Cooperação Pesquisa Tecnologia
SUMÁRIO
2005 - ANO DO BRASIL NA FRANÇA
2005 - ANO DO BRASIL NA FRANÇA
1
jul ago set 05
Saison Brésil Brésils
Saison Brésil Brésils
Desde 1985 a França promove temporadas culturais estrangeiras
COOPERAÇÃO
para homenagear diferentes países. Brasil Brasis, como sugere
2
União Européia financia projetos
na Amazônia
o título, tem a proposta de mostrar a diversidade social e cultural
3
Primeiro fórum interamericano
dos Institutos Pasteur
4
A demografia a serviço das populações indígenas e de origem africana
5
Competitividade da cotonicultura
no Brasil, Estados Unidos e Mali
INOVAÇÃO
5
Sistema FIEP vai à França conhecer
trabalho da ABG
ESTUDOS NA FRANÇA
6
Bolsas e apoios para estudar na França
8
Rede mundial de universidades
tecnológicas em construção
9
Semana do Ensino Superior Francês
PESQUISA
10
Farmacopéias tradicionais
na Guiana Francesa
ON LINE
13
Tudo sobre a geotermia
ORGANIZAÇÃO DA PESQUISA
14
Dez novas Fundações de Pesquisa
na França
CENDOTEC
15
Professor Carlos Vogt assume
presidência
15
Cientistas de Amanhã
15
Software para prefeituras premiado
no XI CONIP
16
BREVES
Itens destacados em azul no
correspondem a links disponíveis em suas
versões eletrônicas no site do CenDoTeC.
tem uma versão eletrônica
em espanhol ISSN 1516-6880
.
brasileira. Além de manifestações em todos os campos artísticos,
o programa oficial oferece um grande número de eventos de
cunho científico e acadêmico.
Alguns eventos realizados no primeiro semestre:
• Estande Cirad-Embrapa (Salão da Agricultura, Paris)
• I Congresso Internacional da APEB-BR – Associação
dos Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na França
(Maison du Brésil)
• Colóquio “A cidade no Brasil dos séculos XVIII a XX”
(Université de La Rochelle)
• Encontro de reitores e diretores de estabelecimentos
de ensino superior sobre o ensino superior e a pesquisa na França e no Brasil (Université de Sorbonne)
Na programação do segundo semestre:
• Exposição “Amazônia Brasil” (Palais de la Découverte, Paris, até 04/9)
• “Espaço Brasil” – exposição, espetáculos e eventos
(Carreau du Temple, Paris, até 12/9)
• Exposição “Santos Dumont: naveguei no ar” (Musée
de l’Air et de l’Espace, Le Bourget, até 15/09)
• “Ano do Brasil no Futuroscope” – exposições e
eventos (Futuroscope de Poitiers, até dezembro)
• Exposição “Amazônia” (Muséum Jardin des Sciences
de l’Arquebuse, Dijon, até 28/02/2006)
• Colóquio “O Brasil, ator global” (Université de
Sorbonne, Paris, 12 a 13/7)
• Conferências “O Brasil na Université de Tous les
Savoirs” (Faculté de Médecine de Paris, 01 a 15/10)
• Colóquio “Meio ambiente, segurança e soberania na
Amazônia” (IHEAL, Paris, 5 a 7/10)
• Reunião entre as Academias de Ciências brasileira e
francesa (Institut de France, Paris, 11 a 12/10)
• Colóquio “Diversidade cultural” (Bibliothèque
Nationale, Paris, 13 a 14/10)
• Exposição “Relatos sobre a medicina francesa na
formação da medicina brasileira” (Val-de-Grâce, Paris,
02/11 a 31/12)
• Fórum “Ciência e sociedade” – encontro de estudantes e pesquisadores sobre os temas saúde e meio
ambiente na França e no Brasil (Muséum National
d’Histoire Naturelle, Paris, 12 a 13/11)
• Colóquio sobre a cooperação Instituto Pasteur Fiocruz (Institut Pasteur, Paris, 13 a 15/11)
• Colóquio “Os ‘passadores’ nas ciências sociais: da
equipe fundadora da USP – Lévi-Strauss, Bastide,
Braudel etc. – até hoje” (Ecole Normale Supérieure,
Paris, 25 a 28/11)
1
COOPERAÇÃO
União Européia financia projetos na Amazônia
Dos cinco projetos aprovados pela União Européia a partir do edital de concorrência
“Meio ambiente e florestas nos países em desenvolvimento”1 , com lançamentos
previstos para julho de 2005, três mobilizam a cooperação francesa na Amazônia.
Esse êxito evidencia a importância das realizações das equipes francesas que trabaSítios de atuação
de FLOAGRI
lham na Amazônia e a solidez da parceria estabelecida com instituições brasileiras.
Valle dos Quijos
Rio
Capim
Alto Huallagua
©Cirad, Plinio Sist
Altamira
1 Esse edital refere-se a dois
programas de cooperação com
países em desenvolvimento
(orçamento total de 288
milhões de euros para 20002006). O programa meio
ambiente visa promover a
plena integração da dimensão
ambiental em suas políticas
próprias de desenvolvimento e
o programa florestas pretende
auxiliar os PED na conservação
FLORESTAS E AGRICULTURA NA
as pastagens e as florestas secundárias (Rio Capim no
AMAZÔNIA – FLOAGRI: GESTÃO
Brasil e Alto Huallaga no Peru), e as de colonização
PARTICIPATIVA DOS RECURSOS
mais recente, em que predomina a floresta primária
Coordenado pelo Centro Inter-
(Altamira no Brasil, e no Equador o vale de Quijos, na
nacional de Pesquisas Agronômicas
Selva Alta da província de Napo). Nos sítios de colo-
para o Desenvolvimento - CIRAD
nização antiga, as atividades procurarão valorizar e
(Departamento Florestas), esse pro-
perenizar os recursos e os serviços ambientais das
jeto associa: no Brasil, a Empresa
florestas secundárias, bem como a recuperação das
Brasileira de Pesquisas Agropecuá-
terras degradadas. Nos sítios de colonização recente,
rias - Embrapa e o Instituto de
a ação incentivará a parceria empresa-comunidades
Pesquisa Ambiental da Amazônia -
para exploração de madeira e elaborará modos de
Ipam; no Peru, a Universidad Na-
gestão para otimizar o uso e a valorização dos
cional Agraria de la Selva - UNAS; e no Equador o
produtos florestais não lenhosos.
Instituto Nacional Autónomo de Investigaciones
Contato
Plinio Sist, Cirad – [email protected]
Agropecuarias - INIAP. Seu objetivo é promover
sistemas integrados de gestão participativa dos
recursos florestais e das terras agrícolas, compatíveis
PROMOÇÃO DO MANEJO SUSTENTÁVEL PELA
com a melhoria das condições de vida das populações
PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE MADEIRA
rurais amazônicas.
A gestão sustentável dos recursos florestais será
realizada juntamente com a implementação de
técnicas sustentáveis de exploração agrícola e de
e gestão sustentável de seus
recuperação das terras degradadas. A ação distinguirá
recursos florestais.
as regiões de colonização antiga, em que predominam
A política amazonense de gestão florestal sustentável
2
Esse projeto, apresentado pelo Grupo de Pesquisa
e de Intercâmbios Tecnológicos - Gret, abrange as
regiões de Tefé, Boa Vista do Ramos e Manaus (AM).
Visa promover o manejo sustentável das florestas do
estado de Amazonas, por meio da produção e comercialização em pequena escala de madeira proveniente
de manejos florestais comunitários e individuais. Os
grupos-alvo são os pequenos madeireiros, orga-
Na inauguração da exposição “Amazônia Brasil” (Palais de la découverte, 19 de abril),
o governador do estado de Amazonas, Eduardo Braga, expôs as principais linhas de sua
política de desenvolvimento sustentável. A medida mais marcante foi a criação, em
fevereiro, de uma rede de reservas no sul do Amazonas, constituindo uma barreira de
70.000 km² à frente da expansão agrícola (pecuária e cultivo de soja). “É preciso encarar
a floresta de um modo diferente: considerá-la como um valor econômico quando as árvores
estão em pé, e não derrubadas.”
O governador lançou assim “o mais importante programa de gestão florestal em pequena
escala de toda a Amazônia”. Simplificação da burocracia e acesso a assistência técnica
facilitam a elaboração desses planos pelos pequenos madeireiros. “Concretamente, explica
Christian Castellanet, do Gret – uma ONG francesa presente na Amazônia –, um plano
de gestão consiste em estabelecer um objetivo de produção limitado a fim de poder dar
continuidade 25 anos mais tarde”.
Virgílio Viana, secretário do meio ambiente do Amazonas, complementa: “A idéia é
apoiar-se nos rendimentos das indústrias de Manaus para financiar um programa de gestão
da floresta visando extrair dela certos produtos, mas sem destruí-la.” Outro objetivo do
governo amazonense é desenvolver a Zona Franca de Manaus, promovendo ali atividades
de maior valor agregado: biotecnologia, fitofarmácia, microeletrônica, nanotecnologia.
Nesse mesmo dia a Superintendência da Zona Franca de Manaus - Suframa assinou um
acordo de cooperação com o Laboratório de Eletrônica e de Tecnologia da Informação LETI de Grenoble.
sustentável realizado por comunidades ou por pe-
Fonte: artigo “L’État brésilien de l’Amazonas adopte une nouvelle politique pour pallier la
déforestation”, Hervé Kempf, Le Monde, 27.04.05.
Contato
Philippe Sablayrolles, GRET – [email protected]
nizados ou não em comunidades, bem como os
operadores locais da cadeia de comercialização e
transformação da madeira, principalmente as pequenas serrarias e os fabricantes de móveis.
As atividades apóiam-se na estruturação de
comitês locais reunindo os operadores da cadeia de
comercialização e transformação. Bem articuladas
com os poderes públicos do estado, devem ampliar e
melhorar as ações da Agência de Florestas do Estado
do Amazonas - AF/SDS, desenvolvendo o manejo
quenas madeireiras no Amazonas. Estão previstos
dois objetivos específicos:
• ampliar e difundir no estado as experiências já
existentes em manejo florestal comunitário ou
individual em pequena escala e a comercialização dos
produtos florestais (Mamirauá e Boa Vista do Ramos);
• melhorar as intervenções públicas (estaduais e
federais) com relação ao manejo florestal, à comercialização de madeira de florestas sob manejo e ao
controle da exploração de madeira.
CONSTRUINDO CONSENSO SOBRE
O ACESSO A RECURSOS NATURAIS
NA AMAZÔNIA BRASILEIRA
Apresentado pelo World Wildlife Fund - WWF, com
a participação do Cirad, o projeto visa a conservação
Localização das microrregiões:
1) Santarém, 2) Itaituba -“Terra
do Meio”, PA e 3) Guarantã do
Norte, MT, cobrindo uma área de
280.000 km2, 25 municípios e uma
população rural de cerca de
300.000 habitantes
de recursos florestais, explorando o potencial dos
espaços limitados e sub-utilizados para diálogo,
negociação, coordenação e inovação. Enfoca as
principais falhas das abordagens atuais de conservação da floresta, em especial nas fronteiras do
a troca de informação e conhecimento;
agronegócio (soja e gado) e dos recursos (madeira)
• consolidar espaços e processos de
nos estados de Pará e Mato Grosso. A ação centraliza-
diálogo e negociação, apoiando proce-
se em três microrregiões do leste e sul da Amazônia
dimentos multi-operadores em níveis
brasileira com recursos naturais ameaçados por
local, estadual e federal;
exploração da madeira, agronegócio intensivo e
• estimular uma compreensão con-
projetos de infra-estrutura, bem como pela falta de
junta da idéia de bens comuns e propi-
consenso entre os operadores quanto a acesso e uso
ciar mudanças nas políticas e instru-
dessa área. Os grupos-alvo incluem organizações do
mentos de uso da terra e dos recursos, nos setores
setor privado (pequenas e/ou médias e operadores
privado e público, coordenando ações entre partici-
maiores), do setor público (em diversos níveis) e da
pantes locais, estaduais e federais.
sociedade civil. As principais atividades têm em vista:
Contato
Richard Pasquis, Cirad – [email protected]
• capacitar, por meio de treinamentos e facilitando
IPAM, 2004
Primeiro fórum interamericano dos Institutos Pasteur
Na reunião do pólo regional Américas
do Instituto Pasteur, definiram-se
os objetivos, as ações e as perspectivas
da rede.
