EXPLORANDO ALGUNS MÉTODOS NÃO CONVENCIONAIS DE RESOLUÇÃO DA EQUAÇÃO DO SEGUNDO GRAU Alex da Luz Paz, Miquéias Augusto Ferreira Nantes, Douglas Peixoto de Carvalho Acadêmicos do Curso de Matemática pela Universidade Anhanguera Uniderp. Rua Ceará, 333 – Bairro Miguel Couto CEP. 79.003-010 – Campo Grande – MS [email protected]; [email protected]; [email protected] Celso Correia de Souza1, Antonio Sales2 Professor do Curso de Matemática da Universidade Anhanguera Uniderp. 2 Professor do Curso de Matemática da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS, Nova Andradina, MS. [email protected]; [email protected] 1 RESUMO: A resolução de equações algébricas, particularmente as do segundo grau, são objeto de estudo em todo o período estudantil, quer no ensino fundamental, médio ou superior. Observa-se, porém, uma preocupante restrição na gama de conhecimentos que são efetivamente transmitidos nos bancos escolares, o que pode, inclusive, comprometer o desenvolvimento da compreensão e do raciocínio matemático, sobretudo no ensino médio. Partindo da premissa que quando o aluno se fixa num único método de resolução para um problema, perde a oportunidade de aprender outras possibilidades, limitando seu conhecimento, fica a presente pesquisa justificada na necessidade de demonstrar os diversos métodos de resolução de equações algébricas numa única fonte de pesquisa, com o fim específico de desmistificar a operação com números e variáveis, expandir os horizontes da compreensão matemática e a capacidade de abstração. Palavras-chave: Equação do 2° grau, fórmula de Baskara, método da falsa posição, ensinoaprendizagem Tema: História da Matemática INTRODUÇÃO A resolução de equações algébricas, particularmente as do segundo grau, é objeto de estudo em todo o período estudantil, quer no Ensino Fundamental, Médio ou Superior. Observa-se, porém, uma preocupante restrição na gama de conhecimentos que são efetivamente transmitidos nos bancos escolares, o que pode, inclusive, comprometer o desenvolvimento da compreensão e do raciocínio matemático, sobretudo no Ensino Médio. Uma restrição que, imposta pelo programa de disciplinas do Ministério da Educação e Cultura (MEC), dificulta sobremaneira o acesso a esse conhecimento, visto que as diversas bibliografias disponíveis no mercado, na sua maioria, seguem as linhas gerais deste programa. Nestes termos, como poderá o aluno interessado em expandir seus 2 conhecimentos, potencializar a sua compreensão matemática e aumentar a sua capacidade de abstração num sistema de limitação da aprendizagem dos fundamentos da matemática? Preliminarmente, ressaltamos a importância de pesquisas nesta área, visto que o estudo da Álgebra faz parte de todo e qualquer programa de ensino ou parâmetro curricular dos moldes atuais de aprendizagem. Assim, a importância da resolução de equações algébricas repousa no fato de que ela hoje se encontra presente, ainda que como mera coadjuvante, à quase todos os domínios da matemática, tanto como objeto de estudo quanto como instrumento para outros estudos. Ocorre que, na prática docente dos diversos bancos escolares, quer seja no Ensino Fundamental, Médio ou Superior e na maioria dos livros didáticos, percebe-se a ênfase dada aos algoritmos usuais para a resolução de equações algébricas em detrimento de uma abordagem que privilegie a construção do entendimento matemático daquilo que se está calculando, o que só pode ser alcançado com o aprofundamento do estudo. Partindo da premissa que quando o aluno se fixa num único método de resolução para um problema, perde a oportunidade de descobrir coisas novas, fica a presente pesquisa justificada na necessidade de demonstrar alguns métodos de resolução de equações do segundo grau, com o fim específico de desmistificar as operações com números e variáveis, expandir os horizontes