CARDEAL MOTTA: O PIONEIRISMO DO PRIMEIRO BISPO DE APARECIDA
BIOGRAFIA DE CARLOS CARMELO DE VASCONCELOS MOTTA
A ORIGEM
Nasceu na fazenda Quinta do Lago, em Bom Jesus do Amparo, interior de Minas Gerais, em 16 de julho
de 1890, onde os pais tinham ido em visita de família. Seus pais foram o Sr. João de Vasconcellos Teixeira
da Motta e Dona Francisca Josina dos Santos Motta, católicos praticantes e descendentes de tradicionais
famílias mineiras. Foram seus avós paternos: o Coronel Joaquim Camilo Teixeira da Motta e Dona Maria
Josefa Teixeira da Motta, e avós maternos: o Sr. Carlos José dos Santos e Dona Emerenciana Maria Pinto
(ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 14).
Nascido prematuramente, aos sete meses, foi batizado em 2 de agosto de 1890, na Fazenda da Prata,
residência da família, pelo padre Manuel Maria da Silva. Foram padrinhos: o Dr. Carlindo dos Santos Pinto,
representado pelo Sr. José Afonso dos Santos Lima e Dona Maria da Natividade Teixeira da Motta. Seu pai
foi deputado à Assembléia Provincial de Minas Gerais, durante o Império. Seu avô, Coronel Joaquim Camilo
Teixeira da Motta, exerceu a presidência da Província de Minas Gerais. Seu bisavô, Coronel João da Motta
Ribeiro, português, chegou ao Brasil em 1795, acompanhado de seu primo João Alves Motta, para
receberem uma herança em terras, deixada por um tio. João da Motta Ribeiro tornou-se proprietário de
muitos latifúndios e de importantes jazidas de ouro. O Desembargador Dr. José Teixeira de Vasconcellos,
Visconde de Caeté, também seu bisavô, foi o primeiro Presidente Constitucional da Província de Minas
Gerais (ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 15).
Carlos Carmelo iniciou os seus estudos na Fazenda da Prata, residência da família, onde também
recebeu a Primeira Comunhão. Concluído o curso primário, ingressou no Colégio de Matozinhos, em
Congonhas do Campo, Minas Gerais, na época dirigido pelos Irmãos Maristas. Em 1904, passou para o
Seminário de Mariana, Minas Gerais, onde se bacharelou em Ciências e Letras, em 1909. Regressou,
então, para a Fazenda da Prata, onde passou a se dedicar às atividades agrícolas (ARQUIDIOCESE DE
APARECIDA, 1990, p. 15-16).
Estudava muito para saber. Pois um homem sem saber é um pequeno mundo sem luz, um mundo em
que não aparecem as estrelas, porque se ignoram as verdades; em que não se vêem os princípios porque
se não conhecem os enganos; em que o vício se equivoca com a virtude, a realidade com a aparência. Eis
porque a vida de um ignorante é uma noite contínua em que todas as suas ações são cegueiras (VIDIGAL,
1973, p. 30).
O POLÍTICO
Seguindo o exemplo de seu pai, manifestou interesse pela política, sendo eleito vereador para a Câmara
Municipal de Caeté, em 1912. Entretanto, resolveu continuar os seus estudos, seguindo para Belo
Horizonte, onde cursou o primeiro ano da Faculdade de Direito (ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p.
16).
O PADRE
Sentindo-se, realmente, chamado para o sacerdócio, se matriculou no Curso de Teologia do Seminário
Maior de Mariana, Minas Gerais, em 1914. Em março do ano seguinte, recebeu o primeiro grau do clericato.
Dom Modesto Vieira, Bispo Auxiliar de Mariana, conferiu-lhe as ordens menores, em 8 de abril de 1916. Em
25 de março de 1917, recebeu o subdiaconato, e o diaconato em 10 de abril do mesmo ano. Em 29 de
junho de 1918, foi ordenado sacerdote pelo Arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta. Conforme
escreve Vidigal: “Saiu do Seminário de Mariana com aquele espírito de Fé e de Caridade que faz os Santos
Padres e que anuncia os grandes Bispos, e preparou o futuro Cardeal, o primeiro nascido em Minas Gerais”
(1973, p. 31).
