MEMÓRIAS DA JUNTA DE INVESTIGACÖES DO ULTRAMAR \0 &:> ft MONOGRAFIA AGRICOLA DE MASSINGA (POSTO-SEDE) ARMANDO ANTUNES DE ALMEIDA LISBOA—1959 fn ISEIC LIBRARY V* HZ - 1959,01 •4. Wageningen The Retherlands „j ,..A Volumes ja publicados na colecgao de «Memórias» (Segunda Série) i 1 — SSo Tomé e Principe e a Cultura do Café — Helder Lains e Silva. 2 — A Agricultura do Arquipélago de Cabo Verde (Cartas agrlcolas. Problemas agrarios) — António José da Silva Teixeira e Luis Augusto Grandvaux Barbosa. 3 — Blementos de Anatomia de Madeiras. Folhosas Portuguesas — Manuel P. Ferreirinha. 4 — Estudos de Biologia Maritima — Varios autores. 5 — Estudo das Madeiras de Timor (II Contribuicao) — Maria Clara P. G. de Freitas. 6 — Contribuieöes para o Conhecimento da Flora de Angola — II e de Mocambique — IV — J. G. Garcia, 7 — Estudos de Zoologia—Catdlogo das Aves da Guinê Portuguesa—F. Frade e A. Bacelar. 8 — Estudos de Zoologia — Varios autores. 9 — Carta Geral dos Solos de Angola — 1. Distrito da Huila — Missao de Pedologia de Angola. > MONOGRAFIA AGRlCOLA DE MASSINGA (POSTO-SEDEJ / • • / '~"T MEMÓRÏAS DA JUNTA DE INVESTIGAQÖES DO ULTRAMAR 10 ( S E G U N D A SÉRIE) I \ ISRIC; LjBRARYf I Wageningcn, Tho Natherlandsj :.:> MONOGRAFIA AGRICOLA DE MASS INGA (POSTO-SEDE) ARMANDO ANTUNES DE ALMEIDA Scanned from original by ISRIC - World Soil Information, as ICSU A . World Data Centre for Soils. The purpose is to make a safe depository for endangered documents and to make the accrued ', information available for consultation, following Fair Use Guidelines. Every effort is taken to respect Copyright of the materials within thé archives where the identification of the Copyright holder is clear and, where feasible, to contact the originators'.^. For questions please contact [email protected] indicating the itenr'feference number concerned. J LISBOA —1959 33# INDICE P&.B- PREFACIO : 9 I. FISIOGRAFIA 1. Situagao. Area ..... 2. Orografia. Zonas altimétricas 3. Hidrografia Bibliografia 13 13 13 14 II. GEOLOGÏA 1. Breve informagao sobre a geologla 15 1.1. Cretacico a recente .-. 1.2. Quaternario: lacustre calcario e marinho. Dunas 1.3. Terciario: pliocénico marinho e miocénico marinho Bibliografia , 16 j UI. 1. Generalidades 2. A pluviosidade ....' 15 15 16 • f CLIMA , 17 17 ... 2 . 1 . Quedas pluviomêtricas anuais 2. 2. Quedas pluviomêtricas mensais 2.3. DivisScr do ano em periodos 17 19 19 2 . 3 . 1 . O periódo hümido 2.3.2. O periodo seco 2.3.3., O periodo de transigao 20 20 21 Distribuigao das chuvas 25 1 2.4. 3. A temperatura do ar 4. A humidade relativa ..... MEM. JUNTA INVEST. ULTBAM. — 10 .. 26 27 5 ALMJSIDA, Armando Antunes de — Monograj'ia agricola de Massinga s P4&. 5. A classificagao do clima 28 5.1. 5.2. 28 29 30 30 30 5.3. 5.4. Consideragöes gerais. Climogramas Indices numéricos 5.2.1. Coeficiente hidrotérmico 5.2.2. Indice de aridez de Martonne 5.2.3. Coeficiente de Koppen : A classif icagao de Koppen Classif icagao racional de Thornthwaite ;. .' 5 . 4 . 1 . Introdugao 5. 4. 2. ' Deterrmnagao da evapotranspiragao potencial 5.4.3. Balango hldrico ... : 5.4.4. Classif icagao racional de Thornthwaite Bibliografia ..'. 31 32 32 32 33 37 ... ... '. 38 : IV. ' SOLOS 1. Introdugao 2. Representagao cartografica 3. Classificagao dos solos 41 41 42 3.1. Solos da faixa arenosa costeira e descrigao dos seus complexos ... 3.2. Solos dos Urrongas •. ... 3.3. Machongos •..-. Bibliografia ... V. ' ' 42 45 46 .47 VEGETACAO 1. Introdugao 2. Descrigao dos complexos 3. Algumas espécies vegetais 49 49 51 3.1. Nomes cientificos de algumas espécies vegetais ë seus correspondentes em shitsua 3. 2. Nomes indigenas de outras espécies vegetais de que nao nos foi possïvel obter o nome cientifico ; Bibliografia VI. 1. Introdugao 2. Censo da populagao ... 6 51 52 ... 52 •... 55 56 DEMOGRAFIA • ..'. ..: MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 V ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia 3. agricola de Massinga Peg. 56 Populagao indlgena 3.1. A povoagao do indlgena 3.2. A alimentagao 3.2.1. 3.2.2. 3.2.3. 3.2.4. •3.2. 5. 3.2.6. 3.2.7. 3.2.8. 56 57 Cereais Legumes.. Frutos oleaginosos Raizes tuberosas Diversos Frutos Caplns ... Alimentos animais ... 3.2.8.1. 3.2.8.2. 3.2.8.3. . j •'... Caga Pesca ... ... Outras espécies animais ..... ... ... 3.2.9. Bebidas alcoólicas 3.2.10. Sal ...... ... 3.2.11. Confeccao dos alimentos 3. 3. Recrutamento indlgena Bibliografia ... ., 57 5858 59 59 60 60 61 61 61 61 ... 62 63 63 ... 65 .j 66 VII. O PROBLEMA DA AGUA PARA ABEBERAMENTO DAS POPULAgOES E GADO 1. Introdugao 2. Como se abastecem de agua e locais de abastecimento 3. Abastecimento dos Urrongas 67 68 69 VIII. ACTIVIDADES ECONÖMICAS 1. Introdugao 2. A agricultura 2.1. A agricultura nao indigena 2.2. A agricultura indlgena 2.2.1. 2.2.2. 2.2.3. 71 72 .< 72 73 ; Culturas alimentares Culturas de rendimento Culturas perenes 3. A pecuaria 4. O comércio Bibliografia MEM. JUNTA INVEST. ULTKAM..— 10 74 75 77 ,. 78 78 79 7 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga Peg. IX. APTIDAO AGRICOLA 1. Introdugao 2. Culturas alimentares e de rendimento 2.1. 2.2. 2.3. 2.4. 3. O O A O milho amendoim .... mandioca algodoeiro ^. •. ... 81 85 85 87 89 91 : A agricultura do f uturo ' 95 3.1. Generalidades 3.2. Rotagöes.'*Areas em cultura 95 97 Bibliografia ... ... Apêndice. Pequeno glossario agricola 100 103 i y 8 MEM. JUNTA INVEST.' ULTRAM.—• 10 PRE F AC IO ^ Os trabalhos de campo -— reconhecimento dos solos do posto-sede da circunscrigdo de Massinga— tiveram lugar de Janeiro a Julho de 1955, nada nos levando a supor, nessa altura, que eles seriam a base a, volta da qual se havia de estruturar esta Monograf ia Agricola que ora se apresenta. Em Abril de 1957 realizdmos um inquérito, junto dos indigenas de Massinga, com a finalidade de colhermos elementos que nos permitissem completar o presente trabalho. O reconhecimento dos solos foi feito em regime de brigada, brigada essa que era constituida por nós e pelos Prdticos Agricolas Rut Rodrigues e Abilio Semido Nunes, todos contratados pela Comissdo Administrativa do Fundo do Algoddo, mas ao servigo da Junta de Exportagdo do Algoddo. Ao terminarmos os trabalhos de campo, que mensalmente eram relatados para os Servigos Técnicos da J. E. A., em Lourengo Marques, e acompanhados de esbogos com a demarcagdo das diversas manchas de solos encontradas, lembrdmo-nos de reunir todos os elementos referentes a solos e a vegetagao, constantes dos relatórios acima referidos, para maior facilidade de consulta. Foi nessa altura que passou por Inhambane a Brigada de Divulgagao Técniea da J. E. A., constituida pelos Engenheiros Agrónomos Domingos Henriques Godinho Gouveia e Francisco Maria Feio, aos quais expusemos a nossa ideia e com a qual concordaram em absoluto, mas ' sugeriram que fosse alargado o dmbito do trabalho, de maneira a constituir uma monografia da regido. Assim se comegou a formar o trabalho que aqüiapresentamos. \ / 0 Reajustamento das Zonas Algodoeiras e o Ësbogo do Reconhecimento Ecölógico-Agrïcola de Mogambique sdo trabalhos valiosos que constituem a base para qualquer novo empreendimento, no aspecto agricola. No entanto, GODINHO GOUVEIA e ARIO AZEVEDO escrevem na parte final do capitulo de «Solos» do segundo trabalho acima referido: «Mas se pretendermos promover o fomento MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0 9 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga agricola dessa regido teremos necessdriamente de recorrer a reconhecimentos regkmais mats pormenorizados», e, mais adiante, «A continuidade adequada ao reconhecimento geral iniciado em 19^1 reside no seu prosseguimento através de reconhecimentos regkmais mais pormenorizados...». Ê esta a finalidade que pretendemos alcangar com a apresentagdo deste nosso trabalho, e se tal conseguirmos consideramo-nos satisfeitos. Resta-nos manifestar o nosso agradecimentp as pessoas que de alguma maneira contribuiram para que fosse possivel a apresentagao desta Monografia; Aos Ex.moySrs. Dr. Francisco de Martel Patricio e Engenheiro Agrónomo Luis Sdlazar d'Ega, respectivamente Presidente e Vice-Presidente da Junta de Exportagao do Algodao, pelo interesse demonstrado na publicagao desta Monografia; Ao Ex.mo Sr. Prof. Dr. Aurélio Quintanilha, Director do C. I. C. A., da Junta de Exportagao do Algodao, pela maneira como se interessou pela publicagao deste trabalho; ' ' m0 Ao Ex. Sr. Prof. Dr. Carrington da Costa, Presidente da Comissao Executiva da Junta das Missöes Geogrdficas e de Investigagöes do Ultramar, pelo acolhimento dado ao presente trabalho e sua respectiva publicagao; Aos Srs. Engenheiros Agrónomos Elias Gongalves Valente, chefe dos Servigos Técnicos da J.E.A., e Domingos Godinho Gouveia, subdirector do C. I. C. A. e chefe do Departamento de Solos do mesmo Centro, pelas sugestöes e esclarecimentos que nos prestaram e pelo estimulo que sempre nos deram; Ao Sr. Engenheiro Agrónomo Francisco Maria Feio, das primeiras pessoas a entusiasmarem-nos para a sua elaboragao; Aos Srs. Administradores Alberto António Lobo e Alfredo Matias da Silva, pelas facilidades concedidas como administradores da circunscrigao de Massinga; Ao Regente Agricola Vasco da Fonseca Lebre, da Junta de Exportagao do Algodao; > ..— • Ao Prdtico Agricóla Rui Rodrigues, pela colaboragao no trabalho de reconhecimento de solos; . Ao Prdtico Agricola Fernando Azevedo; 10 MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga A Sr.a D. Maria Alice Almeida, pelo seu trabdlho de dactilografia; Ao Sr. Antero Machado, pelo desenho dos grdficos e mapas; Ao Sr. Miguel Rebélo Junior, pela revelagao e ampliagao das fotografias aqui apresentadas. Ndo queremos deixar de prestar as nossas homenagens a memória do Prdtico Agricola Abilio Semiao Nunes, nosso convpanheiro de trabalho durante quase dots anos, e que também fazia parte da brigada que procedeu ao reconhecimento dos solos de Massinga. MEM. JUNTA INVEST. ULTKAM. — 10 .\ ±± CARTA 1 % \ InsLsrsfrxg*. In orruzn hen a Minn imiAMSANE 1 r 1 I. 1. FISIOGRAFIA SlTUAgiO. AREA. A regiao estudada constitui o posto-sede da circunscrigao de Massinga, situada na parte norte do distrito de Inhambane, estando compreendida entre os paralelos 22° 39' e 23° 31' lat. S. e os meridianos 34° 54' e 35° 36' long. E. Gr., aproximadamente. A sua forma assemelha-se a um trapézio, no qual a base maior é o limite este, medindo aproximadamente 93 km. A maior largura, que é a altura do trapézio, é de cerca de 62,5 km, medida no paralelo 23° 0'. A area de Massinga-sede é de 3.143 km2, aproximadamente. 2. OROGRAFIA. ZONAS ALTIMÉTRICAS. Toda a area é plana ou de relevo ondulado — zona litoral —, nao havendo pontos que excedam os 200 m de altitude, pelo que a podemos incluir na zona altimétrica baixa. Os pontos mais elevados sao Quemue,, (190 m) e Inhamitule (191 m). . • " \/ 3. . HIDROGRAPIA. i A zona litoral do posto-sede é cortada por algumas linhas de agua; no entanto, na época seca, algumas delas secam, facto que se pode atribuir, quer a natureza arenosa dos solos da regiao e portanto muito permeaveis, quer, sobretudo, a escassez das chuvas nèssa época. Os principais cursos de agua sao: a) Rio das Pedras (Ribjane, em shitsua) — Nasce em terras do cabo Mudussua e atravessa as terras dos cabados Chi- MEM. JUNTA INVEST. TJLTRAM. — 1 0 13 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga lubuane, Mapanguela, Mabecuane, Lipeze, Lino e Tevele. O seu principal afluente é o Chipongo (Chibuca, em shitsua), que nasce em terras do cabo Chipongo e atravëssa as terras do cabo Mahate, confluindo com aquele rio em terras do cabo Tevele. b) Rio Massinga (Chicamba', em shitsua) — Nasce em terras do cabo Matingane e passa pelas terras dos cabos Gongane, Chilacua, Madibitane e Chibanhane, desaguando no oceano Indico. Os seus principals afluentes sao: o Madibitane, o Guizugo (Mucönzuane, em shitsua), que nasce 'nas terras do cabo-do mesmo nome e atrayessa as dos cabos Gadi, Chissidane e Guiducua, e o Mahocha (Muhoane, em shitsua). c) Rio Murri — Nasce em terras do cabo Murrenze e atravëssa as terras dos cabados Mabumbuza, Murri e Muchungo, desaguando na baia de Pomene. • BIBLIOGRAFIA (1) • ANÖNIMO -r- Carta da Colónia de Mogambique, n. os 36 e 37, na 'escala 1/250.000. , Ministério das Colónias. Junta de Investigagöes das Coló-; nias. Lisboa. . (2) GOUVEIA, D . H . : 1955 — «A Fisiografia», cap. I do EsboQo do Beconhecimento Ecológico-Agricola de Mogambique. Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira. J. E. A. «Memórias e Trabalhos», n.° 23. Lourengo Marques. U MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM. — 10 II. 1. GEOLOGIA BREVE INFORMAQAO SOBRE A GEOLOGIA. Este capitulo nao é mais do que uma compilagao de todos os elementos de que pudemos langar mao. Pela eonsulta do esbogo geológico elaborado por A. J. Freitas em 1956, verificamos estarem representados, na zona em estudo, os seguintes sistemas e séries: . 1. Cretacico a recente, de séries nao diferengadas. 2. Quaternario: lacustre calcario e marinho. Dunas. 3. Terciario: pliocénico marinho e miocénico marinho. 1.1. Cretacico a recente. Ê o sistema que predomina nesta regiao. 1. 2. Quaternario: lacustre calcario e marinho. Dunas. Tanto o quaternario lacustre calcario como o quaternario marinho aparecem, em pequenas manchas, ao longo do literal. As manchas do lacustre calcario aparecem entre Massinga e o rio das Pedras. As dunas estendem-se ao longo de toda a costa e sao constituïdas «por areia fina e siliciosa, sem materiais que concorram para a sua aglutinagao e também sem substantias, que facilitem o desenvolvimento da vegetagao. Móveis por natureza, as dunas procuram avangar para o interior. A este movimento incessante vem a vegetagao opor a sua barreira, e, desde que o mais ligeiro elemento de nutrigao lhes é fornecido, as giestas e outras plantas comegam a desenvolver-se,_enquanto que na vertente interior da duna, oposta ao vento, as espécies do interior, mais resistentes, lutam contra a invasao» (1). MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0 15 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga Em Massinga, na faixa arenosa costeira, encontram-se antigas dunas, ja consolidadas. 1. 3. Tercidrio: pliocênico marinho e miocénico marinho. O pliocênico marinho aparece na parte sul de Massinga, em pequenas manchas, e o miocénico marinho, ja em manchas maiores, a norte da sede da circunscrigao, nos Urrongas. ' / (1) (2) (3) 16 A -•• ' BIBLIOGRAFIA ANDRADE, C. F.: 1929 — Esbogo Geológico da Provincia de Mogambique. Imprensa Nacional. Lisboa. AZEVEDO, A. L.: 1955 — «Geologia», cap. il do Esbogo do Reconhecimento Ecológico-Agricola de Mogambique. Centro de Investigagfio Cientïfica Algodoeira. J. E. A. «Memórias e Trabalhos», n.° 23. Lourengo Marques. FREITAS, A. J.: 1956-—Esbogo Geológico. Junta do Comércio Externo. Lourengo Marques, •. • MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 m. 1. CLIMA GENERAIJDADES. Massinga, como todo o Sul do Save, é caracterizado por urn regime anticiclónicp e de depressöès das latitudes médias. As quatro estagöes das zonas temperadas sao mal definidas e o regime pluvial é ciclónico, caindo as chuvas com a passagem das depressöès, tendo no entanto o aspecto de um regime tropical. O estudo dos factores climaticos da regiao estudada baseia-se nos dados fornecidos pelo posto meteorológico que se encontra localizado na sede da circunscrigao, A generalizagao dos resultados obtidos a toda a area de Massinga nao é possivel, pois devem-se considerar duas zonas distintas: a do litoral e a dos Urrongas. As conclusoes a que chegaremos com este estudo definem o clima da zona litoral, tornando-se este mais arido a medida que caminhamos para o interior. Na tabela n.° 1 encontramrse as coordenadas geograficas e a altitude do posto meteorológico considerado. TABELA N.° 1 Coordenadas geograficas 2. Posto Categoria Massinga P.M. Latitude S. Longitude E. Gr. 23° 19' 35-24' Altitude (m) 109 A PLUVIOSEDADE. 2.1. Quedas- pluviométricas anuais. Nas tabelas n.08 2 e 3 mencionam-se os valores das quedas pluviométricas anuais do periodo de 1934-1955 (22 anos), a sua média, MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 2 If ALMEIDA, Armando Antunes de — Monograjia agricola de Massinga o desvio-padrao da mesma, os limites fiduciais e o coeficiente de variabilidade. Em 1944 registou-se a maior queda pluviometrica deste periodo, com o facto nötavel de no mês de Fevereiro choverem 1.410 mm; a menor queda pluviometrica registou-se em 1941, ano em que apenas cairam 492,5 mm de chuva. TABELA N.° 2 A Queda pluviometrica (mm) 1934 19351936 1937 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 1946 1947 1948 1949 1950 1951 1952 1953 1954 1955 • 1.280,9 658,4 1.185,0 649,0 870,0 ! 1.392,3 830,2 . . , 492,5 1.285,0 1.052,2 1.872,3 908,3 922,4 937,5 979,5 957,0 1.322,1 772,3 1.660,8 1.124,6 1.340,3 1.207,6 ' . , TABELA N.° 3 18 Média (mm) Dèsvio-padrao da média Limites provaveis da média (95 %) — (mm) 1.077,3 ± 71,04 1.225,2-929,4 Coeficiente ' de variabilidade (%) 6,58 - Numero de anos .. , 2 2 • MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia 2.2. Quedas pluviométricos agricola de Massinga mensais. Figuram na tabela n.° 4 ós valores normais das quedas pluviométricas mensais e do numero de dias de chuva por mês. TABELA N.° 4 Meses I II xn ,' 190,9 186,6 167,5 81,7 '67,9 62,2 52,1 23,3 26,0 ' 32,4 96,7 138,0 Anual 1.125,3 TTT .. IV V VI VII VTTT ... IX X XI 2.3. Média (mm) Numero de dias de chuva 9 9 9 6 5 5 4' ' 3 3 3 5 7 68 Divisao do ano em periodos. Como ja atras escrevemos, as quatro estagöes das zonas temperadas sao aqui mal definidas, sendo preferivel reuni-las em dois periodos distintos: Verao, épöca quente ou das chuvas, e Inverno, época fria ou seca. Entre estes dois periodos podemos ainda considerar operiodo de transigao. ...,..• Para a determinagao destes periodos recorremos ao quociente pluviométrico que VON H A N N define «como uma constante que caracteriza a quota com que cada mês contribui para o total da precipitagao anual». Na tabela n.° 5 figuram os quocientes pluviométricos para os diferentes meses do ano e a maneira de os calcular. •"•'•'• Os quocientes pluviométricos superiores a unidade caracterizam os meses1 chuvosos, e os inferiores a unidade os meses secos. Estes nümerospermitem-nós'definir quais os meses que constituem o periodo hümido (Novembro a Margo) e quais os meses que pertenMEM., JUNTA INVEST. ULTRAM. -^- 10" 19 ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia agricola de Massinga cem ao periodo seco (Agosto, Setembro e Outubro). O periodo de Abril a Julho consideramo-lo como constituindo a transicao, pois a analise dos seus quocientes pluviométricos conduz-nos a essa conclusao. ;. • Os meses mais chuvosos sao os de Janeiro e Fevereiro, e o mês mais seco o de Agosto. . . . , , . TABELA N.° 5 Numero de dias Altura pluviomé- Altura pluviomé0 d,o mês em %o trica mensal trica em /oo da aldo/ numero de dias tura pluviométrica (mm) v anual / do anp Meses 1 2 IV V VI VII VIII IX X ............... XI XII 85 77 85 82 85 82 85 85 82 85 82 85 I II rpr Total ... 2.3.1. 1.000 O periodo 3 190,9 186,6 167,5 81,7 _ 67,9 62,2 52,1 23,3 ' 26,0 32,4 96,7 138,0 ' 1.125,3 Quocientes pluviométricos 4/2 4 5 169,6 165,7 148,6 72,5 60,3 55,2 47,1 20,7 23,2 28,6 85,9 122,6 1,99 2,15 1,75 0,88 0,71 0,67 0,55 0,24 0,29 ' .. ""' ' 0,34 1,04 1,44 * 1.000,0' * hümido. É constituido pelos meses de Novembro a Margo, meses estes em que a queda pluviométrica atinge 69,4 % da queda pluviométrica anual. A tabela n.° 6 inclui as quedas pluviométricas deste periodo, por décadas, o seu desvio-padrao e a sua significancia. ' 2.3.2. O periodo seco. ' t • • É constituido pelos meses de Agosto, Setembro e Outubro. A queda pluviométrica deste periodo equivale a 7,2 % da queda anual. 20 MEM. JUNTA INVEST. ULTBAM. — 10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga A tabela n.° 7 inclui as quedas pluviométricas deste periodo, por décadas, o seu desvio-padrao e a sua significancia. 2. 3. 3. O periodo dé transigdo. Ë constituido pelos meses de Abril, Maio, Junho e Julho, chovendo nestes meses cerca de 23,4 % da queda pluviométrica anual. Estao incluidos na: tabela n.° 8 os valöres das quedas pluviométricas, por décadas, o seu desvio-padrao e a sua significancia. > i, MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0 21 ALMEIDA, Armando Antunes de =— Monografia 03 oö rH O o ' rH 00 00 CM Significancia EH il Média x (mm) . (+s) Desvio-padrao 1.» década IN IN tCM o" • oi" CO CM CM t-" T-l to 00 i-T W CO CO o> co" TH" CO co" t- . 03 03 03 T-T i-i < 02 < co «o CM in in" oo co oi" oi" CM" rH H IN O in 00 co co" CM O oo CM" w m 03 03 aj £ < W 00 CM" rH o rH O OJ rH O," co of • * rH m o in rn" rH oi" rH pCS *O ai" IN o co CO ©_ •*" in co CM CO O) co" co c £ Cv > C *« C S- £ a tv a C C >~ 'S c CS c &. 