UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI DANIEL NOSÉ APROVEITAMENTO DE ÁGUAS PLUVIAIS E REÚSO DE ÁGUAS CINZAS EM CONDOMÍNIOS RESIDENCIAIS SÃO PAULO 2008 ii DANIEL NOSÉ APROVEITAMENTO DE ÁGUAS PLUVIAIS E REÚSO DE ÁGUAS CINZAS EM CONDOMÍNIOS RESIDENCIAIS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi Orientador: Prof. Dr. José Carlos de Melo Bernardino SÃO PAULO 2008 iii DANIEL NOSÉ APROVEITAMENTO DE ÁGUAS PLUVIAIS E REÚSO DE ÁGUAS CINZAS EM CONDOMÍNIOS RESIDENCIAIS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi Trabalho____________ em: ____ de_______________de 2008. ______________________________________________ Prof. Dr. José Carlos de Melo Bernardino ______________________________________________ Nome do professor(a) da banca Comentários:_________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ iv Dedico esse trabalho aos meus pais que como muito esforço e dedicação sempre me incentivaram a estudar, ao meu irmão que sempre esteve do meu lado em todos os momentos e a minha namorada que nesses últimos anos se esforçou e se dedicou para que eu conseguisse obter o titulo de engenheiro civil. v AGRADECIMENTOS Agradeço ao meu orientador Prof. Dr. José Carlos de Melo Bernardino por todos esses meses em que demonstrou muita dedicação, empenho e competência no auxilio desse trabalho. vi RESUMO Este trabalho aborda o aproveitamento de águas pluviais e reúso de água cinzas. O aumento da população, o consumo excessivo e mau uso da água ocasionaram extensos problemas de escassez de água, torna-se necessária a busca de novas alternativas de abastecimento de água que venham a suprir as demandas atuais e futuras de consumo. Essas fontes alternativas podem ser por meio de aproveitamento de água de chuva para atividades como lavagem de pisos e rega de jardim, assim como o reúso de águas cinzas que para uso residencial, que normalmente é utilizado em descargas sanitárias. Estes sistemas visam a minimização do consumo de água tratada, tendo uma conscientização e engajamento da população, proporcionando um consumo racional e eficiente, com controle de perdas e desperdícios. O estudo de caso de um condomínio residencial demonstra estes sistemas e respectivas técnicas, estima o potencial econômico e tempo de retorno do investimento, viabilizando o empreendimento e demonstrando suas vantagens. Palavras Chave: Reúso, Águas cinzas, Águas Pluviais. vii ABSTRACT This work deal the use of rainwater and reuse of gray water. The increase of population, the excessive comsuption and bad use of water brings extensive problems of shortage of water and became necessary the search of new alternatives for supplying water that supply the c urrent and future demands of comsuption. This alternative sources can be by the use of the rain water to activities like floor wash and to water the garden, like the re use of gray water that for the residential use, usually is used in toilet flush. This systems aims to minimize the comsuption of treat water having an awareness and an engagement of the population, proposing a rational and efficient comsuption with control of lost and wastes the case study of a residential condominium demonstrate this systems and respective techniques, estimating the economic potential and time of the return on investment, making possible the comercial undertaking and shows the benefits. Key Words: Reuse, Gray Water, Rain Water. viii LISTA DE FIGURAS Figura 5.1 – Precipitação média mensal (mm) em São Paulo no período 1961-1990 (Geólogo, 2008) ................................................................................................. 11 Figura 5.2 – Regiões áridas e semi-áridas do globo, (Gnadlinger, 2000). ............... 17 Figura 5.3 – Chultuns, cisternas em encostas com capacidade para 20 a 45 mil litros, (Gnadlinger, 2000). ............................................................................................ 18 Figura 5.4 – Pátio utilizado como área de captação de água da chuva utilizada para irrigação, na China, (GNADLINGER, 2000). ...................................................... 21 Figura 5.5 – Represa para armazenar água de escoamento superficial (GNADLINGER, 2000). ...................................................................................... 21 Figura 5.6 – Detalhes do sistema de captação de água de chuva para uso residencial, (3PTechnik, 2007). .......................................................................... 22 Figura 5.7 – Reservatório de 1.500 m³ que armazena água de chuva juntamente com a água de refrigeração para reúso, (MESQUITA, 2003). ................................... 24 Figura 5.8 – Ábaco para dimensionamento de estruturas de coleta e armazenamento de água de chuva para um consumo diário de 20 L, para um período de estiagem de 26 dias (YURI, 2003). .................................................................... 27 Figura 5.9 – Hidrograma afluente ao reservatório (UEHARA, 2002). ........................ 29 Figura 5.10 – Diagrama de Massas (UEHARA, 2002). ............................................. 29 Figura 5.11 – Elementos do diagrama de massas (UEHARA, 2002). ....................... 30 Figura 5.12 – Filtro FV1, (3Ptéchnik, 2008). .............................................................. 37 Figura 5.13 – Filtro FV1, (3Ptéchnik, 2008). .............................................................. 38 Figura 5.14 – Esquema básico do sistema de distribuição de água potável e pluvial (Téchne, 2008). .................................................................................................. 39 Figura 5.15 – Esquema básico do sistema de Osmose Reversa (OKTE , 2008). ..... 43 Figura 5.16 – Tanque de flotação por ar dissolvido (OKTE, 2008)............................ 44 Figura 5.17 – configuração básica de um projeto para a utilização de água cinza (Téchne, 2008). .................................................................................................. 45 Figura 5.18 – Tratamento do efluente secundário por Zona de Raízes (KAICK, 2002). ........................................................................................................................... 53 Figura 5.19 – Sistema de filtração (MIELI, 2001). ..................................................... 57 Figura 5.20 – Filtro lento de areia (SOUSA, 2001). ................................................... 58 ix Figura 6.1 – Fachada principal do Condomínio – vista dos blocos A e B. ................. 61 Figura 6.2 – Consumo diário per capita (litros/hab/dia) para os três blocos. ............. 66 Figura 6.3 – Resultados de dimensionamento de reservatório obtidos para os blocos A, B e C utilizando-se o Programa Netuno......................................................... 74 Figura 6.4 – Resultados de dimensionamento de reservatório obtidos para os blocos A, B e C utilizando-se o Programa Netuno......................................................... 80 Figura 7.1 – Diagrama de massas gerados com precipitações de chuva no período de 1971 a 2004. ................................................................................................. 91 x LISTA DE TABELAS Tabela 5.1 - Distribuição % da massa de água no planeta. ................................... 7 Tabela 5.2 - Característica da disponibilidade hídrica nas grandes bacias brasileiras (adaptado de ANEEL, 1997). ........................................................... 9 Tabela 5.3 – Consumo per capita de água e suas variações............................... 12 Tabela 5.4 – Relação entre tamanho populacional e o consumo da água no Japão. ................................................................................................................ 13 Tabela 5.5 – Consumo médio de água em cada região do Brasil, em 2003. ...... 14 Tabela 5.6 - Percentual de contribuição dos diversos usos da água potável em alguns países. .................................................................................................. 15 Tabela 5.7 – Dimensionamento do filtro e reserva em função da área de telhado. ............................................................................................................. 26 Tabela 5.8 - Valores do coeficiente C com base em superfícies ......................... 28 Tabela 5.9 - Caracterização da qualidade da água de chuva reservada. ............ 34 Tabela 5.10 - Dados de qualidade de águas pluviais coletadas em diferentes superfícies. ....................................................................................................... 35 Tabela 5.11 - Tratamento necessário para diferentes usos de água .................. 36 Tabela 5.12 - Casos de sucesso em reúso de águas cinzas ............................... 47 Tabela 5.13 – Principais macrófitas emergentes usadas em tratamento de águas residuárias por raízes (Zona de Raízes). ............................................ 52 Tabela 5.14 – Critérios para construção de tratamento de esgoto por raízes (Zona de Raízes). .............................................................................................. 53 Tabela 5.15 – Mecanismos predominantes na remoção de poluentes na Zona de Raízes........................................................................................................... 54 Tabela 5.16 – Características físicas e operacionais do Filtro Lento de Areia. . 58 Tabela 6.1 – Valores médios de freqüência diária e tempo de uso dos dispositivos do banheiro para os blocos A, B, C e para o Condomínio. .... 63 Tabela 6.2 – Dados de consumo dos aparelhos em atividades de uso coletivo para os blocos A, B e C, e para todo o Condomínio. .................................... 64 Tabela 6.3 – Consumo de água, por bloco, obtidos através das faturas emitidas pela CASAN. ..................................................................................................... 65 xi Tabela 6.4 – Valores médios de consumo diário per capita (em litros/hab/dia) para cada mês de referência ........................................................................... 66 Tabela 6.5 – Consumo de água nos dispositivos que demandam atividades individuais. ....................................................................................................... 67 Tabela 6.6 – Médias dos consumos de água nos dispositivos que demandam atividades coletivas. ........................................................................................ 68 Tabela 6.7 – Estimativas de usos finais para cada morador segundo dados fornecidos pelos moradores. .......................................................................... 69 Tabela 6.8 – Estimativas de usos finais, em porcentagem, para os blocos A, B e C e para todo o Condomínio. .......................................................................... 70 Tabela 6.9 – Comparação entre os consumos real e estimado........................... 70 Tabela 6.10 – Dados de entrada, separados por bloco, necessários para a utilização do Programa Netuno. ..................................................................... 72 Tabela 6.11 – Dados de entrada e cálculos dos volumes de armazenamento dos reservatórios superiores de cada bloco. ....................................................... 75 Tabela 6.12 – Resumo das soluções adotadas para reservatórios inferior e superior de água de chuva em cada bloco. ................................................... 75 Tabela 6.13 – Dados de entrada e cálculos dos volumes de armazenamento dos reservatórios de água de reúso. ..................................................................... 77 Tabela 6.14 – Resumo das soluções adotadas para reservatórios inferior e superior de água de reúso em cada bloco..................................................... 78 Tabela 6.15 – Dados de entrada e cálculos dos volumes de armazenamento dos reservatórios, considerando o uso de água de chuva e reúso de águas cinzas. ............................................................................................................... 79 Tabela 6.16 – Resumo das soluções adotadas para os reservatórios inferior e superior de cada bloco. ................................................................................... 80 Tabela 7.1 – Resumo dos custos de implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial. ..................................................................... 86 Tabela 7.2 – Resumo dos custos de implantação de um sistema de reúso de águas cinzas. .................................................................................................... 86 Tabela 7.3 – Resumo dos custos de implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial em conjunto com um sistema de reúso de águas cinzas. .................................................................................................... 86 xii Tabela 7.4 – Tabela tarifária utilizada pela CASAN para edificações residenciais. ..................................................................................................... 87 Tabela 7.5 – Tempo de retorno para investimento em um sistema de captação de água pluvial. ................................................................................................ 88 Tabela 7.6 – Tempo de retorno para investimento em um sistema de reúso de águas cinzas. .................................................................................................... 88 Tabela 7.7 – Tempo de retorno para investimento em um sistema que utiliza simultaneamente captação de água pluvial e reúso de águas cinzas......... 88 Tabela 7.8 – Número de dias consecutivos sem chuva para diferentes tempos de retorno (TR). ................................................................................................ 89 Tabela 7.9 – Demonstrativo de possíveis volumes de reservatórios com suas respectivas eficiências. ................................................................................... 92 xiii LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS a.C. Antes de Cristo ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ANA Agência Nacional de Águas Atl. Atlântico Ca Cálcio CASAN Companhia Catarinense de Águas e Saneamento Cd Cádmio CE Ceará CEFET/PR Centro Federal de Tecnologia do Paraná CELESC Centrais Elétricas de Santa Catarina CIESP Centro das Industrias do Estão de São Paulo CIRRA Centro Internacional de Referencia em Reúso de Água Cu Cobre CV Cavalo Vapor DBO5 Demanda Bioquímica de Oxigênio DF Distrito Federal DQO Demanda Química de Oxigênio Fe Ferro FIESP Federação das Industrias do Estado de São Paulo HAB. Habitantes MG Minas Gerais Mg Magnésio Mg Magnésio Mn Manganês Na Sódio xiv NBR Norma Brasileira NH3 Amônia NMP Número Mais Provável NO2 Óxido Nítrico NO3 Trióxido Nítrico NTK Nitrogênio Total NTU Unidade Nefelométrica de Turbidez OD Oxigênio Dissolvido OMS Organização Mundial de Saúde OPAS Organização Pan-Americana de Saúde PA Pará Pb Chumbo pH Potencial Hidrogeniônico PNRH Política Nacional de Recursos Hídricos PVC Poli Cloreto de Vinila RJ Rio de Janeiro S. Francisco São Francisco SABESP Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SC Santa Catarina SDT Sólidos Dissolvidos Totais SDT Sólidos Totais Voláteis SDV Sólido Dissolvido Voláteis Séc. Século SNGRH Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos SNIS Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento SO2 Dióxido de Enxofre SS Sólidos Sedimentáveis xv SSV Sólidos Suspensos Voláteis ST Sólidos Totais TR Tempo de Retorno USP Universidade de São Paulo UV Ultra Violeta Vt 10 Volume Total para Tempo de Retorno de 10 Anos Vt 5 Volume Total para Tempo de Retorno de 5 Anos xvi SUMÁRIO p. 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 1 2. OBJETIVOS ......................................................................................................... 3 2.1 Objetivo Geral ............................................................................................................. 3 2.2 Objetivo Específico ................................................................................................... 3 3. MÉTODO DE TRABALHO .................................................................................. 4 4 JUSTIFICATIVA .................................................................................................. 5 5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA................................................................................ 6 5.1 Disponibilidade Hídrica ............................................................................................ 6 5.1.1 No Mundo .............................................................................................................. 6 5.1.2 No Brasil ................................................................................................................ 8 5.2 Demanda Hídrica ..................................................................................................... 11 5.3 Aproveitamento de Água de chuva .................................................................... 15 5.3.1 História do Aproveitamento de Água da Chuva ............................................ 16 5.3.2 Técnicas de Aproveitamento de Água ........................................................... 19 5.3.3 Aproveitamento de Água da Chuva Atualmente........................................... 22 5.3.4 Técnicas de Dimensionamento do Sistema de Aproveitamento de Águas Pluviais 25 5.3.5 Qualidade da Água ............................................................................................ 33 5.3.6 Tratamento Água Coletada .............................................................................. 36 5.3.7 Instalações Hidro-sanitárias ............................................................................. 39 5.4 Reúso de Águas Cinzas ......................................................................................... 40 5.4.1 Caracterização ................................................................................................... 40 5.4.2 Técnicas de Reúso de Águas Cinzas............................................................. 42 5.4.3 Reúso de Águas Cinzas Atualmente .............................................................. 46 xvii 5.4.4 Técnicas de Dimensionamento do Sistema de Reúso de Águas Cinzas. 48 5.4.5 Qualidade da Águas Cinzas............................................................................. 49 5.4.6 Tratamento .......................................................................................................... 50 6 ESTUDO DE CASO ........................................................................................... 60 6.1 Condomínio Residencial Santa Martha ............................................................. 60 6.1.1 Introdução ........................................................................................................... 60 6.1.2 Objeto do Estudo ............................................................................................... 61 6.1.3 Levantamento de Dados................................................................................... 62 6.1.4 Estimativa do consumo de água nos dispositivos e dos usos finais ......... 67 6.1.5 Estimativas de Usos Finais .............................................................................. 70 6.1.6 Estimativa do Volume do Reservatório de Água de Chuva ........................ 71 6.1.7 Estimativa do Volume do Reservatório de Água de Reúso ........................ 76 6.1.8 Estimativas dos Volumes dos Reservatórios Considerando Utilização Simultânea dos dois Sistemas. ....................................................................................... 78 7 8 ANÁLISE DOS RESULTADOS ......................................................................... 82 7.1.1 Análise Econômica ............................................................................................ 82 7.1.2 Análise de Dimensionamento .......................................................................... 89 CONCLUSÕES .................................................................................................. 95 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 96 ANEXO A ................................................................................................................ 101 ANEXO B ................................................................................................................ 103 ANEXO C ................................................................................................................ 105 ANEXO D ................................................................................................................ 107 ANEXO E ................................................................................................................ 109 xviii ANEXO F ................................................................................................................ 111 ANEXO G ................................................................................................................ 