UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE AGRONOMIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DO SOLO OCORRÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DE BACTÉRIAS DIAZOTRÓFICAS ASSOCIADAS A CULTIVARES DE MILHO LUIZ FERNANDO WURDIG ROESCH Engenheiro-Agrônomo (UFRGS) Dissertação apresentada como um dos requisitos à obtenção do Grau de Mestre em Ciência do Solo Porto Alegre (RS) Brasil Fevereiro de 2003 Dedico em memória de Arnoldo Würdig (meu avô) AGRADECIMENTOS Aos Professores Flávio Camargo e Pedro Selbach, pela amizade confiança e orientação. Ao Departamento de Solos, à Faculdade de Agronomia e à UFRGS, pela formação proporcionada. Aos colegas, amigos e professores do Departamento de Solos, pela amizade e companheirismo. A CAPES pelo apoio financeiro. A minha família pelo afeto e carinho. À Ana Claudia, pela paciência, amor e dedicação. OCORRÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DE BACTÉRIAS DIAZOTRÓFICAS ASSOCIADAS A CULTIVARES DE MILHO1/ Autor: Luiz Fernando Wurdig Roesch Orientador: Prof. Flávio A. de Oliveira Camargo Co-orientador: Prof. Pedro Alberto Selbach RESUMO A utilização adequada dos recursos biológicos do solo e do potencial genético das plantas pode diminuir o consumo de fertilizantes nitrogenados na cultura do milho. Deste modo, este trabalho teve por objetivo avaliar a ocorrência e a distribuição de diazotróficos associados a cultivares de milho atualmente cultivado no Estado do Rio Grande do Sul. A atividade experimental foi realizada em três etapas, tendo a primeira etapa o objetivo de selecionar 32 cultivares de milho pela resposta à adubação nitrogenada. Este experimento foi conduzido em vasos e resultou na seleção de duas cultivares cujo desempenho foi avaliado em um experimento no campo (segunda etapa). A terceira etapa foi realizada em laboratório e visou determinar a contribuição dos isolados obtidos no experimento de campo quanto à fixação do nitrogênio e a produção de promotores de crescimento de plantas. Todas as cultivares testadas foram responsivas ao nitrogênio e estimularam a presença de diazotróficos no solo. As cultivares Santa Helena 8447 e Santa Rosa 3063 foram selecionadas para o experimento no campo pela menor e maior resposta a adubação nitrogenada, respectivamente. O rendimento de matéria seca e o teor de N no tecido das duas cultivares avaliadas foram afetados pela adubação nitrogenada porém a população de diazotróficos só foi afetada pela adubação nitrogenada no início do ciclo de desenvolvimento das plantas (r=0,76). Foi detectada a presença de bactérias do gênero Azospirillum, Herbaspirillum e Burkholderia e de forma geral, a distribuição destes microrganismos foi afetada pela adubação nitrogenada, pelas cultivares e pelo período de avaliação sendo que as raízes foram o sítio preferencial de colonização dos diazotróficos. A presença de bactérias diazotróficas associadas as duas cultivares de milho foi confirmada pelo isolamento de bactérias em meios específicos, pela quantificação do N2 fixado e pela produção de PCPs. Foram isolados duas espécies de Azospirillum (A. lipoferum e A. brasiliense) e Herbaspirillum e todos isolados fixaram nitrogênio e produziram PCPs "in vitro". 1/ Dissertação de Mestrado em Ciência do Solo. Faculdade de Agronomia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (78 p.) – Fevereiro, 2003. OCCURRENCE AND DISTRIBUTION OF DIAZOTROPHIC BACTERIA ASSOCIATED WITH MAIZE CULTIVARS1/ Author: Luiz Fernando Wurdig Roesch Advisers: Flávio A. de Oliveira. Camargo Pedro Alberto Selbach ABSTRACT The proper use of soil biologic resources and plant genetic potential can decrease the consumption of nitrogen fertilizers in maize fields. The aim of this work was to evaluate the occurrence and distribution of diazotrophs associated to maize cultivars growing in the Rio Grande do Sul, State. The study was carried out in three experiments. The first experiment had the objective of selecting 32 maize cultivars through the effect of nitrogen fertilizers. This experiment was conducted into flasks and was selected two cultivars, whose performance was evaluated at field experiment. The third experiment was carried at laboratory to determine the potential of field isolates for nitrogen fixation and production of plant growth promoting substances. All tested cultivars evaluated were affected by the nitrogen fertilizer and stimulated the presence of diazotrophs in the soil. Cultivars Santa Helena 8447 and Santa Rosa 3063 were selected for the field experiment by the smallest and highest effect of nitrogen fertilization, respectively. The dry matter and the N content in the plant tissue of the two cultivars were affected by the nitrogen fertilization. However, the population of diazotrophs was affected only in the beginning of the maize growth (r=0,76). The bacterial genuses of Azospirillum, Herbaspirillum and Burkholderia were detected and its distribution was affected by the addition of N, cultivars and period of evaluation. The plant roots were the preferable site for the diazotrophs colonization. The presence of diazotrophs associated to the maize cultivars was verified by the isolation of bacteria into the selective media and by the production of plant growth promoting substances. Two species of Azospirillum (A. lipoferum and A. brasiliense) and Herbaspirillum spp. were isolated and all isolates showed the ability to fix nitrogen and to produce plant growth promoting substances. 1/ M. Sc. Dissertation in Agriculture (Soils) - Faculdade de Agronomia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (69 p.) – February, 2003. SUMÁRIO Página 1. INTRODUÇÃO .................................................................................... 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .............................................................. 2.1 A cultura do milho no Estado do Rio Grande do Sul ..................... 2.2 Ocorrência de diazotróficos associados ao milho.......................... 2.3 Contribuição dos diazotróficos para a cultura do milho ................ 2.3.1 Fixação biológica de nitrogênio em plantas de milho........... 2.3.2 Produção de promotores de crescimento de plantas ........... 2.4 Especificidade hospedeira na associação diazotróficos gramíneas ..................................................................................... 3. MATERIAL E MÉTODOS ................................................................... 3.1 Seleção de cultivares de milho em vasos ..................................... 3.2 Avaliação da ocorrência e distribuição de diazotróficos em cultivares de milho no campo ....................................................... 3.3 Análise de solo, planta e diazotróficos .......................................... 3.3.1 Análise do nitrogênio mineral do solo................................... 3.3.2 Análise da matéria seca e do nitrogênio total das plantas.... 3.3.3 Análise do Número Mais Provável e isolamento das diazotróficos ......................................................................... 3.3.4 Análise dos isolados bacterianos.......................................... 3.3.4.1 Quantificação do N2 fixado ....................................... 3.3.4.2 Produção de substâncias promotoras de crescimento de plantas............................................ 3.4 Análise estatística.......................................................................... 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................... 4.1 Seleção de cultivares de milho em vasos ..................................... 4.1.1 Avaliação agronômica das cultivares ................................... 4.1.2 Avaliação da presença de diazotróficos ............................... 4.2 Avaliação das cultivares Santa Helena 8447 e Santa Rosa 3063 no campo ...................................................................................... 4.2.1 Avaliação agronômica das cultivares ................................... 01 04 04 07 11 11 12 14 17 17 20 22 22 23 23 26 26 27 28 29 29 29 35 38 38 4.2.2 Ocorrência e distribuição dos diazotróficos nas cultivares de milho................................................................................. 4.2.3 Relação entre a população de diazotróficos e N absorvido.. 4.3 Análise dos isolados bacterianos................................................... 4.3.1 Quantificação do N2 fixado.................................................... 4.3.2 Produção de substâncias promotoras de crescimento de plantas................................................................................... 5. CONCLUSÕES ................................................................................... 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................. 7. ANEXOS ............................................................................................. 7.1 Anexo 1: Meios de cultura e soluções utilizadas.......................... 7.2 Anexo 2: Tabela de McCrady para cálculo do Número mais provável (NMP) diazotróficas em contagem om três frascos por de bactérias diluição................................... 7.3 Anexo 3: Probabilidades calculadas para julgar a significância das diferenças entre tratamentos.................................. 7.4 Anexo 4: Nitrogênio mineral do solo aos 30, 55, 77 e 115 dias após a emergência das plantas de milho nos diferentes tratamentos................................................... 8. VITA .................................................................................................... 41 49 55 57 58 60 61 71 71 75 76 77 78 RELAÇÃO DE TABELAS Página Tabela 1. Ocorrência de diazotróficos em plantas de milho ................... 09 Tabela 2. Benefícios promovidos pela inoculação de diazotróficos em sementes ou plantas de milho ............................................... 13 Cultivar, tipo de cultivar e ciclo de desenvolvimento das plantas de milho avaliadas ..................................................... 19 Rendimento de matéria seca da parte aérea das cultivares de milho avaliadas aos 45 dias após a emergência ............... 30 Conteúdo de nitrogênio total no tecido da parte aérea das cultivares de milho avaliadas aos 45 dias após a emergência 32 Razão entre as médias do rendimento de matéria seca e do nitrogênio total dos tratamentos T1/T2 e T1/T3 das cultivares de milho avaliadas.................................................................... 34 Meios de cultura NFb e JNFb com formação de película (+) ou sem formação de película (-) inoculados com suspensão de solo coletado após o cultivo (45 dias após a emergência) das cultivares de milho avaliadas ............................................ 36 Rendimento de matéria seca e conteúdo de nitrogênio no tecido da parte aérea, rendimento de grãos e teor de nitrogênio nos grãos das cultivares de milho avaliadas com e sem adubação nitrogenada (200 kg ha-1 de uréia) ................. 39 Isolados das cultivares Santa Helena 8447 e Santa Rosa 3063 em diferentes locais, N total fixado, N excretado e produção de auxinas................................................................ 56 Tabela 3. Tabela 4. Tabela 5. Tabela 6. Tabela 7. Tabela 8. Tabela 9. RELAÇÃO DE FIGURAS Página Figura 1. Figura 2. Figura 3. Figura 4. Figura 5. Número mais provável (NMP) da população de diazotróficos totais presentes no solo, raízes e colmo das cultivares Santa Helena 8447 e Santa Rosa 3063 sem aplicação de nitrogênio (A) e com aplicação de nitrogênio (B)..................... 43 Distribuição da população de diazotróficos presentes no solo, raízes e colmo das cultivares Santa Helena 8447 (A) e Santa Rosa 3063 (B) aos 30, 55, 77 e 115 dias após a emergência sem aplicação de nitrogênio ................................ 45 Distribuição da população de diazotróficos presentes no solo, raízes e colmo das cultivares Santa Helena 8447 (A) e Santa Rosa 3063 (B) aos 30, 55, 77 e 115 dias após a emergência com aplicação de nitrogênio ................................ 47 Relação entre o NMP da população total de diazotróficos presentes no solo, raízes e colmo e a absorção de nitrogênio nas cultivares Santa Helena 8447 (A) e Santa Rosa 3063 (B) sem aplicação de nitrogênio .................................................... 50 Relação entre o NMP da população total de diazotróficos presentes no solo, raízes e colmo e a absorção de nitrogênio das cultivares Santa Helena 8447 (A) e Santa Rosa 3063 (B) com aplicação de nitrogênio ........................... 52 RELAÇÃO DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS cm cmol c L-1 g ºC h kg kg ha-1 L m m2 µg mL-1 µm mL mg L -1 mm min. mol L-1 nm % centímetros centimol de carga por litro grama grau Celcius hora kilograma kilogramas por hectare litro metro metro quadrado micrograma por mililitro micrometro miligrama miligramas por litro milímetro minuto mol por litro nanometro percentagem 1. INTRODUÇÃO O milho é uma das principais culturas de importância econômica para o Estado do Rio Grande do Sul. É cultivado em aproximadamente 1,5 milhões de hectares, ocupando quase todas as regiões e sub-regiões agroecológicas do Estado. Segundo estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgada pelo IBGE (IBGE, 2002), o Estado foi o segundo maior produtor de milho do Brasil (14,51 % da produção nacional). Os custos médios totais de produção no ano de 2001, para uma produtividade de 4.500 kg ha-1, foram de US$ 355,27 por hectare e de US$ 4,74 por saca de 60 kg (Fecotrigo- FecoAgro, 2002), sendo que o custo da adubação nitrogenada corresponde aproximadamente a US$ 149,21 por hectare e US$ 1,99 por saca de 60 kg. Além do alto custo, a adubação nitrogenada repassa danos ao ambiente com poluição de aqüíferos e uso de recursos energéticos não renováveis, com sérias implicâncias à sustentabilidade do agro-ecossistema. Uma das possibilidades para diminuir o consumo de fertilizantes nitrogenados para a cultura do milho é a utilização dos recursos biológicos do solo e do potencial genético das plantas. Destaca-se no solo a presença de bactérias diazotróficas que podem associar-se à cultura do milho para fixar nitrogênio (N2) e/ou produzir substâncias promotoras de crescimento de plantas (PCPs). Estes microrganismos podem utilizar energia proveniente de carboidratos fornecidos pelas plantas para reduzir o nitrogênio atmosférico (N2) a amônia (NH3). O nitrogênio fixado pode ser disponibilizado às plantas através da excreção microrganismos. de A NH3 ou habilidade pela dos mineralização diazotróficos após em a morte produzir destes PCPs é considerada como um dos fatores de maior importância para a fertilidade do solo. A maioria dos diazotróficos associados a gramíneas pode sintetizar e excretar PCPs, que são compostos orgânicos bioativos que influenciam os processos fisiológicos das plantas em baixas concentrações. Entre os principais PCPs sintetizados pelos diazotróficos, destacam -se as auxinas, que são hormônios responsáveis pelo aumento da área de absorção radicular e pelo desenvolvimento da planta pela alongação e proliferação das raízes secundárias. De modo geral, tem-se observado que os diazotróficos associados a gramíneas conseguem se ajustar e colonizar um ambiente específico, heterogêneo e variável, como a rizosfera. Este ajuste pode variar em função da diversidade genética da população e das condições edafoclimáticas da região, e quanto maior a variabilidade genética da população, maior o ajuste ao ambiente. Os diazotróficos apresentam relações específicas na infecção de raízes de gramíneas, sendo o grau de especificidade variável em função do genótipo da planta, dos fatores abióticos do meio e da interação com a biota do solo. O resultado da interação diazotrófico-gramínea, em termos de potencialidade agronômica como fixadores de nitrogênio atmosférico ou como promotores de crescimento, depende desse grau de especificidade. Para a potencialização desta relação, devem ser considerados fatores bióticos, como o genótipo da planta e a comunidade microbiana do solo. Deste modo, é necessária a seleção adequada de plantas e de diazotróficos eficientes para obter o máximo rendimento através da inoculação. Para tanto, é preciso avaliar diferentes genótipos de milho, em relação à resposta à adubação nitrogenada e à associação com diazotróficos específicos. Já que a menor resposta a aplicação de nitrogênio pode estar relacionada ao suprimento deste nutriente à planta através da fixação biológica, mediada por bactérias diazotróficas associadas ao milho. Deste modo, o presente estudo objetivou avaliar a ocorrência e a distribuição de bactérias diazotróficas associadas a cultivares de milho atualmente cultivadas no Estado. 