CORRELAÇÃO ENTRE O VALOR DE AZUL (Va) E OS PARÂMETROS DE COMPACTAÇÃO Paulo Cesar Burgos 1 e Orencio Monje Vilar 2 Resumo: O ensaio de azul de metileno tem sido aplicado para a caracterização de solos, inclusive os de gênese tropical, no que concerne a diversos aspectos, como a atividade da fração fina, por exemplo. Neste trabalho, investiga-se uma possível relação entre os resultados de ensaios de adsorção azul de metileno e os resultados de ensaios de compactação, na energia do ensaio de Proctor Normal, para doze amostras de solos do grupo A-7 da classificação HRB. Abstract: The adsorption of methylene blue has been used to characterize soils, including the tropical ones. Aspects such as soil activity have been found to correlate with the results of the test. In this paper, it is studied a possible relationship between adsorption of methylene blue and compaction parameters (Standard Proctor) of twelve soils classified as A – 7 in the HRB classification system. Palavras-Chave: Azul de metileno, valor de azul, compactação. INTRODUÇÃO O ensaio de adsorção de azul de metileno com aplicabilidade na caracterização e classificação de solos foi introduzido na França em 1977, contudo a literatura comenta a utilização de corantes desde a década de 30 com finalidade de se determinar a capacidade de troca de cátions e superfície específica dos solos. Embora de aplicação ainda incipiente, a técnica de azul de metileno tem se revelada promissora na caracterização de solos, incluindo os desenvolvidos em clima tropical e cuja formação fica condicionada por fatores genéticos típicos desse tipo de clima. O estudo de jazidas de solo para uso como material de construção envolve a realização de uma grande quantidade de ensaios de caracterização e compactação, num procedimento laborioso, principalmente com relação aos ensaios de compactação. Alternativas mais expeditas de avaliação dessas características são sempre bem-vindas tendo em vista a redução de prazos e custos. No Brasil, vários pesquisadores vêm utilizando o ensaio de adsorção de azul de metileno para avaliar algumas propriedades geotécnicas de solos, destacando-se os trabalhos de Fabbri e Sória [1], Pejon [2], Fabbri [3], Barison [4], Barroso e Fabbri [5], Costa [6] e Burgos [7]. Merecem destaques também, os estudos iniciais desenvolvidos por Chen et al. [8] tratando da determinação da capacidade de troca de cátions e superfície específica de algumas argilas e caulins brasileiros e Casanova [9] no estudo voltado para a caracterização de solos lateríticos. Descrevem-se neste trabalho, estudos preliminares para estimar a massa específica seca máxima e o teor ótimo de umidade de compactação na energia do Proctor Normal, para um determinado grupo de solos, através do ensaio de adsorção de azul de metileno, utilizando o parâmetro valor de azul (Va). Aspectos da técnica experimental são discutidos, e mostra-se que a massa específica seca máxima decresce com o parâmetro Va, enquanto a umidade ótima cresce com o citado parâmetro para solos do grupo A-7 da classificação HRB (Highway Research Board). CARACTERIZAÇÃO DOS SOLOS São analisadas doze amostras de solos da cidade de Salvador - BA, envolvendo aspectos pedológicos e geológicos distintos, porém pertencentes ao grupo A-7 da classificação HRB. Para se obter a caracterização dos solos em estudo, realizaram-se os ensaios convencionais de caracterização (granulometria conjunta, massa específica dos sólidos, limite de liquidez e limite de plasticidade), complementados pelos ensaios de compactação, na energia do Proctor Normal, em conformidade com as normas da ABNT. A caracterização alternativa se deu através do ensaio de adsorção de azul de metileno, seguindo o procedimento de Fabbri [3]. Com o propósito de auxiliar na caracterização dos solos, determinou-se o potencial hidrogeniônico em água e em solução de cloreto de potássio 1N, seguido o procedimento do Instituto Agronômico de Campinas, relatado por Camargo et al. [10]. 