PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Introdução
Sendo o turismo um sector extremamente dinâmico, este tem vindo a sofrer
profundas alterações com o decorrer dos tempos.
Actualmente, tem-se assistido a uma crescente diversificação, quer ao nível dos
gostos e motivações dos consumidores, quer mesmo, ao nível da oferta turística.
As áreas rurais têm vindo a ser objecto de crescente procura enquanto espaços
alternativos de férias, lazer e recreio. As respostas a esta procura têm resultado
sobretudo na criação de oferta de alojamento, nomeadamente, o Turismo em Espaço
Rural, a qual constitui a mais significativa e mais emblemática vertente da oferta
turística das áreas rurais.
As unidades de alojamento de Turismo em Espaço Rural, não têm parado de se
multiplicar por todo o país, dotando-o de uma capacidade de alojamento que deixa a
uma enorme distância a situação de há apenas dez ou quinze anos.
Os organismos de administração local, regional, nacional, bem como a própria
União Europeia, têm vindo a assumir, em larga medida, a intenção de promover o
turismo nas zonas rurais, com base no crescimento da oferta de alojamento, como forma
de contribuir para a resolução dos muitos problemas de desenvolvimento que as
afectam.
Porém, e no sentido de dar resposta às necessidades da procura, a oferta de
alojamento começa a revelar-se insuficiente como factor gerador de desenvolvimento
do turismo nas áreas rurais. Sem uma oferta diversificada de actividades, serviços e
produtos que valorizem os recursos endógenos, preservem o património local, atraiam, e
fixem por mais tempo os turistas, conduzindo a estadas e, consequentemente, gastos
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médios mais elevados, será difícil promover, de forma significativa, o desenvolvimento
das áreas rurais.
O reconhecimento desta situação e a urgente necessidade de a contrariar, tem
vindo a enfatizar a importância das chamadas actividades de animação, enquanto
componente fulcral da oferta turística destas áreas.
Perante este novo cenário de mudança e escolhendo como caso particular a
oferta de unidades de alojamento de Turismo em Espaço Rural, é objectivo deste
trabalho desenvolvido no âmbito da disciplina de Seminário e Projecto Individual,
identificar e propor alternativas de animação para o Núcleo Rural de Terras da Nóbrega,
concelho de Vila Verde. As propostas apresentadas, resultam do trabalho de
investigação sobre as questões associadas a este tema e apresentada na primeira parte
deste relatório. Posteriormente, é elaborada a proposta de actividades, cuja selecção
recaiu sobre os percursos pedestres.
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Metodologia
Em termos metodológicos, a realização deste projecto incide sobre duas
vertentes – a parte teórica e parte prática – devidamente interligadas, visto que a parte
prática não seria possível sem o devido enquadramento teórico.
A escolha do espaço territorial sobre o qual incidem as propostas de percursos
pedestres, resulta do conhecimento pessoal do território, bem como da recolha de dados
secundários que permitiram a identificação de equipamentos que proporcionam
alojamento de Turismo em Espaço Rural, bem como das características de ruralidade
que o Núcleo Rural de Terras da Nóbrega encerra, e necessita de promover.
No sentido de dar resposta aos objectivos do trabalho, procurou-se, numa
primeira parte definir os conceitos pertinentes, relacionados com o Produto Turismo
Rural, o Turismo em Espaço Rural, a animação e o Pedestrianismo. O objectivo foi
construir uma base teórica coesa para que a propostas de elaboração dos percursos
pedestres fosse o mais justificável possível.
Assim, para elaborar a parte teórica, recorreu-se a dados secundários,
designadamente, pesquisa bibliográfica e ainda, recolha de informação junto da
ATHACA – Associação das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave, e do Posto de
Turismo de Vila Verde.
Para levar a cabo a componente prática, foram analisados vários percursos
pedestres de outras zonas rurais, foram realizadas entrevistas a elementos da ATHACA
e Posto de Turismo de Vila Verde (dados primários), bem como um reconhecimento do
terreno, com o objectivo de seleccionar os melhores traçados para as propostas finais de
percursos.
Aquando de reconhecimento no terreno, com a ajuda de um elemento da
população, conhecedor do espaço territorial, fez-se um levantamento fotográfico e a
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devida marcação, à mão, num pequeno mapa, e demais anotações como as vistas
panorâmicas, os locais de passagem, os caminhos certos, as distâncias percorridas e
duração aproximada.
Seguidamente, para a elaboração da cartografia, utilizou-se uma carta militar,
dos Serviços Cartográficos do Exército, composta pelas folhas nº 28 e 42 à escala de
1:25000, cedida pela Câmara Municipal de Vila Verde e tratada no programa
“Freehand”, de forma aumentar a escala para 1:15000.
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Parte I
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Enquadramento Teórico
1.1 Evolução do turismo
Descrever a evolução do fenómeno do turismo é, provavelmente, um pouco
ambíguo.
A generalidade dos estudos associa a origem do turismo, enquanto prática social, às
viagens que os jovens da aristocracia inglesa faziam pela Europa como complemento
da sua educação. Tais viagens ficaram conhecidas a partir do século XVIII por The
Grand Tour, expressão à qual o turismo deve inclusivamente a sua actual designação
(Conceição; 1998: 68).
Não é possível, contudo, definir-se, exactamente, o começo dos primeiros
movimentos turísticos, isto porque o desejo e a necessidade do homem se deslocar e
viajar foi uma constante na sua história. As razões das suas deslocações ou viagens
eram de natureza diversa. Poder-se-á, no entanto, destacar as de natureza religiosa,
comercial, política e de expansão territorial.
De acordo com as características da evolução registada ao longo dos tempos, e
segundo a descrição de Licínio Cunha sobre a evolução histórica do turismo, podemos
identificar três épocas distintas: a Idade Clássica, a Idade Moderna e a Idade
Contemporânea.
A Idade Clássica do turismo, que se prolonga até ao século XVIII, caracteriza-se pelo
facto das viagens serem individuais e se realizarem, predominantemente, por
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necessidades fundamentais como o comércio, as peregrinações religiosas, a saúde ou
por razões políticas e de estudo (Cunha;1997:64).
Neste período as estâncias termais e os locais religiosos eram os principais centros de
atracção turística.
Com o arranque da revolução industrial, produziram-se grandes mudanças a
todos os níveis, o turismo, de facto, não ficou de fora. Houve uma multiplicação de
trocas comerciais bem como uma maior transmissão de ideias, conhecimentos, e
informação. Devido a estas, e outras mais mudanças ocorridas em meados do século
XVIII, o fenómeno turístico foi-se, gradualmente, alterando.
É durante a Idade Moderna “que se popularizam, entre as camadas sociais de
maiores recursos, as viagens de recreio como forma de aumentar os conhecimentos,
procurar novos encontros e experiências” (Idem).
A primeira década do século XX caracterizou-se por inovações e transformações
que alteraram profundamente os modos de vida, devido, essencialmente, à
racionalização do trabalho e ao consequente direito ao repouso semanal. O turismo
passou a ser encarado como uma actividade económica relevante. “A própria Sociedade
das Nações reconheceu, em 1920, que o turismo apresentava um interesse comum e que
se deveria fazer esforços para conceder facilidades de viagem a um número cada vez
maior de homens” (Op. cit.:67).
Em síntese, os aspectos que, de certa forma, caracterizam a Idade
Contemporânea na evolução do turismo passam pelo aparecimento das noções de lazer
e tempo livre, passam pelo “desenvolvimento dos transportes, o reconhecimento do
direito às férias pagas, a criação de organizações nacionais e internacionais destinadas a
promover o turismo” (Idem).
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Devido à sua característica de vulnerabilidade, o turismo vem sofrendo
alterações com o decorrer dos tempos. Seja pela mudança de gosto dos consumidores,
seja pelo aparecimento de novos destinos e produtos turísticos seja por outros factores
que não estejam, intrinsecamente, ligados ao turismo, mas o qual poderá afectar,
consideravelmente, como o caso dos atentados de 11 de Setembro. Neste seguimento, é
de referir que o turismo de massas, especialmente o turismo de “sol e praia”, devido às
mudanças de gosto e de comportamento, tem vindo, gradualmente, a ser substituído pela
crescente procura de actividades culturais, susceptíveis de contribuírem para o
enriquecimento individual e para o aumento de conhecimentos.
1.2 Novas abordagens e novas tendências
O turismo como actividade económica revela uma importância crescente tanto a
nível internacional como nacional. Como atrás referido, com o avanço tecnológico, o
desenvolvimento dos meios de comunicação, as mudanças sócio-económicas, novos
hábitos, costumes e valores, o fenómeno do turismo foi-se sofisticando e adequando às
novas exigências. Neste momento, o turismo revela-se uma importante actividade
económica, quer a nível internacional e nacional como também regional.
No caso de Portugal, que beneficia de condições naturais e de valores históricoculturais propícios à atracção turística, registou-se nos últimos vinte e cinco anos, um
assinalável e progressivo crescimento neste sector de actividade. Deixando de parte os
postos de trabalho que actividade turística gera, no nosso país, o turismo contribui com
valores acima dos 10% para o Produto Nacional Bruto (Partido Ecologista; 1999).
O tipo de turismo que acontecia no território português era, até recentemente o
turismo “sol e praia”, associado a turismo de massas.
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Actualmente, este turismo massificado, também designado como “turismo
clássico ou tradicional, orientado por princípios e políticas geradoras de crescimento
económico e do lucro a qualquer preço” (Partido Ecologista; 1999:25), tem contribuído
para a degradação de áreas, regiões e locais de maior valor e sensibilidade ambiental
reduzindo as razões da atracção turística.
Em contrapartida, não só em Portugal como em outros países, o grau de atracção
e consequente procura do turismo rural “está a crescer dia a dia, devido a que cada vez
mais gente prefere descansar em lugares tranquilos, opondo-se à confusão do turismo
balnear massificado”, e a locais com elevados índices de degradação ambiental
causados pelo turismo (Terras do Cante; 2000:4). Assim sendo, tanto no meio urbano
como em meio rural, a actividade turística pode, e deve, desenvolver-se, salvaguardando
o equilíbrio ecológico e beneficiando a qualidade ambiental, promovendo o património
e valorizando a diversidade cultural e servir de apoio e às populações locais,
nomeadamente, a nível económico.
1.3 Turismo e sustentabilidade
O interesse pela natureza e pela protecção do ambiente surge no contexto das
novas tendências da procura, fazendo parte dos novos valores e estilos de vida das
sociedades actuais.
A preservação do ambiente tornou-se numa das principais preocupações nos
últimos anos. Isso reflecte-se, segundo o ICEP (1998) na crescente exigência das
pessoas em usufruir do seu tempo livre em destinos onde prevalece o respeito e cuidado
visível, designadamente, na qualidade da paisagem e natureza. Pelo facto de se tratar de
recursos, de certa forma, escassos e em risco de extinção, leva a que as pessoas se
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predisponham a pagar mais para os consumir ou para evitar que se esgotem (Robalo;
1998:33).
É apropriado dizer-se que o ambiente é uma das questões centrais do turismo,
pois “funciona como uma força que influenciará o tipo de produtos a apresentar e os
mercados que os irão consumir” (ICEP; 1998:23).
Assim dever-se-á apostar no desenvolvimento de forma sustentável da
actividade turística.
Em 1995, surgiu a primeira Conferência Mundial de Turismo Sustentado. Fruto
desta conferência nasceu a Carta do Turismo Sustentado, contendo várias orientações
para a sustentabilidade turística, com especial destaque para os seguintes pontos:
i.o desenvolvimento turístico deve basear-se em critérios de sustentabilidade
económicos, ecológicos, éticos e sociais;
ii.o turismo sustentado deve integrar os ambientes naturais, culturais e humanos;
iii.o turismo deve ter em consideração os seus efeitos na herança cultural e nos elementos
tradicionais, actividades e dinâmicas de cada comunidade local;
iv.devem ser realizados estudos necessários para serem minimizados os efeitos perversos
sobre o ambiente, gerados pelos transportes e por outras actividades, prioritariamente
nas regiões mais sensíveis (Vieira;1997, cit. in Robalo; 1998:33).
De acordo com Stabler (1997:86) turismo sustentável é um tipo de turismo que se
compromete a respeitar os seguintes princípios:
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The environment has an intrinsic value which outweighs its value as a tourism asset. Its
enjoyment by future generations and its long term survival must not be prejudiced by
short term considerations.
Tourism should be recognised as a positive activity with the potential to benefit the
community and the place as well as the visitor.
The relationship between tourism and the environment must be managed so that the
environment in the long term. Tourism must not be allowed to damage the resource,
prejudice its future enjoyment or bring unacceptable impacts.
Tourism activities and development should respect the scale, nature and character
of the place in which they are sited.
In any location, harmony must be sought between the needs of the visitor, the place
and the host community.
In the dynamic world some change is inevitable and the change can often be
beneficial. Adaptation to change, however, should not be at the expense of any these
principles.
The tourism industry, local authorities and environmental agencies all have a duty
to respect the above principles and to work together to achieve their practical
realisation.
Neste domínio de turismo sustentável é regra de ouro pensar primeiro no meio
ambiente, não esquecendo, contudo, que o que é bom para o habitante é bom para o
visitante. Veja-se que, como refere Milone et alii (2000), os turistas ou visitantes são
cada vez mais responsáveis e atenciosos, receptivos às questões da conservação
ambiental, sensíveis às interacções com o meio natural e com as comunidades
receptoras. Estão educados e sensibilizados para ser menos consumistas, adoptando uma
postura orientada para o entendimento e a compreensão dos povos e locais visitados.
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O negligenciar de aspectos fundamentais do desenvolvimento sustentável do
turismo pode causar efeitos nefastos irreversíveis. Tome-se o seguinte caso particular
como um grande erro e ao mesmo tempo uma grande lição, do que deve e não deve ser
feito.
Havia uma aldeia francesa, perdida algures na província, que possuía duas fontes do
século XVI. Um dia, alguém que, para além de dotes de escritor, tinha acesso aos
grandes jornais, visitou a aldeia e escreveu um sugestivo artigo, ilustrado com uma
fotografia, exaltando a beleza e originalidade das fontes. Pessoas que leram o artigo
(…), deslocaram-se à aldeia para observarem de perto as fontes e fotografá-las. (…)
Abriu, entretanto, um café, depois um restaurante, uma pensão, mais restaurantes, um
hotel. Foi então que surgiu o problema do parqueamento das viaturas. (…)
Aparentemente, só um local reunia todas as condições, bem no centro da aldeia. Era,
por coincidência, o local onde se encontravam as fontes – que foram, assim,
sacrificadas para a construção do parque, desaparecendo gloriosamente engolidas por
aquela onda de desenvolvimento e progresso (Cymbron et alii;1994:237).
Visto isto, conclui-se que o turismo não pode pôr em risco, agredir ou
transformar de forma irreversível as regiões onde se desenvolve, seja ao nível do meio
ambiente natural, seja ao nível económico, da cultura e do carácter social da
comunidade receptora.
1.4 O Conceito de ruralidade
Os homens, desde os tempos mais remotos, têm vivido agrupados, ocupando um
determinado espaço geográfico, dentro do qual decorre sua vida.
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Segundo Robalo (1998) o espaço geográfico está, simultaneamente, organizado
e dividido de forma diversificada. Contudo são vulgarmente divididos, entre paisagens
rurais e paisagens urbanas, entre campos e cidades, entre espaço rural e espaço urbano.
Cada um destes espaços caracteriza-se, por um lado, pela sua fisionomia, por outro lado,
pelos ritmos de actividade, pela densidade populacional e pelos diferentes fluxos
populacionais.
Historicamente, segundo Hirschman (1965. cit. in Matos 1994:87), o mundo
rural destaca-se por se organizar em torno dos seguintes aspectos:
- A função principal é a produção de alimentos;
- A actividade económica dominante é a agricultura;
- O grupo social de referência é a família camponesa, com modos de vida, valores e
comportamentos próprios;
- O tipo de paisagem reflecte um equilíbrio entre as características naturais e o tipo de
actividades humanas desenvolvidas.
Verifica-se, então, que o espaço rural já se definiu de forma mais clara em relação ao
espaço urbano.
Numa análise do que, actualmente, é ou não é espaço rural, dever-ser-á dar
referência à revolução industrial iniciada no século XVIII que veio alterar a situação
anterior. A redução da importância do sector agrícola, afigurou-se como um dos
principais problema originado pela industrialização.
De um modo geral, o crescimento industrial trouxe consigo, entre outros
desequilíbrios, graves défices alimentares, um empobrecimento da população rural, que
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migrava para os grandes centros urbanos, tudo isto resultado de uma agricultura de
baixíssima produtividade, muitas das vezes apelidada de arcaica (Matos;1994).
Assim, o espaço rural passou a ser caracterizado, segundo Robalo (1998:10),
como as áreas, economicamente mais débeis, “mais vulneráveis, onde residia a
população mais pobre (dependente de uma agricultura tradicional) ”. E estas áreas eram
vistas, também, como a principal fonte de fluxos migratórios.
De maneira a reforçar as ideias transcritas, Lane (1994. cit. in Richard; 1997:21)
sugere os seguintes factores específicos de caracterização:
Densidade Populacional: se as áreas são consideradas como não urbanas, então é
caracterizada pela sua baixa densidade populacional e pequenos aglomerados
habitacionais.
Estruturas Sociais Tradicionais: as sociedades rurais contem uma variedade de
características que, colectivamente se identificam como sociedades tradicionais em vez
de sociedades modernas.
Utilização do Terreno e Economia: as áreas rurais podem ser consideradas aquelas nas
quais a economia é baseada na agricultura tradicional ou então indústrias florestais.
Mas com o declínio da importância do sector agrícola estão a ser desenvolvidas novas
indústrias, incluindo o turismo em espaço rural1.
