MEMÓRIAS DA JUNTA DE INVESTIGACÖES DO ULTRAMAR
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MONOGRAFIA AGRICOLA
DE MASSINGA
(POSTO-SEDE)
ARMANDO ANTUNES DE ALMEIDA
LISBOA—1959
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ISEIC LIBRARY
V*
HZ - 1959,01
•4.
Wageningen
The Retherlands
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,..A
Volumes ja publicados na colecgao
de «Memórias» (Segunda Série)
i
1 — SSo Tomé e Principe e a Cultura do Café — Helder Lains e Silva.
2 — A Agricultura do Arquipélago de Cabo Verde (Cartas agrlcolas. Problemas agrarios)
— António José da Silva Teixeira e Luis Augusto Grandvaux Barbosa.
3 — Blementos de Anatomia de Madeiras. Folhosas Portuguesas — Manuel P. Ferreirinha.
4 — Estudos de Biologia Maritima — Varios autores.
5 — Estudo das Madeiras de Timor (II Contribuicao) — Maria Clara P. G. de Freitas.
6 — Contribuieöes para o Conhecimento da Flora de Angola — II e de Mocambique — IV
— J. G. Garcia,
7 — Estudos de Zoologia—Catdlogo das Aves da Guinê Portuguesa—F. Frade e A. Bacelar.
8 — Estudos de Zoologia — Varios autores.
9 — Carta Geral dos Solos de Angola — 1. Distrito da Huila — Missao de Pedologia de
Angola.
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MONOGRAFIA AGRlCOLA DE MASSINGA
(POSTO-SEDEJ
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MEMÓRÏAS DA JUNTA DE INVESTIGAQÖES DO ULTRAMAR
10
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SÉRIE)
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MONOGRAFIA AGRICOLA
DE MASS INGA
(POSTO-SEDE)
ARMANDO ANTUNES DE ALMEIDA
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materials within thé archives where the identification of the
Copyright holder is clear and, where feasible, to contact the
originators'.^. For questions please contact [email protected]
indicating the itenr'feference number concerned.
J
LISBOA —1959
33#
INDICE
P&.B-
PREFACIO
:
9
I.
FISIOGRAFIA
1. Situagao. Area .....
2. Orografia. Zonas altimétricas
3. Hidrografia
Bibliografia
13
13
13
14
II.
GEOLOGÏA
1. Breve informagao sobre a geologla
15
1.1. Cretacico a recente
.-.
1.2. Quaternario: lacustre calcario e marinho. Dunas
1.3. Terciario: pliocénico marinho e miocénico marinho
Bibliografia
,
16
j
UI.
1. Generalidades
2. A pluviosidade ....'
15
15
16
•
f
CLIMA
,
17
17
...
2 . 1 . Quedas pluviomêtricas anuais
2. 2. Quedas pluviomêtricas mensais
2.3. DivisScr do ano em periodos
17
19
19
2 . 3 . 1 . O periódo hümido
2.3.2. O periodo seco
2.3.3., O periodo de transigao
20
20
21
Distribuigao das chuvas
25
1
2.4.
3. A temperatura do ar
4. A humidade relativa .....
MEM. JUNTA INVEST. ULTBAM. — 10
..
26
27
5
ALMJSIDA, Armando Antunes de — Monograj'ia agricola de Massinga
s
P4&.
5.
A classificagao do clima
28
5.1.
5.2.
28
29
30
30
30
5.3.
5.4.
Consideragöes gerais. Climogramas
Indices numéricos
5.2.1. Coeficiente hidrotérmico
5.2.2. Indice de aridez de Martonne
5.2.3. Coeficiente de Koppen
:
A classif icagao de Koppen
Classif icagao racional de Thornthwaite
;. .'
5 . 4 . 1 . Introdugao
5. 4. 2. ' Deterrmnagao da evapotranspiragao potencial
5.4.3. Balango hldrico ...
:
5.4.4. Classif icagao racional de Thornthwaite
Bibliografia ..'.
31
32
32
32
33
37
...
... '.
38
:
IV.
'
SOLOS
1. Introdugao
2. Representagao cartografica
3. Classificagao dos solos
41
41
42
3.1. Solos da faixa arenosa costeira e descrigao dos seus complexos ...
3.2. Solos dos Urrongas
•. ...
3.3. Machongos
•..-.
Bibliografia
...
V.
'
'
42
45
46
.47
VEGETACAO
1. Introdugao
2. Descrigao dos complexos
3. Algumas espécies vegetais
49
49
51
3.1.
Nomes cientificos de algumas espécies vegetais ë seus correspondentes em shitsua
3. 2. Nomes indigenas de outras espécies vegetais de que nao nos foi
possïvel obter o nome cientifico ;
Bibliografia
VI.
1. Introdugao
2. Censo da populagao ...
6
51
52
...
52
•...
55
56
DEMOGRAFIA
•
..'.
..:
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
V
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
3.
agricola de Massinga
Peg.
56
Populagao indlgena
3.1. A povoagao do indlgena
3.2. A alimentagao
3.2.1.
3.2.2.
3.2.3.
3.2.4.
•3.2. 5.
3.2.6.
3.2.7.
3.2.8.
56
57
Cereais
Legumes..
Frutos oleaginosos
Raizes tuberosas
Diversos
Frutos
Caplns
...
Alimentos animais ...
3.2.8.1.
3.2.8.2.
3.2.8.3.
.
j
•'...
Caga
Pesca
... ...
Outras espécies animais
..... ...
...
3.2.9. Bebidas alcoólicas
3.2.10. Sal ...... ...
3.2.11. Confeccao dos alimentos
3. 3. Recrutamento indlgena
Bibliografia
... .,
57
5858
59
59
60
60
61
61
61
61
...
62
63
63
...
65
.j
66
VII. O PROBLEMA DA AGUA PARA ABEBERAMENTO
DAS POPULAgOES E GADO
1. Introdugao
2. Como se abastecem de agua e locais de abastecimento
3. Abastecimento dos Urrongas
67
68
69
VIII. ACTIVIDADES ECONÖMICAS
1. Introdugao
2. A agricultura
2.1. A agricultura nao indigena
2.2. A agricultura indlgena
2.2.1.
2.2.2.
2.2.3.
71
72
.<
72
73
;
Culturas alimentares
Culturas de rendimento
Culturas perenes
3. A pecuaria
4. O comércio
Bibliografia
MEM. JUNTA INVEST. ULTKAM..— 10
74
75
77
,.
78
78
79
7
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
Peg.
IX.
APTIDAO AGRICOLA
1. Introdugao
2. Culturas alimentares e de rendimento
2.1.
2.2.
2.3.
2.4.
3.
O
O
A
O
milho
amendoim ....
mandioca
algodoeiro
^.
•.
...
81
85
85
87
89
91
:
A agricultura do f uturo
'
95
3.1. Generalidades
3.2. Rotagöes.'*Areas em cultura
95
97
Bibliografia
... ...
Apêndice. Pequeno glossario agricola
100
103
i
y
8
MEM. JUNTA INVEST.' ULTRAM.—• 10
PRE F AC IO
^
Os trabalhos de campo -— reconhecimento dos solos do posto-sede da circunscrigdo de Massinga— tiveram lugar de Janeiro a
Julho de 1955, nada nos levando a supor, nessa altura, que eles seriam
a base a, volta da qual se havia de estruturar esta Monograf ia Agricola que ora se apresenta. Em Abril de 1957 realizdmos um inquérito, junto dos indigenas de Massinga, com a finalidade de colhermos elementos que nos permitissem completar o presente trabalho.
O reconhecimento dos solos foi feito em regime de brigada, brigada essa que era constituida por nós e pelos Prdticos Agricolas Rut
Rodrigues e Abilio Semido Nunes, todos contratados pela Comissdo
Administrativa do Fundo do Algoddo, mas ao servigo da Junta de
Exportagdo do Algoddo.
Ao terminarmos os trabalhos de campo, que mensalmente eram
relatados para os Servigos Técnicos da J. E. A., em Lourengo Marques, e acompanhados de esbogos com a demarcagdo das diversas
manchas de solos encontradas, lembrdmo-nos de reunir todos os elementos referentes a solos e a vegetagao, constantes dos relatórios
acima referidos, para maior facilidade de consulta. Foi nessa altura
que passou por Inhambane a Brigada de Divulgagao Técniea da
J. E. A., constituida pelos Engenheiros Agrónomos Domingos Henriques Godinho Gouveia e Francisco Maria Feio, aos quais expusemos a nossa ideia e com a qual concordaram em absoluto, mas
' sugeriram que fosse alargado o dmbito do trabalho, de maneira a
constituir uma monografia da regido. Assim se comegou a formar
o trabalho que aqüiapresentamos.
\ /
0 Reajustamento das Zonas Algodoeiras e o Ësbogo do Reconhecimento Ecölógico-Agrïcola de Mogambique sdo trabalhos valiosos que constituem a base para qualquer novo empreendimento, no
aspecto agricola. No entanto, GODINHO GOUVEIA e ARIO AZEVEDO escrevem na parte final do capitulo de «Solos» do segundo
trabalho acima referido: «Mas se pretendermos promover o fomento
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0
9
ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
agricola dessa regido teremos necessdriamente de recorrer a reconhecimentos regkmais mats pormenorizados», e, mais adiante, «A continuidade adequada ao reconhecimento geral iniciado em 19^1 reside
no seu prosseguimento através de reconhecimentos regkmais mais
pormenorizados...».
Ê esta a finalidade que pretendemos alcangar com a apresentagdo deste nosso trabalho, e se tal conseguirmos consideramo-nos
satisfeitos.
Resta-nos manifestar o nosso agradecimentp as pessoas que de
alguma maneira contribuiram para que fosse possivel a apresentagao desta Monografia;
Aos Ex.moySrs. Dr. Francisco de Martel Patricio e Engenheiro
Agrónomo Luis Sdlazar d'Ega, respectivamente Presidente e Vice-Presidente da Junta de Exportagao do Algodao, pelo interesse
demonstrado na publicagao desta Monografia;
Ao Ex.mo Sr. Prof. Dr. Aurélio Quintanilha, Director do C. I. C. A.,
da Junta de Exportagao do Algodao, pela maneira como se interessou
pela publicagao deste trabalho;
'
'
m0
Ao Ex.
Sr. Prof. Dr. Carrington da Costa, Presidente da
Comissao Executiva da Junta das Missöes Geogrdficas e de Investigagöes do Ultramar, pelo acolhimento dado ao presente trabalho
e sua respectiva publicagao;
Aos Srs. Engenheiros Agrónomos Elias Gongalves Valente,
chefe dos Servigos Técnicos da J.E.A., e Domingos Godinho Gouveia, subdirector do C. I. C. A. e chefe do Departamento de Solos
do mesmo Centro, pelas sugestöes e esclarecimentos que nos prestaram e pelo estimulo que sempre nos deram;
Ao Sr. Engenheiro Agrónomo Francisco Maria Feio, das primeiras pessoas a entusiasmarem-nos para a sua elaboragao;
Aos Srs. Administradores Alberto António Lobo e Alfredo Matias da Silva, pelas facilidades concedidas como administradores da
circunscrigao de Massinga;
Ao Regente Agricola Vasco da Fonseca Lebre, da Junta de
Exportagao do Algodao; > ..— •
Ao Prdtico Agricóla Rui Rodrigues, pela colaboragao no trabalho de reconhecimento de solos; .
Ao Prdtico Agricola Fernando Azevedo;
10
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
A Sr.a D. Maria Alice Almeida, pelo seu trabdlho de dactilografia;
Ao Sr. Antero Machado, pelo desenho dos grdficos e mapas;
Ao Sr. Miguel Rebélo Junior, pela revelagao e ampliagao das
fotografias aqui apresentadas.
Ndo queremos deixar de prestar as nossas homenagens a memória do Prdtico Agricola Abilio Semiao Nunes, nosso convpanheiro
de trabalho durante quase dots anos, e que também fazia parte da
brigada que procedeu ao reconhecimento dos solos de Massinga.
MEM. JUNTA INVEST. ULTKAM. — 10
.\
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CARTA
1
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InsLsrsfrxg*.
In orruzn
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imiAMSANE
1
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1
I.
1.
FISIOGRAFIA
SlTUAgiO. AREA.
A regiao estudada constitui o posto-sede da circunscrigao de
Massinga, situada na parte norte do distrito de Inhambane, estando
compreendida entre os paralelos 22° 39' e 23° 31' lat. S. e os meridianos 34° 54' e 35° 36' long. E. Gr., aproximadamente.
A sua forma assemelha-se a um trapézio, no qual a base maior
é o limite este, medindo aproximadamente 93 km. A maior largura,
que é a altura do trapézio, é de cerca de 62,5 km, medida no paralelo
23° 0'. A area de Massinga-sede é de 3.143 km2, aproximadamente.
2.
OROGRAFIA. ZONAS ALTIMÉTRICAS.
Toda a area é plana ou de relevo ondulado — zona litoral —, nao
havendo pontos que excedam os 200 m de altitude, pelo que a podemos incluir na zona altimétrica baixa.
Os pontos mais elevados sao Quemue,, (190 m) e Inhamitule
(191 m). . •
"
\/
3. . HIDROGRAPIA.
i
A zona litoral do posto-sede é cortada por algumas linhas de
agua; no entanto, na época seca, algumas delas secam, facto que
se pode atribuir, quer a natureza arenosa dos solos da regiao e portanto muito permeaveis, quer, sobretudo, a escassez das chuvas
nèssa época.
Os principais cursos de agua sao:
a)
Rio das Pedras (Ribjane, em shitsua) — Nasce em terras
do cabo Mudussua e atravessa as terras dos cabados Chi-
MEM. JUNTA INVEST. TJLTRAM. — 1 0
13
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
lubuane, Mapanguela, Mabecuane, Lipeze, Lino e Tevele.
O seu principal afluente é o Chipongo (Chibuca, em shitsua),
que nasce em terras do cabo Chipongo e atravëssa as terras do cabo Mahate, confluindo com aquele rio em terras
do cabo Tevele.
b)
Rio Massinga (Chicamba', em shitsua) — Nasce em terras
do cabo Matingane e passa pelas terras dos cabos Gongane,
Chilacua, Madibitane e Chibanhane, desaguando no oceano
Indico. Os seus principals afluentes sao: o Madibitane, o
Guizugo (Mucönzuane, em shitsua), que nasce 'nas terras
do cabo-do mesmo nome e atrayessa as dos cabos Gadi,
Chissidane e Guiducua, e o Mahocha (Muhoane, em shitsua).
c)
Rio Murri — Nasce em terras do cabo Murrenze e atravëssa as terras dos cabados Mabumbuza, Murri e Muchungo,
desaguando na baia de Pomene.
•
BIBLIOGRAFIA
(1) • ANÖNIMO -r- Carta da Colónia de Mogambique, n. os 36 e 37, na 'escala
1/250.000. , Ministério das Colónias. Junta de Investigagöes das Coló-;
nias. Lisboa.
.
(2) GOUVEIA, D . H . : 1955 — «A Fisiografia», cap. I do EsboQo do Beconhecimento Ecológico-Agricola de Mogambique. Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira. J. E. A. «Memórias e Trabalhos», n.° 23. Lourengo
Marques.
U
MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM. — 10
II.
1.
GEOLOGIA
BREVE INFORMAQAO SOBRE A GEOLOGIA.
Este capitulo nao é mais do que uma compilagao de todos os
elementos de que pudemos langar mao.
Pela eonsulta do esbogo geológico elaborado por A. J. Freitas
em 1956, verificamos estarem representados, na zona em estudo, os
seguintes sistemas e séries: .
1. Cretacico a recente, de séries nao diferengadas.
2. Quaternario: lacustre calcario e marinho. Dunas.
3. Terciario: pliocénico marinho e miocénico marinho.
1.1.
Cretacico a recente.
Ê o sistema que predomina nesta regiao.
1. 2.
Quaternario: lacustre calcario e marinho.
Dunas.
Tanto o quaternario lacustre calcario como o quaternario marinho aparecem, em pequenas manchas, ao longo do literal.
As manchas do lacustre calcario aparecem entre Massinga e o
rio das Pedras.
As dunas estendem-se ao longo de toda a costa e sao constituïdas «por areia fina e siliciosa, sem materiais que concorram para
a sua aglutinagao e também sem substantias, que facilitem o desenvolvimento da vegetagao. Móveis por natureza, as dunas procuram
avangar para o interior. A este movimento incessante vem a vegetagao opor a sua barreira, e, desde que o mais ligeiro elemento de
nutrigao lhes é fornecido, as giestas e outras plantas comegam a
desenvolver-se,_enquanto que na vertente interior da duna, oposta
ao vento, as espécies do interior, mais resistentes, lutam contra a
invasao» (1).
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0
15
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
Em Massinga, na faixa arenosa costeira, encontram-se antigas
dunas, ja consolidadas.
1. 3. Tercidrio: pliocênico marinho e miocénico marinho.
O pliocênico marinho aparece na parte sul de Massinga, em
pequenas manchas, e o miocénico marinho, ja em manchas maiores,
a norte da sede da circunscrigao, nos Urrongas.
'
/
(1)
(2)
(3)
16
A
-••
'
BIBLIOGRAFIA
ANDRADE, C. F.: 1929 — Esbogo Geológico da Provincia de Mogambique.
Imprensa Nacional. Lisboa.
AZEVEDO, A. L.: 1955 — «Geologia», cap. il do Esbogo do Reconhecimento
Ecológico-Agricola de Mogambique. Centro de Investigagfio Cientïfica
Algodoeira. J. E. A. «Memórias e Trabalhos», n.° 23. Lourengo Marques.
FREITAS, A. J.: 1956-—Esbogo Geológico. Junta do Comércio Externo. Lourengo Marques, •. •
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
m.
1.
CLIMA
GENERAIJDADES.
Massinga, como todo o Sul do Save, é caracterizado por urn
regime anticiclónicp e de depressöès das latitudes médias. As quatro estagöes das zonas temperadas sao mal definidas e o regime
pluvial é ciclónico, caindo as chuvas com a passagem das depressöès,
tendo no entanto o aspecto de um regime tropical.
O estudo dos factores climaticos da regiao estudada baseia-se
nos dados fornecidos pelo posto meteorológico que se encontra localizado na sede da circunscrigao, A generalizagao dos resultados obtidos a toda a area de Massinga nao é possivel, pois devem-se considerar duas zonas distintas: a do litoral e a dos Urrongas. As conclusoes a que chegaremos com este estudo definem o clima da zona
litoral, tornando-se este mais arido a medida que caminhamos para
o interior.
Na tabela n.° 1 encontramrse as coordenadas geograficas e a
altitude do posto meteorológico considerado.
TABELA N.° 1
Coordenadas geograficas
2.
Posto
Categoria
Massinga
P.M.
Latitude
S.
Longitude
E. Gr.
23° 19'
35-24'
Altitude
(m)
109
A PLUVIOSEDADE.
2.1. Quedas- pluviométricas anuais.
Nas tabelas n.08 2 e 3 mencionam-se os valores das quedas pluviométricas anuais do periodo de 1934-1955 (22 anos), a sua média,
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
2
If
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monograjia
agricola de
Massinga
o desvio-padrao da mesma, os limites fiduciais e o coeficiente de
variabilidade.
Em 1944 registou-se a maior queda pluviometrica deste periodo,
com o facto nötavel de no mês de Fevereiro choverem 1.410 mm;
a menor queda pluviometrica registou-se em 1941, ano em que apenas cairam 492,5 mm de chuva.
TABELA N.° 2
A
Queda pluviometrica
(mm)
1934
19351936
1937
1938
1939
1940
1941
1942
1943
1944
1945
1946
1947
1948
1949
1950
1951
1952
1953
1954
1955
• 1.280,9
658,4
1.185,0
649,0
870,0
!
1.392,3
830,2
. . , 492,5
1.285,0
1.052,2
1.872,3
908,3
922,4
937,5
979,5
957,0
1.322,1
772,3
1.660,8
1.124,6
1.340,3
1.207,6
' .
,
TABELA N.° 3
18
Média
(mm)
Dèsvio-padrao
da média
Limites provaveis
da média
(95 %) — (mm)
1.077,3
± 71,04
1.225,2-929,4
Coeficiente
'
de variabilidade
(%)
6,58
-
Numero
de
anos
.. , 2 2
•
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
2.2.
Quedas pluviométricos
agricola de
Massinga
mensais.
Figuram na tabela n.° 4 ós valores normais das quedas pluviométricas mensais e do numero de dias de chuva por mês.
TABELA N.° 4
Meses
I
II
xn
,' 190,9
186,6
167,5
81,7
'67,9
62,2
52,1
23,3
26,0 '
32,4
96,7
138,0
Anual
1.125,3
TTT ..
IV
V
VI
VII
VTTT ...
IX
X
XI
2.3.
Média
(mm)
Numero de dias de chuva
9
9
9
6
5
5
4' '
3
3
3
5
7
68
Divisao do ano em periodos.
Como ja atras escrevemos, as quatro estagöes das zonas temperadas sao aqui mal definidas, sendo preferivel reuni-las em dois
periodos distintos: Verao, épöca quente ou das chuvas, e Inverno,
época fria ou seca. Entre estes dois periodos podemos ainda considerar operiodo de transigao.
...,..•
Para a determinagao destes periodos recorremos ao quociente
pluviométrico que VON H A N N define «como uma constante que caracteriza a quota com que cada mês contribui para o total da precipitagao anual».
Na tabela n.° 5 figuram os quocientes pluviométricos para os
diferentes meses do ano e a maneira de os calcular. •"•'•'•
Os quocientes pluviométricos superiores a unidade caracterizam
os meses1 chuvosos, e os inferiores a unidade os meses secos. Estes
nümerospermitem-nós'definir quais os meses que constituem o
periodo hümido (Novembro a Margo) e quais os meses que pertenMEM., JUNTA INVEST. ULTRAM. -^- 10"
19
ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia
agricola de
Massinga
cem ao periodo seco (Agosto, Setembro e Outubro). O periodo de
Abril a Julho consideramo-lo como constituindo a transicao, pois a
analise dos seus quocientes pluviométricos conduz-nos a essa conclusao. ;.
•
Os meses mais chuvosos sao os de Janeiro e Fevereiro, e o mês
mais seco o de Agosto.
. . . , , .
