Evolução
Agradecimento
A meu pai que fez a revisão
ortográfica e gramatical desse livro e
que muito contribuiu com seus
questionamentos para que ele
ficasse mais claro e preciso.
Prof. Dorival Filho
2
Apresentação
Prezado(a) Estudante,
Sinto-me bastante honrado por você ter adquirido esse material para seu
estudo. Ele é, antes de mais nada, fruto da crença de que a biologia é uma ciência
fascinante, desde que aprendamos a pensar biologia. A partir do momento em que
alcançamos esse objetivo, compreendemos suas implicações filosóficas, éticas,
teológicas, enfim, sentimo-nos tão desafiados intelectualmente, que é impossível não
nos apaixonar por ela.
À primeira vista, pode-se ter a impressão de que o objetivo deste material é
apenas ajudá-lo a passar no vestibular. Mas, certo é que não é só isso. Não que
passar no vestibular não seja importante, muito pelo contrário. Mas na verdade o
desafio que estabeleci para mim mesmo ao produzir este livro é muito maior.
Em cada parte, em cada palavra nela escrita, está minha paixão pelo estudo,
que antecede a paixão pelo magistério. Portanto meu desejo é que, de alguma
maneira, ao estudá-lo, você esqueça que o está fazendo para passar no vestibular ou
se sair bem em alguma prova ou teste. Meu sonho é que você se dê conta de que está
estudando, antes de mais nada, pelo prazer em aprender.
Você tem de concordar comigo em que isso é muito mais do que passar no
vestibular, porque o vestibular é apenas uma etapa e o amor ao estudo é para toda a
vida.
Na busca desse meu objetivo, nada melhor do que começar pelo estudo da
evolução. O grande cientista Dobzhansky dizia que em biologia nada faz sentido, se
não for sob a luz da evolução. Portanto, quem quer saber essa ciência precisa, antes
de mais nada, saber evolução.
Quero também de dizer que não produzi um resumo. Você verá muitas matérias
de jornais e revistas e reflexões que muitos livros didáticos deixam passar, mas que
considero muito importantes para que você realmente compreenda o assunto.
Não há, na elaboração deste material, nenhum desejo de simplificação. Essa
proposta está de acordo, tanto com o em que eu acredito que deva ser o ensino de
biologia, quanto também, com os melhores vestibulares, visto que cada vez mais eles
cobram conhecimentos mais amplos e suas implicações, em detrimento de detalhes
que todo conteúdo possui.
Espero que você sinta, ao estudá-lo, o mesmo prazer que eu senti, ao fazê-lo.
Um grande abraço,
Dorival Filho
Prof. Dorival Filho
3
Capítulo 1
O Pensamento Evolutivo
Introdução
Ao lançar, no século XIX, sua teoria da
evolução das espéciesI, Charles Darwin sabia
que despertaria muitas controvérsias.
Conta-se, por exemplo, que, ao tomar
conhecimento da teoria de Darwin, a esposa de
um Pastor Inglês
teria dito: “Descender do macaco!
Esperemos que
não seja verdade.
Mas se for, rezemos para que a
coisa não se espalhe”.
A verdade é que talvez
nenhuma outra
teoria científica tenha gerado tanta
confusão e malentendido como
Anúncio publicado em 1873
essa.
ridicularizando a teoria de Darwin.
Atualmente, já não Fonte: Integrated Principles of Zoology
sentimos mais a
necessidade de provar que a evolução é um
fato. Apenas uma minoria, por não entender que
a ciência jamais alcançará uma resposta
definitiva, se apega a questões ainda não
plenamente resolvidas pela teoria moderna da
evolução, para defender o fixismoII.
Duas das grandes perguntas que ainda
hoje nos fazemos acerca da evolução são:
1. Que posição realmente ocupa a seleção
natural de Darwin? O acaso não
intervém da mesma forma ou até mais?
2. Como surgem as novas espécies?
Como se dá concretamente esse
nascimento?
Abordaremos essas e outras questões
no decorrer desse livro.