113 1. INTRODUÇÃO A maior parte do Planeta Terra é constituída de água, mas somente uma pequena porcentagem desta água está disponível para ser utilizada pelo homem. Os oceanos e mares constituem 96,5% da água existente na Terra, cobrindo 71% de sua superfície. Além disso, há água acumulada nas calotas polares, no pico das montanhas, no vapor atmosférico, e em profundidades não acessíveis, que não são aproveitáveis. MAIDMENT (1993), mostra que a massa de água na Terra é de aproximadamente 265.400 trilhões de toneladas. Dessa quantidade, apenas 0,5% de água doce encontra-se explorável do ponto de vista econômico e tecnológico. Do volume total de água, somente 0,003% encontra-se de forma a ser utilizada diretamente, uma vez que a outra parcela de água doce está situada em locais de difícil acesso ou já muito poluída. Em termos globais, a quantidade de água disponível é superior ao total consumido pela população. No entanto, a distribuição deste recurso é desigual nas diversas regiões do planeta e em geral não é diretamente proporcional às necessidades (ARAÚJO, 1988). Em muitas regiões do mundo o problema da falta de água para consumo se agrava no verão, principalmente nas cidades litorâneas, onde o aumento da população neste período faz com que seja necessário o racionamento. A solução para este problema tem sido o investimento em novos mananciais, muitas vezes distantes e de pior qualidade. No entanto isto implica em custos elevados para bombeamento e tratamento. O problema de escassez de água não é exclusividade das regiões áridas e semiáridas. Em muitos locais, onde há recursos hídricos em abundância, o consumo excessivo e mau uso da água faz com que seja necessário a restrição ao consumo. Isto afeta o desenvolvimento econômico da região e a qualidade de vida da população. 2 Uma das soluções para este problema é a substituição de parte da água potável utilizada em uma residência por água de qualidade inferior destinadas a fins menos nobres, tais como lavagens de pisos, calçadas, garagens, carros, descargas de banheiros, regas de jardins, entre outros, reduzindo assim a demanda sobre os mananciais. Para tanto, o aproveitamento da água de chuva e o reúso de água cinzas são alternativas que podem ser aplicadas. A água de chuva é um recurso hídrico acessível a toda população, independente das condições econômicas e sociais, e ainda é uma fonte de água doce que ainda não é passível de ser cobrada pelo seu uso. Já a gestão sustentável da reutilização de água, gera a economia, diminui a demanda sobre os mananciais subterrâneos e superficiais para abastecimento e ainda reduz a emissão de efluentes líquidos. As águas cinzas são aquelas provenientes do chuveiro, banheira, lavatório de banheiro e máquina de lavar roupas. Estas águas são ricas em sabões, sólidos suspensos e matéria orgânica e podem possuir pequenas quantidades de bactérias. O reúso de águas cinzas em edificações é perfeitamente possível, desde que seja projetado para este fim, respeitando todas as diretrizes a serem analisadas, ou seja, evitar que a água reutilizada seja misturada com a água tratada e não permitir o uso da água reutilizada para consumo direto, preparação de alimentos e higiene pessoal. Porém, a qualidade necessária para atender aos usos previstos deve ser rigorosamente avaliada, para a garantia da segurança sanitária. O presente trabalho irá apresentar algumas das técnicas e processos utilizados para implantação dos sistemas que promovem uma economia no consumo de água tratada através do aproveitamento de água de chuva e de reúso de águas cinzas. Quando se fala em uso racional e economia de água, alguns pontos merecem importância, como: estimativas de uso final, precipitação atmosférica área de telhado e reúso de água. A partir destes fatores pode-se determinar o potencial de economia de água tratada através da utilização dos sistemas individuais ou simultâneos. 3 2. OBJETIVOS O trabalho em questão visa estudar o sistema de captação de águas de chuva e o reúso de águas cinzas em condomínios residenciais, como uma alternativa para redução do consumo de água tratada. 2.1 Objetivo Geral Este trabalho contemplará a análise de um sistema local, visando a redução do consumo de água tratada, analisando os benefícios pontuais e principalmente econômicos, decorrentes do uso adequado das águas de abastecimento e dos recursos hídricos disponíveis. 2.2 Objetivo Específico O trabalho tem como objetivo analisar um sistema de aproveitamento de águas pluviais e reúso de águas cinzas em condomínios residenciais, visando a minimização do consumo de água tratada, por meio de um consumo racional e eficiente, com controle de perdas, desperdícios e o seu reaproveitamento. Além disso, o trabalho visa a verificação do custo-benefício e a viabilidade de implantação de um sistema como este. 4 3. MÉTODO DE TRABALHO O trabalho foi desenvolvido através de pesquisas bibliográficas em livros, artigos técnicos, sites na Internet, apostilas técnicas, reportagens, entrevistas com profissionais e consultas em acervos técnicos. Diversas visitas foram realizadas ao CIRRA (Centro Internacional de referencia em reúso de água) para coleta das informações sobre estudos que estão sendo desenvolvidos e a atual tecnologia aplicada no aproveitamento de águas pluviais e reúso de águas cinzas. Além disso, o estudo de caso realizado é relativo a um condomínio residencial para verificação dos resultados práticos obtidos em decorrência da aplicação deste sistema. 5 4 JUSTIFICATIVA O trabalho apresentado tem sua importância na medida em que apresenta uma alternativa para melhor aproveitamento dos recursos hídricos, contribuindo com a preservação e o uso racional dos recursos naturais disponíveis. A água é indispensável para o ser humano e para toda a vida no planeta. Na natureza tudo se transforma, inclusive a água por meio do ciclo hidrológico, que é capaz de purificar a água através de um processo lento. Por isso há necessidade de sua utilização com controle e racionalidade. Atualmente as questões do uso racional da água tomaram proporções amplas, já que há uma expectativa de falta de água global em função do aumento na demanda e contaminação dos mananciais. A sociedade deverá rever a prática do uso deste recurso, o gerenciamento e a sustentabilidade dos recursos naturais. Uma das alternativas para otimizar a utilização da água tratada é o aproveitamento de águas pluviais e de reúso de águas cinzas para fins não potáveis em residenciais. As águas das chuvas são uma fonte de água doce que pode ter seu uso destinado a rega de jardins, lavagem de carros, calçadas, descargas nos vasos sanitários, resfriamento evaporativo, entre outros usos que não requerem grau de tratamento elevado. As águas cinzas também podem ser utilizadas para outros usos menos nobres, como, por exemplo, em vasos sanitários. Mas para tal utilização há necessidade de conscientização da população, pois hoje ainda existe uma resistência nesta utilização. 6 5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 5.1 Disponibilidade Hídrica Devido a grande quantidade de água, a Terra poderia ser chamada de planeta-água com uma ocupação de 71% da superfície do planeta, além do potencial hídrico subterrâneo que é 100 vezes maior que o potencial das águas superficiais. Desse total, apenas 0,63% é água doce, e grande parte dela é imprópria para consumo, sendo que a água subterrânea é a que se apresenta da forma mais pura e representa uma reserva permanente. Aproximadamente 14 mil Km³/ano é a quantidade de água doce do planeta que é viável para aproveitamento pelo ser humano. Caso se mantenha a taxa de crescimento da população mundial, em 1,6% ao ano, e o consumo per capita se mantiver, o planeta terá 50 anos garantidos e a partir daí a procura será maior que a demanda (PLANETAORGANICO, 2008). 5.1.1 No Mundo A população mundial em 2050 não contará com disponibilidade hídrica para as necessidades básicas. Atualmente 1,1 milhões de pessoas não tem acesso à água doce (JACOBI, 2008). O Volume atual de água no planeta é de 36 milhões de km³ (escoamentos superficial e subterrâneo), mas estima-se que somente 25% da vazão de água doce possa ser utilizada efetivamente pelo homem, ou seja, algo em torno de 9 milhões de km³ (GLEICK, 1993). Segundo tabela 5.1, 96,50% da água do planeta está concentrada nos oceanos, 3,50% do restante corresponde à água fresca, sendo que somente 0,5% desta água não está concentrada nos pólos em forma de gelo, assim temos somente 0,003% desta água disponível para utilização direta (MAIDMENT, 1993). 7 Tabela 5.1 - Distribuição % da massa de água no planeta. Fonte: MAIDMENT, 1993. Uma grande parte do planeta está em regiões onde á água é um bem escasso, nessas regiões existe em caráter de urgência desenvolver tecnologias que permitam a captação, armazenamento, preservação da água e seus mananciais (JACOBI, 2008). Ao contrário do que possa aparentar, a água existente no planeta é praticamente invariável há centenas de milhões de anos, o que muda é o seu estado e sua distribuição. Esse fenômeno chamado de Ciclo Hidrológico, onde as águas do oceano e dos continentes evaporam-se, formam nuvens e voltam a precipitar em forma de chuva, neblina ou neve, esses escoam para rios, lagos e para o subsolo formando importantes aqüíferos subterrâneos, e aos poucos voltam a correr para o mar mantendo o equilíbrio hidrológico do planeta (JACOBI, 2008). Essa água passa a ser perdida para o consumo, devido a poluição e a contaminação e não devido ao assoreamento. Esses fatores inviabilizam a reutilização ocasionando grande redução no volume aproveitável de água na terra (JACOBI, 2008). 8 O Brasil, em termos de disponibilidade hídrica global, é altamente privilegiado com volumes médios anuais de 8.130km³ que apresenta um volume per capita de 50.810 m³/hab/ano. Esses números devem ser encarados com certo resguardo, pois a distribuição de água no Brasil, não é diferente do restante do mundo. A Amazônia o lugar mais rico de água de todo o mundo, está distante dos grandes centros urbanos indicando uma irregular distribuição (JACOBI, 2008). Há necessidade de investimentos significativos neste setor por parte das autoridades, caso esse investimento não ocorra poderemos ter problemas futuros gerado pela falta de água (JACOBI, 2008). 5.1.2 No Brasil Os recursos hídricos superficiais gerados no Brasil representam 50% do total dos recursos da América do Sul e 11% dos recursos mundiais, totalizando 168.870 m³/s. A distribuição desses recursos no País e durante o ano não é uniforme, destacandose os extremos do excesso de água na Amazônia e as limitações de disponibilidades no Nordeste. A Amazônia brasileira representa 71,1% do total gerado e, portanto 36,6 % do total gerado na América do Sul e 8% a nível Mundial. Considerando a vazão total da Amazônia que escoa pelo território brasileiro, a proporção é de 81,1% do total nacional. Considerando este volume, o total que escoa a partir do Brasil representa 77% total da América do Sul e 17% em nível mundial (TUCCI et al., 2000). Na Tabela 5.2 são apresentados os valores de disponibilidade hídrica das principais bacias brasileiras e a sua relação com a precipitação e evapotranspiração. 9 Tabela 5.2 - Característica da disponibilidade hídrica nas grandes bacias brasileiras (adaptado de ANEEL, 1997). Bacias Amazônia Tocantins Atl. Norte Atl. Nordeste S. Francisco Atl. Leste (1) Atl Leste (2) Paraná Paraguai Uruguai Atl. Sul Total Brasil Área de D km² Precipitação Médi mm m³/s Vazão Média m³/s mm Evapotranspiração Disponibilidade m³/s mm % 6112000 757000 242000 787000 634000 242000 303000 877000 368000 178000 224000 10724000 8512000 476773 39847 16338 27981 18415 6868 11808 38516 15987 8845 9902 671270 468840 209030 11800 6000 3130 2850 680 3670 1100 1290 4150 4300 257900 168870 291491 31087 10388 24581 16789 7114 8081 28735 14986 5549 5549 413370 299970 2460 1660 2136 1121 916 895 1229 1385 1370 567 1394 1974 1737 1079 492 782 125 142 89 382 396 111 735 605 758 626 1381,50 1168,40 1353,70 995,80 774,20 806,40 847,00 989,50 1259,50 831,80 788,60 1215,60 1111,40 71,10 7,00 3,60 1,90 1,70 0,40 2,20 6,50 0,80 2,50 2,50 100,00 C 0,44 0,30 0,37 0,11 0,15 0,10 0,31 0,29 0,08 0,47 0,43 0,38 0,36 Fonte: Carlos E. M. Tucci et al., (2000). A disponibilidade indica a parcela que a bacia contribui para a geração da vazão total das bacias; C é a relação entre vazão e precipitação; Brasil: é a precipitação e a vazão gerada na área brasileira, descontando a contribuição de montante da bacia Amazônia (Adaptado de NETTO et al., 1998). No Brasil, praticamente em todos os estados com exceção dos situados no semiárido do nordeste, temos gigantescas reservas de águas superficiais. No entanto as maiores reservas estão situadas nos aqüíferos subterrâneos devido a parcela da água superficial que percola formando vastos lençóis (JACOBI, 2008). O aqüífero Guarani é o maior aqüífero do mundo já descoberto, o mesmo esta localizado em rochas da Bacia Sedimentar do Paraná com uma área de mais de 1,2 milhões de km². Este aqüífero entende-se pelo Brasil com uma área de 840.000km², no Paraguai com 58.000km² e na Argentina com 255.000km², podendo conter mais de 40 mil quilômetros cúbicos de água (JACOBI, 2008). Por ano estima-se que 160 quilômetros cúbicos de água permeiem da superfície para o aqüífero que pode ser considerado um problema caso esta água que permeia esteja contaminada, contaminaria o aqüífero por inteiro (JACOBI, 2008). 10 Reservatórios subterrâneos de água potável são conhecidos por todas as regiões do Brasil, mesmo no semi-árido existem gigantescos reservatórios, um deles com um volume estimado de 18 trilhões de metros cúbicos de água potável disponível para consumo humano, volume este que conseguiria abastecer toda a população brasileira por aproximadamente 60 anos (JACOBI, 2008). As chances de se descobrir novos aqüíferos inclusive maiores do que o Guarani é muito grande, pois ¾ dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados da superfície brasileira corresponderem a Bacias Sedimentares como a do Paraná. Essas bacias contem unidades sedimentares porosas e permeáveis podem formar excelentes aqüíferos de dimensões exorbitantes (JACOBI, 2008). Na bacia do Amazonas (PA) foi constatada através de sondagem profunda maiores a 400m um gigantesco aqüífero artesiano que fornece água ininterrupta a comunidade da Transamazônica, esse reservatório ainda não mapeado foi interceptado em poucos furos a dezenas de quilômetros dando idéia do volume do aqüífero (JACOBI, 2008). As águas encontradas nos aqüíferos podem ser livre de poluentes e contaminantes podendo ser utilizada diretamente para consumo. Além disso, por não precisar de tratamento muito complexo, torna-se uma solução com custo bem acessível ao consumidor final. Na grande São Paulo a precipitação que ocorre entre os meses de janeiro a março tem um volume superior a todo o consumo desta cidade durante o ano, esse exemplo é valido para quase todas as regiões onde existem estações chuvosas (JACOBI, 2008). 11 Precipitação Média Mensal (mm) 300 250 200 150 100 50 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 5.1 – Precipitação média mensal (mm) em São Paulo no período 19611990 (Geólogo, 2008) 5.2 Demanda Hídrica Em todo o mundo, a água é utilizada para diversas finalidades, abastecimento de cidades, usos domésticos, geração de energia, navegação e aqüicultura (pesca). Com o crescimento dos países, crescem junto as industrias e a agricultura que são atividades que tem um consumo considerável de água comparado aos outros usos (DE OLHO NOS MANANCIAIS, 2008). O panorama de escassez provocado pela degradação e pela distribuição irregular da água, somado ao aumento da demanda em várias atividades que dependem dela, gera conflitos, seja dentro dos próprios países, como discussões para se decidir qual será o principal uso das águas de um rio, ou entre as nações, por exemplo, no caso de bacias hidrográficas se localizarem no território de mais de um país (DE OLHO NOS MANANCIAIS, 2008). O Brasil, historicamente sempre privilegiou o uso da água para a produção de energia e abastecimento humano. Segundo o código das águas (1934), o governo chamava a atenção para a necessidade do aproveitamento industrial da água e para a implementação de medidas que facilitem em particular, seu potencial de geração de hidroeletricidade. Mas o uso múltiplo das águas das bacias hidrográficas - para a navegação, a irrigação, a pesca e o abastecimento, além da geração de energia 12 desencadearam conflitos nas regiões onde as pressões sobre a demanda são grandes (JACOBI, 2008). Frente a esse problema, em 1997, foi decretada a Lei das Águas, que institui a política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SNGRH). Nessa nova leitura da importância da água, em situações de escassez e conflitos de uso, o abastecimento humano e a dessedentação animal tornam-se prioridades, como havia sido estabelecido pela Constituição de 1988. Além disso, a lei prevê a gestão dos usos da água por bacias hidrográficas e a geração de recursos financeiros a serem empregados prioritariamente na própria bacia, por meio da cobrança pelo uso da água onde há conflitos ou escassez (JACOBI, 2008). Tabela 5.3 – Consumo per capita de água e suas variações. PAÍS Escócia Estados Unidos/Canadá Austrália Brasil RJ Brasil MG Brasil DF Brasil Norte Fonte: Geólogo, 2008. CONSUMO DE ÁGUA PER CAPITA 410 litros/pessoa/dia 300 litros/pessoa/dia 270 litros/pessoa/dia 140 litros/pessoa/dia 124 litros/pessoa/dia 225 litros/pessoa/dia 140 litros/pessoa/dia Na tabela 5.3 observamos que o consumo per capita é maior em paises desenvolvidos do que nos paises em desenvolvimento, no Brasil, o maior consumo per capita é no Distrito Federal (JACOBI, 2008). Ao longo do século 20 o consumo de água per capita multiplicou-se por mais de dez e mesmo assim, milhões de cidadãos ainda não tem acesso a esse bem tão necessário para a sobrevivência humana (JACOBI, 2008). Atualmente, o consumo mundial de água doce é seis vezes maior do que em 1900, embora a população mundial não tenha crescido na mesma proporção ao longo do século. O alto padrão de consumo hídrico está associado, sobretudo à irrigação, processo que ocasiona o emprego de mais de 70% da água doce consumida, a indústria é responsável pelo uso de 22% do consumo e o uso doméstico com 8%. 13 No entanto, há estimativas de que o consumo industrial duplicará até 2025 e que haverá um aumento de até quatro vezes na emissão de poluentes industriais nos corpos de água (SOECO/MG, 2004). No Brasil, a necessidade de água não se difere muito do restante do mundo. A agricultura corresponde a cerca de 65% do total, em seguida vem o uso domestico com 18%, em seguida a industria com 14% e por ultimo a pecuária (MELO, 2008). O segmento doméstico também tem contribuído para o consumo de água, através de eletrodomésticos como máquinas de lavar louças e de lavar roupas. Além disso, a lavagem de automóveis e de pisos com mangueiras aumenta consideravelmente o volume de água gasto nas residências (SOECO/MG, 2004). Como resultado deste elevado consumo, os lençóis freáticos estão baixando dezenas de metros em várias partes do mundo, exigindo a escavação de poços cada vez mais profundos. Em Gujarat, na Índia, os excessos de bombeamento do lençol freático fizeram com que seu nível descesse em 40 metros. Isto acabou agravando as diferenças sociais, por privar os produtores rurais mais pobres do acesso à água. Em algumas partes do estado norte-americano do Texas o rebaixamento chegou a 50 metros em meio século (SOECO/MG, 2004). De acordo com Netto et al., (1998), o consumo de água é influenciado por fatores como o clima, o padrão econômico da população, o número de habitantes da cidade, os hábitos da população, o sistema de fornecimento e cobrança da água, o custo da água entre outros. Em geral, em países menores, quanto maior o número de habitantes de uma cidade, maior é o consumo de água. Isto ocorre, por exemplo, em cidades do Japão conforme indicado na tabela 5.4. Tabela 5.4 – Relação entre tamanho populacional e o consumo da água no Japão. População (hab.) Consumo de água (l/hab/dia) Até 5.000 197,0 50.000 a 100.000 337,0 250.000 a 500.000 370,0 Acima de 1.000.000 448,0 Fonte: Adaptado de NETTO et al., (1998). 