O conceito de rural é mais amplo do que pode parecer inicialmente, visto que
não existem argumentos universais que distingam urbano de rural (Page et alii; 1997).
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Tradução do autor
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De acordo com a legislação portuguesa2 “Consideram-se zonas rurais as áreas
com ligação tradicional e significativa à agricultura ou ambiente e paisagem de carácter
vincadamente rural.”
Não existe, por sua vez, uma linha divisória entre o que é urbano e o que é rural.
Algumas áreas são essencialmente rurais mas contem várias características urbanas,
enquanto outras áreas são consideradas urbanas mas exprimem um sentido rural. Neste
seguimento, importa então distinguir o conceito de “ruralidade”.
Para Lane (1994. cit. in Richard; 1997) “ruralidade” pode ser definida como as
áreas que se encontram para além das cidades ou vilas e que são consideradas rurais.
Oliveira (1990) menciona que, nos dias de hoje é-nos difícil encontrar
comunidades tipicamente rurais, dado que a rede de comunicações e os mass média, ao
ligarem a cidade ao campo, têm vindo a atenuar as fronteiras entre o rural e o urbano.
Por sua vez, “o espaço rural deixou de ser palco exclusivo do sector agrícola
tornando – se, também, num cenário de outras actividades e novas procuras”. (Robalo:
1998:10) Presentemente, os serviços têm vindo a difundir-se no espaço rural,
acarretando consigo as mudanças das estruturas sócias, económicas, culturais, etc. Entre
a diversidade de serviços passíveis de serem difundidos no espaço rural é apropriado
destacar, particularmente, a actividade turística.
1.5 O papel do turismo na revitalização dos territórios rurais
Em Portugal o meio rural sofreu de modo, particularmente, acentuado as
consequências do êxodo verificado nas décadas de 60 e 70 em direcção aos principais
centros urbanos do país e estrangeiro (Dias; 2001).
2
D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 3º
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A saída dos elementos mais dinâmicos, activos e instruídos conduziu a uma
transição gradual, mas marcante, de economias produtivas para economias, no
essencial, consumidoras de bens e serviços.
A recente emergência de algumas dinâmicas locais de desenvolvimento em
Portugal está ligada, segundo Dias (2001), à diminuição do ritmo de saídas das áreas
rurais no decurso da década de 80, fenómeno que se explica pela menor atracção do
exterior, pelo regresso das colónias e pelo retorno de emigrantes. Neste seguimento
veja-se que os meios de alojamento de Turismo de Habitação, “desenvolveram-se em
Portugal, a partir de 1979, embora enquadrados legalmente apenas em 1982” (Cunha;
2001:215). Assim se deu o início de um novo tipo de turismo, com novas formas de
alojamento, pela recuperação e aproveitamento de casas particulares com características
próprias.
A evolução dos valores sociais e a difusão de modelos individualistas têm vindo
a substituir fortemente o turismo massificado em proveito de um turismo de descoberta
e qualidade (Moinet; 2000). De certa forma foi em consequência destas evoluções ou
destas tendências que o turismo rural foi despertando o interesse.
A riqueza turística do espaço rural, suas paisagens, as tradições, a gastronomia, e
o importante esforço feito pelo sector para proporcionar alojamento de caris familiar
com qualidade e hospitalidade fazem do espaço rural um destino, simplesmente,
atractivo.
Sendo o turismo uma actividade dinamizadora por excelência, e averiguando que
o meio rural se mostra incapaz de manter o nível de actividade económica
imprescindível para a manutenção do dinamismo das comunidades locais (Dias; 2001),
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o turismo no espaço rural pode apresentar-se como uma alternativa viável para certas
zonas rurais deprimidas social e economicamente.
Estas zonas registam um sector agrícola em declínio, com a consequente redução
de emprego, agravando-se com o abandono do meio rural, o despovoamento e
envelhecimento crescentes. De referir ainda a existência de infra-estruturas
ultrapassadas tecnologicamente, e serviços que, quando comparados com os das zonas
urbanas se revelam totalmente inadequados (Moinet; 2000).
Perante
esta
crescente
desertificação,
envelhecimento
da
população,
desqualificação dos empregos, diminuição do número de agricultores e consequente
declínio da economia, o turismo rural, através da sua qualidade de interacção com
muitas outras actividades, poderá manifestar-se com contribuições positivas para os
territórios rurais.
Em termos económicos, como refere Page et alii (1997), o turismo no espaço
rural pode contribuir para contrariar o risco da população e agentes locais se dedicarem
exclusivamente a uma única actividade económica, cria mais valias financeiras,
diversifica as actividades económicas (serviços de transporte, animação, guias de
interpretação da natureza). Desta forma, verifica-se o aumento da oferta de serviços e
produtos locais (da produção e venda do artesanato, exploração de produtos
tradicionais, dos quais se destacam os produtos agrícolas e géneros alimentícios
certificados) eles próprios factores de uma maior capacidade de atracção turística
(INDE; 2003b).
Os gastos dos turistas têm reflexos importantes na economia das comunidades
rurais. No entanto “estes gastos ganham ainda mais expressividade quando incluem a
dormida por uma ou mais noites” e, sobretudo, se repetirem a sua visita (ESTG; 2002).
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Tal não se deve apenas às despesas com alojamento, mas também, porque é mais
provável que estes visitantes comam nos restaurantes ou façam compras nas lojas
tradicionais, o que reforça a importância de actividades de animação no turismo rural.
Do ponto de vista social, o turismo rural contribui para a criação de postos de
trabalho, permitindo a consequente fixação da população, nomeadamente, dos jovens.
O turismo rural, de acordo com Dias (2001), pode ajudar a atenuar o isolamento
existente entre a cidade e o campo, reforçando o diálogo entre as áreas rurais e as áreas
mais urbanizadas, promovendo o intercâmbio entre as culturas e as populações no
conhecimento e respeito mútuos, como factor de coesão e solidariedade social.
Em termos ambientais, o Turismo Rural pelas suas características, poderá
sensibilizar os turistas – maioritariamente citadinos – para a questão do ambiente,
designadamente, o património ambiental das zonas rurais.
O fenómeno turístico, como refere Dias (2001:58) cria uma “maior
sensibilização entre os hóspedes e população residente no que diz respeito ao ambiente,
à natureza e preservação dos ecossistemas”.
O contributo de âmbito histórico-cultural do Turismo Rural recai sobretudo na
construção de uma imagem que associa inovação e história (INDE; 2003b). A
salvaguarda e reanimação das vilas e aldeias são uma preocupação constante,
respeitando a imagem rural, patente nas construções de índole habitacional, arquitectura
religiosa e outras vinculadas nas actividades agrícolas. Contribui, desta forma, para
recuperar técnicas e materiais tradicionais de construção, bem como para a valorização
do ”saber fazer” caídos em desuso, aplicando-os às novas realidades.
A grande maioria dos adeptos do Turismo Rural tem grande apreço pelo
tradicionalismo, pelos monumentos e construção típica das casas.
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Para além disso, denota-se o gosto pela participação nas actividades, costumes e modos
de vida diária da população rural (INDE; 2003b).
Dado os prováveis contributos que podem advir, directa e indirectamente do
turismo rural podemos concluir que é um importante instrumento de desenvolvimento e
revitalização das localidades rurais. E como refere Robalo (1998:119) “O
desenvolvimento local, tem surgido quase sempre associado a estratégias de
desenvolvimento endógeno.” Mas, segundo o mesmo autor, é imperioso a existência de
um “associativismo de base local” (Op. cit.:120) envolvendo os responsáveis do sector
público e privado que participem no processo de implementação e desenvolvimento do
Turismo Rural.
1.6 Produto Turístico e suas componentes
O produto turístico pode ser expresso de muitas formas. Os produtos são
diferenciados e têm por base motivações específicas da procura, bem como um conjunto
de recursos específicos de um destino. Segundo Cunha (2001), podemos ter como
exemplos de produtos, o Turismo de Recreio, o Turismo de Repouso, o Turismo
Cultura, o Turismo Étnico, o Turismo de Natureza, o Turismo de Negócios e o Turismo
Desportivo
No entanto, teórica e genericamente, pode ser interpretado como a quantidade de
bens e serviços turísticos que os consumidores desejam e estão dispostos a adquirir por
um dado preço e em um dado período de tempo (Milone et alii, 2000).
O referido autor alerta para a possibilidade de, mesmo que certos bens e serviços
não se relacionem directamente com actividade turística, poderem vir a ser procurados e
consumidos pelos turistas.
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Sampaio (1994:10) refere que “Aquilo que, normalmente, se fala de produto
turístico não é mais que o «package» ou seja o pacote turístico em que estão presentes
ao mesmo tempo o alojamento, a restauração, os transportes, os recursos e a animação”.
No entanto para Cunha (2001:48), os produtos turísticos representam “um
conjunto de elementos, uma amálgama de elementos inseparáveis que são objecto de
comercialização no todo”, resultando de “um acto produtivo visando um objectivo
económico”.
Os produtos turísticos são, por isso, uma oferta com a particularidade dos seus
elementos, bens e serviços que a compõem, estarem articulados, formando um todo,
apto a ser comercializado. Assim os produtos turísticos funcionam como um “conjunto
de elementos que só por si motivam as deslocações e permitem passar férias de acordo
com as necessidades dos turistas” (Sampaio, 1994:11).
1.7 Produto Turismo Rural
O produto turístico possui um carácter intangível, ou seja não há stocks. Este
aspecto é uma das especificidades do produto turístico. Para além deste, os contornos
particularmente, específicos, designadamente, do produto turístico rural revelam-se, na
medida em que este é constituído com base numa multiplicidade de recursos, bens e
serviços, que tem de ser convertida num único produto (Terras do Cante; 2001).
Entre essa multiplicidade de recursos, bens e serviços que é organizado de
maneira a ser comercializado ao turista, poder-se-ão destacar tanto as infra-estruturas de
acesso, os recursos naturais, (contactos com a natureza, ar puro, tranquilidade, repouso,
águas despoluídas) o património histórico e cultural, a vida campestre (trabalhos
agrícolas e artesanais, etnografia, folclore, festas, romarias, animação sócio-cultural, e o
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pequeno comércio típico). Em particular, destacam-se os alojamentos, as refeições a
hospitalidade rural (hospedagem típica, produtos típicos, cozinha e gastronomia
regional). Estes elementos são inseparáveis é, extremamente, importante que estejam
organizados, de modo a constituírem um produto de qualidade, original e singular
(Terras do Cante; 2001; Dias; 2001).
Importa referir ainda, o ambiente, natureza e paisagem rural, pois são elementos
fundamentais para se constituir um produto turístico rural atractivo.
1.8 As Motivações
As motivações dos consumidores, mais propriamente os motivos que levam o
viajante a deslocar-se, resultam da personalidade humana, e variam com um alargado
número de factores.
Esses factores vão desde os psicológicos aos económicos, traduzindo-se num
conjunto de estímulos que leva o homem a procurar novos ambientes, novas actividades
e novos conhecimentos. “Muitos dos motivos da viagem são do domínio do
subconsciente”
Cunha
(1997:47)
resultando
da
satisfação
das
necessidades
fundamentais.
O turismo rural, embora a uma dimensão mais reduzida, não deixa de ter em
atenção estudos em matéria das motivações que estão na origem dos seus fluxos
turísticos.
1.8.1 As motivações dos turistas rurais
De acordo com Robalo (1998), os aspectos naturais e culturais que envolvem o
turismo rural, estão na base das movimentações mais significativas. São factores que
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
pelas suas características constituem motivo de atracção turística, sendo também
relevantes para a diferenciação, relativamente, a outros destinos.
Os factores culturais têm exercido um papel crucial na evolução deste tipo de
turismo e no seu desempenho como forma de «turismo alternativo». O turista ao visitar
o espaço rural entra em contacto com uma cultura diferente que se reflecte sob
variadíssimas forma, começando pelo próprio aspecto físico da paisagem, até aos usos e
costumes e modos de vida dos habitantes rurais, entre outras demais particularidades.
Assim, o simples contacto com estes aspectos culturais, e nos casos em o turista
participa em determinadas actividades rurais, maior será o impacto cultural e
pedagógico deste tipo de actividade turística.
Num estudo de mercado aos clientes de turismo rural no distrito de Braga,
verificou-se que “Os que vivem na cidade, procuram o campo (…) fogem do barulho e
gostam de tudo o que é típico e característico – gostam do artesanato, da maneira como
são cultivados os campos. Quando vão à feira gostam de saber como são
transaccionados os produtos e gostam da maneira como os feirantes estão vestidos”
(Bússola; 1995. Cit. in Dias; 2001:35). Denota-se, a partir do exemplo, que este tipo de
turismo constitui uma forma de aprendizagem caracterizada pelo contacto
personalizado, contacto esse que é estimado, quer pela população acolhedora, quer
pelos turistas. Outro dos factores que motivam as deslocações ao meio rural é o “Matar
saudades” de um certo tipo de gastronomia que ainda perdura. Os turistas “gostam do
bacalhau, de comer a sua broa da aldeia, de beber o seu vinho, colhido e feito nas nossas
adegas” (Idem).
As condições de vida de um bom número de cidadãos dos centros urbanos estão
cada vez mais repletas de barulhos, de poluição e ritmos de vida stressantes.
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Os fins-de-semana, as férias, as viagens são, contudo, a ocasião de escape à agitação
caótica das zonas urbanas ou, simplesmente, para quem decide dar tempo e espaço a si
próprio, através do contacto com uma natureza preservada.
Verifica-se uma necessidade de evasão do mundo urbanizado, da rotina, stress,
procurando a tranquilidade e o repouso das áreas rurais. Neste cenário, “os factores
naturais fornecem a base essencial para este turismo, tornando-se atractivos primordiais
para aquelas pessoas que já começam a consciencializar-se de que os recursos naturais,
não sendo inesgotáveis, são vitais (…) para uma qualidade de vida no presente e no
futuro” (Robalo 1998:21).
O turista ou visitante do meio rural busca um contacto directo com aquela,
idealizada, vida simples do campo, nomeadamente a autenticidade das relações sociais,
o sentimento de solidariedade e de entreajuda nas actividades diárias. O turista/visitante
tem interesse em conhecer e preservar o património cultural, artesanato, tem interesse
pela gastronomia, e em participar nas animações festivas tradicionais (Leal;2001). Tem
“Curiosidade em ver como as pessoas vivem. Interesse por algo diferente do hotel, algo
sem características estereotipadas – um hotel é igual em todo o lado. O contacto com as
pessoas é muito importante, no hotel as pessoas são mais um número, não tendo o
contacto pessoal que este turismo lhes proporciona” (Bússola; 1995. Cit. in Dias;
2001:36).
O turista/visitante procura lugares e ocasiões de encontro com as pessoas da
região através dos mercados, feiras, festas locais, praças da aldeia, os cafés... “O
estrangeiro vem para contactar com as pessoas, para ver como está o nosso meio rural.
Gosta de dar passeios a pé e ver como é que nós estamos a viver neste momento”
(Idem).
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Em vez de equipamentos turísticos pesados, integrados, preferem as pequenas
estruturas, as casas rústicas em self-catering, procurando obter a sua “independência,
não gosta de estar preso a estruturas mais apertadas, de uma maneira geral, este turista
prefere quartos exteriores, quer lhe proporcionam o convívio com o dono da casa
sempre que quer, ao mesmo tempo que tem a liberdade de sair e entrar, não
incomodando ninguém” (Bússola; 1995. Cit. in Dias; 2001:36).
Verifica-se assim que, o turista/visitante que se desloca para as áreas rurais têm
preferência pela descoberta de locais mais íntimos, pouco conhecidos e que possuam
aspectos culturais e naturais singulares, designadamente, distanciados das áreas
urbanizadas.
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2
O produto Turismo Rural e a Modalidade de alojamento TER em
Portugal
A noção de Turismo Rural é algo ampla e complexa. De certa forma “Trata-se
de uma oferta de actividades recreativas, alojamento e serviços afins, situada no meio
rural, dirigida principalmente aos habitantes das cidades que procuram férias em
contacto com a natureza e com as populações” (Terras do Cante; 2001).
Antes de ir mais longe, impõe-se uma explicação terminológica de Turismo
Rural, visto que não existe uma definição única, em cada país tem significados
ligeiramente diferentes. Veja-se o exemplo de algumas regiões brasileiras, como o
Estado do Espírito Santo, que adoptam o termo Agroturismo para todas as actividades
de Turismo Rural (Silva et alii; 1998).
No caso português, Turismo Rural além de ser considerado como um produto
turístico é também uma modalidade de alojamento de Turismo em Espaço Rural,
conceitos passíveis de alguma confusão. Assim, entende-se por Turismo no Espaço
Rural “todas as actividades praticadas no meio não urbano, que consiste em actividades
de lazer no meio rural em várias modalidades definidas com base na oferta.” (Op.
Cit.:14).
De facto, diversas realidades dão lugar a conceitos diferentes, sobre os quais são
frequentes as divergências entre autores. Na perspectiva da Comissão de Coordenação
da Região do Norte (1980. Cit. in Robalo, 1998:20), o conceito de TER manifesta-se
como “uma actividade que proporciona o acolhimento e recreio de turistas; actividades
essa exercida essencialmente pela população local, com a finalidade de promoção e
melhoramento da vida dessa mesma população”.
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Por Decreto de Lei nº59/023 “Turismo no espaço rural consiste no conjunto de
actividades e serviços realizados e prestados mediante remuneração em zonas rurais,
segundo
diversas
modalidades
de
hospedagem,
de
actividades
e
serviços
complementares de animação e diversão turística, tendo em vista a oferta de um produto
turístico completo e diversificado no espaço rural.”
