museudapessoa.net P/1 – Senhor Paulo, nós gostaríamos de agradecer bastante a sua presença e gostaríamos que você dissesse seu nome completo, local e data de nascimento. R – Paulo Eduardo Pessagno, nasci na cidade de Campinas no dia 22 de setembro de 1950. P/1 – Quais os nomes dos senhores seus pais. R – Meu pai, o nome é Aldo Pessagno, e minha mãe, Aparecida Pessagno. P/1 – O senhor poderia falar um pouquinho sobre a origem da sua família? R – Pois não. Pelo lado do meu pai a origem é italiana. Meu avô paterno era filho de italiano e minha avó paterna também. Do lado da minha mãe o meu avô materno, português e minha avó materna mineira, legítima. Mas toda a minha família está na segunda geração, já é nascida na cidade de Campinas. P/1 – O senhor disse que tem uma parte da tua família de italianos. O senhor poderia dizer em que período eles vieram para o Brasil? R – O meu bisavô veio da Itália, sozinho, com 23 anos. Ficou hospedado na hospedaria do imigrante, 1800, não sei a data correta. Depois ele se radicou aqui em Campinas, ele foi trabalhar numa industria que tinha aqui na cidade. Acho que talvez fosse a única industria da cidade. Um prédio histórico aqui, próximo da estação. Constituiu família e aí, sempre trabalhando nessa parte de comércio. Meus avós também são comerciantes e a família continua. P/1 – Os seus pais, o senhor chegou a conhecer os seus avós? Os seus pais contavam muitas histórias? R – Os avós masculinos eles morreram muito cedo. Meu avô materno eu não cheguei a conhecer, morreu quando minha mãe tinha dez anos. Meu avô paterno ele morreu quando eu tinha só seis anos de idade. Mas eu tenho boas lembranças dele ainda. Agora minhas avós morreram bem mais tarde, eu conheci, convivi muito com elas. Tanto a minha avó materna quanto minha avó paterna. P/1 – E as histórias que eles contavam da vinda da Itália, como é que foi? R – Sim. A história do meu bisavô. O pessoal contava que ele veio muito cedo, muito jovem. O motivo nunca me disseram. Porquê ele saiu da Itália, quem ele deixou na Itália. Mas ele veio muito jovem pra cá, começou a trabalhar e conheceu uma italiana aqui – a mulher dele também era italiana – e acabaram se apaixonando e constituíram família, né, casaram, tiveram muitos filhos. Todos meus pais, tanto meus avós maternos como paternos tiveram muitos filhos. Tenho bastante tio. P/1 – E o senhor saberia dizer porquê eles vieram pra Campinas? Ou não? R – Eu acredito que meu bisavô veio pra Campinas porque ele já devia conhecer alguma coisa relacionada a área de metalurgia, tudo. Então ele deve ter vindo por esse motivo pra cidade de Campinas. Porque Campinas foi pólo de imigração italiana, mas principalmente as cidades vizinhas à Campinas, o pessoal veio pra trabalhar na área de agricultura, no café. E esse meu avô, eu acho que ele já deveria ter algum conhecimento, devia ter desenvolvido alguma atividade nessa área, então ele veio mais direcionado pra cidade, mesmo. E outros italianos também que vieram. P/1 – E a sua família do lado mineiro, quais foram as condições? Em que momento vieram pra Campinas e por quê? R – isso. Eu acho que o meu avô materno foi transferido – trabalhava em estrada de ferro – não sei que companhia agora. E era no sul de Minas, provavelmente lá conheceu minha avó, resolveram se casar, talvez a vinda pra Campinas tenha sido por opção ou até imposição de emprego, uma transferência. Só sei que também acabaram constituindo família aqui em Campinas. P/1 – O senhor falou que a atividade profissional da sua família já é tradicionalmente o comércio. O senhor tem irmãos? R – Tenho, eu tenho quatro irmãos. Tenho dois irmãos e duas irmãs. O meu irmão mais velho é empresário, engenheiro de formação, trabalha no ramo da construção. Ele tem uma empresa que desenvolve; é uma construção mais especializada: abertura de ruas, pavimentação, implantação de loteamentos. Ele trabalha com essa área aí. Eu tenho outro irmão, administrador de formação, que trabalha na área mais do comércio, né? Atualmente ele trabalha com estacionamento. A minha irmã mais velha é psicóloga de formação; ela também trabalha com psicologia, mas ela tá voltada pra cultura. Ela é cantora lírica. Trabalhou muito tempo, desenvolveu um trabalho muito importante junto à secretaria de estado da cultura. É uma pessoa bem voltada pras artes. E minha irmã mais nova é fonoaudióloga de formação, mas também há bastante tempo está trabalhando na área comercial; dirige um de nossos hotéis. P/1 – Fala um pouquinho, por favor, como foi essa entrada no ramo hoteleiro, do senhor, da sua família? R – Sim. Começou com meu pai. Meu pai era um empresário, também voltado pra área de construção. Na ampliação do negócio ele resolveu construir um edifício, né, mas a intenção inicial dele era construção pra locação, alguma atividade assim. E ele percebeu que acidade carecia de leitos se hotelaria, ele teve a idéia de transformar aquele prédio que ele tinha construído num hotel. E realmente a cidade era muito carente mesmo de leitos, naquela época, né? P/1 – Que ano foi isso? R – Olha, foi em 1967. E acabou entrando. Não conhecia, aprendeu, aprendeu como trabalha em hotelaria; e acabou tocando e construindo o hotel, né? Que no começo foi muito prospero porque a necessidade de leitos aqui em Campinas era muito grande. P/1 – Então, o senhor era muito jovem nesse período, muito jovem. O senhor se lembra mais ou menos como o senhor percebia Campinas? Porque o senhor menciona aqui que Campinas já era carente, em 1967, 1966, já era carente de hotéis, de acomodações. O senhor poderia dizer porque o senhor seu pai acreditava e percebia isso. R – Olha, além dessa carência que era uma necessidade assim, sentida, a cidade tinha poucos hotéis. O prédio que ele construiu para locação ficava muito próximo à estação. Que na época era tanto a estação ferroviária como a rodoviária. Não existia uma rodoviária formal na cidade. Era a rua adjacente ao nosso hotel que os ônibus chegavam e tal. E a demanda das pessoas naquela época, era muito grande pra leitos. P/1 – E por que? Como era Campinas naquela época? R – Nessa época Campinas era uma cidade que, acho que não tinha 300 mil habitantes. Não era uma cidade muito grande, não. Mas próspera. Industrias se instalando, comércio crescendo. E eu acho que ele percebeu que esse ramo, essa atividade seria interessante. E acho que foi por isso que fez. E tanto ele tinha razão que passados alguns anos ele adquiriu mais um prédio pra fazer mais um hotel e ampliou o inicial. O prédio inicial que ele tinha ele fez uma ampliação. Porque realmente a demanda era muito grande. P/1 – O senhor falou que existia uma rodoviária única. Seria uma estação rodoviária e uma estação ferroviária aglutinadas. R – Sim. P/1 – Existia muito movimento de trem naquele momento? Como eram as rodovias? R – A principal rodovia que nós tínhamos naquela época era a ligação de São Paulo pra Campinas, a Via Anhanguera. E o trem, o serviço de trem, naquela época ainda tínhamos trem com passageiros. Eu lembro que naquela época muitas pessoas, quando tinham que