da compreensão matemática e a capacidade de abstração, com foco na abordagem dos métodos não convencionais de resolução de equações algébricas, os quais não são explorados nos livros didáticos usuais. REFERENCIAL TEÓRICO Segundo Boyer (1999), as equações do segundo grau são abordadas na história da matemática desde a época dos egípcios (1991-1786 a.C.) e por diversos outros povos antigos, como os babilônios (1700 a.C.), gregos (500 a 200 a.C.), hindus (1114 a 1014) e chineses (1303). O primeiro registro importante das equações polinomiais do segundo grau foi feito pelos babilônios. Eles tinham uma álgebra bem desenvolvida e resolviam equações de segundo grau por métodos semelhantes aos atuais ou pelo método de completar quadrados. Como as resoluções dos problemas eram interpretadas geometricamente, não fazia sentido falar em raízes negativas. O estudo de raízes negativas foi feito a partir do século XVII. 3 Foi um hindu chamado Sridhara que desenvolveu o método de resolução mais utilizado nos dias de hoje, que conhecemos dos livros didáticos usuais por fórmula de Bhaskara, por ter sido este o estudioso que a tornou conhecida (BOYER, 1999). Assim sendo, um breve estudo daquilo que é abordado nos livros didáticos usuais faz-se necessário para que possamos compreender a problemática elencada na presente pesquisa. Para tanto fizemos uso da obra (GIOVANNI, 2002) e (SODRÉ e BARBIERI, 1997), os quais, em linhas gerais, mostram que a equação do segundo grau, também chamada equação quadrática, é uma equação algébrica polinomial onde a incógnita “ x ”, definida no campo dos números reais, apresenta como maior expoente o grau 2. Assim sendo, obedece a forma geral: ax 2 bx c 0 (01) onde x é a incógnita, a 0 é o coeficiente do termo dominante, b é o coeficiente do termo x e c é o coeficiente do termo independente. A equação do segundo grau é dita completa quando os valores de todos os seus coeficientes a , b e c são diferentes de zero e incompleta quando apresenta coeficientes b e/ou c iguais a zero. A equação do segundo grau é um caso particular da função do segundo grau ou quadrática, definida pelas variáveis x e y , quando y 0 . A forma geral desta função é dada por: y ax 2 bx c (02) O gráfico de uma função do segundo grau possui a característica de uma curva aberta chamada parábola, onde os pontos que pertencem ao eixo dos x são denominados raízes da função y 0 e o ponto que pertence a eixo dos y é o coeficiente do termo independente (valor de “ c ”). A parábola apresenta concavidade voltada para cima se o valor do coeficiente do termo dominante for maior que zero ( a 0 ) e concavidade voltada para baixo se o valor for menor que zero ( a 0 ). Os gráficos da Figura 1 apresentam essas duas características. 4 Figura 1: Gráficos da função do segundo grau y ax 2 bx c quando a 0 e a 0. Pela análise dos gráficos verifica-se que o domínio da função quadrática é ou um dos seus subconjuntos. No entanto, quando esta função está ligada a uma situação real, fato bastante comum, é necessário verificar o que representa a variável x para determinar seu domínio. A Imagem da função quadrática, Im f , depende do valor da ordenada do seu b vértice , , com b 2 4ac . Tem-se, então: 2a 4a Im f y IR / y , 4a 4a para a > 0 (03) Im f y IR / y , 4a 4a para a < 0 A resolução da equação do segundo grau, equação (01), consiste em determinar os valores da incógnita x que tornam verdadeira essa sentença matemática. Os diversos métodos de resolução da equação do segundo grau, objeto desse trabalho de pesquisa, serão apresentados a seguir. RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 RESOLUÇÕES USUAIS DE EQUAÇÕES DO SEGUNDO GRAU 5 Nesta seção foi feito uma breve discussão dos principais métodos usados na solução de equações do segundo grau. As fórmulas apresentadas não foram demonstradas, apenas