EDIÇÃO ESPECIAL www.sp.senac.br 0800 883 2000 FOTO HENK NIEMAN A HORA DA ESCOLHA NOVAS LINHAS DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL INVESTEM EM INFORMAÇÃO PARA AJUDAR JOVENS A ESCOLHER UM CURSO UNIVERSITÁRIO E DESENHAR SEU PROJETO DE INSERÇÃO NO MERCADO FOTO GABRIEL CABRAL EQUAÇÃO EQUILIBRADA ABRAM SZAJMAN é Presidente do Conselho Regional do Senac-SP Às vésperas de mais um vestibular, é hora de refletir sobre os acertos que fizeram do Centro Universitário Senac uma história de sucesso. Como revela reportagem nesta edição, nada menos do que 100% dos ex-alunos do curso de Ciências da Computação (dono do melhor resultado do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes em 2005, entre as instituições privadas) já estão no mercado de trabalho. Outras áreas ostentam índices também impressionantes de absorção de talentos: 91,5% entre os egressos da graduação em Moda e 84,8% dos formados em Fotografia. Dados como esses evidenciam a habilidade que o Senac São Paulo vem demonstrando em detectar as necessidades e ambições dos estudantes. Isso se aplica não só à definição mesma das novas áreas de formação, mas também à abordagem educacional que concilia respaldo tecnológico e conhecimentos sólidos em cultura contemporânea. A receita se completa com o princípio de investir nas competências práticas, por meio de laboratórios, oficinas e interação direta junto ao mercado. Ao final do curso, o aluno já começou a trilhar uma carreira, sabendo avaliar o que pode proporcionar e o que pode esperar da vida profissional. A equação geral envolvendo saber, produção e projetos pessoais chegou a esse ponto ótimo porque o caminho se iniciou há várias décadas, na própria filosofia inovadora que sempre orientou a atuação do Senac São Paulo. Sem tal norteamento, nichos temáticoprofissionais como design, gastronomia, hotelaria e ambientalismo não contariam hoje com uma cultura tão bem estabelecida e especializada, que alimenta os quadros docentes e a organização curricular dos cursos superiores que oferecemos. 2 EDITORIAIS 4 O PAPEL DOS PAIS Para apoiar os filhos na escolha de uma faculdade, é preciso rever conceitos datados sobre mercado 8 NOVOS PARADIGMAS 10 O filósofo Mario Sergio Cortella defende currículos universitários que adiem a opção por uma carreira FOTO EVERTON BALLARDIN MUDANÇAS DE PARADIGMA Múltiplos aspectos sobre a escolha profissional se encontram nas reportagens e entrevistas desta edição. É possível, entretanto, detectar pontos comuns que certamente indicam tendências históricas. Com a crise das carreiras antes consideradas seguras, como engenharia e direito, o panorama profissional se tornou mais fragmentário e incerto, mas também muito mais rico em possibilidades. A associação de trabalho com prazer e realização pessoal passou a se incluir no horizonte dos jovens. E não só isso. Tornouse uma realidade tangível. Uma das personagens apresentadas nas próximas páginas tem bacharelado em hotelaria pelo Centro Universitário Senac e hoje ocupa o posto de gerente de um hotel localizado a 100 km de Manaus, aonde chega ao fim de uma viagem de barco de três horas. A chance de conciliar sustento, crescimento profissional e aventura é algo que seria visto com grande ceticismo e estranheza há menos de duas décadas. Outro indicador claro de mudança de paradigma são os critérios de avaliação hoje adotados pelos exames vestibulares: em vez do domínio de um bloco único de conteúdos escolares, agora se espera dos jovens aptidão de raciocínio, articulação de conhecimentos e habilidades específicas. O que se desenha, em suma, é um quadro geral mais democrático, flexível e vinculado à satisfação pessoal, características que só podem ser bem-vindas. APRENDER A ESCOLHER Nova orientação profissional abandona a idéia de vocação e ajuda jovem a desenhar um projeto de vida LUIZ FRANCISCO DE ASSIS SALGADO é Diretor Regional do Senac-SP MITOS E VERDADES 14 Especialistas ensinam a relativizar as angústias que cercam a escolha de um curso superior RACIOCÍNIO E ARTICULAÇÃO 18 Vestibulares avaliam a capacidade de relacionar conteúdos apreendidos e dados de realidade FORMAÇÃO INOVADORA 20 Conheça os cursos superiores oferecidos pelo Centro Universitário Senac FOTOS HENK NIEMAN O ensaio que ilustra esta edição especial foi produzido em laboratórios e salas de aula de vários cursos superiores do Centro Universitário Senac 3 APRENDER A ESCOLHER MAIS DO QUE DESVENDAR A VOCAÇÃO INATA DO ESTUDANTE, NOVAS CORRENTES DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL PROCURAM COLOCÁ-LO NA TRILHA DE UMA ESCOLHA CONSCIENTE, CRITERIOSA E SUSTENTÁVEL. POR _ RODRIGO MARTINS 4 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL 5 De um lado, a imaturidade, a falta de informação sobre profissões e carreiras, a dificuldade em reconhecer os próprios interesses. De outro, a perspectiva de enfrentar um mercado de trabalho volátil, imprevisível, competitivo ao extremo. As enormes dificuldades envolvidas na escolha de um curso superior – e, com ela, de uma carreira para seguir pela vida – estão por trás dos equívocos e decisões apressadas que fazem com que 40% dos aprovados nos vestibulares brasileiros abandonem a faculdade ainda no primeiro ano. Como reduzir essa margem de erro? Para as correntes mais modernas de orientação profissional, é preciso trabalhar com o jovem desde o ensino médio, não para descobrir sua vocação – entendida como aptidão inata, misteriosa e inescapável –, mas para ajudá-lo a criar condições de fazer uma escolha sustentável, embasada em uma visão mais realista de seus desejos e do mundo do trabalho. Identificar os fatores que influenciam essa escolha, desfazer mitos e municiar o aluno com dados atualizados sobre profissões e mercado são algumas das linhas em que opera a nova modalidade de orientação, praticada não apenas por institutos especializados, mas também por um número cada vez maior de escolas privadas do ensino médio (leia o box Orientação profissional: matéria de escola). “Escolher uma profissão é esboçar um projeto de vida, é definir como o jovem gostaria de intervir nesse mundo”, afirma o pedagogo Sílvio Bock, mestre em orientação vocacional pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e coordenador do Nace, instituto com cerca de três mil atendimentos na área. “O trabalho de orientação faz o indivíduo refletir para depois escolher. Não é um processo em que o orientador indica o melhor caminho. O jovem deve pensar em tudo que envolve essa decisão para criar um projeto sustentado, que somente ele poderá realizar.” Crítico enfático dos testes vocacionais, Bock condena o método de orientação que procura harmonizar perfis pessoais com perfis profissionais. Escolher uma profissão só porque se tem facilidade para matérias relacionadas a ela na escola é um equívoco recorrente nesse processo, diz. Mas isto não é tudo. “O teste pressupõe que o indivíduo tem uma essência escondida, e que cabe ao especialista desvendá-la. É um instrumento da década de 1950, cientificamente frágil. Trabalho com o conceito oposto: o indivíduo se constrói na relação com os outros e com o momento histórico, político e econômico. Temos de analisar tudo isso para chegar a um projeto.” FORMAS E ALTERNATIVAS Por meio de entrevistas individuais e dinâmicas de grupo, Bock e educadores do instituto estimulam os estudantes a identificar não apenas suas características pessoais – habilidades e aspirações – como também os valores “ESCOLHER UMA PROFISSÃO É ESBOÇAR UM PROJETO DE VIDA. É DEFINIR COMO O JOVEM GOSTARIA DE INTERVIR NESSE MUNDO. O TRABALHO DE ORIENTAÇÃO FAZ O INDIVÍDUO REFLETIR PARA DEPOIS ESCOLHER. NÃO É UM PROCESSO EM QUE O ORIENTADOR INDICA O MELHOR CAMINHO.” Sílvio Bock, pedagogo e especialista em orientação profissional MITOS CORRENTES ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL: MATÉRIA DE ESCOLA Para responder à crescente demanda verificada no ensino médio, muitas escolas da capital paulista passaram a dar mais atenção ao serviço de orientação profissional e a incluí-lo em seu projeto pedagógico. No Colégio Miguel de Cervantes, cada professor é responsável pela orientação pedagógica de uma classe. A partir do ensino médio os docentes promovem debates quinzenais com os alunos sobre profissões. “Trabalhamos com eles questões como auto-conhecimento, expectativa familiar, pressão social da escolha, valores pessoais e as constantes mudanças no mercado de trabalho”, explica Kátia Pupo, coordenadora do ensino médio do Cervantes. “A própria noção de carreira mudou. Antigamente, uma pessoa ficava mais de dez anos em uma empresa. Hoje não é mais assim.” O colégio também promove palestras de profissionais bemsucedidos, que falam de seus campos de atuação – como o embaixador brasileiro José Viegas, que tratou da carreira diplomática em um dos encontros – e oferece, como uma espécie de disciplina optativa, o serviço de orientação desenvolvido por psicólogos. “Durante o ano, são realizados encontros semanais. Os alunos participam de jogos e dinâmicas de grupo. Uma delas consiste em convidar o estudante a assumir um papel profissional, fazer uma dramatização. Então, avaliamos se ele tem uma noção realista daquela 6 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL profissão ou se está idealizando demais.” No Colégio Equipe, a