TABELA N.° 5
Numero de dias Altura pluviomé- Altura pluviomé0
d,o mês em %o
trica mensal trica em /oo da aldo/ numero
de dias
tura pluviométrica
(mm)
v
anual
/
do anp
Meses
1
2
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X ...............
XI
XII
85
77
85
82
85
82
85
85
82
85
82
85
I
II
rpr
Total
...
2.3.1.
1.000
O periodo
3
190,9
186,6
167,5
81,7 _
67,9
62,2
52,1
23,3 '
26,0
32,4
96,7
138,0
' 1.125,3
Quocientes
pluviométricos
4/2
4
5
169,6
165,7
148,6
72,5
60,3
55,2
47,1
20,7
23,2
28,6
85,9
122,6
1,99
2,15
1,75
0,88
0,71
0,67
0,55
0,24
0,29
'
..
""' '
0,34
1,04
1,44
*
1.000,0'
*
hümido.
É constituido pelos meses de Novembro a Margo, meses estes em
que a queda pluviométrica atinge 69,4 % da queda pluviométrica
anual.
A tabela n.° 6 inclui as quedas pluviométricas deste periodo, por
décadas, o seu desvio-padrao e a sua significancia.
'
2.3.2.
O periodo
seco.
'
t
• •
É constituido pelos meses de Agosto, Setembro e Outubro.
A queda pluviométrica deste periodo equivale a 7,2 % da queda
anual.
20
MEM. JUNTA INVEST. ULTBAM. — 10
ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
A tabela n.° 7 inclui as quedas pluviométricas deste periodo, por
décadas, o seu desvio-padrao e a sua significancia.
2. 3. 3. O periodo dé transigdo.
Ë constituido pelos meses de Abril, Maio, Junho e Julho, chovendo nestes meses cerca de 23,4 % da queda pluviométrica anual.
Estao incluidos na: tabela n.° 8 os valöres das quedas pluviométricas, por décadas, o seu desvio-padrao e a sua significancia.
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21
ALMEIDA, Armando Antunes de =— Monografia
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Desvio-padrao
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ALMEIDA,
Armando Antunes'de — Monografia agricola de Massinga
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TABELA N.° 8
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Meses
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x (mm)
Desvio-padrao
(+s) ..
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2.' década
Signlficancia
Média
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Desvio-padrao
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B
3.» década
Sigrnificancia
Média
_ x (mm)
Desvio-padrao
(+s)
Significancia
Julho
28,88
6,64
A . S.
18,53
4,68
13,11
3,54
M. S.
29,90
12,76
22,16
7,98
S.
26,71
14,75
3,97
s.
10,38
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•
Abril
C
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A.S.-
-
18,30
7,34
S.
S.
28,30
11,26
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M. S.
15,40
7,29
S.
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A . S.
8,18
2,54
S.
S. '
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I
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ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de
Massinga
2. 4. Distribuigao das chwas.
Nao interessa apenas sabermos qual a quantidade de chuva
caida numa determinada regiao e rium determinado espago de tempo;
interessa, sobretudo, saber como essa quantidade de chuva se distribuiu ao longo desse espago de tempo, para assim podermos avaliar se a agua caida se perdeu por escoamento, caso de uma queda
pluviométrica elevada num pequeno espago de tempo, ou se se deu
a infiltragao, caso de os mesmos milimetros de chuva caidos se repartirem por um espago de tempo tal,, que se dê o aproveitamento da
maior parte da agua caida.
Estas indicagoes sao preciosas sob o ponto de vista agricola.
Na tabela n.° 9 estao registados o numero de dias de chuvas dos
diferentes periodos do ano (ver tabela n.° 4) e os indices de frequência respectivos, que se obtêm dividindo o numero de dias de
chuva num determinado periodo e o numero total de dias nesse mesmo
periodo.
TABELA N.° 9
Periodos
Abril-Julho
Agosto-Outubro
Numero de dias
de chuva
Indice
de frequência
39
20
9
0,26
0,196
0,10
68
0,19
O indice de frequência anual diz-nos que em cada 100 ha 19 dias
de chuva; o do periodo chuvoso indica-nos que as chuvas se concentraram num pequeno numero de dias, dando origem a intensidades
elevadas nesse periodo, pois caem cerca de 7 0 % , d a queda pluviométrica 'anual.
Na tabela n.° 10 apresentam-se as maximas quedas pluviométricas em 24 horas, registadas, em cada mês, no periodo de 1934-1954.
Estes yalores sao de grande importancia quando se pretenda
estabelecer um esquema de defesa do solo contra a erosao.
No grafico I esta representada a distribuigao das chuvas, por
décadas, ao longo do ano.
'MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
25
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
TABELA N.° 10
Queda
Meses
Janeiro
Fevereiro
Margo
Abril
- Maio
...:........:
117,5
89,5
304,0
82,0
192,0
120,0
52,0
37,0
122,0
- 67,7
142,6
104,0
••
Junho
-.
Julho
';.
' Agosto
:.:'.:/..\..'......:,'.,'.
Setembro
„.
Outubro ..*......./....;.;............
.Novembro
'...-.
Dezembro ......'.'
'3.
Dia
da ocorrência
(mm)
8
26
19
19
19
21
10
30
22
9
24 .
29 •
'
Ano
1952
1952
1934
1934
1942
1936
1939
1939
1942
1952
1954
1945
*
•
A TBMPERATURA DO AR.
Na tabela n.° 11 estao mencionados os valores das temperaturas
médias, maximas e minimas médias, mensais e anuais. No grafico n
registamos as suas variagoes ao longo do ano.
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60
TABELA N.» 11
Temperatura
<°C)
I
n
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VI
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26
•.
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:.....
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30
• Minima média
(26 anos)
Média
(30 anos)
Maxima média
(26 anos)
25,2
25,5
24,9
23,8
21,9
20,1
19,5
20,2
21,7
23,4
24,4
24,8
31,6
32,0
30,6
29,5
27,9
26,4
25,9
26,5
27,8
29,5
30,2
30,9
16,9
17,4 .
17,0
16,2
14,4
12,8
11,8
12,1
13,2
15,0
16,3
16,5
23,0
29,1
15,0
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MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0
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GRAFICO I
Quedas pluviométricas por décadas
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A L M E I D A , A r m a n d o A n t u n e s de — Monografia
agficola
de
Massinga
Pela observacao da tabela n.° 11 verificamos poder dividir o ano
em dois periodos: o perïodo quente, de Outübro a Abril, e o periodo
frio, de Maio a Setembro. No primeiro, é o mês de Fevereiro aquele
em que as tres temperaturas sao mais elevadas, e no periodo frio
é o mês de Julho aquele em que se verificam temperaturas mais
baixas.
Tendo por base o factor temperatura, apenas dividimos o ano
em dois periodos, o que nao aconteceu quando tomamos por base a
pluviosidade, pois ali ha um periodo de transigao que aqui se nao
verifica.
Na tabela n.° 12 indicamos as oscilagöes médias mensais da temperatura.
TABEI
Meses
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-•
• •
N.o 12
Oscilaeöes médias
mensais
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VI
VII ...
VIII ...
IX
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XI
XII ...
14,7
18,6
13,6
13,3
13,5
13,6
14,1
14,4
14,6
14,5
13>9
14,4
Nos'climas suaves a amplitude térmica nao vai além dos 10°C;
como neste caso a oscilagao é sempre superior a 13°C, nao podemos
considerar esta zona como tendo um clima suave.
4..'A
HUMIDADE RELATIVA.
Na tabela n.° 13 figuram os valores médios mensais e anuais
da humidade relativa, provenientes de 26 anos de .observagao, e no
grafico ni.esta representada a sua variagao ao longo do ano.
(MEM. JUNTA INVEST. ULTBAM. — 10
21
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
TABELA N.° 13
Média
Meses
(%)
I
xn
71,0
72,2
75,7
71,5
72,5
74,1 , ' •
73,9
70,5
68,3
67,2
68,6
71,1
Anual
71,4
n
in
IV
v
VI
VII
VIII
IX
X
XI
.'
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•i
t •
•
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Os valores extremos da humidade relativa estao compreendidos
entre 60 e 85 %, pelo que podemos classificar o clima, sob este
aspecto, como moderadamente hümido.
Pela observagao da tabela n.° 13 verificamos que' os valores da
humidade relativa sao mais baixos em Setembró, Outiibro e Novembro, e o mês de Margo é o que apresenta um valor mais alto para a
humidade relativa. ;,,. >
\
5.
A CLASSIFICAgAO DO CLIMA.
5.1. Consideragöes gerais. Climogramas.
Os dois elementos essenciais para a classificagao dos climas sao
o regime térmico e o regime pluviométrico, mas a sua importancia
relativa nao é sempre a mesma.
,
«Na maioria das regiöes intertropicais, ou mais exactamente
entre cerca de 30° de latitude norte e sul, a diferenciagao térmica é
relativamente pequena, de forma que é o regime pluviométrico que
fundamentalmente determina as diferengas' da vegetagao natural,
as possibilidades das culturas e a propria extensao dos agrupamentos humanos».
' '
'.'
«Ao contrario, para além dos trópicos ja nao é em geral a maiór
ou menor extensao de uma estagao seca, mas sim a maior. ou nienor
28
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
GRAFICO III
Humidade relativa
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70
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DEZ.
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
duragao e o rigor mais óu menos marcado da estagao fria que decidem dos caracteres da vegetagao, com todas as suas consequências
económicas» (6).
A classificagao do clima da regiao estudada é baseada no regime
térmico e no regime pluviométrico, com excepgao da classificagao
racional de Thornthwaite, que, além destes factores, considera a
evaporagao da agua do solo associada a transpiragao das plan tas.
?.-*4 Êcdificil saber qual i a classificagao que^devemos seguir; no
eritanto, parece-nos util. estudar algumas delas, observar os result a d ó s ' a ' q u e c a d a uma delas nos cönduz e finalmente concluirmos
qual a mais precisa.
°-3-? Comegaremos'pelo estudo dó climograma de Massinga (grafico IV), que nos permite verificar, de uma maneira rapida, se um
determinado mês é ecolögicamente seco ou hümido e ainda os meses
que constituent o periodo seco e o perïodo hümido.
Analisando o climograma representado no grafico iv, verificamos:- .<:'.. i j - . ?. ,
'...',
que os meses de Agosto, Setembro e Outubro sao os meses
secos, por a queda pluviométrica ser inferior a 30 mm;
que os meses de Janeiro, Fevereiro, Margo, Abril, Novembro e Dezembro constituem o periodo hümido, por a sua
queda pluviométrica ser superior a 75 mm;
que os meses de Maio, Junho e Julho constituem a tran< sigab entre aqueles dois periodos.
Comparando a divisao do ano em periodos (hümido e seco),
baseada nos quocientes pluviométricos e nos climogramas, constatamos haver concordancia, com excepgao para o mês de Abril, pois,
se tqmarmos em consideragao os quocientes pluviométricos, faz parte
do periodo de transigao, ao passo que, se nos basearmos no climograma, faz parte do periodo hümido.
'/
, 5.2.', Indices
nwriéricos.
Sao varios os indices numéricos que nos permitem classificar
um clima, embora grosseiramente, e, assim, com os elementos de
que dispomos vamos determinar alguns e comparar os resultados a.
que cada um deles nos conduz.
SlEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
29
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
5.2.1.
Coeficiente hidrotérmico (Lang).
\ <, •
i
~ < \ ••
l
l
O valor deste ïndice é-nos dado pelo quociente da precipitaQao(
anual média (P) pela temperatura anual média (T).
,
• .
P
1125,3" dan • ' '••
• ' ' ' -'-••'•» ,:
Assim, —- =>———- = 48,9
».
.
, ,
T
23,0' > •
Segundo HiRTH'O), a isonótida de 40 inarca a separagao entre
regioes com caracteres hidrotérmicos muito distintos. Se o .coefi-1
ciente hidrotérmico é;superior a:40, o clima é.hümido, sejinferior,.
é arido.
;-. ,-<r .^f ;i ' ,,,
Tendo em/atengao .estas consideragöes, concluimos ser humido
o clima de Massinga.
., ( i
, ,,
,
. . n , ,j ( l ,, ,^ f J
• --e •
t.
';•>'''• ' j . O r t •ó.rrr'ri.T-;* i
5.2.2. Indicè de aridess de'Martonne.
"
• '
fï l
'' ''u,Ji3''J
''
P
Este ïndice é calculado pela formula
, sendo P a precipe
'
°
• - . •• . . . - >
tagaó anual média e T a temperatura anual média. '
T
. .
Assim,
+
1
P
1125,3
'1125,3- nAH
—=
— =
= 34,1,
T+10
23,0+10
33,0 >" '
.
i.'
•_
'J
i.
:
.
>
As regioes cujo indice de aridez esta compreendido entre 30 e
40 oscilam entre o endorreïsmo.e o exorreismo, que é o caso de Massinga.
, ,
5.2. 3. . Coeficiente de Koppen.
• •••
O coeficiente de Koppen (R) é-nos dado pela soma de T (temperatura anual média) com os coeficientes 22 (chuva principalmente
no Inverno), 33 (chuva distribuida ao longo do ano) ou 44 (chuva
principalmente no Verao).
- j
Para o caso de Massinga, em que cerca de 62 % da queda pluviométrica se da na estagao quente, o coeficiente a utilizar é 44, e
assim temos:
22=T+44=23+44=67
(*)
30
Cit.
por
AEIO AZEVEDO
(3).
,
. •,
ö
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'ij.',
-n ,
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ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
Segundo Koppen O), se a altura plüviómétrica anual (em centïmetros) é inferior a — R, o clima é arido, se esta compreendida
2
1
e n t r e — R e R, é sémiarido, se é superior a R, é hümido.
P=1125,3mm=112,53cm
/e=67
112,53>67, logo P > / 2
Por este ïndice, também, o clima dé Massinga é hümido.
5. 3. A. classificagao de Koppen.
Segundo este autor, a distribuigao das espécies vegetais e animais a superficie da terra é baseada na interacgao dos principais
factores do clima: a temperatura e a quantidade de chuva caida.
Portanto, a sua classificagao climatica tem por base estes dois
factores.
A regiao em estudo, segundó a classificagao dé Koppen, esta
englobada no grupo A (clima tropical chuvoso) por a temperatura
média de todos os meses ser superior a 18°C e por a precipitagao
anual ser superior a 750 mm. Dentro do grupo A, por se verificar
um perïodo seco no Inverno, pertence ao subgrupo w, e assim o
clima de Massinga é do tipo Aw, que se caracteriza da seguinte
maneira:
Tropical chuvoso, savana; Liverno seco; temperatura
média mensal superior a 18°C; altura plüviómétrica anual
superior a 750 mm; total de chuva no mês mais seco menor
que 40 mm. Solos revestidos de gramineas entrecortadas
de bosques com arvores de pequena estatura ou floresta
aberta de folha caduca.
•'.
Este tipo de clima verifica-se na zona litoral desta circunscrigao, isto é, na faixa arenosa costeira.
i
(•)
Cit. por ARIO AZEVEDO (3).
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
SI
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
5.4.
Classificagao rational de
Thornthwaite.
5.4.1. Introdugao.
As classificagoes do clima que acabamos de tratar definiam os
tipos climaticos a partir da temperatura e da queda pluviometrica.'
Estas classificagoes, embora nos fornegam algumas indicagöes,
sao incompletas, pois nao consideram a evaporagao.
THORNTHWAITE, na sua primeira classificagao, atenuava este
inconveniente, ao entrar em consideragao com a intensidade de evav
poragao, mas na nova classificagao — a classificagao racional de
Thornthwaite— foi ainda mais longe, pois considerou um novo
factor — a transpiragao das plantas associada a evaporagao da
agua no solo —. que foi designado por «evapotranspiragao», que nao
é 'mais do que o fenómeno da passagem da agua do solo para a atmosfera. Temos a considerar a evapotranspiragao potencial e a real.
A primeira é a maxima quantidade de agua que passa para a
atmosfera, em condigöes ideais de vegetagao e de humidade do solo;
a segunda exprime a quantidade de agua que realmente passa para
a atmosfera por, evaporagao e transpiragao, das plantas, tendo em
atengao as disponibilidades hidricas do solo.
A classificagao racional de Thornthwaite torna possivel uma
definigao dos tipos climaticos mais rigorosa, pois entra em consideragao nao só com a temperatura e queda pluviométrica, mas também com a quantidade de agua que passa do solo para a atmosfera
por evaporagao directa e por transpiragao das plantas.
Para a determinagao dos tipos climaticos por este método,
entra-se ainda em linha de conta com os indices hidrico, de humidade e de aridez.
5.4.2. DetertninaQoo da evapotranspiragao potencial.
A evapotranspiragao potencial é-nos dada pela formula:
e=16
(IOXT)
na qual:
e=evapotranspiragao potencial mensal em milimetros, nao corrigida, isto é, correspondente a
um mês tipo de 30 dias com 12 horas de sol por
dia.
32
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de
Massinga
t=temperatura média mensal (°C).
/=indice térmico anual.
0=0,000000675 I3—0,0000771 72+0,01792 7+0,49239.
O ïndice térmico anual obtém-se pela formula:
12
1
em que i é o ïndice térmico mensal, dado pela expressao:
Determinado e, calculamos ó valor de e' (evapotranspiragao
potencial corrigida) multiplicando aquele valor por um coeficiente K,
que é fungao da latitude e que nos é dado por tabelas.
e'=Ke
Na tabela n.° 14 figuram todos estes valores para o posto-sede
da circunscrigao de Massinga e que foram calculados pelas formulas
atras mencionadas.
O indice térmico anual é igual a 120,95.
5.4. 3. BalanQO hidrico.
A partir dos valores mensais da evapotranspiragao potencial e
da precipitagao, vamos estabelecer o balahgo hidrico, a fim de determinarmos quais os meses em que ha excesso de agua, quais os meses
em que ha deficiência de agua, quais os meses em que, embora a
agua méteórica seja inferior a evapotranspiragao potencial, nao ha
deficiência em agua, pois as plantas aproveitam-se das reservas
hidricas existentes ho solo, isto é, meses em que ha cedência de agua
pelo solo, e quais os meses em que ha reposigao de agua no solo.
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM.—10
s
S3
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ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografia agrlcola de Massinga
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•MEM. JUNTA INVEST.'ULTRAM.
•10
ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografie agricola de Massinga
A agua do solo que pode ser utilizada pelas plantas num mês 2
igual a precipitagao desse mês (P) mais a reserva de agua utilizavel do mês anterior (Ad).
Vejamos agora os casos que se podem dar ao estabelecermos o
balango hidrico:
1)
e'+100>P+Ad>e'—
2)
3)
,
P+Ad>e'+100
P+Ad<e'
nao ha excesso nem deficiência
de agua, mas se"P^>e' ha reposigao de agua no solo, se P<e'
ha diminuigao das Ireservas de
agua utilizavel. ?-• >
— h a excesso de agua ho solo.
— h a deficiência de agua no solo.
Analisados os casos que se podem verificar ao estabelecermos
o balango hidrico, vejamos como se preenche a tabela n.° 15.
Inicia-se o preenchimento da referida tabela por um mês em
que a precipitagao seja francamente superior a evapotranspiragao
potencial, ou por um mês em que se dê o inverso, isto e, em que a
precipitagao seja nitidamente inferior a evapotranspiragao potencial.
Escolhido o mês, escrevé-se 100 mm ou 0 mm na reserva de agua
utilizavel, conforme for o primeiro ou o segundo caso que se verifique.
!
Para 0 preenchimento da parte restante do quadro podemos
adoptar o seguinte critério:
Se se verificar o caso 1), marca-se 0 mm para 0 excesso e deficiência de agua no solo; a evapotranspiragao real é igual a evapotranspiragao potencial e os valores da reserva de agua utilizavel sao
iguais a diferenga entre a agua utilizavel pelas plantas e a evapotranspiragao potencial.
/
,
Quando se verificar o caso 2), marca-se 0 mm para a deficiência de agua no solo; a evapotranspiragao real é,igual a;evapotranspiragao potencial; o valor da reserva de'agua x utilizavel é 100 mm
e o valordo excesso de agua no solo é igual a P+Ad—(ef+ 100).
Ao verificar-se o caso 3), marca-se 0 mm para o excésso de agua
no solo, e, para a reserva de agua utilizavel, a evapotranspiragao real
é- igual a agua utilizavel pelas plantas e o valor da deficiência de
agua no solo-é igual a e'—(P+Ad).
MEM. JUNTA'INVEST. ULTEAM. — 10
35
ALMEIDA,
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Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
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-10
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agrtcola de Massinga
Constatamos, pois, que nao ha excesso nem deficiência de agua
no solo nos meses de Janeiro, Abril, Maio, Junho, Julho, Agosto e
Dezembro, mas que se verifica reposigao de agua no solo nos meses
de Janeiro, Junho e Dezembro, ao passo que nos restantes meses a
reserva de agua utilizavel vai diminuindo, isto é, vai-se dando a descarga de agua no solo; nos meses de Fevereiro e Margo ha excesso,
ao passo que em Setembro, Outubro e Novembro ha deficiência de
agua no solo.
No balango hidrico figura ainda a razao de humidade (r), que
exprime a humidade ou a aridez relativa de dado mês e determina-se
pela formula: . '
(
' ,
,- -, •,
<
( . '
•
, e '
...
f
•
i
"
•
"".
Quando r > 0 indica excesso de chuvas. .
r<CKindica deficiência de chuvas..
O balango, hidrico,' para melhor interpretagao, esta registado
graficamente' no grafico 'v. ' '
•
- - . '
.
.
.
I '
r
5. 4. 4. ClassificaQdo racional de
:
:•
. ,...
Thornthwaite.
Para definirmos o tipo climatico da zona estudada falta-nos,
ainda, determinar os indices de humidade {Ihu), de aridez (Ia) e
hidrico (Ih). Para o calculo destas médias entramos em consideragao com os excessos e> deficiências de agua anuais, calculados no
balango hidrico.
Temos:
'*
MM=100 X excesso de agua
la = 100 X deficiência de agua
Ih =Ihu—0,6
la
. Temos ainda a considerar a concentragao estival da eficiência
térmica (C), que n o s é dada pela soma da evapotranspiragaö poténcial de tres meseö consecutivos do Verao, expressa em percentagem
da evapotranspiragaö potencial anual..
f
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
37
ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
De acordo com a teoria atras exposta, calculamos os seguintes
nümeros:
' Ihu= 6,17
; " •"
la = 9,53
Ih = 0,47
- 5>'
•••'..