'a ia > c. S *i CB •S -4- *cö-» 'S _bp o '3 > '« > a> o <w 5 '5 § Ü3 '3 KoÖ .ÈP 3 11| 11 1 i i ai ai ai «ië ai S 01 ai h £1 «rH fie; Média x (mm) (+s) Desvio-padrao 2.a década H M <! 02 rH ff A co W nif * Massinga cat 3." década il agricola de c o 11 scc >MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM. -10 ALMEIDA, Armando Antunes'de — Monografia agricola de Massinga »5 F= t fc déca .5 •If #3 •SSc- If 5 d P"? <H . 02 m GO 13 CO •* © 1^1 > of ^T P ot) e>i e i i -< tcq in rt oo eo N aj * II a2 *1 BT) déca 15 .2>£~ e> i -t d p<? TH n) TJ mi W P .J H « década •s a c • t if i VJ c- 1 r"H If] CN1 t- er! a • « Ü1 ,fc Ui~ •* oc 5i*i p"? d •M .2 S 1.! e<i a a c oc c -*- * xr c OJ < 10 ir> CO oo co OS O ' 00 ', o*'iff 1 a MEM.- JUNTA' INVEST.^ULTEAM. ', > f eo <R o £ o 1 S K 0 3 *3 TABELA N.° 8 1.» década Meses _Média x (mm) Desvio-padrao (+s) .. \ & 2.' década Signlficancia Média . x (mm). Desvio-padrao - (+s) . B 3.» década Sigrnificancia Média _ x (mm) Desvio-padrao (+s) Significancia Julho 28,88 6,64 A . S. 18,53 4,68 13,11 3,54 M. S. 29,90 12,76 22,16 7,98 S. 26,71 14,75 3,97 s. 10,38 a m CD • Abril C P A.S.- - 18,30 7,34 S. S. 28,30 11,26 7,78 M. S. 15,40 7,29 S. 2,28 A . S. 8,18 2,54 S. S. ' I -i o 6" I ~i ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga 2. 4. Distribuigao das chwas. Nao interessa apenas sabermos qual a quantidade de chuva caida numa determinada regiao e rium determinado espago de tempo; interessa, sobretudo, saber como essa quantidade de chuva se distribuiu ao longo desse espago de tempo, para assim podermos avaliar se a agua caida se perdeu por escoamento, caso de uma queda pluviométrica elevada num pequeno espago de tempo, ou se se deu a infiltragao, caso de os mesmos milimetros de chuva caidos se repartirem por um espago de tempo tal,, que se dê o aproveitamento da maior parte da agua caida. Estas indicagoes sao preciosas sob o ponto de vista agricola. Na tabela n.° 9 estao registados o numero de dias de chuvas dos diferentes periodos do ano (ver tabela n.° 4) e os indices de frequência respectivos, que se obtêm dividindo o numero de dias de chuva num determinado periodo e o numero total de dias nesse mesmo periodo. TABELA N.° 9 Periodos Abril-Julho Agosto-Outubro Numero de dias de chuva Indice de frequência 39 20 9 0,26 0,196 0,10 68 0,19 O indice de frequência anual diz-nos que em cada 100 ha 19 dias de chuva; o do periodo chuvoso indica-nos que as chuvas se concentraram num pequeno numero de dias, dando origem a intensidades elevadas nesse periodo, pois caem cerca de 7 0 % , d a queda pluviométrica 'anual. Na tabela n.° 10 apresentam-se as maximas quedas pluviométricas em 24 horas, registadas, em cada mês, no periodo de 1934-1954. Estes yalores sao de grande importancia quando se pretenda estabelecer um esquema de defesa do solo contra a erosao. No grafico I esta representada a distribuigao das chuvas, por décadas, ao longo do ano. 'MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 25 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga TABELA N.° 10 Queda Meses Janeiro Fevereiro Margo Abril - Maio ...:........: 117,5 89,5 304,0 82,0 192,0 120,0 52,0 37,0 122,0 - 67,7 142,6 104,0 •• Junho -. Julho ';. ' Agosto :.:'.:/..\..'......:,'.,'. Setembro „. Outubro ..*......./....;.;............ .Novembro '...-. Dezembro ......'.' '3. Dia da ocorrência (mm) 8 26 19 19 19 21 10 30 22 9 24 . 29 • ' Ano 1952 1952 1934 1934 1942 1936 1939 1939 1942 1952 1954 1945 * • A TBMPERATURA DO AR. Na tabela n.° 11 estao mencionados os valores das temperaturas médias, maximas e minimas médias, mensais e anuais. No grafico n registamos as suas variagoes ao longo do ano. > 60 TABELA N.» 11 Temperatura <°C) I n m rv v VI vn.. vm IXX xi xn 26 •. .: ;.... :..... : 30 • Minima média (26 anos) Média (30 anos) Maxima média (26 anos) 25,2 25,5 24,9 23,8 21,9 20,1 19,5 20,2 21,7 23,4 24,4 24,8 31,6 32,0 30,6 29,5 27,9 26,4 25,9 26,5 27,8 29,5 30,2 30,9 16,9 17,4 . 17,0 16,2 14,4 12,8 11,8 12,1 13,2 15,0 16,3 16,5 23,0 29,1 15,0 HO MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0 £ t'tMP GRAFICO I Quedas pluviométricas por décadas lit f! I o o M *s! o 'I » — A L M E I D A , A r m a n d o A n t u n e s de — Monografia agficola de Massinga Pela observacao da tabela n.° 11 verificamos poder dividir o ano em dois periodos: o perïodo quente, de Outübro a Abril, e o periodo frio, de Maio a Setembro. No primeiro, é o mês de Fevereiro aquele em que as tres temperaturas sao mais elevadas, e no periodo frio é o mês de Julho aquele em que se verificam temperaturas mais baixas. Tendo por base o factor temperatura, apenas dividimos o ano em dois periodos, o que nao aconteceu quando tomamos por base a pluviosidade, pois ali ha um periodo de transigao que aqui se nao verifica. Na tabela n.° 12 indicamos as oscilagöes médias mensais da temperatura. TABEI Meses -. -• • • N.o 12 Oscilaeöes médias mensais CC) <\'~. „;. I - ! .V • . A =: f: n in " IV . i ; t j . ' V ...... VI VII ... VIII ... IX X XI XII ... 14,7 18,6 13,6 13,3 13,5 13,6 14,1 14,4 14,6 14,5 13>9 14,4 Nos'climas suaves a amplitude térmica nao vai além dos 10°C; como neste caso a oscilagao é sempre superior a 13°C, nao podemos considerar esta zona como tendo um clima suave. 4..'A HUMIDADE RELATIVA. Na tabela n.° 13 figuram os valores médios mensais e anuais da humidade relativa, provenientes de 26 anos de .observagao, e no grafico ni.esta representada a sua variagao ao longo do ano. (MEM. JUNTA INVEST. ULTBAM. — 10 21 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga TABELA N.° 13 Média Meses (%) I xn 71,0 72,2 75,7 71,5 72,5 74,1 , ' • 73,9 70,5 68,3 67,2 68,6 71,1 Anual 71,4 n in IV v VI VII VIII IX X XI .' .: •i t • • r Os valores extremos da humidade relativa estao compreendidos entre 60 e 85 %, pelo que podemos classificar o clima, sob este aspecto, como moderadamente hümido. Pela observagao da tabela n.° 13 verificamos que' os valores da humidade relativa sao mais baixos em Setembró, Outiibro e Novembro, e o mês de Margo é o que apresenta um valor mais alto para a humidade relativa. ;,,. > \ 5. A CLASSIFICAgAO DO CLIMA. 5.1. Consideragöes gerais. Climogramas. Os dois elementos essenciais para a classificagao dos climas sao o regime térmico e o regime pluviométrico, mas a sua importancia relativa nao é sempre a mesma. , «Na maioria das regiöes intertropicais, ou mais exactamente entre cerca de 30° de latitude norte e sul, a diferenciagao térmica é relativamente pequena, de forma que é o regime pluviométrico que fundamentalmente determina as diferengas' da vegetagao natural, as possibilidades das culturas e a propria extensao dos agrupamentos humanos». ' ' '.' «Ao contrario, para além dos trópicos ja nao é em geral a maiór ou menor extensao de uma estagao seca, mas sim a maior. ou nienor 28 MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 GRAFICO III Humidade relativa 3» 75 70 65 So \ 4 •i JAU f^ ./«i4R AB«u. AiAio JWHO jumo Afr ? SET V H' °»T /A* DEZ. ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga duragao e o rigor mais óu menos marcado da estagao fria que decidem dos caracteres da vegetagao, com todas as suas consequências económicas» (6). A classificagao do clima da regiao estudada é baseada no regime térmico e no regime pluviométrico, com excepgao da classificagao racional de Thornthwaite, que, além destes factores, considera a evaporagao da agua do solo associada a transpiragao das plan tas. ?.-*4 Êcdificil saber qual i a classificagao que^devemos seguir; no eritanto, parece-nos util. estudar algumas delas, observar os result a d ó s ' a ' q u e c a d a uma delas nos cönduz e finalmente concluirmos qual a mais precisa. °-3-? Comegaremos'pelo estudo dó climograma de Massinga (grafico IV), que nos permite verificar, de uma maneira rapida, se um determinado mês é ecolögicamente seco ou hümido e ainda os meses que constituent o periodo seco e o perïodo hümido. Analisando o climograma representado no grafico iv, verificamos:- .<:'.. i j - . ?. , '...', que os meses de Agosto, Setembro e Outubro sao os meses secos, por a queda pluviométrica ser inferior a 30 mm; que os meses de Janeiro, Fevereiro, Margo, Abril, Novembro e Dezembro constituem o periodo hümido, por a sua queda pluviométrica ser superior a 75 mm; que os meses de Maio, Junho e Julho constituem a tran< sigab entre aqueles dois periodos. Comparando a divisao do ano em periodos (hümido e seco), baseada nos quocientes pluviométricos e nos climogramas, constatamos haver concordancia, com excepgao para o mês de Abril, pois, se tqmarmos em consideragao os quocientes pluviométricos, faz parte do periodo de transigao, ao passo que, se nos basearmos no climograma, faz parte do periodo hümido. '/ , 5.2.', Indices nwriéricos. Sao varios os indices numéricos que nos permitem classificar um clima, embora grosseiramente, e, assim, com os elementos de que dispomos vamos determinar alguns e comparar os resultados a. que cada um deles nos conduz. SlEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 29 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga 5.2.1. Coeficiente hidrotérmico (Lang). \ <, • i ~ < \ •• l l O valor deste ïndice é-nos dado pelo quociente da precipitaQao( anual média (P) pela temperatura anual média (T). , • . P 1125,3" dan • ' '•• • ' ' ' -'-••'•» ,: Assim, —- =>———- = 48,9 ». . , , T 23,0' > • Segundo HiRTH'O), a isonótida de 40 inarca a separagao entre regioes com caracteres hidrotérmicos muito distintos. Se o .coefi-1 ciente hidrotérmico é;superior a:40, o clima é.hümido, sejinferior,. é arido. ;-. ,-<r .^f ;i ' ,,, Tendo em/atengao .estas consideragöes, concluimos ser humido o clima de Massinga. ., ( i , ,, , . . n , ,j ( l ,, ,^ f J • --e • t. ';•>'''• ' j . O r t •ó.rrr'ri.T-;* i 5.2.2. Indicè de aridess de'Martonne. " • ' fï l '' ''u,Ji3''J '' P Este ïndice é calculado pela formula , sendo P a precipe ' ° • - . •• . . . - > tagaó anual média e T a temperatura anual média. ' T . . Assim, + 1 P 1125,3 '1125,3- nAH —= — = = 34,1, T+10 23,0+10 33,0 >" ' . i.' •_ 'J i. : . > As regioes cujo indice de aridez esta compreendido entre 30 e 40 oscilam entre o endorreïsmo.e o exorreismo, que é o caso de Massinga. , , 5.2. 3. . Coeficiente de Koppen. • ••• O coeficiente de Koppen (R) é-nos dado pela soma de T (temperatura anual média) com os coeficientes 22 (chuva principalmente no Inverno), 33 (chuva distribuida ao longo do ano) ou 44 (chuva principalmente no Verao). - j Para o caso de Massinga, em que cerca de 62 % da queda pluviométrica se da na estagao quente, o coeficiente a utilizar é 44, e assim temos: 22=T+44=23+44=67 (*) 30 Cit. por AEIO AZEVEDO (3). , . •, ö , 'ij.', -n , rn MEM. JUNTA INVEST.'ULTEAM.'—10' ft «9 o ü h 5» « •O 1 SW03tV S/VSMStV S**nX*èf3dHr3jl ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga Segundo Koppen O), se a altura plüviómétrica anual (em centïmetros) é inferior a — R, o clima é arido, se esta compreendida 2 1 e n t r e — R e R, é sémiarido, se é superior a R, é hümido. P=1125,3mm=112,53cm /e=67 112,53>67, logo P > / 2 Por este ïndice, também, o clima dé Massinga é hümido. 5. 3. A. classificagao de Koppen. Segundo este autor, a distribuigao das espécies vegetais e animais a superficie da terra é baseada na interacgao dos principais factores do clima: a temperatura e a quantidade de chuva caida. Portanto, a sua classificagao climatica tem por base estes dois factores. A regiao em estudo, segundó a classificagao dé Koppen, esta englobada no grupo A (clima tropical chuvoso) por a temperatura média de todos os meses ser superior a 18°C e por a precipitagao anual ser superior a 750 mm. Dentro do grupo A, por se verificar um perïodo seco no Inverno, pertence ao subgrupo w, e assim o clima de Massinga é do tipo Aw, que se caracteriza da seguinte maneira: Tropical chuvoso, savana; Liverno seco; temperatura média mensal superior a 18°C; altura plüviómétrica anual superior a 750 mm; total de chuva no mês mais seco menor que 40 mm. Solos revestidos de gramineas entrecortadas de bosques com arvores de pequena estatura ou floresta aberta de folha caduca. •'. Este tipo de clima verifica-se na zona litoral desta circunscrigao, isto é, na faixa arenosa costeira. i (•) Cit. por ARIO AZEVEDO (3). MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 SI ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga 5.4. Classificagao rational de Thornthwaite. 5.4.1. Introdugao. As classificagoes do clima que acabamos de tratar definiam os tipos climaticos a partir da temperatura e da queda pluviometrica.' Estas classificagoes, embora nos fornegam algumas indicagöes, sao incompletas, pois nao consideram a evaporagao. THORNTHWAITE, na sua primeira classificagao, atenuava este inconveniente, ao entrar em consideragao com a intensidade de evav poragao, mas na nova classificagao — a classificagao racional de Thornthwaite— foi ainda mais longe, pois considerou um novo factor — a transpiragao das plantas associada a evaporagao da agua no solo —. que foi designado por «evapotranspiragao», que nao é 'mais do que o fenómeno da passagem da agua do solo para a atmosfera. Temos a considerar a evapotranspiragao potencial e a real. A primeira é a maxima quantidade de agua que passa para a atmosfera, em condigöes ideais de vegetagao e de humidade do solo; a segunda exprime a quantidade de agua que realmente passa para a atmosfera por, evaporagao e transpiragao, das plantas, tendo em atengao as disponibilidades hidricas do solo. A classificagao racional de Thornthwaite torna possivel uma definigao dos tipos climaticos mais rigorosa, pois entra em consideragao nao só com a temperatura e queda pluviométrica, mas também com a quantidade de agua que passa do solo para a atmosfera por evaporagao directa e por transpiragao das plantas. Para a determinagao dos tipos climaticos por este método, entra-se ainda em linha de conta com os indices hidrico, de humidade e de aridez. 5.4.2. DetertninaQoo da evapotranspiragao potencial. A evapotranspiragao potencial é-nos dada pela formula: e=16 (IOXT) na qual: e=evapotranspiragao potencial mensal em milimetros, nao corrigida, isto é, correspondente a um mês tipo de 30 dias com 12 horas de sol por dia. 32 MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga t=temperatura média mensal (°C). /=indice térmico anual. 0=0,000000675 I3—0,0000771 72+0,01792 7+0,49239. O ïndice térmico anual obtém-se pela formula: 12 1 em que i é o ïndice térmico mensal, dado pela expressao: Determinado e, calculamos ó valor de e' (evapotranspiragao potencial corrigida) multiplicando aquele valor por um coeficiente K, que é fungao da latitude e que nos é dado por tabelas. e'=Ke Na tabela n.° 14 figuram todos estes valores para o posto-sede da circunscrigao de Massinga e que foram calculados pelas formulas atras mencionadas. O indice térmico anual é igual a 120,95. 5.4. 3. BalanQO hidrico. A partir dos valores mensais da evapotranspiragao potencial e da precipitagao, vamos estabelecer o balahgo hidrico, a fim de determinarmos quais os meses em que ha excesso de agua, quais os meses em que ha deficiência de agua, quais os meses em que, embora a agua méteórica seja inferior a evapotranspiragao potencial, nao ha deficiência em agua, pois as plantas aproveitam-se das reservas hidricas existentes ho solo, isto é, meses em que ha cedência de agua pelo solo, e quais os meses em que ha reposigao de agua no solo. MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM.—10 s S3 • J * - ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agrlcola de Massinga embr o 00 N CN o co r-T •* 1 m CN co i-l lH 1-1 CN 1-1 embr " Ö o CM > •3 CO oo" o 1-1 o tub o u CO CN 3 * ' lH 1-1 io to CO 3 m 03 O 03 T-l ro ro o 1-1 •* O •* • oo" o oo t- to" i-i • 03 O • •Pi embr s\ . co o eo CM s 00 CN co IN 00 • * r-T TH 1 1 - w ost o O CN to ' to 00 00 t - oo >n 03 t - OS 00 (N CN 00" ui i-i CM co CN to 05 • co o> <. •* O O eo to o oo 03 rH CO CN TH i—t • * TH CN T-l .CO teo m CO • * o to to O lH 03 eo CO t - : •* m o • * t-l lH t t 03 o t 05 es ro ro ro • 00 01 s co CO CM JO CO m lH a •* co O 05 i-i o ' X! 00 .03 m Jun Julho <* t - '1-1 1-1 O CN lH o 0> V > fc . oo ro m IN . eo o o lH ro CM CN 1-1 i ro CM m A i-t •-) •*J H CN) CN i-l t CM ö lH rt. r-i .- - o c t - ... oo t- T-l 1-1 O CO ro lH i-i % oo m co T-l \> •MEM. JUNTA INVEST.'ULTRAM. •10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografie agricola de Massinga A agua do solo que pode ser utilizada pelas plantas num mês 2 igual a precipitagao desse mês (P) mais a reserva de agua utilizavel do mês anterior (Ad). Vejamos agora os casos que se podem dar ao estabelecermos o balango hidrico: 1) e'+100>P+Ad>e'— 2) 3) , P+Ad>e'+100 P+Ad<e' nao ha excesso nem deficiência de agua, mas se"P^>e' ha reposigao de agua no solo, se P<e' ha diminuigao das Ireservas de agua utilizavel. ?-• > — h a excesso de agua ho solo. — h a deficiência de agua no solo. Analisados os casos que se podem verificar ao estabelecermos o balango hidrico, vejamos como se preenche a tabela n.° 15. Inicia-se o preenchimento da referida tabela por um mês em que a precipitagao seja francamente superior a evapotranspiragao potencial, ou por um mês em que se dê o inverso, isto e, em que a precipitagao seja nitidamente inferior a evapotranspiragao potencial. Escolhido o mês, escrevé-se 100 mm ou 0 mm na reserva de agua utilizavel, conforme for o primeiro ou o segundo caso que se verifique. ! Para 0 preenchimento da parte restante do quadro podemos adoptar o seguinte critério: Se se verificar o caso 1), marca-se 0 mm para 0 excesso e deficiência de agua no solo; a evapotranspiragao real é igual a evapotranspiragao potencial e os valores da reserva de agua utilizavel sao iguais a diferenga entre a agua utilizavel pelas plantas e a evapotranspiragao potencial. / , Quando se verificar o caso 2), marca-se 0 mm para a deficiência de agua no solo; a evapotranspiragao real é,igual a;evapotranspiragao potencial; o valor da reserva de'agua x utilizavel é 100 mm e o valordo excesso de agua no solo é igual a P+Ad—(ef+ 100). Ao verificar-se o caso 3), marca-se 0 mm para o excésso de agua no solo, e, para a reserva de agua utilizavel, a evapotranspiragao real é- igual a agua utilizavel pelas plantas e o valor da deficiência de agua no solo-é igual a e'—(P+Ad). MEM. JUNTA'INVEST. ULTEAM. — 10 35 ALMEIDA, a < Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga r-l TH CD rH rH CO . in O 00 CO rH :zembr o CM to CM CO in CM rH rH ft | 1 in in in in + in o rH en o rH rH CM C- O o tCM CM o rH rH in CM co O O rH embr "o 1 > 1 fe o tub : 3 •* en t- rH rH 03 co t- o © co en rH 03 rH O I <V W in o rH O ;4 / CM CO ©< , o •* CM CO . rH CO C- CO 03 o co o 1 * o tOT t. e 1 3 t- o oo «D t- CM «2 CD t- o co 1 CD ' CO CO rH in -5D • to o rH O 1 m O ! ^ Jul j§ 3 CO CO CM m w rH CM w in tCO CM CM >-> W co •a st • CO en co C- tCO 1g bril H W •* co co rH CO rH O CD t- Ï co CO CO ttt- in in in rH t- 00 CD in <•* CO 1 in in + •* 00 1 CD rH in t- "tf < O) o rH O CM rH m tCD rH O W CM CM rH CD CO. 00 rH 03 -* o rH oo C3 O rH CD O is iro s u > o u at >-> 00 © in CO rH a> rH TT + in in + •8 0H CO CO o i CO CO t- . O o CM co rH ? o o o o 03 O O O rH 7-1 ? o 03 o 1 "co 36 CO CM • * CO rH O O) , a | '3 a o o ft -t-» o o rH H O CM rH in O CM CM rH oo in co CO rH •e 8 •* o. C•>!< C- o •«(< CM • * 03 ' CO O co CM in o _*— - * o O in, o' A c3 § S "3 'S n U v a gj g ra a> " Ëa c3 *3 <* K £ tos - 5J a) o 'S üi a r; 03 S 0) h w 8* o nl « .cd Tt O <a3 >-. £ S is is§ i0O l"fti S S 4 * 3 •c o) O* ^-^ 73 -^ 3 3 ^ Q> h fl o "° 2 71 1) « 1203 ft .2 > u Oj « Cl N ö H ö 0H> W H > 5? X •<ji o «3 > s •A^Ét i- M E M . J U N T A I N V E 8 T . ULTRAM. -10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agrtcola de Massinga Constatamos, pois, que nao ha excesso nem deficiência de agua no solo nos meses de Janeiro, Abril, Maio, Junho, Julho, Agosto e Dezembro, mas que se verifica reposigao de agua no solo nos meses de Janeiro, Junho e Dezembro, ao passo que nos restantes meses a reserva de agua utilizavel vai diminuindo, isto é, vai-se dando a descarga de agua no solo; nos meses de Fevereiro e Margo ha excesso, ao passo que em Setembro, Outubro e Novembro ha deficiência de agua no solo. No balango hidrico figura ainda a razao de humidade (r), que exprime a humidade ou a aridez relativa de dado mês e determina-se pela formula: . ' ( ' , ,- -, •, < ( . ' • , e ' ... f • i " • "". Quando r > 0 indica excesso de chuvas. . r<CKindica deficiência de chuvas.. O balango, hidrico,' para melhor interpretagao, esta registado graficamente' no grafico 'v. ' ' • - - . ' . . . I ' r 5. 4. 