Pensar global, agir local: passos para a paz Maria Aládia Brandão Silveira Guilherme Maria Socorro Brandão Everton 6 Pensar global, agir local: passos para a paz Maria Aládia Brandão Silveira Guilherme Maria Socorro Brandão Everton • • • • • • Ao final da leitura deste material espera-se que o cursista seja capaz de: Elaborar questionamentos sobre a sua existência como indivíduo e vida que deseja viver; Propiciar um diálogo sobre os temas: felicidade, dignidade humana e ética, refletindo sobre o projeto de vida; Fortalecer conceitos, valores, práticas e métodos de convivência numa cultura de paz, reconhecendo que a paz se constrói no cotidiano pessoal, social e ambiental; Refletir sobre valores e atitudes diante da proposta de corresponsabilidade na construção de uma cultura de paz; Estimular a criatividade e as oportunidades de cooperação, de protagonismo e de vivência de uma cultura de paz nas escolas, nas famílias e nas comunidades; Propor alternativas para ações de geração da paz compatíveis com a realidade local, relacionando as ações locais com as propostas de mudanças globais. Introdução Neste fascículo, continuaremos a refletir sobre conceitos, valores e práticas que levem a ações voltadas para a valorização da vida e geração da paz. Acreditamos que a teoria em âmbito global se desdobra em ações locais que possibilitam alcançar a paz consigo mesmo, com o outro, com a comunidade, com a natureza, com o planeta. Inicialmente, procuraremos compreender as intrínsecas relações entre o pensar global e o agir local, a partir da ideia de que a paz não pode se restringir ao campo da teoria e que as ações, globais e locais, estão interligadas e são interdependentes, devendo ser identificadas, reconhecidas e valorizadas. Num segundo momento somos convidados a nos comprometer com uma paz coletiva. Da África para o mundo: Ubuntar – a paz é o caminho demonstra que trilhar o caminho da paz exige de cada indivíduo o comprometimento com a coletividade, pois a paz alcançada individualmente contribui para a construção de uma sociedade mais solidária. Ubuntar é um convite à paz! Que a paz esteja dentro de você hoje. Que você creia estar exatamente onde você deve estar. Que você acredite nas infinitas possibilidades que nascem do destino. Que você usufrua as graças que recebeu e passe adiante o amor que lhe foi dado. Que você seja feliz sabendo que é um filho de Deus. Que você deixe a presença de Deus entrar em seu corpo e permita à sua alma a liberdade de cantar, dançar, orgulhar-se e amar. Ele está lá, para cada um de nós. Madre Teresa de Calcutá Fonte: pensador.uol.com.br/frase/MjE3MjQz/ Universidade Aberta do Nordeste 82 Por fim, as ideias convergem para ações globais e locais. Protagonizando uma cultura de paz e não violência propõe um mergulho no Manifesto 2000, documento da Unesco que conclama a todos à prática de valores, atitudes e posturas que inspirem uma cultura de paz, contribuindo para que a não-violência, a tolerância, o diálogo, a reconciliação, a justiça e a solidariedade sejam cultivadas nas famílias, nos bairros, nas cidades, enfim, no mundo! Ao longo dos fascículos do curso Direitos Humanos e Geração da Paz, eu, você, todos nós, somos chamados a nos comprometer com a tão sonhada mudança. E, como dizia Mahatma Gandhi “seja você a mudança que quer ver no mundo”. Assim, deixamos em suas mãos um instrumental que irá ajudá-lo(a) a praticar os valores da Cultura de Paz na vida cotidiana. Na certeza de que, aliado a seu desejo e esforço pessoal, este material contribuirá para lançar as sementes que transformarão a sua realidade e construirão um mundo mais igual e justo com que todos nós sonhamos. Então, seja você a mudança que quer ver na sua rua, na sua escola, na sua comunidade, na sua cidade, no seu estado, no seu país, enfim, no seu mundo! Pensar global, agir local Paz, um tema fundamental para nossa época. Este momento de caos e de violência generalizada em que nos encontramos é assustador! Somos atingidos por uma verdadeira avalanche de práticas violentas que nos leva a perceber que a vida está ameaçada. A paz se tornou uma preocupação comum a todos os povos. O que podemos fazer? É possível reverter esse quadro? Seria utópico pensar na paz mundial? Mas afinal, qual o significado de paz no mundo atual? Pensamos num conceito de paz que é, ao mesmo tempo, felicidade interior, harmonia social e relação equilibrada com o meio ambiente. Assim, não pode haver verdadeira paz no plano pessoal quando reinam a miséria e a violência no plano social e que a natureza nos ameaça com a destruição porque nós a devastamos. Mais do que ausência de conflito, a paz é um estado de consciência. Ela não deve ser procurada no mundo externo, mas principalmente no interior de cada homem, comunidade ou nação. Promover a paz requer o reconhecimento de que eu e você fazemos parte de algo muito maior, e que todas as formas de vida estão interligadas. Portanto, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre como um todo, bem como, com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global se relacionam de forma interdependente. 