orientação vocacional não está concentrada em uma atividade específica. “A proposta é promover esse trabalho em todas as dimensões do currículo educacional”, afirma Sílvio Hotimsky, coordenador pedagógico do 3º ano do ensino médio. Uma das iniciativas são os projetos de campo que os alunos realizam ao viajar para outras cidades ou a ambientes rurais. “Nessas oportunidades, o estudante é convidado a analisar de forma crítica o processo de industrialização em Cubatão, por exemplo, ou as precárias condições de trabalho na zona rural de Ribeirão Preto. Isso também faz parte do esforço de orientação”, explica o educador. Além disso, na monografia que escrevem no último ano do colégio, os alunos são estimulados a escolher uma área de atuação. “Nesse trabalho, o aluno não deve somente investigar o que mais o atrai, mas também identificar a finalidade política, social e educacional da sua escolha”, explica o orientador. Para os alunos do Colégio Oswald de Andrade, a orientação profissional é uma disciplina obrigatória no ensino médio. “Todos os alunos do terceiro ano, divididos em grupos de até 12 pessoas, devem participar dos encontros semanais. O desafio é pensar a escolha profissional como um projeto real de vida, um projeto de inserção no mercado de traba- sociais e individuais que podem ser relevantes no esboço de um projeto de vida. “A idéia é abrir e fechar possibilidades. Se o objetivo é apenas enriquecer, algumas profissões estão descartadas a princípio”, diz Bock. No processo, o aluno compreende que sua escolha é afetada por fatores como a influência dos pais e amigos – e discute aspectos prá ticos relacionados ao mundo do trabalho. “Hoje em dia, temos de falar com o jovem sobre desemprego e trabalho precário, autônomo e não registrado. Precisamos discutir formas e alternativas”, enfatiza. Testes que avaliam os interesses do aluno ainda têm seus defensores, como a psicóloga Maria Luiza Dias Garcia, coordenadora do serviço de orientação profissional do Instituto Pieron de Psicologia Aplicada. “O autoconhecimento é um aspecto indispensável na escolha de uma carreira. Por meio dele, o jovem poderá criar um plano de carreira compatível com os seus desejos e projetos futuros”, acredita Maria Luiza. “Alguns testes são capazes de mapear as diversas áreas de atuação e ajudar o estudante a organizar suas prioridades.” Outras ferramentas que ajudam a identificar traços de personalidade, modalidades de ação e o tipo de vínculo que o estudante estabelece com o processo de aprendizagem também são úteis na hora da escolha, ela afirma. “Com elas, podemos estabelecer um prognóstico de como o estudante se dedicará à universidade e à profissão, o que tem uma feição preventiva, ajudando a evitar escolhas equivocadas.” lho”, explica André Meller, um dos orientadores da escola. Além de atividades que buscam identificar características pessoais dos estudantes, há um foco muito grande no trabalho de informação sobre as várias profissões. Para complementar, o colégio ainda promove visitas monitoradas a locais de trabalho. Em dúvida sobre o futuro profissional, Gustavo Dénes, 21 anos, ex-aluno do Oswald de Andrade, pretendia seguir a carreira de relações internacionais, mas desistiu após visitar o escritório de um grande banco. “Pensando nas matérias que mais gostava, optei por economia”, conta. A visita ao jornal Agora! ajudou a dirimir as dúvidas de Carmen Guerreiro, 20 anos, hoje estudante de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. “Não tinha certeza se era mesmo isso o que eu queria. Uma repórter apresentou todas as redações do Grupo Folha e eu pude ter uma noção do que era a profissão.” Todos os alunos devem compartilhar em sala de aula as expectativas que tinham e sua avaliação pessoal sobre a profissão. A idéia é relativizar encantamentos ou desapontamento excessivos. “O aluno pode ter visitado o local em um dia atípico e tirado conclusões precipitadas”, explica Meller. “Compartilhando, ele poderá construir o seu projeto em terreno mais seguro. Poderá até fazer um planejamento de médio e longo prazo, e sem fantasias.” Processo de facilitação de uma escolha necessariamente difícil, a nova orientação profissional se baseia não apenas em informação, mas também na idéia de desvendar os aspectos não explicitados que influenciam a escolha de uma carreira. Um dos principais são as expectativas dos pais e seus conceitos e preconceitos sobre o mundo do trabalho (leia o artigo O Papel dos pais à página 8). Outro são os mitos e idealizações que se interpõem entre o jovem e uma escolha realista. Entre eles, inclui-se a noção de que é preciso evitar profissões supostamente “saturadas” e preferir sua contrapartida – as ocupações “da moda”. Em um mercado dinâmico como o atual, afirma Sílvio Bock, esses cenários se alteram rapidamente. Outros mitos clássicos são as visões românticas e idealizadas de determinadas profissões. Medicina e direito são tidas como heróicas; novas carreiras, como moda e turismo, são vistas como trampolins para uma vida de glamour e aventura. Para chegar a uma escolha sustentável, o jovem precisa entender que, para além da aspiração que as motiva, as profissões são feitas de um dia-adia com regras e limites: o advogado tem de adaptar às leis, o médico, às regras dos planos de saúde etc. Visitas a ambientes de trabalho e palestras de profissionais são a forma encontrada por várias escolas privadas de ensino médio em São Paulo para proporcionar a seus alunos um vislumbre do mundo real do trabalho. 7 O PAPEL DOS PAIS PARA AJUDAR O FILHO NA ESCOLHA DE UMA CARREIRA, PAIS DEVEM QUESTIONAR A ATUALIDADE DE SUAS IDÉIAS SOBRE O MERCADO DE TRABALHO. POR _ MARIA LUIZA DIAS GARCIA* O conceito de vocação carrega sempre a idéia de que existe um dom com o qual nascemos, ou um atributo que constituímos, mas do qual não podemos nos evadir. Ao contrário, acredito que nossos interesses são fruto da nossa relação psicodinâmica com as experiências que temos no mundo e que, por isso, podemos desenvolver habilidades que no momento não possuímos. À medida em que esta visão biológica dos motivos para a escolha de uma profissão foi sendo substituída por outra, de natureza cultural e psicológica, novas teorias transformaram, também, nossa compreensão da orientação profissional. Indivíduo e sociedade são agora vistos em constante transformação, e o sujeito em orientação passou a ser focalizado dentro de um continuum de desenvolvimento. Essas novas tendências ampliaram o universo da escolha profissional para além da busca de informações e do ajuste ao dom. O vínculo que o orientando estabelece com o mundo educacional e ocupacional passou a ser observado dentro de um conjunto de relações mais amplas. O indivíduo é agora concebido como alguém que está incluso num conjunto sistêmico, do qual aspectos variados se inter-relacionam: indivíduo, desenvolvimento psíquico e realidade; imaginário familiar e inserção de classe. Neste artigo analiso aspectos da psicodinâmica familiar implicados num momento de escolha profissional. O processo de socialização dentro da família é o universo de onde provêm as imagens iniciais que colaborarão para a formação das preferências ocupacionais de um jovem. Além disto, os processos afetivos vividos no universo da família podem condicionar o tipo de escolha profissional realizado por seus membros, com suas dúvidas e certezas. FANTASIAS Os pais, em geral, têm opiniões sobre o que seria mais ou menos desejável para seu filho e também uma visão sobre o que ele poderia fazer bem. Mesmo o pai que diz ao filho que o importante é ele ser feliz possui uma visão mais precisa sobre o que seria melhor o filho fazer, ainda que subentendida nesse conceito de felicidade. Os pais preocupam-se com um futuro bem-sucedido e com um trabalho adequadamente remunerado para o filho. São unânimes em afirmar que é preciso ter um bom salário e um bom encaixe no mercado. Desemprego e salários muito baixos surgem 8 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL como grandes fantasmas. Penso ser importante que tais fantasias se explicitem, pois estarão em jogo de qualquer modo. São esporádicas as situações nas quais os pais aberta e conscientemente expõem ou impõem o próprio desejo de destino em relação a seu filho. Muitos pais ainda operam com as representações tradicionais sobre o que seria uma carreira prestigiada e demonstram aberta ou sub-repticiamente suas rejeições por carreiras que, supostamente, remuneram mal. E, usualmente, ainda consideram as profissões clássicas como as mais promissoras: engenharia, medicina e direito, entre outras. Os tempos mudaram algumas coisas. O médico de hoje, por exemplo, raramente ainda é aquele médico da família, que atendia em domicílio e que, estudioso, desfrutava de largo prestígio. A proliferação dos convênios médicos, a constante especialização do trabalho após a industrialização, o arrocho salarial e o desemprego (que tanto contribui para pressionar para baixo o salário dos que conseguem posições) forçaram muitos médicos a acumular empregos e plantões noturnos, o que, mesmo assim, não garante a renda necessária para comprar uma casa própria, por exemplo. DISTORÇÕES Alguns pais não se apercebem de que, no mundo atual, é possível tomar um suco na casa de sucos de um engenheiro, receber cachorro-quente