.,., 'lili/ii ~ \ CDD 021 CDU 161.1"71":02 EVOLurÃO CONCEITUAL DA BIBLIOTECA* MARIA DAS GRAÇAS TARGINO Professora Adjunto da Fundação Universidade Federal do Piauí Mestra em Biblioteconomia Evolução do ronceito de biblioteca ao longo do terrpo. Tentativa de detectar pontos de ronvergência entre a história institucional e da civili zação. De acordo com CARLO (1971), o vocábulo bjbliot~ ca tem recebido uma carga semântica diversificada ao longo do tempo. Entre as variações, lembra: conjunto organizado de livros, visando ao aprimoramento intelectual do homem; edifí- cio que armazena esse material; coleção de obras sobre assuntos idênticos ou não; obras de caráter bibliográfico. A mesma postura de Carlo é encontrada em HA.RROD (1977) , omitindo, porém, a última conotação postulada,mas de~ tacando a incorporação de outros meios de informac;ão, que não o livro. Esta ênfase pode inclusive já ser um reflexo das mudanças institucionais e organizacionais que a biblioteca vem apresentando, sobretudo a partir dos anos setenta. Naturalmente, há inúmeras outras conceituações de biblioteca diluídas na literatura. Segundo a ENCICLOPAEDIA B'<.I TAtmI r 1'. (1977, p. 1.031), biblioteca é "uma colecão de material impresso ou manuscrito ordenado e organizado com o pr~ pósito de estudo e pesquisa ou de leitura geral ou ambos. Mu! tas bibliotecas também incluem coleções de filmes, microfil mes, toca-discos, projetores de slides e semelhantes aue esca ~ pam à expressão 'material manuscrito ou impresso' ... " ~ Para GIL (1976), biblioteca é o local onde ) t * Baseado em dissertação de mestrado apresentada ao Curso Mestrado em Biblioteconomia da UFPb. \ I sao preservados os livros convenientemente arrumados nara seu us~ Cad. Bibliotecon., Recife (8) 59-68, jun. 1984 de 59 I" ou uma coleção de livros tratados. eletrônicos do computador ••• um centro de comunicações ou um terminal". BUTLER (1971) apresenta a biblioteca como (p. 125-7). apar~ A distinção marcante entre as três conceituações lho social, ao disseminar os livros como um dos instrumentos mais significativos para a preservação da memória racial. arcaicas e as quatro outras é atenuada pela colocação da bi- blioteca como "a universidade do povo (basicamente) um centro Em sua dissertação de Mestrado, com o objetivo de verificar o conceito de biblioteca entre o usuário efeti vos e potenciais, TARGINO (1983, p. 87) coloca a comunitário" (p.124) e também como "depósito dos conhecimen - tos humanos" (p.126). biblioteca como "o local onde uma coleção organizada e constituida O último dos dez conceitos apresentados de acordo com a demanda e necessidade dos usuários efetivos e p~ tenciais a que se destina (tanto no que concerne ao tipo de SHEPARD diz que: "a biblioteca é um centro de materiais material como à diversificação dos assuntos), está à disposi- sos. Como centro de materiais pode ser tam1:>É!n um centro de ção dos interessados, para suprir suas necessidades informat! dizagem •.• " (p.126l. por audi~ visuais e respectivo equipamento, além dos materiais impres - apre~ vas, educacionais ou recreativas. Para tanto, reauer recursos No entanto, é fundamental ressaltar que.o·aspe~ humanos, materiais e financeiros que assegurem a continuidade to conceituaI que se pretende aqui considerar é aqueie e atualização dos seus serviços". que apresenta a biblioteca eomo elemento essencial à formação inMILANESI (1983) diz que a biblioteca é como tegral do individuo, como sugeridos pelos autores referidos. se As demais acepções do termo em pauta não serão discutidas. fosse o cérebro da humanidade, desde que, através da informação organizada, permite preservar a memória. Além desta delimitação, mesmo sem negar a impoE tância da evolução histórica da biblioteca, em relação à evo- SHEPARD (1973) apresentou um "Decálogo" de conceitos populares, elaborado segundo a realidade da América so- ex~ bre a história do livro e/ou da biblioteca. Isto, porque o e~ Bibliotecas foque histórico demandaria metodOlogia especifica da pesquisa tina e constante do relatório resultante de uma pesquisa, cutada através do Programa de Desenvolvimento de da Organização dos Estados Americanos. lução do seu próprio conceit6, não se pretende discorrer L~ histórica e uma profundidade dissociada do propósito do pre sente artigo, qual seja, relacionar a história institucional da biblioteca com a da civilização, considerando-se que à alteração dos valores das variáveis sócio-culturais Sem negar a deficiéncia das bibliotecas latinoamericanas, a autora do "Decálogo" demonstra que, da forma que em outros aspectos do progresso correspond~ mesma latino-american~ há alteração da relação biblioteca versus sociedade. uma signi:ficativa diferença no aue se refere aos serviços bibliotecários de seus paises, e mesmo dentro de um pais, t ou mais ainda, em uma mesma região. Entre as dez proposições relatadas por Cad. Bib1iotecon., Recife (8) behavioristas como uma modalidade de aprendizagem. A partir do momento em que se aceita este referencial teórico, ao se analisar a evo- SHEPARD (1973, p. 124), estão concepções tradicionais e suneradas, c~ um mo: "a biblioteca é um mausoléu ... um museu de arte •.. arauivo de livros e revistas". Porém, também são relatados PO!! tos de vista mais sofisticados e complexos aue apresentam a biblioteca como "uma coleção especializada de trabalho ... um banco de dados .