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1. A cultura do milho no Estado do Rio Grande do Sul O milho destaca-se como uma das principais culturas de interesse econômico para o Estado do Rio Grande do Sul. Desempenha função importante na alimentação humana e animal, principalmente na composição de rações de suínos e aves. O milho pode ser cultivado sem restrições na maioria das regiões e sub-regiões agroecológicas do Estado, variando apenas a época de semeadura (RGS / SAA, 1994). Esta situação edafoclimática favorável ao cultivo e a grande capacidade de adaptação da cultura, faz do RS o segundo maior produtor nacional de milho, tanto em área, como em produção de grãos (IBGE, 2002). No ano agrícola 2001 / 2002 a área total cultivada na primeira safra foi aproximadamente 1,40 milhões de hectares (15,11% da área nacional) e na segunda safra (“safrinha”) a área cultivada foi de 1,38 milhões de hectares (15,20% da área nacional) (IBGE, 2002). A produção total de grãos foi de 4,30 milhões de toneladas, com um rendimento médio por hectare de 3.106 kg. A pesar do rendimento médio ter sido inferior em 5% ao da média nacional, o RS contribuiu com 14,51% da produção nacional de grãos. Atualmente, são utilizados no RS dois tipos de cultivares: as variedades e os híbridos. Uma variedade de milho é um conjunto de plantas com características comuns, sendo um material geneticamente estável e que, por essa razão, com os devidos cuidados, a sua multiplicação pode ser reutilizada sem perda de seu potencial produtivo. Os híbridos disponíveis no mercado e recomendados pela pesquisa são de três tipos: híbrido simples (ou modificado), híbrido duplo e híbrido triplo. O híbrido simples é obtido pelo cruzamento de duas linhagens endogâmicas. Em geral, é mais produtivo que os demais tipos de híbridos, apresentando grande uniformidade de plantas e espigas. A semente tem maior custo de produção, porque é produzida a partir de linhagens, que, por serem endógamas, apresentam menor produção. O híbrido simples modificado é obtido utilizando-se como progenitor feminino um híbrido entre duas progênies afins da mesma linhagem e, como progenitor masculino, uma outra linhagem. O híbrido duplo é obtido pelo cruzamento de dois híbridos simples, envolvendo, portanto, quatro linhagens endogâmicas e o híbrido triplo é obtido do cruzamento de um híbrido simples com uma terceira linhagem (Miranda & Viegas, 1987). Com relação ao ciclo, as cultivares são classificadas em normais, semiprecoces, precoces e superprecoces. As cultivares normais apresentam exigências térmicas correspondentes a 890-1200 graus-dia (G.D.), as precoces, de 831 a 890, e as superprecoces, de 780 a 830 G.D. Essas exigências calóricas se referem ao comprimento das fases fenológicas, compreendidas entre a emergência e o início da polinização (Fancelli & Dourado - Neto, 1997). De acordo com os resultados obtidos em experimentos no campo, coordenados pela FEPAGRO (Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária), foram indicados pela pesquisa oficial safra 2002 / 2003, 104 cultivares de milho híbrido, 14 variedades de polinização aberta e 6 milhos especiais (3 milho pipoca e 3 milho doce), totalizando 124 híbridos e variedades recomendadas (EMATER / RS, 2002). Entre os híbridos de ciclo precoce foram recomendadas 57 cultivares, sendo 19 híbridos simples e híbridos simples modificados, 19 híbridos duplos e 19 híbridos triplos. Foram recomendadas 36 cultivares de ciclo superprecoce (14 híbridos simples e híbridos simples modificados, 7 híbridos duplos e 15 híbridos triplos) e 11 cultivares de ciclo normal (1 híbrido simples, 4 híbridos duplos e 6 híbridos triplos). A cultura do milho apresenta alta resposta à adubação nitrogenada e, no atual sistema de cultivo, são utilizados até 160 kg ha-1 de N para um rendimento igual ou superior a 6 toneladas por hectare (ROLAS, 1995). Os programas de melhoramento de milho estão baseados na seleção de germoplasma e métodos de melhoramento (seleção recorrente, hibridação, retrocruzamento, mutação e outros). São poucos os programas de seleção que visam eficiência no uso do N. A maioria dos programas tradicionais de melhoramento genético efetua a seleção em condições ótimas, uma vez que a variação ambiental reduz a herdabilidade do caráter produção. Geralmente, os baixos níveis de N contribuem para seleção de genótipos eficientes na FBN (Boddey et al., 1995). O grande interesse pela fixação de nitrogênio em milho é justificado pelo fato desta gramínea possuir um sistema fotossintético capaz de aproveitar melhor a alta intensidade luminosa existente nos trópicos (plantas C4) e apresentar um sistema radicular fasciculado, que, geometricamente, apresenta vantagens sobre o sistema pivotante das leguminosas para extrair água e nutrientes do solo. Deste modo, mesmo que apenas uma pequena parte do nitrogênio pudesse ser fornecida pela associaç ão com bactérias fixadoras de N2, a economia global em adubos nitrogenados seria significativa, igual ou superior à obtida com as leguminosas, que podem ser auto-suficientes em N (Paul & Clark, 1996). 2.2. Ocorrência de bactérias diazotróficas associadas ao milho Bactérias diazotróficas são microrganismos capazes de realizar a conversão enzimática do nitrogênio gasoso (N2) a formas acessíveis aos demais eucariotos (NH3, etc.). Esses microrganismos podem associar-se a rizosfera de gramíneas (associativos) ou até mesmo colonizar o interior dos tecidos das mesmas (endofíticos) (Baldani et al., 1997). Além da FBN, alguns desses microrganismos também possuem a capacidade de promover o crescimento vegetal através da solubilização de fosfatos minerais ou outros nutrientes do solo e produzem, ou alteram, a concentração de hormônios vegetais, como o ácido indol acético, ácido giberélico, citocininas e etileno. Por essas características, essas bactérias foram coletivamente chamadas de rizobactérias promotoras de crescimento de plantas (Cattelan, 1999). A associação de bactérias diazotróficas a gramíneas não exibe modificação morfológica, conforme se observa na interação entre bactérias diazotróficas do gênero Rizóbio e as raízes das plantas leguminosas. Os diazotróficos que habitam a rizosfera e a superfície das raízes utilizam os exudatos radiculares, secreções e lisados como fonte de carbono para fixação de N2 e os números populacionais destes microrganismos podem variar de acordo com as condições ambientais (Bakker et al., 1987; Chanway & Holl, 1994). A capacidade dos endofíticos de colonizar o interior do tecido das plantas, representa uma vantagem em relação aos associativos na utilização de substratos. Possivelmente, com fontes de carbono mais prontamente disponíveis os problemas de competição com não diazotróficos podem ser reduzidos (Olivares et al., 1997). Além disso, a colonização endofítica promove proteção às variações ambientais e as elevadas concentrações de oxigênio (O2), inibidoras da atividade da nitrogenase. Os principais diazotróficos capazes de se associar com plantas de milho são de ocorrência ampla e variada no ambiente e na planta (Tabela 1). As espécies mais estudadas são Azospirillum lipoferum e A. brasiliense. Elas ocorrem em grande abundância no solo, rizosfera e interior dos tecidos de plantas de milho. Devido a sua ocorrência generalizada, tanto na superfície, como no interior das plantas, são classificadas como bactérias endofíticas facultativas ou rizosféricas. Algumas estirpes são capazes de colonizar apenas a superfície das raízes, enquanto outras podem colonizar o interior das mesmas (Baldani et al., 1987). Azospirillum é uma bactéria aeróbia Gram -negativa, que possui grande versatilidade na utilização de fontes de carbono e de nitrogênio, o que permite sua adaptação ao ambiente competitivo da rizosfera. Em condições adversas, tais como dessecação e limitação de nutrientes, esses microrganismos podem formar cistos, facilitando a sobrevivência em condições desfavoráveis (Lamm & Neyra, 1981; Sadasivan & Neira, 1987). Além de mudanças morfológicas, sob condições de estresse, as bactérias desse gênero podem aumentar a produção de polissacarídeos, que servem de fonte de carbono e energia (Tal et al, 1985). Estudos sobre a resposta de A. amazonense em ensaios de inoculação são menos freqüentes. Esta espécie foi inicialmente isolada de gramíneas forrageiras da região Amazônica (Magalhães, 1983), mas detectada em alto número em solo, rizosfera e raízes de milho (Baldani, 1984). já foi TABELA 1. Ocorrência de diazotróficos em plantas de milho. Bactéria Azospirillum brasilense Parte da planta Referência: Solo, Raízes Baldani & Döbereiner, Seiva 1980 Interior de Raízes Marriel, 1996 Garcia de Salomone & Döbereiner, 1996 Azospirillum lipoferum Solo, Raízes Baldani & Döbereiner, Seiva 1980 Superfície e interior de Marriel, 1997 raízes Garcia de Salomone & Döbereiner, 1996 Azospirillum Solo, Rizosfera e amazonense Raízes Solo, superfície e Herbaspirillum interior de raízes seropedicae Superfície e interior de Baldani, 1984 Baldani et al., 1986 Olivares et al., 1996 raízes Burkholderia spp. Rizosfera e raízes Bevivino et al., 1998 Solo Pallud et al., 2001 A. amazonense pode ser isolado em meio de cultura semi-sólido contendo sacarose como fonte de carbono, enquanto que A. lipoferum e A. brasiliense são isolados em meio de cultura contendo malato como fonte de carbono. Com relação à morfologia celular, A. brasiliense apresenta a forma de bastonetes curvos e móveis, com 1 µm de espessura por 3 a 5 µm de comprimento em meio de cultura semi-sólido A. lipoferum apresenta células semelhantes a A. brasiliense, porém quando a colônia entra em faze de senescência, as células tornam-se pleiomórficas e imóveis, podendo chegar a 10 µm de comprimento e 3 a 5 µm de espessura (Döbereiner et al., 1995). A espécie A. amazonense apresenta a mesma morfologia celular de A. brasiliense, porém possui tamanho de 0,9 µm de espessura por 3 a 4 µm de comprimento em meio de cultura semi-sólido. O gênero Herbaspirillum apresenta uma distribuição ecológica mais restrita, a exceção de H. seropedicae, que tem sido isolada do solo, superfície e interior de plantas de milho e outras gramíneas e cereais cultivados no Brasil (Tabela 1). As bactérias deste gênero são classificadas como endofíticas obrigatórias (James & Olivares, 1997), porém assim como ocorre com o gênero Azospirillum, existem relatos da ocorrência de H. seropedicae no solo (Baldani et al., 1986), o que sugere que este diazotrófico não coloniza obrigatoriamente o interior dos tecidos das plantas. Por outro lado, James & Olivares (1997) sugerem que o isolamento de Herbaspirillum em solo ocorreu devido à contaminação por raízes ou pêlos radiculares no solo examinado. Essas bactérias são Gram-negativas e, em meio de cultura semi-sólido, apresentam células na forma de bastão com 0,6 a 0,7 µm de espessura por 3 a 5 µm de comprimento. Em geral, são curvadas, mostrando movimento espiralóide quando próximas a bolhas de ar (Döbereiner et al., 1995). Utilizam como fonte de carbono ácido dicarboxílico, gluconato, glicose ou manitol e podem se multiplicar em pH entre 5,3 a 8,0. O gênero Burkholderia ocorre naturalmente na rizosfera de milho, raízes, folhas e colmos de arroz (Baldani, 1996) ou saprofiticamente no solo (Sonthayanon et al., 2002). Esta bactéria Gram-negativa tem como principal fonte de carbono o manitol e apresenta multiplicação ótima em meio de cultura semi-sólido, com pH entre 4,5 e 5,0. Além de relatos da FBN e produção de promotores de crescimento vegetal, existem relatos de antagonismo a Fusarium spp. em milho (Bevivino et al., 1998) que demonstram a possibilidade da utilização de Burkholderia como agente no controle biológico dessa cultura. Por outro lado, algumas espécies desse gênero podem ser patogênicas, como B. pseudomallei, causadora de meloidose, doença endêmica do sul da Ásia e norte da Austrália (Sonthayanon et al., 2002). 2.3 Contribuição dos diazotróficos para cultura do milho. 2.3.1 Fixação Biológica do Nitrogênio em plantas de milho O aumento no rendimento de cereais devido à incorporação de nitrogênio atmosférico via FBN já foi comprovado (Döbereiner et al., 1993). Estudos recentes têm evidenciado a fixação biológica do nitrogênio em algumas das principais culturas de interesse agronômico. Através de técnicas, como a diluição do isótopo 15 N e abundância natural de 15 N, têm-se detectado aumentos no conteúdo de N através da fixação do N2, demonstrada pela presença do isótopo em baixas concentrações no interior do tecido das plantas (James, 2000). Malik et al. (1993) utilizando 15 N constataram que cerca de 47% do nitrogênio absorvido pelas plantas de trigo e arroz foi obtido através da FBN, incrementada pela inoculação de um isolado de Azospirillum. Similarmente, Ladha et al. (1998) relataram que a FBN em arroz pode ser um fator significante no incremento de N para o crescimento das plantas. Em estudos com 70 genótipos de arroz, Shrestha & Ladha (1996) obtiveram valores de 0 a 20,2% de N2 fixado biologicamente. A fixação biológica do nitrogênio também foi detectada em plantas de trigo (Rennie et al., 1983) e gramíneas forrageiras (De Polli et al., 1977), através de estudos do balanço de N. Através da técnica da redução do acetileno, Kefalogianni et al. (1994) comprovaram a atividade da enzima nitrogenase no interior e na superfície das raízes de trigo, cevada e aveia. Esses autores atribuiram a atividade da enzima nitrogenase à presença de bactérias diazotróficas do gênero Azospirillum que foram posteriormente isoladas. A maioria dos estudos com balanço de N realizados no Brasil utilizaram variedades de cana-de-açúcar (Urquiaga et al., 1992; Boddey et al., 1995, 1999; Yoneyama et al., 1997; Lima et al., 1987). Verificou-se que a quantidade de N fixado era variável e dependente do genótipo das plantas e das condições do ambiente. Todavia, algumas estimativas atribuíram cerca de até 70% de absorção de N proveniente da FBN em algumas variedades de cana-de-açúcar adaptadas e sugeriu-se que Gluconacetobacter diazotrophicus era o principal microrganismo responsável pela FBN em cana-de-açúcar (Boddey et al., 1995). São poucos os estudos que evidenciem a FBN em milho. Porém, a incorporação de nitrogênio atmosférico observada, através da abundância natural de 15 N e da técnica da redução do acetileno, também tem sido demonstrada em milho (Boddey, 1987; Alexander & Zuberer, 1989). Utilizando N marcado, Garcia de Salomone et al. (1996) relataram que variedades de milho cultivadas em vasos a céu aberto fixaram cerca de 58% do seu requerimento de N quando inoculadas com Azospirillum spp. Os autores demonstraram que bactérias do gênero Azospirillum isoladas das raízes do milho podem ser os principais microrganismos envolvidos no processo da fixação biológica do nitrogênio nessa gramínea. 