15 1 INTRODUÇÃO Em 2014, o Brasil sediará mais uma vez uma Copa do Mundo de Futebol e, consequentemente, estará recebendo um grande número de visitantes de outros países, de outras culturas, de outras línguas e de diferentes hábitos e comportamentos. Minas Gerais, e em especial Belo Horizonte, foi escolhida como sede de uma das chaves da Copa do Mundo e, recentemente, também foi selecionada como sede da Copa das Confederações, evento que serve de preparativo, antecede a Copa do Mundo e que será realizado no Brasil no ano de 2013. A mobilidade urbana e o trânsito têm recebido tratamento de destaque pelos governos nos últimos anos e, agora, em especial, em virtude da realização desses dois mega eventos no Brasil, no ano de 2013 e 2014, respectivamente. Os deslocamentos a serem feitos, através dos vários meios de transporte, sejam eles coletivos ou individuais, as escoltas de autoridades e delegações demandam planejamentos específicos e requerem atenção especial dos órgãos de segurança. O Código de Trânsito Brasileiro, Lei 9.503 de 23 de setembro de 1997, definiu policiamento ostensivo de trânsito como sendo a função exercida pelas Polícias Militares com o objetivo de prevenir e reprimir atos relacionados com a segurança pública e de garantir obediência às normas relativas à segurança de trânsito, assegurando a livre circulação e evitando acidentes. Também foi conceituado trânsito pela mesma lei como sendo a movimentação e imobilização de veículos, pessoas e animais nas vias terrestres. Já a mobilidade urbana traduz-se nos deslocamentos necessários que as pessoas precisam fazer diariamente pelos mais variados motivos e com a utilização dos diversos modos de transporte. Neste contexto, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) está intimamente inserida por ser a força pública estadual sobre a qual recai a responsabilidade operativa em garantir e manutenir a segura e perene fluidez do tráfego nas vias, bem como a execução do acompanhamento de delegações e autoridades participantes e que estiverem presentes a este evento e aos dele decorrentes. 16 A Copa do Mundo é um evento singular, que abrange em sua atmosfera a geração de milhares de empregos diretos e indiretos, entrada de divisas, melhoria da infraestrutura das cidades e, principalmente, divulgação do Estado e do País para o resto do mundo. Os congestionamentos de trânsito podem se tornar o retrato mais frequente se houver falha no planejamento, deixando marcas indeléveis, e a mobilidade urbana, em suas diversas variáveis, pode ficar comprometida, maculando inegavelmente o nome do Estado de Minas Gerais e da Polícia Militar. A necessidade de intervenções pontuais pelo policiamento ostensivo de trânsito conjugada com outros órgãos, seja no controle do tráfego, na sustentação de sua fluidez, na fiscalização de veículos e condutores, na manutenção de reservas de áreas em vias urbanas e em pontos estratégicos, além da execução de escoltas, assume papel fundamental e relevante para o bom andamento dos eventos e para a segurança de seus participantes. Há a necessidade de se promover uma articulação de transporte, trânsito e acessibilidade, a fim de proporcionar o acesso amplo e democrático a todos os espaços de forma segura. Imperioso se torna estabelecer um programa de mobilidade urbana que promova e priorize o transporte coletivo, integrando-o aos meios não motorizados (pedestres e ciclistas) e às demais modalidades de transportes, implantando, assim, o conceito de acessibilidade universal, para garantir a mobilidade de idosos, pessoas com deficiência ou restrição de locomoção. As pessoas precisam se deslocar para estudar, trabalhar, viajar, fazer compras e se divertir e possuem cada vez mais a necessidade de estar em movimento com segurança. Hoje em dia, não se pode pensar em desenvolvimento econômico e social sem transporte. Dessa forma, a Polícia Militar deve adotar medidas contundentes e efetivas relacionadas ao policiamento ostensivo de trânsito, imprescindíveis à realização da Copa das Confederações em 2013 e principalmente para a Copa do Mundo de 2014 na capital mineira. 17 O tema desta pesquisa é O Policiamento Ostensivo de Trânsito e a Mobilidade Urbana durante a Copa do Mundo de 2014 em Belo Horizonte. O objetivo geral deste trabalho consiste em identificar os elementos que permitam compreender os desafios para o emprego do policiamento ostensivo de trânsito em Belo Horizonte na Copa do Mundo de 2014 com foco na mobilidade urbana. Como objetivos específicos, pretende-se: a) Conhecer os princípios básicos da mobilidade urbana e seu relacionamento com o policiamento ostensivo de trânsito, bem como, as normas chanceladas pela Federação Internacional das Associações de Futebol (FIFA) que tratam da realização da Copa do Mundo de Futebol; b) Levantar informações sobre as Copas do Mundo de Futebol realizadas na Alemanha, em 2006, e na África do Sul, em 2010, principalmente as questões relacionadas ao trânsito e à mobilidade urbana, e que podem vir a ocorrer em Belo Horizonte durante a realização deste evento em 2014; c) Verificar a viabilidade de atuação integrada entre os diversos órgãos responsáveis pelo trânsito de Belo Horizonte. A pergunta que norteou este trabalho de pesquisa foi no sentido de investigar se: tendo-se em vista a manutenção da mobilidade urbana em Belo Horizonte, quais pressupostos básicos devem ser levados em consideração para o planejamento do policiamento ostensivo de trânsito durante a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014? Quanto aos objetivos propostos, esta pesquisa caracteriza-se como exploratória, de natureza qualitativa, por buscar analisar as informações obtidas por meio de pesquisa de campo, entrevistas ao público alvo e por explorar a análise de seu conteúdo, procurando compreender o fenômeno, ou sobre ele obter novas ideias e percepções, através da observação, na busca de novos enfoques e abordagens, uma vez que não existe indicação sistematizada e clara de bibliografia sobre o objeto estudado, segundo o modelo conceitual 18 operativo, como bibliográfica, à medida que se buscou pesquisar variados posicionamentos de autores de planejamento, planejamento estratégico, qualidade total e sobre a mobilidade urbana, e documental, ao buscar dados na legislação e cabedal normativo, mormente no âmbito da Polícia Militar e da FIFA. Este trabalho foi dividido em 9 (nove) seções para melhor compreensão do objeto de estudo, inclusive, considerando esta introdução. A segunda seção apresenta a fundamentação teórica da pesquisa, através da explanação das teorias do planejamento e do método PDCA de melhoria contínua. A terceira seção conceitua e caracteriza a mobilidade urbana no contexto do estudo. Na quarta seção são elencadas as competências da Polícia Militar e dos órgãos municipais de trânsito da capital mineira. A quinta seção faz uma abordagem sobre a participação do Brasil nas copas do mundo, tece considerações sobre Belo Horizonte como cidade sede, discorre sobre o Estatuto do Torcedor e sobre o caderno de atribuições da FIFA. Na sexta seção são tratados os assuntos referentes às Copas do Mundo de 2006 e 2010, ocorridas, respectivamente, na Alemanha e na África do Sul, seus impactos, investimentos e resultados obtidos. Os procedimentos metodológicos adotados na pesquisa são apresentados na sétima seção. Na oitava seção são analisados e interpretados os dados obtidos através da pesquisa de campo. Por sua vez, na nona e última seção desenvolveram-se a conclusão e as sugestões decorrentes do trabalho. 19 2 TEORIA DO PLANEJAMENTO Considerando a complexidade que se vislumbra de uma atuação efetiva do policiamento ostensivo de trânsito, executado pela Polícia Militar, torna-se necessário, nesta pesquisa, o estudo de teorias contemporâneas que abordam a questão do planejamento estratégico e da qualidade total como mais uma ferramenta de gestão, com vistas a evitar improvisações nesse evento internacional de tamanha magnitude a ser realizado na capital mineira. Portanto, para o desenvolvimento desta pesquisa, estudou-se a teoria do planejamento como forma de embasar e explicar, através da ciência, os procedimentos elementares para a consecução deste trabalho. 2.1 Conceituação de planejamento Para melhor compreender as exposições teóricas, tem-se como preocupação a conceituação dada para o que seja planejamento. Segundo Chiavenato (2001, p. 221), “o planejamento é a função administrativa que determina antecipadamente quais são os objetivos que devem ser atingidos e como se deve fazer para alcançá-los.” Oliveira (2007, p. 4), por sua vez, conceitua “planejamento como sendo um processo desenvolvido para o alcance de uma situação futura desejada, de um modo mais eficiente, eficaz e efetivo, com a melhor concentração de esforços e recursos pela empresa.” Merece destaque a definição consignada pelo professor Francisco de Souza Brasil1: “Planejamento é a seleção dos meios mais eficazes – estratégia – para obtenção dos fins – política – programados.” 1 Francisco de Souza Brasil – Educação e Desenvolvimento, Carta Mensal da Confederação Nacional do Comércio nº 254, maio de 1976, Rio de Janeiro. 20 Desta forma, ressalta-se que planejar é pensar antecipadamente em objetivos e ações, devendo os atos administrativos serem baseados em algum método, plano ou lógica, e não em palpites. Planejar é estabelecer ,no present,e as ações que serão executadas no futuro, para o atingimento de determinado objetivo. Para Sanches (2004, apud Lisboa, 2010, p. 24) planejamento é: Ato ou efeito de planejar. Processo estruturado no sentido de coordenar o exercício de opções (definição de objetivos, ações e meios a mobilizar para a realização de um objetivo) com vista à tomada de decisões que maximizem – em termos de eficiência, eficácia efetividade – o emprego de recursos escassos e que ordenem os processos de execução. Sua etapa básica – e provavelmente a mais importante – é a de diagnóstico dos problemas e pontos de estrangulamento. A partir dessa são fixadas as prioridades de intervenção e os objetivos a serem atingidos, ou os resultados concretos a serem atingidos. Tais objetivos, por sua vez, costumam ser desdobrados em metas setoriais, de modo a propiciar bases para que a estruturação das programações nos orçamentos se dê em consonância com as mudanças na realidade. Ainda, para Oliveira (2007, p. 5), “planejamento pode ser definido como o desenvolvimento de processos, técnicas e atitudes administrativas as quais proporcionam uma situação viável de avaliar as complicações da tomada de decisão no futuro, de modo mais rápido, coerente, eficiente e eficaz.” Nesse sentido, pode-se dizer que planejar é um processo complexo, contínuo, composto de várias fases. Deve ser flexível e susceptível a mudanças devido a influências externas e a novas informações surgidas durante o processo. Steiner (1969, apud OLIVEIRA, 2007, p. 3) estabelece cinco dimensões do planejamento, cujos aspectos básicos permitem visualizar a amplitude do assunto. A primeira dimensão do planejamento corresponde ao assunto abordado, que pode ser produção, pesquisa, novos produtos, finanças, “marketing”, instalações, recursos humanos, etc.; 21 Outra dimensão corresponde aos elementos do planejamento, entre os quais podem ser citados propósitos, objetivos, estratégias, políticas, programas, orçamentos, normas e procedimentos, entre outros; Uma terceira dimensão corresponde à dimensão de tempo do planejamento, que pode ser, por exemplo, de longo, médio ou curto prazo; Outra dimensão corresponde às Unidades organizacionais o planejamento é elaborado e, nesse caso, pode-se ter planejamento corporativo, de Unidades estratégicas de negócios, de subsidiárias, de grupos funcionais, de divisões, de departamentos, de produtos, etc.; Uma quinta dimensão corresponde às características do planejamento que podem ser representadas por complexidade ou simplicidade, qualidade ou quantidade; planejamento estratégico ou tático, confidencial ou público, formal ou informal, econômico ou caro. Nesse sentido, o planejamento se constitui em uma função gerencial relevante em que a Polícia Militar de Minas Gerais se projeta para o futuro, com uma programação na qual objetivos são definidos, estratégias são estabelecidas e recursos são alocados, para sua implementação (TAVARES, 2000, p. 146). Corroborando com essa afirmativa, Tavares (2000, p. 41) enfatiza que “a improvisação não pode ser um recurso mais potente do que o planejamento, pois planejar é o conjunto previamente ordenado de ações com o fim de se alcançarem posições futuras desejadas.” Nesse caso, tornam-se necessários o envolvimento de pessoas, a alocação de recursos e procedimentos de coordenação, controle e avaliação para estimar a efetividade das ações em relação ao que foi estabelecido (TAVARES, 2000, p. 146). De forma resumida, percebe-se que a prática sistemática do planejamento tende a reduzir a incerteza envolvida no processo decisório e, consequentemente, aumentar a possibilidade de alcançar os objetivos, desafios e metas estabelecidos para a empresa, obviamente, alinhados conforme a capacidade de recursos (humanos, orçamentários, tecnológicos) de cada organização (OLIVEIRA, 2007). 22 2.2 Princípios do planejamento Segundo Oliveira (2007, p.7), o planejamento dentro de uma empresa deve respeitar alguns princípios para que os resultados esperados sejam alcançados. Ele separa esses princípios em gerais e específicos. 2.2.1 Princípios gerais do planejamento Segundo Oliveira (2007, p.7), são quatro os princípios gerais para os quais o executivo deve estar atento: a) O princípio da contribuição dos objetivos, onde o planejamento deve sempre visar aos objetivos da empresa. No processo de planejamento, devem-se hierarquizar os objetivos estabelecidos e procurar alcançá-los em sua totalidade, tendo em vista a interligação entre eles. b) O princípio da precedência do planejamento, correspondendo a uma função administrativa que vem antes das outras (organização, direção e controle). Na realidade, é difícil separar e sequenciar as funções administrativas, mas pode-se considerar que, de maneira geral, o planejamento do que e como vai ser feito, aparece na ponta do processo administrativo. Como consequência, o planejamento assume uma situação de maior importância no processo administrativo. c) O princípio da maior influência e abrangência, pois o planejamento pode provocar uma série de modificações nas características e atividades da empresa. PLANEJAMENTO Provoca modificações em Pessoas Tecnologia Sistemas FIGURA 1 – Modificações provocadas pelo planejamento. Fonte: OLIVEIRA, 2007, p.7. 23 As modificações provocadas nas pessoas podem corresponder à necessidade de treinamento, substituição, transferências, funções, avaliação, etc.; na tecnologia pode ser apresentada pela evolução dos conhecimentos, pelas novas maneiras de fazer os trabalhos e nos sistemas podem ocorrer alterações nas responsabilidades estabelecidas, nos níveis de autoridade, descentralização, comunicações, procedimentos, instruções. d) O princípio da maior eficiência, eficácia e efetividade. Ainda, conforme Oliveira (2007), o planejamento deve procurar maximizar os resultados e minimizar deficiências. Através desses aspectos, o planejamento procura proporcionar à empresa uma situação de eficiência, eficácia e efetividade, sendo que: Eficiência é: - fazer as coisas de maneira adequada; - resolver problemas; - salvaguardar os recursos aplicados; - cumprir seu dever; e - reduzir os custos. Eficácia é: - fazer as coisas certas; - produzir alternativas criativas; - maximizar a utilização de recursos; - obter resultados; e - aumentar o lucro. Efetividade é: - manter-se no mercado; - apresentar resultados permanentemente. globais positivos ao longo do tempo Enfatizando esses aspectos, também a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, em seu art. 37, estabelece que a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos Princípios da Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência, sendo esses os princípios reguladores da Administração Pública. (BRASIL, 1988) De acordo com a Diretriz nº 3.02.01/2009-CG, que regula procedimentos e orientações para execução com qualidade das operações na PMMG, a eficiência, eficácia e efetividade são assim definidos: Eficiência – A eficiência diz respeito a como fazer e está relacionada às ações a serem realizadas. Esta relacionada ao uso racional dos recursos para se atingir os resultados. 24 Eficácia – A eficácia mede a relação entre os resultados obtidos e os objetivos pretendidos. É a realização daquilo que foi proposto, estabelecido como meta. Efetividade – [...] No caso da Polícia Militar, é a percepção da sociedade sobre a atividade policial e está relacionada ao atendimento feito pelo policial às pessoas, ou seja, a atenção dada ao cidadão, nas diversas intervenções preventivas e repressivas desencadeadas. (MINAS GERAIS, 2009, p.9) Sendo assim, pode-se afirmar que é através desse processo que se planejam as ações a serem realizadas, objetivando atingir uma meta definida, com resultados efetivos, ou seja, a efetividade é realizar a coisa certa para transformar a situação existente. É a capacidade de produzir um efeito. 2.2.2 Princípios específicos do planejamento Com base na atitude e visão interativa diante do planejamento, são apresentados por Oliveira (2007), os quatro princípios de planejamento, que podem ser considerados específicos: a) Planejamento participativo: onde o principal benefício do planejamento não é seu resultado final, ou seja, o plano, mas o processo desenvolvido; b) Planejamento coordenado: onde todos os aspectos envolvidos devem ser projetados de forma que atuem interdependentemente, pois nenhuma parte ou aspecto de uma empresa pode ser planejado eficientemente, se o for de maneira independente de qualquer outra parte ou aspecto da empresa; c) Planejamento integrado: os vários escalões de uma empresa – de porte médio ou grande – devem ter seus planejamentos integrados; d) Planejamento permanente: essa condição é exigida pela própria turbulência do ambiente empresarial, pois nenhum plano mantém seu valor e utilidade com o tempo. Segundo Chiavenato (2007), as organizações não trabalham na base da improvisação. Assim, planejar é definir os objetivos e escolher antecipadamente o melhor curso de ação para alcançá-los. O planejamento define aonde se pretende chegar, o que deve ser feito, quando, como e em que sequência. 25 Futuro Presente Onde estamos agora Situação atual Planejamento Onde pretendemos Chegar Planos Objetivos pretendidos FIGURA 2 – As premissas do planejamento. Fonte: CHIAVENATO, 2001, p. 221. Para a construção de planos, tomando-se por base o processo de planejamento, a prospecção de cenários torna-se fundamental para o estabelecimento da estratégia. Por sua vez, Chiavenato (2001, p.236) define plano como: O plano é produto do planejamento e constitui o evento intermediário entre o processo de planejamento e o processo de implementação do planejamento. Um plano é um curso predeterminado de ação sobre um período especificado de tempo, que representa uma resposta a uma antecipação ao tempo, a fim de alcançar um objetivo formulado. São os planos que organizam e formalizam a estratégia para se alcançar os objetivos propostos, devendo estes, serem implementados e executados pelos níveis tático e operacional. 2.3 Definição de estratégia Para Chiavenato (2001, p. 177), “estratégia significa literalmente, a arte do general, derivando-se da palavra grega strategos, que significa, estritamente, general. Estratégia, na Grécia antiga, significava aquilo que o general fez.” 26 Estratégia é definida por Oliveira (2007, p. 177 e 181) como sendo: Estratégia é definida como um caminho, ou maneira, ou ação formulada e adequada para alcançar, preferencialmente de maneira diferenciada, as metas, os desafios e os objetivos estabelecidos, no melhor posicionamento da empresa perante seu ambiente. A finalidade das estratégias é estabelecer quais serão os caminhos, os cursos, os programas de ação que devem ser seguidos para serem alcançados os objetivos, metas e desafios estabelecidos. A estratégia é definida no nível institucional mais elevado da empresa, em função do comportamento e dos destinos que esta pretende seguir em relação ao ambiente de tarefa onde se encontra. “O nível institucional define os objetivos da empresa e, para atingilos, escolhe a estratégia, ou estratégias, mais adequada em função da análise ambiental, da análise organizacional e das alternativas estratégicas mais indicadas para o contexto.” (CHIAVENATO, 1982, p. 161) OBJETIVO Estratégia Avaliação dos resultados Recursos necessários Direção das operações Tecnologias necessárias Estrutura Organizacional adequada FIGURA 3 - Modelo de avaliação da estratégia empresarial Fonte: CHIAVENATO, 1982, p. 161. Assim, conclui-se que, após a definição da estratégia, esta deverá ser desdobrada em planos específicos que deverão ser desenvolvidos e executados pelo nível tático e operacional de forma que os objetivos/metas sejam alcançados. 27 2.4 Níveis de planejamento Conhecidos os conceitos de planejamento e de estratégia, Chiavenato (2001, p. 225) define três níveis distintos de planejamento de uma organização, a saber: QUADRO 1 Os três níveis de planejamento Planejamento Estratégico Tático Operacional Extensão de tempo Conteúdo Genérico, sintético e abrangente Menos genérico e mais detalhado Detalhado, específico e analítico Longo prazo Médio prazo Curto prazo Foco Amplitude Eficácia Macroorientado: aborda a empresa como uma totalidade Coordenação interna aborda cada unidade da empresa separadamente Eficência Microorientado: aborda apenas cada tarefa ou operação Fonte: CHIAVENATO, 2001, p. 225. Para Oliveira (2007, p. 4), “o planejamento estratégico corresponde ao estabelecimento de um conjunto de providências a serem tomadas pelo executivo, para a situação em que o futuro tende a ser diferente do passado e também pressupõe a necessidade de um processo decisório que ocorrerá antes, durante e depois de sua elaboração e implementação pela empresa.” Ainda, segundo o autor, o planejamento é um processo que começa com objetivos e define planos para alcançá-los. E, por sua vez, os objetivos são os resultados futuros que se pretende atingir. São alvos escolhidos que se almeja alcançar em certo espaço de tempo, aplicando-se determinados recursos disponíveis ou possíveis. Conceitualmente, objetivos são resultados previamente estabelecidos, que devem ser atingidos em um certo período de tempo. Oliveira (2007, p. 17) define “planejamento estratégico como um processo administrativo que proporciona sustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguida.” 