C • =33,57
*
.
-
.
.
,
-
•
•
.
Reunindo, finalmente, todos os valores encontrados, consegue-se
determinar o.tipo climatico do posto-sede de Massinga:
Precipitator (mm)
;....'
1125,3
i
Evapotranspiragao potencial (mm) ... 1164,1"'
Evapotranspiragao real (mm)
1053,2
Deficit de agua (mm)
110,9
Excesso de agua (mm)
72,1
Indice de humidade (%') '..'
6,17 '
Indice de aridez (%)
'.
9,53
, Indice hidrico (%)
0,47 , .
'
Concentragao térmica estival (%) . . . . 33,57
. .
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0<lhu<
20
e' >1140
0< la <16,7
2 5 < c < 48
C2
A'
r
o'
Tipo climatico
. . " • . .
C2A.'ra'
•
O significado das letras que definem este tipo de clima é:
C2 —Sub-hümido chuvoso.
A' — Megatérmico.
r — Nula ou pequena deficiência de agua.
a' — Pequena variagao de temperatura ao longo do ano.
BIBLIOGRAFIA
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(3)
38
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Junta'
de Investigagöes Colonlais. Ministério das Colónias. Lisboa. • ' • *
MEM. JUNTA INVEST, ULTRAM.—'10
GRAFICO V
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ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
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MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
39
posto-sede da circunscri^ao de Massinga
CARTA
Est:
DE
1/250.000
Legenda
Complexo ƒ
Complexo II
Complexo III
Complexo IV
Complexo V
Complexo VI
Complexo VII
Complexo VIII
Complexo IX
Complexo X
Solos dos Urrongos
Machongos
• u w —
pon
SOLOS
He da circunscriqao de Massinga
•OLOS
IV.
1.
SOLOS
INTRODUQAO.
O reconhecimento dos solos, da area estudada, baseou-se na
observagao de perfis e de pequenas covas com cerca de 60 cm de
profundidade, ao longo dos percursos feitos, quer de carró, quer a pé.
O numero de perfis observado foi bastante menor do que o
numero de covas, pois, ao passo que estas eram abertas logo que se
notava uma variagao da natureza dos solos, aqueles só eram aber :
tos quando queriamos caracterizar morf olögicamente um determinado tipo de solo ou esclarecer as indicagöes que nos eram dadas
pela observagao das covas. Mais adiante descreveremos alguns desses perfis.
_ „ . . . . •
.. •• Julgamos ter coberto, com certo pormenor, toda a area estudada, pois as estradas e picadas cortam a circunscrigao em todos os
sentidos. No entanto, zonas houve em que tivemos de realizar perT
cursos a pé para verificarmos a continuidade e extensao de determinadas manchas de solos.
•
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• : . . • ' •
2.
'•
>
REPRESENTAgAO CARTOGRAFICA.
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J
i
••''.'**
'Por, em algumas zonas, os solos, devido a topografia do terreno, constitüirem catenas e a natureza do nosso'trabalho nao permitir a delimitagao de cada uma daquelas manchas, fizemos a representaQao cartografica desses solos por complèxos catenarios; em
. outras zonas, ja nos foi pqssivel delimitar as diversas manchas de
solos, devido a sua extensao, tendo a sua cartografia sido feita
separadamente. •
- i
;
Os complèxos sao representados na carta de solos por tragos
obliquos de 'diferentes cores e numero, conforme a predominancia
do tipo de solos, e osmachongos por tragos verticals (5).
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0
41
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monograjia
3.
agricola de
Massinga
CLASSIFICAQAO DOS SOLOS.
Os solos do posto-sede da circunscrigao de Massinga pertencem
a categoria dos solos pedalféricos, isto é, aos solos das zonas em que
a precipitagao é superior a evaporagao, dando origem a fenómenos
de lavagem. Dentro dos solos pedalféricos, os solos do posto-sede
de Massinga enquadram-se nos solos da faixa arenosa costeira e nos
vermelhos dos Urrongas, da classificagao seguida por GODINHO GOUVEIA e ARIO DE AZEVEDO, no Esbogo do Reconhecimentq Ecológico->
-Agricola de Mogambique.
I
.
•
••
- \
.
:
.
.
.
-
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,
.
.
3 . 1 . SoZos da faixa arenosa costeira e descrigaq dos seus,com-j
•= '-plexos.
' " - .>' ,,;*. i'-", ,.. < •• "
-':>;..-'.'. :?...
Os solos desta zona derivam de gres ou, mais frequentemente, de
mantos de areias,que cobnram,aqueles. Em regra, deve tratar-se
de dunas antigas ja ha muito fixadas.
Os tipos de solos que aparecem sao: cinzentos, amarelados, alaranjados, pardos, pardo-avermelhados,paranja e'vermelhos. : 'A sua'
textura varia entre'o 1 arenoso e o argilo-arenoso. Éstès'dif erentes
tipos de solos foram agrupados em complexos de natureza c'atënaria,'
consequência da topdgrafia f do terrèno] que lhes permitè uïna" meihor
öu pior drenagem interna,' dando origem, assim, a solos de coloragoes'
diferentes. " ' •n"*"--"•"••' •'-*
' " •
• - • • • , . - . . . ... ...
Sao onze os cónipléxos 'cateharios, que passaremos a descreverr
'•>
'
r v .1
i —-Ë constituïdo por solos pardos, alaranjados e cinzentos, arenosos e franco-arenosos, abrangendo toda a zona litoral,
sendo a sua largura maior a norte do que a sul. Os solos pardos
encontram-se nas areas onde a drenagem se processa mais facilmente, e os cinzentos r nas baixas, onde a drenagem «é mais difïcil.
Como exemplo de um solo cinzento deste complexo, descreve-se
o seguinte perfil, aberto em terras do cabo Murri:
COMPLEXO
Camada
Profundidade n •
(m)
I
II
III
IV
W
..
0,00 — 0,05
' "
0,15 — 0,30
0,15 — 0,30
>0,30
-j n.
, ,
Descricao
•
• '..,
•
Cinzento-escura, devido a preseriga de matéria orgahica, cóm'algumas raizes finas.'
Camada de transigao parecida'com i. -"'
Camada de transigao parecida'com'iv.'Cinzento-clara, arenosa, friavel:* Com peqüe^
nas manchas ferruginosas. '*> • -** <~ ;'•* L •
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM.
10
ALMEIDA, A r m a n d o A n t u n e s de — Monografia
agricola
de
Massinga
COMPLEXO ii — E s t e complexo, além dos solos do complexo I,
apresenta solos vermelhos ou cor de laranja, franco-arenosos e argilo-arenosos, e estabelece a transigao entre aqueles e os do interior, com maior potencial de fertilidade.
Os solos vermelhos ou cor de laranja situam-se nas zonas de
cota mais elevada, onde a drenagem se processa em melhores coni
digoes.
. „ , - • '
Damos, em seguida, a descrigao de alguns perfis dos solos caracteristicos deste complexo, abertos nos cabados Muvamba, Mucuacua
e Guma, respectivamente:
Solos alaranjddos
Profundidade
(m)
Dèscrieao
I
0,00-0,20
II
III
0,20-0,60
>0,60
Pardo-acinzentado-escura, franca, f riavel a
firme.
Camada de transigao entre i e in. '"' «
Alaranjada, franco-arenosa a franca. Firme.
Camada
Solos pardos
Camada
Profundidade
(m)
I
II
III
IV
0,00-0,10
0,10-0,70
0,70-0,90
>0,90
Solos
Descrigao
Cinzenta, franco-arenosa,, friavel a firme.
Camada de transigao parecida com I.
Camada de transigao parecida com iv.
Parda muito clara, arenosa.
vermelhos
•
Camada
I,
•i
II.
'Ill
/
Profundidade
Descricao
0,00 — 0,20
Pardo-avermelhado-escura, franco-arenosa a
franca. Friavel e rick em raizes finas.
Camada de transigao. \''.'
Vermelha, franco-arenosa. Firme, com algumas raizes finas.
0,20-0,60
>0,60
COMPLEXO in — É constituïdo por solos pardo-avermelhados,
francos, pardos e cinzentos, arenosbs a franco-arenosos, franco-arenosos e -francos.
MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM. — 10
43
ALMEIDA,'Armando A n t u n e s d e — Moriografia
agricola
de
Massinga
Este complexo situa-se na parte sul da circunscrigao, abrangendo
parte das areas dos cabos Guizugo, Mahocha, Queme e Muchava.
— Constituido por solos bastante pobres; cuja coloragao varia entre'o pardo-claro e o cinzento, e a textura entre o arenoso e o arenoso a franco-arenoso. Abrange uma zona de cotas baixas pertencentes aos cabados Queme, Cofe, Mudauca, Maguezane,
Anhane, Mudussua, Malembane e Anguluve.
COMPLEXO IV
COMPLEXO V — Ë constituido por solos cor de laranja ou pardo-avermelhados, pardos e alaranjados, cuja textura varia entre o
franco-arenoso e o argilo-arenoso. Localiza-se este complexo junto
da estrada Massinga-Vilanculos e compreende parte das areas dos
cabados Nhambuica, Mailene, Guebel, Uticela, Nhachengo e Mabial.
Como exemplo de um solo laranja deste complexo, descreve-se
o seguinte perfil, aberto era terras do cabo Nhambuica:
Camada
I
II
III
IV
Profundidade
(m)
Descricao
0,00 — 0,10 Pardo-avermelhada, franca. Friavel a firme.
0,10 — 0,20 Camada de transigao parecida com I.
0,20 — 0,45 Camada de transigao parecida com iv.
>0,45
Laranja, franca a argilo-arenosa. Firme, com
algumas raizes finas.
COMPLEXO V I — É constituido por solos alaranjados e amarelados, franco-arenosos, e encontra-se ao longo da estrada Massinga-Vilanculos, em terras do cabo Nhaloio, numa pequena extensao.
COMPLEXO VH — Constituido por solos vermelhos e cor de laranja, francos e argilo-arenosos, e solos cinzento-arenósos. Situa-se
numa area de relevo relativamente acentuadp, abrangendo terras dos
cabos Anguluve, Vinhane, Queme, Muchava, Chiunze, Muchache, Mudussua, Malembane, Chilubuane e Guma.
COMPLEXO v n i — Compreende os solos vermelhos, argilo-arenosos, dos cabados Guizugo e Rovene, junto da estrada Morrumbene-Massinga.
/
U
MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM. — 10
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
Descrevemos a seguir urn perfil tipico destes solos e que foi
aberto em terras do cabo Guizugo:
Camada
I
II
Ill
Profundidade
(m)
Déscrisao
0,00 — 0,10 Pardo-avermelhado-escura, franca.
0,10 —0,25 Camada de transigao.
>0,25
Vermelha, argilo-arenosa.
ix — Constituïdo por solos parecidos com os do complexo anterior, mas bastante mais escuros. Este tipo de solos aparece nos cabos Licunha e Mahocha e sao, como os anteriores, argilo-arenosos, embora nos deem a sensagao de uma textura mais fina.
Damos a seguir a descrigao do perfil destes solos:
COMPLEXO
Camada
I
II
in
Profundidade
(m)
Descricao
0,00 — 0,15 Pardo-avermelhado-escura, franca.
0,15 — 0,40 Camada de transigao.
>P,40
Vermelha muito escura, argilo-arenosa.
COMPLEXO x — Ë constituido por solos vermelhos, cor de laranja
e pardo-avermelhados, franco-arenosos a francos e, por vezes, argilo-arenosos. Aparecem, nesta zona, varias manchas deste complexo.
•
•
u
COMPLEXO XI — Constituido por solos pardo-avermelhado-claros,
arenosos a franco-arenosos, e é representado por uma estreita mancha encravada entre os complexos m, VIII e IX, abrangendo terras
dos cabos Mahocha, Licunha, Malova, Guizugo e Queme.
•
3.2. Solos dos Urrongas.
•f
i .<• ••
\
/
I
s
Os solos desta zona sao vermelhos, franco-arenosos a argilo-arenosos. Segundo GODINHO GOUVEIA e ARIO DE AZEVEDO (2), admite-se
que derivem de calcarios compactos, que afloram de onde em onde
na regiao. Além deste tipo de solos, aparecem, em' manchas circuns»
critas, solos pardo-avermelhados, franco-arenosos a francos.
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
^5
ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
Damos em seguida a descrigao de um perfil dos solos vermelhos
dos Urrongas:
Camada
I
Pardo-avermelhado-escura, franca. Friavel,
com muitas raizes finas.
0,05-0,50' Vermelha muito escura, franca. Firme, com
algumas raizes finas.
>0,50
Vermelha, franca. Firme, com algumas rai-
Ill
i.M f ' .
Descrigao
0,00-0,05
II
•I
Profundidade
, J
.j 3. 3.
;, , . . , „ " • ; . , . I
;
z e g
fmag#
•
• !
Machongos.
Os machongos sao solos hidromórficos, cinzentos muito escuros
a negros, muito ricos em materia organica, estremecendo com o
andar, de textura variando entre arenosa e argilosa, e com abundancia de agua que impede a rapida decomposigao da materia organica.
RIPADO, em Os machongos das regwes de Inharrime e Inhamoane, diz:
«Os machongos sao formados a custa da acumulagao progressiva dos restos de plantas que em virtude da acgao de varios
factores sofrem uma decomposigao muito vagarosa. Tern, portanto,
uma constituigao fundamentalmente organica».
«O desenvolvimento dos machongos encontra-se depèndente do
alto nivel do lengol freatico, originado pela baixa situagao dos locais,
por estes serem areas de convergência das aguas de infiltragao das
encostas que os limitam (as quais, sendo arenosas, facilitam em
extremo o movimento descendente da agua da chuva) e pela existência próxima de agua estagnada' ou corrente. Um rio ou um pantano
em situagao que origine a relativa estabilidade do lengol freatico
acima da superf icie do solo pode, portanto, originar uma acumulagao
de material organico sofrendo uma decomposigao muito lenta — um
machongo, no conceito regional. A vegetagao dos machongos é constituida por juncos, fetos, tifas, ciperos, canigos e outras gramineas, etc., por vezes em competigao 'com algumas especies de porte
arbustivo e até arbóreo».
«Os machongos repousam directamente sobrë material arenoso,
regra geral intensamente lavado, em virtude da permanente submer-
ge
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
sao pelo lengol freatico. Contudo, certas areas de alguns assentam
sobre formagöes argilosas acinzentadas ou pardo-esbranquigadas».
Estes solos encontram-se na faixa arenosa costeira, nas planicies, onde se da a acumulagao da agua das chuvas, e ao longo dos
rios, e seus afluentes, que existem em Massinga, e que sao: Murri,
Massinga e rio das Pedras. Os machongos sao representados na
carta por tragos azuis, verticals.
BIBLIOGRAFIA
(1)
(2)
(3)
(4)
(5)
1
(6)
BOTELHO DA COSTA, J.: 1945 — Apontamentos de Agrologia. Lisboa.
GOTJVEIA, D. H. G.: 1948 — Nota preliminar sobre alguns solos de Mogambique. Trabalhos do Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira,
1.° vol. Junta de Exportagao do Algodao. Lourengo Marques.
GOUVEIA, D. H. G., e AZEVEDO, A. L.: 1949 — Estudo preliminar dos solos da
Peninsula de Ferndo Veloso. Separata do «Boletim da Sociedade.de
Estudos», n.° 6. Lourengo Marques.
GOUVEIA, D. H. G.: 1951 — A preliminary soil map of Mogambique. Trabalhos do Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira, 2.° vol. Junta de
Exportagao do Algodao. Lourengo Marques.
GOUVEIA, D.H. G., e AZEVEDO, A. L.: 1955—«Os solos», cap. iv do Esbogo
do Reconhecimento Ecológico-Agricola de Mogambique. Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira. J. E. A. «Memórias e Trabalhos»,
n.° 23. Lourengo Marques.
RIPADO, M. B.: 1950 — Os machongos das regiöes de Inharrime e Inhambane, n.° 62. Lourengo Marques.
V'
MEM. JUNTA INVEST. ULTBAM. — 10
•*7
V.
1.
VEGETAgAO
iNTRODUgAO.
Nao pretendemos mencionar todas as espécies vegetais que ocorrem na zona estudada, pois os trabalhos de campo efectuados nao
tinham essa finalidade; tomamos, apenas, nota das espécies existentes que nos poderiam fornecer algumas indicagöes das suas relagöes com os solos.
Em algumas zonas da faixa arenosa costeira é dificil definirmos o tipo de vegetagao que aï se encontra, pbis a acgao do Homem
é tao marcada, por meio das derrubas que tem sido obrigado a f azer
para poder agricultar a terra a custa da qual tem de viver, que só
restam as espécies com algum interesse para o indigena.
2.
DESCRIQAO DOS COMPLEXOS.
As formagöes vegetais que nos interessa focar neste nosso estudo
da vegetagao de Massinga podem ser agrupadas em dois complexos:
— Abrangendo a zona litoral de Massinga, isto é,
a faixa arenosa costeira, onde a queda pluviométrica anual varia
entre 1.000 e 1.200 mm.
COMPLEXOS
a)
Mata aberta de Brachystegia sp. com Sclerocarya caffra,
' Trichilia roka, Albizzia versicolor, Albiszia
adianthifolia,
Garcinia ïivingstonei, Strychnos innocua, Strychnos spinosa,
Combretum gueinzii, Conopharyngia élegans; Chirrole (s)
eltite(s).
'''" V
• :' •
Este tipo de vegetagao aparece nos solos pardos, cinzentos e alaranjados.
b) • Termindlia sericea, Combretum
Phoenix reclinata e Helichrysum
gueinzii,
sp.
Hyphaene
sp.,
Estas espécies aparecem hos solos cinzentos-que marginam as
baixas alagadigas.
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
4
hQ
ALMEIDA,
c)
Armando Antunes de — Monografia agrlcola de Massinga
Cordyla africana, Ficus spp., Clorophora excelsa, Sclerocarya caffra, Rombenhone (b) e, por vezes, mata de Brachystegia sp.
Esta formagao aparece nos solos vermelhos e laranja das zonas
onde a humidade do solo é maior.
. d)
Ficus sp., Garcinia livingstonei, Albizzia versicolor, AïSizzia
adianthifolia, Combretum sp., Strychnos spp., Conopharyn"gia elegans, Phoenix reclinata e Hyphaene sp.
' ••
Estas especies encontram-se nas planicies, em depressao, junto
de Rio das Pedras. •
II —T Abrangendo o interior de Massinga, isto é, parte
da zona dos Urrongas onde a queda pluviométrica anual varia.entre
700 e. 1.000 mm.
. - . . , '
.
COMPLEXO
•
•
a)
,
.
'
.
.
.
.
.
'.
' .
.
Florestas subdeciduas de Adansonia digitata, Afzelia quanzensis, Cordyla africana, Kigelia pinnata, Ficus sp., Tamarindus indica, Balanites maugJiamii, Albizzia versicolor, Albizzia adianthifolia, Combretum sp., Strychnos spp., Chazua (s) e Noeve (s), com sub-bosque denso de arbustos e
trepadeiras.
''
'".„' Esta formagaq aparece nos solos vermelhos dos Urrongas.
b) Matas savanóides de Piliostigma ihonihgi, Annona cryso..'•." ' phila; Vitexldoniana;
Sclerocarya caffra, Albizzia ver' k sicolor, Acacia•.spp., Terminalia sericea, com extracto gra'i minoso de Hyparrhenia sp.
)
> . V ; ''.
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. '•'
.
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'
•
'>
• ' '
Este tipo de vegetagao também é caracteristicp dos solos vermelhos dos Urrongas.
,
c)
Mata aberta de Brachystegia sp., Pterocarpus angolensis,
Isoberlinia sp., Garcinia livingstonei, Strychnos spp., Conopharyngia elegans, etc. T
, " . • „ •
Esta formagao aparece nas. manchas de solos pardo-avermelhados da regiao dos Urrongas.
50
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
sis-
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
3.
agricola de
Massinga
ALGUMAS ESPÉCIES VEGETAIS.
3.1.
,
s
Nomes cientificos de algumas espécies vegetais e setcs correspondentes
em.skitsua.
Acacia sp
Addnsonia digitata .........
Afzelia quanzensis ..
Albizzia adianthifolia ......
Albizzia versicolor
Annona crysophila
Balanites maughamAi
Brachystegia sp
Cassia petersiana
Glorophora excelsa
Cocos nucifera
Combretum spp
Conopharyngia elegans ....
Cordyla africana
Dialium schlechteri
Dodonaea viscosa
Euphorbia sp
Ficus sp
Ficus sycomorus
Garcinia livingstond
Helichrysum sp.
Hyparrhenia sp
Hyphaene crinita
Isoberlinia sp
Kigelia pinnata
Momordica balsamina
Phoenix reclinata
Piliostigma thonningii
Pterocarpus angolensis ....
Rhynchelythrum spp
Sclerocarya caffra
Strychnos innocua
Strychnos spinosa
Tamarindus indica
Telefaira pedata
MEM. JUNTA INVEST, ULTEAM. —10
Nzengue.
Muwo. > ..
Chene. .
Chiesuane.
Tingarre..
Nzova.
Nulo.
Tsonzo. •
Nembenemba.
Tule.
Mikhokho.
Chicucutza.
. ., .
Cachuane. . . ._,
Bonjua ou m'bondjo.
Nziba. . Ï*
Mungai
'
Hlohlo.
Kwo.
Kwo.
Bimbe.
Marimbyate.
Tsorigwa.
'
—
Tzonzo.
Vungurre./'
M'kaka. /
>,
—r
X/
Kea.
Gula.
Nyamulube.
Canho.
Mucuacua.
Mahlala.
Quatzo.
/
Cungo.
51
ALMEIDA, Armando Antünes de — Monografia
Terminalia sericea
Trema guineensis
Trichilia roka
Vitex doniana
agricola de Massing a
Konole.
Feleti.
Kuhlo.
Vurucua;
3. 2. Nomes indigenas de outras espécies vegetats de que nao
nos foi possivel obter o nome cientifico C1).
Baraura (s).
Cangala ( s ) A
Capim rete. '
'
Chauza (s).
Chicanhacanhane (s).
Chidocomelana (s).
Chileda(b).
Chilongolobua (b).