14 A seguir na tabela 5.5, são apresentadas informações sobre o consumo médio de água em cada região do Brasil. Tabela 5.5 – Consumo médio de água em cada região do Brasil, em 2003. Região Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil Fonte: SNIS, (2004). Consumo Médio de Água (l/hab.dia) 111,7 107,3 147,0 124,6 133,6 141,0 Segundo a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), a quantidade de água que o ser humano necessita, por dia, para atender suas necessidades é de 189 litros (OLIVEIRA, 2004). Já segundo a Organização das Nações Unidas esta quantidade é de 200 litros por pessoa por dia (OLIVEIRA, 2004 e VIDAL, 2002). Na prática o consumo per capita, varia de região para região. Em países europeus o consumo por pessoa por dia está situado entre 150 e 250 litros, enquanto que nos Estados Unidos este consumo é superior a 300 litros por pessoa por dia (OLIVEIRA, 2004 e VIDAL, 2002). No Brasil, em residências de cidades de porte médio o consumo chega a 200 litros por habitante por dia, podendo elevar-se até 400 litros em bairros de nível econômico mais elevado e reduzir-se para valores de 120 litros por habitante por dia em cidades de menor porte. O consumo dos banheiros representa 70 a 82% do consumo total de uma residência de porte médio (OLIVEIRA, 2004). Na Tabela 5.6 são apresentadas informações sobre o percentual de água consumida em cada atividade doméstica. Em 1995, com a parceria da USP (Universidade de São Paulo) com a SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) deu-se início a estudos de demanda de utilização de água em residências. As pesquisas mostraram que um brasileiro típico gasta de 50 a 200 litros de água por dia. Essa variação depende da região do país. Este consumo está distribuído entre chuveiros, torneiras, vasos sanitários, máquinas de lavar roupa, entre outros (DECA, 2004). Em um 15 estudo de caso realizado foram determinados os percentuais de uso final de água em uma residência. Estas informações podem ser observadas na tabela 5.6. Tabela 5.6 - Percentual de contribuição dos diversos usos da água potável em alguns países. Suíça (%) Vaso Sanitário 40 Banho 37 Lavatório Cozinha 6 Bebidas 5 Lavagem de roupas 4 Limpeza de piso 3 Jardins 3 Lavagem de carros 1 Outros 1 Fonte: OLIVEIRA, (2004). Estados Unidos (%) Colômbia (%) Reino Unido (%) Brasil Consumo (%) Consumo (%) USP 40 30 10 15 5 40 30 5 10 15 37 37 11 4 11 - 41 37 6 5 4 3 3 1 - 29 28 6 22 9 6 - Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, através do Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto – 2001, tem-se o consumo per capita no Brasil, o qual apresenta o estado Rio de Janeiro com o maior consumo médio por habitante por dia e o estado do Amazonas com o menor consumo. 5.3 Aproveitamento de Água de chuva Os desafios enfrentados pela gestão de diversos países com relação a situação dos recursos hídricos, onde em muitas regiões excede a quantidade água disponível e mesmo em regiões onde a disponibilidade é grande, a falta de manejo destes recursos pode fazer com que a população sofra com a falta de água. Devido o aumento das demandas de água para uso doméstico e industrial os recursos hídricos superficiais e subterrâneos deverão ser aproveitados de uma maneira mais eficientes e as soluções requerem uma visão mais integrada da gestão de recursos hídricos. Uma das principais soluções inclui o aumento da água disponível por acréscimo da capacidade de armazenamento. A construção de grandes barragens tem sido a opção escolhida em muitas regiões do mundo, porém 16 seus custos econômicos e ambientais têm sido apontados como causas da diminuição na taxa de construção dessas estruturas. As alternativas possíveis são: pequenas barragens, armazenamento de água em regiões pantanosas, recarga de aqüíferos, técnicas tradicionais de armazenamento em pequena escala e métodos de colheita de precipitações e vazões de água em cursos intermitentes (PETRY E PALMIER, 2001). Os países ricos possuem conhecimento e condições financeiras para enfrentar os problemas relacionados com a escassez de água, utilizando-se de métodos como a construção de grandes reservatórios e transposição de bacias, mesmo que com um alto investimento e, comumente causando danos aos ecossistemas. Assim ficam mais vulneráveis ao problema as nações pobres devido à escassez de água, além de não possuírem os recursos hídricos adicionais, não dispõe de condições econômicas para alterar suas características de desenvolvimento (WORLD METEOROLOGICAL ORGANIZATION e PALMIER, 2001). 5.3.1 História do Aproveitamento de Água da Chuva Há muitos anos a captação de águas de chuva em sistemas individuais de abastecimento tem sido uma prática usual. Segundo TOMAZ (2003), existem reservatórios escavados desde 3.600 a.C. e a Pedra Moabita, uma das inscrições mais antigas do mundo, encontrada no Oriente Médio e datada de 850 a.C., onde o rei Mesha dos Moabitas sugere que as casas tenham captação de água de chuva. Em sistemas públicos essa técnica também vem sendo aplicada em comunidades pequenas. Em diversas partes do mundo, a coleta e aproveitamento de água de chuva tem sido uma técnica muito popular, especialmente em regiões áridas e semi-áridas que constituem aproximadamente 30% da superfície da terra. A colheita de água da chuva foi inventada independentemente em diferentes continentes há milhares de anos e vem sendo usada e difundida principalmente em regiões semi-áridas onde as chuvas ocorrem durante poucos meses do ano conforme mostra figura 5.2 (Gnadlinger, 2000). 17 HIPER ÁRIDO ÁRIDO SEMI-ÁRIDO SUB-HÚMIDA SECA Figura 5.2 – Regiões áridas e semi-áridas do globo, (Gnadlinger, 2000). Existem exemplos de técnicas de captação e utilização de água de chuva em todo o mundo, um deles é na região semi-árida da China onde o problema de abastecimento de água foi resolvido trazendo resultados positivos fundamentais para o desenvolvimento econômico e social da região (GNADLINGER, 2000 e PALMIER, 2001). No Planalto de Loess, na China, essa técnica já era conhecida há mais de dois mil anos, quando já existiam cacimbas e tanques para armazenar a água de chuva (GNADLINGER, 2000). Devido a técnicas de captação de água de chuva, na década de 70, várias cidades da Índia tiveram a solução para a sua produção agrícola e passaram da situação de importadora a exportadora de alimentos. Na cidade de Gopalpura, na Índia, no meio da década de 80, passou a reaviver a prática de captação de escoamento superficial em regiões propensas à seca e o sucesso do empreendimento motivou outras 650 cidades próximas a desenvolver esforços similares, levando à elevação do nível do lençol freático, maior rendimento e estabilidade das atividades agrícolas, e redução das taxas de migração. Impressionado com o sucesso da experiência do uso de técnicas de captação de águas de chuva, o ministro chefe do estado de Madhya Pradesh, também na Índia, repetiu a iniciativa em 7.827 cidades. O projeto atendia a quase 3,4 milhões de hectares de terra entre 1995 e 1998 (WORLD WATER COUNCIL, 2000 e PALMIER, 2001). 18 Apesar do elevado índice de precipitação média, grande parte da população do Sri Lanka, está sujeita a escassez de água devido a variabilidade espacial da região. Essas comunidades vêm utilizando essas técnicas de colheita a fim para atender o uso domestico, porém a água não podia ser armazenada por um longo período em função da deterioração de sua qualidade. A partir de 1995, um programa do governo federal foi iniciado para promover a construção de tanques de armazenamento de capacidade de 5.000 litros, providos de um sistema de filtro, que garantia a qualidade adequada da água (ARIYABANDU e PALMIER, 2001). Ao sul da cidade de Oxkutzcab, ao pé do monte Puuc, ainda hoje podem ser vistas as realizações do povo Maia. No Séc. X existia ali uma agricultura baseada no aproveitamento da água de chuva. As pessoas viviam nas encostas e sua água potável era fornecida por cisternas com capacidade de 20.000 a 45.000 litros, chamadas Chultuns figura 5.3 (GNADLINGER, 2000). Figura 5.3 – Chultuns, cisternas em encostas com capacidade para 20 a 45 mil litros, (Gnadlinger, 2000). Na península de Yucatan o desaparecimento dos sistemas de coleta de água da chuva foi causado principalmente pela invasão espanhola no século XVI, onde foi introduzido um outro sistema de agricultura, vários animais domésticos, plantas e métodos de construção europeus, que não eram adaptados à realidade cultural e ambiental de Yucatan (GNADLINGER, 2000). 19 Segundo Gnadlinger (2000), algumas das razões porque as tecnologias de coleta de água de chuva foram deixadas de lado ao longo do tempo ou completamente esquecidas foi conseqüência da colonização, práticas de agricultura de zonas climáticas moderadas foram implantadas em zonas climáticas mais secas. Além disso, houve uma ênfase na construção de grandes barragens, no desenvolvimento do aproveitamento de águas subterrâneas, e em projetos de irrigação encanada, com altos custos. Em 1994, na cidade americana de Austin, Texas, foi formada a Associação Americana de Captação de Água da Chuva e em abril de 1998 foi criada a Associação Japonesa (GONDIM, 2001). Em Petrolina em 1999, por ocasião da “9º Conferência Internacional de Sistemas de Captação de Água da Chuva” e do “2º Simpósio Brasileiro sobre Sistemas de Captação de Água de Chuva” foi realizado simultaneamente a criação da Associação Brasileira de Captação e Manejo de Água da Chuva (SICKERMANN, 2002). 5.3.2 Técnicas de Aproveitamento de Água Existem diversas técnicas de aproveitamento de água que podem ser aplicadas tanto em áreas rurais, para agricultura ou abastecimento doméstico, quanto em áreas urbanas. Os princípios, métodos de construção, uso e manutenção são conhecidos e podem ser adequados às diferentes necessidades e disponibilidade financeira (PALMIER, 2001). Hoje, as antigas técnicas de aproveitamento de água de chuva, com o uso de materiais modernos, ou novas tecnologias, recebem o nome genérico de “Técnicas de Gestão de Águas de Chuvas”. Segundo Petry e Palmier (2001) as técnicas mais representativas da gestão das águas de chuva são: aumento da precipitação, redução de evaporação, captação de água da chuva, captação de água de escoamento superficial, recarga artificial de águas subterrâneas, conservação da 20 umidade em solos e gestão da água de chuva para a agricultura; sendo que as duas primeiras técnicas têm aplicação muito limitada. Em Sete Lagoas a contenção de enxurradas sucessivas em encostas com a construção de pequenas barragens superficiais com 2,5m de altura, aumentam a recargas das reservas subterrâneas elevando o nível d’água nas cisternas segundo testemunho da unidade demonstrativa (Barros, 2000). O planejamento de um sistema de captação envolve o relacionamento da área de captação com o volume a armazenar. Pode-se reservar um suprimento viável permitindo ao usuário desenhar a alternativa menos onerosa (PALMIER, 2001). Na macro-drenagem a área de captação é o próprio solo, que tem função de reter um volume considerável de água quando o fluxo é muito intenso, porém necessita de uma área muito extensa que poderia ser utilizada para outros fins. Já nos sistemas individuais a área de captação é a área do próprio telhado (GONDIM, 2001). Os sistemas de abastecimento com água de chuva podem suprir ou complementar outro tipo de sistema. Na maioria dos casos o uso de água de chuva reduz o custo de energia e de tratamento em sistemas com dupla fonte (AZEVEDO NETTO, 1991). A água de chuva armazenada em cisternas pode ser utilizada como manancial abastecedor. As cisternas são reservatórios, que acumulam a água da chuva captada na superfície dos telhados, ou a que escoa pelo terreno. A cisterna tem sua aplicação em áreas de grande pluviosidade, ou em casos extremos, em áreas de seca, onde se procura acumular a água da época de chuva para a época de seca (BARROS, 1995). Na China a água da chuva pode ser captada em pátios ou em áreas inclinadas guarnecidas com lajes de concreto e armazenada em tanques subterrâneos para posterior utilização na agricultura conforme figura 5.4 (GNADLINGER, 2000). 21 Figura 5.4 – Pátio utilizado como área de captação de água da chuva utilizada para irrigação, na China, (GNADLINGER, 2000). O sistema de barragem subterrânea é utilizado em algumas partes da região semiárida que consiste em armazenar a água do escoamento superficial em represas cavadas manualmente na rocha abaixo da superfície do chão em solo raso em direção ao subsolo cristalino impermeável (Figura 5.5). Essa água captada proveniente de uma grande área natural é armazenada e geralmente usada para dessedentação animal (GNADLINGER, 2000). Figura 5.5 – Represa para armazenar água de escoamento superficial (GNADLINGER, 2000). 22 No meio urbano, a água de chuva pode ser aproveitada para diversos usos não exigindo tratamentos dispendiosos em atividades como: lavar calçadas, carros, descargas dos vasos sanitários e regar plantas dispensam o uso de água potável. A figura 5.6 mostra os detalhes de um sistema de aproveitamento de água de chuva onde a água é coletada pela superfície do telhado por calhas tendo uma tela para reter folhas e gravetos e conduzidas para uma cisterna após passar por um processo de filtragem. Figura 5.6 – Detalhes do sistema de captação de água de chuva para uso residencial, (3PTechnik, 2007). A água armazenada é bombeada da cisterna para um reservatório separado do reservatório da rede de abastecimento, desse reservatório a água de chuva é distribuída para ser utilizada nos vasos sanitários, máquina de lavar roupas e torneira do jardim (3PTechnik, 2007). 5.3.3 Aproveitamento de Água da Chuva Atualmente Na atualidade cinqüenta empresas européias são especializadas na fabricação de equipamentos para coleta, filtragem e armazenamento da água de chuva. Na Alemanha são instalados 100 mil sistemas de captação por ano, em sua maioria em 23 novas construções e alguns municípios oferecem incentivos fiscais. (SICKERMANN, 2006). A Volkswagen AG utiliza em várias unidades de produção da Alemanha e da Polônia a água de chuva em suas torres de resfriamento suprindo 10% da demanda total. Em Hamburgo na Alemanha o centro de manutenção da Lufthansa-Technik AG, chega a suprir cerca de 60% de sua demanda utilizando a água de chuva em serviços de lavagem de aeronaves e na seção de pintura. Em Hanover na Exposição mundial com o tema água, foram instalados sistemas de coleta de água de chuva e utilizada em várias fontes artísticas, neste caso foi utilizada cloração e fonte UV na água para afastar riscos com contato direto de crianças (SICKERMANN, 2006). Algumas empresas brasileiras reduziram os gastos com água canalizada e assumiram uma posição de destaque frente a políticas ambientais e sociais utilizando o sistema de aproveitamento de água de chuva. A Keko, fabricante de acessórios metálicos e a Ford do Brasil, utilizam água pluvial em alguns de seus processos internos. Em Ponta Grossa – PR a empresa chilena Masisa, produtora de painéis de madeira, investiu aproximadamente R$ 1,3 milhões de reais em sua fabrica no Brasil no seu sistema de aproveitamento de águas pluviais. A água é armazenada em duas lagoas e depois bombeada para uma estação de tratamento onde passa pelos tanques de pós-sedimentação e cloração, de onde então sai pronta para ser usada na produção (GAZETA MERCANTIL, 2003). Em Maracana – CE, uma empresa de couro, através de um sistema de aproveitamento de água pluvial está economizando cerca de 30% da água consumida segundo o gerente da empresa José Manoel da Soledade. Esse projeto foi desenvolvido em parceria com o Núcleo de Tecnologias Limpas do Ceará, onde a água de refrigeração das máquinas é levada para uma cisterna, e nessa mesma cisterna é armazenada a água de chuva, que também será utilizada na produção, conforme figura 5.7 (MESQUITA, 2003). 24 Figura 5.7 – Reservatório de 1.500 m³ que armazena água de chuva juntamente com a água de refrigeração para reúso, (MESQUITA, 2003). Em São Paulo a rede Accor implantou no Hotel Íbis um sistema de captação de água da chuva, que faz parte do Projeto Ecológico do plano de gestão ambiental da rede. Paralelamente, um sistema de reúso de águas cinzas foi implantado para utilização nos vasos sanitários. Calcula-se que o investimento seja pago em um ano (HOTELNEWS, 2002). Atualmente em várias cidades brasileiras vêm se difundindo rapidamente os sistemas de captação e aproveitamento das águas de chuva, com exemplos que aumentam significativamente. No nordeste brasileiro, onde a precipitação é considerada irregular, a captação de água de chuva é de grande importância para a maioria dos técnicos envolvidos com o problema de suprimento de água potável ao homem, animais e produção agrícola durante o período de estiagem. Mesmo nos períodos de estiagem, a água armazenada no período de cheia, atende suficientemente ao longo do ano (PEREIRA, 1983). 25 5.3.4 Técnicas de Dimensionamento do Sistema de Aproveitamento de Águas Pluviais Segundo HANSEN (1996), para se dimensionar um sistema de aproveitamento de água da chuva em uma residência são necessários alguns dados referentes ao local onde será instalado como: 9 Precipitação diária 9 Consumo per capita 9 Número de habitantes na residência 9 O uso que será dado a essa água As etapas para se dimensionar um sistema de aproveitamento de águas pluviais são: 9 Determinação da área de contribuição; 9 Dimensionamento dos reservatórios; 9 Sistema de filtragem; 9 Dimensionamento das instalações hidro-sanitárias. Deve-se salientar, que o dimensionamento para sistemas de aproveitamento de água de chuva onde o objetivo é deixar o reservatório sempre com água para uso, é diferente do sistema de contenção de chuvas, onde o objetivo é deixar o reservatório sempre vazio para que no momento da precipitação a amortização seja feita (TOMAZ, 2003). O sistema de abastecimento em casa com água pluvial é adotado com freqüência nos Estados Unidos e vários paises da Ásia apenas com a precipitação sobre a área dos telhados. Por recomendação do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos o cálculo para o dimensionamento do filtro e da cisterna é em função da área do telhado considerando o aproveitamento total de uma precipitação de 760 mm/ano conforme tabela 5.7. Em regiões onde a pluviosidade é maior, o volume do reservatório pode ser reduzido (AZEVEDO NETTO, 1991). 26 Tabela 5.7 – Dimensionamento do filtro e reserva em função da área de telhado. Área de telhado (m²) 37 56 74 93 112 Fonte: AZEVEDO NETTO, 1991 Filtro (m) 1,00 × 1,00 1,20 × 1,65 1,45 × 1,20 1,45 × 1,80 1,80 × 1,80 Reserva (m³) 28,4 42,6 57,3 71,2 85,5 Os cálculos para dimensionamento do sistema de coleta e armazenamento de água de chuva segundo Yuri (2003) são três: 9 Definição da área de captação 9 Definição de consumo diário 9 Definição do volume do reservatório Segundo Yuri (2003), análises estatísticas dos períodos diários sem precipitação devem ser feitas para determinação dos períodos de seca na região em estudo, para se obter um melhor dimensionamento da área de coleta e armazenamento da água de chuva. Para determinação do volume total de água necessário pode-se utilizar a seguinte fórmula: Vt = (((N × S) × U) × 1,1) × 10-3 (Eq. 5.1). Onde: 9 Vt = volume total do reservatório (L) 9 N = nº de consumidores 9 S = consumo per capita (L) 9 U = período de estiagem (dias) Para que o fornecimento de água fosse suficiente durante todo o período de estiagem, foram feitas análises da variação do volume de água armazenada, no consumo e na precipitação, a partir daí foi executado um balanço hídrico seriado para a determinação da disponibilidade hídrica e do dimensionamento do reservatório em função da captação e um ábaco (figura 5.8) foi gerado com base nos dados colhidos em Florianópolis (YURI, 2003). 27 Figura 5.8 – Ábaco para dimensionamento de estruturas de coleta e armazenamento de água de chuva para um consumo diário de 20 L, para um período de estiagem de 26 dias (YURI, 2003). Já TOMAZ (1995) e AZEVEDO NETO (1998), indicam utilizar o método racional como modelo de estimativa dos volumes produzidos e pressupõe uma intensidade de chuva alta ao qual está associado a um coeficiente de escoamento superficial “c” que segundo pesquisas costuma variar no caso de haver intensidade baixa de precipitação. Adotando esse coeficiente “c” como constante independente da intensidade da chuva os cálculos dos volumes de água precipitados pode estar comprometido. Sendo assim o método racional é mais eficiente para chuvas de alta intensidade. A seguir a equação 5.2 mostra o calculo de vazão: Q=c.i.A (Eq. 5.2). Onde: Q = Vazão (m³/s) c = Coeficiente de escoamento superficial i = intensidade da chuva de duração igual ao tempo de concentração (m³/s/m²) A = Área projetada da cobertura (m²) 28 No entanto, deve-se levar em conta que ao longo do ano há épocas em que a concentração de chuva é muito maior e os resultado apresentados não serão satisfatórios. Neste caso é mais indicado que os cálculos sejam feitos separados para cada mês individualmente utilizando dados de precipitação de anos anteriores. Para efeito de calculo o volume de água aproveitado, não é o mesmo volume de chuva precipitado devido à perda por evaporação, permeabilidade da superfície por onde a água percorre, devido a esse fato usamos um coeficiente de escoamento superficial (c) conforme apresentado na tabela 5.8 (TOMAZ, 2003). Tabela 5.8 - Valores do coeficiente C com base em superfícies Superfície Intervalo C valor esperado Pavimento asfalto concreto calçadas telhado Cobertura: grama, arenoso plano (2%) médio (2 a 7%) alta (7%) Grama, solo pesado plano (2%) médio (2 a 7%) declividade alta FONTE: (ASCE, 1969) 0,70 0,80 0,75 0,75 - 0,95 0,95 0,85 0,95 0,83 0,88 0,80 0,85 0,05 - 0,10 0,10 - 0,15 0,15 - 0,20 0,08 0,13 0,18 0,13 - 0-17 0,18 - 0,22 0,25 - 0,35 0,15 0,20 0,30 Os profissionais de recursos hídricos têm como principal tarefa o estudo da regularização de vazões em reservatórios superficiais. Os primeiros estudos de vazões regularizadas remontam ao século XIX, quando eram utilizadas somente fórmulas empíricas. Um avanço metodológico ocorreu em 1883 com o trabalho de Rippl (Rippl, 1883), que propôs o diagrama de massas que passou também a ser conhecido como Método de Rippl. O Método de Rippl estima a capacidade requerida por um reservatório para regularizar o deflúvio médio afluente, baseado no conhecimento da série histórica desses deflúvios. Mesmo com limitações detectadas, este método, ainda hoje, decorrido mais de um século, mantém muitos simpatizantes. 