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Ano XXXIII - Nº 234 - Setembro/Outubro - 2010
A revista da Eletrobras Eletronorte
A eficiência energética
na indústria brasileira
Sumário
RESPONSABILIDADE SOCIAL
Eficiência energética traz ganhos
ambientais, financeiros e sociais
para a indústria brasileira
tecnologia
A energia da inovação
Página 32
Página 3
ENERGIA ATIVA
As energias superalternativas
Página 10
entrevista
Armando Casado de Araújo
Página 29
histórias
Fragmentos históricos do Brasil
Página 18
CIRCUITO INTERNO
Uma homenagem
a Jorge Palmeira
Página 24
correntecontínua
Eletronorte
Eletrobras
SCN - Quadra 6 - Conjunto A
Bloco B - Sala 305 - Entrada Norte 2
CEP: 70.716-901
Asa Norte - Brasília - DF.
Fones: (61) 3429 6146 / 6164
e-mail: [email protected]
site: www.eletronorte.gov.br
2
Prêmios 1998/2001/2003
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AMAZÔNIA E NÓS
Página 41
CORREIO CONTÍNUO
Página 46
FOTOLEGENDA
Página 47
Diretoria Executiva: Diretor-Presidente – Josias Matos de Araujo - Diretor de Planejamento e Engenharia - Adhemar Palocci - Diretor de Produção e Comercialização - Wady Charone - Diretor
Econômico-Financeiro - Antonio Barra - Diretor de Gestão Corporativa - Tito Cardoso - Coordenação de Comunicação Empresarial: Isabel Cristina Moraes Ferreira - Gerência de Imprensa:
Alexandre Accioly - Equipe de Jornalismo: Alexandre Accioly (DRT 1342-DF) - Byron de Quevedo (DRT 7566-DF) - César Fechine (DRT 9838-DF) - Érica Neiva (DRT 2347-BA) - Michele
Silveira (DRT 11298- RS) - Assessorias de Comunicação das unidades regionais - Estagiários:
Camila Maia e Higor Sousa Silva - Fotografia: Alexandre Mourão - Roberto Francisco - Rony
Ramos - Assessorias de Comunicação das unidades regionais - Revisão: Agência Dimensão
- Arte gráfica: Jorge Ribeiro - Foto da capa: Vista geral de unidade da Alunorte – Paulo Santos
- Impressão: Brasília Arte Gráficas - Tiragem: cinco mil exemplares - Periodicidade: bimestral
Foto: Cristiano Bernardo
Responsabilidade Social
Eficiência energética
traz ganhos ambientais,
financeiros e sociais
para a indústria brasileira
Foto: Jorge Coelho
Eletronorte
O Programa Nacional de Conservação de
Energia - Procel Indústria está estruturado para
atingir todo o segmento industrial por meio da
inserção da eficiência energética em seus processos. O trabalho é feito em parceria com a
Confederação Nacional da Indústria – CNI e as
federações estaduais de indústria. A Eletrobras
funciona como agente articulador e divulgador
do conhecimento entre as federações estaduais, e também faz diagnósticos em empresas
como a TBM (foto acima). (ver box).
Há 32 anos na Eletrobras, e à frente do Procel desde 1999, o chefe do Departamento de
Projetos de Eficiência Energética, Fernando
Dias Perrone, declara: “O nosso trabalho não
tem nenhuma contraindicação, traz somente
benefícios. É um programa onde todos ganham,
a sociedade, o consumidor, o governo e os fabricantes. Temos o papel de incutir a cultura da
conservação de energia e eficiência energética.
Digo para minha equipe que é um trabalho de
formiguinha e, ao mesmo tempo, de missioná-
rio, pois temos que trabalhar convencendo as
pessoas, demonstrando por meio da boa prática que isso é um bom negócio”.
O primeiro convênio foi firmado com a Federação das Indústrias do Estado do Ceará – Fiec
e o Instituto Euvaldo Lodi - IEL/CE.
A atuação do Programa começa
pela Região Nordeste, e segue
pela Região Norte, Centro-Oeste,
Sul e Sudeste. “Sempre foi alegado que, em termos de política pública, se começa pelas áreas mais
desenvolvidas economicamente, a
exemplo das regiões Sul e Sudeste. Resolvemos, então, começar
pelas regiões menos industrializadas”, esclarece Perrone (ao lado).
Ao longo de seis anos de atuação, foram firmados convênios de
cooperação técnica com 14 federações industriais. Há dois anos, a CNI e Eletrobras estabeleceram dois convênios de cooperação técnica,
visando a expandir para outros estados e desenvolver novas ações setoriais, em indústrias de
Eletrobras
Érica Neiva
correntecontínua 3
Indicadores qualitativos e quantitativos da indústria
têxtil são beneficiados com o Procel Indústria
No dia 13 de setembro de 2010, na Sede da Eletrobras,
a Têxtil Bezerra de Menezes - TBM recebeu certificação de
caso de sucesso na implantação do Procel Indústria, onde foi
feita uma medição física dos ganhos auferidos com a implementação de medidas de eficiência energética em sua planta.
É um trabalho pioneiro, baseado num diagnóstico feito em
conjunto com Eletrobras, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará - Fiec e a TBM, para verificar o potencial energético de conservação de economia de energia em todo setor
produtivo da fábrica têxtil.
Segundo o engenheiro eletricista e coordenador de Manutenção Elétrica na TBM, Kleber Anastácio, “o certificado
representa o reconhecimento e um grande incentivo para
os membros da empresa que trabalham direta e indiretamente no projeto. A TBM tem alguns objetivos muito importantes quanto à eficiência energética, entre eles estender o Procel para outros sistemas ainda não contemplados
e contribuir para a disseminação do conhecimento e das
experiências obtidas”.
A parceria entre a TBM e o Procel Indústria ocorre há
três anos. “Desde então, a indústria assumiu a postura de
investir no combate ao desperdício de energia, bem como
numa nova política de aquisição de sistemas, sempre buscando o menor custo de aquisição e operacional. O trabalho
de eficiência teve início com a criação de um grupo dedicado
a validar os ganhos indicados pelo relatório da Eletrobras, e
também estender o projeto para outras unidades”, explica
Kleber Anastácio.
Os recursos necessários para o investimento foram provenientes da própria TBM que, em menos de dois anos, teve o
retorno financeiro e o aumento da produção. Para a implementação das ações necessárias foi orçada uma verba específica, priorizando as iniciativas que apresentavam melhor
pay back. As ações de combate ao desperdício não ficaram
limitadas apenas às unidades fabris onde foi feita a auditoria
Eletronorte
Eletrobras
grande e médio porte. O papel da Eletrobras foi
treinar os multiplicadores que são profissionais
das universidades, ou mesmo consultores capacitados com curso de especialização que não
existe no mercado. “É um curso inovador e único,
para formar multiplicadores que têm como missão a transferência do conhecimento adquirido
de eficiência energética aplicada aos processos
industriais, com o foco de redução de perdas nos
sistemas motrizes”, esclarece Perrone.
O foco de redução de perdas é verificado
nos sistemas motrizes - ventiladores, exausto-
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correntecontínua
da Eletrobras, mas também às outras plantas do grupo. Os
dados do relatório de medição e verificação apontam uma
redução de 14% e 28% no consumo de energia elétrica,
entre 2007 e 2010.
Segundo Kleber, “além dos ganhos financeiros, obtivemos outro ganho importante que foi a melhoria da estabilidade dos sistemas associados, o que contribuiu diretamente para a melhoria da produtividade. Vale ressaltar
que a qualidade do sistema de climatização e do sistema
de ar comprimido interfere diretamente na eficiência do
processo produtivo de uma indústria têxtil como a TBM.
Podemos enumerar a utilização do conceito de eficiência
energética em todas as áreas do projeto da nossa nova
planta fabril, que está sendo construída em Rondonópolis,
no Estado de Mato Grosso”.
Ainda existem vários sistemas que podem ser melhorados como o de iluminação, que deverá passar por um
processo de substituição das lâmpadas e luminárias por
outras mais eficientes; sistemas motrizes em que serão
trocados motores por outros de maior rendimento; e centrais de ar que precisam ser reformadas.
Federação – A TBM é membro da Federação das
Indústrias do Estado do Ceará – Fiec, entidade que também trabalha as questões ligadas à energia por meio de
comitês específicos. “Tivemos a oportunidade de fechar
o convênio com a Eletrobras num momento em que a
preocupação com a questão energética é muito grande.
A importância do programa é trabalhar a questão da
eficiência por meio da redução de desperdício, identificando como as indústrias podem atuar de uma forma
mais eficiente, no sentido de diminuir custos, e também
com um ganho para a sociedade”, afirma a superintendente do Instituto Euvaldo Lodi - IEL/CE, Vera Ilka Meireles Sales.
res industriais, compressores, correias transportadoras presentes no setor metalúrgico e de
mineração, pois esses sistemas representam
mais de 64% do consumo industrial, que por
sua vez representa 46% do consumo nacional de energia elétrica. As indústrias aderem
voluntariamente ao programa. A partir daí, liberam os seus técnicos para receberem capacitação e treinamento que ajudem a levantar
na sua área de trabalho as oportunidades de
economia de energia na planta industrial. Foram envolvidas mais de 500 indústrias nesse
Foto: Cristiane Bernardo
Kleber
Anastácio:
“além dos
ganhos
financeiros,
obtivemos
outro ganho
importante que
foi a melhoria
da estabilidade
dos sistemas
associados,
o que
contribuiu
diretamente
para a
melhoria da
produtividade”
ção e manutenção da planta. Passa-se a ter
um processo mais eficiente, maior produtividade, com redução de custos não apenas de
energia. Em relação aos dados quantitativos,
não temos uma mensuração dessa redução
do consumo atestada e certificada. A razão da
demora decorre do fato do Brasil, ao contrário
de vários países, não ter uma cultura de dados
e informações. Estamos em fase de elaboração
para divulgar para a sociedade os indicadores
quantitativos de economia de energia em kWh
daqui a um ano”.
Eletronorte
processo e capacitados quase 2,5 mil agentes
da indústria. Em mais de 200 casos as ações
tiveram resultados efetivos.
Para Perrone, do ponto de vista qualitativo
há a incorporação da questão da eficiência
energética não somente em relação à diminuição da conta de energia elétrica pela indústria,
mas, a partir dessa avaliação, pode-se ter uma
visão sistêmica. “Até na questão da aquisição
de equipamentos e projeto de sistema, passase a trabalhar com outras concepções, além
de impactar diretamente na política de opera-
cesso e venham a produzir de uma forma competitiva, há
também o impacto da modernização da planta”, explica
Vera Ilka (à esquerda).
Após a fase de capacitação de pessoal é feito o autodiagnóstico, que verifica os ganhos em termos de redução de
energia, de desperdício e o lucro financeiro para a indústria, implicando diretamente na sua competitividade. “É
comprovado que todas as indústrias passam a ter o retorno
do investimento feito em correções e, em pouco tempo,
passam a obter lucro. As empresas têm muito interesse,
pois sabem do ganho que vão ter. No caso de uma indústria têxtil, ocorre uma redução imediata de 8,2% de energia
em relação ao consumo anual da fábrica. Em 16 meses
eles têm o retorno dos investimentos feitos na eficiência
energética”, afirma Vera Ilka.
Eletrobras
O trabalho começa com o
Procel capacitando consultores, profissionais com um
perfil estabelecido pela Eletrobras, que acompanham
os diagnósticos nas empresas e treinam os agentes de
eficiência energética de sistemas motrizes industriais.
O primeiro passo é definir os
setores da indústria que implementarão as ações. No Estado do Ceará, formou-se
um grupo de 20 consultores que, posteriormente, formaram 120 agentes. “Além de se treinar pessoal para
as empresas, para que possam avaliar todo o seu pro-
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Antes do Procel não existia o conceito de
eficiência energética na grande indústria brasileira. “A eficiência energética não é o principal
negócio de nenhum setor da economia. É um
meio, não é um fim, pois estão voltados para
a produção. A questão mais difícil é a cultural
ligada aos hábitos do brasileiro. O País sempre
foi, desde a década de 1970, um abundante
produtor de energia para vários setores. Apesar
de, por pessoa, o brasileiro consumir muito menos que o europeu e o americano, ele ainda é
perdulário no seu consumo de energia e água,
recursos presentes em abundância no País”,
diz Perrone.
Eletronorte
Eletrobras
Parceiros - A Confederação Nacional de
Indústria – CNI tem programas de eficiência
energética e projetos em parceria com o Procel. Segundo o coordenador do Programa de
Eficiência Energética da CNI, Rodrigo Sarmento
Garcia (abaixo), “o Procel Indústria é um aliado fundamental para
começarmos a desenvolver o programa de eficiência energética na
CNI. Antes da nossa experiência
com o Procel víamos que esse
assunto era pouco discutido na
indústria. Depois que divulgamos
nossos estudos e resultados esse
assunto ganhou uma evidência
que ainda não existia”.
A CNI tem discutido com o Governo Federal, os órgãos de financiamento e as indústrias as oportunidades das ações de eficiência energética.
“Dialogamos com a indústria para começar a
se preparar melhor por meio da qualificação de
pessoal; o governo para que tenha uma política
agressiva, com metas definidas, para o desenvolvimento de ações de eficiência na indústria,
pois os nossos estudos mostram que o setor
industrial vem sendo preterido em função do
setor público ou residencial. Em relação ao financiamento, chamamos atenção para o fato
de que economizar energia é bem mais barato
do que gerar uma energia nova”, fala Rodrigo
Sarmento.
A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres – Abrace, constituída por 47
grupos industriais de 15 diferentes segmentos,
criou uma força de trabalho que está discutindo mecanismos que viabilizem recursos e condições para o desenvolvimento da eficiência
energética na indústria. Também existe uma
parceria com a CNI para contribuições à ela-
6
correntecontínua
boração do Plano Nacional de Eficiência Energética - PNEf, que deverá ser publicado pelo
governo em breve.
Segundo o assessor de Energia Elétrica da
Abrace, Fernando Umbria (abaixo), embora não
exista nenhum convênio entre a Eletrobras e a
Associação, os associados
Foto: Gustavo Gracindo
veem com muito otimismo os esforços do Procel
Indústria em favor do aumento da eficiência energética. “A Abrace tem conhecimento de trabalhos
feitos em parceria com a
CNI, cujos resultados têm
servido como base para
diversos pleitos quanto
aos potenciais de redução
de consumo por meio da
eficiência energética”.
Para Umbria, o maior problema das indústrias quanto à eficiência energética se
refere à captação de recursos para financiar
os projetos. “Na maioria das vezes, como os
projetos internos competem com outros projetos do core business das empresas, voltados
ao aumento de produtividade, eles acabam
nem saindo do papel. Além disso, as linhas
de financiamento disponíveis são um grande
problema, pois os bancos têm dificuldades
em avaliar o risco de crédito por motivos técnicos. Algumas linhas de financiamento, por
exemplo, cobrem apenas equipamentos produzidos no Brasil. Para que esse quadro seja
revertido, o governo precisa dar incentivos,
como isenção de impostos e encargos para
que os projetos se tornem economicamente
viáveis. Também é necessário que as linhas
de crédito sejam mais aderentes às reais necessidades da indústria”.
A avaliação do crescimento do consumo
de energia elétrica na indústria, observada
em 2010, segundo Fernando Umbria, tem
que ser feita à luz dos efeitos da crise econômica mundial, que teve início ao final de
2008 e se estendeu por 2009 com alguns
reflexos ainda em 2010. “Se observarmos o
consumo de energia elétrica no segmento industrial entre os meses de janeiro e julho dos
anos de 2008 (104.039 GWh), 2009 (92.413
GWh) e 2010 (105.573 GWh), é possível verificar que o consumo no referido período de
2009 em relação a 2008 representou uma
queda de 11,2%. O significativo crescimento
do consumo verificado entre 2010 e 2009 é
decorrente, em grande parte, da retomada da
Foto: Eunice Pinto
Eletronorte
Indústria paraense - No Estado do Pará
está sendo feito o diagnóstico e gestão de eficiência energética em 41 indústrias. O projeto é uma parceria da Eletrobras Eletronorte,
Fundação de Ciência e Tecnologia do Pará Fapespa, e mediação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia
- Sedect. A fase de diagnóstico compreende
22 indústrias (oito em Ananindeua, cinco em
Barcarena, seis em Icoaraci e três em Marabá). Todo o processo deve ser concluído em
24 meses.
