Apresentação p. 5
Prefácio
p. 7
Depoimentos da Diretoria
p. 12
A ideia
p. 17
O Projeto
p. 19
Primeiros Passos
p. 21
Água p. 23
Nutrientes
p. 27
Polinizadores p. 36
Praianas
p. 41
Estufa p. 55
Arado – Legislar é poder
p. 60
Plantio de novas culturas p. 64
Carta aos profissionais da saúde
p. 67
Preparo da terra
p. 68
Linha do tempo
p. 73
Mapa p. 78
Eventos
p. 80
p. 94
Agradecimentos
Copyright © 2014 – 1ª Edição
Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional São Paulo
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www.solamigodainfancia.com.br
oxigênio
semente
terra
germinação
Apresentação
Ao elaborarmos esta ação educacional e social, voltada ao ensino
de boas práticas em exposição solar na infância, procuramos executar uma das
medidas mais importantes na atuação médica, que é a prevenção em saúde. Especialmente em relação ao câncer da pele, em termos simplistas, sabemos que
ele é “semeado na infância, adubado na adolescência e colhido na vida adulta”.
Assim, a infância é o melhor período para adquirir bons hábitos e mudar o comportamento. Nesta empreitada, inúmeros desafios foram superados, graças à
participação de dezenas de pessoas e entidades da sociedade civil, as quais com-
oxigênio
No processo de fotossíntese, as plantas produzem
seu próprio alimento, além de liberarem oxigênio,
gás indispensável à vida na Terra. Como o
oxigênio que respiramos, é imperativo, nesta
seção, o reconhecimento àqueles que tornaram a
campanha “Sol, Amigo da Infância” possível
preenderam a dimensão desta jornada. Quero agradecer a colaboração da diretoria da SBD-RESP 2012, que nos permitiu a primeira impressão da revista em quadrinhos da Turma da Mônica intitulada “A Pele e o Sol”; aos membros da minha
diretoria 2013-2014, Dr. Walter Belda Junior, Dra. Meire Parada, Dra. Aparecida
Machado de Moraes, Dra. Fátima Rabay e Dr. Nilton Di Chiacchio, que acolheram nosso projeto e se engajaram na sua execução e na sua defesa, e particularmente aos funcionários da SBD-RESP (Deise, Isabella, Reginaldo e, em especial, à Andréa), que vestiram a camisa da nossa Sociedade e da campanha “Sol,
Amigo da Infância”. O apoio gigantesco ofertado pelo Rotary Distrito 4420, e do
Rotary Internacional, intermediado pelo associado Dr. Francisco C. S. Ferreira,
foi a ferramenta que acertou as engrenagens desta ação e de imponderável valia.
A dermatologista Dolores Gonzales Fabra nos apresentou o contato com a Tino
Comunicação, que com seus colaboradores desenvolveu várias ações que ampliaram o alcance desta empreitada. Aos dermatologistas na diretoria do II Distrito
Dermatológico (Baixada Santista), que se prontificaram a fazer diversas ações e
palestras sobre a campanha, em especial aos Drs. Octávio Moraes Junior e Renato Sau Rios. A diretoria da SBD-RESP agradece ao Dr. Samuel Mandelbaum, coordenador da campanha de Câncer de Pele no Estado de São Paulo, por abraçar
esta causa e se envolver na sua execução e defesa. À jornalista Silvia Lourenço e
às jornalistas da Lilás Comunicação, que se engajaram na divulgação desta ação
educativa via imprensa. À jornalista Renata Guerra que colaborou com a concepção de todo este livro. O Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM), a Sociedade
Brasileira de Dermatologia (SBD - entidade Nacional) e o Sesi de São Paulo (Serviço Social da Indústria) abraçaram nossa proposta e se tornaram nossos parceiros
5
Prefácio Foreword
muito preciosos. O Aché Laboratórios compreendeu a relevância de se transmitir
A exposição à radiação ultravioleta (UV) durante a infância e a adolescência está associada ao
informações educativas sobre este tema e foi, até então, a única casa farmacêutica
aumento do risco de câncer de pele na vida do indivíduo mais tarde. Os ambientes escolares podem desem-
que efetivamente se comprometeu a apoiar esta ação – desta forma expressamos
penhar um papel fundamental na redução das taxas futuras de câncer de pele, dado que: 1,2
aqui nosso agradecimento público. O nosso profundo respeito e eterno agradecimento a todos educadores e professores que, imbuídos do espírito de construir um
• a exposição significativa à radiação UV ocorre na infância e adolescência;
mundo melhor, se envolveram de corpo e alma nesta campanha, desenvolvendo ati-
•as crianças frequentam os centros de educação infantil ou as escolas no período do dia em que ocorre
vidades didáticas e lúdicas com as crianças de suas escolas, públicas e privadas, tornando o direito ao conhecimento e à saúde acessível a todos. Nosso agradecimento
público à Mauricio de Sousa Produções, que tornou possível transmitir uma men-
o pico da radiação UV;
•os contextos escolares podem criar ambientes protegidos do sol e influenciar comportamentos com
a educação e modelos a ser imitados.
sagem médica e técnica de forma divertida e cativante às nossas crianças, o que fez
nossa campanha atrativa e capaz de alcançar o sucesso que até agora obtivemos.
A pesquisa internacional de maio de 2013 recomenda intervenções em centros de cuidados infantis para
Agradecemos aos vários dermatologistas que entenderam a importância e profun-
a prevenção do câncer de pele. Essas intervenções são, por exemplo, implementação de políticas de proteção
didade social da ação e se engajaram ministrando palestras aos educadores e crian-
contra o sol e educação dos pais e da equipe de funcionários para aumentar a proteção das crianças con-
ças nas escolas e entidades privadas e públicas. Nosso apreço pela advogada Mônica
tra a exposição excessiva à radiação UV3. Em agosto de 2012, a Força-tarefa dos Serviços Comunitários de
Giacon, que nos permitiu o contato com o vereador Gilson Barreto, que constituiu
Prevenção também recomendava intervenções nas escolas de educação infantil e de ensino fundamental
projeto de lei que foi replicado por vários municípios pelo Brasil. Nosso agradeci-
(CEI ao oitavo ano) para prevenir o câncer de pele. Isso se baseia em fortes evidências da eficácia dessas
mento também aos prefeitos, secretários de Educação e de Saúde, que receberam
intervenções no aumento de condutas de proteção contra o sol e na redução de exposição à radiação UV,
nossa campanha em seus municípios. Meu agradecimento particular à minha es-
redução na incidência de queimaduras de sol e na formação de novas pintas ou sinais de pele.4
posa, alergista e pediatra, Dra. Roberta Fachini Jardim Criado, pela colaboração com
ideias e estímulo constantes.
O programa líder mundial SunSmart Schools and Early Childhood Program (Programa Escolas Sol-inteligentes e Primeira Infância) do Conselho do Câncer, Austrália, é um programa de participação voluntária que
Por fim, dedico meus esforços nesta campanha à fonte inspiradora desta ação,
minha filha Giulia, cuja alegria da infância me mostrou o caminho para a oportunidade de tentar fazer a diferença pelo futuro de várias pessoas.
Saudações,
exposure to the sun’s ultraviolet radiation (UV) during childhood and
the Community Preventive Services Taskforce also recommended primary
adolescence is associated with an increased risk of skin cancer in later life.1,2
and middle school interventions (kindergarten - year eight) to prevent skin
Educational settings can play an integral role in the reduction of future
cancer. This is based on strong evidence of their effectiveness in increasing
skin cancer rates given:
sun-protective behaviours and decreasing UV exposure, sunburn
• significant UV exposure occurs during childhood and adolescence,
incidence, and formation of new moles.4
• children attend early childhood services and schools during peak UV
The Cancer Council’s world leading SunSmart Schools and Early
Dr. Paulo Ricardo Criado
periods of the day,
Childhood Program, in Australia, is a voluntary membership program
Cremesp 66343 – RQE 37489
Presidente da SBD-RESP biênio2013-2014
Dermatologista da Divisão de Dermatologia do Hospital das Clínicas da FMUSP
• educational settings can create sun safe environments and influence
addressing sun protective behaviours, policy, curriculum and sun safe
behaviors through education and role modeling.
environments (social and physical). Members are assisted with policy and
International research from May 2013 recommends childcare centre-
6
program advice, curriculum resources, family information and guidelines
based skin cancer prevention interventions such as the implementation
to encourage sun safe behaviours. The successful program has changed the
of sun protection policies and education for staff and parents to increase
sun protection culture and environments of early childhood services and
children’s protection from excessive UV exposure.3 In August 2012,
primary schools across Australia. The program commenced in primary
7
aborda condutas protetivas contra o sol, política, programa de estudos e ambientes protegidos do sol (sociais
e físicos). Os membros participantes são assistidos com assessoramento em políticas e programas, recursos
didáticos, informações à família e diretrizes para incentivar condutas de proteção contra o sol.
O bem-sucedido programa mudou a cultura de proteção solar, os ambientes de cuidados da primeira
infância e das escolas primárias de toda a Austrália. Teve início em escolas de educação infantil do estado de
Victoria (no sudeste daquele país) em 1994. A pesquisa indica que, antes do programa-piloto de 1993, apenas
19% das escolas de Victoria exigiam o uso de chapéus protetores do sol comparados com os 99% de 2011.5. No
“O câncer de pele está aumentando em proporções epidêmicas. A prevenção primária é o melhor modo
setor das escolas de educação infantil, o êxito foi semelhante. Antes do início do SunSmart Schools and Early
de reduzir a morbidade e a mortalidade desse tipo de câncer, bem como os gastos com a doença. Como sabe-
Childhood Program, em 1988 apenas 2 % das pré-escolas de Victoria relataram que tinham esses chapéus à
mos, o surgimento do câncer de pele está associado à exposição ao sol na infância, por isso a educação sobre
disposição. Essa quantidade aumentou para 100% dos centros de educação infantil victorianos que obriga-
a redução do fator de risco precisa ocorrer bem cedo. A escola é, pela lógica, o lugar para ensinar comporta-
vam o uso de chapéu.6
mentos de toda uma vida. O trabalho que está sendo realizado no Brasil, no que diz respeito à proteção contra
Parabenizo a Sociedade Brasileira de Dermatologia – seção do Estado de São Paulo – pelo lançamento de
o sol, é exatamente o que se precisa para reduzir o ônus de saúde pública que o câncer de pele representa. Além
seu programa educativo de longo prazo ‘Sol, amigo da infância’ e lhe desejo todo o sucesso na tarefa de au-
disso, a exposição excessiva ao sol não apenas está relacionada com o câncer de pele, mas também, ao que tudo
mentar as condutas de proteção solar e reduzir as taxas de câncer de pele.
indica, aumenta o risco de outros cânceres. Por isso, a fotoproteção na infância é de máxima importância.”
Sue Heward
Robert S. Kirsner, MD, PhD
Manager, SunSmart – Victoria, Australia
Professor Vice-Chefe e Catedrático da
Miami University School of Medicine
“Skin cancer is increasing in epidemic proportions.
schools in the state of Victoria (situated in the south-east of Australia)
I congratulate the Brazilian Society of Dermatology – São Paulo
in 1994. Research indicates that prior to the 1993 pilot of the program,
State branch on the launch of their long-term educational programme,
Primary prevention is the best way to reduce the morbidity,
only 19% of Victorian schools enforced the wearing of sun protective hats
‘The Sun: Childhood’s Friend’ and wish them every success in increasing
mortality and cost of skin cancer. As we know childhood sun exposure
compared to 99% in 2011. There have been similar successes in the early
sun protection behaviours and reducing skin cancer rates.
is associated with skin cancer development, so education about risk
5
factor reduction needs to occur early. School is a logical place to educate
childhood sector. Prior to the commencement of the SunSmart Schools and
Early Childhood Program, only 2% of Victorian preschools reported that
Sue Heward
about lifelong behaviors. The work being carried out in Brazil related to
hats were available in 1988. That has increased to 100% of Victorian early
Manager, SunSmart – Victoria, Australia
sun protection is exactly what is needed to reduce the public health burden
childhood services enforcing hat wearing in 2013.
6
of skin cancer. Additionally excessive sun exposure is related not only
to skin cancer but appears to increase the risk of other cancers as well.
Therefore photoprotection in childhood is of utmost importance.”
1 Armstrong BK. How sun exposure causes skin cancer: an epidemiological perspective. In: Hill D, Elwood JM, English DR, eds. Prevention of Skin Cancer. Dordrecht, the Netherlands: Kluwer Academic Publishers, 2004, pp. 89-116
2 Whiteman DC, Whiteman CA, Green AC. Childhood sun exposure as a risk factor for melanoma: a systematic review of epidemiologic studies. Cancer Causes & Control 2001; 12 (1): 69-82.
3 Guide to Community Preventive Services. Preventing skin cancer: child care center-based interventions (abbreviated), May 2013.
www.thecommunityguide.org/cancer/skin/education-policy/childcarecenters.html. Accessed: 22.07.14
4 Guide to Community Preventive Services: Preventing Skin Cancer: Primary and Middle School-Based Interventions, August 2012
http://www.thecommunityguide.org/cancer/skin/education-policy/primaryandmiddleschools.html Accessed: 22.07.14
5 Sharplin G, Smith A, & Roth F. The national survey of Australian primary schools’ sun protection policy and practices: Evaluating the National SunSmart Schools Program. Cancer Council SA: Adelaide, 2012
6 Hawkins K. Sun protection policies and practices of Australian early childhood services: Results of the 2013 National Early Childhood Sun Protection Policy and Practice Survey. Report prepared for the National Skin
Cancer Committee and state and territory Cancer Councils. Adelaide, Australia. Cancer Council South Australia, September 2013
8
Robert S. Kirsner, MD, PhD
Professor, Vice Chief of Dermatology
University of Miami School of Medicine
9
Equilíbrio e ciência,
o Sol é nossa estrela, um verdadeiro astro...
calor, energia e luz que a vida alimenta
e a alma humana esquenta,
com tamanho esplendor,
por sua massa atrai vários planetas em torno de si,
como que em fascínio orbitando,
bem como faz o ídolo aos humanos.
Assim também o bem faz à humanidade,
aquecendo nossas vidas
e nos livrando do medo das trevas da noite.
Apesar de semear a vida que na Terra floresce,
sua energia marca a tudo,
chegando ao nosso âmago,
o DNA humano!
Tal como uma estrela cegamente idolatrada,
a razão humana perde seu prumo.
Estabelece um perigoso rumo,
posto que semeia sua marca muitas vezes na infância,
cultivando-a na adolescência
e pagando a conta na vida adulta.
O Sol oferece vida e luz,
porém aos incautos cobra o seu preço,
como o fanático sem o devido esclarecimento,
que escolhe por instinto e idolatra ao invés do conhecimento,
carrega o peso do infortúnio de uma eterna cruz.
Vaidade em excesso e bronzeamento
levam ao câncer da pele
e ao precoce envelhecimento.
Equilíbrio com o Sol e seu brilho,
pois a ciência oferta verdadeira consciência.
Dr. Paulo Ricardo Criado
Depoimentos da Diretoria
Uma campanha estimulando o uso do filtro solar desde a infância nunca havia sido feita no Brasil
como política da sociedade. O direcionamento do Dr. Paulo foca na orientação na criança, que leva esse pensamento para a vida toda. É difícil incutir no adulto, que já tem hábitos arraigados em relação ao sol. Criar o
hábito na criança repercute no futuro, por isso a campanha tem objetivo a longo prazo. O intuito é a redução
de incidência de câncer de pele nessa geração que cresce habituada a adotar medidas de proteção ao sol.
Apesar de sabermos a importância desse tema, a diretoria da SBD-RESP não esperava repercussão tão grande
e rápida por parte de todos os dermatologistas. A participação envolveu não só aqueles que integram as entidades de classe ou estão ligados a hospitais-escolas. O Dr. Paulo conseguiu mobilizar os dermatologistas de
todo Brasil, que ajudaram a disseminar a ideia. Realmente essa campanha foi um sucesso.
Dr. Walter Belda Junior
Vice-presidente
Da esquerda para a direita: Dr. Walter Belda Junior, Dra. Meire Parada, Dr. Nilton Di Chiacchio, Dr. Paulo Ricardo Criado, Dra. Aparecida Machado de Moraes e Dra. Fátima Rabay
A SBD tem a obrigação de esclarecer e conscientizar a população sobre os danos que o sol pode causar
Essa campanha tem como principal objetivo cuidar da saúde da população, iniciando a conscientização
se a pessoa não for exposta corretamente aos raios solares. Todos os dermatologistas sabem da necessidade
dos benefícios e malefícios da radiação solar desde a infância. Sabe-se que quando essa orientação é iniciada
da proteção solar e pregam isso. Mas a campanha foi além. Por quê? Por não falar em tratamento e diagnós-
na criança, isso poderá mudar o futuro dela, uma vez que não terá os danos cumulativos da radiação solar
tico, mas focar em educação. Você não muda o comportamento de um povo com um flash na tevê ou uma
ao longo dos anos, prevenindo as doenças de pele, como o câncer de pele, que decorre disso. Essa é uma
notícia no rádio. É necessária uma campanha constante, pois só desse modo se atinge realmente as pessoas.
tarefa que a nossa Sociedade de Dermatologia está fazendo junto com as escolas, direcionada às crianças
Assim, as crianças vão crescer e irão incorporar hábitos saudáveis em relação ao sol no seu dia a dia. Por outro
do Ensino Fundamental, o que trará um grande benefício à população. Na verdade, um trabalho em con-
lado, a campanha beneficiou-se por ser implantada na primeira gestão bienal da SBD – Regional São Paulo.
junto, com um objetivo único que é, através de uma linguagem simples, divertida e de fácil compreensão, o
Houve mais tempo de desenvolver as práticas, as parcerias foram crescendo e com isso novas forças foram
gibi, trazer uma mudança importante e radical. O gibi é um instrumento que se divulga por si só, ilustrativo,
incorporadas. Foi também uma evolução dentro da própria SBD-RESP.
fácil de ser lido e compreendido, e muitas vezes uma cartilha de aprendizado para as crianças e muitos adultos.
