Cooperação Pesquisa Tecnologia SUMÁRIO 2005 - ANO DO BRASIL NA FRANÇA 2005 - ANO DO BRASIL NA FRANÇA 1 jul ago set 05 Saison Brésil Brésils Saison Brésil Brésils Desde 1985 a França promove temporadas culturais estrangeiras COOPERAÇÃO para homenagear diferentes países. Brasil Brasis, como sugere 2 União Européia financia projetos na Amazônia o título, tem a proposta de mostrar a diversidade social e cultural 3 Primeiro fórum interamericano dos Institutos Pasteur 4 A demografia a serviço das populações indígenas e de origem africana 5 Competitividade da cotonicultura no Brasil, Estados Unidos e Mali INOVAÇÃO 5 Sistema FIEP vai à França conhecer trabalho da ABG ESTUDOS NA FRANÇA 6 Bolsas e apoios para estudar na França 8 Rede mundial de universidades tecnológicas em construção 9 Semana do Ensino Superior Francês PESQUISA 10 Farmacopéias tradicionais na Guiana Francesa ON LINE 13 Tudo sobre a geotermia ORGANIZAÇÃO DA PESQUISA 14 Dez novas Fundações de Pesquisa na França CENDOTEC 15 Professor Carlos Vogt assume presidência 15 Cientistas de Amanhã 15 Software para prefeituras premiado no XI CONIP 16 BREVES Itens destacados em azul no correspondem a links disponíveis em suas versões eletrônicas no site do CenDoTeC. tem uma versão eletrônica em espanhol ISSN 1516-6880 . brasileira. Além de manifestações em todos os campos artísticos, o programa oficial oferece um grande número de eventos de cunho científico e acadêmico. Alguns eventos realizados no primeiro semestre: • Estande Cirad-Embrapa (Salão da Agricultura, Paris) • I Congresso Internacional da APEB-BR – Associação dos Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na França (Maison du Brésil) • Colóquio “A cidade no Brasil dos séculos XVIII a XX” (Université de La Rochelle) • Encontro de reitores e diretores de estabelecimentos de ensino superior sobre o ensino superior e a pesquisa na França e no Brasil (Université de Sorbonne) Na programação do segundo semestre: • Exposição “Amazônia Brasil” (Palais de la Découverte, Paris, até 04/9) • “Espaço Brasil” – exposição, espetáculos e eventos (Carreau du Temple, Paris, até 12/9) • Exposição “Santos Dumont: naveguei no ar” (Musée de l’Air et de l’Espace, Le Bourget, até 15/09) • “Ano do Brasil no Futuroscope” – exposições e eventos (Futuroscope de Poitiers, até dezembro) • Exposição “Amazônia” (Muséum Jardin des Sciences de l’Arquebuse, Dijon, até 28/02/2006) • Colóquio “O Brasil, ator global” (Université de Sorbonne, Paris, 12 a 13/7) • Conferências “O Brasil na Université de Tous les Savoirs” (Faculté de Médecine de Paris, 01 a 15/10) • Colóquio “Meio ambiente, segurança e soberania na Amazônia” (IHEAL, Paris, 5 a 7/10) • Reunião entre as Academias de Ciências brasileira e francesa (Institut de France, Paris, 11 a 12/10) • Colóquio “Diversidade cultural” (Bibliothèque Nationale, Paris, 13 a 14/10) • Exposição “Relatos sobre a medicina francesa na formação da medicina brasileira” (Val-de-Grâce, Paris, 02/11 a 31/12) • Fórum “Ciência e sociedade” – encontro de estudantes e pesquisadores sobre os temas saúde e meio ambiente na França e no Brasil (Muséum National d’Histoire Naturelle, Paris, 12 a 13/11) • Colóquio sobre a cooperação Instituto Pasteur Fiocruz (Institut Pasteur, Paris, 13 a 15/11) • Colóquio “Os ‘passadores’ nas ciências sociais: da equipe fundadora da USP – Lévi-Strauss, Bastide, Braudel etc. – até hoje” (Ecole Normale Supérieure, Paris, 25 a 28/11) 1 COOPERAÇÃO União Européia financia projetos na Amazônia Dos cinco projetos aprovados pela União Européia a partir do edital de concorrência “Meio ambiente e florestas nos países em desenvolvimento”1 , com lançamentos previstos para julho de 2005, três mobilizam a cooperação francesa na Amazônia. Esse êxito evidencia a importância das realizações das equipes francesas que trabaSítios de atuação de FLOAGRI lham na Amazônia e a solidez da parceria estabelecida com instituições brasileiras. Valle dos Quijos Rio Capim Alto Huallagua ©Cirad, Plinio Sist Altamira 1 Esse edital refere-se a dois programas de cooperação com países em desenvolvimento (orçamento total de 288 milhões de euros para 20002006). O programa meio ambiente visa promover a plena integração da dimensão ambiental em suas políticas próprias de desenvolvimento e o programa florestas pretende auxiliar os PED na conservação FLORESTAS E AGRICULTURA NA as pastagens e as florestas secundárias (Rio Capim no AMAZÔNIA – FLOAGRI: GESTÃO Brasil e Alto Huallaga no Peru), e as de colonização PARTICIPATIVA DOS RECURSOS mais recente, em que predomina a floresta primária Coordenado pelo Centro Inter- (Altamira no Brasil, e no Equador o vale de Quijos, na nacional de Pesquisas Agronômicas Selva Alta da província de Napo). Nos sítios de colo- para o Desenvolvimento - CIRAD nização antiga, as atividades procurarão valorizar e (Departamento Florestas), esse pro- perenizar os recursos e os serviços ambientais das jeto associa: no Brasil, a Empresa florestas secundárias, bem como a recuperação das Brasileira de Pesquisas Agropecuá- terras degradadas. Nos sítios de colonização recente, rias - Embrapa e o Instituto de a ação incentivará a parceria empresa-comunidades Pesquisa Ambiental da Amazônia - para exploração de madeira e elaborará modos de Ipam; no Peru, a Universidad Na- gestão para otimizar o uso e a valorização dos cional Agraria de la Selva - UNAS; e no Equador o produtos florestais não lenhosos. Instituto Nacional Autónomo de Investigaciones Contato Plinio Sist, Cirad – [email protected] Agropecuarias - INIAP. Seu objetivo é promover sistemas integrados de gestão participativa dos recursos florestais e das terras agrícolas, compatíveis PROMOÇÃO DO MANEJO SUSTENTÁVEL PELA com a melhoria das condições de vida das populações PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE MADEIRA rurais amazônicas. A gestão sustentável dos recursos florestais será realizada juntamente com a implementação de técnicas sustentáveis de exploração agrícola e de e gestão sustentável de seus recuperação das terras degradadas. A ação distinguirá recursos florestais. as regiões de colonização antiga, em que predominam A política amazonense de gestão florestal sustentável 2 Esse projeto, apresentado pelo Grupo de Pesquisa e de Intercâmbios Tecnológicos - Gret, abrange as regiões de Tefé, Boa Vista do Ramos e Manaus (AM). Visa promover o manejo sustentável das florestas do estado de Amazonas, por meio da produção e comercialização em pequena escala de madeira proveniente de manejos florestais comunitários e individuais. Os grupos-alvo são os pequenos madeireiros, orga- Na inauguração da exposição “Amazônia Brasil” (Palais de la découverte, 19 de abril), o governador do estado de Amazonas, Eduardo Braga, expôs as principais linhas de sua política de desenvolvimento sustentável. A medida mais marcante foi a criação, em fevereiro, de uma rede de reservas no sul do Amazonas, constituindo uma barreira de 70.000 km² à frente da expansão agrícola (pecuária e cultivo de soja). “É preciso encarar a floresta de um modo diferente: considerá-la como um valor econômico quando as árvores estão em pé, e não derrubadas.” O governador lançou assim “o mais importante programa de gestão florestal em pequena escala de toda a Amazônia”. Simplificação da burocracia e acesso a assistência técnica facilitam a elaboração desses planos pelos pequenos madeireiros. “Concretamente, explica Christian Castellanet, do Gret – uma ONG francesa presente na Amazônia –, um plano de gestão consiste em estabelecer um objetivo de produção limitado a fim de poder dar continuidade 25 anos mais tarde”. Virgílio Viana, secretário do meio ambiente do Amazonas, complementa: “A idéia é apoiar-se nos rendimentos das indústrias de Manaus para financiar um programa de gestão da floresta visando extrair dela certos produtos, mas sem destruí-la.” Outro objetivo do governo amazonense é desenvolver a Zona Franca de Manaus, promovendo ali atividades de maior valor agregado: biotecnologia, fitofarmácia, microeletrônica, nanotecnologia. Nesse mesmo dia a Superintendência da Zona Franca de Manaus - Suframa assinou um acordo de cooperação com o Laboratório de Eletrônica e de Tecnologia da Informação LETI de Grenoble. sustentável realizado por comunidades ou por pe- Fonte: artigo “L’État brésilien de l’Amazonas adopte une nouvelle politique pour pallier la déforestation”, Hervé Kempf, Le Monde, 27.04.05. Contato Philippe Sablayrolles, GRET – [email protected] nizados ou não em comunidades, bem como os operadores locais da cadeia de comercialização e transformação da madeira, principalmente as pequenas serrarias e os fabricantes de móveis. As atividades apóiam-se na estruturação de comitês locais reunindo os operadores da cadeia de comercialização e transformação. Bem articuladas com os poderes públicos do estado, devem ampliar e melhorar as ações da Agência de Florestas do Estado do Amazonas - AF/SDS, desenvolvendo o manejo quenas madeireiras no Amazonas. Estão previstos dois objetivos específicos: • ampliar e difundir no estado as experiências já existentes em manejo florestal comunitário ou individual em pequena escala e a comercialização dos produtos florestais (Mamirauá e Boa Vista do Ramos); • melhorar as intervenções públicas (estaduais e federais) com relação ao manejo florestal, à comercialização de madeira de florestas sob manejo e ao controle da exploração de madeira. CONSTRUINDO CONSENSO SOBRE O ACESSO A RECURSOS NATURAIS NA AMAZÔNIA BRASILEIRA Apresentado pelo World Wildlife Fund - WWF, com a participação do Cirad, o projeto visa a conservação Localização das microrregiões: 1) Santarém, 2) Itaituba -“Terra do Meio”, PA e 3) Guarantã do Norte, MT, cobrindo uma área de 280.000 km2, 25 municípios e uma população rural de cerca de 300.000 habitantes de recursos florestais, explorando o potencial dos espaços limitados e sub-utilizados para diálogo, negociação, coordenação e inovação. Enfoca as principais falhas das abordagens atuais de conservação da floresta, em especial nas fronteiras do a troca de informação e conhecimento; agronegócio (soja e gado) e dos recursos (madeira) • consolidar espaços e processos de nos estados de Pará e Mato Grosso. A ação centraliza- diálogo e negociação, apoiando proce- se em três microrregiões do leste e sul da Amazônia dimentos multi-operadores em níveis brasileira com recursos naturais ameaçados por local, estadual e federal; exploração da madeira, agronegócio intensivo e • estimular uma compreensão con- projetos de infra-estrutura, bem como pela falta de junta da idéia de bens comuns e propi- consenso entre os operadores quanto a acesso e uso ciar mudanças nas políticas e instru- dessa área. Os grupos-alvo incluem organizações do mentos de uso da terra e dos recursos, nos setores setor privado (pequenas e/ou médias e operadores privado e público, coordenando ações entre partici- maiores), do setor público (em diversos níveis) e da pantes locais, estaduais e federais. sociedade civil. As principais atividades têm em vista: Contato Richard Pasquis, Cirad – [email protected] • capacitar, por meio de treinamentos e facilitando IPAM, 2004 Primeiro fórum interamericano dos Institutos Pasteur Na reunião do pólo regional Américas do Instituto Pasteur, definiram-se os objetivos, as ações