I
Espécie conjunto de indivíduos semelhantes
entre si que podem cruzar e gerar descendentes
férteis
II
Fixismo Doutrina que defende que os seres
vivos não evoluem. Foram criados por Deus tal qual
eles existem hoje.
Prof. Dorival Filho
Primeiras Idéias Científicas sobre Evolução
(Lamarckismo)
No século XVIII as descobertas de
fósseis se multiplicaram. Foram encontrados
mamutes na Sibéria, mastodontes na América
do Norte, uma fauna completa de mamíferos na
bacia parisiense… Ora, essas espécies
registradas nos fósseis não existiam mais.
Logo, hoje sabemos, foram extintas.
Para explicar a existência dos fósseis,
muitos biólogos propuseram que não houve
u m momento de criação divina, mas, sim,
vários. Por exemplo, após ter sido criada uma
fauna, uma catástrofe, como o dilúvio, poderia
ter provocado sua extinção. Então, Deus
criaria uma nova fauna para substituí-la.
Apesar de essa tese não estar em
concordância com o Gênesis, pelo menos
mantinha a crença de que as espécies são
fixas, não evoluem.
A primeira teoria realmente científica
que defendia a idéia de evolução foi lançada
pelo biólogo francês Jean Baptiste de
Lamarck (1744-1829).
Lamarck lançou uma teoria evolucionista que dava uma boa explicação para a
existência dos fósseis, sem aceitar a idéia de
extinção das espécies.
Acontece que, para muitos estudiosos
do século XIX, incluído Lamarck, a extinção
era inaceitável. Afinal, como algo criado por
Deus poderia se extinguir sem sua permissão?
Ao mesmo tempo, se aceitarmos que o Criador
concorda com a extinção onde estaria a
benevolência
divina?
A hipótese
Lamarckista, ou
Lamarckismo, defendia que as espécies não se extinguem, apenas
se transformam em
outras (por isso ela
ficou conhecida como
transformismo).
Lamarck (1744-1829)
Observe
Fonte: Biologia Evolutiva
que a teoria de
Lamarck era mais uma tentativa de resolver
4
uma questão filosófica, do que explicar como as
espécies evoluem.
Para Lamarck, os fósseis seriam
registros de espécies que existiram e não
existem mais. Não porque elas se extinguiram,
mas, sim, porque se transformaram nas
espécies atuaisI.
Sua teoria partia de dois pressupostos:
1. O uso contínuo de um órgão, ou parte
do corpo, pode desenvolvê-lo. Por
exemplo, quanto mais nos exercitamos,
mais os nossos músculos se
desenvolvem. Da mesmo forma, o não
uso pode atrofiá-los.
2. Essas modificações surgidas durante a
vida de um organismo são passadas a
seus descendentes (lei da transmissão das características adquiridas).
Essas idéias ficaram conhecidas como
Lei do Uso e Desuso.
Além da Lei do Uso e Desuso, Lamarck
defendia a idéia de que há uma gradação dos
seres vivos, dos mais simples aos mais
complexos, sendo que, no topo da perfeição,
estava o ser humano.
Essa idéia de progresso na evolução
foi combatida por Darwin e não é atualmente
aceita. Na verdade, mais uma vez, ela estava
de acordo com a crença religiosa de Lamarck.
Portanto, a afirmação completa de
Lamarck pode ser entendida assim: a vida
surge continuamente da matéria inanimada por
geração espontâneaII e progride continuamente em direção a formas de vida mais
complexas e perfeitas, através de “poderes
conferidos pelo supremo autor de todas as
coisas”.
Além disso, é o meio ambiente que
dirige essa evolução. Alterações do ambiente
fazem com que os seres vivos se adaptem,
forçando-os a usar mais uns órgãos do que
outros, o que geraria hipertrofia ou atrofia,
que seriam transmitidas à próxima geração.
