A abordagem do assunto plantas medicinais no ensino superior no
Brasil.1
Maria G. P. Ortiz2; Maria do Carmo Vieira3; Mary Cleide H. Mantovaneli 4; Alaíde M. Z.
Baruffi 5; Néstor A. Heredia Zárate.3
3
UFMS-DCA,
Caixa
Postal
533,
79804-970
2
Dourados-MS;
3
E-mail:
[email protected]
(autor
4
correspondente); Farmacêutica Bioquímica; Bolsistas Produtividade Pesquisa CNPq; Bolsista DCR CNPq;
5
DS em Educação
RESUMO
O objetivo do trabalho foi conhecer a situação atual das universidades brasileiras
quanto ao ensino do assunto plantas medicinais no nível de graduação, dos cursos de
Agronomia, Farmácia, Biologia e Medicina. Foi feito um levantamento de dados junto às
instituições de ensino superior do Brasil por meio de um questionário enviado
eletronicamente. Dentre os quatro cursos pesquisados, o conteúdo plantas medicinais
aparece em maior quantidade nos de Agronomia e Farmácia. Nos de Agronomia, mesmo
quando não existe disciplina específica, 55% deles possuem o conteúdo ministrado dentro
de outra disciplina. Em todos os cursos de Farmácia é abordado o assunto plantas
medicinais, em disciplina específica ou dentro de outra. Poucos cursos de Biologia têm uma
disciplina específica, mas quase a metade dos que não a têm, abordam o assunto dentro de
outra disciplina. A carga horária da disciplina plantas medicinais nos cursos de Agronomia e
Biologia é, em média de, 50 horas, enquanto nos de Farmácia é de 170 horas. Em todos os
cursos pesquisados existe atividade de orientação científica, o que reflete a qualificação dos
professores, que têm nível de doutor ou, pelo menos, de mestre. No nível de pós-graduação,
a dedicação à pesquisa com plantas medicinais é maior nos cursos de Agronomia e
Farmácia, o que é conseqüência não apenas da maior qualificação dos professores mas da
maior tradição em pós-graduação.
Palavras-chave: Educação superior, currículo, Biologia, Agronomia, Farmácia, Medicina
ABSTRACT
The approach the topic medicinal plants in higher education in Brazil.
The objective the work was know the current situation of brazilian universities with
relationship to instruction the topic medicinal plants in the graduation level, the courses of
Agronomy, Pharmacy, Biology and Medicine. It was made a rising of data united to
institutions of higher education of Brazil through a questionnaire messenger electronically.
Among the four researched courses, the content medicinal plants to appear in larger quantity
1
Parte da monografia da primeira autora apresentada ao Curso de Especialização em Educação – área de
concentração Magistério Superior, da UFMS.
in Agronomy and Pharmacy. In Agronomy, even so when specific discipline doesn't exist,
55% concerning to possess the content supplied inside of another discipline. In all the
courses of pharmacy the subject medicinal plants is reported, to specific discipline or inside
of other. Little courses of Biology have a specific discipline, but almost the half of that doesn't
have, argue the topic inside of another discipline. The school routine of discipline medicinal
plants in courses of Agronomy and Biology is, on average of, 50 hours, while in pharmacy
are of 170 hours. In all the researched courses activity of scientific orientation exists, what
reflects the teacher’s qualification, that have doctor level or, same prince, of master. The posgraduation level, the dedication at research with medicinal plants is larger in courses of
Agronomy and Pharmacy, what is consequence not just from largest teachers qualification
but of largest tradition to pos-graduation.
Keywords: Higher education, curriculum, Biology, Agronomy, Pharmacy, Medicine
Plantas medicinais são aquelas que têm história de uso tradicional como agente
terapêutico. Os fitoterápicos são medicamentos cujos componentes terapeuticamente ativos
são exclusivamente plantas ou derivados vegetais (extratos, sucos, óleos, ceras, etc.), não
podendo ter em sua composição, a inclusão de substâncias ativas isoladas, de qualquer
origem, nem associações destas com extratos vegetais (OMS, 2000; Ministério da Saúde,
2001). Com o aumento da capacitação nas Instituições Universitárias, cresce a possibilidade
de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos nacionais, para uso nos
programas de saúde pública. Urge, entretanto, uma maior integração entre os
pesquisadores/instituições e segmento industrial (público e privado) para atingir essa
finalidade (Ministério da Saúde, 2001). Daí, a importância da inclusão da disciplina plantas
medicinais, nos currículos de ensino superior, dentro dos cursos da área de Ciências
Biológicas. Nesses, seriam estudados os diferentes aspectos das plantas medicinais.
O objetivo do trabalho foi fazer um levanta mento para conhecer a situação atual das
universidades brasileiras quanto ao ensino do assunto plantas medicinais no nível de
graduação dos cursos de Agronomia, Farmácia, Biologia e Medicina.