ESTRATÉGIAS E OBJETIVOS
O desenvolvimento da rede apóia-se em quatro
pontos fundamentais:
• fomento de sinergias entre as instituições;
O fórum, que se realizou na Fiocruz do Rio de
• multiplicação dos projetos em rede e fortalecimento
Janeiro, de 15 a 17 de abril, tinha dois objetivos:
• captação de fundos (principalmente europeus) para
definir as estratégias do pólo Américas e dar visibi-
financiamento de ações conjuntas;
lidade a essa cooperação. Participaram: os diretores
• desenvolvimento dos recursos humanos, mobili-
dos Institutos do pólo Américas, os coordenadores
dade, ensino, avaliação.
de pólos motores da pesquisa em nível regional;
Amsud Pasteur, os coordenadores dos quatro projetos
Amsud em andamento, a direção médica e de saúde
pública do Instituto Pasteur, a direção do departamento de relações internacionais do Instituto e a
direção do departamento de comunicação, acompanhada de quatro jornalistas franceses1 .
O PÓLO AMÉRICAS
TEMAS E PROGRAMAS DE COOPERAÇÃO
Os programas hoje em andamento no Amsud
Pasteur (doença de Chagas, dengue, tuberculose,
vírus hemorrágicos) poderiam estender-se ao pólo
Américas. Entretanto, tendo em conta a apresentação
das expectativas de cada um dos integrantes do pólo
A fim de redinamizar e desenvolver suas coo-
iniciar o trabalho em rede em torno da leishmaniose,
abrangendo vários temas: co-infecção, principalmente
reorganizando sua rede internacional por pólos
HIV-Leishmania; epidemiologia; patogênese; genética.
Na realidade o pólo Américas é simplesmente a
materialização de cooperações já existentes, algumas
Médecin.
Está sendo formado um comitê de coordenação,
composto por representantes do Instituto Pasteur da
Guiana, da Fiocruz e do Instituto Armand Frappier.
delas desde longa data. Compõe-se de cinco enti-
Por fim, um dos segmentos da cooperação será a
dades: • Instituto Pasteur de Guadalupe, • Instituto
formação: doutorados em co-orientação, estágios de
Pasteur da Guiana, • Instituto Armand Frappier, de
curta duração, treinamento de técnicos.
Laval (Canadá), como instituto associado, • a Fiocruz
Quanto ao funcionamento da rede, além de um
do Rio de Janeiro, como instituto correspondente, • o
site internet alimentado pelos integrantes do pólo
Amsud Pasteur, constituído de 50 parceiros em todo o
Américas, estes se reunirão anualmente, por ocasião
Cone Sul, • além do futuro Instituto Pasteur de
de um dos encontros bianuais do Amsud Pasteur.
Montevidéu, que deverá entrar em operação em maio
Contato
Wilson Savino, Fiocruz – [email protected]
de 2006.
L’Express e Le Quotidien du
Américas e os debates subseqüentes, decidiu-se
perações internacionais, o Instituto Pasteur está
regionais.
1 France Inter, Le Figaro,
3
A demografia a serviço das populações
indígenas e de origem africana
De 27 a 29 e abril realizou-se em Santiago do Chile o seminário
“Povos indígenas e de origem africana da América Latina e do Caribe:
pertinência dos dados sociodemográficos para a implementação
de políticas e programas”.
O evento foi organizado em
blemas de acessibilidade (a assistência médica, a uma
colaboração com o Centro Popu-
boa educação etc.) das áreas onde elas vivem. Por
Mais de 100 pessoas
lação e Desenvolvimento - CEPED, com apoio do
isso é importante implementar políticas de auxílio para
estiveram na sede do
Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Autóctones
essas zonas marginalizadas. Por fim, as políticas
da América Latina e do Caribe (Fundo Indígena) e do
deveriam levar em conta as conseqüências sociais das
especialistas da América
Fundo das Nações Unidas para a População - FNUAP.
grandes mudanças demográficas que hoje afetam as
Latina e do Caribe, advoga-
Contou com um financiamento do fundo fiduciário
populações indígenas. Como a mortalidade diminuiu
francês junto à Comissão Econômica das Nações
consideravelmente, três ou quatro gerações coexistem
Unidas para a América Latina e o Caribe - CEPALC.
em uma mesma família; simultaneamente há uma
CEPALC para o seminário:
1
ministros , deputados,
dos defensores dos direitos
dos povos indígenas,
representantes de institui-
André Quesnel, diretor do CEPED, explica a
ções governamentais e de
organismos internacionais –
FNUAP, FAO, OIT, OPS,
importância desse encontro: “O seminário centralizouindígenas e de origem africana na América Latina.
Dispomos de ferramentas diversas para avaliar as
discriminações que esses povos sofrem quanto a
acesso aos recursos em saúde, educação, emprego
1 Pedro Ticona, ministro das
questões indígenas e dos povos
autóctones, Bolívia; Douglas
etc. Entre essas ferramentas, os recenseamentos
permitem, de modo exaustivo e ao longo do tempo, a
Martins de Souza, vice-
identificação dos indivíduos pertencentes a esses
ministro, secretariado especial
povos. Tal identificação contribuiria para um melhor
para promoção da igualdade
reconhecimento desses povos por suas instâncias
social, Brasil.
governamentais e pela comunidade nacional e internacional. Entretanto, não existem normas universais.
2 Como o de Daniel Delaunay,
do Instituto de Pesquisa para o
Desenvolvimento - IRD
3 Instituto Nacional de
Estudos Demográficos - INED,
A identificação pode tanto basear-se na língua falada
pela pessoa entrevistada como na auto-identificação.
Esses conceitos instáveis no tempo e o uso de métodos diferentes causam problemas no momento de
explorar os dados e de implementar políticas especí-
IRD, laboratórios de demografia
ficas. Por isso as equipes de pesquisadores e de
das Universidades de Paris I,
representantes têm de trocar experiências para que
Paris V e Paris X, Ministério das
no futuro as enquetes e os recenseamentos sejam
Relações Exteriores.
conduzidos de modo mais coerente.”
Sobre a necessidade de os governos disporem de
4 No México com o Colegio de
México - Colmex e o Colegio de
la Frontera - Colef; na
dados para identificar, contabilizar e localizar com precisão essas populações, Quesnel prossegue: “Tais
Argentina com os centros de
dados poderiam servir de base para políticas de ‘dis-
demografia das Universidades
criminação positiva’, por exemplo. Além disso, es-
de Buenos Aires e Córdoba; no
tudos2 indicam que as desvantagens que afetam tais
Brasil com o centro de pesquisa
da Universidade Estadual de
populações não se devem apenas a uma discriminação
Campinas.
quanto às suas origens, porém mais ainda aos pro-
Artes
Arqueologia
Direito,
Administração
Etnologia
Política
Educação e
mídias
Economia
História
Problemas
sociais
Geografia
Línguas e
literatura
50
100
150
200
250
300
Repartição por temas
4
rural observa-se um envelhecimento da população.”
se nas questões de identificação das populações
UNICEF, UNESCO, BID.
0
intensa migração para as cidades, enquanto em meio
350
O CEPED
Como Grupo de Interesse
Científico (GIS), o CEPED
é financiado por vários organismos3. Sua missão é estimular a colaboração científica
entre equipes de pesquisa em demografia do Norte e
do Sul, implementando grupos de trabalho em torno de
quatro temas: saúde da reprodução; família e gênero;
migrações, mobilidades e urbanização; metodologias de
coleta e de análise.
A colaboração entre CEPED e América Latina vem de
longa data: em 1989 André Quesnel já trabalhava
com o CELADE sobre a situação demográfica das
populações indígenas do Chile, em especial Mapuche.
Atualmente o CEPED também apóia as cooperações4
das instituições francesas participantes do GIS. Nessa
cooperação atuam vários grupos de trabalho (temas:
migrações internacionais, aborto provocado). Está
sendo criado com vários países do Cone Sul um grupo
de trabalho que enfocará a solidariedade intergeracional em um contexto de envelhecimento rápido da
população na América Latina (devido a uma acentuada
queda da fecundidade). A partida para esse projeto
será dada por ocasião do Congresso Internacional da
População, que em julho deste ano deverá reunir em
Tours mais de 1.800 demógrafos.
No CenDoTeC, teses francesas sobre a América Latina
De 1980 a 2000 mais de 1.360 teses sobre a América Latina foram defendidas na
França, nas áreas das Ciências Humanas e Sociais. O difícil acesso a esses trabalhos, que
na sua maioria não foram publicados, incentivou o Instituto de Estudos Avançados da
América Latina - IHEAL e o Centro de Pesquisa e de Documentação sobre a América
Latina - CREDAL/CNRS, a elaborarem, com o apoio do Ministério francês de Relações
Exteriores, um projeto para difusão dessas teses. O catálogo informatizado (cd-rom) e as
as teses em microfichas estão disponíveis para empréstimo no CenDoTeC.
Contato [email protected]
Competitividade da cotonicultura no Brasil, Estados Unidos e Mali
Esse estudo, coordenado pelo Cirad1, teve como objetivo comparar a competitividade relativa do algodão no
Brasil, Estados Unidos e Mali – países escolhidos em função do contexto internacional – nas diversas etapas
do segmento, porém mais especificamente com relação às propriedades agrícolas.
No Brasil, devido à transição geográfica da
tos fitossanitários) é comparativamente mais oneroso
1 Centro Internacional de
produção para o centro-oeste e à transição dos modos
no Brasil e no Mali que nos Estados Unidos, onde
Pesquisas Agronômicas para
de produção – da agricultura familiar para a agricul-
representa apenas 25% do custo total, enquanto no
tura empresarial –, foram estudados dois tipos de
Mali representa 1/3 e no Brasil é de quase 60%. No
produção e várias zonas. Os dados primários sobre a
Brasil, são sobretudo os produtos fitossanitários,
cotonicultura intensiva foram coletados por uma
seguidos pelos fertilizantes, que encarecem os custos
equipe do Cepea (Esalq/USP)2 nas regiões de Campo
de produção; a parcela do crédito para insumos é 2,5
de Queiroz. Usp: Universidade
Novo dos Parecis (MT), Primavera do Leste (MT) e
vezes maior que nos Estados Unidos. Em contra-
de São Paulo.
Londrina (PR). Os dados sobre a agricultura familiar
partida, Brasil e Mali “recuperam” competitividade
provêm de um trabalho realizado pela Embrapa
graças a menores gastos relativos com mão-de-obra
Algodão na Paraíba e processados pela equipe do
assalariada e sobretudo com capital-equipamento e
vidade comparada de
Cepea. Os dados sobre os Estados Unidos foram
fundiário: nos Estados Unidos, cerca de 20% do custo
propriedades agrícolas no
coletados a partir de fontes secundárias do USDA3 . O
total para o capital-equipamento, contra 12% no Mali
trabalho de coleta e análise dos dados no Mali foi
e apenas 1,5% no Brasil. A parte fundiária representa
confiado a uma equipe do Instituto de Economia Rural
cerca de 9% nos Estados Unidos, contra 5% no Brasil;
- IER, a partir de dados primários e secundários
no Mali seu custo de oportunidade mostrou-se nulo.
provenientes de pesquisas no sul do país4 .
Quanto às margens de exploração por hectare, nos
o Desenvolvimento.
2 Cepea: Centro de Estudos
Avançados em Economia
Aplicada. Esalq: Escola
Superior de Agronomia Luiz
Cirad e Cepea já haviam
realizado em 2002 um estudo
em parceria sobre a competiti-
Brasil, Estados Unidos e
França.