Inicialmente será feito o levantamento das
instituições do segmento industrial pela Fundação Guamá. Em seguida, a Eletrobras Eletronorte promove a capacitação das Comissões
Internas de Conservação de Energia - Cices e o
desenvolvimento de software para a Gestão do
Consumo de Energia das Indústrias, subsidiando os profissionais com informações que serão
necessárias para uma avaliação do consumo
de energia. As comissões serão compostas por
empregados de turnos, gerente da manutenção, de compras, administrativo, de produção,
líderes de processos, presidente da empresa ou
gerente geral.
A capacitação leva em conta a gestão do consumo de energia, o treinamento do software de
acompanhamento por característica de indústria, a orientação sobre a manutenção voltada à
redução do desperdício de energia, a sensibilização sobre o uso final de equipamento para as
indústrias - iluminação, condicionadores de ar,
motores elétricos, ar comprimido e grupo gerador -, e a elaboração do masterplan de combate
ao desperdício de energia.
No diagnóstico das instalações industriais
serão verificados todos os circuitos elétricos
- análise de bitolas de condutores elétricos,
eletrodutos, quadro de distribuição, quadro
geral de baixa tensão, subestações, sistema
de aterramento elétrico e sistema de proteção
contra descarga atmosférica. Também será feita a análise do dimensionamento de máquinas
motrizes e o diagnóstico sobre a qualidade da
energia e gestão energética (como modalidade de contratos de fornecimento de energia).
A fase final das ações será contemplada com
campanhas educativas promovidas pela Eletrobras Eletronorte no sentido de sensibilizar a
força de trabalho.
Entre as vantagens da eficiência energética nas indústrias paraenses estão a redução
do desperdício de energia elétrica, promoção
de equipamentos mais eficientes, aumento da
competitividade, benefício ao meio ambiente e
melhoria nos processos industriais e no relacionamento com a comunidade. A expectativa é
de que o potencial de redução do consumo no
setor industrial atinja 38%.
A ideia de se trabalhar com eficiência energética nas indústrias do Pará teve início com
o Fórum Paraense de Competitividade. “No
encontro foram identificadas necessidades específicas de aumento da competitividade do
nosso parque industrial. Uma delas diz respeito à existência de uso ineficiente de energia
devido a problemas variados como instalações
elétricas super ou subutilizadas,
hábitos de ineficiência, contrato
de fornecimento inadequado com
a concessionária, enfim, desperdícios que se refletem em custo
de produção e acabam incorporados nos preços dos produtos,
reduzindo a competitividade da
indústria. As ações de eficiência
energética vão aumentar a competitividade da indústria paraense, com aumento e consolidação
do mercado, e crescimento no
número de empregos. Existe,
também, um ganho cultural. Ou
seja, do executivo ao operário da
fábrica, todos devem pensar e viver diariamente o uso eficiente da
energia”, afirma o secretário de
Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Pará, Maurílio Monteiro (acima).
Para a superintendente de
Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico e Eficiência Energética
da Eletrobras Eletronorte, Neusa
Lobato (ao lado), todos ganham
com ações como esta. “Ganha o País, com
a questão do meio ambiente, evitando o desperdício de energia. Ganha a Eletrobras Eletronorte, pois, quanto mais ela fizer as pessoas economizarem, posterga os investimentos
em gerar e transmitir, incentivando a respon-
Eletrobras
produção industrial pós-crise. Nesse sentido,
é importante compararmos o consumo de
2010 em relação a 2008, o que representa
um aumento de apenas 1,5%. Assim, em termos de consumo energético, houve um forte
aumento entre 2009 e 2010, porém esse aumento não representa um crescimento significativo da indústria no período, mas uma retomada da produção fortemente afetada pela
crise econômica”.
correntecontínua 7
Foto: Alexandre Moraes
sabilidade social em relação ao seu produto,
para que seja gasto com consciência. Essa
responsabilidade social ocorre na medida em
que as indústrias, por meio da oportunidade
do aumento de produção, podem gerar mais
empregos. Ganham os municípios e o Estado
do Pará por meio dos impostos que podem
ser aumentados proporcionalmente à produção dessas indústrias, que por sua vez poderão vender mais e com melhor qualidade.
Ganham as pessoas da fábrica porque poderão replicar esses conceitos de eficiência
energética em suas casas”.
Eletronorte
Eletrobras
Ceamazon – O diagnóstico e gestão de eficiência energética nas 41 indústrias do Pará
conta com a participação do Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia
– Ceamazon, localizada no Parque de Ciência
e Tecnologia Guamá, em Belém. O Centro irá
verificar as oportunidades de eficiência energé-
8
correntecontínua
tica que cada indústria possui em termos de
instalações elétricas, contrato de energia, em
suas cargas mecânicas, no uso primário de
energia e a possibilidade de aproveitamento alternativo de energia.
A implantação do Ceamazon, em 2006, é
fruto da parceria entre a Eletrobras, a Universidade Federal do Pará e Governo do Estado.
A instituição propõe o uso racional de energia
e conta com pesquisadores das áreas de engenharia elétrica, mecânica, química, arquitetura
e urbanismo. Sua missão é contribuir para o
desenvolvimento regional, buscando a eficiência energética por meio de desenvolvimento
tecnológico e colaborando com subsídios para
a regulamentação do mercado de eficiência
energética na região.
A coordenadora do Ceamazon, Maria
Emília Tostes, diz que o Centro atua visando à eficiência energética na Amazônia, por
meio da execução de projetos de Pesquisa
Foto: Paulo Santos
Eletronorte
Premiação - A Eletrobras Eletronorte possui como clientes grandes consumidores industriais, a exemplo da Alumar, Albras, Vale
e Alunorte, entre outros. Situada em Barcarena, no Pará, a refinaria Alunorte foi uma
das quatro empresas premiadas no Energy
Efficiency Award 2010. O evento, patrocinado pelo governo alemão, ocorreu em abril de
2010, na cidade de Hannover, e reconhece
o desempenho das empresas na redução do
consumo de energia em suas instalações.
Mais de 90 empresas foram inscritas e um
júri independente, que incluiu líderes da políti-
ca, negócios, ciência e meios de comunicação,
determinou os finalistas e os quatro vencedores.
À Alunorte foi oferecido o prêmio de reconhecimento especial (menção honrosa) pelo processo de melhoria em seus calcinadores, que
melhorou a transferência de calor e reduziu a
perda de pressão, resultando em uma economia significativa de energia e em uma operação
mais estável.
A iniciativa premiou uma nova ação desenvolvida em parceria com a empresa Outotec
na área de calcinação de alumina. O processo
otimizou a separação entre partículas e gás
usando ciclones, resultando em uma economia de energia de 6%. Melhorias como essa
têm ajudado a Alunorte a reduzir o consumo
de energia durante o processo de calcinação
de alumina, de 3.000 kJ/kg para 2.790 kJ/
kg. Em termos de produção anual, traduz-se
numa economia de energia de cerca de 56
milhões de kWh.
Segundo o diretor Industrial da Alunorte,
Daryush Khoshneviss (abaixo), “a Empresa
mostrou preocupação com sua eficiência
energética por meio da correta utilização de
fontes de energia de forma sustentável, que
tem impactos significativos na redução de
emissões para o meio ambiente. Além dos
benefícios ambientais, o projeto gerou também ganhos financeiros, por meio da redução do uso de combustível e do aumento da
produtividade”.
De acordo com a Agência Alemã de Energia
- Dena, a seleção dos vencedores é baseada
em um conjunto de critérios bastante rigorosos. Não é apenas a economia real de energia
que é importante, mas também a relevância
geral da solução aplicada no que diz respeito às alterações climáticas, à capacidade de
aplicar a solução para outros clientes, à viabilidade econômica e à inovação do projeto.
Eletrobras
Foto: Alexandre Moraes
e Desenvolvimento (P&D), consultorias, aulas, palestras e demonstrações. “Os principais
programas ou projetos implementados são o
Procel-Eletrobras e o Compet, da Petrobras.
As ações desenvolvidas provocam a eficiência nas indústrias, e, além da ação direta nas
empresas, existe a divulgação para sociedade
como um todo”.
O Ceamazon possui dois projetos voltados
à eficiência energética industrial. Um deles
refere-se à participação na Rede de Pesquisa
em Energias Renováveis e Eficiência Energética, responsável por um inventário energético
de alguns segmentos da indústria paraense,
financiado pela Fundação
de Amparo a Pesquisa do
Estado do Pará - Fapespa.
Outro projeto consiste na
realização de diagnósticos
energéticos do setor oleiro e
de panificação.
Para Maria Emília (ao lado),
os maiores problemas encontrados nas indústrias estão
relacionados à falta de informação, uma vez que muitas
oportunidades de redução do
consumo de energia elétrica
podem ser solucionadas com
pequenos ajustes, sem necessidade de investimentos em equipamentos. “A
falta de informação leva à aquisição de equipamentos ineficientes com alto consumo de
energia, ou até mesmo com elevado número
de reparos, o que os torna ineficientes. Como a
energia elétrica é considerado como mais um
insumo de um processo produtivo, com a redução do seu desperdício, pode-se reduzir o
custo do produto final, aumentar o poder competitivo da empresa e o número de empregos.
Fora os ganhos econômicos, existe a redução
de carbono enviado à atmosfera”.
correntecontínua 9
Energia Ativa
As energias
superalternativas
Byron de Quevedo
Aquele não era o caminho usual de Vilma vir
da escola, era um atalho! E ele a levou até uma
praça onde viu um rapaz falante e muita gente à sua volta. “O que se passa?” – perguntou.
“Aquele moço ali está fazendo gasolina de plástico!” – disseram uns descrentes. E lá estava ele
como se fosse um “Mister M”, a desvendar os
sortilégios energéticos: “Hanran... O que temos
aqui? Óleo diesel feito de pneu velho!!!”. Incluía
ainda nas suas demonstrações acender uma
lâmpada com a energia extraída de um pedaço
de carne podre. Truques? Que nada, tratava-se
de fato de tecnologia de ponta sendo lançada
precocemente. O jovem era o cientista pioneiro em energias alternativas, Camilo Machado.
Vilma, ao fazer aquele novo caminho, encontrou o seu futuro marido, e o Brasil achou em
inventores como ele o atalho para chegar a soluções superalternativas 60 anos antes do resto
do mundo. E o resultado está aí: hoje somos o
País que explora a maior diversidade de opções
energéticas renováveis.
Camilo Machado:
gasolina de plástico
e diesel de pneu
10
A história de Camilo Machado já foi descrita na edição 219 desta revista (março/abril de
2008). Ela ilustra bem como as fontes superalternativas são percebidas por mentes que acreditam ser possível extrair energia até do último
grão de areia da terra. E elas estão certas: estamos cercados de boas energias, é só percebêlas para tê-las. Como por exemplo, a tal bateria
de micro-organismos: a partir da observação
daquele pedacinho de carne mal cheiroso, a
investigação virou descoberta e ultrapassou as
expectativas do próprio autor, e, hoje, é proposta por centros de pesquisas como uma das soluções para os lixões das cidades.
O artefato mostrou que o suco de carnes
apodrecidas, além da intensa atividade bacteriológica, gerava uma diferença de potencial de
1,8 Volt e, assim, acendia uma lâmpada. Trata-
se de uma reação química de óxido-redução,
na qual elétrons são extraídos de um dado meio
orgânico. E agora, com as novas tecnologias,
extraem-se muita energia em campos putrefatos. O mundo gera mil toneladas de lixo por
segundo. Algo tem que ser feito com urgência.
A Eletrobras Eletronorte investe em fontes superalternativas, que também chama de
‘desrruptivas’, pois, para pesquisá-las, deve-se
romper com os parâmetros científicos usuais.
O Plano Diretor de Inovações Tecnológicas da
Empresa tem como um dos temas a energia alternativa, e como subtemas a energia eólica, a
fotosolar, a biomassa e outras fontes possíveis.
Paralelamente, a Diretoria de Tecnologia da
Eletrobras analisa também os gargalos tecnológicos, ou seja, lacunas de conhecimento científico. Na biomassa, por exemplo, os gargalos
estão no aproveitamento da palha, na gaseificação, na pirólise (gaseificação a calor). Já nos
painéis solares fotovoltaicos, os gargalos estão
no processo de purificação do silício, na soldagem das células fotovoltaicas, nas baterias.
A energia solar - A geração por meio de células fotovoltaicas é um processo que vem sendo
usado em comunidades rurais distantes para o
abastecimento doméstico, irrigações, piscicultura, iluminação de escolas, postos de saúde e
telefônicos, centros comunitários, sem impactos ambientais. A menção da energia eólica solar entre as fontes superalternativas deve-se ao
fato de ela ainda ser uma tecnologia carente de
pesquisas, até que as células fotovoltaicas estejam inseridas nas vidraças dos edifícios, em paredes, em tijolos, em telhas e até objetos do dia
a dia das pessoas. Até o momento, essa fonte
energética ainda tem suas limitações: precisa
de áreas livres para instalação de painéis, as
placas de sílica são caras, e as baterias armazenam pouca eletricidade para suprir o consumo
nos períodos em que as nuvens e as noites interrompem a geração.
A Eletrobras Eletronorte dedica atenção,
também, ao processo pelo qual os raios solares
são convergidos para um só ponto e deles se
extrai o calor. Trata-se de um conjunto de espelhos, que acompanham as posições do sol,
canalizando a luz para a geração de vapor, que,
por sua vez, move turbinas e estas acionam os
geradores de eletricidade. Mas essa fonte também tem seus gargalos: nos concentradores,
nas metodologias, nos tanques térmicos de
armazenagem. Há outras tecnologias classificadas como temas estratégicos de P&D+I (pesquisa e desenvolvimento mais inovação), cujo
desenvolvimento conta com o apoio da Universidade Federal de Campinas - Unicamp, como
o uso da vinhaça, um substrato da produção do
álcool e açúcar tido como altamente poluidor. A
Empresa está apoiando um projeto em Presidente Prudente (SP), cujo processo extrai o gás
metano da vinhaça. Uma vez purificado o gás
irá alimentar motores a combustão, que geram
eletricidade. Depois que a vinhaça passa pelo
biodigestor, perde a sua nocividade e torna-se
um insumo rico para se fazer adubo.
Hidrogênio – Por meio da eletrólise separase a água em duas moléculas de hidrogênio e
uma de oxigênio. Ao introduzir hidrogênio com
reagentes químicos nas células de combustíveis se obtêm a eletricidade. Essa tecnologia
ainda é muito cara, embora o hidrogênio seja
11
abundante na natureza. Segundo o gerente dos
Programas de Pesquisa e Desenvolvimento e
Inovações da Eletrobras Eletronorte, Álvaro Raineri Lima (abaixo), a Empresa apóia três projetos nessa área, sendo que o mais avançado
está sendo desenvolvido na localidade de Pico do Amor, a 50 quilômetros de Cuiabá (MT).
“Por meio de um aparelho denominado reformador de etanol, o
álcool é transformado em hidrogênio, com pureza de 98%. Mas
para uso em grande escala seria
indicado se construir um sistema
novo de transmissão, o ‘hidrogeduto’. Nesse sistema, numa ponta se alimenta com eletricidade a
célula combustível e se obtém o
hidrogênio, e ele segue até a outra
ponta, onde é convertido em eletricidade novamente por outra célula combustível. O sistema de bombeamento do hidrogênio é parecido
com o do gás GLP”.
A Empresa já produz hidrogênio e oxigênio
numa unidade em Belém, mas o hidrogênio é
usado para abastecer os sistemas de refrigeração dos compensadores síncronos de subestações. “A Eletronorte avançou muito tecnologicamente e extrapolou o seu perfil industrial.
Precisamos mapear todas as nossas potencialidades. O oxigênio purificado e com controle
de qualidade, por exemplo, ao invés de ser liberado no ar poderia ser doado aos hospitais.
Os nossos estatutos já nos permitem vender
12
as sobras de capacidade de transmissão de
telecomunicações, via cabo para-raios com fibra óptica, e arrecadaremos R$ 20 milhões só
neste ano. Para comercializar o hidrogênio e o
oxigênio seria necessário fazer uma modificação semelhante”, observa Álvaro.
Higroenergia - O gerente de Controle de
Qualidade de Obras, da Eletrobras Furnas, um
especialista em gestão estratégica da inovação
tecnológica, Ricardo André Marques, diz que o
desafio das alternativas energéticas é viabilizálas economicamente. Como exemplo cita o fato
de que no último leilão de hidroenergia o megawatt.hora foi negociado a R$ 103,00, para
Colider, em Mato Grosso. “Os leilões de eólicas
também estão baixando as tarifas, já há contratações de até R$ 140,00 o megawatt.hora, mas
ainda são preços altos. Outras fontes como o
hidrogênio chegam até R$ 300,00 o megawatt.
hora, o que torna a sua exploração economicamente inviável agora, pois o valor da energia
afeta os custos industriais. Nos Estados Unidos,
Alemanha, Dinamarca e Espanha a energia eólica já está sendo usada em larga escala. Aqui a
deficiência da indústria eólica leva-nos a importar equipamentos. Algumas fontes só se tornam
realidade em 20 anos, quando as tecnologias
minimizam os custos de fabricação de equipamentos e de sua aplicação”, ensina.