Ainda de acordo o artigo 2º do mesmo Decreto de Lei4, integram-se no turismo
no espaço rural as actividades de animação ou diversão que se destinem à ocupação dos
tempos livres dos turistas e contribuam para a divulgação das características, produtos e
tradições das regiões, designadamente o seu património natural, paisagístico e cultural,
os itinerários temáticos, a gastronomia, o artesanato, o folclore, a caça, a pesca, os jogos
e os transportes tradicionais, sejam declaradas de interesse para o turismo.
2.1 As Modalidades de Alojamento – Turismo no Espaço Rural
"Turismo de Habitação"
Designa-se por turismo de habitação o serviço de hospedagem de natureza
familiar, prestado a turistas em casas antigas particulares que, pelo seu valor
arquitectónico, histórico ou artístico, sejam representativas de uma determinada época,
nomeadamente, os solares e casas apalaçadas5.
3
4
5
D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 1º (Noção)
D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 2º
D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 4º
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"Turismo Rural"
Designa-se por turismo rural O serviço de hospedagem prestado a turistas em
casas rústicas particulares, utilizadas simultaneamente como habitação do proprietário,
possuidor ou legítimo detentor e que, pela sua traça, materiais construtivos e demais
características, se integram na arquitectura típica regional6.
"Agro-turismo"
Designa-se por agro-turismo o serviço de hospedagem prestado a turistas em
casa particulares utilizadas simultaneamente como habitação do proprietário, possuidor
ou legítimo detentor e integradas em explorações agrícolas que permitam aos hóspedes
o acompanhamento e conhecimento da actividade agrícola ou a participação nos
trabalhos aí desenvolvidos, de acordo com as regras estabelecidas pelo responsável das
casas e empreendimentos7.
"Turismo de aldeia"
Designa-se por turismo de aldeia o serviço de hospedagem prestado num
empreendimento composto por um conjunto de, no mínimo, cinco casas particulares
situadas numa aldeia e exploradas de forma integrada, quer sejam ou não utilizadas
como habitação própria dos seus proprietários, legítimos possuidores ou detentores.
As casas afectadas ao turismo de aldeia devem, pela sua traça, materiais de construção e
demais características, integrar-se na arquitectura típica local8.
6
7
8
D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 5º
D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 6º
D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 7º
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O turismo de aldeia pode ser explorado em aldeias históricas, em centros rurais
ou em aldeias que mantenham, no seu conjunto, o ambiente urbano, estético, e
paisagístico tradicional da região onde se inserem.
"Casas de campo"
Designam-se por casas de campo as casas particulares e as casas de abrigo
situadas em zonas rurais que prestem um serviço de hospedagem, quer sejam ou não
utilizadas como habitação própria dos seus proprietários, legítimos possuidores ou
detentores.
As casas de campo devem, pela sua traça, materiais de construção e demais
características, integrar-se na arquitectura e ambiente rústico próprio da zona e local
onde se situam.9
Consideram-se empreendimentos turísticos no espaço rural os hotéis e os
parques de campismo rural10.
“Hotéis rurais”
São hotéis rurais os estabelecimentos hoteleiros situados em zonas rurais e fora
das sedes de concelho cuja população, de acordo com o ultimo censo realizado, seja
superior a 20 000 habitantes, destinados a proporcionar, mediante remuneração,
serviços de alojamento e outros serviços acessórios ou de apoio, com fornecimento de
refeições.
9
D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 8º
D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 2º (âmbito)
10
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“Parques de campismo rurais”
São parques de campismo rurais os terrenos destinados permanentemente ou
temporariamente à instalação de acampamentos, integrados ou não em exploração
agrícola, cuja área não seja superior a 5000 quadrados.
2.2 Evolução da Oferta de Turismo em Espaço Rural em Portugal
Relativamente à oferta do Turismo em Espaço Rural em Portugal, analisaremos
a evolução referente ao número de estabelecimentos e respectivo número de camas,
desde 1984 até 2001. Primeiramente, é de ter em conta que, só a partir de 1988 é que os
indicadores estatísticos do TER foram disponibilizados, visto que antes desse ano os
dados existentes dizem respeito só ao Turismo de Habitação. Em segundo lugar, só em
1991 é que figuraram indicadores estatísticos do TER relativos aos Açores. Em terceiro
lugar, a informação estatística disponível acerca do Turismo de Aldeia e das Casas de
Campo só existe a partir de Julho de 1997, altura em que estas modalidades foram
regulamentadas (Robalo; 1998).
Será feita, também neste capítulo, uma síntese dos dados estatísticos relativos ao
1º semestre do ano de 2002, sendo estes, até ao momento, os dados mais actuais
disponíveis.
2.2.1 Número de estabelecimentos e capacidade de alojamento
Neste ponto, é feita uma síntese dos principais resultados do inquérito ao turismo
no espaço rural (1984 a 2002), tendo em conta os seguintes indicadores apurados:
número de unidades e respectiva capacidade de alojamento.
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Apresenta-se, de seguida, uma evolução do número de estabelecimentos e do número de
camas ao longo dos últimos 19 anos.
Quadro nº 1: Número de estabelecimentos e capacidade de alojamento
Ano
Nº
Estabelecimentos
Nº de Camas
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
103
121
154
182
180
197
223
240
358
417
429
484
493
534
569
606
668
685
776
763
939
1154
1478
1403
1587
1811
1957
2984
3795
3989
4417
4711
4984
5375
5776
6293
6476
7358
Fonte:DGT
Através do quadro anterior nota-se uma evolução positiva quanto ao número de
estabelecimentos e capacidade de alojamento de Turismo em Espaço Rural, passando de
763 camas em 1984 para 7358 em 2002. Porém, constata-se um ligeiro decréscimo de
1987 para 1988 no número de estabelecimento e, por conseguinte, no número de camas.
Este decrécimo dever-se-á, segundo informações da DGT, à requalificação dos
estabelecimentos pela nova tipologia que passou a vigorar a partir de 1988, e que levou
à desclassificação de numerosas casas que embora inscritas se encontravam inactivas.
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1000
800
600
400
200
2002
2001
2000
1999
1998
1997
1996
1995
1994
1993
1992
1991
1990
1989
1988
1987
1986
1985
0
1984
Nº de Estabelecimenos
Gráfico nº 1: Número de estabelecimentos
Ano
8000
6000
4000
2000
2002
2001
2000
1999
1998
1997
1996
1995
1994
1993
1992
1991
1990
1989
1988
1987
1986
1985
0
1984
Número de Camas
Gráfico nº 2: Capacidade de alojamento
Ano
No que concerne tanto ao número de estabelecimentos e, por conseguinte, ao
número de camas houve um expressivo aumento entre 1991 a 1993.
Este facto poderá dever-se ao aparecimento da Iniciativa Comunitária LEADER
em 1991, a qual impulsionou o aparecimento de muitas associações de
desenvolvimento, e outras estruturas, susceptíveis de gerir o programa a nível local.
Esta Iniciativa englobava medidas que diziam, directamente, respeito ao Turismo Rural,
bem como a acções cuja finalidade é o conhecimento da procura, a respectiva
organização da oferta e o apoio a investimentos turísticos (Leal: 2001).
Em 1991 a capacidade de alojamento expressa em unidades de alojamento de
Turismo em Espaço Rural era de 240, enquanto que em 1993 se registavam 417 e,
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no que corresponde às camas existentes nas mesmas datas, o aumento foi de 1957 para
3795 camas.
2.2.2 Número de estabelecimentos e capacidade de alojamento em 2002
Gráfico nº 3: Capacidade de oferta do Turismo em Espaço Rural por NUTS II em 2002
Nº de quartos
2000
1530
1500
736
1000
503
522
500
104
187
194
Açores
Madeira
Algarve
Alentejo
Lisbo/V.T.
Centro
Norte
0
2976
207
361
382
Algarve
Madeira
Açores
1010
Alentejo
995
Lisboa/V.T.
1427
Centro
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
Norte
Nº de camas
Gráfico nº 4: Capacidade de oferta do Turismo em Espaço Rural por NUTS II em 2002
Nos gráficos anteriores, apresenta-se uma síntese dos dados recolhidos pela
Divisão de Recolha de Informação e Estatística da DGT em 2002, através do inquérito
realizado nas casas de Turismo de Habitação, Turismo Rural, Agro-turismo e Casas de
Campo.
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Atendendo a alguns atrasos que se verificaram no envio dos questionários por
parte dos estabelecimentos, as taxas de ocupação e as estimativas de dormidas
apresentadas podem sofrer alterações, pelo que se considera que os valores são
provisórios.
As unidades em análise, inscritas no Turismo em Espaço Rural, distribuem-se
por quatro modalidades: Turismo de Habitação, Turismo Rural, Agro-turismo e Casas
de Campo. Os números indicados são apresentados por NUTS II, em valores absolutos e
em percentagens.
Por NUTS II, verifica-se que os três principais mercados a nível da oferta do
Turismo em Espaço Rural são: o Norte, com 2976 camas, o Centro, com 1427 camas e
em terceiro a região alentejana com 1010 camas.
Neste seguimento, é oportuno referir que, no Norte de Portugal, mais
especificamente na região do Alto Minho, através de um programa delineado em 1978
no âmbito da Direcção Geral de Turismo11, foi desenvolvido toda uma acção para a
revitalização de solares, proporcionando o nascimento de uma nova realidade em
termos de oferta de meios complementares de alojamento em comunidades tipicamente
rurais (Sampaio; 1994).
11
Decreto-Lei 14/78 de 12 de Maio, art. 41º e 42º
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Gráfico nº 5: Número de unidades do Turismo em Espaço Rural por modalidade de
alojamento em 2002
Nº de estabelecimentos
350
300
250
200
150
100
50
0
Turismo de
Habitação
Turismo Rural
Agroturismo
Casas de
Campo
Por modalidades de alojamento, verifica-se que no final do 1º semestre estavam
inscritos na Direcção Geral do Turismo 776 estabelecimentos, dos quais, 232 inseremse no Turismo de Habitação, 323 no Turismo Rural, 130 no Agroturismo e 91 são Casas
de Campo.
2.2.3 Estimativas de dormidas por modalidades
Gráfico nº 6: Estimativas de dormidas por modalidades em 2002
32909
18%
55237
31%
TH
TR
AT
32091
18%
CC
57979
33%
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33
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Tendo em conta o gráfico nº 5, a modalidade de alojamento com maior
capacidade de oferta é o Turismo Rural, por conseguinte, (gráfico nº 6) este tipo de
modalidade regista, também, o maior número de dormidas.
Através de uma comparação entres os referidos gráficos, poder-se-á constatar
uma relação linear entre as variáveis: capacidade por modalidades e dormidas por
modalidades.
2.2.4 Estimativas de dormidas por países de residência e por NUTS II
Gráfico nº 7: Estimativas de dormidas por países de residência em 2002
Outros
16487
Reino Unido
14531
Holanda
7189
França
5710
E.U.A.
8250
Espanha
5517
Brasil
219
Alemanha
34154
Portugal
86159
0
20000
40000
60000
80000
100000
Nº de dormidas
No que concerne ao número de dormidas por países de residência, podemos
verificar que somando o número de estrangeiros obtemos 92057 dormidas contra as
86159 dormidas dos hóspedes nacionais, estes últimos representam, por si só, uma
grande parcela, pela qual se destaca largamente. De referir neste contexto as 34154
dormidas dos hóspedes Alemães, que situa a Alemanha em segundo lugar de
importância, seguida do Reino Unido com 14531 dormidas.
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Gráfico nº 8: Estimativas de dormidas por NUTS II em 2002
R.A. Madeira
21598
R.A. Açores
7808
Algarve
8207
Alentejo
32581
34351
Lisboa e Vale do Tejo
Centro
27912
45759
Norte
0
10000
20000
30000
40000
50000
Nº de dormidas
No que concerne ao número de dormidas por NUTS II, o Norte destaca-se com
45759 dormidas, seguido da região de Lisboa e Vale do Tejo, com 34351, e Alentejo
com 32581 dormidas. As regiões do Algarve e a Região Autónoma dos Açores são as
regiões com o menor número de dormidas, no primeiro semestre de 2002. Neste ponto,
será conveniente estabelecer uma relação entre os dados do gráfico nº 3 e o gráfico
anterior, de modo a verificar que, apesar da região do Alentejo apresentar uma
capacidade de oferta praticamente igual à região de Lisboa e Vale do Tejo, esta última
registou um maior número de dormidas no primeiro semestre de 2002. Por sua vez, a
situação repete-se com as Regiões Autónomas da Madeira e Açores. Neste caso a
Região
Autónoma
da Madeira
apresenta
um maior número de
dormidas
comparativamente à Região Autónoma dos Açores.
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35
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Gráfico nº 9: Evolução das Dormidas
450000
400000
Dormidas totais
350000
300000
250000
200000
150000
100000
2001
2000
1999
1998
1997
1996
1995
Ano
1994
1993
1992
1991
1990
1989
1988
1987
1986
1985
0
1984
50000
Quanto à evolução das dormidas ao longo dos 18 anos de análise verifica-se um
acréscimo significativo a partir de 1998. Segundo dados do INE12, durante o ano de
1998, as dormidas nos hotéis, hotéis-apartamentos, apartamentos e aldeamentos
turísticos, motéis, pousadas, estalagens e pensões também sofreram um significativo
aumento, relativamente, ao ano anterior.
Isto proporcionou-se, eventualmente, como resultado da Expo 9813. Contudo,
estes aumentos do número de dormidas em 1998 não surgiram isoladamente, ou seja,
estão, intrinsecamente, relacionados com a evolução da procura turística.
Segundo dados do Ministério de Economia14, a procura turística global tem
vindo a aumentar durante os finais dos anos noventa, e, claramente, o turismo Português
12
http://alea-estp.ine.pt/html/actual/html/act11.html (acedido em 22.02.2004)
http://www.gee.min-economia.pt/resources/docs/publicacao/RT/cluster_turismo.pdf. (acedido em
22.02.2004)
13
14
http://www.gee.min-economia.pt/resources/docs/publicacao/RT/cluster_turismo.pdf. (acedido em
22.02.2004)
SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565
36
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não ficou de fora. Estes aumentos foram influenciados, principalmente, por uma série de
alterações socio-económicas, que produziram efeitos multiplicadores nas viagens de
turismo, com destaque para o envelhecimento da população, aumento dos níveis de
rendimento e nível de escolaridade e políticas mundiais de liberalização política e
económica.
Esta situação veio afectar largamente o turismo em espaço rural, visto que o
número total de dormidas de 1998 para 1999 quase duplicou. Em 1998 registaram-se
162420 dormidas, passando a registar-se 361689 dormidas em 1999 (ver quadro nº2).
Como se pode verificar no gráfico nº 6, os hóspedes nacionais são a principal
parcela dos clientes do Turismo em Espaço Rural, e podemos constatar que houve
também um aumento do número de dormidas dos hospedes nacionais, precisamente,
apartir do ano de 1998. Isto dever-se-á ao aumento da taxa de partida para férias dos
portugueses, também designada por propensão à viagem15. Esta taxa passou de 27 %
para 42% entre 1997 e 1998 (Cunha; 2001:45).
De destacar ainda os números de 2001, que apesar dos atentados terroristas de
11 de Setembro, (situação que abalou o turismo devido à insegurança instalada), as
dormidas nos estabelecimentos de Turismo em Espaço Rural foi de 424627 dormidas,
número superior às 403570 dormidas do ano 2000 (ver quadro nº2).
15
A taxa de partida para férias exprime a participação da população de um dado país no turismo sendo
determinada pela relação entre o número de pessoas que passa férias fora do seu ambiente habitual e a
população total.
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37
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Quadro nº 2: Evolução das Dormidas
Ano
Dormidas de
Nacionais
Dormida de
Estrangeiros
Dormidas Totais
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
200216
20740
20928
21900
28400
22976
23665
26539
28720
32269
52856
50911
58513
68021
71510
80043
175194
179386
202428
86159
11176
26411
31226
55525
33974
35507
34440
43006
48143
43814
46873
60427
74619
71615
82377
186495
224184
222199
92057
31916
47339
53126
83925
56950
59172
60979
71726
86412
96670
97784
118940
142640
143125
162420
361689
403570
424627
148216
Fonte: DGT
16
Dados referentes ao primeiro semestre de 2002
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3
Importância e definição de actividades de animação
O processo de Globalização económica, a implementação tecnológica, a
construção de uma sociedade da informação, a qualidade dos meios de deslocação e
acessibilidades, são factores que têm vindo a transformar a nossa sociedade. Vivemos
numa sociedade que privilegia o consumo, a rapidez e a estandardização.
Por sua vez, os turistas são atraídos por um tipo de viagem assente na
descoberta, aventura e genuinidade. Contudo “a macdonaldlização do turismo, retiroulhe a principal essência do mistério, do risco e da excitação do desconhecido; a quase
tudo o que seria realidade turística corresponde agora uma grossa fatia de simulação
turística” (ATT; 2003:41).
A tendência para a simulação do perigo, simulação das dificuldades de acesso a
determinado local, simulação do exótico, tem transformado a prática turística de
deslocação em meros turistas de sofá. O que acontece muitas das vezes é visitar um
determinado destino não para descobrir a realidade, mas antes, para reconhecer ou
confirmar o já, virtualmente, conhecido através dos jornais, revistas, televisão e Internet
(Op. Cit.:42).
Neste contexto, onde a oferta turística muitas das vezes se limita a reproduzir
ambientes, a animação turística poderá, efectivamente, marcar a diferença, desde que
assente nos recursos socioculturais e ambientais locais.
Derivando do latim animare, a palavra animar significa dar alma, dar vida, dar
coragem, movimento, entusiasmo, desenvolver. Esta serve de prefixo para diversos
âmbitos de intervenção, assumindo designações diferentes, contudo, ligadas entre si na
sua essência. Assume pois âmbitos de: animação cultural, animação social, animação
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39
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comunitária, animação educativa, animação de tempo livre, animação de terceira idade,
animação turística, entre outras (Lexicoteca; 1985).