83 Direitos Humanos e Geração de Paz É bom saber: Verbo pazear. Você sabia que a palavra paz tem um verbo? Pois é, muitas pessoas não sabem, mas Pazear é um verbo, verbo de ação. Pazear é promover ou estabelecer a paz ou harmonia. E é Pazeando, agindo em prol da paz que vamos construindo uma Cultura da Paz. Pazear: [De paz + -ear] Verbo intransitivo. 1. Estabelecer paz ou harmonia. Presente do Indicativo eu pazeo/ tu pazeas /ele pazea/ nós pazeamos/ vós pazeas/ eles pazeam. Gerúndio - pazeando. (Fonte: Dicionário AURÉLIO) Para conjugar o verbo pazear, acesse: www.conjuga-me.net/verbo-pazear Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Em caráter de urgência, devemos nos comprometer a adotar e a promover ações pacíficas nos níveis local, regional, nacional e global. Construindo uma imensa rede de parcerias, mobilizando a sociedade, aumentando a conscientização, fortalecendo as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus ambientes, investindo na construção de relações respeitosas com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte. O mundo globalizado, dinâmico e, por vezes, violento e desigual, em que vivemos, exige que despertemos para a necessidade de planejar e executar ações que direcionem os seres humanos a serem mais pacíficos, mais reflexivos, mas preocupados com a natureza e com as atuais e as futuras gerações. Nesse sentido, muitos documentos têm sido produzidos a partir de fóruns, discussões e encontros. São exemplos, os documentos da ONU e da Unesco, os programas internacionais de Paz, a Conferência do Apelo de Haia pela Paz de 1999, a Carta da Terra, o Manifesto 2000 da Unesco, a Convenção da Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais ou a Carta das Responsabilidades Humanas. Muito se tem falado sobre essas temáticas, mas que ações realmente têm sido executadas? Quem tem sido protagonista? As ações globais têm atingido níveis locais? No âmbito local, podemos identificar no Brasil, desde a década de 1980, inúmeras ações e projetos que abordam temas variados e estimulam valores, ações de justiça, democracia participativa, diversidade cultural, desarmamento, desenvolvimento sustentável e educação para a paz. Estes trabalhos, apesar de ocorrerem de forma isolada e, muitas vezes sem continuidade, têm humanizado os locais em que se desenvolvem e intensificado os diálogos por uma Cultura de Paz e da não-violência. Um exemplo é o Projeto Geração da Paz, desenvolvido no Ceará pela Secretaria de Educação (Seduc) em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece), a partir da assinatura de uma carta de intenções com a Unesco. As ações desenvolvidas alcançaram as instituições da rede estadual de ensino, incentivando ações educativas para a geração de uma Cultura de Paz nas escolas e nas comunidades. Universidade Aberta do Nordeste 84 A partir de uma visão de paz concreta, a Paz não pode se restringir a pensamentos globais ou à produção de documentos teóricos. Estes são necessários, pois embasam, sensibilizam, despertam e fortalecem ideias e as tornam exequíveis. Entretanto, precisamos de ações que, de fato, modifiquem realidades em nossas famílias, em nossas escolas, em nossas comunidades. Programa Geração da Paz O Programa Geração da Paz surgiu a partir da assinatura de uma carta de intenções entre Unesco, Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc) e Universidade Estadual do Ceará (Uece) por ocasião da Conferência Internacional sobre os Sete Saberes, promovida pela Unesco e realizada pela Uece e UCB (Universidade Católica de Brasília) em setembro de 2010. O Programa tem, entre seus objetivos, mobilizar a sociedade para o compromisso de promover ações educativas e sociais voltadas para a valorização da vida e geração da paz partindo do significado e sentido dos direitos humanos e como este entendimento se desdobra em ações que possibilitem a paz consigo mesmo, com o outro/sociedade e com a natureza. O Comitê Geração da Paz é formado por representantes da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Secretaria de Educação do Ceará (Seduc), Instituto Nordeste Cidadania (Inec), Centro de Desenvolvimento Humano (CDH), Escola Vila/CE. Entre suas ações estão a formação dos diretores das escolas públicas do estado, projeto piloto em uma escola estadual de Fortaleza, e a Agenda 22 – reuniões mensais com os parceiros visando a articulação das futuras ações. Fonte: www.uece.br/proex/index.php/programas--projetos-de-extensao/programageracao-da-paz Para Faria (2008), devemos apontar caminhos verdadeiramente concretos, com metodologias e processos educativos que eduquem para a paz não apenas com valores, mas com metodologias fundamentais no próprio cenário onde essas ações