O Padre Carlos Carmelo celebrou a sua primeira missa na Matriz do Santíssimo Sacramento, na
Paróquia de Taquarassú, Minas Gerais. Logo após, recebeu um convite do Presidente Wenceslau Braz e de
líderes da política mineira, para que aceitasse o lançamento de sua candidatura para deputado federal.
Alegando incompatibilidade entre política e ministério sacerdotal, não aceitou o convite. Continuou em
Taquarassú, na qualidade de Coadjutor do Vigário, até 29 de março de 1919, quando foi nomeado Capelão
do tradicional Asilo São Luiz, na Serra da Piedade, em Caeté, Minas Gerais (VIDIGAL, 1973, p. 32).
Durante o surto da chamada “gripe espanhola”, desenvolveu importante apostolado entre os enfermos,
colocando em risco a sua própria saúde. Em 1922, assumiu a direção do Santuário de Nossa Senhora da
Piedade e do Convento de Macaúbas, dos quais seus ascendentes paternos e maternos foram benfeitores
e protetores. Nos anos seguintes foi pároco nas cidades mineiras de Caeté e Sabará (VIDIGAL, 1973, p.
32).
Em 1926, empreendeu uma viagem de estudos à Europa, visitando Roma (Itália), Espanha, Portugal e
França. Quando regressou, foi agraciado pelo Papa Pio XI, com as honras de Monsenhor Camareiro
Secreto. Com a fundação do Seminário de Belo Horizonte, em 1928, foi convocado por Dom Antônio dos
Santos Cabral, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, para ocupar a reitoria daquele estabelecimento.
O então Monsenhor Carlos Carmelo dirigiu o Seminário até a sua ordenação episcopal (VIDIGAL, 1973, p.
32).
O BISPO
Em 29 de julho de 1932 foi eleito Bispo Titular de Algiza e Auxiliar do Arcebispo de Diamantina, Dom
Joaquim Silvério de Souza. Em 30 de outubro de 1932, durante a festa de Cristo Rei, foi sagrado Bispo por
Dom Antônio dos Santos Cabral, na Matriz de São José, em Belo Horizonte (VIDIGAL, 1973, p. 52).
Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta escolheu para lema de seu episcopado as palavras do
Apóstolo São João: In Sinu Jesu (No Coração de Jesus), referindo-se à passagem da Última Ceia: “Um dos
discípulos, ao qual Jesus amava, estava recostado no coração de Jesus” (Jó 13, 23) (VIDIGAL, 1973, p.
52).
Em seu trabalho pastoral na Arquidiocese de Diamantina, visitou as mais distantes igrejas e capelas
daquele Arcebispado, e providenciou a reforma da nova Sé. Foi eleito Vigário Capitular da Arquidiocese,
governando-a até 11 de novembro de 1934, em virtude do falecimento do Arcebispo. Posteriormente, voltou
para Belo Horizonte, onde auxiliava Dom Antonio dos Santos Cabral nas visitas pastorais (VIDIGAL, 1973,
p. 52).
O ARCEBISPO
No Consistório de 16 de dezembro de 1935, foi nomeado Arcebispo Metropolitano de São Luís do
Maranhão, assumindo o governo eclesiástico em 27 de abril de 1936. O seu primeiro ato foi estabelecer o
retiro espiritual do clero (VIDIGAL, 1973, p. 53-54)
Em 1937, realizou e presidiu o Congresso Eucarístico Sacerdotal de Caxias, Maranhão. Mudou do
Palácio Arquidiocesano, nele instalando um colégio, dirigido pelos Irmãos Maristas, e passou a residir em
uma casa modesta, com a finalidade de se aproximar da vida cotidiana do povo. Aprofundou o contato com
os maranhenses, para possibilitar conhecer seus anseios e dificuldades, o que conquistou a admiração da
população (VIDIGAL, 1973, p. 54)
Em suas visitas pastorais, percorreu todo o Arcebispado, procurando visitar todas as paróquias. Devido à
precariedade das vias de acesso, utilizou vários meios de transporte, até mesmo o cavalo. Na cidade de
Coroatá, crismou cerca de sete mil pessoas, durante nove horas consecutivas. Ajudou na fundação de um
hospital para doentes portadores de hanseníase (lepra) no Maranhão (VIDIGAL, 1973, p. 56)
Em 1938, trouxe para a sua Arquidiocese as primeiras religiosas Filhas da Caridade de São Vicente de
Paulo e os Padres da Congregação da Missão da Província Holandesa. Em 1939, esteve presente no
Concílio Plenário Brasileiro, que adotou diversas das suas medidas apostólicas. Pouco depois, viu realizado
o seu duplo projeto, ou seja, a criação da Diocese de Caxias e da Prelazia de Pinheiros, desmembradas da
Arquidiocese de São Luiz (VIDIGAL, 1973, p. 54)
Antes da criação da Diocese de Caxias, conseguiu a colaboração das Irmãs Franciscanas, que ali
fundaram o Colégio São José. Em 1941, restaurou o Cabido Metropolitano de São Luís. Em 1943, por
ocasião de seu jubileu de prata sacerdotal, realizou a primeira Conferência dos Bispos da Província
Eclesiástica do Maranhão, após a qual escreveu uma Pastoral Coletiva ao povo. Nesse mesmo ano,
intercedeu junto ao Ministro da Justiça e ao Presidente da República, contra a campanha a favor do divórcio
(VIDIGAL, 1973, p. 56)
A obra em que se empenhou com dedicação foi a ampliação das dependências do Seminário, para
acolhimento dos estudantes pobres. Reformou a Catedral, a Câmara Eclesiástica e diversas igrejas.
