INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO PRÓ-SABER MÁRCIA APARECIDA DE SENA CRUZ DESCOBRINDO O MUNDO ATRAVÉS DA MATEMÁTICA RIO DE JANEIRO 2010 INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO PRÓ-SABER MÁRCIA APARECIDA DE SENA CRUZ DESCOBRINDO O MUNDO ATRAVÉS DA MATEMÁTICA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Superior de Educação Pró-Saber como requisito parcial para a obtenção do grau de licenciado em Normal Superior, com habilitação em magistério da Educação Infantil. Orientadora: Profa. Beatriz Ferreira Cardoso RIO DE JANEIRO 2010 C8892d Cruz, Márcia Aparecida Sena Descobrindo o mundo através da matemática / Márcia Aparecida Sena Cruz. – Rio de Janeiro: ISEPS, 2010. – 46 f: il. Orientador: Profa. Beatriz Ferreira Cardoso Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao. Instituto Superior de Educação Pró-Saber, 2010. . 1. Educação. 2. Normal Superior. 3. Educação Infantil. 4. Matemática. I.Título. II. Orientador. III. ISEPS CDD 372 NOME MÁRCIA APARECIDA DE SENA CRUZ DESCOBRINDO O MUNDO ATRAVÉS DA MATEMÁTICA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Superior de Educação Pró-Saber como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciatura em Normal Superior, com habilitação em magistério da Educação Infantil. Defendido em ___ de_____de 2010 Resultado _________________ BANCA EXAMINADORA Profa. BEATRIZ FERREIRA CARDOSO (Orientadora) Titulação, Examinador (Entidade) Autorizo a publicação deste trabalho na página da Biblioteca do Instituto Superior de Educação Pró-Saber, tornando lícita sua cópia total ou parcial somente para fins de estudo e/ou pesquisa, sendo vedado qualquer tipo de utilização comercial sem a prévia autorização do autor. Rio de Janeiro, 23 de junho de 2010. MÁRCIA APARECIDA DE SENA CRUZ Para Márcio Cruz, Leandro e Levy. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, a minha família por todo amor e força que me deram ao tecer este trabalho. A casa São João Batista da Lagoa que me abriu novos caminhos... Ao ISEPS que me levou ao desafio desta pesquisa... A coordenadora Márcia Alexandra por estar sempre me ajudando. A professora Maria Gabriela por me apresentar ao Pró-Saber. A Bibliotecária Maria Delcina que não mediu esforços para estar me ajudando. A todos que me ajudaram a compor este trabalho. RESUMO Este trabalho deseja chamar a atenção para o ensino da matemática na Educação Infantil. Pois hoje as crianças chegam ao ensino fundamental com grandes dificuldades de compreender o mundo em que vivem e perceber a utilidade da disciplina em seu desenvolvimento. Traz reflexões acerca da individualidade de cada criança, o respeito por suas habilidades, o respeito ao desenvolvimento de sua inteligência, sua relação com o meio, e ações que devem ser traçadas valorizando as experiências que a criança já tem como bagagem. Palavras chave: Matemática. Educação infantil. Lúdico. “O ato criador é o processo de dar forma e vida aos nossos desejos”. MADALENA FREIRE SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 1 INTRODUÇÃO 13 2 PRÁTICA EM SALA DE AULA 16 3. TRAÇANDO AÇÕES PARA APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA... 22 3.1 A MATEMÁTICA E A LINGUAGEM 28 3.2 O MATEMÁTICO E O DESENHO 32 3.3 O MATEMÁTICO E O ESPAÇO 34 3.4 O MATEMÁTICO E O CORPORAL 36 3.5 O MATEMÁTICO E AS INTELIGÊNCIAS PESSOAIS 39 3.6 O MATEMÁTICO E O MUSICAL 41 4 CONCLUSÃO 45 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 46 APRESENTAÇÃO A matemática sempre foi meu bicho papão, meu desespero, minhas notas mais baixas. Quando eram marcadas as datas das provas minhas preocupações começavam, o que deveria ser um prazer, era para mim um pesadelo. O tempo foi passando e procurei no ensino médio um curso onde eu não precisasse da matemática, e decidi que iria fazer o curso de formação de professores, pois não iria estudar aquelas imensas resoluções matemáticas que tanto me assustavam. Algum tempo depois me formei. Como já trabalhava com a Educação Infantil tinha também alguma prática, mas o que eu não esperava era encontrar-me com a matemática. Minha coordenadora pedagógica um dia veio conversar comigo a respeito das atividades com as crianças, conversamos bastante e ela dizendo que para formar indivíduos capazes de raciocinar em qualquer situação com espírito critico e reflexível, era preciso oferecer inúmeras oportunidades de experiências que propiciassem o desenvolvimento lógico-matemático. Quase perdi o fôlego... E agora? Não sei matemática nem para mim, como poderia ensinar para as crianças, aquilo que me causou medo praticamente toda a minha vida escolar, a matemática. Fui então procurar ver o que era a matemática para a educação Infantil, li algumas coisas a respeito, e descobri que toda a atividade que eu planejava, a matemática estava presente. Mas ainda não conseguia articular o desenvolvimento das habilidades lógico-matemático com todos os outros componentes curriculares: a arte, linguagem escrita e oral, as ciências, e movimento do corpo. Mas somente através do Instituto Superior de Educação Pró-Saber que passei a compreender e me embasar melhor a respeito da matemática para a Educação Infantil. E aceitei o desafio de falar e pesquisar a respeito deste assunto. Fui despertada pelas aulas da didática da matemática no Iseps. Para esse desafio, também estou me embasando em alguns autores como: KátiaCristinaStocco Smole, Madalena Freire, Constance Kamii e outros. Esse trabalho será apresentado em três capítulos e conclusão.No primeiro capítulo,começo falando da Educação Infantil ,das mudanças que ocorreram, o que ensinar para as crianças pequenas e finalizo falando da Casa São João Batista da Lagoa,meu campo de pesquisa. segundo capítulo falarei da minha prática em sala de aula, da nova visão com relação ao trabalho com as crianças, das atitudes tomadas em sala de aula, das observações que tenho feito e do que considero importante em sala de aula. terceiro capítulo,traçando ações para aprendizagem da matemática na Educação Infantil, A matemática e linguagem,O matemático e desenho,O matemático e o espaço, O matemático e o corporal, O matemático e as inteligências pessoais, O matemático e o musical. Conclusão falo do olhar diferenciado que hoje tenho. Foto1- Aluno do jardim ll no computador 13 1 INTRODUÇÃO A Educação Infantil brasileira passou por diversas transformações nos últimos vinte anos. Desde o final da década de mil novecentos e noventa e oito, universidades, movimentos sociais, partidos políticos, associações profissionais, mães, têm debatido o modelo de Educação Infantil pretendido para as crianças brasileiras, influenciando as diretrizes estabelecidas na legislação do país. O quê ensinar para as pequenas crianças? Essa pode ser uma dúvida comum de muitos professores. Para respondê-las é importante compreender que as crianças estão inseridas no mundo e que desde o seu nascimento, esforçamse para compreendê-lo reinventando e interagindo com ele a cada momento. Dessa forma, o papel do professor não seria tanto ensinar-lhes conteúdos, mas