Vol. 2, n° 3
Set-Dez de 2013
ISSN: 2447-4592
Expediente
Vol. 2, n° 3
Set-Dez de 2013
Edição on-line
www.petvet.ufra.edu.br
Realização:
Grupo PET de
Veterinária/Ufra
Uma publicação do Programa de Educação
Tutorial do Curso de Medicina Veterinária da
Ufra
Prof.ª Dra. Deborah Mara de
Oliveira numa entrevista especial
concedida ao grupo.
Página 19
Criação e
cuidado de
animais
silvestres
como
PET’s. 11
Matéria
Pagina
Expediente
2
Mundo Cão
3
Do gado: fórum da pecuária
9
Mundo selvagem
13
Mundo equino
17
Mundo felino
19
Entrevista
21
Piroplasmose equina.
Medicina
Alef Moreira
André Mendonça
Andra Ferreira
Ana Carla Ferreira
Atila Guerreiro
Carolyne Teixeira
Caio Mendes
Elen Julia da Rocha
Felipe Luigui
Gabriel Furtado
Helen Chaves
Joévelyn da Silva
Layna Côrrea
Raquel de Alencar
Rinaldo Viana
Samantha da Silva
Stefani Costa
Verena Maciel
Walberson da Silva
17
Colaboração:
Deborah Mara de Oliveira
1
Ufra/ISPA – Belém/PA
Avenida Presidente Tancredo
Neves,
Nº
2501
Montese 66.077-901
[email protected]
Editorial
Caros Leitores,
Em mais uma edição do nosso PETVet News
trazemos para você informações relevantes
acerca de várias matérias: você sabia como são
treinados os cães farejadores? E aquelas doenças
de pele que tanto incomodam o seu cão? Veja as
principais delas, e como identificá-las. Trazemos
também uma importante matéria sobre “Bemestar em animais de produção”, uma tema muito
discutido e que está no centro das atenções.
Nunca é demais falar sobre a criação e cuidados
de animais silvestres como PET’s. Os
proprietários desses animais precisam ser
aclarados sobre como devem cuidar
corretamente desses animais.
E para brindar essa edição uma coluna sobre
felinos: o espaço felinos Esse animais que já
foram sinônimo de sorte e azar ou alongo da
historia da humanidade . E finalmente uma bela
entrevista com a Dra. Deborah Mara de Oliveira
numa entrevista especial sobre medicamentos
fitoterápicos e sua utilização na clínica
veterinária.
Agradecemos a todos nosso colaboradores e boa
leitura!
Rinaldo B. Viana
Tutor PETVet-Ufra
2
Treinamento de cães farejadores
Treinamento de cães farejadores
Olfato
Os cães são bem mais do que simples amigos do
homem, pois possuem a capacidade de reconhecer
objetos e pessoas somente pelo cheiro, devido ao
fato de que seu sistema sensitivo é bastante
evoluído.
Comparados aos humanos, os cães tem uma
sensibilidade infinitamente maior, permitindo que os
odores sejam captados mais rapidamente.
Sendo assim, é importante saber que ao falarmos em
cães farejadores devemos levar em consideração o
número de células olfativas que compõem a
estrutura nasal dos caninos, o qual pode variar entre
as raças, porém com a prática de treinamentos
contínuos e específicos o olfato pode tornar-se
ainda mais aguçado independente da quantidade
destas células.
Principais raças
É fato que todos as raças de cães possuem uma sensibilidade olfativa bem desenvolvida, porém
os animais de porte grande são os mais utilizados para investigações criminais, devido a
características que vão além do olfato mais aguçado, como: coragem, lealdade, obediência e
energia. Dentre as principais raças, destacam-se:
Labrador
Pastor Alemão
Fonte: www.taringa.net/posts/mascotas/14484048/--10Curiosidades-de-los-Animales-Domesticos--.html
Percepção do odor
Fonte: www.farejadordecaes.com.br/2009/05/labrador/
A estrutura nasal de um cão
apresenta cerca de 200.000.000
milhões de células olfativas,
caracterizando um sistema
olfativo extremamente aguçado.
