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©2014 Carlos Bauer; Rosemary Roggero; Marcos Antônio Lorieri (Orgs.)
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permissão da editora e/ou autor.
B3441 Bauer, Carlos; Roggero, Rosemary; Lorieri, Marcos Antônio.
Pedagogias Alternativas/Carlos Bauer; Rosemary Roggero; Marcos Antônio
Lorieri (Orgs.). Jundiaí, Paco Editorial: 2014.
396 p. Inclui bibliografia.
ISBN: 978-85-8148-705-2
1. Pedagogia 2. Inovação 3. Superação 4. Reformas.
I. Bauer, Carlos ll. Roggero, Rosemary lll. Lorieri, Marcos Antônio.
CDD: 370
Índices para catálogo sistemático:
Educação – Pedagogia
Sociologia da Educação
IMPRESSO NO BRASIL
PRINTED IN BRAZIL
Foi feito Depósito Legal
370
370.19
Sumário
Apresentação.................................................................................7
PARTE I
PEDAGOGIAS ALTERNATIVAS...............................................11
CAPÍTULO 1.
Da experiência pedagógica à alternativa educativa............13
Jean-Claude Gimonet
CAPÍTULO 2.
Reflexões sobre alternativas educativas...............................25
Thierry de Burghgrave
CAPÍTULO 3.
No rastro das pedagogias alternativas: pedagogia da
esperança e da alternância.......................................................37
Antônio João Mânfio
PARTE II
PEDAGOGIA EM MOVIMENTOS SOCIAIS E
ASSOCIAÇÕES CIVIS.................................................................55
CAPÍTULO 4.
Aprendizagens em pedagogias alternativas: movimentos
sociais...........................................................................................57
Maria da Glória Gohn
CAPÍTULO 5.
Pedagogia nos movimentos sociais.........................................73
Ângela Randolpho Paiva
CAPÍTULO 6.
Educação e pedagogia nos movimentos e organizações de
trabalhadores do campo............................................................89
Maria Antônia de Souza
PARTE III
ALTERNATIVAS NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL.........................................................................107
CAPÍTULO 7.
A reforma do ensino profissional: governos FHC e Lula...109
Miguel Henrique Russo
CAPÍTULO 8.
Ideologia e formação profissional: a lógica da naturalização
e da adaptação...........................................................................123
Celso Carvalho
CAPÍTULO 9.
Contribuições da história institucional para o estudo de
implantação de reformas na educação profissional...........139
Celso João Ferretti
PARTE IV
PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA: ORIGEM, DIDÁTICA,
EXPANSÃO E PROBLEMAS....................................................165
CAPÍTULO 10.
Educação: território e globalização.......................................167
Paolo Nosella
CAPÍTULO 11.
Os centros familiares de formação em alternância –
Ceffas.......................................................................................179
João Batista Begnami
Luis Pedro Hilleshein
Thierry de Burghgrave
PARTE V
FILOSOFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL.........................205
CAPÍTULO 12.
Notas para pensar el sentido político de enseñar y aprender
filosofía......................................................................................207
Walter Kohan
CAPÍTULO 13.
Filosofia para crianças – educação para pensar bem: a
proposta de Matthew Lipman...............................................223
Marcos Antônio Lorieri
PARTE VI
PEDAGOGIAS DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA....................237
CAPÍTULO 14.
Educação a distância no ensino da música.........................239
Daniel Gohn
CAPÍTULO 15.
Sobre ambientes virtuais na configuração da escola:
reflexões sobre formação........................................................251
Rosemary Roggero
CAPÍTULO 16.
Educação de qualidade para o futuro..................................263
Fredric M. Litto
PARTE VII
ASSOCIATIVISMO E SINDICALISMO: IMPACTOS NA
EDUCAÇÃO................................................................................267
CAPÍTULO 17.
Heterogeneidade e fragmentação..........................................269
Sadi Dal Rosso
CAPÍTULO 18.
La profesionalización del académico universitario en
México: origen y desarrollo...................................................283
Renate Marsiske
CAPÍTULO 19.
Associativismo e sindicalismo na história da educação –
aspectos teóricos e ideológicos de sua construção............293
Carlos Bauer
PARTE VIII.
ARQUITETURA ESCOLAR: ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO E
DESAFIOS PEDAGÓGICOS......................................................311
CAPÍTULO 20.
Arquitetura escolar: organização do espaço e desafios
pedagógicos................................................................................313
Ester Buffa
CAPÍTULO 21.
A escola e a cidade....................................................................317
Luís Octavio Rocha
PARTE IX.
