Paulo Nozolino
“Vivemos num mundo sujo”
Há uma solidão que chega ao osso. E
nunca mais nos abandona. Atravessase o mundo e vê-se essa sombra cada
vez mais vasta, porque o medo corrompe a paisagem, e a delação contamina os humanos. “bone lonely” é a
nova exposição de Paulo Nozolino,
ontem inaugurada na Galeria Quadrado Azul.
Uma individual que marca o
regresso do fotógrafo a Lisboa,
cidade onde já não apresentava trabalho desde 2001.
São 32 imagens inéditas, em pequeno formato, que parecem
estar a ser consu-
midas pelo fogo. Não datadas - o arco
temporal vem de 1976 até ao presente -, sem título, elas formam um
contínuo, uma linha de escombros.
Morte, ideologia, ruína, sexo, consumo e usura são temas centrais
desta exposição, que
viajará, ainda este ano, para os
Encontros de Fotografia de Arles, em
França. Em paralelo será lançado um
livro, editado pela alemã Steidl, com
poemas em inglês de Rui Baião.
Qual é o tempo que abarcam as
imagens na exposição?
Esta série não tem data, nem título,
nem localização. Estou farto que
olhem para as minhas imagens e as
reduzam a questões de tamanho e de
técnica. As fotografias vão de 1976 a
2008: são provas únicas, todas verticais e de pequena dimensão - têm
como objectivo fazer com que o
espectador vá perto delas e
tente decifrar o que lá está.
Nozolino, à
esquerda,
reveu todas as
provas de
contacto
desde 1973
para escolher
as fotografias:
“Acabo
sempre por
voltar aos
escombros da
II Guerra
Mundial, que é
o ponto de
partida da
exposição”
THOMAS CANET
Exposições
São 32 imagens inéditas, em pequeno formato, que parecem estar a ser consumidas pelo fogo.
Não têm data, nem título, vão de 1976 até hoje. “bone lonely” é a nova exposição de Paulo
Nozolino, a primeira individual em Lisboa desde há oito anos. Inaugurou ontem na Galeria
Quadrado Azul. Óscar Faria
O fundamental nesta exposição é a
sequência das imagens.
As fotografias são todas inéditas.
Por que razão só agora são
reveladas?
Faço uma exposição quando sinto que
tenho alguma coisa para dizer. Esta é
a primeira mostra individual em Lisboa desde 2001, trabalhei nela
durante mais de um ano para tentar
responder a uma questão que me atormenta: como se vive hoje?
Para obter a resposta foi
necessário rever um percurso,
olhar novamente para imagens
porventura esquecidas.
Durante o processo de escolha
das fotografias houve algum
sentimento que prevaleceu?
Mais do que numa exposição, estou
sempre a pensar num livro e impus,
desde o princípio, que elas seriam verticais. Esta já é uma restrição que de
uma certa maneira ajuda a rever o
passado. Para esta mostra revi todas
as provas de contacto desde 1973 e
fui escolhendo fotografias que fossem
de alguma maneira notas musicais
para uma espécie de melodia que
estava a tentar compor. Tinha uma
noção muito certa qual era o tempo,
no sentido musical, qual era a cadência, o peso, a ressonância que as imagens tinham de ter.
O confronto com tantas provas
possibilitou certamente uma
reflexão acerca do próprio modo
de fotografar. Que diferenças há
entre uma imagem captada há 30
anos e outra em 2008?
Um olhar retrospectivo é sempre
mais distante, porque o tempo faz
isso. É agradável ver que essas imagens existem desde 1976. O sentimento que me move agora já me
movia nessa altura.
Há portanto um fio condutor...
Sempre houve.
É capaz de o descrever?
Parte de uma pergunta algo filosófica:
o que é que estou aqui a fazer? Qual
é o meu lugar neste mundo? No
fundo, trata-se de saber quem sou eu,
como vivo e como vejo: tudo isto reunido dá fotografias, que podem ficar
esquecidas ou latentes em provas de
contacto, dentro de caixas, durante
anos. Até que depois são revistas e
lhes é atribuído um outro significado.