citadas as bibliografias correspondentes, visto que as mesmas são bastante detalhadas em livros didáticos de matemática do Ensino Fundamental e Médio. Resolução, em , da equação completa ax 2 bx c 0 Para a resolução da equação completa do segundo grau, em , utiliza-se o método usual denominado de fórmula quadrática de Sridhara, mais conhecida por fórmula de Bhaskara (BOYER, 1999), equação (04). x b com b 2 4ac 0 2a (04) O símbolo , também representado por D , é denominado “discriminante” da equação do segundo grau (01) possuindo propriedades importantes relativas à solução da equação. Propriedades do discriminante 1. Se em (04) > 0 , tem-se duas raízes reais e distintas x ' e x '' , com x' b 2a x '' e b 2a (05) 2. Se em (04) = 0 , tem-se duas raízes reais e iguais, com x ' x '' b 2a (06) 3. Se em (04) < 0, não existem raízes reais, pois não existe raiz quadrada real de número negativo. Relações de Girard Segundo Giovanni (2002), existem duas relações importantes entre as raízes x ' e x '' da equação do segundo grau (01), denominadas relações Girard. a) A soma das raízes x ' e x '' é igual à razão negativa do termo b pelo dobro do termo a , ou seja: x ' x '' b 2a (07) b) O produto das raízes x ' e x '' é igual à razão do termo c pelo termo a , ou seja: 6 x ' x '' c a (08) Consequentemente, utilizando-se as relações de Girard (07) e (08) permitem reescrever a equação de segundo grau (01) conforme equação (09). x 2 Sx P 0 (09) onde S x ' x '' e P x ' x '' (GIOVANNI, 2002). Resolução, em , da equação incompleta do tipo ax 2 c 0 Neste caso, na equação (01), tem-se a 0 , b 0 e c 0 . A resolução consiste em isolar x por meio das operações algébricas, obtendo-se o conjunto verdade. c V = , a c c ; com - 0 a a (10) Resolução, em , da equação incompleta do tipo ax 2 bx 0 Essa equação é obtida de (01) com a 0, b 0 e c 0 . Neste caso fatorando-se essa equação, obtém-se a equação. x(ax b) 0 Isolando-se a incógnita x , obtém-se o conjunto verdade. b V = 0, a (11) Resolução, em , da equação incompleta do tipo ax 2 0 Neste caso, a equação ax 2 0 é obtida da equação (01) para b c 0 . A sua solução é obtida isolando-se a incógnita x, obtendo-se x ' x '' 0 , obtendo-se o conjunto verdade (12). V 0 (12) 3.2 RESOLUÇÕES NÃO USUAIS DE EQUAÇÕES DO SEGUNDO GRAU Como pode-se perceber, os métodos usuais de resolução são essencialmente métodos de aplicação de fórmulas. Os métodos não usuais, dificilmente abordados no Ensino Fundamental e Médio, enquanto aprofundamento de estudo, oferecem a possibilidade da construção do conhecimento matemático amplo, com vistas ao entendimento daquilo que se está calculando, por meio da ampliação da capacidade de 7 operação com números e variáveis em diversidade e da capacidade de abstração, pois não fazem foco na mera aplicação de fórmulas. 3.3 RESOLUÇÃO PELO MÉTODO GEOMÉTRICO Método de René Descartes Segundo Fragoso (2000), em 1637, o francês René Descartes, além de possuir uma notação que diferia da atual somente pelo símbolo da igualdade (que não era utilizado), desenvolveu um método geométrico para obtenção da solução positiva das equações do segundo grau dos tipos: x 2 bx c 2 ; x 2 c 2 bx ; x 2 bx c 2 (13) Resolução da equação x 2 bx c 2 Na Figura 3, seja LM um segmento de comprimento c . Pelo ponto L levanta-se um segmento LN igual a círculo de raio b e perpendicular a LM . Com centro em N constrói-se um 2 b e traça-se a reta por M e N , que corta o círculo nos pontos O e P . A 2 raiz positiva procurada da equação x 2 bx c 2 é x OM . Figura 3: Método de René Descartes para a determinação da raiz positiva da equação x 2 bx c 2 Com efeito, no triângulo retângulo MLN , se OM x , tem-se: 2 b b2 c 2 e daí x 2 bx c 2 x 2 4 x 2 bx c 2 Nota: Sabe-se, atualmente, que a segunda raiz é PM , mas Descartes não considerava a raiz negativa (BOYER, 1999). 