Afirmo que o nosso grande trunfo na campanha foi a educação através do gibi, com a assinatura nosso
Dr. Nilton Di Chiacchio
Tesoureiro
querido Mauricio de Sousa.
Dra. Meire Parada
Secretária
12
13
Foto: Prefeitura de Praia Grande
Foto: Prefeitura de Santos
Toda ideia inovadora transmite num primeiro momento um pouco de desconfiança. À medida que ela
Trabalho no hospital universitário da Faculdade de Medicina de Taubaté e divulgamos semanalmente
cresce, torna-se volumosa e com adesões consistentes, aumenta a participação dos colegas. Acho que foi exa-
a campanha na enfermaria da pediatria. A receptividade das crianças é ótima. Elas ficam felizes, depois pas-
tamente o que ocorreu nesta campanha. Investir na educação, em todos os sentidos, é o mais destacado,
sam as informações para os pais. Trabalho com outros projetos sociais e, como médicos, estamos habituados
pois as mudanças educativas e sociais se firmam a longo prazo. Ministrei uma aula em um Congresso de
a olhar o conhecimento do ponto de vista científico. Mas o que mais me impressionou nesta campanha foi
Educadores do Estado de São Paulo em Atibaia (SP) e, nesse dia, senti a força que a campanha estava tomando.
a participação dos professores. Foi demais o modo como trabalharam com as informações que transmiti-
Além da importância do tema, que por si só é uma convocação à causa, um dos pontos-chaves para o cresci-
mos e desdobraram isso em diversas atividades pedagógicas, como teatro, dança, rap, paródia, entre outros.
mento foi a participação e colaboração do Mauricio de Sousa, trazendo a Turma da Mônica para este desafio.
A partir do momento que a criança elabora uma atividade usando os conceitos de fotoproteção e vivencia
aquilo, ela não esquece mais. Foi gratificante assistir à apresentação das crianças na Radesp. Todo mundo
Dra. Aparecida Machado de Moraes
Coordenadora Científica
ficou emocionado e muitos colegas chegaram às lagrimas – inclusive eu.
Dra. Fátima Rabay
Coordenadora de Comunicações
14
15
A ideia
Em julho de 1997, ao apresentar um trabalho sobre o aumento da incidência de
melanoma entre a população de um hospital público de São Paulo ao longo de
três décadas, o jovem médico dermatologista Paulo Criado não tinha noção de
que a visita ao 19º Congresso Mundial de Dermatologia, em Sydney, na Austrália, iria repercutir em sua vida aqui no Brasil. Foi lá, a dois oceanos de distância,
educação em fotoproteção:
Transmissão de informações
que formam um conjunto de
recomendações para práticas de proteção ao sol.
que ele teve o primeiro contato com o SunSmart, programa de conscientização
sobre os riscos dos raios solares ultravioleta (UV) voltado aos habitantes
de Victoria, na Austrália.
sementes
Uma nova cultura não nasce da noite para o dia. Às vezes,
uma boa ideia precisa de muito tempo de germinação para
tornar-se realidade. Foi exatamente o que aconteceu com a
concepção da campanha “Sol, Amigo da Infância”, que surgiu
num congresso do outro lado do mundo nos anos 90
A Austrália possui uma extensa costa litorânea: são mais de 25 mil quilômetros de extensão de praias – todas localizadas abaixo da linha do Equador, com
clima tropical. Como os brasileiros, os australianos adoram uma pele bronzeada, mas não tinham noções básicas de educação em fotoproteção nos anos 1980.
Com o objetivo de esclarecer sobre os reais riscos do sol, a Fundação Victoriana de Promoção da Saúde e o Conselho de Câncer de Victoria criaram em 1988 o
SunSmart. Durante mais de duas décadas, o programa tem levado à população
uma mensagem simples e clara por meio de uma campanha de conscientização.
Além disso, mobiliza diversas frentes de atuação: pré-escolas e escolas primárias
recebem educação em fotoproteção, funcionários de diferentes ambientes de trabalho são alertados, espaços de práticas de esportes são incentivados a criar uma
política de fotoproteção, entre outros.
mensagem simples e clara
com um comercial televisivo de 1
minuto. A gaivota Sid convidava
para a prática de três ações
bastante simples em atividades ao
ar livre: vestir-se adequadamente,
passar protetor solar e usar chapéu
de abas para fazer sombra ao rosto,
pescoço e orelhas. Nos anos 2000,
foram acrescentadas mais duas
recomendações: usar óculos de sol e, sempre que possível, ficar abrigado na sombra.
Um pequeno fôlder apresentou uma grande possibilidade para o Dr. Paulo
Ricardo Criado, que se sensibilizou com o programa. Nunca tinha visto um esforço de proteção solar tão direcionado. Alinhado às descobertas da comunidade médica internacional, a preocupação sobre a proteção solar era crescente no
Brasil, mas realizada de forma pulverizada. Uma campanha aqui ou ali alertava
os cidadãos de que era necessário tomar cuidado com os raios de sol. No entanto, até hoje os dermatologistas enfrentam uma espécie de batalha silenciosa em
seus consultórios. Indicam o uso do protetor solar; os pacientes reconhecem a
importância, mas, na grande maioria dos casos, esquecem de usá-lo diariamente
ou, quando o fazem, não lembram de reaplicá-lo mais de uma vez durante o dia.
Imagine então quando é recomendado o uso de chapéu, óculos de sol e mangas compridas para proteger-se do sol... Desse modo, perdem a guerra porque a fotoproteção
17
não é um hábito cristalizado, diferentemente, por exemplo, de escovar os dentes
ou lavar as mãos antes das refeições, medidas de cuidado pessoal que passaram
a fazer parte do dia a dia das pessoas.
De volta ao Brasil, ele retornou à rotina no Hospital do Servidor Público
Estadual, consultório e família. No entanto, a ideia de fazer algo similar ao pro-
atual diretoria da sbd-resp:
biênio 2013-2014, composta pelos dermatologistas: Dr. Paulo
Ricardo Criado; Dr. Walter Belda
Junior.; Dr. Nilton Di Chiacchio; Dra. Aparecida Machado de Moraes; Dra. Fátima Rabay e Dra. Meire Parada.
grama o acalentou desde então. Ao longo dos anos, dois pensamentos tornaram-
O projeto
A campanha “Sol, Amigo da Infância” é um projeto educativo, preventivo e de
ação social da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional do Estado de São
Paulo (SBD-RESP), que visa alcançar a educação em exposição solar para crianças
em idade escolar, cursando o ensino fundamental I e II, principalmente do 5º ao
8º ano (entre 7 e 11 anos de idade), a fim de orientá-las sobre os riscos da exposição solar inadequada e os hábitos saudáveis de proteção solar no dia a dia.
-se claros para ele. “Para mudar comportamento, o público-alvo seria crianças
A SBD-RESP firmou acordos por meio de termo de cooperação com Secreta-
que estão cursando o Ensino Fundamental. Percebi que isso realmente funcio-
rias de Educação de prefeituras do Estado de São Paulo para formar professores e
na com a minha filha Giulia, hoje com 12 anos. Ela aprendeu conceitos de saúde
estabelecer estratégias de como ensinar as crianças sobre a exposição segura ao
e ecologia na escola e acabou incorporando essas práticas na vida.” O outro era
sol. Os dermatologistas associados ministraram palestras aos educadores, a fim
mais estratégico: “Teria que estar num cargo diretivo para tomar decisões e exe-
de compartilhar o conhecimento científico. Esses, por sua vez, transformaram o
cutar o projeto. A oportunidade surgiu quando a atual diretoria da SBD-RESP se
conteúdo adquirido em atividades educativas direcionadas aos alunos. Na sala
reuniu e a gente achou que poderia fazer algo de bom para a sociedade”. No en-
de aula, as crianças aprenderam atitudes e práticas para se prevenir do câncer da
tanto, isso só foi possível em 2013, depois de mais de 15 anos namorando a ideia.
pele e do fotoenvelhecimento. Elas, por sua vez, repassaram o conteúdo da educação em fotoproteção para a família e comunidade.
Sombra, filtro solar, chapéu e
óculos de sol são elementos
fundamentais na fotoproteção!
Sempre ficou claro para o idealizador do projeto que as crianças são os
multiplicadores da campanha. O objetivo é que elas consigam incorporar um
novo comportamento de exposição solar e mobilizem a família para este assunto. Para atrair a atenção dos pequenos para o conteúdo da campanha de forma
descontraída, simples e lúdica, a SBD-RESP e a Mauricio de Sousa Produções desenvolveram a história em quadrinhos “A Pele e o Sol”, em que os personagens
da Turma da Mônica aprendem a importância de se expor ao sol de maneira
Isabela, filha de Dra. Naiana Sá,
devidamente protegida do sol.
saudável. Os gibis foram entregues a todas as crianças participantes da campanha. Para complementar, o desenho animado “A Pele e o Sol” foi lançado em
DVD, também com personagens da Turma da Mônica, e entregue nas escolas
que participaram do programa.
Além disso, a campanha conseguiu sensibilizar o Poder Legislativo. Em São
Paulo, foi criada lei que oficializa a Semana de Educação à Exposição Solar Infantil Preventiva ao Câncer de Pele “Sol Amigo da Infância”, a ser realizada anualAté os 6 meses de idade
o sol deve ser evitado,
procure sempre a sombra e
proteja com roupas e chapéu.
18
mente na última semana de setembro. A iniciativa serviu de exemplo para outros
nove municípios do País.
19
Primeiros Passos
Uma campanha de conscientização não é realizada da noite para o dia.
Ao longo de mais de 15 anos, o Dr. Paulo Criado aprimorou sua ideia inicial e foi
conquistando parceiros para o desafio.
Após 10 anos como associado da Sociedade Brasileira de Dermatologia -
Regional do Estado de São Paulo, ele passou a exercer cargos diretivos: em 2003,
assumiu o cargo de coordenador científico, a convite da então diretoria eleita.
Nos dois anos seguintes, a recém-criada função de coordenador de comunicações. Em 2008 foi vice-presidente da SBD-RESP. Em 2012, a vice-presidência da
terra
Como os grandes acontecimentos, um fator isolado
não consegue explicar o motivo de a campanha
“Sol, Amigo da Infância” ter ultrapassado todas
as expectativas. Seus resultados podem ser
avaliados a partir da convergência de diversos
fatores. O mais importante deles diz respeito à
reunião de um grupo de pessoas em torno de um
interesse comum. As parcerias foram vitais para
a viabilidade de “Sol, Amigo da Infância”
última gestão anual. Foi também eleito para a presidência da gestão 2013-2014,
primeira diretoria bienal da SBD-RESP.
No entanto, não esperou a solenidade de posse para colocar a empreitada em
ação. Em 2012, apresentou a ideia à diretoria e a campanha “Sol, Amigo da Infância”
foi lançada oficialmente durante a realização da 17ª Radesp, em Atibaia, município
do interior paulista. O encontro contou com a presença do desenhista e criador da
Turma da Mônica, Mauricio de Sousa, que criou o gibi especial para a campanha.
Mas o trabalho só estava começando. Durante o tempo em que a cam-
panha ficou na “incubadora”, o dermatologista refletiu que o projeto não deveria ser algo passageiro, pois assim não cumpriria seu papel de mudar o comportamento em relação à exposição solar. “Só adquirimos um novo hábito quando
aprendemos de fato a real importância de determinada atitude.” Ele pesquisou
Você Sabia?
Que a iniciativa de usar um desenho
animado para sensibilizar as crianças
sobre os riscos do sol não é inédita no Brasil? Nos anos 1990, o Prof. Dr.
Cyro Festa Neto criou o personagem “Guigo e o Sol”, um menino que
descobre que os raios solares podem
também ser prejudiciais à saúde. A história de Guigo foi publicada em
livro distribuído aos dermatologistas.
Atualmente, a versão digital desta história está disponível no site da SBD. www.sbd.org.br
qual era a melhor forma de transmitir a mensagem às crianças e descobriu que
o aspecto lúdico de uma peça teatral, desenho animado ou quadrinhos era a ferramenta mais adequada para chamar atenção da faixa etária dos 9 aos 14 anos.
“No entanto, não sou um educador que sabe transformar esse conhecimento em
atividades didáticas para as crianças. Foi aí que surgiu a necessidade de envolver
os professores e a campanha ganhou os contornos que conhecemos hoje.”
Paralelamente a essa descoberta, duas peças-chaves iriam se apresentar
para catalisar os esforços da campanha. O médico Dr. Francisco Ferreira recebeu
o gibi “A Pele e o Sol” em sua casa, como todos os dermatologistas associados
da SBD Nacional. Ele precisava executar um projeto como presidente do distrito
4420 do Rotary Clube e decidiu colaborar. E mais: trouxe sua esposa, a Sra. Cristina Ferreira, que é pedagoga e trabalha na Secretaria de Educação de São Vicente.
21
“A Cristina é uma das figuras centrais da campanha. Ela ajudou a moldar a forma como o conteúdo seria transmitido aos professores. A adesão das prefeituras de São Vicente e Santos nos ajudou a formatar o modelo adotado depois
pelas outras prefeituras.”
ricio de Sousa Produções tornou-se indispensável para a campanha “Sol, Amigo
Dr. Paulo Criado
da Infância”. As crianças que participaram do programa foram inundadas pelo
da Mônica, o conhecimento técnico transformou-se num jogo lúdico, por isso a
assimilação da mensagem foi fecunda.
Promover educação em saúde, a fim de ensinar aos estudantes conhecimentos, atitudes e habilidades para que as crianças possam se prevenir do câncer
Turma da Mônica
de pele e do fotoenvelhecimento.
•
Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali. A referência a esses quatro amigos leva um
Desenvolver um projeto de prevenção primária com informações comparti-
sorriso no rosto de qualquer criança brasileira e de milhares de adultos. Usar os
lhadas com os pais e professores sobre a exposição solar segura das crianças.
•
A água é vital para a vida no planeta. Do mesmo modo, a parceria com a Mau-
carisma dos personagens infantis mais queridos do Brasil. Com o gibi da Turma
Desse modo, foram estabelecidos os objetivos da campanha:
•
Água
“Desde o início, deixei claro
que era uma campanha dos
dermatologistas brasileiros
para a população brasileira.”
personagens da Turma da Mônica como chamarizes da campanha foi fundamen-
Formar professores e estabelecer estratégias de como ensinar os pais e as
tal para o sucesso de “Sol, Amigo da Infância”.
crianças sobre a exposição segura ao sol, através de determinadas medidas
O idealizador, o Dr. Paulo Criado, enfatizou que a campanha deveria ser um
educativas e informativas.
projeto de todos os dermatologistas. “Desde o início, deixei claro que era uma camDivulgação MSP
panha dos dermatologistas brasileiros para a população brasileira. Os colegas sentiram-se parte do time”, comenta. Inclusive, a sugestão da história em quadrinhos
veio da Dra. Meire Parada, secretária da diretoria da SBD-RESP gestão 2013-2014.
Quando apresentou a ideia do projeto à diretoria recém-eleita, ele sabia que
18ª Radesp 2013 – Mendes Convention
a mensagem tinha de ser comunicada de forma lúdica, mas ainda não tinha decidido qual era a melhor ferramenta. O plano inicial era montar uma peça de teatro
– objetivo ainda não descartado (leia na página 38). Foi aí que a Dra. Meire teve
o insight. “A peça teatral tem uma abrangência pequena e um período relativamente curto de mobilização de público. Como primeiro passo para direcionar a
campanha, pensei no gibi, pois queríamos a participação de um universo maior
de crianças e adultos. A história em quadrinhos está relacionada ao universo infantil e por isso sempre atrai a criança, além de entrar nas casas das pessoas custando muito pouco”, conta a médica, que é amiga pessoal do desenhista e criador
da Turma da Mônica, Mauricio de Sousa.
“A história em quadrinhos
está relacionada ao
universo infantil e por isso
sempre atrai a criança.”
Dra. Meire Parada
A diretoria aprovou a sugestão, a Dra. Meire teria de agendar um encontro
com o cartunista. “Mas já sabia que ele iria topar. É do espírito do Mauricio se
envolver com esse tipo de projeto”, comenta. A reunião aconteceu no shopping
22
23
reu entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro de 2012, o gibi “A Pele e o Sol”,
resultado da parceria, foi distribuído no lançamento da campanha.
O gibi
É com a revista em quadrinhos “A Pele e o Sol” que a campanha “Sol, Amigo da
Infância” começa a tomar forma tal qual ficou conhecida. Os personagens da Tur-
Muitas organizações procuram a Mauricio de Sousa Produções para vincu-
“Mas já sabia que ele
iria topar. É do espírito
do Mauricio se envolver
com esse tipo de projeto.”