•. um centro nervoso, palpitando com os ~UlSCE 60 também oportuno lembrar que os e com ênfase GAGNt (1973), consideram a formação de conceitos 59-68, jun. 1984 lução conceituaI da instituição biblioteca, é preciso estar alerta ao fato de que, embora retratem generalizações, os co~ ceitos estão sempre imbuidos da individualidade que caracter! za todo ser humano. Assim, o conceito que cada pessoa tem sobre a biblioca retrata sua experiência educacional e profis - ... sional, bem como, a forma como a utilizou. 61 n'~"_~n~nn.• Recife (8) 59-68, jun. 1984 ~ A pré-civilização tem como uma das caracterIst! cas fundamentais a oralidade. Nas sociedades agráficas, as r~ lações interpessoais são instantineas e fugazes (aqui natureza das coleções que mantinham sob custódia e com as co~ cepções dos serviços que prevaleceram nas diferenças épocas. e ago- ra) e impossIveis à distància, quer seja esta espacial (lugares diversos), quer seja esta temporal (épocas diferentes) . Em suma, as caracterIsticas fIsicas, humanas e funcionais das bibliotecas determinaram o conceito destas ins Porém, mesmo diante de tais restrições, a oralidade se const! tituições ao longo da história. tui no sistema mais remoto no processo de informações, proce~ so este, tão antigo quanto o próprio homem. Placas de argila, rolos de papiro, códices de pergaminho, foram utilizados como suporte da escrita para a A civilização propriamente dita ou a era histórica, segundo os meios de comunicação de aue se utiliza, tem formação das coleções da Antiguidade. Instituições como a Bi- seu inIcio com a escrita. E é a fixação do conhecimento, atr~ mente no conceito de biblioteca, então emergente como insti - vés dos registros gráficos em flateriais leves e estáveis, que tuição. Os acervos eram preservados de forma organizada e ca- deliflita a origem das bibliotecas. Tijolos de barro, rolos de talogados de acordo com s-istemas especiais. blioteca de NInive, Alexandria e pérgamo influIram decisiva - papiro, códices de pergaminho têm função similar à dos livros impressos sobre papel e das fitas magnéticas -da atualidade. Por outro lado, a biblioteca antiga, geralmente anexa aos templos e palácios, era considerada como continua- Conseqüentemente, pode-se afirmar que, desde os primórdios da civilização, a biblioteca esteve presente na v! ção dos mesmos, sendo revestida de eminente caráter sagrado da do homem como narte integrante da organização social, ain- vel apenas às classes privilegiadas (sacerdotes, iniciado~ no da que, durante um certo tempo, tenha vigorado o bres) aos quais também competia sua administração. significado etimológico de guarda ou custódia dos livros, resultante no primeiro caso ou real no segundo. Desta forma era acessI - do princIpio de que a biblioteca foi instituIda para armazenar e preservar os documentos, a fim de garantir a continuidade evolução cultural. da porém, ainda na Idade Antiga, primeiro na Gré- cia e posteriormente em Roma, surgiram as bibliotecas públi cas, verdadeiros centros de cultura, onde se reuniam os sábios da época. As mudanças sociais alteraram substancialmente as funções da biblioteca, conduzindo sua estrutura a modific~ Não se pode determinar com exatidão quando as ção contInuas, até ocorrer mudança em seu significado. Segun- bibliotecas medievais substituiram as bibliotecas antigas. S~ do afirmação de SHERA (1972), a sociedade determina o que foi be-se, porém, aue, na Idade Média, as abadias foram o deposi- a biblioteca do passado e o que será a biblioteca do futuro. tório literário e o centro de produção dos manuscritos, res - Isto reforça a importincia da biblioteca no processo de dese~ tritos aos religiosos, reis e outras personalidades de desta- volvimento de um povo, ao mesmo tempo que comprova a impossi- que. bilidade de se desvincular a história da biblioteca e da civi lização. Estudiosos como MELLO (1972) agrupam as bibliotecas desse per Iodo em auatro categorias de acordo A história da biblioteca é, pois, a história do registro da informação de tal modo, que é impossIvel destacála da história do próprio homem. vinculação. são elas monacais A função e a finalidade da biblioteca modificando com a sucessão de per Iodos históricos, e aos grandes senhores. 