propiciar-lhes momentos e oportunidades para que explorem e descubram esse mundo. A Educação Infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Tal afirmação é resultado de uma nova maneira de compreender a criança que é vista como um ser ativo, competente, agente, produtor de cultura, pleno de possibilidades atuais e não apenas futuras. O trabalho que se segue traz reflexões à cerca de ações de matemática a serem traçadas em sala de aula da Educação Infantil. A partir dessas ações a descoberta do mundo pela criança. Reuni experiências vividas pelas crianças, buscado articular o desenvolvimento das habilidades lógico matemática com o de todas as componentes do espectro, quais sejam, a competência lingüística, a espacial, a corporal, a interpessoal, intrapessoal, a música, a pictória. No entanto, não é objetivo deste trabalho ditar normas, oferecer modelos, ao contrário, ele visa oferecer informações básicas sobre a minha experiência em sala de aula, tendo em vista as crianças concretas e reais que são meus alunos. O primeiro passo foi pesquisar a respeito do meu local de pesquisa de campo, a Casa São João Batista da Lagoa, onde trabalho há dez anos. 14 No final da década de vinte, a Paróquia de São João Batista, situada no bairro de Botafogo, desenvolvia junto à população do morro Dona Marta alguns trabalhos comunitários, que consistia em evangelização e ações sociais, através de algumas famílias ligadas à igreja. Por volta de mil novecentos e trinta e nove, nos porões dessa mesma igreja e com o apoio do pároco local, nascia o trabalho voluntário das Damas de Caridade de São Vicente de Paula, constituído por vinte senhoras da sociedade carioca. Em mil novecentos e quarenta, estas Damas de Caridade, juntamente com seus maridos, com os paroquianos de Botafogo e com a população do morro, decidiram que o serviço mais amplo e educativo seria a criação de uma creche para, filhos de empregadas domésticas do bairro. As damas propuseram à mitra Diocesana que cedessem o terreno do fundo da Matriz à obra social e elas, com os recursos levantados com seu prestígio social junto ao empresariado, construíram o prédio da creche. Em dezesseis de setembro de mil novecentos e quarenta e três nasce à Casa de São João Batista da Lagoa, abrigando a cem crianças, de seis meses a sete anos de idade. Por dezessete anos funcionava sem personalidade jurídica, vivendo da credibilidade e do prestígio que sua direção gozava e usufruía nos meios sociais, empresariais, governamentais e religiosos. A partir deste ano, os mais diferentes setores da sociedade começaram a se organizar e a se constituir legalmente e a Casa São João Batista da Lagoa não fugiu a esse chamado, abstendo todos os registros necessários ao seu funcionamento e organizando o seu corpo técnico. A Casa funcionou em regime de internato inicialmente, atendendo as crianças durante a semana e passavam com seus responsáveis os finais de semana. Os recursos ainda hoje são conseguidos através de associados e de doadores, sendo que desde mil novecentos e vinte e dois a instituição também contava com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Social, através de um convênio de auxílio alimentício. 15 Em vinte e dois de agosto de mil novecentos e noventa e seis, através de uma audiência do Poder Judiciário – Juízo da Primeira Vara da Capital – corrida na Casa com a presença das famílias dos internos, ficou estabelecido, conforme o Estatuto da criança e do adolescente (ECA), que a creche passaria a funcionar no sistema de semi - internato. Assim sendo, as crianças deveriam, de acordo com o estudo de cada caso pelo serviço Social da Casa, serem reintegradas das suas crianças e em dois mil e dois passou a funcionar definitivamente como semiinternato atendendo a cento e dez crianças. No mês de Setembro de dois mil e cinco a instituição firma convênio com Secretaria de Municipal Educação, passando oficialmente a ter a figura de um diretor e coordenador de acordo com os preceitos da Lei De Diretrizes e Bases da Educação Lei 9.394/96, que passa reger o funcionamento da instituição autorizando a mesma a constituir-se Escola de Educação Infantil, passando para escola de período integral. A Casa São João Batista da Lagoa propôs inovações e articulações pedagógicas junto ao seu corpo docente, técnico e comunitário, para melhorar atender aos eixos de trabalho orientados pelo Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, compreendidos em: - Psicomotricidade - Música - Artes visuais - Linguagem Oral e Escrita - Natureza e Sociedade - Matemática - Formação Pessoal e Social Levando então a construção dos processos de identidade e autonomia a nossas crianças. 16 2 PRÁTICA EM SALA DE AULA Em sala de aula estou sempre observando as brincadeiras das crianças para que a partir delas, possa estar traçando propostas de atividades, visto que a criança aprende pela sua ação. Hoje tenho uma visão mais ampla a respeito do trabalho com as crianças em sala de aula, o Curso de Superior de Educação Pró-Saber, despertou em mim o desejo de estar buscando informações, pesquisando para fazer um trabalho de qualidade. A dificuldade de ensinar matemática para as crianças me inspirou, a buscar recursos para fazer as atividades adequadas em sala de aula. Algumas vezes proponho atividades que não dão certo, então já sei que essa atividade o conteúdo não é útil para a criança com a qual estou lidando, e por isso não foi possível a ação sobre o que eu pretendia ensinar. Foto-1 Jardim ll Foto-2 Alunos do jardimll Após uma atividade, peço sempre à minha turma que descreva a sua ação, com um registro, verbal,ou através de um desenho. Tenho um exemplo de registro a partir do desenho muito curioso. Nós estávamos trabalhando o tema família e eu pedi que cada criança desenhasse sua casa, a aluna A, fez uma casa bem no alto da folha do papel e muito pequena e quase não usou o papel. Aproximei-me dela, olhei e perguntei o que era o seu desenho e ela me respondeu que era a casa dela lá no morro bem pequenininha. Confesso que 17 fiquei encantada, através daquele desenho pude conhecer um pouco mais da realidade daquela aluna. Tenho feito experiência com perguntas e discuto sempre as respostas, venho conseguindo fazer experiências e pesquisas interessantes. Surgiu em uma conversa na roda um assunto sobre trem, alguns já tinham andado de trem outros não e de repente uma das educadoras que me auxiliava em sala de aula, perguntou se trem tinha rodas e as próprias crianças responderam para ela que sim, mas ela ficou na dúvida. Chegamos à conclusão que íamos pesquisar, procuramos alguns livros para mostrar e as crianças foram com os pais ver o trem do metrô e constataram que os trens do Brasil têm rodas e até a educadora foi investigar se tinha mesmo. A partir desta pesquisa fizemos várias atividades: desenhamos, fizemos um trem de caixas, com cinco vagões para expormos as vogais, amarrei um pedaço de barbante. Eles brincaram a valer. Eu venho observando que quando eu deixo a criança fazer, mais ela se torna capaz, então não é válido