O MISTÉRIO DO PALHAÇO AZUL
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O MISTÉRIO DO PALHAÇO AZUL
André Luiz Pinheiro
Santo André, SP
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A PREMISSA DA VIDA
André costuma viajar com seus pais para o interior de
São Paulo. O pai Pedro é nascido em Santa Branca, região do
Vale do Paraíba. Durante o passeio fica quieto e vai visualizando
a paisagem pela janela, gravando tudo e olhando as placas das
estradas, fazendas e mais fazendas, o verde é a cor que
sobressai.O gado vai pastando e é lindo ver as cores deles, uns
marrons, pretos, brancos, malhados...Há um momento que
avista-se o Rio Paraíba do Sul, na região da cidade de Jacareí,
Estado de São Paulo. A estrada afunila e agora é hora de passar
pelas terras de Santa Branca, mais verde e um ar muito bom,
passa sobre a ponte sobre o Rio Paraíba novamente, agora uma
ponte nova de concreto, mas é possível avistar uma ponte ao
lado esquerda sem madeiramento, parece desativada, mas uma
linda ponte metálica, com estrutura de tijolos antigos (pedras)
parecido uma arquitetura inglesa, algo preservado pelo tempo.
Meu pai disse que é um patrimônio histórico da cidade. E
segue a viagem, chegando finalmente na entrada de Santa
Branca, onde é possível avistar um clube do lado esquerdo, com
duas piscinas e quadras de futebol, uma imagem de uma Santa
ajoelhada e com corrente entre as mãos em cima de uma
pedra. Perguntei para o meu pai e disse-me que é a Santa
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Branca, a padroeira da cidade e que irá me contar a história da
Santa mais tarde.
Fiquei muito curioso com a história da Santa, não vejo a
hora que o meu pai conte tudo.
O meu pai era assim, desde pequeno contava história
para eu dormir, ainda me lembro da Festa do céu, algumas
histórias misteriosas, adorava mostrar um mapa da América
Latina, e ficávamos horas e horas vendo cada país. As sombras
na parede mostrando que o lobo comeu a orelha do coelho.
Achava que o meu pai era um professor de Geografia ou algo
parecido, mas era um ferramenteiro, sempre trabalhou neste
ramo e adorava mistérios da ciência e como percebeu que eu
gostava fazia sempre os meus mimos. Eu era um filho único.
Eu sempre tive muito medo de viajar, sempre tive os
meus receios, sempre preferia ficar em casa, e como algo que
me atraía, mas sempre via que era bom, via coisas novas, era
bom viajar.O meu avô paterno José Pinheiro do Prado teve onze
filhos,então tenho muitas tias e tios, primos e parentes. Não via
a hora de vê-los. Era possível avistar a igreja matriz, com duas
torres e estava tocando um alto-falante, perguntei o que era
aquilo e meu pai disse que quando alguém morre eles
costumam avisar. A música ave-maria tocava e logo o locutor
falava: morreu o senhor... o enterro será no cemitério da
saudade. Passamos pela praça e em seguida passamos em
frente a uma grande casa onde havia muitos idosos, então
perguntei ao meu pai porque tantas senhoras e senhores
naquela casa. Ele explicou que era um asilo e então perguntei o
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que é um asilo, foi quando explicou que é onde ficam os idosos
que às vezes não tem familiar e alguns até possuem.
A Freira que parecia ser aMadre superior nos convidou
para entrar, insistiu em fazer uma visita e assim entramos para
conhecer. As senhoras sorriam mesmo sem dentes, mas
pareciam felizes com a visita e todos eram hostis. O Asilo fora
ampliado e reformado. O que me chamou muito à atenção foi à
fonte, uma gruta onde aágua escorria como uma boca de jacaré
aberta soltando um pouco de água. O terreno era muito
grande, havia uma capela no centro, vários quartos nas laterais
e um enorme salão de festas. Despediram-se, mas os senhores
olhavam como quem queria que ficasse. A minha mãe Elvira
dessa vez interpretou os sentimentos deles para mim.