e as perspectivas da rede. ESTRATÉGIAS E OBJETIVOS O desenvolvimento da rede apóia-se em quatro pontos fundamentais: • fomento de sinergias entre as instituições; O fórum, que se realizou na Fiocruz do Rio de • multiplicação dos projetos em rede e fortalecimento Janeiro, de 15 a 17 de abril, tinha dois objetivos: • captação de fundos (principalmente europeus) para definir as estratégias do pólo Américas e dar visibi- financiamento de ações conjuntas; lidade a essa cooperação. Participaram: os diretores • desenvolvimento dos recursos humanos, mobili- dos Institutos do pólo Américas, os coordenadores dade, ensino, avaliação. de pólos motores da pesquisa em nível regional; Amsud Pasteur, os coordenadores dos quatro projetos Amsud em andamento, a direção médica e de saúde pública do Instituto Pasteur, a direção do departamento de relações internacionais do Instituto e a direção do departamento de comunicação, acompanhada de quatro jornalistas franceses1 . O PÓLO AMÉRICAS TEMAS E PROGRAMAS DE COOPERAÇÃO Os programas hoje em andamento no Amsud Pasteur (doença de Chagas, dengue, tuberculose, vírus hemorrágicos) poderiam estender-se ao pólo Américas. Entretanto, tendo em conta a apresentação das expectativas de cada um dos integrantes do pólo A fim de redinamizar e desenvolver suas coo- iniciar o trabalho em rede em torno da leishmaniose, abrangendo vários temas: co-infecção, principalmente reorganizando sua rede internacional por pólos HIV-Leishmania; epidemiologia; patogênese; genética. Na realidade o pólo Américas é simplesmente a materialização de cooperações já existentes, algumas Médecin. Está sendo formado um comitê de coordenação, composto por representantes do Instituto Pasteur da Guiana, da Fiocruz e do Instituto Armand Frappier. delas desde longa data. Compõe-se de cinco enti- Por fim, um dos segmentos da cooperação será a dades: • Instituto Pasteur de Guadalupe, • Instituto formação: doutorados em co-orientação, estágios de Pasteur da Guiana, • Instituto Armand Frappier, de curta duração, treinamento de técnicos. Laval (Canadá), como instituto associado, • a Fiocruz Quanto ao funcionamento da rede, além de um do Rio de Janeiro, como instituto correspondente, • o site internet alimentado pelos integrantes do pólo Amsud Pasteur, constituído de 50 parceiros em todo o Américas, estes se reunirão anualmente, por ocasião Cone Sul, • além do futuro Instituto Pasteur de de um dos encontros bianuais do Amsud Pasteur. Montevidéu, que deverá entrar em operação em maio Contato Wilson Savino, Fiocruz – [email protected] de 2006. L’Express e Le Quotidien du Américas e os debates subseqüentes, decidiu-se perações internacionais, o Instituto Pasteur está regionais. 1 France Inter, Le Figaro, 3 A demografia a serviço das populações indígenas e de origem africana De 27 a 29 e abril realizou-se em Santiago do Chile o seminário “Povos indígenas e de origem africana da América Latina e do Caribe: pertinência dos dados sociodemográficos para a implementação de políticas e programas”. O evento foi organizado em blemas de acessibilidade (a assistência médica, a uma colaboração com o Centro Popu- boa educação etc.) das áreas onde elas vivem. Por Mais de 100 pessoas lação e Desenvolvimento - CEPED, com apoio do isso é importante implementar políticas de auxílio para estiveram na sede do Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Autóctones essas zonas marginalizadas. Por fim, as políticas da América Latina e do Caribe (Fundo Indígena) e do deveriam levar em conta as conseqüências sociais das especialistas da América Fundo das Nações Unidas para a População - FNUAP. grandes mudanças demográficas que hoje afetam as Latina e do Caribe, advoga- Contou com um financiamento do fundo fiduciário populações indígenas. Como a mortalidade diminuiu francês junto à Comissão Econômica das Nações consideravelmente, três ou quatro gerações coexistem Unidas para a América Latina e o Caribe - CEPALC. em uma mesma família; simultaneamente há uma CEPALC para o seminário: 1 ministros , deputados, dos defensores dos direitos dos povos indígenas, representantes de institui- André Quesnel, diretor do CEPED, explica a ções governamentais e de organismos internacionais – FNUAP, FAO, OIT, OPS, importância desse encontro: “O seminário centralizouindígenas e de origem africana na América Latina. Dispomos de ferramentas diversas para avaliar as discriminações que esses povos sofrem quanto a acesso aos recursos em saúde, educação, emprego 1 Pedro Ticona, ministro das questões indígenas e dos povos autóctones, Bolívia; Douglas etc. Entre essas ferramentas, os recenseamentos permitem, de modo exaustivo e ao longo do tempo, a Martins de Souza, vice- identificação dos indivíduos pertencentes a esses ministro, secretariado especial povos. Tal identificação contribuiria para um melhor para promoção da igualdade reconhecimento desses povos por suas instâncias social, Brasil. governamentais e pela comunidade nacional e internacional. Entretanto, não existem normas universais. 2 Como o de Daniel Delaunay, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento - IRD 3 Instituto Nacional de Estudos Demográficos - INED, A identificação pode tanto basear-se na língua falada pela pessoa entrevistada como na auto-identificação. Esses conceitos instáveis no tempo e o uso de métodos diferentes causam problemas no momento de explorar os dados e de implementar políticas especí- IRD, laboratórios de demografia ficas. Por isso as equipes de pesquisadores e de das Universidades de Paris I, representantes têm de trocar experiências para que Paris V e Paris X, Ministério das no futuro as enquetes e os recenseamentos sejam Relações Exteriores. conduzidos de modo mais coerente.” Sobre a necessidade de os governos disporem de 4 No México com o Colegio de México - Colmex e o Colegio de la Frontera - Colef; na dados para identificar, contabilizar e localizar com precisão essas populações, Quesnel prossegue: “Tais Argentina com os centros de dados poderiam servir de base para políticas de ‘dis- demografia das Universidades criminação positiva’, por exemplo. Além disso, es- de Buenos Aires e Córdoba; no tudos2 indicam que as desvantagens que afetam tais Brasil com o centro de pesquisa da Universidade Estadual de populações não se devem apenas a uma discriminação Campinas. quanto às suas origens, porém mais ainda aos pro- Artes Arqueologia Direito, Administração Etnologia Política Educação e mídias Economia História Problemas sociais Geografia Línguas e literatura 50 100 150 200 250 300 Repartição por temas 4 rural observa-se um envelhecimento da população.” se nas questões de identificação das populações UNICEF, UNESCO, BID. 0 intensa migração para as cidades, enquanto em meio 350 O CEPED Como Grupo de Interesse Científico (GIS), o CEPED é financiado por vários organismos3. Sua missão é estimular a colaboração científica entre equipes de pesquisa em demografia do Norte e do Sul, implementando grupos de trabalho em torno de quatro temas: saúde da reprodução; família e gênero; migrações, mobilidades e urbanização; metodologias de coleta e de análise. A colaboração entre CEPED e América Latina vem de longa data: em 1989 André Quesnel já trabalhava com o CELADE sobre a situação demográfica das populações indígenas do Chile, em especial Mapuche. Atualmente o CEPED também apóia as cooperações4 das instituições francesas participantes do GIS. Nessa cooperação atuam vários grupos de trabalho (temas: migrações internacionais, aborto provocado). Está sendo criado com vários países do Cone Sul um grupo de trabalho que enfocará a solidariedade intergeracional em um contexto de envelhecimento rápido da população na América Latina (devido a uma acentuada queda da fecundidade). A partida para esse projeto será dada por ocasião do Congresso Internacional da População, que em julho deste ano deverá reunir em Tours mais de 1.800 demógrafos. No CenDoTeC, teses francesas sobre a América Latina De 1980 a 2000 mais de 1.360 teses sobre a América Latina foram defendidas na França, nas áreas das Ciências Humanas e Sociais. O difícil acesso a esses trabalhos, que na sua maioria não foram publicados, incentivou o Instituto de Estudos Avançados da América Latina - IHEAL e o Centro de Pesquisa e de Documentação sobre a América Latina - CREDAL/CNRS, a elaborarem, com o apoio do Ministério francês de Relações Exteriores, um projeto para difusão dessas teses. O catálogo informatizado (cd-rom) e as as teses em microfichas estão disponíveis para empréstimo no CenDoTeC. Contato [email protected] Competitividade da cotonicultura no Brasil, Estados Unidos e Mali Esse estudo, coordenado pelo Cirad1, teve como objetivo comparar a competitividade relativa do algodão no Brasil, Estados Unidos e Mali – países escolhidos em função do contexto internacional – nas diversas etapas do segmento, porém mais especificamente com relação às propriedades agrícolas. No Brasil, devido à transição geográfica da tos fitossanitários) é comparativamente mais oneroso 1 Centro Internacional de produção para o centro-oeste e à transição dos modos no Brasil e no Mali que nos Estados Unidos, onde Pesquisas Agronômicas para de produção – da agricultura familiar para a agricul- representa apenas 25% do custo total, enquanto no tura empresarial –, foram estudados dois tipos de Mali representa 1/3 e no Brasil é de quase 60%. No produção e várias zonas. Os dados primários sobre a Brasil, são sobretudo os produtos fitossanitários, cotonicultura intensiva foram coletados por uma seguidos pelos fertilizantes, que encarecem os custos equipe do Cepea (Esalq/USP)2 nas regiões de Campo de produção; a parcela do crédito para insumos é 2,5 de Queiroz. Usp: Universidade Novo dos Parecis (MT), Primavera do Leste (MT) e vezes maior que nos Estados Unidos. Em contra- de São Paulo. Londrina (PR). Os dados sobre a agricultura familiar partida, Brasil e Mali “recuperam” competitividade provêm de um trabalho realizado pela Embrapa graças a menores gastos relativos com mão-de-obra Algodão na Paraíba e processados pela equipe do assalariada e sobretudo com capital-equipamento e vidade comparada de Cepea. Os dados sobre os Estados Unidos foram fundiário: nos Estados Unidos, cerca de 20% do custo propriedades agrícolas no coletados a partir de fontes secundárias do USDA3 . O total para o capital-equipamento, contra 12% no Mali trabalho de coleta e análise dos dados no Mali foi e apenas 1,5% no Brasil. A parte fundiária representa confiado a uma equipe do Instituto de Economia Rural cerca de 9% nos Estados Unidos, contra 5% no Brasil; - IER, a partir de dados primários e secundários no Mali seu custo de oportunidade mostrou-se nulo. provenientes de pesquisas no sul do país4 . Quanto às margens de exploração por hectare, nos o Desenvolvimento. 2 Cepea: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. Esalq: Escola Superior de Agronomia Luiz Cirad e Cepea já haviam realizado em 2002 um estudo em parceria sobre a competiti- Brasil, Estados Unidos e França. 