PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Introdução Sendo o turismo um sector extremamente dinâmico, este tem vindo a sofrer profundas alterações com o decorrer dos tempos. Actualmente, tem-se assistido a uma crescente diversificação, quer ao nível dos gostos e motivações dos consumidores, quer mesmo, ao nível da oferta turística. As áreas rurais têm vindo a ser objecto de crescente procura enquanto espaços alternativos de férias, lazer e recreio. As respostas a esta procura têm resultado sobretudo na criação de oferta de alojamento, nomeadamente, o Turismo em Espaço Rural, a qual constitui a mais significativa e mais emblemática vertente da oferta turística das áreas rurais. As unidades de alojamento de Turismo em Espaço Rural, não têm parado de se multiplicar por todo o país, dotando-o de uma capacidade de alojamento que deixa a uma enorme distância a situação de há apenas dez ou quinze anos. Os organismos de administração local, regional, nacional, bem como a própria União Europeia, têm vindo a assumir, em larga medida, a intenção de promover o turismo nas zonas rurais, com base no crescimento da oferta de alojamento, como forma de contribuir para a resolução dos muitos problemas de desenvolvimento que as afectam. Porém, e no sentido de dar resposta às necessidades da procura, a oferta de alojamento começa a revelar-se insuficiente como factor gerador de desenvolvimento do turismo nas áreas rurais. Sem uma oferta diversificada de actividades, serviços e produtos que valorizem os recursos endógenos, preservem o património local, atraiam, e fixem por mais tempo os turistas, conduzindo a estadas e, consequentemente, gastos SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 1 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA médios mais elevados, será difícil promover, de forma significativa, o desenvolvimento das áreas rurais. O reconhecimento desta situação e a urgente necessidade de a contrariar, tem vindo a enfatizar a importância das chamadas actividades de animação, enquanto componente fulcral da oferta turística destas áreas. Perante este novo cenário de mudança e escolhendo como caso particular a oferta de unidades de alojamento de Turismo em Espaço Rural, é objectivo deste trabalho desenvolvido no âmbito da disciplina de Seminário e Projecto Individual, identificar e propor alternativas de animação para o Núcleo Rural de Terras da Nóbrega, concelho de Vila Verde. As propostas apresentadas, resultam do trabalho de investigação sobre as questões associadas a este tema e apresentada na primeira parte deste relatório. Posteriormente, é elaborada a proposta de actividades, cuja selecção recaiu sobre os percursos pedestres. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 2 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Metodologia Em termos metodológicos, a realização deste projecto incide sobre duas vertentes – a parte teórica e parte prática – devidamente interligadas, visto que a parte prática não seria possível sem o devido enquadramento teórico. A escolha do espaço territorial sobre o qual incidem as propostas de percursos pedestres, resulta do conhecimento pessoal do território, bem como da recolha de dados secundários que permitiram a identificação de equipamentos que proporcionam alojamento de Turismo em Espaço Rural, bem como das características de ruralidade que o Núcleo Rural de Terras da Nóbrega encerra, e necessita de promover. No sentido de dar resposta aos objectivos do trabalho, procurou-se, numa primeira parte definir os conceitos pertinentes, relacionados com o Produto Turismo Rural, o Turismo em Espaço Rural, a animação e o Pedestrianismo. O objectivo foi construir uma base teórica coesa para que a propostas de elaboração dos percursos pedestres fosse o mais justificável possível. Assim, para elaborar a parte teórica, recorreu-se a dados secundários, designadamente, pesquisa bibliográfica e ainda, recolha de informação junto da ATHACA – Associação das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave, e do Posto de Turismo de Vila Verde. Para levar a cabo a componente prática, foram analisados vários percursos pedestres de outras zonas rurais, foram realizadas entrevistas a elementos da ATHACA e Posto de Turismo de Vila Verde (dados primários), bem como um reconhecimento do terreno, com o objectivo de seleccionar os melhores traçados para as propostas finais de percursos. Aquando de reconhecimento no terreno, com a ajuda de um elemento da população, conhecedor do espaço territorial, fez-se um levantamento fotográfico e a SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 3 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA devida marcação, à mão, num pequeno mapa, e demais anotações como as vistas panorâmicas, os locais de passagem, os caminhos certos, as distâncias percorridas e duração aproximada. Seguidamente, para a elaboração da cartografia, utilizou-se uma carta militar, dos Serviços Cartográficos do Exército, composta pelas folhas nº 28 e 42 à escala de 1:25000, cedida pela Câmara Municipal de Vila Verde e tratada no programa “Freehand”, de forma aumentar a escala para 1:15000. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 4 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Parte I 1 Enquadramento Teórico 1.1 Evolução do turismo Descrever a evolução do fenómeno do turismo é, provavelmente, um pouco ambíguo. A generalidade dos estudos associa a origem do turismo, enquanto prática social, às viagens que os jovens da aristocracia inglesa faziam pela Europa como complemento da sua educação. Tais viagens ficaram conhecidas a partir do século XVIII por The Grand Tour, expressão à qual o turismo deve inclusivamente a sua actual designação (Conceição; 1998: 68). Não é possível, contudo, definir-se, exactamente, o começo dos primeiros movimentos turísticos, isto porque o desejo e a necessidade do homem se deslocar e viajar foi uma constante na sua história. As razões das suas deslocações ou viagens eram de natureza diversa. Poder-se-á, no entanto, destacar as de natureza religiosa, comercial, política e de expansão territorial. De acordo com as características da evolução registada ao longo dos tempos, e segundo a descrição de Licínio Cunha sobre a evolução histórica do turismo, podemos identificar três épocas distintas: a Idade Clássica, a Idade Moderna e a Idade Contemporânea. A Idade Clássica do turismo, que se prolonga até ao século XVIII, caracteriza-se pelo facto das viagens serem individuais e se realizarem, predominantemente, por SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 5 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA necessidades fundamentais como o comércio, as peregrinações religiosas, a saúde ou por razões políticas e de estudo (Cunha;1997:64). Neste período as estâncias termais e os locais religiosos eram os principais centros de atracção turística. Com o arranque da revolução industrial, produziram-se grandes mudanças a todos os níveis, o turismo, de facto, não ficou de fora. Houve uma multiplicação de trocas comerciais bem como uma maior transmissão de ideias, conhecimentos, e informação. Devido a estas, e outras mais mudanças ocorridas em meados do século XVIII, o fenómeno turístico foi-se, gradualmente, alterando. É durante a Idade Moderna “que se popularizam, entre as camadas sociais de maiores recursos, as viagens de recreio como forma de aumentar os conhecimentos, procurar novos encontros e experiências” (Idem). A primeira década do século XX caracterizou-se por inovações e transformações que alteraram profundamente os modos de vida, devido, essencialmente, à racionalização do trabalho e ao consequente direito ao repouso semanal. O turismo passou a ser encarado como uma actividade económica relevante. “A própria Sociedade das Nações reconheceu, em 1920, que o turismo apresentava um interesse comum e que se deveria fazer esforços para conceder facilidades de viagem a um número cada vez maior de homens” (Op. cit.:67). Em síntese, os aspectos que, de certa forma, caracterizam a Idade Contemporânea na evolução do turismo passam pelo aparecimento das noções de lazer e tempo livre, passam pelo “desenvolvimento dos transportes, o reconhecimento do direito às férias pagas, a criação de organizações nacionais e internacionais destinadas a promover o turismo” (Idem). SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 6 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Devido à sua característica de vulnerabilidade, o turismo vem sofrendo alterações com o decorrer dos tempos. Seja pela mudança de gosto dos consumidores, seja pelo aparecimento de novos destinos e produtos turísticos seja por outros factores que não estejam, intrinsecamente, ligados ao turismo, mas o qual poderá afectar, consideravelmente, como o caso dos atentados de 11 de Setembro. Neste seguimento, é de referir que o turismo de massas, especialmente o turismo de “sol e praia”, devido às mudanças de gosto e de comportamento, tem vindo, gradualmente, a ser substituído pela crescente procura de actividades culturais, susceptíveis de contribuírem para o enriquecimento individual e para o aumento de conhecimentos. 1.2 Novas abordagens e novas tendências O turismo como actividade económica revela uma importância crescente tanto a nível internacional como nacional. Como atrás referido, com o avanço tecnológico, o desenvolvimento dos meios de comunicação, as mudanças sócio-económicas, novos hábitos, costumes e valores, o fenómeno do turismo foi-se sofisticando e adequando às novas exigências. Neste momento, o turismo revela-se uma importante actividade económica, quer a nível internacional e nacional como também regional. No caso de Portugal, que beneficia de condições naturais e de valores históricoculturais propícios à atracção turística, registou-se nos últimos vinte e cinco anos, um assinalável e progressivo crescimento neste sector de actividade. Deixando de parte os postos de trabalho que actividade turística gera, no nosso país, o turismo contribui com valores acima dos 10% para o Produto Nacional Bruto (Partido Ecologista; 1999). O tipo de turismo que acontecia no território português era, até recentemente o turismo “sol e praia”, associado a turismo de massas. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 7 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Actualmente, este turismo massificado, também designado como “turismo clássico ou tradicional, orientado por princípios e políticas geradoras de crescimento económico e do lucro a qualquer preço” (Partido Ecologista; 1999:25), tem contribuído para a degradação de áreas, regiões e locais de maior valor e sensibilidade ambiental reduzindo as razões da atracção turística. Em contrapartida, não só em Portugal como em outros países, o grau de atracção e consequente procura do turismo rural “está a crescer dia a dia, devido a que cada vez mais gente prefere descansar em lugares tranquilos, opondo-se à confusão do turismo balnear massificado”, e a locais com elevados índices de degradação ambiental causados pelo turismo (Terras do Cante; 2000:4). Assim sendo, tanto no meio urbano como em meio rural, a actividade turística pode, e deve, desenvolver-se, salvaguardando o equilíbrio ecológico e beneficiando a qualidade ambiental, promovendo o património e valorizando a diversidade cultural e servir de apoio e às populações locais, nomeadamente, a nível económico. 1.3 Turismo e sustentabilidade O interesse pela natureza e pela protecção do ambiente surge no contexto das novas tendências da procura, fazendo parte dos novos valores e estilos de vida das sociedades actuais. A preservação do ambiente tornou-se numa das principais preocupações nos últimos anos. Isso reflecte-se, segundo o ICEP (1998) na crescente exigência das pessoas em usufruir do seu tempo livre em destinos onde prevalece o respeito e cuidado visível, designadamente, na qualidade da paisagem e natureza. Pelo facto de se tratar de recursos, de certa forma, escassos e em risco de extinção, leva a que as pessoas se SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 8 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA predisponham a pagar mais para os consumir ou para evitar que se esgotem (Robalo; 1998:33). É apropriado dizer-se que o ambiente é uma das questões centrais do turismo, pois “funciona como uma força que influenciará o tipo de produtos a apresentar e os mercados que os irão consumir” (ICEP; 1998:23). Assim dever-se-á apostar no desenvolvimento de forma sustentável da actividade turística. Em 1995, surgiu a primeira Conferência Mundial de Turismo Sustentado. Fruto desta conferência nasceu a Carta do Turismo Sustentado, contendo várias orientações para a sustentabilidade turística, com especial destaque para os seguintes pontos: i.o desenvolvimento turístico deve basear-se em critérios de sustentabilidade económicos, ecológicos, éticos e sociais; ii.o turismo sustentado deve integrar os ambientes naturais, culturais e humanos; iii.o turismo deve ter em consideração os seus efeitos na herança cultural e nos elementos tradicionais, actividades e dinâmicas de cada comunidade local; iv.devem ser realizados estudos necessários para serem minimizados os efeitos perversos sobre o ambiente, gerados pelos transportes e por outras actividades, prioritariamente nas regiões mais sensíveis (Vieira;1997, cit. in Robalo; 1998:33). De acordo com Stabler (1997:86) turismo sustentável é um tipo de turismo que se compromete a respeitar os seguintes princípios: SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 9 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA The environment has an intrinsic value which outweighs its value as a tourism asset. Its enjoyment by future generations and its long term survival must not be prejudiced by short term considerations. Tourism should be recognised as a positive activity with the potential to benefit the community and the place as well as the visitor. The relationship between tourism and the environment must be managed so that the environment in the long term. Tourism must not be allowed to damage the resource, prejudice its future enjoyment or bring unacceptable impacts. Tourism activities and development should respect the scale, nature and character of the place in which they are sited. In any location, harmony must be sought between the needs of the visitor, the place and the host community. In the dynamic world some change is inevitable and the change can often be beneficial. Adaptation to change, however, should not be at the expense of any these principles. The tourism industry, local authorities and environmental agencies all have a duty to respect the above principles and to work together to achieve their practical realisation. Neste domínio de turismo sustentável é regra de ouro pensar primeiro no meio ambiente, não esquecendo, contudo, que o que é bom para o habitante é bom para o visitante. Veja-se que, como refere Milone et alii (2000), os turistas ou visitantes são cada vez mais responsáveis e atenciosos, receptivos às questões da conservação ambiental, sensíveis às interacções com o meio natural e com as comunidades receptoras. Estão educados e sensibilizados para ser menos consumistas, adoptando uma postura orientada para o entendimento e a compreensão dos povos e locais visitados. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 10 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA O negligenciar de aspectos fundamentais do desenvolvimento sustentável do turismo pode causar efeitos nefastos irreversíveis. Tome-se o seguinte caso particular como um grande erro e ao mesmo tempo uma grande lição, do que deve e não deve ser feito. Havia uma aldeia francesa, perdida algures na província, que possuía duas fontes do século XVI. Um dia, alguém que, para além de dotes de escritor, tinha acesso aos grandes jornais, visitou a aldeia e escreveu um sugestivo artigo, ilustrado com uma fotografia, exaltando a beleza e originalidade das fontes. Pessoas que leram o artigo (…), deslocaram-se à aldeia para observarem de perto as fontes e fotografá-las. (…) Abriu, entretanto, um café, depois um restaurante, uma pensão, mais restaurantes, um hotel. Foi então que surgiu o problema do parqueamento das viaturas. (…) Aparentemente, só um local reunia todas as condições, bem no centro da aldeia. Era, por coincidência, o local onde se encontravam as fontes – que foram, assim, sacrificadas para a construção do parque, desaparecendo gloriosamente engolidas por aquela onda de desenvolvimento e progresso (Cymbron et alii;1994:237). Visto isto, conclui-se que o turismo não pode pôr em risco, agredir ou transformar de forma irreversível as regiões onde se desenvolve, seja ao nível do meio ambiente natural, seja ao nível económico, da cultura e do carácter social da comunidade receptora. 1.4 O Conceito de ruralidade Os homens, desde os tempos mais remotos, têm vivido agrupados, ocupando um determinado espaço geográfico, dentro do qual decorre sua vida. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 11 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Segundo Robalo (1998) o espaço geográfico está, simultaneamente, organizado e dividido de forma diversificada. Contudo são vulgarmente divididos, entre paisagens rurais e paisagens urbanas, entre campos e cidades, entre espaço rural e espaço urbano. Cada um destes espaços caracteriza-se, por um lado, pela sua fisionomia, por outro lado, pelos ritmos de actividade, pela densidade populacional e pelos diferentes fluxos populacionais. Historicamente, segundo Hirschman (1965. cit. in Matos 1994:87), o mundo rural destaca-se por se organizar em torno dos seguintes aspectos: - A função principal é a produção de alimentos; - A actividade económica dominante é a agricultura; - O grupo social de referência é a família camponesa, com modos de vida, valores e comportamentos próprios; - O tipo de paisagem reflecte um equilíbrio entre as características naturais e o tipo de actividades humanas desenvolvidas. Verifica-se, então, que o espaço rural já se definiu de forma mais clara em relação ao espaço urbano. Numa análise do que, actualmente, é ou não é espaço rural, dever-ser-á dar referência à revolução industrial iniciada no século XVIII que veio alterar a situação anterior. A redução da importância do sector agrícola, afigurou-se como um dos principais problema originado pela industrialização. De um modo geral, o crescimento industrial trouxe consigo, entre outros desequilíbrios, graves défices alimentares, um empobrecimento da população rural, que SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 12 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA migrava para os grandes centros urbanos, tudo isto resultado de uma agricultura de baixíssima produtividade, muitas das vezes apelidada de arcaica (Matos;1994). Assim, o espaço rural passou a ser caracterizado, segundo Robalo (1998:10), como as áreas, economicamente mais débeis, “mais vulneráveis, onde residia a população mais pobre (dependente de uma agricultura tradicional) ”. E estas áreas eram vistas, também, como a principal fonte de fluxos migratórios. De maneira a reforçar as ideias transcritas, Lane (1994. cit. in Richard; 1997:21) sugere os seguintes factores específicos de caracterização: Densidade Populacional: se as áreas são consideradas como não urbanas, então é caracterizada pela sua baixa densidade populacional e pequenos aglomerados habitacionais. Estruturas Sociais Tradicionais: as sociedades rurais contem uma variedade de características que, colectivamente se identificam como sociedades tradicionais em vez de sociedades modernas. Utilização do Terreno e Economia: as áreas rurais podem ser consideradas aquelas nas quais a economia é baseada na agricultura tradicional ou então indústrias florestais. Mas com o declínio da importância do sector agrícola estão a ser desenvolvidas novas indústrias, incluindo o turismo em espaço rural1. O conceito de rural é mais amplo do que pode parecer inicialmente, visto que não existem argumentos universais que distingam urbano de rural (Page et alii; 1997). 