das mãos de um advogado ou comprar um talão de zona azul de uma psicóloga. Apesar de, na maioria das vezes, trabalharem com critérios como remuneração e prestígio, esquecem-se de adequar estas representações ao mercado atual. Não se dão conta, portanto, de que o mundo ocupacional não pode ser rigidamente dividido entre as profissões que dão dinheiro e as que não dão. Atualmente, boas e más colocações distribuem-se pelas diversas áreas de trabalho. Deste modo, algumas concepções dominantes povoam uma certa visão sobre as profissões. Se um jovem interessa-se por música, freqüentemente isto pode ser visto como uma motivação de adolescente, que só pensa em rock, e não como um verdadeiro interesse pela área, que pode ser canalizado para ocupações como montar uma escola de música, lecionar, ou tocar no saguão VIP do aeroporto, entre outras. Em geral, o mesmo ocorre com o jovem que se interessa por teatro ou pela carreira de modelo. Muitos enfrentam, além da descrença dos pais em relação à possibilidade de se realizarem nessas profissões, temores de que elas os exponham a influências “negativas”, ao homossexualismo ou às drogas, por exemplo. PRECONCEITOS E CONFLITOS Muitos pais expressam preconceitos e visões estereotipadas sobre determinadas realidades ocupacionais, além de operar com desinformação ou imagens distorcidas delas. Ao focalizar a vida ocupacional de um indivíduo, a orientação profissional muitas vezes terá de se inserir no universo de representações do orientando sobre o mundo do trabalho, assim como no de seu grupo familiar. E, dentro disso, também em sua visão mais geral de mundo, seu modo de dar sentido à vida. A escolha profissional pode também estar enlaçada em conflitos e no modo de operar do grupo familiar como um todo. O estudante mantém-se, por isso, aprisionado a um tipo de escolha na qual ele está mais tentando solucionar conflitos afetivos vividos com os membros da família do que se identificando com o cotidiano do profissional que está escolhendo ser. A opção por uma visão clínica do processo de escolha ocupacional auxilia a compreensão das motivações inconscientes que determinam uma decisão, expondo seus elos com desejos e conflitos. EM FAMÍLIA Concluindo, diria que a forma como os pais dão significado aos elementos da vida ocupacional sempre estará incluída no universo de representações do filho. Em todo processo de orientação profissional pode-se observar como um indivíduo, quando procura escolher uma profissão, está às voltas com as visões e as pressões da família. Esta “cultura” do grupo familiar estará ativa e será internalizada pelo sujeito. Em alguns momentos, a escolha profissional, influenciada pelos dilemas familiares, poderá, mesmo, transformar-se em “sintoma de grupo”, expressão de ansiedades e conflitos compartilhados. Um jovem pode estar obcecado pelo projeto de transformar-se em um médico mais porque deseja curar um familiar de uma doença grave, por exemplo, do que por estar verdadeiramente interessado nas tarefas cotidianas nessa atividade. “MUITOS PAIS AINDA OPERAM COM REPRESENTAÇÕES TRADICIONAIS SOBRE O QUE SERIA UMA CARREIRA PRESTIGIADA E DEMONSTRAM, ABERTAMENTE OU NÃO, SUAS REJEIÇÕES POR AQUELAS CARREIRAS QUE, SUPOSTAMENTE, REMUNERAM MAL.” Maria Luiza Dias Garcia, psicóloga e orientadora profissional Cabe ao orientador profissional, juntamente com o orientando, focalizar essa rede de significações subjacentes ao seu processo de realizar escolhas e não escolhas, além dos conflitos e ansiedades ocultos em suas preferências e rejeições. A participação da família na orientação pode ser de enorme auxílio, ajudando a focalizar aspectos conflitivos vinculados à opção por uma ocupação e a compreender as ansiedades do orientando em relação ao seu grupo social. * Maria Luiza Dias Garcia é psicóloga, graduada em Ciências Sociais, mestre em Antropologia pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e doutora pela USP (Universidade de São Paulo). É autora dos livros O que é psicoterapia de família? (Brasiliense), Vivendo em família: relações de afeto e conflito (Moderna) e Profissão: no rumo da vida (Ática). É coautora de A escolha profissional em questão (Casa do Psicólogo). Coordena os serviços de orientação profissional do Instituto Pieron e da Clínica Laços. 9 NOVOS PARADIGMAS UNIVERSIDADES DISCUTEM MUDANÇAS DE CURRÍCULO QUE RELATIVIZEM A OBRIGATORIEDADE DE ESCOLHAS DEFINITIVAS, DIZ O FILÓSOFO MARIO SERGIO CORTELLA. POR _ MÁRCIO FERRARI 10 ENTREVISTA 11 A escolha profissional não só está cercada de incertezas, como os pais e o próprio sistema escolar nem sempre estão preparados para entendê-la e para orientar os jovens em suas opções. Mas isso está mudando. Há escolas que chamam as famílias para “educá-las” sobre o assunto e as universidades discutem mudanças de currículo que relativizem a obrigatoriedade de escolhas definitivas. É o que informa na entrevista a seguir o filósofo Mario Sergio Cortella, professor de pós-graduação em Educação da PUC-SP (Pontífica Universidade Católica de São Paulo), ex-secretário de Educação da capital paulista e autor de livros como Não nascemos prontos! Provocações filosóficas (Editora Vozes). Segundo ele, não são apenas a mudança no mercado e a multiplicação dos cursos superiores que tornam a escolha de uma carreira algo complexo. “A questão profissional passou a ser encarada como uma fonte de realização e não apenas de sustento”, afirma. “Passou-se a falar de emprego como geração de renda e de trabalho como oportunidade de prazer. A inclusão da palavra felicidade na questão da escolha profissional desorientou pais e mães.” Passou-se a falar de emprego como geração de renda e de trabalho como oportunidade de prazer. A inclusão da palavra felicidade na questão da escolha profissional desorientou pais e mães. O senhor vê um aumento da preocupação dos pais com a futura carreira dos filhos? Sim, bastante. Hoje se perdeu o caminho unidirecional que havia 20 anos atrás. Naquele tempo se escolhia uma profissão e a carreira era uma decorrência. Profissão era uma decisão sem volta, tal qual o casamento no altar católico. Tanto que quem a deixasse era olhado tão estranhamente quanto quem se divorciava ou mudava de religião. Isso acabou, mas os pais dos jovens de hoje ainda seguem a lógica de quando eles eram os filhos. Temem as possibilidades, que realmente existem agora, de que profissão e carreira sejam complementares e mutantes. Pode-se fazer graduação em engenharia com uma pós-graduação em psicologia, por exemplo. O mercado de trabalho não mede mais a confiabilidade de um empregado pelo tempo em que ele permanece no mesmo emprego. “HÁ 20 ANOS, A ESCOLHA DA Como o próprio mercado mudou nesse período? Ele sofreu uma aceleração tecnológica. Há uma maior velocidade dos processos do cotidiano e da geração de conhecimentos. Os pais de hoje, especialmente, assistiram a um impressionante adensamento das concentrações urbanas. Junto com isso, ocorreu uma multiplicação dos cursos superiores, respondendo a uma necessidade de trabalhar com diferenciais para suprir um mercado de trabalho que se torna mais intrincado. Finalmente, a questão profissional passou a ser encarada como uma fonte de realização e não apenas de sustento. O que era uma necessidade social ganhou uma dimensão pessoal. 12 ENTREVISTA A pressão dos pais e da sociedade não acabam gerando uma inquietação precoce nas crianças? Há um certo exagero das famílias em apressar uma escolha profissional em direção a uma carreira. Algumas lotam os filhos de cursos e atividades, com agendas mais inchadas do que a de um executivo. Preparar para o futuro muitas vezes é uma ilusão. Por exemplo: estamos completando uma década desde o advento da ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado. Quem está hoje iniciando sua escolarização formal nasceu não só depois da experiência, mas depois da própria morte da Dolly. Na época não havia MP3, iPod e outras alterações tecnológicas imprevisíveis, que desafiam a idéia de preparar para o mercado. Preocupar-se excessivamente com isso só aumenta o risco de traumatizar as crianças. PROFISSÃO ERA UMA DECISÃO seguir aquela carreira? Poucas décadas atrás, a vida das pessoas era dividida em três fases: até os 25 anos se dava a preparação, daí aos 50 era uma fase de sedimentação, dos 50 aos 75 passava-se por um período de acomodação e aposentadoria. Tudo isso mudou. A vida se estendeu mais e a infância também. Até os 30 as pessoas são consideradas jovens. O período de sedimentação vai até os 60 e o último, dos 60 aos 90. Então, houve uma alteração de paradigmas. Os pais muitas vezes não percebem que isso aumenta a incerteza. Tudo é muito provisório e passageiro. São cada vez mais viáveis as possibilidades de fazer um curso e trancar, cursar duas faculdades concomitantemente, parar uma faculdade para trabalhar etc. Há até carreiras para as quais fazer um curso superior é irrelevante. O dinamismo do mercado não acaba gerando uma pressão para que o jovem “não perca tempo”? Algo que a maioria dos pais tem dificuldade de encarar é se um filho escolhe abandonar um curso ou não fazer curso nenhum e aproveitar o tempo para outros projetos. Não se deve confundir ócio com desocupação. Ócio é uma possibilidade de escolha, um presente. Vagabundagem é um vício. Mas a percepção de