XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. CÁLCULO DO CUSTO DE PRODUÇÃO UNITÁRIO DE ESTOJO ESCOLAR: USO DO CUSTEIO VARIÁVEL NUMA PEQUENA CONFECÇÃO Getulio da Silva Abreu (UCAM ) [email protected] Marilia de Fatima da Costa Mello Barroso (UCAM ) [email protected] ALDO SHIMOYA (UCAM ) [email protected] Alan Barreto Mayerhoffer (Eucarístico ) [email protected] O objetivo geral deste trabalho foi encontrar o custo unitário de produção (CP/un.) de estojos escolares de uma pequena confecção de Campos dos Goytacazes - RJ. Os objetivos específicos foram: a) mensurar os componentes do custo de produção: matéria-prima (MAT), mão de obra direta (MOD) e custo indireto de fabricação (CIF). Além das despesas diversas (DD); b) fazer uma demonstração do resultado do exercício (DRE) mensal e c) obter um gráfico de ponto de equilíbrio contábil (PEC) da pequena confecção de estojo escolar. Quanto aos fins, trata-se de um estudo quantitativo, com caráter descritivo; e quanto ao meio de investigação, foi utilizado um estudo de caso in loco. Fez-se um levantamento na própria confecção, com intuito de entender a produção dos estojos escolares. Em seguida, partiu-se para a contabilização dos gastos gerais da pequena fábrica. Por fim, foi possível identificar pelo custeio variável que o CP/un. era de R$9,22/estojo. Com vendas de 750 unidades mensais, a pequena confecção tem um ponto de equilíbrio contábil (PEC) de 158 estojos/mês e margem de segurança (MS) de 79,00%, gerando um lucro considerável de R$ R$2.366,98 ao mês. É notório que o estudo feito pelo engenheiro de produção contribuirá para o gestor adotar melhores práticas no futuro. Palavras-chaves: Custeio variável, Custo unitário de produção, Estojo escolar, Ponto de equilíbrio contábil XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. 1. Introdução O município de Campos dos Goytacazes situa-se no Norte do Estado do Rio de Janeiro, e é famoso no Brasil devido ao petróleo. E possui também atividades voltadas aos pequenos negócios, como: agricultura, pesca, artesanato e confecções. Em geral, os pequenos empresários destes setores menores têm dificuldades em mensurar o custo de produção unitário de seus produtos, e tendem a adotam preços de vendas inadequados. A contabilidade de custos é um ramo dominado pelo engenheiro de produção, visto que este profissional possui boas práticas em cálculo e matemática financeira. E o uso da contabilidade também é um fator positivo. Para Marion (2009), “a Contabilidade é o instrumento que fornece o máximo de informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da empresa”. Auxiliar o pequeno empresário na área de confecções de estojos escolares pode ser uma tarefa simples para um profissional de Engenharia de Produção. Portanto, este artigo contribuirá para que o pequeno gestor saiba apurar adequadamente o custo unitário do seu produto. 2. Objetivos O objetivo geral desta pesquisa foi encontrar o custo unitário de produção de estojos escolares de uma pequena confecção de Campos dos Goytacazes - RJ. Para alcançar o objetivo geral, têm-se os seguintes objetivos específicos: a) Mensurar os componentes do custo de produção: matéria-prima (MAT), mão de obra direta (MOD), custo indireto de fabricação (CIF). Além das despesas diversas (DD) da pequena fábrica; b) Fazer uma demonstração do resultado do exercício (DRE) mensal para verificar se houve lucro ou prejuízo no período considerado; c) Criar um gráfico de ponto de equilíbrio contábil (PEC) da pequena confecção de estojo escolar. 