28 A pirâmide organizacional abaixo relaciona os tipos de planejamento aos níveis de decisão, de forma genérica. ESTRATÉGICO TÁTICO OPERACIONAL FIGURA 4 – Níveis de decisão e tipos de planejamento. Fonte: OLIVEIRA, 2007, p. 15. Enfim, Oliveira (2007) conceitua os três tipos de planejamento da seguinte forma: a) Planejamento estratégico – é o processo administrativo que proporciona sustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguida pela empresa, visando ao otimizado grau de interação com os fatores externos – não controláveis – e atuando de forma inovadora e diferenciada. b) Planejamento tático – é a metodologia administrativa que tem por finalidade otimizar determinada área de resultado e não a empresa como um todo. Portanto, trabalha com decomposições dos objetivos, estratégias e políticas estabelecida 29 os resultados finais esperados; os prazos estabelecidos; e os responsáveis por sua execução e implantação. O planejamento operacional é, normalmente, elaborado pelos níveis organizacionais inferiores, com foco básico nas atividades do dia-a-dia da empresa. Também, a Diretriz Geral para Emprego Operacional da PMMG (DEGEOp), (MINAS GERAIS, 2010, p. 30-31) descreve que: O planejamento estratégico pode focalizar a estabilidade no sentido de assegurar a continuidade do comportamento atual em um ambiente previsível e estável. [...] pode ainda focalizar as contingências no sentido de antecipar-se a eventos que podem ocorrer no futuro e identificar as ações apropriadas para quando eles eventualmente ocorrerem. Esse último, chamado “Planejamento Prospectivo ou Ofensivo”, é o que mais se adapta à realidade da Polícia Militar, por estar voltado para as contingências e para o futuro da organização. Diante deste cenário, percebe-se que o gestor da Polícia Militar deve desenvolver sua gestão estratégica visando alcançar os melhores resultados na prestação do serviço à comunidade, com o mínimo de custo, buscando o máximo de eficiência operacional. A prestação de serviço público de qualidade é obrigação de todo órgão público e uma exigência da sociedade, destinatária dos serviços públicos. Qualquer instituição, para permanecer no mercado, tem que se fortalecer, procurando se adaptar às mudanças da Administração Pública na busca da eficiência. Nesse aspecto, o planejamento estratégico consiste em um instrumento altamente valioso para a Organização Policial-Militar, pois direciona o caminho a ser seguido e estabelece o ponto aonde se quer chegar, no tempo previamente estipulado. A utilização da ferramenta de gestão planejamento estratégico promoverá: (FERNANDES, 2002, apud PEREIRA, 2009, p. 52) a) Redução das incertezas A tomada de decisão pode ser definida como a seleção consciente de um curso de ação dentre as alternativas disponíveis para obter um resultado desejado. Sabe-se que quanto menor a incerteza melhor será a tomada de decisão; 30 b) Resposta às mudanças do ambiente Como sistemas abertos e vulneráveis às mudanças externas, as Instituições Políciais-Militares fazem, hoje, os seguintes questionamentos: Quais são os reflexos para a organização do processo de mudanças que se apresentam rápidas, profundas e imprevisíveis? Como interpretá-las? Como monitorá-las? Como aplicá-las visando garantir a eficiência? c) Minimização do impacto das turbulências Embora existam turbulências quase imprevisíveis tanto no ambiente interno quanto no ambiente externo, com impactos nefastos à Corporação, o Planejamento Estratégico tenta prever e antecipar as possíveis ameaças, viabilizando alternativas para enfrentá-las. Tal previsão é realizada através da projeção de cenários com base em diagnósticos e prognósticos; d) Melhoramento do conhecimento das condições e recursos da organização Um bom conhecimento das condições atuais da organização é fundamental para que se possa estabelecer metas e objetivos, ou seja, aonde se quer chegar num horizonte de tempo predeterminado; e) Facilitação da integração das equipes de trabalho O Planejamento Estratégico deve ser concebido de maneira totalmente integrada, envolvendo todos os níveis verticalizados e horizontalizados da organização; f) Melhoramento da aplicação dos recursos O Planejamento Estratégico estabelece metas compatíveis com as condições da Organização e com a projeção de cenários. As decisões a serem tomadas passam a ter mais consistência e clareza se os futuros impactos forem bem analisados; g) Promoção de uma melhor coordenação dos esforços O próprio Planejamento Estratégico por si só deve ser elaborado e implementado de maneira coordenada. Todas as fases devem ser implementadas de forma que atuem interdependentemente, pois nenhuma parte ou aspecto de uma organização pode ser planejado eficientemente se o for de maneira independente de qualquer outra parte ou aspecto; h) Difusão e garantia do cumprimento das Políticas e Filosofias As Políticas consistem em um conjunto de regras ou enunciados que orientam a tomada de decisões por áreas funcionais, enquanto as Filosofias dizem respeito a crenças e valores no âmbito de toda a organização. i) Estabelecimento de direcionamento Consiste numa das principais vantagens do Planejamento Estratégico para as Organizações Políciais-Militares. Ao projetar cenários com base nas análises ambientais internas e externas, o Planejamento Estratégico estabelece objetivos, metas e estratégias, o que denota a projeção em que patamar estará a Corporação no horizonte de tempo do Planejamento; 31 j) Fortalecimento da competência gerencial Todos os membros da organização terão maior clareza dos compromissos que deverão cumprir ao longo de um prazo específico, evitando desconhecimento do futuro da instituição, mesmo que em médio prazo; k) Aumento da eficiência Definida como a relação existente entre os recursos alocados e os resultados produzidos, a eficiência consiste em fator preponderante para a aferição da administração dos recursos, bem como dos serviços prestados; l) Melhoramento do desempenho organizacional A disseminação das informações por toda a organização acerca das potencialidades e fraquezas da organização, bem como das oportunidades e ameaças, propiciará aos diversos níveis, o desenvolvimento de procedimentos mais compatíveis com a realidade, evitando desgaste e desperdício de recursos; m) Melhoramento das relações interinstitucionais A Polícia Militar se relaciona com uma grande quantidade de públicos relevantes, público alvo ou Stakeholders, que interfere na sua vida institucional. O cumprimento da missão e dos objetivos organizacionais é, em grande parte, condicionado à sua capacidade de entender e de dar respostas adequadas às características, objetivos e estratégias de atuação desses públicos. Desta forma, vê-se que o administrador público deve valer-se desses princípios e aprimorar conhecimentos, colocando-os em prática em benefício da comunidade, para a melhoria da qualidade de vida e do serviço prestado. Portanto, os pressupostos teóricos desses autores representam uma base de análise fértil para o estudo, fornecendo subsídios conceituais e técnicos necessários a um planejamento minucioso e de qualidade, voltado para a adequada preparação da Polícia Militar de Minas Gerais e o devido emprego do policiamento de trânsito durante a Copa do Mundo de 2014. 2.5 Qualidade nos processos A busca pela qualidade envolve todas as organizações e apresenta-se como uma necessidade de aprimoramento para crescimento, melhoria contínua, atingimento de metas e atuação participativa na sistematização de métodos para realização de tarefas. 32 Neste contexto, Colenghi (1997, p. 3) diz que Organização e Método (O&M) é, e sempre foi, Qualidade Total (QT) e sugere chamá-los de Organização, Métodos/Qualidade (O&M/Q) por ser mais abrangente e melhor retratar sua amplitude e atuação. Dentre as diversas atribuições, potencialidades e contribuições que ela pode oferecer às organizações, Colenghi (1997, p. 3 e 4), destaca, que a O&M/Q, é: é sinônimo de racionalização administrativa e operacional; faz da criatividade a mola propulsora para o desenvolvimento de suas atividade; está, permanentemente, envolvida nos processos de melhoria contínua; é a luta contra o desperdício; analisa os processos, visando simplificar os fluxos, os procedimentos e todos os documentos envolvidos; desenvolve suas atividades visando aumentar os níveis de produtividade da empresa; prega continuamente a mudança de paradgmas, tanto em nível pessoal quanto empresarial; é uma das ferramentas de trabalho mais eficazes para tornar as empresas mais competitivas; procura identificar as causas dos problemas organizacionais, analisando-os e propondo-lhes soluções; [...] treinar os usuários, apresentando-lhes novas tecnologias; participar na elaboração do planejamento estratégico da empresa; é modernidade organizacional e sistêmica. Para, o autor, o agente multiplicador da qualidade deve transmitir aos funcionários o quanto é importante buscar a excelência dos produtos, dos serviços e do atendimento que deve ser dispensado aos clientes internos e externos, como condição de sobrevivência da empresa. Em se tratando da qualidade nos processos, é fundamental para o trabalho um levantamento de dados completo e perfeito, pois, um levantamento imperfeito, incompleto, com dados inverídicos e inconsistentes, poderá gerar uma análise tecnicamente perfeita, entretanto, com o resultado comprometido, pois, a nova sistemática operacional proposta poderá ficar aquém do desejado, complicando em vez de solucionar a problemática existente. Portanto, é necessário ter muito cuidado ao fazer um levantamento, sob pena de comprometer os objetivos propostos, perder tempo e ter que reiniciar todo o processo. 33 Dentro desta perspectiva, o levantamento de dados para o planejamento e preparação da Polícia Militar para realizar suas diversas atividades, tanto na Copa das Confederações em 2013, quanto na Copa do Mundo de 2014 no Brasil, assume papel de relevância e de suma importância. 2.5.1 Ferramentas de apoio Dentre as diversas ferramentas de apoio, usuais em O&M/Q, as quais podem auxiliar na resolução dos diversos problemas das organizações, na melhoria contínua e na geração da qualidade dos processos, trataremos especificamente do método conhecido como PDCA. O Ciclo PDCA de controle de processos, também conhecido como Método de Solução de Problema ou Método de Deming, foi desenvolvido pelo professor Walter A. Shewart, na década de 1920, nos Estados Unidos da América, mas passou a ser conhecido como Ciclo de Deming em 1950, por ter sido difundido e efetivamente aplicado por ele. O Ciclo PDCA é o único ciclo de desenvolvimento que tem foco na melhoria contínua, segundo Campos (1992). O Ciclo PDCA é aplicado para se atingir resultados dentro de um sistema de gestão e pode ser utilizado de forma a garantir o sucesso nos negócios, por qualquer organização, independente da área de atuação. A sua utilização na busca da qualidade e da melhoria contínua vem fazendo parte das metas das empresas, com foco nos resultados e nos objetivos a serem atingidos. Para Campos (1992 apud Colenghi 1997, p. 186), o significado da sigla PDCA e sua definição, poderão ser vistos como no quadro 2, que também apresenta um resumo para a sua utilização. 34 QUADRO 2 Significado e definição do Ciclo PDCA SIGNIFICADO MANUTENÇÃO MANUTENÇÃO (Manter resultados) (Solucionar os problemas) P - “Plan” (Planejamento) - definir as metas definir os métodos que - permitirão atingir as metas propostas Define: os padrões, os resultados e os clientes do Processo. D – “Do” (Fazer) - Educar e treinar - Executar a tarefa (Coleta de dados) Executa: os processos de Executa: as medidas acordo com os padrões necessárias objetivando estabelecidos. alcançar as metas estabelecidas. C – “Check” (Verificar) Comparar: o que - Verificar os resultados planejado com da resultados obtidos. tarefa executada A – “Action” (Atuar) - Atuar corretamente Informações Complementares do Ciclo Define: as metas e os meios que serão utilizados para atingi-las. foi Comparar: se as os providências estão tomadas de acordo com o que foi planejado. Corrigir: os resultados se não estiverem de acordo com o planejado e atuar para estancar as suas causas. Corrigir: atuando na correção dos desvios visando garantir o que foi planejado. Processo: repetitivo. Meta: uma faixa aceitável. Diretrizes: devem se cumpridas. Método: padrões operacionais. Usuário: trabalhador/corpo diretivo. Processo: não repetitivo. Meta: um valor definido. Diretrizes: melhoria constante. Método: procedimentos para atingir metas. Usuário: corpo diretivo / trabalhador quando do CCQ2. Fonte: Colenghi, 1997, p.186 Nota: CCQ – Circulos de Controle de Qualidade A figura 5 mostra como o ciclo PDCA deve rodar. Ele começa pelo planejamento, em seguida a ação ou conjunto de ações planejadas são executadas; verifica-se 2 Círculos de Controle de Qualidade (CCQ) é a Administração Participativa através de um sistema bastante integrado entre funcionários e os objetivos da empresa, de modo que a Administração Participativa sirva como catalisador no processo de mudança. BARROS, 1988, p. 12). 35 se o que foi feito estava de acordo com o planejado repetidamente, e toma-se uma ação, providência para eliminar ou corrigir os defeitos na execução, atuando corretivamente. FIGURA 5 – Ciclo PDCA Fonte: Sebrae3 O Ciclo PDCA é um método que deve ser de domínio de todos na organização, seja de direção ou execução, independentemente da função que cada um exerce, devendo todos executá-lo. Dessa forma, esse método é uma ferramenta de valiosa colaboração quando da elaboração do planejamento para a Copa do Mundo de 2014 e poderá ser também experimentado durante a execução da Copa das Confederações, a ser realizada no Brasil em 2013, utilizando-se, para tanto, do Princípio da Maior Eficiência, Eficácia e Efetividade. Sua implementação deverá se dar com vistas à correção de desvios, falhas ou possíveis erros de planejamento, sempre objetivando a melhoria contínua e a qualidade do serviço a ser prestado quando da execução operacional do que foi planejado. 3 Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Emprsas (Sebrae). Ciclo PDCA. Disponível em: http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/BDS.nsf/49B285 DDC24D11EF83257625007892D4/$File/ NT00041F72.pdf. Acesso em: 26 Set. 2011. 36 3 MOBILIDADE URBANA A qualidade de vida da população vem sendo afetada diretamente pelos problemas relacionados à mobilidade das pessoas e das mercadorias nos grandes centros urbanos. Crescem as desigualdades sócioespaciais através de sistemas de mobilidade ineficientes que pressionam o uso democrático do espaço urbano, o que demanda a adoção de políticas públicas voltadas para a construção de uma mobilidade urbana sustentável do ponto de vista econômico, social e ambiental. 3.1 Conceito de mobilidade urbana Mobilidade urbana é definida como a capacidade de deslocamento de pessoas e bens no espaço urbano para a realização de suas atividades cotidianas, num tempo considerado ideal, de modo confortável e seguro. (ASSOCIAÇÃO VIVA O CENTRO, 2008) Cristina Baddini4 (2011) comenta e conceitua mobilidade urbana da seguinte forma: [...] Quando uma cidade proporciona mobilidade à população, oferece as condições necessárias para o deslocamento das pessoas. Em outras palavras, ter mobilidade é conseguir se locomover com facilidade de casa para o trabalho, do trabalho para o lazer e para qualquer outro lugar onde o cidadão tenha vontade ou necessidade de estar, independentemente do tipo de veículo utilizado. O conceito não deve ser confundido com o direito de ir e vir preconizado pela Constituição. Ter mobilidade urbana é pegar o ônibus com a garantia de que se chegará ao local e no horário desejado, salvo em caso de acidentes, por exemplo. É ter alternativas para deixar o carro na garagem e ir ao trabalho a pé, de bicicleta ou com o transporte coletivo. É dispor de ciclovias e também de calçadas que garantam acessibilidade aos deficientes físicos e visuais. E, até mesmo, utilizar o automóvel particular quando lhe convier e não ficar preso nos engarrafamentos. (destaque nosso) 4 Cristina Baddini é Engenheira Civil, com Especialização em Urbanismo e Mestre em Transportes e Trânsito pela COPPE - Universidade Federal do Rio de Janeiro. 37 Logo, podemos dizer que mobilidade urbana são os deslocamentos necessários que as pessoas precisam fazer diariamente, pelos mais variados motivos (trabalhar, estudar, viajar, fazer compras, passear, etc) e com a utilização dos diversos modos de transporte (a pé, bicicleta, carro, moto, ônibus, trem, metrô, etc). 3.2 Diagnóstico da mobilidade urbana no Brasil O atendimento das necessidades sociais e econômicas das pessoas requer seu deslocamento no espaço, que pode ser feito a pé ou por meio de veículos de transporte motorizados ou não motorizados. Em economias em desenvolvimento como o Brasil, as pessoas que moram nas cidades realizam, em média, dois deslocamento por dia, valor correspondente à metade dos deslocamentos de pessoas em países desenvolvidos (VASCONCELLOS, 2002). De acordo com a pesquisa publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 25 de maio de 2011, os dados divulgados mostram uma mudança recente ocorrida de 1977 a 2005 nas grandes Regiões Metropolitanas (RM) do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, Curitiba, Belém e Fortaleza) com considerável queda no uso do transporte público (de 68% para 51% do total de viagens motorizadas) e o aumento no uso do automóvel (de 32% para 49%), conforme demonstram os gráficos 1 e 2 a seguir: 38 Automóvel 1% 4% 1%1% Táxi 29% Ônibus Trolebus 3% Trens Barca 61% Outro GRÁFICO 1 - Mobilidade nas áreas metropolitanas do Brasil - 1977 Fonte: Comunicados do IPEA5, nº 94, 2011, p. 3. Transporte Público 49% 51% Transporte Individual GRÁFICO 2 - Mobilidade nas áreas metropolitanas do Brasil - 2005 Fonte: Comunicados do IPEA, nº 94, 2011, p. 3. 5 IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada é uma fundação pública federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Brasil. Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações do governo para a formulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento. 39 Acrescenta ainda a pesquisa do IPEA (2011), que, atualmente, o sistema de mobilidade urbana dos grandes centros urbanos brasileiros se caracteriza pelo intenso uso do transporte individual motorizado, com todos os efeitos que isso representa na vida da população e que, nas cidades com população acima de 60.000 habitantes, por exemplo, a frota circulante no ano de 2007 era de 20 milhões de veículos, sendo 15,2 milhões de automóveis e veículos comerciais leves (75,2%). Nas áreas urbanas desses municípios, são realizadas por dia cerca de 148 milhões de deslocamentos. O gráfico 3 mostra que as pessoas fizeram em média 38% dos deslocamentos a pé, 30% por transporte coletivo e 27% por automóvel. Já em relação ao transporte coletivo, percebe-se que os ônibus atendem à maior parte dos deslocamentos. 5% 3% Auto 27% Moto 21% Bicicleta A pé 3% 3% Ônibus Municipal Ônibus Metropolitano 38% Trilhos GRÁFICO 3 - Divisão modal do transporte no Brasil – 2007 em municípios com mais de 60 mil habitantes. Fonte: Comunicados do IPEA, nº 94, 2011, p. 4. Portanto, pode-se concluir, através dos dados da pesquisa, que as pessoas têm deixado de utilizar o transporte público coletivo e dentre os diversos modos pelos quais as pessoas realizam seus deslocamentos destaca-se a mobilidade baseada principalmente no uso intensivo de transporte motorizado individual, o que agrava os problemas ambientais, as perdas de tempo com os congestionamentos urbanos e o aumento dos acidentes de trânsito. 40 3.3 Sistema de transporte metropolitano e intermunicipal em Minas Gerais Minas Gerais, conforme o censo 20106, tem 19.597.330 habitantes e é, dentre as 27 unidades federativas do Brasil, a quarta maior em extensão territorial, com 586.520,368 km², sendo o estado brasileiro que abriga a maior quilometragem de rodovias. A malha rodoviária atual do Estado, segundo o Departamento de Estradas e Rodagens de Minas Gerais (DER/MG), é de 35.561 km, dos quais apenas 11.585 km são de rodovias federais e 23.976 km de rodovias estaduais. O estado tem 853 municípios. Já a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), conta com 34 municípios, área de 9.467 km² e população de 4,8 milhões de habitantes, de acordo com o censo 2010. O sistema de transporte de passageiros nas viagens intermunicipais e metropolitanas é gerenciado pelo DER/MG, órgão do governo estadual também responsável pela fiscalização desse modo de transporte. Segundo informações da Diretoria de Fiscalização do DER/MG, o sistema de transporte metropolitano e o intermunicipal compõe-se de 7 consórcios, 221 empresas delegatárias e aproximadamente 8.000 veículos. Em se tratando do número de passageiros transportados e o número de viagens realizadas, tanto no sistema metropolitano quanto no sistema intermunicipal, os dados são apresentados através das tabelas 1 e 2. Percebe-se que em relação ao sistema de transporte metropolitano há um aumento do número de passageiros transportados e aumento do número de viagens realizadas, de acordo com os números absolutos e a média mensal aferida nos anos de 2009, 2010 e 2011. Conclui-se, assim, que as rodovias e vias urbanas da RMBH serão mais utilizadas pelos veículos de transporte coletivo metropolitano, devido ao aumento do número de viagens realizadas, e também ocorrerá uma maior utilização do modo de transporte pela população. 6 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – Censo 2010. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/link.php?codmun=310620>. Acesso em 20 jul. 2011. 41 TABELA 1 Passageiros transportados e número de viagens do transporte metropolitano na RMBH nos anos de 2009, 2010 e 2011(até jun.) TRANSPORTE METROPOLITANO Anos Passageiros Média mensal nº de viagens Média mensal 2009 180.598.514 15.049.876 3.346.062 278.839 2010 252.661.651 21.055.138 4.594.948 382.912 2011(até Jun.) 127.101.052 21.183.509 2.357.682 392.947 Fonte: Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (SETOP) Da mesma forma, o sistema de transporte intermunicipal também apresenta pequeno aumento do número de passageiros transportados e do número de viagens realizadas entre os municípios do estado, demonstrando que o fenômeno ocorre tanto no sistema de transporte metropolitano de passageiros quanto no sistema intermunicipal, conforme tabela 2. TABELA 2 Passageiros transportados e número de viagens do transporte intermunicipal em Minas Gerais nos anos de 2009, 2010 e 2011(até jun.) TRANSPORTE INTERMUNICIPAL Anos Passageiros Média mensal nº de viagens Média mensal 2009 78.771.758 6.564.313 3.193.673 266.139 2010 77.101.619 6.425.135 3.179.911 264.993 2011(até Jun.) 38.555.657 6.425.943 1.590.519 265.087 Fonte: Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (SETOP) Nota-se uma tendência de aumento no número de pessoas que serão transportadas no estado e na RMBH, e consequentemente, mais ônibus estarão circulando diuturnamente em nossas rodovias e vias urbanas, o que pode gerar ou aumentar os congestionamentos, principalmente nos horários de pico. 42 3.4 A mobilidade urbana em Belo Horizonte A mobilidade urbana é um problema sério para as sociedades contemporâneas e em especial para os países em desenvolvimento. No Brasil, a maioria das cidades se desenvolveu sem um planejamento voltado para comportar uma expressiva frota circulante e isso se deu concomitantemente com o incremento da indústria automobilística, o que tem contribuído, ao longo do tempo, para aumentar o número de veículos nas vias e consequentemente gerar congestionamentos. O trânsito caótico, o tempo perdido nos congestionamentos e a tensão que gera fazem parte da rotina diária dos moradores das grandes metrópoles em de todo o mundo. 3.4.1 O desafio da mobilidade Ao imaginar a primeira capital planejada do Brasil, o engenheiro-chefe da comissão construtora de Belo Horizonte, Aarão Reis, deu atenção especial aos elementos viários da cidade, criando quarteirões padronizados e ruas largas o suficiente para comportar a circulação de veículos. Mas a previsão era que um século depois a cidade alcançasse 200 mil habitantes. O tempo passou e, com o crescimento demográfico desordenado, o município conta hoje com mais de 2,3 milhões de habitantes e uma frota superior a 1,3 milhão de veículos, ultrapassando em mais de 20 vezes a expectativa e, por consequência, o mapa desenhado centímetro por centímetro no entorno da Avenida 17 de Dezembro (nome original da Avenida do Contorno) expandiu-se sem a mesma concepção, transformando-se numa enorme colcha de retalhos. Cento e treze anos depois da inauguração do município, a multiplicação da frota associada a problemas estruturais torna a mobilidade urbana o principal problema de Belo Horizonte. Mas além do número de carros, da qualidade do transporte público e da engenharia de tráfego, a disposição de ruas e avenidas, a topografia e outros elementos influenciam sobremaneira a mobilidade e o trânsito na cidade. Belo Horizonte, como toda grande cidade, não está imune a este quadro, e vem enfrentando problemas com o expressivo aumento de veículos nas ruas, transporte coletivo deficitário e, em alguns casos, precário. 