3 USDA: United States Department of Agriculture. Dados coletados em cinco regiões do país e acessáveis Os resultados mostram as vantagens comparativas Estados Unidos elas são negativas sem subvenção via internet. do Brasil sobre os outros dois países, devidas basica- governamental; e mesmo com as subvenções conti- 4 Região de Sikasso. Os dados mente a rendimentos maiores. Nos Estados Unidos a nuam menores que nos outros dois países. distinguem cinco tipos de propriedades agrícolas com produção algodoeira é nitidamente deficitária e Apesar desses resultados, constata-se que no sobrevive apenas graças às subvenções públicas que mercado internacional do algodão os Estados Unidos os produtores recebem. No Mali os custos unitários ainda são, e de longe, os primeiros exportadores são mais baixos do que os calculados no Brasil e nos mundiais, graças às subvenções concedidas também insumos à cultura manual Estados Unidos. Entretanto as margens por hectare aos exportadores americanos. Brasil e Mali ocupam com pouquíssimos insumos. são comparativamente menores que no Brasil, em respectivamente a 3.ª e a 6.ª posições mundiais. razão de rendimentos por hectare mais fracos. Contato Patricio Mendez del Villar, [email protected] O item insumos (sementes, fertilizantes e produ- níveis de intensificação diferenciados, da cultura com tração e menos ou mais INOVAÇÃO Sistema Fiep vai à França conhecer trabalho da ABG O Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná - Fiep está buscando na França subsídios para ficação e o desenvolvimento de competências empreendedoras de jovens com alta qualificação científica. incrementar seu trabalho voltado à aproximação entre Durante cinco dias, cerca de 80 doutorandos, em a academia e o setor industrial. A diretora-executiva fase de redação de tese, com média de 27 anos e do Instituto Euvaldo Lodi - IEL, Gina Paladino, viajou oriundos de diversas áreas do conhecimento e a Paris, a convite do governo francês, para conhecer universidades, reúnem-se em tempo integral com em detalhes o trabalho da Associação Bernard Gregory empreendedores e consultores especializados. Eles - ABG, entidade sem fins lucrativos, criada em 1980 recebem orientação profissional, visando adequada com a missão de auxiliar os jovens doutores de todas inserção no contexto empresarial. as áreas do conhecimento a encontrarem colocação Os subsídios e contatos mantidos pela coorde- profissional nas empresas. A França forma todos os nadora do IEL servirão como experiência para a orga- anos cerca de 10 mil doutores e o governo tem se nização de um evento nacional, promovido pelo Sis- esforçado para estimular sua absorção pelas em- tema Fiep e Instituto Paraná Desenvolvimento -IPD, presas, utilizando-se também do suporte da ABG. em setembro deste ano. Será em Curitiba, e contará “A ABG é uma das maiores instituições do mundo com a participação de especialistas franceses que neste assunto e com certeza a experiência deles é virão divulgar mecanismos inovadores de aproximação muito importante para nós”, comenta Gina, que dos acadêmicos com as indústrias. Na ocasião, deverá também está participando, como observadora, dos ser assinado um acordo de cooperação com a ABG chamados Doctoriales. São seminários apoiados pelo para a transferência do seu know-how para o Brasil. Ministério francês da Pesquisa e pela ABG, realizados Fonte: http://www.ielpr.org.br/noticia1808.shtml? webpContentPid=1808 em todas as regiões do país, voltados para a identi- 5 ESTUDOS NA FRANÇA Bolsas e apoios para estudar na França BRAFITEC (graduação) passagens, curso preparatório de www.capes.gov.br e www.cdefi.fr francês no Brasil. Implantado pela Coordenação de Procedimento: Mediante dossiê Aperfeiçoamento do Pessoal de disponível no site. Estudar na França é mais acessível do que se Nível Superior - CAPES e pela Con- pensa. Deve-se considerar que o governo francês ferência dos Diretores de Escolas e CENTRO NACIONAL DOS toma a seu cargo a maior parte do custo de Formações de Engenharia - CDEFI, CONCURSOS DE RESIDÊNCIA - ensino nas universidades e mantém as taxas de o programa BRAFITEC apóia pro- CNCI jetos de cooperação universitária www.cnci.univ-paris5.fr/cnci_etr/ cnci_etr.html 1 inscrição em um patamar dos mais baixos do mundo. Além disso, o estudante está autorizado a trabalhar2 e a solicitar auxílio-moradia. Existem também algumas possibilidades de bolsas, a maioria para pós-graduação, oferecidas por instituições e organismos brasileiros, franceses e europeus ou vinculadas a convênios de cooperação. em engenharia: intercâmbios de 1 ou 2 semestres de estudantes de graduação, intercâmbios de professores, organização de encontros e seminários, iniciativas sobre a equivalência de currículos e de metodologias de ensino nos dois países. Baseia-se em projetos con- 1 cerca de 7.000 euros/ano/ estudante. 2 O estudante estrangeiro pode ALBAN (mestrado/especialização juntos renováveis de até dois anos. e doutorado) Público-alvo: Alunos brasileiros e www.programalban.org/ franceses de graduação em enge- Esse concurso possibilita que estudantes de países fora da UE efetuem sua residência médica em um hospital francês. Público-alvo: Diplomados em medicina. Remuneração: entre 15.286 e 23.475 euros/ano, dependendo do ano de residência. Procedimento: Candidatura em duas etapas: 1) Prova inicial orga- trabalhar até 17h30 semanais O programa tem como objetivo – e gerar uma renda de cerca nharia. Por ocasião do início do reforçar a cooperação em ensino projeto os estudantes devem pos- superior entre a União Européia e a suir 50% do total de créditos re- América Latina; abrange estudos queridos pelos cursos; mas não de master3, doutorado e formação podem estar cursando o último ano. de alto nível para profissionais. Apoio: Bolsas e passagens; para Público-alvo: 1) Estudantes em docentes em missão na França, todas as áreas, aceitos para forma- passagens e diárias. ção universitária em instituições de Procedimento: É o estabeleci- ensino superior da UE. 2) Profis- mento no qual o aluno está inscrito sionais com no mínimo 7 anos de que seleciona os bolsistas Brafitec. HOSPITAIS DE PARIS - CMHP dos para a especialização por uma CAPES-COFECUB (doutorado) Esse concurso para médicos es- organização reconhecida pela União www.capes.gov.br/capes/portal/conteudo/ 10/CAPES_COFECUB.htm trangeiros possibilita que médicos de países fora da UE efetuem es- um centro de formação europeu. O acordo CAPES-COFECUB tem tágio de 1 ano, não renovável, em Apoio: De 1.500 a 2.000 euros/ como objetivo criar um sistema um hospital de Paris. mês: montante calculado com base permanente de cooperação e de Público-alvo: Médicos em fim de nas passagens, despesas de esta- intercâmbios interuniversitários residência (4.° ano) ou especia- dia e taxas de inscrição da univer- por professores-pesquisadores listas diplomados, seção clínica ou sidade européia. No total, a Comu- brasileiros e franceses para rea- biológica, com excelente domínio nidade Européia pode contribuir lização conjunta de programas de do francês, mínimo de 34 anos no com até 75% dos custos globais da pesquisa científica. momento da candidatura e que formação. Portanto o candidato Público-alvo: Doutorandos ins- apresentem um certificado de acei- selecionado deverá apresentar critos no Brasil em qualquer área, tação ou uma carta de um chefe de prova de um financiamento ex- tendo concluído 70% dos créditos. serviço de um hospital da Assis- terno de 25%. Apoio: Bolsa de 1.100 euros/mês tência Pública – Hospitais de Paris Procedimento: Mediante dossiê + 70 euros/mês de seguro saúde + apoiando sua candidatura. disponível no site. 100 euros/mês de auxílio-moradia, Remuneração: 1.627 euros/mês, de 500 euros mensais. 3 Existem dois tipos de master: o master pesquisa, equivalente ao mestrado, e o master profissional, equivalente à especialização. experiência, empregados e apoia- Européia, tendo sido aceitos em nizada pela Embaixada da França no Brasil e consistindo em um teste sobre temas médicos; 2) Para os aprovados nessa etapa, prova composta de duas questões dissertativas e organizada pelo birô de concursos do CNCI na França. COLÉGIO DE MEDICINA DOS (especialização) www.cmhp.asso.fr mais plantões. 6 Programa ARCUS Procedimento: Seleção a partir Os Ministérios franceses da Educação e das Relações Exteriores lançam em 2005 um programa de cooperação universitária e de pesquisa baseado em parcerias com as Regiões (co-financiamento): o programa ARCUS – Ações Regionais de Cooperação Universitária e Científica. Seu objetivo é incentivar ofertas de formações superiores e de pesquisa provenientes de grupos científicos regionais, identificados no contexto da cooperação com países emergentes, como o Brasil e novos membros da União Européia. O programa funcionará em forma de editais para propostas de projetos de parcerias científicas e universitárias, endereçadas conjuntamente para as Regiões francesas e para os atores regionais da formação superior e da pesquisa científica. Estes definirão de comum acordo o(s) país(es) para onde pretendem direcionar suas ações, bem como as temáticas prioritárias. universitários, pelo comitê cientí- de títulos e trabalhos hospitalaresfico do Colégio de Medicina. Dossiê disponível no site. EIFFEL (graduação e especialização) www.egide.asso.fr/fr/programmes/eiffel/ Programa de excelência oferecido pelo governo francês, visa atrair para a França futuros líderes e de- Apoio: Bolsa de 1.000 euros/mês. cisores estrangeiros e estudantes Procedimento: Duas etapas: 1) dos países emergentes. Carta de motivação e curriculum Público-alvo: Estudantes com vitae; 2) Os candidatos seleciona- menos de 30 anos, em pós-gra- dos recebem um e-mail para cons- duação ou no mínimo graduação tituição de um dossiê completo. em nível Bac + 2 ou equivalente (2.° ano de graduação), nas áreas de engenharia, economia/administração, direito ou ciências políticas, não direcionados para a pesquisa. Apoio: Bolsa de 1.031 euros/mês, passagens, seguro saúde. Procedimento: O estudante deve ter sido aceito por um estabelecimento francês de ensino superior. É este que efetua o pedido de bolsa, se considerar que o candidato atende aos critérios de excelência estabelecidos pela bolsa Eiffel. EIFFEL – DOUTORADO www.egide.asso.fr/fr/programmes/eiffeldoct/ Complementa o dispositivo Eiffel, oferecendo um ano na França a doutorandos estrangeiros de alto nível. Público-alvo: Estudantes estrangeiros com menos de 35 anos, titulares de um diploma de nível master (mestrado) em ciências biológicas, ciências ambientais, biotecnologia, nanotecnologia, engenharia, ciências exatas, ciências e tecnologias da informação e da comunicação, economia, administração, direito, ciências políticas ou relações internacionais. Codireção de tese obrigatória, co- ENS/FAPESP (doutorado e pós-doutorado) www.fapesp.br/materia.php?data[id_ materia]=429 Programa BRAFAGRI Recém-assinado entre a CAPES e o Ministério da Agricultura da França, o acordo BRAFAGRI, inspirado no bem-sucedido programa BRAFITEC, prevê intercâmbios de estudantes e professores na área das ciências agronômicas, agroalimentares e veterinárias. O edital deverá ser publicado em julho de 2005. A partir de setembro, cerca de 25 estudantes brasileiros deverão ir para instituições de ensino superior da França e, no sentido contrário, estudantes franceses virão para faculdades homólogas do Brasil. Tem como objetivo desenvolver uma cooperação permanente em todas as áreas do conhecimento básico (humanidades e ciências), entre a Ecole Normale Supérieure e as universidades e instituições de pesquisa do estado de São Paulo. Público-alvo: Doutorandos e pósdoutorandos de instituições paulistas que realizem pesquisa em áreas representadas na ENS e que tenham um financiamento da FAPESP ou de outra organização. Apoio: Para doutorandos, alojamento na ENS, apoio administrativo para instalação na França, acesso a todos os cursos, seminários e recursos de pesquisa da ENS; co-orientação de tese na ENS ou tutoria individual por um docente ou pesquisador vinculado à ENS. ESCOLA NORMAL SUPERIOR ULM (graduação e mestrado) www.ens.fr/international Esse concurso internacional tem como objetivo recrutar os melhores estudantes estrangeiros para cursos de 1 a 3 anos na ENS Ulm. Público-alvo: Estudantes do último ano de graduação em letras e em ciências humanas ou no 2.