UNIVERSIDADE CAMILO CASTELO BRANCO
FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA
ESTUDO DA SEGURANÇA CLÍNICA (INOCUIDADE) DO
MODERADOR ORGÂNICO AMINOPOOL, ADMINISTRADO VIA
INTRAMUSCULAR, EM RATOS WISTAR.
Marcos Roberto Scherma
Médico Veterinário
DESCALVADO, SP – BRASIL
2010
i
UNIVERSIDADE CAMILO CASTELO BRANCO
FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA
ESTUDO DA SEGURANÇA CLÍNICA (INOCUIDADE) DO
MODERADOR ORGÂNICO AMINOPOOL, ADMINISTRADO VIA
INTRAMUSCULAR, EM RATOS WISTAR.
Marcos Roberto Scherma
Orientador: Prof. Dr. Marco Antonio de Andrade Belo
Dissertação apresentada à Faculdade de
Medicina Veterinária - UNICASTELO Câmpus de Descalvado, como parte das
exigências para a obtenção do título de
Mestre em Medicina Veterinária (Produção
Animal).
DESCALVADO, SP – BRASIL
2010
ii
iii
iv
v
iii
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço o auxílio técnico de Alessandra Cristina de Moraes, Ed
Johnny da Rosa Prado e Paulo Coutinho durante o período experimental. Assim como, o
apoio da Universidade Camilo Castelo Branco e do Laboratório Aminogel Ltda sem os quais
não seria possível a realização desse trabalho.
A Prof. Dra. Viviane Gomes por proporcionar essa oportunidade em minha vida.
Ao amigo Prof. Dr. Ronaldo Tavares de Araujo, pelo apoio e auxílio sempre que foi
necessário.
Ao Prof. Dr. Vando Edésio Soares, coordenador do Programa de Pós-Graduação
Stricto Sensu em Medicina Veterinário – Produção Animal, pela compreensão e oportunidade
e auxílio, sempre que necessitamos de um estatístico!.
Ao Prof Dr. Luciano Melo de Souza por saber que posso contar com seu apoio.
E por fim, o meu muitíssimo obrigado ao meu orientador Prof. Dr. Marco Antonio de
Andrade Belo, por simplesmente tudo! Pela aceitação em ser meu orientador; pela paciência
e compreensão; pela dedicação ao meu experimento e dissertação; por ter se tornado
indispensável à realização desse trabalho. Sou grato a você que tanta importância teve nessa
etapa da minha vida e da minha formação profissional. Na certeza de ser a primeira parceria
de outras que surgirão e na certeza por poder contar com seu apoio, o meu agradecimento:
obrigado!
v
vi
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS..................................................................................................
LISTA DE TABELAS ..................................................................................................
I. REVISÃO DE LITERATURA...................................................................................
1. Importância da pecuária nacional....................................................................
Página
v
vi
1
1
2. Utilização de moderadores orgânicos................................................................
4
3. Toxicologia .....................................................................................................
8
4. Patologia clínica ..............................................................................................
11
II. ESTUDO DA SEGURANÇA CLÍNICA (INOCUIDADE) DO MODERADOR
ORGÂNICO AMINOPOOL®, ADMINISTRADO VIA INTRAMUSCULAR, EM
RATOS WISTAR .......................................................................................................
Resumo .....................................................................................................................
Abstract ......................................................................................................................
1. Introdução .......................................................................................................
13
13
14
15
2. Objetivos .........................................................................................................
16
3. Materiais e métodos ........................................................................................
16
3.1 Animais .....................................................................................................
3.2 Delineamento experimental ......................................................................
3.3 Administração do modificador orgânico ....................................................
3.4 Anestesia dos animais ..............................................................................
3.5 Colheita de sangue ...................................................................................
3.6 Determinação do perfil bioquímico ............................................................
3.7 Determinação do hemograma ...................................................................
3.8 Determinação dos índices somáticos .......................................................
3.9 Determinação do estudo histopatológico ..................................................
3.10 Avaliação clínica e comportamental dos animais ...................................
3.11 Análise estatística ...................................................................................
4. Resultados ......................................................................................................
16
19
19
20
20
22
23
23
24
25
25
4.1 Parâmetros bioquímicos ...........................................................................
4.2 Parâmetros hematológicos .......................................................................
4.3 Índices somáticos ......................................................................................
5. Discussão .......................................................................................................
25
28
30
III. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................................................................
35
25
31
vi
VII
LISTA DE FIGURAS
Página
1
- (A e B) Sistema de criação dos animais em caixas de polipropileno; (C)
administração intramuscular do moderador orgânico na musculatura estriada do
membro posterior direito ........................................................................................
2
-
(A)
Associação
anestésica
administrada
procedimento de imobilização dos
por
via
intraperitonial;
(B)
animais para colheita de material; (C)
colheita ...................................................................................................................
3
18
21
- (A) Colheita de material para histopatológico; (B) separação dos órgãos para
pesagem e determinação dos índices somáticos ..................................................
24
vii
viii
LISTA DE TABELAS
Página
1
- Delineamento experimental para estudo de segurança clínica (inocuidade) do
moderador orgânico Aminopool® administrado via intramuscular, em ratos
Wistar. Unicastelo, Descalvado, SP .......................................................................
2
19
- Parâmetros hematológicos avaliados em sangue total, colhido com
anticoagulante, para determinação da segurança clínica do tratamento com
administração
parenteral
do
Aminopool® em
ratas Wistar. Unicastelo,
Descalvado, SP ......................................................................................................
3
22
- Parâmetros bioquímicos avaliados em amostras de soro colhidas para
determinação da segurança clínica do tratamento com administração parenteral
do Aminopool® em ratas Wistar. Unicastelo, Descalvado, SP ...............................
4
5
6
7
- Valores séricos médios (n=8) e a análise de variância estatística para os
parâmetros bioquímicos aferidos em ratas Wistar submetidas aos diferentes
tratamentos com o moderador orgânico Aminopool®. Unicastelo, Descalvado,
SP. ..........................................................................................................................
- Valores séricos médios (n=8) e a análise de variância estatística para os
parâmetros eritrocitários aferidos em ratas Wistar submetidas aos diferentes
tratamentos com o moderador orgânico Aminopool®. Unicastelo, Descalvado,
SP. ..........................................................................................................................
Valores séricos médios (n=8) e a análise de variância estatística para os
parâmetros leucocitários e plaquetários aferidos em ratas Wistar submetidas
aos diferentes tratamentos com o moderador orgânico Aminopool®. Unicastelo,
Descalvado, SP. .....................................................................................................
Valores séricos médios (n=8) e a análise de variância estatística para os índices
somáticos renais (INS), hepáticos (IHS) e esplênicos (IES) aferidos em ratas
Wistar submetidas aos diferentes tratamentos com o moderador orgânico
Aminopool®. Unicastelo, Descalvado, SP. .............................................................
22
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28
30
31
viii
I. REVISÃO DE LITERATURA
1. IMPORTÂNCIA DA PECUÁRIA NACIONAL
A criação de gado bovino no Brasil é a atividade econômica que ocupa a
maior extensão de terras. Segundo o censo agropecuário de 2007, as áreas de
pastagens ocupam no país aproximadamente 176,46 milhões de hectares,
enquanto as destinadas à lavoura totalizam 62 milhões de hectares (IBGE, 2010;
MAPA, 2007).
Os primeiros registros da atividade pecuária no Brasil se dão ainda no
período de colonização, no século XVI, quando foram introduzidos os primeiros
bovinos oriundos de Cabo Verde, numa das expedições de exploração do atual
território nacional. Esta introdução foi realizada onde hoje se localiza o estado da
Bahia. Já no século XVII, outros animais teriam chegado à capitania de São
Vicente.
O
crescimento
do
rebanho
nacional
foi
grande
no
século
XVII
contribuindo para a expansão de novas áreas e penetração em regiões
interioranas do continente, como as ocupadas pelos estados de Goiás, Minas
Gerais, Pernambuco, Maranhão e Rio Grande do Sul (IEL, 2000; FONTE DO
SABER, 2010; INFO ESCOLA, 2010; FERRAZ e FIGUEIREDO JUNIOR, 2010).
No século XIX houve nova expansão do rebanho nacional com a chegada de
animais europeus e a introdução do gado zebuíno no país (FERRAZ e FIGUEIREDO
JUNIOR, 2010; MICHELS, 2001; SIMONSEN, 1937).
A partir do século XX, após as duas grandes guerras mundiais, chegam ao
Brasil os grandes frigoríficos estrangeiros que sinalizam um novo cenário e que
prevalece até os dias de hoje: não visam o mercado brasileiro, mas apenas a
exportação de carne para a Europa (BINI, 2009; MAPA, 2007).
Os dados dos Recenseamentos de 1940, 1950 e 1960 revelam elevadas
taxas de crescimento da pecuária bovina neste período. Entre 1940 e 1967, as
pastagens aumentam quase 35 milhões de hectares e o rebanho bovino mais que
dobrou, passando de 44,6 milhões para 90 milhões no mesmo período. Apesar do
crescimento ser justificado pelo aumento do consumo doméstico de carne, leite e
laticínios, criou-se nesse período a consciência de que o Brasil se transformaria
1
num dos maiores fornecedores de carne bovina para o mundo (SCHLESINGER,
2010).
O Brasil possui o segundo maior rebanho bovino do mundo, com 202
milhões de cabeças de bovinos, suplantado apenas pela Índia (FERRAZ e
FIGUEIREDO JUNIOR, 2010; DIAS, 2009; JESUS JUNIOR et al, 2008).