substituir a ação da criança pela minha. Dentro disto vivi uma experiência. Estava na hora do lanche, eu pedi que eles fizessem a fila, não disse como seria, pedi somente que fizessem a fila. E um aluno da turma, o E, me disse, eu estou aqui atrás e G é muito grande não dá para colocar a mão no pescoço dele, ou seja, nos ombros dele, fui rever uma maneira mais adequada para fazer a fila, então juntos decidimos que a fila não seria mais de mãos nos ombros e outras formas mais prazerosas apareceram: de mãos dadas, aos pares, casais, um atrás do outro, meninas na frente, meninos atrás, maiores, menores sempre tomando cuidado, para não prejudicar nenhum com minha fala. Foto 3- Aluno A organizando os sapatos Foto 4- Aluna com jogos de encaixe 18 Em sala de aula tem um fator que considero muito importante, deixar transparecer uma afetividade igual para todas as crianças. Procuro conhecer todas pelo nome e ter um relacionamento bem afetivo. Quanto mais próximas mais fácil detectar problemas emocionais e fazer anotações para serem encaminhadas para equipe de trabalho. Afetividade não é “melosidade”, não sou melosa, procuro não usar diminutivo em todas as palavras. O aluno B era literalmente chamado de B pelas outras crianças pelos adultos da creche e da família, comecei a dizer que isso não era legal e que o nome dele era tal e vamos chamá-lo pelo nome real. O comportamento dele com quatro anos parecia de um bebê mesmo, a partir desta sugestão mudou muito aquela situação. Vejo o quanto adquiri conhecimento no Instituto Superior de Educação PróSaber, a organização da minha sala de aula, o espaço para as crianças circularem ficou muito melhor, as estantes melhor distribuídas, o local da rodinha bem mais adequado, a fila não é mais só aquela coisa reta de mãos nos ombros. Exploro várias formas de caminhar com as crianças pelos espaços da creche. Passei a explorar os espaços do lado de fora da sala de aula. O pátio era um lugar de atividade livre; tenho agora bem mais claro, que o professor precisa preparar as atividades de forma que as crianças possam escolher de forma organizada livre, mas não o livre de não saber o que fazer e elas ficarem se estapeando, se mordendo, ociosas e o professor só apagando incêndios. No refeitório as crianças não podiam falar, e elas não sabiam por que, nem eu, me faltava à maneira adequada para o comando que deveria dizer as o por quê das coisas. 19 Comecei a mudar meu olhar. Hoje previamente conversamos bastante antes de qualquer atividade que vamos fazer. Os porquês das crianças começaram a ser respondidos Foto 5 cantinho da história jardim ll Foto 6 Alunos do jardim ll pesquisando Não tenho “vergonha” de participar das atividades com as criança, brinco, corro, danço, participo ativamente. Sempre quando percebo a manifestação de alegria, choro, de tristeza, de carinho – abro espaço para que melhor possam ser manifestados e para que eu tenha a oportunidade de estimulá-los, a partir de conversa, ou outra atividade. Foto 7 Cantiga de roda a rosa juvenil Foto 8 Jardim ll Vejo como boa toda situação de socialização é útil também, por exemplo, a solução dos conflitos não deve desaparecer sem antes ser discutida em grupo para que haja uma solução. A discussão em grupo é primordial para resolver os 20 conflitos. Tenho um exemplo de uma situação que aconteceu comigo na turma em que trabalho. Nós combinamos que iríamos para o pátio e que lá tinham cinco velocípedes, e que não davam para todo mundo andar de uma vez só, ficou então combinado que enquanto alguns brincavam na casinha de bonecas, e de carrinhos outros andavam no velocípede. Fomos para o pátio, e tudo que combinamos não foi cumprido, todo mundo queria andar nos velocípedes. Não foi possível ficar no pátio. Voltamos para sala e fomos novamente conversar, e no dia seguinte fui novamente para o pátio com a mesma proposta desta vez eles compreenderam, todos iriam brincar, um pequeno grupo de cada vez e a atividade aconteceu. Eu tenho levado para sala de aula o espírito coletivista tudo é de todos. Na hora da chamada cada um colocava seu nome no quadro de pregas à medida que eram chamados. O aluno P não concordava em não ser sempre o primeiro no quadro, e então estava sempre dizendo para a turma que tudo que está em sala é de todos, lugares, objetos, menos os pertences que trazem de casa, a menos que queiram socializar. Cuidando para não prejudicar a satisfação individual com a realização da atividade. Peço a opinião das crianças quando acontece situações semelhantes, promovendo a tomada de consciência coletiva. Foto 9 Mistura das cores jardim ll Cada vez mais tenho me descoberto nas tantas buscas e me envolvido pelos caminhos de como ensinar a matemática para as crianças, percebendo que 21 procurando me especializar estou também entrando por um terreno plano próprio para fundar meu alicerce e começar a construir um produto de primeira. Por causa do desejo de entender a matemática descobri que é preciso afastar o todo desânimo provocado pelas situações difíceis e diante de mim mesmo, por uma Educação melhor e fazer renascer o desejo, o prazer, de ensinar, aprender, apreender. 22 TRAÇANDO AÇÕES PARA APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Alguns autores afirmam que nada é mais importante na carreira educacional de um aluno do que o encontro das disciplina. Para que isso de fato venha acontecer nas salas de aula da educação infantil dos nossos dias, a estereotipia trazida por uma educação viciada, que mostra a matemática com grande dificuldade de ser aprendida, como na minha época era por exemplo, precisam ser afastadas. Hoje as crianças pequenas por não terem vivenciado essas estereotipias trazidas por essa educação viciada, estão dispostas a transcender as fronteiras das quais estão pelo menos ocultamente conscientes; elas se jogam em seu brinquedo, em seu trabalho e nos desafios propostos com grande dose de entusiasmo, paixão e criatividade; as crianças freqüentemente usam formas originais de resolver problemas a eles colocados, não têm medo de ousar e não se intimidam diante do novo. Segundo Smole (2000), com uma nova visão, surge também o desafio que tenta organizar ações docentes para a sala de aula de matemática, incorporando as sete relações com as demais formas de manifestação de competência: matemático/linguagem; matemático/corporal; matemático/espacial; matemático/ musical; matemático/ pictórico; matemático/ inteligências pessoais. Pais e professores devem estar atentos, para estas importantes relações, que ajudarão na aprendizagem das crianças e nas descobertas das suas inteligências. Lidar com matemática é, antes de tudo, oferecer à criança a oportunidade de agir posteriormente levá-la a refletir acerca de suas ações: reviver em pensamento os acontecimentos que acabaram de se desenvolver, antecipado o que pode vir acontecer, procurar prever... Desta forma, ela não somente poderá ser confrontada com uma quantidade razoável de fatos com os quais progressivamente se familiarizará (principalmente através de repetidos contatos), como 23 