° ou 3.° anos de graduação em ciências. Apoio: Bolsa de 1.000 euros/mês. Procedimento: Seleção inicial mediante dossiê disponível no site; em seguida, testes escritos e entrevista por uma banca. HERMÈS (pós-doutorado) Para pós-doutorandos, a FAPESP www.cnrs.fr/SHS/appelsoffres/appels_ offres.php?id_appel_offres=117 poderá encaminhar à ENS a can- Implementado pela Fundação Casa didatura de pesquisadores que das Ciências do Homem - FMSH e desejarem realizar estágios de pós- pelo departamento Ciências do doutorado em um de seus labo- Homem e da Sociedade (CNRS), ratórios ou grupos de pesquisa. por iniciativa do Ministério das Procedimento: Mediante dossiê Relações Exteriores, o programa disponível no site. permite que jovens pesquisadores orientação (com título reconhecido pós-doutorandos em ciências hu- nos dois países) desejável. Os ERASMUS MUNDUS (mestrado) manas e sociais efetuem estágios estudantes permanecem inscritos de pesquisa na França. em sua universidade de origem. http://europa.eu.int/comm/education/ programmes/mundus/index_fr.html Apoio: Bolsa de 1.400 euros men- Programa de cooperação e mobi- anos no máximo, titulares de um sais, passagens, seguro-saúde, lidade em ensino superior, cujo doutorado em qualquer disciplina atividades culturais. objetivo é difundir a imagem da das ciências humanas e sociais e Procedimento: O mesmo da bol- União Européia como centro de ex- ligados a uma instituição de pes- sa Eiffel. celência em ensino. Financia mas- quisa de seu país. ters implementados por consórcios Apoio: Bolsa de 2.000 euros/mês, ESCOLA NORMAL SUPERIOR de universidades de no mínimo seguro saúde e eventuais auxílios CACHAN (mestrado e doutorado) três países europeus e bolsas para complementares. www.ens-cachan.fr estudantes de todo o mundo. Procedimento: Dossiê disponível Para estudantes estrangeiros que Público-alvo: Estudantes que no site. Deve incluir cartas de re- queiram realizar ou prosseguir sua houverem concluído a graduação e comendação de personalidades formação pela pesquisa nos diver- sido aceitos em um Master Eras- científicas e de responsáveis por sos departamentos ou laboratórios mus Mundus (lista dos cursos dis- instituições de pesquisa do país de ponível no site). origem do candidato e, se possível, Apoio: Bolsas de cerca de 21.000 de personalidades científicas fran- euros/ano. cesas ou européias. da Ecole Normale Supérieure Cachan. Público-alvo: Estudantes de até 26 anos, de nível master ou doutorado, efetuando ou tendo efetuado estudos e obtido seu último diploma fora da França. Público-alvo: Estudantes com 40 Procedimento: Candidatura diretamente junto ao consórcio que oferece o master. Carla Salleron, estagiária Edufrance no CenDoTeC 7 Rede mundial de universidades tecnológicas em construção François Peccoud, reitor da Universidade Tecnológica de Compiègne, esteve em São Paulo para o primeiro fórum do programa Brafitec de bolsas de engenharia. Ele falou a FF das peculiaridades da UTC e de algumas idéias que norteiam suas ações. ALUNOS COM UM PROJETO PRÓPRIO Com 3.500 alunos e cerca de 650 formandos por ano, a Université Technologique de Compiègne - UTC é a terceira maior escola de engenharia na França. Metade de seus alunos ingressaram no curso de engenharia logo após o baccalauréat (exame ao final do ensino médio). A outra metade veio após conclusão do segundo ano de qualquer outro curso universitário. Para François Peccoud, o perfil de estudante que a UTC busca é o de jovens que já demonstrem maturidade e tenham um projeto próprio de vida. Os cursos são semestrais e cada aluno escolhe seu percurso, movendo-se entre os diversos departamentos. Eles devem completar um sistema de créditos mí- A Universidade de Tecnologia Sino-Européia da Universidade de Shangai - UTSEUS tem por objetivo estabelecer e desenvolver na China uma plataforma universitária internacional segundo o modelo francês de formação em engenharia e, mais particularmente, o das universidades de tecnologia francesas. A UTSEUS será administrada por um comitê composto de sete chineses – entre os quais o diretor executivo e seis franceses – entre os quais o presidente. Esse conselho decidirá as orientações estratégicas e adotará as medidas para o funcionamento geral da UTSEUS, desde que aprovadas anualmente pelos conselhos de administração das partes signatárias da convenção. nimos em três categorias: 1) ciência básicas, 2) ciências humanas e cultura geral e 3) tecnologia aplicada. Na sua visão, o liberalismo econômico acabará realizam estágios. É uma das regras da UTC buscar cedendo às medidas protecionistas, e haverá menor simbiose com as indústrias e a administração pública. mobilidade internacional. Os profissionais com duplo COOPERAÇÃO INTERNACIONAL Segundo o reitor da UTC, poucas universidades sobreviverão à concorrência internacional que se prefigura com a mundialização das formações (ex. : espaço europeu de ensino). Além da boa formação básica e da pesquisa em parceria com as indústrias, ele aponta a cooperação internacional como um dos requisitos essenciais das universidades do futuro. 75% dos estudantes da UTC realizam um semestre (não obrigatório) no exterior; 35%, dois semestres. François Peccoud vê na experiência internacional de seus alunos uma outra preciosa vantagem: «Dentro de 20 anos, nossos alunos terão 40 anos e dois tipos de trabalho lhes darão boa remuneração: 1) os trabalhos de proximidade com o cliente – vendas, pós-venda, manutenção e 2) os trabalhos inovadores. Para formar esses profissionais, é preciso que eles aprendam a desconstruir suas certezas e olhar para o mundo com novos olhos.» A UTC tem acordos de duplos diplomas com várias universidades do mundo. No Brasil, além de uma antiga cooperação e do duplo diploma em engenharia mecânica há dois anos com o Cefet-PR, acordos com a UFPE e com a UFPR estão sendo negociados. Estabelecimentos no Brasil conveniados com a UTC Centro de Integração de Tecnologia do Paraná - CITPAR • Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná - CEFET-PR • Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro - CEFET-RJ • Instituto Nacional de Telecomunicações - INATEL (Santa Rita do Sapucaí) • Pontifícia Universidade Católica do Paraná • Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro • Universidade de Caxias do Sul • Universidade Federal de Brasília • Universidade Federal de Campina Grande • Universidade Federal de Pernambuco • Universidade Federal do Paraná • Universidade Federal da Paraíba 8 REDE MUNDIAL DE UTS No início do 4.o ano e no final do 5.o, os alunos diploma, autorizados portanto a trabalhar em duas zonas econômicas, virão contrapor-se a essa tendência. A UTC trabalha agora para concretizar uma rede mundial de universidades de tecnologia. Uma convenção de colaboração para a criação da universidade de tecnologia sino-européia da universidade de Shangai - UTSEUS foi assinada em fevereiro entre a UTBM (Belfort-Montbéliard), a UTT (Troyes), a UTC e a Universidade de Shangai. As três universidades francesas assumirão pelo menos 25% do ensino na UT de Shangai, que em setembro de 2005 deve abrir suas portas a 250 estudantes. Eles iniciarão uma formação comum em quatro departamentos: Engenharia Mecânica, Eng. Informática, Eng. Biológica e Ciências dos Materiais. Dentro de três anos, esses alunos deverão integrar a rede francesa das UT. Ao mesmo tempo, Shangai deverá receber estudantes franceses que realizarão em uma empresa chinesa seu projeto de fim de curso. Como evoluirá essa rede mundial de universidades tecnológicas? Reafirmando a importância dos países “BRIC” – Brasil, Rússia, Índia, China – para todos os que hoje buscam a classificação “internacional”, o reitor da UTC revela o interesse da rede também pelo mundo árabe. A recente leitura do livro do indiano C. K. Prahalad, editado em francês com o título 4 milliards de consommateurs, vaincre la pauvreté grâce au profit, trouxe a Michel Peccoud uma nova certeza: os engenheiros que buscarem definir as necessidades dos quatro bilhões de habitantes do planeta que vivem no limiar da pobreza e forem capazes de se interessar pelas necessidades desses países terão encontrado a fonte dos lucros de amanhã. Semana do Ensino Superior Francês Representantes de quase 150 estabelecimentos franceses de ensino superior participarão do evento promovido pela Agência EduFrance e coordenado pelo CenDoTeC, de 22 a 29 de setembro, em cinco capitais brasileiras. Nos salões EduFrance em São Paulo e no Rio de Janeiro, o estudante conhecerá esses estabelecimentos e a diversidade de cursos oferecidos. No estande de informações gerais, descobrirá possibilidades de bolsas, de trabalho, alojamento, vistos etc. Para visitar os salões, que contarão com serviço de intérprete em cada estande, os estudantes podem cadastrar-se no site www.edufrance.com.br e já imprimir seu convite. ENCONTROS ENTRE ESTABELECIMENTOS FRANCESES E BRASILEIROS Programa da Semana do Ensino Superior Francês 22/09 Abertura oficial – Brasília 23/09 Encontros entre estabelecimentos franceses e brasileiros, em parceria com o Fórum de Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos Internacionais - FAUBAI – São Paulo 24 e 25/09 Salão EduFrance – MUBE, São Paulo 27/09 Encontros entre estabelecimentos franceses e brasileiros – Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife 29/09 Salão EduFrance – Hotel Sofitel, Rio de Janeiro Em São Paulo, toda a delegação francesa estará Os encontros entre os estabelecimentos têm como presente no evento. Em seguida, três grupos serão objetivo promover a cooperação entre os estabele- formados para os encontros em Belo Horizonte, Porto cimentos de ensino tanto para o intercâmbio de Alegre e Recife. estudantes quanto de professores, além de possibilitar A partir do final de julho, as instituições brasileiras poderão agendar as entrevistas individuais (módulos reuniões com instituições parceiras. Após uma sessão plenária em que serão discutidos de 30 minutos) com os representantes de estabe- os principais dispositivos da cooperação universitária lecimentos franceses, no site www.edufrance.com.br. franco-brasileira, os participantes brasileiros poderão Para facilitar a identificação do interlocutor e o reunir-se individualmente com os representantes fran- agendamento das reuniões, o site apresenta fichas ceses. Haverá, se necessário, serviço de intérpretes. sobre as instituições francesas e seus cursos. Estandes dos