Neste momento, quase não importa
aquilo que fotografo, a essência está
na carga dada àquilo que foi fotografado. As imagens estão cada vez mais
simples, a preocupação estética é
cada vez menor.
O que quer dizer com
preocupação estética?
É fazer uma fotografia que seja “agradável.”
Alguma vez o moveu fazer uma
imagem desse tipo?
No início, isso move qualquer fotógrafo: uma imagem feita para agradar
aos outros. O que me move agora é
não agradar aos outros, o que faz com
que talvez agrade a alguns, mas
sobretudo a mim. Obviamente, o
facto de ter começado a escolher imagens e a ampliá-las desta forma um
bocado desleixada e suja - o papel é
velado, mal fixado -, criou em mim
uma apetência por produzir coisas
imperfeitas.
Percebe-se nesta exposição que,
de facto, houve essa vontade
de agir directamente sobre as
imagens, “sujando-as”...
Por um lado, vivemos num mundo
sujo, que muitos não querem ver,
por outro, vivemos rodeados de imagens limpas, assépticas, a cores,
coladas em suportes plásticos, em
grandes formatos, coisas que me dão
vontade de vomitar. Isto é uma reacção contra o mundo que me rodeia:
o da arte e o da vida real. Quando
saio para a rua vejo pessoas com
fome, bolor, prédios a caírem aos
bocados. Vejo tudo a esmorecer à
minha volta, algo que corresponde
ao meu estado de alma.
“A exposição é um
trabalho sobre um ser
só que olha para os
escombros, alguém
que já não tem ilusões
de que está a viver
num mundo regido
por falanges
cinzentas e onde
reina a delação e o
pânico. Este homem
vai produzindo
imagens surdas sobre
o bolor, a fome e o
frio”
A sua biografia foi também
importante para a construção de
“bone lonely”?
Se o momento fosse diferente não
haveriam imagens, porque isso significava que estaria a ter prazer naquilo
que vivo e faço. O prazer é a completa
antítese do desejo. O desejo motivado
pela paixão é o motor da criação. Se
estivesse a ter prazer não fazia estas
imagens, nem as escolhia.
Quando decide realizar uma
imagem é possível precisar a
sensação que o habita?
Ela significar algo de profundo para
mim. É fundamental que estejam ligadas à minha vida, porque se não estaria a contribuir para a feira das vaidades e para o mercado das inutili-
dades. Faço isto para mim, para me
certificar que há um equivalente
visual para aquilo que sinto. A exposição é um trabalho sobre um ser só
que olha para os escombros, alguém
que já não tem ilusões de que está a
viver num mundo regido por falanges
cinzentas e onde reina a delação e o
pânico. Este homem vai produzindo
imagens surdas sobre o bolor, a fome
e o frio. “bone lonely” é mais um trabalho de dissidência em relação à
hipocrisia global que tenta vender a
imagem da felicidade às pessoas.
Sinto-me só, sinto-me desiludido,
mas por outro lado há uma espécie
de serenidade interior por ter chegado a estas conclusões.
Não há uma vitalidade, a de fazer
e de expor, que acompanha essa
solidão?
Tenho sempre a sensação que a
doença, a angústia está lá. Pode
tomar-se um ansiolítico para a tirar,
mas ela volta sempre. Pode fazer-se
uma exposição, um livro, pode
mesmo ter-se a ilusão de que essa partilha é boa, contudo, já não dou muito
valor a isto. A única coisa redentora
em continuar a trabalhar é saber que
as imagens poderão ser intemporais.
As fotografias têm de sobreviver independentemente de mim, como uma
espécie de legado do meu tempo.
A sequência das fotografias é
cronológica?
Não, porque a cronologia pouco interessa aqui. As fotografias têm uma
história subjacente que está encriptada. Ela só será totalmente decifrada
por pessoas que conhecem o meu
trabalho e têm preocupações comuns.
Esta é uma exposição para pessoas
que querem tentar perceber aquelas
imagens.
O livro que acompanha esta
exposição tem poemas de Rui
Baião. Como decorreu esta
colaboração?