3 USDA: United States
Department of Agriculture.
Dados coletados em cinco
regiões do país e acessáveis
Os resultados mostram as vantagens comparativas
Estados Unidos elas são negativas sem subvenção
via internet.
do Brasil sobre os outros dois países, devidas basica-
governamental; e mesmo com as subvenções conti-
4 Região de Sikasso. Os dados
mente a rendimentos maiores. Nos Estados Unidos a
nuam menores que nos outros dois países.
distinguem cinco tipos de
propriedades agrícolas com
produção algodoeira é nitidamente deficitária e
Apesar desses resultados, constata-se que no
sobrevive apenas graças às subvenções públicas que
mercado internacional do algodão os Estados Unidos
os produtores recebem. No Mali os custos unitários
ainda são, e de longe, os primeiros exportadores
são mais baixos do que os calculados no Brasil e nos
mundiais, graças às subvenções concedidas também
insumos à cultura manual
Estados Unidos. Entretanto as margens por hectare
aos exportadores americanos. Brasil e Mali ocupam
com pouquíssimos insumos.
são comparativamente menores que no Brasil, em
respectivamente a 3.ª e a 6.ª posições mundiais.
razão de rendimentos por hectare mais fracos.
Contato
Patricio Mendez del Villar, [email protected]
O item insumos (sementes, fertilizantes e produ-
níveis de intensificação
diferenciados, da cultura
com tração e menos ou mais
INOVAÇÃO
Sistema Fiep vai à França conhecer trabalho da ABG
O Sistema Federação das Indústrias do Estado do
Paraná - Fiep está buscando na França subsídios para
ficação e o desenvolvimento de competências empreendedoras de jovens com alta qualificação científica.
incrementar seu trabalho voltado à aproximação entre
Durante cinco dias, cerca de 80 doutorandos, em
a academia e o setor industrial. A diretora-executiva
fase de redação de tese, com média de 27 anos e
do Instituto Euvaldo Lodi - IEL, Gina Paladino, viajou
oriundos de diversas áreas do conhecimento e
a Paris, a convite do governo francês, para conhecer
universidades, reúnem-se em tempo integral com
em detalhes o trabalho da Associação Bernard Gregory
empreendedores e consultores especializados. Eles
- ABG, entidade sem fins lucrativos, criada em 1980
recebem orientação profissional, visando adequada
com a missão de auxiliar os jovens doutores de todas
inserção no contexto empresarial.
as áreas do conhecimento a encontrarem colocação
Os subsídios e contatos mantidos pela coorde-
profissional nas empresas. A França forma todos os
nadora do IEL servirão como experiência para a orga-
anos cerca de 10 mil doutores e o governo tem se
nização de um evento nacional, promovido pelo Sis-
esforçado para estimular sua absorção pelas em-
tema Fiep e Instituto Paraná Desenvolvimento -IPD,
presas, utilizando-se também do suporte da ABG.
em setembro deste ano. Será em Curitiba, e contará
“A ABG é uma das maiores instituições do mundo
com a participação de especialistas franceses que
neste assunto e com certeza a experiência deles é
virão divulgar mecanismos inovadores de aproximação
muito importante para nós”, comenta Gina, que
dos acadêmicos com as indústrias. Na ocasião, deverá
também está participando, como observadora, dos
ser assinado um acordo de cooperação com a ABG
chamados Doctoriales. São seminários apoiados pelo
para a transferência do seu know-how para o Brasil.
Ministério francês da Pesquisa e pela ABG, realizados
Fonte: http://www.ielpr.org.br/noticia1808.shtml?
webpContentPid=1808
em todas as regiões do país, voltados para a identi-
5
ESTUDOS NA FRANÇA
Bolsas e apoios para estudar
na França
BRAFITEC (graduação)
passagens, curso preparatório de
www.capes.gov.br e www.cdefi.fr
francês no Brasil.
Implantado pela Coordenação de
Procedimento: Mediante dossiê
Aperfeiçoamento do Pessoal de
disponível no site.
Estudar na França é mais acessível do que se
Nível Superior - CAPES e pela Con-
pensa. Deve-se considerar que o governo francês
ferência dos Diretores de Escolas e
CENTRO NACIONAL DOS
toma a seu cargo a maior parte do custo de
Formações de Engenharia - CDEFI,
CONCURSOS DE RESIDÊNCIA -
ensino nas universidades e mantém as taxas de
o programa BRAFITEC apóia pro-
CNCI
jetos de cooperação universitária
www.cnci.univ-paris5.fr/cnci_etr/
cnci_etr.html
1
inscrição em um patamar dos mais baixos do
mundo. Além disso, o estudante está autorizado
a trabalhar2 e a solicitar auxílio-moradia. Existem
também algumas possibilidades de bolsas, a
maioria para pós-graduação, oferecidas por instituições e organismos brasileiros, franceses e europeus ou vinculadas a convênios de cooperação.
em engenharia: intercâmbios de 1
ou 2 semestres de estudantes de
graduação, intercâmbios de professores, organização de encontros e
seminários, iniciativas sobre a
equivalência de currículos e de
metodologias de ensino nos dois
países. Baseia-se em projetos con-
1 cerca de 7.000 euros/ano/
estudante.
2 O estudante estrangeiro pode
ALBAN (mestrado/especialização
juntos renováveis de até dois anos.
e doutorado)
Público-alvo: Alunos brasileiros e
www.programalban.org/
franceses de graduação em enge-
Esse concurso possibilita que estudantes de países fora da UE efetuem sua residência médica em
um hospital francês.
Público-alvo: Diplomados em
medicina.
Remuneração: entre 15.286 e
23.475 euros/ano, dependendo do
ano de residência.
Procedimento: Candidatura em
duas etapas: 1) Prova inicial orga-
trabalhar até 17h30 semanais
O programa tem como objetivo
– e gerar uma renda de cerca
nharia. Por ocasião do início do
reforçar a cooperação em ensino
projeto os estudantes devem pos-
superior entre a União Européia e a
suir 50% do total de créditos re-
América Latina; abrange estudos
queridos pelos cursos; mas não
de master3, doutorado e formação
podem estar cursando o último ano.
de alto nível para profissionais.
Apoio: Bolsas e passagens; para
Público-alvo: 1) Estudantes em
docentes em missão na França,
todas as áreas, aceitos para forma-
passagens e diárias.
ção universitária em instituições de
Procedimento: É o estabeleci-
ensino superior da UE. 2) Profis-
mento no qual o aluno está inscrito
sionais com no mínimo 7 anos de
que seleciona os bolsistas Brafitec.
HOSPITAIS DE PARIS - CMHP
dos para a especialização por uma
CAPES-COFECUB (doutorado)
Esse concurso para médicos es-
organização reconhecida pela União
www.capes.gov.br/capes/portal/conteudo/
10/CAPES_COFECUB.htm
trangeiros possibilita que médicos
de países fora da UE efetuem es-
um centro de formação europeu.
O acordo CAPES-COFECUB tem
tágio de 1 ano, não renovável, em
Apoio: De 1.500 a 2.000 euros/
como objetivo criar um sistema
um hospital de Paris.
mês: montante calculado com base
permanente de cooperação e de
Público-alvo: Médicos em fim de
nas passagens, despesas de esta-
intercâmbios interuniversitários
residência (4.° ano) ou especia-
dia e taxas de inscrição da univer-
por professores-pesquisadores
listas diplomados, seção clínica ou
sidade européia. No total, a Comu-
brasileiros e franceses para rea-
biológica, com excelente domínio
nidade Européia pode contribuir
lização conjunta de programas de
do francês, mínimo de 34 anos no
com até 75% dos custos globais da
pesquisa científica.
momento da candidatura e que
formação. Portanto o candidato
Público-alvo: Doutorandos ins-
apresentem um certificado de acei-
selecionado deverá apresentar
critos no Brasil em qualquer área,
tação ou uma carta de um chefe de
prova de um financiamento ex-
tendo concluído 70% dos créditos.
serviço de um hospital da Assis-
terno de 25%.
Apoio: Bolsa de 1.100 euros/mês
tência Pública – Hospitais de Paris
Procedimento: Mediante dossiê
+ 70 euros/mês de seguro saúde +
apoiando sua candidatura.
disponível no site.
100 euros/mês de auxílio-moradia,
Remuneração: 1.627 euros/mês,
de 500 euros mensais.
3 Existem dois tipos de
master: o master pesquisa,
equivalente ao mestrado, e o
master profissional,
equivalente à especialização.
experiência, empregados e apoia-
Européia, tendo sido aceitos em
nizada pela Embaixada da França
no Brasil e consistindo em um teste sobre temas médicos; 2) Para os
aprovados nessa etapa, prova
composta de duas questões dissertativas e organizada pelo birô
de concursos do CNCI na França.
COLÉGIO DE MEDICINA DOS
(especialização) www.cmhp.asso.fr
mais plantões.
6
Programa ARCUS
Procedimento: Seleção a partir
Os Ministérios franceses da Educação e das Relações Exteriores lançam em 2005 um programa de cooperação
universitária e de pesquisa baseado em parcerias com as Regiões (co-financiamento): o programa ARCUS –
Ações Regionais de Cooperação Universitária e Científica. Seu objetivo é incentivar ofertas de formações
superiores e de pesquisa provenientes de grupos científicos regionais, identificados no contexto da cooperação
com países emergentes, como o Brasil e novos membros da União Européia. O programa funcionará em forma
de editais para propostas de projetos de parcerias científicas e universitárias, endereçadas conjuntamente para
as Regiões francesas e para os atores regionais da formação superior e da pesquisa científica. Estes definirão
de comum acordo o(s) país(es) para onde pretendem direcionar suas ações, bem como as temáticas prioritárias.
universitários, pelo comitê cientí-
de títulos e trabalhos hospitalaresfico do Colégio de Medicina. Dossiê
disponível no site.
EIFFEL (graduação e especialização)
www.egide.asso.fr/fr/programmes/eiffel/
Programa de excelência oferecido
pelo governo francês, visa atrair
para a França futuros líderes e de-
Apoio: Bolsa de 1.000 euros/mês.
cisores estrangeiros e estudantes
Procedimento: Duas etapas: 1)
dos países emergentes.
Carta de motivação e curriculum
Público-alvo: Estudantes com
vitae; 2) Os candidatos seleciona-
menos de 30 anos, em pós-gra-
dos recebem um e-mail para cons-
duação ou no mínimo graduação
tituição de um dossiê completo.
em nível Bac + 2 ou equivalente
(2.° ano de graduação), nas áreas
de engenharia, economia/administração, direito ou ciências políticas,
não direcionados para a pesquisa.
Apoio: Bolsa de 1.031 euros/mês,
passagens, seguro saúde.
Procedimento: O estudante deve
ter sido aceito por um estabelecimento francês de ensino superior.
É este que efetua o pedido de bolsa, se considerar que o candidato
atende aos critérios de excelência
estabelecidos pela bolsa Eiffel.
EIFFEL – DOUTORADO
www.egide.asso.fr/fr/programmes/eiffeldoct/
Complementa o dispositivo Eiffel,
oferecendo um ano na França a
doutorandos estrangeiros de alto
nível.
Público-alvo: Estudantes estrangeiros com menos de 35 anos,
titulares de um diploma de nível
master (mestrado) em ciências
biológicas, ciências ambientais,
biotecnologia, nanotecnologia,
engenharia, ciências exatas, ciências e tecnologias da informação e
da comunicação, economia, administração, direito, ciências políticas
ou relações internacionais. Codireção de tese obrigatória, co-
ENS/FAPESP
(doutorado e pós-doutorado)
www.fapesp.br/materia.php?data[id_
materia]=429
Programa BRAFAGRI
Recém-assinado entre a CAPES e o Ministério da Agricultura da
França, o acordo BRAFAGRI, inspirado no bem-sucedido programa
BRAFITEC, prevê intercâmbios de estudantes e professores na área
das ciências agronômicas, agroalimentares e veterinárias.