29 O volume de armazenamento, também conhecido como volume útil do reservatório é necessário para garantir uma vazão regularizada constante durante o período mais critico de estiagem. O método é fundamentado a partir do diagrama de massas ou método de Rippl, desenvolvido originalmente no final do século XIX (UEHARA, 2002). O diagrama de massas, conforme apresentado na figura 5.10, nada mais é do que o acumulo das vazões ao longo de um determinado tempo, originado a partir da integral de um hidrograma conforme apresentado na figura 5.9 (UEHARA, 2002). Figura 5.9 – Hidrograma afluente ao reservatório (UEHARA, 2002). Figura 5.10 – Diagrama de Massas (UEHARA, 2002). 30 A partir das tangentes a esta curva, é possível determinar as vazões naturais em cada instante conforme ilustrado na figura 5.11. Isso se deve ao digrama de massas ser obtido a partir da integral do hidrograma afluente ao reservatório (UEHARA, 2002). Figura 5.11 – Elementos do diagrama de massas (UEHARA, 2002). As vazões a serem regularizadas são obtidas a partir de uma porcentagem da vazão média ao longo do tempo, essa vazão é dada pela inclinação da reta média formada pela ligação entre os pontos A e B conforme apresentado na figura 5.11 (UEHARA, 2002). Considerando que a vazão média é a própria vazão a ser regularizada o período crítico é o intervalo entre os tempos t1 e t2 da figura 5.11. A partir da equação 5.3 pode-se obter o volume necessário do reservatório (Vn) para manter a vazão média durante esse intervalo de tempo representado pelo segmento EC na figura (UEHARA, 2002). Vn = Q (t2 – t1) (Eq. 5.3). Já o volume que aflui ao reservatório nesse período de tempo (t1 e t2) representado pelo segmento DC na figura 5.11 é dado pela equação 5.4 (UEHARA, 2002). 31 t2 Va = ∫ Qdt (Eq. 5.4). t1 Assim pode-se observar que a capacidade necessária do reservatório é dada pela subtração do Vn menos Va. Na figura 5.11 é reapresentado pelo segmento ED, que nada mais é do que a soma de δ1 e δ2 (UEHARA, 2002). O diagrama de massas possibilita a determinação gráfica do volume útil de um reservatório para uma determinada vazão regularizada. O traçado da curva de vazões acumuladas de regularização consiste em traçar uma reta passando pela origem e com inclinação igual à vazão desejada. O volume útil a ser armazenado é o maior déficit existente na séria histórica dado pelo maior afastamento entre as retas paralelas traçadas tangentes a curva (UEHARA, 2002). Ao analisar o digrama, observa-se que nos pontos onde a reta tangente à curva tem inclinação maior do que a vazão regularizada ocorre o processo de enchimento do reservatório, e quando a inclinação é menor do que a vazão média ocorrerá o esvaziamento (UEHARA, 2002). O processo de armazenamento normalmente é feito em dois reservatórios onde um é inferior que recebe a água da chuva simplesmente por gravidade e outro superior para receber a água bombeada onde é feita a distribuição para os diversos pontos de consumo. Para uma melhor eficiência do sistema, um “by-pass” é utilizado para suprir as necessidades de consumo com água potável quando existe a falta de água de chuva. No dimensionamento do reservatório inferior, deve ser considerado o período de estiagem ou o número de dias consecutivos sem chuva, segundo dados estatísticos utilizados por (MAESTRI, 2003). Para o dimensionamento do reservatório inferior, Netto (1991), sugeriu a utilização de tabelas simplificadas contendo o número de dias secos por mês, porém esse sistema geralmente acaba super dimensionando o reservatório por utilizar uma média dos três meses mais secos. 32 Para Hansen (1996), o “Uso da Seca Máxima Anual” que é baseado no período de estiagem ou número de dias consecutivos sem chuva é o método de dimensionamento mais eficaz e embasado para dimensionamento de reservatórios inferiores. Para resultados mais precisos são necessárias informações sobre precipitações de no mínimo 40 anos. Geralmente a maioria dos municípios brasileiros não dispõe de informações de uma série tão grande, ou possuem dados de séries mais curtas, recomenda-se o uso do Método de “Uso da Análise Total”. Em situações onde somente existam séries menores que 10 anos, pode ser utilizado o método de dimensionamento simplificado proposto por Netto (1991). Em ambos os métodos são considerados como dias sem chuva aqueles que têm precipitação menor que 1 mm. Em relação ao volume, normalmente há uma tendência de se considerar que quanto maior o reservatório, maior será a porcentagem de chuva precipitada que se pode aproveitar. Mas na prática isto não acontece, a partir de aproximadamente 70% de aproveitamento, mesmo que a capacidade do reservatório seja acrescida em 50%, o coeficiente de aproveitamento sobe apenas 5% a 10%, não justificando assim o investimento (GROUP RAINDROPS, 2002). A escolha do local para a construção do reservatório de captação deverá atender aos seguintes requisitos (SOECO/MG, 2004): 9 O reservatório deve ser construído em lugar baixo, podendo receber por gravidade a água escoada de todos os lados do telhado. 9 O solo de apoio deve ser de preferência arenoso ou composto de material resistente. 9 Deve-se procurar um local afastado de árvores ou arbustos cujas raízes possam provocar rachaduras na parede do reservatório; 9 Para se prevenir o perigo de contaminação da água armazenada, o reservatório deve ser implantado a pelo menos 10 a 15 metros de distância de fossas, latrinas, currais e depósitos de lixo. 33 5.3.5 Qualidade da Água Atualmente existem diversas formas de captação de água de chuva para sistemas de aproveitamento. Uma delas é através do telhado das edificações onde alguns cuidados devem ser tomados para garantir que a água não seja contaminada. Segundo ANA et al. (2005), analisando os dados existentes na literatura técnica, a qualidade da água de chuva é influenciada pelos seguintes fatores: 9 Localização, regime de chuvas, condições climáticas da região, zona urbana ou rural; 9 Características da bacia, densidade demográfica, área impermeabilizada, declividade, tipo de solo, área recoberta por vegetação e seu tipo; 9 Tipo e intensidade de tráfego; 9 Superfície drenada e tipo de material constituinte: concreto, asfalto, grama, etc; 9 Lavagem da superfície drenada, freqüência e qualidade da água de lavagem. O processo de contaminação ocorre quando poeira, folhas, fezes de passarinhos, ratos e outros pequenos animais e até mesmo o material de confecção do telhado são carregados com água da chuva trazendo problemas de contaminação por bactérias, parasitas gastro-intestinais e intoxicações (TOMAZ, 2003). Outras alterações podem ocorrer devido à localização geográfica como, por exemplo, próximo a oceanos, a água de chuva apresenta elementos como o sódio, potássio, magnésio, cloro e cálcio em concentrações proporcionais às encontradas na água do mar. Em áreas urbanas e pólos industriais passam a ser encontradas alterações nas concentrações naturais da água de chuva devido a poluentes do ar, como o dióxido de enxofre (SO2), óxidos de nitrogênio (NOx) ou ainda chumbo, zinco e outros. Já o pH da água de chuva é normalmente ácido, variando entre 5,0 até 3,5, quando há o fenômeno da “chuva ácida” (TOMAZ, 2003). Conforme já citado, a qualidade das águas pluviais varia de acordo com as características de cada região. Embora não se disponha no Brasil de um banco de 34 dados referente às características de qualidade de águas pluviais, foi desenvolvido um estudo na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (MAY, 2004), onde foram analisadas algumas variáveis de qualidade. O levantamento foi feito em uma região onde há intenso fluxo de veículos, principalmente pela marginal do Rio Pinheiros. A tabela 5.9 apresenta os resultados obtidos durante o desenvolvimento do estudo. Segundos estudos desenvolvidos na Escola Politécnica na Universidade de São Paulo, além do telhado também é possível utilizar como fonte de captação a água coletadas em pontos de curto escoamento superficial. Para esse tipo de aproveitamento hídrico foi desenvolvido pesquisa bibliográfica no qual são disponibilizados dados internacionais de qualidade de água pluvial nos seguintes pontos conforme mostra tabela 5.10 (VIVACQUA, 2005). Tabela 5.9 - Caracterização da qualidade da água de chuva reservada. Parâmetros Unidade DBO5 mg/l SS mg/l SSV mg/l SDT mg/l NO3 mg/l NO2 mg/l Fe mg/l Cloreto mg/l Ca mg/l Sulfato mg/l Cor µH Turbidez UNT Alcalinidade mg/l Condutividade µS/cm Dureza mg/l Magnésio (Mg) mg/l Manganês (Mn) mg/l Fluoretos mg/l Sólidos Totais (ST) mg/l Sólidos T. Voláteis mg/l (STV) Sólidos Dissolvidos mg/l Voláteis (SDV) Oxigênio mg/l Dissolvido (OD) FONTE: MAY, 2004. Características da Água no Reservatório Min Média Max 0,30 1,17 3,30 1,70 5,00 1,70 5,00 5,00 23,30 77,00 0,38 3,80 5,90 0,01 0,08 0,26 0,01 0,07 0,52 6,00 12,20 30,00 2,70 5,12 8,10 5,10 16,00 15,00 23,00 48,00 0,30 0,81 2,00 12,00 18,80 30,00 7,20 25,72 51,10 7,20 25,72 51,10 0,40 0,69 1,00 0,40 0,03 0,07 0,30 0,06 0,10 10,00 25,00 80,00 10,00 25,00 80,00 5,00 23,30 77,00 1,50 17,57 34,40 35 Tabela 5.10 - Dados de qualidade de águas pluviais coletadas em diferentes superfícies. Pátios, Ruas e Bairros Variável Unidade Telhado Jardins e Calçadas Parques. DBO5 mg/l 4,24 12,9 28,69 65,15 DQO mg/l 25,28 61,8 119,77 340,02 SS mg/l 22,35 82,65 87,18 594,67 SSV mg/l 8,67 18,35 45,41 29,88 SDT mg/l 60,51 205,25 118 NO3 mg/l 2,67 0,06 NO2 mg/l 0,66 0,57 NH3 mg/l 1,52 0,29 1,17 NTK mg/l 0,21 0,08 0,83 PTOTAL mg/l 5,62 6,77 2,21 HAP mg/l 0,02 1,58 Pb mg/l 0,06 0,05 0,08 Fe mg/l 0,06 0,07 FONTE: VIVACQUA, 2005. Tabela 5.10 - Dados de qualidade de águas pluviais coletadas em diferentes superfícies (Cont.). Pátios, Ruas e Variável Unidade Telhado Jardins e Bairros Calçadas Parques. Cd mg/l 0,0005 0,0005 0,0011 Cu mg/l 0,03 0,02 0,06 Zn mg/l 0,75 0,19 0,32 Óleos e Graxas mg/l 5,5 pH 6,44 6,19 Coliformes NMP/l 73,46 119 Termotolerantes Coliformes Totais NMP/l 284,7 834 Bactérias NMP/l 645 3256 Heterotróficas Cloretos mg/l 11,03 7,1 Na mg/l 8,41 4,85 Ca mg/l 6,73 6,86 Sulfato mg/l 6348 4,93 Cor µH 37,74 Turbidez UNT 1,22 Alcalinidade mg/l 24,71 Condutividade µS/cm 44,57 Magnésio (Mg) mg/l 0,97 Manganês (Mn) mg/l 0,02 Sólidos Totais (ST) mg/l 55,81 Sólidos Totais mg/l 16,28 Fixos (STF) Sólidos Totais mg/l 38,71 Voláteis (STV) SS Fixos mg/l 7,39 SD Fixo mg/l 9,17 SDV mg/l 31,06 OD mg/l 18,95 FONTE: VIVACQUA, 2005. 36 5.3.6 Tratamento Água Coletada Apesar de a água de chuva armazenada ter uma aparência de pura e limpa isso nem sempre é verdade. A água de chuva pode conter impurezas absorvidas da poluição atmosférica, não sendo recomendado para a ingestão humana (GELT et al. 2004). Em muitos casos apesar da qualidade da água de chuva apresentar níveis distintos de poluentes a cada nova precipitação e localização os índices de contaminação podem ser bastante elevados (PERIAGO et al. 2002). Quando pensamos em aproveitamento de água de chuva, o tratamento a ser aplicado deve ser de acordo com os diferentes usos. Não precisando de tratamentos avançados para fins menos nobres conforme apresentado na tabela 5.11 (KAMMERS, 2004). Tabela 5.11 - Tratamento necessário para diferentes usos de água USOS TIPO DE TRATAMENTO Irrigação de jardins Nenhum tratamento Prevenção de incêndio e condicionamento de ar. Cuidados para manter o equipamento de estocagem e distribuição em condições de uso. Fontes e lagoas, descargas de vasos sanitários, lavagem de roupas e carros. Tratamento higiênico, devido ao possível contato do corpo humano com a água. Piscina / banho. Desinfecção, para a água consumida direta e indiretamente. Fonte: GROUP RAINDROPS (2002) e KAMMERS (2004) Segundo (MARINOSKI et al., 2004), tendo definido o destino final da água e a qualidade da água coletada, podemos definir qual o melhor sistema de tratamento pelo qual a água da chuva terá de passar. Para um tratamento simples, podem ser utilizados: sedimentação natural, filtração simples e cloração. Pode-se também utilizar tratamentos complexos como desinfecção por ultravioleta, osmose reversa ou cloração. Para diminuir a concentração de material orgânico nos reservatórios e evitar entupimento das tubulações do sistema, é indispensável a utilização de um sistema de telas nas calhas ou grelhas os tubos de quedas para conter detritos de maiores dimensões como folhas e gravetos (MAY et al., 2004). 37 O sistema de instalação hidro-sanitárias de aproveitamento das águas de chuva, consiste em captação, remoção de sólidos grosseiros, tratamento, armazenamento e distribuição e cloração. A captação é realizada através de tubulações de água pluvial proveniente do telhado das edificações e através de condutores é direcionada para um filtro ou onde ocorre a separação dos detritos como folhas e galhos. Segundo 3Ptechnik (2001), o filtro VF1, figura 5.12, destinado a remoção de sólidos grosseiros funciona da seguinte maneira.: a água de chuva, ao chegar no filtro entra nos vãos entre as ripas da cascata. As sujeiras mais grosseiras como folhas e galhos, passam por cima das ripas e não se acumulam, pois são encaminhadas diretamente para a galeria pluvial. A água de chuva passa então por uma tela com malha de 0,26mm, abaixo das ripas, e direcionada ao filtro de areia. Figura 5.12 – Filtro FV1, (3Ptéchnik, 2008). Os filtros de areia, figura 5.13, têm como objetivo retirar da água sólidos em suspensão e impurezas mais grosseiras, como barro, e pequenos sedimentos. Este 38 filtro é formado por varias camadas. A água, de cima para baixo, passa primeiro por uma camada de carvão, depois por uma de areia fina, depois por uma de areia grossa e, depois por uma camada de pedrisco e, por último, por uma camada de pedra. Ao atravessar estas camadas, ficam retidos os sólidos e impurezas que não foram eliminados no pré-filtro. Figura 5.13 – Filtro FV1, (3Ptéchnik, 2008). Ao terminar o processo de filtragem, a água tratada é lançada no reservatório de água de chuva que está munido de um amortecedor de ondas para evitar marolas e não agitar a sedimentação no fundo do reservatório. O sistema de bombeamento é composto por um conjunto flutuante de sucção que faz com que sempre a água mais limpa seja bombeada para o reservatório que abastece o sistema de distribuição. A água localizada entre o fundo do reservatório e a superfície da água é considerada mais limpa. No processo de elevação da água tratada é aconselhável a desinfecção da água de chuva com cloro residual de 0,5 mg/litro, que pode ser feito no bombeamento das águas pluviais, usando uma pequena bomba dosadora de cloro (TOMAZ, 2003) 39 Esse processo de filtragem em dois estágios acima apresentado permite reduzir a manutenção do filtro de areia a duas vezes ao ano, salvo em situações muito especiais. 5.3.7 Instalações Hidro-sanitárias No sistema de aproveitamento de água da chuva para um edifício de diversos pavimentos, são ilustradas na figura 5.14 configurações das tubulações sob pressão resultante do posicionamento de reservatórios de água pluvial e de água potável nas três posições consideradas. Figura 5.14 – Esquema básico do sistema de distribuição de água potável e pluvial (Téchne, 2008). O dimensionamento das tubulações de água pluvial sob pressão é feito de maneira análoga ao das tubulações de água potável, com base na norma brasileira NBR 5626 (ABNT, 1988) e NBR 10844 (ABNT, 1989). Prevê-se a utilização de sistemas de comando automatizados razoavelmente complexos no caso ilustrado. 40 5.4 Reúso de Águas Cinzas 5.4.1 Caracterização A reutilização de água não chega a ser um conceito novo, pois vem sendo praticado no mundo todo há muitos anos, embora em pequena escala ainda. Todavia, a demanda crescente por água e a sua projeção de escassez futura têm impulsionado e motivado pesquisas no campo do reúso de água. Reúso significa, por exemplo, em uma residência, fazer com que a água servida de lavatórios, bacias sanitárias, chuveiro, máquinas de lavar louça e roupa e da cozinha seja direcionada para sofrer um tratamento adequado e uma redistribuição para descargas, rega de jardins, lavagem de piso e tantas outras atividades que podem ser feitas sem necessitar de água potável (FIORI et al., 2004). O reúso de água, que até pouco tempo atrás era considerado como uma opção exótica e pouco difundida, começa a despontar como uma alternativa interessante e que não deve ser ignorada. Atualmente, percebe-se que as técnicas de tratamento de água distinguem-se cada vez menos das técnicas de tratamento de esgoto (MANCUSO & SANTOS, 2003). Tem-se notícia de que o primeiro registro de reúso de água ocorreu na Grécia Antiga, onde a água era reutilizada para a agricultura. No século XIX, em Londres, fazia-se reúso de água a partir da implantação de coletores de esgoto. Entretanto, este reúso era feito de uma maneira pouco adequada e sem que houvesse um tratamento eficiente. Essa situação levou a grandes epidemias de cólera asiática e febre tifóide entre os anos de 1840 e 1850 (ASANO e LEVINE, 1996 e SILVA et al, 2004). O reúso de água compreende alguns conceitos importantes. Segundo Silva e Martins (2000), o reúso pode ocorrer de forma direta ou indireta, de ações intencionais ou não. Uma definição mais detalhada é apresentada a seguir: 41 9 Reúso indireto não planejado da água: ocorre quando a água, utilizada uma ou mais vezes para uso doméstico ou industrial, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada à jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, ela está sujeita a ações naturais do ciclo hidrológico, tais como diluição e autodepuração. 9 Reúso indireto planejado da água: ocorre quando os efluentes são tratados e, posteriormente, descarregados de forma planejada em corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizados à jusante, de maneira controlada e visando algum objetivo benéfico. Este tipo de reúso também pressupõe que haja um controle sobre eventuais novas descargas de efluentes que possam ocorrer durante o caminho, sempre assegurando que o efluente tratado venha a se misturar somente com efluentes de igual qualidade e padrão de tratamento. 9 Reúso direto planejado da água: ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são encaminhados diretamente do seu ponto de descarga para o local de reúso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso, por exemplo, de redes paralelas destinadas ao uso industrial, irrigação, recarga de aqüífero, etc. 9 Reciclagem de água: é o reúso interno de água, antes que se faça a descarga da mesma em um sistema geral de tratamento ou em outro local de disposição. A reciclagem de água serve como fonte suplementar de abastecimento do uso original, sendo considerada como um caso particular do reúso direto. Sobre a reciclagem de água, Mancuso e Santos (2003) afirmam que um reúso planejado direto de água para fins potáveis pode ser classificado como reciclagem, desde que os efluentes tratados sejam utilizados novamente pela mesma fonte que os produziu, ou seja, desde que se tenha um circuito fechado. 42 Tomaz (2001), afirma que, nos Estados Unidos, os termos reúso e reciclagem são usados como sinônimos em muitos casos. Explica, também, que a água de reúso ou reciclagem não é potável e, sendo assim, só poderá ser utilizada em descarga de bacias sanitárias, rega de jardins, uso industrial, etc. Por fim, complementa que a tubulação que conduz água de reúso ou reciclada deverá ser vermelha (normas da Califórnia) e ser identificada salientando-se que se trata de água não potável. 5.4.2 Técnicas de Reúso de Águas Cinzas Atualmente existem diversas técnicas de reúso de águas cinzas que podem ser aplicadas e são adotadas dependendo do uso que vai ser destinado. Entre as variáveis a serem analisadas em projeto estão o uso da água, tecnologia envolvida, parâmetros de custos operacionais atrelados à energia consumida e aos produtos aplicados no tratamento da água, entre outros quesitos. "O ideal é contar com projetos sob medida já que cada obra possui suas particularidades", (Revista Téchne, 2008). Uma das técnicas é a Osmose Reversa é um fenômeno natural físico-químico. Quando duas soluções, com diferentes concentrações são colocadas num mesmo recipiente separados por uma membrana semipermeável, ocorre naturalmente a passagem do solvente da solução mais diluída para a solução mais concentrada, até que se encontre um equilíbrio (OKTE, 2008). A osmose reversa é obtida através da aplicação mecânica de uma pressão superior à pressão osmótica do lado da solução mais concentrada conforme figura 5.15. 43 Figura 5.15 – Esquema básico do sistema de Osmose Reversa (OKTE , 2008). Outro sistema bastante utilizado é a flotação por ar dissolvido FAD um processo para separação de partículas sólidas e/ou líquidas em um meio líquido (OKTE, 2008). Baseia-se na dissolução do ar no meio líquido em uma câmara pressurizada. Quando a mistura ar/líquido é despressurizada na câmara de flotação, o ar forma microbolhas. As microbolhas aderem-se às partículas em suspensão, diminuindo sua densidade e favorecendo o arraste para a superfície onde são removidas (OKTE, 2008). É um sistema de simples operação e um dos mais econômicos para recuperação e remoção de sólidos, óleos, gorduras, proteínas, substâncias orgânicas, íons, microrganismos, redução da DQO e DBO, espessamento de lodo no tratamento de efluentes domésticos (OKTE, 2008). Segundo (OKTE, 2008) o sistema de flotação de pequeno porte e baixo custo pode ainda combinar a FAD com aplicação de ozônio, melhorando a eficiência do sistema. 