4. ClassificaQdo racional de : :• . ,... Thornthwaite. Para definirmos o tipo climatico da zona estudada falta-nos, ainda, determinar os indices de humidade {Ihu), de aridez (Ia) e hidrico (Ih). Para o calculo destas médias entramos em consideragao com os excessos e> deficiências de agua anuais, calculados no balango hidrico. Temos: '* MM=100 X excesso de agua la = 100 X deficiência de agua Ih =Ihu—0,6 la . Temos ainda a considerar a concentragao estival da eficiência térmica (C), que n o s é dada pela soma da evapotranspiragaö poténcial de tres meseö consecutivos do Verao, expressa em percentagem da evapotranspiragaö potencial anual.. f MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 37 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga De acordo com a teoria atras exposta, calculamos os seguintes nümeros: ' Ihu= 6,17 ; " •" la = 9,53 Ih = 0,47 - 5>' •••'.. C • =33,57 * . - . . , - • • . Reunindo, finalmente, todos os valores encontrados, consegue-se determinar o.tipo climatico do posto-sede de Massinga: Precipitator (mm) ;....' 1125,3 i Evapotranspiragao potencial (mm) ... 1164,1"' Evapotranspiragao real (mm) 1053,2 Deficit de agua (mm) 110,9 Excesso de agua (mm) 72,1 Indice de humidade (%') '..' 6,17 ' Indice de aridez (%) '. 9,53 , Indice hidrico (%) 0,47 , . ' Concentragao térmica estival (%) . . . . 33,57 . . • , \ 0<lhu< 20 e' >1140 0< la <16,7 2 5 < c < 48 C2 A' r o' Tipo climatico . . " • . . C2A.'ra' • O significado das letras que definem este tipo de clima é: C2 —Sub-hümido chuvoso. A' — Megatérmico. r — Nula ou pequena deficiência de agua. a' — Pequena variagao de temperatura ao longo do ano. BIBLIOGRAFIA (1) (2) (3) 38 ANÓNIMO: 1935-1954 — Boleiim mensal das observagöes meteorológicas. Servigo Meteorológico. Lourengo Marques. • / ANÖNIMO: 1954 — Anudrio de observagöes.. Servigos Meteorológicos de Mogambique, vol. XLV. Lourengo Marques. ''''.''".'. . AZEVEDO, A. L.: 1947 — O clima de Mogambique e a Agricultura. Junta' de Investigagöes Colonlais. Ministério das Colónias. Lisboa. • ' • * MEM. JUNTA INVEST, ULTRAM.—'10 GRAFICO V - crapótrainspïra^o 'ÏÊÊA potenc'&l deffc'ten ei a fecupera cao e*c*>s&o M -o-i—i — i—i i... i - i i i i ' < ' J P I» A M 3 y A 5 P M D T ' V' 3Lgu<a. rnoi>r/rz.a cfa ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia (4) (5) (6). (7) (8) (9) (10) (ID (12) (13) (14) (15) (16) agricola de Massinga AZEVEDO, A. L.: 1955 — «Estudo de alguns factores climaticos», cap. Hi do Esbogo de Reconhecimento Ecológico-Agricola de Mogambique. Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira. J. E. A. «Memórias e Trabalhos», n.° 23. Lourengo Marques. BOTELHO DA COSTA, J.: 1944 — Apontamentos de Agrologia. Lisboa. BOTELHO DA COSTA, J.: 1946—Ligöes yde Mesologia Colonial. Dactilografado. Lisboa. BOTELHO DA COSTA, J.: 1952 — A agua no solo. Livraria Sa da Costa. Lisboa. CABRAL, L. G.: 1954 — Estatistica, Métodos bdsicos aplicdveis a experimentagao agricola. Ciclqstilado. C. I. C. A. Lourengo Marques. CARVALHO, M.R.: 1946—A estatistica na experimentagao agricola. «A Terra e o Homem», n.° 8. Livraria Sé. da Costa. Lisboa. CARVALHO, M. R.: 1949 — Resultados da experimentagao algodoeira em Mogambique. Separata da «Agronomia Lusitana», vol. xi, t. iv. Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira. J. E. A. Lourengo Marques. ESPJRITO SANTO, T.: 1955 — Ensaio para o estudo do clima de Mogambique. Aplicagao da nova classificagao de Thornthwaite. Servigos Meteorológicos de Mogambique. Lourengo Marques. GOUVEIA, D. G.: 1956 — Reconhecimento da Baixa de Cassange (Angola). Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira. J. E. A. «Memórias e Trabalhos», n.° 24. Lisboa. MANNING, H. L.: 1956 — The statistical assessment of rainfall probability and its application in Uganda Agriculture. Empire Cotton Growing Corporation. «Research memoirs», n.° 23. London. PEDRO, E. C , e SOUSA, A. E.: 1950 — Resenha geogrdfica do Distrito da Beira. I—O clima de Manica e Sofala. 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O numero de perfis observado foi bastante menor do que o numero de covas, pois, ao passo que estas eram abertas logo que se notava uma variagao da natureza dos solos, aqueles só eram aber : tos quando queriamos caracterizar morf olögicamente um determinado tipo de solo ou esclarecer as indicagöes que nos eram dadas pela observagao das covas. Mais adiante descreveremos alguns desses perfis. _ „ . . . . • .. •• Julgamos ter coberto, com certo pormenor, toda a area estudada, pois as estradas e picadas cortam a circunscrigao em todos os sentidos. No entanto, zonas houve em que tivemos de realizar perT cursos a pé para verificarmos a continuidade e extensao de determinadas manchas de solos. • ' i ' • : . . • ' • 2. '• > REPRESENTAgAO CARTOGRAFICA. _ . - . . - - , J i ••''.'** 'Por, em algumas zonas, os solos, devido a topografia do terreno, constitüirem catenas e a natureza do nosso'trabalho nao permitir a delimitagao de cada uma daquelas manchas, fizemos a representaQao cartografica desses solos por complèxos catenarios; em . outras zonas, ja nos foi pqssivel delimitar as diversas manchas de solos, devido a sua extensao, tendo a sua cartografia sido feita separadamente. • - i ; Os complèxos sao representados na carta de solos por tragos obliquos de 'diferentes cores e numero, conforme a predominancia do tipo de solos, e osmachongos por tragos verticals (5). MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0 41 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monograjia 3. agricola de Massinga CLASSIFICAQAO DOS SOLOS. Os solos do posto-sede da circunscrigao de Massinga pertencem a categoria dos solos pedalféricos, isto é, aos solos das zonas em que a precipitagao é superior a evaporagao, dando origem a fenómenos de lavagem. Dentro dos solos pedalféricos, os solos do posto-sede de Massinga enquadram-se nos solos da faixa arenosa costeira e nos vermelhos dos Urrongas, da classificagao seguida por GODINHO GOUVEIA e ARIO DE AZEVEDO, no Esbogo do Reconhecimentq Ecológico-> -Agricola de Mogambique. I . • •• - \ . : . . . - ' , . . 3 . 1 . SoZos da faixa arenosa costeira e descrigaq dos seus,com-j •= '-plexos. ' " - .>' ,,;*. i'-", ,.. < •• " -':>;..-'.'. :?... Os solos desta zona derivam de gres ou, mais frequentemente, de mantos de areias,que cobnram,aqueles. Em regra, deve tratar-se de dunas antigas ja ha muito fixadas. Os tipos de solos que aparecem sao: cinzentos, amarelados, alaranjados, pardos, pardo-avermelhados,paranja e'vermelhos. : 'A sua' textura varia entre'o 1 arenoso e o argilo-arenoso. Éstès'dif erentes tipos de solos foram agrupados em complexos de natureza c'atënaria,' consequência da topdgrafia f do terrèno] que lhes permitè uïna" meihor öu pior drenagem interna,' dando origem, assim, a solos de coloragoes' diferentes. " ' •n"*"--"•"••' •'-* ' " • • - • • • , . - . . . ... ... Sao onze os cónipléxos 'cateharios, que passaremos a descreverr '•> ' r v .1 i —-Ë constituïdo por solos pardos, alaranjados e cinzentos, arenosos e franco-arenosos, abrangendo toda a zona litoral, sendo a sua largura maior a norte do que a sul. Os solos pardos encontram-se nas areas onde a drenagem se processa mais facilmente, e os cinzentos r nas baixas, onde a drenagem «é mais difïcil. Como exemplo de um solo cinzento deste complexo, descreve-se o seguinte perfil, aberto em terras do cabo Murri: COMPLEXO Camada Profundidade n • (m) I II III IV W .. 0,00 — 0,05 ' " 0,15 — 0,30 0,15 — 0,30 >0,30 -j n. , , Descricao • • '.., • Cinzento-escura, devido a preseriga de matéria orgahica, cóm'algumas raizes finas.' Camada de transigao parecida'com i. -"' Camada de transigao parecida'com'iv.'Cinzento-clara, arenosa, friavel:* Com peqüe^ nas manchas ferruginosas. '*> • -** <~ ;'•* L • MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. 10 ALMEIDA, A r m a n d o A n t u n e s de — Monografia agricola de Massinga COMPLEXO ii — E s t e complexo, além dos solos do complexo I, apresenta solos vermelhos ou cor de laranja, franco-arenosos e argilo-arenosos, e estabelece a transigao entre aqueles e os do interior, com maior potencial de fertilidade. Os solos vermelhos ou cor de laranja situam-se nas zonas de cota mais elevada, onde a drenagem se processa em melhores coni digoes. . „ , - • ' Damos, em seguida, a descrigao de alguns perfis dos solos caracteristicos deste complexo, abertos nos cabados Muvamba, Mucuacua e Guma, respectivamente: Solos alaranjddos Profundidade (m) Dèscrieao I 0,00-0,20 II III 0,20-0,60 >0,60 Pardo-acinzentado-escura, franca, f riavel a firme. Camada de transigao entre i e in. '"' « Alaranjada, franco-arenosa a franca. Firme. Camada Solos pardos Camada Profundidade (m) I II III IV 0,00-0,10 0,10-0,70 0,70-0,90 >0,90 Solos Descrigao Cinzenta, franco-arenosa,, friavel a firme. Camada de transigao parecida com I. Camada de transigao parecida com iv. Parda muito clara, arenosa. vermelhos • Camada I, •i II. 'Ill / Profundidade Descricao 0,00 — 0,20 Pardo-avermelhado-escura, franco-arenosa a franca. Friavel e rick em raizes finas. Camada de transigao. \''.' Vermelha, franco-arenosa. Firme, com algumas raizes finas. 0,20-0,60 >0,60 COMPLEXO in — É constituïdo por solos pardo-avermelhados, francos, pardos e cinzentos, arenosbs a franco-arenosos, franco-arenosos e -francos. MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM. — 10 43 ALMEIDA,'Armando A n t u n e s d e — Moriografia agricola de Massinga Este complexo situa-se na parte sul da circunscrigao, abrangendo parte das areas dos cabos Guizugo, Mahocha, Queme e Muchava. — Constituido por solos bastante pobres; cuja coloragao varia entre'o pardo-claro e o cinzento, e a textura entre o arenoso e o arenoso a franco-arenoso. Abrange uma zona de cotas baixas pertencentes aos cabados Queme, Cofe, Mudauca, Maguezane, Anhane, Mudussua, Malembane e Anguluve. COMPLEXO IV COMPLEXO V — Ë constituido por solos cor de laranja ou pardo-avermelhados, pardos e alaranjados, cuja textura varia entre o franco-arenoso e o argilo-arenoso. Localiza-se este complexo junto da estrada Massinga-Vilanculos e compreende parte das areas dos cabados Nhambuica, Mailene, Guebel, Uticela, Nhachengo e Mabial. Como exemplo de um solo laranja deste complexo, descreve-se o seguinte perfil, aberto era terras do cabo Nhambuica: Camada I II III IV Profundidade (m) Descricao 0,00 — 0,10 Pardo-avermelhada, franca. Friavel a firme. 0,10 — 0,20 Camada de transigao parecida com I. 0,20 — 0,45 Camada de transigao parecida com iv. >0,45 Laranja, franca a argilo-arenosa. Firme, com algumas raizes finas. COMPLEXO V I — É constituido por solos alaranjados e amarelados, franco-arenosos, e encontra-se ao longo da estrada Massinga-Vilanculos, em terras do cabo Nhaloio, numa pequena extensao. COMPLEXO VH — Constituido por solos vermelhos e cor de laranja, francos e argilo-arenosos, e solos cinzento-arenósos. Situa-se numa area de relevo relativamente acentuadp, abrangendo terras dos cabos Anguluve, Vinhane, Queme, Muchava, Chiunze, Muchache, Mudussua, Malembane, Chilubuane e Guma. COMPLEXO v n i — Compreende os solos vermelhos, argilo-arenosos, dos cabados Guizugo e Rovene, junto da estrada Morrumbene-Massinga. / U MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM. — 10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga Descrevemos a seguir urn perfil tipico destes solos e que foi aberto em terras do cabo Guizugo: Camada I II Ill Profundidade (m) Déscrisao 0,00 — 0,10 Pardo-avermelhado-escura, franca. 0,10 —0,25 Camada de transigao. >0,25 Vermelha, argilo-arenosa. ix — Constituïdo por solos parecidos com os do complexo anterior, mas bastante mais escuros. Este tipo de solos aparece nos cabos Licunha e Mahocha e sao, como os anteriores, argilo-arenosos, embora nos deem a sensagao de uma textura mais fina. Damos a seguir a descrigao do perfil destes solos: COMPLEXO Camada I II in Profundidade (m) Descricao 0,00 — 0,15 Pardo-avermelhado-escura, franca. 0,15 — 0,40 Camada de transigao. >P,40 Vermelha muito escura, argilo-arenosa. COMPLEXO x — Ë constituido por solos vermelhos, cor de laranja e pardo-avermelhados, franco-arenosos a francos e, por vezes, argilo-arenosos. Aparecem, nesta zona, varias manchas deste complexo. • • u COMPLEXO XI — Constituido por solos pardo-avermelhado-claros, arenosos a franco-arenosos, e é representado por uma estreita mancha encravada entre os complexos m, VIII e IX, abrangendo terras dos cabos Mahocha, Licunha, Malova, Guizugo e Queme. • 3.2. Solos dos Urrongas. •f i .<• •• \ / I s Os solos desta zona sao vermelhos, franco-arenosos a argilo-arenosos. Segundo GODINHO GOUVEIA e ARIO DE AZEVEDO (2), admite-se que derivem de calcarios compactos, que afloram de onde em onde na regiao. Além deste tipo de solos, aparecem, em' manchas circuns» critas, solos pardo-avermelhados, franco-arenosos a francos. MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 ^5 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga Damos em seguida a descrigao de um perfil dos solos vermelhos dos Urrongas: Camada I Pardo-avermelhado-escura, franca. Friavel, com muitas raizes finas. 0,05-0,50' Vermelha muito escura, franca. Firme, com algumas raizes finas. >0,50 Vermelha, franca. Firme, com algumas rai- Ill i.M f ' . Descrigao 0,00-0,05 II •I Profundidade , J .j 3. 3. ;, , . . , „ " • ; . , . I ; z e g fmag# • • ! Machongos. Os machongos sao solos hidromórficos, cinzentos muito escuros a negros, muito ricos em materia organica, estremecendo com o andar, de textura variando entre arenosa e argilosa, e com abundancia de agua que impede a rapida decomposigao da materia organica. RIPADO, em Os machongos das regwes de Inharrime e Inhamoane, diz: «Os machongos sao formados a custa da acumulagao progressiva dos restos de plantas que em virtude da acgao de varios factores sofrem uma decomposigao muito vagarosa. Tern, portanto, uma constituigao fundamentalmente organica». «O desenvolvimento dos machongos encontra-se depèndente do alto nivel do lengol freatico, originado pela baixa situagao dos locais, por estes serem areas de convergência das aguas de infiltragao das encostas que os limitam (as quais, sendo arenosas, facilitam em extremo o movimento descendente da agua da chuva) e pela existência próxima de agua estagnada' ou corrente. Um rio ou um pantano em situagao que origine a relativa estabilidade do lengol freatico acima da superf icie do solo pode, portanto, originar uma acumulagao de material organico sofrendo uma decomposigao muito lenta — um machongo, no conceito regional. A vegetagao dos machongos é constituida por juncos, fetos, tifas, ciperos, canigos e outras gramineas, etc., por vezes em competigao 'com algumas especies de porte arbustivo e até arbóreo». «Os machongos repousam directamente sobrë material arenoso, regra geral intensamente lavado, em virtude da permanente submer- ge MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga sao pelo lengol freatico. Contudo, certas areas de alguns assentam sobre formagöes argilosas acinzentadas ou pardo-esbranquigadas». Estes solos encontram-se na faixa arenosa costeira, nas planicies, onde se da a acumulagao da agua das chuvas, e ao longo dos rios, e seus afluentes, que existem em Massinga, e que sao: Murri, Massinga e rio das Pedras. Os machongos sao representados na carta por tragos azuis, verticals. BIBLIOGRAFIA (1) (2) (3) (4) (5) 1 (6) BOTELHO DA COSTA, J.: 1945 — Apontamentos de Agrologia. Lisboa. GOTJVEIA, D. H. G.: 1948 — Nota preliminar sobre alguns solos de Mogambique. Trabalhos do Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira, 1.° vol. Junta de Exportagao do Algodao. Lourengo Marques. GOUVEIA, D. H. G., e AZEVEDO, A. L.: 1949 — Estudo preliminar dos solos da Peninsula de Ferndo Veloso. Separata do «Boletim da Sociedade.de Estudos», n.° 6. Lourengo Marques. GOUVEIA, D. H. G.: 1951 — A preliminary soil map of Mogambique. Trabalhos do Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira, 2.° vol. Junta de Exportagao do Algodao. Lourengo Marques. GOUVEIA, D.H. G., e AZEVEDO, A. L.: 1955—«Os solos», cap. iv do Esbogo do Reconhecimento Ecológico-Agricola de Mogambique. Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira. J. E. A. «Memórias e Trabalhos», n.° 23. Lourengo Marques. RIPADO, M. B.: 1950 — Os machongos das regiöes de Inharrime e Inhambane, n.° 62. Lourengo Marques. V' MEM. JUNTA INVEST. ULTBAM. — 10 •*7 V. 1. VEGETAgAO iNTRODUgAO. Nao pretendemos mencionar todas as espécies vegetais que ocorrem na zona estudada, pois os trabalhos de campo efectuados nao tinham essa finalidade; tomamos, apenas, nota das espécies existentes que nos poderiam fornecer algumas indicagöes das suas relagöes com os solos. Em algumas zonas da faixa arenosa costeira é dificil definirmos o tipo de vegetagao que aï se encontra, pbis a acgao do Homem é tao marcada, por meio das derrubas que tem sido obrigado a f azer para poder agricultar a terra a custa da qual tem de viver, que só restam as espécies com algum interesse para o indigena. 2. DESCRIQAO DOS COMPLEXOS. As formagöes vegetais que nos interessa focar neste nosso estudo da vegetagao de Massinga podem ser agrupadas em dois complexos: — Abrangendo a zona litoral de Massinga, isto é, a faixa arenosa costeira, onde a queda pluviométrica anual varia entre 1.000 e 1.200 mm. COMPLEXOS a) Mata aberta de Brachystegia sp. com Sclerocarya caffra, ' Trichilia roka, Albizzia versicolor, Albiszia adianthifolia, Garcinia ïivingstonei, Strychnos innocua, Strychnos spinosa, Combretum gueinzii, Conopharyngia élegans; Chirrole (s) eltite(s). '''" V • :' • Este tipo de vegetagao aparece nos solos pardos, cinzentos e alaranjados. b) • Termindlia sericea, Combretum Phoenix reclinata e Helichrysum gueinzii, sp. Hyphaene sp., Estas espécies aparecem hos solos cinzentos-que marginam as baixas alagadigas. MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 4 hQ ALMEIDA, c) Armando Antunes de — Monografia agrlcola de Massinga Cordyla africana, Ficus spp., Clorophora excelsa, Sclerocarya caffra, Rombenhone (b) e, por vezes, mata de Brachystegia sp. Esta formagao aparece nos solos vermelhos e laranja das zonas onde a humidade do solo é maior. . d) Ficus sp., Garcinia livingstonei, Albizzia versicolor, AïSizzia adianthifolia, Combretum sp., Strychnos spp., Conopharyn"gia elegans, Phoenix reclinata e Hyphaene sp. ' •• Estas especies encontram-se nas planicies, em depressao, junto de Rio das Pedras. • II —T Abrangendo o interior de Massinga, isto é, parte da zona dos Urrongas onde a queda pluviométrica anual varia.entre 700 e. 1.000 mm. . - . . , ' . COMPLEXO • • a) , . ' . . . . . '. ' . . Florestas subdeciduas de Adansonia digitata, Afzelia quanzensis, Cordyla africana, Kigelia pinnata, Ficus sp., Tamarindus indica, Balanites maugJiamii, Albizzia versicolor, Albizzia adianthifolia, Combretum sp., Strychnos spp., Chazua (s) e Noeve (s), com sub-bosque denso de arbustos e trepadeiras. '' '".„' Esta formagaq aparece nos solos vermelhos dos Urrongas. b) Matas savanóides de Piliostigma ihonihgi, Annona cryso..'•." ' phila; Vitexldoniana; Sclerocarya caffra, Albizzia ver' k sicolor, Acacia•.spp., Terminalia sericea, com extracto gra'i minoso de Hyparrhenia sp. ) > . V ; ''. •> '.-•• '.o- . '•' . -a ' • '> • ' ' Este tipo de vegetagao também é caracteristicp dos solos vermelhos dos Urrongas. , c) Mata aberta de Brachystegia sp., Pterocarpus angolensis, Isoberlinia sp., Garcinia livingstonei, Strychnos spp., Conopharyngia elegans, etc. T , " . • „ • Esta formagao aparece nas. manchas de solos pardo-avermelhados da regiao dos Urrongas. 50 MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 sis- ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia 3. agricola de Massinga ALGUMAS ESPÉCIES VEGETAIS. 3.1. , s Nomes cientificos de algumas espécies vegetais e setcs correspondentes em.skitsua. Acacia sp Addnsonia digitata ......... Afzelia quanzensis .. Albizzia adianthifolia ...... Albizzia versicolor Annona crysophila Balanites maughamAi Brachystegia sp Cassia petersiana Glorophora excelsa Cocos nucifera Combretum spp Conopharyngia elegans .... Cordyla africana Dialium schlechteri Dodonaea viscosa Euphorbia sp Ficus sp Ficus sycomorus Garcinia livingstond Helichrysum sp. Hyparrhenia sp Hyphaene crinita Isoberlinia sp Kigelia pinnata Momordica balsamina Phoenix reclinata Piliostigma thonningii Pterocarpus angolensis .... Rhynchelythrum spp Sclerocarya caffra Strychnos innocua Strychnos spinosa Tamarindus indica Telefaira pedata MEM. JUNTA INVEST, ULTEAM. —10 Nzengue. Muwo. > .. Chene. . Chiesuane. Tingarre.. Nzova. Nulo. Tsonzo. • Nembenemba. Tule. Mikhokho. Chicucutza. . ., . Cachuane. . . ._, Bonjua ou m'bondjo. Nziba. . Ï* Mungai ' Hlohlo. Kwo. Kwo. Bimbe. Marimbyate. Tsorigwa. ' — Tzonzo. Vungurre./' M'kaka. / >, —r X/ Kea. Gula. Nyamulube. Canho. Mucuacua. Mahlala. Quatzo. / Cungo. 