REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS AA ANO LXI - Nº 064 - QUINTA-FEIRA, 13 DE ABRIL DE 2006 - BRASÍLIA-DF MESA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (Biênio 2005/2006) PRESIDENTE ALDO REBELO - PCdoB - SP 1º VICE-PRESIDENTE JOSÉ THOMAZ NONÔ - PFL - AL 2º VICE-PRESIDENTE CIRO NOGUEIRA - PP - PI 1º SECRETÁRIO INOCÊNCIO OLIVEIRA - PL - PE 2º SECRETÁRIO NILTON CAPIXABA - PTB - RO 3º SECRETÁRIO EDUARDO GOMES - PSDB - TO 4º SECRETÁRIO JOÃO CALDAS - PL - AL 1º SUPLENTE GIVALDO CARIMBÃO - PSB - AL 2º SUPLENTE JORGE ALBERTO - PMDB - SE 3º SUPLENTE GERALDO RESENDE - PPS - MS 4º SUPLENTE MÁRIO HERINGER - PDT - MG CONGRESSO NACIONAL 18886 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18887 18888 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO N0 44, DE 2006(*) Aprova o texto do Acordo de Sede entre o Governo da República Federativa do Brasil e a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica - OTCA, celebrado em Brasília, em 13 de dezembro de 2002. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto do Acordo de Sede entre o Governo da República Federativa do Brasil e a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica - OTCA, celebrado em Brasília, em 13 de dezembro de 2002. Parágrafo único. Ficam sujeitos à consideração do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do artigo 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 12 de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal (*) O texto do Acordo acima citado está publicado no DSF de 6/1/2006. Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRITO LEGISLATIVO N0 45 , DE 2006(*) Aprova o texto das Emendas ao Acordo Relativo à Organização Internacional de Telecomunicações por Satélite e ao Acordo Operacional, aprovadas pela 25ª Assembléia das Partes, realizada entre 13 e 17 de novembro de 2000, e pela 31ª Assembléia de Signatários, nos dias 9 e 10 de novembro de 2000. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto das Emendas ao Acordo Relativo à Organização Internacional de Telecomunicações por Satélite e ao Acordo Operacional, aprovadas pela 25ª Assembléia das Partes, realizada entre 13 e 17 de novembro de 2000, e pela 31ª Assembléia de Signatários, nos dias 9 e 10 de novembro de 2000. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão dos referidos Acordos, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal (*) O texto do Acordo acima citado está publicado no DSF de 14/12/2005 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO N0 , DE 2006(*) Aprova o texto do Acordo de Cooperação entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Chile no Campo dos Usos Pacíficos da Energia Nuclear, celebrado em Arica, República do Chile, em 20 de março de 2002. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto do Acordo de Cooperação entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Chile no Campo dos Usos Pacíficos da Energia Nuclear, celebrado em Arica, República do Chile, em 20 de março de 2002. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18889 Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal (*) O texto do Acordo acima citado está publicado no DSF de 14/12/2005 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO N0 , 47, DE 2006(*) Aprova o texto do Acordo de Cooperação entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Peru sobre Cooperação Técnica na Área de Turismo, celebrado em Brasília, em 6 de dezembro de 2002. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto do Acordo de Cooperação ente o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Peru sobre Cooperação Técnica na Area de Turismo, celebrado em Brasília, em 6 de dezembro de 2002. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006. – Senador Renan Calheíros, Presidente do Senado Federal (*) O texto do Acordo acima citado está publicado no DSF de 19/01/2006 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO Nº 48 DE 2006(*) Aprova o texto do Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Libanesa sobre Cooperação em Cedas Matérias Consulares de Caráter Humanitário, celebrado em Beirute, em 4 de outubro de 2002. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto do Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Libanesa sobre Cooperação em Cedas Matérias Consulares de Caráter Humanitário, celebrado em Beirute, em 4 de outubro de 2002. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo, assim como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros Presidente do Senado Federal (*) O texto do Acordo acima citado está publicado no DSF de 19/01/2006 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO Nº 49, DE 2006(*) Aprova o texto do Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República da Bolívia para Restituição de Veículos Automotores Roubados ou Furtados, celebrado em Brasília, em 28 de abril de 2003. 18890 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto do Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República da Bolívia para Restituição de Veículos Automotores Roubados ou Furtados, celebrado em Brasília, em 28 de abril de 2003. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal (*) O texto do Acordo acima citado está publicado no DSF de 19/01/2006 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO Nº 50, DE 2006(*) Aprova o texto do Acordo de Cooperação Judiciária em Matéria Penal entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Libanesa, celebrado em Beirute, em 4 de outubro de 2002. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto do Acordo de Cooperação Judiciária em Matéria Penal ente o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Libanesa, celebrado em Beirute, em 4 de outubro de 2002. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal (*) O texto do Acordo acima citado está publicado no DSF de 19/01/2006 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO Nº 51, DE 2006(*) Aprova o texto do Acordo de Cooperação ente os Governos da República Federativa do Brasil e da República Argentina para o Combate ao Tráfego de Aeronaves Supostamente Envolvidas em Atividades Ilícitas Internacionais, assinado em Buenos Aires, em 9 de dezembro de 2002. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto do Acordo de Cooperação ente os Governos da República Federativa do Brasil e da República Argentina para o Combate ao Tráfego de Aeronaves Supostamente Envolvidas em Atividades Ilícitas Internacionais, assinado em Buenos Aires, em 9 de dezembro de 2002. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal (*) O texto do Acordo acima citado está publicado no DSF de 19/01/2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18891 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO N0 52, DE 2006(*) Aprova o texto do Acordo entre a República Federativa do Brasil e o Governo da Romênia de Cooperação no Campo do Turismo, celebrado em Brasília, em 25 de julho de 2000. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto do Acordo entre a República Federativa do Brasil e o Governo da Romênia de Cooperação no Campo do Turismo, celebrado em Brasília, em 25 de julho de 2000. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006, – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal (*) O texto do Acordo acima citado está publicado no DSF de 19/01/2006 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO Nº 53, DE 2006(*) Aprova o texto da Emenda do Artigo XIII da Convenção Constitutiva da União Latina. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto da Emenda do Artigo XIII da Convenção Constitutiva da União Latina. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão da referida Emenda, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal (*) O texto da Emenda acima citada está publicado no DSF de 19.1.2006 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO Nº 54 , DE 2006(*) Aprova o texto do Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República de El Salvador sobre o Exercício de Atividades Remuneradas por Parte de Dependentes do Pessoal Diplomático, Consular, Administrativo e Técnico, celebrado em São Salvador, em 21 de agosto de 2002. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto do Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República de El Salvador sobre o Exercicio de Atividades Remuneradas por Parte de Dependentes do Pessoal Diplomático, Consular, Administrativo e Técnico, celebrado em São Salvador, em 21 de agosto de 2002. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal (*) O texto do Acordo acima citada está publicado no DSF de 19/01/2006. 18892 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO Nº 55, DE 2006(*) Aprova o texto da Convenção entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do Reino dos Países Baixos relativa à Assistência Administrativa Mútua para a Aplicação Apropriada da Legislação Aduaneira e para a Prevenção, Investigação e Combate às Infrações Aduaneiras, concluída no dia 7 de março de 2002, em Brasilia. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto da Convenção entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do Reino dos Países Baixos relativa à Assistência Administrativa Mútua para a Aplicação Apropriada da Legislação Aduaneira e para a Prevenção, Investigação e Combate às Infrações Aduaneiras, concluída no dia 7 de março de 2002, em Brasília. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão da referida Convenção, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal (*) O texto da Convenção acima citada está publicado no DSF de 19/01/2006 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO Nº 56, DE 2006(*) Aprova o texto do Acordo de Cooperação na Area de Turismo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República da Estônia, celebrado em Brasília, em 9 de novembro de 2000. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto do Acordo de Cooperação na Área de Turismo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República da Estônia, celebrado em Brasília, em 9 de novembro de 2000. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal (*) O texto do Acordo acima citada está publicado no DSF de 19/01/2006 Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO Nº 57, DE 2006(*) Aprova a solicitação de o Brasil fazer a declaração prevista no artigo 22 da Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, reconhecendo a competência do Comitê contra a Tortura para receber e analisar denúncias de violações dos dispositivos da Convenção. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovada a solicitação de o Brasil fazer a declaração prevista no artigo 22 da Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, reconhecendo a competência do Comitê contra a Tortura para receber e analisar denúncias de violações dos dispositivos da Convenção. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18893 Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão da referida Convenção, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal (*) O texto da Convenção acima citada está publicado no DSF de 19/01/2006. Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte DECRETO LEGISLATIVO Nº 58, DE 2006(*) Aprova o texto da Convenção entre os Governos da República Federativa do Brasil e dos Estados Unidos Mexicanos Destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Relação aos Impostos sobre a Renda, assinada na Cidade do México, em 25 de setembro de 2003. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto da Convenção entre os Governos da República Federativa do Brasil e dos Estados Unidos Mexicanos Destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Relação aos Impostos sobre a Renda, assinada na Cidade do México, em 25 de setembro de 2003. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão da referida Convenção, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 17 de abril de 2006. – Senador Renan Calheiros Presidente do Senado Federal (*) O texto da Convenção acima citada está publicado no DSF de 26/01/2006 CÂMARA DOS DEPUTADOS SEÇÃO I SUMÁRIO 1 – ATA DA 47ª SESSÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, EXTRAORDINÁRIA, MATUTINA, DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA, ORDINÁRIA, DA 52ª LEGISLATURA, EM 12 DE ABRIL DE 2006 I – Abertura da sessão II – Leitura e assinatura da ata da sessão anterior III – Leitura do expediente Nº 183/2006 – Do Poder Executivo – Submete, À Apreciação do Congresso Nacional, o Texto do Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica Entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Argentina, na Área de Tecnologia Militar, Celebrado na Cidade de Puerto Iguazu, em 30 de Novembro de 2005..................................................................... 18924 MENSAGENS Nº 184/2006 – Do Poder Executivo – Submete à apreciação do Congresso Nacional o texto de Acordo para o estabelecimento de um Mecanismo de Cooperação Comercial entre a República Federativa do Brasil e a República Argentina, assinado em Puerto Iguazu, em 30 de novembro de 2005. . 18926 Nº 174/2006 – Do Poder Executivo – Submete à consideração do Senhor Presidente da Câmara dos Deputados o relatório de avaliação das estimativas de receitas e despesas primárias para 2006. ........................................................... 18908 18894 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 203/2006 – Do Poder Executivo – Submete à apreciação do Congresso Nacional o texto do Acordo entre a República Federativa do Brasil e a República Portuguesa sobre Cooperação no Domínio da Defesa, celebrado na cidade do Porto, em 13 de outubro de 2005..................................... 18928 OFÍCIOS Nº 921/06 – Do Senhor Deputado Aldo Rebelo, Presidente da Câmara dos Deputados, encaminhando em devolução à Deputada Perpétua Almeida a Indicação nº 7.783/06, de autoria desta, pelas razões que aduz........................................... Nº 177/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Osmar Terra passa a integrar a Comissão de Educação e Cultura. .............................................. Nº 178/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Benjamin Maranhão passa a integrar a Comissão de Seguridade Social e Família. ............................ Nº 179/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que os Deputados Carlos Eduardo Cadoca e Pastor Pedro Ribeiro passam a integrar a Comissão de Turismo e Desporto. ............................................................ Nº 180/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Darcísio Perondi passa a integrar a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural......................................................... Nº 182/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Delfim Netto passa a integrar a Comissão de Minas e Energia. .............................................................. Nº 183/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Francisco Escórcio passa a integrar a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle........................ Nº 184/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Hermes Parcianello passa a integrar a Comissão de Direitos Humanos e Minorias............................ Nº 185/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado João Matos passa a integrar a Comissão de Educação e Cultura. .............................................. Nº 186/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado João Matos passa integrar a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. .......................... Nº 187/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Lupércio Ramos passa a integrar a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio.......................................................... Nº 188/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado 18931 18932 18932 18932 18932 18932 18932 18933 18933 18933 18933 Abril de 2006 Wilson Santiago deixa de integrar a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicando e Informática, passando a integrar a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania ......................................... Nº 189/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Nelson Bornier passa a integrar a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicando e Informática. .. Nº 190/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Olavo Calheiros passa a integrar a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. ................................................... Nº 191/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que os Deputados Pedro Irujo e Ann Pontes passam a integrar a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. ............................................................. Nº 192/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que a Deputada Rose de Freitas passa a integrar a Comissão de Desenvolvimento Urbano.................................. Nº 193/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Darcísio Perondi passa a integrar a Comissão de Seguridade Social e Família. ................................. Nº 194/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Silas Brasileiro passa a integrar a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. ................................................... Nº 195/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Saraiva Felipe passa a integrar a Comissão de Seguridade Social e Família. ............................ Nº 196/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Osmar Terra passa a integrar a Comissão de Seguridade Social e Família. ................................. Nº 197/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Lupércio Ramos deixa de integrar a Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, passando a integrar a Comissão de Viação e Transportes. ....................................... Nº 198/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que a Deputada Thaís Barbosa passa a integrar a Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional. .................................................. Nº 199/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Leonardo Picciani deixa de integrar a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, passando a integrar Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. ........................................ 18933 18933 18934 18934 18934 18934 18934 18934 18935 18935 18935 18935 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 200/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que a Deputada Lúcia Braga deixa de integrar a Comissão de Desenvolvimento Urbano, passando a integrar a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público. .................................................................. Nº 201/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Wladimir Costa deixa de integrar a Comissão de Viação e Transportes, passando a integrar a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicando e Informática. ......................................................... Nº 202/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Max Rosenmann passa a integrar a Comissão de Defesa do Consumidor. ......................................... Nº 203/06 – Do Senhor Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB, comunicando que o Deputado Hermes Parcianelo passa a integrar a Comissão de Turismo e Desporto................................................ Nº 181/06 – Do Senhor Deputado Hermes Parcianello, Vice-Líder no exercício da Liderança do PMDB, comunicando que o Deputado Asdrúbal Bentes deixa de integrar a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, passando a integrar a Comissão de Turismo e Desporto....................... Nº 203/06 – Do Senhor Deputado Hermes Parcianello, Vice-Líder no exercício da Liderança do PMDB, comunicando que o Deputado Hermes Parcianelo passa a integrar a Comissão de Turismo e Desporto. ............................................................ Nº 223/06 – Do Senhor Deputado Hermes Parcianello, Vice-Líder no exercício da Liderança do PMDB, comunicando que o Deputado Albérico Filho passa a integrar a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável............................. Nº 224/06 – Do Senhor Deputado Hermes Parcianello, Vice-Líder no exercício da Liderança do PMDB, comunicando que o Deputado André Zacharow passa a integrar a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania ............................ Nº 216/06 – Do Senhor Deputado Saraiva Felipe, Líder em exercício do PMDB, comunicando que o Deputado Carlos Eduardo Cadoca passa a integrar a Comissão de Turismo e Desporto.......... Nº 175/06 – Do Senhor Deputado Henrique Fontana, Líder do PT, solicitando a indicação do Deputado Luiz Bitencourt para integrar a Comissão de Defesa do Consumidor. .................................... Nº 105/06 – Do Senhor Deputado Rodrigo Maia, Líder do PFL, indicando o Deputado Robson Tuma para integrar a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. ......................................... Nº 106/06 – Do Senhor Deputado Rodrigo Maia, Líder do PFL, indicando o Deputado José Carlos Aleluia para integrar a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público................ 18935 18935 18936 18936 18936 18936 18936 18936 18937 18937 18937 18937 Quinta-feira 13 Nº 108/06 – Do Senhor Deputado Rodrigo Maia, Líder do PFL, indicando o Deputado Onyx Lorenzoni para integrar a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. ..................................... Nº 334/06 – Do Senhor Deputado Jutahy Junior, Líder do PSDB, indicando o Deputado Arnaldo Madeira para integrar Comissão de Finanças e Tributação, e requerendo seu desligamento da Comissão de Desenvolvimento Urbano................. Nº 352/06 – Do Senhor Deputado Jutahy Junior, Líder do PSDB, indicando o Deputado Walter Feldman para integrar a Comissão de Desenvolvimento Urbano. ....................................................... Nº 212/06 – Do Senhor Deputado Mário Negromonte, Líder do PP, indicando seu nome para integrar a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao PL nº 203/91. ...................................... Nº 254/06 – Do Senhor Deputado Mário Negromonte, Líder do PP, indicando o Deputado Feu Rosa para integrar a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao PL nº 203/91. ...................... Nº 262/06 – Do Senhor Deputado Mário Negromonte, Líder do PP, solicitando tornar sem efeito a indicando dos Deputados Benedito de Lira e Darci Coelho para integrar a Comissão Especial destinada a proferir parecer à PEC nº 358-A/05. .. Nº 263/06 – Do Senhor Deputado Mário Negromonte, Líder do PP, indicando os Deputados Benedito de Lira e Darci Coelho para integrarem a Comissão Especial destinada a proferir parecer à PEC nº 358-A/05. ................................................. Nº 267/06 – Do Senhor Deputado Mário Negromonte, Líder do PP, indicando o Deputado Benjamin Maranhão para integrar a Comissão de Turismo e Desporto. ............................................................ Nº 268/06 – Do Senhor Deputado Mário Negromonte, Líder do PP, indicando o Deputado Jair Bolsonaro para integrar a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado ............. Nº 285/06 – Do Senhor Deputado Mário Negromonte, Líder do PP, indicando o Deputado Sandes Junior para integrar a Comissão de Minas e Energia. ................................................................. Nº 286/06 – Do Senhor Deputado Mário Negromonte, Líder do PP, indicando o Deputado Henrique Afonso para integrar a Comissão de Educação e Cultura. ............................................................... Nº 202/06 – Do Senhor Deputado José Múcio Monteiro, Líder do PTB, indicando o Deputado Reinhold Stephanes para integrar a Comissão de Finanças e Tributação. ........................................... Nº 299/06 – Do Senhor Deputado Luciano Castro, Líder do PL, indicando o Deputado José Carlos Araújo para integrar a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao PL nº 6.666/06. ... Nº 302/06 – Do Senhor Deputado Luciano Castro, Líder do PL, indicando o Deputado Reinaldo 18895 18937 18937 18938 18938 18938 18938 18938 18938 18939 18939 18939 18939 18939 18896 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Betão para integrar a Comissão Especial destinada a proferir parecer à PEC nº 457-A/05. .................. Nº 306/06 – Do Senhor Deputado Luciano Castro, Líder do PL, indicando o Deputado Milton Monti para integrar a Comissão Especial destinada a proferir parecer à PEC nº 333-A/04 ................... Nº 308/06 – Do Senhor Deputado Luciano Castro, Líder do PL, indicando os Deputados que integrarão a Comissão Especial destinada a proferir parecer à PEC nº 487-A/05. .................................. Nº 114/06 – Do Senhor Deputado Miro Teixeira, Líder do PDT, indicando o Deputado Sérgio Miranda para integrar a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao PL nº 6.666/06. ........... Nº 118/06 – Do Senhor Deputado Miro Teixeira, Líder do PDT, indicando os Deputados do referido Partido que integrarão a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização. .. Nº 130/06 – Do Senhor Deputado Paulo Baltazar, Líder do PSB, indicando os Deputados do referido Partido que integrarão a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao PL nº 6.666/06.. ... Nº 131/06 – Do Senhor Deputado Paulo Baltazar, Líder do PSB, indicando o Deputado José Priante para integrar a Comissão de Finanças e Tributação. ............................................................. Nº 132/06 – Do Senhor Deputado Paulo Baltazar, Líder do PSB, indicando os Deputados Mário Assad Jr. e Carlos Mota para integrarem a Comissão Especial destinada a proferir parecer à PEC nº 487-A/05. ............................................................... Nº 41/06 – Do Senhor Deputado Inácio Arruda Líder do PC do B, indicando os Deputados Agnelo Queiroz e Perpétua Almeida para integrarem Comissão Especial destinada a proferir parecer à PEC nº 483-A/01. .................................................. Nº 42/06 – Do Senhor Deputado Inácio Arruda Líder do PC do B, indicando as Deputadas Socorro Gomes e Perpétua Almeida para integrarem a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao PL nº 6.666/06. ................................................. Nº 43/06 – Do Senhor Deputado Inácio Arruda Líder do PC do B, indicando as Deputadas Perpétua Almeida e Vanessa Grazziotin para integrarem a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao PL nº 6.219/05. ................................................. Nº 44/06 – Do Senhor Deputado Inácio Arruda Líder do PC do B, indicando a Deputada Vanessa Grazziotin para integrar a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao PL nº 6.131/05........... Nº 45/06 – Do Senhor Deputado Inácio Arruda Líder do PC do B, indicando os Deputados Evandro Milhomem e Alice Portugal para integrarem Comissão Especial destinada a proferir parecer ao PL nº 6.264/05................................................................. Nº 47/06 – Do Senhor Deputado Inácio Arruda Líder do PC do B, indicando o Deputado Daniel 18939 18940 18940 18940 18940 18941 18941 18941 18941 18941 18941 18942 18942 Abril de 2006 Almeida para integrar a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização. .................... Nº 118/06 – Do Senhor Deputado Nelson Trad, Presidente em exercício da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, comunicando a apreciação do PL 1.267-B/03. ............................... Nº 63/06 – Do Senhor Deputado Iris Simões, Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, comunicando a apreciação do PL nº 4.317/04. ..... Nº 66/06 – Do Senhor Deputado Iris Simões, Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, comunicando apreciação do PL nº 4.302/04. ........ Nº 23/06 – Do Senhor Deputado Aracely de Paula, Presidente da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, comunicando a apreciação do PL nº 6.207/05 e apensado............ Nº 16/06 – Do Senhor Deputado Ciro Nogueira, Coordenador da Comissão de Sindicância destinada a apurar os fatos de que tratam os Processos nºs 2005/160590 (Ofício nº 4.595 – SR/DPF/PB, de 26.9.05) e 2006/105011 (Ofício nº 596/06 – SR/DPF/ PB, de 3.2.06) que se referem aos Deputados Domiciano Cabral e B.Sá, para no prazo de trinta dias apresentar suas conclusões, requerendo a prorrogação de 30 dias para a conclusão dos trabalhos da referida Sindicância. ......................................... Nº 14/06 – Do Senhor Deputado Carlos Sampaio, comunicando sua renúncia junto ao Conselho de Ética e Decorro Parlamentar. ........................... Nº 16/06 – Do Senhor Deputado Eduardo Gomes, comunicando sua reassunção nas atividades Parlamentares. ..................................................... Nº 18/06 – Do Senhor Deputado Homero Barreto, comunicando sua reassunção ao mandato de Deputado Federal. ................................................ 18942 18942 18942 18943 18943 18943 18943 18944 18944 PROJETOS DE LEI Nº 6.820/2006 – Do Sr. Xico Graziano – Altera a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, que regulamenta dispositivos constitucionais relativos à reforma agrária. ................................................. Nº 6.821/2006 – Do Sr. Alexandre Santos – Autoriza o Poder Executivo a criar a Escola Técnica Federal do Petróleo de Itaboraí, no Estado do Rio de Janeiro........................................................ Nº 6.823/2006 – Do Senado Federal – Altera a Lei nº 7.998, de 11 de janeiro de 1990, de forma a aumentar o período máximo de percepção do seguro-desemprego no caso de trabalhador portador de deficiência física. .............................................. Nº 6.825/2006 – Do Sr. Arnaldo Faria de Sá – “Altera o parágrafo 2º do artigo 35, da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá outras providências”. ..... Nº 6.826/2006 – Do Sr. Edinho Montemor – Regulamenta a profissão de Cabeleireiro e dá outras providências. .............................................. 18944 18947 18948 18948 18949 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 6.828/2006 – Do Sr. José Chaves – Altera a Lei nº 9.427, de 1996, dispondo sobre a comercialização de energia. ............................................ Nº 6.829/2006 – Do Sr. Mauro Benevides – Dá nova redação ao inciso VII e sua letra “c” do Artigo 29 e acrescenta o parágrafo 3º ao Artigo 61 da Lei nº 9.503 de 23 de setembro de 1997, que dispõe sobre o Código de Trânsito Brasileiro. ................... Nº 6.830/2006 – Do Sr. Orlando Fantazzini – Define condutas que constituem crimes de violação do direito internacional humanitário, estabelece normas para a cooperação judiciária com o Tribunal Penal Internacional e dá outras providências. ....... Nº 6.833/2006 – Da Srª. Dra. Clair e outros – Dispõe sobre as condições de trabalho de motoristas, fiscais e cobradores do transporte coletivo público de passageiros urbano, semi-urbano e metropolitano. ............................................................. Nº 6.834/2006 – Do Sr. Betinho Rosado – Acrescenta parágrafo único ao art. 13 da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, estabelecendo que o fornecimento e a instalação dos equipamentos de medição associados à tarifação do serviço prestado correrão às expensas da concessionária. .... 18950 18951 18957 18961 18962 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 287/2006 – Do Poder Executivo – Abre crédito extraordinário, em favor do Ministério dos Transportes, no valor de R$ 361.554.596,00, para os fins que especifica. ........................................... 18963 INDICAÇÕES Nº 8.191/2006 – Do Sr. André Costa – Sugere ao Ministério de Minas e Energia, apoio para que a instalação da futura refinaria de petróleo no estado do Rio de Janeiro se dê no município de Itaboraí. Nº 8.336/2006 – Do Sr. Luiz Carlos Hauly – Sugere à Casa Civil da Presidência da República a inclusão de cláusula de controle e fiscalização na empresa binacional Brasil-Ucrânia Alcântara Cyclone Space. .............................................................. Nº 8.338/2006 – Do Sr. Luiz Carlos Hauly – Sugere ao Ministério das Relações Exteriores a inclusão de cláusula de controle e fiscalização na empresa binacional Brasil-Ucrânia Alcântara Cyclone Space. .............................................................. Nº 8.339/2006 – Do Sr. André Costa – Sugere ao Ministério de Minas e Energia que o nome da refinaria petroquímica que a Petrobras instalará no estado do Rio de Janeiro seja Governador Leonel de Moura Brizola.................................................... Nº 8.340/2006 – Do Sr. Henrique Afonso – Sugere ao Ministério da Fazenda, instalação de Unidade de Atendimento ao Contribuinte da Receita Federal no município de Tarauacá, no Estado do Acre. ...................................................................... Nº 8.341/2006 – Do Sr. Carlos Souza – Sugere ao Ministério do Desenvolvimento Agrário Quinta-feira 13 sejam adotadas providências para que se efetive o geo-referenciamento de todas as terras públicas na Amazônia Legal. ............................................... Nº 8.342/2006 – Da Srª. Maria do Rosário – Sugere à Secretaria Especial dos Direitos Humanos a modificação do Decreto nº 3.298, de 1999, para inclusão da visão monocular como deficiência visual...................................................................... Nº 8.343/2006 – Do Sr. Badu Picanço – Sugere ao Ministério da Saúde que se torne obrigatória a presença de Psicólogo nas equipes de assistência a pacientes terminais do Sistema Único de Saúde (SUS). .................................................................... Nº 8.345/2006 – Do Sr. Jovair Arantes – Sugere ao Ministro das Comunicações, Presidente da ANATEL e Representantes das Operadoras de Celular, a prestação de esclarecimentos relativa ao sistema deficitário das prestadoras de serviço de telefonia móvel celular. .......................................... Nº 8.346/2006 – Do Sr. Joaquim Francisco – Sugere ao Ministério da Justiça que estimule, por meio de campanha nacional, as prefeituras das capitais e de regiões metropolitanas de todo o país, a adotarem padrões diferenciados para o horário de funcionamento de bares. ...................................... Nº 8.347/2006 – Do Sr. Joaquim Francisco – Sugere que o Ministério da Saúde realize campanha nacional de saúde bucal. ............................ Nº 8.348/2006 – Do Sr. Vicentinho – Sugere ao Ministério da Educação a inclusão, nas Diretrizes Curriculares do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, reflexão sobre o Movimento Hip Hop. ........ 18897 19011 19012 19012 19013 19014 19016 19017 REQUERIMENTO 19010 19010 19010 19011 19011 Nº 3.852/06 – Do Senhor Deputado Moroni Torgan, Presidente da CPI destinada a investigar as Organizações Criminosas, do Tráfico de Armas), solicitando a prorrogação do prazo da referida Comissão. .................................................................. IV – Breves Comunicações TARCÍSIO ZIMMERMANN (PT – RS) – Liberação, pelo Governo Federal, de recursos para realização de obras de melhoria do trânsito na Região Metropolitana de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul. Arquivamento da proposta de cobrança de pedágio na RS-118 e nas BRs 116 e 386, na região. Manutenção, pela empresa Petróleo Brasileiro S/A, da participação acionária no Pólo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul. Realização pela PETROBRAS de novo investimento no estaleiro do Porto de Rio Grande. .................... FRANCISCO APPIO (PP – RS) – Razões da crise financeira enfrentada pelos produtores brasileiros de carne suína. Transcurso do 71º aniversário da Cooperativa Regional Sananduva de Carnes e Derivados Ltda., sediada no Município de Sananduva, Estado do Rio Grande do Sul. Cumprimento dos objetivos de criação da entidade. ................... 19017 19019 19019 18898 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS MAURO BENEVIDES (PMDB – CE) – Anúncio de votação, pela Comissão Especial, do parecer apresentado pelo Relator Luiz Eduardo Greenhalgh à Proposta de Emenda à Constituição nº 333, de 2004, sobre o estabelecimento do limite de despesas e a composição numérica da Câmara de Vereadores do País. Confiança no equacionamento da questão pelo Parlamento brasileiro. ...................... CARLOS DUNGA (PTB – PB) – Criação de campus universitário da Universidade Federal de Campina Grande no Município de Pombal, Estado da Paraíba. Pedido ao Ministro da Educação para criação de cursos de nível superior nos Municípios paraibanos de Sumé e Itaporanga. Alerta ao Governo Federal sobre a inviabilidade de suspensão do Programa do Leite na Região Nordeste. .......... DR. HELENO (PSC – RJ) – Correlação entre as altas taxas de juros vigente no País e a estagnação da economia brasileira. Conveniência de alteração das políticas monetária e cambial brasileiras. REINALDO BETÃO (PL – RJ) – Concessão pelo SEBRAE do Prêmio Mulher Empreendedora 2006 às Sras. Soraya de Almeida e Hada Rubia da Silva, representantes dos Municípios de Nova Iguaçu e Mesquita, Estado do Rio de Janeiro. Resultados positivos do Programa Brasil Sorridente. Aprovação em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, do Projeto de Lei nº 1.267, de 2003, sobre redução do IPI incidente na comercialização de eletroeletrônicos populares. Solicitação ao Governo Federal de redução do IPI incidente sobre móveis tubulares e estofados em geral. Solicitação à Presidência de inclusão na pauta da Proposta de Emenda Constitucional nº 2, de 2005, sobre lotação funcional de servidores requisitados. Anúncio da apresentação à Comissão de Defesa do Consumidor de requerimento de convocação dos presidentes da Agência Nacional de Energia Elétrica e da AMPLA Energia e Serviços S.A para esclarecimentos do reajuste de tarifas após a substituição de medidores de energia elétrica. .................................................................. CARLOS NADER (PL – RJ) – Realização de investimentos no setor de saneamento básico e na área social como condição para a melhoria da segurança pública nas cidades brasileiras. ............... VANESSA GRAZZIOTIN (PCdoB – AM) – Apoio às propostas apresentadas pelos funcionários da Viação Aérea Rio-Grandense S/A. – VARIG para recuperação da empresa............................... IVAN VALENTE (PSOL – SP. Como Líder) – Descaso da Prefeitura Municipal de São Paulo com a greve dos trabalhadores da educação. Solidariedade às reivindicações da categoria. ............ MARCELO TEIXEIRA (PSDB – CE) – Transcurso do aniversário de fundação de Fortaleza, Capital do Estado do Ceará. Associação ao pronunciamento da Deputada Vanessa Grazziotin acerca 19021 19021 19022 19023 19024 19025 19026 Abril de 2006 da crise financeira da Viação Aérea Rio-Grandense S/A. ........................................................................ EDINHO BEZ (PMDB – SC) – Realização pelo Congresso Nacional de sessão solene em homenagem à Presidenta do Chile, Michelle Bachelet. Ações do Governador do Estado de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, em prol da integração da América Latina. Reafirmação pela Presidenta do Chile do compromisso de defesa da união do continente. .............................................. WALTER FELDMAN (PSDB – SP. Pela ordem) – Reassunção do mandato parlamentar pelo orador..................................................................... PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Manifestação de boas-vindas ao Deputado Walter Feldman...................................................................... ADELOR VIEIRA (PMDB – SC) – Manifestação de boas-vindas ao Deputado Walter Feldman. Concessão às entidades filantrópicas sem fins lucrativos de isenção do pagamento de tarifas bancárias. .................................................................... ADEMIR CAMILO (PDT – MG) – Elogio ao Governador do Estado de Minas Gerais, Aécio Neves, pela entrega de viaturas à Polícia Civil em Teófilo Otoni........................................................... FRANCISCO ESCÓRCIO (PMDB – MA) – Preocupação quanto à ocorrência de movimento grevista nas Polícias Militar e Civil do Estado do Maranhão por melhores salários. .......................... PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Informação ao Plenário sobre a votação do Orçamento Geral da União de 2006 dia 18 de abril de 2006, às 18h......................................................................... FÁTIMA BEZERRA (PT – RN) – Assunção pela oradora da 1ª Vice-Presidência da Comissão de Educação e Cultura da Casa. Realização, pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, de audiência pública para debate das causas da morosidade no andamento de processos de indenização dos anistiados políticos. .................... JACKSON BARRETO (PTB – SE) – Descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal como fator impeditivo da realização, pelo Governo do Estado de Sergipe, de operações de crédito e empréstimos em âmbito internacional. Encaminhamento ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva de propostas da Frente Parlamentar de Transporte Público acerca do barateamento das tarifas do transporte público urbano. ..................................... DELEY (PSC – RJ) – Transcurso do 65º aniversário de fundação da Companhia Siderúrgica Nacional. Críticas ao desempenho do Sr. Benjamin Steinbruch à frente da empresa. ........................... CORIOLANO SALES (PFL – BA) – Conveniência de convocação do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para prestação de esclarecimento à Casa a respeito de declarações do Presidente 19026 19026 19026 19026 19026 19027 19027 19027 19027 19028 19030 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Luiz Inácio Lula da Silva sobre o caixa 2 do PT e a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. ................................................. COSTA FERREIRA (PSC – MA) – Necessidade de expansão da eletrificação rural em Municípios do Estado do Maranhão......................................... NELSON MARQUEZELLI (PTB – SP) – Desempenho do Sr. Mauro Benedito de Lima no cargo de Diretor-Presidente da Cooperativa de Crédito Rural do Vale de Mogi Guaçu, Estado de São Paulo. ......................................................... LAURA CARNEIRO (PFL – RJ) – Transcurso do 65º aniversário de fundação da Companhia Siderúrgica Nacional. Suplemento especial do jornal Diário do Vale intitulado CSN: 65 anos depois, siderúrgica se expande além das fronteiras do Brasil.. PEDRO FERNANDES (PTB – MA) – Reclamação contra o descumprimento da lista de inscrição para uso da palavra no período de Breves Comunicações. ..................................................... PRESIDENTE (Ademir Camilo) – Acatamento da reclamação do Deputado Pedro Fernandes. .... JÚLIO DELGADO (PSB – MG) – Respaldo pelo Procurador-Geral da República Antônio Fernando Souza às denúncias constantes no relatório final da CPMI dos Correios.................................... REINALDO BETÃO (PL – RJ. Pela ordem) – Anúncio da apresentação de requerimento de convocação dos Presidentes da Agência Nacional de Energia Elétrica e da empresa Ampla Energia e Serviços S/A, do Estado do Rio de Janeiro, para esclarecimento junto à Comissão de Defesa do Consumidor acerca do aumento de tarifas após a substituição de medidores de energia elétrica. Conveniência de redução do IPI incidente sobre estofados. Apoio à Proposta de Emenda à Constituição nº 2, de 2003, sobre a lotação de servidores públicos requisitados. ........................................... ÉRICO RIBEIRO (PP – RS) – Propostas para solução da crise do setor agrícola brasileiro. Intervenção do Governo para solução dos problemas da Viação Aérea Rio-Grandense S.A. – VARIG..... COLBERT MARTINS (PPS – BA. Pela ordem) – Presença nas galerias do plenário de alunos da Escola Classe 304 Norte, de Brasília, Distrito Federal....................................................................... LINCOLN PORTELA (PL – MG) – Criação pela Fundação Oswaldo Cruz de mosquito geneticamente modificado para combate à malária. Repúdio ao tratamento dispensado pela Diretoria do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE ao orador e à sua comitiva, composta de Prefeitos Municipais............................................... OSMAR TERRA (PMDB – RS) – Louvor à Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, pela manutenção de estaleiro da PETROBRAS no Estado do Rio Gran- 19031 19032 19032 19033 19045 19045 19045 19045 19046 19047 19047 Quinta-feira 13 de do Sul. Presença de Governadores Estaduais em Brasília, Distrito Federal, para discussão dos prejuízos provocados pela Lei Kandir aos Estados. Expectativa de solução da crise financeira da Viação Aérea Rio-Grandense S.A. – VARIG. Urgente regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, sobre destinação de recursos para o setor de saúde pública. .................................................................. NELSON PELLEGRINO (PT – BA) – Expectativa de solução da crise financeira da Viação Aérea Rio-Grandense S.A. – VARIG. Anúncio da realização de audiência pública para discussão de assuntos relacionados aos anistiados políticos. Urgente recuperação de trechos rodoviários no Estado da Bahia...................................................................... JOÃO ALFREDO (PSOL – CE) – Denúncia da Procuradoria-Geral da República contra membros do Governo Federal. Revogação do voto secreto no Congresso Nacional. Pedido à sociedade brasileira de apoio à candidatura da Senadora Heloísa Helena à Presidência da República. .................................. ZELINDA NOVAES (PFL – BA) – Sucesso do Projeto Mais Vida sobre a doação de sangue. Transcurso do 160º aniversário do Município de Mata de São João, Estado da Bahia. .................................. EDUARDO VALVERDE (PT – RO) – Repúdio à atuação de partidos oposicionistas. Iniciativa da Procuradoria-Geral da República de apresentação de denúncias contra membros do Governo Federal. Realização do Encontro Regional dos Estudantes de História da Universidade Federal de Rondônia. Convite aos Parlamentares para a Conferência Nacional dos Povos Indígenas. .................................. GILBERTO NASCIMENTO (PMDB – SP. Pela ordem) – Urgente inclusão na pauta da Proposta de Emenda à Constituição nº 2, de 2003, sobre a lotação de servidores públicos requisitados. ........ PAULO FEIJÓ (PSDB – RJ) – Moção de Congratulações ao Grupo de Comunicação Folha da Manhã, sediado no Município de Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro.................. ORLANDO FANTAZZINI (PSOL – SP. Discurso retirado pelo orador para revisão.) – Reconhecimento pelo Ministério Público do trabalho realizado pelo orador na relatoria de processo de cassação de mandato de Parlamentar no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa. Extinção do voto secreto nas deliberações da Câmara dos Deputados. .................................................................... LUIZ COUTO (PT – PB) – Entrevista sob o título Refundando o Estado, concedida pelo Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, à revista Teoria e Debate. Registro de carta do Bispo de Xingu encaminhada ao Ministro Paulo de Tarso Vanucchi, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, sobre aliciamento de adolescentes para fins de exploração sexual. Preocupação com 18899 19048 19048 19049 19050 19051 19052 19052 19053 18900 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS a morosidade na votação do Orçamento Geral da União. Considerações acerca das denúncias oferecidas pelo Procurador-Geral da República contra acusados de envolvimento em esquema de corrupção investigado pela CPMI dos Correios............... JOÃO MAGNO (PT – MG) – Empenho do Governo Federal na liberação de recursos para reconstrução do Município de Coronel Fabriciano, Estado de Minas Gerais, atingido por enchentes. . CARLOS SANTANA (PT – RJ) – Audiência concedida pelo Ministro da Defesa, Waldir Pires, para debate da situação salarial dos servidores da instituição. Pedido ao Ministério da Justiça para reabertura do Centro de Dependentes Químicos – CREDEQ, no Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro. .................................................................. FERNANDO GABEIRA (PV – RJ) – Eleição do Sr. Romano Prodi para o cargo de Primeiro-Ministro da Itália. ....................................................... ANTONIO CARLOS MENDES THAME (PSDB – SP) – Pusilanimidade do Governo Federal nas relações de comércio internacionais. Contrariedade à medida provisória sobre isenção de pagamento de impostos por investidores estrangeiros. ........... FEU ROSA (PP – ES) – Necrológio do empresário João Pereira dos Santos Filho. ................ SANDES JÚNIOR (PP – GO) – Excelência da administração do ex-Governador do Estado de Goiás Marconi Perillo. ........................................... NELSON BORNIER (PMDB – RJ) – Solicitação ao Governo Federal de empenho no combate ao analfabetismo e na melhoria do ensino público brasileiro. ............................................................... JOÃO GRANDÃO (PT – MS) – Posse dos membros efetivos e suplentes da Universidade Federal da Grande Dourados, Estado de Mato Grosso do Sul. Acerto de decisões da Comissão de Implantação da Universidade. .......................................... NILSON MOURÃO (PT – AC) – Anúncio da apresentação, pela TV Globo, de minissérie sobre o Estado do Acre. .................................................. MARCOS ABRAMO (PP – SP) – Solicitação à Agência Nacional de Telecomunicações de providências acerca da qualidade dos serviços prestados pela empresa Brasil Telecom. ............................... TAKAYAMA (PMDB – PR) – Baixo crescimento econômico do País em 2005. Revisão do intercâmbio comercial entre o Brasil e a República Popular da China. Defesa da assinatura pelo Governo brasileiro de acordos bilaterais com a República de Taiwan. JEFFERSON CAMPOS (PTB – SP) – Apoio à luta da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias pela redução do ICMS incidente sobre medicamentos. ............................................ DR. ROSINHA (PT – PR) – Nota sob o título 2000 sem-terra são despejados na região noroeste do Estado, divulgada pela Comissão Pastoral da 19053 19058 19059 19059 19059 19060 19061 19064 19064 19065 19066 19067 19068 Abril de 2006 Terra do Paraná. Contradição entre o posicionamento assumido pelo Governador Roberto Requião perante a comunidade internacional e o tratamento dispensado aos sem-terra. .................................... SANDRO MABEL (PL – GO) – Transcurso do 16º aniversário de criação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Apresentação de projeto de lei sobre inclusão no Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego de adolescentes abrigados ou egressos de entidades correcionais. ............... V – Ordem do Dia FEU ROSA (PP – ES. Pela ordem) – Pedido à Presidência de determinação de encerramento dos trabalhos nas Comissões................................ PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Determinação de encerramento dos trabalhos nas Comissões da Casa. .................................................. JUTAHY JUNIOR (PSDB – BA. Como Líder) – Consonância entre as conclusões da CPMI dos Correios e denúncias do Procurador-Geral da República contra membros do Governo petista. ....... PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Apresentação ao Plenário de proposta sobre a condução dos trabalhos da Casa........................................... Usaram da palavra pela ordem os Srs. Deputados RONALDO DIMAS (PSDB – TO), TEREZINHA FERNANDES (PT – MA). ...................................... PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Continuação da votação, em turno único, da Medida Provisória n.º 280-A, de 2006, que altera a Legislação Tributária Federal. .................................................. Requerimento de destaque para votação em separado da Emenda nº 113 oferecida à Medida Provisória nº 280-A, de 2006................................. Votação da Emenda nº 113, destacada. ...... Usou da palavra para orientação da respectiva bancada o Sr. Deputado FERNANDO CORUJA (PPS, SC). ............................................................. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Determinação do Presidente Aldo Rebelo de manutenção dos registros de presença do painel na sessão ordinária. ................................................................... Usou da palavra pela ordem o Sr. Deputado LUIZ CARLOS HAULY (PSDB – PR)..................... Usaram da palavra para orientação das respectivas bancadas os Srs. Deputados MANATO (PDT – ES), JORGE GOMES (PSB – PE), LUCIANO CASTRO (PL – RR), LUIZ ANTONIO FLEURY (PTB – SP), MÁRIO NEGROMONTE (PP – BA), ALBERTO FRAGA (PFL – DF), TEREZINHA FERNANDES (PT – MA), DARCÍSIO PERONDI (PMDB – RS), CHICO ALENCAR (PSOL – RJ), RONALDO DIMAS (PSDB – TO), ARLINDO CHINAGLIA (PT – SP), JOVINO CÂNDIDO (PV – SP). ................... PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Convocação dos Deputados ao plenário. ........................ 19069 19070 19074 19074 19074 19075 19075 19075 19075 19075 19076 19076 19076 19077 19078 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Usou da palavra pela ordem o Sr. Deputado OSVALDO BIOLCHI (PMDB – RS). ...................... JORGE GOMES (PSB – PE. Pela ordem) – Descaso do Governo do Estado de Pernambuco com a escalada da violência contra mulheres. ..... TEREZINHA FERNANDES (PT – MA. Pela ordem) – Realização de encontro do Partido dos Trabalhadores em São Luís, do Estado do Maranhão, para definição do posicionamento do partido nas próximas eleições. Candidatura da oradora ao cargo de Vice-Governadora do Maranhão............. Usou da palavra para orientação da respectiva bancada o Sr. Deputado ZEQUINHA MARINHO (PSC – PA)............................................................. Usou da palavra pela ordem o Sr. Deputado DARCÍSIO PERONDI (PMDB – RS). .................... Usou da palavra para orientação da respectiva bancada o Sr. Deputado DANIEL ALMEIDA (PCdoB – BA). ................................................ DR. FRANCISCO GONÇALVES (PPS – MG. Pela ordem) – Instalação de unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica em Divinópolis, Estado de Minas Gerais. Implantação de Faculdade de Medicina no Município. ..................................... PAUDERNEY AVELINO (PFL – AM. Pela ordem) – Expectativa de aprovação do Orçamento Geral da União de 2006......................................... RODRIGO MAIA (PFL – RJ. Como Líder) – Congratulação ao Procurador-Geral da República pela apresentação de denúncias contra membros do Governo petista citados no relatório final da CPMI dos Correios. ........................................................ PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Equívoco da utilização da palavra pelo Deputado Darcísio Perondi para orientação da bancada do PMDB. ... Usou da palavra pela ordem o Sr. Deputado ARLINDO CHINAGLIA (PT – SP).......................... ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP. Pela ordem) – Apoio à extensão aos aposentados da Previdência Social do reajuste concedido ao salário mínimo. Cumprimento ao ProcuradorGeral da República, Antonio Fernando Souza, pela corroboração de denúncias da CPMI dos Correios. ......................................................... Usou da palavra para orientação da respectiva bancada o Sr. Deputado WILSON SANTIAGO (PMDB – PB). ........................................................ JOSÉ CARLOS ALELUIA (PFL – BA. Como Líder) – Acerto da decisão do Ministério Público de indiciamento de membros do Governo Federal por prática de ilicitudes. Defesa da continuidade de processo de cassação do mandato parlamentar após renúncia, bem como da alteração da declaração da perda do mandato por quebra de decoro parlamentar. Conveniência da inelegibilidade do Parlamentar na hipótese de quebra de decoro parlamentar. Protesto contra tentativa de impedimento, pelo PT, 19079 19079 19079 19080 19080 19080 19080 19080 19081 19082 19082 19082 19082 Quinta-feira 13 do julgamento de processo contra o Deputado José Janene, no âmbito da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. ......................................... FERNANDO FERRO (PT – PE. Como Líder) – Inexistência de autoridade moral e política da Oposição para defesa de instituições. .................. ARLINDO CHINAGLIA (PT – SP. Como Líder) – Reconhecimento da ausência de responsabilidade do Presidente da República quanto aos fatos motivadores da instalação da CPI dos Correios tanto pelo relatório final daquele órgão como pelo parecer da Procuradoria-Geral da República sobre o processo. ............................................................ PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Encerramento da votação. .............................................. Aprovação da Emenda nº 113 destacada.... Votação e aprovação da redação final. ........ Encaminhamento da matéria ao Senado Federal, incluindo o processado. ............................... MIRO TEIXEIRA (PDT – RJ) – Questão de ordem sobre a tramitação de matéria eleitoral, particularmente sobre a proposta de regulamentação da propaganda eleitoral. ........................................ PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Decisão da Presidência sobre a questão de ordem suscitada pelo Deputado Miro Teixeira. ................................. Usaram da palavra pela ordem, para registro de voto, os Srs. Deputado ALEX CANZIANI (PTB – PR), WALDEMIR MOKA (PMDB – MS).............. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 281, de 2006, que reduz a zero as alíquotas de Imposto de Renda e da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) nos casos que especifica, e dá outras providências. ....................................................... Existência de requerimento de retirada de pauta da medida provisória da pauta. ................... PAUDERNEY AVELINO (PFL – AM. Pela ordem) – Retirada do requerimento. ......................... Usou da palavra pela ordem, para registro de voto, o Sr. Deputado ALCEU COLLARES (PDT – RS)........ PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concessão da palavra ao Deputado Humberto Michiles para emissão de parecer à medida provisória e às emendas. ............................................................... HUMBERTO MICHILES (PL – AM) – Pedido à Presidência de concessão do prazo de uma sessão para apresentação do parecer. ....................... PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Deferimento do pedido do Deputado Humberto Michiles................. PAULO DELGADO (PT – MG. Pela ordem) – Pedido ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva de providências acerca da crise financeira da Viação Aérea Rio-Grandense S.A. – VARIG...................... 18901 19082 19083 19085 19086 19086 19093 19094 19094 19095 19095 19095 19095 19096 19096 19096 19096 19096 19096 18902 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PAUDERNEY AVELINO (PFL – AM. Pela ordem) – Importância do apoio do Governo Federal à Viação Aérea Rio-Grandense S.A. – VARIG....... VI – Encerramento 2 – ATA DA 48ª SESSÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, ORDINÁRIA, DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA, ORDINÁRIA, DA 52ª LEGISLATURA, EM 12 DE ABRIL DE 2006 I – Abertura da sessão II – Leitura e assinatura da ata da sessão anterior III – Leitura do expediente SESSÃO ORDINÁRIA DE 12-4-2006 IV – Pequeno Expediente MAURO BENEVIDES (PMDB – CE) – Reunião da Comissão Especial destinada ao exame da proposta de emenda à Constituição sobre a recomposição das Câmaras Municipais do País. Transcurso do 19º aniversário de emancipação político-administrativa do Município de Barreira, Estado do Ceará.................................................... JOÃO ALFREDO (PSOL – CE) – Transcurso do 10º aniversário do massacre de trabalhadores rurais no Município de Eldorado dos Carajás, Estado do Pará. Impunidade dos responsáveis pelo massacre. Inexistência de política de reforma agrária como causa de violência no campo. Apelo à Justiça paraense para manutenção da condenação do Coronel Mário Pantoja e do Major José Maria Oliveira. ................... GUILHERME MENEZES (PT – BA. Pela ordem) – Razões da ausência do Parlamentar em votação de sessão anterior.................................... PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Exaltação aos trabalhos desenvolvidos pelos Deputados Federais. ................................................................ CHICO ALENCAR (PSOL – RJ) – Greve dos professores do Estado do Rio de Janeiro. Depoimento da Profa. Tânia Minerva Corrêa, do Colégio Estadual Rui Barbosa, Município de Petrópolis, sobre a precariedade das condições de trabalho dos professores da rede pública................................... EDINHO BEZ (PMDB – SC) – Desempenho da Prefeita Sandra Rachadel, do Município de Nova Trento, Estado de Santa Catarina.......................... TELMA DE SOUZA (PT – SP) – Reivindicações apresentadas ao Ministério dos Transportes por entidades representativas de servidores públicos das áreas portuária e ferroviária. Elaboração da Carta do Vale do Ribeira, sobre o processo de concessão para a exploração da Rodovia Régis Bittencourt. Situação do escritório da Viação Aérea Rio-Grandense S/A – VARIG em Joanesburgo, África do Sul. Conquista, pelo Santos Futebol Clube, do Título de Campeão Paulista de Futebol da 1ª Divisão de 2006. .................................................... CARLOS NADER (PL – RJ) – Realização de testes com chocolate amargo em portadores 19096 19107 19108 19109 19109 19110 19113 19113 Abril de 2006 de doenças coronárias agudas, pelo Instituto de Pesquisas William Harvey de Londres, Inglaterra. RAIMUNDO GOMES DE MATOS (PSDB – CE) – Aprimoramento da legislação de proteção aos idosos. Editorial Direitos Ignorados, sobre a implementação do Plano Nacional do Idoso, publicado pelo jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza, Estado do Ceará.................................................... ALMERINDA DE CARVALHO (PMDB – RJ) – Pedido à Presidência para inclusão da pauta da Proposta de Emenda à Constituição nº 2, de 2003, acerca da lotação de funcionários públicos requisitados. ....... GASTÃO VIEIRA (PMDB – MA. Pela ordem) – Maior atenção da Casa ao projeto de lei sobre fixação de cotas de acesso às instituições de ensino superior para índios, negros e alunos selecionados de escolas públicas. .............................................. JÚNIOR BETÃO (PL – AC. Pela ordem) – Registro de voto proferido em sessão anterior........... RENATO CASAGRANDE (PSB – ES) – Conquista, pelo Vitória Futebol Clube, do Campeonato de Futebol do Estado do Espírito Santo. .............. MANATO (PDT – ES. Como Líder) – Agradecimento ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela liberação de recursos para construção de centro de vivência da terceira idade no Município de Serra, Estado do Espírito Santo. Acerto da aprovação de emenda à medida provisória sobre alterações na legislação tributária federal favorável ao empresariado brasileiro. Insatisfação com a rejeição, pelo Plenário, da correção da tabela do Imposto de Renda da pessoa física. Votos de feliz Páscoa aos Parlamentares. PERPÉTUA ALMEIDA (PCdoB – AC) – Apreensão com a iminente falência da Viação Aérea RioGrandense S/A – VARIG. Dependência do Estado do Acre das linhas operadas pela companhia. Crise da aviação civil no País. Mobilização de funcionários da empresa aérea nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Defesa de solução negociada entre o Governo Federal e a VARIG para preservação dos empregos. Defesa de exclusão da Companhia de Eletricidade do Acre – ELETROACRE do Programa Nacional de Desestatização. Imediata revogação da Resolução CCE nº 9. ...................... MARCONDES GADELHA (PSB – PB) – Inclusão da Bacia do Rio Peixe, Estado da Paraíba, na oitava rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo. Expectativa quanto à exploração de petróleo no Município de Sousa. ........................... ALBERTO FRAGA (PFL – DF. Como Líder) – Acerto da denúncia oferecida pelo Procurador-Geral da República, Antônio Fernando de Souza, contra os envolvidos no escândalo do mensalão. Conveniência de abertura de processo de impeachment contra o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ...................... PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Determinação de retirada de expressões ou termos antiregimentais de discurso parlamentar..................... 19115 19115 19117 19117 19117 19117 19118 19119 19120 19120 19121 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS WALTER FELDMAN (PSDB – SP) – Reassunção do mandato parlamentar pelo orador. Confirmação da existência do esquema do mensalão pelas CPMIs dos Correios e dos Bingos e pelo Ministério Público. Punição exemplar dos envolvidos nos escândalos de corrupção. Modelo de transparência nas contas públicas concebido pelo Parlamentar durante a gestão como Secretário de Subprefeituras da cidade de São Paulo. Defesa de alterações no sistema político-institucional em vigor para inibição da prática de corrupção por agentes públicos....... EDUARDO VALVERDE (PT – RO) – Contestação ao pronunciamento do Deputado Alberto Fraga sobre a confirmação da existência do esquema do mensalão pelo Procurador-Geral da República, Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. Falta de lastro moral a integrantes do Governo anterior e de Parlamentares da Oposição para acusações ao Governo Lula da Silva. Diminuição das desigualdades socioeconômicas durante a gestão petista. Manobras do candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, de abafamento de investigações de corrupção na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo durante sua gestão como Governador do Estado. Recuperação do Estado, geração de empregos e atendimento a reivindicações salariais e profissionais pelo Governo do PT. LUIZ CARLOS HAULY (PSDB – PR) – Denúncia apresentada pelo Procurador-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal sobre a existência de mensalão no Congresso Nacional. Empenho do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar na punição dos envolvidos no escândalo. Excelência do relatório apresentado pelo Deputado Osmar Serraglio na CPMI dos Correios. Críticas à política econômica do Governo Lula da Silva. Defesa de reformas estruturais no Estado brasileiro. ............................ INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE. Como Líder) – Correspondência do Presidente da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima, dirigida a editor do jornal Correio Braziliense. Acolhimento de processos de perseguidos políticos durante o regime militar em sessão realizada pela Comissão de Anistia instalada no Ministério da Justiça. Depoimentos de Ronald Cavalcanti Freitas e Luzia Reis Ribeiro na mencionada sessão. ......................................... WALTER BARELLI (PSDB – SP) – Documento Eleições 2006 – Orientações da CNBB, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Contribuição da Igreja Católica para o aperfeiçoamento do processo político. .............................................. JAIR BOLSONARO (PP – RJ) – Denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal sobre a existência do esquema do mensalão no Congresso Nacional. Crimes praticados pelos envolvidos no escândalo e por integrantes do Governo Luiz Inácio Lula da Silva durante o regime militar, com menção especí- 19121 19122 19123 19124 19129 Quinta-feira 13 fica ao ex-Deputado José Dirceu e à Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff. Contrariedade aos benefícios assegurados pela Lei da Anistia aos supostos perseguidos políticos durante o Governo militar. Conivência do PT com a corrupção praticada durante o Governo Fernando Henrique Cardoso. ................................ ZICO BRONZEADO (PT – AC) – Denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal sobre a existência do esquema do mensalão no Congresso Nacional. Caráter inadequado da afirmação do Procurador-Geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, sobre formação de quadrilha no âmbito do PT. Contestação a pronunciamento do Deputado Jair Bolsonaro sobre negligência do PT com o setor de educação. Conquistas da Administração do PT no Estado do Acre. ........ GILMAR MACHADO (PT – MG) – Instalação de campus da Universidade Federal de Uberlândia na cidade de Ituiutaba, Estado de Minas Gerais. Compromisso do Governo Luiz Inácio Lula da Silva com o ensino público. Apuração das denúncias do mensalão pela Justiça. ......................................... ÁTILA LINS (PMDB – AM) – Implementação de programa de regularização de lotes de terras públicas na cidade de Manaus, Estado do Amazonas. Cumprimentos ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela determinação relativa a instalação de campus da Universidade Federal do Amazonas nos Municípios de Itacoatiara e Parintins. Reunião com autoridades do Município de Itapiranga concernente à infra-estrutura da cidade..................................... WAGNER LAGO (PDT – MA. Discurso retirado pelo orador para revisão.) – Determinação da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão de apuração dos atentados contra a Prefeita Municipal de Bom Jesus das Selvas, Maria de Sousa Lira, e o Presidente da Câmara Municipal de Palmeirândia, Gregório Almeida Mendes. Conclusão do inquérito de investigação do assassinato do Prefeito Municipal de Buriti Bravo, João Leocádio. Matéria Vereador é atingido a tiros na cidade de Palmeirândia, publicado pelo Jornal Pequeno, de São Luís. Nota Prefeita do PT sofreu atentado, do jornalista Aldir Dantas, responsável pela coluna Espaço Aberto, do Jornal Pequeno. ................... LUIZ ALBERTO (PT – BA) – Transcurso do 30º aniversário de atuação da Yalorixá Maria Stella de Azevedo Santos à frente do Ilê Axé Opô Afonjá, no Estado da Bahia. Importância das casas de cultura africana para as comunidades afro-brasileiras. Realização do evento Raça e Renda – I Seminário Municipal do Projeto Educação para Combater a Pobreza. Avanços das políticas destinadas à raça negra implementadas pelo Governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Apresentação de projeto de lei sobre participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas. Constituição de comissão tri- 18903 19130 19131 19131 19132 19133 18904 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS partite relativa à análise de questões concernentes aos direitos de anistiados políticos no País. .......... DR. ROSINHA (PT – PR. Pela ordem) – Críticas de eleitora do Estado do Paraná à ovação ao Deputado Osmar Serraglio após a aprovação do relatório da CPMI dos Correios. ............................ NEUCIMAR FRAGA (PL – ES) – Reinício das obras da BR-393 no trecho entre Cachoeiro de Itapemirim e Muqui, no Estado do Espírito Santo. .... NELSON MARQUEZELLI (PTB – SP) – Regozijo com a liberação de recursos orçamentários para custeio da safra cafeeira de 2007. Transferência para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento da gestão dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira – FUNCAFÉ. Expectativa quanto à aprovação do Orçamento Geral da União de 2006. ................................................ CARLOS ALBERTO LERÉIA (PSDB – GO) – Candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República. Invasão do horto florestal da empresa Aracruz Celulose S/A, no Estado do Rio Grande do Sul, por camponesas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. ............... CELSO RUSSOMANNO (PP – SP) – Aumento do número de crimes praticados por menores no País, segundo dados do Ministério da Justiça. Urgente revisão da maioridade penal.................... LUIZ BITTENCOURT (PMDB – GO) – Transcurso do 40º aniversário de fundação do Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB.......... DARCÍSIO PERONDI (PMDB – RS) – Transcurso do 10º aniversário do Instituto de Assistência ao Futebol Brasileiro, órgão criado pela Confederação Brasileira de Futebol. Promoção, pela CBF, do Campeonato Infantil de Comunidades Carentes. .. V – Grande Expediente COLBERT MARTINS (PPS – BA) – Saudação a escolares e professores do Núcleo Bandeirante, em Brasília, Distrito Federal, presentes nas galerias. Empenho do orador na aprovação de proposição sobre a Política Nacional de Saneamento Básico. Explanação sobre o pretendido marco regulatório do saneamento e as diretrizes para o abastecimento de água, esgotamento sanitário, destinação de resíduos sólidos, drenagem urbana de águas pluviais, saneamento ambiental, fiscalização e avaliação da qualidade dos serviços e gestão econômico-financeira. Estudos sobre a viabilidade do estabelecimento de parcerias público-privadas no setor. Reivindicação ao Supremo Tribunal Federal de presteza no julgamento de ação que demanda definição de titularidade dos serviços de saneamento prestados nos Estados e Municípios brasileiros. .......................... ALCESTE ALMEIDA (PTB – RR. Como Líder) – Solicitação ao Governo Federal de concessão de auxílio financeiro à Viação Aérea Rio-Grandense S/A – VARIG. ..................................................................... 19133 19135 19135 19135 19136 19136 19137 19138 19139 19142 Abril de 2006 FERNANDO FERRO (PT – PE. Pela ordem) – Realização da Conferência Nacional dos Povos Indígenas. .............................................................. PEDRO CHAVES (PMDB – GO. Pela ordem) – Transcurso do 10º aniversário do Instituto de Assistência ao Futebol Brasileiro, órgão criado pela Confederação Brasileira de Futebol – CBF. .......... EDUARDO SCIARRA (PFL – PR) – Críticas ao Governo Luiz Inácio Lula da Silva. Prática de nepotismo pelo Governo do Estado do Paraná. Irregularidades no âmbito da administração do Porto de Paranaguá. Desempenho do Governador Roberto Requião........ MÁRCIO REINALDO MOREIRA (PP – MG. Como Líder) – Acerto da cassação pela Câmara dos Vereadores do mandato do Prefeito Ronaldo Canabrava, do Município de Sete Lagoas, Estado de Minas Gerais. Expectativa popular quanto à assunção do cargo pelo Vice-Prefeito Leone Maciel. ............... MAURO PASSOS (PT – SC. Pela ordem) – Má qualidade dos serviços de abastecimento de água no Município de Itapema, Estado de Santa Catarina. Irregularidades na municipalização do setor.... PAES LANDIM (PTB – PI. Discurso retirado pelo orador para revisão.) – Participação do orador na comitiva do Presidente Aldo Rebelo presente no V Fórum dos Parlamentos da Língua Portuguesa, realizado em São Paulo de Luanda, Angola. Necessidade de aproximação do Brasil com os países de língua portuguesa na África. Concessão ao Município de Teresina, pelo jornal Gazeta Mercantil, do prêmio Os Municípios Mais Dinâmicos do Brasil – Atlas do Mercadão Brasileiro 2006. Artigo São Paulo de Luanda, da lavra do orador, publicado pelo jornal Meio Norte. .......................................... MAURO BENEVIDES (PMDB – CE. Pela ordem) – Transcurso do 280º aniversário de emancipação político-administrativa de Fortaleza, Estado do Ceará. ............................................................... VANESSA GRAZZIOTIN (PCdoB – AM) – Solidariedade ao movimento grevista de vigilantes no Estado do Amazonas. Realização de audiência pública pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público para debate da tramitação de processos de indenização a anistiados políticos. Compromisso assumido pelo Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, de formação de comissão tripartite para gestão do pagamento das indenizações. Elogio ao Deputado Carlito Merss pela elevação do valor dos recursos destinados ao pagamento dos anistiados no Orçamento Geral da União de 2006. Denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal pelo Procurador-Geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, sobre a existência do esquema do mensalão no Congresso Nacional. Entrega de cópia do relatório final da CPMI dos Correios ao Procurador-Geral da República. Confirmação da independência da atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal na investigação do caso. 19143 19143 19143 19148 19149 19149 19150 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Questionamento sobre a exclusão dos nomes do Senador Eduardo Azeredo e do Deputado Roberto Brant da denúncia. Desinteresse do Governo anterior pela investigação de escândalos de corrupção. Prioridade dada pelo Governo Luiz Inácio Lula da Silva à transparência administrativa............................................... Apresentação de proposições: DR. FRANCISCO GONÇALVES, JAIR BOLSONARO, JOÃO GRANDÃO, BABÁ, LUIZ COUTO, JUTAHY JUNIOR, HERMES PARCIANELLO, LUIZ ANTONIO FLEURY, HERMES PARCIANELLO, TEZÉ BEZERRA, HERMES PARCIANELLO, ANDRÉ FIGUEIREDO, HERMES PARCIANELLO, FERNANDO ESTIMA, LUCIANO ZICA, JOÃO PAULO CUNHA, CARLOS NADER, SARNEY FILHO, MARCUS VICENTE, MICHEL TEMER, LUIZ ALBERTO, CARLOS NADER, VANDER LOUBET, PASTOR REINALDO, TARCÍSIO ZIMMERMANN, ANTONIO CARLOS MENDES THAME. ...... VI – Ordem do Dia (Trabalho de Comissões.) ............................ TARCÍSIO ZIMMERMANN (PT – RS. Pela ordem) – Solicitação ao Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador, do Ministério do Trabalho e Emprego, de ampliação do valor das parcelas do seguro-desemprego pagas a trabalhadores do setor coureiro-calçadista. ................................. ANTONIO CARLOS MENDES THAME (PSDB – SP. Como Líder) – Denúncia do Procurador-Geral da República, Antonio Fernando Souza, acerca de prática de corrupção pelo Partido dos Trabalhadores. Críticas à política econômica do Governo Luiz Inácio Lula da Silva................................................ EDUARDO VALVERDE (PT – RO. Como Líder) – Críticas a decisão judicial em favor do proprietário do Banco Opportunity, Daniel Dantas. Elogios à política socioeconômica do Governo Luiz Inácio Lula da Silva. Realização da Conferência Nacional dos Povos Indígenas. ............................................ MARCONDES GADELHA (PSB – PB. Como Líder) – Elogio ao Ministro da Integração Nacional, Pedro Brito do Nascimento, pela decisão de transferência da gestão de projetos de irrigação aos próprios irrigantes dos perímetros de Pirapora e Lagoa Grande, no Estado de Minas Gerais; de Tourão, no Estado da Bahia; e de Arroio Duro, no Estado do Rio Grande do Sul. ................................................ JORGE ALBERTO (PMDB – SE. Como Líder) – Investimentos realizados na área de ciência e tecnologia no Estado de Sergipe. Inauguração, pela Universidade Federal de Sergipe e pela Universidade Tiradentes, de incubadoras no Sergipe Parque Tecnológico. Outorga, pela Rede Nacional de Agentes de Comércio Exterior, de prêmio à Secretaria da Indústria, do Comércio e da Ciência e Tecnologia do Governo do Estado de Sergipe. Desempenho da balança comercial sergipana. ......... NEUCIMAR FRAGA (PL – ES. Como Líder) – Transcurso dos aniversários de emancipação políti- 19150 19154 19160 19160 19160 19161 19163 19163 Quinta-feira 13 co-administrativa dos Municípios de Baixo Guandu e Nova Venécia, Estado do Espírito Santo. Aprovação, pela Comissão Especial, do parecer apresentado pelo Relator à Proposta de Emenda à Constituição nº 333, de 2004, sobre o limite de despesas e a composição numérica das Câmaras de Vereadores do País. ..... HAMILTON CASARA (PSDB – RO. Pela ordem) – Ampliação do Programa Calha Norte para o Estado de Rondônia. .......................................... LUIZ COUTO (PT – PB. Pela ordem) – Defesa da atuação do Ministério Público, ressalvadas as responsabilidades por eventuais excessos. Necessidade de respeito ao princípio da presunção da inocência e preservação da intimidade. Livre atuação do Parquet no Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. DARCÍSIO PERONDI (PMDB – RS. Pela ordem) – Crise financeira da Viação Aérea Rio-Grandense S/A – VARIG. Existência de amplas condições para recuperação da empresa............................... JOSIAS QUINTAL (PSB – RJ. Pela ordem) – Saudação aos policiais civis e militares do Estado do Rio de Janeiro. Defesa da reforma estrutural das Polícias no País. Agradecimento ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela escolha do Estado do Rio de Janeiro para instalação de novo pólo petroquímico da PETROBRAS. Desigualdades socioeconômicas do Município de Campos dos Goytacazes. Conveniência da instalação de fábrica de fertilizantes no Município. ............................. PAULO RUBEM SANTIAGO (PT – PE. Pela ordem) – Realização da Conferência Nacional dos Povos Indígenas em Brasília, Distrito Federal. Relatório do Tribunal de Contas da União sobre falhas na atuação e administração da FUNAI. Urgência na apresentação, pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, de proposta de criação da Carreira Indigenista para os servidores da FUNAI.................. EDINHO BEZ (PMDB – SC. Pela ordem) – Expectativa quanto à extinção do embargo imposto pela Rússia às importações de carnes do Estado de Santa Catarina.................................................. HENRIQUE AFONSO (PT – AC. Pela ordem) – Situação das famílias residentes na área de proteção ambiental da região do Vale do Juruá, Estado do Acre. ................................................................ NILSON MOURÃO (PT – AC. Pela ordem) – Repúdio às acusações da Oposição contra o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Baixa aceitação popular do candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin. Responsabilidade dos oposicionistas relativa à falta de votação do Orçamento Geral da União na Casa. .................... ZICO BRONZEADO (PT – AC. Pela ordem) – Visita do orador ao Município de Feijó, Estado do Acre. Dificuldade de acesso aos benefícios da Previdência Social pelos seringueiros da região. .. MÁRIO NEGROMONTE (PP – BA. Pela ordem) – Urgente solução, por governantes e em- 18905 19166 19166 19167 19167 19168 19169 19170 19171 19171 19172 18906 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS presários, para a crise financeira da Viação Aérea Rio-Grandense – VARIG. ...................................... FERNANDO FERRO (PT – PE. Pela ordem) – Decisão da Justiça Eleitoral pela cassação dos mandatos do Prefeito e do Vice-Prefeito do Município de Primavera, Estado de Pernambuco. Manifesto da municipalidade contra o Prefeito cassado. ...... PASTOR REINALDO (PTB – RS. Pela ordem) – Imperiosidade de auxílio governamental à Viação Aérea Rio-Grandense – VARIG. Realização da Conferência Nacional dos Índios. Participação do orador em audiência pública promovida pela Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas para discussão da prática de infanticídio em tribos indígenas. Instalação de Frente Parlamentar Evangélica em Florianópolis, Estado de Santa Catarina. ............. RAUL JUNGMANN (PPS – PE. Pela ordem) – Indiciação, pelo Procurador-Geral da República, de Parlamentares envolvidos nos escândalos de corrupção, inclusive os que renunciaram, os que tiveram o mandato cassado ou foram absolvidos pelo Plenário da Casa. Defesa da extinção do voto secreto nas deliberações plenárias. Votos de feliz Páscoa aos Parlamentares e à população brasileira. .......... PRESIDENTE (Pastor Reinaldo) – Caráter oportuno da proposta de extinção do voto secreto nas deliberações da Casa. .................................... NEUCIMAR FRAGA (PL – ES. Pela ordem) – Sanção presidencial do projeto de lei sobre a instituição do Dia Nacional das Lideranças Comunitárias. Destinação de recursos oriundos de emendas orçamentárias apresentadas pelo orador para pavimentação de ruas no Município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo. Transcurso do 43º aniversário de emancipação político-administrativa do Município de Presidente Kennedy. Excelência da gestão do Prefeito Aloísio Carlos. Desempenho do Prefeito Antonio Bitencourt, do Município de Marataízes. . BABÁ (PSOL – PA. Pela ordem) – Considerações acerca da denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal pelo Procurador-Geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, sobre a existência do esquema de mensalão no Congresso Nacional. Desgaste da imagem do Poder Legislativo com a absolvição pelo Plenário de Parlamentares envolvidos com o mensalão. Continuidade da política econômica liberal no Governo petista. Manobras para obstrução das investigações de corrupção do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso e do candidato do PSDB à Presidência da República, ex-Governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin. Semelhanças entre as propostas de governo do PT e do PSDB. Presentes recebidos pelas Primeiras-Damas do Brasil e do Estado de 19172 19173 19174 19174 19175 Abril de 2006 São Paulo e favorecimentos duvidosos obtidos por familiares do Presidente Lula e do ex-Governador Geraldo Alckmin. Apoio à candidatura presidencial da Senadora Heloísa Helena, pelo PSOL. ........... VII – Encerramento DISCURSO PROFERIDO PELO SR. DEPUTADO ORLANDO FANTAZZINI (PSOL – SP) NO PERÍODO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 41, REALIZADA EM 5 DE ABRIL DE 2006 – RETIRADO PELO ORADOR PARA REVISÃO: Apoio à regulamentação da Emenda Constitucional nº 51. Sistemática perseguição desenvolvida pelo Governo iraniano contra os seguidos da Fé Bahá’í. Necessidade de manifestação, pelo Governo brasileiro, de preocupação quanto tal prática. ............................................... 3 – DECISÃO DA PRESIDÊNCIA – Novo despacho ao PL nº 3.057/00 ........... 4 – PARECERES – Projetos de Lei nºs 1.267-C/03, 4.302-A/04, 4.317-A/04 e 6.207A/05. ............................................................. 19176 19193 19194 19197 COMISSÃO 5 – ATAS a) Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, 1ª Reunião, em 29.3.06, e 2ª Reunião, em 5-4-06........................................ 6 – DESIGNAÇÃO Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, em 12-4-06. ....................... 19207 19209 SEÇÃO II 19175 7 – ATOS DO PRESIDENTE a) Dispensar: Alexandre Lustosa Neto, Andrea Karla Cavalcanti da Mota Cabral de Oliveira, Cristiano Barros de Matos, Dante Eduardo Prunk, Eliá Milhomem de Oliveira, Euripedes Francisco Amuy, Gilcy Rodrigues Azevedo Ferreira, Heliomar Rosa Cotta Pereira, Manoel de Araújo Ramos Júnior, Nilson Rodrigues de Assis. ............................ b) Designar: Andrea Karla Cavalcanti da Mota Cabral de Oliveira, Dante Eduardo Prunk, Eliá Milhomem de Oliveira, Fatima Paes Loureiro, Gilcy Rodrigues Azevedo Ferreira, Lisandra Pinto Scafutto, Luis Carlos da Silva, Manoel de Araújo Ramos Júnior, Mauricio Paz Saraiva Câmara, Nilson Rodrigues de Assis, Paula Regina dos Santos. .... 8 – MESA 9 – LÍDERES E VICE-LÍDERES 10 – DEPUTADOS EM EXERCÍCIO 11 – COMISSÕES 19209 19210 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 Ata da 47ª Sessão, Extraordinária, Matutina, em 12 de abril de 2006 Presidência dos Srs. Inocêncio Oliveira, 1º Secretário, Ademir Camilo, Reinaldo Betão, § 2º do artigo 18 do Regimento Interno ÀS 9 HORAS COMPARECEM À CASA OS SRS.: Inocêncio Oliveira Mário Heringer AMAPÁ EVANDRO MILHOMEN PCdoB GERVÁSIO OLIVEIRA PMDB Total de Amapá: 2 AMAZONAS VANESSA GRAZZIOTIN PCdoB Total de Amazonas: 1 RONDÔNIA ANSELMO PT EDUARDO VALVERDE PT Total de Rondônia: 2 ACRE HENRIQUE AFONSO PT Total de Acre: 1 MARANHÃO PEDRO FERNANDES PTB SARNEY FILHO PV Total de Maranhão: 2 CEARÁ ALMEIDA DE JESUS PL MAURO BENEVIDES PMDB PASTOR PEDRO RIBEIRO PMDB Total de Ceará: 3 PIAUÍ JÚLIO CESAR PFL MARCELO CASTRO PMDB NAZARENO FONTELES PT Total de Piauí: 3 RIO GRANDE DO NORTE FÁTIMA BEZERRA PT Total de Rio Grande do Norte: 1 PARAÍBA CARLOS DUNGA PTB LUIZ COUTO PT MARCONDES GADELHA PSB PHILEMON RODRIGUES PTB Total de Paraíba: 4 PERNAMBUCO FERNANDO FERRO PT MARCOS DE JESUS PFL Total de Pernambuco: 2 SERGIPE JACKSON BARRETO PTB JOSÉ CARLOS MACHADO PFL Total de Sergipe: 2 BAHIA CORIOLANO SALES PFL GUILHERME MENEZES PT ZELINDA NOVAES PFL Total de Bahia: 3 MINAS GERAIS ADEMIR CAMILO PDT ISAÍAS SILVESTRE PSB JÚLIO DELGADO PSB LEONARDO MONTEIRO PT LINCOLN PORTELA PL MARIA DO CARMO LARA PT REGINALDO LOPES PT Total de Minas Gerais: 7 ESPÍRITO SANTO MARCUS VICENTE PTB Total de Espírito Santo: 1 RIO DE JANEIRO ANTONIO CARLOS BISCAIA PT DELEY PSC JANDIRA FEGHALI PCdoB NELSON BORNIER PMDB REINALDO BETÃO PL SANDRO MATOS PTB Total de Rio de Janeiro: 6 SÃO PAULO ANTONIO CARLOS MENDES THAME PSDB DIMAS RAMALHO PPS DR. PINOTTI PFL EDINHO MONTEMOR PSB IVAN VALENTE PSOL JULIO SEMEGHINI PSDB Total de São Paulo: 6 MATO GROSSO CELCITA PINHEIRO PFL Total de Mato Grosso: 1 18907 18908 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS GOIÁS LEONARDO VILELA PSDB Total de Goiás: 1 MATO GROSSO DO SUL JOÃO GRANDÃO PT Total de Mato Grosso do Sul: 1 PARANÁ ASSIS MIGUEL DO COUTO PT DILCEU SPERAFICO PP EDUARDO SCIARRA PFL MOACIR MICHELETTO PMDB NELSON MEURER PP VITORASSI PT Total de Paraná: 6 SANTA CATARINA FERNANDO CORUJA PPS Total de Santa Catarina: 1 RIO GRANDE DO SUL ELISEU PADILHA PMDB FRANCISCO APPIO PP FRANCISCO TURRA PP HENRIQUE FONTANA PT ORLANDO DESCONSI PT OSMAR TERRA PMDB Total de Rio Grande do Sul: 6 I – ABERTURA DA SESSÃO O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A lista de presença registra na Casa o comparecimento de 64 Senhoras Deputadas e Senhores Deputados. Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro iniciamos os nossos trabalhos. O Sr. Secretário procederá à leitura da ata da sessão anterior. II – LEITURA DA ATA A SRA. VANESSA GRAZZIOTIN, servindo como 2º Secretário, procede à leitura da ata da sessão antecedente, a qual é, sem observações, aprovada. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Passa-se à leitura do expediente. O SR. MAURO BENEVIDES, servindo como 1° Secretário, procede à leitura do seguinte III – EXPEDIENTE MENSAGEN Nº 174 RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DE RECEITAS E DESPESAS PRIMÁRIAS Março/2006 SUMÁRIO 1. Avaliação das Receitas e Despesas Primárias 2. Parâmetros Abril de 2006 3. Análise das Receitas, exceto Regime Geral de Previdência Social – RGPS 4. Análise das Despesas Obrigatórias, exceto Regime Geral de Previdência Social – RGPS 5. Memória de Cálculo das Receitas e Despesas do Regime Geral de Previdência Social – RGPS 6. Conclusão ANEXOS ANEXO I – Memória de cálculo das receitas administradas ANEXO II – Memória de cálculo das empresas estatais Sumário Executivo No intuito de assegurar o cumprimento da meta de resultado primário do Governo Federal, de proporcionar transparência a este processo, e de atender os princípios de responsabilidade fiscal, o presente Relatório reavalia as receitas e despesas primárias, a partir dos dados realizados do mês de janeiro de 2006 e resultados preliminares para o mês de fevereiro, e projeções realizadas com base nos parâmetros econômicos estimados pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda em 20 de dezembro de 2005. Na ausência da Lei Orçamentária de 2006 – LOA – 2006, o Poder Executivo editou o Decreto nº 5.698, de 8 de fevereiro de 2006, com observância ao disposto no art. 74 da LDO – 2006, estabelecendo cronograma provisório de empenho até a sanção da LOA – 2006 e de desembolso para o primeiro trimestre de 2006. Já então, as projeções indicavam a necessidade de ajuste nas despesas primárias, o que levou o Poder Executivo a incorporar, no referido Decreto, metas quadrimestrais para o Governo Federal visando garantir o cumprimento do resultado primário estabelecido para 2006. INFORME AOS DEMAIS PODERES E À COMISSÃO MISTA DE ORÇAMENTO, PLANOS E FISCALIZAÇÃO FINANCEIRA Em 23 de março de 2006 1. Avaliação das Receitas e Despesas Primárias No intuito de assegurar o cumprimento da meta de resultado primário do Governo Federal, de proporcionar transparência a este processo, e de atender os princípios de responsabilidade fiscal, o presente Relatório reavalia as receitas e despesas primárias, a partir dos dados realizados do mês de janeiro de 2006 e resultados preliminares para o mês de fevereiro, e projeções realizadas com base nos parâmetros econômicos estimados pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda em 20 de dezembro de 2005. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Na ausência da Lei Orçamentária Anual de 2006 – LOA – 2006, o Poder Executivo editou o Decreto nº. 5.698, de 8 de fevereiro de 2006, com observância ao disposto no art. 74 da LDO – 2006, estabelecendo cronograma provisório de empenho até a sanção da LOA – 2006 e de desembolso para o primeiro trimestre de 2006. Já então, as projeções indicavam a necessidade de ajuste nas despesas primárias, o que levou o Poder Executivo a incorporar, no referido Decreto, metas quadrimestrais para o Governo Federal visando garantir o cumprimento do resultado primário estabelecido para 2006. Em relação às variáveis macroeconômicas, a expectativa de crescimento real da economia foi mantida em 4,50%. Observa-se, também, uma expectativa de redução do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna – IGP-DI e das taxas Selic e de câmbio, em relação às estimativas constantes do PLOA – 2006. No que diz respeito às receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda – SRF/MF, a reestimativa realizada por aquele Órgão aponta para uma elevação de R$ 3,0 bilhões Quinta-feira 13 18909 na arrecadação anual em relação à previsão do PLOA – 2006. Os principais aumentos verificados ocorreram no Imposto sobre a Renda – IR e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. As outras receitas do Governo Central, não administradas pela SRF, em seu conjunto, sinalizam um pequeno acréscimo. Em relação às despesas primárias obrigatórias, incorporou-se nova estimativa derivada dos dados realizados de janeiro e informações preliminares de fevereiro e da expectativa de realização para os meses de março a dezembro. Destacam-se os acréscimos em pessoal e encargos sociais, abono e seguro-desemprego, recursos repassados aos entes federados para compensá-los pela desoneração das exportações, benefícios de prestação continuada da Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS, e despesas autorizadas por meio de créditos extraordinários. Quanto ao déficit do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS está sendo revisto para RS 44,7 bilhões. 18910 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18911 18912 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18913 18914 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18915 18916 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ANEXO I MEMÓRIA DE CÁLCULO DAS RECEITAS ADMINISTRADAS Estimativa de Arrecadação das Receitas Federais – 2006 Nota Metodológica – 21-3-06 1. Considerações Gerais A presente estimativa de arrecadação dos impostos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal foi elaborada tomando-se como base a arrecadação efetivamente realizada de março a dezembro de 2005, os parâmetros estabelecidos pela SPE em 20 de dezembro de 2005, as modificações na legislação tributária e incorpora a arrecadação efetiva dos meses de janeiro e fevereiro de 2006. Os parâmetros básicos principais, de 20 de dezembro de 2005, e respectivas variações médias, projetadas para o ano de 2006 em relação a 2005, foram os seguintes: Abril de 2006 A arrecadação-base 2005 foi ajustada em função de atipicidades em relação ao ano de 2006. À base ajustada, foram aplicados, mês a mês e por tributo, os indicadores específicos relativamente a preço e quantidade e os efeitos decorrentes de alterações da legislação tributária. Nos tributos para os quais não se dispõe de indicadores específicos e naqueles que se ajustam melhor aos indicadores gerais, utilizou-se, como indicador de preço, um índice ponderado (55% IPCA e 45% IGP-DI) e, como indicador de quantidade, o PIB. As principais alterações na legislação tributária, cujos efeitos foram incorporados à previsão de arrecadação para o ano de 2006, são demonstradas abaixo: • Regime especial de aquisição de bens de capital para empresas exportadoras – RECAP (Lei nº 11.196, de 2005); • Programa de inclusão digital (Lei nº 11.196, de 2005); • Dedução de parte dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica da base de cálculo do IRPJ e CSLL (Lei nº 11.196, de 2005); • Mudança de prazo de recolhimento do IRRF, do IOF e da CPMF (Lei nº 11.196, de 2005); • Retenção de PIS/Cofins sobre autopeças (Lei nº 11.196, de 2005); • Alíquota zero PIS/Cofins para leite em pó e queijo (Lei nº 11.196, de 2005); • Tributação de PIS/Cofins sobre nafta petroquímica a 5,6% e crédito de 9,25% (Lei nº 11.196, de 2005); Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS • Aumento dos limites do Simples (Lei nº 11.196, de 2005); • Redução das alíquotas do IOF de seguros de vida (Decreto nº 5.172, de 2004); • Redução das alíquotas do IPI sobre bens de capital (Decretos nº 5.468, de 2005, nº 5.552, de 2005 e nº 5.618, de 2005); • Redução das alíquotas do IPI sobre insumos da construção civil (Decreto nº 5.697, de 2006); e • Correção da tabela do IRPF em 8% (MP nº 280, de 2006); • Alíquota zero para aplicações financeiras em títulos públicos e na aquisição de ações em oferta pública, para residentes no exterior (MP nº 281, de 2006); O valor total relativo à perda de arrecadação decorrente das alterações acima especificadas importou em R$9,0 bilhões para o ano de 2006. Desse Quinta-feira 13 18917 total, R$5,3 bilhões correspondem aos efeitos da Lei nº 11.196, de 2005. Aplicando-se os efeitos das variações de preços, quantidade e legislação à base ajustada, o valor da previsão de arrecadação bruta das receitas administradas pela Receita Federal para o período de março a dezembro de 2006, resultou em R$306.251 milhões. Cabe ressaltar que a esse valor foram acrescidos R$2.385 milhões a título de receitas atípicas, elevando o valor para R$308.636 milhões. Adicionando-se a arrecadação bruta efetiva dos meses de janeiro e fevereiro de 2006 (R$57.851 milhões), a previsão de arrecadação bruta para o ano de 2006 totaliza R$366.507 milhões. A arrecadação líquida de restituições resulta em R$353.252 milhões, o que representa uma variação de 6,08% em relação ao ano de 2005. Por conseguinte, expõe-se o detalhamento da planilha básica que consolida as planilhas mensais por tributo. 18918 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18919 18920 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18921 18922 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18923 18924 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS MENSAGEM Nº 183, DE 2006 (Do Poder Executivo) Aviso nº 281 – C. Civil Submete, à apreciação do Congresso Nacional, o texto do Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Argentina, na Área de Tecnologia Militar, celebrado na cidade de Puerto Iguazu, em 30 de novembro de 2005. Despacho: Às Comissões Parlamentar Conjunta do Mercosul Relações Exteriores e de Defesa Nacional; Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD) Apreciação: Proposição sujeita à apreciação do Plenário MENSAGEM Nº 183 Senhores Membros do Congresso Nacional, Nos termos do disposto no art. 49, inciso I, combinado com o art. 84, inciso VIII, da Constituição, submeto à elevada consideração de Vossas Excelências, acompanhado de Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Relações Exteriores, o texto do Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Argentina, na Área da Tecnologia Militar, celebrado na cidade de Puerto Iguazu, em 30 de novembro de 2005. Brasília, 27 de março de 2006. – Luiz Inácio Lula da Silva. EM Nº 72 DAI/COCIT/DAM-O PAIN-BRAS-ARGT Brasília, 22 de fevereiro de 2006 Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Tenho a honra de submeter à alta consideração de Vossa Excelência projeto de Mensagem que encaminha à apreciação parlamentar o Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Argentina na Área da Tecnologia Militar, assinado na cidade de Puerto Iguazu, em 30 de novembro de 2005. 2. O referido Ajuste Complementar tem como objetivo a intensificação e regulamentação da colaboração nas áreas de desenvolvimento, aquisição e manutenção de materiais, fornecimento de tecnologia militar e elaboração de projetos de sistemas de armas. Os projetos deverão ser implementados pelo Exército Brasileiro e pelo Exército Argentino, por intermédio da Abril de 2006 Secretaria de Ciência e Tecnologia e da Dirección de Evolución Tecnológica, respectivamente. 3. A primeira etapa do instrumento consiste no desenvolvimento conjunto (concepção, desenvolvimento e fabricação) de “viatura leve de emprego geral aerotransportável”. As especificidades técnicas e operacionais do veículo em apreço foram estabelecidas em comissão bilateral e os trabalhos prosseguiram com a elaboração de desenhos preliminares e estudo de viabilidade técnico-econômica. 4. À luz do exposto, e com vistas ao encaminhamento do assunto à apreciação do Poder Legislativo, conforme estabelece o artigo 84, inciso VIII, da Constituição Federal, submeto a Vossa Excelência projeto de Mensagem ao Congresso Nacional, juntamente com as cópias autenticadas do Ajuste Complementar. Respeitosamente. – Celso Luiz Nunes Amorim. AJUSTE COMPLEMENTAR AO ACORDO DE COOPERAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO DA REPÚBLICA ARGENTINA, NA ÁREA DA TECNOLOGIA MILITAR O Governo da República Federativa do Brasil e O Governo da República Argentina (doravante denominados “as Partes”), Considerando que no Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica assinado em Buenos Aires, aos dezessete dias do mês de maio de 1980, os dois governos se comprometem a promover a cooperação, no domínio científico e tecnológico; Considerando o que estabelecem os Artigos II e VI do referido Acordo de Cooperação; Considerando as vantagens recíprocas resultantes de uma cooperação técnica entre entidades de natureza científica e tecnológica de natureza militar, em áreas de interesse comum; e Considerando os contatos preliminares já estabelecidos entre o Exército brasileiro e o Exército argentino visando a intensificar a colaboração conjunta e coordenada de programas e projetos de pesquisa científica e tecnológica e de desenvolvimento tecnológico, a aplicação e o aperfeiçoamento de tecnologias existentes e/ou o desenvolvimento de novas tecnologias. Acordam o seguinte: ARTIGO I 1. O presente Ajuste Complementar tem como objetivo intensificar e regulamentar a colaboração nas áreas de desenvolvimento, aquisição, manutenção de materiais, fornecimento de tecnologia militar e na elaboração de Projetos de Sistemas de Armas (PSA) a Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS serem implementados pelo Exército brasileiro, por intermédio da Secretaria de Ciência e Tecnologia (SCT); e pelo Exército argentino, por intermédio da Diréccion de Evolución Tecnológica, doravante denominados, em conjunto, como “Partícipes”. 2. Os Partícipes colaborarão reciprocamente na implementação da cooperação bilateral, técnica e logística, bem como na aquisição e no fornecimento de tecnologia militar (equipamentos militares). ARTIGO II 1. A cooperação das atividades relacionadas ao objetivo deste Ajuste Complementar deverá ser formalizada mediante a celebração de convênios interinstitucionais, a serem previamente acordados entre os Partícipes. 2. Os Convênios, a serem celebrados em decorrência deste Ajuste de Cooperação, abrangerão, particularmente: – Os Projetos de Sistemas de Armas (PSA), a serem executados por entidades e organismos competentes previamente indicados pelos Partícipes; – A realização de projetos de interesse comum no âmbito dá pesquisa científica e tecnológica, desenvolvimento, aquisição e fornecimento, a serem celebrados em separado de acordo com cada objeto pretendido; – A utilização de instalações pertencentes aos Partícipes e que estejam aptas a serem utilizadas como laboratórios de pesquisa e ensaios, avaliações e testes, segundo os PSA. ARTIGO III 1. O conteúdo e as formulações detalhadas nos convênios interinstitucionais mencionados no Artigo II serão redigidos por Grupos de Trabalho comuns a serem constituídos por representantes nomeados pelos Partícipes. A principal tarefa dos Grupos de Trabalho será elaborar propostas de planejamento para o procedimento comum a ser adotado na execução dos convênios interinstitucionais. 2. As reuniões dos Grupos de Trabalho, em geral, deverão acontecer no Brasil ou na Argentina, alternando-se por turnos no país onde tenha lugar o encontro. As reuniões dos Grupos de Trabalho serão presididas por representante nomeado pelo Partícipe cujo país sediar as reuniões. 3. A primeira tarefa a ser desenvolvida pelas Partes, como marco inicial do presente Ajuste Complementar, será a 1ª Etapa de Concepção Conceitual do Projeto “Veículo Leve de Emprego Geral Aerotransportado”. Quinta-feira 13 18925 ARTIGO IV 1. As Partes comprometem-se a guardar e garantir a proteção das informações trocadas no âmbito deste Ajuste Complementar, inclusive aquelas que contenham dados sensíveis e confidenciais, bem como aquelas necessárias à colaboração bilateral, as quais somente poderão ser utilizadas no âmbito da execução do objeto do presente instrumento de cooperação. 2. As Partes se comprometem a utilizar as informações das quais venham a tomar conhecimento, decorrentes deste Ajuste Complementar, de maneira que nenhum interesse das partes seja afetado e que não sejam disponibilizadas a terceiros, sem que haja prévia aprovação e autorização de quem as tenha fornecido. ARTIGO V As Partes designam, respectivamente, como coordenadores responsáveis pelo acompanhamento das atividades previstas neste Ajuste Complementar, o Diretor da Diréccion de Evolución Tecnológica e o Chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia, cabendo a estes designar subcoordenadores específicos para acompanhamento dos convênios interinstitucionais decorrentes deste instrumento de cooperação que vierem a ser elaborados para a formalização das ações a serem implementadas. ARTIGO VI As Partes designarão os órgãos supervisores do presente instrumento de cooperação responsáveis pela coordenação, acompanhamento e avaliação das ações decorrentes do presente Ajuste Complementar e dos convênios interinstitucionais dele decorrentes. ARTIGO VII Todas as atividades mencionadas neste Ajuste Complementar estarão sujeitas à legislação em vigor na República Federativa do Brasil e na República Argentina. ARTIGO VIII 1. Este Ajuste Complementar não implicará em transferência de recursos financeiros entre as Partes. 2. Os gastos com envio de pessoal de um país para o outro, para os fins do presente Ajuste Complementar e de seus convênios interinstitucionais, serão cobertos pela própria Parte que o envia, cabendo à Parte receptora atender aos seguintes gastos: estada, assistência médica e transporte local correlacionados diretamente com as atividades decorrentes deste instrumento de cooperação. 18926 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 3. A instituição que sediar o encontro, quando previamente acordado entre as Partes, prestará o apoio necessário no país sede para que a missão do visitante atinja os objetivos desejados nas melhores condições do que foi ajustado. ARTIGO IX 1. Quando da formalização das ações a serem realizadas, as Partes estabelecerão, em instrumento próprio, as condições que regulem a utilização de privilégios ou de eventual exploração comercial dos resultados dos trabalhos desenvolvidos em decorrência deste Ajuste Complementar ou de seus convênios específicos, assim como a participação financeira que caberá a cada um. 2. As Partes poderão colocar à disposição da comunidade técnica e científica internacional as informações derivadas das ações de cooperação resultantes do presente Ajuste de Cooperação, desde que previamente acordado entre as Partes. 3. Em qualquer situação, deverá ser especificado que tanto as informações como os respectivos produtos proporcionados, são resultados dos esforços conjuntos realizados pelos executores de cada uma das Partes. ARTIGO X 1. O presente Ajuste Complementar entrará em vigor na data do recebimento da segunda nota pela qual as Partes se informem mutuamente do cumprimento das formalidades legais internas para sua aprovação e terá vigência inicial de 5 (cinco) anos, prorrogável automaticamente por períodos iguais e sucessivos. 2. Qualquer das Partes poderá, a qualquer tempo, denunciar o presente Ajuste Complementar, mediante prévia notificação por escrito, pelos canais diplomáticos. A denúncia surtirá efeito 1 (um) ano após sua formalização. 3. A denúncia do presente Ajuste Complementar não afetará o desenvolvimento dos convênios interinstitucionais que tenham sido celebrados de acordo com o Artigo II. 4. Independentemente da denúncia do presente Ajuste Complementar, todas as obrigações pendentes de cumprimento permanecerão válidas até que ocorra o seu adimplemento. Feito em Puerto Iguazu, em 30 de novembro de 2005, em 2 (dois) exemplares originais, em português e espanhol, sendo ambos os textos igualmente autênticos. Pelo o Governo da República Federativa do Brasil Celso Amorim, Ministro de Estado das Relações Exteriores. Abril de 2006 Pelo Governo da República Argentina, Rafael Antonio Bielsa, Ministro das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto. MENSAGEM Nº 184, DE 2006 (Do Poder Executivo) Aviso Nº 282/2006 – C. Civil Submete à apreciação do Congresso Nacional o texto de Acordo para o estabelecimento de um Mecanismo de Cooperação Comercial entre a República Federativa do Brasil e a República Argentina, assinado em Puerto Iguazu, em 30 de novembro de 2005. Despacho: Às Comissões Parlamentar Conjunta do Mercosul Relações Exteriores e de Defesa Nacional Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD). Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação do Plenário Senhores Membros do Congresso Nacional, Nos termos do disposto no art. 49, inciso I, combinado com o art. 84, inciso VIII, da Constituição, submeto à elevada consideração de Vossas Excelências, acompanhado de Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado, Interino, das Relações Exteriores, o texto do Acordo para o Estabelecimento de um Mecanismo de Cooperação Comercial entre a República Federativa do Brasil e a República Argentina, assinado em Puerto Iguazu, em 30 de novembro de 2005. Brasília. 27 de março de 2006. EM Nº 86/DAI/DIC/DAM I – MRE – PAIN-BRAS-ARGT 00001.001843/2006-17 Brasília, 10 de março de 2006 Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Tenho a honra de submeter à elevada consideração de Vossa Excelência o anexo projeto de Mensagem que submete ao Congresso Nacional o Acordo para o Estabelecimento de um Mecanismo de Cooperação Comercial entre a República Federativa do Brasil e a República Argentina, assinado por ocasião da visita presidencial a Puerto Iguazu, em 30 de novembro de 2005, em celebração aos vinte anos da assinatura da Declaração de Iguaçu pelos Presidentes José Sarney e Raúl Alfonsin. 2. O referido documento estabelece um mecanismo de cooperação comercial entre Brasil e Argentina pelo qual cada País oferecerá apoio comercial aos empresários nacionais da outra parte por meio de suas representações diplomáticas e consulares, com base Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS no princípio da reciprocidade. O apoio comercial será prestado pelas representações diplomáticas e consulares localizadas em um determinado Estado quando nele não houver representação do país signatário. O documento prevê uma série de atividades, tais como apoio aos empresários na confecção de agendas de negócios, assim como na participação de feiras e rodadas de negócios, informações de comércio exterior, divulgação de licitações internacionais, detecção de nichos de mercado que não possam ser satisfeitos com a oferta exportável do próprio país. 3. O Acordo em apreço faz parte do esforço manifestado por Vossa Excelência de promova a integração regional em todas as áreas, em especial no estreitamento das relações entre os setores exportadores dos dois países, fortalecendo o comércio exterior e o mercado interno, com a geração de emprego e renda. 4. À luz do exposto e com vistas ao encaminhamento do assunto à apreciação do Poder Legislativo, conforme prevê o inciso VIII do art. 84 da Constituição Federal, submeto à elevada consideração de Vossa Excelência projeto de Mensagem ao Congresso Nacional, juntamente com cópias autenticadas do Acordo. Respeitosamente, ACORDO PARA O ESTABELECIMENTO DE UM MECANISMO DE COOPERAÇÃO COMERCIAL ENTRE A REPÚBLICA ARGENTINA E A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL A República Federativa do Brasil e A República Argentina (doravante denominadas “as Partes”), Considerando a importância que outorgam a promoção do comércio exterior e ao cumprimento de objetivos que beneficiam diretamente os setores exportadores de ambos os países e, indiretamente, todos os habitantes de seus territórios. Conscientes da necessidade de gerar dispositivos que facilitem o desenvolvimento de suas atividades, outorgando às empresas exportadoras toda a colaboração e o auxilio necessário que se encontrem ao alcance dos Governos; Mantendo o compromisso e interesse de aprofundar e estreitar as relações com os setores exportadores de seus respectivos países, Acordam o seguinte: ARTIGO 1º Estabelecer, com base no princípio da reciprocidade, um mecanismo de cooperação pelo qual uma Parte oferecerá apoio comercial às empresas com sede Quinta-feira 13 18927 na outra Parte quando esta não possua representação diplomática ou consular em um determinado Estado. ARTIGO 2º As Partes designarão, gradualmente, as respectivas representações diplomáticas ou consulares que participarão do presente mecanismo de cooperação em apoio comercial. ARTIGO 3º Nos casos em que se faça necessário e conforme um Acordo celebrado entre as Partes, poder-se-á dispor que a Parte a ser beneficiada pelo apoio comercial oferecido pela representação diplomática ou consular da outra Parte complementará os recursos humanos e materiais necessários para a implementação das tarefas de apoio comercial sob o presente Acordo. Nesse caso, cada Parte beneficiária do apoio comercial será responsável pela remuneração e pelo cumprimento dos direitos trabalhistas dos funcionários nomeados em virtude deste artigo. ARTIGO 4º Inicialmente, o apoio comercial recíproco regulado no presente Acordo abrangerá as seguintes atividades: a) Colaborar com a confecção de agendas de negócios para empresários que visitem a jurisdição da representação diplomática ou consular encarregada do apoio comercial; b) Detectar nichos de mercado que não possam ser satisfeitos com a oferta exportável do próprio país e informar a Chancelaria da outra Parte; c) Distribuir periodicamente, por meio das Chancelarias, perfis e estudos de mercado sobre a jurisdição realizada para empresas nacionais; d) Dar apoio aos empresários que participem de feiras, exposições ou rodadas de negócios, que se desenvolvam na jurisdição da representação diplomática ou consular encarregada do apoio comercial; e) Outorgar assessoria aos empresários sobre o mercado da jurisdição diplomática ou consular a respeito de: dados básicos, perfil econômico e de comércio exterior, conjuntura política, práticas comerciais (custos aduaneiros, canais de distribuição, procedimentos para o ingresso de amostras) e condições de acesso ao mercado (sistema tarifário, impostos internos, requisitos especiais de ingresso, normas e regulamentações técnicas, medidas 18928 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sanitárias e fitos sanitárias, regimes especiais e legislação em matéria de defesa comercial); f) Informar, por meio das Chancelarias, sobre o lançamento de licitações internacionais; e g) Orientar os empresários que realizarem viagens de negócios à jurisdição sobre questões operacionais em matéria de transporte, hotelaria, clima, atenção médica, costumes locais, vistos, e demais recomendações práticas. ARTIGO 5º As Partes promoverão o treinamento recíproco de suas equipes de promoção comercial, não somente em termos de capacitação técnica, mas também para facilitar a implementação do presente Acordo. ARTIGO 6º O presente Acordo é celebrado sem prejuízo às atividades exercidas no âmbito da Reunião Especializada de Promoção Comercial Conjunta do Mercosul (REPCCM) ou às atividades da mesma natureza no âmbito Comunidade Sul-Americana de Nações. ARTIGO 7º O presente Acordo entrará em vigor 90 (noventa) dias após a notificação recíproca pelas Partes de que foram cumpridas as formalidades internas necessárias à entrada em vigor. ARTIGO 8º O presente Acordo pode ser modificado pelas Partes. ARTIGO 9º O Acordo pode ser denunciado pelas Partes, mediante notificação escrita com antecedência de 90 (noventa) dias. Feito em Puerto Iguazu, República Argentina, aos 30 dias do mês de novembro do ano de 2005, em dois exemplares originais, nos idiomas português e espanhol, sendo ambos os textos igualmente autênticos. Pela Republíca Federativa do Brasil. – Celso Amorim, Ministro de Estado das Relações Exteriores – Pela República Argentina. – Rafael Antonio Bielsa, Ministro das Relações Exteriores Comércio Internacional e Culto. MENSAGEM Nº 203, DE 2006 (Do Poder Executivo) Aviso Nº 305/2006 – C. Civil Submete à apreciação do Congresso Nacional o texto do Acordo entre a República Federativa do Brasil e a República Portuguesa sobre Cooperação no Domínio da Defesa, celebrado na cidade do Porto, em 13 de outubro de 2005. Abril de 2006 Despacho: às Comissões de: Relações Exteriores e de Defesa Nacional; Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD). Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação do Plenário Senhores Membros do Congresso Nacional, Nos termos do disposto no art. 49, inciso I, combinado com o art. 84, inciso VIII, da Constituição, submeto à elevada consideração de Vossas Excelências, acompanhado de Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Relações Exteriores, o texto do Acordo entre a República Federativa do Brasil e a República Portuguesa sobre Cooperação no Domínio da Defesa, celebrado na cidade do Porto, em 13 de outubro de 2005. Brasília, 30 de março de 2006. – Luiz Inácio Lula da Silva. EM Nº 94 COCIT/DAI/DE-I/MRE – ASEG-BRAS-PORT Brasília, 15 de março de 2006 Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Tenho a honra de submeter à alta consideração de Vossa Excelência texto de Mensagem que encaminha à apreciação parlamentar o “Acordo entre a República Federativa do Brasil e a República Portuguesa sobre Cooperação no Domínio da Defesa”, assinado na cidade do Porto, em 13 de outubro de 2005. 2. O referido acordo tem como propósito promover a cooperação bilateral em matérias relativas à defesa, especialmente nos campos do desenvolvimento e pesquisa, aquisição de bens e serviços, apoio logístico, além do intercâmbio de experiências, compartilhamento de conhecimentos em ciência e tecnologia e cooperação em outras áreas de interesse mútuo. 3. Com vistas ao encaminhamento do assunto à apreciação do Poder Legislativo, conforme prevê o artigo 84, inciso VIII, da Constituição Federal, submeto a Vossa Excelência projeto de Mensagem ao Congresso Nacional, juntamente com as cópias autenticadas do Acordo. Respeitosamente. – Celso Luiz Nunes Amorim. ACORDO ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A REPÚBLICA PORTUGUESA SOBRE COOPERAÇÃO NO DOMÍNIO DA DEFESA A República Federativa do Brasil e A República Portuguesa, Doravante referidas como as “Partes”, Tendo presente o Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta entre a República Portuguesa e a República Federativa do Brasil, assinado em Porto Seguro, em 22 de Abril de 2000, e em especial o seu Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS artigo 650; Conscientes de que os seculares vínculos históricos e culturais que unem os povos de Portugal e do Brasil conferem uma dimensão especial às relações bilaterais entre ambos os países; Convictas de que esses vínculos constituem, por si só, uma garantia segura de uma cooperação frutuosa também em matéria de defesa; Considerando que essa cooperação pode ser a Largada e aprofundada em vários domínios da segurança e defesa, incluindo as tecnologias são indústrias de defesa, e tendo presente as diversas atividades e intercâmbios já desenvolvidos ao nível da cooperação militar; Tendo em mente o interesse comum na manutenção da paz e da segurança no domínio internacional e a solução por via pacífica dos conflitos internacionais; Reafirmando a intenção de promover e formalizar as relações bilaterais de defesa entre si, baseadas na amizade e cooperação que caracterizam o relacionamento entre os dois países. Acordam o seguinte: ARTIGO I Objetivo A cooperação entre as Partes, regida pelos princípios da igualdade, reciprocidade e interesse mútuo, em respeito pelas respectivas legislações nacionais e pelas obrigações internacionais assumidas, tem como objetivos: a) Promover a cooperação em assuntos relativos à defesa, nomeadamente nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, aquisição de bens e serviços de defesa e apoio logístico; b) Partilhar conhecimentos e experiências adquiridos em campos de operações, na utilização de equipamentos militares de origem nacional e estrangeira, bem como na execução de operações internacionais de manutenção de paz; c) Partilhar conhecimentos nas áreas da ciência e da tecnologia; d) Promover ações conjuntas de treino e instrução militar, exercícios militares conjuntos, bem como a correspondente troca de informação; e) Cooperar em assuntos relacionados com equipamentos e sistemas militares; f) O Cooperar noutras áreas no domínio da defesa que possam ser de interesse mútuo. ARTIGO 2 Âmbito da Cooperação A cooperação entre as Partes no domínio da defesa, desenvolver-se-á da seguinte forma: Quinta-feira 13 18929 a) Visitas mútuas de delegações de alto nível a instituições civis militares; b) Reuniões de pessoal e reuniões técnicas; c) Reuniões entre as instituições de defesa equivalentes; d) Intercâmbio de instrutores e estudantes de instituições militares; e) Participação em cursos teóricos e práticos, estágios, seminários, conferências, debates e simpósios que ocorram em unidades militares, bem como em entidades civis com interesse para a defesa e de comum acordo entre as Partes; f) Visitas de navios de guerra; g) Eventos culturais e desportivos; h) Promoção das relações comerciais no âmbito da defesa; i) Implementação e desenvolvimento de programas e projetos de aplicação de tecnologia de defesa, com a possibilidade de participação de entidades civis e militares de âmbito estratégico para as Partes. ARTIGO 3 Responsabilidades Financeiras Cada Parte será responsável pelas suas despesas, designadamente: a) Custos de transporte de e para o ponto de entrada do Estado anfitrião; b) Despesas relativas ao seu pessoal, incluindo as de alimentação e de alojamento; c) Despesas relativas a tratamento médico, dentário, remoção ou evacuação do seu pessoal doente, ferido ou falecido. ARTIGO 4 Assistência Médica Sem prejuízo do disposto na alínea c) do artigo 30, as Partes deverão prestar a assistência médica necessária a situações ocorridas nos seus territórios, durante o desenvolvimento de atividades no âmbito de programas bilaterais de cooperação no domínio da defesa, em estabelecimentos médicos das Forças Armadas ou, se necessário, noutros estabelecimentos. ARTIGO 5 Responsabilidade Civil 1.Uma Parte não intentará nenhuma ação cível conta a outra Parte ou membro das Forças Armadas da outra Parte por danos causados no exercício das 18930 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS atividades que se enquadrem no âmbito do presente Acordo. 2. Nos termos da legislação nacional do Estado anfitrião, as Partes indenizarão qualquer dano causado a terceiros por membros das suas Forças Armadas. 3. Se as Forças Armadas de ambas as Partes forem responsáveis pelo dano causado a terceiros, assumirão ambas, solidariamente, a responsabilidade. ARTIGO 6 Proteção da Informação Classificada 1. A proteção da informação classificada que vier a ser troçada entre as Partes será regulada em conformidade com um Acordo sobre Proteção de Informação Classificado a concluir entre as Partes. 2. Enquanto o Acordo a que se refere o item anterior não entrar em vigor, toda a matéria classificada trocada diretamente entre as Partes e a informação de interesse comum obtida de outras formas, por cada uma das Partes, serão protegidas de acordo com os seguintes princípios: a) A Parte destinatária não proverá a países terceiros qualquer armamento, equipamento militar ou, tecnologia, nem difundirá informação obtida sob este Acordo, sem a prévia autorização da Parte remetente; b) A Parte destinatária procederá à classificação de igual grau de sigilo ao atribuído pela Parte remetente e, conseqüentemente, tomará as necessárias medidas de proteção; c) A informação será apenas usada para a finalidade para que fosse fornecida ou obtida; d) O acesso à Informação Classificada é limitado às pessoas que tenham “Necessidade de Conhecer” e que, no caso de informação classificada como CONFIDENCIAL ou superior, estejam habilitadas com a adequada Credencial de Segurança Pessoal emitida pelas respectivas autoridades competentes; e) As Partes informarão, mutuamente, sobre as alterações ulteriores dos graus de classificação da Informação Classificada transmitida; e f) O A Parte Destinatária não poderá diminuir o grau de classificação de segurança ou desclassificar a Informação Classificada recebida, sem prévia autorização escrita da Parte Remetente 3. As respectivas responsabilidades e obrigações das Partes, quanto a providências de segurança e de Abril de 2006 proteção de matéria classificada, continuarão aplicáveis não obstante o término deste Acordo. ARTIGO 7 Protocolos Complementares 1. Com o consentimento das Partes, o presente Acordo poderá ser complementado por protocolos relativos a áreas específicas de cooperação no domínio da defesa, envolvendo entidades militares e civis. 2. Os programas específicos de atividades decorrentes deste acordo ou dos protocolos complementares serão elaborados, desenvolvidos e implementados por pessoal autorizado dos Ministérios da Defesa das Partes. 