se dirigir à São Paulo, faziam de trem. P/1 – Como era a viagem? R – Já era bem mais demorada que de ônibus. Mas assim mesmo tinha muita gente que preferia o trem, pelo conforto. Depois criaram um sistema rápido, chama litorina, era um comboio de trem um pouquinho menor, e essa ligação São Paulo – Campinas se fazia muito através de trem. Só que era uma viagem muito longa porque parava em todas as cidades daqui de Campinas até São Paulo. Agora o ônibus, os ônibus paravam próximo da estação e, aquelas construções que ainda tem hoje, funcionavam como uma estação rodoviária. Porque Campinas não tinha ainda estação rodoviária. É posterior a essa época a construção da estação rodoviária. P/1 – Fala um pouquinho da escolha do seu pai pelo edifício pra fazer outro hotel, pra que ele pudesse expandir a sua empresa. R – Acredito que foi oportunidade. Tinha um edifício no centro da cidade, muito desvalorizado, abandonado há mais de uma década. Já sem moradores, abandonado; tinha sofrido deterioração com o tempo. Então ele viu ali oportunidade de fazer – também gostava das coisas antigas, das coisas tradicionais, de fazer um hotel ali. E fez, adaptou. O prédio era de salas comerciais, foram adaptados os respectivos quartos com banheiros. E foi transformado em hotel. E se manteve toda a estrutura antiga do prédio. O prédio tem uma história muito interessante. P/1 – Conta essa história pra gente. R – O prédio é o primeiro edifício alto que teve em Campinas. Ele foi edificado em 1937 e funcionou durante muitos anos, principalmente voltado para o comércio. P/1 – O senhor se lembra do projeto? De autoria de quem foi o projeto? R – Então, esse prédio foi, o projeto é do engenheiro ___ da Cunha, e ele foi feito no estilo art-decor, está preservado até hoje, está do mesmo jeito. O doutor __ da Cunha é um engenheiro muito conceituado – é falecido já – aqui na cidade. É conceituado aqui na cidade. Tem uma obra muito importante na cidade de Campinas. E esse daí foi o primeiro que ele fez na cidade. Embora o prédio não seja tombado pelo patrimônio, ele mantém todas as características externas idênticas ao que era em 1937. Então ele tá reformado por dentro, tem uma conotação mais moderna, de hotelaria, por dentro, mas todo espaço externo dele é da época da sua construção. P/1 – Mantém a arquitetura art-decor. R – Mantém. Ele está funcionando como hotel desde 1974. já se passam 33 anos. P/1 – E quais outras transformações o senhor percebe em Campinas desde esse momento em que seu pai se estabelece como hoteleiro – uma pessoa administradora de hotel – do primeiro hotel para o segundo? Que o segundo é o Barão, né? R – É o Barão. P/1 – do Hotel Avenida pro Hotel Barão. R – foi o fato dele ter percebido que Campinas demandava uma quantidade muito maior d eleito de hotelaria. Então ele partiu pra isso e fez o quê gostava também, de adequar aquele prédio antigo. Devia gostar muito daquele prédio. Devia ter alguma história com relação ao prédio, porque ele foi atrás, comprou o prédio e reformou. P/1 – O senhor nasceu em Campinas, como o senhor disse. Qual era o bairro que o senhor morava? R – Nós somos da Vila Industrial de Campinas. E depois mudamos pro bairro do botafogo. P/1 – Como eram, nesse período da sua infância, os amigos, os irmãos, as brincadeiras. Com o quê o senhor gostava de brincar? Onde o senhor brincava? R – Bom, nessa época na vila televisão não existia. Então as crianças brincavam na rua mesmo. Então mal terminava o jantar estava todo mundo na rua. As famílias também se reuniam na rua, cadeiras na calçada. Eu tenho muita lembrança disso. Eu morei na Vila até os oito anos de idade, na Vila Industrial. E no Botafogo, quando nós mudamos, também não era muito diferente, não. Tinha uma relação com os vizinhos, era muito próxima, né? As pessoas se reuniam, conversavam mais. Não tinha televisão então tinha que conversar na rua mesmo. As brincadeiras, tudo o que a gente aprontava era ali na rua mesmo. Não sei, a gente tem uma, a gente sempre recorda do passado levando muito em consideração as coisas boas. As coisas ruins a gente deixa de dado. Então a gente começa a falar muito do passado, fica muito saudoso, porque a gente vê mais o quê foi bom. O que foi ruim a gente esquece. Mas acho que era bom mesmo. As lembranças são muito boas. Eu tive uma infância maravilhosa junto com meus irmãos, minha família. Acho que a convivência familiar era muito mais estreita, até hoje. É diferente. Mas foi muito boa, foi uma infância muito boa. P/1 – Dentre essa convivência, em meio a essa convivência, quais os brinquedos, as brincadeiras que o senhor mais gostava? R – ___ a gente gostava, né? O futebol tá sempre presente. O futebol na rua mesmo. Eu não sei como a gente conseguia jogar bola numa rua que já era asfaltada, e descalço. E num estourar todo o pé. Mas conseguia. E a bola também não era adequada. Eram as brincadeiras. Eu lembro uma brincadeira especifica, que quando a companhia de luz fazia poda nas ruas, aqueles galhos que sobravam. A gente juntava os galhos e fazia cabana. E ali fazíamos reuniões, fazíamos clube secreto, aquele negócio todo. E eu lembro uma vez que nós resolvemos fazer uma brincadeira dessas daí e a noite estendemos a convivência nessa cabana improvisada e levamos umas velas pra iluminar o ambiente. Pegou fogo. Olha foi uma desgraça. Mas era esse tipo de brincadeira mesmo. Escolher. Aquele tempo não era politicamente incorreto soltar balões; então quando chegava em junho o quê a gente corria atrás de balão, soltava balão. A gente desconhecia o perigo disso, mas achava bonito e gostava. São essas as lembranças do tempo da Vila e do Botafogo. P/1 – O senhor provavelmente se lembra de como eram comprados gêneros alimentícios, os produtos de consumo na sua família. R – Perfeitamente. P/1 – Onde os senhores comprava? Onde a sua família comprava? R – Alguns armazéns no próprio bairro e no mercado central. Eu lembro perfeitamente que a embalagem geralmente era de papel e que o açúcar, o café e todos os gêneros alimentícios era feito com uma taça, interessante assim, que ele vinha e pesava numa balança, um a um. Pegue pague, esse negocio de supermercado, muito longe disso. Era tudo no balcão; aquelas tinas enormes com todos os alimentos. Eu tenho muita lembrança disso. O mercado municipal aqui de Campinas é um prédio histórico, também existe há muito tempo e eu lembro muito bem das compras que eram feitas lá. Era assim: direto com o balconista ou com o dono lá do comercio. Alimento por alimento, fazia aquela compra. O óleo era engarrafado em garrafas recicláveis. Pegava a garrafa e enchia de novo óleo. Eu lembro muito bem disso daí. P/1 – O senhor se lembra se alguém na sua família – a sua mãe, ou seu pai – iam costumeiramente a São Paulo pra fazer compras? R – Não. Não iam não. Meu pai ia muito a São Paulo a negócios. Mas especificamente pra fazer compras? Eventualmente. Eventualmente. Uma mudança de casa, comprar alguns moveis, alguma coisa diferente. Mas não era rotina, não era uma coisa do dia a dia ir a São Paulo, não. Eu sei que muitas famílias