também, e mais do que isso, irá elaborar imagens mentais relativas a eles, e, ao vinculá-los e dar-lhes sentido, estruturar pouco a pouco os seus conhecimentos. (Françoise Cerquetti-Aberkane, Catherine Berdonneau, 2001. P.4). O trabalho com a matemática na escola tem sido baseado na concepção de que a criança aprende exercitando determinadas habilidades ou ouvindo informações do professor. Consideremos que na educação infantil o trabalho com a matemática permanece subjacente, escondido sob uma concepção de treinar as crianças a darem respostas corretas, ao invés de fazê-las compreender a natureza das ações matemáticas. Proponho uma reflexão sobre o assunto. A matemática pode aparecer de diversas formas e maneiras nas crianças da educação infantil. Mesmo que as atividades apresentadas não tenham a intenção de ensinar a matemática. Jogos e brincadeiras, histórias e muitas experiências vividas pelas crianças ás levam a idéias lógico-matemáticas. Jogando, brincando, ouvindo e recontando histórias, as crianças descobrem, inventam, criam, fazem relações, atribuem sentidos. A escola deve encorajar a exploração de uma grande variedade de ideias matemáticas relativas a números, medidas, geometria e noções rudimentares de estatistica, de forma que as crianças desenvolvam e conservem um prazer e uma curiosidade acerca da matemática. Uma proposta assim incorpora contextos do mundo real, as experiências e a linguagem natural da criança no desenvolvimento das noções matemáticas, sem, no entanto, esquecer que a escola deve fazer o aluno ir além do que parece saber, deve tentar compreender como ele pensa e fazer as interferências no sentido de levar cada aluno a ampliar progressivamente suas noções matemáticas. Também essa proposta reconhece que as crianças precisam de um tempo considerável para desenvolver os conceitos relativos aos temas trabalhados e, ainda para desenvolver a capacidade de acompanhar encadeamento lógico de raciocínio e comunicar-se matematicamente deve-se favorecer, por isso, o contato repetido com algumas noções importantes, em diferentes contextos, ao longo do ano e de ano para ano. 24 No seu processo de desenvolvimento, a criança vai criando várias relações entre objetos e situações vivenciadas por ela e, sentindo a necessidade de solucionar um problema, de fazer uma reflexão, estabelecer relações cada vez mais complexas que lhe permitirão desenvolver noções matemáticas mais e mais sofisticadas. É necessário que as crianças estejam diariamente cercadas por propostas e oportunidades que evoquem o uso da competência lógicomatemática em ligação permanente com os demais componentes com outras luzes. Não devendo ser um trabalho esporádico, espontaneista e casual. Essas ações, constantemente ou seja, executados as pelas brincadeiras crianças em e os jogos situações simbólicos, estimulados, possibilitarão: • Aquisição de noções de atributos; que são as cores, formas, espessuras, texturas. • Aquisição de noções de medida, como: altura, comprimento, peso, tamanho, temperatura. • Construção do conceito de quantidade; através da, classificação, seriação, correspondência termo a termo. • Aquisição de noções de conservação: com objetos concretos, líquidos, massa. • Aquisição de noções de espaço e tempo; essa estruturação temporal, temporal-espacial. 25 Uma vez que os tópicos obedecem a estágios evolutivos de dificuldade: partem de noções que são mais facilmente interiorizadas pela criança, como as de atributos, e num crescendo abordam o conceito de números e noções de conservação, até chegar ao conhecimento de tempo e espaço. Este indo além das experiências concretas é mais difícil de ser adquirida. Foto 10 montando amarelinha jardim ll Foto 11 montando amarelinha jardim Il A criança da educação infantil vai pouco a pouco dominando os atributos dos objetos. Dependendo de sua necessidade, da curiosidade e das situações que se apresentam começa a diferenciar cores e a perceber as diversas formas, espessuras e texturas dos objetos. Ao manuseá-los percebe que são pontudos outros são finos, outros ainda são ásperos e alguns outros. E é através da brincadeira em grupo ou sozinha que essas noções surgem. Foto 12 Passando pelo túnel jardim ll Foto 13 saindo do túnel jardim ll 26 Exploração das noções espaciais em relação ao próprio corpo e aos objetos entre si. A noção de tempo se desenvolve paralelamente á noção de espaço, a criança começa a perceber a duração entre uma atividade e outra. Foto 15 Brincando com corda jardim ll Foto 17 A cobra-cega com jardim II Foto 16 brincando com corda jardim Foto 18 A cobra-cega com jardim I As crianças precisam desenvolver habilidades de localização no espaço empregando as noções topológicas básicas. Pular corda é um exemplo de atividade que ajuda no desenvolvimento de noção de posição e direção. Pedir que uma criança estique uma corda.Os demais,em fila,a seu sinal,devem correr e pular por cima da corda.Depois peça para duas crianças segurar cada uma de um lado e as outras passam por baixo. 27 É somente através das sensações que as crianças pequenas podem chegar à noção de temperatura. Foto 19 Brincando com sucata Foto 20 jardim ll produzindo Brincando com sucatas, blocos de tamanhos, formatos e espessuras diferentes, as crianças desenvolvem naturalmente noções de atributos, medidas e quantidades. É preciso estimular a percepção dos alunos,essencial para que possam desenvolver a habilidade de discriminar. Na Educação Infantil a criança pode estar fazendo os primeiros contatos com as Artes, deve-se valorizar seu trabalho,ressaltando sempre os seus avanços, tanto durante durante o desenvolvimento das atividades como nos seus registros finais.Não pode ser estabelecidos critérios de julgamento a respeito da produção da criança.Não existe bonito ou feio.O que existe é a percepção de como cada criança está usando os conteúdos que aprendeu na sua produção e apreciação Diferentemente dos adultos, o desenho, a pintura e outras tantas possibilidades plásticas atividades essencialmente lúdicas para criança. Atividade que se explicam muito mais pelo processo de criar do que pelo produto acabado, se justificam pelo curioso olhar infantil, pelo desejo e pelo esforço de seguir até o fim uma idéia que nasce de uma linha, às vezes de um gesto ou um pingo de cor. 28 Portanto,as atividades em Artes visuais indicam às crianças as possibilidades estéticas, de fruição,transformação,criação. Segundo Arribas ( 2004) a proposta é partir do que já sabe, que é assistemático, pouco científico e subjetivo; dos esquemas de que dispõe para aprender: percepção,ação direta com os objetos; das noções já construídas, para ir construindo uma base matemática que permita, por um lado, interpretar melhor seu ambiente e, com isso, poder intervir de forma mais adequada,e, por outro lado, que permita seguir construindo o conhecimento matemático a partir dessa base. Desse modo, irá mantendo uma progressão do concreto ao abstrato, do particular ao geral , do subjetivo ao objetivo,para uma interpretação e utilização da matemática cada vez