8 Método de Sir John Leslie Segundo Fragoso (2000), no século XVIII, o inglês Sir John Leslie, em sua obra Elements of Geometry, apresenta o seguinte procedimento para a determinação das raízes da equação quadrática x 2 bx c 0 . Sobre um sistema cartesiano retangular de referência, marque os pontos A (0, 1) e B (b, c) . Trace o círculo de diâmetro AB . As abscissas dos pontos em que esse círculo cortar o eixo x , se cortar, são as raízes da equação quadrática dada. Na Figura 4, as raízes x1 e x 2 são abscissas dos pontos M ( x1 , 0) e N ( x2 , 0) . Figura 4: Método de Sir John Leslie para a determinação das raízes da equação x 2 bx c 0 Com efeito, a equação da circunferência construída é b c 1 b c 1 1 x y 2 2 2 2 2 2 2 2 (14) Daí, quando y 0 , tem-se x 2 bx c ou, modernamente, x 2 bx c 0 . Resolução pelo método de completar quadrados Segundo Luchetta (1999), o método de completar quadrados foi desenvolvido pelo matemático e astrônomo Mohammed Ibu-musa Al-khowârizmî, árabe residente em Bagdá. Consiste em cálculos de áreas em uma figura quadrada plana. Esse método possibilita ótima compreensão da dinâmica de resolução de uma equação do segundo grau e consequente compreensão daquilo que está sendo calculado. É, pois, uma das melhores exposições para melhoria da capacidade de abstração. 9 Seja a equação: ax 2 bx c 0 , com a 1 . Representa-se um quadrado de lado x , conforme a Figura 5 e, sobre os quatro lados constrói-se retângulos de largura igual a b unidades. 4 Figura 5: Método de Al-khowârizmî para a determinação das raízes da equação x 2 bx c 0 Para completar o quadrado maior é necessário construir quatro quadrados menores nos 2 b cantos, como a Figura 5, cada um com área igual a . Portanto, para completar o a 2 b quadrado, soma-se 4 c unidades, obtendo-se a área do quadrado maior (mais 4 2 externo). Daí conclui-se que o lado do quadrado maior mede b 4 c unidades e, 4 b subtraindo-se desse valor 2 encontra-se o valor da raiz x procurada, isto é: 4 2 b b x 4 c 2 4 4 Observação: Neste caso, despreza-se a raiz negativa, pois em cálculos geométricos, sobretudo de área não se utilizam valores negativos. 10 Resolução pela regra prática da cruzadinha Segundo Kumon (2002), na equação do segundo grau ax 2 bx c 0 é possível determinar números reais h, i, j e k tais que hjx 2 (hk ij ) x ik (hx ' i)( jx '' k ) (15) O esquema da Figura 6 e 7 fornecem um método prático para a representação que queremos demonstrar Fonte: (KUMON, 2002) Figura 6. Regra prática da cruzadinha – 1ª parte Fonte: (KUMON, 2002) Figura 7. Regra prática da cruzadinha – 2ª parte Da equação (14) e das Figuras 6 e 7, obtém-se hjx 2 hk ij x ik hx ' i jx '' k 0 (16) Tem-se então: hx i 0 x ' ' i h e (17) jx '' k 0 x '' k j 11 Cálculo das coordenadas do vértice da parábola Segundo Kumon (2002), as coordenadas do vértice da parábola do gráfico da função quadrática fatorando a equação, y ax 2 bx c ou seja 2 2 b b b2 b b (18) y ax bx c a x x c a x c a 2a 4a 2a 2a Como a ordenada do vértice é o menor valor do gráfico da parábola quando a 0 , e é o 2 2 2 maior valor quando a 0 , nos dois casos, esses valores são conseguidos de (18), se 2 b b e a ordenada do vértice yV x 0 , obtendo-se a abscissa do vértice xV 2a 2a que é dada por yV c b 2 4ac b 2 b 2 4ac . 4a 4a 4a 4a Tem-se, então b , 4a 2a xV , yV (19) Resolução pelo método Chakravala (ou pulverizador) Segundo Ferreira (2007), o método do Chakravala (ou pulverizador) foi introduzido por Bhaskara para a resolução da equação de Pell. A equação de Pell é uma equação indeterminada, proposta por Diofante de Alexandria, que obedece à forma x 2 Ny 2 1 (20) ou seja, uma equação polinomial de duas incógnitas x e y com N Ζ, por conseguinte, com infinitas soluções inteiras. A solução de (20) envolve as seguintes transformações, x 2 Ny 2 1 x 2 Ny 2 1 x2 y2 1 1 1 N que corresponde à equação