Chirrole (b);
Curre (s).
Ecucho (s).
Fumutzu (s):
Itite(s).
Linhame (s).
M'Bowa (s):
Mubaba (s). :
Muhede (s).
Mungulo (s).
Noeve (s).
Rombenhone (b).
Tchirri (s):
Toma (s).
Tsanhe (s).
Vilimate (s).
BIBLIOGRAFIA
(1)
GOMES PEDRO, J., e GRANDVAUX BARBOSA, L . A . :
1955 — «A vegetagao»,
cap. v do Esbogo do Reconhecimento Ecológico-Agricoïa de Mozambique. Centro de Investigagao Cientifica Algodoeira. J. E. A. «Memórias
e Trabalhos», n.° 23. Lourengo Marques.
(2)
GOMES E SOUSA, A. F . : 1949 — Dendrologia
de Mogambique.
Essencias
do
Extremo Sul, vols. I e II. Junta de Exportagao de Mogambique. Lourengo Marques.
•
•
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1
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52
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'
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•
•
•
i
\
>••.
s — shitsua.
b — bitonga.
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. ^ 10
NOTA
Pela carta in, na qual figura a divisao do posto-sede de Massinga em
regedorias, verificamos que a regedoria Zunguza é composta de duas partes
absolutamente distintas e a regedoria Mapera por tres fracgöes também distintas, embora duas delas sejam bastante pequenas.
As razöes de ser destes factos sao:
Quanto a regedoria Zunguza, o facto deve-se a que, na altura da
ocupagao, este régulo, a certa altura, resolveu parar para dar descanso
aos seus guerreiros, tendo nessa altura sido ultrapassado, na marcha de
ocupagao, pelo régulo Massinga. Quando se resolveu a continuar o seu
avango, teve de te^r em considerag&o as terras ocupadas pelo Massinga,
e só depois de o ter ultrapassado é que comegou, novamente, a ocupar terras que passaram a ficar sob o seu dominio.
Em 1937, o cabado Mapera passou a regedoria, e foram convidados,
pela autoridade administrativa, todos os cabados a sua volta a aderirem
a nova regedoria. Os cabados Morrungulo, Fagene e Nhabacal, embora
ficassem èncravados na regedoria de Massinga, resólveram aceitar o convite, e dai o facto de aparecerem estes enclaves desgarrados da parte
principal.
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
53
Foto I — Nos s<ilus ligeiros •< vegetacflo que predomina é •• da mata aberta de Bruchyslegia sptclformls.
Depois de atj
de cultura nparece o Rynchelylhrum sp., indice de esgotamenlo
da [ertilldade A><< solos (l.« plaoo)
Foto 2—VegeU
caracteristica 'U- algumas zo:us do* L'rrongas (Mabadine).
as segulntes
rma thonningti, Termtnalia sericea,
Hyphaene crinita e Hyparrhenia sp.
Distlnguem-se
rSöfc
Foto 3
Outro aspecto da vegeta^flo dos L'rrongas (Mabadine), idênfico ao anterio
Foto 4— Tip 3 de vej
caracteristico dos L'rrongas, Notem-se
i de Adan»
posto-sede da circunscriqao de Massinga
jfor, de ocordc
e
/
/Pounde
t T/on
4
/
Est: 1/250.000
*Bufane
/
•I
/
ybpeze
'Chipurnjïo
/
V
• Uiane
Uf/ce/a
\
• Machique/ane
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• Mucupe
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> '«.Bobione
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"\Vumelela
/
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x
I•
..
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.j
Nave/a
^••—•N
\
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1
\
Legenda
Q
•
•
Sede do Circunscricao
Povoacao comercial
Pegedonas e cabados
Esfradas
Picadas
r-v. R/os
V
K
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CJiifuane
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Sede da Circunscncao
Povoacao comercial
Regedorias e cabados
•
Estradas
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Maguezanej/' Nhóbaco/
8asso
Regedoria
¥.•-
\,f ü *n o
Limife de Regedoria
Regedoria
Fagene
Zunguza
lonzuane
iRu/ane /\
11
Limifes enconfrados pelo autor, de
a c o r d o com i n d i c a c ö e s
dadas
pelos ind/'genas.
Muhaqui
VI. DEMOGRAFIA
\
•
1. INTRODUgAO.
A populagao civilizada de Massinga é constituïda por europeus
— funcionarios, agficultores e comerciantés —, por mistos e por
indianos.
-.••*.,
l
A populagao indigéna tem a'sua brigem na tribo TONGA, que
répresenta o primeirb éxtracto da populagao banta ou pré-banta.
Seguindo a classificagaó de Caetano Montez (2), podemos situar,
dentro da tribo TONGA, os indigerias de Massinga nos grupos TONGA-CHOPE e GHÊNGUA-TSUA, predominando no entanto os indigenas do
segundo grupo.
As populagöes nativas têm comè autoridades gentilicas o regedor e o cabo, sendo por seu intermédio que a autoridade administrativa, normalmente, faz chegar as ordens a todos os nativos da
sua area administrativa.
.
Sao tres as regedorias de Massinga: MAPERA, ZUNGUZA e MASSINGA. Cada uma ,delas esta dividida em cabados, em maior ou
menor numero, conforme as necessidades.
Existe ainda o inganacana, ex-induna (polïcia) do régulo ou
do cabo, e que superintende numa determinada area, onde aquelas
autoridades gentilicas nao podem prestar a assistência assïdua que
seria para desejar. Os inganacanas saó homens da cónfianca do
régulo ou do cabo, muitas vezes seus familiares, e que os distingue
desta maneira.i r
':
• • . •
Junto dos régulos existe uma espécie de assembleia consultiva,
constituïda pelos velhos (madota), que sao os conselheiros do régulo
quando este^é chamado a resolver «milando» de responsabilidadè.
pispöem, ainda, os régulos de urn secretario, que os substitui quando
necessario'e que se segue imediatamente ao régulo na escala hierarquica.
*
A sucessao destas autoridades é feita em regime de patriarcadó.
MEM. JUNTA INVEST. ULTKAM. — 10
55
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monograf ia agricola de Massinga
2.
CENSO DA POPULAgAO.
O censo da populagao civilizada de Massinga, realizado em 1955,
diz-nos que ela é composta por 500 individuos, residindo 179 na
povoagao e 321 no meio rural.
O censo da populagao indigena, feito em 1955, figura no qua-1
dro i.
3.
POPULA5AO INDIGENA.
/
• i O indigena desta area é por natureza pacifico, dedicando-se, na
sua grande maioria, a agricultura. No entanto, é a mulher indigena
quern executa quase todos ps trabalhos inerentes as suas «maehambas» das culturas alimentares e de rendimento, pois, normalmente,
o homem eneontra-se no contrato ou-nas minas do Rand. Quando
o homem se encontra junto da familia ajuda-a em todos os trabalhos agricolas.
. . . .
. ....
As mulheres indigenas, mais as do literal que 'as do interior,
sao, em grande percentagem, infiéis aos maridos, niuito principalmente quando estes emigram. O mau comportamento das mulheres
nao é encarado como entre nós. O seu conceito'de honra é bastante
diferente, pois este ultraje é resgatado com 2 ou 3 libras, indemnizagao que denominam «gode», que sao pagas ao marido ultrajado
pelo ultrajante.
'
Para os indigenas a infidelidade das mulheres nada significa,
estimulando-a muitas vezes, pois é uma maneira de ganharem umas
libras...
3.1.
A povoagao do indigena.
'
'
No caso de o nativo praticar a poligamia, a sua povoagao possui
tantas palhotas quantas as mulheres que tiver, sendo a palhota principal habitada pela «mulher grande», isto él a primeira esposa. Além
destas palhotas, uma povoagao indigena é cönstituida pela cozinha,
que, em muitos casos, tern um celeiro pdr cima — se o ano tiver sido
farto existe mais do que um celeiro, variando entao, periödicamente,
o local da cozinha, para que todos os celeiros recebam a acgao benéfica do fumo. Nóutros casos, o celeirö é mais pequeno e construido
56
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0
QUADRO I
POPULACAO
Regredores
Cabos
Valida
Varóes
Massinga Guma
Anhane
Bambucochecua
Chifuio
Chinzavane
Chipongo
Gongane
Jange
Lino
Mabumbuza
Macarringa
Malamba
Malembane
Mapanguela ......
Matingane
Mavume
Muchungo
Mucuacua
Mudussua
Murrenze
Murri
Muvamba
Nhaloio
Selenga
Simbe
Sinela
Tevele
Unguana
Zilo
Soma
807
447
170
117
.187
247
414
265
775
145
253
324
349
262
444
247
265
301
357
171
192
222
199
372
145
273
330
190
275
Menor
Fémeas
508
393
154
88
139
244
349
214
621
108
179
231
239
267
480
176
213
180
259
130
156,
158 v
130
251
115
197
254
134
201
Varóes
537
338
165
106
146
278
164
235
496
129
274
261
141
251
180
229
269
230
236
172
145
195
192
308
154
213
178
182
275
Isenta
Fêmeas
412
233
147
105
107
215
162
135
427
93
208
186
163
193
141
138
243
139
184
123
145
158
133
224
89
158
169
110
197
Total
Varóes
18
5
2
1
7
3
7
7
34
2
3
3
6
13
10
2
7
5
5
4
2
2
2
2
1
8
8
3
2
2.282
1.416
638
417
586
987
1.096
856
2.353
477
917
1.005
898
986
1.255
792
997
855
1.041
600
640
735
656
1.157
504
849
939
619
950
8.745
6.768
6.679
5.137
122
114
42
82
51
82
106
97
134
88
57
105
157
97
85
83
32
70
127
104
160
96
178
102
94
90
112
264
95
712
117
73
82
260
56
76
139
100
41
59
39
57
92
55
105
66
45
82
119
65
67
70
27
45
100
84
117
97
162
77
63
83
100
203
60
671
76
46
52
173
44
49
73
76
50
89
42
72
101
63
81
86
48
99
130
92
79
78
34
83
75
91
136
97
145
75
82
47
101
234
68
487
97
55
64
207
26
45
74
92
47
68
26
71
76
31
78
65
47
70
127
59
71
69
25
48
42
69
120
61
120
74
44
46
87
186
48
395
72
57
49
146
26
43
6
*1
5
5
2
4.402
3.530
3.508
2.829
79
14.348
241
141
105
124
113
68
81
128
38
371
181
90
109
65
120
72
139
186
135
131
71
85
61
48
74
70
15
209
196
61
67
49
99
57
140
108
120
62
50
69
59
49
53
71
26
7
7
8
3
6
3
6
15
Nhabacal ....
Rovene
230
137
129
145
125
73
100
147
58
368
210
91
134
86
137
84
162
179
113
733
478
363
426
364
241
314
431
141
1.124
768
279
383
231
440
263
529
599
Soma
2.595
2.372
1.676
1.341
123
8.107
Total
15.742
12.670
11.863
9.307
376
49.958
Cofe
Anguluve
Barrila
Bobiane
Butane
Chicopa
Chilemane
Chipumbo
Chiunze
Cutecua ........
Dora
Guebel
Lionzuane
Lipeze
Mabadine
Mabicane
Machecane ....
Machiquetane
Mailene
Marrucua
Marrule
Muchache
Muchava
Muconjo
Mucupe
Mudauca
Navela
Nhachengo ....
Paunde
Queme
Rulane
Tiane
Uiane
Uticela
Vinhane
Vumelela
Soma
Licunha
Aqui
Basso
Chilacua
Chissidane ...
Chondilo
Fagene
Gadi
Guiduca
Guizugo
Mahocha
Malova
Mangonha ...
Massambi ...
Morrungulo
Muagui
164
174
35
64
29
77
44
82
174
1
2
2
4
2
1
1
2
16
4\
12
7
2
9
2
7
6
6
13
27.503
417
385
180
298
158
285
377
246
399
306
197
356
538
314
302
304
118
246
344
349
535
353
609
330
283
267
401
889
271
2.281
362
237
248
791
157
215
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
sobre um estrado que se encontra a 50-60 cm do solo, sendo os produtos metidos e tirados por cima, exigindo, por isso, uma cobertura
que possa ser removida facilmente. Nalgumas povoagoes indigenas
ja se notam recintos cercados e que se destinam a latrinas rusticas
e casas de banho.
As palhotas dos indigenas normalmente sao de secgao circular
e, só raramente, de secgao rectangular. Sao maticadas, algumas
caiadas e com desenhos pintados, representando animais, nas paredes exteriores. As portas de madeira, mais ou menos embelezadas,
com boas fechaduras, sao o seu maior luxo.
3.2.
A alimentagao.
A alimentagao do indigena de Massinga, como a de todo o indigena, é uma alimentagao monótona, pela pouca diversidade dos seus
alimentos, a base de produtos vegetais ricos em hidratos de carbono,
que pode satisfazer sob o ponto de vista quantitative, mas nunca no
aspecto qualitativo.
Tem o estudo da alimentagao do nativo uma importancia bastante grande como ponto de partida de qualquer trabalho que se
queira fazer sobre as populagöes indigenas, e deve ser o primeiro
problema a tentar-se resolver para a elevagao do indigena na escala
social.
No contacto que tivemos com o indigena de Massinga, aquando
dos trabalhos de campo ali realizados para o reajustamento algodoeiro, colhemos alguns elementos sobre este 'assunto. Sao esses
elementos que passamos a expor.
,
' '
3. 2 . 1 .
Cereals.
NomeS cientlficos
- Pennisetum typhoideum
Sorghum vulgare
Zea mays
s
Nomes em shitsua
Mahuba
Manila
Zipfaki
Nomes vulgares
Mexoeira.
Mapira.
Milho.
O milho é si base da alimentagao do indigena da regiao, é a sua
cultura principal. A mapira e a mexoeira sao culturas secundarias,
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
57
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monograf ia agricola de Massinga
cultivadas nas regióes do interior menos evoluidas ou onde as chuvas sao mais escassas.
Todos estes cereais sao farinados nos pilöes ou em moinhos,
obtendo-se assim uma farinha branca e fina a qual retiram todo o
farelo, que normalmente nao é utilizado na alimentagao. Com esta
farinha confeccionam uma papa para acompanhar a matapa e a que
mais adiante nos referiremos.
Nas zonas onde se dispöe de amendoim para a confecgao' da
matapa, nao se utiliza o farelo da farinha de milho, rico em vitamina B 1( mas, quando a falta do amendoim se faz sehtir, os indigenas aproveitam-no, juntando-o a matapa de folhas para Ihe dar
um melhor aspecto. Isto acontece principalmente no interior dos
Urrongas.
3.2.2.,
Legumes.
Nomes cientificos:
Nomes em shitsua
Tichumba
Nhembas
Ticochane
Nomes vulgares
Feijao mungo.
Feijao cafreal.
\ Os feijoes sao utilizados em verde ou depois de secos. Destes,
é a nhemba o que tem uma maior area de cultura. As leguminosas pqssuem.elevado teor de principios nutritivos, sao ricas em proteïnas, vitamina B, e contêm grande percentagem de sais minerals.
Segundo Balland ( 1 ), «um quilo de sementes de Voandzeia subterranea contém tudo quanto constitui um alimento completo, que satisfaria a todas as necessidades de alimentagao diaria».
3. 2. 3. Frutos oleaginosos.
Nomes cientificos
Nomes em shitsua
Arachis hypogaea
Telefaira pedata
Trichilia roka
(')
58
_
;
Timanga
Mikhokho ..."
Cungo
Kuhlo ........?:.
.:
Nomes vulgares
Amendoim.
Coqueiro.
Castanha-de-Inhambane.
Mafurra.
Cit. por VAN MUELLER (7).
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de
Massinga
Sao estas as plantas que fornecem as gorduras vegetais que
entram na confecgao dos alimentos do indigena desta regiao.
O amendoim, depois de pilado, entra na composigao da maioria
das comidas indigenas. A' castanha-de-Inhambane e o coco substituem o amendoim em certas épocas do ano, ou na sua falta.
O indigena faz o aproveitamento da amêndoa das sementes da
Telefaira pedata (Cungo) pilando-a, e juntando a massa obtida a
comida para seu condimento.
Para a obtengao do óleo de mafurra os indigenas procedem da
seguinte maneira:
1.
2.
Pöem as sementes em agua durante dois dias e em seguida
aproveitam o arilo e deitam o restante fora.
A agua onde estiveram as sementes, juntamente com os arilos, vai a ferver até a obtengao do azeite, que é em seguida
removido para pequenos recipientes, onde é guardado.
3. 2. 4. Raizes
tuberosas.
Nomes em shitsua
Nomes cientlficos
Nomes vulgares
Batata doce.
Mandioca.
Minhambo
Mifirinya
Tarito uma como outra, mas principalmente a mandioca, sao o
recurso de que os indigenas langam mao quando as outras-culturas
se perdem devido a condigöes climaticas adversas. Sao substancias
ricas em hidratos de carbono, mas pobres em proteïnas, possuindo
a batata doce duas espécies de vitaminas: Bi com 80 % e B 2 com
60%.
...
.
.
.
/
3.2.5.
Diversos.
-
Nomes latinos
Nomes em shitsua
•
t
/
Nomes vulgares
Castanha-de-caju.
Mariwa
Matumato
Cana-de-agücar.
Tomate cafreal.
Estes produtos completam o regime dietético dos nativos de
Massinga.
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0
59
ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia
3. 2. 6.
agricola de Massinga
Frutos.
Nomes latinos das espécies principals
produtoras de frutos
aproveitados pelos indigenas
. Nomes
em
shitsua
Imbondeiro (').
Muwo
Chilenge
Nzova
Papakaia
Citrus nobilis
Din'wa
Nziba
Bimbe
Nomes .
vulgares
j
Ateira brava.
Papaia.
Tangerineira.
.*... Laranjeira.
Bananeiras.
Canho.
Musa paradisiaca
Sclerocarya caffra '.
Magala. '
Tamarindeiro.
MaQaniqueira.
v
A maior parte destes frutos sao oferecidos pela natureza ao
indigena, mas outros, como as laranjas, tangerinas, papaias, ananases e bananas, sao o produto de pomares ja estabelecidos pelo indigena, ou pelos seus ascendentes, em terrenos considerados seus, constituindo-se assim autenticas propriedades, tendo o nativo ja a nogao
do valor da terra.
Todos estes frutos sao aproveitados para comer, quando maduros, para fazerem os seus doces, ou para, da maior parte deles, fazerem as suas bebidas.
3. 2. 7.
Capitis.
Os indigenas aproveitam alguns capins para a sua alimentagao,
cozendo-os com amendoim pilado, sal e piripiri.
Apenas conhecemos estes capins pelos seus nomes em shitsua',
que sao:
Chidocomelana.
Mubabe.
M'bowa.
Muhede.
(') A polpa do fruto desta espécie contém quantidade elevada de vitamina C, em estado livre, que pode variar entre 175 e 445 mg por 100 g (3).
60
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
~
ALMEIDA, Armando Antünes de —• Monografia
3. 2. 8. AHmentos
3. 2. 8. 1.
agrlcola de Massinga
animais.
Caca.
Como ja atras dissemos, a alimentagao do indigena de Massinga
consiste quase exclusivamente em produtos vegetais, só comendo
carne quando os cagadores,; com os seus arcos, conseguem abater
algum exemplar, ou. quando as suas armadilhas apanham alguma
pega. Na zona litoral e sublitoral a caga ja vai rareando.
As armadilhas utilizadas sao de dois tipos: um para perdizes e
galinhas-do-mato, e outro para coelhos e gazelas, principalmente.
Nos Ürrongas é mais facil encontrar-se caga, e por isso os habitantes desta regiao comem mais vezes carne do que os do litoral.
As espécies que aparecem em Massinga sao: gazelas, coelhos,
perdizes, galinhas-do-mato, um ou outro büfalo, de passagem, e pouco
mais.
•
.
•
. 3. 2. 8. 2.
Pesca.
Os nativos que tern as suas povoagöes junto do mar ou das
lagoas dedicam-se a pesca, o que lhes da a possibilidade de variarem
0 seu regime alimentar. Os cabados com maior numero de Pescadores sao os de Muchungo e de Chibanhane, embora indigenas- de
outros cabados do litoral se dediquem a pesca, como: Tevele; Lino,
Morruhgulo, Fagene, Madibitane e Chondilo.
...... f
"
-• J
.
"
,,
"
,.
|
,
,
ï
•
' •
' 3. 2. 8. 3.
Outros
espécies
animals.
'
-'
.
.
•
/
\
• - •'' ' • •
Todos os indigenas de Massinga comem ratos (bonjane, em
shitsua), pequenos é grandes, que sao assados com sal e piripiri,
depois de lhes tirarem as tripas. Dos répteis/só' aproveitam a jiboia
(charfo, em shitsua). Depois de morta e'da p'ele tirada, cortam-na
aos bocados e cozem-na com sal e piripiri. Também utilizam para a
sua alimentagao o kwahle • (lagarto grande), que assam com sal e
piripiri.
•
.
Segundo informagöes dos indigenas, tanto o charro como o
kwahle so podem ser cozmhados pelbs' homens e os ossos deste
ultimo nao podem ser comidos, pois quem tal fizer'fica com tremores
, \ MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. —: 1 0
61
ALMEIDA, Armando Antunes Ae. — Monograf ia agrlcola de
Massinga
por todo o corpo, e, por isso, os indigenas enterram os ossos do
kwahle.
\
3. 2. ,9. Bebidas alcoólicas.
r
;
Além do vinho e da aguardente que podem ser adquiridos nas
cantinas, os indigenas possuem ainda as suas bebidas cafreais, bebidas estas que estao presentes em todos os actos da vida do indigena.
As bebidas cafreais dos nativos podem ser fermentadas ou destiladas.
Das bebidas fermentadas é a mais importante a cerveja (putzo,
em shitsua), que pode ser de milho, mapira, mexoeira ou mandioca,
utilizando como fermento, em todas elas, a mapira germinada, visto
ser a que germina mais facilmente.- 'A cerveja de milho é a mais
vulgar por ser a de meihor paladar e por nao provocar dores de
cabega, quando bebida em excesso, como acontece com a de mexoeira;
por isso, é o seu fabrico que passamos a descrever:
, a)
b)
c)
d)
em primeiro lugar, pila-se o milho ao mesmo tempo que se
ferve agua. Quando esta se encontra em ebuligao junta-se
a farinha e mexe-se a mistura, deixando-se em seguida ficar
em repouso até ao dia seguinte;
mergulha-se a mapira na agua durante algum tempo e
seguidamente coloca-se num tabuleiro para germinar;
germinada a mapira, deixa-se secar e pila-se;
depois de pilada, a mapira germinada junta-se a mistura
de farinha de milho e agua que se encontra em repouso e
deixa-se fermentar.
