua vida. Como seriam essas advertências recebidas? – Atos dos Apóstolos, pp. 226 e 227 (Ed. P. SerVir). Um Desafio Descarado Quinta, 17 de Dezembro. Leia Jeremias 44:1-10. O que andavam os cativos a fazer no Egito? Durante o cativeiro egípcio, Jeremias teve de enfrentar o mesmo problema que enfrentara quando ele e o seu povo viviam em Judá. Naquele tempo, ele tinha de falar aos dirigentes; agora precisava de falar ao povo comum, que, em cativeiro, andava a cometer alguns dos mesmos pecados que tinham estado na origem de toda aquela devastação. Que surpreendente resposta deram as pessoas a Jeremias quando ele foi confrontado por elas? Jer. 44:15-19. A dureza do seu coração e o engano que as dominava eram espantosos. Basicamente, olharam Jeremias frente a frente e desafiaram-no, e ao que ele lhes dizia em “nome do Senhor”. O raciocínio era simples. Nos tempos idos, antes das reformas de Josias, quando o povo se encontrava completamente mergulhado na adoração de deuses pagãos, a ponto de queimar incenso à “rainha dos céus” e oferecer-lhe libações, as coisas corriam de vento em popa. As pessoas viviam bem, materialmente falando, e habitavam em segurança. Contudo, foi unicamente depois das reformas de Josias (as quais, de qualquer modo, aconteceram demasiado tarde e apenas com um entusiasmo parcial) que a calamidade sobreveio. Por isso, por que razão havia aquele povo de dar ouvidos a Jeremias e a todas as suas advertências? A resposta de Jeremias (Jer. 44:20-30) foi: Não, não estão a compreender. Foi precisamente por andarem a fazer todas essas coisas que aquelas calamidades caíram sobre vós. Pior ainda, a vossa recusa teimosa em não aceitar mudar as coisas significa que ainda mais calamidades virão, e que a segurança que as pessoas pensavam que iam encontrar no Egito é um engano e uma mentira, tal como os deuses pagãos que andam a adorar. No fim de tudo, as pessoas perceberão a verdade, mas será demasiado tarde. E o que dizer daquelas pessoas que, mergulhadas em pecado e descrença, parecem estar muito bem na vida, enquanto, por vezes, Cristãos fiéis passam por provações terríveis? De que maneira encontramos o caminho através desta dura realidade? Ano Bíblico: Tiago. Comentário A tristeza do profeta perante a completa perversidade dos que deviam ter sido a luz espiritual do mundo, a sua tristeza pela sorte de Sião e do povo levado cativo para Babilónia, é revelada nas lamentações que ele deixou registadas como recordação da loucura de trocar os conselhos de Jeová pela sabedoria humana. No meio da desgraça que se estabeleceu, Jeremias ainda conseguiu dizer: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos.” E a sua constante oração era: “Examinemo-nos a nós próprios antes, e arrependamo-nos; voltemos para o Senhor.” Lam. 3:22, 40. Embora Judá ainda fosse um reino entre as nações, ele perguntara ao seu Deus: “Terás Tu rejeitado definitivamente Judá? Aborrecerás Tu Jerusalém?”, e ele tinha ousado suplicar: “Não nos rejeites por amor do teu nome.” Jer. 14:19, 21. A fé absoluta do profeta no eterno propósito de Deus de fazer com que da confusão surgisse a ordem, e de demonstrar às nações da Terra e a todo o Universo os Seus atributos de justiça e amor, levou-o agora a suplicar confiantemente em favor daqueles que deixassem o mal e se voltassem para a justiça. Mas agora Sião estava totalmente destruída. O povo de Deus fora levado como prisioneiro. Subjugado pela dor, o profeta exclamou: “Como ficou só esta cidade, ela que antes transbordava de habitantes! Não é mais que uma viúva ela que era importante entre as nações; dominava as províncias, qual princesa, e viu-se por elas escravizada. Hoje passa a noite a chorar; as suas lágrimas rolam-lhe pela face; dentre tantos que eram seus amantes, não ficou ninguém para a confortar. Os seus amigos atraiçoaram-na e fizeram-se seus inimigos. – Profetas e Reis, p. 306 (Ed. P. SerVir). A rebelião e a apostasia