mais sistemática e científica. As noções matemática devem ser incorporadas sistematicamente a uma grande variedade de atividades que ocorem no cotidiano da sala de aula. 3.1 A MATEMÁTICA E A LINGUAGEM Segundo Miguez (2003) poeta e crianças vivendo, então, a experiência poética do mundo, vão desvendando a VIDA dentro de uma dimensão lúdica. Ambos estão fazendo poesia, vivenciando poesia, construindo um mundo com cortes e recortes da realidade empírica. Nos últimos anos, a relação entre a matemática e a língua materna têm sido objetos de estudo por parte de diferentes pesquisadores que se dedicam a discutir e estudar o ensino de matemática. Smole afirma que aprender a escrever e ler em língua materna tem características distintas do aprender a escrever enunciados matemáticos. No primeiro caso, a escrita aparece com o segundo código de uma língua que já foi vivenciada por estar presente nas atividades sociais da criança sob forma oral. Mesmo quando não escreve como fala, mesmo quando as regras da linguagem 29 escrita são ignoradas pela oralidade, ou vice-versa, não se altera o fato de que seja uma mesma língua em suas diferentes modalidades de enunciação. Ao exigir da criança uma linguagem que consideramos adequadas, precisamos correr o risco de impedir que algumas tenham acesso ao sentido dos enunciados matemáticos, sentidos estes que se constroem a partir de uma linguagem aproximada, no trabalho em que o importante é articulares significações, ligar etapas de raciocínio. Nos últimos anos, diferentes autores vêm escrevendo sobre a importância da literatura infantil no aprendizado da língua materna. Entretanto, há outras formas pelas quais poderíamos propor um trabalho que potencializasse a relação matemática/ língua (uso de jornal, escrita de poesia, resolução de problemas, elaboração de texto). Para explicitar melhor essa relação entre a literatura infantil e os problemas, é necessários refletir um pouco sobre como se dá o trabalho com a resolução de problemas nas aulas de matemática. É preciso, em primeiro lugar, que consideremos os problemas como uma situação na qual o resolvedor não tem a garantia de obter a solução com o uso direto de um algoritmo. Tudo que ele conhece tem de ser combinado de maneira nova para ser interessante, desafiador e significativo para o aluno, permitindo que ele formule e teste hipóteses e conjecturas. Em segundo lugar, essa mudança traz implícita uma série de habilidades em resolução de problemas que esperamos ver desenvolvidas em nossos alunos. São elas: desenvolver e aplicar estratégias para resolver uma grande variedade de problemas; formular problemas a partir de situações matemáticas ou não; verificar e interpretar resultados com respeito ao problema proposto; usar resolução de problemas para investigar e entender os conteúdos matemáticos; adquirir confiança em usar matemática. Sob esse enfoque, resolver problema é um espaço para fazer colocações, comunicar ideias, investigar relações, é um momento para desenvolver noções e habilidades matemáticas. O uso da literatura infantil em conexão com o trabalho de resolução de problemas permite aos alunos e professores utilizarem e 30 valorizarem, naturalmente, diferentes estratégias na busca por uma solução, tais como desenho, oralidade, dramatização, tentativa e erro, que são recursos normalmente esquecidos no trabalho tradicionalmente realizado nas aulas. Para dar início ao trabalho com a literatura infantil é importante uma boa seleção dos livros, observar os assuntos, a linguagem, apresentação e os valores do livro correspondam ao desenvolvimento psicológico e intelectual do leitor. Ao utilizar livros infantis, os professores podem provocar pensamentos matemáticos através de questionamento ao longo da leitura, ao mesmo tempo em que crianças se envolvem com a história. Assim, a leitura pode ser usada como um estimulo para ouvir, ler, pensar e escrever sobre matemática. É sempre bom deixar claro que uma mesma história deve ser lida e relida entre uma atividade e outra, para que as crianças possam perceber todas as suas características e, por isso, um mesmo texto pode ser utilizado em diferentes momentos do ano. Foto 22 Grupo de alunos do Jardim ll, lendo, história No jardim ll a hora da história é chamada a hora do conto. Leio uma história( que pode ser escolhida pelos alunos) ou simplesmente narro-a com minhas palavras, dando a interpretação e a entonação devidas e diferenciando as falas dos personagens. Permito que as crianças olhem o texto e as ilustrações, enquanto a história é lida, e que interfira fazendo perguntas e dando a sua opinião. Provoco a participação, pedido-lhes seu parecer:”O que irá acontecer com determinado personagem?” “Como será a conclusão da história?”etc. . 31 Uma outra forma que uso bastante e de incentivar a participação das crianças e pedir-lhes que repitam elementos que podem ser facilmente memorizados, como estribilhos e falas.Além disso, pode-se solicitar às crianças que façam desenhos sobre a história. Desenvolvendo a seqüência do raciocínio lógico. Eu faço um trabalho com minha turma já há cinco anos, a ciranda dos livros e percebo que as crianças são apaixonadas pela leitura, envio todas às sextasfeiras um livro para que os pais leiam com elas e façam o registro. Consigo acompanhar bem de perto a relação das crianças com suas famílias através destes registros. O desenho abaixo é de uma criança que pediu para levar o mesmo livro várias vezes, Cachinhos dourados. Desenho 1- história jardimll A criança relatou que o prato azul era do pai e que o mingau estava quente e que a mãe iria pegar o prato dela, o pequeno. O desenho mostra que a criança fez uma relação da família dela com a história, pai, mãe e filho e como na história, o prato do pai era o do mingau quente, e o dela o prato pequeno, conseqüentemente o da mãe seria o que sobrasse. Outra atividade que unimos a linguagem à matemática foi quando montamos um gráfico, para informar, quantos dias fizeram sol, choveram, ou ficou nublado, durante um mês. Todos os dias fazíamos a janela do tempo e cada criança, desenhava de acordo com tempo a informação, e colávamos na janela, à 32 medida que os dias passavam iam se acumulando os desenhos e no final montávamos o gráfico, mostrando exatamente as condições do tempo durante o mês, e escrevíamos por extenso os números correspondentes. Em minha turma uso também a escrita para fazermos receitas culinárias e outras, que facilita muito o trabalho com a matemática. Nossa última receita foi da tapioca, estávamos trabalhando sobre o índio. Cada um da turma trouxe um ingrediente, exploramos bastante, medimos, fizemos o registro da receita. No final fizemos uma exposição. Cada turma apresentou o que preparou e nós apresentamos nosso prato que foi um sucesso. Com minha ajuda eles enviaram a receita para os pais. Aprender a ler e a escrever é apropriar-se do código linguístico-gráfico para tornar-se de fato um usuário da leitura e da escrita, porque essa práticas instrumentos básicos para o ingresso e a participação na sociedade letrada são ferramentas para a compreensão da sociedade e para a comunicação . 