Entre 1990 e 2007, a produção de carne bovina mais que dobrou, passando
de 4,1 para mais de 9 milhões de toneladas, com ritmo de crescimento bem
superior ao de sua população e de seu consumo. Esta combinação de fatores fez
com o que Brasil se tornasse, a partir de 2004, o maior exportador mundial
(SMERALDI e MAY, 2008; BUAINAIN e BATALHA, 2007)
Os maiores rebanhos bovinos do país estão no Mato Grosso (representando
12,9% do gado nacional), seguindo de Minas Gerais (11,3%) e Mato Grosso do
Sul (10,5%). O rebanho bovino brasileiro tem se deslocado em direção ao Norte
do país, em parte, devido à disputa por área com as lavouras de cana-de-açúcar,
soja e milho no Centro-Sul. Na região da Amazônica Legal (que abrange toda a
região Norte e parte do Maranhão e de Mato Grosso) a quantidade de cabeças de
gado cresceu 78% na comparação 1997-2007, com destaque para o Sul do Pará,
o Norte de Mato Grosso e Rondônia. Em 2007, o rebanho bovino na Amazônia
Legal já representava 35% do rebanho bovino nacional (FERRAZ e FIGUEIREDO
JUNIOR, 2010; ANUALPEC, 2007; IBGE, 2007).
Em 2009 houve uma discreta redução na produção brasileira de carne
bovina, passando dos 9,024 milhões de toneladas equivalentes a carcaças em
2008 para 8,935 milhões em 2009, havendo porém um crescimento projetado
para esse período referente a 2009-2019 de 3,5% ao ano, o que também
representa um valor relativamente elevado, pois consegue atender ao consumo
doméstico e às exportações (MAPA/AGE, 2009).
O Brasil é o principal exportador mundial de carne bovina. Em 2008 liderou
o ranking dos maiores exportadores de carne bovina no mundo, somando um
volume de 2,2 milhões de toneladas equivalente a carcaças, com receita cambial
de US$ 5,3 bilhões. Estes valores representam uma participação de 28% do
2
comércio internacional, exportando para mais de 170 países, entre eles a Rússia,
Egito, China, Reino Unido, EUA, Japão e Chile (FERREIRA, 2010).
Apesar de deter o quarto maior rebanho bovino do mundo, os EUA são os
maiores produtores globais de carne bovina. Esse fato deve-se à elevada taxa de
desfrute nesse país, de 35% em 2006, que é influenciada por diversos fatores tais
como espécie do gado, forma de criação (confinamento), utilização de hormônio
de crescimento e qualidade e tipo de alimentação do animal. Para efeito de
comparação, em 2006, o Brasil registrou uma taxa de desfrute de 22,4%,
resultado principalmente da forma de criação do rebanho, predominantemente
extensiva. Enquanto isso, China e Rússia possuem as maiores taxas de desfrute
do mundo, 41% e 43%, respectivamente (IICA, 2008).
A pecuária brasileira é caracterizada pelo baixo valor econômico e pelo mau
aproveitamento
do
potencial
do
rebanho,
resultantes
principalmente
de
deficiências tecnológicas como a falta de aprimoramento racial; a deficiência das
pastagens (a maior parte é natural) e de rações complementares, e a elevada
incidência de doenças infecto-contagiosas e precária inspeção sanitária (VIEIRA,
2006; SANTOS et al, 2004).
A relação bovino/habitante no Brasil é muito baixa quando comparado a
países como a Argentina, Austrália e Uruguai. A idade média do gado para abate
no Brasil é de 4 anos, muito elevada em relação a países como Argentina, EUA,
Inglaterra (cerca de 2 anos) e Itália (12 meses). O peso médio também é muito
baixo ainda, 230 a 240 quilos, contra mais de 600 quilos na Argentina, EUA e
Inglaterra (VIEIRA, 2006).
Como conseqüência dos fatores idade e peso, ocorre que a taxa de desfrute
(percentual do rebanho abatido anualmente) no Brasil é muito baixa, cerca de
15% a 20% contra 30% da média mundial e 40% dos EUA (JESUS JUNIOR et al,
2008).
A eficiência produtiva é um dos pilares para que os negócios agropecuários
possam atingir níveis satisfatórios de competitividade. No contexto da pecuária, a
busca por aumento da produção através de ganhos de produtividade, em
3
detrimento do aumento do rebanho, tem levado a uma reestruturação dos
sistemas produtivos de gado de corte. Essa reestruturação é baseada na eficiência
produtiva, sendo esta diretamente relacionada com a eficiência econômica dos
sistemas de produção (SIMÕES et al, 2006)
Os novos padrões de produção de gado de corte associados a mercados de
produtos e insumos cada vez mais competitivos levaram a um incremento nos
custos de produção. Dessa forma, a redução da lucratividade do setor de pecuária
tornou-se um fator de seleção natural daqueles produtores mais eficientes. Para
se manter na atividade, o pecuarista tem tido que reestruturar seus métodos de
produção por meio da tecnificação. Nesse contexto, a atividade pecuária tem
passado por uma mudança cultural quanto à visão empresarial dos pecuaristas
em todo o território nacional. Assim, tem-se notado a necessidade de que as
decisões dentro dos sistemas de produção sejam calcadas em informações cada
vez mais precisas quanto ao uso de fatores produtivos e seus respectivos preços.
2. UTILIZAÇÃO DE MODERADORES ORGÂNICOS
O Brasil, mesmo possuindo o maior rebanho de bovinos do mundo,
apresenta baixos índices de produtividade na pecuária de corte (GRAMINHA,
2010).
A baixa produção bovina nos trópicos tem como um dos principais
responsáveis, a inadequação de nutrição animal resultante, principalmente, da
sazonalidade característica da forrageira nesta região (SOUTELLO et al, 2002).
A maior parte da produção nacional de bovinos de corte está fundamentada
em pastagens de Brachiaria decumbens que, por ser uma gramínea tropical,
apresenta a produção, tanto no aspecto de qualidade quanto em quantidade,
distribuída em dois períodos distintos, quais sejam, águas e seca. No período da
seca há redução da produção de forragem em razão da avançada idade fisiológica
das plantas forrageiras e da baixa rebrotação, decorrente da inibição causada pela
presença de grande quantidade de perfilhos maduros, baixa umidade no solo, das
temperaturas mais baixas e dos dias mais curtos, apresentando baixo nível
protéico e alto teor de fibra bruta, altamente lignificada, desta forma, a produção
4
animal, que reflete a qualidade da forragem, é freqüentemente baixa em
pastagens desta gramínea durante a estação seca/fria. Assim, a sazonalidade da
produção forrageira conduz freqüentemente à sazonalidade da produção animal,
principalmente quando a criação é conduzida em regime extensivo (EUCLIDES et
al, 2010, GRAMINHA, 2010, SANTOS et al, 2004).
Para um programa de produção contínua de carne que pretende ser
eficiente e competitivo, torna-se essencial eliminar as fases negativas do
desenvolvimento proporcionando condições ao animal para se desenvolver
normalmente, durante todo o ano, a fim de que se alcancem as condições de
abate, peso e/ou terminação, mais precocemente (EUCLIDES et al, 2010).
A busca por lucro através da redução no tempo de retorno do capital na
pecuária de corte tem levado a adoção cada vez maior do confinamento como
estratégia integrada no sistema de produção para a terminação dos animais.
Nesta etapa os resultados estão diretamente ligados ao plano nutricional, onde a
elaboração adequada da dieta e o manejo diário de alimentação chegam a
participar
em
até
30%
nos
custos
operacionais
totais
do
confinamento
(GRAMINHA, 2010).
É importante salientar que a deficiência energética quando comparada à
deficiência protéica, pode ser mais limitante para a produção animal durante o
período seco. Contudo, é difícil dissociar completamente uma deficiência da outra,
ou seja, deficiências de proteína e de energia estão relacionadas, uma vez que a
deficiência protéica tem um efeito negativo sobre a digestibilidade de nutrientes e
o consumo de energia (EUCLIDES et al, 2010).
A proibição do uso de anabolizantes por parte da maioria dos países da
Europa e também do Brasil, justifica os esforços no sentido de se encontrar outras
alternativas para o incremento do ganho de peso em bovinos, que sejam
economicamente viáveis (SOUTELLO et al, 2002).
Produtos denominados “modificadores orgânicos”, formulados à base de
aminoácidos, vitaminas e minerais, recomendados como estimulantes, vem sendo
utilizados pelos produtores rurais, visando à promoção do crescimento ou a
5
redução das perdas de peso no período de escassez de alimentos (RESTLE et al,
1995).
O uso de promotores e ou estimulantes do crescimento, aliado a uma
nutrição adequada e um bom manejo sanitário, se faz necessário para um
programa eficiente e competitivo, de produção continua de carne, com melhores
ganhos de peso e maturidade dos animais (SOUTELLO et al, 2002, CAMPOS NETO
et al, 2003).
O uso de suplementos aminoácidos enriquecidos com minerais e vitaminas
tem por objetivo corrigir deficiências nutricionais, fornecendo condições bióticas
para o crescimento e ou terminação dos animais, com reflexo positivo no ganho
de peso (CAMPOS NETO et al, 2004).