estão no próprio ar que respiramos. Seremos afetados por elas, a menos que, pela fé, façamos a nossa alma desamparada segurar-se em Cristo. Se os homens são tão facilmente transviados agora, como subsistirão quando Satanás personificar Cristo, e operar milagres? Quem ficará inabalado então pelas suas deturpações – professar ser Cristo quando é apenas Satanás a assumir a pessoa de Cristo, e operando aparentemente as obras do próprio Cristo? Que impedirá o povo de Deus de prestar obediência a falsos cristos? “Não vades, nem os sigais” (Lucas 17:23). As doutrinas têm de ser compreendidas com clareza. Os homens aceites para pregarem a verdade devem estar ancorados; então a sua nau resistirá a tempestades e temporais, porque a âncora segura-os firmemente. Aumentarão os enganos, e devemos chamar a rebelião pelo seu próprio nome. Devemos estar revestidos de toda a armadura. Neste conflito, não enfrentamos apenas homens, mas principados e potestades. Não lutamos contra a carne e o sangue. Que Efésios 6:10-18 seja lido cuidadosamente e de maneira tocante nas nossas igrejas. – Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 395. Sexta, 18 de Dezembro. ESTUDO ADICIONAL: Ao longo de todo o livro de Jeremias, tal como ao longo de toda a Bíblia, somos confrontados com a questão do bem e do mal. Ora, enquanto Cristãos, conhecemos a diferença entre o bem e o mal, porque Deus definiu-nos esses termos de muitas maneiras diferentes. (Ver, por exemplo, Rom. 7:7; Miq. 6:8; Jos. 24:15; Mat. 22:37-39; Deut. 12:8.) Mas, o que dizer, se alguém não acredita em Deus? Como é que se pode distinguir o bem do mal? Pois bem, o escritor ateu Sam Harris tem uma sugestão. Ele escreveu um livro intitulado The Moral Landscape (A Paisagem Moral), no qual defende que o bem e o mal podem e devem ser entendidos apenas em termos de Ciência. Isto é, da mesma forma que a Ciência nos ajudou a compreender a diferença entre a força nuclear forte e a força nuclear fraca, ela deve igualmente ajudar-nos a conhecermos o justo e o injusto, o bem e o mal. Ele especula até que a Ciência poderá, um dia, curar o mal. “Imagine-se o que aconteceria, se descobríssemos uma cura para a prática do mal humano. Imagine-se, por hipótese, que todas as alterações relevantes no cérebro humano se conseguem fazer de forma barata, sem dor e em segurança. A cura para a psicopatia pode ser posta no alimento que se ingere, como a vitamina D. A prática do mal passa agora a não ser mais do que uma deficiência nutricional.” – The Moral Landscape, p. 109. Simon & Schuster, Inc., Kindle Edition. A maior parte dos cientistas, porém, teria alguma dificuldade em acreditar que a Ciência poderá resolver estes problemas. Se, no entanto, não acreditarmos em Deus, em que outro lugar mais poderemos encontrar soluções para esses problemas? PERGUNTAS PARA REFLEXÃO: 1. “Quanto a nós, tudo depende da maneira como recebemos as condições de Deus.” – Ellen G. White, Mensagens Escolhidas I, p. 118. Por que motivo é errado pressupor que a salvação vem sem quaisquer condições? Condições não é a mesma coisa que obras, ou qualquer coisa que nos dê mérito diante de Deus. Como é que podemos aprender a diferenciar entre o falso ensino da Salvação pelas obras (legalismo) e o falso ensino de que a Salvação é não-condicional (graça barata)? 2. Dedique algum tempo a pensar na difícil questão colocada no final da secção de quinta-feira. Se alguém lhe dissesse: “Eu não acredito em Jesus, eu não acredito em Deus e, no entanto, vejam como a vida me corre bem. Na verdade, eu diria até que a minha vida corre melhor do que a vossa, vós que sois Cristãos”, qual seria a sua resposta? Ano Bíblico: I e II Pedro. Comentários de EGW: Leitura Adicional Testemunhos Para a Igreja, vol. 3, p. 457. Moderador Textos-Chave: Jeremias 42:13-22; Êxodo 16:3; Atos 7:39. Com o Estudo desta Lição, o Membro da Unidade de Ação Vai: Aprender: A estudar o final da história de