Segundo Ricardo, o Brasil tem diversas fontes de energia de baixo custo em exploração e
ainda por explorar. Só usamos 50% do nosso
potencial hidrelétrico. Milhões de toneladas de
biomassa oriunda dos canaviais estão à disposição há anos e só agora vieram os leilões
desse insumo para fins de geração elétrica.
Temos também um enorme potencial de raios,
demonstrando que há muita energia na nossa atmosfera. “É a chamada higroenergia (ver
box). São alternativas que nos deixam esperançosos quanto ao futuro da energia no Brasil.
Tomamos a direção correta ambientalmente.
Muitos países, como Índia, China e Rússia estão se desenvolvendo com a queima de carvão
e óleo diesel e de outros insumos poluidores,
em matrizes térmicas sujas”, enfatiza.
A luz no fim do túnel - Já que pintou sujeira,
falemos do esgoto das cidades, pois, se limparmos os milhares de túneis subterrâneos encontraremos boas reservas energéticas. A Companhia de Saneamento de Minas Gerais – Copasa
se prepara para tornar a Estação de Tratamento de Esgotos Arrudas, em Caetano Furquim,
em Belo Horizonte, apta para a produção de
eletricidade. Ela economizará R$ 2,7 milhões
por ano tornando o tratamento de esgoto da
cidade autossuficiente em eletricidade, o bastante para abastecer as casas de pelo menos
15 mil habitantes. Segundo o superintendente
de Gestão de Energia da Copasa, Marcelo Monachesi Gaio, no tratamento do esgoto pode-se
extrair o biogás, composto de 68% de metano,
nocivo à camada de ozônio. “Antes queimávamos o metano, que gerava gás carbônico, menos prejudicial que o metano, mas ainda assim
nocivo à at mosfera. Com a cogeração, os gases
são limpos, depois alimentam as microturbinas,
que geram energia. O projeto custou R$ 65 milhões, portanto, uma energia ainda cara”.
Até nas fossas tenebrosas, depósitos de
imensas quantidades de excrementos huma-
nos, há potencial energético a ser explorado.
‘A energia do cocô’ como os cientistas gostam
de chamá-la, também será realidade. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos - Cedae,
do Rio de Janeiro, em parceria com a Coppe,
esta montando a primeira fábrica de biodiesel
de fezes humanas, no Caju, na Estação de Tratamento de Esgoto Alegria. Esta será a primeira
usina de biodiesel movida a fezes. Ela foi desenvolvida pela Coppe/UFRJ em 2003, custará
R$ 5 milhões e será feita em parceria com a
Usina Termelétrica Termório.
Segundo o presidente da Cedae, Wagner Victer, ela deverá fornecer biodiesel a preços próximos ao dos postos de combustíveis. “Buscaremos apoio da iniciativa privada para a produção
em escala industrial. As fezes são coletadas no
decantador primário, formado pelos sobrenadantes, que contêm 10% de gordura. A unidadepiloto produzirá seis mil litros de biodiesel/mês,
quantidade que servirá como aditivo de 120 mil
litros de diesel/mês. A mistura do insumo com
a urina não compromete a qualidade do produto. Se ela fosse segregada na fonte teríamos um
aproveitamento maior quantitativamente. Já foi
instalado um sistema para aproveitamento energético do biogás e do lodo, com usina de filtração do gás e dois geradores elétricos, além de
uma planta de pirólise de lodo, que gera bio-óleo
e biocarvão, a serem queimados numa caldeira
associada à turbina a vapor”.
Biomassa - Matérias orgânicas vegetais ou
animais podem se transformar em energia através da combustão em fornos e caldeiras. O biodiesel, por sua vez, pode ser obtido também a
partir de óleos vegetais e tem sido usado em
projetos experimentais na Amazônia. Há oleaginosas muito boas para se fazer o biodiesel,
como a andiroba, o murumuru, a carnaúba, o
jaci, o amendoim-cavalo, dendê, buriti, copaíba, babaçu, andiroba, a ucuúbae e também os
resíduos de madeiras e o bagaço de cana, que
têm ganhado espaço no Brasil.
A Usina Termelétrica Barra Bioenergia, em
Barra Bonita (SP), recentemente inaugurada
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é integrante do Grupo Cosan, do setor sucroenergético, e sua unidade termelétrica de biomassa deverá produzir energia elétrica a partir do bagaço
da cana-de-açúcar para 1,2 um milhão de habitantes quando concluída. A Agência Nacional
de Energia Elétrica – Aneel autorizou, em julho
de 2010, o início das operações comerciais da
termelétrica, que instalou, numa primeira fase,
dois turbogeradores de 33 MW cada um.
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Raspas e restos nos interessam – Fora do
Brasil outras boas experiências são destaques.
A Empresa de Bioenergia inglesa GENeco gera
gás para automóveis a partir do aproveitamento
dos fluidos dos esgotos de residências e já estuda um processo parecido para extrair combustível a partir de restos de comida. A companhia
captou resíduos em 70 casas e gerou gás suficiente para abastecer um carro para rodar 17
mil quilômetros. Segundo Mohammed Saddiq,
diretor da GENeco, o carro tem bom desempenho. “Quem o dirige nem percebe que ele
é abastecido com biogás. Na Suécia 11.500
veículos já rodam com biogás de restos de comida. A ideia é unir a produção de biogás com
o sistema de tratamento de esgoto tornando o
produto comercial no Reino Unido”.
O tratamento anaeróbico de esgoto gera gás,
sem a presença de oxigênio livre, como o metano, o gás sulfídrico e outros. A GENeco, de
fato, não inventou o processo de tratamento
de esgoto, apenas adaptou o veículo para usar
esse tipo de gás. Um projeto semelhante foi
desenvolvido, há 20 anos, pela Universidade de
Brasília e Caesb, através de um pressurizador
dos gases (principalmente o CFC), que quando
lançado sem tratamento na natureza prejudica
a camada de ozônio. Mas, infelizmente, o projeto brasileiro de se extrair gás do esgoto não
foi adiante.
Marés e uísque - A maior turbina movida a
energia de marés do mundo será testada na Escócia. Criada pela Atlantis Resources, a turbina
AK-1000 será instalada no Centro Europeu de
14
Energia Marinha em Orkney. Segundo a empresa, a turbina subaquática suportará a pressão
das fortes correntes marinhas. Com hélices de
18 m de diâmetro, mais de 22 m de altura e 1,3
mil toneladas, ela pode gerar até um MW de eletricidade, o suficiente para abastecer mil casas.
A empresa afirma que, por causa de sua baixa
velocidade, a turbina não causará danos à vida
marinha, mas essa energia superalternativa ainda está em fase de testes. O oceano é sempre
surpreendente, então não vamos fazer muita
onda por enquanto, veremos se a ideia vinga.
E esta agora vai ser sem gelo. Feito de subprodutos da destilação de uísque, ele é desenvolvido por cientistas da Universidade Napier,
em Edimburgo, usa sobras de um setor que
movimenta R$ 11 bilhões/ano. Os pesquisadores dizem que o biobutanol gera 30% mais
energia que o etanol. Eles receberam amostras
de subprodutos da destilação de uísque na
destilaria Glenkinchie, que faz o uísque Edinburgh Malt, em East Lothian. O projeto custou
U$ 260 mil. O sistema utiliza os subprodutos
da destilação de uísque - pot ale -, o líquido
que resta nos alambiques de cobre; e os grãos
esgotados – draff -, como base para produzir o
butanol combustível. Com 1,6 bilhão de litros
de pot ale e 187 mil toneladas de draff produzidos anualmente pelas destilarias de uísque de
malte, os cientistas preconizam a venda desse
biocombustível em postos de gasolina, que, ao
contrário do etanol, substitui a gasolina tradicional, sem precisar fazer adequação nos carros.
Avião e capim – Quem poderia imaginar
que o poste de luz gerasse a própria energia.
Pois é verdade. O pesquisador Fernando Ximenes criou um aviãozinho híbrido, que gera, ao
mesmo tempo, energia eólica e solar. Quando
posicionado no poste, o aviãozinho, por meio
de um bloco de células solares instaladas nas
asas, gera energia solar; e através da hélice
frontal, gera energia eólica. As energias são
armazenadas numa bateria capaz de manter
acesa uma lâmpada do tipo LED por 70 horas
ou seis noites. “O invento está sendo adquirido,
principalmente, para a iluminação de rodovias
e praças. O kit completo: um poste galvanizado
de 24 metros, o aviãozinho, o gerador e a bateria podem fornecer energia para outros seis
postes de iluminação. Nós fabricamos, instalamos e colocamos para funcionar todo o sistema”, comentou Ximenes.
Pioneira no Brasil e a maior do mundo no
ramo, a usina Sykué Bioenergya, instalada na
zona rural de São Desidério, a 860 km de Salva-
dor (BA), produzirá energia com a incineração
de capim-elefante triturado, gerando 30 MW, o
suficiente para abastecer uma cidade de 200
mil habitantes. A usina é a primeira das quatro
projetadas pelo grupo para o município, que foi
escolhido pela disponibilidade e fertilidade das
terras, clima, e pela facilidade de conexão com
a linha receptora da Coelba, que distribuirá a
energia vendida no mercado livre.
A produção anual para a primeira etapa do
projeto, iniciado há três anos, para os quais
foram plantados 4.600 hectares de capimelefante, irrigado com a água do Rio Grande,
será suficiente para movimentar a primeira usina durante todo o ano. Usinas iguais a essa só
existem duas de pequeno porte na Inglaterra e
nos Estados Unidos. O capim-elefante produz
até 20 anos com cortes anuais. O projeto custou
R$ 100 milhões e foi desenvolvido pelo sociólogo Paulo Puterman, em parceria com os sócios
Ana Maria Diniz e Luiz Felipe D’Ávila. Segundo
o diretor-geral da Sykué, Norbertino Morais, o
projeto foi implantado numa área de 11 mil ha,
com mais de cinco mil ha de pastagens abandonadas. “Não precisamos derrubar o cerrado,
apenas recuperamos o já degradado”, afirmam
os idealizadores do projeto.
Serragem e dança - A Celpa, do grupo Rede
Energia, inaugurou um projeto-piloto de energia
alternativa no âmbito do Luz para Todos, cuja
primeira unidade será implantada em Santo
Antonio, no município de Breves, na Ilha de
Marajó (PA), com a utilização de uma térmica
a biomassa e sistemas fotovoltaicos individuais. O sistema atenderá a 43 consumidores de
uma das margens do Rio Amazonas. A planta
produzirá energia a partir da queima direta de
resíduos produzidos pela serraria da comunidade. O sistema tem 50 kW de potência instalada e funciona 24 horas por dia. Os sistemas
fotovoltaicos atenderão a seis famílias da outra
margem do rio.
Segundo a coordenadora da área de Pesquisa e Desenvolvimento e de Eficiência Energética da Celpa, Giorgiana Pinheiro, os projetos de energia alternativa, em parceria com a
UFPA, foram uma saída para levar o serviço às
comunidades onde a extensão da rede é inviável, pelas necessidades de travessias de rios, e
pela dispersão dos consumidores.
Longe dos rios, casas noturnas gastam muita eletricidade com iluminação, aparelhagens
de som e luz, e ar condicionado. Pensando
nisso, Andrew Charalambous, dono do Bar
Surya, em Londres, revestiu a pista de dança
de seu estabelecimento com placas que, ao serem pressionadas pelos passos de uma dança,
produzem uma corrente elétrica que é usada
para atender a 60% do consumo de energia da
casa. A atitude revela uma tendência: em breve
iremos vender a nossa energia gasta em exercícios repetitivos.
Aliás, isto já começou a acontecer. No Crow
Plaza Hotel, em Copenhague, Dinamarca, o
hóspede pode economizar nas suas despesas
ao vender a sua energia corporal, exercitandose em bicicletas ligadas a um gerador de eletricidade. Os voluntários devem produzir pelo
menos dez watts.hora ou 15 minutos de pedaladas normais. Após o exercício eles recebem
um vale-refeição de 26 euros, ou R$ 60,00.
Há quem considere o preço baixo pelas gordurinhas fritadas em exercícios repetitivos. As
clínicas de lipoaspiração, por exemplo, não nos
dão um centavo de desconto nas cirurgias de
retirada de gordura de corpos humanos.
Nossas gorduras podem se transformar em
biodiesel, glicerina, óleos, sabão para lavar cachorros, cosméticos, insumos industriais, lubrificantes, dinamites; enfim, são pneuzinhos
que não devem ser queimados em vão. Um
dia eles valerão muito dinheiro e os gordinhos
serão mais respeitados, pois serão vistos como
importantes reservas de energias superalternativas. Quem viver verá!
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A energia está no ar
O químico Fernando Galembeck (foto) e sua equipe surpreenderam os cientistas durante
a reunião da American Chemical Society, em Boston, Estados Unidos, em 25 de agosto de
2010, ao relatar a sua experiência com a hidroenergia, uma vertente das energias superalternativas que permite coletar a eletricidade da umidade do ar. A tese responde a uma
questão que tem intrigado os estudiosos do assunto: como a eletricidade se forma e é
descarregada abruptamente na atmosfera, não obstante ela também esteja em ambientes serenos, quando o vapor se junta a partículas microscópicas no ar?
O processo é idêntico ao da formação das nuvens, que na sequência
dão início aos relâmpagos. Esse novo avanço sobre a questão
só foi possível depois que estes cientistas brasileiros
descobriram o pulo do gato: como a atmosfera ficava carregada e como captar a sua
energia. Confira a entrevista com
Fernando Galembeck.
Como veio a conclusão que se
poderia captar a energia do ar?
Os nossos experimentos mostravam que metais isolados adquirem cargas elétricas quando expostos a uma atmosfera úmida. Há anos estudo superfícies dos materiais, principalmente os
plásticos, usando novas técnicas de microscopia e outras novidades. Percebi que as superfícies tinham gradientes de potencial elétrico; ou seja, quando se olha um ponto da superfície,
medindo-se o potencial elétrico, se obtêm um valor; medem-se
mais outros e veremos outros valores, o que evidencia variações
de potencial nas superfícies, algo para mim inesperado. Passei a
trabalhar com propriedades eletrostáticas em isolantes, testando
resultados. Fiz o experimento chamado de ‘Copo de Faraday’,
que mede cargas elétricas em sólidos, verificando as cargas elétricas dos metais quando expostos a umidade.
E o que o senhor verificou?
Por exemplo, o alumínio fica negativo, o aço inox fica positivo
e o cobre fica pouco negativo. A superfície dos metais é coberta
por uma camada fina de óxidos. Sobre o alumínio há uma película fina de óxido de alumínio; por cima do aço inox há a camada
fina de óxido de cromo e assim por diante. Estes óxidos têm o caráter de ácido e o caráter de básico. Isso mostra que a molécula
de água se divide uma parte num íon H+ e a outra parte em íon
OH-. Quando a molécula de água encontra a superfície do alumínio ela pode se separar, o íon OH- liga-se no óxido de alumínio
e o íon H+ fica próximo ao centro. Como íon H- é carga negativa,
ele torna o alumínio negativo. No caso do aço inox acontece o
contrário. Isso mostra que a energia, mesmo vinda da atmosfera,
pode ser captada pelos metais.
16
Como é o seu protótipo e qual a
semelhança com os painéis fotovoltaicos?
As células fotovoltaicas dos painéis solares captam fótons
de luz, ou seja, um pulso de luz. O meu protótipo é diferente: coleta a eletricidade do ar. Ele é parecido com um sanduíche de cinco camadas: uma externa de papel; a outra,
uma folha de alumínio; a outra é um filme de papel; mais
uma folha de aço inox sensível; e a última camada é outra
folha de papel. É um capacitor que permite que o alumínio
e o inox sejam expostos a uma atmosfera rica em umidade e
gera cerca de 0,7 Volts. Se colocarmos vários desses artefatos em série, teremos voltagens consideráveis.
Aqui e abaixo, peças aparentemente
simples do invento de Galembeck
Como se forma a
eletricidade na atmosfera?
Supõem-se que a eletricidade da atmosfera se forme
devido a dois fatores principais. O primeiro, o fato de que
quando os vapores d’água se condensam, formando gotículas, eles o fazem de uma forma em que as gotas não
ficam neutras, todas têm uma carga. O segundo fator é
que estando na terra ou na atmosfera nós sempre estamos sujeitos ao campo elétrico. E é um campo estático
que não é desprezível, tem 100 Volts por metro. Os campos elétricos afetam o que está na atmosfera, inclusive as
gotinhas d água.