A aplicação parenteral de soluções de aminoácidos é um método seguro e
indicado em nutrição animal, uma vez que promove retenção de nitrogênio com
reflexo positivo no ganho de peso, estimulando a síntese de DNA e RNA, além da
proliferação celular (CAMPOS NETO et al, 2004). Porém para haver aumento de
peso, é necessário e imprescindível que os bovinos tenham à disposição forragem,
mesmo que seca, para a solução injetável de aminoácidos possa refletir
positivamente no desenvolvimento dos ruminantes (CAMPOS NETO et al, 2003)
Em situações de ingestão de alimentos em nível inferior ao exigido para
mantença, os aminoácidos das proteínas e o glicerol das gorduras (ambos
mobilizados) são os precursores energéticos predominantes, pois as cadeias
carbônicas dos aminoácidos trasaminados são, daí por diante, moléculas capazes
de entrar no ciclo de Krebs e serem usadas conforme as necessidades (MAYNARD
et al., 1984).
Apesar de ter sua utilização bastante difundida entre produtores rurais, a
eficiência dos tratamentos com soluções injetáveis de aminoácidos está longe de
ser um consenso entre os pesquisadores. Pereira et al. (2005), trabalhando com
novilhas
mestiças
nelore
mantidas
a
pasto,
não
encontraram
diferença
significativa entre os tratamentos para ganho de peso, em animais recebendo
complexo de aminoácidos injetável. Por sua vez, Soutello et al., em 2002,
6
avaliaram a eficiência de quatro diferentes suplementos injetáveis de vitaminas e
aminoácidos, quanto ao ganho de peso em novilhos nelore mantidos a pasto, não
tendo encontrado diferenças significativas entre os diferentes tratamentos. Em
Minas Gerais, Vitorino (2005) também não encontrou diferenças significativas
para o grupo tratado em um experimento que confrontou o ganho de peso em
novilhos castrados de diferentes grupos genéticos, mantidos a pasto, recebendo
ou não solução injetável de aminoácidos, vitaminas e minerais, associados ou não
ao fornecimento de probiótico oral.
Entretanto, Corrêa et al. (1998) afirmam que a utilização de complexo de
aminoácidos, vitaminas e minerais foi eficiente em melhorar o ganho de peso em
bovinos machos castrados, mestiços holandês/zebu, mantidos a pasto, na época
da seca. Campos Neto et al. (2003) trabalharam com novilhas nelore na fase de
crescimento mantidas a pasto, divididas em dois grupos, um recebendo
aminoácidos injetável e sal mineral protéico energético, e outro recebendo apenas
sal
mineral
protéico
energético.
Estes
autores
encontraram
resultados
estatisticamente superiores para o ganho de peso entre os animais do grupo que
recebeu o composto com aminoácidos injetável associado ao sal mineral protéico
energético, demonstrando a eficicácia da aplicação parenteral da solução de
aminoácidos.
Em 2004, Campos Neto et al. voltaram a pesquisar este tema, trabalhando,
dessa vez, com a avaliação do desenvolvimento de bezerros da raça nelore com
idade de 10 a 12 meses, mantidos a pasto e tratados com suplementação
injetável de aminoácidos, vitaminas e minerais. Neste trabalho, os pesquisadores
estudaram a interação da suplementação de aminoácidos com o sal mineral,
assim como a interação do suplemento de aminoácidos com sal mineral
energético protéico, sobre o ganho de peso dos animais na época da seca,
comparando os resultados obtidos aos resultados dos respectivos grupos controle,
que receberam somente as misturas minerais correspondentes. Os pesquisadores
concluíram que houve efeito significativo do tratamento no grupo que recebeu
aminoácidos injetáveis, associado ao sal mineral protéico energético.
7
Para Litter (1978), aplicações parenterais de aminoácidos obtidos por meio
da hidrólise de órgãos bovinos são um método biologicamente seguro de nutrição
animal. Além disso, promovem retenção de nitrogênio e o restabelecimento do
nível normal de proteína no organismo de indivíduos com deficiência protéica.
Segundo Zambrano et al. (1987), a aplicação por vias intramuscular e subcutânea
dessas soluções não provocou nenhum tipo de reação no local da aplicação, nem
nos principais órgãos envolvidos em seu metabolismo, como fígado, rins,
adrenais, tireóide e linfonodos regionais, mas auxiliou no ganho de peso dos
animais.
3. TOXICOLOGIA
A utilização de medicamentos veterinários é essencial na prática moderna
de produção intensiva de animais para consumo humano, sendo, igualmente, um
componente muito importante do bem-estar animal. Estas substâncias evidenciam
um duplo efeito. Para além da ação farmacológica esperada, são capazes de
promover um aumento substancial na eficácia da conversão dos alimentos,
promovendo um maior ganho diário em peso (BARBOSA, 2007).
A
exposição
deliberada
a
uma
variedade
de
compostos
estranhos
(xenobióticos) na forma de medicamentos com fins terapêuticos ou não podem
provocar respostas biológicas de natureza farmacológica ou tóxica. Essas
respostas biológicas geralmente dependem da conversão da substância absorvida
em um metabólito ativo ou não, com a finalidade principal de ser eliminada
(FRANCO e FRANCO, 2006).
De uma maneira geral, um xenobiótico, após absorção, sofre no organismo
alterações na sua estrutura através das reações de biotransformação. A
biotransformação, portanto, é um processo alternativo, em que os metabólitos
formados
possuem
propriedades
diferentes
das
drogas
originais,
com
características mais hidrofílicas, tendo por objetivo facilitar a excreção pelo
organismo.
A
alteração
química
sofrida
pelo
xenobiótico
no
organismo,
comumente sob a ação de enzimas específicas e/ou inespecíficas, juntamente com
8
os fenômenos de absorção, distribuição e excreção, participa da regulação de
níveis plasmáticos de drogas. (MEYER, 1996). Contudo, nem sempre as drogas
são
inativadas;
aumentada
ou
pelo
contrário,
propriedades
alguns
tóxicas,
metabólitos
incluindo
apresentam
a
atividade
mutagenicidade,
a
teratogenicidade e a carcinogenicidade.
As enzimas são as responsáveis pelas reações de biotransformação e
encontram-se de forma mais concentrada no fígado, estando presentes em todo o
organismo (sangue, rins, pulmões, pele, tecido nervoso, intestino delgado e
fígado); localizam-se predominantemente na superfície do retículo endoplasmático
liso e constituem o sistema oxidase de função mista ou monoxigenases ou
sistema citocromo P450, possuindo importantes funções metabólicas, além de ser
o sistema de sentinela que primeiro apreende e inativa vários xenobióticos no
organismo (FLÓRIO e SOUSA, 2008; FRANCO e FRANCO, 2006).
Nos processos de biotransformação de xenobióticos, têm-se as reações de
fase I, originando um ou mais metabólitos aptos a sofrer reações de conjugação
ou de fase II e subseqüente eliminação. Mais raramente, os derivados conjugados
podem ainda sofrer reações de fase III. Todas estas reações, que desejavelmente
deveriam originar compostos menos tóxicos, são muitas vezes responsáveis por
fenômenos de bioativação com produção de metabólitos reativos.
Muitos fatores podem afetar as vias de biotransformação de agentes
tóxicos, sendo que os fatores mais importantes são divididos em internos
(fisiológicos e patológicos) e externos. Entre os fatores internos, tem-se a espécie
animal, fatores genéticos, sexo, idade, prenhez e presença de doenças. Entre os
externos, tem-se a dieta e o meio ambiente (FLÓRIO e SOUSA, 2008).
A biotransformação, tão importante para a excreção de substâncias,
apresenta o seu lado perverso como resultado da oxidação microssômica. Os
metabólitos tóxicos podem formar ligação covalente e/ou não-covalente com
moléculas-alvo. As interações não-covalentes, entre elas, a peroxidação lipídica, a
produção de espécies tóxicas de oxigênio e as reações causadoras de alteração da
concentração de glutation e modificação de grupos sulfidril, podem resultar em
citotoxicidade. Já as interações covalentes de metabólitos reativos à proteína
9
podem produzir um imunógeno; a ligação ao DNA pode causar carcinogênese e
teratogênese (FRANCO e FRANCO, 2006)
De acordo com Haliwell (1997) e Datta et al. (1998), os processos
peroxidativos envolvendo lipídios de membrana celulares representam fatores
cruciais nas patogêneses de doenças relacionadas aos radicais livres, incluindo
processos inflamatórios e disfunções hepáticas. Na fisiopatologia destes eventos,
o fígado desempenha papel central no equilíbrio homeostático de processos
biológicos essenciais, regulando funções metabólicas importantes que envolvem a
síntese,
ativação,
armazenamento
e
catabolismo
de
substâncias
químicas
endógenas e exógenas (RAO et al., 2006).
A peroxidação de fosfolipídios da membrana citoplasmática promove
mudanças funcionais e morfológicas por acúmulos de produtos derivados deste
processo oxidativo acarretando alterações na estrutura e na permeabilidade das
membranas celulares, e conseqüente perda da seletividade na troca iônica e
liberação do conteúdo de organelas, como as enzimas hidrolíticas dos lisossomas,
e formação de produtos citotóxicos, culminando com a morte celular, causando
severas injúrias nos tecidos hepáticos, como: hepatites, esteatoses, necroses
centrolobulares, fibroses, cirroses e hepatomas (POLI et al., 1987; RECKNAGEL et
al., 1989; FERREIRA e MATSUBARA, 1997).
A ocorrência de desenvolvimento de síndromes hepato-renais é elevada em
casos de intoxicações. Pois, danos severos na função hepática por diferentes
etiologias podem causar prejuízos na atividade renal, agravando o quadro clínico
do animal (HUIZAR et al., 2006).