Sendo assim, as partículas físicoquímicas se dissipam, são
enviadas ao cérebro do animal
para codificação e,
posteriormente, são armazenadas
em um banco de dados
odoríferos, semelhante ao nosso
o qual consultamos sempre que
queremos relembrar alguma
informação.
Rottweiler
Fonte:
farejador/
Fonte: www.cachorrogato.com.br/racas-caes/pastor-alemaocapa-preta/
Golden Retriever
www.cachorrogato.com.br/cachorros/cao-
Fonte: SIQUEIRA, W. N. de. O emprego do cão farejador na localização de substâncias
entorpecentes ilícitas, p. 142-144, 2010.
Fonte: www.cachorrogato.com.br/racascaes/rottweiler/
3
Fonte:
www.cachorrogato.com.br/racascaes/golden-retriever/
Andra Nunes Ferreira é acadêmica de Medicina Veterinária/UFRA, Bolsista PET/SESu-MEC
Stefani de Paula X. da Costa é acadêmica de Medicina Veterinária/UFRA, Não-bolsista PET/SESu-MEC
4
Treinamento de cães farejadores
Treinamento de cães farejadores
Treinamento
Curiosidades
A grande sensibilidade olfativa dos cães
farejadores deve ser bastante trabalhada e
treinada. Sendo assim, o adestramento
desses animais inicia-se quando eles ainda
são filhotes por meio da estimulação do
olfato canino na busca de odores liberados
pelo seu próprio alimento.
Com cerca de um ano, o animal já é
adestrado para atender às ordens do seu
treinador e os brinquedos começam a ser
inseridos neste treinamento, propondo uma
relação de ação e recompensa.
À medida que o animal reconhece o odor das
substâncias, os brinquedos são retirados do
treinamento fazendo com que o cão passe a
procurar por cheiros específicos. Com isso,
também são ensinados comportamentos
específicos no momento de identificar
determinadas substâncias, como latidos,
arranhões e mordidas no local.
Juntamente com o treinamento focado no
reconhecimento e busca de odores, são
necessários um bom condicionamento físico,
para isso torna-se comum a prática de
atividades físicas, como a natação, e uma
alimentação extremamente balanceada.
•Os cães farejadores conseguem diagnosticar diversas doenças, como câncer, com base
apenas no hálito dos doentes.
•Possuem uma média de 200 milhões de células olfativas em sua estrutura, podendo atingir
até 220 milhões. Nos animais de focinho mais curto, essa sensibilidade é consideravelmente
menor com cerca de 120 milhões de células.
Fonte:
www.jackswolfpack.blogspot.com/2010_10_01
_archive.html
•Quando comparados as humanos, estes animais possuem um olfato 40 vezes mais eficientes
do que os seres humanos, visto que este último possue somente cerca de 5 milhões de células
olfativas.
•As fêmeas destacam-se como as mais eficientes farejadoras, visto que não sofrem com
distrações bastante comuns aos machos, como cadelas no cio e marcação de território.
•O órgão vomeronasal é responsável pela captura de variados cheiros e, estes são
transmitidos a partes distintas do cérebro.
•Transpiram pela língua, desta forma eles tem o faro menos eficaz no calor, pois respiram
mais pelo nariz do que pela boca nessas condições.
Fonte:
www.revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDR801
55-7855,00.html
Fonte:www.wp.clicrbs.com.br/4patas/tag/dicas//?t
opo=87,1,1,,,27
Fonte:
www.revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDR801557855,00.html
Fonte: www.blog.guiaderacas.com/2012/11/labradorretriever.html
Fonte: www.portalpets.com.br/meu-cachorro-nao-quermais-comer-racao-o-que-faco/
5
Andra Nunes Ferreira é acadêmica de Medicina Veterinária/UFRA, Bolsista PET/SESu-MEC
Stefani de Paula X. da Costa é acadêmica de Medicina Veterinária/UFRA, Não-bolsista PET/SESu-MEC
6
Dermatopatias Alérgicas e suas causas
Dermatopatias Alérgicas e suas causas
Alergia é uma reação anormal e
específica do organismo em contato
com substâncias ditas alergênicas, e
estas normalmente não
desencadeiam distúrbios na maioria
dos animais. Entre as várias formas
de expressão alérgica, temos as que
atingem o sistema tegumentar. As
dermatopatias alérgicas possuem
bastante relevância dentro da clínica
veterinária por serem os quadros
mais comumente encontrados no
cotidiano clínico.