44 Figura 5.16 – Tanque de flotação por ar dissolvido (OKTE, 2008). Um sistema simples de tratamento de água de baixo custo de implantação bastante utilizado para pequenos condomínios devido à simplicidade de construção e operação, é filtração lenta areia e manta não tecida, e carvão ativado, precedida de um pré-filtro em pedregulho para tratamento de efluente de um sistema composto um de reator anaeróbio compartimentado e de leitos cultivados (wetlands) para tratamento de esgoto doméstico (Faveri, 2008). Segundo (Faveri, 2008), foram dadas ênfases na avaliação da filtração lenta com meio filtrante de areia e manta não tecida e meio filtrante de areia com camada de carvão ativado granular e manta não tecida. Para uma taxa de filtração média de 3m³/m².dia, obterem-se uma eficiência média de: 9 Remoção de sólidos em suspensão de 36,2%; 9 Remoção de turbidez de 43,2%; 9 Cor eficiência média de 39,3%; 9 Remoção de coliformes totais foi de 74,6%; 9 Remoção média de E.coli foi de 72,7%. 45 De acordo com Carla Araujo Sautchuk, gerente da Tesis e mestre em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP no tema Implantação de Programas de Conservação de Água, esse documento preconiza que as tubulações destinadas para esse fim possuam cor diferenciada das que transportam água potável. A água de reúso também deve ser pigmentada na cor roxa e os pontos de consumo e ambientes abastecidos por tal fonte devem ser corretamente sinalizados. Outro ponto importante a ser previsto em projeto é evitar conexões cruzadas, eliminando qualquer contato entre tubulações de água potável e de efluentes tratados. "Os sistemas de reservas têm de ser totalmente independentes, minimizando as possibilidades de contaminação dos líquidos" Na figura 5.17, esta demonstrado um organograma com a configuração básica de um projeto para a utilização de água cinza que prevê um sistema de coleta de água servida, subsistema de condução da água (ramais, tubos de queda e condutores), unidade de tratamento da água (gradeamento, decantação, filtro e desinfecção), reservatório de acumulação, sistema de recalque, reservatório superior e rede de distribuição. Figura 5.17 – configuração básica de um projeto para a utilização de água cinza (Téchne, 2008). 46 5.4.3 Reúso de Águas Cinzas Atualmente Enquanto no Brasil há poucas iniciativas da prática de reúso, em muitas regiões do mundo isso já ocorre em larga escala (HESPANHOL, 2002 apud OLIVEIRA, 2005). No Japão, os condomínios, hotéis e hospitais passaram a ser construídos com sistemas particulares de aproveitamento de águas cinzas (SOARES et al., 2001). Neste país, uma grande quantidade de municípios tem edifícios projetados para praticar a coleta da água do esgoto secundário, que depois de tratada é utilizada para alimentar as caixas de descarga. Esta medida gera uma economia de até 30% no consumo (OLIVEIRA, 2005). Em Israel, toda a água é aproveitada, mesmo aquela que já foi utilizada. Em todos os apartamentos há hidrômetros individuais, a água do mar é dessanilizada e os esgotos domésticos são utilizados na agricultura (TOMAZ, 1998). Em regiões onde quase não há água de chuva, como a região do Dan, também em Israel, Chipre e em muitas regiões dos Estados Unidos, foi desenvolvida a prática da recarga artificial de aqüífero, utilizando este procedimento como tratamento de esgotos (HESPANHOL, 2002). O Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, em 1994, aprovou que os moradores de residências unifamiliares fizessem a irrigação subsuperficial com esgotos secundários para finalidades paisagísticas (OLIVEIRA, 2005). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 1973) apud FELIZATTO (2001), em Windhoek, na Namíbia, foram conduzidas pesquisas extensivas sobre o reúso potável direto. As águas recuperadas foram utilizadas com êxito para o abastecimento de água potável desse município, sendo o primeiro caso de reúso potável direto divulgado tecnicamente. Durante um período desse experimento, um terço do abastecimento da cidade era composto por água recuperada. O sistema operou com sucesso e sem maiores objeções por parte do público, e ressalta-se que a escassez de água não permitiu outra solução para que esse projeto não fosse planejado. A república de Singapura está tomando várias medidas para conservação da água, procurando substituir a água potável por água não potável para fins comerciais e 47 industriais. As indústrias retiram 11,1 milhões de metros cúbicos de água do mar por dia, somente para reusá-la como água de resfriamento. No Brasil, algumas regiões já realizam a prática de reúso. Em São Paulo, o reúso já é praticado pela Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (SABESP), que tem cinco pontos de tratamento e vende água para reutilização em indústrias de vários municípios. Um bom exemplo é a empresa Linhas Correntes que adquire água tratada do efluente da Estação Ipiranga. Municípios da região do ABC paulista, como Santo André e São Caetano do Sul são outros exemplos. Nestas regiões, o reúso se dá na rega de jardins públicos e lavagem de ruas (OLIVEIRA, 2005). A Tabela 5.12 apresenta alguns casos sucintos de sucesso da prática de reúso de água no Brasil e seu respectivo investimento, apresentados pelo Departamento do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Tabela 5.12 - Casos de sucesso em reúso de águas cinzas Atividade Principal Investimentos (R$) Pólo Petroquímico de São Paulo Fornecimento de Petróleo 145.000.000,00 Economia de Á Não Fornecido Brastemp 3M do Brasil Ltda INA Brasil Kodak Brasileira Com. E d Ld Continental Eletrodomésticos Industria Química Fabricante de Rolamentos Industria Química F áfi Eletrodomésticos Alsco Toalheiro Brasil Pilkinton Brasil Ltda Wolkswagen Mahle Metal Leve S/A Elekeiroz DaimlerChysler Lavanderia Industrial Fabricante de Vidros Montagem de Veículos Indústria Metalúrgica Indústria Química Montagem de Veículos 1.000.000,00 33.000.000,00 2.000.000,00 418.000,00 5.000,00 20.000,00 280.000,00 5.000.000,00 65.000,00 320.000,00 15.000.000,00 Não Fornecido 97.000 m³ / ano Não Fornecido 65% Não Fornecido 80 m³ / dia 95% 70.000 m³ / mês Não Fornecido Não Fornecido Não Fornecido BHS Continental Eletrodomésticos Ltda. Indústria Metalúrgica Não Fornecido 2.500 m³ / mês Empresa Fonte: FIESP e CIESP A gestão adequada dos recursos hídricos e do tratamento sanitário dá as condições necessárias para reutilização da água. O reúso não planejado de água já é adotado em várias cidades do Brasil, porém deve ser empregado o reúso planejado em todas 48 as demais regiões brasileiras que já sofrem os impactos negativos da escassez de água (SOARES et al., 2001). 5.4.4 Técnicas de Dimensionamento do Sistema de Reúso de Águas Cinzas O Brasil ainda é carente de normas e diretrizes que definam plenamente os conceitos, parâmetros e restrições ao reúso das águas cinzas a nível residencial, comercial e industrial. A NBR 13969 de 1997 no item que trata do reúso local, afirma que “No caso de águas cinzas de origem essencialmente doméstica ou com características similares, o efluente tratado deve ser reutilizado para fins que exigem qualidade de água não potável, mas sanitariamente segura, tais como irrigação dos jardins, lavagem dos pios e dos veículos automotivos, na descarga dos vasos sanitários, na manutenção paisagística”. Normalmente em sistemas utilizados em condomínios residências para reúso de águas cinzas é dimensionado somente para utilização em descarga sanitária por não precisar de um tratamento muito eficaz, conforme observaremos no estudo de caso. Por falta de bibliografia sobre técnicas de dimensionamento de reúso de águas cinzas, não foi possível obter um sistema de calculo diferente da que foi utilizada no estudo de caso para estimativa de volumes do sistema. Para o dimensionamento do reservatório, estima-se o volume diário utilizado nas bacias sanitárias e o volume gerado pelas captações da água a ser reutilizada: chuveiro, lavatório e lavagem de roupas, contendo estas águas baixa quantidade de matéria orgânica. Com isso, analisa-se o maior volume, proveniente do volume consumido nos vasos sanitários ou o gerado pelas fontes que podem ser usadas para reúso. Se o volume utilizado nos vasos sanitários for menor do que o volume gerado de águas cinzas, é o volume dos vasos sanitários que vai ser utilizado como tamanho de reservatório. Se o volume de águas cinzas gerado for menor, é o volume gerado que vai ser utilizado como tamanho de reservatório. 49 5.4.5 Qualidade da Águas Cinzas O reúso de água para qualquer fim depende da qualidade em relação aos aspectos físicos, químicos e microbiológicos. Os parâmetros físico-químicos em sua maioria são bem compreendidos, sendo possível estabelecer critérios de qualidade orientadores para o reúso. Os níveis microbiológicos relativos à saúde são mais difíceis de serem quantificados, como observado pela multiplicidade de parâmetros e recomendações de uso, variáveis em nível mundial (CROOK, 1993 e HRUDEY, 1989). O conceito de qualidade está associado ao uso de um bem ou serviço quando relacionado à atividade econômica. Quando este conceito é aplicado no caso da água surge à definição de padrões de qualidade. Logo, a qualidade de uma porção limitada de água pode ser analisada a partir de uma comparação direta com os padrões de qualidade. A legislação brasileira estabelece padrões de qualidade para água potável (Portaria 36/GM e Portaria 1469 de 2000) e para águas superficiais (Resolução no 20/86 do CONAMA). Em relação ao reúso de água, a legislação em vigor (Política Nacional de Recursos Hídricos – Lei no 9433, 8 de janeiro de 1997) ao instituir os fundamentos de gestão de recursos hídricos, cria condições jurídicas e econômicas para a hipótese do reúso de água como forma de utilização racional e de preservação ambiental (MANCUSO e SANTOS, 2003). A qualidade da água para reúso deve atender aos aspectos de saúde pública, estética, integridade das tubulações de distribuição, confiabilidade e segurança no sistema de tratamento. A Norma Brasileira NBR 13969 (ABNT, 1997) estabelece a necessidade de tratamento dos efluentes e o seu devido reúso, desde que os efluentes gerados sejam de origem doméstica ou tenham características similares. A seguir são apresentados os graus de tratamento relativo ao reúso estabelecidos pela norma: 50 9 Classe 1 – Lavagem de carros e outros usos que requerem o contato direto do usuário com a água, com possível aspiração de aerossóis pelo operador, incluindo chafarizes. Turbidez inferior a 5 NTU(Unidade Nefelométrica de Turbidez); coliforme fecal inferior a 200 NMP(Número Mais Provável)/100 ml; sólidos dissolvidos totais inferior a 200 mg/l; pH entre 6,0 e 8,0; cloro residual entre 0,5 mg/l e 1,5 mg/l. 9 Classe 2 – Lavagem de pisos, calçadas e irrigação de jardins, manutenção dos lagos e canais para fins paisagísticos, exceto chafarizes. Turbidez inferior a 5 NTU; coliforme fecal inferior a 500 NMP/100 ml; cloro residual superior a 0,5 mg/l. 9 Classe 3 – Reúso nas descargas de vasos sanitários. Turbidez inferior a 10 NTU; coliforme fecal inferior a 500 NMP/100 ml; 9 Classe 4 – Reúso nos pomares, cereais, forragens para gados e outros cultivos através de escoamento superficial ou por sistema de irrigação pontual. Coliforme fecal inferior a 5000 NMP/100 ml e oxigênio dissolvido acima de 2,0 mg/l. As aplicações devem ser interrompidas pelo menos 10 dias antes da colheita. 5.4.6 Tratamento O sistema de instalação hidro-sanitárias de reaproveitamento das águas servidas, provenientes de chuveiros, lavatórios, tanque e máquina de lavar roupa consiste em captação, tratamento, armazenamento e distribuição. A captação é realizada através de tubulações de esgoto independente e direcionada para um sistema de tratamento. O grau de tratamento dado às águas servidas depende da origem do efluente assim como do destino dado ao reúso. As águas contaminadas com muita matéria orgânica podem passar por um tratamento mais completo através de caixa de 51 gordura, fossa séptica, filtro anaeróbio e tratamento por raízes como tratamento terciário (PEREIRA, 2004). No caso de se utilizar águas servidas com pouca matéria orgânica o tratamento poderá ser realizado por zonas de raízes conhecidas como “wetlands”. Esta é uma tecnologia que reproduz os princípios básicos de autodepuração, que ocorre naturalmente nos ecossistemas naturais, parcialmente inundados durante todo o ano. Este tipo de tratamento difere do sistema natural por possuir impermeabilização do fundo, evitando desta forma, a infiltração e contaminação do solo e águas subterrâneas (PALUDO e QUADROS, 2002). O tratamento por raízes procura imitar algumas das funções existentes em terras úmidas naturais, em particular a capacidade de degradação da matéria orgânica e contenção de nutrientes, como o fósforo e nitrogênio. O sistema de tratamento é projetado artificialmente para utilizar plantas aquáticas (macrófitas) em substrato (areia, solo ou cascalho) onde, de forma natural e sob condições ambientais adequadas, pode ocorrer a formação de biofilmes, aglomerado de matéria orgânica e microorganismos que se fixam a um meio suporte onde irão atuar na degradação aeróbia e/ou anaeróbia da matéria orgânica que agregam uma população variada de microorganismos. Estes microorganismos possuem a capacidade de tratar os esgotos, por meio de processos biológicos, químicos e físicos (CHERNICHARO et al., 2001). As principais funções das plantas aquáticas são: 9 Utilização de nutrientes e metais pesados. 9 Transferência de oxigênio para a rizosfera 9 Suporte para o crescimento e ação de microorganismos, pela presença de rizomas e de raízes, bem como a absorção de material particulado, pelo sistema radicular das macrófitas. As plantas aquáticas são de extrema importância no tratamento de águas residuárias devido ao fato delas necessitarem de nutrientes para crescimento e reprodução. No tratamento por raízes são utilizadas diversas plantas aquáticas emergentes e flutuantes, sendo que as mais freqüentemente usadas são apresentadas na Tabela 5.13. 52 Tabela 5.13 – Principais macrófitas emergentes usadas em tratamento de águas residuárias por raízes (Zona de Raízes). Espécies Temperatura Desejável Tolerância à Salinidade pH Ótimo Emergentes (°C) (mg/l) Typha 10 a 30 30.000 4,0 a 10,0 Juncus 16 a 26 20.000 5,0 a 7,5 Phragmites 12 a 33 45.000 2,0 a 8,0 Schoenoplectus 16 a 27 20.000 4,0 a 9,0 Carex 14 a 32 20.000 5,0 a 7,5 Fonte: Adaptado de REED (1992). As macrófitas, organismos fotoautotróficos que utilizam energia solar para assimilar carbono orgânico da atmosfera na produção de matéria orgânica que servirá de fonte de energia para seres heterotróficos, são espécies que resistem a ambientes saturados de água, matéria orgânica e nutrientes, emergentes desenvolvem seus sistemas radiculares, fixadas no substrato. Já o caule e as folhas se mantêm parcialmente submersos. Na construção de um sistema de tratamento por raízes, deve-se selecionar as plantas aquáticas observando os seguintes parâmetros: 9 Ter tolerância a ambiente eutrofizado. 9 Ter valor econômico. 9 Ter crescimento rápido e ser de fácil propagação. 9 Absorver nutrientes e outros constituintes. 9 Ser de fácil manejo e colheita. Em tratamento por raízes de fluxo subsuperficial, o esgoto a ser tratado escoa horizontalmente, através da zona de raízes e rizomas das plantas aquáticas, situadas a cerca de 15 a 20 cm abaixo da superfície do substrato (Figura 5.18). Quando o fluxo é superficial o tratamento é realizado em bacias ou canais, povoadas por macrófitas. Geralmente são longas e estreitas, para evitar curto circuito. A superfície da água a ser tratada se mantém sobre o substrato e há a desvantagem 53 da proliferação de insetos e produção de mau odor. Na Tabela 5.14 abaixo é apresentada a comparação destes dois tipos de fluxo, em relação a alguns parâmetros, apresentado por Chernicharo et al, (2001). Tabela 5.14 – Critérios para construção de tratamento de esgoto por raízes (Zona de Raízes). Parâmetros Fluxo Superficial Fluxo Subsuperficial Tempo de detenção hidráulica (dia) 5 a 14 2a7 Taxa máxima de carregamento (kg DBO/ha.dia) 80 75 Profundidade do substrato (cm) 10 a 50 10 a 100 Taxa de carregamento hidráulico (mm/dia) 7 a 60 2 a 30 Área requerida (ha/m3.dia) 0,002 a 0,014 0,001 a 0,007 Controle de insetos Necessário Não é necessário Relação comprimento: largura 2:1 a 10:1 0,25: 1 a 5:1 Fonte: Adaptado de REED (1992). Figura 5.18 – Tratamento do efluente secundário por Zona de Raízes (KAICK, 2002). Segundo Chernicharo, et al.(2001) estudos têm demonstrado que este sistema de tratamento de esgoto possui boa capacidade de remoção de DBO, sólidos suspensos, nitrogênio, fósforo e metais. A redução destes parâmetros é resultante da ação de diversos mecanismos, como sedimentação, precipitação, adsorção química e de interação microbiana. Na Tabela 5.15 abaixo podem ser observados alguns mecanismos de remoção para alguns constituintes. 54 Tabela 5.15 – Mecanismos predominantes na remoção de poluentes na Zona de Raízes. Constituintes Sólidos suspensos Material orgânico solúvel Mecanismos de Remoção Sedimentação e Filtração Degradação Aeróbia e Anaeróbia Amonificação seguido de Nitrificação e Desnitrificação Microbiana Retirada pela Planta Nitrogênio Adsorção Volatilização da Amônia Adsorção Fósforo Utilização pela planta Complexação Precipitação Metais Utilização pela Planta Oxidação/Redução Microbiana Predação Patógenos Sedimentação Filtração Fonte: PHILIPPI E SEZERINO, (2004). Cooper et al, (1996), e Philippi e Sezerino, (2004), sugerem uma demanda de área da Zona de Raízes em torno de 5 m²/pessoa, sendo a concentração de DBO afluente variando de 150 a 300 mg/l. A relação m²/pessoa é muito utilizada como critério de dimensionamento em unidades residenciais unifamiliares. Faixas de aplicação encontram-se variando de 1 a 5 m²/pessoa quando a zona de raízes é empregado como tratamento secundário (PHILIPPI, 2004). Vymazal, (1990) e Philippi e Sezerino, (2004) indicam valores na ordem de 1,6 m²/pessoa. A partir da obtenção da área requerida, a Zona de Raízes é construída obedecendo, então uma relação comprimento: largura de, no mínimo 2:1 (PHILIPPI e SEZERINO, 2004). Algumas instituições têm desenvolvido, tecnologias como a Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Niterói, o Centro Federal de Tecnologia do Paraná (CEFET/PR) e a Fundação Municipal 25 de Julho, de Joinville. O Projeto desenvolvido pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Niterói utilizou o vegetal Capim Napier para formação da zona de raízes sob orientação da EMATER. Os pesquisadores estão estudando a possibilidade deste vegetal ser 55 utilizado como alimento animal. A EMATER pesquisa ainda a viabilidade da substituição do Capim Napier por arroz, por suas características biológicas favoráveis e por permitir obtenção de uma maior absorção de nutrientes que o Capim Napier. Está sendo analisada também a possibilidade de utilizá-lo como alimento humano, que ao contrário do capim para utilização animal o arroz necessitaria de cozimento antes de ser utilizado, eliminando quaisquer microrganismos patogênicos. A zona de raízes constituí-se por uma vala aberta no solo com 50 cm de profundidade permitindo a vazão do efluente por gravidade. O tanque é forrado com uma lona plástica e suas extremidades ao fundo, drenos de entrada e saída construídos de tubos de PVC com furos cobertos com brita. O leito filtrante delimitado pelas camadas de brita é formado por camadas intercaladas de saibro e areia, sendo a primeira e a última camadas confeccionadas de casca de cereais ou serragem. A caixa tem formato retangular, tendo sua largura e comprimento obedecendo a razão de no mínimo 1 por 1 e no máximo 1 por 1,5. A taxa de aplicação utilizada no sistema é de 0,24 m³/m².dia. O Centro Federal de Tecnologia do Paraná (CEFET/PR) desenvolveu um projeto para ser implantado na região das praias paranaenses, primeiramente em Ilha Rasa, em Guaraqueçaba, com o objetivo de se buscar uma espécie com características favoráveis para o sistema e que se adaptasse às condições de salinidade do local. A planta utilizada foi a Cladium Mariscus, natural da região e dotada de raízes abundantes. Substituiu-se ainda a pedra brita por conchas de ostra, que acabaram cumprindo a mesma função e com um custo bem menor, uma vez que é um recurso natural abundante no local (KAICK, 2002). Em Ilha Rasa optou-se por instalar um tanque com uma área de 1 m²/pessoa, o que gerou uma estrutura de 5 m² por 1m de profundidade, para atender uma residência de 5 pessoas. As plantas foram fixadas sobre um filtro físico formado por uma camada de areia, que preencherá a base do filtro, ocupando de 30 a 40 cm de espessura complementando-o com cascalho ou pedra brita ou conchas até a altura de 20 a 30 cm. No fundo do filtro ficam acomodadas as tubulações, que captam o efluente tratado, conduzindo-o para a distribuição. 