2.3.2 Produção de promotores de crescimento de plantas A maioria das bactérias diazotróficas associados a gramíneas pode produzir hormônios, chamados comumente de promotores de crescimento de plantas (PCPs). Estes compostos orgânicos são responsáveis pelo aumento da área de absorção radicular, aumento do acúmulo de biomassa entre outros efeitos que podem aumentar o desenvolvimento da planta. Entre os diazotróficos produtores de PCPs destacam-se Azospirillum lipoferum, A. brasiliense e Azotobacter spp (Asghar, 2002b). Os benefícios promovidos pela inoculação de sementes de milho “in vitro” ou em vasos já foram demonstrados por diversos autores (Tabela 2). A produção de PCPs pode estimular o aumento do peso da radícula e da altura da plântula de sementes de milho germinadas em placa de Petri (Javed et al., 1998), ou contribuir com incrementos de até 68% e 33% no comprimento e no peso das raízes, respectivamente (Zahir et al., 2000). Entretanto, experimentos conduzidos no campo nem sempre têm apresentado resultados significativos. Chen et al. (1994) reportaram que a inoculação de diazotróficos produtores de substâncias promotoras de crescimento de plantas foi pouco eficaz quando os microrganismos foram inoculados em uma área geograficamente distinta da área de origem do isolado. A variação na resposta a inoculação de rizobactérias produtoras de substâncias promotoras de crescimento de plantas em diferentes tipos de solo e cultivar, também foi relatada por Chanway et al. (1988). Fallik & Okon (1988) relataram que a inoculação de Azospirillum não causou efeito significativo no aumento do comprimento das raízes quando inoculado em composto contendo argila e mais que 1% de matéria orgânica. A especificidade hospedeira na associação TABELA 2. Benefícios promovidos pela inoculação de diazotróficos em sementes ou plantas de milho. Condição Benefícios Placas de Petri Referência Estímulo à germinação. Hussain & Vancura, 1970 Vasos em casa de Aumento da superfície radicular, a partir da Fallik et al., 1989 vegetação segunda semana após a emergência. “In vitro” Produção de 10,5 a 39,0 µg mL-1 de AIA. Mansour et al., 1994 Placas de Petri Aumento no peso da radícula (68,4%) e altura Javed et al., 1998 de plântula (42,2%). Vasos em casa de Aumento no comprimento (68,3%) e peso da vegetação radícula (33,8%). Vasos em casa de Aumento no comprimento (25%) e no peso vegetação das raízes (10,6%). Vasos em casa de Aumento no peso e comprimento de raízes Zahir et al., 2000 Zahir et al., 2000 Thuar et al., 2000 vegetação dos diazotróficos com o milho pode ser um dos principais fatores que influenciam negativamente na inoculação. 2.4 Especificidade hospedeira na associação diazotróficos gramíneas De modo geral, tem-se observado que os diazotróficos associados a gramíneas conseguem se ajustar a um ambiente específico, heterogêneo e variável, como a rizosfera. Este ajuste é dependente da diversidade genética da população, pois quanto maior a variabilidade, maior o ajuste ao ambiente. Através da quantificação da atividade da nitrogenase, Han & New (1998) observaram que diferentes linhagens, isoladas de solos de sete regiões geográficas da Austrália, apresentaram uma ampla variação na redução do nitrogênio molecular à amônia. Essa grande diversidade é também estendida para organismos do mesmo gênero e mesmo em linhagens de uma mesma espécie, cultivados em condições ambientais diferentes. A maioria dos diazotróficos listados na tabela 1 pode ocorrer associado a outras gramíneas e cereais além do milho. No entanto, estudos de inoculação revelaram que existe uma estreita afinidade entre estirpes e cultivares (Baldani & Döbereiner, 1980; Penot et al., 1992). Os efeitos da inoculação com Azospirillum em milho foram relatados em vários trabalhos de pesquisa. Para Azospirillum brasiliense tem sido verificado incrementos de 6 a 63% na produção de milho, ao passo que a inoculação com A. lipoferum resultou em incrementos de até 100% (Baldani et al., 1999). Grande parte desta variação se deve à inoculação de estirpes que não são isoladas da mesma planta que está sendo inoculada (inoculação heteróloga). Em sua maioria, a estirpe Cd, isolada de Cynodon dactilon, e Sp7, isolada de Digitaria decumbens, foram as mais utilizadas. Fulchieri & Frioni (1994), estudando o efeito da inoculação de Azospirillum lipoferum e A. brasiliense (isolados de plantas de milho) em vasos (cultivar de milho híbrido Cargil 155) na Argentina, constataram que os tratamentos inoculados obtiveram resposta similar ao tratamento com aplicação de 60 kg de uréia ha-1. Neste estudo, a utilização de uma estirpe isolada da mesma planta inoculada e as condições ambientais controladas podem ter influenciado na resposta positiva à inoculação. A maioria dos experimentos de inoculação em plantas de milho desenvolvidos sob condições controladas obteve incrementos significativos na produção. Em experimento em vasos, Tilak et al. (1982) obtiveram incrementos significativos no peso da matéria seca da variedade de milho “Ganga” inoculada com um inoculante misto de Azospirillum brasiliense e Azotobacter chroococcum. Fallik & Okon (1996) relataram que houve aumento significativo no peso de espigas e no peso dos grãos de milho da cultivar “Hazera- 224” através da inoculação de A. brasiliense em vasos. Entretanto, em experimentos de campo o incremento na produção de grãos, conteúdo de N ou produção de matéria seca, nem sempre tem sido significativo. Em um levantamento de experimentos de inoculação no campo em diversos países e com culturas de importância agrícola, Okon & Labandera-Gonzalez (1994) verificaram que somente 5 a 30% dos experimentos apresentaram respostas positivas e estatisticamente significativas. A variabilidade na resposta da inoculação em experimentos de campo pode ser atribuída a uma série de fatores. Segundo Baldani et al. (1999), a estirpe utilizada, o estádio fisiológico da bactéria, genótipo da planta, o veículo de inoculação e fatores abióticos podem influenciar nos resultados. Os resultados da pesquisa com inoculação a campo não tem sido muito animadores, principalmente devido à falta de reprodutibilidade dos dados obtidos e das diferenças de incremento na produção encontradas, que podem variar em média de 20 a 30% (Baldani et al., 1999). Experimentos no campo, que investigam o efeito da inoculação de diazotróficos em gramíneas têm demonstrado dificuldade em predizer a resposta da planta à inoculação. Este fato sugere que a interação diazotrófico - gramínea é complexa e instável, podendo variar significativamente em função do genótipo da planta e da bactéria (Belimov et al., 1995). A falta de resposta à inoculação da maioria dos experimentos devese ao fato de que os múltiplos fatores do ambiente, tanto bióticos como abióticos, que afetam a relação, não estão sendo considerados. Critérios de seleção demonstrados na literatura deverão ser mais bem definidos. Com isso, fatores abióticos, como as características de solo e clima, e fatores bióticos, como o genótipo da planta e a comunidade microbiana do solo, deverão ser considerados para especificidade hospedeira e a viabilização da interação. 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1 Delineamento experimental e avaliações A atividade experimental foi realizada em três etapas, tendo a primeira etapa o objetivo de selecionar cultivares de milho, cultivadas no Estado do Rio Grande do Sul, pela menor resposta a adubação nitrogenada. Este experimento foi conduzido em vasos e resultou na seleção de duas cultivares de milho cujo desempenho foi avaliado em um experimento de campo (segunda etapa). A terceira etapa foi realizada em laboratório e visou determinar a contribuição dos isolados obtidos no experimento de campo quanto a fixação do nitrogênio e a produção de promotores de crescimento vegetal. 3.1.1 Experimento em vasos Foi instalado um experimento em vasos (2 L) onde foram avaliadas 32 cultivares de milho com diferentes tipos de cultivares e de ciclo (Tabela 1), atualmente cultivadas no Estado do Rio Grande do Sul. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com três repetições e os tratamentos foram os seguintes: T1- testemunha sem adubação nitrogenada; T2- 50% da dose recomendada de nitrogênio (100 Kg de N ha-1) e T3- 100% da dose recomendada de nitrogênio (200 Kg de N ha-1). Foi utilizado no experimento, o horizonte superficial de um solo peneirado (malha 100 mm) e seco ao ar. Este solo foi classificado como Argissolo Vermelho-Amarelo distrófico arênico (Embrapa, 1999) com pH (H2O) 5,0 e continha: 13% de argila; 0,5% de matéria orgânica; 2,9 mg.L-1 de fósforo trocável; 19 mg.L-1 de potássio trocável; 0,2 cmolc.L-1 de alumínio trocável; 0,5 cmol c.L-1 de cálcio trocável, 0,3 cmol c.L-1 de magnésio trocável, 1,6 cmolc.L-1 de alumínio + hidrogênio, 2,4 cmolc.L-1 de capacidade de troca de cátions e 35% de saturação de bases. A adubação foi realizada através da adição de solução nutritiva, de acordo com a análise do solo e a recomendação de Adubação e Calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (Comissão de Fertilidade do Solo – RS/SC, 1995). correspondentes a 48 kg ha Foram -1 aplicados fertilizantes -1 de P2O5, 108 kg ha em quantidades de K2O e 200 kg ha-1 de nitrogênio (para os tratamentos onde foi aplicado 100% da dose recomendada) e 100 kg ha-1 de nitrogênio (para os tratamentos onde foi aplicado 50% da dose recomendada). Foram semeadas 10 sementes de cada cultivar por vaso e 5 dias após a emergência foi feito o desbaste mantendo-se 2 plantas por vaso. As plantas foram cultivadas ao ar livre e irrigadas diariamente, mantendo-se o solo a 80% da capacidade de campo. Aos 45 dias após a emergência foi efetuada a colheita da parte aérea das plantas de todos os tratamentos e o solo do tratamento 1 foi amostrado para a detecção de diazotróficos no solo antes e após o cultivo. A matéria vegetal seca foi pesada e analisada quanto ao conteúdo de nitrogênio total. A seleção das cultivares foi baseada no peso da matéria seca e no nitrogênio total da parte aérea das plantas, utilizando-se como critério, a razão entre a média das repetições do tratamento 1 e a média das repetições dos tratamentos 2 e 3 (T1/T2 e T1/T3). Desta forma, razões com valor próximo a zero indicaram dissimilaridade entre os tratamentos, demonstrando que a cultivar não era apta para associar-se a microrganismos diazotróficos. Razões com valor próximo a 1 indicaram similaridade entre os tratamentos e uma maior aptidão da variedade para associar-se aos diazotróficos. Através deste critério foram selecionadas para o experimento no campo, duas cultivares pela máxima e mínima resposta a adubação nitrogenada. TABELA 3. Cultivar, tipo de cultivar e ciclo de desenvolvimento das plantas de milho avaliadas. Cultivar Tipo de Cultivar Ciclo Taquarão Polinização aberta Normal Nitroflint Polinização aberta Precoce Pop. LM 9275 Polinização aberta Normal Pop. Assis Brasil Polinização aberta Normal RS 20 Polinização aberta Normal Pop. Charrua Polinização aberta Normal Vencedor AL 25 Polinização aberta Precoce CEP 304 /Fundacep Polinização aberta Precoce NB 3047 Híbrido simples Precoce Milho Doce / Agristar Híbrido simples Precoce Agroceres 1225 Híbrido simples Normal Santa Rosa 3063 Híbrido simples Precoce Santa Rosa 3081 Híbrido simples Precoce Pioneer 3041 Híbrido simples Precoce Pioneer 3069 Híbrido simples Superprecoce Pioneer 30K75 Híbrido simples Semiprecoce Pioneer 30F88 Híbrido simples Semiprecoce Pioneer 30F80 Híbrido simples Semiprecoce Pioneer 30F33 Híbrido simples Precoce Pioneer 3072 Híbrido simples Superprecoce Pioneer 30R07 Híbrido simples Precoce Pioneer 32R21 Híbrido simples Superprecoce AS 523 / Agroeste Híbrido Duplo Precoce Cargil 929 Híbrido Duplo Superprecoce SH 40-40 / Santa Helena Híbrido Duplo Precoce Cargil 511 A Híbrido Duplo Superprecoce SH 8447 / Santa Helena Híbrido Duplo Precoce SH 50-50 / Santa Helena Híbrido Triplo Semiprecoce Pioneer 3027 Híbrido Triplo Precoce Pioneer 3063 Híbrido Triplo Precoce Pioneer 3232 Híbrido Triplo Semiprecoce Pioneer 3071 Híbrido Triplo Precoce 3.1.2 Experimento no campo O experimento no campo visou avaliar a ocorrência e a distribuição de diazotróficos associados as cultivares selecionadas, durante o ciclo de desenvolvimento das plantas, com e sem adubação nitrogenada. As duas cultivares selecionadas (Santa Helena 8447 e Santa Rosa 3063) foram cultivadas no ano agrícola de 2001 / 2002, na Estação Experimental Agronômica da UFRGS em Eldorado do Sul, RS. O experimento foi delineado em um esquema do tipo fatorial 2 (cultivar) x 2 (com e sem adubação nitrogenada), inteiramente casualizado, com 3 repetições. Os tratamentos utilizados foram os seguintes: T1 - cultivar Santa Helena 8447 – sem adubação nitrogenada; T2 - cultivar Santa Rosa 3063 – sem adubação nitrogenada; T3 - cultivar Santa Helena 8447 – com adubação nitrogenada; T4 - cultivar Santa Rosa 3063 – com adubação nitrogenada. O solo no local do experimento foi classificado como Argissolo Vermelho distrófico típico (Embrapa, 1999) com pH (H2O) 5,2 e continha: 28% de argila, 2,3% de matéria orgânica, 3,8 mg.L-1 de fósforo trocável, 137 mg.L -1 de potássio trocável, 0,1 cmolc.L-1 de alumínio trocável, 3,0 cmol c.L-1 de cálcio trocável, 1,7 cmol c.L-1 de magnésio trocável, 3,6 cmol c.L-1 de alumínio + hidrogênio, 8,6 cmolc.L-1 de capacidade de troca de cátions e 59% de saturação de bases. A adubação foi realizada de acordo com o resultado da análise do solo e a recomendação de Adubação e Calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (Comissão de Fertilidade do Solo – RS/SC, 1995). Foram aplicados 160 kg ha-1 de superfosfato triplo (41% de P2O5 e 12 – 14% Ca) em toda a área e 200 kg ha-1 de uréia nas parcelas que receberam adubação nitrogenada. A adubação nitrogenada foi aplicada em três doses de 30, 85 e 85 kg ha-1 após a semeadura e aos 50 e 70 dias após a emergência, respectivamente. A semeadura foi realizada manualmente em 6 linhas de uma parcela de 5 m x 7 m (35 m2 ) e 15 dias após a emergência foi feito o desbaste, mantendose uma densidade final de aproximadamente 60.000 plantas por hectare (equivalente a 6 plantas por metro de linha). Aos 30, 55, 77 e 115 dias após a emergência foram coletadas amostras da parte aérea, das raízes e do solo rizosférico das plantas para a quantificação dos diazotróficos presentes. As amostras foram compostas por três plantas retiradas da segunda e terceira linhas de cultivo. Também foram coletadas amostras da parte aérea das plantas (três amostras por parcela) para a determinação do peso da matéria seca e quantificação dos teores de nitrogênio no tecido. A quarta e quinta linhas de semeadura foram utilizadas para a determinação da produção de grãos. Amostras de solo foram coletadas para quantificação do nitrogênio mineral do solo na mesma época de coleta das amostras das plantas. Utilizou-se um trado de rosca para retirar 30 subamostras por parcela, dentro das linhas de cultivo. 3.1.3 Experimento no laboratório Os isolados bacterianos obtidos no experimento de campo foram avaliados quanto a contribuição para as plantas quanto a fixação biológica do nitrogênio e a produção de promotores de crescimento de plantas. A quantificação da fixação biológica do nitrogênio foi obtida através da análise do nitrogênio total presente no meio semi-sólido seletivo inoculado com 0,1mL de meio de cultura líquido (108 - 109 células mL-1) contendo as bactérias diazotróficas isoladas. O meio foi digerido com H2SO 4 concentrado e o nitrogênio foi quantificado em micro Kjeldhal, de acordo com metodologia descrita por Camargo et al.,1999. A produção de promotores de crescimento de plantas foi quantificada através da produção de auxinas em meio de cultura líquido e determinada por espectrofotometria a partir de uma curva padrão de ácido indol acético. 