são necessárias. Assim, somos todos convidados a efetivar uma Cultura de Paz em nosso entorno. Também é necessário compreender as relações que se estabelecem entre o global e o local, afinal, nesta troca são construídos os caminhos que levam à concretização das ações. Pelo global passam as grandes decisões econômicas, políticas e ambientais fundamentais para a execução de ações e a efetivação das mudanças em níveis locais. Pensamos que as ações locais podem influenciar as ações globais, uma vez que ações exitosas em uma pequena comunidade podem motivar ideias e direcionamentos em âmbitos globais. Como diz Margareth Mead, “um pequeno grupo, pensante e comprometido, pode mudar o mundo.” Cremos que, quando pensamos grande, nossas pequenas ações atingem um potencial ilimitado. Ao se referir à intrínseca relação entre o local e o global, Faria (2008) utiliza o termo “glocal”, pois acredita que valores, ações e políticas públicas tenham sua vitalidade em “cenários glocais”, ou seja, local e global. Isso nos leva a crer que ações locais 85 Direitos Humanos e Geração de Paz podem modificar posturas, linguagens, o cotidiano e a convivência das pessoas e da coletividade, se estendendo a nível global. Conforme Silvio Vaz de Almeida, paz se constrói no dia a dia e nos pequenos atos, pois aí se dão as grandes transformações. Os desafios não são poucos, pois estamos nos referindo a mudanças comportamentais que não acontecem por decreto nem tampouco por pura inspiração – é necessário um esforço real e contínuo para modificar nossas ações cotidianas e relacionamentos interpessoais. Assim, vale refletir... Qual a qualidade de minha presença no mundo? Qual o meu compromisso com o outro? Contribuo no meu dia a dia para pacificar, criar oportunidades de expressão e realização daqueles que me cercam? Minha ação concreta muda algo/alguém no mundo? Respeito opiniões alheias, apesar de diferirem da minha? Fico alerta para não desperdiçar água e alimentos, que sabemos tão necessários para a própria sobrevivência dos seres vivos? Acompanho os gastos públicos através dos portais governamentais ou em reuniões de classe ou mesmo associações de bairro? Que escolhas eu tenho feito todos os dias? São as mais acertadas? Estou me relacionando bem comigo, com os outros e com o universo? Todas essas questões se concretizam em âmbito local, mas certamente vão além, pois abraçam o global. Podemos concluir este tópico afirmando que a paz não pode se restringir ao campo da teoria. A paz é, sobretudo, ação global e local, interligadas e interdependentes. A identificação, o reconhecimento e a valorização das ações positivas por uma Cultura de Paz nas famílias, nas escolas, nas comunidades e nos demais espaços de convivência social é um importante passo para alcançar a paz local. Pensamos num conceito de paz que é, ao mesmo tempo, felicidade interior, harmonia social e relação equilibrada com o meio ambiente. Assim, não pode haver verdadeira paz no plano pessoal quando se sabe que reinam a miséria e a violência no plano social ou que a natureza nos ameaça com a destruição porque nós a devastamos. Mais do que ausência de conflito, a paz é um estado de consciência. Da África para o mundo: Ubuntar - a paz é o caminho Acreditamos que a paz esteja ao nosso alcance. Acreditamos numa comunidade mundial, numa nação terrestre unida. Sonho? Utopia? Essa resposta pode ser traduzida nos versos da canção: “Depende de nós, quem já foi ou ainda é criança, que acredita ou tem esperança, quem faz tudo pra um mundo melhor”. Essa resposta, também está na filosofia Ubuntu, presente da África para o mundo, nascida gerações e gerações antes de nós. Para compreendê-la, é necessário mais do que conhecer seus conceitos, pois sua essência não cabe em definições. É mais fácil entender com o coração através do relato abaixo: Num povoado da África, um antropólogo durante estudos sobre os usos e costumes da tribo, propôs uma brincadeira às crianças. Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito e colocou debaixo Universidade Aberta do Nordeste 86 de uma árvore. Então, ele chamou as crianças e propôs uma corrida até as guloseimas. Quem chegasse primeiro ficaria com o prêmio. Mas, para sua surpresa, quando ele disse “já!”, todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore dos doces. Quando chegaram lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes. O antropólogo, então, perguntou por que elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ter ganho todos os doces. As crianças simplesmente responderam: “Ubuntu”. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” Felicidade e Ubuntu são conceitos que andam juntos. Para essas tribos, a felicidade é concebida como aquilo que faz bem a toda coletividade ou ao outro. Conforme a filosofia, Ubuntu significa: “Sou quem sou, porque nós somos”. O termo expressa a noção de comunidade que, infelizmente, muitos de nós perdemos pelo caminho, em algum momento. É o sentimento de solidariedade, colaboração, compaixão, gentileza, respeito, tolerância, amor ao próximo, irmandade e pertencimento que faz das relações, atitudes e comportamentos humanos, experiências ricas, únicas, transcendentais. Envolve hospitalidade, cuidado com os outros, capacidade de dar um passo a mais pelo bem dos outros. Dessa forma, acredita-se que uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas e que a humanidade de um está vinculada à de outrem. E tenhamos certeza: a solidão, a angústia, o egoísmo e o individualismo que hoje afetam o homem e o afastam dos outros é ausência de Ubuntu, desse sentimento que acolhe como um colo de mãe; que conecta os seres humanos, destrói a indiferença, incorpora a troca de sorrisos como um indicador de bem-estar, saúde e qualidade de vida. A paz envolve os indivíduos em suas vidas cotidianas e a paz em sentido pessoal pode significar também uma paz coletiva. É essa a base da filosofia Ubuntu, onde cada indivíduo é aquilo que o grupo é. Se somos frutos da coletividade, a busca pela paz pode começar por você e refletir na coletividade! Pense... você almeja ser um instrumento de paz? Para Diskin (2008) “nós não vivemos, convivemos. Nós não existimos, coexistimos. O ser humano é por natureza um ser gregário, portanto o que fazemos atinge outras pessoas, da mesma forma que somos afetados pelo que elas fazem” (p. 47). Desse modo, as nossas responsabilidades não podem se voltar apenas para a satisfação de nossas necessidades individuais. Se, na condição de seres humanos todos nós temos desejos comuns, então por que lutarmos sozinhos? Acreditamos numa paz coletiva, onde cada um, ao alcançar a paz e a satisfação pessoal também colabore para que essa atinja seus semelhantes. Ubuntar se refere, portanto, à ação coletiva de buscar a paz na coletividade, pois, se “eu sou o que nós somos”, ninguém pode ser feliz sozinho. 87 Direitos Humanos e Geração de Paz A ideia de que só devemos fazer aos outros o que gostaríamos que fosse feito conosco está em sintonia com a proposição de Kant que, de acordo com a Regra de Ouro, ensina: “Aja somente de acordo com uma máxima que você possa desejar que seja simultaneamente transformada numa lei universal.” Portanto, contribua para promover uma Cultura de Paz em sua vida e assim estará contribuindo para a paz em sua família, em sua comunidade, em sua escola e nos demais espaços de convívio social. Lembre-se da lição de Gandhi: “não existe um caminho para a paz, a paz é caminho.” Um caminho que será construído com mais segurança e com maiores chances de sucesso se não estivermos sozinhos. O mundo precisa conhecer e incorporar essa filosofia. E, se a paz é o caminho, vamos ubuntar? Podemos concluir que a paz alcançada individualmente contribui para a construção de uma sociedade mais solidária. Ubuntar é ser consciente da relação indíviduo/coletividade! Ubuntu é um convite à paz. A vida em sociedade exige envolvimento e comprometimento com o bem de todos. É essa a base da filosofia Ubuntu, onde cada indivíduo é aquilo que o grupo é. Somos frutos da coletividade e dessa forma, a busca pela paz pode começar por você e refletir no mundo inteiro! Nada de nada Sabes me dizer quanto pesa um floco de neve?, perguntou um pardal a um pombo silvestre. Nada de nada, foi a resposta. Nesse caso vou lhe contar uma história maravilhosa, disse o pardal. Eu estava sentado no ramo de um pinheiro quando começou a nevar. Não era nevasca pesada ou furiosa. Nevava como em um sonho: sem ruído nem violência. Já que não tinha nada melhor a fazer, pus-me a contar os flocos de neve que se acumulavam nos galhos e agulhas do meu ramo. Contei exatamente 3.741.952. Quando o floco número 3.741.953 pousou sobre o ramo, nada de nada como você diz, o ramo se quebrou. Dito isso, o pardal partiu em voo. A pomba, uma autoridade no assunto desde Noé, pensou um pouco na história e finalmente refletiu: Talvez esteja faltando uma única voz para trazer paz ao mundo. Talvez a sua... Vamos ubuntar? Fonte: Vamos ubuntar? Um convite para cultivar a paz / Lia Diskin, 2008. Protagonizando uma cultura de paz Paz não é sinônimo de passividade, acomodação ou inércia, como muitos podem pensar. A paz é ação, é proatividade, é aprendizagem, é transformação, é conquista e luta cotidiana. A paz é para ser vivida e tem de ser construída, dia a dia, nos pequenos gestos, de onde germinarão as grandes transformações. Paz é para ser realizada, não só idealizada. Paz se faz e você não só pode, mas deve ser protagonista. Universidade Aberta do Nordeste 88 • Respeitar a vida • Rejeitar a violência • Ser generoso • Ouvir para compreender • Redescobrir a solidariedade • Preservar o planeta Essas expressões resumem os seis princípios norteadores do Manifesto 2000 que impulsionou a Década Internacional para a Cultura de Paz e Não-Violência para as Crianças do Mundo (2001 - 