Foto: Lailson dos Santos
Frei Caneca, em São Paulo, em meados de julho de 2012. Na 17ª Radesp, que ocor-
larem seus produtos à marca Turma da Mônica. Mas poucas passam pelo crivo
do próprio Mauricio de Sousa, que semanalmente reúne-se com seu departamento de projetos especiais e aprova tudo o que é desenvolvido pela sua companhia. “Como uma empresa familiar, temos a filosofia de cuidado com a família.
Portanto, cada proposta é examinada sob esse aspecto. Quando você fala para a
Dra. Meire Parada
criança tomar cuidado com a pele, não só está apenas falando com ela, mas com
ma da Mônica já são conhecidos do público há mais de 50 anos. Pertencem ao
a mãe, o pai, os irmãos. Essa campanha está de acordo com o que acreditamos”,
imaginário popular do povo brasileiro. “Tivemos a felicidade de contar com a equi-
afirma. “Mais do que uma marca própria, a Turma da Mônica é um processo de
pe do Mauricio de Sousa, que fez o gibi especial para o projeto. A partir daí a men-
acompanhamento da família brasileira”, revela o pai da gordinha e dentucinha
sagem tornou-se mais fácil e viável”, comenta o Dr. Paulo Ricardo Criado.
que fez 50 anos em 2013.
Na primeira reunião, a SBD-RESP esclareceu quais
informações deveriam aparecer
na história em quadrinhos.
Em 10 dias, o roteiro ficou pronto. Nele,
o roteirista desenvolveu a história, bem
como um rascunho da expressão dos
personagens. Daí foi encaminhado à
SBD-RESP para a aprovação.
Depois de aprovado, ele volta para
a MSP. Em seguida, passa para um
desenhista, que irá desenhar com
riqueza de detalhes toda a história.
Como é produzido um gibi?
Você sabia que esse processo dura cerca de 40 dias e
envolve em média 80 funcionários da empresa?
Por último, a história passa pelo revisor de direção de arte,
mas quem dá a assinatura final é o próprio Mauricio.
Em seguida, a história passa para o colorista, que, como o próprio nome já diz,
irá colorir os desenhos, que também seguem uma paleta de cor padronizada.
24
Após passar pelo desenhista, o arte-finalista
faz o contorno “a caneta” dos desenhos.
Depois, segue para o letrista, que
irá colocar os diálogos na fonte
padrão da MSP. O formato de letra
característica das histórias da Turma
da Mônica foi patenteado com o
nome de Mauricio.
MSP: Mauricio de Sousa Produções | SBD-RESP: Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional de São Paulo
De acordo com Abel Mesquita, diretor de projetos especiais, são desenvolvidos cerca de 30 gibis personalizados por ano para campanhas de conscientização
de variados assuntos como Síndrome de Down, Autismo, Estatuto da Criança e do
Adolescente, alcoolismo, consumo de drogas, entre outros. Para ele, o gibi funciona bem por uma série de elementos. “O principal deles é que sua comunicação
é sintetizada e lúdica. O quadrinho, na maioria das vezes, é autoexplicativo. Mas
também ajuda o fato de ter um custo unitário baixo, de ser fácil de carregar e de
ser acessível em todos lugares, diferente do DVD, que precisa de um aparelho para
Mauricio de Sousa
rodar”, explica. No entanto, o gibi por si só não explica o sucesso. “Ao longo dessas cinco décadas, o Sr. Mauricio soube preservar em suas histórias as relações
humanas. Por isso, os personagens são universais, pois retratam questões que
qualquer um pode ter vivenciado”, diz o diretor, que tem mais de 25 anos de casa.
25
Também foram entregues 20 mil exemplares do gibi nos pedágios das rodovias
Anchieta e Imigrantes e nas balsas de Santos e São Sebastião. Os alunos das escolas públicas e privadas, sensibilizados pela campanha receberam a história em
quadrinhos. E não para por aí: qualquer interessado pode pedir um exemplar do
gibi para a SBD-RESP. “Com a revistinha, começamos a ter pedidos de associados
de vários estados que queriam entregar o gibi na escola dos filhos. Foi aí que a
campanha estourou”, revela Paulo Criado.
Em outubro de 2013, foi concluída uma segunda etapa da parceria com a MSP.
Foi lançado o desenho animado “A Pele e o Sol”. Uma unidade do DVD é distribuída por escola que trabalha a campanha. “Tenho acompanhado que a comunidade
tem participado muito. Os personagens acabam envolvendo as crianças, que ligam uma coisa à outra, fixando melhor o conceito de proteção solar”, comenta Meire.
Como é produzido um desenho animado?
“A Pele o Sol” foi distribuído para todos os associados da SBD Nacional.
Nutrientes
É desenhado um storyboard, espécie
de rascunho que explicita a história
quadro a quadro. Nele, estão detalhados
a posição dos personagens, diálogos,
cenários, pontos de vista, entre outros.
O storyboard serve como base para
todos os aspectos da animação.
Dependendo das condições do solo, a terra precisa de um somatório de nutrientes para uma boa colheita. Sendo assim, o Rotary Clube, o Fundo de Apoio à Dermatologia do Estado de SP (Funadersp), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e a SBD
Nacional exerceram funções análogas à do nitrogênio, fósforo e potássio, a fim de
otimizar os resultados da campanha “Sol, Amigo da Infância”.
Rotary
Em seguida, o diálogo é gravado.
Os animadores devem saber o que
os personagens vão dizer, pois vão
combinar os movimentos labiais
dos personagens com o diálogo.
Em 2012, o dermatologista Francisco Ferreira foi eleito presidente do Rotary Distrito 4420 (exercício 2013/2014), que reúne 76 clubes espalhados pela região sul
da cidade de São Paulo, municípios do ABC e parte do litoral paulista. Como é tradição da entidade, assim que um rotariano assume a presidência, a nova diretoria
deve desenvolver um projeto para a comunidade do seu distrito. A posse seria em
Todos os personagens e cenários
devem ser desenhados pelos
animadores. Esse processo é
bastante similar ao das histórias
em quadrinhos.
Divulgação MSP
Depois disso, os quadros com os
diálogos são ordenados na sequência da
animação. Daí são gravados e editados.
26
27
meio da conduta exemplar de cada um na vida pública e privada. “Dessa forma,
estabeleceu-se uma bem-sucedida parceria entre o Rotary e a SBD-RESP, que envolveu os clubes do Rotary de Santos, Guarujá, São Vicente e Praia Grande.”
Opinião semelhante é defendida por José Joaquim do Amaral Ferreira. De
acordo com o governador do Distrito 4420, exercício 2013/14, a campanha encaixa-se perfeitamente com o lema da entidade: “Dar de si antes de pensar em si”.
“Além disso, todos os clubes da cidade de Santos fizeram esforço conjunto para
Assinatura do Termo de Cooperação entre a SBD-RESP e
Rotary Distrito 4420
destinar fundos para o material da campanha.” O sucesso foi tão grande que se
tornou distrital, ou seja, com a possibilidade de participação dos 76 clubes. Para o
rotariano do Santos Oeste Marcos Anselmo Ferreira Franco, o projeto extrapolou
o Distrito 4420. “Outros clubes se interessaram em divulgá-la. São mais de 2400
julho de 2013, então, ele teria um tempo para pensar, mas não foi preciso esperar
muito. O dermatologista contou com uma ajudinha do destino.
Quando recebeu o gibi “A Pele e o Sol”, que marcou o lançamento oficial
da campanha “Sol, Amigo da Infância” durante a 17ª Radesp, o Dr. Francisco viu
o projeto que tanto queria se materializar na sua mão. Ele entrou em contato
com a SBD-RESP, colocando o Distrito 4420 à disposição da campanha. E desde
em todo o Brasil”, conta.
Muitos dos envolvidos encaram o projeto como algo permanente da enti-
dade. De acordo com o governador assistente (exercício 2013/14), Marcelo Vallejo
Marsaioli, o próximo passo é torná-lo parte do dia a dia dos rotarianos. “Queremos que as próximas gestões abracem a ideia, pois a característica preventiva
exige que a campanha nunca seja abandonada pelas futuras administrações”, diz.
então tornou-se um dos principais articuladores da iniciativa. “O Rotary Club é
formado por líderes de diversas áreas. Além disso, são mais de 58 mil rotarianos
no Brasil, o que explica a enorme capilaridade da entidade”, explica.
O principal papel do Rotary, junto com membros da diretoria da SBD-
RESP, foi detalhar o projeto aos representantes das administrações municipais,
como prefeitos, secretários municipais de educação e equipes técnicas, permitindo que compreendessem seu alcance e objetivo. “A credibilidade do Rotary
favoreceu em muito no envolvimento com os interlocutores do setor público,
dando maior alcance à iniciativa”, revela o dermatologista. Os clubes também
participaram da divulgação da campanha em colégios particulares.
O Dr. Francisco não esteve sozinho na empreitada. A adesão à campanha
“Sol, Amigo da Infância” foi unânime entre seus companheiros rotarianos. O vice-presidente da gestão 2013/2014, Augusto Galdino Ferreira, também foi um dos entusiastas do projeto. Segundo ele, o Rotary defende a melhoria da comunidade por
28
Caminhada Rotary Sol, Amigo da Infância
29
O governador assistente (gestão 2013/14), Rogério de Souza Guzenski, também
compartilha dessa opinião: “Temos como objetivo dar continuidade a esse trabalho, tornando-o permanente em todas as cidades que já o aplicaram, assim como
envolver o maior número de cidades e escolas particulares possível, uma vez que
o tema é sempre oportuno”.
Se depender da gestão 2014/2015, a campanha terá vida longa no Rotary.
O novo presidente do Distrito 4420, Marco Antônio Fernandes Ribeiro, está
bastante familiarizado com ela. “Não tem por que parar um trabalho tão bem
articulado. Além do apelo emocional, pois o projeto começou no meu clube”.
O novo presidente e o atual ex-presidente são antigos conhecidos. Ambos frequentam o Santos Oeste, o primeiro clube que não poupou esforços para ampliar
Equipe Rotary Distrito 4420
a atuação da campanha “Sol, Amigo da Infância”. Mais um sinal de que a sorte está
do nosso lado.
Dr. Francisco e Ana Cristina Ferreira
Funadersp
Órgão de fomento à pesquisa científica dermatológica, o Fundo de Apoio à Dermatologia do Estado de SP (Funadersp) é um parceiro de primeira hora da campanha “Sol, Amigo da Infância”. “É inegável a importância social da campanha,
porém, o Funadersp tem uma proposta mais científica”, comenta o Dr. Mauro
Enokihara, presidente da entidade.
A diretoria do órgão enxergou a oportunidade de utilizar dados coletados na
campanha para que, num futuro próximo, tais informações sejam reunidas em
um trabalho científico de pesquisa. “Um dos compromissos de quem recebe o
apoio financeiro é converter esse apoio em uma publicação científica. A princípio, o Dr. Paulo Criado será o principal autor deste artigo, que deverá contribuir
com uma série de informações epidemiológicas para outras campanhas”, explica.
Esse trabalho de coleta de dados já começou. Uma amostra significativa de
alunos do Serviço Social da Indústria (Sesi) respondeu um questionário, bem
30
31
Trabalhos dos alunos de Santos e São Vicente
como seus pais e professores. O objetivo é verificar o conhecimento prévio e o adquirido em fotoproteção após a implantação da campanha (leia mais na página 57).
Além disso, a entidade também esteve envolvida com a questão social da
campanha. O Funadersp apoiou a premiação dos melhores trabalhos escolares
desenvolvidos pelos alunos das redes públicas de Santos e São Vicente e 14 escolas
particulares de Itatiba durante a 18ª Radesp. “A ideia era prestigiar o empenho e
não estimular a competição entre as crianças. Por isso, foi decidido de comum
acordo com o pessoal das escolas, SBD-RESP e Funadersp, que o prêmio seria um
tablet, uma ferramenta útil nos dias de hoje que serve como incentivo pedagógico aos alunos”, afirma Dr. Enokihara.
O presidente do órgão salienta o pioneirismo da iniciativa. “O Dr. Paulo Criado teve visão. O que está acontecendo em São Paulo e se espalhou por outros municípios é inédito no país”, comenta o médico, que espera ansiosamente pelos
Melhores frases
frutos a longo prazo da campanha.
Grupo Brasileiro de Melanoma - GBM
O Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) foi outra entidade de classe que não
titubeou em apoiar a campanha “Sol, Amigo da Infância”. Como o foco da instituição é a prevenção do melanoma e um dos seus objetivos é “colaborar nas
campanhas de prevenção, elucidação diagnóstica e orientação terapêutica à população”, pode-se dizer que houve um casamento de interesses com a parceria
entre as entidades.
O melanoma é a forma mais agressiva de câncer de pele. Se diagnosticado
no início e a lesão for retirada logo, o paciente tem 95% de chances de cura. Mas
a expectativa da campanha é justamente prevenir a ocorrência da doença, com
medidas profiláticas em decorrência da educação em fotoproteção. No entanto,
tanto o GBM quanto a SBD-RESP têm consciência de que esses resultados serão
alcançados a longo prazo, como aconteceu com o projeto australiano SunSmart.
“A proposta de trabalhar o conhecimento e a educação, em termos de proteção do sol na infância já pensando no adulto, foi muito bem ‘articulada’ e desenvolvida pela SBD-RESP. A abordagem não é neurótica, fala que o sol é bom na
32
Melhores desenhos
33
vida da gente. O gibi alerta que devemos só mudar um pouco de comportamento”,
afirma Dra. Bianca Costa Soares de Sá, presidente do GBM gestão 2013.
O aporte financeiro concedido pela diretoria do GBM foi investido na impressão dos gibis e, segundo Bianca, o dinheiro não poderia ter sido mais bem empregado. “O gibi da Turma da Mônica é tipicamente brasileiro. As crianças veem a
realidade delas impressa nas páginas. Além disso, a revistinha também conquista
os pais, que cresceram lendo as histórias da Mônica e sua turma”, conclui.
SBD Nacional
A Sociedade Brasileira de Dermatologia, reconhecendo a importância da
campanha “Sol, Amigo da Infância”, realizou parceria com a SBD Regional São
Dra. Denise Steiner – Presidente da
SBD Nacional biênio 2013-2104
Paulo e ajudou a propagar o programa para todo o país. Assim aconteceu a reimpressão de 500 mil exemplares do gibi e a produção do DVD Turma da Mônica
“A Pele e o Sol”. Além disso, foram realizadas ações com as regionais no Espírito
Santo, Goiás, Pará, Paraná e Ceará, bem como projetos em parceria com o Sesi,
Colégio Imperatriz Leopoldina (SP) e Projeto Zico 10 (RJ). “Parabenizamos a iniciativa e realçamos a importância da educação em relação à proteção solar desde
a infância. Esta medida produz resultados a longo prazo e aproxima a Sociedade
Brasileira de Dermatologia da população”, diz Denise Steiner, presidente SBD Na-
Foto: Prefeitura de São Vicente
cional biênio 2013-2014.
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Polinizadores
Nos primórdios da campanha “Sol, Amigo da
Infância”, a jornalista Silvia Lourenço exercia o
cargo de assessora de comunicação da SBD-
A campanha “Sol, Amigo da Infância”, para tornar-se efetiva e duradoura,
A agência ampliou o conceito da campanha para “Pele protegida para toda
RESP. Por motivos pessoais, ela mudou de país,
precisa ser reconhecida como um bem público, não podendo ficar restrita à co-
vida”, com o objetivo de envolver os pais nessa conscientização. A Tino também
mas conta neste depoimento seu envolvimento
munidade médica, tampouco às prefeituras que assinaram o acordo de coopera-
é responsável pelo desenvolvimento e manutenção de todos os canais digitais da
com o programa.
ção. Por isso, a SBD-RESP procurou também parceiros com o intuito de divulgar
campanha, como o site e fanpage no Facebook “Sol, Amigo da Infância”. No site,
o trabalho desenvolvido ao longo desses dois anos. Essas empresas têm ajudado
há uma área específica para educadores. Lá, eles podem se cadastrar e receber o
a amplificar as ações, como os polinizadores, os insetos que espalham o pólen
conteúdo sempre atualizado do site por e-mail. A agência trouxe o Aché para ser um
Fui assessora de comunicação da SBD-RESP
produzido pelas flores.
parceiro da campanha. Graças ao apoio do laboratório o site foi viabilizado.
durante os primeiros meses da campanha.
A Tino também está por trás da estratégia e coordenação de divulgação com
Sem dúvida o “Sol, Amigo da Infância” foi um
Tino Comunicação
a imprensa e o relacionamento com os diversos stakeholders. O próximo passo
dos projetos mais especiais em que me envolvi
Em 2014, a Tino Comunicação aliou sua experiência de agência de comunicação
deles é desenvolver uma pesquisa online de representatividade nacional com
ao longo dos meus 15 anos de jornalismo. Me
especializada em saúde e qualidade de vida para chamar a atenção da sociedade
um instituto para avaliar qual o conhecimento sobre exposição solar de pais e
honrou muito ter participado dele nesse início.
em geral para a importância do tema. “Nosso papel na campanha é contribuir
professores. Eles pretendem divulgar os resultados dessa pesquisa em veículos
Acompanhei todo o sacrifício do Dr. Paulo Criado
para torná-la visível tanto para a imprensa como público em geral e, assim, anga-
da imprensa de alcance nacional. Além disso, estão em busca de parcerias com
e da diretoria da entidade em busca de parcerias
riar engajamento à causa. Além disso, a Tino incorporou toda sua expertise no de-
artistas para a aumentar a visibilidade da campanha. O grupo de forró Fala Mansa
para alavancar a campanha. Eles muitas vezes
senvolvimento de campanhas de saúde para aliar um pensamento estratégico e
vestiu a camisa da campanha e gravou um vídeo alertando para a importância da
deixavam seus consultórios para passar horas em
comercial ao projeto, permitindo a atração de patrocinadores e apoiadores como
proteção solar.
reuniões e mais reuniões, batendo de porta em
“A campanha ‘Sol, Amigo da Infância’ é uma iniciativa extremamente rele-
artistas, instituições e empresas”, afirma Regiane Monteiro, diretora da Tino Comunicação.