3. Revisão de literatura 3.1. Terminologia básica da contabilidade de custos Em contabilidade, os conceitos básicos devem ser entendidos pelos gestores adequadamente. Por isso, fez um apanhado geral nas principais definições, de acordo com a terminologia- 2 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. padrão de diferentes autores. Segundo Leone (2009), a contabilidade de custos é um segmento da contabilidade utilizado para gerar informações aos diversos níveis gerenciais de uma entidade, como auxiliar determinadas funções de desempenho, do planejamento e controle das operações de tomada de decisões. 3.1.1. Gasto ou dispêndio Ferreira (2012) define gasto como uma contrapartida necessária à obtenção de um bem ou serviço. Segundo este autor, na compra à vista de bens, o gasto corresponde à redução do ativo, em virtude do pagamento. Se a compra for adquirida a prazo, o gasto representa o aumento do passivo, em razão da obrigação consumida. Os salários de um determinado período representam um gasto (pago ou a pagar). Martins (2010) aduz que “só existe gasto no ato da passagem para a propriedade da empresa do bem ou serviço, ou seja, no momento em que existe o reconhecimento contábil da dívida assumida ou da redução do ativo dado em pagamento”. 3.1.2. Desembolso ou desencaixe Martins (2010) define desembolso como o “pagamento resultante da aquisição de bem ou serviço”. Alguns conceitos podem ser confundidos, como o desembolso e o recebimento. Bruni e Famá (2010) mencionam que recebimentos e desembolsos devem ser contabilizados segundo o regime de caixa, ou seja, quando, de fato, ingressarem ou saírem da conta Caixa do Balanço Patrimonial. Tais autores usam as seguintes definições: a) Recebimentos: correspondem aos ingressos de recursos no Caixa da empresa; b) Desembolsos: representam a saída de recursos financeiros do Caixa da entidade. 3.1.3. Investimento Martins (2010) define investimento como gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuro(s) período(s). Lima (2010) cita alguns exemplos de investimentos, como: a aquisição de móveis e utensílios, aquisição de matérias-primas, aquisição de imóveis, etc. 3 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. Portanto, um investimento inicial, dependendo de seu direcionamento na empresa, pode tornar-se um custo ou uma despesa. Por exemplo, ainda de acordo com Lima (2010), no momento em que as matérias-primas adquiridas pela empresa passam a ser utilizadas no processo de bens e serviços, deixam de ser considerados investimentos e passam a ser considerado custo de produção. 3.1.4. É custo ou despesa? Custo não é sinônimo de despesa. Nunca foi. Martins (2010) afirma que custo e despesa têm sentido próprio, assim como investimento, gasto e perda. Por isso, quando há referência à Contabilidade de Custos, o conceito de custos refere-se apenas aos bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços. Martins (2010) confirma que leigamente a palavra custo sugere preço original de aquisição de qualquer bem, por exemplo, é comum dizer: “custo de uma obra”, “custo de um automóvel”, “custo de uma consulta” etc. No campo da Contabilidade de Custos, a classificação destes em fixos e variáveis permite compreender a natureza do seu comportamento para que se possa agir sobre ele (MARTINS e ROCHA, 2010). Os autores Martins e Rocha (2010) ainda afirmam que custos fixos são aqueles cujo montante não é afetado pelo volume de venda, dentro de determinado intervalo de nível de atividade. E os custos variáveis são aqueles cujo montante é afetado de maneira direta pelo volume, dentro de determinado intervalo de nível de atividade. Com foco nos produtos fabricados, segundo Bruni e Famá (2010), os custos podem ser: a) Diretos: estão diretamente ligados ao cálculo dos produtos. Por exemplo, os materiais diretos usados na fabricação de novos produtos e a mão de obra direta para a fabricação. Podem ser mensurados de maneira clara e objetiva. b) Indiretos: têm uma característica