IMPORTANTE: A Lei do Uso e Desuso não é
atualmente aceita, porque nem todos os órgãos e
tecidos reagem como o músculo, que se adapta de
acordo com o uso. Além disso, características
adquiridas durante a vida não são passadas para a
geração seguinte. Se isso ocorresse não seria mais
I
Vale lembrar que atualmente nós sabemos que o
destino de toda espécie é a extinção. Veja mais
sobre isso no capítulo sobre o tema.
II
Geração espontânea teoria que defende que a
vida surge da matéria inerte ou orgânica em
decomposição.
Prof. Dorival Filho
necessário aos judeus fazerem a circunsição, porque
depois de milênios realizando essa cirurgia, eles já
estariam nascendo sem o prepúcio do pênis.
O pensamento de Darwin
Charles Darwin (1809-1882) também
começou a pensar seriamente sobre a
evolução, a partir da observação dos fósseis.
Só que sua preocupação não era explicar a
existência dos fósseis, de maneira a estar de
acordo com questões religiosas. Na verdade,
ele queria entender como se dava a distribuição
geográfica de algumas espécies animais
(biogeografia).
Observe como, já na introdução de seu
famoso livro “A Origem das Espécies por meio
da seleção natural”, ele coloca essa
preocupação com a biogeografia:
Quando a bordo do H.M.S. Beagle, no qual
servi como naturalista, fiquei muito impressionado com certos fatos referentes à distribuição
dos seres vivos existentes na América do Sul e
às relações geológicas entre a fauna e a flora
atual e extinta daquele continente. Esses fatos a
mim me pareceram lançar alguma luz sobre a
origem das espécies – “mistério dos mistérios”,
conforme a definição de um dos nossos maiores
filósofos.
Em sua
Galápagos, um
arquipélago no
Oceano Pacífico,
Darwin observou
atentamente a
distribuição das
13 espécies de
tentilhões ali
existentes ( o b serve a figura ao
lado).
Para explicar a distribuição dessas
13 espécies tão
parecidas entre
si, em 13 ilhas
do arquipélago,
Darwin propôs o
seguinte: os tentilhões de Galápagos descenderiam de uma
espécie pioneira
do continente
sul-americano
passagem
pelas
ilhas
Os casais das espécies de
tentilhões das ilhas Galápagos.
Elas são muito parecidas entre si,
cada uma adaptada a seu hábito
alimentar. Darwin foi muito
influenciado pela observação
desses pássaros. Ele percebeu
que todos deveriam ter uma
origem comum.
Fonte: Os Herdeiros de Darwin
5
que não possam ser transmitidas de
que teria migrapai para filhoI.
do para uma das
ilhas. Lá, ela te6. Conseguem sobreviver aqueles com
ria sofrido modifias variações que os tornam mais
cações, originana d a p t a d o s ao ambiente e que,
do uma nova
portanto, conseguem aproveitar
espécie adaptamelhor os poucos recursos.
da às condições
7. Portanto, a própria natureza
daquela ilha. Deseleciona os variantes que irão
pois, alguns de
deixar mais descendentes. Estes
seus membros
irão herdar as características de
teriam migrado
seus pais e, assim, mudanças
para outra ilha,
evolutivas benéficas serão pretambém diferenservadas pela seleção natural.
ciando-se e for8. Como consequência da seleção
mando uma ounatural, após muitas gerações, a
tra espécie. Dessobrevivência e reprodução
sa forma, cada
diferenciais geram adaptações e
uma das treze
espécies novas.
ilhas do arquipé- 1 – espécie sul-americana. A – migração da
Pode-se afirmar que a “Origem
lago terminaria espécie 1 para a primeira ilha. Ela sofre das Espécies” defende duas teses: que
por possuir uma modificações, se adaptando ao ambiente da todos os seres vivos descendem,
espécie diferente ilha, e origina uma nova espécie (2). Alguns com modificações, de um ancestral
indivíduos da espécie 2 migram para outra
de tentilhões, tocomum e que o principal agente de
ilha e originam a espécie 3 . O processo
das tendo como continua até formar as 13 espécies modificação é a seleção natural.