Salões Edufrance1 UNIVERSIDADES ENS-Cachan - ENS-ULM Europole Universitaire de Rennes (4) Grenoble Universités (4) Groupe Atlantech (12) Sciences Po - Paris Université Claude Bernard Lyon 1 Université de Cergy Pontoise Université de Franche-Comté Université Paris 3 - Sorbonne Nouvelle Université de Nantes Université de Picardie Jules Verne Université de Provence Aix-Marseille 1 Université de Versailles Saint-Quentin Université des Antilles et de la Guyane Université Paris 1 - Panthéon Sorbonne Université Paris 10 Nanterre Université Paris 12 Val de Marne Université Paris 8 Universite Paris Dauphine (9) Université Paris Sud 11 Université Paris-Sorbonne (Paris 4) Université Paul Cézanne - Aix-Marseille 3 Université Paul Verlaine-Metz Université Pierre et Marie Curie Paris 6 ESCOLAS DE COMÉRCIO Angers Graduate Schools CCIP - DRI/E (15) Ecole de Management de Normandie EDHEC Business School ESC CLERMONT ESC Pau Grenoble Graduate School of Business Groupe ESC Chambéry Savoie IESEG School of Management ESCOLAS DE ENGENHARIA Ecole Nationale Supérieure de Céramique Industrielle - ENSCI ENSIETA - Brest ESTACA GET- Groupe des Ecoles des Télécommunications (6) Groupe des Ecoles des Mines (7) INSA Lyon ISEP Réseau N+I - Engineering Institutes (57) 1 Lista provisória. Para alguns dos estandes, está indicado o número de estabelecimentos representados. ESCOLAS DE LÍNGUAS AZURLINGUA CAVILAM ESCOLAS ESPECIALIZADAS EduDroit (direito) / EduArt (23) ESTHUA- Université d’Angers (hotelaria, turismo) IESA - Institut d’Etudes Supérieures des Arts (arte, cinema) MOD’ART International (moda) Duplo diploma ESALQ – INA P-G Foi assinado em 14 de abril acordo para duplo diploma de graduação da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” - ESALQ/USP e do Institut National Agronomique Paris-Grignon - INA P-G. Alunos do curso de Engenharia Agronômica já podem candidatar-se ao novo programa, que passa a valer a partir de 2006. O INA é uma das Grandes Escolas públicas que compõem ParisTech (Paris Institute of Technology), todas de ensino superior, porém não vinculadas administrativamente às universidades francesas. Contato Prof.a Maria Lúcia Carneiro Vieira, [email protected] 9 PESQUISA Farmacopéias tradicionais na Guiana Francesa A valorização da biodiversidade e dos saberes tradicionais das comunidades do Sul, quando percebida como uma fonte de lucro para os países industrializados, incita ao debate. Na Guiana Francesa, pesquisas do IRD1 integram-se em uma abordagem em 1 Veja também Sciences au Sud n.o 27 e 29, http:// www.ird.fr/fr/actualites/ journal/ ©IRD/M.-F. Prévost Vismia cayennensis: contra afecções da pele Cordia nodosa: contra resfriados e dificuldade respiratória Grenand P., Moretti C., Jacquemin H. & Prévost, M.-F. - Pharmacopées traditionnelles en Guyane – Créoles, Wayãpi, Palikur – Paris, IRD, 2005 – 2.a edição inteiramente revista e corrigida. 816 p., 85 euros. Disponível no CenDoTeC para empréstimo. 10 escala local, na qual a valorização dos saberes contribui para uma reapropriação, pelas diferentes comunidades, de uma parte essencial de seu patrimônio cultural. Christian Moretti e Pierre Grenand falam sobre o contexto e as expectativas de seu trabalho. “Ocupando uma parcela da grande floresta difundida, e provavelmente subestimada pelo sistema amazônica, a Guiana Francesa é composta de um de atendimento local. Para resolver um problema de mosaico de comunidades, testemunhas tanto da saúde, as comunidades florestais recorrem a um história antiga da Amazônia (ameríndios) como de sua grande número de plantas, utilizando-as em função de história colonial (europeus, negros marrons – descen- sua disponibilidade e facilidade de acesso. dentes de escravos fugitivos –, crioulos). Soma-se a Na Guiana, um grande número de plantas (mais de esse povoamento uma crescente população imigrante 700 espécies, na maioria florestais, para a totalidade (brasileiros, haitianos etc). da região) são consideradas medicinais. Observa-se A partir dos anos 70, desenvolveu-se um grande também uma grande diversidade de usos para uma interesse em torno da gestão dos ecossistemas pelas mesma planta – às vezes até oito usos diferentes para populações da floresta e dos saberes etnobotânicos e as mais importantes. etnozoológicos tanto dos negros marrons como dos Cerca de 80% são plantas de coleta. Entretanto ameríndios. Um dos objetivos principais era o estudo para muitas delas a qualificação “selvagem” é ambí- das farmacopéias, pois é nessa época que emerge o gua. As que só se reproduzem naturalmente por via interesse pela biodiversidade da Amazônia, com assexuada puderam multiplicar-se ao longo do tempo trabalhos no Brasil, Peru, Equador, Colômbia e Bolívia. apenas graças à ação humana que as manteve e É apenas nos anos 90, após a Conferência do Rio disseminou. (Eco-92), que os conceitos de biodiversidade e de Os casos de superexploração para fins medicinais gestão sustentável vão generalizar-se e, na Guiana são raros, principalmente devido ao bom estado da como em todos os outros lugares da Amazônia, dar cobertura florestal e à fraca comercialização das novo impulso às pesquisas sobre as relações entre o plantas medicinais. No máximo certas espécies natu- homem e seu meio ambiente. ralmente raras e já patrimonializadas pelo Conselho Foi nesse contexto que pesquisadores do Instituto Científico Regional de Proteção da Natureza - CSRPN de Pesquisa para o Desenvolvimento – IRD e espe- merecem atenção especial, ainda mais porque a cificamente da unidade n.° 84 – “Conhecimento dos legislação francesa, diferentemente da brasileira, é recursos vegetais tropicais e de seus usos” (Biodival) muito fraca nessa área. empreenderam o estudo dos remédios tradicionais Trata-se também de avaliar o serviço médico utilizados pelas populações guianenses. A obra prestado por essas práticas de automedicação: entre Pharmacopées traditionnelles en Guiane é o resultado as 600 plantas inventariadas na obra, cerca de 60 são de uma parte dessas pesquisas coletivas executadas de uso corrente. Para essas plantas largamente ao longo de mais de 25 anos. O estudo trata dos empregadas, formulamos “recomendações de uso” saberes terapêuticos tradicionais de três etnias da provenientes dos trabalhos do programa internacional Guiana: os crioulos e os índios wayãpi e palikur. TRAMIL (farmacopéia caribenha), hoje prolongado Nesses três grupos, o uso das plantas medicinais é pelo programa TRAMAZ, realizado com o aval da muito importante, embora associado a concepções Agência Brasileira de Cooperação ABC. TRAMAZ é um nitidamente diferentes com relação ao corpo e sua programa de pesquisa aplicado às plantas medicinais patologia. A implantação dos grupos em meios guiano-amazônicas. Consiste basicamente na imple- naturais um pouco dissemelhantes está na base de mentação de uma rede de contatos científicos, de uma diversificação bastante nítida das espécies formação e de transferência tecnológica sobre as plan- utilizadas. Por fim e sobretudo, a origem e a evolução tas medicinais regionais mais empregadas em terapia histórica, muito diferentes para as três etnias, fazem familiar (objetivo de saúde pública) e/ou passíveis de com que as farmacopéias e seu uso não tenham as desenvolvimento econômico a médio prazo. mesmas funções sociais e terapêuticas. Especificamos ainda a eficácia terapêutica quando ela está demonstrada cientificamente. Mas também é OS USOS – PRÁTICAS DE AUTOMEDICAÇÃO preciso lembrar os riscos que resultam de certas Apesar da existência de dispensários e da pre- práticas de automedicação, devidos basicamente às sença de pessoal da saúde nos lugares mais isolados confusões botânicas possíveis por se tratar de uma da Guiana, a automedicação ainda está amplamente flora ainda imperfeitamente conhecida. O que pensa o expert A Fronteira Norte Lembro-me, quando menino em Marília, de rodar a bicicleta sob sol escaldante até o campo-de-aviação para esperar o avião da VASP, um DC3 sobrevivente da guerra, que nos trazia imagem dos tempos modernos. Já nessa época, meu pai, udenista alinhado com Eduardo Gomes, repetia que “A fronteira Norte do Brasil, quem marcou foi o DC-3 militar”. Aquele mesmo que ia me ver vestido à paisana. Guardei o figurativo e lembrei-me dele quando solicitado a contribuir com a apresentação das experiências do Prof. Christian Moretti, Diretor de Unidade do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento–IRD, Paris, co-autor das “Farmacopéias Tradicionais da Guyana” , em sua segunda edição. Cortesia, sem dúvida, aceita com o propósito explícito de ajudar no tecer da alça brasileira da rede científica que começa a envolver a Amazônia e suas fronteiras. Minha formação médica e atuação acadêmica em Farmacologia direcionaram automaticamente meu GPS interno para a área de medicamentos. “Amazônia, Guiana Francesa, ao lado do Amapá e do IEPA, que estuda remédios populares, que se associou ao Instituto do Milênio BioTrop e participa do TRAMAZ em colaboração com a Guiana Francesa.” O círculo fechou dentro de casa sem fronteiras no caminho! A fronteira amazônica dos acadêmicos e cientistas não trata de delimitações físicas separando culturas e idiomas; nem de espaço aéreo ou posse de qualquer extensão de terras úmidas, florestas gigantescas e rios caudalosos que conformam o maior bioma do mundo. Para a Amazônia espera-se empreendimento humanístico maior. Espera-se que o conhecimento racional da biodiversidade seja o gerador de progresso para a inclusão internacional das comunidades distantes, sem fazê-las perder a identidade cultural. Para isso a formação de recursos humanos e de massa crítica local é estratégica, desconsiderando as limitações de fronteiras virtuais ou interesses territoriais imediatos. Pois, na Amazônia, como nos ensina Moretti, o saber tradicional encontrase disperso nas culturas pan-amazônicas pré-coloniais e na cultura cabocla (creola) originada da mixagem diversa na época colonial. As duas convivem há cinco séculos em território livre, com um fundo cultural comum, modificado e ampliado à medida que novas regiões são exploradas e que novos contatos são estabelecidos. Este intercâmbio íntimo e prolongado moldou valores da sabedoria popular que carecem de conceito fora de seu contexto social. Difícil identificar de quem foi e a quem pertence o conhecimento original. Essa situação comum aos países que compartilham áreas amazônicas é estratégica na definição das políticas de bioprospecção. Na Amazônia Brasileira, creio poder generalizar às demais, fazendo ponte entre a cultura cabocla e a vida contemporânea de padrão ocidental, notaA DINÂMICA DOS SABERES – REAPROPRIAÇÃO Nosso trabalho pretende ser antes de tudo um testemunho sobre a complexidade do saber das três populações, estudadas na perspectiva de uma reapropriação pelas comunidades guianenses daquilo que representa uma parte essencial de seu patrimônio cultural. Os contatos societais contemporâneos aceleraram, na Amazônia como em outros lugares das regiões tropicais, a mobilidade e a difusão dos saberes, provocando por vezes sua reconstrução. Mas também favoreceram amplamente a tomada de consciência de sua especificidade em nível identitário ou mais simplesmente comunitário. Na Guiana, o contato dos pesquisadores com as populações locais