2010), um dos mais bem-sucedidos programas concebidos pela Unesco. A estratégia de trabalho encorajou centenas de instituições governamentais e da sociedade civil, cujos projetos e ações estão presentes nos quatro cantos do planeta, promovendo benefícios para milhares de pessoas, e tornando-se um movimento mundial. Idealizado e escrito por um grupo de premiado com o Nobel da Paz, objetivando a criação de um senso de responsabilidade que se inicia em nível pessoal, o Manifesto 2000 recebeu a adesão de milhões de pessoas em todo o mundo que se comprometeram a cumprir os seis pontos descritos, agindo no “espírito” da Cultura de Paz em suas famílias, em seu trabalho, em suas cidades, tornando-se mensageiros da tolerância, da solidariedade e do diálogo. No Brasil, foram 15 milhões de assinaturas que inspiraram a criação de centenas de programas e projetos em todos os setores da sociedade. Conforme o Manifesto 2000 é responsabilidade de cada um colocar em prática os valores, as atitudes e formas de conduta que inspirem uma cultura de paz. Todos podem contribuir para esse objetivo dentro de sua família, de seu bairro, de sua cidade, de sua região e de seu país ao promover a não-violência, a tolerância, o diálogo, a reconciliação, a justiça e a solidariedade em atitudes cotidianas. A seguir, apresentamos como cada um desses princípios podem ser postos em prática. Respeitar a vida A vida brota a cada instante, basta olhar ao redor. Em cada semente que germina, em cada flor que desabrocha, em cada canto de pássaro, em cada criança que nasce, ela se mostra como um milagre, o milagre da vida. O mais impressionante é pensar que a vida está ameaçada. Milhares de vidas, das mais diferentes espécies, são destruídas a todo instante. E o ser humano com sua inteligência, tem sido o mentor de toda esta destruição. Vivemos uma dura e assustadora realidade, uma situação de profundo desrespeito à vida. Ao falar sobre o respeito à vida, estamos falando de participar da vida, praticar e disseminar seu resgate e sua defesa, cultivando-a, preservando-a. Resgatar e cultivar a vida é construir um cotidiano de vínculo consigo, com o outro, com a natureza; é trabalhar com o prazer; é abrir-se ao encontro com outras pessoas, respeitando seus limites, especificidades, seu jeito de ser. É lutar contra qualquer forma de opressão e injustiça, simplesmente porque ama o outro e a vida. É aceitar e estimular a expressão de cada um numa ciranda de amor, aceitação e integração das diferenças. 89 Direitos Humanos e Geração de Paz A paz está em nossas mãos: cabe a cada um de nós cuidar da vida, em seu aspecto pessoal, social e planetário. E você, tem cultivado a vida em seu cotidiano? Há sinais de destruição da vida em sua comunidade? Haverá ações individuais e/ou grupais que possam reverter esse quadro? Quais as mudanças e as ações necessárias? Você tem sido um defensor da vida? Rejeitar a violência “Aprender a viver juntos”, “aprender a viver com os outros”, “aprender a conviver”... aprendizagem que representa um dos maiores desafios da atualidade. O que é intrigante, pois o homem é essencialmente um ser social. Ao contrário de muitas outras espécies, o ser humano ao nascer é totalmente dependente da mãe, não consegue locomover-se, alimentar-se, defender-se, cuidar de si. E, à medida que o tempo passa, torna-se ainda mais dependente das relações sociais. Aprendemos e nos desenvolvemos na relação com as outras pessoas. Relações experimentadas na família, na escola, no trabalho, no lazer. Não conseguiríamos viver isolados. Mas a convivência não é algo simples. Não é fácil viver juntos, pois isso exige cuidados, concessões, reciprocidade, confiança, respeito. Contudo, esses pilares do convívio social sofrem abalos quando atingidos por atitudes de violência. Uma violência que não se revela apenas na agressão física, expressão visível do que antes foi expresso pela palavra e articulado no silêncio do sentir e do pensar. A palavra também é violenta quando humilha, difama, desqualifica, ofende, ironiza e ridiculariza alguém, um grupo, uma tradição, uma religião ou nacionalidade. A recusa em dirigir a palavra também menospreza, intimida e envergonha. Podemos ainda ferir com um gesto, um olhar e até com um não olhar. Gandhi costumava dizer: “Pode-se garantir que um conflito foi solucionado segundo os princípios da não-violência se não deixa nenhum rancor entre os inimigos e os converte em amigos”. Portanto, se desejamos disseminar a paz, fazê-la acontecer, assim como fez Gandhi, devemos viver sob os princípios da não-violência, vivenciar a empatia, sentimento que nos faz solidários ao sofrimento das outras pessoas. Devemos nos colocar no lugar do outro, enxergá-lo como nosso semelhante, independentemente de sua condição social, credo, gênero, capacidade física, cultura, nacionalidade. Rejeitar a violência é defender a paz. A disseminação da violência e sua perpetuação não