“bone lonely” é feito durante quase
um ano e meio. De uma certa maneira,
os poemas que o Rui Baião me entregou no Verão de 2007, numa forma
ainda muito rude, activaram em mim
a vontade de pensar nas coisas uma
vez mais. Entretanto, os poemas foram
evoluindo e as fotografias tomando
forma. Foi um trabalho muito intenso
e de depuração feito a dois.
Há alguma equivalência entre
imagens e textos?
A fotografia não age como ilustração
e vice-versa. Estamos ambos com a
mesma idade, a viver praticamente a
500 metros um do outro, em Lisboa,
e a vermo-nos quase todos os dias.
Esta proximidade provoca uma reflexão muito mais aguda do que se cada
um estivesse a trabalhar para seu lado.
O livro arranca com 32 imagens, sucedem-se outros tantos poemas em
inglês. São duas maneiras de olhar
para o mundo com muitos pontos em
comum. A mistura é eficaz.
A exposição marca também uma
nova fase da sua vida: o regresso
a Lisboa, a sua cidade natal,
depois de cerca de oito anos a
viver no Porto. O que sobreviveu
desta cidade?
Sobrevive pouco. Foi um período
intenso da minha vida, no qual vivi
muito feliz e tive uma exposição antológica em Serralves. Depois seguiu-se
o inevitável período de tédio com a
pequenez do lugar. E as incontornáveis querelas intelectuais com as pessoas próximas e a detecção de uma
certa hipocrisia. Isso foi uma espécie
de surpresa, mas tratou-se de uma
fase da minha vida, que passou.
“bone lonely” reflecte esse
tédio?
Não. Sempre achei que a arte era uma
espécie de antevisão da vida. Em
todos os trabalhos que tenho feito
sinto que estou a trabalhar em algo
que vou viver mais tarde. Não é uma
reacção, é uma espécie de premonição das coisas que irão acontecer.
Quando começo a trabalhar na
Ípsilon • Sexta-feira 9 Janeiro 2009 • 27
As imagens
também
podem ser
entendidas
como uma
reflexão sobre
o pós-11 de
Setembro
exposição é quase a sentir que há
uma felicidade a desfazer-se, há um
local que para mim começa a perder
interesse e finalmente só podemos
ter alguma verdade neste trabalho se
o levarmos até às últimas consequências. O que depois acontece à nossa
vida já é indiferente.
As fotografias podem ser
agrupadas tematicamente:
morte, ideologia, ruína, sexo
e consumo são alguns dos
assuntos abordados pelas
imagens. Há, contudo, um
que pode destacar-se, até pela
relação possível de estabelecer
28 • Ípsilon • Sexta-feira 9 Janeiro 2009
com alguns poemas de Ezra
Pound, que é o da usura...
Acabo sempre por voltar aos escombros da II Guerra Mundial, que é o
ponto de partida da exposição. Onde
estamos depois do que aconteceu em
1945? É pensar não só na reconstrução da Europa, mas também nas falhas
dos sistemas, quer o capitalista, quer
o comunista. Voltar a passar pelo
genocídio da Bósnia e chegar à conclusão de que o crime perdura. A
reconstrução não se vê. Há edifícios
inacabados, cassetes que pingam sangue, ideologias sem sentido. Sexo em
casas de alterne, homens que discu-
tem em bares. O neo-fascismo em que
vivemos. O medo e o pânico. O terror
global. No fundo, sermos prisioneiros
da liberdade que nos tentaram vender
e pela qual pagámos caro.
Podem ser estas imagens também
entendidas como uma reflexão
acerca do pós-11 de Setembro?
Sem dúvida. O 11 de Setembro
mudou tudo. É inevitável termos de
pensar que estamos num mundo no
qual a procura da “felicidade” - que
fez pessoas endividarem-se e comprarem viagens para irem para o Brasil deitarem-se debaixo de coqueiros
a pensar ser era essa a solução - pode
ser destruída por um indivíduo com
uma botija de gás e um despertador,
a viver algures, num apartamento
sórdido. Nós tentamos viver, essa pessoa quer morrer. Como se pode
ganhar a luta contra tal tenacidade?