O edital deverá ser publicado em julho de 2005. A partir de
setembro, cerca de 25 estudantes brasileiros deverão ir para
instituições de ensino superior da França e, no sentido contrário,
estudantes franceses virão para faculdades homólogas do Brasil.
Tem como objetivo desenvolver
uma cooperação permanente em
todas as áreas do conhecimento
básico (humanidades e ciências),
entre a Ecole Normale Supérieure e
as universidades e instituições de
pesquisa do estado de São Paulo.
Público-alvo: Doutorandos e pósdoutorandos de instituições paulistas que realizem pesquisa em
áreas representadas na ENS e que
tenham um financiamento da FAPESP ou de outra organização.
Apoio: Para doutorandos, alojamento na ENS, apoio administrativo para instalação na França,
acesso a todos os cursos, seminários e recursos de pesquisa da ENS;
co-orientação de tese na ENS ou
tutoria individual por um docente
ou pesquisador vinculado à ENS.
ESCOLA NORMAL SUPERIOR
ULM (graduação e mestrado)
www.ens.fr/international
Esse concurso internacional tem
como objetivo recrutar os melhores
estudantes estrangeiros para cursos de 1 a 3 anos na ENS Ulm.
Público-alvo: Estudantes do último ano de graduação em letras e
em ciências humanas ou no 2.° ou
3.° anos de graduação em ciências.
Apoio: Bolsa de 1.000 euros/mês.
Procedimento: Seleção inicial
mediante dossiê disponível no site;
em seguida, testes escritos e entrevista por uma banca.
HERMÈS (pós-doutorado)
Para pós-doutorandos, a FAPESP
www.cnrs.fr/SHS/appelsoffres/appels_
offres.php?id_appel_offres=117
poderá encaminhar à ENS a can-
Implementado pela Fundação Casa
didatura de pesquisadores que
das Ciências do Homem - FMSH e
desejarem realizar estágios de pós-
pelo departamento Ciências do
doutorado em um de seus labo-
Homem e da Sociedade (CNRS),
ratórios ou grupos de pesquisa.
por iniciativa do Ministério das
Procedimento: Mediante dossiê
Relações Exteriores, o programa
disponível no site.
permite que jovens pesquisadores
orientação (com título reconhecido
pós-doutorandos em ciências hu-
nos dois países) desejável. Os
ERASMUS MUNDUS (mestrado)
manas e sociais efetuem estágios
estudantes permanecem inscritos
de pesquisa na França.
em sua universidade de origem.
http://europa.eu.int/comm/education/
programmes/mundus/index_fr.html
Apoio: Bolsa de 1.400 euros men-
Programa de cooperação e mobi-
anos no máximo, titulares de um
sais, passagens, seguro-saúde,
lidade em ensino superior, cujo
doutorado em qualquer disciplina
atividades culturais.
objetivo é difundir a imagem da
das ciências humanas e sociais e
Procedimento: O mesmo da bol-
União Européia como centro de ex-
ligados a uma instituição de pes-
sa Eiffel.
celência em ensino. Financia mas-
quisa de seu país.
ters implementados por consórcios
Apoio: Bolsa de 2.000 euros/mês,
ESCOLA NORMAL SUPERIOR
de universidades de no mínimo
seguro saúde e eventuais auxílios
CACHAN (mestrado e doutorado)
três países europeus e bolsas para
complementares.
www.ens-cachan.fr
estudantes de todo o mundo.
Procedimento: Dossiê disponível
Para estudantes estrangeiros que
Público-alvo: Estudantes que
no site. Deve incluir cartas de re-
queiram realizar ou prosseguir sua
houverem concluído a graduação e
comendação de personalidades
formação pela pesquisa nos diver-
sido aceitos em um Master Eras-
científicas e de responsáveis por
sos departamentos ou laboratórios
mus Mundus (lista dos cursos dis-
instituições de pesquisa do país de
ponível no site).
origem do candidato e, se possível,
Apoio: Bolsas de cerca de 21.000
de personalidades científicas fran-
euros/ano.
cesas ou européias.
da Ecole Normale Supérieure Cachan.
Público-alvo: Estudantes de até
26 anos, de nível master ou doutorado, efetuando ou tendo efetuado
estudos e obtido seu último diploma fora da França.
Público-alvo: Estudantes com 40
Procedimento: Candidatura diretamente junto ao consórcio que
oferece o master.
Carla Salleron, estagiária
Edufrance no CenDoTeC
7
Rede mundial de universidades tecnológicas
em construção
François Peccoud, reitor da Universidade Tecnológica de Compiègne, esteve em São
Paulo para o primeiro fórum do programa Brafitec de bolsas de engenharia. Ele falou
a FF das peculiaridades da UTC e de algumas idéias que norteiam suas ações.
ALUNOS COM UM PROJETO PRÓPRIO
Com 3.500 alunos e cerca de 650 formandos por
ano, a Université Technologique de Compiègne - UTC
é a terceira maior escola de engenharia na França.
Metade de seus alunos ingressaram no curso de
engenharia logo após o baccalauréat (exame ao final
do ensino médio). A outra metade veio após conclusão
do segundo ano de qualquer outro curso universitário.
Para François Peccoud, o perfil de estudante que a UTC
busca é o de jovens que já demonstrem maturidade e
tenham um projeto próprio de vida.
Os cursos são semestrais e cada aluno escolhe seu
percurso, movendo-se entre os diversos departamentos. Eles devem completar um sistema de créditos mí-
A Universidade de Tecnologia Sino-Européia da
Universidade de Shangai - UTSEUS tem por objetivo
estabelecer e desenvolver na China uma plataforma
universitária internacional segundo o modelo francês de
formação em engenharia e, mais particularmente, o das
universidades de tecnologia francesas.
A UTSEUS será administrada por um comitê composto
de sete chineses – entre os quais o diretor executivo e seis franceses – entre os quais o presidente. Esse
conselho decidirá as orientações estratégicas e adotará
as medidas para o funcionamento geral da UTSEUS,
desde que aprovadas anualmente pelos conselhos de
administração das partes signatárias da convenção.
nimos em três categorias: 1) ciência básicas, 2) ciências humanas e cultura geral e 3) tecnologia aplicada.
Na sua visão, o liberalismo econômico acabará
realizam estágios. É uma das regras da UTC buscar
cedendo às medidas protecionistas, e haverá menor
simbiose com as indústrias e a administração pública.
mobilidade internacional. Os profissionais com duplo
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
Segundo o reitor da UTC, poucas universidades
sobreviverão à concorrência internacional que se
prefigura com a mundialização das formações (ex. :
espaço europeu de ensino). Além da boa formação
básica e da pesquisa em parceria com as indústrias,
ele aponta a cooperação internacional como um dos
requisitos essenciais das universidades do futuro.
75% dos estudantes da UTC realizam um semestre
(não obrigatório) no exterior; 35%, dois semestres.
François Peccoud vê na experiência internacional de
seus alunos uma outra preciosa vantagem: «Dentro de
20 anos, nossos alunos terão 40 anos e dois tipos de
trabalho lhes darão boa remuneração: 1) os trabalhos
de proximidade com o cliente – vendas, pós-venda,
manutenção e 2) os trabalhos inovadores. Para formar
esses profissionais, é preciso que eles aprendam a
desconstruir suas certezas e olhar para o mundo com
novos olhos.»
A UTC tem acordos de duplos diplomas com várias
universidades do mundo. No Brasil, além de uma
antiga cooperação e do duplo diploma em engenharia
mecânica há dois anos com o Cefet-PR, acordos com
a UFPE e com a UFPR estão sendo negociados.
Estabelecimentos no Brasil conveniados com a UTC
Centro de Integração de Tecnologia do Paraná - CITPAR • Centro Federal de Educação
Tecnológica do Paraná - CEFET-PR • Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio
de Janeiro - CEFET-RJ • Instituto Nacional de Telecomunicações - INATEL (Santa Rita
do Sapucaí) • Pontifícia Universidade Católica do Paraná • Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro • Universidade de Caxias do Sul • Universidade Federal de
Brasília • Universidade Federal de Campina Grande • Universidade Federal de
Pernambuco • Universidade Federal do Paraná • Universidade Federal da Paraíba
8
REDE MUNDIAL DE UTS
No início do 4.o ano e no final do 5.o, os alunos
diploma, autorizados portanto a trabalhar em duas
zonas econômicas, virão contrapor-se a essa tendência.
A UTC trabalha agora para concretizar uma rede
mundial de universidades de tecnologia. Uma convenção de colaboração para a criação da universidade
de tecnologia sino-européia da universidade de
Shangai - UTSEUS foi assinada em fevereiro entre a
UTBM (Belfort-Montbéliard), a UTT (Troyes), a UTC e
a Universidade de Shangai.
As três universidades francesas assumirão pelo
menos 25% do ensino na UT de Shangai, que em
setembro de 2005 deve abrir suas portas a 250 estudantes. Eles iniciarão uma formação comum em
quatro departamentos: Engenharia Mecânica, Eng.
Informática, Eng. Biológica e Ciências dos Materiais.
Dentro de três anos, esses alunos deverão integrar a
rede francesa das UT. Ao mesmo tempo, Shangai
deverá receber estudantes franceses que realizarão
em uma empresa chinesa seu projeto de fim de curso.
Como evoluirá essa rede mundial de universidades
tecnológicas? Reafirmando a importância dos países
“BRIC” – Brasil, Rússia, Índia, China – para todos os que
hoje buscam a classificação “internacional”, o reitor da
UTC revela o interesse da rede também pelo mundo árabe.
A recente leitura do livro do indiano C. K. Prahalad,
editado em francês com o título 4 milliards de
consommateurs, vaincre la pauvreté grâce au profit,
trouxe a Michel Peccoud uma nova certeza: os
engenheiros que buscarem definir as necessidades
dos quatro bilhões de habitantes do planeta que vivem
no limiar da pobreza e forem capazes de se interessar
pelas necessidades desses países terão encontrado a
fonte dos lucros de amanhã.
Semana do Ensino Superior Francês
Representantes de quase 150 estabelecimentos franceses de ensino superior
participarão do evento promovido pela Agência EduFrance e coordenado pelo
CenDoTeC, de 22 a 29 de setembro, em cinco capitais brasileiras.
Nos salões EduFrance em São Paulo e no Rio de
Janeiro, o estudante conhecerá esses estabelecimentos e a diversidade de cursos oferecidos. No
estande de informações gerais, descobrirá possibilidades de bolsas, de trabalho, alojamento, vistos etc.
Para visitar os salões, que contarão com serviço de
intérprete em cada estande, os estudantes podem
cadastrar-se no site www.edufrance.com.br e já
imprimir seu convite.
ENCONTROS ENTRE ESTABELECIMENTOS
FRANCESES E BRASILEIROS
Programa da Semana do Ensino Superior Francês
22/09
Abertura oficial – Brasília
23/09
Encontros entre estabelecimentos franceses e brasileiros, em parceria
com o Fórum de Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos
Internacionais - FAUBAI – São Paulo
24 e 25/09 Salão EduFrance – MUBE, São Paulo
27/09
Encontros entre estabelecimentos franceses e brasileiros – Belo Horizonte,
Porto Alegre e Recife
29/09
Salão EduFrance – Hotel Sofitel, Rio de Janeiro
Em São Paulo, toda a delegação francesa estará
Os encontros entre os estabelecimentos têm como
presente no evento. Em seguida, três grupos serão
objetivo promover a cooperação entre os estabele-
formados para os encontros em Belo Horizonte, Porto
cimentos de ensino tanto para o intercâmbio de
Alegre e Recife.
estudantes quanto de professores, além de possibilitar
A partir do final de julho, as instituições brasileiras
poderão agendar as entrevistas individuais (módulos
reuniões com instituições parceiras.