ancestral co- existentes nas 13 ilhas.
mum a espécie
As Influências de Darwin
do continente sul-americano (veja a figura
Além da observação da distribuição de
acima).
fósseis e seres vivos no planeta, Darwin foi
Essa hipótese de Darwin explicava não
também muito influenciado por outros pensó a semelhança entre as 13 espécies (e delas
sadores.
com as sul-americanas), como também, as
Entre eles, devemos citar Malthus que
modificações que elas teriam sofrido para se
argumentava que o crescimento exagerado da
adaptar a diversos regimes alimentares e
população humana seria a grande fonte de
habitats. Não foi à toa que ele chegou a
miséria, visto que não haveria alimentos para
denominar suas idéias de teoria da
todos.
descendência com modificação.
Ao ler o trabalho de Malthus, Darwin
O mecanismo, segundo Darwin, pelo
percebeu que poderia estar ali um dos
qual as espécies poderiam sofrer as
mecanismos que explicasse a origem das
modificações é facilmente entendido, seguindo
espécies: a luta pela vida e a sobrevivência
o raciocínio abaixo:
dos mais aptos.
1. Os seres vivos possuem i m e n s a
Além de suas leituras, Darwin também
capacidade de ter filhos. A fêmea de um
procurou se especializar na criação de pombos
inseto pode colocar 30.000 ovos por ano.
ornamentais, visitando todas as associações de
2. A despeito da enorme capacidade de
criadores de aves, das mais sofisticadas às
procriação, a quantidade de indivíduos de
mais simples. Ora, todos os pombos
uma espécie tende a permanecer
ornamentais descendem de uma única espécie
constante. Portanto, poucos dos que
selvagem. A partir de cruzamentos específicos
nascem sobrevivem.
os criadores iam s e l e c i o n a n d o algumas
3. Poucos sobrevivem, porque não há recurso
no ambiente para todos os que nascem.
Logo, há uma luta pela vida.
I
Não confunda evolução com desenvolvimento.
4. Os indivíduos de uma mesma espécie
Evolução é modificação de um organismo de uma
diferem em morfologia, fisiologia e
geração para a outra. Desenvolvimento se refere a
comportamento (variação).
mudanças relativas ao tempo de vida de um
5. Parte dessa variação é herdável. Para a
organismo, como as mudanças que ocorrem desde
evolução não interessam características
que nascemos até envelhecermos.
Prof. Dorival Filho
6
características que
queriam realçar e,
assim produziam
novas raças (seleção artificial).
Imediatamen
te Darwin percebeu
que poderia ser feita
ali uma analogia com
a seleção natural.
Pombos ornamentais. Darwin os observava e pensava
na “diversidade das raças…impressionante.”
Assim como os criadores,
selecionando os reprodutores, podem produzir variedades novas, a natureza,
favorecendo a reprodução
dos
variantes
mais
adaptados, também poderia, com mais tempo,
produzir novas raças e
espécies.
Fonte:A Vida de um Evolucionista Atormentado - Darwin
Contextualizando…
Adapatação de matéria publicada pela revista “Ciência Hoje”, no 123.
OS PEIXES QUE (SOBRE)VIVEM EM CAVERNAS
Isolados em cavernas durante épocas mais secas e em função de outros fenômenos,
algumas populações de peixes modificaram-se lentamente no novo ambiente, em geral
sem luz e com recursos alimentares escassos. O processo de especializacão resulta
em alterações morfológicas e comportamentais, gerando novas espécies…
Cavernas são em geral ambientes
pouco favoráveis à vida: a ausência
permanente de luz impede a existência de
plantas clorofiladas e o uso da visão, e grande
parte do alimento disponível é importada da
superfície, através da água ou de animais que
entram no meio subterrâneo, o que em geral
leva a escassez alimentar.
