REQUERIMENTO DE SESSÃO SOLENE AO DIA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (Da Senhora Rebecca Garcia) Requer a realização de Sessão Solene a ser realizada no dia 04 de junho, no Congresso Nacional, em comemoração ao Dia Nacional do Meio Ambiente Senhor Presidente, Requeiro a Vossa Excelência, nos termos regimentais, a realização de Sessão Solene a ser realizada no dia 04 de junho, no Congresso Nacional, em comemoração ao Dia Nacional do Meio Ambiente. JUSTIFICATIVA Ao comemorarmos o Dia Mundial do Meio Ambiente é de fundamental importância celebrarmos, mas também repensarmos a Amazônia, em todos os países da grande Bacia Amazônica, em especial aos cerca de 60% que pertencem ao Brasil. Nunca é demais lembrarmos que ela constitui-se no maior Banco Genético Mundial, possuindo 1/5 da água doce do mundo, a qual será objeto de controle no 3º milênio; 1/3 das florestas do mundo e, 1/20 de toda a superfície da Terra. A Amazônia, desde os primórdios da nossa descoberta, sempre foi alvo da cobiça internacional, seja por parte dos espanhóis, franceses, ingleses ou holandeses e, hoje, principalmente, por conta dos americanos e europeus. Os portugueses, fiéis ao princípio de defesa, consideravam as desembocaduras dos rios como pontos estratégicos e buscaram, por meio dos militares, estabelecer suas fortificações na Amazônia ao longo das vias fluviais em posições das confluências dos grandes rios, em sítios privilegiados para os defensores, marcando assim, presença da nossa soberania. Foi a partir da construção dos Fortes, durante os séculos 16, 17 e 18, que guarneceram nos anos posteriores as nossas fronteiras, que os luso-brasileiros começaram a ganhar a guerra pela manutenção da Amazônia, impedindo a ameaça constante dos estrangeiros. Entre as mais importantes defesas, o Forte do Presépio, origem da cidade de Belém do Pará, desempenhou papel de fundamental importância para a consolidação da conquista da Amazônia portuguesa. Em 1669, foi fundado pelo capitão português Francisco da Mota Falcão, o Forte de São José da Barra do Rio Negro, na área onde hoje fica Manaus. A fortificação foi ponto inicial para o povoamento da bacia amazônica, permitindo a subida dos rios Negro e Branco, no atual Estado de Roraima. Em 1732 os portugueses decidiram fechar o Rio Madeira à navegação estrangeira. Ao longo do Rio Amazonas foi ainda construído os Fortes de Gurupá, de Macapá, de São José de Marabitanas, de São Gabriel das Cachoeiras, de São Joaquim, de São Francisco Xavier de Tabatinga e Príncipe da Beira, entre outros. Nos dias recentes, a Amazônia Brasileira se encontra sob fortes pressões de ONGs inglesas, alemãs e belgas. Suas áreas de exploração econômica se estreitam a cada dia em função do estabelecimento de corredores ecológicos, áreas de proteção ambiental e reservas indígenas. Existem cerca de 10.000 estrangeiros na Amazônia, cerca de 10% são clandestinos, quantidade que aumenta aproximadamente 5% ao ano. São em maioria cientistas, pesquisadores, religiosos, empresários de turismo e multinacionais. Usa-se de tudo quanto é subterfúgio de interesse coletivo para, de forma subliminar e gradual, anestesiar o consciente coletivo da população sobre suas reais intenções, presentes e futuras, fazendo crer que estão a defender os índios, a natureza ou mesmo o mundo. Pessoas crédulas são usadas e iludidas a acreditar que estão defendendo os interesses do Brasil. Até mesmo alguns setores da imprensa, de boa fé ou não, contribuem para dar credibilidade aos fatos, que, distorcidos, contribuirão para a formação de opinião dos desavisados. As manchetes recentes sobre a reserva Raposa Serra do Sol, os desmatamentos e queimadas da Amazônia, os conflitos das cooperativas de Carajás, a morte de centenas de índios por descaso na saúde, o assassinato da Irmã Dorothy no Pará e posterior absolvição de um dos envolvidos, os guerrilheiros e o narcotráfico em países vizinhos, estão a demonstrar uma permanente orquestração de apresentação de fatos negativos ao exterior, que subsidie uma necessidade de intervenção internacional para a preservação do pretenso santuário do mundo. É também verdade, que brasileiros mal intencionados promovem desmatamento, degradação do meio ambiente e outras mazelas reprováveis à natureza, que devem ser reprimidas energicamente, porém por nossas autoridades constituídas, resguardando o direito supremo de dirigirmos os nossos destinos. A Amazônia brasileira, face às ameaças reais potenciais crescentes, de ordem internacional, caso o Brasil não responda aos desafios que ali estão a ocorrer, enfrentará nos próximos anos, séria ameaça à sua Soberania, Desenvolvimento, Integração e mesmo Integridade. A toda hora vemos e ouvimos colegas congressistas, comandos militares e estudiosos dos assuntos da Amazônia proferirem discursos nos mais variados fóruns e platéias, alertando sobre esses riscos e ameaças. Vejo em todas as falas um quê de loucura, paranóia e perseguição. É preciso, sim, que todos adotem uma reação pró-ativa, no sentido de se contrapor ao que está a acontecer. Ou será que forças poderosas, na ameaça de seus interesses escusos, não estão a fomentar a anestesia subliminar de toda uma nação? É incrível que tanto se fale e nada seja efetivamente feito. Que tantos ouçam, concordem e nenhuma reação se concretize. Por que não imitamos os nossos irmãos portugueses, e adotamos imediatas medidas preventivas, entre tantas possíveis, transferindo para a Amazônia, muitos dos nossos quartéis já existentes de regiões menos ameaçadas? Por que, também, não fixamos aeroportos de grupamentos de nossas forças aéreas e bases da marinha em pontos considerados vitais para a segurança da Amazônia, visando efetivar a nossa presença física na região? Ninguém está a imaginar que com as nossas atuais forças armadas, inoperantes e com material e equipamentos obsoletos, possamos fazer em face de um ataque de ocupação de país estrangeiro, entretanto, sabemos que a presença militar local e de populações civis, que ao redor se formam, é fundamental fator inibidor a qualquer ameaça e, mesmo, elemento de vanguarda na vigilância aos iniciais passos precursores de qualquer tentativa de ocupação. Em quase 200 anos, sobraram coragem, determinação, desprendimento e incontáveis sacrifícios de homens, brasileiros em sua grande maioria, mas também de mulheres e crianças; brancos, negros e, principalmente, índios, em permanecerem ao longo das fronteiras e por toda a região, mantendo presença constante de vigilância. Com enormes dificuldades e vencendo desafios, levaram a cabo a tarefa gigantesca de manter a soberania nacional, na tão grande quanto desconhecida e esquecida região Amazônica. Será que hoje, com os avanços tecnológicos e de comunicação que detemos, iremos ficar em “berço esplêndido” esperando que ocorra a iniciativa da usurpação? Precisamos passar do campo das idéias para a ação. É impossível continuar discutindo idéias em volta de uma mesa de trabalho, enquanto a Amazônia fica abandonada. Dessa forma, solicito realização de Sessão Solene a ser realizada no dia 04 de junho, no Congresso Nacional, em comemoração ao Dia Nacional do Meio Ambiente, como forma de estimular ações para a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável na Amazônia. Brasília, 10 de fevereiro de 2009 REBECCA GARCIA Deputada Federal (PP-AM)