43 A este cenário, associa-se a lenta execução de obras relacionadas à infraestrutura viária urbana e a falta de integração entre as cidades da Região Metropolitana e entre os variados modos de transporte de pessoas. Outro fator que vem contribuindo sobremaneira com o expressivo aumento do número de veículos em circulação relaciona-se à facilidade de sua aquisição, vivenciada, sobretudo, pelas transformações positivas ocorridas na economia brasileira nas últimas décadas, aumento do crédito ofertado pelas instituições financeiras, consequente expansão do prazo para contratação de parcelamentos e os diversos estímulos praticados por governos e indústrias automobilísticas. De acordo com dados do Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (DETRAN/MG), o salto foi de 706 mil veículos em 2001 para 1,3 milhão em 2010, com destaque para a frota de transporte individual: motos (114%) e carros (38%). Já os ônibus aparecem em terceiro lugar (24%), demonstrando a perda de espaço, nesta década, na capital, para o transporte individual. (MINAS GERAIS, 2010) Em Belo Horizonte, o número de carros, motos, ônibus e caminhões circulantes em suas vias cresceu 84% em nove anos. Este fenômeno demonstra o resultado de políticas públicas que privilegiaram, ao longo dos anos, o meio de transporte individual, em detrimento do coletivo, o que tem contribuído drasticamente para o intumescimento das vias urbanas e aumento dos congestionamentos, figurando como uma temeridade à mobilidade urbana. Com esse crescimento da frota, não há investimento público em túneis e viadutos que suporte a demanda, afirma Ramon Victor César7, da BHTrans. Ele observa que, ao mesmo tempo em que a cidade viu expandir sua frota nas últimas duas décadas, o transporte coletivo perdeu em qualidade, o que acelerou a migração dos usuários para o transporte individual. O transporte coletivo ficou insustentável, diz ele. 7 Ramon Victor César é o Diretor Presidente da Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte. 44 Para o presidente da BHTrans, a melhora na mobilidade urbana depende do renascimento dos transportes públicos na matriz de tráfego. Hoje, na capital mineira, 55% dos deslocamentos são feitos por transporte coletivo (ônibus e trens). A meta é chegar a 70% até 2030, como na cidade de Barcelona, afirma César. No início da década de 90, esse índice alcançou 65%, mas foi perdendo participação para os carros, afirma ele. Na opinião do professor Nilson Tadeu Nunes8, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os corredores rápidos de ônibus (bus rapid transit – BRT) – principais projetos das cidades brasileiras para a Copa – são muito úteis. Não dá para permitir a concentração em apenas um meio de transporte, diz. Por outro lado, corre-se o risco de iniciar o funcionamento já no limite da capacidade. Em algumas vias, segundo Nunes, a demanda já supera 40 mil passageiros por trecho a cada hora. O ideal para esse fluxo é o transporte por trens urbanos, mas, por falta de recursos, eles não entraram no pacote de infraestrutura para a Copa. Por sua vez, Paulo de Tarso Vilela de Resende9 diz que quem mora nas grandes cidades deveria preparar o espírito para aprender a conviver com os congestionamentos de trânsito. Para ele, o problema veio para ficar, mas pode ser minimizado se o poder público investir pesado na implantação de uma rede de metrô que seja capaz de atender a toda a cidade. Resende (2011) considera os 18 bilhões reservados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para investimentos em projetos de melhoria da mobilidade urbana nos grandes centros representa muito pouco perto do que seria necessário. Ele considera positivos os investimentos que o município de Belo Horizonteestá fazendo no sentido de duplicar avenidas e implantar os BRT, mas nada que 8 Nilson Tadeu Nunes é chefe do Departamento de Engenharia de Transportes e Geotecnia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 9 Paulo de Tarso Vilela de Resende é Doutor em engenharia de transporte e logística pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos e coordenador do Departamento de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral (FDC). Foi o coordenador do estudo sobre o apagão da mobilidade realizado pela FDC. 45 resolva de forma estrutural o problema, como a construção de um metrô bem planejado e eficiente, que dê alternativa ao cidadão. Conforme ressalta Resende (2011), Belo Horizonte já está com uma hora e dez, uma hora e vinte minutos de enfrentamento de congestionamento por dia, e assim, se manifesta: Na engenharia de tráfego, a equação da mobilidade é constituída, basicamente, de duas variáveis. Uma é a capacidade que as vias têm de suportar o tráfego com certa tranqüilidade e mantendo uma velocidade média dos veículos. A relação que existe entre capacidade e volume define o que a gente chama nível de serviço, ou seja, o nível de eficiência da mobilidade urbana. Quando o volume vai se aproximando da capacidade, estamos atingindo uma situação que chamamos de ponto de saturação. É a partir de um determinado momento, quando o volume ultrapassa a capacidade, que ele passa de um ponto de saturação para um ponto de congestionamento, de paralisia. Nesse momento, começamos a ter o chamado apagão da mobilidade, que é a presença de um permanente estado de lentidão nas principais artérias de uma cidade ou região metropolitana. (destaque nosso) [...] você começa com restrições ao transporte de carga; depois é o rodízio, [...] depois tenta-se restringir o acesso a diversos pontos da cidade. Você começa a fechar ruas, começa a fechar regiões do hipercentro só para pedestres [...] até chegar ao fim de tudo, que é o que está ocorrendo em Londres, com a implementação do pedágio urbano. Assim, como resultante desse fenômeno e para fazer face às obstruções viárias e ao descumprimento da sinalização e da legislação por condutores de veículos automotores, a ação da Polícia Militar, através de suas intervenções pontuais e integrada com os demais órgãos de trânsito e a tecnologia, torna-se cada vez mais necessária, imperiosa e indispensável ao controle e manutenção da fluidez, na fiscalização de veículos e na organização do trânsito. Nessa perspectiva, a gestão do trânsito e da mobilidade urbana deve estar ancorada em ferramentas e instrumentos de análise e intervenção, como a engenharia de tráfego, a educação e a fiscalização. Dessa forma, à preocupação com a qualidade de vida nas cidades deve ser uma tônica nas ações e na implementação de políticas públicas pelos gestores, , mormente pelo 46 fato de que, para atingir os resultados esperados, é imprescindível também envolver outros fatores sociais importantes, como a garantia de um maior acesso aos meios de transporte coletivo, ao melhoramento da fluidez do trânsito e da qualidade do ar que se respira. 3.4.2 Alternativas de transporte em Belo Horizonte Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, tem área de 331km2 é o centro de Região Metropolitana, que é composta por 34 municípios, com 4.975.126 habitantes. (IBGE/2010). De acordo com o Censo 2010, embora desde a década de 1970 as taxas de crescimento populacional vinham apresentando acentuado declínio, elas ainda são relativamente elevadas para o conjunto da Região Metropolitana (cerca de 2,2% ao ano), indicando que a região ainda deverá apresentar um significativo acréscimo populacional, no decorrer das próximas décadas . Apesar de experimentar um acentuado processo de descentralização, as atividades ainda estão excessivamente concentradas na área central, que atrai cerca de 40% das viagens realizadas por modos motorizados, conforme divulgado pela BHTrans. Essa área corresponde à cidade planejada em 1897, projetada para 200 mil habitantes e corresponde hoje a 2,6% da área urbanizada do município. O sistema viário da cidade é fortemente condicionado pela topografia acidentada da região e, segundo dados da BHTrans, tem uma extensão total de 4.709 km, com 15.204 ruas e avenidas, cerca de 96% das quais pavimentadas. As faixas de pedestres estão presentes em cerca de 16.000 travessias, além de 2.000 guias rebaixadas para facilitar o deslocamento dos pedestres. A extensão da rede de transporte coletivo é de 1.816 Km, cerca de 39% do total do sistema viário. (OBSERVATÓRIO DA MOBILIDADE, 2010) A tabela 3 descreve a classificação e a extensão do sistema viário de Belo Horizonte e discrimina quanto à sua utilização pelo transporte coletivo, a partir de dados fornecidos pela BHTrans. 47 TABELA 3 Extensão do Sistema Viário de Belo Horizonte – 2011 Classificação da via Extensão (Km) Percentual (%) Vias de Ligação Regional 118 2,5 Vias Arteriais 509 10,8 Vias Coletoras 692 14,7 Vias Locais - Usadas pelo Transporte Coletivo 497 10,6 Vias Locais - Não usadas pelo Transporte Coletivo 2.893 61,4 Total 4.709 100,0 Fonte: BHTrans, 2011. Outro dado importante disponibilizado pela empresa diz respeito à pesquisa domiciliar de origem/destino, realizada em Belo Horizonte no ano de 2001, em que foi levantado, à época, que na capital eram realizadas cerca de 4,1 milhões de viagens/dia, 28% das quais nos modos a pé ou de bicicleta e 72% através de modos motorizados. Das quase 3 milhões de viagens/dia realizadas por modos motorizados, 61% referiam-se àquelas realizadas por ônibus. Atualmente, a capital oferece aos cidadãos os seguintes modos de transporte público para se deslocarem, de acordo com suas necessidades e destinos: a) Metrô O Metrô de Belo Horizonte é operado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), e possui atualmente 19 estações e 28,2 km de extensão e transporta cerca de 160 mil usuários/dia. b) Ônibus O sistema de transporte coletivo por ônibus em Belo Horizonte transporta diariamente 1,4 milhão de passageiros e abrange 323 linhas exploradas por 04 consórcios, que operam uma frota de 3.048 ônibus com idade média de 5 anos e 8 meses. 48 c) Táxis O sistema de táxis da capital mineira serve de referência para outros estados brasileiros, sendo fiscalizado pela BHTrans, órgão da administração indireta da Prefeitura de Belo Horizonte. Possui uma frota de 6034 veículos padronizados na cor branca, operada por 11.352 profissionais (6034 permissionários e 5318 condutores auxiliares). d) Aéreo - Aeroporto Internacional Tancredo Neves - Confins construído na década de 1980, encontra-se na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no município de Confins. Um dos mais modernos do Brasil e capaz de receber cinco milhões de passageiros por ano, com conforto e comodidade, o aeroporto é distante cerca de 38 quilômetros do centro da capital. O pátio das aeronaves tem área de oitenta e seis mil metros quadrados e as dimensões da pista são de 3.000m de comprimento por 45m de largura. O terminal de passageiros possui 33 balcões de check-in, numa área de cinquenta e quatro mil metros quadrados e o estacionamento para veículos leves e motos possui 1.022 vagas. - O Aeroporto Carlos Drummond de Andrade - Pampulha Localizado em Belo Horizonte e instalado em uma área de dois milhões de metros quadrados na região da Pampulha, localiza-se distante oito quilômetros do centro da cidade. Desde 2005, o Aeroporto da Pampulha voltou à sua vocação original e opera apenas vôos regionais para o interior do Estado. Porém, ainda mantém, em caráter temporário, sete vôos diários com destino a São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O pátio das aeronaves tem área de quarenta e um mil metros quadrados e as dimensões da pista são de 2.540m de comprimento por 45m de largura. O aeroporto tem capacidade para atender até 1,5 milhão de passageiros ao ano e o estacionamento de veículos tem capacidade para 160 vagas. 49 Em se tratando de transporte individual motorizado, Belo Horizonte dispõe de uma frota de 1.138,000 automóveis e 185.719 motocicletas, conforme dados de julho de 2011, de acordo com o Departamento Estadual de Transito de Minas Gerais. A frota de carros em Belo Horizonte tem crescido a taxas que variam de 4 a 7% ao ano, desde 1999, e esse crescimento só perde para o número de motos, que registra um crescimento médio de 11,5% ao ano. Por sua vez, a utilização de bicicletas como meio de transporte ainda é consideravelmente reduzida. O relevo acidentado e a falta de ciclovias inibem o crescimento do uso dessa modalidade de transporte. Em Belo Horizonte, 24 mil viagens são feitas de bicicleta diariamente, o equivalente a apenas 0,6% dos 4,1 milhões de deslocamentos, segundo a BHTrans. Na capital existem aproximadamente 22 km de trechos de ciclovias e a maior parte, 11km, está instalada na Avenida Otacílio Negrão de Lima, no entorno da Lagoa da Pampulha, entre a Igrejinha de São Francisco e o Museu de Artes. De acordo com o Programa Pedala BH, da BHTrans, a empresa pretende implantar em Belo Horizonte cerca de 365 km de ciclovias. Para 2011 está prevista a implantação de aproximadamente 18 quilômetros desse total. 3.4.3 Mobilidade Urbana e Cidades Inteligentes Soluções para melhorar a mobilidade urbana das grandes metrópoles mundiais são consideradas essenciais atualmente, devido não só à grande demanda de deslocamento de pessoas e bens, que já existe, mas ao seu crescimento, que supera o próprio crescimento populacional e não é acompanhado pelo crescimento da infraestrutura, já que a oferta do sistema e espaço viário é inextensível dentro dessas cidades. Até as cidades menores da Região Metropolitana de Belo Horizonte também já sofrem com problemas de mobilidade urbana, causados por picos de tráfego em horários de rush, por grandes eventos esportivos ou culturais, como jogos de futebol e shows de música, que acabam demandando mais capacidade da estrutura viária do que está disponível. 50 Como descrito por Fabiane Stefano10 (2010), em seu artigo publicado na Revista Exame, para solucionar o problema, além de planejar as modificações futuras adequadamente e de maneira multidisciplinar, o transporte de pessoas envolve questões ambientais, sociais e econômicas, e é importante otimizar os recursos existentes, tornando as cidades mais inteligentes. As cidades inteligentes serão aquelas com um nível de maturidade no qual os dados estejam integrados e disponíveis para as tecnologias. Stefano (2010) alega que o papel de uma cidade é o de prover uma vida sustentável aos seus habitantes e que, de fato, somente as cidades inteligentes serão capazes de lidar com os congestionamentos cada vez mais frequentes e promover um estilo de vida que não seja dependente do automóvel, em uma cidade onde os diversos modais de transporte público se encontrarão de forma transparente, segura e confortável para as pessoas, que não mais trocarão viagens curtas a pé e de bicicleta por locomoções de carro. Dentro desta perspectiva, ele cita o Rio de Janeiro, que no final de 2010 recebeu um centro de controle de operações (CCO) para monitorar a cidade. Neste CCO, aproximadamente 200 câmeras registram, em tempo real, tudo o que acontece na cidade, como obras, informações de transporte público e rede elétrica. Segundo ele, o CCO é o lugar ideal para abrigar soluções de mobilidade urbana para cidades inteligentes, pois é lá que estão soluções que podem realimentar todos os outros sistemas da cidade (infraestrutura e utilização do solo, defesa civil, rede elétrica, polícia, etc). O CCO é um sistema de sistemas, sendo a mobilidade urbana apenas um deles, que precisa estar integrado aos outros para gerar melhores resultados, afirma ele. Portanto, diz ele, o CCO abre um leque de possibilidades de melhorias e a tendência é que isto se expanda para as principais cidades do país, principalmente para as outras cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Além disso, Stéfano estabelece a seguinte Tríade como sendo essencial para trazer a harmonia de uma orquestra para a mobilidade urbana nas ruas, sendo necessário construir um sistema que conecta três elementos, como demonstra a figura 6. 10 Stefano, Fabiane. Infraestrutura. Revista Exame v. 966 n. 7 – abril/2010. 51 FIGURA 6 - Triade Fonte: Stéfano, Fabiane. Infraestrutura. Revista Exame v. 966 n. 7 – abril/2010. O autor conceitua os elementos da tríade da seguinte forma: Cidade - As cidades precisam de uma solução para tomar decisões rápidas frente aos problemas e atuar gerenciando informações em tempo real. Em um CCO dotado de câmeras de vídeo, essas vias podem ser observadas e a correta operação pode ser traçada, integrando os outros sistemas necessários. Outras soluções como simulação de cenários para interdição de ruas, com a possibilidade de pré-visualizar a consequência da interdição de um determinado trecho no fluxo da malha viária, além de controle de semáforos em tempo real para melhoria do fluxo e redução de congestionamentos também são possíveis. Rede de sensores - Para construir soluções para cidades inteligentes, faz-se necessário gerenciar uma rede de sensores que representam a interface entre o mundo real e digital. Esta rede de sensores serve as cidades e as pessoas como nossos olhos e ouvidos: captando dados do mundo, e gerando a informação necessária para decidir qual será o próximo passo. Como pode ser visto na figura 6, para tal, é fundamental que seja possível aproveitar a infraestrutura de geração de dados que existe nas cidades. Os radares de fiscalização eletrônica, as lombadas eletrônicas e aparelhos de OCR (Optical character recognition, usados para reconhecer placas de veículos) captam milhões de dados de veículos circulando todos os dias. Além disto, atualmente, com o smartphone cada vez mais difundido na população, é fundamental aproveitar a informação que os cidadãos podem gerar e fornecer. Pessoas - Basicamente informação e alternativas. Todos que precisam se locomover ou locomover bens através de grandes cidades por sua malha viária gostariam de ter previsibilidade, possuindo informações atualizadas de 52 tempo de viagem nos principais corredores e suas alternativas, sendo capazes de gerir melhor o seu tempo. E elas estão dispostas a ajudar: casos como o Waze, uma ferramenta de mapeamento dinâmico e informações de trânsito totalmente baseada em crowdsourcing11, são a prova disto. OTwitter é outra ferramenta que tem sido usada pelas pessoas para trocar informações em tempo real sobre o trânsito. Faz-se necessário agrupar estas informações em um contexto adequado e dedicado a isto, e através da fusão destes dados na rede de sensores, prover serviços básicos para a população, seja através de terminais e telas espalhadas pela cidade, seja através dos próprios smartphones, que sempre acompanham as pessoas, o dia inteiro. Desta maneira, é possível tornar o ambiente urbano mais inteligente, interativo e com serviços capazes de informar, localizar e suportar as pessoas na integração dos diversos modais de transporte, desde o carro particular, a bicicleta e a caminhada até os transportes públicos, como ônibus e metrô. Assim, para tornar a mobilidade urbana sustentável, faz-se necessário o interrelacionamento dos três elementos da tríade citada por Stéfano, sendo ela capaz de fornecer aos gestores públicos e pessoas, que são os agentes que efetivamente constroem uma mobilidade urbana sustentável, informações suficientes a exercerem seu papel dentro de um sistema de sistemas das cidades inteligentes a também se tornarem cidades sustentáveis. 3.4.4 Medidas a serem tomadas para a melhoria do trânsito na capital O uso da tecnologia para tornar Belo Horizonte uma cidade inteligente será, sem dúvida, uma ferramenta necessária a ser utilizada pelos órgãos gestores do trânsito para a melhoria da mobilidade urbana na capital. Segundo Fernando de Oliveira Pessoa12 (2010), para melhorar o trânsito de Belo Horizonte até a Copa do Mundo de 2014, as seguintes providências serão tomadas pela BHTrans: [...] ampliar o número de câmeras que transmitem em tempo real o que ocorre nas ruas. Os agentes vão atuar de forma a adaptar o tráfego às informações recebidas. Por meio do celular ou do computador, moradores vão sair de casa sabendo das condições de tráfego de Belo Horizonte. A 11 Crowdsourcing é um modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo e soluções ou desenvolver novas tecnologias. 12 Fernando de Oliveira Pessoa é Gerente de Coordenação de Operações da BHTrans. Tecnologia promete melhora o trânsito de BH até a Copa do Mundo de 2014. Disponível em: <http://meutransporte.blogspot.com/2010/08/tecnologia-promete- melhorar-o-transito.html>. Acesso em: 28 jul. 2011. 53 empresa pretende que até a Copa de 2014, o trânsito da capital esteja completamente informatizado, com as pessoas abastecidas de dados sobre o tempo de espera do transporte coletivo. Será ampliada a central de controle de tráfego e adquiridos 140 computadores de mão para que os agentes repassem informações em tempo real para o banco de dados da empresa. [...] por meio da central de videomonitoramento, equipes avisam aos técnicos, em campo, o que se passa e para onde devem se deslocar em casos de ocorrências de trânsito, como acidentes e quedas de árvores. Hoje, a central de controle de tráfego monitora 825 cruzamentos, com 24 câmeras. A ampliação prevê aquisição de outras 62. Além disso, a cidade ganhará o reforço de mais nove painéis de mensagens variadas para levar informações instantâneas ao motorista sobre a condição de tráfego nos principais corredores da cidade. Hoje, são 10 em operação. A intenção é facilitar o monitoramento do trânsito. A previsão é que todo o sistema seja implantado até abril de 2012. Os agentes de trânsito andarão equipados de computador portátil, chamado de assistente digital pessoal (PDA, sigla em inglês). O aparelho será usado para receber e enviar dados sobre operações de trânsito, permitindo também que sejam aplicadas multas on-line. Auxiliando as câmeras, eles estarão em contato direto com a empresa, fornecendo informações que serão retransmitidas à população, tanto pelo site quanto por meio de telefone celular. Uma das propostas da BHTrans é que os espaços destinados ao estacionamento rotativo sejam comercializados e fiscalizados digitalmente. O PDA permite que seja feito preenchimento de autos eletrônicos. É possível também pedir apoio dos Bombeiros ou da Guarda Municipal para ocorrências com vítimas ou consultar o cadastro do veículo. O projeto, com custo estimado em R$ 30 milhões, faz parte das propostas de Belo Horizonte de melhorias viárias para a Copa de 2014 e será financiado por recursos do governo federal. Também está na pauta execução de intervenções no Anel Rodoviário e a implantação do sistema rápido de ônibus (BRT, sigla em inglês), totalizando mais de R$ 1 bilhão em investimentos. Para a ampliação da central de inteligência da empresa, prevê ainda a implantação de um painel digital no qual todas ocorrências de trânsito serão expostas. Num mapa, disponível também na internet, será possível identificar problemas rotineiros de tráfego, como desvios, queda de árvores e acidentes. O posicionamento de agentes e veículos de reboque também estará disponível para melhor controle operacional. Antes de sair de casa, o motorista poderá consultar a situação do trânsito e definir a melhor rota. Além disso, enfatiza Pessoa que seis das principais avenidas da cidade (Antônio Carlos, Pedro I, Cristiano Machado, Amazonas, Pedro II e Carlos Luz), com 120 interseções sinalizadas com semáforos, serão controladas minuto a minuto. Por meio de um software, será feito controle do tempo dos sinais de trânsito. Os pontos de ônibus também deverão ser dotados de computador georeferenciado, o que possibilitará ao passageiro saber quanto tempo falta para a chegada do 54 próximo coletivo. Por meio de sistema de som e vídeo, os usuários saberão o instante de chegada dos ônibus. Percebe-se, assim, que essas medidas são fundamentais para a preparação da cidade para a Copa do Mundo de 2014, tanto em relação ao trânsito como ao transporte. Entretanto, nada foi dito sobre o aumento do efetivo operacional da BHTrans para a implementação das ações planejadas, bem como, que também não haverá a execução de obras para a implantação das linhas dois e três do metrô até o início da copa do mundo. Essa alternativa de transporte é fundamental para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e do trânsito na capital mineira. 3.5 Acidentes de trânsito e modos de transporte O aumento da frota circulante, a falta de investimentos em infraestrutura pelos governos ao longo dos anos e o desrespeito à sinalização e às regras de circulação tem contribuído sobremaneira para o aumento dos congestionamentos e do número de acidentes em Belo Horizonte. Nos últimos dez anos (2001 a 2010), a capital mineira teve um aumento de 96% da sua frota de veículos, dos quais, 84% de automóveis e 263% de motocicletas, de acordo com dados do DETRAN/MG. Em decorrência desse crescimento exagerado da frota, a cidade contabilizou em 2010 a relação de 1,0 veículo para cada 1,78 habitante, considerando o número total da frota. Já em relação a veículos leves, a proporção é de 1,0 automóvel para cada 2,53 habitantes e 1,0 moto para cada 13,53 habitantes. (DETRAN, 2011) Este fenômeno demonstra o resultado de políticas públicas que privilegiaram, ao longo dos anos, o meio de transporte individual, em detrimento do coletivo, o que tem contribuído drasticamente para aumento dos congestionamentos, figurando como uma temeridade à mobilidade urbana. Hoje, observa-se que, no horário de pico da cidade (07:00 às 09:00, 12:00 às 14:00 e 17:00 às 19:00 horas), a capacidade para a qual foram projetadas as vias não mais suporta o volume de veículos, refletindo um nível de serviço abaixo do desejado. As manifestações, passeatas, carreatas, motoatas, grande número de eventos, a estrutura viária 55 (gargalos, tipo e largura da via, traçado, número de faixas, etc), associados ao crescente número de acidentes, têm afetado diretamente a mobilidade, a qualidade de vida e gerado grande perda de tempo das pessoas, além dos prejuízos econômicos. A velocidade média do transporte coletivo por ônibus no pico da manhã na área central de Belo Horizonte é de 12,6 km/h, e 9,2 km/h no pico da tarde, conforme aferido em 2011 pela BHTrans. (OBSERVATÓRIO DA MOBILIDADE, 2011) Belo Horizonte, de acordo com as estatísticas disponíveis no armazém de dados da PMMG, registrou, de 2008 a 2010, um aumento de 16,83% no número de acidentes de trânsito sem vítimas, saltando de 46.094 acidentes em 2008 para 53.854 em 2010. Já os acidentes de trânsito com vítima tiveram um aumento de 8,0%, sendo que em 2008 foram registrados 14.872 acidentes e 16.061 no ano de 2010. Por sua vez, o número de vítimas não fatais resultantes desses acidentes subiu 5,51% , passando de 18.047 em 2008 para 19.042 em 2010, e o número de vítimas fatais apresentou uma redução de 8,67%%, ou seja, menos 19 mortes, saindo de 219 em 2008 para 200 em 2010. Assim, conclui-se que apesar do número de acidentes de trânsito sem vítimas e acidentes de trânsito com vítimas apresentar crescimento considerável no período, o número de mortes apresenta redução, o que é um dado favorável estatística e operacionalmente, apesar do número das vítimas não fatais também ter tido aumento de 2008 a 2010. Balanço recente divulgado pela BHTrans (2011)13, sobre os acidentes de trânsito em Belo Horizonte, através do seu observatório da mobilidade, demonstra que em 2009 os públicos mais afetados pela fatalidade foram os pedestres (43%), seguido pelos motociclistas (26%), passageiros dos veículos (12%), condutores (13%), ciclistas (3%) e não identificados (3%). Por outro lado, também o ano de 2009 registrou índice de mortalidade de 2,36/10.000 veículos decorrentes dos acidentes de trânsito em Belo Horizonte, o que deixa a capital muito próximo do índice de mortalidade da França, que é de 2,25/10.000 veículos. 