Na Avenida da Saudade, centro de Santa Branca,morava
o avô José Pinheiro do Prado juntamente com a avó Maria da
Conceição Bueno do Prado.
Uma casa que fica em um terreno grande com frente
para duas ruas, a entrada fica pela Av. Saudades que é a famosa
rua do cemitério, e que de vez em quando vemos passar
cortejos indo para o cemitério.
A casa possui uma varanda na entrada, dois quartos, e
mais uma grande varanda nos fundos, além de um quintal de
terra onde sempre foi feito uma horta, ora plantavam milho,
chuchu, cebolinha, abobrinha, alface, almeirão, inhame...e
havia um portão que saía para a outra rua.
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A hora é esperada para ir paraa roça, o meu avô ainda
tinha um sítio onde morava o meu tio, pegávamos uma estrada
de 12 quilômetros de terra, a aventura era no morro grande, os
carros precisavam ser empurrados para poder subir, para as
crianças uma emoção, para os adultos muito trabalho. Mas
enfim, chegamos ao sítio, na entrada uma capela, uma ponte
com um córrego, algumas galinhas pelo quintal e no fundo uma
casa grande com uns cinco quartos.
Após vermos o gado no pasto, andarmos um pouco para
vermos a represa ampla, vimos a pescaria juntamente com os
meus tios que foram pescar e finalmente chegou a hora de
retornarmos para a cidade, mais algumas horas de poeira pois a
estrada está seca, há dias que não chove.
Ao chegarmos à cidade de Santa Branca, lembro-me da
união de todos os parentes, eu demorava em enturmar ,
sempre ficava num canto, apesar da ajuda dos adultos, da
recepção calorosa ali ficava sem entender as conversas dos
adultos e sem brincar, mas logo os meus primos conseguiam
me puxar para brincar.Não entendia piadas, indiretas, sempre
fazia que entendia mas nunca entendia nada.
Enfim, chegou a hora de voltar, os meus pais diziam diga
tchau para os seus primos, para os seus tios, dê benção para o
seu avô e dê benção para a sua avó.Se eles não me falavam
parecia uma estátua e ficava quieto.
Na volta meu pai explicou que a Santa Branca é a
padroeira da cidade, é uma Santa de origem da França muito
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milagrosa, morreu torturada e decapitada por não renegar a fé
em Cristo e seu corpo foi jogado ao mar. Em Paris e em Santa
Branca a Festa da padroeira é comemorada em 26 de setembro.
Após alguns anos tivemos que voltar mas agora devido a
minha avó ter falecido, lembro-me que o velório foi na sala,
havia meus tios e parentes, não entendia direito, meus tios
explicaram que a minha avó havia falecido, mas não entendi, só
vi quando o caixão foi fechado e levado para a Avenida da
Saudade e logo subimos no cortejo até o cemitério da Saudade,
o megafone da igreja anunciava o falecimento e tocava avemaria.Era a primeira vez que vi um cemitério na vida, várias
cruzes de ferro, algumas azuis, verdes e com algumas fotos,
algumas flores, e túmulos e mais sepulturas. A fisionomia das
pessoas era diferente, não conseguia entender, o que de fato
estava acontecendo, por mais que me explicaram, não
conseguia entender, e de repente paramos em frente ao túmulo
de concreto, onde haviam cavado um buraco, e bem ao meu
lado tinha um senhor com um saco de mercado daquele de
papel, era o funcionário do cemitério que havia retirado algo da
sepultura e estava guardando, o caixão da minha avó desceu e
ali foi jogado terra em cima e depois flores. Nunca mais vi
minha avó a partir dali.Posteriormente, descobri que o saco que
o senhor segurava, eram os restos mortais que retiraram para
fazer o sepultamento e enterrar ali junto e o senhor era o
coveiro do cemitério.