Evidências indicam que os processos de regeneração hepática dependem da
disponibilidade de aminoácidos e glicose. Estudos recentes demonstraram a
participação benéfica da suplementação com leucina, isoleucina e valina sobre a
melhora no metabolismo da glicose em ratos apresentando cirrose (HABU et al.,
2003; NISHITANI et al., 2005). No entanto, outro aspecto extremamente
relevante, quando se estuda a administração exógena de modificadores orgânicos,
relaciona-se a inocuidade dos compostos. Pois, aliado aos ganhos em desempenho
produtivo, estas formulações devem oferecer segurança clínica aos animais.
10
Segundo Klaassen (2006), toda substância é potencialmente tóxica, a dose
correta diferencia o remédio do tóxico.
Acresce ainda que a variabilidade interespécies pode expressar-se por vias
de
metabolização
diferentes,
originado
o
mesmo
xenobiótico
diferentes
metabolitos. Este conhecimento torna premente estudos farmacocinéticos e
toxicocinéticos de todas as drogas veterinárias em todas as espécies alvo
destinadas ao consumo humano, no sentido de se identificar e quantificar todos os
metabolitos formados (BASTOS e FERREIRA, 1996).
Nesse contexto, a toxicologia, como área multidisciplinar do conhecimento,
tem experimentado grandes avanços nos dias de hoje, ganhando destaque, uma
vez que o risco de intoxicação por diferentes agentes aumenta na mesma
proporção do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, expondo, cada vez
mais, os animais aos efeitos nocivos desses agentes.
4. PATOLOGIA CLÍNICA
A enzimologia clínica surge como um meio de desenvolver e utilizar exames
clínicos que ofereçam o máximo de informação com um mínimo de invasibilidade,
auxiliando no diagnóstico de doenças, no prognóstico de quadros clínicos diversos
e na avaliação do estado nutricional dos pacientes (SCHEFFER e GONÇALVEZ,
2010).
A história da enzimologia é muito recente, tendo seus primeiros passos a
partir de trabalhos publicados por Vitor Henri em 1901, e por Leonor Michaelis
entre 1910 e 1914. Estas pesquisas ofereceram subsídio teórico para que em
1927, King e Armstrong utilizassem pela primeira vez a enzima fosfatase alcalina
para o diagnóstico clínico. Em meados da década de 1960, as enzimas séricas já
eram utilizadas como meio auxiliar de diagnóstico. Na medicina veterinária, o seu
uso começou a ganhar importância a partir da década de 1980 e continua a
crescer em importância até os dias de hoje (SANTOS, 2008).
As enzimas de interesse diagnóstico são constituintes celulares de alguns
tecidos específicos. Elas podem fazer parte tanto da membrana celular, como de
11
organelas ou do conteúdo citossólico. Constantemente estas enzimas estão sendo
liberadas na corrente sangüínea e, da mesma forma, são retiradas do sangue. Em
condições normais, existe um equilíbrio entre a velocidade de liberação dos
tecidos e de sua eliminação ou catabolismo. A simples detecção de atividade
enzimática não é suficiente para o diagnóstico, uma vez que a presença de
enzimas no sangue é considerada normal. A atividade catalítica sangüínea só tem
significado clínico quando os valores encontrados ficam fora dos valores normais
de referência, descartadas as causas clínicas de interferência (SCHEFFER e
GONÇALVEZ, 2010).
O incremento da atividade enzimática tecidual normalmente está associado
ao aumento da síntese da enzima no tecido de origem, à diminuição do
catabolismo ou à proliferação celular, enquanto o decréscimo ocorre pelos fatores
inversos (diminuição da síntese, aumento da degradação), pela inativação
enzimática ou carência de cofatores (GELLA, 1994). Isto pode ocorrer por causas
fisiológicas, patológicas ou terapêuticas.
O aumento da liberação de enzimas à corrente sangüínea pode ocorrer por
morte celular, aumento de permeabilidade da membrana ou pela proliferação
celular. Alguns fatores interferem no tempo necessário para que a enzima seja
liberada no sangue, entre eles o tamanho da enzima e outros fatores ligados ao
órgão, como proximidade dos capilares e permeabilidade capilar do tecido. A
eliminação das enzimas presentes na corrente sangüínea ocorre por excreção
renal e pelo catabolismo mediado por células fagocíticas do sangue e do sistema
retículo endotelial (SCHEFFER e GONÇALVEZ, 2010).
Embora algumas enzimas sejam específicas de determinados órgãos, na
maioria das vezes pode ser necessário usar outros recursos que ajudem na
identificação do tecido afetado. Kerr (1989) cita que tanto a determinação de
isoenzimas, quanto o uso concomitante de outras enzimas, podem auxiliar no
diagnóstico. Bush (1991) acrescenta que outros achados laboratoriais podem
indicar ou descartar o envolvimento de determinado órgão, quando avaliados
conjuntamente.
12
I.
ESTUDO DA SEGURANÇA CLÍNICA (INOCUIDADE) DO MODERADOR
ORGÂNICO AMINOPOOL1, ADMINISTRADO VIA INTRAMUSCULAR,
EM RATOS WISTAR.
Resumo
Na suíno e bovinocultura, o uso parenteral de aminoácidos tem sido utilizado para
melhorar o desempenho produtivo dos animais. No entanto, são raros os estudos
que demonstram a toxicidade destes compostos na literatura. Tendo em vista a
importância destas práticas na medicina veterinária, o presente estudo avaliou a
segurança
clinica
do
moderador
orgânico,
Aminopool®,
administrado
via
intramuscular em ratos Wistar, através do estudo da evolução clínica e patológica
dos
animais,
mediante
análise
de
parâmetros
bioquímicos,
eritrocitários,
leucocitários, plaquetários e de alterações anatomo-patológicas. Para tal foram
utilizadas 56 ratas, pesando em média 220g, albinas da linhagem Wistar, virgens
e púberes, alimentadas com ração comercial e água ad libitum, expostas a
temperatura ambiente e fotoperíodo de aproximadamente 14 horas. As ratas
foram distribuídas aleatoriamente em sete grupos de 8 animais cada, constituindo
os seguintes tratamentos: T1= dose 0,2mL, amostrado 24h pós-tratamento
(HPT); T2= dose 0,2 mL, 96 HPT; T3= dose 2mL, 24 HPT; T4= dose 2mL, 96
HPT; T5= dose 4mL, 24 HPT; T6= dose 4mL, 96 HPT; T7 = sem aplicação do
moderador orgânico (Grupo controle). O tratamento T7 foi submetido à
administração de solução fisiológica a 0,9% na dose de 0,2 mL/kg de p.v., para
padronização do estímulo de estresse por captura e aplicação dos medicamentos.
Os animais foram anestesiados com associação cetamina 10% e xilazina 2% na
1
AminoPool – Empresa Aminogel
13
proporção de 6:1, administrada via intramuscular na dose de 1mL da solução/kg
de p.v., para colheita de sangue da veia cava caudal, utilizando-se heparina
sódica como anticoagulante. Na determinação do eritrograma foi utilizado
contador automático de células sanguíneas (Modelo CC510, da Celm). O estudo
hematológico, bioquímico e anatomo-patológico das ratas demonstrou boa
margem de segurança para suplementação parenteral de aminoácidos quando
administrado na dose de 0,2 mL recomendada pelo fabricante.
Palavras-chave: moderador orgânico, aminoácidos, toxicidade, ratos.
Abstract
In pig and cattle production, the use of parenteral amino acids have been used to
improve
the
productive
performance
of
animals.
However,
few
studies
demonstrating the toxicity of these compounds in the literature. Given the
importance of these practices in veterinary medicine, this study evaluated the
clinical safety of the moderator organic Aminopool ® administered intramuscularly
in rats, through the study of clinical and pathological animal through the analysis
of biochemical parameters, erythrocyte , leukocyte, and platelet anatomopathological changes. To this end, we used 56 rats, weighing on average 220g,
Wistar albino, and pubescent virgins, fed commercial chow and water ad libitum,
exposed to ambient temperature and photoperiod of approximately 14 hours. The
rats were divided randomly into seven groups of eight animals each, according to
the following treatments: T1 = 0.2 mL dose, sampled 24 h post-treatment (HPT),
T2 = 0.2 mL dose, 96 PTH, T3 = 2mL dose, HPT 24, T4 = 2mL dose, 96 HPT, T5 =
4mL dose, 24 HPT, T6 = 4mL dose, 96 HPT; T7 = no application of organic
moderator (control group). Treatment T7 was submitted to the administration of
saline 0.9% at a dose of 0.2 mL / kg bw, to standardize the stimulus of stress by
capture and application of medicines. The animals were anesthetized with
ketamine 10% and 2% xylazine at a ratio of 6:1, administered intramuscularly at
a dose of 1mL of solution / kg bw for collecting blood from the caudal vena cava,
using heparin as an anticoagulant . In determining the erythrocyte was used
14
automated blood cell counter (Model CC510, the Celm). The study hematological,
biochemical and pathological anatomy of the rats showed good safety margin to
parenteral amino acid supplementation when administered at a dose of 0.2 mL
recommended by the manufacturer.
Keywords: organic moderator, amino acids, toxicity, rats.
1. INTRODUÇÃO:
Os animais estão continuamente expostos a diferentes tipos de substâncias
potencialmente tóxicas, a maioria destes compostos químicos induz a peroxidação
de lipídios mediadas pela presença de radicais livres, resultando na lesão de
biomembranas, conseqüentemente, promovendo disfunções celulares e teciduais
(CHO et al., 2003).