Esta - preparada a cerveja e pronta a ser bebida.
Os indigenas aproveitam também a seiva das palmeiras, que,
fermentada, da a sura. Sao elas: a:Hyphaene'crinita e a Phoenix
reclinata.
.<'.''•
, I -,<••. ,
•. >
A sura é muito rica em vitamina B. 'Segundo NICHOLLS, duas
colheres de cha de sura, por dia, sao o suficiente para evitar o
beribéri nas criangas.
,
"
Ha ainda uma outra bebida fermentada, o chiuaioaio, prove-,
niente do esmagamento'da cana-de-agucar.62
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. - ^ 10
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
Para a obtengao das bebidas destiladas , (aguardentes). sao
aproveitados grande parte dos frutos das espécies ja atras apontadas, como sejam:
Anacardium occidentale
Ananas comosus
^
Citrus nobilis
Citrus sinensis
Garcinia livingstonei
Sclerocarya caffra
3.2. io.
—
.
..'
Caju 0 ) .
Chilenge.
. Din'wa.
Din'wa.
Bimbe.
Canho.
Sal.
Na grande maioria, os indigenas adquirem o sal de que necessitam no comércio; no entanto, ainda ha alguns que o obtêm da
seguinte maneira:
Escolhem uma época em que se nao prevejam chuvas e vao
até a beira-mar, onde permanecem até obterem a quantidade de
sal que julgam suficiente para uma larga temporada. Para isso,
arranjam um recipiente, em lata, de dimensöes razoaveis, que
enchem com agua do mar e pöem-no ao lume para que a evaporaigao seja mais rapida. Eyaporada a agua, procede-se a esta
operagao mais tres vezes. Em seguida, raspam o sal que fica
-no fundo do recipiente. Esta operagao é repetida tantas vezes
quantas as necessarias para a obtengao da quantidade de sal
julgada conveniente.
3. 2.11. Confecgdo dos
alimentos.
/
Geralmente, a mulher indigena apenas cozinha uma vez por dia,
a tarde. A refeigao, assim preparada; é c'omida ja de noite e o que
resta é guardado para o dia seguinte, sendo cömido por volta das
10 horas, quando os indigenas voltam da «machamba».' Durante o
resto do dia vao comendo mandioca, batata doce, frutas, etc.
Nas povoagoes dos indigenas com maiores possibilidades económicas, cozinha-se duas vezes por dia — almogo e jantar — e toma-se
(') A parte aproveitada para a obtengao da aguardente nao é o fruto do
cajueiro (castanha-de-caju), mas o pedünculo intumescido (pêra-de-caju).
MEM. JUNTA INVEST. ULTBAM. — 10
63
ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografia agrlcola de Massinga
cha de manha. cedo, mas as refeigoes sao constituidas pelos mesmos
pratos.
• ••
• '
A principal ref eigao do indigena é normalmente constituïda por
uma massa preparada com farinha cozida em agua, que pode ser considerada o seu pao e que acompanha quase todos os'seus alimentos,
e pela matapa, que é feita de folhas de mandioca (Manihot utilissima), de m'kaka (Momordica balsamina), de batata doce (Ipomaea
batatas), de abóboras e de hortaligas. Estas folhas nunca sao misturadas, utilizando-se uma ou outra espécie, conforme o gosto de
cada um ou a altura do ano.
As folhas sao cortadas e cozidas com amendoim, piripiri, sal e
tomates, se os ha, numa pariela.
Depois de cozida a massa e a matapa, estas sao misturadas
numa' espécie de alguidar, prato comum a todos os comparticipantes da refeigao.
'
•
A farinha utilizada para cozinhar a massa ou pao é de milho,
principalmente, de mapira, de mexoeira e também de mandioca.
Além deste prato, que é o principal da alimentagao do indigena,
vamos meneionar alguns outros alimentos que constituent as refeigoes dos nativos:
:
1: Feijao cafreal (nhembas) descascado e cozido em agua.
Após a sua cozedura junta-se-lhe mandioca verde, descascada e cortada aos bocados, amendoim pilado, sal e piripiri.
2. Batata doce, lavada e cortada aos bocados, cozida com
'i amendoim pilado, sal e piripiri.
3. Batata doce assada ou cozida.
4. As vagens do ticochane, quando ainda estao verdes, sao
cozidas e depois apenas se comem as sementes. Estas,
quando secas, sao cozidas com sal e piripiri.
5. . Tanto o peixe como a carne, frescos ou secos, sao cozidos
com amendoim pilado, sal e piripiri.
6. As sementes do Phaseolus mungo sao cozidas com sal e
piripiri.
.
,
Todos estes pratos sao acompanhados com massa ou pao, feito
de farinha de milhó, mapira ou mexoeira, como ja atras referimos.
Os locais onde os indigenas comem as suas refeigöes sao varios:
na palhota principal, quando esta tem duas divisöes (uma para
comer e outra para dormir), debaixo de um alpendre ou junto da
cozinha.
u
MEM. JUNTA INVEST. TJLTRAM. — 1 0
ALMEIDA,
Armando Antunes 'de — Mono grafia agricola de Massinga
3. 3. Recrutamentó
indigena.
Em Massinga sao recrutados indigenas para as minas do Rand,
caminhos de ferro, Sociedade Agricola do Incomati e outros servigos, mas ja em menor numero.
A emigragao para as minas do Rand esta dentro dos habitos
indigenas, pois desde tempos recuados que só é considerado gente
aqueles que tiverem trabalhado nas minas, sendo este facto uma das
condigöes de preferência para o casamento.
..
.
,
Além disso, todo o indigena novo que nao tenha ido ao «John»
— designagao dada as minas — é conhecidó por «manparra», termo
depreciativo; e aos que regressam chamam-lhes «magaigas», palavra que significa ter voltado das minas, o que os honra.
Claro que este facto nao acontece só entre os indigenas, pois
no meio rural dos paises civilizados a aspiragao maxima de todo o
jovem é sair da sua aldeia com a finalidade de se tornar independente é também para que.'ao voltar,' as raparigas. do^seu'.'mèio 'ö
olhem com mais admiragao.
: •,./ o
. v x •.*./. ,..• ,.;•«« <vj
) oÉ esta,^:pois, a principal razao por. que emigramtos-jovens; no
entanto e qüanto a hós, existem óutras causasque motivam a emigragao para o Rand, embora em menor percentagem, as quais vamos
apontar:
1. Preferem ir para as minas a serem recrutados para qualquer outro servigo — «Chibalo».
2. Qualquer «milando» que arranjem nas suas terras.
Concluindo, somos de opiniao que a verdadeira causa de toda a
emigragao é de caracter economic© e estamos certos de que, havendo
meios de subsistencia no seu ambiente, o indigena nao sai. Nestas
condigöes, embora a emigragao nao cesse, verifica-se no entanto um
franco deeréscimo.
'
/
A unica forma, pois, de contrariar a emigragao, embora lentamente, é conseguir desenvolver no indigena o amor pela terra provpcando a sua fixagao e criar-lhe novas necessidadés, facultando-lhe,
no seu meio, a maneira de obter os recursos necessarios para as satisfazer. Por enquanto, este desiderato só sera alcangado se se fizer
do indigena um bom agricultor, fomentando nele o gosto pela agricultura, ensinando-o a agricultar a terra e préstando-lhe toda a
assistência necessaria. Seria, pois, interessante a criagao de escolas
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0
65
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
rudimentares de agricultura, a cargo de praticos. agricolas, disseminadas pelo mato, com exploragöes anexas, que lhe serviriam de exemN
plo e aonde recorreria sempre que precisasse.,
in
. 1 1
J
'i
" 'I
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MEM. JUNTA INVEST.' ÜLÏRAM. — 10
I oto 5 — 0 régulo Zunguza com o seu secretario (primeiro .1 direita) <• com os seus conselheiros (madota)
Foto C — O régulo Massinga, ié falecido, com o seu sccretarin (a direita) e o scu primciro-induna
M «I
it
ï
*
Foto 7 - Celeiro Indigena assente sobre estacas, permitindo um melhor areiamento <• uma melhor conservai Bo
dos produtos .ill Ruardados
Foto '• — Muis celeiros indigenas: no primelro pi.mo. urn estrado imde os produtoa
sao bcm secos antes do armazenamento
I oto 0
Palhotas dos tipos rectangular c redondo (cote (jiiemc)
»• '
10 —Palhota
~^*K
I e i " l l - i imr.i pnll.nl.i. |i;r.i.i,:.i cle vdrias cores
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l')
Khimii 0) — armaililha de cica. indigena para pertlizes c Kalinhas-clo-mato, principalmente
In. shit»ua.
A
I • i" 13 Indfftena armado de arm e flecha, utilizado para cacti grosso, i) arco (wara)n t • BecJio
(chlkarn){') sio feitos de tsanhci i. ll ::t'iilut'\ é <> nome do ërvore da qual o
; ars .1 sela, e XgalaQ) o animal do cuj
• ra o esticador
i'i
Eu
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'(',-a"nad'lha^^«.i^gena,paracoen
las. princ.pa.men.
Foto 15 — Mulheres nativas pilandn milho. O pilflo (churl)O) é t'eito de tingarre (Albiizla versicolor) e os
paus de pilar i
-"•:•!
l.e ou tchirri ('). A aecSo de pilar chama-se, em shitsua, ituJtania
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Em slul-uo.
ui — Cozinha indigena
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VH. O PROBLEMA DA^ AGUA PARA ABEBERAMENTO
'i-ju.-.' .i DAS POPULAgöES E GADO
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iNTRODügAO.
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É este; o mais importante problema, necessitando de urgente
resolugao, de Massinga.
Sob o ponto de vista do abastecimento de agua as populagöes
indigenas, podemos dividir Massinga em duas zonas absolutamente
distintas:
a) zona do literal — Faixa. arehosa costeira. ,„
b) zona do interior — Urrongas.
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Na primeira, pelos.cursos de agua que a cortam,'peIas lagoas
existentes e pelo maior numero de pogos ai abertos, (por ser mais
facil a prospecgao hidrológica), os indigenas têm o problema do
abastecimento de agua resolvido, ou, meihor, as condigöes em que
se encontram sao incomparavelmente melhores que as dos seus
irmaos do interior. Esta relativa' abundancia de meios de öbter
agua e a ausência da niosca tsé-tsé (facto que se deve a uma ocupagaö mais^ efectiva) permitem-lhes' ter gado de trabalho que lhes
lavra' as'. suas «machambas», quer das culturas alimentares, quer
das de rendimeiito, e lhes faz os transportes de que necessitam:
Todos! estes factores, representatives de um estado de civilizagao mais evoluïdo, podemos atribuï-los a presenga da agua, em contraste com os indigenas do interior, que, mërcê da falta deste precioso liquido, se encontram numa fase bastante mais atrasada.
A.'ausência de pogos na regiao do interior (Urrongas), além de
ter impedido que os seus habitantes evoluissem no mesmo grau dos
do literal, é a responsavel, segundo a nossa opiniao, pela sua baixa
densidade demografica, que se agrava, ano após ano, pela migragao
das suas populagöes para regiöes onde a agua nao' falta durante
grande parte do ano. Assim, uma regiao onde os poucos indigenas
nela existentes perdem dois a tres dias por semana para irem busMEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
67
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
car cerca de 201 de agua na época seca, sujeita as migragöes constantes, nao pode ser uma regiao agricola, perdendo-se assim todo o
v
potencial de fertilidade nela existente.
Ê necessario, mais uma vez o frisamos, que nestas regiöes se
realize uma prospecgao cuidada, com o fim de localizar os pontos
para a abertura dos pogos e depois construi-los, constituindo-se assim
uma rede* aperiada de locais de> abastecimento. V ""'J-iv ) i.'7
Resolvido este pr'oblema, o'aümento populacional seria um facto
e o aproveitamento agricola da regiao, por meio de concentragöes
agricolas, uma realidade.
,
.Of'MïOx/«viï .L
Com o aumento do poder de compra do indïgena, provocado por
por estas'medidas,/ surgiria o 'cantinéiropmarcaridot a^presenga do
europeu nessas paragens.
.'y.nl:*£*•£. m .o-am!o::ai
. l l ^Cremos.ter'apbntadö as vantagèns reaisique'adviriam do'abastecimentö em; agua potavel iparaya' regiao idos LUrrongas: ,Jctr ï^ü^i
2.
COMO SE ABASTECEM DE) AGUA E rLOCAIS DE : ABASTECIMENTO .•>
.^•'.•f'fliV-'-.TÏ — •> yh :.>n< <b ; n-r:
(^
Nos Urrongas, os indïgenas, 'na época das chuvas, abrem pequenas dèpréssöes T junto dos.seus r imbondeiros,.para aït'se^acumular a
agua das chuvas;. quèdèpois éiarmazenadanestas arvqres-cisternas;
assim cómo toda aquela que fica' em; qualqüer .'poga,: após cada
chuvada."" ! " .•••><•• ,• •. J"»i „J ,f>„-h; C--.; zir?.*. ,'"> cJr,. v : . J..:;.".
~*. A agua conseguida por este sistema serve para o abastecimento
dos'indïgenas ^durante os primeiros tempos da épöca seca; Tërmin a d a e s t a reserva, comega o seu fadario: ir busbar'agua aos* pogos,
rio's e lagoas'e'xistentesnas «redondezas», que em alguns cdsos chegam a estar atyO e 50 kim de distdncia. Nesteperïodo, os indïgenas
abastecem-se-de aguamma a duas vezes por semana, sendo transportada pelas mulheres em'cabagas, cuja capacidade varia entre 18
e 251,Te.em-latas'degasolina.' V ' «
. •• t. .
... .
< i„..'.
j
1
••'1- As indïgènas, geralmente, aprbveitam>estas suas idas a os locais
onde éxiste agua para'lavarem as suas roupas.-».)•* > -M ,oi>'.-.Ji i-oio
•-'' Na' regiao do' litoral, 'os indïgenas abastecem-sejinormalmente,
durante todo o ano, nos me'smos locais,' utilizando latasde-gasolinaj
garraföes dè 20 1, e, ém< alguns casös;barrisdê 501, para ó transpórtè
da agua/ r'-n ..> . ^q- «v-r/./.v .*M..-: — up ,. ai'?;.-/- -)•?') ;.!*::.b'.rtry')
' O abastecimento dos indïgenas em aguaié feitö pör pogos, revestidos ou nao de anéis "de cimènto, por cisterhas< junto"ao Nhachengo
e nas lagoas. Destas, a principale alag'oa' do Malembane; V J -~J3
68
MEM. JUNTA INVEST. ULTKAM. — 1 0
posto-sede da circunscricao de Massinga
Abasteamento de agua da zona dos Urrongas
Esi: 1/250.000
Legenda
Sede da Circunscricao
Povoacao comercia/
Regedorias e cabados
Esfradas
Picadas
Rios
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Lulecua \
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Sede da Grcunscncao
Povoacao comercia/
/?egedonas e cabados
Estradas
Picadas
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\ ( ^ Cu/ecua \
\>^£gtf *
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\ Muchache
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—p.^ Pi os
Poco do Cabo Selenca
Poco do Cabo Chtlubuane
Poco do Chipone/a |Vilancu/os]
Poco do Cabo Anguluve
Lagoa Paene {Morrumbene}
Lagoa do Cabo Malembane
Pocos aberfos ja depois de efa
borada es/a Monografie, e que
vem melhorar bastanle as condicöes deabaslecimentodeagua
aos indigenas dos Urrongas.
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Legenda
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ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monograjia
agricola de Massinga
Os poQOs localizam-se nos seguintes cabados: Selenga (1), Muvamba (1), Jange (1), Unguana (1), Chilubuane (1), Muchava (1),
Anguluve (1), Queme (2), Cofe (1), Chiunze (2), Guma (5) e Sinela (1).
Consultado um mapa de Massinga, verificamos que estes pogos
se situam na faixa arenosa costeira.
3.
ABASTECIMENTO DOS URRONGAS.
Como é na regiao dos Urrongas que o problema da agua é mais
premente, vamos dar, no quadro n, os locais de abastecimento dos
diversos cabados daquela zona na época seca e representaremos na
carta iv as areas abastecidas por cada um deles.
QUADRO I I
Locais
de abastecimento
Numero
que lhe corresponde na carta
Cabados abastecidos
POQO do cabo Selenga
1
Tiane, Vumelela, Bobiane, Mucupe,
Machiquetane, Uiane, Lipeze, Butane, Uticela, Guebel, Mailene, Chituane, Zilo, Macarringa, Bambatela e Unguana.
POQO do cabo Chilubuane ...
2
Bambucochecua, Dora, Macarringa e
Mabicane.
Pogo do Chipanela (Vilanculos).
3
Tiane, Chipumbo/ Paunde e Nhachengo.
/
Pogo do cabo Anguluve
4
Muchache e Mabadine.
Lagoa Paene
5
Lagoa do cabo Malembane
6
Chilemane, Cutecua, Marrule, Chicopa, Rundugo, Navela, Tiane, Muconjo e Marrucua.
Observando, com a atengao que o problema requer, o quadro e
a carta, ficamos com uma ideia clara das dificuldades e canseiras
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
69
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
que se deparam as indigenas desta.regiaorpara obter o precioso
liquido, que é a agua, e cujaVfalta só é devidamente apreciada-por
aqueles que ja a sofreram.' E o;indigena apercebe-se tao.bem destas
dificuldades, que o «loboio» da mulher dos Urrongas é mais cafo
(enquanto no literal o normal, é 1.500$00, nos Urrongas é.de 3 a
4 contos), devido a ter a mulher.de ir buscar a agua"a grandes dis-:
tancias.
Seria motivo de grande satisfagao para nós se este modeste
trabalho contribuisse, de alguma maneira, para a materializagao do
abastecimento de agua potavel as populagoes nativas dos Urrongas.
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MEM. JUNTA' INVEST.. ULTRAM. — 1 0
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Foto 17 — Lagoa de Malembane, onde se abastece ;i maior parte da pi
na época seca. Indïgenas con as suas palbotas .-. X • a
cm
Foto IK — Poco aberto na planicie
gi na dos L'rrongas,
9tecer-se
Poto i ' - Imbondeiro-cisterna da i
''n ••u.i~. Si rpi>-i dus dmv.is. a agua que empo^a t re.
! .:•••: 18 e tr.msport.id.i para estas arvor."., i> <ine Ihcs pirmlte mlrcnlar a falt.i de ajtia DOS prill
tempos da época seca. Note-se a escada. pela qn al o iodigea i so'ie para tirar a dgna do imbondeiro
>-ï'A>
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-JET* .
- No primeirn pl.ino veem se cabacas, recipienles utilizados pelos indfgenas para o transporte de -Ag.ua.
No segundo plano, uma bate/ia de -.ilos, onde os indigenas guardam as colheitaa dos seus produtns alimentares
Foto 21 — A frente J.i palhota veem-se, também, cabacas para o transporte de agua
Vin. ACTTVIDADES- ECONOMICAS
1.
iNTRODUgAO.
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As aetividades economicas de Massinga resumem-se'a agricultura, base, da economia da regiao, a pecuaria, em pequenissima
escala, e ao comércio.
,
É tao grande a importancia da agricultura (agricultura indigena) na vida económica da circunscrigao, o que alias se verifica em
quase todo o Mogambique, que se as colheitas de alimentares e de
«algodao» fórem mas, devido a condigöes climaticas adversas; tudo
é afectado e tudo se ressente. Assim, julgamos ser de acarinhar. e
amparar tudo que concorra para a melhoria deste ramo das aetividades economicas.
Nao podemos deixar de nos referir, nesta introdugao, as aetividades economicas de Massinga, aos aspectos da Instrugao, Saüde e
Transports e vias de comunicagao, pois, embora se nao possam'corisiderar aetividades economicas, estao inter-relacionados, e por isso
far-lhes-emos referenda, embora sücinta.
'
Quanto a Instrugao, existe na sede da circuhscrigao uma escola
primaria eléméntar, fréquentada por criangas európeias, mistas e
indianas.
' '
Além desta escola oficial, destinada a criangas civilizadas, existem, espalhadas pelo mato, 25 escolas rudimentares para indigenas,
regidas por professores indigenas.e söb. a orientagao da' Missao do
Imaculado Coragao de Maria, situada em terras do cabo de Mangonha, que para a sua acgao missionaria dispoe de dois padres e
cinco irmas, todos italianos.
" N Na area da circünscrigao e em terras do cabo Nhaloio fica
situada" a-Missao Metodista Livre> orièntada por missionaries amèricanos, autorizada a instalar-se aï, em 1933. Abr'ange uma area de
5.300 ha, pertencentes aos regedores Zungüza e Massinga.
No rëspeitante a Saüde, é a assistência médica a esta circünscrigao prestada pelo delegadó de saüde de Morrumbene. No posto
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
11
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
sanitario de Massinga presta servigo um enfermeiro europeu, que é
coadjuvado por pessoal indigena.
Quanto a Transportes e vias de comunicacao, é Massinga ser<vida por duas empresas de camionagem: Caminhos de Ferro de
Mogambique e Empresa de Transportes Majohone, L. aa
A primeira serve Massinga na carreira que tem por itinerario
Mutamba-Maxixe : Massinga-Rio: das '.Pedras >e. a. segunda em qualquer das duas carreiras que faz: uma em que Massinga é um ponto
do seu percurso (Maxixe-Massinga-Vilanculos) e outraicom/o seu
término nesta localidade (Maxixe-Massinga),
-:i.^.'-As estradas'que atravessam Massinga'sao:i L a j - ^ m ^ j -u\
' jSr-ÊrN'J]c% — ijmrenqb ^Marqlaès-Massinga-Save.3 Com'84 k m ' d è
extensab dentro dos limites de Massinga:- *'* r"<»*j£J
^ ^ E r R ^ ^ ^ M a i s i n g a ^ F u ü i a l o ü r b : *''-.*:?l -' ' - V ™ ^ . . ^ •*
^ ^ R P ^ i ^ ^ o ' d a s ^ P è d r a s - B a r r a ' F a l s a ^ 1 1 ' ^ - "•">ilbh m < - : * ' ' •
Lb o CViitffi. ffiifa t . ) TÏ'tk.\Li
?:
vy
, H y ' l v » ; ' ^ o v'-a}
*»»:---jp.
olïutf Existe;aindaiuma\estradajnao. classificada 'que^saindo de -Mas^
singa;npassa pelavMissao dojlmaculado Coragao:,de Maria:e termina
ria;praia^'nao • contando.com!as mumeras picadas existentes que;corr
tarn Massinga em todos os sentidos.