Diversos organismos, no entanto, Bagre sem olhos encontrado em cavernas brasileiras.
sobrevivem em tais condições e alguns,
isolados da superfície por eventos geológicos ou climáticos, podem especializar-se a tal ponto que não
conseguem viver fora das cavernas. Tais organismos, chamados troglóbios ou cavernícolas obrigatórios,
apresentam modificações na morfologia, na fisiologia, e no comportamento, destacando-se a redução
dos olhos e da pigmentação da pele…
Lamarck e Darwin teriam dado explicações diferentes para a existência de peixes cegos em
cavernas onde não há luz. Veja como seria a explicação de cada um deles, abaixo:
Lamarck
Na caverna não há luz. Logo os olhos desses
peixes não eram u t i l i z a d o s , por isso,
regrediram. Essa alteração foi, então, passada
aos descendentes, de tal forma, que geraram
uma espécie de peixes cegos.
Prof. Dorival Filho
Darwin
Existem peixes cegos nas cavernas, porque, lá,
devido à falta de luz, os olhos não trazem
benefício na luta pela sobrevivência. Portanto,
os peixes cegos não ficam em desvantagem em
relação aos outros organismos que têm olhos.
Eles não conseguiriam sobreviver, se houvesse
luz na caverna porque, aí, sim, eles estariam
menos adaptados ao ambiente em relação aos
que têm olhos e seriam eliminados pela
seleção natural.
7
Evidências da Evolução
Como já foi dito, atualmente não é mais
preciso provar que a evolução é um fato. Ela é
uma teoria científica muito sólida mas, como
toda ciência, precisa ser continuamente
aprimorada.
De qualquer forma, como a evolução é
um processo muito lento, precisamos saber
identificar sua ocorrência, por meio de algumas
evidências indiretas que iremos analisar agora.
•
Fósseis.
Quando um ser
vivo morre, é rapidamente decomposto
pelos organismos saprobiontesI.
Mas, sob certas
circunstâncias, principalmente as partes mais
duras do corpo, como os
ossos, podem ser
Fósseis de trilobitas.
preservados. Sabemos Fonte:Integrated
que são poucos os seres Principles of Zoology
vivos que morrem e são
preservados como fósseisII. Mesmo assim,
eles são muito importantes para nos
mostrar como era a fauna e flora do
passado, ajudando-nos a compreender os
Ancestra l
caminhos que a evolução percorreu, até
Comum
formar os seres vivos atuais.
Órgãos que
possuem a mesma
origem evolutiva mas
possuem funções, diferentes são ditos
órgãos homólogos.
Não confunda com os ó r g ã o s
análogos. Neste caso, eles possuem a
mesma função, mas
uma origem evolutiva
diferente. Como exemplo, pense na
asa de um passarinho e na asa de
uma mosca. As duas
Órgãos Homólogos.
têm a mesma fun- Fonte:Integrated Principles
of Zoology
ção, voar. Mas não
derivam de um ancestral comum. Obseve como
morfologicamente são muito diferentes, uma é
feita de osso a outra de quitina.
Órgã os Hom ólog os
Asa do mor cego
Divergência
Adaptativ a
Nada deira da bale ia
Braç o hum ano
•
Anatomia Comparada.
• Embriologia.
A comparação morfológica entre os
animais é também um forte indicativo da
Ancestra l do
ancestralidade comum proposta por
mor cego
Convergência
Darwin.
Adaptativ a
A observação dos ossos dos
Ancestra l da
membros de diversos vertebrados mostra,
borb oleta
por exemplo, que todos têm uma origem
comum. Todos eles possuem basicamente
Se obseros mesmos ossos, apenas apresentam-se em
varmos atentamenformatos diferentes, cada um adaptado ao estilo
te o desenvolvide vida de seu portador. O fato de possuírem
mento embrio-nário
a mesma estrutura corporal básica é um
de diversos aniindicativo de que descendem de um
mais, notaremos
ancestral comum. Esse ancestral gerou várias
uma semelhança
espécies diferentes cada uma adaptando esse
muito grande entre
órgão a um determinado ambiente (divergência
eles, principalmenadaptativa ou irradiação adaptativa).
te nos estágios
Órgã os Análogo s
Asa do
mor cego e
asa da
borb oleta
iniciais.