que as famílias não estão preparadas para as mudanças no mundo do tra- balho começa a se disseminar. São promovidos encontros e eventos para elas nas escolas, porque, além de educar os filhos, é possível educar os pais. Se o mercado de trabalho é cada vez mais mutante e as escolhas não são definitivas, o sistema educacional não caminha na contramão? O ensino superior ainda se guia pela criação de rotas que pretendem ser exclusivas. Mas já há uma rediscussão curricular em algumas universidades brasileiras. Os primeiros anos da área de humanidades, por exemplo, seriam reservados para uma formação mais geral, com um perfil pluralista, trabalhando por grandes áreas. As disciplinas específicas ficariam para uma segunda fase. A União Européia vem debatendo a Declaração de Bolonha, assinada pelos ministros da Educação dos países-membros, que propõe uma nova estrutura para os cursos universitários, com três anos para grandes temas, dois de mestrado e mais três de doutorado. Será possível fazer uma tese que não tenha a ver com a capacitação, por exemplo. Isso já é uma manifestação de um perfil diferente de formação. É bem verdade que ela se dá num contexto distinto do nosso. Lá há mais vagas do que alunos e os cursos precisam se tornar mais atrativos para o jovem. Quem sabe no futuro a gente venha a ter esse doce problema. SEM VOLTA, TAL QUAL O CASAMENTO CATÓLICO. ISSO ACABOU, MAS OS PAIS DOS JOVENS DE HOJE AINDA SEGUEM A LÓGICA DE QUANDO ELES ERAM OS FILHOS.” Mario Sergio Cortella, filósofo A escolha da carreira com 16 ou 17 anos é justa? É discutível supor que alguém possa fazer uma escolha totalmente consciente nessa idade. Profissão é uma opção de curso, mas carreira é um imenso horizonte pela frente. Afinal, o que deseja um jovem? Tudo e muitas coisas. Se ele escolhe medicina, optou por uma profissão que continua sendo muito determinada. Mas administração e até engenharia tornaram-se multifacetadas. Pais e mães devem dialogar com os filhos pensando nisso. Independentemente da escolha, o que realmente importa é ter uma formação humanista sólida. O senhor acha possível um jovem universitário tirar bom proveito do curso sem necessariamente 13 MITOS E VERDADES O FANTASMA DA ESCOLHA IRREVERSÍVEL, O MEDO DE ERRAR E A SUPERVALORIZAÇÃO DE PROFISSÕES TIDAS COMO PROMISSORAS SÃO ALGUNS DOS MITOS QUE GERAM ANGÚSTIA NA HORA DO VESTIBULAR. POR_RODRIGO MARTINS 14 MITOS E VERDADES 15 Um extenso rol de angústias cerca a escolha de um curso universitário pelos estudantes que chegam ao fim do ensino médio. O medo de errar, condenandose a uma escolha aprisionante ou a uma carreira que não satisfaça, é, talvez, o principal temor vivido por quem tem de optar por uma área de graduação. A ele, soma-se a multiplicação das possibilidades oferecidas hoje pelas instituições públicas e privadas de ensino superior: mais do que um alento, o grande número de cursos é um fator a mais de indecisão. Também gera angústia a dúvida quanto ao critério a adotar na hora da escolha: deve-se optar por uma carreira supostamente “em ascensão”, mesmo que ela implique em uma atividade com a qual o estudante não se identifica? Ou, ao contrário, a aptidão deve pesar mais, sobretudo em um cenário concorrido e volátil, que cria e descontinua, valoriza e desvaloriza funções rapidamente? Em apenas uma das comunidades sobre vestibular que estão ativas no Orkut, o pioneiro site de relacionamentos do Google, mais de 29,6 mil jovens compartilham suas angústias em relação ao vestibular, à escolha de uma carreira e a seu futuro profissional em fóruns de discussão. A indecisão entre cursos de áreas diferentes e às vezes conflitantes, o medo de escolher uma profissão muito concorrida no mercado de trabalho e a preocupação em passar nos testes de admissão das universidades estão no topo das preocupações. PONTO DE PARTIDA O contraste entre a importância da escolha de um curso superior e a idade em que é feita – normalmente, em torno dos 17 anos – está na base de toda a angústia ligada ao momento do vestibular. Há quem discorde. “É uma falácia dizer que o jovem não está preparado para decidir. Se a maturidade fosse o único parâmetro, deveríamos escolher nossa profissão aos 65 anos”, brinca o pedagogo Sílvio Bock, especialista em orientação vocacional. De acordo com o pedagogo, embora o momento do vestibular deva ser encarado com seriedade – por envolver uma escolha necessariamente difícil –, boa parte das angústias relacionadas a ele tem origem em mitos que podem e devem ser desfeitos. A inveracidade da noção que equipara uma escolha errada a uma condenação para a vida é atestada por inúmeros casos de profissionais de sucesso que se formaram em uma área e se descobriram em outra. O jovem não deve temer o erro, pois pode mudar sua vida a qualquer momento. “Muita gente acredita que o vestibular irá definir o futuro da pessoa para sempre. Isso não é verdade”, diz Bock. “Essa é uma decisão importante, mas ela define somente a próxima experiência da vida.” O educador ressalta que, durante toda a trajetória profissional, qualquer pessoa precisa fazer escolhas e reorientar a própria carreira. “A vida é uma sucessão de primeiros passos. O vestibulando não escolhe ponto final, e sim o ponto de partida.” 16 MITOS E VERDADES CARREIRAS SOMADAS Corrigir a rota em caso de escolha errada não apenas é possível, como frequentemente a experiência no curso rejeitado poderá constituir-se, a médio prazo, em um enriquecimento no currículo do estudante. Conciliar interesses por áreas muito diversas é outra suposta impossibilidade que faz sofrer muitos estudantes às vésperas do vestibular. Em vez de gerar angústia, o fato de haver interesse e habilidades compatíveis com diferentes profissões pode originar um projeto viável de formações combinadas. “O indivíduo possui muitas competências e pode demonstrar isso em diferentes áreas de atuação”, explica a psicóloga Maria Luiza Dias Garcia, especialista em orientação profissional. Eduardo Morales, 17 anos, é um exemplo. Ele prestou o vestibular este ano pela segunda vez. Na primeira, não conseguiu passar no curso de engenharia da Universidade de São Paulo, mas foi aprovado na segunda opção, matemática aplicada. “Hoje, faço o curso no período da manhã e, à tarde, venho para as aulas do cursinho”, conta o estudante, que não desistiu do sonho de se tornar engenheiro nem deixou de ter suas dúvidas sobre o futuro. “Gostaria de fazer duas faculdades. Depois de terminar o curso de engenharia, quero fazer ciências biológicas”, empolga-se. Naíma Alves de Almeida, 20 anos, é um caso parecido. No último ano da graduação em design do Centro Universitário Senac, desde o primeiro semestre ela realiza trabalhos de design como freelancer. “Mas depois passei a trabalhar como assistente de produção musical”, explica, garantindo que é perfeitamente possível conciliar as duas carreiras. “Por atuar no universo musical, recebi uma porção de convites para criar capas e encartes de CDs de bandas independentes.” Ainda assim, Maria Luiza adverte: nem todos os desejos podem ser contemplados. “Escolher implica viver perdas. O dia tem apenas 24 horas e o estudante terá de começar por algum caminho. Outros podem se perder definitivamente, porque não são conciliáveis. Ao escolher, não deixamos para trás apenas aquilo que não valorizamos.” universitário Jarbas Novelino Barato, autor do livro Educação profissional: saberes do ócio ou saberes do trabalho? (Editora Senac São Paulo). “A escolha deve ser por um curso em que o estudante se sinta à vontade, sem uma expectativa muito grande sobre o futuro profissional. Lá na frente, o ingresso no mercado de trabalho é difícil para todos. Mesmo em áreas clássicas, como medicina, as possibilidades de sucesso estão cada vez mais restritas”, avalia. A tradutora Priscilla Ribeiro Dossis, 26 anos, demorou algum tempo para decidir-se a seguir as próprias afinidades. Depois de concluir o colégio, aos 17 anos, iniciou uma graduação em biologia. Por pressão da família, desistiu do curso. “Tinha planos de trabalhar em projetos de preservação ambiental, mas meu pai, que é advogado, insistiu para que eu fizesse o curso de direito.” Prestou o vestibular novamente e fez quatro anos de direito na mesma instituição. “De todas as matérias, só me identificava com filosofia. Por isso abandonei o curso.” Agora, diz não dar mais ouvidos aos que torciam por sua carreira na advocacia. Optou pela filosofia e se prepara para o vestibular. “Sei que o reconhecimento é menor e a remuneração também. Mas decidi priorizar meus próprios interesses”, conta. “MUITA GENTE ACREDITA QUE O VESTIBULAR VAI DEFINIR O FUTURO DE UMA PESSOA PARA SEMPRE. ISSO NÃO É VERDADE. ESSA É UMA DECISÃO IMPORTANTE, MAS QUE DEFINE SOMENTE A PRÓXIMA EXPERIÊNCIA. A VIDA É UMA SUCESSÃO DE PRIMEIROS PASSOS. O VESTIBULANDO NÃO ESCOLHE O PONTO FINAL, E SIM O PONTO DE PARTIDA.” Sílvio Bock, pedagogo e especialista em orientação profissional IDENTIFICAR-SE É PRECISO Outra angústia comum a quem escolhe um curso universitário nasce da dificuldade de estabelecer se é mais importante privilegiar na decisão o interesse pessoal ou os rumos para os quais o mercado aponta. Para os especialistas, o primeiro critério é definitivamente mais confiável do que o segundo. Ou seja: não adianta o estudante escolher um curso do qual não