51 ALMEIDA, Armando Antünes de — Monografia Terminalia sericea Trema guineensis Trichilia roka Vitex doniana agricola de Massing a Konole. Feleti. Kuhlo. Vurucua; 3. 2. Nomes indigenas de outras espécies vegetats de que nao nos foi possivel obter o nome cientifico C1). Baraura (s). Cangala ( s ) A Capim rete. ' ' Chauza (s). Chicanhacanhane (s). Chidocomelana (s). Chileda(b). Chilongolobua (b). Chirrole (b); Curre (s). Ecucho (s). Fumutzu (s): Itite(s). Linhame (s). M'Bowa (s): Mubaba (s). : Muhede (s). Mungulo (s). Noeve (s). Rombenhone (b). Tchirri (s): Toma (s). Tsanhe (s). Vilimate (s). BIBLIOGRAFIA (1) GOMES PEDRO, J., e GRANDVAUX BARBOSA, L . A . : 1955 — «A vegetagao», cap. v do Esbogo do Reconhecimento Ecológico-Agricoïa de Mozambique. Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira. J. E. A. «Memórias e Trabalhos», n.° 23. Lourengo Marques. (2) GOMES E SOUSA, A. F . : 1949 — Dendrologia de Mogambique. Essencias do Extremo Sul, vols. I e II. Junta de Exportagao de Mogambique. Lourengo Marques. • • ; .-, , 1 (') 52 . '. , • T .. • • \ * > : ' . ' »i> .- v • • • i \ >••. s — shitsua. b — bitonga. MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. ^ 10 NOTA Pela carta in, na qual figura a divisao do posto-sede de Massinga em regedorias, verificamos que a regedoria Zunguza é composta de duas partes absolutamente distintas e a regedoria Mapera por tres fracgöes também distintas, embora duas delas sejam bastante pequenas. As razöes de ser destes factos sao: Quanto a regedoria Zunguza, o facto deve-se a que, na altura da ocupagao, este régulo, a certa altura, resolveu parar para dar descanso aos seus guerreiros, tendo nessa altura sido ultrapassado, na marcha de ocupagao, pelo régulo Massinga. Quando se resolveu a continuar o seu avango, teve de te^r em considerag&o as terras ocupadas pelo Massinga, e só depois de o ter ultrapassado é que comegou, novamente, a ocupar terras que passaram a ficar sob o seu dominio. Em 1937, o cabado Mapera passou a regedoria, e foram convidados, pela autoridade administrativa, todos os cabados a sua volta a aderirem a nova regedoria. Os cabados Morrungulo, Fagene e Nhabacal, embora ficassem èncravados na regedoria de Massinga, resólveram aceitar o convite, e dai o facto de aparecerem estes enclaves desgarrados da parte principal. MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 53 Foto I — Nos s<ilus ligeiros •< vegetacflo que predomina é •• da mata aberta de Bruchyslegia sptclformls. Depois de atj de cultura nparece o Rynchelylhrum sp., indice de esgotamenlo da [ertilldade A><< solos (l.« plaoo) Foto 2—VegeU caracteristica 'U- algumas zo:us do* L'rrongas (Mabadine). as segulntes rma thonningti, Termtnalia sericea, Hyphaene crinita e Hyparrhenia sp. Distlnguem-se rSöfc Foto 3 Outro aspecto da vegeta^flo dos L'rrongas (Mabadine), idênfico ao anterio Foto 4— Tip 3 de vej caracteristico dos L'rrongas, Notem-se i de Adan» posto-sede da circunscriqao de Massinga jfor, de ocordc e / /Pounde t T/on 4 / Est: 1/250.000 *Bufane / •I / ybpeze 'Chipurnjïo / V • Uiane Uf/ce/a \ • Machique/ane '\ • Mucupe ii > '«.Bobione '. "\Vumelela / \\ x I• .. . \ .j Nave/a ^••—•N \ . \ \ 1 \ Legenda Q • • Sede do Circunscricao Povoacao comercial Pegedonas e cabados Esfradas Picadas r-v. R/os V K J CJiifuane • • f / /' ' Ai. '..-<+• ' *-" ,•-, , Zilo A», ï ~~~* \ ""--.• Bambucochecub >Bambafeld"""---^ f 1 \ 'Jiane : •_—» \ ,' ,Mupon|0 __- „ \ - - ~,'- N \ J «Marru/e v^.'v, W w Cufecua * .0 Muchache '•• %A Esc ifiüiunm éButane M:hpeze 'ChipurnjSo \ V Legenda y i x - ' ^ _ uiane \ X I j, «. / jftluVon/o ufon/o < ' \! \i .. J?Wdugó"; \ f. • Mabicane -J \ _ " | • .--'' "öora ••-.Marrucua «Mar rule 0 • • Sede da Circunscncao Povoacao comercial Regedorias e cabados • Estradas Picadas —«-~^ R/os 1 de •"•*w\ Muchache AnöüTuve '.'• \ S \ V, Madibifane "Chtbanhane v• Massmga %> Mapera N (/ Regedoria F' "Anhone / - v ( \ / ' ' » / _,* ,-* Maguezanej/' Nhóbaco/ 8asso Regedoria ¥.•- \,f ü *n o Limife de Regedoria Regedoria Fagene Zunguza lonzuane iRu/ane /\ 11 Limifes enconfrados pelo autor, de a c o r d o com i n d i c a c ö e s dadas pelos ind/'genas. Muhaqui VI. DEMOGRAFIA \ • 1. INTRODUgAO. A populagao civilizada de Massinga é constituïda por europeus — funcionarios, agficultores e comerciantés —, por mistos e por indianos. -.••*., l A populagao indigéna tem a'sua brigem na tribo TONGA, que répresenta o primeirb éxtracto da populagao banta ou pré-banta. Seguindo a classificagaó de Caetano Montez (2), podemos situar, dentro da tribo TONGA, os indigerias de Massinga nos grupos TONGA-CHOPE e GHÊNGUA-TSUA, predominando no entanto os indigenas do segundo grupo. As populagöes nativas têm comè autoridades gentilicas o regedor e o cabo, sendo por seu intermédio que a autoridade administrativa, normalmente, faz chegar as ordens a todos os nativos da sua area administrativa. . Sao tres as regedorias de Massinga: MAPERA, ZUNGUZA e MASSINGA. Cada uma ,delas esta dividida em cabados, em maior ou menor numero, conforme as necessidades. Existe ainda o inganacana, ex-induna (polïcia) do régulo ou do cabo, e que superintende numa determinada area, onde aquelas autoridades gentilicas nao podem prestar a assistência assïdua que seria para desejar. Os inganacanas saó homens da cónfianca do régulo ou do cabo, muitas vezes seus familiares, e que os distingue desta maneira.i r ': • • . • Junto dos régulos existe uma espécie de assembleia consultiva, constituïda pelos velhos (madota), que sao os conselheiros do régulo quando este^é chamado a resolver «milando» de responsabilidadè. pispöem, ainda, os régulos de urn secretario, que os substitui quando necessario'e que se segue imediatamente ao régulo na escala hierarquica. * A sucessao destas autoridades é feita em regime de patriarcadó. MEM. JUNTA INVEST. ULTKAM. — 10 55 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monograf ia agricola de Massinga 2. CENSO DA POPULAgAO. O censo da populagao civilizada de Massinga, realizado em 1955, diz-nos que ela é composta por 500 individuos, residindo 179 na povoagao e 321 no meio rural. O censo da populagao indigena, feito em 1955, figura no qua-1 dro i. 3. POPULA5AO INDIGENA. / • i O indigena desta area é por natureza pacifico, dedicando-se, na sua grande maioria, a agricultura. No entanto, é a mulher indigena quern executa quase todos ps trabalhos inerentes as suas «maehambas» das culturas alimentares e de rendimento, pois, normalmente, o homem eneontra-se no contrato ou-nas minas do Rand. Quando o homem se encontra junto da familia ajuda-a em todos os trabalhos agricolas. . . . . . .... As mulheres indigenas, mais as do literal que 'as do interior, sao, em grande percentagem, infiéis aos maridos, niuito principalmente quando estes emigram. O mau comportamento das mulheres nao é encarado como entre nós. O seu conceito'de honra é bastante diferente, pois este ultraje é resgatado com 2 ou 3 libras, indemnizagao que denominam «gode», que sao pagas ao marido ultrajado pelo ultrajante. ' Para os indigenas a infidelidade das mulheres nada significa, estimulando-a muitas vezes, pois é uma maneira de ganharem umas libras... 3.1. A povoagao do indigena. ' ' No caso de o nativo praticar a poligamia, a sua povoagao possui tantas palhotas quantas as mulheres que tiver, sendo a palhota principal habitada pela «mulher grande», isto él a primeira esposa. Além destas palhotas, uma povoagao indigena é cönstituida pela cozinha, que, em muitos casos, tern um celeiro pdr cima — se o ano tiver sido farto existe mais do que um celeiro, variando entao, periödicamente, o local da cozinha, para que todos os celeiros recebam a acgao benéfica do fumo. Nóutros casos, o celeirö é mais pequeno e construido 56 MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0 QUADRO I POPULACAO Regredores Cabos Valida Varóes Massinga Guma Anhane Bambucochecua Chifuio Chinzavane Chipongo Gongane Jange Lino Mabumbuza Macarringa Malamba Malembane Mapanguela ...... Matingane Mavume Muchungo Mucuacua Mudussua Murrenze Murri Muvamba Nhaloio Selenga Simbe Sinela Tevele Unguana Zilo Soma 807 447 170 117 .187 247 414 265 775 145 253 324 349 262 444 247 265 301 357 171 192 222 199 372 145 273 330 190 275 Menor Fémeas 508 393 154 88 139 244 349 214 621 108 179 231 239 267 480 176 213 180 259 130 156, 158 v 130 251 115 197 254 134 201 Varóes 537 338 165 106 146 278 164 235 496 129 274 261 141 251 180 229 269 230 236 172 145 195 192 308 154 213 178 182 275 Isenta Fêmeas 412 233 147 105 107 215 162 135 427 93 208 186 163 193 141 138 243 139 184 123 145 158 133 224 89 158 169 110 197 Total Varóes 18 5 2 1 7 3 7 7 34 2 3 3 6 13 10 2 7 5 5 4 2 2 2 2 1 8 8 3 2 2.282 1.416 638 417 586 987 1.096 856 2.353 477 917 1.005 898 986 1.255 792 997 855 1.041 600 640 735 656 1.157 504 849 939 619 950 8.745 6.768 6.679 5.137 122 114 42 82 51 82 106 97 134 88 57 105 157 97 85 83 32 70 127 104 160 96 178 102 94 90 112 264 95 712 117 73 82 260 56 76 139 100 41 59 39 57 92 55 105 66 45 82 119 65 67 70 27 45 100 84 117 97 162 77 63 83 100 203 60 671 76 46 52 173 44 49 73 76 50 89 42 72 101 63 81 86 48 99 130 92 79 78 34 83 75 91 136 97 145 75 82 47 101 234 68 487 97 55 64 207 26 45 74 92 47 68 26 71 76 31 78 65 47 70 127 59 71 69 25 48 42 69 120 61 120 74 44 46 87 186 48 395 72 57 49 146 26 43 6 *1 5 5 2 4.402 3.530 3.508 2.829 79 14.348 241 141 105 124 113 68 81 128 38 371 181 90 109 65 120 72 139 186 135 131 71 85 61 48 74 70 15 209 196 61 67 49 99 57 140 108 120 62 50 69 59 49 53 71 26 7 7 8 3 6 3 6 15 Nhabacal .... Rovene 230 137 129 145 125 73 100 147 58 368 210 91 134 86 137 84 162 179 113 733 478 363 426 364 241 314 431 141 1.124 768 279 383 231 440 263 529 599 Soma 2.595 2.372 1.676 1.341 123 8.107 Total 15.742 12.670 11.863 9.307 376 49.958 Cofe Anguluve Barrila Bobiane Butane Chicopa Chilemane Chipumbo Chiunze Cutecua ........ Dora Guebel Lionzuane Lipeze Mabadine Mabicane Machecane .... Machiquetane Mailene Marrucua Marrule Muchache Muchava Muconjo Mucupe Mudauca Navela Nhachengo .... Paunde Queme Rulane Tiane Uiane Uticela Vinhane Vumelela Soma Licunha Aqui Basso Chilacua Chissidane ... Chondilo Fagene Gadi Guiduca Guizugo Mahocha Malova Mangonha ... Massambi ... Morrungulo Muagui 164 174 35 64 29 77 44 82 174 1 2 2 4 2 1 1 2 16 4\ 12 7 2 9 2 7 6 6 13 27.503 417 385 180 298 158 285 377 246 399 306 197 356 538 314 302 304 118 246 344 349 535 353 609 330 283 267 401 889 271 2.281 362 237 248 791 157 215 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga sobre um estrado que se encontra a 50-60 cm do solo, sendo os produtos metidos e tirados por cima, exigindo, por isso, uma cobertura que possa ser removida facilmente. Nalgumas povoagoes indigenas ja se notam recintos cercados e que se destinam a latrinas rusticas e casas de banho. As palhotas dos indigenas normalmente sao de secgao circular e, só raramente, de secgao rectangular. Sao maticadas, algumas caiadas e com desenhos pintados, representando animais, nas paredes exteriores. As portas de madeira, mais ou menos embelezadas, com boas fechaduras, sao o seu maior luxo. 3.2. A alimentagao. A alimentagao do indigena de Massinga, como a de todo o indigena, é uma alimentagao monótona, pela pouca diversidade dos seus alimentos, a base de produtos vegetais ricos em hidratos de carbono, que pode satisfazer sob o ponto de vista quantitative, mas nunca no aspecto qualitativo. Tem o estudo da alimentagao do nativo uma importancia bastante grande como ponto de partida de qualquer trabalho que se queira fazer sobre as populagöes indigenas, e deve ser o primeiro problema a tentar-se resolver para a elevagao do indigena na escala social. No contacto que tivemos com o indigena de Massinga, aquando dos trabalhos de campo ali realizados para o reajustamento algodoeiro, colhemos alguns elementos sobre este 'assunto. Sao esses elementos que passamos a expor. , ' ' 3. 2 . 1 . Cereals. NomeS cientlficos - Pennisetum typhoideum Sorghum vulgare Zea mays s Nomes em shitsua Mahuba Manila Zipfaki Nomes vulgares Mexoeira. Mapira. Milho. O milho é si base da alimentagao do indigena da regiao, é a sua cultura principal. A mapira e a mexoeira sao culturas secundarias, MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 57 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monograf ia agricola de Massinga cultivadas nas regióes do interior menos evoluidas ou onde as chuvas sao mais escassas. Todos estes cereais sao farinados nos pilöes ou em moinhos, obtendo-se assim uma farinha branca e fina a qual retiram todo o farelo, que normalmente nao é utilizado na alimentagao. Com esta farinha confeccionam uma papa para acompanhar a matapa e a que mais adiante nos referiremos. Nas zonas onde se dispöe de amendoim para a confecgao' da matapa, nao se utiliza o farelo da farinha de milho, rico em vitamina B 1( mas, quando a falta do amendoim se faz sehtir, os indigenas aproveitam-no, juntando-o a matapa de folhas para Ihe dar um melhor aspecto. Isto acontece principalmente no interior dos Urrongas. 3.2.2., Legumes. Nomes cientificos: Nomes em shitsua Tichumba Nhembas Ticochane Nomes vulgares Feijao mungo. Feijao cafreal. \ Os feijoes sao utilizados em verde ou depois de secos. Destes, é a nhemba o que tem uma maior area de cultura. As leguminosas pqssuem.elevado teor de principios nutritivos, sao ricas em proteïnas, vitamina B, e contêm grande percentagem de sais minerals. Segundo Balland ( 1 ), «um quilo de sementes de Voandzeia subterranea contém tudo quanto constitui um alimento completo, que satisfaria a todas as necessidades de alimentagao diaria». 3. 2. 3. Frutos oleaginosos. Nomes cientificos Nomes em shitsua Arachis hypogaea Telefaira pedata Trichilia roka (') 58 _ ; Timanga Mikhokho ..." Cungo Kuhlo ........?:. .: Nomes vulgares Amendoim. Coqueiro. Castanha-de-Inhambane. Mafurra. Cit. por VAN MUELLER (7). MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga Sao estas as plantas que fornecem as gorduras vegetais que entram na confecgao dos alimentos do indigena desta regiao. O amendoim, depois de pilado, entra na composigao da maioria das comidas indigenas. A' castanha-de-Inhambane e o coco substituem o amendoim em certas épocas do ano, ou na sua falta. O indigena faz o aproveitamento da amêndoa das sementes da Telefaira pedata (Cungo) pilando-a, e juntando a massa obtida a comida para seu condimento. Para a obtengao do óleo de mafurra os indigenas procedem da seguinte maneira: 1. 2. Pöem as sementes em agua durante dois dias e em seguida aproveitam o arilo e deitam o restante fora. A agua onde estiveram as sementes, juntamente com os arilos, vai a ferver até a obtengao do azeite, que é em seguida removido para pequenos recipientes, onde é guardado. 3. 2. 4. Raizes tuberosas. Nomes em shitsua Nomes cientlficos Nomes vulgares Batata doce. Mandioca. Minhambo Mifirinya Tarito uma como outra, mas principalmente a mandioca, sao o recurso de que os indigenas langam mao quando as outras-culturas se perdem devido a condigöes climaticas adversas. Sao substancias ricas em hidratos de carbono, mas pobres em proteïnas, possuindo a batata doce duas espécies de vitaminas: Bi com 80 % e B 2 com 60%. ... . . . / 3.2.5. Diversos. - Nomes latinos Nomes em shitsua • t / Nomes vulgares Castanha-de-caju. Mariwa Matumato Cana-de-agücar. Tomate cafreal. Estes produtos completam o regime dietético dos nativos de Massinga. MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0 59 ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia 3. 2. 6. agricola de Massinga Frutos. Nomes latinos das espécies principals produtoras de frutos aproveitados pelos indigenas . Nomes em shitsua Imbondeiro ('). Muwo Chilenge Nzova Papakaia Citrus nobilis Din'wa Nziba Bimbe Nomes . vulgares j Ateira brava. Papaia. Tangerineira. .*... Laranjeira. Bananeiras. Canho. Musa paradisiaca Sclerocarya caffra '. Magala. ' Tamarindeiro. MaQaniqueira. v A maior parte destes frutos sao oferecidos pela natureza ao indigena, mas outros, como as laranjas, tangerinas, papaias, ananases e bananas, sao o produto de pomares ja estabelecidos pelo indigena, ou pelos seus ascendentes, em terrenos considerados seus, constituindo-se assim autenticas propriedades, tendo o nativo ja a nogao do valor da terra. Todos estes frutos sao aproveitados para comer, quando maduros, para fazerem os seus doces, ou para, da maior parte deles, fazerem as suas bebidas. 3. 2. 7. Capitis. Os indigenas aproveitam alguns capins para a sua alimentagao, cozendo-os com amendoim pilado, sal e piripiri. Apenas conhecemos estes capins pelos seus nomes em shitsua', que sao: Chidocomelana. Mubabe. M'bowa. Muhede. (') A polpa do fruto desta espécie contém quantidade elevada de vitamina C, em estado livre, que pode variar entre 175 e 445 mg por 100 g (3). 60 MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 ~ ALMEIDA, Armando Antünes de —• Monografia 3. 2. 8. AHmentos 3. 2. 8. 1. agrlcola de Massinga animais. Caca. Como ja atras dissemos, a alimentagao do indigena de Massinga consiste quase exclusivamente em produtos vegetais, só comendo carne quando os cagadores,; com os seus arcos, conseguem abater algum exemplar, ou. quando as suas armadilhas apanham alguma pega. Na zona litoral e sublitoral a caga ja vai rareando. As armadilhas utilizadas sao de dois tipos: um para perdizes e galinhas-do-mato, e outro para coelhos e gazelas, principalmente. Nos Ürrongas é mais facil encontrar-se caga, e por isso os habitantes desta regiao comem mais vezes carne do que os do litoral. As espécies que aparecem em Massinga sao: gazelas, coelhos, perdizes, galinhas-do-mato, um ou outro büfalo, de passagem, e pouco mais. • . • . 3. 2. 8. 2. Pesca. Os nativos que tern as suas povoagöes junto do mar ou das lagoas dedicam-se a pesca, o que lhes da a possibilidade de variarem 0 seu regime alimentar. Os cabados com maior numero de Pescadores sao os de Muchungo e de Chibanhane, embora indigenas- de outros cabados do litoral se dediquem a pesca, como: Tevele; Lino, Morruhgulo, Fagene, Madibitane e Chondilo. ...... f " -• J . " ,, " ,. | , , ï • ' • ' 3. 2. 8. 3. Outros espécies animals. ' -' . . • / \ • - •'' ' • • Todos os indigenas de Massinga comem ratos (bonjane, em shitsua), pequenos é grandes, que sao assados com sal e piripiri, depois de lhes tirarem as tripas. Dos répteis/só' aproveitam a jiboia (charfo, em shitsua). Depois de morta e'da p'ele tirada, cortam-na aos bocados e cozem-na com sal e piripiri. Também utilizam para a sua alimentagao o kwahle • (lagarto grande), que assam com sal e piripiri. • . Segundo informagöes dos indigenas, tanto o charro como o kwahle so podem ser cozmhados pelbs' homens e os ossos deste ultimo nao podem ser comidos, pois quem tal fizer'fica com tremores , \ MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. —: 1 0 61 ALMEIDA, Armando Antunes Ae. — Monograf ia agrlcola de Massinga por todo o corpo, e, por isso, os indigenas enterram os ossos do kwahle. \ 3. 2. ,9. Bebidas alcoólicas. r ; Além do vinho e da aguardente que podem ser adquiridos nas cantinas, os indigenas possuem ainda as suas bebidas cafreais, bebidas estas que estao presentes em todos os actos da vida do indigena. As bebidas cafreais dos nativos podem ser fermentadas ou destiladas. Das bebidas fermentadas é a mais importante a cerveja (putzo, em shitsua), que pode ser de milho, mapira, mexoeira ou mandioca, utilizando como fermento, em todas elas, a mapira germinada, visto ser a que germina mais facilmente.- 'A cerveja de milho é a mais vulgar por ser a de meihor paladar e por nao provocar dores de cabega, quando bebida em excesso, como acontece com a de mexoeira; por isso, é o seu fabrico que passamos a descrever: , a) b) c) d) em primeiro lugar, pila-se o milho ao mesmo tempo que se ferve agua. Quando esta se encontra em ebuligao junta-se a farinha e mexe-se a mistura, deixando-se em seguida ficar em repouso até ao dia seguinte; mergulha-se a mapira na agua durante algum tempo e seguidamente coloca-se num tabuleiro para germinar; germinada a mapira, deixa-se secar e pila-se; depois de pilada, a mapira germinada junta-se a mistura de farinha de milho e agua que se encontra em repouso e deixa-se fermentar. Esta - preparada a cerveja e pronta a ser bebida. Os indigenas aproveitam também a seiva das palmeiras, que, fermentada, da a sura. Sao elas: a:Hyphaene'crinita e a Phoenix reclinata. .<'.''• , I -,<••. , •. > A sura é muito rica em vitamina B. 