O meu avô continuou morando na cidade e ficou com o
sítio na roça. Às vezes nas férias eu ia brincar na beira da
represa, as pessoas contam e lembro-me um pouco do dia em
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que quase me afoguei. Nós arrumamos vários objetos na beira
da represa, garrafa, plásticos, potes, e me lembro de que eu
queria uma lata para encher de terra, o meu primo jogou na
represa bem no fundo, eu peguei e fui buscar a lata e é só isso o
que me lembro. A minha mãe conta que se ela não me puxasse
pelo cabelo teria morrido afogado, pois já estava dentro da
represa e não sabia nadar.
Nós moramos em Santo André, Estado de São Paulo,
cidade em que nasci. Minha mãe conta que não tinha um nome
escolhido e que no Hospital Santo André foi uma enfermeira
que deu uma sugestão de colocar André,também queria um
segundo nome e então ela sugeriu colocar André Luiz, minha
mãe acabou gostando do nome e assim acabou com a
indefinição.
Nasci no mesmo dia do aniversário do meu pai, era o
mês de março, uma criança esperada, programada e saudável.O
pai ferramenteiro e a mãe do lar, filha de netos de Italianos.
Meu pai deixou a sua família e a querida cidade natal e veio à
procura de serviço.
O meu avô materno Amadeu Rodella era carpinteiro, o
meu tio Alcides me deu uma colher de pedreiro pequena. A
minha avó Cezira não cheguei a conhecê-la, a minha mãe conta
que a minha avó faleceu quando ela ainda era menina, tinha
dez anos, no dia do seu aniversário.
A minha infância eu ficava muito sozinho dentro de casa,
com muitos brinquedos, raramente não saia de casa. Ganhava
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várias coleções de livros e passava horas, dias vendo as figuras e
sempre pedindo para alguém ler, posteriormente aprendi a ler
e ia rapidamente entendendo as figuras e lendo as mensagens.
Algumas enciclopédias eram infantis, outras eram o Conhecer,
livros de psicologia, ciências. Lia muitos livros desde pequeno.
Alguns vizinhos vinham brincar comigo. Tive alguns animais de
estimação como um canarinho, codornas, uma cachorrinha
chamada lula que ficou alguns dias e o coelho da índia teco, o
único que se salvou de virar jantar da gata que vivia rodeando
todos os meus animais.
Fiquei dois dias em uma escola particular de educação
infantil, não me adaptei, ficava isolado e os alunos pareciam
não me aceitar. Só retornei para escola chorando com seis anos
no Pré-Escolar do SESI, permanecendo isolado mas os alunos
eram diferentes, enturmavam, a escola e a professora fazia essa
união, acolhia. No primeiro ano quase não tinha amizades,
sempre quieto, mas respeitado, até tentava fazer amizades, mas
não conseguia entender as conversas ou acaba dizendo algo
sem sentido e os colegas se afastavam e eu acabava não
entendendo o que estava acontecendo. Tinha algumas
dificuldades e lembro que fiquei para recuperação. O esporte
integrado na educação era muito legal, porém quando a
natação foi para a piscina grande não consegui ir mais e a
minha mãe pediu para ser dispensado.Não gostava de esportes,
fazia porque era obrigado, mas nunca gostei de fazê-los, mesmo
sabendo que esporte é muito bom para a saúde.
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Não saia muito de casa, mas quando saia se divertia
muito, aos seis anos de idade montei uma cabana com o meu
colega na casa dele, era a segunda cabana que montamos mas
como caia muito a lona, precisávamos de algo para colocar em
cima do muro, então meu colega resolveu pegar uma
machadinha, colocou e a lona não caiu mais, porém de repente
veio tudo abaixo e a machadinha caiu bem na minha cabeça e
cortou, não parava de sair sangue, a minha vizinha lavou muito,
limpou bem, depois de certo tempo parou de sair sangue e
contou para a minha mãe que ficou muito preocupada. Não
tinha sensibilidade nenhuma a dor. Não chorei.
A partir dos oito anos de idade fui transferido para a
escola estadual por motivo de mudança de residência,
passando por mais uma fase de adaptação, tendo que fazer
novas amizades, tanto na escola como na vizinhança. Os amigos
logo chegaram até a mim. A maior parte do tempo brincava
sozinho, na escola na hora do intervalo ficava sentado sozinho
ou caminhando pelo pátio mas a maior parte do tempo
sozinho.