56 A Fundação Municipal 25 de Julho, em Joinville, testou um sistema de zona de raízes que utiliza a espécie de junco Zizanopsis Bonariensis Brás, com características semelhantes as demais espécies. O tanque filtro foi construído em concreto armado e impermeabilizado com geomembrana de polietileno de alta densidade, o leito filtrante constituí-se de brita, areia, saibro ou cascalho, casca de arroz e junco. Também para o tratamento do esgoto secundário para reúso, Mieli (2001), sugere o tratamento por sistema de filtração (ascendente), composto por: 9 Caixa de retenção de sólidos – remover sólidos grosseiros suspensos e corpos flutuantes, através de gradeamento de seção quadrada. A limpeza é realizada manualmente. 9 Filtro - cuja finalidade é eliminar as impurezas existentes nas águas servidas (Figura 5.19). O filtro compreende um leito filtrante que tem granulometria variada, brita no 1 (camada de 0,20 m), brita zero (camada de 0,20 m), areia grossa lavada (camada de 0,30 m), areia fina lavada (camada de 0,30 m) e carvão (camada de 0,20 m) nesta ordem. O dispositivo de entrada da água é feito no sentido ascendente, através de fundo falso com aberturas de 0,02 m, espaçados em 0,15 m entre si. A carga hidrostática mínima no filtro é de 1 kPa (0,10 m), portanto o nível da saída do efluente do filtro deve estar no mínimo 0,10 m abaixo do nível de saída da caixa de retenção de sólidos. O dispositivo de saída deve consistir em vertedor tipo calha e deve passar pelo centro da seção. 57 carvão areia lavada fina areia lavada grossa brita zero brita 1 fundo falso ENTRADA Figura 5.19 – Sistema de filtração (MIELI, 2001). Já Sousa (2001), apresenta tratamento por filtro lento de areia (Figura 5.20). A determinação da área superficial para atender a vazão de reúso definida na residência é calculada através da equação 5.5. A=Q/T Onde: 9 A é a área superficial do filtro (m²) 9 Q é a vazão de efluente (m³); 9 T é a taxa de filtração (m³/m².dia) A Tabela 5.16 mostra as características físicas e operacionais do filtro. (Eq. 5.5). 58 Tabela 5.16 – Características físicas e operacionais do Filtro Lento de Areia. Características Altura da camada suporte (cm) Altura do leito filtrante (cm) Granulometria do leito filtrante (mm) Altura total do filtro (cm) Taxa de filtração (m3/m2.dia) Lâmina líquida aplicada (cm) Fonte: Revista Biólogo, (2003). Dimensões 14 76 1,19 a 2,00 180 0,30 a 0,58 30,00 a 70,00 Segundo Sousa (2001), “o desempenho do filtro quanto a remoção de matéria orgânica (75% de eficiência de remoção de Demanda Química de Oxigênio) e sólidos (65% de eficiência de remoção de Sólidos em Suspensão Voláteis) se aproxima àqueles apresentados por digestores anaeróbios de alta taxa. No entanto, a eficiência de redução de microrganismos observada no filtro (99,9%) é bem superior àquela observada em digestores anaeróbio tipo Reatores Anaeróbios de Fluxo Ascendente e Manta de Lodo (90%)”. Figura 5.20 – Filtro lento de areia (SOUSA, 2001). Após o tratamento, a água é armazenada em um reservatório inferior para posterior recalque ao reservatório superior por meio de moto-bomba. 59 Entre o reservatório superior de água de reúso e o barrilete do reservatório de água potável existe um sistema de “by-pass” que suprirá a falta de água de reúso com água potável para utilizar nas descargas de vasos sanitários e lavagens em geral. 60 6 ESTUDO DE CASO O presente estudo de caso irá falar sobre um condomínio residencial, onde foi implantado ambos os sistema, de reúso de água cinzas e aproveitamento de água pluvial focando principalmente o sistema de coleta de dados para implantação e dimensionamento dos sistemas. 6.1 Condomínio Residencial Santa Martha 6.1.1 Introdução Através da análise da revisão bibliográfica, tem-se a dimensão do quanto os recursos hídricos vêm sendo degradados, seja devido ao descaso humano, ou pelo seu uso irracional e desperdício. A elaboração de projetos sustentáveis que visam à preservação da natureza e manutenção dos seus recursos é fundamental. No Brasil não é muito usual a utilização de água de chuva e a reutilização de águas servidas. Uma das razões é que a sociedade mostra uma certa resistência a mudanças e à utilização de novas tecnologias, além do que a disponibilidade hídrica atual do país é muito boa. Mas, a médio prazo, o Brasil poderá sofrer com problemas de abastecimento de água tratada. A sociedade manifesta descrença na eficiência, viabilidade e segurança dessas novas técnicas. O estudo de caso tem a função de verificar o potencial de economia de água tratada que pode ser obtido através da captação de água de chuva e de reúso de águas cinzas. Quando se fala em uso racional e economia de água, alguns pontos merecem importância, como: estimativas de uso final, precipitação atmosférica e a área de telhado. É a partir destes fatores que se chegará ao potencial de economia obtido através da utilização destas duas técnicas. O estudo de caso realizado no Condomínio Santa Martha – Florianópolis – SC. serão mostrados os resultados obtidos para o estudo realizado, apresentados os dados, a viabilidade de implantação de sistemas de aproveitamento de água de 61 chuva e de reúso de águas servidas, qual dos sistemas, são os mais adequados para cada bloco. 6.1.2 Objeto do Estudo O condomínio Residencial Santa Martha foi inaugurado em 1981, situado à Rua Lauro Linhares, número 1670, bairro Trindade, cidade de Florianópolis – SC. Este Condomínio é composto por três blocos de apartamentos. Cada bloco é composto por 4 pavimentos, contendo 4 apartamentos de 3 quartos em cada pavimento, totalizando 48 apartamentos, sendo que todos apartamentos encontram-se habitados. Figura 6.1 – Fachada principal do Condomínio – vista dos blocos A e B. No térreo de cada bloco estão localizadas 15 vagas cobertas para veículos sendo que um morador de cada bloco tem vaga descoberta de garagens. Cada bloco possui o seu próprio acesso individual, tanto para veículos quanto para pedestres. Para a captação de água de chuva foi utilizado na cobertura de cada bloco telhas de fibrocimento, calhas de concreto impermeabilizadas, quatro condutores verticais de 62 PVC, com 100mm de diâmetro localizados no centro de cada calha, ligados diretamente à rede de escoamento de águas pluviais. A seguir serão apresentados todos os passos e procedimentos utilizados para o desenvolvimento do projeto de implantação dos sistemas de reúso e reaproveitamento de águas no condomínio citado. 6.1.3 Levantamento de Dados No objetivo de estimar o consumo por usos finais foi necessário uma série de levantamentos de dados. A presente coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas, medições de vazão, leituras de hidrômetro, medições de consumo diário, entre outros. Os questionários aplicados aos moradores do conjunto residencial foram de dois tipos com intenção de obter um levantamento preciso dos usos finais e consumo de água, um para coleta de dados de todo tipo de utilização de água coletivo e individual (banheiro, cozinha e limpeza), o outro restringia apenas a utilização do banheiro (uso individual). A partir das entrevistas e questionários foi estimada para o Condomínio uma população de 116 habitantes, 2,25 hab/apto para o bloco A, 2,67 hab/apto para o bloco B e 2,33 hab/apto para o bloco C, obtendo também possíveis valores que representam a freqüência e o tempo de utilização de cada dispositivo por morador onde, a partir desses dados foi possível efetuar médias por apartamento, por bloco e para o Condomínio. Os resultados dos levantamentos de freqüência e tempo de utilização dos dispositivos nos blocos e no condomínio estão apresentados na tabela 6.1. 63 Tabela 6.1 – Valores médios de freqüência diária e tempo de uso dos dispositivos do banheiro para os blocos A, B, C e para o Condomínio. Média p/ Bloco A Média p/ Bloco B Atividade vezes/dia/hab. duração (s) vezes/dia/hab. duração (s) Uso do Chuveiro 1,50 594,98 1,60 956,03 Uso do Vaso Sanitário 4,30 7,99 4,00 8,64 Higiene Bucal 2,90 14,77 2,80 44,39 Lavagem de Mãos 4,30 12,92 5,70 26,95 Lavagem de Rosto 2,50 17,18 2,20 44,80 Barbeação 0,20 20,79 0,10 92,31 Tabela 6.1 – Valores médios de freqüência diária e tempo de uso dos dispositivos do banheiro para os blocos A, B, C e para o Condomínio (Cont.) Média p/ Bloco C Média p/ o Condomínio Atividade vezes/dia/hab. duração (s) vezes/dia/hab. duração (s) Uso do Chuveiro 1,80 809,27 1,63 786,76 Uso do Vaso Sanitário 4,30 7,27 4,20 7,97 Higiene Bucal 2,90 27,44 2,87 28,87 Lavagem de Mãos 4,20 11,76 4,73 17,21 Lavagem de Rosto 2,10 21,89 2,27 27,96 Barbeação 0,10 33,11 0,13 48,73 Para se obter os dados de consumo dos aparelhos em atividades de uso coletivo, o processo utilizado foi um pouco diferente, solicitava-se que se estimasse a freqüência diária com que se cozinhava e a quantidade de água, em litros, utilizada. Já para medir o consumo de água usado na lavagem de roupas, o entrevistado informava dados referentes ao uso do tanque (quantidade diária e tempo) e da máquina de lavar roupa (freqüência diária, capacidade da máquina e quantidade de ciclos). A Tabela 6.2 indica as médias, já ponderadas, dos consumos dos aparelhos em atividades de uso coletivo para os blocos A, B e C, e para todo o Condomínio. 64 Tabela 6.2 – Dados de consumo dos aparelhos em atividades de uso coletivo para os blocos A, B e C, e para todo o Condomínio. Atividade Bloco vezes/dia Duração (s) Consumo fornecido pelo morador (litros) A 1,00 506,46 B 1,40 155,41 Lavagem de Louça C 1,00 194,47 Condomínio 1,13 285,45 A 1,00 0,67 B 1,00 2,37 Preparo de Alimentos C 1,10 1,07 Condomínio 1,03 1,37 A 0,10 42,33 B 0,10 48,55 Tanque de Roupas C 0,10 59,73 Condomínio 0,10 50,20 A 0,30 3,03 B 0,40 11,14 Maq. Lavar Roupas C 0,30 8,51 Condomínio 0,3 3,3 A 0,20 0,91 B 0,20 0,81 Balde C 0,20 0,53 Condomínio 0,20 0,75 A 0,20 132,28 B 0,10 735,46 Tanque de Limpeza C 0,10 215,31 Condomínio 0,13 361,02 - O método utilizado para a medição de vazão dos dispositivos foi utilizando um recipiente com volume conhecido onde se calculava o tempo que o mesmos levava para encher. Para se ter uma precisão melhor, a orientação foi de se manter sempre a mesma abertura do registro. A média dos resultados obtidos foram utilizados para calcular a vazão média para cada dispositivo dividindo-se o volume pelo tempo, essas vazões foram extrapoladas para todos os apartamentos. Para a vazão da descarga do vaso sanitário foi estimado conforme especificações da norma brasileira NBR 5626 – Instalações Prediais de Água Fria, adotou-se o valor de 1,70 litros/s multiplicado pelo tempo médio fornecido pelos moradores (ABNT, 1998). Através de dados das faturas da companhia de fornecimento de água local (CASAN) foi possível obter o consumo mensal de água, em metros cúbicos, para cada bloco do Condomínio. Estes dados são apresentados na Tabela 6.3. 65 Tabela 6.3 – Consumo de água, por bloco, obtidos através emitidas pela CASAN. Consumo Mensal (m³) Mês Bloco A Bloco B mar/02 277,78 168,53 abr/02 185,00 161,87 mai/02 190,62 190,32 jun/02 186,95 159,94 jul/02 150,01 163,92 ago/02 176,15 165,71 set/02 173,02 172,25 out/02 158,76 165,71 nov/02 207,04 173,14 dez/02 231,34 163,92 jan/03 207,04 170,32 fev/03 200,34 183,53 mar/03 184,79 165,71 abr/03 215,03 170,32 mai/03 262,22 164,81 jun/03 204,98 171,32 jul/03 196,45 164,41 ago/03 135,43 164,81 set/03 154,01 159,94 out/03 175,18 185,83 nov/03 189,97 201,25 Média 193,43 170,84 Média Geral 174,14 das faturas Bloco C 149,98 148,97 151,99 179,95 160,63 204,22 187,00 113,18 79,97 240,31 200,98 158,59 120,79 150,98 183,86 161,30 153,89 130,63 126,04 160,60 157,02 158,14 A partir dos dados de consumo da Tabela 6.3 e, considerando médias de 2,25, 2,67 e 2,33 moradores por apartamento para os blocos A, B e C, respectivamente, foi possível calcular o consumo diário médio per capita para cada mês de referência, que é dado pela Equação 6.1. Em seguida, efetuaram-se médias por bloco e a média geral para todos os três blocos. A Tabela 6.4 mostra estes resultados e a Figura 6.2 ilustra os cálculos realizados. CD = C.1000 N p .N b .N m (Eq. 6.1). Onde: 9 CD é o consumo diário per capita (litros/dia); 9 C é o consumo medido pela CASAN para o bloco desejado e para o mês de referência; 9 1000 é o fator de conversão de m³ para litros; 9 Np é a média de moradores por apartamento, considerada separadamente para cada bloco; 66 9 Nb é o número de apartamentos por bloco; 9 Nm é o número de dias por mês de referência. 300,00 250,00 200,00 150,00 100,00 50,00 03 v/ no t /0 3 se 3 ju l/0 ai /0 3 m 3 ar /0 m /0 3 ja n 02 v/ no t /0 2 se 2 ai /0 2 ju l/0 m ar /0 2 0,00 m Consumo Diário per capita (Litros/hab/dia) Tabela 6.4 – Valores médios de consumo diário per capita (em litros/hab/dia) para cada mês de referência Consumo Mensal (litros/hab/dia) Mês Bloco A Bloco B Bloco C mar/02 257,20 131,50 134,10 abr/02 171,30 126,30 133,20 mai/02 176,50 148,50 135,90 jun/02 173,10 124,80 160,90 jul/02 138,90 127,90 143,62 ago/02 163,10 129,30 182,60 set/02 160,20 134,40 167,20 out/02 147,00 129,30 101,20 nov/02 191,70 135,10 71,50 dez/02 214,20 127,90 214,87 jan/03 191,70 132,90 179,70 fev/03 185,50 143,20 141,80 mar/03 171,10 129,30 108,00 abr/03 199,10 132,90 135,00 mai/03 242,80 128,60 164,40 jun/03 189,80 133,68 144,22 jul/03 181,90 128,29 137,60 ago/03 125,40 128,60 116,80 set/03 142,60 124,80 112,70 out/03 162,20 145,00 143,60 nov/03 175,90 157,03 140,40 Média 179,10 133,30 141,40 Média Geral 151,27 M eses Bloco A Bloco B Bloco C Figura 6.2 – Consumo diário per capita (litros/hab/dia) para os três blocos. 67 A Tabela 6.4 informa que o valor médio do consumo diário per capita para o bloco A, por exemplo, é de 179,10 litros/hab/dia, conforme dados fornecidos pela própria CASAN. Efetuando-se o produto entre este valor com o número de apartamentos existentes nesse bloco (16 apartamentos) e com a média de moradores por apartamento (2,25 moradores por apartamento), chega-se ao valor de 6.447 l/dia. Repetindo-se este processo para os blocos B e C, obtém-se os valores de 5.694 e 5.271 l/dia, respectivamente. 6.1.4 Estimativa do consumo de água nos dispositivos e dos usos finais Depois de efetuadas as medidas de freqüência e tempo de uso dos dispositivos através das entrevistas, para cada morador, foram determinados os consumos de água em cada aparelho. Este cálculo de consumo consiste basicamente no produto dessas medidas pela vazão de cada aparelho. De posse dos levantamentos que mostram a freqüência e o tempo de uso dos dispositivos, foi calculado o consumo de água por aparelho e identificar suas respectivas porcentagens. No que diz respeito aos dispositivos que demandam atividades de uso pessoal, a Tabela 6.5 mostra a média dos valores obtidos para cada morador. A Tabela 6.6 identifica a média referente ao uso de aparelhos que demandam atividades coletivas, como lavagem de louças, limpeza do apartamento, lavagem de roupas e preparo de alimentos. Tabela 6.5 – Consumo de água nos dispositivos que demandam atividades individuais. Bloco A Atividade vezes/dia duração (s) Vazão (l/s) Total (l/dia) Usos Finais % Uso do Chuveiro 1,5 594,98 0,03 26,77 16,10 Uso do Vaso Sanitário 4,3 7,99 1,70 58,37 35,10 Higiene Bucal 2,9 14,77 0,12 5,14 3,09 Lavagem de Mãos 4,3 12,92 0,12 6,67 4,01 Lavagem de Rosto 2,5 17,18 0,12 5,16 3,10 Barbeação 0,2 20,79 0,12 0,50 0,30 Total Geral 102,61 61,70 68 Tabela 6.5 – Consumo de água nos dispositivos que demandam atividades individuais (Cont.). Bloco B Atividade vezes/dia duração (s) Vazão (l/s) Total (l/dia) Usos Finais % Uso do Chuveiro 1,60 956,03 0,03 45,89 23,20 Uso do Vaso Sanitário 4,00 8,64 1,70 58,75 29,70 Higiene Bucal 2,80 44,39 0,12 14,91 7,54 Lavagem de Mãos 5,70 26,95 0,12 18,43 9,32 Lavagem de Rosto 2,20 44,80 0,12 11,83 5,98 Barbeação 0,10 92,31 0,12 1,11 0,56 Total Geral 150,92 76,10 Tabela 6.5 – Consumo de água nos dispositivos que demandam atividades individuais (Cont.). Bloco C Atividade vezes/dia duração (s) Vazão (l/s) Total (l/dia) Usos Finais % Uso do Chuveiro 1,80 809,27 0,03 43,70 28,60 Uso do Vaso Sanitário 4,30 7,27 1,70 53,17 34,80 Higiene Bucal 2,90 27,44 0,12 9,55 6,25 Lavagem de Mãos 4,20 11,76 0,12 5,93 3,88 Lavagem de Rosto 2,10 21,89 0,12 5,52 3,61 Barbeação 0,10 33,11 0,12 0,40 0,26 Total Geral 118,27 77,40 Tabela 6.6 – Médias dos consumos de água nos dispositivos que demandam atividades coletivas. Bloco A Atividade vezes/dia duração (s) Vazão (l/s) Total (l/dia) Usos Finais % Lavagem de Louça 1,00 506,46 0,11 55,71 33,50 Preparo de Alimentos 1,00 0,00 0,67 0,40 Tanque de Roupas 0,10 42,33 0,11 0,47 0,28 Maq. Lavar Roupas 0,30 0,00 3,03 1,82 Balde 0,20 0,00 0,91 0,55 Tanque de Limpeza 0,20 132,28 0,11 2,91 1,75 Total Geral 63,69 38,30 Tabela 6.6 – Médias dos consumos de água nos dispositivos que demandam atividades coletivas (Cont.). Bloco B Atividade vezes/dia duração (s) Vazão (l/s) Total (l/dia) Usos Finais % Lavagem de Louça 1,40 155,41 0,11 23,93 12,10 Preparo de Alimentos 1,00 0,00 2,37 1,20 Tanque de Roupas 0,10 48,55 0,11 0,53 0,27 Maq. Lavar Roupas 0,40 0,00 11,14 5,63 Balde 0,20 0,00 0,81 0,41 Tanque de Limpeza 0,10 735,46 0,11 8,09 4,09 Total Geral 46,88 23,70 69 Tabela 6.6 – Médias dos consumos de água nos dispositivos que demandam atividades coletivas (Cont.). Bloco C Atividade vezes/dia duração (s) Vazão (l/s) Total (l/dia) Usos Finais % Lavagem de Louça 1,00 194,47 0,11 21,39 14,00 Preparo de Alimentos 1,10 0,00 1,07 0,70 Tanque de Roupas 0,10 59,73 0,11 0,66 0,43 Maq. Lavar Roupas 0,30 0,00 8,51 5,57 Balde 0,20 0,00 0,53 0,35 Tanque de Limpeza 0,10 215,31 0,11 2,37 1,55 Total Geral 34,53 28,3 A Tabela 6.7 contém um resumo dos valores referentes a estas estimativas para cada habitante. Um ponto importante a ser comentado é o fato que, as atividades de higiene bucal, lavagem de mãos, lavagem do rosto e barbeação foram unidas para gerar o tópico lavatório. Tabela 6.7 – Estimativas de usos finais para cada morador segundo dados fornecidos pelos moradores. Bloco Atividade Geral A B C Média do consumo per capita 166,30 197,80 152,80 172,30 (l/hab/dia) Chuveiro (%) 16,10 23,20 28,60 22,63 Vaso Sanitário (%) 35,10 29,70 34,80 33,20 Lavatório (%) 10,50 23,40 14,00 15,97 Lavagem de Louça (%) 33,50 12,10 14,00 19,87 Preparo de Alimentos (%) 0,40 1,20 0,70 0,77 Lavagem de Roupas (%) 2,10 5,90 6,00 4,67 Limpeza do Apto. (%) 2,30 4,50 1,90 2,90 Total Geral (%) 100,00 100,00 100,00 100,00 A Tabela 6.8 mostra as estimativas em porcentagem dos usos finais para os blocos A, B e C e uma média para todo o condomínio com base no consumo real fornecido pela CASAN. 70 Tabela 6.8 – Estimativas de usos finais, em porcentagem, para os blocos A, B e C e para todo o Condomínio. Bloco Atividade Geral A B C Média do consumo per capita 179,10 133,30 141,40 151,27 (l/hab/dia) Chuveiro (%) 16,10 23,20 28,60 22,63 Vaso Sanitário (%) 35,10 29,70 34,80 33,20 Lavatório (%) 10,50 23,40 14,00 15,97 Lavagem de Louça (%) 33,50 12,10 14,00 19,87 Preparo de Alimentos (%) 0,40 1,20 0,70 0,77 Lavagem de Roupas (%) 2,10 5,90 6,00 4,67 Limpeza do Apto. (%) 2,30 4,50 1,90 2,90 Total Geral (%) 100,00 100,00 100,00 100,00 A tabela 6.9 mostra um comparativo entre o consumo per capita estimado (tabela 6.8) e o consumo per capita obtido a partir dos dados da CASAN (Tabela 6.4). Tabela 6.9 – Comparação entre os consumos real e estimado. Consumo diário per capta (l/hab/dia) A B C 166,30 197,80 152,80 Estimado Real 179,10 133,30 141,40 6.1.5 Estimativas de Usos Finais As primeiras estimativas de usos finais foram feitas, em porcentagem, para cada morador, por apartamento, por bloco e para o Condomínio em geral. Estas estimativas foram realizadas com base nos consumos dos dispositivos calculados. Posteriormente, foi realizado um levantamento, em litros, do consumo total de água para cada bloco e para o Condomínio, a partir dos dados fornecidos pela concessionária local. Feitas estas duas análises, efetuou-se uma comparação entre os consumos estimado e real, a fim de se verificar a ocorrência de discrepâncias. Como houve uma diferença significativa, o consumo utilizado para fins de dimensionamento foi o obtido através da concessionária local em função das porcentagens obtidas através da obtenção de dados fornecidos pelos moradores. 