8203 Trabalho 1136 - 1/4 PRODUÇÕES CIENTÍFICAS EM AMBIENTE PRISIONAL: UM ENFOQUE NO CUIDADO DE ENFERMAGEM Nicolau, Ana Izabel Oliveira1 Ribeiro, Samila Gomes2 Lessa, Paula Renata Amorim2 Lima, Francisca Elisângela Teixeira3 Pinheiro, Ana Karina Bezerra4 Introdução: O ambiente prisional oferece altos riscos, pois a heterogeneidade dos indivíduos confinados proporciona maior exposição a riscos físicos, psicológicos e transmissão de doenças (ALTICE et al., 2005). Torna-se indispensável maior atenção à prevenção de doenças e promoção da saúde de encarcerados, não somente pelos maiores riscos presentes na atmosfera prisional, mas pela carência de ações educativas e preventivas oferecidas. A reclusão pode configurar um momento oportuno para os profissionais de saúde implementarem estratégias educativas, em prol da melhoria da qualidade de vida dos presidiários. Porém, ainda é marcada pela desconfiança nas relações estabelecidas, escassez de atividades educativas em saúde e precariedade da assistência. Destarte, é premente que o papel do enfermeiro nesse cenário seja incluído em sua formação, no intuito de abordar o direcionamento do cuidado de enfermagem à população encarcerada. Porém, na maioria das vezes, os profissionais enfermeiros desconhecem as questões inerentes a essa realidade, as quais poderiam configurar importantes focos de atuação. Objetivo: Diante do exposto, estudo possui o objetivo de investigar as pesquisas realizadas no sistema prisional por enfermeiros nas dissertações e teses desenvolvidas no Brasil. Metodologia: Estudo bibliográfico, a partir de dissertações e teses de enfermagem desenvolvidas no Brasil e realizadas com “prisioneiros”, sendo esta a terminologia empregada para a busca. O levantamento bibliográfico foi efetuado via CD-ROM, para as pesquisas desenvolvidas no período de 1979 a 2000, bem 1.Enfermeira pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestranda em Enfermagem pela UFC. Bolsista PROPAG. E-mail: [email protected] 2.Acadêmica de Enfermagem da UFC. Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET, MEC – SESu. 3.Doutora em Enfermagem. Professora do Programa de Pós- Graduação da UFC. 4.Doutora em Enfermagem. Professora Adjunto III e Vice-coordenadora do Programa de PósGraduação da UFC. Co-tutora do PET, MEC – SESu. 8204 Trabalho 1136 - 2/4 como via internet, no site da Associação Brasileira de Enfermagem/ABEN (www.abennacional.org.br), no link do Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem (CEPEn), contemplando as produções defendidas de 2001 a 2007. Pela escassez de estudos não foram delimitados recortes temporais, sendo o critério de inclusão: o estudo ter sido desenvolvido junto a pessoas na situação de cárcere. Após uma busca em todos os resumos dos catálogos do CEPEn, no período compreendido de 1979 a 2007, detectou-se 10 trabalhos. Após a seleção das produções, procurou-se os estudos na íntegra, os quais foram submetidos às leituras exploratórias e seletivas, analisados segundo roteiro composto de dados referentes aos aspectos metodológicos e temáticos. Resultados: O distanciamento da prática de Enfermagem na abordagem às pessoas reclusas foi demonstrado pela escassez de estudos, apenas dez, realizados por enfermeiros ao longo de 28 anos (1979-2007). Os estudos forma realizados entre 1990 e 2006, com maior freqüência a partir de 2003. Tal achado pode está relacionada à implantação em 2003 pelo Governo Federal do Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário/ PNDSSP (BRASIL, 2005). Quanto aos temas centrais das dez produções, quatro relacionaram-se a “Atuação de Enfermagem em unidades prisionais”, configurando a principal temática. A inserção da enfermagem na atenção à saúde no sistema prisional é algo novo que requer continuidade, por meio de novas pesquisas científicas que busquem contribuir com a promoção e prevenção da saúde, tendo em vista as lacunas existentes na literatura sobre o processo saúde-doença no cárcere (LIMA, 2005). A segunda temática mais abordada enfatizou a saúde sexual de mulheres presidiárias envolvendo a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST), violência sexual e sexualidade. A escolha por esse tema e população requer grande preocupação, visto que presidiárias apresentaram 3,8 vezes mais história de DST e o dobro da soropositividade para o HIV do que entre homens presos. Em âmbito nacional, 76,1% das presidiárias possuem algum problema sexual (CARVALHO et al., 2006; BRASIL, 2007). Quanto aos níveis de formação, oito pesquisas foram realizadas para a obtenção do título de mestre. As duas teses foram desenvolvidas por 1.Enfermeira pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestranda em Enfermagem pela UFC. Bolsista PROPAG. E-mail: [email protected] 2.Acadêmica de Enfermagem da UFC. Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET, MEC – SESu. 3.Doutora em Enfermagem. Professora do Programa de Pós- Graduação da UFC. 4.Doutora em Enfermagem. Professora Adjunto III e Vice-coordenadora do Programa de PósGraduação da UFC. Co-tutora do PET, MEC – SESu. 8205 Trabalho 1136 - 3/4 autores que haviam trabalhado junto às populações reclusas desde o mestrado. Portanto, apenas oito enfermeiros enquanto alunos de pós-graduação stricto sensu em Enfermagem no Brasil realizaram estudos com prisioneiros. Pela complexidade do viver em privação de liberdade e pelo restrito conhecimento dos fenômenos presentes na realidade dos sujeitos que experienciam a reclusão, notou-se acentuadamente a maior freqüência de estudos de qualitativos, com oito estudos. Ao avaliar o estado brasileiro de conclusão das produções percebe-se a predominância de São Paulo, com três estudos. Acrescenta-se que 50% das produções foram desenvolvidas na região Sudeste, seguida do Sul com 30%. As regiões centro-oeste e nordeste, isoladamente, representaram 20%. A única produção realizada no Ceará foi defendida em 1999. Tal estado nordestino apresentou uma realidade diferente, tendo em vista que os demais estados que sediaram investigações na década de 90 deram continuidade às pesquisas na década posterior. Conclusões: Diante das melhorias no plano de atenção à saúde aos prisioneiros, o profissional de enfermagem ainda participa de forma passiva nesse processo. As poucas experiências vivenciadas por enfermeiros ao realizar pesquisas junto a pessoas reclusas, descritas no presente estudo, evidenciaram a riqueza de lacunas que suplicam uma maior presença da enfermagem e as possibilidades de se trabalhar com essa população. Novos estudos precisam ser elaborados no sentido de evidenciar novas maneiras de se atuar junto a essa população vulnerável, de forma que os enfermeiros possam ser alertados, implicando na melhoria da qualidade da prática profissional no cenário prisional. Descritores: prisioneiros, populações vulneráveis, enfermagem. Bibliografia: ALTICE, F.L.; MARINOVICH, A.; KHOSHNOOD, K.; BLANKENSHIP, K.M.; SPRINGER, S.A.; SELWYN, P.A. Correlates of HIV infection among incarcerated 1.Enfermeira pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestranda em Enfermagem pela UFC. Bolsista PROPAG. E-mail: [email protected] 2.Acadêmica de Enfermagem da UFC. Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET, MEC – SESu. 3.Doutora em Enfermagem. Professora do Programa de Pós- Graduação da UFC. 4.Doutora em Enfermagem. Professora Adjunto III e Vice-coordenadora do Programa de PósGraduação da UFC. Co-tutora do PET, MEC – SESu. 8206 Trabalho 1136 - 4/4 women: implications for improving of HIV infection. J Urban Health v.82, n.2, p.312-26, 2005. BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário. Série B. Textos Básicos de Saúde. 2ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde. 2005. 64p. ________. Ministério da Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Relatório de gestão 2003 à 2006: política nacional de atenção integral à saúde da mulher. Série C. Projetos, Programas e Relatórios. Brasília: Editora do Ministério da Saúde. 2007. 128p. CARVALHO, M.L.; VALENTE, J.G.A.; ASSIS, S.G.; VASCONCELOS, A.G.G. Perfil dos internos no sistema prisional do Rio de Janeiro: especificidades de gênero no processo de exclusão social. Ciência e Saúde Coletiva v.11, n.2, p.461-71, 2006. LIMA, G.M.B. Mulheres presidiárias: sobreviventes de um mundo de sofrimento, desassistência e privações. 2005. 135 f. Dissertação (Mestrado)- Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2005. 1.Enfermeira pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestranda em Enfermagem pela UFC. Bolsista PROPAG. E-mail: [email protected] 2.Acadêmica de Enfermagem da UFC. Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET, MEC – SESu. 3.Doutora em Enfermagem. Professora do Programa de Pós- Graduação da UFC. 4.Doutora em Enfermagem. Professora Adjunto III e Vice-coordenadora do Programa de PósGraduação da UFC. Co-tutora do PET, MEC – SESu.