13 BHTrans, Balanço da Mobilidade Urbana em Belo Horizonte 2010, Observatório da Mobilidade Urbana sustentável de Belo Horizonte, junho 2011. 56 Por fim, os acidentes de trânsito no Brasil vêm sendo considerados um problema de saúde pública, pois, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), o custo social total dos acidentes no Brasil é de R$ 30 bilhões anuais, sendo que para cada acidente com ferido gasta-se em média R$ 90 mil e o gasto para os acidentes com mortes é da ordem de R$ 420 mil. Ainda, segundo o DENATRAN, em 2004, os acidentes de trânsito foram considerados a 9ª causa de morte no mundo pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 57 4 COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS DE TRÂNSITO 4.1 Polícia Militar de Minas Gerais A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) é a única organização que se faz presente nos 853 municípios do Estado e que tem dentre as suas atribuições, além da prevenção, da preservação da ordem e da aplicação da lei, a promoção da paz social. Criada em 09 de junho de 1775, a instituição tem estabelecida sua competência legal na Constituição Federal de 1988, na Constituição Estadual de 1989, no Decreto-Lei nº 667, de 02Jul69, que estipula nova missão para a Polícia Militar e pelo Decreto Federal nº 88.777, de 30Set83 (R-200) que aprova o Regulamento para as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares (R-200), alterado pelos Decretos n° 4.431, de 18Out02, e 4.531, de 19Dez02. Somente com o advento do Decreto-Lei 667/69 é que toda atividade policial foi concentrada na ostensividade (prevenção e repressão imediata) da Polícia Militar, extinguindo-se outros mecanismos policiais como a Guarda Civil, o Corpo de Fiscais de Trânsito do Detran e a Polícia Rodoviária do Departamento Estadual de Trânsito, sendo todos os serviços incorporados às polícias militares na forma do Decreto-Lei 1.072, de 30 de dezembro de 1969. É no capítulo que trata da segurança pública, tanto na Constituição do Brasil quanto na Constituição de Minas Gerais, que está estabelecida a competência da PMMG conforme se segue: Constituição da República (1988) Art. 144 - A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I – [...] V- polícias militares e corpos de bombeiros militares. § 1º - [...] § 5º - Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além [...] 58 Constituição de Minas Gerais (1989) Art. 142 - A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar, forças públicas estaduais, são órgãos permanentes, organizados com base na hierarquia e na disciplina militares e comandados, preferencialmente, por oficial da ativa, do último posto, competindo: I - à Polícia Militar, a polícia ostensiva de prevenção criminal, de segurança, de trânsito urbano e rodoviário, de florestas e de mananciais e as atividades relacionadas com a preservação e a restauração da ordem pública, além da garantia do exercício do poder de polícia dos órgãos e entidades públicos, especialmente das áreas fazendária, sanitária, de proteção ambiental, de uso e ocupação do solo e de patrimônio cultural; (destaque nosso) Destaca-se, na Constituição Estadual, a vertente de atuação especializada na segurança de trânsito, atribuição esta de competência exclusiva da Polícia Militar no que diz respeito à execução do Policiamento Ostensivo de Trânsito. Por sua vez, o anexo I do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), definiu que o Policiamento Ostensivo de Trânsito (POT) é a função exercida pelas Polícias Militares: POLICIAMENTO OSTENSIVO DE TRÂNSITO - função exercida pelas Polícias Militares com o objetivo de prevenir e reprimir atos relacionados com a segurança pública e de garantir obediência às normas relativas à segurança de trânsito, assegurando a livre circulação e evitando acidentes. (CTB, 1997) Em se tratando de atuação da Polícia Militar no campo da fiscalização, no que diz respeito à prevenção e a repressão aos crimes de trânsito e infrações de trânsito, a lei assim descreve: Art. 23. Compete às Polícias Militares dos Estados e do Distrito Federal: I – [...] III - executar a fiscalização de trânsito, quando e conforme convênio firmado, como agente do órgão ou entidade executivos de trânsito ou executivos rodoviários, concomitantemente com os demais agentes credenciados; Art. 24. Compete aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição: I – [...] VI - executar a fiscalização de trânsito, autuar e aplicar as medidas administrativas cabíveis, por infrações de circulação, estacionamento e parada previstas neste Código, no exercício regular do Poder de Polícia de Trânsito; 59 VII – [...] Art. 25. Os órgãos e entidades executivos do Sistema Nacional de Trânsito poderão celebrar convênio delegando as atividades previstas neste Código, com vistas à maior eficiência e à segurança para os usuários da via. (CTB, 1997) Dessa forma, a atuação do policial militar como agente de trânsito somente poderá ocorrer em cumprimento ao previsto no artigo 25 do CTB, uma vez que a competência da Polícia Militar ficou adstrita apenas à incumbência de atuar nos crimes de trânsito e mediante convênio com o município nas infrações administrativas previstas na legislação de trânsito. 4.1.1 Batalhão de Polícia de Trânsito O Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) da Polícia Militar de Minas Gerais, Unidade Especializada de Execução Operacional subordinada à 1ª Região de Polícia Militar (1ª RPM) foi criado através do Decreto 12.793 de 10 de Julho de 1970 com singular importância na capital do Estado, devido ser a Unidade responsável pela fiscalização e controle do trânsito nas vias urbanas da cidade. Além de realizar outras atividades especializadas no campo da prevenção e funcionar também como unidade irradiadora de doutrina sobre a legislação de trânsito, o BPTran conta hoje em seus quadros com 428 policiais militares entre Oficiais e Praças, para a execução do policiamento e a fiscalização de trânsito na cidade, conforme a tabela 4. TABELA 4 Efetivo operacional do Batalhão de Polícia de Trânsito - PMMG DETALHAMENTO DO EFETIVO DO BPTRAN 2011 EFETIVO PREVISTO EXISTENTE CLARO EXCESSO Tenente Coronel 1 1 - - Major 1 1 - - Capitão 6 4 2 - 1º e 2º Tenente 11 8 3 - Subtenente/ Sargento 100 89 11 - Cabos/ Soldados 341 325 16 - 460 428 32 - SOMA Fonte: BPTran/Out 2011. 60 Portanto, as ações de fiscalização do BPTran estão em consonância com a legislação que tem como princípio básico a proteção da vida e da incolumidade física das pessoas, sendo que, a ordem, o consentimento, a fiscalização, as medidas administrativas e coercitivas adotadas pelo policial militar, além do já descrito, objetivam a manutenção da lei e da ordem. 4.2 Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte A Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte S/A (BHTRANS) é uma empresa pública vinculada à Prefeitura de Belo Horizonte, criada pela Lei Municipal nº 7.280/92. Atua desde 1993, sob a coordenação da Secretaria Municipal de Políticas Urbanas e é responsável pelo gerenciamento do sistema de transportes e do trânsito da capital do Estado. Suas atribuições incluem o planejamento do tráfego, a implantação de ações operacionais no sistema viário da cidade, o gerenciamento e a fiscalização dos táxis, dos serviços de transportes coletivo e transporte escolar e, mais recentemente, do transporte suplementar. Com a entrada em vigor do CTB e a municipalização do trânsito em 1998, a empresa passou a executar ainda as atividades de operação e fiscalização do trânsito nas vias de Belo Horizonte, no que diz respeito à parada, o estacionamento e a circulação de veículos. Para adequar-se à nova estrutura administrativa da Prefeitura Municipal e aproximar-se dos cidadãos belo-horizontinos, a BHTrans reorganizou a sua estrutura de funcionamento. Em fevereiro de 2001, suas ações foram regionalizadas, o que proporcionou maior agilidade nas operações de transporte e trânsito e facilitou o contato com a gestão regional da prefeitura, criando a Diretoria de Ação Regional e Operação (DRO), com responsabilidade operacional e de planejamento. No ano de 2004, a BHTRANS passou por uma nova reorganização e sua estrutura foi readequada, conforme mostra a figura 7. 61 ASSEMBLÉIA GERAL Conselho de Administração Conselho Fiscal JARI Ombudsman Diretoria da Presidência Assessoria Jurídica AJU Gabinete da Presidência GAB Asses. de Comunicação e Marketing - ACM Asses. de Mobilização Social - AMOS Diretoria de Atendimento e Informação DAI Diretoria de Desenvolvimento e Implantação de Projetos - DDI Diretoria de Ação Regional e Operação DRO DPL Diretoria de Administração e Finanças DAF DAI DAI Diretoria de Planejamento DRO DAI7 - Organograma da BHTrans FIGURA Fonte: BHTrans DAI 4.2.1. Diretoria de Ação Regional e Operação A Diretoria de Ação Regional e Operação da BHTrans é a diretoria responsável pelo planejamento operacional, o desenvolvimento e implementação dos planos operacionais específicos para a Copa do Mundo de 2014, bem como para os eventos que ocorrem diariamente em Belo Horizonte. Subordinam-se também a essa Diretoria todo o efetivo operacional da empresa, designado para a realização dos serviços relacionados ao transporte e trânsito, assim como as doze gerências que atuam de forma regionalizada e coincidente com as regionais da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), de acordo com o organograma expresso através da figura 8. 62 DIRETORIA DE AÇÃO REGIONAL E OPERAÇÃO - DRO Assessoria Gerência de Coordenação de Operação - COPE Gerência de Coordenação de Ação Regional - CARE Gerência de Operação da Área Central - GEACE Gerência de Ação Reg. Barreiro-Oeste - GARBO Gerência de Planejamento e Controle Operacional - GEPLO Gerência de Ação Reg. SulLeste - GARSL Gerência de Apoio Operacional GEAOP Gerência de Ação Reg. Noroeste-Pampulha - GARNP Gerência de Fiscalização do Transporte Irregular GFITI Gerência de Ação Reg. Venda Nova - GARBO Gerência de Operações do TERGIP - GEOTE Gerência de Ação Reg. NorteNordeste - GARNE FIGURA 8 – Organograma da DRO Fonte: BHTrans 4.2.2 Efetivo operacional da DRO As equipes são dimensionadas de acordo com o estabelecido em cada plano operacional específico, sendo previstos turnos de trabalho para apoio integral às ações de acordo com a necessidade. A DRO, em termos de efetivo para fazer face à demanda gerada pelos diversos eventos da cidade, se organiza como se apresenta na tabela 5. TABELA 5 Efetivo operacional de trânsito da DRO/BHTrans EFETIVO OPERACIONAL DA BHTRANS - 2011 Gerência Fiscais GEAOP 31 GEACE 71 GFITI 28 GARSL 30 GARNP 28 GARVN 24 GARBO 44 GARNE 20 TOTAL 276 Fonte: BHTrans/Out 2011. Coordenadores 6 8 4 4 4 4 4 4 38 Superivsores 2 2 2 2 2 2 2 2 16 63 Os agentes da BHTrans estão impedidos de realizar autuações desde 10 de dezembro de 2009, por força de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça , decorrente de uma ação ajuizada pelo Ministério Público Estadual, que por entender ser a empresa de economia mista, e por ter acionistas, não pode exercer a atividade de fiscalização e autuação de veículos. 4.3 Guarda Municipal de Belo Horizonte Subordinada à Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial, a Guarda Municipal de Belo Horizonte (GMBH) foi criada em 20 de janeiro de 2003, por meio da Lei nº 8.486. Cabe à GMBH garantir a segurança aos órgãos, serviços e patrimônio do Poder Público Municipal, orientar e proteger os agentes públicos e os usuários dos serviços públicos. Em consonância ao inciso VI do artigo 5° da Lei Municipal n° 9.319, de 19 de janeiro de 2007 (Estatuto da GMBH), que prescreve que a Guarda Municipal de Belo Horizonte poderá atuar na fiscalização, controle e na orientação do trânsito e do tráfego, por determinação expressa do Prefeito da capital mineira, através do Decreto n° 12.615/08, determinou o emprego da GMBH na atividade de trânsito no município de Belo Horizonte. O emprego da GMBH na respectiva atividade ocorreu a partir de 01 de agosto de 2008, quando os 150 Guardas Municipais designados para essa missão, foram reciclados pela Polícia Militar e BHTrans, por um período de 30 dias, antes de exercerem a atividade, sendo a conclusão e aprovação no respectivo estágio publicado no Diário Oficial do Município. Em 14 de outubro de 2009, o Ministério Público de Minas Gerais impetrou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN), contestando o emprego da GMBH na atividade de trânsito, tendo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), através de uma liminar, determinado a suspensão da atividade pela GMBH a partir dia 14 de outubro de 2009. Em 13 de janeiro de 2010, o mesmo Tribunal decidiu que a Guarda Municipal poderia atuar na fiscalização, controle e na orientação do trânsito e do tráfego, inclusive, com a emissão do Auto de Infração de Trânsito (AIT). 64 Após nova reciclagem de todo o efetivo, o Grupamento de Trânsito da GMBH foi lançado na atividade a partir de 02 de fevereiro de 2010, sendo que, dos 150 Guardas que iniciaram no referido Grupamento, somente 119 retornaram para trabalhar de forma efetiva na atividade de trânsito em Belo Horizonte. Da mesma forma como ocorreu com a BHTrans, o Ministério Público Estadual também impetrou Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Superior Tribunal de Justiça contestando a atuação da GMBH, por entender que o órgão não tem competência constitucional para atuar no trânsito, contudo, ainda não houve manifestação daquela Corte sobre a citada ação. A Guarda Municipal conta atualmente com um efetivo de 2.500 servidores, dos quais, somente 262 agentes estão direcionados a atuar na fiscalização e controle do trânsito na cidade, aplicando medidas administrativas e penalidades referentes às infrações relacionadas à parada, ao estacionamento e à circulação, conforme tabela 6. TABELA 6 Efetivo operacional da Unidade de Trânsito da GMBH UNIDADE DE TRÂNSITO DA GUARDA MUNICIPAL DE BH - 2011 Cargos Quantidade Gerentes 02 Inspetores 08 Guardas Municipais de trânsito 252 TOTAL 262 Fonte: GMBH/Out 2011. Nota: Os 02 gerentes são PM do Quadro de Oficiais da Reserva contratados. 4.4 Unidade integrada de trânsito Belo Horizonte foi a primeira capital do Brasil a criar uma Unidade Integrada de Trânsito (UIT). Advinda de uma parceria inédita entre a PMMG e a BHTrans, desde 2001 são realizados trabalhos conjuntos nas diversas atividades operacionais voltadas para o controle, a fiscalização e a fluidez do trânsito. 65 Atuando com base em um planejamento estratégico único, desenvolvido pelas duas organizações, agentes municipais vêm trabalhando de forma integrada com policiais militares, compartilhando ações para disciplinar e reduzir os conflitos. A UIT há 10 anos vem desempenhando seu papel de forma efetiva e com a otimização de esforços para o fiel cumprimento da missão. Atualmente, com a inserção da Guarda Municipal de Belo Horizonte na fiscalização do trânsito, no que diz respeito à competência do município, torna-se urgente e necessária a integração formal dessa instituição junto a UIT, para que o lançamento de efetivo seja otimizado, evitando-se sobreposição de esforços e para que haja maior abrangência na ocupação da cidade. No que diz respeito à atuação conjunta dos diversos órgãos, a minuta do caderno de atribuições para a Copa do Mundo de 2014, destaca o seguinte: Historicamente, muitos desses órgãos não estão acostumados a trabalhar em conjunto para promover uma segurança contínua aos cidadãos. Há a necessidade de se desenvolver canais de comunicação e protocolo de relacionamento, a fim de garantir um fluxo de informações, que devem ser compartilhadas, concretizando a integração entre as instituições de segurança pública. Independente de quaisquer outras ferramentas administrativas e operacionais colocadas à disposição dos órgãos, a integração definitiva das instituições será o maior de todos os legados e certamente terá sido justificada a realização da Copa do Mundo de 2014. (MINUTA DO CADERNO DE ATRIBUIÇÕES, 2010, pag 5) Assim, para o sucesso das operações de trânsito e a incessante busca de uma maior eficiência e eficácia das ações operacionais, torna-se fundamental que as equipes de campo dos três órgãos (BPTran, BHTrans e GMBH) atuem em conjunto através de comando e ações integradas, tendo como principal objetivo garantir as condições para que o transporte e o trânsito da cidade funcionem bem, possibilitando que os deslocamentos dos participantes do evento, dos turistas e dos habitantes da cidade sejam garantidos e realizados com segurança e fluidez, sempre voltados para o bem-estar dos cidadãos. 4.4.1 Experiências em eventos internacionais Com atuação integrada em eventos de grande porte, o BPTran e a BHTrans executaram ações operacionais destacadas no III Encontro das Américas em 1997 e no 66 Encontro do Mercosul em 2004, ambos os eventos ocorridos em Belo Horizonte. À época, o trabalho realizado conjuntamente pelas unidades foi avaliado como satisfatório e muito elogiado pelos organizadores, comitivas e público envolvido. As figuras 9 e 10 a seguir, retratam a época em que os eventos internacionais ocorreram na capital mineira, respectivamente em 1997 e 2004. FIGURA 9 – Encontro das Américas - 1997 Fonte: BHTrans FIGURA – 10 Encontro do Mercosul - 2004 Fonte: BHTrans Enfim, o planejamento conjunto e a atuação integrada das duas organizações, nos dois eventos, foi fundamental para o sucesso da execução das atividades de campo, independentemente do Batalhão de Polícia de Trânsito da Polícia Militar de Minas Gerais ser uma Unidade do governo estadual e a BHTrans um órgão do governo municipal. 67 5 O BRASIL E A COPA DO MUNDO DE FUTEBOL O país do futebol sediará em 2014 a Vigésima Copa do Mundo de Futebol e será a segunda edição a ocorrer no Brasil e quinta vez na América do Sul, sessenta e quatro anos depois da copa de 1950. 5.1 História do futebol Segundo pesquisas14, o futebol tem suas primeiras manifestações na China, por volta de 2500 a.C. De acordo com essa corrente, os soldados se divertiam com o crânio de seus inimigos decapitados em um animado jogo. Em contrapartida, outros estudiosos atribuem a invenção do futebol à civilização maia. Divididos em duas coletividades, os times deveriam acertar um aro fixo. A disputa era tão intensa que o líder do time derrotado era punido com a morte. Há controvérsia quanto ao pioneirismo do futebol no Brasil. Há dados históricos sobre a sua chegada em 1894, trazido por um brasileiro de nome Charles Muller, filho de diplomata britânico, que, após estudar na Inglaterra, transportou em sua bagagem a primeira bola de futebol e as regras do jogo, tornando-se o precursor do jogo no País. Para outros historiadores, ele teria sido, inegavelmente, o maior divulgador desta prática esportiva, pois atribuem aos jesuítas do Colégio São Luiz, o pioneirismo do futebol em solo brasileiro (AMADOR, 2006 Apud CARVALHO, 2009, p. 66). Para Silva (2005), tudo começou precisamente no ano de 1863, quando, na Inglaterra, separaram-se o rugby-football e a Association Football, para se fundar a Football Association, a mais antiga liga do mundo. Os dois tipos de jogo tinham praticamente as mesmas raízes. 14 História do futebol. Disponível em: <http://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/historia-dofutebol.htm>. Acesso em: 20 jul. 2011. 68 5.2 História das Copas do Mundo15 A Copa do Mundo de futebol masculino é um torneio realizado de quatro em quatro anos pela Federation International Football Association (FIFA), onde seleções de futebol de diversos países se reúnem para disputar a competição. A competição foi criada em 1928, pelo francês Jules Rimet, após ter assumido o comando da FIFA, instituição mais importante do futebol mundial. A primeira Copa do Mundo foi realizada em julho do ano de 1930, no Uruguai. Participaram da competição apenas 13 seleções, que foram convidadas pela FIFA, sem disputa de eliminatórias, como acontece atualmente. A seleção uruguaia sagrou-se campeã e pôde ficar, por quatro anos, com a taça Jules Rimet. Nas duas copas seguintes (1934 e 1938), a Itália foi a campeã. Entretanto, entre os anos de 1942 e 1946, as competições não ocorreram em virtude da eclosão da Segunda Guerra Mundial. Em 1950, o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo. Os brasileiros ficaram entusiasmados e confiantes no título. Com uma ótima equipe, o Brasil chegou à final contra o Uruguai. A final, realizada no recém-construído estádio do Maracanã (Rio de Janeiro - RJ), teve a presença de aproximadamente 200 mil espectadores. Um simples empate daria o título ao Brasil, porém a seleção celeste olímpica uruguaia conseguiu o que parecia impossível: venceu o Brasil por 2 a 1 e tornou-se campeã. O Maracanã se calou e o choro tomou conta do país do futebol. A Copa do Mundo de Futebol de 1954 ocorreu na Suíça, com ótima infraestrutura e estádios modernos. A grande diferença das demais Copas esteve ligada à divulgação do evento, bem como à transmissão dos jogos pela televisão para toda a Europa, além do rádio, que tinha sido aderido ao mundo futebolístico durante a Copa de 1950. A Alemanha Ocidental foi a campeã mundial ao vencer a Hungria por 3 a 2 na grande final. 15 História da copa do mundo – seleção, curiosidades, títulos, copa de 2010. Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/educacaoesportes/historiadacopa.htm >. Acesso em: 20 jul. 2011. 69 O Brasil sentiria o gosto de erguer a taça pela primeira vez em 1958, na copa disputada na Suécia. Nesse ano, apareceu para o mundo, jogando pela seleção brasileira, aquele que seria considerado o melhor jogador de futebol de todos os tempos: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Quatro anos após a conquista na Suécia, o Brasil voltou a provar o gostinho do título. Em 1962, no Chile, a seleção brasileira conquistou pela segunda vez a taça. Em 1970, no México, com uma equipe formada por excelentes jogadores (Pelé, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto Torres, entre outros), o Brasil tornou-se pela terceira vez campeão do mundo ao vencer a Itália por 4 a 1. Ao tornar-se tricampeão, o Brasil ganhou o direito de ficar em definitivo com a posse da Taça Jules Rimet. Após o título de 1970, o Brasil entrou num jejum de 24 anos sem título. A conquista voltou a ocorrer em 1994, na Copa do Mundo dos Estados Unidos. Liderada pelo artilheiro Romário, nossa seleção venceu a Itália numa emocionante disputa por pênaltis. Quatro anos depois, o Brasil chegaria novamente à final, porém perderia o título para o país anfitrião: a França. Em 2002, na Copa do Mundo do Japão / Coréia do Sul, liderada pelo goleador Ronaldo, o Brasil sagrou-se pentacampeão ao derrotar a seleção da Alemanha por 2 a 0. Em 2006, foi realizada a Copa do Mundo da Alemanha. A competição retornou para os gramados da Europa. O evento foi muito disputado e repleto de emoções, como sempre foi. A Itália sagrou-se campeã ao derrotar, na final, a França pelo placar de 5 a 3 nos pênaltis. No tempo normal, o jogo terminou empatado em 1 a 1. Em 2010, pela primeira vez na história, a Copa do Mundo foi realizada no continente africano. A África do Sul foi a sede do evento que ocorreu neste ano entre os dias 11 de junho e 11 de julho. A Espanha tornou-se, pela primeira vez na História, campeã mundial. 70 Em 2014, a Copa do Mundo será realizada no Brasil. O evento retornará ao continente sul americano, pois foi em 1950 que ocorreu a última copa no Brasil. 5.3 Belo Horizonte como uma das sedes da copa No dia 30 de outubro de 2007, a FIFA anunciou oficialmente o Brasil como sede da Copa do Mundo de 201416. O País receberá a competição pela segunda vez, com a participação de trinta e dois Países. As cidades escolhidas como sedes dos jogos foram: Salvador - BA, Recife PE, Natal - RN, Fortaleza - CE, Manaus - AM, Porto Alegre - RS, Curitiba - PR, Cuiabá MT, Brasília - DF, Rio de Janeiro - RJ, Belo Horizonte - MG e São Paulo - SP.17 Foi confirmado no dia 27/07/2011 no Rio de Janeiro pelo Secretário-Geral da Fifa, Jerome Valcke, que a Copa do Mundo de Futebol do Brasil será disputada de 12 de junho a 13 de julho de 2014 e que a Copa das Confederações ocorrerá respectivamente entre os dias 15 a 30 de junho de 2013.18 Apesar do anúncio de forma oficial sobre as cidades que receberão a Copa das Confederações, o Secretário-Geral da FIFA explicou que não teria como divulgar a tabela completa, já que a FIFA ainda espera para saber se o torneio terá quatro, cinco ou seis sedes no total. Foram confirmadas quatro sedes que receberão os jogos: Rio de Janeiro (Maracanã), Belo Horizonte (Mineirão), Fortaleza (Castelão), Brasília (Estádio Nacional). Segundo o Presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Salvador (Fonte Nova) e Recife (Arena Capibaribe) também podem entrar na Copa das Confederações, mas, para isso, terão que concluir as obras dos estádios até junho de 2012. 