gosta, pensando apenas na remuneração futura. “Todas as carreiras de nível superior têm cargos de elite, com bons salários. E a pessoa que gosta do que faz tem mais chances de conquistar esses postos”, explica Sílvio Bock. A excessiva preocupação com a receptividade do mercado gera um sofrimento inútil, concorda o professor 17 RACIOCÍNIO E ARTICULAÇÃO CADA VEZ MAIS OS VESTIBULARES AVALIAM A CAPACIDADE DO CANDIDATO DE RELACIONAR CONTEÚDOS APREENDIDOS E DADOS DE REALIDADE. POR _ MÁRCIO FERRARI Elaborar e avaliar exames vestibulares envolvem uma grande responsabilidade. Rito de passagem na história pessoal de boa parte dos jovens brasileiros, a prova também influi diretamente na definição dos futuros quadros produtivos, tanto material quanto intelectualmente. O mais concorrido dos exames, da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que seleciona candidatos às faculdades da USP (Universidade de São Paulo), recebe anualmente cerca de 170 mil inscrições para pouco mais de 10 mil vagas disponíveis. Para dar conta de classificar e selecionar todas essas pessoas criou-se uma estrutura em funcionamento praticamente durante o ano todo. O know how adquirido vem atraindo a atenção de outros países, entre eles a China, com seu 1,3 bilhão de habitantes. O grande desafio é definir os critérios dessa “grande peneira”, na expressão da vice-diretora da Fuvest, Maria Teresa Fraga Rocco. Tanto ela quanto a coordenadorageral do vestibular da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Ana Zilocchi, concordam que o exame precisa ser antes de mais nada um dispositivo de medida da formação adquirida no ensino médio. É isso que determina a organização das provas em disciplinas correspondentes às do currículo do curso secundário. A grande exceção a essa correspondência direta, nos dois vestibulares, é a prova de redação. “É fundamental dominar o instrumento que é a língua escrita”, diz Maria Teresa. “Os critérios de avaliação não exigem nada que seja purista, como ênfase nas questões vernaculares, mas os candidatos têm de demonstrar que conhecem a mecânica da língua e saber manejá-la de modo funcional.” A primeira questão levada em conta pelas bancas de correção das provas é se o vestibulando compreende e obedece o gênero proposto – em geral, pede-se uma dissertação. Outro critério é a capacidade de se fazer entender. Ana Zilocchi, da PUC, ressalta ainda a valorização do espírito crítico que os candidatos revelam em seus textos. todos os candidatos, tanto na primeira fase, constituída de testes de múltipla escolha, como na segunda, com questões discursivas. Mas os elaboradores da prova concluíram que não se ganhava muita coisa, em termos de precisão avaliadora, nessa repetição. Por isso hoje apenas a primeira fase compreende todas as matérias. A segunda depende da carreira escolhida: quem se candidata à faculdade de engenharia, por exemplo, responde apenas questões de matemática, física e química. A prova de redação, entretanto, é para todos. “Não é que não seja importante estar familiarizado com assuntos amplos, mas em cada área é preciso concentrar esforços em certos conhecimentos”, diz Maria Teresa. 18 MITOS E VERDADES “OS CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO NÃO EXIGEM NADA QUE SEJA PURISTA, COMO ÊNFASE NAS QUESTÕES VERNACULARES. MAS OS CANDIDATOS TÊM DE DEMONSTRAR QUE CONHECEM A MECÂNICA DA LÍNGUA E SABER MANEJÁ-LA DE MODO FUNCIONAL.” Maria Teresa Fraga Rocco, vice-diretora da Fuvest SENAC TEM EXAME EXCLUSIVO FORMAÇÃO GERAL Uma diferença básica entre os vestibulares das duas universidades paulistas é que o da Fuvest investe numa certa especificidade de conhecimentos dependendo da carreira escolhida, enquanto o da PUC é unificado para todos. “O objetivo da PUC é avaliar a formação geral do candidato, por isso não são feitas exigências diversificadoras”, diz Ana Zilocchi. Até 1995, o exame da Fuvest também consistia de provas de todas as disciplinas para de de sua memória. O interesse é por raciocínio e lógica. Além disso, seguindo a filosofia da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, a Fuvest procura investir na interdisciplinaridade, o que significa buscar conexões entre diversos conteúdos e ampliar horizontes. As questões de literatura, por exemplo, abrangem várias obras e, segundo Maria Teresa, é preciso lê-las todas para saber responder às questões. “Não adianta ler resumo”, afirma. Além de avaliar e selecionar, os exames vestibulares têm outras ressonâncias indiretas. Fala-se muito em mudanças no mercado de trabalho que exigiriam novas habilidades e competências dos jovens, mas os autores das provas não consideram prudente guiar-se por esse tipo de impressão, mesmo que ela seja fundamentada em dados concretos. “Não é nossa função e nós também não teríamos condições de conhecer a fundo o mercado de trabalho”, diz Maria Teresa. O que se pode fazer é manter um diálogo com a realidade em termos gerais. “As provas elaboradas pela PUC são atuais e voltadas para o estudante”, resume Ana Zilocchi. QUESTÃO DE LÓGICA Aferir conhecimentos não significa pedir dos candidatos cultura enciclopédica. É mais importante – e também mais difícil de mensurar – a capacidade de entender, aplicar e relacionar informações. “Não queremos que o candidato devolva conteúdos aprendidos”, diz Maria Teresa. Os autores das provas evitam ao máximo pedir do vestibulando um desempenho que dependa da qualida- Uma mudança importante marca o vestibular do Centro Universitário Senac a partir de 2006. Antes vinculada ao processo seletivo unificado da PUC, a instituição tem agora um exame seletivo exclusivo, desenvolvido pela Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista (Vunesp). O objetivo da mudança é personalizar cada vez mais o processo seletivo. “Os vestibulares exclusivos buscam aproximar o exame do perfil da escola”, diz Rosa Maria Condini, técnica de gestão de concursos e vestibulares da Vunesp. Criada em 1979 para implementar o processo seletivo da Unesp, a Fundação responde hoje pelo conteúdo dos vestibulares das universidades federais de São Paulo, de São Carlos, do Triângulo Mineiro e do ABC e das Escolas Técnicas Federais (EFT), entre outras instituições de ensino superior. O novo processo seletivo traz vantagens para os candidatos aos cursos do Centro Universitário Senac, que poderão fazer suas provas nos campi da instituição (Santo Amato, na capital, Campos do Jordão e Águas de São Pedro). Tem apenas uma fase, composta por duas provas: a primeira de múltipla escolha, a segunda dissertativa, com redação. As provas são as mesmas para os candidatos a todos os cursos do Centro Universitário Senac, sem exigências diversificadoras. Segundo a professora Rosa Maria, como em todos os exames seletivos desenvolvidos pela Fundação, o principal objetivo das provas criadas pela Vunesp para o Centro Universitário Senac não é avaliar os conhecimentos adquiridos durante o ensino médio, mas sim a formação geral do candidato, com ênfase em sua capacidade de articular os conteúdos escolares e de relacioná-los ao que apreende da realidade à sua volta. As provas testam a capacidade de análise, o raciocínio e pensamento crítico. “Nós não indicamos uma lista de livros a ser lidos, como faz, por exemplo, a Fuvest”, explica a professora. “Esperamos que nosso aluno saiba identificar uma corrente literária a partir do conhecimento que adquiriu no ensino médio e de sua capacidade de interpretar o texto.” Coerência, capacidade de ater-se a um tema e conhecimento da língua culta serão alguns dos critérios utilizados na avaliação da redação que integra o exame, segundo Rosa Maria. A especial atenção dedicada às redações – que são avaliadas por dois professores e revistas por um terceiro sempre que há discrepância sensível entre as notas concedidas na primeira instância – dá a medida da importância da performance do aluno nesse item do vestibular. A Fuvest, que atribui peso especial à capacidade de seu candidato de articular a língua escrita, mantém sistema semelhante: se a diferença de notas entre os examinadores de uma redação chega a 2,5 pontos, auditores reavaliam a redação. Leia mais sobre os cursos de graduação e tecnologia oferecidos pelo Senac São Paulo na próxima reportagem desta revista, Formação inovadora. 