Os cães alérgicos se coçam
intensamente, com as patas e com a
boca, provocando lesões na pele.
Isso faz com que todos os animais
alérgicos apresentem lesões muito
semelhantes, mesmo que a causa
.
seja diferente
Na quadro abaixo estão as dermatopatias alérgicas, seus agentes e sintomas.
Doença
Dermatite Atópica
Agente
Pólen, grama, flores, poeira,
fumaça, penas, tapetes, lã, mofo,
alimentação.
Dermatite Alérgica à
Pulex irritans; Ctenocephalides
Picada de Pulga (DAPP) canis; C. felis.
Sintomas
Mudança na coloração do pelo, autotraumatismo, piodermite secundária e
seborreia. Pode ocorrer otite externa,
conjuntivite, foliculite, furunculose, dermatite
úmida aguda, rinite, catarata, desordens
urinárias e gastrointestinais, hipersensibilidade
hormonal.
Dermatite pruriginosa pápula-crostosa (região
lombo-sacral dorsal, coxal, caudo-medial,
região abdominal ventral, flancos e pescoço);
dermatite úmida aguda; piodermite
secundária, alopecia e seborreia.
Dermatite de Contato
Alérgico (DAC)
Plantas, medicamentos tópicos,
água excessivamente clorada.
Produtos caseiros (alvejantes,
polidores, coleiras...)
Eritemas, máculas, pápulas, placas, hiper ou
hipopigmentação, escoriações e liquenificação.
Dermatite Solar
Idiopática
Eritema, alopecia, exudação, formação de
crostas, ulceração.
Contato, ingestão ou inalação de
subst. antigênicas, picada de
Edema Angioneurótico
insetos, carpetes, plantas, perfume
e chocolate.
Reações urticariformes, reações
angiodematosas. Em casos de febre intensa,
pode ocorrer espasmo de glote, asfixia e
consequentemente a morte.
“Dermatopatias Alérgicas” . Aula de Clínica Médica de Cães e Gatos ministrada pela Prof. Dra. Nazaré F. de Souza.
Para todas as dermatopatias acima existem medidas de
tratamento e prevenção. Entretanto, a Dermatite Atópica
é a única que possui caráter crônico, ou seja, não existe
tratamento eficaz que leve a cura. O que se pode fazer é
amenizar os sintomas a ela associados.
TRATAMENTO E PREVENÇÃO
Pápulas, pústula e eritemas
em região axilar
Fonte:http://www.ccmv.ufpr.br/2010/ADRIANE2010.pdf
Crostas epidérmicas
Fonte: www.imunovet.blogspot.com.br
Caio Mendes é acadêmico de Medicina Veterinária/UFRA, Bolsista PET/SESu-MEC
Samantha S. da Silva é acadêmica de Medicina Veterinária/UFRA, Bolsista PET/SESu-MEC
André Augusto do N. Mendonça é acadêmico de Medicina Veterinária /UFRA, Bolsistea PET/SESu-MEC
7
1. Em casos de DAAP, livrar tanto o animal quanto o ambiente das
pulgas;
2. Em casos de Dermatite Solar, evitar exposição do animal ao sol;
3. Na Atopia, seguir as orientações do Veterinário para toda a vida
do animal;
4. Em todos os casos, tratar as lesões cutâneas e crises alérgicas
com medicamentos adequados e retirar do ambiente em que o
animal habita todas os possíveis alérgenos.
8
Bem-estar em animais de produção: condições de manejo e abate
Bem-estar em animais de produção: condições de manejo e abate
Melhorar a qualidade ética e não só a qualidade intrínseca dos produtos de
origem animal é o grande desafio dos dias atuais. Para atingir essa realidade, fazse necessário,: equipe bem treinada, higiene, equipamentos apropriados e com
manutenção regular, processo eficaz de insensibilização, ausência de violência e
concentração para a prevenção de acidentes.
Foto: Rinaldo B. Viana
Broom (1986) diz que o bem estar é: “o estado de um indivíduo
durante suas tentativas de se ajustar ao ambiente” e completa, em
1991, afirmando que é: “Uma qualidade inerente aos animais e
não uma condição dada pelo homem a estes”.