de ser mensurado, identificado e quantificados indiretamente. Por isso, necessitam de algum critério de rateio para chegar a uma atribuição do valor deste custo. O ideal seria que todos os custos fossem diretos, pois haveria uma precisão maior nos cálculos. Silva e Lins (2013) definem despesa como “recursos consumidos direta ou indiretamente na forma de um bem ou serviço com o intuito de obtenção de receitas”. Iudícibus e Marion (2011) comentam que as despesas operacionais são as necessárias para vender os produtos, 4 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. administrar a empresa e financiar as operações. Ou seja, os autores aduzem que são todos os gastos para manter a manutenção da atividade operacional da empresa. 3.1.5. Perda e desperdício Perdas são gastos imprevistos que não trazem nenhum tipo de retorno para a empresa. Para Bruni e Famá (2010) “perdas representam bem e serviços consumidos de forma anormal. Consiste em: (i) um gasto não intencional decorrente de fatores externos extraordinários ou (ii) atividade produtiva normal da empresa”. O conceito de desperdício, segundo Wernke (2005), é mais difundido na área de Engenharia de Produção do que na seara contábil ou administrativa e pode englobar os custos e as despesas utilizados de forma não eficiente. São considerados desperdícios os gastos relacionados com atividades que não agregam valor, do ponto de vista do cliente, que implicam dispêndio de tempo e dinheiro desnecessários aos produtos (ou serviços). 3.1.6. Receita Para Iudícibus e Marion (2011) a receita corresponde, em geral, a vendas de mercadorias ou prestações de serviços. Ela aparece (é refletida) no Balanço através de entrada de dinheiro no caixa (receita à vista) ou entrada em forma de direitos a receber (receita a prazo). Santos (2009) afirma que a receita de vendas é reconhecida no momento da entrega dos produtos, mercadorias e serviços aos clientes compradores. E receita bruta corresponde ao preço total cobrado pelos produtos e serviços fornecidos aos clientes, cuja receita bruta é reconhecida no momento da entrega, acompanhados pelas respectivas notas fiscais de vendas. 3.2. Custos de produção O custo de produção representa o custo total de fabricação de produtos completados durante o período atual. Os custos atribuídos para produtos acabados são os custos de manufatura de materiais diretos, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação (HANSEN e MOWEN, 2003). Segundo Santos (2009) os custos de produção podem ser detalhados, como: 5 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. a) Matérias-primas (MAT): correspondem aos materiais diretamente aplicados para a obtenção de um produto final. b) Mão de obra direta (MOD): elemento utilizado para transformação dos materiais diretos em produto. A mão de obra direta, bem como os respectivos encargos sociais, pode ser claramente identificada com o volume operacional de atividade (unidades produzidas, horas-máquina ou homens-hora). c) Custos indiretos de fabricação (CIF): são os outros custos que complementam uma atividade e são incorridos de forma indireta ou geral, beneficiando dessa maneira, todos os bens ou serviços produzidos ou serviços prestados. Exemplos de insumos que são necessários para a obtenção do produto final, porém não mantém qualquer relação direta: supervisão geral da fábrica, limpeza, segurança, depreciação, energia elétrica, água, peças de reposição de equipamentos etc. 3.3. Custeio variável ou marginal O método do custeio variável, segundo Martins e Rocha (2010) consideram como sendo dos produtos exclusivamente seus custos variáveis, somente eles. Todos os custos fixos, inclusive os identificáveis com os produtos (custos fixos diretos), são debitados ao resultado do