MATERIAL E MÉTODOS
Foi feito um levantamento de dados junto às instituições de ensino superior do Brasil,
nos cursos de Agronomia, Biologia, Farmácia e Medicina, no período de maio a outubro de
2002. Utilizou-se um questionário, enviado eletronicamente a 570 coordenadores e/ou
professores dos cursos citados, envolvidos de alguma forma com
o conteúdo plantas
medicinais, sendo 145 para os cursos de Agronomia, 50 para os de Farmácia, 277 para os
de Biologia e 102 para os de Medicina. A quantidade de questionários enviados variou em
função do número dos respectivos cursos existentes no Brasil e dos endereços conseguidos
por meio de associações de classe (ABEAS, ABENFARBIO, dentre outras), INEP/MEC,
listas de endereços de coordenadores de cursos, páginas das universidades na internet e
outros. A análise de dados baseou-se nas respostas constantes dos questionários
respondidos e apresentadas na forma de figuras.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Receberam-se respondidos 85 questionários, sendo 35 dos cursos de Agronomia, 18
de Farmácia, 24 de Biologia e 8 de Medicina. Dentre os quatro cursos pesquisados, o
conteúdo plantas medicinais aparece em maior quantidade nos de Agronomia e Farmácia
(Figura 1). Nos de Agronomia, mesmo quando não existe disciplina específica, 55% deles
possuem o conteúdo ministrado dentro de outra. Em todos os cursos de Farmácia é
abordado o assunto plantas medicinais, uma vez que, mesmo quando não existe uma
disciplina específica, 100% do assunto é abordado dentro de outra. Poucos cursos de
Biologia têm uma disciplina específica, mas quase a metade dos que não a têm, abordam o
assunto dentro de outra disciplina, provavelmente, ministrada por professores de outros
cursos. Por outro lado, dentre os cursos de Medicina, em apenas um (UFPB) inclui-se o
tema plantas medicinais nos currículos. Isso pode ser devido à falta de pessoal qualificado
na área e falta de despertar o interesse pelo assunto. A carga horária da disciplina Plantas
Medicinais nos cursos de Agronomia e Biologia é, em média de, 50 horas (Figura 2), no
entanto, cabe destacar que há mais cursos de Agronomia que possuem a disciplina
específica (Figura 1). Na Farmácia, há alta carga horária no assunto plantas medicinais, em
disciplinas como Farmacognosia e Farmacologia, provavelmente, por ser o curso onde se
estudam as drogas vegetais e sintéticas.
Em todos os cursos pesquisados existe atividade de orientação científica (Figura 3), o
que reflete a qualificação dos professores, que têm nível de doutor ou, pelo menos, de
mestre (Figura 4). No nível de pós-graduação, a dedicação à pesquisa com plantas
medicinais é maior nos cursos de Agronomia e Farmácia (Figura 5), o que é conseqüência
não apenas da maior qualificação dos professores mas da maior tradição em pósgraduação. Na maioria dos cursos de Agronomia e Farmácia existe algum tipo de coleção
de plantas medicinais, enquanto nos de Biologia, 50% têm alguma coleção. Em geral, as
coleções são do tipo horto ou herbário, predominando o Horto na Agronomia e Farmácia e o
Herbário na Biologia (Figura 6).
LITERATURA CITADA
LEMOS, P. (Coord.); CORBIOLI, N.(Org.). Clínica médica – passado, presente, futuro. São
Paulo: Lemos-Editorial, 1999. 95 p.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Proposta de Política Nacional de Plantas Medicinais e
Medicamentos Fitoterápicos. Brasília, 2001. 22 p.
NEVES, E.S. Plantas medicinais na Saúde Pública. Silvicultura em São Paulo, v. 16A (PTI),
1982. p. 181-186.
OMS Organización Mundial de La Salud. Situación regulamentaria de los medicamentos:
uma reseña mundial. Taducción del inglés: Organización Panamericana de la Salud.
Washington: OPAS, 2000. 62p.
Sim
100%
36
Não
23
82
Incluso em outra disciplina
Disciplina
200
99
170
80%
77
150
Horas/aula
64
60%
40%
100
50
20%
51
50
18
19
1
0%
12
0
Agronomia
Farmácia
Biologia
Medicina
Agronomia
FIGURA 1 - Porcentagens dos cursos
que possuem ou não uma disciplina
abordando o assunto plantas medicinais
Farmácia
Biologia
Medicina
FIGURA 2 - Carga horária semestral média do
conteúdo plantas medicinais dos cursos,
compondo uma disciplina ou incluso em outra.
5
Professores
100%
Alunos
17
4
4
4
80%
12
48
56
Outros
DR
MS
45
3
60%
3
3
2
2
40%
16
38
1
1
1
1
1
20%
Medicina
0%
24
25
0
Agronomia
Farmácia
Biologia
Agronomia
FIGURA 3 -Professores e alunos dos cursos
que atuam como orientadores ou participantes
de atividades de iniciação científica.
Farmácia
Biologia
Medicina
FIGURA 4 – Qualificação dos professores dos
cursos pesquisados.
3,5
3
3
2,5
80
Professores
3
3
71% - Horto
Alunos
59% - Horto
60
2
2
56% - Herbário
44% - Horto
1,5
40
36% - Herbário
1
33% - Horto
33% - Herbário
1
1
0,5
20
11% - BG
0
Agronomia
Farmácia
Biologia
Medicina
0
4% - Outros
Agronomia
FIGURA 5 – Professores que atuam na pósgraduação e respectivo número médio de
alunos orientados.
8% - Outros
Farmácia
Biologia
Medicina
FIGURA 6 – Tipos de coleções de plantas
medicinais dos cursos pesquisados.
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