tinham esse habito, mas eu não assisti muito isso. Era só em situações especiais. P/1 – O senhor se lembra como os senhores iam pra São Paulo? Com qual transporte? R – Bom, a família geralmente ia de carro. De automóvel, quando ia a família toda. Agora individualmente a gente ia muito de ônibus. Era muito rápido ir pra São Paulo de ônibus. E era muito fácil essa ligação São Paulo – Campinas. Então a gente ia de ônibus. P/1 – Como era a rodovia? Como era o sistema rodoviário? R – Olha, a ligação entre São Paulo e Campinas por estrada sempre foi muito boa, né? A lembrança que eu tenho é da rodovia Anhanguera; que é mais ou menos como é hoje. Hoje está muito melhor, mas naquela época era uma boa estrada, não tinha muito problema, não. No meu tempo. Contam que a ligação antes, um pouquinho antes de mim, era um pouco mais problemática. Tinha uma estrada antiga, antes da construção da rodovia Anhanguera. A estrada era mais antiga, tinha alguns problemas. Mas da minha lembrança não era problema, não. Demorava mais do que demora hoje, os carros também andavam mais devagar. Mas não era uma viagem muito problemática, não. P/1 – O senhor falou da sua infância com muita saudade. O senhor poderia nos contar as escolas que o senhor frequentou? Como foi a sua formação, vamos dizer assim? R – Pois não. No meu tempo era o curso primário, demorava quatro anos; eu fiz em um grupo escolar que tem aqui; hoje colégio do estado, mas era um grupo escolar. Depois o curso ginasial, demorou mais quatro anos, eu fiz num colégio privado; o cientifico, o colegial, eu fiz num colégio de estado, que na época era um colégio muito conceituado aqui: o colégio Vitor Meirelles. E a faculdade eu fiz aqui na UNICAMP, na Universidade de Campinas. P/1 – O senhor pensa que na sua família havia alguma expectativa pra que o senhor seguisse determinada carreira profissional? R – Sim, meu pai sempre, gostaria muito que eu fosse engenheiro. Porque ele trabalhava na área de construção, etc. meu irmão mais velho engenheiro, tudo. Mas ele logo percebeu, logo no começo da minha vida, que eu não gostava muito de engenharia. Mas ele tinha uma expectativazinha de que eu fosse engenheiro também. Mas foi muito leve, logo passou. P/1 – E a sua escolha profissional como é que foi? R – Ah, não sei. Acho que foi vocação mesmo. Desde criança quis ser o que sou. Então lutei, corri atrás disso, e consegui. P/1 – O senhor poderia falar qual é sua especialidade na medicina? R – Minha formação mesmo é de clinico. E atuo também um pouco na área de cardiologia. Como segunda especialidade. E faço também um pouquinho de medicina do trabalho. P/1 – E o senhor sentiu em algum momento inclinação pra trabalhar no comércio? Mesmo com a sua vocação bem definida? R – Olha, eu comecei a trabalhar no comércio devido ao falecimento de meu pai. Quando meu pai faleceu, eu e meu irmão, nós tínhamos que continuar o negócio, né? Então nos dividimos e cada um foi pra uma área. Eu acabei gostando. Eu estou gostando do que eu faço. Mesmo porque eu estou um pouco afastado da medicina. E eu tenho me empenhado, tenho gostado do ramo do comercio. Mas meus irmãos já eram comerciantes, já trabalhavam nisso. Então, a mudança maior foi minha mesmo. Minha e de minhas irmãs que tinham outra área de atuação. Mas ninguém está arrependido, não. P/1 – O senhor falou da sua infância. E a sua juventude, como é que foi? Como foram seus passeios, seus lazeres, os namoros? R – Minha juventude foi muito agradável. Campinas é uma cidade – hoje ela está bem diferente do que era na minha época. A minha juventude foi assim, com muito estudo, a gente estudava bastante; passeava, namorava. Coisa compatível mais ou menos com o quê era a cidade aquela época. A cidade não tinha muitos restaurantes, bares. Então era mais convivência com os amigos mesmo. Amigos de escola, reuniões, festas, né? Com o pessoal mais da escola, mesmo. Com o grupo de amigos de escola. P/1 – Quais eram as suas preferências de lazer? Como o senhor se distraía mais? R – Meu lazer era muito voltado ao esporte. Gostava muito de jogar futebol, e outras atividades esportivas. Cinema. Era uma coisa muito comum na cidade. Tinha uns bons cinemas no centro da cidade. Desapareceram todos. Basicamente isso. Clube também, a gente esquece do clube. Freqüentava o clube. P/1 – O senhor disse que na sua família existe uma certa predileção pela música. Fala um pouquinho dessa predileção. R – Pois é. A minha irmã mais velha, eu acho que ela é cantora lírica desde o dia que ela nasceu. Eu acho que quando ela chorou a primeira vez, ela já fez em lá, em dó. Ela é muito afinada, é cantora lírica e ela tem essa vocação que ela desenvolveu. Paralela a outras atividades. Ela é formada em psicologia, fez até pós-graduação em psicologia, voltada a: psicologia aplicada a área da música. Um tipo de terapia moderna; ela fez a formação baseada nisso. E ela é uma pessoa de cultura muito grande. Uma pessoa muito culta, sempre trabalhou com cultura. Desenvolve essa atividade. E a música é sempre presente. Desde o tempo do meu pai, meu pai sempre gostou, gostava de musica. Minha mãe, né, então agente sempre gostou muito de música. P/1 – E o senhor, gosta? R – Eu também gosto. Eu falo – não posso falar isso não porque nós estamos gravando – eu falo que eu canto. Eu não canto, não. É brincadeira, eu gosto muito de cantar. Sou apaixonado por música; mas eu não sou cantor não. Queria ser. Quem sabe um dia. P/1 – É claro, já deixou de ser médico pra ser comerciante, hoteleiro. E agora pode ser cantor. O senhor, junto com a sua família, ou com os amigos, o senhor fazia viagens pra outras cidades? R – Sim. A minha família viajava anualmente, às vezes duas vezes por ano, nas férias, principalmente as férias de verão, a gente passava em Itanhaém, no interior de São Paulo. P/1 – Como era essa viagem? R – A viagem era uma tragédia. São 220 quilômetros, que agente levava mais ou menos sete, oito horas pra cumprir. E a viagem era muito agradável. Daqui até São Paulo já demorava duas horas, duas horas e pouco. A[i logo no comecinho da estrada que ia pra Santos já parava pra fazer o pic-nic; descia a família toda. Depois chegava lá em Santos, e a viagem de Santos até Itanhaém, não existia estrada naquele tempo – ia tudo pela praia. Então era uma verdadeira aventura, ás vezes o carro não podia passar porque a maré tava muito alta. E aquela coisa; e essas lembranças são muito agradáveis, são sempre presentes. Nós passamos sempre lá. E sem os confortos que a gente tinha aqui na cidade. Mas era muito divertido, muito agradável. Lembrança boa da juventude, acho que eu esqueci de falar isso no começo. Muito interessante. P/1 – O senhor chegou a ir pra essas cidades que o senhor costumava ir de trem? R – De trem. Fiz algumas viagens de trem, pro interior, pra casa de parentes, de amigos. Muito agradável, né, eu tenho uma boa lembrança também disso. Aquele vagão restaurante, a gente ia sentado, comendo um lanche. Era uma delícia! As poltronas. A principal empresa de trem que passava aqui por Campinas ra a Paulista, né? E era