.S'.':J;CUVO^ .\b'h
9 sfcöïÜ ,c.'-y.wi. *iT . ó . -sj.- ,cy.9 u-n.i , e i ' - --M s;t> a-simdi-o-j * : • ri
2."OCAIAGRICULTUEA.?"G';' . t/*cq ,c£?:T.kwni.:ydi,
"!/ o . •/.- UPMT.V:
c li TOfj 0 tvxsh:.r ?'">i}'.-'- .:"•• <-«.,+•, .;••-•»!• iiir:;»:*) M?X"'ivit j-s v-------<.-,a
Ë esta a actividade economical mais importante; pois é a'base
der.todaDat economiaoda circunscrigao. ! Consideraremos,.iseparadamente,-- a agricultura nao t indigena e. aiagricultura - indigena,-- sendo
esta a mais importante.
<-";'-,
• J^K> ,ccExi"siiivl3 arir-ïW") .-j r'v*''»"' a ,r.b< .o •-:'-*-•• ~ -••' > > -. *'
.-^-spjbni .Ti.'*q K^rJcjOii-o^r ,«r.ü <"•; > J"1 , .'v J •,--•<
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oo (2; 1SI" A\~ agricultural nao'rindigena.•jJ'v1 • ,- /
.i'.-J.i Hi urfo r>t> ---r.-."-»! i/. > &?v:yif s ,.?.>•» !"'. rii e .; ./.) i- ..!:••••
-) t Osragricultóres ; nao indigerias sao v em'numero de.dez e»as.suas
propriedades ocupam uma area de 7.362,95 ha; estando apenas aproveitados-12,09.%:desta area;jOjque:justifica'plenamente o que/atras
dissemos quantó»a importancia-relativa da agriculturanao indigena
e da agricultura 'indigena^ r fju ,-t^ •^a-^-£l«d'a«ii i .5 r h a t ' / a iOT^r;
Os agrieultores nao • indigenas dedicam-se princjpalmente as culturas perenes, sendo as principals o coqueiro; (Coéosriucifera)$ com
uma area de 631,5 ha, e o-cajueiro'(Anacardiurn
occidentale); com
12
MEM. JUNTA INVEST.* ULTKAM. -r^r 10
ALMEIDA; Armando Antunes.de—Monograj'la,agricala
de. Massinga.
a area de 93 ha, fazendo, também, o.aproveitamento dos f ratos da
mafurreira (Trichilia roka) dentro d&s suas propriedades, e alguns
possuem pomares de citrinos, mas que pequeno ou nenhum rendimento lhes da por falta de transportes acessiveis até ao mercado
corisumidor (Inhambane)'.
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* As culturas anuais que f fazem— niilho, améndoim, feijao e produtós horticolas —'destinam-se,' na sua maioria/ a satisfazer as necessidades da propria exploragao.
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" ' H a apenas urn agricultor que se dedica a exploragao pecuaria
(gadobovino) em grande escala.
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2.2.
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A agriculture/, indigena.
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!'' Gomo ja atras referimos, e esta a base da economia de Massinga, e como tal a sua vida económica depende 'das boas ou mas
condigöes climaticas que ocorrem durante o ano agricola.
Nesta circunscrigao houve uma grande crise nos anos de 1950
e 1951, consequência de dois ciclones que assolaram a regiao e também da epidemia (variola) que grassou entre os indïgenas por essa
altüra: ' r ' : "
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A agricultura'indigena encontra-se mais desenvolvida na zona
litoral do que na zona do interior (Urrongas). Nesta zona, onde a
densidade demografica é menor, o indigena nao se fixa por falta de
condigöes,, muito especialmente por falta de agua, pois, em certos
casos, as mulheres indigenas têm de andar 40-50 km para encontrar
um pogo, uma lagoa ou um rio ondé possam abastecer-se, e quando
a seca é grande (ha locais nesta zona onde sé passam oito-nove
meses sem chover) os indïgenas emigram para a zona- do litoral,
onde ha agua, e muitos deles ai se fixam, nao regressahdo as suas
antigas terras; outros regressam, quando se iniciam as chuvas, muitas vezes ja tarde para fazerem as suas «machambas», quer de culturas alimentares, quer de rendimento."'•'*
Ë, pois, de toda a conveniência que se proceda a abertura de
pogos nesta zona, antecedida de prospecgao, onde os bons solos
abundam, para que' o indigena ai se possa fixar.
Uma vez encontrada agua, podia esse local ser a sede de um
aldeamento indigena, desde que garantissem as condigöes indispensaveis a vida social e económica dos seus habitantes.
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
73
ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia agricola de Massinga
Ja sao sobejamente conhecidas as vantagens dos aldeamentos;
no entanto, nunca é demais realca-las, e assim, segundo H. DE BARROS (3), elas sao:
! «Sob o ponto de vista social, porque representa uma
forma mais eficiente e mais humana de fixar o indigena
a terra, tornando-o de agricultor sedentario em agricultor
progressivo».
L s
. . «Sob o ponto de vista económico, porque o agricultor
submetido a uma constante acgao de presenga técnica,
simultaneamente educadora e fiscalizadora, a sua capacidade' para produzir aumentara consideravelmente».
«Sob o ponto de vista técnico, porque toma viavel a
exploragao continua e metódica, preservadora e nao des, tniidora da fertilidade acumulada, ou pelo menos poupada,^
- • • . através das eras». '• .
2; 2 . 1 .
Culturas aliment ares.
1i•I
il
'i
As espécies vegetais cultivadas pelos indigenas para a sua alimentagao sao as apresentadas no quadro seguinte:""< '
Nomes vulgares
Abóbora
Amendoim
Batata doceFeijao jugo
Feijao nhemba
Nomes cientificos
Arachis hypogaea
Voandzeia subterranea
Vigna catjang
Sorghum vulgare
Mexoeira
Milho
Zea mays ....:....:.:
Nomes em shitsua
Mariwa.
Timanga.
Mihambo.
Ticochane.
Tichumba.
Tinyawa.
Mifirinya.
Mahila.
Mahuba.
Zipfaki.
*
A cultura-base da alimentagao do nativo nesta regiao é o milho,
seguindo-se-lhe o amendoim e as nhembas. Como culturas menos
importantes, e que completam o seu regime alimentar, tèmos a mandibca, a batata doce, o ticochane, a tichumba e as abóboras.
74
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
QUADRO H I
1953
Amendolm descascado
Amendoim em casca ..
Castanha-de-caju
Cera
Farinha de mandioca..
Mandioca seca
Mafurra
Mapira
Mexoeira
MUho
Nhembas
Piripiri
Ricino
1954'
1955
1956
1951
1952
Vendas
(kg)
Vendas
(kg)
Vendas
(kg)
Valor
(esc.)
Esc/kg
Vendas
(kg)
Valor
(esc.)
Esc/kg
Vendas
(kg)
Valor
(esc.)
Esc/kg
Vendas
(kg)
Valor
(esc.)
Esc/kg
1.000
300
235.356
1.854
3.921
13.525
275.709
65
8.632
140
766.345
159.905
3.871
128.170
1.169
7.970
220
52.205
18.020
2.725
330.700
56.100
710
6.270
370.670$00
6.014$20
194.240$00
17.012$50
31.826$50
220$00
32.775$50
18.020$00
3.722$50
330.305$00
63.570?00
2.130$00
12.880$00
2$32
1$55
1$52
1$46
-$-
57.175
6.206
302.673
1.330
155.833$00
11.372$00
385.1lê$00
20.113$00
2$73
1$83
1$27
15$10
-$-$$62
13.905
2.590
250.120
280
40.979$00
4.422$00
281.800$00
4.300$00
83.576
115.582
73.966
430
210.061$00
272.035$00
132.045$00
6.450$00
2$51
2$35
1?79
15$00
173.079
1.590
5.152
273.408
112.415
300
8.700
118.412$00
1.790?00
8.228$00
291.347$00
141.581$00
1.500?00
13.050$00
2$95
1$71
1$13
15$40
-$-$$68
1$13
1?60
1$07
1$26
5?00
1$50
155.456
484
3.940
505.196
76.905
605
107.597$00
509$00
4.540$00
501.886$00
78.227$00
3.763$00
_$-
1$05
1$15
$99
1$02
6$22
131.707
2.580
70
785
4.800
54.423
37.180
970
2.540
V'
i$184.292
1$13
3$00
2$05
115.173$00
. i$-
1$00
101.160
6.990
140
154.430$00
10.275$00
700$00
Ie
-?-$1$53
1$47
5$00
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monograjïa
agricola de Massinga
Nas zonas mais atrasadas da zona litoral e na zona do interior
— Urrongas —,. os ; indigenas substituem, em parte, a cultura do
milho pela da mapira e da mexoeira.
Após b aparecimento das primeiras chuvas, os indigenas iniciam as sementeiras próprias da época, isto é, .de milhö, mapira,
mexoeira, amendoim, nhembas, ticochane e tichumba, sementeiras
essas que sè prolongam até Janeiro.'
t' .,
:„:.,._.
As culturas' f e i t a s n a época fria, e nas regioes emque.chove
nesta. épóca, sao: mandioca, batata doce, milho mucambe e feijao
manteiga. O terreno para a «machamba»'da batata doce é armado
em camalhao.
.
>
.'.
. '
No quadro ni figuram as quantidades de produtos agricolas
adquiridos pelo comércio aos indigenas, o seu valor e o seu prego
medio, de 1951 a 1956.
Constata-se pela analise do quadro m, tal como ja escrevemos
atras, que as culturas principals da agricultura indigena sao o milho,
o amendoim e as nhembas. Isto quanto as culturas anuais. No que
diz respeito as culturas perenes, destacam-se a mafurra e a" castanha-de-caju. Quanto aos outros produtos, ou apenas satisfazem
as necessidades alimentares, caso da mandioca, ou sao feitos.em
pequena escala,• por terem outras culturas que as substituem com
vantagem, como a mexoeira e a mapira.
. Com os elèmentos do quadro atras referido, calculamos os pre. QOS médios por.quilograma, pagos pelo comércio ao indigenaj dos
principals produtos. Assim, temos:
Amendoim descascado
2$63
Amendoim em casca .......;
1$86
Castanha-de-caju
1$43
. r - , ; rMafurra
*
:
;/.
: $65 - ,
. ,t. , • ^Milho .'.,
,
:.......,
(....... 1$15 ..
Nhembas...
/ . . . ; . . . . - . A . . . . . . . . . r 1$22
Piripiri
v.
:.....-....A.....:,.
4$80
Ricino
/
1$77
.."
4
x
2. 2. 2. Culturas de
rendimento)
É o algodoeiro a unica cultura de rendimento pröpriamente dita
que se cultiva na circunscrigao, pois, das culturas alimentares, os
indigenas só vendem o que excede as suas necessidades.
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
75
ALMEIDA, A r m a n d o A n t u n e s d e — Monografia
agricola
de
Massinga
A cultura algodoeira é feita em regime de cóncessao, cóncessao
essa que pertence a Algodoeira do Sul do Save, L.<?a, e é superiormente orientada e fiscalizada pela Junta de Exportagaq do'Algodao.
Em Massinga, a Algodoeira do Sul do Save tem dois europeus
como agentes de propaganda: um com habitagao naMahocha e outro
com residência no Rio das Pedras, além dos'capatazes indigenas que '
auxiliam aqueles agentes na missao que lhes esta atribuida.
>
No quadro iv mencionamos as produgöes de algodao-carögo em
quilogramas, e valor correspondente era escudos, de Massinga-sede,
desde 1943, ano em que>deixou de ser um posto administrativo da
circunscrigao de Morrumbene.
'UQ cVi'
»'
.-;:*-.i<v'3 ra
. Q U A D R O : I V '! u . L ' "
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Algodao-carogo i' • 'Valor da produsao
(esc.)
(kg)
Anos
.
X Areas
(ha)
•• ; ~.,, T ji ; . )
U
1943 ....
1944 ....
1945 ....
1946 ...:
1947. ..1948 ....
1949, ....
1950' ....
1951 :.'.'.
1952 ....
1953 ....
1954 ....
1955 ....
Pela ahalise deste quadro e do grafico vi verifica-se que a
dugao, de 'uma maneira geral, tem aumentado, tendo havido
quebra nós anos de • 1949, • 1950 e 1951, em parte explicada
ciclones que assolaram esta circunscrigao naqueles anos? Comparando-os valores extremos das produgöes"1 e areas
pectivas:
Anos
* ""Produsao V
(kg)
•
1943
1955
'287.051
1.735.572
'
prouma
pelos
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Area • •
(ha)
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2.081
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. 722.285
825.070
,369.066
349.626
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704.159
791.271 .
1.410.179
1.878.889
1.735.572
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MEM. JUNTA INVEST. ÜLTEAM. ^ - 1 0
GRAFICO
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Se
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
verificamos que, para urn aumento de 1,64 da area, a produgao
aumentou mais de seis vezes, o que prova que os rendimentos unitarios aumentaram' bastante,. dando ao indigena uma maior compensagao do seu trabalho.
, • «,
;.- t Lembramos-que esta melhoria foi obtida dispondo.os indigenas
de meios quaseprimitivos para agricultar a terra. Apenas a utilizagao do. gado v de trabalho, na zona litoral>.para lavrar as suas
«machambas», nos parece querer'dizer ja ter sido ultrapassada a
fase primaria da agricultura na regiao.
Somos, pois, de opiriiao que aquelas melhorias mais se podem
acentuar no dia em que a agricultura indigena seja feita a base de
concentragöes agricolas com rotagao de culturas, que se executem
estrumagöes e sideragöes de modo a permitir-nós eliminar os pousios
e que sejam adoptados meios para a conservagao do solo, etc., etc.,
isto é; desde que se caminhe para uma agricultura racional.
'O papel a desempenhar pela concessionaria para atingir este
objectivo é de primordial importancia.
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2.2. 3. Culturas perenes.
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' " Os indigenas, além dos muitos frutos selvagens de que 'se aproveitam para a sua alimentagao, têm como principals 'a"mafurra, a
castanha e a pêra-de-caju.
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: „ * . ' ;
.'- ' O s indigenas limitam-se a fazer o aprovêitaménto destes produtos, apanhando os frutos das arvores espalhadas pelo mato que
se encontram a volta da sua palhota ou nas suas «machambas».
! 5 Parte-destes produtos sao destinados a s u a alimentagao e o
exeedente é vendido nas cantinas,.com excppgao da «pêra-de-caju»
(pedünculo intumescido), que se destina integralmente para satisfazer as_necessidades dos indigenas: para corner ou para destilar. Na
época de frutificagao do cajueiro é rara a familia indigena que nao
tenha o' seu alambique rudimentar a funcionar^em locais escondidos
e um pouco afastados das palhotas, e a que chamam «sombra».
Dé entre as culturas pefenes temos ainda a considerar o palmar
es o pomar de citrinas. Estas culturas sao ja obra do indigena, pois
é ele que as planta a volta das suas palhotas, ficando a constituir
as suas propriedades. Os nativos que assim procedem ja dêio valor
a terra em que estab, e dificihriente a abandonam.
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MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM.—'10
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77
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
3.
A PECUARIA.'
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, Os nativos ja possuem bastante gado bovino, caprino, ovinp;
suino e asinino.
>• > •
.:.-. <•{
O maior numero'pertence a primeira categoria, como podemos
verificar pelo quadro v, cujos elementos foram extraidos do arrolamento feito em Julho de 1955 pelos Servigos de Veterinaria. ' ;
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QUADRO V
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Regredorias
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No que se refere ao gado bovino, é na regiao do litoral que se
encontra a sua totalidade. Na zona do interior, pela presenga da
mpsca, pela falta de tanques carracicidas e pela falta de agua, o
gado bovino nao se ppde manter.
: ',-•!•! »:•] - ~i •« t-r- ; /
Mais uma vez se chama a atengao para o, aproveitamento da
zona do interior —Urrongas— por meio de aldeamentos indigenas,
desde.que se lhes deem as condigöes necessarias paraai se poderem
fixar e ja atras mencionadas.
' ' Como resültado da possibilidade de ter gado de trabalho, os
indigenas da zona litoral lavram as suas «machambas», tanto de ali;
mentagao como de «algodao».
'•' "
>. Com o objectivo de prestar assistência ao gado existente em
Massinga,.esta aqui colpcado um ajudante de pecuaria.dos servigos
respectivos.
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4.
O COMÉRCIO.
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Toda a produgao dos indigenas que excede as suas necessidades
alimentares é vendida nas cantinas dos diversos comerciantes do
78
MEM. JUNTA INVEST.' ULTRAM. — 1 0
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
posto-sede de Massinga. As cantinas sao em numero de 25 e distribuem-se pelas cinco povoagöes comerciais que a seguir se enumeram:
Massinga.
Rio das Pedras.
Nhachengo.
Malova.
Manhenge.
BIBLIOGRAFIA
(1)
(2)
(3)
ANÖNIMO: 1954/55 — Anudrio da Provincia de Mozambique. 3.* ed. Lourengo Marques.
ANÓNIMO: 1956 — Estatistica Agricola, 1951 a 1956. Provincia de Mozambique. Repartigao Técnica de Estatistica. Lourengo Marques.
HENRIQUE DE BARROS: 1954 — Economia Agrdria. «A Terra e o Homem>,
n.° 27. Livraria Sa da Costa. Lisboa.
V
MEM. JUNTA INVEST. TJLTRAM. —10
79
Foto 23 - Hscola de Nossa Senhora da Conceis«o, no Anhane, destinada a crianeas
ncas Ind
muiyemis
Foto 23— I r n a rua de Massing* cm •.! i. i de carrcira
I
. . . . .
IX.
,
-,,•-
APTIDAO AGR1COLA
1. iNTRODUgAO.
i
Na regiao do litoral, onde existe gado bovino e onde ja poucas
derrubas ha a fazer, devido a uma maior ocupagao agrïcola, os indigenas mobilizam o solo das suas «machambas», como preparagao
de uma boa cama para a semente, por meio de lavouras. Estas permitem
o enterramento da vegetagao dos pousios e dos residuos das
(
jCulturas anteriores.
Alguns agricultores nativos praticam, na altura da primeira
sacha, uma pequena lavoura entre as linhas das culturas que tal o
permitam, cómo o milho e o algodao. No caso de as linhas estarem
'orientadas perpendicularmente ao declive, a formagao destes pequenos camalhöes vem contrariar a erosao.
No interior, onde nao existe gado e onde a densidade demografica é menbr, por falta de condigöes, a agricultura ainda se faz dentro do mais classico nomadismo, pois os indigenas executam a derruba da floresta existente no terreno que preténdem cultivar, agricultam-no durante dois ou tres anos e, depois, deixam-no em pousio,
'para novamente irem iniciar este ciclo noutras parcelas ainda virgens. A dërruba'é praticada quase exclusivamentë'pelos homens,
que utilizam a catana para efectuar esta operagao; as mulheres sao
reservados os trabalhos agricolas mais leves. Quando é necessario
eliminar arvores de grande porte, os indigenas costumam fazer uma
incisao anular para provocar a sua morte; no entanto, a existência
destas arvores nao impede que se agriculte a terra logo no primeiro
ano a seguir a derruba; no ano seguinte, geralmente juntam a sua
"volta os capins da «colima da machamba» e langam-lhes o fogo.
Assim, a pouco e pouco, a area agricultada fica limpa, escapando
apenas a voragem as arvores que têm alguma utilidade, como aquelas de que os nativos aproveitam os frutos, mas nunca as produtoras
de boas madeiras, as quais nao dao importancia de maior. Após a
derruba, procedem a queima da massa vegetal e em seguida exeMEM.. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
81
ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografia agricota de Massinga
cutam as sementeiras de «algodao» ou de alimentares, nao havendo
qualquer mobilizagao do solo, mas tao-sömente a abertura dos covachos, onde colocam uma maior ou menor quantidade de semente,
consoante os solos sao mais ou menos compactos.' Se a textura dos
solos tender para o ligeiro, a quantidade de semente aplicada por
covacho é menor porque as plantulas rompem facilmente através
da terra; se aquela'tender para o argiloso, a quantidade de semente
por covacho tera de ser maior para que o maior numero de plantulas a que da origem rompa mais facilmente a crosta da terra. •
A primeira sacha, com ligeira amontoa, embora superficial, perm i t s e facilita que'as raizes das plantas explórem urn'maiör cubo
de'terra'. Esta pratica cultural foi introduzida coni: a-'cültüra-do
' algodoéiró,' pela insistência de todos os in'dividiios que'a'ela'"estao
'lipdos.: 1 ^i; - • ^ ',n •; ';'_" ; :* "" 'u-' ?•' J 'r'; - wv;'
•••"*•> 'Nórmalménte, os ihdigenas fazem a dérruba para i 'a v, cültura tr dcr
algodoeirp. Após dois ou tres anos é esta levada'^ara'outro'local
e estas areas derrubadas sao geralmente'aproveitadas pelos indigenas para as suascultiiras'alimentares)'so'sèndoentregués ao pousio depois de venficarem que nada produzem, ou quando, existam
outras areas para onde as possam mudar.