1 Tradução do autor SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 13 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA De acordo com a legislação portuguesa2 “Consideram-se zonas rurais as áreas com ligação tradicional e significativa à agricultura ou ambiente e paisagem de carácter vincadamente rural.” Não existe, por sua vez, uma linha divisória entre o que é urbano e o que é rural. Algumas áreas são essencialmente rurais mas contem várias características urbanas, enquanto outras áreas são consideradas urbanas mas exprimem um sentido rural. Neste seguimento, importa então distinguir o conceito de “ruralidade”. Para Lane (1994. cit. in Richard; 1997) “ruralidade” pode ser definida como as áreas que se encontram para além das cidades ou vilas e que são consideradas rurais. Oliveira (1990) menciona que, nos dias de hoje é-nos difícil encontrar comunidades tipicamente rurais, dado que a rede de comunicações e os mass média, ao ligarem a cidade ao campo, têm vindo a atenuar as fronteiras entre o rural e o urbano. Por sua vez, “o espaço rural deixou de ser palco exclusivo do sector agrícola tornando – se, também, num cenário de outras actividades e novas procuras”. (Robalo: 1998:10) Presentemente, os serviços têm vindo a difundir-se no espaço rural, acarretando consigo as mudanças das estruturas sócias, económicas, culturais, etc. Entre a diversidade de serviços passíveis de serem difundidos no espaço rural é apropriado destacar, particularmente, a actividade turística. 1.5 O papel do turismo na revitalização dos territórios rurais Em Portugal o meio rural sofreu de modo, particularmente, acentuado as consequências do êxodo verificado nas décadas de 60 e 70 em direcção aos principais centros urbanos do país e estrangeiro (Dias; 2001). 2 D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 3º SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 14 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA A saída dos elementos mais dinâmicos, activos e instruídos conduziu a uma transição gradual, mas marcante, de economias produtivas para economias, no essencial, consumidoras de bens e serviços. A recente emergência de algumas dinâmicas locais de desenvolvimento em Portugal está ligada, segundo Dias (2001), à diminuição do ritmo de saídas das áreas rurais no decurso da década de 80, fenómeno que se explica pela menor atracção do exterior, pelo regresso das colónias e pelo retorno de emigrantes. Neste seguimento veja-se que os meios de alojamento de Turismo de Habitação, “desenvolveram-se em Portugal, a partir de 1979, embora enquadrados legalmente apenas em 1982” (Cunha; 2001:215). Assim se deu o início de um novo tipo de turismo, com novas formas de alojamento, pela recuperação e aproveitamento de casas particulares com características próprias. A evolução dos valores sociais e a difusão de modelos individualistas têm vindo a substituir fortemente o turismo massificado em proveito de um turismo de descoberta e qualidade (Moinet; 2000). De certa forma foi em consequência destas evoluções ou destas tendências que o turismo rural foi despertando o interesse. A riqueza turística do espaço rural, suas paisagens, as tradições, a gastronomia, e o importante esforço feito pelo sector para proporcionar alojamento de caris familiar com qualidade e hospitalidade fazem do espaço rural um destino, simplesmente, atractivo. Sendo o turismo uma actividade dinamizadora por excelência, e averiguando que o meio rural se mostra incapaz de manter o nível de actividade económica imprescindível para a manutenção do dinamismo das comunidades locais (Dias; 2001), SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 15 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA o turismo no espaço rural pode apresentar-se como uma alternativa viável para certas zonas rurais deprimidas social e economicamente. Estas zonas registam um sector agrícola em declínio, com a consequente redução de emprego, agravando-se com o abandono do meio rural, o despovoamento e envelhecimento crescentes. De referir ainda a existência de infra-estruturas ultrapassadas tecnologicamente, e serviços que, quando comparados com os das zonas urbanas se revelam totalmente inadequados (Moinet; 2000). Perante esta crescente desertificação, envelhecimento da população, desqualificação dos empregos, diminuição do número de agricultores e consequente declínio da economia, o turismo rural, através da sua qualidade de interacção com muitas outras actividades, poderá manifestar-se com contribuições positivas para os territórios rurais. Em termos económicos, como refere Page et alii (1997), o turismo no espaço rural pode contribuir para contrariar o risco da população e agentes locais se dedicarem exclusivamente a uma única actividade económica, cria mais valias financeiras, diversifica as actividades económicas (serviços de transporte, animação, guias de interpretação da natureza). Desta forma, verifica-se o aumento da oferta de serviços e produtos locais (da produção e venda do artesanato, exploração de produtos tradicionais, dos quais se destacam os produtos agrícolas e géneros alimentícios certificados) eles próprios factores de uma maior capacidade de atracção turística (INDE; 2003b). Os gastos dos turistas têm reflexos importantes na economia das comunidades rurais. No entanto “estes gastos ganham ainda mais expressividade quando incluem a dormida por uma ou mais noites” e, sobretudo, se repetirem a sua visita (ESTG; 2002). SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 16 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Tal não se deve apenas às despesas com alojamento, mas também, porque é mais provável que estes visitantes comam nos restaurantes ou façam compras nas lojas tradicionais, o que reforça a importância de actividades de animação no turismo rural. Do ponto de vista social, o turismo rural contribui para a criação de postos de trabalho, permitindo a consequente fixação da população, nomeadamente, dos jovens. O turismo rural, de acordo com Dias (2001), pode ajudar a atenuar o isolamento existente entre a cidade e o campo, reforçando o diálogo entre as áreas rurais e as áreas mais urbanizadas, promovendo o intercâmbio entre as culturas e as populações no conhecimento e respeito mútuos, como factor de coesão e solidariedade social. Em termos ambientais, o Turismo Rural pelas suas características, poderá sensibilizar os turistas – maioritariamente citadinos – para a questão do ambiente, designadamente, o património ambiental das zonas rurais. O fenómeno turístico, como refere Dias (2001:58) cria uma “maior sensibilização entre os hóspedes e população residente no que diz respeito ao ambiente, à natureza e preservação dos ecossistemas”. O contributo de âmbito histórico-cultural do Turismo Rural recai sobretudo na construção de uma imagem que associa inovação e história (INDE; 2003b). A salvaguarda e reanimação das vilas e aldeias são uma preocupação constante, respeitando a imagem rural, patente nas construções de índole habitacional, arquitectura religiosa e outras vinculadas nas actividades agrícolas. Contribui, desta forma, para recuperar técnicas e materiais tradicionais de construção, bem como para a valorização do ”saber fazer” caídos em desuso, aplicando-os às novas realidades. A grande maioria dos adeptos do Turismo Rural tem grande apreço pelo tradicionalismo, pelos monumentos e construção típica das casas. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 17 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Para além disso, denota-se o gosto pela participação nas actividades, costumes e modos de vida diária da população rural (INDE; 2003b). Dado os prováveis contributos que podem advir, directa e indirectamente do turismo rural podemos concluir que é um importante instrumento de desenvolvimento e revitalização das localidades rurais. E como refere Robalo (1998:119) “O desenvolvimento local, tem surgido quase sempre associado a estratégias de desenvolvimento endógeno.” Mas, segundo o mesmo autor, é imperioso a existência de um “associativismo de base local” (Op. cit.:120) envolvendo os responsáveis do sector público e privado que participem no processo de implementação e desenvolvimento do Turismo Rural. 1.6 Produto Turístico e suas componentes O produto turístico pode ser expresso de muitas formas. Os produtos são diferenciados e têm por base motivações específicas da procura, bem como um conjunto de recursos específicos de um destino. Segundo Cunha (2001), podemos ter como exemplos de produtos, o Turismo de Recreio, o Turismo de Repouso, o Turismo Cultura, o Turismo Étnico, o Turismo de Natureza, o Turismo de Negócios e o Turismo Desportivo No entanto, teórica e genericamente, pode ser interpretado como a quantidade de bens e serviços turísticos que os consumidores desejam e estão dispostos a adquirir por um dado preço e em um dado período de tempo (Milone et alii, 2000). O referido autor alerta para a possibilidade de, mesmo que certos bens e serviços não se relacionem directamente com actividade turística, poderem vir a ser procurados e consumidos pelos turistas. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 18 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Sampaio (1994:10) refere que “Aquilo que, normalmente, se fala de produto turístico não é mais que o «package» ou seja o pacote turístico em que estão presentes ao mesmo tempo o alojamento, a restauração, os transportes, os recursos e a animação”. No entanto para Cunha (2001:48), os produtos turísticos representam “um conjunto de elementos, uma amálgama de elementos inseparáveis que são objecto de comercialização no todo”, resultando de “um acto produtivo visando um objectivo económico”. Os produtos turísticos são, por isso, uma oferta com a particularidade dos seus elementos, bens e serviços que a compõem, estarem articulados, formando um todo, apto a ser comercializado. Assim os produtos turísticos funcionam como um “conjunto de elementos que só por si motivam as deslocações e permitem passar férias de acordo com as necessidades dos turistas” (Sampaio, 1994:11). 1.7 Produto Turismo Rural O produto turístico possui um carácter intangível, ou seja não há stocks. Este aspecto é uma das especificidades do produto turístico. Para além deste, os contornos particularmente, específicos, designadamente, do produto turístico rural revelam-se, na medida em que este é constituído com base numa multiplicidade de recursos, bens e serviços, que tem de ser convertida num único produto (Terras do Cante; 2001). Entre essa multiplicidade de recursos, bens e serviços que é organizado de maneira a ser comercializado ao turista, poder-se-ão destacar tanto as infra-estruturas de acesso, os recursos naturais, (contactos com a natureza, ar puro, tranquilidade, repouso, águas despoluídas) o património histórico e cultural, a vida campestre (trabalhos agrícolas e artesanais, etnografia, folclore, festas, romarias, animação sócio-cultural, e o SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 19 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA pequeno comércio típico). Em particular, destacam-se os alojamentos, as refeições a hospitalidade rural (hospedagem típica, produtos típicos, cozinha e gastronomia regional). Estes elementos são inseparáveis é, extremamente, importante que estejam organizados, de modo a constituírem um produto de qualidade, original e singular (Terras do Cante; 2001; Dias; 2001). Importa referir ainda, o ambiente, natureza e paisagem rural, pois são elementos fundamentais para se constituir um produto turístico rural atractivo. 1.8 As Motivações As motivações dos consumidores, mais propriamente os motivos que levam o viajante a deslocar-se, resultam da personalidade humana, e variam com um alargado número de factores. Esses factores vão desde os psicológicos aos económicos, traduzindo-se num conjunto de estímulos que leva o homem a procurar novos ambientes, novas actividades e novos conhecimentos. “Muitos dos motivos da viagem são do domínio do subconsciente” Cunha (1997:47) resultando da satisfação das necessidades fundamentais. O turismo rural, embora a uma dimensão mais reduzida, não deixa de ter em atenção estudos em matéria das motivações que estão na origem dos seus fluxos turísticos. 1.8.1 As motivações dos turistas rurais De acordo com Robalo (1998), os aspectos naturais e culturais que envolvem o turismo rural, estão na base das movimentações mais significativas. São factores que SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 20 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA pelas suas características constituem motivo de atracção turística, sendo também relevantes para a diferenciação, relativamente, a outros destinos. Os factores culturais têm exercido um papel crucial na evolução deste tipo de turismo e no seu desempenho como forma de «turismo alternativo». O turista ao visitar o espaço rural entra em contacto com uma cultura diferente que se reflecte sob variadíssimas forma, começando pelo próprio aspecto físico da paisagem, até aos usos e costumes e modos de vida dos habitantes rurais, entre outras demais particularidades. Assim, o simples contacto com estes aspectos culturais, e nos casos em o turista participa em determinadas actividades rurais, maior será o impacto cultural e pedagógico deste tipo de actividade turística. Num estudo de mercado aos clientes de turismo rural no distrito de Braga, verificou-se que “Os que vivem na cidade, procuram o campo (…) fogem do barulho e gostam de tudo o que é típico e característico – gostam do artesanato, da maneira como são cultivados os campos. Quando vão à feira gostam de saber como são transaccionados os produtos e gostam da maneira como os feirantes estão vestidos” (Bússola; 1995. Cit. in Dias; 2001:35). Denota-se, a partir do exemplo, que este tipo de turismo constitui uma forma de aprendizagem caracterizada pelo contacto personalizado, contacto esse que é estimado, quer pela população acolhedora, quer pelos turistas. Outro dos factores que motivam as deslocações ao meio rural é o “Matar saudades” de um certo tipo de gastronomia que ainda perdura. Os turistas “gostam do bacalhau, de comer a sua broa da aldeia, de beber o seu vinho, colhido e feito nas nossas adegas” (Idem). As condições de vida de um bom número de cidadãos dos centros urbanos estão cada vez mais repletas de barulhos, de poluição e ritmos de vida stressantes. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 21 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Os fins-de-semana, as férias, as viagens são, contudo, a ocasião de escape à agitação caótica das zonas urbanas ou, simplesmente, para quem decide dar tempo e espaço a si próprio, através do contacto com uma natureza preservada. Verifica-se uma necessidade de evasão do mundo urbanizado, da rotina, stress, procurando a tranquilidade e o repouso das áreas rurais. Neste cenário, “os factores naturais fornecem a base essencial para este turismo, tornando-se atractivos primordiais para aquelas pessoas que já começam a consciencializar-se de que os recursos naturais, não sendo inesgotáveis, são vitais (…) para uma qualidade de vida no presente e no futuro” (Robalo 1998:21). O turista ou visitante do meio rural busca um contacto directo com aquela, idealizada, vida simples do campo, nomeadamente a autenticidade das relações sociais, o sentimento de solidariedade e de entreajuda nas actividades diárias. O turista/visitante tem interesse em conhecer e preservar o património cultural, artesanato, tem interesse pela gastronomia, e em participar nas animações festivas tradicionais (Leal;2001). Tem “Curiosidade em ver como as pessoas vivem. Interesse por algo diferente do hotel, algo sem características estereotipadas – um hotel é igual em todo o lado. O contacto com as pessoas é muito importante, no hotel as pessoas são mais um número, não tendo o contacto pessoal que este turismo lhes proporciona” (Bússola; 1995. Cit. in Dias; 2001:36). O turista/visitante procura lugares e ocasiões de encontro com as pessoas da região através dos mercados, feiras, festas locais, praças da aldeia, os cafés... “O estrangeiro vem para contactar com as pessoas, para ver como está o nosso meio rural. Gosta de dar passeios a pé e ver como é que nós estamos a viver neste momento” (Idem). SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 22 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Em vez de equipamentos turísticos pesados, integrados, preferem as pequenas estruturas, as casas rústicas em self-catering, procurando obter a sua “independência, não gosta de estar preso a estruturas mais apertadas, de uma maneira geral, este turista prefere quartos exteriores, quer lhe proporcionam o convívio com o dono da casa sempre que quer, ao mesmo tempo que tem a liberdade de sair e entrar, não incomodando ninguém” (Bússola; 1995. Cit. in Dias; 2001:36). Verifica-se assim que, o turista/visitante que se desloca para as áreas rurais têm preferência pela descoberta de locais mais íntimos, pouco conhecidos e que possuam aspectos culturais e naturais singulares, designadamente, distanciados das áreas urbanizadas. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 23 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 2 O produto Turismo Rural e a Modalidade de alojamento TER em Portugal A noção de Turismo Rural é algo ampla e complexa. De certa forma “Trata-se de uma oferta de actividades recreativas, alojamento e serviços afins, situada no meio rural, dirigida principalmente aos habitantes das cidades que procuram férias em contacto com a natureza e com as populações” (Terras do Cante; 2001). Antes de ir mais longe, impõe-se uma explicação terminológica de Turismo Rural, visto que não existe uma definição única, em cada país tem significados ligeiramente diferentes. Veja-se o exemplo de algumas regiões brasileiras, como o Estado do Espírito Santo, que adoptam o termo Agroturismo para todas as actividades de Turismo Rural (Silva et alii; 1998). No caso português, Turismo Rural além de ser considerado como um produto turístico é também uma modalidade de alojamento de Turismo em Espaço Rural, conceitos passíveis de alguma confusão. Assim, entende-se por Turismo no Espaço Rural “todas as actividades praticadas no meio não urbano, que consiste em actividades de lazer no meio rural em várias modalidades definidas com base na oferta.” (Op. Cit.:14). De facto, diversas realidades dão lugar a conceitos diferentes, sobre os quais são frequentes as divergências entre autores. Na perspectiva da Comissão de Coordenação da Região do Norte (1980. Cit. in Robalo, 1998:20), o conceito de TER manifesta-se como “uma actividade que proporciona o acolhimento e recreio de turistas; actividades essa exercida essencialmente pela população local, com a finalidade de promoção e melhoramento da vida dessa mesma população”. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 24 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Por Decreto de Lei nº59/023 “Turismo no espaço rural consiste no conjunto de actividades e serviços realizados e prestados mediante remuneração em zonas rurais, segundo diversas modalidades de hospedagem, de actividades e serviços complementares de animação e diversão turística, tendo em vista a oferta de um produto turístico completo e diversificado no espaço rural.” Ainda de acordo o artigo 2º do mesmo Decreto de Lei4, integram-se no turismo no espaço rural as actividades de animação ou diversão que se destinem à ocupação dos tempos livres dos turistas e contribuam para a divulgação das características, produtos e tradições das regiões, designadamente o seu património natural, paisagístico e cultural, os itinerários temáticos, a gastronomia, o artesanato, o folclore, a caça, a pesca, os jogos e os transportes tradicionais, sejam declaradas de interesse para o turismo. 2.1 As Modalidades de Alojamento – Turismo no Espaço Rural "Turismo de Habitação" Designa-se por turismo de habitação o serviço de hospedagem de natureza familiar, prestado a turistas em casas antigas particulares que, pelo seu valor arquitectónico, histórico ou artístico, sejam representativas de uma determinada época, nomeadamente, os solares e casas apalaçadas5. 3 4 5 D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 1º (Noção) D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 2º D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 4º SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 25 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA "Turismo Rural" Designa-se por turismo rural O serviço de hospedagem prestado a turistas em casas rústicas particulares, utilizadas simultaneamente como habitação do proprietário, possuidor ou legítimo detentor e que, pela sua traça, materiais construtivos e demais características, se integram na arquitectura típica regional6. "Agro-turismo" Designa-se por agro-turismo o serviço de hospedagem prestado a turistas em casa particulares utilizadas simultaneamente como habitação do proprietário, possuidor ou legítimo detentor e integradas em explorações agrícolas que permitam aos hóspedes o acompanhamento e conhecimento da actividade agrícola ou a participação nos trabalhos aí desenvolvidos, de acordo com as regras estabelecidas pelo responsável das casas e empreendimentos7. "Turismo de aldeia" Designa-se por turismo de aldeia o serviço de hospedagem prestado num empreendimento composto por um conjunto de, no mínimo, cinco casas particulares situadas numa aldeia e exploradas de forma integrada, quer sejam ou não utilizadas como habitação própria dos seus proprietários, legítimos possuidores ou detentores. As casas afectadas ao turismo de aldeia devem, pela sua traça, materiais de construção e demais características, integrar-se na arquitectura típica local8. 6 7 8 D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 5º D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 6º D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 7º SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 26 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA O turismo de aldeia pode ser explorado em aldeias históricas, em centros rurais ou em aldeias que mantenham, no seu conjunto, o ambiente urbano, estético, e paisagístico tradicional da região onde se inserem. "Casas de campo" Designam-se por casas de campo as casas particulares e as casas de abrigo situadas em zonas rurais que prestem um serviço de hospedagem, quer sejam ou não utilizadas como habitação própria dos seus proprietários, legítimos possuidores ou detentores. As casas de campo devem, pela sua traça, materiais de construção e demais características, integrar-se na arquitectura e ambiente rústico próprio da zona e local onde se situam.9 Consideram-se empreendimentos turísticos no espaço rural os hotéis e os parques de campismo rural10. “Hotéis rurais” São hotéis rurais os estabelecimentos hoteleiros situados em zonas rurais e fora das sedes de concelho cuja população, de acordo com o ultimo censo realizado, seja superior a 20 000 habitantes, destinados a proporcionar, mediante remuneração, serviços de alojamento e outros serviços acessórios ou de apoio, com fornecimento de refeições. 9 D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 8º D.L. nº 59/02 de 11 de Março, capítulo I, artigo 2º (âmbito) 10 SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 27 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA “Parques de campismo rurais” São parques de campismo rurais os terrenos destinados permanentemente ou temporariamente à instalação de acampamentos, integrados ou não em exploração agrícola, cuja área não seja superior a 5000 quadrados. 2.2 Evolução da Oferta de Turismo em Espaço Rural em Portugal Relativamente à oferta do Turismo em Espaço Rural em Portugal, analisaremos a evolução referente ao número de estabelecimentos e respectivo número de camas, desde 1984 até 2001. Primeiramente, é de ter em conta que, só a partir de 1988 é que os indicadores estatísticos do TER foram disponibilizados, visto que antes desse ano os dados existentes dizem respeito só ao Turismo de Habitação. Em segundo lugar, só em 1991 é que figuraram indicadores estatísticos do TER relativos aos Açores. Em terceiro lugar, a informação estatística disponível acerca do Turismo de Aldeia e das Casas de Campo só existe a partir de Julho de 1997, altura em que estas modalidades foram regulamentadas (Robalo; 1998). Será feita, também neste capítulo, uma síntese dos dados estatísticos relativos ao 1º semestre do ano de 2002, sendo estes, até ao momento, os dados mais actuais disponíveis. 2.2.1 Número de estabelecimentos e capacidade de alojamento Neste ponto, é feita uma síntese dos principais resultados do inquérito ao turismo no espaço rural (1984 a 2002), tendo em conta os seguintes indicadores apurados: número de unidades e respectiva capacidade de alojamento. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 28 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Apresenta-se, de seguida, uma evolução do número de estabelecimentos e do número de camas ao longo dos últimos 19 anos. Quadro nº 1: Número de estabelecimentos e capacidade de alojamento Ano Nº Estabelecimentos Nº de Camas 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 103 121 154 182 180 197 223 240 358 417 429 484 493 534 569 606 668 685 776 763 939 1154 1478 1403 1587 1811 1957 2984 3795 3989 4417 4711 4984 5375 5776 6293 6476 7358 Fonte:DGT Através do quadro anterior nota-se uma evolução positiva quanto ao número de estabelecimentos e capacidade de alojamento de Turismo em Espaço Rural, passando de 763 camas em 1984 para 7358 em 2002. Porém, constata-se um ligeiro decréscimo de 1987 para 1988 no número de estabelecimento e, por conseguinte, no número de camas. Este decrécimo dever-se-á, segundo informações da DGT, à requalificação dos estabelecimentos pela nova tipologia que passou a vigorar a partir de 1988, e que levou à desclassificação de numerosas casas que embora inscritas se encontravam inactivas. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 29 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 1000 800 600 400 200 2002 2001 2000 1999 1998 1997 1996 1995 1994 1993 1992 1991 1990 1989 1988 1987 1986 1985 0 1984 Nº de Estabelecimenos Gráfico nº 1: Número de estabelecimentos Ano 8000 6000 4000 2000 2002 2001 2000 1999 1998 1997 1996 1995 1994 1993 1992 1991 1990 1989 1988 1987 1986 1985 0 1984 Número de Camas Gráfico nº 2: Capacidade de alojamento Ano No que concerne tanto ao número de estabelecimentos e, por conseguinte, ao número de camas houve um expressivo aumento entre 1991 a 1993. Este facto poderá dever-se ao aparecimento da Iniciativa Comunitária LEADER em 1991, a qual impulsionou o aparecimento de muitas associações de desenvolvimento, e outras estruturas, susceptíveis de gerir o programa a nível local. Esta Iniciativa englobava medidas que diziam, directamente, respeito ao Turismo Rural, bem como a acções cuja finalidade é o conhecimento da procura, a respectiva organização da oferta e o apoio a investimentos turísticos (Leal: 2001). Em 1991 a capacidade de alojamento expressa em unidades de alojamento de Turismo em Espaço Rural era de 240, enquanto que em 1993 se registavam 417 e, SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 30 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA no que corresponde às camas existentes nas mesmas datas, o aumento foi de 1957 para 3795 camas. 2.2.2 Número de estabelecimentos e capacidade de alojamento em 2002 Gráfico nº 3: Capacidade de oferta do Turismo em Espaço Rural por NUTS II em 2002 Nº de quartos 2000 1530 1500 736 1000 503 522 500 104 187 194 Açores Madeira Algarve Alentejo Lisbo/V.T. Centro Norte 0 2976 207 361 382 Algarve Madeira Açores 1010 Alentejo 995 Lisboa/V.T. 1427 Centro 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 Norte Nº de camas Gráfico nº 4: Capacidade de oferta do Turismo em Espaço Rural por NUTS II em 2002 Nos gráficos anteriores, apresenta-se uma síntese dos dados recolhidos pela Divisão de Recolha de Informação e Estatística da DGT em 2002, através do inquérito realizado nas casas de Turismo de Habitação, Turismo Rural, Agro-turismo e Casas de Campo. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 31 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Atendendo a alguns atrasos que se verificaram no envio dos questionários por parte dos estabelecimentos, as taxas de ocupação e as estimativas de dormidas apresentadas podem sofrer alterações, pelo que se considera que os valores são provisórios. As unidades em análise, inscritas no Turismo em Espaço Rural, distribuem-se por quatro modalidades: Turismo de Habitação, Turismo Rural, Agro-turismo e Casas de Campo. Os números indicados são apresentados por NUTS II, em valores absolutos e em percentagens. Por NUTS II, verifica-se que os três principais mercados a nível da oferta do Turismo em Espaço Rural são: o Norte, com 2976 camas, o Centro, com 1427 camas e em terceiro a região alentejana com 1010 camas. Neste seguimento, é oportuno referir que, no Norte de Portugal, mais especificamente na região do Alto Minho, através de um programa delineado em 1978 no âmbito da Direcção Geral de Turismo11, foi desenvolvido toda uma acção para a revitalização de solares, proporcionando o nascimento de uma nova realidade em termos de oferta de meios complementares de alojamento em comunidades tipicamente rurais (Sampaio; 1994). 11 Decreto-Lei 14/78 de 12 de Maio, art. 41º e 42º SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 32 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Gráfico nº 5: Número de unidades do Turismo em Espaço Rural por modalidade de alojamento em 2002 Nº de estabelecimentos 350 300 250 200 150 100 50 0 Turismo de Habitação Turismo Rural Agroturismo Casas de Campo Por modalidades de alojamento, verifica-se que no final do 1º semestre estavam inscritos na Direcção Geral do Turismo 776 estabelecimentos, dos quais, 232 inseremse no Turismo de Habitação, 323 no Turismo Rural, 130 no Agroturismo e 91 são Casas de Campo. 2.2.3 Estimativas de dormidas por modalidades Gráfico nº 6: Estimativas de dormidas por modalidades em 2002 32909 18% 55237 31% TH TR AT 32091 18% CC 57979 33% SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 33 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Tendo em conta o gráfico nº 5, a modalidade de alojamento com maior capacidade de oferta é o Turismo Rural, por conseguinte, (gráfico nº 6) este tipo de modalidade regista, também, o maior número de dormidas. Através de uma comparação entres os referidos gráficos, poder-se-á constatar uma relação linear entre as variáveis: capacidade por modalidades e dormidas por modalidades. 2.2.4 Estimativas de dormidas por países de residência e por NUTS II Gráfico nº 7: Estimativas de dormidas por países de residência em 2002 Outros 16487 Reino Unido 14531 Holanda 7189 França 5710 E.U.A. 8250 Espanha 5517 Brasil 219 Alemanha 34154 Portugal 86159 0 20000 40000 60000 80000 100000 Nº de dormidas No que concerne ao número de dormidas por países de residência, podemos verificar que somando o número de estrangeiros obtemos 92057 dormidas contra as 86159 dormidas dos hóspedes nacionais, estes últimos representam, por si só, uma grande parcela, pela qual se destaca largamente. De referir neste contexto as 34154 dormidas dos hóspedes Alemães, que situa a Alemanha em segundo lugar de importância, seguida do Reino Unido com 14531 dormidas. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 34 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Gráfico nº 8: Estimativas de dormidas por NUTS II em 2002 R.A. Madeira 21598 R.A. Açores 7808 Algarve 8207 Alentejo 32581 34351 Lisboa e Vale do Tejo Centro 27912 45759 Norte 0 10000 20000 30000 40000 50000 Nº de dormidas No que concerne ao número de dormidas por NUTS II, o Norte destaca-se com 45759 dormidas, seguido da região de Lisboa e Vale do Tejo, com 34351, e Alentejo com 32581 dormidas. As regiões do Algarve e a Região Autónoma dos Açores são as regiões com o menor número de dormidas, no primeiro semestre de 2002. Neste ponto, será conveniente estabelecer uma relação entre os dados do gráfico nº 3 e o gráfico anterior, de modo a verificar que, apesar da região do Alentejo apresentar uma capacidade de oferta praticamente igual à região de Lisboa e Vale do Tejo, esta última registou um maior número de dormidas no primeiro semestre de 2002. Por sua vez, a situação repete-se com as Regiões Autónomas da Madeira e Açores. Neste caso a Região Autónoma da Madeira apresenta um maior número de dormidas comparativamente à Região Autónoma dos Açores. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 35 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Gráfico nº 9: Evolução das Dormidas 450000 400000 Dormidas totais 350000 300000 250000 200000 150000 100000 2001 2000 1999 1998 1997 1996 1995 Ano 1994 1993 1992 1991 1990 1989 1988 1987 1986 1985 0 1984 50000 Quanto à evolução das dormidas ao longo dos 18 anos de análise verifica-se um acréscimo significativo a partir de 1998. Segundo dados do INE12, durante o ano de 1998, as dormidas nos hotéis, hotéis-apartamentos, apartamentos e aldeamentos turísticos, motéis, pousadas, estalagens e pensões também sofreram um significativo aumento, relativamente, ao ano anterior. Isto proporcionou-se, eventualmente, como resultado da Expo 9813. Contudo, estes aumentos do número de dormidas em 1998 não surgiram isoladamente, ou seja, estão, intrinsecamente, relacionados com a evolução da procura turística. Segundo dados do Ministério de Economia14, a procura turística global tem vindo a aumentar durante os finais dos anos noventa, e, claramente, o turismo Português 12 http://alea-estp.ine.pt/html/actual/html/act11.html (acedido em 22.02.2004) http://www.gee.min-economia.pt/resources/docs/publicacao/RT/cluster_turismo.pdf. (acedido em 22.02.2004) 13 14 http://www.gee.min-economia.pt/resources/docs/publicacao/RT/cluster_turismo.pdf. (acedido em 22.02.2004) SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 36 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA não ficou de fora. Estes aumentos foram influenciados, principalmente, por uma série de alterações socio-económicas, que produziram efeitos multiplicadores nas viagens de turismo, com destaque para o envelhecimento da população, aumento dos níveis de rendimento e nível de escolaridade e políticas mundiais de liberalização política e económica. Esta situação veio afectar largamente o turismo em espaço rural, visto que o número total de dormidas de 1998 para 1999 quase duplicou. Em 1998 registaram-se 162420 dormidas, passando a registar-se 361689 dormidas em 1999 (ver quadro nº2). Como se pode verificar no gráfico nº 6, os hóspedes nacionais são a principal parcela dos clientes do Turismo em Espaço Rural, e podemos constatar que houve também um aumento do número de dormidas dos hospedes nacionais, precisamente, apartir do ano de 1998. Isto dever-se-á ao aumento da taxa de partida para férias dos portugueses, também designada por propensão à viagem15. Esta taxa passou de 27 % para 42% entre 1997 e 1998 (Cunha; 2001:45). De destacar ainda os números de 2001, que apesar dos atentados terroristas de 11 de Setembro, (situação que abalou o turismo devido à insegurança instalada), as dormidas nos estabelecimentos de Turismo em Espaço Rural foi de 424627 dormidas, número superior às 403570 dormidas do ano 2000 (ver quadro nº2). 15 A taxa de partida para férias exprime a participação da população de um dado país no turismo sendo determinada pela relação entre o número de pessoas que passa férias fora do seu ambiente habitual e a população total. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 37 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Quadro nº 2: Evolução das Dormidas Ano Dormidas de Nacionais Dormida de Estrangeiros Dormidas Totais 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 200216 20740 20928 21900 28400 22976 23665 26539 28720 32269 52856 50911 58513 68021 71510 80043 175194 179386 202428 86159 11176 26411 31226 55525 33974 35507 34440 43006 48143 43814 46873 60427 74619 71615 82377 186495 224184 222199 92057 31916 47339 53126 83925 56950 59172 60979 71726 86412 96670 97784 118940 142640 143125 162420 361689 403570 424627 148216 Fonte: DGT 16 Dados referentes ao primeiro semestre de 2002 SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 38 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 3 Importância e definição de actividades de animação O processo de Globalização económica, a implementação tecnológica, a construção de uma sociedade da informação, a qualidade dos meios de deslocação e acessibilidades, são factores que têm vindo a transformar a nossa sociedade. Vivemos numa sociedade que privilegia o consumo, a rapidez e a estandardização. Por sua vez, os turistas são atraídos por um tipo de viagem assente na descoberta, aventura e genuinidade. Contudo “a macdonaldlização do turismo, retiroulhe a principal essência do mistério, do risco e da excitação do desconhecido; a quase tudo o que seria realidade turística corresponde agora uma grossa fatia de simulação turística” (ATT; 2003:41). A tendência para a simulação do perigo, simulação das dificuldades de acesso a determinado local, simulação do exótico, tem transformado a prática turística de deslocação em meros turistas de sofá. O que acontece muitas das vezes é visitar um determinado destino não para descobrir a realidade, mas antes, para reconhecer ou confirmar o já, virtualmente, conhecido através dos jornais, revistas, televisão e Internet (Op. Cit.:42). Neste contexto, onde a oferta turística muitas das vezes se limita a reproduzir ambientes, a animação turística poderá, efectivamente, marcar a diferença, desde que assente nos recursos socioculturais e ambientais locais. Derivando do latim animare, a palavra animar significa dar alma, dar vida, dar coragem, movimento, entusiasmo, desenvolver. Esta serve de prefixo para diversos âmbitos de intervenção, assumindo designações diferentes, contudo, ligadas entre si na sua essência. Assume pois âmbitos de: animação cultural, animação social, animação SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 39 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA comunitária, animação educativa, animação de tempo livre, animação de terceira idade, animação turística, entre outras (Lexicoteca; 1985). Neste sentido, partindo de uma abordagem turística, a animação traduz-se em actividades que, segundo Cunha (2001), são de natureza variada. Considera-se como animação turística as actividades que visam constituir um meio para a ocupação dos tempos livres dos visitantes, ou para satisfação das necessidades e experiências decorrentes da sua permanência no local visitado. Para Jafari (2000) animação turística é uma actividade individual ou colectiva que ocorre durante o tempo livre, para a qual é preciso haver alguns elementos de “valor” intrínsecos, visto que o motivo primário é a satisfação do turista pela participação numa determinada actividade. Assim, verifica-se nos conceitos referidos, que o campo essencial da animação turística é a ocupação dos tempos livres. Porém, a animação contribuirá para melhorar ou aumentar as condições de atracção do destino. Torna-se necessário que os sítios com atractivos turísticos estejam equipados com serviços, permitindo que as pessoas participem em actividades para melhor usufruir das atracções e passar os seus tempos livres. Deste modo poder-se-á dizer que “as múltiplas e interessantes formas de animação turística constituem um trunfo notável para a capacidade de atracção” (Livro Branco do Turismo; 1991:44). Devido ao facto de existir uma estreita ligação entre os conceitos de animação e atracção, importa neste seguimento estabelecer-se uma certa distinção. As atracções são entendidas como todo lugar, objecto ou acontecimento de interesse turístico que motiva a deslocação de grupos humanos com objectivo de o conhecer (Milone et alii; 2000). As atracções podem ser de ordem natural ou artificial, enquanto que a animação resulta sempre da acção do homem. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 40 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Existem no entanto casos em que essas atracções fazem apenas parte da animação pois, só por si não se destacam como motivo de visita a um determinado local. Para melhor exemplificar veja-se o caso da “Feira Popular de Lisboa ou os concertos dominicais de música clássica nos jardins de Londres” (Cunha; 2001:264) que podem ser integrados como actividades de animação turística mas não constituem, isoladamente, uma atracção. Hoje em dia existe uma inclinação primordial em aliviar o cansaço mental, causado por uma vida agitada, através de uma breve pausa. Além disso, verifica-se que “o exercício físico e a animação lúdica tornam-se essenciais em períodos de férias, preferencialmente em doses repartidas ao longo do ano” (Cymbron et alii; 1994:201). Esta necessidade de retemperar as energias através do exercício físico e animação lúdica não é exclusivo da sociedade actual. Há cerca de 4000 anos atrás, já os gregos, retemperavam as suas energias nas suas instalações termais com piscinas, banheiras de água quente, salas de sudação e massagens. Além disso, eram acompanhados de representações teatrais, jogos de circo, corridas de carros e outras distracções, a que segundo Cunha (1997), hoje chamamos animação. Era criado com estes elementos um certo clima de bem-estar. Tradicionalmente, segundo estudos do ICEP (1996) a animação turística estava fortemente associada a determinados produtos (Club Méditerranée), destinos turísticos (Florida) ou segmentos de mercado (terceira idade). Porém, é indiscutível o forte alargamento da sua base de referência. Este alargamento tem origem, quer do lado da procura, quer do lado da oferta. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 41 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Do lado da procura, o aumento da experiência e exigência dos consumidores, obrigou ao surgimento de novos tipos de atracões e à oferta de animação em meios de alojamento turístico. Do lado da oferta, a crescente concorrência implicou mais e melhor animação turística. 3.1 O Mercado da animação em meios de alojamento A componente de animação turística em meios de alojamento tem vindo a ser encarada como fundamental para a captação e fidelização dos clientes. Os hóspedes não pretendem apenas dormir e fazer algumas refeições, mas procuram cada vez mais uma oferta diversificada de actividades: desporto, animação nocturna, visita a locais de interesse na região ou, o simples preenchimento dos tempos livres (ICEP, 1997). Para as unidades de alojamento, este tipo de solicitações pode marcar a diferença entre um cliente que volta à unidade e um cliente que procura outra unidade de alojamento com programas de animação bem estruturados. A existência de actividades de animação pode desempenhar um importante papel na escolha das unidades de alojamento dentro da mesma categoria, particularmente, entre as modalidades de alojamento TER, assim como entres as diversas categorias de alojamento. Neste seguimento, veja a importância da animação nos meios de alojamento. 3.2 Importância da animação nos meios de alojamento Segundo um inquérito sobre a Animação nos Meios de Alojamento (Deloitte & Touche, 1997. cit. in ICEP, 1997), à animação são atribuídos, pelos responsáveis das SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 42 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA unidades de alojamento, diferentes graus de importância, consoante a categoria de alojamento ou a área turístico-promocional. Os principais resultados referem que para cerca de 85% dos Hotéis de 5 estrelas a animação é, medianamente, ou mesmo pouco, importante. Para cerca de 40% dos hotéis de quatro estrelas que responderam ao inquérito, a animação é muito importante, valor muito superior ao verificado nos hotéis de cinco estrelas. Cerca de 60% dos hoteis-apartamento consideram a animação só, medianamente, importante e nenhuma unidade a avalia como sendo pouco importante. Para cerca de 44% dos Aldeamentos Turísticos inquiridos a animação é muito importante. Em termos globais, verificou-se que são as próprias unidades de alojamento, as responsáveis pela organização da animação, com valores entre os 80% e os 90%. Assim, apenas 10% a 20% das unidades de alojamento recorrem a empresas especializadas, sendo os resultados bastante homogéneos para todas as categorias de alojamento. A situação mais notória, no que confere à colaboração entre unidades para a realização de actividades de animação, diz respeito à categoria de aldeamentos turísticos. Cerca dos 89% dos aldeamentos turísticos inquiridos colaboram com outras unidades de alojamento na organização de animação. Os residentes locais, segundo o mesmo estudo, podem representar um segmento de mercado complementar que permita maximizar a procura de animação nas unidades de alojamento, contribuindo para o aumento do volume de receitas. Revelou-se, ainda, uma tendência uniforme, na segmentação da animação consoante o segmento de mercado ou nacionalidade do hóspede, em todas as unidades de alojamento e categorias analisadas. Mais de 50% das unidades inquiridas adaptam a SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 43 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA sua animação consoante o segmento de mercado-alvo (crianças, seniores ou outros), mas menos de 50% adopta de acordo com a nacionalidade dos hóspedes. 3.3 Actividades de animação em Turismo Rural No âmbito do turismo rural, tem vindo, gradualmente, a verificar-se, a procura de actividades recreativas e de lazer em meio rural, constituindo-se este factor como elemento incentivador da manifestação de uma oferta de turismo rural mais variada. O que se poderá fazer para tornar a oferta de turismo rural mais interessante e enriquecedora, para além de oferecer qualidade e variedade no alojamento, é apostar na promoção e organização de actividades de animação turística. Segundo Terras de Cante (2001) as possibilidades de animação em turismo rural passam pela pesca, golfe, passeios de bicicleta, caminhadas, apanhar plantas e frutos silvestres, observar os pássaros, estrelas, provar a cozinha local e fazer compras. As actividades dependem muito do gosto dos turistas, do lugar, do proprietário, contudo, poder-se-á referenciar, segundo a mesma obra, o ensinar aos turistas, fazer compotas de frutos silvestres, fazer bolos e pasteis, ensinar-lhes a atar alhos e cebolas, organizar um churrasco. Ou então, em colaboração com outros interessados, poder-se-á organizar outro tipo de actividades de animação como excursões a cavalo, de carroça, charrete, percursos pedestres, cursos de cozinha tradicional, cursos de artesanato e muito mais. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 44 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Poderão ainda, segundo Moinet (2000), ser exemplos de animação no meio rural a caça, organização de fins-de-semana ou de estadias temáticas como a matança do porco, o fumeiro, as vindimas, as desfolhadas, malhadas, festas religiosas e feiras.17 Com a organização de actividades de animação um novo cenário de diversificação abre-se ao turismo rural. Para os turistas, devido ao desejo, cada vez maior, de aprender, adquirir conhecimentos autênticos, as actividades de animação serão o “néctar” das suas estadias ou visitas ao meio rural. A animação dos tempos livres, irá contribuir para a valorização e promoção do saber fazer, do património natural e cultural do meio rural. A título de exemplo, veja-se o caso da Loja do Mundo Rural. “Esta é uma loja interessada em valorizar os produtos e a sua origem. A realização de eventos de promoção de um território, onde podemos encontrar os produtos dessa região, os artesãos e produtores, os animadores, o turismo, as festividades tradicionais, a realização de provas e concursos são atractivos para o público tendo em vista a promoção do território e a divulgação das suas características. É a animação permanente que torna este espaço sempre apetecível” (INDE; 2003c). O desenvolvimento de actividades de animação está estreitamente associado ao objectivo de melhorar a qualidade do produto através da diversificação da oferta para, desta forma, atrair mais clientela ou, simplesmente, para fixar por mais tempo os actuais clientes na região. Proporcionar actividades de animação campesina pode ser uma boa alternativa ou complemento a oferecer aos turistas. Desde uma possível caçada até ao simples observar e participar em actividades simples e tradicionais, poderão transformar uma 17 Tradução do autor SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 45 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA vulgar viagem numa viagem única, inesquecível e por conseguinte satisfatória e apetecível. “Algumas quintas portuguesas estão a acordar para este tipo de turismo” (Cymbron et alii; 1994:225). No entanto, para se conseguir um tipo de actividades de animação turística que contribua para a satisfação dos turistas, torna-se necessário colocar à disposição, não o que julgamos ter interesse para nós como animação, mas, o que de facto se inscreve nas necessidades, gostos ou curiosidade dos turistas (INDE; 2003b). Um outro factor fundamental para o bom êxito de qualquer forma de animação é a sua divulgação no sentido convincente, para que chegue com garantia aos seus destinatários e consiga motivá-los à participação nas actividades que se pretende promover (Idem). Obviamente, não será de esquecer que, a maior promoção é a dos próprios turistas que utilizarem os serviços, logo o cuidado que for posto em todos os detalhes que envolvem a sua estada, é sempre um bom investimento. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 46 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 4 Enquadramento legal das actividades de animação turística O enquadramento legal de actividades de animação, no contexto português, poderá ser de natureza variada. As actividades de animação podem fazer parte dos serviços de empresas de animação turística, cujo campo de acção é precisamente a elaboração e consequente oferta de actividades de animação, contribuindo para um enriquecimento e diversificação da oferta turística local, regional e nacional. No caso das actividades de animação turística que decorrerem em áreas protegidas, essas actividades, por sua vez, têm de estar legalmente enquadradas com o tipo de actividades de animação revistas no âmbito do Programa Nacional de Turismo de Natureza. Contudo, se um determinado tipo de actividades não se encaixar com as situações referidas, poderá ainda ser inscrita na Federação Portuguesa de Campismo. Para tal, essas actividades de animação têm ser de natureza desportiva e têm que obedecer e cumprir uma série de requisitos impostos pela Federação Portuguesa de Campismo. De forma mais pormenorizada, veja-se os respectivos enquadramentos. 4.1 Empresas de Animação Turística O enquadramento jurídico das actividades e empreendimentos de animação turística foi efectuado através do Decreto-Lei nº 204/2000, de 1 de Setembro. Contudo, o Decreto-Lei foi alterado com a entrada em vigor do Decreto-Lei nº108/2002, de 16 de Abril.18 Este Decreto-Lei, que visa regulamentar a actividade das Empresas de Animação Turística, veio colmatar uma importante lacuna que restringia o desenvolvimento deste mercado e permitia um clima de desresponsabilização das empresas que actuavam nesta 18 http://www.rt-serradaestrela.pt/gaist/images/legislacao/animacao_turistica.pdf (acedido em 15.03.04) SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 47 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA área. Até à publicação do DL nº 204/2000, todas as empresas que operassem nesta área, estavam, na prática, ilegais, a menos que se encontrassem licenciadas como agências de viagens e turismo. Na verdade, o diploma que rege as actividades de animação turística afigura-se bastante mais ajustado à realidade das empresas e empresários que se dedicam, sobretudo, a estas mesmas actividades. O processo de licenciamento requer o pedido de uma licença junto da Direcção Geral de Turismo, em que são exigidos requisitos mínimos às empresas, os quais têm como principal preocupação o assegurar a qualidade do serviço prestado, passando pela existência de sede social, de alguma capacidade empresarial e de seguros que protejam os clientes.19 De notar que as possíveis vantagens, no que concerne à regulamentação deste tipo de actividades serão muitas. Veja-se, por exemplo, que entre os requisitos necessários para a atribuição de uma licença, é exigido um capital social mínimo de 2.500 contos (para uma agência de viagens este valor é de 20.000 contos), e o pagamento de uma taxa de 500 contos para a concessão da licença propriamente dita (a taxa aplicável às agências cifra-se em 2.500 contos).20 Desde logo se verifica que com a nova legislação, as novas empresas de animação turística para procederem ao seu devido licenciamento, em comparação às existentes que, anteriormente, eram licenciadas como agências de viagens, gozam de uma vantagem implícita de natureza monetária e burocrática. Como já referido, o actual diploma está mais ajustado à realidade. 19 20 http://www.rt-serradaestrela.pt/gaist/images/legislacao/animacao_turistica.pdf (acedido em 15.03.04) Informação cedida pela Região de Turismo do Alto Minho SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 48 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Entre os factores referidos, e de acordo com as novas tendências, no decorrer dos próximos tempos iremos, porventura, depararmo-nos com o aparecimento de mais e melhores empresas de animação turística, enriquecendo assim a oferta turística local, regional e nacional através da prestação de serviços diversificados e com qualidade. 4.2 Programa Nacional de Turismo de Natureza As áreas protegidas (AP) são locais privilegiados como novos destinos, em resposta ao surgimento de outros tipos de procura, propondo a prática de actividades ligadas ao recreio, ao lazer e ao contacto com a natureza e às culturas locais. Tendo em conta as Resoluções do Conselho de Ministros nº 102/96, de 5 de Julho, e 60/97, de 30 de Janeiro, e reconhecendo que o desenvolvimento da actividade turística deve, nas AP, contribuir para a valorização do seu património natural e cultural, foi celebrado um protocolo de cooperação entre o Ministério da Economia e o Ministério do Ambiente, em 12 de Março de 1998, com o objectivo de implementar o Programa Nacional de Turismo de Natureza.21 Assim, nos termos da alínea g) do artigo 199, da Constituição, o Conselho de Ministros resolveu: criar o Programa Nacional de Turismo de Natureza, adiante designado por PNTN, aplicável na Rede Nacional de Áreas Protegidas, visando a promoção e afirmação dos valores e potencialidades que estes espaços encerram, especializando uma actividade turística, sob a denominação «turismo de natureza», e propiciando a criação de produtos turísticos adequados. 21 http://www.diramb.gov.pt/data/basedoc/TXT_LN_24631_1_0001.htm (acedido em 15.03.04) SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 49 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA O turismo de natureza pressupõe a prática integrada de actividades diversificadas, que vão desde o usufruto da natureza através de um passeio à prática de caminhadas, escalada, espeleologia, orientação, passeios de bicicleta ou a cavalo, actividades aquáticas e subaquáticas, entre outras, ao contacto com o ambiente rural e culturas locais, através da sua gastronomia e manifestações etnográficas, rotas temáticas, nomeadamente históricas, arqueológicas e ou gastronómicas, e a estada em casas tradicionais.22 A estratégia de implementação do PNTN assume a necessidade de consagrar a integração e sustentabilidade dos seguintes vectores: • Conservação da natureza; • Desenvolvimento local; • Qualificação da oferta turística; • Diversificação da actividade turística. 4.3 Animação turística e ambiental no contexto do Turismo de Natureza O enquadramento jurídico do turismo de natureza é efectuado através de decreto-lei e respectivos diplomas regulamentares, nos quais se estabelece, designadamente, a definição e a regulamentação das modalidades «casas da natureza», e, nomeadamente, as «actividades de animação ambiental», a sua instalação e funcionamento. 22 http://www.diramb.gov.pt/data/basedoc/TXT_LN_24631_1_0001.htm (acedido em 15.03.04) SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 50 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA O enquadramento jurídico do turismo de natureza foi efectuado através do Decreto-Lei nº47/99, de 16 de Fevereiro. Contudo este Decreto-Lei foi alterado com a entrada em vigor do Decreto-Lei nº56/2002, de 11 de Março.23 Este Decreto-Lei visa estabelecer regras para a animação ambiental nas modalidades de animação, interpretação ambiental e desporto de natureza nas áreas protegidas, bem como o processo de licenciamento das iniciativas e projectos de actividades, serviços e instalações de animação ambiental. Ao abrigo do artigo nº8 do Decreto-Lei nº56/2002, de 11 de Março, entende-se por animação ambiental a que é desenvolvida tendo como suporte o conjunto de actividades, serviços e instalações para promover a ocupação dos tempos livres dos turistas e visitantes através do conhecimento e da fruição dos valores naturais e culturais próprios da área protegida. Ao abrigo do disposto nº 1 do artigo nº9 do referido diploma, considera-se animação o conjunto de actividades que se traduzam na ocupação dos tempos livres dos turistas, permitindo a diversificação da oferta turística através da integração dessas actividades e outros recursos das áreas protegidas, contribuindo para a divulgação da gastronomia, do artesanato, dos produtos e tradições da região onde se inserem, desenvolvendo-se com o apoio das infra-estruturas e dos serviços existentes no âmbito do turismo de natureza. Para efeitos do referido diploma, constituem actividades e serviços de desporto de natureza as iniciativas ou projectos de animação que integrem: a) O pedestrianismo; b) O montanhismo; 23 http://www.diramb.gov.pt/data/basedoc/TXT_LN_24631_1_0001.htm (acedido em 15.03.04) SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 51 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA c) A orientação; d) A escalada; e) O rappel; f) A espeleologia; g) O balonismo; h) O pára-pente; i) A asa delta sem motor; j) A bicicleta todo o terreno (BTT); k) O hipismo; l) A canoagem; m) O remo; n) A vela; o) O surf; p) O windsurf; q) O mergulho; r) O hidrospeed; s) Outros desportos e actividades de lazer cuja prática não se mostre nociva para a conservação da natureza. 