Neste sentido, partindo de uma abordagem turística, a animação traduz-se em
actividades que, segundo Cunha (2001), são de natureza variada. Considera-se como
animação turística as actividades que visam constituir um meio para a ocupação dos
tempos livres dos visitantes, ou para satisfação das necessidades e experiências
decorrentes da sua permanência no local visitado. Para Jafari (2000) animação turística
é uma actividade individual ou colectiva que ocorre durante o tempo livre, para a qual é
preciso haver alguns elementos de “valor” intrínsecos, visto que o motivo primário é a
satisfação do turista pela participação numa determinada actividade.
Assim, verifica-se nos conceitos referidos, que o campo essencial da animação
turística é a ocupação dos tempos livres. Porém, a animação contribuirá para melhorar
ou aumentar as condições de atracção do destino. Torna-se necessário que os sítios com
atractivos turísticos estejam equipados com serviços, permitindo que as pessoas
participem em actividades para melhor usufruir das atracções e passar os seus tempos
livres. Deste modo poder-se-á dizer que “as múltiplas e interessantes formas de
animação turística constituem um trunfo notável para a capacidade de atracção” (Livro
Branco do Turismo; 1991:44).
Devido ao facto de existir uma estreita ligação entre os conceitos de animação e
atracção, importa neste seguimento estabelecer-se uma certa distinção. As atracções são
entendidas como todo lugar, objecto ou acontecimento de interesse turístico que motiva
a deslocação de grupos humanos com objectivo de o conhecer (Milone et alii; 2000). As
atracções podem ser de ordem natural ou artificial, enquanto que a animação resulta
sempre da acção do homem.
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40
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Existem no entanto casos em que essas atracções fazem apenas parte da
animação pois, só por si não se destacam como motivo de visita a um determinado
local.
Para melhor exemplificar veja-se o caso da “Feira Popular de Lisboa ou os
concertos dominicais de música clássica nos jardins de Londres” (Cunha; 2001:264) que
podem ser integrados como actividades de animação turística mas não constituem,
isoladamente, uma atracção.
Hoje em dia existe uma inclinação primordial em aliviar o cansaço mental,
causado por uma vida agitada, através de uma breve pausa. Além disso, verifica-se que
“o exercício físico e a animação lúdica tornam-se essenciais em períodos de férias,
preferencialmente em doses repartidas ao longo do ano” (Cymbron et alii; 1994:201).
Esta necessidade de retemperar as energias através do exercício físico e
animação lúdica não é exclusivo da sociedade actual. Há cerca de 4000 anos atrás, já os
gregos, retemperavam as suas energias nas suas instalações termais com piscinas,
banheiras de água quente, salas de sudação e massagens.
Além disso, eram acompanhados de representações teatrais, jogos de circo,
corridas de carros e outras distracções, a que segundo Cunha (1997), hoje chamamos
animação. Era criado com estes elementos um certo clima de bem-estar.
Tradicionalmente, segundo estudos do ICEP (1996) a animação turística estava
fortemente associada a determinados produtos (Club Méditerranée), destinos turísticos
(Florida) ou segmentos de mercado (terceira idade). Porém, é indiscutível o forte
alargamento da sua base de referência. Este alargamento tem origem, quer do lado da
procura, quer do lado da oferta.
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41
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Do lado da procura, o aumento da experiência e exigência dos consumidores,
obrigou ao surgimento de novos tipos de atracões e à oferta de animação em meios de
alojamento turístico. Do lado da oferta, a crescente concorrência implicou mais e
melhor animação turística.
3.1 O Mercado da animação em meios de alojamento
A componente de animação turística em meios de alojamento tem vindo a ser
encarada como fundamental para a captação e fidelização dos clientes. Os hóspedes não
pretendem apenas dormir e fazer algumas refeições, mas procuram cada vez mais uma
oferta diversificada de actividades: desporto, animação nocturna, visita a locais de
interesse na região ou, o simples preenchimento dos tempos livres (ICEP, 1997). Para as
unidades de alojamento, este tipo de solicitações pode marcar a diferença entre um
cliente que volta à unidade e um cliente que procura outra unidade de alojamento com
programas de animação bem estruturados.
A existência de actividades de animação pode desempenhar um importante papel
na escolha das unidades de alojamento dentro da mesma categoria, particularmente,
entre as modalidades de alojamento TER, assim como entres as diversas categorias de
alojamento. Neste seguimento, veja a importância da animação nos meios de
alojamento.
3.2 Importância da animação nos meios de alojamento
Segundo um inquérito sobre a Animação nos Meios de Alojamento (Deloitte &
Touche, 1997. cit. in ICEP, 1997), à animação são atribuídos, pelos responsáveis das
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42
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unidades de alojamento, diferentes graus de importância, consoante a categoria de
alojamento ou a área turístico-promocional.
Os principais resultados referem que para cerca de 85% dos Hotéis de 5 estrelas
a animação é, medianamente, ou mesmo pouco, importante. Para cerca de 40% dos
hotéis de quatro estrelas que responderam ao inquérito, a animação é muito importante,
valor muito superior ao verificado nos hotéis de cinco estrelas. Cerca de 60% dos
hoteis-apartamento consideram a animação só, medianamente, importante e nenhuma
unidade a avalia como sendo pouco importante. Para cerca de 44% dos Aldeamentos
Turísticos inquiridos a animação é muito importante.
Em termos globais, verificou-se que são as próprias unidades de alojamento, as
responsáveis pela organização da animação, com valores entre os 80% e os 90%.
Assim, apenas 10% a 20% das unidades de alojamento recorrem a empresas
especializadas, sendo os resultados bastante homogéneos para todas as categorias de
alojamento.
A situação mais notória, no que confere à colaboração entre unidades para a
realização de actividades de animação, diz respeito à categoria de aldeamentos
turísticos. Cerca dos 89% dos aldeamentos turísticos inquiridos colaboram com outras
unidades de alojamento na organização de animação.
Os residentes locais, segundo o mesmo estudo, podem representar um segmento
de mercado complementar que permita maximizar a procura de animação nas unidades
de alojamento, contribuindo para o aumento do volume de receitas.
Revelou-se, ainda, uma tendência uniforme, na segmentação da animação
consoante o segmento de mercado ou nacionalidade do hóspede, em todas as unidades
de alojamento e categorias analisadas. Mais de 50% das unidades inquiridas adaptam a
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sua animação consoante o segmento de mercado-alvo (crianças, seniores ou outros),
mas menos de 50% adopta de acordo com a nacionalidade dos hóspedes.
3.3 Actividades de animação em Turismo Rural
No âmbito do turismo rural, tem vindo, gradualmente, a verificar-se, a procura
de actividades recreativas e de lazer em meio rural, constituindo-se este factor como
elemento incentivador da manifestação de uma oferta de turismo rural mais variada.
O que se poderá fazer para tornar a oferta de turismo rural mais interessante e
enriquecedora, para além de oferecer qualidade e variedade no alojamento, é apostar na
promoção e organização de actividades de animação turística.
Segundo Terras de Cante (2001) as possibilidades de animação em turismo rural
passam pela pesca, golfe, passeios de bicicleta, caminhadas, apanhar plantas e
frutos silvestres, observar os pássaros, estrelas, provar a cozinha local e fazer
compras.
As actividades dependem muito do gosto dos turistas, do lugar, do proprietário,
contudo, poder-se-á referenciar, segundo a mesma obra, o ensinar aos turistas, fazer
compotas de frutos silvestres, fazer bolos e pasteis, ensinar-lhes a atar alhos e
cebolas, organizar um churrasco. Ou então, em colaboração com outros interessados,
poder-se-á organizar outro tipo de actividades de animação como excursões a cavalo,
de carroça, charrete, percursos pedestres, cursos de cozinha tradicional, cursos de
artesanato e muito mais.
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Poderão ainda, segundo Moinet (2000), ser exemplos de animação no meio rural
a caça, organização de fins-de-semana ou de estadias temáticas como a matança do
porco, o fumeiro, as vindimas, as desfolhadas, malhadas, festas religiosas e feiras.17
Com a organização de actividades de animação um novo cenário de
diversificação abre-se ao turismo rural. Para os turistas, devido ao desejo, cada vez
maior, de aprender, adquirir conhecimentos autênticos, as actividades de animação
serão o “néctar” das suas estadias ou visitas ao meio rural. A animação dos tempos
livres, irá contribuir para a valorização e promoção do saber fazer, do património
natural e cultural do meio rural.
A título de exemplo, veja-se o caso da Loja do Mundo Rural. “Esta é uma loja
interessada em valorizar os produtos e a sua origem. A realização de eventos de
promoção de um território, onde podemos encontrar os produtos dessa região, os
artesãos e produtores, os animadores, o turismo, as festividades tradicionais, a
realização de provas e concursos são atractivos para o público tendo em vista a
promoção do território e a divulgação das suas características. É a animação permanente
que torna este espaço sempre apetecível” (INDE; 2003c).
O desenvolvimento de actividades de animação está estreitamente associado ao
objectivo de melhorar a qualidade do produto através da diversificação da oferta para,
desta forma, atrair mais clientela ou, simplesmente, para fixar por mais tempo os actuais
clientes na região.
Proporcionar actividades de animação campesina pode ser uma boa alternativa
ou complemento a oferecer aos turistas. Desde uma possível caçada até ao simples
observar e participar em actividades simples e tradicionais, poderão transformar uma
17
Tradução do autor
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vulgar viagem numa viagem única, inesquecível e por conseguinte satisfatória e
apetecível. “Algumas quintas portuguesas estão a acordar para este tipo de turismo”
(Cymbron et alii; 1994:225).
No entanto, para se conseguir um tipo de actividades de animação turística que
contribua para a satisfação dos turistas, torna-se necessário colocar à disposição, não o
que julgamos ter interesse para nós como animação, mas, o que de facto se inscreve nas
necessidades, gostos ou curiosidade dos turistas (INDE; 2003b).
Um outro factor fundamental para o bom êxito de qualquer forma de animação é
a sua divulgação no sentido convincente, para que chegue com garantia aos seus
destinatários e consiga motivá-los à participação nas actividades que se pretende
promover (Idem).
Obviamente, não será de esquecer que, a maior promoção é a dos próprios
turistas que utilizarem os serviços, logo o cuidado que for posto em todos os detalhes
que envolvem a sua estada, é sempre um bom investimento.
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4
Enquadramento legal das actividades de animação turística
O enquadramento legal de actividades de animação, no contexto português,
poderá ser de natureza variada. As actividades de animação podem fazer parte dos
serviços de empresas de animação turística, cujo campo de acção é precisamente a
elaboração e consequente oferta de actividades de animação, contribuindo para um
enriquecimento e diversificação da oferta turística local, regional e nacional. No caso
das actividades de animação turística que decorrerem em áreas protegidas, essas
actividades, por sua vez, têm de estar legalmente enquadradas com o tipo de actividades
de animação revistas no âmbito do Programa Nacional de Turismo de Natureza.
Contudo, se um determinado tipo de actividades não se encaixar com as
situações referidas, poderá ainda ser inscrita na Federação Portuguesa de Campismo.
Para tal, essas actividades de animação têm ser de natureza desportiva e têm que
obedecer e cumprir uma série de requisitos impostos pela Federação Portuguesa de
Campismo. De forma mais pormenorizada, veja-se os respectivos enquadramentos.
4.1 Empresas de Animação Turística
O enquadramento jurídico das actividades e empreendimentos de animação
turística foi efectuado através do Decreto-Lei nº 204/2000, de 1 de Setembro. Contudo,
o Decreto-Lei foi alterado com a entrada em vigor do Decreto-Lei nº108/2002, de 16 de
Abril.18
Este Decreto-Lei, que visa regulamentar a actividade das Empresas de Animação
Turística, veio colmatar uma importante lacuna que restringia o desenvolvimento deste
mercado e permitia um clima de desresponsabilização das empresas que actuavam nesta
18
http://www.rt-serradaestrela.pt/gaist/images/legislacao/animacao_turistica.pdf (acedido em 15.03.04)
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área. Até à publicação do DL nº 204/2000, todas as empresas que operassem nesta área,
estavam, na prática, ilegais, a menos que se encontrassem licenciadas como agências de
viagens e turismo.
Na verdade, o diploma que rege as actividades de animação turística afigura-se
bastante mais ajustado à realidade das empresas e empresários que se dedicam,
sobretudo, a estas mesmas actividades. O processo de licenciamento requer o pedido de
uma licença junto da Direcção Geral de Turismo, em que são exigidos requisitos
mínimos às empresas, os quais têm como principal preocupação o assegurar a qualidade
do serviço prestado, passando pela existência de sede social, de alguma capacidade
empresarial e de seguros que protejam os clientes.19
De notar que as possíveis vantagens, no que concerne à regulamentação deste
tipo de actividades serão muitas. Veja-se, por exemplo, que entre os requisitos
necessários para a atribuição de uma licença, é exigido um capital social mínimo de
2.500 contos (para uma agência de viagens este valor é de 20.000 contos), e o
pagamento de uma taxa de 500 contos para a concessão da licença propriamente dita (a
taxa aplicável às agências cifra-se em 2.500 contos).20 Desde logo se verifica que com
a nova legislação, as novas empresas de animação turística para procederem ao seu
devido licenciamento, em comparação às existentes que, anteriormente, eram
licenciadas como agências de viagens, gozam de uma vantagem implícita de natureza
monetária e burocrática. Como já referido, o actual diploma está mais ajustado à
realidade.
19
20
http://www.rt-serradaestrela.pt/gaist/images/legislacao/animacao_turistica.pdf (acedido em 15.03.04)
Informação cedida pela Região de Turismo do Alto Minho
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Entre os factores referidos, e de acordo com as novas tendências, no decorrer dos
próximos tempos iremos, porventura, depararmo-nos com o aparecimento de mais e
melhores empresas de animação turística, enriquecendo assim a oferta turística local,
regional e nacional através da prestação de serviços diversificados e com qualidade.
4.2 Programa Nacional de Turismo de Natureza
As áreas protegidas (AP) são locais privilegiados como novos destinos, em
resposta ao surgimento de outros tipos de procura, propondo a prática de actividades
ligadas ao recreio, ao lazer e ao contacto com a natureza e às culturas locais.
Tendo em conta as Resoluções do Conselho de Ministros nº 102/96, de 5 de
Julho, e 60/97, de 30 de Janeiro, e reconhecendo que o desenvolvimento da actividade
turística deve, nas AP, contribuir para a valorização do seu património natural e
cultural, foi celebrado um protocolo de cooperação entre o Ministério da Economia e o
Ministério do Ambiente, em 12 de Março de 1998, com o objectivo de implementar o
Programa Nacional de Turismo de Natureza.21
Assim, nos termos da alínea g) do artigo 199, da Constituição, o Conselho de
Ministros resolveu: criar o Programa Nacional de Turismo de Natureza, adiante
designado por PNTN, aplicável na Rede Nacional de Áreas Protegidas, visando a
promoção e afirmação dos valores e potencialidades que estes espaços encerram,
especializando uma actividade turística, sob a denominação «turismo de natureza», e
propiciando a criação de produtos turísticos adequados.
21
http://www.diramb.gov.pt/data/basedoc/TXT_LN_24631_1_0001.htm (acedido em 15.03.04)
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O turismo de natureza pressupõe a prática integrada de actividades
diversificadas, que vão desde o usufruto da natureza através de um passeio à prática de
caminhadas, escalada, espeleologia, orientação, passeios de bicicleta ou a cavalo,
actividades aquáticas e subaquáticas, entre outras, ao contacto com o ambiente rural e
culturas locais, através da sua gastronomia e manifestações etnográficas, rotas
temáticas, nomeadamente históricas, arqueológicas e ou gastronómicas, e a estada em
casas tradicionais.22
A estratégia de implementação do PNTN assume a necessidade de consagrar a
integração e sustentabilidade dos seguintes vectores:
•
Conservação da natureza;
•
Desenvolvimento local;
•
Qualificação da oferta turística;
•
Diversificação da actividade turística.
4.3 Animação turística e ambiental no contexto do Turismo de
Natureza
O enquadramento jurídico do turismo de natureza é efectuado através de
decreto-lei e respectivos diplomas regulamentares, nos quais se estabelece,
designadamente, a definição e a regulamentação das modalidades «casas da natureza»,
e, nomeadamente, as «actividades de animação ambiental», a sua instalação e
funcionamento.
22
http://www.diramb.gov.pt/data/basedoc/TXT_LN_24631_1_0001.htm (acedido em 15.03.04)
SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565
50
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O enquadramento jurídico do turismo de natureza foi efectuado através do
Decreto-Lei nº47/99, de 16 de Fevereiro. Contudo este Decreto-Lei foi alterado com a
entrada em vigor do Decreto-Lei nº56/2002, de 11 de Março.23
Este Decreto-Lei visa estabelecer regras para a animação ambiental nas modalidades de
animação, interpretação ambiental e desporto de natureza nas áreas protegidas, bem
como o processo de licenciamento das iniciativas e projectos de actividades, serviços e
instalações de animação ambiental.
Ao abrigo do artigo nº8 do Decreto-Lei nº56/2002, de 11 de Março, entende-se
por animação ambiental a que é desenvolvida tendo como suporte o conjunto de
actividades, serviços e instalações para promover a ocupação dos tempos livres dos
turistas e visitantes através do conhecimento e da fruição dos valores naturais e culturais
próprios da área protegida.