Sendo assim, o ambiente
de criação dos animais de
produção deve ser
① Livre de sede, fome e má nutrição;
confortável e natural para
② Livre de desconforto;
que haja o mínimo de
estresse na adaptação do
③ Livre de dor, injúria e doença;
animal, buscando atender
as cinco liberdades, que
.
④ Livre
para expressar seu
são:
comportamento normal;
Foto::Abate humanitário de bovinos. WSPA (2012).
Fonte: http://www.beefpoint.com.br/
⑤ Livre de medo e de estresse
Fonte: Abate humanitário de bovinos. WSPA (2012).
Algumas práticas durante
o manejo e,
principalmente, durante o
pré-abate e abate devem
estar em primeiro plano
ao se tratar de bem-estar.
São elas: as instalações
(estrutura física), as
pessoas (comportamento
e interação ao animal) e
os animais (reação ao
comando e relação com o
ambiente). A interseção
destes elos irá gerar a
maior produtividade e
harmonia no manejo, no
trabalho e no abate.
9
.
Carolyne Teixeira do Espírito Santos é acadêmico de Medicina Veterinária/UFRA, PET/SESu-MEC
Layna Thayssa Guimarães Côrrea é acadêmica de Medicina Veterinária/UFRA, PET/SESu-MEC
10
Bem-estar em animais de produção: condições de manejo e abate
Bem-estar em animais de produção: condições de manejo e abate
Refere-se às adaptações das instalações agropecuárias de modo a garantir o bem
estar animal, a qualidade do produto e a segurança do responsáveis pelo manejo
dos animais. A instalação deve ser funcional, resistente, econômica e segura.
① As cercas devem ser de arame liso, pois as de arame farpado provocam
lesões no couro animal.
② No caso de bovinos, deve ter a presença de cochos cobertos para
fornecimento de minerais ao gado. Esse cocho pode ser de madeira,
plástico ou de concreto pré-moldado.
③ Os animais devem ter água de dessedentação de boa qualidade para que
os animais possam mitigar a sede ad libitum.
④ As práticas de manejo devem ser as menos estressantes possíveis.
.
http://souagro.com.br/pecuaristas-de-paragominas-pa-receberao-manual-sobre-bem-estar-animal/
A importância do bem-estar animal não está apenas em tratá-los melhor, mas
sim em aplicar os conhecimentos produzidos pela pesquisa no manejo destes.
A intenção é minimizar perdas que ocorrem por lesões de carcaça
desnecessárias, emagrecimento dos animais ou instalações inadequadas, visto
que, maus tratos depreciam o próprio produto que será vendido e consumido
futuramente, acarretando em prejuízos para a atividade pastoril.
https://sublimeadventure.files.wordpress.com/2012/03/veganismo-nao-matar-animais-bem-estar.jpg
11
Carolyne Teixeira do Espírito Santos é acadêmico de Medicina Veterinária/UFRA, PET/SESu-MEC
Layna Thayssa Guimarães Côrrea é acadêmica de Medicina Veterinária/UFRA, PET/SESu-MEC
12
Criação e cuidados de animais silvestres como PET’s
Criação e cuidados de animais silvestres como PET’s
AVES
Oferecer uma alimentação adequada à espécie.
Atentar para o tamanho e ao número de aves na
gaiola. Manter bebedouros e comedouros
higienizados e nunca abaixo dos poleiros (evitando
a contaminação). Realizar uma limpeza diária nos
bebedouros, comedouros, poleiros e chão dos
viveiros. Evitar expô-los a condições físicas
extremas. Ter cuidado ao introduzir novos animais
no recinto. Não utilizar medicamentos sem
prescrição de um médico veterinário.
MAMÍFEROS
Coelhos e Hamsters: Deve-se introduzir verduras
e ter cuidado ao introduzir sementes na dieta
desses animais devido a problemas na digestão.
Gerbils: Apreciam tomar banho a seco.
Chinchilas: Aconselha-se alimentar com rações
peletizadas de boa qualidade logo pela manhã
ou a tardezinha devido seus hábitos naturais.