4.4 Decretos Regulamentares que regulamentam a animação ambiental O Decreto Regulamentar n.º 18/99, de 27 de Agosto, veio regulamentar cada uma das modalidades de animação ambiental nas áreas protegidas, definindo os requisitos gerais e específicos a que devem obedecer as actividades, serviços e SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 52 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA instalações das diferentes modalidades de animação ambiental, bem como o respectivo licenciamento para as iniciativas e projectos.24 O Decreto Regulamentar nº17/2003, de 10 de Outubro, veio alterar o Decreto Regulamentar n.º 18/99, de 27 de Agosto, que regula a animação ambiental nas modalidades de animação, interpretação ambiental e desporto de natureza nas áreas protegidas, bem como o processo de licenciamento das iniciativas e projectos de actividades, serviços e instalações de animação ambiental.25 No que confere a licenças, o artigo 8.º do Decreto Regulamentar nº17/2003 refere que sem prejuízo de outras autorizações ou licenças exigíveis por lei, as iniciativas ou projectos que integrem as actividades, serviços e instalações de animação previstos no artigo 3.º carecem de licença, titulada por documento a emitir pelo Instituto da Conservação da Natureza (ICN), após parecer prévio da Direcção-Geral do Turismo (DGT) ou do Instituto do Desporto de Portugal (IDP), nas situações previstas no n.º 3 do mesmo artigo, quando realizadas por: a) Comerciante em nome individual, estabelecimento individual de responsabilidade limitada, sociedade comercial ou uma cooperativa; b) Federações, clubes e associações desportivas; c) Instituições particulares de solidariedade social; d) Institutos públicos; públicos; e) Associações juvenis; f) Outras associações e demais pessoas colectivas sem fins lucrativos; 24 25 http://www.iapmei.pt/iapmei-leg-03.php?lei=2171 (acedido em 16.03.04) http://www.iapmei.pt/iapmei-leg-03.php?lei=2171 (acedido em 16.03.04) SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 53 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA No que confere à fiscalização, o artigo 17.º refere que, sem prejuízo das competências atribuídas por lei a outras entidades, a fiscalização do cumprimento do disposto no presente diploma compete às autoridades policiais, ao Instituto da Conservação da Natureza (ICN) e às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR). 4.5 Federação Portuguesa de Campismo A Federação Portuguesa de Campismo é uma federação multidesportiva que além do campismo, do caravanismo e do autocaravanismo representa as seguintes modalidades desportivas: Alpinismo, Montanhismo, Escalada Clássica, Escalada de Competição, Descida de Cascatas, Pedestrianismo (Federação Portuguesa de Campismo; 2001). Fundada em 1945, em 1996 foi-lhe atribuído pelo Estado o Estatuto de Utilidade Pública Desportiva, estatuto que entre outros direitos e deveres, lhe confere a representação nacional e internacional das modalidades atrás referidas. É, actualmente, composta por 580 associações (Idem). Decorrente da Lei de Bases do Sistema Desportivo (Lei 1/90) e do Regime Jurídico das Federações Desportivas (Decreto-Lei 144/93) o Estado, através do Estatuto de Utilidade Pública Desportiva – Despacho 28/96 do Gabinete do Primeiro-ministro de 6/3/96 – atribui à Federação Portuguesa de Campismo a competência para o exercício, dentro do respectivo âmbito, de poderes regulamentares, disciplinares e outros de natureza pública dos quais se destacam, para esta modalidade desportiva, os seguintes: SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 54 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA • Regulamentar e disciplinar o pedestrianismo; • Promover e divulgar a sua prática; • Promover e regulamentar a implantação de infra-estruturas a ela destinadas; • Promover a continuação dos percursos pedestres transeuropeus que terminam ou passam por Portugal, definir-lhe o itinerário e estabelecer pontos de ligação e de entrada em território nacional; • Acordar com as Federações vizinhas o estabelecimento de percursos pedestres transfronteiriços; • Fazer o registo de todos os percursos pedestres, atribuir-lhe a numeração e homologá-los de acordo com os requisitos pré-estabelecidos. • Representar o pedestrianismo e os percursos pedestres nos fóruns internacionais pelo que é federada na Fédération Européene de La Randonné Pédestre (Federação Portuguesa de Campismo; 2001). SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 55 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 5 Pedestrianismo,"O desporto dos que andam a pé"! A animação, no turismo contemporâneo, deve desenvolver-se, basicamente, a dois níveis. Ao nível do desenvolvimento da prática turística e das comunidades locais, e ao nível da sustentabilidade territorial ecológica e patrimonial (ATT;2003). Bonet (1989) refere que a caminhada é o modo de locomoção mais natural ao homem. O facto de existir, cada vez mais uma sociedade sedentária, sujeita a uma rotina diária, os percursos pedestres como actividade turística discreta e menos artificial, poderá gerar nos participantes um sentimento de liberdade extrema. Este sentimento resulta da harmonia entre o modo de locomoção e o espaço que se percorre, o qual descobre ao ritmo da sua caminhada26. Sendo assim, e sabido que, actualmente, é difícil revelar o que é, verdadeiramente, genuíno, a animação turística assente em percursos pedestres, será uma boa solução para se explorar a região a conhecer. Um dos principais factores é a capacidade de ir ao encontro da realidade, de mostrar ao turista aspectos menos visíveis. Através dos percursos pedestres é possível explorar-se a região. De ter em conta que “um caminho, qualquer que seja a forma com que se apresente, seja uma pequena calçada ao serviço de um campo ou um escavado acesso a um monte, desde um “caminho da missa” ou da “feira” até a um “carreiro da fonte”, desde um caminho concelhio ou uma “estrada real” à recente auto-estrada, é sempre, na sua circunstância, um rico testemunho de civilização. (…) Os caminhos são, antes de tudo, marcas territoriais do homem, das suas técnicas e culturas, do seu habitat, do seu ecossistema, do seu tempo e do nível de organização social da sociedade que os utiliza” (Almeida; 1968. cit. in Xunta da Galicia; 1995:340). 26 Tradução do autor SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 56 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 5.1 As origens do pedestrianismo O pedestrianismo, ou caminhada, é tão antigo como o homem. Praticar pedestrianismo é andar, algo que o ser humano teve de fazer desde sempre para se deslocar de um lugar para outro. Na verdade, muitos dos caminhos que se percorrem na prática do pedestrianismo parecem ter sempre existido, para ir de uma aldeia a outra, para chegar a uma pequena ermida ou para aceder a velhas ruínas. As calçadas romanas poderiam ser um primeiro e claro antecedente do pedestrianismo. O traçado das que não se transformaram em estradas ainda se utiliza. Outro antecedente encontra-se nos famosos Caminhos de Santiago, uma realidade que passou a fazer parte dos percursos catalogados e que só em Espanha conta com mais de 800 km. Embora os Caminhos de Santiago tenham sido um importante precursor do pedestrianismo, esta actividade, tal como se conhece actualmente, nasceu em França há quase cinco décadas. Ali começaram a criar-se os Percursos de Grande Rota (GR), tornando-se uma actividade associada ao montanhismo e ao excursionismo, mas com uma personalidade própria: um movimento cultural e de lazer para o grande público. Outros países europeus seguiram, pouco depois, o exemplo francês, e em alguns ocorreu um espectacular desenvolvimento dos GR. Na actualidade, a Alemanha conta com mais de 210 000 km sinalizados, a França tem mais de 40 000 km e a Suíça cerca de 50 000 km. Através destes exemplos pode apreciar-se a grandeza do projecto. Um projecto que ultrapassou as barreiras da Europa, já que podem encontrar-se GR não só na maioria dos países europeus, mas também em nações de outros continentes, como os Estados Unidos e a Africa do Sul.27 27 http://www.caminhadas.web.pt/ (acedido em 03.02.04) SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 57 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 5.2 Definição de percursos pedestres De acordo com o manual de normas para implementação e marcação de percursos pedestres do Federação Portuguesa de Campismo (2001): O pedestrianismo é uma actividade em que intervêm aspectos turísticos, culturais e ambientais. Pedestrianismo, caminhadas ou passeios pedestres, são actividades de ar livre, de lazer e de aventura, simultaneamente, agradável e relaxante. Esta actividade consiste em percorrer a pé um determinado percurso, previamente, sinalizados, com marcas e códigos, internacionalmente, conhecidos e aceites, permitindo desta forma a descoberta e contacto com a natureza, e levando à aquisição de conhecimentos mais pormenorizados da região a percorrer. Esta actividade não implica o factor de competição, embora existam metas a alcançar. Permite o desenvolvimento de um exercício saudável, caminhando em contacto com o meio natural. Para se praticar este tipo de actividade não é necessário dominar quaisquer conhecimentos e técnicas especializadas, podendo ser praticado por pessoas de todas as idades. Cabe a todos nós preservar e manter o estado natural dos locais por onde caminhamos, assim como manter o silêncio e evitar barulhos e atitudes que perturbem os locais por onde passamos. 5.2.1 Percursos pedestres no aspecto desportivo É um desporto não competitivo nem agressivo. Pratica-se em plena Natureza com os benefícios característicos das actividades de ar livre. Pode ser praticado por amplas camadas da população, em grupos, em famílias, etc. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 58 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Não requer um equipamento sofisticado nem material técnico. Não requer conhecimentos prévios de cartografia, orientação etc. É uma válvula de escape para o sedentarismo das grandes cidades e de fuga ao stress característico das cidades. 5.2.2 Percursos pedestres no aspecto turístico e cultural O turismo é hoje em dia uma necessidade cada vez maior e uma importante fonte de receitas; as novas tendências turísticas estão cada vez mais viradas para um turismo mais activo, mais "verde" e mais natural. O Pedestrianismo aproxima as pessoas ao meio rural, promovendo-o. Os caminhos tradicionais são dos melhores recursos existentes nas zonas rurais e de montanha. A sua recuperação para novos usos pode revitalizar a economia destas zonas. O Pedestrianismo pode dinamizar, nas zonas rurais, actividades que complementem a economia ligada às actividades tradicionais, promovendo o desenvolvimento sócio-económico dos interiores e das suas populações. É uma actividade que rentabiliza a oferta da restauração, do alojamento rural, turismo de habitação, parques de campismo, etc. O Pedestrianismo fomenta a amizade e o intercâmbio cultural, facilita o conhecimento do nosso país, as suas gentes, costumes e tradições 5.2.3 O Pedestrianismo no aspecto ambiental e de protecção da Natureza O Pedestrianismo é um instrumento eficaz na conservação dos caminhos, das fontes, calçados, lugares de interesse histórico, etc. Permite o conhecimento e a sensibilizarão ambiental promovendo a protecção do Natureza. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 59 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA O Pedestrianismo estimula a observação do meio natural, a observação do fauna e da flora, promovendo o seu respeito e admiração. Influencia a conservação e protecção do meio rural cujos pessoas e modos de vida são o património mais importante. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 60 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Parte II 1 Componente Prática Perspectivas do Concelho de Vila Verde Vila Verde é um dos 13 concelhos do distrito de Braga, do qual dista 11 km, pela EN 101. Com 58 freguesias e uma área de 226 km2, é limitado pelos concelhos de Braga, Amares, Terras de Bouro, Ponte da Barca, Ponte de Lima e Barcelos. Vila Verde, enquanto município foi criado por decreto de 24 de Outubro de 1855 compreende os antigos coutos e concelhos medievais extintos de Aboim da Nóbrega, Cervães, Larim, Penela, Pico de Regalados, Prado Valdreu e Vila Chã. A sua morfologia é dominada pelos vales dos rios e pelos relevos proeminentes que o envolvem a Norte e Este, que ofereceram sempre condições propícias à instalação de comunidades humanas desde os mais remotos tempos pré-históricos (Câmara Municipal de Vila Verde, 2000). Vila Verde beneficia de várias redes fluviais: o rio Cavado, o rio Homem, os Rios do Tojal, do Neiva e do Vade e ainda as ribeiras de Valdreu, Valbom, Paço e Oriz e os ribeiros de Barges, Poriço e Casal do Pato. Esta rede hidrográfica, para além de fornecer a água necessária para a rega de culturas como o milho, muito cultivado nesta região, proporciona a prática de alguns desportos fluviais, incontestável forma de ocupação dos tempos livres. As várias redes fluviais favorecem, ainda, duas formas de relevo distintas: uma de vale e outra de encosta. Nas zonas de menor altitude encontram-se as freguesias de Soutelo, Prado Sta. Maria, Cabanelas, Lage, Moure, Lanhas, Pico de Regalados e Pico São Cristóvão. Nas zonas de encosta encontram-se as freguesias de Covas, Valões, Penescais, Valdeu, Oriz S. Miguel, Paço, Gomide, SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 61 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Gondomar e Aboim da Nóbrega. As zonas de maior altitude (mais de 700 metros) situam-se as freguesias de Codeceda, Gondomar e Aboim da Nóbrega (Câmara Municipal de Vila Verde, 2000). De Bezeguimbra a Aboim, de Mixões da Serra a Casais de Vide, vai toda uma tradição, uma cultura, uma forma de viver que merece ser visitada mas também protegida, pois encerra ainda preciosas lições (Câmara Municipal de Vila Verde; 1992). 1.1.1 Monumentos e Arquitectura Em Vila Verde, a arquitectura rural é visível em determinados povoamentos rurais, onde a economia assenta numa agricultura de recursos arcaicos. O granito assenta no verde característico da paisagem desta região, a par de uma grande aplicação de madeira de pinho e castanho na construção das casas (Idem). A evolução da arquitectura neste Concelho nasceu sob o signo da riqueza aparente do ouro do Brasil, manifestando-se na arquitectura civil e religiosa. Como exemplos mais significativos encontramos o Solar de Carcavelos, a Casa da Madalena, o Solar de Febros, a Casa de Serrazim, o Solar de Gondomil e o Solar do Fundão (Câmara Municipal de Vila Verde, 2000). São conhecidos, no Concelho de Vila Verde, mais de cinquenta lugares, monumentos ou elementos rurais, com interesse histórico, antropológico e etnográfico. Como exemplos mais significativos encontramos o Fojo de Lobo, Castelo de Francos, Torre de Pengate, Ponte de Prado, citânia de S. Julião (Idem). SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 62 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 1.1.2 A Arte Religiosa A arte religiosa deste Concelho está bem patente nas Igrejas, Capelas e Santuários. Neste contexto, salientamos a existência de alguns santuários, nomeadamente o Santuário de Stº António de Mixões da Serra, Santuário do Alívio, e o Santuário da Nossa Senhora do Bom Despacho, nas freguesias de Valdreu, Soutelo e Cervães respectivamente. De referir ainda as Alminhas, os Arcos Festivos de grandes dimensões e as Custódias em prata com banhadas a ouro assinalando devoção, alegria, festa e respeito manifestado pelo povo Vilaverdense (Câmara Municipal de Vila Verde, 2000). 1.1.3 Festas e Romarias Vila Verde é, também, terra de grandes tradições. As suas gentes têm orgulho nas festividades, nomeadamente, a festa de Stº António Mixões da Serra, Nossa Senhora do Alívio, Stº António de Vila Verde, Stº Amaro, oferecendo a este festejo um encanto muito popular. Não falta a decoração em papel, o lado religioso com missa, e procissão, Zés P`reiras, Gigantones, desfiles etnográficos, Rusgas, fogo de artifício, tascas típicas, a viola, a concertina, e tantas outras atracções, que constituem os pontos altos de um calendário que dura de Janeiro a Dezembro (Idem). 1.1.4 Gastronomia A cozinha vilaverdense, caracteriza-se principalmente pelos pratos confeccionados com carne de cabrito, de porco ou de vitela barrosã. Típicos são os rojões à moda do Minho, as papas de sarrabulho, o cozido à portuguesa, o arroz de cabidela ou de pato, o cabrito assado no forno com batatinhas. Há ainda quem SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 63 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA confeccione arroz seco em alguidares tortos, trutas do Rio Ave à Vila Verde, bacalhau e coelho à caçador. São também apreciados os fumeiros ou enchidos, uma forma tradicional de conservar alimentos com o auxílio das lareiras. A doçaria apresenta uma grande variedade, como por exemplo, os mexidos de mel, as rabanadas de mel ou de vinho, douradas ou fidalgas, o arroz doce sem ovos e a aletria, o pudim de ovos, o creme queimado e as cavacas minhotas. O Vinho Verde, produzido nas encostas de Vila Verde, Amares, Terras de Bouro e Póvoa de Lanhoso, é de excelente qualidade e é vendido sob designação de marca. Este vinho é ideal para acompanhar a culinária tradicional. Alguns pratos são mesmo confeccionados com recurso ao Vinho Verde e é por ele que devem ser acompanhados.28 1.1.5 Artesanato O Concelho de Vila Verde é rico em bordados, que vão desde os Lenços de Namorados, lençóis, travesseiros, fronhas de almofadas, toalhas de mesa e rosto e até peças de vestuário. Merecem, contudo, especial destaque os famosos ”Lenços de Namorados”.29 Pensa-se que a origem possível dos ”Lenços dos Namorados” ou ”de Pedido” está nos Lenços Senhoris dos séculos XVII – XVIII, sendo, depois, adaptados pelas mulheres do povo que lhes conferiam um aspecto popular característico. A sua função principal, para além de constituírem parte integrante do traje feminino, era a da conquista do conversado. 28 http://www.cm-vilaverde.pt/indexxx.cfm?azdoc=gastronomia.cfm (acedido em 05.03.04) 29 http://www.cm-vilaverde.pt/indexxx.cfm?azdoc=art01.cfm (acedido em 05.03.04) SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 64 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA A moça casadoira colocava toda a sua mestria na elaboração do seu lenço a partir de um pano de linho fino ou algodão, expunha nele todo o amor que sentia através de quadras e, entregava-o, depois, ao seu amado que, como sinal de acordo, nos dias seguintes usava o lenço à volta do pescoço (Câmara Municipal de Vila Verde; 2000). O barro é também uma das maiores riquezas desta terra, nomeadamente, nas freguesias de Cabanelas, Cervães, Vila de Prado e Oleiros. As suas produções vão desde cântaros, talhas, fantoches, vasos e loiças. No Concelho existem ainda artesãos que trabalham o vime, a verga, fazem miniaturas em madeira, peças de mobiliário, espigueiros, carros de bois, brinquedos e artigos de decoração (Idem). 