dependem apenas daqueles que a produzem, mas também dos que se calam, afinal “quem cala consente”. Universidade Aberta do Nordeste 90 Para Martin Luther King Jr: “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que preocupa é o silêncio dos bons.” Não se cale, comprometa-se e faça sua parte. Ser generoso Apesar da disseminação da violência, da destruição da vida e do egoísmo instaurado no coração humano, ainda é possível observar atos de generosidade e de amor ao próximo. Felizmente, a generosidade está cada vez mais “visível”. Fruto da nobreza do coração humano, a generosidade é uma virtude que nos faz sentir parte de algo maior que nós mesmos, nos colocando no lugar do outro. Ela humaniza e mostra que somos todos iguais. Em todos os cantos da nossa casa Terra, há crianças, jovens, adultos, idosos, irmãos pobres, injustiçados, oprimidos, excluídos, solitários, necessitando de ajuda, de cuidado, de abraço, de palavras de conforto e estímulo. Não importa a forma da contribuição, só o fato de participarmos já renova nossas forças e fortalece àqueles que auxiliamos. Para nos inspirar e encorajar, destacamos duas grandes referências de generosidade: Irmã Dulce e Betinho. Conhecer suas obras nos levará a compreender o potencial da generosidade. Não precisamos ser iguais a eles, tampouco realizar grandiosas obras. Mas seus exemplos nos levam a pensar: “E eu, o que poderia fazer? O que tenho a oferecer?” Você pode até não ter reparado, mas bem perto, na sua família, na sua rua, na sua comunidade, pode ter alguém precisando de uma palavra de estímulo ou de conforto, um gesto amigo, um livro, um carinho, uma refeição, uma cesta básica, conhecimentos que podem ser partilhados. Pequenos gestos que podem fazer toda a diferença na vida dessas pessoas e na nossa vida. Afinal, “há sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas.” Ouvir para compreender Viver em grupo é uma necessidade do homem. Sobre essa necessidade humana, escreve Ribeiro (1994): “Do seu despertar, ao seu acaso, a pessoa humana é necessariamente um ser de relação. É na relação, no contato, no encontro, que ela se transforma e se humaniza.” A partir dessa necessidade do ser humano de estar em relação, nasce o diálogo, primeiro passo em direção à convivência, pois, por meio da comunicação e da escuta, resgatamos, antes de tudo, nosso senso de vida comunitária. Quando o diálogo se efetiva, os habitantes do planeta honram uma prática muito antiga, que é a de buscar uma comunicação atenciosa com o outro e o entendimento mútuo, fundamentados na realidade prática de conviver num mundo de diversidades. 91 Direitos Humanos e Geração de Paz Na riqueza dessa diversidade surge a diferença que multiplica a beleza da vida, dos seres. Os preconceitos, a intolerância, os fanatismos, as supostas “certezas”, têm sido os maiores entraves para estabelecer linhas de comunicação e relacionamentos confiáveis, alimentando, assim, a violência. As diferenças existem. Todas as pessoas são únicas, acreditam e pensam de forma diferente umas das outras. Por isso, quem disse que o nosso jeito de pensar e agir é o certo? Respeitar as diferenças não significa abrir mão do nosso ponto de vista, do nosso jeito de ser, mas ser flexível e entender o ponto de vista dos outros. Faça uso do diálogo aberto e da escuta ativa. Num diálogo, todos falam, e todos escutam. Assim, abriremos caminho para compreender o outro, valorizar diferenças, identificar semelhanças e encontrar complementaridades. Vamos exercitar essa prática? Lembremo-nos: a Cultura da Paz se faz nas pequenas ações do cotidiano, ao nos comunicarmos com os outros, na forma de lidar com conflitos e sentimentos, na capacidade de reconhecer e valorizar as diferenças e de sermos tolerantes. Preservar o planeta É crítico o atual estado do planeta, nossa casa universal, a Terra. A vida está ameaçada. Centenas de milhares de espécies que deveriam viver juntas, em equilíbrio, são colocadas em risco ou extintas. Defrontamo-nos com uma série de problemas globais que estão danificando a biosfera e a vida humana. Quando pensamos que esses problemas são gerados pelo homem, isso se torna ainda mais assustador. Que tipo de sentimento leva um homem a destruir sua própria casa, os recursos de sua sobrevivência, sua família? Sim, fazemos parte de uma mesma família, a humanidade. E foi neste planeta que a espécie humana surgiu e evoluiu, dotada de cérebro sofisticado, capaz de aprender, criar, inventar coisas incríveis! Pena que não tenhamos compreendido uma das mais importantes lições: preservar nosso planeta, nossa casa. É necessário compreender que a Terra, com todas as formas de vida vegetal e animal, não foi criada apenas para usufruto de nossa espécie, que seus recursos naturais não são inesgotáveis e que a natureza não se assemelha a uma máquina, portanto, objeto mecânico de fácil controle por parte do homem. Não somos seres dissociados de nosso meio, seres não naturais, fora e acima da natureza. Ao contrário, somos dependentes como um bebê depende da mãe. Como declarou o chefe Seattle (Manifesto da Terra-Mãe, 1854) “O homem não teceu a teia da vida. Ele é apenas um de seus fios.” O que quer que faça à teia, ele faz a si mesmo. O que fazemos à Terra, fazemos a nós mesmos, à nossa casa, ao nosso bairro, à nossa cidade. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões locais e globais estão ligadas. Cada um compartilha a responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana, dos seres vivos. O imperativo é: rompermos com a inércia provocada pelo comodismo ou pela resignação. Todo indivíduo, família, organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. Portanto, mãos à obra! Universidade Aberta do Nordeste 92 Redescobrir a solidariedade A todo momento somos bombardeados com expressões da violência cotidiana, vivemos a “cultura do medo”. O termo criado pelo sociólogo Barry Glassner, explica o fenômeno que faz com que desenvolvamos um medo quase patológico. Não sabemos exatamente do que sentir medo e temos a sensação de que o perigo ronda todos os espaços, lugares e pessoas. Sendo assim, qualquer indivíduo é potencialmente perigoso e precisa ser evitado. Numa sociedade onde o contato com o outro é pensado como um risco, dificilmente a solidariedade poderá se desenvolver, muito menos a paz. A solidariedade vem sendo apagada do coração do homem pelo desejo ilimitado do ter. O egoísmo vem consumindo nosso ser e nos tornando insensíveis à dor do outro, à miséria, à fome, à injustiça. A solidão e o individualismo tomam posse de um ser essencialmente social, o homem. Estamos habituados com as injustiças e criamos uma espécie de apatia coletiva que nos impede de agir. Redescobrindo a solidariedade, redescobrimos também o poder de viver juntos, de partilhar, de curar mutuamente nossas feridas, honrando e celebrando a vida com ingredientes indispensáveis: reciprocidade, união, afeto, amor, doação, aproximação. A paz não é obra isolada, é obra coletiva! É fruto de mãos e corações que se unem. A solidariedade é condição para a paz e caminho para a justiça, uma vez que não há verdadeira paz sem justiça nem tampouco sob o jugo da opressão. A paz não é utopia, é um exercício diário, uma aprendizagem possível de ser realizada por todos nós. Você não precisa ser um Jesus ou um Gandhi para promover a paz, basta ter coragem e vontade de transformar as velhas formas de viver e buscar novas formas de convivência consigo, com o outro e com o mundo! Em síntese, o Manifesto 2000 conclama a todos, seja de forma coletiva, seja de forma individual, a assumirem sua responsabilidade de pôr em prática os valores, as atitudes e formas de conduta que inspirem uma Cultura de Paz. Nós também acreditamos que todos podemos contribuir ao promover a não-violência, a tolerância, o diálogo, a reconciliação, a justiça e a solidariedade em atitudes cotidianas nas famílias, nos bairros, nas cidades, enfim, no mundo! Algumas considerações Muito do que aqui foi dito pode ser compreendido com o auxílio exclusivo do cérebro. Cuidado! A compreensão racional de nada valerá se não procurarmos integrá-la às dimensões do espírito e do coração. Como vimos, a paz se constrói nas pequenas ações cotidianas. Para isso, basta deixarmos que os valores da não-violência condu- 93 Direitos Humanos e Geração de Paz zam as nossas atitudes, palavras e decisões. Não podemos correr o risco de pensar uma coisa, sentir outra e sonhar com uma terceira. Se assim fizermos, permaneceremos imóveis, paralisados pela contradição. Acreditamos que a paz esteja ao alcance da mão, mas é preciso que cada um ache sua resposta para a questão: “O que posso e vou fazer para a geração da paz?”. Queremos propor um desafio: reencante-se pela vida, ame o outro, sensibilize-se com o outro e suas necessidades, toque-o; experimente a consciência do pertencimento, o poder da palavra, a sabedoria do silêncio, as possibilidades do mistério, o sonho, a utopia, a emoção dos vários significados e passagens da vida, a compaixão, a alegria de estar vivo; solidarize-se, sinta o sabor de servir, aprenda a imaginar como as crianças, sinta as cores da diversidade, da natureza, faça as coisas ainda mais belas do que são, estenda o braço da fraternidade, cure-se pelo perdão e pela palavra. Estas podem ser faíscas de uma proposta para a Cultura de Paz. O essencial do reencantamento pela vida é a paz. Sem ela não haverá nenhum mundo habitável sonhado por nós. Síntese do fascículo A paz não se restringe ao campo da teoria, a paz é ação global e local, interligadas e interdependentes. A identificação, o reconhecimento e a valorização das ações positivas por uma Cultura de Paz nas famílias, nas escolas, nas comunidades e nos espaços de convivência social é um importante passo para alcance da paz local. Mas é impossível alcançar a paz pessoal