De acordo com Haliwell (1997) e Datta et al. (1998), os processos
peroxidativos envolvendo lipídios de membrana celulares representam fatores
cruciais nas patogêneses de doenças relacionadas aos radicais livres, incluindo
processos inflamatórios e disfunções hepáticas. Na fisiopatologia destes eventos,
o fígado desempenha papel central no equilíbrio homeostático de processos
biológicos essenciais, regulando funções metabólicas importantes que envolvem a
síntese,
ativação,
armazenamento
e
catabolismo
de
substâncias
químicas
endógenas e exógenas (RAO et al., 2006).
A peroxidação de fosfolipídios da membrana citoplasmática promove
mudanças funcionais e morfológicas por acúmulos de produtos derivados deste
processo oxidativo, causando severas injúrias nos tecidos hepáticos, como:
hepatites, esteatoses, necroses centrolobulares, fibroses, cirroses e hepatomas
(POLI et al., 1987; RECKNAGEL et al., 1989).
A ocorrência de desenvolvimento de síndromes hepato-renais é elevada em
casos de intoxicações. Pois, danos severos na função hepática por diferentes
etiologias podem causar prejuízos na atividade renal, agravando o quadro clínico
do animal (HUIZAR et al., 2006).
15
Evidências indicam que os processos de regeneração hepática dependem da
disponibilidade de aminoácidos e glicose. Estudos recentes demonstraram a
participação benéfica da suplementação com leucina, isoleucina e valina sobre a
melhora no metabolismo da glicose em ratos apresentando cirrose (HABU et al.,
2003; NISHITANI et al., 2005). Estudos tem demonstrado o efeito sinérgico
destes nutrientes, Kröger et al. (1999) verificaram a participação benéfica da
suplementação de metionina quando associada a nicotinamida na redução de
efeitos tóxicos induzidos pelo tratamento de metotrexato. No entanto, outro
aspecto extremamente relevante, quando se estuda a administração exógena de
modificadores orgânicos, relaciona-se a inocuidade dos compostos. Pois, aliado
aos ganhos em desempenho produtivo, estas formulações devem oferecer
segurança clínica aos animais. Segundo Klaassen (2006), toda substância é
potencialmente tóxica, a dose correta diferencia o remédio do tóxico.
Devido à importância dos moderadores orgânicos na produção buscando
melhorar a atividade metabólica e o desempenho produtivo dos animais,
associado ao crescimento no emprego destes compostos em sistemas intensivos
de produção, este estudo tem por objetivo avaliar a segurança clínica (inocuidade)
do composto Aminopool®1, após a administração intra-muscular (IM) em ratos
Wistar.
2. OBJETIVOS:
O presente bioensaio teve por objetivo avaliar a segurança clínica do
composto
de
aminoácidos,
denominado
Aminopool®,
administrado
via
intramuscular, em ratos Wistar. A atividade tóxica foi determinada através do
estudo da evolução clínica e patológica dos animais, mediante análise de
parâmetros bioquímicos, eritrocitários, leucocitários, plaquetários e de alterações
anatomo-patológicas.
3. MATERIAL E MÉTODOS:
1
AminoPool – Empresa Aminogel
16
O experimento foi conduzido nos Laboratórios de Farmacologia e Patologia
Clinica Veterinária do Hospital Veterinário da Universidade Camilo Castelo Branco
– UNICASTELO, Campus de Descalvado, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa
Institucional.
3.1. ANIMAIS
Para a avaliação de segurança clínica foram utilizadas 56 ratas (Rattus
norvegicus), pesando em média 220g, albinas da linhagem Wistar, virgens e
púberes, nascidas no mesmo período e provenientes do biotério da Universidade
Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” - Unesp, Campus de Botucatu. Os
animais foram mantidos em caixas de polipropileno (Figura 1A e 1B), sendo
alimentados com ração comercial (Labina® - Purina) e água ad libitum, expostas a
temperatura ambiente e fotoperíodo de aproximadamente 14 horas.
17
Figura 1 – (A e B) Sistema de criação dos animais em caixas de polipropileno; (C) Administração
intramuscular do moderador orgânico na musculatura estriada esquelética do membro posterior direito.
3.2. DELINEAMENTO EXPERIMENTAL
18
Foram avaliados oito animais por tratamento em 2 períodos, isto é: 24 e 96
horas após a administração intramuscular do moderador orgânico (Figura 1C). As
ratas foram distribuídas aleatoriamente em sete grupos de 8 animais cada,
constituindo os seguintes tratamentos: T1= dose 0,2mL, amostrado 24h póstratamento (HPT); T2= dose 0,2 mL, 96 HPT; T3= dose 2mL, 24 HPT; T4= dose
2mL, 96 HPT; T5= dose 4mL, 24 HPT; T6= dose 4mL, 96 HPT; T7= sem aplicação
do moderador orgânico (Grupo controle). O tratamento T7 foi submetido à
administração de solução fisiológica a 0,9% na dose de 0,2 mL, para padronização
do estímulo de estresse por captura e aplicação dos medicamentos.
Tabela 1 - Delineamento experimental para o estudo de segurança clínica (inocuidade) do moderador orgânico Aminopool
administrado via intramuscular, em ratos Wistar.
Grupos experimentais
1
Tratamentos2
Horas de coleta após desafio
24
96
Controle - Dose recomendada = 0,2 mL
T1
n=8
-
Controle - Dose recomendada = 0,2 mL
T2
-
n=8
10 vezes a dose terapêutica = 2,0 mL
T3
n=8
-
10 vezes a dose terapêutica = 2,0 mL
T4
-
n=8
20 vezes a dose terapêutica = 4,0 mL
T5
n=8
-
20 vezes a dose terapêutica = 4,0 mL
T6
-
n=8
Padrão fisiológico
T7
n=8
-
Aminopool injetável - Laboratórios Aminogel Ltda
3.3. ADMINISTRAÇÃO DO MODIFICADOR ORGÂNICO
19
Os tratamentos com o moderador orgânico, Aminopool® foram realizados
através da administração intramuscular no membro posterior direito (Figura 1C)
para os tratamentos T1, T2, T3, T4, T5 e T6 seguindo as doses descritas no item
3.2. Da mesma forma, o tratamento T7 (padrão fisiológico) foi submetido à
administração de solução fisiológica a 0,9% na dose preconizada para o
tratamento T2, para padronização do estímulo de estresse por captura e aplicação
dos medicamentos.
3.4. ANESTESIA DOS ANIMAIS
Os ratos foram anestesiados com a aplicação injetável da associação de
quetamina 10% (Francotar® – Virbac do Brasil – Saúde Animal) e xilazina 2%
(Coopazine® – Coopers do Brasil Ltda.) na proporção de 6:1, respectivamente,
administrada via intraperitoneal, na dose de 0,15 mL da solução/100 g de peso
vivo (Figura 2A).
3.5.COLHEITA DE SANGUE
Em concordância ao delineamento experimental proposto no item 3.2., as
ratas foram imobilizadas (Figura 2B) em prancha padronizada para serem
puncionadas na veia cava caudal, após abertura da cavidade peritoneal, para
colheita de sangue (Figura 2C) com dois conjuntos de seringas de 5 mL (agulhas
25x8), sendo que o primeiro “set” de seringas foi rinçado com 50 μL de heparina
sódica para a colheita de plasma e o segundo sem anticoagulante para obtenção
de soro. As Tabelas 2 e 3 apresentam os parâmetros do hemograma e
bioquímicos, respectivamente, avaliados no estudo clínico-hematológico, assim
como, o volume de amostra destinado a cada análise.
20
Figura 2 - (A) Associação anestésica administrada por via intraperitonial; (B) Procedimento de
imobilização dos animais para coleta de material; (C) Colheita de sangue por punção da veia
cava caudal.
21
Tabela 2 - Parâmetros hematológicos avaliados em sangue total, colhido com anticoagulante,
para determinação da segurança clínica do tratamento com administração parenteral
do Aminopool1 em ratas Wistar. UNICASTELO, Descalvado, SP.
Tipo de análise
Sangue total
1
hemograma
Parâmetro
Eritrograma
Leucograma
Trombograma
Hematócrito
Volume de amostra
1 mL
Aminopool- Laboratórios Aminogel Ltda.
Tabela 3 - Parâmetros bioquímicos avaliados em amostras de soro colhidas para determinação
da segurança clínica do tratamento com administração parenteral de Aminopool1
em ratas Wistar. UNICASTELO, Descalvado, SP.
Tipo de análise
Sorológica
1
Bioquímico
Parâmetro
Albumina sérica
Fosfatase alcalina
ALT
AST
GGT
LDH
Triglicerídeos
Uréia
Creatinina
Bilirrubina total
Bilirrubina Direta
Ck-Nac
Ck-MB
Colesterol
Glicemia
Volume de amostra
10
20
100
100
50
20
10
10
100
100
100
100
100
20
10
mL
mL
mL
mL
mL
mL
mL
mL
mL
mL
mL
mL
mL
mL
mL
Aminopool- Laboratórios Aminogel Ltda.
3.6. DETERMINAÇÃO DO PERFIL BIOQUÍMICO
Após a centrifugação das amostras de sangue sem anticoagulante (5000
rpm/10 minutos), o soro dos animais foi separado para determinação dos níveis
séricos de Aspartato Aminotrasnferase (AST), Alanina Aminotransferase (ALT),
Gama-Glutamiltransferase (GGT), Fosfatase Alcalina (FA), Lactato Desidrogenase
(LDH), Albumina, Uréia, Creatinina, Bilirrubina total e direta, Creatina Quinase
(CK-Nac), Creatina Quinase MB (CK- MB), Triglicerídeos e Colesterol, realizadas
enzimática e colorimetricamente em analisador bioquímico semi-automático,
modelo LabQuest.
