477 APLICAQID 00 tl>DKI.D CKRKS-MAIZK PARA PRKVIsm> M PROOOTmDADI M aJLTURA DI MIUJO NA MICRORIGIIIO DI RIBllmJO PRITO (SP) Márcia Maria Gomes Costa William T. H. Liu Depto de Ciências Atmosféricas IAG/USP, São Paulo The Crop--Environment REsource Synthesis (CERES)-Maize model was used to simulate maize yields for 1984-1989 in Ribeirão Preto microregion, located in the São Paulo State. The model was calibrated for an experimental station, city and microregion to determine the genetics code Parameters based on the phenological and yield data of 1988 crop season. The coefficients derived from experimental station was based on the variety called double hibrid AG401. The coefficients derived for the city and microregion were generalized for alI the varieties planted in these regions. The results showed that both the city and microregion models estimated maize yielda quite well except for the year of 1985, which the model did not responde correctly to drought conditions. It concludes that the CERES-Maize model has high potential for their applications in these regions. Further tests should be conducted for the other regions in Brazil before the model can be applied to a larger scale of preduction. 1.INTRODUC2\O o CERES-Maize é um modelo de simulação do crescimento, desenvolvimento e produção do milho, que foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores do DePartamento de Agricultura dos EUA, orientada pelo Or. J.T. Ritchie. As simulações são feitas usando dados meteorológicos e condições iniciais do solo. Os principais processos fisiológicos equacionados no modelo incluem fotoss1ntese, respiração, fenologia, iniciação e crescimento da folha, crescimento do caule e da raiz, evapotranspiração, interceptação da luz, iniciação e crescimento dos grãos, acúmulo e Particionamento da biomassa, balanço de á.gua no solo e uso de á.gua pela cultura. A produção final de grãos é um produto da população de plantas, grãos por planta e peso por grão (Duchon, 1985). O modelo foi utilizado Para estimar a produtividade no USA Corn Belt (Jones e Kiniry, 1986; Hodges et aI, 1987), nas planicies do norte da China (Wu et aI, 1989) e no Brasil, em Minas Gerais (Liu et aI, 1989). Em todos os testes, observa-se que o CERES-Maize tem o potencial de estimar a produtividade em grandes áreas. O objetivo deste trabalho é testar a aplicabilidade do modelo em prever a safra de milho na microregião de Ribeirão Preto. 478 Parâmetros de entrada Os dados iniciais requeridos pelo modelo estão sumarizados na tabela 1. Os parâmetros sobre o manejo da cultura, que incluem densidade de plantas, profundidade de enraizamento, ciclo fenológico e data de plantio foram extraidos dos relatórios do Ensaio Nacional de Milho Normal realizado anualmente pelo CNPMS/EMBRAPA. O tipo de solo predominate na microregião de Ribeirão Preto é o latossolo roxo (Oliveira e Prado, 1984). A capacidade de água disponivel no solo foi considerada ser de 100 mm/m de solo. Utilizou-se uma profundidade de semeadura de 65 cm com o solo dividido em cinco camadas de 10, 10, 15, 15 e 15 cm, respectivamente. A capacidade de campo em cada camada foi extraida de Reichardt (1981), que apresenta medidas desta variável para um latossol0 roxo de Jaboticabal (SP). As demais variáveis do solo incluidas na tabela 1 foram estimadas segundo tabelas e equacões fornecidas por Jones e Kiniry (1986). As produtividades de milho para o município e microregião foram fornecidas pelo IBGE. Dados Meteorológicos requer dados meteorológicos diários de O CERES-Maize temperatura do ar máxima e m1nima, precipitação e radiação solar global. A radiação solar foi estimada a partir dos dados de duração do brilho solar e nebulosidade, baseando-se na equação de Black (1956) com a correção para a excentricidade da órbita terestre (Iqbal,1983). Todos os dados meteorológicos, referentes ao periodo de 1984 a 1989 na estação meteorológica de Ribeirão Preto, foram fornecidos pelo Centro Regional de Meteorologia e Climatologia do Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Calibração do Modelo A calibração do CERES-Maize para uma área envolve a determinação de cinco coeficientes genéticos que