reduzida da parábola, ou seja, x2 y2 1 a2 b2 logo, (21) 12 a 1 e b 1 . N Em (21), existe num número real c tal que c 2 a 2 b 2 , com c a 1 c 1 N 2 2 2 c N 2 1 N (22) A Figura 7 é o gráfico de (21). Figura 7. Gráfico da equação reduzida da parábola O método Chakravala consiste da seguinte regra: multiplique ambos os membros da equação pelo número que vale quatro vezes o coeficiente de x 2 e some aos novos coeficientes obtidos um número igual ao quadrado do coeficiente original da incógnita x . Reduzindo o segundo membro a zero, a solução desejada é dada pela raiz quadrada da soma algébrica dos coeficientes atuais. A aplicação desta regra em uma equação de duas incógnitas não é objeto de estudo desta pesquisa. Vejamos então sua aplicação na equação do 2° grau. ax 2 bx c 0 ou 13 ax 2 bx c Assim, multiplicando-se ambos os membros da equação pelo número que vale quatro vezes o coeficiente do quadrado, temos: 4a(ax 2 ) 4abx 4a(c) ou (4a 2 ) x 2 (4ab) x (4a)c Somando-se aos coeficientes um número igual ao quadrado do coeficiente original da incógnita (a 2 ) , temos (a 2 4a 2 ) x 2 (a 2 4ab) x (a 2 4ac) 0 (23) Seja R a soma algébrica dos coeficientes de (23). R (a 2 4a 2 ) (a 2 4ab) (a 2 4ac) A solução desejada é a raiz quadrada de R , ou seja x R Neste caso, despreza-se a raiz negativa, pois tanto as raízes negativas quanto a raiz zero não eram reconhecidas na época. Resolução pelo método de Leonardo Barichello A proposta de Barichello (2005) é um método alternativo para determinação de soluções de equações de segundo grau que, se levado até o fim, reproduz a fórmula de Bhaskara. Nota-se, inicialmente, que equações do segundo grau na forma ( x a) 2 0 são simples de se resolver, basta tomar x a . Ou seja, para encontrar as raízes da equação x 2 2ax a 2 0 , basta efetuar a fatoração x 2 2ax a 2 ( x a) 2 0 Para concluir a sua única raiz igual à a . No caso da equação a ser resolvida não for um quadrado perfeito, ela poderá ser transformada através de operações algébricas no sentido de se tornar uma quadrado perfeito, resultando na fórmula de Baskara, como deduzida a seguir na solução da equação geral do segundo grau (24). ax 2 bx c 0; a 0 Evidenciando a na equação (24), tem-se (24) 14 b c a x 2 x 0 a a Somando c nos dois membros, tem-se b c a x 2 x c c a a Simplificando, vem b a x 2 x c a Somando b2 nos dois membros, tem-se 4a b b2 b2 a x 2 x c a 4a 4 a Ou ainda b b 2 b 2 4ac a x 2 x a 4a 4a Que corresponde a b b 2 4ac x 2a 4a 2 2 Extraindo-se a raiz quadrada, obtém-se x b b 2 4ac 2a 4a 2 ou seja x b b 2 4ac 2a (25) que é a fórmula de Baskara, já comentada neste texto. A título de ilustração será resolvido um exemplo utilizando o desenvolvimento descrito anteriormente. Seja determinar as raízes da equação 6 x 2 x 15 0 Assim, como a 6, b 4 e c 15 , evidenciando-se 6, valor de a , na equação, tem-se 1 5 6 x 2 x 0 6 2 15 Somando 15, valor de c nos dois membros da equação, tem-se 1 5 6 x 2 x 15 15 6 2 Ou seja 1 6 x 2 x 15 6 Somando-se nos dois membros b2 1 , tem-se 4a 24 1 1 1 6 x 2 x 15 6 144 24 Simplificando, tem-se 1 360 1 361 6 x 12 24 24 2 ou 2 1 361 x 12 144 Extraindo a raiz dos dois membros, tem-se x 1 19 12 12 ou x 1 19 1 19 12 12 12 Portanto, tem-se as raízes x' 1 19 20 5 12 12 3 x '' 1 19 18 3 12 12 2 e Nota-se que o cálculo da solução da equação dada se deu de forma bastante simples, sem a necessidade de uso de fórmulas, basta conhecer a estratégia e ser capaz de identificar um binômio de segundo grau próximo à equação pedida. Usando o mesmo método para a solução da equação x 2 2 x 5 0 , chega-se à expressão x 1 4 . Se extrairmos a raiz quadrada dos dois lados da igualdade, chega2 16 se a um absurdo, pois não existe 4 no conjunto dos números reais e, portanto, não existem soluções reais para a equação dada. Mais uma vez, o novo método funcionou e detectou com naturalidade a não existência das soluções. Diferente do que podem pensar alguns professores, situações como esta devem ser exploradas com alunos dos Ensinos Fundamental e Médio, pois, apesar do fato de ainda não poderem compreender a impossibilidade do cálculo de uma raiz negativa no conjunto dos números reais, a percepção clara da existência de situações de impossibilidade de resolução de um determinado cálculo evita sensações indesejáveis de insegurança, muito comuns a estudantes, do tipo: “o que farei agora?”