Como coletar a energia do ar sem
transformar o experimento num para-raios?
Os experimentos feitos com os metais mostram que é
possível recolher íons da água da atmosfera, portanto recolher eletricidade, mas não no momento em que o raio
acontece, esta é uma situação de descarga extrema e danosa. A captação é feita num momento suave, que acontece antes das precipitações dos raios. É evidente que onde
há raios existe muita energia. A eletricidade dos raios deve
ser jogada para a terra. E já ficamos muito satisfeitos que
ela chegue aqui embaixo sem causar desastres. A energia
da descarga elétrica dos raios não é muito alta, a corrente
elétrica é que é muito intensa. Porém, a duração do raio
é bastante curta. Então, embora a corrente seja intensa e
como a duração é curta, a quantidade de energia não é
grande, mas a potência é muito alta.
Um dia será possível
captar a energia dos raios?
No futuro será possível, mas até o momento não conseguimos captar a energia dos raios. Eu preconizo uma captação, mas
antes que as descargas dos raios aconteçam. Muitos já se acidentaram ao tentar coletar a eletricidade deles. O famoso Benjamin Franklin, por exemplo, sobreviveu a um acidente elétrico,
quando içava uma pipa num dia com incidência de descargas
elétricas, porém outros não tiveram a mesma sorte. O raio é uma
corrente muito grande em tempo muito curto, que descarrega
uma potência enorme de uma forma muito destrutiva. Se eu tenho uma corrente menor por um tempo maior, eu consigo usar
essa energia sem destruir nada. Por isso fizemos os painéis de
drenagem de energia do ar, como uma forma, inclusive, de usar
parte da energia que na sequência iria formar os raios e assim
evitar os seus efeitos danosos.
Quais os melhores lugares para se instalar
o que o senhor chama de painéis de drenagem?
Em lugares altos: topo dos edifícios, montanhas, torres. Um
dia eu estava no restaurante do terraço do Edifício Itália, em
São Paulo, e havia formação de nuvens carregadas. Não chovia ainda, e vi que quando as pessoas saiam da parte coberta
para a área descoberta, o cabelo delas se espetava para cima,
como se tivessem numa máquina eletrostática, evidenciando
que elas estavam expostas à eletricidade. Ou seja, elas estavam sendo eletrizadas e ao interagir com as nuvens, a energia
fluía da atmosfera para as pessoas. Se tivéssemos ali as placas,
captaríamos a eletricidade no momento anterior à precipitação
dos raios. Aliás, eles ocorrem porque há o acúmulo de cargas
nas nuvens. Hoje tem vidros condutores, que podem ser cobertos por camadas de material condutor. É possível se instalar
neles mecanismos de captação. O desafio dessa tecnologia é
desenvolvê-la com segurança para as pessoas. Creio que no
futuro os prédios serão construídos já aptos a captações de eletricidade atmosférica.
Como o seu invento se integraria
ao atual sistema de geração de energia?
As hidrelétricas são feitas próximas das quedas da água onde
há muitos vapores e seus vertedouros também geram muito
vapor. Seriam excelentes locais para instalar os nossos painéis.
Assim teríamos uma energia complementar, com estoques energéticos talvez superiores as das reservas hídricas.
Como a comunidade científica
mundial recebeu o seu invento?
Uns dizem que sou louco, outros ficaram muito entusiasmados. Tenho recebido mensagens de pesquisadores de vários
países, alguns, inclusive, querem vir ao Brasil para interagir
com a nossa equipe, pois eles também estão pesquisando novas fontes de energia.
17
História
18
Fragmentos
históricos
do Brasil
Pedra das Arraias (PA) - A rocha foi encontrada em 1998 pelo empregado Paulo Edgar
Dias Almeida, que exercia uma rotineira operação na linha de transmissão conhecida como
Tramo-Oeste, no trecho compreendido entre
Tucuruí e Altamira. Do alto da torre de transmissão ele avistou algo que chamou a sua atenção:
uma pedra com alguns detalhes diferentes,
coisa que nunca havia visto antes. O que Paulo não imaginava é que tinha encontrado um
importante material arqueológico, a Pedra das
Arraias (foto maior).
Atualmente, o Museu Emílio Goeldi é um
dos responsáveis pela preservação da Pedra.
Segundo pesquisa realizada pela arqueóloga
do Museu, Edithe Pereira, a pedra possui características estilísticas das gravuras rupestres.
Além da Pedra, mais três sítios com gravuras
foram encontrados na mesma região. “Entre
os animais representados destacam-se as representações de arraias, o que é raro na arte
rupestre da Amazônia. Cada um dos painéis se
encontra em um bloco rochoso, com idade de
no mínimo quatro mil anos. Desde a descoberta, as pesquisas sobre o artefato não pararam”,
ressalta Edithe Pereira (acima).
Com aproximadamente 48 m² de área e cinco metros de altura, em forma de paralelepípedo, a Pedra das Arraias pesa cerca de mil
toneladas. A rocha era utilizada pelos povos primitivos daquela região como um templo, onde
se reuniam e, pelos simbolismos das imagens
gravadas, oravam pela fartura da caça e pela
própria subsistência.
A partir das pesquisas já realizadas, Edithe
Pereira enumera algumas recomendações para
a preservação e divulgação da Pedra das Arraias, para que gerações futuras possam conhecer o artefato, como a proteção física do sítio,
para que no futuro possa ser aberto à visitação
pública sem colocar em risco a sua integridade;
a limpeza e consolidação do suporte onde estão as gravuras; a divulgação dos resultados da
pesquisa para o público especializado e leigo;
a reprodução fiel das gravuras rupestres e um
projeto de educação patrimonial para estudantes e turistas.
Eletronorte
Um país é constituído por histórias, mitos,
crenças, passados de geração em geração.
Antes de o navegador português Pedro Álvares
Cabral desembarcar na Ilha de Vera Cruz, hoje
o Brasil, povos antigos já habitavam em terras
tupiniquins. Prova disso são os materiais arqueológicos encontrados por pesquisadores da
Eletrobras Eletronorte, antes e durante as construções das usinas e as linhas de transmissão.
Nos estados do Pará, Tocantins e Rondônia,
por exemplo, foram encontrados materiais arqueológicos de grande valia nacional e internacional. São artefatos cerâmicos (vasilhames),
artes rupestres, líticos (machados e outros
utensílios), que ilustram o contexto histórico de
outras épocas.
A Empresa financia e apóia esses estudos
com a colaboração e participação de instituições científicas renomadas, como o Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional –
Iphan; o Núcleo Tocantinense de Arqueologia
da Universidade Federal do Tocantins; o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – Inpa;
e o Museu Paraense Emilio Goeldi, que há anos
preservam e estudam a história dos nossos antepassados.
Eletrobras
Prólogo – Continuando as comemorações dos 33 anos da revista Corrente Contínua, abordamos
nesta edição o salvamento arqueológico feito nas áreas de construção de empreendimentos de
geração e transmissão de energia elétrica. Atuando na Amazônia brasileira, a Eletrobras Eletronorte
já descobriu vasto acervo histórico no Pará, Amazonas, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia e Acre,
principalmente. A história demonstra a ocupação das terras no norte brasileiro pelo homem há milhares de anos, e entre descobertas e análises, vem à tona um capítulo a parte da história do Brasil,
recheado de boas notícias e também de polêmicas. É como diz o arqueólogo da Empresa, Eurico
Miller: “Nenhuma ciência vem pronta, ela vai sendo aprimorada...”
correntecontínua 19
Artefatos culturais (TO) - O território do Estado do Tocantins é rico em sítios arqueológicos
de diversas naturezas, que estão relacionados
a grupos caçadores e coletores, e grupos ceramistas, com cerca de 25 mil anos a.C.. Quando
a Eletronorte Eletrobras construiu o primeiro
trecho da linha de transmissão Norte-Sul, de
Imperatriz, no Maranhão, até Colinas e Miracema, no Tocantins, realizou-se um convênio
entre a Unitins Eletronorte e, desde então, as
pesquisas não pararam.
O Nuta – Núcleo Tocantinense de Arqueologia – da Unitins – Fundação Universidade do
Tocantins, é o responsável pelos estudos arqueológicos na região desde 1998. As pesquisas
realizadas de forma sistemática têm contribuído para o aprofundamento sobre as ocupações
pré-coloniais nas margens do baixo ao médio
curso do Rio Tocantins, de norte a sul e de leste
a oeste do estado.
A coordenadora-geral do Nuta, Antônia
Custódia Pedreira, afirma que as pesquisas
permitem esboçar o panorama de 380 sítios
arqueológicos registrados, de onde uma infinidade de evidências materiais coletadas revelam
modos e processos culturais vivenciados pelos
grupos pré-históricos no processo de ocupação
regional e na utilização dos recursos naturais.
“Ainda hoje, há a identificação de vários e diferentes tipos de sítios arqueológicos que têm resultado
na coleta de centenas de
artefatos culturais, (fotos
abaixo), produzidos e deixados pelas populações
humanas que habitaram
essa região em tempos
pretéritos”, explica.
Ainda segundo a Coordenadora, “o pouco conhecimento levou os pesquisadores a se dedicarem aos trabalhos de prospecções e resgates
arqueológicos intensos, e os empreendimentos
da Eletrobras Eletronorte possibilitaram condições e visibilidade aos estudos no Tocantins.
Mas, essencialmente, promoveram a memória
dos sítios arqueológicos e, consequentemente,
dos grupos pré-coloniais, motivados também
pelo interesse em reforçar a própria identidade
atual do povo tocantinense”, ressalta Antonia
Custódia (acima).
Eletronorte
Eletrobras
Hidrelétricas – Nas áreas de influência de três
usinas hidrelétricas construídas pela Eletrobras
Eletronorte – Balbina, Samuel e Tucuruí – também foram desenvolvidos estudos e pesquisas
arqueológicas noticiadas em nossas páginas.
Em, Balbina (AM), os trabalhos de campo
foram realizados nos anos de 1987 e 1988,
antes e durante a formação do lago formado
pelo Rio Uatumã. Do potencial de sítios existentes, 150 foram registrados in loco. A quase
totalidade das coleções é de cerâmica oriunda
principalmente de superfície, não sendo suficientemente representativas as coleções de
cortes estratigráficos. As coleções cerâmicas
20 correntecontínua
Em Tucuruí (PA), os trabalhos de campo patrocinados pela Eletronorte foram executados
por uma equipe do Museu Paraense Emílio Goledi, entre 1977 e 1978. As pesquisas se concentraram no setor acima da cidade de Tucuruí
a se represado pela barragem. Foram encontrados 28 sítios na região, um pouco jusante e a
montante da cidade de Tucuruí até a corredeira
de Itaboca, inclusive junto da antiga ferrovia
Tucuruí-Jatobal e da estrada Tucuruí-Cametá.
O total de amostragem cerâmica é de cerca de
46 mil fragmentos, e os espécimes líticos ultrapassam 4,4 mil. As amostras de seis sítios foram
Eletronorte
somaram acima de 500 mil fragmentos e várias
peças completas. Segundo as análises feitas à
época, estão representadas três tradições. Os
líticos somam vários milhares. Algumas amostras de carvão e dezenas de amostras de solo
também coletadas.
Em Samuel (RO), os trabalhos de campo foram realizados também em 1987 e 88. O Rio
Jamari foi pesquisado ao longo de 260 km a
montante e 70 km a jusante, em barcos a motor e, pelas poucas trilhas e estradas existentes.
Muitos sítios foram facilmente detectados devido à presença de terra preta, várias espécies
de plantas úteis e outros indicadores arqueológicos. Alguns desses sítios já eram conhecidos, mas o tempo não permitiu verificar todos
os indicados pelos habitantes do local. Embora
121 sítios fossem registrados, in loco, apenas
um número reduzido de sítios foi escavado para
amostragem.
Descrições, coleções de superfícies, cortes
estratigráficos e extensas trincheiras foram obtidas de 101 sítios. Várias trincheiras foram abertas em alguns sítios, para o estudo da composição arqueológica, como habitação e cemitério,
e da formação de terra preta arqueológica e sua
antropogênese, através da sucessão cultural
das ocupações de pré-ceramistas e caçadorescoletores aos pré-ceramistas agricultores incipientes, aos ceramistas agrícolas, aos neobrasileiros e aos históricos.
Eletrobras
Descrições,
coleções de
superfícies,
cortes
estratigráficos
e extensas
trincheiras
foram obtidas
de vários sítios
correntecontínua 21
muito pequenas ou muito erodidas para fornecerem identificação confiável. Um sítio corresponde
a uma aldeia Parakanã ocupada até 1920.
Arqueologia como ecologia - “Cada região é
única e singular, podem se assemelhar, mas não
se repetem: sucedem-se em ecótonos, ecótipos
dos ecossistemas. E isso é válido do ponto de
vista principalmente climático, que influencia o
ambiente e por conseguinte o modo de ser de
cada cultura humana”explica Eurico Miller.
Ele detalha o trabalho realizado nas hidrelétricas: “Em Tucuruí, conduzíamos a arqueologia
como ecologia humana. Avaliando o resultado
nos sítios pesquisados, sob esse ponto de vista,
o dado mais significativo observado é o de que
tanto os recursos aquáticos, quanto os de solo
agricultável, estavam disponíveis e suficientes
para a subsistência das aldeias. Esse fato corro-
bora para explicar a não-invasão territorial entre
a cultura Tauá ao norte e a cultura Tucuruí ao
sul, ao longo das corredeiras, durante toda a
sua coexistência”.
“Em Balbina, dez anos depois, a arqueologia
como ecologia humana, linha que praticamos,
perscrutando a região, os acervos resgatados
pelos arqueólogos, revelou que, apesar do solo
ácido, com pouca produtividade agrícola, e das
águas ácidas do Uatumã, foi justo aí que ocorreu uma das maiores diversidades culturais de
tradições ceramistas na Amazônia. Causa: os
habitantes indígenas foram atraídos pelos inúmeros recursos aquáticos para a sua subsistência, providos principalmente pela tartaruga, o
pirarucu e o peixe-boi. A agricultura foi apenas
complementar, contrariando o paradigma então
vigente de que ‘o ambiente da tradição polícroma estaria restrito à várzea amazônica’, mais
propícia para a agricultura”.
“Já em Samuel, ao tempo de Balbina, sob
nossa coordenação, como ecologia humana,
em campo e laboratório, os resultados revelaram que também essa região guarda inúmeras
surpresas sobre o modo de vida do homem
Eletronorte
Eletrobras
Eurico Miller,
uma história de
dois mil sítios
arqueológicos
22 correntecontínua
foram perdidos, mas a maioria está guardada nos museus,
universidades e institutos, que trabalham com a Empresa”.
Para Miller, o Brasil é um grande sítio arqueológico de diferentes períodos e com uma enorme variedade de vestígios
materiais. Preservar os sítios arqueológicos é a única forma de
conhecer a pré-história do País, a formação da identidade do
povo brasileiro.
“Todas as peças arqueológicas têm a mesma importância,
porque um fragmento pode dar uma série de informações. A
cultura é uma colcha de retalhos. Um caco, por mais insignificante que seja, tem a sua importância. Nem uma ciência
vem pronta, ela vai sendo aprimorada, e as informações obtidas com os salvamentos arqueológicos são essenciais para que
conheçamos a nós mesmos”, conclui o arqueólogo.
Eletronorte
Desde 1985, Eurico Miller (foto), arqueólogo da Eletrobras Eletronorte participa das pesquisas e descobertas de
sítios arqueológicos em áreas de construção de usinas hidrelétricas e linhas de transmissão. “Comecei a fazer as
pesquisas na Usina Hidrelétrica Samuel e, desde então,
nunca mais parei. Durante esse período mais de dois mil
sítios arqueológicos foram encontrados durante as minhas
pesquisas, das mais diversas culturas. E toda essa história
pode ser explicada nos fragmentos encontrados, onde está
boa parte da cultura do nosso País”, conta.
Segundo Miller, “os sítios arqueológicos são, muitas vezes, as únicas fontes de acesso e pesquisa ao passado remoto ou até mesmo o passado próximo. Infelizmente, com
o passar dos anos, muitos dos fragmentos encontrados
“Em Balbina,
Samuel e
Tucuruí, a
arqueologia
como ecologia
humana”
Eletrobras
autóctone. Segundo as evidências de pedra
lascada desde seis metros de profundidade, os
caçadores-coletores da cultura Itapipoca, nove
mil anos atrás, já eram comuns. Os caçadorescoletores da cultura Massangana, na virada dos
5.200 anos atrás, surgem com a agricultura da
mandioca, das terras pretas e das aldeias mais
antigas, até o presente, passando a ser caçadores-agricultores, mas ainda sem cerâmica, a
qual surge aos 2,6 mil anos atrás, com o nome
de cultura Jamari”.
