1 A EDUCAÇÃO EM MATO GROSSO: POSSÍVEIS RETRATOS Maria Auxiliadora Marques Vasconcelos1 ([email protected]) RESUMO O presente texto destaca a educação no contexto do Estado de Mato Grosso, que pressupõe um panorama de significativas melhorias, em função do declínio das taxas de analfabetismo, expressivo aumento no número de matrículas e reflexos positivos no nível de escolaridade média da população. Nesta perspectiva, a expansão da oferta do ensino em Mato Grosso por um lado, produziu um processo de democratização ao incorporar elevada parcela da população ao sistema público de ensino, bem como, do avanço considerável do ensino fundamental com a passagem de oito para nove anos já instituídos no contexto escolar. Palavras-chave: Educação. Mato Grosso. Sistema Educacional. EDUCATION IN MATO GROSSO: POSSIBLE PICTURES ABSTRACT This paper highlights education in the context of the State of Mato Grosso, which presupposes an overview of significant improvements, according to the declining rates of illiteracy, a significant increase in enrollment and a positive impact on the level of schooling of the population. In this perspective, the expansion of education in Mato Grosso on one hand, produced a democratization process by incorporating a high proportion of the population to the public school system, as well as the considerable advancement of the school with the passage of eight to nine years already in place in the school context. Keywords: Education. Mato Grosso. Educational System. 1 Pedagoga. Mestre em Educação. Técnica da Área Instrumental –SEPLAN. Docente das Faculdades Integradas Mato-grossenses de Ciências Sociais e Humanas .Docente da rede pública municipal de Cuiabá/MT. 2 Introdução A educação é o princípio mais importante para o desenvolvimento de um estado e por isso vale refletir sobre o sentido da qualidade para educação, que pressupõe um julgamento de valor ou mérito, mas em todas as suas dimensões é um desafio. A educação básica (infantil, fundamental e médio) em Mato Grosso ganhou contornos muito diferentes nos anos passado e atual, principalmente período pós Constituição Federal de 1988. O panorama educacional em Mato Grosso, apesar de ter apresentado significativa melhoria com o declínio das taxas de analfabetismo, expressivo aumento no número de matrículas e reflexos positivos no nível de escolaridade média da população, ainda precisa vencer para superar as dificuldades no sentido da qualidade, além de que nenhuma política de educação tem a qualidade esperada. Neste cenário, as contingências que cercam a educação mato-grossense são múltiplas e os fatores que a determinam têm sido objeto de leis, políticas e programas nacionais. Nesta perspectiva, Mato Grosso tem evoluído com programas implantados no contexto escolar, porém, não é suficiente ainda para alcançar a excelência, além de que são observadas também as alterações conceituais que o ensino vem sofrendo nos últimos tempos. De qualquer maneira, a expansão da oferta do ensino em Mato Grosso por um lado, produziu um processo de democratização ao incorporar elevada parcela da população ao sistema público de ensino. Ou seja, o que caracteriza atualmente no contexto da educação no Estado é a oferta, o compromisso com a escolarização, a expansão do sistema dado o aumento de matrículas e a freqüência efetiva da criança à escola, principalmente no ensino fundamental. Nesse contexto, a rede pública é a maior responsável pela oferta de ensino no estado, em que pese o crescimento da rede privada. 3 Pressupõe-se também que essa melhoria no contexto educacional de Mato Grosso é determinada por variáveis que estão relacionadas às ofertas de vagas, entrada e permanência da criança na escola, currículos adequados, professores qualificados, entre outras, ainda que o direito à educação seja mais amplo que o direito à escola. Sob tal ótica, essa situação vem implicando em redução de taxas de analfabetismo no estado, bem como, uma forte escolarização, embora a situação do analfabetismo seja dada pela população mais velha, a ser ainda incorporada pelos programas de alfabetização de adultos (EJA) e da parcela jovem, ainda que menos significativa venha se privando da escolaridade. É interessante notar que a democratização do ensino no sentido ao acesso à escola na educação básica em Mato Grosso encontra-se num processo de consolidação de maneira significativa atingindo grande parte da população escolarizável, com aumento regular da escolaridade média e da freqüência escolar, em função do avanço considerável do ensino fundamental com a passagem de oito para nove anos. Pois, se trata de um crescimento na faixa obrigatória de escolarização de Brasil, conforme definição da Constituição Federal de 1988, bem como, da expansão de cobertura da educação infantil sob a esfera municipal após o seu reconhecimento na qualidade de atendimento educacional integrante do sistema de ensino. Mediante esta realidade, o efeito dessa mudança se faz notar na freqüência à escola, e a prioridade dada ao acesso das crianças de 6 a 14 anos que produziu uma significativa melhora na taxa de freqüência. Todavia, ao mesmo tempo, Mato Grosso enfrenta problemas no que tange à educação no âmbito restrito ao acesso para o ensino médio, essencialmente urbano, cuja população está na faixa etária de 15 a 17 anos ainda num patamar muito baixo. O que é possível considerar, um sistema que continua profundamente desigual com enormes diferenças quanto ao atendimento, havendo a 4 necessidade de fortes investimentos e políticas adequadas para ampliação do acesso para esse nível de ensino. Dentro desta perspectiva, que o estado possa