MARCOS ROBERTO MARTINS CO-EDUCAÇÃO, CULTURA ESCOLAR E SEUS LIMITES: GINÁSIO BARÃO DE ANTONINA (1942-1952) FLORIANÓPOLIS (SC) 2009 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E DA EDUCAÇÃO - FAED MESTRADO EM EDUCAÇÃO MARCOS ROBERTO MARTINS CO-EDUCAÇÃO, CULTURA ESCOLAR E SEUS LIMITES: GINÁSIO BARÃO DE ANTONINA (1942-1952) Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Educação da UDESC, como requisito para obtenção do título de Mestre. Orientador: Prof. Dr. Norberto Dallabrida. FLORIANÓPOLIS (SC) 2009 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E DA EDUCAÇÃO - FAED MESTRADO EM EDUCAÇÃO MARCOS ROBERTO MARTINS CO-EDUCAÇÃO, CULTURA ESCOLAR E SEUS LIMITES: GINÁSIO BARÃO DE ANTONINA (1942-1952) Dissertação apresentada como requisito para obtenção do título de Mestre, no Curso de Mestrado em Educação do Centro de Ciências Humanas e da Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. Banca Examinadora: Orientador: _________________________________________________________ Prof. Dr. Norberto Dallabrida UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina Membro: ___________________________________________________________ Profa. Dra. Gizele de Souza UFPR – Universidade Federal do Paraná Membro: ___________________________________________________________ Prof. Dr. Celso João Carminati UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina Florianópolis, SC, 27 de abril de 2009. À Professora Marilda Ferigotti, por toda a acolhida e apoio durante a pesquisa. À minha esposa, Leila, por toda a dedicação, carinho e pela paciência com minhas ausências durante o processo de escrita. Aos meus pais, Enio e Maria, pelo incentivo e ajuda no meu percurso escolar. AGRADECIMENTOS Nesses dois anos e meio de muito esforço e dedicação para a realização do presente trabalho, tive ajuda e aconselhamento de muitas pessoas, sem as quais a tarefa que me propus a realizar teria sido difícil e demorada. Assim, agradeço: ao Prof. Dr. Norberto Dallabrida, meu orientador, que, com sua paciência e aconselhamento, guiou-me na pesquisa e na escrita do trabalho: esclarecendo dúvidas, deu sugestões e incentivou-me para vencer as dificuldades encontradas; à banca examinadora, composta pelos Professores Doutores Gizele de Souza, Celso João Carminati, Gladys Mary Ghizoni Teive, sob a presidência de meu orientador, Prof. Dr. Norberto Dallabrida; à Profª. Drª. Maria das Dores Daros, pela participação na banca de qualificação; à professora Marilda Ferigotti, que me acolheu em sua casa, como acolhe um filho, nas muitas viagens de pesquisa ao Museu Escolar do Ginásio Barão de Antonina, em Mafra, pela disponibilidade em me auxiliar na coleta dos documentos, fotografias e nas entrevistas realizadas com os ex-alunos e alunas do ginásio. Parceira da pesquisa que, com muita vontade e determinação, administra o museu escolar; a Arnoldo Ferigotti, pelas histórias sobre o município de Mafra; à direção do Colégio Estadual Barão de Antonina, na pessoa da diretora Odila Ekel Bonfim, pela abertura e uso do arquivo da escola; aos funcionários da Biblioteca Municipal de Mafra, pela facilidade de acesso ao material pesquisado; a todos os professores da linha de pesquisa História e Historiografia da Educação do Mestrado de Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina, principalmente às Professoras Doutoras Vera Lúcia Gaspar da Silva e Gladys Mary Ghizoni Teive, pela competência e sólida formação, pelas aulas criativas e cativantes, mas acima de tudo pelo amor à pesquisa escolar; ao Programa de Pós-Graduação em Educação/Mestrado da Universidade do Estado de Santa Catarina; às minhas colegas da turma de Mestrado em Educação, da linha de História e Historiografia da Educação, em especial Clarete, Ângela e Virgínia, pela amizade, parceria e ajuda nas dificuldades encontradas, pela alegria nos cafés de Floripa; à Rogéria Diegoli e Mariane Zen, pelas viagens em busca do saber, pelo auxilio nas dúvidas da pesquisa e pelas conversas e risos memoráveis; aos meus colegas de estudo e pesquisa, especialmente Fernando, Letícia, Luana, Eliachim, Ana Laura e Camila; aos funcionários da DAPE/FAED, pelo atendimento; à direção, professores e meus colegas de trabalho do SENAI e da Escola de Ensino Médio Yvonne Olinger Appel, de Brusque, especialmente Rose, Douglas, Darci, Marilene, Joice, Osmarilda, Anderson, Aline, Ana e Fabiane; ao meu colega de trabalho professor Thiago, pela dedicação na tradução para o inglês; à professora Cléia Mª Borges da Silva, pelo cuidadoso trabalho de revisão; aos meus alunos e alunas do ensino médio do SENAI e da Escola Yvonne Olinger Appel de Brusque; aos meus pais, Enio e Maria; minha tia Cilene; meu irmão Márcio e cunhados Ana, Zinho e Dani; aos sobrinhos Léo, Anna Lya e Matheus, pelo carinho, amor e incentivo; à Leila, minha amada esposa, pela paciência e parceria neste trabalho, pela transcrição da entrevista, pelas viagens a Mafra, pelo sorriso nas horas difíceis da escrita, por me ensinar a cada dia a ter paciência e a viver bem a vida. RESUMO Para dar visibilidade à co-educação, cultura escolar e seus limites no Ginásio Barão de Antonina, este estudo optou por analisar as normas e práticas escolares, como as disciplinas, regimentos, leis, decretos, desfiles cívicos, tudo o que foi produzido e reproduzido por aquela instituição de ensino, para