período em que são incorridos. A Figura 1 mostra a lógica deste custeio. Figura 1 - Modelo de apuração do lucro segundo o custeio variável 6 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. Fonte: Adaptado de Ponte, Riccio e Lustosa (2007) Pela Figura 1 é possível perceber que na demonstração do resultado do exercício (DRE) mensal consta uma margem de contribuição. A margem de contribuição (MC) unitária pode ser obtida, segundo Martins e Rocha (2010), como: MC/un. = PV – CV – DV, em que: MC/un. é a margem de contribuição por unidade, PV é o preço de venda unitário do produto, CV é o custo variável unitário do produto e DV é a despesa variável do produto. É comum expressar a MC em percentual, sendo conhecida como Índice de Margem de Contribuição (IMC). Para encontrá-la, basta dividir a MC unitária pelo preço de venda unitário (PVun.) do produto ( IMC MC/un. ). Para Garrisson, Noreen e Brewer (2007), “o PVun. índice MC é extremamente útil, porque mostra como a margem de contribuição será afetada por uma variação das vendas totais”. 3.4. Ponto de equilíbrio (PE) 7 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. Segundo Horngren, Datar e Foster (2004), “o ponto de equilíbrio (PE) é a quantidade de produtos vendidos em que as receitas se igualam aos custos totais – ou seja, a quantidade de produção vendida em que o lucro operacional é $0”. Bruni e Famá (2010) argumentam que quanto mais próximo a empresa estiver do ponto de equilíbrio, mais arriscada será a sua situação. Ou seja, é maior a chance de deixar de ter lucros e passar a gerar prejuízos. A Figura 2 mostra a forma do gráfico do ponto de equilíbrio contábil. O ponto de equilíbrio, então, é importantíssimo numa pequena empresa de confecções, pois ele mostrará até que ponto pode as vendas podem variar sem que a empresa tenha prejuízo. E mais, permitirá que gestor se questione até que ponto é possível produzir de maneira satisfatória. 3.4.3. Ponto de equilíbrio contábil (PEC) Para Coronado (2006), o ponto de equilíbrio contábil “é o nível de faturamento de que a empresa necessita e que, deduzido das despesas variáveis, resulta na margem de contribuição que cobre os custos e despesas fixas, obtendo-se um lucro [...] zero”. O PEC pode ser calculado em unidades pela fórmula: PEC unidades Gastos Fixos (R $) . MC(R $) Figura 2 – Ponto de equilíbrio contábil 8 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. Fonte: Adaptado de Bruni e Famá (2010) 4. Metodologia 4.1. O ambiente de estudo A pesquisa foi realizada numa pequena confecção localizada no município de Campos dos Goytacazes – RJ, de propriedade de um único dono, que trabalha no ramo na fabricação de estojos escolares para complementar sua renda mensal. Ao mês é fabricada uma média de 800 unidades de estojos (≈27 un./dia), entre design masculino e feminino, porém com os mesmos mecanismos de produção. Normalmente, o dono leva 15 min para produzir uma unidade do produto. As vendas mensais dos produtos giram em torno de 750 unidades por mês, e o preço de venda aplicado pelo pequeno empresário é de R$14,00/un. Em geral, as receitas são intensificas nos inícios de semestres acadêmicos e/ou escolares, principalmente nos meses de janeiro a março. 4.2 A pesquisa Quanto aos fins, este artigo é caracterizado como quantitativo, com caráter descritivo. Quanto ao meio de investigação, foi utilizado um estudo de caso in loco. Segundo Vergara (2005), a pesquisa descritiva objetiva expor características de determinado fenômeno, sem ter o compromisso de explicar os fenômenos que descreve, porém serve de base para tal explicação. Gil (2010) comenta alguns propósitos dos estudos de caso, como: 1) explorar situações da vida real cujos limites não estão claramente definidos; 2) preservar o caráter unitário do objeto estudado; 3) descrever a situação do contexto em que está sendo feita uma determinada investigação etc. O estudo foi realizado em três momentos. No primeiro, fez um levantamento na própria confecção, com intuito de entender o processo de fabricação dos estojos escolares. Num segundo momento, partiu-se para a contabilização dos gastos gerais da pequena fábrica: MAT, MOD, CIF e DD. Por fim, foi possível identificar se a empresa obteve lucro ou prejuízo no mês analisado, por meio da DRE e do PECunidades. 