expandir também a educação profissional. Visando enfrentar essa situação e buscando resgatar o papel da escola pública no ensino fundamental e médio em Mato Grosso, acrescenta-se a melhoria nos quadros de aprovação, reprovação e abandono/evasão (motivada muitas vezes por necessidade de trabalhar ou migração de famílias) apontam que são possibilidades de que a busca da qualidade no ensino tem conquistado importância, mas constituem-se, ainda, enormes desafios, que propõe ao gestor público o planejamento de políticas públicas de educação. Portanto, esse desafio somente terá resultado quando houver prioridades de investimentos, e que a universalização dos direitos educacionais não seja apenas vontade política. Entretanto, a defasagem escolar no estado de Mato Grosso tem repercussões em todo o sistema educacional, pois estar fora da idade correta acarreta sérios prejuízos e, em geral há um comprometimento da qualidade da aprendizagem resultando conseqüências para os alunos em sua trajetória escolar. Em função da expansão positiva da rede física escolar dentro de padrões capazes de colaborar para a melhoria das atividades de ensino aprendizagem, bem como, das matrículas na educação básica, em tempos atuais permitem caracterizar uma melhor performance do estado nas dimensões do processo de melhoria da qualidade e produtividade do ensino em face à demanda de vagas. No entanto, têm sido muito lentas as repercussões desse direcionamento político no contexto educacional, em relação às demandas existentes. Para atenuar os problemas educacionais do estado e com base na realidade observada, destaca-se no contexto atual, o Plano Estadual de Educação (PEE) em reestruturação e que devem partir os programas e projetos que constituirão a política de 5 educação em Mato Grosso nos próximos anos. O PEE contempla e estabelecem metas de atendimento com um conjunto de dezenove objetivos estratégicos e quarenta e cinco metas articuladas com as vinte metas estratégicas do Plano Nacional de Educação (PNE). Assim, a compreensão do sistema educacional configurado no estado de Mato Grosso poderá estar também sob um padrão de qualidade possível de ser incrementado. Retratos O Ministério da Educação ao desenvolver suas ações, toma como referência três principais diretrizes: 1ª. Democratização do acesso e garantia da permanência de crianças e jovens nas escolas brasileiras; 2ª. Democratização da gestão; 3ª. Construção da qualidade social da educação. Nesta perspectiva e no âmbito da qualidade da educação básica, as propostas de governo no estado já vêm se materializando e têm explicitado essas ações em seus planos. Além disso, observa-se que o estado melhorou relativamente, porém, é necessário que um sistema educacional enfrente os problemas que não são de responsabilidade apenas da escola. Nesse contexto, a mudança desse quadro é processual e deve ser também desenhada na elaboração do Plano Plurianual (PPA) em ações concretas para o fortalecimento dos diferentes níveis de ensino. Mato Grosso tem desenvolvido grande esforço de inclusão educacional principalmente o acesso à escola. Dentro desse processo, os resultados podem ser observados por meio das taxas de freqüência à escola e no crescente aumento da matrícula em todos os níveis de ensino. 6 A partir dessa ótica, destaca-se que o ensino fundamental foi o nível que mais cresceu no sistema educacional do estado, e, portanto, é reflexo da melhoria dos indicadores de fluxo escolar que tem forte impacto nos indicadores de distorção idadesérie. Nesta trajetória, inclui-se também a possível valorização do magistério, que passa, necessariamente, pela proposta de melhoria salarial e pelo resgate do prestígio social da profissão docente exercidas por profissionais com escolaridade superior. Entretanto, em tempos atuais, a melhoria das condições de oferta do sistema educacional em Mato Grosso exige, além da adequada escolarização do corpo docente, investimentos na infraestrutura dos estabelecimentos de ensino. Portanto, há que considerar também como fator positivo no contexto do sistema educacional do estado a inclusão de alunos portadores de necessidades especiais em classes comuns que passou a fazer parte do cotidiano de muitas escolas. Outro indicador importante no contexto da educação do estado está relacionado ao sistema de avaliação, elaborados em larga escala, com foco no rendimento do aluno e no desempenho dos sistemas de ensino, que são as avaliações externas como a Prova Brasil e o SAEB. Em Mato Grosso, ambos são considerados também ferramentas para entender os problemas e orientar soluções de teor educacional no contexto regional. Assim, a questão da avaliação externa insere-se num quadro de políticas educacionais que se caracteriza por ênfase, sobretudo na qualidade. Nesse sentido, o sistema de avaliação externa no estado é também extraído do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e da Prova Brasil, que são as referências para as avaliações promovidas por estados e municípios. Os dois exames, juntamente com as taxas de aprovação, servem como base para o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). 