Ao abrigo do disposto nº 1 do artigo nº9 do referido diploma, considera-se
animação o conjunto de actividades que se traduzam na ocupação dos tempos livres dos
turistas, permitindo a diversificação da oferta turística através da integração dessas
actividades e outros recursos das áreas protegidas, contribuindo para a divulgação da
gastronomia, do artesanato, dos produtos e tradições da região onde se inserem,
desenvolvendo-se com o apoio das infra-estruturas e dos serviços existentes no âmbito
do turismo de natureza.
Para efeitos do referido diploma, constituem actividades e serviços de desporto
de natureza as iniciativas ou projectos de animação que integrem:
a) O pedestrianismo;
b) O montanhismo;
23
http://www.diramb.gov.pt/data/basedoc/TXT_LN_24631_1_0001.htm (acedido em 15.03.04)
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51
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c) A orientação;
d) A escalada;
e) O rappel;
f) A espeleologia;
g) O balonismo;
h) O pára-pente;
i) A asa delta sem motor;
j) A bicicleta todo o terreno (BTT);
k) O hipismo;
l) A canoagem;
m) O remo;
n) A vela;
o) O surf;
p) O windsurf;
q) O mergulho;
r) O hidrospeed;
s) Outros desportos e actividades de lazer cuja prática não se mostre nociva para a
conservação da natureza.
4.4 Decretos
Regulamentares
que
regulamentam
a
animação
ambiental
O Decreto Regulamentar n.º 18/99, de 27 de Agosto, veio regulamentar cada
uma das modalidades de animação ambiental nas áreas protegidas, definindo os
requisitos gerais e específicos a que devem obedecer as actividades, serviços e
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52
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
instalações das diferentes modalidades de animação ambiental, bem como o respectivo
licenciamento para as iniciativas e projectos.24
O Decreto Regulamentar nº17/2003, de 10 de Outubro, veio alterar o Decreto
Regulamentar n.º 18/99, de 27 de Agosto, que regula a animação ambiental nas
modalidades de animação, interpretação ambiental e desporto de natureza nas áreas
protegidas, bem como o processo de licenciamento das iniciativas e projectos de
actividades, serviços e instalações de animação ambiental.25
No que confere a licenças, o artigo 8.º do Decreto Regulamentar nº17/2003
refere que sem prejuízo de outras autorizações ou licenças exigíveis por lei, as
iniciativas ou projectos que integrem as actividades, serviços e instalações de animação
previstos no artigo 3.º carecem de licença, titulada por documento a emitir pelo Instituto
da Conservação da Natureza (ICN), após parecer prévio da Direcção-Geral do Turismo
(DGT) ou do Instituto do Desporto de Portugal (IDP), nas situações previstas no n.º 3
do mesmo artigo, quando realizadas por:
a) Comerciante em nome individual, estabelecimento individual de responsabilidade
limitada, sociedade comercial ou uma cooperativa;
b) Federações, clubes e associações desportivas;
c) Instituições particulares de solidariedade social;
d) Institutos públicos; públicos;
e) Associações juvenis;
f) Outras associações e demais pessoas colectivas sem fins lucrativos;
24
25
http://www.iapmei.pt/iapmei-leg-03.php?lei=2171 (acedido em 16.03.04)
http://www.iapmei.pt/iapmei-leg-03.php?lei=2171 (acedido em 16.03.04)
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No que confere à fiscalização, o artigo 17.º refere que, sem prejuízo das
competências atribuídas por lei a outras entidades, a fiscalização do cumprimento do
disposto no presente diploma compete às autoridades policiais, ao Instituto da
Conservação da Natureza (ICN) e às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento
Regional (CCDR).
4.5 Federação Portuguesa de Campismo
A Federação Portuguesa de Campismo é uma federação multidesportiva que
além do campismo, do caravanismo e do autocaravanismo representa as seguintes
modalidades desportivas: Alpinismo, Montanhismo, Escalada Clássica, Escalada de
Competição, Descida de Cascatas, Pedestrianismo (Federação Portuguesa de
Campismo; 2001).
Fundada em 1945, em 1996 foi-lhe atribuído pelo Estado o Estatuto de Utilidade
Pública Desportiva, estatuto que entre outros direitos e deveres, lhe confere a
representação nacional e internacional das modalidades atrás referidas. É, actualmente,
composta por 580 associações (Idem).
Decorrente da Lei de Bases do Sistema Desportivo (Lei 1/90) e do Regime
Jurídico das Federações Desportivas (Decreto-Lei 144/93) o Estado, através do Estatuto
de Utilidade Pública Desportiva – Despacho 28/96 do Gabinete do Primeiro-ministro de
6/3/96 – atribui à Federação Portuguesa de Campismo a competência para o exercício,
dentro do respectivo âmbito, de poderes regulamentares, disciplinares e outros de
natureza pública dos quais se destacam, para esta modalidade desportiva, os seguintes:
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54
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•
Regulamentar e disciplinar o pedestrianismo;
•
Promover e divulgar a sua prática;
•
Promover e regulamentar a implantação de infra-estruturas a ela destinadas;
•
Promover a continuação dos percursos pedestres transeuropeus que terminam ou
passam por Portugal, definir-lhe o itinerário e estabelecer pontos de ligação e de
entrada em território nacional;
•
Acordar com as Federações vizinhas o estabelecimento de percursos pedestres
transfronteiriços;
•
Fazer o registo de todos os percursos pedestres, atribuir-lhe a numeração e
homologá-los de acordo com os requisitos pré-estabelecidos.
•
Representar o pedestrianismo e os percursos pedestres nos fóruns internacionais
pelo que é federada na Fédération Européene de La Randonné Pédestre (Federação
Portuguesa de Campismo; 2001).
SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565
55
PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
5
Pedestrianismo,"O desporto dos que andam a pé"!
A animação, no turismo contemporâneo, deve desenvolver-se, basicamente, a
dois níveis. Ao nível do desenvolvimento da prática turística e das comunidades locais,
e ao nível da sustentabilidade territorial ecológica e patrimonial (ATT;2003).
Bonet (1989) refere que a caminhada é o modo de locomoção mais natural ao
homem. O facto de existir, cada vez mais uma sociedade sedentária, sujeita a uma rotina
diária, os percursos pedestres como actividade turística discreta e menos artificial,
poderá gerar nos participantes um sentimento de liberdade extrema. Este sentimento
resulta da harmonia entre o modo de locomoção e o espaço que se percorre, o qual
descobre ao ritmo da sua caminhada26.
Sendo assim, e sabido que, actualmente, é difícil revelar o que é,
verdadeiramente, genuíno, a animação turística assente em percursos pedestres, será
uma boa solução para se explorar a região a conhecer. Um dos principais factores é a
capacidade de ir ao encontro da realidade, de mostrar ao turista aspectos menos visíveis.
Através dos percursos pedestres é possível explorar-se a região.
De ter em conta que “um caminho, qualquer que seja a forma com que se
apresente, seja uma pequena calçada ao serviço de um campo ou um escavado acesso a
um monte, desde um “caminho da missa” ou da “feira” até a um “carreiro da fonte”,
desde um caminho concelhio ou uma “estrada real” à recente auto-estrada, é sempre, na
sua circunstância, um rico testemunho de civilização. (…) Os caminhos são, antes de
tudo, marcas territoriais do homem, das suas técnicas e culturas, do seu habitat, do seu
ecossistema, do seu tempo e do nível de organização social da sociedade que os utiliza”
(Almeida; 1968. cit. in Xunta da Galicia; 1995:340).
26
Tradução do autor
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PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
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5.1 As origens do pedestrianismo
O pedestrianismo, ou caminhada, é tão antigo como o homem. Praticar
pedestrianismo é andar, algo que o ser humano teve de fazer desde sempre para se
deslocar de um lugar para outro. Na verdade, muitos dos caminhos que se percorrem na
prática do pedestrianismo parecem ter sempre existido, para ir de uma aldeia a outra,
para chegar a uma pequena ermida ou para aceder a velhas ruínas. As calçadas romanas
poderiam ser um primeiro e claro antecedente do pedestrianismo.
O traçado das que não se transformaram em estradas ainda se utiliza. Outro
antecedente encontra-se nos famosos Caminhos de Santiago, uma realidade que passou
a fazer parte dos percursos catalogados e que só em Espanha conta com mais de 800
km.
Embora os Caminhos de Santiago tenham sido um importante precursor do
pedestrianismo, esta actividade, tal como se conhece actualmente, nasceu em França há
quase cinco décadas. Ali começaram a criar-se os Percursos de Grande Rota (GR),
tornando-se uma actividade associada ao montanhismo e ao excursionismo, mas com
uma personalidade própria: um movimento cultural e de lazer para o grande público.
Outros países europeus seguiram, pouco depois, o exemplo francês, e em alguns
ocorreu um espectacular desenvolvimento dos GR. Na actualidade, a Alemanha conta
com mais de 210 000 km sinalizados, a França tem mais de 40 000 km e a Suíça cerca
de 50 000 km. Através destes exemplos pode apreciar-se a grandeza do projecto. Um
projecto que ultrapassou as barreiras da Europa, já que podem encontrar-se GR não só
na maioria dos países europeus, mas também em nações de outros continentes, como os
Estados Unidos e a Africa do Sul.27
27
http://www.caminhadas.web.pt/ (acedido em 03.02.04)
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5.2 Definição de percursos pedestres
De acordo com o manual de normas para implementação e marcação de
percursos pedestres do Federação Portuguesa de Campismo (2001):
O pedestrianismo é uma actividade em que intervêm aspectos turísticos,
culturais e ambientais. Pedestrianismo, caminhadas ou passeios pedestres, são
actividades de ar livre, de lazer e de aventura, simultaneamente, agradável e relaxante.
Esta actividade consiste em percorrer a pé um determinado percurso,
previamente, sinalizados, com marcas e códigos, internacionalmente, conhecidos e
aceites, permitindo desta forma a descoberta e contacto com a natureza, e levando à
aquisição de conhecimentos mais pormenorizados da região a percorrer.
Esta actividade não implica o factor de competição, embora existam metas a
alcançar. Permite o desenvolvimento de um exercício saudável, caminhando em
contacto com o meio natural. Para se praticar este tipo de actividade não é necessário
dominar quaisquer conhecimentos e técnicas especializadas, podendo ser praticado por
pessoas de todas as idades.
Cabe a todos nós preservar e manter o estado natural dos locais por onde
caminhamos, assim como manter o silêncio e evitar barulhos e atitudes que perturbem
os locais por onde passamos.
5.2.1 Percursos pedestres no aspecto desportivo
É um desporto não competitivo nem agressivo. Pratica-se em plena Natureza
com os benefícios característicos das actividades de ar livre. Pode ser praticado por
amplas camadas da população, em grupos, em famílias, etc.
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Não requer um equipamento sofisticado nem material técnico. Não requer
conhecimentos prévios de cartografia, orientação etc. É uma válvula de escape para o
sedentarismo das grandes cidades e de fuga ao stress característico das cidades.
5.2.2 Percursos pedestres no aspecto turístico e cultural
O turismo é hoje em dia uma necessidade cada vez maior e uma importante
fonte de receitas; as novas tendências turísticas estão cada vez mais viradas para um
turismo mais activo, mais "verde" e mais natural. O Pedestrianismo aproxima as pessoas
ao meio rural, promovendo-o. Os caminhos tradicionais são dos melhores recursos
existentes nas zonas rurais e de montanha. A sua recuperação para novos usos pode
revitalizar a economia destas zonas.
O Pedestrianismo pode dinamizar, nas zonas rurais, actividades que
complementem a economia ligada às actividades tradicionais, promovendo o
desenvolvimento sócio-económico dos interiores e das suas populações. É uma
actividade que rentabiliza a oferta da restauração, do alojamento rural, turismo de
habitação, parques de campismo, etc. O Pedestrianismo fomenta a amizade e o
intercâmbio cultural, facilita o conhecimento do nosso país, as suas gentes, costumes e
tradições
5.2.3 O Pedestrianismo no aspecto ambiental e de protecção da Natureza
O Pedestrianismo é um instrumento eficaz na conservação dos caminhos, das
fontes, calçados, lugares de interesse histórico, etc. Permite o conhecimento e a
sensibilizarão ambiental promovendo a protecção do Natureza.
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
O Pedestrianismo estimula a observação do meio natural, a observação do fauna
e da flora, promovendo o seu respeito e admiração. Influencia a conservação e
protecção do meio rural cujos pessoas e modos de vida são o património mais
importante.
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Parte II
1 Componente Prática
Perspectivas do Concelho de Vila Verde
Vila Verde é um dos 13 concelhos do distrito de Braga, do qual dista 11 km,
pela EN 101. Com 58 freguesias e uma área de 226 km2, é limitado pelos concelhos de
Braga, Amares, Terras de Bouro, Ponte da Barca, Ponte de Lima e Barcelos. Vila
Verde, enquanto município foi criado por decreto de 24 de Outubro de 1855
compreende os antigos coutos e concelhos medievais extintos de Aboim da Nóbrega,
Cervães, Larim, Penela, Pico de Regalados, Prado Valdreu e Vila Chã. A sua
morfologia é dominada pelos vales dos rios e pelos relevos proeminentes que o
envolvem a Norte e Este, que ofereceram sempre condições propícias à instalação de
comunidades humanas desde os mais remotos tempos pré-históricos (Câmara Municipal
de Vila Verde, 2000).
Vila Verde beneficia de várias redes fluviais: o rio Cavado, o rio Homem, os
Rios do Tojal, do Neiva e do Vade e ainda as ribeiras de Valdreu, Valbom, Paço e Oriz
e os ribeiros de Barges, Poriço e Casal do Pato. Esta rede hidrográfica, para além de
fornecer a água necessária para a rega de culturas como o milho, muito cultivado nesta
região, proporciona a prática de alguns desportos fluviais, incontestável forma de
ocupação dos tempos livres. As várias redes fluviais favorecem, ainda, duas formas de
relevo distintas: uma de vale e outra de encosta. Nas zonas de menor altitude
encontram-se as freguesias de Soutelo, Prado Sta. Maria, Cabanelas, Lage, Moure,
Lanhas, Pico de Regalados e Pico São Cristóvão. Nas zonas de encosta encontram-se as
freguesias de Covas, Valões, Penescais, Valdeu, Oriz S. Miguel, Paço, Gomide,
SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565
61
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Gondomar e Aboim da Nóbrega. As zonas de maior altitude (mais de 700 metros)
situam-se as freguesias de Codeceda, Gondomar e Aboim da Nóbrega (Câmara
Municipal de Vila Verde, 2000).
De Bezeguimbra a Aboim, de Mixões da Serra a Casais de Vide, vai toda uma
tradição, uma cultura, uma forma de viver que merece ser visitada mas também
protegida, pois encerra ainda preciosas lições (Câmara Municipal de Vila Verde; 1992).
1.1.1 Monumentos e Arquitectura
Em Vila Verde, a arquitectura rural é visível em determinados povoamentos
rurais, onde a economia assenta numa agricultura de recursos arcaicos. O granito
assenta no verde característico da paisagem desta região, a par de uma grande aplicação
de madeira de pinho e castanho na construção das casas (Idem).
A evolução da arquitectura neste Concelho nasceu sob o signo da riqueza
aparente do ouro do Brasil, manifestando-se na arquitectura civil e religiosa. Como
exemplos mais significativos encontramos o Solar de Carcavelos, a Casa da Madalena,
o Solar de Febros, a Casa de Serrazim, o Solar de Gondomil e o Solar do Fundão
(Câmara Municipal de Vila Verde, 2000).
São conhecidos, no Concelho de Vila Verde, mais de cinquenta lugares,
monumentos ou elementos rurais, com interesse histórico, antropológico e etnográfico.
Como exemplos mais significativos encontramos o Fojo de Lobo, Castelo de Francos,
Torre de Pengate, Ponte de Prado, citânia de S. Julião (Idem).
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
1.1.2 A Arte Religiosa
A arte religiosa deste Concelho está bem patente nas Igrejas, Capelas e
Santuários.
Neste contexto,
salientamos a existência de alguns
santuários,
nomeadamente o Santuário de Stº António de Mixões da Serra, Santuário do Alívio, e o
Santuário da Nossa Senhora do Bom Despacho, nas freguesias de Valdreu, Soutelo e
Cervães respectivamente. De referir ainda as Alminhas, os Arcos Festivos de grandes
dimensões e as Custódias em prata com banhadas a ouro assinalando devoção, alegria,
festa e respeito manifestado pelo povo Vilaverdense (Câmara Municipal de Vila Verde,
2000).
1.1.3 Festas e Romarias
Vila Verde é, também, terra de grandes tradições. As suas gentes têm orgulho
nas festividades, nomeadamente, a festa de Stº António Mixões da Serra, Nossa Senhora
do Alívio, Stº António de Vila Verde, Stº Amaro, oferecendo a este festejo um encanto
muito popular. Não falta a decoração em papel, o lado religioso com missa, e procissão,
Zés P`reiras, Gigantones, desfiles etnográficos, Rusgas, fogo de artifício, tascas típicas,
a viola, a concertina, e tantas outras atracções, que constituem os pontos altos de um
calendário que dura de Janeiro a Dezembro (Idem).
1.1.4 Gastronomia
A
cozinha
vilaverdense,
caracteriza-se
principalmente
pelos
pratos
confeccionados com carne de cabrito, de porco ou de vitela barrosã. Típicos são os
rojões à moda do Minho, as papas de sarrabulho, o cozido à portuguesa, o arroz de
cabidela ou de pato, o cabrito assado no forno com batatinhas. Há ainda quem
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confeccione arroz seco em alguidares tortos, trutas do Rio Ave à Vila Verde, bacalhau e
coelho à caçador. São também apreciados os fumeiros ou enchidos, uma forma
tradicional de conservar alimentos com o auxílio das lareiras.
A doçaria apresenta uma grande variedade, como por exemplo, os mexidos de
mel, as rabanadas de mel ou de vinho, douradas ou fidalgas, o arroz doce sem ovos e a
aletria, o pudim de ovos, o creme queimado e as cavacas minhotas.