16 FIFA. Brasil é confirmado como sede da Copa do Mundo de 2014. UOL Esporte - Futebol (30/10/2007). Disponível em: <http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2007/10/30/ult59u135209. jhtm>. Acesso em: 20 jul. 2011. 17 BLATTER confirma 12 sedes na copa de 2014. Disponível em: <http://wikipedia.org/wiki/escolhadas-sedes-da-copa-do-mundo-fifa-de-2014>. Acesso em: 20 jul. 2011. 18 Valcke anunciou as datas da Copa do Mundo de 2014 e Copa das Confederações de 2013. Disponível em: <http://www.copa2014.org.br/noticias/7615/FIFA+CONFIRMA+DATAS +DO+MUNDIAL+E+DA+COPA+DAS+CONFEDERACOES.html>. Acesso em: 27 jul. 2011. 71 Ainda, no dia 22/07/2011, durante o Seminário-Geral das Cidades-Sede da Copa de 2014, realizado em Brasília, o Coordenador de Operações do Comitê Organizador Ricardo Trade, confirmou que a Copa América de 2015 será mesmo no Brasil. A competição acontecerá no país um ano depois do Mundial e todos os estádios podem ser utilizados, afirmou Trade.19 Por outro lado, segundo o Coordenador de Operações do Comitê Organizador da Copa do Mundo, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol ou CSF) e a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) estudam a possibilidade de se unificar e realizar uma competição com 16 seleções em 2015 no Brasil. A ideia é que o campeonato seja disputado nos mesmos moldes da Eurocopa, com quatro grupos e depois o tradicional mata-mata. O assunto ainda está sendo estudado. 5.4 Estatuto do torcedor Com a finalidade de estabelecer normas de proteção e defesa do torcedor, foi promulgada a Lei nº 10.671, de 15 de maio de 2003 – que trata do Estatuto de Defesa do Torcedor, a ser cumprida pela entidade responsável pela organização da competição, bem como pela agremiação de prática desportiva detentora do mando de jogo. O Estatuto do Torcedor veio preencher um vazio legislativo, estabelecendo direitos e deveres, tanto de torcedores, quanto de organizadores de um evento futebolístico, disciplinando as relações entre estes e aplicando penalidades, quando for o caso. Dentre as exigências constantes, o Estatuto atribui a responsabilidade pela segurança do torcedor à entidade detentora do mando do jogo e de seus dirigentes, determinando a estes solicitar ao Poder Público competente a presença de agentes de segurança, dentro e fora do estádio. Nessa solicitação, deverá constar obrigatoriamente o local do evento, o horário de abertura do estádio, a capacidade de público ao estádio e a expectativa de público. 19 Trade anunciou que a Copa América de 2015 será no Brasil. Disponível em: <http://globoesporte.globo.com/futebol/selecao-brasileira/noticia/2011/02/copa-america-sera-nobrasil-em-2015-confirma-cbf-em-seminario.html>. Acesso em: 27 jul. 2011. 72 Exige ainda que os estádios com capacidade superior a 20 mil pessoas deverão ter uma central técnica de informações com capacidade suficiente para efetuar o monitoramento por imagem do público presente. É dever ainda da entidade responsável pela organização da competição disponibilizar uma ambulância, um médico e dois enfermeiros para cada dez mil torcedores presentes à partida, bem como providenciar acesso ao local por transporte seguro e organizado, além de disponibilizar e serviços de estacionamento para uso dos torcedores. Quando eventualmente ocorrer a inobservância a essas regras, tanto dirigentes quanto os clubes poderão sofrer algumas sanções, sem prejuízo de outras medidas cabíveis, observado o processo legal. Tais sanções vão desde destituição ou suspensão de dirigentes, até a suspensão de repasses públicos federais ou impedimento de qualquer benefício fiscal em âmbito federal à entidade organizadora do evento. Com relação ao torcedor que promova tumulto, pratica ou incita a violência, ou invada local restrito aos competidores, ele poderá ser impedido de comparecer às proximidades do evento esportivo, por um período de 3 meses a 1 ano, sem prejuízo às demais sanções. Importante registrar que está sujeito à mesma pena o torcedor que promover tumulto, praticar ou incitar a violência num raio de 5 quilômetros ao redor do local onde se realiza o evento. A sua apenação se dará por sentença dos juizados especiais criminais e deverá ser provocada pelo Ministério Público, pela polícia judiciária, por qualquer autoridade pelo mando do evento esportivo ou por qualquer torcedor partícipe, mediante representação. 5.5 Caderno de atribuições da FIFA O Ministério da Justiça, através da Secretaria Nacional de Segurança Pública (MJ/SENASP), no ano de 2010 editou o Caderno de Atribuições para a Copa de 2014, com a finalidade de emitir diretrizes aos entes federados nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal) com vistas a organizar e direcionar as ações a serem planejadas pelos 73 órgãos envolvidos diretamente com a segurança pública na Copa do Mundo de 2014, que, por sua vez, traçaram os seus objetivos e as seguintes diretrizes para os envolvidos: 2. OBJETIVOS DO CADERNO ATRIBUIÇÕES DA FIFA a) [...] c) Fornecer subsídios necessários à elaboração dos planos operacionais por parte das instituições envolvidas com a segurança da Copa do Mundo 2014, em consonância com a avaliação e análise de riscos, acolhendo para as devidas considerações, as solicitações da FIFA para a segurança no interior das instalações de competição e não-competição; No que diz respeito às atribuições específicas para cada um dos órgãos de segurança, o Caderno de Atribuições da FIFA (2010) estabelece que: Polícias Militares a) [...] b) Realizar, com exclusividade, atividades de polícia ostensiva e de preservação da ordem pública dentro de suas atribuições legais, [...] [...] b.5 Realizar a escolta das delegações e dignitários para os locais de hospedagem, embarque, treinamento, competição, não-competição e pontos turísticos; (destaque nosso) b.6 [...] b.7 Fortalecer o policiamento ostensivo nas áreas externas e internas das Praças Desportivas, locais de hospedagem, eventos e treinamentos; b.8 Fortalecer policiamento ostensivo nos corredores viários de acesso às Praças Desportivas, áreas de eventos oficiais, treinamentos e hospedagem; b.9 Fortalecer o Policiamento ostensivo nos pontos turísticos das cidades; b.10 [...] b.12 Fortalecer o policiamento ostensivo nas proximidades de rede sferroviárias, terminais rodo/metroviários, aeroportuários e terminais de transporte público urbano; [...] b.20 Realizar o monitoramento das áreas com concentração de público e estacionamento, visando orientar a atuação do policiamento preventivo/repressivo. [...] b.24 Participar da elaboração, desenvolvimento e aplicação conjunta dos planos de abandono de área e de contingência para os locais de eventos; b.25 Realizar as atividades de policiamento especializado em eventos esportivos nos estádios, centros de treinamento, locais de fan fest e outros eventos culturais e artísticos vinculados; Guarda Municipal [...] c) Colaborar, quando solicitado pelo órgão competente, para propiciar condições de ordenamento urbano, salvo quando detenha essa atribuição, nos corredores viários de acesso a praças esportivas, terminais viários, no entorno dos locais de hospedagem, eventos, treinamento, pontos turísticos e outros locais de interesse; 74 [...] f) Realizar as operações de trânsito como agente da autoridade de trânsito, onde detenham tal competência ou auxiliar o órgão de trânsito municipal; [...] g) Colaborar, quando solicitado pelo órgão competente, nas operações de escolta motorizada/batedor no deslocamento das equipes; Percebe-se através desse documento a preocupação da FIFA em delimitar as atribuições específicas de cada órgão envolvido no sistema de segurança pública para o evento, o que notoriamente tem a finalidade de evitar a usurpação de funções e impedir a ocorrência de atritos entre os órgãos envolvidos no sistema. 5.6 Regulamento da FIFA O Comitê Executivo da Federação Internacional de Associações do Futebol– FIFA aprovou o regulamento em 20 de dezembro de 2008, o qual passou a vigorar a partir do dia em 1º de Janeiro de 2009. A FIFA estabelece, através do regulamento, regras, deveres e obrigações aos organizadores do evento. Também contém as medidas de segurança que os organizadores, associações e os clubes devem tomar para prevenir os distúrbios entre os espectadores e para ajudar a garantir um mínimo de segurança e ordem no estádio e seu entorno. Os organizadores devem tomar todas as medidas razoáveis e necessárias para garantir a segurança dentro e fora do estádio, segundo a FIFA. Destaca-se, nesse regulamento, a grande preocupação da FIFA com a parte estrutural e física dos estádios de futebol onde se realizarão os jogos, bem como o público assistente, que deverá receber diferentes atendimentos desde a evacuação, em caso de emergência dentro do estádio, até ser atendido nas questões de segurança secundária, tais como: transporte, estadias, trânsito, circulação, pontos turísticos, rodoviárias, aeroportos e informações. 75 5.7 Impactos esperados com a Copa de 2014 Dados divulgados em junho de 2010 por Élvio Gaspar, do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), em Belo Horizonte, sobre o financiamento à infraestrutura de grandes eventos esportivos e os benefícios econômicos diretos da Copa de 2014, dão conta de que o país terá impactos diretos e indiretos esperados até 2019 no PIB, da ordem de 135 bilhões, e no nível de emprego, geração de 713 mil postos de trabalho, sendo 49% permanentes e 51% temporários para o evento. Nota-se que as necessidades de investimentos para realizar os 2 mega eventos mais importantes da atualidade (Copa 2014 e Jogos Olímpicos 2016) constituem um desafio inédito ao Brasil. Somente um esforço conjunto de coordenação e mobilização de recursos envolvendo as diversas esferas de governo (União, Estados e Município) e a iniciativa privada poderá fazer frente aos desafios. Os números preliminares de investimento esperados para o megaevento da Copa de 2014 divulgados pelo Ministério do Esporte20 são estimados em 33 bilhões de reais, dos quais, 78% de participação pública, sendo 68% do governo federal. Serão aplicados 23 bilhões em equipamentos esportivos, mobilidade urbana e em portos e 10 bilhões em hotelaria, aeroportos, segurança, energia e telecomunicações. Segundo o Governo Federal, a expectativa é que em um mês aproximadamente um milhão de turistas se desloquem para as cidades onde acontecerão os jogos. Comparando-se edições anteriores ocorridas em outros Países, verifica-se que, em 1994, os EUA receberam quatrocentos mil turistas; a França, em 1998, quinhentos mil; o Japão, em 2002, quatrocentos mil; e a Alemanha, por conta da sua localização geográfica, bem no centro da Europa, recebeu dois milhões de turistas. O campeonato atrairá ainda quinze mil jornalistas, quinze mil voluntários para tarefas diversas e trezentos funcionários e convidados da Fifa, impondo uma lista de exigências diversas ao País organizador. 20 Impactos econômicos da realização da copa de 2014 no Brasil. Disponível em: <http://www.copa2014.gov.br/sites/default/files/publicas/sobre-copa/biblioteca/impacto_economico_2014.pdf>. Acesso em 30 set. 2011. 76 Portanto, para sediar a Copa do Mundo, o Brasil precisa de uma estrutura física e organizacional, com bases sólidas, voltadas para uma complexa operação de logística e segurança, com o objetivo de recepcionar delegações, convidados, autoridades, profissionais de imprensa e turistas, estruturando adequadamente as cidades sedes dos jogos, buscando minimizar problemas de toda ordem que possam divulgar negativamente a imagem do País. Embora os campeonatos de futebol no Brasil tenham sempre grande número de espectadores, é preciso que haja a compreensão de que um mega evento continental ou mundial se difere totalmente de eventos regulares, realizados dentro do País. Os mega eventos abrigam públicos internacionais e uma mídia globalizada, com alta qualidade de transmissão. Isso exige estrutura de aeroportos, hotéis, meios de transportes eficazes, praças desportivas bem estruturadas e, principalmente, segurança pública e privada para garantir a incolumidade física de todos os atores envolvidos no processo e um transporte público eficiente e que proporcione aos usuários conforto, rapidez e os motive a deixar os automóveis em casa, evitando assim os congestionamentos. 77 6 AS COPAS DO MUNDO DE 2010 E DE 2006 As disputas do Campeonato Mundial de Futebol na África do Sul de 2010 e na Alemanha em 2006 são campos fecundos para fins de análise, observação e levantamentos sobre as falhas ocorridas durante os eventos, os principais problemas enfrentados e as boas práticas a serem aproveitadas na Copa de 2014 a ser realizada no Brasil. 6.1 A Copa do Mundo da África do Sul de 2010 Segundo o site oficial da África do Sul 21, a nação ocupa a parte meridional do continente Africano, com superfície de 1.219.090 km2 e com 50.586.757 milhões de habitantes. Pela sua localização subtropical, tem clima temperado quente, seco e com muita abundância de sol. O país tem sistema de governo presidencialista e é dividido em nove províncias (Free State, Eastern Cape, Gauteng, KwaZulu-Natal, Limpopo, Mpumalanga, Northern Cape, North West, Western Cape), cada uma com sua legislatura, primeiro-ministro e ministros próprios, de acordo com a Constituição de 1993 (Lei 200, de 1993). Existem na África do Sul 3 capitais: uma Executiva (Pretória), uma Legislativa (Cidade do Cabo) e uma Judiciária (Bloemfontein). São 11 as línguas oficiais do país: o english, isiZulu, isiXhosa, isiNdebele, Afrikaans, siSwati, Sesotho sa Leboa, Sesotho, Setswana, Tshivenda, Xitsonga. A Copa do Mundo de Futebol de 2010 foi a primeira a ocorrer em um país africano, o que foi motivo de orgulho e alegria para a população da África do Sul. 21 Dados do Site oficial da República da África do Sul Disponível em: <http://www.sa2010.gov.za> e <http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en|pt&u=http://www.gov.za/>. Acesso em 11 ago. 2011. 78 6.1.1 Projetos desenvolvidos para a mobilidade urbana Durante o 4º Debate realizado na capital mineira, em agosto de 2010, promovido pela Secretaria Municipal Adjunta de Relações Internacionais, apresentou-se o documento denominado Relatório 4º Edição Café com o Mundo – Várias visões. Um só mundo, com as percepções obtidas pela delegação da Prefeitura de Belo Horizonte que foi enviada à Copa do Mundo da África do Sul para aturar como observadora. O Gerente de Coordenação de Operações da BHTrans e um dos integrantes da delegação da PBH apresentou suas observações sobre os projetos implementados naquele país, relacionados à mobilidade urbana, área pela qual ele ficou responsável. Para Pessoa (2010), os meios de transporte que foram desenvolvidos e utilizados durante a Copa foram os seguintes: Gautrain – é um trem de luxo que foi desenvolvido para conectar o aeroporto à região mais nobre da cidade de Johanesburgo, porém, não aparenta ser um projeto sustentável, já que há um alto custo e somente um destino. O governo sul africano afirma que novas estações de desembarque e embarque serão construídas para melhor aproveitamento. O Gautrain trafega principalmente por vias subterrâneas. Transporte coletivo – era algo inexistente na África do Sul. A Copa serviu como um agente de transformação em termos de transporte. A demanda não conseguiu ser suprida; 700 carrocerias da Marcopolo foram encomendadas às pressas para auxiliar a frota existente, porém é grande passo para o país que até pouco tempo dependia de serviços irregulares. Há também o serviço de Shuttle, que é um transporte encarregado de conectar a cidade ao aeroporto. O serviço de BRT já conhecido no Brasil; é o transporte que utiliza tubos como estações de embarques, ônibus articulados e uma via própria de tráfego. [...] trens, taxis e vans, também são utilizados. Uma central de controle de alta tecnologia foi construída, integrada com a estação da PM sul africana. De acordo com Pessoa, na África do Sul, o controle do trânsito nas cidades e nas rodovias é responsabilidade do Departamento Nacional de Transporte e Trânsito. Foram adquiridos 700 ônibus próximo ao início da copa somente para a Cidade do Cabo, uma vez que lá não dispunha desse serviço. O serviço de táxi era muito precário e era feito por vans que transportavam excesso de passageiros amontoados uns sobre os outros e só rodavam no 79 horário de movimento, ou seja, no horário de pico. Não existia na cidade serviço de metrô, somente o trem urbano. Já o Gautrain foi inaugurado às vésperas da copa e só servia ao aeroporto e uma parte nobre da cidade, não chegando até o centro. Foi pouco utilizado. Continua Pessoa a relatar que somente a polícia era quem fazia o controle do trânsito e que o medo e a sensação de insegurança nas cidades era muito grande, chegando ao ponto de às 18:00 horas as pessoas se recolherem em suas casas e hotéis. Foram feitas pela polícia reservas de estacionamento defronte aos hotéis. A cidade dispunha de poucas vagas de estacionamento e um número muito grande de veículos, o que ocasionava enormes congestionamentos, inclusive, próximo dos estádios, pelo fato do limite de restrição de acesso de veículos implantado e o grande número de pessoas deslocando-se a pé. Para Pessoa, faltou entrosamento, integração e planejamento conjunto entre as cidades. Para ele, cada um fez o seu planejamento sem levar em conta o do outro, o que comprometeu seriamente a execução operacional e a resolução dos problemas, o que prejudicou em muito a mobilidade urbana. 6.1.2 Números da Copa A tabela 7 destaca os dados comparativos relacionados aos investimentos realizados pela África do Sul para a Copa de 2010, e os que serão feitos pelo Brasil na preparação do país para a Copa do Mundo de 2014. 80 TABELA 7 Comparativo dos investimentos feitos na África do Sul em 2010 e os que serão feitos no Brasil para a Copa de 2014 INVESTIMENTOS BRASIL 2014 ÁFRICA DO SUL 2010 SETORES Infraestrutura - Estádios - Aeroportos - Mobilidade - Telecomunicações - Outros Serviços Segurança Preparação de voluntários Preparativos para copa Postos de trabalho Impostos diretos Tributos gerados (outros) Consumo das famílias em rands* 80.850 bilhões em R$ 25.308 bilhões 1,3 bilhões 25 milhões 33 bilhões 69.370 312 milhões 6,0 milhões 7,9 bilhões em R$ 23 bilhões 10 bilhões 7,2 bilhões 7,4 bilhões • Empregos permanentes: 332 mil (2009-2014) • Empregos temporários: 381 mil (2014) 47 bilhões 1,6 bilhão 16,8 bilhões 1,7 bilhão 5,0 bilhões Fonte: Site oficial da República Sul Africana. Disponível em: <http://www.sa2010.gov.za> e Site da Presidência da República Federativa do Brasil. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2011/07/05/copa-de-2014-movimentara-mais-der-110-bilhoes-em-investimentos-impostos-consumo-e-turismo> Nota: * rands é a moeda corrente oficial da África do Sul 6.1.3 Investimentos Segundo o site oficial da República Sul Africana22 foram os seguintes os investimentos na preparação do país para a realização da Copa do Mundo de Futebol: a) 30 bilhões de rands (R$ 7,2 bilhões) foi o montante investido em transportes, infraestrutura de telecomunicações e estádios; b) 13 bilhões de rands (R$ 3,1 bilhões) foi o valor investido para a melhoria das estações de trem perto dos estádios, estradas e aeroportos; 22 Site oficial da República Sul Africana. Disponível em: <http://www.sa2010.gov.za> .Acesso em 05 set. 2011. 81 c) 3,5 bilhões de rands (R$ 840 milhões) foram utilizados para renovar os equipamentos de infraestrutura de tecnologia da informação nas fronteiras; d) 1,5 bilhão de rands (R$ 360 milhões) foi o valor investido em tecnologia de transmissão, principalmente para as melhorias ao acesso de internet banda larga; e) 1,3 bilhão de rands (R$ 312 milhões) foi o valor destinado para a segurança; f) 33 bilhões de rands (R$ 7,9 bilhões) foram investidos em preparativos para a Copa do Mundo e o PIB anual teve aumento de 1%; g) 20 bilhões de rands (R$ 4,8 bilhões) foram destinados ao programa de desenvolvimento de aeroportos; h) 8,4 bilhões de rands (cerca de R$ 2 bilhões) foram destinados pelo tesouro nacional para a construção e modernização de estádios; i) 25 milhões de rands (R$ 6 milhões) foram investidos para a preparação de voluntários para a Copa do Mundo; j) 3,2 bilhões de rands (R$ 768 milhões) foram investidos entre 2006 e 2010 em infraestrutura de telecomunicações na África do Sul; k) 1 bilhão de rands (R$ 240 milhões) foi investido na transição do sinal de televisão analógica para o digital terrestre por meio da Sentech. Cerca de 80% de sul-africanos assistiram à Copa do Mundo por meio da televisão digital; l) O valor investido para a abertura e o encerramento da Copa do Mundo, assim como o financiamento para o setor das artes e da cultura com a revitalização de centros comunitários visando aproveitar o crescimento do turismo durante o evento, foi de 150 milhões de rands (R$ 36 milhões). 82 6.1.4 Desdobramentos e resultados obtidos com a Copa O site oficial destacou os seguintes resultados e desdobramentos decorrentes da Copa do Mundo na África do Sul em 2010: a) Durante a Copa do Mundo, 1.431.138 foi o número de estrangeiros que visitaram o país; b) Foram criados nas obras dos estádios 66 mil postos de trabalho, gerando 7,4 bilhões Rands (R$ 1,7 bilhão) em salários; c) 3.370 postos de trabalho foram criados no International Broadcast Center; d) 93 bilhões de rands (R$ 22,3 bilhões) foram injetados para a economia sulafricana pelos turistas internacionais durante a Copa do Mundo; e) Um avião pousou a cada dois minutos na manhã do dia 11 de julho, final da Copa do Mundo. No mesmo dia e na segunda-feira (12 de julho), foram movimentados 1.400 aviões, transportando mais de 160 mil passageiros; f) 1.467.000 passageiros que possuíam os bilhetes dos jogos foram transportados em 2.256 viagens do Metrorail; g) 42 mil ingressos foram vendidos na primeira semana de funcionamento do Gautrain. Até 27 de junho, 255 mil viagens foram realizadas desde o lançamento; h) 700 ônibus foram comprados para o uso durante o evento. 6.1.5 Turismo O Sistema de Controle de Movimento registrou cerca de 1,4 milhão de estrangeiros que visitaram o país durante a Copa do Mundo de 2010, o que representou um aumento de aproximadamente 25% quando comparado ao mesmo período de 2009, segundo o 83 site do governo. Destes 1,4 milhões de turistas que entraram no país entre 11 de junho e 11 de julho de 2010, apenas 310 mil desembarcaram com a intenção de assistir às partidas do Mundial. Ou seja, apenas 22% dos visitantes tiveram como foco principal acompanhar a Copa do Mundo. Dos 310 mil, 59% visitaram o país pela primeira vez, enquanto 89% afirmam que pretendem retornar em nova oportunidade. Foi a África, no entanto, o continente que forneceu o maior número de turistas da Copa de 2010, com aproximadamente 95 mil visitantes (32% do total). A mesma fonte ressalta que, no ano de 2009, aproximadamente 10 milhões de turistas visitaram o país, sendo 37 mil oriundos do Brasil. Por conta do grande número de visitantes esperados, a África do Sul foi o primeiro país na história da Copa do Mundo a oferecer vistos específicos para o evento, cuja exigência era a comprovação de compra de ingressos para os jogos do Mundial. Entretanto, o país já havia organizado outros grandes eventos esportivos internacionais quando sediou de forma bem-sucedida a Copa do Mundo de Rúgbi, em 1995, a Copa do Mundo de Críquete, em 2003, o Campeonato de Críquete Indian Premier League, em 2009 e a Copa das Confederações, também em 2009, entre outros. Preocupada com acomodações para os turistas, destaca a fonte, o Conselho que classifica o turismo, Tourism Grading Council, fundado pelo Departamento de Assuntos Ambientais e Turismo, aumentou a sua capacidade e se empenhou na classificação de alojamentos fornecidos em todo o país. A MATCH-AG, companhia designada pela FIFA para organizar as acomodações para 2010, assinou um termo com esse Conselho, garantindo que houvesse acomodação suficiente e certificada para o evento. Ainda, o site destacou a medida tomada pela FIFA, que considerou as acomodações “não hoteleiras”, pela primeira vez na história, como acomodações em parques nacionais, casas de hóspedes e pousadas, bed and breakfasts, lodges, durante a Copa de 2010. Assim, foram oferecidos 40 mil quartos pelos conveniados à MATCH e o Departamento de Turismo da África do Sul destinou 200 milhões de rands (R$ 48 milhões) para a classificação de acomodações em micro, pequenos e médios empreendimentos, de modo que o evento beneficiou toda a indústria do Turismo no país e possibilitou oportunidade única para um número considerável de estabelecimentos de acomodação menores. 