E isto o que.usualmente se pratica e que a Junta do Algodao
vem contrariando, com o auxïlio das autoridades administratevas e
empresas concessionanas, ha anos a esta parte, procurando fixar
p. lndigenaa terra por meip das concentragoes.agrccolas, nas quais
se a t r i b u i a o s nativos um certo numero de hectares, de harmonia
com a.natureza das terras. Em cada umadestas parcelas, que passam a.i constituir juma; pequena propriedade pertenga dp agregado
,familiar iindigena ai-fixado, segue-se um programa. de rotagao de
culturas adequado.-)Outrossim se procura que os indigenas exeeutem
as melhores praticas culturais e que a sua execugao seja oportuna,
-isto é, pretende-se que 9 nativp agriculte a terra racionalmente, tendo
como finalidade-manter ;p r nivel de-fertilidade dps solos, ,se nao,
melhora-lo. Os resultadosjDbtidos nestejCapitulq nao tern sido proporcionais aos esfprgos .despendidos.j Ja se deu, no- entanto, p primeiro passo, o mais dificil, esperandq-se que se prossiga para-bem
do patrimpnio —Tsolo de.Mosambique. -,, ., • r f ,
,,
j,:t..ij-,
A seguir as sementeirasje ponformep decorrerdo ano : agricola,
quanto a ocorrência de chuvas, ^assim varia o numero de sachas para
cada cultura, executadas geralmente pelas mulheres. j - ,
r(^ - -',
82
,-MEM.'JUNTA INVEST.' ULTEAM. r—. 10
ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
Os indigenas, nas «machambas» alimentares, adoptam a associagao de culturas, principalmente a mandioca, com o milho e com
o amendoim ou com as nhembas (feijöes cafreais), sendo mais frequente a utilizagao da primeira leguminosa.
Embora tivéssemos indagado junto dos indigenas qual a razao
por que assim procediam, nada conseguimos apurar de positivo, e
por isso algumas hipóteses se podem formular quanto a tal pratica:
1)
2)
Sera por comodidade do nativo que, procedendo desta
maneira, apenas tem de cuidar de uma só «machamba»,
onde semeia e planta as culturas-bases da sua alimentagao,
sem que o trabalho aumente grandemente ?
Sera o fruto de uma tradigao agricola?
Quanto a nós, a segunda hipötese é uma consequência logica
da primeira, pois esta maneira de proceder do indigena através dos
anos foi-se arreigando e constituindo uma tradigao que vai passando
de pais para filhos.
Portanto, o facto de os indigenas associarem diversas culturas,
mesmo que outro mérito nao tenha, tem pelo menos a grande utilidade de proteger o solo contra a erosao hidrica e eólica, pois o mantém coberto durante a parte do ano que maiores prejuizos poderia
causar a estagao chuvosa, dando, como consequência, origem a produgöes unitarias mais elevadas e mais regulares.
Passaremos agora a estudar a viabilidade desta associagao para
podermos ajuizar do seu valor.
Segundo o Prof. HELBLING (3), para que uma associagao de culturas seja viavel, é necessario:
«1 — Que entre as plantas utilizadas exista uma identidade de
exigências e de adaptagao ao solo e clima».
No caso' que estamos
o milho, o amendoim e a
tipos de terreno, embora
pouco diferehtes. Quanto
sensivelmente.
a analisar, esta condigao verifica-se, pois
mandioca podem cultivar-se em todos os
as preferências de cada uma sejam um
ao clima, elas têm as mesmas exigências,
«2 — Que as plantas tenham um sistema radicular com caracterïsticas diferentes e podendo ser opostas».
Também em relagao a esta condigao nao deixa de ser viavel a
associagao adoptada pelo nativo, pois o milho possui o sistema radiMEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
83
ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
cular do tipo fascicular que explora principalmente a zona superficial da camada aravel, e o amendoim, como leguminosa que é, possui
raiz aprumada e com grande poder de penetragao, explorando, pois,
uma camada do solo bem diferente da do milho. Além disso, o amendoim fixa o azoto atmosférico por intermédio dos microrganismos
que vivem nas nodosidades das suas raizes do grupo Azotöbacier.
Deste azoto, algum fica no solo, beneficiando, assim, as cultüras subsequentes.
A associagao milho-leguminosa é considerada a associagao ideal.
A mandioca possui um sistema radicular caracterïstico, que
explora uma'camada que vai a uma maior profundidade do que as
anteriores cultüras.
«3 — Que a parte aérea tenha também caracteristicas difereh^
tes. A uma planta de folhas largas e porte alto, que necessita de boa exposigao a luz, convira pois associar outra
de porte rasteiro e folhas estreitas, capaz de viver ensombrada».
•
,'
• •
,Tal como os indigenas executam a associagao de cultüras, esta
condigao verifica-se, porque usam compassos muito grandes tanto
para o milho como para a mandioca, nao havendo incompatibilidade,
pois, apesar de serem duas cultüras, o resultado final é como se
fossem apenas uma. Poder-se-ia melhorar o processo indigena pela
adopgao de linhas alternadas de mandioca e de milho, associadas
com o amendoim ou o feijao, desde que se adoptem compassos convenientes. Sugerimos os seguintes compassos a utilizar nestas condigöes:
As linhas de mandioca e de milho ficariam afastadas
de 1,20 m, mas, ao passo que a distancia entre as estacas
da mandioca, na linha, seria de 1 m, nas linhas de milho a
distancia entre covachos seria de 0,40 a 0,50 m.
O amendoim seria cultivado entre as linhas da mandioca e do milho, podendo semear-se duas linhas nesses
intervalos, utilizando-se o compasso de 0,50X0,30 m.
«4 — Que os granjeios requeridos por uma das plantas nao vao
prejudicar a outra ou outras».
Neste aspecto nao ha incompatibilidade.
84
MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM.—10
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
«5 — Que nao haja incompatibilidade de vizinhanga ou antagonismo entre si».
Quanto a esta condigao, a viabilidade nao é total, pois tanto
o amendoim como a mandioca exigem, principalmente, potassio,
embora a mandioca seja mais exigente.
Como se sabe, os solos da faixa arenosa costeira sao pobres em
elementos minerals; no entanto, o cloreto de sódio, transportado
pelos ventos maritimos, que f azem sentir a sua influência nesta faixa,
pode concorrer para tornar viavel a associagao destas duas plantas,
ambas exigentes em potassa, sabido, como é, que pequenissimas
quantidades de sódio podem substituir o potassio.
2.
CULTURAS ALIMENTARES E DE RENDIMENTO.
2.1.
O mïlho.
s
O milho (Zea mays) (Zipfaki, em shitsua) é a cultura-base da
alimentagao do indigena da regiao, embora, como ja tivemos ocasiao
de referir, em algumas zonas restritas, o milho seja substituido pela
mapira e/ou pela mexoeira. Verifica-se isto nas zonas menos evoluïdas, onde o nativo nao sente tanto a influência do «Branco», ou nas
zonas de clima mais arido, e portanto onde aquelas espécies vao
melhor do que o milho, por mais rusticas.
Em- anos normais, no respeitante as condigoes climaticas no
decorrer do ciclo vegetativo da planta, o milho produz muito bem
em toda a regiao e nos mais variados tipos de solo, o que nao quer
dizer que as produgöes unitarias nao sejam diferéntes consoante o
seu grau de fertilidade.
Normalmente, sao aproveitados para as culturas alimentares,
quando nao ha ordenamento, os terrenos que nessa campanha sao
abandonados pela cultura algodoeira. Ë ai que os nativos fazem as
suas «machambas» de alimentareSj de que o milho faz parte associado a outras culturas, como a mandioca e o amendoim ou as
nhembas; como ja referimos.
Na faixa do literal, onde existe gado bovino, quando o milho
é semeado em associagao com o amendoim ou com as nhembas, as
«machambas» sao lavradas, mas no interior, onde nao existe gado,
a preparagao da terra para as sementeiras do milho nao é feita e
os indigenas limitam-se a «colimar a machamba» e a abrir os covachos onde colocam a semente.
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0
85
ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia agricola de Massinga
As sementeiras do milho efectuam-se a partir do inicio da época
das chuvas (Outubro-Novembro) e prolongam-se até Janeiro. Se a
associagao de culturas diz respeito só ao milho e amendoim, o milho
é semeado em linhas, mas os compassos adoptados sao bastante
grandes; se a mandioca também se encontra na assoqiagao, o milho
ja nao é semeado em linhas e os compassos adoptados ainda sao
maiores. A sementeira é feita ao covacho.
Dentro daquele periodo, é de prever que originem maiores produgoes as sementeiras realizadas mais no cedo, porque, procedendo
assim, a época da floragao coincide com chuvas frequentes e bem
distribuidas.
Na cultura do milho tern importancia capital a maneira como
decorre, sob o ponto de vista da queda pluviométrica, o perïodo da
floragao, e portanto deve procurar-se ajustar a época da sementeira de tal modo que esta tenha lugar num perïodo de chuvas abundantes e bem distribuidas. «Considera-se como condigao favoravel
a precipitagao de 80 a 150 mm de chuva, durante este periodo» (12).
A fim de conciliar as exigências desta planta em relagao a agua
em determinado periodo do seu ciclo vegetativo e o regime das chuvas da regiao, necessario se torna que a sementeira do milho seja
realizada o mais cedo possivel, que quanto a nós, e tendo em atengao
os valores normals das precipitagoes de Massinga, deve ser realizada
por todo o mês de Novembro. Quanto mais tarde se fizerem as
sementeiras, a partir desta data, menores sao as probabilidades de
produgoes compensadoras, por o periodo da floragao vir a coincidir
com uma época de fraca queda pluviométrica. Isto para anos normals, porque pode haver anos em que tal se nao verifique.
Além das sementeiras da época das chuvas, os indigenas semeiam
milho na época fria, milho amarelo a que chamam «milho mucambe»,
por ter sido introduzido pela Missao Metodista de Cambine, da circunscrigao de Morrumbene. As sementeiras desta época apenas se
realizam nas zonas de maior humidade no solo, possivelmente aquelas onde os orvalhos têm maior importancia.
Só em raros anos os indigenas conseguem obter produgoes regulares dos milhos semeados nesta época, mas continuam a fazê-las,
por a colheita, quando a ha, se realizar numa época critica.
Os nativos executam yarias sachas durante o periodo vegetativo desta cultura, pratica esta que tem. por fim eliminar as ervas
daninhas concorrentes do milho em agua e principios alimentares
e também por poderem vir a dominar a cultura principal.
86
MEM. JUNTA INVEST. ULTKAM. — 10
ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografia agrlcola de Massinga
Do milho só é aproveitada a espiga, que na altura propria é
colhida e guardada nos celeiros em pilhas bem arrumadas. Todo o
resto da planta fica na «machamba», constituindo com as plantas do
amendoim, depois de colhidas, uma cóbértura do solo, a que vulgarménte se chama «palhada».
1'
2.2.
O amendoim.
'
•
O amendoim (Arachis hypogaea) (Timanga, em shitsua) é cuitivado, normalmente, pelos indïgenas em associagaó com outras culturas, o milho e a mandioca, sendo esta a associagao mais generalizada na agricultura indigena. Primeiro, plantam as estacas de
mandioca, por alturas de Junho-Julho, embora o fagam durante toda
a época fria, e mais tarde, as primeiras chuvas (Outubro-Novembro),
semeiam o milho e, uns clias depois, o amendoim.
A sementeira do amendoim é realizada ao covacho, sem se atender a qualquer compasso entre a mandioca e o milho, regulando o
numero de plantas por metro quadrado a volta de d u a s . , '
A preparagao da terra para as sementeiras desta cultura é idêntica a do milho, pois geralmente estas duas culturas estao associadas.
,
Os indïgenas cultivam duas variedades culturais de amendoim,
o «bibiane», variedade cultural de porte erecto e de ciclo vegetativo
curto, e o «djimune», de porte prostrado, tipo Dar-es-Salam e de
ciclo vegetativo mais longo. Os nativos gostam bastante da primeira
variedade, por se tornar mais facil a colheita e pela sua J execugao
rapida, embora reconhegam que lhes da menores pródugöes; no
entanto, é o amendoim prostrado a variedade/cultural semeada em
maior escala.
. / ' * . ' '
Dentro dos tipos de solos que se encontram na faixa arenosa
costeira, ö amendoim é cultivado em todos, eles.
No interior dos Urrongas a cultura/ésta menos disseminada.
Nas terras de maior potencial de fertilidade, mas onde é necessario executar derrubas para poderem ser agricultadas, os indïgenas
nao semeiam o amendoim nos dois primeiros anos, julgamos nós
pelas fracas pródugöes obtidas devido ao desequilibrio entre os elementos minerais, em favor do azoto, provocado pela grande quantidade de materia organica existente e até pela presenga da propria
materia organica'ainda nao decomposta.
MEM. JUNTA INVEST. UI/TRAM. — 1 0
87
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de
Massinga
Também é possivel que as fracas produgöes obtidas nos dois
primeiros anos, neste tipo de solos, sejam provocadas por os terrenos.
serem mais compactos e neles se nao executar qualquer mobilizagao.t
Passados dois anos, devido as sachas que se executaram e aos sistemas radiciilares das plantas que ai se cultivaram, o terreno esta:
em melhores condigöes, isto é, mais equilibrado para receber' o
amendoim.
Para termos uma ideia das produgöes unitarias desta cultura
nalguns tipos de solos de Massinga nas condigöes em que a cultura
é feita pelos indigenas, fez-se uma amostragem rudimentar, na campanha agricola'1956/57, que nos conduziu aos resultados apresent a d o s n o quadro vi.
"
;•
QUADRO VI
Natureza dos solos Pardo-avermelhados, francos
Pardos, francos
Vermelhos dos Urrongas
Cor de laranja, franco-arenosos
Cinzentos, arenosos
•
', ••
Numero de plantas
por hectare
19.400
24.000
16.400
17.300
26.000"
•t
',
.
Producao
(kg/ha)
750 •
.800
700 '
730
870
Nota. — O amendoim encontrava-se em assbciagao com outras culturas e
o peso é em verde.
'
Nao foi a campanha de 1956/57 um bom ano agricola para esta>
cultura em Massinga-sede, pois verificou-se escassez *de chuvas emi
Janeiro e parte de Fevereiro.
; ;
'
' '>
Nao temos quaisquer elementos de experimèntagao para esta
cultura e para a regiao em causa que nos permitam indicar q u a l a
melhor data de sementeira e quais as necessidades, principalmente
em agua, desta planta, e por isso recorremos ao trabalho de BOUFFIL (8), embora de antemao saibamos que esta comparagao nao nos
conduz a resultados definitivos, que só poderao ser obtidos pela
experimèntagao local.
•,••,-••••'•
Assim," comparamos a q u è d a plüviométrica de Massinga com a
queda plüviométrica'verificada, no ano de melhor produgao, na Estagab de BAMBEY, no Senegal. -Analisando ó grafico vn, verificamos
que o mês mais indicado para a sementeira do amendoim, no nosso
caso, é o de Novembro e a partir da primeira década, o que nos
permite fugir um pouco as grandes quedas pluviométricas que sé
verificam normalmente em fins de Janeiro e ém Fevereiro, periodo
88
MEM. JUNTA INVEST. ULTBAM. — 10
GRAFICO
Vit
—
„
v
$
Owe4a yfoêtanitrftArt»*»a!4e MAÏSUGA
ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia
agrlcola de
Massinga
de maior intensidade de floragao do amendoim, além de que a
colheita vai cair em Margo, mês de quéda pluviométrica bastante
menor.
Na questao dos compassos, VAZ MILHEIROS (17), para Mocuba,
aponta como compasso ideal para o amendoim prostrado, quando
em cultura estreme, o de 50X30 cm, chegando a verificar-se aumentos de producao da ordem dos 50 %, e para os erectos o de 40X20 cm,
com acréscimos de 7 5 % .
A adopgao de compassos apertados nesta cultura permite-nos
fazer diminuir o ataque da «rosette», virose que aparece bastante
em Massinga, provocando baixas produgöes unitarias.
Quanto a natureza do solo, o amendoim agradece os solos de
tëxtura mais ligeira e agradece tanto mais quanto menos evoiuida
se encóntrar'a agricultüra da regiao, porque, quando nao ha mobilizagao dó solo para as sementeiras e quanto mais compacto ele for,
menores sao as probabilidades de boas produgöes, pois nestas condigöes os gihóforos nao conseguerii penetrar na terra e a frutificacao nao se realizara; ao passo que se o solo for ligeiro, mesmo sein
mobilizagao perfeita do mesmo, dar-se-a a penetragao de maior.
numero daqueïes, logo a produgao é maior.
Nao se devem descurar as sachas e a amontoa: as primeiras
para manter as «machambas» isentas de plantas concorrentes e a
segunda pratica para facilitar a penetragao dos ginóforos e a formagao das vagens. A amontoa nao deve ser feita depois dos vinte
e cinco dias que se seguem a germinagao, pois pode provocar o abortamento dos ginóforos (10).
2. 3. , A mandioca.
A mandioca (Manïhot utilissima) (Mifirinya, em shitsua) é largamente "cultivada pelos indigenas em associagao com outras culturas alimentares '(milho e amendoim ou nhembas) durante parte
do seu ciclo vegetativo.
As estacas da mandioca sao plantadas durante todo o decurso
do ano, mas ha duas épocas em que é mais intensa a sua plantagao-—a época fria e a época do inïcio das chuvas.
Sobv 6 pbnto de vista agronómico, a época mais indicada para
esta pratica é~a-da época fria, época em que a actividade vegetativa da planta é menos intensa e consequentemente a concentragao
da seiva é maior, originando, assim, uma maior percentagem de pegaMEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
89
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
mentos e plan tas melhor conformadas; é pois esta a época ideal,
para tal firn, coincidindo, ainda, com um melhor atempamento das
estacas. No entanto, a plantagao no iiiicio da época das chuvas^ tem
também a sua razao de ser como medida de precaugao para garantia
da produgao.
, ;.
,
Os nativos, depois de «colimarem a machamba», plantam a mandioca, mas as estacas ficam bastante espagadas, talvez porque io
indigena destina esse mesmo terreno a outras culturas que associa
a esta, variando o numero de plantas, por hectare, entre 2.800 e 8.200.
Nas baixas, onde por vezes a humidade do solo é em excesso,
o terreno para a mandioca é armado em camalhao altq (até l m de,
altura).
,
,
. , , .i ^ • .; '
, As variedades de mandioca cultivadas na regiao necessitami
entre dezassete e vinte meses para completar o seu ciclOjVegetatiyo,:
isto é, para que as raizes tuberosas atinjam o seu maximo desen-j
volvimento. /
,
_•,..,',
M-,v-,.
A colheita é geralmente feita na segunda época/sSecaapós a.
plantagao, periodo mais favoravel para a-f efectuar, pois as-raizes.
estao enxutas e sao mais ricas em fécula. Procedendo-se assim; a
farinha que se obtém é em maior quantidade e de melhor qualidade.Na campanha agricola de 1956/57 fizemps ^uma^amostragem
rudimentar para ficarmos com uma ideia sobre as produgöes unitarian desta cultura nos diversos tipos de solos de, M a s s i n g a ^ n a s
condigoes em que ela é cultivada pelos indigenas.
^
Os resultados obtidos figuram no quadro vu.
•)*!
QUADRO VII
Natureza dos solos
Pardo-avermelhados, francos ....
Pardos, francos
Vermelhos dos Urrongas
Cor de laranja, franco-arenosos
Numero
de plantas
por hectare
Produsao
(kg/ha)
2.800
3.200
8.200,
4.300
6.600
.2.400
5.900
t
'6^020
4.710
4.300
'
Produgao
por planta
(te).
: 0,860
1,843
[
- "
,.
, 0J34 *
~1,097'
' .'0,651' '
r
Nota- — As produgöes sao referidas a mandioca verde, que dao 25 a 30 %
de mandioca seca.
"'"*
Embora a mandioca nao seja exigentè' quahto 'aos solos' em qüë'
é cultivada, agradece terrenos ligeiros, nos quais as süas'raizes tube-'
90
MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM. — 10
ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
rosas se desenvolvem muito mais facilmente, e além disso a drenagem processa-se em melhores condigöes, o que beneficia a cultura.
Em Massinga, os indigenas cultivam-na em todos os tipos de solos,
que, de uma maneira geral, tendem para o ligeiro, notando-se no
entanto que as produgöes por planta aumentam a medida que o solo
vai melhorando (ver quadro v n ) .
É esta planta bastante exigentë em potassio, elemento que aparece em pequena percentagem nestes solos; no entanto, o cloreto de
sódio, transportado pelos ventos marïtimos, pode compensar, até
certo ponto, esta deficiência dó solo, como ja atras escrevemos. Apesar disso, as produgöes obtidas, e que figuram no quadro vn, ainda
justificam económicamente esta cultura para o nativo, por falta
de outra que satisfaga as suas exigências nestas condigöes do meio.
Seria, no entanto, interessante saber-se ate que ponto a mandioca reagiria a adubagöes ricas em potassio. Lembramos que o
numero de plantas por hectare esta bastante abaixo do normal, o
que, como é óbvio, influi na produgao unitaria.
Esta cultura, de grande utilidade para o indïgena por constituir
uma reserva alimentar de que pode langar mao em caso de necessidade, em qualquer altura, nao pode deixar de fazer parte das culturas alimentares agricultadas pelo nativo. Devia, no entanto, procurar-se obter variedades de mandioca resistentes as viroses, pois
é raro encontrar-se um pé de mandioca que nao esteja atacado, o
que fatalmente se vem reflectir na produgao.
Para a plantagao, devem sempre escolher-se estacas de plantas
que nao estejam atacadas de viroses. Seria de grande utilidade averiguar-se até que ponto as viroses afectam a produgao e procurar
obterem-se variedades de mandioca resistentes.
Ainda como medida para melhorar as condigöes de cultura desta
planta na agricultura indïgena, aconselhamös a adopgao da plantagao em linhas, utilizando compassos adequados e ja atras referidos.
V
2.4.
O algodoeiro.
A cultura do algodoeiro é feita em regime de concessao, como
alias em toda a provincia de Mogambique, concessao que pertence
a Algodoeira do Sul do Save, L. da , empresa concessionaria das zonas
algodoeiras do distrito de Inhambane e Gaza.
A Junta de Exportagao do Algodao, como organismo de coordenagao económica, cabe a orientagao técnica da cultura algodoeira.
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0
91
ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia
agricola de Massinga
Com a finalidade de se saber onde cultivar económicamente o
algodoeiro, foi feito em 1947 o reconhecimento da entao proyincia
do Sul do Save.
As eonclusoes desse estudo, feito por uma equipa de técnicos
da Junta de Exportagao do Algodao para a circunscrigao de Massinga (posto-sede), foram as seguintes:
i
a)
Areas onde a cultura algodoeira deve ser eliminada ou
interdita.
Devem interditar-se a cultura algodoeira os solos delgados,, com afloramentos calcarios, e os solos amarelos,
cinzentos a esbranquigados, arenosos.
b)
Areas onde a cultura algodoeira deve ser intensificada.