3. Os protocolos complementares entrarão em vigor nos termos do disposto no artigo 110, passando a fazer parte integrante do presente. Acordo, devendo o início de a sua negociação ocorrer dentro de 60 dias após o recebimento da última notificação. ARTIGO 8 Revisão Com o consentimento das Partes, pode o presente Acordo ser objeto de revisão, cujo processo de negociação e entrada em vigor seguirá as regras estabelecidas no parágrafo 3 do artigo anterior. ARTIGO 9 Resolução de Controvérsias Qualquer controvérsia relativa à interpretação ou aplicação deste Acordo será resolvida através de consultas ou negociações por via diplomática, que incluirão a participação do Ministério da Defesa de Portugal e do Ministério da Defesa do Brasil. ARTIGO 10 Vigência e Denúncia 1. O presente Acordo permanecerá em vigor até que, a qualquer momento, uma das Partes decida, por escrito e por via diplomática, notificar a outra da sua intenção de denunciá-lo. A denúncia produzirá efeitos noventa (90) dias após a recepção da respectiva notificação. 2. A denúncia não afetara os programas e atividade em execução ao abrigo do presente Acordo, salvo se as Partes decidirem de outro modo. ARTIGO 11 Entrada em Vigor O presente Acordo entrará em vigor no trigésimo dia após a data de recepção da última notificação, por escrito e por via diplomática, pela qual uma das Partes informará a outra de que foram cumpridos os requisitos de direito interno necessários para tal efeito. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Feito na Cidade do Porto, dia 13 de Outubro de 2005, em dois originais em língua portuguesa, sendo ambos igualmente autênticos. Of. 921/2006/SGM/P Brasília, 12 de abril de 2006 A Sua Excelência a Senhora Deputada Perpétua Almeida Anexo IV – Gabinete nº. 625 Nesta Assunto: Devolução de proposição. Senhora Deputada, Reporto-me a Indicação nº 7.783/06, de sua autoria, que ‘Sugere o envio de Técnica especializada à Gerência da Empresa de Correios e Telégrafos ao do Acre, como também a imediata convocação dos concursados em lista de espera. Informo a Vossa Excelência que não será possível dar seguimento à proposição em apreço, por contrariar o disposto no artigo 113, inciso I, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Nesse sentido, nos termos do artigo 137, § 1º, inciso I do Regimento Interno, encaminho-lhe em devolução a Indicação nº 7.783/06. Atenciosamente, – Aldo Rebelo, Presidente. INDICAÇÃO Nº 7.783, DE 14 DE FEVEREIRO DE 2006 Indica o envio de Equipe Técnica especializada à Gerência da Empresa de Correios e Telégrafos ao Estado do Acre, com também a imediata convocação dos concursados em lista de espera. Excelentíssimo Presidente, Atenta à competente ação de V. Exª. frente à esta briosa empresa, comunico-lhe que a Gerência dos Correios no Estado do Acre atravessa várias dificuldades de questões estruturais e gerências, sendo necessário acompanhamento para a construção de soluções plausíveis à clientela e ao corpo funcional do órgão. Quinta-feira 13 18931 Em recente discussão em busca de melhores condições de trabalho, e por terem realizado paralisação de advertência por uma hora, três servidores sumariamente demitidos, fato contornado diante de denúncias e rápida intervenção de V. Exª. Porém a pauta de reivindicação faz-se presente, necessitando de um acompanhamento por parte de equipe técnica especializada que possa construir soluções. Reivindicam os trabalhadores, que aqui registramos in verbis: 1. Não retaliação aos trabalhadores dos Correios no Acre, por conta de suas atividades reivindicatórias; 2. Melhores condições de trabalho, como: renovação e manutenção da frota de carros, motos e principalmente bicicletas, distribuição de equipamentos individuais; 3. Contratação imediata de no míninimo 12 carteiros para a capital e 10 para a cidade de Cruzeiro do Sul e avaliação de contratações urgentes para os demais municípios; 4. Reforma ampliação e construção da estrutura predial dos Correios em todo Estado do Acre, implantação da padronização nos centros de distribuição e agências; 5. Fim do trabalho fora do horário sem a devida remuneração e pagamento imediato das horas extras e repousos devidos; 6. Curso de qualificação e aperfeiçoamento para todos os funcionários e cursos de relações humanas para os gestores; 7. Aprimoramento do diálogo da Gerência com os servidores, objetivando melhor rendimento serviços da empresa no Acre. Como observado, as reivindicações consideram a necessidade de melhores condições de trabalho e relacionamento gerencial, a bem da continuidade dos bons serviços prestados à sociedade acreana. Certa de vossa valorosa atenção, indico que as medidas possam ser agilizadas com a maior brevidade possível. – Deputada Perpétua Almeida, PC do B/AC. Sala das Sessões, de de 2003. – Deputada Perpétua Almeida, PCdoB-AC. REQUERIMENTO Nº DE DE 2006 Requer o envio de indicação ao Presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Senhor Presidente, Nos termos do art. 113, inciso I e § 1º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, requeiro a V. 18932 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Exª. que seja encaminhada ao Presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Sala das Sessões, 14 de fevereiro 2006. – Deputada Perpétua Almeida, PCdoB-AC. Devolva-se a Proposição por não estar devidamente formalizada, nos termos do art. 137, § 1º, inciso I do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Oficie-se e, após, publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 177 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Osmar Terra passa a integrar, na qualidade de Suplente, a Comissão de Educação e Cultura, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Puplique-se Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 178 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Benjamin Maranhão passa a integrar, na qualidade de suplente, a comissão de Seguridade Social e Família, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 179 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que os Deputados Carlos Eduardo Cadoca e Pastor Pedro Ribeiro passam Abril de 2006 a integrar, na qualidade de SUPLENTE, a Comissão de Turismo e Desporto, em vagas existentes. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 180 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Darcísio Perondi passa a integrar, na qualidade de TITULAR, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-9-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 182 Brasília, 11 de abril de 2006. A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Delfim Neto passa a integrar, na qualidade de SUPLENTE, a Comissão de Minas e Energia, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 183 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Francisco Escórcio passa a integrar, na qualidade de TITULAR, a Comiss5o de fiscalização Financeira e Controle, em substituição ao Deputado Fred Kohler. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 184 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Hermes Parcianello passa a integrar, na qualidade de SUPLENTE, a Comissão de Direitos Humanos e Minoria, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Lide do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Quinta-feira 13 18933 Oficio nº 186/06, da Liderança do PMDB – indicação para Comissão. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 187 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Lupércio Ramos passa a integrar, na qualidade de SUPLENTE, a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 188 OF/GAB/I/Nº 185 Brasília, 11 de abril de 2006 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado João Matos passa a integrar, na qualidade de TITULAR, a Comissão de Educação e Cultura, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Wilson Santiago deixa de integrar, na qualidade de TITULAR, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, passando, na mesma qualidade, a integrar a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 186 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado João Matos passa a integrar, na qualidade SUPLENTE, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 189 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Nelson Bornier passa a integrar, na qualidade de TITULAR, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em vaga existente. 18934 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 193 OF/GAB/I/Nº 190 Brasília, 11 de abril de 2006 Brasília,11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Olavo Calheiros passa a integrar, na qualidade de SUPLENTE, a Comissão de Agricultura,Pecuária, Abastecimen-to e Desenvolvimento Rural, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Darcísio Perondi na qualidade de SUPLENTE, a Comissão de Seguridade Social e Família, em vaga existente. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 24-6-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 191 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que os Deputados Pedro Irujo e Ann Pontes passam a integrar, na qualidade de SUPLENTE, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em vagas existentes. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 192 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que a Deputada Rose de Freitas passa a integrar, na qualidade de Suplente, a Comissão de Desenvolvimento Urbano, em vaga existente. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 194 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Silas Brasileiro passa a integrar, na qualidade de TITULAR, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 195 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Saraiva Felipe passa a integrar, na qualidade de Titular, a Comissão de Seguridade Social e Família, em substituição ao Deputado Darcísio Perondi. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS OF/GAB/I/Nº 196 Quinta-feira 13 18935 OF/GAB/I/Nº 199 Brasília, 11 de abril de 2006 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Osmar Terra passa a integrar, na qualidade de TITULAR, a Comissão de Seguridade Social e Família, em substituição à Deputada Almerinda de Carvalho, que passa à qualidade de SUPLENTE, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Leonardo Picciani deixa de integrar, na qualidade de Titular, a Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, passando, na mesma qualidade, a integrar a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 197 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 200 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Lupércio Ramos deixa de integrar, na qualidade de TITULAR, a Comissão de Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional, passando, na mesma qualidade, a integrar a Comissão de Viação e Transportes, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que a Deputada Lúcia Braga deixa de integrar, na qualidade de Titular, a Comissão de Desenvolvimento Urbano, passando, na mesma qualidade, a integrar a Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 198 OF/GAB/I/Nº 201 Brasília, 11 de abril de 2006 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa a Excelência que a Deputada Thaís Barrosa passa a integrar, na qualidade de TITULAR, a Comissão de Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional, em substituição ao Deputado Lupércio Ramos. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Wladimir Costa deixa de integrar, na qualidade de Titular, a Comissão de Viação e Transportes, passando, na mesma qualidade, a integrar a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. 18936 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS OF/GAB/I/Nº 202 Abril de 2006 OF/GAB/I/Nº 203 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Max Rosenmann passa a integrar, na qualidade de Titular, a Comissão de Defesa do Consumidor, em substituição ao Deputado Nelson Bornier. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 203 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Hermes Parcianello passa a integrar, na qualidade de Titular, a Comissão de Turismo e Desporto, em substituição ao Deputado Carlos Eduardo Cadoca. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 181 Brasília, 12 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Brasília, 12 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Hermes Parcianello passa a participar, na qualidade de Titular, da Comissão de Turismo e Desporto, em substituição ao Deputado Luiz Bittencourt. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e elevada consideração. – P/P. Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 223 Brasília, 12 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Albérico Filho passa a integrar, na qualidade de Suplente, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – P/P. Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF/GAB/I/Nº 224 Brasília, 12 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Asdrúbal Bentes deixa de participar, na qualidade de Titular, da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, e passa a integrar na mesma qualidade, a Comissão de Turismo e Desporto, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. p/p. Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado André Zacharow passa a integrar, na qualidade de Suplente, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e elevada consideração. – P/P. Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS OF/GAB/Nº 216 Quinta-feira 13 18937 Oficio nº 106-L-PFL/2006 Brasília,12 de abril 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência que o Deputado Carlos Eduardo Cadoca passa a integrar, na qualidade de titular, a Comissão de Turismo e Desporto, em vaga existente. Por oportuno, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e elevada consideração. – P/P. Deputado Wilson Santiago, Líder do PMDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Brasília, 12 de abril de 2006 Excelentíssimo Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Indico a Vossa Excelência o Deputado Jose Carlos Aleluia para integrar, como membro titular, a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, em vaga existente. Atenciosamente, – Deputado Rodrigo Maia, Líder do PFL. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Oficio nº 108-L-PFL/2006 OF nº 175/PT Brasília, 11 de abril de 2006 Excelentíssimo Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Excelentíssimo Senhor Presidente, Tenho a honra de dirigir-me a Vossa Excelência para solicitar que seja o Deputado Luiz Bittencourt (PMDB/GO) indicado como membro titular da Comissão de Defesa do Consumidor. Atenciosamente, – Deputado Henrique Fontana, Líder do PT. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Ofício nº105-L-PFL/2006 Brasília, 12 de abril de 2006 Brasilia, 12 de abril de 2006 Excelentíssimo Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Indico a Vossa Excelência o Deputado Onyx Lorenzoni para integrar, como membro suplente, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em substituição ao Deputado Alberto Fraga. Atenciosamente, – Deputado Rodrigo Maia, Líder do PFL. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF. PSDB Nº 334/2006 Brasília,12 de abril de 2006 Excelentíssimo Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Nesta A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Indico a Vossa Excelência o Deputado Robson Tuma para integrar, como membro titular, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em substituição ao Deputado José Carlos Aleluia Atenciosamente, – Deputado Rodrigo Maia, Líder do PFL. Senhor Presidente, Indico a Vossa Excelência, como membro titular, o Deputado Arnaldo Madeira, para integrar a Comissão de Finanças e Tributação e requeiro o seu desligamento da Comissão de Desenvolvimento Urbano. Respeitosamente, – Deputado Jutahy Junior, Líder do PSDB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. 18938 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS OF. PSDB Nº 352/2006 Abril de 2006 Of. Nº 262/2006 Brasília, 11 de abril de 2006. Brasília, 12 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Indico a Vossa Excelência, como membro titular, o Deputado Walter Feldman para integrar a Comissão de Desenvolvimento Urbano. Respeitosamente. – Deputado Jutahy Junior, Líder do PSDB. Senhor Presidente, Tornar sem efeito a indicação dos Deputados Benedito de Lira – PP/AL e Darci Coelho – PP/TO, como Suplentes, da Comissão Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição n° 358-A, de 2005, do Senado Federal, que “altera dispositivos dos arts. 21, 22, 29, 48, 93, 95, 96, 98, 102, 103-B, 104, 105, 107, 111-A, 114, 115, 120, 123, 124, 125, 128, 129, 130-A e 134 da Constituição Federal, acrescenta os arts. 97-A, 105-A, 111-B e 116-A, e dá outras providências”. (Reforma do Judiciário). Atenciosamente, – Deputado Mário Negromonte, Líder do PP. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Of. Nº 212/2006 Brasília, 6 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Tornar sem efeito a indicação do Deputado Mário Negromonte – PP/BA, como Titular da Comissão Especial destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei nº 203, de 1991, do Senado Federal, que “dispõe o acondicionamento, a coleta, o tratamento, o transporte e a destinação final dos resíduos de serviços de saúde”. (PL nº 203/91 – Política Nacional de Resíduos). Atenciosamente. – Deputado Mário Negromonte, Líder do PP. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Of. Nº 254/2006 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Indico o Deputado Féu Rosa – PP/ES, como Titular, na Comissão Especial destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei nº 203, de 1991, do Senado Federal, que “dispõe o acondicionamento, a coleta, o tratamento, o transporte e a destinação final dos resíduos de serviços de saúde”. (PL nº 203/91 – Política Nacional de Resíduos). Atenciosamente. – Deputado Mário Negromonte, Líder do PP. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente Of. Nº 263/2006 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Indico os Deputados Benedito de Lira – PP/AL e Darci Coelho – PP/TO, como Titulares, para integrarem a Comissão Especial destinada a proferir parecer á Proposta de Emenda à Constituição n° 356-A, de 2005, do Senado Federal, que “altera dispositivos dos arts. 21, 22, 29, 48, 93, 95, 96, 98, 102, 103-B, 104,105, 107, 111-A, 114, 115, 120, 123, 124, 125, 128, 129, 130-A e 134 da Constituição Federal, acrescenta os arts. 97-A, 105-A, 111 -B e 116-A, e dá outras providências”. (Reforma do Judiciário). Atenciosamente, – Deputado Mário Negromonte, Líder do PP. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente Of. Nº 267/2006 Brasília, 11 de abril de 2006. A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Indico o Deputado Benjamin Maranhão – PMDB/ PB (vaga cedida ao PMDB), como Titular na Comissão de Turismo e Desporto – CTD. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Atenciosamente, – Deputado Mário Negromonte, Líder do PP. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente Of. nº 268/2006 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Indico o Deputado Jair Bolsonaro – PP/RJ, como Suplente, na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado – CSPCCO, em substituição ao Deputado Lino Rossi – PP/MT. Atenciosamente, – Deputado Mário Negromonte, Líder do PP. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente Of. nº 285/2006 Brasília, 12 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Indico o Deputado Sandes Júnior – PP/GO, como Suplente, na Comissão de Minas e Energia. Atenciosamente, – Deputado Mário Negromonte, Líder do PP. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente Of. nº 286/2006 Brasília, 12 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Solicito tornar sem efeito a indicação do Deputado Henrique Afonso – PT/AC (vaga cedida ao PT), como Titular, na Comissão de Educação e Cultura – CEC. Atenciosamente, – Deputado Mário Negromonte, Líder do PP. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente Quinta-feira 13 18939 GABINETE DA LIDERANÇA DO PTB Of. nº 202/2006 Brasília, 12 de abril de 2006 Exmo Sr. Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Sr. Presidente, Indico a Vossa Excelência, nos termos regimentais, o Senhor Reinhold Stephanes (PMDB-PR), na qualidade de Titular para a Comissão Permanente de Finanças e Tributação, vaga do PTB. Aproveito o ensejo para reiterar nossos protestos de estima e elevada consideração. Atenciosamente, – Deputado José Múcio Monteiro, Líder do PTB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente Of nº 299/06 – LPL Brasília, 11 de abril de 2006 Exmº Sr. Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Comunico a V. Exa que o Partido Liberal indica o Deputado José Carlos Araújo (PL/BA), como suplente, em substituição ao Deputado Carlos Nader (PL/RJ), para integrar a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei nº 6.666, de 2006, do Sr. Luciano Castro Zica, que “Altera a Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, que dispõe sobre a Política Energética Nacional, as atividades relativas ao monopólio do petróleo, institui o Conselho Nacional de Política Energética e a Agência Nacional do Petróleo e dá outras providências”. Sendo o que se apresenta para o momento, reitero ao ilustre Presidente meus protestos de elevado apreço e distinta consideração. – Deputado Luciano Castro, Líder do Partido Liberal. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente Of. nº 302/06 – LPL Brasília, 11 de abril de 2006 Exmº Sr. Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Comunico a V. Exa que o Partido Liberal indica, como titular, o Deputado Reinaldo Betão (PL/RJ) para integrar a Comissão Especial destinada a proferir pa- 18940 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS recer à Proposta de Emenda à Constituição nº 457-A, de 2005, do Senado Federal, que “Altera o art. 40 da Constituição Federal, relativo ao limite de idade para a aposentadoria compulsória do servidor público em geral, e acrescenta dispositivo ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias”. Sendo o que se apresenta para o momento, reitero ao ilustre Presidente meus protestos de apreço e distinta consideração. – Deputado Luciano Castro, Líder do Partido Liberal. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente Of. Nº 306/06 – LPL Brasília, 11 de abril de 2006 Exmº Sr. Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Solicito a V. Exª a indicação do Deputado Milton Monti (PL/SP) para integrar, como titular, a Comissão Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição n° 333-A, de 2004, do Sr. Pompeo de Mattos, que “modifica a redação do art. 29-A e acrescenta art. 29-B à Constituição Federal para dispor sobre o limite de despesas e a composição das Câmaras de Vereadores e dá outras providências.” Solicito, outrossim, seja o mencionado Deputado retirado da suplência da referida Comissão Especial. Sendo o que se apresenta para o momento, reitero ao ilustre Presidente meus protestos de elevado apreço e distinta consideração. – Deputado Luciano Castro, Líder do Partido Liberal. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente Of. N° 308/06 – LPL Brasília, 12 de abril de 2006 Exm° Sr. Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Tenho a honra de comunicar a V. Exª que o Partido Liberal indica, na qualidade de titulares, os Deputados Almeida de Jesus (PL/CE) e Sandro Mabel (PL/GO), e, como suplentes, os Deputados Almir Sá (PL/RR) e José Carlos Araújo (PL/BA), para integrarem, em substituição aos anteriormente indicados, a Comissão Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição n° 487–A, de 2005, do Sr. Roberto Freire, que “dispõe sobre a Defensoria Públi- Abril de 2006 ca, suas atribuições, garantias, vedações e dá outras providências”. Sendo o que se apresenta para o momento, reitero ao ilustre Presidente meus protestos de elevado apreço e distinta consideração. – Deputado Luciano Castro, Líder do Partido Liberal. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente OF/GAB/I/Nº 114-PDT Brasília, 11 de abril de 2006 Ao Excelentíssimo Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Em atenção ao expediente SGM/P nº 786/06, indico a Vossa Excelência o Deputado Sérgio Miranda, na condição de Suplente, para integrar a Comissão Especial destinada a pro ferir parecer ao Projeto de Lei n° 6.666 de 2006, que “Altera a Lei n° 9478, de 6 de agosto de 1997, que ‘dispõe sobre a Política Energética Nacional as atividades relativas ao monopólio do petróleo, institui o Conselho Nacional de Política Energética e a Agência Nacional do Petróleo e dá outras providências”, em vaga existente. Ao ensejo, reitero a Vossa Excelência protestos de consideração e apreço. – Deputado Miro Teixeira, Líder do PDT. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente OF/GAB/I/Nº 118-PDT Brasília, 12 de abril de 2006 Ao Excelentíssimo Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Indico a Vossa Excelência os representantes do Partido Democrático Comissão Trabalhista – PDT que passam Mista de Planos, Orçamentos Públicos a integrar e Fiscalização, conforme relação abaixo. Titulares Manato Álvaro dias Miro Teixeira Suplentes Luiz Piauhylino Rodolfo Pereira Sérgio Miranda Ao ensejo, renovo a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. – Deputado Miro Teixeira, Líder do PDT. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS OF/A/PSB/nº 130/06 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Tenho a honra de indicar a Vossa Excelência os deputados Renato Casagrande e João Mendes Para titular e Marcondes Gadelha e Josias Quintal Para suplente da Comissão Especial destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei nº 6.666, de 2006, do Sr. Luciano Zica, que “altera a Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, que ‘dispõe sobre a Política Energética Nacional, as atividades relativas ao monopólio do petróleo, institui o Conselho Nacional de Política Energética e a Agência Nacional do Petróleo e dá outras providências”’, em substituição aos já indicados. Atenciosamente, – Deputado Paulo Baltazar. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente OF/A/PSB/nº 131/06 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Indico a Vossa Excelência o Deputado Jose Priante (PMDB – PA) para a vaga de titular da Comissão de Finanças e Tributação, em substituição ao Deputado Max Rosenmann (PMDB – PR). Respeitosamente, – Deputado Paulo Baltazar, Líder do PSB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente OF/A/PSB/Nº 132/06 Brasília, 12 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Tenho a honra de indicar a Vossa Excelência os deputados Mário Assad Jr. e Carlos Mota para titulares da Comissão Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição nº 487-A de 2005, do Sr. Roberto Freire, que “dispõe sobre a Defensoria Pública, suas atribuições, garantias, vedações e dá outras providências”. Atenciosamente, – Deputado Paulo Baltazar, Líder do PSB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Quinta-feira 13 18941 Of. Nº 41/06 Brasília, 6 de abril de 2006 Excelentíssimo Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Assunto: Indicação de membro de Comissão Especial Senhor Presidente, Indico, nos termos regimentais, o Deputado Agnelo Queiroz (titular) e a Deputada Perpétua Almeida (suplente) para integrarem a Comissão Especial destinada a apreciar e proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição nº 483-A de 2001, do Senado Federal, que “altera o § 4º do art. 225 da Constituição Federal, para incluir o Pantanal Mato-Grossense como patrimônio nacional”. Respeitosamente, – Deputado Inácio Arruda, Líder do PCdoB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Of. Nº 42/06 Brasília, 6 de abril de 2006 Excelentíssimo Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Assunto: Indicação de membro de Comissão Especial Senhor Presidente, Indico, nos termos regimentais, a Deputada Socorro Gomes (titular) e a Deputada Jandira Feghali (suplente) para integrarem a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei nº 6.666, de 2006, do Sr. Luciano Zica, que “altera a Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, que “dispõe sobre a Política Energética Nacional, as atividades relativas ao monopólio do petróleo, institui o Conselho Nacional de Política Energética e a Agência Nacional do Petróleo e dá outras providências”. Respeitosamente, – Deputado Inácio Arruda, Líder do PCdoB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Of. nº 43/06 Brasília, 6 de abril de 2006 Excelentíssimo Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Assunto: Indicação de membro de Comissão Especial Senhor Presidente, Indico, nos termos regimentais, a Deputada Perpétua Almeida (titular) e a Deputada Vanessa Grazziotin (suplente) para integrarem a Comissão Especial desti- 18942 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS nada a proferir parecer ao Projeto de Lei n0 6219, de 2005, do Sr. Marcos Abramo, que “institui o Código de Proteção ao Meio Ambiente”. Respeitosamente, – Deputado Inácio Arruda, Líder do PCdoB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Of. nº 44/06 Brasília, 6 de abril de 2006 Excelentíssimo Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Assunto: Indicação de membro de Comissão Especial Senhor Presidente, Indico, nos termos regimentais, a Deputada Vanessa Grazziotin para integrar como membro titular a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei nº 6.131, de 2005, da Srª Kátia Abreu, que “regulamenta as atividades de pesquisa, produção, importação, liberação no ambiente e comercialização de clones de mamíferos, exceto humanos, peixes, anfíbios, répteis e aves”. Respeitosamente, – Deputado Inácio Arruda, Líder do PCdoB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Of. nº 45/06 Brasília, 6 de abril de 2006 Excelentíssimo Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Assunto: Indicação de membro de Comissão Especial Abril de 2006 Of. nº 47/2006 Brasília, 6 de abril de 2006 Excelentíssimo Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Assunto: Indicação de Membro de Comissão Mista de Orçamentos Públicos e Fiscalização Senhor Presidente, Indico, nos termos regimentais, o Deputado Daniel Almeida para integrar como membro titular a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização. Respeitosamente, – Deputado Inácio Arruda, Líder do PCdoB. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF. Nº 118-PP/2006 – CCJC Brasília, 4 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo DD. Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência, em cumprimento ao Art. 58 do Regimento Interno, a apreciação por este Órgão Técnico, nesta data, do Projeto de Lei nº 1.267-B/2003. Solicito a Vossa Excelência autorizar a referido projeto e parecer a ele oferecido. Cordialmente, – Deputado Nelson Trad, Presidente em exercício. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Of.-Pres. nº 63/2006/CDC Brasília, 5 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Assunto: Publicação do PL nº 4.317/04 Senhor Presidente, Indico, nos termos regimentais, o Deputado Evandro Milhomem (titular) e a Deputada Alice Portugal (suplente) para integrarem a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei nº 6.264, de 2005, do Senado Federal, que “institui o Estatuto da Igualdade Racial”. Respeitosamente, – Deputado Inácio Arruda, Líder do PCdoB. Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência, em cumprimento ao disposto no artigo 58 do Regimento Interno, a apreciação do Projeto de Lei nº 4.317/04, do Sr. Carlos Nader, que “proíbe a cobrança de valores insertos por amostragem, em contas de energia água e gás dá outras providências”, para publicação da referida proposição e do parecer a ela oferecido. Atenciosamente, – Deputado Íris Simões, Presidente. Defiro. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Defiro. Pub’lique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR Of. – Pres. nº 66/2006/CDC Brasília, 5 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Assunto: Publicação do PL nº 4.302-04 Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência, em cumprimento ao disposto no artigo 58 do Regimento Interno, a apreciação do Projeto de Lei nº 4.302/04, do Sr. Dimas Ramalho, que “cria o Sistema Nacional de Controle de Acidentes de Consumo – SINAC”, para publicação da referida proposição e do parecer a ela oferecido. Atenciosamente, – Deputado Íris Simões, Presidente. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. COMISSÃO DE TRABALHO DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO Of. Pres. nº 23/06/CTASP Brasília, 5 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Assunto: publicação de proposição apreciada Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência, em cumprimento ao disposto no art. 58 do Regimento Interno, a apreciação do Projeto de Lei nº 6.207/05 e de seu apensado, o Projeto de Lei nº 1.988/2003, por este Órgão Técnico. Solicito a Vossa Excelência autorizar a publicação dos referidos projetos e do parecer a eles oferecido. Atenciosamente, – Deputado Aracely Paula, Presidente. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Quinta-feira 13 18943 COMISSÃO DE SINDICÂNCIA DESTINADA A APURAR OS FATOS DE QUE TRATAM OS PROCESSOS DE NÚMEROS 2005/160590 (OFÍCIO Nº 4.595 – SR/DPF/PB, DE 26-9-2005) E 2006/105011 (OFÍCIO Nº 596/06 – SR/DPF/PB, DE 3-2-2006), QUE SE REFEREM, RESPECTIVAMENTE, AOS SENHORES DEPUTADOS DOMICIANO CABRAL (JOSÉ DOMICIANO CABRAL) E B. SÁ (BENEDITO DE CARVALHO SÁ), PARA, NO PRAZO DE TRINTA DIAS APRESENTAR SUAS CONCLUSÕES OF. Nº 16/2006-COORD Brasília, 11 de Abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Nesta Senhor Presidente, Haja vista a impossibilidade de cumprir o prazo de 30 (trinta) dias estabelecido inicialmente, face a vários entraves de natureza administrativa, requeiro a Vossa Excelência a prorrogação do mesmo, por igual período, para conclusão dos trabalhos desta Sindicância. Respeitosamente, – Deputado Ciro Nogueira, Coordenador da Sindicância Corregedor da Câmara dos Deputados. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. OF. Nº 014/2006 Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência a minha renúncia junto ao Conselho de Ética e de Decoro Parlamentar, conforme motivos expostos no ofício anexo, encaminhado ao Deputado Ricardo Izar, Presidente daquele Conselho, na data de 7-4-2006. Sem mais para o momento, aproveito o ensejo para reiterar a Vossa Excelência os votos de estima e consideração. Atenciosamente, – Deputado Carlos Sampaio. 18944 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS GABINETE DO DEPUTADO FEDERAL CARLOS SAMPAIO – PSDB/SP Campinas – SP, 7 de abril de 2006 Exmº Sr. Deputado Ricardo Izar DD. Presidente do Conselho de Ética Câmara Federal – Brasília – DF Senhor Presidente: Em que pese reconhecer o incomensurável esforço que Vossa Excelência vem fazendo para enaltecer as atividades do Conselho Ética, não consigo aceitar que o Plenário desta Casa. Reiteradas vezes, desconsidere as deliberações tomadas pelos ilustres Conselheiros que compõem este órgão. Enquanto o Conselho de Ética, sob a sua presidência, toma as suas decisões pautado nas investigações que realiza e nas provas que produz, o Plenário da Câmara, desconsiderando todo este trabalho, decide, tão somente, levando em conta o relacionamento pessoal e a biografia dos acusados. E evidente que não me refiro ao Plenário, como um todo, pois sei de inúmeros parlamentares que, não só honram esta Casa, como dignificam o Parlamento. Todavia, não posso mais aceitar que essas atitudes de alguns (infelizmente, em certos casos, a maioria) desqualifiquem o trabalho magistral que vem sendo levado a cabo por Vossa Excelência. Tomado, pois, pelo mais profundo sentimento de indignação e, acredite, em defesa de nosso Conselho, é que deixo de acolher o apelo feito por Vossa Excelência e reitero o pedido de renúncia que formulei no dia de ontem. Sei que posso não atingir os objetivos que pretendo, mas, tenha a mais absoluta certeza que o que espero é que este meu gesto desperte a atenção de nossos pares para a necessidade de acabarmos, definitivamente, com o voto secreto e darmos ao Conselho de Ética os instrumentos necessários (próprios de uma CPI) para que ele possa desenvolver suas atividades de forma eficaz. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Abril de 2006 Of. nº 16/06-TS Brasília – DF, 11 de abril de 2006 À Sua Excelência o Senhor Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Edifício Principal Brasília – DF Assunto: Retorno às Atividades Parlamentares. Exmº Sr. Presidente, Informo a V. Exª que, tendo em vista o encerramento do período de minha licença para tratamento de saúde, retornarei às atividades parlamentares nesta Casa a partir do dia 15 do corrente mês e ano. Solicito as providências de praxe, a cargo da Secretaria-Geral da Mesa. Certo do atendimento do pleito, renovo protestos de estima e de consideração. – Deputado Eduardo Gomes, Deputado Federal. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. Ofício GD/HB/nº 18/2006 Brasília (DF), 10 de abril de 2006 Exmº Sr. Presidente Aldo Rebelo Presidência da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados Brasília – DF Senhor Presidente, Venho pelo presente, informar Vossa Excelência, que no dia 15 de abril de 2006 estarei retornando a essa Casa, para reassumir meu mandato de Deputado Federal, pelo PTB/TO, em virtude do término da licença para tratamento de saúde de 121 (cento e vinte e um) dias. Renovo a Vossa Excelência votos da mais alta estima. Atenciosamente, – Deputado Homero Barreto. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. PROJETO DE LEI Nº 6.820, DE 2006 (Do Sr. Xico Graziano) Altera a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, que regulamenta dispositivos constitucionais relativos à reforma agrária. Despacho: Às Comissões de: Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Rural e Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD) Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva Pelas Comissões – Art. 24 II O Congresso Nacional decreta: Art. 1º O art. 6º da Lei nº 8.629 de 25 de fevereiro de 1993, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 6º Considera-se propriedade rural produtiva o imóvel rural que, explorado econômica e sustentavelmente, mantenha nível de aproveitamento agropecuário e florestal compatível com a produtividade do solo e sua respectiva classe de capacidade de uso. § 1º A caracterização da propriedade produtiva exigirá laudo de avaliação técnicoagronômico, elaborado por profissional habilitado em ciências agrárias, capaz de avaliar o potencial produtivo da propriedade e sua efetiva utilização. § 2º O laudo técnico de avaliação deverá considerar o nível de tecnologia utilizada e sua correspondência com os parâmetros da sustentabilidade ecológica e econômica da produção agropecuária. § 3º Na elaboração do laudo de avaliação deverá ser considerado o conjunto das atividades produtivas existentes na propriedade rural, por um prazo mínimo de três anos, no caso de cultivos temporários e criações, e de cinco anos, para cultivos permanentes, incluindo silvicultura. Art. 2º A Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, passa vigorar acrescida dos Arts. 6ºA, 6ºB e 6ºC, com as seguintes redações: “Art. 6ºA. Não poderão ser consideradas como áreas inexploradas ou improdutivas aquelas mantidas com cobertura vegetal original ou em fase adiantada de regeneração, independentemente de sua situação legal. Art. 6ºB Caberá ao órgão de regulamentação das atividades de engenharia e arquitetura da localidade a indicação de profissional habilitado para atuar na peritagem, quando houver contestação de laudos de avaliação, por parte do Poder Público, com relação à condição produtiva da propriedade rural. Art. 6ºC Caberá ao órgão público federal de pesquisa agropecuária, auxiliado pelos centros de ciências agrárias das universidades públicas, estabelecer parâmetros referenciais Quinta-feira 13 18945 técnicos-produtivos das culturas e criações, preservando aos produtores rurais o direito de utilizarem sistemas produtivos alternativos, de tecnologia mista, branda ou orgânicos, devidamente comprovados.” Art. 3º O §1º do art. 9º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 9º ................................................... .............................................................. § 1º Considera-se racional, adequado e sustentável a exploração da terra que mantenha nível de aproveitamento agropecuário e florestal compatível com a produtividade do solo e sua respectiva classe de capacidade de uso, especificado no art. 1º desta Lei.” Art. 4º A Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, passa vigorar acrescida do Art. 17A , com a seguinte redação: “Art. 17A Fica estipulado o prazo de até cinco anos para que o órgão público federal competente realize os investimentos em infraestrutura básica necessários à consolidação e subseqüente emancipação de assentamentos da reforma agrária. Parágrafo único. O prazo previsto no caput correrá a partir da data da imissão de posse, ao órgão público, nas terras adquiridas por desapropriação ou compra pública.” Art. 5º Findo o prazo previsto no §1º do art. 29 da Lei nº 8.363, de 7 de dezembro de 1976, o órgão público federal competente deverá emitir o título de posse ao beneficiário da reforma agrária. Art. 6º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 7º Revogam-se o §§ 2º, 6º e 7º do art. 6º e o art. 11 da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Justificação A Constituição Federal estabelece que a propriedade produtiva será insuscetível de desapropriação para fins de reforma agrária e que a lei garantirá tratamento especial a esta espécie de propriedade. Em 1993, a Lei nº 8.629 regulamentou dispositivos constitucionais referentes à política agrícola e fundiária e à reforma agrária, bem como estabeleceu, confirmando legislação anterior, os conceitos do grau de utilização da terra (GUT) e do grau de eficiência na exploração (GEE) para a análise do aproveitamento da terra no país. O entendimento jurídico da Constituição permite caracterizar que o cumprimento da função so- 18946 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS cial da propriedade rural se dá quando o GUT ultrapassa 80%, quer dizer, explora a terra de forma apropriada. Já o GEE é índice que mede a produtividade da terra, quando do processo de desapropriação para fins de reforma agrária, permitido quando o imóvel rural deixa de cumprir com sua função social. Na prática, todavia, esses dois conceitos-chave têm sido confundidos e aplicados conjuntamente na análise dos processos de desapropriação para fins de reforma agrária. Mais recentemente, quer o governo alterar, para cima, os atuais índices de produtividade, que servem para definir o GEE, argumentando estarem eles ultrapassados pelo avanço da tecnologia, eis que antigos. A proposta governamental estabeleceu forte polêmica, basicamente porque se apresenta em momento que a agropecuária passa por processo de perda de rentabilidade, devido à queda dos preço das comodities e à baixa da taxa de câmbio, combinada com elevação de custos. A polêmica existente sobre o cálculo que caracteriza a propriedade produtiva da terra está equivocada em sua origem. Não se pode, face ao avanço da tecnologia nos últimos trinta anos, adotar um único índice, o GEEGrau de Eficiência na Exploração), mesmo estabelecido regionalmente, capaz de averiguar se a terra está ou não produtiva. O cálculo do GEE deriva da comparação entre os níveis de produtividade física do imóvel, com parâmetros fixados pelo poder público (Incra). Está, pois, equivocado o princípio, que é antigo, primário, simplista, que facilita desvios e falcatruas, pois surge de uma conta matemática. Se, nas contas do INCRA, o GEE de uma propriedade for menor que 100% ( 99,9%, por exemplo), ela pode ser destinada para desapropriação. Trata-se de um número cego, seco, calculado na prancheta, com base em notas fiscais ou de vacinação de rebanhos considerando-se apenas o último ano. O sistema agora proposto neste presente projeto de lei se baseia em laudo completo de avaliação, que considera certamente os níveis de produtividade, mas não de forma exclusiva nem estáticos. Depende, também, do nível de tecnologia e das condições do solo e clima, pois uma propriedade rural altamente intensiva em capital/tecnologia, trabalha com elevada produtividade, enquanto outra propriedade, que escolha tecnologia branda, estará com sua produtividade menor; acontece que os custos também serão distintos, nada assegurando que a alta tecnologia e a conseqüente elevada produtividade traga maior retorno financeiro, face aos custos da produção. Idêntico raciocínio vale para a classe de capacidade de uso do solo: fazendas melhor aquinhoadas pela natureza obtêm retorno de produtividade acima daquelas menos privilegiadas. Adotar um mesmo índice para avaliar o caráter pro- Abril de 2006 dutivo de todas as propriedades significa aceitar uma ditadura tecnológica no campo. Atualizar os atuais índices de produtividade para medição da terra produtiva servirá apenas para agravar a tensão no campo, sem resolver o problema da produtividade rural. Além do mais, existe a questão do mercado, que não se colocava na época que foi elaborado o Estatuto da Terra, em 1964. Elevar os índices oficiais de produtividade sinalizará que os agricultores devem elevar sua produção, aumentando a oferta de produtos no mercado. E quem garante que os preços não lhe arrebentarão o bolso? Sem demanda garantida, quanto maior a safra, menor a renda. Se eleva a produção, entra no prejuízo do banco. Se reduz, cai na garra do MST. Como sair dessa? O raciocínio é básico: sem planejamento de mercado soçobra a economia rural. A definição sobre o cálculo da terra produtiva não comporta mais simplismo. Por isso, este projeto de lei modifica a forma de cálculo, exigindo um laudo mais complexo, que leve em consideração a classe de capacidade de uso do solo, o clima, o nível de tecnologia e a situação do mercado. Essa visão medíocre, que atribui índices fixos de produtividade sem considerar os recursos naturais e a economia rural, facilitou a desapropriação de imóveis rurais em áreas inférteis, em tantas regiões brasileiras, como na serra da Bodoquena, em MT. Transformados em assentamentos, tornaram-se uma tragédia ambiental e social. A legislação atual e as normas de procedimento do INCRA exigem um mesmo patamar de produção na agropecuária, impondo como que uma ditadura tecnológica no campo. Ora, quem obriga o uso intensivo de fertilizantes químicos aos defensores das tecnologias brandas? E a produção orgânica, como deve ser tratada? Como se percebe, manter ou elevar os índices de produtividade não resolve nada, servindo apenas à luta ideológica. Para evoluir no tratamento da matéria, a modificação do método de avaliação poderá trazer mais justeza no processo de desapropriação. Quem se mostrar perdulário com a terra merece ser desapropriado sem perdão; mas aquele que, endividado, reduz o nível da tecnologia empregada para enfrentar a decomposição de sua renda não poderá, jamais, ser penalizado por ser precavido. Por fim, é proposto o prazo de 5 (cinco) anos para que o órgão público federal competente realize os investimentos em infra-estrutura básica necessários à consolidação e posterior emancipação de assentamentos da reforma agrária, a partir da data em que órgão público, no caso o INCRA, recebe a imissão de posse na área desapropriada ou adquirida para fins de Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS reforma agrária. Determina ainda, o presente projeto de lei, que findo o prazo previsto no §1º do art. 29 da Lei nº 8.363, de 7 de dezembro de 1976, o órgão público federal competente deverá emitir o título de posse aos trabalhadores rurais assentados pelo Programa Nacional de Reforma Agrária. Os motivos que justificam tal propositura final são facilmente compreensíveis: atualmente, o poder público realiza assentamentos sem qualquer compromisso de viabilização dos mesmos. Assim como, na lei da responsabilidade fiscal, os gestores públicos se obrigam a normas rigorosas com o gasto público, há que se fixar a responsabilidade pública nos projetos de reforma agrária. Nesse sentido, se o governo quer desapropriar e assentar, que se comprometa a investir nos projetos, consolidando-os, transformando efetivamente os sem-terra em novos produtores rurais. O prazo aqui exigido será de, no máximo, 5 anos. No modelo atual de reforma agrária, sem compromisso com a qualidade dos assentamentos nem com a titulação dos assentados, está se gerando um passivo extraordinário para o futuro, uma conta a ser paga pela sociedade sabe-se lá como. Trata-se, portanto, de um modelo irresponsável, que consome o orçamento público de forma frouxa, como que se pretendesse apenas se livrar do problema das invasões de terras através do mero assentamento, numa conta que privilegia a quantidade e se esquece da qualidade da reforma agrária. A titulação dos assentados de reforma agrária, atualmente inexistente, salvo raras exceções de assentamentos que já mostram acima de 20 anos, é fundamental para emancipar, seja o projeto, seja as pessoas. Centenas de milhares de assentados de reforma agrária, embora na terra há mais de 10 ou 15 anos, continuam sendo tratados como “sem-terra”, gerando uma infindável demanda por serviços públicos e configurando uma espécie de “quase-funcionários” públicos. Além do mais, produtores precários que permanecem, estão sujeitos à manipulação política e ao domínio das organizações que pretendem representá-los, mantendo sua submissão histórica, antes aos poderosos do latifúndio, agora aos pseudo-revolucionários do MST e demais grupos que dominam as lutas agrárias no país. Titular os assentados de reforma agrária significa dar-lhes como que uma alforria, um diploma de pequeno agricultor, que certamente sofrerá as agruras de todos aqueles que produzem no campo, mas dono de seu destino. Pela lei em vigor, ele não poderá negociar sua terra ainda pelo prazo de 10 anos, para que se justifique o investimento do Estado. Mesmo assim, ele se sentirá um cidadão livre, soberano. Sala das Sessões, 29 de março de 2006. – Deputado Xico Graziano. Quinta-feira 13 18947 PROJETO DE LEI Nº 6.821, DE 2006 (Do Sr. Alexandre Santos) Autoriza o Poder Executivo a criar a Escola Técnica Federal do Petróleo de Itaboraí, no Estado do Rio de Janeiro. Despacho: Às Comissões de: Trabalho, de Administração e Serviço Público; Educação e Cultura; Finanças e Tributação (Art. 54 Ricd) e Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD) Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva pelas Comissões – Art. 24 II O Congresso Nacional Decreta: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizada a criar a Escola Técnica Federal do Petróleo de Itaboraí, no Estado do Rio de Janeiro. Art. 2º A Escola Técnica Federal do Petróleo de Itaboraí será instituição de ensino médio profissionalizante, destinada à formar técnicos para atender às necessidades sócio-econômicas do setor petroquímico da região. Art. 3º A instalação do estabelecimento de ensino de que trata a presente lei subordina-se ao prévio estabelecimento, no Orçamento Geral da União, das dotações necessárias, bem como a criação dos cargos, funções e empregos indispensáveis ao funcionamento da Escola. Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Justificação A atividade petrolífera, especialmente a extração de petróleo e gás natural, tem importante significação na economia do Estado do Rio de Janeiro. O Município de Itaboraí é um importante núcleo urbano da Região no Estado do Rio de Janeiro. Localizada a 45 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro, e beneficiado por boas rodovias, Itaboraí tem limite com os Municípios de São Gonçalo, Maricá, Cachoeiras de Macacu e Tanguá. Com a implantação da nova Refinaria de petróleo em Itaboraí, o Município ganha notória participação na produção nacional de petróleo. A Refinaria terá localização exemplar na região e será responsável por inúmeros investimentos. Assim, Itaboraí desponta como um dos principais pólos de desenvolvimento econômico e social no Estado do Rio de Janeiro. Tal crescimento acarretará uma conseqüente demanda por maior capacitação profissional dos trabalhadores. Conforme acentua a Secretaria de Educação Média e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC), a educação tecnológica é parte do processo integral de 18948 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS formação dos trabalhadores, devendo ser compreendida como uma política pública estratégica. Nesse contexto, as escolas técnicas vêm exercendo importante papel, oferecendo cursos especializados, formando e aperfeiçoando mão-de-obra para o mercado de trabalho cada vez mais exigente. Torna-se, então, de fundamental importância que o Município de Itaboraí possua uma escola técnica federal do petróleo, a fim de oferecer ensino adequado e de qualidade frente às exigências de capacitação profissional que o desenvolvimento econômico trouxe para os jovens da região. Diante disso, conclamo os nobres colegas parlamentares a apoiarem o presente projeto de lei que autoriza o Poder Executivo a criar a Escola Técnica Federal do Petróleo de Itaboraí – RJ, e assim, contribuírem para a expansão da oferta de educação profissional no Estado. Sala das Sessões, 29 de março de 2006. – Deputado Alexandre Santos. PROJETO DE LEI Nº 6.823, DE 2006 (Do Senado Federal) PLS Nº 127/2004 OFÍCIO (SF) Nº 483/2006 Altera a Lei nº 7.998, de 11 de janeiro de 1990, de forma a aumentar o período máximo de percepção do seguro-desemprego no caso de trabalhador portador de deficiência física. Despacho: Apense-se à (Ao) Pl4974/2005. Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação do Plenário Publicação Inicial Art. 137, Caput – RICD O Congresso Nacional decreta: Art. 1º O art. 4º da Lei nº 7.998, de 11 de janeiro de 1990, passa a vigorar acrescido do seguinte § 2º, renumerando seu atual parágrafo único como § 1º: “Art. 4º .................................................. .............................................................. § 2º No caso de trabalhador desempregado portador de deficiência física, o período máximo estipulado no ‘caput’ passa a ser de 6 (seis) meses, de forma contínua ou alternada, a cada período aquisitivo de 16 (dezesseis meses), contados da data de dispensa que deu origem à primeira habilitação.” (NR) Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 29 de março de 2006. – Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal. Abril de 2006 PROJETO DE LEI Nº 6.825, DE 2006 (Do Sr. Arnaldo Faria de Sá) Altera o parágrafo 2º do artigo 35, da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá outras providências. Despacho: Às Comissões de: Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD) Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva Pelas Comissões – Art. 24 II O Congresso Nacional decreta: O parágrafo 2.º do Art. 35, da Lei Nº 10.741, de 1.º de outubro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 35 – .............................................. § 1.º – ................................................... § 2.º – O Conselho Municipal do Idoso ou o Conselho Municipal da Assistência Social estabelecerá a forma de participação prevista no § 1.º . Na hipótese de o idoso participar do custeio da entidade filantrópica reconhecida de utilidade pública com recursos provenientes de seu benefício previdenciário ou de assistência social, tal participação poderá ser realizada na proporção de até 100% (cem por cento) nas hipóteses de os proventos serem iguais ou inferiores a três salários mínimos e até 70% (setenta por cento) se os proventos forem superior a três salários mínimos. (NR) § 3º – .......................................... ........”. Justificação As entidades que trabalham diariamente para a manutenção e bem-estar do idoso, conhecem e vivem uma realidade que se mostra incompatível com a manutenção dessas entidades. Com efeito, as entidades beneficentes e sem fins lucrativos, que têm como objetivo estatutário cuidar, de todas as formas, do idoso carente, têm conhecimento que a grande parte dos idosos abrigados não possuem recursos financeiros para participar, ainda que em parte, de seu custeio e que, na quase totalidade dos casos, não possuem família ou pessoas que possam auxiliar o seu custeio. De outro lado, os idosos que auxiliam o seu custeio participam, ordinariamente, com o seu benefício previdenciário no valor de um salário mínimo, concedido em razão de sua idade. Esse valor, à evidência, antes da lei, já era insuficiente para sua manutenção, considerando que Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS o custo médio por idoso, em condições mínimo de sobreviência, corresponde a aproximadamente três salários mínimos. Importantíssimo lembrar que nos termos do Estatuto e das demais leis que regulamentam a manutenção das casa-lar mencionada no parágrafo primeiro do artigo 35, acima transcrito, tais entidades, substituindo o Estado no dever da assistência ao idoso para fins beneméritos, devem adequar fisicamente suas instalações às mais diversas normas de segurança e higiene, bem como prestar assistência ao idoso nas mais variadas formas, a exemplo da contratação de profissionais especializados como médicos, enfermeiras padrão, psicólogas, fisioterapeutas etc, fato que, como é de conhecimento público, determina a arrecadação e dispêndio da expressiva despesa mensal. Não obstante isso, as entidades tomaram para si a responsbailidade de prover o custeio do idoso com recursos por ela angariados, nos termos de seu estatuto social. Assim, em razão desse dispositivo estar causando prejuízos expressivos tanto às entidades que cuidam desses idosos como aos próprios destinatários da norma, estas pugnam por sua reforma, na forma proposta em anexo, agradecendo antecipadamente toda a atenção e preocupação que serão destinadas à questão. Por fim, imprescindível salientar que a reforma pretendida está circunscrita à possiblidade de utilização da totalidade do benefício percebido pelo idoso apenas até o total de 03 (três) salários mínimos, quantia essa correspondente à média mínima do valor de custeio do idoso na casa-lar, de forma que para valores excedentes permaneceria aplicável o limite de utilização de benefício posto na Lei. O presente Projeto de Lei é de iniciativa do Grupo das Instituições de Longa Permanência de Idosos do Grande ABC – GILPI´S, através da Sra. Maria Helena Martins, encabeçando as entidades: Casa dos Velhinhos Dona Adelaide – São Bernardo do Campo Casa do Coração Eucarístico de Jesus – São Bernardo do Campo Casa São Vicente de Paulo – São Bernardo do Campo Instituição Assistencial Nosso Lar – Santo André Instituto Assistencial “Casa do Caminho Ananias” – Santo André Grupo Luz – Assistência e Orientação – São Caetano do Sul Abrigo a Velhice Desamparada Irmã Ana Ama – São Caetano do Sul Quinta-feira 13 18949 Abrigo Irmã Tereza à Velhice Desamparada – São Caetano do Sul Congregação das Irmãzinhas dos Anciãos Desemparados “Lar Nossa Senhora das Mercedes” – São Caetano do Sul Lar Frederico Ozanam – Ribeirão Pires Abrigo dos Velhinhos Frederico Ozanam da Sociedade São Vicente de Paulo – São Paulo O conjunto das entidades informa já ter apresentado essa proposta ao grupo responsável pelos idosos do Ministério Público do Estado de São Paulo. Sala das Sessões 29 de março de 2006. – Arnaldo Faria de Sà, Deputado Federal – São Paulo PROJETO DE LEI Nº 6.826, DE 2006 (Do Sr. Edinho Montemor) Regulamenta a profissão de Cabeleireiro e dá outras providências. Despacho: Às Comissões de: Trabalho, de Administração e Serviço Público e Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD) Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva Pelas Comissões – Art. 24 II O Congresso Nacional Decreta Art. 1º Fica reconhecida, em todo o território nacional, o exercício da profissão de cabeleireiro, observados os preceitos desta Lei; Art. 2º A atividade profissional de que trata o caput do Artigo 1º somente poderá ser exercida por aqueles que atendam uma das seguintes condições: I – tenham formação e treinamento profissionais específicos, ministrados em cursos promovidos por instiuições oficiais ou privadas, devidamente reconhecidas pelo Poder Público; II – estejam, comprovadamente, no exercício da profissão há mais de um ano à data da promulgação desta Lei; Parágrafo único – O diploma de habilitação especifica expedido por instituição de ensino estrangeiro, será revalidado na forma da legislação em vigor; Art. 3º São atribuições privativas dos profissionais cabeleireiros: I – lavar, massagear, cortar e pentear cabelos masculinos e femininos; II – cortar ou aparar barbas e bigodes; III – fazer permanentes, tingimentos, descolorações, encrespados e desencrespados. Art. 4º Aplicam-se aos profissionais a que se refere esta Lei, no que couber, as normas constantes 18950 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS na Consolidação das Leis do Trabalho e da Previdência Social. Art. 5º Os cabelereiros devem limpar e esterilizar os materiais utilizados, usando sobstâncias químicas, fervura ou outros meios, para atender as normas de higiene a serem implementadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e evitar possíveis contaminações. Art. 6º Fica autorizada a criação do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais dos cabeleireiros, nos termos do Art 58 e parágrafos, da Lei 9.649, de 27 de maio de 1998. Art. 7º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Justificação A presente iniciativa tem como objetivo regulamentar o exercício da profissão de cabelereiro, atendendo, assim, a demanda desta importante classe de trabalhadores de nosso país, cujas funções são indispensáveis em nosso dia a dia. Profissionais que cuidam da aparência, do visual e até do bem estar das pessoas, a falta de regulamentação desta profissão causa problemas sociais, trabalhistas e humanos. Manipuladores de materiais químicos que podem, quando manuseados sem a devida habilidade, provocar danos à saúde das pessoas, sem dúvida o Poder Público tem o dever e a responsabilidade de regulamentar esta profissão. Já existiram na Casa Projetos de Lei de autoria de outros Deputados que, assim como este parlamentar, sabiam da necessidade da regulamentação da profissão de cabeleireiros. Entretanto as proposições foram arquivadas, razão de nossa iniciatva para que a matéria seja analisada, de modo a fazer justiça a todos que trabalham na atividade. Sala da Sessões 29 de março de 2006. – Edinho Montemor, Deputado Federal PL/SP. PROJETO DE LEI Nº 6.828, DE 2006 (Do Sr. José Chaves) Altera a Lei nº 9.427, de 1996, dispondo sobre a comercialização de energia. Despacho: Às Comissões de: Minas e Energia e Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD) Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva Pelas Comissões – Art. 24 II O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Os §§ 5o e 8o do art. 26 da Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação: Abril de 2006 “Art. 26 ................................................. § 5º O aproveitamento referido no inciso I do caput, os empreendimentos hidrelétricos com potência igual ou inferior a 1.000 KW e aqueles com base em fontes solar, eólica, biomassa, cuja potência instalada seja menor ou igual a 30.000 KW, poderão comercializar energia elétrica com consumidor industrial, ou conjunto de consumidores industriais reunidos por comunhão de interesses de fato ou de direito, independentemente dos prazos de carência constantes do art. 15 da Lei nº 9.074, de 7 de julho de 1995, observada a regulamentação da ANEEL, podendo o fornecimento ser complementado por empreendimentos de geração associados às fontes aqui referidas, visando a garantia de suas disponibilidades energéticas mas limitado a quarenta e nove por cento da energia média que produzirem, sem prejuízo do previsto nos §§ 1º e 2º. .............................................................. § 8º As operações de comercialização de energia conforme estabelecido no § 5o, quando os agentes estiverem situados em sistemas isolados, serão incluídas no ambiente de contratação livre e estarão submetidas as mesmas regras e procedimentos que regem operações similares, realizadas por agentes do sistema interligado nacional.” (NR) Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Justificação Entre as inovações promovidas com a reestruturação do setor elétrico, a partir de 1995, relativas à oferta de energia alternativa, destaca-se o disposto no § 5º do art. 26 da Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.762, de 11 de novembro de 2003. Dessa forma, a legislação atual determina que, independentemente de prazos de carência, os consumidores ou conjunto de consumidores reunidos por comunhão de interesse de fato ou de direito, cuja carga, em qualquer tensão, totalize no mínimo 500 kW, passaram a ter a opção de poder comprar diretamente do produtor de energia, a energia elétrica de empreendimentos hidrelétricos com potência igual ou inferior a 1.000 kW e aqueles com base em fontes solar, eólica, biomassa, cuja potência instalada seja menor ou igual a 30.000 kW. Todavia, o citado dispositivo legal exclui desse livre mercado de energia uma grande parcela de indústrias, existentes em diversos Estados da Federação, cuja carga é inferior a 500 KW. Ficam assim essas indústrias Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS prejudicadas, eis que ao não ter a opção de atendimento por fontes não convencionais vêem-se impedidas de alcançar eventuais reduções de preço da energia elétrica que consomem em suas instalações. A disponibilidade de energia é fator crítico da capacidade competitiva da indústria. No caso da energia elétrica, é fundamental que as indústrias tenham acesso a um suprimento com qualidade e preços que Ihes permitam competir nos mercados interno e externo. A possibilidade de o consumidor poder optar por fontes energéticas diversificadas é condição sine qua non para sua garantia de suprimento e modicidade dos preços. Com efeito, o consumidor industrial de energia no Brasil é penalizado com sucessivos aumentos na tarifa de eletricidade, muitas vezes acima dos índices de inflação, advindos da contínua majoração do custeio das concessionárias e da severa política de arrecadação por parte do Governo. O peso dos encargos e tributos incidentes sobre as tarifas adquiriu proporção expressiva no custo da energia para o consumidor final. Hoje, cerca da metade da tarifa média ao consumidor industrial é composta de tributos e encargos setoriais. Por outro lado, em virtude da natureza cíclica das afluências aos reservatórios das centrais hidrelétricas e das dificuldades de investimento na expansão da geração, as perspectivas da oferta de eletricidade não são tranqüilizadoras, o que deixa parte significativa da nossa indústria a mercê de crises de abastecimento e da conseqüente desorganização da produção. Eis porque julgamos imprescindível que os demandantes de potência inferior a 500 KW possam adquirir energia de fontes alternativas, e ampliar, dessa forma, suas opções de compra desse insumo essencial à produção, fomentando, assim, novos investimentos privados em novas fontes de energia elétrica, com ênfase para as fontes renováveis que são aquelas elencadas no dispositivo legal que propomos alterar. Adicionalmente, ressaltamos que a eliminação da limitação da carga que pretendemos está em perfeita sintonia com o disposto no § 3o do art. 15 da Lei no 9.074, de 7 de julho de 1995, que determina que transcorridos oito anos da sua publicação, ou seja, a partir de 7 de julho de 2003, o poder concedente poderia diminuir os limites de carga e tensão que limitam o acesso de consumidores ao ambiente de contratação livre de energia elétrica. Observamos, também, que o § 8o do art. 26 da Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002, faz referência à limitação de carga que propomos eliminar e estabelece um limite mínimo de carga para que consumidores dos sistemas isolados possam comprar Quinta-feira 13 18951 energia diretamente no ambiente de contratação livre de energia elétrica. Destaca-se que, a fim de incentivar a livre negociação de energia entre produtores e consumidores nos sistemas isolados, tal limite de carga representava apenas uma fração (10%) daquele definido no § 5o do mesmo dispositivo para os consumidores atendidos por intermédio do sistema interligado nacional. Assim, pelas mesmas razões apontadas para justificar a eliminação de limites de carga para que consumidores do sistema interligado possam adquirir livremente energia, entendemos necessária a revogação do referido limite, dando nova redação ao § 8o do art. 26 da Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, estendendo o acesso ao ambiente de contratação livre de energia elétrica, sem qualquer discriminação, a todos os consumidores de energia elétrica brasileiros. Em suma, a proposição em tela beneficia, de forma ampla e irrestrita, tanto os consumidores quanto os produtores de todo o País, incentivando investimentos em fontes de energia renovável, contribuindo para a preservação do meio ambiente e reduzindo o risco de desabastecimento de energia elétrica no mercado brasileiro. Sala das Sessões, 29 de março de 2006. – Deputado José Chaves. PROJETO DE LEI Nº 6.829, DE 2006 (Do Sr. Mauro Benevides) Dá nova redação ao inciso VII e sua letra “c” do Artigo 29 e acrescenta o parágrafo 3º ao Artigo 61 da Lei nº 9.503 de 23 de setembro de 1997, que dispõe sobre o Código de Trânsito Brasileiro. Despacho: Às Comissões de: Viação E Transportes e Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD) Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva Pelas Comissões – Art. 24 II O Congresso Nacional decreta: Art. 1º. O inciso VII artigo 29, da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 29 (....) : VII – os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, os de polícia preventiva e ostensiva, os de fiscalização e operação de trânsito, os de fiscalização tributária preventiva em postos de fiscalização e os de fiscalização tributária ostensiva em rodovias e no perímetro urbano e rural, com caracteres oficiais da atividade exercida plenamente identificáveis e 18952 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS as ambulâncias, além da prioridade de trânsito, gozam de livre circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação intermitente na cor monocromática ou policromática, a serem estabelecidas pelo CONTRAN, observadas as seguintes disposições: a) (......) ; b) (......) ; c) o uso de dispositivo de alarme sonoro e de iluminação monocromática ou policromática intermitente só poderá ocorrer quando na efetiva prestação do serviço se fizer necessária;” Art. 2º. O artigo 61 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, passa a ser acrescido do parágrafo 3º com a seguinte redação: “Art. 61 (.....) : § 3º. Os veículos e suas atividades descritas no inciso VII do artigo 29, quando a prestação do serviço se fizer necessária, poderão ultrapassar os limites de velocidade estabelecidos neste artigo desde que a necessidade justifique esta medida, devendo tomar as devidas precauções para não colocar em risco os demais usuários das vias em que esta ocorrer.” Art. 3º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Justificação Trata a presente Justificativa sobre a legalidade da aplicabilidade da pena de multa a Veículo Oficial da Fiscalização Tributária dos Estados-Membros, do Distrito Federal e por depreensão dos Municípios, estar transitando em velocidade acima do estabelecido ou por estacionar em local não permitido, alternada ou cumulativamente. Inicialmente cumpre distinguir o Poder da Polícia propriamente dito com o Poder de Polícia administrativamente falando. O primeiro é um poder típico do Estado com suas diretrizes e carreiras estabelecidas em lei. Vinculadas, na quase totalidade, suas ações e finalidades à paz social e ao controle dos Processos e Procedimentos por parte do Ministério Público e do Poder Judiciário. O segundo é o poder que as Administrações detêm de regular a prática de determinados atos por parte do público em geral. O artigo 78 da lei nº 5.172/66 define literalmente o que é poder de polícia: “Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, Abril de 2006 à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais e coletivos. Parágrafo Único: Considera-se o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.”. Depreende-se do texto que várias são as atividades que possuem o poder de polícia. Doutrinariamente vários autores discorrem sobre o tema. “Consiste o poder de polícia na ação da autoridade para fazer cumprir o dever que se supõe geral de não perturbar, de modo algum, a boa ordem da coisa pública (Otto Mayer, Derecho administrativo alemán, 1949, vol. II pág. 19)”; Waline, depois de demonstrar que a palavra polícia é suscetível de vários significados, entre os quais o de conjunto de regras impostas pela autoridade pública aos cidadãos, denomina poder de polícia ao poder de impor essas regras e à medida na qual uma autoridade administrativa determinada pode impô-las (Traité élémentaire, 6ª ed., 1952, pág. 272)”. Precisando o conceito, é indispensável, portanto, definir o critério do interesse e do bem-estar públicos, que se decompõem em grande variedade de interesses, que compreendem os fundamentais da ordem, da segurança e salubridade pública, chegando a abranger os interesses de natureza econômica. Para Mário Masagão: “Pode a polícia preventiva fazer tudo quanto se torne útil à sua missão, desde que, com isto, não viole direito de quem quer que seja. Os direitos que, principalmente, confinam a atividade da polícia administrativa, são aqueles que, por sua excepcional importância, são declarados na própria Constituição (Curso de direito administrativo, 6ª ed., 1977, pág. 167)”. “A fixação de competência interessa sob vários aspectos, inclusive sob o ângulo da arrecadação de tributos, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização efetiva ou potencial de serviços públicos específicos e divisíveis prestados ao contribuinte ou a ele impostos pelo governo através de leis específicas ( José Cretella Junior, Dicionário de direito Administrativo, 1ª ed., 1978, págs. 395 a 399)”. Fisco, na acepção da palavra, deriva do latim – fiscos – i.m., seira de esparto, cesto de vime, cestinha. O vocábulo passou a designar tesouro real que, para ser suprido das despesas públicas, para ele se adjudicavam várias multas, condenações e confiscos. No direito mais antigo, entretanto, o Estado não era considerado totalmente como pessoa ou a sua personalidade se manifestava apenas nas relações patrimoniais, relações Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS estas que se centralizavam no denominado Fisco: ente que ora se considerava como distinto do Estado, já que a ele vinculado, ora como um seu particular aspecto. Desta forma antiga não permanecem mais traços no ordenamento italiano nem na terminologia das leis (Santi Romano, Corso di diritto administrativo, 3ª ed., 1937, págs. 82 e 83). Waline esclarece que “o Estado, para gerir seus serviços, necessita de dinheiro. Obtê-lo é o objeto de uma das atividades do Estado, que serve assim a utilidade pública, mas de modo mediato: esta atividade não é útil em si mesma, mas somente porque ela permite a existência de outras, fornecendo-lhes os meios de subsistência. As gestões dominiais do Estado, com fins lucrativos, não são serviços públicos, ao passo que, ao contrário, a taxação e a cobrança de impostos são objeto de um serviço público” (Droit administratif, 9ª ed., 1963, pág. 664). “No Estado haviam duas pessoas juridicamente distintas, (a) o Estado propriamente dito, pessoa jurídica pública política e (b) o Fisco, ou seja, o Estado considerado como uma sociedade de interesses pecuniários ou pessoa jurídica de direito privado. A primeira não tem fortuna, mas tem o poder de Império, o – jus imperii –, o poder de governar e ordenar. A segunda, o fisco, submetido ao Estado é sujeito de direito, tanto para impor quanto para ser acionado em Tribunais nas Ações contra o Estado (cf. Otto Mayer, ob. cit., parte geral, tomo I págs. 59 a 66; Manuel María Diez, Derecho adminitrativo 2ª ed., 1974, vol. I, págs. 132-133)”. Feitas as considerações iniciais, cumpre asseverar normas da Constituição Federal de 1988 no concernente ao tema. A Constituição se interpreta integrativamente não podendo haver conflito positivo ou negativo no seu corpo dispositivo. O Artigo nº 37 dispõe claramente os princípios que norteiam a Administração Pública que sejam a legalidade, a impessoalidade, a moralidade e a publicidade. No mesmo artigo em seu Inciso XVIII fala de forma clara e precisa: “a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei”; e no Inciso XXII clarifica expressamente a importância institucional e sua imprescindibilidade ao afirmar: “as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal de dos municípios, atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.”. O Artigo nº 144 preceitua em seu “caput”, que a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a Quinta-feira 13 18953 preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio e no Inciso II do Parágrafo Primeiro especifica: “prevenir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária ( grifo do redator ) e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;” ou seja, ressalva a importância da AÇÃO FAZENDÁRIA em sentido amplo, que seja, a nível federal, estadual, distrital e municipal alternada ou cumulativamente. Como se dá a Ação Fazendária? Nos termos do artigo 2º da lei 5.172/66 “O sistema tributário nacional é regido pelo disposto na Emenda Constitucional nº 18 de 1º de dezembro de 1965, em leis complementares, em resoluções do Senado Federal e, nos limites das respectivas competências, em leis federais, nas Constituições, em leis estaduais e em leis municipais”. No Artigo 3º é explicado literalmente o significado de tributo: “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. O Artigo nº 96 solidifica o significado de legislação tributária ao colocar: “A expressão “legislação tributária” compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.” O artigo nº 119 saneia e corrobora quem é o titular da Ação Fiscal no pólo ativo: “Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da competência para exigir seu cumprimento.”. O Artigo nº 121 define quem é o sujeito passivo: “da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.”. O Artigo nº 142 é também elucidativo: “Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. O de nº 195 fecha a norma federal que possui força de Lei Complementar e é recepcionada pela atual Constituição de 1988 a saber: “Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, 18954 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los.” ( g.r. ) O Governo Federal, os Governos Estaduais, o Governo do Distrito Federal e os Governo Municipais, através de Mensagens do Poder Executivo, enviaram e enviam para as respectivas Casas Legislativas os textos dos projetos que norteiam suas Administrações Tributário-Fazendárias nos limites delineados pela Constituição Federal. No caso dos Municípios, além dos determinados na Carta Magna, de limites determinados pelas Constituições Estaduais ( sendo que o Distrito Federal de certa forma é uma anomalia administrativa, por deter o poder legiferante igual ao dos Estados-Membros, não possuir municípios, mas Cidades-Satélites, com Administradores Regionais com circunscrição administrativa igual a dos municípios, mas sem Prefeituras ou Câmaras Municipais) têm um vasto poder residual na competência determinadora e fiscalizadora da legislação do trânsito de veículos, principalmente no caso da fiscalização eletrônica de velocidade. Esta competência residual tem demonstrado voracidade fiscalizatória e arrecadatória sem um mínimo de planejamento estratégico, mais pelo costume dos motoristas locais de excederem a velocidade em ruas ou pistas contínuas no perímetro urbano. Verbi gratia, no Estado de Minas Gerais foi promulgada em 26 de dezembro de 1975 a Lei nº 6.763, que disciplinou o Ordenamento Jurídico-Tributário. Em seu Artigo nº 39 dispõe: “Os livros e documentos fiscais relativos ao imposto serão definidos em regulamento, que também disporá sobre todas as exigências formais e operacionais a eles relacionadas. § 1º – A movimentação de bens ou mercadorias e a prestação de serviços de transporte e comunicação serão obrigatoriamente acobertadas por documento fiscal, na forma definida em regulamento”. No Artigo nº 42: “Dar-se-á a apreensão de mercadorias quando: I – transportadas ou encontradas sem os documentos fiscais; II – acobertadas por documentação fiscal falsa ou inidônea; III – transportadas ou encontradas com documento fiscal que indique remetente ou destinatário que não estejam no exercício regular de suas atividades”. O Artigo nº 49 preceitua: “A fiscalização do imposto compete à Secretaria de Estado de Fazenda, observado o disposto no art. 201 desta Lei. § 1º – Para os efeitos da fiscalização do imposto, é considerada como subsidiária à legislação tributária federal. § 2º – Aplicam-se subsidiariamente aos contribuintes do ICMS as presunções de omissão de receita existentes na legislação de regência dos tributos federais. O Artigo nº 50 é elucidativo: “São de exibição obrigatória ao Fisco: I – mercadorias e bens; § 2º – O condu- Abril de 2006 tor de bens e mercadorias, qualquer que seja o meio de transporte, exibirá, obrigatoriamente, em posto de fiscalização por onde passar, independentemente de interpelação, ou à fiscalização volante, quando interpelado, a documentação fiscal respectiva para a conferência” ( negrito e grifo do redator ). O também Artigo nº 201 bem define o Poder de Policia Administrativa da Fiscalização: ”A fiscalização tributária compete à Secretaria de Estado de Fazenda, por intermédio dos seus funcionários fiscais e, supletivamente, em relação às taxas judiciárias, à autoridade judiciária expressamente nomeada em lei. § 1º – Compete exclusivamente aos Agentes Fiscais de Tributos Estaduais e aos Fiscais de Tributos Estaduais o exercício das atividades de fiscalização e de lançamento do crédito tributário.”. O Artigo 202 concede o direito de requisição da força policial no exercício de suas atividades: “Os funcionários fiscais requisitarão o concurso da Polícia Militar ou Civil, quando vítimas de desacato comprovado no exercício de suas funções, ou quando necessário à efetivação de medida prevista na legislação tributária, desde que se configure fato definido em lei como crime ou contravenção”. As Leis Tributárias de outros entes da Federação de igual maneira também assim o dispõe para resguardar o Erário Público contra atos praticados em seu detrimento. Feitas as exposições de motivos acima explicitadas, resta o questionamento: como se processa ou processará uma fiscalização no trânsito de mercadorias e nos Postos Fiscais? Há um conflito aparente de normas. De um lado o arcabouço da legislação tributária em sentido amplo e de outro o Código de Trânsito Brasileiro, a lei nº 9.503/97, no tocante a dois aspectos a saber: a velocidade acima do estabelecido por Departamentos de Trânsito Federal, Estaduais, Distrital e Municipais e o estacionamento em locais sinalizados por placas sinalizadoras proibitivas de estacionar dentro dos Municípios e em rodovias estaduais e federais. Várias atividades se chocam com o estatuído no CTB. O transporte de carga de valores, veículos oficiais das forças armadas, veículos da própria Polícia Federal, ambulâncias, veículos utilizados pelas Polícias Militares e Bombeiros Militares para o transporte de Comandantes, dentre os principais. E os veículos utilizados pelas Fiscalizações Tributárias dos entes federados estariam sujeitos a tais impedimentos no exercício regular de direito? Suas atividades seriam tolhidas por norma conflitante e impeditiva do exercício de suas atribuições legais? Lógico que não! No empréstimo de norma do Código Penal, Decreto-Lei nº 2.848/40, no seu Artigo nº 23 que tem a “Excludente de Ilicitude: Não há crime quando o agente pratica o fato: III – em estrito cumprimento do dever Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS legal ou no exercício regular de direito. Parágrafo único: O agente em qualquer das hipóteses deste artigo, responde pelo excesso doloso ou culposo”. Alguns dispositivos do CTB devem ser transcritos para elucidarem o tema. “Art. 19. Compete ao órgão máximo executivo de trânsito da União: XXVIII – estudar os casos omissos na legislação de trânsito e submetê-los, com proposta de solução, ( g.r. ) ao Ministério ou órgão coordenador máximo do Sistema Nacional de Trânsito; Art. 22. Compete aos órgãos ou entidades executivos de trânsito dos Estados e do Distrito Federal, no âmbito de sua circunscrição: IV – estabelecer, em conjunto com as Polícias Militares, as diretrizes para o policiamento ostensivo de trânsito; V – executar a fiscalização de trânsito, autuar e aplicar as medidas administrativas cabíveis pelas infrações previstas neste Código, excetuadas aquelas relacionadas nos incisos VI e VIII do art. 24, no exercício regular do Poder de Polícia de Trânsito ( g.r. ); VI – aplicar as penalidades por infrações previstas neste Código, com exceção daquelas relacionadas nos incisos VII e VIII do art. 24, notificando os infratores e arrecadando as multas que aplicar; Art. 23. Compete às Polícias Militares dos Estados e do Distrito Federal: III – executar a fiscalização de trânsito, quando e conforme convênio firmado, como agente do órgão ou entidade executivos de trânsito ou executivos rodoviários, concomitantemente com os demais agentes credenciados; Art. 24. Compete aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição: II – planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas; V – estabelecer, em conjunto com os órgãos de polícia ostensiva de trânsito, as diretrizes para o policiamento ostensivo de trânsito ( g.r ); VI – executar a fiscalização de trânsito, autuar e aplicar as medidas administrativas cabíveis, por infrações de circulação, estacionamento e parada previstas neste Código, no exercício regular do Poder de Polícia de Trânsito; VII – aplicar as penalidades de advertência por escrito e multa, por infrações de circulação, estacionamento e parada previstas neste Código, notificando os infratores e arrecadando as multas que aplicar ( g.r. ); VIII – fiscalizar, autuar e aplicar as penalidades e medidas administrativas cabíveis relativas a infrações por excesso de peso, dimensões e lotação dos veículos, bem como notificar e arrecadar as multas que aplicar; Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas: VII – os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, os de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as ambulâncias, além de prioridade de trânsito, gozam Quinta-feira 13 18955 de livre circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação vermelha intermitente, observadas as seguintes disposições: c) o uso de dispositivos de alarme sonoro e de iluminação vermelha intermitente só poderá ocorrer quando da efetiva prestação de serviço de urgência; VIII – os veículos prestadores de serviços de utilidade pública, quando em atendimento na via, gozam de livre parada e estacionamento no local da prestação de serviço, desde que devidamente sinalizados, devendo estar identificados na forma estabelecida pelo CONTRAN ( g.r. ); Art. 61. A velocidade máxima permitida para a via será indicada por meio de sinalização, obedecidas suas características técnicas e as condições de trânsito. § 1º Onde não existir sinalização regulamentadora, a velocidade máxima será de: I – nas vias urbanas: a) oitenta quilômetros por hora, nas vias de trânsito rápido: b) sessenta quilômetros por hora, nas vias arteriais; c) quarenta quilômetros por hora, nas vias coletoras; d) trinta quilômetros por hora, nas vias locais; II – nas vias rurais: a) nas rodovias: 1) 110 (cento e dez) quilômetros por hora para automóveis, camionetas e motocicletas; 2) noventa quilômetros por hora, para ônibus e microônibus; 3) oitenta quilômetros por hora, para os demais veículos; b) nas estradas, sessenta quilômetros por hora. § 2º O órgão ou entidade de trânsito ou rodoviário com circunscrição sobre a via poderá regulamentar, por meio de sinalização, velocidades superiores ou inferiores àquelas estabelecidas no parágrafo anterior. Art. 72. Todo cidadão ou entidade civil tem o direito de solicitar, por escrito, aos órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito, sinalização, fiscalização e implantação de equipamentos de segurança, bem como sugerir alterações em normas, legislação e outros assuntos pertinentes a este Código. Art. 90. Não serão aplicadas as sanções previstas neste Código por inobservância à sinalização quando esta for insuficiente ou incorreta ( g.r. ). Art. 96. Os veículos classificam-se em: III – quanto à categoria: a) oficial; AGENTE DA AUTORIDADE DE TRÂNSITO – pessoa, civil ou policial militar, credenciada pela autoridade de trânsito para o exercício da FISCALIZAÇÃO ( g.r. ) – ato de controlar o cumprimento das normas estabelecidas na legislação de trânsito, por meio do poder de polícia administrativa de trânsito ( g.r. ), no âmbito de circunscrição dos órgãos e entidades executivos de trânsito e de acordo com as competências definidas neste Código, as atividades de fiscalização, operação, policiamento ostensivo de trânsito ou patrulhamento.” A Resolução do CONTRAN nº 23 de 21 de maio de 1998 trata dos Radares de Trânsito que em seu Artigo 3º dispõe: “A autoridade de trânsito com 18956 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS circunscrição sobre a via disporá sobre a instalação e operação dos instrumentos”. Em relação a placas de veículos oficiais a Resolução do CONTRAN nº 45 também de 21 de maio de 1998 estabeleceu o Sistema de Placas de Identificação de Veículos, mas não especificou ou tratou tanto da cor de fundo quanto da cor de letras e números que nela são estampados, meramente tratando que os veículos oficiais deverão conter, gravados, nas tarjetas ou, em espaço correspondente, na própria placa, se for pertencente a União conterá “BRASIL”, as unidades federadas o nome da unidade e dos Municípios a sigla da unidade federada e nome do Município. As placas de todos os veículos oficiais pelo que se depara, são de fundo branco e com letras e números em cor negra. Já os de autoridades de Patente ou de Primeiro Escalão Governamental têm seus placas definidas no próprio CBT e na Resolução do CONTRAN nº 94 de 14 de julho de 1999. Cumpre afirmar que o Artigo nº 29 em seu inciso VII quando fala de “Polícia”, foi genérico, não específico, ou seja, tanto as Polícias Institucionais quanto as Administrativas, como a Fiscalização Tributária, e “Urgência”, o que é típico da Fiscalização Tributária Ostensiva no Trânsito de Mercadorias e a PreventivaOstensiva nos Postos de Fiscalização Tributária ( g.r. ). Exige também a presença nos veículos oficiais de “Giroflex” na cor vermelha, não se apercebendo que nos veículos da Polícia Judiciária Federal eles o são na cor “Amarela”, idêntica a da Fiscalização Tributária do Estado de Minas Gerais, v.g., e, na própria Polícia Militar Mineira as cores são mescladas, em “Azul e Vermelho” e em determinadas Ambulâncias a cor é “Azul”. Existe a falha gritante não terem tomado ainda, providências devidas presentes no Artigo nº 19 inciso XXVIII já especificado acima. O que se utiliza não é meramente uma única cor, monocromática vermelha, amarela ou azul, mas de um leque variado de cores mescladas como vermelho com azul, branca com azul, azul branca e vermelha, dentre tantas outras, demonstrando a utilização da forma policromática, não havendo uniformidade de padrão a ser seguido. O Brasil é um País continental. O Fiscal Tributário não pode estar à mercê de alterações administrativas ou de Agentes Políticos, que se revezam no Poder Executivo, ao menos no presente, de 4 (quatro) em 4 ( quatro) anos (dependendo do direito à reeleição) no tocante aos dois pontos já destacados: o estacionamento em locais proibidos e a velocidade acima do limite pré-estabelecido por convenção, nem sempre espelhando as realidades regionais e circunstanciais. A Fiscalização Tributária é imprescindível para a manutenção da máquina pública, cuidando ela da verificação correta do pagamento Abril de 2006 dos Tributos estatuídos por leis definidoras acima citadas. Dentro da Ordenação Tributária a Fiscalização verifica a sonegação de Impostos e a evasão de divisas em suas variantes. No Trânsito de Mercadorias é comum se deparar com veículos suspeitos que, ao serem interceptados, se lançam em fuga para evitar o pagamento do imposto devido o mesmo ocorrendo nos Postos Fiscais. Os veículos oficiais utilizados não podem e não devem, por uma imposição sob ótica de evitar acidentes de trânsito, não perseguirem o evadido pois esta é a atividade fim da Fiscalização. Conseguindo deter o suposto sonegador, onde estacionar? No local mais próximo possível para a verificação da irregularidade ou da regularidade da operação. É de bom alvitre atentar para três premissas básicas para tais atitudes por parte da Fiscalização: a razoabilidade, a proporcionalidade e a plausibilidade. Não se entra ou perpetra definições de palavras, mas no bom senso da autoridade verificadora da ilicitude administrativa, podendo e dependendo das circunstâncias do fato, tratar-se não de um mero sonegador de impostos, mas criminosos, quadrilha de roubo de cargas, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins inclusive com risco de vida para o Fiscal ou para a equipe Fiscalizadora. Por velocidade acima do permitido não se admite o excesso, por exemplo, um limite de 80 Km por hora e a Autoridade perfaz 180 Km por hora. Nesse exemplo fictício não foi razoável, nem plausível muito menos proporcional. Em termos, se o limite é 80 Km por hora e a velocidade é de 110 Km por hora preenche os requisitos básicos, não podendo se falar em excesso. Por estacionamento em local proibido se admite quando outro não for o mais razoável, por exemplo, estacionar em uma rua urbana onde o estacionamento é pago ou, em uma rodovia seja ela Federal, Estadual, Distrital ou Municipal, administrada diretamente ou por concessão, em um acostamento de pista retilínea e de fácil visibilidade. Não se admitiria e seria excesso punível em um centro urbano estacionar-se na contra-mão de direção, na vaga de uma ambulância que está para estacionar ou, em uma rodovia, estacionar em uma curva sem visibilidade ou no meio de uma pista. As Fiscalizações Tributárias, em todas as esferas governamentais, não trabalham como a iniciativa privada, com Carteira de Trabalho e regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT e sujeitos à jurisdição da Justiça do Trabalho, mas antes, são Funcionários Públicos aprovados em concurso, titulares de Carteira Nacional de Habilitação e Autorização Especial para conduzirem Veículos Oficiais, sujeitos quando da presença do Dolo ou da Culpa ou de ambos, à jurisdição das Justiças Federais ou Estaduais. Seu contrato é Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS um Contrato de Adesão, trabalham mediante Ordem de Serviço previamente estabelecida para a atividade desempenhada com a descrição dos serviços a serem realizados. Não podem os Agentes Tributários exercer outra atividade, salvo uma de professor e mesmo assim com compatibilidade de horário. Sua dedicação é exclusiva, exercem Carreira Típica do Estado nos termos da Constituição Republicana de 1988. Os Entes Públicos Federados que constituem o sistema de Polícia Administrativa ou Polícia propriamente dita não podem e não devem autuar-se uns aos outros e vice-versa. Seria um verdadeiro caos administrativo. Apesar da norma do CTB ser imperativa, os Agentes a ela vinculados não podem ter o condão da competência residual lhes fornecer o direito de irem contra normas de hierarquia superior. V.g., um Agente Municipal de Trânsito Autuando um Veículo Oficial de uma Secretaria de Estado da Fazenda, Receita Federal ou das Polícias Judiciárias Estaduais, Distritais e Federais ( muitos desse veículos não dispõe do citado giroflex ) ”em excesso de velocidade” ( quando na verdade as velocidades são estipuladas por razões não muito bem explicadas e de forma mais política, que técnica e racional), ou por estacionarem em local proibido, quando a necessidade do serviço exige tal atitude. Radares eletrônicos são outro exemplo de descompasso dos Órgãos responsáveis pela sua instalação e dos que estipulam os limites de velocidade para determinado local, não existindo legislação terminativa sobre o assunto, tanto que Tribunais de Justiça Estaduais e Distritais têm cancelado multas por excesso de velocidade aos milhares, bastando para tanto verificar decisões do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, só para ilustrar. Finalizando, nestes dois aspectos não há que se falar em Autuações ou Multas de Trânsito, somente o excesso inescusável, infungível, que foge ao razoável, ao plausível e ao proporcional deve ser punido. Sala das Sessões, 29 de março de 2006. – Deputado Mauro Benevides, PMDB/CE. PROJETO DE LEI Nº 6.830, DE 2006 (Do Sr. Orlando Fantazzini) Define condutas que constituem crimes de violação do direito internacional humanitário, estabelece normas para a cooperação judiciária com o Tribunal Penal Internacional e dá outras providências. Despacho: Às Comissões de: Direitos Humanos e Minorias; Relações Exteriores e de Defesa Nacional e Constituição e Justiça e de Cidadania (Mérito e Art. 54, RICD) Quinta-feira 13 18957 Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação do Plenário O Congresso Nacional decreta: Das Disposições Gerais Art. 1º. A presente lei define o que configura violação do direito internacional humanitário e infrações conexas e estabelece diretrizes para a cooperação judiciária com o Tribunal Penal Internacional. Art. 2º. Para os efeitos da presente lei, considera-se conflito armado de caráter internacional aquele que: I – Ocorre entre Estados, mesmo sem uma declaração formal de guerra, ainda que o estado de guerra não seja reconhecido por um deles; II – Corresponde a uma situação de ocupação total ou parcial do território de um Estado, mesmo que essa ocupação não encontre qualquer resistência militar; III – Está inserido numa situação em que os povos lutam contra a dominação ou ocupação estrangeira e no exercício do direito à autodeterminação e soberania consagrado na Carta das Nações Unidas e na Constituição da República Federativa do Brasil. Art. 3º. O disposto na presente lei não prejudica a aplicação do Código Penal Militar quando os crimes forem militares ou tiverem conexão com os interesses militares da defesa do Estado Brasileiro. Art. 4º. Aos crimes previstos nesta lei são aplicáveis subsidiariamente as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal brasileiros. Art. 5º. Esta lei se aplica aos crimes cometidos em território nacional ou, embora cometidos no estrangeiro, o agente seja brasileiro ou, sendo de outra nacionalidade ou apátrida, ingresse em território sob jurisdição brasileira e não possa ser extraditado ou ainda que tenha sido decidido pela sua não entrega ao Tribunal Penal Internacional. Parágrafo único. Se o agente for estrangeiro e o crime tiver sido cometido fora do território nacional, a opção pela extradição dependerá de efetiva disposição de julgamento pelo Estado requerente. Art. 6º. Salvo o disposto no Código Penal Militar, o chefe militar ou a pessoa que atue como tal será punido com a pena correspondente ao crime ou crimes previstos nesta lei, cometidos por forças que estejam sob o seu comando ou controle efetivo ou ainda por não adotar todas as medidas necessárias e adequadas para prevenir ou reprimir essa prática. Art. 7º. Os crimes previstos nesta lei atentam contra interesses da União, sendo da competência da 18958 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Justiça Federal ou da Justiça Militar da União, quando for o caso. Art. 8º. Os crimes de que trata esta lei não serão considerados crimes políticos para efeito de extradição. Art. 9º. O procedimento criminal e as penas impostas pelos crimes previstos nesta lei são imprescritíveis. Dos crimes de Genocídio e Contra a Humanidade Genocídio Art. 10. Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, praticar: a) homicídio de membros do grupo; b) ofensa à integridade física grave de membros do grupo; c) sujeição do grupo a condições de existência ou a tratamentos cruéis, degradantes ou desumanos, suscetíveis de virem a provocar a sua destruição, total ou parcial; d) transferência forçada de crianças; e) imposição de medidas destinadas a impedir a procriação ou os nascimentos no grupo. Pena – reclusão de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. § 1º. Quem, pública e diretamente, incitar o genocídio: Pena – reclusão de 5 (cinco) a 12 (doze) anos. § 2º A pena é aumentada de um a dois terços, quando: a) o crime for cometido por autoridade ou agente público; b) o crime for cometido mediante concurso de pessoas. Crimes contra a humanidade Art. 11 Quem, no quadro de um ataque generalizado ou sistemático contra qualquer população civil, praticar: a) homicídio; b) escravidão, nos termos do artigo 149 do Código Penal Brasileiro; c) deportação ou transferência forçada de uma população, entendidas como a deslocação ilícita de uma ou mais pessoas para outro Estado ou local através da sua expulsão ou outro ato coercivo; d) prisão ou qualquer outra forma grave de privação da liberdade física de uma pessoa, em violação às normas ou aos princípios do direito internacional; e) tortura, entendida como o ato que consiste em infligir dor ou sofrimento, físico ou psicológico, grave, a pessoa privada da liberdade ou sob o controle do agente público; Abril de 2006 f) uso da força, ameaça de força ou outra forma de coação, ou aproveitar uma situação de vulnerabilidade ou incapacidade de autodeterminação da vítima. g) constrangimento de alguém, direta ou indiretamente, mediante violência ou grave ameaça à conjunção carnal ou praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal ou alguma forma de prostituição, com o fim de obter qualquer tipo de vantagem. h) perseguição, entendida como a privação do gozo de direitos fundamentais, em violação do direito internacional, a um grupo ou coletividade que possa ser identificado por motivos políticos, raciais, nacionais, étnicos, culturais, religiosos, de sexo ou em função de outros critérios universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito internacional; i) quaisquer atos próprios do direito de propriedade sobre determinada pessoa, tais como comprar, vender, emprestar ou dar em troca, ou quaisquer outros atos que a reduza à condição análoga à de escravo, praticando ou permitindo que com ele se pratique ato de natureza sexual. j) provocar gravidez, mediante violência, grave ameaça, ou qualquer outra forma de coação, contra a vítima ou terceira pessoa, com o fim de modificar ou comprometer a unidade étnica de um grupo ou de cometer outras violações graves do direito internacional. l) desaparecimento forçado de pessoas, entendido como a detenção, a prisão ou o seqüestro promovido por um Estado ou organização política, ou com a sua autorização, apoio ou concordância, seguidos de recusa a reconhecer tal estado de privação de liberdade ou a prestar qualquer informação sobre a situação ou localização dessas pessoas, com o propósito de lhes negar a proteção da lei por um longo período de tempo; m) apartheid, entendido como qualquer ato desumano praticado no contexto de um regime institucionalizado de opressão e domínio sistemático de um grupo racial sobre outro ou outros, com a intenção de manter esse regime. Pena: reclusão de 8 (oito) a 30 (trinta) anos Parágrafo único. Para os efeitos desse título, aumenta-se a pena de um a dois terços, quando: a) o crime for cometido por autoridade ou agente público; b) o crime for cometido mediante concurso de pessoas; Dos Crimes de Guerra Crimes de guerra contra pessoas Art. 12. Quem, no quadro de um conflito armado de caráter internacional ou conflito armado de caráter Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS não internacional, contra pessoa protegida pelo direito internacional humanitário, praticar: a) homicídio; b) tortura ou tratamentos cruéis, degradantes ou desumanos; c) atos que causem grande sofrimento ou ofensas graves à integridade física ou à saúde; d) homicídio ou ferimentos infligidos a um combatente que tenha deposto armas ou que, não tendo meios para se defender, se tenha incondicionalmente rendido ou por qualquer modo colocado fora de combate; e) tomada de reféns; f) os atos descritos como violação grave nas Convenções de Genebra, ratificadas pelo Brasil; g) recrutamento ou alistamento de crianças em forças armadas, forças militares ou paramilitares de um Estado, ou em grupos armados distintos das forças armadas, forças militares ou paramilitares de um Estado, ou sua utilização para participar em hostilidades; h) deportação ou transferência, ou a privação ilegal de liberdade; i) condenação e execução de sentença, sem prévio julgamento justo e imparcial; j) atos que ultrajem a dignidade da pessoa, em particular por meio de tratamentos humilhantes e degradantes. Pena – reclusão de 8 (oito) a 25 (vinte e cinco) anos. Crimes de guerra por utilização de métodos de guerra proibidos Art. 13. Quem, no quadro de um conflito armado de caráter internacional ou conflito armado de caráter não internacional: a) atacar a população civil em geral ou civis que não participem diretamente nas hostilidades; b) atacar bens civis, ou seja, bens que não sejam objetivos militares; c) atacar, por qualquer meio, aglomerados populacionais, habitações ou edifícios que não estejam defendidos e que não sejam objetivos militares; d) lançar um ataque indiscriminado que atinja a população civil ou bens de caráter civil, sabendo que esse ataque causará perdas de vidas humanas, ferimentos em pessoas civis ou danos em bens de caráter civil, que sejam excessivos; e) aproveitar a presença de civis ou de outras pessoas protegidas para evitar que determinados pontos, zonas ou forças militares sejam alvo de operações militares; f) Provocar deliberadamente a inanição da população civil como método de fazer a guerra, privando-a dos bens indispensáveis à sua sobrevivência, nome- Quinta-feira 13 18959 adamente impedindo o envio de socorros, tal como previsto nas Convenções de Genebra; g) declarar ou ameaçar, na qualidade de oficial, que não será dado abrigo; h) matar ou ferir à traição combatentes inimigos; i) lançar um ataque, podendo saber que o mesmo causará prejuízos extensos, duradouros e graves no meio ambiente, que se revelem claramente excessivos em relação à vantagem militar global concreta e direta que se previa; j) cometer perfídia, entendida como o ato de matar, ferir ou capturar, que apele, com intenção de enganar, à boa-fé de um adversário para lhe fazer crer que tem o direito de receber, ou a obrigação de assegurar a proteção prevista pelas regras do direito internacional humanitário. Pena – reclusão de 8 (oito) a 25 (vinte e cinco) anos. Crimes de guerra por utilização de meios de guerra proibidos Art. 14. Quem, no quadro de conflito armado de caráter internacional ou de conflito armado de caráter não internacional, empregar armas, projéteis, materiais e métodos de combate que, pela sua própria natureza, causem ferimentos supérfluos ou sofrimentos desnecessários ou que provoquem efeitos indiscriminados, em violação do direito internacional aplicável aos conflitos armados. Pena– reclusão de 8 (oito) a 20 (vinte) anos. Crimes de guerra contra bens protegidos por insígnias ou emblemas distintivos Art. 15. Quem, no quadro de um conflito armado de caráter internacional ou conflito armado de caráter não internacional, atacar: a) pessoal, instalações, material, unidades ou veículos que participem numa missão de manutenção da paz ou de assistência humanitária, de acordo com a Carta das Nações Unidas, sempre que estes tenham direito à proteção conferida pelo direito internacional humanitário aos civis ou aos bens civis; b) edifícios, instalações, material, unidades ou veículos, devidamente assinalados com os emblemas distintivos das Convenções de Genebra ou o pessoal habilitado a usar os mesmos emblemas. Pena– reclusão de 8 (oito) a 20 (vinte) anos. Utilização indevida de insígnias ou emblemas distintivos Art. 16. Quem, no quadro de um conflito armado internacional ou de um conflito armado de caráter não internacional, com perfídia, utilizar indevidamen- 18960 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS te uma bandeira de tréguas, a bandeira nacional, as insígnias militares ou o uniforme do inimigo ou das Nações Unidas, assim como os emblemas distintivos das Convenções de Genebra, causando deste modo a morte ou ferimentos graves. Pena– reclusão de 8 (oito) a 30 (trinta) anos. Crimes de guerra contra a propriedade Art. 17. Quem, no quadro de um conflito armado internacional ou no quadro de um conflito armado de caráter não internacional: a – subtrair, destruir ou danificar bens patrimoniais em larga escala ou de grande valor, sem necessidade militar ou de forma ilegal e arbitrária; b – atacar, destruir ou danificar edifícios consagrados ao culto religioso, à educação, às artes, às ciências ou à beneficência, monumentos culturais ou históricos, sítios arqueológicos, hospitais e lugares onde se agrupem doentes e feridos, sempre que não se trate de objetivos militares; c – saquear uma cidade ou uma localidade, mesmo quando tomada de assalto. Pena – reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos. Crimes de guerra contra outros direitos Art. 18. Quem, no quadro de um conflito armado internacional ou no quadro de um conflito armado de caráter não internacional, declarar abolidos, suspensos ou não admissíveis em tribunal quaisquer direitos e procedimentos dos nacionais da parte inimiga. Pena – reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos. Incitamento à guerra Art. 19. Quem, pública e repetidamente, incitar ao ódio contra um povo com intenção de desencadear uma guerra. Pena – reclusão de 1 (um) a 5 (cinco) anos. Disposições gerais Art. 20. Consideram-se crimes de guerra os praticados em tempo de conflito armado ou, após cessadas as hostilidades, enquanto a vítima continuar sob o domínio da parte beligerante. Art. 21. A necessidade militar não exclui a responsabilidade penal. Art. 22. Considera-se conflito armado internacional os casos: I – de guerra declarada ou de qualquer outro conflito armado que possa surgir entre dois ou mais Estados, ainda que o estado de guerra não seja reconhecido por um deles; Abril de 2006 II – de ocupação total ou parcial do território de um Estado, mesmo que essa ocupação não encontre qualquer resistência militar; III – em que os povos lutam contra a dominação colonial, a ocupação estrangeira e contra os regimes de segregação, no exercício do direito dos povos à autodeterminação, consagrado na Carta das Nações Unidas e na Declaração relativa aos princípios do direito internacional no que diz respeito às relações amigáveis e à cooperação entre os Estados. Art. 23. Considera-se conflito armado não-internacional todos os conflitos armados que não estejam cobertos pelo artigo precedente e que se desenrolem em território de um Estado, entre suas forças armadas e as forças armadas dissidentes, ou grupos armados organizados que, sob chefia de um comandante responsável, exerçam sobre uma parte de seu território um controle tal que lhes permita levar a cabo operações militares contínuas e concertadas. § 1º.Também considera-se conflito armado nãointernacional outras graves perturbações da ordem interna em que haja emprego duradouro de forças militares. § 2º. O presente artigo não se aplica às situações de tensão e perturbações internas, tais como motins, atos de violência isolados e esporádicos e outros atos análogos, que não são considerados conflitos armados propriamente ditos. Da Cooperação com o Tribunal Penal Internacional Art. 24. Para os fins desta lei, a cooperação da República Federativa do Brasil com o Tribunal Penal Internacional envolverá todos os atos necessários para a investigação, persecução, julgamento e aplicação de penas referentes aos crimes sob jurisdição do Tribunal Penal Internacional. Art. 25. As autoridades incumbidas de prestar a cooperação preservarão o sigilo na sua execução, quando necessário, bem como garantirão a segurança e a integridade física e psicológica dos investigados, das vítimas, das possíveis testemunhas e de seus familiares. Art. 26. A cooperação em hipótese alguma poderá ser negada sob o fundamento de inexistência de procedimentos internos que regulamentem a execução da medida solicitada. Art. 27. As autoridades brasileiras, verificando que o pedido de prisão e entrega atende aos requisitos do art. 91 do Estatuto de Roma, farão expedir o mandado de prisão. Art. 28. A execução em território nacional de pena privativa de liberdade, proferida pelo Tribunal Penal Internacional, dependerá de celebração de acordo com Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS a República Federativa do Brasil, e será cumprida em estabelecimento prisional federal. Justificação O Brasil está em débito com a comunidade internacional porque até hoje não participa integralmente da jurisdição do Tribunal Penal Internacional (TPI). Apesar da ratificação do Estatuto de Roma, ocorrida em 2002, o governo brasileiro deveria também já ter adaptado sua legislação interna à jurisdição internacional. Enquanto isso não acontecer, não há participação efetiva no TPI, o que se traduz em grande retrocesso, uma vez que essa Corte é uma das principais conquistas da humanidade. A Emenda Constitucional nº 45, recentemente aprovada, reafirmou a urgência desse mecanismo internacional. Nesse sentido é que propomos a presente regulamentação das normas internas necessárias para o processamento da jurisdição do TPI, a exemplo de vários países que já as regulamentaram como Portugal, Bélgica, Alemanha, etc. Na Emenda Constitucional (EC) nº 45, de 08 de dezembro de 2004, mais uma vez o Congresso Nacional assinalou a urgência em regulamentar a questão. No art. 5º inseriu parágrafo 4º com a seguinte disposição: “O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão”. Então, se antes restava alguma dúvida jurídica em relação à constitucionalidade do TPI, agora, após a EC nº45/2004, tudo está pacificado. Aderimos ao TPI como menciona expressamente a Constituição Federal, mas precisamos, urgentemente, regulamentar a legislação interna, pois, sem ela, não há eficácia plena do dispositivo constitucional. Trata-se de questão que alarga o comprometimento com os direitos humanos pois o TPI tem jurisdição sobre determinados crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, quando esses tiverem ocorrido após a entrada em vigor do Estatuto. Sua jurisdição tem, portanto, caráter excepcional e complementar à dos Estados, o que significa que somente será exercida quando ocorrer incapacidade ou falta de disposição do sistema penal nacional para punir os criminosos. Para a aprovação deste projeto de lei, para cuja elaboração considerou-se a legislação comparada de outros países, contamos com o apoio dos nobres pares. Sala das Sessões, 29 de março de 2006. – Orlando Fantazzini, Deputado Federal. Quinta-feira 13 18961 PROJETO DE LEI Nº 6.833, DE 2006 (Da Sra. Dra. Clair e outros) Dispõe Sobre as Condições de Trabalho de Motoristas, Fiscais e Cobradores do Transporte Coletivo Público de Passageiros Urbano, Semi-urbano e Metropolitano. Despacho: Apense-se À(Ao) Pl1113/1988. Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação do Plenário Publicação Inicial Art. 137, caput – RICD O Congresso Nacional decreta: Art. 1º A duração da jornada de trabalho dos motoristas, fiscais e dos cobradores do transporte coletivo público de passageiros urbano, semi-urbano e metropolitano é de 6 (seis) horas diárias. § 1º O transporte coletivo público de passageiros urbano é o que trafega dentro do perímetro de um mesmo Município. § 2º O transporte coletivo público de passageiros semi-urbano é aquele que transpõe os limites de um Município, podendo ainda ultrapassar os limites do Estado ou do Distrito Federal, com freqüentes paradas. § 3º O transporte coletivo público de passageiros metropolitano é o que trafega entre a capital e outros Municípios da região Metropolitana ou entre estes Municípios que circundam a capital, com freqüentes paradas. Art. 2º A jornada será computada desde o horário de chegada do motorista, fiscal e do cobrador no local de trabalho. Art. 3º A remuneração do trabalho, cuja duração ultrapassar os limites definidos no art. 1º desta Lei, será 100% (cem por cento) maior que a normal. Art. 4º É proibida a ampliação do intervalo intrajornada para descansos e refeições. Art. 5º É vedado ao empregador incumbir o motorista de atividade que não seja inerente à sua função. Art. 6º No transporte coletivo público de passageiros urbano, semi-urbano e metropolitano deverá haver uma tripulação mínima de um motorista e um cobrador em cada veículo. Art. 7º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Justificação Como se sabe, o motorista profissional exerce função indispensável ao bom funcionamento da sociedade. Não há sequer um setor da economia ou atividade humana que possa dispensar a função do motorista profissional. 18962 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nosso direito do trabalho, apesar de proteger o empregado, termina por desestimular a geração de emprego. É o que ocorre com a jornada de trabalho e, em especial, com a contratação de horas extras. Hoje, a nova forma de estruturação produtiva exige muito mais de cada trabalhador. Acreditamos que a redução da jornada de trabalho está em conformidade com a tendência mundial e terá efeito benéfico não só para os trabalhadores em atividade como reduzirá a tendência crescente ao desemprego, possibilitando o reingresso à sociedade e ao mercado de milhões de trabalhadores. Frise-se, ainda, que essa é uma das reivindicações históricas da categoria, que destaca dentre seus argumentos a necessidade do aumento do nível de emprego e a melhoria das condições de trabalho. A partir da década de 90 essa discussão passou a ser associada à reestruturação produtiva, que já estava em curso desde os anos 80. O ambiente de trabalho melhorará de maneira substancial trazendo reflexos positivos para a produtividade e qualidade. Outro ponto importante é o quão penosa é a atividade de motorista. Estudos da área de saúde do trabalhador qualificam o trabalho penoso como aquele que causa sofrimento e esforço físico. Para outros, seria a causa de sofrimento e esforço mentais e/ou físicos. Para o enquadramento do trabalhador em transporte em atividade penosa, basta o conhecimento do que dizem aqueles que trabalham no setor e vivem as dificuldades da profissão. Não há conhecimento técnico que substitua a vivência do trabalhador. Não podemos nos furtar de enfrentar a questão da dupla função, que vem crescendo em larga escala, sendo, inclusive, motivo de grandes preocupações da categoria. A introdução no sistema de transporte de veículos com capacidade de transportar de 16 a 36 pessoas fez com que os motoristas, além de dirigir, tivessem que cobrar as passagens através de vale transporte, liberação da catraca com o bilhete eletrônico, ou o recebimento em espécie, que é mais grave, vez que pressupõe o recebimento, a conferência do dinheiro recebido e a devolução de troco. Essa situação tem provocado graves riscos à segurança do trânsito, devido à quase inevitável ocorrência de acidentes, com grandes danos à integridade física e à saúde dos trabalhadores e dos passageiros por eles transportados. Abril de 2006 O Ministério do Trabalho e Emprego considerou como ambiente de trabalho o veículo em que trabalha, devendo aplicar-se sobre os mesmos as normas de saúde e segurança, estabelecendo, ainda, como imprescindível a presença de um segundo homem além do motorista. Com o presente projeto, pretendemos sanar essa falha de nossa legislação trabalhista. Contamos com sua aprovação. Sala das Sessões, 30 de março de 2006. – Deputada Dra. Clair Deputado Babá, PT/PR PSOL/RJ, Deputado Sérgio Miranda Deputado Ivo José, PDT/ MG PT/MG, Deputada Maria José Maninha. PROJETO DE LEI Nº 6.834, DE 2006 (Do Sr. Betinho Rosado) Acrescenta parágrafo único ao art. 13 da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, estabelecendo que o fornecimento e a instalação dos equipamentos de medição associados à tarifação do serviço prestado correrão às expensas da concessionária. Despacho: Às Comissões de: Trabalho, de Administração e Serviço Público e Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD) Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva Pelas Comissões – Art. 24 II O Congresso Nacional decreta: Art. 1o O art. 13 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 13. ................................................ Parágrafo único. Os equipamentos de medição associados à tarifação do serviço serão fornecidos e instalados pela concessionária, às suas expensas. (NR)” Art. 2o Esta lei entra em vigor na data da sua publicação. Justificação O Código de Defesa do Consumidor estabelece, que: “Art. 6º São direitos básicos do consumidor: .............................................................. III – a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; ............................................................. ” Se receber informações adequadas quanto à quantidade, características, composição, qualidade, preço e riscos que apresentam os produtos e serviços recebidos é um direito do consumidor, então prestar tais informações é um dever do fornecedor que, para tanto, deve arcar com os custos associados à obtenção de tais informações. Entretanto, no que se refere à prestação de serviços públicos concedidos, há dúvidas quanto à aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor, especialmente tendo em vista que a Constituição Federal, ao tratar especificamente da prestação dos serviços públicos concedidos, no art. 175, refere-se expressamente ao usuário do serviço público e não ao consumidor do serviço público, in litteris: “Art. 175. Incumbe ao poder público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. Parágrafo único. A lei disporá sobre: I – o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; II – os direitos dos usuários; III – política tarifária; IV – a obrigação de manter serviço adequado.” (Destacamos) E o legislador, na Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, a chamada Lei das Concessões, deixou de definir a responsabilidade pela instalação dos sistemas de medição dos serviços prestados pelas concessionárias de serviço público. Na ausência de determinação legal, em alguns casos, normas infralegais definem que cabe ao usuário o ônus pela implantação dos sistemas de medição dos serviços, invertendo uma atribuição que normalmente deveria recair sobre a concessionária fornecedora do serviço. Um exemplo de regulamento que atribui ao usuário o ônus pela implantação do sistema de medição do serviço é a Resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel no 207, de 9 de janeiro de 2006. O referido regulamento estabelece que, para fazer jus a descontos tarifários criados pelo governo para in- Quinta-feira 13 18963 centivar as atividades de irrigação e aqüicultura, o consumidor de energia elétrica da classe Rural deve arcar com os custos do sistema de medição associado. Tal medida da Aneel não se justifica. Se o objetivo do desconto tarifário estabelecido pelo governo é incentivar o homem do campo a irrigar as lavouras e a desenvolver a atividade de aqüicultura, não se deve criar empecilhos ao seu usufruto, o que ocorre quando se condiciona a concessão do benefício tarifário ao fornecimento e instalação dos equipamentos de medição de energia pelo consumidor. Ressalte-se que, a rigor, a omissão de definição legal sobre a matéria não autoriza tal providência, que, salvo melhor juízo, é ilegal, já que à Administração Pública só é permitido fazer o que está autorizado em Lei. Não obstante, para resolver definitivamente o problema, sanar tal omissão legal e atribuir também aos fornecedores de serviços públicos o ônus de implantar o sistema de medição necessário à tarifação do serviço prestado é que propomos o presente Projeto de Lei e contamos com o apoio dos Nobres Pares para a sua aprovação. Sala das Sessões, de de 2006. – Deputado Betinho Rosado. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 287, DE 2006 (Do Poder Executivo) MENSAGEM Nº 195/2006 Aviso nº 291/2006 – C. Civil Abre crédito extraordinário, em favor do Ministério dos Transportes, no valor de R$361.554.596,00, para os fins que especifica. Pendente de parecer da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização. O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62, combinado com o § 3º do art. 167 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei: Art. 1º Fica aberto crédito extraordinário, em favor do Ministério dos Transportes, no valor de R$361.554.596,00 (trezentos e sessenta e um milhões, quinhentos e cinqüenta e quatro mil, quinhentos e noventa e seis reais), para atender às programações constantes dos Anexos I e II desta Medida Provisória. Art. 2º Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 28 de março de 2006; 185º da Independência e 118º da República. – Luiz Inácio Lula da Silva. 18964 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18965 18966 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18967 18968 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18969 18970 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18971 18972 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18973 18974 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18975 18976 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS EM nº 51/2006-MP Brasilia 28 de marco de 2006 Excelentíssimo Senhor Presidente da República, 1. Dirijo-me a Vossa Excelência para apresentar a Proposta de Medida Ptovisária que abre crédito extraordinário em favor do Ministério dos Transportes – MT, no valor de R$361.554.596,00 (trezentos e sessenta e um milhões, quinhentos e cinqüenta e quatro mil, quinhentos e noventa e seis reais). 2. O crédito em favor do MT,no montante de R$ 199.401.452,00 (cento e noventa e nove milhões, quatrocentos e um mil, quatrocentos e cinqüenta e dois reais), permitirá ao Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes – DNIT atender despesas relativas àrealização de obras de recuperação em rodovias. Permitirá, ainda, a adequação de trechos rodoviários na BR-101 no Estado do Rio Grande do Sul, visando reduzir os danos causados aos usuários. Também serão realizadas desapropriações indispensáveis ao inicio da construção da ferrovia Nova Transnordestina. 