3.2 Análise de solo, planta e de diazotróficos 3.2.1 Análise de solo O nitrogênio mineral do solo foi determinado imediatamente após a coleta. As amostras foram homogeneizadas, pesadas (50 g) e colocadas em frasco de vidro contendo 200 mL de solução extratora de KCl 1 mol L-1. Outra sub-amostra foi coletada para determinação da umidade do solo. Uma alíquota de 20 mL do extrato foi destilada e foram quantificados os teores de NH4+ e NO 3- + NO 2- de acordo com a metodologia descrita por Tedesco et al. (1995). 3.2.2 Análise da planta O tecido das plantas foi seco em estufa com circulação forçada de ar a 65-70°C, sem lavagem do material, até atingir peso constante. Para determinação do peso da matéria seca utilizou-se balança com sensibilidade de 0,001 g. O tecido seco foi moído em peneira de 0,5 mm de diâmetro e uma amostra foi retirada para determinação do teor de nitrogênio a partir da digestão sulfúrica, de acordo com a metodologia descrita por Tedesco et al. (1995). 3.2.3 Análise dos diazotróficos A contagem e o isolamento dos diazotróficos seguiu a metodologia descrita por Dobereiner et al. (1995) e Baldani (1996). As amostras das raízes e do colmo das plantas foram lavadas em água corrente e cortadas em frações de aproximadamente 10 cm. As frações foram pesadas (10 g) e maceradas em 90 mL de solução salina e diluídas serialmente na mesma solução até 10 -5. As amostras de solo rizosférico foram suspendidas em 90 mL de solução salina e diluídas conforme descrito para as amostras de raízes e colmo. Para a contagem dos diazotróficos, uma alíquota de 0,1 mL das suspensões 10-2, 10-3, 10-4, e 10-5 foi inoculada em meios de cultura semisólidos, seletivos (3 frascos por diluição) para o isolamento de Burkholderia spp. (meio JMV), Azospirillum spp. (meio NFb), Herbaspirillum spp. (meio JNFb), A. amazonense (meio LGI) e Acetobacter diazotrophicus (meio LGI-P). A composição dos meios utilizados encontra-se descrita no anexo 1. Os meios de cultura foram incubados a 30ºC por 7 dias e após este período, foi feita a contagem do número de bactérias presentes nas amostras pelo método do Número Mais Provável (NMP), utilizando a tabela de McGrady. O número de tubos positivos foi determinado pela presença de película característica (em forma de véu) no meio semi-sólido. O isolamento das bactérias diazotróficas foi feito através da transferência de parte da película dos frascos de maior diluição com crescimento positivo, para um novo meio semi-sólido (NFb, JNFb, LGI, LGI-P e JMV) até que outra película fosse formada. Após esta etapa, as culturas foram transferidas para placas de Petry, contendo meio de cultura sólido seletivo para cada microrganismo a ser isolado, e incubadas a 30°C até a formação de colônias características de cada espécie. Para a purificação, as colônias formadas foram novamente transferidas para meios de cultura semi-sólidos, e após a formação de película, transferidas para placas de Petry contendo o meio Batata (anexo 1). Após cada etapa do isolamento foram feitas preparações para a observação dos isolados em microscópio óptico, visando caracterizá-los quanto a forma, motilidade e tamanho das células. A verificação da presença de diazotróficos após o cultivo em vasos seguiu o mesmo procedimento descrito anteriormente. Porém, utilizou-se apenas a suspensão 10-3 para a inoculação, em triplicata, nos meios de cultura NFb e JNFb (anexo 1) semi-sólidos seletivos para o isolamento de Azospirillum spp. e Herbaspirillum spp., respectivamente. 3.2.3.1 Quantificação do N2 fixado Para a quantificação do nitrogênio total fixado pelos diazotróficos, uma colônia pura foi inoculada em meio de cultura líquido (Dygs modificado – anexo 1) e incubada sob agitação por 24h. Após a incubação, uma alíquota de 0,1mL (contendo 108 - 109 células ml-1) foi transferida para um meio de cultura semi-sólido (três repetições), ausente de nitrogênio, e incubado em estufa à 30°C por 72h. Como controle, utilizou-se uma prova branca, contendo apenas o meio de cultura semi-sólido não inoculado, e uma prova positiva, contendo o meio de cultura com uma quantidade conhecida de N (100 µg de NH4+). O nitrogênio total foi quantificado após digestão sulfúrica e destilação com NaOH conforme descrito por Camargo et al.,1999. 3.2.3.2 Produção de promotores de crescimento vegetal A produção de promotores de crescimento vegetal foi analisada conforme descrito por Asghar et al., 2001. Tubos de ensaio contendo 25 mL de meio de cultura líquido esterilizado (Dygs modificado) foram inoculados com 0,1 mL das culturas puras dos diazotróficos isolados e incubados a 30ºC por 24h. Para a quantificação da produção de auxinas, o conteúdo dos tubos foi filtrado em papel filtro Nº 2 e 3 mL do filtrado foram pipetados para um novo tubo contendo 2 mL de uma solução contendo o reagente de Salkowski (2 mL de FeCl3 0,5 mol L-1 + 98 mL de HClO4 35%). Após 30 min. a intensidade da cor foi mensurada em espectrofotômetro a 535 nm. A curva padrão continha o meio de cultura esterilizado e quantidades conhecidas de ácido indol acético (AIA). 3.3 Análise estatística dos dados Para a análise estatística das contagens dos diazotróficos, foi utilizado o programa MULTIV versão 2.1.1 (Pillar, 2001) para a análise multivariada dos dados. Como base para a análise, construiu-se uma matriz para os dados de cada contagem dos diazotróficos presentes no solo, raízes e colmo das amostras de milho e nas quatro épocas de coleta. Cada matriz foi constituída por quatro colunas, representadas pelas variáveis (meio de cultura onde se desenvolveram as bactérias) e 12 linhas, (unidades experimentais), representadas pelas amostras coletadas de cada parcela. A variável LGI-P foi ignorada, pois não se detectou a presença de microrganismos desenvolvidos nesse meio de cultura. Para comprovar a hipótese nula (Ho), de que não há diferença entre os tratamentos utilizados, efetuou-se a análise de variância e o teste de aleatorização, considerando-se como nível de significância ∝ = 0,05. Para comparação entre as variáveis, utilizou-se a correlação que mede a relação entre dois conjuntos de dados. Para a análise das médias dos demais dados foi utilizado o teste de DMS a 5% de probabilidade. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Seleção de cultivares de milho em vasos 4.1.1 Avaliação agronômica das cultivares A adubação nitrogenada afetou significativamente o peso da matéria seca do milho (Tabela 4) e o conteúdo de nitrogênio total (Tabela 5) das cultivares avaliadas. Em relação à produção de matéria seca pelas cultivares de milho, o maior rendimento nas condições do experimento foi observado na cultivar Pioneer 3069 (4,1 g planta-1), quando se adicionou 200 kg de N ha-1. Este rendimento pode estar relacionado ao ciclo superprecoce deste híbrido simples com a duração do cultivo (45 dias após a emergência). O menor rendimento foi observado quando não se adicionou nitrogênio na cultivar Nitroflint (0,50 g planta-1). Em termos de resposta à adubação nitrogenada, a adição de 200 kg -1 de N ha aumentou 6,1 vezes o rendimento de matéria seca da cultivar Nitroflint, comparado ao aumento de 4,6 vezes da cultivar Pioneer 3069. A cultivar Nitroflint foi avaliada quanto ao efeito da adição de 10 e 100 kg ha-1 de N por Machado et al. (1998). Estes autores observaram aumento significativo do peso e do conteúdo de nitrogênio nos grãos e no tecido dessa cultivar com o aumento da adubação nitrogenada, demonstrando que esta cultivar apresenta alta resposta a adubação nitrogenada. Entretanto, a maior resposta à adição de nitrogênio ocorreu na cultivar Santa Rosa 3063, com um incremento de 6,5 vezes (0,55 g planta-1 sem adição de N e 3,62 g planta-1 com adição de 200 kg de N ha-1). A menor resposta foi verificada na cultivar Santa Helena 8447, com um incremento no rendimento da matéria seca de 2,7 vezes TABELA 4. Rendimento de matéria seca da parte aérea das cultivares de milho avaliadas aos 45 dias após a emergência. Cultivar 0 Adubação Nitrogenada (kg ha-1 ) 100 200 ----------------------------------------- g planta-1 ----------------------------------------Polinização Aberta Taquarão Nitroflint Pop. LM 9275 Pop. Assis Brasil RS 20 Pop. Charrua Vencedor AL 25 CEP 304 /Fundacep 0,93 0,50 0,62 0,52 0,59 0,67 0,64 0,80 BC c Jc GHIJ b IJ b GIHJ b EFGHI c FGHIJ b BCDEF b 2,81 2,23 2,24 1,28 2,52 1,66 2,52 2,61 ABCDE b FGH b FGH a HIJ a ABCDEFG a IJ b ABCDEFG a ABCDEFG a 3,67 3,07 2,52 2,29 2,48 2,12 2,90 2,96 ABCDE a FGHIJKL a LMNOP a OP a MNOP a Pa IJKLMN a HIJKLM a 0,69 0,70 0,95 0,55 0,84 0,91 0,90 0,91 0,80 0,66 0,72 0,62 0,63 0,67 DEFGH c DEFGH b Bc HIJ c BCD c BC b BC c BC c BCDE b EFGHI c DEFG c GHIJ c GHIJ b EFGHI b 2,59 1,45 2,80 2,53 2,90 3,04 2,85 2,82 3,00 2,85 2,40 2,45 2,40 2,22 ABCDEFG b Jb ABCDE b ABCDEFG b ABCD b Aa ABCDE b ABCDE b AB a ABCDE b DEFG b CDEFG b DEFG a GH a 3,23 2,36 3,14 3,62 3,76 3,48 4,08 3,80 3,35 3,30 2,94 3,29 2,09 2,41 DEFGHIJK a NOP a EFGHIJK a ABCDEF a ABCD a BCDEFGH a Aa ABC a BCDEFGHIJ a CDEFGHIJ a HIJKLM a CDEFGHIJ a Pa MNOP a 0,58 0,60 0,70 0,79 1,11 GHIJ b GHIJ c DEFGH c CDEF c Ab 2,72 2,35 2,78 2,48 2,95 ABCDEFG a EFG b ABCDE b BCDEFG b ABC a 3,20 3,33 3,53 2,80 3,04 DEFGHIJK a CDEFGHIJ a ABCDEFG a JKLMNO a GHIJKL a EFGHI c BC c DEFG c GHIJ b BCDE c 2,75 2,69 2,79 2,50 2,71 ABCDEF b GHI b ABCDE b BCDEFG a ABCDEFG b 3,38 3,55 3,64 2,70 3,70 BCDEFGHI a ABCDEFG a AB a KLMNO a ABCD a Hibrido Simples NB 3047 Milho Doce / Agristar Agroceres 1225 Santa Rosa 3063 Santa Rosa 3081 Pioneer 3041 Pioneer 3069 Pioneer 30K75 Pioneer 30F88 Pioneer 30F80 Pioneer 30F33 Pioneer 3072 Pioneer 30R07 Pioneer 32R21 Hibrido Duplo AS 523 / Agroeste Cargil 929 SH 40-40/Santa Helena Cargil 511A SH 8447/ Santa Helena Hidrido Triplo SH 50-50/Santa Helena 0,68 Pioneer 3027 0,88 Pioneer 3063 0,94 Pioneer 3232 0,57 Pioneer 3071 0,81 Médias seguidas da mesma letra maiúscula na coluna não diferem significativamente entre cultivares e médias seguidas da mesma letra minúscula na linha não diferem significativamente entre tratamentos pelo teste de DMS a 5%. . pela adição de 200 kg de N ha-1. Em relação aos tipos de cultivar, a análise geral dos resultados indicou que não houve efeito significativo da adição de nitrogênio sobre o rendimento da matéria seca entre híbridos e não híbridos, que apresentaram incrementos médios de 4,3 a 4,5 vezes com a adição da maior dose de nitrogênio. O conteúdo de nitrogênio no tecido das cultivares de milho foi afetado pela adição de nitrogênio (Tabela 5). Os menores valores de N na planta foram observados nas cultivares Santa Rosa 3063 e Nitroflint (ambas 4,29 mg planta-1) sem adição de nitrogênio. O maior acúmulo de nitrogênio no tecido foi verificado no híbrido simples Santa Rosa 3063 (83,61 mg planta-1), quando adicionou-se 200 kg de N ha-1. A eficiência relativa de absorção de nitrogênio pelo milho variou entre as cultivares testadas e as doses de N aplicadas. Em média, os híbridos simples e triplo apresentaram a maior eficiência de absorção de N (32,9 e 31,6%, respectivamente), quando adicionou-se 100 kg de N ha-1. Entre as doses de N aplicadas, a média geral das eficiências relativas indicou que não houve diferenças entre a aplicação de 100 (31,2%) e 200 kg de N ha-1 (32,0%). O híbrido simples Santa Rosa 3063 apresentou a maior eficiência de absorção de N (68,0%) e a cultivar de polinização aberta LM 9275 a menor eficiência (17,8%), quando adicionou-se 200 kg de N ha-1 (Tabela 5). De modo geral, as cultivares de milho apresentaram diferentes respostas quanto à produção de matéria seca e acúmulo de N em relação à adição de nitrogênio e ao material genético testado. Entretanto, os resultados obtidos podem não ser suficientes para a seleção direta das cultivares para o experimento de campo, devido à amplitude de ciclos (normal, precoce, semiprecoce e superprecoce) entre as cultivares e o curto período de cultivo (45 dias após a emergência). Para compensar esta diferença, as cultivares foram selecionadas através de um índice obtido pela razão entre os resultados do rendimento de matéria seca e do conteúdo de N no milho observado no tratamento sem nitrogênio e os tratamentos com adubação nitrogenada (100 e 200 kg N ha-1) (Tabela 6). As cultivares com índice calculado próximo a zero apresentaram maior resposta à adubação nitrogenada, enquanto que as cultivares com índices próximos a 1 apresentaram menor resposta ao N adicionado. TABELA 5. Conteúdo de nitrogênio total no tecido da parte aérea das cultivares de milho avaliadas aos 45 dias após a emergência. Adubação Nitrogenada (kg N ha -1) Cultivar 0 100 200 -1 ------------------------------------ mg planta ---------------------------------Polinização Aberta Taquarão Nitroflint Pop. LM 9275 Pop. Assis Brasil RS 20 Pop. Charrua Vencedor AL 25 CEP 304 /Fundacep 6,57 4,29 4,66 4,41 4,46 6,08 5,06 6,45 CDEF c Fc EF c Fc Fc CDEF c CDEF c CDEF c 25,91 24,61 20,27 16,68 24,61 22,85 22,29 24,53 EF b GH b Mb Ob GH b JK b Kb GH b 43,80 38,61 25,49 35,99 38,59 51,39 38,84 47,28 FG a JK a Pa Na JK a Ba Ja Da 5,34 7,28 7,01 4,29 5,46 7,35 7,27 7,42 5,92 4,89 5,61 5,23 4,64 6,49 CDEF c BCD c BCDE c Fc CDEF BC c BCD c Bc CDEF c DEF c CDEF c CDEF c EF c CDEF c 29,20 29,88 25,28 29,68 20,99 25,24 27,81 20,90 28,23 25,24 23,88 20,39 20,81 26,48 Ab Ab FG b Ab LM b FG b BC b LM b Bb FG b HI b Mb LM b DE b 39,17 34,13 45,95 83,61 44,13 36,52 44,28 48,08 44,10 39,91 37,31 36,26 34,36 39,27 IJ a O Ea Aa FG a MN a Fa Da FG a Ia LM a Na Oa IJ a 4,35 5,44 5,28 7,25 9,26 Fc CDEF c CDEF c BCD c Ac 26,01 17,38 23,61 22,46 21,31 EF b Ob IJ b Kb Lb 42,21 36,72 42,09 33,95 33,57 Ha MN a Ha Oa Oa 5,14 6,55 5,18 4,61 6,45 CDEF c CDEF c CDEF c EF c CDEF c 23,89 25,31 27,03 18,97 25,50 HI b FG b CD b Nb Fb 42,19 37,84 48,99 43,40 45,48 Ha KL a Ca Ga Ea Hibrido Simples NB 3047 Milho Doce / Agristar Agroceres 1225 Santa Rosa 3063 Santa Rosa 3081 Pioneer 3041 Pioneer 3069 Pioneer 30K75 Pioneer 30F88 Pioneer 30F80 Pioneer 30F33 Pioneer 3072 Pioneer 30R07 Pioneer 32R21 Hibrido Duplo AS 523 / Agroeste Cargil 929 SH 40-40/Santa Helena Cargil 511A SH 8447/ Santa Helena Hidrido Triplo SH 50-50 / Santa Helena Pioneer 3027 Pioneer 3063 Pioneer 3232 Pioneer 3071 Médias seguidas da mesma letra maiúscula na coluna não diferem significativamente entre cultivares e médias seguidas da mesma letra minúscula na linha não diferem significativamente entre tratamentos pelo teste de DMS a 5%. Entre as cultivares de milho avaliadas, o maior índice para o rendimento de matéria seca foi obtido pela cultivar Santa Helena 8447, quando adicionou-se 100 kg de N ha-1 (Tabela 6). Na dose máxima de nitrogênio aplicada, esta cultivar obteve o segundo maior índice de rendimento. Já para o conteúdo de nitrogênio no tecido, a cultivar Santa Helena 8447 apresentou os maiores índices em ambas as doses de N aplicadas, sendo então selecionada para o experimento de campo como a cultivar de menor resposta à adubação nitrogenada. Os menores índices para o rendimento da matéria seca foram observados entre as cultivares Nitroflint, AS 5223 Agroeste e Santa Rosa 3063. Entre essas cultivares, o menor índice para acúmulo de N no tecido foi obtido pela cultivar Santa Rosa 3063, sendo esta selecionada para o experimento de campo como a cultivar de maior resposta à adubação nitrogenada. 