22
3.7. DETERMINAÇÃO DO HEMOGRAMA
Para determinação do eritrograma foi utilizado contador automático de células
sanguíneas (Modelo CC510, da Celm). A contagem de leucócitos e plaquetas foi
realizada manualmente em câmara de Neubauer. O percentual de volume globular
foi determinado em tubos capilares de micro-hematócrito, centrifugados 5
minutos a 3000 rpm. No momento da colheita de sangue, pequenas amostras
foram destinadas a confecção de extensões sangüíneas para a contagem
diferencial de leucócitos. Após coloração com May-Grünwald-Giensa-Wright, foi
realizada a contagem de 200 células, estabelecendo o percentual para cada tipo
celular.
3.8. DETERMINAÇÃO DOS ÍNDICES SOMÁTICOS
Previamente
a
retirada
de
fragmentos
dos
órgãos
para
o
estudo
histopatológico foi realizada a pesagem do fígado, baço e rins para determinação
dos índices somáticos (Figura 3A e 3B). Os índices hepato-somático (IHS),
espleno-somático (IES) e nefro-somático (INS) foram calculados pela seguinte
fórmula:
Índice Somático (%) =
Peso do órgão
Peso total do animal
X
100
23
Figura 3 - (A) Colheita de material para histopatológico; (B) Separação dos órgãos para pesagem e
determinação dos índices somáticos.
3.9 DETERMINAÇÃO DO ESTUDO HISTOPATOLÓGICO
Para o estudo histopatológico foram colhidos fragmentos do fígado, baço, rim,
adrenal e musculatura estriada esquelética, fixados a 10% de formalina em
tampão neutro (Figuras 3A e 3B). Após a fixação, os tecidos foram inclusos em
blocos de parafina. Cortes histológicos de quatro micras foram realizados para
confecção das lâminas que foram, posteriormente, coradas em HematoxilinaEosina (HE), para serem analisadas em microscopia óptica. Para a leitura das
lâminas foi estabelecido um “score” para as lesões que variou de 0 (sem nenhuma
24
alteração) até 5 (grau máximo de lesão observado) de acordo com Liu et al.
(2006).
3.10. AVALIAÇÃO CLÍNICA E COMPORTAMENTAL
Durante o período experimental nos momentos de colheita, foram observados
as possíveis ocorrências de alterações comportamentais e clínicas dos animais
submetidos ao tratamento com Aminopool®1.
3.11. ANÁLISE ESTATÍSTICA
Os dados experimentais foram submetidos à análise de variância através de
delineamento inteiramente casualizado em parcela subdividida no tempo, tendo
como tratamentos principais os grupos experimentais (três tratamentos) e as
subparcelas os períodos experimentais (dois momentos de colheita), utilizando-se
o pacote estatístico SAS, pelo procedimento PROC MIXED, versão 8.2 (SAS,
2001). As comparações múltiplas foram aferidas pelo Teste de Tukey (ao nível de
95%) de acordo com Snedecor e Cochran (1980).
4. RESULTADOS:
4.1. PARÂMETROS BIOQUÍMICOS:
A Tabela 4 apresenta os valores médios, assim como, a análise de significância
estatística para o estudo dos parâmetros bioquímicos em ratas tratadas com as
diferentes doses do moderador orgânico, administrado via intramuscular.
1
Aminopool® - Laboratórios Aminogel Ltda.
25
Tabela 4 - Valores séricos médios (n=8) e a análise de variância estatística para os parâmetros
bioquímicos aferidos em ratas Wistar submetidas aos diferentes tratamentos com
o moderador orgânico Aminopool. Unicastelo, Descalvado/SP.
Doses do moderador orgânico / Médias1 e Desvios-padrão
Perído
Parâmetros
Experimental
0 (Controle)
2
4
54,38 ± 10,20
Da
79,50 ± 10,93
Ca
162,50 ± 48,66
Ba
362,88 ± 77,53
Aa
96
54,38 ± 10,20
Aa
80,00 ± 22,85
Aa
63,75 ± 18,11
Ab
63,63 ± 10,70
Ab
24
80,75 ± 11,78
Ca
95,75 ± 30,58
Ca
418,00 ± 168,11
Aa
135,25 ± 26,65
Ba
96
80,75 ± 11,78
Ba
74,88 ± 10,82
Ba
81,38 ± 7,89
Ba
162,75 ± 53,96
Aa
24
4,31 ± 1,51
Aa
3,99 ± 1,05
Ab
4,14 ± 1,13
Aa
3,51 ± 1,47
Ab
96
4,31 ± 1,51
Aa
6,38 ± 2,27
Aa
6,39 ± 4,43
Aa
5,11 ± 2,14
Aa
24
319,25 ± 217,84
Ba
207,88 ± 272,04
Ba
1080,25 ± 1360,85 Aa
2566,13 ± 710,95
Aa
96
319,25 ± 217,84
ABa
187,88 ± 141,52
Ba
402,38 ± 174,11
Ab
226,14 ± 238,76
ABb
24
129,00 ± 50,57
Ca
523,00 ± 167,47
Aa
340,63 ± 106,95
Ba
380,88 ± 91,62
Ba
96
129,00 ± 50,57
Ba
223,50 ± 61,90
Ab
147,88 ± 45,60
Bb
273,25 ± 85,96
Ab
24
752,71 ± 672,75
ABa
221,13 ± 189,25
Bb
981,43 ± 1675,91 ABa
1296,00 ± 659,11
Aa
96
752,71 ± 672,75
Aa
476,25 ± 548,24
ABa
655,38 ± 818,29
Aa
294,13 ± 335,65
Bb
24
262,43 ± 59,35
Aa
216,38 ± 180,77
Aa
360,63 ± 343,66
Aa
287,13 ± 208,75
Aa
96
262,43 ± 59,35
Aa
208,75 ± 61,91
Aa
280,50 ± 73,43
Aa
213,88 ± 108,28
Aa
24
0,25 ± 0,05
Aa
0,20 ± 0,04
Ba
0,47 ± 0,56
Aa
0,19 ± 0,08
Ba
96
0,25 ± 0,05
Aa
0,23 ± 0,04
ABa
0,23 ± 0,06
ABb
0,20 ± 0,03
Ba
24
0,06 ± 0,01
ABa
0,07 ± 0,02
Aa
0,14 ± 0,20
Aa
0,04 ± 0,02
Ba
96
0,06 ± 0,01
Aa
0,07 ± 0,02
Aa
0,06 ± 0,01
Ab
0,05 ± 0,02
Aa
24
2,28 ± 0,27
Aa
2,05 ± 0,27
Ab
2,50 ± 1,45
Aa
2,06 ± 0,57
Aa
96
2,28 ± 0,27
Aa
2,42 ± 0,40
Aa
1,89 ± 0,22
Ba
1,67 ± 0,21
Ca
24
66,88 ± 38,92
ABa
105,75 ± 68,97
Aa
108,38 ± 80,85
Aa
49,63 ± 15,29
Bb
96
66,88 ± 38,92
Aa
49,75 ± 33,69
Ab
75,63 ± 39,44
Ab
79,00 ± 39,67
Aa
24
188,75 ± 59,60
Ba
155,75 ± 51,44
Ba
269,25 ± 86,41
Aa
225,63 ± 102,93
ABa
96
188,75 ± 59,60
ABa
166,13 ± 58,71
Ba
186,38 ± 75,98
ABb
224,13 ± 41,14
Aa
24
91,63 ± 21,15
Ba
157,75 ± 53,87
ABa
133,38 ± 25,18
ABa
136,38 ± 17,00
Aa
96
91,63 ± 21,15
ABa
91,13 ± 13,11
ABb
73,50 ± 9,01
Bb
116,63 ± 22,54
Aa
24
46,25 ± 9,74
Aa
36,13 ± 7,75
Bb
34,13 ± 15,22
Ba
44,25 ± 10,89
ABb
96
46,25 ± 9,74
BCa
24
ALT
AST
GGT
LDH
FA
CK-Nac
CK-MB
Bilirrubina T.
Bilirrubina D.
Albumina
Triglícerídeos
Colesterol
Glicemia
0,2
Uréia
24
0,44 ± 0,14
Aa
96
0,44 ± 0,14
ABa
Creatinina
49,63 ± 8,11
Ba
41,63 ± 8,77
Ca
77,88 ± 26,65
Aa
0,49 ± 0,04
Ab
0,45 ± 0,05
Ab
0,44 ± 0,05
Aa
0,59 ± 0,10
Aa
0,56 ± 0,07
Aa
0,34 ± 0,09
Bb
1: Médias segugidas pela mesma letra, maiúscula na linha e minúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste T (P ≥0,05)
No estudo sérico-bioquímico das ratas tratadas com o moderador orgânico,
observou-se aumento significativo (P<0,05) na atividade enzimática sérica de
ALT, AST, LDH e FA, principalmente, em animais tratados com 2 e 4 mL 24 horas
após a inoculação do composto. No entanto, tais alterações retornaram a níveis
basais 96 horas depois, exceto nos níveis séricos de AST e FA em animais
26
submetidos à dose de 4mL que se mantiveram elevados estatisticamente quando
comparados ao grupo controle. O grupo tratado com 0,2 mL apresentou apenas
aumento significativo da atividade da FA quando comparado ao grupo controle.