Após uma sessão plenária em que serão discutidos
de 30 minutos) com os representantes de estabe-
os principais dispositivos da cooperação universitária
lecimentos franceses, no site www.edufrance.com.br.
franco-brasileira, os participantes brasileiros poderão
Para facilitar a identificação do interlocutor e o
reunir-se individualmente com os representantes fran-
agendamento das reuniões, o site apresenta fichas
ceses. Haverá, se necessário, serviço de intérpretes.
sobre as instituições francesas e seus cursos.
Estandes dos Salões Edufrance1
UNIVERSIDADES
ENS-Cachan - ENS-ULM
Europole Universitaire de Rennes (4)
Grenoble Universités (4)
Groupe Atlantech (12)
Sciences Po - Paris
Université Claude Bernard Lyon 1
Université de Cergy Pontoise
Université de Franche-Comté
Université Paris 3 - Sorbonne Nouvelle
Université de Nantes
Université de Picardie Jules Verne
Université de Provence Aix-Marseille 1
Université de Versailles Saint-Quentin
Université des Antilles et de la Guyane
Université Paris 1 - Panthéon Sorbonne
Université Paris 10 Nanterre
Université Paris 12 Val de Marne
Université Paris 8
Universite Paris Dauphine (9)
Université Paris Sud 11
Université Paris-Sorbonne (Paris 4)
Université Paul Cézanne - Aix-Marseille 3
Université Paul Verlaine-Metz
Université Pierre et Marie Curie Paris 6
ESCOLAS DE COMÉRCIO
Angers Graduate Schools
CCIP - DRI/E (15)
Ecole de Management de Normandie
EDHEC Business School
ESC CLERMONT
ESC Pau
Grenoble Graduate School of Business
Groupe ESC Chambéry Savoie
IESEG School of Management
ESCOLAS DE ENGENHARIA
Ecole Nationale Supérieure
de Céramique Industrielle - ENSCI
ENSIETA - Brest
ESTACA
GET- Groupe des Ecoles
des Télécommunications (6)
Groupe des Ecoles des Mines (7)
INSA Lyon
ISEP
Réseau N+I - Engineering Institutes (57)
1 Lista provisória. Para alguns
dos estandes, está indicado
o número de estabelecimentos
representados.
ESCOLAS DE LÍNGUAS
AZURLINGUA
CAVILAM
ESCOLAS ESPECIALIZADAS
EduDroit (direito) / EduArt (23)
ESTHUA- Université d’Angers
(hotelaria, turismo)
IESA - Institut d’Etudes Supérieures des
Arts (arte, cinema)
MOD’ART International (moda)
Duplo diploma ESALQ – INA P-G
Foi assinado em 14 de abril acordo para duplo diploma de graduação da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
- ESALQ/USP e do Institut National Agronomique Paris-Grignon - INA P-G. Alunos do curso de Engenharia Agronômica
já podem candidatar-se ao novo programa, que passa a valer a partir de 2006.
O INA é uma das Grandes Escolas públicas que compõem ParisTech (Paris Institute of Technology), todas de ensino
superior, porém não vinculadas administrativamente às universidades francesas.
Contato Prof.a Maria Lúcia Carneiro Vieira, [email protected]
9
PESQUISA
Farmacopéias tradicionais na Guiana Francesa
A valorização da biodiversidade e dos saberes tradicionais das comunidades do Sul,
quando percebida como uma fonte de lucro para os países industrializados, incita ao
debate. Na Guiana Francesa, pesquisas do IRD1 integram-se em uma abordagem em
1 Veja também Sciences au
Sud n.o 27 e 29, http://
www.ird.fr/fr/actualites/
journal/
©IRD/M.-F. Prévost
Vismia cayennensis:
contra afecções da pele
Cordia nodosa: contra
resfriados e dificuldade
respiratória
Grenand P., Moretti C.,
Jacquemin H. & Prévost,
M.-F. - Pharmacopées
traditionnelles en Guyane
– Créoles, Wayãpi, Palikur
– Paris, IRD, 2005 –
2.a edição inteiramente
revista e corrigida.
816 p., 85 euros.
Disponível no CenDoTeC
para empréstimo.
10
escala local, na qual a valorização dos saberes contribui para uma reapropriação, pelas
diferentes comunidades, de uma parte essencial de seu patrimônio cultural. Christian
Moretti e Pierre Grenand falam sobre o contexto e as expectativas de seu trabalho.
“Ocupando uma parcela da grande floresta
difundida, e provavelmente subestimada pelo sistema
amazônica, a Guiana Francesa é composta de um
de atendimento local. Para resolver um problema de
mosaico de comunidades, testemunhas tanto da
saúde, as comunidades florestais recorrem a um
história antiga da Amazônia (ameríndios) como de sua
grande número de plantas, utilizando-as em função de
história colonial (europeus, negros marrons – descen-
sua disponibilidade e facilidade de acesso.
dentes de escravos fugitivos –, crioulos). Soma-se a
Na Guiana, um grande número de plantas (mais de
esse povoamento uma crescente população imigrante
700 espécies, na maioria florestais, para a totalidade
(brasileiros, haitianos etc).
da região) são consideradas medicinais. Observa-se
A partir dos anos 70, desenvolveu-se um grande
também uma grande diversidade de usos para uma
interesse em torno da gestão dos ecossistemas pelas
mesma planta – às vezes até oito usos diferentes para
populações da floresta e dos saberes etnobotânicos e
as mais importantes.
etnozoológicos tanto dos negros marrons como dos
Cerca de 80% são plantas de coleta. Entretanto
ameríndios. Um dos objetivos principais era o estudo
para muitas delas a qualificação “selvagem” é ambí-
das farmacopéias, pois é nessa época que emerge o
gua. As que só se reproduzem naturalmente por via
interesse pela biodiversidade da Amazônia, com
assexuada puderam multiplicar-se ao longo do tempo
trabalhos no Brasil, Peru, Equador, Colômbia e Bolívia.
apenas graças à ação humana que as manteve e
É apenas nos anos 90, após a Conferência do Rio
disseminou.
(Eco-92), que os conceitos de biodiversidade e de
Os casos de superexploração para fins medicinais
gestão sustentável vão generalizar-se e, na Guiana
são raros, principalmente devido ao bom estado da
como em todos os outros lugares da Amazônia, dar
cobertura florestal e à fraca comercialização das
novo impulso às pesquisas sobre as relações entre o
plantas medicinais. No máximo certas espécies natu-
homem e seu meio ambiente.
ralmente raras e já patrimonializadas pelo Conselho
Foi nesse contexto que pesquisadores do Instituto
Científico Regional de Proteção da Natureza - CSRPN
de Pesquisa para o Desenvolvimento – IRD e espe-
merecem atenção especial, ainda mais porque a
cificamente da unidade n.° 84 – “Conhecimento dos
legislação francesa, diferentemente da brasileira, é
recursos vegetais tropicais e de seus usos” (Biodival)
muito fraca nessa área.
empreenderam o estudo dos remédios tradicionais
Trata-se também de avaliar o serviço médico
utilizados pelas populações guianenses. A obra
prestado por essas práticas de automedicação: entre
Pharmacopées traditionnelles en Guiane é o resultado
as 600 plantas inventariadas na obra, cerca de 60 são
de uma parte dessas pesquisas coletivas executadas
de uso corrente. Para essas plantas largamente
ao longo de mais de 25 anos. O estudo trata dos
empregadas, formulamos “recomendações de uso”
saberes terapêuticos tradicionais de três etnias da
provenientes dos trabalhos do programa internacional
Guiana: os crioulos e os índios wayãpi e palikur.
TRAMIL (farmacopéia caribenha), hoje prolongado
Nesses três grupos, o uso das plantas medicinais é
pelo programa TRAMAZ, realizado com o aval da
muito importante, embora associado a concepções
Agência Brasileira de Cooperação ABC. TRAMAZ é um
nitidamente diferentes com relação ao corpo e sua
programa de pesquisa aplicado às plantas medicinais
patologia. A implantação dos grupos em meios
guiano-amazônicas. Consiste basicamente na imple-
naturais um pouco dissemelhantes está na base de
mentação de uma rede de contatos científicos, de
uma diversificação bastante nítida das espécies
formação e de transferência tecnológica sobre as plan-
utilizadas. Por fim e sobretudo, a origem e a evolução
tas medicinais regionais mais empregadas em terapia
histórica, muito diferentes para as três etnias, fazem
familiar (objetivo de saúde pública) e/ou passíveis de
com que as farmacopéias e seu uso não tenham as
desenvolvimento econômico a médio prazo.
mesmas funções sociais e terapêuticas.
Especificamos ainda a eficácia terapêutica quando
ela está demonstrada cientificamente. Mas também é
OS USOS – PRÁTICAS DE AUTOMEDICAÇÃO
preciso lembrar os riscos que resultam de certas
Apesar da existência de dispensários e da pre-
práticas de automedicação, devidos basicamente às
sença de pessoal da saúde nos lugares mais isolados
confusões botânicas possíveis por se tratar de uma
da Guiana, a automedicação ainda está amplamente
flora ainda imperfeitamente conhecida.
O que pensa o expert
A Fronteira Norte
Lembro-me, quando menino em Marília, de rodar a bicicleta sob sol
escaldante até o campo-de-aviação para esperar o avião da VASP, um DC3 sobrevivente da guerra, que nos trazia imagem dos tempos modernos. Já
nessa época, meu pai, udenista alinhado com Eduardo Gomes, repetia que
“A fronteira Norte do Brasil, quem marcou foi o DC-3 militar”. Aquele
mesmo que ia me ver vestido à paisana.
Guardei o figurativo e lembrei-me dele quando solicitado a contribuir com a
apresentação das experiências do Prof. Christian Moretti, Diretor de Unidade
do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento–IRD, Paris, co-autor das
“Farmacopéias Tradicionais da Guyana” , em sua segunda edição.
Cortesia, sem dúvida, aceita com o propósito explícito de ajudar no tecer
da alça brasileira da rede científica que começa a envolver a Amazônia e suas
fronteiras. Minha formação médica e atuação acadêmica em Farmacologia
direcionaram automaticamente meu GPS interno para a área de medicamentos.
“Amazônia, Guiana Francesa, ao lado do Amapá e do IEPA, que estuda
remédios populares, que se associou ao Instituto do Milênio BioTrop e
participa do TRAMAZ em colaboração com a Guiana Francesa.”
O círculo fechou dentro de casa sem fronteiras no caminho!
A fronteira amazônica dos acadêmicos e cientistas não trata de delimitações
físicas separando culturas e idiomas; nem de espaço aéreo ou posse de
qualquer extensão de terras úmidas, florestas gigantescas e rios caudalosos
que conformam o maior bioma do mundo. Para a Amazônia espera-se empreendimento humanístico maior. Espera-se que o conhecimento racional da
biodiversidade seja o gerador de progresso para a inclusão internacional das
comunidades distantes, sem fazê-las perder a identidade cultural. Para isso a
formação de recursos humanos e de massa crítica local é estratégica, desconsiderando as limitações de fronteiras virtuais ou interesses territoriais imediatos.
Pois, na Amazônia, como nos ensina Moretti, o saber tradicional encontrase disperso nas culturas pan-amazônicas pré-coloniais e na cultura cabocla
(creola) originada da mixagem diversa na época colonial. As duas convivem
há cinco séculos em território livre, com um fundo cultural comum, modificado
e ampliado à medida que novas regiões são exploradas e que novos contatos
são estabelecidos. Este intercâmbio íntimo e prolongado moldou valores da
sabedoria popular que carecem de conceito fora de seu contexto social. Difícil
identificar de quem foi e a quem pertence o conhecimento original.
Essa situação comum aos países que compartilham áreas amazônicas é
estratégica na definição das políticas de bioprospecção.
Na Amazônia Brasileira, creio poder generalizar às demais, fazendo ponte
entre a cultura cabocla e a vida contemporânea de padrão ocidental, notaA DINÂMICA DOS SABERES – REAPROPRIAÇÃO
Nosso trabalho pretende ser antes de tudo um
testemunho sobre a complexidade do saber das três
populações, estudadas na perspectiva de uma reapropriação pelas comunidades guianenses daquilo que
representa uma parte essencial de seu patrimônio
cultural.