muito bonito; os trens eram bonitos, funcionavam bem. Depois foi acabando, acabando. Não tem mais trem de passageiro passando aqui em Campinas há muito tempo. P/1 – O senhor falou que o senhor estudou na Unicamp. Como foi a entrada da Unicamp na cidade de Campinas? R – Muito interessante. Aqui em Campinas já tinha algumas faculdades. Não existia ainda uma universidade; estavam criando uma universidade, que era a universidade católica. Eram algumas faculdades e tal; acho que nessa época já estava criada a Universidade Católica de Campinas que depois se transformou na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, PUC Campinas. A primeira faculdade da Unicamp, a primeira faculdade que iria compor a universidade de Campinas, a Unicamp, né, foi a faculdade de medicina. Ela foi criada – eu posso estar errando por um ou dois anos – 1963 ou 64. E a Unicamp é posterior a isso, é de uns quatro cinco anos depois. Então, a primeira faculdade que a Unicamp teve foi a faculdade de medicina. Ela funcionava num prédio aqui na cidade, primeiro na maternidade de Campinas, depois na Santa Casa de Misericórdia da cidade. Muito tempo depois foi construído o hospital universitário. Inclusive minha formação toda foi na Santa Cassa, né, a Unicamp funcionava na Santa Casa. Eu sou da oitava turma da Unicamp. A Unicamp naquele tempo tinha poucos cursos, tinha poucas faculdades: tinha a faculdade de medicina, tinha a faculdade de engenharia, de matemática, alguma coisa ligada às ciências exatas e só. Aí, durante o tempo de faculdade eu fui testemunha do crescimento da universidade, criação de vários cursos, tal. E transformou até hoje numa grande universidade, que Campinas se orgulha muito da universidade que tem. Das duas universidades que tem, tanto a Pontifícia Universidade Católica, como da Unicamp. Eu acho que todos os campineiros, de alguma forma, têm muita relação com uma das duas universidades. Ou estudaram, ou foram docentes, ou se especializaram, ou fizeram uma pós-graduação. Então as duas universidades estão bem participantes da vida da cidade, sem duvida. P/1 – O senhor acredita que a presença delas tenha causado algum impacto na cidade de Campinas? R – Sem dúvida. Eu não sou a pessoa mais adequada pra falar isso, mas eu acho que foi fundamental para o desenvolvimento da cidade, de agregar, de trazer pessoas, trazer cabeças. Foi fundamental; eu vejo isso como essencial. Sem contar o número de pessoas. Ah, eu posso estar errado, mas eu acho que o número de estudantes das duas universidades passa de 30 mil pessoas. Então essa população que vem pra Campinas, de todas as partes do Brasil, e do exterior também, né, muita gente dos paises vizinhos vindo fazer especialização aqui. A cidade tem um ganho extraordinário. A campanha que acidade fez, pra tivesse sua faculdade de medicina, no começo dos anos 60 – eu me lembro, foi feita uma campanha pra que Campinas fosse contemplada com uma faculdade de medicina – acho que não foi em vão, não. Só trouxe coisa boa aqui pra cidade. Campinas tem um reconhecimento muito grande por causa das suas universidades. Das duas, tanto da Puc Camp como da Unicamp. P/1 – Então senhor estava comentando sobre como era a sua juventude. Tem algum outro evento, brincadeira que o senhor gostaria de comentar? R – Na juventude? P/1 – Ou na infância. R – Na infância tem um fato pitoresco. Embora a gente morasse na cidade, nós moramos perto de um abatedouro e de um curtume. Em frente a nossa casa passava boiada; e quando tinha boiada a boiada estourava e era uma festa. Uma loucura. Até isso nós presenciamos. E Campinas também era uma cidade que tinha uma área rural muito grande. Existiam muitas propriedades rurais. Então esse contato com a área rural era muito freqüente, né, propriedade de amigos, de pessoas amigas da família. Então, a infância teve esse aspecto de vivencia com a área rural acho que é por isso que eu gosto tanto de música sertaneja hoje. Lembrança daquela época. P/1 – Então o senhor cursou a universidade e atuou sempre na medicina. Como é que foi a formação da sua família? O senhor constituiu uma família. Conta um pouco pra gente como é que foi a fase de namoro. R – Eu não sei, naquele tempo a gente namorava muito tempo. Namorei quase oito, nove anos. Logo depois que me formei me casei, tenho quatro filhos. Um deles, temporão, tem treze anos; meus filhos mais velhos já estão com 28, 27, 26 anos. Todas formadas, já. Tenho uma filha médica, tá fazendo infectologia. As outras também já estão formadas; tem uma advogada, uma economista e tenho esse filho temporão. Estou casado a 32 anos, vai fazer trinta e dois anos que nós somos casados. Minha mulher é professora. P/1 – Como ela chama? R – Cristina. É professora de física e matemática para o colegial, segundo grau. E tem trabalhado também um pouquinho no comercio, também, lá no hotel. Está gostando disso. P/1 – Então, fala um pouco pra gente, como era o comércio na época do seu casamento? Como era o comércio na época que o senhor começou, que o senhor ficou adulto. Do quê o senhor lembra do comércio? Como o senhor ia pro trabalho? Conta um pouco das suas experiências. R – Ah. Tenho uma lembrança do tempo que não tinha shopping center ainda na cidade. O comércio aqui numa rua central aqui da cidade, rua Treze de Maio, hoje é um calçadão. Era o principal centro de compras daquele tempo. Tenho lembrança de que passava o bonde ainda nessa rua. Lembro-me das lojas. P/1 – Que lojas o senhor citaria como as lojas mais reconhecidas, mais famosas na época da sua juventude? R – Juventude? Da minha infância eu lembro das lojas Garbo. Tinha aquela propaganda, aquele jingle, eu sou muito ligado com música, né? P/1 – Como é? R – [canta] “Você precisa de uma roupa nova, lojas Garbo tem, a roupa”. Adorava esse jingle, então tenho muita lembrança. Aconteceu uma coisa interessante nas lojas Garbo. Fizeram uma propaganda, quem comprasse lá uma determinada roupa ganhava a réplica da Jules Rimet, isso em 1958, que o Brasil tinha sido campeão do mundo. Então a gente via aquela fotografia da taça na televisão. “Nossa senhora, eu quero ter uma taça dessas, igualzinha a da copa do mundo”. Aí, eu fiquei perturbando minha mãe, eu não sei, a minha mãe e meu pai. Perturbei, porque eu queria uma roupa nova, não falava que era por causa da taça. Eu queria uma roupa nova. “Mas você não tá precisando de roupa!”. Bom, comprou a roupa e a tal da taça era uma taça desse tamanhinho! Uma miniatura, uma frustração tão grande! E o rapaz nem queria dar porque falou que já tinha acabado a promoção, não sei o quê. Mas era uma tacinha desse tamanhinho! Não saí da loja enquanto não me deu a taça. Mas era desse tamanhinho! Uma frustração. Mas eu lembro das lojas Garbo, lojas Sears. Eu lembro muito da loja Americana. Loja Americana tinha o que seria hoje uma pracinha de alimentação, que fazia misto quente e cachorro quente. O cachorro quente com aquele pãozinho especial. Uma lembrança que a gente tem até hoje. Eu acho que foi a primeira loja de departamento que tinha uma pracinha de alimentação. Também nessa área central da cidade. Era point, era bonito, era interessante. Comer um misto quente ou um cachorro quente nas Lojas americanas. Também nessa área central de comércio da cidade. Lojas Sears, todas as outras lojas. Tem bastante. O comercio era bastante próspero. Eu lembro quando vinha um amigo assim, de família, uma pessoa e idade, que eles passavam assim: “pôxa, mas o comércio dessa cidade é bom, heim!”