'Segundo NICHOLLS, duas colheres de cha de sura, por dia, sao o suficiente para evitar o beribéri nas criangas. , " Ha ainda uma outra bebida fermentada, o chiuaioaio, prove-, niente do esmagamento'da cana-de-agucar.62 MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. - ^ 10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga Para a obtengao das bebidas destiladas , (aguardentes). sao aproveitados grande parte dos frutos das espécies ja atras apontadas, como sejam: Anacardium occidentale Ananas comosus ^ Citrus nobilis Citrus sinensis Garcinia livingstonei Sclerocarya caffra 3.2. io. — . ..' Caju 0 ) . Chilenge. . Din'wa. Din'wa. Bimbe. Canho. Sal. Na grande maioria, os indigenas adquirem o sal de que necessitam no comércio; no entanto, ainda ha alguns que o obtêm da seguinte maneira: Escolhem uma época em que se nao prevejam chuvas e vao até a beira-mar, onde permanecem até obterem a quantidade de sal que julgam suficiente para uma larga temporada. Para isso, arranjam um recipiente, em lata, de dimensöes razoaveis, que enchem com agua do mar e pöem-no ao lume para que a evaporaigao seja mais rapida. Eyaporada a agua, procede-se a esta operagao mais tres vezes. Em seguida, raspam o sal que fica -no fundo do recipiente. Esta operagao é repetida tantas vezes quantas as necessarias para a obtengao da quantidade de sal julgada conveniente. 3. 2.11. Confecgdo dos alimentos. / Geralmente, a mulher indigena apenas cozinha uma vez por dia, a tarde. A refeigao, assim preparada; é c'omida ja de noite e o que resta é guardado para o dia seguinte, sendo cömido por volta das 10 horas, quando os indigenas voltam da «machamba».' Durante o resto do dia vao comendo mandioca, batata doce, frutas, etc. Nas povoagoes dos indigenas com maiores possibilidades económicas, cozinha-se duas vezes por dia — almogo e jantar — e toma-se (') A parte aproveitada para a obtengao da aguardente nao é o fruto do cajueiro (castanha-de-caju), mas o pedünculo intumescido (pêra-de-caju). MEM. JUNTA INVEST. ULTBAM. — 10 63 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agrlcola de Massinga cha de manha. cedo, mas as refeigoes sao constituidas pelos mesmos pratos. • •• • ' A principal ref eigao do indigena é normalmente constituïda por uma massa preparada com farinha cozida em agua, que pode ser considerada o seu pao e que acompanha quase todos os'seus alimentos, e pela matapa, que é feita de folhas de mandioca (Manihot utilissima), de m'kaka (Momordica balsamina), de batata doce (Ipomaea batatas), de abóboras e de hortaligas. Estas folhas nunca sao misturadas, utilizando-se uma ou outra espécie, conforme o gosto de cada um ou a altura do ano. As folhas sao cortadas e cozidas com amendoim, piripiri, sal e tomates, se os ha, numa pariela. Depois de cozida a massa e a matapa, estas sao misturadas numa' espécie de alguidar, prato comum a todos os comparticipantes da refeigao. ' • A farinha utilizada para cozinhar a massa ou pao é de milho, principalmente, de mapira, de mexoeira e também de mandioca. Além deste prato, que é o principal da alimentagao do indigena, vamos meneionar alguns outros alimentos que constituent as refeigoes dos nativos: : 1: Feijao cafreal (nhembas) descascado e cozido em agua. Após a sua cozedura junta-se-lhe mandioca verde, descascada e cortada aos bocados, amendoim pilado, sal e piripiri. 2. Batata doce, lavada e cortada aos bocados, cozida com 'i amendoim pilado, sal e piripiri. 3. Batata doce assada ou cozida. 4. As vagens do ticochane, quando ainda estao verdes, sao cozidas e depois apenas se comem as sementes. Estas, quando secas, sao cozidas com sal e piripiri. 5. . Tanto o peixe como a carne, frescos ou secos, sao cozidos com amendoim pilado, sal e piripiri. 6. As sementes do Phaseolus mungo sao cozidas com sal e piripiri. . , Todos estes pratos sao acompanhados com massa ou pao, feito de farinha de milhó, mapira ou mexoeira, como ja atras referimos. Os locais onde os indigenas comem as suas refeigöes sao varios: na palhota principal, quando esta tem duas divisöes (uma para comer e outra para dormir), debaixo de um alpendre ou junto da cozinha. u MEM. JUNTA INVEST. TJLTRAM. — 1 0 ALMEIDA, Armando Antunes 'de — Mono grafia agricola de Massinga 3. 3. Recrutamentó indigena. Em Massinga sao recrutados indigenas para as minas do Rand, caminhos de ferro, Sociedade Agricola do Incomati e outros servigos, mas ja em menor numero. A emigragao para as minas do Rand esta dentro dos habitos indigenas, pois desde tempos recuados que só é considerado gente aqueles que tiverem trabalhado nas minas, sendo este facto uma das condigöes de preferência para o casamento. .. . , Além disso, todo o indigena novo que nao tenha ido ao «John» — designagao dada as minas — é conhecidó por «manparra», termo depreciativo; e aos que regressam chamam-lhes «magaigas», palavra que significa ter voltado das minas, o que os honra. Claro que este facto nao acontece só entre os indigenas, pois no meio rural dos paises civilizados a aspiragao maxima de todo o jovem é sair da sua aldeia com a finalidade de se tornar independente é também para que.'ao voltar,' as raparigas. do^seu'.'mèio 'ö olhem com mais admiragao. : •,./ o . v x •.*./. ,..• ,.;•«« <vj ) oÉ esta,^:pois, a principal razao por. que emigramtos-jovens; no entanto e qüanto a hós, existem óutras causasque motivam a emigragao para o Rand, embora em menor percentagem, as quais vamos apontar: 1. Preferem ir para as minas a serem recrutados para qualquer outro servigo — «Chibalo». 2. Qualquer «milando» que arranjem nas suas terras. Concluindo, somos de opiniao que a verdadeira causa de toda a emigragao é de caracter economic© e estamos certos de que, havendo meios de subsistencia no seu ambiente, o indigena nao sai. Nestas condigöes, embora a emigragao nao cesse, verifica-se no entanto um franco deeréscimo. ' / A unica forma, pois, de contrariar a emigragao, embora lentamente, é conseguir desenvolver no indigena o amor pela terra provpcando a sua fixagao e criar-lhe novas necessidadés, facultando-lhe, no seu meio, a maneira de obter os recursos necessarios para as satisfazer. Por enquanto, este desiderato só sera alcangado se se fizer do indigena um bom agricultor, fomentando nele o gosto pela agricultura, ensinando-o a agricultar a terra e préstando-lhe toda a assistência necessaria. Seria, pois, interessante a criagao de escolas MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0 65 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga rudimentares de agricultura, a cargo de praticos. agricolas, disseminadas pelo mato, com exploragöes anexas, que lhe serviriam de exemN plo e aonde recorreria sempre que precisasse., in . 1 1 J 'i " 'I BIBLIOGRAFIA if (1) ATOUGUIA PIMENTA: 1940 — Bebidas cafreais. Mocambique. «Documentfi" rió Trimestral», n." 23. Lourengó Marques. '" ' " ' ? 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Lisboa.' ^ t •L IT .• ,r \haj * "• . , " V * i-bmw.u" " ' . ;-•• 'J - ! 1 ..•.;..':' I . ;. .: . 11 :J .; .< i . . ' i o l i t ' • -('••;•} èê m& v.' , r\ 'jw',.'..-, MEM. JUNTA INVEST.' ÜLÏRAM. — 10 I oto 5 — 0 régulo Zunguza com o seu secretario (primeiro .1 direita) <• com os seus conselheiros (madota) Foto C — O régulo Massinga, ié falecido, com o seu sccretarin (a direita) e o scu primciro-induna M «I it ï * Foto 7 - Celeiro Indigena assente sobre estacas, permitindo um melhor areiamento <• uma melhor conservai Bo dos produtos .ill Ruardados Foto '• — Muis celeiros indigenas: no primelro pi.mo. urn estrado imde os produtoa sao bcm secos antes do armazenamento I oto 0 Palhotas dos tipos rectangular c redondo (cote (jiiemc) »• ' 10 —Palhota ~^*K I e i " l l - i imr.i pnll.nl.i. |i;r.i.i,:.i cle vdrias cores r o t o 12- l') Khimii 0) — armaililha de cica. indigena para pertlizes c Kalinhas-clo-mato, principalmente In. shit»ua. A I • i" 13 Indfftena armado de arm e flecha, utilizado para cacti grosso, i) arco (wara)n t • BecJio (chlkarn){') sio feitos de tsanhci i. ll ::t'iilut'\ é <> nome do ërvore da qual o ; ars .1 sela, e XgalaQ) o animal do cuj • ra o esticador i'i Eu **""-' '(',-a"nad'lha^^«.i^gena,paracoen las. princ.pa.men. Foto 15 — Mulheres nativas pilandn milho. O pilflo (churl)O) é t'eito de tingarre (Albiizla versicolor) e os paus de pilar i -"•:•! l.e ou tchirri ('). A aecSo de pilar chama-se, em shitsua, ituJtania l'l Em slul-uo. ui — Cozinha indigena . .-.'-f •'. , . ' • : , . • . % • • ' : VH. O PROBLEMA DA^ AGUA PARA ABEBERAMENTO 'i-ju.-.' .i DAS POPULAgöES E GADO 1 • • iNTRODügAO. - -'; - v " . • '.-. ..•:'''• . ' . •• • '*.-»•. u ••» t • • < • • . É este; o mais importante problema, necessitando de urgente resolugao, de Massinga. Sob o ponto de vista do abastecimento de agua as populagöes indigenas, podemos dividir Massinga em duas zonas absolutamente distintas: a) zona do literal — Faixa. arehosa costeira. ,„ b) zona do interior — Urrongas. • - i I • ' ' « ' " • • '}'•'••'*• • • •";'• n T f '' Na primeira, pelos.cursos de agua que a cortam,'peIas lagoas existentes e pelo maior numero de pogos ai abertos, (por ser mais facil a prospecgao hidrológica), os indigenas têm o problema do abastecimento de agua resolvido, ou, meihor, as condigöes em que se encontram sao incomparavelmente melhores que as dos seus irmaos do interior. Esta relativa' abundancia de meios de öbter agua e a ausência da niosca tsé-tsé (facto que se deve a uma ocupagaö mais^ efectiva) permitem-lhes' ter gado de trabalho que lhes lavra' as'. suas «machambas», quer das culturas alimentares, quer das de rendimeiito, e lhes faz os transportes de que necessitam: Todos! estes factores, representatives de um estado de civilizagao mais evoluïdo, podemos atribuï-los a presenga da agua, em contraste com os indigenas do interior, que, mërcê da falta deste precioso liquido, se encontram numa fase bastante mais atrasada. A.'ausência de pogos na regiao do interior (Urrongas), além de ter impedido que os seus habitantes evoluissem no mesmo grau dos do literal, é a responsavel, segundo a nossa opiniao, pela sua baixa densidade demografica, que se agrava, ano após ano, pela migragao das suas populagöes para regiöes onde a agua nao' falta durante grande parte do ano. Assim, uma regiao onde os poucos indigenas nela existentes perdem dois a tres dias por semana para irem busMEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 67 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga car cerca de 201 de agua na época seca, sujeita as migragöes constantes, nao pode ser uma regiao agricola, perdendo-se assim todo o v potencial de fertilidade nela existente. Ê necessario, mais uma vez o frisamos, que nestas regiöes se realize uma prospecgao cuidada, com o fim de localizar os pontos para a abertura dos pogos e depois construi-los, constituindo-se assim uma rede* aperiada de locais de> abastecimento. V ""'J-iv ) i.'7 Resolvido este pr'oblema, o'aümento populacional seria um facto e o aproveitamento agricola da regiao, por meio de concentragöes agricolas, uma realidade. , .Of'MïOx/«viï .L Com o aumento do poder de compra do indïgena, provocado por por estas'medidas,/ surgiria o 'cantinéiropmarcaridot a^presenga do europeu nessas paragens. .'y.nl:*£*•£. m .o-am!o::ai . l l ^Cremos.ter'apbntadö as vantagèns reaisique'adviriam do'abastecimentö em; agua potavel iparaya' regiao idos LUrrongas: ,Jctr ï^ü^i 2. COMO SE ABASTECEM DE) AGUA E rLOCAIS DE : ABASTECIMENTO .•> .^•'.•f'fliV-'-.TÏ — •> yh :.>n< <b ; n-r: (^ Nos Urrongas, os indïgenas, 'na época das chuvas, abrem pequenas dèpréssöes T junto dos.seus r imbondeiros,.para aït'se^acumular a agua das chuvas;. quèdèpois éiarmazenadanestas arvqres-cisternas; assim cómo toda aquela que fica' em; qualqüer .'poga,: após cada chuvada."" ! " .•••><•• ,• •. J"»i „J ,f>„-h; C--.; zir?.*. ,'"> cJr,. v : . J..:;.". ~*. A agua conseguida por este sistema serve para o abastecimento dos'indïgenas ^durante os primeiros tempos da épöca seca; Tërmin a d a e s t a reserva, comega o seu fadario: ir busbar'agua aos* pogos, rio's e lagoas'e'xistentesnas «redondezas», que em alguns cdsos chegam a estar atyO e 50 kim de distdncia. Nesteperïodo, os indïgenas abastecem-se-de aguamma a duas vezes por semana, sendo transportada pelas mulheres em'cabagas, cuja capacidade varia entre 18 e 251,Te.em-latas'degasolina.' V ' « . •• t. . ... . < i„..'. j 1 ••'1- As indïgènas, geralmente, aprbveitam>estas suas idas a os locais onde éxiste agua para'lavarem as suas roupas.-».)•* > -M ,oi>'.-.Ji i-oio •-'' Na' regiao do' litoral, 'os indïgenas abastecem-sejinormalmente, durante todo o ano, nos me'smos locais,' utilizando latasde-gasolinaj garraföes dè 20 1, e, ém< alguns casös;barrisdê 501, para ó transpórtè da agua/ r'-n ..> . ^q- «v-r/./.v .*M..-: — up ,. ai'?;.-/- -)•?') ;.!*::.b'.rtry') ' O abastecimento dos indïgenas em aguaié feitö pör pogos, revestidos ou nao de anéis "de cimènto, por cisterhas< junto"ao Nhachengo e nas lagoas. Destas, a principale alag'oa' do Malembane; V J -~J3 68 MEM. JUNTA INVEST. ULTKAM. — 1 0 posto-sede da circunscricao de Massinga Abasteamento de agua da zona dos Urrongas Esi: 1/250.000 Legenda Sede da Circunscricao Povoacao comercia/ Regedorias e cabados Esfradas Picadas Rios ^ • Marru \ !"----^ ».Mabsdine \'v Lulecua \ \ ^ .\ \ / "'\ A. - - r • ' Vinhane*. \ \ / ,.,, . ,/j.vum •SuTane "1 1 'fZhipumüo ifUiane \ Machiquelane • Mucupe \[ \ '«.Bobiane l \Vume/ela \ \ Nov'ela \ v- \ \ V. / •> ^ . - ' V- J^ — s _-_-- Hundug'Q Kiabicane /' • * / Marruaua Sede da Grcunscncao Povoacao comercia/ /?egedonas e cabados Estradas Picadas "Dora . f **--*. i.Mabecfine / \ ( ^ Cu/ecua \ \>^£gtf * •'• \ \ Muchache '' <-. Va*/. ' —p.^ Pi os Poco do Cabo Selenca Poco do Cabo Chtlubuane Poco do Chipone/a |Vilancu/os] Poco do Cabo Anguluve Lagoa Paene {Morrumbene} Lagoa do Cabo Malembane Pocos aberfos ja depois de efa borada es/a Monografie, e que vem melhorar bastanle as condicöes deabaslecimentodeagua aos indigenas dos Urrongas. / : MuCon|(> Nj * . • ..N.v>BambofelaJ'"---, \ Legenda >-,., / "--, l \ 0 • • Chifuane Macajffnga*-. .'/ Barr/la .' \ ' '\ v— Chiunze i / / \ .'Lionzyane \ \ \ \ \ Rulane \ x ; ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monograjia agricola de Massinga Os poQOs localizam-se nos seguintes cabados: Selenga (1), Muvamba (1), Jange (1), Unguana (1), Chilubuane (1), Muchava (1), Anguluve (1), Queme (2), Cofe (1), Chiunze (2), Guma (5) e Sinela (1). Consultado um mapa de Massinga, verificamos que estes pogos se situam na faixa arenosa costeira. 3. ABASTECIMENTO DOS URRONGAS. Como é na regiao dos Urrongas que o problema da agua é mais premente, vamos dar, no quadro n, os locais de abastecimento dos diversos cabados daquela zona na época seca e representaremos na carta iv as areas abastecidas por cada um deles. QUADRO I I Locais de abastecimento Numero que lhe corresponde na carta Cabados abastecidos POQO do cabo Selenga 1 Tiane, Vumelela, Bobiane, Mucupe, Machiquetane, Uiane, Lipeze, Butane, Uticela, Guebel, Mailene, Chituane, Zilo, Macarringa, Bambatela e Unguana. POQO do cabo Chilubuane ... 2 Bambucochecua, Dora, Macarringa e Mabicane. Pogo do Chipanela (Vilanculos). 3 Tiane, Chipumbo/ Paunde e Nhachengo. / Pogo do cabo Anguluve 4 Muchache e Mabadine. Lagoa Paene 5 Lagoa do cabo Malembane 6 Chilemane, Cutecua, Marrule, Chicopa, Rundugo, Navela, Tiane, Muconjo e Marrucua. Observando, com a atengao que o problema requer, o quadro e a carta, ficamos com uma ideia clara das dificuldades e canseiras MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 69 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga que se deparam as indigenas desta.regiaorpara obter o precioso liquido, que é a agua, e cujaVfalta só é devidamente apreciada-por aqueles que ja a sofreram.' E o;indigena apercebe-se tao.bem destas dificuldades, que o «loboio» da mulher dos Urrongas é mais cafo (enquanto no literal o normal, é 1.500$00, nos Urrongas é.de 3 a 4 contos), devido a ter a mulher.de ir buscar a agua"a grandes dis-: tancias. Seria motivo de grande satisfagao para nós se este modeste trabalho contribuisse, de alguma maneira, para a materializagao do abastecimento de agua potavel as populagoes nativas dos Urrongas. air^n b "*y.\ • ': ; , .' '.y,;\ o "p -':' '--v. - : "> o'>\\-,r, -n ": ij,rr.;:3 oix •."%:—• '~ ' . « X " ' ! 5'">C'! 11 •,•'•• t •:'•)• •••> • ..; ,v-?o • wrr ï"ï) /ipor.-JIT en :.vz:.-'.£$n^z.'iTSi o rc.;i rcoq-* rn jT..r~ r T w<"b :of>-~r.n • ^:rrr; il> ' . . . . . -* •") 70 , • " . ' • . - r ' l . • • • • ' . • > • » i -.- ••::' , : , h i > r" r vy: I .'..3 ,- t c;!... > c J MEM. JUNTA' INVEST.. ULTRAM. — 1 0 ÜMHN •- Foto 17 — Lagoa de Malembane, onde se abastece ;i maior parte da pi na época seca. Indïgenas con as suas palbotas .-. X • a cm Foto IK — Poco aberto na planicie gi na dos L'rrongas, 9tecer-se Poto i ' - Imbondeiro-cisterna da i ''n ••u.i~. Si rpi>-i dus dmv.is. a agua que empo^a t re. ! .:•••: 18 e tr.msport.id.i para estas arvor."., i> <ine Ihcs pirmlte mlrcnlar a falt.i de ajtia DOS prill tempos da época seca. Note-se a escada. pela qn al o iodigea i so'ie para tirar a dgna do imbondeiro >-ï'A> **\ / *w -JET* . - No primeirn pl.ino veem se cabacas, recipienles utilizados pelos indfgenas para o transporte de -Ag.ua. No segundo plano, uma bate/ia de -.ilos, onde os indigenas guardam as colheitaa dos seus produtns alimentares Foto 21 — A frente J.i palhota veem-se, também, cabacas para o transporte de agua Vin. ACTTVIDADES- ECONOMICAS 1. iNTRODUgAO. i . . . ,.,„ f ,..,. , As aetividades economicas de Massinga resumem-se'a agricultura, base, da economia da regiao, a pecuaria, em pequenissima escala, e ao comércio. , É tao grande a importancia da agricultura (agricultura indigena) na vida económica da circunscrigao, o que alias se verifica em quase todo o Mogambique, que se as colheitas de alimentares e de «algodao» fórem mas, devido a condigöes climaticas adversas; tudo é afectado e tudo se ressente. Assim, julgamos ser de acarinhar. e amparar tudo que concorra para a melhoria deste ramo das aetividades economicas. Nao podemos deixar de nos referir, nesta introdugao, as aetividades economicas de Massinga, aos aspectos da Instrugao, Saüde e Transports e vias de comunicagao, pois, embora se nao possam'corisiderar aetividades economicas, estao inter-relacionados, e por isso far-lhes-emos referenda, embora sücinta. ' Quanto a Instrugao, existe na sede da circuhscrigao uma escola primaria eléméntar, fréquentada por criangas európeias, mistas e indianas. ' ' Além desta escola oficial, destinada a criangas civilizadas, existem, espalhadas pelo mato, 25 escolas rudimentares para indigenas, regidas por professores indigenas.e söb. a orientagao da' Missao do Imaculado Coragao de Maria, situada em terras do cabo de Mangonha, que para a sua acgao missionaria dispoe de dois padres e cinco irmas, todos italianos. " N Na area da circünscrigao e em terras do cabo Nhaloio fica situada" a-Missao Metodista Livre> orièntada por missionaries amèricanos, autorizada a instalar-se aï, em 1933. Abr'ange uma area de 5.300 ha, pertencentes aos regedores Zungüza e Massinga. No rëspeitante a Saüde, é a assistência médica a esta circünscrigao prestada pelo delegadó de saüde de Morrumbene. No posto MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 11 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga sanitario de Massinga presta servigo um enfermeiro europeu, que é coadjuvado por pessoal indigena. Quanto a Transportes e vias de comunicacao, é Massinga ser<vida por duas empresas de camionagem: Caminhos de Ferro de Mogambique e Empresa de Transportes Majohone, L. aa A primeira serve Massinga na carreira que tem por itinerario Mutamba-Maxixe : Massinga-Rio: das '.Pedras >e. a. segunda em qualquer das duas carreiras que faz: uma em que Massinga é um ponto do seu percurso (Maxixe-Massinga-Vilanculos) e outraicom/o seu término nesta localidade (Maxixe-Massinga), -:i.^.'-As estradas'que atravessam Massinga'sao:i L a j - ^ m ^ j -u\ ' jSr-ÊrN'J]c% — ijmrenqb ^Marqlaès-Massinga-Save.3 Com'84 k m ' d è extensab dentro dos limites de Massinga:- *'* r"<»*j£J ^ ^ E r R ^ ^ ^ M a i s i n g a ^ F u ü i a l o ü r b : *''-.*:?l -' ' - V ™ ^ . . ^ •* ^ ^ R P ^ i ^ ^ o ' d a s ^ P è d r a s - B a r r a ' F a l s a ^ 1 1 ' ^ - "•">ilbh m < - : * ' ' • Lb o CViitffi. ffiifa t . ) TÏ'tk.\Li ?: vy , H y ' l v » ; ' ^ o v'-a} *»»:---jp. olïutf Existe;aindaiuma\estradajnao. classificada 'que^saindo de -Mas^ singa;npassa pelavMissao dojlmaculado Coragao:,de Maria:e termina ria;praia^'nao • contando.com!as mumeras picadas existentes que;corr tarn Massinga em todos os sentidos. .S'.':J;CUVO^ .\b'h 9 sfcöïÜ ,c.'-y.wi. *iT . ó . -sj.- ,cy.9 u-n.i , e i ' - --M s;t> a-simdi-o-j * : • ri 2."OCAIAGRICULTUEA.?"G';' . t/*cq ,c£?:T.kwni.:ydi, "!/ o . •/.- UPMT.V: c li TOfj 0 tvxsh:.r ?'">i}'.-'- .:"•• <-«.,+•, .;••-•»!• iiir:;»:*) M?X"'ivit j-s v-------<.-,a Ë esta a actividade economical mais importante; pois é a'base der.todaDat economiaoda circunscrigao. ! Consideraremos,.iseparadamente,-- a agricultura nao t indigena e. aiagricultura - indigena,-- sendo esta a mais importante. <-";'-, • J^K> ,ccExi"siiivl3 arir-ïW") .