Não se observou variações significativas (P>0,05) sobre a atividade séricoenzimática de GGT entre os diferentes tratamentos. Estes resultados sugerem a
segurança clínica desta composto na manutenção da integridade dos hepatócitos
quando administrado na dose de 0,2 mL, por não promover alterações
significativas de permeabilidade da membrana celular, ou mesmo, lise destas
células.
O estudo sérico CK-Nac demonstrou efeito dose resposta, pois quanto maior
a dose administrada do composto de aminoácidos, maiores os níveis circulantes
desta enzima, revelando a ação irritativa do fármaco sobre o músculo estriado
esquelético. Pois, a análise da CK-MB descarta a possibilidade de alterações no
miocárdio, sugerindo que a elevação dos níveis de CK-Nac seja realmente por
lesão de musculatura estriada esquelética, provavelmente, resultante de processo
inflamatório intenso no local da administração do moderador orgânico.
Não se observou claramente o efeito dos diferentes tratamentos sobre os
níveis séricos de bilirrubina total e direta. Entretanto, ressalta-se nesta análise a
diminuição significativa dos valores séricos de bilirrubina total apresentados por
animais tratados com dose de 4 mL, tanto 24 quanto 96 horas após a inoculação
do
composto,
na
comparação
com
o
grupo
controle.
Em
condições
de
comprometimento hepático pode ocorrer alterações nos níveis circulantes de
bilirrubina total.
No estudo da funcionalidade hepática, observou-se diminuição significativa
nos níveis séricos de albumina 96 horas após o tratamento em animais tratados
com as doses de 2 e 4 mL, sendo acompanhados por diminuição nas
concentrações de triglicerídeos, apesar destas não serem significativas (P>0,05).
Por outro lado, verificou-se aumento significativo nos valores sanguíneos de
glicose e colesterol em animais tratados com 2 e 4 mL 24 horas pós-tratamento.
Outros dados relevantes observados na Tabela 4 referem-se ao aumento
nos valores sanguíneos de uréia 96 horas depois do tratamento em ratas
submetidas a dose de 4 mL. Porém, não se constatou alterações expressivas no
27
estudo da creatinina, demonstrando indiretamente a segurança clínica dos
tratamentos com o moderador orgânico sobre o processo de excreção destas
substâncias pelos rins, assim como, no catabolismo protéico dos hepatócitos,
responsável pela produção de grande parte da uréia circulante.
4.2. PARÂMETROS HEMATOLÓGICOS:
A Tabela 5 apresenta os valores médios, assim como, a análise de significância
estatística para o estudo eritrocitário das ratas tratadas com diferentes doses de
Aminopool®.
Tabela 5 - Valores séricos médios (n=8) e a análise de variância estatística para os parâmetros
eritrocitários aferidos em ratas Wistar submetidas aos diferentes tratamentos com
o moderador orgânico Aminopool. Unicastelo, Descalvado/SP.
Doses do moderador orgânico / Médias1 e Desvios-padrão
Perído
Parâmetros
Experimental
Eritritrócitos (106/uL)
Hematócrito
VCM
Hemoglobina
CHCM
0
0,2
2
4
24
8,11 ± 0,49 Aa
7,91 ± 0,30 Aa
7,92 ± 0,12 Ab
96
8,11 ± 0,49 ABa
8,53 ± 0,36 Aa
8,41 ± 0,38 Aa
7,45 ± 0,49 Aa
7,50 ± 0,25 Ba
24
44,74 ± 0,75 Aa
41,74 ± 2,30 ABa
41,70 ± 1,02 ABa
39,61 ± 2,73 Ba
96
44,74 ± 0,75 Aa
43,85 ± 2,59 Aa
43,69 ± 1,87 Aa
39,11 ± 1,16 Ba
24
55,31 ± 3,30 Aa
52,76 ± 1,67 Aa
52,67 ± 0,90 Aa
53,17 ± 0,99 Aa
96
55,31 ± 3,30 Aa
51,39 ± 1,06 Aa
51,95 ± 1,28 Aa
52,15 ± 0,96 Aa
24
16,41 ± 0,49 Aa
15,50 ± 0,87 ABa
15,39 ± 0,41 ABa
14,35 ± 1,18 Ba
96
16,41 ± 0,49 Aa
16,58 ± 0,88 Aa
16,33 ± 0,60 Aa
14,08 ± 0,51 Ba
24
36,68 ± 0,77 Aa
37,14 ± 0,52 Aa
36,90 ± 0,37 Aa
36,20 ± 0,75 Aa
96
36,68 ± 0,77 ABa
37,82 ± 0,65 Aa
37,38 ± 0,35 Aa
35,98 ± 0,57 Ba
(%)
(fL)
(g/dL)
(g/dL)
1: Médias segugidas pela mesma letra, maiúscula na linha e minúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste T (P ≥0,05)
No estudo da série vermelha, não se observou alterações significativas
(P>0,05) no número de hemácias, nos valores percentuais de hematócrito, no
volume corpuscular médio (VCM), nos valores de hemoglobina e na concentração
corpuscular média de hemoglobina (CHCM) na comparação entre animais tratados
com a dose de 0,2 mL e ratos controles. Porém, verificou-se diminuição
significativa na contagem global de eritrócitos, nos valores de hematócrito e na
quantidade de hemoblobina circulante em ratas submetidas a dose de 4mL,
caracterizando um quadro de anemia normocítica/normocrômica pois não ocorreu
alterações nos valores de VCM e CHCM. Tais resultados demonstram a segurança
28
clínica do moderador orgânico sobre o quadro eritrocitário das ratas, mesmo
quando administrado 10 vezes a dose recomendada pelo fabricante.
O estudo leucocitário e plaquetário dos animais tratados com diferentes doses
do composto de aminoácidos estão expressos na Tabela 6. Nesta análise,
verificou-se plaquetopenia significativa em animais submetidos as doses de 2 e 4
mL do moderador orgânico, 24 horas após o tratamento. No entanto, como a
evolução clínica dos animais ocorreu inversão e estes animais apresentaram
aumento significativo do número circulante de plaquetas. Tais achados refletem a
agressão no tecido muscular exercida pela alta dose do composto. Enquanto, o
estudo leucocitário demonstrou aumento significativo (P<0,05) no número de
leucócitos circulantes em todos os animais tratados com o composto de
aminoácidos quando comparados aos animais do grupo controle, submetidos ao
estímulo com solução fisiológica, em resposta aguda 24 horas após os
tratamentos. Estes dados refletem claramente o efeito traumático exercido pelo
composto
quando
administrado
na
musculatura
estriada
esquelética,
pois
aumentou significativamente a resposta de células brancas, resultantes do
processo inflamatório induzido no local da aplicação.
29
Tabela 6 - Valores séricos médios (n=8) e a análise de variância estatística para os parâmetros
leucocitários e plaquetários aferidos em ratas Wistar submetidas aos diferentes
tratamentos com o moderador orgânico Aminopool. Unicastelo, Descalvado/SP.
Parâmetros
Experimental
Trombócitos
Eosinófilos
5,06 ± 2,01
24
905,00 ± 58,05
905,00 ± 58,05
Ca
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
96
0,00 ± 0,00
Aa
0,13 ± 0,35
Aa
24
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
96
0,00 ± 0,00
Aa
5,00 ± 14,14
24
0,25 ± 0,71
Aa
0,25 ± 0,71
Aa
24
13,00 ± 36,77
Aa
96
13,00 ± 36,77
24
0,00 ± 0,00
96
uL
Neutrófilos B
6,15 ± 1,78
Aa
797,38 ± 171,94
949,63 ± 120,22
BCa
1086,50 ± 184,59
Bb
8,75 ± 2,42
Aa
Bb
801,13 ± 99,41
Bb
ABa
1136,75 ± 179,83 Aa
Aa
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,13 ± 0,35
Aa
0,13 ± 0,35
Aa
0,25 ± 0,46
Aa
0,38 ± 0,74
Aa
0,13 ± 0,35
Aa
0,25 ± 0,46
Aa
9,63 ± 27,22
Aa
19,75 ± 55,86
Aa
25,38 ± 47,02
Aa
Aa
19,00 ± 40,10
Aa
7,50 ± 21,21
Aa
24,75 ± 46,35
Aa
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
0,00 ± 0,00
Aa
19,38 ± 6,25
Ba
37,38 ± 4,41
Aa
43,00 ± 18,79
Aa
40,00 ± 11,64
Aa
96
19,38 ± 6,25
Ca
26,25 ± 4,20
Bb
27,88 ± 5,51
ABb
32,25 ± 6,71
Aa
24
948,38 ± 453,36
Ba
3041,50 ± 1050,24 Aa
96
948,38 ± 453,36
Ca
1529,25 ± 725,10
75,38 ± 5,50
Aa
75,38 ± 5,50
Aa
A
R
A
R
A
R
A
R
BCb
59,25 ± 4,53
Bb
69,25 ± 4,68
BCa
4629,25 ± 3862,51 Aa
3336,13 ± 987,48 Aa
1705,50 ± 592,12
Bb
2875,38 ± 1194,17 Aa
53,13 ± 18,27
Bb
55,88 ± 11,18
Ba
66,50 ± 7,87
Ba
61,13 ± 6,13
Ca
24
3847,75 ± 1635,51 Aa
4790,13 ± 1415,12 Aa
4754,00 ± 1725,77 Aa
4809,00 ± 1694,65 Aa
96
3847,75 ± 1635,51 Aa
3898,50 ± 1091,77 Aa
4109,50 ± 1309,00 Aa
5279,38 ± 1273,59 Aa
A
5,00 ± 2,51
Aa
5,00 ± 2,51
Aa
24
253,38 ± 157,91
Aa
96
253,38 ± 157,91
Aa
R
96
Monócitos
Bb
0,00 ± 0,00
24
Monócitos
927,63 ± 124,05
Aa
0,00 ± 0,00
96
Linfócitos
5,70 ± 1,94
Aa
8,53 ± 2,12
Aa
24
Linfócitos
Aa
0,00 ± 0,00
24
Neutrófilos S
Ba
4
9,75 ± 3,44
Aa
96
Neutrófilos S
Aa
0,00 ± 0,00
R
24
Neutrófilos B
8,10 ± 2,38
Aa
96
Eosinófilos
2
96
uL
24
Basófilos
0,2
Ba
96
Basófilos
0
5,06 ± 2,01
24
Leucócitos
Doses do moderador orgânico / Médias1 e Desvios-padrão
Perído
A
3,25 ± 2,60
Aa
4,00 ± 2,00
Aa
258,75 ± 224,33
Aa
248,25 ± 228,63
Aa
3,75 ± 3,37
Aa
3,88 ± 2,42
Aa
5,50 ± 2,88
Aa
6,38 ± 3,78
Aa
347,00 ± 294,61
Aa
354,50 ± 254,92 Aa
327,50 ± 193,59
Aa
570,50 ± 447,49 Aa
1: Médias segugidas pela mesma letra, maiúscula na linha e minúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste T (P ≥0,05)
Na contagem diferencial de leucócitos, verificou-se aumento significativo na
população de neutrófilos tanto em valores relativos quanto absolutos. Este quadro
de neutrofilia foi acompanhado de linfopenia relativa. Não se observou alterações
significativas nas populações de monócitos, basófilos e eosinófilos, caracterizando
claramente o processo inflamatório agudo induzido pela administração do
composto no tecido muscular das ratas.
