EDUCAÇÃO INDÍGENA OU ESCOLA PARA ÍNDIOS. Ivete da Silva1 Marcos Antonio Busnello2 Luís Fernando Moraes de Mello3 Resumo: Este trabalho busca uma realidade entre a escola indígena e educação indígena, será que nós sabemos diferenciar, o que é uma educação e uma escola. Na educação temos a garantia no art. 6º da Constituição Federal que todas as pessoas têm o direito a frequentar a escola com uma educação de qualidade, só que na realidade nem sempre esta garantia é absoluta. Nas aldeias este problema é mais intenso do que na cidade, os professores sempre encontram dificuldades em se deslocar para as aldeias por falta de estradas e ate mesmo de condições financeiras incompatíveis com o resultado do trabalho. O Estado vem buscando investir no ensino superior para os próprios índios e estes poderem atuar com responsabilidade na educação do seu povo, valorizando a sua cultura, e sua língua materna. O maior problema encontrado na educação nos estados brasileiros ainda é o preconceito que em pleno século XXI, a discriminação existente ainda é marcante em nosso país. Abstract: This work aims a reality among indigenous schools and indigenous education will differentiate what we know, which is an education and a school. In education we are guaranteed in Art. 6 of the Constitution that all people have the right to attend school with a quality education, but in reality this does not always guarantee is absolute. In the villages this problem is more intense than in the city, the teachers are always difficulties in moving to the villages due to lack of roads and even financial conditions incompatible with the result of the work. The state is seeking to invest in higher education to the Indians themselves, and they can act with responsibility in the education of its people, valuing their culture and their language. The major problem encountered in the Brazilian states in education is still the prejudice that in the XXI century, discrimination still exists in our country is remarkable. Palavra chave: Escola, Educação Indígena, Estado: Key words: School, Indigenous Education, State: 1 Graduanda em Direito pela Faculdade de Ciências Contábeis e Administração do Vale do Juruena-AJES/JuínaMT. E-mail: [email protected] 2 Graduando em Direito pela Faculdade de Ciências Contábeis e Administração do Vale do Juruena-AJES/JuínaMT. E-mail: [email protected] 3 Mestre em Direito pela Unisinos/São Leopoldo - RS. Professor do Curso de Direito da Faculdade de Ciências Contábeis e Administração do Vale do Juruena-AJES/Juína - MT. E-mail: [email protected] . 1. Introdução Aqui neste trabalho buscaremos diferenciar a escola para índios da educação indígena. O Estado busca implantar políticas públicas que venham atender a necessidade das comunidades indígenas com relação à educação, só que, na maioria das vezes, estas políticas não são totalmente vinculadas à realidade de uma comunidade, é simplesmente na prática que se descobre o quanto este sistema é verdadeiramente problemático e com falhas. 2- materiais e métodos: livros da coletânea educação escolar indígena e sites dedoc.com artigos relacionados ao problema. Fazendo uma analise nos referidos materiais chegamos a se surpreender com a realidade vivenciada pelas comunidades indígenas com relação a educação. História da educação indígena Para um melhor entendimento vamos voltar na história buscando as raízes. Durante o percurso da educação escolar indígena no Brasil, Fernando Azevedo (1996), em sua obra Cultura Brasileira, trata da transmissão da cultura, escreve, talvez, o mais fundamentado texto de História da Educação Brasileira. Alem das limitações impostas pelo seu tempo, Fernando Azevedo continua sendo uma leitura muito rica e proveitosa especialmente no que se trata da transmissão da cultura. O padre Serafim Leite, que escreveu a Historia da Companhia de Jesus, colocou em questão a política pombalina. Seu trabalho ofereceu muitos dados da ação educativa dos jesuítas no Brasil. Esses jesuítas chegaram ao Brasil com o objetivo de propagar a Fé, promover a catequese e propiciar a educação formal dos índios. Na primeira fase as missões religiosas desenvolveram uma educação escolar entre as sociedades indígenas que promoveram um processo de desorganização social. Do ponto de vista educacional existia uma pedagogia submissa, por meio de um conflito da mudança cultural. Em (1910) foi criada o Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Com o regime militar foi extinto o SPI, e criado a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), com a criação da FUNAI, o governo brasileiro buscou tratar de forma mais técnica e cientifica proporcionando melhoramentos para