84 Também foram investidos 17 milhões de rands (R$ 4,8 milhões) em festivais de diversos tipos de esporte e outros eventos de recreação, como um programa de futebol de rua, que mobilizou e conscientizou as comunidades, entusiasmando-as para a Copa do Mundo, afirma o site. 6.1.6 Segurança Segundo dado disponibilizado pelo site oficial da República da África do Sul, estima-se que foram gastos 1.3 bilhão de rands (R$ 312 milhões) com segurança e na luta contra o crime, dos quais, cerca de 666 milhões de rands (R$ 160 milhões) financiaram câmeras de segurança, o comando nacional e local e os centros de controle, tecnologia de rádio comunicação e helicópteros, além da formação dos policiais. Neste montante está a aquisição de equipamentos especiais, de controle de multidões, helicópteros, 10 canhões de água e 100 carros para patrulhas rodoviárias. De acordo com os dados do governo sobre as ocorrências policiais, disponibilizados no seu site, foi divulgado que houve 1.002 casos documentados e com inquérito aberto em todo o país durante a Copa do Mundo. Destes, 558 casos foram finalizados e 387 ainda estavam sob investigação. Houve 447 prisões efetuadas, sendo que, destas, 266 eram de cidadãos sul-africanos e 181 de estrangeiros. Ainda, foram apreendidos 45.8 milhões de rands (R$ 10,9 milhões) em mercadorias paralelas. Decorrentes das investigações, 78 casos (inquéritos) foram abertos e 106 pessoas foram presas. A maioria dos processos foram abertos em Gauteng (50) e no Cabo Oriental (11). 6.1.7 Mobilidade urbana Um dos principais desafios para todas as cidades-sede, segundo o governo da África do Sul em seu site, foi a mobilidade urbana. Na África do Sul, passageiros que possuíam ingressos para os jogos, utilizaram o Metrorail (metrô) livremente para os estádios, com o objetivo de evitar atrasos e congestionamentos nas estradas. Foram transportados cerca de 1.5 milhão de passageiros, em 2.256 viagens. Além disso, conforme a fonte, em corrente construção, o Gautrain aliviou os congestionamentos de trânsito nas maiores rodovias do País. Em sua primeira semana de 85 funcionamento, o sistema vendeu 42 mil ingressos, demonstrando claramente a sua popularidade. Até 27 de Junho, 255 mil viagens foram realizadas desde o lançamento do serviço, em 8 de junho, com uma média de 10 mil passageiros em dias úteis e 20 mil nos fins de semana. O governo em seu site, divulgou que os aeroportos estiveram entre os grandes destaques da Copa de 2010, por terem sidos bastante elogiados pelos turistas, devido as estruturas oferecidas. Segundo ele, A Airports Company South Africa's (ACSA) destinou 20 bilhões de rands (R$ 4,8 bilhões) ao programa de desenvolvimento de aeroportos, que foi concluído a tempo para a Copa do Mundo, e o Civil Aviation Authority South Africa's (SACAA) enviou 33 inspetores de segurança da aviação aos 13 aeroportos em todo o país. Ainda, divulgou a fonte que no domingo (11 de julho) de manhã, antes da final da Copa do Mundo entre a Espanha e a Holanda, um avião estava pousando a cada dois minutos. No mesmo dia e na segunda-feira (12 de julho), foram movimentados 1.400 aviões, transportando mais de 160 mil passageiros. No que se refere às estradas e seus projetos de melhorias, foram investidos 23 bilhões de rands (R$ 5,5 bilhões), divulgou o site. Conclui-se assim, que a maioria dos estrangeiros que dão entrada no país viaja pelo interior ou a negócios e apenas uma parcela vem destinada a realmente acompanhar a Copa do Mundo, motivo pelo qual as cidades da RMBH, as que serão subsede da Copa, principalmente as históricas, devem se preparar para receber essa grande parcela de turistas e empresários. 6.2 A Copa do Mundo na Alemanha em 2006 A República Federal da Alemanha23 (em alemão: Bundesrepublik Deutschland) é um país localizado na Europa central. É limitada a norte pelo Mar do Norte, Dinamarca e pelo Mar Báltico, a leste pela Polônia e pela República Checa, a sul pela Áustria e pela Suíça e a oeste pela França, Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos. O território da Alemanha 23 Dados da Alemanha. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alemanha.Acesso em05 set. 2011. 86 abrange 357 021 km², sendo 349.223 km² de terra e 7.798 km² de água e é influenciada por um clima temperado sazonal, a temperatura máxima também pode exceder os 30 °C no verão. É o sétimo maior país por área na Europa e o 63° maior no mundo. Com 81,8 milhões de habitantes em janeiro de 2010, o país tem a maior população entre os Estados membros da União Européia. A Alemanha é uma república parlamentar federal composta por dezesseis estados (Länder), cuja capital é a cidade de Berlim; o alemão é a língua oficial e a predominantemente falada. A Copa do Mundo na Alemanha realizou-se de 09 de junho a 09 de julho de 2006, tendo sua partida inaugural em Munique e o encerramento em Berlim. Foram 12 cidades selecionadas para abrigar os jogos de um total de 20 candidaturas, dentre as quais foram eliminadas cidades como Bremen e Düsseldorf. Todas as cidades selecionadas receberam massivos investimentos de infraestrutura, focado principalmente na reforma e construção de estádios. 6.2.1 Números da Copa Segundo dados obtidos em palestra realizada para o Curso de Especialização em Gestão Estratégica de Segurança Pública (CEGESP) na embaixada do Brasil em Berlim, no dia 15 de setembro de 2011, pelo Sr. Christioph Lipp, do Ministério do Interior da Alemanha e para fins de exemplificação da grandiosidade do evento, seguem alguns dados relacionados à Copa do Mundo de 2006: a) 30 bilhões de reais investidos em infraestrutura; b) 4,5 bilhões de reais de investimentos em estádios; c) 2,5 bilhões de reais de gastos turísticos; d) 240.000 policiais empregados em todo o país; e) 14.000 seguranças envolvidos; f) 323 policiais uniformizados de 13 países europeus em apoio; g) 229 agentes de ligação estrangeiros; h) 15.000 voluntários; i) 64 partidas de futebol; j) 3,1 milhões de torcedores nos estádios; 87 k) 300 emissoras de televisão fazendo a coberturas do evento; l) 9 milhões de espectadores nos FAN FEST em todo o país; m) 1 milhão de espectadores nos FAN FEST somente em Berlim; n) 213 países receberam imagens da Copa; o) 7.000 crimes em todo o país; p) 9.000 detenções de menor gravidade; q) 22 invasões do espaço aéreo sem autorização, sendo 15 pela imprensa. 6.2.2 Projetos complementares Ainda, de acordo com o Sr. Lipp, os alemães aproveitaram o evento para desenvolver outros projetos complementares, importantes do ponto de vista de envolvimento da comunidade, sustentabilidade social e ecológica, dentre os quais se destacam: a) Green Goal (Objetivo Verde) – focado na sustentabilidade ecológica, com a neutralizacão das emissões de carbono geradas em função do evento; b) No smoking, please (Por favor não fume) – que focava na conscientização da população de não fumar durante os jogos; c) Making Kids Strong (Tornando as crianças fortes); d) Talents 2006 (Talentos) – realização de competições esportivas entre jovens de diferentes cidades, desenvolvidas no pré-evento, com sua decisão realizada durante a Copa, em um estádio oficial. e) A time to make friends (um momento para fazer amigos) - que foi o desenvolvimento de campanha de hospitalidade e serviços voltada para a sociedade alemã, visando à melhoria da qualidade do atendimento aos turistas e o reposicionamento da imagem do país perante o público externo. Dentre os projetos citados, destaca-se esta campanha como a de maior excelência. 88 A campanha tinha dois objetivos principais, tendo por base dois perfis de público- alvo: Do ponto de vista interno, visava à sociedade alemã e pretendia resgatar o nacionalismo, o orgulho de ser alemão. Focava na sensibilização do povo para o bem receber, tornando-os exímios anfitriões; Do ponto de vista externo, visava aos estrangeiros e pretendia provocar uma mudança da imagem do povo alemão, tido como pouco simpático e caloroso, e com raras demonstrações de sensibilidade, atenção e cordialidade, principalmente com estrangeiros. 6.2.3 Providências relacionadas à mobilidade O Sr. Lipp disse que uma das grandes preocupações dos organizadores da Copa de 2006 foi com os deslocamentos das pessoas e dos veículos para os estádios e para os locais onde ocorreram os Fan Fest, não deixando de cuidar também dos demais deslocamentos realizados pela população e turistas que tinham outras finalidades, considerando que a cidade não pára e que alguns têm objetivos voltados para o turismo, negócios dentre outros. 6.2.4 Medidas adotadas para facilitar a mobilidade urbana Foram adotadas as seguintes medidas para facilitar a mobilidade urbana durante a realização da Copa do Mundo na Alemanha, pelos organizadores, com fulcro no sucesso do evento em todo o país, para que não houvesse atrasos nos deslocamentos e para evitar os congestionamentos: a) Formação de grupos de trabalho para as atividades operacionais e administrativas de trânsito em grandes eventos; b) Planejamento e trabalho em equipe com antecedência e conhecimento da missão a ser executada; c) Formação de Comitês Organizadores Locais para gerenciar situações típicas de trânsito em um determinado espaço geográfico; 89 d) Fechamento de anéis em torno dos locais que sediaram os eventos da Copa como os jogos oficiais e locais de comemorações (Fan Fest e Public Fest) para facilitar a chegada e saída dos locais; e) Foi permitido aos torcedores chegarem aos estádios somente a pé, de bonde ou metrô quando esses últimos possuíam estações próximas; f) Durante os eventos, foram adaptados o funcionamento dos meios de transporte de massa de forma a atender a demanda situacional; g) Foi reduzida a utilização dos meios de transporte individual com prioridade para o coletivo ou a pé; h) Não foi permitido estacionamento para torcedores nos estádios; i) Foi feito um planejamento para comportarem o excesso de veículos, mas os locais eram distantes dos estádios e próximos a outro meio de transporte, porém, público e de massa; j) O planejamento operacional do trânsito (mobilidade) para os visitantes foi feito com antecedência e testado com grupos de pessoas que chegavam às cidades alemãs muito antes do evento Copa acontecer para que pudessem ter a certeza de que o planejamento não iria apresentar grandes problemas aos visitantes; k) A sinalização foi adaptada e foi implantada sinalização inteligente (informativa) para atender aos eventos; l) Não foi permitido estacionamento dentro dos estádios, com poucas exceções devidamente justificadas; m) Todo o trabalho referente a trânsito foi feito pela polícia e pelos órgãos públicos locais; 90 n) Fez-se a integração do ingresso para os jogos com o uso do transporte público; o) Não houve plano especial para o deslocamento de pessoas para os locais de comemorações. Simplesmente foram planejados de forma que ficassem próximos aos acessos do transporte público. 91 7 METODOLOGIA A pesquisa científica, além de fundamentar-se nos conhecimentos teóricos já desenvolvidos a respeito do tema e na literatura especializada, deve ancorar-se em referencial metodológico que permita alcançar os objetivos do estudo. Esse referencial serve de guia e norteia a pesquisa a partir da formulação do problema, passando pelos procedimentos utilizados na investigação, até a explanação dos resultados e conclusões obtidas. A metodologia pode ser compreendida como sendo “a forma de proceder, a maneira de agir. É a técnica ou processo de ensino. A metodologia representa a arte de conduzir uma investigação científica pela busca duma verdade. (SIQUEIRA, 2005, p.13) Nesta seção, desenvolve-se a abordagem do objeto de estudo, possibilitando conhecer a metodologia utilizada na elaboração da pesquisa e buscando respaldo nos fenômenos sociais que envolvem o problema abordado. Compreender e ampliar o conhecimento sobre o assunto propiciou atingir os objetivos e ao final deste estudo, apresentar propostas que devem ser levadas em consideração no planejamento para o emprego da Polícia Militar de Minas Gerais no policiamento ostensivo de trânsito, como forma de garantir a mobilidade urbana em Belo Horizonte, como cidade sede na Copa do Mundo de 2014. 7.1 Problema da pesquisa Tendo-se em vista a manutenção da mobilidade urbana em Belo Horizonte, quais pressupostos básicos devem ser levados em consideração para o planejamento do policiamento ostensivo de trânsito durante a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014? Para responder à pergunta de pesquisa, a bibliografia estudada aborda a teoria do planejamento, o planejamento estratégico, tático e operacional, o Princípio da Eficiência, da Eficácia e da Efetividade, o ciclo PDCA de melhoria contínua e a base conceitual de mobilidade urbana. Assim, neste estudo priorizam-se as pesquisas relacionadas à teoria do planejamento e a base conceitual de mobilidade urbana, por ser uma ferramenta essencial para 92 o planejamento do policiamento de trânsito urbano voltado para a garantia da mobilidade na Copa do Mundo e nos diversos eventos que ocorrerão simultaneamente em Belo Horizonte. 7.2 Hipótese de trabalho O planejamento, na perspectiva desta pesquisa, significa que a Polícia Militar deve antecipar-se às demandas que serão geradas, antevendo os problemas de trânsito, principalmente os relacionados à trafegabilidade e ao controle do fluxo de veículos para que os deslocamentos sejam realizados de forma eficiente e sem surpresas. As intervenções significam as medidas pontuais a serem executadas pelo policiamento ostensivo de trânsito de forma conjugada com outros órgãos, seja no controle do tráfego, na sustentação de sua fluidez, na fiscalização de veículos e condutores, na manutenção de reserva de áreas de estacionamento, na execução de escoltas e outras atividades indispensáveis à segurança no trânsito e nos deslocamentos. Assim, elaborou-se a seguinte hipótese básica orientadora do estudo: o planejamento e as intervenções no trânsito a serem executados pela Polícia Militar serão suficientes para garantir a segura fluidez e a mobilidade urbana durante a realização da Copa do Mundo de Futebol na Cidade de Belo Horizonte em 2014. 7.3 Tipos de pesquisa a) quanto aos objetivos Quanto aos objetivos, trata-se de uma pesquisa exploratória, pois se procurou compreender o fenômeno, ou sobre ele obter novas ideias e percepções, através da observação, na busca de novos enfoques e abordagens, uma vez que não existe indicação sistematizada e clara de bibliografia sobre o objeto de estudo. b) quanto ao modelo conceitual operacional Realizou-se uma pesquisa através do levantamento bibliográfico, à medida que se propõs pesquisar variados posicionamentos de autores de planejamento, planejamento 93 estratégico, sobre a mobilidade urbana e documental ao buscar dados na legislação e cabedal normativo, mormente no âmbito da Polícia Militar e da FIFA. 7.4 Método de abordagem Para a realização deste trabalho utilizaram-se traços do raciocínio do método indutivo, pois, diante da realização de uma pesquisa exploratória embasada na teoria do planejamento, procurou-se obter através da observação, coleta de dados e armazenamento de informações, uma melhor compreensão do objeto de estudo, na busca de emitir um posicionamento mais próximo da realidade e das dificuldades a serem enfrentadas pela Polícia Militar na a execução do policiamento ostensivo de trânsito durante a realização da Copa do Mundo de 2014. 7.5 Método de procedimento A despeito de explicar o objeto de estudo, a pesquisa utilizou-se do método de procedimento comparativo, onde se procurou verificar nas observações levantadas, nas entrevistas e nos dados obtidos nos relatórios pós Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, o que é mais evidente e importante comparar com a realidade enfrentada pela Polícia Militar em Belo Horizonte, no que diz respeito ao policiamento de trânsito e à mobilidade urbana, para servir de modelo para análise e compreensão de situações concretas e existentes e para identificar semelhanças aplicáveis ao presente caso. Trata-se de pesquisa qualitativa, por adotar e explorar a análise de informações obtidas por meio de pesquisa de campo, mediante a aplicação de entrevistas ao público alvo. 7.6 Técnicas A coleta de dados obedeceu às seguintes técnicas: a) Documentação indireta: - pesquisa bibliográfica sobre planejamento estratégico e ciclo PDCA; 94 - pesquisa bibliográfica sobre mobilidade urbana; - pesquisa bibliográfica sobre Copas do Mundo; - pesquisa bibliográfica sobre competências dos órgãos de trânsito; - pesquisa documental sobre a legislação e o cabedal normativo a respeito da metodologia de procedimentos estratégicos. b) Documentação direta intensiva – entrevistas As entrevistas foram realizadas a partir de questões estruturadas, tendo sido extraídos e agrupados os elementos de respostas semelhantes ou que tenham características comuns, com o propósito de enriquecer qualitativamente a pesquisa. Foram realizadas diretamente pelo pesquisador, mediante prévio agendamento no local de trabalho do entrevistado, e precedidas de informação sobre o assunto em pauta, inclusive, com apresentação antecipada das perguntas da entrevista (apêndice 1). Houve a utilização de aparelho de microgravador durante as entrevistas, sendo também realizadas anotações referentes aos dados catalogados e estudados. Foram realizados contatos com as polícias militares dos estados de São Paulo Rio Grande do Sul, e também com a BHTrans, no intuito de se conseguir cópia dos relatórios feitos pelas pessoas que acompanharam Copa do Mundo de 2010, in loco, porém, até o final desta pesquisa, os dados acerca do relatórios solicitados não foram recebidos. Procedeu-se o tratamento dos dados coletados nas entrevistas, através da análise descritiva e comparativa das opiniões das autoridades, com base no referencial teórico utilizado neste trabalho, visando atingir os objetivos propostos, a verificação da hipótese24 de trabalho formulada e identificar caminhos conclusivos. 24 A hipótese formulada foi construída apenas para nortear o trabalho. Como se trata de uma pesquisa exploratória, não há necessidade de ser testada. 95 O universo pesquisado foi delimitado às seguintes autoridades, em função do cargo que ocupam, em virtude da importância de cada uma pelo conhecimento operacional da organização e no contexto estratégico para a preparação e execução do evento, bem como, por terem acompanhado a realização da Copa da África do Sul em 2010, e por serem os responsáveis pelos planejamentos de eventos em suas instituições: a) Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais, Gestor da Assessoria Extraordinária da Copa Mundo de 2014; b) Chefe do Comitê Gestor da Prefeitura de Belo Horizonte para a Copa do mundo de 2014; c) Diretor Presidente da BHTrans; d) Comandante da Unidade de Trânsito da Guarda Municipal de Belo Horizonte; e) Diretor Geral da Agência Metropolitana 2009/2010. Na oitava seção, apresenta-se a análise e interpretação dos dados qualitativos, conforme detalhado, para representar mais uma forma de atingir os objetivos desta pesquisa. 96 8 ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA Os dados colhidos durante a pesquisa foram analisados nesta seção, e se correlacionam com as teorias tratadas na segunda e terceira seção, com a legislação e o cabedal normativo da quarta seção e os dados catalogados nas demais seções, com vistas a atingir os objetivos estabelecidos e colher subsídios para a elucidação do problema apresentado. As considerações pertinentes aos entrevistados e respostas dadas em relação às perguntas formuladas tiveram seus conteúdos analisados e foram transcritas por blocos de assuntos, que correspondem às perguntas elaboradas no roteiro de entrevistas. As autoridades foram selecionadas em razão de serem as responsáveis pelo desenvolvimento dos planejamentos referentes à Copa do Mundo de 2014 em suas instituições, em função do cargo que ocupam, em virtude da importância de cada uma pelo conhecimento operacional da organização e no contexto estratégico para a preparação e execução do evento. 8.1 Respostas dos entrevistados e análise Destacam-se na análise das respostas formuladas pelos entrevistados, os principais pontos que dão ênfase àquelas que respondem aos objetivos da pesquisa. a) Avaliação da preparação da cidade de Belo Horizonte no que diz respeito à infraestrutura e organização do trânsito e do transporte para a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Constata-se, dentre as autoridades pesquisadas, certa sintonia no que diz respeito à preparação da cidade para o evento Copa do Mundo de 2014. A maioria dos entrevistados disse que Belo Horizonte começou cedo o seu planejamento, a sua preparação para a Copa, sempre de forma integrada com os Governos Federal e Estadual e que a capital foi a primeira a conseguir o financiamento do Governo Federal chamado PAC COPA. 97 O Chefe do Comitê Gestor da Prefeitura de Belo Horizonte para a Copa do mundo avalia que a preparação está indo muito bem, no tempo certo; as obras estão de acordo com o cronograma e que a PBH está agora numa segunda etapa para a contratação de uma empresa de consultoria para elaboração do plano de transporte e trânsito para o evento. Em termos de infraestrutura, os entrevistados destacam que os investimentos nas obras de mobilidade urbana objetivam priorizar o transporte coletivo através do BRT, que é o sistema rápido de ônibus em pistas exclusivas, na Avenida Antônio Carlos/Pedro I e na Avenida Cristiano Machado, além de algumas vias da área central que acessam esses dois corredores. Para eles, outras intervenções como as obras do Boulevar Arrudas, as Vias 210 no Barreiro, a Via 710 (anel que sai da Avenida dos Andradas, na Região Leste, passa pelas Avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos, Carlos Luz e Pedro II até cair na Avenida Teresa Cristina, fazendo a ponte Leste-Oeste sem passar pelo Centro) e a construção do Centro de Controle Operacional da BHTRANS, no Bairro Buritis, são muito importantes nessa preparação para o evento. Para o ex-Diretor Geral da Agência Metropolitana, que comandou o órgão em 2009 e 2010, política pública não se organiza em função de evento, Política Pública requer estratégias de longo prazo. Declara ele, que o Brasil e Belo Horizonte não têm tradição em política pública de longo prazo, política de estado, ações continuadas. Acrescenta ele: “[...] tudo isso não deveria estar sendo feito agora, já deveria estar sendo feito há quinze ou vinte anos. Então eu avalio de uma forma que não gostaria de dizer pessimista, mas realista, que é, por mais que se esforcem as instâncias municipal e estadual, a resposta não vai ser boa. Porque política pública não se faz em função de evento, ela se faz ao longo do tempo e se ajusta em função dele. Você acelera, pode até modificar, mas nós não temos uma política de longo prazo para o transporte e para o trânsito na RMBH [...]” Percebe-se, com o posicionamento dos entrevistados, que a cidade está no caminho certo, com as obras de infraestrutura em andamento, o planejamento dos diversos órgãos sendo realizado de forma integrada, que o planejado vem cumprindo o cronograma estabelecido e que tudo está indo muito bem. Entretanto, somente o ex-Diretor Geral da Agência Metropolitana critica o planejamento extemporâneo, a falta de políticas públicas de Estado de longo prazo e que já deveriam vir sendo feitas há 15, 20 anos, em função de 98 eventos dessa envergadura. Segundo ele, em uma avaliação realista, os resultados não serão bons em função da intempestividade das estratégias para a preparação da cidade. Neste enfoque, Chiavenato (2001, p. 221) destaca que o planejamento é a função administrativa que determina antecipadamente quais são os objetivos que devem ser atingidos e como se deve fazer para alcançá-los, pois se trata de um modelo teórico para ação futura. Assim, o planejamento significa definir os objetivos e escolher antecipadamente o melhor curso de ação para alcançá-los com o mínimo de esforço e custo. Continua o autor: “o planejamento define aonde se pretende chegar, o que deve ser feito para tanto, quando, como e em qual sequência”. Corroborando com essa afirmativa, Tavares (2000, p. 41) enfatiza que “a improvisação não pode ser um recurso mais potente do que o planejamento, pois planejar é o conjunto previamente ordenado de ações com o fim de se alcançarem posições futuras desejadas.” b) Planejamento estratégico desenvolvido pelos órgãos, informações suficientes e disponíveis sobre a Copa de 2010 e principais desafios a serem enfrentados relacionados ao trânsito e à mobilidade urbana. A Polícia Militar de Minas Gerais, a Agência Metropolitana e a Guarda Municipal de Belo Horizonte não enviaram representante à África do Sul em 2010, para acompanhar o evento, levantar as boas práticas e os problemas enfrentados, a fim de aproveitar-se dessas experiências para aprimorar o planejamento e evitar que as falhas ocorridas naquele país não se repitam aqui. As três organizações vêm obtendo informações sobre o evento através de relatórios, participação em seminários e reuniões de trabalho sobre a preparação e o planejamento de cada órgão para a Copa do Mundo. Por sua vez, a Prefeitura de Belo Horizonte se fez representar na Copa de 2010 na África do Sul, através de uma comitiva integrada pelo Chefe do Comitê Executivo Gestor para a Copa do Mundo do Município, o Gerente de Coordenação Operacional da BHTrans, dentre outros funcionários do órgão. 