5. Resultados e discussões 9 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. 5.1. Cadastro de matérias-primas (MAT) Para contabilizar a quantidade de matérias-primas requeridas numa única unidade de estojo foi necessário fazer uso da Tabela 1. Nesta encontram-se descritos os componentes utilizados, a quantidade solicitada (a) e também o preço unitário (b) de cada item. Depois, multiplicou-se a quantidade pelo preço unitário para encontrar o custo total (a x b) dos materiais que compõem os estojos escolares. É importante saber que os custos com embalagens do produto são configurados como MAT. Tabela 1 – Custo com matéria-prima por unidade de estojo escolar Ingredientes Tecido Duratan (24x24cm) Zíper Cursor Linha branca Linha nylon Cartolina (10x10cm) Grampos Embalagem (12x30cm) MAT/un. Qtde. (a) 0,48 m² 0,27 m 1,0 un. 2,0 m 2,0 m 100 cm² 3,0 un. 1,0 un. Preço unitário (b) R$ 10,75/m² R$ 0,40/m R$ 0,07/un. R$ 0,003/m R$ 0,001/m R$ 0,0001/cm². R$ 0,0005/un. R$ 0,05/un. Custo total (a x b) R$ 5,1600 R$ 0,1080 R$ 0,0700 R$ 0,0060 R$ 0,0020 R$ 0,0100 R$ 0,0015 R$ 0,0500 ≈R$ 5,41 Percebe-se que mensalmente, para uma produção de 800 un. de estojo por mês, que o custo com MAT é de R$4.328,00, pois MAT/un. foi de ≈ R$5,41. Figura 3 – Estojos escolares prontos para venda Os estojos são direcionados à venda em embalagens organizadas pelo próprio dono empresa. Necessita-se de um pedaço de cartolina de 10x10 cm, um saquinho plástico de polietileno para embalar o estojo e grampos para lacrar a embalagem. Em seguida, faz-se um furo no 10 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. centro da cartela para, quando necessário, os revendedores pendurem os produtos em gôndolas. 5.2. Cadastro de mão de obra (MOD) A MOD considerada é a do próprio dono da empresa. Para saber o valor da MOD/h da produção de estojos foi necessário simular um Funcionário A contratado pelo empresário. Por isso, a MOD encontrada será a de um possível Funcionário A, conforme Tabela 2. Isto é reforçado com a afirmação de Santos (2009), que diz que nos casos em que existem trabalhadores envolvidos na atividade e não são remunerados, deve-se computar um valor que corresponderia ao salário de um funcionário para exercer determinada função. O Funcionário A ganharia, caso contratado, R$1.600,00 na carteira, com jornada de trabalho de 40 h semanais, de segunda a sexta-feira (com compensação dos sábados), totalizando 200 h trabalhadas no mês e o seu salário por hora seria de R$ 8,00/h (R$1.600,00/200 h). No ano, o Funcionário A não trabalharia nos casos: a) nos 15 feriados (nacionais e municipais), b) nos 48 dias de repouso semanal remunerado (referente aos domingos) e c) nos 30 dias de férias garantidos por lei. Então, conclui-se que ao descontar os dias ausentes de 365 dias no ano, o trabalhador comparecerá à empresa 272 dias. Sendo a semana de trabalho (40 h) considerada de 6 dias, tem-se uma jornada diária de ≈6,6667 h/dia (40/6), totalizando ≈1.813 h/ano (272 × 6,6667). Considerando aos dados anteriores, na Tabela 2 encontra-se o resumo da folha do Funcionário A. Verificou-se, pela mesma tabela, o valor da MOD/hora deste profissional; de acordo com as leis trabalhistas. Os encargos legais foram com: FGTS (8,0%) e INSS (20,0%), totalizando 28,0%. Tabela 2 - Resumo da folha dos do Funcionário A Descrição Salário Repouso remunerado Férias Adicional de férias 13° salário Feriado Subtotal Acréscimos legais Total Cálculo 1.813 × 8,00 48 × 8,00 × 6,6667 30 × 8,00 × 6,6667 1.600,00 / 3 30 × 8,00 × 6,6667 15 × 8,00 × 6,6667 28,0% A (R$) 14.504,00 2.560,01 1.600,01 533,33 1.600,01 800,00 21.597,36 6.047,26 27.644,62 11 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. MOD/h MOD/min TOTAL/mês 27.644,62/1.813 15,25/60 6,6667 × 15,25 × 30 ≈15,25 ≈0,254 ≈3.050,02 O salário mensal do Funcionário A, foi calculado multiplicando-se o número de horas de trabalho por dia, pela MOD/h e o número de dias que o funcionário trabalha por mês (30 dias). Desse modo, MODFuncionário A 6,6667 15,25 30 R$3.050,02 . Para produzir uma única unidade do estojo são gastos 15 min de mão de obra, sendo a MOD/min = R$0,254, tem-se a MOD/un. de R$3,81. 5.3. Cadastro de custos indiretos de fabricação (CIF) e despesas diversas (DD) Os valores dos CIFs foram estimados segundo informações do proprietário, sendo agrupados na Tabela 3. É válido lembrar que quando uma pequena fábrica produz apenas um tipo de produto, não há necessidade de criar uma base de rateio. Sabe-se que os estojos são diferenciáveis por cor e tipo (masculino e feminino), porém estas diferenciações não impactaram nos custos dos mesmos. Por isso, considera-se a pequena confecção produtora de um único tipo de produto: o estojo escolar. Foram consideradas como CIFs as depreciações dos maquinários da empresa, que tem máquinas de costura, tesouras, estiletes, grampeadores, agulhas etc. Estimaram-se os valores atuais dos equipamentos, e em seguida, foi atribuída uma porcentagem residual (10%) e uma vida útil de 60 meses, chegando-se a valor de 18,00/mês com depreciações. Tabela 3 – Custos indiretos de fabricação mensais Itens Depreciação mensal* Energia elétrica da confecção IPTU Manutenção da máquina de costura Materiais diversos Telefone da confecção TOTAL/mês CIF(fixo) (R$) 18,00 250,00 25,15 20,00 100,00 38,70 451,85 *Bens já totalmente depreciados A confecção conta com um telefone fixo para atender as chamadas referentes aos negócios da fábrica. E o dono fez um plano mensal numa determinada operadora, cujo valor é de 12 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. R$38,70/mês. O valor de R$100,00/mês de IPTU corresponde ao valor total do mesmo (R$301,08) dividido por 12 meses. As despesas diversas (DD) representam os gastos incorridos na confecção com objetivo de gerar receitas aos períodos futuros. Com maior valor está o preço pago a uma diarista (R$140,00), que pelo menos 1 vez na semana limpa e organiza o espaço da pequena fábrica. Tabela 4 – Despesas diversas mensais DD(fixa) (R$) 78,15 55,00 140,00 30,00 303,15 Itens Água da residência (15 m³ a R$5,21/m³) Materiais diversos de limpeza Diarista para limpeza da residência Outras despesas gerais TOTAL/mês Consideraram-se os CIFs e as DDs apurados como fixos no mês analisado. Então, somando-se os valores presentes nas Tabelas 3 e 4, chega-se ao valor de gastos fixos de R$ 755,00/mês. O que representa um custo fixo/un. de R$0,94, aproximadamente. 