. Falava: “é bom”. Não entendia muito disso, não. No meu tempo de infância, mas eu acho que era. Depois vieram os shoppings centers, né, Campinas tem shopping center grande, né, o maior da América Latina, o shopping Dom Pedro; o shopping Iguatemi também é muito grande, bonito. O comercio se deslocou m pouco para esses shoppings. P/1 – E como era para o senhor começar a trabalhar? O senhor disse que com o falecimento do senhor seu pai o senhor passou a se dedicar ao comércio. R – Uma parte da minha vida, aos negócios dele. P/1 – Há quanto tempo foi isso? R – Há 20 anos atrás. P/1 – E como foi esse inicio para o senhor? R – Ah, eu deixei algumas coisas que eu fazia na área de medicina e comecei. E sempre junto com meus irmãos, fui aprendendo algumas coisas aos poucos. Eu, às vezes me recusava a estudar, me especializar – porque sabia que não era o quê eu queria mesmo – mas é. Não sei, a gente vai aprendendo, né, com o convívio com os irmãos, vai assimilando uma coisa, outra. A gente vai aprendendo e eu comecei a me dedicar. Sempre uma parte; sempre dividi com a minha profissão. P/1 – E quando o senhor começou efetivamente, que funções o senhor passou a realizar? R – Ah, eu fazia de tudo um pouquinho, né? Fazia mais a parte relacionada a recursos humanos. Trabalhava junto lá ao departamento pessoal tanto da empresa, do hotel, como das outras empresas dos meus irmãos. Eu trabalhava mais nessa área. P/1 – O senhor disse que existia uma tradição na sua família de serem comerciantes. R – Isso, o meu avô paterno teve uma grande loja de material de construção aqui na cidade. Na época. P/1 – O senhor lembra? R – Lembro, lembro perfeitamente. P/1 – Lembra do nome? R – Lembro. Chamava Indústria e Comércio Dante Pessagno. Existia uma outra grande loja de material de construção aqui, chamava Industria [Macardi?]. eram mais ou menos concorrentes. Depois Comercial Fanelli. Então, nessa época ai, eu av”o tinha uma grande loja de material de construção; e eu lembro da loja, né? E naquela época, além da loja de material de construção, ele foi agregando à loja algumas atividades. Por exemplo: ele desenvolveu uma fundição para fazer as peças de material de construção que eram comercializadas na loja. Ele fez uma cerâmica, pra produzir, tijolo, cimento, pra vender na loja. E assim sucessivamente. Naquele tempo acho que a terceirização não existia. Todo mundo tinha que fazer tudo. E meu pai também era mais ou menos assim. Ele tinha que fazer tudo. Já que tem que fazer o asfalto na rua, vamos desenvolver uma pedreira para não precisa comprar pedra. E assim sucessivamente. O espírito empreendedor que eles tinham e eu não tenho. Mas na época era assim. P/1 – O senhor se lembra como era o hotel, tanto o Opala, o Barão, quando o senhor era moço? Porque o Barão é o mais recente, embora esteja no edifício mais antigo da cidade, ele é o mais recente. R – Mais recente, tem 33 anos. P/1 – O senhor se lembra de como era o Avenida, e de como era o Barão? R – Lembro sim. Os dois hotéis sempre foram hotéis econômicos. Eles atendiam pessoas que vinham a trabalho. Nunca nenhum dos dois hotéis foram de luxo. Sempre hotéis econômicos, sempre foram. Sempre foi esse o perfil deles. E é até hoje. São dois hotéis econômicos. E geralmente as pessoas que vinham à Campinas a trabalho. Eventualmente uma feira, algum evento. Mas geralmente a trabalho. Ou pra se especializar, ou a negócios. Fazer cursos nas indústrias campineiras, de especialização. Mas é um pessoal que vem a trabalho. Eu acho que sempre foi esse o perfil do hotel. A vocação do hotel sempre foi essa. Pra esse tipo de público, desde o começo. P/1 – O senhor se lembra quantos funcionários havia no Barão e no Avenida, cada um no seu início? R – Logo no começo o número de funcionários era muito grande. Porque não havia terceirização, a lavanderia era própria, a cozinha própria. Uma série de serviços que são terceirizados eram feitos no próprio hotel. O número de funcionários era muito grande. Pra você ter uma idéia os dois hotéis juntos, teriam mais ou menos, na época de início, em torno de 60 funcionários. Hoje está em torno de 30 funcionários. Uma redução de quase 50% em função da terceirização, modernização de algumas atividades. Se em que o número de funcionários ele depende muito do nível do hotel. Da categoria do hotel. O número de funcionários está muito relacionado com o nível do hotel. Se o hotel é econômico tem um número de funcionários menor, um hotel de luxo tem um número de funcionários maior. Mas essa redução que teve nesse período é mais em conseqüência da terceirização de alguns serviços. P/1 – O senhor acredita que tenha havido mudanças significativas nas demandas dos hóspedes? R – Sem dúvida. Principalmente mais recentemente, que Campinas estabeleceram em Campinas redes hoteleiras. Vieram muitos hotéis pra Campinas. Aumentou muito o número de leitos, uma proporção muito grande. Então, eu acredito que Campinas está muito bem servida de leitos. Eu acho que tem mais leito do que capacidade de hóspedes para ocupa-los. De absorver. Com as redes que vieram, grandes redes. Nosso hotel é pequeno, é familiar, não está envolvido com nenhuma grande rede. Mas a vinda dessas redes diminuiu muito a procura também dos hotéis que já estavam estabelecidos na cidade. Não só do nosso, mas dos outros hotéis também. P/1 – Certo. E assim, essa redução de taxa de ocupação ela provocou uma transformação muito grande? R – Eu diria uma adaptação. P/1 – Uma adaptação. De que natureza foi? No tamanho das instalações? Como é isto? R – Sim, até a redução de número de leitos. Desativação de determinado número de leitos disponíveis. Redução de algum tipo de serviço, enfim, uma adaptação pra cumprir a nova exigência da demanda que tá chegando. P/1 – O senhor, essa redução espacial, vamos dizer do número de leitos permitiu que os senhores se dedicassem esse espaço a uma outra atividade? Ou os senhores simplesmente reduziram o espaço? R – No nosso caso particular houve só uma redução. Nós tínhamos algumas alas que nós transformamos em, nós fizemos uma transformação, de leito pra alguma coisa. Existia uma demanda muito grande por convenção, por reuniões. Não sei bem convenções, porque o nosso hotel é econômico, não comportaria uma grande convenção. Umas pequenas reuniões de grupo, etc. então nós criamos vários espaços pra atender a essa necessidade. Substituímos pra atender a essa necessidade, e realmente ela ocorre, ela existe. Campinas carece de um grande centro de convenção. Tá faltando na cidade. Todos os hotéis reclamam dessa falta. Muitos negócios poderiam ser feitos aqui em Campinas se nós tivéssemos um centro de convenção na