Durante o seu governo eclesiástico criou vinte paróquias (VIDIGAL, 1973, p. 56)
Em 13 de agosto de 1944, Dom Carlos Carmelo foi nomeado Arcebispo Metropolitano de São Paulo,
tomando posse na Arquidiocese, por procuração, em 7 de setembro do mesmo ano. Em 16 de novembro,
assumiu efetivamente o cargo, após haver dirigido sua primeira Carta Pastoral ao povo paulistano
(VIDIGAL, 1973, p. 57)
O CARDINALATO DE CARLOS CARMELO DE VASCONCELOS MOTTA
No Consistório de 18 de fevereiro de 1945, presidido pelo Papa Pio XII, na Basílica de São Pedro, Dom
Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, foi nomeado Cardeal Presbítero da Santa Igreja Romana, do título
de São Pancrácio. No dia 20 de fevereiro, recebeu o barrete de Cardeal e no dia seguinte, o chapéu e o
anel cardinalícios. No dia 26 do mesmo mês, recebeu das mãos do Santo Padre, o pálio arquiepiscopal
(VIDIGAL, 1973, p. 60)
As qualidades sólidas e brilhantes de Dom Carlos, mais sólidas do que brilhantes, o recomendaram a
PIO XII para ser o segundo Cardeal brasileiro, quando já estava governando a Arquidiocese de São
Paulo, substituindo aquele outro grande mineiro que foi Dom José Gaspar D’Affonseca e Silva
(VIDIGAL, 1973, p. 35-36)
O CARDEAL MOTTA NA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO
Em 1946, fundou a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, da qual foi o Grão-Chanceler. Sob sua
direção e orientação, a universidade tornou-se uma instituição de prestígio, com mais de dez mil alunos e
doze faculdades. Essa iniciativa acabou influenciando a criação da Universidade Católica de Campinas.
Também incentivou a fundação de inúmeros educandários de Curso Primário, Secundário e Normal
(VIDIGAL, 1973, p. 62-63)
Dia virá em que o Brasil, que tantos benefícios deve à Igreja, haverá de ajuntar ao montante dos
maiores já recebidos, mais estes inestimáveis das Universidades Católicas, no meio das quais se
agiganta a que o Eminentíssimo Cardeal Motta fundou e vem mantendo para destruir a superstição
do Cientificismo que está arruinando a instrução superior, muitas vezes atulhando a cabeça do
estudante de fragmentos desconexos de informação, ao invés da Sabedoria, que constitui o único
verdadeiro conhecimento (VIDIGAL, 1973, p. 39).
