PREVALÊNCIA DO DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM DA NANDA I NUTRIÇÃO DESEQUILIBRADA MAIS DO QUE AS NECESSIDADES
CORPORAIS EM ALUNOS ADOLESCENTES
Caroline Evelin Nascimento Kluczynik Vieira1; Bertha Cruz Enders2; Larissa Soares Mariz3;
Kadyjina Daiane Batista Lúcio4; Cintia Galvão Queiroz5
Introdução: Dentre as atribuições do enfermeiro na atenção básica, está o cuidado ao
adolescente, que deve incluir a realização do acompanhamento nutricional, quando
necessário, no domicílio e demais espaços comunitários1. O sobrepeso é o excesso de peso de
um indivíduo quando em comparação com tabelas ou padrões de normalidade e a obesidade
uma doença crônica, multifatorial, caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no
corpo2. Essa última está associada a hábitos de vida que potencializam a incidência de
doenças crônicas não transmissíveis2. Buscando identificar e tratar adolescentes com excesso
de peso, torna-se imprescindível o uso dos diagnósticos de enfermagem. O diagnóstico de
NANDA I, nutrição desequilibrada mais que as necessidades corporais, auxilia o enfermeiro
na organização do cuidado, intervenções e monitoramento de problemas de saúde que são
acarretados pelo aumento na ingestão de nutrientes. Este estudo pretende responder à seguinte
questão: Qual a prevalência de estudantes de escolas públicas com o diagnóstico de
enfermagem de nutrição desequilibrada mais do que as necessidades corporais? Objetivo:
Identificar a prevalência do Diagnóstico de Enfermagem (DE) da NANDA I, nutrição
desequilibrada mais do que as necessidades corporais, em adolescentes de escolas estaduais.
Relacionar o diagnóstico com os hábitos nutricionais e variáveis clínicas. Descrição
metodológica: Estudo transversal, descritivo, quantitativo realizado no município de
Natal/RN, nas quatro zonas geográficas. Neste estudo, se apresentam os resultados parciais,
referentes à zona Oeste do município de Natal/RN, a qual tem 5.410 adolescentes em escolas
estaduais. Para o calculo da amostra, utilizou-se o valor de 0,185 que representa a média
aritmética da prevalência de adolescentes das capitais nordestinas com excesso de peso1 e o
limite de erro que satisfez de 0,95. Assim, calculou-se uma amostra de 74 adolescentes para a
zona Oeste. Foram sorteadas duas escolas, tendo 37 participantes cada. A coleta de dados
ocorreu entre fevereiro e março de 2013. A antropometria foi realizada por uma enfermeira e
duas graduandas de enfermagem treinadas para realização do exame físico. Os dados foram
mensurados em dupla e considerados a média. Para o peso, percentuais corporais (gordura,
água e músculo) e quantidade em quilos de tecido ósseo; utilizou-se balança da marca Beurer,
digital e portátil com bioimpedância. Os adolescentes foram pesados descalços e posicionados
no centro da plataforma. A estatura foi medida por estadiômetro portátil da marca WCS e em
posicionamento recomendações da WHO3. O estado nutricional foi classificado segundo os
critérios do Centers for Diseases Control and Prevention (CDC) para adolescentes, através do
IMC por idade e sexo com base em percentis4. O DE em análise foi determinado pela
presença da característica excesso de peso (sobrepeso, obesidade ou obesidade grave). Os
1
Enfermeira, mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN).
2
Enfermeira, doutora em Enfermagem, professora voluntária do Departamento de PósGraduação em Enfermagem da UFRN.
3
Enfermeira, doutoranda em Enfermagem pela UFRN.
4
Graduanda em Enfermagem pela UFRN. E-mail: [email protected]
5
Graduanda em Enfermagem pela UFRN.
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dados foram tabulados e analisados no SPSS 17.0. Realizou-se testes de frequência, quiquadrado, Fischer, razão de prevalência, intervalo de confiança e ANOVA. O termo de
compromisso foi assinado pelos pais/responsáveis. O projeto foi aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa da UFRN, CAAE 10200812.0.0000.5537. Resultados: Prevaleceram
indivíduos do sexo feminino (70,3%), pardos (40,5%), com renda familiar inferior a um
salário mínimo (27%), entre quatro e seis moradores na residência (67,6%) e mães com
ensino fundamental incompleto (32,5%). Sobre o estado nutricional, 5,4% apresentaram
obesidade grave, 5,4% obesidade e 6,8% sobrepeso. Assim, 17,6% mostraram-se com excesso
de peso e receberam o DE nutrição desequilibrada mais do que as necessidades corporais.