O Vinho Verde, produzido nas encostas de Vila Verde, Amares, Terras de Bouro
e Póvoa de Lanhoso, é de excelente qualidade e é vendido sob designação de marca.
Este vinho é ideal para acompanhar a culinária tradicional. Alguns pratos são mesmo
confeccionados com recurso ao Vinho Verde e é por ele que devem ser
acompanhados.28
1.1.5 Artesanato
O Concelho de Vila Verde é rico em bordados, que vão desde os Lenços de
Namorados, lençóis, travesseiros, fronhas de almofadas, toalhas de mesa e
rosto e até peças de vestuário. Merecem, contudo, especial destaque os famosos
”Lenços de Namorados”.29 Pensa-se que a origem possível dos ”Lenços dos
Namorados” ou ”de Pedido” está nos Lenços Senhoris dos séculos XVII – XVIII,
sendo, depois, adaptados pelas mulheres do povo que lhes conferiam um aspecto
popular característico. A sua função principal, para além de constituírem parte
integrante do traje feminino, era a da conquista do conversado.
28
http://www.cm-vilaverde.pt/indexxx.cfm?azdoc=gastronomia.cfm (acedido em 05.03.04)
29
http://www.cm-vilaverde.pt/indexxx.cfm?azdoc=art01.cfm (acedido em 05.03.04)
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
A moça casadoira colocava toda a sua mestria na elaboração do seu lenço a
partir de um pano de linho fino ou algodão, expunha nele todo o amor que sentia através
de quadras e, entregava-o, depois, ao seu amado que, como sinal de acordo, nos dias
seguintes usava o lenço à volta do pescoço (Câmara Municipal de Vila Verde; 2000).
O barro é também uma das maiores riquezas desta terra, nomeadamente, nas
freguesias de Cabanelas, Cervães, Vila de Prado e Oleiros. As suas produções vão desde
cântaros, talhas, fantoches, vasos e loiças.
No Concelho existem ainda artesãos que trabalham o vime, a verga, fazem
miniaturas em madeira, peças de mobiliário, espigueiros, carros de bois, brinquedos e
artigos de decoração (Idem).
1.1.6 Desporto e Lazer
Vila Verde é um concelho irrigado por três rios principais, o Cávado, o Homem
e o Neiva. Neles podemos usufruir das suas praias fluviais, com destaque para Malheira
na freguesia de Sabariz, Faial na freguesia de Prado - Stª Maria e Ponte Nova na
freguesia de Vila Verde (Ibidem).
As activiades desportivas com mais tradição no concelho são os desportos
náuticos, o futebol, os circuitos de BTT, as provas de Rali, provas de Trial, a ginástica,
a natação, a pesca e a caça.
SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565
65
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2 Oferta Turística do Concelho
Alojamento Turístico
A capacidade de alojamento turístico do Concelho de Vila Verde é de 106
quartos duplos, cinco apartamentos T1 e um T3, uma suite com três quartos duplos,
duas suites T0 e T1, uma suite com seis quartos duplos e um single e, uma suite para
quatro pessoas. O número total de estabelecimentos são 19, sendo 18 unidades de
Turismo em Espaço Rural e uma Residencial, estando esta última equipada com 1 Suite
para 4 pessoas e 24 quartos duplos30.
Turismo em Espaço Rural
Em Vila Verde ainda é visível em determinados povoamentos rurais, a casa rural
típica deste concelho, dividida em dois pisos. O piso superior, geralmente com alguns
quartos, sala e uma cozinha, o piso inferior, constituído por várias divisões onde se
encontra a corte do gado e a adega (vulgarmente, denominada por “loja”, usada para a
recolha e produção do vinho verde, característico desta região). Ladeando a casa
encontra-se, por norma, um espigueiro para guardar os cereais, como o milho e o
centeio (Câmara Municipal de Vila Verde; 1992).
O concelho de Vila Verde oferece ao visitante um alojamento enquadrado com o
meio rural, onde se destacam as casas de Turismo no Espaço Rural, estando em
contacto permanente com a natureza e o mundo rural típico31
30
31
Ver apêndice 1
Ver apêndice 1
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66
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Procura Turística do Concelho de Vila Verde
A nível da procura turística do concelho de Vila Verde, verifica-se uma carência
de dados estatísticos. Foi apenas possível aceder a dados sobre Tempo Médio de Estada
Mês e a Ocupação de 1998 e 1999 em alguns estabelecimentos de Turismo em Espaço
Rural. De entres os estabelecimentos foram seleccionados os que se localizam,
precisamente, nas Encostas Terras da Nóbrega. Estes dados foram disponibilizados pela
ATAHCA/TURIALD – Central de Reservas das Terras Altas do Homem, Cávado e
Ave, e, segundo informações da mesma, algumas destas casas já não se encontram em
actividade (a Casa do Fojo e a Casa da Fonte), no entanto, dadas as situações, os
seguintes dados serviram para se fazer uma pequena e limitada análise da procura
turística existente. Os gráficos foram elaborados com base na informação cedida pela
ATAHCA.32
Número de
Dias
Gráfico nº 10: Tempo Médio de Estada em 98
3
2,5
2
1,5
1
0,5
0
2,9286
2,2675
1,7
0
Eira
0
S. João Nóbrega Fojo
0
Fonte TME por
mês
Nome das Casas
32
Ver apêndice 2 e 3
SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565
67
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Número de
Dias
Gráfico nº 11: Tempo Médio de Estada em 99
6
5
4
3
2
1
0
4,5
5,333
4,3888
5
3,6857
Eira S. JoãoNóbrega Fojo
3,8556
Fonte TME po
mês
Nome das Casas
A nível do Tempo Médio de Estada por mês, registou-se nas unidades de
alojamento de Turismo em Espaço Rural do Núcleo Rural das Terras da Nóbrega, uma
pequena evolução positiva, passando de 2,2675 dias em 1998 para 3,8556 dias em 1999.
Gráfico nº 12: Nº de Hospedes em 98
Número de
Pessoas
80
72
60
52
40
20
20
0
0
Eira
0
S. JoãoNóbrega Fojo
0
Fonte Total por
ano
Nome das Casas
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68
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Número de
pessoas
Gráfico nº 13: Nº de Hospedes em 99
500
400
300
200
100
0
424
216
40
44
104
20
Eira S. JoãoNóbrega Fojo
Fonte Total por
ano
Nome das casas
De acordo com os dados dos gráficos nº 11 e nº 12, o número total de hóspedes
passou de 72 no ano de 1998 para 424 hóspedes no ano seguinte.
Assim, apesar da oferta deficitária de actividades complementares de animação,
a procura, e o consequente tempo médio de estada aumentou, seria primordial apostar
em actividades e infra-estruturas de animação, para desta forma se conseguir uma maior
atractividade do destino e, por conseguinte, aumentar o tempo médio de estada nas
referidas unidades de alojamento de Turismo em Espaço Rural.
SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565
69
PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
3 Núcleo Rural das Encostas das Terras da Nóbrega
O Núcleo Rural Encostas das Terras da Nóbrega, sobre o qual irá incidir a
proposta de percursos pedestres, é constituído pelas freguesias de Aboim da Nóbrega e
Gondomar e abrange uma área com cerca de 15 km2, no qual reside uma população de
1422 habitantes. Inclui-se a totalidade deste Núcleo Rural no concelho de Vila Verde,
pertencente ao distrito de Braga, com inserção na província do Minho. Este núcleo
encontra-se no limite do concelho de Vila Verde com o Concelho de Ponte da Barca,
situando-se a meia encosta, entre Santo António Mixões da Serra e as freguesias de
Atães, Paçô e Valdreu. O principal acesso a este núcleo rural faz-se pela Estrada
Municipal que parte da E.N. 101, no lugar da Portela do Vade, na freguesia de Atães.
A baixa densidade populacional desta área é representativa de uma área rural por
excelência, existindo várias oscilações de valores no interior da mesma, tendo a
freguesia de Aboim da Nóbrega uma densidade de 111 habitantes por km2.33
3.1
Caracterização Edafo-Climática
Climaticamente, podemos caracterizar esta área como possuindo Invernos
bastantes chuvosos e frios, Primaveras e Outonos algo irregulares e com predominância
de Verões quentes e secos. A precipitação média anual varia entre os 2000 mm e os
2800 mm, o que corresponde a mais de 100 dias por ano com precipitação igual ou
superior a 1 mm.
33
Informação cedida pela ATAHCA. Dados relativos à Ficha de Candidatura da ATAHCA para “Agris
- Programa Potencial Regional; Medida Agricultura e Desenvolvimento Rural 2001.
SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565
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PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
A temperatura média do ar varia entre os 10º C e os 15º C. A humidade relativa
varia entre os 75% e os 85%, a insolação apresenta valores entre as 1800 e as 2200
horas por ano.
Geologicamente, os solos são de origem granítica, predominando aqueles de uso
não agrícola.
Em termos ecológicos existe nesta área a predominância de duas zonas distintas,
uma de montanha com altitudes superiores a 500m e outra de meia encosta alta, com
altitudes entre os 200 e os 500m.34
3.2
Caracterização dos principais aspectos sociais, ambientais e
histórico-culturais das freguesias de Aboim da Nóbrega e Gondomar
A freguesia de Aboim da Nóbrega, situa-se a 13 Km a norte do concelho de Vila
Verde, sendo a terceira mais extensa das 58 freguesias que o constituem.
Aboim da Nóbrega destaca-se pela sua importância na história de Portugal, por
um conjunto de importantes monumentos que possui, pelos seus usos e costumes que
perduram ao longo do tempo, pela paisagem característica que detém, constituída por
pequenos aglomerados rurais dominados por um forte espírito comunitário.
Aboim da Nóbrega, com a categoria de couto, é um dos mais antigos da região
do Minho, sendo uma freguesia detentora de uma história extraordinária, sendo mais um
dos concelhos extintos que está compreendido no território do actual concelho de Vila
Verde. Foi outrora, sede do antigo concelho de Aboim da Nóbrega, extinto por decreto
de 31 de Dezembro de 1853 (Câmara Municipal de Vila Verde; 1999).
34
Informação cedida pela ATAHCA. Dados relativos à Ficha de Candidatura da ATAHCA para “Agris Programa Potencial Regional; Medida Agricultura e Desenvolvimento Rural 2001.
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PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Foi couto e comenda da Ordem Militar de Malta, e depois de coroa. Tinha então
juiz ordinário, dois vereadores, procurador, meirinho, escrivão da câmara e do cível, a
cujas eleições presidia o corregedor de Viana do Castelo. Este couto foi pertença de
D. João de Aboim, homem rico de reinado de D. Afonso III e seu mordomo-mor, o qual
descendia das famílias da Nóbrega e de Aboim, de onde descenderam ilustres nobres,
unidos por casamento com os melhores de Portugal e Espanha (Câmara Municipal de
Vila Verde; 1999).
No lugar de Casaleixo, nasceu o célebre fidalgo, João Soares Vivas, capitão-mor
das naus da Índia e que, desgostoso com alguns fidalgos portugueses partiu para Castela
onde mais tarde Filipe IV lhe concedeu o titulo de Conde da Nóbrega. A Igreja de
Aboim da Nóbrega possui uma Capela anexa voltada ara o interior da Igreja, mandada
construir por este fidalgo, onde na parte nascente se pode ver uma inscrição que lhe faz
menção (Idem).
A padroeira de Aboim da Nóbrega, Nossa Senhora da Assunção, foi em tempos
antigos a mais célebre devoção dos fidalgos e senhores de Entre Douro e Minho. A
Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Aboim da Nóbrega foi em tempos remotos, um
mosteiro de freiras beneditinas que datava da era românica. Todavia a sua aparência
primitiva, foi sendo alterada devido às várias reformas, a que foi sujeita no decorrer dos
séculos. Contudo é-nos bem visível no interior da Igreja, o rico e encantador tecto em
molduras, caixotões e pinturas de há séculos considerado dos mais belos e artísticos do
Norte do País. Esta invulgar preciosidade em talha dourada, enquadram admiráveis
pinturas alusivas ao «Magnificat» do qual se destacam os próprios versículos (Câmara
Municipal de Vila Verde; 1947).
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PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Aboim da Nóbrega dispõe de um rico e importante património cultural, natural,
e construído. A imponência dos miradouros permitem desfrutar de uma paisagem
verdejante até ao limite dos nossos sentidos e à expressão plena de harmonia entre o
Homem e a Natureza.
A intervenção do Homem manifesta-se pelas casas de pedra solta e granito, pela
existência de espigueiros também em granito, muitos deles com relógios de sol,
localizados nos lugares de Bemposta, Povoadura, Casais de Vide. No referido lugar,
poder-se-á encontrar a designada Casa da Pequenina, um antiquíssimo solar rural de
rara beleza, por deter um aglomerado de casas de habitação tipicamente construídas
também elas de pedra sobre pedra, onde ainda existem caleiros de granito que
permitiam conduzir as águas vindas das alturas do monte (Câmara Municipal de Vila
Verde; 1999).
Ainda nas proximidades de Casais de Vide, bem no cimo de um monte,
encontram-se as velhas ruínas do antigo Castelo de D. Ourigues-o-Velho, da Nóbrega.
Segundo Guerra (1996) existiu o Castelo da Nóbrega que se levantava no alto do
monte, onde desde tempos pré históricos assentou um castro. No penhasco mais elevado
colocaram um maço geodésico com a cota de 775 metros de altitude.
É possível ver ainda, outras heranças do passado que demonstram a grandeza
que esta freguesia possuiu outrora, nomeadamente, a antiga Câmara, a Cadeia, o
Pelourinho e a Casa de D. João de Aboim. Podemos ainda encontrar capelas, cruzeiros,
alminhas e moinhos junto ao Rio Vade.
O artesanato é, sem dúvida, uma das tradições com fortes raízes, nas gentes de
Aboim da Nóbrega. Destacam-se, essencialmente, as rendas e os bordados, entre os
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PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
quais podemos encontrar exemplares como toalhas, panos de folar e lenços de
namorados entre outros (Câmara Municipal de Vila Verde; 1999).
São também várias as lendas e tradições existentes nesta freguesia. Outrora, foi
venerado um “Dente Santo”, ao qual o povo atribuía o poder de salvar as pessoas das
mordidelas dos cães raivosos. Este dente era transportado de romaria pelo padre de
Santo André de Gondomar, João do Valle Fresco e Faria, em 1758, com o qual benzia
as pessoas. Investigadores têm já averiguado a proveniência do “Dente Santo” de
Aboim, no entanto há quem suponha que este pertencia às maxilas de S. Fructuoso,
Abade de Constantim, Vila Real, onde se vê a sua cabeça exactamente sem um dente, a
Santo Eleutério, papa martirizado em 196 ou finalmente a Santo Eleutério, arcebispo de
Braga falecido em 560 (Câmara Municipal de Vila Verde, 1947).
A freguesia de Gondomar situa-se a 16 km a norte do concelho de Vila Verde,
fazendo fronteira com as freguesias de Paço, Valdreu e Aboim da Nóbrega.
Gondomar, é uma freguesia digna de uma visita, onde se pode estabelecer
contacto com o mais nobre povo do mundo rural numa aldeia comunitária. Preserva
muitos dos seus ancestrais usos e costumes. Junte-se a esta faceta as belezas naturais
que encerra, como a vegetação de cor amarela das giestas, o acinzentado escuro das
construções em pedra granítica, rusticamente, trabalhada das casas e espigueiros ou
mesmo muros de pedra solta. Para além dos diversos aglomerados rurais espalhados
pela freguesia, merecem especial destaque a igreja de Gondomar, casas cobertas a
colmo, o Fojo do Lobo, e o cruzeiro seiscentista (Câmara Municipal de Vila Verde;
1999).
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Nestas freguesias ainda existem artesãos que bordam Lenços de Namorados,
panos em linho e tecem o linho e a lã. Podemos também encontrar, apesar de com
menos frequência que no passado, pessoas a fazerem barbeitos.
A paisagem é caracterizada por duas encostas que se situam acima dos 400
metros do nível do mar, sendo separadas pelo rio Vade, afluente da margem esquerda
do Rio Lima, que nasce em Gondomar e desagua em Ponte da Barca. Este rio
caracteriza-se, essencialmente, pela presença abundante de truta e pelos moinhos
seculares que se podem encontrar nas suas margens (Câmara Municipal de Vila Verde;
1999).
O ponto de cota mais elevado situa-se no monte do outrora Castelo de Aboim da
Nóbrega com 775 metros de altitude, onde a neve é uma das visitas regulares no
Inverno.
3.3
Programas de Apoio Comunitário que incidiram em Aboim da
Nóbrega e Gondomar
Antes de tudo, será oportuno referir neste ponto a ATAHCA – Associação das
Terras Altas do Homem, Cávado e Ave, visto que, esta associação é uma entidade
ligada ao desenvolvimento local rural, e cujo o território de intervenção era,
originalmente, constituído pelos concelhos de Amares, Póvoa de Lanhoso, Terras de
Bouro, Vieira do Minho e Vila Verde (actualmente o concelho de Vieira do Minho não
pertence à zona de intervenção da ATAHCA) (ATAHCA; 2002). Esta associação tem
como objectivo a persecução de uma estratégia de desenvolvimento rural integrado, a
qual incide, também, nas freguesias de Aboim da Nóbrega e Gondomar. A ATAHCA
foi fundada em 1991, e na última década, tem desenvolvido um vasto conjunto de
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
iniciativas ligadas ao Desenvolvimento Local, de forma a revitalizar e dinamizar o
Mundo Rural. Desde 1991, deu-se lugar à implementação dos programas LEADER I,
LEADER II, medida AGRIS, programa LEADER + (em curso), entre outros
(ATAHCA; 2002).