Os contatos societais contemporâneos aceleraram,
na Amazônia como em outros lugares das regiões
tropicais, a mobilidade e a difusão dos saberes,
provocando por vezes sua reconstrução. Mas também
favoreceram amplamente a tomada de consciência de
sua especificidade em nível identitário ou mais
simplesmente comunitário. Na Guiana, o contato dos
pesquisadores com as populações locais é um fator
importante dessa dinâmica.
se uma sociedade em transição que habita as
cidades modernas, freqüenta suas escolas e
incorpora naturalmente os valores dos dois
mundos culturais. Esta não é a interface social
mais original da região, mas talvez seja a de
manejo científico mais fácil. Considero recompensador, por exemplo, recrutar e capacitar esse
pessoal para a validação científica criteriosa dos
remédios populares. Nesse caso, sendo possível
uma transferência bilateral de conhecimentos, é
de se esperar uma melhoria do atendimento primário à saúde das populações
marginais, sem infração de princípios bioéticos ou científicos.
Juntar forças na formação dessa massa crítica em toda a Amazônia legal é,
no mínimo, esperado. O racional, no entanto, é capacitá-la para realizar a
bioprospecção orientada para obtenção também de medicamentos inovadores, sem o receio de desvelar segredos ou ferir direitos de propriedade
intelectual, pois o substrato da exploração científica não tem dono definido!
É estratégico para a região, no entanto, que a formação de recursos humanos
não encontre obstáculos em fronteiras virtuais ou interesse particular em
reservar um conhecimento sem entendimento lógico na ciência moderna.
Aparentemente a execução de um programa colaborativo dessa abrangência
depende de suporte específico porque os intercâmbios diplomáticos
genéricos como o Tratado de Cooperação dos Países da Amazônia e os
Convênios Bilaterais de Cooperação Científica existentes entre os países
latino-americanos e quase todos os europeus têm sido insuficientes para
garantir a inclusão das instituições amazônicas no processo de desenvolvimento científico.
Novas iniciativas para garantir pesquisa autônoma são necessárias à inclusão
das instituições amazonenses no desenvolvimento científico, particularmente
de medicamentos. A formação urgente de massa crítica regional é a mais
urgente e imperativa, enquanto a cooperação interinstitucional sem fronteiras
é uma necessidade esperada em vista das semelhanças ambientais e das
dificuldades institucionais comuns.
A iniciativa do Centro de Biotecnologia da Amazônia, em Manaus, de
implantar a Coordenadoria de Farmacologia, Toxicologia e Biotério foi um
modelo baseado nessas premissas. O treinamento em serviço de 22 técnicos
de nível superior com apoio da FAPEAM e MCT, do qual poderão se
beneficiar as instituições e empresas regionais, é a primeira etapa. A iniciativa
estará completa ao extrapolar a fronteira.
Que fronteira?!
Dr. Antonio José Lapa, chefe do Departamento de Farmacologia da
Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, [email protected]
Convém lembrar que nossas pesquisas foram
empreendidas numa época em que a emergência dos
povos indígenas na cena internacional (Brasil, Peru,
EUA etc.) era muito recente. Os interesses econômicos
em torno da biodiversidade ainda não estavam na
ordem do dia. Nossos resultados tinham então valor
de testemunho da riqueza dos saberes dos povos
amazônicos e constituíam um elemento importante
para o reconhecimento de seus direitos.
Hoje as associações culturais florescem na Guiana,
Carapa guianensis:
repelente de insetos
tanto entre os crioulos como entre os ameríndios e os
negros. Nesse contexto novo, temos a esperança de
que nossa obra contribua para uma reapropriação dos
saberes sobre as medicinas tradicionais e as farmacopéias, tal como ela emerge atualmente através das
iniciativas do tecido associativo guianense.
11
Da flora amazônica, novo medicamento contra a leishmaniose
Em 16 de junho, o pesquisador do IRD Alain Fournet visitou o LAFEPE, segundo maior
laboratório público do Brasil, para estabelecer plano de trabalho visando fabricação de
medicamento contra a leishmaniose, à base de substâncias identificadas em plantas
amazônicas da Bolívia e sintetizadas sob patente IRD-CNRS. O IRD associou-se ao
Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz (Fiocruz-BA) nas pesquisas sobre o papel dessas
substâncias, eficazes também contra o retrovírus HTLV.
Contato Pierre Sabaté, representante do IRD no Brasil - [email protected]
RASTREABILIDADE
2 Artigo 8 (Conservação in
situ), letra J, da Convenção
do possível e de acordo com
complementos alimentares, new foods, cosmética etc.
Esses novos mercados beneficiam-se do entusiasmo
pelos produtos típicos ou étnicos. Garantindo a rastreabilidade dos usos entre as comunidades, esperamos contribuir para o respeito aos seus direitos.
O problema primordial parece-nos ser, em última
análise, a manutenção da diversidade cultural. A valorização que todos desejamos só pode ocorrer mediante essa condição. Ora, precisamente a erosão dos
saberes é o que os observadores e os atores locais
Ante essas evidências, pode-se imaginar a dificul-
mais conscientizados assinalam em toda parte. A
dade de implementar o artigo 8J2 da Convenção sobre
contrario, se quisermos manter ativos esses saberes,
a Biodiversidade. Sua aplicação esbarra na definição
é por sua patrimonialização que devemos nos inte-
de autoctonia: é claro que os ameríndios são os pri-
ressar, entendida como a promoção e o reconheci-
meiros ocupantes da Guiana, mas os negros marrons
mento de saberes próprios de uma cultura face a
e uma parte dos ancestrais dos crioulos foram trans-
outras. Com efeito, em uma perspectiva altermundia-
portados à força para a região. Negar-lhes hoje o di-
lista bem compreendida, uma sociedade humana não
reito à autoctonia seria uma discriminação inaceitável.
pode mais viver unicamente segundo lógicas endó-
A aplicação do artigo 8J esbarra também na
genas: se quiser perdurar, deve confrontar-se a outras
dificuldade de implementar um reconhecimento dos
culturas. Uma sociedade capaz de enfrentar tal desafio
direitos de propriedade intelectual e uma partilha
pode pensar em manter uma configuração original em
equitativa dos benefícios resultantes da exploração
um conjunto cultural e político mais amplo.
dos recursos locais. Especificamente, quase sempre é
Assim, parece-nos que na Guiana a preservação
impossível definir quem é o inventor de um deter-
dos saberes e a valorização econômica dos recursos
minado uso medicinal de uma planta. Mais ainda, nas
da floresta devem ser tratadas mais em nível regional
comunidades contemporâneas os saberes tornaram-se
do que comunitário, seja através das estruturas exis-
– salvo exceção – fragmentários e freqüentemente
tentes ou de estruturas originais a serem criadas, tais
possuídos por apenas algumas pessoas. Por fim, seus
como um Observatório Regional da Biodiversidade.
detentores, que são os mesmos que os colocam em
Seria preciso também que elas se articulassem com
prática, são também os indivíduos ou as famílias mais
legislações ambientais adaptadas, levando em conta o
pobres das comunidades ou pelo menos os que não
desenvolvimento sustentável das comunidades. Os
têm acesso aos padrões de vida ocidentais.
saberes particulares, próprios de uma comunidade,
sobre a Biodiversidade: “Cada
parte contratante, na medida
relativizada, novos setores estão em plena expansão:
VALORIZAÇÃO – PRESERVAR A DIVERSIDADE
poderiam ser protegidos e valorizados por meio de
outros sistemas de promoção que não a patente, tais
Valorização econômica é o motivo mais apresen-
como as Denominações de Origem (AO), as Denomi-
as disposições de sua
tado para justificar a abertura dos saberes para o
nações de Origem Controlada (AOC), as marcas ou os
legislação nacional, respeita,
mundo exterior. Quaisquer que sejam suas conse-
diversos processos de atestação de qualidade e/ou de
preserva e mantém os
qüências positivas ou nefastas para os detentores de
origem. Esses modos de proteção dos direitos de
as conveniências, ressalvadas
conhecimentos, inovações e
um saber endógeno, não se pode negar que essa
propriedade intelectual têm a vantagem de ser
autóctones e locais que
abertura insere-se em um processo de troca tão
coletivos (como o são os saberes3 locais, com exceção
personifiquem os modos de
antigo quanto a espécie humana. Sabe-se também
dos xamânicos e outros saberes pessoais), flexíveis,
vida tradicionais que
que a valorização de saberes, recursos e técnicas
adaptados ao contexto europeu. Em contrapartida, é
abrange inúmeros objetos. A não ser que se trate caso
preciso acautelar-se com relação a regulamentos
sustentável da diversidade
por caso em um enquadramento legislativo adaptado
internacionais excessivamente genéricos e rígidos. O
biológica; propicia sua
a contextos nacionais, regionais ou mesmo locais, essas
procedimento que privilegiamos tem a vantagem, no
aplicação em maior escala,
questões parecem-nos difíceis de ser solucionadas
que se refere ao exemplo da Guiana, de desenvolver
globalmente e mesmo apresentam o risco de favore-
dentro do mosaico cultural a noção de interesse
conhecimentos, inovações e
cer a emergência de novas desigualdades. Mais ainda,
comum e visa afastar as derivas comunitaristas.
práticas; e incentiva o
um excesso de ética poderia levar a um enclausu-
Para que esse procedimento seja produtivo, uma
compartilhamento equitativo
ramento econômico e cultural que seria prejudicial
condição prévia, reiteramos, deve ser atendida: a
para pequenas sociedades já muito ameaçadas.
preservação dos saberes. Nas condições sociais e
práticas das comunidades
apresentem interesse para a
conservação e o uso
com o acordo e a participação
dos depositários desses
das vantagens decorrentes do
uso desses conhecimentos,
O estudo das plantas medicinais contribui sempre
econômicas atuais, esta não pode mais ser assegurada
para a inovação terapêutica ou tecnológica. Por exem-
unicamente pelos sistemas tradicionais de educação e
plo, a pesquisa de novos medicamentos antiparasitá-
deve ser obra tanto de educadores treinados nas
rios é uma prioridade da OMS. As informações reuni-
técnicas da educação ambiental como de associações
sentido amplo, incluindo
das nesta obra são pistas para pesquisas futuras. Com
culturais. Requer também sistemas bilíngües de
conhecimentos sobre o meio
relação a muitas delas, nada ou pouco se sabe sobre
educação, pois é certo que todos esses saberes
florestal, variedades de
a composição química e as propriedades biológicas. Para-
naturalistas só podem ser transmitidos através do
lisar essa pesquisa seria sem a menor dúvida um erro.
espírito próprio de cada uma das línguas.”
inovações e práticas.”
3 Evidentemente a idéia de
saber é entendida aqui no
plantas cultivadas, know-how,
técnicas, produtos ali-
12
mentares (a lista não é
Ainda que a importância dos saberes terapêuticos
Christian Moretti, diretor, e Pierre Grenand,
limitativa).
tradicionais na pesquisa farmacêutica atual deva ser
etnobotanista – Unidade N.o 84 do IRD - Biodival
ON LINE
©BRGM Im@gé
Tudo sobre a geotermia
Zonas propícias para geração
de energia elétrica (regiões tectônicas e vulcânicas ativas emersas)
O BRGM1 e a ADEME2 lançam o site
Zonas propícias para uso
direto em agroindústria e
aquecimento de ambientes
(bacias sedimentares)
www.geothermie-perspectives.fr.
Entre as energias renováveis, o grande público
Zonas propícias para banhos,
turismo, lazer e fins terapêuticos
(base cristalina)
sabe pouco sobre a geotermia. Porém ela constitui
uma alternativa de primeiro plano para as energias
fósseis, tanto pelas potencialidades que oferece como
dados homogêneos, validados e atualizados, além de
congregar organismos e empresas representativos da
geotermia na França. Foi projetado para os mais
diversos públicos: leigos, professores, estudantes,
indústrias, organismos, produtores de energia,
administrações públicas. Seus tópicos principais:
HABITAT,
LAZER, SAÚDE
O objetivo desse site é fornecer informações e
PRINCIPAIS USOS DA GEOTERMIA EM FUNÇÃO DAS TEMPERATURAS
AGRICULTURA,
ALIMENTAÇÃO
pelos trunfos de que dispõe.