1.1.6 Desporto e Lazer Vila Verde é um concelho irrigado por três rios principais, o Cávado, o Homem e o Neiva. Neles podemos usufruir das suas praias fluviais, com destaque para Malheira na freguesia de Sabariz, Faial na freguesia de Prado - Stª Maria e Ponte Nova na freguesia de Vila Verde (Ibidem). As activiades desportivas com mais tradição no concelho são os desportos náuticos, o futebol, os circuitos de BTT, as provas de Rali, provas de Trial, a ginástica, a natação, a pesca e a caça. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 65 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 2 Oferta Turística do Concelho Alojamento Turístico A capacidade de alojamento turístico do Concelho de Vila Verde é de 106 quartos duplos, cinco apartamentos T1 e um T3, uma suite com três quartos duplos, duas suites T0 e T1, uma suite com seis quartos duplos e um single e, uma suite para quatro pessoas. O número total de estabelecimentos são 19, sendo 18 unidades de Turismo em Espaço Rural e uma Residencial, estando esta última equipada com 1 Suite para 4 pessoas e 24 quartos duplos30. Turismo em Espaço Rural Em Vila Verde ainda é visível em determinados povoamentos rurais, a casa rural típica deste concelho, dividida em dois pisos. O piso superior, geralmente com alguns quartos, sala e uma cozinha, o piso inferior, constituído por várias divisões onde se encontra a corte do gado e a adega (vulgarmente, denominada por “loja”, usada para a recolha e produção do vinho verde, característico desta região). Ladeando a casa encontra-se, por norma, um espigueiro para guardar os cereais, como o milho e o centeio (Câmara Municipal de Vila Verde; 1992). O concelho de Vila Verde oferece ao visitante um alojamento enquadrado com o meio rural, onde se destacam as casas de Turismo no Espaço Rural, estando em contacto permanente com a natureza e o mundo rural típico31 30 31 Ver apêndice 1 Ver apêndice 1 SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 66 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Procura Turística do Concelho de Vila Verde A nível da procura turística do concelho de Vila Verde, verifica-se uma carência de dados estatísticos. Foi apenas possível aceder a dados sobre Tempo Médio de Estada Mês e a Ocupação de 1998 e 1999 em alguns estabelecimentos de Turismo em Espaço Rural. De entres os estabelecimentos foram seleccionados os que se localizam, precisamente, nas Encostas Terras da Nóbrega. Estes dados foram disponibilizados pela ATAHCA/TURIALD – Central de Reservas das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave, e, segundo informações da mesma, algumas destas casas já não se encontram em actividade (a Casa do Fojo e a Casa da Fonte), no entanto, dadas as situações, os seguintes dados serviram para se fazer uma pequena e limitada análise da procura turística existente. Os gráficos foram elaborados com base na informação cedida pela ATAHCA.32 Número de Dias Gráfico nº 10: Tempo Médio de Estada em 98 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 2,9286 2,2675 1,7 0 Eira 0 S. João Nóbrega Fojo 0 Fonte TME por mês Nome das Casas 32 Ver apêndice 2 e 3 SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 67 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Número de Dias Gráfico nº 11: Tempo Médio de Estada em 99 6 5 4 3 2 1 0 4,5 5,333 4,3888 5 3,6857 Eira S. JoãoNóbrega Fojo 3,8556 Fonte TME po mês Nome das Casas A nível do Tempo Médio de Estada por mês, registou-se nas unidades de alojamento de Turismo em Espaço Rural do Núcleo Rural das Terras da Nóbrega, uma pequena evolução positiva, passando de 2,2675 dias em 1998 para 3,8556 dias em 1999. Gráfico nº 12: Nº de Hospedes em 98 Número de Pessoas 80 72 60 52 40 20 20 0 0 Eira 0 S. JoãoNóbrega Fojo 0 Fonte Total por ano Nome das Casas SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 68 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Número de pessoas Gráfico nº 13: Nº de Hospedes em 99 500 400 300 200 100 0 424 216 40 44 104 20 Eira S. JoãoNóbrega Fojo Fonte Total por ano Nome das casas De acordo com os dados dos gráficos nº 11 e nº 12, o número total de hóspedes passou de 72 no ano de 1998 para 424 hóspedes no ano seguinte. Assim, apesar da oferta deficitária de actividades complementares de animação, a procura, e o consequente tempo médio de estada aumentou, seria primordial apostar em actividades e infra-estruturas de animação, para desta forma se conseguir uma maior atractividade do destino e, por conseguinte, aumentar o tempo médio de estada nas referidas unidades de alojamento de Turismo em Espaço Rural. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 69 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 3 Núcleo Rural das Encostas das Terras da Nóbrega O Núcleo Rural Encostas das Terras da Nóbrega, sobre o qual irá incidir a proposta de percursos pedestres, é constituído pelas freguesias de Aboim da Nóbrega e Gondomar e abrange uma área com cerca de 15 km2, no qual reside uma população de 1422 habitantes. Inclui-se a totalidade deste Núcleo Rural no concelho de Vila Verde, pertencente ao distrito de Braga, com inserção na província do Minho. Este núcleo encontra-se no limite do concelho de Vila Verde com o Concelho de Ponte da Barca, situando-se a meia encosta, entre Santo António Mixões da Serra e as freguesias de Atães, Paçô e Valdreu. O principal acesso a este núcleo rural faz-se pela Estrada Municipal que parte da E.N. 101, no lugar da Portela do Vade, na freguesia de Atães. A baixa densidade populacional desta área é representativa de uma área rural por excelência, existindo várias oscilações de valores no interior da mesma, tendo a freguesia de Aboim da Nóbrega uma densidade de 111 habitantes por km2.33 3.1 Caracterização Edafo-Climática Climaticamente, podemos caracterizar esta área como possuindo Invernos bastantes chuvosos e frios, Primaveras e Outonos algo irregulares e com predominância de Verões quentes e secos. A precipitação média anual varia entre os 2000 mm e os 2800 mm, o que corresponde a mais de 100 dias por ano com precipitação igual ou superior a 1 mm. 33 Informação cedida pela ATAHCA. Dados relativos à Ficha de Candidatura da ATAHCA para “Agris - Programa Potencial Regional; Medida Agricultura e Desenvolvimento Rural 2001. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 70 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA A temperatura média do ar varia entre os 10º C e os 15º C. A humidade relativa varia entre os 75% e os 85%, a insolação apresenta valores entre as 1800 e as 2200 horas por ano. Geologicamente, os solos são de origem granítica, predominando aqueles de uso não agrícola. Em termos ecológicos existe nesta área a predominância de duas zonas distintas, uma de montanha com altitudes superiores a 500m e outra de meia encosta alta, com altitudes entre os 200 e os 500m.34 3.2 Caracterização dos principais aspectos sociais, ambientais e histórico-culturais das freguesias de Aboim da Nóbrega e Gondomar A freguesia de Aboim da Nóbrega, situa-se a 13 Km a norte do concelho de Vila Verde, sendo a terceira mais extensa das 58 freguesias que o constituem. Aboim da Nóbrega destaca-se pela sua importância na história de Portugal, por um conjunto de importantes monumentos que possui, pelos seus usos e costumes que perduram ao longo do tempo, pela paisagem característica que detém, constituída por pequenos aglomerados rurais dominados por um forte espírito comunitário. Aboim da Nóbrega, com a categoria de couto, é um dos mais antigos da região do Minho, sendo uma freguesia detentora de uma história extraordinária, sendo mais um dos concelhos extintos que está compreendido no território do actual concelho de Vila Verde. Foi outrora, sede do antigo concelho de Aboim da Nóbrega, extinto por decreto de 31 de Dezembro de 1853 (Câmara Municipal de Vila Verde; 1999). 34 Informação cedida pela ATAHCA. Dados relativos à Ficha de Candidatura da ATAHCA para “Agris Programa Potencial Regional; Medida Agricultura e Desenvolvimento Rural 2001. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 71 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Foi couto e comenda da Ordem Militar de Malta, e depois de coroa. Tinha então juiz ordinário, dois vereadores, procurador, meirinho, escrivão da câmara e do cível, a cujas eleições presidia o corregedor de Viana do Castelo. Este couto foi pertença de D. João de Aboim, homem rico de reinado de D. Afonso III e seu mordomo-mor, o qual descendia das famílias da Nóbrega e de Aboim, de onde descenderam ilustres nobres, unidos por casamento com os melhores de Portugal e Espanha (Câmara Municipal de Vila Verde; 1999). No lugar de Casaleixo, nasceu o célebre fidalgo, João Soares Vivas, capitão-mor das naus da Índia e que, desgostoso com alguns fidalgos portugueses partiu para Castela onde mais tarde Filipe IV lhe concedeu o titulo de Conde da Nóbrega. A Igreja de Aboim da Nóbrega possui uma Capela anexa voltada ara o interior da Igreja, mandada construir por este fidalgo, onde na parte nascente se pode ver uma inscrição que lhe faz menção (Idem). A padroeira de Aboim da Nóbrega, Nossa Senhora da Assunção, foi em tempos antigos a mais célebre devoção dos fidalgos e senhores de Entre Douro e Minho. A Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Aboim da Nóbrega foi em tempos remotos, um mosteiro de freiras beneditinas que datava da era românica. Todavia a sua aparência primitiva, foi sendo alterada devido às várias reformas, a que foi sujeita no decorrer dos séculos. Contudo é-nos bem visível no interior da Igreja, o rico e encantador tecto em molduras, caixotões e pinturas de há séculos considerado dos mais belos e artísticos do Norte do País. Esta invulgar preciosidade em talha dourada, enquadram admiráveis pinturas alusivas ao «Magnificat» do qual se destacam os próprios versículos (Câmara Municipal de Vila Verde; 1947). SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 72 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Aboim da Nóbrega dispõe de um rico e importante património cultural, natural, e construído. A imponência dos miradouros permitem desfrutar de uma paisagem verdejante até ao limite dos nossos sentidos e à expressão plena de harmonia entre o Homem e a Natureza. A intervenção do Homem manifesta-se pelas casas de pedra solta e granito, pela existência de espigueiros também em granito, muitos deles com relógios de sol, localizados nos lugares de Bemposta, Povoadura, Casais de Vide. No referido lugar, poder-se-á encontrar a designada Casa da Pequenina, um antiquíssimo solar rural de rara beleza, por deter um aglomerado de casas de habitação tipicamente construídas também elas de pedra sobre pedra, onde ainda existem caleiros de granito que permitiam conduzir as águas vindas das alturas do monte (Câmara Municipal de Vila Verde; 1999). Ainda nas proximidades de Casais de Vide, bem no cimo de um monte, encontram-se as velhas ruínas do antigo Castelo de D. Ourigues-o-Velho, da Nóbrega. Segundo Guerra (1996) existiu o Castelo da Nóbrega que se levantava no alto do monte, onde desde tempos pré históricos assentou um castro. No penhasco mais elevado colocaram um maço geodésico com a cota de 775 metros de altitude. É possível ver ainda, outras heranças do passado que demonstram a grandeza que esta freguesia possuiu outrora, nomeadamente, a antiga Câmara, a Cadeia, o Pelourinho e a Casa de D. João de Aboim. Podemos ainda encontrar capelas, cruzeiros, alminhas e moinhos junto ao Rio Vade. O artesanato é, sem dúvida, uma das tradições com fortes raízes, nas gentes de Aboim da Nóbrega. Destacam-se, essencialmente, as rendas e os bordados, entre os SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 73 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA quais podemos encontrar exemplares como toalhas, panos de folar e lenços de namorados entre outros (Câmara Municipal de Vila Verde; 1999). São também várias as lendas e tradições existentes nesta freguesia. Outrora, foi venerado um “Dente Santo”, ao qual o povo atribuía o poder de salvar as pessoas das mordidelas dos cães raivosos. Este dente era transportado de romaria pelo padre de Santo André de Gondomar, João do Valle Fresco e Faria, em 1758, com o qual benzia as pessoas. Investigadores têm já averiguado a proveniência do “Dente Santo” de Aboim, no entanto há quem suponha que este pertencia às maxilas de S. Fructuoso, Abade de Constantim, Vila Real, onde se vê a sua cabeça exactamente sem um dente, a Santo Eleutério, papa martirizado em 196 ou finalmente a Santo Eleutério, arcebispo de Braga falecido em 560 (Câmara Municipal de Vila Verde, 1947). A freguesia de Gondomar situa-se a 16 km a norte do concelho de Vila Verde, fazendo fronteira com as freguesias de Paço, Valdreu e Aboim da Nóbrega. Gondomar, é uma freguesia digna de uma visita, onde se pode estabelecer contacto com o mais nobre povo do mundo rural numa aldeia comunitária. Preserva muitos dos seus ancestrais usos e costumes. Junte-se a esta faceta as belezas naturais que encerra, como a vegetação de cor amarela das giestas, o acinzentado escuro das construções em pedra granítica, rusticamente, trabalhada das casas e espigueiros ou mesmo muros de pedra solta. Para além dos diversos aglomerados rurais espalhados pela freguesia, merecem especial destaque a igreja de Gondomar, casas cobertas a colmo, o Fojo do Lobo, e o cruzeiro seiscentista (Câmara Municipal de Vila Verde; 1999). SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 74 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Nestas freguesias ainda existem artesãos que bordam Lenços de Namorados, panos em linho e tecem o linho e a lã. Podemos também encontrar, apesar de com menos frequência que no passado, pessoas a fazerem barbeitos. A paisagem é caracterizada por duas encostas que se situam acima dos 400 metros do nível do mar, sendo separadas pelo rio Vade, afluente da margem esquerda do Rio Lima, que nasce em Gondomar e desagua em Ponte da Barca. Este rio caracteriza-se, essencialmente, pela presença abundante de truta e pelos moinhos seculares que se podem encontrar nas suas margens (Câmara Municipal de Vila Verde; 1999). O ponto de cota mais elevado situa-se no monte do outrora Castelo de Aboim da Nóbrega com 775 metros de altitude, onde a neve é uma das visitas regulares no Inverno. 3.3 Programas de Apoio Comunitário que incidiram em Aboim da Nóbrega e Gondomar Antes de tudo, será oportuno referir neste ponto a ATAHCA – Associação das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave, visto que, esta associação é uma entidade ligada ao desenvolvimento local rural, e cujo o território de intervenção era, originalmente, constituído pelos concelhos de Amares, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira do Minho e Vila Verde (actualmente o concelho de Vieira do Minho não pertence à zona de intervenção da ATAHCA) (ATAHCA; 2002). Esta associação tem como objectivo a persecução de uma estratégia de desenvolvimento rural integrado, a qual incide, também, nas freguesias de Aboim da Nóbrega e Gondomar. A ATAHCA foi fundada em 1991, e na última década, tem desenvolvido um vasto conjunto de SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 75 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA iniciativas ligadas ao Desenvolvimento Local, de forma a revitalizar e dinamizar o Mundo Rural. Desde 1991, deu-se lugar à implementação dos programas LEADER I, LEADER II, medida AGRIS, programa LEADER + (em curso), entre outros (ATAHCA; 2002). O Programa de Iniciativa Comunitária LEADER I, possibilitou o apoio a 232 projectos referentes a toda a zona de intervenção da ATAHCA, em áreas tão diversificadas como o apoio técnico, a formação profissional, o Turismo em Espaço Rural, o artesanato e a criação de PME`s, os produtos agrícolas locais e a protecção do ambiente.35 Particularmente, nas freguesias de Aboim da Nóbrega e Gondomar no âmbito do LEADER I as áreas de apoio foram, essencialmente, a criação de centros de artesanato, revitalização das fachadas, a recuperação de casas para o Turismo em Espaço Rural, recuperação dos muros do “fojo do lobo” em Gondomar, recuperação de espigueiros, recuperação de caminhos, acções de formação.36 Financiado pelo FEOGA, FEDER e o PPDR, foi criado o Centro Rural Encosta de Mixões da Serra, integrado na região do Alto Cávado, que engloba, entre outras, as freguesias de Aboim da Nóbrega e Gondomar.37 Os projectos implementados nestas duas freguesias foram, a recuperação e revitalização do Centro Histórico de Aboim da Nóbrega, a colocação de placas informativas, e a criação do Parque de Campismo de Aboim da Nóbrega.38 35 http://www.minhaterra.pt/associados/atahca.asp#O%20Território%20de%20intervenção (acedido em 07.03.04) 36 Informações obtidas por entrevista à ATAHCA 37 Informações obtidas por entrevista à ATAHCA Informação cedida pela ATAHCA. Dados relativos à Ficha de Candidatura da ATAHCA para “Agris - Programa Potencial Regional; Medida Agricultura e Desenvolvimento Rural 2001. 38 SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 76 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Com o apoio programa LEADER II, foram recuperadas fachadas, espigueiros, reconverteram-se casas para o Turismo em Espaço Rural, e organizou-se acções de formação. Na mesma lógica de desenvolvimento, mas sendo agora o apoio feito através da Medida AGRIS, a ATAHCA, interveio nesta duas freguesias, nomeadamente, na recuperação e manutenção de casas para o Turismo em Espaço Rural, recuperação de fachadas, espigueiros, apoio à agricultura, ao artesanato.39 O programa LEADER + está em fase de arranque, existem ainda candidaturas e projectos a decorrer. As suas iniciativas centram-se nas seguintes áreas: a recuperação das “Aldeias da Saudade”; “Itinerários”; “Apoio à produção, transformação e comercialização dos produtos locais”; “Equipamentos sociais, turísticos e culturais”; “Valorização de espaços naturais”, etc.40 Com o apoio deste programa, a ATAHCA visa concluir as obras do Parque de Campismo de Aboim da Nóbrega. Nas freguesias de Aboim da Nóbrega e Gondomar têm particular incidência as iniciativas relacionadas com a revitalização dos lugares de aldeias tradicionais de manifesto potencial turístico – Aldeias da Saudade.41 3.4 “Aldeias da Saudade” As casas de Turismo em Espaço Rural do Núcleo Rural das Encostas das Terras da Nóbrega pertencem ao núcleo das casas de granito das regiões rurais de montanha denominado “Aldeias da Saudade”. Este núcleo, por sua vez, pertence ao Centro Rural 39 Informações obtidas por entrevista à ATAHCA http://www.minhaterra.pt/associados/atahca.asp#O%20Território%20de%20intervenção (acedido em 07.03.04) 41 Informações obtidas por entrevista à ATAHCA 40 SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 77 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA das Encostas Mixões da Serra, liderado pela ATAHCA – Associação das Terras Altas do Homem Cavado e Ave (ATAHCA; 2000). As “Aldeia da Saudade”, constituem verdadeiros nichos rústico-tradicionais, onde predomina as construções em granito, característica das regiões de montanha, fruto do convívio e da adaptação do homem às adversidades do meio e de uma secular experiência na criação de modelos arquitectónicos simples e funcionais, aliados a um modo de viver extremamente peculiar. Estes nichos rústico-tradicionais, denominados “Aldeias da Saudade” são, literalmente, a organização da oferta de alojamento em Turismo em Espaço Rural, englobados pelas aldeias de Brufe e Cutelo, em Terras de Bouro, Pequenina/Casais de Vide e Gondomar, em Vila Verde (Idem). 