Deve intensificar-se a cultura algodoeira nos solos vermelhos dos Urrongas e nos solos vermelhos, vermelho-acastanhados e pardo-avermelhados, arenosos a francos.
Conhecidos quais os tipos de solos com melhor aptidao algodoeira, ha agora que procurar levar o indigena a «fazer algodao»
nesses solos e enquadra-los em concentragöes agricolas, a fim de
que os nativos sigam uma rotagao de culturas adequada, ünico meio,
nas condigöes actuais da agricultura indigena, que nos permite conservar a fertilidade do solo e nao o levar a completa esterilidade,
de difïcil e longa regeneragao.
Quanto as condigöes climaticas, também Massinga as oferece
para esta cultura; o seu regime de chuvas e temperaturas é de molde
a nao inibir a cultura nesta regiao. No entanto, ha que atender-se
a certas normas para que as produgöes sejam as melhores, desde
que o ano agricola decorra normalmente.
Assim, as sementeiras, cujo prazo oficial vai de 1 de Novembro
a 15 de Dezembro, devem, mesmo dentro deste prazo, efectuar-se o
mais cedo que as chuvas regulares permitam uma boa germinagao, pois constata-se, pelos resultados obtidos na experimentagao,
que, quanto mais tardia for a sementeira, menores sao as produgöes,
devido as elevadas exigências fototérmicas do algodoeiro. Quanto
mais cedo se semear mais cedo se dara a maturagao das capsulas,
fugindo-se as baixas temperaturas que se verificam a partif de Maio-Junho.
92
MEM. JUNTA INVEST.- ULTRAM. — 10
^
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de
Massinga
Sobre as sementeiras realizadas no tarde, Mario de Carvalho (9)
escreve:
«O algodoeiro, quando semeado tarde, com a estagao
das chuvas ja adiantada, vem geralmente a sofrer com falta
de humidade no solo na fase final, do seu desenvolvimento,
vindo a frutificar numa época em que as temperaturas
médias diarias sao, em muitos casos, ja bastante baixas,
e assiste-se entao a urn alöngamento anormal do periodo
de capsulagao — as capsulas demoram demasiado tempo a
abrir e essa demora é fatal para a maior parte delas: o ataque da lagarta vermelha, do «jasside», «helopeltis», manchadores e de outros representantes dessa conhecida legiao
de inimigos do algodoeiro, atinge neste caso uma violência
excepcional. As capsulas, demorando a maturar e a abrir,
oferecem-lhes um repasto abundante e certo: comem, sujam,
inutilizam milhares de toneladas de algodao, que representam muitos milhares de con tos perdidos pelos indigenas,
e muitïssimos mais, perdidos pela Nagao».
Depois das sementeiras feitas e de se ter dado a germinagao
ha que ter o cuidado de manter a «machamba» limpa de ervas infestantes, para que nao haja gastos inüteis de agua do solo, de principles alimentares, e para nao ensombrear o algodoeiro, facto que
vem afectar a quantidade e qualidade da fibra. ' •
Aproveita-se a primeira sacha para se efectuar o desbaste, a
duas plantas, para que estas ramifiquem bem, pois a frutificagao
dos ramos basais, por ser a mais precoce na planta, é a que mais
nos garante a produgao.
Comparando o total das quedas pluviométricas na época da floragaö com as produgöes unitarias de algodao na campanha de 1949/50
até a de 1953/54, verificamos haver uma certa correlagao entre estes
dois elementos.
QUADRO VIII
Campanhas
1949/50
1950/51
1951/52
1952/53
1953/54
v
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
/
V
Queda pluviömétrica
na época de floragao
(mm)
Producao
(kg/ha)
165,3
109,0
378,7
187,3
215,6
79,91
221,48
273,57
419,12
493,51
93
ALMEIDA,
Armando Antunes de — Monografia agricola de Massinga
Assim, nos dois anos de maior produgao unitaria (4.° e 5.°) as
quedas pluviométricas respectivas nao se afastam dos 200 mm,
numero que L. de GASPERI (*) considera ideal para o periodo de floragao.
'
No 3.° ano, campanha que se pode considerar abaixo do normal,
os 378,7 mm de chuva, quase o dobro da queda pluviometrica ideal,,
foram em excesso, e se este excesso nao provocou uma quebra maior
na produgao foi porque 266 mm daquela quantidade cairam no inicio
da floragao e portanto os estragos causados foram bastante menores.
A produgao unitaria do 2.° ano nao se afasta muito da produgao do
3.° ano, embora as quedas pluviométricas, nesta fase, difiram bastante. Julgamos que um dos motivos da menor produgao deve estar
na pequena queda pluviometrica verificada neste periodo, cerca de
50 % do valor normal.
No 1.° ano, o de menor produgao, a chuva caida na época do
crescimento (912,5 mm) deve ter alongado o ciclo vegetativo da
planta, e portanto a fase de maturagao das. capsulas apanhou os
frios, o que prejudicou a abertura das mesmas.
Para que o agricultor tire o maior proveito possïvel de todo o
trabalho tido com a cultura é necessaiio e indispensavel que faga
uma boa colheita por qualidades, l. a e 2.a, pois a diferenga de pregos
é razoavel ($70), e se ela nao for executada segundo estas normas,
preconizadas pela Junta de Exportacao do Algodao, os prejuizos que
advirao para os produtores serao notórios.
Preeoniza-se que a colheita seja feita por qualidades, colheita
essa que pode ser realizada simultaneamente desde que o indïgena
esteja munido de um avental com duas divisöes ou de dois cestos.
Depois da colheita executada deve o algodao-carogo ser colocado
em estrados, que possam ser cobertos durante a noite por causa da
humidade, que funcionam de secadouros, um para o algodao-carogo
de l. a qualidade, outro para o algodao-carogo de 2.a qualidade, com
a finalidade de melhorar a fibra, nao só pela diminuigao do teor da
humidade como pela absorgao de certa quantidade de óleo contido
na semente, aumentando-lhe, assim, a sua resistencia. Enquanto o
algodao-carogo permanece nos secadouros, deve o indïgena proceder
ainda a uma segunda escolha.
(*) Cit. por Azzi (5).
9If
MEM. JUNTA INVEST. ULTEAM. — 1 0
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monograf ia agricola de Massinga
Depois decolhido e seco, este algodao é ensacado e levado oportunamente aos mercados de algodao, oficialmente estabelecidos, onde
é adquirido pela empresa concessionaria.
3 / J ; A AGRICULTURA DO FUTURO. -
"•'3; It
Generdlidades.
r
• .
Durante p nosso trabalho de campo, realizado em 1955, nao nos
ocorreu a possibilidade de ele vir a ser a base desta Monografia,
' e por isso nao o conduzimos de modo a hoje podermos dispor de elementos que nos permitissem concluir quais as quantidades de alimentos necessarias para a subsistência diaria de uma familia indigena-tipo, digamos assim, e, por isso, temos agora de recorrer as
. tabelas oficialmente aprovadas para a alimentagao diaria dos indigenas que trabalham por conta de outrem, a fim de podermos calcular, de uma forma aproximada tanto quanto possivel da realidade,
qual a area que uma familia indigena precisa agricultar para, em
condigoes normais, poder colher os produtos necessarios para a sua
subsistência, durante urn ano.
Vamos considerar a familia indigena constituida por quatro pessoas: pai, mae e dois filhos.
Dizem-nos as tabelas of iciais (tipo A) que as quantidades necessarias e diarias dos produtos agricolas-bases da alimentagao do
nativo sao:
Farinha de milho
Feijaoseco
Amendoim descascado
'
800 g
lOOg
150 g
Nesta hipótese, para uma familia, serao necessarias as seguintes quantidades por ano:
/
Farinha de milho
Feijaoseco
Amendoim descascado ...
0,8 X4X365=1.168kg
0 , 1 X 4 X 3 6 5 = 146kg
0,15X4X365= 219kg
Estas sao as quantidades que oficialmente se exige que os
patröes fornegam aos indigenas que para eles trabalham. Na sua
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
95
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia agrlcola de Massinga
casa, no seio da familia, o indigena come bastante menos, e portanto
as quantidades necessarias, na realidade, sao bastante menores. Mas
antes pequemos por excesso que por deficiência.
;
Verifica-se que a quantidade de milho necessaria é bastante
superior a produgao que uma familia indigena obtém, normalmente,
na sua «machamba», mas o que se constata também é que o indigena
utiliza farinha de mandioca para substituir a de milho, e portanto
aquela quantidade é satisfeita por estes dois produtos, embora a
farinha de mandioca seja menos rica em proteïnas, gorduras e elementos minerals. Esta deficiência e, no entanto, suprida pela maior
quantidade de ,fëijöes e de amendoim que consome, em relagao as
tabelas, sendo estes alimentos mais ricos principalmente em proteïnas e elementos minerals do que as farinhas de milho ou de mandioca. A composigao de cada um destes produtos é, em média, a
seguinte:
,
Mandioca
seca
Proteinas (g) ...
Gorduras (g) ....
Hidratos de carbono (g)
Calorias
Calcio (mg)
Fósforo (mg)
Elementos minerals (mg)
Potassio (mg)
Vitamina C (mg)
Vitamina B (meg)
Vitamina B, (meg)
Vitamina P P (meg)
2,5
1.1
80,0
340
90
90
Farinha
de milho
9,74
' 4,59
69,12
334
Amendoim
Nhembas
27
40
40
548
50
400
20,3
2,1
43,9
80,8
412
700
262
14
1,127
2,0
100
150
3
ï
1.450
Consideramos, para a regiao de Massinga, as seguintes produQöes unitarias:
Milho, mapira ou mexoeira
Amendoim descascado p )
Nhembas
Mandioca (emverde) 0 ) .....'....
(')
96
500 kg/ha
300 kg/ha
400 kg/ha
5.000kg/ha
Baseado nas amostragens feitas, embora rudimentares.
.MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 1 0
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agricola de Massinga
3. 2. Rotagoes. Areas em cultura.
Da posse destes elementos podemos agora estimar as areas que
se devem destinar a cada uma das culturas e estabelecer algumas
rotagoes, conforme as condigöes se nos apresentem.
Assim, sugefimos:
A-—Em terrenos que exijam derrubas:
1.° ano — MilhoXnhembasXabóboras.
2.° ano — Algodao.
3.° ano — MandiocaXamendoim.
Pousios.
B — Em antigos pousios:
1.° ano — MilhoXamendoim.
2° ano — Algodao.
3.° ano — MandiocaXnhembasXabóboras.
Pousios.
A area a agricultar nestes dois tipos de rotacao seria de 2,5 ha,
ficando as duas primeiras folhas com l h a cada e a 3. a folha com
0,5 ha.
C — Para as zonas onde a queda pluviométrica é menor e
o perïodo de seca maior, como o interior dos Urrongas:
1.° ano — Mapira ou mexoeira.
2.° ano — Algodao.
3.° ano — MandiocaXamendoim.
Pousios.
Nestas regiöes, onde as condigöes climaticas tendem para a aridez, devem adoptar-se certas praticas dè'aridicultura, que é «a agricultura feita em condigöes de escassez de agua e quando se nao póde
recorrer a irrigagao; inclui os sistemas agncolas empregados nas
regiöes aridas e semiaridas do mundo» (16).
~0s sistemas de aridicultura têm como objectivo principal conseguir que as plantas utilizem, o meihor possïvel, a agua disponivel.
Consegue-se este objectivo, no caso das culturas anuais, por tres
formas: emprego de plantas de ciclo vegetativo.curto, que efectuem
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
7
'97
ALMEIDA, Armando Antunes d e — Monografia
agricola de
Massinga
a maior parte do seu crescimento durante a estagao chuvosa; redugao das perdas de agua por escoamento, evaporagao e ervas daninhas; e, se necessario ou possivel, armazenamento da agua pluvial
de uma estagao/ chuvosa para a seguinte por meio de alqueives ou
pousios nus (RUSSELL) i1).
Em primeiro lugar, devem escolher-se, para regiöes desta natureza, culturas «caracterizadas por indices de transpiragao baixos, por
curtos ciclos vegetativos que se adaptam a uma curta estagao de
chuvas, e por sistemas radiculares fortes e profundantes» (16).
Sao as gramineas capazes de suportar grandes secas e dentro
destas destacam-sé as mapiras e as mexoeiras. Dai a razao da sua
inclusao nesta rotagao. Também o algodao, o amendoim e a mandioca sao capazes de se adaptar a estas condigöes.
Outro factor importante a ser considerado é a questao dos compassos. O aumento da distancia entre plantas, em anos secos, pode
acrescer ou estabilizar as produgoes (16).
«É tïpico o exemplo referido por RUSSELL (1950): nas regiöes
ocidentais dos Estados Unidos, em certos anos, o sorgo, semeado
em linhas afastadas de 2 m entre si, permitiu colheitas aceitóveis;
nos casos em que o compasso se reduziu a i m nao houve produgao.
"A média de varios anos mostra, para certas regiöes, que a produgao
deste cereal, no caso de linhas separadas de 2 m, é apenas inferior
em 5 a 10 % a do compasso de 1 m» (16).
Outro cuidado a ter, em regiöes desta natureza, é o de pror ;
,curar manter livre de ervas daninhas as terras em cultura, pois
estas consomem grandes quantidades de agua, agua que beneficiara
as culturas uteis, caso os capins sejam mondados com oportunidade,
e também de elementos nutritivos. *
Tanto quando da preparagao do terreno destinado a ser agricultado como nas mondas, devem aproveitar-se estes capins, depois
de cortados, para constituirem uma cobertura superficial do solo.
Até ha pouco «preconizava-se a pulverizagao da camada superficial do solo, a formagao do dust mulch, por sucessivas cultivagöes,
a firn de evitar, só por si, a perda de agua. Verificou-se que tal nao
'sucedia, tendo ainda tal pratica o inconveniente de facilitar a erosao eólica e hïdrica. Como yantagëns contava-së apenas a destruigao das ervas daninhas, grandes consumidoras de agua» (16).
(')
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Cit. por Teixeira e Grandvaux Barbosa (16).
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ALMEIDA, Armando Antunes de—• Monografia
agricola de
Massinga
D — Para as zonas em que pela natureza dos solos niïo é
aconselhavel tècnicamente a cultura . do algodoeiro,
como sejam as correspondentes aos complexos I e n
da carta de solos: • > , . . , . .
Os solos da regiao a que nos estamos a referir (complexos I e n)
sao solos pobres e a sua produtividade reside nas quedas pluviométricas regulares que se fazem sentir nesta area, que é litoral, e no
facto de as culturas poderem aproveitar a materia organica da
camada superficial, em terrenos de derruba recente, e que nao sejam
agricultados mais de dois anos.
Os indigenas «fazem o milho» nestes solos, mas as produgöes
unitarias hao-se ser fatalmente baixas, e pena temos de nao as
podermos representar por nümeros.
Assim, sugerimos dois tipos de rotagao para esta zona a base
das culturas alimentares, onde a area entregue a cada cultura é
maior para que as quantidades colhidas sejam também maiores,
e possa ser vendido ao comércio local o excedente, que lhe permitira satisfazer as suas necessidades.
Teremos, entao:
Milho X amendoim.
MandiocaX amendoim.
Pousios.
ou
Amendoim.
.
MandiocaXnhembas.
Pousios.
'
}
/
/
v
/
No primeiro caso, a l. a folha temvl,5ha e a 2.a l h a e, no
segundo caso, a folha destinada ao amendoim tem 2 ha e a destinada a associagao mandiocaXnhembas tern 1 ha.
Se os indigenas que habitam estas areas, de solos mais pobres,
comegarem também a dedicar-se a cultura do café de Inhambane
(Coffea racemosa), cultura que nesta regiao encontra boas condigoes de desenvolvimento, poderao, daqui a alguns anos, cultivar apenas uma area de culturas alimentares que Ihes permita colher o que
necessitam para a sua alimentagao, pois o café passara a constituir
a sua fonte de rendimento.
Meio hectare ou mesmo um quarto de hectare junto a palhota
seria a area suficiente, pois os nümeros apresentados por JARDIM
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. r— 10
99
ALMEIDA, Armando Antunes de —- Monografia
agricola de
Massinga
(7) permitem-nos prever para esta espécie uma produgao, em anos de condigoes normais, de 570 a 950 kg, por hectare,
de café comercial, o que lhes daria o suficiente para satisfazerem
as suas necessidades reais. O prego medio de compra do café pelo
comércio oscila entre 15$00 e 20$00, presentemente.
Os compassos a adoptar pelas culturas nestas diferentes rotagoes seriam:
.
. "
BETTENCOURT
Milho
Mandioca
Amendoim
Mapira e mexoeiras .........
1,20mX0,40a0,50m.
l,20mXl,00m.
0,50mX0,30m.
1,50 mX 0,50 m.,
A
/
Claro que estes
numeros nao sao rigidos, pois para este efeito
nao pode haver nOrmas fixas, tendo de atender-se a natureza do
solo, as condigoes ecologicas do meio, etc., etc. No entanto, a sua
apresentagao tém, qüanto a nós, a virtude de servir de ponto de
partida para ulteriores trabalhos.
A finalizar, cumpre-nos apontar a falta que se faz sentir de
uma experimentagao bem orientada, com o firn de esclarecer este
e outros pontos, para bem da Agricultura Indigena.
BJBLIOGRAFIA
(1)
(2)
(3)
(4)
(5)
(6)
'100
ABKEU VELHO, H. L. G.: 1953 — Composigdo quimica de alguns produtos de
origem vegetal utilizados na alimentagao dos indigenas. «Anais do Institute de Medicina Tropical», vol. x, n.° 3, fasc. n. Institute de Medicina
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(12) FERREIRA FILHO, J. C : 1951—Cultura do Milho.
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>(13) SANTOS . CARVALHO, J.: 1953— Composigao de alguns alimentos exóticos e
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(14) SANDERS, A. R.: 1930 — Maize in South Africa. «South African Agricultural», série n.° 7. Central News Agency, Ltd. South Africa.
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indigena das nossas Provincias Ultramarinas. «Anais do Instituto de
Medicina Tropical», vol. x, n.° 3, fase. n . Instituto de Medicina Tropical. Lisboa.
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Junta de Exportagao do Algodao. Centro de Investigagao Cientïfica
Algodoeira. Lourengo Marques.
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Agricultor», n.° 87. Repartigao Técnica de Agricultura. Lourengo Marques. Mogambique.
/
/
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
101
I — As ire-s alfaias utilizadas pelos inilgenas para pre
las suas machambas : machados • e st< tram nos indigenes mais evolufdos), cal
l a t ifreal, I \m elaa
vos executant
desde .i derruba .1 m
FI>I<I J'l - Nas regiöes do litoral, onde CXiste gado bovitm. , ^
macliamhas
sfm lavradas (cabo Mahocha)
m-
•
- • •
I
- "
a oegeUtfdo dos pousi
icorporada no solo
ida com amendoim cu
•
'
i amendoim
tfuelmadd.
i ibservnr os t
Foto US — O
i: esta cull
COnip
isociada ao m i l l i o : de nul,ir 08 gran Ie
Foto 29 -
s
Macbamba ije batata docea D«- notar <* »!<'is tipos de armacSo do terrein
e .! rasa, com ligeira amontoa
:
Foto 30 — Chltsuniulo I'I — estrado com amendnim empilhado (planta complete) e cobtrto de capim. EstaJ mi
endoim sflo feitas na propria machamba e s'"i<» tempordrlas, <» eatrado esta" afastatlo
dn terreno para preservar >> amendolm da immidade do solo
(;J
I.m
shilsu.
Foto '1 —Aspect i da tcrceira e quarts folhas da concentracfio agricola do Mabadine, com algodSo c milho,
respectivamente. Notam-se exemplares de Adansonla (tlgltata. espécie
exo Jos Urrongas
Foto 32 — Segunda folha mostraiido a vegeta^So resultante dn poutfio i e um BOO, incofltpleto,
api>s d<•!-• inoa ile culture
1954-55 — milho.
Assim :
..
) — pousio.
r
Foto 'i — Prinielra folha d,i concentracio, com dois anos. incompleios, de pousio, após, pelo menos,
tres .1""- de algodao
APÊNDICE.
PEQUENO GLOSSARIO AGRICOLA
.Abrir o covacho
Algodao-carogo
Algodao-carogo de l. a
Algodao-carogo de 2."
Algodoeiro (arvore do algodao)
Armazém de produtos alimentares
Arranque e queima dos algodoeiros
:Boi
•C&psula do algodoeiro
Colher algodao-carogo
•Colher amendoim
Ooiher culturas alimentares
Colher milho
•Cordel para a marcagao das linhas
Derruba de mata espessa
Desbaste a duas plantas
Distribuigao de semente
TSscolher o algodao
TTlor do algodoeiro
Marcar as linhas ...
Marcar a machamba de algodao
Mato
Mato de pousio ou pousio
Medas de amendoim
Mercado de algodao
Sachar
Secadores para algodao
Semear
...
-.
Instrumentos
Catana
Charrua (enxada de boi)
Enxada eafreal'
Enxada europeia
Machado
MEM. JUNTA INVEST. ULTRAM. — 10
'..
.'
... / ...
Khele.
Wuluba.
Wuluba.
Ziduswa.
Tsinya ga wuluba.
Tzala.
Kutsuwulelanikubissa.
Tihomo.
Marukwane.
Kukhaya ou kukola. •
Kuhanza.
Kukola.
Kutsobela.
Ngote.
Kuxakatsa.
Kupambulela.
Kuteka atinyunge.
Kuhlawulela.
Zitsange.
Kupima a midhidha.
Kupanzela.
Kuati.
Mafusse.
Chitsunzulo.
Kuxabisa wuluba.
Kuhlakula.
Chitsatse.
Kubyala.
agricolas
/
Bera.
Chikomo xa tihomo.
Chikomo.
Hemula.
Beula.
103
ALMEIDA, Armando Antunes de — Monografia
agrlcola de
Massinga
Utensilios de cozinha
Acgao de pilar
Cabaga para ag^ia
Pau do pilao
Peneira
Pilao
./.
10k
„•
'
Kukanza.
' Xiambo.
Mussi.
Lihlelo.
Churi.
\•
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JUNTA DE INVESTIGACÖES
DO ULTRAMAR
RUA DA JUNQUEIRA. 86
LISBOA
PRECO:
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