representam o comportamento adequado da cultura sob o clima da região. Tais coeficientes controlam a data de florescimento, de maturidade e a produção de grãos. O ano de 1988 foi escolhido para a calibração por ter sido um ano normal em termos de chuva. Foram efetuadas calibrações para o Ensaio Nacional, município e microregião. No caso do Ensaio Nacional, o ajuste dos parâmetros genéticos foi feito para um único cultivar, o hibrido duplo AG402. O procedimento de calibração tem como primeiro passo atribuir valores iniciais aos cinco parâmetros genéticos. Tais valores iniciais são t1picos de um cultivar tropical (Jones e Kiniry, 1896). São eles: Pl 360 (graus dia de crescimento (gdc) da emergência até final do crescimento vegetativo); P2 = 0.5 (coeficiente de sensitividade fotoperi6dica); P5 = 900 (gdc entre o embonecamento e a maturidade); G2 500 (número potencial de grãos por planta) e G3 5.6 (taxa de crescimento potencial dos grãos, em mg de grãos/planta). O coeficiente P2 é normalmente determinado por estudos em ambientes controlados, mas = = = 479 segundo Jones e Kiniry (1896) o valor 0.5 é adequado para a maior parte dos hibridos tropicais. O modelo rodado com os parâmetros iniciais superestBnou as datas de embonecamento e maturação, e subestimou a produtividade. ASSBn, o segundo passo é rodar o modelo iterativamente, fornecendo valores para os parâmetros até encontrar o conjunto de coeficientes que forneça estBnativas mais pr6xBnas das observadas. Para calibrar P1, a data de embonecamento sBnulada é comparada com a data observada, e o valor de P1 é ajustado até que a diferença entre as datas prevista e sBnulada seja mlnima. Um procedBnento análogo é usado para calibrar P5, ao comparar a data de maturidade. Os coeficientes G2 e G3 também são ajustados por um processo iterativo. PrBneiro G3 é mantido constante, enquanto G2 é variado de 500 a 570, com incrementos de 10. Depois G2 é mantido constante e G3 é variado de 5.6 a 6.5. Finalmente, os grupos de parâmetros assBn calibrados com dados de 1988 para o Ensaio, município e microregião são utilizados para rodar o modelo nos outros anos. A tabela 2 mostra os três grupos de coeficientes calibrados. J. RES!lLTAOOS..JLIll SCUSSAO. A tabela 3 mostra os resultados da estimativa das datas do ciclo fenol6gico do cultivar AG401 para o Ensaio Nacional de Milho Normal. O erro médio da data sBnulada de embonecamento foi de -0.3 dia, e o desvio padrão de 4.1 dias. No caso da data de maturidade o erro médio da. previsão foi de 0.8 dia, com desvio padrão de 2.8 dias. O maior erro ocorreu para 1987, quando o modelo adiantou em 7 dias a data de embonecamento e em 4 dias a data de maturação. Esta superestimativa das datas para 1987 provavelmente se deu devido às temperaturas médias mais baixas ocorridas neste ano, pois a nebulosidade e a precipitação estiveram aCBna da média durante vários perlodos do ciclo. No geral as estBnativas das datas do ciclo foram boas, pois as diferenças com relação às datas observadas são pequenas. As simulaçOes da produtividade podem ser avaliadas através da tabela 4. No caso do Ensaio Nacional, os erros estiveram acima de 10% em 3 dos 6 anos testados. As maiores discrepâncias ocorreram em 1987 e 1985, quando o CERES-Maize superestimou a safra em 31.9 e 13.8%, respectivamente. Já para o municlpio, as sBnulaçOes foram boas e os erros estiveram abaixo de 10% em todos os anos, com exceção de 1985. As previsOes também foram satisfat6rias para a microregião, mas o efeito do aumento da produtividade com o tempo, devido aos avanços tecnológicos, é significativo neste caso (note que as produçOes observadas crescem constantemente de ano para ano) e por isso o modelo tende a superestimar a safra de grãos nos primeiros anos anteriores a 1988 (1984 e 1985). Nota-se que 1985 foi marcado por consideráveis superestBnativas nas 3 áreas estudadas. Neste ano em particular o balanço de água indicou condiçOes mais secas no solo durante os três primeiros estágios, através de um fator de déficit hidrico que o modelo fornece. Tal fator varia de O (indicando condiçOes normais) a 1 (indicando seca severa), e vai penalizar a produção final de grãos afetando