3.5 Alojamento Turístico do Núcleo Rural Terras da Nóbrega O tipo de alojamento existente nesta região é, todo ele, de Turismo em Espaço Rural. O turista ou visitante tem à sua disposição magníficas casas rurais e, futuramente, um Parque de Campismo Rural. O número de casas destinadas ao Turismo em Espaço Rural é, actualmente, de quatro unidades, a Casa da Eira, Casa de S. João, a Casa da Capucha e a Casa da Nóbrega. Quanto ao Parque de Campismo Rural de Aboim da Nóbrega, encontra-se em fase de conclusão das obras. Actualmente, a capacidade de alojamento destas duas freguesias é de nove quartos, sendo cada quarto equipado com cama de casal. Assim sendo, a capacidade de alojamento em número de dormidas por noite poderá ser de 18 pessoas. Quanto ao futuro Parque de Campismo Rural de Aboim da Nóbrega, a sua capacidade é para mais de 200 pessoas. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 78 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 3.5.1 Casa da Eira A Casa da Eira fica situada no lugar de Casais de Vide, na freguesia de Aboim da Nóbrega. Equipamentos e Animação 1 Apartamento T3 Kitchenette Sala de convívio com Televisão Aquecimento proporcionado por uma lareira Televisão no quarto 3.5.2 Casa de S. João A Casa de S. João fica situada no lugar de Casais de Vide, na freguesia de Aboim da Nóbrega. Equipamentos e Animação 1 Apartamento T2 Kitchenette Sala de convívio com Televisão Aquecimento proporcionado por uma lareira Televisão no quarto 3.5.3 Casa da Capucha A Casa da Capucha fica situada no lugar da Nogueira, na freguesia de Gondomar. Equipamentos e Animação 1 Apartamento T2 SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 79 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Kitchenette Sala de convívio com Televisão Aquecimento proporcionado por uma lareira 3.5.4 Casa da Nóbrega De todas as casas de Turismo em Espaço Rural existentes nas Encosta das Terras da Nóbrega, a Casa da Nóbrega, situada no Lugar da Pequenina, na freguesia de Aboim da Nóbrega, está conceituada como a mais característica desta região. ”As suas rudes paredes de granito, o forno para cozer o pão, a velha lareira, transportam-nos aos tempos em que, depois de um dia duro de trabalho no amanho das terras, a família rural se reunia à volta da lareira onde ardia um belo cepo de carvalho e a mãe distribuía pelos filhos e pelo homem de mãos calejadas, um fumegante caldo que fervilhava no pote de 3 pernas, e um saboroso naco de boroa, por vezes ainda quente, saído do forno”.42 Equipamentos e Animação 1 Apartamento T1 Kitchenette Sala de convívio com Televisão Aquecimento proporcionado por uma lareira e por sistema eléctrico 3.5.5 Parque de Campismo Rural de Aboim da Nóbrega O Parque de Campismo de Aboim da Nóbrega (PCRAN) foi construído no lugar das Lameiras, num local com enquadramento paisagístico deslumbrante, merecendo 42 http://www.casadanobrega.com/index.html (acedido a 14.04.04) SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 80 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA especial destaque, os aglomerados rurais da Freguesia de Aboim da Nóbrega. Morfologicamente, o terreno situa-se no sopé de uma montanha sendo acompanhado em toda a sua extensão pelo rio Vade. O Parque tem capacidade para cerca de 200 pessoas e é composto por duas áreas de utilização bem diferenciadas, uma destina-se a colocação de tendas e outra para parque de rolotes. É constituído por aglomerado de bengalows, de forma a atingir uma maior diversidade ao nível de alojamento. Para além disso, o Parque é constituído por edifícios destinados ao funcionamento da recepção e administração, balneários, café, mercado e salão de jogos. 3.6 Atracções: Praia Fluvial de Aboim da Nóbrega Situada entre os limites dos Lugares do Adro e Martinga, esta praia é composta por duas zonas distintas e devidamente separadas para banhos nas águas do rio Vade. Uma destinada para as crianças e outras para adultos. A profundidade máxima ronda os 1.70 metros. Para além das intervenções feitas no caudal do rio, foi construído um edifício com balneários e um bar. As margens do rio foram relvadas bem como o restante terreno envolvente, permitindo assim apanhar banhos de sol, praticar diversas actividades desportivas e até mesmo acampar. A Praia Fluvial de Aboim da Nóbrega tira partido da sua localização, situando-se numa zona plana, próximo do Centro Histórico de Aboim da Nóbrega. Está rodeada por excelentes campos de cultivos e possui ainda, três acessos principais, quer seja de carro ou a pé, o que lhe confere potencialidades para afluência de visitantes. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 81 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 3.7 Actividades de animação no Núcleo Rural Terras da Nóbrega As aldeias são hoje locais com atractividade, dotadas com alguns equipamentos turísticos, nomeadamente, as unidades de Turismo em Espaço Rural. No entanto, à excepção da Praia Fluvial só utilizada no Verão, não existem alternativas para ocupação dos tempos livres dos turistas. À semelhança do que foi referido no subcapítulo 3.2, sobre a importância de actividades de animação nos meios de alojamento, podemos verificar um constrangimento no que concerne às actividades de animação nos referidos estabelecimentos de Turismo em Espaço Rural. Os equipamentos de animação são equipamentos normais como uma sala de convívio com televisão. É necessário a existência de uma oferta mais diversificada de actividades de animação. Sendo assim, através dos exemplos referidos no subcapítulo 3.2, verifica-se que a existência de actividades de animação pode desempenhar um importante papel na escolha das unidades de alojamento dentro da mesma categoria e, particularmente, entre as modalidades de alojamento TER, bem como conduzir a estadas mais longas, o que se repercute nos benefícios económicos para a população local, e, consequentemente na dinamização das aldeias. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 82 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Conclusão A Revolução Industrial, e o consequente crescimento económico e racionalização do trabalho, fomentou o aparecimento de melhores meios de comunicação e transporte, e ainda, as noções de lazer, tempos livres e o direito a férias pagas. Estas foram as principais condições que vieram favorecer actividade turística, caracterizada por um turismo de massas, que visava o lucro a qualquer preço, não tendo quaisquer preocupações pela sustentabilidade das áreas, locais ou regiões de maior valor e sensibilidade ambiental. Os turistas tradicionais ou de massas procuravam era destinos turísticos de sol e praia. Seguidamente, os turistas passaram a fazer uso dos seus tempos livres em lugares tranquilos, enquadrados com o meio ambiente preservado, opondo-se à confusão do turismo de massas, sendo cada vez mais responsáveis e atenciosos às questões de conservação ambiental, cultural e social dos destinos. Por sua vez, a Revolução Industrial, trouxe grandes mudanças no panorama económico e social das áreas rurais, levando ao declínio do sector agrícola e, consequentemente, ao êxodo rural para as áreas urbanas. Posteriormente, outras mudanças se afiguraram nas áreas rurais, contribuindo para uma complexidade na limitação e definição do que é rural ou urbano. O sector dos serviços, característico das áreas urbanas, difundiu-se, cada vez mais, nos espaços rurais, provocando alterações económicas, culturais e sociais significativas. Exemplo disso é a expansão da actividade turística, tradicionalmente, associada ao sol e praia, para o espaço rural, através do aproveitamento das suas paisagens, cultura, gastronomia e do alojamento em casas particulares, devidamente, recuperadas. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 83 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Sensivelmente, nos anos 80 deu-se início a esta nova realidade no contexto rural Português, surgindo como Turismo de Habitação e posteriormente, passou a existir a tipologia de Turismo em Espaço Rural, para o alojamento enquadrado no meio rural. O turismo em geral e o Turismo em Espaço Rural em particular, assume-se como um importante gerador e dinamizador de riquezas. Este fenómeno será capaz de contribuir para o desenvolvimento de economias deprimidas das áreas rurais, nomeadamente, através do aproveitamento dos seus recursos endógenos. Os benefícios do turismo para as áreas rurais, são a nível económico, reflectidos pelos gastos dos turistas e pela diversificação das actividades económicas com o surgimento de novos serviços que vão desde os transportes, animação, guias interpretes, produção e venda de artesanato, exploração de produtos agrícolas, levando à criação de postos de trabalho. O Turismo em Espaço Rural, com a criação de postos de trabalho, contribuirá para a fixação da população jovem, conduzindo à salvaguarda e reanimação das vilas e aldeias, sendo os monumentos e a construção típica das casas, características de grande apreço por parte dos turistas. Para além disso, os motivos que levam os turistas a visitar os espaços rurais são a necessidade de evasão e repouso, devido às pressões de rotina e stress, procurando o contacto com a vida simples do campo, a autenticidade das relações, sentir-se em liberdade e dar passeios a pé na descoberta de locais mais íntimos e pouco conhecidos. Contudo, determinadas componentes da oferta do Turismo Rural, como a paisagem e as vivências rurais, são de consumo “rápido”. Tornam-se, por sua vez, essenciais a prática de exercício físico e animação lúdica em Turismo em Espaço Rural, pois a oferta de alojamento começa a revelar-se insuficiente. Isto porque através da diversificação da oferta de Turismo em Espaço Rural, apostando no desenvolvimento de SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 84 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA actividades de animação, a qualidade do produto será melhorada, assim como a sua capacidade de atracção e fixação dos turistas actuais e futuros. O Núcleo Rural de Terras da Nóbrega, sendo uma região com forte identidade, assente nos modos de vida, cultura, história, tradição, própria de uma comunidade rural, constitui, pela existência de quatro unidades de alojamento de Turismo em Espaço Rural, um Parque de Campismo Rural e, pelas demais potencialidade e recursos turísticos, um pólo de atracção para os amantes de Turismo em Espaço Rural no Concelho de Vila Verde. No referido Núcleo Rural, tem-se registado uma evolução positiva ao nível do número de pessoas que se hospedaram na região e, também, quanto ao tempo médio de estada. Em 1998 registou-se, como tempo médio de estada, 2,7 dias, e em 1999 houve um aumento para cerca de 4 dias. Por outro lado, foram identificadas determinadas carências, nomeadamente, a nível de actividades de animação complementares ao alojamento. Assim, tendo por base a crescente procura turística, a nível de alojamento de Turismo em Espaço, do Núcleo Rural de Terras da Nóbrega Rural, e a correspondente carência de actividades de animação, propõe-se com este projecto identificar propostas de animação, assentes em percursos pedestres, susceptíveis de complementar a oferta de alojamento. Atendendo que, no seio de novas formas de ocupação dos tempos livres, surgem novas necessidades onde estão presentes a aventura, o risco, o desejo de descoberta e o contacto directo com a natureza preservada, concluir-se que o pedestrianismo, enquanto actividade de animação aliada à actividade desportiva, cultural e ambiental, surge neste contexto, e em particular no Núcleo Rural de Terras da Nóbrega, como um bom SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 85 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA complemento no desenvolvimento das diversas unidades de oferta de alojamento de Turismo em Espaço Rural. A existência de percursos pedestres devidamente traçados e orientados, segundo as normas da Federação Portuguesa de Campismo, constituem, particularmente, para o referido Núcleo Rural, um tipo de oferta que contribuirá para a diversificação e dinamização da oferta, permitindo o aumento de tempo médio de estada e consequente gasto médios dos turistas. Além disso, os percursos pedestres devidamente sinalizados constituem ferramentas úteis para a promoção, preservação e conservação do património natural e humano existente no Núcleo Rural de Terras da Nóbrega. Os percursos pedestres são, particularmente, pertinentes quando o seu traçado inclui passagem e/ou paragem em locais de significativo interesse para visita, mas também em locais onde existam serviços (como é exemplo o pequeno comercio local) e/ou atracções que consigam captar gastos dos turistas (ex: produção de broa, mel, doces ou enchidos). Quando nos núcleos rurais não existem tais serviços/atracções, é importante que os agentes de desenvolvimento local apoiem e promovam o envolvimento da população no sentido destes virem a ser criados. Assim, em resposta aos objectivos do projecto em seguida identificamos as propostas de percursos pedestres, devidamente descritos e assinalados em cartografia onde se insere o Núcleo Rural de Terras da Nóbrega. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 86 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 4 Propostas de Percursos Pedestres 4.1 Localização dos percursos pedestres propostos Os percursos pedestres propostos, têm como localização as freguesias de Aboim da Nóbrega e Gondomar, freguesias que compõem o Núcleo Rural de Terras da Nóbrega. Este núcleo encontra-se no limite do concelho de Vila Verde com o Concelho de Ponte da Barca, situando-se a meia encosta, entre Santo António Mixões da Serra e a freguesia de Atães, Paçô e Valdreu. O principal curso de água existente é o Rio Vade, nasce na freguesia de Gondomar, atravessa toda a freguesia de Aboim da Nóbrega e desagua no Rio Lima em Ponte da Barca. Os percursos têm como altitudes máximas os 775 metros e 375 metros de mínimas. O principal acesso a este núcleo rural faz-se pela Estrada Municipal que parte da E.N. 101, no lugar da Portela do Vade, na freguesia de Atães. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 87 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA 4.2 Percurso Pedestre Costa do Castelo – Aboim da Nóbrega Fonte: Serviço Cartográfico do Exército, folhas 28 e 42, escala original de 1:25000 É uma proposta de percurso denominado de Pequena Rota (PR)43, possuindo, aproximadamente, três quilómetros e meio. Este percurso tem início no “Caminho da Costa do Castelo”, junto da oficina do senhor “António Madeiro”, que estabelece a ancestral ligação do Lugar de Casais de Vide até ao cimo de um monte, onde se encontram as velhas ruínas do antigo Castelo de D. Ourigues-o-Velho, da Nóbrega Depois de uma pequena subida acentuada de 350 metros encontramos uma chã a cerca de 690 metros de altitude, que nos permite visualizar os vales de Aboim da 43 De acordo com o manual das normas para a implementação e marcação de percursos pedestres da Federação Portuguesa de Campismo, 2001, denomina-se percursos pedestres de pequena rota os percursos que não ultrapassem um dia de jornada, isto é, não terão, normalmente, mais de 30 km. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 88 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Nóbrega e Gondomar. Contornando toda uma encosta, em direcção noroeste, faz-se a ligação com a estrada, em terra batida, de acesso ao castelo. Tomando essa estrada subimos ao Castelo de Aboim, e no cimo, a uma altitude de 775 metros, pode-se contemplar vários aspectos da paisagem envolvente, bem como vistas panorâmicas sobre os vales do Rio Vade, Rio Lima e do Rio Vez. O caminho de regresso é realizado, em parte, pela estrada de acesso ao castelo, seguindo em direcção ao Lugar do Livramento, um pequeno aglomerado rural da freguesia de Sampriz, concelho de Ponte da Barca. Tomando um antigo caminho de romeiros, usado em tempos pela Banda de Música e Rancho Folclórico de Aboim da Nóbrega quando iam à festa da Senhora do Livramento, descemos uma pequena encosta, indo terminar o percurso na Casa da Nóbrega. Alt. em Metros Gráfico nº 14: Perfil do Percurso Pedestre Costa do Castelo 800 600 400 200 0 0 500 1000 1500 2000 Distância em Metros 2500 3000 3500 Designação: Percurso Pedestre da Costa Castelo (Pequena Rota) Tipo de Percurso: Paisagístico – Cultural Distância Percorrida: 3,5 km Duração aproximada: 1 hora e 30 minutos Grau de Dificuldade: Percurso curto e fácil, quase sem declive. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 89 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Pontos assinaláveis: Castelo de Aboim, Casa da Nóbrega, Relógio do Sol num espigueiro típico, Capela S. João de Padornelo, Lugar da Pequenina (ver apêncie 4). Marcações das direcções: assinaladas segundo as normas da Federação Portuguesa de Campismo Nota: Este percurso desenrola-se, inteiramente, em caminhos públicos 4.3 Percurso Pedestre Dente Santo – Aboim da Nóbrega Fonte: Serviço Cartográfico do Exército, folhas 28 e 42, escala original de 1:25000 SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 90 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA É uma proposta de percurso pedestre em circuito, com cerca de sete quilómetros, denominado de pequena rota (PR). Tem como ponto de partida e chegada a Capela seiscentista de S. João de Padornelo, em Casais de Vide. Encaminhando em direcção ao Lugar das Lameiras, pelo “Caminho das Lameiras” descemos até ao Parque de Campismo Rural de Aboim da Nóbrega. Aqui segue-se pelo “Caminho das Zimprouas”, descemos uma pequena encosta até ao rio. Devido à não existência de uma ponte, a travessia do Rio Vade será facilitada por um carreiro de pedras alinhadas, usado pelos pastores que aqui passam diariamente. Continuando em direcção a sul pela encosta, chega-se ao Lugar da Várzea, onde se encontra a Fonte do Dente Santo, associada a uma lenda de crença religiosa de Aboim da Nóbrega, onde foi em tempos venerado um “Dente Santo”, ao qual o povo atribuía o poder de salvar as pessoas das mordidelas dos cães raivosos. Seguindo em direcção ao Centro Histórico pelo “Caminho do Passal”, passaremos pela Praia Fluvial de Aboim da Nóbrega, pela antiga Câmara e cadeia, o Pelourinho, as Capelas e a Igreja de Aboim da Nóbrega. A Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Aboim da Nóbrega foi em tempos remotos, um mosteiro de freiras beneditinas que datava da era românica. Contudo é-nos bem visível no interior da Igreja, o rico e encantador tecto em talha dourada e uma Capela anexa voltada ara o interior da Igreja, mandada construir pelo célebre fidalgo, João Soares Vivas, capitão-mor das naus da Índia. No referido Centro Histórico, existe a possibilidade de fazer uma visita ao comércio tradicional, nomeadamente, um mercearia onde perdura a venda de produtos locais como o mel, queijo de cabra, enchidos, ovos, galinhas, coelhos, presunto, fruta da época e broa de milho. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 91 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Já em direcção a norte, a cerca de 150 metros do Centro Histórico, passaremos pela antiga Casa do Juiz, em Paço Juz, e a Casa de D. João de Aboim, no Lugar do Outeiro, pertença de D. João de Aboim, homem rico do reinado de D. Afonso III e seu mordomo-mor, o qual descendia das famílias da Nóbrega e de Aboim, dando o nome a esta freguesia. Subindo pela encosta da Chã Grande, aproximadamente, até aos 590 metros de altitude, chegaremos à Capela de S. João de Padornelo, nosso referido ponto de chegada. Altitude em Metros Gráfico nº 15: Perfil do Percurso Pedestre Dente Santo 800 600 400 200 0 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 5500 6000 6500 7000 Distância em Metros Designação: Percurso Pedestre Dente Santo (Pequena Rota). Tipo de Percurso: Paisagístico – Cultural. Distância Percorrida: 7 km. Duração aproximada: 3 horas e 30 minutos. Grau de Dificuldade: Percurso médio, e pouco declive. Pontos assinaláveis: Capela S. João de Padornelo, P. de Campismo, Moinhos, Fonte Dente Santo, Praia Fluvial, Cruzes do Calvário, Antiga Câmara e Cadeia, Pelourinho, Igreja Matriz, Antiga Casa do Juiz, Casa de D. João de Aboim (ver apêndice 4). SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 92 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Marcações das direcções: assinaladas segundo as normas da Federação Portuguesa de Campismo Nota: Este percurso desenrola-se, inteiramente, em caminhos públicos. 4.4 Percurso Pedestre Fojo do Lobo – Gondomar Fonte: Serviço Cartográfico do Exército, folhas 28 e 42, escala original de 1:25000 É uma proposta de percurso pedestre denominado de pequena rota (PR) e, sendo um circuito fechado pode ser realizado no dois sentidos, contudo, aconselha-se iniciar o percurso partindo da Igreja seiscentista de Gondomar em direcção ao Lugar de Casais. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 93 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Aqui pode-se visitar a oficina do senhor António Fernandes, artesão de artigos em madeira e um habilidoso contador sobre caçadas e cercos aos lobos, particularmente, no Fojo do Lobo. Deste lugar e subindo a encosta pelo “Caminho do Fojo”, encontraremos, a cerca de um quilómetro, os muros do Fojo do Lobo, do qual, pela sua remota existência, não se sabe a data de construção. Já no seu interior tomaremos um antigo caminho e subimos até à altitude aproximada de 680 metros. De seguida iniciamos a descida até ao aglomerado rural do Lugar do Tojal, um exemplo de desertificação e abandono das áreas rurais. À medida que vamos descendo, podemos desfrutar de vistas panorâmicas sobre os vales verdejantes de Gondomar, bem como o aglomerado rural do Lugar da Nogueira. Finalmente, depois de descer toda a encosta até à altitude aproximada de 550 metros, alcançaremos nosso ponto de chegada, a igreja de Gondomar. Altitude em Metros Gráfico nº 16: Perfil do Fojo do Lobo 800 600 400 200 0 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 Distância em Metros Designação: Percurso Pedestre do Fojo do Lobo (Pequena Rota) Tipo de Percurso: Paisagístico – Cultural Distância Percorrida: 3 km Duração aproximada: 2 hora e 15 minutos Grau de Dificuldade: Percurso curto e fácil, mas com algum declive. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 94 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Pontos assinaláveis: Igreja de Gondomar, Artesãos Manuel e António Fernandes, Fojo Do Lobo, Moinho e Lugar do Tojal. (ver apêndice 4) Marcações das direcções: assinaladas segundo as normas da Federação Portuguesa de Campismo Nota: Este percurso desenrola-se, inteiramente, em caminhos públicos 4.5 Percurso Pedestre do Ecomuseu – Aboim da Nóbrega Fonte: Serviço Cartográfico do Exército, folhas 28 e 42, escala original de 1:25000 SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 95 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Esta é uma proposta de percurso pedestre de pequena rota (PR), em circuito, e têm uma distância aproximada de três quilómetros e meio. O ponto de partida é no Ecomuseu de Aboim da Nóbrega no Lugar de Cabo, onde se poderá fazer uma visita ao seu espólio de toalhas, panos de folar, lenços de namorados e outros artefactos artesanais, sendo, contudo, necessário pedir a chave à senhora “Rosa da Margarida” da casa ao lado. Depois de uma visita ao Ecomuseu, subimos cerca de 100 metros em direcção à Capela setecentista da Senhora do Amparo, no Lugar da Tenda. Daqui, o percurso segue em direcção a sul, ao Lugar de Saragoche que se encontra junto ao rio Vade, onde se poderá visitar um aglomerado de cinco moinhos de água, diariamente abertos, pequenas lagoas e quedas de água. Seguindo para norte, em direcção ao Lugar da Senelha, tomamos o “Caminho da Missa”, que mais não é do que estreitos carreiros que estabeleciam a ligação ao Centro Histórico. O percurso segue até à Casa de Picão, no Lugar de Casaleixo onde nasceu o célebre fidalgo, João Soares Vivas, capitão-mor das naus da Índia, passando pela antiga Casa do Juíz, em Paço Juz, e pela Casa D. João de Aboim, no Lugar do Outeiro pertença de D. João de Aboim, homem rico do reinado de D. Afonso III e seu mordomo-mor, o qual descendia das famílias da Nóbrega e de Aboim, dando o nome a esta freguesia. Descendo em direcção ao Lugar do Real, a cerca de 250 metros, seguiremos uns carreiros que estabelecem ligação com o Lugar de Cabo, e consequentemente, terminamos no Ecomuseu, nosso ponto de chegada. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 96 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Altitude em Metros Gráfico nº 17: Perfil do Percurso Pedestre do Ecomuseu 800 600 400 200 0 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 Distância em Metros Designação: Percurso Pedestre do Ecomuseu (Pequena Rota) Tipo de Percurso: Paisagístico – Cultural Distância Percorrida: 3,5 km Duração aproximada: 2 horas Grau de Dificuldade: Percurso curto e fácil, com um pequeno declive. Pontos assinaláveis: Ecomuseu, Capela Sra. do Amparo, Antigo Castro, Aglomerado de Moinho, Cruz do Calvário, Antiga Câmara e Cadeia, Pelourinho, Igreja Matriz, Antiga Casa do Juiz, Casa de D. João de Aboim (ver apêndice 4). Marcações das direcções: assinaladas segundo as normas da Federação Portuguesa de Campismo Nota: Este percurso desenrola-se, inteiramente, em caminhos públicos SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 97 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Bibliografia Geral Obras Consultadas Xunta da Galicia (1995) Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago – Itinerários Portugueses. Lisboa, Alva Gráfica. ATT – Associação e Técnicos de Turismo, (2003) Livros das conclusões – I Congresso de Técnicos de Turismo. Viana do Castelo. pp. 36-47. Besnard, Pierre (1985) L`animation socioculturelle. 12eme edition, Université de France. Bonet, Alain (1957) Collection Aujourd`hui L`avenir: Itinéraires de Tourisme. Malakoff, J.Lanone. Brito, Raquel Soeiro de (1994) Portugal Perfil Geográfico. Lisboa, Editoral Estampa. Butler, Richard; et alii. (1999) Tourism and Recreation in Rural Areas. Chichester, Wiley. Câmara Municipal de Melgaço (CMM) (1999) Percurso Pela História Património de Melgaço. Melgaço, CMM. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 98 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Câmara Municipal de Vila Verde (1947) Apontamentos Históricos da Freguesia de Aboim da Nóbrega. Vila Verde, CMVV. Câmara Municipal de Vila Verde (1992) Guia Turístico Comercial e Industrial de Vila Verde. Vila Verde, CMVV, pp.19-29. Conceição, Cristina Paula (1998) Sociologia – Problemas e Práticas. Oeiras, nº28, CIES-CELTA. pp.57-68. Cunha, Licínio (1997) Economia e Política do Turismo. Portugal, Magraw-Hill. pp.50 – 67. Cunha, Licínio (2001) Introdução ao Turismo. Portugal, Verbo. pp.46-48, 58, 215, 264. Cunny, Nigel; et alii. (1994) Countryside recreation – Acess and land use planning. London. Cymbron, J.; et alii. (1995) Ser guia-interprete em Portugal. Lisboa, Instituto Superior de Novas Profissões. pp. 201, 225-237. Decreto-Lei nº 56/2002, Diário da República. Nº 59, Iª série – A de 11 de Março de 2002; pp. 2112 – 2128. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 99 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Decreto-Lei nº 54/2002, Diário da República. Nº 59, Iª série – A de 11 de Março de 2002; pp.2068 – 2082. Dias, Fernando Jorge (2001) Agentes Económicos de Turismo Rural. Associação das Terras Altas do Homem Cávado e Ave (ATHACA). pp. 15-36. Donne, Marcelle Delle (1983) A arte e comunicação - Teorias sobre a Cidade. Ed.20, Edições 70. Federação Portuguesa de Campismo, Portugal (2001) Percursos Pedestres: Normas para Implementação e Marcação. Lisboa, Centro de Estudos e Formação Desportiva. Fernão, João (1998) Sociologia, Problemas e Práticas. Oeiras, nº33, CELTA Editora. George, Pierre (1980) Geografia Rural. São Paulo, DIFEL. Gerra, Luís de Figueiredo (1996) Castelos do Distrito de Viana do Castelo. Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra. ICEP – Investimentos, Comércio e Turismo de Portugal, (1997) Estudos Tursticos: Visitor Attractions e Animação Turística em Portugal. Lisboa, ICEP. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 100 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA ICEP – Investimentos, Comércio e Turismo de Portugal, (1998) Estudos Turísticos: Internacionalização das Empresas de Turismo – Novas Tendências. Lisboa, ICEP, pp.23. INDE – Intercooperação e Desenvolvimento, (2003b) “Pessoas e Lugares” – Jornal de Animação da rede portuguesa LEADER +. Lisboa, nº11, Julho/Agosto, IND. INDE – Intercooperação e Desenvolvimento, (2003a) “Pessoas e Lugares” – Jornal de Animação da rede portuguesa LEADER +. Lisboa, nº10, Junho, INDE. INDE – Intercooperação e Desenvolvimento, (2003c) “Pessoas e Lugares” – Jornal de Animação da rede portuguesa LEADER +. Lisboa, nº13, Outubro, INDE. Jafari, Jafar (2000) Encyclopedia of Tourism. Routledge World Reference. Leal, Catarina Mendes (2001) O Turismo Rural e a União Europeia: uma realidade em expansão. Coimbra, Almedina. Lexicoteca (1985) Moderno Dicionário de Língua Portuguesa. Volume I (A-L), Edição nº 1110, Lisboa, Circulo de Leitores. Matos, Maria Cristina Barbot Campos (1990) Cadernos de Ciências Sociais – Desenvolvimento Rural: Questões conceptuais e ensinamentos de experiências no Norte de Portugal. Porto, ed.14, Edições Afrontamento, pp.80-87. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 101 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Milone, Paulo César; et alii. (2000) Turismo Teoria e Prática. 1ª ed., São Paulo, Atlas; Ministério do Comércio e Turismo, Lisboa (1991) Livro Branco do Turismo. Lisboa, Direcção Geral do Turismo, pp.25-41. Moinet, François (2000) Le marché du tourisme. Paris, France Agricole. Oliveira, Maria da Luz; et alii. (1990) Sociologia. Lisboa, 5ª edição, Texto Editora. Page, Stephen J.; et alii. (1997) The Business of Rural Tourism – International Perspectives. Thomson. Partido Ecologista Os Verdes (1999) Os Verdes Programa. Torres Vedras, Sogratol. pp. 24-25. Sampaio, Francisco (1994) O Produto Turístico do Alto Minho II. Viana do Castelo, 1ª Edição, RTAM – Região de Turismo do Alto Minho, pp. 10-11. Silva, José et alii. (1998) Turismo em áreas rurais: suas possibilidades e limitações no Brasil, Centro Gráfico, p.14. Stabler, M. J. (1997) Tourism and Sustainability, Principles to Practice. Cab International, New York, pp.85-86. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 102 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Outras Fontes Associação Desportiva e Cultural Montariense, (2001) Percursos pelos moinhos de água de S. Lourenço da Montaria. Viana do Castelo, Câmara Municipal de Viana do Castelo. ATHACA – Associação das Terras Altas do Homem, Cavado e Ave (2000) Encostas de Mixões da Serra. Vila Verde, ATHACA. Brian et alii. (1991) Landscapes of Portugal (Algarve). London, Sunflower Books. Câmara Municipal de Vila Verde (CMVV) (1999) Agenda Cultural de Vila Verde. Nº 2, Vila Verde, CMVV, pp. 5-9. Câmara Municipal de Vila Verde (CMVV) (2000) Turismo Vila Verde. Vila Verde, CMVV. Direcção Geral de Turismo; et alii. (2000) “Turismo no Espaço Rural -1984 a 1999”. Lisboa DGT. Direcção Geral de Turismo; et alii. (2002) “Turismo no Espaço Rural – 1º semestre de 2002”. Lisboa DGT. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 103 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA ESTG – Escola superior de Tecnologias e Gestão (2002) PNPG – Potencialidades e estratégias para o desenvolvimento do turismo sustentável através da interpretação cultural e patrimonial. ESTG. Instituto Nacional de Estatística, Portugal (2001) Estatística de turismo 2000, INE. Robalo, Fernanda Rosa Moreira Parente (1998) Turismo no Espaço Rural, Impacto Sócio-económico no Desenvolvimento Local e Regional. Dissertação para Orientação do Grau de Mestre em Estudos Económicos e Sociais, Braga, Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, pp. 10-11, 20-30, 119-120. Parque Nacional Peneda-Gerês (PNPG) (2001) Parque Nacional Penada-Gerês. Braga, PNPG. Serviço Cartográfico do Exército, (1996) Cartas Militares. Lisboa Folhas 28, 42, Serviço Cartográfico do Exército. Terras de Cante – Viagens e Turismo, S.A. (2001) Manual – Empresário de Turismo em Espaço Rural. Viana do Alentejo, Edição Terras Dentro, pp. 3-24. Voz, Luís (2000) Melgaço 2000 – Roteiro. Braga, Editora A Voz de Melgaço, pp. 226 – 231. SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 104 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Artigos On-Line AA.VV (acedido em 15.03.04) Sistema de Informação Documental Sobre Direito do Ambiente, disponível em: http://www.diramb.gov.pt/data/basedoc/TXT_LN_24631_1_0001 Álea – Acção Local Estatística Aplicada (acedido em 22.02.2004) Cada vez há mais turistas, disponível em: http://alea-estp.ine.pt/html/actual/html/act11.html Chambel – Guia de Percursos Pedestres Planeamento e Organização de Caminhadas (acedido em 03.02.04) Pedestrianismo, disponível em: http://www.caminhadas.web.pt/ Câmara Municipal de Vila Verde (acedido em 05.03.04) Informação e Serviços Autárquicos. Gastronomia, disponível em: http://www.cm- vilaverde.pt/indexxx.cfm?azdoc=gastronomia.cfm Câmara Municipal de Vila Verde (acedido em 05.03.04) Informação e Serviços Autárquicos. Lenços dos Namorados, Bordados e Rendas, disponível em: http://www.cm-vilaverde.pt/indexxx.cfm?azdoc=art01.cfm GAAST – Gabinete de Apoio ao Investimento no Sector Turístico (acedido em 15.03.04) Empresas de Animação Turística, disponível em: http://www.rt- serradaestrela.pt/gaist/images/legislacao/animacao_turistica.pdf SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 105 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Gouveia, Merícia; Duarte, Teresinha (acedido em 22.02.2004) O Cluster Turismo em Portugal, disponível em: http://www.gee.min- economia.pt/resources/docs/publicacao/RT/cluster_turismo.pdf IAPMEI – Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento (acedido em 16.03.04) Legislação Nacional, disponível em: http://www.iapmei.pt/iapmei-leg-03.php?lei=2171 SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 106 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Apêndice I – Alojamento em Vila Verde: Turismo em Espaço Rural Designação Localidade Capacidade Ponte de S. Vicente 10 Quartos Duplos Vila Verde 10 Quartos Duplos Vila do Prado 4 Quartos Duplos Casa Fundevila Soutelo 7 Quartos Duplos Moinhos do Boco Covas 8 Quartos Duplos Vila do Prado 6 Quartos Duplos Soutelo 7 Quartos Duplos e 1 Apartamento Azenhas do Rio Homem Casa de Alvelos Casa do Faial Quinta da Ramalha Quinta do Casal de São Miguel T1 Laje Quinta Dom José 7 Quartos Duplos e 1 Apartamento T1 Casa da Nóbrega (2ª Cat.) Aboim da Nóbrega 1 Apartamento T1 Casa de S. João Baptista (2ª ) Aboim da Nóbrega 1 Apartamento T2 Casa da Eira (2ª Cat.) Aboim da Nóbrega 1 Apartamento T3 Gondomar 1 Apartamento T2 Oriz - S. Miguel 4 Quartos Duplos Casa do Saramago Cabanelas 1 Suite, 3 Quartos duplos Quinta de S. Bento Vila de Prado 5 Quartos Duplos Sabariz 1 Suite, 6 Quartos Duplos e 1 Casa da Capucha (2ª Cat.) Casa dos Carvalhais Quinta de Sara Single Quinta de Cachopães Casa do Sobreiro Nevogilde 10 Quartos duplos Atiães 2 Suites T0 e T1, 4 Quartos Duplos SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 107 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Residencial Designação Residencial Bom Sucesso (3ª Cat.) Localidade Capacidade Vila de Pardo 1 Suite para 4 pessoas e 24 quartos duplos Fonte: Posto de Turismo de Vila Verde (Brochura ”Roteiro de Alojamento”) SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 108 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Apêndice 2 – Ocupação média Ocupação média – 1998 Casa Nº Qua rtos 3 2 1 2 4 12 Eira S. João Nóbrega Fojo * Fonte * TOTAL Jan a) b) Fev a) Mar b) a) Abr b) a) b) Mai a) 2 3 6.67% 10.00% 2 5 3.334 2 b) Jun a) 6.45% 1.29 2 2 b) 6.67% 1.334 Jul a) Ago b) 5 a) 16.13% 5 3.226 Set b) a) Out b) a) Nov b) a) 11 1 35.48% 3.23% 1 3.23% 3 2 12 7.742 1 0.646 5 a) Número de noites ocupadas mês/casa b) Taxa de ocupação mês/casa * Actualmente não utilizada para Turismo em Espaço Rural Dez b) a) Totais Nºpax/ mês Ocup. Méd/casa 0 0 26 10 0 26 0 0 52 20 0 72 0.00% 0.00% 7.32% 2.73% 0.00% 2.01% b) 10.00% 6.67% 1 3 3.23% 9.68% 3.334 4 2.582 Fonte: ATAHCA; elaboração própria Ocupação média – 1999 Casa Eira S. João Nóbrega Fojo * Fonte * TOTAL Nº Qua rtos 3 2 1 2 4 12 Jan a) b) 2 2 2 6.45% 6.45% 6.45% 2 8 6.45% 5.16% Fev a) Mar b) a) b) Abr a) 10 4 35.71% 14.29% 8 28.81% 3 7 4 14 10% 8 5.762% 14 b) Mai a) 10.00% 23.33% 13.33% 3 9.332% 3 b) Jun a) b) Jul a) b) 9.68% 3 13 4 10.00% 43.33% 13.33% 10 29 32.26% 93.55% 1.936% 20 13.332% 39 25.162% Ago a) b) 18 14 26 58.06% 45.16% 83.87% 8 66 25.81% 42.58% a) Número de noites ocupadas mês/casa b) Taxa de ocupação mês/casa * Actualmente não utilizada para Turismo em Espaço Rural Set a) b) Out a) b) Nov a) 8 6 26.67% 20.00% 8 25.81% 9 3 14 9.334% 8 5.162% 12 b) Dez a) Totais Nºpax/ mês Ocup. Méd/casa 20 22 108 52 10 212 40 44 216 104 20 424 5.38% 5.97% 29.65% 14.25% 2.69% 11.588% b) 3.00% 10.00% 4 2 12.90% 6.45% 2.6% 6 3.87% Fonte: ATAHCA; elaboração própria SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 109 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Apêndice 3 – Tempo Médio mês/casa Tempo Médio de Estada mês/casa 1998 Casa Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez TME 0 Eira 0 S. João 2 2 2 5 5.5 3 1 2.9286 Nóbrega 3 1 1 2 1.5 1.7 Fojo* 0 Fonte* 0 0 2.5 2 2 5 3.25 0 1 2.5 1.25 2.2975 TME(p/mês) 0 TME: Tempo Médio de Estada Fonte: ATAHCA; elaboração própria * Actualmente não utilizada para Turismo em Espaço Rural Tempo Médio de Estada mês/casa 1999 Casa Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez TME 9 4.5 Eira 5.333 3 3 4.666 S. João 2 5 4 3.5 3 4.33 5 8.666 8 2.666 4.5 2 4.3888 Nóbrega 4 4 4 5.8 3 3 2 3.6857 Fojo* 2 8 5 Fonte* 4.5 4 3.5 3 3.777 5.4 7.583 5.5 2.666 3.75 2 3.8556 TME(p/mês) 2 TME: Tempo Médio de Estada Fonte: ATAHCA; elaboração própria * Actualmente não utilizada para Turismo em Espaço Rural SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 110 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA Apêndice 4 – Proposta de Percursos Pedestres para o Núcleo Rural de Terras da Nóbrega (Panfleto) SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 111 PROPOSTA DE PERCURSOS PEDESTRES, COMO ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO DE TURISMO EM ESPAÇO RURAL, PARA O NÚCLEO RURAL DE TERRAS DA NÓBREGA SEMINÁRIO E PROJECTO INDIVIDUAL – LUÍS FERNANDES Nº3565 112