7 Com relação à Prova Brasil, Mato Grosso acompanha o processo natural do exame, que é anual, e elaborada com base nas propostas curriculares de alguns estados e municípios e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) Abrange estudantes das redes públicas e privadas localizadas em área rural e urbana, matriculados na 4ª e 8ª séries (ou 5º e 9º anos) do ensino fundamental e também no 3º ano do ensino médio. Assim, são aplicadas provas de Língua Portuguesa e Matemática, que têm caráter de orientar as ações pedagógicas e também vista como um subsídio para o planejamento do ensino. É considerado exame institucional de larga escala que descreve as competências e as habilidades que os alunos são capazes de demonstrar. Em Mato Grosso, os resultados alcançados no Índice Nacional do Desenvolvimento da Educação (IDEB) em 2009 comprovam alguns acertos nas políticas públicas de Educação desenvolvidas em Mato Grosso. Os índices registrados em 2009 para as fases iniciais (4,9) do Ensino Fundamental (4,2) e Médio (2,9) superam ou atingiram as metas projetadas para 2011. No Estado, mesmo com redução de um décimo na nota atingida em 2007, caindo de 3,0 para 2,9 em 2009, superou as perspectivas para 2009 (2,7) atingindo meta esperada apenas em 2011 (2,9). Outro ponto importante no sistema educacional do estado está relacionado ao de financiamento da educação, que representa em assegurar uma fonte estável de recursos para a educação e a adoção da autonomia financeira por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FUNDEB). Assim, a implantação do FUNDEB é elemento constitutivo que determina também a qualidade da educação no cotidiano escolar do estado de Mato Grosso. O setor de ensino superior em Mato Grosso passou por grandes mudanças nos últimos anos e houve grande aumento do número de alunos matriculados, especialmente na rede privada. Nesse contexto, o acesso ao ensino superior permanece como uma 8 questão atual da política educacional brasileira. A demanda por vagas é, sem dúvida, uma questão crucial no que concerne ao acesso ao ensino superior. Vale ressaltar que a demanda pelo ensino superior privado em nível de país como em Mato Grosso foi incentivada também por programas como o Financiamento Estudantil (FIES), criado pela Caixa Econômica Federal (CEF), em 1999, para financiar estudantes de ensino superior, e o Programa Universidade para Todos (ProUni), do Governo Federal, criado em 2004, cujo objetivo é conceder bolsas de estudo parciais e integrais para estudantes de Instituição de Ensino Superior (IES) privadas. Entretanto, não adianta ampliar o número de cursos e de vagas se o acesso ao ensino superior não for disponibilizado ao conjunto da sociedade brasileira e também mato-grossense. Em termos comparativos, Mato Grosso tem um sistema de ensino superior cada vez mais ascendente, e o setor privado vem crescendo muito fortemente nos últimos anos no estado. Nesse sentido, não é possível pensar no ensino privado como um setor homogêneo e, portanto, o status universitário traz muitas vantagens, entre as quais a liberdade para criar novos cursos e fixar o número de vagas oferecidas. Em síntese, um número relativamente significativo de IES no estado oferece o nível de ensino com uma parcela muito significativa das Instituições privadas. Porém, esta distribuição também está contemplada e disponível sob a responsabilidade da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) nos municípios do estado que oferece mais vagas ao ensino superior. Outro fator importante no contexto das IES é o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), criado em 1998, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), como fator preponderante nesse contexto, uma vez que possibilita a expansão do acesso. 9 Considerações Finais Uma política educacional deve ter como foco a valorização do pedagógico. No contexto de Mato Grosso, admite-se a necessidade de se investir no campo educacional propostas também que estejam vinculadas às questões colocadas e percebidas no cotidiano da escola e da região na qual a mesma está localizada. A política implementada pelo governo atual no estado de Mato Grosso se orienta pelas políticas educacionais elaboradas via governo federal, que em geral estão relacionadas à concepção da gestão do processo de ensino. Outro contexto nas políticas adotadas no estado está relacionado às medidas com foco voltado para o ensino fundamental na promoção do ensino público obrigatório e do acesso à escola, bem como, possibilitar as outras modalidades de ensino que estão indissociavelmente articuladas. Ao estabelecer um padrão em favor da educação básica, Mato Grosso busca a promoção de uma política de grande esforço governamental que já enfrenta e continuará enfrentando muitos desafios, ainda que seja preciso reconhecer algumas distorções no contexto regional. Em termos de investimentos, pressupõe-se que não há falta de recursos, pois o financiamento continua sendo o meio privilegiado de se assegurar a expansão e a qualidade do ensino público. Entretanto, o problema residiria tão somente no gerenciamento racional dos mesmos. Este pressuposto parte da possibilidade em resposta às necessidades de tornar a aprendizagem acessível e priorizar o ensino fundamental sem torná-lo foco exclusivo em detrimento dos outros níveis de ensino gerando distorções, por exemplo, entre a demanda e a oferta de vagas. 10 Em síntese, é necessário materializar intenções políticas em atitudes concretas para que o sistema educacional no estado possa fortalecer os diferentes níveis da educação e garantir padrões de qualidade social ao ensino público mato-grossense. Referências Bibliográficas BECKER, Fernando. Educação e construção do conhecimento. Porto Alegre, Artmed, 2001. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação? São Paulo: Brasiliense, ed.16ª, 1985. BRASIL. Constituição da república federativa do Brasil. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 1998. ____________ Ministério da Educação. Lei nº. 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996. 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