PEDAGOGIA FREIRIANAS.....................................................327
CAPÍTULO 22.
Uma introdução à Pedagogia da Correspondência em
Paulo Freire...............................................................................329
Edgar Pereira Coelho
CAPÍTULO 23.
“Despensar” as pedagogias coloniais e os seus pressupostos
epistemológicos........................................................................345
Manuel Tavares
CAPÍTULO 24.
Universidade popular – um sonho possível de ser
concretizado.............................................................................359
Adriana Salete Loss
Claudia Finger Kratochvil
CAPÍTULO 25.
Pedagogias de Paulo Freire.....................................................373
José Eustáquio Romão
Sobre os organizadores...........................................................393
Apresentação
O Colóquio de Pesquisa sobre Instituições Escolares foi, originalmente, uma realização do então Grupo de Pesquisa História e Teoria da Profissão Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Nove de Julho (PPGE-Uninove), por iniciativa do Grupo de História e
Filosofia das Instituições Escolares da UFSCar, em convênio com a Uninove. Os professores Carlos Bauer, José Rubens Jardilino, Paolo Nosella e
Ester Buffa foram os impulsores desse evento de debate acadêmico e difusão de ideias e pesquisas que também contou com valiosas contribuições
do Grupo de Pesquisa HISTEDBR, da Unicamp.
Entre 2004 e 2010, o colóquio teve periodicidade anual organizado
por uma das linhas de pesquisa do PPGE, tendo tido os seguintes temas:
2004: Pesquisa sobre Instituições Escolares; 2005: Paradigmas e Instituições de Formação Docente; 2006: História e Cultura, as vozes dos professores e estudantes; 2007: As Instituições Escolares da Metrópole; 2008:
Entre o Individual e o Coletivo; 2009: Formações Profissional e Política; e
2010: Universidade – História, Formação e Compromisso Social.
Entre os pesquisadores nacionais e estrangeiros que participaram das
edições anteriores do colóquio, podem ser citados: prof. dr. Dermerval
Saviani (Unicamp), profa. dra. Maria Ciavatta (UFF), prof. dr. Silvio
Scanagatta (Universidade de Pádova, Itália), José Claudinei Lombardi
(Unicamp), Carlos Monarcha (Unesp), profa. dra. Leila de Alvarenga
Mafra (Umesp), prof. dr. Celso Ferretti (Fundação Carlos Chagas –
FCC e Universidade de Sorocaba – Uniso), prof. dr. Amarílio Ferreira Jr.
(UFSCar), profa. dra. Thérèse Hamel (Université Laval, Canadá), profa.
dra. Diana Soto Arango (UPTC/Rudecolombia), profa. dra. Eveline Algebaile (UERJ), prof. dr. Ronaldo Marcos de Lima Araújo (UFPA), profa. dra. Néri Aparecida de Souza (Unicamp), prof. dr. Alberto Martinez
Boom (Universidad Pedagogica Nacional da Colombia e presidente de la
Sociedad Colombiana de la Historia de la Educación), prof. dr. Reinaldo
Rojas (Universidad Pedagogica Experimental Libertador e presidente de
la Sociedad Venezuelana de la Historia de la Educación), prof. dr. Antonio Ozaí da Silva (UEM), prof. dr. Pablo Toro Blanco (Universidad
Alberto Hurtado – secretario de la Sociedad Chilena de la Historia de
la Educación), Luis Eduardo Wanderley (PUC-SP), profa. dra. Berna7
Carlos Bauer; Rosemary Roggero; Marcos Antônio Lorieri (Orgs.)
dete Gatti (Fundação Carlos Chagas – FCC), prof. dr. Valério Aracary
(IFETSP), prof. dr. Ricardo Pérez (Universidad de Guadalajara – México), profa. dra. Maria Isabel Moura Nascimento (UEPG), prof. dr. Alvaro Acevedo Tarazona (Universidad Industrial de Santander – Colômbia)
e Décio Gatti (UFU), José Sanfelice (Unicamp), Denice Catani (USP) e
Marisa Bittar (UFSCar).
Em 2011, em sua oitava edição, o Colóquio de Pesquisa sobre Instituições Escolares entrou em nova fase: pela tradição, alto nível dos debates,
periodicidade e aumento crescente de participantes vindos de várias regiões do país e do exterior, passou a ser um evento organizado por todo o
PPGE e em edições bienais. Teve como tema “Pedagogias Alternativas” e
contou com o apoio da Capes, da Fapesp e da Uninove, instituição que o
promoveu e abrigou.