Atriz Ana Karolina Lannes
Grupo Falamansa
porta, num trabalho de formiguinhas. Quando
vante para colaborar para uma real mudança de atitude entre os brasileiros, já
me mudei para Londres no começo de 2014,
que seu princípio envolve a educação das crianças e adolescentes e envolve pais
estávamos em uma fase importante do trabalho
e educadores nesse processo. Evidente que para essa mudança acontecer é neces-
e me senti muito triste por ter que deixá-lo. O
sário um trabalho e investimentos contínuos, além do envolvimento maior de
Dr. Paulo me escreveu outro dia dizendo que a
todo o país e outros atores sociais como imprensa, empresas, governo”, conclui
vocação de um médico é mudar para melhor
Cristiano Calamonaci, diretor da Tino Comunicação.
a vida humana, independente de classe social,
credo, etnia ou gênero. Tive um enorme prazer
em conhecer um pouquinho dos seres humanos
por trás dos jalecos brancos e da campanha “Sol,
Amigo da Infância”. Tê-los representado não só
me orgulha, como dignifica e honra o jornalismo
Foto: Divulgação
em que acredito e que sempre pratiquei.
36
Silvia Lourenço
Jornalista
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Foto: Prefeitura Praia Grande
Aché
O Aché é uma das empresas apoiadoras da SBD e recebeu o convite da SBD-RESP
para participar desta nobre campanha, cujo foco educacional relacionado à importância da fotoproteção infantil tem grande sinergia com nossos valores e iniciativas de responsabilidade social.
“Sol, Amigo da Infância” é uma campanha social extremamente importante num país como o nosso, onde o sol brilha praticamente o ano todo em algumas regiões. Conscientizar a população sobre a importância da prevenção ao sol
desde a infância, sobre os riscos da exposição excessiva do sol à pele, e também
sobre seus futuros efeitos cumulativos, é cuidar do nosso futuro. E são medidas
muito simples que podem ser adotadas no dia a dia, além do uso do fotoprotetor,
que podem ser facilmente implementadas, se forem de conhecimento geral amplo pela população.
Temos a marca de fotoprotetores “Ensolei” que visa atender as necessidades
de proteção diária, facial e corporal, com elevados índices de fotoproteção UVA/
UVB e cosmética agradável. Vimos então a oportunidade de associar nossa marca
a esta importante campanha da SBD-RESP num tema de extrema relevância para
nossa sociedade, que é cuidar da saúde e da pele dos nossos pequenos brasileiros.
Monica Branco
Diretora da Unidade Dermocosméticos Achè
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Peça teatral “A Pele e o Sol”
Em setembro, a produtora Nascedouro Gestão
Cultural submeteu ao Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, a inscrição do
projeto, que prevê a realização do espetáculo
teatral infantil “Turma da Mônica em A Pele e
o Sol”, com a circulação de 24 apresentações
gratuitas direcionadas a alunos de escolas
públicas e instituições sociais dos municípios
de São Paulo, Santos e Praia Grande. Em parceria com a Mauricio de Sousa Produções, a peça será uma adaptação do gibi e do
DVD homônimos, sob direção de Mauro Sousa. As apresentações estão previstas para começar em 2015. “A princípio buscamos o apoio
da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, mas
como a campanha tornou-se permanente,
num segundo momento estaremos de olho
em editais da Secretaria Estadual de Cultura”,
comenta Milena Marques, sócia da produtora
Nascedouro Gestão Cultural, responsável pela
produção executiva do projeto. A captação de
recursos ficará a cargo da Tino Comunicação.
Projeto inscrito na Lei Rouanet – Ministério da Cultura | PRONAC 1410350
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Praianas
A campanha “Sol, Amigo da Infância” iniciou suas atividades em duas cidades litorâneas: São Vicente e Santos. A apresentação da campanha às prefeituras
dos municípios vizinhos foi similar: os rotarianos, liderados pelo Dr. Francisco
Ferreira, entraram em contato com o Gabinete do Prefeito, Câmara Municipal e
Secretaria de Educação. A partir daí os esforços dividiram-se em duas ações complementares. A ação educativa tinha por objetivo apresentar aos profissionais
à frente da Secretaria de Educação a importância do tema. A sugestão era, em
parceria com a SBD-RESP, formular um plano de formação dos professores em
fotoproteção. A ação legislativa consistia em sensibilizar os vereadores sobre o
germinação
Após 15 anos na incubadora, a campanha da SBD, implantada pela Regional do
Estado de São Paulo, ganhou as ruas, tornando-se um fenômeno. Em dois anos, 170
mil foram crianças impactadas, 8 cidades transformaram-se em municípios “Amigos
da Infância”, e os números não param por aí. Como um programa de longo prazo, os
resultados serão sentidos no decorrer dos anos. As crianças são os multiplicadores da
campanha, isto é, os principais agentes de mudança em relação à fotoproteção
tema. A campanha de conscientização nas escolas só seria efetiva e permanente
se fosse pensada como política pública. Desse modo, a meta era transformar os
fundamentos do projeto “Sol, Amigo da Infância” em lei municipal.
A proposta foi bem recebida pelas duas Secretarias de Educação. “A cidade
tem essa vocação praiana e tem o apelo do sol. Não teria como dizer não a um assunto delicado como esse”, diz Cristina Barletta, que em 2013 exerceu o cargo de
Secretaria Adjunta da Seduc de Santos. “Desde o começo, a campanha tinha um
objetivo claro: embora destinada às crianças, também queria alcançar o público
adulto. Portanto, era indiscutível sua utilidade pública”, afirmou Creuza da Silva
Calçada, Secretária de Educação de São Vicente. Tendo sua pertinência considerada unânime, a equipe das duas secretarias reuniram-se para desenvolver um
trabalho em conjunto.
Após alguns encontros, decidiram que um curso de Educação a Distância seria a ferramenta adequada para formar os professores das redes municipais de
Esta é uma parceria importante, com a Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional São
Paulo, para conscientizar os alunos da rede
municipal de ensino, seus pais e amigos, sobre
os riscos da exposição excessiva ao sol. Passar
informações técnicas de forma lúdica é o melhor dos modelos para que esses ensinamentos
sejam levados para toda a vida. A exposição ao
sol deve ser feita de forma moderada, nos horários apropriados, para não prejudicar a pele e
comprometer a saúde.
Paulo Alexandre Barbosa
Prefeito de Santos
ensino. Sendo assim, a campanha iria mobilizar cerca de 35 mil crianças. Em São
Vicente, são cerca de 20 mil alunos do 1º ao 5º ano, distribuídos nas 60 escolas
municipais e os 24 CECOF (Centro de Convivência e Formação). Em Santos, são
cerca de 15 mil alunos do 1º ao 5º ano, matriculados em 15 escolas municipais,
sendo que 5 delas são em período integral.
Como incentivo, a SBD-RESP sugeriu uma premiação na 18ª Radesp (Reunião
Anual dos Dermatologistas do Estado de São Paulo), no final do ano, em que os
melhores trabalhos desenvolvidos seriam contemplados.
41
Em paralelo às aulas e atividades educacionais, desenvolvidas durante a
campanha, foi realizada uma avaliação com o objetivo de quantificar o ganho
de conhecimento desses alunos após o treinamento. Para isso foram elaborados
questionários para serem aplicados antes e após as atividades. “Ao final, estes
dados servirão para o aperfeiçoamento do projeto e nos trarão informações sobre
o impacto destas atividades educacionais na vida destes alunos, assim como a
mudança de comportamento gerada a partir desta iniciativa”, explica Cristiana
Silveira, dermatologista e professora da Faculdade de Medicina da FTC – Salvador, que ajudou a formular os questionários de acordo com os códigos de ética
das entidades médicas. A meta é que os dados coletados sirvam de base para um
estudo científico.
A campanha “Sol, amigo da Infância” é de
grande importância para a cidade de São Vicente e de grande utilidade pública. Somos
uma cidade litorânea e um dos passatempos
preferidos de nossa população é a praia. Na
hora de tomar sol, muitos lembram de usar
o protetor solar, mas em outros momentos,
como por exemplo ao brincar na rua, trabalhar ou ir às compras, acabam esquecendo
o quanto o sol pode ser prejudicial à saúde.
Nas visitas às escolas, foi uma euforia geral,
as crianças estavam empolgadas e curiosas
para receber e abrir suas revistas. Inclusive,
ganhei um gibi e o DVD, levei para casa para
assistir com as crianças. Juntos, descobrimos várias informações importantes para a
proteção da pele como andar ou brincar na
sombra, procurar sair nos horários próprios,
entre outras medidas. Essas atitudes simples
podem ajudar a reduzir os casos de câncer
de pele na cidade, o que é um grande ganho
na área da saúde do nosso município.
CECOF
O Centro de Convivência e Formação (CECOF) é um programa de jornada escolar
ampliada da Secretaria de Educação de São Vicente. Atende alunos do 1º ao 9º ano
da rede municipal de ensino no contraturno escolar, isto é, o período em que eles
não estão na escola.
Os CECOFs atendem cerca de 4000 alunos matriculados nas 24 unidades distribuídas pelo município, sendo duas delas destinadas a alunos portadores de necessidades especiais, como autismo, Síndrome de Down, crianças com paralisia
cerebral, entre outras.
Os alunos participam das aulas nas oficinas de reforço escolar e educação
física, ministradas por professores de educação básica I e II, respectivamente.
Também podem escolher fazer as oficinas de informática, música, teatro, dança,
capoeira, artesanato, esportes, ministradas por monitores culturais. No CECOF,
os alunos puderam aprofundar o contato com a campanha. “As atividades lúdicas
propostas pelo CECOF têm como objetivo que eles construam o conhecimento
sem competição”, comenta o coordenador do CECOF, Ricardo Ribeiro. Portanto,
Luiz Claudio Bili
Prefeito de São Vicente
todas as atividades desenvolvidas no CECOF foram uma extensão das práticas
que tiveram em sala de aula. O resultado disso pôde ser conferido na 18ª Radesp,
que ocorreu em dezembro de 2013, em Santos. Os destaques ficaram para o co-
A gente aprendeu muita coisa com a campanha do sol. Fiz uma pesquisa sobre como
as pessoas devem ficar expostas ao sol e
depois tive que montar uma maquete em
grupo. Compramos bonecos, guarda-sol,
tudo em miniatura. Dividimos a maquete em
duas partes. De um lado, as pessoas que sabiam como se proteger do sol. De outro, as
que não sabiam. Hoje, quando minha família
vai à praia, ela se lembra do que estava na
maquete. Então, a gente usa boné, passa
protetor solar e leva guarda-sol.
ral baseado no tema da campanha com os alunos especiais, a paródia da música
“Simca Chambord”, da banda Camisa de Vênus, e o flashmob, em que os alunos
dançaram em meio ao público.
“Os CECOFs estão localizados em comunidades carentes. E é fundamental
42
Letícia Vitória
11 anos, aluna do 5º ano (4ª série) da rede pública de Santos
ajudar a promover a mudança de comportamento dessas crianças, que ficam
muito tempo brincando na rua, jogando bola, empinando pipa. Acredito que a
campanha já está fazendo a diferença na vida dessas crianças por causa de uma
cena que vi outro dia. Estava no carro e reconheci alguns alunos do CECOF empinando pipa. Reparei que eles estavam usando um boné e tinham coberto a nuca e
as orelhas com uma camiseta. Improvisaram com o que tinham, portanto houve
construção do conhecimento”, comenta o orgulhoso Ricardo.
Isabella Lira, 11 anos
Aluna do 5º ano (4ª série) da rede pública
de Santos
A campanha do sol foi muito legal de trabalhar. Eu e a Juliana Fidalgo montamos um
cartaz com um desenho do Sol e um dermatologista. Nele estava escrito a frase: “O Sol é
detalhista. Não seja economista, não precisarás de um dermatologista”. A frase ganhou o
2º lugar na premiação do final do ano.
Ela gostou de ter feito o trabalho, porque o
tempo todo esteve animada, contando tudo
para os amigos e as primas. Como nós somos
muito brancos, a gente sempre procura usar
protetor. Agora a Letícia ensinou que temos
que usar chapéu também e estamos usando.
Raimundo
pai da Letícia
43
Os professores teriam segurança para abordar o tema e montariam o plano de aula de acordo com os conhecimentos
adquiridos no curso. Assim, cada conversa que o professor teria em sala de aula incluiria algo relacionado ao tema
do “Sol, Amigo da Infância”. No começo, a campanha foi imposta, mas depois os professores abraçaram o projeto.
Muitos deles contavam aos colegas de outros períodos, e estes pediam os gibis para falar com suas turmas.
Nos bastidores dessa movimentação, houve a
participação de uma figura muito importante.
Ana Cristina Marques Ferreira, que trabalha no
departamento de eventos da Prefeitura Municipal
de São Vicente, foi responsável pela articulação do Rotary Clube e Secretarias de Educação. Como ela soube da campanha? Pelo seu marido,
o Dr. Francisco Ferreira.
Após o trabalho em sala de aula ser concluído, as crianças teriam de apresentar os trabalhos realizados para
a escola e comunidade. Participei com nosso prefeito, o Sr. Luis Claudio Bili, de muitas visitas às escolas de São Vicente. Nesses eventos, as crianças mostravam as atividades pedagógicas, e o prefeito, os associados da SBD-RESP e
os rotarianos distribuíam os gibis e realizavam a exibição do desenho animado da Turma da Mônica. Essas visitas
eram uma grande festa. As crianças ficavam felizes quando ganhavam os gibis e tinham curiosidade em abrir e ver
o que estava nas páginas. Elas ficavam com muita expectativa em assistir ao DVD. Pude constatar nessas visitas
que, para a criança, o auge da campanha é o gibi. A história em quadrinhos dá o arremate de tudo o que a criança
aprende. É desse modo que esperamos colher os frutos da pequena sementinha que plantamos com o projeto “Sol,
Amigo da Infância”.
Ana Cristina Marques Ferreira
“Em dezembro de 2012, meu marido, o Dr. Francisco Ferreira, me contou sobre a iniciativa da SBD-RESP, que havia
Pedagoga e Coordenadora de Eventos
da Prefeitura de São Vicente
lançado a campanha na 17ª Radesp. Questionei por que a gente não trabalhava diretamente com as crianças, em
vez de só distribuir os gibis. Como sou pedagoga, sei que a criança só incorpora algum ensinamento no seu dia a dia,
quando ela realmente aprende. E como isso acontece? Quando vivencia uma experiência relacionada a esse ensinamento. À época, já atuava no Departamento de Eventos da Prefeitura de São Vicente, e sugeri para trabalharmos
com as crianças da rede municipal de ensino.
Por ser uma funcionária da rede, foi mais fácil para a Secretaria de Educação receber a ideia. Moramos em
uma cidade litorânea e a iniciativa é mais do que oportuna. Sendo assim, a resposta da equipe da Seduc foi positiva
quando o projeto foi apresentado. O próximo passo seria conquistar os professores. Por quê? Porque senão a ideia
não vingaria. Quando me refiro a engajar os professores, não estou dizendo que eles têm má vontade, pelo contrário,
a mobilização deles é genuína... A questão é que eles convivem diretamente com essas crianças. E a maioria delas
não tem uma vida fácil. É estranho falar em uso de filtro solar para uma criança que vem à escola preocupada unicamente com o horário da merenda. Sendo assim, o pessoal da Seduc já estava a par das possíveis resistências por
parte do corpo docente.
Desse modo, levamos nossos poréns para a SBD-RESP e juntos pensamos que o melhor caminho seria um curso
a distância aos professores da rede municipal, cujo público-alvo seriam os docentes do 1º ao 5º ano do Ensino Fun-
A campanha do sol foi muito interessante,
porque aprendemos várias coisas que não
sabíamos. Uma delas é sobre quais os melhores horários que a pessoa deve ficar longe
do sol. Ninguém nunca tinha pensado nisso
que tem horário bom e ruim. Por isso, hoje
procuramos ficar na sombra no horário ruim.
Na escola, fizemos algumas atividades do
sol. Gostei mais das que envolveram música e dança. Inclusive, nos apresentamos no
final do ano.
Amanda A. de Siqueira Lemos, 11 anos
Aluna do 6º ano (antiga 5ª série) da rede
municipal de São Vicente
damental. Os núcleos de Ensino a Distância, tanto de São Vicente como Santos, elaborariam o curso de 7 semanas.