cidade. P/1 – O senhor disse que fez gente a essa nova realidade com adaptações. O senhor poderia nos dizer como essas manifestações se manifestaram, elas se expressaram no mobiliário, nos equipamentos dos hotéis da sua família? R – sim, a necessidade de modernização, de transformação, de atender o cliente é crescente. Hoje, só pra citar um exemplo, hoje o cliente não gosta mais do carpete no quarto de hotel. Ele prefere um carpete de madeira. Então é uma adaptação que você tem que fazer, você tem que entender o seu cliente. Ele não quer mais uma cama comum, ele quer uma cama Box. Mesmo sendo hotel econômico. Então o hospede é cada vez mais exigente e você tem que se adaptar. Tem que fazer adaptação pra atende-lo. E na medida do possível você em que ir fazendo. P/1 – e no que se refere aos equipamentos? R – Sempre modernizando, sempre deixando o hotel com uma aparência moderna. Equipamentos também. Estão sendo sempre renovados. P/1 – E na área gastronômica? R – Olha, o nosso, em 40 anos o hotel já passou por tudo, né? Atualmente nós estamos passando uma fase de terceirização. Nosso restaurante é terceirizado. O nosso café da manhã é próprio, mas o nosso restaurante é terceirizado. É uma fase, não sei se melhor, se pior. Mas nós já vivemos todas as fases. P/1 – Fala um pouco dessas fases. Como é que era? Como era o preparo? Como era a cozinha antes? R – Olha, quando o restaurante do hotel. A cozinha do restaurante do hotel, acho que não difere muito da cozinha de um restaurante comum. Depende do que vai ser servido, etc. se o hotel tem uma estrutura de serviço à la carte, né, a quantidade de funcionários tem que ser muito maior, o trabalho é maior. Se bem que geralmente os hotéis hoje têm serviço de buffet, o que facilita um pouco o preparo, enfim, a rotina da cozinha. Mas é uma coisa anexa ao hotel. É uma outra empresa anexa ao hotel. Com as suas particularidades. Eu percebo que há muitos hotéis na cidade que tem seus serviços de restaurante terceirizado. Outros mantêm, outros até fazem do seu restaurante o ponto principal de seu hotel. O ponto fundamental de seu hotel. Então, acho que é opção de cada um. P/1 – É a diferença. Mas o senhor tem uma peculiaridade nos seus hotéis no que se refere à refeição. Fala um pouco sobre isso pra gene. R – Olha, o que nós, o que eu acho que é o que tem de melhor nos nossos hotéis é o café da manhã, nós caprichamos muito no café da manhã. Porque nós percebemos que o hóspede gosta muito de um bom café da manhã. A maioria dos hóspedes. Tem hóspede que nem liga muito. Mas a grande maioria gosta e é prazeroso. Ás vezes o hóspede não gosta muito de uma acomodação, reclama de uma coisinha aqui, de uma coisinha ali, mas se ele tem um bom café da manhã ele até releva as outras pequenas coisas que pode ter desagradado e ele fica satisfeito. Então realmente a gente capricha no café da manhã. Pela categoria do nosso hotel, ser um hotel econômico, o café da manhã é, modéstia à parte, é bem razoável. P/1 – O senhor falou no perfil da sua clientela. Deixou muito claro como o senhor desenha esse perfil. Nós gostaríamos de saber se existe fidelidade da clientela em relação aos hotéis da sua família? R – Sem dúvida. Eu estou falando assim de uma maneira um pouco genérica, ms existe esse público, um pouco diferente no hotel Avenida, do hotel Barão. Existe um pouco de diferença. O público do hotel Barão é mais composto de professores, de juristas. Tem uma proximidade geográfica com o fórum, o acesso a alguma universidade. O nosso é o pessoal mais ligado a industrias mesmo. O pessoal que dá cursos me indústrias e especialização. Então o perfil de um de ouro, não é muito não, é um pouquinho diferente. Os dois trabalham mais ou menos na mesma categoria. Agora, lá de fidelidade é impressionante. Outro dia aconteceu um fato interessante. Um casal se hospedou num determinado apartamento, e eles estavam comemorando 35 anos de casado e passaram a lua de mel lá no hotel. Então eles foram lá na mesma sacada, e tal. Ele não esqueceu. Não esqueceu o hotel e voltou depois de 35 anos. E o usuário de hotel é muiot fiel mesmo. Se o hotel agrada, ele volta. Ele sempre se hospeda ali, tem um relacionamento com os funcionários. Já conhece o funcionário. O funcionário já sabe o apartamento que ele gosta. As características, o que ele gosta de ter no frigo bar, etc. Então a fidelização do negócio é muito importante. Eu aprendi isso ai, eu não conheço muito bem esses termos técnicos. P/1 – Mas é só a questão da nomenclatura, o que importa é realmente a idéia, o conteúdo. R – É uma coisa buscada pelas pessoas que trabalham lá no hotel. Eles buscam fidelizar o cliente, trazer o cliente. P/1 – O senhor comentou que as abordagens dos funcionários em relação aos clientes são sempre com essa perspectiva. R – Sem dúvida. Eles, quando existe alguma troca, eles nos cobram. Mas o quê aconteceu com fulano? Eles têm essa relação muito grande. P/1 – E qual seria o perfil do funcionário do hotel? R – As pessoas que trabalham na recepção ou na parte administrativa geralmente são pessoas que tem uma formação técnica e até superior; alguns funcionários. O pessoal que trabalha na parte, camareiras, garçons, etc. geralmente tem uma formação muito técnica; são pessoas que, enfim, não sei nem te dizer. São, perfil acho que nem sei o quê falar. Pessoas com formação técnica. Todos procuram fazer cursos de especialização na sua área. O sonho de toda camareira pe um dia ser governanta do hotel. Então existem vários cursos pra isso, várias instituições promovem. Eles estão sempre fazendo, tentando se especializar para melhorar. Aí quando melhora muito vai pra um hotel de categoria melhor. P/1 – Como são as formas de pagamento? Existiram mudanças, transformações em relação às formas de pagamento anteriores e as atuais. Como é que vocês agora trabalham com as formas de pagamento? R – Eu acho que não houve muita mudança, né? Eu acho que como todo o comercio o cartão de crédito predomina no hóspede não institucional. As empresas geralmente têm um sistema de faturamento; as empresas faturam direto, nós faturamos direto para as empresas. P/1 – E há 20 anos atrás, quando o senhor começou sua atividade na área hoteleira? R – Sim, tinha muito pagamento em dinheiro e cheque; agora o cartão tá predominando. Mas acho que é só isso que mudou; não vi muita mudança. P/1 – E a inadimplência? R – Olha, não é muito problema, não. Nós não temos muito esse problema, não. As empresas, quando elas vão mandar algum funcionário se hospedar no hotel, elas já são previamente cadastradas, contatadas com antecedência. Não existe muita inadimplência, não. Agora o hóspede passante, como a gente fala, de vez em quando, mas não é uma coisa muito importante. Acho que no ramo da hotelaria não é muito importante. Não sei, eu estou falando por mim, não posso falar pela hotelaria, mas acho que não é muito importante. De vez em quando acontece, lógico. P/1 – Vocês pensaram durante esses anos em diferentes estratégias de publicidade? O senhor seu pai, o senhor? R – Sim. No inicio não havia necessidade