entender os saberes e habilidades escolares. Trata-se de uma instituição privada de ensino secundário, localizado em Mafra, ao norte do Estado de Santa Catarina, mantida por uma associação privada e laica chamada Associação Mafrense de Ensino, mantenedora do Ginásio. Este fez parte, na primeira metade do século XX, da fase de crescimento de instituições de ensino secundário no território catarinense e foi um dos poucos a oferecer um ensino co-educativo. Ofereceu, naquele período, para o gênero masculino: internato e externato; e para o gênero feminino, apenas o externato. O foco desta pesquisa está centrado no período compreendido entre os anos de 1942 e 1952. Através da categoria Cultura Escolar, tentou-se compreender: a interpretação do ensino co-educativo na Lei Orgânica do Ensino Secundário nacional de 1942 e as possíveis implicações da lei no currículo do Ginásio; o tratamento dado pela Associação Mafrense de Ensino àquele tipo de educação; as divergências entre os educadores do período sobre aquele tema; as disciplinas escolares oferecidas, como a Educação Física, Trabalhos Manuais e Economia Doméstica, que eram diferenciadas por gênero, e as outras disciplinas escolares da grade curricular, comuns aos gêneros; a co-educação e a formação de habilidades através dos limites físicos, normas, regulamentos, uniformes, exercícios, exames, certificação, atividades cívicas e extracurriculares. Além disso, procurou-se distinguir os limites e as formas diferenciadas do ensino co-educativo, atestadas pelas famílias e concretizadas no Ginásio e compreender as relações sociais, no processo de incorporação da cultura escolar, nos mais variados espaços do educandário. Como única instituição de ensino da região norte de Santa Catarina e sul do Paraná, o Ginásio Barão de Antonina, através de um conjunto de saberes e habilidades, funcionou como normalizadora dos anseios dos grupos sociais que o frequentavam. Através das disciplinas e práticas escolares, imprimiu nos alunos e alunas um conjunto de habilidades que teve por fim a formação co-educativa desigual. A co-educação funcionou como um verniz, pois era utilizada no Ginásio para adequação do número de matrículas em cada série e não como um ensino verdadeiramente co-educativo. O currículo, através dos saberes e das práticas escolares, objetivava a formação de homens patrióticos, que tinham como função social futura a direção de seus negócios, de suas carreiras públicas e privadas; e de mulheres capacitadas para realizar com dedicação a função de esposas e mães e dar apoio às aspirações profissionais ou políticas de seus futuros maridos. Palavras-chaves: Co-Educação. Ensino Secundário. Cultura Escolar. ABSTRACT To give visibility to the co-education, school culture and their limits in the Ginásio Barão of Antonina, this study it opted to analyze the norms and school practices as the subjects, regiments, laws, decrees, civic parades, everything that it is produced and reproduced in the secondary school. Indeed, understanding the knowledge and school skills of the Ginásio Barão of Antonina, private institution of secondary school. Located in Mafra, north of Santa Catarina State, it was maintained by a private and laic association called Associação Mafrense de Ensino. The secondary school was part, in the first half of the twentieth century, of the growth phase of secondary teaching institutions in the territory catarinense and it was one of the few ones to offer a co-educative teaching. It was offered in that period for the masculine gender; boarding-school and day-school; and for the feminine gender just the day-school. The focus of this research is during the period between the years 1942 to 1952. Through the category school culture, to understand the interpretation of the coeducative teaching in the Organic Law of the national Secondary Teaching and the possible implications of the law in the curriculum of the secondary school. The treatment given by the Associação Mafrense de Ensino that teaching type. The divergences among the educators of the period on that theme. The subjects offered in the secondary school, as the physical education, manual works and domestic economy that were differentiated by gender and the other subjects of the grating curricular that were common to the genera. The co-education and the formation of abilities through the physical limits, norms, regulations, uniforms, exercises, exams, certification, civic and extracurricular activities. Distinguishing the limits and the differentiated forms of the co-educative teaching, attested by the families and concreted in the secondary school. Understanding the social relations, in the process of incorporation of the school culture, in the most varied spaces of the school. As an only school of teaching of the north area of Santa Catarina and south of Paraná, the Ginásio Barão of Antonina through a set of knowledge and skills, it worked as a normalizing institution of the longings of the social groups that frequented the school. Through the subjects and school practices, it printed in the students a group of unequal abilities in their co-educative formation. The co-education in the institution worked as a varnish that was used in the secondary school for adaptation of the registrations number in each grade and not like a truly curriculum co-educative. The curriculum of the secondary school, through the knowledge and the school practices, it aimed at the patriotic men's formation who had social function in the future with their businesses, their public and private careers and of women qualified to accomplish with dedication the wives' function and mothers and of support the professional or political aspirations of their futures husbands. Keywords: Co-education. Secondary school. School culture. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Exposição dos Trabalhos Manuais femininos – 1952.............................................46 Figura 2 – Jogo de basquete masculino – 1949........................................................................50 Figura 3 – Exame Biométrico da disciplina de Educação Física – 1949..................................51 Figura 4 – Exame Biométrico da disciplina de Educação Física – 1949..................................52 Figura 5 – Material para as aulas de atletismo e ginástica da disciplina de Educação Física – 1949..........................................................................................................................53 Figura 6 – Time de voleibol feminino – 1945..........................................................................54 Figura 7 – Prédio e terreno do Ginásio Barão de Antonina – 1939..........................................59 Figura 8 – Prédio do Ginásio Barão de Antonina, vista do Salão Nobre – 1952......................60 Figura 9 – Prédio do Internato do Ginásio Barão de Antonina, anterior à demolição no final da década de 1960 – 1959.............................................................................................62 Figura 10 – Certificado de aprovação no Exame de Admissão à primeira série ginasial de 1947 de Alaor G. de Souza – 2009........................................................................70 Figura 11 – Avaliação do Resultado Escolar de 1947, do aluno Ciro Cordeiro – 2009...........73 Figura 12 – Caderneta Escolar de 1951, do aluno Wilson Tiehmann – 2009...........................76 Figura 13 – Turma da primeira série – 1949.............................................................................77 Figura 14 – Exposição Escolar – 1948......................................................................................80 Figura 15 – Desfile Cívico de 1952, com a participação dos alunos e alunas do Ginásio Barão de Antonina – 1952................................................................................................81 Figura 16 – Desfile Cívico de 1948, com a participação dos alunos e alunas do Ginásio Barão de Antonina – 1948................................................................................................82 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Quadro Geral de matrículas Masculinas (M) e Femininas (F) do Ginásio Barão de Antonina (1937-1941).............................................................................................32 Tabela 2 – Quadro Geral de matrículas Masculinas (M) e Femininas (F) do Ginásio Barão de Antonina (1942-1947)..............................................................................................34 Tabela 3 – Quadro Geral de matrículas Masculinas (M) e Femininas (F) do Ginásio Barão de Antonina (1948-1952)..............................................................................................35 Tabela 4 – Quadro Geral das disciplinas escolares do Ginásio Barão de Antonina nas quatro séries e a quantidade de aulas de cada disciplina em cada série por semana do ano de 1944....................................................................................................................38 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.......................................................................................................................13 CAPÍTULO 1 SABERES ESCOLARES: A FORMAÇÃO DIFERENCIADA DOS GÊNEROS......................................................................................................26 1.1 A NORMALIZAÇÃO DO ENSINO SECUNDÁRIO.......................................................30 1.2 AS DISCIPLINAS ESCOLARES EM COMUM...............................................................36 1.3 AS DISCIPLINAS ESCOLARES GENERIFICADAS.....................................................45 CAPÍTULO 2 CONSTRUINDO HABILIDADES DIFERENCIADAS NAS PRÁTICAS ESCOLARES.................................................................................................56 2.1 ESPAÇO E TEMPO ESCOLAR........................................................................................58 2.2 EXERCÍCIO, AVALIAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO..........................................................66 2.3 EXPOSIÇÕES E FESTAS ESCOLARES..........................................................................78 2.4 DESFILES CÍVICOS E FORMATURA............................................................................80 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................84 FONTES E REFERÊNCIAS.................................................................................................88 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA........................................................................................94