. Logo, também contribui para a construção do raciocínio matemático amplo. Método da Falsa Posição De acordo com Boyer (1999), a técnica da falsa posição era muito empregada pelos povos mesopotâmicos, que desconheciam as fórmulas modernas, mas tinham grande flexibilidade na álgebra, apesar da escrita cuneiforme (em formato de cunha), de empregarem sistema numérico não posicional e sexagesimal. Mostrar-se-á o método da falsa posição por meio de um exemplo. Seja resolver a equação 2 x 2 7 x 39 0 2 x 2 7 x 39 (26) Inicialmente, iguala-se x ao coeficiente do termo x 2 , isto é, x 2 , onde 2 é denominado de falsa posição de x . Seguindo a regra, passa-se o coeficiente para o primeiro membro e iguala-se o resultado a uma nova variável, denominada de y , isto é: x2 y x y2 (27) Substituindo (27) em (26) e simplificando, tem-se 2( y 2) 2 7( y 2) 39 2 y 2 8 y 8 7 y 14 39 2 y 2 15 y 39 22 2 y 2 15 y 17 Na seqüência, segundo a regra, divide-se o segundo membro da equação pela soma dos coeficientes de y 2 e y , obtém-se o valor da incógnita y . 17 y 17 17 1 2 15 17 Finalmente, o valor de x é calculado substituindo o valor y 1 em (27), ou seja: x y 2 1 2 3 Obtendo-se o valor da raiz da equação (26) x3 CONCLUSÃO O estudo da resolução de equações do segundo grau tem grande aplicação prática, sendo abordado na história da matemática desde a época dos egípcios, bem como babilônios, gregos, hindus e chineses. Uma rica cultura de busca pelo conhecimento e desenvolvimento da capacidade de raciocínio que ficou relegada ao segundo plano pelos bancos escolares, uma vez que um hindu, chamado Sridhara, desenvolveu o método de resolução que conhecemos dos livros didáticos atuais por fórmula de Bhaskara. A fórmula realmente garante encontrar as soluções de qualquer equação do segundo grau de forma rápida e objetiva, mas não privilegia a construção do conhecimento, visto que remete e condiciona o aluno a uma mera aplicação de um algoritmo de resolução. A consequência disto é a possibilidade não rara e bastante comum de um mesmo professor executar por vários anos a resolução de um determinado problema, encontrando o seu resultado, sem jamais conseguir construir em sua mente a compreensão daquilo que por tanto tempo calculou e ensinou aos seus alunos calcular. Porém, o desejável é auxiliar os alunos a realmente aprender a matemática, compreender cada passo dos caminhos algébricos para efetivamente abstrair aquilo que diariamente representa, por meio de símbolos, em seu caderno. Afinal, um número, um símbolo, um traço, não é nada se não representar um significado que possa ser realmente compreendido. Assim, dentre as muitas possibilidades de aprofundamento de estudo, o presente trabalho visa resgatar os métodos não convencionais de resolução de equações algébricas, os quais não são explorados nos livros didáticos usuais, para servir de fonte de consulta a um aprendizado que privilegie a construção do entendimento matemático daquilo que se está calculando. 18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRICHELLO Leonardo. REPPEMAT - Soluções para equações do segundo grau. Florianópolis: UFSC, 2005. p. 18-19. Disponível em http://www.redemat.mtm.ufsc.br/reppemat/2005_pdf/boletim_2005_07.PDF. BRANDÃO Leônidas de Oliveira e professores do IME-USP. 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