A criação de animais silvestres é algo não muito comentado nas mídias , já que no Brasil a
criação dessas espécies em cativeiro só é permitida em criadouros autorizados, como
zoológicos e entidades científicas. No entanto, animais como macacos, papagaios, araras e
alguns outros pássaros com a autorização do órgão competente, o IBAMA, podem ser criados
em criatórios particulares, desde que atendidas às exigências legais e de bem-estar dos
animais
A aparente rigidez imposta pelo IBAMA deve-se principalmente ao tráfico de animais que
crescentemente sacrificam milhares de espécies tornando-as cada vez mais raras.
Os macacos e papagaios são os animais silvestres preferidos para criação.
RÉPTEIS
Lagarto: Mantê-los em aquário de vidro, com
forração de papel toalha, jornal ou areia fina.
Galhos e pedras devem ser oferecidos para se
exercitarem. Deve-se tomar cuidado com
plantas.Oferecer uma estrutura como uma casa
(caixa de plástico virada), com umidade
apropriada. Realizar o aquecimento por lâmpada
infra-vermelha, pedra ou placa de aquecimento.
Fonte: http://www.veterinariadeaves.com.br http://www.icmbio.gov.br
http://www.euamomeusanimais.com.br http://www.g1.globo.com
13
Brunna Vidal é acadêmica de Medicina Veterinária/ Ufra, Bolsista PIBIC/CNPq
Walberson Silvaé acadêmico de Medicina Veterinária/Ufra, Bolsista PET/SESu-MEC
14
Criação e cuidados de animais silvestres como PET’s
Criação e cuidados de animais silvestres como PET’s
Como comprar um
animal silvestre?
Para comprar um animal silvestre você deve
procurar um criadouro legalizado pelo
IBAMA. O animal precisa ter algum tipo de
identificação em seu corpo, como anilhas, no
caso de pássaros, ou microchips, como ocorre
com alguns répteis. O número de registro do
espécime também deve constar na nota
fiscal, que apresentará os dados relativos ao
estabelecimento vendedor (como CNPJ) e ao
comprador, e os nomes científico e popular
no animal. Alguns criadores podem fornecer
um certificado de propriedade, mas esse
procedimento não é obrigatório. Não é
possível
legalizar
animais
silvestres
comprados ilegalmente.
Estrutura dos cativeiros
O IBAMA, geralmente já fornece suas
exigências quanto à criação de animais
silvestres em cativeiro para o
empreendedor se guiar.
O que é comum em relação a todas as
espécies é simular um ambiente
parecido com o habitat natural. Isso
consiste na observação e pesquisa dos
hábitos dos animais que serão criados
para propor as principais características
que deverão conter no ambiente
de criação de animais silvestres em
cativeiro. A observação de outros
criadouros é a parte importante na
estrutura, já que a prática neste serviço
acaba excluindo as opções menos
cabíveis.
Quando levar ao médico veterinário
Não limpar a gaiola de aves até 24 horas antes da consulta
Tráfico de animais silvestres
Manter o bebedouro e comedouro ou levar amostras da comida
Tráfico é o comércio ilegal. Traficar
animais significa capturá-los na
natureza, prendê-los e vendê-los com
o objetivo de ganhar dinheiro. Se
participamos disso comprando animais
ilegais, estamos contribuindo para o
tráfico de animais. Ter animais
silvestres como bichos de estimação é
ilegal conforme a Lei de Crimes
Ambientais, nº 9.605 / 98. Ela proíbe a
utilização, perseguição, destruição e
caça de animais silvestres e prevê pena
de prisão de seis meses a um ano,
além de multa para quem a
desrespeitar.
Observar as atividades do animal incluindo hábitos alimentares e sintomas
Não tentar medicar o animal por conta própria
Contar ao veterinário tudo ao que se refere ao animal
IMPORTANTE!
Sem permissão, a criação de animais silvestres em cativeiro é
considerada crime inafiançável.