I
Saprobiontes seres que se alimentam de
matéria orgânica em decomposição.
II
Fósseis qualquer resto ou vestígio de seres
vivos antigos. Pegadas impressas na rocha e até
mesmo fezes petrificadas são também consideradas
fósseis.
Prof. Dorival Filho
Essa semelhança é mais Fonte:Integrated Principles of
uma evidência da Zoology
origem comum dos seres vivos.
8
•
Biologia Molecular.
A análise da sequência de bases nitrogenadas do DNA de várias espécies de seres vivos têm
confirmado as pesquisas envolvendo fósseis e a anatomia comparada. Por exemplo, vários estudos
apontavam o chimpanzé como o animal mais próximo, evolutivamente falando, do ser humano.
Com o desenvolvimento da tecnologia, foi possível comparar a estrutura do DNA humano e do
chimpanzé e o resultado confirmou a expectativa. Os resultados mais recentes mostram uma
semelhança de mais de 98% entre nosso DNA e o deles (leia o quadro abaixo).
•
Biogeografia.
Quando falei sobre o que levou Darwin a formular sua teoria evolucionista, disse que a
observação da distribuição dos seres vivos no planeta teve grande importância. Mais tarde, estudos
mais aprofundados de biogeografia ajudaram a confirmar a teoria de Darwin.
Durante um bom tempo, os biólogos discutiram como explicar a distribuição dos mamíferos
marsupiaisI. Eles estão presentes na Austrália, África e América do Sul. Como poderiam ter-se
deslocado a pontos tão distantes?
Assim que a teoria da deriva continentalII foi confirmada, ficou fácil explicar essa distribuição.
Segundo ela, há 200 milhões de anos todos os continentes estavam unidos, formando um
supercontinente chamado PangéiaIII. Nessa época, vivia um ancestral comum a todos os marsupiais
hoje existentes. Quando os continentes se separaram, populações desse ancestral ficaram isoladas.
Com isso, cada uma originou uma espécie diferente situadas cada uma, num dos continentes citados.
Folha on-line, 18/02/2001 - 09h06
Atualize-se
SEQUENCIAMENTO DO CHIMPANZÉ PODE TIRAR DÚVIDAS SOBRE HOMENS
JOANNA MARCHANT
da "New Scientist"
O ser humano parece ser bem diferente de seu parente mais próximo, o chimpanzé. Mas ambos seriam
provavelmente classificados no mesmo gênero, caso somente o DNA fosse usado como termo de
comparação, segundo Ajit Varki e Pascal Gagneux, da Universidade da Califórnia em San Diego. Os
dois afirmam que somente o sequenciamento completo do DNA do chimpanzé poderia demonstrar o que
faz dos humanos o que eles são.
"Se você estiver olhando do espaço sideral e considerar somente as diferenças de DNA, é certo que
cairíamos em um só grupo, junto com os chimpanzés e os bonobos. Seriam os gorilas e os
orangotangos que ficariam do lado de fora", afirma Varki.
Chimpanzés e humanos compartilham cerca de 99% de seu DNA e, até agora, somente uma grande
diferença foi encontrada. Os humanos não têm um certo açúcar que é encontrado na superfície das
células do corpo de outros mamíferos.
"Temos algumas pistas intrigantes sobre o efeito que isso teria", diz Varki. Ele acha que a diferença
poderia causar mudanças no desenvolvimento cerebral e na suscetibilidade a vírus e bactérias.
Svante Pääbo, do Instituto Max Planck para Antropologia Evolutiva, em Leipzig (Alemanha), diz que, se
fosse feita a comparação dos dois genomas, o homem ficaria humilhado ao descobrir quanto as duas
espécies se parecem.
Pelo menos ele encontrou uma coisa que separa os humanos de outros primatas: pessoas diferentes
têm seu DNA quase idêntico, diferindo apenas 0,1%, enquanto os chimpanzés têm quatro vezes mais
diferenças.