• “Geotermia, uma energia exemplar”: inforgeotermia: energia local, regular e econômica. A
origem do calor da Terra e os primeiros usos humanos
da geotermia (entre eles, os banhos termais). As
diversas aplicações em função das temperaturas e os
INDÚSTRIA
mações gerais de cunho científico. Características da
dois grandes segmentos: baixa e baixíssimas temperaturas para produção de calor, média e alta
temperaturas para produção de eletricidade.
10 oC
30 oC
Baixíssima
energia
Aquecimento com bomba de calor. Climatização
Aquecimento de pisos
Centros de lazer – piscinas
Balneoterapia – termalismo
Pré-aquecimento (água-ar)
Água quente sanitária
Aquecimento urbano
Piscicultura – aqüicultura
Cultivo de cogumelos
Aquecimento de estufas pelo solo
Aquecimento de estufas pelo ar
Pré-aquecimento (água-ar)
Secagem de produtos agrícolas, madeira, peixes
Conservas alimentares
Pré-aquecimento (água-ar)
Anticongelamento
Lavagem de lã – tingimento
Secagem de produtos industriais
Produção de eletricidade por centrais de fluido binário
Refrigeração por absorção
Extração de substâncias químicas
Destilação de água doce
Recuperação de metais
Prod. eletr. a partir de vapor
Evaporação de soluções concentradas
Pasta para papel
Produção de frio negativo (sistema com
absorção amoníaco)
o
o
90 C
Baixa energia
150 C
Média energia
Alta energia
• “Como funciona a geotermia?”: as técnicas de
modelagem e reconhecimento das jazidas; as diversas
caminhos para seu desenvolvimento.
1 Birô de Pesquisa em Geologia
e Minas
configurações utilizadas para exploração do recurso.
• “Aqueço minha casa”, “Aquecer edificações”, “As
Limitações e riscos a serem superados para o melhor
redes de calor”, “Outros usos” (eletricidade, indústria,
2 Agência do Meio Ambiente e
lazer, agricultura, piscicultura): as muitas formas de
de Controle da Energia
aproveitamento desta energia renovável.
• “A geotermia na França”: os recursos disponíveis
em seu território continental e de ultramar; a impor-
aproveitamento da geotermia e as operações neces-
3 Centro de Informação Técnica
sárias.
sobre Energia Geotérmica
tância das bombas de calor; a eletricidade de amanhã
• Complementando o site: atualidades (as prin-
e o programa europeu de pesquisa de Soultz-sous-
cipais manifestações para o avanço da geotermia), um
Forêts.
fórum de perguntas freqüentes, um glossário, links
• “Perspectivas e futuro da geotermia”: o lugar da
geotermia ante as energias fósseis e os possíveis
para uma seleção de sites, o informativo do CITEG3 e
o boletim da geotermia em Ile-de-France.
O conhecimento das grandes tendências do fluxo de
calor e da circulação de água subterrânea nas camadas
mais superficiais da Terra tem utilidade considerável na
exploração regional de recursos geotérmicos. Essa
abordagem foi adotada em um recente trabalho para
identificar regiões de interesse potencial para exploração de energia geotérmica na América do Sul. Os
resultados obtidos, ilustrados no mapa ao lado,
revelam que as possibilidades de serem encontrados
recursos de alta entalpia em pequenas profundidades
são significativas nas partes centrais da Colômbia, no
sul do altiplano na Bolívia e em segmentos orientais da
cordilheira da Patagônia no Chile. Recursos de temperatura média são prováveis no norte da Venezuela
central e no oeste da Argentina.
Latitude Sul
O que pensa o expert
Longitude Oeste
Categoria do recurso
Entalpias
Alta
Média
Baixa
Da mesma forma, as bacias do Chaco-Pampa (oeste
do Paraguai, norte da Argentina e oeste do Uruguai),
as partes mais profundas das depressões précordilheira no leste do Peru e as regiões centrais das
bacias intracratônicas no Brasil podem conter quantidades substanciais de recursos geotérmicos para uso
direto. Nesse contexto, é preciso mencionar as
condições favoráveis para exploração de recursos
geotérmicos na Bacia do Paraná. Essa bacia estendese por uma área de mais de um milhão de quilômetros
quadrados nas partes sul do continente e possui dois
aqüíferos geotermais profundos (Guarani e Furnas).
As condições climáticas são favoráveis para uso direto
de recursos geotérmicos na agroindústria e em aquecimento de ambientes, seguindo abordagens similares
às adotadas para a Bacia Parisiense na França.
Dr. Valiya Mannathal Hamza, Coordenador do Laboratório de Geotermia do Observatório Nacional – [email protected]
13
ORG ANIZAÇÃO DA PESQUISA
Dez novas Fundações
de Pesquisa na França
irrigarão os laboratórios, através de editais para
apresentação de projetos. [...] A alta qualidade
científica de seus experts, dos quais uma parte
considerável é ou será constituída de especialistas
O governo francês implantou em 2003
estrangeiros, bem como os modos de elaboração e de
uma reforma para dar novo impulso às
seleção dos editais para proposição de projetos, fazem
fundações de pesquisa e ao mecenato
delas um modelo de organização que se equipara às
por toda sociedade civil. Essa iniciativa
melhores práticas internacionais. [...] A criação de um
apresenta agora seus primeiros
fundo de 150 milhões de euros [...] permitiu irrigar à
resultados: em 23 de maio o ministro
razão de 1 euro público para cada 1 euro privado o
da pesquisa, François d’Aubert, anunciou
capital dessas dez novas fundações.”
a criação de 10 fundações de pesquisa,
declaradas de utilidade pública.
Em seu discurso, o ministro salientou: “Essa
política permitiu mobilizar, em condições fiscais
vantajosas, recursos privados provenientes das
empresas. [...] É preciso salientar que uma fundação,
ao ser criada, torna-se independente de seus fundadores e autônoma com relação a cada um dos colégios
que compõem seus conselhos. Assim, os fundadores
representam apenas um terço das vozes dos conselhos; o segundo terço é composto de personalidades
qualificadas, sem ligação com os outros terços (lei
Com essas medidas o governo francês pretende:
• mobilizar financiamentos privados provenientes de
empresas ou de particulares, para projetos de pesquisa prioritários, aumentando assim a parcela
privada dos gastos com P&D. As vantagens fiscais são
altamente incitativas para as empresas;
• apoiar grandes programas de P&D sobre temáticas
de pesquisa definidas, de alta tecnologia e promissoras;
• mutualizar os recursos financeiros e as qualificações
para realizar grandes projetos de P&D;
• incrementar a parceria entre pesquisa pública e
pesquisa privada;
• divulgar no mundo científico a cultura de gestão por
sobre a transparência), e o terceiro é representado
projeto, apoiando projetos selecionados mediante
pelos membros de direito, que são os ministérios
edital;
participantes.”
• fortalecer a relação de confiança entre a ciência e a
François d’Aubert explicou ainda: “Diferentemente
sociedade.
das fundações tradicionais de utilidade pública, estas
A dinâmica prossegue, com a apresentação ao
não destinarão uma parcela majoritária de seus gastos
Conselho de Estado de 15 novos projetos de Funda-
a ações executadas por elas mesmas: ao contrário,
ções de Pesquisa.
As novas fundações de pesquisa
Fundação Construção-Energia
Objetivo: financiar, avaliar e valorizar pesquisas
para reduzir a 1/4, até o ano 2050, as emissões
de gases de efeito estufa geradas pelas construções,
tanto novas como antigas (redução do consumo de
energia, avanço das energias renováveis no setor da
construção).
Fundadores: Arcelor, Lafarge, Gaz de France,
Electricité de France.
Dotação: 8 milhões de euros (50% privados +
50% do Estado).
Fundação Coração e Artérias
Objetivo: apoiar e valorizar e pesquisa e a prevenção das doenças cardíacas e vasculares e das
doenças metabólicas associadas. Para isso financiará
programas nos seguintes eixos: nutrição e alimentos
saudáveis; terapia; práticas preventivas e comportamentos nutricionais.
Fundadores: Bonduelle, Mac Cain, Sanofi Synthélabo, Genfit, Auchan, Verspieren, Unilever,
Natexis/Banc populaire du Nord.
Dotação: 8,5 milhões de euros (50% privados +
50% do Estado).
Fundação de Pesquisa para o Desenvolvimento
Sustentável e as Relações Internacionais
Objetivo: desenvolver e executar pesquisas: sobre gestão dos problemas
globais ambientais e de governança; para uma reflexão estratégica e prospectiva
no âmbito do desenvolvimento sustentável.
Fundadores: Electricité de France, associação “Empresas para o meio ambiente”,
Gaz de France, Lafarge, Suez, Veolia Environnement, Saint Gobain.
Dotação: 2,373 milhões de euros (1,210 privados + 1,163 do Estado).
14
Fundação de Pesquisa para
a Aeronáutica e o Espaço
Objetivo: definir, promover e financiar programas
de pesquisa sobre: segurança e confiabilidade do
transporte aéreo; tecnologias para minimizar o impacto ambiental; eficiência global do sistema de
transporte aéreo; aplicações espaciais para o desenvolvimento sustentável e a gestão de riscos; bases
científicas e tecnológicas para a independência
estratégica das indústrias aeroespaciais.
Fundadores: Airbus France, Eads France, Eads
Astrium SAS, Eads Space Transportation,
Eurocopter, Latecoere, Snecma, Thalès.
Dotação: 18 milhões de euros (50% privados +
50% do Estado).
Fundação ELA
Objetivo: financiar a pesquisa sobre as leucodistrofias: leucodistrofias de origem
genética; doenças da mielina adquiridas (prematuros e adultos com esclerose
múltipla); reparação da mielina nessas doenças e em traumatismos; genética
multifatorial das doenças adquiridas e hereditárias da mielina.
Fundadora: associação ELA (associação européia contra as leucodistrofias).
Dotação: 20 milhões de euros (50% privados + 50% do Estado).
Fundação Garches
Objetivo: propiciar a prevenção de deficiências, o
tratamento e a reinserção das pessoas com necessidades especiais. Quatro eixos de atividade:
pesquisa: projetos e bolsas, colóquios, publicações;
inovação e avaliação tecnológica: assistência
domótica e robótica, avaliação dos recursos técnicos
para portadores de deficiências, integração e
segurança, aconselhamento; treinamento dos
portadores e dos profissionais encarregados;
informação e difusão dos conhecimentos.
Fundadores: Fundação de Auxílio Mútuo de
Poliomielíticos (ADEP), BNP Paribas, Valéo,
Instituto Garches.
Dotação: 1,3 milhão de euros (50% privados +
50% do Estado).
Fundação Instituto Europlace de Finanças
Objetivo: valorizar o potencial das universidades
e organismos de pesquisa em economia e finanças,
por meio de: pesquisa sobre os operadores financeiros, os instrumentos, o mercado etc.; bolsas,
participação na estadia de pesquisadores de outros
países; cartografia dos centros de pesquisa em
finanças e difusão dos trabalhos; organização de
colóquio científico internacional.
Fundadores: Ass. Francesa de Gestão Financeira,
Autoridade dos Mercados Financeiros, AXA IM,
Câm. de Com. e Ind. de Paris, Caixa de Depósitos
e Consignações, Crédit Agricole SA, EADS,
Euronext SA, Fed. Francesa das Seguradoras,
HSBC-CCF, Paris Europlace, Société Générale.
Dotação: 2,794 milhões de euros (1,4 privados
+ 1,394 do Estado).