15
Brunna Vidal é acadêmica de Medicina Veterinária/ Ufra, Bolsista PIBIC/CNPq
Walberson Silvaé acadêmico de Medicina Veterinária/Ufra, Bolsista PET/SESu-MEC
16
Piroplasmose equina
Piroplasmose equina
A babesiose equina é uma
hemoparasitose importante,
mundialmente distribuída, também
conhecida por nutaliose ou piroplasmose
equina. É considerada endêmica em todo
o território nacional. Essa
hemoparasitose é causada pelos
protozoários Theileria equi e pela
Babesia caballi, transmitida
principalmente pelos vetores
pertencentes aos gêneros Anocentor,
Amblyomma, Rhipicephalus e Boophilus.
Nas infecções por T. equi, o período de
incubação dura de 12 a 19 dias, para E.
caballi é de 10 a 30 dias.
Clinicamente, na babesiose
equina, pode haver quadros
agudos, subagudos, crônicos e
os portadores assintomáticos.
Na doença aguda, o animal
apresenta prostração, perda
de apetite, febre, mucosas
pálidas, icterícia e
gastroenterite, nem sempre
ocorre hemoglobinúria.
Pode ocorrer taquipneia, constipação, edema de membros e petéquias nas mucosas oral,
nasal e ocular. Nas infecções causadas por B. caballi, ocasionalmente há paresia do trem
posterior. Animais que vem a óbito dificilmente morrem em decorrência da anemia, e sim
pela formação de microtrombos, a não ser em casos onde a parasitemia é bastante elevada
e ocorre anemia aguda.
http://www.mundoequestre.com.br/babesiose-equina/ http://www.progenbio.com.br/babesioseequina.html
http://www.ourofino.com/blog/babesiose-em-equinos/
17
A profilaxia se baseia principalmente em quatro estratégias que visam ao combate aos
carrapatos. A primeira é através de carrapaticidas usados em banhos de imersão levando-se em
consideração a dose e concentração corretas, fazendo-se sempre o rodízio do princípio ativo
afim de que seja evitada a resistência por parte dos carrapatos; a segunda é a premunição, que
é a exposição do animal ao agente, seguidos de correto tratamento para que sejam ativadas as
células de defesa; a terceira é a vacinação utilizando-se protozoários vivos, apesar de esta
técnica apresentar a desvantagem de muitos animais morrerem devido à infecção causada pela
vacina ou pela intoxicação através do babesicida usado para controlar uma possível
superinfecção, ou ainda podem ser feitos com vacinas mortas, estas já um pouco
desacreditadas em virtude de sua fraca imunogenicidade; e a quarta estratégia é a
quimioprofilaxia através de drogas como o imidocarb que possuem um efeito residual que
permite ao animal adquirir a infecção de forma mais branda à proporção que a ação do
fármaco vai diminuindo.
B. caballi invade exclusivamente os
eritrócitos; já a B. equi inicialmente
parasita leucócitos, mas após se
desenvolverem, também penetram nos
eritrócitos, ocasionando uma anemia aos
animais pela destruição das hemácias.
Equinos com resultado positivo para
Babesiose são impedidos de entrar em
muitos países para competições,
exposições ou venda, a doença pode
ocasionar abortos, natimortos ou filhotes
que nascem fracos e morrem logo após o
nascimento.
Helen Kamile de Oliveira Chaves é acadêmica de Medicina Veterinária/ Ufra, Bolsista PIBIC/CNPq
Verena Maciel da Costa é acadêmica de Medicina Veterinária/Ufra, Bolsista PET/SESu-MEC
18
Como Conter Aquele Gato Endiabrado?
De aluno para aluno...
Talvez os felinos sejam os animais que mais
despertam o desejo de cuidar dos estudantes
de Medicina Veterinária no início do curso.
Aquela velha expectativa de automaticamente
ser um grande sábio e tratador de felinos: “os
seres mais fofos do mundo...”.
(Os odores deixados no ambiente por
outros animais, principalmente por
cães, podem deixá-los irritados ou
mesmo agressivos.)
⑤ Por último, para evitar
mordeduras, os gatos podem ser
segurados pela pele que reveste a
porção superior da região cervical,
logo atrás das orelhas, o que o
impedirá de virar a cabeça e
morder a pessoa que realiza a
contenção. Como indicado na
figura abaixo:
② 2. A interação veterinário-animal
não é tão fácil como a observada
na grande maioria dos cães, mas
pode se tentar uma aproximação
do animal, como, por exemplo,
coçando a sua cabeça, antes
mesmo de realizar a contenção.