4.1.2 Avaliação da presença de diazotróficos A avaliação da formação de película em meio semi-sólido não possibilitou a detecção de microrganismos diazotróficos no solo antes do cultivo de milho. Geralmente, a sobrevivência de diazotróficos na ausência de plantas é bastante baixa, principalmente para espécies como Azospirillum brasilense (Bashan et al., 1994) e Herbaspirillum seropedicae (Olivares et al., 1996). Para H. seropedicae, Olivares et al (1996) observaram que este microrganismo apresentou uma baixa taxa de sobrevivência no solo rizosférico sem planta. Entretanto, os mesmos autores reisolaram a bactéria do solo quando este foi cultivado com sementes de sorgo desinfestadas superficialmente. Este resultado indica que a população de diazotróficos pode ter sido estimulada pela presença das plantas, e conseqüentemente, aumentado seu número no solo para níveis detectáveis pela técnica utilizada ou que a bactéria estava presente no interior da semente desinfestada de sorgo. Houve formação de película ao menos em um tubo contendo meio de cultura semi-sólido sem adição de nitrogênio, seletivo para o crescimento de diazotróficos, inoculado com amostras de solo coletado após o cultivo (45 dias após a emergência) (Tabela 7). Os resultados deste experimento podem indicar que as cultivares estimularam a presença de diazotróficos, suficiente TABELA 6. Razão entre as médias do rendimento de matéria seca e do conteúdo de nitrogênio total dos tratamentos T1/T2 e T1/T3 das cultivares de milho avaliadas. Cultivar Polinização Aberta Taquarão Nitroflint Pop. LM 9275 Pop. Assis Brasil RS 20 Pop. Charrua Vencedor AL 25 CEP 304 /Fundacep Híbrido Simples NB 3047 Milho Doce / Agristar Agroceres 1225 Santa Rosa 3063 Santa Rosa 3081 Pioneer 3041 Pioneer 3069 Pioneer 30K75 Pioneer 30F88 Pioneer 30F80 Pioneer 30F33 Pioneer 3072 Pioneer 30R07 Pioneer 32R21 Híbrido Duplo AS 523 / Agroeste Cargil 929 SH 40-40/Santa Helena Cargil 511A SH 8447/ Santa Helena Híbrido Triplo SH 50-50/Santa Helena Pioneer 3027 Pioneer 3063 Pioneer 3232 Pioneer 3071 Matéria Seca T1 (1) /T2 (2) T1/T3(3) Nitrogênio Total T1/T2 T1/T3 0,33 0,22 0,27 0,29 0,23 0,40 0,25 0,30 0,25 0,16 0,24 0,23 0,24 0,32 0,22 0,27 0,25 0,17 0,23 0,26 0,18 0,27 0,23 0,26 0,15 0,11 0,18 0,12 0,12 0,12 0,13 0,14 0,25 0,29 0,34 0,22 0,29 0,30 0,31 0,32 0,27 0,23 0,30 0,25 0,26 0,30 0,21 0,48 0,30 0,18 0,22 0,26 0,22 0,24 0,23 0,20 0,25 0,19 0,30 0,28 0,18 0,24 0,28 0,15 0,26 0,29 0,26 0,36 0,21 0,19 0,23 0,26 0,22 0,24 0,14 0,21 0,15 0,05 0,12 0,2 0,16 0,15 0,13 0,12 0,15 0,14 0,14 0,17 0,21 0,26 0,25 0,32 0,38 0,18 0,18 0,20 0,28 0,37 0,17 0,31 0,22 0,32 0,43 0,1 0,15 0,13 0,21 0,28 0,25 0,33 0,25 0,23 0,30 0,20 0,25 0,17 0,21 0,22 0,21 0,26 0,19 0,24 0,25 0,12 0,17 0,11 0,11 0,14 (1) Tratamento sem nitrogênio (2) Tratamento com adição de 100 kg N ha-1 (3) Tratamento com adição de 200 kg N ha -1 para a detecção no meio de cultura semi-sólido. Para os híbridos duplos Santa Helena 40-40 e Santa Helena 8447 houve formação de película em todos os tubos, ao passo que em várias cultivares houve formação de película em poucos tubos, incluindo algumas notadamente mais responsivas à adubação nitrogenada, como o híbrido triplo Pioneer 3063. De modo geral, observou-se uma relação direta entre as duas cultivares selecionadas pela resposta à adubação nitrogenada (Santa Helena 8447e Santa Rosa 3063) e o número de tubos com formação de película, ou seja, quanto menor a resposta à adubação nitrogenada, maior a população de diazotróficos presentes. Entretanto, não foi possível detectar diferenças aparentes entre o número de tubos com formação de película contendo meio NFb ou JNFb. Em média, ambos apresentaram 2,1 tubos com crescimento de película. Os meios de enriquecimento NFb e JNFb, são utilizados para o isolamento de Azospirillum spp. e Herbaspirillum spp., respectivamente (Döbereiner et al. (1995). Azospirillum spp. ocorre naturalmente em solo rizosférico de plantas, mas algumas espécies podem ser encontradas dentro das raízes. Por outro lado, Herbaspirillum spp. ocorre endofiticamente, apesar de ter sido isolado primeiramente de solo rizosférico de milho, sorgo e arroz (Baldani et al., 1986). Mais recentemente, este microrganismo foi reclassificado como endofítico obrigatório, apresentando uma baixa taxa de sobrevivência no solo na ausência de um hospedeiro (James & Olivares, 1997). Os resultados deste experimento demonstraram que, independente da cultivar, tanto Azospirillum spp. como Herbaspirilum spp. não estavam detectáveis no solo rizosférico antes do cultivo e, após o cultivo, foi possível detectá-los no solo rizosférico. De forma similar, Baldani et al. (1992) observaram que Herbaspirillum seropedicae não pôde ser isolado de solos não cultivados. A detecção de diazotróficos após o cultivo pode ter ocorrido devido ao estímulo da planta ao aumento da população de bactérias para níveis detectáveis, a presença na semente ou a presença de um pequeno número de bactérias viáveis, mas não culturáveis por um longo período no solo nativo, conforme observaram Olivares et al. (1996). TABELA 7. Meios de cultura NFb e JNFb com formação de película (+) ou sem formação de película (-) inoculados com suspensão de solo rizosférico (10-3) coletado após o cultivo (45 dias após a emergência) das cultivares de milho avaliadas. Meios de Cultura Cultivar Polinização Aberta Taquarão Nitroflint Pop. LM 9275 Pop. Assis Brasil RS 20 Pop. Charrua Vencedor AL 25 CEP 304 /Fundacep Híbrido Simples NB 3047 Milho Doce / Agristar Agroceres 1225 Santa Rosa 3063 Santa Rosa 3081 Pioneer 3041 Pioneer 3069 Pioneer 30K75 Pioneer 30F88 Pioneer 30F80 Pioneer 30F33 Pioneer 3072 Pioneer 30R07 Pioneer 32R21 Híbrido Duplo AS 523 / Agroeste Cargil 929 SH 40-40/Santa Helena Cargil 511A SH 8447/ Santa Helena Híbrido Triplo SH 50-50/Santa Helena Pioneer 3027 Pioneer 3063 Pioneer 3232 Pioneer 3071 NFb JNFb + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + - + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + - + + + + - + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + - + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + - + + + + + + + + + + 4.2 Avaliação das cultivares Santa Helena 8447 e Santa Rosa 3063 no campo As cultivares Santa Helena 8447 e Santa Rosa 3063 foram selecionadas no experimento de vasos em função da menor e da maior resposta à adubação nitrogenada, respectivamente. Este experimento teve por objetivo avaliar no campo o rendimento de matéria seca e o acúmulo de nitrogênio no tecido das duas cultivares de milho, na ausência e na presença de 200 kg de uréia ha-1, e a distribuição e a ocorrência de diazotróficos associados a elas. 4.2.1 Avaliação agronômica das cultivares O rendimento de matéria seca das cultivares de milho foi afetado pela adubação nitrogenada e pelos períodos de avaliação (Tabela 8). No estádio vegetativo (30 DAE), a cultivar Santa Rosa 3063 apresentou o maior rendimento quando recebeu adubação nitrogenada, mas não significativamente da cultivar Santa Helena 8447 com ou sem diferiu adubação nitrogenada (Tabela 8). No estádio de pendoamento (55 DAE), não houve diferenças no rendimento de matéria seca entre as cultivares e entre os tratamentos. Entretanto, a partir do espigamento (77 DAE), a cultivar Santa Rosa 3063 adubada apresentou maior rendimento de matéria seca, quando comparada à cultivar Santa Helena 8447. Durante o ciclo reprodutivo (pendoamento + espigamento) não houve diferença no rendimento de matéria seca entre cultivares e entre tratamentos, à exceção da cultivar Santa Helena 8447 sem adubação no estádio de pendoamento, que apresentou menor rendimento. No estádio de enchimento de grãos (115 DAE) não houve diferenças entre adição ou não de nitrogênio no rendimento de matéria seca da cultivar Santa Helena 8447, ao passo que a adição de N aumentou 42% do rendimento da matéria seca da cultivar Santa Rosa 3063 (Tabela 8). A adubação nitrogenada afetou significativamente o rendimento de grãos das cultivares de milho avaliadas (Tabela 8). A adição de N aumentou 14 e 26% o rendimento de grãos do híbrido duplo Santa Helena 8447 e do híbrido simples Santa Rosa 3063, respectivamente. A cultivar Santa Rosa 3063 apresentou os maiores rendimentos de grãos, comparado à cultivar TABELA 8. Rendimento de matéria seca e conteúdo de nitrogênio no tecido da parte aérea, rendimento de grãos e teor de nitrogênio nos grãos das cultivares de milho avaliadas com e sem adubação nitrogenada (200 kg ha-1 de uréia). Cultivar / Dias após a emergência Grãos Tratamento 30 55 77 115 DMS (5%) -1 --- kg ha-1--- ---------------- Matéria seca (g planta ) ---------------Santa Helena sem N 11,42 A c 168 A b 186 B b 396 AB a 30,93 5341,55 C Santa Rosa sem N 9,04 B d 183 A c 246 AB b 365B a 59,2 6949,03 B Santa Helena com N 11,78 A c 221 A b 258 AB b 441 AB a 129,87 6076,00 BC Santa Rosa com N 12,08 A c 181 A b 278 A b 520 AB a 98,46 8730,65 A 1,62 66,23 80,06 142,21 - 1406,28 DMS (5%) ----------------- Nitrogênio (mg planta -1) ---------------Santa Helena sem N 387,5 A b 2478,1 B a ---- N (%) ---- 2757,9 A a 3349,9 A a 1313,5 1,60 B Santa Rosa sem N 270,2 B b 3090,8 AB a 3574,3 A a 3857,5 A a 1558,7 1,59 B Santa Helena com N 402,2 A b 4134,6 A a 4731,1 A a 6115,4 A a 2390,9 2,32 A Santa Rosa com N 406,9 A b 3728,0 A a 3792,7 A a 5330,6 A a 2065,6 1,60 B - 0,43 DMS (5%) 107,7 1219,7 2104,6 2865,2 Médias seguidas da mesma letra maiúscula na coluna não diferem significativamente entre cultivares/tratamentos e médias seguidas da mesma letra minúscula na linha não diferem significativamente entre dias após a emergência pelo teste de DMS a 5%. Santa Helena 8447, independente da adição ou não de N. O conteúdo de nitrogênio no tecido das cultivares de milho foi afetado pela adubação nitrogenada e pelos períodos de avaliação, mas em menor magnitude que o rendimento de matéria seca (Tabela 8). Apenas no estádio de desenvolvimento vegetativo (30 DAE) as cultivares de milho apresentaram conteúdos de N no tecido estatisticamente inferiores aos demais estádios avaliados. A partir dos 77 dias após a emergência não ocorreram diferenças significativas entre cultivares e adição ou não de N. A quantidade de nitrogênio absorvido pelas plantas aumenta progressivamente durante o período de crescimento vegetativo, atinge o máximo durante os estádios reprodutivos e decresce na fase de enchimento de grãos (Cregan & Berkum, 1984). A absorção deste nutriente é modulada pela disponibilidade energética para os processos de transporte de íons pelas membranas, os quais são dependentes de energia, gerada através do suprimento de carboidratos às raízes (Bredemeir & Mundstock, 2000). Ao final das avaliações (115 DAE) não houve diferenças (N total no tecido) entre os tratamentos (Tabela 8). Entretanto, a cultivar Santa Helena 8447 acumulou 82% a mais de nitrogênio na matéria seca quando foi adubada, ao passo que a Santa Rosa 3063 acumulou apenas 38%. No experimento em vasos, este comportamento foi oposto, com a cultivar Santa Rosa 3063 acumulando mais nitrogênio do que a cultivar Santa Helena 8447. A cultivar Santa Rosa 3063 havia sido selecionada como a mais responsiva à adubação nitrogenada após 45 dias de avaliação no experimento em vasos. Com a adição de N no solo do experimento no campo, a cultivar Santa Rosa 3063 acumulou 50% de nitrogênio comparado ao acúmulo de apenas 4% de N pela cultivar Santa Helena 8447 após 30 dias de cultivo. Neste caso, a cultivar Santa Rosa 3063 respondeu melhor ao nitrogênio, mas apenas no período inicial do cultivo. Estes resultados indicam que a avaliação do desempenho das cultivares em vasos após 45 dias de cultivo não refletiu o potencial genético das cultivares de milho em responder à adubação nitrogenada no campo, já que a maior absorção de nitrogênio ocorre no estádio reprodutivo (Cregan & Berkum, 1984). O maior teor de nitrogênio no grão confirma a capacidade da cultivar Santa Helena 8447 em utilizar mais adequadamente o nitrogênio proveniente da adubação. 4.2.2 Ocorrência e distribuição das bactérias diazotróficas nas cultivares de milho Conforme observado no experimento em vasos, também não foi detectada a presença de diazotróficos no solo antes do cultivo no campo, ao passo que após a semeadura do milho foi possível detecta-los no solo e nas diferentes partes das plantas avaliadas. A avaliação do NMP da população total dos diazotróficos variou em função das diferentes partes da planta (solo, raízes e colmo), dos diferentes tratamentos e dos diferentes períodos de avaliação (Figura 1). Independente dos tratamentos e dos estádios das cultivares, o NMP de diazotróficos foi, em média, sempre superior nas raízes, seguido de valores menores detectados no colmo e no solo. A presença de uma maior população de diazotróficos nas raízes de milho tem sido relatada por outros autores (Döbereiner & Day, 1975; Baldani & Döbereiner, 1980; Roesch et al., 2000). A maior incidência de diazotróficos nas raízes das plantas também tem sido observada em outras culturas, como cana-de-açúcar (Reis Junior et al., 2000), cevada (Didonet & Didonet, 1998) e gramíneas forrageiras (Kirchhof et al., 1997). No estádio vegetativo (30 DAE) observou-se uma maior população de diazotróficos nas raízes quando não foi adicionado nitrogênio. O nitrogênio diminuiu a população de diazotróficos em todas as partes analisadas de ambas cultivares. Somente após o estádio reprodutivo, verificou-se um acréscimo significativo na população de diazotróficos presentes nas raízes, em relação ao estádio de desenvolvimento vegetativo (30 DAE). Este aumento, depois dos 77 dias após a emergência, também foi observado em todos os tratamentos avaliados. A população de diazotróficos foi influenciada negativamente pela adição de nitrogênio ao solo apenas no estádio inicial de desenvolvimento das plantas (30 DAE). Esta influência foi observada através da análise de correlação entre o N mineral do solo e o NMP da população de diazotróficos totais na planta em ambas cultivares (r = 0,76 p ≤ 0,07). Nos demais estádios de desenvolvimento das plantas não foram observadas correlações, indicando que o N do solo teve influência negativa na população de diazotróficos população de provavelmente apenas diazotróficos não foi no detectada influenciada início do cultivo. A pequena no pela período reprodutivo, adubação nitrogenada. Santa Helena 8447 NMP de diazotróficos x 104 g-1 250 (A) 250 200 200 150 150 100 100 50 50 (B) 0 0 30 55 77 30 115 55 77 115 Santa Rosa 3063 250 (A) 250 200 200 150 150 100 100 50 50 0 0 30 55 77 115 (B) 30 55 77 115 Dias após a emergência Solo Raiz Colmo FIGURA 1. Número mais provável (NMP) da população de diazotróficos totais presentes no solo, raízes e colmo das cultivares Santa Helena 8447 e Santa Rosa 3063 sem aplicação de nitrogênio (A) e com aplicação de nitrogênio (B). Tem sido relatado que a adubação nitrogenada aumenta o número de bactérias heterotróficas que colonizam a rizosfera de plantas de milho (Kolb & Martin, 1988), o que sugere que o decréscimo no número de diazotróficos pode ter sido heterotróficas. causado Na por ausência competição de entre nitrogênio, a bactérias diazotróficas população de e bactérias diazotróficas é favorecida, já que os microrganismos heterotróficos necessitam de uma fonte nitrogenada externa para o aumento da população. O oposto ocorre quando existe uma fonte de nitrogênio disponível no solo. Entre cultivares não se observaram diferenças significativas na população de diazotróficos presentes no solo, raízes e colmo, independente da adição ou não de nitrogênio ou dos estádios de desenvolvimento. Os meios de enriquecimento utilizados permitiram detectar a presença de gêneros de diazotróficos como Azospirillum spp., Herbaspirillum spp. e Burkholderia spp. e a espécie Azospirillum amazonense associados às cultivares de milho Santa Rosa 3063 e Santa Helena 8447 em todas as partes das plantas analisadas (Figuras 2 e 3). Estes microrganismos também foram detectados nas raízes, colmos e solo rizosférico do milho, trigo, sorgo e arroz (Baldani et al., 1997; James & Olivares, 1997). Não foi detectada a presença de Gluconacetobacter diazotrophicus associado às cultivares nas diferentes partes analisadas. Esta bactéria é endofítica e geralmente tem sido encontrada em associação com plantas contendo maior quantidade de açúcar, como a canade-açúcar, batata-doce e Pennisetum purpureum (Steenhoudt & Vandrleyden, 2000). De forma geral, a distribuição dos diazotróficos