1 Escola Politécnica, Universidade Federal da Bahia, DCTM, Laboratório de Geotecnia Rua Aristides Novis, 2, Federação, Salvador-BA, 40210-630 E-mail: [email protected] 2 Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, Departamento de Geotecnia Av. Dr. Carlos Botelho, 1465, Vila Pureza, São Carlos-SP, 13560-250 E-mail: [email protected] Caracterização Convencional A Tabela 1 apresenta um resumo dos resultados de caracterização convencional e a classificação dos materiais pelo Sistema HRB. Nota-se que os solos em sua quase totalidade não possuem a fração pedregulho, tendo considerável percentagem inferior a 0,074 mm (#200). Os limites de consistência indicam média plasticidade (30<wL<50) para os solos 6 e 10, respectivamente. Os restantes dos materiais possuem limite de liquidez com valor igual ou superior a 50 % e elevada plasticidade. Em termos de índice de grupo (IG), definidor da capacidade de suporte do terreno de fundação de um pavimento, o menor valor encontrado foi igual a 5 (solo 10), que possui 52 % passando na peneira de abertura nominal de 0,074 mm (#200), possuindo limite de liquidez igual a 46 % e índice de plasticidade de 13 %. O maior IG foi igual a 19 (solo 26) que possui 70 % passando na # 200, com limite de liquidez de 97 %, enquanto o seu índice de plasticidade é igual a 49 %. O solo 10 apresenta apenas 26 % de partículas inferiores a 0,005 mm, enquanto o solo 26 apresenta 41 %. Tabela 1. Resumo dos dados de caracterização convencional e classificação dos solos pelo Sistema HRB. Solo 4,76 mm 2,00 mm 0,42 mm 0,074 mm 0,005 mm wL IP Classificação ρS (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) HRB (g/cm3) 1 98 97 91 61 41 52 19 2,793 A-7-5 (11) 2 94 93 89 61 42 53 21 2,813 A-7-5 (11) 3 99 98 77 53 37 50 19 2,762 A-7-5 (8) 6 99 98 89 70 29 48 14 2,711 A-7-5 (10) 7 100 99 95 80 41 51 17 2,773 A-7-5 (13) 8 98 93 72 54 21 67 16 2,844 A-7-5 (8) 10 100 99 71 52 26 46 13 2,701 A-7-5 (5) 20 100 99 89 68 32 61 23 2,742 A-7-5 (15) 21 100 99 96 84 50 71 27 2,762 A-7-5 (19) 26 95 90 84 70 41 97 49 2,671 A-7-5 (19) 27 100 97 94 71 30 67 23 2,701 A-7-5 (16) 30 100 99 94 85 29 68 18 2,691 A-7-5 (15) Obs.: os valores percentuais das frações de solos são referentes à percentagem que passa. Encontra-se na Figura 1, o posicionamento dos solos estudados na Carta de Plasticidade. Pode-se notar que os materiais situaram-se abaixo da linha A (região pertinente aos solos siltosos) e, em sua maioria à direita da linha de wL=50, indicando elevada plasticidade. Índice de Plasticidade (%) 60 50 26 40 30 21 20 20 3 10 10 2 1 7 27 30 8 6 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Limite de Liquidez (%) Figura 1. Carta de Plasticidade. De acordo com a proposta de Skempton [11], os solos 1, 2, 3, 6, 7 e 21 foram classificados como inativos (AC<0,75); como de atividade normal (0,75<AC<1,25) os solos 8, 10, 20, 27 e 30 e, como ativo (AC>1,25) apenas o solo 26. Caracterização Alternativa Para a caracterização alternativa dos materiais em questão, fez-se uso do ensaio de adsorção de azul de metileno, procedimento de Fabbri [3], que faz uso da fração de solo inferior a #200 (1 grama), tendo a solução padrão