3.2 O MATEMÁTICO E O DESENHO No ato de desenhar, manifestam-se operações mentais como imaginação, lembranças, sonhos, observação, associação, relação, simbolização, estando por isso implícita ao desenho uma conversa entre o pensar e o fazer. Características do processo de desenho, sugerir que as crianças registrem através dele as impressões sobre as brincadeiras e jogos realizados durante uma proposta de trabalho em matemática permite uma maior reflexão do aluno sobre que realizou, ao mesmo tempo em que dá ao professor pistas de como cada criança percebeu o que fez, como são expressas as reflexões pessoais de cada aluno e que interferência poderão ser feitas em outras situações para ampliar o conhecimento matemático envolvido numa dada atividade. Na questão da resolução de problemas por crianças não leitoras aparece 33 um equívoco muito grande porque se acredita que antes de ingressar na escola a criança não desenvolveu nenhuma forma de raciocino matemático e que a escola seria a responsável para dar lugar ao raciocínio lógico pela primeira vez. Segundo Smole (2000) não saber ler ou escrever não é sinônimo de incapacidade para ouvir e pensar, e há outros recursos que podem ser utilizados na busca pela solução de um problema proposto, com o desenho e a expressão artística. Propus para as minhas crianças de quatro anos uma situação problema seguinte: Se você estivesse todo ensaboado, embaixo do chuveiro, e a água acabasse. O que você faria? O aluno J disse que tomaria banho de piscina como mostra a foto a baixo. Desenho 2 resolução de problema jardim ll O outro disse que tomaria banho de cuia. Perguntei a ela porque banho de cuia, e ela me respondeu que a mãe falava assim, quando faltava água. Desenho 3 Resolução de problema, aluno R do jardim ll 34 Percebi que não houve necessidade de traduzir na representação imaginária, dados dos enunciados, sendo o desenho das crianças dava na sua representação. Para isso,devem-se buscar atividades que desperte essas pontecialidades na forma de um saber mais amplo, aplicável dentro unidade escolar. Cabe ao professor reconhecer e identificar as características e habilidades de cada aluno,adequando as atividades às suas necessidades e propondo situaçõesproblema instigantes e desafiadoras, que levem a criança a ampliar seus conhecimentos com base naquilo que já sabe. É importante que a atividade lúdica seja a motivação do processo de produção artística da criança. Nesta faixa etária, deve-se valorizar a linguagem do desenho, da pintura,do recorte, da colagem e da modelagem, pois despertam na criança o gosto pela criação. Expor os trabalhos realizados pelos alunos é uma ótima forma de valorizar suas produções. O espaço da sala de precisa ser um espaço educador. A apropriação do conhecimento matemático não se circunscreve à aprendizagem de técnicas e cálculos. Está permeada pela oralidade, que requer o uso da linguagem materna para a efetiva comunicação de raciocínio lógicomatemático empreendido pela criança (falar, ouvir, ler, escrever, representar). 3.3 O MATEMÁTICO E O ESPAÇO As crianças estão naturalmente envolvidas em tarefas de exploração do espaço e se beneficiam matematicamente e psicologicamente de atividades de manipular objetos desse espaço no qual vivem, pois enquanto se movem sobre ele e interagem com objetos nele contidos, adquirem muitas noções intuitivas que constituirão as bases da sua competência espacial. Em segundo lugar, se desenvolvimento das noções de espaço é um processo, é desejável que um trabalho a ser desenvolvido em geometria não aconteça esporadicamente. A geometria deve estar presente ao logo do ano todo 35 e toda semana Em segundo lugar, para desenvolver suas potencialidades espaciais uma pessoa tem que viver no espaço; e vivê-lo ao mesmo tempo. No trabalho com minha turma de quatro anos, levei para sala de aula um livro sobre formas geométricas, Sentados na rodinha fui mostrando para eles as formas que já conheciam quadrado, círculo, retângulo, triângulo, e para cada forma aparecia uma coisa no formato, chegamos no losango, perguntei se alguém já havia visto uma figura como aquela; alguns disseram que sim que era um balão, outros uma pipa. Depois dos questionamentos e respostas, li para elas o nome da forma até então desconhecida. Em outro momento fomos procurar pela escola o losango, mas foi difícil, não encontramos, voltamos para sala e cada um fez o desenho do que tinha visto pelos espaços da escola. O desenho que se segue mostra os desenhos feitos por P aluna da minha turma de quatro anos enquanto procurava o losango, ela não encontrou o que procurava, mas deixou claro que viu outras formas pelo caminho que percorreu. Desenho 4 Formas geométricas desenho do aluno P, jardim ll A partir dos quatro anos, mais ou menos, a criança começa a controlar melhor seus movimentos e sua concepção de espaço está diretamente ligada as suas ações. Ela é capaz de ver um objeto em re ação a outro e chega a compreender as relações de proximidade, separação, ordem e continuidade. O conceito de espaço também é construído espontaneamente, sem que haja necessidade de o educador ensiná-lo. Contudo, atividades motoras, graficas 36 ajudam a criança a adquirir as primeiras noções espaciais, ligadas aos conceitos de perto, longe, dentro, fora em frente, atrás, ao lado, em cima, entre, embaixo, à direita, à esquerda. A noção de tempo se desenvolve paralelamente à noção de espaço. Da mesma forma que a compreensão das relações espaciais se dá através da ação vivida, o tempo começa a ter sentido para a criança através da duração de uma ação. De todas as noções que visam à aquisição do conhecimento lógicomatemático, a noção de tempo é a que oferece maior dificuldade de compreensão, por ser muito abstrata, é a que demora mais para se estruturar definitivamente no indivíduo. Na educação infantil devem ser exploradas atividades que conduzam à aquisição de noções tais como: antes, depois, ontem, hoje, amanhã, cedo, tarde, dia, noite. Posteriormente são recomendados diálogos que ajudem a criança a compreender a noção de idade: “Quantos anos você tem? Seu irmão é mais novo que você? Qual a idade dele?”