44
45
Curso EAD
do curso, a avaliação era realizada por meio da troca de experiências no fórum
Como os professores assumem diferentes dinâmicas de trabalho, o curso de Edu-
de discussão. O trabalho final consistia em um projeto didático, apresentando as
cação a Distância foi escolhido como modalidade mais eficiente para capacitar os
práticas pedagógicas que usaram na sala de aula com os alunos. Só foram aprova-
professores da rede pública de ensino de São Vicente e Santos. O principal atributo
dos os professores que fizeram o registro desse portifólio pedagógico.
do EAD é seu caráter flexível, uma vez que os alunos podem fazer as aulas de acor-
Tudo foi avaliado pelo tutor de cada turma. Em São Vicente, por exemplo,
do com sua disponibilidade. Eles não estão presos a horários rígidos preestabele-
cada turma com 30 alunos tinha o professor-tutor, que apresentava semanal-
cidos e tampouco a um lugar específico. A única exigência é que cumpram pelo
mente uma questão problematizadora com o intuito de avaliar o grau de conhe-
menos 75% das aulas ministradas no curso e entreguem as atividades propostas.
cimento dos alunos. “A questão problematizadora foi pensada para que o profes-
As Secretarias de Educação dos dois municípios comprometeram-se a elaborar o curso em uma atuação conjunta, porém, o material de base foi oferecido pela
SBD-RESP. Cabia aos educadores transformar a linguagem científica e médica em
material didático para capacitação dos professores do Ensino Fundamental I.
Para isso, os coordenadores de ensino de São Vicente e Santos foram à sede da
SBD-RESP, em São Paulo, para dois workshops para familiarizar-se com o tema.
Dermatologistas associados da entidade deram as palestras sobre fotoproteção.
Inicialmente nossa principal dificuldade na abordagem do tema foi a ques-
sor desenvolva o conteúdo com uma abordagem adequada perante o tema, não
A campanha do sol foi muito legal. Descobrimos que muitas pessoas não tinham
consciência do que o sol podia causar. Então
montamos um panfleto e distribuímos no
bairro. O que aprendi na escola, falei em casa.
Tenho dois irmãos, um mais velho e outro
mais novo. Contei que o sol não é somente
bom, mas que também pode nos prejudicar,
se a gente não tiver cuidado com ele.
deixando de lado o conteúdo científico nem a didática necessária para com os
alunos”, explica Paulo Veloso, coordenador do núcleo de tecnologia educacional
de São Vicente.
“Com isso, pensamos em sensibilizar os professores, porque o maior objetivo da campanha é a mudança de hábito. Perguntamos, por exemplo, como
eram os hábitos deles em relação ao sol e o que eles pretendiam mudar, já que
estavam tendo essas novas informações. Pedimos que começassem a mandar
os registros da aplicação das atividades da semana anterior”, conta Lisa Palone,
tão social”, afirma Vandilma Galindo, Coordenadora de Ensino Fundamental em
São Vicente. “O uso do protetor solar foi questionado pelos professores devido
aos aspectos socioeconômicos dos alunos, no entanto, estes questionamentos ao
longo do curso foram sendo desconstruídos ao perceberem que o principal obje-
Vitória Linda da Silva Oliveira, 11 anos
Aluna do 6º ano (antiga 5ª série) da rede
municipal de São Vicente
tivo do curso era conscientizar as crianças quanto a exposição solar com segudo câncer de pele em sala de aula. “Eram perguntas feitas por nós mesmos, mas
quem achou a solução foi o próprio professor, que foi pesquisar receitas de protetor solar caseiro ou quais eram os alimentos que ajudam a amenizar os efeitos
do sol na pele”, afirma Simone Ike, Coordenadora Pedagógica da EaD Parcerias.
O curso de EAD tem 45 horas de duração, com certificado emitido pela SBDRESP. Ele foi dividido em três eixos temáticos: “Evidências científicas: Radiação
Ultravioleta (UV) causa câncer de pele”; “Evitando a queimadura solar” e “Cuidados visando a prevenção”.
Ao longo das 7 semanas de aulas, os alunos tinham leituras, vídeos e material de apoio para aprofundar o conhecimento sobre o tema. Na primeira edição
46
Além de aprender detalhes que não sabia,
como a regra da sombra, o que mais me impressionou neste projeto foi a participação
da Vitória, que se envolveu muito desde o
começo. A Vitória é uma criança muito tímida. Para montar o panfleto, ela teve que
entrevistar pessoas, trabalhar em grupo.
Foi uma experiência que saiu dos muros
da escola e aposto que ela vai levar para o
resto da vida.
Andréa, Mãe da Vitória
Caíque Ribeiro de Carvalho, 11 anos
Aluno do 4º ano (antiga 3ª série) da rede
municipal de São Vicente
Foto: Prefeitura de São Vicente
rança e em horários adequados”. Outro problema era em como abordar a questão
É muito importante conhecer mais informações sobre saúde, por isso adorei a campanha do “Sol, Amigo da Infância”. Moro num
abrigo com mais 16 crianças e contei para
eles o que tinha aprendido na escola, muitos
não estão na mesma série que eu. Afinal, vai
que eles são adotados e ficam tomando sol
na nova casa? Não pode. Falei para eles que
tem a hora certa para tomar sol e, mesmo
assim, tem que passar protetor. Na aula de
informática, a professora perguntou quem
iria ajudá-la a montar um blog com os trabalhos sobre a campanha feitos na minha
escola, a EMEF Prefeito Luiz Beneditino Ferreira. A princípio, muita gente queria, mas,
no final, fui o único a fazer mesmo. Foi aí
que surgiu o blog “Bene e o Sol Amigo”
w w w. b e n e s o l a m i g o .w o r d p r e s s . c o m
Não pensei que poderia ficar em 1º lugar e
ganhar aquela premiação, mas ganhei. Com
o blog descobri que quero ser jornalista, que
é uma profissão que trabalha com a informação e ajuda a esclarecer as pessoas sobre
diferentes assuntos.
47
EAD em números
professora do Núcleo de Educação a Distância (NuED) de Santos e professora
do Ensino Fundamental I de São Vicente. “Surgiram atividades muito criativas.
Os professores interagiram entre eles, fazendo sugestões, trocando fotos das atividades que aconteceram nas escolas. Alguns espontaneamente entregaram material audiovisual que não havia sido pedido”, comenta Paulo.
Em Santos, de acordo com a avaliação realizada pelos alunos que concluíram
o curso de EAD, 97% deles elogiou a qualidade do material e achou o assunto
pertinente. “Isso é um sinal de que devemos continuar a oferecer o curso aos professores, não apenas aos da rede municipal, como aos da rede estadual e escolas
privadas”, afirma Fátima Alves dos Santos, coordenadora do Ensino Fundamental
I e II de Santos. “Os professores continuam desenvolvendo esse projeto nas escolas. Mesmo este ano não tendo mais a premiação, continuam a trabalhar este
conteúdo, o que demonstra houve um legado”, conclui Cristina Barletta.
Evolução
A 2ª edição do curso EAD de São Vicente foi reformulada. Foram incluídas algumas sugestões que haviam sido feitas pelos alunos da 1ª edição. No entanto, a
principal mudança é a substituição do projeto final pela sequência didática. Isto
é, o aluno tem que montar um plano pedagógico desde o começo do curso e ir alimentando sua pasta à medida que as aulas avançam. “Essa nova edição foi uma
evolução da anterior, visto que antes o aluno não tinha que entregar um projeto
único, mas sim atividades relacionadas ao tema”, relata Simone Eike, coordenadora pedagógica da EAD/Parcerias, e comenta que o curso tem chamado atenção
dos professores do Ensino Fundamental II, e, por essa razão, será aberto aos educadores desse período também.
A Secretaria de Educação de São Vicente tem um processo de classificação.
São Vicente
– 1ª edição do curso
De 19/08 a 11/10/2013
Público-alvo: professores do 1º ao 5º ano e do CECOF
147 professores inscritos
96 formandos
– 2ª edição
De 28/04 a 16/06/2014
Público-alvo: professores do 1º ao 5º ano e do CECOF
70 professores inscritos
25 formandos
– 3ª edição
De 18/08 a 06/10/2014
Público-alvo: professores do 1º ao 5º ano e do CECOF
36 professores inscritos
20 formandos
Santos
– 1ª edição
De 19/08 a 11/10/2013
Público-alvo: professores do 1º ao 5º ano
48 inscritos
– 2ª edição
De 26/02 a 30/04/2014
Público-alvo: aberto a todos os professores
59 inscritos (23 pertencem à rede
municipal de Santos)
30 aprovados (14 de Santos)
Informática
Os professores do Ensino Fundamental I são denominados polivalentes. Isto é,
ensinam todas as disciplinas: português, matemática, ciências, história, geografia, artes. Em São Vicente, os alunos da rede pública do EF I têm o professor
de sala, responsável pela educação interdisciplinar de uma turma específica,
e o professor de informática, que ensina conceitos do mundo digital às crianças.
O conteúdo das aulas de informática é adaptado ao que os alunos aprendem
em sala de aula. O mesmo aconteceu com a campanha “Sol, Amigo da Infância”.
Eles aprenderam conceitos de fotoproteção nessas aulas, em que utilizam recursos da lousa digital. O dispositivo eletrônico é uma ferramenta lúdica, ou seja,
considera o jogo como parte da construção do conhecimento. Cada escola muni-
Sendo assim, o certificado obtido nos cursos de EAD vale pontos no plano de
cipal de São Vicente tem uma lousa digital. Os trabalhos realizados nas aulas de
carreira dos professores da rede municipal. Esse é um motivo pelo qual a se-
informática formaram a mostra digital “Conexão Sol”.
cretaria preocupa-se sempre em investir na capacitação de seus professores e
“Até hoje as crianças falam disso. No meio do ano estávamos conversando
também explica a diferença do número de professores inscritos nos cursos de
e um aluno me perguntou quantas partes tem a pele. Eles próprios chegaram à
Santos e São Vicente.
resposta, porque lembraram do que tinham aprendido na sala de aula e reforçado
nas aulas de informática do ano passado”, relembra Lisa Palone.
48
49
ICLOC
Em 30 de maio de 2014, os educadores de Santos e São Vicente participaram do VI
Congresso “Práticas na sala de aula”, realizado pelo ICLOC (Instituto Cultural Lourenço Castanho), associação sem fins lucrativos que tem por objetivo contribuir
para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da educação brasileira, em São Paulo.
Ao todo, foram 8 trabalhos apresentados por professores das duas cidades.
O VI Congresso contou com a presença de mais de mil professores da rede
pública e privada, onde apresentaram melhores ideias e práticas com o sentido de
difundir o conhecimento pedagógico e educacional. “A mensagem da campanha
é muito interessante e deveria fazer parte do currículo como tema transversal
de todas as escolas brasileiras, a começar pelas cidades litorâneas. Sou exemplo
de que isso, o câncer, pode acontecer – e aconteceu. Tive com quase 40 anos. Na
minha juventude as pessoas não tinham consciência dos danos do sol. A minha
sorte é que fui ao médico porque fiquei desconfiada de uma pinta. Não deu outra.
Era melanoma e foi retirado numa cirurgia. Fiz prevenção e acompanhamento
e nunca mais tive nada”, relata Sylvia Figueiredo Gouvêa, presidente do ICLOC.
Como professora de informática, achei que
seria muito difícil apresentar o tema da campanha. A minha principal preocupação era
como falar do sol, já que é algo externo ao
laboratório. Mas meu medo era infundado,
como constatei mais tarde. A ideia que me
ocorreu foi simples: dentro do laboratório
desenvolvemos um projeto que pudesse
atingir a todos, assim como o sol. Assistimos
um vídeo mostrando os prejuízos e benefícios da radiação solar. Alguns alunos fizeram
entrevistas com os vizinhos para descobrir
qual era o grau de conhecimento que tinham
sobre o assunto. Constataram que a maioria
das pessoas não sabia de nada. A partir daí,
eles elaboraram um panfleto em conjunto, distribuíram na comunidade, bem como
compartilharam nas redes sociais. Também
foi criado um blog com as pesquisas relacionadas à campanha. O projeto, que tinha ares
de desafio, na verdade, foi abraçado pelos
alunos, e tornou-se um projeto de todos.
Cláudia Cristina dos Santos Bastos
Professora do Ensino Fundamental I da rede
municipal de São Vicente
Professoras de Santos e São Vicente
Sou professora da rede há 15 anos e tenho formação em psicopedagogia. Durante esse tempo, já trabalhei com muitas campanhas de conscientização, por exemplo, sobre drogas, ecologia, violência doméstica, etc. Mas nenhuma
outra campanha havia oferecido um curso de capacitação como fez “Sol, Amigo da Infância”. O material técnico
fornecido aos educadores era muito rico e isso te dá segurança para transformar esse conhecimento científico em
linguagem lúdica. Em 2013, fui professora do 4º ano [antiga 3ª série] da UME Maria Luiza Alonso Silva, em Santos.
Desenvolvi um projeto multidisciplinar de aplicação contínua concentrado em 4 semanas. Trabalhei com os alunos
várias atividades, por exemplo, para aprender as variações dos gêneros de texto, eles montaram uma peça teatral,
um comercial, desenharam uma charge e criaram uma história em quadrinhos. Com matemática, elaboraram gráficos e tiveram de resolver problemas relacionados ao fator solar. Em história e geografia, aprenderam informações
sobre nossa região litorânea e a história do sol. Em ciências aprenderam sobre o maior órgão humano, a pele. Em
arte, desenvolvemos uma paródia, dança, maquete e pintura em pedra, todos com referência ao tema da proteção
solar. Mas as atividades não ficaram presas à sala de aula, fizemos um panfleto, com as principais informações sobre cuidados em relação ao sol para ser distribuído durante a exposição que montamos sobre o tema. Os pais não só
visitaram a exposição, como se engajaram e emprestaram os acessórios necessários para nossa peça de teatro, como
roupas, óculos de sol, protetor solar. Desse modo, atingimos tanto as crianças como os pais. Fui convidada a falar
sobre os desdobramentos da campanha para outros professores da rede e também apresentei meu trabalho no VI
Congresso do ICLOC. Neste ano fui transferida para a UME Professor Antonio Demóstenes de Souza Britto e estou
dando aula para crianças do 2º ano [antiga 1ª série], que estão sendo alfabetizadas com os assuntos relacionados
à campanha.
Professores de Santos e São Vicente e profª Sylvia Gouvêa,
Presidente do Congresso ICLOC
50
Sheila Alves Soares
Professora do Ensino Fundamental I de Santos
51
Foto: Prefeitura de Santos
A campanha “Sol, Amigo da Infância”, inova na estratégia ao focalizar a criança como o grande ‘alvo’ a ser atingido. Ao fazer isso, as chances do conhecimento transmitido ser praticado e, principalmente, compartilhado é muito
Em 2013, no meu primeiro ano como educadora em São Vicente, fui professora de uma turma do 4º ano (antiga 3ª
grande. Uma demonstração disso é o resultado dos trabalhos apresentados pelos alunos, que muito nos surpreen-
série) da EMEIEF Mauro Aparecido de Godoy, que fica no Jardim Pompeba, uma comunidade carente. O maior de-
deram pela qualidade e inventividade. Nós que participamos ensinando, também aprendemos muito. Foi, tem sido
safio desta campanha foi falar em prevenção solar sem focar muito no uso do filtro solar, uma vez que a maioria das
e continuará sendo muito gratificante participar. Incitamos os médicos, seja de qual especialidade for, a promover
casas do bairro não tem água encanada. Desse modo, salientei outras medidas de prevenção, como o uso de roupas,
ações dessa natureza. Atuar em saúde, além das atividades normais de tratamento e prevenção, é desenvolver e
chapéu, boné, os horários do sol, entre outras práticas. Para reforçar isso, montei um jogo de tabuleiro com formato
transmitir informação de qualidade.
de sol. Quando o dado era jogado, ele podia cair em uma casa ou com uma dica ou um alerta sobre cuidados com
relação à exposição solar. Se fosse uma dica, o jogador podia avançar. Se fosse um alerta sobre uma conduta errada,
Dr. Octávio Moraes Junior
tinha que voltar algumas casas. Como os outros jogos, vencia quem chegasse primeiro ao final. Além do jogo de
Dermatologista associado da SBD-RESP
tabuleiro, também montamos na feira de ciências um espaço especial para falar sobre os cuidados com o sol. Nele,
estavam expostos guarda-sóis, roupas, bonés, óculos de sol, enfim, os acessórios que devemos usar para se proteger
Penso que, por estabelecermos o foco na educação para as boas práticas de exposição ao sol, damos um passo
corretamente dos raios solares. Elaboramos um panfleto e alguns alunos vestiram um avental que costurei de TNT
importante na mudança de comportamento das atuais e futuras gerações, neste quesito, atuando como agentes
com as dicas de proteção. Conseguimos com isso distribuir mil panfletos para a comunidade.
sociais, de saúde e educativos que somos, como médicos e cidadãos.
Michele de Oliveira Pimentel
Dr. Renato Sau Rios
Professora do Ensino Fundamental I da rede municipal de São Vicente
Dermatologista associado da SBD-RESP
52
Palestras
O dermatologista Francisco Ferreira defende que o médico torne-se um agente de
transformação social. Para isso, é necessário que este profissional da saúde se relacione diretamente com a população, fora do consultório médico. Sendo assim,
a campanha “Sol, Amigo da Infância” teve outros desdobramentos em Santos.
Dermatologistas voluntários deram palestras em escolas particulares e públicas,
que impactaram mais de 2000 crianças. “Temos uma estimativa de que o alcance
direto, numa palestra com 50 crianças, promoveria o indireto de 200 pessoas”,
comenta Octávio Moraes Júnior, dermatologista associado da SBD-RESP, responsável pelas palestras em escolas particulares de Santos.