A história não terminará aí, e ficará muito
mais intrigante se nos reportarmos ao levantamento arqueológico do aproveitamento hidrelétrico Ji-Paraná. Lá, em 1986, a Eletronorte ajudou a descobrir uma nova cultura, batizada em
2009 de Proto-Tupiguarani. Detalhe: a cerâmica
pintada e corrugada Proto-Tupiguarani foi datada pelo carbono-14 em 5.100 anos. Por essa
época as pirâmides do Egito e do Perú (Caral)
estavam sendo construídas, mas ainda não tinham cerâmica pintada.
É, o tempo não para, ele corre atrás da gente
e a gente corre atrás dele. Sempre.
Colaborou Higor Sousa Silva
correntecontínua 23
Circuito
Circuito Interno
Interno
Uma
homenagem a
Jorge Nassar Palmeira
Eletronorte
Eletrobras
César Fechine
24 correntecontínua
A frase era dita num tom de brincadeira com
o sotaque dos ascendentes libaneses, trocando
o gênero do artigo: “a gente tem que fazer ‘o’
lojinha dar lucro”. Era assim, brincando, que
Jorge Nassar Palmeira prevenia os colegas sobre a necessidade de melhorar os processos
produtivos, operacionais e financeiros da Eletrobras Eletronorte para que a Empresa alcançasse resultados positivos.
A Eletrobras Eletronorte já foi
considerada uma Empresa de
desenvolvimento regional, de fomento governamental, mas nos
últimos anos a busca pelo resultado econômico-financeiro positivo passou a ser fundamental
no mapa estratégico empresarial.
Quando assumiu a presidência da
Empresa, em maio de 2008, Jorge
Palmeira estabeleceu como uma
das metas principais a busca do
‘azul contábil’.
Os resultados apareceriam dois anos depois.
“Nós estávamos sempre no vermelho. A Eletronorte, desde que foi criada, nunca deu lucro.
Só no ano passado, pela primeira vez, a Em-
presa apresentou lucro, sob a batuta de Jorge
Palmeira”, declara o engenheiro Eduardo Celso
Carramaschi (à esquerda), que conheceu Palmeira no fim dos anos 1980, quando se começou a difundir na Empresa os conceitos de
produtividade e qualidade total.
Para alcançar o lucro, várias ações foram
implantadas para resolver os problemas estruturais da Eletrobras Eletronorte, tais como a capitalização para o pagamento da dívida junto à
Eletrobras; a transferência de
ativos de transmissão abaixo
de 230 kV, conforme prevê a
legislação; a renegociação de
contratos deficitários; a busca
de novas fontes de financiamentos e a diminuição dos
custos operacionais.
Foi devido às gestões de
Jorge Palmeira junto à Eletrobras que a Empresa pôde alcançar o lucro que ainda não
se registrara na sua história,
confirma Francisco Antônio Almendra (ao lado), que foi chefe do gabinete da
Presidência na gestão de Palmeira. “Nos meus
despachos diários, eu levava uma pasta com
documentos para que ele assinasse. Quando a
pasta estava com poucos documentos, eu dizia: “‘o’ lojinha hoje não faturou quase nada”. E
ele respondia: “então se esforce para ‘o’ lojinha
faturar algo mais”, recorda.
Amigos
e família:
com eles Jorge
cozinhava e
cantava
Eletronorte
Metodologias e melhorias - Jorge Palmeira
começou trabalhando na manutenção dos sistemas de proteção e controle elétricos, tendo
participado de todos os comissionamentos dos
sistemas de transmissão da Usina Hidrelétrica Tucuruí. Apenas seis meses depois de ser
contratado, assumiu a gerência do laboratório
eletroeletrônico.
Entre os novos colegas de Empresa, fez amizades que se perpetuariam por toda a vida,
como Joaquim Alves dos Santos e Waldomiro
Machado. “Ele sempre se destacou na área
operacional, nos treinamentos e no comando
das equipes de campo”, lembra Joaquim.
Em 1988, Palmeira foi indicado para a coordenação da Divisão Técnica e, no mesmo ano,
promovido à gerência da Regional do Pará. Algum tempo depois, em 1991, concluiria o mestrado em engenharia elétrica.
O grande salto na carreira viria em 1995,
com a indicação para o cargo de diretor de
Produção e Comercialização. Em pouco
tempo, Jorge Palmeira detectou a necessidade de diminuir os índices de falhas nos
equipamentos, desligamentos e custos de
manutenção e instituiu um grupo de trabalho composto por engenheiros especialistas
de todas as unidades da Empresa para estudar os problemas.
Eletrobras
Engenharia - Nascido em Belém (PA), em
23 de março de 1957, Jorge Palmeira buscava
desde criança entender a engenharia das coisas, ora desmontando os brinquedos da irmã,
Nadgela, para saber como funcionavam, ora
montando e soltando foguetes com os amigos
do chamado Clube de Ciências. Os brinquedos
da irmã nem sempre eram remontados corretamente, o que a deixava brava, mas os foguetes
subiam e desciam intactos.
Precoce, ingressou aos 16 anos na Universidade Federal do Pará no curso de engenharia elétrica, época em que também ajudava os pais, Geraldo e Ivanir, nos negócios
familiares. Logo depois, montou sua própria
empresa de projetos de sistemas eletrônicos
e de telecomunicações. A colação de grau
como engenheiro ocorreu em 1978, quando,
numa comemoração familiar, conheceu Shirley, com quem viria a se casar no dia 23 de
dezembro de 1980.
Três meses depois, começaria também o casamento, digamos, profissional. “Ele começou
a trabalhar na Eletronorte no dia 10 de março
de 1981, que é o dia do meu aniversário. Eu
costumo dizer que foram quase 30 anos de casamento com o Jorge e de casamento com a
Empresa”, declara a médica Shirley Josefa da
Silva Palmeira.
Os frutos do casamento de Jorge e Shirley
são Geraldo Manso Palmeira Neto, 24 anos, estudante de engenharia mecatrônica, e Mônica
da Silva Nassar Palmeira, 21 anos, estudante
de arquitetura.
correntecontínua 25
Eletronorte
Eletrobras
26 correntecontínua
Em 1997, após a realização de uma série
de pesquisas, reuniões de trabalho, visitas técnicas a diversas empresas e participações em
simpósios e seminários, decidiu-se pela adoção da metodologia de Manutenção Produtiva
Total – TPM, efetivada pela Diretoria da Empresa em 1998. É na gestão de Jorge Palmeira
que a Empresa obtém a primeira premiação
do Instituto Japonês de Manutenção da Planta
– JIPM (sigla em inglês). O Instituto é a organização detentora da
marca e quem faz as auditorias
relativas à metodologia nas empresas em todo o mundo.
De lá para cá, os resultados
não param de aparecer, com a
Empresa tendo obtido sete premiações, além da identificação
e implementação de milhares de
melhorias. “Todo esse trabalho
começou sob a liderança dele
que, como gerente da Regional
do Pará, ficou responsável pela
Secretaria de Controle da Qualidade Total,
quando começou a formação dos multiplicadores”, relembra o assistente da Presidência,
Antônio Carlos Faria de Paiva (acima). Ele comenta que, por ter começado a trabalhar na
produção, no ‘chão de fábrica’, Jorge Palmeira evoluiu conhecendo todas as instalações
da Empresa.
Quando chegava à noite em casa, Jorge pegava livros para estudar ou ia fazer pesquisas
no computador. “Ele era muito preocupado
com o saber, buscava o conhecimento da causa”, relata Shirley.
“O Jorge sempre teve uma competência
extraordinária, era um homem extremamente
motivado e motivador. E tinha determinação
para melhorar os processos e as condições
de trabalho. Ele prestou excelentes serviços
à Empresa, principalmente com relação ao
TPM, e fez com que a Eletronorte fosse a
primeira empresa no mundo a ter uma planta de geração de energia elétrica a ganhar
o Prêmio Excelência do JIPM”, acrescenta
Almendra.
“A competência administrativa de Jorge
Palmeira trouxe uma contribuição significativa
para o crescimento da Eletronorte e estou certo de que a sua filosofia será transmitida para
todos os empregados. Jorge Palmeira trouxe
uma grande contribuição não só para a Eletronorte, mas para todo o Setor Elétrico brasileiro.
Eu penso que os seus esforços serão reconhecidos para sempre”, diz o professor Suzuki, auditor do JIPM (à esquerda, com Jorge).
A aplicação da metodologia do TPM foi retomada em todas as unidades da Empresa após
a posse, em 2008, de
Palmeira como diretorpresidente. Ele também
é coautor do livro Flexibilização Organizacional:
aplicação de um modelo
de produtividade total.
Até o fim de 2010, a
Usina Hidrelétrica Tucuruí deve participar de
auditoria do JIPM e pode ser aprovada como
a primeira unidade do setor elétrico mundial a
conquistar o Prêmio Especial em TPM.
Honestidade - Zenon Pereira Leitão (acima)
foi assistente de Jorge Palmeira na Diretoria de
Produção e Comercialização. Ele revela que
a determinação, competência e honestidade
eram as principais características do então diretor, que não recebia nenhum fornecedor ou
interlocutor externo em audiência, visita ou almoço sem contar com a presença de um dos
seus assistentes. “Com isso, ele demonstrava
que não basta ser honesto, é preciso mostrar
que é honesto. E não dava margem para qualquer tipo de assédio ou ilação. Um ponto marcante do Jorge foi sempre o cuidado e o zelo
com o bem público”, afirma.
Palmeira era obstinado em evitar perdas,
desperdício, e isso fazia parte do seu dia a
dia. “Ele trouxe isso de família, das suas origens. Quando íamos a um restaurante, por
exemplo, ele não achava adequado desperdiçar comida. E na Empresa, da mesma forma,
combatia a sobra de material, a sujeira, era
ro, deixa alguma coisa para gente”. “E ele,
honesto, achava um horror corromper, foi ao
banheiro, pegou uma nota de um real, enrolou e deixou, dizendo que era para o guarda
aprender. E fomos embora. Quando chegou
a Brasília, ele tirou a habilitação para dirigir
aquele tipo de veículo”, conta Shirley.
Outro aspecto essencial da personalidade de
Jorge Palmeira citado por quem o conhecia no
íntimo era a fé que possuía em Nossa Senhora
das Graças, também conhecida como Nossa
Senhora da Medalha Milagrosa. “Ele era uma
pessoa espiritualizada, tinha muita fé em Nossa Senhora e nunca faltou ao Círio de Nazaré”,
comenta Shirley (abaixo, com Jorge).
Família - Por força de suas obrigações,
Jorge Palmeira viajava constantemente, mas
dedicava especial atenção e carinho para
com a família. “Não importava se ele passa-
Eletronorte
Eletrobras
fascinado por instalações limpas, sinalizadas,
com as máquinas funcionando direito”, rememora Zenon.
Com o tempo, os empregados também sairiam
ganhando ao trabalhar nestas condições. “Prova
disso foram os ganhos obtidos com a implantação do TPM, que tanto bem fez à Empresa e aos
trabalhadores, que tiveram as suas habilidades e
competências ampliadas”, opina Zenon.
Apesar de parecer duro, Palmeira era
sensível no íntimo, quando as decisões envolviam pessoas. “Ele dizia: ‘Zenon, eu estou
sofrendo e tenho que tomar esta decisão logo,
senão o coração vai falar mais alto’”. Entre as
decisões difíceis, houve a demissão de empregado de uma Regional, que havia levado
um poste da Empresa para a sua chácara
particular. “Após rigorosa apuração, o colega
foi demitido por justa causa. O Jorge não fazia
concessões quanto à honestidade. Só quem
o conhecia sabia o quanto lhe doía tomar este
tipo de decisão. Eram princípios que ele trazia
de berço, dos quais não abria mão. Eu aprendi muito com o Jorge, de quem me tornei um
grande amigo.”
Para a secretária-executiva da Presidência
da Eletrobras Eletronorte, Lucimar Viscovini
(abaixo), Jorge Palmeira era um exemplo, tanto
profissional, quanto pessoal, e uma de suas características mais marcantes era o entusiasmo
pela vida, pelo trabalho, pela família, pelos amigos e colegas. “Ele me ensinou que o significado da palavra entusiasmo é ‘ter o divino dentro
de si’. E aprendi isso na prática, vendo o seu
entusiasmo, persistência, obstinação.”
Numa viagem com a família, Jorge acabou pregando uma peça num guarda rodoviário, mal-intencionado, ao parar numa
blitz. Ele dirigia um veículo Besta (acima, à
direita), mas não sabia que precisava de habilitação especial. Depois de muita conversa,
o guarda disse: “o senhor vai ali ao banhei-
correntecontínua 27
Eletronorte
Eletrobras
va a semana inteira trabalhando ou viajando,
no sábado ele tinha que estar em casa com
a família. Mesmo que no domingo precisasse
viajar”, recorda Shirley.
Em casa, brincava com os filhos e os auxiliava nas tarefas escolares. É claro que os
brinquedos favoritos eram os elétricos e de
circuitos eletrônicos. “Ele me dava aulas de
física e matemática, era muito bom nisso. E
dominava o inglês, francês e espanhol”, conta
o filho Geraldo.
“Meu pai sempre foi meio meninão, gostava
de jogar com a gente, de tocar violão e cantar.
Quando éramos criança, íamos para a Disney
Na galeria dos Presidentes
da Eletrobras Eletronorte
28 correntecontínua
e esse era um dos seus programas favoritos”,
lembra Mônica.
Cozinheiro de mão cheia, Jorge Palmeira
preparava receitas de comida árabe, como
quibe, charuto, homus, terrine. Fazia churrasco, bacalhau ao forno e uma receita especial
que a filha adorava: pernil de porco ao molho
de amoras.
Foi o pai quem ensinou os primeiros acordes
de violão aos filhos, depois que eles compraram
as cordas para o instrumento que vivia encostado num canto da casa. E depois que aprenderam, não pararam mais, tocavam horas juntos.
O inseparável amigo Joaquim (à esquerda,
com Jorge ao violão) sempre participava da
cantoria. “Fale um autor, um cantor, ou uma
canção, não importa, o que vier a gente canta”,
lembra Joaquim, completando que Palmeira
gostava de samba, MPB e entre os compositores favoritos estava Ataulfo Alves.
“Os prazeres dele eram trabalhar, comer e
cantar. Ele gostava muito de cozinhar, de reunir a família, os amigos, enfim, de animação. E
isso fazia com que ficássemos juntos, era muito
prazeroso”, lembra Shirley.
Doente de câncer, Jorge Palmeira trabalhou
até o último dia. Faleceu em 10 de agosto de
2010, em Brasília. Ocupou múltiplas funções e
teve uma vida intensa, assim como as canções
de que tanto gostava, como a indefectível composição de Ataulfo: “leva meu samba... meu
mensageiro... este recado... para o meu amor
primeiro...”
A Eletrobras está estudando a entrada em
novos negócios de geração e transmissão em
parceria com os países vizinhos da América
do Sul e buscando oportunidades de crescimento no mercado energético nacional, ao
mesmo tempo em que trabalha a sustentabilidade empresarial. Uma dessas ações prevê
a capitalização da Eletrobras Eletronorte em
R$ 1,2 bilhão para investimentos em novos
empreendimentos, informa Armando Casado
de Araújo (acima, em apresentação na Apimec), diretor Financeiro e de Relações com
Investidores da Eletrobras, que participou recentemente de uma série de apresentações
para entidades representativas do mercado de
capitais. Confira este e outros assuntos nesta
entrevista de Armando Casado, que é empregado de carreira da Empresa desde 1977.
Quanto a Eletrobras está investindo
hoje na expansão dos sistemas elétricos?
Na geração, os investimentos feitos hoje
pelas companhias controladas somam R$ 13
bilhões, que vão possibilitar a agregação ao sistema de 2.385 MW. Em parcerias, os investimentos em novos negócios passam de R$ 30,4
bilhões, que vão representar um aumento de
8.409 MW na capacidade instalada. Na transmissão, os investimentos passam de R$ 10 bilhões e vão possibilitar a expansão de linhas em
mais de oito mil quilômetros.
A empresa está satisfeita com
os resultados da sua participação
nos leilões de geração e transmissão?
A Eletrobras está no mercado em igualdade de condições de disputar, ganhar, montar
e operar novos negócios, quer seja corporativamente, quer seja em parceria. Nós temos a
obrigação de cobrir o custo de capital próprio,
que vai dar aos acionistas os dividendos requeridos. Na parte de governança, estamos procurando adotar um padrão de excelência para
melhorar as questões estratégicas e operacionais da companhia. Nós estamos trabalhando
para que sejamos a maior empresa produtora
de energia elétrica limpa do Brasil até 2020.