-j r'v*''»"' a ,r.b< .o •-:'-*-•• ~ -••' > > -. *' .-^-spjbni .Ti.'*q K^rJcjOii-o^r ,«r.ü <"•; > J"1 , .'v J •,--•< . ' oo (2; 1SI" A\~ agricultural nao'rindigena.•jJ'v1 • ,- / .i'.-J.i Hi urfo r>t> ---r.-."-»! i/. > &?v:yif s ,.?.>•» !"'. rii e .; ./.) i- ..!:•••• -) t Osragricultóres ; nao indigerias sao v em'numero de.dez e»as.suas propriedades ocupam uma area de 7.362,95 ha; estando apenas aproveitados-12,09.%:desta area;jOjque:justifica'plenamente o que/atras dissemos quantó»a importancia-relativa da agriculturanao indigena e da agricultura 'indigena^ r fju ,-t^ •^a-^-£l«d'a«ii i .5 r h a t ' / a iOT^r; Os agrieultores nao • indigenas dedicam-se princjpalmente as culturas perenes, sendo as principals o coqueiro; (Coéosriucifera)$ com uma area de 631,5 ha, e o-cajueiro'(Anacardiurn occidentale); com 12 MEM. JUNTA INVEST.* ULTKAM. -r^r 10 ALMEIDA; Armando Antunes.de—Monograj'la,agricala de. Massinga. a area de 93 ha, fazendo, também, o.aproveitamento dos f ratos da mafurreira (Trichilia roka) dentro d&s suas propriedades, e alguns possuem pomares de citrinos, mas que pequeno ou nenhum rendimento lhes da por falta de transportes acessiveis até ao mercado corisumidor (Inhambane)'. - ••> , * As culturas anuais que f fazem— niilho, améndoim, feijao e produtós horticolas —'destinam-se,' na sua maioria/ a satisfazer as necessidades da propria exploragao. • c •• " ' H a apenas urn agricultor que se dedica a exploragao pecuaria (gadobovino) em grande escala. . J' . . [ 2.2. ' • L . .-i , A agriculture/, indigena. * . - ; .;>-. • • ' . " . . '• ••'•'• !'' Gomo ja atras referimos, e esta a base da economia de Massinga, e como tal a sua vida económica depende 'das boas ou mas condigöes climaticas que ocorrem durante o ano agricola. Nesta circunscrigao houve uma grande crise nos anos de 1950 e 1951, consequência de dois ciclones que assolaram a regiao e também da epidemia (variola) que grassou entre os indïgenas por essa altüra: ' r ' : " ' ; "!;-~ '"• > :i '• ' " • ' ' -' •'' A agricultura'indigena encontra-se mais desenvolvida na zona litoral do que na zona do interior (Urrongas). Nesta zona, onde a densidade demografica é menor, o indigena nao se fixa por falta de condigöes,, muito especialmente por falta de agua, pois, em certos casos, as mulheres indigenas têm de andar 40-50 km para encontrar um pogo, uma lagoa ou um rio ondé possam abastecer-se, e quando a seca é grande (ha locais nesta zona onde sé passam oito-nove meses sem chover) os indïgenas emigram para a zona- do litoral, onde ha agua, e muitos deles ai se fixam, nao regressahdo as suas antigas terras; outros regressam, quando se iniciam as chuvas, muitas vezes ja tarde para fazerem as suas «machambas», quer de culturas alimentares, quer de rendimento."'•'* Ë, pois, de toda a conveniência que se proceda a abertura de pogos nesta zona, antecedida de prospecgao, onde os bons solos abundam, para que' o indigena ai se possa fixar. Uma vez encontrada agua, podia esse local ser a sede de um aldeamento indigena, desde que garantissem as condigöes indispensaveis a vida social e económica dos seus habitantes. MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 73 ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia agricola de Massinga Ja sao sobejamente conhecidas as vantagens dos aldeamentos; no entanto, nunca é demais realca-las, e assim, segundo H. DE BARROS (3), elas sao: ! «Sob o ponto de vista social, porque representa uma forma mais eficiente e mais humana de fixar o indigena a terra, tornando-o de agricultor sedentario em agricultor progressivo». L s . . «Sob o ponto de vista económico, porque o agricultor submetido a uma constante acgao de presenga técnica, simultaneamente educadora e fiscalizadora, a sua capacidade' para produzir aumentara consideravelmente». «Sob o ponto de vista técnico, porque toma viavel a exploragao continua e metódica, preservadora e nao des, tniidora da fertilidade acumulada, ou pelo menos poupada,^ - • • . através das eras». '• . 2; 2 . 1 . Culturas aliment ares. 1i•I il 'i As espécies vegetais cultivadas pelos indigenas para a sua alimentagao sao as apresentadas no quadro seguinte:""< ' Nomes vulgares Abóbora Amendoim Batata doceFeijao jugo Feijao nhemba Nomes cientificos Arachis hypogaea Voandzeia subterranea Vigna catjang Sorghum vulgare Mexoeira Milho Zea mays ....:....:.: Nomes em shitsua Mariwa. Timanga. Mihambo. Ticochane. Tichumba. Tinyawa. Mifirinya. Mahila. Mahuba. Zipfaki. * A cultura-base da alimentagao do nativo nesta regiao é o milho, seguindo-se-lhe o amendoim e as nhembas. Como culturas menos importantes, e que completam o seu regime alimentar, tèmos a mandibca, a batata doce, o ticochane, a tichumba e as abóboras. 74 MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 QUADRO H I 1953 Amendolm descascado Amendoim em casca .. Castanha-de-caju Cera Farinha de mandioca.. Mandioca seca Mafurra Mapira Mexoeira MUho Nhembas Piripiri Ricino 1954' 1955 1956 1951 1952 Vendas (kg) Vendas (kg) Vendas (kg) Valor (esc.) Esc/kg Vendas (kg) Valor (esc.) Esc/kg Vendas (kg) Valor (esc.) Esc/kg Vendas (kg) Valor (esc.) Esc/kg 1.000 300 235.356 1.854 3.921 13.525 275.709 65 8.632 140 766.345 159.905 3.871 128.170 1.169 7.970 220 52.205 18.020 2.725 330.700 56.100 710 6.270 370.670$00 6.014$20 194.240$00 17.012$50 31.826$50 220$00 32.775$50 18.020$00 3.722$50 330.305$00 63.570?00 2.130$00 12.880$00 2$32 1$55 1$52 1$46 -$- 57.175 6.206 302.673 1.330 155.833$00 11.372$00 385.1lê$00 20.113$00 2$73 1$83 1$27 15$10 -$-$$62 13.905 2.590 250.120 280 40.979$00 4.422$00 281.800$00 4.300$00 83.576 115.582 73.966 430 210.061$00 272.035$00 132.045$00 6.450$00 2$51 2$35 1?79 15$00 173.079 1.590 5.152 273.408 112.415 300 8.700 118.412$00 1.790?00 8.228$00 291.347$00 141.581$00 1.500?00 13.050$00 2$95 1$71 1$13 15$40 -$-$$68 1$13 1?60 1$07 1$26 5?00 1$50 155.456 484 3.940 505.196 76.905 605 107.597$00 509$00 4.540$00 501.886$00 78.227$00 3.763$00 _$- 1$05 1$15 $99 1$02 6$22 131.707 2.580 70 785 4.800 54.423 37.180 970 2.540 V' i$184.292 1$13 3$00 2$05 115.173$00 . i$- 1$00 101.160 6.990 140 154.430$00 10.275$00 700$00 Ie -?-$1$53 1$47 5$00 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monograjïa agricola de Massinga Nas zonas mais atrasadas da zona litoral e na zona do interior — Urrongas —,. os ; indigenas substituem, em parte, a cultura do milho pela da mapira e da mexoeira. Após b aparecimento das primeiras chuvas, os indigenas iniciam as sementeiras próprias da época, isto é, .de milhö, mapira, mexoeira, amendoim, nhembas, ticochane e tichumba, sementeiras essas que sè prolongam até Janeiro.' t' ., :„:.,._. As culturas' f e i t a s n a época fria, e nas regioes emque.chove nesta. épóca, sao: mandioca, batata doce, milho mucambe e feijao manteiga. O terreno para a «machamba»'da batata doce é armado em camalhao. . > .'. . ' No quadro ni figuram as quantidades de produtos agricolas adquiridos pelo comércio aos indigenas, o seu valor e o seu prego medio, de 1951 a 1956. Constata-se pela analise do quadro m, tal como ja escrevemos atras, que as culturas principals da agricultura indigena sao o milho, o amendoim e as nhembas. Isto quanto as culturas anuais. No que diz respeito as culturas perenes, destacam-se a mafurra e a" castanha-de-caju. Quanto aos outros produtos, ou apenas satisfazem as necessidades alimentares, caso da mandioca, ou sao feitos.em pequena escala,• por terem outras culturas que as substituem com vantagem, como a mexoeira e a mapira. . Com os elèmentos do quadro atras referido, calculamos os pre. QOS médios por.quilograma, pagos pelo comércio ao indigenaj dos principals produtos. Assim, temos: Amendoim descascado 2$63 Amendoim em casca .......; 1$86 Castanha-de-caju 1$43 . r - , ; rMafurra * : ;/. : $65 - , . ,t. , • ^Milho .'., , :......., (....... 1$15 .. Nhembas... / . . . ; . . . . - . A . . . . . . . . . r 1$22 Piripiri v. :.....-....A.....:,. 4$80 Ricino / 1$77 .." 4 x 2. 2. 2. Culturas de rendimento) É o algodoeiro a unica cultura de rendimento pröpriamente dita que se cultiva na circunscrigao, pois, das culturas alimentares, os indigenas só vendem o que excede as suas necessidades. MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 75 ALMEIDA, A r m a n d o A n t u n e s d e — Monografia agricola de Massinga A cultura algodoeira é feita em regime de cóncessao, cóncessao essa que pertence a Algodoeira do Sul do Save, L.<?a, e é superiormente orientada e fiscalizada pela Junta de Exportagaq do'Algodao. Em Massinga, a Algodoeira do Sul do Save tem dois europeus como agentes de propaganda: um com habitagao naMahocha e outro com residência no Rio das Pedras, além dos'capatazes indigenas que ' auxiliam aqueles agentes na missao que lhes esta atribuida. > No quadro iv mencionamos as produgöes de algodao-carögo em quilogramas, e valor correspondente era escudos, de Massinga-sede, desde 1943, ano em que>deixou de ser um posto administrativo da circunscrigao de Morrumbene. 'UQ cVi' »' .-;:*-.i<v'3 ra . Q U A D R O : I V '! u . L ' " n <; Algodao-carogo i' • 'Valor da produsao (esc.) (kg) Anos . X Areas (ha) •• ; ~.,, T ji ; . ) U 1943 .... 1944 .... 1945 .... 1946 ...: 1947. ..1948 .... 1949, .... 1950' .... 1951 :.'.'. 1952 .... 1953 .... 1954 .... 1955 .... Pela ahalise deste quadro e do grafico vi verifica-se que a dugao, de 'uma maneira geral, tem aumentado, tendo havido quebra nós anos de • 1949, • 1950 e 1951, em parte explicada ciclones que assolaram esta circunscrigao naqueles anos? Comparando-os valores extremos das produgöes"1 e areas pectivas: Anos * ""Produsao V (kg) • 1943 1955 '287.051 1.735.572 ' prouma pelos res- Area • • (ha) T 2.081 '3.422 "...'i 76 ••: . O 2.081 , -r 3 3 2 . 297$35,, n J,i ' .374?45 " T '217' 1.987 ' :n ntr '317,Ï20$7Ö "' ^ 2.388 * .831570 •*-.- ^.4'64, : 1.902 -, ,•.-+1:118..772?40 j 1.280 1:286 924$00 f 2.304 Y .674.178?6Ó ' 'f . '3.223 ' '642,.816$2'o"*n t' !, 4!375 '- 1:867,,088?60 '«3."l70" ' . '- 2:12a582?30 t 2.892 «j 3:859..713$00 3.343 5:094.055$40 * 3.752 . 4:724711$60 ' 3.422 287.051 186.804 i 266.221 * 397.952 . 722.285 825.070 ,369.066 349.626 1 704.159 791.271 . 1.410.179 1.878.889 1.735.572 . .' MEM. JUNTA INVEST. ÜLTEAM. ^ - 1 0 GRAFICO VI 6?<fiojs$3o *M*9jtjr*jaréiA * * « </ «• k o o O O 5' .0 » 4 43 4* *? +* *9 So Ai Sa S3 - JT*c«.-o3 & S* SS Se ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga verificamos que, para urn aumento de 1,64 da area, a produgao aumentou mais de seis vezes, o que prova que os rendimentos unitarios aumentaram' bastante,. dando ao indigena uma maior compensagao do seu trabalho. , • «, ;.- t Lembramos-que esta melhoria foi obtida dispondo.os indigenas de meios quaseprimitivos para agricultar a terra. Apenas a utilizagao do. gado v de trabalho, na zona litoral>.para lavrar as suas «machambas», nos parece querer'dizer ja ter sido ultrapassada a fase primaria da agricultura na regiao. Somos, pois, de opiriiao que aquelas melhorias mais se podem acentuar no dia em que a agricultura indigena seja feita a base de concentragöes agricolas com rotagao de culturas, que se executem estrumagöes e sideragöes de modo a permitir-nós eliminar os pousios e que sejam adoptados meios para a conservagao do solo, etc., etc., isto é; desde que se caminhe para uma agricultura racional. 'O papel a desempenhar pela concessionaria para atingir este objectivo é de primordial importancia. •: i i'.\: 'r j o j ; ; ',.'j • .ff':,.""' C i ; ' • ':" , ". •''\ r •..'•-'• ";*.i r X 2.2. 3. Culturas perenes. -' - '" ' • :, . \k' >l -•: .- -~i- f ' " Os indigenas, além dos muitos frutos selvagens de que 'se aproveitam para a sua alimentagao, têm como principals 'a"mafurra, a castanha e a pêra-de-caju. '" : „ * . ' ; .'- ' O s indigenas limitam-se a fazer o aprovêitaménto destes produtos, apanhando os frutos das arvores espalhadas pelo mato que se encontram a volta da sua palhota ou nas suas «machambas». ! 5 Parte-destes produtos sao destinados a s u a alimentagao e o exeedente é vendido nas cantinas,.com excppgao da «pêra-de-caju» (pedünculo intumescido), que se destina integralmente para satisfazer as_necessidades dos indigenas: para corner ou para destilar. Na época de frutificagao do cajueiro é rara a familia indigena que nao tenha o' seu alambique rudimentar a funcionar^em locais escondidos e um pouco afastados das palhotas, e a que chamam «sombra». Dé entre as culturas pefenes temos ainda a considerar o palmar es o pomar de citrinas. Estas culturas sao ja obra do indigena, pois é ele que as planta a volta das suas palhotas, ficando a constituir as suas propriedades. Os nativos que assim procedem ja dêio valor a terra em que estab, e dificihriente a abandonam. c"< . MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM.—'10 , - • 77 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga 3. A PECUARIA.' ':i ' f ,. -s / .'I'. , Os nativos ja possuem bastante gado bovino, caprino, ovinp; suino e asinino. >• > • .:.-. <•{ O maior numero'pertence a primeira categoria, como podemos verificar pelo quadro v, cujos elementos foram extraidos do arrolamento feito em Julho de 1955 pelos Servigos de Veterinaria. ' ; 3 .::;'.; ..'.: QUADRO V * . • * • ; - > / \ Regredorias • -; i n . • * ; . ., f Zunguza * 4 . - . . . . • ' : > ' . . Caprino i ,/Bovino .- • ' i Ovino ) . Sulno ! , . 1 .' „ 278 , 111 197 : . • I « -.1. r - . ' C ' j " 5 .:;•• i< / 1.099 ,-\ ' ' 948 -.. 384 ' . . 'j V- "J " , r Asinino '. . . - T f 3 58 .: - t . 1 9 2 ' , ,:. ... rj l i i D j r i 32 ., ,-37~j . T ~ 44 23 , . , ' . , : , 4 6 . .19 ^ I '>VtV' f/tD i -• No que se refere ao gado bovino, é na regiao do litoral que se encontra a sua totalidade. Na zona do interior, pela presenga da mpsca, pela falta de tanques carracicidas e pela falta de agua, o gado bovino nao se ppde manter. : ',-•!•! »:•] - ~i •« t-r- ; / Mais uma vez se chama a atengao para o, aproveitamento da zona do interior —Urrongas— por meio de aldeamentos indigenas, desde.que se lhes deem as condigöes necessarias paraai se poderem fixar e ja atras mencionadas. ' ' Como resültado da possibilidade de ter gado de trabalho, os indigenas da zona litoral lavram as suas «machambas», tanto de ali; mentagao como de «algodao». '•' " >. Com o objectivo de prestar assistência ao gado existente em Massinga,.esta aqui colpcado um ajudante de pecuaria.dos servigos respectivos. . , . . , , . , si 1 • -., . 1 i f '• ir 4. O COMÉRCIO. •* :> \ -if ""? ^ « i i:,,.n -J'.t , „i * a hi s • o ril) *) Toda a produgao dos indigenas que excede as suas necessidades alimentares é vendida nas cantinas dos diversos comerciantes do 78 MEM. JUNTA INVEST.' ULTRAM. — 1 0 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga posto-sede de Massinga. As cantinas sao em numero de 25 e distribuem-se pelas cinco povoagöes comerciais que a seguir se enumeram: Massinga. Rio das Pedras. Nhachengo. Malova. Manhenge. BIBLIOGRAFIA (1) (2) (3) ANÖNIMO: 1954/55 — Anudrio da Provincia de Mozambique. 3.* ed. Lourengo Marques. ANÓNIMO: 1956 — Estatistica Agricola, 1951 a 1956. Provincia de Mozambique. Repartigao Técnica de Estatistica. Lourengo Marques. HENRIQUE DE BARROS: 1954 — Economia Agrdria. «A Terra e o Homem>, n.° 27. Livraria Sa da Costa. Lisboa. V MEM. JUNTA INVEST. TJLTRAM. —10 79 Foto 23 - Hscola de Nossa Senhora da Conceis«o, no Anhane, destinada a crianeas ncas Ind muiyemis Foto 23— I r n a rua de Massing* cm •.! i. i de carrcira I . . . . . IX. , -,,•- APTIDAO AGR1COLA 1. iNTRODUgAO. i Na regiao do litoral, onde existe gado bovino e onde ja poucas derrubas ha a fazer, devido a uma maior ocupagao agrïcola, os indigenas mobilizam o solo das suas «machambas», como preparagao de uma boa cama para a semente, por meio de lavouras. Estas permitem o enterramento da vegetagao dos pousios e dos residuos das ( jCulturas anteriores. Alguns agricultores nativos praticam, na altura da primeira sacha, uma pequena lavoura entre as linhas das culturas que tal o permitam, cómo o milho e o algodao. No caso de as linhas estarem 'orientadas perpendicularmente ao declive, a formagao destes pequenos camalhöes vem contrariar a erosao. No interior, onde nao existe gado e onde a densidade demografica é menbr, por falta de condigöes, a agricultura ainda se faz dentro do mais classico nomadismo, pois os indigenas executam a derruba da floresta existente no terreno que preténdem cultivar, agricultam-no durante dois ou tres anos e, depois, deixam-no em pousio, 'para novamente irem iniciar este ciclo noutras parcelas ainda virgens. A dërruba'é praticada quase exclusivamentë'pelos homens, que utilizam a catana para efectuar esta operagao; as mulheres sao reservados os trabalhos agricolas mais leves. Quando é necessario eliminar arvores de grande porte, os indigenas costumam fazer uma incisao anular para provocar a sua morte; no entanto, a existência destas arvores nao impede que se agriculte a terra logo no primeiro ano a seguir a derruba; no ano seguinte, geralmente juntam a sua "volta os capins da «colima da machamba» e langam-lhes o fogo. Assim, a pouco e pouco, a area agricultada fica limpa, escapando apenas a voragem as arvores que têm alguma utilidade, como aquelas de que os nativos aproveitam os frutos, mas nunca as produtoras de boas madeiras, as quais nao dao importancia de maior. Após a derruba, procedem a queima da massa vegetal e em seguida exeMEM.. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 81 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricota de Massinga cutam as sementeiras de «algodao» ou de alimentares, nao havendo qualquer mobilizagao do solo, mas tao-sömente a abertura dos covachos, onde colocam uma maior ou menor quantidade de semente, consoante os solos sao mais ou menos compactos.' Se a textura dos solos tender para o ligeiro, a quantidade de semente aplicada por covacho é menor porque as plantulas rompem facilmente através da terra; se aquela'tender para o argiloso, a quantidade de semente por covacho tera de ser maior para que o maior numero de plantulas a que da origem rompa mais facilmente a crosta da terra. • A primeira sacha, com ligeira amontoa, embora superficial, perm i t s e facilita que'as raizes das plantas explórem urn'maiör cubo de'terra'. Esta pratica cultural foi introduzida coni: a-'cültüra-do ' algodoéiró,' pela insistência de todos os in'dividiios que'a'ela'"estao 'lipdos.: 1 ^i; - • ^ ',n •; ';'_" ; :* "" 'u-' ?•' J 'r'; - wv;' •••"*•> 'Nórmalménte, os ihdigenas fazem a dérruba para i 'a v, cültura tr dcr algodoeirp. Após dois ou tres anos é esta levada'^ara'outro'local e estas areas derrubadas sao geralmente'aproveitadas pelos indigenas para as suascultiiras'alimentares)'so'sèndoentregués ao pousio depois de venficarem que nada produzem, ou quando, existam outras areas para onde as possam mudar. E isto o que.usualmente se pratica e que a Junta do Algodao vem contrariando, com o auxïlio das autoridades administratevas e empresas concessionanas, ha anos a esta parte, procurando fixar p. lndigenaa terra por meip das concentragoes.agrccolas, nas quais se a t r i b u i a o s nativos um certo numero de hectares, de harmonia com a.natureza das terras. Em cada umadestas parcelas, que passam a.i constituir juma; pequena propriedade pertenga dp agregado ,familiar iindigena ai-fixado, segue-se um programa. de rotagao de culturas adequado.-)Outrossim se procura que os indigenas exeeutem as melhores praticas culturais e que a sua execugao seja oportuna, -isto é, pretende-se que 9 nativp agriculte a terra racionalmente, tendo como finalidade-manter ;p r nivel de-fertilidade dps solos, ,se nao, melhora-lo. Os resultadosjDbtidos nestejCapitulq nao tern sido proporcionais aos esfprgos .despendidos.j Ja se deu, no- entanto, p primeiro passo, o mais dificil, esperandq-se que se prossiga para-bem do patrimpnio —Tsolo de.Mosambique. -,, ., • r f , ,, j,:t..ij-, A seguir as sementeirasje ponformep decorrerdo ano : agricola, quanto a ocorrência de chuvas, ^assim varia o numero de sachas para cada cultura, executadas geralmente pelas mulheres. j - , r(^ - -', 82 ,-MEM.'JUNTA INVEST.' ULTEAM. r—. 