Em 1948, organizou a Confederação das Famílias Cristãs, tendo como objetivo a restauração dos
fundamentos da sociedade cristã. Preocupado com a escassez do clero diocesano, implantou o Seminário
de Vocações Adultas. Reformou e ampliou o Seminário Central e Menor, implantou a Pontifícia Faculdade
de Teologia e intensificou a Obra das Vocações Sacerdotais. Desenvolveu o ensino catequético e o
apostolado dos leigos, por meio da Ação Católica (VIDIGAL, 1973, p. 62)
Em outubro de 1952, se destacou na fundação e organização da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), da qual foi o primeiro Presidente, cargo que ocupou por sete anos (VIDIGAL, 1973, p. 60)
Coube ao Cardeal Motta a tarefa de continuar a construção da Catedral da Sé. Dirigiu a campanha para
levantar as torres do templo, cuja inauguração ocorreu em 1954, durante as comemorações do IV
Centenário de São Paulo. Nesse mesmo ano, criou a Diocese de Santo André, desmembrada da
Arquidiocese de São Paulo (VIDIGAL, 1973, p. 60)
Ainda em 1954, realizou em São Paulo, o Primeiro Congresso Nacional da Padroeira do Brasil. No dia 7
de setembro, por ocasião do término do Congresso, o Papa Pio XII enviou especial rádio-mensagem sobre
o culto de Nossa Senhora Aparecida, que foi ouvida por uma multidão estimada em mais de um milhão de
fiéis, na colina histórica do Ipiranga, local da Independência do Brasil.
Em março de 1956, fundou a Rádio Nove de Julho e o jornal “O São Paulo”, para a divulgação dos
princípios cristãos. Entusiasta dos estudos bíblicos, criou uma comissão de especialistas em Sagradas
Escrituras, para a tradução da Palavra de Deus, para o vernáculo, segundo o texto original (VIDIGAL, 1973,
p. 60)
Com aprovação do Papa Pio XII, lançou a Cruzada Pró-Dia Universal de Ação de Graças. No mesmo
ano, convocou e dirigiu o Congresso Nacional das Vocações Sacerdotais, com a presença de mais de cem
Bispos (VIDIGAL, 1973, p. 60)
Em 1961, realizou campanha pela construção do Auditório da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo. Em 1962, criou a circunscrição eclesiástica de Mogi das Cruzes, desmembrada da Arquidiocese de
São Paulo.
Em carta de 22 de março de 1964, solicitou ao Papa Paulo VI, que, em virtude de a sua “idade muita e
saúde pouca”, o exonerasse do Arcebispado de São Paulo, e o transferisse para a Arquidiocese de
Aparecida, já sob o seu governo de Administrador Apostólico. Em 19 de abril de 1964 é transferido para o
Arcebispado de Aparecida (VIDIGAL, 1973, p. 73)
Em seus vinte anos como Arcebispo Metropolitano de São Paulo, criou mais de cem novas paróquias. O
Arcebispado de São Paulo se transformou na maior Arquidiocese de todo o mundo católico (VIDIGAL, 1973,
p. 57)
O CARDEAL MOTTA NA ARQUIDIOCESE
DE
APARECIDA
Em 29 de junho de 1964, o Cardeal Motta toma posse como o primeiro Arcebispo Metropolitano de
Aparecida.
Desde que assumiu o governo eclesiástico de São Paulo, o Cardeal Motta havia manifestado um
especial interesse pela promoção do culto à Nossa Senhora Aparecida. Em janeiro de 1946, escolheu
pessoalmente o local para construção da nova Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida. “Subindo
em uma rocha que se destacava no Morro das Pitas, no bairro da Ponte Alta, tendo de um lado o arquiteto
Benedito Calixto de Jesus Neto, autor da planta do majestoso Templo e, de outro, o Padre Geraldo Pires de
Souza, então Provincial da Congregação do Santíssimo Redentor, deixou-se fotografar, afirmando: Aqui
ficará o altar central”. O lançamento da pedra fundamental dos alicerces do novo templo foi em 10 de
setembro de 1946, pelas mãos do Cardeal Patriarca Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, que trouxera um
punhado de terra do Santuário de Fátima, para depositar no cofre da pedra angular (ARQUIDIOCESE DE
APARECIDA, 1990, p. 25)
No lugar em que o povo brasileiro, durante mais de 250 anos, vem recebendo os maiores benefícios,
as maiores graças do Pai do Céu, por intermédio de Maria, Mãe de Jesus, Sua Eminência o Sr.
Cardeal Motta está construindo o segundo maior Templo da Cristandade: a Basílica de Nossa
Senhora Aparecida (VIDIGAL, 1973, p. 74).
Em 30 de junho de 1949, em Roma, a planta da nova Basílica Nacional foi aprovada pela Comissão
Pontifícia de Arte Sacra. A área total coberta do novo santuário é de 18.000 metros quadrados, podendo
abrigar 32.000 pessoas. Sob a orientação pessoal do Cardeal Motta, de 1952 até 1954, executaram-se os
trabalhos de adaptação do local da nova Basílica. Em 11 de novembro de 1955, teve início a construção
propriamente dita.