Judá depois da destruição de Jerusalém pelos Babilónios, caracterizada por assassinatos e intrigas e por um Êxodo de sentido inverso, de volta ao Egito. Sentir: Tremor perante a realidade do pecado e da natureza humana que recusa aprender com a História. Fazer: Resolver aprender com a História e aceitar mesmo as duras lições que Deus precisa de nos ensinar. Esboço da Aprendizagem: I. Aprender: Regressar ao Egito. A. Regressar ao Egito não foi apenas uma ideia popular no tempo de Jeremias. Quais foram algumas outras ocasiões em que o povo de Deus quis regressar ao Egito? B. Por que razão se pode falar de um Êxodo de sentido inverso no livro de Jeremias? II. Sentir: Realidade, Negação e Pecado Perpetuado. A. Qual foi a função de Jeremias após a destruição de Jerusalém pelos Babilónios? Qual deve ter sido o seu sentimento, quando os Judeus decidiram regressar ao Egito? B. Qual foi o resultado final do regresso ao Egito? Por que razão os Judeus não encontraram paz em Táfnis? III. Fazer: Quebrar o Ciclo Vicioso. A. O que é necessário para se aprender com a História? Que razão nos leva, como seres humanos, a ter a tendência de cometer os mesmos erros uma vez após outra? B. De que maneira se torna possível quebrar o ciclo vicioso do pecado perpetuado? Que esperança existe? Sumário: Jeremias 40-44 narra uma história muito triste: os acontecimentos subsequentes à destruição de Jerusalém pelos Babilónios demonstram como a natureza humana continua a ir cada vez mais fundo no pecado até que regresse completamente à escravatura do pecado, tal como está ilustrado no regresso dos Judeus ao Egito. Há um raio de esperança: Deus permanece connosco, tal como Jeremias permaneceu com o povo, percorrendo todo o caminho. CICLO DA APRENDIZAGEM 1º PASSO – MOTIVAR! Realce da Escritura: Jeremias 40:7-16; 41. Conceito-Chave para Crescimento Espiritual: O assassinato absurdo de Gedalias teve impacto sobre toda a comunidade de Judeus que tinha permanecido em Judá após a destruição de Jerusalém pelos Babilónios. O facto demonstra os efeitos desastrosos que o pecado tem sobre uma comunidade inteira. Só para o Dinamizador: O Judaísmo continua, até aos nossos dias, a comemorar o assassinato de Gedalias, o governador de Judá que tinha sido instalado por Nabucodonosor depois da destruição de Jerusalém. Este assassinato ocorreu durante o sétimo mês (Tishri), em 586 a.C., ou possivelmente em 582 a.C., coincidindo com mais uma deportação de Judeus para Babilónia, a qual poderá ter tido lugar como represália pelo assassinato do governador babilónico (comparar com Jer. 52:3). O assassinato, que foi uma violação das leis da hospitalidade no antigo Médio Oriente, deu início a uma série de acontecimentos que, por fim, levaram à desintegração da comunidade judaica no Egito, para onde o restante povo tinha fugido para escapar à ira do Império Babilónico. Analise com a Unidade de Ação a história de Gedalias e realce os efeitos de longo alcance que aquela teve sobre toda a comunidade. O pecado nunca é uma questão isolada e tem sempre impacto na família e na comunidade. Debate Introdutório: Não é todos os dias que a arqueologia tem a possibilidade de estabelecer uma relação direta com uma personalidade bíblica. Os antigos selos sinetes do antigo Próximo Oriente medem normalmente menos de uma polegada (2,5cm) de comprimento e estão gravados com minúsculos pormenores que criam uma imagem, que frequentemente consiste num nome pessoal, numa imagem, ou numa combinação de ambas as coisas. Eram usualmente usados ao pescoço, presos a um cordão, para assinar documentos ou autenticar a identidade do dono do selo. Três selos gravados, ou, melhor, as impressões feitas com esses selos, foram descobertos, os quais se ligam à história de Jeremias, proporcionando uma ligação arqueológica quase sem precedentes entre o texto bíblico e objetos de uso corrente. O primeiro é a impressão de um selo que diz “(Pertencente) a