10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga Os indigenas, nas «machambas» alimentares, adoptam a associagao de culturas, principalmente a mandioca, com o milho e com o amendoim ou com as nhembas (feijöes cafreais), sendo mais frequente a utilizagao da primeira leguminosa. Embora tivéssemos indagado junto dos indigenas qual a razao por que assim procediam, nada conseguimos apurar de positivo, e por isso algumas hipóteses se podem formular quanto a tal pratica: 1) 2) Sera por comodidade do nativo que, procedendo desta maneira, apenas tem de cuidar de uma só «machamba», onde semeia e planta as culturas-bases da sua alimentagao, sem que o trabalho aumente grandemente ? Sera o fruto de uma tradigao agricola? Quanto a nós, a segunda hipötese é uma consequência logica da primeira, pois esta maneira de proceder do indigena através dos anos foi-se arreigando e constituindo uma tradigao que vai passando de pais para filhos. Portanto, o facto de os indigenas associarem diversas culturas, mesmo que outro mérito nao tenha, tem pelo menos a grande utilidade de proteger o solo contra a erosao hidrica e eólica, pois o mantém coberto durante a parte do ano que maiores prejuizos poderia causar a estagao chuvosa, dando, como consequência, origem a produgöes unitarias mais elevadas e mais regulares. Passaremos agora a estudar a viabilidade desta associagao para podermos ajuizar do seu valor. Segundo o Prof. HELBLING (3), para que uma associagao de culturas seja viavel, é necessario: «1 — Que entre as plantas utilizadas exista uma identidade de exigências e de adaptagao ao solo e clima». No caso' que estamos o milho, o amendoim e a tipos de terreno, embora pouco diferehtes. Quanto sensivelmente. a analisar, esta condigao verifica-se, pois mandioca podem cultivar-se em todos os as preferências de cada uma sejam um ao clima, elas têm as mesmas exigências, «2 — Que as plantas tenham um sistema radicular com caracterïsticas diferentes e podendo ser opostas». Também em relagao a esta condigao nao deixa de ser viavel a associagao adoptada pelo nativo, pois o milho possui o sistema radiMEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 83 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga cular do tipo fascicular que explora principalmente a zona superficial da camada aravel, e o amendoim, como leguminosa que é, possui raiz aprumada e com grande poder de penetragao, explorando, pois, uma camada do solo bem diferente da do milho. Além disso, o amendoim fixa o azoto atmosférico por intermédio dos microrganismos que vivem nas nodosidades das suas raizes do grupo Azotöbacier. Deste azoto, algum fica no solo, beneficiando, assim, as cultüras subsequentes. A associagao milho-leguminosa é considerada a associagao ideal. A mandioca possui um sistema radicular caracterïstico, que explora uma'camada que vai a uma maior profundidade do que as anteriores cultüras. «3 — Que a parte aérea tenha também caracteristicas difereh^ tes. A uma planta de folhas largas e porte alto, que necessita de boa exposigao a luz, convira pois associar outra de porte rasteiro e folhas estreitas, capaz de viver ensombrada». • ,' • • ,Tal como os indigenas executam a associagao de cultüras, esta condigao verifica-se, porque usam compassos muito grandes tanto para o milho como para a mandioca, nao havendo incompatibilidade, pois, apesar de serem duas cultüras, o resultado final é como se fossem apenas uma. Poder-se-ia melhorar o processo indigena pela adopgao de linhas alternadas de mandioca e de milho, associadas com o amendoim ou o feijao, desde que se adoptem compassos convenientes. Sugerimos os seguintes compassos a utilizar nestas condigöes: As linhas de mandioca e de milho ficariam afastadas de 1,20 m, mas, ao passo que a distancia entre as estacas da mandioca, na linha, seria de 1 m, nas linhas de milho a distancia entre covachos seria de 0,40 a 0,50 m. O amendoim seria cultivado entre as linhas da mandioca e do milho, podendo semear-se duas linhas nesses intervalos, utilizando-se o compasso de 0,50X0,30 m. «4 — Que os granjeios requeridos por uma das plantas nao vao prejudicar a outra ou outras». Neste aspecto nao ha incompatibilidade. 84 MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM.—10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga «5 — Que nao haja incompatibilidade de vizinhanga ou antagonismo entre si». Quanto a esta condigao, a viabilidade nao é total, pois tanto o amendoim como a mandioca exigem, principalmente, potassio, embora a mandioca seja mais exigente. Como se sabe, os solos da faixa arenosa costeira sao pobres em elementos minerals; no entanto, o cloreto de sódio, transportado pelos ventos maritimos, que f azem sentir a sua influência nesta faixa, pode concorrer para tornar viavel a associagao destas duas plantas, ambas exigentes em potassa, sabido, como é, que pequenissimas quantidades de sódio podem substituir o potassio. 2. CULTURAS ALIMENTARES E DE RENDIMENTO. 2.1. O mïlho. s O milho (Zea mays) (Zipfaki, em shitsua) é a cultura-base da alimentagao do indigena da regiao, embora, como ja tivemos ocasiao de referir, em algumas zonas restritas, o milho seja substituido pela mapira e/ou pela mexoeira. Verifica-se isto nas zonas menos evoluïdas, onde o nativo nao sente tanto a influência do «Branco», ou nas zonas de clima mais arido, e portanto onde aquelas espécies vao melhor do que o milho, por mais rusticas. Em- anos normais, no respeitante as condigoes climaticas no decorrer do ciclo vegetativo da planta, o milho produz muito bem em toda a regiao e nos mais variados tipos de solo, o que nao quer dizer que as produgöes unitarias nao sejam diferéntes consoante o seu grau de fertilidade. Normalmente, sao aproveitados para as culturas alimentares, quando nao ha ordenamento, os terrenos que nessa campanha sao abandonados pela cultura algodoeira. Ë ai que os nativos fazem as suas «machambas» de alimentareSj de que o milho faz parte associado a outras culturas, como a mandioca e o amendoim ou as nhembas; como ja referimos. Na faixa do literal, onde existe gado bovino, quando o milho é semeado em associagao com o amendoim ou com as nhembas, as «machambas» sao lavradas, mas no interior, onde nao existe gado, a preparagao da terra para as sementeiras do milho nao é feita e os indigenas limitam-se a «colimar a machamba» e a abrir os covachos onde colocam a semente. MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0 85 ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia agricola de Massinga As sementeiras do milho efectuam-se a partir do inicio da época das chuvas (Outubro-Novembro) e prolongam-se até Janeiro. Se a associagao de culturas diz respeito só ao milho e amendoim, o milho é semeado em linhas, mas os compassos adoptados sao bastante grandes; se a mandioca também se encontra na assoqiagao, o milho ja nao é semeado em linhas e os compassos adoptados ainda sao maiores. A sementeira é feita ao covacho. Dentro daquele periodo, é de prever que originem maiores produgoes as sementeiras realizadas mais no cedo, porque, procedendo assim, a época da floragao coincide com chuvas frequentes e bem distribuidas. Na cultura do milho tern importancia capital a maneira como decorre, sob o ponto de vista da queda pluviométrica, o perïodo da floragao, e portanto deve procurar-se ajustar a época da sementeira de tal modo que esta tenha lugar num perïodo de chuvas abundantes e bem distribuidas. «Considera-se como condigao favoravel a precipitagao de 80 a 150 mm de chuva, durante este periodo» (12). A fim de conciliar as exigências desta planta em relagao a agua em determinado periodo do seu ciclo vegetativo e o regime das chuvas da regiao, necessario se torna que a sementeira do milho seja realizada o mais cedo possivel, que quanto a nós, e tendo em atengao os valores normals das precipitagoes de Massinga, deve ser realizada por todo o mês de Novembro. Quanto mais tarde se fizerem as sementeiras, a partir desta data, menores sao as probabilidades de produgoes compensadoras, por o periodo da floragao vir a coincidir com uma época de fraca queda pluviométrica. Isto para anos normals, porque pode haver anos em que tal se nao verifique. Além das sementeiras da época das chuvas, os indigenas semeiam milho na época fria, milho amarelo a que chamam «milho mucambe», por ter sido introduzido pela Missao Metodista de Cambine, da circunscrigao de Morrumbene. As sementeiras desta época apenas se realizam nas zonas de maior humidade no solo, possivelmente aquelas onde os orvalhos têm maior importancia. Só em raros anos os indigenas conseguem obter produgoes regulares dos milhos semeados nesta época, mas continuam a fazê-las, por a colheita, quando a ha, se realizar numa época critica. Os nativos executam yarias sachas durante o periodo vegetativo desta cultura, pratica esta que tem. por fim eliminar as ervas daninhas concorrentes do milho em agua e principios alimentares e também por poderem vir a dominar a cultura principal. 86 MEM. JUNTA INVEST. ULTKAM. — 10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agrlcola de Massinga Do milho só é aproveitada a espiga, que na altura propria é colhida e guardada nos celeiros em pilhas bem arrumadas. Todo o resto da planta fica na «machamba», constituindo com as plantas do amendoim, depois de colhidas, uma cóbértura do solo, a que vulgarménte se chama «palhada». 1' 2.2. O amendoim. ' • O amendoim (Arachis hypogaea) (Timanga, em shitsua) é cuitivado, normalmente, pelos indïgenas em associagaó com outras culturas, o milho e a mandioca, sendo esta a associagao mais generalizada na agricultura indigena. Primeiro, plantam as estacas de mandioca, por alturas de Junho-Julho, embora o fagam durante toda a época fria, e mais tarde, as primeiras chuvas (Outubro-Novembro), semeiam o milho e, uns clias depois, o amendoim. A sementeira do amendoim é realizada ao covacho, sem se atender a qualquer compasso entre a mandioca e o milho, regulando o numero de plantas por metro quadrado a volta de d u a s . , ' A preparagao da terra para as sementeiras desta cultura é idêntica a do milho, pois geralmente estas duas culturas estao associadas. , Os indïgenas cultivam duas variedades culturais de amendoim, o «bibiane», variedade cultural de porte erecto e de ciclo vegetativo curto, e o «djimune», de porte prostrado, tipo Dar-es-Salam e de ciclo vegetativo mais longo. Os nativos gostam bastante da primeira variedade, por se tornar mais facil a colheita e pela sua J execugao rapida, embora reconhegam que lhes da menores pródugöes; no entanto, é o amendoim prostrado a variedade/cultural semeada em maior escala. . / ' * . ' ' Dentro dos tipos de solos que se encontram na faixa arenosa costeira, ö amendoim é cultivado em todos, eles. No interior dos Urrongas a cultura/ésta menos disseminada. Nas terras de maior potencial de fertilidade, mas onde é necessario executar derrubas para poderem ser agricultadas, os indïgenas nao semeiam o amendoim nos dois primeiros anos, julgamos nós pelas fracas pródugöes obtidas devido ao desequilibrio entre os elementos minerais, em favor do azoto, provocado pela grande quantidade de materia organica existente e até pela presenga da propria materia organica'ainda nao decomposta. MEM. JUNTA INVEST. UI/TRAM. — 1 0 87 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga Também é possivel que as fracas produgöes obtidas nos dois primeiros anos, neste tipo de solos, sejam provocadas por os terrenos. serem mais compactos e neles se nao executar qualquer mobilizagao.t Passados dois anos, devido as sachas que se executaram e aos sistemas radiciilares das plantas que ai se cultivaram, o terreno esta: em melhores condigöes, isto é, mais equilibrado para receber' o amendoim. Para termos uma ideia das produgöes unitarias desta cultura nalguns tipos de solos de Massinga nas condigöes em que a cultura é feita pelos indigenas, fez-se uma amostragem rudimentar, na campanha agricola'1956/57, que nos conduziu aos resultados apresent a d o s n o quadro vi. " ;• QUADRO VI Natureza dos solos Pardo-avermelhados, francos Pardos, francos Vermelhos dos Urrongas Cor de laranja, franco-arenosos Cinzentos, arenosos • ', •• Numero de plantas por hectare 19.400 24.000 16.400 17.300 26.000" •t ', . Producao (kg/ha) 750 • .800 700 ' 730 870 Nota. — O amendoim encontrava-se em assbciagao com outras culturas e o peso é em verde. ' Nao foi a campanha de 1956/57 um bom ano agricola para esta> cultura em Massinga-sede, pois verificou-se escassez *de chuvas emi Janeiro e parte de Fevereiro. ; ; ' ' '> Nao temos quaisquer elementos de experimèntagao para esta cultura e para a regiao em causa que nos permitam indicar q u a l a melhor data de sementeira e quais as necessidades, principalmente em agua, desta planta, e por isso recorremos ao trabalho de BOUFFIL (8), embora de antemao saibamos que esta comparagao nao nos conduz a resultados definitivos, que só poderao ser obtidos pela experimèntagao local. •,••,-••••'• Assim," comparamos a q u è d a plüviométrica de Massinga com a queda plüviométrica'verificada, no ano de melhor produgao, na Estagab de BAMBEY, no Senegal. -Analisando ó grafico vn, verificamos que o mês mais indicado para a sementeira do amendoim, no nosso caso, é o de Novembro e a partir da primeira década, o que nos permite fugir um pouco as grandes quedas pluviométricas que sé verificam normalmente em fins de Janeiro e ém Fevereiro, periodo 88 MEM. JUNTA INVEST. ULTBAM. — 10 GRAFICO Vit — „ v $ Owe4a yfoêtanitrftArt»*»a!4e MAÏSUGA ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia agrlcola de Massinga de maior intensidade de floragao do amendoim, além de que a colheita vai cair em Margo, mês de quéda pluviométrica bastante menor. Na questao dos compassos, VAZ MILHEIROS (17), para Mocuba, aponta como compasso ideal para o amendoim prostrado, quando em cultura estreme, o de 50X30 cm, chegando a verificar-se aumentos de producao da ordem dos 50 %, e para os erectos o de 40X20 cm, com acréscimos de 7 5 % . A adopgao de compassos apertados nesta cultura permite-nos fazer diminuir o ataque da «rosette», virose que aparece bastante em Massinga, provocando baixas produgöes unitarias. Quanto a natureza do solo, o amendoim agradece os solos de tëxtura mais ligeira e agradece tanto mais quanto menos evoiuida se encóntrar'a agricultüra da regiao, porque, quando nao ha mobilizagao dó solo para as sementeiras e quanto mais compacto ele for, menores sao as probabilidades de boas produgöes, pois nestas condigöes os gihóforos nao conseguerii penetrar na terra e a frutificacao nao se realizara; ao passo que se o solo for ligeiro, mesmo sein mobilizagao perfeita do mesmo, dar-se-a a penetragao de maior. numero daqueïes, logo a produgao é maior. Nao se devem descurar as sachas e a amontoa: as primeiras para manter as «machambas» isentas de plantas concorrentes e a segunda pratica para facilitar a penetragao dos ginóforos e a formagao das vagens. A amontoa nao deve ser feita depois dos vinte e cinco dias que se seguem a germinagao, pois pode provocar o abortamento dos ginóforos (10). 2. 3. , A mandioca. A mandioca (Manïhot utilissima) (Mifirinya, em shitsua) é largamente "cultivada pelos indigenas em associagao com outras culturas alimentares '(milho e amendoim ou nhembas) durante parte do seu ciclo vegetativo. As estacas da mandioca sao plantadas durante todo o decurso do ano, mas ha duas épocas em que é mais intensa a sua plantagao-—a época fria e a época do inïcio das chuvas. Sobv 6 pbnto de vista agronómico, a época mais indicada para esta pratica é~a-da época fria, época em que a actividade vegetativa da planta é menos intensa e consequentemente a concentragao da seiva é maior, originando, assim, uma maior percentagem de pegaMEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 89 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga mentos e plan tas melhor conformadas; é pois esta a época ideal, para tal firn, coincidindo, ainda, com um melhor atempamento das estacas. No entanto, a plantagao no iiiicio da época das chuvas^ tem também a sua razao de ser como medida de precaugao para garantia da produgao. , ;. , Os nativos, depois de «colimarem a machamba», plantam a mandioca, mas as estacas ficam bastante espagadas, talvez porque io indigena destina esse mesmo terreno a outras culturas que associa a esta, variando o numero de plantas, por hectare, entre 2.800 e 8.200. Nas baixas, onde por vezes a humidade do solo é em excesso, o terreno para a mandioca é armado em camalhao altq (até l m de, altura). , , . , , .i ^ • .; ' , As variedades de mandioca cultivadas na regiao necessitami entre dezassete e vinte meses para completar o seu ciclOjVegetatiyo,: isto é, para que as raizes tuberosas atinjam o seu maximo desen-j volvimento. / , _•,..,', M-,v-,. A colheita é geralmente feita na segunda época/sSecaapós a. plantagao, periodo mais favoravel para a-f efectuar, pois as-raizes. estao enxutas e sao mais ricas em fécula. Procedendo-se assim; a farinha que se obtém é em maior quantidade e de melhor qualidade.Na campanha agricola de 1956/57 fizemps ^uma^amostragem rudimentar para ficarmos com uma ideia sobre as produgöes unitarian desta cultura nos diversos tipos de solos de, M a s s i n g a ^ n a s condigoes em que ela é cultivada pelos indigenas. ^ Os resultados obtidos figuram no quadro vu. •)*! QUADRO VII Natureza dos solos Pardo-avermelhados, francos .... Pardos, francos Vermelhos dos Urrongas Cor de laranja, franco-arenosos Numero de plantas por hectare Produsao (kg/ha) 2.800 3.200 8.200, 4.300 6.600 .2.400 5.900 t '6^020 4.710 4.300 ' Produgao por planta (te). : 0,860 1,843 [ - " ,. , 0J34 * ~1,097' ' .'0,651' ' r Nota- — As produgöes sao referidas a mandioca verde, que dao 25 a 30 % de mandioca seca. "'"* Embora a mandioca nao seja exigentè' quahto 'aos solos' em qüë' é cultivada, agradece terrenos ligeiros, nos quais as süas'raizes tube-' 90 MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM. — 10 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga rosas se desenvolvem muito mais facilmente, e além disso a drenagem processa-se em melhores condigöes, o que beneficia a cultura. Em Massinga, os indigenas cultivam-na em todos os tipos de solos, que, de uma maneira geral, tendem para o ligeiro, notando-se no entanto que as produgöes por planta aumentam a medida que o solo vai melhorando (ver quadro v n ) . É esta planta bastante exigentë em potassio, elemento que aparece em pequena percentagem nestes solos; no entanto, o cloreto de sódio, transportado pelos ventos marïtimos, pode compensar, até certo ponto, esta deficiência dó solo, como ja atras escrevemos. Apesar disso, as produgöes obtidas, e que figuram no quadro vn, ainda justificam económicamente esta cultura para o nativo, por falta de outra que satisfaga as suas exigências nestas condigöes do meio. Seria, no entanto, interessante saber-se ate que ponto a mandioca reagiria a adubagöes ricas em potassio. Lembramos que o numero de plantas por hectare esta bastante abaixo do normal, o que, como é óbvio, influi na produgao unitaria. Esta cultura, de grande utilidade para o indïgena por constituir uma reserva alimentar de que pode langar mao em caso de necessidade, em qualquer altura, nao pode deixar de fazer parte das culturas alimentares agricultadas pelo nativo. Devia, no entanto, procurar-se obter variedades de mandioca resistentes as viroses, pois é raro encontrar-se um pé de mandioca que nao esteja atacado, o que fatalmente se vem reflectir na produgao. Para a plantagao, devem sempre escolher-se estacas de plantas que nao estejam atacadas de viroses. Seria de grande utilidade averiguar-se até que ponto as viroses afectam a produgao e procurar obterem-se variedades de mandioca resistentes. Ainda como medida para melhorar as condigöes de cultura desta planta na agricultura indïgena, aconselhamös a adopgao da plantagao em linhas, utilizando compassos adequados e ja atras referidos. V 2.4. O algodoeiro. A cultura do algodoeiro é feita em regime de concessao, como alias em toda a provincia de Mogambique, concessao que pertence a Algodoeira do Sul do Save, L. da , empresa concessionaria das zonas algodoeiras do distrito de Inhambane e Gaza. A Junta de Exportagao do Algodao, como organismo de coordenagao económica, cabe a orientagao técnica da cultura algodoeira. MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0 91 ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia agricola de Massinga Com a finalidade de se saber onde cultivar económicamente o algodoeiro, foi feito em 1947 o reconhecimento da entao proyincia do Sul do Save. As eonclusoes desse estudo, feito por uma equipa de técnicos da Junta de Exportagao do Algodao para a circunscrigao de Massinga (posto-sede), foram as seguintes: i a) Areas onde a cultura algodoeira deve ser eliminada ou interdita. Devem interditar-se a cultura algodoeira os solos delgados,, com afloramentos calcarios, e os solos amarelos, cinzentos a esbranquigados, arenosos. b) Areas onde a cultura algodoeira deve ser intensificada. Deve intensificar-se a cultura algodoeira nos solos vermelhos dos Urrongas e nos solos vermelhos, vermelho-acastanhados e pardo-avermelhados, arenosos a francos. Conhecidos quais os tipos de solos com melhor aptidao algodoeira, ha agora que procurar levar o indigena a «fazer algodao» nesses solos e enquadra-los em concentragöes agricolas, a fim de que os nativos sigam uma rotagao de culturas adequada, ünico meio, nas condigöes actuais da agricultura indigena, que nos permite conservar a fertilidade do solo e nao o levar a completa esterilidade, de difïcil e longa regeneragao. Quanto as condigöes climaticas, também Massinga as oferece para esta cultura; o seu regime de chuvas e temperaturas é de molde a nao inibir a cultura nesta regiao. No entanto, ha que atender-se a certas normas para que as produgöes sejam as melhores, desde que o ano agricola decorra normalmente. Assim, as sementeiras, cujo prazo oficial vai de 1 de Novembro a 15 de Dezembro, devem, mesmo dentro deste prazo, efectuar-se o mais cedo que as chuvas regulares permitam uma boa germinagao, pois constata-se, pelos resultados obtidos na experimentagao, que, quanto mais tardia for a sementeira, menores sao as produgöes, devido as elevadas exigências fototérmicas do algodoeiro. Quanto mais cedo se semear mais cedo se dara a maturagao das capsulas, fugindo-se as baixas temperaturas que se verificam a partif de Maio-Junho. 