Mas serão tão fofos assim?
Por que, diferente dos calouros, estudantes de
veterinária do final do curso e até mesmo
clínicos de pequenos são receosos toda vez
que um gato é posto na mesa do consultório?
Por que o temor de não saber o jeito correto
de como se segurar um gato estranho se ele é
tão “fofinho”?
② Lembre-se de fechar as janelas e
portas do local de exame para se
evitar evasão ou acidentes.
Você conhece o modo de apalpar ou como
conter um gato para examiná-lo clinicamente
ou tratá-lo de alguma enfermidade?
A contenção do animal mais fofo do mundo é
uma tarefa árdua e nesse espaço, iremos
dispor algumas informações para somar dicas
e técnicas acerca da avaliação eficiente destes
grandes animais às vezes pouco
compreendidos.
① Os gatos devem ser mantidos
com os seus proprietários
(dentro de caixas de contenção
ou de transporte) e retirados
somente no momento da sua
avaliação!
Fonte:http://http://estranhasverdadesrelat
ivas.blogspot.com.br/2014/01/ponto-devista-gatos-endiabrados-e-seus.html
Fonte: http://www.vetarq.com.br/2013/09/contencao-fisicade-gatos.html
③ O exame deve ser inicialmente
tentado com o mínimo de
imobilização, bastando, para
tanto, a colocação de botinhas
de esparadrapo após a colocação
do animal na mesa. Vide
exemplo à direita.
③ Se defendem com unhas e dentes.
(As botinhas de esparadrapo são
feitas com duas tiras de esparadrapo.
Uma tira se adere de forma a cobrir
horizontalmente, e a outra tira cobre
de forma vertical, tanto nas palmas
quanto nas plantas dos membros.).
④ São territoriais, portanto mais sujeitos à estresse com mudanças de
ambiente.
Filipe Luigi é acadêmico de Medicina Veterinária/UFRA, Não-bolsista PET/SESu-MEC
Raquel Alencar é acadêmica de Medicina Veterinária/UFRA, bolsista PET/SESu-MEC
Por que tão difíceis de segurar?
① São mais ágeis e se desvencilham facilmente
② São relativamente pequenos, tornando sua imobilização trabalhosa.
Fonte:
http://social.stoa.usp.br/articles/0031/7323/2_conten%C3%A7
%C3%A3o_F%C3%ADsica_dos_Animais_Dom%C3%A9sticos.pdf
Fonte: Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico
Francisco Leydson F. Feitosa
20
Medicamentos fitoterápicos e sua utilização na clínica veterinária
Medicamentos fitoterápicos e sua utilização na clínica veterinária
Profa. Dra. Deborah Mara de Oliveira
Possui graduação em Medicina Veterinária pela
Universidade Federal Rural da Amazônia (2000),
mestrado em Farmacologia pela Universidade
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2007) e
doutorado em Neurociências e Biologia Celular
Universidade Federal do Pará (2013). Atualmente é
professora adjunta de Farmacologia Veterinária e
Farmacologia Geral na Universidade Federal Rural da
Amazônia.
1. Pet Vet News: Como são definidos os medicamentos fitoterápicos?
Profa. Dra. Deborah: São medicamentos obtidos de espécies vegetais, cujos princípios ativos nem
sempre são todos conhecidos, mas que possuem eficácia comprovada e controle de qualidade.
2. Pet Vet News: A utilização destes “fármacos” na Medicina Humana vem crescendo nos últimos
anos, no entanto, este segmento na Medicina Veterinária ainda é bem pequeno, a que se deve isso?
Profa. Dra. Deborah: Em minha opinião se deve ao fato de ainda haver poucos médicos veterinários
com formação e experiência na área, visto que disciplinas como a fitoterapia veterinária foram
inseridas nos currículos há pouco tempo, ou seja em meados de 2007, em alguns cursos de graduação
em medicina veterinária, e ainda são poucas as instituições que tem a disciplina como parte da matriz
curricular, embora este número esteja aumentando. A falta de conhecimento técnico sobre a eficácia
acaba gerando preconceito em relação a prescrição de fitoterápicos e contribui para a resistência do
uso também por parte de alguns proprietários de animais.