. Todas as noções a serem desenvolvidas na educação infantil devem ser trabalhadas através de situações reais ou dramatizadas, envolvendo materiais concretos. O importante é que o educador da educação infantil esteja preparado e atento para não exigir da criança respostas ou soluções que ela ainda não é capaz de apresentar. O principal é oferecer condições ótimas para desenvolver seu conhecimento físico e lógico-matemático, bem como estruturar seu pensamento como um todo. Eu fiz com minha turma a linha das atividades, nós preparamos várias gravuras que representassem todas as nossas atividades, todos os dias nós víamos na roda o que iríamos fazer durante o dia e até depois mesmo da semana toda. Segunda-feira era o dia da brinquedoteca, terça-feira biblioteca, quartafeira aula de música, quinta-feira banho de mangueira e se chovesse, brincadeiras diversas na área coberta, sexta-feira o dia de trazer um brinquedo de casa para compartilhar. Além de estarem inseridas as outras atividades de rotina 37 hora da chamada, janelinha do tempo, calendário, escovação dos dentes,almoço, lanche, etc. 3.4 O MATEMÁTICO E O CORPORAL Brincar com o corpo é também uma forma de resolver problema. Pensar o corpo como forma de manifestação da inteligência pode soar estranho, uma vez que nossa tradição cultural recente tratou de separar as atividades de raciocínio de um lado e as atividades de manifestação corporal de outro. Enquanto a criança brinca, o professor pode observar como ela se expressa corporalmente e verbalmente e avaliar o prazer que ela sente, ou não na realização dos desafios propostos. Com as crianças da minha turma de quatro anos propus a brincadeira da dança da cadeira, coloquei quatro cadeiras e disse que todos participariam, mas não de uma vez só. Chamei cinco crianças, todos queriam uma cadeira, falei então das regras e então começamos. O momento da saído só chororó. Com o passar do tempo elas foram compreendendo as regras. Observei que uma das crianças sempre que solicitada para brincar não queria, perguntei se não gostava da brincadeira, ela disse que gostava, mas que estava cansada. Vi que nas vezes em que conseguiu brincar ela era a primeira a sair da brincadeira tentei animá-la por várias vezes em outros momentos, mas não demonstra muito desejo de brincar. .A expressão corporal está ligada a vários aspectos da motricidade.O conhecimento e o domínio do próprio corpo podem ser grandemente estimulados através de atividade prazerosas e interessantes. Além disso, atividades de expressão corporal leva a criança a realizar movimentos musculares de forma coordenada e tendo em vista determinados esquemas de espaço e tempo. 38 Desenho 5 Representação da dança Foto 23 A dança da cadeira jardim ll Cadeira por M do jardim ll Portanto, é inegável que, entre as formas que o homem possui para se comunicar com seus semelhantes, à expressão corporal é uma das mais importantes, embora pouco valorizada em nossa cultura. Na realidade o corpo “fala’ mesmo sem que se perceba e, se houver atenção, podem-se” ouvir “muitas coisas que as pessoas dizem até sem querer, através de pequenos gestos. Por que a preocupação em estimular a expressão corporal? Porque é uma forma de levar as pessoas a olharem para as outras com atenção e perceberem suas emoções para poder presidi-las verdadeiramente”. O aluno M em outras atividades demonstrava grandes habilidades, sempre se destacando, e nessa devido à dificuldade de não conseguir ficar até o final da brincadeira da dança da cadeira preferiu não brincar. Então foi necessário que eu usasse uma nova estratégia para ajudá-lo, separei um grupo que percebi que ele dava conta de chegar até o final, pelo menos por algumas vezes a partir daí se sentiu mais seguro. O movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura humanos e, em especial, do desenvolvimento infantil. As crianças, desde que nascem, movimentam-se, apropriando-se do controle e da interação do seu próprio corpo com o mundo. Ao movimentarem-se, elas expressam sentimentos, emoções e pensamentos, por meio de gestos, de expressões, do seu tônus e de diferentes posturas corporais. Portanto, quando mais rico e desafiador for esse ambiente, mais ele possibilitará às crianças a ampliação do conhecimento acerca de si mesmas, das outras e do meio em que vivem. Movimento e expressividade corporal são 39 fundamentais inclusive na construção da identidade da criança. As práticas relativas ao movimento exploram, além das capacidades físicas das crianças, o pensamento, a criatividade, a resolução de problemas, a criticidade e as relações de tempo e de espaço, pois, assim como devemos lembrar que a cabeça tem um corpo, temos que considerar que o corpo tem uma cabeça. Tem-se como pressuposto a criança por inteiro, sem dicotomizar corpo e pensamento. Foto 24 futebol jardimll Foto 25 Educação física jardimll 3.5 O MATEMÁTICO E AS INTELIGÊNCIAS PESSOAIS Nas rodinhas de conversa é muito importante o professor estar atento ao que as crianças falam e essa fala deve ser valorizada. Segundo Kamii (1991) as crianças que confiam na sua capacidade de tirar conclusões próprias, quando chegam a uma resposta para um desafio proposto ou quando formulam um pensamento sobre um tema em discussão, não têm medo de se expressar sobre isso e, se suas opiniões se mostram diferentes, da dos outros, tentam convencer o outro ou admitem estar errado. Estas seriam em nosso entender, manifestações das inteligências pessoais. Durante nossas conversas na rodinha com minha turma de quatro anos, uma das crianças só contava histórias de ônibus, só desenhava sempre história 40 de ônibus. Eu comecei a ficar muito curiosa, pois a criança não tinha novidades. Conversei com os responsáveis e o pai relatou que era motorista de ônibus, e J sentia muita falta dele devido sua carga horária de trabalho muito grande. O pai conseguiu mudar esse horário, pensando em ajudar J. Boa parte do trabalho pedagógico da Educação Infantil deve ser organizada levando-se em conta que a criança tem necessidade de desenvolver a identidade e autonomia pessoais. De um ser inicialmente dependente e sem conhecimento de si, a criança se constitui, durante o período da Educação Infantil, em um ser capaz de se cuidar, se relacionar e se comunicar por meio de diferentes sistemas simbólicos. Assim, com a finalidade de assegurar esse desenvolvimento, o professor precisa estar atento às necessidades das crianças nos aspectos relacionados ao seu desenvolvimento socioafetivo. A identidade da criança é construída, de forma gradativa, por meio das interações sociais que ela vai desenvolvendo. “A maneira como cada um vê a si próprio depende também do modo como é visto pelos outros. O modo como os traços particulares e cada criança são recebidos pelo professor e pelo grupo em que se insere tem um grande impacto na formação de sua personalidade e de sua autoestima, já que sua identidade está em construção”. Desenho 6 Ônibus desenhado por J do jardim ll Sabemos que o ser humano é um ser essencialmente social e sua 41 identidade constrói-se na interação social. Na discussão com o colega, a criança pode desenvolver seu potencial de participação, cooperação, respeito mútuo e crítica. É de grande importância à interação social, a lógica da criança só não se desenvolveria plenamente, porque é nas situações interpessoais que a criança se sente obrigada a ser coerente. Sozinha a criança poderá dizer e fazer o que quiser pelo prazer e contingência do momento, mas em grupo, diante de outras pessoas, ela sentirá a necessidade de pensar naquilo que vai dizer que vai fazer, para que possa ser compreendida. No caso de J parei de questionar o porquê só falava de ônibus e passei a deixá-lo à vontade para se colocar e surgiram muitas coisas novas em sua fala. Começou a ficar mais à-vontade para se colocar diante das outras crianças. Eu percebi então que J não desistiu enquanto não dei mais atenção a sua situação difícil que ele sozinho não conseguiria resolver. Respeitar a situação dessa criança foi fundamental para ajudá-la. Em Kamii (1991) Segundo Piaget a atenção para o fato de que todas as sanções precedentes poderiam facilmente degenerar em punições se não houvesse uma relação de afeto e respeito mútuos entre adulto e a criança. A criança que se sente respeitada em sua maneira de pensar e sentir é capaz de respeitar a maneira como os adultos pensam e sentem. 