19 FORMAÇÃO INOVADORA ANTECIPAR-SE ÀS MUDANÇAS DO MERCADO E GARANTIR A FORMAÇÃO MAIS ADEQUADA AO MUNDO CONTEMPORÂNEO DO TRABALHO SÃO DESAFIOS PERMANENTES PARA O CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC. CONHEÇA OS CURSOS DE GRADUAÇÃO OFERECIDOS NOS PROCESSOS SELETIVOS SEMESTRAIS E A METODOLOGIA QUE ESTIMULA O ALUNO A BUSCAR INOVAÇÃO EM CADA UM DELES. POR _ GIULIANA CAPELLO 20 VESTIBULAR Currículos equilibrados, estrutura invejável de laboratórios, oficinas e ambientes de aprendizado prático, consultoria de figuras de destaque em cada área e propostas metodológicas inovadoras – com mecanismos como as empresas juniores, nas quais o aluno experimenta o exercício real da profissão escolhida. Eis como as coordenações dos cursos superiores do Centro Universitário Senac têm enfrentado o desafio de antecipar-se às mudanças do mercado e garantir a seus alunos a formação mais adequada ao mundo do trabalho. Os resultados indicam que o esforço segue no rumo certo. De acordo com o Diretor de Graduação Eduardo Ehlers, 80 % dos egressos do Centro Universitário Senac estão trabalhando nas áreas em que se formaram. O índice chega a 100 % em Ciências da Computação e a 91,5% em moda. Com 15 anos de atuação no segmento da educação superior, o Senac São Paulo passou por rigorosa avaliação do Ministério da Educação antes de conquistar, em 2004, o direito de constituir seu Centro Universitário, que integra os campi de Santo Amaro (capital), Águas de São Pedro e Campos do Jordão. Novos índices atestam a qualidade do ensino superior desenvolvido pela instituição. Em 2006, o curso de Tecnologia em Gastronomia (Campus Santo Amaro) conquistou nota máxima junto ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao MEC. No Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2005, Bacharelado em Ciência da Computação obteve o melhor resultado entre as instituições particulares brasileiras: nota 4, numa escala de 1 a 5. O Centro Universitário Senac oferece formação superior nas áreas de tecnologia, comunicação, arte, design, educação, gastronomia, meio ambiente, turismo, hotelaria e moda. A maioria dos cursos tem duração de quatro anos e dá ao aluno o título de bacharel. Mas há também os que formam tecnólogos, com duração de dois anos. Para saber qual é o mais indicado, é preciso considerar a urgência em entrar no mercado e os objetivos em relação à profissão escolhida. Os cursos de tecnologia atendem o aluno que tem interesse em adquirir ferramentas e competências mais específicas para o exercício de uma determinada profissão. Já os bacharelados oferecem um conjunto mais amplo de conhecimentos, formando profissionais para ocupar diferentes posições na área escolhida. Ambas as opções possibilitam a continuidade dos estudos numa pós-graduação. Conheça, a seguir, os cursos superiores oferecidos pelo Centro Universitário Senac. 21 BACHARELADO EM DESIGN HABILITAÇÃO EM COMUNICAÇÃO VISUAL O CURSO: a gradução em design forma profissionais com domínio dos meios tecnológicos e conhecimento sólido de cultura contemporânea, linguagem visual e estética. Esta habilitação prepara para as áreas de concepção e produção gráfica e programação visual. METODOLOGIA: a estrutura curricular flexível inclui projetos, grupos de estudo e atividades complementares. O aluno é estimulado a desenvolver aplicativos e produtos que conciliem design e experimentação de novas linguagens. A estrutura inclui laboratórios de computação gráfica e animação, ilhas de edição não-linear e de pós-produção, ateliês, oficinas e espaços para exposições. HABILITA PARA TRABALHAR EM: editoras, escritórios de design gráfico, produtoras de eventos culturais, estúdios de criação, agências de publicidade e marketing, órgãos da imprensa, publicações, ONGs. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA, LEIA: Os desafios do designer & outros textos sobre design gráfico, de Chico Homem de Mello (Editora Rosari). 22 BACHARELADO EM DESIGN HABILITAÇÃO EM INTERFACE DIGITAL O CURSO: forma designers com domínio dos meios tecnológicos e conhecimento sólido de cultura contemporânea, linguagem visual e estética. Esta habilitação prepara para o desenvolvimento de produtos e serviços que afetem positivamente as relações entre homem, objetos e espaço. METODOLOGIA: o currículo flexível inclui projetos, grupos de estudo e atividades complementares. O aluno é estimulado a desenvolver aplicativos e produtos que conciliem design e experimentação de linguagens. Conta com laboratórios, ilhas de edição, ateliês, oficinas e espaços para exposições. HABILITA PARA TRABALHAR EM: indústrias, terceiro setor, pesquisa. TENDÊNCIA: o mercado tem absorvido designers industriais com certa facilidade. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA, LEIA: Design industrial, de Tomás Maldonado (Edições 70). O CURSO: forma designers habilitados para trabalhar com interfaces digitais, que envolvem os conceitos de mídia, arte, design, interatividade, comunicação e entretenimento. METODOLOGIA: o currículo flexível inclui projetos, grupos de estudo e atividades complementares. O aluno é estimulado a desenvolver aplicativos e produtos que conciliem design e experimentação de novas linguagens. A estrutura inclui laboratórios, ilhas de edição, ateliês, oficinas e espaços para exposições. HABILITA PARA TRABALHAR EM: emissoras, produtoras de cinema, TV e eventos culturais, estúdios de criação, agências de publicidade e empresas que desenvolvam projetos em comunicação digital, interfaces experimentais e aplicativos alternativos. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA, LEIA: Design: do material ao digital, de Gui Bonsiepe (FIESC/IEL). VESTIBULAR FOTOS: HENK NIEMAN (À DIR., ABAIXO)E ACERVO SENAC (DEMAIS FOTOS) BACHARELADO EM DESIGN HABILITAÇÃO EM DESIGN INDUSTRIAL DESIGNER E EMPREENDEDORA “Quando me matriculei no curso não sabia o que ia encontrar pela frente”, diz Ligia Coimbra (à dir.), formada em Design Gráfico, curso que foi reformulado e passou, em 2005, a se chamar Bacharelado de Design com Habilitação em Comunicação Visual. “Mas como gostava muito de desenhar, acreditei que estava no caminho certo.” Já no primeiro ano do curso, fez estágios que foram importantes para o amadurecimento na profissão. Trabalhou com a artista e designer Simone Mattar e participou da criação de campanhas publicitárias para a rede de lojas C&A. No ano passado, deu um salto ao decidir abrir uma empresa própria de prestação de serviço em sua área: entre os clientes que já conquistou, estão a artista plástica Rachel Hoshino e o Centro Cultural Banco do Brasil. “Quero fazer muito mais”, avisa. 23 BACHARELADO EM AUDIOVISUAL O CURSO: está estruturado para oferecer formação teórica e técnica para atuação profissional em mídias como cinema, televisão e vídeo, analógicas ou digitais, interativas ou não, produzindo obras ficcionais, documentais, publicitárias, musicais e de outros gêneros. METODOLOGIA: as disciplinas teóricas incluem história do audiovisual, legislação, mercado, cultura brasileira e filosofia; as atividades práticas acontecem em laboratórios específicos. HABILITA PARA TRABALHAR EM: produção, direção, direção de arte e de fotografia, roteiro, edição de som e de imagem e som direto, entre outras funções, em produtoras de cinema ou vídeo, emissoras de TV e outras empresas de produção audiovisual. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA, LEIA: Teoria Contemporânea do Cinema I e II, de Fernão Ramos (org.); Literatura, Cinema e Televisão, de Tânia Pellegrini, Randal Johnson, Ismail Xavier, Hélio Guimarães e Flávio Aguiar; Enciclopédia do Cinema Brasileiro, de Fernão Ramos; 50 anos – luz, câmera e ação, de Edgar Moura (todos da Editora Senac São Paulo). BACHARELADO EM FOTOGRAFIA O CURSO: forma profissionais preparados para criar, inovar e participar da evolução da fotografia. Os estudantes podem se especializar em retrato, crítica, arquitetura e indústria, processos fotoquímicos, publicidade, arquivo, poéticas fotográficas, fotojornalismo e audiovisual. METODOLOGIA: a grade curricular inclui disciplinas teóricas, como história da arte, da fotografia e da antropologia visual, e experiências práticas, como visitas técnicas e workshops e palestras com profissionais da área. HABILITA PARA TRABALHAR EM: produção, análise e crítica de imagens fotográficas com finalidades profissionais específicas, que incluem de fotos jornalísticas e publicitárias a imagens para arquitetura e análise industrial. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA, LEIA: Rocinha, de André Cypriano; Equipamento fotográfico – teoria e prática, de Thales Trigo; O novo manual de fotografia – guia completo para todos os formatos, de John Hedgecoe (todos da Editora Senac São Paulo). “Quando comecei a faculdade, já tinha feito trabalhos na área e queria me aperfeiçoar, aprender mais sobre as técnicas e a teoria”, conta João Sal (à esq.), formado pela primeira turma de Bacharelado em Fotografia. “Optei pelo Senac depois de checar a estrutura e os equipamentos disponíveis.” João começou trabalhando como free lancer em revistas da Editora Abril e há seis meses fotografa a noite paulistana para a coluna Mônica Bergamo, uma das mais lidas da Folha de S. Paulo. “A faculdade me colocou em contato com muita gente da área. A maioria dos alunos já estava no mercado quando começou o curso.” 24 VESTIBULAR FOTOS: HENK NIEMAN (JOÃO SAL) E ACERVO SENAC (DEMAIS FOTOS) VIDA NOTURNA 25 BACHARELADO EM GESTÃO AMBIENTAL O CURSO: forma um profissional capaz de implantar sistemas de gestão que minimizem impactos negativos sobre o ambiente e otimizem a utilização dos recursos naturais, favorecendo o desenvolvimento sustentável. Trata das tendências em gestão organizacional, respaldadas em compromissos socioambientais. METODOLOGIA: além de propiciar embasamento teórico sólido, privilegia a interdisciplinaridade e as atividades práticas, incluindo visitas técnicas, seminários e atividades de campo e laboratoriais. HABILITA PARA TRABALHAR EM: órgãos do governo, ONGs, indústrias, consultorias, institutos de pesquisa e universidades. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA, LEIA: Sociedade de risco e responsabilidade socioambiental: perspectivas para a educação corporativa, de Jacques Demajorovic (Editora Senac São Paulo). FISCAL DA NATUREZA O plano era formar-se engenheiro e especializar-se na área ambiental. Mas quando estava no segundo ano de engenharia mecânica, Rafael Saghy (à dir.), 23 anos, soube que o Senac São Paulo tinha criado o curso de Bacharelado em Engenharia Ambiental. Não teve dúvidas: deixou a mecânica e entrou na primeira turma do curso. Hoje, estagia no Centro de Apoio Operacional de Urbanismo e Meio Ambiente, do Ministério Público Estadual, integrando uma equipe multidisciplinar de suporte técnico. “Se ocorre um acidente no aterro de resíduos de uma indústria, por exemplo, nós vamos ao local para fazer um laudo técnico que irá mensurar a gravidade do problema e apontar o que a empresa precisa fazer para controlar a contaminação”, conta. Rafael ainda não sabe dizer como se imagina no futuro: “O que me move é uma vontade de mudança, de mostrar porque é necessário preservar o meio ambiente”. BACHARELADO EM ENGENHARIA AMBIENTAL O CURSO: FOTOS: GAL OPPIDO (À ESQ.); HENK NIEMAN (À DIR., ACIMA) E MARCOS ALVES (À DIR., ABAIXO) inovador, prepara engenheiros capacitados para enfrentar os desafios ambientais contemporâneos, diagnosticando problemas e implementando soluções. A profissão, multidisciplinar, pede formação tecnológica e humanística consistentes, além de espírito crítico e empreendedor, habilidade para trabalhar em equipe e adaptabilidade. METODOLOGIA: ao longo do curso de cinco anos, que inclui estágio obrigatório, o aluno é estimulado a superar desafios cada vez mais complexos, envolvendo aspectos técnicos e variáveis sociais, políticas e culturais. HABILITA PARA TRABALHAR EM: empresas, ONGs e entidades responsáveis por políticas públicas de meio ambiente. TENDÊNCIA: o mercado tem acolhido bem os pioneiros na profissão, regulamentada há pouco. 26 VESTIBULAR 27 TECNOLOGIA EM HOTELARIA O CURSO: reúne conhecimentos teóricos e técnicas culinárias que habilitam o aluno a trabalhar na cozinha ou gerenciando empreendimentos do setor de alimentação. Ministrado nos campi de Santo Amaro, Campos do Jordão e Águas de S. Pedro, oferece formação superior em dois anos. A área mantém parceria com o Instituto Paul Bocuse, em Lyon, França. METODOLOGIA: alia conteúdo teórico e prática nas cozinhas pedagógicas, onde o aluno é introduzido às culinárias clássica, internacional e brasileira e à confeitaria. Inclui estágio curricular de 360 horas/aula em empreendimentos que mantêm acordo de cooperação com o Senac São Paulo. HABILITA A TRABALHAR EM: restaurantes, bufês, resorts, parques, empresas de serviços alimentícios, fornecedores de catering, cozinhas hospitalares, assessorias e consultorias gastronômicas. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA, LEIA: Em busca do prato perfeito: um cozinheiro em viagem, de Anthony Bourdain (Companhia das Letras). O CURSO: BACHARELADO EM TURISMO BACHARELADO EM HOTELARIA O CURSO: O CURSO: ao longo de quatro anos, forma um profissional capaz de planejar, gerir e desenvolver serviços e produtos na área do turismo. Também qualifica guias de turismo regional, nacional e para o ecoturismo (turismo de atrativo natural). METODOLOGIA: as disciplinas articulam teoria e prática e correspondem às necessidades reais do setor. O corpo docente é composto por pesquisadores e profissionais da área. No Laboratório Experimental de Turismo, os alunos podem participar de atividades como organização de roteiros turísticos e planejamento de eventos, para vivenciar a prática do setor. HABILITA A TRABALHAR EM: agências de viagem, companhias aéreas, parques temáticos, empresas de eventos e lazer, transportes, hotéis, órgãos públicos, ONGs. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA, LEIA: Turismo básico, de Luis Gonzaga de Godoi Trigo (Editora Senac São Paulo). 28 VESTIBULAR prepara profissionais capazes de planejar e operar espaços, equipes e atividades no setor de hospitalidade. Após o segundo e o terceiro períodos, o aluno pode obter certificações intermediárias em Supervisor de Operações e Assistente de Gerente, respectivamente. Curso de formação superior, com dois anos. METODOLOGIA: as aulas, teóricas e práticas, acontecem em todas as áreas operacionais e administrativas dos hotéis-escola do Senac São Paulo. Integram a grade curricular aulas nos laboratórios de governança, recepção, cozinha, bar, restaurante e informática. O estágio obrigatório em empreendimentos do setor, de 240 horas, é realizado a partir do terceiro semestre. HABILITA A TRABALHAR EM: cargos de média chefia em hotéis, pousadas, flats, restaurantes, spas, hospitais, clubes, parques temáticos e navios. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA: visite o acervo de hospitalidade da biblioteca do Campus Santo Amaro. forma um profissional capaz de atuar de forma crítica e reflexiva no planejamento estratégico, organização e administração de empreendimentos hoteleiros de qualquer porte. METODOLOGIA: oferece aulas teóricas e atividades práticas nos hotéis-escola do Senac São Paulo e nos laboratórios do Centro Universitário Senac: hospedagem (governança e recepção) e alimentos e bebidas (sala, cozinha pedagógica, bebidas e bar). A inserção no mercado de trabalho é facilitada pelo estágio profissional supervisionado, no qual o aluno vivencia a profissão em empreendimentos do setor por pelo menos 300 horas. HABILITA A TRABALHAR EM: hotéis, empresas de áreas correlatas (gastronomia, lazer e recreação), navios, hospitais, clínicas e spas. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA, LEIA: Administração de sistemas hoteleiros, de Vladir Vieira Duarte (Editora Senac São Paulo). FOTOS: RICARDO SHETTY (À ESQ.), RODOLFO ANCONA (À DIR., ACIMA) E ACERVO PESSOAL (À DIR., ABAIXO) TECNOLOGIA EM GASTRONOMIA HOTEL NA SELVA Quando pôs as mãos em seu diploma de bacharel em Hotelaria, concedido pelo Centro Universitário Senac em 2004, Carolina Moura (à dir.) tinha 23 anos e três estágios no currículo. O primeiro foi no Hotel Meliá, em São Paulo. No segundo, trabalhou num restaurante da Disney World, nos Estados Unidos. Por último, estagiou no Ariaú Amazon Towers, na selva amazônica. Daí para o posto de gerente comercial do Juma Lodge, hotel de selva situado a 100 km ao sul de Manaus, foi um pulo. “São três horas de barco só para chegar”, conta Carolina, que vive em Manaus, entusiasmada. “Para mim, está sendo uma chance incrível de crescer. Em São Paulo a concorrência é muito grande. Aqui meu diploma é mais valorizado porque há menos profissionais qualificados.” 29 BACHARELADO EM DESIGN DE MODA HABILITAÇÃO EM MODELAGEM O CURSO: o designer de moda com habilitação em modelagem pode atuar como modelista, além de planejar e gerenciar processos de fabricação em série, coordenar equipes e supervisionar materiais. O convênio com a Esmod Internacional, tradicional escola de modelagem francesa, confere ao curso importante diferencial. Bacharelado em Design de Moda conta com a direção artística do estilista Alexandre Herchcovitch. METODOLOGIA: envolve aulas de história da moda, história do design e ciências humanas, além de aulas teórico-práticas de costura, moulage, desenho técnico e de observação, tecnologia têxtil e produção de eventos de moda, entre outras. Inclui estágio supervisionado de 200 horas em empresas da área de moda. HABILITA PARA TRABALHAR EM : diversos segmentos da produção do vestuário, como modelista, gerente de produto, supervisor de produção, consultor de qualidade e costureiro, além de criador de produtos de moda. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA, LEIA: Fashion Design - Manual do estilista, de Sue Jenky Jones (Cosac Naify). ROUPA DE CENA Trabalhar com as mãos sempre foi a paixão de Tatiana Haumholter (abaixo), formada em Design de Moda com habilitação em Estilismo. Ainda na faculdade, ela foi assistente de estilo de Walter Rodrigues e passou pelo Centro de Pesquisa Teatral, do conceituado encenador Antunes Filho. Formada em 2005, criou com duas amigas um núcleo de figurino e cenografia para eventos e teatro. Entre os trabalhos do grupo estão os cenários de A Pedra do Reino, montagem de Antunes Filho baseada em Ariano Suassuna. A faculdade teve papel importante na confirmação do rumo profissional a seguir. “Estar no Senac só me fez ter certeza de que tinha escolhido o caminho certo”, conta Tatiana. BACHARELADO EM DESIGN DE MODA: HABILITAÇÃO EM ESTILISMO MODELAGEM FASHION forma profissionais para desenvolver coleções, modelos, estampas e acessórios de vestuário; analisar as necessidades do mercado e os movimentos da moda; formatar produtos; criar soluções técnicas; definir custos; desenvolver protótipos (em parceria com o modelista); e responsabilizar-se pelo sucesso de uma grife, imagem ou produto. METODOLOGIA: a estrutura curricular é composta por disciplinas teóricas (história da moda e do design, comunicação, antropologia, sociologia) e práticas (desenho de moda, planejamento de coleções, laboratório têxtil, oficina de produção, tecnologia têxtil, desenvolvimento de produto de moda, produção de desfile). HABILITA PARA TRABALHAR EM: criação e desenvolvimento de coleções; gerência de produto; ilustração de moda; consultoria de moda; gestão de negócio de moda. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA, LEIA: A costura do invisível, de Jum Nakao; Vítimas da moda, de Guillaume Erner; Acessórios – por que, quando e como usá-los, de Titta Aguiar; A moda e seu papel social, de Diane Crane (todos da Editora Senac São Paulo). 