Berekhyahu (Baruc), o filho de Neriyahu, o escriba”. Foi descoberto em 1975, numa loja de antiguidades e confirma a historicidade do escriba de Jeremias. Em 2005 e 2008, respetivamente, mais duas gravações feitas com selos foram encontradas durante umas escavações arqueológicas em Jerusalém, a primeira dizendo “Pertencente a Yehucal, filho de Shelemiyahu, filho de Shovi”. Este é o mesmo Jucal que quis matar Jeremias (comparar com Jer. 37:3; 38:1). Por último, a segunda impressão diz “Pertencente a Gedalias, filho de Pashur”. Todos estes objetos foram datados da época de Jeremias. Desta forma, temos um testemunho arqueológico seguro da triste história que se desenrolou no final do ministério de Jeremias. O outro Gedalias encontrado na história de Jeremias era o filho de Aicam, que se tornou governador do que foi deixado em Judá. Este Gedalias foi brutalmente assassinado por Ismael, um dos oficiais do rei Zedequias, após aquele lhe ter inocentemente oferecido a sua hospitalidade, um dos costumes mais sagrados no antigo Médio Oriente (ver Jer. 40:7-16). Até que ponto isto pode ser pior? Como reagimos, se a nossa confiança em alguém que nos é próximo é traída e profundamente desapontada? 2º PASSO – ANALISAR! Só para o Dinamizador: Jeremias 40-45 mostra como os Judeus que não foram deportados para Babilónia prosseguiram com a sua vida. Pensar-se-ia que eles teriam aceitado a mensagem com a destruição da cidade e do templo, mas é perturbador ver como aqueles indivíduos continuaram simplesmente a percorrer a estrada descendente do pecado em que Israel tinha andado desde há muitos anos. Só era possível isso vir a ter um final triste, e, assim como Deus os tinha milagrosamente conduzido para fora da escravatura do Egito, eles voluntariamente escolheram retornar ao Egito, contrariando os conselhos de Deus, mas, ainda assim, acompanhados por Jeremias. COMENTÁRIO BÍBLICO I. Audição Seletiva (Recapitule com a Unidade de Ação Jeremias 42.) Depois do assassinato de Gedalias, toda a gente veio consultar Jeremias. O texto torna claro que até as pessoas que, anteriormente, o tinham desprezado estavam, agora, ansiosas por ouvir o que ele tinha a dizer (Jer. 42:1). Há uma alternância interessante entre as expressões “o Senhor, teu Deus” e “o Senhor, nosso Deus”, ilustrando o relacionamento vacilante entre Judá e Deus. Os versículos 5 e 6 são uma piedosa declaração de obediência ao que quer que fosse a resposta de Deus. O palavreado faz-se eco da confirmação do Concerto feita por Israel no Monte Sinai (Êxo. 24:7), a qual foi de imediato seguida por uma manifestação em termos semelhantes de desobediência – o episódio do bezerro de ouro. Esta resposta tem paralelo naquilo que aconteceu depois de Jeremias ter advertido o povo de que não fosse para o Egito, mas que, em vez disso, se deixasse ficar em Judá. As pessoas começaram a culpar Baruc por incitar Jeremias contra elas, e, uma vez mais, isso traz à memória a história do Êxodo, quando o povo culpou Moisés por o trazer para fora do Egito. O apelo final de Jeremias é mais do que simplesmente uma recomendação. A expressão “não entreis no Egito” é uma proibição categórica que usa a mesma linguagem absoluta dos Dez Mandamentos. Não se tratava de uma coisa opcional, e ir para o Egito seria uma clara violação da ordem de Deus. Pense Nisto: No versículo 20, Jeremias evoca o facto de o povo ter sido hipócrita. O que é que, ao longo deste capítulo, se revelou extremamente hipócrita na sua forma de lidar com Jeremias (e com Deus)? II. Outro Ato Simbólico (Recapitule com a Unidade de Ação Jeremias 43:8-13.) Os últimos reis de Israel sempre consideraram o Egito como a superpotência que haveria de os ajudar contra os Babilónios. Por conseguinte, esse era o lugar para onde pensavam que deviam fugir. No entanto, Isaías já tinha identificado o Egito como uma cana frágil e rachada que furaria a mão daquele que nela se apoiasse (comparar com Isa. 36:6). Um dos últimos atos simbólicos de Jeremias foi realizado quando já ele se encontrava no Egito e serviu para desiludir quaisquer falsas esperanças que os Judeus tivessem a respeito do poder protetor do Egito. Táfnis (chamada, hoje em dia, Tell Defneh) era uma cidade no Nordeste do Delta do Nilo, a qual servia como ponto de entrada no Egito. Ora, Jeremias devia enterrar umas pedras grandes no pavimento de tijolos em frente do edifício do governo. Seria o mesmo lugar onde Nabucodonosor iria estabelecer o seu trono real quando, por fim, conquistasse o Egito, o que veio a acontecer em 568/7 a.C.. A mensagem era clara: Judá tinha sido designado “para o cativeiro” (Jer. 43:11) e a fuga para o Egito não alteraria nada. Pense Nisto: Quais são as coisas, instituições ou pessoas em que depositamos a nossa confiança? Como podemos saber se são dignas de confiança? III. De Volta ao Egito (Recapitule com a Unidade de Ação Jeremias 44; Êxodo 16:3; Atos 7:39.) Um dos elementos mais surpreendentes no episódio do regresso ao Egito é o facto de Jeremias ter acompanhado o seu povo. Ele teve a oportunidade de optar entre ficar de fora (comparar com Jer. 39:1140:5) e viver os seus dias em Babilónia, sob os arranjos feitos pelo rei Nabucodonosor. O profeta escolheu permanecer com o povo em Judá, o qual acabou por o levar consigo para o Egito. O capítulo 44 relata a última mensagem de Jeremias, dirigida aos Judeus que se tinham instalado e dispersado pelo Egito ao longo do tempo. Este capítulo tem sido datado de cerca de 580 a.C.. É uma última e derradeira mensagem que reitera que aqueles que pensavam que uma fuga para o Egito lhes proporcionaria um refúgio seguro teriam, em última instância, de enfrentar aí o castigo de Deus, tal como aqueles que tinham sido deportados para Babilónia (Jer. 44:11-14). A reação do povo foi chocante, em linha com o seu comportamento anterior: confessaram abertamente a sua aliança com a “rainha dos céus” (vv. 15-19), possivelmente Achera, a deusa cananeia da fertilidade. O povo tinha regressado totalmente ao Egito. Era um Êxodo em sentido inverso, um Ínodo, um regresso deliberado à escravatura do pecado, uma recusa desafiadora em ouvir a voz de Deus. Estêvão, no seu discurso diante do Conselho, expressou essa realidade, recordando, de forma pungente, a história do Êxodo: “em seu coração se tornaram ao Egito” (Atos 7:39). Tanto Israel como Judá tinham, durante séculos, retornado, no seu coração, ao Egito, e o regresso físico depois da destruição de Jerusalém foi apenas uma confirmação exterior daquilo que tivera lugar, há longo tempo, no seu coração. Pense Nisto: O que significa, em termos práticos, retornar ao Egito no nosso coração? 3º PASSO – PRATICAR! Só para o Dinamizador: Nem a sorte de Jeremias depois desta mensagem nem o destino da comunidade judaica no Egito são conhecidos. Não devem ter sido bons, de acordo com as últimas palavras do profeta. Perguntas para Reflexão/Aplicação: 1. Já alguma vez tivemos a intenção de seguir a vontade de Deus, mas, depois, quando Ele nos mostrou qual era, não gostámos dela? Como lidámos com essa situação? 2. Retornar ao Egito no nosso coração continua a ser uma realidade solene. O que há no “Egito” espiritual que tem sobre nós uma atração tão forte? 4º PASSO – APLICAR! Só para o Dinamizador: O regresso ao Egito tem sido o centro do estudo da lição desta semana. Como Adventistas do Sétimo Dia, já nos afastámos frequentemente do “Egito” espiritual – abandonámos vícios pecaminosos, crime e ódio, marginalização social –, no entanto, há ainda muitos que precisam de ser libertados do Egito num sentido espiritual. Atividades da Unidade de Ação/Individuais: Pensemos num lugar na nossa comunidade que poderá ser considerado um “Egito” e planeemos um programa de trabalho missionário para contactar as pessoas que aí vivem e que poderão simplesmente estar à espera de ser chamadas a deixá-lo.