A dinâmica basicamente seguia o mesmo protocolo: eles reapresentavam a
campanha, pois esta já havia sido trabalhada em sala de aula pelo professor, en-
Além de vereador, sou professor universitário
de Bioestatística na UniLus – Centro Universitário Lusíada – e, por isso, tenho contato com
médicos no meu dia a dia. As estatísticas sobre
câncer de pele são alarmantes. Sabe-se que
25% a 50% da exposição solar ocorre antes
dos 21 anos de idade. Não adianta falar que a
prevenção é importantíssima. Por isso, pensei
em elaborar esse projeto de lei com foco em
educação e saúde. Os professores teriam um
curso de capacitação e depois transmitiriam
aos alunos medidas educativas e informativas
em relação à proteção solar. O PL foi sancionado pelo prefeito e a lei está vigente desde 27
de maio de 2013. Com a nova lei, 15 mil alunos
do 1º ao 5º ano serão beneficiados.
José Lascane
Vereador e autor da lei 20469/13 em Santos
tregavam o gibi e depois respondiam as dúvidas de alunos e professores. “É importante o contato da criança com o médico. Mas este só será efetivo se o contato
for mediado anteriormente pelo professor. Ela precisa passar pelo conhecimento
geral, transmitido pelo professor, para depois ir para o conteúdo mais específico,
transmitido pelo especialista. Quando ela traz dúvidas de casa, é sinal de que a
sementinha já foi plantada”, comenta Roseli Andrade, dermatologista associada
da SBD-RESP.
Foram também ministradas palestras para alunos em visita à Câmara de Vereadores do município, oportunidade concedida pelo presidente da Câmara Municipal de Santos, o vereador Sadao Nakai. Nessas ocasiões, os dermatologistas
apresentavam slides da campanha e o DVD “A Pele e o Sol”, com os personagens da
Turma da Mônica. Os alunos depois preenchiam uma “lição de casa” com texto
Estufa
A função da estufa é proteger as plantas, mantendo as melhores condições possíveis para um perfeito desenvolvimento, além de reter o calor do sol. A
SBD-RESP também desenvolveu sua própria estufa: o universo de 40 mil alunos
do Serviço Social da Indústria do Estado de São Paulo (Sesi) espalhados por 55
municípios, ambiente ideal para disseminar esta boa mensagem.
Sesi
Em julho de 2013, a SBD-RESP firmou parceria com o Serviço Social da Indústria
do Estado de São Paulo (Sesi). Sendo assim, as 171 escolas da rede Sesi de ensino
iriam participar da campanha. Como a entidade possui 40 mil alunos espalhados
por 55 municípios do Estado de São Paulo, a SBD-RESP resolveu colher informações para utilizar numa coleta de dados sobre conhecimento em proteção solar.
Foram realizadas reuniões entre as equipes da área de Saúde e Inclusão Escolar
da Divisão de Educação e Cultura do Sesi-SP e da SBD-RESP para formular os questio-
Numa cidade como Santos, que tem quilômetros de praia e sol intenso no verão, conscientizar as crianças sobre os cuidados com
a pele é fundamental. Por isso adotamos a
iniciativa da SBD e desde 2013, quando há
visitas de escolas à Câmara, contamos com a
participação de um dermatologista, que conversa com os estudantes. Informar a população é um dever do Poder Legislativo, que
neste caso cumprimos com a parceria de
profissionais da Saúde. Campanhas de conscientização como essa serão sempre bem-
-vindas na Câmara de Santos.
nários. Ficou decidido que teriam três públicos-alvo: os alunos, pais e professores.
Dr. Francisco Ferreira, dermatologista parceiro, e Dra. Anne Brasil do Sesi
ou desenho sobre o tema da campanha. “Penso que, por estabelecermos o foco na
educação para as boas práticas de exposição ao sol, damos um passo importante na mudança de comportamento das atuais e futuras gerações neste quesito,
Sadao Nakai
Presidente da Câmara Municipal de Santos
atuando como agentes sociais, de saúde e educativos que somos, como médicos
e cidadãos”, Renato Sau Rios, dermatologista associado que ministrou palestras
na Câmara de Santos.
54
55
Sesi-SP educação
Desde o princípio ficou claro que não seria viável que todos os estudantes participassem, por isso, foi contratada uma estatística para ser responsável pela pesquisa.
Em outubro de 2013, foi realizado em Atibaia o curso de capacitação dos 280
47- Itu
48- Jaboticabal
49 Jacareí
50- Jardinópolis
51- Jaú
52- José Bonifácio
53- Jundiaí
54- Leme
55- Lençóis Paulista
56- Limeira
57- Lorena
58- Marília
59- Matão
60- Mauá
61- Mirandópolis
62- Mococa
Centros Educacionais da Rede de Ensino SESI-SP
35
111
14
37
96
6
17
7
61
39
78
18
Birigui
28
52
65
72
59
68
2
58
38
80
Bauru
70
1
10
1- Agudos
2- Alvares Machado
3- Alumínio
4- Americana
5- Amparo
6- Andradina
7- Araçatuba
8- Araraquara
9- Araras
10- Assis
11- Avaré
12- Bariri
13- Barra Bonita
14- Barretos
15- Batatais
16- Bauru
17- Bebedouro
18- Birigui
19- Bragança Paulista
20- Boituva
21- Botucatu
22- Brotas
23- Caçapava
24- Cajamar
8
25- Campinas
26- Campo Limpo Paulista
27- Carapicuíba
28- Catanduva
29- Cerquilho
30- Cotia
31- Cruzeiro
32- Cubatão
33- Descalvado
34- Diadema
35- Fernadópolis
36- Ferraz de Vasconcelos
37- Franca
38- Garça
39- Guararapes
40- Guarulhos
41- Hortolândia
42- Igaraçu do Tietê
43- Indaiatuba
44- Itapira
45- Itapetininga
46- Itapeva
47- Itatiba
86
43
77
94 33
22
95
75
83
13
9
64
44
56
55
11
85
31
66 4
5
19
102 41 25
108 47
109
97
53
84 43
29
26
20
105
40 76
48
24
49
87 67 36
101 3
102 63
27
93
110
98 30
34 60 81
90
99 92
91
32
74
21
69
104
Mocóca
54
51
71
82
88
12
16
50
62
Araraquara
79
89
48
100
15
63- Mogi das Cruzes
64- Mogi-Guaçu
65- Monte Alto
66- Nova Odessa
67- Osaco
68- Osvaldo Cruz
69- Ourinhos
70- Paraguaçu Paulista
71- Pederneiras
72- Penápolis
73- Pindamonhangaba
74- Piracicaba
75- Pirassununga
76- Poá
77- Porto Ferreira
78- Presidente Epitácio
79- Presidente Prudente
80- Regente Feijó
81- Ribeirão Pires
82- Ribeirão Preto
83- Rio Claro
84- Salto
85- Santa Bárbara D’Oeste
86- Santa Cruz do Rio Pardo
87- Santana de Parnaíba
Cruzeiro
57
107 73
23
106
de
Parnaíba
45
46
Itapeva
98- São Roque
99- São Paulo
100- Sertãozinho
101- Sorocaba
88- Santa Rita do Passa Quatro 102- Sumaré
89- Santo Anastácio
103- Suzano
90- Santo André
104- Tambaú
91- Santos
105- Tatuí
92- São Bernardo do Campo
106- Taubaté
93- São Caetano
107- Tremembé
94- São Carlos
108- Valinhos
95- São João da Boa Vista
109- Vinhedo
96- São José do Rio Preto
110- Votorantim
97- São José dos Campos
111- Votuporanga
coordenadores pedagógicos da rede. Estes, por sua vez, transmitiram o conhecimento aos professores do 1º ao 5º ano da rede, que tiveram total liberdade para
decidir como seriam as ações educativas. “O programa ‘Sol, Amigo da Infância’
não é encarado como uma campanha temporária. Ele será repetido todos os anos,
pois foi incorporado de forma permanente no currículo do Ensino Fundamental I”,
revela a Dra. Anne Lise Dias Brasil, Supervisora de Serviços Médicos da área de
Dr. Paulo Ricardo Criado e Dra. Fátima Rabay
Saúde e Inclusão Escolar da Divisão de Educação e Cultura do Sesi-SP.
Em março e abril, as crianças e os professores responderam os questionários via web, enquanto os pais, por escrito. Três meses depois, os questionários
foram reaplicados. “Ainda não sabemos com precisão os resultados, mas já vemos
alguns sinais positivos. Os alunos estão cobrando o protetor ou falam do uso do
boné quando têm que fazer alguma atividade física ao ar livre”, comenta Anne
Lise. “A criança forma seus hábitos nos primeiros anos de vida. Se ela desenvolver uma postura saudável na infância, isso será levado às outras etapas da vida.
O mesmo acontece em relação a outras pessoas. Se de fato aprende algo,
ela cobra e faz com que os outros também tenham atitudes saudáveis”,
explica ela, que como pediatra nutróloga e professora da Unifesp/EPM (Universidade Federal de São Paulo/ Escola Paulista de Medicina) pode falar com autoridade sobre o assunto.
A pesquisa
A SBD-RESP contratou a estatística, matemática e professora de pós-graduação da
Foram criados quatro
diferentes questionários
– O A foi destinado aos
professores para conhecer as características gerais das escolas
– O B, destinado aos pais dos alunos, continha perguntas
sobre hábitos de proteção à exposição solar
– O C perguntava sobre o conhecimento dos professores a respeito do tema proteção solar. – O D perguntava sobre o
conhecimento e hábitos de proteção à exposição solar dos alunos
Unifesp Angela Paes para ficar à frente da pesquisa realizada com os alunos da
rede Sesi de ensino. A estatística é responsável pelo planejamento amostral dos
alunos para aplicação dos questionários, interpretação dos dados colhidos e elaboração do relatório baseado em sua análise. Quando Angela começou o projeto,
os questionários já haviam sido elaborados pela equipe da SBD-RESP e Sesi-SP.
A aplicação dos questionários contemplou dois momentos. Eles foram
aplicados antes e depois das aulas de educação em fotoproteção. O objetivo é
57
investigar se os participantes aprenderam de fato conceitos de exposição saudável ao sol e aplicaram hábitos saudáveis de proteção.
No estado de São Paulo, existem aproximadamente 40 mil alunos do 1º ao
5º ano do Ensino Fundamental matriculados em 171 escolas do Sesi. Como não
era viável fazer uma pesquisa com todos os alunos da rede, foi necessário selecionar uma amostra representativa desta população. Do total de 1196 turmas,
foram selecionadas 128 turmas de modo a obter uma amostra de, no mínimo,
3400 alunos.
No entanto, esses alunos não foram escolhidos aleatoriamente. A seleção
baseou-se em dois critérios: ano escolar e latitude da cidade onde a escola está
localizada. “A amostra dos alunos participantes da pesquisa deveria seguir a
mesma distribuição da população em geral com relação à série e latitude”, revela
Angela. Por exemplo, se no universo de todos os alunos matriculados no Ensino
Fundamental I das escolas do Sesi em São Paulo, 8% são alunos do 2º ano que
estudam em cidades cuja latitude é 23º, na amostra dos alunos participantes este
percentual também deveria ser próximo a 8%.
Como a rede Sesi estende-se por 55 municípios do Estado de São Paulo, a latitude é um fator de diferenciação, dado que interfere diretamente na intensidade
e duração da exposição solar. O sorteio das turmas de acordo com a faixa de latitude teve o intuito de evitar possíveis vieses nos resultados.
Esse trabalho foi desenvolvido para que a pesquisa se encaixe em padrões científicos. “O sorteio aconteceu de forma aleatória após a formação dos
subgrupos das séries e faixas de latitude. A amostra foi bastante criteriosa”,
conclui a estatística.
58
Arado - Legislar é poder
Desde o princípio, o idealizador do projeto “Sol, Amigo da Infância” entendeu que, para a campanha ser implementada, ele precisaria exercer um cargo
diretivo. E para a campanha alcançar resultados duradouros, teria que se tornar
uma política pública. Com esse propósito, os parceiros do programa foram em
busca do apoio dos vereadores nas Câmaras Legislativas.
Até o presente momento, 10 municípios sensibilizaram-se com a mensagem
de alerta promovida pela SBD-RESP sobre os danos nocivos da radiação solar: São
Paulo (SP), Santos (SP), Bambuí (MG), São Vicente (SP), Campos dos Goytacazes
(RJ), Tatuí (SP), Diadema (SP), Limeira (SP), Indaiatuba (SP) e Ourinhos (SP). Por
isso, a última semana de setembro foi oficializada como a Semana de Educação
Preventiva ao Câncer de Pele “Sol, Amigo da Infância” nessas cidades, que extrapolaram a divisa do Estado de São Paulo, como pode ser visto na adesão de
Bambuí e Campos dos Goytacazes. Por fazer parte do calendário oficial da cidade,
as escolas desses municípios têm o compromisso de ensinar boas práticas em
Foto: Prefeitura de Santos
exposição solar, dando ênfase ao tema na última semana de setembro.
60
Homenagem concedida à SBD-RESP pela Câmara
Municipal de São Paulo
Fique por dentro!
Conheça os autores das leis dos
municípios que incorporaram
a Semana de Educação em
Exposição Solar nas Escolas
Caneta em punho
A mobilização legislativa começou com os esforços do vereador Gilson Barreto, da
Câmara Municipal de São Paulo. Sempre envolvido com a questão da saúde, desde
São Paulo
Lei nº 15.792, do vereador Gilson Barreto, aprovada
em 3 de maio de 2013.
2002 ele coordena o mutirão da cirurgia de catarata, que já operou 22 mil pessoas.
“Sou contador e advogado de formação, mas não tem como ficar alheio às demandas da população por saúde pública”, comenta. Por isso, apresentou o projeto de lei
da Semana de Educação em Exposição Solar à Câmara de Vereadores de São Paulo.
O projeto de lei foi aprovado e tornou-se a Lei 15.792 em maio de 2013.
A vitória deu ânimo para o gabinete do vereador, que apresentou um segundo projeto de lei, propondo a criação do programa de “Prevenção ao Câncer de
Tatuí
Lei nº 4791, do vereador Luis Donizetti Vaz
Junior, aprovada em 26 de setembro de 2013.
Pele – Sol, Amigo da Infância” como atividade extracurricular obrigatória no enSantos
Lei nº 20.469, do vereador José Lascane,
aprovada em 9 de maio de 2013.
sino de Educação Infantil e Fundamental I. Para isso, o PL passou por uma audiência pública, pois se esse tipo de projeto fosse aprovado, passaria à competência
da Secretaria de Educação. O PL foi sancionado as duas vezes em que passou pela
Câmara, requisito básico para o projeto seguir para a mesa do chefe do Executivo.
São Vicente
Lei nº 3068-A, do Prefeito Luis Claudio
Bili, aprovada em 9 de agosto de 2013.
Bambuí (MG)
Lei nº 036/2013, do vereador Magno
Terêncio Chaves, em 10 maio de 2013.
Mas foi vetado pelo atual prefeito. “Isso é uma coisa que não dá para entender.
Acredito que não compreenderam o objetivo do nosso projeto, mas não desistimos dele”, diz o vereador, explicando que 2014 foi um ano atípico. “Só para lembrar, teve a Copa do Mundo e eleições. Além disso, um dos objetivos da Prefeitura
Campos dos Goytacazes (RJ)
Lei nº 8.416, do vereador Edson Batista,
aprovada em 11 de setembro de 2013.
de São Paulo para este ano era aprovar o Plano Diretor da cidade. Tenho mais dois
anos neste mandato, até lá tem muito chão”, comenta ele, esperançoso.
Limeira
Lei nº 135, do vereador Júlio César
Pereira dos Santos, aprovada em
27 de maio de 2014.
Diadema
Lei nº 3.386, de autoria
do vereador Dr. Albino
Cardoso Pereira Neto,
aprovada em 13 de
dezembro de 2013.
Ourinhos
Lei nº 6070, do vereador
Antonio Carlos Mazzetti,
aprovada em 28 de abril
de 2014.
De acordo com Mônica Giacon, assessora jurídica do vereador, há duas possibilidades para driblar esse enrosco político. A primeira seria derrubar o veto,
o que dependeria do acordo entre todos os 55 parlamentares e da aprovação do
presidente da Casa. A segunda seria fazer alterações no PL baseadas nas razões
do veto do prefeito e dar entrada de novo na Câmara. O gabinete decidiu-se pela
segunda opção. “Nossa ideia é reformular o projeto de forma mais agressiva. São
Indaiatuba
Lei nº 598/2014, do vereador José Sposito
Junior, aprovada em 18 de agosto de 2014.
Paulo foi pioneira na ideia, as outras cidades seguiram seu exemplo, mas ficou
pra trás por uma questão política”, conclui Mônica, que terá de batalhar muito
para chamar a atenção dos outros vereadores e do prefeito.