Agrupando-os com ou sem a presença do DE em questão, observou-se uma variação
significativa entre os dois grupos, quanto ao lanche escolar (p=0,046), tomar café-da-manhã
(p=0,006) e mastigar bem os alimentos (p=0,050). O grupo com o DE apresentou frequências
mais elevadas para: não lanchar na escola (61,5%), não tomar café-da-manhã (61,5%) e
comer depressa (76,9%). Os adolescentes com o DE tinham um risco 1,28 vezes maior para
não lanchar na escola, risco de 1,03 vezes maior para não tomar café-da-manhã e 1,5 vezes
maior de comer depressa, quando comparado ao grupo sem o DE. Sabe-se que as refeições
fracionadas e em quantidades menores de alimento estimulam o metabolismo a gastar energia
com o processo digestivo e evitam o consumo alimentar excessivo nas próximas refeições.
Comer depressa também constitui um risco para obesidade porque o organismo não consegue
sentir os sinais de saciedade que iniciam no ato da mastigação. Quando analisados os valores
médios das variáveis clínicas associadas à presença ou ausência do DE, observou-se
associação com IMC (p=0,000), PAS (p=0,000), PAD (p=0,013), CA (p=0,000), peso
(p=0,000), percentual de gordura corporal (p=0,00) e quantidade de tecido ósseo (p=0,000),
sendo significativamente superiores entre os indivíduos com o DE. O percentual corporal de
água (p=0,000) e de massa muscular (p=0,000) também apresentaram associação, sendo os
valores inferiores no grupo com DE. Conclusão: Conclui-se que o excesso de peso é
prevalente na população estudada e que esse estado é associado a hábitos alimentares não
saudáveis, como não lanchar na escola, não realizar o desjejum e comer depressa. Devido aos
resultados significativos dos adolescentes que possuíam o DE da NANDA para excesso de
peso associado aos fatores de risco cardiovascular, entende-se que este diagnóstico pode ser
utilizado para identificação, tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares, já que
adolescentes obesos tendem a se tornar adultos obesos e mais propensos ao desenvolvimento
dessas doenças. Contribuições para enfermagem: A importância dos enfermeiros
trabalharem com adolescentes parte da necessidade de propagar informações sobre esta
temática, principalmente através da educação continuada nas escolas/comunidade. O DE para
excesso de peso prevalente nos adolescentes constitui um alerta para as equipes de
enfermagem na atenção básica para implementar medidas de prevenção. É importante que os
adolescentes, pais e educadores se apropriem desse conhecimento, promovendo mudança nos
hábitos alimentares a fim de diminuir os índices de obesidade. A enfermagem também pode
atuar de forma eficiente na prevenção, detecção e tratamento precoce de doenças
cardiovasculares.
Descritores: Enfermagem; Antropometria; Estado nutricional
Área temática: Processo de cuidar em saúde e enfermagem
Referências:
1. Ministério da Saúde (Brasil), Secretaria de Atenção à Saúde, Vigitel Brasil 2009: vigilância
de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília:
Ministério da Saúde, 2010.
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2. Ministério da Saúde (Brasil), Secretaria de Atenção à Saúde, Glossário temático : alimentação
e nutrição. Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2008. 60 p. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/glossario_alimenta.pdf. Acesso em: 23 mar. 2013
3. WHO (World Health Organization). WHO Technical Report Series. Physical Status: the study
and interpretation of anthropometry. Geneva: WHO; 1995.
4. CDC. Centers of Disease Control and Prevention. Table for calculated body mass index
values for selected highs and weights for ages 2 to 20 years. Developed by the National
Center for Health Statistc in collaboration with the National Center for Chronic Disease
Prevention and Health Promotion, 2000. Disponível em: <http://www.cdc.gov/growthcharts>.
Acesso em: 12 jul. 2012.
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