3. Pet Vet News: Então ainda há preconceito quanto à utilização destes medicamentos? Qual a
eficácia destes frente aos medicamentos alopáticos?
Profa. Dra. Deborah: Sim ainda existe, e é atribuído principalmente a falta de comprovação científica
das atividades terapêuticas de muitas espécies de plantas medicinais que podem servir de matériaprima para a fabricação de medicamentos fitoterápicos. Por isso é importante esclarecer que plantas
medicinais não são medicamentos fitoterápicos, e para que se tornem, necessitam inicialmente ter
sua atividade terapêutica comprovada cientificamente. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA) preconiza que os medicamentos fitoterápicos sejam regulamentados no Brasil assim como
os medicamentos alopáticos, portanto devem apresentar critérios similares não só de eficácia, mas de
qualidade e segurança para obter registro de liberação para comercialização.
21
4. Pet Vet News: Quais são as vantagens obtidas no tratamento dos animais ao se utilizar
fitoterápicos? Os efeitos adversos são menores?
Profa. Dra. Deborah: Custo mais baixo, fácil acesso à matéria-prima, sobretudo, em nossa região
Amazônica, menor risco de reações adversas quando compradas à maioria dos fármacos sintéticos, desde
que utilizados de forma correta, pois muitos dos registros de efeitos indesejados estão relacionados ao
mau uso. Vale lembrar que apesar de serem medicamentos originados de material natural, há compostos
químicos presentes em sua constituição, os quais são responsáveis pelo efeito desejado, mas também são
passiveis de causar reações adversas. Porém no caso da utilização de medicamentos fitoterápicos
destinados ao uso humano em animais, ainda são considerados escassos os estudos toxicológicos; então
nestes casos, não se pode afirmar que tenham sempre efeitos adversos menores.
5. Pet Vet News: Conte-nos um pouco sobre a sua experiência com os medicamentos fitoterápicos.
Profa. Dra. Deborah: Comecei a pesquisar sobre espécie de plantas medicinais e medicamentos
fitoterápicos há 10 anos, quando tive a oportunidade de conhecer os estudos desenvolvidos pelo
professor Dr. Luiz Claudio Di Stasi, responsável pelo laboratório de Fitomedicamentos da UNESP/Botucatu
e posteriormente o Dr. Osmar Lameira da Embrapa Amazônia Oriental, profissionais de excelência no que
fazem. Com o passar dos anos, pude perceber o quanto a área era interessante e ao mesmo tempo
carente de estudos científicos voltados para veterinária, e como tenho o privilégio de ser paraense onde
a prática da fitoterapia é tradicional e, também de atuar em uma região com rica biodiversidade, a
Amazônia, estes fatores me impulsionaram a manter as parcerias com tais pesquisadores, investir nesta
área e com isso buscar desvendar algumas propriedades de plantas medicinais com potencial para se
tornarem fitoterápicos, sendo que uma destas é matéria-prima de um dos primeiros fitoterápicos
genuinamente produzidos no Brasil.
6. Pet Vet News: Para esclarecimento do público, aonde podem ser encontrados e em que casos na
clinica veterinária eles já são comprovadamente eficazes?
Profa. Dra. Deborah: Podem ser manipulados em farmácias especializadas ou adquiridos em
estabelecimentos que comercializam medicamentos de uso veterinário, assim como em farmácia comum.
Porém a dose, via de administração e frequência de uso deve ser definida pelo médico veterinário.
Alguns exemplos de bases de fitoterápicos com comprovada eficácia na clínica veterinária são: óleo de
“copaíba” (Copaifera langsdorffii) como anti-inflamatório entre outras propriedades, seiva de babosa
(Aloe vera L.) como cicatrizante, calabaça ou cabaça (Crescentia cujete), extrato de “barbaço” (P.
alopecuroides), como antifúngico para micoses e “Nim” (Azadirachta indica), entre outras. Entretanto
recomendo que o uso de medicamentos fitoterápicos seja feita sob prescrição veterinária, pois como
qualquer medicamento, o mau uso de fitoterápicos pode causar danos à saúde do animal.
22
Download

Volume 002, número 03 - Programa de Educação Tutorial em