63
Plantio de novas culturas
Em 2014, a SBD-RESP firmou parceria com mais seis municípios paulistas:
O município de Praia Grande recebe na alta temporada mais de cinco vezes a
Guarujá, Praia Grande, Diadema, São Sebastião, Embu das Artes e Porto Ferreira.
sua população fixa, que vem crescendo depressa, tanto que recebeu o título de “a
A exemplo das ações da campanha “Sol, Amigo da Infância” em São Vicente e
cidade que mais cresce no Brasil”. “A maioria dos nossos alunos tem como forma
Santos, as prefeituras – três delas de cidades litorâneas – assinaram um termo
de lazer ambientes externos e de muita exposição ao sol. Sem dúvida, qualquer
de cooperação técnica, comprometendo-se a transmitir o conteúdo da campanha
campanha que envolva atitudes de prevenção é muito significativa dentro da es-
para os professores do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Estes, por sua vez,
cola”, afirma Claúdia Maximino Meirelles, Secretária de Educação de Praia Gran-
ensinariam os alunos sobre os riscos da radiação solar de forma inadequada.
de. Também em julho, os assistentes técnico-pedagógicos e pedagogas comuni-
Em Diadema, município que pertence ao ABC paulista, cerca de 40 coordena-
tárias foram capacitados por dermatologistas voluntários da SBD-RESP. O curso
dores compareceram à formação técnica ministrada pelos voluntários da SBD em
de EAD “Programa Sol, Amigo da Infância” foi idealizado de forma interativa e
junho. Posteriormente, a Secretaria de Educação do município formatou o curso
construtiva e beneficiou aproximadamente 700 professores e 20 mil alunos. No
em conjunto com a Universidade Aberta do Brasil – programa do Governo Federal
final dos 7 módulos, cada equipe escolar publicou uma resenha crítica e arquivos
de fomento ao Ensino a Distância – para os professores de 1º ao 5º anos da rede
com as imagens de cada etapa do programa. “Esperamos que cada aluno possa
pública. Cerca de 15 mil alunos matriculados nas 15 escolas de Ensino Fundamen-
contribuir com atitudes de prevenção ao câncer de pele e assuma o papel de mul-
tal 1 foram mobilizados pela campanha. “Os professores junto com as crianças
tiplicador de conhecimento”, diz Rosangela Alves Maniçoba, Chefe de Divisão de
serão os multiplicadores para prevenir o câncer de pele”, afirma Vanusa Goes,
Ensino Fundamental e Médio.
coordenadora do Ensino Fundamental.
Em setembro, o município de São Sebastião, localizado no litoral norte do Es-
Em Guarujá, o workshop para os orientadores educacionais e coordenadores
tado, assinou o termo de cooperação com a SDB-RESP. O curso de capacitação foi
pedagógicos foi realizado em julho. Os 20 educadores presentes se familiariza-
ministrado a aproximadamente 100 pessoas, entre diretores, coordenadores da
ram com o tema para formatar esse conhecimento em um curso de EAD de 30
rede municipal de ensino, enfermeiras-chefe das Unidades de Saúde da Família
horas de duração. O público-alvo eram os professores do Ensino Fundamental I,
e coordenadores dos projetos sociais de contraturno escolar. No último bimes-
porém, os professores de ciências do 6º ao 9º ano foram convidados a participar.
tre do ano, todos os alunos das EMEIs (Escola Municipal de Ensino Infantil) e
Sendo assim, todas as 23 escolas da rede municipal participaram da campanha.
De acordo com Rosemary Aquen, coordenadora de ações educacionais, o objetivo
da Secretaria de Educação era formar os professores o quanto antes para as crianças estarem instruídas em novembro, mês em que é realizada a campanha nacional contra o câncer de pele. “O futuro depende das nossas ações no presente”,
comenta Rosemary. “A ação tem que chegar ao coração e não somente à mente
das nossas crianças. Por isso, a decisão do gibi com a Turma da Mônica foi acertada. Como muitas das crianças ajudam os pais no verão, vendendo bebidas no
semáforo ou catando latinhas, queremos que elas levem para casa a necessidade
de proteção, aprendendo que devem usar roupas compridas, chapéu e óculos de
sol para se defenderem dos raios solares.”
64
65
Carta aos profissionais da saúde
das escolas de Ensino Fundamental I e II, um total de cerca de 12500 estudantes,
São Vicente e Santos nos proporcionaram uma experiência estratégica rica e
receberam educação em fotoproteção. Em 2015, um curso de EAD para professo-
com liberdade, visto que o desenvolvimento da ideia veio a partir deles e com eles.
res dará continuidade ao programa. “Um assunto tão importante como este asso-
Nós, profissionais de saúde, temos que aprender a nos relacionarmos com os grupos
ciado ao currículo previsto aos alunos dá sentido à aprendizagem. Sabemos que
populares, ajudar a criar e desenvolver as ações integradas à dinâmica social local.
os professores podem tratar do assunto de maneira lúdica e isto ajudará muito na
Precisamos de uma cultura de relação com as classes populares que cause uma rup-
mudança de atitude esperada. Prevenir é o caminho que temos buscado sempre,
tura com a tradição autoritária e normatizadora da educação médica.
visto que a probabilidade do câncer de pele em nossa região é ainda maior, por es-
Se a dermatologia quer seu futuro garantido, tem que estar junto com os anseios
tarmos situados no litoral norte de São Paulo”, comenta Angela Couto, Secretária
da população, pois o presente mostra que no futuro o método da educação passa pela
de Educação de São Sebastião.
participação popular no gerenciamento e reorientação das políticas públicas. É pre-
Em outubro de 2014, Embu das Artes recebeu o curso de capacitação para os
ciso que as campanhas educativas de massa passem a ser planejadas de forma
professores das 53 escolas de Ensino Fundamental I e II, professores de educação
articulada com os profissionais e lideranças dos movimentos sociais que vivem a
física, coordenadores pedagógicos e representantes de todas as creches conve-
rotina dos serviços de saúde e educação. Não basta que o conteúdo discutido seja
niadas à Secretaria de Educação do município. Ao todo, cerca de 27 mil alunos
revolucionário se o processo de discussão se mantém de cima para baixo, temos
participaram do programa. “É fundamental uma campanha que qualifica a vida,
que ter uma discussão aberta e compartilhada, temos que aceitar a diversidade e
cuja principal preocupação é o cuidado com o corpo, em especial a prevenção do
heterogeneidade dos grupos sociais, as iniciativas e o diálogo entre o saber popu-
câncer de pele. Nosso objetivo é que o aluno empoderado dessas orientações pre-
lar e o saber científico.
ventivas possa ser o multiplicador dessas informações junto a seus familiares”,
comenta Paulo Vicente dos Reis, Secretário de Educação de Embu das Artes.
No entanto, não basta saber fazer, é preciso que o saber seja difundido e generalizado nas instituições. É preciso encontrar os caminhos administrativos e
Também em outubro de 2014, Porto Ferreira, município que fica a 227 km
de formação profissional que permitam que as instituições se generalizem insti-
de São Paulo, assinou termo de cooperação com a SBD-RESP. A Dra. Meire Para-
tucionalmente, é imprescindível a capacitação. O engajamento com os movimen-
da, que ocupa a função de secretária na diretoria da entidade, apresentou a cam-
tos sociais não podem ser totalmente ensinados através de disciplinas teóricas,
panha à prefeita Renata Anchão Braga. A dermatologista também ministrou o
mas se podem criar situações pedagógicas, orientadas pela experiência acumula-
workshop aos coordenadores pedagógicos da rede municipal de ensino, que pas-
da da educação e compartilhadas para resolução de situações-problemas.
saram o conhecimento adquirido aos professores. Ao todo, 3700 alunos foram
Devemos caminhar junto dos anseios da comunidade, respeitar a heteroge-
beneficiados. “Sentimo-nos honrados e gratos à SBD-RESP e à Dra. Meire Parada
neidade e diversidade, difundir o saber, capacitar, compartilhar situações peda-
por ter atendido nossa solicitação e incluído nosso município no programa. Te-
gógicas e ações com maior envolvimento popular.
mos absoluta certeza de que para nossos alunos será uma ação educativa com
o objetivo de prevenir as doenças de pele”, comenta Maria Regina Nascimento
Dr. Francisco Ferreira
Nery, diretora do Departamento de Educação de Porto Ferreira.
Associado da SBD-RESP e rotariano do Distrito 4420
66
67
Dermatologistas e profissionais de outras áreas de atuação reuniram forças
em prol da campanha “Sol, Amigo da Infância”. No entanto, esse recrutamento não
foi planejado, tampouco imposto. Aconteceu de forma espontânea. Esses voluntários enfrentam diferentes realidades e condições, mas se uniram para participar do projeto por entenderem que a educação em fotoproteção é um bem comum.
Neste capítulo, vamos conhecer algumas iniciativas dos voluntários que, de acordo com sua experiência e com saberes específicos de sua comunidade, descobriram a melhor forma de realizar a campanha do Oiapoque ao Chuí.
Sempre fui entusiasta do trabalho voluntário, e principalmente de atitudes que visam à Educação em Saúde, sem
assistencialismos. Desde 2001 coordeno o trabalho voluntário do Projeto Dermacamp, que intenciona a integração
social e a qualidade de vida das crianças com problemas severos de pele, projeto internacionalmente premiado.
Desde que tomei conhecimento da campanha, rapidamente me engajei. Estive presente no lançamento da campanha em Santos e ministrei treinamento sobre o tema para os professores do Sesi. Fiz também treinamento para
enfermeiros da Sociedade Brasileira de Enfermagem em Dermatologia. Em uma dessas palestras, aconteceu algo
inusitado: uma enfermeira que trabalha com idosos japoneses que não falam português se ofereceu para traduzir o
material e transmitir os ensinamentos aos idosos. Ou seja, o conhecimento extrapolou o que havíamos planejado a
princípio, e isso é ótimo.
Dr. Samuel Henrique Mandelbaum
Dermatologista associado à SBD-RESP e chefe do Serviço de Dermatologia do Complexo Hospitalar Universitário de Taubaté - Taubaté - SP
Os gibis são um recurso poderoso para transmitir informações para crianças e adultos. Por isso, apoio esta forma
de comunicação, e é uma das razões pelas quais colaborei com a campanha “Sol, Amigo da Infância”. Por exemplo,
confeccionamos histórias em quadrinhos sobre acidentes por peixes e distribuímos para pescadores de Mucuripe,
praia nos arredores de Fortaleza, e discutimos as informações com estes e suas famílias. Fizemos o mesmo em Belém, para pescadores fluviais no entorno da cidade. A diferença da iniciativa da atual campanha é que o texto e a arte
foram feitos por artistas locais e por mim – sem o charme de uma obra do Mauricio de Sousa. As campanhas funcionaram muito bem e sou um entusiasta da ideia. O material do projeto “Sol, Amigo da Infância” é bom e foi muito
bem aceito pelas crianças de Picinguaba, uma vila isolada na fronteira entre São Paulo e o Rio, composta de cerca
de 300 pessoas entre pescadores artesanais e seus familiares. É um lugar selvagem, incrustrado na Mata Atlântica,
onde informações chegam lentamente. Fiz a distribuição dos quadrinhos e do vídeo para a turma de alunos da manhã e a atividade foi repetida à tarde. A professora distribuiu o material, deu tempo para a leitura e comentou as
informações com todos. Vejamos qual será o impacto no futuro.
Dr. Vidal Haddad Júnior
Dermatologista associado e professor na Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP)
A Liga Feminina de Combate ao Câncer de Carazinho – município que fica a cerca de 300km de Porto Alegre, no
Rio Grande do Sul – tem como objetivo assistir pacientes portadores de câncer e realizar campanhas institucionais
de prevenção das diferentes manifestações da doença. A Dra. Mônica Muller, dermatologista associada à SBD-RS,
apresentou a campanha “Sol, Amigo da Infância” e entramos em contato com a SBD-RESP. Acabamos abraçando
o projeto e firmamos parcerias importantes com a Secretaria Municipal de Saúde, com a Secretaria Municipal de
Educação e Cultura, com a Dra. Mônica Muller e com as Farmácias Glória. A necessidade de se abrir uma frente de
combate e prevenção ao câncer de pele tornou-se premente pelo elevado número de novos casos na nossa região,
principalmente na população de baixa renda, formada em sua maioria pelos trabalhadores rurais. A capacitação dos
agentes municipais de saúde, de enfermeiras das Unidades Básicas de Saúde e professores de ciências das escolas
municipais aconteceu em dois eventos e foi entregue um kit com protetor solar, camiseta e boné para cada participante. A entrega dos gibis da Turma da Mônica foi realizada em um evento na Praça Central com a presença do
prefeito. A primeira etapa do projeto, realizada em setembro de 2013, alcançou 5200 alunos do Ensino Fundamental
I da rede municipal, com a participação de mais de 100 agentes, entre professores, coordenadores pedagógicos das
escolas e voluntárias da Liga Feminina. A ação deste ano contemplou o ensino privado. Em setembro, 48 professoras
das escolas particulares do município estiveram presentes na palestra da Dra. Mônica Muller. Com isso, a expectativa era atingir cerca de 1500 criançasr. A Liga fez a doação de camisetas infantis para as escolas, que deixariam a
cargo do professor decidir como seriam repassadas aos alunos. Nós, da Liga Feminina, estamos nos empenhando
em promover, divulgar e dar suporte para que a mensagem da campanha “Sol, Amigo da Infância” chegue ao seu
público-alvo de forma descontraída e que tenha continuidade com outras ações.
Jussara Biazus
Presidente da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Carazinho (RS)
68
Foto: Prefeitura de São Vicente
Preparo da terra
O Espírito Santo, segundo dados recentes do INCA (Instituto Nacional de Câncer), apresenta uma das maiores taxas de incidência de câncer de pele do país. Isso se deve ao fato de que o estado abriga uma das maiores colônias
italianas do Brasil: 60% da população local é formada por descendentes de italianos. Além destes, outro grupo de
imigrantes europeus também contribui de forma importante para a incidência da doença: os pomeranos, provenientes de uma região entre a Alemanha e a Polônia, que estabeleceram suas colônias em total isolamento da população
geral. A maioria destes imigrantes exerce atividades predominantemente rurais, expondo sua pele vulnerável de
forma intensa ao sol. Sendo assim, decidimos que a melhor forma seria agir prioritariamente nas comunidades rurais
de descendentes destes imigrantes europeus. Estudando a demografia de cada município capixaba e cruzando os
dados obtidos em pesquisas da história da imigração europeia no Espírito Santo, selecionamos os municípios com
maior população de pele clara e, dentre estes, os com população predominantemente rural. A partir daí, entramos
em contato com as respectivas Secretarias de Educação municipais para que nos informassem as escolas destas
comunidades com o número de educadores e alunos de 1° a 5° séries de cada uma delas. Até agora, os três municípios que aderiram à campanha receberam uma palestra ministrada por um dermatologista associado da SBD-ES
e material didático para os educadores, DVDs para as escolas e gibis para os alunos. Itarana, que possui 4 escolas,
66 professores e 825 alunos; São Roque do Canaã, com 5 escolas, 29 professores e 458 alunos e Santa Leopoldina,
com 22 escolas, 11 professores e 158 alunos. Ao todo, 1441 alunos da rede pública desses 3 municípios receberam
educação em fotoproteção.
Dr. Leonardo Mello Ferreira
Presidente da SBD Regional Espírito Santo
Iniciamos a campanha em Cuiabá em três escolas particulares. Entregamos os gibis a um total de 1300 crianças de 6
a 10 anos de idade. Os professores e coordenadores das escolas estão pedindo desenhos para os alunos dos primeiros anos e redação para os dos últimos anos. Como uma forma de incentivo, todas as crianças que entregam trabalhos pedagógicos recebem um certificado de participação, e os mais bem avaliados recebem um brinde – optamos
por boné e mochila com o logo da campanha e o logo da SBD-MT. Os professores também recebem o kit. Junto com
os certificados, são entregues fôlder idealizado pela SBD-RESP para que a criança leve para os pais. É muito gratificante colaborar com este projeto. As crianças e os professores quando entram em contato com o material demonstram muito interesse e ficam felizes em participar. Temos tentado viabilizar politicamente a aprovação de leis
municipais que incentivem a orientação para a proteção solar, além de levar o projeto para outras cidades do interior
do Estado de Mato Grosso. Entramos em contato com a Prefeitura e com a Secretaria Municipal de Educação de
Cuiabá, no entanto, devido à burocracia, provavelmente somente em 2015 conseguiremos instituir tais ações na rede
pública de ensino.
Dra. Juliana Mendonça
Dermatologista associada à SBD-MT
Dei uma palestra no Colégio Marista São Francisco de Chapecó, em Santa Catarina, para as crianças de 4ª e 5ª séries
numa tarde de maio de 2013. Expliquei sobre os efeitos nocivos do sol sobre a pele e a importância da prevenção.
As crianças ficaram tão interessadas que no final da palestra perguntavam se as pintinhas que tinham eram motivo
de preocupação ou não. Elas já haviam recebido o gibi, mas mesmo assim continuavam com a revistinha em mãos.
Dei uma palestra em uma escola particular no bairro de São Mateus, em São Paulo, para cerca de 200 crianças. Foi
muito gratificante porque você, como médico, consegue ver o interesse genuíno das crianças, que queriam realmente saber a respeito, se interessavam em saber mais detalhes do dano da célula. Ali tive a chance de trabalhar
de forma profunda, porque captaram a informação de um jeito lúdico. No final, elas vinham perguntar e mostravam
suas manchinhas. Também faço um trabalho paralelo no ambulatório de Hebiatria da Faculdade de Medicina do ABC,
em Santo André. Os pacientes recebem o gibi e assistem a uma palestra sobre fotoproteção e maquiagem responsável, que dura cerca de 20 minutos. Depois, é exibido o DVD. O público-alvo do ambulatório são os adolescentes e
seus pais, que os acompanham no atendimento. Diferentemente da criança, o jovem recebe mais conteúdo científico
direcionado e a informação é dada de forma bastante prática. Para mim, essa campanha ganhou força, porque transmite um bem comum, que com certeza uniu todos os dermatologistas envolvidos. O projeto nos deu um sentido de
união. Transformou o nosso dia a dia em algo mais humano. Estamos habituados a ficar no consultório só fazendo
tratamento, queremos intervir antes. Não queremos medicalizar risco; queremos fazer prevenção.