E iniciando a construção da nova Basílica de Nossa Senhora Aparecida, na Cidade de Aparecida do
Norte, irá fazer dela a segunda Igreja do mundo em tamanho e beleza, inferior somente à de São
Pedro, em Roma, e bem maior que a de São Paulo, em Londres, e que as catedrais de Paris e de
Viena, de Colônia e de Milão (VIDIGAL, 1973, p. 40)
Por sua sugestão e solicitação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a fixação da data
de 12 de outubro para a festa litúrgica de Nossa Senhora Aparecida foi aprovada pela Santa Sé, por decreto
de 5 de setembro de 1953.
No dia 18 de abril de 1958, o Papa Pio XII criou a Arquidiocese de Aparecida. No pontificado do Papa
João XXIII, deu-se a instalação da nova Arquidiocese, em 8 de dezembro de 1958. O Cardeal Motta, então
Arcebispo Metropolitano de São Paulo, em 15 de novembro do mesmo ano, foi nomeado Administrador
Apostólico de Aparecida, com plenos poderes de Bispo Residencial.
Procurando atender o anseio do povo brasileiro, autorizou que a imagem autêntica de Nossa Senhora
Aparecida percorresse o imenso território nacional, para receber as homenagens de fé dos brasileiros. A
imagem peregrinou cerca de 50.000 quilômetros, em todas as direções, visitando mais de 2.000 cidades e
localidades.
Criou no Arcebispado de Aparecida uma rádio-emissora, a Rádio Aparecida, com o propósito de
propagar a catequese dos fiéis, e difundir a devoção à Nossa Senhora Aparecida (ARQUIDIOCESE DE
APARECIDA, 1990, p. 24)
No ano de 1967, por motivo do 250º. Aniversário do início do culto à Nossa Senhora Aparecida, o Papa
Paulo VI, atendendo solicitação do Cardeal Motta, concedeu Indulgência Plenária, em forma de Jubileu, da
forma de costume, a todos fiéis que peregrinassem ao Santuário Nacional, em visita à imagem de Nossa
Senhora Aparecida.
Em 1967, o Papa Paulo VI enviou o sacramental da Rosa de Ouro ao Santuário Nacional de Nossa
Senhora Aparecida, como forma de vincular o culto de Nossa Senhora Aparecida à Santa Sé Apostólica e à
pessoa do Santo Padre (ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 24)
O Cardeal Motta intercedeu junto ao Governo Federal, para a construção de uma ponte, ligando a velha
à nova Basílica. Iniciada no governo do general Arthur da Costa e Silva, foi concluída em 1971, durante o
governo do general Emílio Garrastazu Médici, na gestão de Mário Andreazza no Ministério dos Transportes
(ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 24)
Em 4 de julho de 1980, o Papa João Paulo II, em visita ao Santuário Nacional de Nossa Senhora
Aparecida, consagrou a nova Basílica, cumprindo previsão do Cardeal Motta. Em sua saudação ao Cardeal
Motta, durante almoço no Seminário Bom Jesus, o Papa disse: “Minha visita a Aparecida não estaria
completa se faltasse este encontro, mesmo breve. Vossa Eminência está ligado a este lugar sagrado não
somente por quase 20 anos de pastoreio, mas também pelas vultosas obras que trazem a marca de sua
atividade e a maior delas é certamente a majestosa Basílica que, com emoção de todos nós, tive a alegria
de consagrar esta manhã” (ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 25)
Com quase 90 anos de idade, sofre um acidente em que fratura o fêmur, tendo que se submeter a uma
cirurgia em São Paulo. A partir de então, sua saúde passa a ficar cada vez mais debilitada. Dom Carlos
Carmelo de Vasconcellos Motta morreu no dia 18 de setembro de 1982, aos 92 anos de idade, na Santa
Casa de Aparecida (ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 29-30)
OUTRAS INICIATIVAS DO CARDEAL MOTTA
Em 20 de setembro de 1956, data escolhida em homenagem ao centenário de nascimento de seu pai, o
Cardeal Motta tomou posse como membro do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de Minas Gerais
(ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 28).