Adorava carros, tinha uma grande coleção de carrinhos
de ferro, ambulância, guincho, polícia, carros de passeio, carros
de guerra e certo dia vi na televisão um posto de gasolina e
acabei ficando doente para ganhar um e acabei ganhando um
posto de gasolina, com lava rápido e estacionamento enorme. a
minha mãe deixou de fazer outros compromissos para poder
proporcionar aquele brinquedo.
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Eu tinha dez anos quando nasceu a minha irmã Keli
Cristina Pinheiro, um pedido meu pois não queria ficar sozinho.
Havia meus periquitos, a tica, o teco e o tico que sempre me
acompanharam, nasceu também o tokinho, mas logo foram
vendidos o viveiro com todos.
A minha irmã tinha sérios problemas de infecção de
garganta, sendo que os meus pais decidiram ir morar em Santa
Branca, SP por causa da qualidade do ar, uma tentativa, sendo
assim meu pai pediu transferência para São José dos Campos e
fomos morar em Santa Branca.
Já iniciei sendo o coroinha do Padre Motta, hoje
falecido, primeiramente fui estudar na escola na entrada da
cidade, a sétima série possuía poucos alunos, e não estava me
adaptando, percebia que os meus assuntos não encontravam
com os alunos, uns conversavam comigo, além da distância da
minha casa, então pedi transferência e fui estudarna sétima
série do ensino fundamental na escola Barão de Santa Branca,
uma sala ampla e tudo era novo. O importante foi a união de
todos naquele momento, a família reunida, o meu avô próximo
e tive a oportunidade de ir uma vez para a roça. A “roça” como
eles chamavam era um sítio que meu avô tinha há 12
quilômetros da cidade, na zona rural, onde a minha família fora
criada.
O verde, as montanhas, o sol, a represa imensa, o gado
no pasto. Meu pai mostrou a foto da casa sede que era da
Fazenda São Pedro, propriedade do meu bisavô Manoel
Barbosa Machado e Antonia da Conceição Bueno, eram cerca
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de cem colonos que moravam na fazenda, era muito grande,
produziam quase tudo no local, havia uma escola rural na
própria Sede onde estudou. Infelizmente tudo foi demolido e
foi desapropriado para a construção da barragem da Light. Com
o material construíram a casa menor que hoje estávamos. A
Igreja de Santa Cruz ficou preservada e permanece até hoje e
também uma parte de terra. Ainda fiquei sabendo que o
terreno atual do asilo foi doado pelo meu bisavô que fazia parte
da igreja, tanto que o nome da Praça em frente leva o nome
dele “Praça Manoel Barbosa machado”.
A energia que vinha da represa e da parte onde ficava a
casa era forte. Algo inexplicável, algo bom, acalmava. Algo
envolvente e cheio de mistérios! O local não tinha energia
elétrica e a água era de nascente.
O tempo parecia longo, era muito gostoso, como se você
estivesse flutuando.
O clube dos trabalhadores contava com duas excelentes
piscinas e fiz minha carteirinha e consegui aproveitá-las.
O meu pai não se adaptou coma distância da empresa e
então mudamos para São José dos Campos, numa casa grande
e muito bonita e estudei numa escola próximo de casa. Mais
uma mudança, novas amizades e começar tudo de novo.
Não mudei o meu estilo de vida, continuei estudioso,
estudava muito, não tinha amizades, apenas alguns contatos da
escola. Quando conversava sempre falava de assuntos
abordados por mais velhos, algo fora da realidade de criança ou
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sobre o estudo em si. Gostava muito de experiências como
fazer produtos com misturas de detergentes, sabão em pó,para
fazer um mata insetos.
Em São José dos Campos tinha um cachorro chamado
Xeique, que certo dia pegou a chupeta da minha irmã e saiu
chupando, foi muito engraçado e a minha irmã coitada ficou
chorando e correndo atrás e quanto mais ela corria mais o
cachorro corria.