99 Destacam-se nas entrevistas, como pontos fortes ou positivos do evento ocorrido naquele país, o envolvimento da população e o investimento no BRT e o Gautrain que ligava o aeroporto à cidade de Johanesburgo. Entretanto, como pontos fracos ou negativos foram citados pelos entrevistados a falta de informações por quem deveria tê-las e pela população, a falta de faixas de trânsito exclusivas para os ônibus, a inexistência de um transporte coletivo regular, os enormes congestionamentos, a utilização de vans como táxi e que somente rodavam no horário de pico e a dificuldade de se chegar aos estádios e, após, retornar para os hotéis ou locais onde eram realizados os Fan Fest. Todos os representantes dos órgãos pesquisados disseram ter planejamento em desenvolvimento para a preparação e execução das atividades quando da realização do evento em Belo Horizonte. Cada um deles designou um responsável, que é o representante da instituição para tratar do assunto Copa do Mundo e que é também o coordenador da pasta. O representante da PMMG, Coronel Chefe da Assessoria para a Copa, citou como principais desafios a elaboração do Plano de Mobilidade e Trânsito e a integração desse plano com o Plano de Segurança, a definição dos recursos humanos (recomposição de efetivo) e a logística necessária, o Plano de Policiamento Rodoviário Estadual integrado com o Federal, em face das rodovias que passam pela cidade, a demora na definição dos hotéis a serem utilizados pelas autoridades e delegações e os centros de treinamentos a serem utilizados pelas seleções. Para o Chefe do Comitê Gestor da PBH, para o Diretor Presidente da BHTrans e para o Comandante da Unidade de Trânsito da GMBH, os principais desafios serão a conclusão das obras antes do início do evento, o que certamente vai ocorrer, segundo eles, a gestão da operação do trânsito, a questão do respeito no trânsito e as regras de circulação, a conscientização da população com relação ao cumprimento das normas de trânsito e a utilização do transporte coletivo pelas pessoas em detrimento da utilização do automóvel. Todos os entrevistados declararam existir projetos de treinamentos alinhados entre os diversos órgãos e nas áreas necessárias para em que as pessoas vão trabalhar no evento. Segundo eles, foi feito um levantamento de todos os cursos disponíveis nas três esferas de governo (Federal, Estadual e Municipal), CDL, SENAI e SENAC, como forma de aproveitá-los, bem como, existe linha de crédito para a contratação de escolas de língua 100 estrangeira, dentre outros essenciais para que todo o efetivo envolvido no evento seja treinado, aprimorado e esteja apto a exercer suas atividades com eficiência e profissionalismo. O treinamento e a realização dos cursos obedecerão a cronogramas previamente definidos, de forma que quem seja treinado esteja em pleno exercício de suas funções e nos locais adequados quando da realização do evento em Minas Gerais. A BHTrans abriu licitação para contratar uma consultoria ,exigindo experiência internacional em eventos assemelhados à Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Essa consultoria vai trabalhar a partir do começo do ano de 2012 até o pós-Copa, no planejamento estratégico e no operacional, e no acompanhamento da execução das atividade a serem desempenhadas durante a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. A empresa a ser contratada também será a responsável por treinar e preparar os seus agentes e os funcionários da empresa que estarão empenhados no evento. Constata-se, nas entrevistas, que todas as organizações estão seus planejamentos estratégicos em pleno desenvolvimento e bem adiantado, direcionado para a preparação de seus efetivos visando a atuação conjunta e integrada de atividades de campo a serem executadas pelos órgãos de trânsito. Nas entrevistas, constatou-se haver um trabalho voltado para a captação da informação, sendo que as instituições que enviaram representantes para acompanharem a Copa da África do Sul em 2010 detêm informações substanciais e facilitadoras para seus planejamentos, ao passo que as demais estão se valendo de relatórios, dados transmitidos em seminários e divulgados pela imprensa como forma de obter informações para subsidiar seus planejamentos. Logo, o acompanhamento in loco oferece ao planejador dados e informações essenciais e suficientes para realizar o planejamento o mais próximo possível da realidade, com emprego de estratégias adequadas e o aproveitamento das experiências vivenciadas nos eventos similares, o que concorre para reduzir falhas e obter resultados satisfatórios. Em se tratando das esferas de governo, o Governador de Minas Gerais e o Prefeito de Belo Horizonte apresentaram, no mês de abril de 2010, o planejamento estratégico integrado para Copa do Mundo de 2014, confeccionado pelos Governos estadual e municipal. 101 Segundo o Governador de Minas Gerais, o planejamento eficiente é o único caminho que irá garantir o sucesso de Belo Horizonte como cidade sede da Copa do Mundo. Destacou o governador: Realizar a Copa do Mundo de 2014 e no ano anterior a Copa das Confederações, em Belo Horizonte, também utilizando a estrutura do Estado nas subsedes do interior, é um grande desafio e esse desafio tem que ser preparado através do primeiro passo fundamental que é o planejamento. Sem planejamento não vamos a lugar algum (PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO, 2010). Percebe-se, portanto, a importância dada pelos governantes ao planejamento estratégico integrado e voltado para a preparação e realização da Copa do Mundo de 2014, o que servirá de instrumento de gestão tanto para o Governo estadual quanto para o municipal. Segundo o Prefeito de Belo Horizonte, a mobilidade urbana também é um ponto estratégico do Planejamento Integrado. O caso da mobilidade é o que vai ficar de mais perene para a população. É a melhoria da velocidade média, principalmente no transporte coletivo em alguns dos eixos mais importantes da cidade (PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO, 2010). Verifica-se, assim, um alinhamento entre as esferas de governo através de um planejamento conjunto, demonstrando a necessidade de que a sua implementação seja realizada de forma integrada pelos diversos órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, o que será fundamental para o sucesso do evento. Oliveira (2007, p. 4), por sua vez, conceitua planejamento como sendo um processo desenvolvido para o alcance de uma situação futura desejada, de um modo mais eficiente, eficaz e efetivo, com a melhor concentração de esforços e recursos pela empresa. Nesse caso, tornam-se necessários o envolvimento de pessoas, a alocação de recursos e procedimentos de coordenação, controle e avaliação para estimar a efetividade das ações em relação ao que foi estabelecido (TAVARES, 2000, p. 146). 102 Merece destaque a definição consignada pelo professor Francisco de Souza Brasil: “Planejamento é a seleção dos meios mais eficazes – estratégia – para obtenção dos fins – política – programados.” Portanto, Estratégia é definida por Oliveira (2007, p. 177 e 181) como se segue: Estratégia é definida como um caminho, ou maneira, ou ação formulada e adequada para alcançar, preferencialmente de maneira diferenciada, as metas, os desafios e os objetivos estabelecidos, no melhor posicionamento da empresa perante seu ambiente. A finalidade das estratégias é estabelecer quais serão os caminhos, os cursos, os programas de ação que devem ser seguidos para serem alcançados os objetivos, metas e desafios estabelecidos. Desta forma, ressalta-se que planejar é pensar antecipadamente em objetivos e ações, devendo os atos administrativos serem baseados em algum método, plano ou lógica, e não em palpites. Enfim, segundo Pereira (2009, p. 39), a resultante do planejamento estratégico é apenas um conjunto de planos e intenções. O planejamento estratégico isoladamente não produz ações nem mudanças, pois para procedê-las necessita-se de aptidões adequadas, necessitando de administradores treinados e motivados, além de dados estratégicos com sistemas e estruturas fluidas que proporcionem tendência a serem compreensivos. c) Situação atual do transporte e do trânsito em Belo Horizonte, integração do transporte coletivo da capital com o metropolitano e a definição dos locais de comemoração durante a Copa. Todos os entrevistados disseram que a situação atual do transporte coletivo na capital está no limite, e que o ideal seria o metrô, que não ficará pronto para a Copa. Entretanto, o BRT foi o sistema de alta capacidade escolhido e que está em fase de implantação. O seu deslocamento é realizado por faixas exclusivas, o que aumenta sua velocidade média e o número de passageiros transportados, favorecendo a redução nas vias do número de ônibus regulares com destino ao centro da cidade, reduzindo os congestionamentos e que, para isso, a integração metropolitana é uma necessidade. O Diretor Presidente da BHTrans acrescentou que a Presidente da República esteve em Belo Horizonte para anunciar 103 o investimento no metrô. Ela anunciou também uma linha de crédito para o Governo do Estado, para financiar a construção das estações de integração do transporte metropolitano no colar de municípios em torno da capital, desde Ibirité, Contagem, Ribeirão das Neves, Vespasiano, Santa Luzia e Sabará. Assim, teremos um conjunto de terminais de integração. As pessoas irão de suas cidades até esses terminais, e nos terminais elas farão um translado para as linhas troncais, que vão circular no sistema BRT. O Ex-Diretor Geral da Agência Metropolitana declarou que “os modos de transporte existentes mais a implantação do BRT não serão suficientes para atender à demanda por deslocamentos que será gerada com a Copa do Mundo, e que estamos mergulhados em uma tragédia metropolitana, que é a falta de transporte sobre trilhos. Acrescenta ele que o metrô que vem aí não é metropolitano, ele é um problema da cidade, Savassi, Pampulha, Barreiro, Calafate, uma questão local e que nós ainda não encaramos o problema dos grandes deslocamentos de massas metropolitanas do eixo Betim ao eixo Norte, destacando que temos agora um problema de mobilidade com a Cidade Administrativa e Confins.” Observou ele que “não existe metrópole com o modal único de transporte coletivo que é o ônibus, e que o BRT tem prazo de validade e por esse motivo vamos continuar enfrentando a tragédia por falta de transporte.” Em relação à integração metropolitana, foi dito por ele que “estamos no limite, que não temos como conviver com o atraso na integração tarifária, a integração ônibus metrô”, e finaliza comentando que “o transporte público, na percepção da população, já ganhou ao lado da saúde e da segurança o primeiro lugar de angústia, de insatisfação de quem mora na região metropolitana.” Sobre os locais de comemoração dos torcedores, o Fan Fest (evento público oficial da FIFA com transmissão dos jogos) e o PVE (Public Viewing Events - evento público não oficial com transmissão dos jogos), foram feitas as seguintes considerações: O representante da PMMG vê como inadequada a realização de 02 Fan Fest e 01 PVE por regional da prefeitura. Argumenta ele: “[...] com relação às PVE, eu não tenho ainda uma dimensão do que seria possível para nós, Polícia Militar. Isso tem me preocupado muito. A ideia da Prefeitura de colocar um em cada regional é totalmente absurda, ineficaz e não vai trazer segurança para nós, vai gerar desgaste muito grande. O Fan Fest funciona direto durante a Copa, mas o PVE 104 funciona só nos dias de jogos da seleção, e dia de jogos nós vamos estar dando atenção para os jogos também. Aí nós teremos os jogos mais o Fan Fest, e aí nós temos que manter um esquema de segurança, de deslocamento, de escolta que é muito gigantesco para atender a toda a demanda. Isso preocupa muito a assessoria. Não há uma definição atual, e a tese hoje que a gente está defendendo é que é inviável ter nove pontos, só que nós não temos ainda mapeado quantos seriam possíveis a gente trabalhar, quanto seria aceitável [...]” Já o Gestor da Prefeitura de Belo Horizonte para a Copa trouxe uma notícia tranqüilizadora, posterior a entrevista realizada com o Assessor da PMMG, ao dizer que será realizada apenas um Fan Fest, apesar do local ainda não ter sido definido, se na Praça da Estação ou no Expominas. Em relação às PVE, ele diz: “[...] a ideia não é que seja uma por regional. O que a gente quer é ter pelo menos uma que pegue a região Norte e Nordeste da cidade, em Venda Nova, uma na Centro Sul e uma no Barreiro, uma coisa assim. Também eu acho que agente consegue, facilita o trabalho da segurança e do transito [...] então a ideia é essa, um Fan Fest e três PVE. Nós temos que lembrar que, independente desses eventos, as pessoas da cidade, os bares e os restaurantes funcionam, e nós não podemos proibir ninguém de fazer festa, e ainda tem essa demanda que a segurança e o trânsito têm que atender [...]” Enfatizando esses aspectos, o planejamento estratégico consiste em um instrumento altamente valioso para a Organização, pois direciona o caminho a ser seguido e estabelece o ponto aonde se quer chegar ao horizonte de tempo previamente estipulado. A utilização da ferramenta de gestão planejamento estratégico promoverá, segundo Fernandes (2002, apud Pereira, 2009, p. 52): d) e) f) g) Redução das incertezas; Resposta às mudanças do ambiente; Minimização do impacto das turbulências; Melhoramento do conhecimento das condições e recursos da Organização; e) Facilitação da integração das equipes de trabalho; f) Melhoramento da aplicação dos recursos; g) Promoção de uma melhor coordenação dos esforços; h) Difusão e garantia do cumprimento das Políticas e Filosofias; i) Estabelecimento de direcionamento; j) Fortalecimento da competência gerencial; k) Aumento da eficiência; l) Melhoramento do desempenho organizacional 105 m) Melhoramento das relações interinstitucionais. Nesse enfoque, a Diretriz nº 3.02.01/2009-CG, que regula procedimentos e orientações para execução com qualidade das operações na PMMG, define a eficiência, eficácia e efetividade da seguinte forma: Eficiência – A eficiência diz respeito a como fazer e está relacionada às ações a serem realizadas. Está relacionada ao uso racional dos recursos para se atingir os resultados. Eficácia – A eficácia mede a relação entre os resultados obtidos e os objetivos pretendidos. É a realização daquilo que foi proposto, estabelecido como meta. Efetividade – [...] No caso da Polícia Militar, é a percepção da sociedade sobre a atividade policial e está relacionada ao atendimento feito pelo policial às pessoas, ou seja, a atenção dada ao cidadão, nas diversas intervenções preventivas e repressivas desencadeadas. (MINAS GERAIS, 2009, p.9) Desta forma, vê-se que o administrador público deve valer-se desses princípios e aprimorar osconhecimentos, colocando-os em prática em benefício da comunidade, para a melhoria da qualidade de vida e do serviço prestado. d) Aumento de efetivo através de concurso público, contratação e/ou reconvocação de pessoal, para fazer face à demanda por segurança no trânsito, controle e fiscalização, que será gerada com a realização da Copa do Mundo de 2014 em Belo Horizonte. Em se tratando de recomposição de efetivo (aumento e/ou reconvocação), foi dito pelo representante da PMMG que a inclusão na Corporação está suspensa pelo Estado para o ano de 2011, e ainda não existe uma definição de quando ela será reaberta. Existe um estudo no Estado-Maior da Polícia Militar sobre a saída para a reserva dos militares até 2014 e o impacto institucional que será gerado, principalmente na RMBH. Somente a partir desse levantamento é que será estabelecida qual linha de ação a seguir, se inclusão ou até mesmo reconvocação, se for o caso, e que nenhuma dessas hipóteses está descartada. Já o Presidente da BHTrans disse que devido à situação jurídica da Empresa, pelo fato de ter sido proibida de autuar por uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, não 106 vai haver aumento de efetivo para a Copa. A estratégia da Prefeitura será de aumentar o efetivo da Guarda Municipal dedicado ao trânsito, o que foi confirmado pelo Comandante da Guarda durante a sua entrevista, acrescentando que está previsto um aumento de mais 150 homens até 2013. Neste contexto, dentre as diversas atribuições, potencialidades e contribuições que Organização e Método (O&M) e Qualidade Total (QT) podem oferecer às organizações, Colenghi (1997, p. 3 e 4), destaca, que a O&M/Q, é: é sinônimo de racionalização administrativa e operacional; faz da criatividade a mola propulsora para o desenvolvimento de suas atividade; está, permanentemente, envolvida nos processos de melhoria contínua; é a luta contra o desperdício; analisa os processos, visando simplificar os fluxos, os procedimentos e todos os documentos envolvidos; desenvolve suas atividades visando aumentar os níveis de produtividade da empresa; prega continuamente a mudança de paradigmas, tanto em nível pessoal quanto empresarial; é uma das ferramentas de trabalho mais eficazes para tornar as empresas mais competitivas; procura identificar as causas dos problemas organizacionais, analisando-os e propondo-lhes soluções; [...] treinar os usuários, apresentando-lhes novas tecnologias; participar na elaboração do planejamento estratégico da empresa; é modernidade organizacional e sistêmica. Para o autor, o agente multiplicador da qualidade deve transmitir aos funcionários o quanto é importante buscar a excelência dos produtos, dos serviços e do atendimento que deve ser dispensado aos clientes internos e externos, como condição de sobrevivência da empresa. 107 9 CONCLUSÃO Para a compreensão do objeto de estudo desta pesquisa, procurou-se, inicialmente, conhecer os conceitos de trânsito, mobilidade urbana, planejamento e estratégia, para compreender a dimensão que esses termos têm no cotidiano, como pressuposto necessário ao entendimento do processo que desencadeia. A fundamentação teórica proposta para a pesquisa permitiu mostrar que a Polícia Militar de Minas Gerais, órgão do Estado, detentora da missão constitucional de preservação da ordem pública, através da execução do policiamento ostensivo, faz dispor em seu planejamento para a Copa do Mundo de 2014 várias ações destinadas ao atendimento do trânsito e da mobilidade urbana, e notadamente em relação ao Princípio Constitucional da Eficiência da Administração Pública, contido no art. 37, caput da Constituição Federal. O planejamento, na perspectiva desta pesquisa, significa que a Polícia Militar deve antecipar-se às demandas que serão geradas, antevendo os problemas de trânsito, principalmente os relacionados à trafegabilidade e ao controle do fluxo de veículos para que os deslocamentos sejam realizados de forma eficiente e sem surpresas. As ações e operações a serem planejadas correspondem às medidas pontuais a serem executadas pelo policiamento ostensivo de trânsito, de forma conjugada com outros órgãos, seja no controle do tráfego, na sustentação de sua fluidez, na fiscalização de veículos e condutores, na manutenção de reserva de áreas de estacionamento, na execução de escoltas e outras atividades indispensáveis à segurança no trânsito e nos deslocamentos das pessoas, com utilização dos diversos modos de transporte. É inquestionável que as intervenções da Engenharia de Tráfego serão imprescindíveis para nortear todo o planejamento da segurança e mobilidade por ocasião dos eventos da Copa do Mundo de 2014. Neste contexto, para garantir o bem-estar social e o atendimento das necessidades do cidadão de maneira efetiva, os órgãos responsáveis pela gestão do trânsito urbano devem desenvolver ações de polícia preventiva, repressiva e de polícia administrativa (fiscalização), em todas as suas variáveis. 108 Quanto à caracterização do objeto de estudo, na seção 2, os dados levantados ofereceram a possibilidade de, através das teorias contemporâneas, abordar a questão do planejamento estratégico e da qualidade total, como mais uma ferramenta de gestão, destinada a evitar improvisações durante a realização do evento e buscando identificar a estrutura fundamental para a obtenção de respostas à pergunta procedida e o alcance dos objetivos propostos. Nas seções 3 e 4, procurou-se destacar o conceito de mobilidade urbana e a competência dos órgãos de trânsito, respectivamente, como forma de oferecer subsídios para um melhor entendimento da pesquisa. Nas seções 5 e 6, foram abordadas questões relacionadas à história do futebol e buscou-se levantar dados referentes às Copas de 2006 e 2010, principalmente nos aspectos relacionados às boas práticas em termos de segurança e mobilidade no trânsito, bem como aos demais problemas enfrentados pelos países organizadores da competição. A metodologia foi tratada na seção 7. Na seção 8, encontram-se as análises dos resultados da pesquisa. Através dos dados levantados nas entrevistas, ficou evidenciada a preocupação e a existência de planejamentos que estão em fase avançada de desenvolvimento pelos diversos órgãos envolvidos, mormente o da Polícia Militar, que, inclusive, designou gerentes para cada área. Obteve-se, dessa forma, a confirmação de vários planejamentos que vêm sendo realizados de maneira integrada e com compartilhamento de informações entre as instituições, inclusive com a realização de vários seminários e reuniões de nivelamento, para a otimização de esforços e para se evitar retrabalho. Em se tratando dos dados levantados na seção 6, sobre as Copas de 2006 e 2010, evidenciaram-se os sérios problemas que a África do Sul enfrentou com o deslocamento das pessoas, seja através do uso de veículos ou do transporte público, devido à inexistência desse serviço até o início do evento, bem como a falta de informação das pessoas, o que gerou 109 atrasos e enormes congestionamentos. A Copa da Alemanha, entretanto, foi um sucesso, pelo fato de, à época, já ter um sistema de transporte público com os vários modais bem estruturados e eficientes. Em se tratando da análise das entrevistas, as respostas demonstraram a necessidade de aumento de efetivo das unidades para fazer face ao evento, em Belo Horizonte e RMBH, principalmente para as atividades de trânsito, sendo que foi aferido que ainda não existe previsão de inclusão ou reconvocação de pessoal na PMMG e nem na BHTrans, estando apenas a GMBH contando com um aumento do efetivo da ordem de 150 guardas. Já em relação ao sistema de transporte, somente estará disponível o BRT nas Avenidas Antônio Carlos/Pedro I e Cristiano Machado. O BRT das Avenidas Pedro II e Avenida Presidente Carlos Luz foi desprezado e o metrô não ficará pronto para o evento. Portanto, o sistema está todo voltado para a região Centro e Norte, ficando as demais regiões desassistidas. Evidencia-se, assim, a falta de política pública de longo prazo destinada ao transporte coletivo de grande capacidade, o que certamente reduziria o uso de automóveis, os congestionamentos e impactaria menos na necessidade de intervenções por agentes de trânsito. No trabalho que vem sendo desenvolvido pela Assessoria Extraordinária para a Copa de 2014 na PMMG, foram levantados pelo gerente do projeto todos os postos nas vias que necessitarão de policiamento de trânsito. Desse diagnóstico, chegou-se à conclusão da necessidade de se ter um efetivo extra de 1049 policiais militares para atuar no trânsito na capital, dos quais, 112 seriam destinados ao policiamento rodoviário, ficando o BPTran com seu efetivo existente responsável pelas atividades rotineiras da unidade, devendo todos os envolvidos serem muito bem treinados e capacitados. Outro fato a considerar é que a cidade continua funcionando durante a realização do evento, principalmente os setores do comércio e serviços, o que demanda a manutenção dos serviços de segurança e de trânsito já existentes. Evidenciou-se, no estudo, que as pessoas vêm ao país não somente para participar do evento copa do mundo, mas também para fazerem negócios e turismo, sendo 110 fundamental o devido planejamento de segurança nas rodovias sob responsabilidade da PMMG e que dão acesso às cidades históricas do Estado e outros pontos turísticos. Notadamente, foi destacado por todos os entrevistados como sendo o trânsito o principal desafio a ser superado, pois, certamente, o sucesso do evento passa pela fluidez e esbarra na necessidade de um transporte público eficiente em todos os modos, funcionando integradamente em toda a RMBH e voltado para a mobilidade urbana. É incontestável a necessidade de que todos os órgãos envolvidos atuem de forma integrada, principalmente as três instituições (PMMG/BPTran, BHTrans e GMBH) responsáveis pela organização, controle e a fiscalização do trânsito em Belo Horizonte. Na análise dos resultados da pesquisa, constatou-se que haverá apenas um local para o Fan Fest (evento público oficial da FIFA com transmissão ao vivo dos jogos) e três Public Viewing Events (evento público não oficial com transmissão dos jogos), e que os locais ainda não foram definidos pelos organizadores e PBH. A pesquisa demonstrou que, para se obter resultados previsíveis, com base em análise de cenários, deve-se desenvolver um processo de planejamento embasado em informações detalhadas e fidedignas, para não ser surpreendido por incertezas. Dessa forma, conclui-se que os objetivos específicos desta pesquisa foram atingidos. O primeiro buscou conhecer os princípios básicos da mobilidade urbana e seu relacionamento com o policiamento ostensivo de trânsito, bem como as normas chanceladas pela FIFA que tratam da realização da Copa do Mundo de Futebol. O segundo teve por escopo levantar informações sobre as Copas do Mundo de Futebol realizadas na Alemanha em 2006 e na África do Sul em 2010, principalmente as questões relacionadas ao trânsito e à mobilidade e que podem vir a ocorrer em Belo Horizonte durante a realização deste evento em 2014. Já o terceiro procurou verificar a viabilidade de atuação integrada entre os diversos órgãos responsáveis pelo trânsito de Belo Horizonte. Nesse sentido, os aspectos relativos ao primeiro objetivo específico foram estudados detalhadamente nas seções 3 e 5, e confirmados nas respostas fornecidas pelas autoridades durante as entrevistas. Desse modo, este objetivo foi atingido. 