3. No caso das Companhias Docas, os recursos no valor de R$162.153.144,00 (cento e sessenta e dois milhões, cento e cinqüenta e três mil, cento e quarenta e quatro reais) permitirão a execução de investimentos dessas empresas, necessários para a ampliação, modernização e revitalização da infra-estrutura dos portos nacionais, inclusive o cumpnmento das metas estabelecidas no Plano de Segurança dos Portos (Implantação do Sistema de Segurança Portuária – ISPS-CODE). 4. Com relação à execução de obras e serviços em rodovias, o crédito possibilitará recuperar os trechos que se encontram em acelerada deterioração, em função do uso das rodovias acima do previsto, das ocorrências adversas que surgem com o tráfego e das condições climáticas atípicas, que têm prejudicado a logística de transporte, provocando o incremento dos custos operacionais e de acidentes, em continuidade aos esforços já despendidos pelo Governo Federal para recuperação das condições de trafegabilidade da malha rodoviária. 5. No tocante à adequação de trechos na BR101/RS, os recursos possibilitarão a desapropriação de áreas que interferem em sua construção e que, se postergadas, podem prejudicar a conclusão das obras consideradas indispensáveis; a aquisição de materiais betuminosos para serem aplicados no pavimento asfáltico; e a supervisão e ao apoio a fiscalização e gerenciamento das obras, visto que o ritmo de execução dos serviços encontra-se bastante acelerado. 6. O sistema de transporte rodoviário é hoje objeto de investimento público e privado, voltado à melhoria da infra-estrutura do País, fator indispensável ao desenvolvimento nacional e à competitividade de nossos Quinta-feira 13 18977 produtos no mercado internacional. Portanto, é por ele que se movimentam os produtos da retomada da economia e o desenvolvimento e a integração regional. 7. Quanto à Nova Transnordestina, essa é uma ferrovia com 1.860 km, que liga os portos de Pecém (CE) e Suape (PE) ao cerrado do Piauí, no Município de Eliseu Martins, cujo objetivo é elevar a competitividade da produção agrícola e mineral da região com uma moderna logística que une uma ferrovia de alto desempenho e portos de profundidade com capacidade para receber navios de grande porte. 8. Diante dos fatos, urge proceder às desapropriaçôes das áreas necessárias àimplantação do novo projeto da Ferrovia, com previsão de inicio em abril de 2006, bem como às providências imprescindíveis à célere realização do empreendimento, que figuram como responsabilidade da União no Protocolo de Intenções, firmado recentemente com os acionistas da Companhia Ferroviária do Nordeste – CFN, concessionária dos serviços de transporte de cargas da Malha Nordeste. A não-realização imediata da construção inibirá os investidores e o desenvolvimento regional. Cabe ressaltar que os recursos ora tratados são suficientes apenas para as desapropriações necessárias e indispensáveis. 9. Os projetos de infra-estrutura portuária estão detalhados, a seguir, pelas empresas responsáveis: a) Companhia Docas do Ceará – CDC – R$454.768,00 destinados à implantação do Sistema indispensável à Segurança Portuária (ISPS-CODE) e à execução de obras necessárias para o aprofundamento do cais comercial e de derrocagem no Porto de Fortaleza, no Estado do Ceara; b) Companhia Docas do Espírito Santo – CODESA – R$20.273.136,00 destinados à implantação do Sistema imprescindível à Segurança Portuária (LSPSCODE) e àexecução de obras imediatas de ampliação da infra-estrutura dos Portos de Vitória e Capuaba, no Estado do Espírito Santo; c) Companhia das Docas do Estado da Bahia – CODEBA – R$26.457.613,00 destinados à implantação do Sistema essencial à Segurança Portuária (ISPS-CODE) e à execução de obras inadiáveis como dragagem, construção, ampliação e modernização da infra-estrutura dos Portos de Salvador, Aratu e ilhéus, no Estado da Bahia; d) Companhia Docas do Estado de São Paulo – CODESP – R$18.744.196,00 destinados à implantação do Sistema indispensável à Segurança Portuária (ISPS-CODE) e da Avenida Perimetral Portuária, imprescindível ao acesso ao Porto de Santos, bem como àrealização urgente de obras de dragagem de aprofundamento, de derrocagem, de construção, ampliação e modernização da infra-estrutura do referido Porto, no Estado de São Paulo; 18978 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS e) Companhia Docas do Pará – CDP – R$ 1.756.876,00 destinados àimplantação do Sistema essencial à Segurança Portuária (ISPS-CODE) e à execução de obras necessárias à melhoria da infraestrutura dos Portos de Santarém, Belém e Vila do Conde, no Estado do Pará; f) Companhia Docas do Rio de Janeiro – CDRJ – R$75.888.689,00 destinados à implantação do Sistema indispensável à Segurança Portuária (ISPS-CODE) e à execução de obras prioritárias de dragagem de aprofundamento e de manutenção, de construção, ampliação, modernização e recuperação da infra-estrutura do Cais do Caju e dos Portos de Sepetiba, do Rio de Janeiro e de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro; e g) Companhia Docas do Rio Grande do Norte – CODERN – R$ 18.577.866,00 destinados à implantação do Sistema indispensável à Segurança Portuária (ISPS-CODE) e àexecução de obras imediatas de dragagem, de construção, ampliação e modernização da infra-estrutura dos Portos de Maceió, no Estado de Alagoas, e de Natal e do Terminal Salineiro de Areia Branca, no Estado do Rio Grande do Norte. 10. Desse modo, a urgência na abertura do referido crédito decorre da necessidade iminente de: a) aumentar a segurança dos usuários, com a redução de acidentes causados pelo mau estado das rodovias; b) restabelecer a trafegabilidade das estradas, com vistas a evitar grandes prejuízos para a economia do País; c) permitir o pagamento das desapropriações suficientes e indispensáveis para o início da construção da ferrovia Nova Transnordestina, prevista para abril de 2006, cuja postergação poderá comprometer Abril de 2006 o cronograma de aporte de recursos acordado com os agentes financeiros envolvidos, e obstar ou, até mesmo, inviabilizar os investimentos privados, de interesse para o desenvolvimento regional e nacional; d) evitar a descontinuidade, neste exercício, da implantação de projetos inadiáveis, sob a responsabilidade das Companhias Docas, de ampliação, modernização e revitalização da infra-estrutura dos portos nacionais, inclusive para cumprimento das metas estabelecidas no Plano de Segurança dos Portos (LSPS-CODE), obras essas necessárias à habilitação plena dos portos brasileiros junto a organismos internacionais, e das medidas de segurança marítima e portuária baixadas pela Organização Marítima Internacional (IMO). O não atendimento iminente de tais medidas poderá ocasionar prejuízos aos portos brasileiros e à economia do País; e e) aumentar a eficiência dos portos nacionais, exigida pelos padrões internacionais, e reduzir os custos operacionais, com impacto positivo nas exportações brasileiras, especialmente de grãos, bem como nas importações de bens, diminuindo, assim, as restrições ao crescimento econômico e seus conseqüentes impactos indesejáveis sobre os níveis de emprego e renda. 11. Esclareça-se que a proposição está em conformidade com o disposto no art. 62, combinado com o § 3º do art. 167, da Constituição. 12. Nessas condições, e tendo em vista a urgência e relevância da matéria, submeto àconsideração de Vossa Excelência, em anexo, a Propostade Medida Provisória, que abre crédito extraordinário em favor do Ministério dos Transportes. Respeitosamente, Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18979 18980 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18981 18982 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18983 18984 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18985 18986 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18987 18988 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18989 18990 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18991 18992 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18993 18994 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18995 18996 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18997 18998 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 18999 19000 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19001 19002 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19003 19004 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19005 19006 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19007 19008 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19009 19010 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Ofício nº 137 (CN) Brasília, 11 de abril de 2006 A Sua Excelência o Senhor Deputado Aldo Rebelo Presidente da Câmara dos Deputados Assunto: Encaminha processado de Medida Provisória. Senhor Presidente, Encaminho a Vossa Excelência, nos termos do § 8º do art. 62 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, o processado da Medida Provisória nº 287, de 2006, que “Abre crédito extraordinário, em favor do Ministério dos Transportes, no valor de R$361.554.596,00, para os fins que especifica.” Informo, por oportuno, que à Medida foram oferecidas 30 (trinta) emendas e que a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização não emitiu parecer. Atenciosamente, – Senador Renan Calheiros, Presidente. INDICAÇÃO Nº 8.191, DE 2006 (Do Sr. André Costa) Sugere ao Ministério de Minas e Energia, apoio para que a instalação da futura refinaria de petróleo no estado do Rio de Janeiro se dê no município de Itaboraí. Despacho: Publique-se. Encaminhe-se. Excelentíssimo Senhor Ministro de Minas e Energia : Requeiro de Vossa Excelência apoio para que a instalação da futura refinaria de petróleo no estado do Rio de Janeiro se dê no município de Itaboraí, que apresenta excelentes condições técnicas e forte apelo social para a obra. O município em questão, apresenta as seguintes vantagens comparativas e lógicas: Situado às margens da BR 101 e BR 493 (início do Rodoanel, que terminará no porto de Sepetiba); Menos de 25 km dos estaleiros de Niterói; Menos de 40 Km dos estaleiros do Rio de Janeiro; Disponibilidade de telefonia digital (telemar); Disponibilidade de Gás natural; Disponibilidade de energia (Ampla/Furnas); Localizada entre o Rio de Janeiro e a Bacia de Campos; Próximo a estação da linha 3 do metrô a ser licitada em breve; Disponibilidade de mão-de-obra local, que hoje se desloca aos Parques de Niterói e Rio de Janeiro. Abril de 2006 A instalação da refinaria no município de Itaboraí representará o início do desenvolvimento de implantação do Pólo Industrial Naval de Manilha. O investimento na região propiciará a geração de milhares de empregos e grande volume de arrecadação tributária, revitalizando a economia e as oportunidades dos municípios que integram a região Leste do estado do Rio de Janeiro. Sala das Sessões, 22 de março de 2006. – Deputado André Costa. INDICAÇÃO Nº 8.336, DE 2006 (Do Sr. Luiz Carlos Hauly) Sugere à Casa Civil da Presidência da República a inclusão de cláusula de controle e fiscalização na empresa binacional BrasilUcrânia Alcântara Cyclone Space. Despacho: Publique-se. Encaminhe-se. Excelentíssimo Senhora Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República: Dirijo-me a Vossa Excelência para solicitar que esse Órgão tome as providências necessárias, para que se inclua cláusula de controle e fiscalização na empresa binacional Brasil-Ucrânia Alcântara Cyclone Space, criada pelo Decreto nº 5.436, de 28 de abril de 2005. O referido Decreto não prevê a possibilidade controle e fiscalização por parte dos órgãos competentes brasileiros da utilização dos recursos públicos e sua destinação. A inclusão de referida cláusula impedirá a malversação de recursos públicos, bem com o seu efetivo controle. Sala das Sessões, 29 de março de 2006. – Deputado Luiz Carlos Hauly, (PSDB-PR). INDICAÇÃO Nº 8.338, DE 2006 (Do Sr. Luiz Carlos Hauly) Sugere ao Ministério das Relações Exteriores a inclusão de cláusula de controle e fiscalização na empresa binacional BrasilUcrânia Alcântara Cyclone Space. Despacho: Publique-se. Encaminhe-se. Excelentíssimo Senhor Ministro das Relações Exteriores : Dirijo-me a Vossa Excelência para solicitar que esse Ministério tome as providências necessárias, para que se inclua cláusula de controle e fiscalização na empresa binacional Brasil-Ucrânia Alcântara Cyclone Space, criada pelo Decreto nº 5.436, de 28 de abril de 2005. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O referido Decreto não prevê a possibilidade controle e fiscalização por parte dos órgãos competentes brasileiros da utilização dos recursos públicos e sua destinação. A inclusão de referida cláusula impedirá a malversação de recursos públicos, bem com o seu efetivo controle. Sala das Sessões, 4 de abril de 2006. – Deputado Luiz Carlos Hauly, (PSDB-PR). INDICAÇÃO Nº 8.339, DE 2006 (Do Sr. André Costa) Sugere ao Ministério de Minas e Energia que o nome da refinaria petroquímica que a Petrobras instalará no estado do Rio de Janeiro seja Governador Leonel de Moura Brizola. Despacho: Publique-se. Encaminhe-se. Excelentíssimo Senhor Ministro de Minas e Energia : Dirijo-me a Vossa Excelãncia para sugerir que à Refinaria Petroquímica que a Petrobras instalará no estado do Rio de Janeiro seja dado o nome de REFINARIA GOVERNADOR LEONEL DE MOURA BRIZOLA, em forma de homenagem póstuma a um dos homens públicos mais comprometidos com o desenvolvimento do Brasil e, particularmente, do Rio de Janeiro, estado pelo qual foi eleito deputado federal e, por duas vezes, governador. Leonel de Moura Brizola também foi defensor da Petrobras, da valorização de seus funcionários e do fortalecimento da indústria nacional, sendo merecedor deste reconhecimento por parte da União. Sala das Sessões, 4 de abril de 2006. – Deputado André Costa. INDICAÇÃO Nº 8.340, DE 2006 (Do Sr. Henrique Afonso) Sugere ao Ministério da Fazenda, instalação de Unidade de Atendimento ao Contribuinte da Receita Federal no município de Tarauacá, no Estado do Acre. Despacho: Publique-se. Encaminhe-se. Excelentíssimo Senhor Ministro da Fazenda: Faz-se importante destacar , inicialmente, que, apenas 05 (cinco) dos 22 (vinte e dois) municípios do Estado do Acre dispõem de Unidade de Atendimento ao Contribuinte da Receita Federal – Brasiléia, Cruzeiro do Sul, Plácido de Castro, Rio Branco e Sena Madureira, o que significa que cerca de 37% da população do estado não tem acesso direto aos serviços destas unidades. Quinta-feira 13 19011 Na Regional do Juruá, oeste do estado, com 8 (oito) municípios – Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves, Feijó, Jordão e Tarauacá -, há uma Unidade Secretaria da Receita Federal apenas em Cruzeiro do Sul. Os municípios de Tarauacá, Feijó e Jordão não têm acesso rodoviário com Cruzeiro do Sul, apenas acesso aeroviário, sem vôos comerciais e regulares, cujos usuários para terem acesso aos serviços da Receita, dependem de frete de aeronaves particulares, cujo custo está acima das possibilidades de um cidadão simples. Outro complicador, é que estes municípios mais isolados não possuem conexão com internet, o que deixa os contribuintes e usuários numa situação de extremo isolamento físico-geográfico e administrativo, retirados do direito de acesso aos serviços da Receita Federal, e do cumprimento de suas obrigações fiscais frente à União, e a consequente inadimplência tributária/fiscal involuntária, seja como pessoa física ou jurídica. Para miminizar as dificuldades descritas, e pela importância dos serviços da SRF, como CPF, CNPJ, Declarações, Certidões, Pagamentos, e tendo presente o alto grau de sensibilidade social de V. Exa., sugerese a instalação de Unidade de Atendimento ao Contribuinte da Receita Federal no município de Tarauacá, no Estado do Acre. Sala das Sessões, 4 de abril de 2006. – Deputado Henrique Afonso. INDICAÇÃO Nº 8.341, DE 2006 (Do Sr. Carlos Souza) Sugere ao Ministério do Desenvolvimento Agrário sejam adotadas providências para que se efetive o geo-referenciamento de todas as terras públicas na Amazônia Legal. Despacho: Publique-se. Encaminhe-se. Excelentíssimo Senhor Ministro do Desenvolvimento Agrário: São por demais conhecidas as conseqüências nefastas das fraudes e da grilagem envolvendo as terras públicas, sobretudo aquelas compreendidas na chamada Amazônia Legal. Conflitos pela posse da terra, mortes, devastação ambiental, tudo gerando um verdadeiro clima de insegurança dominial, nessa amazônia que, pela inércia e pela falta de capilaridade do Poder Público, vem se tornando uma verdadeira terra de ninguém. Reconhecemos que o Sistema Nacional de Cadastro Rural foi um passo importante para o controle e regularização, pelo Estado, da situação dominial e possessória do agro brasileiro. Todavia, sem a identificação exata da localização, dos limites e das confrontações 19012 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS de cada terra rural, não se resolverá definitivamente a situação fundiária. Sem que se identifique perfeitamente cada imóvel do território nacional, através do geo-referenciamento, continuaremos a conviver com a situação esdrúxula atual, em que o INCRA cadastra, e tacitamente aceita, a posse e o domínio de áreas griladas e fraudadas. Temos plena convicção, Senhor Ministro, que o geo-referenciamento das propriedades rurais é o início de um processo que levará ao campo brasileiro não somente a segurança nas transações imobiliárias, fator primeiro da paz e do progresso social no meio rural, como, também, o progresso econômico e a paz social. No entanto, como exigir, como o fez a Lei nº 10.267/2001, que o cidadão promova a identificação geo-referenciada de sua propriedade rural, no caso de desmembramento, parcelamento ou remembramento, se o Estado não o faz primeiramente? Não resta a menor dúvida de que a quase totalidade, se não a totalidade, das fraudes e das grilagens na Amazônia Legal tem como ponto de partida a inexistência do geo-referenciamento das terras públicas naquela região. Posta nestes termos a questão, reiteramos nossa Indicação, solicitando a adoção urgente das providências cabíveis para que se inicie a identificação geo-referenciada de todas as terra públicas na amazônia legal. Sala das Sessões, 5 de abril de 2006. – Deputado Carlos Souza. INDICAÇÃO Nº 8.342, DE 2006 (Da Sra. Maria do Rosário) Sugere à Secretaria Especial dos Direitos Humanos a modificação do Decreto nº 3.298, de 1999, para inclusão da visão monocular como deficiência visual. Despacho: Publique-se. Encaminhe-se. Excelentíssimo Senhor Secretário Especial dos Direitos Humanos: No Brasil, a proteção à pessoa portadora de deficiência é preceito expresso na Constituição Federal, em seu art. 203, IV. A norma que trata dos interesses do portador de deficiência física é a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989. Essa lei, que “dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua integração social, sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – Corde, institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público, define crimes, e dá outras providências”, foi regulamentada pelo Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999. Abril de 2006 O mencionado decreto, com redação dada pelo Decreto nº 5.296/04, classifica como deficiência visual os quadros em que “a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60º; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores”. Dessa forma, a visão monocular não é considerada deficiência visual pela legislação vigente. Ocorre, no entanto, que a visão monocular dificulta a definição de profundidade, podendo ser impeditiva para algumas atividades, inclusive profissionais. Por sua vez, é fato que qualquer limitação de ordem física implica maior dificuldade no acesso a uma vaga no acirrado mercado de trabalho. Dessa forma, o portador de visão monocular, apesar de sua inconteste limitação, não faz jus aos benefícios legais destinados aos portadores de deficiência, e que visam justamente à promoção de eqüidade. Cabe ressaltar ainda que o Poder Judiciário já se manifestou favorável à inclusão da deficiência monocular para efeito de reserva de vagas para pessoas portadoras de deficiência em concurso público, por considerar que “a visão monocular cria barreiras físicas e psicológicas na disputa por oportunidades de trabalho” (Apelação em Mandado de Segurança nº 01000817891, TRF – 1ª Região, 1ª Turma, Relator Juiz Plauto Ribeiro). Pelo acima, sugerimos a modificação do Decreto nº 3.298/99, com a inclusão da deficiência monocular como deficiência visual, a fim de que seus portadores possam usufruir da proteção proporcionada pelas leis e decretos relacionados à pessoa portadora de deficiência. Sala das Sessões, 5 de abril de 2006. – Maria do Rosário, Deputada Federal PT/RS. INDICAÇÃO Nº 8.343, DE 2006 (Do Sr. Badu Picanço) Sugere ao Ministério da Saúde que se torne obrigatória a presença de Psicólogo nas equipes de assistência a pacientes terminais do Sistema Único de Saúde (SUS). Despacho: Publique-se. Encaminhe-se. Excelentíssimo Senhor Ministro da Saúde: O estágio terminal de uma doença pode implicar conflitos emocionais bastante importantes, uma vez que tanto o paciente quanto a família encontram-se em situação de estresse e vulnerabilidade. Ademais, a proximidade à dor ou à morte é situação classicamente associada a grande sofrimento psíquico. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Considerando os incontestes benefícios decorrentes de adequada assistência psicológica aos pacientes em estágio terminal e às suas famílias, sugerimos que se torne obrigatória a presença de profissional psicólogo nas equipes de assistência a pacientes terminais vinculadas ao SUS. Sala das Sessões, 5 de abril de 2006. – Deputado Badu Picanço. INDICAÇÃO Nº 8.345, DE 2006 (Do Sr. Jovair Arantes) Sugere ao Ministro das Comunicações, Presidente da ANATEL e Representantes das Operadoras de Celular, a prestação de esclarecimentos relativa ao sistema deficitário das prestadoras de serviço de telefonia móvel celular. Despacho: Publique-se. Encaminhe-se. Requer o envio de indicação ao Ministro das Comunicações, Presidente da ANATEL e Representantes das Operadoras de Celular, para prestarem esclarecimentos relativo ao sistema deficitário das prestadoras de serviço de telefonia móvel celular. Reivindico providências, esclarecimentos e soluções quanto ao sistema deficitário das prestadoras de serviço de telefonia móvel celular. Trata-se do desrespeito com o consumidor, a começar pelo envio das faturas de pagamento das contas que desde o final do ano de 2005, nunca chegam em dia, sempre nos enviam faturas referentes ao consumo de até dois meses atrás, e quando se referem ao mês vigente chegam tão atrasadas que a data de vencimento vem com prazo prorrogado para o pagamento, este fato, demonstra claramente uma deficiência no atendimento das linhas demandadas, está evidente que o número de funcionários não corresponde ao volume de linhas liberadas. Existe ainda, um grave problema quanto ao serviço disponibilizado para o atendimento ao cliente, onde, atendentes inexperientes fazem o consumidor perder a paciência em ligações demoradas e sem solução para o problema. Veja só o fato que ocorreu comigo esta semana, meu aparelho com menos de um mês de aquisição deu uma pane, me dirigi a uma loja da VIVO, expliquei a minha situação de Parlamentar, fato que demanda o uso constante da linha telefônica para comunicação com o eleitorado e demais atividades, e solicitei uma solução rápida para a questão, o problema já começou neste momento, uma atendente me informou que nada poderia ser feito e que deveria ligar para a central de atendimento, solicitei então para falar com um gerente, que me passou um apare- Quinta-feira 13 19013 lho provisório, que tem apresentado problemas, e me certificaram que em menos de cinco dias se o meu aparelho, que vale ressaltar, ainda está na garantia, não tivesse solução, seria verificado a possibilidade da troca. Porém, passados os cinco dias, após ficar por quase trinta minutos ao telefone com uma atendente, foi informado que meu caso ainda não tinha sido sequer avaliado. Isto é um abuso ao consumidor, dependemos do serviço telefônico celular para trabalharmos e este descaso não deveria ser praticado, porque pagamos pelos serviços, e pagamos muito caro. As operadoras de telefonia celular, ao divulgar em propagandas nos diversos veículos de comunicação, como TV, Rádio e Internet, que seus serviços e vantagens são os melhores, estabelece um dever de manter a veracidade de suas propagandas, como no trecho: “Manter a qualidade permanente dos serviços exige uma supervisão ininterrupta de toda a rede de telefonia VIVO”, “Com atuação pró-ativa e constante evita-se congestionamento no sistema e os conseqüentes impactos no fornecimento de serviços”, ou ainda, “Cada cliente VIVO é tratado como se fosse único, a operadora possui uma das melhores práticas do mundo em CRM – Customer Relationship Management”, ou também: “a VIVO trabalha para antecipar e satisfazer ao máximo o cliente, frases divulgadas na página: ( www.vivo.com.br). Com relação a primeira frase, podemos verificar que a empresa está, no mínimo, fazendo uma propaganda enganosa, em virtude do serviço prestado a população não ser de tamanha qualidade divulgada, quanto a propaganda da empresa que diz ter o melhor relacionamento com o cliente, e neste sentido utiliza até um expressão em Inglês “Customer Relationship Management”, isto não corresponde a realidade, uma vez que ficamos horas no telefone para no final não escutarmos um solução para o problema, e isso poderia facilmente ser constatado se uma pesquisa de opinião pública fosse realizada, não está em jogo só o meu problema como Deputado Federal, pelo contrário, como representante do povo tenho a obrigação de trazer a esta Tribuna o descontentamento de toda sociedade com as operadoras de serviço móvel. E mais, se estes infortúnios acontecem com um representante do povo no Congresso Nacional, imaginem o que vem acontecendo com os cidadãos comuns. Estes desmandos como a população não podem continuar acontecendo sem a devida intervenção dos órgãos reguladores, afinal, estão em vigência para isso, para regular os serviços prestados por empresas particulares concessionárias de um serviço público. Ainda cabe destacar que, estas propagandas das operadoras, que não correspondem com a reali- 19014 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS dade, vão de encontro com a Lei Nº 8.078/1990, que estabelece em seu art. 61, que “ Constituem crimes contra as relações de consumo previstas neste código, sem prejuízo do disposto no Código Penal e leis especiais, as condutas tipificadas nos artigos seguintes”, combinado com o art. Art. 66., onde dita que: “Fazer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação relevante sobre a natureza, característica, qualidade, quantidade, segurança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de produtos ou serviços”. Destaco ainda que, em virtude das diferenças na relação entre empresas e consumidores, que estão em disparidade de igualdade, e, respeitando o princípio de que devemos tratar os desiguais, de forma igual, na medida de suas desigualdades, posso arguir o Decreto Nº 861, de 09 de julho de 1993, que “Dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor – SNDC e estabelece as normas gerais de aplicação das sanções administrativas, e dá outras providências”, estabelece em seu art. 20, § 4º, que “O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as patrocina”, ou seja, o ônus da prova da veracidade e correção da informação da propaganda publicitária cabe a quem vincula a propaganda publicitária, neste caso, as operadoras de telefonia celular, que convido a esclarecer os fatos, e a apresentar soluções plausíveis para os diversos problemas apresentados. Por este motivo, como representante do povo nesta Casa Legislativa, rogo uma resposta do Ministro das Comunicações, Presidente da ANATEL e Representantes das Operadoras de Celular. Sala das Sessões, 5 de abril de 2006. – Deputado Jovair Arantes. INDICAÇÃO Nº 8.346, DE 2006 (Do Sr. Joaquim Francisco) Sugere ao Ministério da Justiça que estimule, por meio de campanha nacional, as prefeituras das capitais e de regiões metropolitanas de todo o país, a adotarem padrões diferenciados para o horário de funcionamento de bares. Despacho: Publique-se. Encaminhe-se. Excelentíssimo Senhor Ministro da Justiça, Dr. MÁRCIO THOMAZ BASTOS: A par de cumprimentar Vossa Excelência pelo empenho observado na condução dos nobres desígnios dessa Pasta e pelos resultados obtidos na formulação e execução das políticas de Segurança Pública, venho sugerir que o Governo Federal estimule, por meio de Abril de 2006 campanha nacional conduzida por esse Ministério, as prefeituras das capitais e de regiões metropolitanas de todo o país, a adotarem padrões diferenciados para o horário de funcionamento de bares, de acordo com o índice de violência da região em que estiverem localizados, respeitando características turísticas, culturais e artísticas de cada localidade. Trata-se da grave questão da violência que assola o país, que ostenta o sétimo maior índice de homicídio por cem mil habitantes, em torno de 24 por ano, conforme critério adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os estudiosos da criminogênese de caráter violento sustentam que a taxa elevada de homicídios está intimamente associada ao consumo de bebidas alcoólicas. O etanol ou álcool etílico está presente nas bebidas alcoólicas em geral1 sendo classificado como droga pela Organização Mundial de Saúde (OMS), ainda que lícita, visto que sua aquisição e consumo é livre, desde que atendidos certos requisitos em relação ao consumidor (idade, sobriedade). É considerada a principal porta de entrada às drogas ilícitas e uma das causas mais importantes de violência e acidentes. Tomado em pequena quantidade, o álcool é uma substância estimulante, passando a depressora se ingerido em grande quantidade. Causa dependência psíquica e física ou química, sendo considerada uma droga psicotrópica ou psicoativa, pois atua no sistema nervoso central, provocando uma mudança no comportamento de quem o consome. Além dos inúmeros acidentes de trânsito e da violência associada a episódios de embriaguez, o consumo de álcool a longo prazo, dependendo da dose, freqüência e circunstâncias, pode provocar um quadro de dependência conhecido como alcoolismo ou dipsomania, com conseqüências orgânicas irreversíveis e até a morte em decorrência da síndrome de abstinência (delirium tremens). 1 O Decreto nº 2.314/1997, que regulamentou a Lei nº 8.918/1994 (“dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas”), na redação dada pelo Decreto nº 3.510/2000, estipula, em seu art. 10, § 2º, que “bebida alcoólica é a bebida com graduação alcoólica acima de meio e até cinqüenta e quatro por cento em volume, a vinte graus Celsius”. Já a Lei nº 9.294/1996 (“dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígeros, bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, nos termos do § 4° do art. 220 da Constituição Federal”), em seu art. 1º, parágrafo único, esclarece que “consideram-se bebidas alcoólicas, para efeitos desta Lei, as bebidas potáveis com teor alcoólico superior a treze graus Gay Lussac”. A divergência é incompreensível, uma vez que se supõe terem ambas as normas utilizado a escala Gay Lussac (GL), que adota o sistema centesimal para graduação alcoólica. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O alcoolismo é um dos mais sérios problemas de saúde pública, sendo a terceira causa de aposentadoria por invalidez; a segunda de doenças mentais; e a maior causa de perda do trabalho, de acidentes de trânsito, de conflitos familiares, violência, suicídio etc. Tido como doença pela OMS, deve ser tratado com prioridade pelo poder público, principalmente no sentido de não estimulá-lo, pela via da redução da oferta. Nessa perspectiva, vários estados e municípios adotaram medidas para coibir o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, especialmente em determinados horários e locais, nos quais comprovadamente o índice de crimes violentos é mais alto, pela via da redução do horário de funcionamento dos bares. Segundo os dados apurados, tais medidas surtiram efeito, causando a redução dos referidos índices. O exemplo mais emblemático é o da região do Jardim Ângela, na periferia paulistana, considerada há poucos anos uma das áreas mais violentas do mundo, superior à de Cali, foco do narcotráfico colombiano, tendo registrado 64,2 homicídios por cem mil habitantes em 1999 e 36,9 em 2004. Entretanto, as medidas não são consistentes, devido a pressões dos comerciantes, sindicatos patronais e de empregados dos estabelecimentos, e da própria população, que nem sempre dispõe de alguma forma de lazer atraente. Pelo lado governamental, não há fiscais em número suficiente para verificar o cumprimento das posturas, o que implica na desobediência às determinações e comprometimento em escala, do objetivo. É comum, ainda, o questionamento em juízo, da legitimidade e mesmo da constitucionalidade das normas que vedam o “livre exercício do comércio”, quase sempre com ganho de causa pelos proprietários, pondo a perder o esforço do poder público. Várias proposições surgiram nesta Câmara dos Deputados com o intuito de solucionar a questão. Assim, citemos algumas delas, em ordem cronológica. Dentre as proposições já inativas, estão o PL nº 1.193/1979, de autoria do Deputado Octavio Torrecilla, que pretendia proibir a comercialização de bebidas alcoólicas após as 18:00 horas. Os PL nº 963/1988, 2.760/1989 e 1.515/1991, de autoria do Deputado Fausto Rocha (PFL/SP), proibia a comercialização de bebidas alcoólicas em estabelecimentos localizados à beira de estradas em todo o território nacional. Das proposições em tramitação, o PL nº 1.657/2003, de autoria do Deputado Alberto Fraga (PMDB/DF), estabelece normas gerais de consumo de bebidas alcoólicas em bares, restaurantes e similares, vedando-o aos situados em locais de alto índice de criminalidade, a critério da autoridade competente. Prevê o fechamento dos estabelecimentos na hipótese Quinta-feira 13 19015 de risco de grave perturbação da ordem ou elevação desproporcional do índice de criminalidade. Estabelece multas, a serem revertidas ao Fundo Nacional de Segurança Púbica e remete a regulamento o detalhamento da norma. O PL nº 3.311/2004, de autoria do Deputado Enio Tatico (PTB/GO), propõe alterar a Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996, de forma a estabelecer novas restrições à propaganda de bebidas alcoólicas nas emissoras de rádio e televisão. Relevante para o tema é que o projeto conceitua como bebida alcoólica a que apresenta graduação alcoólica acima de meio por cento em volume, a vinte graus Celsius, por estarem excluídas da lei em vigor as bebidas com teor alcoólico menor que treze graus Gay Lussac (maioria dos vinhos de mesa, cervejas e bebidas chamadas “ice” que misturam sucos com outras bebidas destiladas). O PL nº 3.919/2004, de autoria do Deputado Carlos Nader (PFL/RJ), estipula condições para a circulação e comercialização de bebidas alcoólicas, assim considerando as que apresentem teor alcoólico superior a 5º Gay Lussac. O PL nº 4.112/2004, também de autoria do Deputado Carlos Nader (PFL/RJ), proíbe a ingestão de bebidas alcoólicas nos postos de gasolina localizados nas áreas urbanas, englobando as lojas de conveniência. O PL nº 6.379/2005, de autoria do Deputado Nilson Mourão (PT/AC), propõe o fechamento de todos os bares do país de uma às cinco horas da manhã, excluindo os bares situados em hotéis, “flats”, clubes, associações e hospitais. Na justificação, o projeto informa que em 2002, a Prefeitura de Diadema, cidade que integra a Grande São Paulo, aprovou uma lei proibindo a venda de bebidas alcoólicas nos bares depois das 23:00 horas, o que causou a redução do número de homicídios e dos casos de violência doméstica. Adianta que a necessidade de uma lei estabelecendo horário para o fechamento dos bares em Diadema, surgiu quando dados de estudos realizados no município constataram que cerca de 80% dos homicídios ocorriam entre dez horas da noite e seis da manhã. Noticia que em 2002 Diadema era o município recordista em número de homicídios no Brasil, com cerca de 120 homicídios por grupo de cem mil habitantes. Já em 2004 calculou-se que 293 vidas foram salvas graças a essa medida, ou seja, aproximadamente 11 mortes por mês. Além disso diminuíram também os casos de violência doméstica em cerca de 25%. O PL nº 6.329/2005, de autoria do Deputado Carlos Willian (PMDB/MG), difere do primeiro quando limita a medida aos municípios com população superior a cem mil habitantes, conferindo à polícia militar a atribuição de fixar os horários de funcionamento, con- 19016 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS forme o grau de violência e a localização do estabelecimento, em áreas: verde (livre); amarela (fechado de 23:30 às 08:00) e vermelha (fechado de 22:00 às 08:00). O projeto é justificado pela adoção de um dos meios de combate ao alcoolismo, que é a restrição de um dos “fatores de acesso”, mediante a limitação dos horários de funcionamento dos pontos de comercialização, entre outros, como sua localização e a elevação do preço do produto, por meio da tributação. Todas as proposições pertinentes, desde 1996, estão apensadas ao PL nº 4.846/1994, num total de 131 projetos, sujeitos à apreciação do plenário, em regime ordinário de tramitação. Proposições dessa natureza, entretanto, quase sempre são arquivadas ou têm a tramitação postergada, por esbarrarem na alegada inconstitucionalidade por vício de iniciativa legiferante, posto que assunto de alçada municipal, visto tratar-se de interesse predominantemente local. Ao proporem a imposição de encargos aos entes federados, ferem o princípio do pacto federativo, implicitamente contido na autonomia conferida pelo art. 18 da Constituição da República. Uma política governamental no sentido de integrar a União, os Estados, Municípios e respectivos segmentos de segurança pública e defesa civil, incluindo os conselhos comunitários de segurança, com enfoque no policiamento comunitário, atuação das guardas municipais, aliados aos programas de inclusão social, é que poderão propiciar efetividade ao incremento da qualidade de vida, pela redução dos índices de criminalidade. Não se pode olvidar, no tema considerado, o desejável envolvimento das associações de classe e sindicatos representativos dos proprietários e empregados dos referidos estabelecimentos, bem como a participação da igreja, da imprensa, dos clubes de serviço, do Ministério Público, da Ordem dos Advogados do Brasil e de outras entidades que representem a comunidade diretamente interessada. Quanto à metodologia de implantação de horários diferenciados de funcionamento dos estabelecimentos, a exemplo da classificação por áreas (verde, amarela, vermelha), deve-se adotar critérios objetivos para se evitar a alegação de discriminação das populações periféricas. Assim, poder-se-ia adotar critérios de restrições crescentes, com fechamento obrigatório às 02:00, 00:00 e 22:00, conforme o estabelecimento esteja localizado, por exemplo, em bairro ou distrito cuja taxa de homicídios seja equivalente a 80%, 90% e 100% ou superior à do município. Equivaleria, grosso modo, ao acionamento permanente de “alertas” amarelo, laranja e vermelho, para utilizar o espectro de cores comumente associado a áreas de risco, com desencadeamento das ações cabíveis, temporaria- Abril de 2006 mente, até que os índices voltem ao patamar inferior. Pode-se utilizar, ainda, as taxas estadual ou nacional, referentes ao mês, trimestre ou ano anterior, conforme a facilidade de se tabular tais dados. Um dos índices a serem utilizados, também, pode ser o da violência doméstica, historicamente associado ao consumo de bebidas alcoólicas. Naturalmente seriam levadas em conta as características turísticas, culturais e artísticas de cada cidade, visto que localidades com tais vocações necessitam de propiciar a seus visistantes uma sensação de segurança superior às demais, o que pode ser potencializado pela adoção, também crescente, do monitoramento remoto de áreas sensíveis por circuito de televisão. Em decorrência da dificuldade em se aprovar uma norma geral sobre a matéria é que se apresenta a presente Indicação, sugerindo ao Governo Federal a iniciativa, no sentido de congregar os entes federados no esforço necessário e urgente pela adoção de medidas práticas e comprovadamente eficientes no combate à criminalidade violenta, de que é agente etiológico preponderante o consumo indiscriminado de bebidas alcoólicas no horário noturno. Por tais razões, Senhor Ministro, é que sugiro a Vossa Excelência as propostas da presente Indicação, reiterando meu cordial apreço e consideração. Sala das Sessões, 4 de abril de 2006. – Deputado Joaquim Francisco. INDICAÇÃO Nº 8.347, DE 2006 (Do Sr. Joaquim Francisco) Sugere que o Ministério da Saúde realize campanha nacional de saúde bucal. Despacho: Publique-se. Encaminhe-se. Excelentíssimo Senhor Ministro da Saúde, Dr. Saraiva Felipe: A Pesquisa Mundial de Saúde, realizada pela Organização Mundial de Saúde – OMS e, no Brasil, coordenada e executada pela Fiocruz, em 2003, estimou que 14% dos brasileiros já perderam todos os seus dentes naturais. A pesquisa aponta que esse problema está fortemente associado ao gradiente social, ou seja, quanto pior a condição socioeconômica, maior a ocorrência de perda de dentes. Diante desse quadro, acreditamos ser indispensável e urgente um campanha nacional de saúde bucal, principalmente voltada para as camadas mais empobrecidas da população, para que sejam estimuladas ações de prevenção à cárie dental e às extrações dentárias, por meio da adoção de medidas higiênicas e pelo estímulo à busca de serviços de saúde bucal. É preciso tomar medidas que modifiquem o quadro dra- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS mático identificado pela pesquisa supramencionada, que revelou um Brasil sem dentes. No entanto, para que uma campanha desse tipo tenha sucesso é necessário que o SUS promova a atenção à saúde bucal, em todos os níveis do sistema. Esperamos que nossa proposta de realização de uma campanha nacional de saúde bucal seja prontamente acatada, pois é uma medida que irá contribuir para a modificação dos indicadores alarmantes existentes nessa área. Sala das Sessões, 5 de abril de 2006. – Deputado Joaquim Francisco. INDICAÇÃO Nº 8.348, DE 2006 (Do Sr. Vicentinho) Sugere ao Ministério da Educação a inclusão, nas Diretrizes Curriculares do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, reflexão sobre o Movimento Hip Hop. Despacho: Publique-se. Encaminhe-se. Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Educação: Em vista da preocupação e do esforço deste Governo e desse Ministério em instituir e ampliar políticas públicas de combate à exclusão social e de combate ao racismo, sugerimos a inclusão na grade curricular do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, como tema social relevante, o estudo crítico sobre o Movimento Hip Hop. Trata-se de movimento social, cultural e político da juventude negra das periferias dos grandes centros urbanos, que tem como objetivo promover a auto-estima, a auto-afirmação, o envolvimento com a produção da cultura e a internalização individual de uma identidade coletiva, e, conseqüentemente, combater a ociosidade e promover a inclusão social. O “rap”, um dos elementos artísticos do Hip Hop, se transforma, segundo o antropólogo Marco Aurélio Paz Tella, “num veículo de construção de identidade, tendo consciência da violência praticada contra a população negra em toda a história (...) Através da denúncia da condição social dessa parcela da juventude negra de baixa renda e do preconceito racial de nossa sociedade, o “rap” rompe com a reprodução do imaginário social baseado na democracial racial e do racismo cordial”. Ressaltamos, ainda, que um dos aspectos que marcam os desdobramentos mais atuais do movimento é o trabalho voluntário e a solidariedade, que se constituem em pontos de força e de honra na organização do movimento. Quinta-feira 13 19017 Espero, portanto, contar com a acolhida do MEC para com a sugestão que ora apresento a Vossa Excelência. Sala das Sessões, 5 de abril de 2006. – Deputado Vicentinho. COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO “DESTINADA A INVESTIGAR AS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS, DO TRÁFICO DE ARMAS” (CPI – TRÁFICO DE ARMAS) REQUERIMENTO Nº 3.852, DE 2006 (Da CPI-Tráfico de Armas) Solicita a prorrogação do prazo de funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito “destinada a investigar as organizações criminosas, do Tráfico de Armas”, por mais 60 (sessenta) dias. Senhor Presidente, Em 16 de março do corrente ano foi instalada e encontra-se em funcionamento esta Comissão Parlamentar de Inquérito “destinada a investigar as organizações criminosas, do tráfico de armas (CPI-Tráfico de Armas)”, com prazo de 120 dias para a conclusão de seus trabalhos, nos termos do art. 35, § 3º do Regimento Interno desta Casa. Dia 8 de julho do corrente foi deferido ad referendum do Plenário, nos termos do parecer da CCJR, em recurso votado em Plenário no dia 12-6-2001, referente à Questão de Ordem apresentada na sessão do dia 26-10-1999 Requerimento nº 2.993/05, prorrogando a CPI por 60 (sessenta) dias. Em 16 de agosto de 2005 foi deferido, ad referendum, o Requerimento nº 3.143/2005 deste Colegiado solicitando a prorrogação de seu funcionamento por 180 (cento e oitenta) dias. Apesar do acatamento do Requerimento, o término do funcionamento deste órgão técnico se dará em futuro próximo (10-5-2006). Ocorre que as ações desenvolvidas por esta CPI até o momento, entre tomadas de depoimentos, audiências públicas, diligências e quebras de sigilos fiscal, bancário e telefônico, permitiram a reunião de farto acervo documental, que vem sendo cuidadosa e criteriosamente analisado, havendo ainda a necessidade da realização de diligências e da colheita de vários depoimentos que permitam o esclarecimento de fatos novos supervenientes e da finalização das análises em curso. Todos os esforços desta Presidência, do Relator, Deputado Paulo Pimenta, e dos demais integrantes deste colegiado, sem abrir mão do rigor e da celeridade das ações pertinentes à investigação, no entanto, não se revelaram suficientes para o cumprimento das metas pretendidas, caracterizando-se, inapelavelmen- 19018 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS te, a necessidade de mais tempo para o bom termo das investigações. Outrossim, o funcionamento desta, concomitantemente com reuniões do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, CPMIs e CPIs, além do trabalho parlamentar, inviabiliza, apesar de todo os nossos esforços, a realização de reuniões contíguas. Diante da aprovação unânime, em reunião realizada nesta data, do Requerimento nº 199/05, do Deputado Moroni Torgan, solicitamos a Vossa Excelência que, em consonância com o precitado art. 35, § 3º do Regimento Interno, além do § 2º do art. 50 da Lei nº 1.579/52, da decisão do STF ao habeas corpus nº Abril de 2006 71.193-6/SP, de 6-4-1994 e de decisão em Questão de Ordem nº 519, de 12-6-2001, seja submetido ao Plenário da Câmara dos Deputados, este requerimento que “solicita a prorrogação do prazo de funcionamento da comissão parlamentar de inquérito ‘destinada a investigar as organizações criminosas, do tráfico de armas, por mais 60 (sessenta) dias”. Agradecendo a valiosa colaboração de Vossa Excelência, reiteramos nossas expressões de elevada consideração e respeito. Sala das Comissões, 5 de abril de 2006. – Deputado Moroni Torgan, Presidente. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Defiro, ad referendum do Plenário, nos termos do parecer da CCJR, em recurso votado em Plenário no dia 12-6-2001, referenté à Questão de Ordem apresentada na sessão do dia 26-10-1999, por mais 45 dias, para votação do Parecer e conclusão dos trabalhos. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Finda a leitura do expediente, passa-se às IV – BREVES COMUNICAÇÕES Concedo a palavra ao Sr. Deputado Tarcísio Zimmermann. O SR. TARCÍSIO ZIMMERMANN (PT – RS. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero aqui registrar 2 fatos extraordinariamente importantes para o meu Estado. Recentemente, o Rio Grande do Sul recebeu a visita da Ministra Dilma Rousseff e do então Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que lá foram anunciar a realização de obras da maior importância, de melhoria do trânsito na Região Metropolitana de Porto Alegre, com investimentos da ordem de 370 milhões de reais. Na oportunidade, o Governo Federal anunciou a extinção do projeto conhecido como Polão e o arquivamento da proposta de pedagiamento das BRs 116 e 386 e da RS-118, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Assim, atendia a reivindicação popular apresentada em grande manifestação havida na região, contrária à implantação de pedágio nas rodovias federais e estaduais. No dia 31 de março, o Governo Federal anunciou outra iniciativa também de extraordinária importância para o Estado: determinou que a PETROBRAS não exercerá a sua opção de aumentar a participação acionária na BRASKEM e, portanto, não permitirá à empresa ampliar a hegemonia sobre o Pólo Petroquímico de Triunfo. A PETROBRAS anunciou que permanecerá atuando autonomamente no Pólo Petroquímico do Rio Grande do Sul, mantendo os 15% das ações que detém na COPESUL, a central de matérias-primas, e o controle acionário da empresa Innova e da petroquímica de Triunfo. Sobre essa questão, que igualmente mobilizou o Estado, a sociedade gaúcha exigia que a PETROBRAS mantivesse os investimentos no Pólo Petroquímico do Rio Grande do Sul e que, coerentemente com os seus investimentos na área do refino de petróleo, com a duplicação da Refinaria Alberto Pasqualini, to- Quinta-feira 13 19019 masse outras iniciativas no sentido da ampliação de sua presença naquele pólo. Sobre esse episódio, é necessário registrar que, quem falou pelo Rio Grande do Sul, foi o SINDIPOLO. Os trabalhadores, representados pelo sindicato, levantaram bem alto a bandeira da permanência da PETROBRAS e de seus investimentos, assim como a exigência de que sejam iniciadas as obras de duplicação do Pólo Petroquímico de Triunfo. De fato, essa é uma questão fundamental. A eventual transferência da participação acionária da PETROBRAS à BRASKEM significaria a subordinação do Pólo Petroquímico de Triunfo ao de Camaçari e a perda de acordo tripartite muito positivo, que transformou o pólo do Rio Grande do Sul no mais ativo e rentável do País e da América Latina. Registro esse fato e cumprimento a Direção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas de Triunfo – SINDIPOLO, que soube ser a voz do Estado do Rio Grande do Sul, defendendo o nosso desenvolvimento e a permanência da PETROBRAS como sócia da BRASKEM. Ontem, a imprensa deu conta de outra importante medida tomada pela PETROBRAS. Depois de reativar a indústria naval do Rio Grande do Sul através da instalação, no Porto de Rio Grande, de estaleiro para a construção da Plataforma P-53, a empresa anunciou novo investimento, da ordem de 200 milhões de dólares. Continua a PETROBRAS o seu esforço de nacionalização da produção de plataformas e navios mercantes, construindo ali estaleiro seco para a execução de obras de manutenção e reformas necessárias nessa área. O Governo Federal faz investimentos no Rio Grande do Sul e atende às necessidades do povo gaúcho, certamente contribuindo com o nosso desenvolvimento. O SR. FRANCISCO APPIO (PP – RS. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a suinocultura brasileira vai bem, mas o produtor de suínos vai mal. Enquanto a carne suína é reconhecida como importante na dieta alimentar, derrubando o tabu de “vilã do coração”, deixamos de vender no mercado interno, onde o poder aquisitivo é baixo, tampouco exportamos, em razão da aftosa e do dólar. Queremos registrar nos Anais desta Casa a preocupação do setor nesse sentido e também o transcurso dos 71 anos de criação da Cooperativa da União Colonial de Produtos Suínos, localizada no Município de Sananduva, que abate 550 suínos/dia, integrada com centenas de produtoras, nas quais vem essa crise causando extrema preocupação. 19020 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Pelas duas últimas razões, o Rio Grande do Sul mantém estocadas 60 mil toneladas de carne suína, pois o Governo brasileiro não conseguiu provar aos russos que o Estado não faz divisa com o Paraná, onde foram detectados focos de aftosa. Mesmo sem ter maior capacidade de armazenagem, os abates continuam, pois suíno não fica na lista de espera e não pode morrer de fome. Com a retomada das compras pelos russos, abrese pequena janela para os produtores, mas de pouco impacto, pois a política cambial do Governo (altas taxas de juros e baixa cotação do dólar) faz com que o setor pague para exportar. É injusto que o produtor brasileiro continue sacrificado, sem caixa, sem capital de giro, pois rolar dívidas, como faz o Governo brasileiro com a recente MP do Bem agrícola, é pouco. O produtor rural precisa ter garantia de renda. Administra o estoque da dívida de ontem e de hoje. Mas como fará a lavoura de amanhã? No pronunciamento deste dia, gostaria de realizar justa homenagem à Cooperativa União Colonial de Produtos Suínos, localizada no Município de Sananduva, Estado do Rio Grande do Sul, ao transcurso dos 71 anos de sua criação. Ela foi fundada com base no Decreto Federal nº 24.647, de 10 de julho de 1934, em 15 de abril de 1935, quando Sananduva ainda pertencia ao Município de Lagoa Vermelha, como quarto distrito. A razão social sofreu mais duas alterações: em 14 de outubro de 1944 passou a denominar-se Cooperativa Sananduvense de Produtos Suínos. Somente 24 anos depois a razão social, que persiste até hoje, foi adotada, em 13 de outubro de 1968, por deliberação da Assembléia Geral Ordinária, a chamar-se Cooperativa Regional Sananduva de Carnes e Derivados Ltda. Sem sigla oficial. A necessidade de fundação de uma cooperativa, em 1935, pelos criadores de suínos do então Distrito de Sananduva e arredores, surgiu bem antes das necessidades dos triticultores e sojicultores: a) a região de Sananduva é constituída em sua grande maioria por minifúndios, e os terrenos são de relevo irregular; b) a colonização desta região foi fundamentalmente feita por imigrantes europeus, italianos em sua maioria, com tradição de suinocultura; c) o produto suíno valorizado era a banha, indispensável na cozinha, chamada, até pela sua importância econômica, de “ouro branco”; d) do produtor ao consumidor havia muito acréscimo de valor no produto; a banha tornava-se cara para o consumidor e não remunerava o suficiente o Abril de 2006 produtor para que continuasse produzindo com vantagem econômica; e) a maior fatia de lucro era tirada pelos atravessadores, que compravam a banha dos produtores e repassavam, bem mais cara, aos consumidores. Um grupo de 20 agricultores, criadores de suínos, descontentes com a situação, reuniram-se e decidiram fundar uma cooperativa para em conjunto cumprir os seguintes objetivos: – industrialização dos produtos suínos de seus associados, venda em comum, libertando-os das pesadas comissões dos intermediários; – luta pela defesa da produção suína do Estado, sua melhoria e desenvolvimento; – luta pela industrialização racional e padronizada dos produtos e subprodutos suínos; – luta pela instalação, quando possível, de refinarias de banha, matadouros e demais aparelhamentos necessários ao racional aproveitamento da produção e subprodução suína; – encaminhamento direto da venda dos produtos e subprodutos da indústria suína da cooperativa aos mercados consumidores, sem prejuízo do consumidor local; – centralização e estandardização dos produtos por tipos, fornecendo aos mercados consumidores produto puro a preço justo; – adaptação de marcas que distinguissem seus produtos de outros semelhantes; – produção de reprodutores suínos para uso de seus associados. No final do ano de 1935, o abatedouro realizava abate de suínos, bem como industrializava a carne, com exceção da banha, que não era refinada ainda pela cooperativa, mas levada de carroça até Marcelino Ramos ou Getúlio Vargas, para ser colocada no trem e ser transportada até Herval D’Oeste, para refino no Frigorífico Pagnoncelli. Entre os anos de 1936 e 1946, a cooperativa, motivada pela necessidade de conquistar novos mercados, instalou representantes nas cidades de Porto Alegre (1936), São Paulo (1942) e Rio de Janeiro (1946). O Departamento Técnico e Assistência Veterinária foram fundados em 1968, e em 1972 foi instalada a granja de criação de reprodutores. Em 1982 entrou em operação a fábrica de rações e concentrados. O projeto integrado de criação de suínos da cooperativa com os associados iniciou-se em 1983. Segmento de atuação: – abate e industrialização de produtos suínos e bovinos; capacidade de abate e industrialização de 500 suínos/dia e de 10 bovinos/dia; Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS – granja de reprodutores suínos; instalações para 500 matrizes; – fábrica de rações (recebimento de 350 mil sacas de milho/ano); capacidade estática de 240 mil sacas e produção de 120 t/dia de rações; – seção de consumo – loja (fornecimento de insumos agropecuários exclusivos a associados). Sócios fundadores: Rodolfo Lazzarotto; Clemente Pastro; Antonio Golin; Mathias Tonial; Antonio Navarini; Domingos L. Salvador; Ângelo Benetti; Anselmo Tartari; Paschoal Guzzo; Benjamin Zanandrea; João Maschio; Carlos Piovesan; Fiorindo Scariot; Fortunato Copatti; Valentin Fracasso; Ferucio Cavichioli; Redencio Rossi; Modesto Pazinatto; Luiz Calegari; Mariano Antonietti. Diretoria Atual: – Presidente: Loreni Domingos Foscarini; – Diretor Financeiro e Administrativo: Egídio Loregian; – Diretor Industrial: Gerson C. Benetti. Essa é a homenagem que presto a frigorífico tão importante para o desenvolvimento da região. Obrigado, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados. O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB – CE. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nesta quarta-feira, hoje, portanto, a Comissão Especial, destinada a avaliar a Proposta de Emenda à Constituição nº 333, de autoria do Deputado Pompeo de Mattos, deverá apreciar o parecer do Relator Luiz Eduardo Greenhalgh, em sessão a ser dirigida pelo Deputado Mário Heringer, Presidente daquele Colegiado. Registre-se, por oportuno, que a matéria diz respeito à composição numérica das Câmaras Municipais de todo o Brasil, dentro de percentuais que guardam correlação com densidade demográfica, na forma estabelecida pela Carta Cidadã, de 5 de outubro de 1988, da qual me honro de ser o segundo signatário, na condição de 1º Vice da Constituinte. No ano anterior, essa temática foi objeto de ação direta de inconstitucionalidade, impetrada contra resolução do TSE, firmada para vigorar em 2004, quando já se achavam os candidatos em plena disputa política, concorrendo a uma cadeira das quase 5.600 comunas do nosso Pais. Depois de sucessivas audiências públicas, de que participaram entidades municipalistas, dirigentes partidários e juristas de renome, a aludida Comissão já se acha em condições de opinar a respeito, sendo provável que, na data aprazada, a questão seja deslindada, para posterior exame neste plenário, no qual tomam assento os seus 513 integrantes. Quinta-feira 13 19021 Com a percuciência de jurista de méritos incontáveis, o colega Luiz Eduardo Greenhalgh apresta-se para oferecer um trabalho que objetive solucionar, definitivamente, o impasse existente, a começar da citada resolução, que desfalcou, em mais de 8 mil vagas, as Câmaras de nosso País. Os critérios que serão observados seguirão, de certa forma, a sugestão do Parlamentar gaúcho, que conduziu a criteriosa redistribuição das cadeiras, embora a proposição mereça, ainda, reajustamentos que restabeleçam algumas distorções, de fácil perceptibilidade. No texto do Deputado Pompeo de Mattos, aliás, a Câmara de Fortaleza seria desfalcada em 2 cadeiras, o que nos conduzirá a refazer o cálculo para manter inalterada a atual estruturação, de 41 vagas, já que aquela metrópole dispõe, hoje, de mais de 2 milhões e 300 mil habitantes, com o fascínio de suas belezas naturais, decantadas em prosa e verso, como o fez o grande poeta Paula Ney. Durante a minha recente estada no Ceará, fui insistentemente assediado para prestar esclarecimento em torno da referenciada PEC, por Vereadores e Suplentes, o que comprova o interesse despertado entre aqueles que se acham envolvidos nesse processo reparador, em torno do qual se registra indisfarçável ansiedade, direcionada, sobretudo, para a manifestação soberana deste Plenário e, a seguir, do Senado Federal. É provável, pois, que até o final de abril se conclua o exame do novo texto, embora a sua fundamentação se embase no meticuloso trabalho que teve como fonte inicial as pesquisas procedidas pelo autor da PEC nº 333 – já foi considerada favorável a sua admissibilidade pela Comissão de Constituição e Justiça. Corrigir-se-á, assim, uma deliberação posta em prática pelo Tribunal Superior Eleitoral, ao tempo em que exercia a sua Presidência o Ministro Sepúlveda Pertence, hoje entregue, exclusivamente, aos seus encargos, como membro da Suprema Corte. Tendo sido um dos debatedores dessa palpitante temática nas Comissões e em Grandes Expedientes de algumas de nossas sessões, volto a expressar a minha confiança em que o assunto merecerá o ajustado equacionamento dos Srs. Deputados e, a seguir, dos que representam os Estados brasileiros na outra Casa do nosso Parlamento. O SR. CARLOS DUNGA (PTB – PB. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o registro que faço hoje refere-se a 2 itens de interesse do Estado da Paraíba, sendo que o primeiro diz respeito à cidade de Pombal. 19022 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Lutamos muito, não só este Deputado que lhes fala, mas também a bancada federal da Paraíba, para levar para o interior do nosso Estado uma unidade da Universidade Federal de Campina Grande. Depois da criação da universidade, o Sr. Governador do Estado, Cássio Cunha Lima, a bancada federal, os Srs. Senadores, o Prefeito da cidade de Pombal, a Câmara Municipal de Vereadores e a sociedade civil lutaram para contemplar aquela cidade com o campus avançado, a fim de atender urgentemente à clientela estudantil pobre das escolas públicas, principalmente da área rural da região. Ontem, o Ministério da Educação efetivou a criação desse campus universitário, que oferecerá os cursos de Agronomia e Engenharia de Alimentos, de grande importância para o sertão da Paraíba, cujas vagas serão preenchidas, sem dúvida, pela clientela dos estudantes que necessitam de ensino superior. Agora lutaremos em benefício de mais duas cidades: Sumé e Itaporanga, esta situada no Vale do Piancó e circundada por aproximadamente 30 Municípios que necessitam de outra escola universitária; e aquela, no Cariri da Paraíba, que também polariza aproximadamente o mesmo número de Municípios. Somente os Municípios próximos à BR-230, trecho de João Pessoa a Cajazeiras, dispõem de cursos superiores. Os outros pólos do nosso Estado, a exemplo dos Municípios de Sumé e Itaporanga, onde há mais de 30 cidades, bem como o Município de Pombal, não dispõem de escolas universitárias. Portanto, deixo hoje registrado, com muita alegria, que a cidade de Pombal terá cursos universitários para atender à população. Sr. Presidente, gostaria de mais uma vez chamar a atenção do Governo Federal para grande projeto de alcance social para o Nordeste. Refiro-me ao Programa do Leite. O Nordeste brasileiro está desabastecido. O Governo do Estado da Paraíba distribui, diariamente, 120 mil litros de leite a famílias pobres. Agora, com a exigência imposta pela Portaria nº 16, segundo a qual o produtor rural só poderá entregar 20 litros de leite, esse programa poderá chegar ao fim. Faço este alerta ao Governo Federal: se o programa for definido através dessa portaria, o retrocesso econômico chegará aos Estados mais pobres, que tanto necessitam de programas sociais, como esse de distribuição de leite, desenvolvidos pelos Governos Federal e Estaduais. O Nordeste sofre com os prejuízos causados pelo desabastecimento de leite. Era o que tinha a dizer. O SR. DR. HELENO (PSC – RJ. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna para debater, no pouco tempo que Abril de 2006 me cabe, um tema que considero da maior relevância para o futuro do País. Trata-se da política monetária e cambial atualmente em curso e de seu impacto no processo de desenvolvimento. Sabemos, Sr. Presidente, do esforço empreendido para que se consiga reduzir a taxa de juros no Brasil. No entanto, a nosso ver, esse processo se dá de maneira demasiadamente tímida, em face dos efeitos colaterais negativos que esta situação proporciona às perspectivas de crescimento da economia brasileira. De fato, Sr. Presidente, desnecessário comentar que, durante longo período, as metas acordadas com o FMI nos impuseram pesado sacrifício em termos de crescimento econômico e de investimentos sociais e em infra-estrutura. A necessidade de se manter elevados superávits primários, bem como as absurdas taxas reais de juros decorrentes de uma política monetária excessivamente austera se traduziram em uma virtual desativação dos investimentos públicos e na paralisia da economia nacional. Não pretendemos, no entanto, ir contra princípios que sempre defendemos, já que consideramos prioridade básica o combate incansável à inflação. A postura leniente para com o déficit público, a irresponsabilidade fiscal e a indisciplina monetária que marcaram décadas de nossa história econômica foram afinal sepultadas e não queremos revê-las, qual fantasmas de um passado sem volta, para o bem de toda a sociedade brasileira, em particular dos menos favorecidos. Por esta razão, Srs. Deputados, sabemos reconhecer o esforço que foi feito pela atual equipe econômica para superar a instabilidade que se instalou na economia brasileira, abalada pela inicial falta de credibilidade na manutenção, pelo atual Governo, da racionalidade na administração da política econômica. Esse esforço vem sendo, sem sombra de dúvida, muito bem conduzido, dado o fato de que o mercado desconfiava da capacidade deste Governo, do qual muitos integrantes tinham um histórico viés antimonetarista de enquadrar-se às regras bem aceitas pelo mercado. Há que se reconhecer, por outro lado, Sr. Presidente, que estamos aprisionados a um modelo de política econômica que nos restringe o potencial de crescimento. Ainda que se possa aceitar que a ação do Banco Central busque, de fato, o controle inflacionário, parece-nos que tais procedimentos decorrem fundamentalmente de uma clara inação administrativa no sentido de fazer uso de outros instrumentos de política econômica. Caros colegas, não mais nos podemos dar o luxo de perder outra década de crescimento econômico. Há urgência na alteração da política econômica, que tem sido passiva e dependente de soluções sistêmicas, Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS para uma atuação mais objetiva no sentido de reverter esse quadro dramático. As taxas reais de juros, mesmo que em processo de redução gradual, ainda se encontram entre as mais elevadas do mundo, refletindo uma política monetária excessivamente austera, e acabam por induzir a uma virtual desativação dos investimentos públicos e à quase paralisia da economia nacional. A questão torna-se ainda mais grave se levarmos em conta que, apesar do aumento de nosso Produto Interno Bruto, o mundo vem crescendo em média mais do que o Brasil, e em especial os países em desenvolvimento, nossos concorrentes diretos, pela atração de investimento e pelos mercados dos países ricos. Nesse sentido, as justificativas conjunturais já não se aplicam. O mundo progride em céu de brigadeiro e nós, pelas nossas próprias deficiências, vivemos em turbulência constante. Nesse sentido, Sr. Presidente, parece claro que permanecer no círculo vicioso decorrente da lógica monetária sempre nos levará a um crescimento abortado prematuramente. Com efeito, todas as vezes em que um ciclo de crescimento esgota nossa capacidade ociosa, tornando necessários novos investimentos, a ineficiência de nosso mercado de crédito eleva os custos desse processo, pressionando preços e levando a nova reação das autoridades monetárias na direção de juros maiores, refreando, com isso, o potencial de crescimento da economia. Similarmente, a trajetória de redução dos juros já esbarra na explícita intenção do BACEN de reduzir o ritmo de queda, sinalizando que o espaço para tanto está pequeno novamente. Em resumo, pela lógica atual, estamos fadados a conviver com as taxas de “equilíbrio” mais altas do mundo. Os bancos não podem receber tanto nem engolir tanto o salário do brasileiro. Entendemos ser o tema complexo, mas algo deve ser feito e o campo de atuação‚ justamente o político, ainda mais nesse momento em que o povo será chamado a opinar na grande festa da democracia, que são as eleições gerais. Cabe aos líderes que nos governam sinalizar os novos rumos, sob pena de sermos obrigados a conviver com a estagnação por mais inúmeras décadas. Duque de Caxias está demonstrando um exemplo ímpar com a criação de novos empregos e o oferecimento de facilidades para os empresários empregarem na cidade todo o seu potencial. Era o que tinha a dizer. O SR. REINALDO BETÃO (PL – RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Baixada Fluminense nunca foi tão bem Quinta-feira 13 19023 falada como nos últimos meses. E anteontem, dia 9 de abril, a imprensa noticiou que duas mulheres de garra, as Sras. Soraya de Almeida e Hada Rubia da Silva, ilustres representantes dos Municípios de Nova Iguaçu e Mesquita, ganharam o Prêmio Mulher Empreendedora 2006, do SEBRAE-RJ, promovido pela Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais do Rio de Janeiro. Realmente, a parceria formada entre a referida associação e o SEBRAE-RJ resultou em grandes vantagens, pois proporcionará a geração de empregos e sensibilizará a importância da educação ambiental e o desenvolvimento sustentável nas sociedades. Para nós, da Baixada Fluminense, é sempre bom ter a nossa região evidenciada de forma positiva. Parabenizo todos os organizadores, na pessoa da Sra. Célia Fortes, Presidenta da Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais do Rio de Janeiro, pelo excelente trabalho que vem fazendo à frente de entidade tão importante como essa. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, aproveito a oportunidade para destacar o Programa Brasil Sorridente, que faz parte da Política Nacional de Saúde Bucal do Governo Federal, cujos resultados têm sido extremamente positivos, o que vem ampliando consideravelmente o acesso da população às ações de prevenção e reabilitação da saúde bucal no País. O programa atende a mais de 63 milhões de pessoas e conta com mais de 13 mil equipes de Saúde Bucal, atuando em aproximadamente 4 mil Municípios brasileiros. Além disso, dispõe de 351 Centros de Especialidades Odontológicas em 280 Municípios. Esses centros especializados oferecem tratamento de canal, atendimento a pacientes especiais, tratamento de doenças da gengiva e outros procedimentos. O Brasil Sorridente reúne uma série de ações voltadas para cidadãos de todas as idades, com a ampliação do acesso ao tratamento odontológico aos brasileiros no âmbito do Sistema Único de Saúde. As principais linhas de ação são a viabilização de adição de flúor a estações de tratamento de águas de abastecimento público, a reorganização da Atenção Básica por meio da Estratégia Saúde da Família e da Atenção Especializada, feita pelos Centros de Especialidades Odontológicas e Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias. Parabenizo o Ministério da Saúde por mais essa ação de sucesso, que é o Programa Brasil Sorridente. Espero que a abrangência do programa seja cada vez mais ampliada pois, como dizem os médicos, a saúde começa literalmente pela boca. Passo agora a tratar de outro assunto. 19024 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei nº 1.267/03, que cria uma espécie de cesta básica para eletroeletrônicos populares, permitindo que os consumidores comprem tais produtos mais baratos, com a redução do IPI. Os produtos que serão atingidos por tal medida são: fogão a gás com 4 bocas e forno; refrigerador com uma porta e congelador interno, com capacidade máxima de 280 litros; lavadora de roupas semi-automática ou automática até 6 quilos; ferro elétrico comum; liqüidificador com até duas velocidades; chuveiro elétrico até 2 níveis de temperatura; ventilador de mesa; e televisores de baixo custo. Quanto aos televisores, como são produzidos na Zona Franca de Manaus, já são isentos de IPI. Por isso, faz-se necessário retirar esse tipo de produto do mencionado projeto de lei, para que as indústrias nacionais não sejam prejudicadas, uma vez que a medida beneficiará, portanto, apenas os televisores importados. Caso o referido projeto seja também aprovado pelo Senado Federal, esses produtos terão redução de 50% no IPI, barateando o preço final para os consumidores. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (ELETROS), a aprovação da lei traria um desconto médio para o consumidor de 5%. O benefício poderia ser maior se outros tributos também tivessem redução, como, por exemplo, o ICMS. A única observação que faço, na realidade, uma grande incoerência, é quanto ao pagamento de 10% de IPI sobre os móveis tubulares e os estofados em geral. Já para os produtos de madeira, o IPI é de 5%. Ora, Sr. Presidente, produtos de madeira incentivam o desmatamento, enquanto que os tubulares e os estofados, que não provocam esse abalo no meio ambiente, acabam tendo índice maior, o dobro. É bem verdade que o IPI para espuma é zero. Mas no caso dos fabricantes de estofados a situação é ainda pior, pois 75% da matéria-prima utilizada para confecção desses produtos é a espuma, e, no entanto, o produto final acaba sendo tarifado com IPI de 10%. Isso é um absurdo! Gostaria de registrar o excelente trabalho da Comissão de Constituição e Justiça desta Casa por ter aprovado o PL nº 1.267/2003. Faço, no entanto, um apelo ao Governo Federal para que reduza o IPI dos móveis tubulares e estofados de 10% para 5%. É simplesmente uma questão de justiça. Abril de 2006 Gostaria também de solicitar à Presidência desta Casa para que coloque em pauta a PEC nº 2/2005, que autoriza os funcionários concursados requisitados a optarem pela lotação funcional definitiva no órgão federal em que prestam seus serviços. São profissionais altamente capacitados e comprometidos com os órgãos cessionários. Ao encerrar, Sr. Presidente, quero dizer que a concessionária de energia elétrica do meu Estado, AMPLA, substituiu os tradicionais medidores de consumo de energia elétrica por novos modelos digitais, com chip do Chile. Tal atitude tem causado enormes e sérios problemas a milhões de consumidores, cujas contas aumentaram em média 400% a 500%. O fato é que a companhia instalou os novos medidores no alto dos postes, inviabilizando que os consumidores acompanhem e fiscalizem seus consumos diários. Uma situação inaceitável. Não podemos permitir que o cidadão seja prejudicado. Por isso, estou entrando com um requerimento na Comissão de Defesa do Consumidor, para que os Presidentes da Agência Nacional de Energia Elétrica e da AMPLA prestem esclarecimentos sobre tais transtornos. Sr. Presidente, solicito a V.Exa. a divulgação deste pronunciamento no programa A Voz do Brasil. Muito obrigado. O SR. CARLOS NADER (PL – RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, poucas questões chamam tanto a atenção da população brasileira nas médias e grandes cidades quanto a segurança – assunto muito debatido por especialista. Nos últimos anos, investiram-se recursos recordes em segurança, mas ainda assim a sensação de insegurança é grande. Não estamos falando de violência, porque a violência não está diretamente associada à falta de segurança. A violência pode ocorrer em qualquer lugar, se há alguém predisposto a praticar um ato dessa natureza. Estamos falando da segurança que todo o cidadão deve ter, correspondente a um dos principais direitos a ele assegurado pela Constituição – o de ir e vir. Por que a sensação de insegurança? Apesar de geralmente se pensar que esse é um problema relacionado apenas às grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, quase diariamente vemos, na imprensa, reportagens sobre o assunto em cidades de porte médio. Muitos fatores, Sr Presidente, contribuem para a sensação de insegurança. O crescimento desordenado das cidades, com aglomerados populacionais em áreas sem infra-estrutura, é um deles. Áreas sem infra- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS estrutura são propícias para o surgimento de núcleos criminosos, que acabam se espalhando rapidamente para as comunidades vizinhas. Não custa lembrar que diversos levantamentos já demonstraram que o número de policiais por mil habitantes em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, não estão distantes dos existentes em outras metrópoles do mundo. Isso leva a crer que o de que precisamos, antes de tudo, é investimentos em cidadania. Famílias que vivem em áreas sem água, sem luz e sem esgoto são presas fáceis para criminosos, que expandem seus domínios. E como temos cidades e mais cidades em que os núcleos favelados crescem vertiginosamente, a questão da insegurança cresce da mesma forma. Aliás, essa circunstância cria a falsa sensação de que quem mora em tais áreas é criminoso em potencial, o que é uma grandicíssima inverdade, porque, como todos sabemos, a maioria dos habitantes dessas áreas são pessoas honestas, trabalhadoras, as primeiras vítimas da insegurança de que todos reclamam. É preciso, pois, investir nessas comunidades. Levar água, instalar rede de esgoto, iluminação pública de qualidade, praças de esportes, programas sociais, qualificação profissional. Tudo isso e o mais que se puder, aliado ao crescimento do País, que precisa gerar novos empregos. Sr. Presidente, peço-lhe que autorize a divulgação deste pronunciamento nos órgãos de comunicação da Casa. Muito obrigado. A SRA. VANESSA GRAZZIOTIN (PCdoB – AM. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, companheiras e companheiros, ontem, levei o meu singelo, porém sincero apoio aos funcionários ativos e aposentados da companhia aérea VARIG pela realização, em várias Capitais brasileiras, de manifestações em defesa da empresa. Aqui, em Brasília, cerca de 300 funcionários da VARIG, representando aproximadamente 11 mil funcionários ativos e 8.500 aposentados da empresa, realizaram marcha pela salvação da VARIG e mantiveram importantes encontros no Senado Federal e nesta Casa e com o Ministros da Defesa, Waldir Pires, e do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Os resultados desses encontros foram extremamente positivos, tanto que os Ministros da Defesa e do Trabalho se comprometeram a ter hoje nova conversa com o Presidente Lula e, em seguida, voltarem à mesa de reuniões com a representação dos funcionários dessa importante empresa, sem dúvida alguma um dos símbolos do nosso País, não somente interna, mas também externamente. Quinta-feira 13 19025 Fiquei extremamente sensibilizada, Sr. Presidente, com a disposição dos servidores em ajudar a salvar a empresa. Ontem, eles protocolaram na Presidência da República, ato a que estive presente, manifesto aprovado em assembléia dos trabalhadores da VARIG em que apresentam suas propostas e reiteram a disposição em ajudar no encaminhamento de soluções para o problema. Passo a citar, Sr. Presidente, alguns pontos por eles levantados. O primeiro seria estudar com o Governo a possibilidade de sacar do fundo de pensão dos trabalhadores da empresa, o AERUS, cujo patrimônio chega a quase 2 bilhões de reais, cerca de 150 milhões de dólares, o que corresponde a mais de 300 milhões de reais, que seriam utilizados para a capitalização da empresa. Repito: são os próprios servidores que querem retirar recursos de seu próprio fundo de pensão, o AERUS, seguindo, é óbvio, critérios que não venham a inviabilizar o fundo e o pagamento dos trabalhadores já aposentados e dos que irão se aposentar. Segundo, Sr. Presidente, a possibilidade de abrir mão de todos os créditos que os trabalhadores têm perante a empresa e transformá-los em ações, como forma também de ajudar na solução da empresa. Por fim, apresentam a possibilidade de aceitar a redução de seus salários e até mesmo de discutirem a demissão de empregados até o limite de 2 mil, o que significa dizer que estão dispostos a dividir com os demais credores da VARIG os prejuízos, contanto que esse sacrifício sirva para recuperar, a médio e longo prazos, a VARIG. Diferentemente do que divulga a imprensa, eles não vieram a Brasília pedir dinheiro ao Governo. Portanto, não há por que dizer que o Governo jogou água fria na pretensão dos funcionários da VARIG. Absolutamente! Eles vieram tão-somente pedir prazos à BR Distribuidora e à INFRAERO – prazos, aliás , que já são concedidos a outras empresas de aviação no Brasil. Eles não estão pedindo nem querem dinheiro público para salvar empresa privada falida, como diz a empresa. Todavia, seria importante o apoio do Governo, do Tribunal de Contas, da INFRAERO e da BR no sentido de ajudar na recuperação dessa empresa. Não se trata apenas das 20 mil pessoas diretamente envolvidas – 11 mil trabalhadores ativos e quase 9 mil aposentados –, mas, indiretamente, podemos falar em 100 mil empregos. Além do mais, é a imagem do nosso País que está em jogo mundo afora. É, portanto, uma obrigação nossa apoiar, no que for possível, a recuperação de empresa tão importante para a economia nacional para a imagem do País no exterior. Muito obrigada. 19026 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Ivan Valente, para uma Comunicação de Liderança, pelo PSOL. O SR. IVAN VALENTE (PSOL – SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos na tribuna nesta manhã para repudiar o descaso com que a Prefeitura de São Paulo vem tratando a greve dos trabalhadores da educação. Na última semana, mais de 15 mil educadores de São Paulo manifestaram-se na Avenida Paulista, mostrando o descaso do ex-Prefeito José Serra – agora deixou-se de presente para a população paulista o Prefeito Gilberto Kassab, que 77% dos paulistanos não sabem quem é —, que simplesmente deixou os trabalhadores da educação sem reajuste salarial, o que não obtêm há 10 anos. É por isso que hoje eles estão nas ruas do centro de São Paulo, em nova manifestação. Pedem a fixação do piso salarial em 960 reais para professores, com jornada básica em início de carreira; para os agentes escolares, jornada de 40 horas semanais; concurso público para contratação de novos profissionais; redução de alunos por classe; isonomia entre ativos e aposentados; e revogação da Lei Orgânica do Município, que reduziu as verbas constitucionais de 30% para 25% das receitas. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estive presente a todas as manifestações dos professores. Na cidade mais rica do Estado mais rico do Brasil, o professor com formação, que trabalha 20 horas semanais, ganha 610 reais; e, para formação de magistério, quinhentos e poucos reais. É uma vergonha. Enquanto os professores ganham apenas isso, o Governo entrega a ONGs a gestão de escolas. É um ataque à educação pública gratuita e de qualidade na cidade de São Paulo, onde se terceirizam serviços e se privatiza o ensino. Em nome da Liderança do PSOL, quero manifestar desta tribuna a minha solidariedade à categoria e solicitar a abertura imediata das negociações com os professores e seus sindicatos. Parabenizamos os educadores da cidade de São Paulo pela disposição de luta. Temos certeza de que esse movimento tem como principal objetivo a garantia de educação pública gratuita e de qualidade à população. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao Sr. Deputado Marcelo Teixeira. O SR. MARCELO TEIXEIRA (PSDB – CE. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, a cidade de Fortaleza completa mais 1 ano de fundação hoje. Congratulo-me com todos os fortalezenses pela passagem Abril de 2006 de mais um aniversário. Fortaleza é uma cidade muito bonita e próspera; a quinta cidade mais desenvolvida do nosso País. Sr. Presidente, faço minhas as palavras da Deputada Vanessa Grazziotin. Há pouco S.Exa. disse ser importante socorrer a VARIG neste momento de crise. A empresa muito tem feito pelo nosso País e é um orgulho para nós. O que quer é prorrogar o pagamento de seus débitos e encontrar um caminho para prosperar. O SR. EDINHO BEZ (PMDB – SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, colegas Parlamentares, ontem o Congresso Nacional homenageou a Sra. Presidenta do Chile, Michelle Bachelet. Em seu discurso, a Presidenta falou a respeito da igualdade social, das desigualdades na América Latina e no Chile e do desenvolvimento econômico. Falou também que o Chile está de portas abertas, objetivando a integração da América Latina. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, aproveito a oportunidade para informar que o Governador do Estado de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, que pugna por uma forte política de integração na América Latina, designou este Deputado e o Sr. Roberto Colin, Secretário de Articulação Internacional, para participarem desse esforço. Desde então vimos participando de diversas reuniões. E, ontem, no Congresso Nacional, em conversa com a Presidenta do Chile, ouvimos de S.Exa. a reafirmação do compromisso de lutar pela integração da América Latina. Era o que tinha a dizer. O SR. WALTER FELDMAN – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra, ilustre Deputado Walter Feldman. O SR. WALTER FELDMAN (PSDB – SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, quero apenas solicitar oficialmente a minha reentrada, pela porta da frente, no Congresso Nacional. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Deputado Walter Feldman, é um prazer tê-lo novamente conosco, após o brilhante trabalho realizado em Secretaria subordinada à Prefeitura da gloriosa cidade de São Paulo. O SR. WALTER FELDMAN – Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Adelor Vieira. O SR. ADELOR VIEIRA (PMDB-SC. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, aproveito a oportunidade para cumprimentar o Deputado Walter Feldman e desejar-lhe boas-vindas neste retorno à Casa. Parabenizo S.Exa. pelo grande trabalho na Prefeitura da Grande São Paulo. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, há muito a legislação deveria ter reparado uma injustiça cometida contra as entidades denominadas “filantrópicas”, na forma da Lei nº 9.790, de 1999, uma vez que tais entidades vêm sendo oneradas indevidamente com a cobrança constante de diversas tarifas bancárias. Ora, é inadmissível que os sempre lucrativos bancos continuem efetuando essa cobrança de tais entidades, quando até mesmo a Previdência Social lhes concede o benefício da isenção, conforme previsto em lei. Dados recentes, coletados dos balanços dos bancos e divulgados pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, informam que apenas 7 dos maiores bancos brasileiros arrecadaram, ao longo de 2005, a impressionante cifra de quase R$31 bilhões, a título de tarifas por prestação de serviços bancários. Esse número, pasmem os senhores, é superior à dotação orçamentária de 26 Estados brasileiros! Desse modo, não vislumbramos qualquer justificativa razoável que fundamente a continuidade desse procedimento de cobrança, especialmente quando constatamos que o sistema financeiro multiplica, ano a ano, seus lucros astronômicos, valendo– se inclusive da cobrança de elevadas tarifas pela prestação de serviços bancários. As entidades filantrópicas sem fins lucrativos não podem ser equiparadas às demais empresas que têm outra finalidade e objetivam o lucro. É imperativo que a cobrança de tarifas pela prestação de serviços bancários seja suspensa por força de lei, resgatando, por equanimidade, o justo direito à isenção ao qual essas entidades fazem jus. Muito obrigado. O SR. ADEMIR CAMILO (PDT – MG. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, caros colegas, quero cumprimentar o Governador Aécio Neves pela entrega hoje, em Teófilo Otoni, de 3 viaturas e 1 moto à Polícia Civil. Espero que S.Exa. continue atuando forma, levando aos Municípios mineiros, principalmente aos dos Vales do Mucuri e do Jequitinhonha, os investimentos necessários para que possam se desenvolver e possibilitar à população local caminhar com suas pernas. Deixo aqui registrados meus agradecimentos ao Governador Aécio Neves, ao mesmo tempo em que parabenizo a população de Teófilo Otoni pelo benefício recebido. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. FRANCISCO ESCÓRCIO (PMDB – MA. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, caros colegas, venho a esta tribuna manifestar minha preocupação quanto aos salários dos funcionários do Estado Quinta-feira 13 19027 do Maranhão, principalmente em relação aos dos integrantes das Polícias Militar e Civil. Há um movimento grevista nas Polícias Civil e Militar do Estado do Maranhão por melhores salários – são os mais baixos do País. Chamo a atenção das autoridades maranhenses, sobretudo do Governador do Estado, para esse grave e lamentável fato, porque quem vai sofrer em decorrência dele é tão-somente a população. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Como alguns Parlamentares solicitaram informações a respeito, esta Presidência comunica que o Senador Renan Calheiros, por telefone, informou-lhe ontem à noite que, na próxima terça-feira, às 18h, será votado o Orçamento Geral da União. A votação não ocorreu ontem porque, apesar do acordo com os Srs. Governadores, havia problemas pendentes em relação aos Estados do Amazonas, da Bahia e de Sergipe. Espera-se que, até o início daquela sessão, por amplo entendimento de todos os partidos políticos com assento no Congresso Nacional, a votação do Orçamento seja concretizada. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra à Deputada Fátima Bezerra, por permuta com o Deputado Deley. A SRA. FÁTIMA BEZERRA (PT – RN. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente, que boa notícia esta de que o Orçamento será votado na terça-feira. Espero que, de fato, isso se concretize, mesmo porque essa demora é inaceitável. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, trago ao conhecimento da Casa que, por indicação do Partido dos Trabalhadores, quarta-feira passada fui eleita 1ª Vice-Presidenta da Comissão de Educação e Cultura, onde trabalharei ao lado da Deputada Neyde Aparecida e dos demais integrantes que compõem a nova Mesa daquela Comissão. Quero consignar a minha alegria e orgulho, pois a Comissão de Educação mais do que nunca este ano terá importante papel a desempenhar no que diz respeito ao fortalecimento e ao avanço da educação pública brasileira. A Comissão de Educação e Cultura tem sido vanguardista e protagonista na defesa das principais teses sobre escola pública, universidade, enfim, educação brasileira em geral, haja vista o papel que desempenhou ao lado da Comissão Especial criada para examinar a proposta do FUNDEB. Conseguimos, então, fazer um trabalho muito bom, inclusive chegamos a um consenso na Câmara dos Deputados. A proposta foi aprovada, mas infelizmente está encalhada no 19028 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Senado Federal por conta dos caprichos do Relator, Senador do PFL, o que tem causado prejuízos à tramitação da matéria Mas na Comissão de Educação e Cultura vamos continuar com o mesmo ímpeto em torno da questão e nos dedicar cada vez mais para consolidar o FUNDEB. Tão logo a proposta seja aprovada definitivamente, vamos nos debruçar sobre a sua regulamentação. Vamos igualmente nos dedicar à consolidação do PROUNI, importante programa de inclusão social que tem garantido a milhares de jovens por este Brasil afora o acesso à universidade. A Comissão também vai se dedicar muito este ano à expansão do ensino médio tecnológico com toda a revolução que o Governo do Presidente Lula vem fazendo, bem como à proposta da reforma do ensino superior que será enviada ao Congresso Nacional – e, naturalmente, a Comissão de Educação vai ser o palco principal para a discussão de tão fundamental matéria. Por fim, quero comunicar que, logo mais, às 10h, a Comissão de Trabalho vai promover audiência pública para tratar da demora no andamento dos processos de indenização dos anistiados políticos ou de seus dependentes. Estamos aguardando a presença do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos; do Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo; e do Presidente da Comissão de Anistia, Dr. Marcelo Lavenère. Nossa expectativa é que, de fato, a reunião seja muito proveitosa. Evidentemente, se formos analisar a tramitação desses processos, constataremos que, comparativamente, no Governo do Presidente Lula eles andaram muito mais rápido do que no Governo anterior. Ainda assim, o andamento é muito moroso. É bom lembrar que esses processos dizem respeito a cidadãos em idade bastante avançada, debilitados, até porque foram vítimas de perseguição e tortura naquele período de exceção que tanto sofrimento causou ao povo brasileiro. Com isso se deu há 40 anos e o trâmite demorado, alguns que pediram reparação e justiça – pelo menos, diga-se de passagem, justiça do ponto de vista material – já se foram. No meu Estado, há vários assim. Recentemente, o Sr. Raimundo Nonato, que tanto lutou pelas liberdades democráticas e por um País livre, faleceu. Na verdade, Sr. Presidente, a vitória do Presidente Lula nos encheu de esperança, e nos enche ainda, no sentido de que seja exatamente no atual Governo que possamos ver corrigidas essas injustiças. Portanto, quero reafirmar: minha expectativa é de que a reunião seja proveitosa e, sobretudo, de que todos os cidadãos anistiados tenham a garantia de que esses processos serão agilizados. Abril de 2006 Durante o discurso da Sra. Fátima Bezerra, o Sr. Inocêncio Oliveira, 1º Secretário, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Ademir Camilo, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Ademir Camilo) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Jackson Barreto. O SR. JACKSON BARRETO (PTB – SE. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, há poucos minutos, ouvimos o Deputado Inocêncio Oliveira, na presidência dos trabalhos, comunicar que o Orçamento da União não mais seria votado hoje porque haveria problemas pendentes com relação aos Estados da Bahia, Sergipe e outros, depois de o Deputado Jutahy Junior ter anunciado que os Governadores haviam feito acordo em torno da Lei Kandir e que o Orçamento da União seria votado hoje. E lá se vêm mais pressões e, eu diria, até algumas chantagens. O que deveríamos fazer era mostrar ao povo brasileiro como se retiraram mais de 500 milhões do FUNDEB. Estamos assistindo a um jogo sujo de chantagens, de que vou falar agora. O Presidente Inocêncio Oliveira referiu-se ao Estado de Sergipe. Quero dizer à população do meu Estado e à do Brasil que o Governo do Estado de Sergipe tem dito permanentemente que está sendo vítima de perseguição do Governo Lula e, por isso, vê-se impedido de realizar operações de crédito e empréstimos em âmbito internacional. Na verdade, o Governo do Estado não cumpriu a Lei da Responsabilidade Fiscal, e não apenas o Estado de Sergipe, mas também Mato Grosso e Roraima – que isso fique bem claro. Ontem, conversei com o Procurador-Geral do Estado, e, hoje, pela manhã, um Deputado do Rio Grande do Sul me informou que o Estado está impedido de receber recursos normais da União por não ter cumprido as determinações da Lei de Responsabilidade Fiscal com relação à saúde. Que fique bem claro, repito. Não se trata de perseguição do Governo Lula nem da Oposição de Sergipe, mas do fato de o Estado não ter atendido às disposições da Lei de Responsabilidade Fiscal, pelo que ficou impedido de obter o aval do Ministério da Fazenda para realizar operações de empréstimo. É chantagem em cima de chantagem, e o Orçamento da União não é votado. Nesta oportunidade, Sr. Presidente, quero dar conhecimento à Casa de que entreguei ao Presidente Lula, por intermédio de sua assessoria, as propostas da Frente Parlamentar de Transporte Público para barateamento das tarifas de transporte, tendo em vista Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS que no final do mês se realizará em Brasília a Marcha dos Prefeitos Municipais. O Presidente da República prometeu tomar providências para diminuir o alto índice de exclusão existente no País no que se refere ao direito de ir e vir da população pobre, isto é, o direito de usar o transporte coletivo. São propostas concretas. A alteração da contribuição social desonerará a folha de pagamento, o que resultará na redução de 5% das tarifas do transporte público. Em relação aos tributos federais – PIS, PASEP e COFINS —, a mudança de tratamento poderá reduzir em 3,65% o preço do transporte público. A desoneração da energia elétrica provocará o barateamento de 60% no preço da utilizada pelo transporte público, o que, por sua vez, reduzirá em 7% a tarifas das passagens de trens e do metrô. A redução no preço do óleo diesel ocasionará diminuição da ordem de 10% nas tarifas de transporte público urbano e de característica urbana. Finalmente, sugerimos também o estabelecimento de subvenção ao preço do óleo diesel. No documento enviado ao Presidente da República, mostramos, de forma didática, a necessidade do pacto entre o Governo Federal, os Governos dos Estados, através do ICMS, e os Governos Municipais, principalmente os das Capitais, com relação ao ISS e à taxa de gerenciamento das diversas Secretarias de Transportes. Feito tudo isso, em concordância com o interesse público, haveremos de conseguir o barateamento do preço das passagens de transporte público. Oferecemos ao Presidente Lula essa proposta séria, objetiva e didática como contribuição para que o País diminua a exclusão de tantos brasileiros que não usam transporte público porque não podem pagar o preço das passagens. Muito obrigado, Sr. Presidente. Quinta-feira 13 19029 R$43,713 bilhões para os cofres da União no mês de janeiro deste ano, considerado recorde, sendo 7,25% superior a de janeiro de 2005. No dia 20 de fevereiro a Petrobras divulgou que obteve um lucro recorde de US$23,7 bilhões no ano de 2005. Considerando o exposto e o compromisso social do atual Governo Federal de combater o flagelo da pobreza, a Frente Parlamentar do Transporte Público apresenta as seguintes propostas: 1 – Alteração da Contribuição Social Alteração da base de cálculo dos encargos sociais incidentes sobre os serviços de transporte público urbano e de característica urbana, calculados atualmente sobre valor total da folha de pagamento de pessoal, para o faturamento das empresas operadoras do transporte público, mediante a adoção de uma alíquota de 2,5%, nos mesmo moldes adotado para à agroindústria pela Lei nº 10.256/2001, desonerando com isso os custos com mão de obra deste serviço público e, a partir daí, adotar rigoroso controle de pagamento de encargos futuros do INSS, sob pena de se perder o benefício da alíquota privilegiada. Resultado esperado com esta medida: Redução de 5% nas tarifas do transporte público urbano e de característica urbano. 2 – Tributos Federais BARATEAMENTO DAS TARIFAS DO TRANSPORTE PÚBLICO URBANO PROPOSTAS Dar o mesmo tratamento tributário federal aos serviços de transporte público urbano e de característica urbana, como já concedido a determinados produtos agrícolas e ao material didático, livros técnicos e científicos, estabelecidos na Lei nº 10.925/2004, a qual reduziu a 0 (zero) as alíquotas das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, como forma de baratear o custo dos alimentos e da educação para a população carente. Resultado esperado com esta medida: Redução de 3,65% nas tarifas do transporte público urbano e de característica urbana. Introdução 3 – Desoneração da Energia Elétrica A exclusão social tem vitimado 37 milhões de brasileiros que não estão utilizando o transporte público de suas cidades, por não disporem de recursos para pagar a tarifa, ou seja, a tarifa deste serviço público está cara. Tal fato constitui-se numa das formas mais dramáticas de exclusão social já que restringe o acesso das pessoas ao trabalho, à saúde, à educação e ao lazer, em suma, ao próprio exercício da cidadania. Recentemente, o Ministério da Fazenda divulgou que a arrecadação de impostos e contribuições rendeu Redução em 60% do preço da energia elétrica utilizada no transporte público urbano e de característica urbana. Nos últimos anos o preço diferenciado da energia elétrica destinado aos sistemas de transporte público metro-ferroviário foi suprimido, contribuindo para o aumento do custo deste transporte público e consequentemente para exclusão social. Dessa forma a citada proposta significaria uma aumento no custo nacional de 0,6%, ou seja, R$0,01 para cada consumidor de energia elétrica no país. DOCUMENTO A QUE SE REFERE O ORADOR: 19030 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Resultado esperado com esta medida: Redução de 7% nas tarifas no transporte público urbano e de característica urbana. 4 – Desoneração do Óleo Diesel 4.1 – Redução no Preço do Óleo Diesel Redução em 50% do preço do óleo diesel utilizado no transporte público coletivo urbano e de característica urbana, mediante a redução a zero das alíquotas dos tributos federais (PIS, Cofins e Cide) incidentes sobre o óleo diesel destinado ao transporte público coletivo urbano. Tal medida deverá ser associada ao aumento da Cide incidente sobre os demais combustíveis, com exceção do GNV, com objetivo de que este aumento na arrecadação seja destinado para financiar a redução do preço do óleo diesel. Resultado esperado com esta medida: Redução de 10% nas tarifas do transporte público urbano e de característica urbana. Abril de 2006 f) Os Estados que aderirem ao programa deverão dar isenção do ICMS sobre o óleo diesel destinado ao transporte público e g) Os municípios deverão reduzir seus tributos e taxas incidentes, como ISS e Taxa de Gerenciamento sobre este serviço público a uma alíquota máxima pactuada ou subvencionar em no mínimo 3% os custos do serviço. h) A redução de custos decorrente deste programa deverá se integralmente transferida para as tarifas sob um controle efetivo do poder público federal e municipal. Observe no quadro abaixo os valores estimados de subvenção dos entes federados e os reflexos nas tarifas do transporte público das cidades: 4.2 – Subvenção ao Preço do Óleo Diesel. Hoje no Brasil já existe um pacto federativo entre União e Estados que garante uma subvenção econômica ao preço do óleo diesel consumido por embarcações pesqueiras nacionais, mediante procedimentos operacionais e um controle efetivo do poder público. Observa-se que neste pacto foi estabelecido que a fruição do beneficio federal está condicionada à isenção de ICMS sobre o óleo diesel pelo Estado onde se localiza a distribuidora do combustível. Dessa forma, buscaria a concessão de uma subvenção ao preço do óleo diesel utilizado no transporte público urbano e de característica urbana em todo país, mediante os seguintes procedimentos: a) A subvenção seria aprovada por lei federal e regulamentada por ato do Poder Executivo (Decreto), com recursos assegurados anualmente no Orçamento Geral da União; b) Esta subvenção seria concedida diretamente às empresas operadoras do transporte público das cidades, e conseqüentemente reduziria as tarifas cobradas dos usuários, ou seja, inclusão social. c) O Ministério das Cidades será o órgão federal responsável pelo controle e pagamento da subvenção. d) Os órgãos federais, estaduais e municipais do transporte público participarão do programa de subvenção na habilitação dos beneficiários, fornecendo informações técnicas e controle dos benefícios. e) O pacto federativo deverá ser uma condição para que os Estados e Municípios participem do programa de subvenção e dêem sua contrapartida. As propostas ora apresentadas permitiriam uma redução significativa nas tarifas dos serviços de transporte público urbano em todo o país, e conseqüentemente, a reintegração de milhões de brasileiros a este serviço público de caráter essencial. Brasília, 29 de março de 2006. – Deputado Federal Jackson Barreto, Coordenador da Frente Parlamentar do Transporte Público. O DELEY (PSC – RJ. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero saudar a Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, símbolo da industrialização no País, pela transcurso, no último dia 9, do seu 65º aniversário de fundação. Claro que eu gostaria de agora tecer os maiores elogios àquela grande empresa, orgulho do nosso País, mas, infelizmente, não é o caso. A CSN hoje é administrada pelo Sr. Benjamin Steinbruch, figura que prega uma coisa nas colunas dos grandes jornais do País e pratica outra na cidade de Volta Redonda. Para que tenham idéia, Srs. Deputados, a última do Sr. Benjamin Steinbruch foi não pagar o IPTU devido por sua empresa. Fico verdadeiramente estarrecido com a atitude dessa figura que se diz um democrata, que todos os dias fala em responsabilidade social, mas que não paga à Prefeitura de Volta Redonda um imposto que representa 47% da receita do Município, sob a alegação de que o imposto está incidindo sobre Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS área maior do que a em que a empresa está instalada. O mais interessante, entretanto, é que nos balanços da empresa e na prestação de informações ao exterior ele se refere à extensão dessa área cobrada pela Prefeitura. Na verdade, não sei aonde vamos parar. Volta Redonda depende muito da CSN e sempre teve grande orgulho de ter a CSN instalada em seu território. Diz-se até, em termos de brincadeira, que não se sabe quem veio primeiro, se Volta Redonda ou a CSN. Mas, infelizmente, de uns tempos para cá, a administração da empresa resolveu virar as costas para a nossa cidade. Vivemos um momento muito interessante neste País, em que podemos expor as mazelas nacionais. Estou informado de que já existem assinaturas suficientes para a instalação da CPI da Privatização, destinada a verificar o que de fato ocorreu naquele período um tanto quanto obscuro. No processo de privatização da CSN, não foi privatizada apenas a empresa, mas grande parte das terras da cidade, que hoje se sente engessada, porque o Sr. Benjamin Steinbruch não as disponibiliza para o desenvolvimento de Volta Redonda. Ontem, a cidade recebeu a visita do Ministro Gilberto Gil, que foi conhecer os trabalhos sociais da Fundação CSN. Quem sou eu, Sr. Presidente, para dizer os locais que os Ministros do Governo Lula devem ir. Mas lamento muito que o Ministro Gilberto Gil tenha ido prestigiar um empresário que vira as costas para uma cidade, que não quer pagar o IPTU devido, impossibilitando o Prefeito Gothardo Lopes Netto de dar continuidade a ações sociais. Espero, porém, que o Ministro Gilberto Gil tenha ido ao local onde existia uma horta dos funcionários aposentados da CSN e que o Sr. Benjamim mandou fechar. Espero também que o Ministro Gilberto Gil tenha ido visitar as 6 famílias que vivem nas terras da CSN, cercadas por uma cerca ridícula e vigiadas 24 horas por seguranças particulares. Espero ainda que o Ministro Gilberto Gil tenha ido a um dos 8 clubes sociais que o Sr. Benjamin Steinbruch quer tomar de volta ou cobrar aluguéis de 2 mil reais. Até imagino que esses aluguéis ajudarão muito a subir o valor das ações da CSN na Bolsa de Valores de São Paulo. Sr. Presidente, quero ressaltar a importância da CSN para Volta Redonda, para o Estado do Rio de Janeiro e para o País. Infelizmente, hoje, a CSN vem sendo administrada de forma errada, por alguém insensível, que vira às costas para a cidade e para o povo que sempre teve orgulho daquela empresa. Muito obrigado, Sr. Presidente. Quinta-feira 13 19031 O SR. CORIOLANO SALES (PFL – BA. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, sem dúvida tem criado um profundo constrangimento no País, notadamente no Poder Judiciário e no meio jurídico de maneira geral, o comportamento do Ministro Thomaz Bastos. É S.Exa. um advogado de escol, de nomeada, um dos mais expressivos advogados criminalistas do País, e por isso mesmo foi Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, mas seu comportamento duvidoso e suas evasivas têm causado muita estupefação. O Sr. Sr. Márcio Thomaz Bastos precisa depor. Não pode pairar suspeita sobre seu comportamento como Ministro da Justiça. Há uma dúvida em relação à sua possível orientação ao Presidente Lula sobre o caixa 2 naquela famosa entrevista em Paris, quando S.Exa. disse que caixa 2 não é crime porque no Brasil é essa é uma prática considerada comum. A partir disso, avançouse na idéia de que todo o mundo pode praticar caixa 2 no País, o que não é verdade, porque se trata de um comportamento criminoso. E ficou evidente, na quebra do sigilo bancário do caseiro, a participação do Ministro Márcio Thomaz Bastos, que orientou o Ministro Palocci. Dizer que Palocci precisava ser esclarecido sobre o que determina a Lei nº 4.565, que trata do sigilo bancário, é tapar o sol com a peneira! O Ministro da Fazenda não precisaria ser informado de que quebra de sigilo bancário é crime, e crime inominável, porque infringe todas as regras da fidúcia, da confiança no sistema financeiro, precisamente no nosso sistema bancário. Mancomunou-se o Ministro da Fazenda com o Presidente da Caixa Econômica Federal para estabelecer uma quebra de sigilo bancário e culpar funcionários subalternos, e essa prática criminosa provocou uma situação embaraçosa, duvidosa, com o Ministro da Fazenda eximindo-se da responsabilidade e culpando servidores subalternos, argumentação essa que não merece crédito de maneira alguma. É por isso, Sr. Presidente, que o Ministro Márcio Thomaz Bastos precisar vir depor no Congresso Nacional, seja no plenário da Câmara dos Deputados, seja no do Senado Federal, seja na CPI dos Bingos, para prestar esclarecimentos. A Nação precisa ouvir o Ministro da Justiça, porque não se trata de um Ministro apenas do Presidente Lula, mas de todo o Brasil. Somos o quinto maior país do mundo, tanto em população quanto em território, e uma das maiores economias do mundo; enfim, somos um país com projeção internacional. Não é possível que se pratique esse esbulho e se mantenha esse tipo de comportamento, 19032 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS que, sem dúvida alguma, representa um escárnio para a sociedade brasileira. O SR. COSTA FERREIRA (PSC – MA. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a energia elétrica é um bem que deve constar no cotidiano de todo cidadão brasileiro. Realidade ainda distante de milhões, principalmente das populações do interior do País, deve estimular o Governo Federal a ampliar seus esforços nesse sentido. Juntamente com a energia elétrica vem uma melhor qualidade de vida decorrente das facilidades e da economia que ela provê. A chegada da eletricidade é um momento decisivo para a vida das pessoas, mormente para o homem do campo brasileiro, porque com ela chega também o progresso e o desenvolvimento. A eletrificação rural é um vetor de desenvolvimento, que desencadeia um processo de diversificação das atividades do produtor rural, em especial o pequeno e o médio agricultor, permitindo-lhe o acesso ao mercado agroindustrial e comercial, e fomentando assim, em última instância, o crescimento da produção econômica do Estado. Para que possamos medir as abrangências dos efeitos desse processo de eletrificação, basta enumerar alguns desses efeitos, tais como, no caso do produtor rural, o aumento da produtividade agrícola, o aumento da renda líquida advinda da exploração da agropecuária e a sensível melhora da qualidade de vida, por meio do contato com os meios de comunicação, da introdução da conservação de alimentos nos hábitos de consumo e da implantação de infra-estrutura de saneamento. Também outros setores da economia são beneficiados, em conseqüência dos ganhos na agricultura. A indústria e o comércio vêem suas vendas expandirem-se, com a aquisição de novos equipamentos, de materiais de construção, com a modernização das instalações internas, com a irrigação, com a disseminação do uso de eletrodomésticos etc. A arrecadação do Governo aumenta, em decorrência do estímulo à atividade econômica, o que, por sua vez, faz aumentar a disponibilidade de recursos para obras de infraestrutura. Por tudo isso, a expansão da eletrificação rural tem sido uma preocupação constante do Governo brasileiro, consubstanciada nos Programas de Eletrificação Rural que se têm sucedido ao longo do tempo. Apesar de todo esse esforço, entretanto, ainda estamos bastante atrasados. A taxa de eletrificação rural no Brasil está muito abaixo do tolerável, e esconde uma enorme disparidade Abril de 2006 regional: nos Estados das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a taxa média mal supera os 10%. Se já era ruim, hoje em dia, com a recessão econômica e o corte generalizado de investimentos, acompanhado da impossibilidade do recurso aos empréstimos externos, a situação brasileira tornou-se pior ainda. O caso do Maranhão é um doloroso exemplo desse estado de coisas. O desenvolvimento de regiões inteiras do Estado está emperrado por falta de eletricidade – mesmo em Municípios com grande potencial agrícola, pecuário, extrativista e de mineração. Apelo, portanto, para esta Casa, e mais: para o Ministério da Infra-Estrutura, no sentido que se tomem providências que sanem o problema. Estou empenhado numa grande luta para levar a energia elétrica a vários Municípios do Maranhão, na esperança de resolvermos essa questão. Não podemos esquecer que levar eletricidade ao campo é impedir o êxodo que despovoa nosso meio rural e incha os grandes centros urbanos, com as conseqüências que são do conhecimento de todos nós. Levar energia elétrica ao homem do campo é iluminar a cidadania. Muito obrigado. O SR. NELSON MARQUEZELLI (PTB – SP. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na maioria das vezes usamos a tribuna para criticar, mas hoje quero usá-la para elogiar o Presidente da Cooperativa de Crédito Rural do Vale de Mogi Guaçu. Venho a esta tribuna para destacar o trabalho desse homem incansável e obstinado, que é exemplo de luta em favor do cooperativismo e da agricultura brasileira: o Diretor-Presidente da Cooperativa de Crédito Rural do Vale de Mogi Guaçu – CREDIGUAÇU, Sr. Mauro Benedito de Lima. Graças à sua gestão irretocável, os associados daquela cooperativa têm alcançado resultados surpreendentes, apesar das inúmeras dificuldades que hoje enfrenta o produtor rural brasileiro, vítima maior da política governamental de combate implacável à inflação, de prática de taxas de juros escorchantes, que afetam os setores produtivos, tirando-lhes recursos imprescindíveis para investir na produção. O setor de crédito, Sr. Presidente, durante o Governo do Presidente Fernando Henrique, passou por muitas dificuldades. Muitas empresas desse setor chegaram à beira da falência. Graças a Deus, no Governo Lula, mudou a situação e o crédito foi direcionado mais às cooperativas. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Estou aqui com o resultado positivo da Cooperativa de Crédito Rural do Vale de Mogi Guaçu – CREDIGUAÇU, com sede em Descalvado, onde nosso amigo, companheiro e agricultor Mauro Benedito de Lima tem realizado um trabalho extraordinário. Uma questão grave enfrentada pelo setor é a sobrevalorização do real. Em 2005 o agricultor brasileiro plantou com o dólar na casa dos R$3,20 e colheu com a moeda valendo cerca de R$2,50. Hoje a cotação não chega a R$2,20. O resultado para a agricultura foi uma forte descapitalização no período, o que, em síntese, penaliza o trabalho e compromete a produção. Para fazer frente a esses e outros tantos obstáculos responsáveis pela agonia do produtor rural, são necessárias ações responsáveis e conseqüentes. É preciso principalmente conhecimento da realidade, como também discernimento para descortinar as aparências, analisar as dificuldades e projetar soluções. Uma das formas de inverter a situação, de modificar esse quadro, é fomentar o cooperativismo de crédito, de modo a instaurar um círculo virtuoso, em que a cooperativa pague uma taxa superior à do mercado ao aplicador, captando mais recursos, o que lhe permitirá emprestar ao produtor descapitalizado, cobrando taxas inferiores às praticadas pelo mercado. Isso tem sido possível na CREDIGUAÇU, graças ao conhecimento que seu Diretor-Presidente demonstra acerca da realidade financeira do País, o que possibilita a gestão responsável dos recursos da Cooperativa. Graças a isso, em apenas um ano a carteira de empréstimos da instituição passou de R$20 milhões para R$30 milhões, com uma elevação de 50% dos recursos captados. Trabalhando com um spread de 0,88% em 2005, a CREDIGUAÇU pagou todas as suas despesas administrativas, tributárias e fiscais, além de algumas inadimplências, deduziu 10% para a Reserva Legal e 5% para o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social – FATES e ainda ficou com um resultado líquido de mais de R$1,3 milhão, para crédito na conta de capital do cooperado. O patrimônio líqüido da Cooperativa é hoje de R$8 milhões, possibilitando sustentação, estabilidade e segurança aos cooperados. Além do zelo pelas finanças, cujos resultados são expressos pelos números, a administração de Mauro Benedito Lima busca promover uma ação solidária entre o cooperativismo de produção e o de crédito, e também promove a integração dos associados, por meio da conscientização, do melhoramento tecnológico e da busca de novas alternativas. Exemplo disso é a implantação do SISBR, um sistema de informáti- Quinta-feira 13 19033 ca que realiza o controle administrativo e financeiro das cooperativas, além de interligar on-line todas as agências da CREDIGUAÇU e de interligá-las com outras cooperativas que utilizam o sistema. Com isso, os cooperativados, usando cartões magnéticos, já podem dispor de melhores serviços de cobrança e movimentação financeira – por exemplo, depósitos entre cooperativas, extratos detalhados e padronização de contratos, entre outros. Os avanços tecnológicos fazem-se visíveis por meio do Cartão SICOOB múltiplo e do CredConsignado. Com o cartão, o associado incorpora um hábito crescente do brasileiro, efetuando débitos diretos em conta, acessando via Internet extratos, saldos e contratos, assim como agendando e efetuando pagamentos sem burocracia e sem custo adicional. Por meio do CredConsignado, as empresas associadas podem oferecer empréstimos a seus funcionários com desconto em folha de pagamento. Essas e outras ações, integradas, fazem o sucesso da atual administração da CREDIGUAÇU, evidenciando um exemplo de trabalho sério, competente e responsável, nobres colegas – o trabalho de quem conhece o problema em toda a sua dimensão, avalia suas conseqüências, propõe e executa alternativas que contribuem para a sua solução. Meus sinceros parabéns ao Diretor-Presidente da CREDIGUAÇU, o Sr. Mauro Benedito de Lima. Oxalá esse exemplo se estenda aos 4 cantos da Nação. Várias cooperativas de crédito foram abertas em toda região. Mais recentemente, inauguramos uma em São Paulo, que, com certeza, apoiará o homem do campo. Muito obrigado. A SRA. LAURA CARNEIRO (PFL – RJ. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero apenas informar aos colegas que representei ontem esta Casa nas comemorações do aniversário de 65 anos da Companhia Siderúrgica Nacional. Compareceram à solenidade todos os Prefeitos da região, assim como vários Deputados Estaduais, e eu estive lá, repito, na qualidade de representante da Câmara dos Deputados. Solicito a V.Exa., Sr. Presidente, que faça constar dos Anais da Casa um suplemento especial do Diário do Vale sobre os trabalhos desenvolvidos pela CSN, bem como meus parabéns àquela organização. Obrigada, Sr. Presidente. SUPLEMENTO A QUE SE REFERE A ORADORA: 19034 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19035 19036 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19037 19038 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19039 19040 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19041 19042 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19043 19044 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PEDRO FERNANDES – Sr. Presidente, peço a palavra para uma reclamação. O SR. PRESIDENTE (Ademir Camilo) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. PEDRO FERNANDES (PTB-MA. Reclamação. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, precisamos respeitar os colegas. Na sessão extraordinária, o período de Breves Comunicações é destinado a pequenas participações. Fiz minha inscrição, mas a Mesa concede a palavra a vários colegas que não se inscreveram. É falta de respeito com o Deputado que chega cedo aqui e se inscreve. Quero registrar a falta de respeito da Mesa para com os Deputados, bem como de vários colegas que não respeitam os inscritos. E mais, Sr. Presidente, pode retirar meu nome da relação. O SR. PRESIDENTE (Ademir Camilo) – Aceitamos a reclamação do Deputado, mas lembramos que este é o momento de dar os discursos como lidos e para breves comunicações. O SR. PRESIDENTE (Ademir Camilo) – Com a palavra o Deputado Júlio Delgado. O SR. JÚLIO DELGADO (PSB – MG. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, venho a esta tribuna para demonstrar claramente meu estado de espírito nesta manhã de quarta-feira que antecede o Domingo de Páscoa. Quero, Deputado Orlando Fantazzini, parodiar o ator Paulo Gracindo em sua interpretação do personagem Odorico Paraguaçu, da obra de Dias Gomes O Bem Amado, dizendo que meu sentimento é o de quem está com a alma lavada, ensaboada e enxaguada. Faço questão de demonstrar meu estado de espírito, especialmente diante desse assunto tão sério que é a denúncia apresentada pelo DD. ProcuradorGeral da República Antonio Fernando de Souza, que veio ratificar o relatório por mim apresentado quando da representação contra o ex-Deputado José Dirceu. A denúncia está amparada em dados como a carta em que o Presidente da República pede às pessoas que se inscrevam no crédito consignado para aposentados e pensionistas do BMG com o fim de favorecer o repasse de recursos para o esquema de Marcos Valério, como os empréstimos do Banco Rural, como as concessões feitas para fins de repasse de recursos para o exterior e outros. Sras. e Srs. Deputados, hoje realmente estou com a alma lavada. Vejam as manchetes dos principais jornais: o Jornal da Câmara anuncia que a “Denúncia do MP envolve 40 nomes”; O Globo, que o “Procurador denuncia 40 e põe Dirceu como chefe de quadrilha”; a Quinta-feira 13 19045 Folha de S.Paulo, que a “Procuradoria acusa petistas de formar organização criminosa”. Muitas vezes meu relatório foi acusado de ser tendencioso, a ponto de por alguns momentos eu ter sido levado a refletir sobre a consistência probatória do relatório, do que eu havia afirmado na tribuna desta Casa. Hoje , mais do que nunca, minha consciência repousa, na certeza de que fiz justiça ao povo brasileiro, o verdadeiro mandante desta Casa. Se alguma injustiça foi cometida, ela ocorreu com a absolvição pelo Plenário desta Casa daqueles que participaram desse “esquema complexo de corrupção” – são palavras do Sr. Antonio Fernando de Souza, nosso Procurador-Geral da República – que partiu do Planalto, daqueles que agora responderão no foro do Poder Judiciário. Estou muito tranqüilo, na convicção de estar fazendo o que é certo e de agir em consonância com a sociedade brasileira, agora respaldado pela denúncia e pelo relatório apresentados pelo DD. Procurador-Geral da República Antonio Fernandes de Souza, indicado pelo Sr. Presidente da República. É essa independência do Poder Judiciário, é essa força do Poder Legislativo – a qual parte do Plenário quis respaldar, parte não – que eu vim confirmar. Agora a sociedade brasileira recebe do seu representante no Ministério Público Federal, o Procurador-Geral da República, as denúncias que tínhamos apresentado e pelas quais muitas vezes fomos questionados. Hoje a imprensa e a sociedade brasileira sabem que não se tratou de um jogo político-eleitoral, de uma manifestação parlamentar, mas sim de um ato de justiça contra quem, infelizmente, manchou a imagem do Poder Legislativo, numa relação promíscua que envolveu o Poder Executivo e esta Casa. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. REINALDO BETÃO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Ademir Camilo) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. REINALDO BETÃO (PL – RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, volto mais uma vez a esta tribuna para denunciar a empresa Ampla Energia e Serviços S/A, distribuidora de energia elétrica do Rio de Janeiro que atende 66 dos 92 Municípios do Estado – ou seja, a maioria –, pela maneira de proceder junto aos consumidores. Num ato arbitrário, seus funcionários entram na casa dos cidadãos acompanhados de seguranças privados para forçá-los a trocar o relógio tradicional por um chip instalado em cima de poste junto à rede de alta tensão. Com isso, o cidadão não tem o direito de ver se seu consumo está correto. Têm acontecido 19046 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS aumentos de 200%, 300%, 400% e até 500% em relação às medições anteriores. Sr. Presidente, estou entrando na Comissão de Defesa do Consumidor com requerimento de convocação dos Presidentes da Ampla e da ANEEL, para que esclareçam as mudanças. O Deputado Sandro Matos, aqui presente, é atuante na Baixada Fluminense e sabe as manifestações que vêm ocorrendo na Baixada e em todo o Estado. Venho, em defesa do consumidor, pedir aos colegas que fazem parte daquela Comissão que aprovem a convocação do Presidente dessa empresa, que tem agido de maneira arbitrária com o consumidor. Sr. Presidente, também quero registrar que hoje estamos convocando as empresas que fabricam estofados a lutarem pela redução do IPI. Em Minas Gerais, Estado que V.Exa. conhece muito bem e que hoje é um dos maiores produtores de móveis, paga-se 10% de IPI. Se o colchão é isento de imposto, por que não reduzir para 5%, se não é possível eliminar, o IPI sobre os estofados, em cuja composição são usados 70% de espuma? Qualquer casa, por mais humilde que seja, tem um conjunto estofado. O Governo está reduzindo o IPI do fogão de 4 bocas, presente na maioria dos lares. Eu o parabenizo por essa iniciativa. O sofá, como outros utensílios, precisa também dessa redução. Setores que geram milhares e milhares de empregos necessitam desse incentivo para produzir a preço mais justo para o consumidor, especialmente o de classe baixa. Solicito a todos os Deputados representantes dos pólos moveleiros do Paraná, do Rio Grande do Sul, de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, do Espírito Santo, entre outros, que se insiram nesta grande jornada para que possamos reduzir o IPI dos estofados. Para finalizar, Sr. Presidente, quero falar sobre a PEC nº 2/03. Os funcionários públicos requisitados precisam que essa proposta seja votada. Teremos eleições este ano, e a maioria dos funcionários do TRE e do TSE, que são requisitados, terão de retornar aos seus órgãos de origem. Peço apoio aos Deputados e aos Srs. Líderes. Que a PEC nº 2/03 seja votada, a fim de aqueles funcionários atinjam sua meta. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Ademir Camilo) – Com a desistência dos Deputados Pedro Fernandes e Antonio Carlos Biscaia, passo a palavra ao nobre Deputado Érico Ribeiro. O SR. ÉRICO RIBEIRO (PP – RS. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na semana passada o Governo anunciou que a previsão Abril de 2006 da safra agrícola de 2005/2006 está em torno dos 120 milhões de toneladas, volume que é o segundo maior da história do País. E, na mesma ocasião, o Governo anunciou também a tomada de algumas medidas para melhorar a situação crítica dos agricultores. Infelizmente, as medidas anunciadas foram muito inferiores ao valor do prejuízo e pouco expressivas em função do grave problema enfrentado pelo setor. Calcula-se que o endividamento acumulado dos agricultores no ano passado e este ano gire em torno de R$30 bilhões. Realmente, o setor encontra-se em uma situação dificílima, e constata-se que o problema não é emergencial, pois tem raízes profundas; então, precisamos tomar medidas estruturais. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é importante destacar que o Governo não cumpre a lei que determina a fixação de um preço mínimo para os produtos agrícolas. E não é apenas este Governo. Desde 1992, todos os Governos vêm deixando de cumprir a lei do preço mínimo. Entre as medidas estruturais a serem tomadas, sugiro a redução da burocracia, com a tomada de decisões mais objetivas e céleres pelo Governo; a renegociação das dívidas contraídas no passado, para que elas possam ser pagas; a redução dos juros e dos tributos sobre os produtos e insumos agrícolas, ou até mesmo a isenção, como no caso do PIS e da COFINS sobre a carne e outros produtos agrícolas; a desvalorização do câmbio, pois a atual taxa deixa nossos produtos gravosos, ou seja, com preço de venda no exterior inferior ao custo; a destinação de mais verba para o seguro agrícola; enfim, investimentos na infra-estrutura de todos os Estados. Nos últimos dias têm sido mostrados na televisão caminhões parados, atolados nas estradas de terra de Mato Grosso, Goiás, Tocantins e outros Estados produtores. Isso mostra, Sr. Presidente, que, como eu disse, precisamos tomar medidas estruturais, e não apenas emergenciais. Apenas dessa forma poderemos resolver definitivamente o problema da agricultura nacional, que tanto tem colaborado para o superávit da balança comercial e para a geração de emprego no País. Sr. Presidente, quero enfocar um outro assunto muito importante: a difícil situação da VARIG, empresa gaúcha com quase 80 anos de existência. Dizem que não se pode investir dinheiro público para solucionar problemas de empresa privada, mas o fato é que o Governo já investiu dinheiro público na VARIG, cujo patrimônio líquido negativo é de R$7,8 bilhões, dos quais R$4,5 bilhões foram aplicados pelo Governo. Esse crédito está totalmente perdido, porque a empresa tem patrimônio negativo. Para resolver o problema, o Governo não precisa investir um centavo Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sequer; basta fazer um acordo com os credores, dizendo que ninguém vai receber nada, e transformar esses créditos em ações. Só assim a empresa ficará completamente limpa e poderá ser negociada, com investidores que queiram explorar uma empresa de tradição, de prestígio internacional, com mão-de-obra excepcional e instalações em todo o Brasil. A falência da VARIG vai causar prejuízo não apenas para os 10 mil funcionários, mas para todo o País, já que perderemos as vagas da empresa nos aeroportos mais importantes do mundo. E o problema, Sr. Presidente, é de fácil solução. O Governo precisa apenas dar-se conta de que o crédito que possui não vale nada. A VARIG tem um patrimônio negativo que deve ser transformado em ações. Temos que fazer todos os esforços para salvar essa empresa. O Líder do partido do Governo, que inclusive é gaúcho, tem de juntar sua bancada e apresentar essa sugestão ao Presidente da República, a fim de resolver definitivamente o problema da VARIG. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. COLBERT MARTINS – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Ademir Camilo) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. COLBERT MARTINS (PPS – BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, quero registrar a presença nas galerias de alunos da Escola Classe 304 Norte. Muito obrigado a todos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Ademir Camilo) – Concedo a palavra ao Deputado Lincoln Portela. O SR. LINCOLN PORTELA (PL – MG. Sem revisão do orador.) – Sras. e Srs. Parlamentares, depois de décadas de pesquisa, a humanidade deverá em poucos anos descobrir um método eficaz para tratamento da malária. A boa notícia vem de Belo Horizonte, minha cidade natal: a unidade da Fundação Oswaldo Cruz de Belo Horizonte anunciou a criação do primeiro mosquito transmissor da doença geneticamente modificado da América Latina. A conquista representa uma nova estratégia de combate a esse mal. Atualmente, apesar de todos os esforços, ainda não se descobriu uma vacina totalmente eficaz contra a malária. Os inseticidas e os medicamentos conhecidos são inócuos para combater tanto o mosquito quanto o parasita. Com a criação do mosquito transgênico, os cientistas querem tornar mais resistentes esses hospedeiros à infecção pelo Plasmodium, protozoário causador da doença. Sras. e Srs. Parlamentares, o pesquisador Luciano Andrade Moreira, coordenador do projeto na FIOCRUZ, afirma que o mosquito transgênico representa uma Quinta-feira 13 19047 alternativa promissora de combate à doença. Embora esses estudos sejam ainda preliminares, o cientista mineiro espera que em menos de 10 anos os novos mosquitos possam ser introduzidos no campo, onde se misturariam aos mosquitos comuns e transmitiriam aos seus descendentes os genes antimalária de forma eficaz, sem riscos para o ser humano nem para o meio ambiente. A importância do experimento pode ser medida pelos impressionantes dados acerca da doença. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a malária é a doença tropical que mais causa problemas socioeconômicos no mundo, sendo superada em número de mortes apenas pela AIDS. É considerada um problema de saúde pública em mais de 90 países do mundo, onde 2,5 bilhões de pessoas – cerca de 40% da população mundial – convivem com o risco de contágio. Apenas no continente africano, o número de infectados e mortes passa dos milhões. No ano passado, a Fundação Nacional de Saúde detectou mais de 600 mil casos de infecção no Brasil. Desses, pelo menos 88 pessoas morreram. Parabenizo, na pessoa do pesquisador Luciano Andrade Moreira, a seção mineira da Fundação Oswaldo Cruz, que mais uma vez demonstra ao Brasil e ao mundo a excelência de nossos cientistas. Sr. Presidente, vou aproveitar esta oportunidade para lamentar a forma como a Diretoria do FNDE costuma tratar os Parlamentares desta Casa – ou melhor, a minha pessoa, porque não posso falar pelos demais colegas. Destinei em 2005, por uma emenda individual, R$250 mil para ônibus escolares. Quando fomos ao FNDE tentar a liberação dessa verba, eu e os Prefeitos mineiros que me acompanhavam, fomos muito mal recebidos. É lamentável que o Governo Federal, de cuja base faço parte, continue mantendo em altos postos esse tipo de indivíduo, que deveria, isto sim, atender-nos bem. As pessoas que me receberam na liderança do FNDE disseram que não poderiam enviar os ônibus escolares a alguns Municípios porque seus Prefeitos estavam destinando-os para outros fins. Ora, eu não sabia que o FNDE tinha competência para julgar Prefeitos! E o que está sendo feito é um juízo bastante antecipado. O fato é que não foram empenhados os R$250 mil, e sabemos o quanto as crianças precisam desse transporte. Sr. Presidente, lamento profundamente a incompetência do FNDE, e também a do Governo, que mantém em seus quadros pessoas incapazes, que tratam de forma ridícula Prefeitos e Parlamentares. Ficam registrados minha denúncia e meu lamento. Muito obrigado, Sr. Presidente. 19048 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Durante o discurso do Sr. Lincoln Portela, o Sr. Ademir Camilo, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Reinaldo Betão, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Reinaldo Betão) – Tem a palavra o Deputado Osmar Terra. O SR. OSMAR TERRA (PMDB – RS. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, para não parecer que fazemos apenas críticas, quero elogiar a sensibilidade da Ministra Dilma Rousseff quando ao caso do estaleiro da PETROBRAS. A Ministra atendeu ao veemente apelo do Governador Germano Rigotto. O estaleiro iria para Pernambuco, mas decidiu-se que ele ficaria no Rio Grande do Sul; depois, por falta de algumas providências, já estava ele indo novamente para Pernambuco, quando se resolveu mantê-lo no Rio Grande. A medida não foi tomada para prejudicar o Estado de Pernambuco, mas sim para garantir o projeto original. Elogio, portanto, a atenção que tem demonstrado a Ministra Dilma para com os pleitos do Governo do nosso Estado, que são na verdade os pleitos da sociedade gaúcha. O Rio Grande do Sul é o Estado mais prejudicado pela atual política econômica do Governo Federal. Somos um Estado exportador, e temos nossa economia sedimentada no agronegócio. Somos o Estado que mais produz máquinas agrícolas. Nossa produção de carne de aves, de suínos e de gado é enorme, e somos o maior exportador de calçados do Brasil. O dólar baixo e os juros altos estão criando uma situação econômica terrível para nós. A isso tudo, somem-se os prejuízos da Lei Kandir. Não está sendo reposto ao Estado o que ele deixa de ganhar com o ICM. O Rio Grande do Sul, no cálculo per capita, é o maior exportador do Brasil, e está sofrendo muito com essa política econômica. Ontem estiveram em Brasília vários Governadores, entre eles Germano Rigotto, do Rio Grande do Sul, Aécio Neves, de Minas Gerais, Blairo Maggi, de Mato Grosso, e Cláudio Lembo, de São Paulo. Eles vieram discutir os prejuízos provocados pela Lei Kandir. À medida que não é ressarcido daquilo que deixou de receber com o imposto da exportação, o Estado é prejudicado, assim como suas indústrias. O Rio Grande do Sul está com uma enorme dificuldade de pagar às indústrias o crédito a que elas têm direito por terem comprado em outro lugar e repassado a produção para o Estado. Portanto, a Lei Kandir está prejudicando também as empresas, que já têm dificuldade de exportar, por causa do dólar baixo, e ainda demoram a receber do Estado seus créditos. O Rio Grande está em situação Abril de 2006 difícil, mas mesmo assim está pagando às empresas – porém com recursos próprios, o que torna a operação demorada. Também estiveram ontem em Brasília empresários, representantes da CNI, o Presidente da FIERGS, Sr. Paulo Tigre, e o Presidente da FIESP. Eles fizeram ao Governo um apelo no sentido de que seja claramente prevista no Orçamento a reposição da Lei Kandir, ao menos os R$5,2 bilhões acordados, que deveriam ser R$9 bilhões. É oportuno registrar que esse acordo não é satisfatório, é apenas o possível, e vamos aceitá-lo. Uma parte das perdas – no valor R$1,3 bilhão – será paga conforme o aumento da receita. Também é muito importante que as parcelas do fundo da Lei Kandir de janeiro e fevereiro sejam pagas. Sr. Presidente, passando a outro assunto, registro nossa expectativa de que seja encontrada uma solução para os funcionários da VARIG. Acompanhamos ontem toda aquela mobilização. Os cerca de 11 mil funcionários da empresa não estão pedindo nada demais, apenas prazo. O Governo Federal deve assumir um compromisso com essas pessoas. Somos solidários à causa da VARIG, e vamos acompanhar em todas as instâncias o desenrolar do processo. Também quero lembrar que o projeto de lei complementar que regulamenta a Emenda Constitucional nº 29 precisa ser colocado em discussão e em votação o mais rapidamente possível. O Sistema Único de Saúde foi a maior mudança institucional feita neste País em favor dos pobres, dos mais necessitados. Milhões de vidas foram salvas pelo SUS. Participei, neste plenário, como integrante do Movimento Sanitário, da discussão e da votação dessa Constituição que é a mais avançada da nossa história. Naquela época, um determinado Parlamentar, que é elogiado por alguns e criticado por outros, agiu como um verdadeiro leão. Refiro-me ao então Líder do PMDB no Congresso, que tinha na época quase 300 votos, o nosso ex-Ministro Nelson Jobim, então Deputado Federal, que um teve papel decisivo na aprovação da legislação mais avançada e mais cidadã do mundo, em especial para a área da saúde. Mas, para que o SUS seja consolidado, é preciso resolver essa questão do financiamento e criar para os servidores, nos âmbitos federal, estadual e municipal, um plano de cargos e salários que preveja a dedicação exclusiva. O trabalho na área de saúde precisa deixar de ser só um bico e passar a ser uma opção de vida. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. NELSON PELLEGRINO (PT – BA. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, reitero desta tribuna o apelo que fiz ontem no sentido de que possamos encontrar uma solução para Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS a grave crise em que se encontra a VARIG. Ontem esta Casa recebeu os empregados da empresa, que apresentaram uma proposta ao Governo. Queremos uma solução definitiva para essa empresa, que é um patrimônio importante do País, uma marca brasileira no exterior. Gerações e gerações de brasileiros viajaram pela VARIG. Queremos, repito, uma solução definitiva, não mais uma medida paliativa como a moratória – que foi, num primeiro momento, recusada pelo Governo – ou a aplicação de dinheiro público na empresa para a situação continuar como está. A VARIG tem graves problemas administrativos e estruturais, e, se esses problemas não forem resolvidos, não vai adiantar moratória nem qualquer outro tipo de socorro. Só se prolongará a agonia. Queremos, insisto, enfrentar definitivamente esse problema, saneando a empresa, para permitir que ela continue a operar e a transportar os brasileiros. A proposta feita ontem pelos empregados da VARIG é um ponto de partida. Esperamos poder ir um pouco mais adiante. Registro também que ainda nesta manhã haverá uma audiência pública para discutir a situação dos anistiados. Na condição de Presidente da Comissão de Direitos Humanos desta Casa e de militante político, lutamos pela anistia e pela lei que reintegrou esses brasileiros ilustres que deram suas vidas para que a democracia se implantasse em nosso País. Digo que deram suas vidas porque muitos perderam seus empregos, suas funções públicas, seus cargos, e amargaram por anos e anos a impossibilidade do legítimo exercício de suas profissões. Em 1988, com a Constituição e com a legislação que aprovamos, a anistia foi consolidada. A maioria já retornou a seus postos, mas o período de 1988 até a reintegração ainda não foi indenizado. As contas montam a mais ou menos R$1 bilhão, considerando não só os processos que foram julgados mas também os que ainda não foram. Tentamos uma negociação entre o Governo e os anistiados que permita a conclusão e o julgamento de todos os processos, inclusive daqueles que ainda não receberam a indenização, ou que deveriam ter recebido seus salários, mas não receberam, e estão aguardando o julgamento. Já há um primeiro gesto do Governo Federal: além dos recursos que estão previstos, o Relator, em negociação com o Governo e com a comissão de anistiados, aumentou em R$200 milhões os recursos para o custeio. Na tentativa de contribuir, propus à Comissão de Direitos Humanos a constituição de uma subcomissão para acompanhar essa negociação. Há a expectativa da presença do Ministro Márcio Thomaz Bastos, do Ministro Paulo Bernardo ou de uma representação do Quinta-feira 13 19049 Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, nessa audiência pública, para retomarmos a negociação com vistas à reparação do direito desses ilustres brasileiros que deram suas carreiras e suas vidas à luta pela democracia, no combate à ditadura militar, para que pudéssemos exercer o direito de voz nesta tribuna com a democracia implantada em nosso País. Sr. Presidente, há alguns dias trafeguei pela rodovia estadual que corta o vale do Jiquiriçá. Aquela estrada está intransitável em alguns trechos, principalmente no que vai de Santa Inês até o Município de Itaquara, onde não existe mais asfalto. Em outros trechos, como entre Jiquiriçá e Ubaíra, são evidentes os problemas de conservação. O Governador Paulo Souto tem feito muita propaganda a respeito das estradas que ele recuperou. Fez inclusive uma grande propaganda sobre os 10 quilômetros dessa estrada que vai do Município de Itaquara até o Município de Jaguaquara, além da ligação de Jaguaquara até o entroncamento da BR-116. É urgente e inadiável a recuperação desses trechos, principalmente porque a Operação Tapa-Buracos do Governo Federal foi muito criticada. É importante destacar que, dos 20 mil quilômetros de rodovias federais intransitáveis em nosso País, o Governo Federal já recuperou 7 mil quilômetros, e deverá recuperar até o final de 2006 mais 7 mil quilômetros; ou seja, recuperará 70% das estradas que estavam intrafegáveis em razão de uma omissão de mais de 15 anos. Nesse sentido, apelo para o Governador Paulo Souto no sentido de que proceda à recuperação total dos trechos estragados entre Jiquiriçá e Ubaíra, porque ali a estrada não existe mais, e também do trecho que vai de Santa Inês até Itaquara, e de Jaguaquara até o entroncamento da BR-116. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Reinaldo Betão) – Comunico ao Plenário que vou reduzir o tempo dos oradores na tribuna para 3 minutos, a fim de que todos os Parlamentares possam fazer seus pronunciamentos. Peço a colaboração de todos. O SR. PRESIDENTE (Reinaldo Betão) – Concedo a palavra ao Sr. Deputado João Alfredo. O SR. JOÃO ALFREDO (PSOL – CE. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, é da maior gravidade a denúncia do Procurador-Geral da República sobre o inquérito do mensalão. É importante alertar que na verdade essa é apenas a primeira parte; poderá haver continuidade dos indiciamentos. É necessário também ressaltar que, tendo sido o Procurador-Geral nomeado pelo Presidente da República, a ele não pode ser assacada a mancha de interesses político-partidários ou mesmo de tentar 19050 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS influir no rumo das eleições. Fez-se ali um trabalho profundo, de natureza técnica, de investigação, que chegou a conclusões gravíssimas que não podem ficar sem resposta por parte do Congresso Nacional e da Câmara, em especial, e por parte dos Parlamentares e ex-dirigentes envolvidos. A acusação do Dr. Antônio Fernando de Souza é de que o Partido dos Trabalhadores montou – e a frase não é minha, é dele – “uma organização criminosa para garantir a permanência no poder. Para isso criou um esquema de corrupção para comprar apoio político no Congresso, pagar dívidas antigas da agremiação e financiar futuras campanhas eleitorais.” Apesar de não ter apontada a responsabilidade do Presidente da República, o Procurador-Geral aponta que devem ser indiciados por crimes graves como corrupção ativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e peculato os ex-Ministros mais importantes do Governo: José Dirceu, da Casa Civil, e Luiz Gushiken, da Comunicação e Estratégia. Ambos tinham gabinete no Planalto. O Procurador-Geral confirmou a existência do mensalão, da propina paga pelos petistas a Parlamentares de partidos da base aliada – PP, PL, PTB e parte do PMDB – para conseguir apoio ao Governo no Congresso Nacional. Dos Parlamentares citados, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, 5 deles – João Magno, João Paulo Cunha, Pedro Henry, Professor Luizinho e Romeu Queiroz – foram absolvidos por esta Casa, apesar de os Relatores dos processos terem solicitado a cassação da maioria ou de todos eles. Em nosso entendimento, isso prova, primeiro, que efetivamente há a premente necessidade de aprovarmos nesta Casa a PEC que acaba com o voto secreto e possibilita que a população saiba como votam os Parlamentares na Câmara dos Deputados; em segundo lugar, que é necessário haver um debate envolvendo a Esquerda. Em que pese ter o PT ter entre seus membros – e reconheço isso – valorosos militantes e Parlamentares atuantes, entre os denunciados, apenas 2 não pertencem mais às fileiras do partido: o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-secretário Sílvio Pereira. Os demais que aqui estão listados, ex-Ministros, ex-dirigentes e Parlamentares, continuam integrando as fileiras do PT. Não se fez a diferenciação entre o joio e o trigo, não se possibilitou a recuperação, o resgate da história de um partido que surgiu para transformar inclusive as relações políticas. E já que também é denunciado o ex-presidente do PSDB, o Senador Eduardo Azeredo, uma vez que o esquema de Marcos Valério começou na sua campanha, é preciso apontar uma alternativa Abril de 2006 que não nem seja a atual, do Partido dos Trabalhadores, nem a volta dos tucanos ao poder. Uma terceira via que resgate a esperança do povo e se paute pela ética na política e pelas mudanças sociais é o que se busca neste momento. É por isso que o Partido Socialismo e Liberdade chama a Esquerda, chama os trabalhadores, chama aqueles que querem mudanças efetivas a cerrarem fileiras em torno da companheira Heloísa Helena. Muito obrigado, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares. A SRA. ZELINDA NOVAES (PFL – BA. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no ano de 2005 um grupo de jovens da Região Sul do Brasil decidiu realizar um ato solidário no período da Semana Santa. Ao invés da troca de chocolates, preferiram mobilizar amigos para doarem sangue, refletindo assim o real significado da Páscoa, em uma campanha que cadastrou mais de 10 mil doadores no Brasil. Trata-se do Projeto Mais Vida, cujo sucesso ampliou seu alcance para boa parte da América do Sul. O projeto conta com o apoio da Igreja Adventista do Sétimo Dia e, pela sua importância e impacto, tem chamado a atenção da mídia e de diversas autoridades brasileiras. Em março deste ano, no nosso Estado da Bahia, o Governador Paulo Souto recebeu os representantes do Mais Vida, cuja proposta cativou a admiração da Administração Pública do Estado e recebeu dela apoio imediato. Também conheceram e apoiaram o projeto 25 empresários e representantes de classes e de entidades do extremo sul da Bahia, reunidos em Teixeira de Freitas. No sudoeste baiano, onde o projeto já está sendo chamado de “corrente do bem”, também tem sido muito bom o grau de receptividade. Na cidade de Irecê, recentemente, a programação de 5 igrejas foi interrompida para a apresentação de um vídeo em que imprensa e lideranças políticas apóiam o projeto. Em todo o País, o Mais Vida tem sido um sucesso. Até o dia 10 de abril estavam cadastrados mais de 35 mil doadores. Queremos registrar ainda, Sr. Presidente, que o projeto recebeu apoio também desta Casa, com a instalação de um stand no Anexo II. Srs. Parlamentares, lembramos que tramitam nesta Casa legislativa projetos e indicações de diversos Parlamentares que tratam desse assunto vital. São proposições que incentivam a doação de sangue e que poderiam contribuir em muito para a melhora do quadro deficitário de doação no nosso País; afinal, ainda são fortes na mente da população brasileira o preconceito, o medo e a desinformação sobre a doa- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ção de sangue, apesar de o ato não oferecer o mínimo risco de contaminação. De todos os esforços, certamente as milhares de vidas salvas graças a esse gesto humano, gesto que expressa amor, mas que muitas vezes é incompreendido e temido, tornam-se a maior propaganda e incentivo para a doação. Ouçamos a voz de um paciente que estava à beira da morte, dependendo de sangue para salvar sua vida. A gratidão dos pais que tiveram o filho salvo pela doação de sangue anônimo mostra, Sr. Presidente, a importância desse simples ato. Parabenizamos, portanto, os integrantes e doadores do Projeto Mais Vida, bem como a Igreja Adventista do Sétimo Dia, pela iniciativa e pelo apoio que prestaram nesta semana a esse projeto que, como bem indica seu slogan, leva-nos à memória de Jesus Cristo, que voluntariamente verteu Seu sangue para a nossa salvação na cruz do Calvário, deu tudo para que possamos dar um pouco de nós. O SR. PRESIDENTE (Reinaldo Betão) – Deputada Zelinda Novaes, parabenizo V.Exa. Creio que todos possamos doar sangue para salvar a vida do próximo. Termos um irmão de sangue é muito importante. A SRA. ZELINDA NOVAES – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, “Ele deu tudo para você doar um pouco” – foi com esse slogan que no ano de 2005 aquele grupo de jovens do Sul do Brasil realizou aquele ato solidário no período da Semana Santa. A inovação tem sido outra marca dessa campanha. Em Recife o projeto foi divulgado de uma forma diferente e ecológica, com a distribuição de 5 mil bolsas plásticas de lixo na orla da Praia de Boa Viagem, momento em que se aproveitou para conscientizar a população da necessidade de doação de sangue. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, queremos também comunicar que estaremos comemorando no próximo dia 15, junto com toda a população de Mata de São João, os 160 anos de existência daquele Município baiano. Fundado em 1846, o povoamento de Mata de São João remonta ao Século XVI, com a chegada dos colonos que acompanharam Garcia d’Ávila, homem de confiança de Tomé de Sousa, que deu nome a um Castelo hoje em ruínas, considerado por muitos autores como a residência particular mais monumental de que se tem memória nas Américas. Elevada à categoria de cidade por um decreto-lei estadual de 30 de março de 1938, atualmente Mata de São João integra a região metropolitana de Salvador e possui mais de uma centena de indústrias e quase mil estabelecimentos comerciais, além de um dos mas importantes parques hoteleiros daquela região, motivado pelo rico patrimônio natural constituído pela Quinta-feira 13 19051 Praia do Forte, pela Área de Reprodução de Tartarugas Marinhas, pela Praia de Imbassaí e pela Praia do Santo Antônio. Integra o Município de Mata de São João a Costa de Sauípe, onde está o internacionalmente conhecido complexo hoteleiro que conta com 5 hotéis dos mais variados estilos, que integram as mais importantes redes mundiais do setor. As ações voltadas para o turismo fazem o eixo Salvador-Mata de São João, na Costa dos Coqueiros, consolidar-se como um importante pólo internacional de turismo, próximo ao Aeroporto Internacional Deputado Luis Eduardo Magalhães. Certamente, seus quase 33.000 habitantes têm motivos para se orgulhar dessa terra, e é com eles que nos congratulamos nessa data, desejando também aos seus governantes, aos Poderes Executivo e Legislativo, uma próspera jornada sob as bênçãos do Senhor Deus. Muito obrigada. O SR. PRESIDENTE (Reinaldo Betão) – Concedo a palavra ao Sr. Deputado Eduardo Valverde. O SR. EDUARDO VALVERDE (PT – RO. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, faço pequeno reparo ao pronunciamento do ex-colega e ex-companheiro João Alfredo. Alguns partidos de esquerda têm feito discursos contundentes na Câmara contra o PT, esquecendo-se de que a Oposição está hoje monopolizada pela direita. Com esses discursos não se destacam de uma direita feroz, capitaneada pelo PFL e pelo PSDB. Essa oposição está centrada na direita mais conservadora, e os partidos de esquerda não fazem diferença porque não conseguem ter massa para dar eco às suas críticas, até porque se trata de críticas sem qualquer fundamento, sem nenhum projeto de país. Vou utilizar-me do discurso do Deputado João Alfredo para firmar o fato de termos hoje um Procurador-Geral da República que age de forma republicana, mostra a importância no País das instituições republicanas, que no passado eram representadas pelo poder político. O erro que eles hoje cometem é o de não fazer diferenciação entre a conduta individual e a entidade, o partido, numa tentativa de se apresentarem como oposição que quer destruir as instituições, como o fazia a antiga e velha esquerda e como fazem a antiga e a nova direita brasileira. Faz-se o contraponto não atacando a conduta individual, mas simplesmente tentando desmoralizar uma instituição partidária com os mais desonestos argumentos. O Procurador-Geral da República atua no processo, indicia, mas quem julga é a Justiça, com oportunidade para os acusados se defenderem, e somente 19052 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS o trânsito em julgado da sentença condenatória forma culpa. Assim é o Estado democrático de Direito. Na verdade, os argumentos utilizados pelo Procurador-Geral da República são diferentes daqueles utilizados no Conselho de Ética. Por esse argumento, coloca-se sob a nossa responsabilidade, do PT, construir uma verdadeira nação republicana, que, independentemente de quem governa, faz cumprir a lei. Essa é forma não muito correta de fazer oposição, de tentar ocupar o espaço que hoje, infelizmente, caros companheiros de esquerda, não está na mão de vocês, mas na da direita mais conservadora. Quero que tenham um pouco mais de atenção, porque aquele mundo que eles querem construir não é o nosso mundo. Teremos divergências específicas de concepção de esquerda e socialismo, mas nunca seremos adversários. O bom senso deve pairar na compreensão por parte de valorosos companheiros, que não se podem filiar àqueles que destruíram este País e não nos permitiram construir uma nação republicana. Sr. Presidente, registro ainda o Encontro Regional dos Estudantes de História, que ocorrerá na Universidade Federal de Rondônia. O evento começa hoje à noite e talvez seja o primeiro encontro regional de história em Rondônia. Parabenizo o DCA de História da Universidade Federal de Rondônia. Façam um bom debate. Por último, Sr. Presidente, convido todos os Parlamentares a se fazerem presentes na Conferência Nacional dos Povos Indígenas, que começa hoje. Pela primeira vez na história brasileira, as populações indígenas têm condições de traçar e estabelecer política indigenista que permita combater as desigualdade étnicas existentes no País, que tem de ser republicano. E vamos lutar para isso. Durante o discurso do Sr. Eduardo Valverde, o Sr. Reinaldo Betão, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Inocêncio Oliveira, 1º Secretário. O SR. GILBERTO NASCIMENTO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. GILBERTO NASCIMENTO (PMDB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, faço uma solicitação ao Presidente e aos Líderes da Casa. Logicamente, a pauta é decidida pelo Presidente, porém a com anuência dos Líderes. Ao passar pelos corredores da Câmara observamos que há um grande número de funcionários aflitos, vestindo uma capa onde se lê: “PEC nº 2/2003”. Essa PEC possibi- Abril de 2006 lita que servidores públicos requisitados optem pela alteração de sua lotação funcional do órgão cedente para o órgão cessionário. Ora, entendemos que essa situação não pode continuar. Esses funcionários querem falar com os Líderes, querem falar com o Presidente da Casa, mas infelizmente essa postura não tem resolvido o problema. Eles talvez estejam por aí há mais de uma semana. Portanto, peço que a Câmara resolva isso o mais brevemente possível, colocando a PEC nº 2, de 2003, na pauta. Os Deputados podem votar “sim” ou “não” ao projeto, mas que a questão seja resolvida e esses funcionários não continuem sofrendo pelos corredores desta Casa. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Com a palavra o Deputado Paulo Feijó, que disporá de 3 minutos na tribuna. O SR. PAULO FEIJÓ (PSDB-RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tem o presente pronunciamento a finalidade de apresentar moção de congratulações ao Grupo de Comunicação Folha da Manhã, sediado no norte do Estado do Rio de Janeiro, no Município de Campos dos Goytacazes, pelos relevantes serviços prestados aos interesses do interior fluminense com a prática do jornalismo combativo, crítico, construtivo, que baliza e aponta caminhos para o desenvolvimento regional. Tem sido o jornal Folha da Manhã um dos principais instrumentos a serviço de cidades como Campos dos Goytacazes e demais Municípios do norte e do noroeste fluminense, apresentando um foco sempre bairrista, sem nunca, entretanto, perder de vista a linha de raciocínio há quase 3 décadas implementada por aquele grupo empresarial, dando ênfase aos valores que nos são mais caros, ajudando-nos a identificar nossas principais limitações e, a partir desse ponto, a encaminhar as soluções. Respeito a postura do jornal Folha da Manhã pela forma ímpar como se tem postado na defesa das questões diretamente afetas a Campos e demais Municípios do norte e do noroeste fluminense, atuando sempre como um importante parceiro de meu mandato, fornecendo-me os subsídios e informações necessários para o exercício de minhas funções ao expor os anseios da população de nossa sociedade. É a Folha da Manhã, dentro do contexto do interior fluminense, um dos principais veículos de comunicação, um dos maiores jornais, justamente por estar sempre ao lado da população, das comunidades em que circula, beneficiando-as em suas páginas com coberturas jornalísticas, com apoio em campanhas, entre outras ações. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A Folha da Manhã apresenta-se como um jornal que assume responsabilidade, sendo essa a sua linha editorial e o compromisso inabalável de aliado do desenvolvimento de todo o norte, o noroeste e o centro fluminense. Desde o início de minha caminhada política, do meu primeiro mandato como Vereador – e foram 2 —, na cidade de Campos, ao segundo mandato como Deputado Federal, a Folha da Manhã tem sido para mim uma referência, pela abrangência de sua cobertura, por sua linha editorial ética e democrática. Encerro este pronunciamento, Sr. Presidente, desejando à Folha da Manhã que prossiga em sua trajetória de sucesso com a mesma luz que a tem acompanhado nesses anos, ao mesmo passo em que parabenizo toda a sua diretoria e seus funcionários pela excelência do jornal que levam todos dias para as bancas numa das regiões mais importantes deste País. Era o que eu tinha a dizer, Sr. Presidente. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao Deputado Orlando Fantazzini. DISCURSO DO SR. DEPUTADO ORLANDO FANTAZZINI QUE, ENTREGUE À REVISÃO DO ORADOR, SERÁ POSTERIORMENTE PUBLICADO. O SR. LUIZ COUTO (PT – PB. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, requeiro seja registrado nos Anais da Casa entrevista com o Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, publicada na Revista Teoria e Debate em sua edição nº 65, de março de 2006. Nessa entrevista, S.Exa. destaca a importância do Programa Bolsa-Família como carro-chefe do Ministério, que está consolidando no Brasil uma grande rede integrada de políticas sociais. O título da entrevista é Refundando o Estado. Ao mesmo tempo, Sr. Presidente, registro carta do Bispo de Xingu, encaminhada ao Ministro Paulo de Tarso Vanucchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, denunciando uma rede que alicia adolescentes para fins de exploração sexual. Entre os acusados está o médico e Vereador de Altamira, Renato Martins Pereira, citado como um dos chefes da quadrilha; Valtenes Machado da Silva, Horpelino Alves dos Santos e Edjeferson Guedes de Brito, todos foragidos. Daí a necessidade de uma ação que os capture e os faça pagar por seu crime. Por outro lado, Sr. Presidente, preocupa-me ver que o Orçamento ainda não foi votado porque a cada dia aumentam as chantagens, ora de um lado, ora de outro. Quinta-feira 13 19053 Quero lembrar àqueles que se dizem de alma lavada que denúncia não significa condenação. Caberá ao Judiciário acatá-la ou não para depois se instaurar um processo. Portanto, ninguém pode ser condenado antes de julgado. Esse é um princípio básico do Direito. Nesse sentido, é importante que as investigações continuem. Quando o Ministro recebeu o relatório da CPMI, o Procurador já tinha o seu pronto. Então, não foi a partir do relatório da CPMI que ele fez seu relato ou sua denúncia. Outros elementos, do Ministério Público e da Polícia Federal, devem ter servido de base para o seu parecer. Era o que tinha a dizer. ENTREVISTA A QUE SE REFERE O ORADOR: Refundando o Estado O ministro destaca a importância do programa Bolsa-Família, carro-chefe do ministério, que está consolidando no Brasil uma grande rede integrada de políticas sociais. Entrevista com Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e combate à Fome. por Hamilton Pereira* O presidente Lula, quando eleito, colocou o que ele apontava como o maior desafio: combater à fome. Passados três anos de governo, quais os avanços produzidos pelas políticas sociais do país para resgatar o compromisso do presidente? Estamos, efetivamente, erradicando a fome e a desnutrição no Brasil. Não considero que tenha sido uma promessa, mas o desejo manifesto pelo presidente, em sintonia com os melhores sentimentos nacionais no seu histórico discurso de posse. O desafio colocado pelo presidente quando disse que, se ao final de seu mandato todos os brasileiros tivessem acesso às três refeições diárias, teria cumprido a missão de sua vida, é uma possibilidade concreta no horizonte visível da nossa história. Não dá para prever se exatamente em dois ou três anos porque o Brasil é um país muito descentralizado, onde há um pacto federativo muito singular, em que os estados e, sobretudo, os municípios, a partir da Constituição de 1988, gozam de grande autonomia e são parceiros fundamentais para que se possa consolidar, como estamos fazendo, políticas sociais estratégicas. O combate à fome e à desnutrição entra nos campos dos direitos, das políticas públicas. Estamos falando no direito à alimentação, com regularidade, qualidade e quantidade, e pela primeira vez o Esta- 19054 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS do brasileiro assumiu o seu papel nesse processo. O combate à fome historicamente no Brasil foi colocado por pessoas e entidades. Algumas personalidades se tornaram notáveis, Josué de Castro, Betinho (Herbert de Souza), dom Hélder Câmara... Era uma questão da sociedade e foi tomada pelo Estado, claro que em sintonia com a sociedade. Havia uma visão filantrópica... Exatamente. Deixou de ser visão filantrópica, assistencialista, para figurar no campo dos direitos. Hoje, no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome nós temos a Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional, com políticas muito vigorosas que integram o Fome Zero, que não é uma política especifica, mas um conjunto de políticas especiais, ações governamentais e não-governamentais que visam assegurar o direito à alimentação. Trabalhamos na linha de produção de alimentos, em que é fundamental registrar o avanço notável da agricultura familiar. O Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) sai, em 2002, de R$2,2 bilhões para R$9 bilhões na próxima safra de 2006-2007 – quase quatro vezes mais. Em sintonia com o Pronaf, há o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que compra da agricultura familiar, garantindo trabalho e renda no campo a famílias de pequenos agricultores. O apoio à agricultura familiar vinculado à reforma agrária é fundamental, pois se trata da produção de alimentos para consumo interno e, dentro de uma concepção de sistema de políticas públicas integradas, estamos montando uma rede para garantir acesso ao alimento a populações de baixa renda, por meio de equipamentos como restaurantes populares, cozinhas comunitárias, bancos de alimentos, programas de educação alimentar, programa da agricultura urbana, a implantação de hortas comunitárias... Estamos também consolidando os Consads (Consórcio de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local). Já temos quarenta implantados em regiões com maior dificuldade de desenvolvimento, onde estamos vinculando a segurança alimentar e nutricional às políticas de desenvolvimento regional. Tivemos no governo do presidente Lula aumento de aproximadamente 40% e ampliação significativa da alimentação escolar. Enfim, implantamos o Consea (Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional) no plano nacional e a expansão do órgão em níveis estaduais e municipais, ajudando a criar nessas esferas a consciência de que a alimentação envolve a sociedade civil, é questão de solidariedade social e também de política pública que precisa envolver os três entes federados. O governo federal tem feito a sua parte. Abril de 2006 Podemos afirmar que o Estado brasileiro vem estabelecendo suas bases para uma estratégia de políticas sociais que se converta, em médio prazo, num Estado de bem-estar social, um pouco tardio, segundo o modelo do pós-guerra? Esse é o grande avanço. Estamos consolidando no Brasil uma enorme rede nacional de proteção e promoção social, no MDS e em outros ministérios, sempre na linha de parcerias dos dois grandes sistemas: o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Sistema Integrado de Segurança Alimentar e Nutricional. O SUAS está colocando as ações de assistência social no País no campo dos direitos sociais, das políticas públicas, superando definitivamente a fase do clientelismo, do assistencialismo, estabelecendo critérios absolutamente éticos, republicanos e construídos com a participação da sociedade, inclusive dos conselhos, especialmente dos Conselhos de Assistência Social. Estamos integrando ao SUAS o Bolsa-Família, que é o maior programa de transferência de renda da história do Brasil, um dos maiores, se não o maior, do mundo, hoje promovendo mais de 8,7 milhões de famílias, com presença em todos os municípios do País. Este está sendo integrado com o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), que transfere renda para as famílias e recursos para as prefeituras desenvolverem ações socioeducativas, garantindo atividades pedagógicas, culturais, esportivas, reforço escolar, para que as crianças e adolescentes não fiquem nas ruas. Estamos ainda trazendo para o Bolsa-Família o repasse da renda familiar básica e levando para a extensão de jornada ou ações socioeducativas todos os recursos destinados ao Peti, que nos possibilitará até o final do ano atender cerca de 3 milhões de crianças, que constituem o universo de crianças e adolescentes em situação de trabalho precoce no Brasil. Integraremos também o Bolsa-Família à casa das famílias, experiência vitoriosa fomialmente chamada de CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), espaço em que as famílias, além de contar com psicólogos e assistência social, podem usufruir de capacitação e treinamento profissional. Isso integrado também a nossos programas da Inclusão Produtiva. Enfim, todos os programas da assistência social que são benefício de prestação continuada são integrados. Há benefícios pagos a idosos e portadores de deficiências – com investimentos sociais superiores aos do Bolsa-família, mais de R$8 bilhões em 2005, aproximadamente 2,5 milhões de idosos e portadores de deficiências pobres recebendo regularmente o salário mínimo. Simultaneamente estamos implantando também o Sistema Integrado de Segurança Alimentar e Nutri- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS cional, vinculado às políticas já mencionadas. Desde a produção de alimentos, com apoio à agricultura familiar, à reforma agrária, com o Pronaf o PAA, o programa do leite, até o apoio alimentar direto às comunidades carentes e o acesso aos alimentos nos equipamentos mencionados. Queremos cada vez mais compartilhar todas essas políticas com os governos estaduais e municipais, agindo sempre dentro de critérios absolutamente éticos. Os programas são normatizados em lei ou liberamos os recursos por meio de editais públicos. Penso que estamos efetivamente refundando no Brasil o Estado do bem-estar social. Claro que em novas bases, com maior participação da sociedade, controle social, num momento histórico diferente, após a onda avassaladora do neoliberalismo. Há uma insinuação, não isenta de malícia política, de que o governo Lula, na área social, apenas deu continuidade às políticas do governo anterior. A partir do seu relato e considerando que os números gerados pelas pesquisas institucionais, pelo IBGE e por outras agências em geral revelam resultados expressivos, busca-se interditar as comparações, o que é um paradoxo. O governo Lula fez mais do mesmo ou produziu modificações de rumo efetivas? Está produzindo modificações de rumo. Estamos consolidando, ampliando e incorporando novos horizontes e novos paradigmas às políticas sociais no Brasil. Claro que existem antecedentes. Poderíamos retornar a 1930 com o inicio das conquistas sociais no Brasil, o Estado do bem-estar social ainda que inacabado no pais. Mas nos reportemos a um passado mais recente, à Constituição de 1988, que coloca a assistência social no campo das políticas públicas, vincula a assistência social à Previdência e à Saúde, determina atenção especial a pessoas, famílias e comunidades mais fragilizadas – indígenas, quilombolas, crianças, idosos. Tivemos no início dos anos 90 leis importantes como o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS). No governo anterior algumas políticas foram lançadas no apagar das luzes, em 2002, de forma fragmentada, dispersa. Não desconsideramos essas políticas, como o Peti, o Agente Jovem, o Sentinela, o Bolsa-Escola, o Bolsa-Alimentação, o Auxílio-Gás, apesar dos cadastros dispersos, fragmentados, com deficiências graves pelo processo apressado. Não fizemos “terra arrasada”, mas incorporamos e integramos tudo. Daí a importância do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, uma iniciativa extremamente acertada do presidente Lula, em sintonia com as mais modernas concepções de políticas públicas voltadas Quinta-feira 13 19055 para o acolhimento e emancipação dos pobres, porque aponta para uma perspectiva de ações integradas. Integramos a assistência social, a segurança alimentar e nutricional, a transferência de renda ou renda familiar básica por meio do Bolsa-Família, criamos secretarias fundamentais no campo das parcerias, inclusive com outros ministérios, outros órgãos públicos e também com estados, municípios, com a sociedade, com organizações não-governamentais. Criamos a secretaria voltada para a construção de indicadores, avaliação dos programas, monitoramento, avaliação de impacto, controle. Tudo para implantar uma rede articulada de políticas sociais. Esse é o grande diferencial. Assim como o fato de que colocamos a questão do direito humano à alimentação, à segurança alimentar e nutricional também no campo das políticas públicas. Poderíamos dizer que com Lula o Brasil recupera, em alguma medida, o caráter republicano do Estado com relação às políticas sociais? Sem dúvida. Claro que é um processo, pois houve grande fragilização do Estado brasileiro nos anos que antecederam a Presidência de Lula, dentro do paradigma do neoliberalismo, da globalização financeira desvinculada de outros compromissos éticos, sociais, o processo das privatizações com as limitações conhecidas. Com os problemas daí decorrentes, sem entrar na questão dos procedimentos, o primeiro grande desafio era recompor o Estado brasileiro como agente formulador e implementador de políticas públicas. Na concepção clássica liberal, colocou-se a idéia de que o Estado era o mal necessário. Já no período neoliberal, alguns chegam à conclusão de que o Estado éum mal desnecessário, admitindo que o mercado poderia substituí-lo. Estamos hoje pagando o preço alto da dívida social deixada por essa concepção que, infelizmente, prevaleceu no Brasil. Há ainda quem defenda que o Estado deva ser substituído, se não pelo mercado, depois do fracasso dessa experiência, pelas organizações não governamentais. Vivemos desde os anos 60, 70 as lutas contra a ditadura, nos movimentos sociais, defendemos o fortalecimento da sociedade, os espaços dos movimentos sociais, das organizações não-governamentais, mas o papel do Estado é insubstituível para pensar o pais a curto, médio e longo prazo. Num país continental como o Brasil, as ONGs, por mais generosas que sejam e por mais fundamental que seja seu papel, atuam setorial e/ou regionalmente. Precisamos ter o Estado para articular e integrar essas ações setoriais e regionais num grande projeto de Nação. Temos buscado a participação da sociedade, com os parceiros do Fome Zero, igrejas, empresários, 19056 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS movimentos sociais, sindicatos. Queremos as pessoas de boa vontade, as grandes campanhas para ajudar os pobres, mas estamos superando a fase do “Natal sem Fome” para construir todos os dias sem fome, da mesma maneira que se fazem políticas públicas como segurança, saúde, qualificação profissional, trabalho, saneamento básico. Esses direitos pressupõem uma ação decisiva do Estado, inclusive no sentido de equilibrar as relações e proteger os economicamente mais fracos. Há um debate que permeia as políticas sociais nos países em desenvolvimento, na América Latina ou na África. No Brasil, em geral, vem traduzido por uma máxima bastante conhecida que o mestre Paulo Freire aplicava à educação: “Dar o peixe ou ensinar a pescar?” O conjunto das políticas de ações sociais de combate à fome e à miséria no Brasil, no governo Lula, é de caráter compensatório ou estruturante, ou essa dicotomia não responde à questão? Uma coisa está diretamente ligada à outra: é dar o peixe e ensinar a pescar. Uma pessoa com fome, para usar a linguagem metafórica, que não conheça os equipamentos da pesca, não vai pescar e corre o risco de cair no rio e ser consumida pelos peixes. As pessoas têm de ser atendidas nas suas necessidades básicas aqui e agora, e numa perspectiva emancipatória. Temos de superar esse dualismo. Quem coloca essa questão, em geral, nunca deu o peixe nem ensinou a pescar. Os que dão o peixe, usualmente, são os que também ensinam a pescar porque faz parte da dialética do trabalho popular, do trabalho com os pobres, da participação efetiva e afetiva junto àqueles que estão construindo sua dignidade etc. A mesma coisa vale para políticas emergenciais versus políticas emancipatórias ou estruturantes. Elas se articulam, se integram. As políticas emergenciais são necessárias. Não se trata de assistencialismo assegurar a uma pessoa o direito áalimentação. O direito à alimentação é o primeiro degrau da cidadania, do direito àvida, da dignidade humana. Há alguns dias um critico do governo disse: “O governo Lula não deixará legado”. Como o senhor responderia a isso neste debate das políticas sociais? Afirmo com a segurança de quem estuda com seriedade a história do Brasil além das políticas sociais: nenhum governo realizou, no campo das políticas sociais, o que o governo Lula realizou. E certamente fará mais, porque, na medida em que as bases estão consolidadas, novos e maiores avanços são possíveis. Abril de 2006 É comparável, por exemplo, com o legado do governo Getúlio em 1943, com a CLT? Sim, um legado histórico do mesmo nível e sob certos aspectos avançando, porque estamos criando um sistema. Pela primeira vez na história do Brasil temos o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, voltado única e exclusivamente para os pobres e promovendo politicas articuladas nacionalmente. O ministério operou em 2005 com um orçamento superior a R$17 bilhões. Não estou falando dos recursos da Previdência Social, da Educação, da Saúde, do Pronat da Cultura e das outras áreas sociais. São recursos destinados única e exclusivamente para a promoção de pessoas, famílias, comunidades em situação de alta vulnerabilidade social, recursos que serão ampliados no próximo orçamento de 2006 para mais de R$21 bilhões. Considero como grande legado do governo Lula a refundação do Estado do bem-estar social, entre outros – no campo da política externa, na afirmação da soberania do pais, no setor energético, na afirmação da Petrobrás, no estancamento do processo de privatização. Ao contrário do que foi dito no passado, que era preciso sepultar o Estado varguista, estamos retomando – em bases democráticas, de participação social, no novo contexto histórico –, consolidando e ampliando as conquistas da era Vargas. Em uma entrevista a um prestigioso veículo da imprensa paulista, o senhor recomendava a necessidade do exercício crítico e a recusa da ingenuidade na disputa política em torno das realizações do governo no processo de sucessão que se inicia. Há quem tenha dito que o Bolsa-Família seria criticado pelos seus erros e, se desse certo, seria criticado muito mais ferozmente. Qual é a efetiva incidência do programa na vida concreta dos pobres e miseráveis do Brasil? O Bolsa-Família integra programas anteriores, o Bolsa-Escola, o Bolsa Alimentação, o Cartão-Alimentação, o Auxilio-Gás, cria o Cadastro Único, na perspectiva de garantir cinco direitos. Primeiro, o direito à alimentação, e estamos efetivamente vencendo a luta contra a fome e a desnutrição no Brasil. Segundo, o programa trabalha com condicionalidades, e estamos efetivamente cumprindo, em ação integrada com o Ministério da Educação, o controle de mais de 95% da freqüência escolar, e chegaremos a 100% neste ano, com o cartão magnético. Terceiro, cria as condições para que as crianças possam ir à escola, como alimentação, referência familiar e cuidados básicos com a saúde. Quarto, trabalha a preservação dos vinculos, dos valores familiares. Quinto, há a integração Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS do programa com políticas de desenvolvimento local, regional, geração de trabalho e renda; a integração com programas de inclusão produtiva, da economia solidária, o apoio ao cooperativismo; a integração com as políticas relacionadas com a agricultura familiar, para que as famílias tenham condições de se tornar auto-suficientes. É um programa de magnitude jamais vista no Brasil, está cumprindo rigorosamente suas metas – hoje são 8,7 milhões de famílias, aproximadamente 40 milhões de pessoas sendo atendidas –, com presença em todos os municípios do Brasil. Estabelecemos uma rede de fiscalização pública, temos convênios com os Ministérios Públicos estaduais e federal, de tal maneira que todos os promotores de Justiça, em todas as comarcas do Brasil, são nossos parceiros e fiscais do programa. Trabalhamos também com a Controladoria Geral da União, representada pela figura extraordinária do ministro Waldir Pires; com os Tribunais de Contas: com todas as prefeituras, na atualização dos cadastros e construindo em cada cidade os comitês de controle social do Bolsa-Família, consolidando uma rede de fiscalização pública e também uma grande rede na base de controle social. Há um crítico do Bolsa-Família de sólida reputação, o professor Paes de Barros. Recentemente ele disse se tratar de um programa frio, que precisava ter um contato mais pessoal com os destinatários, porque revela uma cobertura e, – ciente, mas, quando localiza o problema de um menino que não foi à escola, não tem ninguém lá na ponta para perguntar por que o menino não foi à escola. Assim, propõe a integração dos mais de 100 mil agentes comunitários de saúde para acompanhamentos desse tipo. O que lhe parece essa observação? O professor Paes de Barros tem sido um interlocutor e defendido o programa Bolsa-Família de forma vigorosa, como o professor Marcelo Néri, da Fundação Getulio Vargas, e outros estudiosos, no Brasil. Ele tem dialogado conosco e feito criticas pontuais, as quais temos acolhido. Estamos considerando essa participação mais efetiva dos 100 mil agentes comunitários de saúde. O Brasil é muito grande, descentralizado, precisamos dos estados e municípios, mas a participação é desigual em função das prioridades e dos compromissos de governadores e prefeitos. Também no caso da Agência de Saúde, a adesão dos agentes aos objetivos superiores do bem comum, da justiça social, é diferenciada. É preciso aprofundar nossas parcerias com o Ministério da Saúde. As ponderações do professor são acolhidas por nós com muita atenção, mas também fazemos algumas Quinta-feira 13 19057 pontuações. Não podemos esquecer que o Bolsa-Família tem dois anos e já é um êxito notável. No plano internacional, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, reconhece o programa como uma das experiências mais expressivas do mundo em termos de política social consistente, rápida, ágil e absolutamente republicana de promoção social. É possível, apesar da brevidade do tempo, mensurar essa capacidade de inserção ou reinserção das famílias destinatárias do Bolsa-Familia no processo produtivo de suas comunidades? Temos algumas pesquisas por amostragem que delineiam resultados muito positivos com relação aos cuidados com a saúde. O Brasil avançou muito desde a implantação do Sistema Único de Saúde, e o Bolsa-Família reforça muito isso. As pesquisas mostram a presença das crianças na escola, inclusive vinculando a alimentação escolar da merenda à melhora das condições de alimentação em casa. Seguramente as crianças vão para a escola com suporte melhor, roupa melhor, material escolar, cadernos, lápis... Já temos centenas de casos de famílias que devolveram o cartão ou porque conseguiram trabalho mais bem remunerado ou porque se inseriram em programas de geração de trabalho e renda, de agricultura familiar, Pronaf etc. Mas, mesmo dentro de um prazo exíguo para qualquer política pública, num pais desta dimensão e com sua dívida social, historicamente acumulada e em muito agravada em face da perversidade do modelo neoliberal concentrador, penso que temos dados muito fortes nessa linha. Vivemos uma situação de desemprego estrutural em razão do modelo político globalizado, do neoliberalismo e também da mudança de paradigma, com as inovações tecnológicas, que se agravam num pais onde a divida social impediu que no passado as pessoas tivessem assegurados os direitos básicos, como, por exemplo, a escolaridade. Então, temos um desemprego estrutural, e uma pessoa que fica desempregada muito tempo tende a perder a auto-estima. É o sonho do programa, a devolução do cartão? Exatamente. O objetivo sempre é este: assegurar condições para que as pessoas possam sempre ter direito ao trabalho. O Ministério comemorou, com justiça, os dados da Pnad, isto é, começam a chegar para a sociedade brasileira as repercussões de uma construção arduamente posta de pé no governo Lula, que é a diminuição das desigualdades. A Pnad apresentou dados muito significativos. De um Lado, o aumento do número de trabalhadores 19058 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS com carteira assinada, também incidindo nas possibilidades de desenvolvimento do pais, mais de 3 milhões de novos empregos. De outro, 6 milhões de pessoas, no período de dois anos, praticamente ascenderam socialmente: 3 milhões que transcenderam a linha da pobreza e 3 milhões que melhoraram efetivamente suas condições de vida. Sem que tivesse sido expressamente vinculado àpesquisa, o Bolsa-Família emerge na própria pesquisa como o grande fator de promoção social para o pais, mostrando que tem uma dimensão muito além daquilo que uns dizem ser um programa assistencialista. Que papel deve ter um partido democrático e socialista num projeto dessas dimensões, na perspectiva de encontrar caminhos nessa encruzilhada que o Brasil viverá em 2006? Imagino que os leitores de Teoria e Debate, os militantes, filiados, simpatizantes do Partido dos Trabalhadores, dos partidos de esquerda ou centro-esquerda, comprometidos com o projeto nacional de desenvolvimento com justiça social, têm um sentimento de urgência que não podemos perder: a fome e a miséria não podem esperar, e nós temos de colocar toda a nossa inquietação, indignação, numa ação positiva, transformadora e eficaz. Temos de buscar cada vez mais, como estamos fazendo no governo e no ministério, mecanismos ágeis e eficazes de gestão e de respostas aos problemas e desafios que nos são postos pela vida dos pobres. Somos portadores de um sonho que às vezes nos faz querer queimar etapas, queremos o reino dos céus ou a sociedade sem classes. Utopias, ideais que têm de ser construídos ao longo do tempo e da História: temos de calçar o caminho das nossas utopias, dos nossos desejos, e confrontá-los com a realidade. Não podemos ficar aquém das possibilidades da História, temos de forçá– la cada vez mais. Mas não podemos dar um passo além das possibilidades, porque a História nos ensina que muitas experiências generosas se perderam um pouco pela falta da compreensão da correlação de forças, das disputas que se colocam no interior das sociedades e no contexto internacional. Em nome desse ideal amplo, não podemos deixar de fazer pelos pobres, aqui e agora, o que podemos fazer. Como diz Carlos Drummond de Andrade, no poema “Mãos dadas”, “...não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins/O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”. Estamos vivendo um momento histórico no Brasil. A História não se manifesta de forma visível em dois, três anos, quando a estudamos – e é fundamental que estudemos cada vez mais, percebamos Abril de 2006 que as construções são lentas. Costumo dizer, numa linguagem de fé: “O tempo de Deus nem sempre é o nosso tempo”. Mas as coisas acontecem. A eleição do presidente Lula, em 2002, constituiu um capítulo novo na história do Brasil, que nunca mais será o mesmo. E é fundamental que as forças democráticas, populares, progressistas, as pessoas de bem tenham consciência disso e ajudem a aprofundar e ampliar as transformações sociais que estamos fazendo. *Hamilton Pereira é presidente da Fundação Perseu Abramo O SR. JOÃO MAGNO (PT – MG. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje, estivemos no Ministério da Integração Nacional, juntamente com o Deputado Ivo José e o Prefeito Chico Simões, de Coronel Fabriciano, para receber uma confirmação importante para essa cidade, acometida, no mês de dezembro passado, por enchentes, deslizamentos de encostas, destruição de ruas, avenidas, casas, etc. Esse processo, numa cidade como Coronel Fabriciano, exige de fato, por parte das autoridades do Governo Federal, uma atenção distinta, tendo em vista que é uma cidade-dormitório, com cerca de 150 mil habitantes, sem as mínimas condições de fazer a reconstrução da sua estrutura básica para atender à população. Agradeço, em primeiro lugar, ao Presidente Lula pela atenção ao solicitar pessoalmente a emissão de medida provisória que contemplasse não só a cidade de Coronel Fabriciano, mas também o Estado do Acre, assolado por enchentes nos últimos meses. Os recursos que serão liberados para Coronel Fabriciano dependem da elaboração de projetos. O Prefeito já anunciou que os projetos estão em fase conclusiva e que os 10 milhões de reais que serão liberados para a referida cidade ainda neste ano certamente servirão para reconstruir uma cidade inteiramente destruída, tendo em vista que a estrutura de 17 bairros foi comprometida. Agradecemos ainda ao Sr. Ministro Pedro Brito e ao coronel Pimentel, da Defesa Civil, que acompanharam de perto esse processo. Todo o diagnóstico feito pelo relatório de danos ambientais foi aceito por causa da veracidade e até mesmo da deficiência demonstrada pela Prefeitura de Coronel Fabriciano, de modo que, para nós, do Vale do Aço, é uma satisfação ver a cidade de Coronel Fabriciano ser reerguida depois daquela tragédia. Para concluir, agradeço em nome da população do Vale do Aço, de Coronel Fabriciano, onde o Governo do Presidente Lula está executando uma ação concre- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ta e solidária com a mais alta propriedade, relevância e sensibilidade. Era o que tinha a dizer, Presidente. O SR. CARLOS SANTANA (PT – RJ. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje, às 18h, haverá uma audiência com o novo Ministro da Defesa, Waldir Pires, de quem tenho o maior orgulho. Estamos levando a S.Exa. a situação caótica dos servidores públicos federais ligados ao Ministério da Defesa. A tabela salarial dos servidores públicos do Poder Executivo é a pior do País. Vários servidores com nível superior ganham complementação do salário mínimo para exercer suas funções em suas carreiras. É triste ver um professor da Escola da Marinha Mercante ganhar 10 vezes menos que seus alunos depois de formados em oficiais. Queremos discutir essa distorção. O Presidente Lula assumiu o compromisso com a categoria do Arsenal de Marinha de resolver essa situação. O projeto que contempla a categoria saiu do Ministério da Defesa, mas no Ministério do Planejamento foi dividido, ficando de fora mais de 50 mil pessoas. Sr. Presidente, temos de resolver essa situação. Há menos de 1 mês, o Presidente Lula esteve novamente no Rio de Janeiro e perguntou por que a situação dos funcionários ligados ao Ministério da Defesa ainda não foi solucionada. Estamos encaminhando ao Ministro Waldir Pires um pedido solicitando providências e esperamos que S.Exa. resolva o mais rápido possível a situação desses companheiros. Na segunda-feira, dia 17, às 9h30min, visitarei as dependências do Arsenal da Marinha e conversarei com os servidores internos sobre essa situação. Esperamos que hoje à noite consigamos uma solução para o problema. Sr. Presidente, todo mundo sabe que moro na Zona Oeste do Rio de Janeiro, uma das mais pobres, mais especificamente em Bangu, e com muito orgulho. Em Campo Grande, existe apenas uma clínica que atende a dependentes químicos. A CREDEQ foi fechada e estamos na luta para que volte a funcionar. Ontem, houve uma audiência no Ministério da Justiça, quando dissemos da necessidade de que a clínica volte a funcionar. A CREDEQ já atendeu a mais de 20 mil pacientes na nossa região, onde a saúde pública está em último lugar – como todos sabem. A única coisa que querem construir, Deputado Gabeira – V.Exa. conhece muito bem a nossa região –, é presídio: Bangu I, Bangu II, Bangu III, Bangu IV, Bangu V, Bangu VI. Isso é uma vergonha para nós, que moramos na zona oeste. Quinta-feira 13 19059 Quando se fala em Bangu, todos logo se lembram do presídio. Não se fala da riqueza da sua população, da riqueza da sua mata nem da fábrica Bangu. A única coisa de que se lembram é do Complexo Penitenciário de Bangu, cujo nome estamos lutando para que seja trocado. Portanto, Sr. Presidente, gostaríamos que essa clínica voltasse a funcionar, para que a população disponha de um centro de tratamento de saúde. Era o que tinha a dizer. O SR. FERNANDO GABEIRA (PV – RJ. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, para não deixar em branco na Câmara dos Deputados, gostaria de registrar a vitória da coligação de centro-esquerda na Itália, liderada pelo exPrimeiro-Ministro Romano Prodi, e a derrota de Sílvio Berlusconi. Consideramos que esse é um momento importante na história da Itália. Encerrou-se uma fase que pensamos já deveria ter sido finalizada há algum tempo. Portanto, em meu nome, em nome do Partido Verde, expresso a satisfação de ver a mudança na Itália. Muito obrigado. O SR. ANTONIO CARLOS MENDES THAME (PSDB – SP. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nenhum Governo alcança seus objetivos se perder a capacidade de enfrentamento. Imaginar que vai conseguir resultados com um processo de conciliação, tentando combinar as diversas tendências da sociedade, é mera utopia. Há momentos em que o Governo precisa ter capacidade para enfrentar, para preservar os interesses da maioria, o interesse do bem comum, para melhorar a condição de todos, e não continuar com privilégios para uma minoria. O ex-Ministro da Saúde José Serra não teria sido considerado, em Doha, no Qatar, melhor Ministro da Saúde do mundo, aplaudido de pé, se ele não tivesse enfrentado as multinacionais donas das patentes dos remédios contra a AIDS. Ameaçou quebrar essas patentes. E o Programa Brasileiro de Combate à AIDS foi considerado padrão, referência, para ser copiado por outros países. Capacidade de enfrentamento o Governo Lula não tem. Estamos vendo pelos jornais que já se está preparando o palco para mais uma capitulação. A PETROBRAS negocia com a Bolívia os seus investimentos naquele país em sessão secreta. Ora, a PETROBRAS é empresa pública, pertence ao povo brasileiro. Ela não pode proceder a negociações sigilosas, secretas, sem o conhecimento desta Casa, sem o conhecimento do povo brasileiro. O Governo Lula perdeu a capacidade de enfrentamento, cede para o setor banqueiro, para os rentistas, 19060 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS remunera os depósitos compulsórios, o recolhimento compulsório do Banco Central, hoje remunerado; em 3 anos, os rentistas receberam mais juros do que durante os 8 anos do Governo anterior; cede aos investidores estrangeiros. Estamos aqui para votar medida provisória que isenta do pagamento de impostos os investimentos estrangeiros. Ora, durante o período da vigência da medida provisória aumentou muito o volume de investimentos estrangeiros nas Bolsas? Não aumentou. Ou seja, essa medida provisória só vem criar um privilégio odioso para os investidores estrangeiros. Temos de derrubar essa medida ou estender aos investidores nacionais os mesmos privilégios que o Governo Lula quer dar aos estrangeiros. Um Governo manso, que cede aos investidores estrangeiros. As agências reguladoras, que foram feitas para evitar a interferência do Governo, para proteger os interesses da população, à imagem do Governo, também cedem às empresas de telefonia; as operadoras de telefone estão praticando aumentos absurdos, aprovados pelas agências. O Governo cedeu à China, declarou-a como economia de mercado em troca de um apoio que não veio para um assento no Conselho de Segurança da ONU. Acaba de ceder nas negociações com a Argentina. O Governo Lula é cordeiro em pele de cordeiro, é um Governo manso que não defende os interesses nacionais. Agora estamos vendo o palco montado para mais uma capitulação: a PETROBRAS está em negociação secreta com a Bolívia. (O microfone do orador é desligado.) O SR. FEU ROSA (PP-ES. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, comumente se indaga: o que vem a ser uma personalidade? Pode ser a qualidade especial de alguém ou o seu caráter pessoal, fatores que determinarão por certo as diferenças entre um indivíduo e outro qualquer. A deturpação das características da personalidade provocou de certa forma equívocos e erros de apreciação entre quem na realidade é uma personalidade e quem não é. Esses lamentáveis contratempos ocorrem no mundo, no País e, com maior freqüência no Espírito Santo. Para alguns acadêmicos, personalidades foram ou são pessoas que, possuindo relevo intelectual, social ou político, tiveram seus nomes impressos na história do Estado. Na realidade, personalidades são todos os que contribuem com uma parcela de trabalho e de esforço para o engrandecimento comunitário, mesmo que anonimamente o façam, abraçados aos sonhos e às fantasias de situações que jamais poderão concretizar. Abril de 2006 Uma personalidade que jamais poderá ser esquecida, pelo muito que com entusiasmo defendeu o progresso do Espírito Santo, é o jovem industrial pernambucano João Pereira dos Santos Filho, cujo amor e cuja dedicação ao nosso Estado lhe valeram em certa época a retribuição da amizade e a simpatia do povo capixaba. João Pereira dos Santos Filho veio para o Espírito Santo para dirigir a falida indústria de cimento Barbará, em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, e, não se deixando intimidar por pressões de políticos, em pouco tempo tornou aquela indústria rentável. O entusiasmo e a juventude de João Santos Filho levaram-no a conquistar seguidores e simpatias rapidamente, confundindo-se com os autênticos capixabas que defendiam o nosso progresso e o nosso desenvolvimento. A indústria Barbará de Cimento passou a ser Nassau, empregando mão de obra capixaba e assistindo socialmente aos seus empregados. Exaltado pela política, João Santos sonhava vir a ser candidato ao Governo do Estado, conquistando o apoio dos que acreditavam na sinceridade dos seus ideais. Manifestando também seu entusiasmo pelas comunicações, implantou uma rádio FM em Cachoeiro de Itapemirim, após o que comprou o jornal A Tribuna, investindo na criação de uma poderosa rede de jornal, rádio e televisão que lidera a preferência dos capixabas. Embora fosse um homem muito rico, herdeiro de empresas sediadas em Pernambuco, João Santos Filho defendia uma sociedade justa e a assistência social aos pobres, principalmente aos operários que trabalhavam com ele. Dizia-se amante da democracia brasileira porque garantia verdadeiramente oportunidades para todos, combatendo empresários retrógrados que administravam suas indústrias com mão de ferro, insensíveis aos dramas e problemas dos menos favorecidos pela sorte. O industrial capixaba e pernambucano morreu num infausto acidente com seu avião particular no interior do Paraná, onde sua família implantava uma nova fábrica de cimento. Seu desaparecimento foi muito sentido no Espírito Santo e deixou um vácuo que nunca foi preenchido. Seu espírito esclarecido e as suas lutas permanecem vivos. João Santos Filho não teve especificamente um herdeiro no Estado, mas, inegavelmente, todos concordam que ele deixou um exemplo de dedicação e de entusiasmo pela grandeza do nosso Estado, um exemplo que, felizmente, tem frutificado. Enquanto viveu, João Santos Filho esteve sempre imbuído dos grandes propósitos do povo espírito san- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS tense, consagrados no lema da nossa bandeira, sob as bênçãos do seu criador Santo Ignácio de Loyola: “Trabalhando como se tudo dependesse de nós e confiando como se tudo dependesse de Deus”. Obrigado. O SR. SANDES JÚNIOR (PP – GO. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, esperei passar alguns dias para que eu tivesse condições de me dedicar à tarefa de pesquisar dados a respeito da extraordinária gestão que fez o brilhante Governador de Goiás Marconi Perillo durante 7 anos de mandato. O Governador desincompatibilizou-se no último dia 31 para disputar uma vaga no Senado Federal. O que vou fazer aqui é relatar para o Brasil um modelo de gestão administrativa que mudou radicalmente a história de Goiás, sem nenhum precedente em termos de modernidade, de planejamento estratégico e, principalmente, no resgate da plena cidadania de homens e mulheres que habitam o meu querido Estado. Vou apresentar ao Brasil números incontestáveis de um Governo realizador, probo, moderno, visionário e, acima de tudo, sensível aos clamores sociais. Goiás exibe hoje as conquistas de um revolucionário projeto que conjuga crescimento econômico equilibrado, planejamento administrativo, combate sem tréguas às desigualdades sociais, defesa irrestrita do meio ambiente e política de parcerias com a iniciativa privada que consubstanciam um período de maravilhosas conquistas para o nosso povo. O Estado consolida-se de maneira definitiva no processo industrial e amplia fontes geradoras de emprego e renda. Esse estágio resulta em significativas conquistas tecnológicas que dinamizam a produção e a produtividade. Os avanços sempre estiveram conjugados com uma sólida rede de proteção social que é modelo para o Brasil ao resgatar a dignidade de milhares de cidadãos. A administração moderna e o respeito ao meio ambiente completam um cenário de grandes realizações. Graças ao Governo Marconi Perillo, Goiás vive o seu mais arrojado ciclo de transformações, porque soube empreender uma gestão planejada e consistente. O Estado deixou de ser mero produtor de matéria-prima para se inserir de maneira definitiva no estágio industrial, habilitando-se a participar do processo competitivo num universo cada vez mais globalizado. Goiás situa-se entre as maiores taxas de crescimento do País e lidera a criação de empregos. O avanço do PIB é 3 vezes superior à média brasileira. Através de políticas estratégicas e bem definidas, o Estado deu um salto qualitativo no que refere à atração Quinta-feira 13 19061 de investimentos. O parque industrial foi diversificado e ampliado. As exportações alcançam taxa recorde. A agropecuária é uma das mais modernas do mundo. São mais de 20 programas de inclusão que reafirmam o conteúdo de um Governo com responsabilidade e sensibilidade social. A saúde pública é preocupação constante, e essa atenção destacada se traduz permanentemente em ações concretas e efetivas no sentido de melhorar a qualidade de vida da população. Goiás é também um referencial para o Brasil no que se refere à implantação de processos educacionais que amplamente garantem a democratização do saber, a absoluta qualidade do ensino ministrado, o aperfeiçoamento tecnológico e, principalmente, a formação ética que capacite o aluno à perfeita compreensão da sociedade, para que nela possa atuar de maneira construtiva e transformadora. As políticas públicas visam ainda barrar as ações de criminalidade e violência que tantos transtornos trazem ao País. Para isso, adotam procedimentos técnico-operacionais e investimentos capazes de apontar às famílias dias de tranqüilidade e de paz. Com o trabalho de todos, o Governador Marconi Perillo soube proporcionar sucessivos exemplos ao Brasil ao construir uma sociedade baseada na busca pela qualidade de vida, com ênfase na diversidade ecológica, social e cultural. Com visão integradora, descentralização, transparência no processo decisório e participação democrática tornou-se possível construir um Estado melhor para todos. É preciso que recorramos aos números, Sr. Presidente, para demonstrar os incontestáveis avanços promovidos no “tempo novo” em Goiás. Em 7 anos e 3 meses de gestão, até mesmo nos minutos que antecederam o ato de transmissão de cargo, o Governador procurou canalizar todas as forças, toda a energia, todo o entusiasmo, todo o labor para empreender esta gigantesca e extraordinária batalha que resgata o mais veemente sentido de cidadania, de respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana, de valorização da vida como o bem mais magnífico e precioso. Os resultados são, sem sombra de dúvida, os mais expressivos de toda a história de Goiás. O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado em 1998 era de 17,4 bilhões. Em 2005, atingimos a marca projetada de 45,9 bilhões, o que representa um crescimento real da ordem de 35%. O PIB per capita era de R$3.610. Hoje, chega a R$8.162, avanço real de 16%. No ranking nacional, éramos em 1998 a 11ª economia do Brasil. Em 2004, já estávamos sendo projetados como a nona força do País. No ranking da competitividade, Goiás saltou de nono para o oitavo lugar com perspectiva de, num fu- 19062 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS turo muito próximo, alcançar o posto de sétima maior economia brasileira. Para que objetivos estratégicos pudessem ser cumpridos, racionalizaram-se as finanças públicas através de um choque de gestão que otimizou e multiplicou os recursos existentes. Assim, pagaram-se R$4,8 bilhões em dívidas, valor 12% maior do que o Orçamento de 1999. Numa autêntica aposta na força do empresariado, 140 itens tiveram redução da carga tributária, desde a microempresa, passando pelo agronegócio, até a indústria e o comércio. A arrecadação do ICMS, que era de R$1,5 bilhão em 1998, evoluiu para R$4,2 bilhões, crescimento real de 56,6%. Esse vigor deve-se, sobretudo, Sr. Presidente, ao esforço e à determinação de todos os agentes que atuam no processo produtivo. Em especial, destaquese o dinamismo do agronegócio, nossa vocação principal. Em 1998, a produção de grãos em Goiás era de 6,7 milhões de toneladas. Em 2005, atingimos 11,5 milhões de toneladas, um crescimento de 69%. A área irrigada expandiu-se de 66 mil hectares para 113 mil hectares, um salto de 71%. O rebanho bovino saltou de 18 milhões de cabeças para 20,4 milhões de cabeças, avanço de 13%. A produção de aves saiu de 19 milhões de cabeças para 38,6 milhões, expansão de 103%. Somos o segundo maior produtor de leite do País. Há 7 anos, Goiás saiu de 1,9 bilhão de litros para os atuais 2,8 bilhões de litros, 47% a mais. Na mineração, o Governo foi pioneiro ao instituir os financiamentos do FUNMINERAL para alavancar o setor, e os investimentos chegam a R$12,4 milhões. A iniciativa privada participou de maneira decisiva, com aportes superiores a R$3,5 bilhões. Dessa forma, a produção de calcário agrícola passou de 841 mil toneladas para 2,3 milhões de toneladas, 173% a mais. Goiás é o segundo maior produtor de fosfato e ouro do País. Na ciência e tecnologia, a Fundação de Amparo à Pesquisa destina 0,50% da receita tributária ao desenvolvimento desse setor estratégico e fundamental. Até 1998, não existiam infovias em Goiás. Hoje, são 49 pontos instalados em 35 Municípios. Os telecentros também avançaram de zero para 21 em diversas cidades. As conquistas do comércio exterior são as mais expressivas de que se tem notícia em toda a trajetória do Estado, um extraordinário feito a ser comemorado. As exportações saltaram de 381 milhões de dólares para 1,8 bilhão de dólares, crescimento de incríveis 372%. Hoje, são 130 países com os quais mantemos relações econômicas, contra apenas 69 do passado, um avanço de 88%! Foram 26 proveitosas e positi- Abril de 2006 vas missões comerciais empreendidas no período de 1999 a 2005. Destaque-se ainda, com muita ênfase, a inserção definitiva de Goiás no plano industrial, por meio de um conjunto de iniciativas e investimentos que modificaram para sempre o perfil de nossa economia. Desta forma, o valor da transformação industrial (VTI), que era de R$2,17 bilhões em 1998, chegou a R$8,82 bilhões em 2005. A profunda evolução registrada no setor secundário deve-se, sobretudo, à expansão dos incentivos fiscais, que foram capazes de garimpar centenas de novos empreendimentos para o Estado. Numa comparação com os Governos anteriores, em 16 anos, de 1983 a 1998, foram atraídas 802 empresas para o Estado, com investimentos da ordem de R$6,2 bilhões. No Governo Marconi Perillo, tendo o suporte do Fomentar, que depois veio a ser substituído pelo Produzir, conseguimos trazer para Goiás 986 empreendimentos, com investimentos superiores a R$12 bilhões. Em relação ao FCO, foram 27.157 contratações no período de 1989 a 1998, com financiamento de R$1,1 bilhão e geração de 128.475 empregos. Na gestão Marconi, avançou-se para 79.378 contratações, com 282.791 empregos e financiamento de R$2,8 bilhões. Como resultado concreto desse grande esforço que expandiu o agronegócio, consolidou o estágio industrial em Goiás e incrementou o comércio, o Governo alcançou a proeza de gerar 524 mil empregos, mais de meio milhão de novas vagas no mercado, sendo que 324 mil formais. Trata-se de um crescimento de 56% do emprego formal, com mais de 1 milhão de carteiras de trabalho emitidas, o que coloca Goiás na sexta posição do ranking nacional, um avanço inquestionável. No que se refere à infra-estrutura, mesmo tendo herdado uma dívida de R$160 milhões na área de transportes, não se economizaram esforços para empreender um conjunto de iniciativas que se revelaram promissoras. Foram investimentos da ordem de R$1,05 bilhão em pavimentação, duplicação e abertura de estradas. Além disso, são R$28 milhões destinados à ampliação e à melhoria de aeroportos e aeródromos em 35 Municípios. Quanto à pavimentação urbana, são 23 milhões de metros quadrados, R$201 milhões investidos. No setor de saneamento básico, saltou-se de 12 sistemas de coleta e tratamento de esgoto em 1998 para 52 estações com recursos próprios que totalizam R$520 milhões, com destaque para a ETE Goiânia, que tem investimentos de R$150 milhões. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quanto ao abastecimento de água, saiu-se de 3,9 mil quilômetros de rede para 4,7 mil quilômetros, com investimentos de R$133 milhões. Somente na Barragem de João Leite, uma obra de dimensões históricas, os recursos aplicados chegam a R$103 milhões. Foram agregados 45 mil novos consumidores de eletrificação rural, passando de 86 mil, em 1998, para 132 mil em 2005, um avanço de 53%. Em 2006, serão inseridos mais 24.715 novos consumidores. No geral, acrescentaram-se 33 subestações, com crescimento de 12%. São 11.430 quilômetros de linhas de transmissão, avanço de 122%. Para o desenvolvimento regional, foram destinados R$20,2 milhões para o Fundo do Nordeste, o FUNDESTE. Para o Entorno do Distrito Federal, os recursos são superiores R$153 milhões. Deu-se ênfase ao Fundo de Desenvolvimento do Norte, o FUNORTE, e aos projetos de irrigação em Luiz Alves do Araguaia, Flores de Goiás e Três Barras. Sr. Presidente, Srs. Deputados, o Governo também não descuidou em nenhum momento da defesa e da proteção do meio ambiente. Até 1998, apenas 1,3% da área total do Estado estava protegida. Hoje, são 4,8%. Com investimentos de R$7 milhões, foram criadas 7 unidades de conservação. Consolidamos 4 parques estaduais, com recursos superiores a R$9 milhões. Foi destinada uma média de 12% da receita à rede pública de saúde. No Governo anterior, com um sistema obsoleto e deficiente, esse índice não passava dos 6,3%. Marconi Perillo construiu 52 unidades de ambulatório 24 horas em cidades do interior, investindo mais de R$50 milhões. O novo Hospital Geral de Goiânia tem média de 15 mil consultas e 500 cirurgias. Também foram construídos hospitais regionais em Anápolis, Aparecida e Santo Antônio do Descoberto, além de estruturas hospitalares em outros 5 Municípios. O CRER transformou-se em referência nacional e internacional, com mais de 20 mil pacientes atendidos. Os salários dos profissionais do setor de saúde foram valorizados até 5 vezes mais. No setor educacional, a criação do Bolsa Universitária representou, de fato, uma revolução de dimensões históricas, de tal forma que o projeto se tornou referência nacional. São 60.217 estudantes beneficiados, e o Governo Alcides Rodrigues chegará aos 70 mil até o final do ano. Para se ter uma idéia, basta dizer que até 1998 existiam 52 mil estudantes matriculados no ensino superior. Hoje, são mais de 144 mil! Um marco neste processo foi a criação da UEG, que veio para ampliar o acesso ao ensino superior e hoje já conta com quase 33 mil alunos em suas 31 unidades e 20 Quinta-feira 13 19063 pólos. No total, são mais de 52 mil alunos formados nesse período. No ensino fundamental e médio, implantou-se o Plano de Cargos e Vencimentos. O valor da folha de pagamento, que era de R$28 milhões, avançou para R$80 milhões. Os vencimentos de professores e pessoal administrativo tiveram sucessivos reajustes. Garantiu-se a prática democrática através de eleição direta para diretores. A média de aprovação saltou para 90%. A taxa de analfabetismo, que era de 11,64%, caiu para 9,76%. Muito foi realizado na área de segurança pública, dentro do propósito de não dar tréguas à criminalidade e à violência. O efetivo policial saltou de 13 mil profissionais para 19.761, crescimento de 52%. Foram 200 cursos de capacitação. Foram unificadas 3 corporações, as Polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros. O número de veículos passou de 1.787 para quase 4 mil. Houve aumento de 76% na aquisição de novas armas para o combate ao crime. Os vencimentos dos policiais militares tiveram reajustes superiores a 194% e, no Corpo de Bombeiros, a 369%. Foram criados 31 Centros Integrados de Operações Policiais, iniciativas construtivas para o pleno combate à violência. No plano cultural, O Governo Marconi Perillo experimentou uma verdadeira primavera e uma grande efervescência, que faz ressaltar o talento e a criatividade de nosso povo. Foi inaugurado o Centro Cultural Oscar Niemeyer, com investimentos de R$60 milhões. A cidade de Goiás foi transformada em Patrimônio Histórico da Humanidade. Mais de 45 espaços foram restaurados. E ressurgiram as mostras de danças, de artes plásticas, a primeira Bienal do Livro, os festivais de teatro, de gastronomia, de música, de cinema, com destaque para as 7 edições do FICA. Outras significativas conquistas foram obtidas na área esportiva. O Programa Bolsa-Esporte beneficia 500 atletas. A reforma do estádio Serra Dourada consumiu mais de R$9,5 milhões. O Centro de Excelência, com recursos da ordem de R$15 milhões, desponta como obra de grandes dimensões. O processo que modernizou as estruturas administrativas do Estado fez surgir um novo conceito de gestão, voltado para a plena valorização do funcionalismo público, sempre tendo em vista prestar os melhores serviços à sociedade. Encontramos o Governo em 1998 com os salários em atraso. Passou-se a pagar pontualmente no mês trabalhado, com o 13º sendo quitado no aniversário do servidor. Mais do que isso, antecipou-se a liberação das folhas, sendo Goiás o único Estado do Brasil a adotar esse procedimento. Foram implantados Planos de Carreira e Remunera- 19064 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ção e uma ousada política que reajustou os salários entre 102% e 739%. Além disso, cerca de 30 mil servidores freqüentaram cursos de capacitação. O número de concursados até dezembro de 2005 superou os 11 mil, e ainda existem mais de 9 mil vagas para este ano. A reforma do antigo Centro Administrativo, hoje Palácio Pedro Ludovico, consumiu recursos de R$28,5 milhões. E o Governo fez questão de apoiar empreendimentos do Poder Judiciário através da construção de fóruns-padrão em 27 Municípios, reforma e ampliação em outros 19, com investimentos de R$44 milhões. A busca do dinamismo econômico, a racionalidade administrativa e todo o esforço realizado pelo Governo objetivam um propósito maior: criar as condições para manter uma solidária rede de proteção social para promover a dignidade de milhares de famílias. O Governador criou o Renda Cidadã, que beneficia 150 mil famílias. Os recursos totalizam R$449,7 milhões. Implantamos o salário-escola, que beneficia 85 mil famílias, com investimentos de R$370 milhões. O Banco do Povo firmou 53.497 contratos de financiamento, movimentando R$74,9 milhões e gerando 87 mil empregos. O Programa Morada Nova garantiu dignidade a 104,4 mil famílias, que tiveram acesso a cheque para construção ou reforma. Os investimentos alcançaram R$152,8 milhões. Mais de 110 mil se beneficiam com o Programa Kits Sanitários. E o Transporte Cidadão reduziu a tarifa do Eixo Anhangüera de R$1,80 para R$0,45, uma substancial economia para 200 mil usuários por dia. Além disso, foi reduzido o preço da passagem de ônibus de 7 Municípios da Região Metropolitana de Goiânia de R$4,20 para R$1,80. Com Marconi Perillo no Governo, Srs. Deputados, lá se foram os tempos do autoritarismo, do clientelismo, do desrespeito ao servidor público. Longe se vão os tempos da arrogância, do mau uso do dinheiro público e da incompetência. Agora temos o Estado modelo para o Brasil. Modelo em eficiência, em modernidade, em racionalidade administrativa. Modelo de crescimento econômico e geração de oportunidades de trabalho. Modelo em respeito e amor ao próximo. Modelo de cidadania. O Governador Marconi Perillo, um jovem destemido que em 1998 saiu à luta para defender os ideais de mudança de todos os goianos, lançou a semente da esperança, transformando Goiás numa terra fértil, cujos frutos não ficarão por certo restritos a uma estação. Os frutos são para sempre, porque a árvore frondosa que os acolhe é regada pelo tempo novo de bênçãos que, com a graça de Deus, soube-se plantar. Abril de 2006 Eram estas as minhas considerações, Sr. Presidente. Obrigado pela atenção a mim dispensada pelos nobres pares desta Casa. O SR. NELSON BORNIER (PMDB – RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, não é aceitável que 26% dos brasileiros com idade entre 15 e 64 anos tenham domínio pleno da leitura, enquanto outros 68% sejam considerados analfabetos funcionais, ou seja, identificam letras e palavras, mas não conseguem usar a leitura no cotidiano. Isoladamente, constatou-se que na Região Norte apenas 2,5% dos alunos do ensino médio têm nível adequado de leitura, enquanto temos 7,6% na Região Sudeste. Este dado choca-se com o que rege a nossa Carta Magna, a Constituição Federal, que diz que todos os brasileiros têm direito a educação. É triste verificar que no Brasil, em face das terríveis condições de subdesenvolvimento e desigualdades em que se debatem milhões de cidadãos, esquecidos, humilhados, o analfabetismo nos cai como um petardo, que deveria atingir em cheio a consciência da Nação, pois, de alguma forma, educação deve-se constituir como preocupação que diz respeito a cada um de nós: os cidadãos, os políticos, as autoridades e principalmente o Governo Federal. De qualquer maneira, fica o alerta, Sr. Presidente, pois o que está acontecendo com a educação no Brasil é muito grave, e não comporta protelação. O Governo precisa agir com mais eficácia e monitorar mais de perto o que vem ocorrendo no âmbito educacional. Não nos esqueçamos, Sr. Presidente, de que o ensino público no Brasil já teve o seu tempo de esplendor e de grandeza. No Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, por exemplo, ninguém entra pela janela, nem sai sem a necessária qualificação. E não tem ele a pretensão de ser melhor do que ninguém; apenas os seus critérios colocam bem alto a filosofia do ensino, num país em que a população tem que recorrer a toda espécie de artifício para que os filhos não fiquem sem estudar. Aqui fica o registro, Sr. Presidente, para que o Governo desperte para a realidade nacional. Que o Ministério da Educação abra os olhos e veja que não é só implantando computadores na rede pública que se vai melhorar o ensino público no País. Era o que tinha a dizer. O SR. JOÃO GRANDÃO (PT – MS. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, contrariando as vontades de alguns, a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), criada oficialmente no ano passado pelo Presidente Lula, Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS depois de uma luta de mais de 20 anos da comunidade universitária, continua firme na sua trajetória para se transformar num centro de excelência em ensino, pesquisa e extensão. Mais um passo rumo a sua consolidação será dado hoje, a partir das 19h, quando serão empossados os membros efetivos e suplentes para a implantação do processo estatuinte da UFGD, que sem sombra de dúvidas é o grande projeto dos douradenses, que está transformando o perfil da segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul. A Universidade Federal da Grande Dourados é uma luta de todos os cidadãos douradenses, e não é aceitável que alguns posem de dono da verdade e defensor dessa instituição sendo que, ao contrário do que dizem, trabalham contra o seu sucesso. A comunidade conhece a história para a implantação da UFGD e sabe muito bem quem está ao lado desse projeto, que nasceu do sonho de um povo que sempre soube o caminho a percorrer e a meta a perseguir. É salutar ressaltar a responsabilidade e a coerência com que a Comissão de Implantação da UFGD vem conduzindo o processo de desligamento da nova universidade da UFMS, com o apoio da Universidade Federal de Goiás, sua tutora. Essa comissão não mediu esforços para que a UFGD obtivesse todos os recursos necessários para sua instalação e início dos trabalhos, inúmeras negociações com o Ministério da Educação e outros órgãos governamentais foram realizadas com esse objetivo. Como representante da Grande Dourados na Câmara Federal, sempre acompanhei os passos dos membros da Comissão de Implantação, respaldando suas reivindicações e encaminhando os pleitos da UFGD nas várias esferas do Governo Federal. Cabe ressaltar que a UFGD está em pleno processo de concurso público dos docentes e técnicos e trabalha no processo de autorização para a contratação de mais 50 novos técnicos administrativos via concurso. Recursos na ordem de R$19 milhões já foram liberados para a construção de 15 mil metros quadrados de obras e a reforma de 10 mil metros, além da aquisição de livros, equipamentos para laboratórios, automóveis e ônibus, treinamento e pessoal. Além disso, a Comissão de Implantação da UFGD conseguiu junto ao Ministério da Educação o reconhecimento do curso de Medicina por mais 1 ano, até a regularização e o preenchimento dos cargos e contratação de docentes através de concurso público. A nova universidade também está prosseguindo com os processos de criação de 7 cursos superiores. Sr. Presidente, como se vê, a UFGD está caminhando a passos largos, independentemente de que- Quinta-feira 13 19065 relas políticas, e por isso continuaremos lutando para que essa universidade seja referência não só para a Grande Dourados como para o resto do Brasil e para os países do MERCOSUL que fazem fronteiras com Mato Grosso do Sul. Por fim, ressaltamos o compromisso ético e moral daqueles que lutam pela UFGD colocando os interesses públicos e institucionais acima dos interesses pessoais, corporativos e político-eleitorais, para que Dourados, definitivamente, transforme-se numa “cidade universitária”. Muito obrigado. O SR. NILSON MOURÃO (PT – AC. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os jornais estão trazendo uma notícia que interessa a meu Estado, o Acre, mas também a todos os brasileiros. A consagrada escritora Glória Perez, que já escreveu novelas de grande sucesso para a Rede Globo e que é acreana, está escrevendo a próxima minissérie da emissora, que deverá ir ao ar em janeiro de 2007. A história do Acre será narrada pela autora, que mostrará para todo o País fatos pouco conhecidos da maioria dos brasileiros. A conquista do Acre – que era território boliviano – pelos brasileiros será contada de Luiz Galvez, que proclamou a independência da região no final do século XIX, até Chico Mendes, líder seringueiro assassinado em 1988. Serão mostrados na minissérie 3 heróis de destaque da história acreana que certamente vão despertar o interesse do público de todo o País. Será mais um grande sucesso na carreira da autora. O primeiro é Galvez. Financiado pelo Governo do Amazonas, em luta contra os bolivianos libertou o Acre em 1899 e se autoproclamou imperador dos acreanos. Em 1900, a Bolívia recuperou o poder sobre o território. Surge o segundo herói a ser apresentado pela minissérie, Plácido de Castro. O militar gaúcho comandou os soldados brasileiros na Revolução Acreana, quando venceu o exército da Bolívia. Em 1903, pelo Tratado de Petrópolis, o Acre foi anexado ao território brasileiro. Por fim, Glória Perez vai narrar a saga do famoso ambientalista e líder dos seringueiros Chico Mendes, que lutou contra a invasão da floresta pelos fazendeiros e foi assassinado em Xapuri em 1988. O Governo do Acre e o do Amazonas estão apoiando o projeto da Rede Globo, que deverá iniciar suas filmagens nos próximos meses. Para os acreanos, é um orgulho ver sua história sendo contada e conhecida em todo o País. Temos muito a mostrar depois de 100 anos da revolução acreana. Nossa história mostra a força de um povo determinado, que lutou contra todas as ad- 19066 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS versidades naturais, econômicas e políticas para fazer parte do Brasil. Somos brasileiros por opção, pela luta armada contra o Governo boliviano num tempo em que a região amazônica era muito valorizada pela borracha, que movimentava as máquinas da recente revolução industrial que agitava o mundo e criava as bases para o desenvolvimento que o planeta atingiu no século XX. Por tudo isso, aguardamos com grande expectativa o início das filmagens e a estréia da minissérie que contará a história de nossa gente a todo o Brasil. Era o que tinha a dizer. O SR. MARCOS ABRAMO (PP – SP. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo esta tribuna para expressar minha total indignação com a empresa Brasil Telecom. A princípio, vou relatar uma carta aberta contra a Brasil Telecom que li, do consumidor Leonardo Boiko. “Quando precisei de uma linha ADSL para meu computador novo, a GVT, única concorrente, não tinha nenhuma disponível (infelizmente), devido à grande demanda. Apesar das más experiências no passado, eu estava ansioso pelo acesso à Internet e decidi adquirir uma linha da Brasil Telecom mesmo, na esperança de que o atendimento tivesse melhorado com o tempo. Foi a pior decisão que poderia ter tomado. Após ter todo o tipo de promoção empurrada em minha linha, os técnicos deram um prazo de ativação. O prazo esgotou-se e a linha continuou inativa. Depois de muito sofrer pelos labirintos de menus telefônicos mal-organizados e atendentes tecnicamente ignorantes, finalmente consegui convencer a BrT que havia algum problema. O técnico enviado encontrou problemas no poste, e desativou a linha telefônica. Depois precisaram de serviços de outro departamento e enviaram outro técnico. A brincadeira toda tomou cerca de uma semana após a suposta ‘ativação’ da linha – semana que foi cobrada integralmente, como se eu tivesse acesso à Internet o tempo todo. Deixei passar. Mais tarde, começaram a ser cobrados vários serviços que eu não pedi e que nunca usei, como secretária eletrônica, identificador de chamadas e outras inutilidades. Deixei passar. Tive que vender meu computador por razões pessoais. Liguei para a BrT a fim de cancelar meu ADSL e já esperando o pior, mas não esperava que o atendente mandasse, de forma bastante grosseira, ligar novamente em Abril de 2006 horário comercial (para ativar a linha podia ser qualquer horário). Também não esperava ligar no dia seguinte e ser obrigado a ficar quinze minutos pendurado, ouvindo uma musiquinha de propaganda irritante (para ativar o atendimento foi rápido). Após finalmente alcançar o setor certo, a telemarqueteira do outro lado passou um sermão decorado sobre todas as vantagens que eu estava perdendo, me ameaçou com a multa de R$120 do plano de fidelidade, avisou que eu teria que cancelar separadamente a assinatura do BrTurbo (para ativar foi simultâneo), e por fim informou que eu seria obrigado a manter o serviço por mais trinta dias, pagando cada um deles. Vamos ressaltar este ponto: eu sou obrigado a pagar trinta dias de um serviço que não quero e sequer posso usar. Liguei em seguida para o serviço de atendimento de telefonia fixa para pedir o cancelamento da linha e fui informado, com a grosseria de sempre, que não é possível cancelar a linha enquanto o ADSL estiver ativo. Em outras palavras, eu também sou obrigado a pagar um mês inteiro de outro serviço que não quero e não uso. Sejamos francos: quem consegue gostar de uma empresa como esta? Quem consegue não odiar uma empresa como esta? Não é surpresa que todo mundo conheça alguém que fale mal e que tenha decidido pelo boicote? Não é surpresa que 4.339 usuários do Orkut estejam cadastrados em 14 comunidades do tipo ‘Eu odeio a Brasil Telecom’ ou ‘Fui roubado pela Brasil Telecom’. Não é de se admirar que a Brasil Telecom Celular seja campeã de reclamações na Anatel, com mais de sete vezes a taxa de reclamações da segunda colocada. Surpreende alguém que, segundo o coordenador do Procon, 80% das reclamações do ano passado na área de serviços foram sobre a Brasil Telecom? Não duvido que esse marketing agressivo e essa política de sugar cada centavo possível do cliente gerem algum lucro no curto prazo, mas qual a sustentabilidade desse modelo? Aonde vocês acham que vão com tamanho descaso? Permitam-me um conselho, na boa-fé: se vocês querem ‘fidelidade’ dos clientes, a melhor maneira de conseguí-la é atendendo às necessidades destes, e não cobrando uma multa e empurrando empecilhos quando eles Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS se cansam da empresa. Esta experiência foi a gota d’água. Sei que esta mensagem não chegará aos tomadores de decisões da empresa, porque quem toma esse tipo de decisão obviamente não se importa com a opinião dos clientes; portanto, estou divulgando-a como carta aberta. Declaro publicamente que nunca mais usarei quaisquer serviços da Brasil Telecom, inclusive 14, celulares e etc., e que farei o possível para convencer o máximo de pessoas que puder a fazer o mesmo. Espero que essa empresa acabe em uma morte catastrófica e terrível, e seja substituída por uma que saiba cuidar de seus clientes”. Prezados pares, infelizmente o que foi descrito nessa carta é uma constante na vida dos consumidores que utilizam o serviço da Brasil Telecom. Quantos e quantos Leonardos, quantos e quantos brasileiros serão agredidos como consumidores por essa empresa? Bom, posso dizer que eu já o fui. Vários acontecimentos relatados na carta do Sr. Leonardo Boiko aconteceram comigo. No meu caso, passaram-se 2 meses de homéricas brigas entre a minha assessoria e o atendimento da Brasil Telecom para que a minha linha fosse definitivamente cancelada. Logicamente, com cobranças indevidas de serviços que não utilizei. O que me deixa realmente preocupado é que, se é assim com um Parlamentar, que supostamente sabe dos seus direitos, sabe a quem e como recorrer quando eles são usurpados, o que acontece com a maioria dos brasileiros? É por essa razão que venho a essa tribuna para exigir que os órgãos competentes como a ANATEL e outros tomem providências e dêem um basta definitivo a este tipo de abuso. Sendo a Brasil Telecom uma das maiores empresas de telefonia no Brasil, não podemos tolerar que este tipo de ocorrência venha ser uma rotina na vida dos brasileiros. Temos nossos direitos. Queremos acima de tudo respeito. E começo por esta egrégia Casa, para que se faça cumprir e prevalecer o nosso direito como consumidores. Muito obrigado. O SR. TAKAYAMA (PMDB – PR. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é inaceitável que o Brasil, com terras tão férteis, clima apropriado, mão-de-obra capacitada ou a ser requalificada, com destacado parque industrial, co- Quinta-feira 13 19067 mércio ativo e um setor de serviços de bom nível, só tenha crescido mais que o Haiti em 2005. Nosso amado País obteve crescimento econômico de apenas 2,3% no ano passado, enquanto Taiwan alcançou um patamar de 4,5%; a Índia, 8%; e a República Popular da China, 9,9%. Desde o conceituado Barão do Rio Branco (18451912), a diplomacia brasileira tem como alicerce 2 pontos fundamentais: a negociação e a conciliação constantes. Assim, o Brasil vem reforçando seus laços de amizade e de comércio com a China e, no meu entendimento, seria muito interessante que se estreitasse o nosso apreço também com a República de Taiwan, estudando, formulando e assinando acordos para a erradicação da pobreza, a universalização da educação, a redução da mortalidade materna e infantil, o combate a doenças infecto-contagiosas como a AIDS e uma freqüente parceria bilateral para o desenvolvimento cultural, social e econômico de nossos países. Observo que houve estímulo de relações para expansão dos negócios com a República Popular da China, mas o debate sobre salvaguardas contra a entrada incontrolada de produtos chineses iniciou-se em 2004, quando o Brasil adotou certas posições administrativas e se comprometeu em reconhecer aquela nação como economia de mercado, esperando significativo investimento deles em nosso solo pátrio e o apoio dos chineses para a participação do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. A nossa parte foi cumprida e a deles nem tanto. A invasão de produtos chineses abaixo do custo de produção, pois eles utilizam mão-de-obra semiescravizada, vem sendo punida pela União Européia, pelos EUA e pela Argentina, e o Brasil deve posicionarse com postura mais adequada por meio de continuadas medidas de salvaguardas em favor da indústria brasileira. O intercâmbio comercial com a China deve ser visto com uma certa reserva. Explico: quando a China importa produtos como o couro do Brasil e leva dezenas de engenheiros e técnicos formados em curtume, calçados e designer na Universidade de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, isso gera algumas poucas divisas ao Brasil, mas incrementa melhoras de emprego na China, pois os nossos técnicos em calçados e bolsas levam a tecnologia para a China, para desenvolverem nossos couros em manufaturados mais baratos. Isso somado a essa prática de mão de obra semi-escrava, temos tido conseqüências desastrosas para a nossa economia. Devido a essa concorrência desleal, a industria 19068 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS de calçados de Novo Hamburgo já demitiu milhares de trabalhadores. Quando nossas autoridades irão abrir os olhos? Apresento uma reivindicação: que os diplomatas do Itamaraty se aproximem mais das lideranças públicas e empresariais de Taiwan e de outras nações asiáticas, abrindo conciliações e negociações que fortalecerão um enorme universo de oportunidades de negócios e de exportações de matérias-primas e de produtos com maior valor agregado, objetivando o aumento da nossa taxa de crescimento interno, a geração de empregos e a introdução de moedas asiáticas, que, somadas a outras, contribuirão para promover o progresso nacional. Se o Brasil vende para a China 2% dos combustíveis, 23% dos minérios, 35% dos produtos industrializados e 40% dos produtos agrícolas, com a ativação de novos acordos com Taiwan, proporcionalmente, isso pode repetir-se, caso haja incentivos para ambos os países. Taiwan tem 23 milhões de habitantes, o Japão possui 128 milhões, o Brasil tem 186 milhões de compatriotas e a República Popular da China tem 1,3 bilhão. No conjunto, formam um fantástico cenário de produção e grande mercado de consumo. E não nos devemos esquecer de que a boa amizade entre taiwaneses, chineses, japoneses e brasileiros será verdadeira tendo por alicerce a confiança mútua e por ideal a solidariedade mundial. Recordo-me do pensador Renato Kehl, que disse: “Pensar para acertar, calar para resistir e agir para vencer”. Quando as lideranças brasileiras decidirem pensar e agir, adotando medidas consistentes para a diminuição do Custo Brasil – investimentos públicos em capital humano e em infra-estrutura, civilizada tributação, modesta taxa de juro, menores encargos sociais e maior incentivo à tecnologia e à competitividade –, com certeza nossa Nação passará a ser forte líder global que surpreenderá o mundo. Porém, com o nosso valoroso espírito humanitário, não pretendemos ser imperialistas. Com a presença de nossa fraternidade, não queremos dominar outros territórios ou povos. Desejamos, sim, continuar irmãos. Por fim, ressalto que queremos participar da construção de um mundo mais solidário, com direitos humanos assegurados, com melhor distribuição da riqueza mundial e, sobretudo, valorização da inclusão social dos pequenos, para a prosperidade de todos. Abril de 2006 Sr. Presidente, solicito a V.Exa. que meu pronunciamento seja divulgado pelos órgãos de comunicação desta Casa Legislativa. Muito obrigado. O SR. JEFFERSON CAMPOS (PTB-SP. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, fundada em 1991, a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias – ABRAFARMA luta por impostos menores. São 15 anos de luta e dedicação aos cidadãos brasileiros, em especial àqueles que necessitam diariamente de medicamentos. Em 2005, a ABRAFARMA realizou uma campanha junto aos usuários de medicamentos, mostrando exemplos reais sobre a grande injustiça praticada contra o povo brasileiro: a alta alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre medicamentos, atualmente em vigor. É muito grande a carga tributária que os usuários pagam, por isso, é necessário que se reduza a alíquota de ICMS no Brasil, a fim de acabar com a injustiça praticada diariamente contra os nossos brasileiros que necessitam constantemente de medicamentos. Sr. Presidente, esta é uma lógica perversa. Temos uma legislação que impede milhões de brasileiros de realizarem seus tratamentos médicos, em razão da elevadíssima carga tributária que resulta diretamente no preço final dos produtos. No Brasil, os consumidores pagam entre 17% e 19% de ICMS. Grande parte das nações desenvolvidas inclui medicamentos como gênero de primeira necessidade, assim como alimentos. O ICMS de medicamentos não é só uma questão tributária, mas também de saúde pública. A hipertensão, por exemplo, é a doença que mais gera internações por implicações cardiovasculares. É também reconhecida como uma das causadoras de derrame e insuficiência renal, necessitando de tratamentos dispendiosos e dolorosos como a hemodiálise. Comprar remédios é diferente de comprar um calçado ou uma roupa, pois ninguém compra medicamentos porque quer, mas porque precisa. É uma questão de sobrevivência. No Estado de São Paulo há situações ainda piores, tal o verdadeiro absurdo que é a alíquota de ICMS. Sr. Presidente, solicito neste Parlamento a inclusão dos medicamentos de uso humano na menor alíquota possível de ICMS na proposta de reforma tributária ora em discussão neste Congresso. Defendo aqui, em nome da ABRAFARMA, o comércio de produtos farmacêuticos, para que seja privativo das farmácias e drogarias desenvolverem, dentro de um contexto, a livre iniciativa de mercado. Defendo também o crescimento e desenvolvimento das empresas associadas, para que sejam pautados no reconhecimento e na defesa Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS dos princípios constitucionais, especificamente no da liberdade de trabalho e busca do pleno emprego. Parabenizo a coragem, garra e determinação de um cidadão patriota, o Sr. Gilberto Martins Ferreira, Presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias – ABRAFARMA, pelo seu trabalho ousado em prol dos brasileiros que, obrigatoriamente, têm de incluir nos seus gastos mensais os remédios que precisam, para tornarem seus dias de vida mais saudáveis. Parabenizo também todos os associados da ABRAFARMA, por acreditarem que é possível trabalhar em equipe e lutar por ICMS menores; por acreditar que é possível vender remédios mais baratos, contribuindo assim para a economia e realização dos nossos cidadãos que sobrevivem de salário mínimo e precisam desse dinheiro não só para comprar remédios, mas também para todas as suas despesas, como aluguel, alimentação e educação. Sr. Presidente, solicito que este pronunciamento seja divulgado pelos órgãos de comunicação desta Casa. Muito obrigado. O SR. DR. ROSINHA (PT – PR. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, há exatamente uma semana, registrei no plenário desta Casa denúncia da expulsão de famílias sem terra nos Municípios de Cantagalo e Goioxim. Pois bem, novamente cumpro meu dever de denunciar outras investidas contra trabalhadores acampados, desta vez nos Municípios de Paranapoema e Jardim Olinda. Vários Parlamentares, inclusive este que ora se pronuncia, tentamos durante quase 2 dias persuadir o Secretário de Segurança Pública e o Governador Roberto Requião para não efetuar o despejo. Ficaram irredutíveis. Também procuramos o INCRA, que assumiu o compromisso de, no máximo 4 meses, assentar esses acampados. Nem assim o Governador Requião aceitou. Resultado: 500 famílias despejadas, sem a possibilidade de negociação. A seguir reproduzo nota divulgada pela Comissão Pastoral da Terra do Paraná (CPT-PR): “2000 sem-terra são despejados na região noroeste do Estado Desde o início da manhã do dia de hoje (11/04) cerca de 1.000 policiais se postaram em frente ao acampamento Quilombo dos Palmares, localizado na Fazenda Santa Tereza entre os municípios de Paranapoema e Jardim Olinda, (cerca de 110Km de Maringá). O deslocamento deste grande efetivo da polícia militar teve um único objetivo: despejar as 500 famílias Sem-Terra acampadas na área Quinta-feira 13 19069 desde de agosto de 2003. Após 10 horas de tensão e medo, em que 2000 Sem-Terra estiveram sob a ameaça de despejo se efetiva a decisão de retirada. Segundo relatos dos Agentes da CPT na região, a situação na área foi tensa e preocupante durante todo o dia. A Secretaria de Segurança do Estado do Paraná teve uma posição intransigente quanto à ação de despejo dos Sem-Terra. Além disso, todas as tentativas de mediação por parte dos Sem-Terra e de uma Comissão formada por autoridades da região, composta por deputados, prefeitos e religiosos, foram recusadas pelo Governo do Estado. As 500 famílias ocuparam a área em agosto de 2003 e desde então várias iniciativas já foram efetivadas. Na área funciona uma escola itinerante que atende atualmente cerca de 200 crianças no ensino fundamental e médio. Ainda no atendimento na área de educação cerca de 100 crianças são atendidas em uma ciranda infantil (antiga creche) e 50 adultos estão vinculados a projetos de alfabetização. Várias equipes foram montadas para garantir o atendimento básico na área da saúde e estão, a partir de uma proposta de saúde comunitária, atendendo os hipertensos, as gestantes e demais demandas na área da saúde. No campo da produção desde 2004 as famílias acampadas já vêm produzindo para garantir sua subsistência. Em roças individuais e coletivas os Sem-Terra produziram neste período algodão, feijão, milho, melancia, abóbora, mandioca e verduras, que serviram de alimento para as todos(as) do acampamento. No período da tarde em assembléia os Sem-Terra, frente à iminência do despejo e para evitar o conflito ‘acordaram’ que desocupariam a área com a garantia de duas condições: a garantia que poderão colher as roças que plantaram neste ano e o prazo de 5 dias para desmontar o acampamento (proposta que foi negada sendo concedido o prazo de apenas 3 dias). Diante desta ação explicita-se a contradição de um governo que se diz aliado dos SemTerra e comprometido com a luta da Reforma Agrária (posições assumidas pelo Governador Roberto Requião perante a comunidade internacional durante as atividades paralelas promovidas pela Via Campesina durante os 19070 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS encontros MOP3 e COP8) e ao mesmo tempo registra em sua conta um grande número de despejos. Este é 96º despejo do Governo Requião, número acima dos registrados pela CPT durante o segundo mandato do Governador Jaime Lerner (com 79 despejos registrados e condenado internacionalmente pela violação dos direitos humanos). Neste hora de dor e sofrimento dos SemTerra uma pergunta não quer calar, qual o destino destas famílias que aguardaram depois de tanta luta e especialmente nestes 3 anos por um pedaço de terra. Às vésperas da Páscoa, a celebração da ressurreição de Cristo, estas famílias são obrigadas a continuar celebrando sua via-crúcis. Curitiba – Paraná – Brasil, 11 de abril de 2006. Comissão Pastoral da Terra do Paraná”. Era o que tinha a dizer. O SR. SANDRO MABEL (PL – GO. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, este ano o Brasil completa 16 anos da criação do Estatuto da Criança e Adolescente – ECA. Os avanços foram muitos, mas os problemas que atingem essa população também. Um dos mais graves diz respeito à oportunidade do primeiro emprego. O Estatuto prevê o direito à profissionalização e à proteção no trabalho. O trabalho é permitido somente aos maiores de 16 anos, quando deverão ser garantidos os mesmos direitos trabalhistas de qualquer adulto, ficando proibido apenas o trabalho noturno (das 22h às 5h), insalubre ou perigoso. Infelizmente, a realidade brasileira é outra, principalmente para aqueles jovens que já enfrentam no seu dia-a-dia grandes dificuldades, como é o caso dos adolescentes abrigados ou egressos das entidades de correção, a exemplo das famigeradas FEBEMs. Para tratar do tema, apresentei nesta Casa, projeto de lei que altera a redação do art. 2º da Lei n 10.748, de 22 de outubro de 2003, que criou o Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego para os Jovens. Minha intenção é garantir a inclusão dessa parcela da população no programa. As estatísticas brasileiras indicam que a dificuldade enfrentada pelos nossos jovens em iniciar sua fase produtiva e fazer parte da massa trabalhadora é imensa. Imaginem para os que não tiveram as mesmas oportunidades pela sua condição de abandono, maus-tratos e, em alguns casos, sua inserção precoce na delinqüência. O projeto, ora em análise pelos meus pares, tem como principal meta aumentar a empregabilidade desses jovens, que, após completarem 18 anos, saem Abril de 2006 dessas entidades sem moradia definida e sem possuírem a menor perspectiva de inserção no mercado de trabalho. Isso aumenta, sobremaneira, o risco de ficarem permanentemente marginalizados e em situação de exclusão social. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na condição de legisladores, temos o dever de reparar eventuais omissões do Estado. Dessa forma, reitero a importância da aprovação de medidas como a que relato desta tribuna e que, certamente, fará a diferença na vida de milhões de jovens brasileiros. Era o que eu tinha a dizer. Obrigado. V – ORDEM DO DIA PRESENTES OS SEGUINTES SRS. DEPUTADOS: RORAIMA Almir Sá PL Total de Roraima: 1 AMAPÁ Coronel Alves PL Eduardo Seabra PTB Evandro Milhomen PCdoB Total de Amapá: 3 PARÁ Asdrubal Bentes PMDB José Priante PMDB Josué Bengtson PTB Vic Pires Franco PFL Total de Pará: 4 AMAZONAS Humberto Michiles PL Lupércio Ramos PMDB Pauderney Avelino PFL Vanessa Grazziotin PCdoB Total de Amazonas: 4 RONDÔNIA Eduardo Valverde PT Hamilton Casara PSDB Total de Rondônia 2 ACRE Chicão Brígido PMDB Henrique Afonso PT Nilson Mourão PT Perpétua Almeida PCdoB Zico Bronzeado PT Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 PARAÍBA Total de ACRE 5 TOCANTINS Edmundo Galdino PDT Kátia Abreu PFL Ronaldo Dimas PSDB Total de Tocantins: 3 MARANHÃO Albérico Filho PMDB Costa Ferreira PSC Francisco Escórcio PMDB João Castelo PSDB Neiva Moreira PDT Pedro Fernandes PTB Sarney Filho PV Sebastião Madeira PSDB Terezinha Fernandes PT Wagner Lago PDT Total de Maranhã: 10 CEARÁ André Figueiredo PDT Antonio Cambraia PSDB Arnon Bezerra PTB Eunício Oliveira PMDB Gonzaga Mota PSDB João Alfredo PSOL José Linhares PP José Pimentel PT Marcelo Teixeira PSDB Mauro Benevides PMDB Moroni Torgan PFL Pastor Pedro Ribeiro PMDB Raimundo Gomes de Matos PSDB Vicente Arruda PSDB Total de Ceará: 14 PIAUÍ Átila Lira PSDB B. Sá PSB Júlio Cesar PFL Moraes Souza PMDB Nazareno Fonteles PT Simplício Mário PT Total de Piauí: 6 RIO GRANDE DO NORTE Betinho Rosado PFL Fátima Bezerra PT Henrique Eduardo Alves PMDB Nélio Dias PP Ney Lopes PFL Total de Rio Grande do Norte 5 Carlos Dunga PTB Luiz Couto PT Philemon Rodrigues PTB Wellington Roberto PL Total de Paraíba: 4 PERNAMBUCO Carlos Eduardo Cadoca PMDB Fernando Ferro PT Inocêncio Oliveira PL Joel de Hollanda PFL Jorge Gomes PSB José Chaves PTB José Múcio Monteiro PTB Luiz Piauhylino PDT Marcos de Jesus PFL Raul Jungmann PPS Renildo Calheiros PCdoB Roberto Magalhães PFL Salatiel Carvalho PFL Total de Pernambuco: 13 ALAGOAS Maurício Quintella Lessa PDT Rogério Teófilo PPS Total de Alagoas: 2 SERGIPE Bosco Costa PSDB Jackson Barreto PTB Jorge Alberto PMDB José Carlos Machado PFL Mendonça Prado PFL Total de Sergipe: 5 BAHIA Antonio Carlos Magalhães Neto PFL Claudio Cajado PFL Colbert Martins PPS Coriolano Sales PFL Daniel Almeida PCdoB Edson Duarte PV Fábio Souto PFL Fernando de Fabinho PFL Guilherme Menezes PT João Leão PP Jonival Lucas Junior PTB Jorge Khoury PFL José Carlos Araújo PL Jutahy Junior PSDB Luiz Alberto PT Luiz Bassuma PT 19071 19072 Quinta-feira 13 Luiz Carreira PFL Marcelo Guimarães Filho PFL Mário Negromonte PP Nelson Pellegrino PT Pedro Irujo PMDB Reginaldo Germano PP Walter Pinheiro PT Zelinda Novaes PFL Total de Bahia: 24 MINAS GERAIS Ademir Camilo PDT Ana Guerra PT César Medeiros PT Cleuber Carneiro PTB Custódio Mattos PSDB Dr. Francisco Gonçalves PPS Eduardo Barbosa PSDB Eliseu Resende PFL Herculano Anghinetti PP Isaías Silvestre PSB Ivo José PT João Magno PT João Paulo Gomes da Silva PSB José Militão PTB Júlio Delgado PSB Leonardo Monteiro PT Lincoln Portela PL Márcio Reinaldo Moreira PP Maria do Carmo Lara PT Mário Assad Júnior PSB Mário Heringer PDT Narcio Rodrigues PSDB Osmânio Pereira PTB Paulo Delgado PT Rafael Guerra PSDB Romeu Queiroz PTB Sérgio Miranda PDT Silas Brasileiro PMDB Vadinho Baião PT Total de Minas Gerais: 29 ESPÍRITO SANTO Feu Rosa PP Jair de Oliveira PMDB Manato PDT Marcus Vicente PTB Neucimar Fraga PL Nilton Baiano PP Renato Casagrande PSB Rose de Freitas PMDB Total de Espírito Santo: 8 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS RIO DE JANEIRO Almerinda de Carvalho PMDB Almir Moura PFL Antonio Carlos Biscaia PT Arolde de Oliveira PFL Carlos Nader PL Carlos Santana PT Chico Alencar PSOL Deley PSC Dr. Heleno PSC Edson Ezequiel PMDB Eduardo Cunha PMDB Eduardo Paes PSDB Fernando Gabeira PV Fernando Gonçalves PTB Jair Bolsonaro PP Jandira Feghali PCdoB João Mendes de Jesus PSB Jorge Bittar PT José Divino PMR Josias Quintal PSB Laura Carneiro PFL Miro Teixeira PDT Moreira Franco PMDB Nelson Bornier PMDB Paulo Baltazar PSB Paulo Feijó PSDB Reinaldo Betão PL Rodrigo Maia PFL Sandro Matos PTB Simão Sessim PP Total de Rio de Janeiro: 30 SÃO PAULO Amauri Gasques PL Antonio Carlos Mendes Thame PSDB Antonio Carlos Pannunzio PSDB Arnaldo Madeira PSDB Devanir Ribeiro PT Dimas Ramalho PPS Edinho Montemor PSB Elimar Máximo Damasceno PRONA Enéas PRONA Fernando Estima PPS Gilberto Nascimento PMDB Ildeu Araujo PP Ivan Valente PSOL Jamil Murad PCdoB João Batista PP João Paulo Cunha PT José Mentor PT Jovino Cândido PV Luciano Zica PT Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Luiz Antonio Fleury PTB Luiz Carlos Santos PFL Luiz Eduardo Greenhalgh PT Luiza Erundina PSB Mariângela Duarte PT Medeiros PL Milton Monti PL Nelson Marquezelli PTB Neuton Lima PTB Orlando Fantazzini PSOL Professor Irapuan Teixeira PP Professor Luizinho PT Roberto Gouveia PT Salvador Zimbaldi PSB Vicentinho PT Walter Barelli PSDB Walter Feldman PSDB Total de São Paulo: 36 MATO GROSSO Celcita Pinheiro PFL Thaís Barbosa PMDB Total de Mato Grosso: 2 DISTRITO FEDERAL Alberto Fraga PFL Jorge Pinheiro PL Maninha PSOL Tatico PTB Total de Distrito Federal:4 GOIÁS Carlos Alberto Leréia PSDB Jovair Arantes PTB Leonardo Vilela PSDB Luiz Bittencourt PMDB Pedro Chaves PMDB Rubens Otoni PT Sandes Júnior PP Total de Goiás: 7 MATO GROSSO DO SUL Geraldo Resende PPS João Grandão PT Murilo Zauith PFL Nelson Trad PMDB Vander Loubet PT Waldemir Moka PMDB Total de Mato Grosso do Sul 6 PARANÁ Affonso Camargo PSDB Alex Canziani PTB Chico da Princesa PL Quinta-feira 13 19073 Dilceu Sperafico PP Dr. Rosinha PT Eduardo Sciarra PFL Giacobo PL Iris Simões PTB Luiz Carlos Hauly PSDB Moacir Micheletto PMDB Nelson Meurer PP Osmar Serraglio PMDB Reinhold Stephanes PMDB Selma Schons PT Takayama PMDB Vitorassi PT Total de Paraná: 16 SANTA CATARINA Adelor Vieira PMDB Carlito Merss PT Fernando Coruja PPS João Matos PMDB João Pizzolatti PP Leodegar Tiscoski PP Paulo Afonso PMDB Vignatti PT Zonta PP Total de Santa Catarina: 9 RIO GRANDE DO SUL Beto Albuquerque PSB Darcísio Perondi PMDB Edir Oliveira PTB Érico Ribeiro PP Francisco Appio PP Francisco Turra PP Henrique Fontana PT Júlio Redecker PSDB Kelly Moraes PTB Luis Carlos Heinze PP Maria do Rosário PT Mendes Ribeiro Filho PMDB Onyx Lorenzoni PFL Orlando Desconsi PT Osmar Terra PMDB Osvaldo Biolchi PMDB Tarcísio Zimmermann PT Yeda Crusius PSDB Total de Rio Grande do Sul: 18 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A lista de presença registra o comparecimento de 270 Senhoras Deputadas e Senhores Deputados. O SR. FEU ROSA – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. 