nem de fazer publicidade. A demanda por hóspedes era tão grande que não havia necessidade. Depois mais tarde, com concorrência e tudo; eu acho que já houve várias formas. Faz um tipo e publicidade não tem o retorno esperado, muda pra outro tipo, etc., mas eu acho que nessa área aí, tudo o que era possível fazer dentro das publicidades, foi feito. P/1 – Fala um pouco sobre essas estratégias. R – Hoje se faz muita mala direta via internet, via e-mail. Isso aí tem tido um resultado muito grande. Qualquer promoção que se faça dispara lá essas malas via internet. Está se investindo muito nisso. Que é uma propaganda relativamente barata. Na nossa realidade a gente tem feito mais isso mesmo. Publicações em alguns jornais, em algumas revistas. Não se pode fazer propaganda aqui na cidade, porque o nosso público é de fora, né? Então em algumas cidades, etc. coisa mais ou menos desse tipo aí. Mas o grosso da propaganda hoje é a via eletrônica. P/1 – O senhor falou em promoções. Como são essas promoções? R – Porque o hotel pela própria característica do hotel tem uma ocupação muito grande durante a semana e uma baixa ocupação no fim de semana. Por causa do nosso público. Então no final de semana você tem que tentar fazer alguma promoção pra ter mais hóspedes. __ promoções. O preço do hotel cai no fim de semana, porque você está cm uma ocupação menor. Mas não é uma coisa nossa, não. Todos os hotéis fazem isso, que tem essa característica, né. É lógico que hotel turístico é ao contrário. Ele dá promoção durante a semana, não no final de semana que ele vai estar lotado. Hotel tem sazonalidade também. Por exemplo, esse mês de setembro é um mês que é bom pra hotelaria de uma maneira geral por causa de uma feira que está tendo numa cidade vizinha aqui, na cidade de Holambra, a Expoflora. Então o afluxo de pessoas pra essa feira é muito grande, então todos os hotéis têm seus finais de semana com uma boa taxa de ocupação. Gostaríamos que a cidade tivesse mais eventos. Existem alguns congressos, mas vê aquele assunto, voltando àquele assunto: Campinas carece de um grande centro de convenções; trazer grandes feiras pra cidade; o quê seria fundamental pro desenvolvimento da cidade. Não só hoteleiro, não. Turístico, comercia, etc. P/1 – O senhor está atuando no comércio há mais ou menos 20 anos efetivamente. Como o senhor estabeleceria uma relação entre a sua atividade anterior e essa atividade comercial que o senhor desenvolve agora, no que se refere a desafios? Quais os desafios que o senhor enfrentou, que o senhor enfrentou tanto na medicina como no comércio? R – Ah, a medicina é uma atividade, pode até se dizer que chega a ser comercial. Mas ela não é bem encarada assim, como comercial, né? A demanda por clientes também não é uma coisa que precisa ser procurada, você não precisa fazer promoção, você não precisa fazer nada. O comércio, não, o comércio é diferente. O comércio você tem concorrentes. A medicina é uma coisa, vamos dizer assim, sob esse ponto de vista mais tranquila. O comércio é diferente, o comércio você tem que ir atrás, né? Se não você sai fora. Então tem que correr atrás, tudo. Eu acho bem mais difícil ser comerciante do que ser médico. Será? Não, não sei. Acho que não. Tenho dúvida. P/1 – E assim, não teríamos que falar desses desafios apenas. Mas as lições, os segredos do sucesso. Como o senhor acha que a sua família encaminha essas empresas que vocês organizaram e que vocês administram? R – Será que eu entendi bem? P/1 – Quais seriam os segredos dessas empresas estarem, depois de tantos anos ainda em ascensão? R – Uma empresa da minha família que foi fundada pelo meu pai, tem 57 anos e está em atividade ainda. As empresas, a gente sabe que elas nascem, crescem e morrem, como todo. Eu não sei, acho que o desafio é não permitir que ela morra. Continue. É um desafio, é uma luta constante. As coisas mudam, a realidade muda. A gente, existem fases. Por exemplo, no ramo da construção, tem um período que se constrói muito, então existe uma facilidade pra você trabalhar, você trabalha com preço adequado, tem lucro satisfatório. Outra fase não, outra fase não tem. Você tem que fazer uma matemática toda pra manter a sua empresa, não desativar sua empresa nesses períodos que não tem serviço. É um desafio constante, né? P/1 – E como é esse movimento da empresa de construção? Que o senhor tem bastante experiência através da sua família. Quais os períodos que o senhor considera como os períodos de ascensão da construção civil? R – É o que a gente vê. Quando existe crédito pra construção, todo mundo começa a construir, né, existe investimento. O problema é sempre investimento. Quando tem dinheiro envolvido na construção, sobra pra todo mundo que está envolvido na construção. Então, eu acho que isso aí depende de vários fatores. São vários fatores. Eu não sou economista, eu não entendo muito disso, não. Eu só sinto quando tá ruim, tá bom. E o quê se tem que fazer quando tá ruim, quando tá bom. Eu não saberia tecnicamente. P/1 – Claro, mas o senhor já está dizendo pela sua experiência. Então a gente poderia perguntar para o senhor: quais os segredos para um estabelecimento ser bem sucedido? Quais os segredos para um hotel se manter? Para esses hotéis dos senhores se manterem com clientes fiéis, com taxa de ocupação mais ou menos constante? R – Eu acho que o fundamental é se dedicar. Se dedicar, buscar estar sempre melhorando, estar sempre deixando, agradando, dando boas condições pros seus clientes, para os seus hóspedes. Eu acho que o segredo de manter tanto tempo um hotel é trabalhar, renovar, melhorar, mudar, persistir, persistir e trabalhar. Eu acho que o segredo é esse. Acho que não tem sucesso sem muito trabalho, esforço e dedicação para o negócio. P/1 – Como é que o senhor percebe a cidade de Campinas e a região metropolitana hoje? R – Campinas cresceu bastante nesses últimos anos, nesses últimos 20 anos, 30, talvez. Mudou, mudou muito. Campinas mudou. É completamente diferente do que era há 30 anos atrás. E com a criação da região metropolitana mais ainda, né? Existe, Campinas, tem mais gente passando, vivendo e comercializando em Campinas com a criação da região metropolitana. Parece que existe uma integração melhor. Eu sinto mais ou menos assim. P/1 – E o comércio da região de Campinas e da região metropolitana. Existe uma articulação? O senhor vê uma articulação? O senhor mencionou agora a Expoflora, em Holambra. Existem outras articulações dessa natureza? R – Sim, eu acredito que sim. As cidades, já existiam, mas com a criação da região parece que a coisa se integra melhor. Essa Holambra já existe, acho que é até anterior a criação da região metropolitana. Mas parece que a coisa se integra mais, fica mais próxima. As feiras, os negócios. A facilidade de deslocamento das pessoas entre as cidades da região. O transporte que se melhora também, o transporte metropolitano. Eu acho que o comércio pé favorecido com a região metropolitana, sem dúvida. P/1 – Quais seriam as perspectivas do senhor no seu ramo, hoteleiro? Como o senhor vê o