os grupos indígenas. O Estado brasileiro estabeleceu a política indigenista dando cumprimento ao que determina a Constituição de 1988. No campo da educação, o Decreto Federal nº 26/1991, transferiu da FUNAI para o Ministério da Educação – MEC a responsabilidade de coordenar as ações de educação escolar indígena. Essas organizações deram apoio significativo á realização de assembleias indígenas, oportunizando articulações entre as lideranças indígenas. A partir da década de 80, surgiu a organização do movimento indígena com encontros de professores índios. Esses encontros foram realizados para estudar, entender o passado, presente e planejar o futuro das culturas indígenas. A educação indígena passou a ser tratada como especificidade, foram criadas diretrizes para a política nacional de educação escolar indígena em quase todos os estados do Brasil. Ao construir uma política mais democrática voltada para a formação e não apenas para a instrução, representantes indígenas tiveram acesso aos meios de comunicação, sendo lhes possível exercitar o direito de expor na mídia falada escrita e televisiva as suas reivindicações. O movimento indígena e a demanda por educação Como expressão da cultura, a escola indígena deve ser instrumento de afirmação étnica, construindo suportes para uma relação positiva com a sociedade e com outras sociedades indígenas, bem como outros grupos sociais diferenciados. A escola não pode se tornar uma violência, isto é, cortar as iniciativas dos estudantes e professores índios. A questão da formação de professores índios abre uma nova perspectiva para a educação indígena. Trata-se de uma questão relevante, pois os professores deverão acompanhar a produção do material didático- pedagógico nas áreas do conhecimento formal sistematizado na língua materna. O professor índio deve levar para dentro da escola discussões relativo aos problemas sociais que vem enfrentado atualmente. O dever do Estado com a educação indígena A constituição Brasileira promulgada em 1988 instituiu relações entre o Estado, a sociedade civil e os povos indígenas. Garantindo o direito a cidadania, a diferença, valorizando-as especificamente étnico-culturais, cabendo a União a proteção dos grupos diferenciados garantindo os seus direitos específicos. A partir de então, os índios deixaram de ser considerados como categoria em extinção e passaram a ser respeitados como grupo étnico diferenciado, com direito a manter sua organização, costumes, línguas, crenças e tradições. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional garante aos povos indígenas nos artigos 78 e 79, a oferta da educação escolar bilíngue e intercultural. No contexto atual das políticas oficiais o enfoque tem sido o de valorizar as culturas indígenas e resgatar a sua identidade. No Mato Grosso a política educacional indígena se da por meio da SEDUC, que tem o dever de. 1- Apoiar o Governo Federal na demarcação e proteção de terras indígenas; 2- Implementar um projeto escolar indígena; 3- Executar os projetos de saneamento básico e de saúde ao índio; 4- Viabilizar apoio técnico aos projetos de economia indígena; 5- Implantar e fortalecer o órgão de assuntos indígenas do Estado, com um núcleo mínimo central e extensões de apoio nas organizações de saúde, educação, agricultura e meio ambiente. Formação de professores índios No imaginário das sociedades modernas os professores devem primar pela formação contínua, pelo bom exercício da docência, pela regularidade, pontualidade, compromisso, afinal, são profissionais e assim devem portar-se. Há situações em que o poder público é ausente ou outorga maior autonomia às comunidades ou aos professores. O poder público nos últimos anos tem investido maciçamente nos professores, no processo de formação e na consolidação dos seus seviços. Considerações finais No nosso entender chegamos a conclusão de que o Estado a partir da Constituição de 1988, estabeleceu a criação de políticas onde foram criados órgão para garantir que os povos indígenas venham a ter uma educação de qualidade sem perder o vinculo de sua cultura, nos dias atuais temos de entender que, educação para índio seria aquela que, ajude o índio a se virar no mundo dos braços, informar sobre as coisas das outras culturas, a se defender dos não índios, preparar para pleitear novos espaços e empregos, a reconstruir a história indígena, a transitar pelas culturas, defender o território. Escola indígena é aquela que, o índio deve aprender; A) Valorizar a sua língua e sua cultura; b) Preservar seus valores, conhecimentos e seu jeito de viver; c) Ensinar a língua portuguesa; d) Aplicar a matemática, história do seu país, geografia e ciências;