de azul de metileno a concentração de 1 grama por litro de água destilada. O referido procedimento possibilita determinar parâmetros acerca da atividade da fração fina dos solos. Segundo Merck & Co. [12], o corante denominado azul de metileno tem a nomenclatura cloridrato de metiltiamina, de composição química C16H18N3SCl.3H2O. Caracteriza-se como um corante catiônico, ou seja, em solução aquosa apresenta-se dissociado em ânions cloreto e cátions azul de metileno. A aparelhagem necessária para a execução do ensaio é muito simples, envolvendo um agitador magnético, uma bureta graduada, um becker, um baguete de vidro, papel de filtro para cristais finos e cronômetro. O ensaio consiste na determinação do máximo consumo de adsorção da solução padrão de azul de metileno (concentração 1g/l) para 1 grama da fração de solo inferior a 0,074 mm (#200), através da adição, por titulação, de volumes conhecidos dessa solução padrão. Isto pode ser verificado pelo surgimento de uma aura azulada ou esverdeada, em torno da borda que envolve o núcleo da mancha, quando se pinga uma gota da suspensão (água+solo+corante) em um papel de filtro. Maiores detalhes em Fabbri [3]. O citado procedimento permite determinar o coeficiente de atividade (CA), avaliador do grau de atividade dos argilo-minerais presentes nos solos. Esse coeficiente é definido por Fabbri e Sória [1] conforme a expressão 1: CA = 100 * Va / Pf (1) Onde: CA = coeficiente de atividade (10-3 g/g/%); Va = valor de azul, quantidade de azul de metileno consumida em mg por 1 grama de amostra de solo integral (10-3 g/g); Pf = percentagem em massa que o solo contém da fração cujo grau de atividade se quer avaliar, usualmente definido como a fração argila (neste caso, partículas com diâmetro inferior a 0,005 mm). Fabbri [3] definiu três graus de atividade para os principais grupos de argilo-minerais, de acordo com os seus coeficientes de atividade (CA), a saber: a) muito ativos: CA>80 (abrangem os argilo-minerais dos grupos das montmorilonitas, vermiculitas etc); b) ativos: 11<CA<80 (abrangem os argilo-minerais dos grupos das caulinitas e/ou ilitas ou ainda combinações desses com os de grupos mais ativos e de grupos menos ativos); c) pouco ativos: CA<11 (abrangem desde materiais inertes até argilo-minerais laterizados ou ainda combinações entre esses e os de grupos mais ativos). O valor de azul (Va) é definido por Fabbri [3] como sendo a quantidade de azul de metileno consumida em mg por 1 grama de solo integral, dependendo basicamente da natureza mineralógica de sua fração fina e, determinado pela equação que se segue: Va = V * P200 / 100 * (1 + w / 100) (2) Onde: Va = valor de azul, quantidade de azul de metileno consumida em mg por 1 grama de amostra de solo integral (10-3 g/g); V = volume de solução padrão de azul de metileno consumida (ml); P200 = percentagem do solo que passa na #200; w = teor de umidade do solo ensaiado (%). A Tabela 2 mostra um resumo dos dados obtidos do ensaio de adsorção de azul de metileno, envolvendo o valor de azul (Va), o coeficiente de atividade (CA) e o respectivo grau de atividade, parâmetro importante para a previsão de comportamento dos materiais. Tabela 2. Resumo dos dados do ensaio de adsorção de azul de metileno. CA Grau de atividade Solo Va (10 -3 g/g/%) (10 -3 g/g) 1 9,665 23,57 Ativo 2 8,232 19,60 Ativo 3 6,660 18,00 Ativo 6 12,701 43,80 Ativo 7 15,578 37,99 Ativo 8 20,675 98,45 Muito ativo 10 7,083 27,24 Ativo 20 17,626 55,08 Ativo 21 16,437 32,87 Ativo 26 14,727 35,92 Ativo 27 18,591 61,97 Ativo 30 16,809 57,96 Ativo Observa-se