30 VESTIBULAR FOTOS: HENK NIEMAN (TATIANA HAUMHOLTER E ISAURA NORIKO) E ACERVO SENAC (DEMAIS FOTOS) O CURSO: Dois anos de Engenharia e um de Arquitetura deram a Isaura Noriko (acima) a certeza de que adorava desenhar. Mas não necessariamente prédios. “Tanto que desisti deles e fui atrás do sonho de fazer roupas”, conta. Formou-se modelista no Senai e ganhou uma bolsa para estudar alta-costura no Japão. De volta ao Brasil, ingressou no curso de Design de Moda com Habilitação em Modelagem do Senac São Paulo. “Aprendi com professores franceses da Esmod”, diz, orgulhosa. Hoje, modelista conceituada, ela trabalha em um ateliê da capital e atende estilistas de vanguarda como Lorenzo Merlino e o gaúcho Mareu Nitschke. “O Mareu diz que me chama para ajudá-lo em suas peças mais fashion, ou seja, mais elaboradas e sofisticadas. Ele sabe que eu não faço camiseta. O que gosto mesmo é de fazer aquele vestidão.” 31 BACHARELADO EM SISTEMAS DE INFORMAÇÃO O CURSO: forma um profissional capaz de identificar necessidades das organizações na área da tecnologia da informação, e de criar e gerenciar as soluções. Estimula o espírito científico, a conduta ética e o respeito à propriedade intelectual. METODOLOGIA: projetos interdisciplinares integram teoria e prática. O aluno tem acesso ao novo Centro de Inovação, laboratório de tecnologia de ponta montado em parceria com a Microsoft. HABILITA A TRABALHAR EM: desenvolvimento de sistemas informatizados que otimizem o fluxo de informação nas empresas; análise e aperfeiçoamento de sistemas em funcionamento; gerenciamento de equipes; e implantação de planos diretores de automação de processos empresariais. PARA SABER MAIS SOBRE A ÁREA, LEIA: Introdução ilustrada à computação, de Larry Gonick (Editora Harbra) ou O computador criativo, de Donald Michie e Rory Johnston (Editorial Presença). DE TÉCNICO A MESTRE Antes de cursar Bacharelado em Ciências da Computação, Rodrigo Assirati Dias (à dir.) havia feito um curso técnico de processamento de dados e trabalhava em um provedor de Internet. Mas sabia que a falta de um curso superior limitaria sua escalada profissional. “O Senac São Paulo foi minha primeira opção por causa do corpo docente e da estrutura, excepcionais”, conta. Formado, coordena a área de Tecnologia da Informação no Colégio Rainha da Paz, na Vila Madalena, com mais de 1.500 alunos. Além dos laboratórios de informática, cuida dos sistemas contábil e acadêmico dos estudantes, que dispõem de portal on-line para consultar do boletim ao acervo da biblioteca. Para levar seus planos à frente, faz mestrado em bioinformática na USP. “Pretendo seguir carreira como professor”, planeja. BACHARELADO EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO apresenta os fundamentos teóricos e matemáticos da área, complementando-os com conhecimentos tecnológicos e com uma visão humanística e cultural. No Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2005, obteve o melhor resultado entre as instituições particulares brasileiras: nota 4, numa escala de 1 a 5. METODOLOGIA: o objetivo é que o aluno adquira, além das competências e habilidades para atuar no campo, autonomia para responder criativamente à constante transformação das ferramentas. A estrutura inclui o Centro de Inovação, laboratório de tecnologia de ponta recém inaugurado em parceria com a Microsoft. HABILITA A TRABALHAR EM: desenvolvimento, análise, integração, manutenção e gerenciamento de softwares e sistemas; consultorias; cargos técnicos, de projeto, gerência ou direção em empresas e instituições de ensino. TENDÊNCIA: a indústria do entretenimento abre um extenso setor de atividade para quem se forma na área, sobretudo no desenvolvimento de soluções para jogos, cinema e animação. 32 VESTIBULAR FOTOS: HENK NIEMAN (RODRIGO ASSIRATI DIAS) E ACERVO SENAC (DEMAIS FOTOS) O CURSO: VESTIBULAR É SEMESTRAL O Centro Universitário Senac realiza dois processos seletivos por ano, em julho e dezembro. O vestibular acontece nos campi de Santo Amaro (capital), Águas de São Pedro e Campos do Jordão. A prova é elaborada com exclusividade pela Vunesp. Realizada em um dia, é a mesma para todos os candidatos, e envolve questões de múltipla escolha e uma redação. Para saber mais sobre os vestibulares do Centro Universitário Senac, acesse o portal www.sp.senac.br ou ligue para 0800 883 2000. PARA SABER MAIS ACESSE O SITE WWW.SP.SENAC.BR 33 ENTENDA O SENAC O que é o Senac? O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial é uma instituição educacional privada, sem fins lucrativos, que investe seus recursos na qualificação e formação de profissionais para as áreas de comércio e serviços. O que o Senac São Paulo oferece? Cursos livres, técnicos, de extensão, de graduação e pós-graduação (lato sensu e stricto sensu), além de eventos especiais em áreas como Administração e Negócios, Artes Cênicas, Audiovisual, Bem-Estar, Desenvolvimento Social, Design, Educação, Fotografia, Gastronomia, Idiomas e Linguagem, Meio Ambiente, Moda, Produção Cultural, Publicidade e Jornalismo, Saúde, Segurança e Saúde no Trabalho, Tecnologia da Informação, Turismo, Hotelaria, Lazer e Eventos e Visagismo/Beleza. O que é o Centro Universitário Senac? O Centro Universitário Senac foi credenciado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em setembro de 2004. A instituição reúne os campi de Águas de São Pedro, Campos do Jordão e São Paulo (Santo Amaro). Onde estão as unidades do Senac? CAPITAL E GRANDE SÃO PAULO: 24 de Maio (R. 24 de Maio, 208/ 1º e 2º), Consolação (R. Dr. Vila Nova, 228), Francisco Matarazzo (Av. Francisco Matarazzo, 249), Guarulhos (R. Padre Celestino, 108), Núcleo de Idiomas Anália Franco (R. Eleonora Cintra, 137), Núcleo de Idiomas Santana (R. Alfredo Pujol, 369), Núcleo de Idiomas Vila Mariana (Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 180), Itaquera (Av. Itaquera, 8 266), Jabaquara (Av. do Café, 298), Lapa Faustolo (R. Faustolo, 1 347), Lapa Scipião (R. Scipião, 67), Lapa Tito (R. Tito, 54), Nove de Julho (R. Plínio Barreto, 285/4º), Osasco (R. Dante Batiston, 248), Penha (R. Francisco Coimbra, 403), Santa Cecília (Al. Barros, 910), Santana (R. Voluntários da Pátria, 3 167), Santo Amaro (R. Dr. Antônio Bento, 393), Santo André (Av. Ramiro Colleoni, 110), Tatuapé (R. Cel. Luiz Americano, 130), Tiradentes (Av. Tiradentes, 822), Vila Prudente (R. do Orfanato, 316) INTERIOR: Araçatuba, Araraquara, Barretos, Bauru, Bebedouro, Botucatu, Campinas, Catanduva, Franca, Guaratinguetá, Itapetininga, Itapira, Itu, Jaboticabal, Jaú, Jundiaí, Limeira, Marília, Mogi Guaçu, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santos, São Carlos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba, Taubaté, Votuporanga. O que mais a rede Senac São Paulo oferece? Grande Hotel São Pedro – Hotel-escola Senac; Grande Hotel Campos do Jordão – Hotel-escola Senac; Editora Senac São Paulo; Educação a Distância e Atendimento Corporativo. Informações sobre programas, cursos e endereços de unidades: acesse o site www.sp.senac.br ou ligue 0800 883-2000. Senac – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial Administração Regional no Estado de São Paulo Conselho Regional Presidente: Abram Szajman Efetivos: Akira Kido, Alberto Weberman, Argemiro de Barros Araújo, Arlette Cângero de Paula Campos, Elizete Berchiol da Silva Iwai, Garabed Kenchian, Haroldo Silveira Piccina, José Camargo Hernandes, José Carlos Buchala Moreira, José Domingues Vinhal, Márcio Chaves Pires, Pedro Zidoi Sdoia, Rubens Torres Medrano, Ruy Pedro de Moraes Nazarian, Wilson Hiroshi Tanaka Suplentes: Antonio Henrique Medeiros Duarte, Arnaldo Augusto Ciquielo Borges, Atílio Carlos Daneze, Frednes Correa Leite, Gener Silva, George Assad Chahade, José Antonio Scomparin, Ludgero Migliavacca, Luiz Armando Lippel Braga, Maria Elena Silva Taques, Mariza Medeiros Scaranci, Michel Jorge Saad, Oswaldo Bandini, Roberto Arutim Representantes junto ao Conselho Nacional Efetivos: Abram Szajman, Marcio Olívio Fernandes da Costa, Marco Aurélio Sprovieri Rodrigues Suplentes: Dario Miguel Pedro, Edson Gaglianone, Felícia Aparecida de Souza Areias Diretor Regional: Luiz Francisco de Assis Salgado Superintendente Administrativo: Darcio Sayad Maia Superintendente de Operações: Lucila Mara Sbrana Sciotti Superintendente Universitário e de Desenvolvimento: Luiz Carlos Dourado Gerente de Marketing e Relações Institucionais: Maria Pilar Tohá Farré Supervisão: Edison Toledo, Renata da Silva Hernandes Conselho Editorial: Isabel Maria Macedo Alexandre, Maria Pilar Tohá Farré, Rogerio Massaro Suriani, Cláudio Luiz de Souza Silva, Tatiana Pincerno Ribeiro Editora Responsável: Maria Ester Martinho (mtb 2444) Diretora de Arte: Monique Schenkels (Bacabana) Editora de Arte: Dagmar Rizzolo (Bacabana) Editor Assistente: Márcio Ferrari Reportagem: Rodrigo Martins Colaboradores: Giuliana Capello, Henk Nieman Revisora: Maria de Menezes Produção Gráfica: Jairo da Rocha (Finale) Fotolito e Impressão: Atrativa Edição especial - segunda impressão Tiragem: 10.000 exemplares Rua Dr. Vila Nova, 228, 8º andar, CEP 01222-903, Vila Buarque, São Paulo, SP. Fale com a revista Mande suas críticas e sugestões para o e-mail [email protected] 34 ENTENDA O SENAC