71 6.1.6 Estimativa do Volume do Reservatório de Água de Chuva Para definir qual seria o volume ideal de reservatório para captação de água de chuva, é necessário saber onde ela pode ser usada em substituição à água tratada. De acordo com o Group Raindrops (2002), a água pluvial pode ser utilizada, no meio residencial, em descargas de bacias sanitárias, lavagem de roupas, tanques, rega de jardins, resfriamento evaporativo, etc. Para o caso do Condomínio em questão, considerou-se a utilização de água de chuva após filtragem e cloração em lavagem de roupas, no uso em torneiras de tanques e em descargas sanitárias. Sendo assim, um volume de reservatório adequado seria aquele que suprisse totalmente a demanda de água nos itens acima. Entretanto, nem sempre isso é viável, devido a limitações construtivas, espaciais e econômicas. O algoritmo base do Programa Netuno (2004) foi utilizado para testar vários volumes e optar pelo mais apropriado. Este programa utiliza uma base de dados que contém precipitações dos anos de 2000, 2001 e 2002 para a cidade de Florianópolis. O processo de escolha consistiu em fazer variar o volume do reservatório, sendo que a cada variação realizada, o programa calculava uma nova porcentagem de economia de água tratada. A escolha do reservatório segundo Enedir Ghisi, engenheiro responsável por desenvolver o programa, é feita quando a variação de volume do mesmo promove um incremento igual ou inferior a 0,5% no potencial de economia de água tratada para se ter um equilíbrio entre custo e eficiência. E esse processo foi feito separadamente para os blocos A, B e C conforme mostra anexos A, B e C. Com isso, e a partir da verificação do espaço disponível no entorno das edificações, concluiu-se qual seria o volume ideal do reservatório. PC = PLR + PR + PVS (Eq. 6.2). Onde: 9 PC é a porcentagem de água de chuva que pode ser utilizada em substituição à água tratada (%); 9 PLR p é a parcela de uso final correspondente à lavagem de roupas (%); 72 9 PR é a parcela de uso final correspondente à torneira do tanque, no que diz respeito tanto à limpeza do apartamento quanto à limpeza de roupas (%); 9 PVS é a parcela de uso final correspondente ao vaso sanitário (%); Vale ressaltar que todo este processo de cálculo foi realizado para determinar os volumes dos reservatórios inferiores de cada bloco, ou seja, das suas respectivas cisternas. Ainda se faz necessária a determinação dos volumes dos reservatórios superiores. Para isto, tomou-se como fator determinante nessa escolha, o volume diário de água dado pela soma correspondente à utilização do vaso sanitário, da torneira do tanque e do processo de lavagem de roupas. A quantidade de água consumida por estes dispositivos indica qual deve ser o volume dos reservatórios superiores de cada bloco. A Tabela 6.10 mostra, resumidamente, os dados de entrada necessários para a utilização do Programa Netuno, sendo que eles foram dispostos por bloco. As variáveis de entrada são: área de telhado, coeficiente de perdas, média de moradores por apartamento, soma dos usos finais nos pontos em que se pode utilizar água de chuva no lugar da água tratada (conforme apresentado na Equação 6.2), consumo diário per capita e número de apartamentos por bloco. Tabela 6.10 – Dados de entrada, separados por bloco, necessários para a utilização do Programa Netuno. Bloco Variável A B C 324 324 324 Área de Telhado (m²) 0,85 0,85 0,85 Coeficiente de perdas 2,25 2,67 2,33 N° de Moradores por apartamento 179,10 133,30 141,40 Consumo diário per capita (l/hab/dia) 16 16 16 N° de Apartamento por bloco % de Água de chuva que pode ser 39,20 40,10 42,70 utilizada no lugar de água tratada A área de telhado dos três blocos é a mesma: 324m², que é dada pelo produto de 18m por 18m. O coeficiente de perdas adotado também foi o mesmo para os três casos de dimensionamento: 0,85. As demais variáveis seguem as características de cada bloco. 73 Conforme explicado anteriormente, as interações devem parar quando a variação do volume do reservatório promover um incremento de apenas 0,5% no potencial de economia de água tratada, utilizando água pluvial. Para o caso do bloco A, este limite seria um reservatório de 9.000 litros, pois passando para 10.000 litros, a variação ocorrida no potencial é de apenas 0,4%. Ainda, para facilitar a execução, seria interessante adotar um reservatório de fibra de vidro com capacidade de 10.000 litros (volume comercialmente vendido e facilmente encontrado), e que proporciona uma economia de água tratada de 14,7%. Uma explicação plausível para que este potencial de economia de água tratada tenha dado tão baixo, é que há uma área de telhado muito pequena para um consumo muito elevado de água, tendo em vista que se trata de um bloco residencial com 16 apartamentos, a uma média de 2,25 moradores por apartamento. Como a área de captação de água de chuva é muito menor que a sua demanda, não há como se obter um potencial de economia maior só utilizando água pluvial. Utilizando-se os dados de entrada para o bloco B, verifica-se que a análise fornecida pelo Programa Netuno indica um volume ideal de reservatório de 9.000 litros, pois passando-se para 10.000 litros o incremento no potencial de economia é de apenas 0,4%. Adotando-se este reservatório obtém-se um potencial de economia de água tratada de 16,3%. Para o bloco C, ao se aumentar o volume de 11.000 para 12.000 litros, houve um acréscimo de 0,4% no potencial de economia de água tratada. Sendo assim, um volume adequado a ser adotado seria 11.000 litros. Entretanto, para se ter uma homogeneidade nas soluções, optou-se em adotar um reservatório de 10.000 litros, pois a diferença, tanto em volume quanto em potencial de economia, é bastante pequena entre os dois reservatórios. A solução adotada para o bloco C proporciona uma economia de água tratada da ordem de 18,2%. 74 Figura 6.3 – Resultados de dimensionamento de reservatório obtidos para os blocos A, B e C utilizando-se o Programa Netuno. Todos os resultados obtidos para os blocos A, B e C, encontram-se ilustrados na Figura 6.3, para que se possa fazer um estudo comparativo. Através da análise da figura anterior, observa-se que os blocos A e B possuem quase o mesmo comportamento, pois as linhas do gráfico possuem simetria e proximidade entre si. Sendo assim, o volume de reservatório que for adotado para os dois casos, remete a uma porcentagem de economia de água tratada quase igual para os dois blocos. Já o bloco C, devido às suas características de consumo diário de água e de usos finais, apresenta um comportamento levemente diferente dos demais blocos. Ao se adotar um mesmo volume de reservatório para todos os três blocos, percebe-se que no bloco C haverá um potencial de economia de água tratada ligeiramente maior que nos outros dois. É importante observar que estas etapas de cálculo foram realizadas para se determinar os volumes dos reservatórios inferiores de cada bloco. Agora, de acordo com o que foi exposto anteriormente, faz-se necessária a determinação dos volumes dos reservatórios superiores. Estes, por sua vez, serão dimensionados para armazenar a quantidade de água diariamente consumida no vaso sanitário, no processo de lavagem de roupas e no uso da torneira do tanque. A Tabela 6.8 informa as médias diárias de consumo per capita, através das quais será possível chegar aos respectivos consumos em litros/dia para cada bloco. 75 Abaixo será exemplificado os processo de cálculos para o bloco A que seguem o mesmo processo para os blocos B e C. Feito isso, basta escolher um volume de reservatório adequado a este valor obtido. Pc = PLR + PR + PVS Pc = 2,10 + 2,30 + 35,10 Pc = 39,50% x 179,10 PC = 70,75 x 2,25 x 16 Volume = 2546,80 l/dia A Tabela 6.11 mostra os dados e cálculos de volume executados para o dimensionamento. Já a Tabela 6.12 apresenta um resumo das soluções adotadas, tanto para reservatórios inferiores, quanto para reservatórios superiores. Fazendo-se uma análise da Tabela 6.11, percebeu-se que os valores encontram-se bem próximos entre si. Sendo assim, optou-se em dimensionar os reservatórios superiores com o mesmo volume de 3.000 litros, até porque não foi encontrado no mercado reservatório com capacidade de 2.500 litros, que seria ideal. Tabela 6.11 – Dados de entrada e cálculos dos volumes de armazenamento dos reservatórios superiores de cada bloco. Dados Bloco A Bloco B Bloco C Consumo diário per capita (l/hab/dia) 179,1 133,3 141,4 N° de Apartamento por bloco 16 16 16 N° de Moradores por apartamento 2,25 2,67 2,33 Soma de usos finais (%) 39,5 40,1 42,7 Volume a ser armazenado (litros) 2546,80 2426,20 2250,90 Tabela 6.12 – Resumo das soluções adotadas para reservatórios inferior e superior de água de chuva em cada bloco. Capacidade (litros) Reservatório Bloco A Bloco B Bloco C 10.000 10.000 10.000 Inferior Superior 3.000 3.000 3.000 76 6.1.7 Estimativa do Volume do Reservatório de Água de Reúso Para o estudo realizado no Condomínio Santa Martha, considerou-se que a água servida em chuveiros, lavatórios e lavagem de roupas, poderia ser reutilizada no vaso sanitário, conforme é mostrado na Equação 6.3. PR = PCH + PLV + PLR (Eq. 6.3). Onde: 9 PR é a porcentagem de água passível de ser reutilizada (%); 9 PCH é a parcela de uso final correspondente ao chuveiro (%); 9 PLV é a parcela de uso final correspondente ao lavatório (%); 9 PLR é a parcela de uso final correspondente à lavagem de roupas (%); Para definir o volume do reservatório inferior de água de reúso, foram efetuadas comparações entre a soma dos valores de usos finais do chuveiro, do lavatório e da lavagem de roupas com o valor da parcela de uso final do vaso sanitário, todos em porcentagem. Este processo permite avaliar a porcentagem de água tratada que pode ser economizada utilizando-se água de reúso e, por conseguinte, auxilia na determinação de um volume adequado de reservatório. O ideal é que se consiga armazenar todo o volume de água passível de ser reutilizada. Sendo assim, toma-se como fator determinante neste dimensionamento a quantidade de água consumida diariamente no chuveiro, no lavatório e na lavagem de roupas. Se a soma destes consumos for maior que a água utilizada no vaso sanitário, adota-se volume de água utilizada no vaso sanitário como capacidade volumétrica do reservatório. Caso contrário, a definição do volume leva em consideração o consumo referente à soma dos usos finais de chuveiro, lavatório e lavagem de roupas. Para garantir que o sistema não opere com falhas de abastecimento, foi complementado com abastecimento de água tratada caso não haja água de reúso suficiente para o funcionamento do sistema. Em linhas gerais, as etapas de cálculo seguem o que já foi feito para a determinação de volume dos reservatórios superiores de água pluvial, logo, a base da Tabela 6.11 77 pode ser utilizada, gerando a Tabela 6.13, que mostra os dados necessários e os respectivos cálculos de volumes. Para o bloco A, tem-se uma soma dos usos finais no valor de 28,7%, sendo que a demanda no vaso sanitário é de 35,1%. Percebe-se que a quantidade de água passível de ser reutilizada não é suficiente para atender a toda demanda. Neste caso, para o bloco A, é interessante adotar um volume de reservatório que consiga armazenar o valor correspondente aos 28,7%. O bloco B tem um valor de 52,5% referente à soma dos usos finais do lavatório, chuveiro e lavagem de roupas, e gasta 29,7% do consumo de água com o vaso sanitário. Neste caso, a demanda de água é menor que o volume que se pode economizar. Diante disso, o dimensionamento deve ser feito em função do consumo do vaso sanitário. Já para o caso do bloco C, a soma dos usos finais considerados é de 48,6%, sendo que o uso final do vaso sanitário é de 34,8%. Então, o procedimento a ser seguido é o mesmo que foi realizado para o bloco B, ou seja, determinar o volume em função do vaso sanitário. Tabela 6.13 – Dados de entrada e cálculos dos volumes de armazenamento dos reservatórios de água de reúso. Dados Bloco A Bloco B Bloco C Consumo diário per capita (l/hab/dia) 179,1 133,3 141,4 N° de Apartamento por bloco 16 16 16 N° de Moradores por apartamento 2,25 2,67 2,33 Soma de usos finais * (%) 28,7** 52,5 48,6 Uso final do vaso sanitário (%) 35,1 29,7 34,8 Disponível para o vaso sanitário (L) 51,4 39,7 49,21 Volume a ser armazenado (litros) 1850,5 1797,0 1834,4 * Chuveiro + lavatório + lavagem de roupas ** % adotada para dimensionamento do reservatório devido ao volume gerado ser menor do que o requerido. Após verificados os volumes de água a serem armazenados, nota-se que é interessante adotar soluções iguais para todos os blocos. Com isso, optou-se em uniformizar as escolhas para os reservatórios inferiores, utilizando 2.000 litros em todos os três casos. Este volume gera potenciais de economia de água tratada de 78 28,7%, 29,7% e 34,8% para os blocos A, B e C, respectivamente em relação ao total de água consumida. Verifica-se que mesmo com o aumento do reservatório não ocorreu um aumento no potencial de economia de água tratada. Isso se deve ao fato de que nos blocos B e C o dimensionamento ter sido feito em função da demanda do vaso sanitário. Sendo assim, ao se adotar um volume maior de reservatório, somente o volume destinado ao vaso sanitário vai ser utilizado, a diferença fica armazenada não se obtendo economia de água tratada com o aumento do reservatório. Já no bloco A, o dimensionamento foi realizado em função dos usos finais de chuveiro, lavatório e lavagem de roupas. Logo, mesmo que seja adotado um reservatório maior, também não será possível aumentar a economia de água. O dimensionamento dos reservatórios superiores segue exatamente o mesmo processo realizado para os reservatórios inferiores. Isto significa que ambos possuirão a mesma capacidade volumétrica, ou seja, 2.000 litros. Então, a Tabela 6.14 vem apresentar um resumo das opções adotadas para cada situação. Tabela 6.14 – Resumo das soluções adotadas para reservatórios inferior e superior de água de reúso em cada bloco. Capacidade (litros) Reservatório Bloco A Bloco B Bloco C 2.000 2.000 2.000 Inferior Superior 2.000 2.000 2.000 Antes da água de reúso ir para o reservatório inferior acima dimensionado ela passa por uma fossa séptica e na seqüência por um sistema de zona de raízes conforme explicado anteriormente no item 5.4.6. 6.1.8 Estimativas dos Volumes dos Reservatórios Considerando Utilização Simultânea dos dois Sistemas. Ao se fazer uso dos dois sistemas simultaneamente, verifica-se que apenas o reservatório de água pluvial sofrerá mudanças no seu volume. Diante disso, o processo de dimensionamento resume-se à comparação das porcentagens referentes ao reservatório adotado para o reúso, com a porcentagem de água 79 tratada que pode ser substituída por água de chuva. É para essa diferença que deverão ser calculados os novos reservatórios de água pluvial, que tendem a ficar com volumes menores, pois estão sendo utilizados em conjunto com o sistema de reúso de águas cinzas. A Tabela 6.15 mostra os dados de entrada necessários para a determinação de volume através da utilização do Programa Netuno. Vale lembrar que no processo de cálculo foram considerados um coeficiente de perdas de 0,85 e uma área de telhado de 324m², conforme já havia sido explicado e utilizado anteriormente. Tabela 6.15 – Dados de entrada e cálculos dos volumes de armazenamento dos reservatórios, considerando o uso de água de chuva e reúso de águas cinzas. Dados Bloco A Bloco B Bloco C Consumo diário per capita (l/hab/dia) 179,10 133,30 141,40 N° de Apartamento por bloco 16,00 16,00 16,00 N° de Moradores por apartamento 2,25 2,67 2,33 % de economia de água tratada obtida através do volume do reservatório de 28,70 29,7 34,8 reúso adotado % de água tratada que pode ser 39,20 40,10 42,70 substituída por água de chuva Diferença das porcentagens anteriores (%) 10,50 10,40 7,90 Para o bloco A, conforme mostra anexos D, o volume adequado de reservatório é de 6.000 litros, pois passando-se para 7.000 litros, o aumento no potencial de economia de água tratada é de apenas 0,3%. No caso do bloco B, conforme mostra anexos E, o volume que se mostra mais apropriado é o de 5.000 litros, pois ao se aumentar este valor em 1.000 litros, o incremento de economia obtido é de 0,4%. O bloco C, conforme mostra anexos F, seguindo o mesmo processo de dimensionamento realizado para os blocos A e B, deve possuir um reservatório de capacidade 5.000 litros. Constata-se que cada bloco possui um volume de armazenamento diferente e, tendo em vista que se deseja facilitar a execução de todo este sistema, a saída encontrada foi a de utilizar a mesma capacidade volumétrica em todos os três casos. Sendo assim, poderia ser usado um reservatório de 6.000 litros, que atende plenamente a todos os blocos para padronizar os volumes. 80 Com isso, os potenciais de economia de água tratada, utilizando-se água de chuva, obtidos para os blocos A, B e C foram de 5,01%, 4,98% e 3,88%, respectivamente. A Figura 6.4 mostra como se comporta o potencial de economia de água tratada em função da variação do volume. Percebe-se que todos os blocos possuem uma curva bastante similar, que vem a confirmar a proximidade na economia de água tratada dentre eles. Potencial de economia de água tratada (%) 6 5 4 BLOCO A 3 BLOCO B BLOCO C 2 1 0 0 10000 20000 30000 40000 50000 Volume do reservatório (litros) Figura 6.4 – Resultados de dimensionamento de reservatório obtidos para os blocos A, B e C utilizando-se o Programa Netuno. Todo este processo de dimensionamento foi executado para a determinação dos reservatórios inferiores de água pluvial de cada bloco. Para o caso dos reservatórios superiores, verifica-se que não há necessidade de se realizar novos dimensionamentos, uma vez que eles possuirão os mesmos volumes já calculados no item 6.1.6, ou seja, 3.000 litros. Diante disso, a Tabela 6.16 apresenta um resumo das soluções escolhidas. Tabela 6.16 – Resumo das soluções adotadas para os reservatórios inferior e superior de cada bloco. Capacidade (litros) Reservatório Bloco A Bloco B Bloco C Inferior 6.000 6.000 6.000 Água Pluvial Superior 3.000 3.000 3.000 Inferior 2.000 2.000 2.000 Reúso Superior 2.000 2.000 2.000 81 Logo, a utilização de um sistema de aproveitamento de água pluvial em conjunto com um de reúso de águas cinzas, proporciona elevados potenciais de economia de água tratada, maiores que para os casos anteriormente estudados. Estes valores são dados pela soma dos potenciais, onde foram atingidos os seguintes patamares: 33,71, 34,68 e 38,68%, respectivamente para os blocos A, B e C. 82 7 ANÁLISE DOS RESULTADOS 7.1.1 Análise Econômica A análise econômica complementa o estudo realizado sobre potencial de economia de água tratada. O foco desta análise é fazer um levantamento de materiais, custos dos mesmos e da mão-de-obra necessária, donde será possível chegar ao valor de implantação de cada sistema. Primeiramente, verificou-se o consumo médio diário per capita de cada bloco, dado pela Equação 7.1. Com estes valores estimou-se o gasto atual, ou seja, sem nenhum tipo de sistema economizador de água, para cada bloco, conforme mostrado na Equação 7.2. Finalmente, considerando os percentuais de economia de água tratada obtidos em cada caso, o número de apartamentos por bloco e um mês hipotético de 30 dias, foi possível determinar qual seria o novo custo de água dos blocos, de acordo com o que é apresentado na Equação 7.3. A diferença entre C1 e C2 indica a economia, em reais, obtida. O custo de implantação de cada sistema, ao ser dividido pelo valor que representa a economia obtida, fornece o período de retorno do investimento realizado em meses. Para se conseguir a resposta em anos, basta dividir o resultado por 12. Tudo isto está melhor explicado através da equação 7.4. C MD = C M .N Apto .M 1000 (Eq. 7.1). Onde: 9 CMD é o consumo médio diário do bloco considerado (m³/dia); 9 CM É o consumo médio diário per capita do bloco em estudo (litros/hab/dia); 9 NApto é número de apartamentos do bloco considerado (apto); 9 M é o número médio de habitantes por apartamento para o bloco que está sendo analisado (hab/apto); 9 1000 é o fator de conversão de litros para m³. 83 C1 = C CASAN .1,8.N Apto (Eq. 7.2). Onde: 9 C1 é o gasto atual de cada bloco (Reais); 9 CCASAN é o custo do consumo de água, para um apartamento médio, calculado considerando as faixas de consumo estabelecidas pela CASAN (reais/apto); 9 1,8 é fator que a CASAN utiliza para considerar o serviço de tratamento de esgotos; 9 NApto é número de apartamentos de cada bloco considerado (apto). C 2 = C CASAN 2 .1,8.N Apto (Eq. 7.3). Onde: 9 C2 é o novo gasto de cada bloco (Reais); 9 CCASAN 2 é o novo custo do consumo de água, para um apartamento médio, calculado considerando as faixas de consumo estabelecidas pela CASAN e a economia obtida utilizando sistema economizador de água (reais/apto); 9 1,8 é fator que a CASAN utiliza para considerar o serviço de tratamento de esgotos. 9 NApto é número de apartamentos de cada bloco considerado (apto); T= Ci (C1 − C 2 ).12 Onde: 9 T é o período de retorno do investimento realizado (anos); 9 C1 é o gasto atual de cada bloco (Reais); 9 C2 é o novo gasto de cada bloco (Reais); 9 Ci é o custo de implantação de cada sistema; 9 12 é fator de conversão de meses para anos. (Eq. 7.4). 