O presente livro coloca nas mãos do leitor a versão escrita das exposições
apresentadas nas diferentes mesas redondas realizadas durante o evento.
O tema pensado inicialmente para o VIII Colóquio foi o da Pedagogia
da Alternância, tendo evoluído para o tema Pedagogias Alternativas, por
ser mais abrangente, envolvendo experiências e estudos relativos à Pedagogia da Alternância e também a outras alternativas educacionais que visam
oferecer respostas a situações diversas que ocorrem nas maneiras de viver
dos humanos. Os humanos não vivem da mesma maneira em todos os
lugares, em todas as épocas e em todos os momentos. O “alter” de alternativa indica exatamente o outro, a alteridade. Há maneiras outras de se
fazer educação, maneiras outras de fazer acontecer educação em instituições escolares e fora delas: seja no que denominamos de educação formal
e de educação informal ou não formal. Os capítulos do livro tratam desses
temas. Alternativas podem ser pensadas como as sucessões que ocorrem
nas experiências educacionais nas quais há alternâncias de tempos dedicados à escola e ao trabalho, seja ao longo do dia, seja no decurso das épocas
do ano. Há alternativas na organização do funcionamento das escolas, há
alternativas às escolas, há alternativas nas maneiras de se trabalhar dentro
das escolas. Há maneiras diversas de desenvolvimento do trabalho didático
com as diversas disciplinas, ou na proposição delas, ou mesmo em relação
aos momentos de oferta de disciplinas no acontecer do currículo escolar.
O colóquio foi uma oportunidade para se pensar alternativas educacionais no interior das instituições escolares e em alternativas a elas. O
livro pretende oferecer a ampliação dessa oportunidade e o convite a se
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Pedagogias Alternativas
pensar o que deve ser conservado porque é bom e o que precisa ser mudado
porque necessário, visto que a vida e a educação fazem-se em ambas. Sem
alternativas as mudanças não ocorrem e, então, a conservação prevalece até
gastar-se e desgastar-se por completo provocando a morte da vida e, nela,
da educação. Busquem-se a vida e a educação na conservação revitalizada
pelas novas boas alternativas.
Carlos Bauer
Marcos Lorieri
Rosemary Roggero
Organizadores
9
PARTE I
PEDAGOGIAS ALTERNATIVAS
CAPÍTULO 1.
Da experiência pedagógica à
alternativa educativa
1
Jean-Claude Gimonet
Senhoras, senhores, caros amigos.
É por meio deste texto, do qual meu amigo Thierry De Burghgrave
foi intermediário, e o agradeço por isto, que contribuo para este colóquio,
uma vez que não posso estar presente. Lamento muito. Alguns distúrbios
cardíacos, sem maiores consequências até hoje, me levaram, por recomendação médica, a adotar alguma prudência. Com meus anos – estou com
72 anos – convém “poupar a cavalgadura”, como costuma se dizer por
aqui, se quiser continuar o caminho.
De fato, como lamento não estar com vocês! Senti-me honrado e
feliz com o seu convite ao qual tinha, na hora, respondido afirmativamente, porque este tema reveste-se de muito sentido para mim. Passei
minha vida profissional trabalhando em prol da educação e da pedagogia
e continuo a fazer isto depois de aposentado, graças a uma ONG belga –
SIMFR – que me permite levar algumas contribuições pedagógicas, notadamente à América Latina. Estive numerosas vezes em seu país, onde,
entre outras coisas, me envolvi, em parceria com a Universidade de Tours
na França e a Universidade Nova de Lisboa, na condução de um mestrado cuja história e os resumos das diferentes dissertações foram apresentados num livro francês sob o título de Alternativas socioeducativas no
Brasil – Experiências de um Master internacional2. Foi uma experiência
muito rica de formação para adultos, inspirada numa prática iniciada em
1975 pelas Casas Familiares Rurais da França em parceria, logo a seguir,
com a Universidade de Tours. Uma verdadeira alternativa na área da
1. Tradução do francês por Thierry De Burghgrave; revisão da tradução por Paolo Nosella.
2. Pineau G.; et al. Alternatives socio-éducatives au Brésil – Expérience d’un master internacional. Paris: L’Harmattan, 2009. (Coleção Aidefa/AIMFR)
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Carlos Bauer; Rosemary Roggero; Marcos Antônio Lorieri (Orgs.)
formação de adultos e da qual falarei em seguida porque participei dela
como estudante quando foi criada.