na Carta de Atividade de Fabbri [3], Figura 2, que os materiais estudados foram caracterizados como ativos (11<CA<80), a exceção do solo 8, material esse que apresentou coeficiente de atividade (CA) igual a 98,45, ou seja, muito ativo. Comparativamente, o solo 8 é o que possui menor percentagem de argila (<0,005), 21%. Já o solo 3, caracterizado como de menor atividade em termos de CA, apresenta 37 % de argila, evidenciando a importância de se qualificar o tipo de mineral predominante na fração fina em relação a sua percentagem de ocorrência. Os materiais classificados como ativos, são aqueles que possuem predominantemente argila do tipo 2:1, grupo da ilita. Os muito ativos envolvem o grupo da montmorilonita. CA = 11 CA = 80 40 30 Va (10 -3 g/g) Argilo - Minerais Muito Ativos Argilo - Minerais Ativos 8 20 27 30 7 20 21 26 6 1 10 10 3 2 Argilo - Minerais Pouco Ativos 0 0 10 20 30 40 50 60 Percentagem de Argila (< 0,005 mm) Figura 2. Carta de Atividade (Fabbri). A Figura 3 mostra a atividade dos materiais estudados pelas propostas de Skempton [11] e Fabbri [3]. Observa-se que elas não se correlacionaram, apresentando uma nuvem de pontos dispersos. 120 100 CA 80 60 40 20 0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 AC Figura 3. Atividade Coloidal de Skempton versus Coeficiente de Atividade de Fabbri. Pela classificação geotécnica MCT (Nogami e Villibor [13]) os materiais foram classificados como de comportamento não lateritico, envolvendo o grupo dos solos siltosos não lateríticos - NS’ (solos 2, 8, 10, 20 e 30) e o grupo dos solos argilosos não lateríticos - NG’ (solos 1, 3, 6, 7, 21, 26 e 27). Compactação A Tabela 3 apresenta os parâmetros de compactação, na energia do Proctor Normal, para os solos em análise. Observa-se que a massa específica seca máxima variou no intervalo compreendido entre 1,375 e 1,675, enquanto o teor ótimo de umidade ficou entre 19,75 e 29,60. Os valores encontrados são característicos para solos predominantemente finos, logo, de acordo com a classificação geotécnica encontrada. Tabela 3. Parâmetros de compactação. wot (%) Solo ρd máx (g/cm3) 1 2 3 6 7 8 10 20 21 26 27 30 1,640 1,648 1,675 1,510 1,475 1,375 1,605 1,470 1,447 1,490 1,395 1,450 22,20 21,30 20,20 24,80 27,70 29,50 19,75 26,50 28,50 27,20 29,60 27,20 Potencial Hidrogeniônico Com o objetivo de auxiliar na caracterização dos solos, realizaram-se ensaios de potencial hidrogeniônico em água e em solução de cloreto de potássio 1N, obedecendo as orientações do método do Instituto Agronômico de Campinas, conforme Camargo et al. [10]. Segundo Moniz [14] em qualquer solução aquosa a 25o C, o produto da concentração dos íons hidrogênio (H+) pela dos íons hidroxila (OH-) é igual a 10-14. Numa solução neutra, essas concentrações são iguais, ou seja: a concentração H+ é igual a concentração OH- que é igual a pH 7. Portanto, pH menor que 7 representa acidez, ou predominância de íons H+ . Valores de pH acima de 7 expressam alcalinidade, ou predominância de íons OH-. Conforme ilustra a Tabela 4, os solos se mostram com pH levemente ácido. Como se pode observar o ∆pH, definido como a diferença entre o pH em KCl e o pH em água, é negativo, indicado que o balanço de cargas do sistema de troca iônica possui capacidade de troca catiônica (CTC). Tabela 4. Resultados de pH. Solo pH 1 2 3 6 7 8 10 20 21 26 27 30 pH ∆pH em H2O em KCl (KCl - H2O) 4,85 4,61 5,01 4,49 4,61 4,61 4,45 5,13 4,54 5,35 4,90 5,06 4,30 4,10 4,58 3,78 3,90 3,75 3,95 4,40 3,93 5,15 3,91 4,48 -0,55 -0,51 -0,43 -0,71 -0,71 -0,86 -0,50 -0,73 -0,61 -0,20 -0,99 -0,58 