detectados nas diferentes partes das plantas foi afetada pela adubação nitrogenada, pelas cultivares e pelo período de avaliação (Figuras 2 e 3). Quando não foi aplicado nitrogênio ao solo (Figura 2), verificou-se o predomínio na população de Azospirillum spp. e Herbaspirillum spp., com o aumento da população de Azospirillum amazonense na cultivar Santa Helena 8447, à medida que a planta se desenvolvia. A população de bactérias do gênero Burkholderia spp. foi menor no solo e sua presença foi verificada somente nos estádios iniciais e finais de desenvolvimento das plantas (Figuras 2 e 3). Nas demais partes da planta, este gênero somente foi detectado na cultivar Solo (A) (B) 100 100 75 75 50 50 25 25 0 0 30 55 77 115 30 55 77 Raízes (B) Diazotróficos (%) (A) 100 100 75 75 50 50 25 25 0 115 0 30 55 77 115 (A) 30 75 75 50 50 25 25 0 0 77 115 115 (B) 100 55 77 Colmo 100 30 55 30 55 77 115 Dias após a emergência Azospirillum spp. Azospirillum amazonense Herbaspirillum spp. Burkholderia spp. Figura 2. Distribuição da população de diazotróficos presentes no solo, raízes e colmo das cultivares Santa Helena 8447 (A) e Santa Rosa 3063 (B) aos 30, 55, 77 e 115 dias após a emergência sem aplicação de nitrogênio. Santa Helena 8447. De modo geral, para os tratamentos sem adubação nitrogenada, a cultivar Santa Helena 8447 apresentou maior diversidade na população de diazotróficos que a cultivar Santa Rosa 3063, principalmente nas raízes e no colmo (Figura 2). Mota et al. (2002), estudando a diversidade de Paenibacillus polymyxa em quatro cultivares de milho, verificaram que a cultivar exerceu influência sobre a variabilidade genética das populações presentes na rizosfera do milho. A diversidade da população de diazotróficos é afetada pela quantidade e composição dos materiais orgânicos excretados pelas raízes das plantas, as quais variam durante o ciclo de desenvolvimento de diferentes cultivares (Neal Junior et al., 1970; Chanway et al., 1988). A distribuição da população dos diazotróficos nas raízes foi semelhante à distribuição da população de diazotróficos no solo, com uma predominância da população de Azospirillum spp. e Herbaspirillum spp., independente das raízes apresentarem a maior população observada no experimento (Figura 1). Na cultivar Santa Rosa 3063 observou-se a presença significativa da população de Azospirillum amazonense até os 77 dias após a emergência. No colmo da cultivar Santa Helena 8447, a predominância foi da população de Herbaspirillum spp. sobre os outros gêneros avaliados durante quase todo os períodos de avaliação, ao passo que na cultivar Santa Rosa 3063 verificou-se a predominância de Azospirillum spp. Relatos sobre a presença de Azospirillum spp. colonizando a parte aérea das plantas são menos freqüentes No entanto, Pereira (1995) estudando a incidência de bactérias do gênero Azospirillum em diferentes genótipos de milho, relatou a presença no colmo em algumas amostras. A adição de nitrogênio diminuiu a população de diazotróficos em todas as partes avaliadas das cultivares no estádio inicial de desenvolvimento das plantas (30 DAE) (Figura 1) mas, de modo geral, não afetou a diversidade da população de diazotróficos, com pequenas alterações no padrão de distribuição desses (Figura 3). Verificou-se o predomínio das populações dos gêneros Azospirillum spp. e Herbaspirillum spp. sobre a população dos demais gêneros avaliados. A população dos diazotróficos do gênero Burkholderia spp. esteve presente em todos os tratamentos e partes da planta, e geralmente, nos estádios iniciais até os 77 dias após a emergência. Resultados semelhantes Solo (A) (B) 100 100 75 75 50 50 25 25 0 0 30 55 77 115 30 Diazotróficos (%) (A) 55 77 115 (B) Raízes 100 100 75 75 50 50 25 25 0 0 30 55 77 115 30 (A) 55 77 115 Colmo 100 (B) 100 75 75 50 50 25 25 0 0 30 55 77 115 30 55 77 115 Dias após a emergência Azospirillum spp. Azospirillum amazonense Herbaspirillum spp. Burkholderia spp. Figura 3. Distribuição da população de diazotróficos presentes no solo, raízes e colmo das cultivares Santa Helena 8447 (A) e Santa Rosa 3063 (B) aos 30, 55, 77 e 115 dias após a emergência com aplicação de nitrogênio. foram observados por Bevivino et al. (1998), onde a população rizosférica de Burkholderia cepacia foi elevada no início do ciclo das plantas de milho, decresceu após o estádio vegetativo e tornou a aumentar quando a maturação da planta estava completa. Esses autores sugerem que seria mais vantajoso isolar bactérias para a utilização como inoculantes em milho nos estádios finais de desenvolvimento das plantas, pois os genótipos bacterianos seriam mais bem adaptados já que estes foram capazes de colonizar e sobreviver até o final do ciclo de desenvolvimento das plantas. Entre cultivares não foi possível detectar diferenças aparentes na diversidade da população de diazotróficos nas partes das plantas avaliadas. Entretanto, a análise estatística multivariada dos resultados (Anexo 3) possibilitou verificar que a cultivar influenciou a população de bactérias presentes no solo nos períodos de desenvolvimento vegetativo e de florescimento (30 e 77 dias após a emergência, respectivamente) (p<0,05) No período de pendoamento, (55 dias após a emergência) a cultivar também influenciou a população de bactérias no colmo (p< 0,05) e nas raízes (p< 0,01). Esta análise também indicou que o nitrogênio diminuiu significativamente a população de diazotróficos no solo (p < 0,05) e nas raízes (p < 0,01) somente no estádio de desenvolvimento vegetativo (30 dias após a emergência) apesar da população de diazotróficos estar exposta a teores elevados de N (nos tratamentos que receberam adubação nitrogenada) durante todos os períodos avaliados (Anexo 4). Quando as diferenças entre grupos de unidades amostrais são descritas por mais de uma variável, a análise de variância multivariada pode ser uma alternativa para evitar as restrições da análise univariada (Podani, 1994). Desta forma, foi possível verificar diferenças na diversidade da população de diazotróficos entre as cultivares avaliadas, indicando que a cultivar pode ter influenciado na diversidade da população de diazotróficos associados ao milho. 4.2.3 Relação entre a população de diazotróficos e N absorvido Foi observado no experimento no campo que a adubação nitrogenada afetou a produção e o acúmulo de N nas cultivares de milho e a distribuição e ocorrência de diazotróficos nos sítios avaliados das plantas. Para compreender a dinâmica da relação entre diazotróficos e N absorvido pelas plantas nos diferentes estádios de desenvolvimento das cultivares, os resultados foram sistematizados em função dos sítios na planta, da ausência (Figura 4) ou da presença de nitrogênio no solo (Figura 5). Sem a adição de nitrogênio, a população de diazotróficos presentes no solo variou em função dos estádios de desenvolvimento da planta e das cultivares (Figura 4). Observou-se que no estádio inicial de desenvolvimento de ambas cultivares, a população de diazotróficos foi maior, decrescendo à medida que o milho absorveu mais nitrogênio e aumentando no final do ciclo, quando a demanda de N pela planta era menor. No entanto, a população de diazotróficos presentes no colmo aumentou ou diminuiu com o aumento ou decréscimo na absorção de N pelas plantas, respectivamente (Figura 4). Pode-se sugerir que a variação no número de diazotróficos presentes nas raízes e no solo, durante o ciclo de desenvolvimento das plantas, seja governada pela disponibilidade de fontes de carbono fornecida através da exsudação radicular. Na medida em que a taxa de absorção de nitrogênio aumenta, o suprimento de carboidratos às raízes também aumenta e esse processo gera uma perda irreversível de fotoassimilados transferidos até a rizosfera. Por outro lado, quando a taxa de absorção de nitrogênio é baixa (início e final do ciclo de desenvolvimento do milho), há uma diminuição na taxa de translocação de compostos de carbono para o sistema radicular, o que diminui a liberação de exsudatos para a rizosfera (Bredemier & Mundstock, 2000). O aumento da exsudação de compostos de carbono pode favorecer o desenvolvimento de microrganismos heterotróficos, os quais podem competir com os diazotróficos, diminuindo a população dos mesmos. As variações na população de diazotróficos e na população de bactérias heterotróficas totais nas raízes e na rizosfera podem estar diretamente ligadas à disponibilidade de fontes de carbono e ao efeito competitivo entre esses microrganismos. A população dos microrganismos diazotróficos endofíticos presentes no colmo das plantas de milho analisadas não sofre efeito competitivo com Solo (A) 10 (B) 10 80 70 60 50 40 30 20 10 0 8 6 4 2 0 30 55 77 80 70 60 50 40 30 20 10 0 8 6 4 2 0 115 30 55 77 115 Raízes NMP diazotróficos x 104 g-1 250 250 80 70 60 50 40 30 20 10 0 200 150 100 50 0 30 55 77 80 70 60 50 40 30 20 10 0 200 150 100 50 0 115 30 55 77 Absorção de N (%) (B) (A) 115 Colmo (A) 20 (B) 80 70 60 50 40 30 20 10 0 15 10 5 0 30 55 77 115 20 80 70 60 50 40 30 20 10 0 15 10 5 0 30 55 77 115 Dias após a emergência Diazotróficos N FIGURA 4. Relação entre o NMP da população total de diazotróficos presentes no solo, raízes e colmo e a absorção de nitrogênio nas cultivares Santa Helena 8447 (A) e Santa Rosa 3063 (B) sem aplicação de nitrogênio. outros microrganismos não diazotróficos e no interior do tecido das plantas. Provavelmente, as fontes de carbono estão prontamente disponíveis (Olivares et al., 1997). Sendo assim, a população dos diazotróficos que colonizam o colmo das plantas de milho pode variar de acordo com a maior ou menor taxa de absorção de nutrientes. Com a adição de nitrogênio, a população de diazotróficos no solo foi afetado apenas no início do cultivo (Figura 5). A partir do estádio vegetativo (30 DAE), observou-se que o aumento na absorção de N pelas plantas foi seguido do decréscimo da população de diazotróficos. Aos 55 e 77 dias após a emergência das plantas, os diazotróficos presentes no solo não foram afetados pelo nitrogênio, mesmo quando este atingiu valores de 17,30 e 151,47 mg N kg-1 de solo aos 55 dias nas cultivares Santa Helena 8447 e Santa Rosa 3063, respectivamente (Anexo 4). Ao final do ciclo de desenvolvimento das plantas, a população de diazotróficos tendeu a aumentar em ambas cultivares. Este comportamento é melhor observado para os diazotróficos presentes nas raízes das cultivares. Kolb & Martin (1988), estudando a influência do nitrogênio sobre a população de bactérias diazotróficas e bactérias totais na rizosfera, verificaram um comportamento semelhante ao observado neste estudo. Após a aplicação de nitrogênio, os autores verificaram que houve um decréscimo no número mais provável (NMP) de diazotróficos e um aumento no NMP de heterotróficos. Os autores atribuem este fato à supressão competitiva, como o principal fator determinante da diminuição da população de diazotróficos. A relação entre a população de diazotróficos presentes no colmo e a absorção de N pela cultivar Santa Helena 8447 foi a mesma observada quando não se adicionou N, ou seja, à medida que ocorreram aumentos ou decréscimos na absorção de N, também se verificou o mesmo com a população de diazotróficos. Para a cultivar Santa Rosa 3063, observou-se o mesmo comportamento dos diazotróficos presentes no colmo porém, a amplitude dos valores foi inferior. Os resultados obtidos neste levantamento permitem fazer algumas inferências a respeito de técnicas de manejo do solo em nível experimental, a fim de otimizar o processo da fixação biológica do nitrogênio e da produção de substâncias promotoras de crescimento de plantas. Pode-se sugerir a avaliação do impacto na produção através supressão da adubação nitrogenada Solo (A) (B) 8 80 8 80 70 6 60 70 6 60 50 50 4 40 4 40 30 30 2 20 2 20 10 10 0 0 0 30 55 77 0 30 115 55 77 115 (A) 150 (B) 80 150 80 70 120 90 70 60 120 50 90 60 50 40 60 40 60 30 20 30 10 0 30 55 77 20 30 10 0 30 0 115 0 30 55 77 Absorção de N (%) NMP diazotróficos x 104 g-1 Raízes 115 Colmo (A) 6 (B) 80 6 80 70 70 60 60 4 50 40 30 2 4 50 40 30 2 20 20 10 0 0 30 55 77 115 10 0 0 30 55 77 115 Dias após a emergência Diazotróficos N FIGURA 5. Relação entre o NMP da população total de diazotróficos presentes no solo, raízes e colmo e a absorção de nitrogênio das cultivares Santa Helena 8447 (A) e Santa Rosa 3063 (B) com aplicação de nitrogênio. inicial aplicada no momento da semeadura. A supressão da adubação inicial pode favorecer o desenvolvimento da população inoculada, já que o nitrogênio exerce seu maior efeito no estádio de desenvolvimento vegetativo das plantas de milho. A supressão da adubação de base favorece o aumento da população bacteriana, que pode penetrar no tecido das plantas. No interior das mesmas a absorção de N pela planta favorece a população de diazotróficos. Os diazotróficos associativos podem aumentar o comprimento radicular do milho até o final do período vegetativo pela produção de substâncias promotoras de crescimento de plantas e, após a aplicação de nitrogênio em cobertura, o sistema radicular mais desenvolvido terá capacidade de absorver com mais eficiência a água e o nitrogênio adicionado, diminuindo as perdas por lixiviação. A aplicação do nitrogênio apenas em cobertura pode diminuir em cerca de 30% a utilização de adubos nitrogenados, o que representa uma grande economia em termos globais. 4.3 Análise dos isolados bacterianos O isolamento de bactérias da maior diluição com crescimento de película em meio de cultura semi-sólido e a caracterização da morfologia das colônias em meio seletivo e meio enriquecido, bem como a quantificação do N2 fixado confirmou a presença de bactérias diazotróficas associadas às duas cultivares de milho. Isolados do gênero Azospirillum spp. foram obtidos em todas as partes amostradas (solo, raízes e colmo) (Tabela 9), ao passo que bactérias do gênero Herbaspirillum sp. foram isoladas apenas de raízes e colmo. O isolamento de Herbaspirillum spp. em raízes e colmo pode ter ocorrido devido ao caráter endofítico do gênero. O isolamento de Azospirillum spp. em todas as partes amostradas pode ter ocorrido devido ao caráter endofítico facultativo destas bactérias. Não foram isoladas bactérias do gênero Burkholderia spp. e da espécie A. amazonense, mesmo tendo ocorrido formação de película em meio de cultura seletivo para ambos microrganismos. Embora Burkholderia spp. não tenha sido isolada no presente estudo, este gênero já foi encontrado colonizando raízes de milho (Hernandez et al., 1995). A maior freqüência de isolamento foi obtida para bactérias do gênero Azospirillum spp. (85%), enquanto que apenas 15% dos isolados obtidos foram do gênero Herbaspirillum sp. Todos os isolados do gênero Herbaspirillum TABELA 9. Isolados das cultivares Santa Helena 8447 e Santa Rosa 3063 em diferentes locais, N total fixado, N excretado e produção de auxinas. Isolados Gênero 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Azospirillum brasiliense Azospirillum lipoferum Azospirillum lipoferum Azospirillum brasiliense Azospirillum lipoferum Azospirillum lipoferum Herbaspirillum sp. Herbaspirillum sp . Azospirillum brasiliense Herbaspirillum sp. 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Sp 7 DMS (5%) Azospirillum lipoferum Azospirillum brasiliense Azospirillum brasiliense Azospirillum lipoferum Azospirillum brasiliense Azospirillum lipoferum Azospirillum brasiliense Azospirillum brasiliense Azospirillum brasiliense Azospirillum lipoferum Azospirillum brasiliense N Total N Excretado Auxinas Local Santa Helena 8447 ------------------ µg mL-1 dia-1 -----------------Solo 4,04 hi 0,46 cdef 18,42 gh Solo 6,40 b 0,56 abcd 19,68 gh Solo 2,90 jk 0,21 ghi 17,04 hi Raiz 3,77 hi 0,22 ghi 20,43 fg Raiz 2,79 k 0,29 fghi 23,13 ef Raiz 4,67 fg 0,17 hi 36,06 a Raiz 5,89 bc 0,53 bcd 19,86 gh Raiz 5,54 cde 0,58 abcd 17,61 ghi Colmo 3,51 ij 0,22 ghi 17,16 hi Colmo 4,98 ef 0,65 ab 19,91 gh Santa Rosa 3063 Solo 4,98 ef 0,31 efghi 18,30 gh Solo 2,58 kl 0,53 bcd 32,50 b Solo 4,11 ghi 0,14 i 27,10 cd Solo 5,26 def 0,35 efg 25,55 de Solo 4,67 fg 0,20 ghi 15,09 ij Solo 5,63 cd 0,73 a 17,33 hi Solo 6,27 b 0,48 bcde 13,19 j Raiz 2,12 l 0,34 efgh 27,56 cd Raiz 5,86 bcd 0,59 abcd 29,11 c Colmo 4,22 gh 0,42 def 29,86 bc 7,62 a 0,60 abc 6,18 k 4,85 1,41 2,99 Números seguidos da mesma letra minúscula na coluna não diferem significativamente entre isolados pelo teste de DMS a 5%. ............ foram obtidos da cultivar Santa Helena 8447 (Tabela 9), sendo que 2 foram isolados das raízes e 1 do colmo desta cultivar, o que comprova a maior diversidade observada na avaliação do NMP dos diazotróficos no campo. Na cultivar Santa Helena 8447 predominaram isolados do gênero A. lipoferum (75%), ao passo que na cultivar Santa Rosa 3063 a distribuição das duas espécies de Azospirillum foi mais homogênea (57% de A. brasiliense e 43% de A. lipoferum ). A identificação destas duas espécies pode ser realizada pela multiplicação em meio contendo glicose, onde somente a espécie A. lipoferum é capaz de utilizar glicose como única fonte de carbono (Döbereiner et al., 1995). Cerca de 50% dos isolados da cultivar Santa Helena 8447 foram obtidos das raízes das plantas. Os resultados obtidos neste experimento estão de acordo a maioria dos resultados da avaliação do NMP de diazotróficos em gramíneas (Baldani & Döbereiner, 1981; Baldani, 1984; Reis Jr., 2000), onde verifica-se que a maioria das bactérias diazotróficas são isoladas das raízes. Foram obtidos 30% dos isolados do solo e 20% do colmo. Já na cultivar Santa Rosa 3063, 70% dos isolados foram obtidos do solo, 20% das raízes e 10% do colmo. 4.3.1 Quantificação do N2 fixado Os resultados da quantificação do N2 fixado pelos isolados (Tabela 9) variaram de 6,27 µg de N mL-1 dia-1 (isolado nº 17) a 2,12 µg.de N mL-1 dia-1 (isolado nº 18), ambos da espécie A. brasiliense,. isolados da cultivar Santa Rosa 3063. A média geral de N fixado foi de 4,5 µg de N mL-1 dia-1, ao passo que a estirpe padrão A. brasiliense Sp7 fixou 7,62 µg de N mL-1 dia-1, 69% a mais que a média geral. A estirpe Sp7 foi originalmente isolada de Digitaria decumbens e é mais utilizada em estudos de inoculação (Baldani et al., 1999), provavelmente, devido ao seu alto potencial de fixação biológica. Destacaramse também, quanto a maior fixação de N2, os isolados do gênero Herbaspirillum (Tabela 9), que fixaram em média 5,47 µg de N mL-1dia-1, 21,5% a mais que a média geral. Os isolados de A. brasiliense fixaram em média 4,1 µg de N mL-1 dia-1, ao passo que os isolados de A. lipoferum fixaram 4,25 µg de N mL-1 dia-1. Porém, os isolados de A. brasiliense apresentaram maior amplitude nos resultados (2,12 a 6,27 µg de N mL-1 dia-1). A destilação do meio de cultura sem prévia digestão sulfúrica permitiu quantificar o nitrogênio que foi excretado pelos microrganismos (Tabela 9). A capacidade dos diazotróficos em excretar parte do N fixado já havia sido comprovada por Cojho et al. (1993), através da interação de Gluconacetobacter diazotrophicus com uma levedura em meio de cultura sem nitrogênio. Neste estudo, os autores verificaram que os microrganismos deste gênero excretaram até 48% do N fixado. Os isolados obtidos das duas cultivares excretaram em média 9,2% do N fixado, sendo que a variação foi de 3 a 21%. A média de N excretado foi de 0,43 µg de N mL-1 dia-1 e a maior excreção foi verificada no isolado de A. lipoferum nº 16 (0,73 µg de N mL-1 dia1 ) ao passo que a menor excreção foi verificada no isolado de A. brasiliense nº 13(0,14 µg de N mL-1 dia-1). Novamente, destacaram-se os isolados endofíticos do gênero Herbaspirillum, que excretaram em média 0,58 µg de N mL-1 dia-1, 45% a mais que a média. 4.3.2 Produção de substâncias promotoras de crescimento de plantas Com relação à produção de PCPs, verificou-se que todos os isolados apresentaram habilidade de produzir AIA em meio de cultura (Tabela 9). Em média, os isolados produziram 22,24 µg de AIA mL-1 dia-1. Asghar (2002b) trabalhando com PCPs em Brassica sp, verificou produção de até 24,6 µg de AIA mL-1. A estirpe padrão Sp7 produziu 6,18 µg de AIA mL-1 dia-1, 3,6 vezes menos do que a média. De forma geral, verificou-se uma correlação negativa entre fixação de nitrogênio e produção de AIA (r = 0,53, p ≤ 0,20). Porém, o número de amostras não foi suficiente para que a correlação fosse significativa a 5%. Resultados positivos da utilização com inoculantes mistos tem sido relatados. Em trabalho com inoculantes contendo uma mistura de bactérias do gênero Azospirillum, Brasil (2001) verificou aumentos no nitrogênio total e no peso da matéria seca de gramíneas forrageiras comparado com a inoculação com apenas uma espécie de Azospirillum. Han & New (1998) observaram resultados semelhantes em plantas de trigo inoculadas com inoculante misto, em comparação com a inoculação simples. As diferenças na FBN e na produção de PCPs dos isolados pode ser um dos motivos da obtenção de incrementos na produção através da utilização de inoculantes mistos. A maior produção de AIA foi obtida pelo isolado nº 6 de A. lipoferum (36,06 µg de AIA mL-1 dia-1), 62% acima da média, seguido do isolado nº 12 de A. brasiliense (32,5 µg de AIA mL-1 dia-1), 46% acima da média. A menor produção de AIA foi observada no isolado nº 17 de A. brasiliense (1,6 vezes menor que a média). 5. CONCLUSÕES Os resultados obtidos no presente estudo permitiram as seguintes conclusões: a) Bactérias do gênero Azospirillum spp., Herbaspirillum spp., e Burkholderia spp. Foram detectadas em cultivares de milho colonizando o solo da rizosfera, as raízes e colmo das plantas; b) as raízes foram oo sítio preferencial de colonização dos diazotróficos avaliados; c) a distribuição de diazotróficos foi influenciada por cultivares de milho contrastantes quanto à resposta ao N. no entanto, a população de diazotróficos totais não foi afetada pelas diferentes cultivares; d) a adição de nitrogênio ao solo influenciou negativamente a população de diazotróficos na fase inicial de desenvolvimento do milho; e) o ciclo de desenvolvimento das plantas de milho influenciou a distribuição e o número de diazotróficos totais; f) os diazotróficos isolados das plantas e do solo rizosférico de milho foram capazes de fixar N2 e produzir PCPs. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALEXANDER, D. B.; ZUBERER, D. A. 15N2 fixation by bactéria associated with maize roots at a low partial O 2 pressure. Appl. Environ. Microbiol., Washington, v.55, p.1748-1753, 1989. ASGHAR, H. N.; ZAHIR, Z. A.; ARSHAD, M KHALIQ, A. Relationship between in vitro production of auxins by rhizobacteria and their growth-promoting activities in Brassica juncea L. Biol Fertil. Soils, Berlin, v.35, p.231-237, 2002a. ASGHAR, H. N. Isolation and screening of plant growth promoting rhizobacteria for increasing tield and oil contents of Brassica sp. Faisalabad: University of Agriculture, 2002. 210f. Tese (Doutorado - Soil Science), University of Agriculture, Faisalabad, 2002b. BAKKER, P. A.; BAKKER, H. M.; MARUGG, A. W.; WEISBECK, J. D.; SCHIPPERS, P. J. Bioassay for studying the role of siderophores in potato stimulation by Pseudomonas spp. in short potato rotations. Soil Biol. Biochem., Oxford, v.19, p.443-449, 1987. BALDANI, J. I. Ocorrência e caracterização de Azospirillum amazonense em comparação com as outras espécies deste gênero, em milho, sorgo e arroz. Itaguaí: UFRRJ, 1984. 110f. Dissertação (Mestrado Ciência do Solo) - Programa de Pós-Graduação em Agronomia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Itaguaí, 1984. BALDANI, J. I.; BALDANI, V. L.; SELDIN, L.; DOBEREINER, J. Characterization of Herbaspirillum seropedicae gen. nov., sp. Nov., a root associated nitrogen fixing bacterium. Intern. J. Syst. Bacteriol., Washington, v.36, p.86-93, 1986. BALDANI, J. I.; CARUSO, L.; BALDANI, V. L. D.; GOI, S.; DÖBEREINER, J. Recent advances in BNF with non-legume plants. Soil Biol. Biochem., Oxford, v.29, p.911-922, 1997. BALDANI, J. I.; AZEVEDO, M. S.; REIS, V. M.; TEIXEIRA K. R.; OLIVARES, F. L.; GOI, S. R.; BALDANI, V. L. D.; DÖBEREINER J. Fixação biológica do nitrogênio em gramíneas: Avanços e aplicações. In. SIQUERA, J. O.; MOREIRA, F. M. S.; LOPES, A. S.; GUILHERME, L. R. G.; FAQUIN, V.; FURTINI NETO, A. E.; CARVALHO, J. G. (Eds.). Inter-relação fertilidade, biologia do solo e nutrição de plantas. Lavras: UFLA:SBCS, 1999. p. 621-667. BALDANI, J.I.; POT, B.; KIRCHHOF, G.; FALSEN, E.; BALDANI, V.L.D.; OLIVARES, F.L.; HOSTE, B.; KERSTERS, K.; HARTMANN, A.; GILLIS, M.; DÖBEREINER, J. Emended description of Herbaspirillum; inclusion of Pseudomonas rubrisubalbicans, a mild plant pathogen, as Herbaspirillum rubrisubalbicans comb. nov.; and classification of a group of clinical isolates (EF group 1) as Herbaspirillum species 3. Intern. J. Syst. Bacteriol. Washington, v.46, p.802-810, 1996. BALDANI, J.L.; BALDANI, V.L.; SELDIN, L.; DÖBEREINER, J. Characterization of Herbaspirillum seropedicae. nov., sp. nov., a root associated nitrogen fixing bacterium. Intern. J. Syst. Bacteriol, Washington, v.36, p.86-93, 1986. BALDANI, V. L. D. Efeito da inoculação de Herbaspirillum spp. no processo de colonização e infecção de plantas de arroz e, ocorrência e caracterização parcial de uma nova bactéria diazotrófica. Seropédica: UFRRJ, 1996. 234f. Tese (Doutorado - Ciência do Solo) - Programa de Pós-Graduação em Agronomia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 1996. BALDANI, V. L. D.; BALDANI, J. I.; DÖBEREINER, J. Inoculation of field-grown wheat (Triticum aestivum) with Azospirillum spp. In Brazil. Biol. Fertil. Soils, Berlin, v.4, p.37-40, 1987. BALDANI, V. L. D.; BALDANI, J. I.; OLIVARES. F. L.; DÖBEREINER, J. Identificatin and ecology of Herbaspirillum seropedicae and the closely related Pseudomonas rubrisubalbicans. Symb., Rehovot, v.13, p.65-73, 1992. BALDANI, V. L. D.; DOBERINER, J. Host-plant specificity in the infection of cereals with Azospirillum spp. Soil Biol. Biochem., Oxford, v. 12: p. 433439, 1980. BALDANI, V. L. D., DÖBEREINER,J. Host – plant specificity in infection of maize, wheat and rice with Azospirillum spp. In VSE, P. B.; RUSCHEL, A. P., (Ed.) Associative N2 fixation. CRC Press, Boca Ration, v.1, p.131 – 136, 1981. BASHAN, Y.; PUENTE, E. M.; RODRIGUEZ-MENDOZA, M.; HOLGUIN, G.; FERRERA-CERRATO, R.; TOLEDO, G.; PEDRIN, S. Soil parameters which affect the survival of Azospirillum brasiliense. In: WORKSHOP ON AZOSPIRILLUM AND RELATED MICRORGANISMS, 1994, Sárvár. Abstracts. Egypt: NATO Advanced Reserch, 1994. 1p. BELIMOV, A. A.; KUNAKOVA, A. M.; VASILYEVA, N. D. Relationship between survival rates of associative nitrogen-fixers on roots and yield response of plants to inoculation. FEMS Microbial. Ecol., Amsterdam, v.17, p.187-196, 1995. BEVIVINO, A.; SARROCCO, S.; DALMASTRI, C.; TABACCHIONI, S.; CANTEALE, C.; CHIARINI, L. Characterization of a free-living Maizerhizosfere population of Burkholderia cepacia: effect of seed treatment on disease suppression and growth promotion of maize. FEMS Microbiol. Ecol., Amsterdam, v.27, p.225-237, 1998. BODDEY, R. M., Methods for quantification of nitrogen fixation associated with Gramineae. CRC Crit. Rev. Plant Sci., Amsterdam, v.6, p.209-266, 1987. BODDEY, R. M.; OLIVEIRA, O. C.; URQUIAGA, S.; REIS, V. M.; OLIVARES, F. L.; BALDANI, V. L.; DÖBEREINER, J. Biological nitrogen fixation associated with sugarcane and rice: contributions and prospects for improvement. Pl. Soil, The Hague, v.174, p.195-209, 1995. BODDEY, R. M.; SILVA, L. G.; REIS, V. M.; ALVES, B. J. R.; URQUIAGA, S. Assessment of bacterial nitrogen fixation in grass species. In: TRIPLETT, E. W. (Ed.). Nitrogen Fixation in Bacteria: Molecular and Celular Biology.: New York: Horizon Scientific Press, 1999, In press. BRASIL, M., S. Ocorrência de bactérias diazotróficas associadas a gramíneas forrageiras do Pantanal da Nhecolândia – MS. Seropédica: UFRRJ, 2001. 105f. Dissertação (Mestrado - Ciência do Solo) Programa de Pós-graduação em Agronomia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 2001. BREDEMEIR, C.; MUNDSTOCK, C., M., Regulação da absorção e assimilação do nitrogênio nas plantas. Ciênc. Rur., Santa Maria, v.30, p.365-372, 2000. CAMARGO, F. A. O.; GIANELLO, C.; RHEINHEIMER, D. S.; KAMINSKI, J.; BISSANI, C. Fracionamento do N, P e S orgânicos. In: CAMARGO, F. A. O.; SANTOS G. A. (Eds.). Fundamentos da Matéria Orgânica do Solo: Ecossistemas Tropicais e Subtropicais. Gênesis: Porto Alegre: 1999. p.297289. CATTELAN, A. J. Métodos quantitativos para determinação de características bioquímicas e fisiológicas associadas com bactérias promotoras do crescimento vegetal. Londrina: EMBRAPA/Soja, 1999. 36p. CHANWAY, C. P.; HOLL, F. B. Growth of outplanted lodgepole pine seedlings one year after inoculation with growth promoting rhizobacteria. For. Sci., Amsterdam, v.40, p. 238-246, 1994. CHANWAY, C. P.; NELSONA, L. M.; HOLL F. B. Cultivar specific growth promotion of spring wheat by co-existent Bacillus species. Can. J. Microbiol., Ottawa, v.34, p.925-929, 1988. CHEN, Y.; MEI, R.; LU, S.; LIU, L.; KLOEPPER, W. The use of yield increasing bacteria as PGPR in Chinese agriculture. In. GUPTA, U.K; UTKHEDE R. (Eds.) Manejament of Soil borne diseases. New Delhi: M/S Narosa Publishing House,1994. COJHO, E. H.; REIS, V. M.; SCHENBERG, A. C. G.; DÖBEREINER, J. Interactions of Acetobacter diazotrophicus with an amylolytic yeast in nitrogen-free batch culture. FEMS Microbiol. Letters, Amsterdam, v.106, p.341-346, 1993 COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO – RS/SC, Recomendações de Adubação e Calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 3.ed. Passo Fundo: SBCS – Núcleo Regional Sul, 1995. CREGAN, P. B.; BERKUM, P. Genetics of nitrogen metabolism and physiological/biochemical selection for increased grain crop productivity. Theor. Appl. Gen., Heidelberg, v.67, p.97-111, 1984. DIDONET, A. D.; DIDONET, C. C. G. M. Caracterização fisiológica, bioquímica e molecular de isolados de Azospirillum spp. obtidos de raízes de cevada. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 23.; REUNIÃO BRASILEIRA SOBRE MICORRIZAS, 7.; SIMPÓSIO BRASILEIRO DE MICROBIOLOGIA DO SOLO, 5.; REUNIÃO BRASILEIRA DE MICROBIOLOGIA DO SOLO, 2., 1998, Caxambu. Resumos. Lavras: UFLA:SBCS:SBM, 1998. p.187. DÖBEREINER, J.; BALDANI, V. L. D.; OLIVARES, F.L.; REIS, V. M. Endophytic diazotrophs: the key to BNF in non-leguminous plants. In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON NITROGEM FIXATION WITH NONLEGUMES 6.; 1993, Ismailia. Abstracts. Egypt: NATO advanced Reserch, 1993. p.52. DÖBEREINER, J.; BALDANI, V.L.D.; BALDANI, J.I. Como isolar e identificar bactérias diazotróficas de plantas não leguminosas. Brasília: EmbrapaSPI, 1995. 