Parabenizo-os pela escolha desta temática porque é nosso dever enfrentar o fracasso escolar em nossos países e a insuficiência de formação
numa grande parte do nosso planeta. É insuportável conviver com o fato
de que milhões e milhões de crianças e adolescentes permanecem à margem da formação formal. E eles são, na maioria dos casos, oriundos das
classes econômica, social e culturalmente desfavorecidas... Possuímos as
condições necessárias à educação e à formação, mas nossos sistemas educativos mostram-se inadaptados para uma multidão de jovens, ainda mais no
mundo em plena transformação. Quantos estudos, quantos escritos, livros,
seminários e colóquios, há anos são realizados, mas nada adianta! A educação nacional, cá para nós na França, é uma enorme e velha instituição que
um ministro tinha qualificado de “mamute a ser desengordurado”. A inércia é forte, e o conservadorismo muito presente. A escola funciona sempre
com uma légua de atraso, como costumamos dizer aqui. Estamos no século XXI, com tudo aquilo que nos oferece de tecnologias da informação
e da comunicação, como novas ferramentas para se informar e aprender,
mas as práticas pedagógicas, na maioria dos estabelecimentos de ensino do
nosso país, permanecem de outro tempo. Estamos na era da complexidade cara a Edgar Morin, mas o linear tanto quanto o binário continuam
estruturando os programas escolares e os ensinos mono-disciplinares. E
os docentes, se sonham com Rousseau, isto é, com uma educação global
e sistêmica, continuam formando pelo método Taylor. Precisamos nos indignar, mas isso não é suficiente, precisamos também propor e construir
outras fórmulas, mesmo entrando na contramão (do sistema).
É o que vivi minha vida inteira, atuando num movimento educativo,
mais do que uma instituição, que saiu das trilhas tradicionais para propor
uma verdadeira inovação pedagógica e educativa. Trata-se do Movimento
das Casas Familiares Rurais de Educação e Orientação (MFREO), presente hoje em todos os continentes e notadamente na América Latina, a
exemplo do Brasil, sob a denominação de Centro Familiar de Formação
por Alternância (Ceffa).
Esse movimento educativo e minha experiência vão servir de suportes
para estruturar a minha fala sobre esta problemática das alternativas educativas. Farei isto em três tempos:
14
Pedagogias Alternativas
- Primeiramente, em demonstrar-lhes que eu mesmo sou um “produto” de alternativas educativas;
- Em segundo lugar, apresentarei, a título de exemplo, a experiência
pedagógica dos Ceffas;
- Enfim, extraindo dela alguns elementos expressarei o que é, de meu
ponto de vista, “uma alternativa educativa”.
1. Sou “um produto” de alternativas educativas
Minha passagem pelo sistema escolar e consequentemente pela escola
tradicional limita-se pelo que se chama na França a “escola primária”, que
frequentei de 6 a 14 anos. Após essa etapa, com o “Certificado de Estudos
Primários” que a sancionava, fui trabalhar na propriedade familiar na qual
contribuía há anos com o meu cuidado com as vacas, isto é, a ordenha e
outras atividades, nas quais estávamos inseridos desde cedo, sem que isto
me causasse qualquer sofrimento, porque minha infância foi feliz. Desta
maneira, minha primeira e grande universidade foi ao ar livre, da natureza
e das atividades agrícolas no seio da minha família, onde aprendi a viver
na complexidade, sem me dar conta disto. Em seguida, no decorrer da
existência, encontrei duas situações de formação excepcionais pela singularidade e inovação pedagógica que ambas ofereciam, o que vim a entender
bem mais tarde.
A primeira ocorreu durante a minha pós-adolescência. De fato, aos 17
anos, tomei consciência de vez de meu devir e respondi a um anúncio publicitário para uma nova formação de técnico agrícola. Fui admitido num
centro de formação de adultos mais por causa de uma entrevista sobre
motivações do que por causa dos meus conhecimentos. E aí, em dois anos,
no meio de um grupo de 25 jovens cujos “perfis” eram semelhantes ao meu
e oriundos de todas as regiões da França, com formadores fora do comum
que não eram só docentes mas acompanhadores educadores, com uma pedagogia que se apoiava sobre nossa experiência de trabalho e de vida, com
conteúdos selecionados que visavam 20 essencial numa visão cultural mais
do que acadêmica, com uma abordagem sistêmica da formação e com uma
vida coletiva intensa... fomos colocados numa “rampa de lançamento”. No
primeiro ano nos preparamos, e a maioria de nós conseguiu êxito, para
um exame público para o qual o sistema educativo tradicional preparava
normalmente em três anos. A mesma coisa ocorreu no segundo ano. Foi
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capítulo 1. - Paco Editorial