é um fator importante dessa dinâmica. se uma sociedade em transição que habita as cidades modernas, freqüenta suas escolas e incorpora naturalmente os valores dos dois mundos culturais. Esta não é a interface social mais original da região, mas talvez seja a de manejo científico mais fácil. Considero recompensador, por exemplo, recrutar e capacitar esse pessoal para a validação científica criteriosa dos remédios populares. Nesse caso, sendo possível uma transferência bilateral de conhecimentos, é de se esperar uma melhoria do atendimento primário à saúde das populações marginais, sem infração de princípios bioéticos ou científicos. Juntar forças na formação dessa massa crítica em toda a Amazônia legal é, no mínimo, esperado. O racional, no entanto, é capacitá-la para realizar a bioprospecção orientada para obtenção também de medicamentos inovadores, sem o receio de desvelar segredos ou ferir direitos de propriedade intelectual, pois o substrato da exploração científica não tem dono definido! É estratégico para a região, no entanto, que a formação de recursos humanos não encontre obstáculos em fronteiras virtuais ou interesse particular em reservar um conhecimento sem entendimento lógico na ciência moderna. Aparentemente a execução de um programa colaborativo dessa abrangência depende de suporte específico porque os intercâmbios diplomáticos genéricos como o Tratado de Cooperação dos Países da Amazônia e os Convênios Bilaterais de Cooperação Científica existentes entre os países latino-americanos e quase todos os europeus têm sido insuficientes para garantir a inclusão das instituições amazônicas no processo de desenvolvimento científico. Novas iniciativas para garantir pesquisa autônoma são necessárias à inclusão das instituições amazonenses no desenvolvimento científico, particularmente de medicamentos. A formação urgente de massa crítica regional é a mais urgente e imperativa, enquanto a cooperação interinstitucional sem fronteiras é uma necessidade esperada em vista das semelhanças ambientais e das dificuldades institucionais comuns. A iniciativa do Centro de Biotecnologia da Amazônia, em Manaus, de implantar a Coordenadoria de Farmacologia, Toxicologia e Biotério foi um modelo baseado nessas premissas. O treinamento em serviço de 22 técnicos de nível superior com apoio da FAPEAM e MCT, do qual poderão se beneficiar as instituições e empresas regionais, é a primeira etapa. A iniciativa estará completa ao extrapolar a fronteira. Que fronteira?! Dr. Antonio José Lapa, chefe do Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, [email protected] Convém lembrar que nossas pesquisas foram empreendidas numa época em que a emergência dos povos indígenas na cena internacional (Brasil, Peru, EUA etc.) era muito recente. Os interesses econômicos em torno da biodiversidade ainda não estavam na ordem do dia. Nossos resultados tinham então valor de testemunho da riqueza dos saberes dos povos amazônicos e constituíam um elemento importante para o reconhecimento de seus direitos. Hoje as associações culturais florescem na Guiana, Carapa guianensis: repelente de insetos tanto entre os crioulos como entre os ameríndios e os negros. Nesse contexto novo, temos a esperança de que nossa obra contribua para uma reapropriação dos saberes sobre as medicinas tradicionais e as farmacopéias, tal como ela emerge atualmente através das iniciativas do tecido associativo guianense. 11 Da flora amazônica, novo medicamento contra a leishmaniose Em 16 de junho, o pesquisador do IRD Alain Fournet visitou o LAFEPE, segundo maior laboratório público do Brasil, para estabelecer plano de trabalho visando fabricação de medicamento contra a leishmaniose, à base de substâncias identificadas em plantas amazônicas da Bolívia e sintetizadas sob patente IRD-CNRS. O IRD associou-se ao Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz (Fiocruz-BA) nas pesquisas sobre o papel dessas substâncias, eficazes também contra o retrovírus HTLV. Contato Pierre Sabaté, representante do IRD no Brasil - [email protected] RASTREABILIDADE 2 Artigo 8 (Conservação in situ), letra J, da Convenção do possível e de acordo com complementos alimentares, new foods, cosmética etc. Esses novos mercados beneficiam-se do entusiasmo pelos produtos típicos ou étnicos. Garantindo a rastreabilidade dos usos entre as comunidades, esperamos contribuir para o respeito aos seus direitos. O problema primordial parece-nos ser, em última análise, a manutenção da diversidade cultural. A valorização que todos desejamos só pode ocorrer mediante essa condição. Ora, precisamente a erosão dos saberes é o que os observadores e os atores locais Ante essas evidências, pode-se imaginar a dificul- mais conscientizados assinalam em toda parte. A dade de implementar o artigo 8J2 da Convenção sobre contrario, se quisermos manter ativos esses saberes, a Biodiversidade. Sua aplicação esbarra na definição é por sua patrimonialização que devemos nos inte- de autoctonia: é claro que os ameríndios são os pri- ressar, entendida como a promoção e o reconheci- meiros ocupantes da Guiana, mas os negros marrons mento de saberes próprios de uma cultura face a e uma parte dos ancestrais dos crioulos foram trans- outras. Com efeito, em uma perspectiva altermundia- portados à força para a região. Negar-lhes hoje o di- lista bem compreendida, uma sociedade humana não reito à autoctonia seria uma discriminação inaceitável. pode mais viver unicamente segundo lógicas endó- A aplicação do artigo 8J esbarra também na genas: se quiser perdurar, deve confrontar-se a outras dificuldade de implementar um reconhecimento dos culturas. Uma sociedade capaz de enfrentar tal desafio direitos de propriedade intelectual e uma partilha pode pensar em manter uma configuração original em equitativa dos benefícios resultantes da exploração um conjunto cultural e político mais amplo. dos recursos locais. Especificamente, quase sempre é Assim, parece-nos que na Guiana a preservação impossível definir quem é o inventor de um deter- dos saberes e a valorização econômica dos recursos minado uso medicinal de uma planta. Mais ainda, nas da floresta devem ser tratadas mais em nível regional comunidades contemporâneas os saberes tornaram-se do que comunitário, seja através das estruturas exis- – salvo exceção – fragmentários e freqüentemente tentes ou de estruturas originais a serem criadas, tais possuídos por apenas algumas pessoas. Por fim, seus como um Observatório Regional da Biodiversidade. detentores, que são os mesmos que os colocam em Seria preciso também que elas se articulassem com prática, são também os indivíduos ou as famílias mais legislações ambientais adaptadas, levando em conta o pobres das comunidades ou pelo menos os que não desenvolvimento sustentável das comunidades. Os têm acesso aos padrões de vida ocidentais. saberes particulares, próprios de uma comunidade, sobre a Biodiversidade: “Cada parte contratante, na medida relativizada, novos setores estão em plena expansão: VALORIZAÇÃO – PRESERVAR A DIVERSIDADE poderiam ser protegidos e valorizados por meio de outros sistemas de promoção que não a patente, tais Valorização econômica é o motivo mais apresen- como as Denominações de Origem (AO), as Denomi- as disposições de sua tado para justificar a abertura dos saberes para o nações de Origem Controlada (AOC), as marcas ou os legislação nacional, respeita, mundo exterior. Quaisquer que sejam suas conse- diversos processos de atestação de qualidade e/ou de preserva e mantém os qüências positivas ou nefastas para os detentores de origem. Esses modos de proteção dos direitos de as conveniências, ressalvadas conhecimentos, inovações e um saber endógeno, não se pode negar que essa propriedade intelectual têm a vantagem de ser autóctones e locais que abertura insere-se em um processo de troca tão coletivos (como o são os saberes3 locais, com exceção personifiquem os modos de antigo quanto a espécie humana. Sabe-se também dos xamânicos e outros saberes pessoais), flexíveis, vida tradicionais que que a valorização de saberes, recursos e técnicas adaptados ao contexto europeu. Em contrapartida, é abrange inúmeros objetos. A não ser que se trate caso preciso acautelar-se com relação a regulamentos sustentável da diversidade por caso em um enquadramento legislativo adaptado internacionais excessivamente genéricos e rígidos. O biológica; propicia sua a contextos nacionais, regionais ou mesmo locais, essas procedimento que privilegiamos tem a vantagem, no aplicação em maior escala, questões parecem-nos difíceis de ser solucionadas que se refere ao exemplo da Guiana, de desenvolver globalmente e mesmo apresentam o risco de favore- dentro do mosaico cultural a noção de interesse conhecimentos, inovações e cer a emergência de novas desigualdades. Mais ainda, comum e visa afastar as derivas comunitaristas. práticas; e incentiva o um excesso de ética poderia levar a um enclausu- Para que esse procedimento seja produtivo, uma compartilhamento equitativo ramento econômico e cultural que seria prejudicial condição prévia, reiteramos, deve ser atendida: a para pequenas sociedades já muito ameaçadas. preservação dos saberes. Nas condições sociais e práticas das comunidades apresentem interesse para a conservação e o uso com o acordo e a participação dos depositários desses das vantagens decorrentes do uso desses conhecimentos, O estudo das plantas medicinais contribui sempre econômicas atuais, esta não pode mais ser assegurada para a inovação terapêutica ou tecnológica. Por exem- unicamente pelos sistemas tradicionais de educação e plo, a pesquisa de novos medicamentos antiparasitá- deve ser obra tanto de educadores treinados nas rios é uma prioridade da OMS. As informações reuni- técnicas da educação ambiental como de associações sentido amplo, incluindo das nesta obra são pistas para pesquisas futuras. Com culturais. Requer também sistemas bilíngües de conhecimentos sobre o meio relação a muitas delas, nada ou pouco se sabe sobre educação, pois é certo que todos esses saberes florestal, variedades de a composição química e as propriedades biológicas. Para- naturalistas só podem ser transmitidos através do lisar essa pesquisa seria sem a menor dúvida um erro. espírito próprio de cada uma das línguas.” inovações e práticas.” 3 Evidentemente a idéia de saber é entendida aqui no plantas cultivadas, know-how, técnicas, produtos ali- 12 mentares (a lista não é Ainda que a importância dos saberes terapêuticos Christian Moretti, diretor, e Pierre Grenand, limitativa). tradicionais na pesquisa farmacêutica atual deva ser etnobotanista – Unidade N.o 84 do IRD - Biodival ON LINE ©BRGM Im@gé Tudo sobre a geotermia Zonas propícias para geração de energia elétrica (regiões tectônicas e vulcânicas ativas emersas) O BRGM1 e a ADEME2 lançam o site Zonas propícias para uso direto em agroindústria e aquecimento de ambientes (bacias sedimentares) www.geothermie-perspectives.fr. Entre as energias renováveis, o grande público Zonas propícias para banhos, turismo, lazer e fins terapêuticos (base cristalina) sabe pouco sobre a geotermia. Porém ela constitui uma alternativa de primeiro plano para as energias fósseis, tanto pelas potencialidades que oferece como dados homogêneos, validados e atualizados, além de congregar organismos e empresas representativos da geotermia na França. Foi projetado para os mais diversos públicos: leigos, professores, estudantes, indústrias, organismos, produtores de energia, administrações públicas. Seus tópicos principais: HABITAT, LAZER, SAÚDE O objetivo desse site é fornecer informações e PRINCIPAIS USOS DA GEOTERMIA EM FUNÇÃO DAS TEMPERATURAS AGRICULTURA, ALIMENTAÇÃO pelos trunfos de que dispõe. • “Geotermia, uma energia exemplar”: inforgeotermia: energia local, regular e econômica. A origem do calor da Terra e os primeiros usos humanos da geotermia (entre eles, os banhos termais). As diversas aplicações em função das temperaturas e os INDÚSTRIA mações gerais de cunho científico. Características da dois grandes segmentos: baixa e baixíssimas temperaturas para produção de calor, média e alta temperaturas para produção de eletricidade. 