60p. DÖBEREINER, J.; DAY, J.M. Associative symbioses in tropical grasses: characterization of microorganisms and nitrogen-fixing sites. In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON NITROGEN FIXATION,1975, Washington. Abastracts. Washington: NATO advanced Reserch, 1975. p.518-538. EMATER/RS. Recomendação de cultivares de milho para o Estado do Rio Grande do Sul. Rio Grande do Sul: EMATER/RS. 2002. EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de classificação de solos. Brasilia: SPI, 1999. FALLIK, E.; OKON, Y. Growth response of maize roots to Azospirillum inoculation: effect of soil organic matter content, number of rhizosphere bacteria and timing of inoculation Soil Biol. Biochen., Oxford, v.20, p.4549, 1988. FALLIK, E.; OKON, Y.; GOLDMAN, A.; FISCHER, M. Identification and quantification of IAA and IBA in Azospirillum brasiliense-inoculated maize roots. Soil Biol. Biochen., Oxford, v.21, p.147-153, 1989. FALLIK, E.; OKON, Y., Inoculants of Azospirillum brasiliense: biomass production, survival and growth promotion of Setaria italica and Zea mays. Soil Biol. Biochem., Oxford, v.1, p.123-126, 1996. FANCELLI, A. L.; DOURADO - NETO, D. Milho: ecofisiologia e rendimento. In: FANCELLI, A. L.; DOURADO - NETO, D. (Eds.). Tecnologia da produção de milho. USP-ESALQ: Piracicaba, 1997. p. 157-170. FECOTRIGO-FECOAGRO/RS Custo de produção de milho. Disponível em: http://www.redeagro.com.br/indica/custos.htm, Acesso em 03 jan. 2003. FERNANDES, M. F.; FERNANDES, R. P. M.; RODRIGUES, L. S. Bactérias diazotróficas associadas a coqueiros na região de baixada litorânea em Sergipe. Pesq. Agropec. Bras., Brasília, v.12, p.1509-1517, 2001. FULCHIERI, M.; FRIONI, L. Azospirillum inoculation on maize (Zea mays): effect on yield in a field experiment in Central Argentina. Soil Biol. Bichem., Oxford, v.26, p.921-923, 1994. GARCIA de SALOMONE, I. E.; DÖBEREINER, J. Maize genotype effects on the response to Azospirillum inoculation. Biol. Fertil. Soils, Berlin, v.21, p.193-196, 1996. GARCIA de SALOMONE, I. E.; DÖBEREINER, J.; URQUIAGA, S.; BODDEY, R. M. Biological nitrogen fixation in Azospirillum strain-maize genotype associations as evaluated by the 15N isotope diluition technique. Biol. Fertil. Soils, Berlin, v.23, p.249-256, 1996. HAN, S. O.; NEW, P. B. Variation in nitrogen fixing ability among natural isolates of Azospirillum. Microb. Ecol., Amsterdam, v.36, p.193-201, 1998. HERNANDEZ, A. N.; HERNANDEZ, A.; HEVDRICH, M. Selección de rizobactérias asociadas al cultivo del maíz. Cultivos tropicales, Havana, v.16, p.5-8, 1995. HUSSAIN, A.; VANCURA, V. Formation of biologically active substances by rhizosphere bacteria and their effect on plant growth. Folia Microbiol., Phara v.15, p.468-478, 1970. IBGE/CEPAGRO, Levant. Sistem. Prod. Agríc., p.1-76, Jan.2002. Rio de Janeiro, v.14, n.01, JAMES, E. K. Nitrogen fixation in endophytic associative symbiosis. Field Crops Res., North Carolina, v.65, p.197-209, 2000. JAMES, E. K.; OLIVARES, F. L.; BALDANI, J. I.; DÖBEREINER, J. Herbaspirillum, in endophytic diazotrph colonizing vascular tissue in leaves of Sorghum bicolor L. Moench. J. Exp. Bot., Oxford, v.48, p.785-797, 1997. JAMES, E.K.; OLIVARES, F.L. Infection and colonization of sugar cane and other gramineous plants by endophytic diazotrophs. Crit. Rev.Pl. Sci.. Amsterdam, v.17, n.1, p.77-119, 1997. JAVED, M.; ARSHAD, M.; ALI, K. Evaluation of rhizobacteria for their growth promoting activity in maize. Pak. J. Soil Sci., Faisalabad, v.14. p.36-42, 1998. KEFALOGIANNY, Y.; FLOURI, F.; BALIS, C. Occurrence, isolation and identification of Azospirillum strains in Greece. In: WORKSHOP ON AZOSPIRILLUM AND RELATED MICROORGANISMS.1994, Sávár. Abstracts. Hungary: NATO Advanced Researsh, 1994. 1p. KIRCHHOF, G.; SCHLOTER, M.; ABMUS, B.; HARTMANN, A. Molecular microbial ecology approaches applied to diazotrphs associated with nonlegumes. Soil Biol. Biochem., Oxford, v.29, p.853-862, 1997. KOLB, M.; MARTIN, P. Influence of nitrogen on the number of N2-fixing and total bacteria in the rhizosphere. Soil Biol. Biochem., Oxford v.20, n.2, 221-225, 1988. LADHA, J. K.; KIRK, G. J. D.; BENNETT, J.; REDDY, C.K.; SINGH, U. Opportunities for increased nitrogen use efficiency from improved lowland rice germoplasm. Field Crops Res., North Carolina, v.56, p.36-69, 1998. LAMM , R. B.; NEYRA, C. A. Characterizatoin and cyst production of Azospirilla isolated from selected grasses growing in New Jersey and New York. Can. J. Microbiol., Ottawa, v.27, p.1320-1325, 1981. LIMA, E.; BODDEY, R. M.; DÖBEREINER, J. Quantification of biological nitrogen fixation associated with sugarcane using a 15N aided nitrogen balance. Soil Biol. Biochem., Oxford, v.19, p.165-170, 1987. MACHADO, A.T.; SODEK, L.; DÖBEREINER, J.; REIS, V.M. Efeito da adubação nitrogenada e da inoculação com bactérias diazotróficas no comportamento bioquímico da cultivar de milho Nitroflint. Pesq. Agropec. Bras., Brasília, v.33, n.6, p.961-970, 1998. MAGALHÃES, F. M. M. Caracterização e distribuição de uma nova espécie de bactéria fixadora de nitrogênio. Amazonas: INPA, 1983. 98f, Dissertação (Mestrado - Ciência do Solo) - Programa de Pós-graduação em Ciência do Solo, Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas, Amazonas, 1983. MALLIK, K. A.; RASUL, G.; HASSAN, U.; MEHNAZ, S.; ASHARF, M. Role of N2-fixing and growth hormone producing bacteria in improving growth of wheat and rice. In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON NITROGEM FIXATION WITH NON-LEGUMES 6., 1993, Ismailia. Abstracts. Egypt: NATO advanced Reserch, 1993. p.52. MANSOUR, F. A.; ILDESUGUY, H. S.; HAMEDO, H. A. Studies on plant growth regulators and enzyme production by some bacteria. Univ. Sci. J., Qatar, v.14, p.281-288, 1994. MARRIEL, I. E. Diversidade morfológica bioquímica e serológica de diazotróficos associados a gramíneas. Piracicaba: ESALQ, 1996. 103f. Tese (Doutorado - Solos e Nutrição de Plantas) - Programa de PósGraduação em Ciência do Solo , Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba, 1996. MIRANDA, J. B.; VIEGAS, G. P. Milho híbrido. In: PATERNIANI, E.; VIEGAS, G. P.(Eds.). Melhoramento e produção do milho. Fundação Cargil: Campinas, 1987. p. 277-326. MOTA, F. F.; NÓBREGA, A.; MARRIEL, I. E.; PAIVA, E.; SELDIN, L. Genetic diversity of Paenibacillus polymyxa populations isolated from the rhizosphere of four cultivars of maize (Zea mays) planted in Cerrado soil. App. Soil Ecol., Washington, v.20. p.119–132, 2002. NEAL JUNIOR, J. L.; ATKINSON, T. G.; LARSON, R. I. Changes in the rhizosphere microflora of spring wheat induced by disomic substitution of a chromosome. Can. J. Microbiol., Ottawa, v.16, p.153-158, 1970. OKON, Y.; LABANDERA-GONZALEZ, C. A. Agronomic applications of Azospirillum: an evalution of 20 years worldwide field inoculation. Soil Biol. Biochem., Oxford, v.26, p.1591-1601, 1994. OLIVARES, F. L.; BALDANI, V. L. D.; REIS, V. M.; BALDANI, J. I.; DOBEREINER, J. Occurrence of the endophytic diazotrophs Herbaspirillum spp. in roots, stems and leaves predominantly of Gramineae. Biol. Fertil. Soils, Berlin, v.21, p.197-200, 1996. OLIVARES, F. L.; JAMES, E. K.; BALDANI. J. I.; DÖBEREINER, J. Infection of mottled stripe disease susceptible and resistant varieties of sugar cane by endophytic diazotroph Herbaspirillum. New Phytol., Oxford, v.135, p.723737, 1997. OLIVARES, F.L.; BALDANI, V.L.D.; REIS, V.M.; BALDANI, J.I.; DÖBEREINER, J. Occurence of the endophytic diazotrophs Herbaspirillum spp. in roots, stems and leaves predominantly of Gramineae. Biol. Fert. Soils, Berlin, v.21, p.197-200, 1996. PALLUD, C.; VIALLARD, V.; BALANDREAU, J.; NORMAND, P.; GRUNDMANN, G. Combined use of a specific probe and PCAT medium to study Burkholderia in soil. J. Microbiol. Meth.,Washington, v.47, p.25-34, 2001. PAUL, E.; CLARK, W.E. Soil Microbiology and. Biochemistry.. New York: Academic. Press, 1996. 224p. PENOT, I.; BERGES, N.; GUIGUENÉ, C.; FAGES, J. Characterization of Azospirillum associated with maize (Zea mays L.) in France using biochemical test and plasmid profiles. Can. J. Microbiol., Ottawa. v.38, p.798-803, 1992. PEREIRA, J. A. R. Bactérias diazotróficas e fungos micorrízicos arbusculares em diferentes genótipos de milho (Zea mays L.). Lavras:UFLA, 1995. 112f. Dissertação (Mestrado - Solos e Nutrição de Plantas) - Programa de Pós-Graduação em Agronomia, Universidade Federal de Lavras, Lavras, 1995. PILLAR, V. D. P. Multiv Multivariate Exploratory Analysis, Randomization Testing and Bootstrap Resampling. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2001. PODANI, J. Multivariate Data Analysis in Ecology and Systematics. SPB The Hague: Academic Publishing, 1994. p.77-106. POLLI, H.; MATSUI, E.; DÖBEREINER, J.; SALATI, E. Confirmation of nitrogen fixation in two tropical grasses by 15N2 incorporation. Soil Biol. Biochem., Oxford, v.9, p.119-123, 1977. RECOMENDAÇÕES técnicas para a cultura do milho no Estado do Rio Grande do Sul - Porto Alegre: FEPAGRO; EMATER/RS; FECOAGRO/RS, 1998 (Boletim Técnico, n. 5). REIS JR. F. B.; SILVA, L. G.; REIS, V. M.; DÖBEREINER, J. Ocorrência de bactérias diazotróficas em diferentes genótipos de cana-de-açúcar. Pesq. Agropec. Bras, Brasília, v.35, p.985-994, 2000. RENNIE, R. J.; FREITAS, J. R.; RUSCHEL, A. P.; VOSE, P. B. 15N isotope diluition to quantify dinitrogen (N2) fixation associated with Canadian and Brazilian wheat. Can. J. Bot., Ottawa, v.61, p.1667-1671, 1983. RIO GRANDE DO SUL/SAA. Macrozonemento agroecológico e econômico do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: SAA, 1994. 544p. ROESCH, L. F. W.; CAMARGO, F. A.O.; SELBACH, P. A.; BIZARRO, M. J. Ocorrência de bactérias diazotróficas associadas à plantas de milho cultivadas em sistema de semeadura direta. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 25.; REUNIÃO BRASILEIRA SOBRE MICORRIZAS, 8.; SIMPÓSIO BRASILEIRO DE MICROBIOLOGIA DO SOLO, 6.; REUNIÃO BRASILEIRA DE MICROBIOLOGIA DO SOLO, 3., 2000 Santa Maria. Resumos Expandidos, Santa Maria: UFSM:SBCS:SBM, 2000. CD-ROM. SADASIVAN, L.; NEYRA, C. A. Cyst production and brown pigment formation in aging cultures of Azospirillum brasiliense ATCC 29145. J. Bacteriol., Washington, v.169, p.1670-1677, 1987. SHERSTHA, R. K.; LADHA, J. K.; Genotypic variation in promotion of rice nitrogen fixation as determined by nitrogen 15N diluition. Soil Sci. Am. J., Madison, v.60, p.1815-1821, 1996. SONTHAYANON, P.; KRASAO, P.; WUTHIEKANUN, V.; PANYIM, S.; TUNGPRADABKUL, S. A simple method to detect and differentiate Burkholderia thailandensis using specific flagellin gene primers. Molec. Cel. Prob., Amsterdam, v.16, p.217-222, 2002. STEENHOUDT, O.; VANDRLEYDEN, J. Azospirillum, a free-living nitrogenfixing bacterium closely associated with grasses: genetic, biochemical and ecological aspects. FEMS Microbiol. Rev., Amsterdam, v.24, p.487-506, 2000. TAL, S.; OKON, Y. production of the reserve material poly-b-hydroxybutyrate and its function in Azospirillum brasiliense Cd. Can. J. Microbiol., Ottawa, v.31, p.608-613, 1985. TEDESCO, M. J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C. A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. J. Análise de solo plantas e outros materiais. 2ed. Porto Alegre: Depto. de Solos da UFRGS, 1995. 174p. THUAR, A. M.; OLMEDO C. A.; BELLONE, C. Greenhouse studies on growth promotion of maize inoculated with plant growth-promoting rhizobacteria (PGPR). Auburn University Disponível em: http://www.ag.auburn.edu/argentina/pdfmanuscripts/thuar.pdf. Acesso em 01 fev.2000. TILAK, K. V. B. R.; SINGH, C. S.; ROY, N. K.; SUBA RAO, N. S., Azospirillum brasiliense and Azotobacter chrococcum inoculum: effect on yield of maize (Zea mays) and sorghum (Sorghum bicolor). Soil Biol. Biochem., Oxford, v.14, p.417-418, 1982. URQUIAGA, S.; CRUZ, K. H.; BODDEY, R. M. Contribution of nitrogen fixation to sugarcane: nitrogen 15 and nitrogen balance estimates. Soil Sci. Soc. Am. J., Madison, v.56, p.105-114, 1992. YONEYAMA, T.; MURAOKA, T.; KIM, T. H.; DACANEY, E.V.; NAKANISHI, Y. The natural 15N abundance of sugarcane and neighbouring plants in Brazil the Philippines and Miyako (Japan). Pl. Soil, The Hague, v.189, p.239-244, 1997. ZAHIR, Z. A.; ABBAS, S. A.; KHALID, M.; ARSHAD, M. Substrate dependent microbiallly derived plant hormones for improving growth of maize seedlings. Pak. J. Biol. Sci., Faisalabad, v.3, p.289-291, 2000. 7. ANEXOS 7.1 Anexo 1: Meios de cultura e soluções utilizadas Meio de cultura NFb (Döbereiner et al., 1995) 5,0 g L-1 Ácido málico -1 K2HPO4 -1 MgSO4.7H2O 0,5 g L 0,2g L -1 0,1 g L 0,02 g L -1 NaCl CaCl2.2H2O 2 mL Solução de micronutrientes 2 mL azul de bromotimol (solução 0,5% em 0,2N KOH) 4 mL FeEDTA (solução 1,64%) 1 mL Solução de vitaminas -1 4,5g L KOH pH 6,5 - 6,8 Meio de cultura JNFb (Döbereiner et al., 1995) 5,0 g L-1 Ácido málico 0,6 g L-1 K2HPO4 -1 KH2PO4 -1 0,2g L MgSO4.7H2O 0,1 g L-1 NaCl 0,02 g L-1 CaCl2.2H2O 1,8 g L 2 mL Solução de micronutrientes 2 mL azul de bromotimol (solução 0,5% em 0,2N KOH) 4 mL FeEDTA (solução 1,64%) 1 mL Solução de vitaminas 4,5g L-1 KOH pH 5,8 Meio de cultura LGI (Döbereiner et al., 1995) 5,0 g L-1 Sacarose -1 K2HPO4 -1 0,6 g L KH2PO4 0,2 g L-1 MgSO4.7H2O 0,002 Na2Mo4.2H2O 0,002 CaCl2.2H2O 5 mL azul de bromotimol (solução 0,5% em 0,2N KOH) 4 mL FeEDTA (solução 1,64%) 1 mL Solução de vitaminas pH 6,0 - 6,2 0,2 g L Meio de cultura LGI-P (Döbereiner et al., 1995) 100 g L-1 Sacarose -1 K2HPO4 -1 0,6 g L KH2PO 4 0,2 g L-1 MgSO4.7H2O 0,002 g L-1 Na2Mo4.2H2O 0,02 g L-1 CaCl2.2H2O 5 mL azul de bromotimol (solução 0,5% em 0,2N KOH) 0,01 g L-1 FeCl3.6H2O pH 5,5 0,2 g L Meio de cultura JMV (Baldani, 1996) 5,0 g L-1 Manitol -1 0,6 g L K2HPO4 1,8 g L-1 KH2PO 4 -1 0,2g L MgSO4.7H2O 0,1 g L-1 NaCl 0,02 g L-1 CaCl2.2H2O 2 mL Solução de micronutrientes 2 mL azul de bromotimol (solução 0,5% em 0,2N KOH) 4 mL FeEDTA (solução 1,64%) 1 mL Solução de vitaminas pH 4,2 - 4,5 Meio de cultura Batata (Baldani & Döbereiner, 1980) 200 g L-1 Batata -1 Ácido málico -1 2,5 g L Sacarose 2 mL Solução de micronutrientes 1 mL Solução de vitaminas pH 6,5 - 7,0 2,5 g L Solução de micronutrientes (Döbereiner, 1995) 0,04 g L-1 CuSO2.5H2O 1,20 g L-1 ZnSO 4.7H2O 1,40 g L-1 H3Bo3 1,00 g L-1 Na2Mo4.2H2O 1,175 g L-1 MnSO4.2H2O Solução de vitaminas (Döbereiner et al., 1995) 10 mg 100 mL-1 Biotina 20 mg Pirridoxol - HCl Solução salina para diluição (Döbereiner et al., 1995) 3,4 g L-1 KH2PO 4 0,2 g L-1 MgSO4.7H2O 0,1 g L-1 NaCl 0,02 g L-1 CaCl2.2H2O 2 mL Solução de micronutrientes 4 mL FeEDTA (solução 1,64%) -1 4,5 g L KOH pH 7,0 7.2 Anexo 2: Tabela de McCrady para cálculo do Número mais provável (NMP) de bactérias diazotróficas em contagem com três frascos por diluição Diluição com cresc. 000 Nº de diazotróficos 0,0 Diluição com cresc. 201 Nº de diazotróficos 1,4 Diluição com cresc. 302 Nº de diazotróficos 6,5 001 0,3 202 2,0 310 4,5 010 0,3 210 1,5 311 7,5 011 0,6 211 2,0 312 11,5 020 0,6 212 3,0 313 16,0 100 0,4 220 2,0 320 9,5 101 0,7 221 3,0 321 15,0 102 1,1 222 3,5 322 20,0 110 0,7 223 4,0 323 30,0 111 1,1 230 3,0 330 25,0 120 1,1 231 3,5 331 45,0 121 1,4 232 4,0 332 110,0 130 1,6 300 2,5 333 140,0 200 0,9 301 4,0 - - 7.3 Anexo 3: DAE Probabilidades calculadas para diferenças entre tratamentos. 30 55 77 115 Solo 0,041 0,456 0,302 0,545 30 55 77 115 0,027 0,581 0,044 0,560 julgar Nitrogênio Raiz 0,004 0,888 0,875 0,782 Variedade 0,598 0,051 0,881 0,723 a significância Colmo 0,696 0,432 0,368 0,630 0,120 0,005 0,130 0,402 das 7.4 Anexo 4: Nitrogênio mineral do solo aos 30, 55, 77 e 115 dias após a emergência das plantas de milho nos diferentes tratamentos. Cultivar / Tratamentos NH4 NO3 + NO2 N total -1 --------------------------- mg kg -------------------------30 DAE Santa Helena sem N Santa Rosa sem N Santa Helena com N Santa Rosa com N 5,73 4,96 14,41 8,00 1,34 0,80 4,11 2,39 7,06 5,76 18,52 10,39 6,95 8,23 16,37 145,61 0,00 0,00 0,92 5,86 6,95 8,23 17,30 151,47 77 DAE 6,78 8,22 10,96 0,52 0,26 2,22 7,31 8,48 13,18 13,05 4,31 17,35 0,51 0,00 0,77 4,62 5,39 4,10 3,98 7,70 55 DAE Santa Helena sem N Santa Rosa sem N Santa Helena com N Santa Rosa com N Santa Helena sem N Santa Rosa sem N Santa Helena com N Santa Rosa com N 115 DAE Santa Helena sem N Santa Rosa sem N Santa Helena com N Santa Rosa com N 4,87 4,10 3,21 3,08 8. VITA Luiz Fernando Wurdig Roesch, filho de Fernando José Germany Roesch e Erica Würdig Roesch, nascido em 25 de maio de 1976 em Porto Alegre -RS. Estudou no Colégio Nossa Senhora da Glória, onde completou o primeiro e segundo graus. Em 1995 ingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde foi graduado Engenheiro Agrônomo em fevereiro de 2001. Neste mesmo ano iniciou o curso de Mestrado em Ciência do Solo no Curso de Pós-Graduação em Ciência do Solo Universidade Federal do Rio Grande do Sul. da Faculdade de Agronomia da