19074 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. FEU ROSA (PP – ES. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, o art. 46 do Regimento Interno determina que, tendo início a Ordem do Dia, imediatamente devem ser encerrados os trabalhos nas Comissões. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A Presidência determina que se encerrem os trabalhos de todas as Comissões que estão funcionando neste momento, porque, iniciando-se a Ordem do Dia, qualquer decisão tomada a partir deste instante é considerada nula. O SR. FEU ROSA – Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Jutahy Junior, para uma Comunicação de Liderança, pelo PSDB. S.Exa. dispõe de 7 minutos. O SR. JUTAHY JUNIOR (PSDB – BA. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, “Procurador denuncia 40 e põe Dirceu como chefe de quadrilha. Organização criminosa tinha como objetivo garantir a continuidade do projeto de poder do PT” – notícia do jornal O Globo; “Procuradoria acusa petistas de formar organização criminosa” – jornal Folha de S.Paulo; “PT formou organização criminosa para manter o poder” – jornal O Estado de S. Paulo. Tudo o que a CPMI dos Correios apresentou em seu relatório e que o Governo tentou caracterizar como opção político-partidária eleitoral, o Ministério Público e o Procurador-Geral da República indicado pelo Presidente Lula caracterizaram como organização criminosa a serviço da manutenção de um projeto de poder. O Procurador denunciou praticamente toda a cúpula do Governo e identificou o Ministro José Dirceu como chefe dessa quadrilha. Ou seja, a caracterização e a denúncia estão sendo feitas por um órgão isento, o Ministério Público Federal. Nunca se imaginou – e para nossa tristeza tais fatos ocorreram – que um Governo eleito com 52 milhões de votos, representado por um partido que se intitulava no processo eleitoral como agremiação que desejava conquistar o poder para dar uma demonstração de ética e honestidade no Brasil, chegasse ao ponto de ser desmoralizado no aspecto ético e responsabilizado por ter montado o maior esquema de corrupção da história deste País. Além disso, os escândalos atingiram esta Legislatura de forma brutal – infelizmente está sendo caracterizada como a legislatura do mensalão, prática que corrompeu partidos políticos e Parlamentares. Agora, Abril de 2006 o caso está sendo levado às barras da Justiça, porque o povo, com justa razão, além da comprovação dos fatos, quer a punição dos envolvidos e culpados. Esses crimes levarão os indiciados e denunciados à cadeia, porque o lugar de organização criminosa é na cadeia. A ação desses criminosos foi absurda, vergonhosa e repudiada pelo Brasil inteiro. Por isso, cada vez mais, devemos ressaltar o precioso e cuidadoso trabalho do Relator Osmar Serraglio, que demonstrou à saciedade o quanto se fez com o dinheiro público e privado para fins de se constituir um pólo de poder para manutenção exclusivamente do PT, a serviço do PT. E, ainda, após a caracterização e comprovação do mensalão, houve um novo episódio. Pensávamos que já havia chegado ao limite, mas o que aconteceu? Palocci fez a mesma coisa, ou seja, mentiu, mentiu, mentiu... E o Ministro foi pego na mentira, conforme revelado pelo depoimento de um caseiro. E o Partido dos Trabalhadores, que havia feito mea-culpa perante a sociedade e dito que o ocorrido era coisa do passado, continuou fazendo a mesma coisa: utilizou-se da organização do Estado brasileiro para destruir o depoimento de um “simples caseiro” – como disse Lula – que estava simplesmente falando a verdade. Agora, após os escândalos do mensalão, do José Dirceu, do Gushiken, do Waldomiro, do valerioduto, da compra de partidos políticos, da renúncia de presidente de partido, da cassação de mandatos, somos testemunhas desse novo episódio que denuncia a forma de o PT governar. Ora, poderíamos imaginar uma situação dessas? O Ministro da Fazenda pedindo ao Presidente da Caixa o extrato bancário de um caseiro, para tentar desmoralizá-lo e fazer com que o depoimento verdadeiro perdesse substância na tentativa de dizer que ele foi comprado! Hoje não há dúvida alguma de que também o Ministério da Justiça está envolvido nesse processo. Os assessores do Ministro da Justiça participaram diretamente. O Ministro da Justiça foi procurado para dar consultoria, indicar advogados, direcionar depoimento. Enfim , o Governo inteiro está envolvido na máfia e na organização criminosa do mensalão, na destruição dos valores elementares da cidadania, das garantias individuais, do respeito à democracia. Infelizmente isso é o Governo PT, isso é o Governo Lula. E agora temos a demonstração mais do que cabal de que essas ações têm a participação direta da estrutura como um todo do Governo do Presidente Lula. É mais do que evidente que tudo o que foi dito nas investigações no Parlamento tem consistência, foi provado e os envolvidos Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS merecem ser denunciados. “Procurador denuncia 40 e põe Dirceu como chefe de quadrilha.” Quero reproduzir a frase do eminente Deputado Antonio Carlos Pannunzio, que participou da CPI com brilhantismo e contribuiu com os trabalhos de forma evidente e elogiada por todos nós: “Os 40 ladrões já estão aqui, só falta dizer quem é o Ali Babá”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A Presidência quer propor um acordo ao Plenário: votaríamos o destaque, em votação simbólica, mantendo o painel para o período da tarde, quando haveria sessão para trabalho de comissões. Esta, então, seria a única matéria votada. Votaríamos somente esse destaque e encerraríamos essa MP. O Relator da MP seguinte disse-me ontem que pediria prazo de 24 horas, e esta Presidência assim concederia. Solicitaríamos a presença do Relator para que fizesse o pedido. Podemos tentar esse acordo. O SR. RONALDO DIMAS – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Ronaldo Dimas. O SR. RONALDO DIMAS (PSDB – TO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, fizemos acordo ontem para a votação nominal desse destaque. Se houver a concordância da base aliada ao Governo para aprovarmos o destaque – e ontem parecia que havia –, poderemos votá-lo simbolicamente. Agora, se o encaminhamento for pela rejeição do destaque, queremos que haja votação nominal. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Então, vamos submetê-lo à votação nominal. A SRA. TEREZINHA FERNANDES – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. A SRA. TEREZINHA FERNANDES (PT-MA. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente, foi feito acordo ontem no sentido da votação nominal. O Líder do PSDB está propondo que se vote nominalmente, mas o Partido dos Trabalhadores tem posição contrária ao destaque. Por conta disso, defendemos, então, que se mantenha o acordo feito ontem e que procedamos à votação nominal. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – De acordo. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Passa-se à apreciação da matéria que está sobre a mesa e da constante da Ordem do Dia. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Item 1. Quinta-feira 13 19075 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 280-A, DE 2006 (Do Poder Executivo) Continuação da votação, em turno único, da Medida Provisória nº 280-A, de 2006, que altera a Legislação Tributária Federal; tendo parecer do Relator da Comissão Mista, designado em plenário, pelo atendimento dos pressupostos constitucionais de relevância e urgência; pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa; pela adequação financeira e orçamentária; e, no mérito, pela aprovação desta, e parcialmente da Emenda de nº 28, na forma do projeto de lei de conversão apresentado, e pela rejeição das Emendas de nºs 1 a 27 e 29 a 115. (Relator: Deputado Murilo Zauith.) PRAZO NA COMISSÃO MISTA: 1º-3-06 PRAZO NA CÂMARA: 15-3-06 SOBRESTA A PAUTA EM: 2-4-06 (46º DIA) O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Sobre a Mesa requerimento de destaque da bancada do PSDB: Sr. Presidente, requeiro, nos termos do art. 161, § 2º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, destaque para votação em separado da Emenda nº 113, oferecida à Medida Provisória nº 280/06. Sala das Sessões, 11 de abril de 2006. – Ronaldo Dimas, Vice-Líder do PSDB O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Em votação a Emenda nº 113, destacada: EMENDA ADITIVA Nº 113 Acrescente-se o seguinte art. à MP nº 280/2006: Art. º Fica reaberto, por 120 (cento e vinte) dias a contar da data da publicação desta Lei, o prazo de opção ao Programa de Recuperação Fiscal – Refis, de que trata a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, com as alterações promovidas pelas Lei nº 10.189, de 14 de fevereiro de 2001 e 10.684, de 30 de maio de 2003. § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se inclusive às pessoas jurídicas que tenham sido excluídas do Programa. § 2º Poderão ser abrangidos os débitos referidos no art. 1º da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, com vencimento até 31 de janeiro de 2006. § 3º Nas hipóteses de exclusão previstas no art. 5º da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, deverá haver prévia notificação do contribuinte. 19076 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS § 4º Alternativamente ao ingresso no Refis, a pessoa jurídica poderá optar pelo pedido de parcelamento, em até 180 (cento e oitenta) parcelas mensais, iguais e sucessivas, dos referidos débitos, observadas todas as demais regras aplicáveis àquele Programa.” “Art. O § 4º do art. 3º e o art. 15, caput, e respectivo § 3º, da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 3º .................................................. .............................................................. § 4º Ressalvado o disposto no § 3º, a homologação da opção pelo Refis é condicionada à prestação de garantia ou, a critério da pessoa jurídica, ao arrolamento dos bens integrantes do seu patrimônio, ainda que de valor inferior ao débito consolidado, na forma do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, dispensada a apresentação de qualquer outra forma de garantia. “Art. 15 É suspensa a pretensão punitiva do Estado, referente aos crimes previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e no art. 95 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, durante o período em que a pessoa jurídica relacionada com o agente dos aludidos crimes estiver incluída no Refis. § 3º Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos neste artigo quando a pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral dos débitos oriundos de tributos e contribuições sociais, inclusive acessórios, que tiverem sido objeto de concessão de parcelamento.” O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A votação será votação nominal, de ofício. Já houve encaminhamento. Agora passaremos à orientação das bancadas. Com vota o PTC? (Pausa.) Como vota o PMR? (Pausa.) Como vota o PRONA? (Pausa.) Como vota o PSC? (Pausa.) Como vota o PSOL? (Pausa.) Como vota o PV? (Pausa.) Como vota o PCdoB? (Pausa.) Como vota o PPS? O SR. FERNANDO CORUJA (PPS-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, o destaque propõe a prorrogação e abertura por 4 meses do REFIS; propõe a suspensão da pena prevista nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137 e do art. 95 da Lei nº 8.112, Abril de 2006 além da extinção da punibilidade para quem pagar a sua dívida. Veja bem o que são os arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137. Há coisas aqui como, por exemplo, “falsificação de duplicata”. Aqui está incluída a questão da “apropriação indébita do salário do trabalhador”. Então, o que pode acontecer? Tenho uma dívida de 120 reais; falsifiquei 500 duplicatas; então, parcelo o REFIS em 10 vezes e pago os 120 reais. O fato de eu parcelar, primeiro, suspende o processo. E, no momento em que pago, extingue-se a punibilidade. Com todo respeito, já deve ser a décima vez que esse assunto vem a plenário. Em cada medida provisória que vem alguém embute esse tema, para tentar fazê-lo passar. Penso que raia o absurdo esse negócio de se aprovar esse destaque. Uma coisa é a prorrogação e a reabertura, outra coisa é dizer que, quando se paga um parcelamento do REFIS, tem-se suspensa e depois extinta a punibilidade de crimes, como falsificar duplicata, falsificar documento, apropriar-se do salário do trabalhador. Aí vamos criar um sistema de impunibilidade. Ninguém mais vai pagar, vai esperar para fazer o REFIS e aí ficará perdoado pelo pagamento. Portanto, encaminhamos o voto contra. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A Presidência informa ao Plenário que o Presidente Aldo Rebelo, em comum acordo com o 1º Secretário, determinou a manutenção do painel na sessão ordinária, que será de debates e de trabalho de Comissões. O SR. LUIZ CARLOS HAULY – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem, na qualidade de autor da emenda. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. LUIZ CARLOS HAULY (PSDB-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, o REFIS já contemplava a suspensão da punibilidade. Essa é a idéia. A legislação brasileira é tão absurda que quando uma pessoa se torna inadimplente já deve 100% de multa, dobrando o valor que tem a pagar. Daí em diante é taxa SELIC, mora etc. Então, a punição é pecuniária. Mas qual é o objetivo? Receber ou colocar o empresário na cadeia? Se, em definitivo, ele não pagar, então poderá ser processado e talvez, ao final de 10 ou 15 anos de processo, poderá ser punido pela Justiça. Quero dizer que a matéria é sustentável, legal, legítima, porque a parte de apropriação é tão ínfima perto dessa, que é a maior carga tributária do planeta e das galáxias. O Brasil precisa de refinanciamento. Precisamos oxigenar as nossas empresas que estão devendo e querem pagar, desejam pagar. Quem quer Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ser empresário é brasileiro, não pode ser punido porque não tem um parcelamento a longo prazo. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Como vota o PDT? O SR. MANATO (PDT – ES. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, nos últimos anos a nossa carga tributária tornou-se a maior do mundo: 40%. Entendemos que muitas empresas tiveram que optar entre pagar os salários dos funcionários ou os impostos. Eram diversos pais e mães de família nessa situação. Contudo, na nossa bancada, não houve consenso. Por essa razão, apesar de concordarmos em que a carga tributária esteja excessiva, o PDT vai liberar a sua bancada. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – O PDT libera a bancada. Como vota o PSB, eminente Líder, Deputado Jorge Gomes? O SR. JORGE GOMES (PSB-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – O PSB encaminha o voto “não”, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – O PSB, “não”. Como vota o PL, eminente Líder, Deputado Luciano Castro? O SR. LUCIANO CASTRO (PL–RR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, entendendo que parte do pequeno e microempresário pode ser atendida por meio da Lei Geral, já que isso está sendo examinado pelo eminente Relator, encaminhamos neste caso o voto “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – O PL, “não”. Como vota o PTB? O SR. LUIZ ANTONIO FLEURY (PTB – SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, nós apresentamos emenda semelhante quando da tramitação da Super-Receita. Foi-nos dito que haveria negociação, o que não ocorreu. Por essa razão, o PTB vota “sim” à emenda. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Como vota o PP? O SR. MÁRIO NEGROMONTE (PP– BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – O PP vota “não”, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – O PP, “não”. Como vota o PFL, nobre Líder Alberto Fraga? O SR. ALBERTO FRAGA (PFL – DF. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, há coisas que não conseguimos entender. É muito melhor o Governo negociar com aqueles que têm disposição de pagar, a Quinta-feira 13 19077 fim de gerar empregos, do que obrigar essas pessoas a irem para a informalidade, o que não gera impostos nem empregos. Não dá para entender a posição do Governo, que se intitula um Governo voltado para o social. Justamente em relação àquelas medidas que podem ser ajustadas e melhoradas, vira as costas aos que se dispõem a pagar. É um absurdo a forma como o Governo está querendo tratar os empresários, que, mesmo diante dessa violenta carga tributária, querem pagar, querem negociar. Mas parece que ele prefere as coisas às escondidas, na calada da noite. Por isso, Sr. Presidente, evidentemente o PFL encaminha o voto “sim”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – PFL, “sim”. Como vota o PT? A SRA. TEREZINHA FERNANDES (PT – MA. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente, essa emenda, além de mais uma vez abrir prazo para que as empresas parcelem seus débitos, está incluindo pessoas jurídicas que não têm preenchido os critérios para integrar o REFIS. Por conta disso, o PT vota “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – PT, “não”. Como vota o PMDB? O SR. DARCÍSIO PERONDI (PMDB – RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, o PMDB é pela empresa; o PMDB é pelo emprego. A carga tributária escorchante e os juros altos sufocam as empresas; há desemprego. Portanto, com a alternativa do novo REFIS, as empresas irão se esforçar para pagar seus débitos, a fim de manter e recuperar emprego. Por essa razão, o PMDB encaminha o voto “sim” e solicita a presença de todos os seus Deputados para votarem, caso não seja votação simbólica. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – PMDB, “sim”. Como vota o PSOL? O SR. CHICO ALENCAR (PSOL – RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, o entendimento do Partido Socialismo e Liberdade é o de que ser a favor da atividade produtiva, do pleno emprego e do dinamismo econômico não é o mesmo que concordar com uma sucessão de renúncias fiscais e com a incorporação de novas isenções e novos prazos para devedores que em muitos casos podem pagar. Em defesa da regulação do Poder Público e do dinamismo 19078 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS econômico, não acolhemos essa emenda. Portanto, o PSOL vota “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – PSOL, “não”. Como vota o PCdoB. (Pausa.) Como vota o PSC. (Pausa.) Como vota o PRONA. (Pausa.) Como vota o PMR. (Pausa.) Como vota o PTC. (Pausa.) Como vota a Liderança da Minoria. (Pausa.) O SR. RONALDO DIMAS – Sr. Presidente, pelo PSDB. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. RONALDO DIMAS (PSDB-TO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, ontem fizemos acordo nesta Casa e hoje, para nossa surpresa, algumas Lideranças estão mudando de idéia, o que é normal na política. É assim mesmo, do dia para a noite ou da noite para o dia as pessoas mudam, principalmente os Líderes. Faço um apelo para todos os Deputados, os do PL, do PP, da base do Governo, porque a situação é crítica para as empresas nacionais, principalmente as pequenas e microempresas. Neste Governo, foi aumentada a carga tributária e não há quem esteja conseguindo pagar impostos, Sr. Presidente. Então, apelo a todos os Parlamentares para que venham ao plenário, a fim de que possamos reabrir os prazos em 120 dias para que as empresas possam contribuir com o País, pagando e refinanciando seus impostos, já que hoje, infelizmente, grande parte delas encontra-se inadimplente. Esse é o nosso objetivo com a apresentação desta emenda, e espero que todos os Deputados, independentemente da orientação, votem “sim”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – PSDB vota “sim”. Como vota a Liderança do Governo? O SR. ARLINDO CHINAGLIA (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, penso ser necessário haver coerência, até porque há um trabalho realizado por toda esta Casa, cuja relatoria é feita pelo Deputado do PSDB, autor do requerimento, que trata da chamada Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. Ao se utilizar de medida provisória, que não tem nada a ver com esse tema, a Oposição cai numa contradição insanável: critica o Presidente da República por editar a medida provisória e tenta fazer dela, qualquer que seja, uma carona monumental. Pior, no mérito. Abril de 2006 É inadmissível que o empresariado brasileiro ainda não tenha tomado consciência, aquela parcela que infringe a lei no que tange à contribuição previdenciária e, portanto, faz apropriação indébita. A partir daí, inclusive partidos da base aliada concordam com que seja prejudicado o trabalhador em nome de um benefício continuado daqueles que têm de cumprir as leis. Pelo menos uma vez, quero pedir à Oposição que vote com o trabalhador e que não facilite a vida dos que arrecadam taxas e impostos e não os repassam para a Previdência Social, enfim, dos que praticam a sonegação, um dos poucos crimes no Brasil que dá cadeia. Por isso, a Liderança do Governo orienta o voto “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A Liderança do Governo vota “não”. Como vota o PV? O SR. JOVINO CÂNDIDO (PV – SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, o PV libera sua bancada. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – O PV libera a bancada. Como vota o PCdoB? (Pausa.) Como vota o PSC? (Pausa.) Como vota o PRONA? (Pausa.) Como vota o PMR? (Pausa.) Como vota o PTC? (Pausa.) (Manifestação no plenário.) O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A votação será nominal porque houve acordo. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A Presidência solicita aos Srs. Deputados que tomem os seus lugares, a fim de ter início a votação pelo sistema eletrônico. Está iniciada a votação. Queiram seguir a orientação do visor de cada posto. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A Presidência solicita a todos Parlamentares presentes nas diferentes dependências da Casa que venham ao plenário, para que possamos concluir a votação deste destaque e, ainda hoje, encerrarmos a votação da MP. Na votação da MP seguinte, será pedido prazo pelo Relator Humberto Michiles. Portanto, devemos concluir a votação desta matéria. Faço um apelo aos Srs. Parlamentares que venham a plenário, a fim de que possamos concluir a votação desta matéria. O SR. OSVALDO BIOLCHI – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. OSVALDO BIOLCHI (PMDB-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, quero insistir porque poucas vezes venho me intrometer nas votações, mas desta vez o volume de e-mails de empresários que chega aos nossos gabinetes é muito grande. Todos reclamam da sobrecarga tributária e pedem a reabertura do REFIS. Por isso, tenha o Governo um pouco de dó; tenha o PT um pouco de compreensão. Vamos votar a favor do REFIS, pela reabertura por 120 dias. É nossa obrigação neste momento. Se o Presidente da República, depois, quiser vetar, que vete. Nós iremos votar a favor. O SR. LUIZ CARLOS HAULY – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem, para dar uma informação. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – V.Exa. já falou. O SR. LUIZ CARLOS HAULY – Mas é importante para a Nação. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – V.Exa. já falou, não vou permitir. O SR. JORGE GOMES – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. JORGE GOMES (PSB-PE. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os índices de violência contra as mulheres em Pernambuco parecem não esmorecer e, ao contrário, aumentam a cada dia, tornando-se estarrecedores. Temos denunciado com regularidade o caos em que mergulhou meu Estado, que se consolida como referência de insegurança e descaso do poder constituído. Enquanto isso, a sociedade civil vem reagindo como pode no combate à violência contra a mulher. No mês passado, Caruaru inaugurou o Centro de Referência às Mulheres Vítimas de Violência. Em todo o Estado, dezenas de manifestações públicas foram promovidas nos últimos meses para demonstrar a insatisfação da população contra tudo o que tem acontecido. Mas a realidade é que nos últimos anos o povo pernambucano se vê órfão e desamparado nesta luta desigual e sem a devida contrapartida oficial. Para dimensionar o quadro, basta citar as últimas informações divulgadas pela imprensa, ontem, 11 de abril, que demonstram de forma cabal como a situação está fora de controle e como as autoridades palacianas se mostram incompetentes e desajustadas para enfrentar o problema. Só na Grande Recife já foram Quinta-feira 13 19079 registrados neste ano 101 assassinatos de mulheres. Nem isso nem os mais de 31 mil mortos pela violência no Governo Jarbas Vasconcelos foram suficientes para dar início a uma política eficiente e sólida de segurança pública no Estado. As mulheres, sempre as maiores vítimas, vêem a esperança de criar seus filhos em paz e prosperidade reduzida a incertezas no futuro e na vida. São milhares de famílias enlutadas, de crianças sem mãe e mulheres sem marido, num sofrimento sem fim. É preciso dar um basta a este cenário de terror. De minha parte, vou continuar soltando meu grito de protesto e inconformismo e denunciando com o maior vigor possível a irresponsabilidade de quem deve defender e criar condições mais saudáveis para o povo pernambucano. O desejo de todos é fazer de nosso Estado um lugar mais tranqüilo e seguro para viver, por isso não podemos permitir que a omissão impere e que o descalabro dos governantes seja a ordem do dia. Sr. Presidente, peço divulgação deste pronunciamento nos órgãos de comunicação da Casa. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – V.Exa. será atendido, nobre Deputado Jorge Gomes. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra à nobre Deputada Terezinha Fernandes, pelo tempo de 3 minutos. Em seguida, darei a palavra aos Deputados Ivo José, Sandro Matos, Osmânio Pereira, Luis Carlos Heinze, Almir Moura e outros. A SRA. TEREZINHA FERNANDES (PT – MA. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, destaco o encontro do meu partido, o Partido dos Trabalhadores, nesse final de semana, em São Luís, Maranhão, no qual debatemos os caminhos que o partido deverá tomar nas próximas eleições. Nesse encontro, fechamos aliança com o PSB e o PCdoB, quando o PT indicou meu nome para integrar a chapa majoritária que disputará o Governo do Estado juntamente com o ex-Ministro Edson Vidigal, que recentemente deixou o Tribunal Superior Eleitoral, filiou-se ao PSB e será o candidato ao Governo do Estado pela nossa coligação. Meu nome foi indicado e aprovado, juntamente com o do Ministro Edson Vidigal, para eu disputar a vaga de Vice-Governadora. Nós, do Partido dos Trabalhadores, assim como os membros do PSB e do PCdoB do Maranhão, trabalhamos para montar um forte palanque pela reeleição do Presidente Lula. Temos como objetivo fortalecer o nosso partido na atual conjuntura. Entendemos que, integrando essa frente, o Partido dos Trabalhadores partirá para uma difícil disputa, mas com grandes 19080 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS possibilidades de chegar ao segundo turno e derrotar o grupo que domina o Maranhão há 40 anos e ainda fortalecer a nossa bancada federal e estadual, além de contribuir significativamente para a reeleição do Presidente Lula. Comunico a esta Casa e à bancada do meu partido que não disputarei a eleição para Deputada Federal, porque disputarei a de Vice-Governadora na chapa do Ministro Edson Vidigal pela coligação PSB, PT e PCdoB. Muito obrigada. O SR. ZEQUINHA MARINHO – Sr. Presidente peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. ZEQUINHA MARINHO (PSC – PA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, o PSC também vota “não”. O SR. DARCÍSIO PERONDI – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. DARCÍSIO PERONDI (PMDB – RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, o PMDB convoca todos os Srs. Deputados para virem ao plenário e votarem “sim”, pelo emprego e pelas empresas. O PMDB convoca todos os Deputados para comparecerem imediatamente ao plenário. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Como vota o PCdoB? O SR. DANIEL ALMEIDA (PCdoB – BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, o PCdoB entende que é importante ampliar as possibilidades de adesão ao REFIS, por 120 meses, beneficiando aqueles que ainda não tiveram essa oportunidade. No entanto, Sr. Presidente, a emenda traz um defeito incorrigível. Não é possível isentar aqueles que se apropriam indevidamente de recursos da União. Alguém que recolhe um tributo e não o repassa, comete um crime. Por que nós temos de isentar essas pessoas de responder pelo crime de sonegação? É inaceitável, é um estímulo à impunidade. Por isso, o PCdoB encaminha o voto “não”. O SR. DR. FRANCISCO GONÇALVES – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. DR. FRANCISCO GONÇALVES (PPS – MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é com muito prazer e muita honra que venho a esta tribuna para falar a Abril de 2006 respeito do sistema de educação em nossa cidade, Divinópolis, Minas Gerais. Recentemente o Ministério da Educação, por intermédio do ex-Ministro Tarso Genro, e também do atual Ministro, Fernando Haddad, liberou recursos para construção da sede própria do CEFET, em Divinópolis. Sem dúvida nenhuma, com o apoio de toda a classe empresarial, bem como da classe política de Divinópolis, vamos implantar o campus da unidade do CEFET de Minas Gerais, em Divinópolis, com grande possibilidade, num futuro bem próximo, de termos a nossa tão sonhada faculdade de engenharia de ensino tecnológico na região centro-oeste mineira. Seria a primeira escola gratuita de engenharia em toda aquela região. Aproveito ainda este momento para trazer uma notícia sobre a existência de entendimentos concretos de nossa parte e do Prefeito junto à UNIPAC para que seja instalada também em Divinópolis uma faculdade de medicina, que atenderia toda a região centro-oeste de Minas Gerais. Trata-se de notícia promissora que damos, com satisfação, à região centro-oeste mineira, a todo o Estado de Minas Gerais e ao Brasil. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PAUDERNEY AVELINO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. PAUDERNEY AVELINO (PFL – AM. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero louvar o esforço de V.Exa. que ontem pugnou para se chegar a um acordo sobre o Orçamento, como também os Governadores dos partidos de oposição, já que os de situação estão bem aquinhoados. Exerceu V.Exa. papel preponderante. Nossa intenção era realizar a sessão ontem à noite, mas não foi possível, como também a de hoje de manhã, porém deveremos votar o Orçamento na próxima terça-feira. Portanto, quero manifestar meu propósito de votar essa peça orçamentária. Se não é a melhor, é a peça oficial do Governo. Será executado um orçamento basicamente de despesas correntes, já que o contingenciamento dos recursos será de mais de 20%. Entendemos que essa forma de elaborar o Orçamento não é a mais adequada nem engrandece o Parlamento brasileiro. No entanto, o Executivo nos enviou um projeto de péssima qualidade e tivemos de nos esforçar para nele fazer um grande remendo, um saneamento. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS De qualquer forma, os Governadores foram atendidos. Mas não haverá investimentos. Esqueçam as emendas parlamentares, não serão cumpridas, já estão contingenciadas mesmo antes de a peça orçamentária ser aprovada, com o relatório bimestral. Isso que estou anunciando é um fato, não uma ilação. Já há 20 bilhões de reais contingenciados. Espero que votemos o Orçamento na próxima terça-feira, até para dar ao País um Orçamento, embora não seja o melhor para ser executado. Obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Rodrigo Maia, para uma Comunicação de Liderança, pelo PFL. S.Exa. dispõe de 8 minutos. O SR. RODRIGO MAIA (PFL – RJ. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, ontem, o Procurador-Geral da República Antonio Fernando de Souza, apresentou contundente relatório sobre o episódio do mensalão em que incrimina 40 pessoas. Os 40 ladrões já foram incriminados; falta apenas o Ali Babá. Não podemos, Sr. Presidente, por motivos relativos à popularidade ou ao fim de governo, deixar de cumprir nossa obrigação de oposição, a de fiscalizar este Governo, talvez o mais corrupto de toda a história da República brasileira. Acompanhei, com atenção, o relatório do Procurador. S.Exa. diz claramente – o que também é manchete do jornal O Estado de S.Paulo – que o PT montou um esquema de corrupção para se manter no poder. Ora, Sr. Presidente, o PT é uma figura abstrata. O PT montou um esquema de corrupção com o intuito de beneficiar uma pessoa específica: o Presidente da República. De forma indireta, está claro que o Procurador incriminou o Presidente Lula. Afinal, o PT só tem motivos para tentar permanecer no poder para beneficiar o Presidente. Todos os outros cargos dependem do Presidente, uma vez que por ele são nomeados. Sr. Presidente, vai ficando claro que o discurso elaborado pelo Ministro da Justiça de que não existia mensalão, mas existia caixa 2 já caiu. Caiu primeiro na CPMI, depois na Procuradoria – e o Procurador-Geral foi nomeado pelo próprio Presidente Lula. Temos agora a obrigação de continuar exercendo nosso papel. Semana que vem estaremos, em audiência pública – confirmada por S.Exa. o Deputado Inocêncio Oliveira –, ouvindo o Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Na oportunidade, teremos condições de averiguar outro grave crime cometido por este Governo, a violação do sigilo de um caseiro, na tentativa de pro- Quinta-feira 13 19081 teger um Ministro que cometeu um crime grave e teve o apoio do Ministro da Justiça. S.Exa. não poderia, de forma alguma, ter participado da tentativa de, de certa forma, comprar consciências para livrar o ex-Ministro da Fazenda Antonio Palocci. Mais grave ainda foi o Presidente da Caixa Econômica informar oficialmente o Presidente Lula do ocorrido e não haver por parte de S.Exa. nenhuma ação concreta contra seu então Ministro da Fazenda. Mais uma vez, houve omissão do Presidente da República. Por esse motivo, Sr. Presidente, congratulamonos com o Procurador-Geral da República. S.Exa. mostrou independência ao denunciar pessoas que foram investigadas pela CPMI dos Correios, apesar de a base do Governo e o próprio Governo tentarem o tempo todo descaracterizar tais investigações e as denúncias apresentadas, principalmente em relação aos ex-Ministros José Dirceu, Luiz Gushiken e várias outras pessoas. Sr. Presidente, estou convicto de que a Oposição exerceu um de seus papéis mais importantes, fiscalizar. Não fosse o trabalho conjunto da Oposição, não teríamos tido a instalação da CPMI. E, claro, não houvessem membros da base do Governo feito as denúncias, talvez não tivéssemos chegado a lugar algum. Acredito que cada um cumpriu seu papel. A Oposição deu demonstrações, na CPMI, de que em nenhum momento caminhou para o radicalismo, em nenhum momento tentou aprovar um relatório que não fosse embasado em provas – parabenizo o Relator Osmar Serraglio –, a fim de que o Congresso Nacional não saísse desmoralizado, em definitivo, desse processo. Sr . Presidente, repito: o Procurador denunciou 40 pessoas; falta o Ali Babá. Falta o aprofundamento das investigações para que o chefe de todo esse processo apareça e seja responsabilizado. Não podemos, como disse desde o início da crise, por falta de tempo e em virtude de pesquisa de opinião, nos furtar ao cumprimento do nosso papel: investigar e cobrar, tanto da Procuradoria como de toda a Justiça brasileira, providências e aprofundamento dessa investigação que começou na CPMI dos Correios e teve desfecho muito importante e histórico para o Congresso Nacional. Hoje é um dia fundamental para a democracia no Brasil. Essa denúncia apresentada pelo Procurador vem referendar uma posição que defendemos há alguns meses, vem mostrar que as CPIs são fundamentais e não podem, em momento algum, ser substituídas por outro órgão. 19082 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Mais uma vez, repito: os 40 já foram denunciados; falta o Ali Babá. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A Presidência informa que o Deputado Darcísio Perondi não é Vice-Líder. S.Exa não poderia ter encaminhado em nome do PMDB. Houve um equívoco. O Deputado deveria saber que só pode encaminhar em nome da bancada o Vice-Líder. Peço desculpas ao Plenário e mando que apaguem a orientação do PMDB até que um Vice-Líder ou o Líder encaminhe. O SR. ARLINDO CHINAGLIA – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. ARLINDO CHINAGLIA (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, já que V.Exa. finalmente fez essa correção, quero dizer que nos causou espécie a atitude do Deputado, pois todos sabemos que S.Exa. não é Vice-Líder. Mas havia ViceLíderes do PMDB em plenário, e não sei por que não foi feita a correção. Agradeço V.Exa. por, finalmente, ter feito essa correção. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Peço que apaguem o encaminhamento do Deputado, feito na condição de Líder do partido. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Arnaldo Faria de Sá. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, apresentamos emendas à medida provisória do salário mínimo no sentido de que o mesmo percentual seja estendido aos aposentados que ganham mais de 1 salário mínimo, pois eles não podem continuar tendo seus benefícios achatados. Estive na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, para participar da homenagem feita ao Dr. Gilson Costa, ex-Presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas, e lá pude ver que o protesto é intenso para que os aposentados e pensionistas tenham o mesmo percentual de reajuste estabelecido para o salário mínimo. Aproveito a oportunidade para cumprimentar o Dr. Antonio Fernando Souza, Procurador-Geral da República, pela ousadia e pela determinação de corroborar as denúncias feitas pela CPMI dos Correios, que teve na Relatoria o Deputado Osmar Serraglio e na Presidência o Senador Delcídio Amaral. Nós, que fizemos parte daquela CPMI, sofremos muita pressão e contrapressão. O relatório apresentado inicialmente Abril de 2006 no dia 27 de março e votado no dia 6 de abril antecipava tudo que foi ontem divulgado pelo ProcuradorGeral da República. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra, pela ordem, ao Sr. Deputado Wilson Santiago. O SR. WILSON SANTIAGO (PMDB-PB. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, é do conhecimento desta Casa que tanto o PMDB como os demais partidos têm se reunido durante todos esses dias para discutir o Super-SIMPLES e a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Buscamos amplo acordo com todos os partidos políticos, inclusive com a Oposição, para que sejam contemplados todos os empresários em débito com a Previdência e com a Receita Federal. Daí por que não podemos neste instante prejudicar tudo o acordo construído ao longo do tempo e atender a uma emenda cujo objetivo já está sendo alcançado no Super-SIMPLES e na Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Portanto, o PMDB encaminha o voto “não” nesta votação. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado José Carlos Aleluia, para uma Comunicação de Liderança, pela Minoria. S.Exa. dispõe de até 8 minutos. O SR. JOSÉ CARLOS ALELUIA (PFL – BA. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Deputado Inocêncio Oliveira; Sras. e Srs. Deputados, hoje, vimos nos jornais matérias a respeito da ação do Ministério Público ao indiciar 40 pessoas por formação de quadrilha em torno do Governo do Presidente Lula. Esse fato deve ser objeto de comemoração, porque mostra que o Brasil, a despeito de ter um Governo em decomposição, em putrefação, tem instituições que funcionam. É comum dizer-se, quando se trata de mercado imobiliário, que o mais importante é a localização, a segunda coisa mais importante é a localização e a terceira coisa mais importante é a localização. Quando se trata de países que pretendem buscar a prosperidade, que pretendem ter uma chance para o crescimento, pode-se usar afirmação parecida. Eu poderia dizer, e isto se confirma pela literatura mais recente, que o pré-requisito são as instituições, as instituições e as instituições. Portanto, quero render minhas homenagens ao Ministério Público, que pôs um ponto final, determinou validade e deu fé de ofício ao relatório da CPMI dos Correios ao tomar posição no mesmo sentindo, dizendo que existiu o mensalão, que existiu Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS corrupção e que a corrupção nasceu na Casa Civil do Presidente Lula. Isso é fundamental. Não entendo como a Nação não está indignada, porque outro fator importante para que a sociedade possa funcionar é que ela possa indignar-se. O que fez o Presidente Lula no Governo, o grau de corrupção que ele trouxe para o seu Governo é, sim, motivo de indignação. E digo aos que estão em casa: mesmo que ele tenha mantido os programas de bolsa criados no Governo passado, ainda que eventualmente tenha alguns pontos positivos, nós, eu e vocês, não podemos admitir sequer a hipótese de Lula voltar a governar o Brasil, porque seu Governo é corrupto, reconhecido como corrupto pela CPMI dos Correios, reconhecido como corrupto pelas pesquisas de opinião e reconhecido como corrupto pelo Ministério Público. Sr. Presidente, eu e muitos dos presentes estávamos aqui no Governo Collor. Eu votei o seu impeachment. Não vamos falar em impeachment do Presidente Lula, até porque não há mais tempo, mas posso assegurar que Collor era aprendiz diante do que se fez neste Governo. Este é o Governo mais corrupto da história do Brasil, é o Governo que mais conspirou contra as instituições. Como o Brasil precisa voltar a crescer! Não estou dizendo que tem que ser Governo de centro ou socialista. Assistimos ontem ao discurso da Presidenta socialista do Chile, apoiada por partido com o qual o meu partido mantém relação estreita. Há no Chile um concertamento de partidos. A democracia de centro e os socialistas se juntaram para fazer um governo de instituições, um governo de organização, um governo de inclusão, em que as mulheres estão presentes, na Presidência e na metade dos Ministérios. Precisamos levar ao povo brasileiro um pouco de indignação. Minha gente, meu povo, não aceite sequer a hipótese de examinar a reeleição de um Presidente declaradamente envolvido e que chefiou um esquema – está em todos os jornais – de corrupção que envolve 40 pessoas. Precisamos valorizar o Ministério Público, valorizar a Justiça, com quem está a bola agora. A Justiça vai analisar os processos em seguida, e espero que ela seja célere. Sr. Presidente Inocêncio Oliveira, as instituições são fundamentais, e entre elas está a Câmara dos Deputados. Estamos vivendo um processo extremamente desgastante. Não vou comentar as decisões do Plenário, que são soberanas. Mas algumas decisões precisam ser tomadas. A questão de renunciar ao mandato para voltar a disputar mandato precisa ser resolvida, ainda que seja para a frente. Projeto de mi- Quinta-feira 13 19083 nha autoria propõe que não se suspenda o processo com a renúncia e que, em vez de declarada a perda do mandato, seja declarada a quebra de decoro parlamentar. Outro projeto também de minha autoria altera a Lei de Inelegibilidade, estabelecendo que, uma vez declarada a quebra de decoro parlamentar, o Parlamentar fica inelegível. Isso se aplica a questão que está na Comissão de Constituição e Justiça. Fico preocupado, Sr. Presidente, porque não sou daqueles que acham que o PT vai morrer. O PT vai sobreviver. Tem em seus quadros mulheres e homens bem intencionados. A cúpula corrompeu-se, mas restam nesta Casa Deputadas e Deputados sérios, que farão com que o PT continue existindo como partido. Sr. Presidente, a tentativa do PT de impedir o julgamento da aposentadoria do Deputado José Janene hoje na Comissão de Constituição e Justiça não foi correta. O Deputado Antonio Carlos Biscaia insubordinou-se. Não estou aqui para condenar o Deputado Janene, mas também não podemos admitir que S.Exa. se aposente sem julgamento, ficando em condições de disputar a próxima eleição. Isso é uma aberração. Se S.Exa. for absolvido no Plenário, tudo bem, Sr. Presidente. Defender esta instituição é dever da Mesa, sobretudo do Presidente Aldo Rebelo. Não podemos admitir que processos não prossigam. Isso é grave, Sr. Presidente. Precisamos criar condições para que o Brasil cresça, precisamos criar condições de governabilidade, e a governabilidade só existe quando o Congresso é respeitado. Se vivêssemos num sistema parlamentarista, este Congresso já teria sido dissolvido, por falta de apoio popular. Já não temos o apoio popular. Se este Congresso tivesse sido dissolvido e novas eleições convocadas, aí sim, teríamos um Congresso forte, revigorado. Mas, já que não foi possível convocar eleições imediatas, nós, da Mesa, nós, Deputados, é que temos de zelar pelo nome da instituição. O Brasil não cresce sem estabilidade política. O clima internacional é favorável ao crescimento, mas internamente a história é outra, porque temos um Governo corrupto e um Congresso desorientado, paralisado. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao ilustre Deputado Fernando Ferro, para uma Comunicação de Liderança, pelo PT. O Líder Henrique Fontana viajou e por ofício indicou o Deputado Fernando Ferro para substituí-lo. O SR. FERNANDO FERRO (PT-PE. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, quero, em primeiro lugar, saudar 19084 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS a consolidação da democracia neste País, um dos diversos ganhos da sociedade brasileira com o Governo do Presidente Lula. Se não, vejamos: as instituições estão funcionando e estamos vivendo um período de muitas investigações. Estranho muito a postura dos Líderes do PFL, da Minoria e do PSDB, que há algum tempo falavam em CPI chapa-branca. Lembram-se disso, Deputados pefelistas e tucanos? V.Exas. acusavam o Governo de interferir nas apurações e acuar as instituições públicas. Vocês do tucanato e do pefelê é que indicaram Geraldo Brindeiro, conhecido como engavetador-geral da República. Vocês não têm autoridade moral e política para falar em corrupção, para defender da tribuna desta Casa as instituições. Vocês acuaram e constrangeram a Polícia Federal, tiraram do cargo o superintendente que apurava as trambicagens, por exemplo, do ex-Ministro José Serra com a empresa norte-americana Kroll e os arapongas que investigavam o próprio PFL. Vocês estão esquecidos disso? Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, não assiste autoridade moral e política a quem violou o painel do Senado Federal e depois renunciou, para se esconder das investigações, como fez o Senador Antonio Carlos Magalhães, do PFL, que não teve coragem para enfrentar a investigação e preferiu fugir. O PFL não tem autoridade para cobrar ações de investigação. A Procuradoria-Geral da República no Governo Lula indicia os denunciados, e o resultado vocês agora elogiam. Os envolvidos terão a oportunidade de se defender na Justiça e de apresentar contraprovas. Se de fato o processo comprovar a culpa, eles serão punidos. Isso é o que chamamos de Estado democrático de Direito, coisa que vocês não admitiram. Estamos tranqüilos para fazer essa investigação. Lembro-me, Deputado José Carlos Aleluia, do constrangimento a que V.Exa. foi submetido na CPI do Collor. V.Exa. viveu momentos difíceis. Por isso, peço-lhe cautela. V.Exa. sofreu naquela época momentos semelhantes aos que vivem agora alguns companheiros nossos que estão sendo execrados. Viveu isso na pele, sabe como dói, portanto, deve ter a grandeza, a generosidade de compreender a dificuldade que essas pessoas estão passando. V.Exa. foi acusado, foi execrado e sobreviveu. Sr. Presidente, é preciso ter a corajosa ação política de fazer a acusação, mas sem esquecer que as denúncias ainda estão sob investigação e não podem ser tratadas com leviandade e irresponsabilidade por esses que nos chamam de Governo mais corrupto. Ora, como podem o Abril de 2006 PFL e o PSDB, que nunca permitiram a instalação de uma CPI para investigá-los nesta Casa – tinham a maioria dos votos –, falar gora em contenção de investigação? Que a autoridade política vocês, da pasta rosa, do SIVAM, têm para falar em partido mais corrupto? Não quero justificar o erro de alguns do PT com o erro de vocês, mas a população sabe ler o momento político. V.Exas. sabem, Deputado Rodrigo Maia, Deputado Aleluia, Deputado Jutahy, por que o povo brasileiro não entra na jogada de V.Exas.? Porque sabe o que foi o Governo Fernando Henrique Cardoso, sabe quem é Bornhausen, sabe quem é Antonio Carlos Magalhães, conhece todos vocês. O povo brasileiro sabe analisar a conjuntura política, ao contrário do que vocês dizem, de forma preconceituosa. Vocês falam em sujeira do PT sem autoridade moral para nos criticar. Por isso, seu discurso não cola no coração do povo brasileiro. Falta-lhes autoridade política e moral. Sua história, sua trajetória, o Governo que vocês fizeram não lhes dá condição de dar lição em ninguém. Sim, cometemos erros, e temos a humildade de reconhecê-los. Estão sendo punidos os responsáveis, foram afastados companheiros nossos importantes. Eles vão pagar pelo que fizeram, respeitado seu direito de defesa. Isso é parte da construção da democracia. O desespero e o oportunismo com que vocês se apegam a esses fatos não vão produzir boa coisa. A economia deste País cresce. Temos cada vez mais respeito lá fora, cada vez mais empregos, mais credibilidade, mais estabilidade econômica e política. Essa é a grande diferença. Vamos enfrentar este momento com a dignidade e grandeza que o povo brasileiro reconhece em nós. O respeito que temos nas ruas está demonstrado nas pesquisas de opinião, não é criação da mídia. Aliás, nunca se teve uma mídia com tanta independência para criticar como agora. Nunca um Governo foi tão bombardeado pela mídia como o nosso. Grandes articulistas, importantes jornalistas não param de bater no Partido dos Trabalhadores. Vejam a figura do Boris Casoy, que atacou de forma partidarizada o Partido dos Trabalhadores e mentiu dizendo que foi perseguido politicamente, razão da sua demissão da TV Record. Ora, sabemos que a TV Record estava com 5% a 6% de audiência no programa daquele jornalista. Foi demitido por incompetência. Hoje, o jornal daquela emissora está com 14% a 16% de audiência, mas ele quer passar-se por vítima política. É interessante registrarmos que a democracia permite até que alguns picaretas usem a imprensa para fazer jornalismo pequeno, partidarizado, des- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS qualificado, para tentar desmontar o Governo do Presidente Lula. É importante não esquecer que há por debaixo dos bastidores um movimento silencioso, meio envergonhado, que pede o impeachment do Presidente. Não têm a coragem de botar a cara na rua porque tentaram e não deu certo. A população não deu respaldo, não validou, não deu autoridade política e moral a quem quis atacar o Presidente nas ruas. Por isso, neste momento, temos plena e tranqüila consciência de que neste País não só a economia cresce, mas há melhora na ação das pessoas. Este é um Governo que trabalha para os pequenos, para os pobres; que reduz a desigualdade social, inclui socialmente parcela da população; que é dirigido para aqueles que secularmente foram derrotados na vida social deste País pelas políticas da elite que vocês representam. O Brasil tem 185 milhões de habitantes. Vocês governam, no máximo, para 18 milhões. Vocês pensam num Brasil de 20 milhões de pessoas. O nosso Brasil tem 185 milhões de pessoas, e é para elas que governamos. E são essas pessoas que nos apoiam e sustentam o Presidente Lula. Cuidado com o golpismo. Atenção com essa sede de quebrar, aí sim, a institucionalidade, sem ter argumento, sem ter consolidação de acusação, apenas insinuações e as palavras que vocês querem proferir. Sr. Presidente, o Partido dos Trabalhadores vai fazer o bom debate, o bom combate nas ruas, nos campos deste País, comparar o Governo que fazemos com o Governo que vocês fizeram, que liquidou o Brasil, faliu o Brasil, apagou o Brasil energética e socialmente, destruiu o Estado democrático de Direito e as instituições, envergonhando-nos, com Procuradoria-Geral acanhada e sob controle, com Polícia Federal amordaçada, o que não existe em nosso Governo. Essa é a diferença. Temos democracia – somos democráticos de fato – e a exercitamos na prática. Valorizamos todas as instituições e não temos medo nem receio das investigações, como vocês tiveram, acanhando as instituições deste País. Estamos diante de grande conquista democrática, social e econômica do Presidente Lula. Por isso, não cola o discurso que vocês fazem da calúnia, da mentira e da perseguição, sem sustentação social e política, para atacar o Presidente Lula. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Arlindo Chinaglia, para uma Comunicação de Liderança, pelo Governo. Quinta-feira 13 19085 O SR. ARLINDO CHINAGLIA (PT-SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, dizem que o pior cego é aquele que não quer ver. A Oposição discursa, mas não menciona um trecho do parecer do Procurador-Geral da República que faço questão de referenciar: “Para a exata compreensão dos fatos, é preciso pontuar que Marcos Valério é um verdadeiro profissional do crime, já tendo prestado serviços delituosos semelhantes ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) em Minas Gerais, na eleição para governador do hoje senador Eduardo Azeredo, realizada em 1998, fato que é objeto do Inquérito nº 2.280 em curso (...).” Eduardo Azeredo era o Presidente Nacional do PSDB até há alguns meses, e caiu exatamente por ter pego empréstimos no Banco Rural e no BMG, no total de aproximadamente R$11 milhões, que, com os juros, daí a algum tempo passaram para R$13,4 milhões. E – pasmem V.Exas.! – os banqueiros concordaram em reduzir esse débito de R$13,4 milhões para aproximadamente R$2 milhões. Portanto, se é para, no linguajar do Relator da CPMI dos Correios, “manifestar estranheza”, creio que o povo brasileiro inteiro manifesta estranheza também diante desse fato. Cumprimentamos o o Procurador-Geral da República, que começou seus trabalhos de forma independente após a instalação da CPMI dos Correios, e terminou-o antes que se encerrasse o daquela CPI, com a apresentação daquilo que no jargão jurídico é classificado de proposta de investigação. Isso não significa que eu concorde com o que o Procurador-Geral escreveu, mas ressalto a sua independência. Diferentemente daquele seu antecessor, que foi mantido durante 8 anos no cargo pelo Governo passado e ficou conhecido como “Engavetador-Geral” da República, o atual Procurador-Geral não é um engavetador. Seguramente, não é um homem perfeito; aliás, usando a palavra da moda, causou-me estranheza o fato de que o Procurador-Geral da República tenha chamado o Presidente da CPMI dos Correios, bem como o Relator e outros membros da Comissão, para anunciar à imprensa o seu trabalho. Acho que naquele momento talvez tenha sido mordido pela mesmíssima mosca azul que mordeu alguns, que entraram como minhocas na CPI imaginando sair de lá como najas. Enfim, a palavra do Ministério Público veio após a investigação da Polícia Federal, comandada pelo Ministro da Justiça, que está provando por palavras e 19086 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS atos, decorrentes de seus pensamentos, que a Polícia Federal neste Governo trabalha e investiga – mas, seguramente, também não é uma instituição perfeita. Vamos para o segundo ponto: no Poder Judiciário, muitos que foram vilipendiados, que não tiveram sequer o direito de defesa, nem na CPI, e foram listados, agora terão esse direito. Evidentemente , isso não significa que estejamos afirmando que algum dos acusados esteja implicado e tenha de responder à Justiça. Ainda vamos saber quais e quantos são os implicados. Aliás, registro outro fato que me causou muita estranheza, para repetir a palavra do Relator, o Deputado Osmar Serraglio, que era, ou é, da base do Governo – não sei, mas isso não importa –, e por isso foi acusado de “chapa-branca”, como disse o Líder do PT, o Deputado Fernando Ferro. O Relator excluiu tudo aquilo que foi produzido com relação às franquias dos Correios. O Sub-Relator pediu a quebra do sigilo de 8 franquias; obteve de apenas duas, e dessas descobriu que, num prazo de 5 anos, foram sacados R$8 milhões na boca do caixa. Por que o Relator excluiu isso do seu parecer final? Será que introjetou a denúncia da Oposição, de que o Correio era comandado pelo PMDB, e então ficou com medo? Ora, S.Exa. é homem destemido! E como, após seu clamoroso erro, acrescentou à lista o Sr. Daniel Dantas, faço um apelo à CPMI dos Correios, ao seu Presidente, que é do PT, e ao Relator, que é do PMDB: expliquem à sociedade por que V.Exas. não investigaram os Correios, por que excluíram do relatório final nomes que foram flagrados em 2000 fraudando concorrência. E espero que o ProcuradorGeral não tenha cometido o mesmo erro. Vamos até o osso, na investigação! Evidentemente , chama-nos a atenção o fato de o Procurador-Geral listar alguns Deputados e não listar outros. Creio que também teremos a oportunidade de ouvir a explicação disso – quem sabe? – até por parte do Procurador, que, aliás, acredito que tenha de dar um exemplo para todos nós, visto que comanda uma instituição séria, respeitável, fundamental para a democracia. Tem razão quem disse aqui que a Câmara tem de se mobilizar, como teremos razão se dissermos que a Procuradoria-Geral tem de investigar inclusive aquela suspeita de superfaturamento na construção do seu prédio. Ou será que não? É evidente que deve, e o povo brasileiro assim exige. No primeiro momento em que o ex-Deputado Roberto Jefferson fez a denúncia, manifestamo-nos contra a instalação da CPI porque não cabia esse trabalho por causa dos R$3 mil recebidos por Maurício Abril de 2006 Marinho. Depois mudou a qualidade da denúncia, e, vamos deixar claro, também mudamos nossa posição. Quando a denúncia mudou, passamos a valorizá-la e propusemos que se instalasse mais uma CPI. Entretanto, as CPIs que foram formadas não cumpriram devidamente o seu papel. E entendemos que esse trabalho sério realizado pela Procuradoria-Geral da República vem somar-se ao trabalho da CPMI dos Correios, mas nenhum dos 2 é um trabalho completo. Não são completos! Agora, no Poder Judiciário, onde o contraditório vai aparecer, onde os acusados vão ouvir as acusações e defender-se, talvez apareçam outros acusados, sim. Não há problema nisso. O que não pode é o trabalho ficar cheio de adjetivos mas inconcluso, até porque é dever do Parlamento dar uma resposta. Na verdade, a Oposição está dividida. Alguns defendem, eu diria até que loucamente, que haja o impeachment do Presidente. Outros fazem o discurso de que é preciso encontrar o responsável. Por que então os cegos não vêem que nem a CPI nem o Ministério Público – que jogou duro contra vários partidos – apontaram a responsabilidade do Presidente? E não o fizeram pelo simples motivo de que ela não existe! E é por isso que a Oposição se desespera e cai em certa deslealdade processual e intelectual. Mas que houvesse deslealdade política eu não poderia esperar. Portanto, digam que o parecer do Procurador-Geral da República inocentou o Presidente! O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A Presidência indaga se há algum Parlamentar que ainda não votou. (Pausa.) O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Está encerrada a votação. Vou anunciar o resultado: VOTARAM: Sim: Não: Total: 170 115 285 É Aprovada a Emenda nº 113, Objeto de Destaque da Bancada do PSDB. LISTAGEM DE VOTAÇÃO Proposição: MPV nº 280/2006 – DVS EMENDA Nº 113 – Nominal Eletrônica Início da votação: 12/04/2006 11:40 Encerramento da votação: 12/04/2006 12:32 Presidiram a Votação: Inocêncio Oliveira Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19087 19088 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19089 19090 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19091 19092 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Há sobre a mesa e vou submeter a votos a seguinte REDAÇÃO FINAL DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 280-B, DE 2006 PROJETO DE LEI DE CONVERSÃO Nº 9, DE 2006 Altera a legislação tributária federal, modificando as Leis nºs 11.119, de 25 de maio de 2005, 7.713, de 22 de dezembro de 1988, 9.250, de 26 de dezembro de 1995, 9.964, de 10 de abril de 2000, 11.033, de 21 de dezembro de 2004. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º O art. 1º da Lei nº 11.119, de 25 de maio de 2005, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º O imposto de renda incidente sobre os rendimentos de pessoas físicas será calculado de acordo com a seguinte tabela progressiva mensal, em reais: Parágrafo único. O imposto de renda anual devido incidente sobre os rendimentos de que trata o caput deste artigo será calculado de acordo com tabela progressiva anual correspondente à soma das tabelas progressivas mensais vigentes nos meses de cada ano-calendário.”(NR) Art. 2º O inciso XV do caput do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 6º .................................................. XV – os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, até o valor de R$ 1.257,12 (mil, duzentos e cinqüenta e sete reais e doze centavos), por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto; ..................................................... “(NR) Quinta-feira 13 19093 Art. 3º Os arts. 4º, 8º, 10, 14 e 15 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 4º .................................................. III – a quantia de R$ 126,36 (cento e vinte e seis reais e trinta e seis centavos) por dependente; VI – a quantia de R$ 1.257,12 (mil, duzentos e cinqüenta e sete reais e doze centavos), correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade. ..................................................... “(NR) “Art. 8º .................................................. II – ........................................................ b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes efetuados a estabelecimentos de ensino, até o limite anual individual de R$ 2.373,84 (dois mil, trezentos e setenta e três reais e oitenta e quatro centavos), relativamente: c) à quantia de R$ 1.516,32 (mil, quinhentos e dezesseis reais e trinta e dois centavos) por dependente; ..................................................... “(NR) “Art. 10. O contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que substituirá todas as deduções admitidas na legislação, correspondente à dedução de 20% (vinte por cento) do valor dos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, limitada a R$ 11.167,20 (onze mil, cento e sessenta e sete reais e vinte centavos), independentemente do montante desses rendimentos, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie. Parágrafo único. O valor deduzido não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido.”(NR) “Art. 14. À opção do contribuinte, o saldo do imposto a pagar poderá ser parcelado em até 8 (oito) quotas iguais, mensais e sucessivas, observado o seguinte: ..................................................... “(NR) “Art. 15. Nos casos de encerramento de espólio e de saída definitiva do território nacional, o imposto de renda devido será calculado mediante a utilização dos valores correspon- 19094 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 dentes à soma das tabelas progressivas mensais relativas aos meses do período abrangido pela tributação no ano-calendário.”(NR) tributos e contribuições sociais, inclusive acessórios, que tiverem sido objeto de concessão de parcelamento.”(NR) Art. 4º O pagamento ou a retenção a maior do imposto de renda no mês de fevereiro de 2006, por força do disposto nesta Lei, será compensado na declaração de ajuste anual correspondente ao ano-calendário de 2006. Art. 5º Fica reaberto, por 120 (cento e vinte) dias a contar da data da publicação desta Lei, o prazo de opção ao Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, com as alterações promovidas pelas Lei nº 10.189, de 14 de fevereiro de 2001 e 10.684, de 30 de maio de 2003. § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se inclusive às pessoas jurídicas que tenham sido excluídas do Programa. § 2º Poderão ser abrangidos os débitos referidos no art. 1º da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, com vencimento até 31 de janeiro de 2006. § 3º Nas hipóteses de exclusão previstas no art. 5º da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, deverá haver prévia notificação do contribuinte. § 4º Alternativamente ao ingresso no Refis, a pessoa jurídica poderá optar pelo pedido de parcelamento, em até 180 (cento e oitenta) parcelas mensais, iguais e sucessivas, dos referidos débitos, observadas todas as demais regras aplicáveis àquele Programa. Art. 6º O § 4º do art. 3º e o caput do § 3º do art. 15 da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 7º O art. 3º da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 3º .................................................. § 4º Ressalvado o disposto no § 3º deste artigo, a homologação da opção pelo Refis é condicionada à prestação de garantia ou, a critério da pessoa jurídica, ao arrolamento dos bens integrantes do seu patrimônio, ainda que de valor inferior ao débito consolidado, na forma do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, dispensada a apresentação de qualquer outra forma de garantia. ..................................................... “(NR) “Art. 15. É suspensa a pretensão punitiva do Estado, referente aos crimes previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e no art. 95 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, durante o período em que a pessoa jurídica relacionada com o agente dos aludidos crimes estiver incluída no Refis. § 3º Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos neste artigo quando a pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral dos débitos oriundos de “Art. 3º .................................................. IV – na fonte e na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, a remuneração produzida por Certificado de Depósito Agropecuário – CDA, Warrant Agropecuário – WA, Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio – CDCA, Letra de Crédito do Agronegócio – LCA e Certificado de Recebíveis do Agronegócio – CRA, instituídos pelos arts. 1º e 23 da Lei nº 11.076, de 30 de dezembro de 2004; V – na fonte e na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, a remuneração produzida pela Cédula de Produto Rural – CPR, com liquidação financeira, instituída pela Lei nº 8.929, de 22 de agosto de 1994, alterada pela Lei nº 10.200, de 14 de fevereiro de 2001, desde que negociada no mercado financeiro; ..................................................... “(NR) Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação: I – aos arts. 1º a 4º, com exceção da alteração no art. 14 da Lei nº Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a partir de fevereiro de 2006; II – ao art. 14 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, alterada pelo art. 3º desta Lei, para as Declarações de ajuste anual relativas aos anos-calendário a partir de 2006, inclusive; III – aos arts. 5º, 6º e 7º a partir da publicação desta Lei. Sala das Sessões, 12 de abril de 2006. – Murilo Zauith – Relator. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Os Srs. Deputados que a aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.) APROVADA. A matéria vai ao Senado Federal, incluído o processado. O SR. MIRO TEIXEIRA – Sr. Presidente, peço a palavra para uma questão de ordem sobre um projeto que tramitou na Casa e que versava sobre questões eleitorais. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. MIRO TEIXEIRA (PDT – RJ. Questão de ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, o Senado deve votar ainda no dia de hoje o projeto da propaganda Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS eleitoral, que aqui na Casa foi discutido como aplicável à eleição de 2006. Pelo que estou informado, na medida em que se possa dar crédito às informações quanto à tramitação de um projeto em plenário, o Senado vai introduzir um dispositivo que delega ao Tribunal Superior Eleitoral a avaliação do que é aplicável ou não a esta eleição. Como a questão da judicialização das discussões eleitorais foi alvo de muitos debates aqui, a questão de ordem que levanto, para que a Mesa nos esclareça, se for possível, é esta: emenda dessa natureza fará o projeto retornar à Câmara dos Deputados? Portanto, minha questão de ordem diz respeito à eficácia da lei e envolve matéria de mérito, no meu ponto de vista. Deixo para os Parlamentares, mais uma vez, enfatizada aqui uma opinião pessoal: matéria eleitoral tem de ter sua tramitação iniciada na Câmara dos Deputados – que nessa matéria funcionou como Casa revisora –, porque é sobre a eleição de Deputados o cálculo do fundo partidário, do horário gratuito no rádio, do horário gratuito na televisão, da cláusula de barreira, e isso foi desconhecido nesta Legislatura. Imagino que talvez ainda haja algum caminho para encontrarmos boas soluções que possam atender àquilo que o sentimento republicano exige no tratamento dessa matéria. Então, queremos que, se for da vontade da Mesa, a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara atue junto com a Secretaria-Geral da Mesa do Senado, a fim de que não seja criado um conflito de interpretação e que o projeto iniciado no Senado pelo mecanismo de supressão ou de inclusão desse dispositivo vá direto à sanção presidencial. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Respondo a V.Exa. dizendo que só a emenda à Constituição permite esse procedimento de se suprimir uma parte e promulgar-se o restante. O entendimento da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara e da Secretaria-Geral da Mesa do Senado, bem como das Mesas da Câmara e do Senado, é de que, havendo qualquer tipo de emenda – supressiva, aditiva ou substitutiva –, com exceção da emenda de redação, a matéria tem de voltar à outra Casa. O SR. MIRO TEIXEIRA – Desculpe-me, Sr. Presidente, por voltar ao assunto. Esse projeto iniciou-se no Senado. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – É verdade. O SR. MIRO TEIXEIRA – Se o Senado suprimir dispositivos aprovados na Câmara dos Deputados e recuperar o texto do Senado, o projeto voltará à Câmara? Gostaria de ser tranqüilizado por V.Exa. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – V.Exa. tem razão. O que eu tinha dito antes é que, como o projeto se iniciou numa das Casas, se a Casa revisora emendá-lo, ele retorna à de origem. No caso, fomos a Casa Quinta-feira 13 19095 revisora do Senado, mas ele é o autor. Então, a emenda supressiva pode ser feita, e a matéria morre lá. O SR. MIRO TEIXEIRA – Vai à sanção. O que não pode ser confundido... O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Agora, se houvesse emenda aditiva, como V.Exa. disse que haveria, então o projeto voltaria à Câmara. O SR. MIRO TEIXEIRA – O que não pode ser confundido é esse dispositivo que, ao que parece, será introduzido no Senado. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Não se pode mais aditar. Se aditarem, será matéria estranha, será corpo estranho. O SR. MIRO TEIXEIRA – Volta todo o projeto? O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Não volta. É corpo estranho. O SR. MIRO TEIXEIRA – Muito obrigado. O SR. ALEX CANZIANI – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. ALEX CANZIANI (PTB – PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, votei com o PTB na última votação. O SR. WALDEMIR MOKA (PMDB – MS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, eu votei “sim”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Item 2. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 281, DE 2006 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 281, de 2006, que reduz a zero as alíquotas de Imposto de Renda e da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) nos casos que especifica, e dá outras providências. Pendente de parecer da Comissão Mista. PRAZO NA COMISSÃO MISTA: 1º-3-06 PRAZO NA CÂMARA: 15-3-06 SOBRESTA A PAUTA EM: 2-4-06 (46º dia) O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Sobre a mesa requerimento de retirada de pauta da matéria. Solicito ao Líder do PFL que o retire, para que o Relator possa pedir o prazo regimental de uma sessão. Sr. Presidente, requeremos a V. Exa., nos termos do art. 117, VI, do Regimento Interno, a retirada da pauta da MP nº 281/06, constante do item 02 da presente Ordem do Dia. Sala das Sessões, 12 de abril de 2006. – Rodrigo Maia, Líder do PFL. 19096 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PAUDERNEY AVELINO (PFL – AM. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, atendendo ao pedido de V.Exa., o requerimento está retirado. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Muito obrigado. O SR. ALCEU COLLARES – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. ALCEU COLLARES (PDT – RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, eu votei com o PDT. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – O Deputado Alceu de Deus Collares votou com o PDT. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra, para oferecer parecer à medida provisória e às emendas apresentadas, pela Comissão Mista, ao ilustre Relator, o Deputado Humberto Michiles. O SR. HUMBERTO MICHILES (PL – AM. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Medida Provisória nº 281/06 é complexa do ponto de vista técnico, razão pela qual ainda faltam alguns ajustes. Solicito a V.Exa., de acordo com o art. 2º, § 6º, da Resolução nº 1, de 2001, do Congresso Nacional, o adiamento até a próxima sessão ordinária. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – O pedido é regimental. Fica concedido o prazo a V.Exa. O SR. PAULO DELGADO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. PAULO DELGADO (PT – MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o momento tem sido de muita exasperação, o que acaba contaminando todas as questões relativas a decisões de Estado. Ontem o Presidente Lula, quando da manifestação dos funcionários da VARIG, disse que o Estado não pode interferir no que considera uma questão de mercado. Com todo o respeito e submetido, evidentemente, à autoridade de S.Exa., lembro ao Sr. Presidente da República, como membro do seu partido no Congresso Nacional, que não é esse o entendimento da Itália, da França nem dos Estados Unidos. Isso não ocorre com a Alitalia, nem com a Air France, nem com a American Airlines, nem com a United Airlines. Essas são empresas estruturantes da autonomia e da diplomacia de seus países – tanto que o Vaticano, um Estado soberano dentro da Itália, recorre à Alitalia para transportar o Papa, pois reconhece a necessidade de ampliar a integração e o simbolismo que aquela empresa encerra. Abril de 2006 Quando o príncipe japonês veio ao Brasil pela primeira vez, viajou pela VARIG. E depois do 11 de setembro, a empresa foi obrigada a manter seu vôo para o Japão, quando a política norte-americana exigia que os passageiros fizessem check-in nos Estados Unidos. E não era registro de passagem, e sim registro de entrada nos Estados Unidos. Descia-se do avião, fazia-se o check-in no aeroporto e reembarcava-se. No caso de vários países da América Latina, foi o Governo que, por sugestão do Itamaraty, pediu à VARIG que mantivesse linhas antieconômicas. E V.Exa. sabe que não só os 3 Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – já pediram à VARIG, legitimamente, assentos nos seus aviões para a circulação de autoridades do Governo em regime de emergência, como upgrades compulsórios foram exigidos da companhia. Então, não é possível que não se considere a crise da VARIG um problema também de Estado. Já houve casos de Ministros de Estado, em Governos anteriores, terem feito desviaram-se vôos da companhia do Rio de Janeiro ou de Belo Horizonte para pousarem em Brasília, a fim de atenderem aos interesses de Estado. Isso ajuda a criar problemas para uma companhia. Se isso for feito com a Gol ou com a TAM, também vai acarretar problemas para essas empresas no futuro. Por isso, faço um apelo ao Presidente da República no sentido de que reveja sua posição e determine um estudo profundo sobre essa questão. É evidente que uma companhia em que haja mais aposentados do que comissários e pilotos terá problemas, mas isso acontece com qualquer empresa com quase 100 anos de existência, como é o caso da VARIG, que tem 80 anos. Precisamos lembrar que se trata de uma empresa nacional. É privada, sim, mas o Estado também tem responsabilidades na resolução dos seus problemas. O SR. PAUDERNEY AVELINO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao Deputado Pauderney Avelino, ao tempo em que agradeço à Liderança do PFL por ter possibilitado votarmos a medida provisória na próxima terça-feira. O SR. PAUDERNEY AVELINO (PFL – AM. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero ferir essa questão que o ilustre Deputado Paulo Delgado traz, que é o problema da VARIG. Entendo que o Estado brasileiro tem as suas obrigações, e socorrer empresas não é uma delas, mas quero deixar bem claro que, após as razões aqui expostas pelo ilustre Parlamentar, concordo plenamente que a VARIG não é uma empresa qualquer. Trata-se de uma empresa que muitas vezes fez mais pela política externa brasileira do que o próprio Itamaraty, do que o próprio Governo. Não advogamos o emprego de recursos públicos para salvá-la, mas sim que o Governo facilite as negociações, como agente promotor do desenvolvimento, a Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS fim de que possamos salvar essa empresa – que considero, sim, um patrimônio nacional, e considero-me também parte dela. Viajo há 16 anos pela VARIG. E neste momento de dificuldade por que passa a empresa, optei por voar só pela VARIG, a fim de dar minha contribuição pessoal para sua sobrevivência. Acho que o Governo brasileiro poderia não alocar recursos públicos, mas sim agir diretamente, intervir no processo, como promotor do desenvolvimento, como agente econômico, e fazer algo para salvar esse patrimônio brasileiro. Aproveito a oportunidade para pedir a V.Exa. que encerre a Ordem do Dia, porque a próxima matéria está trancando a pauta. Quinta-feira 13 ACRE João Correia PMDB Júnior Betão PL Total de Acre: 2 TOCANTINS Ana Alencar PSDB Maurício Rabelo PL Total de Tocantins: 2 MARANHÃO Gastão Vieira PMDB Pedro Novais PMDB Total de Maranhão:2 VI – ENCERRAMENTO O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a sessão. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – COMPARECEM MAIS À SESSÃO OS SRS.: RORAIMA Alceste Almeida PTB Francisco Rodrigues PFL Luciano Castro PL Maria Helena PSB Pastor Frankembergen PTB Total de Roraima: 5 AMAPÁ Gervásio Oliveira PMDB Total de Amapá: 1 PARÁ Anivaldo Vale PSDB Babá PSOL Nicias Ribeiro PSDB Nilson Pinto PSDB Raimundo Santos PL Wladimir Costa PMDB Zenaldo Coutinho PSDB Zequinha Marinho PSC Total de Pará: 8 AMAZONAS Átila Lins PMDB Total de Amazonas: 1 RONDÔNIA Anselmo PT Miguel de Souza PL Natan Donadon PMDB Total de Rondônia 3 CEARÁ Aníbal Gomes PMDB Ariosto Holanda PSB Inácio Arruda PCdoB Zé Gerardo PMDB Total de Ceará: 4 PIAUÍ Marcelo Castro PMDB Paes Landim PTB Total de Piauí: 2 PARAÍBA Marcondes Gadelha PSB Wilson Santiago PMDB Total de Paraíba: 2 PERNAMBUCO Armando Monteiro PTB Carlos Batata PFL Pastor Francisco Olímpio PSB Paulo Rubem Santiago PT Total de Pernambuco: 4 ALAGOAS Helenildo Ribeiro PSDB Total de Alagoas: 1 BAHIA Aroldo Cedraz PFL Félix Mendonça PFL Jairo Carneiro PFL João Almeida PSDB José Carlos Aleluia PFL José Rocha PFL Milton Barbosa PSC Severiano Alves PDT Zezéu Ribeiro PT Total de Bahia: 9 19097 19098 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS MINAS GERAIS Cabo Júlio PMDB Carlos Mota PSB Carlos Willian PTC Gilmar Machado PT Jaime Martins PL Marcello Siqueira PMDB Odair Cunha PT Reginaldo Lopes PT Virgílio Guimarães PT Total de Minas Gerais 9 GOIÁS Barbosa Neto PSB Neyde Aparecida PT Roberto Balestra PP Sandro Mabel PL Vilmar Rocha PFL Total de Goiás 5 MATO GROSSO DO SUL Antônio Carlos Biffi PT Total de Mato Grosso do Sul: 1 PARANÁ ESPÍRITO SANTO Marcelino Fraga PMDB Total de Espírito Santo: 1 RIO DE JANEIRO Alexandre Santos PMDB Fernando Lopes PMDB Ronaldo Cezar Coelho PSDB Vieira Reis PMR Total de Rio de Janeiro 4 SÃO PAULO Aldo Rebelo PCdoB Arlindo Chinaglia PT Arnaldo Faria de Sá PTB Carlos Sampaio PSDB Celso Russomanno PP Cláudio Magrão PPS Durval Orlato PT Jefferson Campos PTB José Eduardo Cardozo PT Julio Semeghini PSDB Marcos Abramo PP Michel Temer PMDB Paulo Lima PMDB Ricardo Berzoini PT Ricardo Izar PTB Telma de Souza PT Wanderval Santos PL Total de São Paulo 17 MATO GROSSO Carlos Abicalil PT Ricarte de Freitas PTB Teté Bezerra PMDB Wellington Fagundes PL Total de Mato Grosso: 4 DISTRITO FEDERAL Agnelo Queiroz PCdoB Osório Adriano PFL Tadeu Filippelli PMDB Total de Distrito Federal: 3 Abril de 2006 Airton Roveda PPS Assis Miguel do Couto PT Cezar Silvestri PPS Dra. Clair PT Hermes Parcianello PMDB Total de Paraná: 5 SANTA CATARINA Edinho Bez PMDB Mauro Passos PT Total de Santa Catarina: 2 RIO GRANDE DO SUL Alceu Collares PDT Cezar Schirmer PMDB Eliseu Padilha PMDB Enio Bacci PDT Marco Maia PT Pastor Reinaldo PTB Paulo Gouvêa PL Total de Rio Grande do Sul 7 DEIXAM DE COMPARECER À SESSÃO OS SRS.: RORAIMA Dr. Rodolfo Pereira PDT Suely Campos PP Total de Roraima: 2 AMAPÁ Badu Picanço PL Davi Alcolumbre PFL Dr. Benedito Dias PP Hélio Esteves PT Total de Amapá: 4 PARÁ Ann Pontes PMDB Jader Barbalho PMDB Socorro Gomes PCdoB Zé Geraldo PT Zé Lima PP Total de Pará: 5 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS AMAZONAS Carlos Souza PP Francisco Garcia PP Silas Câmara PTB Total de Amazonas: 3 Quinta-feira 13 Enivaldo Ribeiro PP Lúcia Braga PMDB Ronaldo Cunha Lima PSDB Total de Paraíba: 6 PERNAMBUCO RONDÔNIA Agnaldo Muniz PP Marinha Raupp PMDB Nilton Capixaba PTB Total de Rondônia 3 ACRE João Tota PP Total de Acre: 1 TOCANTINS Darci Coelho PP Osvaldo Reis PMDB Pastor Amarildo PSC Total de Tocantins: 3 MARANHÃO Antonio Joaquim PSDB César Bandeira PFL Dr. Ribamar Alves PSB Luciano Leitoa PSB Nice Lobão PFL Remi Trinta PL Total de Maranhão: 6 André de Paula PFL Eduardo Campos PSB Gonzaga Patriota PSB Joaquim Francisco PFL José Mendonça Bezerra PFL Maurício Rands PT Osvaldo Coelho PFL Roberto Freire PPS Total de Pernambuco: 8 ALAGOAS Benedito de Lira PP Givaldo Carimbão PSB João Caldas PL João Lyra PTB José Thomaz Nonô PFL Olavo Calheiros PMDB Total de Alagoas: 6 SERGIPE Cleonâncio Fonseca PP Heleno Silva PL João Fontes PDT Total de Sergipe: 3 CEARÁ Almeida de Jesus PL Bismarck Maia PSDB Léo Alcântara PSDB Manoel Salviano PSDB Total de Ceará: 4 PIAUÍ BAHIA Alice Portugal PCdoB Geddel Vieira Lima PMDB Gerson Gabrielli PFL Josias Gomes PT Paulo Magalhães PFL Robério Nunes PFL Total de Bahia: 6 MINAS GERAIS Ciro Nogueira PP Mussa Demes PFL Total de Piauí: 2 RIO GRANDE DO NORTE Álvaro Dias PDT Iberê Ferreira PSB Sandra Rosado PSB Total de Rio Grande do Norte: 3 PARAÍBA Armando Abílio PSDB Benjamin Maranhão PMDB Domiciano Cabral PSDB Aracely de Paula PL Bonifácio de Andrada PSDB Carlos Melles PFL Edmar Moreira PFL Fernando Diniz PMDB Geraldo Thadeu PPS João Magalhães PMDB José Santana de Vasconcellos PL Lael Varella PFL Leonardo Mattos PV Mauro Lopes PMDB Roberto Brant PFL Romel Anizio PP 19099 19100 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Saraiva Felipe PMDB Vittorio Medioli PV Total de Minas Gerais: 15 ESPÍRITO SANTO Iriny Lopes PT Total de Espírito Santo: 1 RIO DE JANEIRO Alexandre Cardoso PSB André Costa PDT Bernardo Ariston PMDB Francisco Dornelles PP Fred Kohler PMDB Itamar Serpa PSDB Juíza Denise Frossard PPS Julio Lopes PP Leonardo Picciani PMDB Luiz Sérgio PT Reinaldo Gripp PL Renato Cozzolino PDT Total de Rio de Janeiro: 12 SÃO PAULO Alberto Goldman PSDB Angela Guadagnin PT Ary Kara PTB Corauci Sobrinho PFL Delfim Netto PMDB Dr. Pinotti PFL Edna Macedo PTB Iara Bernardi PT João Herrmann Neto PDT Lobbe Neto PSDB Marcelo Ortiz PV Robson Tuma PFL Vadão Gomes PP Vanderlei Assis PP Vicente Cascione PTB Xico Graziano PSDB Zulaiê Cobra PSDB Total de São Paulo: 17 MATO GROSSO Pedro Henry PP Thelma de Oliveira PSDB Total de Mato Grosso: 2 DISTRITO FEDERAL Sigmaringa Seixas PT Total de Distrito Federal: 1 GOIÁS Enio Tatico PTB João Campos PSDB Leandro Vilela PMDB Professora Raquel Teixeira PSDB Abril de 2006 Ronaldo Caiado PFL Total de Goiás 5 MATO GROSSO DO SUL Antonio Cruz PP Total de Mato Grosso do Sul 1 PARANÁ Abelardo Lupion PFL André Zacharow PMDB Colombo PT Gustavo Fruet PSDB José Janene PP Max Rosenmann PMDB Odílio Balbinotti PMDB Oliveira Filho PL Ricardo Barros PP Total de Paraná: 9 SANTA CATARINA Gervásio Silva PFL Ivan Ranzolin PFL Jorge Boeira PT Luci Choinacki PT Paulo Bauer PSDB Total de Santa Catarina: 5 RIO GRANDE DO SUL Adão Pretto PT José Otávio Germano PP Luciana Genro PSOL Nelson Proença PPS Paulo Pimenta PT Pompeo de Mattos PDT Total de Rio Grande do Sul 6 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Encerro a sessão, designando para hoje, quarta-feira, dia 12, às 14h, a seguinte Ordem do Dia: Sessão de Debates e Trabalho de Comissões. AVISOS ELEIÇÕES DOS PRESIDENTES E VICE-PRESIDENTES DAS COMISSÕES PERMANENTES DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (Art. 28 § 2º do Regimento Interno) ATO CONVOCATÓRIO Nos termos do § 2º do artigo 28 do Regimento Interno, CONVOCO reunião destinada à eleição dos Presidentes e Vice-Presidentes das Comissões de Finanças e Tributação; Turismo e Desporto; e Viação e Transportes para o dia 12 de abril de 2006, quartafeira, às 10 horas. Brasília, 6 de abril de 2006. – Aldo Rebelo, Presidente. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 DISTRIBUIÇÃO DOS PLENÁRIOS PARA ELEIÇÃO DO PRESIDENTE E VICE-PRESIDENTES DAS COMISSÕES PERMANENTES 10 horas 19101 19102 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19103 19104 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROPOSIÇÃO EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS OU RECURSOS I – EMENDAS 1. PROJETOS COM URGÊNCIA – ART. 64, § 1º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Prazo para apresentação de emendas: 5 Sessões (Ato da Mesa nº 177, de 1989). PROJETO DE LEI: Nº 1.154/95 (EDINHO ARAÚJO) – Dispõe sobre a comprovação do exercício de atividade rural pelos trabalhadores que especifica para fins de concessão de benefícios previdenciários – tendo apensados os Projetos de Lei nºs: 2.938/97, 3.790/97 (829/99), 4.034/97 (4.106/98, 417/99, 321/99), 1.148/99, 3.447/00, 3.788/00, 5.869/01, 6.548/02 [6.967/02 (4.359/04, 5.171/05, 6.008/05, 6.245/05), 1.401/03, 1.424/03], 105/03 (2.590/03), 2.589/03, 6.537/06 e o Projeto de Lei nº 6.852/06, do Poder Executivo, ao qual foi atribuída urgência constitucional. SOBRESTA A PAUTA EM: 21-5-06 (46º dia) DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 18-4-06 2. PROJETO DE RESOLUÇÃO QUE ALTERA O RICD Prazo para apresentação de emendas: 5 Sessões (Art. 216, § 1º, do RICD). Nº 279/06 – (PAULO MAGALHÃES) – Dispõe sobre o desarquivamento de proposições da Câmara dos Deputados, no início da legislatura. ÚLTIMA SESSÃO: 12-4-06 II – RECURSOS 1. CONTRA APRECIAÇÃO CONCLUSIVA DE COMISSÃO – ART. 24, II, DO RI INTERPOSIÇÃO DE RECURSO: ART. 58, § 3º, combinado com ART. 132, § 2º, DO RI PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE RECURSO: ART. 58, § 1º, DO RI 1.1 COM PARECERES FAVORÁVEIS PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO: Nº 1.965-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Colinas FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, na cidade de Ibaiti, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Abril de 2006 Nº 1.982-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Integrada Conhecer a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de São Luís Gonzaga do Maranhão, Estado do Maranhão. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 1.990-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação e Movimento Comunitário Rádio Sertão FM a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Ibimirim, Estado de Pernambuco. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.013-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Desenvolvimento Cultural e Artístico de Araçuaí a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Araçuaí, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.020-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Aurora FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, na cidade de Caxias, Estado do Maranhão. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.024-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Rádio Transversal a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Salto de Pirapora, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.027-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Rádio Comunidade Porciúncula a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Porciúncula, Estado do Rio de Janeiro. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.043-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à CARMANHÃES & FERREIRA – COMU- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS NICAÇÕES LTDA. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, na cidade de Martinópolis, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.046-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Asa Branca Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, na cidade de Brasília, Distrito Federal. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.054-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à FUNDAÇÃO EDUCATIVA “JOÃO HENRIQUE DANTAS” para executar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, com fins exclusivamente educativos, na cidade de Carnaúba dos Dantas, Estado do Rio Grande do Norte. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.072-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à FUNDAÇÃO CULTURAL AURORA DO POVO – FUNCAP para executar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, com fins exclusivamente educativos, na cidade de Aurora, Estado do Ceará. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.081-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Cooperação e Desenvolvimento Cultural de Viçosa do Ceará a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Viçosa do Ceará, Estado do Ceará. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Quinta-feira 13 19105 radiodifusão comunitária na cidade de Codajás, Estado do Amazonas. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.103-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Desenvolvimento Cultural e Artístico a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Cajamar, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.109-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação de Rádio Difusão Comunitária “Rádio Consciência Rural do Marajó – FM de São Sebastião da Boa Vista – Pará – ARCCRRURALDOMARAJÓ/FM” a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de São Sebastião da Boa Vista, Estado do Pará. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.110-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à ECOACRE RÁDIO, JORNAL E TELEVISÃO LTDA. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, na cidade de Porto Walter, Estado do Acre. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.124-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Empresa de Radiodifusão Miracatu Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, na cidade de Santa Isabel do Pará, Estado do Pará. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.085-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga concessão à Rádio Jericoacoara Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média na cidade de Jijoca de Jericoacoara, Estado do Ceará. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.125-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Comunicação de União de Minas a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de União de Minas, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.089-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Desenvolvimento Artístico e Cultural de Codajás a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de Nº 2.127-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Assistência Social e Educacional Ebenezer a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodi- 19106 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 fusão comunitária na cidade de Paulo Lopes, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 1.2 COM PARECERES, QUANTO AO MÉRITO, CONTRÁRIOS (Art. 133) Nº 2.129-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação e Movimento Comunitário Estandarte do Imbaú a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Imbaú, Estado do Paraná. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 6.129/05 (SELMA SCHONS) – Anistia sanções aplicadas a eleitores e membros de mesas receptoras que não justificaram ausência no Referendo 2005. PROJETOS DE LEI: Nº 7.074-D/02 (PODER EXECUTIVO) – Autoriza o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS a receber em dação em pagamento o imóvel que especifica. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.704-A/03 (CORAUCI SOBRINHO) – Acrescenta dispositivo ao artigo 485 da Lei nº 5869, de 11 de janeiro de 1973 e dá providências correlatas. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 3.133-C/04 (LUIZA ERUNDINA) – Dispõe sobre o direito da gestante ao conhecimento e a vinculação à maternidade onde receberá assistência no âmbito do Sistema Único de Saúde. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 4.703-B/04 (SENADO FEDERAL) – Institui o Dia Nacional da Língua Portuguesa. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 5.415-B/05 (EDNA MACEDO) – Altera a redação do inciso VII, do art. 6º, da Lei nº. 10.826/2003, autorizando o porte de arma para os oficiais de justiça. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 6.090-B/05 (FRANCISCO DORNELLES) – Dispõe sobre a prorrogação de incentivos fiscais para aplicação em fundos destinados ao desenvolvimento da indústria cinematográfica. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 6.116-A/05 (CARLOS ALBERTO LERÉIA) – Dispõe sobre a anistia sanções aplicadas a eleitores e membros de mesas receptoras que não justificaram ausência no referendo do dia 23 de outubro de 2005. Apensado a este o PL 6.129/05 (ver item 1.2) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 PROJETO DE LEI: Apensado ao PL 6.116/05, principal (ver item 1.1) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 2. CONTRA PARECER TERMINATIVO DE COMISSÃO – ART 54, DO RI (SUJEITAS A DELIBERAÇÃO DO PLENÁRIO EM APRECIAÇÃO PRELIMINAR, NOS TERMOS DO ART. 144, DO RI) PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE RECURSO: ART. 58, § 1º, DO RI INTERPOSIÇÃO DE RECURSO: ART 58, § 3º, combinado com ART. 132, § 2º, DO RI 2.1 PELA INCONSTITUCIONALIDADE E/OU INJURIDICIDADE OU INADMISSIBILIDADE PROJETO DE LEI: Nº 127/99 (ALBERTO FRAGA) – Dispõe sobre a maioridade para fins civil e eleitoral e medidas de segurança para o menor infrator que praticar crime hediondo. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 19-4-06 4. DEVOLVIDO (S) AO (S) AUTOR (ES), nos termos do artigo 137, § 1º, do RICD. Prazo para apresentação de recurso artigo 137, § 2º (05 sessões) as seguintes proposições: PROJETO DE LEI: Nº 6.764/06 (CARLOS NADER) – Torna obrigatória a instalação de iluminação pública em todas as paradas de ônibus de todo o Território Nacional. ÚLTIMA SESSÃO: 12-4-06 INDICAÇÕES: Nº 7.688/06 (ILDEU ARAUJO) – Sugere ao Governador Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho liberação de recursos para reparar os estragos causados pelas chuvas, no Município de Bebedouro SP, junto a Defesa Civil no Estado de São Paulo. ÚLTIMA SESSÃO: 12-4-06 Nº 7.787/06 (NELSON PELLEGRINO) – Sugere ao Governo do Estado da Bahia a concessão de terreno para a construção de Unidade de Produção de Biodiesel no Município de Candeias, Bahia. ÚLTIMA SESSÃO: 12-4-06 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 6. CONTRA O PARECER DO CONSELHO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR PELA PERDA DO MANDATO DE DEPUTADO FEDERAL. (NOS TERMOS DO ART. 14, § 4º, VIII, DO CÓDIGO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR, C/C O ART. 58 DO RICD) Prazo para apresentação de recurso: 5 Sessões. REPRESENTAÇÃO: Nº 47/05 (Mesa Diretora da Câmara dos Deputados) – Representação ao Conselho de Ética e Decoro Par- Quinta-feira 13 19107 lamentar contra o Deputado José Mentor, como incurso no art. 55, II, §§ 2º e 3º da Constituição Federal, combinado com o disposto nos arts. 4º, incisos I, IV e V, e 14, § 3º, do Código de Ética e Decoro Parlamentar, instituído pela Resolução 25, de 10 de outubro de 2001, da Câmara dos Deputados. DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 18-4-06 (Encerra-se a sessão às 12 horas e 45 minutos.) Ata da 48ª Sessão, em 12 de abril de 2006 Presidência dos Srs. Inocêncio Oliveira, 1º Secretário Átila Lins, Luiz Couto, Josias Quintal, Neucimar Fraga, Pastor Reinaldo, § 2º do artigo 18 do Regimento Interno I – ABERTURA DA SESSÃO O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Havendo número regimental, declaro aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro iniciamos nossos trabalhos. O Sr. Secretário procederá à leitura da ata da sessão anterior. II – LEITURA DA ATA O SR. MANATO, servindo como 2° Secretário, procede à leitura da ata da sessão antecedente, a qual é, sem observações, aprovada. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Passa-se à leitura do expediente. III – EXPEDIENTE Não há expediente a ser lido. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Passa-se ao IV – PEQUENO EXPEDIENTE Concedo a palavra ao Sr. Deputado Mauro Benevides. O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB – CE. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, inicialmente, desejo registrar a reunião levada a efeito hoje pela Comissão Especial que aprecia a Proposta de Emenda à Constituição nº 333, que versa sobre a recomposição das Câmaras Municipais do País. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em meio a festiva programação festiva, o Município cearense de Barreira comemorará, no próximo dia 15, seu 19º ani- versário de emancipação política, integrado ao esforço de desenvolvimento empreendido por suas lideranças mais representativas, imbuídas do desejo de propiciar aos respectivos habitantes melhores condições de sobrevivência e bem-estar social. Em contato recente com o Presidente da Câmara Municipal, Antônio Peixoto, dele ouvi referências ao correto posicionamento do Legislativo local, em cujo plenário são discutidas questões relevantes, que interessam de perto à progressista cidade e às comunas circunvizinhas, como é o caso de Redenção, à cuja frente se encontra uma mulher dinâmica, Cimar Torres, que ali promove gestão profícua, apesar de em meio às dificuldades da própria conjuntura financeira, reconhecidamente adversa. No mês de março passado, estive em Barreira para a inauguração de obra pública na localidade de Olaria, a convite do Vereador Alailson Saldanha e de seus colegas Décio Sousa e José Joaquim, quando ouvi dos presentes algumas reivindicações, que tentarei concretizar por meio de emendas ao Orçamento do corrente exercício, prestes a ser votado no âmbito do Congresso Nacional e, a seguir, sancionado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda recordo, com imensa alegria, que em 1992, ao exercer a Presidência do Congresso Nacional, garanti dotação destinada à construção de um trecho rodoviário de 17 quilômetros, ligando Barreira à BR116, numa iniciativa que há contribuído para interligar aquela cidade aos centros exportadores do País, uma vez que ali a produção de castanha é apreciável e ra- 19108 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS zoavelmente expressiva, com repercussão nos índices da balança comercial. Juntamente com o Deputado Estadual Mauro Filho, tenho procurado obter recursos para empreendimentos apontados como essenciais àquela região, o que nos permite perfeita identificação com os anseios de crescimento de que se encontram impregnados todos os segmentos populacionais. Saúdo, pois, mais um aniversário de Barreira, expressando congratulações às suas autoridades, ao Prefeito, ao Vice-Prefeito e a todos os que ali residem, ao mesmo tempo em que reitero os compromissos formais de tudo fazer em bem de sua gente, sequiosa por uma ação mais proficiente do Poder Público. O SR. JOÃO ALFREDO (PSOL – CE. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na próxima segunda-feira, dia 17 de abril, o Massacre de Eldorado dos Carajás completará uma década. Tida como a mais violenta ação do Estado contra os trabalhadores no Pará, o massacre de Eldorado dos Carajás ocorreu na chamada Curva do S, da Rodovia PA-150. Tropas da Polícia Militar do Pará, do 10º Batalhão (Parauapebas) e do 4º Batalhão (Marabá), com aproximadamente 200 homens armados com metralhadoras, fuzis e lançadores de bombas de gás lacrimogêneo, cercaram trabalhadores rurais sem terra que obstruíam a rodovia, reivindicando maior agilidade na desapropriação da Fazenda Macaxeira, no Município de Eldorado dos Carajás. A fazenda, com a área superior a 40 mil hectares, era utilizada somente para pasto. Estava ocupada por mais de 1.500 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desde o dia 05 de novembro de 1995. Após 5 meses sem respostas sobre a desapropriação da área, as famílias iniciaram uma marcha rumo à Marabá. Em 17 de abril de 1996, após 9 dias de caminhada, sem comida e cansadas, as famílias bloquearam a rodovia PA-150, na altura da Curva do S. As negociações por alimento e transporte foram interrompidas pela decisão do Governo do Estado de liberar a estrada “a qualquer custo”. Para isso, o então Governador Almir Gabriel (PSDB) acionou a Polícia Militar. Comandada pelo Coronel Mário Pantoja e pelo Major José Maria Oliveira, as tropas da PM tentaram desobstruir a rodovia por meio da força bruta. Vários disparos com arma de fogo foram desferidos contra os trabalhadores rurais. O saldo foi trágico: 19 pessoas mortas e 69 feridas. Nos últimos anos, outras 3 pessoas morreram em decorrência dos ferimentos, elevando o número de mortos para 22. Abril de 2006 Os disparos foram feitos durante cerca de 50 minutos, forçando os trabalhadores a se dispersarem em pânico pela mata lindeira. Laudos médicos revelaram que os corpos tinham, em média, 3 a 4 tiros cada um, desferidos na região torácica e na cabeça. Todas as vítimas apresentavam ferimentos fatais de corte e formas diversas de mutilação, tais como esmagamento do crânio. Onze corpos mostravam tiros na nuca, provavelmente dados com a vítima já imobilizada. Entre os feridos à bala, havia mulheres e jovens. Os laudos periciais indicam que as ilegalidades cometidas pelos policiais foram premeditadas e tiveram continuidade. Além de retirar corpos da cena do crime, os agentes participaram da ação sem o crachá de identificação, o que pode significar que estavam autorizados a desferir golpes fatais contra os trabalhadores. Encerrado o massacre, o cenário era de guerra. A equipe de reportagem da TV Liberal, presente no local, gravou a execução dos trabalhadores. As imagens percorreram o mundo e chocaram a opinião pública. Importante frisar, Sr. Presidente, que nenhum policial foi morto e apenas um ficou ferido. Essa constatação é a maior prova de que os trabalhadores rurais sem terra são as grandes vítimas da violência no campo e não os responsáveis, como pretende fazer crer os adversários da reforma agrária. Dez anos depois do massacre, a impunidade reina solta. Infelizmente, isso não nos surpreende, uma vez que a investigação foi realizada pela própria Polícia do Estado do Pará, autora dos crimes. Como a própria Polícia pode se investigar? O fato de ter sido a Polícia que investigou a ação da própria Polícia talvez explique a acusação dos advogados das vítimas e dos representantes do Ministério Público que atuaram no caso de que o inquérito policial pouco contribuiu para a elucidação dos crimes. Ao contrário, a atuação da Polícia teria atrapalhado, uma vez que provas teriam sido desviadas, desvirtuadas, apagadas. Em 19 de novembro de 2005, após 3 séries de julgamentos conturbados e um deles anulado, o Tribunal de Justiça do Estado do Pará confirmou a sentença de primeiro grau que absolveu 145 policiais envolvidos na operação. Apenas os comandantes das tropas, Coronel Mário Pantoja e Major José Maria Oliveira, foram condenados. Ninguém está preso, pois os únicos condenados interpuseram recurso aos tribunais superiores e respondem o processo em liberdade. Os grandes responsáveis políticos pelo Massacre de Eldorado dos Carajás, o ex-Governador Almir Gabriel (PSDB) e o então Secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, não sentaram no banco Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS dos réus e sequer foram envolvidos formalmente no caso. Mais uma demonstração de que a impunidade é a regra, e não a exceção, quando se trata de mortes no campo. O Massacre de Eldorado dos Carajás não foi o único caso de assassinato de trabalhadores rurais no Pará. As estatísticas apontam aquele Estado como o mais violento da Federação no que concerne aos conflitos coletivos pela posse da terra. De acordo Comissão Pastoral da Terra (CPT), dos 37 assassinatos decorrentes de conflitos agrários registrados no Brasil em 2004, 40% ocorreram no Pará. Além disso, o Estado responde por 22% das tentativas de assassinato, 36% das ameaças de morte, 8% das ocorrências de tortura e 15% das prisões. Outro levantamento realizado pela CPT do Pará e pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura dos Estados do Pará e Amapá (FETAGRI), entidade ligada à CONTAG, registra a ocorrência de 751 assassinatos de trabalhadores, ativistas, advogados, líderes sindicais, religiosos e políticos ligados à luta pela terra, no período compreendido entre 1964 a 2004. Essa verdadeira guerra civil no campo não poupou mulheres (18 registros), idosos (6 pessoas maiores de 60 anos foram assassinadas) e crianças (11 casos). A mesma pesquisa revela que em 86,7% dos Municípios do Estado do Pará ocorreram conflitos agrários, e em 58% deles foram registrados assassinatos de trabalhadores rurais ligados à luta pela terra. A pistolagem no Pará atingiu níveis alarmantes, e, em grande parte, está associada à grilagem de terras públicas, a crimes ambientais e à impunidade. Os assassinatos do Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, José Dutra da Costa, o Dezinho, em 2000, e da missionária Dorothy Stang, no ano passado, são exemplos de crimes de pistolagem cujos mandantes têm envolvimento com grilagem, exploração ilegal de madeira e trabalho escravo. É preciso compreender, Sr. Presidente, que a grande causa da violência no campo é a ausência de efetiva política de reforma agrária, capaz de democratizar o acesso à terra, promover a regularização fundiária, garantir o cumprimento da função social da propriedade e coibir a apropriação ilegal de terras públicas por especuladores e fazendeiros. Desconcentrar a propriedade da terra é o grande desafio do Brasil. Dados oficiais revelam que 1,6% dos proprietários com imóveis acima de mil hectares detém 46,8% do total da área cadastrada pelo INCRA no País. No Pará, os imóveis de até 100 hectares representam 80% do total, mas ocupam apenas 20% da área do Estado. As grandes propriedades abrangem 52% da área total. Além disso, o Pará possui mais de Quinta-feira 13 19109 30 milhões de hectares de terras devolutas, grande parte delas ilegalmente na posse de particulares. Os números da concentração fundiária e da grilagem de terras públicas nos levam à obvia conclusão de que tragédias com a de Eldorado dos Carajás somente serão evitadas com amplo, massivo e imediato processo de reforma agrária. Para finalizar, Sr. Presidente, faço um apelo ao Poder Judiciário paraense, para que mantenha as condenações do Coronel Pantoja e do Major Oliveira, bem como para que submeta os policiais absolvidos a um novo júri. Só assim o quadro de impunidade será revertido, em favor da Justiça. Meu apelo dirige-se também ao Presidente da República, para que implemente a prometida reforma agrária, enfrentando as causas da violência no campo. Justiça e reforma agrária! Eis a melhor maneira de homenagearmos os que tombaram e os que sobreviveram ao Massacre de Eldorado dos Carajás. Muito obrigado. O SR. GUILHERME MENEZES – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. GUILHERME MENEZES (PT – BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, venho à tribuna apenas para agradecer a V.Exa. por ter aceito a justificativa da minha ausência na última votação nominal da noite de ontem. De vez em quando, pessoas do meu Estado perguntam por que, depois de uma votação nominal, tantos Parlamentares dizem que acompanharam a orientação do partido na última votação. Explico que isso decorre da nossa múltipla agenda de compromissos. Enquanto a agenda do plenário é mais flexível porque depende de negociações e acordos, a do gabinete é mais fixa. Às vezes, temos uma audiência marcada com um Ministro e chega um Prefeito naquele momento; às vezes, saímos em meio a uma audiência para vir ao plenário votar; nem sempre dá tempo de chegar antes do encerramento da votação. Fica registrado o meu agradecimento a V.Exa. pela compreensão, alicerçada em muitos anos de experiência parlamentar. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Com referência às palavras do Deputado Guilherme Menezes, reitero que o Parlamentar não exerce função apenas em plenário. O seu trabalho neste plenário é importante durante as votações, mas muitas vezes se afirma mais nas Comissões, onde demonstra seus conhecimentos, relata e apresenta projetos, discute os 19110 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS grandes problemas nacionais e requer a convocação de autoridades, e nos Ministérios, onde defende os interesses do seu Estado. Desse modo, não me preocupa a divulgação pela imprensa de imagens do plenário vazio, pois no momento das importantes votações ele sempre esteve cheio. O problema é que muitos não entendem que a função do Parlamentar é muito difícil. Muitas vezes, ele tem 3 ou 4 compromissos pela manhã: o trabalho na Comissão da qual é membro titular; o trabalho na Comissão da qual é membro suplente; participação em seminários sobre temas de seu interesse; e o trabalho em plenário. Então, ele precisa optar. Além disso, quando chegam ao seu gabinete Prefeitos de seu Estado, ele tem de levá-los aos Ministérios. Deveria haver mais justiça na apreciação do trabalho do Parlamentar. Deputados Estaduais e pessoas que exercem outra profissão afirmam que nunca viram ninguém trabalhar tanto quanto um Deputado Federal. Temos hora para chegar a esta Casa, mas não de sair. A maior parte dos Deputados chega à Câmara às 8h e sai às 22h ou mais. Almoça aqui, para ganhar tempo, e faz um lanche antes de sair. Quero fazer justiça em relação às atividades dos Parlamentares. Se alguns não as cumprem, é responsabilidade deles e de quem os elegeu, que deveria fazer triagem melhor. Mas acho que 90% dos Parlamentares cumprem o seu dever e procuram realizar corretamente o trabalho. Há pouco tempo houve problemas com 20 Parlamentares, aproximadamente, mas a Câmara dos Deputados é composta por 513 Deputados, que têm de prestar contas de seu trabalho, cumprir os compromissos assumidos em praça pública e manter a palavra empenhada. O Senado Federal tem apenas 81 Senadores, o que torna tudo mais fácil. Em nome da Mesa Diretora e da Casa, faço justiça ao trabalho desenvolvido pelos Parlamentares. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao ilustre Deputado Chico Alencar. O SR. CHICO ALENCAR (PSOL – RJ. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos na Semana Santa, no tempo da Páscoa, de simbologia muito bonita mesmo para os nãocristãos, quando refletimos sobre a condição humana, a dialética da nossa trajetória na Terra: vida, morte e ressurreição. Com o espírito pascal de renascer, de recomeçar, de fazer a passagem de tudo o que significa morte para a vida plena, desejo a todos boa Páscoa. Aproveito este momento para registrar depoimento da Profa. Tânia Minerva Corrêa, do Colégio Estadual Rui Barbosa, de Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, Abril de 2006 que descreve, com muita força, o dramático exercício do ofício do magistério, as dificuldades que se antepõem a essa profissão, a falta de reconhecimento e de salário digno. Os professores do Rio de Janeiro estão em greve, bem como os do Município de São Paulo. Sem reajuste salarial há 10 anos, enfrentam a intransigência governamental. Já apelei para o Senador Sérgio Cabral Filho, do PMDB, partido do casal Garotinho, a fim de que intervenha, como fazia no tempo em que era Presidente da Assembléia Legislativa do Estado. A falta de diálogo é altamente deseducativa e não contribui para a superação das mazelas e das alienações, o que todos queremos. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, e todos os que assistem a esta sessão ou que nela trabalham, transcrevo aqui o depoimento candente desta educadora, o grito de quem, como profissional, sente-se nos umbrais da morte, mas aposta na ressurreição. “Quando candidatos, todos prometem o que quer que seja, a fim de conseguirem o voto do eleitor. No Estado do Rio de Janeiro não se fugiu à regra. Quando candidata, a atual governadora, Sra. Rosinha Matheus, ou Rosinha Garotinho, como tem preferido – já como forma de fazer propaganda eleitoral constante para seu marido, candidato a seja lá o que for – prometeu investir nas escolas e valorizar os profissionais da educação, discurso que levou muitos a votarem nela, visto ter vencido aquela eleição ainda no primeiro turno. Três anos e meio se passaram. Novas eleições estão chegando. E nós, que estamos dentro da escola e, por conseguinte, sabemos, efetivamente, o que houve e o que não houve, o que se passa ou não, perguntamos: Onde estão os investimentos? Onde está a valorização do profissional? Há anos nossos salários permanecem congelados. Nenhum governo – não se sabe se por falta de dignidade ou de vontade – implantou nosso plano de carreira, aprovado há vinte anos, ainda no primeiro governo de Leonel Brizola. Em se contando que o salário mínimo no Estado do Rio de Janeiro é de R$400,00, o piso salarial do professor docente I (de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental e do Ensino Médio) não chega a um salário mínimo e meio, enquanto o plano de carreira aprovado prevê cinco salários mínimos. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nossos salários têm sido compostos por meio de gratificações e bonificações que, por não serem incorporadas ao salário, não nos oferecem segurança alguma, uma vez que podem ser retiradas a qualquer momento. E por meio de programas que supostamente elevariam a qualidade do ensino oferecido nas escolas públicas, como o programa Nova Escola, mas que apenas suscita rivalidades e mal-estares entre as unidades, e cujos critérios avaliativos são duvidosos e não claros, levantando suspeitas de ‘apadrinhamentos’. Não deixando, portanto, transparente a honestidade de seus resultados e por isso mesmo não encontrando credibilidade junto ao corpo docente. Os resultados da avaliação do programa Nova Escola nos revoltam, nos causam indignação, nos humilham, a cada ano, quando vemos nosso trabalho amesquinhado, desvalorizado. Quando nós, que vivenciamos as realidades escolares, nos deparamos com resultados esdrúxulos, vexatórios, indignos do trabalho que a maciça maioria de nós desenvolve junto ao corpo discente, ficamos chocados, revoltados, pois conhecemos, de fato, as diferenças entre as diversas escolas. Tais programas, assim como outras medidas cuidadosamente tomadas pelo Estado, castigam os aposentados, uma vez que estes não são atingidos pelos supostos ‘aumentos’ salariais por meio de gratificações e abonos, apesar de incidirem sobre estes o desconto previdenciário. Os enquadramentos por formação, como reza o estatuto, não nos são concedidos, uma vez que deferidos e não pagos. Nos oferecem GLP – horas extras, para preencherem as eternas carências no quadro de professores – pagas com valor diferenciado e inferior àquele percebido nas horas normais de trabalho. Jamais foram pagas no mês imediatamente posterior ao início do trabalho, sendo acumulados dois, às vezes três ou quatro meses, fazendo com que seja retido ainda mais imposto sobre renda na fonte. Alguns professores passam pelo dissabor de não o receberem nunca. Terminam o ano letivo sem verem um centavo sequer referente a essa GLP. Ao perguntarem pela remuneração que lhes é devida, ninguém jamais tem a resposta. Ficam anos literalmente ‘empurrando’ o professor de um lado para o outro, sem dar-lhe Quinta-feira 13 19111 solução para o problema. Muitos acabam por desistir – com o que, provavelmente, o Estado conta. Já trabalhado, nada mais resta a não ser assumir o prejuízo, pois não se pode voltar o relógio e ‘desdar’ as aulas que foram efetivamente (e literalmente) dadas. Ninguém responde ou é responsabilizado por coisa alguma. Isso é revoltante. É bastante fácil construir e reformar escola, aumentar o número de matrículas, fazer propaganda de que não há – ou há pouquíssimos – alunos em idade escolar fora da escola. Mas, pergunta-se: qual o objetivo de se estar dentro de uma escola? A resposta é óbvia. Porém, como não há número suficiente de professores para abraçarem tantos alunos, as salas de aula ficam superlotadas, com 40, 50 e, às vezes, mais alunos. E ainda assim faltam profissionais. E é por isso que dobramos nossa carga horária de trabalho, recebendo menor remuneração, com o que o Estado faz considerável economia, além de não haver obrigações que incidam sobre tal valor. É, pois, mais barato pagar a ‘dobra’ de um professor – sempre mantido com o salário baixo para que possa ‘ser obrigado’ a aceitar – do que assumir mais um funcionário concursado. E, ainda assim, faltam profissionais. E é por isso que, mais uma vez, é mais barato ‘contratar’ profissionais não concursados, uma vez que não há obrigações trabalhistas nessa relação. Tais profissionais também recebem um salário menor, além de não terem direito tampouco à gratificação do programa Nova Escola, apesar de contribuírem igualmente para o desenvolvimento do trabalho, avaliado pelo referido programa. A burocracia a que é submetida a administração e a direção de uma escola é algo absurdamente inacreditável, havendo mapas e mapas, relatórios e relatórios a serem preenchidos, muitos dos quais, às vezes, inúteis ou inutilizados, e pedidos novamente, ou em nova versão, não restando praticamente tempo algum para que os gestores possam desenvolver o seu trabalho de fato. O Estado não oferece nenhum tipo de subsídio aos professores que desejam freqüentar programas de Mestrado ou de Doutorado, quer em forma de bolsa, quer em forma de licença remunerada, ou de acesso aos programas de Mestrado e Doutorado de sua própria universidade, a UERJ; nem mesmo 19112 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS em forma de pagamento das mensalidades ou parte delas, quando o professor se ‘aventura’ ou se ‘atreve’ a um programa de Mestrado de uma universidade da rede particular. Quer dizer, o professor não tem tempo nem dinheiro para tal, não pode crescer, mesmo que assim o deseje. O stress, a depressão, o desânimo e a falta de esperanças tomam conta, cada vez mais, de um número maior de professores. Se ficarmos doentes, possivelmente, não teremos como financiar sequer medicamentos necessários, muito menos consultar médicos especialistas ou fazer exames clínicos, a não ser que paguemos por um plano de saúde particular. Pensamos ser uma humilhação para uma classe profissional de quem todos, sem exceção, dependem. Não haveria médicos, advogados, dentistas, engenheiros, juízes, desembargadores, legisladores, sem professores. Mas, com certeza, nos parece que haveria governadores. Estes, ao que tudo indica, não precisam de professores. Aliás, parecem sequer saberem que eles existem. Nenhum país ultrapassa o estágio do subdesenvolvimento a não ser por meio da educação de seu povo. Numa época em que se clama por educação de qualidade, em que o governo federal coloca a educação como prioridade ‘zero’, somos tratados com tal descaso, com tal desrespeito. Apesar de esse tipo de tratamento ser histórico em nosso país, o nível de desenvolvimento e de consciência que já conseguimos atingir não aceita mais esse tipo de comportamento e de tratamento em relação à classe docente. A escola e os professores têm sido sobrecarregados com trabalhos que não são próprios do fazer docente, mas que nos têm sido imputados e aos quais nunca fugimos ou nos negamos. Professores têm sido pais, mães, avós, psicólogos, médicos, enfermeiros, responsáveis, babás e tudo o mais que nos imputam e a que nunca nos recusamos, mesmo sem termos a formação para tal. Nosso fazer é pedagógico, apenas isso, mas temos sido obrigados, pelas circunstâncias, a tomar outros ofícios a nosso cargo, entendendo que, muitas vezes, algumas crianças e jovens são tão carentes, assim como suas famílias, tão abandonadas, que, se não fosse por nossa atenção, Abril de 2006 encaminhamento e carinho, já teriam perecido ou pereceriam em pouquíssimo tempo. Os gabinetes estão longe de conhecerem nossas realidades. Nos parece que à escola, aos professores, enfim, à educação, tem sido imputada a responsabilidade de encontrar a solução para todos os problemas do país. De nós esperam a solução de todas as questões sociais, inclusive para a violência das cidades, para a fome, o desemprego, a moral, a ética. Também a culpa pela evasão escolar nos tem sido atribuída, pelo menos no que diz respeito ao Estado do Rio, pois um dos quesitos de avaliação do programa Nova Escola é a evasão escolar, ganhando mais pontos a escola onde há menor evasão, como se tivéssemos o poder de manter o aluno freqüentando a escola. Não se enxerga que o aluno evade por muitos outros motivos além da dificuldade de aprendizagem. Evadem, principalmente, por serem obrigados a trabalhar, a fim de comporem o orçamento doméstico; evadem por precisarem cuidar de irmãos menores, para que os pais possam trabalhar; evadem por não terem roupa para sair de casa; evadem porque necessitam compartilhar o sapato com outras pessoas da família; evadem porque não há quem os ajude ou se interesse por suas tarefas escolares; evadem porque não existe ninguém que os incentive a continuar; evadem porque não vêem objetivo no estudo; evadem por falta de perspectivas; evadem pela cultura familiar de evasão; evadem porque o patrão não lhes permite sair em horário adequado para que freqüentem a escola – e, se o empregado exigir esse direito, é demitido, pois há milhares na fila para assumirem o seu lugar, provavelmente por um salário inferior. E nós, os professores, é que somos responsabilizados e penalizados por tudo isso. E perguntamos novamente: como, por que somos responsabilizados e penalizados por algo que não está ao nosso alcance resolver? Por que os governos não resolvem combater as causas da miséria, da fome, do desinteresse, do desemprego, enfim, combater as causas de todos esses problemas e deixam de nos imputar uma culpa que não temos, a não ser como partes de uma mesma sociedade a que todos pertencem e pela qual todos somos responsáveis? Enfim, qualquer empregador do setor privado que cometesse tantas irregularidades, Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS tantos ilícitos com relação a seus funcionários, já teria se tornado manchete, alvo de escândalos públicos, ou teria sido obrigado a fechar as portas de sua empresa. Será que chegamos ao estado de falência da entidade Estado ou chegamos ao estado de falência de nossa própria sociedade? Petrópolis, 6 de abril de 2006”. Agradeço a atenção. O SR. EDINHO BEZ (PMDB – SC. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a cidade de Nova Trento, conhecida como estância turística religiosa do Brasil, destaca-se por abrigar o Santuário de Madre Paulina, onde estive presente recentemente na belíssima inauguração. A cidade localiza-se no vale do Rio Tijucas, a 80 quilômetros de Florianópolis, e é administrada por minha amiga Prefeita Sandra Rachadel. A digna Prefeita, em evento público, apresentou informativo, com sua prestação de contas, à população e a várias lideranças, no seu primeiro ano de administração. São pessoas como a Prefeita Sandra e sua equipe que promovem a cultura empreendedora e o desenvolvimento local que muitos Municípios catarinenses precisam. Com sua gestão inovadora e transparente, preocupada em manter as raízes trentinas, prioriza a saúde do povo e busca qualidade de vida e satisfação da população. Parabéns à Prefeita de Nova Trento, Sandra Rachadel, ao Vice-Prefeito, Orivan Jarbas Orsi, à Câmara Municipal e a outras lideranças, pela excelente condução da coisa pública, pelo modo diligente de sua administração em benefício da comunidade e da região. A título de informação, é a primeira Santa do Brasil, do Santuário de Madre Paulina, de cuja inauguração da basílica eu participei. Era o que tinha a dizer . A SRA. TELMA DE SOUZA (PT-SP. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente, inicialmente, desejo boa Páscoa aos Srs. Deputados, a suas famílias, principalmente aos nossos eleitores e aos telespectadores que acompanham as sessões da Câmara em todo o Brasil. Em segundo lugar, manifesto o desejo de que esta Casa veja que o impasse em torno da VARIG precisa ser resolvido, conforme disse o Sr. Ministro da Defesa, Waldir Pires. O escritório de Joanesburgo deve ser mantido porque é a nossa entrada para a África – lá estive na condição de Coordenadora da Frente Parlamentar em HIV/AIDS, para participar de seminário sobre a pandemia da doença naquele continente —, e o único caminho a ser transcorrido. E os países africanos muito precisam de nós. Quinta-feira 13 19113 Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, peço para dar ciência à Câmara Federal, solicitando sua transcrição nos Anais e sua reprodução através dos meios de comunicação, especialmente A Voz do Brasil, de alguns tópicos que envolvem questões pertinentes ao Ministério dos Transportes e aos quais espero especial atenção. O Ministério dos Transportes já recebeu do DEST o aval para a implementação do Plano de Cargos e Salários na Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP). O Ministério, no entanto, ainda não encaminhou a proposta àquela autoridade portuária, que só deverá implementar o plano depois de concluídas as negociações da data-base da categoria. Ocorre que a categoria dos trabalhadores portuários ainda não tem conhecimento formal da proposta. A sugestão é de que se solicite à Direção da CODESP a realização de reunião para que sejam abertas negociações com as representações sindicais desses trabalhadores. Também outras questões referentes aos trabalhadores portuários e à CODESP, como a realização de concurso para o preenchimento de cargos naquela autoridade portuária, o plano de aposentadorias e outros itens, carecem de diálogo direto entre as partes, para que se evitem desgastes desnecessários que acabam, sem dúvida, prejudicando o bom andamento da máquina pública. Isso acontece porque os empregados das estatais ainda não possuem espaço para negociação com o Governo. No caso dos portuários, a situação é mais grave, pois chegam a existir 3 níveis de empregadores: a CODESP, o Ministério dos Transportes e o Ministério do Planejamento (DEST). Diante desse quadro, seria positivo que o Ministério dos Transportes abrisse espaço de diálogo permanente entre as Federações Nacionais que representam as categorias dos trabalhadores portuários e os setores do Governo, buscando, assim, manter diálogo sobre o acordo coletivo de trabalho de 2006. Além das pautas de cada companhia, as entidades nacionais têm pauta de assuntos que devem ser tratados no âmbito do Ministério dos Transportes. Na esfera das ferrovias e dos ferroviários, há grande preocupação a respeito da liquidação da Rede RFFSA, situação que está tornando urgente a realização de reunião entre os Parlamentares que analisam o caso e as entidades representativas do setor. Fomos procurados por representantes dos funcionários desse segmento, no sentido de encaminhar reivindicação para o pagamento dos 5% referentes ao dissídio coletivo de 2003 a todas as categorias – o próprio Ministério, por meio da Consultoria Jurídica, a cargo da Dra. Yo- 19114 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS landa, já deu parecer favorável a essa questão no dia 28 de março de 2006. Há também interesse da categoria no sentido de que se agilize a assinatura do convênio sobre os trens regionais de passageiros, documento que já está no Ministério dos Transportes e envolve, além desse órgão, o Ministério das Cidades, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU, o BNDES e os representantes da indústria ferroviária nacional – ABIFER e SIMEFRE. O acordo é, sem dúvida, da máxima importância para a retomada dos transportes ferroviários de passageiros, alternativa que tem grande apelo popular em âmbito nacional e representa fundamental incentivo para a indústria ferroviária nacional. Gostaríamos de sugerir que a assinatura desse convênio contasse com a participação do Presidente Lula. Ainda no setor ferroviário, gostaríamos de propor que o Ministério dos Transportes promova gestões junto aos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Ciência e Tecnologia (MCT), de forma a incentivar a retomada da fabricação de trilhos e de locomotivas de grande porte no Brasil. Esse incentivo poderia ser correlato aos concedidos para a fabricação de máquinas e equipamentos portuários, visando à modernização dos portos brasileiros e melhoraria a integração entre portos e ferrovias. Como não existe fabricação de trilhos na América Latina, poderia o Brasil, além de deixar de importar trilhos para o consumo interno, passar a exportá-los. Aproveito também esta oportunidade para falar sobre algumas reivindicações relativas ao Vale do Ribeira, uma das regiões mais carentes do Estado de São Paulo, cujo potencial pode crescer a partir do incremento da infra-estrutura de acesso, que precisa ser aproveitada em benefício do País. Desse modo, dou conhecimento a V.Exas., Sras. e Srs. Deputados, de breve resumo dos tópicos da Carta do Vale do Ribeira, abordados durante a audiência pública realizada no último dia 4 de abril, em Registro, com a presença de técnicos do Ministério, e que serviram de base para a elaboração de sugestões ao processo de transformação que será implantado na BR-116, a Rodovia Régis Bittencourt. Um desses itens refere-se à necessidade de realização de obras complementares e de caráter imediato para garantir a segurança dos usuários da rodovia, principalmente dos moradores locais, como trevos de acesso aos pontos mais urbanizados, passarelas e iluminação. Outra melhoria diz respeito à localização das praças de pedágio, que não deve prejudicar a circulação dos moradores dos Municípios vizinhos, em especial na área central da região, entre Miracatu e Cajatí. Abril de 2006 Outra sugestão, nesse particular, é a de garantir passagem livre para os veículos com placas locais. A operacionalidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), cujas equipes estão distribuídas ao longo da BR-116 para socorrer não apenas os usuários da estrada, mas também todas as emergências fora da faixa da rodovia, sendo responsáveis também pelo direcionamento dos pacientes para os hospitais próximos, dependendo da gravidade dos casos, deve ser mantida da maneira como vem sendo efetuada, com a sua manutenção garantida por recursos do Governo do Estado, do Governo Federal e da concessionária que explorará a estrada. A criação de um Fundo Regional também foi proposta, como forma de compensação aos Municípios, em função do impacto da privatização, e para contribuir para o desenvolvimento da região. Os recursos seriam originários de percentual do valor arrecadado com os pedágios e destinados ao financiamento de projetos sociais. A situação dos comerciantes que hoje atuam em vários trechos da rodovia, a maioria formada por pequenos agricultores que vendem o que produzem para sobreviver, também deve ser levada em conta, permitindo-se que prossigam com as suas atividades. Também na mesma região há solicitação de recursos para a recuperação da Estrada José Herculano de Oliveira Rosa, em Cananéia. Já no Município de Cubatão, na região da Baixada Santista, está sendo solicitada a construção de acesso à Avenida Plínio de Queiroz, que liga os 2 únicos estacionamentos (CINCU e Rodopark), que dão retaguarda ao Porto de Santos. A proposta é de convênio entre o DNIT e a Prefeitura de Cubatão, aos moldes do que foi feito no Município de Itajaí, Estado de Santa Catarina, objetivando a liberação de recursos para a pavimentação e a duplicação da avenida, melhorando o acesso ao sistema portuário. A obra está orçada em 3 milhões de reais. Sr. Presidente, passo a abordar outro assunto. Sras. e Srs. Deputados, sei que, em geral, ocupamos esta tribuna para expressar reivindicações que a sociedade nos apresenta ou para criticar posturas ou medidas que consideramos prejudiciais ao País. Hoje, no entanto, quero expressar as minhas felicitações ao Santos Futebol Clube pela conquista do Campeonato Paulista de Futebol de 2006, no último domingo. Sei que este plenário abriga torcedores de todos os clubes de futebol brasileiros. Não desejo, portanto, desrespeitar as preferências de meus pares, inclusive porque alguns deles também devem estar comemorando a conquista de campeonato por seu time em seus respectivo Estado de origem. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Não poderia, contudo, deixar de manifestar a minha alegria pela conquista do Santos, refletindo aqui, tenho certeza, o sentimento de milhões de pessoas por este Brasil afora, em especial de grande parte da população de minha cidade e da região da Baixada Santista. É provável, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, que muitos aqui não saibam do significado especial desse título para o clube e para os seus torcedores, que aguardavam há 21 anos para ver o time conquistar novamente o Campeonato Paulista de Futebol. E tal fato ocorreu em momento muito especial para a agremiação santista. Após recente período de apogeu, quando conquistou 2 títulos brasileiros, em 2002 e 2004, revelando ao Brasil e ao mundo craques como Robinho, Diego e outros, o clube se viu obrigado a vender vários de seus astros, passou por má fase, enfrentando prognósticos sombrios sobre o seu futuro e a possibilidade de novas conquistas. No decorrer das primeiras rodadas do Campeonato Paulista de 2006, ninguém – e talvez até muitos de nós, torcedores – acreditava que o clube pudesse desempenhar grande papel no certame e chegar às primeiras colocações. No entanto, contando com elenco novo, tanto em termos de contratação de jogadores quanto no que se refere à idade média dos atletas, o Santos foi aos poucos se firmando e, nas últimas rodadas, já despontava como favorito, para agradável surpresa de sua torcida e espanto dos seus críticos, não se podendo omitir aí o paciente e competente trabalho desenvolvido pelo técnico Wanderley Luxemburgo. Deixo aqui, portanto, as minhas congratulações aos jogadores do Santos Futebol Clube, à sua Diretoria, na pessoa do Sr. Marcelo Teixeira, pedindo que dessa iniciativa seja dada ciência à Diretoria da agremiação e aos jogadores. O SR. CARLOS NADER (PLm – RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, cardiologistas do Instituto de Pesquisas William Harvey, em Londres, vão testar o uso de chocolate amargo em 40 portadores de doenças coronárias agudas. O coordenador da pesquisa, Dr. Roger Corder, afirma que os ingredientes do chocolate podem modificar as funções vasculares. Os flavonóides, substância encontrada em alguns tipos de chocolates, podem reduzir o mau colesterol e combater problemas de coração, hipertensão e derrame. No entanto, por enquanto a maioria dos pacientes submetidos aos testes possuem sintomas moderados da doença. Os testes agora serão feitos com pacientes que apresentam sintomas graves, para que possa ser verificado o grau de benefício que o chocolate pode trazer a estes pacientes. Quinta-feira 13 19115 Porém, há controvérsia. O representante da Fundação Britânica para o Coração, Dr. Charmaine Griffiths, afirma que os possíveis benefícios do chocolate não compensariam os malefícios provocados por seu alto teor de gordura e açúcar. Considera ainda que o chocolate costuma ser mais parte do problema do que solução, porém reconhece que pequenas quantidades de chocolate amargo podem provocar efeitos benéficos de curta duração sobre a circulação sangüínea. Enquanto as pesquisas não puderem comprovar até que ponto pode haver reais benefícios com a ingestão do chocolate, com a finalidade de atenuar ou mesmo de extinguir problemas cardíacos de média e alta gravidade, o conselho ainda é apreciar com moderação. Muito obrigado. O SR. RAIMUNDO GOMES DE MATOS (PSDB – CE. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Brasil vivencia uma importante transição demográfica. Passamos de uma fase de alta fecundidade e alta mortalidade para uma situação de baixa fecundidade e baixa mortalidade. Esta situação vem provocando uma alteração significativa na pirâmide populacional: reduz-se o número de crianças e eleva-se o número de idosos. O Brasil já vem, há algum tempo, experimentando, portanto, um processo de envelhecimento de sua população. A partir de 1960, o grupo com mais de 60 anos já começa a apresentar, proporcionalmente, taxas de crescimento mais elevadas, e a população jovem manifesta sinais de desaceleração de seu crescimento. A partir da década de oitenta, porém, o Brasil passou a ser considerado um País de meia idade. Em 1980, eram 16 idosos para cada grupo de 100 crianças. Em 2000, já eram 30 idosos para cada grupo de 100 crianças. Estimativas da ONU revelam que, em 2050, a estrutura etária da população brasileira será semelhante à atual estrutura etária dos países desenvolvidos e, em 2025, o Brasil já será o sexto país do mundo em número de idosos. O crescimento populacional brasileiro vem apresentando taxas de crescimento, nos últimos anos, da ordem de 1,6% ao ano. Se considerarmos isoladamente a população idosa, este percentual passa a ser da ordem de 6% ao ano. Dados oficiais revelam que cerca de 25% dos gastos do Ministério da Saúde com a assistência à saúde destinam-se à população com 60 anos e mais de idade. Os desafios gerados pelo processo de envelhecimento da população são enormes e têm exigido do Poder Público e da sociedade a adoção de medidas 19116 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS urgentes, que garantam ao idoso sua integração à sociedade, para que a população possa envelhecer com dignidade. Existe, hoje, um marco legal que garante a proteção à terceira idade. No âmbito constitucional é garantido ao idoso: o direito à vida e ao bem-estar e o respeito à dignidade (art. 230, caput); o direito de ser amparado pelos filhos maiores (art. 229); o direito à Previdência Social (art. 201, inciso I) e à Assistência Social (art. 203, incisos I e V); o direito ao transporte urbano gratuito (art. 230, § 2º). Na legislação infraconstitucional, a proteção ao idoso está presente em vários documentos legais a partir da Política Nacional do Idoso e das deliberações do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso. E necessitamos fortalecer cada vez mais o seu funcionamento, promovendo capacitações para seus conselheiros e assegurando todo o apoio logístico necessário para os Conselhos Estaduais e os Conselhos Municipais. O Estado do Ceará foi um dos primeiros a oficializar e empossar o Conselho Estadual, que hoje, presidido pela Dr. Tereza Cavalcante, vem articulando com a sociedade cearense parcerias de programas sociais em prol dos idosos e, junto ao Município, estimulando a instalação dos Conselhos Municipais. Dessa forma, deveremos priorizar o fortalecimento da intersetorialidade dos programas sociais para Idosos, visando o cumprimento dos seus direitos, e mobilizar a sociedade para assegurar o que é estabelecido no Código de Defesa do Consumidor como também no Código de Processo Civil e no Estatuto do Idoso. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Congresso Nacional deverá continuar priorizando a atenção ao idoso. Isso se revela na extensa lista de propostas legislativas que tramitam nas 2 Casas: propostas de emenda constitucional, projetos de lei complementar e projetos de lei ordinária. Essas propostas, que objetivam alterar e aperfeiçoar a legislação vigente, merecem ser amplamente debatidas e terem prioridades para votação. Recentemente, o Senado Federal, em audiência pública realizada na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, enfocou a necessidade de mobilização da sociedade como condição para garantir o cumprimento da Lei nº 10.741, de 2003. Na opinião dos Senadores, o voto é uma arma importante na luta pela construção de uma sociedade onde os idosos possam ser tratados com dignidade e respeito. Para que a população possa envelhecer com segurança e dignidade, é fundamental que este marco legal seja respeitado. Infelizmente, a realidade parece ser bem diferente: a implementação das leis de prote- Abril de 2006 ção ao idoso não adquiriram a efetividade desejada. A esse respeito, é importante relembrar texto do editorial do jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza Ceará, de 9 de abril corrente: “Os direitos do idoso são temas constantes de debates e palestras. Mas algumas das propaladas boas intenções quanto ao assunto parecem diluir-se em decorrência de pouco refletirem em atitudes e realizações propiciadoras da melhoria da qualidade de vida de pessoas com mais de sessenta anos. (...) Os direitos das pessoas acima de sessenta anos são freqüentemente desrespeitados e, quase nunca, a cobrança do respectivo ressarcimento lhe faz justiça. A deficiência e má vontade no atendimento nas repartições públicas e entidades de caráter privado; o descumprimento de leis como a do passe livre em empresas de transportes; obstáculos urbanos que constituem barreiras à locomoção do indivíduo; o difícil ou intermitente acesso a imprescindíveis medicações de uso contínuo: tudo isso torna distante a consumação do Estatuto do Idoso como uma conquista definitiva”. Dada a oportunidade do editorial do jornal Diário do Nordeste, intitulado Direitos Ignorados e cujo texto faz parte integrante de nosso pronunciamento, solicitamos a sua transcrição, na integra, nos Anais desta Casa. Era o que tínhamos a dizer. EDITORIAL A QUE SE REFERE O ORADOR: Editorial do jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza/CE. Dia 9 de abril de 2006 Direitos Ignorados Apesar de instituída por lei desde 1994, a Política Nacional do Idoso ainda não teve implementadas, satisfatoriamente, várias de suas propostas básicas. A intenção precípua seria proporcionar saúde e bemestar no processo de envelhecimento e construir uma rede de proteção social que contemple a vida dos mais velhos em seus diversificados aspectos. Os direitos do idoso são temas constantes de debates e palestras. Mas algumas das propaladas boas intenções quanto ao assunto parecem diluir-se em decorrência de pouco refletirem em atitudes e realizações propiciadoras da melhoria da qualidade de vida de pessoas com mais de sessenta anos. A atuação do Estado na assistência ao idoso está prevista desde a Constituição Federal de 1988, a partir de quando foram aprovadas as legislações ordi- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS nárias. No fim de 1993, aprovou-se a Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), que acrescentou medidas específicas, como a garantia de renda de um salário mínimo mensal ao idoso que comprovar não possuir meios de se sustentar ou não contar com o apoio da família. A Lei 8.842/94, que embasou a Política Nacional do Idoso e faz parte do Programa Nacional de Direitos Humanos, enfatiza, com acerto, que o envelhecimento dos cidadãos diz respeito à sociedade em geral e é parte fundamental para seu bom funcionamento e equilíbrio. Entre as suas principais diretrizes, destaca-se o direito de o idoso participar, por meio de organizações representativas, da formulação, implantação e avaliação dos programas e projetos que lhe são correlatos. Ressalta-se, também, a atribuição de o Estado trabalhar quanto à capacitação de profissionais nas áreas de geriatria (medicina voltada para o idoso) e gerontologia (especialização de profissionais no atendimento aos mais velhos). A complementação da Política Nacional, através do Estatuto do Idoso, pela Lei nº 10.741/03, estabelece punições para quem não respeitar os direitos dos idosos. É exatamente nesse item que residem as principais falhas na aplicação prática da lei. Os direitos das pessoas acima de sessenta anos são freqüentemente desrespeitados e, quase nunca, a cobrança do respectivo ressarcimento lhe faz justiça. A deficiência e má vontade no atendimento nas repartições públicas e entidades de caráter privado; o descumprimento de leis como a do passe livre em empresas de transportes; obstáculos urbanos que constituem barreiras à locomoção do indivíduo; o difícil ou intermitente acesso a imprescindíveis medicações de uso contínuo: tudo isso torna distante a consumação do Estatuto do Idoso como uma conquista definitiva. O envelhecimento digno é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social. Valores como auto-estima, consciência da cidadania, socialização e integração não são tão difíceis de resgatar em relação ao idoso, desde que seja alijado o pressuposto errado de que velhice é sinônimo de abandono e incapacidade. A SRA. ALMERINDA DE CARVALHO (PMDB – RJ. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente Inocêncio Oliveira, que preside os trabalhos desta Casa neste momento, quero fazer um apelo a V.Exa. e ao Presidente Aldo Rebelo para que seja analisada a PEC nº 2, de 2003, com a devida atenção. Isso dará tranqüilidade aos servidores que estão há mais de 1 mês nos corredores desta Casa. Quinta-feira 13 19117 Sr. Presidente, é preciso sensibilizar a Casa, chamar esses servidores para uma conversa, para que não fiquem na expectativa, sem que nada aconteça. Peço, portanto, para darmos solução à PEC nº 2, que tramita nesta Casa. O SR. GASTÃO VIEIRA – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. GASTÃO VIEIRA (PMDB – MA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, quero concordar com a defesa feita por V.Exa. da atividade parlamentar. Um exemplo disso é que hoje a Comissão de Educação e Cultura desta Casa iniciou a dificílima tarefa de examinar o projeto que fixa cotas para alunos índios, negros e outros selecionados de escolas públicas para o acesso direto às instituições de Ensino Superior. Esse projeto passou, durante muito tempo, quase despercebido nesta Casa. Ele é complexo e importante. Vai afetar diretamente a classe média brasileira, as universidades públicas federais, vai fazer a graça das universidades particulares, que vão herdar esses alunos impossibilitados de entrar na instituição federal. Portanto, Sr. Presidente, apelo às Lideranças da Casa para que olhem o mérito deste projeto, que não sejam apressados! O PNE levou 10 anos para ser aprovado, a LDB, 7 anos. Agora se quer aprovar um projeto dessa ordem em menos de 6 meses. Era o que tinha a dizer. O SR. JÚNIOR BETÃO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. JÚNIOR BETÃO (PL – AC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, na votação anterior, votei conforme orientação do partido. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao Sr. Deputado Renato Casagrande. O SR. RENATO CASAGRANDE (PSB – ES. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vou falar sobre futebol, tema muito importante para o meu Estado, onde não há tradição de investimentos da iniciativa privada e da administração pública nessa modalidade esportiva. O Campeonato de Futebol do Espirito Santo voltou a empolgar a torcida capixaba. No último domingo, realizou-se a final do campeonato, disputada entre o Vitória, time da Capital, e o Estrela, da cidade de Cachoeiro de Itapemirim. Com recorde de público no Estádio Salvador Venâncio da Costa, mais conhecido como o Ninho da Águia, o Vitória Futebol Clube sagrou-se campeão depois de 30 anos na fila. 19118 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Foi a final mais emocionante dos últimos 15 anos. Num Estado que já revelou muitos craques para o País, como Fontana, campeão do mundo na Copa de 70, Geovane, na década de 80, e Sávio, que até os dias de hoje brilha nos gramados europeus, tivemos a oportunidade de reaver a tradição de campeonatos competitivos, campeonatos que motivam a ida de olheiros ao Espirito Santo atrás de novos craques para oferecer a clubes que se disponham a fazer grandes investimentos. O Vitória campeão, depois de 30 anos, fez os torcedores rivais do Rio Branco e da Desportiva Ferroviária esquecerem, por um momento, as disputas para se renderem ao grito de “É campeão”. O Vitória campeão fez retornar à Capital um título que sempre vinha sendo conquistado por times do interior. O Vitória campeão vai imprimir mais competitividade às próximas disputas. Se, por um lado, os clubes do interior vão novamente querer conquistar o título, por outro, também os clubes da Capital vão montar equipes mais fortes para voltar à vitrine em que hoje, merecidamente, está o Vitória. Mérito para os dirigentes do clube que, sob a presidência de Antônio Perovano, tiveram lucidez para formar um time capaz de chegar ao título. Mérito para o técnico Cypriano Alexandre, que soube juntar todas as peças que tinha à disposição. Mando também um forte abraço ao Prefeito João Coser, que deu muito apoio ao time do Vitória. A Capital do Espírito Santo, no último domingo, foi coberta pelas cores azul e branco. Em paz, os torcedores tomaram as ruas, uniram-se e foram juntos vibrar no estádio do Vitória. Todos caminhavam felizes pelas ruas do Bairro Bento Ferreira em direção ao Ninho da Águia. A final foi em grande estilo, e a força do Estrela, clube do Município de Cachoeiro de Itapemirim, localizado no sul do Estado, manteve a expectativa do verdadeiro vencedor até o apito final do arbitro da partida, Sr. Walace Valente. O jogo foi truncado e nervoso nos primeiros minutos. Ninguém queria deixar o estádio sem a taça de campeão. O time da casa saiu na frente com um gol do jogador Edinho, cobrando falta. O Estrela não se entregou e no final da primeira etapa chegou ao empate, com um gol de Zé Afonso. Logo aos 4 minutos da etapa complementar, o goleador Hércules começou a pavimentar o caminho do título. Em cabeçada com grande estilo, ele mexeu no placar, colocou o Vitória na frente e forçou o Estrela a sair mais para o ataque. Num contra-ataque bem armado, o time do Vitória consolidou o título, fazendo o terceiro gol por intermédio de Kempes. Aos 19 minutos, a torcida soltou a grito engasgado na garganta há 30 anos. Os perigosos Abril de 2006 ataques do Estrela não foram mais capazes de parar a torcida que a cada minuto via aproximar-se o fim do jejum de títulos. Vitória Campeão! O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Manato, para uma Comunicação de Liderança, pelo PDT. O SR. MANATO (PDT – ES. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna para fazer justiça. Apesar da independência do meu partido, o PDT, não poderia deixar de agradecer ao Presidente Lula porque, na última sexta-feira, inauguramos o primeiro grande centro de vivência da terceira idade no Estado do Espírito Santo, o que, para nossa felicidade, aconteceu na minha cidade, Serra. Sr. Presidente, por meio de emenda parlamentar, 484 mil reais foram liberados pelo Governo Federal, pelo Presidente Lula, e, em contrapartida, 60 mil reais foram liberados pela Prefeitura Municipal. Esse centro de vivência é algo de que só quem conhece pode testemunhar. Ali serão atendidas diariamente 500 pessoas da melhor idade, que agora vão dispor de um espaço para fazer cursos de computação, biodança, trabalhos manuais, aulas de hidroginástica. Isso já está mexendo com a nossa cidade, com as pessoas da terceira idade, que terão perspectivas de ser inseridas no mercado de trabalho a partir daquele centro de vivência, que criará tantas oportunidades. Parabenizo o Prefeito Audifax por ter dado a contrapartida e o Presidente Lula por ter liberado recursos no Orçamento da União. Fico feliz também, Sr. Presidente, pela grande vitória conseguida hoje com a aprovação de medida provisório com emenda do nobre Deputado Luiz Carlos Hauly que beneficia as empresas sem condições de pagar a seus funcionários devido ao alto custo dos impostos. Muitos empresários deixaram de pagar impostos porque tinham de pagar aos seus funcionários. Hoje, esta Casa, numa demonstração de força e coerência, aprovou o REFIS. Registro ainda que ontem, na votação da correção da tabela do Imposto de Renda, votei favoravelmente aos 15%. Infelizmente, não fui seguido pelo maioria, e perdemos a votação. Mais uma vez, a classe média do País está sendo prejudicada, porque há uma defasagem de 54% – os 8% aprovados e ainda 46%. É importante que a população cobre de nós quais são os Deputados que votam com sua consciência e de acordo com suas necessidades. Peço que observem os Parlamentares que estão votando pela correção da Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS tabela do Imposto de Renda e pelo REFIS de acordo com a necessidade da população. Finalizando, Sr. Presidente, desejo a V.Exa. e a todos os pares uma feliz Páscoa. Que Deus abençoe a todos nós. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra à Sra. Deputada Perpétua Almeida. A SRA. PERPÉTUA ALMEIDA (PCdoB-AC. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, 11 mil trabalhadores e 8 mil inativos da empresa aérea VARIG poderão ficar sem trabalho e aposentadoria. Localidades como o meu Estado do Acre, hoje, já precariamente servidas com vôos regulares, poderão isolar-se do resto do Brasil e do mundo, caso a falência da empresa se concretize. Dizem que a falência da empresa do grupo Ruben Berta não seria motivo de grande preocupação. Seria mais uma empresa que, devido ao mau gerenciamento e à concorrência feroz no capitalismo, em tempos de neoliberalismo, sucumbe à selva do mercado. Lembram que no passado a Transbrasil e a VASP também sucumbiram à forte concorrência do mercado aéreo brasileiro e a erros gerenciais. Uma pequena reflexão nos leva a crer que o mercado da aviação civil no Brasil encontra-se em permanente crise sistêmica e que será preciso uma reformulação no setor, sob pena de o Brasil ficar no chão. Porém, não podemos deixar milhares de trabalhadores e aposentados serem jogados à própria sorte devido à sanha do mercado e a erros gerenciais. São indivíduos que precisam de apoio do Governo brasileiro para encontrarem uma proposta que preserve seus empregos, suas famílias. Aqui não se trata de salvar uma empresa, trata-se de salvar o trabalho e a vida de milhares de pessoas. O mercado, nobres pares, não tem pena da vida, ele somente visa ao lucro. É a intervenção correta do Estado que pode amenizar a dor que ele causa. Não defendo que o dinheiro público da educação ou da saúde seja desviado para beneficiar a VARIG, defendo que se encontre uma razão mercantil que leve em consideração o trabalho e os serviços prestados pela empresa. No meu Estado, o Acre, convivemos com um permanente e precário serviço de aviação civil. Vôos demorados, em péssimos horários, em pequena quantidade diária. Para se ter uma idéia, a rota Rio Branco—Brasília é feita somente por duas empresas, a VARIG e a Gol, mesmo assim, saem já tarde da noite e chegam na Capital em plena madrugada. É necessário melhorar muito a qualidade da aviação civil no Brasil!!! Os trabalhadores da VARIG estão dispostos a investir recursos do próprio bolso na empresa. O pla- Quinta-feira 13 19119 no é investir de US$100 milhões a US$150 milhões, oriundos das poupanças dos trabalhadores. O dinheiro seria usado na recuperação de aeronaves paradas e na adequação do número de funcionários. O valor seria desembolsado com 3 meses de carência e de forma parcelada. Vejam que os trabalhadores desejam ser parte da solução do problema. Este é um bom sinal, a empresa na mão de quem dela precisa para viver é mais bem cuidada, segundo o velho ditado popular “o olho do dono que engorda o gado”. Além disso, pilotos, aeromoças, comissários, realizaram ontem a “Marcha pela Salvação da VARIG”, e um “Dia de Vigília Nacional”, com mobilizações em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Há um compromisso de todos com o futuro da empresa. Nobres pares, entendo que o Governo deva buscar uma solução negociada com a empresa, privilegiando a questão dos trabalhadores, a manutenção do emprego. Não acho que a injeção simples de recursos públicos seja a solução, pois o problema poderá voltar. É necessário um acordo que leve em conta a modernização da empresa, que preserve os cofres do Estado brasileiro e que prestigie os trabalhadores. Passo a tratar outro assunto. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Governo FHC deixou ao povo brasileiro uma herança maldita: desemprego, recessão, privatizações. Um amontoado de entulhos que o Governo Lula vem se esforçando para retirar das costas do Brasil. E uma dessas ruínas neoliberais é o Programa Nacional de Desestatização, o PND, que prejudica o crescimento das empresas e do nosso País. Uma das empresas prejudicadas pela herança da era FHC é a Empresa Elétrica do Acre, a ELETROACRE, que ainda hoje continua dentro do PND. O que nos parece um absurdo, pois presta serviços de primeira necessidade a uma região distante, merecendo ser valorizada e não convivendo com uma espada sob sua cabeça. Não vamos mais esperar para acabar com este resquício de FHC, pois a situação da ELETROACRE atualmente é ambígua. Ora ela é uma empresa que cumpre as obrigações de holding da ELETROBRÁS, ora cumpre o mesmo papel de uma empresa sem vínculo nenhum com uma empresa pública. Quem se prejudica mais com esta situação, Sr. Presidente, são os trabalhadores da empresa. Muitos já foram demitidos, para adaptar a empresa aos critérios de privatização. Um desses critérios exigidos pelo processo de privatização, a Resolução CCE nº 9, promoveu uma série de restrições a direitos trabalhistas para precarizar o trabalho e facilitar a venda da empresa. Restringiu o adicional de férias, a hora extra, o adicional de sobrea- 19120 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS viso, o adicional noturno, o adicional de periculosidade, entre outros. Essa resolução cria uma situação discriminatória na categoria: alguns trabalhadores eletricitários com direitos e outros sem direitos que realizam o mesmo trabalho e exercem a mesma atividade. É urgente, nobres pares, a saída da ELETROACRE e das demais distribuidoras de energia da lista do Programa Nacional de Desestatização, bem como a imediata revogação da Resolução CCE nº 9. Vamos remover os entulhos da era FHC e garantir o direito dos trabalhadores urbanitários brasileiros. Muito obrigada. O SR. MARCONDES GADELHA (PSB-PB. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, nobres Srs. Deputados, quero manifestar o meu regozijo pela inclusão da Bacia do Rio do Peixe e, por conseqüência, da cidade de Sousa, na oitava rodada de licitação da Agência Nacional do Petróleo, a ser apresentada nos dias 27, 28 e 29 de novembro próximos, na cidade do Rio de Janeiro. Por mínima que venha a ser a nossa contribuição ao setor energético deste País, não há como negar a importância que terá o petróleo do Município de Sousa no contexto de uma economia deprimida como é a paraibana. Trata-se, pelo menos, de expectativa que vem atravessando governos. A existência de petróleo na região de Sousa já era suspeitada há muitos anos, pela proximidade, diria contigüidade, com a Bacia do Rio Apodi, no Rio Grande do Norte, hoje o maior produtor de petróleo em terra do Brasil, pelo tipo de estratificação do terreno, pela existência de águas termais na região e pela presença de restos fósseis, de pegadas de dinossauros ao longo da Bacia do Rio do Peixe. Mas só recentemente agricultores que cavavam a terra à procura de água para dessedentação do gado encontraram líquido escuro e viscoso, com cheiro de querosene. Espantados, comunicaram o fato aos técnicos. A análise feita pela ANP mostrou que se tratava de petróleo, e de boa qualidade: grau 34 na Escala API. Desde então, Sr. Presidente, iniciou-se uma luta com as autoridades do setor para viabilizar a exploração do petróleo na região de Sousa. Eu mesmo tive a oportunidade de coletar pessoalmente amostra do petróleo e trazê-la à mesa da então Ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, que, a partir daí, assumiu a determinação de acelerar os estudos geofísicos, geoquímicos e sismológicos, até que chegamos a esta empolgante realidade, que gera excitação em toda a região, em virtude das perspectivas do progresso que virá. Abril de 2006 É possível imaginar o impacto da descoberta sobre a região tomando-se como base o Estado do Rio Grande do Norte, que se tornou uma espécie de tigre nordestino, associando a exploração do petróleo com outras atividades econômicas de ponta, assim como a região de Macaé, no Estado do Rio de Janeiro. Por uma compensação da natureza, houve a substituição do ouro branco, o algodão, base econômica da região e grande formadora de emprego e renda, pelo petróleo, o ouro negro. Daqui por diante, o desenvolvimento e o crescimento econômico, a saída do subdesenvolvimento, será preto no branco. A situação está claramente definida. Não teremos um grande poço ou um trapo, para usar o jargão do setor, mas centenas de pequenos poços, à semelhança do Rio Grande do Norte, ao longo de uma bacia de 1.200 quilômetros quadrados. A nossa expectativa é a de que a exploração do petróleo venha a somar-se a outro tipo de atividade econômica que já prospera na região, como aconteceu no Rio Grande do Norte: turismo, agricultura irrigada e mineração, além da tradicional criação de gado. Esperamos também que a região alcance níveis de desenvolvimento e faça jus à imensa esperança que agora jorra daquele solo generoso. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Alberto Fraga, para uma Comunicação de Liderança, pelo PFL. S.Exa. dispõe de 8 minutos. O SR. ALBERTO FRAGA (PFL – DF. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Presidente Lula, ao chegar à Presidência da República, pronunciou a seguinte frase: “Cheguei na Presidência para fazer as coisas que precisavam ser feitas e que muitos Presidentes antes de mim foram covardes e não tiveram coragem de fazer”. Esta Casa, no debate político, acusa muito a Oposição. Vou ler alguns títulos de reportagens dos jornais. O Globo: “Procurador denuncia 40 e põe Dirceu como chefe de quadrilha”; Jornal de Brasília: “Procurador-Geral diz que quadrilha queria manter o PT no poder”; O Estado de S.Paulo: “Ministério Público: PT formou organização criminosa para manter o poder”; O Popular: “40 denunciados no mensalão”; Folha de S.Paulo: “Procuradoria acusa petistas de formar organização criminosa”; Correio Braziliense: “Procurador acusa os 40 do mensalão”. Sr. Presidente, quem está dizendo isso não é a CPI, outrora tão defendida pelos petistas. E hoje dizem que a CPI se transformou num instrumento político de acusação política! Ao Procurador-Geral da República quero render minhas homenagens pela imparcialidade e coragem Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS cívica de mostrar à Nação brasileira que o PT, comandado pelo Presidente Lula, formou uma quadrilha para assaltar os cofres públicos. Quem está dizendo isso não é a Oposição. Quem está dizendo isso é o Procurador-Geral da República, nomeado pelo Presidente Lula. Portanto, senhoras e senhores que nos assistem pela TV Câmara, esta Casa nem poderia continuar funcionando diante de uma vergonha dessa. Esta Casa, como protesto, deveria organizar o pedido de impeachment do Presidente Lula. Não quero saber se as pesquisas ainda dão 37% das intenções de voto ao Presidente Lula. Dão 37% porque aquilo que ele sempre combatia no passado, que é o assistencialismo, é o que faz hoje ao dar continuidade ao programa Fome Zero. Sr. Presidente, diante dessas denúncias, nada mais resta ao Partido dos Trabalhadores a não ser dizer que é calúnia. Antes, o resultado da CPMI era “movimentação política”. Agora, quando o ProcuradorGeral denuncia – não é uma acusação –, “aguardo as explicações”. Ouvi hoje de manhã o Líder do PT dizer que nós, da Oposição, estamos acuando a Polícia Federal. Lembro ao Governo que a Polícia Federal não é co-partidária. A Polícia Federal pertence ao Estado brasileiro – ela tem que pertencer ao povo brasileiro. Quero ouvir aqueles que roubaram com cinismo e desfaçatez, fundamentados nas suas ricas e polpudas verbas de publicidade. Aliás, já ouvi o ex-Ministro “Gushiquim”, “Gushicó”, perdão, Gushiken, dizer que agora vai se defender porque é inocente. Ele está enquadrado como peculatário e , no mínimo, 3 vezes, porque fraudou, sim. Ele usou tráfico de influência para dar contratos de publicidade para os seus, para aqueles que verdadeiramente iriam alimentar esse vergonhoso mensalão. Sr. Presidente, hoje, chamam a Oposição de irracional e irresponsável. Quantas e quantas vezes ouvimos nesta Casa Deputados que eu respeito pelas suas opiniões. Temos que respeitar as divergências, mas as insanidades, a irresponsabilidade sempre partiam dos petistas. Hoje, acusam o PFL, o PSDB, o PDT, o PPS e outros partidos que já não compõem a base do Governo. Hoje, eles dizem que nós, da Oposição, é que somos irresponsáveis. O Procurador-Geral da República, fundamentado em provas consistentes, que não são reconhecidas pelos governistas, denuncia e cita os nomes. A imagem do jornal O Globo mostra claramente uma figura oculta fazendo a sua pregação, e todos nós precisamos saber quem é. Quinta-feira 13 19121 Sr. Presidente, há acontecimentos nesta República que, se ocorressem em qualquer país sério do mundo, já teriam derrubado o Governo. E aqui pergunto ao povo brasileiro: o que está acontecendo? São duas situações: ou essas pesquisas são compradas ou o povo brasileiro enlouqueceu. Tenho andado nas ruas e não tenho visto esse percentual apontado pelos institutos de pesquisa. É preciso moralizar os institutos de pesquisa, porque a única parcela que hoje vejo favorável a esse Governo é a dos banqueiros, que estão tendo lucros que nunca obtiveram antes. E o Presidente Lula continua na Granja do Torto. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – A Presidência determina que qualquer frase ou palavra anti-regimental seja retirada dos discursos. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Walter Feldman. O SR. WALTER FELDMAN (PSDB-SP. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, primeiramente, é uma satisfação voltar a esta Casa, como eu disse na parte da manhã, pela porta da frente do Congresso Nacional, depois de 15 meses à frente da Pasta da Secretaria das Subprefeituras, do Município de São Paulo, comandada neste período pelo Prefeito José Serra. Acompanhamos com muita atenção, e muita tristeza, os episódios que aconteceram nesta Casa no seu trabalho de investigação, particularmente pela CPMIs dos Correios, dos Bingos e todas aquelas que revelaram o esquema hoje confirmado pelas notícias na mídia e pelo Ministério Público. É lamentável, Sr. Presidente, principalmente o modo pelo qual se analisam os motivos que geraram esse tipo de comportamento e de modelo. Faz parte do desejo da opinião pública, mesmo de nós Parlamentares, de nossos partidos, punir, de maneira exemplar, aqueles que tiveram envolvimento com esse esquema de corrupção que contaminou o Executivo e também o Congresso Nacional. E, nesses 15 meses de trabalho, nos dedicamos em profundidade à análise dos motivos que geraram esse tipo de comportamento. Há corrupção generalizada no sistema político brasileiro, que permite o envolvimento daqueles que buscam, através do voto, sua representação nas Câmaras Municipais, nas Assembléias dos Estados e no Congresso Nacional. Revelado pelo relatório a existência de mensalões, de caixa 2, que se tornaram a regra das páginas e das notícias nos últimos 2 anos, durante 15 meses, Sr. Presidente, analisamos em profundidade como poderíamos elaborar e conceber um modelo que fosse 19122 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS blindado contra esse tipo de comportamento. Buscamos em revistas, em matérias de jornais, em análises de institutos dedicados à questão da corrupção no Brasil, como poderíamos conceber um novo sistema. Tivemos vários debates, mesas-redondas, conferências que buscaram inclusive experiência internacional, para não mais adotarmos esse modelo político absolutamente equivocado. Na realidade, o Congresso Nacional ainda não conseguiu elaborar uma proposta mais avançada, mais legítima e mais representativa. Buscamos na revista Exame, do mês de julho de 2005, os dados reveladores que causam perplexidade ao sentimento nacional e que demonstram as bases por meio das quais se abrem as portas para que a corrupção se espalhe no sistema e não especificamente a partir do comportamento de um ou outro agente público. Pois bem. Essa matéria mostra que é possível que 2% do PIB nacional estejam comprometidos com esse sistema de enraizamento da corrupção brasileira. Fala-se na cifra de 380 milhões de reais que no ano passado abasteceram o patrimônio de inúmeros agentes públicos em relação; uma soma que não foi destinada para aquilo que se esperava, que era o atendimento à população necessitada, como construção de novos equipamentos públicos, melhoria dos salários dos servidores públicos etc. Fala-se, também, que 87% da população brasileira, de alguma maneira, já teve contato com uma abordagem, com um mecanismo que levasse à corrupção ativa ou passiva. Na cidade de São Paulo, elaboramos, no final do nosso mandato, uma proposta, um edital de licitação, nobre Deputado Renato Casagrande, para a implantação de um sistema eletrônico capaz de fazer uma blindagem, dar transparência às contas e que nos permita sair desse mecanismo repetitivo de busca dos responsáveis por atos ilícitos para a punição cabível, de enquadramento de pessoas em relatórios de CPMIs do Congresso Nacional, em processos no Ministério Público, na Polícia Federal, nos Tribunais de Justiça. Tudo isso é absolutamente necessário para punir os responsáveis. Mas urge também conceber um novo modelo que nos tire do subjetivismo, que adentre no campo da vontade ética e moral dos agentes públicos, para que possamos nos tornar um Estado, uma sociedade, com estrutura pública totalmente protegida desses desvios. O SR. EDUARDO VALVERDE (PT– RO. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, ouvi atentamente o discurso do Deputado Fraga. Talvez S.Exa. tenha se esquecido de que o atual Procurador-Geral da República e o anterior, tanto Cláudio Fontelles quanto Antenor Fernando Barros, foram indicados pelo Presidente Lula. Abril de 2006 Se o Procurador-Geral da República tivesse sido indicado no governo passado, certamente o Sr. Joaquim Roriz não teria sido eleito Governador nem poderia ter financiado sua campanha e de muito mais gente. Se no passado a República funcionasse, certamente os problemas estruturais do Estado estariam resolvidos. Talvez hoje José Serra estaria sendo processado por escândalo na área de saúde; talvez, também, Ricardo Sérgio e Mendonça de Barros, flagrados no grampo no BNDES facilitando as privatizações. E, quem sabe, também Pedro Malan, que em 1996 editou portaria do Banco Central para facilitar evasão de divisas. Ele permitiu que o Banco Central autorizasse 5 bancos a movimentarem as contas CC-5 em Foz do Iguaçu, do qual um deles tinha como sócio o atual Líder do PFL no Senado Federal, o Senador Jorge Bornhausen – o Banco Araucária S/A. Será que essas figuras da República estariam hoje imponentes falando de moralidade? Será que esse discurso é sério? (Pausa.) Parece que ouço algumas palmas das galerias. Será que a história tem de se repetir como farsa? E os ataques, na década de 1950, a Getúlio Vargas, para que não criasse a PETROBRAS, o monopólio do petróleo? E as acusações que faziam contra ele, que acabaram levando-o ao suicídio? Ou mesmo Juscelino Kubitschek, com sua visão nacionalista de criar a indústria de transformação, a indústria de produtos duráveis, que quase sofreu 2 processos de impeachment. E vejam seu governo foi sempre acossado pela oposição de então. Devo também lembrar o golpe militar sofrido por João Goulart, acusado de facilitar a corrupção nos fundos de pensão, à época fundos de previdência. A desculpa era combater a corrupção. Toda vez que se busca alterar a estrutura do País tudo isso volta ao nosso pensamento. Dados do IPEA apontam que 50% dos pobres no Brasil têm hoje maior poder de compra do que em relação ao período do Plano Cruzado. Confirmam também que diminuiu a quantidade de ricos no País. Transformamos o cidadão sem voz em cidadão brasileiro com renda e emprego. Não são apenas dados do Governo. É o DIEESE, órgão técnico dos movimentos sindicais, que diz isso, aponta o crescimento industrial, a geração de empregos industriais. Nunca no Brasil houve tanto trabalho com carteira assinada! E esses cidadãos da República, que ficaram impunes durante décadas, que se assenhorearam do aparelho do Estado, vêm hoje posar de moralistas! Enganam a quem esses cidadãos? Antonio Carlos Magalhães fraudou o painel de votação do Senado a fim de evitar que cassassem um Senador que se corrompera no escândalo do TRT de Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS São Paulo, para saber quem recebeu dinheiro e não votar contra a cassação. São essas figuras do PSDB e do PFL que agora querem falar de moralidade, acusar o Presidente Lula? É uma pena que o PFL não tenha liderança nacional e seja hoje apenas coadjuvante do PSDB, que teve seu momento histórico importante. Governaram por 8 anos... O ex-Governador paulista e candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, impediu a instalação de 64 CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo para apurar fatos de corrupção. O caso do Rodoanel é o mais sintomático. Foi através dele que boa parte dos tucanos de São Paulo se reelegeram Deputados Federais com recursos do Governo Federal. Não podemos achar que esse senhores sejam detentores da verdade! Vejo aqui trabalhadores do serviço público brasileiro que tiveram quebrados o Regime Jurídico Único e a isonomia, e que durante 8 anos não obtiveram qualquer tipo de reajuste. Construíram um tipo de Estado reducionista que só prestigia as carreiras típicas de Estado, e criaram o PDV para esvaziá-lo. Hoje se busca reconstruir o Estado republicano. Eles acham estranho que o Procurador-Geral da República e a Polícia Federal ajam conforme a lei, não importa a patente de quem esteja sendo investigado. Nunca se prendeu tanto picareta no País como agora! nunca houve tanta transparência como agora! nunca o Congresso Nacional abriu tantas CPIs como agora! Será que, se existisse mensalão, compra de Deputados, teriam sido instaladas todas essas CPIs? Por que não instalam CPIs em São Paulo? Então Lá não podem abrir CPIs? Será que os Deputados da base do Governo Geraldo Alckmin votaram contra a instalação de CPIs estaduais, contra a investigação, somente por ideologia? Será que Nossa Caixa não financiou essa isenção? Será que os tucanos não estão fazendo muita acupuntura? O que gastou o Governo paulista com acupuntura tem de entrar para os anais da história! Há também os vestidos da D. Lu Alckmin, uma senhora vistosa, que durante o mandato do Sr. Geraldo Alckmin recebeu 400 vestidos de presente. É óbvio que quem está fornecendo tais informações para a imprensa não é o PT; mas José Serra. Ouviu, Deputado Walter Feldman? É o Serra, adversário interno dessa fratricida disputa da social-democracia brasileira! Não somos nós, do PT, que temos divulgado essas notícias, abastecido a Folha de S.Paulo com essas informações. Afinal, esse jornal tem um viés tucano. A briga é de vocês, em aliança com o PFL! Quinta-feira 13 19123 É o conservadorismo do Norte-Nordeste, das senzalas, das fazendas de cana-de-açúcar com a modernidade atrasada dos industriais paulistas que não aceita a transformação de um país que precisa ser soberano, e o será, graças à classe trabalhadora! (Muito bem!) O SR. LUIZ CARLOS HAULY (PSDB-PR. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, denúncia do Ministério Público envolve 40 nomes no esquema do mensalão. O maior escândalo de corrupção da história do Brasil aconteceu neste Governo, capitaneado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por José Dirceu. Sem dúvida alguma, as conseqüências foram muitas. Primeiro, a cassação do mandato do homem mais importante nas estruturas do Governo e do Partido dos Trabalhadores, José Dirceu; segundo, a cassação de Roberto Jefferson; terceiro, a cassação de Pedro Corrêa. A obra, contudo, ficou incompleta. O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados desdobrou-se, fez de tudo para que todos os envolvidos fossem punidos. Felizmente a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou irregularidades nos Correios, presidida pelo Senador Delcidio Amaral e relatada pelo Deputado Osmar Serraglio, aprovou relatório contundente que comprova a existência do mensalão e incrimina mais de 100 pessoas, e o remeteu às autoridades da Polícia Federal e do Ministério Público, a fim de que todos os envolvidos sejam punidos. Para a alegria da sociedade brasileira – evidentemente, o povo brasileiro quer ver punidos todos os responsáveis –, ontem o Ministério Público denunciou 40 pessoas ao Supremo Tribunal Federal, todas envolvidas no esquema do mensalão. Sem dúvida alguma, o processo caminha rapidamente. Esperamos que o Ministro do Supremo, nomeado pelo Presidente Lula, instaure os processos e julgue os indiciados antes das eleições. As notícias que estão nos jornais dizem que o Supremo só poderá julgá-los em 2007. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, o Congresso Nacional está dando uma resposta à sociedade, porque a vontade soberana do povo brasileiro é a de que sejam punidos todos os responsáveis, principalmente os cabeças, por esse crime cometido não contra o Parlamento, mas contra a sociedade brasileira. Foram traídos os princípios básicos da organização de qualquer Estado democrático! Costumo dizer que o mal que atingiu a Câmara tem origem nos Palácios do Planalto e da Alvorada. Somos contaminados pelo maior esquema de domi- 19124 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS nação, o mensalão, que destruiu a imagem do Parlamento brasileiro. O Governo Lula é um fracasso ético e administrativo; não inovou, não revolucionou e não transformou. O que fez? Manteve a mesma bula do Governo anterior – pior, errou na dose do medicamento, equivocou-se na taxa de juros. O câmbio já estava flexível desde 1999, quando pagamos caro por um erro daquele governo que manipulava o câmbio e a taxa de juros. Quando há flexibilização, há manipulação da taxa de juros e das metas inflacionárias, que são projetadas e administradas. Nesse tripé o Governo Lula manteve o modelo com o Ministro médico sanitarista Antonio Palocci, mas errou. A dose foi tão alta que matou o paciente. E o Brasil hoje agoniza com o modelo mais perverso de economia do mundo! O jornal Valor Econômico, na edição de ontem, 11 de abril, publicou o que estou afirmando neste momento. As 200 maiores empresas do Brasil, no ano passado, tiveram um lucro de 108 bilhões e 724 milhões de reais, e distribuíram 52 bilhões de reais de dividendos. Pois essa distribuição de lucro é maior do que o crescimento da economia brasileira, que foi de 2,3%. A distribuição de dividendos corresponde a 52 bilhões de reais, um lucro de 108 bilhões de reais! Só a PETROBRAS teve 23 bilhões e 725 milhões reais de lucro; somou mais do que os 22 maiores bancos no País, que lucraram 21,4 bilhões de reais. Portanto, a riqueza do País é destinada a um grupo pequeno de empresas. E os pobres continuam pobres. No Brasil apenas sobrevivem monopólios, oligopólios, cartéis, os que têm incentivos fiscais, e também os sonegadores. O Estado brasileiro, enquanto cresce, toma mais dinheiro da sociedade. Pois esse modelo perverso se esgotou. Aliás, trata-se de uma avaliação não de um governo, mas da administração dos últimos 4 anos do regime militar e dos 21 anos da chamada Nova República. Este modelo infelicita a Nação brasileira. Quem quer que seja o próximo Presidente da República – espero que seja Geraldo Alckmin, porque provou em São Paulo ter competência, dignidade e honradez – ele terá de mudar as bases, os fundamentos da nossa economia. É preciso que haja mudança de paradigma nos campos político e econômico. Está falido o presidencialismo imperial, o Parlamento com eleições unipessoais. Precisamos mudar esse sistema tributário iníquo, o nosso sistema judiciário, o nosso sistema educacional, que não oferece educação em período integral nem segundo grau e universidade aos nossos jovens. Abril de 2006 Temos, enfim, que mudar o País. Temos que fazer uma discussão de alto nível nos períodos eleitoral e pós-eleitoral, com um grande entendimento nacional. O Brasil precisa de um projeto de nação e de poder, para crescer e prosperar acima da taxa mundial. Entre as décadas de 1950 a 1980, a renda per capita do Brasil cresceu 4,39%. Nesses últimos 25 anos aumentou apenas 0.43%. Houve 90% de redução! Se tivéssemos continuado no mesmo ritmo, teríamos hoje metade do Produto Interno Bruto e da renda norte-americana; mas só temos um quarto. Esse é um erro estrutural, e isso precisa ser mudado com a participação da sociedade, trabalhadores, empresários, políticos. Enfim, todos devemos nos unir para realizar uma grande mudança nos anos vindouros. Era o que tinha a dizer. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao ilustre Deputado Inácio Arruda, para uma Comunicação de Liderança, pelo PCdoB. S.Exa. dispõe de 3 minutos na tribuna. O SR. INÁCIO ARRUDA (PCdoB-CE. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nesses dias de lacerdismo digitalizado, de República do Galeão também digitalizada, instalada na chamada “CPMI do Fim do Mundo” – muito apropriada a designação da CPMI no Senado da República –, solicito a V.Exa. a transcrição nos Anais da Casa de mensagem do Presidente da Agência Nacional do Petróleo, o ex-Deputado Haroldo Lima, a todos os colegas Deputados e Senadores, sobre correspondência ao editor do jornal Correio Braziliense. Sr. Presidente, não entrarei em detalhes sobre esta correspondência, porque o PCdoB não quer perder seu tempo tratando desse tipo de assunto. Não vamos fazer a onda de determinado tipo de mídia ou de jornalista. Nossa resposta é mais ou menos a seguinte: pode vir quente que nós vamos fervendo. É só testar. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, aproveito a oportunidade para fazer um registro sobre solenidade, realizada hoje, com caráter oficial, da Comissão de Anistia instalada no Ministério da Justiça. Na ocasião, vários processos de guerrilheiros mortos e de sobreviventes foram acolhidos, e se buscou reparar danos aos que tombaram no País enfrentando não as Forças Armadas, mas a direita brasileira, que golpeou o País, cerceou a liberdade, instalou o arbítrio e perseguiu democratas, socialistas, comunistas e todos aqueles que levantaram a voz para protestar e apresentar outra alternativa que não aquela que estava instalada em nossa Pátria. Na oportunidade, manifestaram-se Ronald Freitas, membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil, e a ex-guerrilheira Luzia Reis Ribeiro, uma Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS das sobreviventes, que terminou sua emocionada declaração com um trecho do poema de Bertold Brecht intitulado Aos que virão depois de nós: “Vocês que vão emergir das ondas em que perecemos, pensem Quando falarem das nossas fraquezas, nos tempos sem sol, de que vocês tiveram a sorte de escapar Quando chegar o tempo em que o homem seja amigo do homem Pensem em nós com um pouco de compreensão”. Sr. Presidente, solicito a V.Exa. que autorize também a transcrição nos Anais da Câmara dos Deputados dos depoimentos do Sr. Ronald Cavalcanti Freitas e da Sra. Luzia Ribeiro, para que fiquem registrados para sempre na história de nossa Pátria. Espero que, o mais brevemente possível, possamos passar a limpo esse episódio da vida do nosso País. Muito obrigado. DOCUMENTOS A QUE SE REFERE O ORADOR: Caro deputado e amigo, O Correio Braziliense, em sua edição de domingo passado, trouxe, com grande destaque, uma matéria intitulada “Caixinha Vermelha”, na qual supostamente revela pressões que a ANP teria feito a empresários para que os mesmos comprassem, em outubro do ano passado, convites de jantar para ajudar a financiar o Xl Congresso do PCdoB. Incontinenti, encaminhei ao Correio uma carta demonstrando a total falsidade de tudo que na matéria é afirmado como ato ilícito da ANP ou de seu Diretor-Geral. Em respeito ao caro amigo, independente de opiniões políticas mais ou menos diferenciadas que tenhamos, dou-lhe conhecimento do teor da carta que escrevi ao Correio. Permito-me acrescentar que, em minha opinião, dita matéria, total e cabalmente mentirosa na suposta “denúncIa” que levanta, faz parte desse clima deprimente que se procura criar no pars, onde valores éticos e morais estariam sendo generalizadamente desrespeitados por todos os que atuam em órgãos de Estado, no serviço público e na esfera politicopartidária. Planejam alguns, atingir especificamente àqueles que compõem as forças coligadas ou próximas que receberam o apoio do povo nas eleições de 2002. Não é por outra razão que a matéria do Correio, logo em seu segundo parágrafo, acentua ser “o PCdoB, uma das legendas da Quinta-feira 13 19125 aliança que garantiu a vitória do Presidente Luis lnácio Lula da Silva nas eleições de 2002”. Informo que encaminhei no dia seguinte à redação do Correio a carta em anexo, pedindo que fosse publicada como direito de defesa, na forma da legislação em vigor. E que, se tal não acontecer, estarei tomando as providências jurídicas cabíveis. Com a atenção. – Haroldo Lima, Diretor-Geral da ANP. Rio de Janeiro, 10 de abril de 2006 A Sua Senhoria o Senhor Oswaldo Buarim Jr. Editor do Correio Braziliense SIG, Quadra 2, Lote 340 Brasília, DF / 70.610-901 Sr. Editor, Seu jornal publicou ontem, com especial destaque, matéria com o título “Caixinha Vermelha”. A minha foto, com a indicação de ser “vice-presidente do PCdoB”, abria a matéria. Teria sido descoberto uso da estrutura da ANP, pelo “vice-presidente do PCdoB, que dirige a ANP”, para pressionar empresários do setor petrolífero a comprar convites para jantares que levantariam fundos para o Partido. Essa “denúncia”, inteiramente vazia, mas elaborada talvez com um pouco mais de cuidado, foi publicada na Folha de S. Paulo de 29 de setembro do ano passado. Agora, sete meses depois, ela está sendo, na linguagem jornalística, “requentada”. Quando a Folha fez a “denúncia”, redigi despacho para a Corregedoria da ANP abrir Sindicância. A Sindicância foi feita e apurou que não havia nada. Das três empresas citadas pela Folha como tendo recebido pressões para compra de convites, duas negaram o fato pela própria Folha e outra em documento encaminhado à direção da ANP e daí à Sindicância. A matéria anuncia, com alarde, que “Haroldo Lima, vice-presidente do PC do B, dirige a ANP”. E, no entanto, eu não sou vice-presidente do PCdoB. Ademais, diz, no que seria a denúncia mais forte da matéria: “O PCdoB detêm a maioria dos cargos importantes da ANP’. O organograma da Agência, acessível no seu site, mostra “os cargos mais importantes” da Agência: cinco diretores, um secretário-executivo e quinze superintendentes, vinte e um no total. Desses, membro do PCdoB, só há um, eu próprio. Finalmente, quando prepara-se para listar os empresários que teriam sido “convencidos a contribuir com a arrecadação de fundos para o partido”, a matéria do Correio logo impressiona: “os exemplos são muitos”. E imediatamente dá o primeiro exemplo, o de uma entidade que, segundo o próprio Correio, infor- 19126 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS mou ter “comprado convites” a pedido de uma parlamentar, que nada tem com a ANP. Ou seja, o primeiro exemplo não existiu. Logo vem o segundo exemplo, o de um empresário cuja matéria adverte que “pede o anonimato”, ou seja, o segundo exemplo não tem nome, nem nada. E quando se esperava que fosse aparecer algum outro exemplo, dos “muitos” que existiam, muda-se o assunto, vai-se atrás de uma reunião que teria ocorrido há mais de um ano em São Paulo e com a qual a ANP não tem nada. A matéria registra declaração supostamente confirmadora da “denúncia”, a única por sinal, do Presidente do Sindigás, Sindicato das Distribuidoras de Gás, Sérgio Bandeira de Mello. O referido acaba de protocolar na ANP carta na qual declara “enorme descontentamento” ao ver matéria”que tenta macular a imagem de V. Sa. à frente da ANP” e, “ainda mais, tenta inserir a mim e ao Sindigás, entidade a qual presido, em uma rede de intrigas e maledicências.” Sr. Editor, A matéria com grande destaque divulgada pelo seu jornal no dia de ontem é falsa, leviana e irresponsável, como demonstrei acima. Faz parte do clima que se quer criar em nosso país, de que tudo é feito de forma escusa, a serviço de interesses sórdidos e onde bom é o órgão de imprensa que lança suspeitas em profusão, com o maior alarde, pouco se importando se são mentirosas ou não. Espero que V. Sa., cumprindo a legislação em vigor, publique essa minha defesa. Com indignação. – Haroldo Lima Com cópia Dara: • Corregedor-Geral da União • Ministro de Minas e Energia • Ministra da Casa Civil • Diretoria da ANP INTERVENÇÃO NO JULGAMENTO DO PROCESSO DE ANISTIA DOS GUERRILHEIROS DO ARAGUAIA. 1 – Esta sessão da Comissão de Anistia no dia de hoje é cheia de simbolismo. No longínquo 12 de abril de 1972 iniciava-se a heróica resistência de um punhado de jovens brasileiros, que, cheios de amor pelo seu povo e por sua pátria, pegaram em armas, já que outros caminhos lhes era negado. Lutaram emdefesa do direito de viver com dignidade, de pensar livremente e poder expressar esses pensamentos e, objetivo maior, de lutar para transformálos em ação dignificante do país e do nosso povo. A história nunca os esquecerá e por isso eles não morreram em vão, eles estão presentes no cotidiano Abril de 2006 da luta de nosso povo, por meio de seu exemplo de: patriotismo, desprendimento, altruísmo e coragem. Nesta sessão, não tento dúvida, far-se-á justiça a esses homens e mulheres, que souberam honrar suas famílias e o seu país. Far-se-á justiça porque será o reconhecimento de que eles eram combatentes políticos, defensores de uma causa nobre que a história comprovou correta. E ao fazer-se justiça, se reafirma mais uma vez, a lição que nos foi legada pela mitologia grega, imortalizada no clássico de Sófocles, ANTIGONA, onde se aprende que o ‘justo’ é aquilo que corresponde aos mais profundos e nobres impulsos do ser humana, e não aquilo que é imposto por um governo, por mais poderoso que momentaneamente seja. Reportemo-nos, mesmo que brevemente, às circunstancias políticas que vivia nossa pátria naquele então. Vivíamos os anos da mais longa e cruenta ditadura que a nossa breve história republicana registra (1964/1985). Eram os anos de chumbo. Não existiam liberdades políticas, as lutas democráticas e sociais dos operários, dos camponeses, dos jovens estudantes, dos partidos políticos independentes da tutela governamental, eram consideradas subversão da ordem. A sociedade se viu privada de canais de mediação política modernos, como partidos políticos, sindicatos e quaisquer outros tipos de organizações sociais independentes e autônomas. Vivíamos em um regime de terrorismo de estado, imposto ao país por uma elite retrógrada e seus agentes, em nome da ‘democracia e dos valores da civilização ocidental’. Não podemos deixar de nos referir ao poeta. Liberdade, quantos crimes se comete em teu nome. E foi contra essa situação, esse “estado de coisas”, que esses bravos jovens se levantaram, e ousaram lutar, com os meios que a época histórica e as circunstâncias políticas exigiam. Nesta sessão, senhores conselheiros, ao se fazer justiça a esses lutadores do povo, reconhecendo seus direitos, se estará reparando uma profunda injustiça cometida contra eles e contra o país. E ao agir assim, os senhores estarão sendo a demonstração viva da capacidade de regeneração do próprio Estado, que estará se mostrando capaz de superar erros e também se mostrando maior e mais importante que eventuais governos que se considerem maior que a história e a vida. Nesta sessão, por meio deste julgamento, se estará também consagrando e dignificando o papel da sociedade civil organizada, que é um importante compoliente do Estado, e que de forma independente, persistente e obstinada, abraça causas muitas vezes consideradas impossíveis, mas que, pela sua justeza intrínseca, sempre se tornam vitoriosas, por mais que Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS se prolate no tempo o desfecho de suas demandas. As causas hoje em julgamento nesta comissão, são a comprovação viva dessa assertiva. Essas reflexões sobre dias passados não são mero exercício de retórica, ou de abstracionismo estéril. São a manifestação de profunda convicção de que a história, é um seguro guia do presente e do futuro, desde que seja vista como uma luz a iluminar os caminhos individuais e coletivos da construção da felicidade pessoal e da prosperidade dos povos e nações, e não como um desfilar de fatos estanques e desconexos. II – Mas, se ontem foi a resistência, luta e sacrificio de tantos brasileiros, como no Araguaia e Trombas, que garantiram os dias de liberdade e afirmação soberana atuais, hoje novos desafios são postos com o mesmo conteúdo, e estão a nós exigir discernimento e coragem para vencê-los e superá-los. Hoje, no alvorecer de um novo século e de um novo milênio, vive o nosso país uma experiência política e social singular. O fim da guerra fria, o estabelecimento no mundo do hegemonismo absoluto, em todos os terrenos – do político ao econômico, do diplomático ao cultural, do militar ao científico – pelos Estados Unidos da América, cria urna situação nova na luta do povo brasileiro para construir uma pátria soberana, desenvolvida e socialmente justa. Luta muito complexa e de largo significado histórico, que exigirá a participação de todos os brasiieiros, comprometidos com o passado, o presente e o futuro do nosso país. Essa nova situação internacional é, provavelmente, a mais séria ameaça já sofrida pelas nações soberanas do mundo, O Estado Americano do Norte não respeita regras e normas internacionais, quando se trata de impor o seu dictat aos povos. Os recentes acontecimentos do Iraque são provas irrefutáveis dessa assertiva. Paira sobre os povos e nações livres do mundo, uma ameaça de recolonização. Como parte da luta e resistência de nosso povo a essa situação, incere-se a eleição de Lula à presidência da república em 2002. Pela primeira vez, um conjunto de forças políticas de feição progressista e de caráter de centro-esquerda elege um Presidente da República, de origem humilde, torneiro-mecânico de profissão, sendo membro de um partido político considerado de esquerda radical, o PT, e o mais ‘exótico’, tendo como aliado de primeira hora o Partido Comunista do Brasil. Após décadas, volta ao governo do país um conjunto de forças políticas democráticas, progressistas e de esquerda, deslocando deste espaço as elites tradicionais, nacionais e estrangeiras, que, conservadoras e preconceituosas como são, tudo procuram fazer para Quinta-feira 13 19127 que seus “legítimos representantes” voltem aos postos de mando da república. Essas elites se comportam de forma recorrente, com relação aos métodos de manutenção do poder, quando sentem que seus interesses de fundo são ameaçados, mesmo que estejam auferindo gordos lucros nos seus negócios cotidianos. Lembremo-nos dos anos de 1950, quando feroz campanha oposicionista levou Getúlio Vargas, então Presidente da República, ao suicídio. Ou a oposição também feroz e sem limites que sofreu Juscelino durante seu governo, ou ainda, a desestabilização e posterior deposição de João Goulart, em 1964, que gerou a situação política que hoje estamos parcialmente redimindo. Hoje, diante de uma nova situação nacional e internacional, essas mesmas elites mudam um pouco os instrumentos de desestabilização, mas continuam com os mesmos objetivos: afastar do governo segmentos sociais que não lhes sejam totalmente dóceis. III – Nos anos 60/70 do século passado, Trombas e Formoso, Araguaia, e outras batalhas, foram a expressão da luta necessária e possível que foram heroicamente travadas, mas não plenamente vitoriosas. Hoje continuamos a lutar para conquistar aqueles objetivos, pois os problemas que os determinam se mantêm vivos a exigirem solução. Assim podemos afirmar, não só que as lutas travadas naqueles anos, dentre as quais se destaca a resistência do Araguaia, não foram em vão, mas que elas continuam, O Araguaia continua. Continua na luta em defesa da ampliação e radicaLizão da Democracia Representativa em nosso país, para que o mister político não se transforme na arena de disputa onde o dinheiro seja o fator determinante do êxito. Continua na defesa da Soberania Nacional, que está a exigir de todos nós uma luta decidida contra as investidas do hegemonismo americano. Pois a Soberania, considero, é o valor maior para que exista um Estado Brasileiro próspero e justo. Continua na necessidade de construir um país Desenvolvido e Socialmente Justo, compatível com nossas necessidades, e absolutamente possível de ser realizado. 1V-Senhores conselheiros, senhoras e senhores, familiares dos perseguidos políticos que pleiteiam reconhecimento de seus direitos, permitam-me que no encerrar dessas palavras, preste uma sentida e comovida homenagem, em nome do Partido Comunista do Brasil, e no meu próprio à, D. Julieta Petit da Silva, lutadora e guerreira, mãe de família que teve três de seus filhos caídos no campo de glória da luta libertária do Araguaia. D. Julieta, a senhora é muito justamente um símbolo da resistência e luta do povo brasileiro. Generosa, Corajosa, Determinada e Persistente, na 19128 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sua justa luta por ver a memória e os direitos de seus filhos estabelecidos e respeitados. Foi vitoriosa, como um dia o povo brasileiro também o será. Tenha certeza, que junto com os demais, os nomes de seus filhos estarão para sempre escritos na história, na memória e no coração do Brasil e dos brasileiros. Ao homenageá-la, homenageamos todos aqueles que com sua luta contribuíram para que o Brasil vivesse em clima de liberdade política e social, e dessa maneira tivesse melhores condições de construir um futuro soberano, democrático, desenvolvido e socialmente justo. Sala das Sessões, 12 de abril de 2006. – Ronaldo Cavalcanti Freitas. DEPOIMENTO DE LUZIA REIS RIBEIRO POR OCASIÃO DO JULGAMENTO DE SEU PROCESSO NA COMISSÃO DE ANISTIA, EM 12 DE ABRIL DE 2006 Senhor Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justica, nobres Conselheiros, todos os participantes deste trabalho grandioso de resgate da nossa história e dos direitos dos oprimidos, senhoras e senhores presentes neste auditório. 1. É com emoção que elevo em destaque o mais importante benefício que estamos a receber: o reconhecimento público pelo Estado brasileiro de que não somos “bandidos”; mas sim patriotas, cidadãos brasileiros (estudantes, profissionais liberais, operários e camponeses) que, imbuídos por ideais revolucionários, à época do regime militar desejavam transformar uma sociedade injusta e autoritária em um país onde a liberdade de expressão e organização, bem como a distribuição da riqueza, fosse para todos. 2. A Guerrilha do Araguaia, cuja preparação iniciou-se desde 1967 – e em 1975 foi declarada como extinta pelas Forças Armadas –, foi uma resistência de patriotas que escolheram esta forma de luta porque naquela época esgotaram-se todas as demais. A ditadura perseguia, prendia, torturava e matava a quem se opusesse ou ousasse divergir. As entidades de classe e os setores sociais não tinham como interferir nos seus destinos. 3. Uma outra alternativa seria fingir-se de morto e ficar indiferente às mazelas do poder ditatorial. Para os que queriam seguir na luta pelos ideais de liberdade e construção de uma nova sociedade cabia a opção por outros caminhos. Um deles foi a resistência armada na região do Araguaia. 4. O PCdoB, indicava no seu Programa que, naquela conjuntura, o caminho para a conquista da democracia e transformação social passava pela conjugação de várias formas de luta, inclusive a armada. Abril de 2006 5. Perseguidos, sem condições de partictpar da vida política nos centros urbanos, fomos viver na clandestinidade na região Sudeste do Pará. Integrados com a população e conhecendo suas necessidades, elaboramos um programa de ação, também chamado “dos 27 Pontos”, para nortear nosso trabalho de organização do povo pela defesa de seus direitos. 6. Proclamou-se a “União pela Liberdade e pelos Direitos do Povo – ULDP” também conhecida como “MLP – Movimento pela Liberdade do Povo”. 7. Em 12 de abril de 1972, fomos atacados militarmente pelas Forças Armadas e instalou-se um estado de guerra desigual, sem lei e respeito humano, e de uma violência irracional contra todos os que viviam nesta região. A tortura foi o instrumento para se obter informações. Queimaram as roças, expulsaram, prenderam e torturaram moradores. Presente se encontra, entre outros lutadores, Otacílio Alves – que, barbaramente torturado e devido aos suplícios, ficou incapacitado. Os sobreviventes aqui representados, podem testemunhar o horror que todos passamos. 8. Os patriotas e democratas que lá viviam com os antigos moradores, tirando do trabalho na produção o seu sustento, foram cercados e exterminados, cabeças foram cortadas e corpos mutilados, muitos já prisioneiros e desarmados. Aqui presente se encontra D. Julieta, mãe de Jaime Petit da Silva, um dos seus três filhos executados, e a viúva de Jaime, Regilena Petit – que relatou a mutilação do seu marido. 9. Hoje, 12 de abril, 34 anos após o início da Guerrilha do Araguaia, os guerrilheiros continuam vivos na memória do povo daquela região. Fatos e lendas são contados e repassados de pais para filhos sobre a sua heróica façanha. Entre outras homenagens, em Porto Franco, um Centro Cultural e um Hospital têm o nome de seu querido e inesquecível médico o combatente Dr. João Carlos Haas; o município de São Domingos do Araguaia (à época, São Domingos das Latas) carrega em seu símbolo as armas dos guerrilheiros. 10. Nós, sobreviventes, prisioneiros na primeira campanha, sofremos brutais torturas, com sequelas e tra umas profundos na nossa vida até hoje. Alguns deles, comparecem aqui diante dos senhores: Danilo teve grave traumatismo craniano, Regilena até hoje precisa de apoio profissional no terreno emocional, eu mesma fiquei em estado de choque por um longo tempo, fazendo tratamento, sem poder trabalhar nem estudar, e somente consegui falar do assunto quase 20 anos depois. Minha participação iniciou-se em 1967, ainda estudante secundarista, como presidente do Grêmio da escola, prosseguiu posteriormente na Universidade federal da Bahia como membro do diretório do curso Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS de Ciências Sociais e, dedicando-me ao ensino, tive que abandonar minha condição de professora estadual em meados de 1971. A residência dos meus pais fora invadida e vigiada por agentes federais, impedindo que eu dormisse em casa. Nos últimos meses fui acolhida pelo Convento de freiras amigas, onde fiquei até decidir-me a viver no campo – onde se desencadeou a resistência armada. Pleiteamos energicamente nesta sessão histórica da Comissão de Anistia que a Lei nos reconheça como cidadãos que enfrentaram o arbítrio e a brutalidade do Estado àquela época. Peço ainda vossas atenções para citar um trecho do poema “aos que virão depois de nós” de Bertold Brecht: “Vocês que vão emergir das ondas em que perecemos, pensem. – Quando falarem das nossas fraquezas, nos tempos sem sol, de que vocês tiveram a sorte de escapar. – Quando chegar o tempo em que o homem seja amigo do homem. Pensem em nós com um pouco de compreensão.” Muito Obrigada! O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) – Concedo a palavra ao Sr. Deputado Walter Barelli. O SR. WALTER BARELLI (PSDB – SP. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a democracia se fortalece com a participação da sociedade. E participação se faz com engajamento. Um grande exemplo de instituição engajada na luta por valores caros à democracia é a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. Mais uma vez essa instituição se insere de maneira positiva no processo político, ao publicar o documento Eleições 2006 – Orientações da CNBB. Trata-se de uma importante contribuição para que os cidadãos eleitores e candidatos possam exercer seus direitos políticos fundamentados na ética cristã. Como bem lembra o documento, aos eleitores cabe a responsabilidade de escolher aqueles que considerem mais habilitados para promover a dignidade da pessoa humana ao longo de sua vida. Aos eleitos, por sua vez, cabe exercer sua função de modo a servir a comunidade que o elegeu. O Papa Bento XVI, aliás, em sua recente encíclica, declara que a política tem por dever promover a justa ordem do Estado e da sociedade. Paulo VI entendia a política como uma das mais altas expressões da caridade cristã, como lembra a CNBB em seu documento. Quinta-feira 13 19129 De fato, a Igreja Católica tem uma função fundamental no processo político: contribuir para prover a comunidade de formação ética para separar o joio do trigo e, assim, evitar que pessoas descompromissadas com o ideal de serviço ao povo sejam elevadas aos postos de comando de nosso País com seu próprio voto. Sr. Presidente, em outra oportunidade, denunciei que, de acordo com o Barômetro Global de Corrupção, cerca de 5% do Produto Interno Bruto do Brasil era drenado do caixa do Governo por meio de corrupção. Em termos atuais, isso significa aproximadamente 95 bilhões de reais. Chega de corrupção! Nesta eleição, teremos mais uma oportunidade para nos libertarmos de vez desse mal que impede a realização de todo o imenso potencial do povo deste País. A solução para esse grave problema passa, necessariamente, pela urna. Mas, sem dúvida, não termina no momento em que o voto é depositado. É um processo permanente de ver, julgar, agir e rever. Sr. Presidente, a CNBB quer um Governo com atitudes diferentes para o Brasil. Por isso, propõe o que chama de grandes opções de um novo projeto de Nação, cujas principais diretrizes são as seguintes: democratização do Estado e ampliação da participação popular; revisão do modelo econômico e do processo de mercantilização da vida; ampliação das oportunidades de trabalho; fortalecimento das exigências éticas em defesa da vida; reforço da soberania da Nação; democratização do acesso à terra e ao solo urbano; proteção ao meio ambiente e à Amazônia. A CNBB vai mais longe, Sr. Presidente. Propõe critérios para a escolha dos candidatos, cujos principais parâmetros são a honestidade e a trajetória de luta pelos interesses da coletividade. O voto do eleitor consciente deve ser dado ao candidato que contribua para a construção de modelos de desenvolvimento baseados em pequenos projetos, adaptados às múltiplas realidades locais e harmonizados com os diferentes ecossistemas brasileiros. A CNBB também orienta que as comunidades cristãs organizem-se em grupos e que analisem e discutam os posicionamentos e propostas dos candidatos. Esses grupos devem ser mantidos após as eleições para fazer seguir o cumprimento do programa apresentado pelo candidato ganhador. A CNBB aprendeu com as últimas eleições. 19130 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS É dessa maneira que se promove a cidadania. Assim, Sr. Presidente, aproveito esta oportunidade para congratular-me com a CNBB pela publicação do documento Eleições 2006 – Orientações da CNBB e por seu engajamento no processo político, à qual eu me junto na luta contra a corrupção e a favor da construção de um Brasil mais humano e mais cristão. Muito obrigado. O SR. JAIR BOLSONARO (PP – RJ. Sem revisão do orador.) – Sr. Deputado Walter Barelli, é sempre uma satisfação ouvir V.Exa., pessoa que conheço há aproximadamente 15 anos. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, há muitos temas importantes para discutir: política de controle da natalidade, sem a qual pouco sobrará para nossa juventude, no futuro; redução da menoridade penal; questões relacionadas à Amazônia, a solução para nós e para o mundo, que hoje em dia é problema; grandes reservas minerais; biodiversidade; água potável; gás; e o cobiçado espaço vazio, reservas que ultrapassam 1 trilhão de dólares. O Congresso Nacional é obrigado a discutir esses assuntos. O PT tem de aprender uma coisa, ou melhor – já que há estudantes nas galerias –, o PT não é afeto à educação, a aprender nada, mas tem de decorar: menos vezes menos, em matemática, dá mais; mentira com mentira, na política, não dá verdade, mas sim confusão, violência, corrupção, enfim, o subproduto que é o PT atual. Todos os jornais de hoje, sem exceção, estamparam como manchete principal a denúncia da Procuradoria-Geral da República sobre a existência de uma quadrilha no Governo Federal. Dizem algumas linhas de O Globo que José Dirceu e 3 outros ex-dirigentes petistas que integravam o núcleo político partidário do esquema são acusados de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Formação de quadrilha, para mim, não é novidade. Esse pessoal, antes de 1964 e durante todo o regime militar, formou uma grande quadrilha para desestabilizar os governos de então. Muitos dos que estão no Poder praticaram assaltos, seqüestros, roubos, assassinatos, execuções, atos de terrorismo. Muitos ficaram chocados quando, há alguns anos, o Embaixador Sérgio Vieira de Mello morreu pela explosão de um carro-bomba em Bagdá, no Iraque. E poucos sabem da história do soldado Mário Cosel Filho, recruta do Exército brasileiro, filho de pessoas pobres, morto por um carro-bomba lançado ladeira abaixo pelos que hoje estão no Poder e que tiveram como mentor José Dirceu. Poucos se esqueceram do seqüestro, da tortura bárbara e da execução de Alberto Mendes Júnior, Abril de 2006 1º Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo, quando o fizeram engolir seus próprios órgãos genitais. Esse ato de terrorismo foi obra da esquerda, que a História, até o momento, ainda não trouxe a público. Brevemente, se Deus quiser, o fará, porque a mentira do PT não pode vigorar por tantos anos! Os servidores públicos, os principais cabos eleitorais do PT por 20 anos, já entenderam sua mentira. Quando os petistas assumiram o poder, fizeram, como primeiro ato, a reforma da Previdência e executaram os servidores públicos da União. Lula muito compara seu Governo com o anterior. Gostaria que comparasse seus 4 anos com qualquer um dos governos militares – Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo. Desafio, desde já, que apontem uma só grande obra deste Governo! E tenho até centenas para mostrar, feitas durante o nosso regime militar. Esses do PT sempre se escudaram no manto de perseguidos políticos para encobrir seus assassinatos, roubos e atos de terrorismo. A Ministra Dilma Rousseff praticou assalto à mão armada em 1968. Juntamente com outra pessoa, foi à casa de uma senhora no Rio de Janeiro, tida como amante do então Governador Adhemar de Barros, e roubou 2 milhões e 600 mil dólares. Querem esperar o que de um Governo cujos membros são assaltantes, seqüestradores, ladrões de toda ordem? Querem ações diferentes das que acontecem hoje? Os senhores já ouviram falar em Lei de Anistia? Para que serve? Para assaltar o contribuinte, para indenizar os bandidos em até 3 milhões de reais e conceder a alguns pensões de até 20 mil reais por mês, sem desconto de Imposto de Renda. Há pouco, o Deputado Eduardo Valverde criticou o PSDB. Eu fiz oposição ao PSDB. Até disse – e fui processado por isso – que Fernando Henrique Cardoso deveria ter sido fuzilado pela maneira como conduziu o destino do País. O Parlamentar se referiu ao dinheiro remetido ao exterior pelas contas CC-5; só que se esqueceu de dizer que o Deputado José Mentor, do PT de São Paulo, foi o Relator da CPI que apurou desvios de 100 bilhões de reais. A Comissão, graças ao trabalho de José Mentor, que agora está sendo processado como “mensaleiro”, ajudou a que se transformasse tudo numa grande pizza. Sr. Presidente, faço uma homenagem aos militares e civis de bem do regime militar. Lamento profundamente a quadrilha, como estampam as manchetes de todos os jornais, que toma conta do Brasil neste momento. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Durante o discurso do Sr. Jair Bolsonaro, o Sr. Inocêncio Oliveira, 1º Secretário, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Átila Lins, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Átila Lins) – Concedo a palavra ao Sr. Deputado Zico Bronzeado. O SR. ZICO BRONZEADO (PT – AC. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Átila Lins, querido amigo e conterrâneo, Sras. e Srs. Deputados, fomos surpreendidos, não só eu mas toda a Casa, com as palavras até louváveis do titular da Procuradoria-Geral da República. Temos de lembrar que o Procurador-Geral da República, no Governo anterior, era apelidado de “engavetador-geral da República”. Surpreende-me que o Ministério Público tenha dado informação cabal à Nação. Sabemos que a CPMI dos Correios passou 10 meses investigando fatos, ouvindo depoimentos, mas há dúvida em todo o processo. O Ministério Público, com certeza, também estava investigando, e fez uma denúncia à Justiça. O Procurador-Geral surpreendeu-nos ao afirmar que há uma quadrilha no PT. No mínimo, S.Exa. faltou com cuidado ao fazer tal declaração. Quando se está investigando, não se podem colocar todos no mar da corrupção. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, povo brasileiro, as pessoas deveriam ter cuidado ao citarem o Partido dos Trabalhadores como corrupto. O PT tem 1 milhão de filiados e milhões de simpatizantes. Por isso devemos separar o joio do trigo. Nós, filiados, sentimonos ofendidos quando todos somos acusados de fazer parte de uma quadrilha. Sr. Presidente, temos ex-companheiros sendo julgados, mas alguns poderão ser isentados de fazer parte dessa quadrilha a que se refere o ProcuradorGeral da República. E, ao citar que se deve ter cuidado, não quero tapar o sol com a peneira, pois fui o primeiro Deputado do PT, pelo Acre, a pedir providências sobre o assunto. Basta acessar o meu site: zicobronzeado. org para ler uma carta que redigi ao meu partido sob o título “De coração”. Não aceito que haja corruptos no meu partido. Não aceito que haja uma quadrilha no meu partido. Quero respeito por aqueles que não fazem parte de quadrilhas, por aqueles que têm uma história limpa de lutas por igualdade social, como nós, do PT. Não concordo com o Deputado Jair Bolsonaro, meu colega de Parlamento, quando S.Exa. diz que o PT não se preocupa com educação. O PT do Acre está formando todos os professores de nível médio, os das zonas rural e urbana, por meio do Programa Universidade para Todos, parecido com o Luz para Todos. Quinta-feira 13 19131 Em uma sessão anterior, eu disse que daqui a 2 anos um seringueiro que mora em uma casa à semelhança das casas feitas de taipa terá um diploma de doutor em alguma coisa dependurado na parede, como a cultura permite. O nosso Governo, que é do PT, Presidente Átila Lins, vai formar, em parceria com a Universidade Federal do Acre, todos os professores da rede municipal e estadual, o que revela que o Partido dos Trabalhadores tem, sim, compromisso com a educação. O Partido dos Trabalhadores fez, sim, mais do que fizeram os governos anteriores e está permitindo que esta Casa e os governos sejam passados a limpo; está permitindo ao Procurador-Geral da República colocar em dúvida o partido que está no Governo, o que nos dá tranqüilidade, porque nós somos diferentes daqueles que governaram na gestão anterior. Nós somos diferentes. Do contrário, teria sido implodida uma CPI, como na época do Sr. Fernando Henrique Cardoso, já que Deputados do meu Estado renunciaram por terem vendido seu voto para aprovar a PEC da reeleição de Fernando Henrique. Isso, por si só, é uma resposta àqueles que dizem que o PT não é diferente! Era o que tinha a dizer. O SR. GILMAR MACHADO (PT – MG. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, 2 assuntos me trazem à tribuna nesta tarde. Em primeiro lugar, novamente quero agradecer ao Presidente Lula, ao Ministro Fernando Haddad, ao ex-Secretário-Executivo Jairo Jorge e ao atual Secretário, José Henrique Paim, a possível parceria com a Universidade Federal de Uberlândia. Em tempo, cumprimento e saúdo o Reitor Arquimedes Ciloni por ter permitido que a Universidade Federal de Uberlândia, onde tive a oportunidade de estudar, rompesse os muros da cidade para ter campus em Ituiutaba. Conseguimos incluir o campus Pontal, em Ituiutaba, no processo de expansão. Por isso, agradeço ao Ministro da Educação e ao Presidente Lula a possibilidade de ampliarmos a oferta de ensino público gratuito e de qualidade na região. Foi implementado o padrão UFU naquele Município. Num primeiro momento, mais de 2 mil estudantes terão oportunidade de usufruir de um ensino público gratuito e de qualidade. Isso vai permitir que Ituiutaba se transforme num centro de desenvolvimento tecnológico, numa cidade universitária, o que para nós é fundamental. Senti grande satisfações na segunda-feira, ao lado do Reitor da UFU e do Deputado Estadual Ricardo Duarte, que há muito tempo vem batalhando, juntamente com outras pessoas, pela inclusão dessa obra no Plano Plurianual, depois na LDO e agora no 19132 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Orçamento, para que pudéssemos ter o campus Pontal da Universidade Federal de Uberlândia, na cidade de Ituiutaba. A publicação das portarias para a contratação dos professores é uma demonstração de que este Governo tem compromisso com a educação, com a expansão de vagas públicas. Durante os 8 anos do Governo Fernando Henrique, do PSDB e do PFL, apenas 1 universidade foi aberta no Brasil: a Universidade Federal do Tocantins, inaugurada em agosto de 2002, mas que só começou a funcionar em janeiro de 2003, já no Governo do Presidente Lula. Mas não vou discutir isso. Durante o Governo do Presidente Lula, mais de 8 universidades e 39 campi universitários de expansão foram abertos, numa demonstração do compromisso com a educação. Além disso, o Presidente Lula revogou o decreto do então Presidente Fernando Henrique, do Governo do PSDB e do PFL, que proibia a abertura de escolas técnicas, agrotécnicas e centros tecnológicos. Acabou a era do PSDB e do PFL de proibir o funcionamento de escolas públicas para favorecer as escolas particulares. Agora, no nosso Governo, com o decreto revogado, 25 escolas técnicas e agrotécnicas estão sendo abertas, a fim de atender aos jovens que desejam a profissionalização. Este é um Governo comprometido com escola pública de qualidade para os jovens. Essa é uma mudança de comportamento. Em segundo lugar, abordo outro tema importante. Ontem, assisti a entrevista do Procurador-Geral. Já havia tomado conhecimento do assunto desde o dia 30, quando S.Exa. enviou denúncia contra alguns companheiros do Partidos dos Trabalhadores. E ele o fez para que essas denúncias sejam apuradas. Nós , do PT, queremos a apuração. E esses companheiros terão oportunidade de demonstrar na Justiça o que ocorreu ou deixou de ocorrer. Agora, vai-se fazer de fato justiça. Quem cometeu erros será punido. Defendemos a punição, mas esperamos que a Justiça absolva as pessoas que nada têm a ver com a questão do mensalão. O Procurador disse não haver elemento capaz de justificar ação penal contra o Presidente Lula. S.Exa. tem cumprido rigorosamente seu mandato. Quando fica sabendo de alguma coisa, manda investigar, não foge, não se omite. Acabou a era do Governo do PSDB e do PFL, que escondia tudo. Aliás, o ex-Procurador-Geral Geraldo Brindeiro arquivava todos os processos. Neste Governo, não acontece isso. A Polícia Federal e o Ministério Público têm liberdade para atuar e fazer suas representações. O Presidente Lula e o PT não têm medo, não se escondem. O PT é claro, quer que tudo seja investigado. Esperamos Abril de 2006 que ocorra a mesma coisa com essa nova denúncia. Em Brasília, não arquivamos CPI, não damos vestido de presente para abafar CPI nem dinheiro da Nossa Caixa para sepultá-la. Em Brasília, investiga-se e se apura tudo. Essa é a diferença do PT para alguns que querem posar de bonzinhos, como a família ACM, da Bahia, que fraudou o painel no Senado. Nós não somos iguais a eles, somos diferentes. E vamos continuar demonstrando isso. Muito obrigado. Durante o discurso do Sr. Gilmar Machado, o Sr. Átila Lins, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Luiz Couto, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao Sr. Deputado Átila Lins. O SR. ÁTILA LINS (PMDB – AM. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em Manaus, a questão fundiária, principalmente na área urbana, que se agrava a cada dia em todo o Brasil, caminha para uma solução definitiva. O Governo do Estado do Amazonas e a Prefeitura de Manaus, por decisão do Governador Eduardo Braga e do Prefeito Serafim Corrêa, decidiram colocar em prática programa de regularização de lotes de terras públicas ocupadas irregularmente há anos, o que vai beneficiar 45 mil famílias com baixa renda distribuídas por 18 bairros. O Governo do Estado está cadastrando 25 mil propriedades ocupadas sem o título de posse. Por seu lado, a Prefeitura de Manaus está regularizando terras ocupadas por 20 mil famílias. Todas elas vão receber a documentação que lhes dá a posse definitiva do lote ocupado. Até a burocracia foi deixada de lado. As famílias não estão precisando sair de casa. Os funcionários estão indo às casas fazer o cadastramento. O programa também atende aos microempresários dos bairros. Os lotes que ocupam irregularmente estão sendo regularizados. Na segunda fase do programa de regularização fundiária, os Governos do Amazonas e de Manaus vão dotar os bairros com serviços de saneamento básico, iluminação pública e calçamento das ruas. Portanto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, o que está acontecendo na cidade de Manaus é uma demonstração de que, quando os governantes querem, deixam de lado suas eventuais divergências político-partidárias e vão atrás de soluções para os problemas da população, principalmente para o que envolve a moradia. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O que está ocorrendo em Manaus tem de servir de exemplo para a administração de outros Estados e cidades. Segundo estimativa do Ministério das Cidades, 12 milhões de famílias vivem em lotes urbanos irregulares. Quero cumprimentar o Governador Eduardo Braga e o Prefeito Serafim Corrêa por darem solução a um dos problemas que mais afligia as famílias de baixa renda de Manaus, que, a partir deste ano, vão poder dizer que são donas dos lotes onde moram. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero ainda manifestar um agradecimento ao Presidente Lula. Fizemos desta tribuna reiterados apelos ao Ministro da Educação e também encaminhamos expediente à Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Sra. Dilma Rousseff, reivindicando implantação de campus avançado da Universidade Federal do Amazonas em Parintins e Itacoatiara. Esses são 2 dos maiores Municípios do Estado, e, numa avaliação inicial, ficaram de fora. O Governo determinou a implantação de 3 campi avançados, em Humaitá, Coari e Benjamin Constant, extremamente necessários, mas deixou de fora os 2 maiores Municípios do Estado, que precisavam de campus avançado da UFAM. O Presidente Lula, depois de ouvir nossas reiteradas reivindicações, feitas da tribuna e por meio de expediente enviado ao Ministério da Educação, e atendendo também a um apelo do Governador Eduardo Braga e do ex-Ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, determinou ao Ministro Fernando Haddad que implante, ainda em 2006, campus avançado em Itacoatiara e Parintins, dando, portanto, demonstração de sensibilidade aos apelos da classe estudantil desses Municípios, que não entendiam por que razão estavam de fora no que diz respeito à implantação desses campi. Por fim, Sr. Presidente, faço um registro sobre reunião que realizamos em Manaus com o Prefeito do Município de Itapiranga, José Nivalter Lima, com a Vice-Prefeita, Sulamita Almeida, com diversos Vereadores, tratando de assuntos daquele Município. No próximo sábado, o Governador Eduardo Braga, juntamente conosco e com o Deputado Estadual Belarmino Lins, estará em Itapiranga, inaugurando uma série de obras da administração municipal com recursos do Estado, do Governo Municipal e do Governo Federal. É importante a participação das autoridades de Itapiranga neste momento em que o Governo se junta a essa administração dinâmica do Prefeito Nivalter e de toda a sua equipe, para oferecer aos munícipes uma infra-estrutura capaz de fazer com que o Município Quinta-feira 13 19133 cresça, desenvolva-se e que a sua população tenha melhor qualidade de vida. Está feito, portanto, o registro nos Anais desta Casa sobre essa reunião em Manaus com a Maioria da Câmara, o Prefeito, a Vice-Prefeita, para tratar exclusivamente de assuntos referentes ao progresso do Município de Itapiranga. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao Sr. Deputado Wagner Lago. DISCURSO DO SR. DEPUTADO WAGNER LAGO QUE, ENTREGUE À REVISÃO DO ORADOR, SERÁ POSTERIORMENTE PUBLICADO. O SR. LUIZ ALBERTO (PT-BA. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho hoje a esta tribuna para fazer ecoarem as celebrações de 30 anos da Yalorixá Maria Stella de Azevedo Santos à frente do Ilê Axé Opô Afonjá. Quero parabenizar nossa Mãe Stella de Oxóssi, sua família, sua comunidade e todos que celebram essa data. E também quero, na pessoa de Mãe Stella homenagear todos os babaloxirás e yalorixás que seguem firmes em suas tarefas à frente de suas comunidades religiosas. Apesar da perseguição e de toda forma de violência que os cultos afros sofreram através da história do Brasil, as religiões afros sobreviveram. Apesar das agressões de setores religiosos que promovem a intolerância religiosa, as comunidades religiosas de matriz africana estão de pé e caminhando cada vez com mais altivez, como atesta a celebração que ora menciono. Nunca é demais, aliás, é imprescindível reafirmar a importância que as casas de culto afro têm para a comunidade. São, como no caso das outras religiões, casas de culto e devoção, mas são também centros da vida social da comunidade que integram os indivíduos à sociedade e lhes viabilizam uma rede de relações sociais. Os sacerdotes e sacerdotisas das religiões de matriz africana são ministros religiosos que se dedicam às suas obrigações como qualquer ministro das outras religiões. São mestres religiosos com o encargo de transmitir a doutrina de suas religiões, mas são igualmente conselheiros e conselheiras pessoais e familiares, mediadores de conflitos, líderes em atividades culturais, sociais e beneficentes de suas comunidades. Não por acaso, uma das atividades que marcaram a celebração dos 30 anos de Mãe Stella como líder do Ilê Axé Opô Afonjá foi a realização do encontro Raça e Renda – I Seminário Municipal do Projeto Educação 19134 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS para Combater a Pobreza. É importante ressaltar o papel que as comunidades religiosas afro-brasileiras assumem na discussão e no encaminhamento de soluções para os problemas da nossa comunidade. Por muito tempo essa dimensão ficou escondida devido à estigmatização e à violência com que perseguiram os cultos afros. Obrigados a se protegerem, as religiões afros não puderam, como ocorreu com outras religiões, construir, por exemplo, escolas confessionais para seus adeptos e simpatizantes. Essa deficiência privou as comunidades de alguns instrumentos de formação, que felizmente agora começam a ser combatidos através de iniciativas socioeducacionais como a que existe no terreiro de Mãe Stella e em muitos outros. Nesse sentido, o Seminário Raça e Renda foi muito propício porque pudemos discutir diferentes aspectos da vida da comunidade negra e aprofundar o encaminhamento de soluções que reproduzem a exclusão dos homens e mulheres negros no Brasil. Há, em relação a esse seminário, diversos dados que subsidiam nosso diagnóstico. Por exemplo, recorrendo ao Relatório de Desenvolvimento Humano 2005, elaborado pelo PNUD, percebemos que, relativamente aos negros no Brasil, o Índice de Desenvolvimento Humano de 0,703; já para os brancos é de 0,814. Como sabemos, o IDH procura captar, através da ponderação de uma série de indicadores, o nível de qualidade de vida da população – quanto mais próximo de 1, melhores as condições de vida. Foi elaborado, originalmente, para ser aplicado para uma comparação entre países, gerando uma classificação entre eles. Posteriormente, foi desagregado por sexo; no caso do Brasil, por raça, para documentar as desigualdades raciais. Os resultados revelam a distância que separa as populações negra e branca no Brasil. É como se os negros vivessem em um país de nível de desenvolvimento médio e os brancos, em um país de desenvolvimento alto. Quando se compara a evolução dos principais indicadores que compõem o IDH de 1980 a 2000, desagregado por raça, constata-se o aumento de todos os índices. A esperança de vida, a renda per capita e a taxa de alfabetização aumentaram nesse espaço de tempo. Entretanto, o dado mais marcante é a persistência das desigualdades entre negros e brancos – todos melhoram, mas as distâncias permanecem. Note-se que a diferença entre o desenvolvimento humano de negros e brancos no Brasil está relacionado sobretudo à renda. Das 3 dimensões do IDH, era a que apresentava maior desigualdade. Em média, os brancos obtêm mais do que o dobro da renda dos negros. Abril de 2006 Olhando-se especificamente para a Região Nordeste, temos a comprovação, em números, dos problemas que nos afligem. O quadro de pobreza da população é grave no Brasil – um terço da população (33,6%) vive abaixo da linha de pobreza. Entretanto, essa situação se agrava muito mais quando se enfoca o problema da pobreza por região e raça. Quando se fazem esses recortes, percebemos o enorme fosso provocado pelas desigualdades raciais. Há menos pobres brancos no Nordeste do que em relação ao conjunto da população nacional, ao mesmo tempo em que a proporção de negros pobres no Nordeste é bem maior do que no País como um todo. A proporção de negros em situação de pobreza no Brasil é de 64,1%, enquanto no Nordeste é de 75,6%. Esse quadro, Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, não é fruto do acaso. É resultado de séculos de apropriação de recursos por uma pequena elite. É o produto de políticas de exclusão operadas pelas oligarquias que se perpetuam no poder e presidem à miséria do povo. Por isso esses setores privilegiados se mobilizam com tanto furor contra os avanços das políticas sociais que estão em curso no Governo do Presidente Lula. É óbvio que há muito ainda a ser feito e alguns erros a serem corrigidos. Entretanto, não se pode negar que o rumo da máquina pública mudou, e mudou em favor dos mais humildes. Mudou para criar maiores condições de realização educacional e profissional para o povo negro, para os historicamente excluídos, para os pobres. É essa mudança, por mais tímida que seja, que as elites tradicionais não admitem. Por isso, o Governo do Presidente Lula sofre ataques das elites. O conjunto dos dados que mencionei brevemente permite afirmar que as desigualdades raciais no Brasil são, sim, um legado do passado escravista, mas são principalmente resultado de mecanismos contemporâneos que reproduzem essas desigualdades. Tal processo põe em relevo a necessidade de adoção de políticas públicas de combate às desigualdades raciais. São necessárias estratégias que rompam o ciclo que produz a exclusão no Brasil. Sabemos que uma das principais credenciais para ingresso no mercado de trabalho é a educação. Por isso é imprescindível a escola pública de qualidade que estenda a todas as nossas crianças as oportunidades educacionais. Ao mesmo tempo, experiências educacionais como as que são vinculadas a comunidades de terreiro, como é o caso no Ilê Axé Opô Afonjá, outras entidades da nossa comunidade, os projetos educacionais que existem, ou deveriam existir, em cada comunidade quilombola são fundamentais para Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS alimentar o sistema de ensino com os saberes específicos de nossa comunidade. Os jovens negros e negras devem encontrar condições propícias para o ingresso no mercado de trabalho e oportunidades de aprimoramento profissional. Paralelamente, nossa comunidade deve se organizar em torno de formas de desenvolvimento sustentáveis e que valorizem os fazeres tradicionais de nossa comunidade. Trata-se de tomar em conta as maneiras com que nossas comunidades interagem com a natureza para tirar dela seu sustento. Podemos dizer que, em grande medida, os índices de pobreza brevemente apresentados aqui, que experimentamos como comunidade, são resultado de um processo de expropriação que não nos integrou nas formas modernas de produção de riqueza, além de ter inviabilizado as formas tradicionais que porventura existiam na comunidade. Por esse motivo, acho fundamental discussões como esta neste lugar, para que possamos elaborar estratégias para o futuro, levando verdadeiramente em conta nosso passado. Sr. Presidente, aproveito a oportunidade para apresentar à Mesa da Câmara dos Deputados projeto de lei que altera dispositivo da Lei nº 10.101, de dezembro de 2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas. Por fim, Sras. e Srs. Deputados, quero parabenizar o Ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, e a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Casa, por terem, em audiência pública, chegado a um acordo com as companheiras e os companheiros anistiados. Foi aprovada a constituição de uma comissão tripartite, que finalmente resolverá o problema da indenização relativa ao reconhecimento dos direitos dos anistiados no nosso País. Muito obrigado. O SR. DR. ROSINHA – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. DR. ROSINHA (PT – PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, quero registrar o que me disse a Profa. Joaneslei, do Paraná, na noite de sexta-feira: “Dr. Rosinha, eu entendo que uma CPI é como se fosse um jogo: tem um Relator que funciona como se fosse juiz. Aí eu pergunto: quando chega ao final desse jogo e o juiz ou o Relator é carregado por um dos times que participava do jogo, será que o relatório é isento?” Essa é uma pergunta que nós, do Partido dos Trabalhadores, questionamos bastante porque queríamos fazer o melhor relatório, mas não nos permiti- Quinta-feira 13 19135 ram. Entendemos desde o começo que havia alguma parcialidade no comportamento do Relator, que, no final, ao ser carregado nas costas, demonstrou essa parcialidade. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Neucimar Fraga. O SR. NEUCIMAR FRAGA (PL – ES. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, depois de 2 anos de paralisação, serão reiniciadas as obras da BR-393 no trecho que liga a cidade de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado do Espírito Santo, à cidade de Muqui. A mencionada rodovia, durante o período de paralisação das obras, foi alvo de diversas manifestações, até porque houve várias mortes decorrentes de acidentes nessa estrada. Com um trabalho da bancada federal do Espírito Santo e o apoio do Ministério dos Transportes e do DNIT, foi possível praticamente eliminar os obstáculos que impediam o reinício dessas obras. Já temos 8 milhões empenhados para reiniciá-las já na próxima semana. É um presente de Páscoa para a cidade de Muqui. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Muito obrigado, Deputado. O SR. NELSON MARQUEZELLI (PTB – SP. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Frente Parlamentar do Café e a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados conseguiram uma boa vitória visando a alocação de verbas para a safra agrícola do café para 2007. Foi a primeira reunião do Conselho Monetário Nacional presidida pelo Ministro Guido Mantega. Pontos importantes foram decididos em apoio à política cafeeira. Produtores e indústrias terão 1,578 bilhão de reais para colheita, estocagem e compra de grão verde da safra 2006/2007, dinheiro retirado do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira – o FUNCAFÉ. Os recursos serão suficientes para deslocar a oferta em até 8 milhões de sacas de 60 quilos entre o período da colheita até a entressafra. Os valores deverão ser liberados a partir desse mês, consubstanciado pela efetiva aprovação do Orçamento federal de 2006. Convém ressaltar, Sr. Presidente, que nossa safra de café deve girar em torno de 42 milhões de sacas, com grãos de excelente qualidade. Com a bianualidade de nossa safra, o Governo Federal resolveu deslocar a comercialização de uma 19136 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS parte da safra de 2006 para o primeiro trimestre de 2008, época que deveremos ter uma safra menor. O fundamental é que a política do Conselho Monetário Nacional está mudando, sendo que as resoluções para liberação dos recursos foram decididas em uma única reunião, fato que marca a nova postura do Ministério da Fazenda. Do total liberado, serão 600 milhões destinados ao financiamento da colheita e até 800 milhões para a estocagem do produto. Ainda é muito pouco, mas não podemos deixar de aplaudir a ação governamental. Ressalto, ao final, que somos favoráveis que a administração dos recursos do FUNCAFÉ fique com o Ministério da Agricultura ao invés do Ministério da Fazenda, proposta que já foi aprovada na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados, fruto de um parecer apresentado por mim. Portanto, aguardamos sua aprovação final pelo Plenário da Casa. Estamos atentos ao tema cafeeiro; somos um dos batalhadores para que nosso café possa ter novos tempos e acesso a novos mercados. Muito obrigado. O SR. CARLOS ALBERTO LERÉIA (PSDB – GO. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o PSDB lançou seu candidato a Presidente em meio a uma crise no Governo Federal de tamanho e formas inacreditáveis. A discrepância entre a lisura do partido e a corrupção que assola o PT é apenas um dos motivos que farão o eleitor impedir que Lula tenha direito a um segundo (e também desastrado) mandato. Os outros motivos são inúmeros, mas todos, a seu devido tempo, serão mostrados e lembrados. Alguns sequer serão esquecidos antes de 3 de outubro. Melhor assim. Prova de que o povo brasileiro está cansado de demagogia e falta de ética na política. Desta vez, as falcatruas como o mensalão, o enriquecimento do filho do Presidente e o envolvimento do Ministro Antonio Palocci em negociatas, entre tantas outras vergonhas, não serão perdoadas. A opção por Geraldo Alckmin como candidato à Presidência foi feita com a unidade do partido, o bom senso e a capacidade de avaliar os horizontes da política brasileira. O impasse é motivo de orgulho. Não só Alckmin e Serra tinham cacife para a disputa. Dentro do PSDB, políticos gabaritados para o cargo máximo do executivo brasileiro sobram. Marconi Perillo é um deles. Está na lista ao lado de Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, Tasso Jereissati e outros mais. É um privilégio para um partido político contar com tantas opções. Sinal do alto nível de seus filiados. Abril de 2006 Enquanto isso, do outro lado, o PT agoniza, porque Lula está se queimando e não há substituto; ninguém que possa ser melhor. Tomara que não haja ninguém pior. A campanha de Geraldo Alckmin vai ser baseada em propostas, em construção, na busca de rumos positivos para o País, a exemplo do que ele realizou como Governador de São Paulo, o maior PIB do Brasil. Não se sabe o que vem do outro lado. A preocupação é com nossa caminhada ao lado do povo, para voltar a governar o País e tentar consertar o que foi desestruturado com o deslumbre dos falsos trabalhadores que invadiram Brasília. E vamos rumo à vitória. Absurdos acontecem sempre nesse Governo. No Dia Internacional da Mulher, 2 mil militantes da Via Campesina, organização internacional da qual pertence o MST, invadiram o horto florestal da Aracruz Celulose, no Rio Grande Sul, e destruíram pelo menos 5 milhões de mudas de eucalipto que estavam nas estufas. A invasão, um ato de extremo vandalismo e sem reflexos práticos ou positivos na luta pela reforma agrária, destruiu 20 anos de pesquisas. É um retrato fiel da truculência e da ignorância dos movimentos que querem alcançar seus objetivos a todo custo e para isso atropelam as propriedades e os direitos dos outros. O Presidente Lula colocou o boné e, pelo visto, vestiu a camisa do MST, porque, além de não tomar nenhuma atitude para responsabilizar criminalmente os causadores de tanto prejuízo, ainda convocou os militantes sem-terra para lutarem com ele com o objetivo de derrotar Geraldo Alckmin em outubro. Um Presidente que pede publicamente apoio a foras-da-lei para ganhar uma disputa eleitoral deveria, na verdade, ser punido junto com eles. Muito obrigado. O SR. CELSO RUSSOMANNO (PP – SP. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o número e a violência dos crimes cometidos por menores crescem a cada dia em todo o País, assustando a sociedade e motivando justa apreensão pelo que nos reserva o futuro. Em grande parte, esses jovens se transformam em ladrões, traficantes e até homicidas por indução de adultos, enquanto nossas leis permanecem paradas no tempo e as autoridades mostram-se impotentes para enfrentar o problema. Preocupado com esse quadro, e visando reunir dados para que o Legislativo possa colaborar na busca de uma solução, encaminhei ao Ministro da Justiça requerimento de informações acerca das estatísticas existentes sobre assassinatos perpetrados por menores de idade. Recebi agora a resposta, e antecipo, com tristeza, que os números levantados pelo Ministé- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS rio, dos quais tratarei logo adiante, só podem agravar nossa inquietação. Antes de analisar as estatísticas, entretanto, preciso fazer um breve comentário, suscitado pelo ofício em que a Coordenação Geral de Pesquisa da Secretaria Nacional de Segurança Pública encaminha os dados à Chefia de Gabinete daquele órgão. Conforme o documento, as Polícias Civis dispõem de poucas informações registradas a respeito das vítimas e dos agressores no caso de crimes. Por essa razão, acrescenta o texto, apesar de terem ocorrido em todo o País 40.743 homicídios dolosos no ano de 2004, só existem informes sobre 14.306 autores e, destes, apenas 47%, ou seja, pouco mais de 6.700, com indicação da idade dos homicidas. Ora, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, isso significa que, já no século XXI, em plena era da informática, o Brasil ainda faz segurança pública sem conhecer o perfil dos malfeitores, sem saber quem são, como agem, por que agem! Não admira que a criminalidade só cresça e que a maioria dos assassinos continue à solta. Sequer passam por um interrogatório! Feito o parêntese, trato das estatísticas fornecidas pelo Ministério da Justiça. Dos 14.306 autores de assassinatos identificados, o que representa apenas 35% do total de homicídios dolosos ocorridos, 10.488 são homens; 401, mulheres. De 3.417 nem o sexo foi informado! Em relação a faixa etária, foco do meu questionamento, vê-se que a estatística é ainda mais distorcida, já que, como relatei, sobre 53% dos autores não existe registro de idade. Assim, se nos ativermos aos números do Ministério, 0,2% dos homicídios dolosos cujos autores são conhecidos foi praticado por crianças de até 11 anos, e 5,2%, por adolescentes entre 12 e 17 anos, totalizando 776 assassinatos cometidos por menores durante o ano de 2004, ou seja, 5,4% do total. Porém, como esse cálculo deveria referir-se apenas aos crimes em que a idade do autor é conhecida, e não ao total registrado pelo Ministério, o percentual é, na verdade, muito maior. Considerando apenas os 6.757 crimes cujos autores têm idade declarada, a participação de menores sobe para quase 11,5% e a preocupação em torno do assunto aumenta muito. Evidentemente, menores de idade estão servindo para proporcionar impunidade aos adultos, que, desse modo, permanecem longe do alcance da justiça. Crianças e adolescentes são beneficiados, no Brasil, por uma legislação muito mais branda, mesmo na reincidência. Sabendo disso, poderosas organizações do Quinta-feira 13 19137 crime, como as ligadas ao narcotráfico, passaram a recrutá-los para as tarefas mais brutais. Tal situação, que já escapa ao controle do Poder Público, precisa ser estancada com urgência. Devemos encarar com desassombro a questão da idade penal, como fazem muitos outros países, e endurecer as normas para os casos em que menores cumprem o doloroso papel de escudos de organizações criminosas. A sociedade tem direito a viver em paz, e isso, mostram os números e mostra ainda mais a realidade do dia-a-dia, está ficando cada vez mais difícil no Brasil. Muito obrigado. O SR. LUIZ BITTENCOURT (PMDB – GO. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, destacar a história do PMDB representa revigorar em nossas mentes e corações o compromisso firmado pelos fundadores do partido em instituir grande projeto de militância e mobilização, poderoso instrumento das oposições. Nascido no dia 24 de março de 1966, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) completa 40 anos com seu legítimo herdeiro – o PMDB, criado com a reforma política em 1979 – no epicentro do debate em torno da sucessão presidencial. A legenda aprofundou a luta, já presente à época, em defesa de importantes teses democráticas. Com efeito, temas como manutenção do calendário eleitoral, eleições diretas em todos os níveis, defesa da autonomia dos municípios, fortalecimento da Federação, democratização do ensino, anistia ampla, liberdade de informação, restauração dos Poderes do Congresso e convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte assumiram centralidade na agenda política. Enquanto a democracia esteve fragilizada em nosso País, enfraquecida pelo arbítrio e pelo autoritarismo de práticas discricionárias, ampliava-se o desalento das maiorias marginalizadas frente ao círculo fechado da política das elites. À luz dessa experiência concreta, o PMDB buscou fazer-se o grande instrumento de uma força majoritária de transformação social. Nobres Parlamentares, o Brasil que o PMDB ajudou a construir foi o das Diretas-Já. Para nós, falar desse grande momento cívico significa resgatar a memorável atuação de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, líderes combativos de primeira grandeza que, ao lado de companheiros de luta como Teotônio Vilela, Freitas Nobre, Alencar Furtado, Henrique Santillo, Chico Pinto e muitos outros grandes nomes, estiveram à frente da resistência democrática. Era grande a expectativa de que os Parlamentares atendessem ao clamor popular, aprovando a proposta de emenda constitucional conhecida pelo nome do seu autor, o Deputado Dante de Oliveira, do PMDB de Mato Grosso, e que propunha eleições diretas para 19138 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Presidente da República. A emenda foi derrotada na madrugada de 26 de abril de 1984, mas a esperança de nosso povo na redemocratização manteve-se, felizmente, robusta. A Oposição, na busca por um nome para a disputa no Colégio Eleitoral, escolheu Tancredo Neves, político que reunia todas as qualidades para enfrentar a estrutura de poder existente. Contudo, o destino, enigmático em sua essência, desejou que Tancredo Neves fosse internado na véspera da posse. E o Presidente eleito, certamente ao rememorar a nossa árdua trajetória em direção à redemocratização, somente assinou a autorização para a cirurgia a que iria ser submetido após a obtenção da garantia de que o Vice, José Sarney, assumiria em seu lugar. E assim, sob a égide de forte comoção nacional com a morte de nosso idealista líder Tancredo Neves, o destino seguiu seu curso. As portas da democracia seriam definitivamente abertas. De fato, o Governo Sarney mostrou-se meritório em consolidar o período de transição, garantindo a campanha eleitoral e as eleições presidenciais de 1989, quando, pela primeira vez, em 29 anos, o Presidente da República seria eleito de forma direta pelo povo. Homenagear o PMDB também nos remete aos ensinamentos e exemplo de referência moral de Ulysses Guimarães. Na direção dos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte, com extrema competência e intenso espírito cívico, fez funcionar as diversas Comissões Temáticas e a de Sistematização, responsáveis pela elaboração de nossa Constituição cidadã e representativa de instante decisivo em nossa história. Hoje o PMDB possui representação, com variação quantitativa inerente à própria dinâmica política, em 4.671 Municípios, além de 9 Governadores, 21 Senadores, 82 Deputados Federais, 140 Deputados Estaduais, quase 2 mil Prefeitos e Vice-Prefeitos, mais de 8 mil Vereadores e de, aproximadamente, 2 milhões de filiados. Não obstante a pujança desses números, reveladores da magnitude do partido para a estabilidade de nosso regime democrático, a legenda apresenta-se dividida, movimentando-se como uma federação de interesses antagônicos e presa a contradições políticas. Vivemos, desse modo, o dilema de ser ou não ser governo, o que pode configurar-nos como uma sigla disforme e desprovida de conteúdo programático, motivo de preocupação. Sras. e Srs. Deputados, o PMDB necessita, além de lançar candidato próprio à Presidência da República, resgatar a sua democracia interna, de forma a fortalecer seu perfil histórico de partido independente, desenvolvimentista e sintonizado com o desejo do povo brasileiro por mudanças. Muito obrigado. O SR. DARCÍSIO PERONDI (PMDB – RS. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Abril de 2006 Srs. Deputados, compareço a esta tribuna para registrar que será realizado na próxima terça-feira o jantar comemorativo dos 10 anos de inclusão social do Instituto de Assistência ao Futebol Brasileiro e do Campeonato Infantil de Comunidades Carentes. A ação social da CBF vem sendo feita através do Instituto de Assistência ao Futebol Brasileiro – IAFB, criado em 1996, na gestão do Presidente Dr. Ricardo Terra Teixeira, e tem entre os objetivos principais dar apoio ao ex-jogador e desenvolver programas de incentivo à prática e ao crescimento do futebol voltados principalmente às crianças e adolescentes de comunidades carentes. Desde a sua criação, o instituto tem desenvolvido várias atividades relacionadas ao esporte e à educação. A mais importante é realizada através do projeto Escola de Futebol, em que fornece orientação técnica, uniformes e material esportivo como bolas, redes, cones, etc., para o funcionamento de escolinhas de futebol, para crianças de 10 a 16 anos. Esse projeto, implantado por meio de convênios com as Prefeituras Municipais, vem incentivando o desenvolvimento socioeducacional e esportivo de milhares de crianças de todo o Brasil e permitindo o aproveitamento de ex-jogadores e ex-técnicos de futebol como monitores e instrutores. Assim, a CBF, com essa grandiosa obra social, trabalha com a certeza de estar proporcionando aos ex-jogadores e ex-técnicos uma oportunidade de trabalho e aos jovens um convívio saudável que no futuro lhes será muito útil na disputa por uma vaga no mercado de trabalho. Outra importante ação que a CBF desenvolve é o Campeonato Infantil de Comunidades Carentes. Essa competição reuniu, até as presentes edições, 17.065 meninos e meninas. Moradores de comunidades carentes, eles têm na competição, além do primeiro passo no sonho de se tornarem jogadores profissionais, o que alguns já conseguiram, a oportunidade de inclusão social com a prática do esporte. O aspecto social dos programas chamou a atenção de Harold Mayne-Nicholls, o oficial de escritório de desenvolvimento de futebol da FIFA na América do Sul. O representante destacou que não conhece nenhuma outra federação de futebol que promova ação como essas. É importante registrar que todos esses empreendimentos foram feitos com investimento financeiro da CBF e parceiros, sem ajuda governamental. O mutirão esportivo-social conta com o apoio da Arquidiocese do Rio de Janeiro, do Programa Sorrio, do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Bento Rubião e da Nike do Brasil. Aproveito a oportunidade para parabenizar o Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Sr. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Ricardo Teixeira, bem como o Secretário-Geral da CBF, Marco Antônio Teixeira, por essas iniciativas. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Passa-se ao V – GRANDE EXPEDIENTE Antes de conceder a palavra ao nobre Deputado Colbert Martins, peço-lhe perdão pelo atraso, mas, em se tratando de homem religioso, certamente vai nos perdoar; afinal, estamos na Semana Santa. Nobre Deputado, V.Exa. tem até 25 minutos para fazer seu pronunciamento. O SR. COLBERT MARTINS (PPS – BA. Sem revisão do orador.) – Muito obrigado, Padre Luiz Couto, Presidente desta sessão – e saiba da minha paciência com os Deputados e as Deputadas. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, funcionários da Casa e todos que nos acompanham pela TV ou Rádio Câmara, antes de tudo, gostaria de dizer que nos sentimos honrados com a presença nas galerias de colegiais do Núcleo Bandeirante, aqui em Brasília, bem como de seus professores: Josiane, Luciana e Márcio. Um abraço especial para vocês! Tratarei de tema que espero despertar em vocês, estudantes, o mesmo interesse que tenho por ele. Sou Presidente da Comissão Nacional que irá definir o marco regulatório do saneamento no Brasil. Sei que muitos aqui nasceram em um País sem saneamento. Brasília é diferente, pois aqui há muito saneamento. No entanto, a cidade em que moro, na Bahia, conta com apenas 20% de saneamento. No mais, joga-se água suja nos rios e poluem-se as águas que bebemos. Isso é muito ruim para a população, e precisa ser corrigido. Sr. Presidente, é por isso que lutamos pela aprovação de uma política nacional de saneamento, a fim de que, quando os estudantes da escola do Núcleo Bandeirante forem adultos, vivam em um País em que metade da população seja atendida com saneamento e tratamento de esgoto, o que não ocorre hoje. O saneamento deveria ter sido feito ontem. Para que tenham idéia, a primeira tentativa de se aprovar uma lei de saneamento público se deu em 1991. Mas o Presidente da República de então vetou tudo. Desde então não houve mais nenhum tipo de regra fixa sobre saneamento no País. A segunda tentativa deuse em 2001, quando foi encaminhado projeto, o qual estamos tentando aprovar agora, em 2006. Mas ainda não conseguimos. O saneamento ambiental é definido como sendo as condições em que temos de tratar a salubridade das águas e do meio ambiente ao mesmo tempo. Temos de fazer planejamento, fiscalização e pagamento de Quinta-feira 13 19139 serviços. Quantos pais de vocês não têm dificuldade de pagar água e esgoto? Não há regra para pagamento de água e esgoto no Brasil. Atribui-se um valor. Por exemplo, 80% do valor da água é atribuído ao esgoto. O projeto considera, além de todos os serviços de interesse, o manejo das águas pluviais. A cada chuva mais forte na Bahia, ou mesmo em Brasília, ocorrem inundações. As águas pluviais são objeto desse tipo de atuação que queremos que seja regulamentada, regulada, discutida. A captação, a adução, o tratamento, a reserva, o teste de qualidade da água e quem a testa têm de ser definidos. Às vezes, a água fica jorrando na rua durante alguns dias ou a sua qualidade não é boa. Quem responde por isso? Os pais de muitos alunos pagam, em vez de água, o ar que entra no cano. Com a aprovação do projeto, haverá indicação do responsável por tais ocorrências. A distribuição de água, a coleta de esgoto sanitário, a varrição, a capina e a limpeza constam do projeto, que será extremamente abrangente e forte. Ele define também alguns tipos de subsídio. Há quem possa pagar por água e esgoto, há quem possa pagar pela água, que é vida, mas não se pode pagar por esgoto; e para isso definiremos subsídios. Quer dizer, situações em se possa cobrar menos daqueles que podem menos, a fim de que tenham direito a algo que diz respeito à sua própria vida, à sua própria saúde. Em Brasília, local onde há mais saneamento básico, a ocorrência de doenças é menor. Na minha cidade, por exemplo, com quase 600 mil habitantes, onde só conseguimos limpar 20% dos esgotos, o número de doenças é muito maior. Quer dizer, investimento em esgoto implica redução de gastos com doenças, porque diminuímos a quantidade delas, melhorando a saúde. Por isso, as pessoas mais pobres precisam de alguma forma de subsídio – subsídio simples, subsídio cruzado, subsídio cruzado interno. Enfim, vamos ter várias formas regulares para que possamos dispor, além do mecanismo regulatório que permita cobrança, dos subsídios para aquelas pessoas que não podem pagar mais caro. Teremos diretrizes para o abastecimento de água. Hoje, temos uma cobertura nas cidades de mais de 90% de distribuição de água; nas zonas rurais, não chegamos a 10%. Quer dizer, a cada extensão de água, uma festa política. Na Bahia, o Governador, o Prefeito, lavam a própria cabeça quando inauguram uma extensão de 1.500 metros de rede de água. Queremos água para as pessoas beberem por necessidade. Água é vida! Portanto, tem de ser de qualidade, tem de ser prestada e distribuída. Diretrizes para esgotamento sanitário. Normalmente, os Governos não gostam de trabalhar com esgoto sanitário, porque é o tipo de obra que 19140 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS fica escondida. Precisaremos ter um marco regulatório para que possamos aplicar bem esses recursos, necessários à vida e, como infra-estrutura, à qualidade de vida de cada um de nós. Diretrizes para resíduos sólidos. Tem de ser um sistema integrado de tratamento de esgotos. O saneamento é uma rede integrada de água, esgoto e resíduos sólidos. Teremos diretrizes para garantia do manejo de forma ambientalmente adequada e saudável, incentivo para não-geração de resíduos sólidos, redução e coleta seletiva, reciclagem, inserção social dos catadores, recuperação de áreas degradadas, emprego de tecnologias limpas, quantificação e cobrança pelos serviços. Diretrizes para drenagem urbana. Muitas áreas de drenagem urbana no País são usadas como esgoto. As pessoas entroncam redes de esgoto na drenagem urbana, que vira, na realidade, um esgoto a céu aberto. Pelo projeto, queremos ter discussão com o Brasil inteiro sobre as técnicas de drenagem urbana, não só para que quando as chuvas aconteçam não haja inundações, mas porque muitas são utilizadas de forma inadequada. Diretrizes para o planejamento. O planejamento como direito de todos receberem serviços de saneamento básico adequadamente planejados sem que sejam onerados por investimentos que não tenham sido previamente planejados. Ouço, com prazer, o nobre Deputado Neucimar Fraga. O SR. NEUCIMAR FRAGA – Deputado Colbert Martins, primeiramente, parabenizamos o povo da Bahia por ter conduzido a esta Casa de leis um Parlamentar como V.Exa., que pauta seu mandato na defesa do povo do seu Estado e luta também em favor de leis que beneficiem o povo brasileiro. V.Exa. refere-se a um assunto extremamente importante. Sabemos que tratamento de esgoto em alguns Municípios não são obras prioritárias, até porque ficam embaixo da terra. Sabemos também que esse assunto aqui na Casa, muitas vezes, é tratado como muitos Prefeitos o fazem, ou seja, timidamente, de maneira escondida. Mas temos, inclusive, uma Comissão Especial que trata do tema, cujo relatório ainda não foi possível votar. Este assunto é extremamente importante; muitos brasileiros sofrem por falta de tratamento de esgoto, por falta realmente de uma rede de água saudável. E sabemos que esse é um problema muito sério, porque em muitas cidades são instituídas taxas de tratamento de esgoto casadas com a taxa de consumo de água; e, muitas vezes, as taxas de tratamento de esgoto correspondem a 80% da taxa de consumo de água. Como disse V.Exa., a água é um bem essencial de que não podemos abrir Abril de 2006 mão. Não podemos permitir que essas taxas absurdas continuem a ser cobradas à população, que já paga seus impostos básicos e ainda tem que pagar a taxa de iluminação pública, a taxa de coleta de lixo, a taxa de tratamento de água e esgoto; e agora querem cobrar taxa para utilização da água dos rios, em algumas propriedades rurais. Ou seja, temos uma responsabilidade muito grande. Quero parabenizar V.Exa. por tratar deste assunto neste Grande Expediente. No domingo passado estive na cidade de Marataízes, um balneário turístico ao sul do Estado do Espírito Santo, para discutir justamente com a Associação dos Moradores, presidida pelo Sr. Rubens, a questão do tratamento do esgoto naquela cidade. O Município de Marataízes não conta com 5% de tratamento de esgoto! A população está preocupada, e essa preocupação deve repercutir também neste Parlamento. Quero, pois, parabenizar V.Exa. por estar preocupado com esse problema que assola a população brasileira. O SR. COLBERT MARTINS – Muito obrigado, Deputado Neucimar Fraga, incorporo o aparte de V.Exa. ao meu pronunciamento, dizendo que, além desse tipo de cobrança, o grave é que, em Estados como a Bahia, onde temos uma empresa estadual de saneamento, a EMBASA, terceirizaram os cortes de ligação e as ligações. O consumidor que, às vezes, tem dificuldades para pagar a conta de água ao final do mês, tem sua ligação cortada pela empresa de saneamento, e, para poder religá-la, tem que pagar uma outra taxa porque a empresa que faz o corte é terceirizada. Aliás, a empresa da Bahia foi uma daquelas em que o Governo do Estado tentou vender com aquela idéia, na época do Governo Fernando Henrique, de que “vende tudo que a iniciativa privada faz melhor”. Neste caso, nem conseguiram vender a empresa, que continua hoje tendo vários problemas. Esses problemas caem muito bem em época de eleição; extensão de rede d’água tem grande efeito eleitoral No entanto, estamos falando de uma empresa que ainda precisa ser muito mais eficiente. Prossigo, discorrendo sobre as diretrizes de planejamento nos planos de saúde ambiental, que devem ser elaborados com participação comunitária e por horizontes largos: algo em torno de 20 anos. Quanto às metas de universalização, fixadas em planos de saneamento ambiental com caráter indicativo para as leis orçamentárias e para o fundo de universalização, recursos precisam ser aplicados em âmbito nacional, estadual e federal. Ouço, com prazer, a Deputada Almerinda de Carvalho. A Sra. Almerinda de Carvalho – Eu gostaria de parabenizar o nobre colega, Deputado Colbert Martins, e dizer que, de tantos problemas que precisamos de corrigir no País, um deles é a questão do saneamento público. Eu Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sou de uma região do Rio de Janeiro, da Baixada Fluminense, com 4 milhões de habitantes, onde em torno de 40% a 60% da região tem saneamento. E nós sabemos que tal setor passa pela saúde, pela educação, porque, principalmente nossas crianças, que brincam muito nas ruas, têm problemas crônicos, como alergias, que muitas vezes deixam seqüelas graves. E há também a questão da educação. Numa rua que não é limpa, mas com esgoto a céu aberto, as pessoas acabam não tendo cuidado e jogam lixo na própria rua. Então o Governo precisa dar atenção especial a isso. Nós até tínhamos esperança, por meios das PPPs, que pudesse haver uma solução para os problemas de saneamento. Quero parabenizar V.Exa.; sei que esse é um assunto que afeta todos os Estados e Municípios, e esperamos que realmente esta Casa tome a atitude de cobrar do Governo, para que esses problemas tenham solução. O SR. COLBERT MARTINS – Deputada Almerinda de Carvalho, agradeço o aparte gentil de V.Exa., que incorporo a meu pronunciamento. A proposta da nossa Comissão é no sentido de que estabeleçamos um marco regulatório de saneamento que permita a cobrança de taxas – cobranças justas, que sejam fiscalizadas pelo Poder Público, pela agência reguladora, pelo Congresso Nacional, pelas Assembléias Legislativas, pelas Câmaras de Vereadores – e que investidores que queiram participar desse trabalho na área de esgotamento sanitário possam fazer no Brasil investimentos com segurança. As parcerias público-privadas podem ter e devem ter espaço. Vou antecipar uma parte do comentário que eu faria adiante, já agradecendo a sua intervenção. Estamos utilizando, nessas avaliações da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados – agradeço as informações aos Consultores Legislativos Claudio Moura Silva e José de Sena Pereira Júnior, pessoas altamente competentes que nos ajudam na Comissão e estão ajudando o Relator neste momento —, comparações feitas no mundo inteiro que mostram que (e aí também utilizo as informações de Ronaldo Serôa da Motta e Ajack Moreira, fruto de uma discussão que fizemos aqui na ocasião de um seminário no qual discutimos as ações de saneamento), em várias regiões do mundo, as ações públicas e de empresas privadas, na maioria das vezes, são semelhantes em formas de atuação. Quer dizer, não temos nenhuma xenofobia; nas áreas de saneamento básico podemos ter a participação da iniciativa privada – por que não? Na França, país parlamentarista com forte conotação socialista, as grandes empresas que atuam na área de saneamento são privadas. Já no Canadá o sistema é completamente público, mas as qualidades de ambos se equivalem. Nos Estados Unidos, há regimes Quinta-feira 13 19141 públicos ou privados em vários Estados, definidos por ações estaduais – ambos os sistemas com funcionamento relativamente semelhante. Então, há ações públicas e privadas que neste momento precisam e podem – e aí V.Exa., Deputada Almerinda de Carvalho, passa a ter mais razão ainda –, contribuir com investimentos anuais da ordem de 20 bilhões de reais. É o mínimo necessário, por 20 anos, para que o Brasil possa ter 70% de cobertura de saneamento básico nas áreas rurais e urbanas. Então, temos um horizonte largo. Precisamos de recursos. Não existem recursos orçamentários para esse montante. Para isso precisamos estabelecer marcos regulatórios firmes que atraiam investimentos da área privada, que será bem-vinda, desde que fixemos que as tarifas sejam adequadamente pagas e permitamos que esse controle seja feito tanto pelos organismos públicos, quanto pela própria comunidade. Muito obrigado a V.Exa. pelo aparte. Diretrizes para regulação e fiscalização. Essa parte também nos interessa muito. É nosso dever fiscalizar. Serviços integrados, regulados e fiscalizados, em conjunto, por entes federados nas regiões metropolitanas, aglomerações urbanas, microrregiões e regiões integradas de desenvolvimento – cito um exemplo nosso: Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, região integrada de desenvolvimento —, serão regulados por lei complementar. Sobre normas de regulação e fiscalização editadas pelo titular do serviço, há uma disputa, neste momento, no Supremo Tribunal Federal, ainda não completamente definida, sobre titularidade de serviços entre Estados e Municípios. Isso está atrasando decisões nossas; Ministros do Supremo estão pedindo vistas relativamente a processos que lá tramitam há mais de 6 anos; precisamos de decisões judiciais menos demoradas que nos ajudem a concluir e resolver problemas como estes que precisam ser resolvidos entre entes federados: contratação e delegação de serviços, celebração de contratos, efetivação por convênios. Enfim, serviços que precisam de regulamentação adequada nas legislações federais, estaduais e municipais. Diretrizes para avaliação de serviços. Os serviços têm de receber avaliação de qualidade interna e externa. A quantidade de empresas de saneamento nos Estados que têm índices de perda de água ou de esgoto é muito grande. Precisamos ter quem faça essas avaliações independentes, precisamos premiar aqueles que são eficientes na sua administração e precisamos ter mecanismos efetivos para punir aqueles que não o fazem. É proposto um relatório anual de qualidade de serviços com o objetivo de verificar efetividade nas ações. Os Conselhos de Saúde, já existentes, e ou- 19142 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS tros Conselhos poderão e deverão participar dessas ações de controle da qualidade de água e das ações de saneamento. Diretrizes econômico-financeiras. O projeto determina que os serviços de saneamento deverão ter sustentabilidade econômico-financeira assegurada, tanto quanto possível, por receitas provenientes de preços públicos e taxas. Tanto quanto possível, repito. É preciso que não dependamos apenas de um tipo de financiamento. Tarifas cobradas por serviços de saneamento deverão proporcionar acesso universal ao serviço mediante adoção de subsídio. Aqui estamos defendendo claramente os subsídios. As pessoas que podem pagar têm de pagar, e as que não podem têm de ter direito ao serviço, porque se trata de algo diretamente voltado para a saúde das pessoas. E, se precisamos ter as condições de subsidiar, que o façamos. Não há nenhum tipo de dificuldade em injetar recursos para a saúde, sob forma de subsídio ou não. Temos de ter, nos Orçamentos da União, dos Estados e dos Municípios, recursos para subsidiar os que não podem fazer pagamento de algo fundamental e necessário, como é toda obra de infra-estrutura urbana. Não poderão fazer parte de valores tarifários investimentos que não estejam em conformidade com o Plano de Saneamento Ambiental, salvo fator imprevisível. E uma estrutura tarifária. Aí se sugere a progressividade de valores unitários diferenciados por várias razões; valor mínimo em função de custo fixo mínimo necessário para o fornecimento do serviço de saneamento; valor básico baseado no custo de fornecimento de quantidade e qualidade; valores sazonais, por localidade, sujeitos a ciclo de demandas. Para grandes usuários comerciais, condomínios residenciais, serão fixados preços conforme as condições especiais. Em situação de racionamento e fornecimento de água, poderão ser adotados mecanismos de contingência na remuneração. Enfim, aqui se trata da instituição de uma Política Nacional de Saneamento. As entidades que integrarão o Sistema Nacional de Saneamento no Brasil terão de cumprir vários objetivos constantes do Plano Nacional de Saneamento: contribuir para o desenvolvimento nacional; atender a povos indígenas, quilombolas e outras minorias, de acordo com suas características culturais; fomentar o atendimento à população rural – é baixa a cobertura de atendimento às populações rurais, especialmente no que diz respeito a abastecimento de água; assegurar a aplicação de recursos públicos com os critérios de salubridade ambiental; incentivar o planejamento, a regulação e a fiscalização dos serviços; promover a auto-sustentação econômica e financeira de serviço de saneamento; promover o desenvolvimen- Abril de 2006 to institucional do saneamento ambiental; fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico e a adoção de tecnologias apropriadas. Aliás, precisamos pesquisar, sim, novas tecnologias; não é necessário apenas ter macrosserviços de captação de esgotos, enquanto podemos ter serviços simplificados para regiões específicas. E, por último, devemos minimizar os impactos ambientais causados pelas ações de saneamento. Concluo, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, falando do meu interesse, como Presidente da Comissão que quer fazer a regulamentação do Sistema Nacional de Saneamento; do interesse do Deputado Julio Lopes, Relator da nossa Comissão, e do interesse que a Câmara dos Deputados precisa ter. Desde 1991, repito, não temos matéria de regulamentação do saneamento no Brasil. Isso paralisa os investimentos e dificulta a ampliação dos sistemas e serviços. Precisamos dar efetiva resposta, e a melhor resposta é aprovar a proposta em apreço, corrigindolhes os eventuais erros, para que o Brasil possa ter uma Política Nacional de Saneamento que vise ao crescimento e desenvolvimento da nossa infra-estrutura. Sr. Presidente, Deputado Luiz Couto, boa Semana Santa para V.Exa. e para todos. Muito obrigado! O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao Deputado Alceste Almeida, para uma Comunicação de Liderança, pelo PTB. S.Exa. dispõe de até 5 minutos. O SR. ALCESTE ALMEIDA (PTB –RR. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, uso o tempo do Partido Trabalhista Brasileiro para registrar a preocupação não somente dos Parlamentares dessa sigla, mas também de várias outras e, mais ainda, da Nação brasileira, com a situação da VARIG. A sociedade brasileira está apreensiva com a possibilidade de a Viação Aérea Rio-Grandense S/A vir a suspender seus vôos, deixando lacuna das mais significativas no trabalho que vem exercendo ao longo de anos em favor da integração nacional. Chego a dizer que a VARIG é praticamente uma questão de soberania nacional, porque poucas companhias, entre as atuais e as do passado, costuraram tanto o interior da Amazônia, os recantos mais longínquos, quanto essa companhia, que tem integrado a população brasileira e promovido a nossa integração com a América Latina, a Europa, os Estados Unidos, enfim, vários países, por meio de vôos autônomos ou alianças. Essa é uma preocupação das mais significativas, que meu partido traduz nestes minutos que me são concedidos. Eu, particularmente, vivenciando essa possibilidade, essa ocorrência que me situa como tra- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS dicional viageiro, viajante dessa importante companhia, que cobre Roraima, Estado que represento, Acre, Pará, Amapá, toda a Amazônia, o Sul, o Sudeste, Leste, enfim, a Nação brasileira, preocupado, neste momento, com a possibilidade de extinção da companhia, requeiro carinhosa atenção do Executivo federal. Faço um apelo ao Governo Federal para que considere a injeção necessária de recursos a fim de que a VARIG soerga e possa, tranqüila, continuar servindo à população brasileira. Ontem , recebemos proposição dos próprios funcionários da empresa. Eles se dispõem até a oferecer recursos das suas reservas de aposentadoria como garantia de pagamento daquilo que o Governo puder injetar em favor daquela importante companhia. Não queremos a falência de mais uma companhia de aviação brasileira, sobretudo porque queremos evitar a vinda de companhias estrangeiras, como Alitalia e American Airlines, que também têm tido suas dificuldades, mas são muito maiores que as nossas e acabarão por fazer o que compete a nós brasileiros. Portanto, apelo ao Presidente Lula para que reveja sua posição manifestada ontem, de considerar a VARIG uma empresa particular. Ela é, de fato, uma empresa particular, mas gerida por uma fundação, e tem um interesse social dos mais significativos. Peço ao Presidente Lula que reflita a respeito desse assunto e determine que o Governo injete recursos, ainda que sob empréstimo, para que não ocorra com a VARIG o mesmo que aconteceu com a TRANSBRASIL e a VASP, companhias que deixaram saudades, pela necessidade de se atingir os pontos mais longínquos deste nosso País-continente. Muito obrigado, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados. O SR. FERNANDO FERRO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. FERNANDO FERRO (PT-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, inicia-se hoje a Conferência Nacional dos Povos Indígenas, mais um importante evento para tratar da situação das diversas etnias. Trata-se de um universo em que se falam mais de 180 línguas, o que revela uma riqueza cultural muito grande dos povos nativos deste País. Nessa conferência, sem dúvida, serão aprofundadas as discussões sobre estes temas: demarcação de terras; reconhecimento dos direitos dos povos indígenas, em especial no que diz respeito à educação, saúde e cidadania; inclusão dos povos indígenas na sociedade democrática brasileira, respeitando-se suas particularidades. Quinta-feira 13 19143 Portanto, quero parabenizar os responsáveis por essa iniciativa e todas as populações indígenas que aqui vêm trazer suas reivindicações e sua contribuição ao debate sobre a política indigenista e a inserção dos povos indígenas na sociedade brasileira. Muito obrigado. O SR. PEDRO CHAVES – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. PEDRO CHAVES (PMDB-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, na terça-feira próxima, dia 18, estará sendo realizada, no Círculo Militar do Rio de Janeiro, a comemoração dos 10 anos de existência do Instituto de Assistência ao Futebol Brasileiro, órgão criado pela Confederação Brasileira de Futebol – CBF, por intermédio do Presidente Ricardo Teixeira, que oferece às nossas crianças condições para praticar futebol. Obviamente, daquele meio surgem novos craques. Esse programa social é muito importante, uma vez que tira crianças carentes da rua, dando-lhes ocupação. Quero aproveitar esta oportunidade para cumprimentar a CBF e o Presidente Ricardo Teixeira por essa grande iniciativa, que, além de tirar crianças da rua, prepara futuros craques para atender a seleção brasileira. Obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Dando continuidade ao Grande Expediente, concedo a palavra ao Deputado Eduardo Sciarra. O SR. EDUARDO SCIARRA (PFL – PR. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos a pouco mais de 5 meses das eleições. É tempo de reflexão e de decisão sobre os caminhos que o País trilhará no presente e sobre o que queremos para o nosso futuro e o de nossos filhos e netos. Independentemente de posição partidária ou ideológica, queremos destacar e discorrer sobre alguns temas que, a nosso ver, além de urgentes, são demandados pela sociedade brasileira: a restauração dos valores éticos na política e no trato da coisa pública; a reorientação da política econômica com o objetivo de diminuir a carga tributária, baixar os juros e aumentar a produção; a mudança da política social de cunho assistencialista para o modelo de promoção humana e de pleno emprego; e, finalmente, o fortalecimento das instituições democráticas. É preciso restaurar os valores éticos. Lamentavelmente, hoje, o povo considera todo político mentiroso, uma perigosa e injusta generalização. Segundo essa concepção, se todo político é mentiroso ou corrupto, tanto faz escolher este ou aquele ou até mesmo optarse pela abstenção quanto ao voto. Essa atitude pode tornar-se um desastre para os destinos do País, pois, 19144 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS dessa forma, os maus políticos terão a sua vida facilitada para assumir o poder e nele permanecer. Após a CPI do Orçamento e depois do impeachment de Collor, o povo brasileiro entusiasmou-se com a possibilidade de que, finalmente, a política e a administração estatal estavam atingindo um novo patamar de moralidade e de respeito ao bem público. Ainda com essa esperança e acreditando nas promessas do candidato do Partido dos Trabalhadores, que se apresentou à opinião pública como a encarnação da nova ética na política e de novos tempos no combate à corrupção, o País rejeitou o candidato do PSDB e dos seus aliados e elegeu o Presidente Lula. Sabia-se que o candidato não tinha experiência nem conhecimento para administrar o Brasil. Sabia-se que o seu partido fortaleceu-se em cima de denúncias, na maioria das vezes vazias e caluniosas. Sabia-se que tanto o Partido dos Trabalhadores quanto o seu candidato não tinham propostas concretas, mas apenas opiniões eivadas de ideologia ultrapassada. Sabia-se que a maioria das administrações municipais petistas tinha sido desastrosa, quase sempre com graves denúncias de corrupção. Nada disso foi considerado pela maioria do povo brasileiro. Por quê? Porque se acreditava que o PT no poder iria mudar a qualidade da política brasileira. Lula venceu, assumiu o poder, e não mudou nada. Aliás, mudou sim, mudou para pior. O seu Governo fundou-se nas piores práticas políticas e na barganha com partidos inteiros, com base em pagamento de mensalões, troca de cargos e vantagens. O partido sobrepôs-se à Nação, à lei e às instituições democráticas. Para o Ministério da Justiça foi nomeado um renomado advogado criminalista, que continua exercendo plenamente sua especialidade. Não venho, entretanto, a esta tribuna falar mais uma vez de CPIs, mensalões e corrupção, mas assinalar que esses fatos, diariamente levados aos domicílios dos brasileiros pela tevê, pelos rádios e jornais, estão frustrando aqueles que esperavam ou imaginavam que, após a CPI do Orçamento e do impeachment de Collor, estávamos livres desses males, tão característicos de países subdesenvolvidos. O desânimo e a decepção manifestam-se por meio de um pensamento que começa a predominar: o de que não tem solução, não há mesmo remédio, o Brasil é isso mesmo. Parece que começa a prevalecer, em certa parcela da opinião pública, a disposição em deixar como está, porque não dá para acreditar em ninguém mais. Isso, talvez, seja o que de pior o PT e seu dirigente máximo, o Presidente Lula, deixarão como legado ao povo brasileiro e à evolução das práticas políticas no Brasil. Abril de 2006 É preciso reagir a estes tipos de pensamento falacioso, o de que não tem jeito, tudo está perdido, e o de que, se este Governo é corrupto, os outros serão piores. O caminho é bem outro. Ao escolher o seu candidato, o eleitor deve analisar as suas propostas, verificar detidamente se as suas promessas são viáveis ou se são fantasiosas e enganadoras. O povo brasileiro não pode deixar-se iludir mais uma vez. Não pode ser vítima de um outro estelionato eleitoral. O resgate da dignidade da atividade política passa necessariamente, mas não apenas, por uma reforma política que contemple, entre outros temas, a punição exemplar aos que se desviam da boa conduta, o fim do nepotismo e o aperfeiçoamento dos processos de representação democrática que resgatem os valores éticos, como a prevalência da verdade, o cumprimento das promessas e o respeito no trato da res publica. Uma reforma assim pode não ser suficiente, mas certamente é condição sine qua non para que a atividade política venha a ser exercida com dignidade e decência e atraia aqueles que, de fato, pensam no bem do povo e do País. As principais entidades da sociedade civil, associações comerciais, de classe e religiosas vêm levantando a sua voz contra o nepotismo, que tem fortes raízes em nossa história. Aqui destaco, entre outras igualmente louváveis, a ação que vem sendo desenvolvida pela Associação Comercial e Industrial de Cascavel, Paraná – minha cidade –, que está liderando uma campanha contra o nepotismo. Este Governo que foi eleito, principalmente pelas mudanças que prometia, mais uma vez traiu o povo brasileiro. Além dos casos de nepotismo em todos os escalões do Governo, foi criado até um neologismo, o “nepetismo”, para designar o aparelhamento e o uso do Estado pelo Partido dos Trabalhadores para proveito dos seus militantes e dos membros da “nomenklatura” petista. É preciso, entretanto, reconhecer que alguns Governos de Estado conseguem superar as tristes marcas do Presidente Lula: no Paraná, meu Estado, o Governador tem nada menos do que 25 parentes nomeados para os mais altos cargos públicos, numa cena de nepotismo explícito. O critério de nomeação, além do parentesco, é o de subserviência total. O escândalo e a desfaçatez chegaram a tal nível que o Governo retirou sua bancada do plenário da Assembléia Legislativa, na tentativa de evitar a votação de uma lei estadual contra o nepotismo. O caso mais clamoroso e flagrante é o do Superintendente dos Portos de Paranaguá e Antonina. Para administrar o maior porto brasileiro em exportação de grãos, foi nomeado o Sr. Eduardo Requião O único critério de nomeação foi o de ter nascido irmão do Governador. Não é por outra razão que a Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ já fez vários relatórios Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS comprovando centenas de irregularidades, ao fim dos quais solicita que o Ministério dos Transportes determine a sustação do convênio de delegação da administração portuária ao Governo Estadual. Isso representaria uma intervenção nos Portos de Paranaguá e Antonina. Dentre tantas irregularidades, limito-me a destacar algumas, por serem emblemáticas da balbúrdia administrativa reinante no Porto de Paranaguá: sumiço de 1.600 toneladas de soja, sob a responsabilidade da administração, precisa ser investigado por autoridades federais; desvio de finalidade de aplicação de recursos tarifários e daqueles destinados à dragagem, balizamento e segurança da navegação; ausência de apoio à infra-estrutura da Receita Federal, conforme determinam as normas; não-garantia da segurança à navegação, obrigando a intervenção da Capitania dos Portos; obstrução dos investimentos privados já autorizados pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, sendo que já foram perdidos mais de 300 milhões de reais em investimentos privados e cerca de 200 milhões de reais em investimentos públicos. O porto não está se ampliando e perde as oportunidades que estão sendo aproveitadas pelos portos de Santa Catarina, num processo irreversível. Não é por outra razão que muitos afirmam, de forma jocosa, que Requião, Governador do Paraná, é, sem dúvida, o melhor Governador que Santa Catarina já teve. Outra característica que une solidamente o Governador Requião e o Presidente Lula da Silva é o desprezo pela observância das leis. O Presidente Lula, para mascarar a falta de um projeto viável de reforma agrária e num incentivo claro às invasões, coloca boné de invasores do MST, não cumpre a lei que proíbe a desapropriação em terras invadidas e libera recursos públicos para as ONGs, que por sua vez os repassam ao MST. Já Requião os estimula a ocupar praças de pedágio e retarda a retirada de invasores. Não é mera coincidência que o MST tenha promovido antes de ontem a ocupação da Prefeitura Municipal de General Carneiro, no Paraná, com direito a hasteamento da sua bandeira. Outro exemplo flagrante do desprezo à mais elementar das normas democráticas – a observância das leis – é a edição de lei estadual que veda o plantio, a comercialização, o transporte e a exportação de soja geneticamente modificada. Mesmo após ela ter sido declarada inconstitucional pela Suprema Corte Constitucional do País, o Governador continua a desprezar olimpicamente essa decisão judicial e não permite o embarque de soja transgênica no Porto de Paranaguá. E mais: continua a perseguir os que porventura ousam contrapor-se aos seus desígnios autoritários. Hoje mesmo, está causando constrangimento àqueles que querem embarcar soja. Quinta-feira 13 19145 No último dia 10, a Presidenta do Supremo Tribunal Federal, Ministra Ellen Gracie, indeferiu pedido de cassação de liminar – anteriormente concedida, garantindo a exportação dos grãos – do Governo do Paraná, que solicitava a proibição do embarque de soja transgênica no Porto de Paranaguá. Em seu despacho, ela conclui que o pedido do Governo paranaense não tem amparo legal, já que a legislação defendida pelo Estado afronta lei federal que trata da questão. E mais, a Juíza Federal substituta Giovanna Mayer, da Vara Federal de Paranaguá, determinou à Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina que embarque a soja transgênica pelo terminal. Foi também estabelecida multa de 5 mil reais ao dia, devido ao embaraços da administração portuária ao cumprimento da liminar anterior. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é preciso também reorientação da política econômica. Há alguns dias, ocupei esta tribuna para denunciar que o Brasil está sofrendo processo de desindustrialização e que não são poucas as fábricas que estão sendo fechadas por falta de viabilidade econômica. Ora, há algo de muito errado na economia de um país quando fábricas começam a ser fechadas. Citei como exemplo a notícia dada pela imprensa de que uma empresa chinesa estaria negociando a compra da fábrica da Tritec, em Campo Largo, empresa fabricante de motores de alta tecnologia, com o objetivo de transferi-la inteira para a China. A indústria calçadista brasileira já agoniza, e parte da produção está sendo levada para a China. Vários são os motivos de tal fenômeno. O primeiro deles é o real supervalorizado. Nenhum país exportador consegue manter tal relação cambial por muito tempo sem afetar a sua base produtiva. Não por acaso a China foge de qualquer valorização de sua moeda. O segundo motivo é a manutenção das mais altas taxas de juros, que inviabilizam quaisquer investimentos. O terceiro, não menos importante, é a insegurança jurídica predominante no País e a quebra de contratos, aliada a um ambiente claramente hostil ao investidor privado, tão evidente, por exemplo, nas ações do Governo do Paraná. A conjunção desses fatores revelou-se a maior praga para o setor agropecuário brasileiro. O agronegócio, que sempre foi a âncora da economia brasileira nos momentos de crise, está definhando: faltam investimentos por causa dos juros altos; abaixam os preços de venda da produção por causa do real supervalorizado; falta infra-estrutura de transporte e armazenamento; e, por fim, o Governo não assegura o direito constitucional de não serem as propriedades rurais invadidas e depredadas por bandos protegidos pelas autoridades, em nome dos chamados “movimentos sociais”, 19146 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS como se alguém ou algum grupo social pudesse, por alguma razão, estar acima da lei. Bem ao contrário, a sua leniência e incompreensível tolerância com aqueles que desprezam os direitos constitucionais e os mais elementares direitos do cidadão e do trabalhador estão na raiz dos absurdos cometidos contra um centro de pesquisas, em pleno século XXI. Esse acontecimento só tem paralelo na ex-União Soviética, cujo obscurantismo e radicalismo ideológico levaram a considerar as pesquisas genéticas propaganda ideológica do capitalismo decadente. O Governo do PT, comandado pelo seu líder máximo, o Presidente Lula, poderá passar à história com a marca indelével de ter sido o responsável pelo fim do ciclo de crescimento e de pujança do setor agropecuário, que tanto desenvolvimento e bem-estar trouxe ao interior do País. O Governo, entretanto, não consegue esconder a dualidade de sua ação: por um lado, colhe os frutos e dividendos do agronegócio, mesmo não atendendo minimamente às suas reivindicações; por outro, aumenta seu apoio em recursos e meios aos invasores do MST, eufemisticamente denominados agricultores familiares, como se grande parte da produção do agronegócio não fosse resultado do trabalho dos pequenos agricultores e de suas famílias. As altas taxas de juros praticadas no Brasil atraem milhões de dólares da pior espécie, o capital especulativo e volátil, que migra em busca de melhor remuneração, desequilibrando e minando a economia. Esse afluxo de dólares faz o câmbio ficar depreciado e valoriza o real. Em sua propaganda política, o Governo se diz preocupado com os mais humildes. Mas, na prática, a política econômica é altamente concentradora, tanto que os banqueiros e a elite econômica do País apóiam integralmente a continuidade da atual situação. De fato, em quase 4 anos de gestão Lula, o número de bilionários dobrou no Brasil e os bancos privados batem recordes de lucro: 44 bilhões de reais. Jamais, em nenhum outro momento da atribulada história econômica do Brasil, se assistiu a uma transferência de renda em tal magnitude do setor produtivo para o financeiro. A imprensa hoje noticia que as 200 maiores empresas brasileiras distribuíram 55 bilhões de reais em dividendos no ano de 2005. Isso representa 2,6% do PIB. É mais do que cresceu o País no ano anterior. E por que o Banco Central não baixa os juros, como ocorre em outros países? A razão é que o Governo tem aumentado os seus gastos de maneira assombrosa, muito além do que seria razoável. As despesas com pessoal crescem vertiginosamente por causa da criação de milhares de cargos de confiança Abril de 2006 e da conseqüente contratação de “companheiros” sem qualificação adequada para os cargos. A administração da máquina pública, com Ministérios criados apenas para acomodar derrotados ou sem rumo, eleva a necessidade de mais recursos de custeio para viagens, agências de publicidade, diárias, encontros e festas. Para manter o superávit fiscal e fazer face ao crescimento de suas despesas, ao Governo só resta a alternativa de elevar ainda mais a carga tributária, sugando a poupança do setor privado. Este, por conseqüência, não tem como investir e não gera empregos e renda, e o resultado é um crescimento econômico pífio. Embora o cenário externo, contrariamente ao de alguns anos atrás, seja extremamente favorável aos países emergentes em geral, o Brasil, por causa dos juros altos e do dólar baixo, não consegue manter o passo com os outros países em desenvolvimento, como China, Chile, Índia, Coréia, perdendo uma oportunidade histórica que dificilmente se repetirá no futuro. Para reorientar e encaminhar a economia na direção correta, o próximo Governo deverá promover cortes drásticos na gastança pública. Infelizmente, o Governo Lula e o PT dão sinais de não ter condições de fazer isso. Pelo contrário, notícias da imprensa dão conta de que alguns petistas mais insanos querem um Banco Central “social”. Essa idéia traz à lembrança o tal Banco Popular, do Banco do Brasil. Aquele que, em 1 ano, gastou mais com publicidade do que com empréstimo popular e serviu para acomodar e premiar derrotados e clientes de Waldomiro Diniz. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é necessário ainda aperfeiçoamento dos programas da Rede de Proteção Social. Os programas de redistribuição de renda implantados em vários Estados e pelos Governos anteriores tiveram grande impacto na melhoria da qualidade de vida das populações mais carentes. Em que pese sua importância para milhões de pessoas, é preciso que sejam evitados 2 graves equívocos de tais políticas: o assistencialismo puro e simples e sem exigência de contrapartida em termos de educação, de assistência à saúde e de inclusão social; e o uso eleitoreiro de tal benefício. O assistencialismo engendra um círculo vicioso de dependência, miséria e falta de perspectiva para o crescimento pessoal e de emprego. Uma frase atribuída a D. Geraldo Majela, CardealArcebispo de Salvador e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, resumiu bem o que pensa o povo brasileiro sobre este assunto: “Quem está com fome deve receber seu alimento, mas não ficar assim sendo estimulado a não fazer nada, ganhando 60 reais, 80 reais por mês. Dê trabalho para todos”. Se os programas como o Bolsa-Família são “politicalha é claro Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS que não posso louvar”. O ideal – e as políticas devem mirar esse objetivo – é um programa sério de criação de empregos e de investimentos na produção. Não se pode contestar a importância de uma política eficiente de proteção social para as famílias em risco alimentar, mas a sociedade deve fazer um intenso controle sobre esses 2 riscos. Não é possível aceitar que os pobres do Brasil sejam mais uma vez massa de manobra eleitoreira de quem quer que esteja no poder e sejam intencionalmente mantidos em sua condição de miséria e dependência, para servirem aos desígnios de populistas que gostam de ser chamados “pais dos pobres”. Devem ser fortalecidas as instituições democráticas. A alternância de poder entre os partidos é salutar para a democracia. No caso brasileiro, serviu também para comprovar que o sistema democrático brasileiro é sólido. Mas o que não sabíamos é que, nos 3 anos seguintes, as nossas instituições democráticas seriam submetidas a prova de fogo, pois resistiram bem às investidas autoritárias do Governo do Presidente Lula. Ao espocar das denúncias do Deputado Roberto Jefferson, a tática do Presidente Lula foi passar à opinião pública – e nisso conseguiu o seu intento – que esse é um problema do Parlamento e que ele e a sua tríade Dirceu, Genoíno e Gushiken, coadjuvados por Delúbio, Waldomiro e Silvinho, nada sabiam. Não há como negar que esse mar de lama, exposto pelas CPIs, nasceu no Palácio do Planalto e na Esplanada e esparramou-se fetidamente para o Congresso Nacional. Historicamente, sabe-se que, quando se desprezam os princípios democráticos, tenta-se primeiro desmoralizar a representação popular. Em seguida, procura-se amordaçar ou intimidar a imprensa livre e depois controlar a produção cultural. Essa foi a tática petista, engendrada pela mente experimentada do eminente criminalista Ministro Thomaz Bastos. A primeira parte foi bem-sucedida, pois uma parcela do povo brasileiro infelizmente acredita até hoje que mensalão e compra de consciências e de votos na Câmara é assunto de inteira responsabilidade do Congresso e que a questão do caixa 2 é um pecadilho eleitoral e que todos os partidos têm culpa nesse cartório. O segundo passo foi tentar controlar a imprensa livre, com a criação do Conselho Nacional de Jornalismo. Segundo o jornalista José Nêumane, a sua criação “é uma idéia de matar Hitler, Stalin, Mussolini, Getúlio Vargas, Perón e outros tiranos de inveja. Em vez de censurar, em vez de prender, em vez de calar os críticos recalcitrantes dessa marcha para o socialismo pelas brechas da democracia, o Governo de Lula e do PT encontrou um meio suave (mas definitivo) de punilos: cassar-lhes o registro profissional no Ministério do Quinta-feira 13 19147 Trabalho e negar-lhes o direito de exercer a profissão”. Tudo em nome da democracia e do respeito às leis. A criação da ANCINAV seguiu a mesma linha de raciocínio, com a intenção de controlar a produção intelectual e cultural do País. A quebra de sigilo do caseiro no caso Palocci e a determinação para que a Caixa Econômica Federal, a Polícia Federal, a Receita Federal e o COAF usassem todo o seu arsenal investigativo para intimidar uma testemunha são o mais grave atentado à ordem democrática que se viu neste País desde a redemocratização. E o mais grave ainda é a possível participação do Ministro da Justiça no episódio. Justamente ele, que, constitucionalmente, é o guardião dos direitos do cidadão. Para o bem da democracia, torna-se imperativo que todas as responsabilidades sejam apuradas. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, para a tristeza de todos nós paranaenses, não posso furtar-me de relatar que a mesma atitude de desrespeito às leis e às instituições constituídas é protagonizada pelo Governador Requião. Foi eleito dizendo ser peemedebista por legenda e petista de coração. Realmente, parece seguir o que o coração manda ao executar as lições da cartilha do Presidente Lula. Requião também coloca em risco a democracia ao estimular as invasões do MST às praças de pedágio, ao quebrar contratos, ao manipular a rede estatal de rádio e televisão, usando-a para o elogio de um governo caótico. Faz desses canais palanque para atacar adversários e ainda submete os jornalistas à sua própria vontade. Enquanto o Governo do PT, comandado pelo Presidente Lula, tenta exercer um controle mais sutil sobre a imprensa a partir da criação de um conselho contra a liberdade, Requião prefere o uso da força para fazer valer sua vontade. Realizou uma campanha sórdida contra o jornal Gazeta do Povo, que ousou publicar críticas, justas, aliás, à sua administração. O Governador fez publicar na capa de alguns jornais do Estado – sem explicar quem pagou – um anúncio intitulado As sete mentiras da Gazeta do Povo sobre o Plano de Carreira dos Professores do Paraná, dizendo que eram “mentiras” as informações publicadas no jornal. Não contente, partiu simplesmente para a agressão física contra o jornalista Fábio Silveira, do Jornal de Londrina. Requião, que participava de uma inauguração no Município de Centenário do Sul, desligou o gravador do profissional e torceu-lhe o dedo. Diante da intervenção de uma colega, que tentou pôr fim à agressão, Requião respondeu: “Não quebro o seu, minha flor, mas homem eu trato como homem”. 19148 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O próprio Sindicato dos Jornalistas do Paraná elaborou uma lista de agressões de Requião contra os profissionais de imprensa, que foi publicada no Observatório da Imprensa. Não preciso aqui divulgá-la. O seu modo de governar e a forma como trata as pessoas e o bem público autorizam a que se lhe aplique a célebre frase atribuída a Luiz XIV: “L’Etat c’est moi”. Sr. Presidente, o Congresso Nacional pode ter tido suas faltas e defeitos – certamente as teve –, mas serviu de baluarte na defesa das instituições democráticas, com o apoio indispensável de organismos sociedade civil, como OAB, associações de classe, da imprensa livre e outras. Também serve de alento – é uma prova do bom funcionamento das instituições democráticas – a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra todos os envolvidos no chamado esquema do mensalão. A imparcialidade, aliás, já demonstrada pelo Ministério Público nas investigações, é neste momento crucial para a estabilidade democrática. Mais do que nunca a sociedade deve estar atenta para rechaçar, com a mais veemente repulsa, quaisquer tentativas ou atos, vindos de quem quer que seja, no sentido de atropelar os princípios que regem a nossa democracia. É preciso que as forças democráticas redobrem a vigilância e se unam na defesa de nosso maior bem, que deve estar acima de qualquer consideração político-partidária ou ideológica: a democracia plena. Ao encerrar este pronunciamento, Sr. Presidente, desejo a todos uma feliz Páscoa e que possamos estar em companhia de Deus e da nossa família nesse momento. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Márcio Reinaldo Moreira, para uma Comunicação de Liderança, pelo PP. O SR. MÁRCIO REINALDO MOREIRA (PP – MG. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Município de Sete Lagoas, em Minas Gerais, com cerca de 230 mil habitantes, viveu o dia mais triste e humilhante de sua história político-administrativa no último dia 6 de abril, com a cassação do mandato de seu Prefeito, Ronaldo Canabrava. Essa cassação ocorreu com os votos unânimes dos Vereadores, seguindo o parecer da Comissão processante, que julgou procedente duas das cinco denúncias apresentadas contra o Prefeito Ronaldo Canabrava. A primeira, pelo não-pagamento de precatórios determinado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em total descumprimento de ordem judicial. Ronaldo Canabrava ainda foi condenado por Abril de 2006 uma sonegação fiscal na transferência de um imóvel para a sua esposa Selma Canabrava, cujo valor real de mercado é de 150 mil reais, mas foi registrado em cartório pelo ínfimo valor de 12.500 reais causando prejuízos aos cofres públicos. A sessão da Câmara Municipal de Sete Lagoas durou mais de 10 horas para que todo o Regimento fosse cumprido rigorosamente, dando amplo direito de defesa ao acusado. Os onze votos favoráveis à sua cassação, os quais representam a vontade unânime dos representantes dos cidadãos de Sete Lagoas, configuram um ato de justiça que combate frontalmente os atos de improbidade administrativa praticados pelo ex-Prefeito Ronaldo Canabrava. Corrupção administrativa é um dos maiores males do País, pois é disfarçado de administrador que os aproveitadores de plantão lesam os cofres públicos, buscando o enriquecimento fácil, porém ilícito e imoral. Sr. Presidente, a Comissão processante, presidida pelo Vereador Caio Dutra Teixeira, do PSC, tendo como Relator o Vereador Gilmar Antão da Silveira, do PFL, e como vogal o Vereador Duílio de Castro, do PMN, teve uma atuação marcada pela imparcialidade, moralidade e democracia, condições que contribuíram para que nenhum Vereador daquela valorosa e ética Câmara Municipal pudesse votar contra a cassação. Essa é uma decisão que, por um lado, enche de tristeza os cidadãos de Sete Lagoas, que confiaram seus votos a uma pessoa que não se fez digna deles. Por outro lado, enche de orgulho todos os filhos daquela cidade, os quais hoje estão cientes de que seus representantes no Legislativo Municipal cumprem suas obrigações e fazem jus aos votos recebidos. Sr. Presidente, registro minhas congratulações a nossa Câmara Municipal pela decisão forte tomada oportunamente. Os problemas administrativos do Sr. Prefeito Ronaldo Canabrava vão mais além. O Ministério Público de Minas Gerais e a Câmara Municipal investigam o ex-Prefeito por vários atos de corrupção, como desvio de combustível, sucateamento da frota municipal, enriquecimento ilícito, aquisição de materiais no setor educacional para obras fantasmas. Existem mais denúncias a serem apuradas e, acreditamos piamente, Ministério Público e Câmara Municipal saberão conduzir as investigações com a mesma seriedade e imparcialidade para que as decisões futuras também não deixem pairar a menor dúvida no ar. O ex-Prefeito Ronaldo Canabrava enfrenta, além de uma terceira Comissão processante, uma Comissão Parlamentar de Inquérito presidida pelo Vereador Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Euro de Andrade, do PP, para investigar denúncias seriíssimas na área de merenda escolar. O ex-Prefeito foi condenado também pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais devido, na sua administração, durante 2001 a 2004, ao fato de ter elevado seus subsídios de R$11.500,00, passando a receber R$20.000,00, um aumento ilegal e imoral, como comprovou o Tribunal de Justiça, que condenou o ex-Prefeito a devolver integralmente a remuneração percebida a mais. O Tribunal entendeu que Canabrava contrariou a Lei de Responsabilidade Fiscal, bem como os preceitos constitucionais que se referem à moralidade e à responsabilidade administrativa. Porém, Sr. Presidente, nem só de tristezas e decepções vive a população de Sete Lagoas. No meio de tantas improbidades, de tantas denúncias de corrupção administrativa, surge uma nova esperança para o Município que já começa a se transformar numa nova realidade para Sete Lagoas. A posse do Leone Maciel, Vice-Prefeito, deixou de ser apenas um marco de esperança para o Município para se transformar numa realidade de ética e de moralidade para Sete Lagoas. O Prefeito Leone Maciel, nem bem assumiu o cargo, já determinou ampla auditoria em todos os setores do Prefeitura, com destaque para o Programa Brasil Sorridente, mantido pelo Governo Federal. Em Sete Lagoas, há indícios de que o programa pode estar com o “sorriso amarelo e com os dentes cariados”. E o novo Prefeito quer se aliar aos esforços do Ministério Público e da Câmara Municipal para a total elucidação dos crimes administrativos que foram cometidos. O Prefeito Leone Maciel prometeu uma administração participativa, e o povo já começa a sentir os efeitos das mudanças anunciadas. Este Prefeito, em ato público, determinou o encerramento da conta bancária da Prefeitura de Sete Lagoas junto ao Banco Real, transferindo-a para a Caixa Econômica Federal, inclusive a folha de pagamento dos servidores municipais. Suspeita-se que, por meio dessa conta aberta ao arrepio do art. 164, §3º, da Constituição, que determina a manutenção das contas de órgãos públicos em bancos oficiais, a administração anterior tenha cometido muitas ilicitudes. Os mais diversos segmentos da sociedade foram convidados ao diálogo para construir uma Sete Lagoas mais humana, com mais qualidade de vida, priorizando o estrito cumprimento e o respeito aos Poderes Legislativo e Judiciário. A estagnação vivida por Sete Lagoas com o ex-Prefeito Canabrava começa a dar lugar a um canteiro de obras, retomando o ciclo de desenvolvimento do Município, até mesmo para recuperar o tempo perdido. Quinta-feira 13 19149 Em seu primeiro dia como Prefeito de Sete Lagoas, Leone Maciel tomou medidas urgentes que nem poderiam esperar para segunda-feira. A irresponsabilidade que imperava nos atos da administração pública anterior permitiu que 803 contratos na área educacional e 348 na administração direta, todos eles efetuados em fevereiro, não tivessem sido publicados até aquela data. Corriam o risco de serem nulos ou extintos, prejudicando diretamente a população. O novo Prefeito assumiu sem rancor e ciente de que terá de honrar os compromissos – legais – assumidos pelo ex-Prefeito. Prometeu retomar as obras do Projeto Somma, que estavam paralisadas. Leone Maciel e a cidade podem estar certos de que, se depender do nosso trabalho, do nosso esforço e da nossa dedicação, as obras serão reiniciadas imediatamente. Vamos juntos somar esforços para a retomada do desenvolvimento de Sete Lagoas. Muito obrigado. O SR. MAURO PASSOS – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. MAURO PASSOS (PT – SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, trago, mais uma vez, ao conhecimento da Casa a preocupação quanto ao serviço de atendimento de água na cidade de Itapema, em Santa Catarina. Participamos das audiências públicas desde o início, quando a Prefeitura Municipal requereu para si esse serviço. Sabíamos com antecedência que a municipalização incorreria em privatização. A Prefeitura vendeu a concessão para uma empresa privada, que está sendo condenada pela Justiça a cobrir uma dívida de 3 milhões de reais por não pagar pela água que distribui e por cobrar religiosamente dos consumidores. Portanto, registro que a municipalização da água é um caminho para a privatização, para a perda da qualidade dos serviços. Por isso, está sendo anunciada, nos jornais do nosso Estado, uma dívida já reconhecida pela Justiça de Santa Catarina. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao Sr. Deputado Paes Landim, do PTB. S.Exa. dispõe de até 25 minutos. DISCURSO DO SR. DEPUTADO PAES LANDIM QUE, ENTREGUE À REVISÃO DO ORADOR, SERÁ POSTERIORMENTE PUBLICADO. 19150 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. MAURO BENEVIDES – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB – CE. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no próximo dia 13, o Município de Fortaleza estará completando 280 anos de existência legal, situando-se entre as mais modernas Capitais do País, com índices de desenvolvimento estimulantes, que lhe permite classificar-se, merecidamente, como uma das mais progressistas do País. Vereador que era daquela metrópole, ao iniciar minha trajetória política, perpetuamente tive a preocupação de manter-me vinculado às suas justas e legítimas aspirações, até porque ali fui favorecido por consagradoras votações, quando postulei o cargo majoritário de Senador da República, o que, em 19911992, me permitiu chegar à direção do Senado e do Congresso Nacional. Não poderia omitir que, em 1985, registrou-se o fim de odienta discriminação que alcançava as maiores cidades brasileiras, cuja autonomia política fora usurpada indevidamente, prevalecendo, na ocasião, a sistemática antidemocrática do Prefeito nomeado, numa excrescência que, com ajuda de muitos, pude banir da nossa memória institucional. No ano passado, foi comemorado o decurso de 2 décadas da chamada Emenda Benevides, restauradora de uma prerrogativa de inquestionável significação democrática. A 15 de novembro de 1985, punha-se termo a uma draconiana inovação do movimento de março de 64, voltando as Capitais a escolher seus dirigentes por voto direto, da forma que recomenda a acertada tradição emanada do povo. Por isso, sempre que me é possível, registro o aniversário de Fortaleza, realçando esta grata correlação, saudando-a como sendo dos mais auspiciosos momentos de nossos fastos historiográficos. No ano passado, falando sobre esse mesmo evento, fiz uma retrospectiva da sua expansão urbanística, cumprimentando a Prefeita Luizianne Lins que se acha à frente de nossa edilidade, eleita na legenda do Partido dos Trabalhadores, enfrentando, inclusive, incompreensões de muitos correligionários, mas sendo proclamada vitoriosa na disputa de 2004. Antecedendo-a no cargo, estava o Dr. Juraci Magalhães, então integrando a legenda do PMDB, a quem emprestei decidido apoio ao cumprimento de metas arrogadas que consagraram sua profícua gestão. Hoje, nas consignações orçamentarias de nossa bancada, constantemente fizemos ponderável inserção Abril de 2006 para Fortaleza, a fim de que Luizianne possa solucionar problemas cruciais, com o apoio da União. Saúdo, pois, a cidade em que nasci e de onde saí pelos seus 280 anos, buscando o Parlamento Nacional, após cumprir 4 mandatos de Deputado Estadual, em longa experiência que melhor me capacitasse para cumprir as árduas tarefas de Senador da República e Deputado Federal. Fortaleza teve para a consolidação do meu modesto prestígio incomparável preponderância, permitindo acolher os anseios de sua gente. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra à nobre Deputada Vanessa Grazziotin, do PCdoB do Amazonas. S.Exa. dispõe de 25 minutos. A SRA. VANESSA GRAZZIOTIN (PCdoB – AM. Sem revisão da oradora.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, companheiras e companheiros, antes de iniciar o pronunciamento que me traz à tribuna no Grande Expediente desejo fazer 2 registros de grande importância. O primeiro diz respeito à greve dos vigilantes do Estado do Amazonas, deflagrada na última segundafeira, dia 10, após inúmeras tentativas frustradas, infelizmente, de negociação entre trabalhadores e empregadores. V.Exa. mesmo já teve oportunidade de ir a minha cidade, Manaus, acompanhar evento ligado aos trabalhadores em vigilância, porque, há alguns anos, em defesa da categoria, o então Presidente do sindicato foi barbaramente assassinado. Novamente, este ano, os empregadores se apresentam com grande intransigência. A reivindicação é pela reposição das perdas salariais, reajuste em torno de 12%. Em decorrência da falta de acordo, a categoria, muito unida, deflagrou, na última segunda-feira, uma greve. Estive com esses trabalhadores para levar nosso apoio, na tentativa de agilizar a negociação, a fim de que sua luta saia vitoriosa, a ponto de terem o reajuste pretendido. Alto e grande é o lucro do patrão, e não o salário do trabalhador. Dói no nosso coração pegar o contracheque de um trabalhador vigilante e ver que ganha 470 reais, salário insuficiente para manter uma pessoa, imagine uma família. Da tribuna desta Casa, não apenas registro essa greve, mas nosso total apoio às reivindicações desse segmento do Estado do Amazonas. Sr. Presidente, o segundo registro diz respeito à audiência pública que realizamos na Comissão do Trabalho. A Deputada Almerinda de Carvalho participou dessa reunião, que, tamanha a quantidade de pessoas que se deslocaram do Brasil para cá, teve de ser realizada no auditório Nereu Ramos, o maior da Casa, e contou com a participação de aproximadamente 500 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS pessoas, trabalhadores anistiados, brasileiros e brasileiras, que sofreram perseguições políticas das mais diferentes ordens. Nessa audiência pública, discutimos a aplicação da Lei nº 10.559, de 2002, A Lei da Anistia, que, aprovada apenas há 3 anos, garante direito de recebimento de salários e indenizações aos perseguidos políticos deste País. O objetivo da reunião foi debater com dirigentes brasileiros a morosidade na tramitação dos processos, a demora no pagamento a esses cidadãos que cumpriram papel tão importante na luta em defesa da democracia. E se nós vivemos numa sociedade mais aberta, devemos, em grande parte, à luta dessas pessoas. Portanto, repito o que disse o Ministro Márcio Thomaz Bastos, que esteve na audiência pública: a dívida perante esses homens e mulheres não é este Governo que tem, mas o Estado brasileiro, que a eles deve o reconhecimento e, muito mais do que isso, a garantia de uma vida mais tranqüila neste final de existência, por todas as arbitrariedades que sofreram no passado. Estiveram presentes no evento o Sr. Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o Sr. Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o Sr. Presidente da Comissão de Anistia, Dr. Marcelo Lavenère, e o Sr. Secretário-Executivo do Ministério da Justiça, Dr. Luiz Paulo Barreto. Acordos importantes foram ali deliberados. O Ministro do Planejamento se comprometeu perante os presentes que será formada comissão tripartite do Governo Federal, da Câmara dos Deputados e do anistiados para, no máximo em 30 dias, iniciar o pagamento dos atrasados. Isto é, que seja feita proposta de negociação, uma vez que não há disponibilidade imediata para pagar tudo a todos. Mais uma vez, cumprimento as diversas entidades que lá estiveram e presto homenagem a esses homens e mulheres lutadores em defesa de uma Nação melhor, mais livre e democrática, em defesa de princípios inalienáveis como a liberdade. Ouço, com prazer, o nobre Deputado Mauro Benevides. O SR. MAURO BENEVIDES – Deputada Vanessa Grazziotin, há poucos instantes estava conversando com a Deputada Almerinda de Carvalho, que participou também do acontecimento, e realçava sua importância. Esse tema já me levou ao gabinete do Dr. Marcelo Lavenère Machado, que, se V.Exa. não sabe, foi Presidente do Conselho Federal da OAB e o primeiro signatário do pedido de impeachment formulado contra Fernando Afonso Collor de Mello. Até por imposição institucional da época, tive de ter proximidade tanto com ele quanto com o Presidente Barbosa Lima Sobrinho, quando V.Exa. ainda estudava no Amazonas, bem jovem que Quinta-feira 13 19151 era, e continua a sê-lo. Tive convivência com esses 2 ilustres proponentes do pedido de impeachment contra Fernando Collor de Melo e posso lhe dizer que o Dr. Marcelo Lavenère Machado mostrou-se predisposto a agilizar a tramitação desse processo, evidentemente invocando em seu desfavor a carência de recursos para atender a tantos pleitos. Acredito que as manifestações do Secretário-Executivo do Ministério da Justiça, Dr. Luiz Paulo Barreto, que é quem movimenta as verbas orçamentárias daquela Pasta, e do Ministro da Justiça, serão um esforço para que atendamos aos anistiados e façamos, efetivamente, justiça àqueles que foram penalizados pelos Governos anteriores. A SRA. VANESSA GRAZZIOTIN – Nobre Deputado Mauro Benevides, agradeço a V.Exa. o aparte, que muito engrandece meu pronunciamento. Não tenho dúvida da sua luta em defesa dos anistiados políticos. V.Exa., além de brilhante Parlamentar e orador magnífico desta Casa, é defensor das melhores causas da liberdade e da justiça social. O SR. MAURO BENEVIDES – Não exagere, nobre Deputada Vanessa Grazziotin. A SRA. VANESSA GRAZZIOTIN – Não é exagero. V.Exa. sabe que é um dos mais brilhantes oradores que esta Casa possui. Sr. Presidente, para concluir o registro sobre a audiência pública de hoje, informo ao Plenário que todos saímos de lá muito esperançosos, principalmente as anistiadas e os anistiados, com o fato de que os processos, a partir de agora, têm chance de tramitar com maior agilidade e de que aqueles que já foram julgados permitam sejam pagos aos atingidos diretamente ou a seus familiares as indenizações ou proventos mensais que lhes são de direito. Cumprimento desta tribuna o Ministro Paulo Bernardo e também, como manifestamos durante a audiência pública, o Deputado Carlito Merss, que aumentou significativamente o valor no Orçamento da União para 2006 dos recursos destinados ao pagamento dos anistiados. A audiência pública, sem dúvida nenhuma, trará frutos importantes e acenderá ainda mais a esperança dessas pessoas que tanto já sofreram. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, desde ontem, jornais e telejornais de nosso País divulgam que o Procurador-Geral da República, Dr. Antonio Fernando de Souza, recebeu dos membros da CPMI dos Correios cópia do relatório da Comissão. Informa também que o Ministério Público irá entregar ao Supremo Tribunal Federal denúncia relativa ao escândalo do mensalão. Teria sido entregue antes do encerramento dos trabalhos da CPMI. Ele não quis divulgar. Foi entregue sob sigilo de Justiça para não influenciar, segundo a imprensa, o relatório que, posteriormente, seria votado na CPMI dos Correios. 19152 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Segundo matérias publicadas pela imprensa, o Procurador-Geral da República, Dr. Antonio Fernando de Souza, denunciou ao Poder Judiciário 40 pessoas sob a acusação de integrarem organização criminosa. Essas pessoas estariam envolvidas, em graus diferentes, com aquilo que ele denomina crime do mensalão. O jornal Folha de S.Paulo divulga a lista com o nome dessas 40 pessoas e seus respectivos crimes. O Plenário do STJ deverá decidir se abre processo criminal. Aí, sim, novas investigações poderão ocorrer. Gostaria de destacar, Sr. Presidente, que esse fato representa, sem dúvida alguma, o pleno funcionamento das instituições no País. É muito importante destacarmos esse fato. O Procurador-Geral da República, Dr. Antonio Fernando, foi nomeado, no ano passado, pelo próprio Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse ato praticado por ele é uma, dentre tantas, demonstração cabal de que ele – quando falo ele não me refiro à pessoa do Dr. Antonio Fernando, mas ao Procurador-Geral da República – não sofreu qualquer pressão por parte do Governo Federal e pôde trabalhar com a maior independência. Isso é muito importante, repito. É um princípio que devemos destacar. Aliás, entendo que a própria imprensa deve destacar. Em um País como o nosso, infelizmente, isso não é um fato corriqueiro. Neste momento, não estou expressando qualquer juízo de valor, mesmo porque não tive acesso a essa denúncia proferida pelo Ministério Público Federal, tampouco às investigações por ele desenvolvidas. Destaco que esse ato representa a mais completa independência com que vem agindo o Ministério Público Federal. Sr. Presidente, foi com base também, por exemplo, no inquérito movido pela Polícia Federal que o próprio Procurador-Geral da República, Dr. Antonio Fernando de Souza, há pouco tempo tomou decisões importantes. Cito aqui a decisão de bloquear a conta da mulher do empresário Marcos Valério, Sra. Renilda de Souza, uma das denunciadas, que, durante o funcionamento da CPI, tentou sacar quase 2 milhões de reais do Bank Boston de Belo Horizonte. Portanto, a Polícia Federal fez as investigações, percebeu o problema e o encaminhou ao Ministério Público Federal, que solicitou o bloqueio das contas. Este é mais um exemplo de que o Ministério Público e a própria Polícia Federal vêm agindo com total liberdade, o que é muito importante no processo de fortalecimento da democracia. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, na ocasião da nomeação do Dr. Antonio Fernando de Souza, ele próprio já reconhecia que as circunstâncias de o Presidente nomear o Procurador da República não vinculariam o Governo nem eliminariam a independência do Ministério Público Federal. Abril de 2006 Quanto à denúncia oferecida ao Supremo Tribunal Federal, repito, não a li, as únicas informações de que disponho – eu e a maioria dos Parlamentares – referem-se ao que foi fartamente publicado, hoje, pela imprensa de todo o País. Neste momento, Sr. Presidente, mais do que ponderações, quero fazer algumas perguntas que devem ser respondidas. Busquei, em incessante leitura das matérias, respostas a tais questionamentos, mas não as encontrei. Vejam bem, Srs. Parlamentares. Segundo noticia a imprensa, na denúncia encaminhada pelo Procurador-Geral da República ao Poder Judiciário, ele reconhece que o tal esquema do mensalão, da utilização indevida de recursos, da utilização de recursos para angariar apoios políticos, teria se iniciado, em 1998, na campanha de reeleição do Sr. Eduardo Azeredo, hoje Senador, para o Governo de Estado de Minas Gerais. Isso consta da denúncia do Procurador-Geral da República e do relatório da CPMI dos Correios. Sr . Presidente, na relação das 40 pessoas que foram denunciadas, procurei, mas não encontrei, o nome do Senador Eduardo Azeredo. O nome dele não consta da relação. Por que não consta? Esta é uma pergunta que faço, neste momento, ao ProcuradorGeral da República. O Dr. Antonio Fernando tem que responder a essa indagação não a mim, mas à Nação. A independência tem que haver não só em relação ao agir do Ministério Público Federal, mas também em relação aos atos daquela instituição. E mais, Sr. Presidente, tenho aqui a relação, publicada na página A-4 da Folha de S.Paulo de hoje, e dela constam o nome de todos os Parlamentares investigados pelo Conselho de Ética – alguns foram julgados por este Plenário, uns, absolvidos; outros, cassados; outros renunciaram a seu mandato —, com exceção do nome do Deputado Roberto Brant, do Partido da Frente Liberal. Assim como não há o nome do Deputado Roberto Brant, não consta da denúncia do Ministério Público o nome do Senador Eduardo Azeredo, do PSDB. Temos aqui o Deputado Josias Quintal, membro do Conselho de Ética. S.Exa., muito mais do que nós que não participamos do Conselho de Ética, teve oportunidade de conhecer, em detalhes, o processo de todos os Parlamentares que pelo Conselho foram investigados. E lá foi investigado também o Deputado Roberto Brant. A decisão do Conselho de Ética foi pela sua cassação, mas este Plenário, posteriormente, absolveu-o. Não estou entrando neste mérito, mas em outro. Veja, Deputado Darcísio Perondi, acabei de dizer aqui que a primeira coisa que fiz foi registrar o fato de o Ministério Público Federal ter tido a possibilidade de atuar com independência, o que é muito importante. No entanto, faço alguns questionamentos. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O Sr. Darcísio Perondi – Permite-me V.Exa. um aparte? A SRA. VANESSA GRAZZIOTIN – Com muito prazer e carinho, vou lhe conceder um aparte. Quem sabe V.Exa. me responda por que Deputados chegaram ao Conselho de Ética com denúncias semelhantes e somente alguns foram denunciados pela Procuradoria. Quero acreditar no agir do Ministério Público Federal. Mas, com esses questionamentos, não vou poder afirmar que não há qualquer tendenciosidade política. Ouço o aparte do nobre Deputado Perondi. O Sr. Darcísio Perondi – Deputada Vanessa Grazziotin, V.Exa. é uma extraordinária Parlamentar, enriquece sobremaneira esta Casa e, com brilho, inteligência e dedicação, defende o seu Estado, o Amazonas. Os compromissos amazônicos têm enorme significado para todo o País e para o mundo. Meus cumprimentos pelo seu trabalho e pela análise serena que faz do quadro que enlameou a política brasileira. Refiro-me à corrupção desencadeada no País neste Governo. Eu não posso responder, não sou jurista, ao questionamento de V.Exa. Mas quero fazer minha homenagem ao Dr. Antonio Fernando de Souza e à sua equipe. Que bom que temos um Ministério Público altivo, independente e corajoso. O órgão não se orienta pela partidarização, como algumas fumaças que saíram de outros órgãos da Justiça brasileira. Hoje, sou um brasileiro mais tranqüilo. O Dr. Antonio Fernando foi claro, objetivo, seguro, firme. S.Exa. enriqueceu aquilo que a CPI dos Correios encaminhou, fez investigações paralelas. Era isso o que a população estava esperando. Essas 40 pessoas não foram julgadas. Quem vai fazê-lo será o Poder Judiciário que, espero, seja altivo, corajoso e independente. Obrigado, Deputada. A SRA. VANESSA GRAZZIOTIN – Este é o recinto apropriado para expressarmos nossas opiniões diferentes e divergentes, o que é muito bom. Infelizmente, não faço a mesma homenagem que V.Exa. faz ao relatório, à denúncia do Procurador-Geral da República. Não faço até que as perguntas sejam respondidas. Senão, vai ficar sempre o questionamento da parcialidade do relatório: por que alguns foram denunciados por terem cometido o mesmo crime e outros não? Essa resposta o Procurador-Geral da República tem de dar à Nação. Deputado Darcísio Perondi, V.Exa. foi um dos Líderes do Governo anterior. Quero dizer-lhe na sua presença que de fato os tempos mudaram – e muito – com o Governo do Presidente Lula. CPI, no passado, nem pensar! Onde está a CPI da compra de votos? Até o ex-Presidente foi a um programa de televisão, muito assistido por sinal, e disse que pode até ter havido compra de votos naquela época. Por que então S.Exa. não permitiu a instalação das CPIs da compra de votos e das privatizações? É diferente do que aconteceu neste Governo. Queremos acabar com a corrupção, que não é a marca deste Governo, mas infelizmente é intrínseca Quinta-feira 13 19153 do sistema capitalista, em que as pessoas não têm o menor pudor de passar por cima das outras para subir na vida. Esse sistema é errado. Por isso, devemos lutar contra ele e contra a corrupção. Não sou ingênua. Podemos diminuir o grau de corrupção neste sistema, mas não conseguiremos acabar com ela. E como se diminui o grau de corrupção? Tenho certeza de que o Presidente Lula está oferecendo muito mais armas ao povo brasileiro para diminuir a corrupção do Governo passado. Primeiro, permitiu a fiscalização da investigação. Segundo, não temos hoje um Procurador-Geral da República engavetador. Quem não se lembra do Sr. Brindeiro? Onde está o Procurador indicado pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso? Pena, Deputado Darcísio Perondi, que V.Exa. não pode vir aqui parabenizar o Sr. Brindeiro, Procurador do Presidente Fernando Henrique Cardoso, que engavetava absolutamente tudo. Em terceiro lugar, precisamos mudar algumas regras, o que vem sendo feito. Vamos mudar a legislação eleitoral. O Sr. Darcísio Perondi – Gostaria de outro aparte. V.Exa. me citou várias vezes. A SRA. VANESSA GRAZZIOTIN – Deputado Darcísio Perondi, citei V.Exa. com muito carinho. Já concedi a V.Exa. um aparte. O Sr. Darcísio Perondi – Sra. Deputada, quero mais um aparte. V.Exa. me citou 5 vezes. A SRA. VANESSA GRAZZIOTIN – O Presidente Lula vem anunciando medidas importantes. Uma delas é a transparência no serviço público. Hoje já existe o Portal da Transparência na Controladoria-Geral da União. Em breve cada Ministério estará divulgando suas licitações e gastos. Isso vai fazer com que não apenas nós, Parlamentares, sejamos os fiscais da aplicação dos recursos públicos, mas também toda a população brasileira. Não é à toa que a população sabe discernir, reconhece que o Brasil tem sérios problemas – como foi dito, não nego—, eles estão sendo enfrentados. O Presidente da República vem tendo não apenas a altivez e a possibilidade de enfrentar esses problemas, como tem feito um Governo muito melhor, do ponto de vista do País e dos trabalhadores, para toda a nossa gente. Muito obrigada. O Sr. Luiz Couto, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Josias Quintal, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Josias Quintal) – Apresentação de proposições. Os Srs. Deputados que tenham proposições a apresentar queiram fazê-lo. 19154 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19155 19156 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19157 19158 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abril de 2006 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19159 19160 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O Sr. Josias Quintal, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Luiz Couto, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. VI – ORDEM DO DIA (Trabalho de Comissões.) O SR. TARCÍSIO ZIMMERMANN – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. TARCÍSIO ZIMMERMANN (PT – RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, quero apenas registrar que encaminhei solicitação ao Ministério do Trabalho e Emprego, por meio do Conselho Deliberativo do Funde de Amparo ao Trabalhador – CODEFAT, de ampliação das parcelas do segurodesemprego pagas aos trabalhadores do setor coureiro-calçadista, que sabidamente passa por grave crise em nosso País. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Antonio Carlos Mendes Thame, para uma Comunicação de Liderança, pelo PSDB. S.Exa. disporá de até 7 minutos. O SR. ANTONIO CARLOS MENDES THAME (PSDB – SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ontem o País tomou conhecimento da pronúncia do Procurador-Geral da República, indiciando 40 cidadãos como incursos nos mais diversos crimes. Em seu relatório ao Poder Judi- Abril de 2006 ciário, alegou que o Partido dos Trabalhadores montou uma quadrilha para assaltar os cofres públicos. São as palavras do Procurador-Geral da República: “O PT montou uma quadrilha para assaltar os cofres públicos”. Na realidade, esse espantoso e surpreendente quadro de denúncias de corrupção disseminada no Governo Federal não deveria constituir surpresa. Já houve a divulgação de uma senha, no dia 23 de junho de 2003, no jornal O Estado de S.Paulo. Lembram-se V.Exas. daqueles casos de corrupção em que alguém, para dar um recado a outra pessoa, pagava por pequeno anúncio cifrado na seção dos classificados? Pois bem. Naquele dia, artigo de autoria do ex-Presidente do PT, José Genoino, divulgado pelo jornal Estadão, estava assim intitulado: Os Intelectuais e o Governo Lula. O recado não é cifrado, mas muito claro sobre o que ocorreria no País nos meses seguintes. Enfim, era o aviso, a senha de que a corrupção seria praticada. Leio um trecho do artigo: “Na teoria é possível dar-se uma liberdade maior para sustentar posições a partir de convicções e princípios. Na prática política, principalmente no governo, a liberdade de convicções e a própria vontade são limitadas pelo senso de responsabilidade que os agentes precisam ter”. Na teoria, convicções; na prática, responsabilidade. Em outras palavras: Genoino explicitava que, durante toda a sua existência como partido de Opo- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sição, o PT fora adepto da ética da convicção. Agora, porém, que assumiu o poder, opta pela ética da responsabilidade. Didaticamente, Max Weber escreveu: “A ética da convicção embute uma abordagem de princípios, enquanto que a ética da responsabilidade utiliza a abordagem da finalidade. Na ética da convicção, as ações são justificadas por leis morais ou ideais da vida coletiva. Leis morais que não toleram desvios. Por outro lado, na ética da responsabilidade justificam-se os atos pelas conseqüências. Conseqüências que deveriam promover o máximo bem ao maior número de pessoas. A abordagem da finalidade, seguindo a ética da responsabilidade, determina que se procure obter resultados custe o que custar, pois as ações, por mais ilegítimas, serão legitimadas pela grandiosidade dos fins”. Em outras palavras: tudo é válido, desde que seja para trazer o máximo de felicidade ao maior número possível de pessoas. As atitudes respaldadas na ética da responsabilidade repousam na complacência frente às agressões às normas morais. Quem pratica a ética da responsabilidade tende a fugir ao dever e à lei, mas justifica as suas ações, alegando que se deve, sim, lançar mão dos meios disponíveis para evitar que o mal maior vença e prevaleça. Para atingir fins bons, seria obrigado a recorrer a meios moralmente desonestos ou perigosos. No fundo, essa seria a alegação do PT, já preconizada no jornal O Estado de S. Paulo em 21 de junho de 2003 por seu ex-Presidente, para justificar a rede de corrupção generalizada e sistêmica que se montou no atual Governo e que hoje está desnudada. O PT montou-a numa escala nunca vista. Ou seja, nas palavras do Procurador-Geral da República, montou uma rede para pagar dívidas pretéritas e se manter no poder. Não foi para enriquecimento pessoal dos seus membros, mas para se manter no poder. Sobre esse assunto, é bom nos lembrarmos novamente das palavras de Max Weber: “Nenhuma ética no mundo é capaz de nos dizer em que momento e em que medida um fim moralmente bom justifica meios desonestos”. Meios desonestos são sempre meios desonestos. Aliás, a esse respeito, pergunto: quais seriam esses fins moralmente bons defendidos pelo PT para justificar tamanha corrupção? Qual é o projeto do PT? Quinta-feira 13 19161 Qual é o seu programa de governo? Quais os objetivos tão desejados que justificariam tamanha corrupção? Vejam V.Exas. o caso da nossa economia! O PIB brasileiro hoje é de 1,9 trilhão de reais. Cresceu 2,3% no ano passado, ou seja, 40 bilhões. Se somarmos o crescimento de todas as empresas, de tudo o que se produziu no País – e nessa soma se inclui o lucro dos bancos —, teremos como resultado o crescimento do PIB em 40 bilhões de reais. Pois bem. Sabem V.Exas. qual foi o lucro dos bancos em 2005? De 21 bilhões de reais! Foi a metade do crescimento de 100% da produção brasileira. Sabem V.Exas. quanto o País pagou de juros da dívida em 2005? Foram 163 bilhões de reais. Destes, 70% – ou seja, 115 bilhões de reais – foram destinados a 20 mil famílias. Já fizeram V.Exas. o exercício de dividir 115 bilhões de reais por 20 mil famílias? São 5 milhões de juros por família. É o mais perverso processo de concentração de renda da história deste País. Para arrecadar 163 bilhões de reais, o que fez o Governo? Aumentou impostos. A carga tributária nacional está cada vez maior. A única redução foi justamente do crescimento do País. E assistiremos, pela primeira vez em 10 anos, à redução da safra de grãos do País. O resultado disso será inflação e alta do preço dos produtos agrícolas no próximo ano, ou seja, herança maldita para o próximo Presidente da República. Sr. Presidente, a verdade é que a esta incompetência administrativa se soma profunda crise moral que revela a fragilidade das instituições públicas, tomadas de assalto com tamanha facilidade nesta onda de corrupção generalizada. Se não houver pressão popular, disse Dalmo Dallari, nada mudará no País. Vontade política não nasce por geração espontânea. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Eduardo Valverde, para uma Comunicação de Liderança, pelo PT. S.Exa. disporá de até 10 minutos. O SR. EDUARDO VALVERDE (PT – RO. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os tucanos estão alegres, mas não pela denúncia apresentada pelo Procurador-Geral da Republica e, sim, pela decisão da Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que permitiu, em tese, que o Sr. Daniel Dantas, proprietário do Banco Opportunity, volte à empresa Brasil Telecom. Talvez seja essa a grande alegria dos tucanos. Conforme sabem V.Exas., Daniel Dantas, proprietário de um pequeno banco, conseguiu montar estrutura financeira graças à boa influência junto a Ricardo Sérgio e Pedro Malan, e comprou a Brasil Telecom. Com a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ele voltará à bonança na Brasil Telecom. 19162 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Mas quero lembrar à população brasileira um fato: estamos no mês de abril. Há 4 anos, neste mesmo período, no Brasil começava o período de campanha eleitoral. E o Risco País, meu caro Deputado Luiz Couto, já beirava os 2 mil pontos. Hoje, no mesmo período do processo eleitoral, o Risco Brasil não ultrapassa os 240 pontos. Que diferença existe em relação àquele período de elevada instabilidade econômica e política? Por que o País, naquele período do democrático processo eleitoral, estava vulnerável econômica e politicamente? Hoje, 3 anos e 4 meses depois, mesmo com toda a cantilena da Oposição, o Risco País não ultrapassa os 300 pontos. De 2 mil pontos caiu para 300. O Brasil deixou de ser capitalista? Não. Interessante foi o que disse ontem um representante da FIESP: que os empresários vão continuar a fazer investimentos no País. Por que será que vivemos hoje a estabilidade econômica? Os tucanos delegaram ao Presidente Lula um país quebrado, cuja carga tributária alcançou 38% do PIB, apesar de terem recebido com 24%. Quando aumentou a carga tributária? Agora ou no passado? É bom tecer alguns comentários sobre esse assunto para demonstrar a quem quer enganar os cidadãos brasileiros que o País, com toda esta crise política, está estável economicamente e crescendo. Cito um exemplo: as exportações do Brasil, em 2005, chegaram a 1,2%. Esse percentual é o mesmo verificado em 1985. O País recuperou a sua capacidade exportadora; ganhou parceiros internacionais; quebrou a férrea dependência que tinha aos Estados Unidos; implementou relações bilaterais importantes, fortalecendo o MERCOSUL; e recompôs a sua presença no mercado internacional de exportações. Em 2005, o mercado internacional caiu de 9%, em 2004, para 6%, em 2005. Mesmo com essa retração do mercado internacional, cresceu a participação do Brasil na área de exportações. A própria FIESP, que não podemos considerar revolucionária, aponta que a geração de empregos vai crescer no segundo semestre de 2006, mesmo no período eleitoral. Na verdade, o capitalista brasileiro, do grupo mais nacionalista, acredita no País e na grande vantagem obtida no Governo do Presidente Lula, ou seja, a garantia do equilíbrio macroeconômico sem nenhum plano econômico, sem nenhum tipo de confisco, sem nenhum tipo de moratória disfarçada, mas tão-somente com a coragem de tomar as atitudes corretas, a exemplo do cumprimento das metas do superávit primário, da qual falam contrariamente. Abril de 2006 Se porventura o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso tivesse mantido o equilíbrio fiscal; se não tivesse implantado o irrealismo cambial que vulnerabilizou as nossas exportações e nos fez perder mercado, criando a paridade disfarçada; se tivesse tido justeza e pudor nos gastos públicos, sem elevar a carga tributária, certamente o Brasil não estaria na situação em que o encontramos em 2002. Além do equilíbrio macroeconômico, diversas políticas públicas garantiram a geração de 100 mil empregos formais a cada mês. A economia norte-americana gera 120 mil empregos formais por mês. O Brasil, um país emergente, passou a gerar 100 mil trabalhos formais por mês. Como foi possível alcançar essa marca sem uma reforma trabalhista? A flexibilização das leis do trabalho foi tentada no Governo passado, com aquele discurso de que geraria mais emprego. Neste Governo, sem mexer nos direitos dos trabalhadores, foi possível ampliar o número de empregos gerados. Onde está sendo gerada essa quantidade de empregos formais? Conforme já disse, no setor exportador. O Brasil ampliou a sua participação nas exportações de produtos manufaturados. Ainda mantém grande estoque de matéria-prima e de semi-elaborados, mas foi ampliada a participação dos produtos industrializados. O setor exportador brasileiro, mesmo com o real valorizado, conseguiu bater recordes históricos de participação nesse mercado. E o nosso superávit, a nossa balança comercial, tenho a satisfação de informar, já ultrapassou 10 bilhões de dólares. Com o interessante programa que destina 27 bilhões ao Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, o Governo Federal propicia a construção da moradia popular aos pobres. Esse investimento na construção da moradia para a população de baixa renda garante emprego para marceneiros e pedreiros e venda aos fabricantes de telhas e tintas, por exemplo, materiais usados na construção civil. Além dessas ações de microeconomia, ações importantes foram feitas pelo Governo Federal na desoneração da carga tributária. Quero chamar à ordem o PSDB, segundo o qual o Presidente Lula aumentou a carga tributária do País. Foi neste Governo que a carga tributária começou a cair porque os bens de capital importados tiveram desoneração de impostos, bem como diversos produtos da cesta básica tiveram os impostos reduzidos. Hoje pela manhã aprovamos a proposta de elevação da Tabela do Imposto de Renda Pessoa Física. E está em discussão nesta Casa a proposta de criação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que vai Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS desonerar em quase 5 bilhões a carga tributária de pequenos e microempresários. Isso é aumentar carga tributária? Será que as pessoas têm tão pouco conhecimento para não conseguem ver o que representam os dados divulgados pelos jornais? Não são dados fornecidos pelo Partido dos Trabalhadores, nem pelo Governo, mas pelos órgãos oficiais de informação. Será que os tucanos não sabem ler os jornais que eles mesmos patrocinam hoje e que bancaram no passado? Outra dado importante, sobre aposentados e pensionistas. Com o aumento do salário mínimo, quase 22 milhões de brasileiros que vivem de 1 salário mínimo, na forma de benefício da Previdência Social, terão reajustadas a pensão e a aposentadoria. Trata-se do maior reajuste dado à categoria nos últimos 25 anos. A partir do dia 1º de abril, o poder de compra do salário mínimo será o maior dos últimos 15 anos. Mesmo mantendo o superávit primário de 4,3%, para reduzir a nossa vulnerabilidade externa; mesmo tendo direcionado recursos para ampliar o número de famílias com acesso a programas de transferência de renda como o Bolsa Família; mesmo garantindo a transferência de 27 bilhões de reais para o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, que contempla a população de baixa renda; mesmo garantindo a destinação de quase 10 bilhões para o PRONAF; mesmo com o anúncio do possível lançamento de pacote para refinanciar a dívida da agricultura brasileira, em razão da valorização do câmbio e do real e da quebra da safra, o Brasil está menos exposto a riscos. Mesmo no início do processo eleitoral e sob o ataque e a virulenta falta de perspectiva da Oposição que não tem propostas concretas, o Brasil continua estável, crescendo, gerando emprego, reduzindo a carga tributária e propiciando cidadania àqueles que não têm voz. Sr. Presidente, hoje, às 19h, começa a Conferência Nacional dos Povos Indígenas. Pela primeira vez, depois de 500 anos, índios vão discutir política pública que os tornará cidadãos brasileiros. O Governo tucano jamais cuidou dessa população que não vota em seus candidatos. Por isso foi relegada à própria sorte. Durante o discurso do Sr. Eduardo Valverde, assumem sucessivamente a Presidência os Srs. Josias Quintal e Luiz Couto, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Marcondes Gadelha, para uma Comunicação de Liderança, pelo PSB. O SR. MARCONDES GADELHA (PSB-PB. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Ministério da Integração Nacional Quinta-feira 13 19163 deu um passo corajoso e definitivo rumo à emancipação dos projetos de irrigação, quando determinou a transferência para os próprios irrigantes da gestão dos perímetros irrigados de Pirapora e Lagoa Grande, em Minas Gerais; de Tourão, na Bahia; e de Arroio Duro, no Rio Grande do Sul. A medida é exemplar e deverá ser seguida de outras semelhantes, em referência a pelo menos 14 projetos de irrigação situados sobretudo no Nordeste. Um novo paradigma é estabelecido em relação a projetos de irrigação neste País, situação desejada por inúmeros governos, mas infelizmente nunca posta em prática. Lamentavelmente, a história da irrigação no País é marcada por um paternalismo sem fim. O irrigante, em última análise, acabava se tornando uma espécie de funcionário público: exigia água, trator, semente, adubo, fertilizante, inseticida, tudo de graça. Todos os insumos, enfim, saíam das mãos dadivosas do Governo. Sr. Presidente, é importante salientar que o projeto de irrigação é sempre custoso; há custos elevadíssimos para a implantação e sobretudo para a manutenção. Não obstante, o retorno de um projeto de irrigação tem importância incomensurável, principalmente quando comparado à agricultura de sequeiro. É preciso reconhecer que cada hectare irrigado emprega diretamente pelo menos 2 homens/dia, sem falar, evidentemente, nos empregos indiretos gerados nas packhouses, no sistema de distribuição e no processo de comercialização e de exportação. Nada justifica, portanto, a situação que até aqui se delineava. Estamos aqui para nos congratular com o Ministro Pedro Brito por essa decisão histórica, lembrando-lhe que conta com o apoio de todos os políticos do setor privado, de todos aqueles que se preocupam com o sucesso da neo-agricultura no País. A agricultura irrigada é uma opção sobretudo para o semi-árido. Não podemos deixar que os descaminhos da burocracia e da leniência venham a sustentar indefinidamente o sistema, sem que haja retorno adequado para a nacionalidade que nele tanto investiu e que dele tanto espera. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Jorge Alberto, para uma Comunicação de Liderança, pelo PMDB. O SR. JORGE ALBERTO (PMDB – SE. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o assunto que me traz à tribuna nesta tarde diz respeito aos investimentos na área de ciência e tecnologia em Sergipe . O desenvolvimento em ciência e tecnologia é condição indispensável para o enriquecimento cultural, 19164 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS científico e tecnológico de um Estado, seu progresso e melhoria do nível de vida e de emprego de sua população. Os dados que trago foram divulgados no Jornal da Ciência, publicação da Sociedade Brasileira para o Desenvolvimento da Ciência – SBPC. Aliás, quero parabenizar a SBPC por suas iniciativas, sua incessante e intransigente luta pelo desenvolvimento da ciência e da pesquisa no País. E também por esse órgão informativo o Jornal da Ciência, que todos deveriam assinar gratuitamente pela Internet. Trata-se de publicação que merece ser divulgada e lida por todos, estudantes, professores, e o povo em geral. Quero chamar a atenção, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, para o fato de que a descentralização de recursos vem sendo praticada pelas agências federais de fomento à pesquisa e traz evidentes contribuições para o desenvolvimento regional. Porém, é preciso considerar o fator político envolvido nesse contexto. Essa nova situação requer que os Governos Estaduais consigam perceber a contribuição estratégica da pesquisa científica e tecnológica para o desenvolvimento dos seus Estados. Infelizmente, não tem sido esse o caso em vários Estados. A comunidade científica local tem ficado isolada, sem condições de negociar com as agências fomentadoras, e passa a ser uma espectadora das várias oportunidades desperdiçadas, bem como do avanço das suas competidoras. Sim, Sr. Presidente, competidoras em vantagem, porque em uma situação análoga é o mesmo que um produto nacional ter de disputar no mercado externo com outros produtos subsidiados. Nessa situação de defasagem perante outros Estados e regiões, o tempo perdido significa um grande retrocesso ou, no mínimo, um atraso. A condição sine qua non para angariar os recursos descentralizados das agências nacionais é a contrapartida do Estado. Ocorre que a comunidade científica não tem a voz necessária para exigir recursos do Estado nem tampouco ser ouvida fora de suas fronteiras, onde apenas a situação macro é observada. É fato que os pesquisadores não têm voz política, são minoria nos votos e não têm o aval da sociedade, ainda pouco esclarecida do que está sendo perdido. Também é fato que nossas escolas e faculdades não têm a tradição de incentivar a participação dos alunos mais vocacionados para a pesquisa, nem de despertar talentos para a ciência. O Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) constitui-se no inventário dos grupos de pesquisa em atividade no País. Suas bases de dados contêm informações sobre os recursos humanos constituintes dos grupos, as linhas de pesquisa em andamento, as especialidades do conhecimento, os Abril de 2006 setores de atividade envolvidos, a produção científica, tecnológica e artística dos pesquisadores e estudantes que integram os grupos e os padrões de interação com o setor produtivo. Também se preocupa em levantar o número de grupos, pesquisadores, doutores, linhas de pesquisa, produção, ciência e tecnologia, etc. Esses grupos estão localizados em universidades, instituições isoladas de ensino superior, institutos de pesquisa científica, institutos tecnológicos, laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de empresas estatais ou ex-estatais e em algumas organizações não governamentais com atuação em pesquisa. Pois bem, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o censo 2004 do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq aponta que Sergipe tem um total de 103 grupos de pesquisa, sendo que somente quatro estão consolidados. Só para servir de comparação, São Paulo tem 2.567 grupos consolidados, Rio de Janeiro tem 1.407 e Pernambuco tem 558. Nesse parâmetro, Sergipe ocupa a 21ª posição dentre as Unidades da Federação e tem apenas 294 doutores, o que representa apenas 3,8% dos 7.703 doutores da Região Nordeste pelo censo de 2004. É imprescindível, portanto, que Sergipe eleve quanto mais seus indicadores em ciência e tecnologia, quebre rapidamente o círculo vicioso, para poder aproveitar-se das oportunidades atuais abertas ao desenvolvimento regional, com base na produtividade em pesquisa e na inovação. Sergipe tem apenas 2 doutorados, excetuando o doutorado da Rede Nordeste de Biotecnologia (RENORBIO). Ou seja, para participar ativamente dessa meta, precisará primeiro melhorar sua infra-estrutura em pesquisa. É preciso destacar, Sr. Presidente, que para reverter a tendência de ampliação das assimetrias regionais é necessária uma política regional afirmativa de ciência e tecnologia. Por isso, as reservas de no mínimo 30% dos recursos dos fundos setoriais destinados às Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, quando aplicadas em valores próximos a esse percentual só colaboram para a ampliação das diferenças regionais. Já a parcela de 70% dos recursos, não explícita, destinada às Regiões Sul e Sudeste é certamente necessária para manutenção da plataforma de pesquisa constituída. Porém, os indicadores regionais apontam necessidade de novas políticas e novos recursos que efetivamente contribuam para o melhor equilíbrio do desenvolvimento no País. Estados como Sergipe, que não têm uma Fundação de Amparo à Pesquisa, não podem partilhar dos recursos federais descentralizados, por não terem como bancar contrapartidas. Parece que o investimento Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS nas instituições de pesquisa não tem apelo para ganho maciço de votos, ainda mais quando os pesquisadores são minoria, apenas 504 no Estado, de acordo com o censo 2004 do CNPq. Ao final de dezembro de 2004, a Fundação de Amparo a Pesquisa de Sergipe – FAP/SE foi incorporada pelo Instituto de Tecnologia e Pesquisa de Sergipe – ITPS e, desde então, a comunidade científica local não conta com recursos estaduais para a pesquisa. Basta ver no site da antiga FAP/SE que nenhum edital foi lançado em 2005. Essa estagnação deverá perdurar, já que a nova FAPITEC depende da aprovação de lei para reger o Fundo Estadual de Recursos – FUNTEC. Preocupante também é a modificação proposta no projeto de lei, que retira da Fundação e passa para a Secretaria de Governo a autonomia para ordenar despesas do Fundo. Na conjuntura de um ano eleitoral e sem diálogo com a comunidade científica, há o risco da pesquisa científica e tecnológica passar mais um ano sem recursos estaduais. Nesse caso, significa também não conseguir recursos descentralizados da esfera federal. Sendo assim, é estratégico para Sergipe que pesquisadores e sociedade sergipana se mobilizem para sensibilizar o Governador do Estado para investir em C&T, gerando mais renda e novos empregos em Sergipe. Há que se registrar, contudo, por questão de justiça, os significativos progressos na área de ciência e tecnologia que têm ocorrido no meu Estado. Recentemente, no final do ano passado, a Universidade Federal de Sergipe e a Universidade Tiradentes inauguraram suas incubadoras de empresa no Sergipe Parque Tecnológico. É preciso destacar a importância da implantação das incubadoras do SergipeTec pela capacidade que elas terão de transformar as universidades em fontes de conhecimento através da geração de trabalho. Esse foi um investimento de monta do Governo sergipano, um investimento que levou 2 anos para ser implantado e finalmente foi inaugurado para alavancar o desenvolvimento tecnológico e contribuir como núcleo gerador de conhecimento e qualificação para toda a população. O SergipeTec é um projeto inovador que vai provocar aceleração do desenvolvimento, utilizando o conhecimento disponível nas instituições de ensino e pesquisa. Foi também fundamental o passo dado pelos dirigentes da Universidade Tiradentes e da Universidade Federal de Sergipe ao implantar suas incubadoras no parque. A participação dessas 2 instituições representa Quinta-feira 13 19165 grande iniciativa que, sem dúvida, dará muita projeção ao SergipeTec. Outro acontecimento que também merece destaque, para que o Brasil tome conhecimento, são as ações implementadas pelo Governo do Estado, através da Secretaria da Indústria, do Comércio e da Ciência e Tecnologia – SEICTEC na área de exportação. No ano passado, as iniciativas da SEICTEC obtiveram reconhecimento nacional, através da Rede Nacional de Agentes de Comércio Exterior. Vinculada à Secretaria do Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a rede premiou a Secretaria pela sua atuação na disseminação da cultura exportadora no Estado de Sergipe. A premiação ocorreu durante a realização do Encontro Nacional de Comércio Exterior, que aconteceu no final do ano na cidade do Rio de Janeiro. Várias atividades realizadas ao longo do ano garantiram à SEICTEC um lugar de destaque na área. Implementadas em parceria com instituições como a CODISE, Banco do Brasil, SEBRAE, Correios, INFRAERO, Banco do Nordeste, FASE, FIES e Companhia Vale do Rio Doce, as atividades contribuíram para a estruturação de ações junto ao processo de exportação. Uma delas, a criação da Comissão de Comércio Exterior, sob a coordenação da SEICTEC, atuou fortemente para incentivar uma cultura de exportação entre os empresários sergipanos, prestando-lhes inclusive as mais diversas orientações sobre o funcionamento do comércio internacional. A realização do programa Caravana do Exportador, na Capital e nos Municípios de Tobias Barreto e Propriá, se constituiu no principal instrumento de divulgação e disseminação da cultura exportadora do Estado, no ano de 2005. Implantado em Sergipe pela SEICTEC, com a ajuda de instituições parceiras, o projeto teve como objetivo desmistificar o mercado internacional como algo inatingível pelo pequeno empresário. Essas entre outras ações contribuíram para o resultado satisfatório observado no setor, que no ano de 2005 destacou a balança comercial de Sergipe com o melhor desempenho dos últimos 10 anos. Nesse período, comparando a atuação do Estado na Região Nordeste, foi possível constatar um crescimento de 39,25% em relação ao ano de 2004. Por esse fato, Sergipe esteve à frente dos Estados de Alagoas, da Paraíba, do Rio Grande do Norte, do Ceará, do Maranhão e do Piauí. Acredito no meu Estado, Sr. Presidente, tenho fé em sua população trabalhadora, dedicada, inteligente; tenho fé em seus dirigentes. Estou disposto a lutar e a contribuir para o desenvolvimento do Sergipe, para sua 19166 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS prosperidade, para a felicidade e a realização dessa gente sergipana, que merece uma melhoria na qualidade de vida, na educação, na saúde, na geração de empregos, investimentos na produção, na ciência e tecnologia. Parabéns ao povo sergipano. Estou certo de que todos teremos melhores dias. Estou ciente de que é por isso que tenho de lutar com afinco e responsabilidade. É isso que o povo deseja ao nos confiar seu voto. Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Neucimar Fraga, para uma Comunicação de Liderança, pelo PL. S.Exa. disporá de até 4 minutos. O SR. NEUCIMAR FRAGA (P – ES. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, neste final de semana, participamos da grande festa comemorativa dos 42 anos de emancipação política do Município de Baixo Guandu, na região norte do Estado do Espírito Santo, juntamente com o Senador Magno Malta, o Prefeito da cidade, Sr. Lastênio , o Vice-Prefeito, Dr. Helinho, demais autoridades e a população local. O povo de Baixo Guandu vive um momento diferente, com a certeza de ter suas expectativas e necessidades plenamente atendidas pelos governantes do Município. Neste final de semana, também participaremos da festa de emancipação política do Município de Nova Venécia , muito bem administrado pelo Prefeito Walter De Prá, ex-Deputado Federal. Localizado na região noroeste do Estado do Espírito Santo, Nova Venécia é muito importante para a economia capixaba. Quero parabenizar também o Presidente da Câmara, Vereador Márcio de Oliveira, que tem feito excelente trabalho à frente do Legislativo municipal. E, por falar em Legislativo, hoje, pela manhã, participamos da aprovação parecer do Deputado Luiz Eduardo Greenhalgh à PEC nº 333, de 2004, de autoria do Deputado Pompeo de Mattos, que dispõe sobre a composição das Câmaras Municipais. Em 2003, equivocadamente, o TSE baixou resolução que reduziu o número de Vereadores no Brasil, passando para a opinião pública a possibilidade de redução dos custos das Câmaras Municipais. Na época, já defendíamos nesta Casa e perante a sociedade que a redução do número de Vereadores não significava redução de custos das Câmaras Municipais, porque os repasses das Câmaras eram e são baseados no número de habitantes dos Municípios e não no de Vereadores. Então, foi reduzido o número de Vereadores – milhares deles ficaram prejudicados no Brasil —, mas, ao Abril de 2006 invés de redução dos custos das Câmaras Municipais, houve aumento das despesas em alguns Municípios onde os Vereadores fizeram grandes farras com os recursos municipais. Presidida pelo Deputado Mário Heringer – dela participei na qualidade de Vice-Presidente – e com apoio dos demais integrantes, a Comissão Especial discutiu durante quase 2 meses proposta para equacionar o problema, ou seja, reconduzir os Vereadores aos cargos e reduzir os custos das Câmaras Municipais. Hoje, finalmente, foi aprovado o parecer do Deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, que proporciona economia de 2 bilhões de reais no Brasil com a nova fórmula para a fixação do número de Vereadores às Câmara Municipais. Assim sendo, algumas Câmaras Municipais terão de volta os Vereadores mantidos até o ano de 2004, que serão reconduzidos ao cargo e tomarão posse em janeiro de 2007. E mesmo reconduzidos milhares de Vereadores aos cargos, a proposta aprovada pela Comissão proporcionará uma economia de 2 bilhões de reais para os cofres públicos municipais. Essa é uma vitória daqueles que sabem da importância do trabalho desenvolvido pelos Vereadores sérios, competentes e comprometidos com a cidadania no nosso País. Existem, bem sabemos, algumas aberrações nas Câmaras Municipais, como também nas Assembléias Legislativas, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, mas queremos fazer justiça a milhares de Vereadores do Brasil. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. HAMILTON CASARA – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. HAMILTON CASARA (PSDB-RO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, parabenizo os funcionários do Calha Norte, programa vinculado ao Ministério da Defesa e coordenado pelo Coronel Avelino, pela sua ampliação para todo o Estado de Rondônia. Criado em 1985, o Programa Calha Norte desenvolve grande trabalho em prol da Amazônia brasileira. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Peço ao Deputado Josias Quintal que assuma a presidência dos trabalhos. O Sr. Luiz Couto, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Josias Quintal, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. LUIZ COUTO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Josias Quintal) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, o Ministério Público é uma das instituições mais importantes no atual panorama constitucional de nosso País. Por decisão do Constituinte originário, o Parquet teve suas prerrogativas, atuação e competências ampliadas, tornando-se um defensor da sociedade. Obviamente, o aumento de poder gera ampliação de responsabilidades. Nesse ponto, o Ministério Público vê-se questionado pela atuação individual de alguns de seus membros, que, por vezes, seja em função de posicionamentos político-partidários individuais, seja por vocação artística e atração pelos holofotes da imprensa, utilizam suas prerrogativas para manifestações apressadas ou atabalhoadas, parecendo parlamentares em CPIs, nas quais, verdadeiramente, a busca pela Justiça é atropelada pelos interesses eleitorais. Mas tais manifestações, por membros isolados, não devem comprometer a importância dessa instituição; até porque, muitas vezes, devemos entendê-las como necessárias ao amadurecimento de uma instituição que teve suas atribuições deveras ampliadas, há tão pouco tempo. Hoje, contudo, referimo-nos à recente denúncia apresentada pelo Procurador– Geral da República, na qual declara a existência de indícios de crimes praticados por várias autoridades, entre elas Marcos Valério, Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes, José Dirceu, Delúbio Soares, José Janene, Pedro Henry, José Borba e dirigentes do Banco Rural, sob acusações diversas. Não queremos agora fazer qualquer questionamento sobre a justiça dos indiciamentos. Respeitamos o Ministério Público, por entender a necessidade de uma instituição fortalecida no combate à corrupção mesmo que, às vezes, na materialização de seu processo inquisitivo de acusação, seja capaz de manifestar conclusões equivocadas ou excessivamente alimentadas por falsos silogismos, com imputações ilógicas ou fantasiosas. Quanto a isso, cabe ao Poder Judiciário, este sim, buscar a Justiça, permitindo a ampla defesa e a oportunidade de contraditório, em que os acusados poderão demonstrar sua inocência, ou terão sua culpa consubstanciada e realmente demonstrada. Mas consideramos equivocada a politização das manifestações do Parquet, segundo o princípio da presunção de inocência e da preservação da intimidade, direitos e garantias previstos na Lei Maior. É constitucionalmente errado propalar ares de condenação Quinta-feira 13 19167 a uma manifestação oriunda de um procedimento inquisitório, sob pena de injustiças e prejuízo moral dos que foram indevidamente denunciados e, pior ainda, do descrédito do Poder Judiciário, questionado quando inocenta aqueles que foram acusados leviana ou equivocadamente. Por causa disso, respeito e defendo incondicionalmente a atuação do Ministério Público, ressalvandose as responsabilidades pelos excessos, mas acredito que suas manifestações devem guardar uma necessária discrição, evitando politização e partidarismo de acusações que ainda pendem do crivo judicial e das manifestações de defesa. De qualquer forma, mesmo que alguns inocentes acabem sofrendo, mesmo que erros ou excessos sejam cometidos, muito melhor para a sociedade brasileira que tenhamos um Ministério Público livre para atuar sem interferências do atual Governo do Presidente Lula, que presenciarmos uma instituição comprometida em sua direção, com mãos atadas pela decisão política de engavetadores profissionais que, deixando de cumprir seu dever funcional e de consciência, permitiram o arquivamento de dezenas de processos criminais nos 8 anos do Governo FHC, pelas estripulias corruptas das aves de rapina que até 2002 governaram este País. Quem poderia imaginar uma denúncia do “Engavetador Geral da República” do Governo do PSDB/PFL que abrangesse tal nível de autoridades e ex-autoridades do Governo Federal? Essa é a diferença deste Governo em face do passado, o pudor ético do Partido dos Trabalhadores e a liberdade democrática que este Governo dá às instituições, frente à hipocrisia cínica do reino tucano e dos corruptos históricos do PFL. Era o que tinha a dizer. O SR. DARCÍSIO PERONDI – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Josias Quintal) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. DARCÍSIO PERONDI (PMDB-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ontem, mais de 300 funcionários da VARIG, com apoio de muitos Parlamentares, realizaram manifestação nesta Capital pela salvação da empresa. A VARIG é viável, é possível recuperá-la. A recuperação já está ocorrendo. Existe um trabalho de recuperação judicial mediante o qual os principais credores, dia 19 de dezembro do ano passado, assinaram compromisso nesse sentido. A VARIG foi fundada em 1927, antes mesmo da FAB. A empresa tem ramificações no mundo inteiro e é um dos símbolos do Brasil no exterior. Enfrenta grandes problemas internos, é verdade, mas agora uma empresa 19168 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS de consultoria, nomeada pelos credores, orienta suas atividades. E os funcionários se dispõem a dar parte do seu fundo de pensão para sua recuperação. Os parceiros externos já se comprometeram, no acordo de credores, a dar sua contribuição. A Boeing, por exemplo, se a VARIG pagar – e vai pagar – 7 milhões de dólares, disponibilizará 20 milhões de dólares em peças para que mais aviões da empresa possam voar. O que falta agora é a participação do Governo. Os trabalhadores da VARIG não querem dinheiro público. Querem apenas que a BR Distribuidora e a INFRAERO cumpram o acordo assinado em 19 de dezembro, no Plano de Recuperação Judicial. A BR Distribuidora e a INFRAERO são signatárias desse acordo. A VARIG é viável, repito. Hoje, as lideranças dos funcionários, um grupo de Parlamentares e eu fomos ao Tribunal de Contas, sendo muito bem recebidos pelo seu Presidente, Ministro Adilson Motta, e pelos técnicos daquela Corte de Contas. O Ministro Adilson Motta foi muito claro: se os credores cumprirem o acordo assinado em 19 de dezembro, o Tribunal de Contas não oporá nenhum empecilho para impedir a concretização. Isso significa que a INFRAERO, que foi comunicada dessa posição do Tribunal de Contas, poderá cumprir o prazo que assinou em 19 de dezembro do ano passado. As peças estão se juntando para que a recuperação da VARIG, sob nova administração da consultoria especializada Alvarez & Marçal. O Governo não precisa investir, mas não pode atrapalhar, e tenho esperança de que isso não vai acontecer. Esta manhã, a Secretaria de Previdência Complementar decretou a intervenção e liquidação do AERUS, fundo de pensão da VARIG e de outras empresas, enquanto os funcionários e nós, Parlamentares, estávamos negociando. Tenho certeza de que os Ministros que estavam negociando conosco, o Ministro Waldir Pires e o Ministro Luiz Marinho, não sabiam que essa decisão seria tomada pela Secretaria de Previdência Complementar. Os funcionários querem ajudar. Dez mil funcionários ativos, 8.500 inativos e mais 50 mil familiares estão empenhados na recuperação da empresa. Os funcionários querem investir dinheiro do seu fundo de pensão na recuperação da VARIG. Os parceiros externos, como a Boeing, estão dispostos a ajudar, mas essas 2 empresas governamentais precisam cumprir o que assinaram no Plano de Recuperação. O Governo não precisa investir, mas ele também tem responsabilidades. O Governo deve à VARIG 4,5 bilhões de reais, que se referem ao período em que houve congelamento de tarifas, objeto de ação já Abril de 2006 vencida no Superior Tribunal de Justiça e que agora tramita no Supremo Tribunal Federal. O Governo deve 4,5 bilhões de reais para a VARIG, a VARIG deve 3,5 bilhões para o Governo Federal. No encontro de contas, sobrará 1 bilhão de reais. Esse 1 bilhão de reais recupera a VARIG completamente. Basta o Governo ter boa vontade. E aí está o exemplo da participação do BNDES na compra da Light, no Rio de Janeiro, pela ELETROBRÁS e por outras empresas privadas. O que os trabalhadores da VARIG querem é que a INFRAERO e a BR Distribuidora BR cumpram o acordo assinado pelos 5 maiores credores. Tenho certeza de que o Presidente Lula vai olhar com muito carinho para a situação da VARIG. A VARIG é fundamental para a economia nacional. A VARIG é fundamental para a imagem do Brasil no exterior. Mas, acima de tudo, a empresa é fundamental para a vida de 10 mil trabalhadores. É possível recuperá-la, sim. O plano já está nas mãos do Presidente Lula e da Ministra Dilma Rousseff. E nós, os trabalhadores da VARIG e os Parlamentares envolvidos, vamos continuar negociando. Tenho absoluta convicção de que o Presidente Lula, ao ler o plano, vai dizer que é possível, e nós todos vamos salvar a VARIG. Muito obrigado, Sr. Presidente. Durante o discurso do Sr. Darcísio Perondi, assumem sucessivamente a Presidência os Srs. Luiz Couto e Neucimar Fraga, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. JOSIAS QUINTAL – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Neucimar Fraga) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. JOSIAS QUINTAL (PSB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vou tentar ter um pouco da genialidade do querido Deputado Enéas para em tão pouco tempo apresentar alguns temas para a nossa e a reflexão dos ouvintes e telespectadores. Começo minha fala de hoje mandando um abraço fraterno aos policiais do Brasil, em especial aos meus companheiros das Polícias Civil e Militar do Estado do Rio de Janeiro, pela maneira corajosa com que se vêm comportando no combate à violência no dia-adia, embora façam parte de instituições arcaicas, seguramente representativas do pior modelo estrutural de Polícia do mundo. É lamentável, Sr. Presidente, que até agora não tenhamos tido, da parte dos governantes anteriores e do próprio Presidente Lula, a coragem de promover mudanças nesse modelo estrutural. Pior, que não tenhamos tido, da parte do Congresso Nacional, sen- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sibilidade para fazer com que cerca de 100 projetos que dizem respeito à introdução de mudanças nessas Polícias tenham o necessário andamento. Por conta disso, na base do empirismo, vamos levando essa questão. Enquanto isso, a população paga o preço de instituições policiais ineficientes, em decorrência do modelo estrutural a que estão submetidas. Mas temos fé em que haja luz em algum momento, e não somente o Governo tenha coragem, mas também o Congresso Nacional tenha sensibilidade para empreender as mudanças que se fazem necessárias. De outra parte, Sr. Presidente, quero agradecer ao Governo Lula a justa deferência que teve com o Rio de Janeiro, ao destinar um pólo petroquímico ao Estado. A destinação não foi feita para a região pretendida, mas para uma região importante, onde existe expressivo contingente de pessoas que vivem em duríssimas condições: baixa renda, falta de emprego, falta de oportunidade, enormes problemas de infra-estrutura. Por certo, esse pólo petroquímico vai alavancar em muito o desenvolvimento da região de São Gonçalo e Itaboraí e dos Municípios circunvizinhos. Por outro lado, fica a débito do Governo a questão de Campos. O Município de Campos, situado na região em que se produz cerca de 80% do petróleo nacional, continua esquecido, continua vivendo em condições de desigualdade em relação ao próprio Estado do Rio de Janeiro. Quando colocamos as regiões norte e sul do Estado do Rio de Janeiro numa balança, constatamos enorme desequilíbrio, desfavorável ao norte do Estado, em virtude da falta de políticas ao longo de muitas décadas, até de séculos. Esperamos agora que se faça justiça. Trata-se de oportunidade interessante, Sr. Presidente, para o Governo implantar naquela região uma fábrica de fertilizantes. Hoje, o Brasil importa cerca de 50% dos fertilizantes nitrogenados que consome. Nosso País pretende – e naturalmente conseguirá – transformar-se em uma Arábia Saudita verde daqui a algum tempo, ampliando as áreas destinadas ao cultivo de cana-de-açúcar para a produção de açúcar e de álcool para exportação, porque o mundo está ávido por esse produto. Mas certamente vamos precisar de fertilizantes, e, se não implantar fábricas aqui, teremos de continuar importando. Paradoxalmente, Campos é o Município brasileiro que tem as maiores reservas de petróleo, respondendo, como já disse, por 80% da produção nacional; é o Município do Estado do Rio de Janeiro maior produtor de cana-de-açúcar e um dos que mais produzem açúcar e álcool no País. Mas importa os fertilizantes que ele mesmo poderia fabricar a partir do gás, matéria-prima empregada de maneira menos nobre em olarias, em Quinta-feira 13 19169 indústrias ou utilizada como combustível de veículos, e que poderia ser transformada em fertilizantes, com uso muito mais nobre, capaz de agregar muito mais valor à nossa economia. Portanto, Sr. Presidente, fica apelo ao Presidente Lula no sentido de que faça justiça à população de Campos, Município que, como disse, responde pela quase totalidade da produção de petróleo do Brasil. Era o que tinha a dizer. O SR. PAULO RUBEM SANTIAGO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Neucimar Fraga) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. PAULO RUBEM SANTIAGO (PT-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje, às 19h, terá início aqui em Brasília a Conferência Nacional dos Povos Indígenas. Aproveito, então, a oportunidade para me solidarizar e me congratular com os povos indígenas que habitam o território nacional, especialmente aqueles que vivem no Município de Águas Belas, no Estado de Pernambuco. Vou citá-los nominalmente: xucurus, atikuns, pankararus, kapinawás, kambiwás, trukás, pipipans, fulniôs. Mas quero trazer compartilhar com as Sras. e Srs. Deputados, aproveitando a abertura agora à noite da Conferência dos Povos Indígenas, relatório do Tribunal de Contas da União que abordou há cerca de 1 ano e meio a situação da FUNAI em todo o território nacional. Publicado no Diário Oficial da União no dia 2 de agosto de 2004, o relatório traz algumas observações extremamente preocupantes para um órgão como a FUNAI, com imensa responsabilidade no que diz respeito ao relacionamento e à promoção do respeito aos povos indígenas. Diz o relatório, na sua página 4, que algumas aldeias chegam a ficar 6 meses sem receber funcionários da FUNAI. Na área de recursos humanos, é apontado o esvaziamento do quadro funcional, que não se renova há mais de 15 anos – o último concurso foi realizado em 1985. Diz ainda que a inexistência de efetivo acompanhamento faz com que haja perda de motivação das comunidades indígenas, que, por falta de apoio, abandonam os trabalhos produtivos ou tomam atitudes que prejudicam o sucesso dos projetos. Quanto à distribuição de recursos financeiros, revela o relatório, por exemplo, casos em que os recursos liberados pela FUNAI para a aquisição de sementes e outros insumos não chegam no momento hábil, mas tão-somente depois de passado o período de plantio. Determina esse relatório que a FUNAI estabeleça uma política transparente de nomeação para cargos de direção e, se necessário, atue de forma a garantir, 19170 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS com fulcro nos princípios da eficiência e da impessoalidade da administração pública, previstos no art. 37 da Constituição Federal, a ocupação de tais cargos por profissionais com a adequada qualificação técnica e experiência administrativa. Recomenda ainda o relatório do Tribunal de Contas ao Ministério da Justiça, ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e à Fundação Nacional do Índio que analisem a possibilidade de efetivar estudos para a criação de uma Carreira Indigenista como carreira típica de Estado, com cargos diversos, que contemplem formações técnicas para o exercício e o desempenho da atividade perante os grupos etnicamente diferenciados. Lembro, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, que a FUNAI hoje tem no seu corpo funcional aproximadamente 2.700 servidores. Nos últimos anos, temos acompanhado as negociações salariais de diversas categorias com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão para a aprovação de planos de cargos e salários de vários setores do serviço público federal. É urgente, Sr. Presidente, a apresentação, pelo Ministério do Orçamento, Planejamento e Gestão à Casa Civil, do projeto sobre a criação da Carreira Indigenista para os funcionários da FUNAI. Acompanho, por exemplo, a discussão das carreiras do Ministério da Cultura. Sob a coordenação da Deputada Fátima Bezerra e do Deputado Wasny de Roure, também acompanhei as negociações levadas a efeito durante a greve do ANDES – Sindicato Nacional e dos servidores técnicos administrativos das universidades brasileiras. Quero mais uma vez me somar a diversos Parlamentares – Deputado Eduardo Valverde, Deputado Vicentinho e Deputado Walter Pinheiro – que, em outras ocasiões, se manifestaram desta tribuna em defesa da aprovação da Carreira Indigenista para os servidores da FUNAI. Fiquei estarrecido ao ler as conclusões do relatório do Tribunal de Contas da União. E digo mais, Sr. Presidente, para concluir: quero somar esforços aos dos servidores da FUNAI e aos dos demais Deputados que aqui se manifestaram. O relatório do Tribunal de Contas da União é revelador do desmonte imposto a setores do serviço público federal aos quais a Constituição determina função estratégica. O relatório demonstra que, por décadas, a FUNAI vem sendo sucateada. Boa parte dos seus servidores não teve estímulo para prosseguir na carreira, para chegar à universidade e concluir cursos compatíveis com o exercício de funções indigenistas. Por isso, mais uma vez, defendo a imediata apresentação, pelo Ministério do Orçamento, Planejamen- Abril de 2006 to e Gestão, do plano de Carreira Indigenista para os servidores da FUNAI. Era o que tinha a dizer. O SR. EDINHO BEZ – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Neucimar Fraga) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. EDINHO BEZ (PMDB-SC. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Santa Catarina será liberada brevemente do embargo imposto às importações de carnes, é o que informou o Ministro da Indústria da Rússia, durante reunião do Conselho Empresarial Brasil-Rússia. O Estado de Santa Catarina está sendo afetado severamente pelo embargo russo no setor de carne suína, haja vista que 70% de suas exportações são para a Rússia. Por isso a suspensão do embargo é medida urgente. O embargo dos demais Estados será levantado no médio prazo, depois que uma missão de técnicos russos voltar a visitar o País para avaliar o setor. O Presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes – ABIEC observou que 80% do rebanho bovino brasileiro é reconhecido como livre de febre aftosa pela Organização Mundial para a Saúde Animal, a OIE, e que o País exporta carne bovina para 176 mercados. Por ser a Rússia a maior compradora de carne bovina brasileira, o Presidente do Sistema FIESC, Alcantaro Corrêa, entregou ao Primeiro-Ministro russo um dossiê que detalha a favorável situação sanitária de Santa Catarina e formalizou um pedido em nome da indústria catarinense para que a Rússia cancele a suspensão temporária das importações de carnes brasileiras – incluindo a carne suína dos produtores do Estado —, vigente desde dezembro do ano passado. Santa Catarina responde por 20% da produção nacional de carne suína e, no ano de 2005, exportou 485 milhões de dólares, ou 43% do total brasileiro, o que lhe conferiu o primeiro lugar no ranking nacional. Em viagem à Rússia, acompanhado do Secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Deputado Moacir Sopelsa, o Governador Luiz Henrique da Silveira esclareceu, já na oportunidade, que Santa Catarina era zona livre de aftosa. Esperamos que esse empecilho efetivamente se resolva, afinal Santa Catarina está a mais de 2 mil quilômetros dos focos da febre aftosa. Por isso solicitamos aos Ministros do Desenvolvimento, das Relações Exteriores e da Agricultura que envidem esforços no sentido de que seja derrubada definitivamente a restrição, até porque não se justifica tal demora. Era o que eu tinha a dizer. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. HENRIQUE AFONSO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Neucimar Fraga) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. HENRIQUE AFONSO (PT-AC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, abordarei assunto que considero polêmico. Refere-se à instituição de reservas extrativistas e áreas de proteção ambiental. Não quero teorizar essa questão. Cito o exemplo de um parque nacional criado como área de proteção ambiental há 17 nos no Estado do Acre, na região do Vale do Juruá. O parque foi criado por força de lei. Lá não é admitida a presença de humanos. Na verdade, é um parque de numerosa biodiversidade. Entretanto, nesses 17 anos, naquela área, estão agonizando mais de 2 mil pessoas, ou uma média de 500 famílias. Elas aguardam do IBAMA e do INCRA uma alternativa para que possam sair dessa área de proteção ambiental. Infelizmente, passou-se muito tempo – essa lei foi instituída no Governo José Sarney —, e não houve qualquer iniciativa para resolver o problema dessas famílias. A questão central é que essas famílias não podem produzir. Não há um plano de manejo da floresta para dela se tirar o sustento. Elas não podem caçar nem pescar. Isso cria um problema de insegurança, de falta de perspectiva de vida. O pior de tudo é que 60 famílias já se retiraram do parque e há 17 anos esperam a indenização. Agora, no Governo do Presidente Lula, graças a Deus, a Ministra Marina Silva determinou que o INCRA e o IBAMA dialoguem com o Conselho Consultivo do parque para que se encontre uma alternativa. A alternativa seria levar essas famílias para a gleba Havaí. Apesar de ser um projeto de assentamento florestal, esse plano nos deixa apreensivos porque é preciso assegurar a essas famílias o mínimo de infraestrutura básica no que diz respeito a escolas, posto de saúde, rede elétrica, estradas. Precisamos fazer o que chamamos de ramal, ou seja, uma estrada de 30 quilômetros. Sabemos que asfaltar na Região Norte não é muito fácil. Portanto, é preciso que o INCRA tome uma posição. No dia 17, faremos uma reunião para discutir esses conceitos. Vamos avaliar o que é uma reserva extrativista, o que é uma área de proteção que não admita a presença humana, como também outras questões. Recentemente, no Parque Nacional da Serra do Divisor, área de proteção ambiental, a Polícia Federal e o IBAMA tiveram um conflito seriíssimo com 8 peruanos. Eles foram presos porque estavam fazendo tráfico de madeira, o que inclusive coloca em risco essas famílias. Quinta-feira 13 19171 Sr. Presidente, A situação é complicada. Esperamos que, com o diálogo que travaremos no dia 17 em Rio Branco, Capital do Acre, possa chegar-se a uma alternativa que preserve nossas florestas, nossa biodiversidade e também ofereça condições dignas às 500 famílias que estão nessa área de proteção ambiental. Muito obrigado. O SR. NILSON MOURÃO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Neucimar Fraga) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. NILSON MOURÃO (PT-AC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, faz exatamente 1 ano que a Oposição nesta Casa e certos setores da imprensa brasileira estão determinados a desconstruir a imagem do Presidente Lula e jogá-la na lama. A reposta do Presidente tem sido muita paciência, muita calma e muito trabalho. O Presidente Lula não está saindo para o bate-boca irresponsável e medíocre, como querem insinuar. S.Exa. vem trabalhando em todas as áreas e todos os setores de nosso País: na economia rural, na reforma agrária, na habitação, nos programas sociais, nas exportações. O Presidente Lula tem trabalhado incansavelmente. O mais importante de tudo isso é que o povo brasileiro está compreendendo com clareza o que está querendo a Oposição e o que o Presidente Lula vem fazendo. Isso reflete-se, Sr. Presidente, ilustres Deputadas e Deputados, nas pesquisas realizadas. O Presidente Lula tem consciência de que não resolveu todos os problemas do País, de que existem lacunas, dificuldades, mas o povo compreende seu trabalho. Por meio das pesquisas, pôde-se observar o alto grau de credibilidade do Presidente Lula junto ao povo brasileiro. Quando se simulam todos os cenários possíveis da disputa eleitoral para este ano, o Presidente Lula lidera em todos com larga margem. O PSDB, procurando preencher esse vácuo e partir para o enfrentamento, decidiu lançar com antecipação a candidatura do ex-Governador Geraldo Alckmin. O problema é que o Dr. Alckmin não decola porque, já no lançamento, surgiu uma série de informações de que estaria envolvido em maracutaias e corrupção. A última delas, ilustre Deputado Raul Jungmann, foi a associação espúria entre o filho do Dr. Alckmin e a filha do acupunturista que estaria ligado a interesses econômicos, beneficiando-se do Estado e de tráfico de influência. Revistas especializadas publicaram matéria com foto do candidato Geraldo Alckmin em página inteira. O Dr. Alckmin disse que não havia problema algum. 19172 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Há também o caso de D. Lu Alckmin com os 420 vestidos da alta costura de São Paulo. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o candidato do PSDB não decola por isso. O povo brasileiro já entendeu que, mesmo com sua fisionomia serena, com o intuito de se apresentar ao Brasil como se fosse dar um banho de ética, o Dr. Alckmin deveria tomar um banho de vergonha na cara. O Dr. Geraldo Alckmin não decola porque não tem possibilidade de decolar. Candidato fraco, sem projeto para o Brasil e que quer sustentar sua campanha sobre a postura da Oposição no plenário da Casa, errada e equivocada. Fazem oposição não ao Presidente Lula, mas ao povo brasileiro. Exemplo disso, que não podemos admitir, é que até a presente data, metade de abril, ainda não votamos o Orçamento Geral da União, devido a posição medíocre, equivocada e fundamentalista da Oposição neste Parlamento. Não votar o Orçamento na Casa é trabalhar contra o País, o povo e a Nação. Muito obrigado. O SR. ZICO BRONZEADO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Neucimar Fraga) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. ZICO BRONZEADO (PT-AC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, volto a esta tribuna para relatar viagem que fiz ao interior do meu Estado, precisamente à cidade de Feijó, com pouco mais de 35 mil habitantes, que necessita da presença do Estado, do Governo nas áreas de segurança, saúde, educação e previdência social. Deputado Fernando Ferro, V.Exa. conhece meu Estado, conhece a Amazônia, sabe que muitas vezes enfrenta sérios problemas o seringueiro que mora a 5 dias de barco de sua cidade, de difícil acesso. Quando o seringueiro completa 60 anos, necessita da aposentaria, a que tem direito. Deparei-me com vários cidadãos que trabalham toda a vida e precisam dos serviços da Previdência Social, mas é preciso ir a outra cidade, a 50 quilômetros, tendo de atravessar de balsa 2 rios. Quando chega à cidade de Tarauacá, acabou a ficha do único posto, num raio de 50 quilômetros, e, muitas vezes, encontra apenas um funcionário malhumorado. Isso é um descaso com o cidadão, que trabalha a vida inteira para sustentar sua família, vive no meio da floresta e precisa da assistência social do Governo, para a qual contribui. Sras . e Srs. Deputados, registro a situação dos seringueiros da Amazônia para que o Ministro da Previdência Social se sensibilize e faça um levantamento Abril de 2006 das dificuldades por que passam, mais precisamente no Município de Feijó. Eu não admito que, na reforma da Previdência, não estendamos o benefício àqueles que realmente o merecem. Vim fazer uso da tribuna, Deputado Fernando Ferro, para ser uma voz daqueles que trabalharam a vida inteira, e hoje estão cansados, precisam da assistência social do INSS e não têm a quem recorrer. Então, quero ser aqui a voz daqueles que necessitam. Estou marcando audiência para a próxima semana. Já ouvi muitas reclamações sobre a dificuldade de agendá-las. Mesmo integrando o partido do Governo, muitas vezes não somos atendidos. Vejam nossa atribuição, nossa autoridade, e imaginem aquele seringueiro que precisa da assistência nos rincões da Amazônia. E encontra um funcionário às vezes mal preparado, que lhe diz que não tem ficha e lhe pede para voltar outro dia. É muito difícil, Deputado Fernando Ferro. Deixo meu apelo ao Ministro da Previdência Social para que olhe um pouco a situação da cidade de Feijó. Desse modo, estaremos cumprindo a grande obrigação de representar nosso Governo, que tem interesse em ajudar do mais humilde ao grande empresário deste País. Era o que eu tinha a registrar desta tribuna, Sr. Presidente. Muito obrigado. O SR. MÁRIO NEGROMONTE – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Neucimar Fraga) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. MÁRIO NEGROMONTE (PP-BA. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, faço uso desta tribuna para dirigir dramático apelo aos Srs. Congressistas, aos Srs. Governadores de Estado, aO SR. PRESIDENTE da República e aos Srs. Ministros responsáveis pela análise e encaminhamento de solução para a recuperação da VARIG. Acredito que somente com a união de esforços, fruto de amplo entendimento, será possível encontrar um caminho para a recuperação dessa importante empresa aérea, que representa, sem dúvida, a própria história da aviação civil brasileira. Entendo ser fundamental para o País evitar que número significativo de postos de trabalho especializado (mais de 10.400 somente na VARIG) sejam encerrados aqui e criados no exterior, em decorrência de nossa eventual inércia. Não venho a esta tribuna questionar a capacidade de outras transportadoras aéreas nacionais para assumirem as linhas da VARIG. Entretanto, no que concer- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ne ao transporte aéreo de passageiros, principalmente para o exterior, a necessária substituição não acontecerá prontamente, abrindo condições favoráveis e estratégicas para a ocupação desse espaço por transportadoras estrangeiras. Serão empregos que estaremos ajudando a criar no exterior à custa do desemprego de trabalhadores brasileiros especializados. A eventual falência da VARIG não se restringe à dolorosa demissão de seus milhares de trabalhadores. Muitos deles terão enormes dificuldades para serem reaproveitados no setor de transporte aéreo, ainda que muitos sejam pilotos, engenheiros de vôo e técnicos com larga experiência. Haverá também grande perda em termos tecnológicos para o País. A VARIG sempre irradiou um processo importante de desenvolvimento tecnológico no seu segmento de atuação, tendo contado inclusive com um parque de engenharia de manutenção, de desenvolvimento de equipamentos e de treinamento invejável em termos mundiais. Apesar da crise da empresa nos últimos anos, mesmo com boa parte de seus serviços terceirizados, o funcionamento da VARIG ainda gera importantes avanços tecnológicos e empreendimentos empresariais de desenvolvimento de produtos e serviços que trazem grande retomo ao País. Sras. e Srs. Deputados, parafraseando um conhecido escritor e jornalista, que abordou a questão da VARIG em artigo publicado ontem, afirmo ser necessário empreender a recuperação dessa importante empresa antes que seja tarde. Para isso é preciso contar com a criatividade de empresários e governantes. Afinal, para que serve a criatividade de empresários e governantes? Certamente não é para resolver apenas problemas de pouca complexidade. A crise da VARIG está aí para desafiar a engenhosidade e a capacidade de gestão administrativa e financeira de empresários e dirigentes públicos. A VARIG, Sras. e Srs. Deputados, não é apenas mais uma empresa nacional. Por muitos anos, a bandeira dessa empresa, criada há quase 79 anos, difundiu a imagem do País com seus serviços de qualidade. O indiscutível grau de profissionalismo e simpatia de suas tripulações e de seu pessoal de terra muito orgulharam gerações de brasileiros. Um patrimônio cultural dessa grandeza e importância, que sobreviveu durante tanto tempo às turbulências do complexo setor da aviação mundial e a diversas tempestades políticas e econômicas, merece ser objeto de um urgente e adequado processo de recuperação financeira e gerencial. Estou seguro de que o Brasil tem dirigentes e empresários competentes para comandar, sem pater- Quinta-feira 13 19173 nalismo, esse difícil, porém viável processo. Por isso faço um chamamento à união de todos para mantermos viva uma empresa que muito fez pelo desenvolvimento de nosso País. Muito obrigado. O SR. FERNANDO FERRO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Neucimar Fraga) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. FERNANDO FERRO (PT-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, senhoras e senhores que assistem a esta sessão, registro a importante decisão do Tribunal Superior Eleitoral de cassar, por 6 votos a 0, os mandatos do Prefeito e do Vice-Prefeito da cidade de Primavera (situada na mata sul de Pernambuco e que faz jus ao nome por ser uma belíssima região, com recursos naturais, banhada pelo Rio Ipojuca) e anular a eleição. A população foi convocada para outro pleito eleitoral, pois houve diversas falcatruas no primeiro. A propósito, é o terceiro Prefeito do PSDB, no Estado de Pernambuco, que tem seu mandato cassado este ano. Isso serve de exemplo para aqueles que têm utilizado campanhas eleitorais como instrumento de benefícios pessoais e, mais do que isso, de utilização ostentosa de todos os recursos para vencer as eleições. Manifestamos solidariedade aos companheiros do PPS que conduziram esse processo e foram os responsáveis, com o advogado e companheiro de partido, Dr. Aristides, por conduzir esse processo. A decisão do TRE de Pernambuco foi reconhecida e referendada pelo Tribunal Superior Eleitoral. A decisão faz assim justiça ao exigir novas eleições. Tenho em mãos o manifesto de diversas lideranças daquele Município denominado Calamidade, um verdadeiro libelo de acusação contra diversos desmandos patrocinados pelo Prefeito da cidade, como destruição de equipamentos escolares, escolas fechadas por falta de pagamento de energia, desprezo ao esporte e ao lazer, abandono de quadras esportivas, impressionante acúmulo de patrimônio pessoal após assumir a Prefeitura – o que gerou, obviamente, revolta da população. Aliás, vários eleitores que votaram nele na eleição passada já mudaram de opinião e anunciaram apoiar a chapa da qual também participamos, em solidariedade, conduzidos pelos companheiros derrotados pelo fraudulento processo, mas que, felizmente, os poderes eleitorais do meu Estado e de Brasília terminaram por fazer justiça, reconhecendo o direito legítimo daqueles que fazem a cidade de Primavera. Tenho certeza de que prevalecerão a democracia, a justiça e o direito, e a população será respeitada no seu ato de votar, não sendo mais enganada por fal- 19174 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS catruas ou procedimentos ilícitos e delituosos promovidos por políticos que, felizmente, serão varridos do processo eleitoral por essa decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que será confirmada, não tenho dúvida, pela vontade da população do valorosos povo do Município de Primavera, a quem enviamos um abraço e parabenizamos pela vitória conquistada! O SR. PASTOR REINALDO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Neucimar Fraga) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. PASTOR REINALDO (PTB-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, povo que nos assiste pela TV Câmara, estamos acompanhando as questões que envolvem a nossa VARIG. Uso a palavra “nossa” não apenas pelo fato de ela ser do Rio Grande do Sul, mas por ser um patrimônio nacional. Existe uma proposta real, executável, dos funcionários e diretores da empresa. Se houver boa vontade do Governo, independentemente do que já aconteceu no passado, nesse local de decisões com respeito aos bancos e a alguns organismos ligados à administração pública, poderemos ter solução para a VARIG, uma marca nacional. Esperamos que o Governo pense e repense e decida favoravelmente, porque está em jogo o emprego de 11 mil funcionários, e somam mais de 30 mil as pessoas que dependem dessa empresa. Cumprimentamos aqueles que ordeiramente vieram a Brasília e estão fazendo movimentos em todos os aeroportos do Brasil, pelo apego que têm à empresa e a seu trabalho. Sr. Presidente, aproveito a oportunidade para falar sobre a abertura de uma conferência que terá início hoje no Parque de Exposições de Brasília, em que será discutida a questão indígena. Recebemos um convite, embora em cima da hora, do Presidente da FUNAI, Dr. Mércio Pereira Gomes. Fui designado pelo Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, para ir a Manaus, na próxima segunda-feira, a fim de participar de uma audiência pública na Assembléia Legislativa de Manaus, onde será discutida a mortandade infantil. Esperamos que venham à tona questões como a do infanticídio, a de crianças mortas por questão cultural; afinal, a vida está em primeiro lugar. Oxalá tenhamos nessa conferência alguma abordagem sobre a questão dos nossos índios que estão pessimamente assistidos pela FUNASA! Problemas de competência entre a FUNAI e a FUNASA deixam nossos índios em complicada situação de saúde. Abril de 2006 Aproveito para parabenizar a Frente Parlamentar Evangélica, na pessoa de seu Presidente, Deputado Adelor Vieira, pelo trabalho que vem realizando. Na próxima terça-feira será instalada a Frente Parlamentar em Florianópolis, Estado de Santa Catarina. Para concluir, desejo a todos um final de semana de reflexão sobre o que realmente se comemora nesta data: a ressurreição Daquele que deu sua vida para salvar nossa vida. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. RAUL JUNGMANN – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Neucimar Fraga) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. RAUL JUNGMANN (PPS-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vejam bem a situação a que chegou esta Casa após o relatório da Procuradoria Geral da República. Os mesmos Parlamentares que foram condenados pelo Conselho de Ética são agora denunciados pelo Ministério Público. Sem a menor sombra de dúvida, a opinião pública condena esses mesmos Parlamentares e, obviamente, a absolvição de que foram objeto neste Plenário. É inequívoca – não dá para fugir desta realidade —, a contramão, o fundo do poço a que chegou o Plenário da Câmara dos Deputados! Não bastasse isso, Sr. Presidente, temos talvez a mais grave, a mais ampla, a mais profunda, a mais contundente das denúncias jamais proferida até hoje contra um Governo – de que pelo menos eu me recorde —, e que se encontra estampada nos jornais. Sr. Presidente, talvez o Senador que melhor tenha captado o que isso representa tenha sido o Senador Tasso Jereissati ao dizer: “O Governo caiu”. Efetivamente, S.Exa. não se refere a uma queda administrativa, a um trâmite político ou julgamento. Mas, em termos simbólicos, sem a menor sombra de dúvida, o Governo caiu. Já não há mais Governo a que se referir, não há mais Governo nos planos ético, moral e, sobretudo, do simbolismo republicano, a que deve e se obriga todo e qualquer Governo a respeitar. Ora, Sr. Presidente, este estado de coisas gera inclusive situações impensáveis. Ainda há pouco o ilustre Deputado, o republicano Deputado, ex-Presidente da CCJC, o Procurador Antonio Carlos Biscaia, denunciou um suposto acordo entre seu partido, o PT, e o PP para continuar empurrando com a barriga o processo do Líder do PP, José Janene. Alguém com a responsabilidade do Procurador, e hoje Deputado, Antonio Carlos Biscaia, não é de cometer leviandades. Acredito – e vou concluir para não abusar da sua generosidade – que um princípio, Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS uma pequena medida, um degrau que temos de subir, dentre muitos outros, para recuperar parte do prestígio e da credibilidade perdidas por esta Casa, passa pelo fim do voto secreto. Quero dizer, nesse sentido, que meu partido, o PPS, apresentará em todas as sessões, sejam ordinárias ou extraordinárias, pedido de colocação na Ordem do Dia da PEC que acaba com o voto secreto. Ainda há pouco ouvia de um jornalista: “Escute, o voto secreto não preserva o Deputado das pressões?” E eu respondi: “Preserva da pressão mais fundamental, à qual ele deve, sobretudo, respeito e atenção, que é a do eleitor.” Ou seja, através do voto secreto, o Deputado pode sofrer, e vem sofrendo, todo tipo de pressão, menos do eleitor, que não sabe qual é a sua posição. Sr. Presidente, apenas por essa razão valeria à pena acabar com o instituto do voto secreto. Assim, todos poderemos, transparente e democraticamente, ser aferidos por nossas posições. Feliz Páscoa, Sr. Presidente! Feliz Páscoa a todos os Parlamentares àqueles que nos ouvem. Queira Deus que possamos futuramente vir a esta tribuna trazer melhores notícias do que as deste dia negro para a República. Mas que nesta Páscoa tenhamos um dia de fé e esperança; afinal, começamos a ver que existe possibilidade de punição e julgamento dos responsáveis por esses escândalos e desmazelos. Muito obrigado, Sr. Presidente. O Sr. Neucimar Fraga, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelO SR. PASTOR REINALDO, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Pastor Reinaldo) – Deputado Raul Jungmann, também comungo desse pensamento e já assinei a lista que está passando entre os colegas para que o voto seja aberto. Na Comissão de Ética, costumam fazer denúncias de que o Parlamentar diz ao réu: “Vou ter que votar contra você porque assim a mídia está divulgando e, do contrário, posso perder credibilidade no meu Estado. Mas no plenário farei um lobby.” Isso foi dito várias vezes. Lamentavelmente, a opinião pública nivela todos nós. Como V.Exa., recebo centenas de e-mails que nos achincalham e nos enquadram nessa situação promíscua pela qual passamos. Mas esperamos encontrar forças para nos soerguer. O SR. NEUCIMAR FRAGA – Sr. Presidente, pela ordem. Quinta-feira 13 19175 O SR. PRESIDENTE (Pastor Reinaldo) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. NEUCIMAR FRAGA (PL – ES. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vou fazer 3 pequenos registros. Em primeiro lugar, comunico à Casa que o Presidente Lula sancionou, no dia 27 de março, uma lei de minha autoria, aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, que institui o dia 5 de maio como Dia Nacional das Lideranças Comunitárias no Brasil. Parabenizo as lideranças comunitárias que voluntariamente desenvolvem trabalhos em favor de seus Municípios. As lideranças comunitárias do Brasil terão o dia 5 de maio para comemorar a data importante para esses líderes abnegados, que voluntariamente trabalham em favor da cidadania. Sr. Presidente, no sábado próximo passado, no Bairro Normília da Cunha , na região da grande Terra Vermelha, no Município de Vila Velha, o maior do Espírito Santo, com cerca de 400 mil habitantes, hoje sob a gestão do Prefeito Max Filho, filho do ex-Governador do Estado e ex-Deputado Federal Max Mauro, participamos, ao lado de Vereadores e de lideranças comunitárias, da solenidade de assinatura de ordem de serviço no valor de 847 mil reais, dos quais 600 mil reais fazem parte de emendas parlamentares apresentadas por este Deputado ao Orçamento da União, que vão permitir ao Prefeito e a sua equipe administrativa pavimentar diversas ruas daquela região, uma das mais carentes do Estado. No final de semana, participamos também da festa de emancipação política da cidade de Presidente Kennedy, no sul do Estado, ocasião em que recebi o título de Cidadão Kennedense, entregue pelo Presidente da Câmara Municipal, Vereador Vianei Viana. Aquele Município promissor tem uma Câmara Municipal atuante e é governado pelo Prefeito Aluízio Correa e pelo Vice-Prefeito Reginaldo Quinta, que formaram uma equipe muito boa de Secretários Municipais. Presidente Kennedy tem uma das maiores reservas de petróleo do sul do Espírito Santo e começa a receber da administração municipal as obras prioritárias objeto das reivindicações e das expectativas da sua população. Aqui ficam, portanto, meus agradecimentos ao povo kennedense pelo carinho que me tem dado, ao tempo em que ratifico meu compromisso com a administração municipal e com aquela sociedade de que lutaremos juntos, representando essa população no Congresso Nacional, trabalhando para honrar o apoio e os votos que temos recebido, especialmente reivin- 19176 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS dicando verbas orçamentárias capazes de atender às expectativas daquela gente. Portanto, parabenizo o Prefeito Aluízio Correa, sua equipe administrativa e os servidores públicos e saúdo a Câmara de Vereadores, agradecendo-lhe o título a mim concedido. Estaremos juntos em favor do povo capixaba, porque sabemos da importância de Presidente Kennedy para a economia do Espírito Santo. Também parabenizo o Prefeito de Marataízes, Sr. Antonio Bitencourt, que tem feito um bom governo. Aquele Município sofreu com o descaso da administração anterior. Saúdo os Vereadores, as lideranças comunitárias, a associação de líderes comunitários de diversos Municípios, a população, nosso amigo Rubinho, líder comunitário que não tem medido esforços para lutar, juntamente com os demais líderes daquele Município, em favor daquela população sofrida. Parabéns ao Estado do Espírito! Parabéns aos Prefeitos Aluízio Correa e Antonio Bitencourt! Que Deus abençoe esta Casa! Espero que possamos refletir, nesta semana, sobre a importância do significado da Páscoa, não somente aquela comemorada com chocolate, mas a refletida pelo sangue do Senhor Jesus derramado na cruz do Calvário. Que Deus abençoe a todos. O SR. BABÁ – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Pastor Reinaldo) – Tem V.Exa. a palavra. O SR. BABÁ (PSOL – PA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, companheiros trabalhadores que nos assistem pela TV Câmara ou que nos ouvem pela Rádio Câmara, ontem aconteceram fatos importantes no País. O primeiro, que se tornou manchete em O Globo, diz respeito a uma sofisticada organização criminosa e seus 40 membros. O jornal mostra o organograma da quadrilha. Há um embate entre o Procurador-Geral da República, Antonio Fernando de Souza, e os 40 envolvidos no escândalo do mensalão. S.Exa. dividiu os processos em 3 partes. Na verdade, esta Casa não cassou o mandato de Deputados envolvidos no escândalo de corrupção, já que a maioria está sendo absolvida, mas o Procurador-Geral dá tratamento jurídico legal às pessoas que cometem crime. E foi o que aconteceu. Trata-se de crime comandado por uma estrutura montada no Palácio do Planalto. E, obviamente, o Presidente Lula tenta se livrar das acusações, dizendo que não sabia de nada, que nunca ouvira falar de corrupção, que foi traído etc. Mas todo mundo sabe quem foi que comandou todo esse processo. Obviamente, os executores eram José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Sílvio Pereira e Deputados desta Casa pagos Abril de 2006 para votar a favor da reforma da Previdência e da Lei de Falências no escandaloso e famoso mensalão que envolveu Parlamentares de vários partidos, com destaque aos do PT. O ex-Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado João Paulo Cunha, foi o último Parlamentar a ser absolvido por este Plenário. A sociedade está condenando esta Casa. Basta ver as pesquisas que mostram o desgaste do Congresso Nacional. Queremos mostrar também que há coisas no Governo de Lula que se assemelham aos dos Governos de Fernando Henrique Cardoso e de Geraldo Alckmin. No que diz respeito à política econômica, a mesma implementada por Fernando Henrique Cardoso foi aprofundada por Lula. A corrupção também envolveu a figura do ex-Presidente no caso das privatizações das telefônicas. Evidentemente, Fernando Henrique Cardoso conseguiu, com sua base, impedir qualquer instalação de CPI nesta Casa. O mesmo aconteceu com o Governo Geraldo Alckmin, em São Paulo, que diz que é preciso dar um banho de ética no Governo Federal. Seu Governo Estadual conseguiu abafar, impedir a criação de nada mais, nada menos do que 69 CPIs. Agora vemos fatos que se assemelham, no lado familiar. Lula recebeu de presente pelo menos 15 ternos de um grande estilista nacional; D. Marisa recebeu terninhos caríssimos. No Governo Alckmin aconteceu fato semelhante. Sua esposa ganhou de presente nada mais, nada menos do que 400 vestidos de grife de um estilista paulista. No Governo Lula, seu filho, que é biólogo, se associou a Jacob Bittar em uma microempresa de jogos para celular. Recebeu nada mais, nada menos do que uma injeção da Telemar de 15 milhões de reais para fazer funcionar sua empresa. E Lula ficou indignado! Quando o acusaram e a imprensa divulgou o fato, disse que estavam tratando de questões pessoais, de sua família, como se dinheiro de concessionária pública não fosse do consumidor, que paga altas tarifas. No Governo Alckmin ocorre a mesma coisa. Seu filho é associado da filha do chinês acupunturista que recebeu nada mais, nada menos do que cerca de 1 milhão e 100 mil reais para ministrar cursos para professores de São Paulo em seu SPA. A filha desse acupunturista pessoal de Alckmin, por sua vez, tem uma revista que recebeu injeção das empresas estatais paulistas para editar uma entrevista de 8 página com Alckmin. Ou seja, fazem a mesma coisa. Repetem a corrupção, como repetem a política econômica. Por isso, nós do Partido Socialismo e Liberdade queremos mostrar à Nação que tanto Lula quanto Alckmin fazem parte do mesmo jogo de implementar Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS a política econômica do Fundo Monetário Internacional, que impõe uma política nefasta ao País que retira dinheiro do serviço público, dos aposentados. Basta lembrar que o Governo Fernando Henrique Cardoso privatizou 70% do patrimônio público nacional para pagar juros da dívida. A seu turno, o Governo Lula pega dinheiro da reforma agrária, das áreas de saúde e educação, do salário dos funcionários públicos, que ontem, na frente do Palácio do Planalto, vaiaram o Presidente quando recebia a Presidenta do Chile em visita ao País. E vaiaram porque Lula não cumpre seus compromissos. Os companheiros da CONECEF fizeram uma greve poderosa no ano passado; acordaram com o Governo, mas o Governo não cumpre o acordo. Portanto, repetem a mesma história. Precisamos derrotá-los! Por isso, vamos apresentar como pré-candidata à Presidência da República nossa companheira, Senadora Heloísa Helena, que apresentará um programa claro de enfrentamento ao FMI, de rompimento com a oligarquia corrupta, para implementar uma política econômica que atenda ao interesse do povo brasileiro e não dos banqueiros, como tem sido feito nesses últimos 15 anos em que esses governos aí estão. Na verdade, desde o Governo de Collor de Mello, passando anteriormente pelo Governo Sarney, que é hoje conselheiro de Lula, passando pelos 8 anos do Governo Fernando Henrique Cardoso, pelos 2 anos do Governo Itamar e pelos 3 anos do Governo Lula, o que vimos foi entrega do patrimônio público, retirada do dinheiro dos aposentados, dos pensionistas, dos servidores públicos e também dos que estão querendo ser anistiados, que hoje fizeram um ato no Congresso Nacional para repudiar a política com que o Governo vem tratando pessoas que dedicaram as suas vidas ao bem deste País. Vamos apresentar um programa econômico para que a classe trabalhadora tenha dinheiro para resolver seus problemas de reforma agrária, saúde, educação, e vamos romper com os banqueiros e com o Fundo Monetário Internacional. Essa é a política que implementaremos no futuro Governo de Heloísa Helena. Muito obrigado. VII – ENCERRAMENTO O SR. PRESIDENTE (Pastor Reinaldo) – Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a sessão, antes lembrando que segunda-feira, dia 17, haverá sessão solene às 11h em homenagem ao Dia Internacional da Luta Camponesa. Quinta-feira 13 19177 O SR. PRESIDENTE (Pastor Reinaldo) – Encerro a sessão, convocando outra, ordinária, para segundafeira, dia 17, às 14h. Desejo a todos os brasileiros uma feliz Páscoa e um bom final de semana. AVISOS PROPOSIÇÃO EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS OU RECURSOS I – EMENDAS 1. PROJETOS COM URGÊNCIA – ART. 64, § 1º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Prazo para apresentação de emendas: 5 Sessões (Ato da Mesa nº 177, de 1989). PROJETO DE LEI: Nº 1.154/95 (EDINHO ARAÚJO) – Dispõe sobre a comprovação do exercício de atividade rural pelos trabalhadores que especifica para fins de concessão de benefícios previdenciários – tendo apensados os Projetos de Lei nºs: 2.938/97, 3.790/97 (829/99), 4.034/97 (4.106/98, 417/99, 321/99), 1.148/99, 3.447/00, 3.788/00, 5.869/01, 6.548/02 [6.967/02 (4.359/04, 5.171/05, 6.008/05, 6.245/05), 1.401/03, 1.424/03], 105/03 (2.590/03), 2.589/03, 6.537/06 e o Projeto de Lei nº 6.852/06, do Poder Executivo, ao qual foi atribuída urgência constitucional. SOBRESTA A PAUTA EM: 21-5-06 (46º dia) DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 18-4-06 II – RECURSOS 1. CONTRA APRECIAÇÃO CONCLUSIVA DE COMISSÃO – ART. 24, II, DO RI INTERPOSIÇÃO DE RECURSO: ART. 58, § 3º, combinado com ART. 132, § 2º, DO RI PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE RECURSO: ART. 58, § 1º, DO RI 1.1 COM PARECERES FAVORÁVEIS PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO: Nº 1.965-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Colinas FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, na cidade de Ibaiti, Estado do Paraná. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 19178 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 1.982-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Integrada Conhecer a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de São Luís Gonzaga do Maranhão, Estado do Maranhão. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 1.990-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação e Movimento Comunitário Rádio Sertão FM a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Ibimirim, Estado de Pernambuco. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.013-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Desenvolvimento Cultural e Artístico de Araçuaí a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Araçuaí, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.020-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Aurora FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, na cidade de Caxias, Estado do Maranhão. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.024-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Rádio Transversal a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Salto de Pirapora, Estado de São Paulo. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.027-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Rádio Comunidade Porciúncula a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Porciúncula, Estado do Rio de Janeiro. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.043-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à CARMANHÃES & FERREIRA – COMU- Abril de 2006 NICAÇÕES LTDA. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, na cidade de Martinópolis, Estado de São Paulo. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.046-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Asa Branca Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, na cidade de Brasília, Distrito Federal. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.054-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à FUNDAÇÃO EDUCATIVA “JOÃO HENRIQUE DANTAS” para executar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, com fins exclusivamente educativos, na cidade de Carnaúba dos Dantas, Estado do Rio Grande do Norte. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.072-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à FUNDAÇÃO CULTURAL AURORA DO POVO – FUNCAP para executar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, com fins exclusivamente educativos, na cidade de Aurora, Estado do Ceará. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.081-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Cooperação e Desenvolvimento Cultural de Viçosa do Ceará a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Viçosa do Ceará, Estado do Ceará. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.085-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga concessão à Rádio Jericoacoara Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média na cidade de Jijoca de Jericoacoara, Estado do Ceará. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.089-A/05 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Desenvolvimento Artístico e Cultural de Codajás a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19179 radiodifusão comunitária na cidade de Codajás, Estado do Amazonas. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 fusão comunitária na cidade de Paulo Lopes, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.103-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Desenvolvimento Cultural e Artístico a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Cajamar, Estado de São Paulo. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.129-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação e Movimento Comunitário Estandarte do Imbaú a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Imbaú, Estado do Paraná. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.109-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação de Rádio Difusão Comunitária “Rádio Consciência Rural do Marajó – FM de São Sebastião da Boa Vista – Pará – ARCCRRURALDOMARAJÓ/FM” a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de São Sebastião da Boa Vista, Estado do Pará. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 PROJETOS DE LEI: Nº 2.110-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à ECOACRE RÁDIO, JORNAL E TELEVISÃO LTDA. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, na cidade de Porto Walter, Estado do Acre. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.124-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Empresa de Radiodifusão Miracatu Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, na cidade de Santa Isabel do Pará, Estado do Pará. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.125-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Comunicação de União de Minas a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de União de Minas, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.127-A/06 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Assistência Social e Educacional Ebenezer a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodi- Nº 7.074-D/02 (PODER EXECUTIVO) – Autoriza o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS a receber em dação em pagamento o imóvel que especifica. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 2.704-A/03 (CORAUCI SOBRINHO) – Acrescenta dispositivo ao artigo 485 da Lei nº 5869, de 11 de janeiro de 1973 e dá providências correlatas. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 3.133-C/04 (LUIZA ERUNDINA) – Dispõe sobre o direito da gestante ao conhecimento e a vinculação à maternidade onde receberá assistência no âmbito do Sistema Único de Saúde. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 4.703-B/04 (SENADO FEDERAL) – Institui o Dia Nacional da Língua Portuguesa. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 5.415-B/05 (EDNA MACEDO) – Altera a redação do inciso VII, do art. 6º, da Lei nº. 10.826/2003, autorizando o porte de arma para os oficiais de justiça. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 6.090-B/05 (FRANCISCO DORNELLES) – Dispõe sobre a prorrogação de incentivos fiscais para aplicação em fundos destinados ao desenvolvimento da indústria cinematográfica. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 Nº 6.116-A/05 (CARLOS ALBERTO LERÉIA) – Dispõe sobre a anistia sanções aplicadas a eleitores e membros de mesas receptoras que não justificaram ausência no referendo do dia 23 de outubro de 2005. Apensado a este o PL 6.129/05 (ver item 1.2) DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 19180 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 1.2 COM PARECERES, QUANTO AO MÉRITO, CONTRÁRIOS (Art. 133) PROJETO DE LEI: Nº 6.129/05 (SELMA SCHONS) – Anistia sanções aplicadas a eleitores e membros de mesas receptoras que não justificaram ausência no Referendo 2005. Apensado ao PL 6.116/05, principal (ver item 1.1) DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-4-06 2. CONTRA PARECER TERMINATIVO DE COMISSÃO – ART 54, DO RI (SUJEITAS A DELIBERAÇÃO DO PLENÁRIO EM APRECIAÇÃO PRELIMINAR, NOS TERMOS DO ART. 144, DO RI) PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE RECURSO: ART. 58, § 1º, DO RI INTERPOSIÇÃO DE RECURSO: ART 58, § 3º, combinado com ART. 132, § 2º, DO RI 2.1 PELA INCONSTITUCIONALIDADE E/OU INJURIDICIDADE OU INADMISSIBILIDADE PROJETOS DE LEI: Nº 127/99 (ALBERTO FRAGA) – Dispõe sobre a maioridade para fins civil e eleitoral e medidas de segurança para o menor infrator que praticar crime hediondo. DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 19-4-06 Nº 7.298/02 (CABO JÚLIO) – Dispõe sobre a proibição de regalias no Sistema Penitenciário Brasileiro. (E seus apensados: PL’s nºs 908/03, do Dep. Carlos Nader e 2121/03, do Dep. Lincoln Portela). DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-4-06 4. DEVOLVIDO (S) AO (S) AUTOR (ES), nos termos do artigo 137, § 1º, do RICD. Prazo para apresentação de recurso artigo 137, § 2º (05 sessões) as seguintes proposições: PROJETOS DE LEI: Nº 6.778/06 (SELMA SCHONS) – Revoga o Inciso V, do Artigo 2º, da Resolução nº 3.234, de 31 de agosto de 2004, do Banco Central do Brasil. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-4-06 Nº 6.819/06 (CARLOS NADER) – Acrescenta dispositivo à Lei Complementar nº 103, de 14 de julho de 2000, para proibir a instituição, por convenção ou acordo coletivo, de piso salarial inferior ao estabelecido pelos Estados e o Distrito Federal. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-4-06 Abril de 2006 INDICAÇÃO: Nº 7.783/06 (PERPÉTUA ALMEIDA) – Sugere o envio de Equipe Técnica especializada à Gerência da Empresa de Correios e Telégrafos ao Estado do Acre, como também a imediata convocação dos concursados em lista de espera. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-4-06 6. CONTRA O PARECER DO CONSELHO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR PELA PERDA DO MANDATO DE DEPUTADO FEDERAL. (NOS TERMOS DO ART. 14, § 4º, VIII, DO CÓDIGO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR, C/C O ART. 58 DO RICD) Prazo para apresentação de recurso: 5 Sessões. REPRESENTAÇÃO: Nº 47/05 (Mesa Diretora da Câmara dos Deputados) – Representação ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar contra o Deputado José Mentor, como incurso no art. 55, II, §§ 2º e 3º da Constituição Federal, combinado com o disposto nos arts. 4º, incisos I, IV e V, e 14, § 3º, do Código de Ética e Decoro Parlamentar, instituído pela Resolução 25, de 10 de outubro de 2001, da Câmara dos Deputados. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 18-4-06 ORADORES SORTEADOS PARA O GRANDE EXPEDIENTE DO MÊS DE ABRIL DE 2006 Dia 17, 2ª-feira 15:00 JOÃO ALMEIDA (PSDB – BA) 15:25 INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) 15:50 LEODEGAR TISCOSKI (PP – SC) 16:15 ZEQUINHA MARINHO (PSC – PA) 16:40 CORIOLANO SALES (PFL – BA) 17:05 JOSÉ CARLOS MACHADO (PFL – SE) 17:30 BABÁ (PSOL – PA) 17:55 MARCELO GUIMARÃES FILHO (PFL – BA) 18:20 ALBERTO GOLDMAN (PSDB – SP) Dia 18, 3ª-feira 15:00 ROBERTO GOUVEIA (PT – SP) 15:25 CELSO RUSSOMANNO (PP – SP) Dia 19, 4ª-feira 15:00 ITAMAR SERPA (PSDB – RJ) 15:25 JÚLIO CESAR (PFL – PI) Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Dia 20, 5ª-feira 15:00 PEDRO HENRY (PP – MT) 15:25 ISAÍAS SILVESTRE (PSB – MG) Dia 24, 2ª-feira 15:00 VIC PIRES FRANCO (PFL – PA) 15:25 LUIZ CARREIRA (PFL – BA) 15:50 CÉSAR MEDEIROS (PT – MG) 16:15 MORONI TORGAN (PFL – CE) 16:40 MARCELO CASTRO (PMDB – PI) 17:05 MAURÍCIO QUINTELLA LESSA (PDT – AL) 17:30 VITORASSI (PT – PR) 17:55 PAULO AFONSO (PMDB – SC) 18:20 ROBÉRIO NUNES (PFL – BA) Dia 25, 3ª-feira 15:00 JOSÉ ROCHA (PFL – BA) 15:25 JOSIAS QUINTAL (PSB – RJ) Dia 26, 4ª-feira 15:00 ASSIS MIGUEL DO COUTO (PT – PR) 15:25 GIACOBO (PL – PR) Dia 27, 5ª-feira 15:00 TAKAYAMA (PMDB – PR) 15:25 MARCOS ABRAMO (PP – SP) Dia 28, 6ª-feira 10:00 MARCONDES GADELHA (PSB – PB) 10:25 MARCOS DE JESUS (PFL – PE) 10:50 FRANCISCO TURRA (PP – RS) 11:15 JOÃO MENDES DE JESUS (PSB – RJ) 11:40 JULIO SEMEGHINI (PSDB – SP) 12:05 ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO (PRONA – SP) 12:30 NELSON MARQUEZELLI (PTB – SP) 12:55 MARIA DO ROSÁRIO (PT – RS) 13:20 GERALDO RESENDE (PPS – MS) ORDEM DO DIA DAS COMISSÕES I – COMISSÕES PERMANENTES COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-04-06 Quinta-feira 13 19181 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 6.142/05 – do Sr. Inocêncio Oliveira – que “modifica o Art. 79 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971”. RELATOR: Deputado ZONTA. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS A PARTIR DE AMANHÃ (DIA 18/04/2006) Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 2.897/04 – do Sr. Romel Anizio – que “dispõe sobre a obrigatoriedade da veiculação, pelas emissoras de radiodifusão de sons e de sons e imagens, de mensagens e programas alusivos às datas cívicas nacionais”. RELATOR: Deputado MAURÍCIO RABELO. PROJETO DE LEI Nº 3.288/04 – do Sr. José Carlos Araújo – que “altera o inciso VI, do art. 3º, da Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997, que dispõe sobre a organização dos serviços de telecomunicações, a criação e funcionamento de um órgão regulador e outros aspectos institucionais, nos termos da Emenda Constitucional nº 8, de 1995”. (Apensado: PL 5223/2005) RELATOR: Deputado ORLANDO FANTAZZINI. PROJETO DE LEI Nº 4.677/04 – do Sr. Milton Monti – que “dispõe sobre autorização para as Polícias Federal, Civil e Militar utilizarem as torres de telefonia celular para instalação de sistemas de rádio comunicação e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ROBSON TUMA. PROJETO DE LEI Nº 4.745/05 – do Poder Executivo – (MSC 23/2005) – que “dispõe sobre o ensino na Aeronáutica e dá outras providências”. RELATOR: Deputado JORGE BITTAR. PROJETO DE LEI Nº 5.076/05 – do Sr. Edson Duarte – que “dispõe sobre a pesquisa e o uso da nanotecnologia no País, cria Comissão Técnica Nacional de Nanossegurança – CTNano, institui Fundo de Desenvolvimento de Nanotecnologia – FDNano, e dá outras providências”. RELATORA: Deputada LUIZA ERUNDINA. 19182 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 5.082/05 – do Sr. Givaldo Carimbão – que “disciplina a obrigatoriedade de transmissão direta das sessões das Câmara Municipais pelas emissoras de radiodifusão sonora, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado FÁBIO SOUTO. PROJETO DE LEI Nº 5.187/05 – do Sr. Carlos Nader – que “cria campanha de prevenção a AIDS voltada para as pessoas idosas, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado VANDERLEI ASSIS. PROJETO DE LEI Nº 5.659/05 – do Sr. Wagner Lago – que “estabelece a obrigatoriedade da veiculação em sistema aberto das programações das emissoras de televisão dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário Federais, nas condições que especifica”. RELATOR: Deputado GUSTAVO FRUET. PROJETO DE LEI Nº 5.942/05 – da Sra. Maninha – que “disciplina a gestão e administração dos canais legislativos federal, estaduais, distrital e municipais”. RELATOR: Deputado WALTER PINHEIRO. PROJETO DE LEI Nº 6.052/05 – do Sr. Ivo José – que “modifica a Lei nº 10.222, de 9 de maio de 2001, graduando as penalidades para emissoras que elevam volume durante intervalos e dá outras providências”. RELATOR: Deputado JADER BARBALHO. PROJETO DE LEI Nº 6.165/05 – do Sr. Colombo – que “altera a Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997, a Lei Geral de Telecomunicações – LGT” RELATOR: Deputado JULIO SEMEGHINI. PROJETO DE LEI Nº 6.685/06 – do Senado Federal – Serys Slhessarenko – (PLS 308/2005) – que “acrescenta os §§ 4º e 5º ao art. 5º da Lei nº 9.998, de 17 de agosto de 2000, que institui o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, para conceder preferência, no financiamento de equipamentos de telecomunicações, a produtos que utilizem “software aberto””. RELATOR: Deputado AROLDE DE OLIVEIRA. PROJETO DE LEI Nº 6.717/06 – do Sr. Ivo José – que “estabelece isenção de tributos e contribuições federais sobre receitas de prestação de serviços relacionados a programas de inclusão digital”. RELATOR: Deputado ARIOSTO HOLANDA. PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 19-04-06 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 2.266/03 – do Sr. Rogério Silva – que “dispõe sobre a proibição de divulgação de infor- Abril de 2006 mações sobre apreensão de drogas pelas emissoras de rádio e televisão, e empresas jornalísticas”. RELATORA: Deputada LUIZA ERUNDINA. PROJETO DE LEI Nº 3.372/04 – do Sr. Eduardo Paes – que “dispõe sobre mecanismos de segurança para acesso aos sistemas e bancos de dados da Administração Pública Federal”. RELATOR: Deputado FÁBIO SOUTO. PROJETO DE LEI Nº 3.899/04 – da Sra. Maninha – que “altera disposições sobre a profissão de Jornalista”. RELATOR: Deputado JORGE BITTAR. PROJETO DE LEI Nº 4.319/04 – do Sr. Dr. Heleno – que “dispõe sobre a obrigatoriedade dos meios de comunicação de massa que exploram a imagem visual e sonora, disponibilizar em seus anúncios, alguma forma de contato audível que facilite o acesso aos deficientes visuais às informações, e dá outras providências”. RELATORA: Deputada MARIÂNGELA DUARTE. PROJETO DE LEI Nº 4.860/05 – do Sr. João Caldas – que “dispõe sobre a obrigatoriedade da empresa autorizatária do serviço móvel pessoal de instalar nos municípios com população igual ou superior a três mil habitantes estações rádio base ou repetidoras para a prestação adequada e contínua do serviço móvel pessoal”. RELATOR: Deputado ORLANDO FANTAZZINI. PROJETO DE LEI Nº 5.080/05 – do Sr. Waldemir Moka – que “faculta ao assinante do Serviço Móvel Celular ou do Serviço Móvel Pessoal o cancelamento do contrato firmado com a empresa prestadora desses serviços em caso de roubo, furto ou extravio do aparelho telefônico, nos termos que especifica”. RELATOR: Deputado EUNÍCIO OLIVEIRA. PROJETO DE LEI Nº 5.344/05 – do Sr. Paulo Lima – que “altera a Lei nº 9.998, de 17 de agosto de 2000, que “institui o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações””. RELATOR: Deputado ALBERTO GOLDMAN. PROJETO DE LEI Nº 5.527/05 – do Sr. Paulo Marinho – que “acrescenta e altera dispositivo da Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997 e dá outras providências”. RELATOR: Deputado RICARDO BARROS. PROJETO DE LEI Nº 5.653/05 – Do Sr. Neucimar Fraga – que “institui Programa de Atendimento e Atenção ao Cidadão Brasileiro no Exterior e dá outras providências”. RELATOR: Deputado DURVAL ORLATO. PROJETO DE LEI Nº 5.679/05 – do Sr. Marcelo Barbieri – que “altera as Leis nº 5.070, de 5 de julho de 1966, e nº 9.472, de 16 de julho de 1997, destinando o mínimo de vinte por cento dos recursos do Fistel Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS para as atividades e demais despesas do órgão regulador dos serviços de telecomunicações, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ADELOR VIEIRA. PROJETO DE LEI Nº 5.841/05 – do Sr. Chico Alencar – que “estabelece a obrigatoriedade da publicação da programação das emissoras de televisão do Poder Legislativo Federal nos jornais de circulação diária”. RELATOR: Deputado GUSTAVO FRUET. PROJETO DE LEI Nº 6.053/05 – do Sr. Ivo José – que “modifica a Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997, determinando a aplicação de um único índice de reajuste a todos os itens tarifários”. RELATOR: Deputado ALBERTO GOLDMAN. PROJETO DE LEI Nº 6.080/05 – do Sr. Júnior Betão – que “dispõe sobre as restrições à propaganda de bebidas e alimentos potencialmente causadores de obesidade”. RELATORA: Deputada LUIZA ERUNDINA. PROJETO DE LEI Nº 6.218/05 – do Sr. Edinho Bez – que “institui a franquia postal para as correspondências postadas pelas Defensorias Públicas” RELATOR: Deputado SILAS CÂMARA. PROJETO DE LEI Nº 6.347/05 – do Senado Federal – Arlindo Porto – (PLS 39/2002) – que “altera a Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997, para dispor sobre o controle de consumo de serviços de telecomunicações”. (Apensado: PL 1758/1999 (Apensados: PL 2225/1999, PL 3085/2000, PL 3795/2000, PL 4726/2001, PL 7092/2002, PL 7487/2002, PL 2939/2004 e PL 5754/2005)) RELATOR: Deputado JORGE BITTAR. PROJETO DE LEI Nº 6.350/05 – do Sr. Carlos Alberto Leréia – que “modifica a Lei nº 9.612, de 19 de fevereiro de 1998, estendendo a autorização de serviços de radiodifusão comunitária a órgãos do poder legislativo municipal”. RELATOR: Deputado RAIMUNDO SANTOS. PROJETO DE LEI Nº 6.501/06 – da Sra. Ann Pontes – que “dispõe sobre o sistema de fusos horários no território brasileiro”. RELATOR: Deputado JADER BARBALHO. PROJETO DE LEI Nº 6.522/06 – do Sr. Celso Russomanno – que “acrescenta o artigo 124-A na Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, estabelecendo limite para exibição da logomarca da emissora de radiodifusão de sons e imagens durante as transmissões”. RELATOR: Deputado CORAUCI SOBRINHO. PROJETO DE LEI Nº 6.525/06 – do Sr. Walter Pinheiro – que “dispõe sobre a evolução dos serviços de radiodifusão, altera a Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962”. (Apensado: PL 6774/2006) Quinta-feira 13 19183 RELATOR: Deputado MURILO ZAUITH. PROJETO DE LEI Nº 6.590/06 – do Sr. Paulo Pimenta – que “modifica a Lei nº 8.977, de 6 de janeiro de 1995, proibindo a cobrança de assinatura por pontos adicionais instalados no domicílio do assinante de serviço de TV a cabo”. RELATOR: Deputado JOSÉ ROCHA. PROJETO DE LEI Nº 6.594/06 – do Sr. Carlos Nader – que “dispõe sobre a proibição de afixação de propagandas ou publicidades em postes de iluminação pública, de telefones públicos, praças, pontos de ônibus e passarelas de pedestres”. RELATOR: Deputado JOÃO BATISTA. PROJETO DE LEI Nº 6.624/06 – do Sr. Alex Canziani – que “dispõe sobre cadastro único de assinantes de companhias telefônicas”. RELATOR: Deputado JÚLIO CESAR. Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 4.430/04 – do Senado Federal – Tião Vianna – (PLS 324/2004) – que “dispõe sobre a vigência da Lei nº 10.359, de 27 de dezembro de 2001”. RELATORA: Deputada LUIZA ERUNDINA. COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 19-04-06 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO A – Da Análise da Constitucionalidade, Juridicidade e Mérito: PROJETO DE LEI Nº 6.416/05 – do Senado Federal – César Borges – (PLS 155/2004) – que “altera as Leis nºs 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil, e 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, admitindo a realização de inventário e partilha extrajudiciais”. RELATOR: Deputado MAURÍCIO RANDS. DECURSO: 5ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 17-04-06 19184 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO A – Da Análise da Constitucionalidade e Juridicidade (art. 54, I): PROJETO DE LEI Nº 3.279/00 – do Sr. De Velasco – que “acrescenta § 2º ao art. 80 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro”. (Apensado: PL 3485/2000) RELATOR: Deputado CUSTÓDIO MATTOS. B – Da Análise da Constitucionalidade, Juridicidade e Mérito: PROJETO DE LEI Nº 6.025/05 – do Senado Federal – César Borges – (PLS 37/2004) – que “altera o art. 666 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, para dispor acerca da penhora sobre máquinas, instrumentos e implementos agrícolas”. (Apensado: PL 4386/2004) RELATOR: Deputado MAURO BENEVIDES. COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 5ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 17-04-06 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 371/99 – do Sr. Enio Bacci – que “fixa prazo de 10 (dez) dias para consumidor desistir das compras por telefone ou correspondência e dá outras providências”. (Apensado: PL 975/2003) RELATORA: Deputada MARIA DO CARMO LARA. COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS A PARTIR DE AMANHÃ (DIA 18/04/2006) Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 2.108/03 – do Sr. Walter Pinheiro – que “dispõe sobre a proibição de entidades ou em- Abril de 2006 presas brasileiras ou sediadas em Território Nacional estabelecerem contratos com empresas que explorem trabalho degradante em outros países”. RELATORA: Deputada YEDA CRUSIUS. PROJETO DE LEI Nº 6.694/06 – da Sra. Socorro Gomes – que “altera o art. 1º da Lei nº 10.449, de 9 de maio de 2002, que “dispõe sobre a comercialização de preservativos masculinos de látex de borracha””. RELATOR: Deputado SANDRO MABEL. PROJETO DE LEI Nº 6.711/06 – do Sr. Dr. Heleno – que “dispõe sobre a cassação da eficácia da inscrição no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas, na hipótese que especifica”. RELATOR: Deputado ANDRÉ FIGUEIREDO. PROJETO DE LEI Nº 6.751/06 – do Poder Executivo – que “autoriza a República Federativa do Brasil a efetuar doações a iniciativas internacionais de auxílio ao desenvolvimento”. RELATOR: Deputado JOEL DE HOLLANDA. PROJETO DE LEI Nº 6.754/06 – da Sra. Laura Carneiro – que “revoga o § 1º do art. 10 da Lei nº 11.265, de 3 de janeiro de 2006, que “regulamenta a comercialização de alimentos para lactentes e crianças de primeira infância e também a de produtos de puericultura correlatos””. RELATOR: Deputado GONZAGA MOTA. PROJETO DE LEI Nº 6.792/06 – do Sr. Celso Russomanno – que “altera o caput e o inciso II do art. 22 da Lei nº 9.492, de 1997, dispondo sobre informações exigidas para registro, intimação e emissão do instrumento de protesto”. RELATOR: Deputado ILDEU ARAUJO. COMISSÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS A PARTIR DE AMANHÃ (DIA 18/04/2006) Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 1.617/03 – da Sra. Vanessa Grazziotin – que “dispõe sobre a criação de selo comemorativo dos cinqüenta anos da implantação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA”. RELATOR: Deputado GASTÃO VIEIRA. PROJETO DE LEI Nº 3.795/04 – da Sra. Laura Carneiro – que “institui bolsa de estudos, denominada “bolsa-estágio’’, com o objetivo de apoiar estudantes do ensino superior, tendo como contrapartida a pres- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS tação de serviços destes, como estagiários”. (Apensado: PL 4584/2004) RELATOR: Deputado COLOMBO. PROJETO DE LEI Nº 4.833/05 – Do Sr. Josias Quintal – que “altera a Lei nº 10.845,de 5 de março de 2004 , de modo a tornar o valor per capita para a educação especial no âmbito do Programa de Atendimento Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência – PAED equivalente ao valor por aluno repassado através do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF aos educandos com necessidades especiais, matriculados em escolas públicas”. RELATORA: Deputada IARA BERNARDI. PROJETO DE LEI Nº 5.163/05 – do Sr. Barbosa Neto – que “ Dispõe sobre a criação da Fundação Universidade Federal do Planalto Goiano e dá outras providências”. RELATOR: Deputado COLOMBO. PROJETO DE LEI Nº 5.189/05 – do Sr. Carlos Nader – que “”Determina a implantação de sistema de escola virtual nos presídios e dá outras providências”” RELATOR: Deputado GASTÃO VIEIRA. PROJETO DE LEI Nº 5.622/05 – do Sr. Humberto Michiles – que “acrescenta inciso ao art. 9º e modifica a redação dos incisos VII do art. 10 e VI do art. 11 da Lei nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional”. RELATOR: Deputado ANTÔNIO CARLOS BIFFI. PROJETO DE LEI Nº 6.091/05 – do Sr. Eduardo Paes – que “dispõe sobre a gratuidade do primeiro diploma dos níveis médio, técnico e superior”. RELATOR: Deputado JOSÉ LINHARES. PROJETO DE LEI Nº 6.103/05 – do Senado Federal – Luiz Pontes – (PLS 217/2001) – que “dispõe sobre a construção de prédio para funcionamento de creche e pré-escola em assentamentos rurais”. RELATOR: Deputado ANTÔNIO CARLOS BIFFI. PROJETO DE LEI Nº 6.137/05 – do Sr. Alex Canziani – que “dispõe sobre o acesso aos cursos de graduação oferecidos pelas Instituições de Ensino Superior”. RELATORA: Deputada IARA BERNARDI. PROJETO DE LEI Nº 6.157/05 – do Sr. Carlos Nader – que “dispõe sobre a previsão, a reserva e a destinação de área específica, nos estabelecimentos de ensino, para prática de educação ambiental”. RELATOR: Deputado PROFESSOR IRAPUAN TEIXEIRA. Quinta-feira 13 19185 PROJETO DE LEI Nº 6.167/05 – do Sr. Ivo José – que “destina percentual de verbas da educação para material didático e recursos técnicos de apoio às aulas”. RELATOR: Deputado CARLOS ABICALIL. PROJETO DE LEI Nº 6.244/05 – da Sra. Sandra Rosado – que “fixa critério para instituição de datas comemorativas”. RELATORA: Deputada MARIA DO ROSÁRIO. PROJETO DE LEI Nº 6.286/05 – do Sr. Vander Loubet – que “institui o Dia Nacional do Esteticista”. RELATORA: Deputada IARA BERNARDI. PROJETO DE LEI Nº 6.338/05 – do Sr. Sandes Júnior – que “dispõe sobre o peso da mochila e similares a ser transportado pelo estudante”. RELATOR: Deputado CÉSAR BANDEIRA. PROJETO DE LEI Nº 6.345/05 – do Senado Federal – Marco Maciel – (PLS 99/2005) – que “dispõe sobre a inscrição de nomes no Livro dos Heróis da Pátria”. RELATOR: Deputado CHICO ALENCAR. PROJETO DE LEI Nº 6.484/06 – do Sr. Celso Russomanno – que “acrescenta artigo à Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional” para indicar um conjunto de temas transversais que devem ser incluídos nos currículos plenos do ensino fundamental e médio”. RELATOR: Deputado ÁTILA LIRA. PROJETO DE LEI Nº 6.533/06 – do Sr. Carlos Nader – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de manutenção de exemplares da Bíblia Sagrada nos acervos das bibliotecas das unidades escolares públicas em todo o território nacional”. RELATOR: Deputado BONIFÁCIO DE ANDRADA. PROJETO DE LEI Nº 6.575/06 – do Sr. Lobbe Neto – que “institui o Dia Nacional do Rotaractiano”. RELATOR: Deputado ITAMAR SERPA. PROJETO DE LEI Nº 6.579/06 – do Sr. Ivo José – que “institui o Dia Nacional do Combate à Fome a ser comemorado dia 30 de Janeiro de cada ano”. RELATOR: Deputado FERNANDO GONÇALVES. PROJETO DE LEI Nº 6.630/06 – do Sr. Maurício Rands – que “proíbe que uma mesma pessoa ocupe duas vagas simultaneamente em instituições públicas de ensino superior”. RELATORA: Deputada ALICE PORTUGAL. PROJETO DE LEI Nº 6.651/06 – do Sr. Renildo Calheiros – (PL 5894/2005) – que “dispõe sobre a instituição e funcionamento do Fundo Especial do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – FUNPHAN” RELATOR: Deputado PAULO DELGADO. 19186 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 6.835/06 – do Sr. Gilmar Machado – que “aprova o Plano Nacional de Cultura”. RELATOR: Deputado WALTER PINHEIRO. Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 5.205/05 – do Sr. Eduardo Paes – que “dispõe sobre a comprovação da situação acadêmica do estudante para obtenção do benefício da meia – entrada e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ROGÉRIO TEÓFILO. PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-04-06 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 6.463/05 – do Sr. Chico Alencar – que “institui o dia 25 de janeiro como “Dia Nacional da Bossa Nova””. RELATOR: Deputado PAULO RUBEM SANTIAGO. PROJETO DE LEI Nº 6.705/06 – do Senado Federal – (PLS 347/2005) – que “institui o dia 4 de outubro como o Dia Nacional do Agente Comunitário de Saúde”. RELATOR: Deputado WALTER PINHEIRO. PROJETO DE LEI Nº 6.708/06 – do Senado Federal – (PLS 352/2005) – que “institui o Dia Nacional de Prevenção da Catapora” RELATOR: Deputado RAFAEL GUERRA. DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 19-04-06 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 3.242/04 – Do Sr. Eduardo Valverde – que “acrescenta os Incisos X e XI no Art. 1º da Lei Ordinária nº 8.313, de 1991”. RELATOR: Deputado CARLOS ABICALIL. PROJETO DE LEI Nº 4.934/05 – do Sr. Dr. Heleno – que “institui a Semana Nacional da Saúde do Homem visando a detecção e o tratamento das doenças que mais afligem o homem urbano e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ÁTILA LIRA. PROJETO DE LEI Nº 5.345/05 – do Sr. Paulo Lima – que “denomina Aeroporto Internacional Ayrton Senna da Silva o Aeroporto Internacional localizado na cidade de Guarulhos, no Estado de São Paulo”. RELATOR: Deputado OSMAR SERRAGLIO. Abril de 2006 PROJETO DE LEI Nº 5.505/05 – do Senado Federal – Delcidio Amaral – (PLS 282/2004) – que “institui o “Dia Nacional de Combate à Psoríase””. RELATOR: Deputado JOEL DE HOLLANDA. PROJETO DE LEI Nº 5.675/05 – do Sr. Carlos Nader – que “”Dispõe sobre as Empresas Patrocinadoras de Uniformes escolares de escolas públicas, e dá outras providências.”” RELATORA: Deputada FÁTIMA BEZERRA. PROJETO DE LEI Nº 5.842/05 – do Sr. Betinho Rosado – que “dispõe sobre a criação da Universidade Federal do Seridó – UFS, por desmembramento da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado GASTÃO VIEIRA. PROJETO DE LEI Nº 5.847/05 – do Senado Federal – Aelton Freitas – (PLS 153/2005) – que “denomina “Aeroporto de Uberaba – MG– Mário de Almeida Franco”, o aeroporto da cidade de Uberaba, no Estado de Minas Gerais”. RELATOR: Deputado GILMAR MACHADO. PROJETO DE LEI Nº 5.873/05 – do Sr. Elimar Máximo Damasceno – que “inscreve o nome de Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo no Livro dos Heróis da Pátria”. RELATORA: Deputada CELCITA PINHEIRO. PROJETO DE LEI Nº 6.048/05 – do Sr. Carlos Nader – que “”Torna obrigatório a aplicação tópica de flúor em crianças e adolescentes da rede pública de ensino médio e fundamental, e dá outras providências””. RELATOR: Deputado JOSÉ LINHARES. PROJETO DE LEI Nº 6.067/05 – do Sr. Wilson Cignachi – que “reduz as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas decorrentes da venda de produtos destinados à merenda escolar”. RELATOR: Deputado PAULO RUBEM SANTIAGO. PROJETO DE LEI Nº 6.089/05 – do Sr. Alex Canziani – que “inclui novo inciso ao art. 70 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB”. RELATORA: Deputada MARIA DO ROSÁRIO. PROJETO DE LEI Nº 6.105/05 – do Senado FederalFátima Cleide – (PLS 283/2004) – que “dispõe sobre a criação do Dia Nacional do Teatro para a Infância e a Juventude”. RELATORA: Deputada MARIA DO ROSÁRIO. PROJETO DE LEI Nº 6.206/05 – do Senado Federal – Fátima Cleide – (PLS 507/2003) – que “altera o art. 61 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, com Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quinta-feira 13 19187 a finalidade de discriminar as categorias de trabalhadores que se devem considerar profissionais da educação”. RELATOR: Deputado CARLOS ABICALIL. PROJETO DE LEI Nº 6.561/06 – da Sra. Almerinda de Carvalho – que “institui o “Dia do Líder Comunitário””. RELATOR: Deputado RENATO CASAGRANDE. PROJETO DE LEI Nº 6.275/05 – do Sr. Ricardo Barros – que “institui o Dia Nacional de Luta contra o Câncer de Mama”. RELATORA: Deputada ALICE PORTUGAL. PROJETO DE LEI Nº 6.570/06 – do Sr. Pastor Frankembergen – que “altera a Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que “Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional”, incluindo no currículo oficial, da rede de ensino, a obrigatoriedade do ensino de Educação para a Moral e o Civismo, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado IVAN VALENTE. PROJETO DE LEI Nº 6.319/05 – do Sr. Sigmaringa Seixas – que “institui o dia 1º de Outubro como o “Dia da Imprensa Nacional””. RELATOR: Deputado WALTER PINHEIRO. PROJETO DE LEI Nº 6.334/05 – do Sr. Eduardo Paes – que “institui o dia Nacional do ADESGUIANO, a ser comemorado, anualmente, no dia 07 de dezembro”. RELATORA: Deputada CELCITA PINHEIRO. PROJETO DE LEI Nº 6.336/05 – do Sr. Sandes Júnior – que “altera a redação do art. 34, caput e § 2º, e acrescenta o art. 89-A à Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional”. RELATORA: Deputada MARIA DO ROSÁRIO. PROJETO DE LEI Nº 6.348/05 – do Senado Federal – Flávio Arns – (PLS 190/2005) – que “institui o dia 6 de junho como o Dia Nacional do Teste do Pezinho”. RELATORA: Deputada PROFESSORA RAQUEL TEIXEIRA. PROJETO DE LEI Nº 6.361/05 – do Sr. Vicentinho – que “institui o dia 27 de julho como DIA NACIONAL DO CIPEIRO”. RELATOR: Deputado EVANDRO MILHOMEN. PROJETO DE LEI Nº 6.367/05 – do Sr. Rafael Guerra – que “institui o Dia do Intensivista”. RELATOR: Deputado EDUARDO SEABRA. PROJETO DE LEI Nº 6.431/05 – do Sr. Elimar Máximo Damasceno – que “institui o dia 1º de outubro como o Dia Nacional da Verdade”. RELATOR: Deputado GASTÃO VIEIRA. PROJETO DE LEI Nº 6.576/06 – da Sra. Alice Portugal – que “institui o dia 02 de julho como data histórica no calendário das efemérides nacionais”. RELATOR: Deputado PAULO DELGADO. PROJETO DE LEI Nº 6.581/06 – do Sr. Simplício Mário – que “estabelece mecanismos de incentivo para a produção, publicação e distribuição de revistas em quadrinhos nacionais”. RELATOR: Deputado ANTÔNIO CARLOS BIFFI. PROJETO DE LEI Nº 6.592/06 – do Sr. Alceste Almeida – que “dá denominação à Rodovia BR-174, trecho Boa Vista-Manaus”. RELATOR: Deputado COSTA FERREIRA. PROJETO DE LEI Nº 6.598/06 – do Sr. Rubens Otoni – que “denomina “UNED Professora Cleide Campos” a Unidade de Ensino Descentralizada de Inhumas – UNED do CEFET – GO, no Município de Inhumas – GO”. RELATORA: Deputada PROFESSORA RAQUEL TEIXEIRA. PROJETO DE LEI Nº 6.614/06 – do Sr. Badu Picanço – que “dispõe sobre a inclusão da disciplina de Direito Constitucional no currículo do ensino médio” RELATOR: Deputado ÁTILA LIRA. PROJETO DE LEI Nº 6.642/06 – do Senado FederalÁlvaro Dias – (PLS 4/2005) – que “altera o art. 36 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para inserir o estudo da Filosofia e da Sociologia nos currículos do ensino médio”. RELATOR: Deputado CARLOS ABICALIL. PROJETO DE LEI Nº 6.457/05 – do Sr. Virgílio Guimarães – que “institui o Dia Nacional de Ação de Graças e Dia Nacional do Evangelho”. RELATOR: Deputado PROFESSOR IRAPUAN TEIXEIRA. PROJETO DE LEI Nº 6.646/06 – do Sr. João Caldas – que “denomina “Campus Deputada Federal Ceci Cunha”, o Campus da Universidade Federal de Alagoas, no Município de Arapiraca, no Estado de Alagoas”. RELATOR: Deputado ROGÉRIO TEÓFILO. PROJETO DE LEI Nº 6.515/06 – do Sr. Chico Sardelli – que “institui o dia 12 de Setembro como o Dia do Presidente da República, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado NAZARENO FONTELES. PROJETO DE LEI Nº 6.653/06 – do Sr. Osvaldo Coelho – que “estende às instituições de ensino superior mantidas por autarquias municipais, os efeitos da Lei nº 11.096, de 13 de Janeiro de 2005”. 19188 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS RELATORA: Deputada IARA BERNARDI. PROJETO DE LEI Nº 6.681/06 – do Senado Federal – Delcidio Amaral – (PLS 36/2003) – que “acrescenta os §§ 5º e 6º ao art. 19 da Lei nº 10.696, de 2 de julho de 2003, para dispor sobre a compra dos produtos alimentícios destinados aos programas governamentais de distribuição de alimentos e combate à fome”. RELATOR: Deputado ROGÉRIO TEÓFILO. PROJETO DE LEI Nº 6.698/06 – do Sr. Medeiros – que “altera a Lei nº 10.607, de 19 de dezembro de 2002, que dá nova redação ao art 1º da Lei nº 662, de 6 de abril de 1949, que declara feriados nacionais os dias 1º de janeiro, 1º de maio, 7 de setembro e 25 de dezembro”. RELATOR: Deputado EVANDRO MILHOMEN. PROJETO DE LEI Nº 6.741/06 – do Sr. Nilson Mourão – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de dublagem, em língua portuguesa, de obras cinematográficas produzidas em idioma estrangeiro e apresentadas em salas comerciais de exibição pública em todo o Território Nacional”. RELATOR: Deputado PAULO RUBEM SANTIAGO. PROJETO DE LEI Nº 6.755/06 – da Sra. Laura Carneiro – que “dispõe sobre a introdução de temas relacionados à responsabilidade social das empresas e à cidadania corporativa nos currículos de educação superior”. RELATOR: Deputado CHICO ALENCAR. PROJETO DE LEI Nº 6.779/06 – da Sra. Maninha – que “dispõe o monitoramento eletrônico em estabelecimentos de ensino”. RELATOR: Deputado CORAUCI SOBRINHO. PROJETO DE LEI Nº 6.816/06 – do Sr. Vander Loubet – que “confere ao Município de Corumbá, no Estado do Mato Grosso do Sul, o título de “Capital do Pantanal””. RELATOR: Deputado ANTÔNIO CARLOS BIFFI. COMISSÃO DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-04-06 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 6.840/06 – dos Srs. José Thomaz Nonô e José Thomaz Nonô – (PL 6424/2005) – que “acresce parágrafo ao art. 44 do Código Florestal”. RELATOR: Deputado JORGE KHOURY. Abril de 2006 COMISSÃO DE MINAS E ENERGIA AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 19-04-06 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 3.181/04 – do Sr. Renato Casagrande – que “dispõe sobre a criação de incentivo tributário para redução do consumo de água e de energia elétrica e dá outras providências”. RELATOR: Deputado SALVADOR ZIMBALDI. PROJETO DE LEI Nº 5.178/05 – do Sr. Celso Russomanno – que “dispõe sobre a cassação da eficácia da inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda – CNPJ / MF e, conseqüentemente, do registro no órgão regulador competente na hipótese que especifica”. (Apensado: PL 5869/2005) RELATOR: Deputado FERNANDO FERRO. PROJETO DE LEI Nº 6.606/06 – do Sr. Bernardo Ariston – que “dispõe sobre a obrigatoriedade do revendedor prestar informações quando da venda de gás liqüefeito de petróleo – GLP ao consumidor final, altera a Lei nº 9.847, de 26 de outubro de 1999, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ALBÉRICO FILHO. PROJETO DE LEI Nº 6.618/06 – do Sr. José Carlos Machado – que “autoriza o revendedor varejista de combustíveis automotivos a recarregar vasilhames de gás liquefeito de petróleo no estabelecimento denominado posto revendedor”. RELATOR: Deputado AIRTON ROVEDA. COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DE DEFESA NACIONAL AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 19-04-06 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 4.291/04 – do Senado Federal – Eduardo Suplicy – (PLS 189/2003) – que “define os objetivos, métodos e modalidades da participação do governo brasileiro em negociações comerciais multilaterais, regionais ou bilaterais”. RELATOR: Deputado DR. ROSINHA. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 6.703/06 – do Sr. João Lyra – que “autoriza o Poder Executivo a criar um Colégio Militar em Maceió, estado de Alagoas”. RELATOR: Deputado JAIR BOLSONARO. PROJETO DE LEI Nº 6.728/06 – do Sr. Manato – que “acresce dispositivos à Lei n° 4.504, de 30 de novembro de 1964, dispondo sobre a reforma agrária em terras públicas localizadas na faixa de fronteira”. RELATOR: Deputado MOREIRA FRANCO. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 18-04-06 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 6.696/06 – do Sr. Jair Bolsonaro – que “dá nova redação ao art. 1º da Lei nº 5.315, de 12 de setembro de 1967, que dispõe sobre os excombatentes da 2ª Guerra Mundial”. RELATOR: Deputado FEU ROSA. COMISSÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-04-06 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO Quinta-feira 13 19189 PROJETO DE LEI Nº 6.791/06 – do Sr. Celso Russomanno – que “altera a Lei nº 9.613, de 03 de março de 1998, que dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do Sistema Financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei; cria o Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, e dá outras providências.”” RELATOR: Deputado CABO JÚLIO. COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-04-06 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 2.427/03 – do Sr. Gilberto Kassab – que “institui o programa denominado “ Correios 3i “ para incluir a população da terceira idade na era digital”. RELATORA: Deputada LAURA CARNEIRO. PROJETO DE LEI Nº 5.773/05 – do Sr. Antonio Carlos Mendes Thame – que “altera as Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, para disciplinar o disposto no § 9º do art. 195 e no § 12 do art. 201 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 05 de julho de 2005”. (Apensados: PL 5866/2005, PL 5933/2005, PL 6169/2005, PL 6295/2005 e PL 6366/2005) RELATORA: Deputada CELCITA PINHEIRO. PROJETO DE LEI Nº 6.404/05 – do Sr. Nelson Pellegrino – que “altera o inciso X do art. 6º da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado MORONI TORGAN. DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 19-04-06 PROJETO DE LEI Nº 6.309/05 – da Sra. Laura Carneiro – que “acrescenta dispositivos ao art. 14 da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, que “dispõe sobre os planos e serviços privados de assistência à saúde””. RELATOR: Deputado DR. RIBAMAR ALVES. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-04-06 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) Substitutivo (Art. 119, II e §1º) PROJETO DE LEI Nº 4.254/98 – do Senado Federal – Pedro Simon – (PLS 31/1995) – que “altera dispositivos do Código de Processo Penal referentes ao curso dos procedimentos policiais e dá outras providências”. (Apensado: PL 5353/2001) RELATOR: Deputado ANTONIO CARLOS BISCAIA. AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 6.790/06 – do Sr. Celso Russomanno – que “dispõe sobre a prescrição nos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores”. RELATOR: Deputado CABO JÚLIO. PROJETO DE LEI Nº 5.626/05 – da Sra. Mariângela Duarte – que “altera o valor da pensão mensal concedida a Orlando Lovecchio Filho pela Lei nº 10.923, de 22 de julho de 2004”. RELATORA: Deputada TELMA DE SOUZA. DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 19-04-06 19190 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 4.945/05 – do Sr. Antonio Carlos Biscaia – que “altera e revoga dispositivos do Código Civil, que dispõem sobre a culpa e seus efeitos na separação dos cônjuges e dá outras providências correlatas”. (Apensado: PL 4948/2005) RELATORA: Deputada LAURA CARNEIRO. PROJETO DE LEI Nº 6.243/05 – da Sra. Sandra Rosado – que “acrescenta inciso ao art. 473 da CLT, a fim de permitir ao empregado deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo de salário para acompanhar filho em virtude de enfermidade”. RELATORA: Deputada LAURA CARNEIRO. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 18-04-06 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 4.403/01 – do Sr. Ivan Valente – que “dispõe sobre a autorização e o funcionamento de cursos superiores de Farmácia e/ou de FarmáciaBioquímica e dá outras providências”. RELATOR: Deputado FERNANDO GONÇALVES. PROJETO DE LEI Nº 4.635/01 – do Senado Federal – Geraldo Althoff – (PLS 225/2000) – que “acrescenta dispositivos à Lei nº 7.998, de 11 de janeiro de 1990, para conceder o benefício do seguro-desemprego aos trabalhadores que especifíca, e dá outras providências”. (Apensados: PL 5034/2001, PL 5916/2001 e PL 6675/2002) RELATOR: Deputado LUIZ BASSUMA. PROJETO DE LEI Nº 4.342/04 – do Sr. Alberto Fraga – que “altera a Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957, para determinar o exame de habilitação para o exercício da Medicina”. RELATOR: Deputado RAFAEL GUERRA. PROJETO DE LEI Nº 4.536/04 – do Sr. Carlos Nader – que “”Dispõe sobre a obrigatoriedade de serem construídas rampas de acesso nos estabelecimentos de ensino da rede pública e particular, destinados ao ingresso de pessoas portadoras de deficiências nas respectivas dependências.”” RELATORA: Deputada SUELY CAMPOS. PROJETO DE LEI Nº 5.673/05 – do Sr. Carlos Nader – que “”Estabelece a Notificação Compulsória da Violência Contra a Mulher, atendida em serviços de urgência e emergência de unidades de saúde das redes públicas e privadas, e dá outras providências. “” RELATORA: Deputada JANDIRA FEGHALI. Abril de 2006 PROJETO DE LEI Nº 5.814/05 – do Sr. Ivo José – que “permite o parcelamento excepcional de débitos das micro e pequenas empresas para com a Secretaria da Receita do Brasil relativos a contribuições destinadas ao custeio do Regime Geral de Previdência Social com competências anteriores a julho de 1995”. RELATOR: Deputado NAZARENO FONTELES. PROJETO DE LEI Nº 6.196/05 – do Sr. Carlos Nader – que “”Dispõe sobre a obrigatoriedade da instalação de sinais sonoros em semáforos de todas as cidades com população superior a 50.000 habitantes, e da outras providências.”” RELATOR: Deputado VANDERLEI ASSIS. PROJETO DE LEI Nº 6.208/05 – do Sr. Henrique Afonso – que “dispõe sobre o atendimento prioritário ao morador de área rural nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde”. RELATOR: Deputado GERALDO RESENDE. PROJETO DE LEI Nº 6.209/05 – do Sr. Carlos Nader – que “tornam obrigatório o atendimento domiciliar aos portadores de doenças graves, impossibilitados de comparecerem aos hospitais e postos de saúde”. RELATOR: Deputado NAZARENO FONTELES. PROJETO DE LEI Nº 6.211/05 – do Sr. Carlos Nader – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de aulas de primeiros socorros a cada seis meses nas escolas públicas de ensino médio e fundamental em todo o Território Nacional”. RELATOR: Deputado JORGE ALBERTO. PROJETO DE LEI Nº 6.251/05 – do Sr. Agnaldo Muniz – que “cria Programa de Fornecimento de Leite a Famílias Carentes e de Baixa Renda e dá outras providências”. RELATORA: Deputada TETÉ BEZERRA. PROJETO DE LEI Nº 6.313/05 – da Sra. Maninha – que “dispõe sobre os requisitos essenciais dos implantes cirúrgicos, estabelece a notificação compulsória das falhas detectadas em implantes e dá outras providências”. RELATOR: Deputado COLBERT MARTINS. PROJETO DE LEI Nº 6.331/05 – do Sr. André Figueiredo – que “altera o art. 2º da Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, para incluir os pacientes em tratamento para tuberculose entre os beneficiários do Programa Bolsa Família”. RELATOR: Deputado CHICÃO BRÍGIDO. PROJETO DE LEI Nº 6.340/05 – da Sra. Thelma de Oliveira – que “estabelece normas para a proteção dos alunos pertencentes ao ensino fundamental e médio público”. RELATORA: Deputada CELCITA PINHEIRO. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 6.396/05 – da Sra. Kátia Abreu – que “acresce dispositivo à Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, que regula o § 7º do art. 226 da Constituição Federal, que trata do planejamento familiar, estabelece penalidades e dá outras providências”. RELATORA: Deputada JANDIRA FEGHALI. PROJETO DE LEI Nº 6.403/05 – da Sra. Selma Schons – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de distribuição gratuita de protetor solar, pelo Sistema Único de Saúde – SUS”. RELATOR: Deputado REMI TRINTA. PROJETO DE LEI Nº 6.411/05 – do Senado Federal – Tião Viana – (PLS 71/2003) – que “altera a Lei nº 8.689, de 27 de julho de 1993, que dispõe sobre a extinção do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps) e dá outras providências, para que a prestação de contas dos gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) ao Poder Legislativo estenda-se à esfera federal de governo”. RELATOR: Deputado JORGE ALBERTO. PROJETO DE LEI Nº 6.425/05 – do Senado Federal – César Borges – (PLS 173/2005) – que “altera a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências, para prorrogar o prazo estabelecido no art. 143 e dá outras providências”. RELATOR: Deputado DR. RIBAMAR ALVES. PROJETO DE LEI Nº 6.437/05 – do Sr. Luiz Carlos Hauly – que “revoga o artigo 1.520 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil”. RELATORA: Deputada LAURA CARNEIRO. PROJETO DE LEI Nº 6.454/05 – do Sr. Milton Monti – que “obriga as aeronaves a portarem equipamentos de primeiros socorros e dá outras providências”. RELATOR: Deputado RAIMUNDO GOMES DE MATOS. PROJETO DE LEI Nº 6.464/05 – da Sra. Telma de Souza – que “institui o Dia Nacional das Crianças Afetadas pelo Vírus HIV / AIDS”. RELATOR: Deputado DURVAL ORLATO. PROJETO DE LEI Nº 6.473/06 – do Sr. Carlos Nader – que “dispõe sobre a obrigatoriedade da realização gratuita de cirurgia plástica para a correção de lesões em crianças vítimas de queimaduras graves, pelo SUS – Sistema Único de Saúde”. RELATORA: Deputada KELLY MORAES. PROJETO DE LEI Nº 6.492/06 – da Sra. Sandra Rosado – que “dispõe sobre a dispensação de medicamentos contendo antimicrobianos”. RELATORA: Deputada LAURA CARNEIRO. Quinta-feira 13 19191 PROJETO DE LEI Nº 6.519/06 – do Sr. Vanderlei Assis – que “altera a redação do artigo 10 da Lei nº 7.116, de 29 de agosto de 1983, dispondo sobre a Carteira Nacional do Idoso”. RELATOR: Deputado EDUARDO BARBOSA. PROJETO DE LEI Nº 6.551/06 – do Sr. Chico Sardelli – que “altera os art. 9º e 18 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, no tocante à concessão do registro e do certificado de entidade de fins filantrópicos”. RELATOR: Deputado JOSÉ LINHARES. PROJETO DE LEI Nº 6.568/06 – do Sr. Carlos Nader – que “”Dispõe sobre a obrigatoriedade de equipar com desfibrilador automático externo (DAE) e treinar e capacitar, pessoal para prestar atendimento medico em locais que menciona, e dá outras providências.”” RELATOR: Deputado FEU ROSA. PROJETO DE LEI Nº 6.569/06 – do Sr. Carlos Nader – que “dispõe sobre a obrigatoriedade da realização gratuita de cirurgia plástica para a correção de lesões em mulheres vítima de violência, pelo SUS (Sistema Único de Saúde)”. RELATOR: Deputado FEU ROSA. PROJETO DE LEI Nº 6.577/06 – do Sr. Leonardo Mattos – que “dá nova redação ao art. 134 da lei 8.069 de 13 de julho de 1990, “que dispõe sobre o estatuto da criança e adolescente e dá outras providências””. RELATOR: Deputado EDUARDO BARBOSA. PROJETO DE LEI Nº 6.599/06 – do Sr. Marcos Abramo – que “altera a Lei nº 9.434, de 1997, que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplantes e tratamento, para permitir que portadores de anencefalia sejam doadores de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano”. RELATOR: Deputado REINALDO GRIPP. PROJETO DE LEI Nº 6.616/06 – do Sr. Antonio Carlos Mendes Thame – que “reabre o prazo para o acordo de revisão dos benefícios previdenciários previsto no art. 2º da Lei nº 10.999, de 15 de dezembro de 2004, que autoriza a revisão dos benefícios previdenciários concedidos com data de início posterior a fevereiro de 1994 e o pagamento dos valores atrasados nas condições que especifica”. RELATOR: Deputado JORGE ALBERTO. PROJETO DE LEI Nº 6.635/06 – do Sr. Fernando de Fabinho – que “dispõe sobre a criação da profissão de Agente Comunitário de Endemias”. (Apensados: PL 6733/2006 (Apensado: PL 6831/2006) e PL 6857/2006) RELATOR: Deputado MANATO. 19192 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 6.639/06 – do Sr. Carlos Nader – que “dispõe sobre a instituição do Fundo Nacional de Acessibilidade e o financiamento das ações previstas nos programas de ajudas técnicas e acessibilidade de que trata a Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000”. RELATOR: Deputado ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO. PROJETO DE LEI Nº 6.644/06 – do Sr. Carlos Nader – que “torna obrigatória a fixação de cartaz contendo relação de medicamentos proibidos, no estabelecimento que os comercializa e dá outras providências”. RELATOR: Deputado JAMIL MURAD. PROJETO DE LEI Nº 6.659/06 – do Sr. José Militão – que “acrescenta dispositivos à Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, para dispor sobre o registro do Técnico de Enfermagem”. RELATOR: Deputado JOSÉ LINHARES. PROJETO DE LEI Nº 6.660/06 – da Sra. Sandra Rosado – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de equipamento e farmácia básica de reanimação, por parte das clinicas que realizam cirurgias, e dá outras providências”. RELATORA: Deputada CELCITA PINHEIRO. PROJETO DE LEI Nº 6.682/06 – do Senado Federal – Paulo Paim – (PLS 181/2003) – que “altera o parágrafo único do art. 2º da Lei nº 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dispõe sobre prioridade de atendimento às pessoas que especifica e dá outras providências”. RELATOR: Deputado LUIZ BASSUMA. PROJETO DE LEI Nº 6.706/06 – do Senado Federal – (PLS 180/2004) – que “altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que “estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional”, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da oferta da Língua Brasileira de Sinais – Libras, em todas as etapas e modalidades da educação básica”. RELATOR: Deputado EDUARDO BARBOSA. PROJETO DE LEI Nº 6.761/06 – do Sr. Carlos Nader – que “dispõe sobre a obrigatoriedade da realização gratuita de cirurgia plástica para a correção de lesões em crianças e adolescentes, vítimas de violência, pelo SUS (Sistema Único de Saúde)”. RELATOR: Deputado LUIZ BASSUMA. COMISSÃO DE TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 19-04-06 Abril de 2006 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 6.505/06 – do Sr. Maurício Rabelo – que “acrescenta dispositivos à Lei nº 6.615, de 16 de dezembro de 1978, para dispor sobre a identidade profissional de Radialistas”. RELATORA: Deputada DRA. CLAIR. COMISSÃO DE VIAÇÃO E TRANSPORTES AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-04-06 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 5.368/05 – do Sr. Ivo José – que “dispõe sobre a criação do Cadastro Nacional de Bicicletas, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ARY KARA. PROJETO DE LEI Nº 6.328/05 – do Sr. Gonzaga Patriota – que “denomina a Ferrovia Transnordestina de “Ferrovia Miguel Arraes de Alencar””. RELATOR: Deputado MÁRIO ASSAD JÚNIOR. PROJETO DE LEI Nº 6.490/06 – do Sr. Ivo José – que “institui o Estatuto do Motorista Profissional”. RELATOR: Deputado MÁRIO ASSAD JÚNIOR. PROJETO DE LEI Nº 6.786/06 – do Sr. Celso Russomanno – que “altera a Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 que – Institui o Código de Trânsito Brasileiro – para dispor sobre a notificação da autuação no trânsito”. RELATOR: Deputado MÁRIO ASSAD JÚNIOR. II – COORDENAÇÃO DE COMISSÕES PERMANENTES ENCAMINHAMENTO DE MATÉRIA ÀS COMISSÕES EM 12/04/2006: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática: PROJETO DE LEI Nº 6.837/2006 Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania: PROJETO DE LEI Nº 1.865/1996 PROJETO DE LEI Nº 1.186/2003 PROJETO DE LEI Nº 2.046/2003 PROJETO DE LEI Nº 2.379/2003 PROJETO DE LEI Nº 3.171/2004 Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 3.704/2004 PROJETO DE LEI Nº 4.687/2004 PROJETO DE LEI Nº 4.793/2005 PROJETO DE LEI Nº 5.414/2005 PROJETO DE LEI Nº 6.823/2006 PROJETO DE LEI Nº 6.824/2006 PROJETO DE LEI Nº 6.839/2006 PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 528/2006 PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 529/2006 PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 533/2006 RECURSO Nº 270/2006 RECURSO Nº 277/2006 Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio: PROJETO DE LEI Nº 7.066/2002 PROJETO DE LEI Nº 303/2003 Comissão de Educação e Cultura: PROJETO DE LEI Nº 6.835/2006 Comissão de Fiscalização Financeira e Controle: PROPOSTA DE FISCALIZAÇÃO E CONTROLE Nº 116/2006 Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável: PROJETO DE LEI Nº 6.840/2006 PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 346/2006 Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional: MENSAGEM Nº 203/2006 Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado: PROJETO DE LEI Nº 6.810/2006 Comissão de Seguridade Social e Família: PROJETO DE LEI Nº 1.154/1995 PROJETO DE LEI Nº 2.938/1997 PROJETO DE LEI Nº 3.790/1997 PROJETO DE LEI Nº 4.034/1997 PROJETO DE LEI Nº 1.148/1999 PROJETO DE LEI Nº 3.447/2000 PROJETO DE LEI Nº 5.869/2001 PROJETO DE LEI Nº 6.548/2002 PROJETO DE LEI Nº 6.967/2002 PROJETO DE LEI Nº 105/2003 PROJETO DE LEI Nº 1.401/2003 PROJETO DE LEI Nº 1.424/2003 PROJETO DE LEI Nº 2.589/2003 Quinta-feira 13 19193 PROJETO DE LEI Nº 2.590/2003 PROJETO DE LEI Nº 4.359/2004 PROJETO DE LEI Nº 5.171/2005 PROJETO DE LEI Nº 6.008/2005 PROJETO DE LEI Nº 6.831/2006 PROJETO DE LEI Nº 6.836/2006 Comissão Especial destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei nº 5403, de 2001, que “dispõe sobre o acesso a informações da Internet, e dá outras providências”.: PROJETO DE LEI Nº 6.827/2006 (Encerra-se a sessão às 19 horas e 37 minutos.) DISCURSO PROFERIDO PELO SR. DEPUTADO ORLANDO FANTAZZINI NO PERÍODO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 041, REALIZADA EM 5 DE ABRIL DE 2006 – RETIRADO PELO ORADOR PARA REVISÃO: O SR. ORLANDO FANTAZZINI (PSOL – SP) – Sr. Presidente, inicialmente, aproveito a oportunidade para manifestar integral apoio à regulamentação da Emenda Constitucional nº 51, que trata dos agentes de saúde, e à comunidade indígena que participa de debates nesta Casa. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Comunidade Bahá’í do Brasil dedica-se à promoção dos direitos humanos desde seu estabelecimento no País, em 1921, contribuindo desde então ativamente para o nosso desenvolvimento. No Irã, país em que surgiu a Fé Bahá’í, esses indivíduos têm enfrentado perseguições sistemáticas, que, além de impedir que participem do desenvolvimento daquela nação, violam seus direitos de formas inaceitáveis. Além das formas usuais de perseguição, amplamente conhecidas por este Parlamento – negativa de acesso ao ensino superior, destruição de locais sagrados, proibição de exercício profissional e confisco de propriedade privada –, um novo instrumento tem sido utilizado pelo Governo iraniano para incitar o ódio e a discriminação contra os bahá’ís. Intensa campanha de mídia tem veiculado artigos e programas que difamam os bahá’ís e sua religião, além de promover interpretações equivocadas dos princípios da Fé. Outra ação empreendida pelo Governo iraniano foi trazida a público com a divulgação de carta oficial das Forças Armadas iranianas destinada à agências governamentais em que essas eram orientadas a identificar indivíduos ligados à Fé Bahá’í e a monitorar todas as suas atividades. Em 20 de março, a Relatora Especial das Nações Unidas de Liberdade Religiosa 19194 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ou de Crença, Asma Jahangir, fez um pronunciamento em que denunciou a existência comprovada dessa carta e demonstrou preocupação em relação ao seu conteúdo. Tais informações, segundo a Relatora, poderão ser utilizadas para fins de intensificação das perseguições a esses indivíduos. Essa revelação traz à tona mais uma prática de discriminação contra a maior minoria religiosa do Irã, diante do que o Congresso Nacional brasileiro não pode ficar de braços cruzados. É essencial que a diplomacia brasileira tome conhecimento dessa grave situação e demonstre ao Governo iraniano sua preocupação e descontentamento pelo empreendimento de tais práticas. Era o que eu tinha a dizer. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA Encontra-se em tramitação na Casa o Projeto de Lei n. 3057, de 2000, do Sr. Bispo Wanderval, que “Inclui § 2º no art. 41 da Lei n. 6.766, de 19 de dezembro de 1979, numerando-se como parágrafo 1º o atual parágrafo único”. 2. Os Senhores Deputados Fernando Estima (Requerimento n. 3708/06), Dimas Ramalho (Requerimento n. 3709/06), Luciano Castro, Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Requerimento n. 3716/06) e Luiz Antonio Fleury Filho, Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor (Requerimento n. 3717/06), solicitam a redistribuição do PL. 3057/00, para que a Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) e a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) pronunciemse sobre o mérito da proposição. 3. Inicialmente, argumentam os Senhores Deputados Fernando Estima e Dimas Ramalho que a proposição versa matéria evidentemente afeta ás Comissões objeto do pedido. 4. Por sua vez, o Ilustre Presidente da CMADS, Dep. Luciano Castro, alega como justificação ao pedido em apreço que, verbis, A ordenação dos espaços urbanos diz respeito, em síntese, à forma de ocupação de grandes áreas, com a conseqüente transformação de paisagens naturais em espaços habitáveis, o que igualmente se encarta no raio de preocupação com o meio ambiente sadio. Tratase, enfim, de um processo de harmonização da urbanização com vetores constitucionalmente traçados em relação à proteção ambiental. Não é sem razão que o Projeto prevê, no seu art. 2º, que o parcelamento do solo e a regularização fundiária de áreas urbanas deverão observar, entre outros postulados, a garantia do meio am- Abril de 2006 biente ecologicamente equilibrado como bem de uso comum do povo. Ocorre, entretanto, que em inúmeras disposições o texto caminha em sentido diametralmente oposto à idéia de compatibilizar urbanização e meio ambiente sadio, indo contra pilares fincados no Código Florestal e na Lei de Política Nacional do Meio Ambiente, tais como alterações nas áreas de preservação permanente e no licenciamento ambiental, bem como a dispensa de estudo de impacto ambiental, entre outras. 5. De outra parte, o Ilustre Presidente da CDC, Dep. Luiz Antonio Fleury Filho, sustenta que, litteris, [...] A proposição em exame acha-se umbilicalmente ligada à promoção da qualidade de vida do homem e do meio ambiente em que se acha inserido, afetando, também, aspectos contratuais relativos a relações de consumo na aquisição de parcelas de loteamentos. O parcelamento do solo e a regularização fundiária de áreas urbanas perpassam aspectos cruciais da temática consumerista, implicando alterações nos direitos dos consumidores assegurados no Código de Defesa do Consumidor. Com efeito, no art. 51, inciso III, tem-se disposição referente à adoção de cláusulas padronizadas em contratos de alienação de lotes ou unidades autônomas, sem adequada previsão de que deverão ser atendidas as disposições do Código de Defesa do Consumidor. Além disso, verifica-se, no art. 67, vedação quanto à adoção de “cláusula de arrependimento” nos contratos preliminares para alienação de lotes ou unidades autônomas, em manifesta e absurda ruptura com importantes conquistas do cidadão-consumidor brasileiro, prevista nos arts. 49 e 53 do Código de Defesa do Consumidor, quais sejam o direito de arrependimento e o direito à devolução de prestações pagas em caso de rescisão contratual e retomada do bem alienado. A possibilidade de registro de mais de um conjunto de cláusulas padronizadas prevista no art. 69, § 3º, dificulta, por outra face, o conhecimento prévio das disposições contratuais, merecendo detida reflexão por parte do legislador. Há mais. As disposições dos arts. 70, 78, 84 e do art. 144 do PL também refletem diretamente no plexo normativo voltado à defesa dos direitos dos consumidores. Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 6. Por fim, os Ilustres Requerentes fundamentam o pedido no art. 32 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. É o Relatório. Decido. 1. A matéria foi distribuída às Comissões de Desenvolvimento Urbano e Constituição e Justiça e de Cidadania (RICD, mérito e art. 54), sujeita ao poder conclusivo das Comissões. Ao Projeto de Lei n. 3057/00 foram apensadas treze proposições. São elas: – PL. 5.499/01, do Sr. José Carlos Coutinho, que “dispõe sobre propriedade urbana em loteamento irregular”; – PL. 5.894/01, do Sr. Dr. Hélio, que “Regula os loteamentos fechados”; – PL. 6.180/02, do Sr. José Carlos Coutinho, que “Dispõe sobre instrumentos de política urbana, nos termos do § 4º do art. 182 da Constituição Federal”; – PL. 6.220/02, do Sr. João Eduardo Dado, que “Altera a Lei n. 6.766, de 19 de dezembro de 1979, que ‘dispõe sobre o parcelamento do solo urbano e dá outras providências’, no que se refere à manifestação do Poder Público sobre o projeto e as obras a cargo do empreendedor”; – PL. 7363/02, do Sr. José Carlos Coutinho, que “Dispõe sobre instrumentos de política urbana”; – PL. 550/03, do Sr. José Roberto Arruda, que “Dispõe sobre o parcelamento do solo para fins urbanos no Distrito Federal e altera dispositivos da Lei 6.766/79”; – PL. 754/03, do Sr. Devanir Ribeiro, que “Altera a Lei n. 6.766, de 19 de dezembro de 1979, que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano e dá outras providências”; – PL. 1001/03, do Sr. Eduardo Paes, que “Altera Lei n. 6.766, de 19 de dezembro de 1979, prevendo a possibilidade dos proprietários dos lotes fixarem o rateio das despesas decorrentes de serviços de interesse coletivo”; – PL. 2454/03, do Sr. Rogério Silva, que “Dispõem sobre os parcelamentos do solo urbano realizados na forma de condomínio”; – PL. 2699/03, do Sr. Dr. Rosinha, que “Altera a Lei n. 6.766, de 19 de dezembro de 1979, prevendo percentual mínimo de áreas verdes nos loteamentos”; – PL. 3403/04, do Sr. Carlos Nader, que “Modifica a redação do parágrafo 4º do art. 8º da Lei 10.257, de 10 de julho de 2001”; Quinta-feira 13 19195 – PL. 5760/05, da Sra. Laura Carneiro, que “Altera a redação do § 4º ao art. 8º da Lei 10.257, de 10 de julho de 2001 (Estatuto da Cidade)”; – PL. 6020/05, do Sr. João Mendes de Jesus, que “Acrescenta o § 4º ao art. 8º da Lei n. 10.257, de 10 de julho de 2001”. 2. Em 30.11.05, a Comissão de Desenvolvimento Urbano aprovou, por unanimidade, o Parecer com complementação de voto do Dep. Barbosa Neto, pela aprovação do PL. 3057/00, principal, dos projetos de lei 5.894/01, 6.220/02, 754/03, 2454/03, apensados, e das emendas apresentadas ao Substitutivo 03, 04, 05, 06, 07, 08, 11, 14, 15, 19, 20, 21, 23 e 25, na forma do Substitutivo apresentado; e pela rejeição dos Projetos de Lei 5.499/01, 6.180/02, 7363/02, 550/03, 1001/03, 2699/03, 3403/04, 5760/05 e 6020/05, apensados e das emendas apresentadas ao Substitutivo 01, 02, 09,10,12,13, 16,17,18, 22 e 24. 3. De fato, examinando-se o substitutivo aprovado, constata-se que a matéria referente a parcelamento urbano tem estreita relação com a questão ambiental e a questão consumerista. 4. De um lado, a Constituição Federal prevê, em seu art. 225, que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendêlo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Determina, ainda, a Carta Magna, que para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público diversos deveres, cabendo ressaltar o dispositivo que exige estudo prévio de impacto ambiental para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente (CF, art. 225, § 1º, inciso IV). 5. Portanto, sendo o direito a um meio ambiente saudável e íntegro regra consagrada constitucionalmente, não resta dúvida de que o parcelamento do solo deverá observar a garantia do meio ambiente ecologicamente equilibrado, motivo que torna indispensável o encaminhamento da proposição à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. 6. De outro lado, há a questão consumerista. Assim como o direito ao meio ambiente saudável, a proteção do consumidor é interesse coletivo. E princípio constitucional que informa a ordem econômica, nos termos do art. 170, inciso V, da Constituição Federal. Realizado o parcelamento do solo, será necessário o registro do parcelamento e dos contratos de alienação de lotes, observando-se o princípio constitucional de defesa do consumidor. 19196 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 7. Pelo exposto, verifico que a proposição em tela trata de matéria afeta à competência das Comissões de Defesa do Consumidor e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, razão pela qual determino: a) O deferimento das solicitações constantes dos Requerimentos n.s 3708/06, 3709/06, 3716/06 e 3717/06. Dê-se novo despacho ao PL. 3057/00, nos termos do art. 141 do RICD, para incluir as Comissões de Defesa do Consumidor e Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. [Novo Despacho: CDC, CMADS, CDU, CCJC (mérito e art. 54) – Apreciação: proposição sujeita à apreciação conclusiva das Comissões (RICD, art. 24, II) – Regime de Tramitação: ordinário); b) por versar a referida proposição matéria de competência de mais de três Comissões de mérito, constitua-se Comissão Especial para proferir parecer ao PL. 3057/00, consoante dispõe o art. 34, inciso II, do Estatuto Doméstico. Publique-se. Em 12-4-06. – Aldo Rebelo, Presidente REQUERIMENTO Nº 3708, DE 2006 (Do Sr. Dep. Fernando Estima) Senhor Presidente, Nos termos do Art. 141 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, requeiro a Vossa Excelência a redistribuição do Projeto de Lei nº 3.057, de 2000, que “Dispõe sobre o parcelamento do solo para fins urbanos e sobre a regularização fundiária sustentável de áreas urbanas, e dá outras providências”, para que seja distribuído à Comissão de Defesa do Consumidor e à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, por versar sobre matéria evidentemente afeta às mesmas, conforme disposto no Art. 32 do Regimento Interno. Sala das Sessões, 21 de fevereiro de 2006. – Deputado Fernando Estima, PPS/SP. REQUERIMENTO Nº 3709, 2006 (Do Sr. Dep. Dimas Ramalho) Senhor Presidente, Nos termos do Art. 141 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, requeiro a Vossa Excelência a redistribuição do Projeto de Lei nº 3.057, de 2000, que “Dispõe sobre o parcelamento do solo para fins urbanos e sobre a regularização fundiária sustentável de áreas urbanas, e dá outras providências”, para que seja distribuído à Comissão de Defesa do Consumidor e à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, por versar sobre matéria evidentemen- Abril de 2006 te afeta às mesmas, conforme disposto no Art. 32 do Regimento Interno. Sala das Sessões, 21 de fevereiro de 2006. – Deputado Dimas Armalho, PPS/SP. REQUERIMENTO Nº 3716, DE 2006 (Do Sr. Luciano Castro) Requer a inclusão da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável para apreciação de mérito do Projeto de Lei nº 3.057/2000 Senhor Presidente, Nos termos regimentais solicito a V. Exª a gentileza de verificar a possibilidade de incluir a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável na apreciação do mérito do Projeto de Lei nº -3.057/2000, do Sr. Bispo Wanderval, que versa sobre o parcelamento do solo para fins urbanos e a regularização fundiária de áreas urbanas. Justificação A ordenação dos espaços urbanos diz respeito, em síntese, á forma de ocupação de grandes áreas, com a conseqüente transformação de paisagens naturais em espaços habitáveis, o que igualmente se encarta no raio de preocupação com o meio ambiente sadio. Trata-se, enfim, de um processo de harmonização da urbanização com vetores constitucionalmente traçados em relação à proteção ambiental. Não é sem razão que o Projeto prevê, no seu art. 2º, que o parcelamento do solo e a regularização fundiária de áreas urbanas deverão observar, entre outros postulados, a garantia do meio ambiente ecologicamente equilibrado como bem de uso comum do povo. Ocorre, entretanto, que em inúmeras disposições o texto caminha em sentido diametralmente oposto à idéia de compatibilizar urbanização e meio ambiente sadio, indo contra pilares fincados no Código Florestal e na Lei de Política Nacional do Meio Ambiente, tais como alterações nas áreas de preservação permanente e no licenciamento ambiental, bem como a dispensa de estudo de impacto ambiental, entre outras. Ante ao exposto, solicito a V. Exª a análise dos argumentos supracitados para a adoção das providências inerentes. Sala das Comissões, 23 de fevereiro de 2006. – Deputado Luciano Castro (PL/RR), Presidente da CMADS. REQUERIMENTO Nº 3717, DE 2006 (Do Sr. Luiz Antonio Fleury Filho) Requeiro nos termos do artigo 139 do Regimento Interno da Câmara dos Depu- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS tados, redistribuição do PL 3.057/2000 de autoria do Deputado Bispo Wanderval. Sr. Presidente, Requeiro, nos termos do artigo 139 do RICD, redistribuição do PL 3057/2000 de autoria do Deputado Bispo Wanderval que “Inclui § 2º no art. 41, da Lei nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979, numerando-se como § 1º o atual parágrafo único” de forma a incluir no despacho a Comissão de Defesa do Consumidor. Justificação O Projeto de Lei em tela versa sobre o parcelamento do solo para fins urbanos e a regularização fundiária sustentável das áreas urbanas. A proposição foi encaminhada à Comissão de Desenvolvimento Urbano, onde foi aprovado substitutivo apresentado pelo Deputado Barbosa Neto. Após isso, o projeto foi encaminhado à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, sendo distribuído ao Deputado José Eduardo Cardozo. A proposição em exame acha-se umbilicalmente ligada à promoção da qualidade de vida do homem e do meio ambiente em que se acha inserido, afetando, também, aspectos contratuais relativos a relações de consumo na aquisição de parcelas de loteamentos. O parcelamento do solo e a regularização fundiária de áreas urbanas perpassam aspectos cruciais da temática consumerista, implicando alterações nos direitos dos consumidores assegurados no Código de Defesa do Consumidor. Com efeito, no art. 51, inciso III, tem-se disposição referente à adoção de cláusulas padronizadas em contratos de alienação de lotes ou unidades autônomas, sem adequada previsão de que deverão ser atendidas as disposições do Código de Defesa do Consumidor. Além disso, verifica-se, no art. 67, vedação quanto à adoção de “cláusula de arrependimento” nos contratos preliminares para alienação de lotes ou unidades autônomas, em manifesta e absurda ruptura com importantes conquistas do cidadão-consumidor brasileiro, prevista nos arts. 49 e 53 do Código de Defesa do Consumidor, quase sejam o direito de arrependimento e o direito à devolução de prestações pagas em caso de rescisão contratual e retomada do bem alienado. A possibilidade de registro de mais de um conjunto de cláusulas padronizadas prevista no art. 69, § 3º, dificulta, por outra face, o conhecimento prévio das disposições contratuais, merecendo detida reflexão por parte do legislador. Há mais. As disposições dos arts. 70, 78, 84 e do art. 144 do PL também refletem diretamente no plexo normativo voltado à defesa dos direitos dos consumidores. Quinta-feira 13 19197 Por tudo isso, considera-se adequada a submissão do Projeto de Lei nº 3.057/2000 à apreciação da Comissão de Defesa do Consumidor, em razão de sua especifica atribuição no campo dos direitos e das garantias dos cidadãos nas relações de consumo. – Luiz Antonio Fleury Filho, Presidente. PARECERES PROJETO DE LEI Nº 1.267-C, DE 2003 (Do Sr. Lobbe Neto) Cria a cesta básica de eletrodomésticos populares; tendo pareceres da Comissão de Seguridade Social e Família, pela aprovação, com emenda (relator: DEP. EDUARDO BARBOSA); da Comissão de Finanças e Tributação, pela compatibilidade e adequação financeira e orçamentária do Projeto e da emenda da Comissão de Seguridade Social e Família e, no mérito, pela aprovação, com substitutivo (relator: DEP. ANTONIO CAMBRAIA); e da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa deste, com emendas, do Substitutivo da Comissão de Finanças e Tributação, com subemendas, e da Emenda da Comissão de Seguridade Social e Família (relator: DEP. SIGMARINGA SEIXAS). Despacho: Às Comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição E Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD) Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva pelas Comissões – Art. 24 II Publicação do Parecer da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania I – Relatório Trata-se de Projeto de Lei, de autoria do ilustre Deputado LOBBE NETO, que cria a cesta básica de eletrodomésticos populares. 1.2 A matéria foi distribuída às Comissões de Seguridade Social e Família e de Finanças e Tributação (nessas com observância do disposto no art. 24,II, do RICD), bem como a esta Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, neste caso observado o disposto no art. 54 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. 1.3 No âmbito desta CCJC e no prazo regimental não foram apresentadas emendas. É o Relatório. 19198 Quinta-feira 13 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS II – Voto do Relator 2.1 Nos termos do art. 32, IV, alínea “a” do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, com a redação dada pela Resolução nº 20, de 2004, desta Casa, compete à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania o exame dos aspectos constitucionais, legal, jurídico, regimental, de técnica legislativa de projetos, emendas ou substitutivos sob apreciação da Câmara ou de suas Comissões sujeitos à apreciação da Câmara e de suas Comissões. 2.2 Por outro lado, é de salientar-se que, pelo despacho de distribuição, aplica-se ao presente parecer desta CCJC o disposto no art. 54, I, do Regimento da Casa, o que implica ter ele caráter terminativo. 2.3 A matéria consiste na previsão de criação da referida cesta básica, “destinada às famílias com renda familiar mensal de até cinco salários mínimos”, conforme o art. 1º do projeto sob exame. 2.3.1 De acordo com o art. 2º, a referida cesta básica compõe-se de sete produtos, ali enumerados, a saber: I) fogão a gás com quatro bocas e forno; II) refrigerador doméstico com uma porta e congelador interno; III) lavadora de roupas semi-automática, do tipo “tanquinho”; IV) centrifugadora de roupas com baixo consumo de energia; V) liquidificador; VI) batedeira elétrica, de tamanho pequeno; e VII) ventilador de teto. 2.3.2 Nos termos do parágrafo único do art. 2º da proposição, a composição original dessa cesta básica poderá ser modificada ou ampliada “de acordo com os costumes de cada região”. 2.3.3 De acordo com o art. 3º do presente projeto, o Poder Executivo definirá as linhas de financiamento, os agentes financiadores, os benefícios fiscais para a produção de eletrodomésticos populares para os fins da lei projetada e o padrão mínimo de qualidade para a respectiva produção industrial. 2.3.4 O art. 4º da proposição prevê a redução, em 50%, das alíquotas dos impostos e contribuições incidentes sobre os produtos da cesta básica que se propõe criar. 2.4 Na Justificação, o ilustre Autor parte da constatação de que as famílias de renda até cinco salários mínimos integram a base da pirâmide social do País, segundo pesquisa realizada pela LATINA Eletrodomésticos S/A, através do seu “Cadastro de Consumidores” chamado “Clube do Lar”. 2.4.1 Por essa pesquisa, o mínimo conforto que se oferecer àquelas famílias com esse conjunto de produtos populares produziria um excelente resultado social, principalmente pelo fato de aliviar em grande parte o trabalho doméstico da mulher brasileira, em particular aquelas que trabalham fora e que só podem cuidar dos trabalhos domésticos quando retornam para Abril de 2006 casa. Por isso mesmo, o ilustre Autor destaca que a medida proporcionará valorização do salário (da mulher), da saúde (da família) e do bem estar social (do conjunto das famílias favorecidas). 2.4.2 Ao lado dessa argumentação de ordem geral, a Justificação apresenta cálculos e números que explicam, para cada tipo de aparelho eletrodoméstico, a necessidade de redução da carga tributária específica, mediante renúncia fiscal, sem o que a medida proposta será inviável. 2.5 A Comissão de mérito, isto é, a Comissão de Seguridade Social e Família aprovou, unanimemente, a matéria, na forma do parecer do Relator, o ilustre Deputado EDUARDO BARBOSA, com emenda por ele apresentada. Tal emenda consiste na substituição de dois eletrodomésticos da relação original do projeto, ou seja, a centrifugadora de roupas por ferro elétrico de passar comum e a batedeira elétrica por televisor de baixo custo. Substancialmente, a idéia fundamental do projeto foi mantida, pelo que, registre-se desde já, nada há que objetar, no âmbito de competência desta CCJC. 2.6 Já a Comissão de Finanças e Tributação, ao apreciar os aspectos relacionados à adequação financeira e orçamentária da matéria, na forma do parecer do Relator, o ilustre Deputado ANTONIO CAMBRAIA, faz importantes restrições à viabilidade de aprovação do projeto como se o propôs originalmente. 2.6.1 A premissa básica dessas restrições, de acordo com o referido parecer, é que, não obstante a medida possa beneficiar cerca de 42 milhões de famílias (conforme dados ali apresentados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo PNAD, do IBGE, relativamente ao ano de 2002), ela implica uma significativa renúncia fiscal, da ordem de 50% dos tributos incidentes sobre os mencionados produtos. Por isso que, para o ilustre Relator da CFT, “...o Projeto de Lei nº 1.267/03 estaria em desacordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2004 (Lei nº 10.707, de 30 de julho de 2003), cujo art. 90 condiciona a aprovação de lei que conceda ou amplie incentivo ou benefício fiscal ao cumprimento do disposto no art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Este último dispositivo exige que a proposição esteja acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, além de atender a pelo menos uma das seguintes condições:...”. 2.6.2 Tais condições são (1) a demonstração de que a renúncia foi levada em conta na estimativa de receita da Lei Orçamentária e de que não afetará metas de resultados fiscais previstas e (2) a previsão de medidas de compensação, por meio de aumento de re- Abril de 2006 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ceita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, aumento ou criação de tributo. 2.6.3 Por outro lado, observa o ilustre Relator da matéria na CFT que o Autor do projeto demonstra, na Justificação, que todos os eletrodomésticos, independentemente da sofisticação tecnológica que incorporam, estão sujeitos à mesma carga tributária, o que, ao menos na esfera da tributação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), resultaria na violação de princípio constitucional próprio desse imposto, que é sua seletividade em função da essencialidade dos produtos em questão. 2.6.4 Tal impropriedade da tributação deve ser corrigida, ao tempo em que se deveria dar um tratamento tributário mais favorecido, na opinião do citado Relator. 2.6.5 Feitas essas e outras observações, aquele Relator conclui sua apreciação votando pela adequação financeira e orçamentária da matéria, bem assim da emenda aprovada pela Comissão de Seguridade Social e Família, e, no mérito, pela aprovação do projeto na forma do Substitutivo que apresenta. 2.6.6 Em tal Substitutivo, seu art. 1º especifica um conjunto de oito aparelhos eletrodomésticos a serem beneficiados, a saber: fogão de quatro bocas e forno; refrigerador de uma porta e congelador interno, com capacidade de 280 litros; lavadora de roupas semi-automática e automática de até 6 litros; ferro elétrico; liquidificador de até duas velocidades; televisor de baixo custo; chuveiro elétrico de até dois níveis de temperatura; ventilador de mesa. O art. 2º impõe ao Executivo definir linhas de crédito próprias para atender às finalidades do projeto. O Art. 3º estabelece a redução, em 50%, das alíquotas do IPI incidentes sobre cada um dos eletrodomésticos populares beneficiados. A Comissão de Finanças e Tributação aprovou o referido parecer, tendo havido apresentação de votos contrários em separado. 2.6.7 Desde já, é de registrar-se aqui que nada há que reparar ao Substitutivo aprovado pela CFT, no âmbito de competência desta CCJC. 2.7 Bem examinada a matéria, na esfera de competência desta Comissão, não se observa a presença de qualquer óbice ou impedimento de ordem constitucional, bem assim relativamente aos aspectos legal, jurídico e regimental que possam inviabilizar ou obstar sua livre tramitação. 2.8 No que concerne à técnica legislativa e redacional, percebe-se que foram atendidos os ditames pertinentes, estabelecidos na Lei Complementar nº 95, de 26.02.1998, e na Lei Complementar nº 107, de 26.04.2001, ambas referentes à elaboração, à redação, à alteração e à consolidação das leis. 2.11 Isto posto, nada havendo que inviabilize seu acolhimento, opino pela constitucionalidade do Proje- Quinta-feira 13 19199 to de Lei nº 1.267, de 2003, bem assim das emendas aprovadas palas Comissões a que a matéria foi também distribuída e que já o examinaram na forma dos respectivos pareceres, observados que foram, igualmente, os aspectos mencionados nos itens 2.7 e 2.8 acima, sou pela aprovação do ora referido Projeto de Lei. Sala da Comissão, 9 de março de 2006. – Deputado Sigmaringa