enquanto reinam a miséria e a violência na sociedade e a natureza ameaça nos destruir porque nós a devastamos. Mais do que ausência de conflito, a paz é um estado de consciência. Todos podem contribuir para práticas de não-violência, tolerância, diálogo, reconciliação, justiça e solidariedade nas família, nos bairros, nas cidades. Somos seres coletivos e a busca pela paz começa por você e pode refletir no mundo inteiro! Ubuntar é isso, é um convite à paz... aceite-o! Atividades 1. Pesquise e conheça os principais documentos produzidos por entidades gover- namentais e não-governamentais fomentando uma Cultura de Paz. 2. De acordo com o texto, estabeleça relações entre as ações globais e locais no desenvolvimento da Cultura de Paz. 3. Após a leitura do texto, elabore a sua concepção de Ubuntu. 4. Você acredita numa paz coletiva? Em caso afirmativo, reflita: que ações você tem executado para tornar o seu mundo mais pacífico? Universidade Aberta do Nordeste 94 Referências CALLADO, Carlos Velázquez. Educação para a paz – promovendo valores humanos na escola através da educação física e dos jogos cooperativos. Wak Editora e Cooperação Editora, Santos, 2004. DISKIN, Lia. Vamos ubuntar? Um convite para cultivar a paz. Brasília: UNESCO, Fundação Vale, Fundação Palas Athena, 2008. Disponível em: unesdoc.unesco.org/images/ 0017/001785/178540por.pdf DISKIN, Lia e Laura Gorresio Roizman. Paz, como se faz?: semeando cultura de paz nas escolas. Rio de Janeiro: Governo do Estado do Rio de Janeiro, UNESCO, Associação Palas Athena, 2002. Disponível em: unesdoc.unesco.org/images/0013/001308/130851por.pdf FARIA, Hamilton. Cenários e horizontes da ação global e local. Fórum: Cultura de Paz e Pedagogia da Convivência – Ação e Políticas Públicas em 2008. Pontão de Convivência e Cultura de Paz do Instituto Pólis. Disponível em: www.soudapaz.org/Portals/ 0/Downloads/programa%C3%A7%C3%A3o%20do%20 Forum%20internacional.pdf RIBEIRO, Jorge Ponciano. Gestalt - terapia: o processo grupal: uma análise fenomenológica da teoria do campo e holística. São Paulo: Summus, 1994. WEIL, Pierre. A arte de viver em paz: por uma nova consciência, por uma nova educação. Tradutores: Helena Roriz Taveira/Hélio Macedo da Silva. 1ª ed. São Paulo: Editora Gente, 1993. Autores Maria Aládia Brandão Silveira Guilherme: Pedagoga em Regime Especial pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (Uva), graduada com habilitação em Arte e Educação Física pela Universidade Estadual do Ceará (Uece). Especialista em Gestão Escolar, pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Psicopedagogia, pela Faculdades Inta-CE, e Educação Biocêntrica, pela Universidade Estadual do Ceará (Uece). Com experiência na Educação Infantil, inicialmente como professora e, posteriormente, como assistente técnica pedagógica da célula de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Acaraú, e articuladora pedagógica do Programa Nacional de Formação de Professores de Educação Infantil (Proinfantil). Ministrou o ensino de Arte, em nível fundamental e médio. Atuou como diretora e coordenadora pedagógica de escolas da rede municipal. Em 2010, atuou como professora e diretora de turma na Escola de Educação Profissional Marta Maria Giffoni de Sousa, onde, desde 2011, assume a função de coordenadora escolar. Maria Socorro Brandão Everton: Pedagoga em Regime Especial pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA); graduada em História e Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará (Uece). Experiência no ensino de História e Arte, em nível fundamental e médio e em Nível Superior nas disciplinas de História Antiga, Medieval e História da África. Atuou como diretora e coordenadora pedagógica de escolas da rede municipal e como Professora Coordenadora da Área (PCA) de Ciências Humanas. Em 2009, atuou como professora diretora de turma na EEEP Tomaz Pompeu de Souza Brasil, como professora formadora do Projeto “Professor Aprendiz” e, desde 2010, atua coordenadora regional do Projeto “Professor Diretor da Turma” na 3ª CREDE. Enquanto especialista em História das Culturas Afro-brasileiras, ministra formações para professores na área da Educação Étnicorracial e possui vários projetos desenvolvidos nesta área. Possui, ainda, o título de especialista em Gestão Pública pela Universidade Estadual do Ceará (Uece). 95 Direitos Humanos e Geração de Paz Expediente ISBN: 978-85-7529-572-4 Presidente Luciana Dummar | Coordenação do Curso Rosamaria de Medeiros Arnt | Coordenação Acadêmico-Administrativa | Ana Paula Costa Salmin | Editora Regina Ribeiro | Editor Adjunto Raymundo Netto | Coordenador de Produção Editorial Sérgio Falcão | Editor de Design Amaurício Cortez | Projeto Gráfico e Capas Amaurício Cortez e Welton Travassos | Ilustrações Karlson Gracie | Editoração Eletrônica Welton Travassos | Revisão Tarcila Sampaio | Catalogação na Fonte Kelly Pereira Realização Apoio Apoio Cultural