O Programa de Iniciativa Comunitária LEADER I, possibilitou o apoio a 232
projectos referentes a toda a zona de intervenção da ATAHCA, em áreas tão
diversificadas como o apoio técnico, a formação profissional, o Turismo em Espaço
Rural, o artesanato e a criação de PME`s, os produtos agrícolas locais e a protecção do
ambiente.35 Particularmente, nas freguesias de Aboim da Nóbrega e Gondomar no
âmbito do LEADER I as áreas de apoio foram, essencialmente, a criação de centros de
artesanato, revitalização das fachadas, a recuperação de casas para o Turismo em
Espaço Rural, recuperação dos muros do “fojo do lobo” em Gondomar, recuperação de
espigueiros, recuperação de caminhos, acções de formação.36
Financiado pelo FEOGA, FEDER e o PPDR, foi criado o Centro Rural Encosta
de Mixões da Serra, integrado na região do Alto Cávado, que engloba, entre outras, as
freguesias de Aboim da Nóbrega e Gondomar.37
Os projectos implementados nestas duas freguesias foram, a recuperação e
revitalização do Centro Histórico de Aboim da Nóbrega, a colocação de placas
informativas, e a criação do Parque de Campismo de Aboim da Nóbrega.38
35
http://www.minhaterra.pt/associados/atahca.asp#O%20Território%20de%20intervenção (acedido em
07.03.04)
36
Informações obtidas por entrevista à ATAHCA
37
Informações obtidas por entrevista à ATAHCA
Informação cedida pela ATAHCA. Dados relativos à Ficha de Candidatura da ATAHCA para
“Agris - Programa Potencial Regional; Medida Agricultura e Desenvolvimento Rural 2001.
38
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Com o apoio programa LEADER II, foram recuperadas fachadas, espigueiros,
reconverteram-se casas para o Turismo em Espaço Rural, e organizou-se acções de
formação. Na mesma lógica de desenvolvimento, mas sendo agora o apoio feito através
da Medida AGRIS, a ATAHCA, interveio nesta duas freguesias, nomeadamente, na
recuperação e manutenção de casas para o Turismo em Espaço Rural, recuperação de
fachadas, espigueiros, apoio à agricultura, ao artesanato.39
O programa LEADER + está em fase de arranque, existem ainda candidaturas e
projectos a decorrer. As suas iniciativas centram-se nas seguintes áreas: a recuperação
das “Aldeias da Saudade”; “Itinerários”; “Apoio à produção, transformação e
comercialização dos produtos locais”; “Equipamentos sociais, turísticos e culturais”;
“Valorização de espaços naturais”, etc.40
Com o apoio deste programa, a ATAHCA visa concluir as obras do Parque de
Campismo de Aboim da Nóbrega.
Nas freguesias de Aboim da Nóbrega e Gondomar têm particular incidência
as iniciativas relacionadas com a revitalização dos lugares de aldeias tradicionais de
manifesto potencial turístico – Aldeias da Saudade.41
3.4
“Aldeias da Saudade”
As casas de Turismo em Espaço Rural do Núcleo Rural das Encostas das Terras
da Nóbrega pertencem ao núcleo das casas de granito das regiões rurais de montanha
denominado “Aldeias da Saudade”. Este núcleo, por sua vez, pertence ao Centro Rural
39
Informações obtidas por entrevista à ATAHCA
http://www.minhaterra.pt/associados/atahca.asp#O%20Território%20de%20intervenção (acedido em
07.03.04)
41
Informações obtidas por entrevista à ATAHCA
40
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
das Encostas Mixões da Serra, liderado pela ATAHCA – Associação das Terras Altas
do Homem Cavado e Ave (ATAHCA; 2000).
As “Aldeia da Saudade”, constituem verdadeiros nichos rústico-tradicionais,
onde predomina as construções em granito, característica das regiões de montanha, fruto
do convívio e da adaptação do homem às adversidades do meio e de uma secular
experiência na criação de modelos arquitectónicos simples e funcionais, aliados a um
modo de viver extremamente peculiar. Estes nichos rústico-tradicionais, denominados
“Aldeias da Saudade” são, literalmente, a organização da oferta de alojamento em
Turismo em Espaço Rural, englobados pelas aldeias de Brufe e Cutelo, em Terras de
Bouro, Pequenina/Casais de Vide e Gondomar, em Vila Verde (Idem).
3.5
Alojamento Turístico do Núcleo Rural Terras da Nóbrega
O tipo de alojamento existente nesta região é, todo ele, de Turismo em Espaço
Rural. O turista ou visitante tem à sua disposição magníficas casas rurais e, futuramente,
um Parque de Campismo Rural. O número de casas destinadas ao Turismo em Espaço
Rural é, actualmente, de quatro unidades, a Casa da Eira, Casa de S. João, a Casa da
Capucha e a Casa da Nóbrega. Quanto ao Parque de Campismo Rural de Aboim da
Nóbrega, encontra-se em fase de conclusão das obras.
Actualmente, a capacidade de alojamento destas duas freguesias é de nove
quartos, sendo cada quarto equipado com cama de casal. Assim sendo, a capacidade de
alojamento em número de dormidas por noite poderá ser de 18 pessoas. Quanto ao
futuro Parque de Campismo Rural de Aboim da Nóbrega, a sua capacidade é para mais
de 200 pessoas.
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
3.5.1 Casa da Eira
A Casa da Eira fica situada no lugar de Casais de Vide, na freguesia de Aboim
da Nóbrega.
Equipamentos e Animação
1 Apartamento T3
Kitchenette
Sala de convívio com Televisão
Aquecimento proporcionado por uma lareira
Televisão no quarto
3.5.2 Casa de S. João
A Casa de S. João fica situada no lugar de Casais de Vide, na freguesia de
Aboim da Nóbrega.
Equipamentos e Animação
1 Apartamento T2
Kitchenette
Sala de convívio com Televisão
Aquecimento proporcionado por uma lareira
Televisão no quarto
3.5.3 Casa da Capucha
A Casa da Capucha fica situada no lugar da Nogueira, na freguesia de
Gondomar.
Equipamentos e Animação
1 Apartamento T2
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79
PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Kitchenette
Sala de convívio com Televisão
Aquecimento proporcionado por uma lareira
3.5.4 Casa da Nóbrega
De todas as casas de Turismo em Espaço Rural existentes nas Encosta das Terras
da Nóbrega, a Casa da Nóbrega, situada no Lugar da Pequenina, na freguesia de Aboim
da Nóbrega, está conceituada como a mais característica desta região. ”As suas rudes
paredes de granito, o forno para cozer o pão, a velha lareira, transportam-nos aos
tempos em que, depois de um dia duro de trabalho no amanho das terras, a família rural
se reunia à volta da lareira onde ardia um belo cepo de carvalho e a mãe distribuía pelos
filhos e pelo homem de mãos calejadas, um fumegante caldo que fervilhava no pote de
3 pernas, e um saboroso naco de boroa, por vezes ainda quente, saído do forno”.42
Equipamentos e Animação
1 Apartamento T1
Kitchenette
Sala de convívio com Televisão
Aquecimento proporcionado por uma lareira e por sistema eléctrico
3.5.5 Parque de Campismo Rural de Aboim da Nóbrega
O Parque de Campismo de Aboim da Nóbrega (PCRAN) foi construído no lugar
das Lameiras, num local com enquadramento paisagístico deslumbrante, merecendo
42
http://www.casadanobrega.com/index.html (acedido a 14.04.04)
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especial destaque, os aglomerados rurais da Freguesia de Aboim da Nóbrega.
Morfologicamente, o terreno situa-se no sopé de uma montanha sendo acompanhado em
toda a sua extensão pelo rio Vade.
O Parque tem capacidade para cerca de 200 pessoas e é composto por duas áreas
de utilização bem diferenciadas, uma destina-se a colocação de tendas e outra para
parque de rolotes. É constituído por aglomerado de bengalows, de forma a atingir uma
maior diversidade ao nível de alojamento. Para além disso, o Parque é constituído por
edifícios destinados ao funcionamento da recepção e administração, balneários, café,
mercado e salão de jogos.
3.6 Atracções: Praia Fluvial de Aboim da Nóbrega
Situada entre os limites dos Lugares do Adro e Martinga, esta praia é composta
por duas zonas distintas e devidamente separadas para banhos nas águas do rio Vade.
Uma destinada para as crianças e outras para adultos. A profundidade máxima ronda os
1.70 metros. Para além das intervenções feitas no caudal do rio, foi construído um
edifício com balneários e um bar. As margens do rio foram relvadas bem como o
restante terreno envolvente, permitindo assim apanhar banhos de sol, praticar diversas
actividades desportivas e até mesmo acampar.
A Praia Fluvial de Aboim da Nóbrega tira partido da sua localização, situando-se
numa zona plana, próximo do Centro Histórico de Aboim da Nóbrega. Está rodeada por
excelentes campos de cultivos e possui ainda, três acessos principais, quer seja de carro
ou a pé, o que lhe confere potencialidades para afluência de visitantes.
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3.7 Actividades de animação no Núcleo Rural Terras da Nóbrega
As aldeias são hoje locais com atractividade, dotadas com alguns equipamentos
turísticos, nomeadamente, as unidades de Turismo em Espaço Rural. No entanto, à
excepção da Praia Fluvial só utilizada no Verão, não existem alternativas para ocupação
dos tempos livres dos turistas.
À semelhança do que foi referido no subcapítulo 3.2, sobre a importância de
actividades de animação nos meios de alojamento, podemos verificar um
constrangimento no que concerne às actividades de animação nos referidos
estabelecimentos de Turismo em Espaço Rural. Os equipamentos de animação são
equipamentos normais como uma sala de convívio com televisão. É necessário a
existência de uma oferta mais diversificada de actividades de animação.
Sendo assim, através dos exemplos referidos no subcapítulo 3.2, verifica-se que
a existência de actividades de animação pode desempenhar um importante papel na
escolha das unidades de alojamento dentro da mesma categoria e, particularmente, entre
as modalidades de alojamento TER, bem como conduzir a estadas mais longas, o que se
repercute nos benefícios económicos para a população local, e, consequentemente na
dinamização das aldeias.
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Conclusão
A Revolução Industrial, e o consequente crescimento económico e
racionalização do trabalho, fomentou o aparecimento de melhores meios de
comunicação e transporte, e ainda, as noções de lazer, tempos livres e o direito a férias
pagas. Estas foram as principais condições que vieram favorecer actividade turística,
caracterizada por um turismo de massas, que visava o lucro a qualquer preço, não tendo
quaisquer preocupações pela sustentabilidade das áreas, locais ou regiões de maior valor
e sensibilidade ambiental.
Os turistas tradicionais ou de massas procuravam era destinos turísticos de sol e
praia. Seguidamente, os turistas passaram a fazer uso dos seus tempos livres em lugares
tranquilos, enquadrados com o meio ambiente preservado, opondo-se à confusão do
turismo de massas, sendo cada vez mais responsáveis e atenciosos às questões de
conservação ambiental, cultural e social dos destinos.
Por sua vez, a Revolução Industrial, trouxe grandes mudanças no panorama
económico e social das áreas rurais, levando ao declínio do sector agrícola e,
consequentemente, ao êxodo rural para as áreas urbanas. Posteriormente, outras
mudanças se afiguraram nas áreas rurais, contribuindo para uma complexidade na
limitação e definição do que é rural ou urbano.
O sector dos serviços, característico das áreas urbanas, difundiu-se, cada vez
mais, nos espaços rurais, provocando alterações económicas, culturais e sociais
significativas. Exemplo disso é a expansão da actividade turística, tradicionalmente,
associada ao sol e praia, para o espaço rural, através do aproveitamento das suas
paisagens, cultura, gastronomia e do alojamento em casas particulares, devidamente,
recuperadas.
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Sensivelmente, nos anos 80 deu-se início a esta nova realidade no contexto rural
Português, surgindo como Turismo de Habitação e posteriormente, passou a existir a
tipologia de Turismo em Espaço Rural, para o alojamento enquadrado no meio rural.
O turismo em geral e o Turismo em Espaço Rural em particular, assume-se
como um importante gerador e dinamizador de riquezas. Este fenómeno será capaz de
contribuir para o desenvolvimento de economias deprimidas das áreas rurais,
nomeadamente, através do aproveitamento dos seus recursos endógenos.
Os benefícios do turismo para as áreas rurais, são a nível económico, reflectidos
pelos gastos dos turistas e pela diversificação das actividades económicas com o
surgimento de novos serviços que vão desde os transportes, animação, guias interpretes,
produção e venda de artesanato, exploração de produtos agrícolas, levando à criação de
postos de trabalho. O Turismo em Espaço Rural, com a criação de postos de trabalho,
contribuirá para a fixação da população jovem, conduzindo à salvaguarda e reanimação
das vilas e aldeias, sendo os monumentos e a construção típica das casas, características
de grande apreço por parte dos turistas.
Para além disso, os motivos que levam os turistas a visitar os espaços rurais são
a necessidade de evasão e repouso, devido às pressões de rotina e stress, procurando o
contacto com a vida simples do campo, a autenticidade das relações, sentir-se em
liberdade e dar passeios a pé na descoberta de locais mais íntimos e pouco conhecidos.
Contudo, determinadas componentes da oferta do Turismo Rural, como a
paisagem e as vivências rurais, são de consumo “rápido”. Tornam-se, por sua vez,
essenciais a prática de exercício físico e animação lúdica em Turismo em Espaço Rural,
pois a oferta de alojamento começa a revelar-se insuficiente. Isto porque através da
diversificação da oferta de Turismo em Espaço Rural, apostando no desenvolvimento de
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actividades de animação, a qualidade do produto será melhorada, assim como a sua
capacidade de atracção e fixação dos turistas actuais e futuros.
O Núcleo Rural de Terras da Nóbrega, sendo uma região com forte identidade,
assente nos modos de vida, cultura, história, tradição, própria de uma comunidade rural,
constitui, pela existência de quatro unidades de alojamento de Turismo em Espaço
Rural, um Parque de Campismo Rural e, pelas demais potencialidade e recursos
turísticos, um pólo de atracção para os amantes de Turismo em Espaço Rural no
Concelho de Vila Verde.
No referido Núcleo Rural, tem-se registado uma evolução positiva ao nível do
número de pessoas que se hospedaram na região e, também, quanto ao tempo médio de
estada. Em 1998 registou-se, como tempo médio de estada, 2,7 dias, e em 1999 houve
um aumento para cerca de 4 dias.
Por outro lado, foram identificadas determinadas carências, nomeadamente, a
nível de actividades de animação complementares ao alojamento. Assim, tendo por base
a crescente procura turística, a nível de alojamento de Turismo em Espaço, do Núcleo
Rural de Terras da Nóbrega Rural, e a correspondente carência de actividades de
animação, propõe-se com este projecto identificar propostas de animação, assentes em
percursos pedestres, susceptíveis de complementar a oferta de alojamento.
Atendendo que, no seio de novas formas de ocupação dos tempos livres, surgem
novas necessidades onde estão presentes a aventura, o risco, o desejo de descoberta e o
contacto directo com a natureza preservada, concluir-se que o pedestrianismo, enquanto
actividade de animação aliada à actividade desportiva, cultural e ambiental, surge neste
contexto, e em particular no Núcleo Rural de Terras da Nóbrega, como um bom
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
complemento no desenvolvimento das diversas unidades de oferta de alojamento de
Turismo em Espaço Rural.
A existência de percursos pedestres devidamente traçados e orientados, segundo
as normas da Federação Portuguesa de Campismo, constituem, particularmente, para o
referido Núcleo Rural, um tipo de oferta que contribuirá para a diversificação e
dinamização da oferta, permitindo o aumento de tempo médio de estada e consequente
gasto médios dos turistas. Além disso, os percursos pedestres devidamente sinalizados
constituem ferramentas úteis para a promoção, preservação e conservação do
património natural e humano existente no Núcleo Rural de Terras da Nóbrega.
Os percursos pedestres são, particularmente, pertinentes quando o seu traçado
inclui passagem e/ou paragem em locais de significativo interesse para visita, mas
também em locais onde existam serviços (como é exemplo o pequeno comercio local)
e/ou atracções que consigam captar gastos dos turistas (ex: produção de broa, mel,
doces ou enchidos). Quando nos núcleos rurais não existem tais serviços/atracções, é
importante que os agentes de desenvolvimento local apoiem e promovam o
envolvimento da população no sentido destes virem a ser criados.
Assim, em resposta aos objectivos do projecto em seguida identificamos as
propostas de percursos pedestres, devidamente descritos e assinalados em cartografia
onde se insere o Núcleo Rural de Terras da Nóbrega.
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
4
Propostas de Percursos Pedestres
4.1 Localização dos percursos pedestres propostos
Os percursos pedestres propostos, têm como localização as freguesias de Aboim
da Nóbrega e Gondomar, freguesias que compõem o Núcleo Rural de Terras da
Nóbrega. Este núcleo encontra-se no limite do concelho de Vila Verde com o Concelho
de Ponte da Barca, situando-se a meia encosta, entre Santo António Mixões da Serra e a
freguesia de Atães, Paçô e Valdreu. O principal curso de água existente é o Rio Vade,
nasce na freguesia de Gondomar, atravessa toda a freguesia de Aboim da Nóbrega e
desagua no Rio Lima em Ponte da Barca. Os percursos têm como altitudes máximas os
775 metros e 375 metros de mínimas.
O principal acesso a este núcleo rural faz-se pela Estrada Municipal que parte
da E.N. 101, no lugar da Portela do Vade, na freguesia de Atães.