Eletronorte
Diretor Financeiro
e de Relações
com Investidores
da Eletrobras
Eletrobras
Entrevista
Armando Casado de Araújo
correntecontínua 29
Recentemente, o governo criou
novas regras para dar maior mobilidade
e possibilitar a expansão da Eletrobras.
Que resultados a empresa já alcançou?
O processo de mudança do mercado foi fundamentado em quatro pressupostos básicos:
instalação de um ambiente de competição,
desverticalização das empresas elétricas, livre
acesso às linhas de transmissão e a entrada
da iniciativa privada nas atividades de geração,
transmissão e distribuição, tendo como um dos
principais objetivos obter recursos financeiros
necessários para o aumento da produção. É
nesse contexto que nós, do Sistema Eletrobras,
nos inserimos, buscando em pé de igualdade
ganhar em leilões negócios de geração e transmissão. Temos tido êxito na busca de novos
empreendimentos.
Como está o processo de
capitalização da Eletrobrás? Quando,
como e por que a capitalização será feita?
Na prática, o processo de capitalização
já produziu os seus efeitos nas empresas, na
medida em que converteu dívidas das companhias em adiantamento para o futuro aumento
de capital. Isto fez com que a Eletrobras Eletronorte, por exemplo, que foi capitalizada em R$
4,1 bilhões, passasse a dar lucro, uma vez que
reduziu drasticamente as despesas financeiras
de empréstimos e financiamentos. Outro impacto positivo para a Empresa decorrente dessa capitalização, e, consequentemente, para a
Eletrobras, foi o aproveitamento dos créditos
tributários constituídos durante todo o período
de prejuízos acumulados.
Eletronorte
Eletrobras
Que outros fatores possibilitam o
lucro da Eletrobras pela primeira vez?
Um conjunto de fatores possibilitou esse
resultado. Podemos citar, por exemplo, a repactuação de toda a dívida remanescente
com a Eletrobras; o saneamento dos déficits
sistemáticos que a Empresa vinha sofrendo
com os sistemas isolados; a Lei 12.111, que
corrigiu um déficit estrutural pelo qual a Empresa não tinha gestão; a transferência dos
ativos abaixo de 230 kV para as distribuidoras
e a própria capitalização.
30 correntecontínua
A participação em SPEs
ajuda nesse resultado positivo?
Quais os próximos passos?
Quando os projetos das SPEs entrarem em
operação comercial irão aumentar os lucros
da Eletrobras Eletronorte, fazendo com que os
dividendos pagos cheguem aos acionistas da
Eletrobras. Daí emerge um círculo vicioso de resultados positivos, fazendo com que a holding
possa alavancar recursos, tanto no mercado de
dívidas, quanto no mercado de capitais, visando dar condições a novas expansões e contribuindo de forma significativa para a agregação
física do sistema elétrico brasileiro. Ainda resta
resolver o problema do Amapá e a transferência
da Eletrobras Distribuição Roraima, mas os próximos passos agora vão ao caminho da melhoria
da gestão. Para tanto, a Eletrobras concluiu em
conjunto com suas empresas o Planejamento
Estratégico do Sistema Eletrobras, para que
possamos atuar de forma competitiva, rentável
e integrada.
Explique um pouco
mais as melhorias de gestão.
Está em curso a elaboração do Plano de Negócio de cada empresa, focando a gestão de
seus negócios de geração, transmissão e distribuição, permeando os aspectos administrativo,
econômico-financeiro, técnico e operacional.
Outro instrumento de gestão
relevante é o Contrato
de Metas de Desempenho
Empresarial, que contém
um
conjunto
de indicadores
econômico-financeiros, operacionais e de
sustentabilidade
empresarial, com
visão de cinco
anos. Por fim, o orçamento empresarial
tão importante para
o controle gerencial das
contas da empresa.
As distribuidoras de energia
elétrica ainda são muito deficitárias.
Quais os planos para
recuperar estas empresas?
Aqui também algumas medidas estruturais
estão em curso, como as interligações do AcreRondônia e Tucuruí- Macapá-Manaus, interligando as distribuidoras desses estados ao Sistema Interligado Nacional – SIN. Além disso, a
Lei 12.111 irá reparar os mesmos problemas
que a Eletrobras Eletronorte vinha sofrendo. No
campo da gestão, medidas estão sendo implementadas para melhorar o desempenho econômico financeiro, visando alcançar os níveis
regulatórios exigidos pela Aneel. E
estamos finalizando uma captação de US$ 500 milhões de
dólares para implementação
de tecnologias para melhoria
da eficiência operacional e
qualidade dos serviços.
E para os colegas
da Eletrobras Eletronorte?
Não posso perder a oportunidade de falar um
pouco da nossa Empresa, da qual sou empregado desde 1977. Durante muitos anos operamos
no prejuízo em prol do desenvolvimento do Norte do País. Fomos gigantes diante dos desafios
que nos deram. Assumimos parques térmicos
em condições precárias, construímos Tucuruí e
renegociamos os contratos com os consumidores eletrointensivos. Contribuímos também para
diminuir o racionamento de energia de 2001,
bem como para o equacionamento dos problemas estruturais existentes nos sistemas isolados. Estudamos Belo Monte, que hoje é uma
realidade. São apenas algumas lembranças.
Na Eletrobras Eletronorte tenho muitos amigos
dos quais partilho minha vida social. Digo tudo
isto porque sei da capacidade da Empresa de
enfrentar desafios. E temos um novo caminho
pela frente, que é estar presente no mercado de
energia em igualdade de condições com outros
concorrentes, estatais e privados. Porém, diferentemente dos problemas enfrentados no passado, o sucesso empresarial depende da adoção
de boas práticas de governança, aumentando
sua capacidade de geração e transmissão em
negócios rentáveis. Um grande abraço a todos
que fazem parte dessa grande Empresa.
Eletronorte
O senhor é empregado de carreira
da Eletrobras Eletronorte e hoje está à
frente de uma das diretorias da Eletrobras.
Que mensagem deixa
aos nossos empregados?
O Sistema Eletrobras conta com 27 mil empregados. É uma força de trabalho e tanto. Se
cada um fizer a sua parte, ou até mesmo algo
mais, podemos pensar grande. Nessa entrevista tive a oportunidade de deixar algumas mensagens nas quais acredito. A Eletrobras é uma
empresa que tem suas ações negociadas em
todo o mundo via Bolsa de Valores de São Paulo, de Nova York e de Madrid. Além disso, tem
investidores de títulos de dívidas em todas as
praças de negociação do mundo. Todos estes
acionistas e investidores conhecem nossas empresas e cobram resultados. A transparência
de nossas informações, a clareza dos nossos
negócios, a rentabilidade de nossos investimentos, enfim, a governança corporativa e a
sustentabilidade empresarial são fundamentais
para a perpetuidade de nossas empresas, perpetuidade esta somente possível com a participação de todos os colaboradores que compõe
o Sistema Eletrobras.
Eletrobras
Em relação ao processo de
internacionalização da Eletrobras,
quanto a Empresa pretende investir
fora do País? Como rebate as críticas
de que o Brasil necessita de investimentos
antes de a Eletrobras investir lá fora?
A Eletrobras tem acompanhado o panorama
mundial da internacionalização das empresas do setor elétrico e seus reflexos no Brasil.
Muitas outras empresas de outros países estão
investindo no Brasil e em outras partes do mundo, como AES, ISA, Iberdrola, E-ON, EDP, GDF
Suez, Endesa, EDF. Nosso objetivo é entrar
em negócios de geração e transmissão, preferencialmente na América do Sul, Central e do
Norte, com rentabilidade compatível com competidores internacionais versus oportunidade
no mercado nacional, bem como construir no
exterior uma plataforma sustentável de crescimento, com agregação de conhecimento e desenvolvimento de competências. Dessa forma,
os investimentos no exterior, quando vierem a
ocorrer, não serão competitivos com os investimentos no Brasil. São operações complementares que visam ao crescimento do Sistema Eletrobras com o aumento da sua rentabilidade.
correntecontínua 31
Tecnologia
A energia da inovação
Brasil marca território em P&D
e recebe investimentos de multinacionais
32
Michele Silveira
Multinacionais como a IBM e GE estão contratando centenas de engenheiros brasileiros
para montagem de centros de pesquisa e tecnologia em território brasileiro. Há alguns anos,
boa parte dos brasileiros leria essa notícia como
um provável cenário de ficção. Pois o futuro
chegou. O ‘Brasil criança’ virou gente grande
e estampa para o mundo sua capacidade da
chamada P&D (pesquisa e desenvolvimento).
Cerca de US$ 600 milhões serão investidos nos
próximos três anos por empresas multinacionais que, de olho no pré-sal e no desenvolvimento econômico do País, começam a investir
pesado na capacidade de pesquisa e inovação
dos profissionais brasileiros.
Atualmente com oito centros de pesquisa no
mundo, a IBM deve investir cerca de U$ 250
milhões no centro brasileiro que estará interligado com os demais laboratórios da empresa.
O Brasil disputava a implantação do centro com
o Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, e com a
Austrália. Cerca de 100 cientistas farão parte
da equipe da IBM, que reúne hoje três mil cien-
tistas e engenheiros em seis países, incluindo
pelo menos cinco prêmios Nobel.
Outra gigante que aposta na capacidade
dos brasileiros é a GE. Em janeiro de 2010,
o presidente mundial da General Electric, Jeffrey Immelt, anunciou que sua empresa escolheu o Brasil para a instalação de um centro
de pesquisa e desenvolvimento. Com quatro
unidades de pesquisa no mundo - Estados
Unidos, Alemanha, China e Índia – a GE vai investir US$ 150 milhões no centro brasileiro. A
unidade será a primeira da empresa na América Latina. Instalada no Brasil desde 1919,
a GE tem hoje cerca de 2.500 pesquisadores
que atuam nas áreas de saúde, tecnologia de
geração de energia, motores de aeronaves e
iluminação.
Além da IBM e GE, outras multinacionais
como a Dow – do ramo de extração de petróleo
e gás, construção civil e pesquisa de novos produtos de higiene e limpeza; e a Schulumberger,
gigante que atua com petróleo em 88 países,
empregando quase 80 mil pessoas – também
trazem ao Brasil seus novos centros de tecnologia e pesquisa.
33
Mas os investimentos em centros de tecnologia no Brasil não vêm apenas da iniciativa privada. A Câmara dos Deputados analisa o projeto
de Lei 7437/10, de autoria do Poder Executivo,
que cria três órgãos na estrutura do Ministério
da Ciência e Tecnologia - MCT: o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste, o Instituto
Nacional de Pesquisa do Pantanal e o Instituto
Nacional de Água. A proposta também transfere o Museu de Biologia Professor Mello Leitão
do Instituto Brasileiro de Museus - Ibram para
o MCT e altera sua denominação para Instituto
Nacional da Mata Atlântica.
De acordo com o MCT, o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste deverá realizar
ações em áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico e social da região. A proposta
é que o centro atue como facilitador da formação de redes temáticas de pesquisa a partir da
identificação de oportunidades e necessidades
locais, regionais e nacionais. Já o Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal permitirá a
instalação de infraestrutura que dará suporte
a pesquisas no biossistema. O Instituto Nacional de Águas terá a finalidade de implementar
ações inovadoras na área de meio ambiente,
com foco na preservação, geração de conhecimento e de novas tecnologias na utilização
racional dos recursos hídricos.
Para o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério de Ciência e
Tecnologia, Ronaldo Mota, a política de incen-
tivo à inovação do Ministério parte do fato que
ela tem se constituído em fator decisivo para a
competitividade das empresas e para garantia
de um crescimento sustentável do País. Na linha defendida por Mota, “inovação compreende um produto ou processo novo, bem como a
introdução de uma qualidade ou funcionalidade inédita de um produto já existente”.
Mota explica que a inovação pode contribuir
para o desenvolvimento social e econômico
do País a partir do momento que viabiliza empresas competitivas, gerando mais empregos
e mais impostos de forma sustentável. “Não
há perspectiva de desenvolvimento sustentável sem a presença forte da inovação como
elemento-chave nas empresas e na sociedade
como um todo”, afirma.
A superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento da Eletrobras Eletronorte, Neusa
Maria Lobato Rodrigues, explica que para os
economistas, a produção da riqueza de uma
sociedade depende de inúmeros fatores. Para
as teorias mais tradicionais da economia, a tecnologia estabelece como esses fatores poderão
ser combinados para a produção de bens e
serviços.
“Para os modelos mais conhecidos de desenvolvimento econômico, a tecnologia é um
fator exógeno ao desenvolvimento, estando
relacionado à simples e natural evolução dos
mercados, que respondem ao crescimento
da poupança e do investimento”, afirma Neu-
Eletronorte
Eletrobras
Equipe
comemora
a inclusão
entre as 20
empresas mais
inovadoras
do Brasil
34 correntecontínua
Quem financia a inovação
Prêmio - Mas não apenas as multinacionais
apostam no mercado de P&D no País. Brasileira desde sempre, a Eletrobras Eletronorte não
perde tempo nem espaço quando o assunto
é inovação. Ao lado de grandes grupos internacionais, a Empresa figura pelo segundo ano
consecutivo entre as 20 empresas mais inovadoras no Brasil, premiadas pela revista Época
Negócios, em parceria com a consultoria A.T.
Kearney, que promove o prêmio Best Innovator
em 15 países europeus e nos Estados Unidos.
Eletronote
sa, que defende o pensamento dos autores
‘schumpeterianos’, uma referência ao economista austríaco Joseph Schumpeter, que deixou um grande legado de contribuições à economia no início do século XX. “Para a escola
de pensamento schumpeteriana, tecnologia é
a principal arma dos empresários e do próprio
governo para a promoção de competitividade e
progresso social. Nesse contexto, tem-se claramente a condição imperativa da inovação tecnológica sustentável”, explica.
Já a Lei do Bem concede incentivos fiscais
para empresas que realizem atividades de inovação. Em 2006, 130 empresas declararam investimentos de R$ 2,2 bilhões. Três anos depois,
em 2009, 635 empresas investiram mais de R$
9,1 bilhões. “O mais recente estímulo para inovação vem da Medida Provisória 495/2010 que
altera a Lei 8.666 (licitações públicas), ao conceder a margem de preferência de até 25% nas
licitações estatais às empresas que investem
em inovação”, afirma Ronaldo Mota.
Mas ainda há muitos desafios. De acordo
com um estudo do Banco Interamericano de
Desenvolvimento - BID, quase 80% das empresas brasileiras desconhecem os mecanismos
de financiamento para apoio à inovação tecnológica ou as leis de incentivo fiscal para quem
investe no setor, como é o caso das leis do Bem
e da Inovação. No Brasil, a maior parte dos investimentos no
setor ainda é de recursos públicos. Segundo o IBGE, em 2008, o
investimento nacional em pesquisa e desenvolvimento foi de R$
32,7 bilhões, sendo 54% de recursos públicos.
Em outubro de 2010, a Finep lançou o primeiro Manual de
Subvenção Econômica à Inovação, um normativo que contém
informações sobre a visão geral do Programa, orientações ao
cliente, diretrizes gerais e glossário. O público-alvo são empresários com interesse em saber como funciona a subvenção e quais
são as regras aplicáveis caso se tornem clientes.
Mota explica que, para fomentar a interação universidade-empresa, o Governo Federal implantou o Sistema Brasileiro de Tecnologia - Sibratec, formado por 56 redes de núcleos de pesquisa
e desenvolvimento, sendo 14 redes de centros de inovação, 20
de serviços tecnológicos e 22 de extensão organizadas por estados. “Ainda há um longo caminho, mas passos importantes
têm sido dados na direção correta. As empresas já incorporam a
inovação em seus processos produtivos, tornando-se mais competitivas, lucrativas e em condições de conquistar novos mercados. O País começa a formar uma nova geração de empresários
empreendedores em tecnologia”, comemora o Secretário.
Eletrobras
Ciência e tecnologia recebem atualmente cerca de 1,3% do Produto
Interno Bruto – PIB, a soma de todas
as riquezas produzidas no Brasil. Os
dados são do Ministério da Ciência e
Tecnologia e mostra o País respondendo por 2,7% da produção científica mundial, ocupando a 13ª posição no ranking internacional.