futuro. R – Eu espero que os hotéis continuem, eu a gente possa até ampliar. Até ampliar. Reativar áreas que estavam paradas. A minha perspectiva é de crescer, de ampliar. P/1 – E quais as idéias que o senhor teria, sugestões que o senhor teria? R – Então, a perspectiva de aumento que eu tenho é por causa da rodoviária. Porque essa área que eu desativei, até mostrei na fotografia. Eu tenho uns 60 leitos lá. Se realmente a rodoviária vier para cá, como parece que vai vir mesmo, talvez eu faça uma adequação naquela área pra receber esse tipo de píblico. Porque também é um público diferente do meu hotel. O meu é econômico, esse eu faria uma coisa mais econômica ainda. Super econômica, vamos dizer assim, sem café da manhã, uma coisa bem rasa, justa. Uma outra esfera. Porque, agora, ampliação de rede, não sei não. Ampliação nós não tamos pensando, não. Porque a quantidade de hotéis que se instalaram na cidade nos últimos anos foi muito grande e eu acho que a demanda não aumentou na mesma proporção. Em particular o nosso hotel, um dos nossos hotéis, fica muito próximo da nova rodoviária. E nós estamos com uma área desativada lá, talvez com a chegada da nossa rodoviária nós possamos reativar essa área. Mas nós não temos nenhuma perspectiva de construir novos hotéis na cidade porque eu acho que a cidade não está necessitando de novos leitos. Então eu acho que, principalmente o tipo de hotel que nós temos, que nós fazemos no momento não há necessidade pra cidade, não. Talvez no futuro. P/1 – O senhor poderia nos dizer das diferenças entre o hotel Barão e o hotel Avenida? O senhor já falou da diferença de clientela, o perfil da clientela. O senhor poderia falar um pouco das construções? R – Pois não. O hotel Opala Avenida não foi feito pra ser um hotel. Era um prédio que seriam de quitinetes e foi adaptado para um hotel. Isso trouxe alguma vantagem, porque os quartos são amplos, era pra ser uma quitinete, são quartos, os quartos são amplos, muito arejados, todos eles tem sacada. E é uma construção no estilo moderno, ela começou a ser construída no final da década de 50 e começou a funcionar como hotel no final de 1967. Então é um hotel, depois ele foi ampliado e todas as ampliações acabaram sendo desativadas. Então ele continua com aquela estrutura com amplos apartamentos, etc, e desde aquela época. 40 anos! Nós estamos em 2007, desde 67 que ele funciona assim. O Barão ele foi adaptado pra hotel em 1974 e de lá pra cá ele vem funcionando assim. Os apartamentos têm tamanhos variados, dependendo do número de hóspedes que eles vão e tem suas características próprias, né? Os dois hotéis têm mais ou menos as mesmas características, vamos dizer assim. Eles trabalham juntos então têm as mesmas características. As mesmas diárias etc. P/1 – Os senhores vêem com a chegada da nova rodoviária uma outra possibilidade de atuação, de ampliação das instalações. O senhor poderia nos dizer qual a importância do aeroporto de Viracopos para o seu estabelecimento. R – Olha, eu acho que a importância do aeroporto de Viracopos como um aeroporto internacional não seria só importante pro hotel, não só pro meu hotel, e não só pros outros hotéis todos. Seria muito importante pra cidade de Campinas. É uma luta que várias pessoas travam pra trazer de volta o aeroporto pra cá. Eu lembro quando o aeroporto de Viracopos era aeroporto internacional, não existia Cumbica ainda; não saberia dizer assim da importância que foi. Mas a gente percebe que era muito importante pra cidade; e eu acho que pros hotéis a vinda do aeroporto também seria fundamental. Não só pelo aumento de fluxo de passageiros. Mas como pessoas que seriam deslocadas pra trabalhar no aeroporto. Enfim, seria bom pra cidade toda e pro ramo hoteleiro também então eu acredito que todos os hoteleiros da cidade vêem com muito bons olhos essa tendência que está havendo novamente de reativação do aeroporto de Viracopos. Com relação à rodoviária ela é particularmente importante para o Hotel Opala Avenida, por causa da sua localização. Estaria muito próximo dessa rodoviária e, pelo projeto original, a rodoviária integraria um terminal metropolitano que cobriria todas as cidades da região de Campinas, pelo menos desse eixo. E talvez um terminal direto com Viracopos aqui pro centro da cidade. E dizem também da integração do trem, direto da cidade de Campinas pra São Paulo, integrando o aeroporto de Viracopos com Congonhas e Cumbica. Então, se todo esse projeto realmente se estabelecer vai ser uma coisa muito importante pro comércio de Campinas. A rodoviária particularmente pra mim; porque eu estou estrategicamente muito bem colocado, próximo da nova rodoviária. P/1 – Qual seria a nova localização da nova rodoviária? R – A nova rodoviária ela vai fazer parte desse complexo que existe que é a estação ferroviária. É nessa região aqui, na região dessa. Era o pátio ferroviário aí. Campinas tinha três empresas de trem e tinha um pátio muito grande nessa região. A rodoviária vai ser localizada ali, estrategicamente bem localizada. Bem próximo do SESC onde nós estamos. Acho que é só atravessar uma ou duas ruas e nós estamos próximos da nova rodoviária. P/1 – Quê lições de vida o senhor poderia dizer que tirou da atividade do comércio? R – Você faz pergunta difícil. P/1 – Quê lições de vida o senhor teria não só do comércio, mas de sua vida pessoal? R – Não sei, o comercio é uma atividade difícil, quem não tá envolvido diretamente acha que é muito fácil. “Ah, eu vou montar um negócio, vou fazer isso”. Não é bem assim, é uma coisa que demanda muito sacrifício, muito empenho, muito trabalho, muita dedicação. Eu acho que esse é o conselho pra quem quer entrar no comércio – quem sou eu pra dar conselho pra algum comerciante? P/1 – Claro que é. R – Mas é que precisa pensar bem e precisa se dedicar senão a coisa não vai. Não caminha sozinho, não. P/1 – Como o senhor avalia esse projeto e a sua participação nesse projeto? R – Eu acho que é muito importante. Eu acho que a gente precisa ter memória, as cidades precisam ter memória. E o meu convite em particular, eu fui um pouco pego de surpresa, porque eu não sou um comerciante nato; eu não sempre me dediquei a isso, né? Não é a minha atividade principal. Mas eu acho muito bonito resgatar. Só quem conhece a história passada pode propor uma coisa nova, importante pro futuro. Então a preservação dessa memória, das coisas, das transformações que ocorreram na cidade eu acho que é uma coisa muito interessante. Eu tive oportunidade de agora conhecer os outros trabalhos envolvidos, em outras cidades, achei muito bonito, achei muito interessante. Fundamental. P/1 – O senhor tem bastante experiência, 20 anos e uma família de comerciantes tradicionalmente. O senhor já tem bastante experiência. Muito obrigada pela sua presença, nós estamos bastante agradecidos. R – Eu que agradeço. Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 tel +55 11 2144.7150 | fax +55 11 2144.7151 | [email protected] Image not found http://dualtec.museudapessoa.net/furniture/v2013/common/media/layout/banner_transcrit.png