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4.2 Percurso Pedestre Costa do Castelo – Aboim da Nóbrega
Fonte: Serviço Cartográfico do Exército, folhas 28 e 42, escala original de 1:25000
É uma proposta de percurso denominado de Pequena Rota (PR)43, possuindo,
aproximadamente, três quilómetros e meio. Este percurso tem início no “Caminho da
Costa do Castelo”, junto da oficina do senhor “António Madeiro”, que estabelece a
ancestral ligação do Lugar de Casais de Vide até ao cimo de um monte, onde se
encontram as velhas ruínas do antigo Castelo de D. Ourigues-o-Velho, da Nóbrega
Depois de uma pequena subida acentuada de 350 metros encontramos uma chã a
cerca de 690 metros de altitude, que nos permite visualizar os vales de Aboim da
43
De acordo com o manual das normas para a implementação e marcação de percursos pedestres da
Federação Portuguesa de Campismo, 2001, denomina-se percursos pedestres de pequena rota os
percursos que não ultrapassem um dia de jornada, isto é, não terão, normalmente, mais de 30 km.
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Nóbrega e Gondomar. Contornando toda uma encosta, em direcção noroeste, faz-se a
ligação com a estrada, em terra batida, de acesso ao castelo. Tomando essa estrada
subimos ao Castelo de Aboim, e no cimo, a uma altitude de 775 metros, pode-se
contemplar vários aspectos da paisagem envolvente, bem como vistas panorâmicas
sobre os vales do Rio Vade, Rio Lima e do Rio Vez.
O caminho de regresso é realizado, em parte, pela estrada de acesso ao castelo,
seguindo em direcção ao Lugar do Livramento, um pequeno aglomerado rural da
freguesia de Sampriz, concelho de Ponte da Barca. Tomando um antigo caminho de
romeiros, usado em tempos pela Banda de Música e Rancho Folclórico de Aboim da
Nóbrega quando iam à festa da Senhora do Livramento, descemos uma pequena
encosta, indo terminar o percurso na Casa da Nóbrega.
Alt. em Metros
Gráfico nº 14: Perfil do Percurso Pedestre Costa do Castelo
800
600
400
200
0
0
500
1000
1500
2000
Distância em Metros
2500
3000
3500
Designação: Percurso Pedestre da Costa Castelo (Pequena Rota)
Tipo de Percurso: Paisagístico – Cultural
Distância Percorrida: 3,5 km
Duração aproximada: 1 hora e 30 minutos
Grau de Dificuldade: Percurso curto e fácil, quase sem declive.
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Pontos assinaláveis: Castelo de Aboim, Casa da Nóbrega, Relógio do Sol num
espigueiro típico, Capela S. João de Padornelo, Lugar da Pequenina (ver apêncie 4).
Marcações das direcções: assinaladas segundo as normas da Federação Portuguesa de
Campismo
Nota: Este percurso desenrola-se, inteiramente, em caminhos públicos
4.3
Percurso Pedestre Dente Santo – Aboim da Nóbrega
Fonte: Serviço Cartográfico do Exército, folhas 28 e 42, escala original de 1:25000
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É uma proposta de percurso pedestre em circuito, com cerca de sete quilómetros,
denominado de pequena rota (PR). Tem como ponto de partida e chegada a Capela
seiscentista de S. João de Padornelo, em Casais de Vide. Encaminhando em direcção ao
Lugar das Lameiras, pelo “Caminho das Lameiras” descemos até ao Parque de
Campismo Rural de Aboim da Nóbrega. Aqui segue-se pelo “Caminho das Zimprouas”,
descemos uma pequena encosta até ao rio. Devido à não existência de uma ponte, a
travessia do Rio Vade será facilitada por um carreiro de pedras alinhadas, usado pelos
pastores que aqui passam diariamente. Continuando em direcção a sul pela encosta,
chega-se ao Lugar da Várzea, onde se encontra a Fonte do Dente Santo, associada a
uma lenda de crença religiosa de Aboim da Nóbrega, onde foi em tempos venerado um
“Dente Santo”, ao qual o povo atribuía o poder de salvar as pessoas das mordidelas dos
cães raivosos. Seguindo em direcção ao Centro Histórico pelo “Caminho do Passal”,
passaremos pela Praia Fluvial de Aboim da Nóbrega, pela antiga Câmara e cadeia, o
Pelourinho, as Capelas e a Igreja de Aboim da Nóbrega.
A Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Aboim da Nóbrega foi em tempos
remotos, um mosteiro de freiras beneditinas que datava da era românica. Contudo é-nos
bem visível no interior da Igreja, o rico e encantador tecto em talha dourada e uma
Capela anexa voltada ara o interior da Igreja, mandada construir pelo célebre fidalgo,
João Soares Vivas, capitão-mor das naus da Índia.
No referido Centro Histórico, existe a possibilidade de fazer uma visita ao
comércio tradicional, nomeadamente, um mercearia onde perdura a venda de produtos
locais como o mel, queijo de cabra, enchidos, ovos, galinhas, coelhos, presunto, fruta da
época e broa de milho.
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RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Já em direcção a norte, a cerca de 150 metros do Centro Histórico, passaremos
pela antiga Casa do Juiz, em Paço Juz, e a Casa de D. João de Aboim, no Lugar do
Outeiro, pertença de D. João de Aboim, homem rico do reinado de D. Afonso III e seu
mordomo-mor, o qual descendia das famílias da Nóbrega e de Aboim, dando o nome a
esta freguesia.
Subindo pela encosta da Chã Grande, aproximadamente, até aos 590 metros de
altitude, chegaremos à Capela de S. João de Padornelo, nosso referido ponto de
chegada.
Altitude em Metros
Gráfico nº 15: Perfil do Percurso Pedestre Dente Santo
800
600
400
200
0
0
500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 5500 6000 6500 7000
Distância em Metros
Designação: Percurso Pedestre Dente Santo (Pequena Rota).
Tipo de Percurso: Paisagístico – Cultural.
Distância Percorrida: 7 km.
Duração aproximada: 3 horas e 30 minutos.
Grau de Dificuldade: Percurso médio, e pouco declive.
Pontos assinaláveis: Capela S. João de Padornelo, P. de Campismo, Moinhos, Fonte
Dente Santo, Praia Fluvial, Cruzes do Calvário, Antiga Câmara e Cadeia, Pelourinho,
Igreja Matriz, Antiga Casa do Juiz, Casa de D. João de Aboim (ver apêndice 4).
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Marcações das direcções: assinaladas segundo as normas da Federação Portuguesa de
Campismo
Nota: Este percurso desenrola-se, inteiramente, em caminhos públicos.
4.4
Percurso Pedestre Fojo do Lobo – Gondomar
Fonte: Serviço Cartográfico do Exército, folhas 28 e 42, escala original de 1:25000
É uma proposta de percurso pedestre denominado de pequena rota (PR) e, sendo
um circuito fechado pode ser realizado no dois sentidos, contudo, aconselha-se iniciar o
percurso partindo da Igreja seiscentista de Gondomar em direcção ao Lugar de Casais.
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Aqui pode-se visitar a oficina do senhor António Fernandes, artesão de artigos
em madeira e um habilidoso contador sobre caçadas e cercos aos lobos, particularmente,
no Fojo do Lobo. Deste lugar e subindo a encosta pelo “Caminho do Fojo”,
encontraremos, a cerca de um quilómetro, os muros do Fojo do Lobo, do qual, pela sua
remota existência, não se sabe a data de construção. Já no seu interior tomaremos um
antigo caminho e subimos até à altitude aproximada de 680 metros.
De seguida iniciamos a descida até ao aglomerado rural do Lugar do Tojal, um
exemplo de desertificação e abandono das áreas rurais. À medida que vamos descendo,
podemos desfrutar de vistas panorâmicas sobre os vales verdejantes de Gondomar, bem
como o aglomerado rural do Lugar da Nogueira.
Finalmente, depois de descer toda a encosta até à altitude aproximada de 550
metros, alcançaremos nosso ponto de chegada, a igreja de Gondomar.
Altitude em Metros
Gráfico nº 16: Perfil do Fojo do Lobo
800
600
400
200
0
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
Distância em Metros
Designação: Percurso Pedestre do Fojo do Lobo (Pequena Rota)
Tipo de Percurso: Paisagístico – Cultural
Distância Percorrida: 3 km
Duração aproximada: 2 hora e 15 minutos
Grau de Dificuldade: Percurso curto e fácil, mas com algum declive.
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Pontos assinaláveis: Igreja de Gondomar, Artesãos Manuel e António Fernandes, Fojo
Do Lobo, Moinho e Lugar do Tojal. (ver apêndice 4)
Marcações das direcções: assinaladas segundo as normas da Federação Portuguesa de
Campismo
Nota: Este percurso desenrola-se, inteiramente, em caminhos públicos
4.5
Percurso Pedestre do Ecomuseu – Aboim da Nóbrega
Fonte: Serviço Cartográfico do Exército, folhas 28 e 42, escala original de 1:25000
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Esta é uma proposta de percurso pedestre de pequena rota (PR), em circuito, e
têm uma distância aproximada de três quilómetros e meio. O ponto de partida é no
Ecomuseu de Aboim da Nóbrega no Lugar de Cabo, onde se poderá fazer uma visita ao
seu espólio de toalhas, panos de folar, lenços de namorados e outros artefactos
artesanais, sendo, contudo, necessário pedir a chave à senhora “Rosa da Margarida” da
casa ao lado.
Depois de uma visita ao Ecomuseu, subimos cerca de 100 metros em direcção à
Capela setecentista da Senhora do Amparo, no Lugar da Tenda. Daqui, o percurso segue
em direcção a sul, ao Lugar de Saragoche que se encontra junto ao rio Vade, onde se
poderá visitar um aglomerado de cinco moinhos de água, diariamente abertos, pequenas
lagoas e quedas de água. Seguindo para norte, em direcção ao Lugar da Senelha,
tomamos o “Caminho da Missa”, que mais não é do que estreitos carreiros que
estabeleciam a ligação ao Centro Histórico. O percurso segue até à Casa de Picão, no
Lugar de Casaleixo onde nasceu o célebre fidalgo, João Soares Vivas, capitão-mor das
naus da Índia, passando pela antiga Casa do Juíz, em Paço Juz, e pela Casa D. João de
Aboim, no Lugar do Outeiro pertença de D. João de Aboim, homem rico do reinado de
D. Afonso III e seu mordomo-mor, o qual descendia das famílias da Nóbrega e de
Aboim, dando o nome a esta freguesia. Descendo em direcção ao Lugar do Real, a cerca
de 250 metros, seguiremos uns carreiros que estabelecem ligação com o Lugar de Cabo,
e consequentemente, terminamos no Ecomuseu, nosso ponto de chegada.
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Altitude em Metros
Gráfico nº 17: Perfil do Percurso Pedestre do Ecomuseu
800
600
400
200
0
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
Distância em Metros
Designação: Percurso Pedestre do Ecomuseu (Pequena Rota)
Tipo de Percurso: Paisagístico – Cultural
Distância Percorrida: 3,5 km
Duração aproximada: 2 horas
Grau de Dificuldade: Percurso curto e fácil, com um pequeno declive.
Pontos assinaláveis: Ecomuseu, Capela Sra. do Amparo, Antigo Castro, Aglomerado
de Moinho, Cruz do Calvário, Antiga Câmara e Cadeia, Pelourinho, Igreja Matriz,
Antiga Casa do Juiz, Casa de D. João de Aboim (ver apêndice 4).
Marcações das direcções: assinaladas segundo as normas da Federação Portuguesa de
Campismo
Nota: Este percurso desenrola-se, inteiramente, em caminhos públicos
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http://www.rt-
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Portugal,
disponível
em:
http://www.gee.min-
economia.pt/resources/docs/publicacao/RT/cluster_turismo.pdf
IAPMEI – Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento
(acedido
em
16.03.04)
Legislação
Nacional,
disponível
em:
http://www.iapmei.pt/iapmei-leg-03.php?lei=2171
SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565
106
PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Apêndice I – Alojamento em Vila Verde: Turismo em Espaço Rural
Designação
Localidade
Capacidade
Ponte de S. Vicente
10 Quartos Duplos
Vila Verde
10 Quartos Duplos
Vila do Prado
4 Quartos Duplos
Casa Fundevila
Soutelo
7 Quartos Duplos
Moinhos do Boco
Covas
8 Quartos Duplos
Vila do Prado
6 Quartos Duplos
Soutelo
7 Quartos Duplos e 1 Apartamento
Azenhas do Rio Homem
Casa de Alvelos
Casa do Faial
Quinta da Ramalha
Quinta do Casal de São Miguel
T1
Laje
Quinta Dom José
7 Quartos Duplos e 1 Apartamento
T1
Casa da Nóbrega (2ª Cat.)
Aboim da Nóbrega
1 Apartamento T1
Casa de S. João Baptista (2ª )
Aboim da Nóbrega
1 Apartamento T2
Casa da Eira (2ª Cat.)
Aboim da Nóbrega
1 Apartamento T3
Gondomar
1 Apartamento T2
Oriz - S. Miguel
4 Quartos Duplos
Casa do Saramago
Cabanelas
1 Suite, 3 Quartos duplos
Quinta de S. Bento
Vila de Prado
5 Quartos Duplos
Sabariz
1 Suite, 6 Quartos Duplos e 1
Casa da Capucha (2ª Cat.)
Casa dos Carvalhais
Quinta de Sara
Single
Quinta de Cachopães
Casa do Sobreiro
Nevogilde
10 Quartos duplos
Atiães
2 Suites T0 e T1, 4 Quartos Duplos
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107
PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Residencial
Designação
Residencial Bom Sucesso
(3ª Cat.)
Localidade
Capacidade
Vila de Pardo
1 Suite para 4
pessoas e 24 quartos
duplos
Fonte: Posto de Turismo de Vila Verde (Brochura ”Roteiro de Alojamento”)
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108
PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Apêndice 2 – Ocupação média
Ocupação média – 1998
Casa
Nº
Qua
rtos
3
2
1
2
4
12
Eira
S. João
Nóbrega
Fojo *
Fonte *
TOTAL
Jan
a)
b)
Fev
a)
Mar
b)
a)
Abr
b)
a)
b)
Mai
a)
2
3
6.67%
10.00%
2
5
3.334
2
b)
Jun
a)
6.45%
1.29
2
2
b)
6.67%
1.334
Jul
a)
Ago
b)
5
a)
16.13%
5
3.226
Set
b)
a)
Out
b)
a)
Nov
b)
a)
11
1
35.48%
3.23%
1
3.23%
3
2
12
7.742
1
0.646
5
a) Número de noites ocupadas mês/casa
b) Taxa de ocupação mês/casa
* Actualmente não utilizada para Turismo em Espaço Rural
Dez
b)
a)
Totais
Nºpax/
mês
Ocup.
Méd/casa
0
0
26
10
0
26
0
0
52
20
0
72
0.00%
0.00%
7.32%
2.73%
0.00%
2.01%
b)
10.00%
6.67%
1
3
3.23%
9.68%
3.334
4
2.582
Fonte: ATAHCA; elaboração própria
Ocupação média – 1999
Casa
Eira
S. João
Nóbrega
Fojo *
Fonte *
TOTAL
Nº
Qua
rtos
3
2
1
2
4
12
Jan
a)
b)
2
2
2
6.45%
6.45%
6.45%
2
8
6.45%
5.16%
Fev
a)
Mar
b)
a)
b)
Abr
a)
10
4
35.71%
14.29%
8
28.81%
3
7
4
14
10%
8
5.762%
14
b)
Mai
a)
10.00%
23.33%
13.33%
3
9.332%
3
b)
Jun
a)
b)
Jul
a)
b)
9.68%
3
13
4
10.00%
43.33%
13.33%
10
29
32.26%
93.55%
1.936%
20
13.332%
39
25.162%
Ago
a)
b)
18
14
26
58.06%
45.16%
83.87%
8
66
25.81%
42.58%
a) Número de noites ocupadas mês/casa
b) Taxa de ocupação mês/casa
* Actualmente não utilizada para Turismo em Espaço Rural
Set
a)
b)
Out
a)
b)
Nov
a)
8
6
26.67%
20.00%
8
25.81%
9
3
14
9.334%
8
5.162%
12
b)
Dez
a)
Totais
Nºpax/
mês
Ocup.
Méd/casa
20
22
108
52
10
212
40
44
216
104
20
424
5.38%
5.97%
29.65%
14.25%
2.69%
11.588%
b)
3.00%
10.00%
4
2
12.90%
6.45%
2.6%
6
3.87%
Fonte: ATAHCA; elaboração própria
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109
PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Apêndice 3 – Tempo Médio mês/casa
Tempo Médio de Estada mês/casa 1998
Casa
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez TME
0
Eira
0
S. João
2
2
2
5
5.5
3
1
2.9286
Nóbrega
3
1
1
2
1.5
1.7
Fojo*
0
Fonte*
0
0
2.5
2
2
5 3.25 0
1
2.5 1.25 2.2975
TME(p/mês) 0
TME: Tempo Médio de Estada
Fonte: ATAHCA; elaboração própria
* Actualmente não utilizada para Turismo em Espaço Rural
Tempo Médio de Estada mês/casa 1999
Casa
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez TME
9
4.5
Eira
5.333
3
3
4.666
S. João
2
5
4
3.5
3
4.33
5 8.666 8 2.666 4.5
2 4.3888
Nóbrega
4
4
4
5.8
3
3
2 3.6857
Fojo*
2
8
5
Fonte*
4.5
4
3.5
3
3.777 5.4 7.583 5.5 2.666 3.75 2 3.8556
TME(p/mês) 2
TME: Tempo Médio de Estada
Fonte: ATAHCA; elaboração própria
* Actualmente não utilizada para Turismo em Espaço Rural
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PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
Apêndice 4 – Proposta de Percursos Pedestres para o Núcleo Rural de
Terras da Nóbrega (Panfleto)
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PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO
RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA
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Introdução - Portal de Aboim da Nóbrega