5.5. Custo unitário de produção dos estojos (CP/un.) De posse dos integrantes do custo de produção de estojos, foi possível conhecer o custo de produção total e unitário da pequena confecção, segundo o custeio variável (Tabela 5). De acordo com o custeio variável, os custos variáveis compõem o custo de produção e os custos fixos irão impactar no resultado do exercício (Tabela 6). Os valores de MAT e MOD somados foram considerados variáveis, totalizando um CP de R$7.378,02/mês. Somando-se o valor de MAT/un. e MOD/un., chega-se ao valor de R$9,22, que é CP/un. Observa-se que se fossem somados os valores mensais de MAT e MOD, e em seguida, fosse dividido pela quantidade mensal de estojos (800 un.), o valor seria também de R$9,22 (Tabela 5) de custo variável unitário. Tabela 5 – Custo de produção dos estojos pelo custeio variável CP MAT MOD TOTAL Valor Total (R$/mês) 4.328,00 3.050,02 7.378,02 CP/un. (R$/un.) 5,41 3,81 9,22 13 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. O dono da confecção vende uma média de 750 unidades de estojo escolar ao preço unitário de 14,00. Normalmente as lojas que compram o produto o revendem por R$20,00 reais, aproximadamente. Considerando os gastos fixos no período de R$755,00/mês , verifica-se com o auxílio da DRE (Tabela 9), um lucro mensal de R$2.366,98. Tabela 6 - DRE mensal da confecção DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO MENSAL (custeamento variável) Receitas líquidas de vendas (750 un. a R$14,00) R$10.500,00 ( - ) Custo do produto vendido (R$7.378,02) ( = ) Lucro marginal R$3.121,98 ( - ) Gastos fixos (CIF + DD) (R$755,00) ( = ) Lucro operacional R$2.366,98 5.7. Ponto de equilíbrio contábil (PEC) Antes de encontrar o ponto de equilíbrio contábil da pequena confecção fez necessário saber o valor da MC/un. Portanto, ao subtrair o valor do preço de venda (PV) de R$14,00 pelos custos variáveis unitários (CV) de R$9,22, sendo igual a zero (“0”) as despesas variáveis (DV), o valor de MC é de R$4,78/un. e um IMC de 0,3414 ou 34,14%. Ao dividir os custos fixos mensais pela MC obtém-se um PEC de ≈158 unidades, que ao ser multiplicado pelo preço de venda corresponde a R$2.212,00 (PEC$). Então, com auxílio do Excel 2010 encontrou-se o PEC da confecção, segundo a Figura 4. Ao subtrair o valor das vendas (750 un.) pelas vendas no ponto de equilíbrio (PEC), encontrase 592 unidades (79% das receitas). Ou seja, as vendas podem cair até este patamar sem prejudicar a pequena fábrica de estojos escolares. Tal valor em percentual é chamado de margem de segurança (MS). Figura 4 – Ponto de equilíbrio contábil da produção de estojos escolares 14 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. 6. Considerações finais O trabalho permitiu encontrar, de maneira simples e breve, o custo de produção unitário de estojo escolar da pequena confecção, que foi de R$9,22/un. É inquestionável que o dono da empresa, adotando estas práticas, poderá se posicionar melhor no mercado. O pequeno empresário encontra-se bem posicionado no negócio, com um lucro operacional de R$2.366,98/mês. As receitas ultrapassaram bastante os custos de produção. É possível perceber que há 79% de folga (MS) nas vendas até caírem ao valor do PECunidades. Seria interessante reduzir o custo com MAT/un., pois foi o que mais consumiu valor monetário. Sugere-se que o pequeno proprietário busque novos fornecedores, com preço de compra mais baixos, por exemplo, do tecido especial Duratan, que onerou em maior grau as matérias-primas requeridas no mês. Espera-se que este trabalho sirva de base para outros pequenos empresários consigam tomar decisões mais bem acertadas nas empresas. REFERÊNCIAS BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços: Com aplicações na calculadora HP 12C e Excel. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 15 XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10 Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014. CORONADO, O. Contabilidade gerencial básica. São Paulo: Saraiva, 2006. FERREIRA, R. J. Contabilidade de custos: Teoria e questões comentadas conforme a Lei das S/A e pronunciamentos do CPC. 7. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2012. GARRISON, R. H.; NOREEN, E. W.; BREWER, P. C. Contabilidade Gerencial. 11. ed. 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