Fiz amizades com colegas da classe mais velhos,
dezessete anos, e na época eu tinha treze anos.
O fato que me marcou muito foi que no segundo
bimestre escolar fui transferido para a escola que ficava no
Jardim Satélite em São José dos Campos, estudei na 7ª série C e
após as férias, ocorreu uma grande mudança, os alunos da
escola inteira foram remanejados de sala, utilizando os
critériospor nota. As minhas notas modéstia parte eram B e A,
sendo assim fui colocado na sétima série A. Foi muito frustrante
pois acabara de me adaptar ou pelo menos começar a tentar
fazer colegas na sétima série C.
Obedeci e fui para sétima série A, as matérias eram
adiantadas, comecei a não entender nada o que a professora
estava explicando, comecei a ficar muito nervoso, triste e os
alunos perguntaram o que estava acontecendo e disfarcei e
disse que não era nada.
Fiquei triste e fui direto para o meu quarto, minha mãe
já sabia que não tinha tido um bom dia e que alguma coisa
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aconteceu, perguntou o que havia acontecido e então expliquei
tudo. A minha mãe ficou pensativa, conversou com o meu pai à
noite, também consultou as vizinhas e no outro dia foi
conversar com a diretora da Escola, neste dia não fui à escola.
A minha mãe retornou da escola e disse que era um
projeto da escola e que não poderia abrir exceção, mas que iria
me deixar na sétima série B, mesmo acreditando que o melhor
seria na sétima série A.
No dia seguinte fui para sétima série B, todos os colegas
eram novos e os professores quase todos também. Mais uma
mudança! Continuei quieto no meu canto, estudando, fazendo
poucas amizades. Os colegas até que se aproximavam mas
depois se distanciavam.
Participei de uma excursão para o Play center, fui
sozinho no ônibus, mas fui muito feliz, já havia ido ao parque
com o meu pai. Fui a quase todos os brinquedos e mesmo sem
conhecer quase ninguém acabei conversando um pouco. O
labirinto de espelhos, o trem fantasma, a montanha encantada
fui umas três vezes, a miniatura da cidade, o teleférico e a
montanha russae acabei perdendo o medo e fui três vezes
também. Na volta tomei um delicioso sorvete de milho no
Rancho da Pamonha.
Os meus pais resolveram voltar para Santo André, e
tivemos que nos desfazer do meu cachorro, foi muito triste
deixá-lo. Só trouxe a minha tartaruga Tatil que dormia junto
com um sapo.
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A volta para Santo André foi marcada pela recepção dos
familiares da minha mãe da família Rodella, descendentes da
Itália, voltando a residir na mesma residência e voltei para a
mesma escola estadual próximo da minha casa, matriculado na
oitava série, hoje nona série do ensino fundamental.
Alguns colegas de classe eram os mesmos, alguns
professores eram os mesmos, alterando a diretora da escola.
Não consegui mudar o meu comportamento, continuava
calado, quieto, estudioso e continua lendo e estudando mais e
mais. A área mais estudada era Ciências. A dificuldade para
conversar e trazer assunto era muito difícil, até contava um
pouco das aventuras do interior, mas logo acaba o assunto e
esgotava a conversava. Os colegas se afastavam e eu continuava
sem saber.
Percebia que a cada dia ficava muito difícil buscar
amizades, conseguia fazer uma amizade com quem conversava
nos intervalos, pois era horrível passar o intervalo inteiro
sozinho sem ter com quem conversar. Os colegas gostavam
muito de mim, eu sentia isso, mas acredito que me achavam
estranho, eu não percebia isso, somente com o tempo é que fui
descobrindo.
A escola fez uma festa junina e pediram para arrecadar
prendas e quem conseguisse mais ganharia uma excursão. Além
de juntar o que tínhamos em casa pedi para as minhas tias e
vizinhas, e levei um saco com muitas prendas. Ajuntando tudo a
nossa sala ganhou. A equipe ganhou.
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