Numa das fotografias da
exposição há um puzzle onde se
vê uma paisagem a que falta uma
peça. Que peça é esta?
Sou eu. O mundo é como é e, embora
não consiga mudar a paisagem do
puzzle, aquilo que ainda posso fazer
é não me encaixar nela.
Ver crítica de exposições pág. 29
Exposições
¬Mau ☆Medíocre ☆☆Razoável ☆☆☆Bom ☆☆☆☆Muito Bom ☆☆☆☆☆Excelente
Contra
mundum
Trinta e duas imagens
de resistência ao mundo.
Óscar Faria
Bone Lonely
De Paulo Nozolino.
Lisboa. Galeria Quadrado Azul - Lisboa. Largo dos
Stephens, 4. Tel.: 213476280. Até 21/02. 3ª a Sáb. das
13h às 20h.
Fotografia.
mmmmm
“Bone L
onley”,
Paulo N
ozol
ino
Lembremos a frase de abertura de
“Quel Che Resta di Auschwitz”, livro
escrito em 1998 por Giorgio Agamben:
“Num campo, uma das razões para
sobreviver, é a de que podemos
tornarmo-nos uma testemunha.” O
poeta Yitskhok Katzenelson, um dos
gaseados nesse lugar infame, deixounos em herança um texto intitulado
“O Canto do Povo Judeu Assassinado”,
composto por versos escritos em
yiddish, numa prisão para
“personalidades” situada em Vittel,
entre 3 de Outubro de 1943 e 18 de
Janeiro de 1944. “Exterminaram-nos a
todos sobre esta terra, do mais
pequeno ao mais/ grande,
assassinaram-nos a todos” lê-se na
última parte do poema (XV, “Depois
do Fim”), que termina assim: “Não se
amontoem numa bola de matéria para
aniquilar os maus deste mundo,
deixem-nos destruírem-se a eles
próprios sobre esta terra!”
Os escombros da II Guerra Mundial
são o ponto de partida de “bone
lonely”. A viagem proposta na
exposição de Paulo Nozolino traduz o
estado de incerteza que hoje se vive,
mas essa inquietude tem uma origem
e essa é a do mal absoluto,
simbolizado por Auschwitz - e no
momento presente pelos
acontecimentos em Gaza.
Ninguém
sobreviveu
àquele lugar:
cada um de
nós vive
recluso de
uma época
sem fim, na
qual a barbárie
continua a ditar,
desde o campo
de concentração,
a lei. Homens
sós, resta-nos
olhar e
testemunhar esse
crime sem legenda
possível: por isso as
imagens surgemnos na penumbra,
numa linha
contínua, sem data,
nem geografia, ao
contrário do que tinha
acontecido até agora
no percurso de
Nozolino. Captadas nos
últimos trinta anos,
estas fotografias,
inéditas, procuram
A dança, como coreografia
da sedução, sempre
interesssou Picasso
revelar silêncios, o não dito, o
abuso de poder, a usura.
Escutamos agora Ezra Pound,
que, em 1942, recusou a permissão
para ser evacuado, juntamente com
alguns dos seus compatriotas, de
Itália para Lisboa. Ouvimos a sua
“Voz da Europa”, uma das alocuções
que o levaram a ser acusado de traição
pelos Estados Unidos, tendo, por isso,
sido internado no St Elizabeths
Hospital for the Criminally Insane, um
manicómio onde ficará mais de uma
década e do qual só irá sair em 1958, já
com setenta e dois anos. São palavras
de um Pound fascista, transmitidas na
Rádio Roma, a 28 de Maio de 1942:
“Até onde a minha memória chega, a
América quis a diplomacia do dólar.
Não tendes quaisquer escrúpulos com
a diplomacia do dólar, com essa
penetração comercial a pretexto da
expansão do domínio; faz agora
quarenta anos, ainda eu não tinha o
Dodge preto.” (in “Esta é a Voz da
Europa”, Hugin Editores, Lisboa,
1996).