De acordo com Ronaldo Mota
(foto), secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT,
com a Lei de Inovação, de 2004, e da
Lei do Bem, de 2005, as empresas
passaram a contar com instrumentos
mais amplos e efetivos. “A subvenção
econômica viabilizou a concessão de
mais de R$ 2 bilhões não-reembolsáveis para empresas realizarem inovação. Esse valor foi
complementado por outros investimentos reembolsáveis da
Financiadora de Estudos e Projetos - Finep e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES a
juros muito baixos”, explica.
Outra forma de financiamento é o Programa de Apoio
à Pesquisa a Micro e Pequenas Empresas – Pappe-Subvenção, que aporta recursos para empresas em operação com parceiros estaduais. Existem hoje mais de trinta
fundos de capital de risco com mais de R$ 3 bilhões
para investir.
Ainda segundo Mota, em 2009, o Programa Primeira
Empresa Inovadora – Prime concedeu subvenção econômica para 1.381 empresas por meio de parcerias com 17
incubadoras. Além disso, o Programa RHAE-Pesquisador
na Empresa, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, concede bolsas
para mestres e doutores atuarem nas empresas. Em 2008
e 2009 foram contempladas mais de 300 empresas, possibilitando a inserção de 507 mestres e doutores, além de
550 técnicos para as equipes de trabalho.
correntecontínua 35
Eletronorte
Eletrobras
Educação corporativa
também aposta
na inovação
Dos processos de gestão à educação corporativa, a
inovação não tem fronteiras na Eletrobras Eletronorte,
premiada também pela Associação Nacional de Inovação, Trabalho e Educação Corporativa – Anitec, que selecionou projetos inovadores de educação corporativa durante a realização do I Congresso Nacional de Inovação,
Trabalho e Educação Corporativa - Conitec, realizado em
agosto de 2010.
A Empresa obteve o 1º lugar na categoria Inovação
em Educação Corporativa. O trabalho inovador, inscrito
pela Universidade Corporativa Eletronorte – Ucel, é fruto de um projeto de P&D desenvolvido pela Diretoria de
Comercialização e Produção em parceria com a Universidade Federal do Pará – UFPA, denominado “Utilização
de Realidade Virtual em Treinamento de Operadores e
Mantenedores na Usina
Hidrelétrica Tucuruí”. O
produto transforma as Instruções Técnicas de Operação (ITO) e Manutenção
(ITM) em Instruções Técnicas Virtuais.
A superintendente de
Desenvolvimento e Educação, Éden Brasília Damasceno (foto), explica que o
ambiente de aprendizagem a distância está em
constante evolução, para
atender às necessidades empresariais. “É o caso do trabalho vencedor do Prêmio, que está em fase final e será
disseminado a outras unidades da Empresa, demonstrando, mais uma vez, o avanço de nossa organização
na utilização de tecnologias e metodologias em relação a
outras organizações do setor”, explica.
Segundo Eden, a Empresa conta com uma excelente estrutura tecnológica que propicia um sistema
multimídia de suporte às ações educacionais, tanto
presenciais quanto a distância. “Essa estrutura envolve
um moderno Centro de Desenvolvimento e Educação
em Brasília, unidades descentralizadas com estrutura
própria, além de uma rede de internet e intranet, um
sistema de videoconferência, com espaço específico
para sua utilização, além de cursos em uma TV Educativa digital”, explica.
36 correntecontínua
“Esse Prêmio é uma das formas de reconhecimento à nossa equipe que atua na área
de pesquisa, desenvolvimento e inovação, que
tem trabalhado com muita responsabilidade
para aproximar a Empresa com indústrias, universidades e outras entidades”, comemora o
diretor de Produção e Comercialização da Empresa, Wady Charone Junior. Segundo ele, essa
equipe motiva a busca por soluções inovadoras
na Empresa. “Acaba sendo uma verdadeira
fonte acolhedora de sonhos que motivam todos
a exporem ideias que, muitas vezes, precisam
de um simples empurrão para serem colocadas
em prática”, analisa.
Entregue durante uma cerimônia em setembro último, em São Paulo, o Prêmio reuniu as
20 selecionadas entre 120 companhias inscritas. Foram atribuídos destaques de excelência
em relação aos pilares pesquisados: estratégia
de inovação; organização e cultura; suporte à
inovação; processos de inovação; resultados da
inovação; e sustentabilidade. Os quesitos estratégia, organização e cultura e resultados da inovação tiveram pesos diferenciados no cálculo
final, devido ao maior grau de relevância. Junto
à Eletrobras Eletronorte estão na lista Whirlpool,
Basf, Embraco, GVT, O Boticário, Vale, Rhodia,
Dow, Even, Brasilata, White Martins, Totvs, Kimberly-Clark , Procter & Gamble, IBM, Tecnisa,
Telefônica, WEG e Ticket.
Uma das constatações dos jurados é que as
companhias com as melhores práticas de inovação costumam envolver o quadro de funcionários
para selecionar líderes dos projetos inovadores.
Aqui, ponto novamente para a Eletrobras Eletronorte. Desde 2002, a Empresa já investiu cerca
de R$ 140 milhões em projetos de P&D, chegando a ultrapassar, em alguns anos, o limite mínimo
de 1% da Receita Operacional Líquida estipulado em Lei. Em 2006, por exemplo, o montante
investido chegou a 1,7% (veja quadro).
Para Neusa Lobato, o envolvimento das
equipes é um dos diferenciais da Empresa para
a conquista do Prêmio. “Apostar nas equipes
e no potencial de cada empregado é uma das
ferramentas de um processo que inclui a determinação da Empresa de criar o Plano Diretor de
Inovação Tecnológica e de manifestar no seu
credo o compromisso com a inovação”, afirma
a Superintendente. O credo empresarial da Eletrobras Eletronorte traz nos Valores o compromisso com “resultados, empreendedorismo e
inovação, valorização e comprometimento das
pessoas, ética e transparência”.
A Superintendente explica ainda que outro dos diferenciais da Empresa está no fato
“Estamos lançando
a metodologia
TPM do Século XXI”
Muiraquitã - Além dos investimentos em
inovação tecnológica, outro grande diferencial
da Empresa são os incentivos aos empregados
que desenvolvem produtos ou ações que possibilitam a redução e a eliminação de custos.
O Prêmio Muiraquitã é a menina dos olhos
desse processo. Amuleto que guarda lendas e
sorte na Amazônia, o muiraquitã na Eletronorte
representa uma conquista para os chamados
‘inventores da Casa’. O objetivo do Prêmio Muiraquitã de Inovação Tecnológica da Eletrobras
Eletronorte é incentivar os colaboradores a realizarem melhorias e inovações nos seus produtos e processos, alcançando uma dimensão
econômica capaz de trazer retornos financeiros
para a empresa. O resultado do Prêmio vem
por meio da melhoria da qualidade dos produtos, redução de custos e ganhos de capacidade e flexibilidade operativa, bem como outros
aspectos ligados à segurança, padronização e
impacto ambiental.
Eletronorte
de investir na cadeia completa de inovação
tecnológica. “Não basta a ideia, é preciso
também conhecer o processo, a perspectiva de resultados, a aceitação do mercado”.
A opinião de Neusa é referendada por Wady
Charone: “Um dos fatores que levam à Eletrobras Eletronorte a uma posição de destaque
em inovação é a construção de processos.
Não construímos uma cultura de inovação de
um dia para outro. Hoje estamos construindo
os processos que vão determinar a inovação
como prática e, posteriormente, consolidar a
chamada cultura da inovação entre a força
de trabalho”.
É a inovação que gera inovação. Conceitualmente a inovação não se restringe apenas a um protótipo. E é aí que entra a inovação da gestão. Charone fala sobre o processo de
transferência de conhecimento na Empresa: “Temos um projeto antigo que agora está sendo concluído, que vai permitir
a transferência de conhecimento aos empregados. Quando
fazemos um treinamento, há situações que não podem ser
simuladas além do papel. Pois agora poderão. Desenvolvemos uma espécie de simulador que vai dar aos empregados
em treinamento a possibilidade de simular as ações que deve
realizar diante das situações de emergência e risco”, explica.
Segundo ele, a Empresa tem todas as condições para criar
uma cultura de inovação porque está investindo no processo
que pode consolidar essas práticas. “Não é um processo fácil, trabalhamos com pessoas das mais diversas áreas, com
faixas etárias muito distintas, com sonhos e ideais diferentes.
Daí a importância da criação de uma metodologia de gestão
sistematizada. A Eletrobras Eletronorte tem muitas pessoas
competentes que vestiram a camisa da inovação e que estão
motivando outras. Nosso grande desafio é manter essa sistemática que vai consolidar a nossa nova cultura de inovação”.
Eletrobras
Reconhecida pelos méritos conquistados no programa
TPM - Manutenção Produtiva Total, a Eletrobras Eletronorte
começa a protagonizar um novo processo no prêmio concedido pelo Japan Institute of Plant Maintenance – JIPM,
entidade responsável pela disseminação da metodologia
adotada, há mais de dez anos pela Empresa, como principal ferramenta de auxílio à gestão empresarial.
Especialista no assunto, o diretor de Comercialização e
Produção da Eletrobras Eletronorte, Wady Charone Junior
(foto), foi buscar na experiência cotidiana do TPM a identificação de uma melhoria. Era preciso incluir os fatores
de perspectiva futura da Empresa, e não apenas cenários
pontuais. “Introduzi uma equação financeira dinâmica.
Hoje trabalhamos com quanto temos de receita, quanto
temos de despesa e o que fazer para melhorar o líquido. Para isso podemos estabelecer vários mecanismos
para aumentar a receita ou reduzir despesas, num dado
desejo daquele momento. Estabeleci a análise de como
estaremos – com essa receita e essa despesa – daqui a
seis anos. É um conceito dinâmico que vai impedir que
decisões pontuais acabem prejudicando a Empresa”, explica o diretor.
Entre os consultores a opinião foi a de que “a Eletrobras
Eletronorte está lançando o TPM do Século XXI”. Outro fator diferencial foi a inclusão da Sede da Empresa no rateio
das despesas e receitas, já que era incluída apenas no rateio de custo. “Assim, temos uma única regra do jogo para
todos”, afirma Charone.
correntecontínua 37
Em Tucuruí, os primeiros formandos
dos cursos de engenharia da UFPA
Depois de cinco anos de curso, Tucuruí recebeu os primeiros formandos de engenharia elétrica e engenharia civil
da Universidade Federal do Pará – UFPA - Campus Tucuruí.
Ao todo, 39 novos profissionais entram no mercado de trabalho, graças à parceria firmada entra a UFPA e a Eletrobras
Eletronorte, responsável pelos recursos e infraestrutura para a
manutenção da instituição em Tucuruí.
A formatura contou com as presenças do presidente da Eletrobras e patrono das turmas, José Antonio Muniz Lopes, do
Eletronorte
Eletrobras
Engenheiros
civis e
eletricistas:
os engenheiros
da Amazônia
38 correntecontínua
diretor-presidente da Eletrobras Eletronorte, Josias Matos de
Araujo, e do reitor da UFPA, Carlos Edilson de Almeida Maneschy. Também prestigiaram o evento, os diretores Wady
Charone Junior (Produção e Comercialização), Tito Cardoso
(Gestão Corporativa) e Antonio Barra (Econômico-Financeiro); o superintendente de Produção Hidráulica, Antonio
Augusto Bechara Pardauil, como paraninfo da turma de engenharia elétrica, e o prefeito de Tucuruí, Sancler Ferreira,
como paraninfo dos formandos em engenharia civil.
Eletronorte
Investimentos - Além de formar menos da metade
dos engenheiros de que precisa a cada ano, o Brasil
tem de enfrentar ainda a disparidade entre a qualificação obtida nas universidades e as necessidades das
empresas que procuram um profissional. O meio de
resolver o problema é o trabalho conjunto de universidades, empresas e governos.
Com essa visão, a Eletrobras Eletronorte já investiu
cerca de R$ 5 milhões para garantir estudo de qualidade e a formação de bons profissionais. Desde 2005,
quando a Universidade se instalou em Tucuruí, o convênio firmado com a instituição no início do curso prevê
investimentos da ordem de R$ 10 milhões até 2014.
Os recursos investidos contribuem para a manutenção do campus avançado no município; a contratação
de professores para a complementação do quadro de
docentes; compras de equipamentos para a montagem
dos laboratórios técnicos; doação de livros para a formação da biblioteca e a reforma de alojamentos para
alunos.
Somados a esses investimentos, a Empresa colocou à disposição dos alunos toda a sua infraestrutura
tecnológica e de suporte educacional para a formação
dos universitários. São visitas monitoradas nas áreas da
hidrelétrica e cursos realizados no centro de treinamento. Também foi firmado um acordo para que os alunos
possam cumprir as horas obrigatórias de estágio nas
dependências da Empresa.
Atualmente, a Universidade está com 390 alunos
frequentando regularmente os cursos de engenharia
elétrica, civil e mecânica. Dentre eles, 45 são empregados da Eletrobras Eletronorte, que no dia a dia são
beneficiados com a flexibilidade no horário de trabalho,
como forma de apoio no estudo e desenvolvimento profissional.
A estratégia adotada pela Empresa ainda incentiva a
permanência dos profissionais na cidade, contribuindo
para a manutenção da renda de muitas famílias, gerando maior conhecimento científico e técnico, além de
contribuir para a formação da cultura na comunidade.
Colaborou Marcelo Leite, da
Regional de Produção Hidráulica - Tucuruí
Eletrobras
Dos 39 novos engenheiros, oito já são empregados
da Empresa e trabalham em Tucuruí. Em seu discurso, Muniz Lopes anunciou a contratação de todos
os outros formandos para trabalhar na construção de
Usina Hidrelétrica Belo Monte, na SPE Norte Energia
SA. “Essa é uma data histórica para vocês e para o
Setor Elétrico brasileiro, pois estamos formando novos engenheiros que já sairão daqui contratados para
trabalhar num dos maiores projetos dos próximos
anos”, afirmou.
O Prêmio Muiraquitã abrange as categorias
Produto (inovação nos bens e serviços produzidos) e Processo (inovação na forma como
esses bens e serviços são produzidos). A cada
edição podem ser inscritos projetos em duas
modalidades: Inovações dos Colaboradores,
em que são contempladas as inovações e melhorias realizadas por empregados do quadro
efetivo da Empresa; e Projetos de P&D, da qual
participam todos os gerentes de projetos de
P&D do quadro efetivo. Todos os participantes
do Prêmio Muiraquitã recebem troféus. Os contemplados nas faixas Ouro, Prata e Bronze das
categorias Produto e Processo recebem, além
dos respectivos troféus, uma bonificação financeira. Até agora já foram premiadas 90 inovações, 45 projetos de P&D e 254 pessoas.
No Prêmio das 20 empresas mais inovadoras o Prêmio Muiraquitã foi o diferencial escolhido pela redação da Revista Época como
destaque da Empresa. E não foi por acaso. “O
Prêmio Muiraquitã simboliza todo o processo
que estamos vivendo na Empresa. Ele revela
os talentos, motiva novos projetos, reconhece
a capacidade de pessoas de todas as áreas da
Empresa, enfim, resume e revela o que há de
melhor na nossa busca permanente pela inovação”, vibra Neusa.
Mesmo com um cenário crítico da ciência e
tecnologia na Amazônia, região onde tem seus
principais empreendimentos, a Eletrobras Eletronorte tem superado os desafios. Trocou a
justificativa da falta de cursos pela realização
de parcerias para implantar novos campi, como
é o caso da UFPA em Tucuruí, que já formou a
primeira turma de engenheiros (ver box). Outro
desafio: número pequeno de alunos em mestrado e doutorado devido à escassez de bolsas.
Mais uma vez a Empresa aposta na inovação
e na parceria com universidades e centros de
pesquisa. Hoje são 700 pesquisadores envolvidos, instituições contratadas em 20 Estados, 54
laboratórios na Rede de Laboratórios do Sistema
Eletrobras, além dos centros de treinamento.
Tudo isso faz a Eletrobras Eletronorte assumir,
cada vez mais, a posição estratégica de única
empresa do Setor Elétrico brasileiro entre as 20
mais inovadoras no Brasil. Em 1999, o cenário da Eletronorte era o seguinte: um pedido de
depósito de patente, duas marcas arquivadas e
um contrato de transferência. Cenário atual: 94
projetos concluídos, 111 produtos, 31 soluções
de P&D; 90 inovações de colaboradores nas
plantas e, em seis anos, o número de patentes
passou de um para 39, deixando a Eletrobras
Eletronorte como a segunda empresa energéti-
correntecontínua 39
Eletronorte
Eletrobras
ca em número de pedidos de patentes. Com o
Prêmio Muiraquitã, a Empresa transformou um
investimento de R$ 599.759,37 em premiações
numa economia de R$ 84.190.764,10 em custo total evitado. São números impressionantes.