Isso apóia a noção de que os humanos evoluíram de um pequeno grupo de ancestrais, enquanto outros
primatas vieram de populações maiores.
I
Marsupiais tipo de mamífero que nasce prematuramente e que são criados dentro de uma bolsa (marsúpio).
Ex: canguru e gambá.
II
Deriva Continental Teoria que afirma que os continentes se deslcoam lentamente sobre o conteúdo pastoso do
interior da Terra.
III
Pangéia Supercontinente que teria existido até cerca de 200 milhões de anos atrás quando se fregmentou.
Prof. Dorival Filho
9
Saiba Mais!
A essa altura você já percebeu que a teoria da evolução, dependendo da formação de cada um,
pode ter algumas implicações religiosas. Veja abaixo como o grande cientista brasileiro Newton FreireMaia classifica as posições fundamentais sobre o tema:
1. Criacionistas-fixistas. Deus criou todos os seres vivos e, desde o início, não houve mudanças
significativas.
2. Criacionistas-semifixistas. Deus criou os grandes grupos de seres vivos, como as angiospermas
ou os vertebrados. Pequenas mudanças podem ter ocorrido nesses grupos por evolução.
3. Evolucionistas-materialistas . A matéria sempre existiu, ou surgiu por acaso, e a evolução
ocorreu pela ação de fatores naturais sem intervenção direta ou indireta de entidade
transcedente alguma.
4. Evolucionistas-agnósticos. Aceitam a teoria da evolução em sua forma integral mas consideramse incapazes de conhecer as razões profundas, o absoluto, o transcedente.
5. Criacionistas-evolucionistas. Deus criou a matéria com propriedades evolutivas e, assim, a
evolução ocorre pela ação de fatores naturais.
Vale lembrar que, como já foi dito, a teoria da evolução é bem fundamentada e aceita. Não há
qualquer argumento científico plausível para não aceitá-la. Agora, vale a pena lembrar que a evolução
não é contrária à criação divina, desde que entendida como descrito pelos criacionistas-evolucionistas.
Ela é totalmente contrária ao fixismo, este, sim, inaceitável do ponto de vista científico.
Numa rápida autobiografia, Darwin faz um interessante comentário sobre o tema. Veja abaixo:
Quanto aos meus sentimentos religiosos, acerca dos quais tantas vezes me têm perguntado,
considero-os como assunto que a ninguém possa interessar senão a mim mesmo. Posso adiantar,
porém, que não me parece haver qualquer incompatibilidade entre a aceitação da teoria evolucionista e
a crença em Deus.
Ao final, gostaria de encerrar com esta afirmação: sistematicamente, evito colocar meu
pensamento na religião quando trato de ciência, assim como o faço em relação à moral, quando trato de
assuntos referentes à sociedade.
C. D.
1881
•
•
•
•
•
•
Supra-Sumo
A ciência não é uma atividade humana isolada. Ela sofre influência da cultura, economia, religião…
Lamarck defendeu a idéia de que os órgãos podem se desenvolver ou atrofiar de acordo com a
intensidade do uso (Lei do uso e desuso) e que essas mudanças podem ser passadas para a
descendência (Lei da transmissão das características adquiridas).
Darwin lançou a teoria da seleção natural, segundo a qual a natureza seleciona os indivíduos mais
aptos e extingue os menos aptos.
Há várias evidências de que a evolução ocorre, como as que se têm dos fósseis, da anatomia
comparada, da embriologia e da biogeografia.
Órgãos Homólogos possuem a mesma origem evolutiva mas têm funções diferentes. Ex: a asa
do morcego e a nadadeira da baleia. São formados por irradiação ou divergência adaptativa.
Órgãos análogos possuem origens evolutivas diferentes, mas têm a mesma função. Ex: a asa
do morcego e a asa de um inseto. São formados por convergência adaptativa.
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10
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Evolucao capitulo 1