Fundação para uma Cultura
de Segurança Industrial
Objetivo: motivar, financiar e aplicar pesquisas e
ações de difusão científica para: melhoramento da
segurança nas indústrias; debates abertos entre as
empresas de risco e a sociedade civil; aculturação
de todos os envolvidos para os problemas de riscos
e de segurança.
Fundadores: Electricité de France, Total France,
Total SA, Atofina SA.
Dotação: 6,6 milhões de euros (50% privados +
50% do Estado).
Fundação Saúde e Radiofreqüências
Objetivo: definir, promover e financiar programas
de: pesquisa epidemiológica, experimental e
sociológica sobre os efeitos da exposição às
radiofreqüências utilizadas nas comunicações
eletrônicas; divulgação dos conhecimentos para os
profissionais e o público.
Fundadores: Alcatel, Bouygues Telecom, Ericsson
France, Orange France, Motorola, SFR, TDF,
Towercast.
Dotação: 4,84 milhões de euros (2,44 privados
+ 2,4 do Estado).
As “Fundações de utilidade pública de
pesquisa” têm pelo menos um dos objetivos
seguintes: realizar ou promover pesquisas
científicas; valorizá-las; divulgar a informação
científica ou as tecnologias.
Sua atuação consiste principalmente em
financiar programas de pesquisa realizados
em um laboratório público ou em parceria
entre laboratório público, PME e grandes
empresas, após edital para proposição de
projetos e seleção por seu conselho científico. De acordo com os estatutos-padrão,
fazem parte de seus conselhos administrativos
representantes do Ministério da Pesquisa, de
organismos de pesquisa ou de estabelecimentos de ensino superior.
Fundação Thérèse e René Planiol
para Estudo do Cérebro
Objetivo: incrementar as pesquisas científicas e
médicas na área da exploração do cérebro: promover a exploração do sistema nervoso por métodos
não traumatizantes; facilitar a integração de pesquisadores em unidades de pesquisa e equipes hospitalares-universitárias; apoiar pesquisas sobre desenvolvimento, adaptação e envelhecimento do cérebro.
Fundadora: Thérèse Planiol.
Dotação: 1,370 milhão de euros (50% da sra.
Planiol + 50% do Estado).
Site do Ministério francês da Pesquisa
CENDOTEC
Professor Carlos Vogt
assume presidência
Cientistas de Amanhã
Daniel Paludo Fuchs e Aldair
Software para prefeituras
premiado no XI CONIP
O professor Carlos Vogt, presidente
Gomes Lopes, vencedores respec-
Pelo quinto ano consecutivo, o
da Fapesp, foi nomeado presidente
tivamente das edições 2003 e 2004
CenDoTeC oferece uma viagem à
do CenDoTeC em assembléia geral
do Concurso Cientistas de Amanhã,
França ao vencedor do Prêmio
realizada em 5 de junho. Ele suce-
foram a Paris em fevereiro último
Excelência em Informática Pública
de o professor José Rincon Ferreira,
para visitar os principais museus
Aplicada aos Serviços Públicos,
diretor da Secretaria de Tecnologia
de ciência da cidade: Palais de la
instituído em 1998 pelo CONIP1. O
Industrial do Ministério do Desen-
Découverte, Cité des Sciences et
projeto contemplado, FLO-PREF -
volvimento, Indústria e Comércio
de l’Industrie, Muséum National
Free/Livre/Open Software para
Exterior - MDIC, à frente da asso-
d’Histoire Naturelle e Musée des
Prefeituras, será apresentado no
ciação CenDoTeC desde 2003.
Arts et Métiers (CNAM).
Fórum Mundial da Democracia Ele-
Integraram também o quadro de
Realizado pelo Instituto Brasileiro
trônica, em Issy-les-Moulineaux.
diretores: professora Lígia Maura
de Educação, Ciência e Cultura -
Coordenado pelo Centro GeNESS
O prêmio do CenDoTeC é
entregue por seu vicepresidente, Jean
Bodinaud, ao
prof. José Eduardo De
Lucca, da UFSC
Costa, coordenadora de Relações
IBECC/UNESCO, com apoio da SBPC
do departamento de Informática e
Internacionais da Escola de Admi-
e do CNPq, esse concurso nacional
Estatística da UFSC e com partici-
nistração de Empresas de São
contribui para a iniciação científica
pação da UFCG, da Softex, do Cen-
Paulo da FGV; e professor José
de estudantes do ensino funda-
PRA2 e da OpenS Tecnologia, esse
Carlos Bressiani, diretor de Pes-
mental e médio. Os dez melhores
projeto integra uma biblioteca para
quisa, Desenvolvimento e Ensino
trabalhos são expostos pelos estu-
abastecer prefeituras com softwa-
de Santa Catarina;
do IPEN, em substituição ao pro-
dantes durante as Reuniões Anuais
res pré-formatados e componentes
UFCG — Universidade Federal
fessor José Roberto Rogero.
da SBPC e o resultado é anunciado
genéricos para montagem de siste-
de Campina Grande;
O relatório de atividades 2004-
na sessão de encerramento.
mas mais específicos, além de
Softex — Associação para a
2005 do CenDoTeC, apresentado
Este ano, o CenDoTeC entregará
constituir uma plataforma de infor-
por ocasião da assembléia geral,
em Fortaleza o prêmio ao vencedor
mações sobre software livre para
pode ser conferido no site.
do 48.o Concurso.
prefeituras e fornecedores.
1 CONIP — Congresso de
Informática Pública, realizado
este ano de 17 a 19 de maio de
2005, em São Paulo.
2 UFSC — Universidade Federal
Excelência do Software
Brasileiro;
CenPRA — Centro de Pesquisas
Renato Archer (MCT).
15
BREVES
©Emmanuel Perrin, CNRS
Prêmio europeu para software de auxílio a cirurgias de joelho
A empresa PRAXIM, fundada por pesquisadores do CNRS e da Universidade Joseph Fourier de Grenoble 1, recebeu
da Comissão Européia um dos três grandes prêmios das Tecnologias da Sociedade da Informação, por seu
“Surgetics Kneelogics Application”, um software para cirurgia de joelho. Esse software, que funciona nas
plataformas de navegação cirúrgica Surgetics®, começou a ser difundido em 2003 e já foi usado em milhares de
Digitalização pré-operatória de dados morfológicos
do joelho, antes de uma
ligamentoplastia computadorizada.
operações. Combinando os conhecimentos estatísticos pré-operatórios e as informações sobre o paciente,
possibilita um procedimento cirúrgico adaptado à sua anatomia. Graças às câmeras infravermelhas da estação e
aos marcadores refletores fixados nos instrumentos, o cirurgião visualiza a posição dos instrumentos em tempo
real e em 3D; seus gestos ganham assim uma precisão de menos de 1 mm. Os benefícios são muitos: posicionamento exato do implante e dos ligamentos, redução de invasividade, da dor e do risco de novas cirurgias.
Praxim é hoje um dos líderes do mercado europeu de recursos computadorizados para intervenções cirúrgicas.
Contatos Philippe Cinquin, Institut d’informatique et Mathématiques Appliquées de Grenoble - Imag [email protected]
Comunicado CNRS
Stéphane Lavallée, PRAXIM T (33-4) 76.54.95.03 [email protected]
©CNRS
Turboxal, um processo para agilizar o tratamento da água servida
Ganhador do prêmio às técnicas inovadoras para o meio ambiente, concedido pela Agência do Meio Ambiente e
de Controle da Energia - ADEME, trata-se de uma turbina a oxigênio puro para oxigenação e agitação de tanques
e lagoas de tratamento biológico. Seu principal trunfo está na facilidade de instalação: é um sistema flutuante
que se adapta a qualquer tipo de tanque já equipado ou não com aeradores. Também pode complementar
estruturas de tratamento pontual ou regularmente saturadas (indústrias químicas e agroalimentares, estações
Simulação digital dos
fluxos da nova turbina
Turboxal. O tempo de
permanência das bolhas
de gás é longo o bastante
para uma adequada
transferência de matéria.
balneárias). Sua originalidade está em criar uma dispersão gás-líquido por meio de uma turbina imersa e depois
injetar o gás profundamente na água, dando-lhe assim um tempo de permanência suficientemente longo para
otimizar a transferência de matéria.
Turboxal resulta de uma parceria entre o laboratório de engenharia química de Toulouse2 e as empresas Air
Liquide e Milton Roy Mixing, a partir de uma tese de doutorado co-financiada pelo CNRS e a Air Liquide.
Contato Dominique Maire, direção de comunicação Air Liquide T (33-1) 40.62.53.56
Instantanés Techniques n.° 37
Dengue e genética
Para determinar se há fatores genéticos que predisponham ao risco de infecção pelo vírus da dengue ou à
evolução para as formas graves da doença, equipes do Instituto Pasteur-Inserm, do Centro Nacional de
Genotipagem (Evry) e da Mahidol University (Bangkok) analisaram na Tailândia o perfil genético de 600 pacientes
graves hospitalizados e 700 indivíduos sob controle. Suas pesquisas, publicadas na Nature Genetics de maio,
demonstraram a importância da molécula DC-SIGN, um co-receptor do vírus da dengue, na patogênese da
doença. Elas indicam que é preciso rever tanto as hipóteses atuais sobre o determinismo das formas graves como
as estratégias preventivas e terapêuticas. Além disso, o co-receptor DC-SIGN (identificado em 2003 no Instituto
Pasteur) poderia interferir também na sensibilidade genética a várias doenças prioritárias em saúde pública,
como a hepatite C, a tuberculose, a aids.
1 Laboratório das Tecnologias
de Imagem, Modelagem e
Cognição - TIMC e Instituto de
Informática e Matemática
Aplicada de Grenoble - IMAG.
Contato Nadine Peyrolo, Instituto Pasteur T (33-1) 45.68.81.46 [email protected]
Comunicado Instituto Pasteur, 04/2005
A química adapta-se à “alta velocidade”
Aplicar as técnicas de experimentação automatizada da química combinatória para a descoberta de novas
gerações de catalisadores. Esse é o objetivo do projeto TOPCOMBI3 - Towards Optimised chemical Processes and
2 Unidade mista de pesquisa
new materials by COMBInatorial science, coordenado pelo Instituto de Pesquisas sobre Catálise (CNRS, Lyon) e
CNRS/ INP/ UPS.
reunindo 22 parceiros europeus (1/3 universidades e organismos de pesquisa, 2/3 indústrias). Com base nos
3 Projeto integrado no 6.°
problemas enfrentados pelos parceiros industriais, foram definidos três eixos principais de pesquisa: • Obter para
Programa-Quadro para
a indústria química matérias-primas e combustíveis líquidos (portanto facilmente transportáveis) a partir de gás
Pesquisa e Desenvolvimento
Tecnológico na Europa.
Duração: 5 anos. Orçamento:
natural e não mais de petróleo; • eliminar os solventes e os produtos tóxicos na síntese de grandes
intermediários da química e suprimir os óxidos de nitrogênio (NOx) na síntese dos fertilizantes em agroquímica;
23 milhões de euros; 50%
• desenvolver uma nova química verde para valorizar biorrecursos (provenientes sobretudo da produção de
financiados pela Comissão
biocombustível) e para a síntese de agentes de branqueamento.
Européia.
Contato Claude Mirodatos, CNRS T (33-4) 72.44.53.66 [email protected]
Comunicado de imprensa CNRS
é uma publicação trimestral do CenDoTeC - Centro Franco-Brasileiro de Documentação Técnica e Científica
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Diretor de publicação Pierre Fayard
Editoração Neusa Watanabe Ferreira
Tradução Rosemary Costhek Abílio
Colaboração Halumi T. Takahashi, Dayane Martinez Takemiya, Verônica De Angelis
Impressão HM Ind. Gráfica e Editora
Embaixada da França no Brasil
www.ambafrance.org.br
16
Jornalista responsável Roberto Penteado MTb 220/DF
As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores. Esta edição contém 330 links internet.
Tiragem: 3.900 exemplares
Divulgação eletrônica de resumo em português: 13.000 endereços; em espanhol: 3.000 ; em francês: 2.800.
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