É o resultado da Empresa que soma os prêmios
de melhor lugar para se trabalhar com o de
mais inovadora. Assim, a inovação tem a cara
de cada trabalhador. E a Eletrobras Eletronorte
fica com a marca da inovação.
40 correntecontínua
Inventos e
inventores
agraciados
com o
Prêmio
Muiraquitã
Diário de Habib Sallum
Segunda-Feira, 16 de agosto:
10h - Saímos de Brasília de manhã com destino a Belém. A viagem ocorreu
sem muitas novidades. Chegamos à Região Norte por volta de 13h. Às 17h pegamos um avião regional, que pousou na primeira cidade, Altamira. Depois foi para
Santarém e, por último, aterrissou em Itaituba, o nosso destino final. Itaituba é
uma cidade pequena, com quase todos os recursos que nós temos aqui, embora
o acesso, o tráfego e a pavimentação ainda sejam um pouco problemáticos.
20h30 – Enfim, chegamos. Tomamos um banho rápido e já fizemos uma reunião sobre os procedimentos do dia seguinte, cujo objetivo é percorrer um trecho
do Rio Tapajós, um dos rios mais bonitos do Brasil, onde nós tínhamos que fazer
inspeções e verificar como estava o andamento dos trabalhos de campo.
Terça-Feira, 17 de agosto:
6h - Partimos em comboio de Itaituba pela rodovia Transamazônica, que nessa
época, apesar de não estar chovendo, é muito perigosa mesmo de dia. O perigo
se esconde nas curvas e nas estreitas pontes de madeira. A quantidade de poeira
também atrapalha, porque dificulta a visualização do caminho.
Eletronorte
Eletrobras
Amazônia e Nós
Cabelos grisalhos, bigode sobre os lábios e olhos de quem já viu muito
do mundo. Essa é a imagem vista por aqueles que se deparam com o
engenheiro Habib Sallum. Pai de um casal de filhos e casado há 31 anos,
Sallum trabalha na Eletrobras Eletronorte desde 1987, lugar que aprendeu a amar. E a prova desse amor está nas incontáveis vezes em que deixa a família para se aventurar pelos rios da Amazônia para realizar o seu
trabalho. Formado em engenharia cartográfica, o carioca de Nova Friburgo, criado no Rio de Janeiro, fez parte de praticamente todos os estudos
de inventário e viabilidade do qual a Empresa participou, o que lhe enche
de orgulho. Ao ser perguntado a respeito do que mais gosta na profissão
que escolheu, pensa um pouco e logo responde: “Eu tenho uma grande
satisfação em trabalhar nessa área justamente pela possibilidade de conviver com profissionais das mais variadas especialidades. Isso enriqueceu
e enriquece muito meu conhecimento”. Confira alguns momentos vividos
por Habib durante viagem para os estudos de viabilidade de empreendimentos hidrelétricos no Rio Tapajós. Leia o texto, siga as fotos.
correntecontínua 41
8h - Chegamos numa localidade do interior chamada Buburé. A partir dali
podíamos navegar a montante do rio, ou seja, pra cima dele. Nessa localidade,
as pessoas vivem fundamentalmente em função do próprio Tapajós. É por ali que
se locomovem e tiram o próprio sustento, que em geral vem da pesca. Uma coisa
curiosa que se observa é que boa parte das casas, que ainda não têm luz, são
abastecidas por geradores à base de óleo ou gasolina e em praticamente todas
elas, mesmo nas bem humildes, vemos uma antena parabólica e uma televisão.
Normalmente não existe geladeira ou outros equipamentos dessa ordem, mas
uma televisão para assistir à novela das oito não falta. No trecho em que pretendíamos seguir, que ia de Buburé até a cidade de Itaituba, existem muitas corredeiras que impossibilitam a navegação. Saímos de Buburé em dois barcos. Estávamos eu, um geólogo, um hidrólogo e mais uma equipe de campo da Empresa,
responsável pela execução desses trabalhos. Fomos avaliando a localização de
onde seriam executados os serviços durante o percurso. É sempre difícil pra nós
explicar a construção de um empreendimento para a população ribeirinha. Então,
tentamos ter sempre muito cuidado nessas situações. Mas é sempre difícil, mesmo essa não sendo a minha área. Outra dificuldade estava no rio. O Tapajós estava
meio baixo, com o afloramento de rochas em vários locais. Essa situação tornou
a navegação, mesmo em barcos pequenos e velozes como o que estávamos,
muito perigosa. Só barqueiros experientes e conhecedores da região sabem qual
é o canal mais profundo. Então, havia horas em que a gente estava na margem
esquerda do rio, um rio que até quatro quilômetros de largura, às vezes até mais,
e sem mais nem menos o barqueiro virava pra outra margem, quase em perpendicular ao próprio leito do rio. E assim ele ia fazendo, seguindo um canal que pra
gente era até curioso. Não enxergávamos nada, ninguém sabia o porquê daquilo,
mas ele seguia. Ia fazendo dessa forma até chegar ao nosso destino, que era uma
localidade chamada Jatobá, onde estamos fazendo estudos de viabilidade para a
implantação de uma usina. Ao mesmo tempo em que era perigoso, o baixo nível
do rio também proporcionava uma paisagem muito bonita, inclusive com muitas
praias. Praias de rio... Mas o curioso é que não tinha ninguém. Viajamos dezenas
e dezenas de quilômetros sem ver uma alma viva. O índice populacional dali é
muito pequeno. No decorrer desse trajeto, percebemos que a região estava com
uma bruma ocasionada pelas queimadas e que permitia a visão de no máximo
um quilômetro do caminho à nossa frente. Ao longe, víamos tudo opaco. Quase
não distinguíamos as margens com nitidez. Levávamos equipamento de GPS para
localização e orientação do lugar onde estávamos e pra onde iríamos e por isso
acreditávamos ter certa segurança.
Eletronorte
Eletrobras
13h - Após umas cinco horas de barco, cansativas, chegamos ao local previsto.
Ali fizemos nossas sondagens, nossas avaliações das margens, do próprio rio, da
42 correntecontínua
profundidade. Enfim, vários estudos decorrentes da avaliação. Por causa dessa
bruma, o sol não aparecia muito. Ele ficava como se fosse uma imagem borrada,
mas era muito quente. Quer dizer, os raios a gente não via muito claros, mas o
calor era muito intenso. Como nós sempre usamos colete salva-vidas, a coisa ficou ainda pior. Isso causou um transtorno muito grande nessa viagem. Mas como
estamos acostumados, fomos adiante.
Eletronorte
Eletrobras
17h30 - Chegamos a um local que dava acesso para a estrada. As viaturas
para nos levar de volta à cidade de Itaituba já nos aguardavam ali. Voltamos por
uma estradinha no meio da mata. Muito sinuosa, também cheia de subidas e
descidas. Acho que essa estrada originalmente foi feita para dar acesso ao rio.
Para dar apoio aos garimpos de ouro que existiam na região. Muitas das comunidades de lá também são resquícios dos garimpos da década de 1980. Até hoje
existem garimpeiros na região, mas em menor quantidade que antigamente. A
estrada por onde passamos, em época de chuva, se torna intransitável. Mas a
estrada estava boa. Nós pegamos o carro e prosseguimos em retorno para Itaituba. Pegamos a Transamazônica já no escuro. Ela é perigosíssima naquele trecho
devido às muitas curvas sinuosas e os aclives e declives. Depois de certo tempo
senti que o motorista, um colega que estava conduzindo, demonstrava cansaço.
Me ofereci para pegar a direção. E logo de cara, na primeira descida, eu vi assim
muito de repente uma ponte pequena. Tive alguma dificuldade para controlar o
carro e acessar a ponte. Era uma ponte de madeira e que só passava um carro.
Nessa hora, felizmente, não havia trânsito nenhum. Só cruzamos com um ônibus
em sentido contrário e ultrapassamos outro carro que estava andando bem lentamente. Fui dirigindo bem devagar, mas mesmo assim era susto a toda hora. O
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problema não era só a estrada. Tinha a bruma e também a poeira. Ela começou
a colar ali no para-brisas e, em dado momento, acabou a água do limpador. Só
sobrou um pequeno espaço pelo qual a gente podia enxergar, com a cabeça meio
torta, a estrada à frente.
22h30 - Apesar de tudo, conseguimos, muito cansados, chegar ao hotel. Foi
uma viagem muito interessante, muito cansativa, mas que para o nosso trabalho foi
extremamente importante. Mas o outro colega, o hidrólogo, prosseguiu. Não voltou
conosco para o hotel. Teve que levar rede de selva para pernoitar na mata. Levou
alguns mantimentos também, como sempre levamos. No dia seguinte, percorreu
mais um trecho de barco até a cidade de Jacareacanga, verificando os locais onde
seriam feitas as medições. Chegando em Jacareacanga, uma cidadezinha pequena, que inicialmente serviu de base para pousos de aviões militares, tentou achar
algum hotel ou pousada. Mas naquela semana estava tendo o encontro de umas
ONGs e populações ribeirinhas e ele não conseguiu vaga. Como havia levado a rede
de selva, deu um jeito lá e dormiu nela mesmo. Voltou no dia seguinte, de carro,
num trajeto parecido ao que fizemos, só que bem mais longo. Sua única sorte foi ter
vindo de dia. Chegamos todos bem. Apesar de tudo, gosto de fazer essas viagens.
Eu, particularmente, acho a própria região diferente. Especialmente pra quem tá
acostumado com horário marcado, com telefone, com cafezinho, com tudo certinho e organizado. Nessas viagens, nós não temos horário. E a paisagem da região
amazônica é maravilhosa! O rio, o passeio, as pessoas... A cultura é completamente
diferente da nossa. O povo é muito bom, muito acolhedor e esses contatos são muito interessantes pra mim, além de essenciais pra nós da Empresa. O contato com
as pessoas da região é importante porque nós sempre precisamos de apoio da população local. Em geral, contratamos auxiliares, barqueiros, motoristas. E tudo isso
é feito realmente com o pessoal da região. Não faz sentido levar alguém de fora para
essas atividades. Nas regiões que visitamos também sempre existem controvérsias
relacionadas à instalação de uma usina. Alguns moradores acabam sendo contra,
muitos levados por líderes religiosos, políticos ou ONGs. Mas outros, sabendo da
importância para o desenvolvimento da região, ou da possibilidade de geração de
emprego, são a favor. Então, a gente sempre busca um entendimento, um esclarecimento, de forma a desenvolver o melhor trabalho possível. Viajar para a região
amazônica sempre é uma novidade. Sempre é diferente. Eu sinto, quando vou a
uma viagem dessas, apesar do cansaço, como se fosse uma viagem de férias. É um
passeio, um relax. Me sinto cansado fisicamente, mas mentalmente é um paraíso.
Eletronorte
Eletrobras
Quarta-Feira, 18 de agosto:
10h - Não houve muitos contratempos na volta para casa. Pegamos um avião
em Itaituba e ele foi fazendo escala em Santarém, depois em Altamira e poste-
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Eletronorte
Eletrobras
riormente em Belém. De lá, fizemos o traslado para outro avião de carreira direto,
com destino a Brasília. Nossas viagens para esses lugares sempre são assim: nós
sabemos como começa, mas nunca como termina. Sempre tem algum imprevisto. Já passei por situações incríveis. Já fiquei no meio do Rio Araguari em um
barco quebrado e só conseguimos voltar pra casa graças a um garimpeiro que
encontramos e tinha um barco para nos emprestar; passei por sustos com aviões
e helicópteros; ameaças de pessoas das regiões onde vamos fazer nosso trabalho;
estradas perigosas e mal sinalizadas. Enfim, já até sofri um enfarto no meio dessas
viagens, coisa que eu jamais imaginei que pudesse acontecer. Marabá, a cidade
onde eu estava, não tinha recursos de UTI e contava com apenas cinco médicos
cardiologistas que não conseguiam ser encontrados. Me deram os remédios de
praxe e tive que esperar cerca de dez horas para ser atendido por um cardiologista em uma clínica com poucos recursos. Ao fim da tarde, chegou um avião UTI
providenciado pela Eletronorte e me trouxe para Brasília. Cheguei aqui de noite e,
felizmente, não tive nenhuma sequela. Mas serviu como um divisor de águas na
minha vida. Porque eu sempre fui muito estressado, muito preocupado e agora
tento olhar a vida de outra forma. Hoje eu já não penso mais em fazer tantas dessas aventuras, embora eu gostasse muito. A gente, gradativamente, vai passando
isso para os novatos, que estão com mais fôlego. Mas não é só aventura e perigo.
Têm também coisas bonitas. Uma vez eu estava novamente no Rio Araguari, no
Amapá, e lá havia muitos beija-flores. Nós vínhamos com a voadeira ali pelo rio e à
nossa frente estavam quatro ou cinco deles, como se fossem batedores. Uma das
coisas mais bonitas que eu já vi em campo. Na Amazônia, é tudo muito especial.
Colaborou Camila Maia
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Correio Contínuo
“Prezados Alexandre e Isabel, nossos parabéns pela excelente edição da revista Corrente Contínua. Vocês conseguem
o feito de se superarem a cada número e a revista fica cada vez
melhor! Muito bem dosada, apresenta um pouco de nossa história,
como é o caso da matéria intitulada ‘Poraquê, a usina flutuante’, e
apresenta as atuais realizações da Empresa, como é o caso da reportagem ‘Investimentos públicos e privados garantem a expansão do
Setor Elétrico brasileiro’”.
Fernando José Martins Renno
- Escritório de Representação de São Paulo
- São Paulo - SP
“Obrigado à equipe da Corrente Contínua pela lembrança, o navio Poraquê
também deixou para mim recordações, pois trabalhei nele durante uma semana,
fazendo inventário das peças antes que ele fosse afundado em frente à cidade
de Cametá. Éramos dois, o capitão Torres, de Brasília, e eu, de Belém. Foram
sete longos dias dentro do navio, fazendo inventário de todas as peças existentes,
porém, foi gratificante”.
Nilo do Nascimento Sena
- Gerência de Obras do Pará/Amapá - Belém - PA
“Prezado Alexandre, meu nome é Frederico Cesarino e sou engenheiro da Eletrobras Amazonas Energia. Desde 2007, em conjunto com a Eletronorte, trabalho na
recuperação da Usina Termelétrica Electron, e desde 2009 gerencio a unidade, a
qual já está em operação com 60 MW. Uma vez que a UTE Electron também serviu
como usina bélica, tal qual a Poraquê, aliado ao fato de eu me interessar muito em
história bélica, procurei levantar todos os registros possíveis sobre a Usina Electron
para então poder fazer um pequeno relato histórico. Para tanto, tive a oportunidade de visitar o fabricante nos Estados Unidos, além de ter entrevistado muitos
profissionais que trabalharam na unidade desde 1973. Mas, como verifiquei,
algo semelhante foi publicado na última edição da revista Corrente Contínua,
para deslumbre de muitos profissionais os quais serviram na Poraquê em
Manaus. Gostaria, portanto, de saber se é de vosso interesse a realização
de reportagem semelhante, relacionada à UTE Flutuante Electron. Com
sinceridade, esperamos que sim”.
Frederico Cesarino
- UTE Electron - Manaus - AM
Eletronorte
Eletrobras
“Parabéns pelos 33 anos da revista Corrente Contínua e pela ideia de releitura de temas já publicados. A
reportagem do Byron de Quevedo sobre o ‘Poraquê’
está sensacional e, como ecologista de carteirinha,
não poderia deixar de elogiar as reportagens
‘Educação ambiental sobre rodas’ e ‘Agenda
ambiental A3P’, temas da edição 233”.
Wagner dos Santos Teixeira Brodinha
- Gerência de Análise de Riscos
- Brasília - DF
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Eletrono rte
Eletrobras
Fotolegenda
“Barca de Mãe Joana...
Minha alma está feliz, repleta
Tem nela cachorro, mala véia, peixe, cuia, bicicleta
Mulher, menino, marmanjo, velho
Tarde, noite, manhã e suruanã
Levo o povo a tagarelar destinos entre rios e canções
Ser gentil dá nisso: sempre cabe alguém bacana
Meu coração virou barca de Mãe Joana
Remar na contramão da ilusão tem condição?
... Semanas nesse casco Mãe Joana
Parando ali e acolá sou grato ao vê-los partir,
Sou grato ao vê-los voltar
Prefiro-os aqui que a solidão daquele cais
Talvez trovões, raios, tempestade... Vendavais!
Venha nos trazer, em plenas águas profundas, o escarcéu
Deus quer, segue-se em paz, sem praguejar
Texto: Byron de Quevedo
Pra que brigar com as coisas lá do céu...”
Foto: Rony Ramos
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A eficiência energética na indústria brasileira