De um lado o campo de
concentração, do outro a expansão do
domínio. E ainda há os totalitarismos
e a pequenez da delação. Ninguém
está imune. Há o lixo que se amontoa.
Ideologias ardem: Lenine e Estaline,
os carros parados, cobertos de neve
americana, as chaminés sem fumo. A
revolução industrial há muito que
estagnou e o neo-liberalismo não tem
saída, tal como do outro lado dos
muros não há solução. Um homem
está parado no meio desta destruição,
“bone lonely.” Testemunha que “nada
dura para sempre”; sente “a carne a
envelhecer e prova a saliva seca na sua
boca” (excertos da apresentação do
livro que acompanha a exposição, a
ser editado pela Steidl, em Maio deste
ano, com poemas em inglês de Rui
Baião). Tenta resistir dando-nos a ver
imagens desse anunciado destino,
porque estas são também imagens de
guerra: “contra mundum”, elas
desafiam qualquer crença aceite sem
discussão.
Tente-se o jogo da adivinha. São 32
imagens a preto e branco colocadas
numa sequência não cronológica,
quase coladas umas às outras. O
formato é pequeno. Sabe-se que
foram captadas entre 1976 e 2008. A
primeira mostra prédios em ruína:
Londres após o Blitz, fotografia tirada
no Imperial War Museum. A última
revela uma rede em arame,
pontiaguda nas pontas: mais ruínas,
as do fórum romano, em Roma. Nada
está de pé, contudo a história
testemunha os acontecimentos: os
impérios caíram, as ideologias ruíram,
os homens retiraram-se para uma
noite que percorrem sem saberem
muito bem porquê. Entre estas obras,
há imagens de morte, de uma
morgue, de funerárias, de mortos, de
prédios, de colchões, de tanques de
lavar a roupa, de um sem abrigo, de
um bar de alterne, de estreitos
corredores, de graffitis, de paredes
sem saída, de sombras, de montras,
de desejos. Angeiras e Sarajevo,
Lisboa e Berlim. Não existe passado,
nem futuro. Apenas tédio. E está tudo
a arder, está tudo coberto de sujidade
nestas fotografias onde um único
Agenda
Inauguram
corpo se despe para
nós, de frente, oferecendo-nos
a possibilidade de sexo, sonhado de
encontro a um vidro onde a
pornografia é vizinha de um
esqueleto.
“Cadáveres dispostos no banquete/
às ordens de usura”, assim se pode
resumir, com recurso ao célebre canto
XLV, de Ezra Pound, “bone lonely”.
As bailarinas
de Picasso
Picasso y la Danza
CASCAIS. Fundação D. Luís I. Centro Cultural de
Cascais. Av. Rei Humberto II de Itália. De 3ª a
domingo, das 10h às 18h. Até 11 de Janeiro.
mmmmn
Está já nos últimos dias a exposição
que a Fundação D. Luís I dedicou à
obra de Picasso que tem por temática
a dança: não apenas as gravuras que
realizou durante os últimos anos da
sua vida, mas também os cenários e
figurinos feitos para bailados. Esta é
uma exposição que se teve a sua
origem no núcleo de múltiplos
pertencentes à fundação Bancaja, de
Valência, que já tem colaborado com a
instituição de Cascais em outras
ocasiões. Para os portugueses é a
oportunidade de usufruírem uma
obra gráfica única e exemplar, tanto
plástica como tecnicamente.
O interesse de Picasso pela dança
manifesta-se cedo, em desenhos e
esboços realizados desde 1899. Mas é
em 1917, quando recebe um convite de
Diaghilev para realizar figurinos e
telões para “Parade”, bailado de Jean
Cocteau e Léonide Massine, com
música de Satie, que surge a primeira
oportunidade para desenvolver um
projecto específico nesta área. Nos
anos seguintes, sempre com Diaghilev,
trabalha para “Le Tricorne”,
“Pulcinella”, “Le Train Bleu” e muitos
outros. Diaghilev, empresário dos
Ballets Russes, sabia captar a
colaboração dos artistas seus
contemporâneos para uma ideia da
dança que se afastava do bailado
romântico sem hipótese de retorno.