Em 3 de maio de 1957, celebrou a primeira Missa em Brasília, atendendo convite do Presidente da
República, Juscelino Kubitschek de Oliveira. Na ocasião, pronunciou uma oração cívico-patriótica, sobre o
significado nacional e a filosofia de ação da nova capital do Brasil, e presenteou as autoridades com uma
imagem fac-símile de Nossa Senhora Aparecida, que havia sido venerada em todos os Estados e Territórios
do país, para ser colocada na futura Catedral. Foi o Cardeal Motta quem escolheu, pessoalmente, o nome
de Brasília para ser a nova capital federal da Nação (ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 21)
Inspirou a construção das rodovias Belém-Brasília e Cuiabá-Santarém, às margens das quais vão
nascendo os núcleos demográficos para o desbravamento da região Amazônica (ARQUIDIOCESE DE
APARECIDA, 1990, p. 22).
Na qualidade de Cardeal, participou de dois conclaves, dos quais saíram eleitos os Papas João XXIII
(1958) e Paulo VI (1963), e participou das duas primeiras sessões (1962-1963) do Concílio Vaticano II
(ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 19).
Em 06 de maio de 1971, foi empossado na Academia Mineira de Letras, ocupando a vaga deixada por
Augusto de Lima Júnior (ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 28).
CONCLUSÃO
A origem do Cardeal Motta nos revela a política como vocação hereditária de sua família, direcionando-o
para o Curso de Direito e para cargos públicos, que ocupa até se sentir definitivamente arrebatado pela fé.
Podemos concluir que essa estreita convivência com a política, contribui para que, dentro da estrutura da
Igreja Católica Romana, ele tivesse uma consistente ascensão, ocupando cargos de relevância, como, por
exemplo, primeiro presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Cardeal das
Arquidioceses de São Paulo e Aparecida. Por onde passou, o Cardeal Motta revelou a visão pioneira que
norteou sua vida dedicada à Igreja e aos ideais de progresso. O nosso trabalho convida a uma reflexão
sobre a importância de Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta para a Igreja, e até que ponto as
afinidades e os encontros havidos com os governantes brasileiros, em especial com o presidente Juscelino
Kubitschek de Oliveira, teria favorecido sua trajetória de bons e grandes serviços prestados à Igreja Católica
no Brasil. Esta é uma questão instigante, que carece de aprofundamento, podendo se constituir em tema
para novas pesquisas.
REFERÊNCIAS
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BRASÃO E LEMA
Descrição: Escudo eclesiástico, partido: o 1º de sinopla, com cinco flores-de-lis de jalde postas em sautor Armas dos Mottas; o 2º de sable com três faixas veiradas de argente e goles - Armas dos Vasconcellos. O
escudo está assente em tarja branca, na qual se encaixa o pálio branco com cruzetas de sable. O conjunto
pousado sobre uma cruz trevolada de duas travessas de ouro. O todo encimado pelo chapéu eclesiástico
com seus cordões em cada flanco, terminados por quinze borlas cada um, tudo de vermelho. Brocante sob
a ponta da cruz um listel de goles com a legenda: IN SINV IESV, em letras de jalde.
Interpretação: O escudo oval obedece as regras heráldicas para os eclesiásticos. Os campos representam
as armas familiares do Cardeal. O Campo de sinopla (verde) representa: esperança, liberdade, abundância,
cortesia e amizade. As flores-de-lis simbolizam: candura, castidade, pureza, poder e soberania, sendo de
jalde (ouro) traduzem: nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor e descortínio. No 2º, o esmalte
sable (negro) do campo simboliza: a sabedoria, a ciência, a honestidade, a firmeza e a obediência ao
Sucessor de Pedro; as faixas veiradas representam as pontas de peles variadas que ornavam os mantos da
·nobreza, sendo que pelo seu metal argente (prata) simboliza a inocência, a castidade, a pureza e a
eloqüência, virtudes essenciais num sacerdote; e, pela sua cor goles (vermelho), simboliza o fogo da
caridade inflamada no coração do Cardeal pelo Divino Espírito Santo, bem como, valor e socorro aos
necessitados. O listel tem como lema: No Seio (Coração) de Jesus, sendo uma afirmação da confiança do
cardeal na promessa de Jesus, de quem nEle espera jamais será confundido.
Wanderley Alves dos Santos é graduado em História pela UNITAU
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Nasceu na fazenda Quinta do Lago, em Bom Jesus