A Prefeitura de Guarapuava assinou o termo de cooperação com a SBD-RESP em outubro, portanto, nossas ações
ainda estão bem no início, mas estou bastante empolgada em coordenar o projeto. Já realizamos algumas aulas e
o interesse e a curiosidade das crianças têm sido nosso grande motivador. A importância desta campanha consiste
em podermos atuar como agentes educadores e agirmos fortemente na prevenção do câncer de pele. Colheremos
os frutos no futuro, mas com certeza os resultados serão consistentes. Mudanças efetivas passam necessariamente
pela educação e mudança de hábitos.
Dra. Bel Takemoto
Dermatologista associada à SBD-RESP
Dra. Beatriz Gomes Bianco
Dermatologista associada à SBD-PR
Dr. Marcio Baldissera
Dermatologista associado à SBD-SC
linha do tempo
Conheça alguns dos momentos mais marcantes da
campanha “Sol, Amigo da Infância”
Firmada parceria com
Mauricio de Sousa Produções
para a criação do gibi
especial para a campanha.
janeiro – Posse da nova
diretoria da SBD-RESP para
o biênio 2013-2014. Dr. Paulo
Criado assume a presidência.
2012
2013
Divulgação MSP
dezembro – Lançada
oficialmente a campanha
“Sol, Amigo da Infância”,
durante a realização da 17ª Radesp, em Atibaia.
fevereiro – Distribuição
de 20 mil exemplares
de gibis nos pedágios
das rodovias Anchieta e
Imigrantes e nas balsas de Santos e São Vicente.
março – Envio de kit com
35 exemplares do gibi para
os 2.291 associados da SBD-RESP, 4.385 associados
da SBD Nacional, e 2 mil
exemplares para cada um
dos 21 Serviços Credenciados
do Estado de São Paulo.
73
maio – O Grupo Brasileiro
de Melanoma (GBM) passa
a apoiar o material de
divulgação da campanha.
Divulgação MSP
Realização de dois workshops
com coordenadores
pedagógicos e equipe de
tecnologia das prefeituras de
Santos e São Vicente.
É criada a Lei nº 15.792, de autoria do vereador
Gilson Barreto, que oficializa
a Semana de Educação à
Exposição Solar Infantil
Preventiva ao Câncer de Pele
“Sol Amigo da Infância”, na
agosto – Aprovado o
projeto de lei em São Vicente,
que segue o modelo levado à
Câmara Municipal de São Paulo.
dezembro – Com o apoio
do Fundo de Apoio à
Dermatologia de São Paulo
(Funadersp), premiação dos
melhores trabalhos escolares
desenvolvidos pelos
alunos das redes públicas
de Santos, São Vicente
e 14 escolas particulares
de Itatiba durante a 18ª
Radesp (Reunião Anual
de Dermatologistas
de São Paulo).
2013
abril – Elaboração da
logomarca da campanha.
Firmada parceria com o
Rotary Clube Distrito 4420,
por meio do associado
Francisco Ferreira, para
apoio na logística das
atividades desenvolvidas em
Santos e São Vicente.
cidade de São Paulo, a ser
realizada anualmente na
última semana de setembro.
Seguindo os moldes da
lei aprovada na capital, o
vereador José Lascane, de
Santos, consegue aprovação
de lei similar, buscando a
uniformidade da campanha no território nacional.
Extrapolando a fronteira do estado de São Paulo, o município de Bambuí, em
Minas Gerais, aprova o projeto
de lei similar ao aprovado na
capital paulistana.
74
junho – Assinado termo
de cooperação com as
prefeituras de Santos e São Vicente.
A campanha é elevada
em nível nacional com a
celebração de acordo entre a
SBD-RESP e a SBD Nacional.
julho – É assinada a parceria
com o Serviço da Indústria do
Estado de São Paulo (Sesi).
setembro – O município
de Campos dos Goytacazes,
no Rio de Janeiro, também
aprova o projeto de lei,
nos mesmos moldes do
aprovado na capital paulista.
Aprovado o projeto de lei da semana educativa sobre
os riscos da exposição solar
em Tatuí, município do
interior paulista.
outubro – É lançado o
desenho animado “A Pele e o Sol” em DVD, também com personagens da Turma da Mônica.
Treinamento de 280
coordenadores pedagógicos
do Sesi e envio de 40 mil
exemplares do gibi para
distribuição nas 175 escolas
da rede.
Aprovado projeto de lei
em Diadema, de autoria do
vereador Dr. Albino Cardoso
Pereira Neto, que segue os
mesmos moldes da proposta
levada à Câmara paulistana.
75
Setembro – Assinado termo de
cooperação entre a SBD-RESP e a prefeitura de São Sebastião
junho – Workshop para os
coordenadores pedagógicos da rede pública de Diadema.
Agosto – Workshop para os
coordenadores pedagógicos da
rede pública de Diadema.
Curso de capacitação para
diretores, coordenadores e
enfermeiras-chefe dos Prontos
Socorros de São Sebastião
2014
março – Curso na sede da
SBD-RESP para associados
interessados em desenvolver
as ações da campanha em sua
cidade ou comunidade.
Assinado termo de cooperação
entre a SBD-RESP e a
prefeitura de Diadema.
abril – Início da 2ª edição
do curso a distância
de capacitação dos
coordenadores pedagógicos
de São Vicente.
maio – Participação de
educadores de Santos e São
Vicente no Congresso ICLOC
- “Práticas na sala de aula”,
que abordou as atividades
escolares realizadas sobre a
campanha.
Participação da campanha
“Sol, Amigo da Infância”
na corrida “A Tribuna”, em
Santos.
Aprovado projeto de lei
em Limeira, de autoria do
vereador Júlio César Pereira
dos Santos, que segue os
mesmos moldes da proposta
levada à Câmara paulistana.
76
julho – Assinado termo de
cooperação entre a SBD-RESP
e a prefeitura de Guarujá.
Workshop aos 80
coordenadores pedagógicos da
rede municipal de Guarujá
Assinado termo de cooperação
entre a SBD-RESP e a
prefeitura de Praia Grande
Outubro – Assinado termo
de cooperação entre a SBDRESP e a prefeitura de Embu
das Artes
Assinado termo de cooperação
entre a SBD-RESP e a
prefeitura de Porto Ferreira
Workshop para os
coordenadores pedagógicos
da rede pública de Guarujá e
Praia Grande.
Workshop para os educadores
do Instituto Verdescola, em
São Sebastião
77
Ações do programa “Sol, Amigo da Infância” no Brasil
Ações do programa
“Sol, Amigo da Infância”
no estado de São Paulo
Araraquara
Maranhão
São Luís
Porto Ferreira
Birigui
Olímpia
Limeira
Campinas
Jaú
Indaiatuba
Jundiaí
Embu das Artes
Campos do Jordão
Botucatu
Goiânia
Ceres
Espírito Santo
Vitória
Distrito Federal
Brasília
Rio de Janeiro
Nova Serrana
Campos dos Goytacazes
Petrópolis
Mato Grosso
Cuiabá
Taubaté
Ourinhos
Cubatão
Picinguaba
Itatiba São Sebastião
Guarujá
Paraná
Francisco Beltrão
Maringá
Curitiba
Guarapuava
Santa Catarina
Tubarão
Chapecó
Minas Gerais
Bambuí
Contagem
São Gotardo
Governador Valadares
Santos
Diadema
Praia Grande
São Vicente
Rio Grande do Sul
Carazinho
Porto Alegre
78
79
APAE
Aula do Dr. Octávio Moraes Junior na
APAE de Santos | novembro 2013
eventos
A campanha “Sol, Amigo da Infância” foi marcada por
ações espalhadas pelo estado de São Paulo e em municípios
de outros estados do País. Confira os principais eventos que
ocorreram ao longo desses dois anos
Instituto Verdescola
Mauricio de Sousa autografando o
gibi “A Pele e o Sol”. A formação dos
professores aconteceu em julho 2014
Mauricio de Sousa
Reunião entre a SBD-RESP e Nacional e equipe da Mauricio de Sousa | agosto 2013
81
Carazinho – RS
Pelo segundo ano consecutivo, a Liga Feminina de Combate ao Câncer e a
dermatologista associada Dra. Monica Muller, em parceria com a Sociedade
Brasileira de Dermatologia, realizou a capacitação do projeto “Sol, Amigo da
Infância”, que contou com a participação de professores das escolas municipais e particulares | Setembro 2013 e 2014
Praia Grande – SP
Aula de formação dos educadores da rede pública e assinatura de termo de cooperação com a Secretaria de Educação de Praia Grande | julho 2014
82
83
Fotos: Prefeitura de Santos
Fotos: Prefeitura de São Vicente
São Vicente – SP
Assinatura de termo de cooperação com
São Vicente e atividades da Campanha junho a novembro 2013
Santos - SP
Atividades da Campanha
junho a novembro 2013
84
85
Corrida
A Tribuna
A campanha “Sol, Amigo da Infância”
também esteve representada na 29ª
edição da corrida de rua mais rápida do
Brasil, disputada no município de Santos,
em 18 de maio de 2013. O evento, que
teve a participação de mais de 20 mil
atletas, entre profissionais e amadores,
contou com a presença, apoio e parceria
do Departamento de Dermatologia da
Associação Paulista de Medicina de Santos
e dos dermatologistas Octávio Moraes Jr.,
Renato Sau Rios, Anamaria Torres, além
de Josely Fernandes e Adilson Vaz, do 2º
Distrito Dermatológico da SBD-RESP. 86
Sob o tema ‘Educação sobre Exposição Solar na
Infância: conscientizando hoje para um futuro
melhor’, foram afixados cartazes e banners na área
de concentração do evento, com a divulgação de
informações e a presença de ninguém menos do
que os personagens de Mauricio de Sousa, Mônica e
Cebolinha, protagonistas do gibi que conta a história
sobre a pele e o sol, que posaram para fotos.
87
18ª Radesp
Premiação na Radesp dos melhores trabalhos dos
estudantes de Santos e São Vicente. Participaram da
seleção trabalhos em desenho, cartaz, slogan, blog e
música produzidos por mais de 40 mil jovens. O evento,
que serviu de encerramento da 18ª Radesp, ainda
contou com a animação da Mônica e do Cebolinha,
apresentações da Banda Marcial da Secretaria de
Educação de Santos, Coral do CECOF, Centro de
Convivência e Formação de São Vicente, e do grupo
de flautas Sopro Novo, que tem a participação dos
alunos da APAE-Santos e da Casa da Visão, de apoio aos
deficientes visuais | Dezembro 2013
88
89
26ª Semana de
Educação de Santos
Palestra Colégio Marista
Profª Sheila Alves, embaixadora da Campanha
na cidade de Santos | outubro 2014
Curso da campanha
aos associados
Curso Sol, Amigo da Infância aos
associados da RESP | março 2014
Palestra do associado Dr. Márcio Baldissera no Colégio
Marista de Chapecó/SC | junho 2013
11ª Semana Nacional
de Ciência Tecnologia
SNCT no Município de São Vicente
“Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social”
Prof. Vandilma Galindo ministrando aula Sol, Amigo da
Infância aos estudantes da rede. | outubro 2014
Palestra da campanha
“Sol, Amigo da Infância”
na Câmara Municipal
de São Paulo
Da esquerda para direita: Dr. Octávio Moraes Filho, Vereador
Gilson Barreto, Dr. Paulo Ricardo Criado | outubro 2013
90
91
Congresso APM
Estande da Campanha “Sol, Amigo da Infância” no Congresso APM, em Santos - SP | Agosto 2014
Feira de Ciências
Prefeitura de São Vicente | Outubro 2013
SBT DO BEM
Dentre as ações desta parceria, o Dr. Paulo Criado, presidente da SBD-RESP, realizou um bate-papo com filhos de colaboradores
da emissora que participaram de uma ação voltada para o Dia das
Crianças do SBT. Ao todo participaram 240 crianças, de 4 a 12 anos,
que ganharam um gibi da campanha com a Turma da Mônica e uma
amostra de protetor solar Ensolei, do Aché.
Guarujá
Reunião na Secretaria da Educação
92
93
Agradecimentos
Ficha Técnica
Abel Mesquita Zambom, Albino Cardoso Pereira Neto,
Ana Cristina Marques Ferreira, Ana Paula Marconato,
Andrea Matarazzo, Angela Regina Couto, Angela
Tavares Paes, Anne Lise Dias Brasil, Antonio Carlos
Mazzetti, Antonio Sposito Junior, Aparecida Machado
Moraes, Beatriz Gomes Bianco, Bel Takemoto, Bianca
Bastos Marsaioli, Carine Schnitzler, Célia Maria Corrêa
Ferreira, Cinthia Curado, Clarice Teodoro, Claudete
Neves Santos, Claudia Chagas, Cláudia Cristina de
Souza Bastos, Cláudia Maximino Meirelles, Coronel
Telhada, Creuza da Silva Calçada, Cristiano Calomaci,
Cristina Barletta , Danilo Tovo, Denise Almeida,
Denise Steiner, Edgar Bim, Edson Batista, Elisa Taemi,
Elisabete Taino, Fabiana Proença, Fátima Rabay,
Fernando Carvalho, Francisco Ferreira, Gilson Barreto,
Hamilton Stolf, João Buoro, João Teves, José Joaquim
do Amaral Ferreira, Jose Lascane, Jossélia Fontoura,
Juliana Mendonça, Júlio César Pereira dos Santos,
Jussara Biazus, Leonardo Mello Ferreira, Lieze Lanza,
Lisa Renata Palone, Lisete Costa (in memorian), Luis
Claudio Bili , Luiz Donizetti Vaz Junior, Magno Terêncio
Chaves, Marcelo Vallejo Marsaioli, Márcia Calçada,
Márcio Baldissera, Marcos Martins, Marcos Michels,
Maria Antonieta de Brito, Maria de Fatima Alves dos
Santos, Maria Emília França de Abreu, Maria Nilza
Nicolau , Maria Regina Nascimento Nery, Mauricio de
Sousa, Mauro Enokihara, Mauro Sousa, Meire Parada,
Michelli de Oliveira Pimentel, Milena Marques,
Milvia Enokihara, Monica Giacon, Monica Monteiro
Branco Ferreira, Monica Muller, Naiana Sá, Nilton
Di Chiacchio, Nubia Boito , Octávio Moraes Junior,
Olivia Bianco, Oswaldo Delfini Filho, Paulo Alexandre
Barbosa, Paulo Frange, Paulo Mauá, Paulo Veloso,
Paulo Vicente dos Reis, Priscilla Maria Bonini Ribeiro,
Rafael Piccin, Regiane Monteiro, Renata Anchão,
Renata Guerra, Renata Saggioro Silva, Renato Salgado,
Renato Sau Rios, Ricardo Ribeiro da Silva, Rodrigo
de Medeiros Paiva, Rogério de Souza Guzenski,
Ronaldo Junqueira, Rosângela Alves Maniçoba,
Rosemary Aquen, Rubens Leite, Sadao Nakai, Samuel
Mandelbaum, Sandra Magali Fihlie, Selma Bezerra,
Sergio Palma, Sheila Alves Soares, Silvia Lourenço,
Silvia Rodrigues, Simone Bafa, Simone de Padua
Milagres, Simone Ike Niglia, Solange Benatti Murad,
Sylvia Gouvea, Tânia Guzenski, Thayane Carvalho,
Tiago Pina Zanelato, Urandy Rocha Leite, Valéria
Barroso dos Santos Marques, Vandilma Galindo, Vânia
Siervi Manso, Vidal Haddad Junior, Walter Belda Junior
Diretoria 2013-2014
Colaboradores
Paulo Ricardo Criado
Jornalista Responsável
Presidente
Renata Guerra MTb 52. 950/SP
Walter Belda Junior
Apoio Editorial
Vice-presidente
Andréa Parlato MTb 26.581/SP
Meire Odete Américo Brasil Parada
Equipe SBD-RESP
Secretária
Deise Lira, Reginaldo Silva,
Isabela Silva e Andréa Parlato
94
Realização
Nilton de Chiacchio
Tesoureiro
Aparecida Machado de Moraes
Coordenadora de Promoções Científicas
Fátima Maria de Oliveira Rabay
Coordenadora de Comunicações
Projeto Gráfico
Zol Design
Revisão
Agnaldo Alves
Divulgação MSP
Divulgação MSP
Venda proibida - distribuição gratuita
Materiais da Campanha
solamigodainfancia | sbd-sp.org.br | solamigodainfancia.com.br
Apoio
QUALQUER PARTE DESTA OBRA PODE SER REPRODUZIDA DESDE QUE CITADA A FONTE.
Todos os direitos reservados à Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional São Paulo.
Sol, amigo da infância : semeando uma nova cultura em fotoproteção | [apresentação
Paulo Ricardo Criado]. – 1. ed. – São Paulo : Sociedade Brasileira de Dermatologia
Regional de São Paulo, 2014. Vários colaboradores.
ISBN 978-85-68564-00-4
1. Câncer - Epidemiologia 2. Câncer - Prevenção 3. Dermatologia 4. Dermatologia
pediátrica 5. Pele - Cuidados e higiene 6. Pele - Doenças 7. Pele - Efeitos de raios
solares 8. Raios solares - Efeitos fisiológicos I. Criado, Paulo Ricardo.
Índices para catálogo sistemático:
1. Pele : Doenças causadas pelos raios solares : Medicina 616.5
Este livro foi composto em Milo OT e Milo Serif OT, impresso
em couché 115 g/m² (miolo) e Duo Design 300 g/m² (capa) pela
YMpressograf Artes Gráficas em novembro de 2014
CDD-616.5
14-12052
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