10 oC 30 oC Baixíssima energia Aquecimento com bomba de calor. Climatização Aquecimento de pisos Centros de lazer – piscinas Balneoterapia – termalismo Pré-aquecimento (água-ar) Água quente sanitária Aquecimento urbano Piscicultura – aqüicultura Cultivo de cogumelos Aquecimento de estufas pelo solo Aquecimento de estufas pelo ar Pré-aquecimento (água-ar) Secagem de produtos agrícolas, madeira, peixes Conservas alimentares Pré-aquecimento (água-ar) Anticongelamento Lavagem de lã – tingimento Secagem de produtos industriais Produção de eletricidade por centrais de fluido binário Refrigeração por absorção Extração de substâncias químicas Destilação de água doce Recuperação de metais Prod. eletr. a partir de vapor Evaporação de soluções concentradas Pasta para papel Produção de frio negativo (sistema com absorção amoníaco) o o 90 C Baixa energia 150 C Média energia Alta energia • “Como funciona a geotermia?”: as técnicas de modelagem e reconhecimento das jazidas; as diversas caminhos para seu desenvolvimento. 1 Birô de Pesquisa em Geologia e Minas configurações utilizadas para exploração do recurso. • “Aqueço minha casa”, “Aquecer edificações”, “As Limitações e riscos a serem superados para o melhor redes de calor”, “Outros usos” (eletricidade, indústria, 2 Agência do Meio Ambiente e lazer, agricultura, piscicultura): as muitas formas de de Controle da Energia aproveitamento desta energia renovável. • “A geotermia na França”: os recursos disponíveis em seu território continental e de ultramar; a impor- aproveitamento da geotermia e as operações neces- 3 Centro de Informação Técnica sárias. sobre Energia Geotérmica tância das bombas de calor; a eletricidade de amanhã • Complementando o site: atualidades (as prin- e o programa europeu de pesquisa de Soultz-sous- cipais manifestações para o avanço da geotermia), um Forêts. fórum de perguntas freqüentes, um glossário, links • “Perspectivas e futuro da geotermia”: o lugar da geotermia ante as energias fósseis e os possíveis para uma seleção de sites, o informativo do CITEG3 e o boletim da geotermia em Ile-de-France. O conhecimento das grandes tendências do fluxo de calor e da circulação de água subterrânea nas camadas mais superficiais da Terra tem utilidade considerável na exploração regional de recursos geotérmicos. Essa abordagem foi adotada em um recente trabalho para identificar regiões de interesse potencial para exploração de energia geotérmica na América do Sul. Os resultados obtidos, ilustrados no mapa ao lado, revelam que as possibilidades de serem encontrados recursos de alta entalpia em pequenas profundidades são significativas nas partes centrais da Colômbia, no sul do altiplano na Bolívia e em segmentos orientais da cordilheira da Patagônia no Chile. Recursos de temperatura média são prováveis no norte da Venezuela central e no oeste da Argentina. Latitude Sul O que pensa o expert Longitude Oeste Categoria do recurso Entalpias Alta Média Baixa Da mesma forma, as bacias do Chaco-Pampa (oeste do Paraguai, norte da Argentina e oeste do Uruguai), as partes mais profundas das depressões précordilheira no leste do Peru e as regiões centrais das bacias intracratônicas no Brasil podem conter quantidades substanciais de recursos geotérmicos para uso direto. Nesse contexto, é preciso mencionar as condições favoráveis para exploração de recursos geotérmicos na Bacia do Paraná. Essa bacia estendese por uma área de mais de um milhão de quilômetros quadrados nas partes sul do continente e possui dois aqüíferos geotermais profundos (Guarani e Furnas). As condições climáticas são favoráveis para uso direto de recursos geotérmicos na agroindústria e em aquecimento de ambientes, seguindo abordagens similares às adotadas para a Bacia Parisiense na França. Dr. Valiya Mannathal Hamza, Coordenador do Laboratório de Geotermia do Observatório Nacional – [email protected] 13 ORG ANIZAÇÃO DA PESQUISA Dez novas Fundações de Pesquisa na França irrigarão os laboratórios, através de editais para apresentação de projetos. [...] A alta qualidade científica de seus experts, dos quais uma parte considerável é ou será constituída de especialistas O governo francês implantou em 2003 estrangeiros, bem como os modos de elaboração e de uma reforma para dar novo impulso às seleção dos editais para proposição de projetos, fazem fundações de pesquisa e ao mecenato delas um modelo de organização que se equipara às por toda sociedade civil. Essa iniciativa melhores práticas internacionais. [...] A criação de um apresenta agora seus primeiros fundo de 150 milhões de euros [...] permitiu irrigar à resultados: em 23 de maio o ministro razão de 1 euro público para cada 1 euro privado o da pesquisa, François d’Aubert, anunciou capital dessas dez novas fundações.” a criação de 10 fundações de pesquisa, declaradas de utilidade pública. Em seu discurso, o ministro salientou: “Essa política permitiu mobilizar, em condições fiscais vantajosas, recursos privados provenientes das empresas. [...] É preciso salientar que uma fundação, ao ser criada, torna-se independente de seus fundadores e autônoma com relação a cada um dos colégios que compõem seus conselhos. Assim, os fundadores representam apenas um terço das vozes dos conselhos; o segundo terço é composto de personalidades qualificadas, sem ligação com os outros terços (lei Com essas medidas o governo francês pretende: • mobilizar financiamentos privados provenientes de empresas ou de particulares, para projetos de pesquisa prioritários, aumentando assim a parcela privada dos gastos com P&D. As vantagens fiscais são altamente incitativas para as empresas; • apoiar grandes programas de P&D sobre temáticas de pesquisa definidas, de alta tecnologia e promissoras; • mutualizar os recursos financeiros e as qualificações para realizar grandes projetos de P&D; • incrementar a parceria entre pesquisa pública e pesquisa privada; • divulgar no mundo científico a cultura de gestão por sobre a transparência), e o terceiro é representado projeto, apoiando projetos selecionados mediante pelos membros de direito, que são os ministérios edital; participantes.” • fortalecer a relação de confiança entre a ciência e a François d’Aubert explicou ainda: “Diferentemente sociedade. das fundações tradicionais de utilidade pública, estas A dinâmica prossegue, com a apresentação ao não destinarão uma parcela majoritária de seus gastos Conselho de Estado de 15 novos projetos de Funda- a ações executadas por elas mesmas: ao contrário, ções de Pesquisa. As novas fundações de pesquisa Fundação Construção-Energia Objetivo: financiar, avaliar e valorizar pesquisas para reduzir a 1/4, até o ano 2050, as emissões de gases de efeito estufa geradas pelas construções, tanto novas como antigas (redução do consumo de energia, avanço das energias renováveis no setor da construção). Fundadores: Arcelor, Lafarge, Gaz de France, Electricité de France. Dotação: 8 milhões de euros (50% privados + 50% do Estado). Fundação Coração e Artérias Objetivo: apoiar e valorizar e pesquisa e a prevenção das doenças cardíacas e vasculares e das doenças metabólicas associadas. Para isso financiará programas nos seguintes eixos: nutrição e alimentos saudáveis; terapia; práticas preventivas e comportamentos nutricionais. Fundadores: Bonduelle, Mac Cain, Sanofi Synthélabo, Genfit, Auchan, Verspieren, Unilever, Natexis/Banc populaire du Nord. Dotação: 8,5 milhões de euros (50% privados + 50% do Estado). Fundação de Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável e as Relações Internacionais Objetivo: desenvolver e executar pesquisas: sobre gestão dos problemas globais ambientais e de governança; para uma reflexão estratégica e prospectiva no âmbito do desenvolvimento sustentável. Fundadores: Electricité de France, associação “Empresas para o meio ambiente”, Gaz de France, Lafarge, Suez, Veolia Environnement, Saint Gobain. Dotação: 2,373 milhões de euros (1,210 privados + 1,163 do Estado). 14 Fundação de Pesquisa para a Aeronáutica e o Espaço Objetivo: definir, promover e financiar programas de pesquisa sobre: segurança e confiabilidade do transporte aéreo; tecnologias para minimizar o impacto ambiental; eficiência global do sistema de transporte aéreo; aplicações espaciais para o desenvolvimento sustentável e a gestão de riscos; bases científicas e tecnológicas para a independência estratégica das indústrias aeroespaciais. Fundadores: Airbus France, Eads France, Eads Astrium SAS, Eads Space Transportation, Eurocopter, Latecoere, Snecma, Thalès. Dotação: 18 milhões de euros (50% privados + 50% do Estado). Fundação ELA Objetivo: financiar a pesquisa sobre as leucodistrofias: leucodistrofias de origem genética; doenças da mielina adquiridas (prematuros e adultos com esclerose múltipla); reparação da mielina nessas doenças e em traumatismos; genética multifatorial das doenças adquiridas e hereditárias da mielina. Fundadora: associação ELA (associação européia contra as leucodistrofias). Dotação: 20 milhões de euros (50% privados + 50% do Estado). Fundação Garches Objetivo: propiciar a prevenção de deficiências, o tratamento e a reinserção das pessoas com necessidades especiais. Quatro eixos de atividade: pesquisa: projetos e bolsas, colóquios, publicações; inovação e avaliação tecnológica: assistência domótica e robótica, avaliação dos recursos técnicos para portadores de deficiências, integração e segurança, aconselhamento; treinamento dos portadores e dos profissionais encarregados; informação e difusão dos conhecimentos. Fundadores: Fundação de Auxílio Mútuo de Poliomielíticos (ADEP), BNP Paribas, Valéo, Instituto Garches. Dotação: 1,3 milhão de euros (50% privados + 50% do Estado). Fundação Instituto Europlace de Finanças Objetivo: valorizar o potencial das universidades e organismos de pesquisa em economia e finanças, por meio de: pesquisa sobre os operadores financeiros, os instrumentos, o mercado etc.; bolsas, participação na estadia de pesquisadores de outros países; cartografia dos centros de pesquisa em finanças e difusão dos trabalhos; organização de colóquio científico internacional. Fundadores: Ass. Francesa de Gestão Financeira, Autoridade dos Mercados Financeiros, AXA IM, Câm. de Com. e Ind. de Paris, Caixa de Depósitos e Consignações, Crédit Agricole SA, EADS, Euronext SA, Fed. Francesa das Seguradoras, HSBC-CCF, Paris Europlace, Société Générale. Dotação: 2,794 milhões