84 Tendo implantado os dois sistemas ao mesmo tempo, verificou-se que a quantidade de tubulação e conexões necessárias além das que já fazem parte de uma instalação hidro-sanitária comum, é mínima. Bastou o acréscimo de um mecanismo para oferecer ordem a prioridade na seguinte seqüência que seria a água de reúso, água de chuva e água tratada, garantindo, assim, que o uso de água tratada só seja feito quando o reservatório de cada um destes sistemas estiver esgotado. Sendo assim, para se estimar os gastos com tubulação e conexões, optou-se em adotar uma porcentagem do montante final orçado. De acordo com a Tigre (2005), tubos e conexões custam menos de 3% do valor de uma obra. Para o estudo em questão, estabeleceu-se que após concluídos os levantamentos, foi aplicado um fator de 15% sobre o total deste orçamento, que corresponderá ao custo de tubos, conexões e filtros. Esta porcentagem foi arbitrada de forma a suprir todos estes custos, inclusive os de instalação interna na edificação. Os pontos que merecem mais atenção nessa questão de custos são os reservatórios e as moto-bombas. Conforme recomenda a NBR 5626 (ABNT, 1998), as instalações elevatórias devem possuir no mínimo duas moto-bombas independentes para assegurar o abastecimento de água no caso de falha de uma das unidades. Para a alimentação de um prédio de quatro pavimentos, que é o caso dos blocos em estudo, é necessário duas moto-bombas de ¾ CV cada uma. Com isso, para efeitos de orçamento, seriam necessárias mais duas moto-bombas de ¾ CV para que se fosse instalado cada um dos dois sistemas. Considerando um valor médio de mercado deste equipamento de R$ 400,00, os montantes gastos são apresentados através das Tabelas 7.1 a 7.3, que mostram todos os custos de implantação, por bloco e para o Condomínio, de cada sistema e da hipótese de se adotar os dois sistemas juntos. Os gastos com energia também foram considerados nesta etapa. Foi estipulado que cada sistema possuirá uma moto-bomba de ¾ funcionando 5h/dia, 30 dias por mês, exceto quando se utiliza os dois sistemas simultaneamente. Neste caso são necessários duas moto-bombas. Para a determinação deste custo de energia, foi necessário fazer realizar um levantamento junto à CELESC que mostrasse o custo 85 do KWh. Verificou-se que a tarifa praticada é de R$ 0,337/KWh (até um limite de 150KWh, acima disso o valor muda). De posse deste valor, foi possível fazer um levantamento de gastos de energia, verificando que ele se mostrou muito pequeno frente aos outros dados. Após realizados os estudos que determinaram os volumes de reservatórios, tanto inferiores quanto superiores, para cada tipo de solução a ser adotada, fez-se uma pesquisa de mercado a fim de se obter os valores médios de preços de cada um deles. Optou-se em adotar reservatórios de fibra de vidro, por se mostrarem mais baratos e mais convenientes. Diante disso, as capacidades volumétricas levantadas foram: 2.000, 3.000, 6.000 e 10.000 litros, sendo que o custo médio de cada uma delas foi de R$ 385,00, R$ 550,00, R$ 1.600,00 e R$ 1.750,00, respectivamente. Para se quantificar a mão-de-obra, fez-se uma pesquisa com uma empreiteira especializada em execução de projetos hidro-sanitários. Optou-se em fornecer este preço de mão-de-obra em regime de custo por hora trabalhada. Logo, chegou-se a um valor de R$ 8,00/hora. O tempo de execução e instalação dos serviços varia dependendo do tipo de solução a ser adotada. Na Tabelas 7.1 a 7.3, podem ser verificadas as quantidades de horas necessárias em cada caso e os seus respectivos custos finais. Os custos do sistema de tratamento de efluentes por zonas de raízes também foram levantados. Considerou-se uma área de tratamento de 0,8 m²/habitante, a um custo de R$ 49,00/m². Efetuando-se o produto entre o 0,8 e as médias de 2,24 hab/apto e 16,33 aptos/bloco, chega-se a uma área de tratamento de 32m²/bloco. Vale ressaltar que a instalação de reservatórios no topo de edificações promove um grande incremento de cargas na estrutura das mesmas. Talvez seja inviável realizar este tipo de procedimento em prédios já construídos, também pela falta de espaço, mas é perfeitamente aceitável em edificações ainda em fase de projeto. 86 Tabela 7.1 – Resumo dos custos de implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial. Água Pluvial Material Custo (R$) Qtdes/Bloco Total Moto-bomba de 3/4 CV R$ 400,00 2 unid. R$ 800,00 Reservatório de 3.000L R$ 550,00 1 unid. R$ 550,00 Reservatório de 10.000L R$ 1.750,00 1 unid. R$ 1.750,00 Mão-de-obra R$ 8,00/hora 80h R$ 640,00 Energia (moto-bomba) 4h/dia R$ 56,87 Tubulação, conexões e filtros. 15% do total R$ 569,53 Custo total por Bloco R$ 4.366,40 Custo total para o Condomínio R$ 13.099,20 Tabela 7.2 – Resumo dos custos de implantação de um sistema de reúso de águas cinzas. Reúso Material Custo (R$) Qtdes/Bloco Total Moto-bomba de 3/4 CV R$ 400,00 2 unid. R$ 800,00 Reservatório de 2.000L R$ 385,00 2 unid. R$ 770,00 Mão-de-obra R$ 8,00/hora 80h R$ 640,00 Energia (moto-bomba) 4h/dia R$ 56,87 Zona de Raízes R$ 49,00/m² 32m²/bloco R$ 1.536,33 Tubulação, conexões e filtros 15% do total R$ 570,48 Custo total por Bloco R$ 4.373,68 Custo total para o Condomínio R$ 13.121,04 Tabela 7.3 – Resumo dos custos de implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial em conjunto com um sistema de reúso de águas cinzas. Água Pluvial + Reúso Material Custo (R$) Qtdes/Bloco Total Moto-bomba de 3/4 CV R$ 400,00 4 unid. R$ 800,00 Reservatório de 2.000L R$ 385,00 2 unid. R$ 770,00 Reservatório de 3.000L R$ 550,00 1 unid. R$ 550,00 Reservatório de 6.000L R$ 1.600,00 1 unid. R$ 1.600,00 Mão-de-obra R$ 8,00/hora 160h R$ 1.280,00 Energia (moto-bomba) (4h/dia)x2 R$ 113,74 Zona de Raízes R$ 49,00/m² 32m²/bloco R$ 1.536,33 Tubulação, conexões e filtros 15% do total R$ 997,51 Custo total por Bloco R$ 7.647,58 Custo total para o Condomínio R$ 22.942,74 A análise das Tabelas 7.1 a 7.3 indica que a implantação de um sistema de captação de águas pluviais é o que apresenta o menor custo por bloco, dentre as opções existentes. Entretanto, ele possui um potencial de economia de água tratada menor do que 20%, conforme mostrado no item 6.1.6. 87 O sistema de reúso de águas cinzas possui custo praticamente igual ao de aproveitamento de água de chuva, mas o potencial de economia de água tratada proporcionado é maior entre 28% e 35%, conforme pode ser verificado no item 6.1.7. Se analisarmos a utilização os dois sistemas simultaneamente, percebe-se que o custo é praticamente o dobro, mas através da análise do item 6.1.8 verifica-se que este possibilita o maior potencial de economia de água tratada dentre as três opções existentes entre 33% e 38%. Outro ponto que merece destaque na análise econômica é o estudo que aponta a economia, em reais, obtida a partir da escolha do sistema a ser utilizado. Ele mostra qual seria o payback, ou seja, o período de retorno para o capital investido. O estudo foi realizado através de um payback simples, para cada uma das três técnicas. A Tabela 7.4 apresenta as faixas de consumo de água e os valores que a CASAN considera em sua tabela tarifária para edificações residenciais. Tabela 7.4 – Tabela tarifária utilizada pela CASAN para edificações residenciais. Tabela tarifária da CASAN Faixa de consumo (m³) Custo (R$) 0 a 10 1,705 11 a 25 2,975 Acima de 26 4,064 A Equação 7.1 aponta o valor médio de consumo diário per capita de cada bloco. Já a Equação 7.2 mostra os gastos atuais com água para cada bloco, enquanto que a Equação 7.3 apresenta os novos gastos com água, por bloco, ao se considerar a utilização de cada uma das três técnicas possíveis. Para este cálculo, foi utilizado um mês hipotético com 30 dias. A diferença entre os dois resultados e a comparação com os custos de implantação de cada sistema, apresenta o período de retorno dos investimentos realizados, conforme mostrado na Equação 7.4. Todas estas etapas de cálculo e os resultados obtidos para cada um dos três sistemas estão contidos nas Tabelas 7.5 a 7.7. 88 Tabela 7.5 – Tempo de retorno para investimento em um sistema de captação de água pluvial. Água Pluvial Dados Bloco A Bloco B Bloco C Economia de água tratada (%) 14,7 16,3 18,2 Custo do Sistema (R$) 4366,4 4266,4 4266,4 N° de Apartamentos 16 16 16 Mês hipotético (dias) 30 30 30 Média diária (m³/dia) 6,4 6 5,3 Média mensal atual por apto (m³/mês) 12 11,25 9,94 Gasto atual com água por apto (R$/mês) 48,77 45,72 40,39 Gasto atual com água por bloco (R$/mês) 780,29 731,52 646,18 Nova média mensal por apto (m³/mês) 10,24 9,42 8,13 Novo Consumo por apto (R$/mês) 41,60 38,27 33,04 Novo Consumo por bloco (R$/mês) 665,59 612,28 528,57 Economia por bloco (R$/mês) 114,70 119,24 117,60 Payback por bloco (anos) 3,17 2,98 3,02 Tabela 7.6 – Tempo de retorno para investimento em um sistema de reúso de águas cinzas. Águas Cinzas Dados Bloco A Bloco B Bloco C Economia de água tratada (%) 28,7 29,7 34,8 Custo do Sistema (R$) 4373,68 4373,68 4373,68 N° de Apartamentos 16 16 16 Mês hipotético (dias) 30 30 30 Média diária (m³/dia) 6,4 6 5,3 Média mensal atual por apto (m³/mês) 12 11,25 9,94 Gasto atual com água por apto (R$/mês) 48,77 45,72 40,39 Gasto atual com água por bloco (R$/mês) 780,29 731,52 646,18 Nova média mensal por apto (m³/mês) 8,56 7,91 6,48 Novo Consumo por apto (R$/mês) 34,77 32,14 26,33 Novo Consumo por bloco (R$/mês) 556,35 514,26 421,31 Economia por bloco (R$/mês) 223,94 217,26 224,87 Payback por bloco (anos) 1,63 1,68 1,62 Tabela 7.7 – Tempo de retorno para investimento em um sistema que utiliza simultaneamente captação de água pluvial e reúso de águas cinzas. Água Pluvial + Reúso Dados Bloco A Bloco B Bloco C Economia de água tratada (%) 33,71 34,68 38,68 Custo do Sistema (R$) 7.647,58 7.647,58 7.647,58 N° de Apartamentos 16 16 16 Mês hipotético (dias) 30 30 30 Média diária (m³/dia) 6,4 6 5,3 Média mensal atual por apto (m³/mês) 12 11,25 9,94 Gasto atual com água por apto (R$/mês) 48,77 45,72 40,39 Gasto atual com água por bloco (R$/mês) 780,29 731,52 646,18 Nova média mensal por apto (m³/mês) 7,95 7,35 6,09 Novo Consumo por apto (R$/mês) 32,33 29,86 24,76 Novo Consumo por bloco (R$/mês) 517,25 477,83 396,24 Economia por bloco (R$/mês) 263,04 253,69 249,94 Payback por bloco (anos) 2,42 2,51 2,55 89 A análise das tabelas anteriores aponta que o sistema de reúso de água cinzas apresenta o menor tempo de retorno de investimento. A utilização em conjunto dos sistemas de captação de água pluvial e reúso de águas cinzas, apesar de possuir o maior tempo de retorno, apresenta os maiores potenciais de economia de água tratada. Este tempo de retorno não chega a ser tão elevado, se for considerada a vida útil de uma edificação. 7.1.2 Análise de Dimensionamento Apresentam-se os resultados por meio de um comparativo entre o procedimento de dimensionamento citado na referência bibliográfica contrapondo aos métodos alternativos de cálculo adotado no estudo de caso do condomínio residencial localizado em Florianópolis. O procedimento para o dimensionamento do reservatório através do método citado por Yuri (2003) foi primeiramente na seleção de postos pluviométricos existentes próximos ao local. Para atender a esta condição foi levantado junto ao site da Agencia Nacional de Águas (ANA, 2005) todos os postos existentes próximos à cidade de Florianópolis com series longas (pelo menos 40 anos de dados), conforme recomendam os autores do método. Foram selecionados três postos pluviométricos: 2.851.024, 2.851.003 e 2.851.021. O primeiro posto com série de 58 anos, o segundo com 43 anos e o último com 56 anos de dados. Os dados obtidos na ANA foram analisadas as séries de forma a identificar o número máximo de dias consecutivos sem chuvas em cada ano, menos de 1mm/dia conforme descrito na tabela 7.8. Tabela 7.8 – Número de dias consecutivos sem chuva para diferentes tempos de retorno (TR). Posto TR 3 anos TR 5 anos TR 10 anos 2851003 24,5 29,5 36,5 2851021 23 26 29,5 2851024 22 26,5 29,5 Para fins de dimensionamento do reservatório, foram considerados os dados do posto 2851003, que resultou para todos os tempos de retorno na condição mais 90 crítica. O dimensionamento do volume do reservatório é realizado a partir da equação 5.1 citada na revisão bibliográfica onde o S (consumo per capita) aqui chamado de PC é representado pela multiplicação da soma porcentagens de água que podem ser substituídas por água tratada. Com base nessa equação faremos uma estimativa de volume de reservatório para um TR de 5 anos e 10 anos respectivamente para todos os blocos do condomínio para fins de comparação ao sistema utilizado. 9 Exemplo de como calcular o volume de água de chuva que pode ser utilizada em substituição à água tratada conforme equação 6.2 com dados da tabela 6.8: Pc = PLR + PR + PVS Pc = 2,10 + 2,30 + 35,10 Pc = 39,50% x 179,10 PC = 70,75 l/hab/dia 9 Volumes aproximados para o bloco A: Vt 5= (((36 x 70,75) x 29,5 x 1,1) x 10-3) = 82,64m³ Vt 10= (((36 x 70,75) x 36,5 x 1,1) x 10-3) =102,26m³ 9 Volumes aproximados para o bloco B: Vt 5= (((42,72 x 53,45) x 29,5 x 1,1) x 10-3) = 74,10m³ Vt 10= (((42,72 x 53,45) x 36,5 x 1,1) x 10-3) = 91,70m³ 91 9 Volumes aproximados para o bloco C: Vt 5= (((37,28 x 60,37) x 29,5 x 1,1) x 10-3) = 73,04 m³ Vt 10= (((37,28 x 60,37) x 36,5 x 1,1) x 10-3) = 90,40 m³ A partir dos resultados obtidos acima podemos comparar com o sistema de dimensionamento utilizado no presente condomínio através do programa Netuno que faz a interação entre a precipitação media da região e volume reservado, obtendo um volume ideal quando o aumento do reservatório promove uma economia da água tratada menor que 0,5% segundo recomendações de (Enedir Ghisi) responsável por desenvolver o programa. Outra forma bastante utilizada para dimensionamento de reservatório é a partir de um diagrama de massas também conhecido como método de Rippl. A figura 7.1 demonstra o diagrama de massa com dados de precipitação de 31 anos no período de 1971 a 2004 conforme apresentado no anexo G. Diagrama de Massas Demanda de Chuva Média Mensa 1200 1000 800 Chuva média mensal Bloco A 600 Bloco B 400 Bloco C 200 0 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 Tempo em Meses Figura 7.1 – Diagrama de massas gerados com precipitações de chuva no período de 1971 a 2004. 92 A tabela 7.9 mostra uma analise entre vazão de chuva, volume do reservatório e economia obtida a partir do diagrama de massas. Tabela 7.9 – Demonstrativo de possíveis volumes de reservatórios com suas respectivas eficiências. Q. regularizada %Q Vol. Reservatório (m³) % Economia (L/dia) 10% 112,80 3,43 4,79 20% 225,59 11,44 9,59 30% 338,39 21,73 14,38 40% 451,18 45,81 19,17 50% 563,98 125,34 23,97 60% 676,78 187,68 28,76 70% 789,57 252,87 33,55 80% 902,37 388,58 38,35 90% 1015,16 491,87 43,14 100% 1127,96 599,79 47,93 Para fins de comparação, o sistema apresentado por Yuri (2003), propõe um reservatório médio de 95m³, com uma economia média de 22%, (valor aproximado obtido através do método de Rippl). Já o sistema implantado no condomínio utilizou reservatórios de 9m³, com uma economia média de 16% valor estimado por meio do programa Netuno. O método de Rippl diz que a máxima vazão de chuva a ser regularizada é a vazão média que no caso deste condomínio corresponde a 1.127,96 L/dia. A tabela 6.11 demonstrou que o condomínio necessita de uma média de 2.400 L/dia. Diante disso fica claro que independente do tamanho do reservatório o sistema não poderá ter uma eficiência maior do que 47,93%, pois o volume de entrada de chuva é menos da metade do necessário. Como podemos ver na tabela 7.9, utilizando o digrama de massas, para se ter uma economia média em torno de 16% o volume médio do reservatório deveria ser em torno de 22m³. Essa discrepância entre dimensionamento do programa Netuno e o método de Rippl, pode ser por conta do período de chuva utilizado pelo programa Netuno que foi de apenas 3 anos contra 31 anos utilizado no diagrama de massas. Vale ressaltar que para a determinação do volume do reservatório em um condomínio como este, temos que analisar uma serie de fatores como espaço físico, 93 custo de implantação e manutenção, muito dificilmente um reservatório de 600m³ como mostra na tabela 7.9 seria implantado no condomínio, pois o custo de implantação e manutenção inviabilizaria a obra. Mesmo com esse volume o sistema teria uma eficiência de 47,93%, não justificando o gasto. Para que o sistema funcione ininterruptamente a área de captação teria que ter aproximadamente 680m² e o reservatório com um volume aproximado de 1250m³ que também nesse caso seria inviável. Por falta de bibliografia não foi possível obter um sistema de calculo alternativo para a estimativa de volumes do reservatório de reúso de águas cinzas, que vai ser demonstrado da maneira em que foi apresentado no estudo de caso item 6.1.7. Utilizando-se da equação 6.3 juntamente com a tabela 6.13 foi possível obter o volume de água que pode ser utilizada para uso nas descargas que são 51,40; 39,59 e 49,21 litros respectivamente para os blocos A, B e C, multiplicando esses valores pelo numero de moradores obtivemos os seguintes volumes: 9 Volumes aproximados para o bloco A: Vt= ((36 x 51,40) x 10-3) = 1,85m³ 9 Volumes aproximados para o bloco B: Vt= ((42,72 x 39,59) x 10-3) = 1,70m³ 9 Volumes aproximados para o bloco C: Vt= ((37,28 x 49,21) x 10-3) = 1,85m³ Conforme apresentado no estudo de caso, o condomínio optou pela implantação dos dois sistemas simultâneos, obtendo uma economia média de 35,7% na utilização de água tratada. Este percentual denota a viabilidade do sistema, com a considerável diminuição do consumo de água e um apreciável ganho econômico, mesmo que o 94 tempo de retorno do investimento simultâneo do sistema seja maior do a implantação dos os sistemas separadamente. Um fator a interessante a ser comentado é o volume dos reservatórios adotados, segundo os cálculos os volumes para armazenamento de água segundo o programa Netuno foi em média de 6000 litros por bloco usando os dois sistemas simultâneos. E a soma dos reservatórios de aproveitamento de água de chuva implantados resultam em 9.000 litros por bloco. Para o sistema de reúso de águas cinzas, após o dimensionamento se obteve um volume de reservatório de 2000 litros e a soma dos reservatórios de reúso de águas cinzas resultou em 4000 litros por bloco. Esse aumento na capacidade dos reservatórios segundo o programa Netuno não trará um potencial de economia significativo, pois esse aumento representa uma economia de 0,4%. Já pelo método de Rippl podemos observar que esse aumento na capacidade do reservatório pode trazer um potencial de economia significativo neste caso. Já no sistema de reúso de águas cinzas, esse aumento não significa ganho algum, pois a quantidade de água gerada para o sistema de reúso continua sendo a mesma. 95 8 CONCLUSÕES A pesquisa permitiu abordar os conceitos gerais sobre aproveitamento de águas pluviais e reúso de água cinzas e apresentar os métodos utilizados na elaboração e na implantação dos sistemas. O critério para a seleção do sistema implantado no condomínio residencial foi o de maior potencial de economia de água tratada não levando em conta o tempo de retorno do investimento, pois a diferença de tempo não era considerável. Os resultados das pesquisas efetuadas mostraram que o método utilizado através do programa Netuno no sistema de aproveitamento de água de chuva produz uma economia de água tratada compatível com a dimensão do reservatório, que pode ser considerado pequeno perante o ganho econômico no consumo. Os aspectos principais demonstrados e analisados no estudo de caso, relativo às três alternativas de implantação de sistemas redutores de consumo de água tratada. O primeiro corresponde ao uso individualmente do aproveitamento de água pluvial que tem o menor custo de implantação, payback satisfatório, calculado com o programa Netuno. A segunda alternativa é referente ao reúso de águas cinzas, apresentando um custo de implantação intermediário, o melhor payback e dimensionado por meio da vazão requerida. Por fim temos o método combinado dos dois sistemas anteriores, com custo maior e payback mais longo. Vale ressaltar que embora o valor seja alto e o tempo para retorno do investimento maior, o sistema combinado proporciona um custo benefício considerável, já que possibilita um ganho econômico considerável no consumo de água tratada, com um valor de implantação um pouco maior e retorno em período mediano, por outro lado considera-se a implantação dos dois sistemas simultâneos, proporcionando um benefício maior a longo prazo. 96 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMBIENTE NOTÍCIAS - Alemanha promete a Copa mais ecológica de todos os tempos. Ambiente Notícias, 5 abril 2003. Disponível em: http://www.ambientebrasil.com.br/noticias/index.php3?action=ler&id=10231. Acesso em: 11 de abril 2008. AZEVEDO NETTO, J. M. , Aproveitamento de águas de chuva para abastecimento. BIO –Revista Brasileira de Saneamento e Meio Ambiente, Rio de Janeiro, ano III, n.2, p.44-48, abr./jun. 1991. ISSN 0103-5134. BARROS, R. T. V. Manual de sane amento e proteção ambiental para os municípios – volume 2. 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Acesso em: 14 de abril. 2008. 101 ANEXO A 102 Simulação do programa Netuno para dimensionamento do reservatório de água de pluvial do bloco A considerando somente o sistema de aproveitamento de água pluvial. 103 ANEXO B 104 Simulação do programa Netuno para dimensionamento do reservatório de água de pluvial do bloco B considerando somente o sistema de aproveitamento de água pluvial. 105 ANEXO C 106 Simulação do programa Netuno para dimensionamento do reservatório de água de pluvial do bloco C considerando somente o sistema de aproveitamento de água pluvial. 107 ANEXO D 108 Simulação do programa Netuno para dimensionamento do reservatório de água de pluvial do bloco A considerando os dois sistemas simultâneos. 109 ANEXO E 110 Simulação do programa Netuno para dimensionamento do reservatório de água de pluvial do bloco B considerando os dois sistemas simultâneos. 111 ANEXO F 112 Simulação do programa Netuno para dimensionamento do reservatório de água de pluvial do bloco C considerando os dois sistemas simultâneos. 113 ANEXO G 114 Planilha utilizada para montagem do diagrama de massas. 115 116 117 118 119 120