4.3. ÍNDICES SOMÁTICOS:
30
A Tabela 7 expressa os resultados observados no estudo somático esplênico,
renal e hepático de ratas tratadas com diferentes doses de Aminopool®.
Tabela 7 - Valores séricos médios (n=8) e a análise de variância estatística para os índices
somáticos renais (INS), hepáticos (IHS) e esplênicos (IES) aferidos em ratas Wistar
submetidas aos diferentes tratamentos com o moderador orgânico Aminopool.
Doses do moderador orgânico / Médias1 e Desvios-padrão
Perído
Parâmetros
0
Experimental
0,2
2
4
24
0,66 ± 0,04 Aa
0,63 ± 0,05 Aa
0,67 ± 0,03 Aa
0,66 ± 0,07 Aa
96
0,66 ± 0,04 Aa
0,64 ± 0,05 Aa
0,65 ± 0,06 Aa
0,70 ± 0,09 Aa
24
2,80 ± 0,32 Ba
3,15 ± 0,33 ABa
3,44 ± 0,24 Aa
3,22 ± 0,32 ABa
96
2,80 ± 0,32 ABa
2,74 ± 0,32 ABa
2,61 ± 0,19 Bb
3,19 ± 0,26 Aa
24
0,15 ± 0,03 Aa
0,18 ± 0,03 Aa
0,19 ± 0,06 Aa
0,17 ± 0,03 Ab
96
0,15 ± 0,03 Ba
0,19 ± 0,03 ABa
0,18 ± 0,04 ABa
0,22 ± 0,04 Aa
INS
IHS
IES
1: Médias segugidas pela mesma letra, maiúscula na linha e minúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste T (P ≥0,05)
A avaliação do índice hepatossomático demonstrou aumento significativo
(P<0,05) no peso dos fígados de animais tratados com o composto de
aminoácidos, sendo este efeito muito mais expressivo em animais submetidos as
doses de 2 e 4 mL, 24 horas após a administração do Aminopool®. No entanto, 96
horas depois do desafio, apenas animais tratados com 4 mL apresentaram
aumento
significativo
do
tamanho
do
fígado,
estas
alterações
foram
acompanhadas de aumento significativo (P<0,05) no índice esplenossomático
destes animais. Provavelmente, decorrentes de distúrbios circulatórios nestes dois
órgãos.
5. DISCUSSÃO:
31
Na avaliação bioquímica da atividade hepática, os testes de atividade
enzimática ALT, AST, LDH, Fosfatase Alcalina e GGT revelam a ocorrência de
lesões hepatocelulares e alterações colestáticas. Enquanto, os testes funcionais
determinam a concentração de substâncias sintetizadas no fígado ou pertencentes
a
processos
metabólicos,
tais
como:
albumina,
uréia,
glicose,
colesterol,
triglicerídeos, entre outros (SUJA et al., 2004; SHIH et al., 2005).
Para Wills e Asha (2006), o aumento sérico da atividade enzimática da ALT e
AST resultam de alterações reversíveis ou irreversíveis na permeabilidade da
membrana celular do hepatócito, na indução enzimática microssomal ou lesão
estrutural de isquemia hepatobiliar, necrose ou colestase. Neste estudo, não se
observou alterações significativas nas concentrações séricas das enzimas ALT,
AST, GGT e LDH de ratas tratadas com 0,2 mL do moderador orgânico,
demonstrando boa inocuidade deste tratamento sobre a atividade hepática. Em
contra partida, efeitos tóxicos foram observados principalmente em animais
tratados com 20 vezes a dose recomendada pelo fabricante.
Na avaliação funcional hepática, não houve alterações significativas nos valores
séricos de triglicerídeos, colesterol, albumina e creatinina na comparação entre
ratas tratadas com 0,2 mL e animais controles, ocorrendo apenas aumento na
glicose e redução transitória nos valores circulantes de uréia e bilirrubina total.
Pois, de acordo com Center (1992), alterações no metabolismo energético
geralmente estão presentes em casos de insuficiência hepática aguda. Por outro
lado, a elevada concentração de glicocorticóides devido ao estresse de contenção
e tratamento poderia favorecer o metabolismo energético por estimular a
gliconeogênese,
aumentando
a
biodisponibilidade
de
ácidos
graxos
livres
resultante da quebra de triglicerídeos (FELDMAN, 2004).
O fígado é essencial para a homeostase de proteínas, sendo local primário para
síntese de grande parte das proteínas plasmáticas. A albumina é a principal
proteína hepática de exportação e representa cerca de 50 a 60% das proteínas
plasmáticas e cerca de 75% da pressão oncótica (SHIH et al., 2005). Neste
estudo, não se verificou alterações nos valores circulantes de albumina em ratas
tratadas com a dose de 0,2 mL, sugerindo a hipótese de que o tratamento com o
moderador orgânico não prejudicou a atividade metabólica de síntese hepática
32
desta proteína. Porém efeitos deletérios foram observados em animais submetidos
às doses de 2 e 4 mL.
Por outro lado, 90% da amônia liberada no fígado é convertida em uréia que se
torna o principal produto metabólico na desintoxicação hepática do catabolismo
protéico (RIVERA-HUIZAR et al., 2006). O estudo dos níveis sanguíneos de uréia e
creatinina demonstraram valores normais na comparação entre animais tratados
com 0,2 mL e solução fisiológica, sugerindo a hipótese de que o tratamento com
este
composto
de
aminoácidos
apresenta
boa
segurança
clínica,
não
comprometendo significativamente o metabolismo hepático protéico e o processo
de excreção destas substâncias pelos rins. O estudo somático renal corrobora
estes achados, pois mesmo na administração de 20 vezes a dose recomendada
pelo fabricante não se verificou alterações nos mesmos.
O estudo eritrocitário e plaquetário das ratas tratadas com 0,2 mL do composto
de aminoácidos não apresentou alterações significativas (P>0,05) quando
comparado aos animais controles, durante todo o período experimental, estando
os valores médios observados dentro da faixa de normalidade descrita por Fukuda
et al. (2004) como referência para a espécie em estudo. Portanto, tais resultados
demonstraram a segurança clínica desta formulação para o uso como moderador
orgânico. No entanto, verificou-se leucocitose significativa em animais tratados
com o composto de aminoácidos em estudo, sendo esta caracterizada por
neutrofilia, seguida de linfopenia, demonstrando a ação irritativa do composto no
tecido muscular. Segundo Kerr (2003), em processos inflamatórios agudos ocorre
aumento expressivo na população de neutrófilos que são recrutados por
quimiotaxia para atuarem no local inflamado.
Animais com lesões hepáticas podem apresentar alterações funcionais no
número e função das plaquetas. Segundo Shih et al. (2005), em casos de desvios
circulatórios
intra
e
extra-hepáticos,
os
pacientes
podem
apresentar
esplenomegalia congestiva, resultante da hipertensão portal, levando a quadros
de trombocitopenia. Tal correlação foi evidente neste estudo em animais
submetidos à dose de 4 mL do composto de aminoácidos que apresentaram
aumento espleno e hepatossomático.
33
A avaliação comportamental e de sinais clínicos das ratas tratados com
diferentes doses do moderador orgânico Aminopool® não demonstrou alterações
que sugerissem a ocorrência de efeitos tóxicos resultantes dos tratamentos.
Sordillo & Aitken (2009) relataram a ocorrência de estresse nos animais,
resultante da contenção e tratamento. Pois, segundo estes autores a resposta
orgânica em condições de estresse é complexa, envolvendo mecanismos neuroendócrinos com a liberação dentre outros de cortisol e catecolaminas que atuam
aumentando a atividade metabólica e conseqüentemente alterando o equilíbrio
orgânico.
II.
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