a fotossíntese e a expansão celular das folhas. Mas a sensibilidade do modelo ao stres5 hídrico não foi suficiente para produzir o efeito real do déficit na produção em 1985. Por outro lado, o 480 ano de 1981 teve uma estação chuvosa acima do normal, mas o efeito disso s6 foi sentido no campo experimental, cuja produtividade teve uma queda acentuada em relação aos outros anos. Também neste caso, a safra foi superesttmada já que o CERES-Maize não contém nenhum fator que penalize a produção no caso de ocorrência de excesso hidrico no solo. o CERES-Maize produziu estimativas satisfatórias das datas do ciclo feno16gico do cultivar AG401 no campo experimental do Ensaio Nacional, com erros médios de -0.3 e 0.8 dia, e desvios padrão de 4.1 e 2.8 dias para as datas previstas de embonecamento e maturidade, respectivamente. Quanto maior a área considerada, mais precisas tornamse as simulaçOes, fato este confirmado pelos erros menores nas previsOes para o municipio e microregião. No caso da microregião a tendência do crescimento tecnológico tem forte influência na produtividade, e portanto a introdução no modelo de um fator de aumento linear da produtividade poderia melhorar a qualidade das previsOes. A simulação da safra foi boa, com erros abaixo de 10% na maior parte dos anos. Mas a resposta do modelo à condição hidrica do solo não foi adequada para situaçOes de déficit ou excesso hidrico. 5. REFERENCIAS BIBLIQGRAFlCA5 over the 189. BLACK, J.N. (1956) - The Distribution of Solar Radiation Earth' s Surface. Arch. Meteor. Geophys. Biokltmato1., 1: 165- DUCHON, C.E. (1985) Corn Yield Prediction Using Climatology. J. Clim. Appl. Met., 5:581-590. HODGES, T.; BOTNER, O.; SAKAMOTO, C.M. & HAUS HAUG, J. (1981) - Using the CERES-Maize Model to Estimate Production for US Corn Belt. Agric. For. Met., 40:293-303. IQBAL, M. (1983)- An Introduction to Solar Radiation. Academic Press, N. Y., 390 pp. JONES, C.A. & KINIRY, J.R. (1986) - CERES-Maize: a Simulation Model of Maize Growth and Development. Texas A&M University Press, Temple, Texas, 193 pp. LIU, W. T.H; BOTNER, D.M. & SAKAMOTO, C.M. (1989) Aplication of CERES-Maize Model to Yield Prediction oí a Brazilian Maize Hibrid. Agric. For. Met., 45:299-312. OLIVEIRA, J .B. & PRADO, H. (1984) - Levantamento Pedológico Semi-Detalhado do Estado de São Paulo: Quadrlcula de São Carlos. Boletin Técnico N~98 - IAC, Campinas-SP. REICHARDT, K. (1981) - A gua em Sistemas Agrlcolas. Editora Mariole, Sia Paulo-SP, 188 pp. WU, Y.; SAKAMOTO, C.M. & BOTNER, D.M. (1989)- On the Aplication of CERES-Maize Model to the North China Plaino Agric. For. Met., 49:9-22. 481 Tabela 1 - SumárIo dos dados inIcIais. cultura parâmetros do solo e da denSIdade de plantas profundIdade de semeadura albedo do solo coeficiente de drenagem número da curva de escoamento profundIdade de enraIzamento número de camadas do solo camada espessura capacidade de campo (cm) % em volume 1 10 37. O 2 10 36.0 3 15 34. O 4 15 33.0 5 15 32. O 5.2 plantas/m2 5 cm 0.13 0.19 85 65 cm 5 ponto de murcha ~ l?m volume 21. 5 22.5 24.0 25.0 26.0 Tabela 2 - Conjunto de parâmetros genéticos com dados do ano de 1988. Parâmetro Pl P2 P5 G2 83 Ensaio Nacional 270 0.5 850 570 6.2 município 270 0.5 850 500 4.5 rabela 3 Datas de semeadura Jbservadas para o cultivar A6401. Ano 1984 1985 1986 1987 1988 1989 Semeadura e datas embonecamento prev obs dif 7 4 11 -2 354 356 -2 40 38 39 -7 32 34 32 2 24 27 3 309 292 343 338 341 329 calibrados microregião 270 0.5 850 500 4.2 previstas e matur idade prev obs dif 60 57 3 42 43 -1 93 90 3 86 90 -4 84 83 1 77 74 3 Tabela 4 Produtividades Previstas pelo modelo <Yprev, Kg/ha) e observadas <Yobs, Kg/ha) para o fnsaio Nacional, município e mlcroreglao no período de 1984 a 1989, e seus respectivos erros percentuais Ano 1984 1985 1986 1987 1988 1989 Ensaio Nacional Yprev Yobs erro X 5433 6523 6897 5776 5915 6429 5584 5731 7813 4378 5912 6584 -2.7 13.8 11. 7 31. 9 0.05 -2.3 Município Yprev Yobs erro X 3459 4153 3630 3678 3768 3814 3100 3400 3700 3900 4093 4020 -9.3 33.9 6.7 -0.6 -3.4 1.8 Microregião Yprev Yobs erro X 3229 3876 3388 3432 3515 3820 2792 2949 3180 3388 3600 3705 15.6 31. 4 6.5 1.3 -24 3.1