Picasso foi um deles.
A exposição revela justamente
reproduções do telão pintado para
“Le Tricorne” (juntamente com um
filme que apresenta excertos do
bailado) e desenhos dos seus
figurinos. Mas não só. De facto, a
dança, como coreografia da sedução,
sempre interesssou o pintor espanhol.
E, na sequência do seu projecto de
apropriação total da história da arte,
revisita as bailarinas e cortesãs
celebrizadas pela pintura: Salomé
seduzindo Herodes, ninfas bailando
ao luar, odaliscas e outras musas,
todas são pretexto para o pintor se
auto-retratar passivo, músico,
espectador, e sempre seduzido: em
suma, a dança revela-se aqui como
um tema apropriado às obsessões de
Picasso. Luísa Soares de Oliveira
Chinoiserie
De Ana
PérezQuiroga.
Lisboa. 3 + 1 Arte
Contemporânea.
Rua António Maria
Cardoso, 31. Tel.:
210170765. Até
21/02. 3ªa Sáb. das
12h30 às 20h.
Inaugura 9/1 às
22h.
Objectos,
Desenho.
Even If You Win
The Rat Race,
You’re Still a Rat
De Alexandre Farto.
Lisboa. Vera Cortês - Agência de Arte. Avenida
24 de Julho, 54 - 1ºE. Tel.: 213950177. Até
21/02. 3ª a 6ª das 11h às 19h. Sáb. das 15h às
20h. Inaugura 9/1 às 22h.
Instalação, Escultura.
Max Frey
Lisboa. Vera Cortês - Agência de Arte. Avenida
24 de Julho, 54 - 1ºE. Tel.: 213950177. Até
21/02. 3ª a 6ª das 11h às 19h. Sáb. das 15h às
20h. Inaugura 9/1 às 22h.
Instalação.
Vestígio
De Ana Anacleto, Ana Fonseca,
Ângelo Ferreira de Sousa, Carla
Cruz, Carlos Correia, Carlos
Noronha Feio, Cecília Costa,
Gabriel Abrantes, João
Leonardo, Mara Castilho, Maria
Condado, Marta Moura, Mikael
Larsson, Paulo Brighenti,
Romeu Gonçalves, Samuel
Rama, Valter Barros.
Lisboa. Pavilhão 28. Av. do Brasil, 53. Tel.:
217917000. Até 27/01. 2ª a 6ª das 10h às 17h.
Inaugura 9/1 às 21h30.
Instalação, Performance, Vídeo,
Desenho, Fotografia, Pintura,
Escultura.
Flatland
De Catarina Leitão.
Lisboa. Galeria Pedro Cera. Rua do Patrocínio,
67E. Tel.: 218162032. Até 21/02. 3ª a Sáb. das
14h30 às 19h30. Inaugura 10/1 às 18h.
Pintura, Desenho, Outros.
O Banquete
De Elsa Marques.
Lisboa. Carlos Carvalho - Arte Contemporânea.
Rua Joly Braga Santos, Lote F - r/c. Tel.:
217261831. Até 15/02. 2ª a 6ª das 10h30 às
19h30. Sáb. das 12h às 19h30. Lisboarte.
Inaugura 10/1 às 16h.
Pintura.
White Landscape
De Ana Cintra.
Lisboa. Galeria Arte Periférica. Praça do Império
- Centro Cultural de Belém, Loja 3. Tel.:
213617100. Até 25/02. 2ª a Dom. das 10h às 20h.
Lisboarte. Inaugura 10/1 das 15h às 20h.
Pintura, Desenho.
Trinta Anos de Diferença II
De vários autores.
Lisboa. Galeria Diferença. Rua São Filipe Neri,
42 - Cave. Tel.: 213832193. Atéa 28/02. 3ª a Sáb.
das 15h às 20h. Lisboarte. Inaugura 10/1 das
15h às 20h.
Fotografia.
Ípsilon • Sexta-feira 9 Janeiro 2009 • 29
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