92 MEM. JUNTA INVEST.- ULTRAM. — 10 ^ ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga Sobre as sementeiras realizadas no tarde, Mario de Carvalho (9) escreve: «O algodoeiro, quando semeado tarde, com a estagao das chuvas ja adiantada, vem geralmente a sofrer com falta de humidade no solo na fase final, do seu desenvolvimento, vindo a frutificar numa época em que as temperaturas médias diarias sao, em muitos casos, ja bastante baixas, e assiste-se entao a urn alöngamento anormal do periodo de capsulagao — as capsulas demoram demasiado tempo a abrir e essa demora é fatal para a maior parte delas: o ataque da lagarta vermelha, do «jasside», «helopeltis», manchadores e de outros representantes dessa conhecida legiao de inimigos do algodoeiro, atinge neste caso uma violência excepcional. As capsulas, demorando a maturar e a abrir, oferecem-lhes um repasto abundante e certo: comem, sujam, inutilizam milhares de toneladas de algodao, que representam muitos milhares de con tos perdidos pelos indigenas, e muitïssimos mais, perdidos pela Nagao». Depois das sementeiras feitas e de se ter dado a germinagao ha que ter o cuidado de manter a «machamba» limpa de ervas infestantes, para que nao haja gastos inüteis de agua do solo, de principles alimentares, e para nao ensombrear o algodoeiro, facto que vem afectar a quantidade e qualidade da fibra. ' • Aproveita-se a primeira sacha para se efectuar o desbaste, a duas plantas, para que estas ramifiquem bem, pois a frutificagao dos ramos basais, por ser a mais precoce na planta, é a que mais nos garante a produgao. Comparando o total das quedas pluviométricas na época da floragaö com as produgöes unitarias de algodao na campanha de 1949/50 até a de 1953/54, verificamos haver uma certa correlagao entre estes dois elementos. QUADRO VIII Campanhas 1949/50 1950/51 1951/52 1952/53 1953/54 v MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 / V Queda pluviömétrica na época de floragao (mm) Producao (kg/ha) 165,3 109,0 378,7 187,3 215,6 79,91 221,48 273,57 419,12 493,51 93 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga Assim, nos dois anos de maior produgao unitaria (4.° e 5.°) as quedas pluviométricas respectivas nao se afastam dos 200 mm, numero que L. de GASPERI (*) considera ideal para o periodo de floragao. ' No 3.° ano, campanha que se pode considerar abaixo do normal, os 378,7 mm de chuva, quase o dobro da queda pluviometrica ideal,, foram em excesso, e se este excesso nao provocou uma quebra maior na produgao foi porque 266 mm daquela quantidade cairam no inicio da floragao e portanto os estragos causados foram bastante menores. A produgao unitaria do 2.° ano nao se afasta muito da produgao do 3.° ano, embora as quedas pluviométricas, nesta fase, difiram bastante. Julgamos que um dos motivos da menor produgao deve estar na pequena queda pluviometrica verificada neste periodo, cerca de 50 % do valor normal. No 1.° ano, o de menor produgao, a chuva caida na época do crescimento (912,5 mm) deve ter alongado o ciclo vegetativo da planta, e portanto a fase de maturagao das. capsulas apanhou os frios, o que prejudicou a abertura das mesmas. Para que o agricultor tire o maior proveito possïvel de todo o trabalho tido com a cultura é necessaiio e indispensavel que faga uma boa colheita por qualidades, l. a e 2.a, pois a diferenga de pregos é razoavel ($70), e se ela nao for executada segundo estas normas, preconizadas pela Junta de Exportacao do Algodao, os prejuizos que advirao para os produtores serao notórios. Preeoniza-se que a colheita seja feita por qualidades, colheita essa que pode ser realizada simultaneamente desde que o indïgena esteja munido de um avental com duas divisöes ou de dois cestos. Depois da colheita executada deve o algodao-carogo ser colocado em estrados, que possam ser cobertos durante a noite por causa da humidade, que funcionam de secadouros, um para o algodao-carogo de l. a qualidade, outro para o algodao-carogo de 2.a qualidade, com a finalidade de melhorar a fibra, nao só pela diminuigao do teor da humidade como pela absorgao de certa quantidade de óleo contido na semente, aumentando-lhe, assim, a sua resistencia. Enquanto o algodao-carogo permanece nos secadouros, deve o indïgena proceder ainda a uma segunda escolha. (*) Cit. por Azzi (5). 9If MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM. — 1 0 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monograf ia agricola de Massinga Depois decolhido e seco, este algodao é ensacado e levado oportunamente aos mercados de algodao, oficialmente estabelecidos, onde é adquirido pela empresa concessionaria. 3 / J ; A AGRICULTURA DO FUTURO. - "•'3; It Generdlidades. r • . Durante p nosso trabalho de campo, realizado em 1955, nao nos ocorreu a possibilidade de ele vir a ser a base desta Monografia, ' e por isso nao o conduzimos de modo a hoje podermos dispor de elementos que nos permitissem concluir quais as quantidades de alimentos necessarias para a subsistência diaria de uma familia indigena-tipo, digamos assim, e, por isso, temos agora de recorrer as . tabelas oficialmente aprovadas para a alimentagao diaria dos indigenas que trabalham por conta de outrem, a fim de podermos calcular, de uma forma aproximada tanto quanto possivel da realidade, qual a area que uma familia indigena precisa agricultar para, em condigoes normais, poder colher os produtos necessarios para a sua subsistência, durante urn ano. Vamos considerar a familia indigena constituida por quatro pessoas: pai, mae e dois filhos. Dizem-nos as tabelas of iciais (tipo A) que as quantidades necessarias e diarias dos produtos agricolas-bases da alimentagao do nativo sao: Farinha de milho Feijaoseco Amendoim descascado ' 800 g lOOg 150 g Nesta hipótese, para uma familia, serao necessarias as seguintes quantidades por ano: / Farinha de milho Feijaoseco Amendoim descascado ... 0,8 X4X365=1.168kg 0 , 1 X 4 X 3 6 5 = 146kg 0,15X4X365= 219kg Estas sao as quantidades que oficialmente se exige que os patröes fornegam aos indigenas que para eles trabalham. Na sua MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 95 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agrlcola de Massinga casa, no seio da familia, o indigena come bastante menos, e portanto as quantidades necessarias, na realidade, sao bastante menores. Mas antes pequemos por excesso que por deficiência. ; Verifica-se que a quantidade de milho necessaria é bastante superior a produgao que uma familia indigena obtém, normalmente, na sua «machamba», mas o que se constata também é que o indigena utiliza farinha de mandioca para substituir a de milho, e portanto aquela quantidade é satisfeita por estes dois produtos, embora a farinha de mandioca seja menos rica em proteïnas, gorduras e elementos minerals. Esta deficiência e, no entanto, suprida pela maior quantidade de ,fëijöes e de amendoim que consome, em relagao as tabelas, sendo estes alimentos mais ricos principalmente em proteïnas e elementos minerals do que as farinhas de milho ou de mandioca. A composigao de cada um destes produtos é, em média, a seguinte: , Mandioca seca Proteinas (g) ... Gorduras (g) .... Hidratos de carbono (g) Calorias Calcio (mg) Fósforo (mg) Elementos minerals (mg) Potassio (mg) Vitamina C (mg) Vitamina B (meg) Vitamina B, (meg) Vitamina P P (meg) 2,5 1.1 80,0 340 90 90 Farinha de milho 9,74 ' 4,59 69,12 334 Amendoim Nhembas 27 40 40 548 50 400 20,3 2,1 43,9 80,8 412 700 262 14 1,127 2,0 100 150 3 ï 1.450 Consideramos, para a regiao de Massinga, as seguintes produQöes unitarias: Milho, mapira ou mexoeira Amendoim descascado p ) Nhembas Mandioca (emverde) 0 ) .....'.... (') 96 500 kg/ha 300 kg/ha 400 kg/ha 5.000kg/ha Baseado nas amostragens feitas, embora rudimentares. .MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga 3. 2. Rotagoes. Areas em cultura. Da posse destes elementos podemos agora estimar as areas que se devem destinar a cada uma das culturas e estabelecer algumas rotagoes, conforme as condigöes se nos apresentem. Assim, sugefimos: A-—Em terrenos que exijam derrubas: 1.° ano — MilhoXnhembasXabóboras. 2.° ano — Algodao. 3.° ano — MandiocaXamendoim. Pousios. B — Em antigos pousios: 1.° ano — MilhoXamendoim. 2° ano — Algodao. 3.° ano — MandiocaXnhembasXabóboras. Pousios. A area a agricultar nestes dois tipos de rotacao seria de 2,5 ha, ficando as duas primeiras folhas com l h a cada e a 3. a folha com 0,5 ha. C — Para as zonas onde a queda pluviométrica é menor e o perïodo de seca maior, como o interior dos Urrongas: 1.° ano — Mapira ou mexoeira. 2.° ano — Algodao. 3.° ano — MandiocaXamendoim. Pousios. Nestas regiöes, onde as condigöes climaticas tendem para a aridez, devem adoptar-se certas praticas dè'aridicultura, que é «a agricultura feita em condigöes de escassez de agua e quando se nao póde recorrer a irrigagao; inclui os sistemas agncolas empregados nas regiöes aridas e semiaridas do mundo» (16). ~0s sistemas de aridicultura têm como objectivo principal conseguir que as plantas utilizem, o meihor possïvel, a agua disponivel. Consegue-se este objectivo, no caso das culturas anuais, por tres formas: emprego de plantas de ciclo vegetativo.curto, que efectuem MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 7 '97 ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia agricola de Massinga a maior parte do seu crescimento durante a estagao chuvosa; redugao das perdas de agua por escoamento, evaporagao e ervas daninhas; e, se necessario ou possivel, armazenamento da agua pluvial de uma estagao/ chuvosa para a seguinte por meio de alqueives ou pousios nus (RUSSELL) i1). Em primeiro lugar, devem escolher-se, para regiöes desta natureza, culturas «caracterizadas por indices de transpiragao baixos, por curtos ciclos vegetativos que se adaptam a uma curta estagao de chuvas, e por sistemas radiculares fortes e profundantes» (16). Sao as gramineas capazes de suportar grandes secas e dentro destas destacam-sé as mapiras e as mexoeiras. Dai a razao da sua inclusao nesta rotagao. Também o algodao, o amendoim e a mandioca sao capazes de se adaptar a estas condigöes. Outro factor importante a ser considerado é a questao dos compassos. O aumento da distancia entre plantas, em anos secos, pode acrescer ou estabilizar as produgoes (16). «É tïpico o exemplo referido por RUSSELL (1950): nas regiöes ocidentais dos Estados Unidos, em certos anos, o sorgo, semeado em linhas afastadas de 2 m entre si, permitiu colheitas aceitóveis; nos casos em que o compasso se reduziu a i m nao houve produgao. "A média de varios anos mostra, para certas regiöes, que a produgao deste cereal, no caso de linhas separadas de 2 m, é apenas inferior em 5 a 10 % a do compasso de 1 m» (16). Outro cuidado a ter, em regiöes desta natureza, é o de pror ; ,curar manter livre de ervas daninhas as terras em cultura, pois estas consomem grandes quantidades de agua, agua que beneficiara as culturas uteis, caso os capins sejam mondados com oportunidade, e também de elementos nutritivos. * Tanto quando da preparagao do terreno destinado a ser agricultado como nas mondas, devem aproveitar-se estes capins, depois de cortados, para constituirem uma cobertura superficial do solo. Até ha pouco «preconizava-se a pulverizagao da camada superficial do solo, a formagao do dust mulch, por sucessivas cultivagöes, a firn de evitar, só por si, a perda de agua. Verificou-se que tal nao 'sucedia, tendo ainda tal pratica o inconveniente de facilitar a erosao eólica e hïdrica. Como yantagëns contava-së apenas a destruigao das ervas daninhas, grandes consumidoras de agua» (16). (') 98 Cit. por Teixeira e Grandvaux Barbosa (16). MEM. JUNTA INVEST. UI/TRAM.'—10 ALMEIDA, Armando Antunes de—• Monografia agricola de Massinga D — Para as zonas em que pela natureza dos solos niïo é aconselhavel tècnicamente a cultura . do algodoeiro, como sejam as correspondentes aos complexos I e n da carta de solos: • > , . . , . . Os solos da regiao a que nos estamos a referir (complexos I e n) sao solos pobres e a sua produtividade reside nas quedas pluviométricas regulares que se fazem sentir nesta area, que é litoral, e no facto de as culturas poderem aproveitar a materia organica da camada superficial, em terrenos de derruba recente, e que nao sejam agricultados mais de dois anos. Os indigenas «fazem o milho» nestes solos, mas as produgöes unitarias hao-se ser fatalmente baixas, e pena temos de nao as podermos representar por nümeros. Assim, sugerimos dois tipos de rotagao para esta zona a base das culturas alimentares, onde a area entregue a cada cultura é maior para que as quantidades colhidas sejam também maiores, e possa ser vendido ao comércio local o excedente, que lhe permitira satisfazer as suas necessidades. Teremos, entao: Milho X amendoim. MandiocaX amendoim. Pousios. ou Amendoim. . MandiocaXnhembas. Pousios. ' } / / v / No primeiro caso, a l. a folha temvl,5ha e a 2.a l h a e, no segundo caso, a folha destinada ao amendoim tem 2 ha e a destinada a associagao mandiocaXnhembas tern 1 ha. Se os indigenas que habitam estas areas, de solos mais pobres, comegarem também a dedicar-se a cultura do café de Inhambane (Coffea racemosa), cultura que nesta regiao encontra boas condigoes de desenvolvimento, poderao, daqui a alguns anos, cultivar apenas uma area de culturas alimentares que Ihes permita colher o que necessitam para a sua alimentagao, pois o café passara a constituir a sua fonte de rendimento. Meio hectare ou mesmo um quarto de hectare junto a palhota seria a area suficiente, pois os nümeros apresentados por JARDIM MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. r— 10 99 ALMEIDA, Armando Antunes de —- Monografia agricola de Massinga (7) permitem-nos prever para esta espécie uma produgao, em anos de condigoes normais, de 570 a 950 kg, por hectare, de café comercial, o que lhes daria o suficiente para satisfazerem as suas necessidades reais. O prego medio de compra do café pelo comércio oscila entre 15$00 e 20$00, presentemente. Os compassos a adoptar pelas culturas nestas diferentes rotagoes seriam: . . " BETTENCOURT Milho Mandioca Amendoim Mapira e mexoeiras ......... 1,20mX0,40a0,50m. l,20mXl,00m. 0,50mX0,30m. 1,50 mX 0,50 m., A / Claro que estes numeros nao sao rigidos, pois para este efeito nao pode haver nOrmas fixas, tendo de atender-se a natureza do solo, as condigoes ecologicas do meio, etc., etc. No entanto, a sua apresentagao tém, qüanto a nós, a virtude de servir de ponto de partida para ulteriores trabalhos. A finalizar, cumpre-nos apontar a falta que se faz sentir de uma experimentagao bem orientada, com o firn de esclarecer este e outros pontos, para bem da Agricultura Indigena. BJBLIOGRAFIA (1) (2) (3) (4) (5) (6) '100 ABKEU VELHO, H. L. G.: 1953 — Composigdo quimica de alguns produtos de origem vegetal utilizados na alimentagao dos indigenas. «Anais do Institute de Medicina Tropical», vol. x, n.° 3, fasc. n. Institute de Medicina Tropical. Lisboa. AMOEIM, J. J.: 1944 — Alguns preceitos sobre a cultura do milho e breves notas sobre a cultura da batata. 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Lisboa. »(8) BOUFFIL, F . : 1947 — Biologie, ecologie et selection de l'arachide au Senegal. Ministère de la France d'Outre-Mer. Section Technique d'Agriculture Tropicale. «Bulletin Scientifique», n.° 1. Paris. •(9) CARVALHO, M.: 1949 — Resultados da experimentagao algodoeira em Mozambique. Andlise estatistica e redacgao. Junta de Exportagao do Algodao. Centro de Investigagao Cientïfica Algodoeira. Lourengo Marques. (10) DEVEZA, M. C : 1957 — A cultura do amendoim. «Gazeta do Agricultor». Servigos de Agricultura. Mogambique. Lourengo Marques. •(11) FERREIRA FILHO, J. C : 1942 — Manual da Mandioca. Biblioteca Agricola Popular Brasileira. Chacaras e Quintals, L.da S. Paulo. Brasil. (12) FERREIRA FILHO, J. C : 1951—Cultura do Milho. Ministério da Agricultura. Servigo de Informagao Agricola. Rio de Janeiro. Brasil. >(13) SANTOS . CARVALHO, J.: 1953— Composigao de alguns alimentos exóticos e seus nomes vulgar es. «Anais do Instituto de Medicina Tropical», vol. x, n.° 3, fase. il. Instituto de Medicina Tropical. Lisboa. (14) SANDERS, A. R.: 1930 — Maize in South Africa. «South African Agricultural», série n.° 7. Central News Agency, Ltd. South Africa. <15) SILVESTRE, A.M.: 1953 — Contribuicao para o estudo da alimentagdo do indigena das nossas Provincias Ultramarinas. «Anais do Instituto de Medicina Tropical», vol. x, n.° 3, fase. n . Instituto de Medicina Tropical. Lisboa. (16) TEIXEIRA, A. J. S., e GRANDVAUX BARBOSA, L. A.: 1957 — A Agricultura do Arquipélago de Cabo Verde. Cartas Agricolas. Problemas Agrdrios. Junta de Exportagao do Algodao. Centro de Investigagao Cientïfica Algodoeira. Lourengo Marques. (17) VAZ MILHEIRO, A. D.: 1956 — A importdncia dos compassos. «Gazeta do Agricultor», n.° 87. Repartigao Técnica de Agricultura. Lourengo Marques. Mogambique. / / MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 101 I — As ire-s alfaias utilizadas pelos inilgenas para pre las suas machambas : machados • e st< tram nos indigenes mais evolufdos), cal l a t ifreal, I \m elaa vos executant desde .i derruba .1 m FI>I<I J'l - Nas regiöes do litoral, onde CXiste gado bovitm. , ^ macliamhas sfm lavradas (cabo Mahocha) m- • - • • I - " a oegeUtfdo dos pousi icorporada no solo ida com amendoim cu • ' i amendoim tfuelmadd. i ibservnr os t Foto US — O i: esta cull COnip isociada ao m i l l i o : de nul,ir 08 gran Ie Foto 29 - s Macbamba ije batata docea D«- notar <* »!<'is tipos de armacSo do terrein e .! rasa, com ligeira amontoa : Foto 30 — Chltsuniulo I'I — estrado com amendnim empilhado (planta complete) e cobtrto de capim. EstaJ mi endoim sflo feitas na propria machamba e s'"i<» tempordrlas, <» eatrado esta" afastatlo dn terreno para preservar >> amendolm da immidade do solo (;J I.m shilsu. Foto '1 —Aspect i da tcrceira e quarts folhas da concentracfio agricola do Mabadine, com algodSo c milho, respectivamente. Notam-se exemplares de Adansonla (tlgltata. espécie exo Jos Urrongas Foto 32 — Segunda folha mostraiido a vegeta^So resultante dn poutfio i e um BOO, incofltpleto, api>s d<•!-• inoa ile culture 1954-55 — milho. Assim : .. ) — pousio. r Foto 'i — Prinielra folha d,i concentracio, com dois anos. incompleios, de pousio, após, pelo menos, tres .1""- de algodao APÊNDICE. PEQUENO GLOSSARIO AGRICOLA .Abrir o covacho Algodao-carogo Algodao-carogo de l. a Algodao-carogo de 2." Algodoeiro (arvore do algodao) Armazém de produtos alimentares Arranque e queima dos algodoeiros :Boi •C&psula do algodoeiro Colher algodao-carogo •Colher amendoim Ooiher culturas alimentares Colher milho •Cordel para a marcagao das linhas Derruba de mata espessa Desbaste a duas plantas Distribuigao de semente TSscolher o algodao TTlor do algodoeiro Marcar as linhas ... Marcar a machamba de algodao Mato Mato de pousio ou pousio Medas de amendoim Mercado de algodao Sachar Secadores para algodao Semear ... -. Instrumentos Catana Charrua (enxada de boi) Enxada eafreal' Enxada europeia Machado MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10 '.. .' ... / ... Khele. Wuluba. Wuluba. Ziduswa. Tsinya ga wuluba. Tzala. Kutsuwulelanikubissa. Tihomo. Marukwane. Kukhaya ou kukola. • Kuhanza. Kukola. Kutsobela. Ngote. Kuxakatsa. Kupambulela. Kuteka atinyunge. Kuhlawulela. Zitsange. Kupima a midhidha. Kupanzela. Kuati. Mafusse. Chitsunzulo. Kuxabisa wuluba. Kuhlakula. Chitsatse. Kubyala. agricolas / Bera. Chikomo xa tihomo. Chikomo. Hemula. Beula. 103 ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agrlcola de Massinga Utensilios de cozinha Acgao de pilar Cabaga para ag^ia Pau do pilao Peneira Pilao ./. 10k „• ' Kukanza. ' Xiambo. Mussi. Lihlelo. Churi. \• MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10* JUNTA DE INVESTIGACÖES DO ULTRAMAR RUA DA JUNQUEIRA. 86 LISBOA PRECO: mm