de euros (1,4 privados + 1,394 do Estado). Fundação para uma Cultura de Segurança Industrial Objetivo: motivar, financiar e aplicar pesquisas e ações de difusão científica para: melhoramento da segurança nas indústrias; debates abertos entre as empresas de risco e a sociedade civil; aculturação de todos os envolvidos para os problemas de riscos e de segurança. Fundadores: Electricité de France, Total France, Total SA, Atofina SA. Dotação: 6,6 milhões de euros (50% privados + 50% do Estado). Fundação Saúde e Radiofreqüências Objetivo: definir, promover e financiar programas de: pesquisa epidemiológica, experimental e sociológica sobre os efeitos da exposição às radiofreqüências utilizadas nas comunicações eletrônicas; divulgação dos conhecimentos para os profissionais e o público. Fundadores: Alcatel, Bouygues Telecom, Ericsson France, Orange France, Motorola, SFR, TDF, Towercast. Dotação: 4,84 milhões de euros (2,44 privados + 2,4 do Estado). As “Fundações de utilidade pública de pesquisa” têm pelo menos um dos objetivos seguintes: realizar ou promover pesquisas científicas; valorizá-las; divulgar a informação científica ou as tecnologias. Sua atuação consiste principalmente em financiar programas de pesquisa realizados em um laboratório público ou em parceria entre laboratório público, PME e grandes empresas, após edital para proposição de projetos e seleção por seu conselho científico. De acordo com os estatutos-padrão, fazem parte de seus conselhos administrativos representantes do Ministério da Pesquisa, de organismos de pesquisa ou de estabelecimentos de ensino superior. Fundação Thérèse e René Planiol para Estudo do Cérebro Objetivo: incrementar as pesquisas científicas e médicas na área da exploração do cérebro: promover a exploração do sistema nervoso por métodos não traumatizantes; facilitar a integração de pesquisadores em unidades de pesquisa e equipes hospitalares-universitárias; apoiar pesquisas sobre desenvolvimento, adaptação e envelhecimento do cérebro. Fundadora: Thérèse Planiol. Dotação: 1,370 milhão de euros (50% da sra. Planiol + 50% do Estado). Site do Ministério francês da Pesquisa CENDOTEC Professor Carlos Vogt assume presidência Cientistas de Amanhã Daniel Paludo Fuchs e Aldair Software para prefeituras premiado no XI CONIP O professor Carlos Vogt, presidente Gomes Lopes, vencedores respec- Pelo quinto ano consecutivo, o da Fapesp, foi nomeado presidente tivamente das edições 2003 e 2004 CenDoTeC oferece uma viagem à do CenDoTeC em assembléia geral do Concurso Cientistas de Amanhã, França ao vencedor do Prêmio realizada em 5 de junho. Ele suce- foram a Paris em fevereiro último Excelência em Informática Pública de o professor José Rincon Ferreira, para visitar os principais museus Aplicada aos Serviços Públicos, diretor da Secretaria de Tecnologia de ciência da cidade: Palais de la instituído em 1998 pelo CONIP1. O Industrial do Ministério do Desen- Découverte, Cité des Sciences et projeto contemplado, FLO-PREF - volvimento, Indústria e Comércio de l’Industrie, Muséum National Free/Livre/Open Software para Exterior - MDIC, à frente da asso- d’Histoire Naturelle e Musée des Prefeituras, será apresentado no ciação CenDoTeC desde 2003. Arts et Métiers (CNAM). Fórum Mundial da Democracia Ele- Integraram também o quadro de Realizado pelo Instituto Brasileiro trônica, em Issy-les-Moulineaux. diretores: professora Lígia Maura de Educação, Ciência e Cultura - Coordenado pelo Centro GeNESS O prêmio do CenDoTeC é entregue por seu vicepresidente, Jean Bodinaud, ao prof. José Eduardo De Lucca, da UFSC Costa, coordenadora de Relações IBECC/UNESCO, com apoio da SBPC do departamento de Informática e Internacionais da Escola de Admi- e do CNPq, esse concurso nacional Estatística da UFSC e com partici- nistração de Empresas de São contribui para a iniciação científica pação da UFCG, da Softex, do Cen- Paulo da FGV; e professor José de estudantes do ensino funda- PRA2 e da OpenS Tecnologia, esse Carlos Bressiani, diretor de Pes- mental e médio. Os dez melhores projeto integra uma biblioteca para quisa, Desenvolvimento e Ensino trabalhos são expostos pelos estu- abastecer prefeituras com softwa- de Santa Catarina; do IPEN, em substituição ao pro- dantes durante as Reuniões Anuais res pré-formatados e componentes UFCG — Universidade Federal fessor José Roberto Rogero. da SBPC e o resultado é anunciado genéricos para montagem de siste- de Campina Grande; O relatório de atividades 2004- na sessão de encerramento. mas mais específicos, além de Softex — Associação para a 2005 do CenDoTeC, apresentado Este ano, o CenDoTeC entregará constituir uma plataforma de infor- por ocasião da assembléia geral, em Fortaleza o prêmio ao vencedor mações sobre software livre para pode ser conferido no site. do 48.o Concurso. prefeituras e fornecedores. 1 CONIP — Congresso de Informática Pública, realizado este ano de 17 a 19 de maio de 2005, em São Paulo. 2 UFSC — Universidade Federal Excelência do Software Brasileiro; CenPRA — Centro de Pesquisas Renato Archer (MCT). 15 BREVES ©Emmanuel Perrin, CNRS Prêmio europeu para software de auxílio a cirurgias de joelho A empresa PRAXIM, fundada por pesquisadores do CNRS e da Universidade Joseph Fourier de Grenoble 1, recebeu da Comissão Européia um dos três grandes prêmios das Tecnologias da Sociedade da Informação, por seu “Surgetics Kneelogics Application”, um software para cirurgia de joelho. Esse software, que funciona nas plataformas de navegação cirúrgica Surgetics®, começou a ser difundido em 2003 e já foi usado em milhares de Digitalização pré-operatória de dados morfológicos do joelho, antes de uma ligamentoplastia computadorizada. operações. Combinando os conhecimentos estatísticos pré-operatórios e as informações sobre o paciente, possibilita um procedimento cirúrgico adaptado à sua anatomia. Graças às câmeras infravermelhas da estação e aos marcadores refletores fixados nos instrumentos, o cirurgião visualiza a posição dos instrumentos em tempo real e em 3D; seus gestos ganham assim uma precisão de menos de 1 mm. Os benefícios são muitos: posicionamento exato do implante e dos ligamentos, redução de invasividade, da dor e do risco de novas cirurgias. Praxim é hoje um dos líderes do mercado europeu de recursos computadorizados para intervenções cirúrgicas. Contatos Philippe Cinquin, Institut d’informatique et Mathématiques Appliquées de Grenoble - Imag [email protected] Comunicado CNRS Stéphane Lavallée, PRAXIM T (33-4) 76.54.95.03 [email protected] ©CNRS Turboxal, um processo para agilizar o tratamento da água servida Ganhador do prêmio às técnicas inovadoras para o meio ambiente, concedido pela Agência do Meio Ambiente e de Controle da Energia - ADEME, trata-se de uma turbina a oxigênio puro para oxigenação e agitação de tanques e lagoas de tratamento biológico. Seu principal trunfo está na facilidade de instalação: é um sistema flutuante que se adapta a qualquer tipo de tanque já equipado ou não com aeradores. Também pode complementar estruturas de tratamento pontual ou regularmente saturadas (indústrias químicas e agroalimentares, estações Simulação digital dos fluxos da nova turbina Turboxal. O tempo de permanência das bolhas de gás é longo o bastante para uma adequada transferência de matéria. balneárias). Sua originalidade está em criar uma dispersão gás-líquido por meio de uma turbina imersa e depois injetar o gás profundamente na água, dando-lhe assim um tempo de permanência suficientemente longo para otimizar a transferência de matéria. Turboxal resulta de uma parceria entre o laboratório de engenharia química de Toulouse2 e as empresas Air Liquide e Milton Roy Mixing, a partir de uma tese de doutorado co-financiada pelo CNRS e a Air Liquide. Contato Dominique Maire, direção de comunicação Air Liquide T (33-1) 40.62.53.56 Instantanés Techniques n.° 37 Dengue e genética Para determinar se há fatores genéticos que predisponham ao risco de infecção pelo vírus da dengue ou à evolução para as formas graves da doença, equipes do Instituto Pasteur-Inserm, do Centro Nacional de Genotipagem (Evry) e da Mahidol University (Bangkok) analisaram na Tailândia o perfil genético de 600 pacientes graves hospitalizados e 700 indivíduos sob controle. Suas pesquisas, publicadas na Nature Genetics de maio, demonstraram a importância da molécula DC-SIGN, um co-receptor do vírus da dengue, na patogênese da doença. Elas indicam que é preciso rever tanto as hipóteses atuais sobre o determinismo das formas graves como as estratégias preventivas e terapêuticas. Além disso, o co-receptor DC-SIGN (identificado em 2003 no Instituto Pasteur) poderia interferir também na sensibilidade genética a várias doenças prioritárias em saúde pública, como a hepatite C, a tuberculose, a aids. 1 Laboratório das Tecnologias de Imagem, Modelagem e Cognição - TIMC e Instituto de Informática e Matemática Aplicada de Grenoble - IMAG. Contato Nadine Peyrolo, Instituto Pasteur T (33-1) 45.68.81.46 [email protected] Comunicado Instituto Pasteur, 04/2005 A química adapta-se à “alta velocidade” Aplicar as técnicas de experimentação automatizada da química combinatória para a descoberta de novas gerações de catalisadores. Esse é o objetivo do projeto TOPCOMBI3 - Towards Optimised chemical Processes and 2 Unidade mista de pesquisa new materials by COMBInatorial science, coordenado pelo Instituto de Pesquisas sobre Catálise (CNRS, Lyon) e CNRS/ INP/ UPS. reunindo 22 parceiros europeus (1/3 universidades e organismos de pesquisa, 2/3 indústrias). Com base nos 3 Projeto integrado no 6.° problemas enfrentados pelos parceiros industriais, foram definidos três eixos principais de pesquisa: • Obter para Programa-Quadro para a indústria química matérias-primas e combustíveis líquidos (portanto facilmente transportáveis) a partir de gás Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico na Europa. Duração: 5 anos. Orçamento: natural e não mais de petróleo; • eliminar os solventes e os produtos tóxicos na síntese de grandes intermediários da química e suprimir os óxidos de nitrogênio (NOx) na síntese dos fertilizantes em agroquímica; 23 milhões de euros; 50% • desenvolver uma nova química verde para valorizar biorrecursos (provenientes sobretudo da produção de financiados pela Comissão biocombustível) e para a síntese de agentes de branqueamento. Européia. Contato Claude Mirodatos, CNRS T (33-4) 72.44.53.66 [email protected] Comunicado de imprensa CNRS é uma publicação trimestral do CenDoTeC - Centro Franco-Brasileiro de Documentação Técnica e Científica Av. Prof. Dr. Lineu Prestes, 2242 IPEN Cidade Universitária 05508-000 São Paulo-SP APOIO Tel.: (11) 3032-1214 Expediente Fax: (11) 3032-1552 E-mail: [email protected] Diretor de publicação Pierre Fayard Editoração Neusa Watanabe Ferreira Tradução Rosemary Costhek Abílio Colaboração Halumi T. Takahashi, Dayane Martinez Takemiya, Verônica De Angelis Impressão HM Ind. Gráfica e Editora Embaixada da França no Brasil www.ambafrance.org.br 16 Jornalista responsável Roberto Penteado MTb 220/DF As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores. Esta edição contém 330 links internet. Tiragem: 3.900 exemplares Divulgação eletrônica de resumo em português: 13.000 endereços; em espanhol: 3.000 ; em francês: 2.800.