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS. Tendo em vista o exposto anteriormente, buscou-se estudar e conhecer a relação entre os parâmetros de compactação, na energia do Proctor Normal e o valor de azul, com a finalidade de se obter um procedimento expedito e/ou alternativo de se avaliar as propriedades de solos no que se refere a obras com solo compactado. As relações analisadas entre o valor de azul e os parâmetros de compactação foram identificadas através do uso da técnica de regressão, de modo a se obter equações que permitam estimar os citados parâmetros, a partir dos valores conhecidos de azul. Obteve-se também, o módulo do erro relativo (ER) em termos percentuais para a massa específica seca máxima e o teor de umidade ótimo, dos solos em estudo, fazendo uso da expressão que se segue: |ER| = |(valor teórico – valor real)| / |(valor real)| * 100 (3) Onde o valor teórico, é aquele obtido a partir das equações de regressão e, o valor real é aquele obtido diretamente a partir dos ensaios de laboratório. Valor de azul x Massa específica seca máxima A variação do valor de azul (Va) em função da massa específica seca máxima é apresentada na Figura 4. Constata-se que a massa específica seca máxima decresce com o valor de azul e, vê-se a significativa relação obtida, acompanhada da equação de regressão e o seu respectivo coeficiente de correlação. A Tabela 5 ilustra de forma comparativa os resultados estimados (teóricos) e os obtidos diretamente em laboratório para a massa específica seca máxima, adicionada pelo valor do módulo do erro relativo para os solos estudados. Nota-se que o maior erro relativo (2,958 %) se deu para o solo 10, enquanto, o menor erro relativo (0,080 %) ocorreu para o solo 30. O solo 10 que apresentou o maior erro relativo, foi caracterizado dentre todos os outros materiais analisados, como aquele que se manifestou com menor valor de limite de liquidez (wL = 46 %) e índice de plasticidade (IP= 13 %), portanto, sendo o menos plástico. Em termos granulométricos, esse solo, também se expressou em relação aos demais, com as menores percentagens que passam nas peneiras de abertura nominal de 0,042 mm e 0,074 mm. Tratando-se do solo 30, que teve o menor erro relativo, pode-se notar que é o material que apresenta maior percentagem que passa na peneira de abertura nominal de 0,074 mm. No que se refere ao coeficiente de atividade (CA), obtido do ensaio adsorção de azul de metileno, o solo 10 apresentou CA igual a 27,24, enquanto o solo 30 teve CA igual a 57,96. A partir desses resultados, conclui-se que o solo 30 tem maior atividade. Coincidentemente, ou não, o solo 10 foi aquele que se manifestou com o menor valor de potencial hidrogeniônico em água, 4,45. 1,800 3 ρ d max (g/cm ) 1,700 1,600 1,500 1,400 ρd max = -0,0207Va + 1,7991 1,300 R2 = 0,9386 1,200 0 4 8 12 16 20 24 -3 Va (10 g/g) Figura 4. Relação entre o valor de azul (Va) e a massa específica seca máxima. Tabela 5. Resultados estimados e reais para a massa específica seca máxima e valor do erro relativo em módulo. Erro Relativo Solo ρd máx (g/cm3) ρd máx (g/cm3) (%) (teórico) (real) 1 1,599 1,640 2,498 2 1,629 1,648 1,171 3 1,661 1,675 0,822 6 1,536 1,510 1,734 7 1,477 1,475 0,111 8 1,371 1,375 0,282 10 1,652 1,605 2,958 20 1,434 1,470 2,433 21 1,459 1,447 0,819 26 1,494 1,490 0,285 27 1,414 1,395 1,381 30 1,451 1,450 0,080 Valor de azul x Teor de umidade ótimo A Figura 5 mostra a significativa relação encontrada entre o valor de azul (Va) e o teor de umidade ótimo para os solos estudados, com a respectiva equação de