3.6 O MATEMÁTICO E O MUSICAL A música tem sido através dos séculos, uma das formas de comunicação entre os indivíduos. As tribos mais primitivas e os povos mais antigos a usavam nos momentos importantes da vida. Pode-se afirmar que a evolução do homem tem sido acompanhada pela música, uma vez que ela é o veículo ideal para a manifestação de seus sentimentos. A música é um elemento indispensável na educação infantil e pode ser 42 abordada de várias maneiras. Não se pode considerar apenas seu estudo e suas manifestações acadêmicas. Hoje se conceitua a música como toda a “sinfonia sonora” que nos cerca, agradável ou não. Assim, todos possuem em seus corpos e em suas vidas uma musicalidade. Ainda bebê, o interesse por ritmo e som musicais, é demonstrado. À música è um fenômeno corporal e que a relação da criança com a música começa quando ela entra em contato com o universo sonoro que a cerca, a partir de seu nascimento. Tenho um exemplo muito próximo, meu filho ainda bem pequeno mais ou menos um ano de idade começou a manifestar gosto pela música, eu achava engraçadinho ele dançar, bater palmas, mas era uma coisa muito expressiva. Íamos-nos para a Igreja e no momento da apresentação da orquestra não parava quieto, eu corria o tempo todo atrás dele afim de não deixá-lo quebrar os instrumentos dos músicos. Ele foi crescendo e com mais ou menos três anos, ele já ficava quietinho sentado olhando o movimento dos músicos, percebi então que havia algo a mais ali, e aos dez anos, pegou pela primeira vez seu clarinete, e com um mês nas aulas de música já fazia leitura das partituras. Hoje tem treze anos, já é músico oficializado pela igreja Snyders (1994) afirma que desenvolver um sentido musical é ter uma oportunidade fascinante de comunicar-se com o mundo qualitativamente diferente. Para ele, como a música traz em si o elemento coletivo muito forte, estruturas e regras se criam pouco e forma-se uma diversidade que tende a unidade na qual cada participante acha apoio nos outros, fortalece-se no outro. Ainda Snyders afirma que o homem entra, através da música, na posse unificada de seus recursos e que, desenvolvendo sua audição e sensibilidade musical, chega a um momento em que a sensibilidade e a inteligência, o afetivo e o racional, não podem mais constituir se em ordens opostos. Para ele, através da música. (... a sensibilidade não se confunde mais com a desordem de um sentimentalismo vago; a inteligência, mesmo e, sobretudo sob sua forma ao que parece mais abstrata, a matemática, abrese à admiração emotiva. (p.120)). 43 Para as crianças em sala de aula procuro levar vários estilos, a música também está presente inclusive para marcar o tempo das atividades. Um dos meus alunos o P durante o momento do sono disse que gostava de funk e não da música clássica que coloquei na hora do soninho. Expliquei para ele que o funk é legal para dançar, mas para dormir aquela que estava tocando me parecia melhor e ele continuou insistindo que gostava mesmo era de funk. Noto que as crianças de hoje estão envolvidas com tanto agito que se torna possível a elas dormirem com som agitado. É indispensável que a música seja percebida e expressada antes de mais nada com o próprio corpo. Sendo o ritmo o elemento musical que mais cedo e com mais força toca a criança, ela precisa compreendê-lo através dos movimentos de seu corpo.E não é só o ritmo que pode ser traduzido pelo corpo: a própria melodia, a intensidade, o timbre, todos os elementos musicais podem ser vivenciados através da expressão corporal. Foto 15 - Aluna do jardim ll no piano É muito importante que a criança ouça música e cante em ocasiões variadas. Sempre que possível, é agradável tocar melodias suaves quando o grupo está repousando e outras mais animadas na área da expressão artística, durante o horário das atividades diversificadas. Com base nesses dados, é importante que o professor insira no cotidiano escolar diversas situações para o desenvolvimento das capacidades de a criança ouvir e perceber diferentes gêneros, estilos e ritmos musicais, cuidando para não 44 limitá-la somente ao contato com o repertório dito infantil ou com o repertório presente no rádio e na televisão. Além disso, o professor deve criar situações que oportunizem à criança brincar, perceber e expressar sensações, sentimentos e pensamentos em relação ao que a música comunica.. Considerando o aspecto da integração do trabalho musical às outras áreas, ressaltamos que, por meio da Música, podemos incentivar as crianças a terem contato direto e estreito com as demais linguagens expressivas.A música possibilidades,ainda,uma fonte de prazer e alegria. 45 4 CONCLUSÃO No decorrer desta pesquisa com ajuda de Smole e Kamii, descobri que a matemática está presente em nosso cotidiano. A matemática está muito além dos números. São as experiências pessoais que favorecem a elaboração de conhecimentos matemáticos e devem ser consideradas pelo educador. São atividades repetidas no ambiente escolar, numa perspectiva didática e pedagógica, que permite que a criança reconheça e utilize objetivamente conteúdos específicos. Abriu-se um novo caminho para que eu reconheça e identifique as características e habilidades de cada aluno. As atividades precisam ser adequadas as suas necessidades e propondo situações- problemas instigantes e desafiadoras, que levam a criança a ampliar seus conhecimentos com base naquilo que já sabe. Foto 16 Jardim ll - Escrita espontânea do nome 46 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARRIBAS, Teresa LLexa: Educação Infantil-desenvolvimento, currículo e Organização Escolar.Porto Alegre: Artmed, 2004. CERQUETTI-ABERKANT, F. e BERDONNEAU, C. O ensino da matemática na educação infantil. Porto Alegre: Artes médicas, 1997. DUHALDE, Maria Elena e CUBERES, Maria Teresa González: Encontros iniciais com a matemática: Contribuição à educação infantil. Porto alegre: Artes Médicas, 1998. FREIRE, Madalena. O Educador. São Paulo: Paz e Terra, 2008. KAMII, Constance. A criança e o número: implicações educacionais da teoria de Piaget para a atuação junto a escolares de 4 a 6 anos. São Paulo: Papiros, 1998. MIGUEZ, Fátima, Nas artes – Manhas do imaginário infantil: O lugar da literatura na sala de aula. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Zeus, 2003. SMOLE, Kátia Cristina Stocco. A matemática na educação infantil: a teoria das inteligências múltiplas na prática escolar. Porto Alegre: Artes médicas, 2000. SNYDERS, Georges. A escola pode ensinar as alegrias da música? 2. ed. São Paulo: Cortez, 1994.