111 Apesar de ter sido solicitado cópia dos relatórios feitos pelas comitivas da Polícia Militar do Rio Grande do Sul, da Polícia Militar do Estado de São Paulo e à BHTrans, que estiveram na África do Sul acompanhando o evento, até a conclusão deste trabalho esses não foram enviados, sob a alegação de que não existem. Mesmo assim, o segundo objetivo específico foi atingido, por meio de entrevistas às autoridades que viajaram à África do Sul para acompanhar e observar o desenvolvimento dos jogos e eventos da FIFA por ocasião da Copa do Mundo de 2010, pela visita técnica realizada pelos alunos do Curso de Especialização em Gestão Estratégica de Segurança Pública a cinco países da Europa, da qual obteve-se a oportunidade de visitar, inclusive, a Alemanha, que foi sede da Copa de 2006, onde foram obtidas informações importantes sobre o evento realizado naquele país e por pesquisas realizadas sobre os eventos. Com enfoque nas seções 2 e 4 e nas entrevistas, o terceiro objetivo específico também foi atingido, considerando, sobretudo, que o BPTran e a BHTrans desenvolvem suas atividades integradamente, com base em um planejamento estratégico comum aos dois órgãos e por já terem atuado em eventos internacionais de grande porte, ocorridos em Belo Horizonte, quando da realização do Encontro das Américas, em 1997, e Encontro do Mercosul, em 2004, obtendo resultados satisfatórios. Portanto, à integração de ações e o planejamento conjunto aflorou como uma metodologia adequada e imprescindível a otimização de esforços para o atingimento dos objetivos operacionais.. Quanto ao objetivo geral, de identificar os elementos que permitam compreender os desafios para o emprego do policiamento ostensivo de trânsito na Copa do Mundo de 2014, com foco na mobilidade urbana, as seções 2, 3, 4, 5, 6 comprovam que ele foi alcançado, pois a pesquisa mostrou o estágio atual dos planejamentos, com as análises pertinentes, considerando-se a teoria de gestão estratégica e os dados apresentados pelos entrevistados de cada Instituição. Esses dados permitiram confirmar a hipótese formulada, orientadora do estudo, qual seja: o planejamento e as intervenções no trânsito a serem executados pela Polícia Militar serão suficientes para garantir a segura fluidez e a mobilidade urbana durante a realização da Copa do Mundo de Futebol na Cidade de Belo Horizonte em 2014. Nesse sentido, ficou evidenciado o estágio avançado em que se encontram os planejamentos e o comprometimento dos gestores na preparação das respectivas Organizações responsáveis pelo trânsito e 112 transporte, para fazer frente ao evento, demonstrando, assim, a plena capacidade da Polícia Militar em atender à demanda que será gerada relacionada à organização, fiscalização e controle do trânsito, através de contratação, reconvocação ou remanejamento de efetivo entre as diversas Regiões de Polícia Militar, tendo como premissas a fluidez e a integração de ações, o que, certamente, será um facilitador para a mobilidade urbana e o sucesso das operações. Diante do contexto apresentado, algumas considerações finais merecem destaque, no sentido de que podem ser úteis ao processo de planejamento, em se tratando de estratégias e ações a serem observadas pelo gestor, no que diz respeito ao trânsito e à mobilidade para a Copa de 2013 e Copa de 2014, quais sejam: a) Considerar o transporte público coletivo e os não motorizados como modos prioritários na definição da restrição de acesso aos locais de eventos; b) Garantir o deslocamento das pessoas com o uso do transporte público coletivo, considerando sua priorização na circulação viária; c) Priorizar as operações de trânsito de forma a possibilitar a fluidez no sistema viário dos veículos credenciados, com atenção especial aos veículos oficiais, viaturas policiais, veículos credenciados da Família FIFA, delegações, árbitros, imprensa, Chefes de Estado, e outras autoridades que fazem jus a tratamento diferenciado; d) Primar pela antecipação e qualidade das operações, utilizando-se do Princípio da Universalidade e, sobretudo, conhecimento da missão e clareza das informações; e) Estabelecer um comando integrado, para a efetiva coordenação das ações, proporcionando às autoridades superiores as devidas informações tempestivamente, para a tomada de decisões, utilizando-se, para tanto, dos meios disponíveis como o Centro de Controle Operacional – CCO e as equipes operacionais. 113 9.1 Sugestões Tendo-se em vista os resultados do estudo empreendido e como forma de contribuir com os trabalhos em andamento na PMMG, sugere-se o seguinte: a) Seja realizado um estudo em nível estratégico com vistas a analisar a real necessidade de aumento do efetivo do BPTran, para que a Unidade esteja em condições de fazer face a demanda a ser gerada antes, durante e após a realização dos eventos relacionada às Copas de 2013 e 2014; b) Sejam capacitados, em língua estrangeira, profissionais do BPTran, principalmente inglês e espanhol, considerando que a demanda por informações será muito intensa e pelo fato de o PM do trânsito ser muito ostensivo e muito acionado para este fim; c) Toda a tropa dos Batalhões de Polícia Militar da RMBH receba um treinamento específico sobre as atividades desenvolvidas pelo Policiamento Ostensivo de Trânsito, para que os policiais militares empregados no Policiamento Ostensivo Geral estejam em condições de tomar providências e executar missões relacionadas ao controle e fiscalização do trânsito, caso necessário; d) Seja instituída uma companhia de escolta, com treinamento especializado de forma a proporcionar a essa equipe habilitação e capacitação para realizar escolta de autoridades e agremiações ,dentro das normas em vigor e com a devida segurança; e) Seja criado, mesmo que virtualmente, mais um BPTran; com tropa especializada, com o efetivo conforme proposto pelo Gerente de Trânsito da Comissão da Assessoria Extraordinária da Copa do Mundo da PMMG, para atuação na capital, de forma setorizada nos locais de maior demanda para esta atividade; 114 f) Adoção de planos operacionais de trânsito que garantam a mobilidade nos locais de evento e de todos os seus acessos, nas situações previsíveis de jogos e comemorações, preservando-se a acessibilidade aos eventos, proporcionando fluidez e segurança aos usuários das vias; g) Adoção de Plano Operacional de Contingência de trânsito; h) Adoção de Plano de Comunicação para as ações operacionais de trânsito; i) Definição das responsabilidades efetivas dos órgãos responsáveis pela operação e fiscalização dos sistemas de transportes e trânsito; j) Controle, de forma centralizada, das ações de campo, conjuntamente com representantes de todos os órgãos de operação, fiscalização, segurança pública, bombeiros, defesa civil, saúde, energia elétrica, abastecimento de água, dentre outros; k) Proposição de medidas, se possível, previstas em lei, que promovam a redução da demanda do transporte público e privado nos dias de jogos, como: mudança da data de férias escolares, alteração da jornada de trabalho, ponto facultativo, escalonamento de horário de trabalho dos servidores públicos, realização de número reduzido de PVE nas regiões com grande concentração populacional que sejam atendidas por adequada oferta de transporte público coletivo; l) Planejamento específico com estabelecimento de critérios para as ações contingenciais nas rotas de acesso aos seguintes locais: - aeroportos: Internacional Presidente Tancredo Neves – Confins, (Av. Cristiano Machado, Av. Antônio Carlos/Av. Pedro I, MG 010) e Regional Carlos Drummond de Andrade – Pampulha (Av. Antônio Carlos/Av. Pedro I, Rua Professor Magalhães Penido, Rua Líder, Av. Santa Rosa e Praça Bagatelli); 115 - Estádio Governador Magalhães Pinto – Mineirão (Av. Antônio Carlos/Av. Pedro I, Av. Pedro II/ Av. Pres. Carlos Luz); - área destinada a Fan Fest e as PVE: (Sistema viário da área de influência do local escolhido); - maiores hotéis de Belo Horizonte (Sistema viário da área de influência de cada um deles); - terminal rodoviário de passageiros: Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro – TERGIP (área do hipercentro) e Terminal Turístico JK (área da Praça Raul Soares); - centros de treinamentos: locais potenciais (Toca da Raposa II (Av. Pedro II/Av. Abílio Machado/Av. Heráclito Mourão), Cidade do Galo (Av. Antônio Carlos/ Av. Pedro I/ MG010), Centro de Treinamento Lanna Drumond – América Mineiro (Av. Pres. Carlos Luz/ Rua Conceição do Mato Dentro)); - centros oficiais de treinamentos: locais potenciais (Estádio Independência (Av. dos Andradas/Av. Silviano Brandão/Rua Pitangui), PUC Minas Unidade Coração Eucarístico (Av. Tereza Cristina), Toca da Raposa I (Av. Pres. Carlos Luz/Av. Alfredo Camarate/Av. Otacílio Negrão de Lima), Estádio Baleião (Av. dos Andradas/ Av. Afonso Guimarães/ Rua Florina) e Campo da UNI BH. (Av. Barão Homem de Melo/ Av. Mário Werneck)); - locais de realização de eventos: locais potenciais: Cidade Administrativa, Palácio das Mangabeiras, Palácio da Liberdade, Expominas, Palácio das Artes, Pic Pampulha, Buffet Catharina, Minascentro, Praça da Estação e Praça JK; m) Levantamento de rotas e estabelecimento de planos de deslocamentos com itinerários alternativos para eventualidades durante a realização das escoltas de autoridades e agremiações (seleções); 116 Finalizando, para o sucesso das operações de trânsito, é fundamental que as equipes operacionais das três unidades (BPTran, BHTrans e GMBH) atuem em conjunto, através de comando e ações integradas, tendo como principal objetivo garantir as condições para que o transporte e o trânsito da cidade e nas principais vias de acesso a capital funcionem satisfatoriamente. Desse modo, possibilita-se que os deslocamentos dos participantes do evento, dos turistas e dos habitantes da cidade sejam realizados com segurança e fluidez. A estrutura programada para o apoio à realização do evento deve atuar de forma regionalizada, com comando integrado, buscando a efetividade das ações operacionais. Enfim, sem a pretensão de esgotar o tema, espera-se que este estudo tenha contribuído para auxiliar no desenvolvimento de ações e estratégias que venham facilitar os preparativos e suprir as necessidades de informações sobre a Copa do Mundo a ser realizada em 2014 no Brasil, e em especial em Belo Horizonte, como cidade sede de vários eventos. 117 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO VIVA O CENTRO. Mobilidade urbana, ano XII. no 47. jul.ago.set. 2008, São Paulo. Disponível em <http://www.vivaocentro.org.br/publicacoes/urbs/urbs>. Acesso em: 30 maio 2011. BADDINI, Cristina. De olho no trânsito. Diário do Grande ABC, 14 abr 2011. Disponível em: <http://olhonotransito.blogspot.com/2011/04/o-que-e-mobilidade-urbana.html> Acesso em: 4 ago. 2011. BAPTISTA, Maria Elisa, et. al. Urbanização brasileira redescobertas. 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Sª avalia a preparação da cidade no que diz respeito à infraestrutura e à organização do trânsito e do transporte para a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014? 2ª Pergunta Considerando que a Polícia Militar não enviou representantes à África do Sul para acompanhar a realização da Copa do Mundo de 2010, a instituição tem informações suficientes sobre o que deu certo e as falhas ocorridas para subsidiar os planejamentos para o emprego da tropa, principalmente os relacionados ao trânsito? 3ª Pergunta Em se tratando do planejamento para a Copa do Mundo de 2014 que vem sendo desenvolvido na Polícia Militar sob a coordenação de V.Sa, quais os principais desafios a serem enfrentados relacionados ao trânsito e a mobilidade urbana? 4ª Pergunta Existe na corporação projeto para inclusão ou reconvocação de policiais militares, bem como de preparação das pessoas que trabalharão durante a Copa de 2014? (aumento de efetivo, curso de escolta, cursos de inglês, espanhol, treinamentos conjuntos, intercâmbios, etc.). 5ª Pergunta Foi divulgado que o trânsito e o transporte público nas cidades da África do Sul deixaram muito a desejar, prejudicando principalmente a chegada das pessoas aos estádios e o retorno para os hotéis. Neste contexto, quais medidas estão sendo planejadas para se evitar que esses problemas se repitam aqui? 121 6ª Pergunta A PBH pretende realizar 02 Fan Fest (evento público oficial da FIFA com transmissão dos jogos) 01 na Praça da Estação e 01 no Expominas e 09 PVE (Public Viewing Events evento público não oficial com transmissão dos jogos) sendo 01 por regional administrativa do município, a saber: Norte, Centro-Sul, Leste, Oeste, Barreiro, Venda Nova, Noroeste, Nordeste e Pampulha. Qual a opinião de V. Sa no que diz a respeito à localização, acessibilidade e disponibilização de transporte público para a população nestes locais? 7ª Pergunta Qual a opinião de V. Sa sobre a situação atual do transporte coletivo e do trânsito de Belo Horizonte? 8ª Pergunta O Comitê Gestor Estadual para a Copa do Mundo de 2014 tem promovido reuniões entre os diversos órgãos envolvidos para promover a integração dos planejamentos? 9ª Pergunta V. Sa gostaria de comentar algum ponto relevante ou emitir alguma sugestão considerada importante sobre o assunto? 122 APÊNDICE B – Entrevista com o Gestor do Comitê Executivo da Prefeitura de Belo Horizonte para a Copa do Mundo de 2014. 1ª Pergunta: Como V. Sª avalia a preparação da cidade no que diz respeito à infraestrutura e à organização do trânsito e do transporte para a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014? 2ª Pergunta A instituição de V. Sª enviou representantes à África do Sul para acompanhar a realização do evento e obter informações sobre o que deu certo e as falhas ocorridas durante a Copa do Mundo de 2010? O senhor poderia citar algumas? 3ª Pergunta Atualmente existe planejamento estratégico em desenvolvimento na sua organização voltado principalmente para o trânsito e a mobilidade urbana e/ou algum projeto direcionado para a preparação das pessoas que trabalharão durante a Copa de 2014? Quais? (cursos de inglês, espanhol, treinamentos conjuntos, intercâmbios, etc.) 4ª Pergunta Em se tratando do planejamento para a Copa do Mundo de 2014 que vem sendo desenvolvido, quais os principais desafios a serem enfrentados pela Guarda e pela cidade relacionados ao trânsito e a mobilidade urbana na opinião de V.Sa? 5ª Pergunta Foi divulgado que o trânsito e o transporte público nas cidades da África do Sul deixaram muito a desejar, prejudicando principalmente a chegada das pessoas aos estádios e o retorno para os hotéis. Neste contexto, a Guarda planeja tomar alguma medida para se evitar que esses problemas se repitam aqui? 6ª Pergunta Considerando os investimentos que serão feitos no transporte público em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, qual a opinião de V. Sa em relação aos modais de 123 transporte público que serão implementados? Eles serão suficientes para fazer face a demanda que será gerada pelo evento? 7ª Pergunta A PBH pretende realizar 02 Fan Fest (evento público oficial da FIFA com transmissão dos jogos) 01 na Praça da Estação e 01 no Expominas e 09 PVE (Public Viewing Events evento público não oficial com transmissão dos jogos) sendo 01 por regional administrativa do município, a saber: Norte, Centro-Sul, Leste, Oeste, Barreiro, Venda Nova, Noroeste, Nordeste e Pampulha. Qual a opinião de V. Sa no que diz a respeito à localização, acessibilidade e disponibilização de transporte público para a população nestes locais? 8ª Pergunta Qual a opinião de V. As sobre a situação atual do trânsito e da mobilidade urbana em Belo Horizonte em se tratando do uso do transporte coletivo disponível? 9ª Pergunta O Comitê Gestor Estadual para a Copa do Mundo de 2014 tem promovido reuniões entre os diversos órgãos envolvidos para promover a integração dos planejamentos? A Guarda tem participado? 10ª Pergunta V. Sª gostaria de comentar algum ponto relevante ou emitir alguma sugestão considerada importante sobre o assunto? 124 APÊNDICE C – Entrevista com o Diretor Presidente da Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte. 1ª Pergunta: Como V. Sª avalia a preparação da cidade no que diz respeito à organização do trânsito e do transporte para a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014? 2ª Pergunta A instituição de V. Sª enviou representantes à África do Sul para acompanhar a realização do evento e obter informações sobre o que deu certo e as falhas ocorridas durante a Copa do Mundo de 2010? O senhor poderia citar algumas? 3ª Pergunta Atualmente existe um planejamento estratégico em desenvolvimento na sua organização voltado para preparação da cidade, principalmente voltado para o trânsito e o transporte e/ou algum projeto voltado para a preparação das pessoas que trabalharão durante a Copa de 2014? Quais? (cursos de inglês, espanhol, treinamentos conjuntos, intercâmbios, etc.) 4ª Pergunta Foi divulgado que o trânsito e o transporte público nas cidades da África do Sul deixaram muito a desejar, prejudicando principalmente a chegada das pessoas aos estádios e o retorno para os hotéis. Neste contexto, quais medidas estão sendo tomadas para se evitar que esses problemas se repitam aqui? 5ª Pergunta Considerando os investimentos que serão feitos no transporte público em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, qual a opinião de V. Sa em relação aos modais de transporte público que serão implementados? Eles serão suficientes para fazer face a demanda que será gerada pelo evento? 6ª Pergunta Como será a integração do transporte público em 2014, principalmente o urbano com o metropolitano e outros modais? 125 7ª Pergunta O Comitê Gestor Estadual para a Copa do Mundo de 2014 tem promovido reuniões entre os diversos órgãos envolvidos para promover a integração dos planejamentos? 8ª Pergunta A PBH pretende realizar 02 Fan Fest (evento público oficial da FIFA com transmissão dos jogos) 01 na Praça da Estação e 01 no Expominas e 09 PVE (Public Viewing Events evento público não oficial com transmissão dos jogos) sendo 01 por regional administrativa do município, a saber: Norte, Centro-Sul, Leste, Oeste, Barreiro, Venda Nova, Noroeste, Nordeste e Pampulha. Qual a opinião de V. Sa no que diz a respeito à localização, acessibilidade e disponibilização de transporte público para a população nestes locais? 9ª Pergunta Qual efetivo a instituição de V. Sª dispõe hoje para atuar no controle do trânsito e na organização e controle do transporte público? Haverá aumento do efetivo para fazer face as demandas que serão geradas antes, durante e após a realização da Copa do Mundo de 2014? De quanto? 10ª Pergunta V. Sª gostaria de comentar algum ponto relevante ou emitir alguma sugestão considerada importante sobre o assunto? 126 APÊNDICE D – Entrevista com o Comandante da Unidade de Trânsito da Guarda Municipal de Belo Horizonte. 1ª Pergunta: Como V. Sª avalia a preparação da cidade no que diz respeito à infraestrutura e à organização do trânsito e do transporte para a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014? 2ª Pergunta A instituição de V. Sª enviou representantes à África do Sul para acompanhar a realização do evento e obter informações sobre o que deu certo e as falhas ocorridas durante a Copa do Mundo de 2010? O senhor poderia citar algumas? 3ª Pergunta Atualmente existe planejamento estratégico em desenvolvimento na sua organização voltado principalmente para o trânsito e a mobilidade urbana e/ou algum projeto direcionado para a preparação das pessoas que trabalharão durante a Copa de 2014? Quais? (cursos de inglês, espanhol, treinamentos conjuntos, intercâmbios, etc.) 4ª Pergunta Em se tratando do planejamento para a Copa do Mundo de 2014 que vem sendo desenvolvido, quais os principais desafios a serem enfrentados pela Guarda e pela cidade relacionados ao trânsito e a mobilidade urbana na opinião de V.Sa? 5ª Pergunta Foi divulgado que o trânsito e o transporte público nas cidades da África do Sul deixaram muito a desejar, prejudicando principalmente a chegada das pessoas aos estádios e o retorno para os hotéis. Neste contexto, a Guarda planeja tomar alguma medida para se evitar que esses problemas se repitam aqui? 6ª Pergunta Considerando os investimentos que serão feitos no transporte público em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, qual a opinião de V. Sa em relação aos modais de 127 transporte público que serão implementados? Eles serão suficientes para fazer face a demanda que será gerada pelo evento? 7ª Pergunta O Comitê Gestor Estadual para a Copa do Mundo de 2014 tem promovido reuniões entre os diversos órgãos envolvidos para promover a integração dos planejamentos? A Guarda tem participado? 8ª Pergunta A PBH pretende realizar 02 Fan Fest (evento público oficial da FIFA com transmissão dos jogos) 01 na Praça da Estação e 01 no Expominas e 09 PVE (Public Viewing Events evento público não oficial com transmissão dos jogos) sendo 01 por regional administrativa do município, a saber: Norte, Centro-Sul, Leste, Oeste, Barreiro, Venda Nova, Noroeste, Nordeste e Pampulha. Qual a opinião de V. Sa no que diz a respeito à localização, acessibilidade e disponibilização de transporte público para a população nestes locais? 9ª Pergunta Qual efetivo a instituição de V. Sª dispõe hoje para atuar no controle do trânsito Haverá aumento do efetivo para fazer face as demandas que serão geradas antes, durante e após a realização da Copa do Mundo de 2014? De quanto? 10ª Pergunta V. Sª gostaria de comentar algum ponto relevante ou emitir alguma sugestão considerada importante sobre o assunto? 128 APÊNDICE E – Entrevista com o ex-Diretor Geral da Agência Metropolitana da RMBH (2009/2010). 1ª Pergunta: Como V. Sª avalia a preparação da cidade no que diz respeito à infraestrutura e à organização do trânsito e do transporte para a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014? 2ª Pergunta A Instituição de V. Sª enviou representantes à África do Sul para acompanhar a realização do evento e obter informações sobre o que deu certo e as falhas ocorridas durante a Copa do Mundo de 2010? Quantas? Foram elaborados relatórios referentes ao evento? Posso ter acesso aos relatórios? O senhor poderia citar algumas? 3ª Pergunta Atualmente existe planejamento estratégico em desenvolvimento na sua organização voltado para preparação da cidade, principalmente voltado para o trânsito e o transporte e/ou algum projeto voltado para a preparação das pessoas que trabalharão durante a Copa de 2014? (cursos de inglês, espanhol, treinamentos conjuntos, intercâmbios, etc.) Posso ter acesso aos planejamentos? 4ª Pergunta Em se tratando do planejamento para a Copa do Mundo de 2014 que vem sendo desenvolvido, quais os principais desafios a serem enfrentados pela cidade relacionados ao trânsito e a mobilidade urbana na opinião de V.Sa? 5ª Pergunta Foi divulgado que o trânsito e o transporte público nas cidades da África do Sul deixaram muito a desejar, prejudicando principalmente a chegada das pessoas aos estádios e o retorno para os hotéis. Neste contexto, quais medidas estão sendo tomadas para se evitar que esses problemas se repitam aqui? 129 6ª Pergunta Considerando os investimentos que serão feitos no transporte público em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, qual a opinião de V. Sa em relação aos modais de transporte público que serão implementados? Eles serão suficientes para fazer face a demanda que será gerada pelo evento? Haverá restrição no uso de veículo particular? 7ª Pergunta Qual a opinião de V. As sobre a situação do trânsito e da mobilidade urbana em belo Horizonte em se tratando do uso do transporte coletivo disponível e da integração metropolitana? 8ª Pergunta O Comitê Gestor Estadual para a Copa do Mundo de 2014 tem promovido reuniões entre os diversos órgãos envolvidos para promover a integração dos planejamentos? A Guarda tem participado? 9ª Pergunta V. Sª gostaria de comentar algum ponto relevante ou emitir alguma sugestão considerada importante sobre o assunto?