regressão e o seu coeficiente de correlação. Observa-se que a umidade ótima de compactação cresce com o valor de azul. Apresenta-se na Tabela 6, de forma comparativa, os resultados estimados (teóricos) e os obtidos diretamente em laboratório para o teor de umidade ótimo com o valor do módulo do erro relativo para os solos em questão. Percebe-se que o maior erro relativo (6,523 %) se deu para o solo 20, ao tempo que o menor erro relativo (0,095 %) ocorreu para o solo 3. Analisando-se de forma comparativa os solos 3 e 20, que se expressaram respectivamente, como o de menor e maior erro relativo, nota-se que o solo 3 (menor erro) foi caracterizado como o menos plástico em termos de limite de liquidez e índice de plasticidade, possuindo menor percentagem que passa na #200. Porém, a sua fração inferior a 0,005 mm (37 %) é maior que a encontrada para o solo 20 (32 %). Quanto ao aspecto da atividade, o solo 20 teve CA igual a 55,08 e o solo 3 apresentou CA igual a 18,00. Portanto, o maior grau de atividade pertence ao solo 20. Os resultados aqui encontrados, em relação a variação do valor de azul (Va) e os parâmetros de compactação, foram semelhantes àqueles obtidos por Barroso e Fabbri [5]. 35 w ot (%) 30 25 20 w ot = 0,7339Va + 15,293 15 2 R = 0,9398 10 0 5 10 15 20 25 -3 Va (10 g/g) Figura 5. Relação entre o valor de azul (Va) e o teor de umidade ótimo. Tabela 6. Resultados estimados e reais para o teor de umidade ótimo e valor do erro relativo em módulo. wot (%) Erro Relativo Solo wot (%) (teórico) (real) (%) 1 22,39 22,20 0,838 2 21,33 21,30 0,162 3 20,18 20,20 0,095 6 24,61 24,80 0,749 7 26,73 27,70 3,517 8 30,47 29,50 3,276 10 20,49 19,75 3,753 20 28,23 26,50 6,523 21 27,36 28,50 4,014 26 26,10 27,20 4,040 27 28,94 29,60 2,240 30 27,63 27,20 1,578 CONCLUSÕES Para o universo de solos estudados, pertencentes ao grupo A-7 da classificação HRB, pode-se constatar que: - os solos foram classificados como de comportamento não lateritico pelo sistema MCT; - pela técnica de adsorção de azul de metileno, em sua quase totalidade, os solos analisados se manifestaram como ativos, à exceção do solo 8, caracterizado como muito ativo; - não houve correlação entre os graus de atividade de Skempton e Fabbri, o que talvez possa ser explicado pela maior capacidade de penetração no solo do corante orgânico que a água; - o consumo de azul de metileno está relacionado a natureza da fração fina dos solos e não a quantidade de material fino presente; - em relação aos parâmetros de compactação, pode-se notar que a massa específica seca máxima decresce com o valor de azul (Va), enquanto, o teor de umidade ótimo cresce. Foram obtidas relações significativas para estimar os referidos parâmetros; - e, finalmente pretende-se prosseguir com os estudos envolvendo um universo maior de solos, inclusive para outros grupos da classificação HRB. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] Fabbri, G.T.P.; Sória, M.H.A. Aplicação do Ensaio de Azul de Metileno à Classificação de Solos – Uma Primeira Aproximação, In: XXV Reunião Anual de Pavimentação, São Paulo-SP, V. 1, p. 381-399, 1991. [2] Pejon, O.J. Mapeamento Geotécnico Regional da Folha de Piracicaba, Esc. 1:100.000: Estudo de Aspectos Metodológicos e de Apresentação de Atributos, Escola de Engenharia de São Carlos, USP, Tese de Doutorado, 1992. [3] Fabbri, G.T.P. Caracterização da Fração Fina de Solos Tropicais Através da Adsorção de Azul de Metileno, Escola de Engenharia de São Carlos, USP, Tese de Doutorado, 1994. [4] Barison, M.R. 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