62 Cad. Bib1iotecon •• Recife (8) foram-se com com sua ou conventuais, quando locadas em c~nventos; capitulares, no caso das bibliotecas de catedrais; universitárias, se destinadas às universidades que começavam a surgir; particulares, quando pertencentes à realeza a 59-68. jun. 1984 Cad. Bib1iotecon., Recife (8) 59-68, jun. 1984 63 r vê-se pois, as reformulações sociais alteram pr~ Obviamente, tais mudanças devem ter influido no aspecto fundamente as funções da biblioteca, conduzindo sua estrutura religioso e laico. Contudo, o povo continuava afastado da bi- a modificações continuas, até que mude também seu significado blioteca, face ao seu caráter acentuadamente mistico e elitis e sua natureza. E é esta tendência revelada por alguns estu - ta. diosos da biblioteca, no sentido de colocar a implantação e o conceito da bihlioteca, sendo dimensões relevantes o desenvolvimento das bibliotecas como variável dependente Com o Humanismo e o Renasciment~ expandiram-se por toda a Eurooa, graças ao espirito de fatores sócio-culturais, que pode ser encarada como um avanço as bibliotecas no estudo histórico de bihliotecas e também na análise da evo individu~ lução conceituaI da biblioteca. lista do homem renascentista, sua nova concepção sobre a cultura universal e a invenção da imprensa. Contudo, aoesar do predominio da BARRIS & Isto, poraue, como afirmam JOHNSON as só como nao (1976, apud GOMES, 1982 b, p. 148) "descobrir também bibliotecas influenciam a sociedade de sua época, mas como a sociedade inibe, encoraja ou dirige o crescimento de literaturaclá~ sica sobre a católica, as bibliotecas renascentistas não sentaram mudanças significativas auanto ao formato dos apr~ livro~ a conceitualização da biblioteca não apresentou grandes alte- bibliocas", é uma forma de comprovar que quanto maior for o envolvimento da sociedade com a instituição, maís aprimorada rações, embora o prestigio social da biblioteca tenha cresci- será sua concepção em relação a ela. Portanto, acredita-se que do pela maior valoração da informação e do conhecimento. as condições sociais,' econômicas e politicas têm aos métodos de conserva~ão e de catalogação. Como decorrênci~ implicações na conceituação da biblioteca, no seu prestigio social inicio da Idade Moderna, reoercutiram orofundamente nas e na programação de sua evolução. O aue significa dizer que para os Os acontecimentos históricos, que delimitaram o membros de uma sociedade com um alto nível de cultura, a bi- bi- bi- blioteca assumirá um conceito mais amplo e complexo do oue pa blioteca era uma instituição de alcance limitado a uma elite, ra aoueles aue integram uma sociedade com bases culturais mais fatores de ordem econômica, social e politica transformaram as limitadas. bliotecas. Isto, poraue, se até meados do século XIX, a bibliotecas modernas em bibliotecas leigas e acessiveis à comunidade, em geral. Ao longo deste trabalho delinearam-se as mudanças que a biblioteca tem apresentado ao longo da sua história Para tanto, concorreram o desenvolvimento da dústria gráfica, o crescimento da produção do livro, a Elas ocorreram em função de mudanças ocorridas no contexto 52 i~ cial em que as bibliotecas estavam inseridas. I medida em que popul~ rização do ensino e o conseqüente aumento de leitores. De fa- as bibliotecas mudaram, determinaram alterações no próorio cc.'.:. to, a concepção da biblioteca se estendeu, incorporando ele mentos, como a democratização, a socialização e a esoecializa cei to que delas tinham os membros das comunidades a OU'" se des tinavam. ção. Em síntese, mudanças sócio-económicas e cultu bihlioteca contemporánea rais geram alterações nos aspectos físicos, humanos e funcio- contém elementos similares. Além da especialização ou divers.:!:. nais das bibliotecas e disto resultam reformulações no concei ficação da instituição biblioteca, há uma nitida to de biblioteca mantido pelos membros da comunidade. Também o conceito da preocuoação por novas técnicas. Paradoxalmente, começa-se a sentir, cada vez mais forte, uma consciência social, no sentido de amoliar o número de leitores efetivos, atinqindo-se, através das deno minadas bibliotecas pooulares, o não-alfabetizado. 64 Cad. Bibliotecon., Recife (8) 59-68, jun. 1984 ~ Cad. Bibliotecon., Recife (8) 59-68, jun. 1984 65 ,.. REFER~NCIAS BIBLIOGRfl_FICAS Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizon ANDERSON, R. C. & AUSUBEL, D. P. Reading in the psvchology of cognition. New York, Holt, Rinehart and Winston, 1965. 1 v. ANGLllJ, J. M. Modeling conceptual structure. Canadian Jour - nal of Psychology, Montreal, 36(3) :554-8, septo 1982. BARRINGEP, Craig & GHOLSON, Barry. Effects of type and comb! and academic learning. 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